Ano IV

A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

A Textura desse Abismo chamado Consciência

Ano IV

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

Introdução:

A Consciência desse Abismo de Texturas
"A arte existe para que a verdade não nos destrua" F. Nietzsche

A textura desse abismo chamado consciência é uma busca, um exercício, um esforço em alcançar a tessitura da própria realidade que se espelha na criação poética emanada do âmago do poeta. A força por detrás desses três conceitos é mais do que energia, é uma pulsão motriz: TEXTURA ABISMO CONSCIÊNCIA

“A textura é o tecido urdido à partir da roca de nada e precipícios inauditos ao a consciência destemida se lança em sua continua busca pela liberdade, pelas possibilidades de expressão, pela sua instalação enquanto algo palpável, e quiçá perpétuo, no mundo, em forma de fenômeno textual, em forma de idéia, em forma de uma beleza que expresse à consciência pessoal. O abismo pode conter tudo, nele o vão se arroga como aberto do mundo, devorador de horizontes, profundeza composta por paredões que ao invés de reprimir dá o sentido de inescrutabilidade maior, dá o sentido de grandeza que abarca, o abismo é pois como um Titã que em constante ação para realizar sua impassiva intenção, como si revelando-se igual à consciência desvela também a grandiosidade do espírito do artista e o pacto que este tem com a própria poesia. O poeta então, este pactuado com o a língua, este sedutor que usa como arma o imagético condensado, o qual extrai de dentro de si (pois dentro de si há o enorme aberto onde pode passar, abrigar e conter tudo). A consciência seria a memória, seria o relicário repositório da existência, o ser-aí, o espírito em constante convulsão enquanto queda até o fundo do abismo ou sobre este paira, emanando a trama de sua essência e existencialidade: realização & imaginação! Fia a consciência/abismo o tecido dos sentimentos, a enorme fazenda multicolorida que há de ir cobrindo, agasalhando, servindo de véu e bandagem para todos os desdobramentos do poeta enquanto „porta voz‟

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de si mesmo e da tempestade aberta sobre o mundo: ele mesmo, o poeta, a consciência no fundo desse abismo de textura...” E assim continua a busca pela expressão disposta em um espaço banal e virtual onde se possa expressar como o reflexo na superfície de um lago calmo que é a internet. Durante os trabalhos desse quarto ano de blogagem a Textura foi se expandindo de acordo com a própria levada da vida do poeta, dispondo no espelho cibernético algumas reflexões. Tocando em frente, pois o abismo não tem fundo...

e.m.t

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Ano IV
2011 e.v.
Retro 2010 expectativas 2011

2010 Um ano para se lembrar e agradecer, promessas de novidades para a próxima década. 20 10 11 ... Diversos „adeuses‟,

Muitos „olás‟!

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Aparei grossas arestas,

com a Força da Serena Luz!

Que possamos todos preparar uma década de Felicidade com a energia de Amigos antigos e novos que vieram acrescentar Beleza ao caminho...

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Nascer & renascer sempre, Ser...

Neste sereno recanto com seus cantos cheios de encantos, que é onde sempre estou, e onde o dia sempre renasce!

Para todos desejo feliz Ano Novo! Um Excelente 2011!

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Felicidade

Certas coisas insistem em querer me dizer que no passado existiu a felicidade... Certas coisas insistem em me dizer: a felicidade já esteve por aqui... Nessas paragens dos mandriões insuperáveis coisas sim, coisas não, apontam para o passado, & de lá clamam que a felicidade existia...

Eu reviro fotografias amareladas pela luz dos tempos em que elas ficaram escondidas, no escuro dos fundos das gavetas de armários criadouros de mofo; Eu as vejo, eu ouço o silêncio daqueles mortos, daqueles idos, daqueles que agora estão indo, Eu reparo na imobilidade silenciosa do segredo mudo que eles guardam, como fuga do passado - os que não pereceram fugiram para o agora E agora eles guardam os segredos de suas magoas, de seus não mal resolvidos, dos seus sim arrependidos, do seus nuncas que nunca permaneceram... Eu revivo esses arquivos mortos e moribundos do passado e não ouço deles saudades do futuro, não sinto inveja deles - mentira Certas coisas insistem em não querer me dizer toda verdade, Que a felicidade está sempre sendo perseguida, clamando por ser encontrada ela indecentemente se esconde diante dos nossos pudores Nossos clamorosos pudores de tempo & espaço, Nossos pudores não revelados de ressentimento do tempo & do espaço,

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Inocentes são de nossas derrotas eternizadas na progressão das fotografias, Perdemo-nos para a vida, nos ganhamos a morte, Ganhamo-nos tempo e perdemos tanto Perdemos como quem joga sementes em campos de pedras, Nós perdemos na medida em que não sabemos perder... Certas coisas insistem em querer me dizer que no passado existiu a felicidade... Existia como sossego - mas os anjos não nos contaram que qualquer sossego sempre acaba; Existia como simplicidade - mas não aprendemos com ela e não a guardamos para horas que as complicações florescessem; Existia como infância -mas dos mais ledos enganos, o engano da infância é o maior porque ela só acaba para quem criança deixa de ser; Existia a felicidade como uma quase solidão, a felicidade existia como uma pré-dispersão, ...e nossos bisavós e nossos avós e nossos pais preferiram o ataque ao cerne do fascínio do progresso lúgubre do concreto do que a resignação nas imediações das charnecas prodigiosas de seus quintais...

A felicidade se afasta de nosso mundo na medida em que os quintais são cimentados... A felicidade desiste de nós cada vez que um motivo próprio para nascer é superado por um motivo alheio para morrer... A felicidade está cada vez mais distante cada vez que distante no passado acreditamos que ela existiu... Essa mentira é o controle que aterra os quintais, que desmembra as quinta, que embrutece o rústico e suaviza a dor de se querer o que está diante dos olhos!

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Esse Seu Sempre em Mim

De novo à propósito deste mesmo “sempre” Todos meus encontros com você se tornam poesia. E mesmo nesse despropósito de um “nunca mais” entre “você & eu”, Esses são os únicos poemas que eu escrevo com meu sangue e com um pouco deste vasto resto do que me resta de você em mim: -O turbilhão de sentimentos de uma paixão!

...e me reencontrei com você hoje em um desses alvoroços do mais puro acaso; ...me reencontrei com você, e da eterna ferida aberta que cultivo jorrou o sangue com o qual escrevo essas linhas; ...letras que são rasgos em minha carne, ...frases que são cortes em minha alma, ...expressões de carinhos de espinhos que deposito nesse meu coração que nunca irá esquecer
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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV o que foi você para mim...

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Não conquisto exaustão nenhuma no anelo de assim me machucar. Adoro essa dor! - Vêm de você! Não secreto antídoto nenhum no zelo de assim me envenenar. Amo esse morrer! - Vêm de você!

Adoço essa doença única que gela meu corpo todo e acelera meu coração que rubra todo meu rosto e lacera meu pendão, E faz emergir do vazio fundo que você em mim deixou toda essa estranheza que tem seu nome: “L.”

E no centro alucinante do turbilhão, Giro lúcido acusado pela reverberação desse refrão que retorna sempre quando você retorna; O qual ouço com o tremor de minha carne,
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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV O qual leio com o trincar dos meus ossos, O qual repito com o temor de minha carência:

e.m. tronconi

“- Eu Aprendi a Amar Com Você! -”

Por isso é & será sempre assim...

Uberlândia, 10 de Fevereiro de 2011 - 09:50 h

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ÜberUber...

Ver além da visão A cidadealém do olhar, Onde a visão é um desnudar E o instante dádiva da aparência Que nunca mais aparecerá...

A cidade além da cidade É a construção da idade que está, O Tempo O Espaço O Lugar & O Observador Convergem nesse enxergar...

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Considerações Contemporâneas 1

República da Sempre Crescente Mediocridade Domingo midiático. O país assiste à despedida inanunciável do grande gênio da raça brasileira de sua importantíssima profissão. o fenômeno Ronaldo Nazário dependura suas chuteiras: a audiência explode em ovação! O gênio da raça, sucumbido pela revolta popular daquilo que melhor representa a civilização brasileira, a agremiação, a torcida louca-máxima do grande expoente da cultura nacional: o futebol – a audiência enlouquece e clama por gols... por títulos, por copas do mundo... e todos os demais negócios sujos e encobertos pelas paixões enrustidas de todas as torcidas mundo afora... os reich de cada cidade! Toda tecnologia midiática é voltada para o grande gênio da raça expor seus sinceros e profundos motivos para abandonar os campos, arrancando dó, lágrimas e saudosismos imediatos da audiência que baba fenomenalmente sob um discurso nababesco nas salas de suas casas e nos estádios de futebol tarde afora. E o timão vence mais uma partida depositada agora no altar de imolação em homenagem ao gênio fenomenal da raça rumo à aposentadoria. Entremeio à uma louvação e outra e mais outra, um programa de TV e outro e mais outro, a mediocridade de toda uma nação e toda sua estupidez é escancarada no desfile pela passarela midiática, por entre imensos sorrisos de uma felicidade fenomenal boiando por entre bordões bombados que vai divertindo todo o povo brasileiro, do morro aos confins da internet: uma esquentada apologia à alegria da pobreza geral.
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No mundo: estranhas revoluções populares convulsionam o “mundo árabe” dando a tônica nos noticiários que falam mais do gênio da raça aposentado – a liberdade desaba sobre as ditaduras da África... No Brasil: a policia de Belo Horizonte massacra civis depois de não receber propina dos traficantes de droga - a liberdade desaba sobre os súditos das ditaduras da impunidade... E no mundo: um terremoto agora devasta a ilha de uma nação branca e rica, a liberdade desaba no Haiti e na nova Zelândia... Mas no Brasil: o chão treme, o grande framengo é sagrado judicialmente como o maior, o insuperável, o hipersupermega campeão do futebol nacional, e vai ter festa especial a felicidade não pára de desabar sobre esse povo privilegiado de uma terra onde não há terremotos... E o carnaval se aproxima enquanto o niilismo máximo do Big Brother Brasil 11 arrebata a atenção e as forças psicológicas e intelectuais de todas as mentes parcamente instruídas por anos e anos de novelas e pregações de pastores midiáticos noite adentro expondo assim o conflito final da raça, escondido que sempre esteve por debaixo dos índices de audiência concernentes ao valor do minuto/dollar da propaganda no horário nobre: sucumbimos à imbecilidade plena, em nome da liberdade advinda graças ao progresso e a ordem que há de continuar escondendo com discursos inteligentes e desavergonhados – já que tudo sempre esteve perdido mesmo – sublevando e varrendo pra debaixo do tapete verde dos campos de futebol todos os crimes da autodeterminação da banalidade pela qual nosso povo optou.

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Rosto

Rosto ...uma máscara fruto da sorte... ...uma carapaça fulcro da trapaça...

Rostrum Atávico anátema ou benfazejo das agruras & doçuras do corpo inteiro... “Corpus vivendis”. Rosto enrosco de nada & carne. Remoinho remoído remoente que inquieta & remansa: -Minha cara!

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Rosto meu Uma tal rota traçada na interface de um mapa espelhado face a face no espelho interdito dos ditos da cara.

Carântula Mascara! Esse emaranhado com ranhuras, distensões & cicatrizes, Tudo moldado em cima da símia herança que é o esqueleton do crânio Óssea caída de Pandora de ressonância pessoal.

Meu rosto é o lótus & o lamaçal O broto que se abre aqui vindo de algures interdimencionais direto para meu tempo presente, Aflorar brotoejo como cara,

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV pra todo mundo ver...

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Isto é o meu “cara à cara” com o agora, Minha “cara à tapa” para a realidade encouraçar, A “fronte à cuspe” donde escorre & destila a seiva dessa madeira-de-lei: Cara de pau!

Meu rosto é o final do repuxo de um nexion onde não cresce limo. Mas meu rosto é depredado & nodoso Pela vergonha própria
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Pelo desprezo alheio Pelas desculpas recorrentes Pelas bênçãos necessárias Pelos sorrisos desusados & os socos recebidos & os sarros aparados os anseios infligidos, os desejos reprimidos os muros erguidos, os gritos sufocados os choros guardados, o suor escorrido, Tempestades isoladas & surpresas insuperáveis...

E é com isso,

Esse rosto essa máscara Essa cara esse monólito Essa face esse contraste Pau pra toda obra Com que vou encarando à tudo & à todos...

(Peço então continuem
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não me olhando nos olhos! Peço que continuem me jogando verdades na cara! Peço que desviem & riam & refugam... „Desprezar antes de ser desprezado... ou devoradas com os olhos!‟ Pois eu também repugno esses encontros do acaso... E eu sei, olhando na cara de quem eu realmente amo, Que nem o tempo ou nada na face da terra Muda meus sentimentos por „aquele rosto lindo‟ Que comigo adentra nos tempos... moitas de espinhos...)

Esse meu rosto essa minha cara essa minha face

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV É tudo que dou para o mundo enojar-se! Esse meu resto essa minha tara essa minha praxe É tudo que tenho para ao mundo embelezar!

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Japão Irradiante

Nippon desde sempre bailas nessa tribulação Com o solo Com a água Com o átomo

地震 津波 放射

Nippon tremula assim tua bandeira Sol, Mar, Terra Hasteada em memória retroversa Imperando irradiantemente mortal teu Sol Nascente.

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Tempestuoso Colibri

Naquela tarde em que tudo era uma chuva só lá fora, Nesse dia em que o êxtase das tempestades caia aqui dentro de nós, Eu observava o cume de uma árvore no deleite de um sol que à tudo clareava mesmo com tais brumas grossas de nimbos ocultando todo o azul & branco do céu; Esse azul & branco que é do Sol também... Inocultável!

E naquele momento de expansão, Atordoada & mansa você se sentou pelo caminho. Ali eu quis lhe falar, eu quis lhe mostrar os cumes das árvores, Mas respeitei aquele momento, Respeitei esse nosso momento de elétrico êxtase silencioso & tempestuoso quando somos dia & noite, quando somos lua & mar; Essa tempestade calma que é do Sol também... Indefinível!
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Eu quis lhe dizer que sob a chuva & a claridade no lugar mais alto das árvores Haviam ninhos de beija-flores...

...E que todas essas nossas torrentes tempestuosas são apenas o bater de asas de um beija-flor dentro de nós!

e.m.t

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Portipholio Nimblicum

Minha coleção de nuvens Ocasionais & momentâneas Que nunca mais se repetirão na ampla tela estratosphérica dos céus, Permeando os abismos inauditos que vão do amparo de nossos pés até a morada sempiterna da mente da mente;

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV Cometas fumegosos Campos pomposos Asas de Anjos Zoológico cândido;

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Baile d‟água condensada na ciranda das marés alvas & azuis cujo os ventos inventam & lavram, Inundando o céu de hálito de águas atmosphéricas & o chão de sombras frescas;

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Rastros de rumos de ventos & ventanias Vestígios de tornados Brisas de trombas Trovões cantados em duetos;

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV Iluminadas pela Lua argenta Plumbia plata dissoluta no nubledo Exalam paisagens de sonhos sertanejos inalcançáveis como uma aurora inversa, Alumbramentos de deslumbres obscuros dos madrigais que penetram nas noites nuvens adentro;

e.m. tronconi

Ninfas transcendentes de ocaso & caos Arte temporal de eventos & ventos Lumes interdependentes para sombras ocasionais Mensageiras insossas de chuvas gratuitas Sublime neblinado véu das horas lentas & esquecidas Da terra aos céus;

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Rios irrisórios represados nos céus do mundo Estratosphéricas & abhissais diante do olhar terrestres Que junto vai em devaneios de seguir nessa correnteza quase imaterial; E irremediáveis céus me trazem seu ébano safira sephirótico marcando pulverizadamente os limites da minha prisão;

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV Enquanto as nuvens se metamorpham ao som & sabor do vento/tempo Eu afundo no peso de esquecer/metamorphar;

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De lá para cá de cá para lá As nuvens vão Mansa procissão à um vácuo local onde chorarão & suarão & choverão suas pepitas cristais de lágrimas/milagres;

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Por um instante lento que dura procissões globais de nuvens tudo é bom! E tudo passa nesse passo anuviado...

emt

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Texturas do Abismo: "Rasgar o véu da realidade"

Rasgar o véu da realidade... Eis a proposta que me apareceu hoje, uma intuição quando eu andava insone pelas ruas, observando ao mundo, escutando seus sons, apreciando as beldades, vendo o movimento de tudo, inclusive o meu pensamento. Então esta tarefa surgiu, como um exercício para recobrar a sanidade que se esvai de mim. Fui andando, descendo a avenida de carro, e constando toda a plasticidade da realidade que se desvencilha diante dos meus olhos, como aquilo tudo me pareceu tão irreal e fraco naqueles momentos em que eu encarava-a de frente. E observei o mundo, o céu, as nuvens, os muros, as pessoas, todas aquelas pessoas também, como eu, mentes pensantes onde o fluxo de pensamento também não cessava. E se desvencilhou para mim o tempo que sustém todas as coisas em suas costas largas, como o aparato que carrega em si o fio condutor da realidade, fazendo com a “vida” tenha um sentido comum. E se só existisse aquele momento em diante? Se tudo iniciasse-se no momento em que tomássemos uma certa consciência da realidade e por ali ela seguisse então, trazendo consigo uma memória de fundo que possibilitasse a sanidade cronológica como apego maior para se “ir seguindo”. Fui raciocinando assim, tentando achar uma falha estrutural permitisse me apegar para dali escapar do fluxo continuo que é o real, afinal tudo que temos é a realidade e a capacidade de inquiri-la, cogitar que ela seja realmente uma grande criação de nosso aparato cognitivo, de cada um de nós, se misturando o máximo possível, criando a cadeia das existências. Se tudo está realmente em minha cabeça, as cores, os sons, os movimentos, as sensações, então aquelas outras coisas não passam de impulsos relativos e muito

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pouco alheios ao que sou. Se for eu que crio a realidade, eu também devo ter alguma faculdade que possa “rasgar o seu véu”! Uma “faculdade”, um argumento, um ponto inegável, um disparate cognitivo qualquer que faça com que tudo se dissolva e mostre primeiro a realidade como falha, e dali encontrar a ponte de escape para esta realidade, para o controle final do que venha a ser a existência aqui e assim... Vou por essa senda e espero mais uma vez das casualidades a resposta para se chegar à resposta que procuro. Espero ir encontrando então as migalhas pelo bosque do real que me indique o próximo passo para achar tal resposta. Seguindo o fio dentro do labirinto. Mas percebo que tal fio poderia mais uma vez ser justamente esse véu de ilusão, disponibilizado pelo deus enganador, por Maya, a Ilusão! Como poderei confiara nisso? Tenho fé na capacidade que o “Desvencilhador das Ilusões” esteja infiltrado, telegrafando uma mensagem subliminar por entre as arquiteturas de ilusões do real, mandando as migalhas no chão da floresta. Então seria “fé” um fator crucial nessa “iluminação”? Sim, fé que tudo seja ilusão, fé que haja algo, alguém que zele por nossa liberação deste labirinto de sofrimentos! Uma fé que não é cega, pois cona com um fundo intelectual que almeja desfazer também a intelectualidade, pois essa muito se pauta no fluxo do “continuum” no qual estou imerso. Essa seria uma fé mística então. Uma crença que confirme que o que pressinto sobre a realidade seja mesmo verdade, que a parede descascada à minha frente tenha existência somente dentro do continuum dentro de minha cabeça e que com o argumento certo eu possa transcendê-la, eu possa comprovar sua ilusoriedade. Uma ciência física já atesta isso. Mas para além dessa, seria necessária para mim uma práxis mais cotidiana. Mas... Por quê? Devo me ater nisso! Por quê? Para comprovar de forma irrefutável e a fé se tornar ciência também! Devo me ater a isso? O isso seria algo vindo do continuum de ilusões? Acredito que não! E me respaldo para atestar isso pelos ensinamentos do budismo, da ioga, e dessas crenças que se tornaram ciência também, pois o argumento para isso é a familiarização, para quando da falência do aparato cognitivo poder se transcender com mais propriedade o véu da realidade e me desvincular totalmente com o mundo. Então só com a morte final seria possível essa liberação factual? Parece-me que sim! Enquanto isso temos só poesias, religião, luta, mas é necessário tornar essa luta e esse esforço corretos, para um menor gasto de energias, para um melhor treinamento que nos deixe prontos para quando do desencarnamento, estarmos preparados para nós mesmos nos liberarmos dos véus da realidade.

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Por enquanto vale então esse esforço de procurar, aprender, exercitar a mente na matéria de dissolver a matéria, para que nada nos seja estranho, para que o gatilho esteja armado quando da oportunidade de atirar. Se todo o véu das ilusões é uma artimanha criada para nos aprisionar, o ponto falho nesse sistema é a própria morte, por isso tal questão é fruto de tantas ilusões e medos para o ser humano. Não tendo como criar um continuum consistente dentro da natureza das coisas, como a infinitude da vida, a ilusão só pode usar de subterfúgios para divertir a mente para que não se acostume com a idéia de que tudo morre mesmo. Sendo a falha na realidade que ela não subsiste para sempre enquanto nossa existência, então o mais certo é nos divertirmos no mundo, mas nunca se esquecendo de nos informar do saber sobre a transitoriedade, pois usaremos dela para abandonar todas as vicissitudes, as prazerosas e as penosas também. Aqui está o fim da forte idéia de “pecado” instalada em nós. Momentos de grandes apegos em nossas vidas, assim como momentos de intenso fulgor sensual trazem em si telegrafados a informação subliminar que tudo isso seria também passageiro em nós, e não nós passageiros destes momentos, há ali apenas informação, e devemos estar preparados para decodificá-la. Nos momentos mais tórridos de nossas vidas adentram um grande fluxo de informação exterior à ilusoriedade das coisas aos quais devemos estar atentos se nossa vontade é a de justamente romper o véu das ilusões da realidade. São nesses perigos que se acham a segurança da uma gnose amiga. O mundo, suas coisas, estão aqui, dentro de mim, lutando por espaço em minha tela de conscientização momentânea, querendo existir, pois só existe enquanto dou espaço para ele existir. Isso revela um segundo ponto muito importante, o de que algo da ilusoriedade do mundo se instalou muito fundo dentro de nós, e a isso damos o nome de “ego”. Esse agente invasor é uma função paradoxal junto à nossa consciência, e talvez nossa própria consciência como tal seja uma “entidade” criada a partir da função do ego em sua relação para conosco e com a ilusão e seu continuum temporal e “histórico”. Crer, como ensinam certas religiões, que o ego subsiste a morte é uma vitória da ilusão em seu esforço de penetrar para fora daquele seu limite de ações que a morte biológica demarca. Seria uma boa tarefa inicial para o “aprendiz de feiticeiro” aqui entender profundamente as falácias do ego, em todos os seus âmbitos e buscar uma arqueologia psicológica que desmascare definitivamente tal meta-ilusão. Não devemos confundir características com identidade. Essa é de posse com aquilo que no exterior nos acode, a outra, uma ilusão com o interior que nos ilude. Esta não condiz com “quem marcou nossa testa”, individualizando-nos.
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Tal tarefa de desmascarar o ego também já está bastante avançada nos círculos científicos que lidam com essas pesquisas, a psicologia tem seus refúgios de sanidade para esclarecer isso, assim como o budismo, a ioga, o taoísmo e alguns saberes mitológicos também. Vá atrás! Aqui nessa reflexão basta dizer que o ego é um fator profundamente fisiológico e suas atividades de sabotagem são facilmente desmascaradas por mentes corajosas e desapegadas, e refletir sobre uma dita evolução material do mundo é um bom exercício de criticismo ao ego e suas “obras”. O mundo está aí, no lugar onde pode estar, nem mais nem menos. As ilusões são incrivelmente tentadoras em todos os seus aspectos. Todo o nexo de confluências que emanam de meu simples ato de acariciar a gatinha que roça minhas pernas enquanto escrevo isso são suficientes para despertar um turbilhão de sentimentos que remetem e relacionam-se ao meu continuum existencial. Os hindus mesmo chamam isso de “Leelah”, que quer dizer “brincadeira”, “jogo”! Devo aprender a usufruir isso e depois descartar... Dessa pulsão liberadora muitas vezes surge um fio de tristeza imensa (seria isso espasmos do ego?), mas posso transformar isso em felicidade também, no controle da mente, na coação do ego que quer se impor. E o jogo vai virando ao meu favor, muito lentamente, cheio de reveses, mas vai virando! O véu da realidade vai se rasgando.

e.m.t.

-Fim do Outono de 2011

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Selena Sombreada

No Jardim das Janelas da tarde fria que esvai mais quieta Esperei eu Selena nua vir se cobrir de vestígios de nada Vestir sombras sobrevestir na envergadura do horizonte horrorizado que estava de fuligens de vulcões & dinossauros cremados.

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV E na tarde desse semibréu atmosférico das conjunções planetárias & tempos modernos Uma estrela reza nas minhas costas Um anjo cai sob minha cabeça Uma gata vigia a janela & os satélites dos olhos orbitam agitados pedindo um luar.

e.m. tronconi

Selena vem já medrada & a vesânia me consome Hoje seu lado escuro está mais escuro ainda E sua nudez perene entregue opaca como um rubi de lama No céu sujo que anuncia em si o portal do inverno geral que assalta urgente todos os olhares e também corações perdidos.

Kalkii espera a lua
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Eclipse em negativo:

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A Metaphísica dos Pesares

Como viver? O que pensar? O que fazer?

Quando o desgastado & inconseqüente corpo está por aqui... Mas a antiga & infatigável alma já vaga distante...

E o coração pétreo Pedregulho de carne saturada Afunda & e se afoga no frio final das madrugadas Trazendo das extensas noites o imaculado gelo dos pesadelos Inoculado desde a vigília para o desespero real das opressões

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV Longe paira o pensamento buscando alguma satisfação, virtual que seja, E tal pensar também desvirtua a vida quando sopesa na medida da dor toda a existência Arrasta a mente ao fundo do foco do qual se aventa do agito da água estagnada Um pesar: Que algo ou tudo Poderia ser melhor!

e.m. tronconi

e.m.t

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"Chão da Rosa" - Homenagem aos 50 anos da UDV

...no mistério de uma miração...

Ah!... Essa Rosa... Que veio do chão da Rosa... Ah!... Essa Rosa... Que nasceu do chão da Rosa... Ah!... Essa Rosa... Que floriu do chão da Rosa...

Ah!... Essa Rosa... Que vem do chão da Rosa... Ah!... Essa Rosa... Que nasce do chão da Rosa... Ah!... Essa Rosa... Que floreia do chão da Rosa...

Ah!... Essa Rosa... Que virá do chão da Rosa... Ah!... Essa Rosa Que nascerá do chão da Rosa... Ah!... Essa Rosa... Que florirá do chão da Rosa...

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Em homenagem aos 50 anos da recriação da União do Vegetal , publico esse opúsculo com poemas dedicados à “rosa”, essa rosa que é a "rosa do mundo", a Luz e a Força para toda a humanidade, que há de receber finalmente a Paz.

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Meu Jardim Cefálico

Nessa manhã de sol Quero andar por aí com pardais ciscando na minha cabeça

...

Quero tílias crescendo calmas sobre minha cachola

...

Nessa manhã ensolarada Quero passear por aí com um gato dormindo & ronronando calmo sobre minhas idéias

...

Quero ter o vento fazendo a curva sobre a grama verde que cresce na minha cabeça

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV ...

e.m. tronconi

Nessa manhã de sol Não quero ter nada para pensar Que não seja a saudade que eu gosto que não seja o amor que amo

...

Não quero nada melhor para pensar a não ser as canções que eu gosto de cantarolar e as lembranças dos beijos que eu não cansei de dar

...

e.m.t

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Caos & Nada

“...Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você...” N.

então tuas asas já devem estar prontas para voar irresistível que é ouvir, ver, voar o chamado

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV o olhar o amar quedar no colo

e.m. tronconi

alçar alçar-se desenlaçar-se cuidar, sempre cuidar

e joga-te... e ele se jogará em você preenchendo-o esvaziando-te abismando-o

tudo que você pode ser no querer no salto assalto

e ter controle perdido não cais o caos

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV joga-te dobre e descobre o tudo do nada

e.m. tronconi

cai joga-te salta ...

e.m.t.

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

11 de Setembro - O Dia da Infâmia?
Já que todo os status quo e o estabelecimento midiático insiste definitivamente em perpetuar essa farsa malévola, só me resta fazer o pouco ao meu alcance, usar minha resistência e inteligência para atestar a não unanimidade da idiotia humana!

Eu me lembro bem daquele dia, cedo pela manhã escrevi um poema que falava de fogo é raiva, e quando começou eu chorei pelos inocentes...

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

Mas agora, quando se passaram dez anos, será que os programas de televisão mostrarão que muitas pessoas ao redor do mundo comemorou o fato como uma doce vingança, até como justiça divina ou carma, desde as Mães da Praça de Maio, aos perseguidos pelas ditaduras da America Latina, desde os iraquianos que eram bombardeados em suas creches quando um escândalo sexual com um presidente acontecia, até os povos humilhados da África. Será que passará na TV?!

Comemoraram também as elites brancas e racistas da Europa e da própria América do Norte, que viram desvelar diante de si o regozijo de imensos lucros da industria de armas e de construção... Mas isso é a parte da história que a televisão nem sequer correrá o perigo de citar!!

Então, nesse dia da infâmia ao inverso, dia da vergonha e da mentira, enquanto a Pepsi comemora a data dando um outro produto de brinde, eu vou buscar em minha própria consciência uma paz que não me deixa iludir-me com qualquer show barato feito para que monstros humanos continuem seguros e ganhando suas fortunas diárias.

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV -Conflito de Civilização?

e.m. tronconi

X

Aqui só vejo uma civilização – a outra coisa é um produto de marketing, uma máquina assassina para os interesses dos WASP, a outra coisa é um curral de bestas bem nutridas.

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

- As serpentes agradecem seu aliado pelos serviços muito bem prestados (e lhe dão dispensa honrosa rumo à sua própria santidade):

-Assista e se informe: Zeitgeist: http://zeitgeistmovie.com/ http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024 Fahrenheit 11 de setembro: http://leituramaisqueobrigatoria.blogspot.com/2009/10/fahrenheit-11-de-setembromichael-moore.html

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

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O Invólucro de Todo Medo

Desamparo Em grilhões orgânicos existenciais neste universo fechado & lacrado Carne carma sempre quase desespero,

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV Fome Na eterna fome entre as estrelas E carregar no corpo esse peso de matadouro de traição & envenenamento A dor de tudo que é ser,

e.m. tronconi

Corpo: Invólucro dos medos Prisão própria dos sofrimentos mergulhado no ar & no vácuo de um oceano de prováveis prazeres & desprazeres ,

E nessa trilha cortante sulcada ao fio de uma navalha cega dos espinhais de abandono & desprezo Só nós mesmos podemos permitir emergir como uma dor destoante uma metástase de alegria: até renegar até ranger até arrastar
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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV até ruir todo encrave de existência até podermos nos ferir sem doer com um pouco de êxtase!

e.m. tronconi

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

Joga-te...

Zele para que teu abismo seja alto o bastante para que quando te lançares dele possa na queda te descamar de todos as correntes, máscaras, vaidades e prejuízos que carregas como uma segunda pele... -Galeria de Abismos:

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

Memorandum Imagético Recente

I “Aurora” Áurea Hora do Despertar

Cedo olho afora E na quina do mundo Entrevejo a aurora...

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

II “Relva” Reles Erva em Descanso

Do chão cresce & no ar se perde A relva mansa que cerca a cerca velha Amalha sua planta verde No repouso de armada tralha...

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

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III “Ninhada” Ninho da Gata

Criaturinhas que pela manhã vêm Do útero felino emergem Para seu destino gaiato viverem...

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

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IV “Minha Sombra” Umbra Corporales

Minha escuridão exterior Projeta-se à esmo Assombra! Não reflete o interior Ou de mim mesmo Sombra...

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

V “Raio de Sol” Radiano Radiante Ralos

Esse que não despenca mas cai em sua trilha Vêm das alturas Calor que esquenta & luz que brilha...

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

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VI “Arco-Íris” Dispersa Luz Engendra Cores

Esse arco de segredo De cores em refração Brilha na íris onde vejo Toda sua emanação...

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

VII “Luar” Luna Ver

Da lua, teu ar -rarefeitoRaro efeito olhar -volto ao leitoDormir ao luar.

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

Tão

Essa vida de tão amarga extrai doçura de nós, E não pede nada a não ser que acabe!

Esse mundo de tão árido & estúpido faz exalar poesias de nossos suores E não dá nada mais do que o chão para uma cova seca!

Sugamos o beijo úmido do quinino engolido com insanidade de uma sede tão profunda Que salivamos gozos no contato com essa mortalha...

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

Que acabe de tão fraca essa força que me arrasta pelos cantos de tão forte; Que cai de tão alta a atitude de não querer mais lutar de tão baixa; Que esvaia de tão serena a curiosidade de permanecer mais um dia de tão revolta.

Vermelho de tão branco sim... Verde de tão maduro quase... Azul de tão nu não... Amarelo de tão sangrado certo... E cinza de tão bom também...

...tão incerto na certeza tão errada que na verdade de tão nula amassa de tão frágil em sua tão sólida queda no tão devasso chão do porão de tão escuro...

Mas: Quase lá é tão longe quanto nunca chegar. Quase sim é tão não quanto nunca deixar. Quase dois é tão um quanto nada. Quase tal é tão quase quanto qual. Oh! Minha tão ingênua nu-li-da-de.

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV Assim: Cansado de tão à toa Calado por cada ato de tão ruidoso Sem notas de tão gênio Um idiota de tão esperto Recluso nessa linha tão curta Então curta!

e.m. tronconi

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

Um Feliz Novo Ano... em Serenidade!
...assim naufraga o ano no silêncio...

& que o silêncio seja nosso guia neste novo ano! ...

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV -Meu Ex-Libris:

e.m. tronconi

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

Mais Luz!

O Amor Vence Tudo.
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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV

e.m. tronconi

A T3xtur@ D3553 Ab15m0 Ch@m@d0 (onsc!ênciª

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A Textura desse Abismo chamado Consciência – Ano IV - Fundo Memorial do Abismo:

e.m. tronconi

* “Retro 2010 expectativas 2011” postado em 03/01/ 2011. * “Felicidade” postado em 10/01/2011. * “Esse Seu Sempre em Mim” postado em 11/02/2011. * “ÜberUber...” postado em 17/02/2011. * “Considerações Contemporâneas 1” postado em 22/02/2011. * “Rosto” postado em 10/03/2011. * “Japão Irradiante” postado em 16/03/2011. * “Tempestuoso Colibri” postado em 11/04/2011. * “Portipholio Nimblicum” postado em 02/05/2011. * “Texturas do Abismo: "Rasgar o véu da realidade"” postado em 01/06/2011. * “Selena Sombreada” postado em 17/06/2011. * “A Metaphísica dos Pesares” postado em 05/07/2011. * “Chão da Rosa” postado em 21/07/2011. * “Meu Jardim Cefálico” postado em 02/08/2011. * “Caos & Nada” postado em 11/08/2011. * “11 de Setembro - O Dia da Infâmia?” postado em 10/09/2011. * “O Invólucro de Todo Medo” postado em 03/10/2011. * “Joga-te” postado em 14/10/2011. * “Memorandum Imagético Recente” postado em 01/11/2011. * “Tão” postado em 01/12/2011. * “Um Feliz Novo Ano... em Serenidade!” postado em 27/12/2011.

A Textura desse Abismo chamado Consciência ©2011
Todos os textos, fotografias e arte são de autoria de Eduardo Moura Tronconi Registrado na Fundação Biblioteca Nacional sob Certificado nº 507.040, livro 961, folha 165

-ContatoEduardo Moura Tronconi: emtronconi@hotmail.com Uberlândia - Minas Gerais – Brasil

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