REVISTA DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

61

Revista do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro

2005 N° 61

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
REVISTA 61 MARÇO 2006

REVISTA DO

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

R. Tribunal de Contas Est. R. Janeiro

Rio de Janeiro

ano 25 nº 61

p.1-353

março/2006

CAPA Fotolito:Engenho & Arte Impressão: Coordenadoria Setorial de Gráfica e Reprografia do TCE-RJ

Revista do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro V. 1, n. 1 (dez. 1975) - Rio de Janeiro: TCE 1975 - V.: 23 cm. Semestral. Continuação de: Revista do Tribunal de Contas do Estado da Guanabara ISSN0103-5517 1. Administração Pública - Controle - Periódicos - Rio de Janeiro (Estado). CDD 351.007505098153 CDU 35.078.3(815.3)(05)

Conselho Deliberativo: Presidente José Gomes Graciosa Vice-Presidente Marco Antonio Barbosa de Alencar Conselheiros Aluisio Gama de Souza José Leite Nader José Maurício de Lima Nolasco Jonas Lopes de Carvalho Junior Julio Lambertson Rabello

Ministério Público Especial Horácio Machado Medeiros Secretária-Geral de Controle Externo Maria Luiza Bulcão Burrowes Secretário-Geral de Administração Carlos César Sally Ferreira Secretário-Geral de Planejamento Horácio de Almeida Amaral Secretário-Geral das Sessões Mauro Henrique da Silva Procurador-Geral Sylvio Mário de Lossio Brasil Chefe de Gabinete da Presidência Maria Veronica de Souza Madureira Diretor da Escola de Contas e Gestão José Augusto de Assumpção Brito Coordenador de Comunicação Social Imprensa e Editoração Álvaro Miranda

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Editor Responsável Álvaro Miranda Editor Executivo Eduardo Pinheiro Produção e Logística Márcia Maria de Aguiar Ramos Diagramação Fátima S. V. de Jesus Margareth Peçanha Capa Adelea Neves Gonzaga Barbosa Inês Blanchart Arte-Final Marcio Ercilo Gonçalves Oliveira Impresso na Coordenadoria Setorial de Gráfica Repr TCE-RJ e R epr ografia do TCE-RJ Coordenador: Jorge Lopes Guerra

NOTAS 1 - A correspondência para esta Revista deve ser dirigida ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro - Coordenadoria Geral de Comunicação Social, Imprensa e Editoração - CCS - Praça da República 70 - 2° andar - Tel.: 2224-3650 - CEP 20211351 - Rio de Janeiro - RJ. Endereço na Internet: http://www.tce.rj.gov.br. 2 - Os conceitos emitidos em trabalhos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.

SUMÁRIO .

.. 15 19 102 117 * VOTOS Contrato de Locação – Dação em pagamento como forma de extinção de crédito tributário......SUMÁRIO * EDITORIAL Presidente JOSÉ GOMES GRACIOSA ..... NEILTON FERREIRA MACHARETE – Prestação de serviço público através de organizações sociais e organizações da sociedade civil de interesse público .......................... RABELLO ...... permite que sejam compensados tributos com a dação de bens móveis...... * COLABORAÇÕES MARCELO MARTINELLI MURTA – Balanços patrimoniais governamentais.... Competência exclusiva de Lei Complemantar.. Relator: Conselheiro JULIO L............. Edital de Licitação – Revogação de certame licitatório – Ausência de motivação do ato – Necessidade de comprovação do fato superveniente de interesse público – Voto pela comunicação ao Prefeito Municipal para que demonstre o fato superveniente que motivou a revogação da concorrência................................ com o fito de 179 190 11 ................................... Aplicação da Súmula 347 do STF................ Lei 8................................ pelo Tribunal de Contas. o caso do Estado do Rio de Janeiro............................ auditoria financeira e treinamento de pessoal.................... 25.......................... Despesas com a prestação de serviços de consultoria. dispondo diferentemente do CTN........... Relator: Conselheiro JOSÉ MAURÍCIO DE LIMA NOLASCO .. Inexigibilidade de Licitação – Ato de inexigibilidade de licitação (II.................. que instituiu o Código Tributário Nacional para dispor de normas gerais........... É inconstitucional Lei Municipal que.......666/93).. SABRINA NUNES IOCKEN – A tributação pelo ICMS e o regime de substituição tributária ..... assessoria.................

... Revisor: Conselheiro JOSÉ LEITE NADER................. Revisor: Conselheiro JOSÉ LEITE NADER ... Inspeção Extraordinária – Prefeitura Municipal de Sumidouro – Inspeção extraordinária referente ao exercício financeiro de mandato integralmente cumprido na vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal – Observância à regra insculpida no art...................... Pelo conhecimento e provimento do recurso..... Extinção da punibilidade do jurisdicionado.......... Exigências.....implementar o Plano Diretor de Execução Orçamentária da Prefeitura......... com efeito sobre a pretensão executória.. Pelo conhecimento do presente ato e arquivamento do processo..... Relator: Conselheiro JOSÉ LEITE NADER ................................. tendo falecido depois de prolatado pelo TCE-RJ o acórdão condenatório. 193 199 207 221 234 238 12 .... Diligência externa. ........... por inexigibilidade... elidindo a multa aplicada e reformando-se a decisão de 9................ pela ilegalidade do ato de inexigibilidade de licitação....... Contratação direta. pela comunicação ao Prefeito para que providencie imediatamente a realização de processo licitatório e pela expedição de ofício ao ProcuradorGeral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.9...... 42 da LRF – Voto por acolhimento das razões apresentadas pelo Prefeito... Inexigibilidade de Licitação – Aquisição de sistemas aplicativos de informática – Ausência de comprovação da singularidade do objeto contratado – Voto pela rejeição das razôes de defesa..... Relator: Conselheiro JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR ...... do Banco do Brasil para a prestação de serviços na gestão financeira dos recursos previdenciários municipais.... pela aplicação de multa ao Prefeito..2003.. referente à aplicação das receitas provenientes dos royalties de petróleo e gás natural..... Falta de escrituração do passivo atuarial do Instituto no Passivo Permanente do Balanço Patrimonial........ Relator: Conselheiro JOSÉ MAURÍCIO DE LIMA NOLASCO ................ Inspeção Ordinária – Inspeção ordinária no Instituto de Previdência do Município de São Sebastião do Alto.... pela ciência e arquivamento do processo. Inspeção Ordinária – Jurisdicionado condenado em multa......... Voto revisor..... Voto revisor.. Apresente razões e esclarecimentos e cumpra as determinações.............. Inspeção Especial – Inspeção especial realizada na Prefeitura do Município de Duque de Caxias. Revisor: Conselheiro MARCO ANTONIO BARBOSA DE ALENCAR ...... Voto revisor......

............... 245 256 276 319 326 348 13 ..... Serviços de "planejamento... contrato e subvenção – Peculiar interesse da Administração – Análise do caso concreto – Voto revisor pela comunicação...... comunicação ao atual Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico e retificação do ato de fixação de proventos.. Recurso de Reconsideração – Contrato oriundo de licitação por tomada de preços. 347 da Constituição Estadual....... Relator: Conselheiro ALUISIO GAMA DE SOUZA ......... Diligência externa... relativa ao exercício de 2003........... art......Pedido de Vista – Convênio para a execução de obras e serviços de engenharia – Distinção entre convênio.... Voto pelo conhecimento do recurso e pelo provimento quanto ao mérito.. Revisor: Conselheiro MARCO ANTONIO BARBOSA DE ALENCAR .... e de parecer prévio favorável a comprovação das Contas de Gestão do Poder Executivo........ Prestação de Contas – Prestação de Contas de Gestão do Município de Mangaratiba. e de parecer prévio contrário às Contas de Gestão do Poder Legislativo. Relator: Conselheiro ALUISIO GAMA DE SOUZA. Recurso de Reconsideração – Aposentadoria e fixação de proventos.............. Relator: Conselheiro JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR . alterado pelo art....... Prestação de Contas – Prestação de contas de Ordenador de Despesas e de Tesoureiro.......... Relator: Conselheiro JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR ......... Poderes Executivo e Legislativo............ Pedido de Vista – Edital de licitação por concorrência – Critério de reajustamento de preços – Legalidade da adoção da data do orçamento elaborado pela Administração como data-base para o cálculo do reajustamento de preços de contratos.................. com resslava e determinações. Revisor: Conselheiro ALUISIO GAMA DE SOUZA .... Voto revisor pela comunicação.... 1º da Emenda Constitucional 11/99... exercício de 1999............... Voto pela diligência interna........ Voto pela emissão de parecer prévio favorável à aprovação das Contas de Gestão do Poder Executivo............ Recurso de reconsideração.. programação e execução de varrição e limpeza manual e mecânica de vias urbanas" são serviços de engenharia sanitária... com ressalvas e determinações......... Pagamento aos Vereadores em desacordo com o que estabelece o inciso I.................

apresentando ressalvas e determinações que resultem. operacional e patrimonial exercida pelo Tribunal de Contas implica. Nesse sentido. 15 . Conclui. o autor expõe os significativos progressos alcançados na correta retratação do patrimônio público. que tal evolução ocorreu com expressiva colaboração do Tribunal de Contas. financeira. com a publicação da dissertação do técnico de controle externo Marcelo Martinelli Murta. entre outras coisas. Ou seja: que em face do Balanço Patrimonial do Estado – à primeira vista. materializada nas ressalvas e determinações contidas em seus pareceres. A cada ano. em mais transparência. Os resultados dessa ação do TCE-RJ. com grande benefício para a sociedade fluminense. orçamentária.EDITORIAL A fiscalização contábil. são concretos. com PIB anual superior ao de diversos países latino-americanos. ainda. em síntese. um esforço sistemático e contínuo para identificar com exatidão ativos e passivos das entidades e garantir sua correta expressão nos balanços patrimoniais. apresentada ao Programa de Mestrado em Ciências Contábeis da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). enorme e complexo desafio é constituído pelas contas do Estado do Rio de Janeiro – entidade que constitui a segunda maior economia do país. uma espécie de monstro de mil cabeças – a sociedade encontre um retrato fiel desse ente que obtém receitas e realiza despesas anuais da ordem de dezenas de bilhões de reais. felizmente. Ao examinar cientificamente os balanços do Estado desde 1996 até o fim do primeiro semestre de 2001. em sua maior parte oriundos de impostos. a Corte de Contas não mede empenho para aperfeiçoar esses balanços. A comprovação está neste número da nossa Revista. ao examinar as prestações de contas anuais do governo.

O trabalho. Como as receitas e despesas não oscilaram muito no período. o patrimônio do Estado passou de uma situação líquida de R$ 5. Se o fato. sobretudo no que diz respeito à contabilização dos passivos previdenciários e dos saldos da Dívida Ativa. intitulado “Balanços Patrimoniais Governamentais: o caso do Estado do Rio de Janeiro”. em si. entre dezembro de 1996 e junho de 2001.4 bilhões. Alerta também que ainda há um caminho a ser percorrido até o encontro com a realidade patrimonial. A participação do TCE-RJ neste processo será cada vez mais decisiva. relata como. não parece auspicioso – declínio do patrimônio estadual expresso nos balanços do período examinado – devemos compreender que somente através do constante aperfeiçoamento desses documentos poderemos ter uma Administração Pública capaz de fazer frente aos desafios e traçar metas realistas e adequadas para o desenvolvimento.2 bilhões para um passivo real descoberto de R$ 52. JOSÉ GOMES GRACIOSA Presidente 16 . atribui a maior parte dessa enorme diferença à redução de ativos superavaliados e à inclusão de passivos antes omitidos.

COLABORAÇÕES .

atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. tendo sido promovida. 3. 3 e 5 da dissertação apresentada no Programa de Mestrado em Ciências Contábeis da Faculdade de Administração e Finanças da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.Delimitação do estudo.2 .Hipótese 3: A Atuação da Auditoria Geral do Estado (AGE). 1. 3. RESUMO O Estado do Rio de Janeiro é a segunda maior economia brasileira. No exercício de 2001.3 .Hipótese 2: Os Princípios de Contabilidade Aplicados. 2 . 1. registrado em 31/12/96.Questões a investigar.Objetivo da pesquisa. equivalente a R$ 57. 2.7 . a situação patrimonial do Estado experimentou um expressivo declínio entre o final de 1996 e meados de 2001.Introdução.Análise dos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro.2 bilhões.Ativo Real Líquido e Passivo Real Descoberto.Hipótese 1: Correta Retratação do Patrimônio Público. 1 . 1. 3.2 .Metodologia empregada. A significativa variação passiva. O CASO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO* MARCELO MARTINELLI MURTA Técnico de Controle Externo SUMÁRIO: Resumo.Relevância da Pesquisa.2.1 .6 bilhões.4 bilhões.Passivo.3 . 2.1 . é o terceiro ente mais populoso da Federação.2 . respectivamente. 19 . 1. basicamente.Mop/Rev61 BALANÇOS PATRIMONIAIS GOVERNAMENTAIS.2 bilhões e R$ 18. já que durante o período examinado houve um equilíbrio entre as receitas e despesas estaduais. exercícios findos em 31 de dezembro de 1996 a 2000 e semestre encerrado em 30 de junho de 2001 . pela redução do valor de ativos superavaliados e pela incorporação de diversos passivos omitidos. 3 Avaliação das hipóteses. 1.Situação-problema.4 . em apenas um ano movimentou recursos superiores ao PIB de diversos países da América Latina.Hipóteses. 5 . aos capítulos 1.4 . quando o Patrimônio Líquido de R$ 5. Com 14. 2.Balanços Patrimoniais Sintéticos.0 bilhões.Ativo.4 . não foi ocasionada por déficits orçamentários.4 milhões de habitantes. obteve receitas e realizou despesas orçamentárias de aproximadamente R$ 18. 1.5 . 4 . Bibliografia.3 .Sugestões para pesquisas relacionadas a Balanços Patrimoniais Governamentais.Hipótese 4: Cooperação do Controle Externo.6 . observado em 30/06/01.Conclusão. * O presente artigo corresponde. ocorrida em apenas quatro anos e meio. transformouse num Passivo Real Descoberto de R$ 52. majoritariamente. 1. Apesar desta destacada posição.1 . Ou seja. 3.

320. dos municípios e do Distrito Federal. Salienta-se que. as avaliações levadas a efeito buscaram identificar se as informações qualitativas e quantitativas fornecidas pelos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro. dos estados. principalmente no que concerne aos de informação.BRASIL. os efeitos trazidos para os Balanços Patrimoniais de competência posterior. principalmente. para fins de melhor comparabilidade. Outros fatores também prejudicaram a correta evidenciação do patrimônio estadual. Em face das análises realizadas. aumentariam a qualidade e a confiabilidade dos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro. Os estudos realizados concluíram que o expressivo decréscimo patrimonial ocorreu. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle de orçamentos e balanços da União. a criação de uma Controladoria hierarquicamente ligada diretamente ao Governador. em razão da omissão da escrituração de passivos atuariais. estavam super e/ou subavaliados. de maneira complementar. 20 . os Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos (PCGAs) consagrados na literatura e pela classe contábil.INTRODUÇÃO Os Balanços Patrimoniais elaborados nos diferentes níveis da Administração Pública. distinguindo-se a utilização de critérios contábeis questionáveis e as falhas existentes nos sistemas de informação. referentes aos exercícios findos em 31/12 de 1996 a 2000 e ao semestre encerrado em 30/ 06/01. De fato. Ademais.Mop/Rev61 Conseqüentemente. foram fidedignas e suficientes para que seus usuários pudessem interpretálos de maneira adequada. bem como suas Notas Explicativas. no âmbito da Contadoria do Estado do Rio de Janeiro (CGE). relacionados aos benefícios previdenciários de responsabilidade do Tesouro Fluminense. Após proceder aos exames considerados necessários nas circunstâncias. bem como as suas Notas Explicativas.320/64 1. principalmente aqueles trazidos pela 1 . o estudo conclui que – apesar das limitações impostas pela legislação que trata de Contabilidade Governamental no país – é recomendável que sejam adotados. Lei Federal nº 4. em geral não evidenciam adequadamente a real situação patrimonial dos governos brasileiros. em conjunto com a melhoria dos sistemas de controles internos. são relacionados diversos ativos e passivos que. bem como em função da superavaliação do saldo da Dívida Ativa do Estado. e. esforços no sentido de aperfeiçoar o Balanço Patrimonial Consolidado. todos os valores utilizados para o estudo de caso foram atualizados para moeda de 30/06/01. ao final de determinado período. que incluiria em seu âmbito a CGE e a Auditoria Geral do Estado (AGE). 1. com base na variação do IGP-DI. de 17 de março de 1964. apesar dos avanços ocorridos desde a edição da Lei nº 4.

bem como os benefícios já concedidos e a conceder relacionados à Seguridade Social.mtb.Situação-Problema Ao longo da década de 90 diversos passivos não registrados._______. numa determinada data. dos estados. liquidadas ou privatizadas). desde que desistam da ação. direitos. os valores apresentados não são. em valores atualizados em moeda de 30 de junho de 2001.BRASIL.A escolha do IGP-DI. os débitos remanescentes dos bancos federais e estaduais alienados para o setor privado. de 04 de maio de 2000. Distanciam-se. Em razão da pesquisa empreendida. 1. mesmo daqueles trabalhadores que não recorreram à Justiça. Estima-se que os gastos do Governo com esses pagamentos devam atingir R$ 50 bilhões. o complemento a todas as contas vinculadas. de forma geral reconhecidas pelo “Sistema de Caixa” e. o estudo procura oferecer sugestões para a melhoria das informações por parte da Contabilidade Governamental.br/Temas/FGTS/Complementos/default. para fins de melhor comparabilidade com os números recentes. 3 . destacam-se as dívidas absorvidas de empresas públicas ou de economia mista (extintas. de sua finalidade. os precatórios judiciais provenientes de sentenças judiciais já tramitadas em julgado. Estima-se que a absorção. de diversos 2 . por conseguinte.asp Em agosto de 2000. também chamados de “esqueletos”. Lei Complementar Federal nº 101. obrigações e o saldo patrimonial da entidade. em sua maioria. Tribunal de Contas da União e pelos Tribunais de Contas dos Estados para se proceder à atualização de valores de períodos anteriores. as diferenças nos saldos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) decorrentes dos expurgos nos indexadores promovidos pelos Planos “Verão” e “Collor I” 4. fidedignos. o presente estudo utiliza o exame dos saldos contabilizados nos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro nos exercícios findos em 31/12 de 1996 a 2000 e no semestre encerrado em 30/06/01 (cut-off da amostra). os bens. 21 . Para corroborar o exposto.1 . qual seja: evidenciar. com base na variação do Índice Geral de Preços ao Consumidor – Disponibilidade Interna (IGP-DI 3). objetivando que os demonstrativos contábeis das entidades públicas venham a exprimir com qualidade e confiabilidade a situação patrimonial das entidades públicas. de acordo com o estabelecido na Lei Complementar nº 110 de 29 de junho de 2001. 4 . HTTP://www. se deu em razão deste ser o deflator comumente utilizado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). portanto.Mop/Rev61 Lei Complementar nº 101/00 2. e. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. pelo Tesouro Federal. Destas obrigações. o Supremo Tribunal Federal julgou o mérito da ação apresentada por 30 (trinta) trabalhadores filiados ao Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul (RS). sob determinadas condições. apurado pela Fundação Getúlio Vargas. Ministério do Trabalho e Emprego. qualitativa e quantitativamente. causaram danos às finanças da União. do Distrito Federal e dos municípios. Em vista do teor da decisão o Governo Federal decidiu estender. reconhecendo o direito dos trabalhadores a complemento de atualização monetária no saldo das contas vinculadas ao FGTS referente ao período de dez/ 1988 e fev/1989 (Plano Verão) e ao mês de abr/1990 (Plano Collor I). mais recentemente. não provisionadas nos Balanços Patrimoniais dos governos.

Desta maneira. prejudicando a gerência e a análise das demonstrações contábeis dos governos. O estudo também tem por finalidade detectar possíveis limitações nos Controles Interno e Externo do Estado que trazem limitações para a Contadoria Geral 22 . em 30 de junho de 2001. ocorreu em face da incorporação de passivos até então não escriturados – destacandose os assumidos quando da alienação da participação acionária do Estado no Banerj e as obrigações já assumidas e a assumir do Sistema de Previdência Estadual –.Objetivos da Pesquisa O presente estudo objetiva enfocar a importância do Balanço Patrimonial. Mesmo com a observada melhora na evidenciação dos bens.2 . observada entre o início de 1996 e o final de 2001. tais como a Dívida Ativa Tributária. transformou-se em um Passivo Real Descoberto de R$ 52. destaca-se que a simples correção de algumas destas distorções contábeis. equivalente a R$ 5. registrado num período de apenas 4 anos e meio. direitos e obrigações ao longo dos últimos exercícios. como também quais são as medidas que devem ser adotadas para saneá-las. médio e longo prazos. através da diminuição do valor de ativos e do reconhecimento de passivos omitidos. tendo em vista que a apresentação fidedigna e consistente do mesmo poderá fornecer aos usuários da Contabilidade Governamental informações úteis e auxiliar na formulação de políticas públicas de curto.6 bilhões (atualizado para moeda de 30 de junho de 2001. O decréscimo patrimonial de R$ 58 bilhões. à medida que estes bens e direitos normalmente apresentam valores escriturados superiores ao real montante de realização. Da mesma forma. bem como em razão da diminuição do valor contábil de bens e direitos anteriormente superavaliados – principalmente nas contas de Dívida Ativa e Investimentos. acarretaram uma expressiva retração do patrimônio do Estado do Rio de Janeiro. com base na variação do IGP-DI). a falta de adequada avaliação contábil de alguns ativos. dos estados e dos municípios. À guisa de exemplificação. denotando os prejuízos que a omissão do registro dos passivos no momento oportuno traz para as gestões posteriores. os mais recentes Balanços Patrimoniais e suas Notas Explicativas ainda não oferecem elementos suficientes para que se possa proceder à adequada avaliação da situação patrimonial do Estado do Rio de Janeiro. Portanto. foi o principal fator para o crescimento da Dívida Pública da União de R$ 208 bilhões para R$ 660 bilhões.Mop/Rev61 passivos próprios. o presente estudo visa identificar quais são as principais causas do problema exposto.4 bilhões. visando manter o equilíbrio da situação financeira e patrimonial do Estado do Rio de Janeiro. os investimentos em empresas de economia mista e públicas e os créditos mantidos com partes relacionadas também promovem danos às finanças públicas. 1. o Ativo Real Líquido do Estado registrado em 31/12/96.

fundações. Serão analisados aspectos quantitativos e qualitativos das informações. b) usuários da Contabilidade. de forma adequada. serão apresentados as normas e os procedimentos adotados em outros países para a elaboração de seus Balanços Patrimoniais. 23 . O estudo ficará concentrado no exame dos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro. sejam brasileiras ou internacionais. Ministério Público. Distrito Federal e municípios. passivos e os saldos patrimoniais dos exercícios findos em 31 de dezembro de 1996 a 2000 e do semestre encerrado em 30 de junho de 2001. os Balanços Patrimoniais são elaborados pelos Poderes Executivo. 1.Questões a Investigar A investigação empreendida concentra-se nas seguintes questões: a) a qualidade e a quantidade dos valores registrados nos ativos. A presente pesquisa. ainda. fundos. autarquias. da mesma forma. as técnicas utilizadas para a sua elaboração com aquelas facultadas pela legislação e com as usualmente disseminadas pela Teoria da Contabilidade e pelos Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos (PCGAs). 1. e) Notas Explicativas. Para subsidiar esses exames. exercícios financeiros findos em 31 de dezembro de 1996 a 2000 e semestre encerrado em 30 de junho de 2001. estados. Legislativo e Judiciário. c) importância da correta evidenciação contábil. comparando.Mop/Rev61 do Estado (CGE) registrar.4 .Delimitação do Estudo No âmbito governamental. diversas operações efetuadas no âmbito da Administração Pública fluminense. buscará avaliar a fidedignidade e a clareza dos saldos reportados nos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro.3 . Para atingir os objetivos propostos. comparando-os com aqueles praticados pelo Governo fluminense. e pelos Tribunais de Contas. f) situação patrimonial do Estado do Rio de Janeiro. d) Controles Interno e Externo. destacando-se os ativos e passivos sub ou superavaliados. empresas públicas e pelas sociedades de economia mista da União. serão levadas a efeito avaliações sobre: a) normas e procedimentos da Contabilidade.

c) as causas das incorreções dos Balanços Patrimoniais porventura identificadas. 2001. a elaboração de Balanços Patrimoniais fidedignos pode representar para o Estado uma importante ferramenta gerencial. o estudo de caso relativo à situação patrimonial do Estado do Rio de Janeiro se insere em um tema que vem merecendo destaque no Brasil e em outros países. 6 ______.4 bilhões (equivalente a 32.CIDE. 1. promover a atração de investimentos e ajudar na obtenção de financiamentos dos organismos nacionais e internacionais de fomento e desenvolvimento.Relevância da Pesquisa O Balanço Patrimonial do Rio de Janeiro – Estado com a segunda economia da Federação. Estes montantes.5 . O PIB do Estado é estimado em R$ 159 bilhões em 2000 de acordo com o Centro de Informações e Dados do Estado do Rio de Janeiro – CIDE. d) as medidas que devem ser introduzidas para promover a melhoria dos Balanços Patrimoniais das entidades governamentais. Desta maneira.cide. 24 . apurando-se. tendo sua população estimada. 1.4 bilhões. à medida que fornece subsídios para a adoção de medidas que promovam a sustentabilidade financeira e patrimonial do Estado? 5 .6 .rj. no ano 2000.) por análises que apontem mecanismos para o equilíbrio fiscal e patrimonial dos governos. fornecer transparência a suas contas.4 milhões de habitantes 5 –. por sua magnitude. OCDE.com. tem havido um interesse crescente por parte de organismos internacionais (CEPAL. apresentou. De fato. Op. Anuário Estatístico do Estado do Rio e Janeiro 1999-2000. em 14. FMI.Mop/Rev61 b) a legislação que trata de Contabilidade Governamental e os Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos (PCGAs). Não obstante.9% do PIB fluminense apurado em 2001 6). denotam a relevância de um exame analítico da composição dos elementos patrimoniais. BID etc. BIRD. em 30 de junho de 2001. citada. Rio de Janeiro. ativos da ordem de R$ 32. portanto. http://www.Hipóteses As hipóteses aventadas são: a) a correta retratação do Patrimônio Público pode ser útil ao desenvolvimento. um Passivo Real Descoberto de R$ 52.0 bilhões e passivos estimados em R$ 84.br. Adicione-se que o estudo enfoca um tema que já vem sendo abordado em exames recentemente elaborados por entidades internacionais que fomentam pesquisas no segmento de finanças públicas.

Como fazer monografia na prática. se inserir no segmento de pesquisa exploratória. Gildásia. de acordo com a descrição a seguir: 7 Figura 1 – Modelo metodológico empregado Escolha do assunto/Delimitação do tema Bibliografia pertinente ao tema (área específica sob estudo) Levantamento de dados Fundamentação teórica Caracterização institucional Análise e interpretação das informações Conclusão e resultados O método utilizado é o dedutivo. utilizando ainda a literatura aplicável. p. partindo do estudo de caso dos recentes Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro para.Metodologia Empregada O modelo metodológico adotado é aquele sugerido por Tachizawa & Mendes para monografias de estudo de caso. com fulcro nos conhecimentos teóricos consagrados nas publicações técnicas. 7 . 25 . Takeshy e MENDES. direitos e obrigações do Estado? c) a Auditoria Geral do Estado (AGE) e os controles internos fornecem garantia de melhor qualidade e confiabilidade dos saldos registrados no Balanço Patrimonial do Estado? d) o Controle Externo coopera para a melhoria da evidenciação do Balanço Patrimonial fluminense? 1. rev. Rio de Janeiro: Editora FGV.Mop/Rev61 b) os Princípios de Contabilidade adotados pela Contadoria Geral do Estado (CGE) encontram-se em conformidade com a legislação e são suficientes para a obtenção da necessária evidenciação dos bens.7 . em conjunto com observações realizadas durante o processo de investigação. 2000. 49. e amp.TACHIZAWA. 5ª ed.

320/64.Mop/Rev61 A presente investigação utilizou as informações contidas nos Balanços Patrimoniais do Estado e em suas Notas Explicativas. Salienta-se. também. Salienta-se. compreendendo: a) Ativo Financeiro b) Ativo Permanente. Todos os dados referentes aos exercícios findos em 31/12 de 1996 a 2000 foram extraídos das Contas da Gestão do Governo do Estado. que só serão objeto de análise os saldos de contas relevantes ou que contenham falhas ou omissões expressivas. b) pesquisa bibliográfica: exame de obras e publicações nos segmentos legislação. nos grupos de contas determinados pelo artigo 105 da Lei 4.ANÁLISE DOS BALANÇOS PATRIMONIAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. administração. que o estudo utilizou-se de outros elementos. c) Passivo Financeiro d) Passivo Permanente. com base nos seguintes procedimentos: a) pesquisa documental: exame da legislação. ainda. Quanto aos valores do Balanço Patrimonial do semestre encerrado em 30/06/01. que os valores correntes registrados nos Balanços Patrimoniais do Estado foram atualizados. contabilidade. e f) As Contas de Compensação. 2 . Destaca-se que os valores estão evidenciados em milhões de reais e. manuais técnicos e publicações de periódicos de natureza informativa. e) Saldo Patrimonial. relatórios da Auditoria Geral do Estado (AGE) e Pareceres Prévios do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). 26 . ainda. EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 1996 A 2000 E SEMESTRE ENCERRADO EM 30 DE JUNHO DE 2001 O presente capítulo busca avaliar quantitativa e qualitativamente os saldos escriturados nos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro. direito e finanças públicas. compreendendo os exercícios findos em 31/12 de 1996 a 2000 e o semestre encerrado em 30/06/01. em âmbito nacional e internacional. destaca-se que foram obtidos através de consulta ao Sistema Integrado de Administração Financeira do Estado (SIAFEM). normas.

os saldos dos ativos.Mop/Rev61 objetivando melhor comparabilidade. de acordo com os índices a seguir apontados: 2. começando pelos montantes registrados no Ativo: Tabela 2 – Ativo Sintético O Passivo. são relacionados a seguir.1 . passivos. apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). para moeda com poder aquisitivo de 30 de junho de 2001. corrigidos com base na variação do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI). apresentou os seguinte montantes: Tabela 3 – Passivo Sintético 27 .Balanços Patrimoniais Sintéticos De maneira sintética. nos períodos avaliados. por outro lado. ativos reais líquidos e passivos reais descobertos do Estado do Rio de Janeiro.

884 27.866 Fonte: Balanços Gerais do Estado.016 23.232 31.4034 1.684 24.845 4.313 35.724 28.006 53.136 27.Mop/Rev61 Tabela 1 – Índices de atualização Período Contábil findo em: 31/12/1996 31/12/1997 31/12/1998 31/12/1999 31/12/2000 30/06/2001 Nota: Cálculos elaborados com base nos índices do IGP-DI divulgados pela FGV. Índice de Correção 1.404 52.3799 1.368 13.091 7.730 9.780 35.674 31.700 6.074 9.440 7.950 52.616 31. em moeda de 30/06/01) 31/12/99 31/12/00 30/06/01 4.066 31.404 31/12/98 8.253 ATIVO Financeiro Ativo Permanente Soma do Ativo Real Saldo Patrimonial – Passivo Real Descoberto Compensado TOTAL 31/12/96 1.335 76. 28 . Tabela 3 – Passivo Sintético Fonte: Balanços Gerais do Estado.237 13.0479 - Tabela 2 – Ativo Sintético (em R$ milhões.374 31/12/97 7.163 27.587 17.1501 1.368 20.447 4.5084 1.650 26.863 92.225 13.

2 bilhões. registrado em 31/12/96.000) Dez/96 Dez/97 Dez/98 ANO Dez/99 Dez/00 Jun/01 Soma do A tivo Real Soma do Passivo Real Saldo Patrimonial Houve um vigoroso declínio no saldo patrimonial do Estado no período sob exame. PASSIV O (NÃO INCLUI ATIV O E PASSIV O COM PENSADO) E SALDO PATRIMONIAL . 2. iniciando-se pela análise da evolução do Ativo.000 60. transformouse em um Passivo Real Descoberto de R$ 52. Passivo e Saldo Patrimonial EV OLUÇÃO DO ATIV O.000 R$ M IL HÕES 40.000) (40.31/12/96 A 31/12/00 E 30/06/01 100. do Passivo (não incluídos os ativos e passivos compensados) e do Saldo Patrimonial pode ser melhor visualizada graficamente: Gráfico 1 – Evolução do Ativo. em 30/06/01.Mop/Rev61 A evolução do Ativo. As causas que originaram este vultoso declínio serão avaliadas adiante. O Ativo Real Líquido de R$ 5.000) (60.Ativo O comportamento das principais contas do Ativo do Estado ao longo do período analisado é detalhado a seguir: 29 .000 (20.4 bilhões.2 .000 80.000 20.

Ao longo do período a distribuição dos ativos por grupo de contas pode ser melhor observada graficamente: 30 .Mop/Rev61 Tabela 4 – Ativo Analítico Fonte: Balanços Gerais do Estado.

Mop/Rev61 Gráfico 2 – Ativos por grupo de contas DISTRIBUIÇÃO DOS ATIVOS POR GRUPO DE CONTAS 22. que de acordo com o Professor Silva 8 “compreende os créditos.0% 4.0% 0. Contabilidade Governamental.5% 1.0% 4.0% 4.0% 1.0% 0.1.0% 7.E.1% 0.6% 0.0% 2.0% 1.0% 0.1% 0.F Conta "B" – C.9% 3.9% 0. apresentou a seguinte distribuição percentual em relação ao total do Ativo (excluídos o Passivo Real a Descoberto e o Ativo Compensado): Tabela 5 – Participação percentual das contas do Ativo Financeiro Descrição Financeiro Disponível Bancos Cta.500 Disponível Valores Vinculados Realizável Bens Móveis e Imóveis Créditos do Estado Valores do Es tado 1996 1997 1998 1999 2000 jun/01 Os Ativos do Estado concentraram-se principalmente em Créditos do Estado e Valores do Estado.0% 0.500 10.4% 0.1% 5. Movimento Aplicações Financeiras Administração Indireta Rede Arrecadadora Valores Vinculados Conta "A" – C.7% 0.4% 0.0% 5.7% 0.SILVA.1% 0.6% 0.000 2.8% 0.0% 0. A composição e as mutações sofridas pelas contas que compõem o Ativo são dissecadas a seguir: 2.2% 32.2% 13.2% 0.0% 4.5% 0.6% 2.Ativo Financeiro O Ativo Financeiro. movimentados independentemente de autorização legislativa”. 31 .0% 19.0% 0.7% 13. 2000.8% 17.2% 0. p.2% 0.0% 2.0% 6.0% 4.2% 0.000 7.0% 0.9% 0. – Créd.6% 0.5% 4.500 R$ MILHÕES 15.9% 0. em Circulação Outros 31/12/96 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 4.5% 8 .5% 0. São Paulo: Atlas.1% 26.500 5.0% 0.3% 2.9% 0.0% 0.000 17.0% 0.7% 3.0% 1.5% 0. Lino Martins da.1% 0.0% 0.F Fundo da Dívida Pública Outros Realizável Créditos Diversos a Receber Diversos Responsáveis Valores em Trânsito Adm.7% 2.9% 0.0% 0.7% 15.1% 0.0% 2.3% 0.2% 0.0% 1.1% 2.8% 0.0% 5.0% 0. valores realizáveis e valores numerários.0% 4.E.2% 0.6% 0.0% 0.3% 0.3% 1.1% 1.7% 0.1% 15.0% 2. Ind.4% 0.2% 4. um enfoque administrativo.5% 0.6% 0.1% 3.3% 2.0% 3.000 12.2. 4ª ed.1% 0.1% 4.1% 6.4% 0.2% 0.0% 21.6% 0.1% 1. 324.2% 3.0% 0.500 20.4% 0.

1999.). 32.1.2. consignou os seguintes saldos nos exercícios findos em 31/12 de 96 a 00 e no semestre findo em 30/06/01: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) DESCRIÇÃO Disponível Bancos Cta. Movimento Aplicações Financeiras Administração Indireta Rede Arrecadadora 31/12/96 486 27 120 339 31/12/97 5. equivalentes a R$ 3. são avaliadas as contas que compõem o Ativo Financeiro. São Paulo: Atlas. ocorrida em meados de 1997. O expressivo crescimento verificado entre 31/12 de 96 a 97 é explicado principalmente por linhas de crédito.2%. 2. exatorias e bancos e correspondentes”. também. originalmente. sendo destinadas.1% e 15. concedidas para viabilizar a desestatização do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj S. em poder de caixas. Adiante.1.2.088 bilhões em moeda de jun/97. p. 32 . chamadas “Conta A” e “Conta B”.500 669 818 13 A seguir. 13.KOHAMA. as referidas linhas de crédito subdividiram-se em duas contas. inicia-se o exame das contas de Ativo pela rubrica Disponível. assumidos pelo Estado do Rio de Janeiro durante o processo de privatização do mencionado banco.775. respectivamente. Estas linhas de crédito.Mop/Rev61 A partir do exame desta tabela. observado a partir de 1999. classificados no grupo do Ativo Permanente – Títulos e Valores Mobiliários.A.1.867 314 394 31/12/98 1. é explicado pela renegociação da dívida do Estado junto à União. tesourarias.45 bilhões em moeda de 30/06/01. fiscais e outras avenças. em moeda nacional e estrangeira. Heilio. observa-se que o Ativo Financeiro representou 4.1%. totalizaram R$ 3.2%. 9 . quando a quase totalidade do saldo da "Conta A" foi convertida em Certificados Financeiros do Tesouro (CFTs).575 4. Obtidas em 01/06/97. equivalente a R$ 4.1 bilhões (ou R$ 4.Disponível O Disponível.3% nas datas indicadas. 13. pela elevação do saldo de outras contas.Bancos Conta Movimento A conta de Banco Conta Movimento teve um crescimento explosivo entre 31/12/96 a 31/12/97. 2. para a cobertura de passivos atuariais e contenciosos trabalhistas. em decorrência da obtenção de linhas de crédito junto à CEF (conforme já destacado).1 . Por outro lado.1 . cedidas pela Caixa Econômica Federal ao Governo do Estado em meados de 1997. chamadas de “Conta A” e “Conta B”. 89. 26. Balanços públicos.01%.7%. ou seja 2. o forte declínio da participação do Disponível em relação ao total do Ativo. teoria e prática. descrito por Kohama 9 como “o numerário que se encontra disponível. e.5 bilhões em moeda de 30/06/01).475 59 873 543 31/12/99 659 45 470 131 13 31/12/00 916 183 707 11 14 30/06/01 1.

) foi cindido em dois bancos: O Banco do Rio de Janeiro S.Determinação nº 16. sendo destes R$ 630 milhões relativos ao valor registrado em Banco do Brasil – Fundo da Dívida Pública (FDP). o Disponível era também composto por outros R$ 732 milhões. (atualmente em liquidação extrajudicial) e o Banco Banerj S.A.A.Mop/Rev61 sendo destinadas a cobertura de passivos remanescentes específicos. os saldos das Contas “A” e “B” foram reclassificados em 1998 para a conta Valores Vinculados. em 31/12/97. Ou seja. exercício de 1997.146 “B” 942 3. uma vez que estes valores eram destinados ao pagamento de determinados passivos. Por conseguinte.088 A contabilização das Contas “A” e “B” no Disponível foi inadequada. herdados após a alienação da participação acionária do Estado no Banco Banerj S. (Banerj S. era de: (saldos em 31/12/97. multas e ressarcimentos relacionados ao processo de privatização do Banerj S. à época. do voto prolatado pelo Conselheiro Relator José Gomes Graciosa.135) (630) 102 10 . 11 . sendo destinados a obtenção de numerário no mercado a ser utilizado no resgate de LFTRJs que seriam resgatadas em futuro breve. Em razão da determinação do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) 11. os R$ 630 milhões não poderiam ser classificados como recursos disponíveis. estavam vinculados à chamada “rolagem automática” da Dívida Mobiliária Estadual.O antigo Banco do Estado do Rio de Janeiro S. 10.A. o real saldo de disponibilidades.. Desta sorte. da Dívida Mobiliária do Estado do Rio de Janeiro. Destaca-se que.867 (4. relacionadas a seguir: (em R$ milhões correntes) CONTA “A” TIPO DE PASSIVO Passivo atuarial a descoberto para cobertura de planos previndenciários dos funcionários do Banerj cobertos pela PREVI-BANERJ Possíveis contenciosos. gestor. 33 . quando da emissão de Parecer Prévio às Contas da Administração Financeira. em moeda de 30/06/01) Descrição Bancos Conta Movimento (-) Saldo com a CEF (-) Saldo com o Banco do Brasil = Bancos Conta Movimento Ajustada R$ milhões 4.A. eram recursos vinculados. à medida que representavam um estoque de Dívida Mobiliária Estadual destinado ao resgate de Títulos da Dívida do Estado (LFTRJs) vincendos. (privatizado) TOTAL R$ milhões 2. alienado para a iniciativa privada (Conglomerado Itaú) em junho de 1997. representando os valores de Letras Financeiras do Tesouro Estadual (LFTRJs) sob custódia do Banco do Brasil. e. portanto.A. em 31/12/97.A.

1 8. 34 . R$ 707 milhões e R$ 818 milhões. alguns índices de liquidez apresentariam indicadores positivos. que a partir de 1999 começou a ser formado. estes saldos até 31/12/99 não refletiam a real situação financeira do Estado. sem que se procedesse aos necessários ajustes. ou 90.1. 2. grande parcela dos valores registrados como Aplicações Financeiras de 31/12/98 adiante pode ser considerada virtual (sic) pois. dos R$ 873 milhões contabilizados como Aplicações Financeiras em 31/12/98. seria distorcida.2 . R$ 470 milhões.2. em 31/12 de 1998/1999/2000 e 1º semestre de 2001. ocorrida em julho de 2001. Nesta data. por exemplo. pouco expressiva em 31/12 de 99 e 00.0 0.1% do total.Aplicações Financeiras Os montantes contabilizados na conta de Aplicações Financeiras mantiveram-se em patamares próximos findas as datas examinadas (exceto 31/12 de 96 e 97): R$ 873 milhões.9 1. a CGE e AGE não elaboraram Notas Explicativas detalhadas sobre a origem. R$ 787 milhões. destino e composição das referidas linhas de crédito. Com efeito. o que na prática não estava ocorrendo. Exceto pelos saldos de 31/ 12/96 e 1997. teve destacada participação em 30/06/01.0 Exceto pelo valores do Fundo do Judiciário. respectivamente. por exemplo. como o apresentado: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Aplicações Financeiras Órgãos Participantes do Fundo da Dívida Pública Administração Direta Banco do Brasil – C/ SELIC Depósitos em Conta de Poupança Saldo R$ bilhões em 31/12/98 873 787 78 8 0 % Total 100. possibilitando a constituição de reservas destinadas ao pagamento de metade do 13º salário dos servidores. Movimento.1.0 90.Mop/Rev61 Por conseqüência. Destaca-se também que. Indireta e Fundacional junto ao Fundo da Dívida Pública (FDP). qualquer análise das disponibilidades do Estado que considerasse os valores escriturados no Balanço Financeiro. os outros valores contabilizados na conta são efetivamente disponíveis. Na verdade. referiam-se a saldos de aplicações no FDP. salienta-se que a conta Bancos Cta. apesar da relevância dos saldos das Contas “A” e “B”. os valores atingiram R$ 669 milhões em decorrência da melhoria da situação fiscal do Estado. devido à suposta posse de recursos para a cobertura de passivos de curto prazo. considerando que incluíam valores relativos a créditos de Órgãos da Administração Direta. Por fim.

nunca ressarciu os valores obtidos. especificamente a conta Créditos Diversos a Receber a partir do exercício de 2000. meramente escriturais. Em outras palavras. todo o saldo devedor relacionado às LFTRJs foi assumido pela União. criado para financiar a Dívida Mobiliária do Estado. em razão da não eliminação dos saldos do FDP. o saldo contabilizado no Ativo do Estado foi superavaliado em alguns dos períodos sob exame. os montantes devidos tornassem-se de caráter permanente. Cessadas as operações do FDP. os valores registrados como aplicações financeiras do Fundo da Dívida Pública são ativos de órgãos da Administração Direta. à medida que referiam-se a créditos de Órgãos da Administração Direta. fazendo com que.U. Naquela ocasião. tendo em vista. a Dívida Mobiliária Estadual.. e assim cumprir o pactuado. O FDP. Entretanto.Mop/Rev61 Em 31/12/98. em razão das limitações de caixa do Governo do Estado. 35 . sem que existisse um lastro financeiro correspondente no Tesouro do Estado do Rio de Janeiro. devedor destas quantias. extinguindo. pois é a sua taxa diária que regula os preços unitários (P.É a taxa prime do mercado que regula as operações diárias com títulos públicos federais. todo o montante devedor apurado como saldo devedor em LFTRJs (recalculado. ainda. O improvável reembolso dos valores devidos pelo FDP a Órgãos Estaduais tornou-se mais claro com o advento da renegociação da dívida do Estado junto à União. restaram saldos credores da Administração Indireta resultantes das práticas contábeis adotadas ao longo dos anos. não existindo perspectivas de efetivo ressarcimento pelo Tesouro do Estado dos valores devidos aos credores. a inexistência de data predeterminada para quitação dos referidos débitos. o Tesouro Estadual. LOTERJ etc. utilizava recursos do DETRAN. Estes saldos. na prática. Nesta ocasião. os R$ 787 milhões registrados na conta Aplicações Financeiras caracterizavam-se por serem valores escriturais (tendo como contrapartida um passivo). permaneceram distorcendo o Balanço Patrimonial do Estado ao longo do exercício de 1999. conforme exposto na análise da Dívida Fundada) foi convertido para Dívida Contratual. comprometia-se a restituir os valores captados com base na variação da taxa Selic 12. ocorrida em outubro de 1999. por conseqüência. Indireta e Fundacional devidos pelo Tesouro do Estado ao FDP. 12 . Indireta e de Fundos Estaduais.) dos títulos públicos. por não possuir os recursos necessários para o reembolso. Por conseguinte.

F. esses créditos não possuem lastro financeiro.LOPES DE SÁ.296 1.723 31/12/99 1. única e exclusivamente para a cobertura de passivos trabalhistas.2.F. sufixo que indica dependência de uma conta. acordemente ao apresentado na tabela: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Valores Vinculados Conta "A" . Antônio. 1995. na data do contrato. os valores registrados nas contas de Administração Indireta e Rede Arrecadadora não serão objeto de análise.1.Contas “A” e “B” O saldo das Contas “A” e “B” refletem os montantes de linhas de crédito obtidas junto à Caixa Econômica Federal (CEF) em 06 de junho de 1997.E.3 . 13 . Fundo da Dívida Pública Outros 31/12/96 461 300 161 31/12/97 740 723 17 31/12/98 5. referem-se a valores devidos pelo Tesouro a órgãos da Administração Direta e Indireta tendo.Administração Indireta e Rede Arrecadadora Em razão da irrelevância. em garantia de uma transação. contabilizadas indevidamente no grupo de Disponível em 31/12/97. Dicionário de Contabilidade.1.2.438 230 1. os saldos do FDP. Os valores que apresentavam tal características em 31/12/96 e 97 eram. 2.280 - Os saldos da conta Fundo da Dívida Pública foram transferidos. destacadamente. 36 . para a conta Aplicações Financeiras e.295 31/12/00 1. 2.1. A partir de 31/12/98 há predominância dos valores relativos às Contas “A” e “B”. a partir de 1998.2 . 9 a ed. p.E. se comparados com o valor total do Ativo. adiante se procederá a uma descrição detalhada da evolução de seus saldos. 468.1. Quanto à questão das Contas “A” e “B”.Mop/Rev61 2. Vinculadas.C. ou vincula”. Destarte.Valores Vinculados De acordo com citação de Lopes de Sá 13 aqui reproduzida: “Vinculados é um sufixo de conta que indica que seus valores se encontram presos. como contrapartida no Passivo. Conta "B" – C.697 3. Atlas.974 1. sendo considerados como créditos meramente escriturais.2.2. São Paulo.213 30/06/01 1. a conta de Credores Entidades e Agentes.1 .490 277 1. conforme destacado anteriormente.

entre as mesmas partes. foi firmado. na Medida Provisória nº 1.088 Em razão dos valores disponibilizados serem corrigidos pelas taxas de juros praticadas no mercado aberto (open-market). 14 . celebram a União e o Estado do Rio de Janeiro.A. compreendiam os seguintes valores na data de sua liberação: (em valores correntes de jul/97) CONTA “A” “B” Total = R$ milhões 2. entre o Estado do Rio de Janeiro. Consolidação e Refinanciamento de Dívidas.974 1. nos termos do disposto na Lei nº 9.BRASIL. que.146 942 3. entre si. a União e a CEF. na Lei Estadual nº 2. de 26 de outubro de 1999. estabelecendo-se outras formas de uso aos recursos remanescentes da “Conta A” (originalmente destinados exclusivamente à cobertura dos passivos atuariais decorrentes de déficits de Reservas Técnicas para pagamento de compromissos previdenciários da PREVI-BANERJ). com interveniência de Banco do Brasil S. 80/97 e 102/97. 15 _________.A. Contrato de Confissão. 37 . mesmo que utilizadas parcelas das linhas de crédito.674. Segundo Termo Aditivo ao Contrato de Abertura de Contas. de 27 de janeiro de 1997. em 31/12/98. as seguintes quantias: (valores de 31/12/98..900-43. com base nos Votos 162/95. ocorrida em outubro de 1999. alterada pela Lei nº 2.996 de 30 de junho de 1998. atingindo. para as finalidades pactuadas. do Conselho Monetário Nacional. que entre si celebram o Estado do Rio de Janeiro e a Caixa Econômica Federal. Promessa de Assunção.496. firmado em 10 de junho de 1997 e aditado em 8 de julho de 1997.Mop/Rev61 previdenciários e tributários provenientes do Banco do Estado do Rio de Janeiro S. estes montantes foram sofrendo acréscimos.697 Em razão dos acordos que envolveram a viabilização da renegociação da Dívida do Estado com a União 14.723 5. o Segundo Termo Aditivo ao Contrato de Abertura de Contas – Contas “A” e “B” 15. (Em Liquidação Extrajudicial). em moeda de 30/06/01) CONTA “A” “B” Total R$ milhões 3. 175/ 95. nomeação de Agente Fiduciário e outros pactos. de 11 de novembro de 1997.

com saldo de R$ 154 milhões. Em contrapartida à diminuição muito expressiva do saldo da conta de Valores Vinculados. com valor de emissão unitário de R$ 1. 38 . representados por CFTs destinados à capitalização do RIOPREVIDÊNCIA. Por derradeiro. foi transformado em títulos federais. chamada de “Reserva Monetária”. teve a seguinte destinação: I) R$ 320.000.889. equivalente a R$ 1. Valores em Trânsito.500.000.889 Certificados Financeiros do Tesouro com valor de emissão unitário de R$ 1.500. III) R$ 2. equivalentes a 12 (doze) vezes o valor médio de benefícios previdenciários pagos aos participantes da PREVI-BANERJ nos últimos 12 (doze) meses anteriores à data de assinatura do Segundo Termo Aditivo. observa-se que restou na conta Valores Vinculados.00. restando.287 Certificados Financeiros do Tesouro. equivalente a R$ 3.000. relativas aos valores disponibilizados à vista e em CFTs. o pactuado neste Termo Aditivo trouxe expressivas modificações no saldo da conta de Valores Vinculados. em outubro de 1999 o saldo apurado na “Conta A”. em 30/06/01. vencíveis mensalmente até 15 de dezembro de 2014. à vista.9 bilhões. Outrossim. que somados perfizeram um total de R$ 1. fiscais. contabilizadas no Passivo – Dívida Fundada.00 convertidos em 797.000. De fato. e corrigidos pela variação do IGP-DI mais juros de 6% ao ano. corrigidos pela variação do IGP-DI mais juros de 6% ao ano.000. Como se vê.000. apenas R$ 230 milhões relativos à conta da chamada “Reserva Monetária”. cíveis e outras avenças remanescentes do processo de privatização do Banerj). retidos na Conta “A”. anteriormente integralmente vinculado.000. e Outros Valores Vinculados.4 bilhão. Considerando ainda que a maior parte do valor. vencíveis mensalmente até 15 de dezembro de 2001.000. em 30/ 06/01.2 bilhão (destinado exclusivamente ao pagamento de contenciosos trabalhistas. apenas o saldo da “Conta B”. o Estado contraiu obrigações junto à União. incluindo a liberação. destinados a capitalização do RIOPREVIDÊNCIA.Mop/Rev61 Muito embora não evidenciado detalhadamente em Notas Explicativas ao Balanço Patrimonial do exercício findo em 1999.287.00 liberados para o Tesouro do Estado em moeda corrente.00 convertidos em 2. de R$ 320 milhões. se comparados os dados de 31/12/98 e 31/12/99. II) R$ 798. destinados a capitalização do RIOPREVIDÊNCIA.00. R$ 349 milhões. houve uma grande redução dos montantes escriturados na conta Valores Vinculados – “Conta A”. e IV) R$ 312. há uma grande elevação dos saldos da conta de Ativo Permanente – Títulos e Valores Mobiliários. foram dadas novas destinações aos recursos da “Conta A”. representada pelos títulos federais (CFTs) utilizados para capitalizar o RIOPREVIDÊNCIA.

Outros valores que compunham o saldo total da conta.053 125 59 842 26 A composição do Realizável experimentou uma importante alteração em face da extinção do saldo da conta Administração Indireta – Incorporação e. em 31/12/99. em 31/12/96. também.KOHAMA.443 349 154 Descrição Realizável Créditos Diversos a Receber Diversos Responsáveis Valores em Trânsito Adm. em 31/12/99.Mop/Rev61 2. em razão da contabilização de R$ 350 milhões (equivalentes a R$ 402 milhões em moeda de 30/06/01). – Créd.2.529 11 1. para R$ 587 milhões.570 53 80 55 1.2. Hélio.1. que nas considerações de Kohama 16 “representam a soma dos créditos financeiros junto a pessoas de direito público ou privado e que deverão ser convertidos e realizados em dinheiro.Realizável Os valores realizáveis.2. Restos a Receber e Outros Créditos a Receber. relacionavam-se aos Royalties de Petróleo a Receber.415 158 65 1. 2.2 .182 587 55 1. geralmente a curto prazo”.1. 39 . 2. teoria e prática. 89. em decorrência ao crescimento progressivo dos valores contabilizados na conta Créditos Diversos a Receber.758 1.1 . Estas alterações serão examinadas adiante. os saldos devidos do FDP não deverão se materializar.3 . Ind.Créditos Diversos a Receber O montante escriturado em Créditos Diversos a Receber elevou-se de R$ 125 milhões. relativos a Créditos Oriundos do Fundo da Dívida Pública (FDP).2. 1993.946 1. Balanços Públicos.3. p. 16 . merecendo comentários adicionais quando do exame das contas de Incorporação da Administração Indireta e Créditos Diversos a Receber. apresentou o seguinte comportamento ao longo dos períodos que compõem a amostra: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 1. em Circulação Outros 31/12/96 69 57 12 31/12/97 1. Conforme já exposto. São Paulo: Atlas.Fundo da Dívida Pública e Outros Os saldos registrados em Fundo da Dívida Pública (FDP) já foram analisados quando tecidos comentários sobre a conta Aplicações Financeiras.1.179 13 2.

10958 JUROS AMORT+JUROS SALDO FINAL 7.11.486 7. Desta forma.804) (113.318) (114.00 15.815 37.988.02. 1.713 73.911) (118.125 7.254 7.00 15. A contabilização de valor devido à FAPERJ.08134 1.713 73.872.00 15.00 15.713 73. INCIAL 7.875.601 7. validando a quantia total dos CFTs mantidos pelo RIOPREVIDÊNCIA em 15/12/00.994.01023 1.629.719 38.851. pois se somado aos R$ 7.00 15.713 73.198 7. equivalente a R$ 612 milhões em moeda corrente (ou R$ 641 milhões em moeda de 30/06/01).885 (113.09805 1.02466 1.05614 1.12.524 7.713 73.717 7.853. por se tratar de crédito de difícil realização.820.465 7.09385 1. ainda. Deve-se ressaltar. a contabilização da quantia superavalia o Ativo do Estado.713 73.01157 1.3 bilhões em moeda de 30/06/01) – que estão registrados na conta de Títulos e Valores Mobiliários – CFTs.0 bilhões – em valor histórico (ou R$ 7.748 456.09.99 15.922) (1.713 73.07.570) (117.02654 1.640.673.870 7.10121 1.00288 1.774.813 IGP-DI ÍNDICE 1.713 73.03099 1.892. para R$ 1. devidos pela União ao Estado.097 7.135 37.806) 40 .125 7.00194 1.940) (118.671. O valor contabilizado pode ser considerado.902.732.00128 1.556 908 1672 1818 1956 2053 2284 2933 4138 5996 6918 7228 7461 38.00 15.713 73.725 38.01232 1.191 7.08.783. O dispositivo mencionado dispõe que o Tesouro deve repassar anualmente 2% da receita tributária prevista à referida Fundação.934.252 7.572 7.281 38.04.674 7.02268 1.713 884.853.12.433 38.231 38.974) (118.00183 1. pois se o Balanço Patrimonial fosse adequadamente consolidado.754.02386 1.696 38.508 37.575 7.00 TOTAL SALDO.03.758.761 7.713 73.891 73. CORREÇÃO IGP-DI ACUM.386. Indireta e Fundacional seriam eliminados entre si.713 73.00854 1.769 7. o que não foi sendo observado ao longo dos anos.154) (115. Entretanto.00384 1. se deu com base nas diferenças de valores repassados para aquela entidade e o que determina o artigo 332 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro.806 7.05.786 7.00 15.10.743. de acordo com tabela a seguir: (em R$ mil.581) (113. o valor a receber da FAPERJ seria suprimido contra o montante a pagar do Tesouro.806.00 15. em valor histórico (ou R$ 744 milhões em moeda de 30/06/01). 15. os saldos de créditos e débitos intragovernamentais mantidos entre as Administração Direta.00305 1. totalizariam a importância de R$ 7.693.6 bilhão em 31/12/00.00 15. foi ocasionado pela contabilização de créditos a receber da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) em conjunto com a escrituração de valores a receber provenientes dos CFTs.00 15. que o montante não repassado à FAPERJ deveria ser escriturado no Ativo e Passivo Compensados.154 7.01.786.01572 1. em parte.7 bilhões.Mop/Rev61 O vigoroso crescimento do saldo.02785 1.06.110) (113.964) (113.00760 AMORT. Outro importante valor na composição da conta Créditos Diversos a Receber refere-se ao saldo de R$ 710 milhões.00 15.880.558) (114. além da remota possibilidade da FAPERJ vir a receber tais valores.034 37.03979 1.464 7. em moeda de 31/12/00) VENC.792. relacionados ao resgate de parcela de CFTs de titularidade do RIOPREVIDÊNCIA vincendos em 2001.020 7.560 37. adequado.044 7.

01 15.00000 1.641) (116.Mop/Rev61 Porém.10958 1.845) (115.054 33.258 425. Portanto.00000 1.358. até 31/12/00.01 15.077.960 6.248 34.905 7.01.421 7.713 73.367 AMORT+JUROS SALDO FINAL (119.01 15.713 73.01 15.06.437) (117.840 7. A partir do exercício de 2000 estes saldos.00000 1.514 6.523.405. Desta maneira.094 7.646 35. antes da incidência das correções mensais com base na variação do IGP-DI.849 7. que somaram R$ 1. é superior ao valor contabilizado no Ativo Financeiro – Realizável.09.443 36.11.886 6. foram redistribuídos para outras rubricas.832. os montantes de recebíveis em 2001 provenientes dos CFTs.08. 98 e 99.947.428) (119.282 7.10958 1.996.243) (115.713 73.10958 1.631 7.01 15. de acordo com o demonstrado a seguir.713 73.835) (117.568.00000 1. Seus montantes.914. em moeda de 31/12/00) VENC.00000 1.00000 AMORT.Administração Indireta – Créditos em Circulação Os valores contabilizados nesta conta apresentaram saldos relevantes em 31/12/97.4 bilhão.12.030) (118.713 73.095 6.10958 1. ou seja.01 15.750.01 15.656 33.10958 JUROS 37. em 360 dias.10958 1.10958 1.2.305 6.567 CORREÇÃO 8078 8078 8078 8078 8078 8078 8078 8078 8078 8078 8078 8079 IGP-DI ACUM.713 73.01 15.02.687.233) (117.00000 1.112.039) (116. 73.01 15.338 7.3.00000 1.07.10958 1. equivaliam a R$ 1.241.061) (1. os valores registrados nesta conta foram extintos.10958 1. não restando claro.00000 1. Os lapsos identificados evidenciam a existência de fraquezas no controle interno e nas classificações das contas patrimoniais do Estado.2 . os valores a receber dos CFTs em 2001.660 7.527 7. entretanto.637 37.841 36.00000 1.605.030.713 73. à medida que não se procediam às necessárias eliminações visando apurar os valores consolidados.00000 1.724 884. INCIAL 7.258 7.159.10.711 O desbalanceamento dos saldos de curto e longo prazo provoca distorções em análises que não procederem às devidas reclassificações. resta comprovado que.10958 1.446) (115.713 73.468 7.01 15.452 34.5 bilhão em 31/12/99.869) 7.771 IGP-DI ÍNDICE 1.04. 15. 41 .716 7.677 7. distorcendo os montantes reais que deveriam estar apontados nos Ativos Financeiro e Permanente.01 TOTAL SALDO.1. relacionavam-se à incorporação dos valores realizáveis da Administração Indireta do Estado.631) (118.01 15.441.650.406.713 73.10958 1.850 34.044 35.10958 1. 1.049 7.713 73.239 36.865. que somavam-se a outros Ativos do Estado.03.323. conforme tabela: (em R$ mil.194. 2.713 73.769. os Balanços do Estado eram apenas combinados.471 7. De fato.486.05. já que não há Nota Explicativa que evidencie a eliminação de todos os valores intragovernamentais. a partir de 2001. se a mudança de critério contábil promoveu a melhoria da Consolidação do Balanço.276.00000 1.149 6.

9% 16.3% 2. Silva 17 discorre: “compreende bens. que para serem movimentados dependem de autorização legislativa.8% 2.3 .3% 20.8% 0.8% 41.Mop/Rev61 2.6% 22.7% 2.5% 13.4% 31/12/99 86. Op.7% 13.5% 0. Em Circ. Ativa Trib. em seu artigo 94: “Haverá registros analíticos de todos os bens de caráter permanente.6% 2.Ativo Permanente A Lei nº 4.7% 0. Outros e Bens e Vals.6% 0.3% 17. e Não Tributária Concessão de Serviços Públicos Sociedade de Economia Mista Outros Valores do Estado Participações Societárias Títulos e Valores Bens a Incorporar Almoxarifados Inv.2% 31/12/00 86.Silva.1% 23. portanto.6% 6. com indicação dos elementos necessários para a perfeita caracterização de cada um deles e dos agentes responsáveis pela sua guarda e administração.9% 1.1% 30.1% 38.2.6% 0. 2000.3% 69.1% - 17 .8% 2. 2.4% 44. na tabela a seguir serão apuradas as participações percentuais das contas que compõem Ativo Permanente em relação ao total do Ativo (excluídos o Passivo Real a Descoberto e o Ativo Compensado): Tabela 6 – Participação percentual das contas do Ativo Permanente (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Ativo Permanente Bens Móveis e Imóveis Créditos do Estado Dív. critérios e valores não incluídos no ativo financeiro.0% 37.2.1.8% 30/06/01 84.9% 33.4% 5.6% 23.1% 69. Ind.320/64 dispõe.4% 0. p.3% 2.3.7% 3.5% 37.0% 0. Especial Órgãos da Adm.3% 14.1% 1.4% 44. não serão analisados.” Contribuindo para elucidar o conceito de Ativo Permanente na Contabilidade Governamental.3% 31/12/97 73.2% 5.4% 4. 223.7% 5. 41 .0% 33.9% 18.4% 8.7% 0. Valores em Trânsito e Outros Os valores contabilizados nesta conta no período avaliado são irrelevantes e..3% 3. citada. – Incorp.4% 67.3% 0.7% 2.” Para fins de análise.0% 31/12/98 67.0% 55.6% 0. Regime de Exec.1% 31/12/96 95.5% 2.8% 0.1% 0.2 .9% 29.0% 12. 23.9% 5.9% 3.4% 0.3% 3. 4ª ed.2% 32.4% 2.Diversos Responsáveis.

3%.direitos reais sobre imóveis. são os mares.direito à sucessão aberta. Muito embora os bens que formam o patrimônio do Estado estejam classificados segundo dois critérios. bibliotecas. em 31/12/98. . e um máximo de 95. ou comodidade. os valores escriturados nos grupos Bens Móveis e Bens Imóveis carecem de informações quantitativas e qualitativas. em 31/12/96.solo com sua superfície. adquiridos por compra. ou seja. Formam o grupo móveis e utensílios.1 . bens com duração superior a 2 (dois) anos. 42 .2. doação. ou seja.9%. e as ações que os assegurem. estradas. 2. inclusive penhor agrícola. aformoseamento. • Bens Imóveis: são aqueles imóveis por sua natureza ou por destino. ou pelo objeto a que se referem. artigo 65. . semoventes. Em decorrência da inexistência de cálculos de depreciação. objetos de arte. . permuta etc. do Código Civil Brasileiro. não utilização da sistemática da correção monetária na época em que a espiral inflacionária atingiu índices expressivos e. os seus acessórios e adjacências naturais. os seguintes: . em face da não evidenciação contábil dos bens de uso comum do povo 18. à medida que o segundo é influenciado pelo estabelecido na Constituição Federal (artigo 20 para a União e artigo 26 para os estados) e também pelos artigos 65 a 68 do 18 . materiais diversos etc. . também.tudo quanto no imóvel o proprietário mantiver intencionalmente empregado a sua exploração industrial. veículos. rios. ferramentas.tudo quanto o homem incorporar permanentemente ao solo.2.Bens Móveis e Imóveis Este grupo caracteriza-se na Contabilidade Governamental por registrar os bens de caráter permanente. .De acordo com o inciso I. ruas e praças. A seguir são avaliadas individualmente as contas que compõem o Ativo Permanente. podendo-se distinguir os bens móveis dos imóveis pelos seguintes aspectos: • Bens Móveis: registram os bens de utilização geral. o contábil e o jurídico.Mop/Rev61 Os saldos do Ativo Permanente participaram com um mínimo de 67.apólices da dívida pública oneradas com cláusula de inalienabilidade. se comparados ao total do grupo do Ativo (excluídos o Passivo Real Descoberto e o Ativo Compensado).

instalações.Valor de todo imobilizado da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (SUDERJ). 43 . não estando mais subavaliado graças às recentes incorporações de gastos relacionados a reformas feitas naquele estádio. As limitações de evidenciação das referidas contas serão observadas a seguir.Mop/Rev61 Código Civil Brasileiro. está registrado por apenas R$ 15 milhões 19 em 31/12/00.584 1. aliada a não ter sido procedida a reavaliação de diversos bens imóveis do Estado. De fato. representada pelo alto valor atribuído à conta “bens imóveis a classificar”. Além da nítida falha de controle.1 bilhão em 31/12/00. mesmo que em afronta aos Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos. equivalente a R$ 1. por terrenos. de acordo com seu Balancete Geral do exercício findo em 31/12/00.320/64. em decorrência da não adoção da sistemática da correção monetária da demonstrações contábeis. o Estádio Mário Filho e seu complexo desportivo. os edifícios R$ 355 milhões e “bens imóveis a classificar” R$ 578 milhões. ao menos. edifícios etc. Por exemplo. 19 . elaborar demonstrativos adicionais para evidenciar o valor desses Bens Móveis e Imóveis. serão considerados apenas os montantes do exercício findo em 31/12/00.142 442 O saldo dos Bens Imóveis. conhecido nacionalmente pelo nome de Maracanã.584 30/06/01 1. Apesar de não serem depreciados. iniciando-se evolução dos valores registrados nos períodos sob exame: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Bens Móveis e Imóveis 31/12/96 761 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 806 904 901 1. de acordo com o Balancete Geral do Estado. a Contabilidade Governamental deveria. o valor dos bens imóveis do Estado como um todo está aviltado. pois em todos os outros períodos examinados as deficiências de evidenciação foram idênticas: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Bens Móveis e Imóveis Bens Imóveis Bens Móveis 31/12/00 1. pois é pratica na Contabilidade Governamental não fazê-lo com base na inexistência de previsão na Lei 4. é composto. responsável pela administração do Maracanã. Os terrenos possuem valor contábil de apenas R$ 51 milhões. cumpre destacar a subavaliação dos Bens do Estado. pode-se utilizar alguns casos emblemáticos para ilustrar as limitações das informações contidas nos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro.630 Para fins de verificação da adequação dos valores contabilizados como Bens do Estado. observada de forma geral.

rios. tais como os mares. São Paulo. como objeto de direito pessoal. mas também para que sejam aumentados os controles visando salvaguardar o patrimônio estadual. Análise de Resultados do Setor Público.os de uso comum do povo. para que se possa chegar mais próximo do que interessa à Contabilidade. urge que se elaborem informações complementares sobre os bens de uso comum do povo. ou que banhem mais de um Estado. Nelson.320/64 20. Da mesma maneira. ruas e praças. 1987. das estradas e dos monumentos estaduais. ou real de cada uma dessas entidades. dos estados. do artigo 106 da Lei 4. do Túnel Rebouças.A porção de terras devolutas indispensáveis à segurança e ao desenvolvimento nacionais.os de uso especial. II . por exemplo. tais como os edifícios ou terrenos aplicados a serviço ou estabelecimento federal.“Poderão ser feitas reavaliações dos bens móveis e imóveis. quando na defesa de sua tese de doutoramento: “O aspecto importante estará em que as informações contenham todo o conteúdo do Patrimônio. na extensão e limitações que a Contabilidade permite. 44 . O Código Civil classifica os bens públicos da seguinte maneira: 'I . a Constituição Federal estabelece: 'I . Tese de Doutorado apresentada ao Departamento de Contabilidade e Atuária da Faculdade de Economia e Administração da Universidade do Estado de São Paulo. II . estadual ou municipal. isto é. Agora.Mop/Rev61 O fato indica que é necessário se proceder à reavaliação de todos os bens imóveis do Estado do Rio de Janeiro. serão disponíveis quais são os valores. Sobre a contabilzação dos bens de uso comum do povo. o qual excede os contornos econômicos e jurídicos. Desta forma. Nelson Petri 21. torna-se necessário que se deixe de lado o conceito amplo de Patrimônio Público indicado anteriormente. constituam limite com 20 . ou dos municípios.' Especificamente em relação à União. estradas.PETRI.os lagos e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio.os dominicais. vale a pena registrar o exposto pelo Dr. da Linha Vermelha.” 21 . não só para se obter uma melhor avaliação da situação patrimonial. III . os que constituem o patrimônio da União. na forma prevista no § 3º.

o problema estará voltado exclusivamente aos aspectos de 'exequibilidade' e 'avaliação econômica' para fins de registro contábil. motivo pelo qual podese agora tomar decisões sem qualquer limitação de ordem jurídica.320/64 mantiveram e até ampliaram essa restrição.Os que atualmente lhe pertencem. estabelecia que os bens indicados no inciso I acima. (. Todavia. os Bens Móveis do Estado. A inexistência de Notas Explicativas detalhadas sobre os itens que compõem o total da conta não permite que seja avaliado quais são os bens. e seus respectivos valores. carecem de melhor evidenciação. VI . e não se encontram envolvidos diretamente com o tema que está sendo abordado. não contém qualquer restrição nesse sentido. por parte do Estado.' Pergunto: quais desses bens são suscetíveis de serem registrados pela Contabilidade? Seriam todos? O Código de Contabilidade da União. IV .A Plataforma Continental. Por esse motivo. presente ou futura..” Da mesma maneira que os Bens Imóveis. não deveriam ser objeto de registro contábil. impossibilitando avaliações mais aprofundadas do patrimônio estadual mantido nestas áreas de governo consideradas essenciais.. 45 .). exceto quando fosse exigida qualquer retribuição pelo seu uso. as ilhas oceânicas. registrados por R$ 442 milhões em 31/12/00. porquanto redisciplinou a matéria. alocados em hospitais. escolas e no aparato de segurança pública.O mar territorial. desde que tenham representado uma aplicação de recursos financeiros. que caiu em desuso. desde já pode-se concluir pela ativação de todos os bens públicos. e isso deveria ser feito à luz das normas contábeis.Mop/Rev61 outros países ou se estendam a território estrangeiro. V . III . assim como as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países. A eles não deve ser dispensada atenção por constituírem problemas relacionados com a execução dos registros contábeis necessários. esta última lei que revogou todas as anteriores da espécie. Quanto aos demais que não tenham sido objeto de aplicação de recursos.As terras ocupadas pelos silvícolas. As leis que antecederam a atual Lei 4.

2. 1999. o valor atribuído à subconta Museus Estaduais é de apenas R$ 308. Por fim.2.613 185 7. Desta forma.13. composta por obras de Rugendas.2 . Balanços públicos.306 816 130 31/12/00 11.KOHAMA. Desta feita.2.215 1. o Ativo Imobilizado do METRÔ totalizava R$ 3. têm valor contábil de apenas R$ 2 milhões.Créditos do Estado Os Créditos. a análise da conta de Bens Móveis e Imóveis deixa claro que a Consolidação de Balanços é incompleta.249 4.208 243 Os saldos da Dívida Ativa e das Participações em Sociedades de Economia Mista são as contas que mais se distinguem neste grupo.252 4. Di Cavalcanti. 23 . tendo em vista que o exame do Balanço Patrimonial demonstra que não estão incorporados os móveis e imóveis das empresas públicas e de economia mista.107 17. considerando a relevância de seus totais.261 9.515 115 30/06/01 12. apresentaram os seguintes montantes no Balanço Patrimonial do Estado do Rio de Janeiro: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Créditos do Estado Dív. e Não Tributária Concessão de Serviços Públicos Sociedade de Economia Mista Outros Fonte: Balanços Gerais do Estado 31/12/96 17. os vultosos bens imobilizados do METRÔ 22 e da CEDAE estão omitidos do Balanço Patrimonial do Estado.922 194 7. todo acervo de pinturas.2. Ativa Trib.Dívida Ativa Tributária e Não Tributária De acordo com o artigo 39.A. 104. para a construção da Companhia de Transportes sobre Trilhos de Estado do Rio de Janeiro. em 31/ 12/00.221 988 6 31/12/99 5.2.747 3. Debret. Heilio.107 31/12/97 9. p.De acordo com o Balanço Patrimonial da Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro (METRÔ).261 31/12/98 2. teoria e prática. § 2º da Lei 4. provenientes de responsabilidades não financeiras e não inscritos ou registrados em contas financeiras e aqueles inscritos para cobrança executiva. data de cissão da Cia.. relativos a cobrança da dívida ativa”.320/64: 22 . além de outras peças de arte e equipamentos musicais.Mop/Rev61 Ressalta-se também que parcela dos Bens Móveis do Estado está contabilmente subavaliada em face da falta de reavaliações. que nas colocações de Kohama 23 “compreendem os recebíveis por fornecimento e serviços prestados. 46 . 2. entre outros renomados artistas –. Outrossim. gravuras etc. sendo avaliadas a seguir: 2. – incluindo aí a valiosa pinacoteca herdada pelo Estado do Banco do Estado do Rio de Janeiro S.4 bilhões. São Paulo: Atlas.1 .

exercício findo em 31/12/96. de sub-rogação de hipoteca.Mop/Rev61 “Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza. 24 . ou deveriam.1 bilhões registrados no Ativo – Dívida Ativa do Estado: “A Dívida Ativa. convém destacar as considerações do Conselheiro Sergio Quintella 24 . custas processuais. seria adequado constituir provisões para a cobertura de créditos de difícil realização.QUINTELLA. aval ou outra garantia. e Dívida Ativa Não Tributária são os demais créditos da Fazenda Pública. alcances dos responsáveis definitivamente julgados. os montantes a serem escriturados no Balanço Patrimonial devem também. de contratos em geral ou de outras obrigações legais. observar o Princípio Contábil da Prudência.3 bilhões (valor histórico) ao final do exercício de 1996. laudêmios. preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos.320/64 deva ser considerado na contabilização dos créditos da Dívida Ativa. Sergio F. objetivando oferecer aos usuários informações que não distorcessem quaisquer avaliações procedidas. sobre o prazo médio da respectiva cobrança. o que inviabiliza qualquer estudo exploratório sobre o fluxo de caixa futuro. entretanto. restituições. maio de 1997. fiança. na ausência de provisão para créditos duvidosos. Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. apresenta um estoque da ordem de R$ 11. As demonstrações contábeis e os relatórios da Contadoria e da Auditoria Geral do Estado não esclarecem o grau de realização dos referidos valores. tais como os provenientes de empréstimos compulsórios.” Muito embora este dispositivo da Lei 4. indenizações. multas de qualquer origem ou natureza. aluguéis ou taxas de ocupação. exercício de 1996. Não há qualquer esclarecimento. Quanto a este problema. Voto em separado nas Contas da Administração Financeira do Estado do Rio de Janeiro. reposições. 47 . proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicionais e multas. sendo de concluir que. A falta de análises aprofundadas visando provisionar os montantes inscritos na Dívida Ativa não se restringem ao Estado do Rio de Janeiro. contribuições estabelecidas em lei. mas também ocorrem na União e em outros estados e nos municípios. expostas em seu relatório opinando sobre as Contas de Gestão do Estado do Rio de Janeiro. foros. bem assim os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira. tais valores são plenamente realizáveis. exceto as tributárias. representada pela conta Créditos do Estado. Desta maneira. sobre R$ 17.

deste modo. o que contraria os Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos e a boa técnica contábil. condicionados à consecução do firmado contratualmente. A Dívida Ativa tem. só pode aparecer no Ativo ou nas Contas de Resultado mediante provisionamento de valores inscritos mas considerados incobráveis. nos termos do art. Mesmo que sejam nítidos os problemas relacionados ao saldo contábil da Dívida Ativa.1% do estoque da dívida. compromisso de contrapartida financeira do Tesouro estadual. só foi realizado o valor de R$ 8 milhões. aparece nas Contas de Compensação – a título de Créditos Fiscais Inscritos (Dívida Ativa) – a significativa parcela de R$ 4 bilhões.2. demonstrando que grande parcela do saldo não é realizável e que o Ativo Permanente está superavaliado. a presunção de liquidez e certeza e. Em razão das licitações ocorridas para a concessão de serviços públicos.2 . à medida que a administração destes créditos do Estado cabe à Procuradoria da Dívida Pública.” Embora nos anos posteriores o valor registrado na conta Dívida Ativa tenha sido reduzido em razão de estudos realizados pela Procuradoria Estadual da Dívida Ativa. sendo de responsabilidade da Contabilidade registrar apenas os dados fornecidos por esta subdivisão da Procuradoria Geral do Estado (PGE). há que se proceder a estudos sobre probabilidade de recuperação dos valores inscritos. segundo opinião avalizada do órgão responsável pela respectiva cobrança.Concessão de Serviços Públicos Os problemas nos saldos desta conta começaram quando o Estado acelerou seu processo de desestatização (iniciado ao final de 1995) em 1997. resta claro que o montante de R$ 4. ensejando a realização de novas análises visando constituir provisões para os créditos que venham a ser considerados de difícil realização. no caso da concessão METRÔ-BARRA. decorrentes das deficiências do sistema de informação. visando minimizar os efeitos que a superavaliação contábil traz para os que formulam análises financeiras e patrimoniais do Estado.2. ainda. o que representa menos de 0. já que as Contas de Compensação são contas de ordem que não integram o conjunto das contas integrais de Ativo e Passivo.2. Estranhamente. 2.6 bilhões (em sua quase totalidade provenientes de créditos tributários). inexistindo garantias de que será realizado pelo Tesouro Estadual.172/66. 204 da Lei 5. 48 . registrado em 31/06/01. havendo.Mop/Rev61 No presente exercício (1996). permanece elevado. o Estado passou a deter créditos.

originaram-se das seguintes concessões de serviços públicos: (Balanço Patrimonial de 31/12/98.18 (valor histórico).079. R$ 488 milhões (equivalentes a R$ 680 milhões em moeda de 30/06/98). precedida de execução de obras públicas. Ou seja. conforme discriminação abaixo: ESPECIFICAÇÃO Recursos da Concessionária Recursos do Estado TOTAL (Valores de 31/12/98. 49 . orçada no montante de R$ 880. e dos problemas contábeis a ela relacionados. Porém.2% do total. R$ milhões correntes) R$ milhões 488 392 880 Como demonstrado na tabela supra.9 % 27 2.00 % CONCESSÃO METRÔ CONERJ FLUMITRENS METRÔ-BARRA TOTAL A avaliação dos saldos da conta Concessão de Serviços Públicos ficará adstrita à subconta METRÔ-BARRA.7 % 680 68. foram contabilizados como ativos os compromissos de investimento do consórcio vencedor da licitação de concessão. o que foi inviabilizado 25 . Independentemente das falhas já apresentadas. possibilitando a futura exploração da linha. ou 68. o consórcio vencedor se comprometeu a aplicar R$ 488 milhões. da exploração dos serviços públicos de transporte metroviário através da utilização da Linha 4.Dados obtidos no Processo TCE-RJ nº 109. em 31/12/98.2 % 998 100.Linha 4 25 – Concessão. representadas pela não disponibilização à CGE de dados suficientes para que a operação fosse escriturada corretamente.295. em razão de falhas nos sistemas de informação.2 % 10 0. em contrapartida o Estado deveria investir R$ 392 milhões.Mop/Rev61 Os valores registrados no Ativo do Estado. não se contabilizaram no Passivo os valores que o Tesouro teria que arcar para implantar o projeto licitado. em moeda de 30/06/01) R$ MILHÕES % TOTAL 281 28. A referida concessão foi revestida das seguintes características: • Metrô . omitiu-se o valor das obrigações do Estado. em função da alta representatividade desta.582-7/98. posteriormente restou claro que os valores a receber do METRÔ-BARRA (Linha 4) só seriam efetivados caso iniciadas as obras. Porém. referente ao Contrato de Concessão da linha METRÔBARRA. ou seja. R$ 392 milhões (ou R$ 540 milhões em moeda de 30/06/01). ou seja.

77 7.6 31.1 73 .6 62. obedecendo a mesma paridade dos contratos firmados.2 49 . observada a insubsistência do crédito. 03 4. da Deliberação n. de 10 de dezembro de 1992. Desta sorte.2. mantido em virtude das normas do artigo 183 e artigo 292.7 3 02 /05 /2 000 5 12. que trata do Regimento Interno do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. R$ R$ 5.2.6 bilhões. foi incluída no Balanço Patrimonial uma nova conta chamada Sociedades de Economia Mista. o saldo da conta METRÔ-BARRA foi baixado contabilmente no exercício de 1999. da Lei Complementar n. Desta forma acompanha-se o ressarcimento das dívidas assumidas.5 35 . são apresentadas para efeitos do artigo 36.º 10. 340 .Mop/Rev61 pela descontinuidade do Contrato de Concessão.2. – Banerj S.8 19 .9 2 C IA E S T A D U A L D E H A B IT A Ç Ã O D O R J C IA . do Decreto-Lei n.º 167. procedendo à contabilização da inscrição do direito da Assunção da Dívida na UG 200.00. 2.A. de 04 de dezembro de 1979.399 C IA E S T A D U A L D E H A B IT A Ç Ã O D O R J ( * ) U G 200.º 63. de 01 de agosto de 1990.º 287. do artigo 2º. 2000 e 30/06/01. registrando de acordo com o exposto pela CGE 26: “No exercício de 2000 esta Contadoria Geral do Estado introduziu rotina de registro contábil do reconhecimento de compromissos assumidos pelo Governo do Estado.A. (Em Liquidação Extrajudicial).Sociedades de Economia Mista A partir do exercício de 2000. A conta em referência assim se desdobra: ÓR GÃOS C IA . D O M E T R O P O L IT A N O D O R J U G 200. provocando as distorções relacionadas a seguir: a) Crédito a receber do Banco do Estado do Rio de Janeiro S.8. de 15 de março de 1975. prestadas em cumprimento ao inciso XI.8 6 7 . 53 8. D E T R A N S P O R T E S C O L E T IV O S D O B A N C O D O E S TA D O D O R J S /A B A N E R J ERJ C ON TR ATAÇ ÃO 24 /07 /1 997 1 5 /0 7 /1 9 9 8 -0 2 / 0 5 /2 0 0 0 R$ 3 . 63 8. provocando expressiva redução da conta Concessões de Serviços Públicos nos Balanços encerrados em 31/12 de 1999.5 9 Fonte: Superintendência do Crédito Público / SIAFEM/RJ Apesar de intencionar melhorar a qualidade das informações do Balanço Patrimonial. bem como considerando-se o inciso I. da Lei n.9.1 75.4 6 6 .94 2.3 .9 8 5 10. do artigo 4º. bem como são procedidas as atualizações dos saldos.As Contas da Gestão de 2000.2.00 – Sociedades de Economia Mista. 26 .3 7 5 . 50 . os critérios adotados para escrituração dos créditos a receber de Sociedades de Economia Mista são questionáveis em alguns aspectos.7 13 . 89 6. 13 7.2.399 conta 1.199 02 /05 /2 000 30 /06 /1 992 5 16.2 01 .

considerando que o patrimônio remanescente do Banco do Estado do Rio de Janeiro S.Valores do Estado Este grupo de contas registra os valores relativos a participações acionárias. Para fins de consolidação. assumidas pelo Governo do Estado e igualmente contabilizadas no Passivo – Dívida Fundada.2. Refere-se a dívidas da empresa junto à CEF. tornando ainda mais improvável o ressarcimento ao Estado. portanto. para fins de consolidação.4 . O valor registrado no Passivo refere-se ao reconhecimento e assunção de dívida junto ao Banco Central. decorrente de deficiências de Reservas Bancárias cobertas por aquela Autoridade Monetária durante o processo de privatização de parcela do Banerj S. Conforme pode ser observado na tabela a seguir. b) Crédito do Estado com a COHAB. Devido à inadimplência do METRÔ. não apresentaram saldos expressivos em 31/12/00 nem em 30/06/01. junto ao Banerj S. R$ 517 milhões. A operação. Tesouro do Estado e METRÔ. as contas de Bens a Incorporar. (Em Liquidação Extrajudicial).A (Em Liquidação Extrajudicial). – Banerj S.A (Em Liquidação Extrajudicial) não era suficiente para restituir o valor assumido pelo Estado. em montante idêntico. c) Valor registrado como devido pela Cia. Almoxarifado. envolve 3 (três) entidades estaduais: Banerj S. os saldos devedores do banco e os credores do Estado deveriam eliminados entre si. informando a origem do saldo e as dificuldades a serem enfrentadas para a restituição do valor devido.A.A.Outros Em razão da irrelevância. 2. Sendo assim.Mop/Rev61 O crédito também é registrado. complementando as informações em Nota Explicativa própria. Entretanto. não serão analisados os saldos destas contas. em 1997.2. seria recomendável a baixa do crédito para o Ativo e Passivo Compensados. Considerando que. Metropolitano do Estado do Rio de Janeiro (METRÔ) equivalente a R$ 510 milhões. 51 . e ainda que o METRÔ teve seus serviços concedidos. O valor é proveniente de financiamentos obtidos pelo METRÔ na década do 80.A.2. Órgãos da Administração Indireta – Incorporação e Outros Bens e Valores em Circulação. no Passivo – Dívida Fundada. o Governo do Estado absorveu a dívida junto ao Banerj.2. estes saldos deveriam ser eliminados no Balanço Consolidado do Estado do Rio Janeiro. não serão avaliados. títulos e documentos representativos do Estado. para fins de consolidação.2. o saldo também deveria ser eliminado.3 . por 20 (vinte) anos. 2.

Mop/Rev61 (R$ milhões em moeda de 30/06/01) ATIVO Valores do Estado Participações Societárias Títulos e Valores Bens a Incorporar Almoxarifados Inv. Desta forma.Determinação contida no voto do Relator. os procedimentos adotados provocaram. em função de determinações do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro 27. em vez de pelo montante registrado no Patrimônio Líquido das mesmas (método da Equivalência Patrimonial). expressivas distorções. quando analisada a conta de Passivo – Perdas e Deságios.513 160 641 619 31/12/99 21.187 5.816 3.2.079 10. porquanto a aplicação do critério de Equivalência Patrimonial em conjunto com a Consolidação de Balanços pressupõe a eliminação dos saldos da conta de Investimentos (no caso Participações Societárias) contra a conta de Patrimônio Líquido. os saldos destes investimentos eram registrados pelo valor do Capital Social das empresas. o Ativo estava inflado em valores muito significativos.392 661 145 1. quando da Prestação das Contas da Administração Financeira do 27 .526 19 103 995 3 - 2. Regime de Exec. o Banerj S. cobertas pelo Banco Central do Brasil).768 7.306 468 161 672 9. restando apenas apurar o saldo da conta de Participações Minoritárias. Ou seja. Outros e Bens e Vals. equivocadamente. do Governador do Estado do Rio de Janeiro. haveria a eliminação da conta de Participações Societárias. – Incorp. o que será comentado. A partir de 2000.Participações Societárias Os critérios contábeis utilizados para registrar as participações do Estado em empresas públicas e nas de economia mista sofreram importantes alterações no período pesquisado. Restando claro que a CGE. pois Patrimônio Líquido (no caso Ativo Real Líquido ou Passivo Real Descoberto) já refletiria a situação patrimonial das empresas em que o Estado possui participação acionária majoritária.A.531 11. exercício 1999.657 8.492 603 312 31/12/98 14. tendo em vista que.285 5. Ind.5 bilhões (principalmente em razão do saldo negativo das Reservas Bancárias.249 1. em Circ. 52 .610 8 31/12/97 10.472 31/12/00 14. possuía um Capital Social de R$ 124 milhões em 31/12/98. os valores das participações eram superavaliados. Conselheiro José Leite Nader. Ou seja.299 212 105 889 13 30/06/01 13. passou a avaliar estes investimentos pelo Método da Equivalência Patrimonial. Todavia. Ressalta-se ainda a adoção de outro procedimento pouco ortodoxo relacionado ao lançamento dos resultados negativos de Equivalência Patrimonial em conta de Passivo. adicionalmente. a CGE.598 1.2. 31/12/96 5. mas seu Patrimônio Líquido era negativo em R$ 5. Até 31/12/99.1 . até 31/12/00. a seguir é transcrito o Relatório da Contabilidade Geral do Estado. no caso Perdas e Deságios. caso fosse adotado o procedimento correto. quando da emissão do Parecer Prévio das Contas de Gestão. Especial Órgãos da Adm.3.541 6. não tinha obtido êxito no tocante à Consolidação dos Balanços Estaduais. por exemplo.

2 08 .6 8 1 4.11 3.9 6 4.7 38 .2 1 16 3.8 13 .V.4 3 0.11 3.532.4 0 1 1. C AS E R J B AN E R J C E D AE C E H AB ME T R Ô C E AS A C O D E R TE - O U T R O S IN V ES T IM E N T O S Z.00 49 .08 4.6 0 * C o n ta C o n tá b il 1 4 1 1 1 0 0 0 0 Fonte: Prestação de Contas da Administração Financeira do Estado do Rio de Janeiro.2 35 .7 92 .3 7 5. na qualidade de acionista majoritário.5 07 .1 0 15 8.3 7 1.0 7 10 1.22 6.9 77 .64 8.5 1 8.15 6.96 5.0 1 1.0 3 0.3 42 .3 3 1.41 0.9 71 .0 3 0 . C .3 04 .23 5.8 1.73 -1 53 .52 0.9 0 2.Obtido no site http//www.6 7 .549 .4 3 96 .9 31 .44 1.4 40 .00 0.5 5 1 02 .00 5.7 6 4 9.91 9.9 47 .3 1 3 1.13 .3 1 9.5 83 .3 3 1.1 75 .9 38 .32 0.64 5.3 2 3.4 8 0.04 8.E .10 7.1 7 2 07 .3 94 .00 -3 .4 5 57 1.0 62 .88 1.6 06 .9 10 .65 9.8 78 .4 6 98 .2 6 1 .7 17 .46 6.8 51 .br 53 .01 0.71 1.52 -5 .0 00 .6 8 2.9 1 6.75 8.9 0 16 3.9 38 .7 17 .26 2.7 2 18 7.17 6.00 7. C EL F TU R IS R IO D IVE R J C O D IN B D R IO C .3 1 *5.8 6 11 0.8 09 .11 1.3 2 2.75 9.14 9 6.4 25 .5 6 1 6.2 6 1.50 5.89 1.92 0.5 6 1 8.4 4 1 1.60 9. D O C AS P E U G E O T -C IT .19 7.8 6 1.22 5.66 5.3 31 . efetuamos a avaliação dos Investimentos tomando por base o valor do Patrimônio Líquido das Sociedades.5 53 .11 7.22 3.5 01 .60 9.P .99 3.gov.19 7.7 8 9.0 0 2 .30 5.3 2 1 0.60 9.0 17 .6 0 8. TE L E R J TE L E R J TELERJ CEL UL A R 9 0.21 7.79 2.84 INCO R P .97 5.03 27 .22 -9 .2 15 .57 4.7 2 18 7.6 8 3.53 2.2 38 .14 6. Entretanto. demonstrados a seguir em conjunto com os demais registros inerentes à conta: ENTIDA DES S A LDO EM 3 1 /1 2 /1 9 9 9 1.7 35 .00 0.4 8 0 .Mop/Rev61 Estado do Rio de Janeiro.2 3 IN V ES T IM E N T O S R E L EV A N T E S FL U MITR E N S I.86 3.15 0.0 0 2 .5 5 2 7.72 1 .17 1.0 7 EQ U IV AL.813.5 49 .0 70 .2 2 1.16 5.7 75 .19 7.N .8 4 12 3.4 53 .1 8 52 1.30 2.6 24 .1 8 76 0.38 2.4 51 .4 6 1 6.7 03 .4 6 62 .1 4 20 7. a qual estabeleceu que a Contadoria Geral do Estado procedesse à modificação do critério de contabilização dos Investimentos.2 2.B .87 1.91 9.8 42 .9 0 1.5 79 .1 0 4.9 94 .67. exercício de 2000 28.8 81 .S .9 47 .79 7.2 68 .17 27 .3 27 .22 5.14 0.59 -3 .00 .0 00 .1 3 17 4. em conformidade com a Determinação nº 8 do TCE – Tribunal de Contas do Estado às Contas da Gestão de 1999.66 -2 39 .23 .5 01 .3 4 2.83 2.568 .89 1.46 -1 .36 8.34 9.04 8.4 4 5.00 16 .sef.84 2. destacando que os valores de 31/12/99 e 31/12/00 encontram-se em moeda corrente dos respectivos exercícios: “VALORES DO ESTADO – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – TÍTULOS REPRES.76 .T. P AT RIM O NIA L .2 6 9.00 8.52 8.5 79 .8 1. onde o Estado.8 51 .4 4 60 1.C .1 75 .ADM INDIRETA - AQ UIS IÇÕ ES BA IX AS S AL DO EM 3 1 /1 2 /2 0 0 0 1.1 17 .2 13 .38 2.6 2 3.07 9.rj. exercício 2000.9 2 62 .63 1.05 6.5 17 .0 0 1 02 .6 0 1 0.45 3.568 .02 7.223.72 4.4 98 .1 3 22 3.21 2. DE CAPITAL JÁ INTEGRALIZADO Esta rubrica representava até o exercício de 1999 a Participação Acionária do Estado no Capital Social das Sociedades de Economia Mista.5 0 12 3. detinha Investimentos da ordem de R$ 8.4 51 .9 0 6.9 1 27 .20 4.33 89 .0 62 .4 1 6.0 1 TE L E R J TE L E B R ÁS TE L E R J TE L E R J IE E A SU D ER J IP E R J LOTER J D E T R AN DRM D ER C ID E FE E MA SOMA TO T AL 1.13 4. 28 .06 2.2 1 1 3.28 9 .7 6 4 9.21 -3 .99 3.5 53 .9 0 2.20 4.54 2.

também. em vez do Capital Social.760.196. 2. ou seja. da liberação dos valores da "Conta A" mantida junto à Caixa Econômica Federal (CEF) –. equivalente em valores presentes a R$ 3. consecutivamente.316 Certificados Financeiros do Tesouro com valor de unitário de R$ 1.491.189.2 .2. Rio de Janeiro: TCE-RJ. instituído pela Lei Estadual nº 3. representada pela adoção do valor do Patrimônio Líquido.14. neste caso. anteriormente regido por um regime de repartição simples. vencíveis mensalmente a partir de 15.287 Certificados Financeiros do Tesouro com valor unitário de R$ 1. valores da “Conta A” • R$ 798. pensões e outros benefícios devidos. o Sistema Previdenciário do Estado. fev/2000. prazo de 15 anos e 1 mês. mediante emissão de 4.00. como base de avaliação das participações acionárias. reformas. Visando capitalizar o RIOPREVIDÊNCIA. 54 . R$ 383.519. foram cedidos os CFTs – obtidos pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro em face da conversão de valores provenientes da antecipação de royalties.5 bilhões no valor contábil desta conta entre 31/12/99 a 31/12/00 (valores correntes).196.00 por mês. através da emissão de 797. foram elaborados cálculos para apurar o Passivo Atuarial relativo aos benefícios já concedidos e a conceder.2. obtidos pelo Estado quando da renegociação de sua dívida junto à União.Mop/Rev61 De acordo com o quadro. 29 .00 por ano.316.000.000.833. Com a criação do Fundo. corrigidos pela variação do IGP-DI mais juros de 6% ao ano. o RIOPREVIDÊNCIA terá disponíveis R$ 31. passou a adotar o regime de capitalização.177.Títulos e Valores Mobiliários Os valores registrados em Títulos e Valores Mobiliários são provenientes de Certificados Financeiros do Tesouro Federal (CFTs). através das operações discriminadas a seguir 29: royalties.21. Por conseqüência.737.864.287. e destinados à capitalização do RIOPREVIDÊNCIA.00. Cumpre destacar que. sujeitos a variação do IGP-DI mais juros de 6% ao ano. vencíveis em 15 de dezembro de 2001.000. royalties excedentes e participações governamentais • R$ 4.2000. nos termos da legislação.Cálculos apontados no trabalho intitulado: Renegociação da Dívida do Estado do Rio de Janeiro. nos anos de 2000 e 2001. tendo como atribuição efetuar pagamentos de proventos de aposentadorias.00. Portanto. a mudança de critério contábil. os títulos serão resgatados em 25 meses.3.01. promoveu uma redução de R$ 3. royalties excedentes e participações governamentais e. de 22 de fevereiro de 1999.480.

10.538 7. que deverão ser corrigidos pela variação do IGP-DI plus juros de 6% ao ano.00 15.01572 1.00 15.572 7.06.889 Certificados Financeiros do Tesouro com valor de emissão de R$ 1.020 7.646.813 IGP-DI ÍNDICE 1.252 7. observar-se-á uma diferença significativa. INCIAL R$ mil 7.07.12.570 117. consecutivamente.524 7.558 114.713 73. 55 .902.03.00194 1.804 113.110 113.464 7.154 115.16225 908 1.581 113.00288 1.00. corrigidos pela variação do IGP-DI mais juros de 6% ao ano.974 118.560 37.01 15.01232 1.885 37.154 7.820. Neste caso.05.872.674 7.723 7. com os valores constantes na tabela a seguir.04.889.318 114.891 15.2 bilhões e R$ 6.40 por ano.806. nos anos de 2003 até 2014.00854 1.717 7.792.605.696 38.713 73.713 73.11.02466 1.713 73.254 7.125 7. através de 2.717 7.719 38.00183 1.03979 1.748 456.527.761 7.461 1.367 7.01.09805 1.00 15.00 15.01 15.713 73.486 7.933 4.05614 1.806 119.725 38.556 7.743.125 7.02785 1.01 15.10958 38.198 7.964 113.00 15.815 37.668.713 73.01 Fonte: Gabinete e Assessoria do GC-1 do TCE-RJ. os resgates dos títulos ocorrerão ao longo de 15 (quinze) anos.713 73.853.769. principalmente em 30/06/01: (em R$ mil de 30/06/01) VENC.5 bilhões respectivamente.04.996 6.479 8.00800 1.806 7.786.02386 1.637 37.500.026 AMORT.849 7.911 118. Caso confrontados os valores contabilizados nos Balanços Patrimoniais do Estado em 31/12/00 e 30/06/01.01 15.783.754.01023 1.880.231 38.135 37.01 15.818 1.893.421 37.673.428 119.228 7.99 15.02654 1.284 2.08.713 73.02268 1.713 73.357 10.713 884.00 15.476.105 7.618 120.386.170 121.09.956 2.465 7.597.00490 1.00760 73.10121 1.464 7.00 15.05.097 7.00305 1.758.Mop/Rev61 • R$ 2. Ou seja.575 7. ou seja.078 8.732.421 7.713 8.02.934. em outubro de 1999 o RIOPREVIDÊNCIA recebeu CFTs avaliados em R$ 7.00 TOTAL 15.549.345 7. R$ mil IGP-DI CORREÇÃO ACUM. SALDO.786 7.994.433 38.00 15.01130 1.725.870 7.853.648.267 1.713 73.640.00128 1.650.09385 1.00 15.988.693.03099 1.241 7.02.06.713 73.08134 1.00340 1.500.508 37.01157 1.03.281 38. o RIOPREVIDÊNCIA receberá R$ 13.12776 1.758 9.713 73.801 113.00 15.049 36.14051 1. ou 180 meses.892.629.01.526.191 7. R$ 166.672 1.00384 1.11502 1.044 7.725. R$ 7.147 37.00.14552 1.418 10.000.034 37.851.01460 73.11881 1.040 37.774.330 7. Desta maneira.827.78 mensalmente.613 119.000.933.940 118.053 2.875.922 1.1 bilhões. vencíveis em 15 de dezembro de 2014. sendo os mesmos resgatáveis mensalmente até 2014.713 73.138 5.769 7.601 7.00440 1.00 15.12.713 73.671.119 121.918 7. R$ mil ÍNDICE JUROS R$ mil AMORT+JUROS R$ mil SALDO FINAL R$ mil 7.727 1.713 73.713 73.

a composição do Ativo Compensado nos períodos sob análise é relacionada a seguir: 30 . 2. são registrados os bens.Investimentos em Regime de Execução Especial O saldo registrado nesta conta refere-se a soma de investimentos vultosos. p.4 .3. obrigações e situações não compreendidas nas outras partes do Balanço Patrimonial e que. A partir do exercício de 2000 houve mudança de critério contábil. Heilio. Balanços Públicos. São Paulo: Atlas.5 bilhões constantes no Balanço Patrimonial. os Títulos e Valores Mobiliários do RIOPREVIDÊNCIA. representando uma subavaliação contábil de R$ 900 milhões.3. 2.2.4 bilhões em 30/06/01. e. principalmente em razão dos R$ 7. a fidedignidade do valor registrado não será avaliada. valores. 56 .Bens a Incorporar.Orgãos da Administração Indireta – Incorporação Esta conta registrava os saldos de Valores da Administração Indireta. Almoxarifado.3 . A diferença apontada. o saldo de Órgãos da Administração Indireta foi eliminado a partir de 31/12/00. Outros Bens e Valores em Circulação Em razão da irrelevância dos valores registrados. já descrita no presente estudo. portanto. está registrada na conta do Ativo Realizável – Créditos Diversos a Receber. Devido à limitação de escopo.3.2. poderão vir afetar o patrimônio.5 bilhões em 31/12/99. 1999.5 . destacando-se que inexiste Nota Explicativa própria oferecendo uma melhor evidenciação dos ativos do Estado relacionados a direitos a receber provenientes dos CFTs. Desta maneira. 2.2. de acordo com Kohama 30.Mop/Rev61 De acordo com a tabela. totalizavam R$ 7.8 bilhões em CFTs registrados no Balanço Patrimonial do RIOPREVIDÊNCIA. tais como os Programas de Despoluição da Baía de Guanabara e o Programa Estadual de Transporte. ainda não concluídos.3 .2. No caso do Estado do Rio de Janeiro. mediata ou imediatamente. não haverá análise aprofundada do saldo desta conta. reclassificando os valores que compunham a conta para outras rubricas. não classificados em rubrica Bens Móveis e Imóveis. em vez dos R$ 6. teoria e prática.KOHAMA.Ativo Compensado Nas contas de Compensação.2. representados pelos CFTs.2. 2.2. 107. alcançando a cifra de R$ 9.

226. quanto do Passivo Compensado.000 R$ MILHÕES 22.404 2.553 31/12/00 9.674 31/12/97 7. Em pr es a s Re se a da id rv a M 57 .030 30/06/01 7. Lino Martins da. sendo a contra-substância patrimonial.313 273 3.” Graficamente.000 32.290 Fonte: Balanços Gerais do Estado Os saldos.500 In te rn a a ul aç ão O br ig aç õe s te rn De pó s -D ive rs rs o at em Ex át ica it o s os s 1996 1997 1998 1999 2000 jun/01 Fu nd ad a Fu nd ad a C Di ve irc em Pú bli ca s ig aç õe s O ut ra s D ív D ív i O br 31 . São Paulo: Atlas.500 15.000 12.829 3. a distribuição das contas do Passivo do Estado é composta por: Gráfico 3 – Passivos por grupo de contas DISTRIBUIÇÃO DOS PASSIVOS POR GRUPO DE CONTAS 35.Passivo De acordo com Silva 31.211 31/12/98 13.086 218 29 274 2.000 27.500 10. 4ª ed. “a análise do Passivo possibilita o conhecimento da expressão monetária do total dos componentes negativos do patrimônio: dívida flutuante e dívida fundada. Contabilidade Governamental.335 125 877 228 30 663 2. um enfoque administrativo.000 7.863 55 1.Mop/Rev61 Tabela 7 – Ativo Compensado (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Compensado Execução de Restos a pagar Responsabilidades por Títulos e Valores Concessão de Serviços Públicos Direitos e Obrigações Contratuais Créditos Fiscais Inscritos Outras Compensações Disponibilidades Financeiras Contra-Partida de Obrigações a Pagar 31/12/96 6.SILVA.500 25. tanto do Ativo Compensado.500 20.006 1.677 31/12/99 9.000 17. 2000. não serão objeto de análise mais detalhada em razão de não fazerem parte do escopo do presente estudo.911 3. 2.500 5.381 5.500 30.318 396 988 25 9.3 .000 2. p.255 315 853 31 6.

845 92.612 25.035 977 38. ao longo da série histórica proposta pelo presente estudo.833 28.377 26. ou seja.722 859 130 1 39.791 109 0 14.090 29.078 5. representadas pelos compromissos exigíveis de curto e longo prazo.026 1.622 6.042 1. com base na variação do IGP-DI.447 76.506 10.121 15.977 32.113 78 46 127 10.253 58 .866 53.339 45 7. Ind.335 30/06/01 3.455 8.577 258 160 27.198 40 113 0 44.593 122 9.294 497 246 29 222 7.234 12.390 7. – Incorporação Outras Entidades Credoras Total do Passivo Permanente (c) + (d) + (e) + (f) + (g) + (h) Dívida Fundada Interna (c) Em Títulos Por Contratos Dívida Fundada Externa (d) Outras Obrigações (e) Cessão de Direitos – Royalties do Petróleo Obras Paralisadas Provisões Certificados de Privatização Perdas e Deságios Emp.543 0 754 499 0 19.128 744 649 95 2.542 19. Restos a Pagar Serv.951 3.341 10.843 13.503 111 1.126 1.119 4.836 255 7. A partir da tabela a seguir. A iniciativa de registrar os dois últimos grupos promoveu uma sensível melhora de evidenciacão do Patrimônio do Estado.Diversos (f) Diversos (g) Reserva Matemática (h) Sub -Total Saldo Patrimonial.325 20.533 21. Tabela 8 – Passivo Analítico (R$ milhões em moeda de 30/06/01) PASSIVO Total do Passivo Financeiro (a) + (b) Depósitos (a) Consignações Depósitos e Outros Débitos em Tesouraria Obrigações em Circulação (b) Outras Obrigações em Circ.238 12. atualizados para moeda de 30 de junho de 2001.262 26.006 31/12/00 5. da Dívida Interna a Pagar Sentenças Judiciais Credores Entidades e Agentes Adm.374 35.273 246 1.026 25.Ativo Real Líquido Compensado 30/12/96 5. conforme poderá ser melhor observado quando da apresentação detalhada dos mesmos.Mop/Rev61 Os Passivos do Estado concentraram-se principalmente nos grupos de Dívida Fundada Interna.353 1.500 43 1.568 79 0 471 13.404 52. Outras Obrigações (registrado a partir de 31/12/00) e Reserva Matemática (contabilizada inicialmente em 30/12/00).629 1.510 9.098 19.797 0 6.968 6 5.462 13. serão pormenorizadas as contas que compõem o Passivo Estadual.414 295 268 27 5.616 2.660 276 1.441 9. Públicas . os saldos dos exercícios findos em 31/12/96 até 31/12/00 e o semestre encerrado em 30/06/01.042 26.384 527 488 611 744 14 81.126 26.674 31/12/97 8.863 Total 31.133 518 457 60 4.404 31/12/99 5.547 8.394 67.696 1 623 1.262 84.124 10.192 98 5 62.830 270 249 20 5.560 6 3.313 31/12/98 9.664 12.

– Incorporação Outras Entidades Credoras 30/12/96 28.1% 0.1. destacando-se que posteriormente serão avaliadas individualmente as rubricas que a compõem: Descrição Depósitos Consignações Depósitos e Outros Débitos em Tesouraria 30/12/96 295 268 27 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 497 246 29 222 1. “pelas dívidas de curto prazo ou dívidas flutuantes.1 . pode-se constatar que houve constante e abrupta queda de representação dos saldos das contas que compõem o Passivo Financeiro. de acordo com Andrade 32. 2.9% 0.7% 1. as contas do Passivo Financeiro apresentaram os seguintes percentuais sobre o total do Passivo (não incluindo o Ativo Real Líquido nem o Passivo Compensado): Tabela 9 – Participação percentual das contas do Passivo Financeiro Descrição Total do Passivo Financeiro Depósitos Consignações Depósitos e Outros Débitos em Tesouraria Obrigações em Circulação Outras Obrigações em Circ.Mop/Rev61 2.1% - De acordo com esta tabela.9% 0.0% 2. Contabilidade Pública na Gestão Municipal.4% 0.0% 0. da Dívida Interna a Pagar Sentenças Judiciais Credores Entidades e Agentes Adm.0% 23.3.2% 12.0% 2.1 .7% 0.4% 0.4% 13.3.8% 0.4% 2.2% 0.5% 0.8% 3.8% 0. compromissos exigíveis cujo pagamento independa de autorização orçamentária. essa representação decresceu de 28.9% 2.1% 0.9% 4.8% 0.339 45 270 249 20 518 457 60 30/06/01 744 649 95 - 32 . 2000.9% 0.4% 0. Ind.” No âmbito do Estado do Rio de Janeiro. principalmente.ANDRADE.0% 0.5% 1.2% 0.8% 2.7% 3.8% 1.9% 0. ou melhor.8% 0.7% 0.0% (R$ milhões em moeda de 30/06/01) 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 24. que incluem as antecipações de receitas orçamentárias – AROs. em 30/06/01.1% 0.3% 1. p.0% 0.1% 20.0% 0.8% 2.0% 0.8% 0.Depósitos O saldo da conta Depósitos apresentou a seguinte evolução no período examinado.6% 0.6% 3.1% 0. Nilton de Aquino.1% 26.5% 31/12/97 29. pela inclusão de passivos no grupo do Passivo Permanente que serão particularizados doravante. para 3.5% 6.6% 0.6% 0.6% 13.4%. 59 . se comparados ao montante total do Passivo (não incluindo o Ativo Real Líquido nem o Passivo Compensado).7% 4. Restos a Pagar Serv.4% 1.8% 28.4% 7. De fato. 257. São Paulo: Atlas.7%. com exceção dos débitos de tesouraria. em 31/12/96.Passivo Financeiro O Passivo Financeiro é representado.6% 0. Tal fenômeno é explicado pela diminuição dos montantes registrados em Restos a Pagar e.660 276 1.8% 23.1% 7.

4 bilhão. retenções e desconto feitos em favor de pessoas jurídicas de direito público ou privado.729-0/99. os valores foram estornados em 1999. A elevação dos saldos nesta última fase é creditada ao aumento dos Descontos Previdenciários de planos previdenciários do RIOPREVIDÊNCIA (criado no primeiro semestre de 1999) e do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre a folha de pagamentos. Tendo em vista que os rendimentos auferidos nestas contas distorciam em muito a Receita do Estado. 2. ou seja.1 . provocando uma distorção de R$ 970 milhões (em moeda corrente daquele ano) na conta de Depósitos e Outros.3 bilhão. Estas obrigações. decorrentes atualizações monetárias. mantiveram-se pouco representativas em todos os períodos examinados. promoveu a superavaliação das obrigações do Estado. exercício de 1998. considerando que estes não se materializavam no Caixa do Tesouro. quando da emissão do Parecer Prévio favorável às Contas da Gestão do Governo do Estado. 33 . a superavaliação do Passivo atingiu R$ 1.Nos termos do voto do Relator. Entretanto. 60 . mantevese estável ao longo dos exercícios findos em 31/12 de 96 a 99. ajustando o saldo da conta de Depósitos e Outros a partir deste exercício. relativos a importâncias recebidas ou retidas. entretanto.1.Mop/Rev61 2.1. adotado ao longo do exercício de 1998. apresentando. refletindo o critério utilizado para se proceder ao estorno de Receitas de Rendimentos das Contas “A” e “B”. O acréscimo do Passivo do Estado. anteriormente lançadas a débito no Ativo e a crédito nas Receitas Orçamentárias. mas apenas ampliavam o valor das linhas de crédito.Consignações A conta Consignações. mas sim como Variação Patrimonial Ativa. Quintella. Apesar de ser apropriado não contabilizar os rendimentos como Receita Orçamentária. quando atingiram R$ 1. não se revestem de características de Passivo. deve-se creditar Variações Ativas.3.1. Se atualizada para valores de 30/06/01. uma expressiva evolução em 31/12/00 e 30/06/01. ajustando os bens e direitos do Estado sem causar distorções nas receitas.2 . Conselheiro Sergio F. os acréscimos financeiros de valores referentes a linhas de crédito (Contas “A” e “B”). Desta forma. cessou em razão de determinação do TCE-RJ 33. foi decidido expurgar da Receita Orçamentária quaisquer acréscimos ocorridos nas Contas “A” e “B”. ocorrido em razão do citado critério contábil adotado. em contrapartida ao débito no Ativo – Contas “A” e “B”.Depósitos e Outros A conta Depósitos e Outros usualmente contabiliza apenas depósitos de diversas origens. representada por consignações em folhas. Ou seja. no caso do Estado do Rio de Janeiro. Processo TCE/RJ 102.3. o critério de contabilização dos rendimentos no Passivo. exceto em 31/12/98.1. quase a totalidade dos montantes escriturados em Depósitos e Outros.

Este fato.1. em conjunto 61 .Débitos em Tesouraria Esta conta apresentou saldos apenas em 31/12/97 e em 98 em razão da existência de resíduos em operações de empréstimos por Antecipação de Receitas Orçamentárias (AROs).696 1 0 623 1. Devido a este quadro.Mop/Rev61 2. Ind.1 .968 6 5. da Dívida Interna a Pagar Serv. não merecendo maiores comentários por terem sido cessadas todas as operações por esta modalidade de crédito. em razão dos seguintes fatores: a) o Estado atravessou uma grave crise financeira até o final de exercício de 1999.616 2. Restos a Pagar Serv. após analisados e conciliados os saldos. Tal fato é comprovado no exercício de 1999.035 977 31/12/00 4.2 .119 4. Deve-se ressaltar ainda que. – Incorporação Outras Entidades Credoras 30/12/96 5.Obrigações em Circulação Este grupo de contas apresentou a seguinte distribuição de saldos ao longo do período analisado: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Obrigações em Circulação Outras Obrigações em Circ. foram baixados R$ 2.3 .2.3.273 246 0 1.Restos a Pagar Os valores escriturados em Restos a Pagar apresentam saldos sobremaneira elevados até 31/12/00.090 31/12/99 5.543 0 0 754 499 0 31/12/98 7. quando.192 98 5 30/06/01 2. houve uma sensível melhora da situação fiscal. b) havia um descontrole dos saldos em Restos a Pagar à medida que.1. 2.384 527 488 611 744 14 A seguir serão avaliados.568 79 0 471 31/12/97 7.560 6 3.1. a Administração financiou seu déficit de caixa com recursos de terceiros (fornecedores de bens e serviços). muitos valores permaneciam nessa conta sem que necessariamente se materializassem como obrigações líquidas e certas.1. que possibilitou o pagamento de diversas dívidas acumuladas.4 bilhões desta conta. 2. os montantes contabilizados findos os períodos.3.797 0 6.500 43 0 1. logo após a renegociação da dívida do Estado junto à União.3.353 1. da Dívida Externa a Pagar Sentenças Judiciais Credores Entidades e Agentes Adm. não sendo conciliados. individualmente. a partir de 2000.

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com a contínua depuração de saldos não devidos, promoveu a diminuição do estoque de obrigações registrado em Restos a Pagar. Desta maneira, observou-se um vigoroso declínio desta conta, ficando seu montante inferior a R$ 500 milhões em 30/06/01. Em razão do exposto, os valores inscritos em Restos a Pagar nos últimos períodos examinados passaram a apresentar saldos mais fidedignos, trazendo avanços consideráveis para a correta evidenciação do Balanço Patrimonial do Estado. 2.3.1.2.2 - Credores, Entidades e Agentes Em 31/12/00, a composição desta conta em valores correntes nesta data era formada por:
(em R$, em moeda de 31/12/00)
CONTA 21220.00.00 21221.00.00 21223.00.00 21224.00.00 21225.00.00 21227.00.00 21229.00.00 21228.00.00 DESCRIÇÃO Credores, Entidades e Agentes União, Estados e Municípios Credores, Entidades e Agentes-FDP CEF – Projeto Lixão Cessão de Direitos –Royalties Petr. CEF - Proj. Pro Infra Outras Entidades Credoras Diretor de Terc. Por Decisão Judicial VALOR 1.138.521.235,39 34.470.662,65 625.056.247,81 1.773.592,27 476.258.991,09 526.200,00 47.336,46 388.205,11 % 100,00% 3,03% 54,90% 0,16% 41,83% 0,05% 0,00% 0,03%

Fonte: Prestação de Contas da Administração Financeira do Estado do Rio de Janeiro, exercício de 2000.

Esta conta, que reflete as obrigações do Estado a curto prazo para com terceiros, totalizava R$ 1,1 bilhão em 31/12/00 – em valores correntes, equivalentes a R$ 1,2 bilhão em moeda de 30/06/01. Os saldos mais representativos eram os advindos de Cessão de Direitos, relativos a operação de antecipação de royalties do petróleo (esta será avaliada em detalhes quando examinado o Passivo Permanente), e por saldos do Fundo da Dívida Pública (FDP). Os valores devidos à Administração Indireta e aos Fundos, relativos a numerários obtidos de outros órgãos do Estado para a manutenção do Fundo da Dívida Pública do Estado, declinaram em 30/06/01 em decorrência da adoção de uma nova metodologia para a apuração dos valores devidos. O novo método adotado, pelo qual os débitos passaram a ser recalculados retroativamente, com base na variação da taxa da inflação, em vez daquela anteriormente aplicada até o início de 2001, ou seja, a taxa Selic. Deve-se destacar que estes montantes, devidos pelo Tesouro do Estado à Administração Indireta e aos Fundos, não deverão ser efetivamente pagos pelo

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Tesouro a outros órgãos da Administração Direta, Indireta e Fundacional do Estado pois, de acordo com o já detalhado quando do exame dos saldos das contas do Ativo, referem-se a débitos e créditos intragovernamentais e dependem de disponibilidades que dificilmente serão conseguidas pelo Estado. Outrossim, de acordo também com o já anteriormente explicitado, caso houvesse uma consolidação completa dos Balanços das entidades do Estado, os montantes devedores e credores provenientes do Fundo da Dívida Pública poderiam ser eliminados do Balanço Patrimonial Consolidado, evidenciando-se tais eliminações em Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis. 2.3.1.2.3 - Sentenças Judiciais A contabilização destas obrigações, ocorrida a partir de 31/12/00, resultou em um expressivo avanço na apresentação adequada da situação patrimonial do Estado. Com razão, os montantes devidos a pessoas físicas e jurídicas, em face das decisões judicias já tramitadas em julgado, foram gerados ao longo de décadas, mas eram omitidos do Balanço Patrimonial do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com Nota Explicativa contida na Prestação de Contas da Gestão do Estado do Rio de Janeiro, exercício de 2000, as sentenças judiciais julgadas, desfavoráveis ao Estado, totalizavam R$ 595 milhões em moeda corrente de 31/12/00 (equivalentes a R$ 623 milhões em moeda de 30/06/01), como se pode visualizar na tabela, a seguir:
(em R$, em moeda de 31/12/00)

ÓRGÃO
Tribunal de Justiça - UG 030400 IPERJ - UG 123100 PRODERJ - UG 123200 SERLA - UG 244300 FLXIII - UG 324200 UERJ - UG 404310 DER - UG 044100 TOTAL

VALOR
488.341.799,72 67.393.129,65 119.401,79 2.609.398,73 7.544.601,14 6.067.830,21 22.746.726,09 594.822.887,33

Fonte: Prestação de Contas da Administração Financeira do Estado

Apesar do avanço apresentado, restou contabilizar os valores de contenciosos ainda não julgados, mas que representam um risco real de se tornarem obrigações do Estado. Ou seja, até 30/06/2001, ainda não tinha sido adotada a prática de se estimar o valor provável das lides em que o Estado é o réu. Muito embora a CGE não tenha jurisdição sobre o controle das ações movidas na Justiça contra o Estado, a cargo das procuradorias jurídicas da Administração

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Direta e Indireta, estudos estimativos sobre estes montantes deveriam ser solicitados pela CGE, ao menos à Procuradoria Geral do Estado (PGE) e a outras assessorias equivalentes de outros órgãos da Administração Direta e Indireta, visando aferir quais os montantes contigenciais que deveriam ser provisionados no Passivo do Estado. Salienta-se que tais estudos aumentariam o relacionamento da CGE com os responsáveis pela defesa judicial dos contenciosos estaduais, trazendo, em seu bojo, a melhora dos controles internos e dos sistemas de informação. 2.3.1.2.4 - Administração Indireta – Incorporação Da mesma maneira que a conta de Ativo – Administração Indireta – Créditos em Circulação, os valores contabilizados nesta conta, que apresentou montantes relevantes em 31/12 de 1997, 1998 e 1999, relacionavam-se à incorporação dos valores devidos registrados nos balanços da Administração Indireta do Estado. A partir do exercício de 2000 implantou-se novo critério de alocação destes valores, passando-se a contabilizá-los em outras rubricas. Ressalta-se que, para fins de Consolidação de Balanços, deveriam ser eliminadas as operações intragovernamentais, procedimento este que não pode ser validado pelo presente estudo em decorrência da falta de maiores informações sobre os critérios utilizados para a elaboração do denominado Balanço Consolidado do Estado. 2.3.1.2.5 - Outras Obrigações em Circulação O valores registrados nesta conta em 30/06/01, único período em que o saldo apresentou-se relevante, relacionam-se a:

(em moeda de 30/06/01)

Descrição Fornecedores e Credores Pessoal a Pagar Total

R$ milhões 76 451 527

As obrigações registradas na rubrica de Pessoal a Pagar, totalizando R$ 451 milhões, são provenientes de proventos e encargos da folha de pagamentos do pessoal civil e militar do Estado. Destaca-se que a contabilização levada a efeito a partir do exercício de 2001, no que tange ao registro dos valores a pagar provenientes da folha de pagamento em conta própria, representa significativo progresso contábil, pois promove a contabilização por competência de exercícios, já que os salários, encargos atrasados etc., a serem efetivamente desembolsados posteriormente, passaram a ser evidenciados na data da ocorrência do fato gerador.

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2.3.1.2.6 - Serviço da Dívida Interna e Outras Entidades Credoras O presente estudo não fará análise destes saldos em decorrência da irrelevância. 2.3.2 - Passivo Permanente O Professor Silva 34 presta a seguinte contribuição quando conceitua o Passivo Permanente: “O Passivo é representado por contas que representam as obrigações e dívidas conforme a seguir: Passivo Financeiro, (...) Passivo Permanente, que compreenderá as dívidas fundadas e outras que dependam de autorização legislativa para amortização e resgate.” A composição do Passivo Permanente do Estado do Rio de Janeiro foi influenciada, ao longo do período analisado, em função das seguintes operações: • renegociação da dívida do Estado junto à União; • operação de antecipação dos royalties do petróleo; • criação do RIOPREVIDÊNCIA; • assunção de dívidas oriundas do Banco do Estado do Rio de Janeiro S.A.; • contabilização de provisões para perdas em participações acionárias. Alguns destes acontecimentos fizeram surgir novas contas com montantes muito relevantes. As modificações na composição do Passivo Permanente podem ser melhor observadas caso apuradas as participações percentuais das contas que o compõem em relação ao total do Passivo (excluídos os montantes do Ativo Real Líquido e Passivo Permanente):

34 - SILVA. Lino Martins da. Contabilidade Governamental, um enfoque administrativo. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. p. 350.

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Tabela 10 – Distribuição percentual das contas do Passivo Permanente
(R$ milhões em moeda de 30/06/01)
Descrição Total do Passivo Permanente Dívida Fundada Interna Em Títulos Por Contratos Dívida Fundada Externa Outras Obrigações Cessão de Direitos – Royalties do Petróleo Obras Paralisadas Provisões Certificados de Privatização Perdas e Deságios Emp. Públicas – Diversos Diversos Reserva Matemática 30/12/96 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01

71,6% 65,3% 46,9% 18,4% 0,6% 5,8% -

70,2% 68,7% 37,9% 30,8% 0,9% 0,6% -

75,6% 73,1% 33,2% 39,8% 2,2% 0,3% 0,0% -

86,9% 56,3% 56,3% 2,8% 27,5% 27,4% 0,1% 0,3% 0,0% -

92,4% 38,6% 38,6% 2,0% 30,4% 15,7% 0,2% 14,5% 0,2% 21,3%

96,3% 31,0% 31,0% 1,8% 25,3% 12,0% 0,1% 0,1% 0,2% 13,0% 38,2%

O expressivo aumento percentual do Passivo Permanente sobre o total do Passivo (excluídos os montantes do Ativo Real Líquido e Passivo Permanente) ao longo dos períodos sob exame, elevando-se de 71,6% em 31/12/96 para 96,3% em 30/06/01, ocorreu em razão da diminuição da representatividade das contas do Passivo Financeiro e da incorporação de passivos, principalmente aqueles relativos a Cessão de Direitos – Royalties do Petróleo, Reserva Matemática e Provisão para Perdas e Deságios. A evolução dos saldos das contas do Passivo Permanente será a seguir avaliada. 2.3.2.1 - Dívida Fundada Interna A Dívida Fundada Interna é caracterizada por Andrade 35 como: “a correspondente às dívidas contraídas pelo tesouro mediante emissão de títulos ou contratos com instituições financeiras, para poder suportar compromissos de exigibilidade de caixa superiores a 12 meses, tais como: equacionamento de desequilíbrios orçamentários, financiamentos ou custeio de obras e programas de média ou longa duração, inclusive garantias de compromissos para resgate em exercício subseqüente”. Os Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro apresentaram os seguintes valores para a Dívida Fundada Interna nos períodos sob exame:
Descrição Dívida Fundada Interna (c) Em Títulos Por Contratos 30/12/96 12.455 8.951 3.503 (R$ milhões em moeda de 30/06/01) 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 19.124 10.547 8.577 28.843 13.121 15.722 25.026 25.026 26.042 26.042 26.126 26.126

35 - ANDRADE, Nilton de Aquino. Contabilidade Pública na Gestão Municipal. São Paulo: Atlas, 2000, p. 149.

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Para melhor análise dos dados acima, as avaliações da Dívida em Títulos e da Dívida por Contratos serão subdivididas adiante. 2.3.2.1.1 - Em Títulos A Dívida em Títulos do Estado, composta por Letras Financeiras do Estado do Rio de Janeiro (LFTRJs), emitidas inicialmente pelo Tesouro Fluminense para a cobertura do déficit orçamentário do Estado e, posteriormente, para o resgate dos títulos vincendos (chamada “rolagem automática” da Dívida Pública Mobiliária, ou seja, emitiam-se novos títulos para o resgate dos que estavam vencendo), sofreu uma profunda modificação no período analisado. Embora desde 1993 não houvesse emissão de novas LFTRJs para a cobertura de déficits (devido às limitações de endividamento impostas aos estados e municípios por Resoluções próprias do Senado Federal, não houve emissão de dívida nova, mas apenas lançamento de novas séries de LFTRJs oferecidas ao mercado para viabilizar o resgate da dívida vincenda), foi observado um explosivo crescimento do estoque da Dívida Mobiliária Estadual. A vertiginosa expansão da referida dívida, também observada nas dívidas mantidas por outros estados da Federação, foi ocasionada pela política de taxa de juros crescentes, operada pelo Governo Federal com o intuito de manter a estabilidade econômica preconizada pelo Plano Real. A elevação das taxas de juros fez com que as dívidas fundadas dos estados e municípios se elevassem vertiginosamente, levando o Governo Federal a introduzir um programa de renegociação de dívidas dos estados, Distrito Federal e municípios. No caso do Estado do Rio de Janeiro, a assunção de sua dívida pela União ocorreu em 29 de outubro de 1999, quando, através de termo próprio celebrado entre a União e o Estado do Rio de Janeiro, com interveniência do Banco do Brasil S.A. e do Banco Banerj S.A. 36, foram acordados os montantes e os encargos que passariam a ser devidos ao Governo Federal e a seus agentes financeiros. No caso da Dívida Mobiliária Estadual, em razão da renegociação da dívida, houve um expressivo decréscimo do montante devido em decorrência do recálculo do saldo devedor previsto na legislação. De fato, o novo saldo devedor foi aferido de acordo com o previsto na Lei nº 9.496/97 37, com base no saldo devedor apurado em março de 1996, atualizado pela variação do IGP-DI, acrescido de juros de 6% ao ano até a data da renegociação. O fator de correção da Dívida Mobiliária apurado para fins de renegociação foi significativamente menor do que as taxas praticadas neste período
36 - BRASIL. Contrato de Confissão, Promessa de Assunção, Consolidação, e Refinanciamento de Dívidas, que, entre si, celebram a União e o Estado do Rio de Janeiro, com interveniência de Banco do Brasil S.A., nos termos do disposto na Lei nº 9.496, de 11 de novembro de 1997, na Medida Provisória nº 1.900-43, de 26 de outubro de 1999, na Lei Estadual nº 2.674, de 27 de janeiro de 1997, alterada pela Lei nº 2.996 de 30 de junho de 1998. 37 - Estabelece critérios para a Consolidação, a Assunção e o Refinanciamento, pela União, da Dívida Pública Mobiliária e Outras que especifica, de responsabilidade dos estados e do Distrito Federal.

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pelo Mercado Aberto, ou seja, entre março de 1996 a outubro de 1999. Desta maneira o Estado confessou-se devedor de R$ 9,2 bilhões 38, corrigidos para moeda de poder aquisitivo de outubro de 1999. Desta maneira, todo o saldo da Dívida Mobiliária do Estado foi assumido pela União, sendo convertidos os valores anteriormente devidos ajustados e posteriormente convertidos para Dívida Contratual (conforme avaliado no tópico a seguir), encerrando-se assim o saldo da conta Dívida Mobiliária. 2.3.2.1.2 - Em Contratos A Dívida Contratual do Estado sofreu um expressivo crescimento em razão da conversão da Dívida Mobiliária para esta modalidade de dívida, e também em função da assunção de dívidas do Banerj S.A. (Em Liquidação Extrajudicial), principalmente aquela representada pelo déficit de Reservas Bancárias junto ao Banco Central do Brasil, absorvida pelo Tesouro Estadual em termo próprio, firmado em conjunto com o Governo Federal em 15/07/98. Em Relatório elaborado pelo Conselheiro Relator 39, quando da análise das Contas da Gestão do Estado do Rio de Janeiro, exercício de 1999, foi apontado que apesar de reconhecidos pelo Estado, foram omitidos diversos passivos advindos do Banerj S.A., como exposto, verbis: “DÍVIDA FUNDADA COM A UNIÃO Em 15/07/98, foi celebrado Contrato de Assunção de Dívida e Outros Pactos, entre o Banco do Estado do Rio de Janeiro S.A. (Em Liquidação Extrajudicial) e o Estado do Rio de Janeiro, com Interveniência do Banco Central do Brasil. Dentre outros termos, o contrato pactuado trazia os seguintes compromissos, in verbis: '1 - Do Objeto (Cláusula Primeira) Mediante o presente Termo, o Estado assume a dívida do BANCO BANERJ S.A. para com o Interveniente-Anuente, BANCO CENTRAL DO BRASIL, no valor de R$ 3.879.682.828,82 (três bilhões, oitocentos e setenta e nove milhões, seiscentos e oitenta e dois mil, oitocentos e vinte e oito reais e oitenta e dois centavos).

38 - Cláusula Primeira do referido contrato. 39 - Relatório e voto do Conselheiro Relator Sergio F. Quintella, quando do exame da Contas da Gestão do Estado do Rio de Janeiro, exercício findo em 31/12/98.

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a dívida assumida no prazo de 30 (trinta) anos. apenas veio corroborar as conclusões que expus em meu relatório acerca das Contas da Gestão do Estado do Rio de Janeiro. e o BANCO CENTRAL DO BRASIL a receber. a correção monetária e os juros serão incorporados ao saldo devedor.Da atualização do Saldo Devedor: (parágrafos 1º e 2º) Será mensal. 3 . e as demais em igual data nos meses subseqüentes.828. estando omitidos do Passivo dívidas de aproximadamente R$ 5. 06): O descumprimento das obrigações. vencendo a primeira em 15 de fevereiro de 2000. com carência de 18 (dezoito) meses.829-5/98). capitalizáveis mensalmente.Das penalidades (Cláusula Quinta. a contar da data da assinatura do presente Instrumento. demonstrei que o Balanço Patrimonial do Estado não apresentava fidedignamente os montantes devidos pelo Estado do Rio. referentes ao exercício de 1997 (Processo TCE-RJ nº 105. acrescido de juros moratórios de 1% a. acrescido de juros nominais de 6% (seis por cento) ao ano. através de 342 (trezentas e quarenta e duas) prestações mensais e consecutivas calculadas pela Tabela Price.0 bilhões (cinco bilhões de reais). inclusive atraso no pagamento. Naquela ocasião. ou outro indexador que a substituir oficialmente.1 . O pagamento da última prestação deverá ocorrer no mês de julho de 2028. seiscentos e oitenta e dois mil. pelo índice de variação da TR.682. às fls.82 (três bilhões. 2.a (um por cento ao ano). cabe destacar que a assunção da dívida de R$ 3. oitocentos e setenta e nove milhões. implicará a substituição dos encargos financeiros mencionados no § 1º da Cláusula Terceira por encargos equivalentes ao custo médio de captação da dívida mobiliária interna do Governo Federal.Mop/Rev61 2 . ou por outro que o venha a substituir. até a data da assinatura deste Contrato.” A omissão de registro das dívidas já reconhecidas pelo Governo do Estado em documento firmado com a União comprova que os sistemas de informação do Estado 69 .' Inicialmente. Durante o período de carência.879.Da forma de pagamento (Cláusula Terceira) O ESTADO DO RIO DE JANEIRO se obriga a pagar. e pela variação positiva do Índice Geral de Preços . oitocentos e vinte e oito reais e oitenta e dois centavos). divulgado pela Fundação Getúlio Vargas.Disponibilidade Interna – IGP-DI.

realizado em Cuiabá.496. PRIVATIZAÇÃO ESTADUAL POR CONTRATOS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL UNIÃO (BACEN/BANERJ) BANCO DO BRASIL BNDES BANERJ S/A MUNICÍPIO DO RIO/ PREVI-RIO INSS – PARCELAMENTO/CTC-RJ DÍVIDA EXTERNA (2) EM TÍTULOS TÍTULOS POR CONTRATOS BID e BIRD OECF – BAÍA DE GUANABARA TOTAL GERAL (1 + 2) Em 31/12/98 25.214 656. de 26 de outubro de 1999.5% 18.710 746. corrigidos com base na variação anual do IGP-DI.0% Fonte: Balanços Gerais do Estado em 31/12/98. Desta maneira.105 % 97.2% 0.9% 2.0% 2. antes da renegociação da Dívida do Estado. de 11 de novembro de 1997.2% 44. com interveniência de Banco do Brasil S.684 71. na Medida Provisória nº 1. Renegociação da Dívida do Estado do Rio de Janeiro. ficando as informações decorrentes desses entendimentos restrita à área executiva da Secretaria de Fazenda (SEF). alterada pela Lei nº 2.674. o Contrato de Refinanciamento de Dívidas do Estado.900-43. 70 .276 744. Contrato de Confissão.669.408.366. de 27 de janeiro de 1997.976 5. em moeda de 31/12/99. entre si. que. sem ser cientificada. A Contadoria Geral do Estado e a Auditoria Geral do Estado não foram instadas a participar das negociações do Estado com o Governo Federal. 1º semestre de 2002.8% 2.057 4.2% 52. 41 .9% 0.0% 0.41 O estoque da Dívida Fundada do Estado em 31/12/98. Para melhor avaliar a evolução da Dívida Contratual antes e após a sua renegociação junto à União. celebram a União e o Estado do Rio de Janeiro.TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.049 25.5% 0.0% 0.A.166 88. Consolidação.Introdução Em 29 de outubro de 1999.3% 100.1% 44. com interveniência do Banco do Brasil S/A e do Banco BANERJ S/A.BRASIL.941.9% 21. Tese aprovada no XXI Congresso dos Tribunais de Contas.809. 40 .6% 7.614 11.. em valores de 31/12/99. convém transcrever o estudo 40 que abordou o tema: “I .078. só realizando os lançamentos a partir do exercício de 1998.996 de 30 de junho de 1998.5% 2.058 13.956 4.825. nos termos do disposto na Lei nº 9. a CGE não procedeu à contabilização do valores devidos.638 11.Mop/Rev61 eram frágeis.490 2. Promessa de Assunção.098 1.580 42. era o apresentado a seguir: (Em R$ mil de 31/12/99) SALDO ESPECIFICAÇÃO DÍVIDA INTERNA (1) EM TÍTULOS EMPRÉSTIMOS EM LFTRJ CERTIF. foi celebrado entre a União e o Estado do Rio de Janeiro. e Refinanciamento de Dívidas. na Lei Estadual nº 2.3% 0.053 715.417 575.0% 2.552.276 2.

536. atualizados pela variação do IGP-DI para 31/12/99.808. trazia em seu bojo os seguintes pactos: O Estado confessou-se devedor de R$ 18. e criação e capitalização do RIOPREVIDÊNCIA. Quintella que fundamenta seu voto como Conselheiro Relator das Contas da Gestão do Governo do Estado do Rio de Janeiro.De acordo com o exposto no Relatório do Conselheiro Sergio F. precatórios já tramitados em julgado e contenciosos diversos. II . o valor registrado como Dívida Fundada do Estado em 31/12/98 (em moeda de 31/12/99). ou seja.091.86 18.622.070. inativos e pensionistas do Estado. referentes às linhas de créditos abertas pela Caixa Econômica Federal para o Estado suprir os passivos remanescentes do processo de privatização do Banerj. Dentre estes passivos não evidenciados destacavam-se: passivo atuarial por deficiência de ativos para a cobertura de benefícios previdenciários já concedidos e a conceder ao funcionalismo.9 bilhões.Mop/Rev61 Cumpre ressalvar que a Dívida Fundada registrada no Balanço Patrimonial do Estado em 31/12/98.Contrato de Renegociação de Parcela da Dívida Fundada do Estado com a União O Contrato de Refinanciamento da Dívida Estadual com a União. quais sejam: Contrato de Cessão de Créditos celebrado entre a União e o Estado do Rio de Janeiro (antecipação dos “Royalties do Petróleo”).826. originados das seguintes dívidas que foram objeto do processo de renegociação: DESCRIÇÃO Dívida Mobiliária Estadual Caixa Econômica Federal – Empréstimos Caixa Econômica – Empréstimos BNDES – Financiamento da Linha Vermelha Caixa Econômica Federal – Contas A e B TOTAL R$ 11.558.995. passase a discorrer sobre os principais aspectos da renegociação de parcela da Dívida Fundada do Estado. que também afetarão as finanças estaduais durante prolongados exercícios financeiros.874.802. que deverá ser analisada em conjunto com operações concomitantes à mesma. exercício de 1998. Estabelecido este marco. Segundo Termo Aditivo do Contrato das Contas "A" e "B".449. 43 . R$ 25.93 6. consignado em 29 de outubro de 1999.Cláusula Primeira do contrato. omitia diversos passivos 42.658.5 bilhões 43.57 438.58 466.212.67 111. em moeda de outubro de 1999. 71 .61 42 .441.277.

45 . de responsabilidade dos estados e do Distrito Federal.Mop/Rev61 A dívida confessada foi recalculada com base em índices diferentes dos pactuados.173.Estabelece critérios para a Consolidação. Cláusula Quarta do contrato.062. o saldo devedor foi aferido.Cláusula Quarta do contrato.097.642.58 O saldo devedor da Dívida Mobiliária Estadual caiu expressivamente em função da forma de recálculo.81 2. passou a ser equivalente a R$ 15. equivalentes 44 .549.27 10.626.09 475. com base no saldo devedor apurado em março de 1996 atualizado pela variação do IGP-DI acrescido de juros de 6% ao ano até a data da renegociação.549. assim distribuídos: DESCRIÇÃO Dívida Mobiliária Estadual Caixa Econômica Federal – Empréstimos Caixa Econômica – Empréstimos BNDES – Financiamento da Linha Vermelha Caixa Econômica Federal – Contas A e B TOTAL R$ 9.066. Apurado o saldo a ser refinanciado.05 434. de acordo com o previsto na Lei nº 9.105.062. ou seja 20% do valor total da dívida renegociada (excluída a dívida referente às Contas "A" e "B" – linhas de crédito para cobertura de passivos atuariais e outras avenças do Banerj).375.333.172.048. pela União. da Dívida Pública Mobiliária e Outras que específica. o Governo do Estado pagou R$ 2.09 475.539.097.40 112.40 112. 46 .423.626.27 5.173.246. o montante a ser refinanciado. Neste caso. conforme memória de cálculo: DESCRIÇÃO Dívida Mobiliária Estadual Caixa Econômica Federal – Empréstimos Caixa Econômica – Empréstimos BNDES – Financiamento da Linha Vermelha TOTAL 20 % do Total R$ 9. 72 .Parágrafo Primeiro.2 bilhões 44.265.265. a Assunção e o Refinanciamento.642.496/97 45.539.039. O fator apurado para a correção da dívida foi significativamente menor do que as taxas praticadas neste período pelo Mercado Aberto.050.209. as quais eram aplicadas às Letras Financeiras do Estado do Rio de Janeiro – LFTRJs.196.613.333. Desta maneira.0 bilhões 46 à União para abater a chamada “Conta Gráfica” (montante a ser pago à vista ou como garantia sobre o valor total a ser refinanciado pela União).05 434. em moeda de 29 de outubro de 1999.36 Os recursos oferecidos para pagamento da Conta Gráfica originaram-se da antecipação de R$ 2.77 15.5 bilhões.

154 100.789 513.0 bilhões (Método do Valor Presente). o Estado deverá desembolsar aproximadamente R$ 812.779.932 26.0% 100. 48 .722 588.Idem. 73 .172.2 bilhões 48.5 milhões em 2000 e 845 milhões a partir do ano de 2001. especificada adiante: (Em R$ mil de 30/06/01) ESPECIFICAÇÃO DÍVIDA INTERNA EM TÍTULOS POR CONTRATOS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL UNIÃO (BACEN/BANERJ) BANCO DO BRASIL (Dívida Renegociada junto à União) BNDES BANERJ S/A MUNICÍPIO DO RIO/ PREVI-RIO Fonte: Balanço Patrimonial de 30/06/01. o acordo limita os pagamentos a um percentual da chamada Receita Líquida Real .1% 73. demandaria pagamentos mensais.2% 47 . em 360 prestações mensais e consecutivas. 50 . Esta operação será detalhada no Capítulo III. Saldo em 30/06/01 % 26. Vide capítulo VI.Parágrafo Primeiro ao Parágrafo Terceiro do Artigo Quinto do contrato. incidindo sobre o montante da dívida a variação do IGP-DI mais 6% de juros ao ano.125.0% 0. 50 Verificado o processo de renegociação da sua dívida com a União.4% 2. adquiridos pela União do Estado com base no art.0% 0. de 26 de outubro de 1999.RLR 49. equivalentes a R$ 950 milhões anuais.1% 22.606 42. a Dívida Renegociada totalizou R$ 13.125.932 29. A Dívida Refinanciada. em moeda de 29/10/99. referente a recebíveis do Estado em “Royalties do Petróleo”.Valor estimado. de R$ 79 milhões.232 5. 16 da Medida Provisória nº 1868-20 47.Dispõe sobre operações financeiras entre o Tesouro Estadual e as entidades que menciona e dá outras providências.429 19. Entretanto. Face ao pagamento de R$ 2. SIAFEM/RJ.3% 2. 49 .Mop/Rev61 economicamente a R$ 2. se fosse paga nos termos pactuados. devendo ser amortizada em 30 anos (início em fevereiro do ano 2000). o presente estudo passará a avaliar a composição da Dívida Contratual Interna do Estado em 30/06/01.0 bilhões. Conforme cálculos preliminares.

3.2 . ocorrida em janeiro de 1999. ambas em 30/06/01. a rubrica Cessão de Créditos totalizou R$ 10.3 . enquanto as demais apresentaram saldos irrelevantes.593 122 9. 2.Cessão de Direitos Os montantes registrados nesta conta advêm do Contrato de Cessão de Créditos celebrado entre a União e o Estado do Rio de Janeiro – “Royalties do 74 . BNDES. R$ 5. Banerj S. também. dos R$ 26.1 .Mop/Rev61 Como pode-se depreender.Dívida Fundada Externa (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Dívida Fundada Externa 30/12/96 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 111 258 859 1. em função da renegociação da dívida do Estado. ao passo que Perdas e Deságios montou a R$ 11. Com razão. e Município do Rio de Janeiro/PREVI-RJ.238 12. sofreu uma significativa evolução desde 31/12/96 até 30/06/01. Deve-se destacar.977 2.533 A Dívida Fundada Externa do Estado.0 bilhões. se comparados com o valor total do Passivo.506 10. e R$ 19. Tal acréscimo é justificado pelo ingresso de novos empréstimos para o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara e para o Programa Estadual de Transportes.2.2.325 30/06/01 1.2.1 bilhões.791 21.198 40 20. 2. composta quase que na totalidade por Dívida Contratual em moeda estrangeira. relativos a dívidas refinanciadas pela União.A. restando ainda montantes menores devidos à CEF. conforme detalhado a seguir: Descrição Outras Obrigações Cessão de Direitos – Royalties do Petróleo Obras Paralisadas Provisões Certificados de Privatização Perdas e Deságios 30/12/96 (R$ milhões em moeda de 30/06/01) 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 12. Agente Financeiro do Tesouro Nacional.1 bilhões ao Banco do Brasil. em junho de 2001. que a repentina elevação do saldo devedor entre os exercícios de 1998 e 1999 se deu em função da forte desvalorização cambial.3.234 1.8 bilhões eram devidos à União em razão da assunção do déficit de Reservas Bancárias do Banerj.113 78 46 127 10.3.1 bilhões registrados contabilmente como Dívida Fundada Interna – Dívida Contratual.3.Outras Obrigações Neste tópico destacam-se os saldos de contas recentemente escrituradas no Balanço Patrimonial do Estado.341 10.

884 333.218 311.389 195.873 134. de 11 de setembro de 1997. representadas por royalties.612 301.868-20.452 459. 52 .521 560.Previsto no inciso II do artigo 45 da Lei nº 9.834.939 175.439 195.245 163.488 923.127 949. também.753 401.347 155.refere-se às indenizações pagas sobre poços de petróleo/gás de alta rentabilidade. A operação de antecipação das participações governamentais na exploração e produção de petróleo e gás natural.869 321.618 17. conforme indicado na tabela seguinte.496.808 496.988 234. e da Medida Provisória nº 1.478/97.705/98.324 558. royalties excedentes e participações especiais.000 51.BRASIL.291 756.896 236. corrigidos pela variação do IGP-DI.979 16.099 320.923 427.681 256.076 14.466 616.977 42. 53 .583 755.537 664.426 362.860 3.942 278.576 271. 75 .. (b) .412 6.272 10.873 215.704 PARTICIPAÇÃO ESPECIAL (a) R$ MIL 80.607 (a) .A.Idem.183 376.230 169.201 243.375 494. Os valores adiantados pela União ao Tesouro do Estado tiveram como base estudo elaborado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). viabilizou a renegociação da Dívida do Estado junto à União e.173 106.916 261. Contrato de Cessão de Créditos celebrado entre a União e o Estado do Rio de Janeiro em 29 de outubro de 1999. Fonte: Gabinete e Assessoria do GC-1.245 112.389 602.equivale também ao que o Estado deverá pagar anualmente à União pela antecipação dos royalties.163 79.Mop/Rev61 Petróleo” 51.903 TOTAL R$ MIL (b) 11. de 26 de outubro de 1999. em moeda de 29/10/99) ANO 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 TOTAL ROYALTIES R$ MIL 11. regulamentado pelo Decreto nº 2. com interveniência da Agência Nacional de Petróleo.825 155.667 320.231 847. TCE-RJ. nos termos da Lei nº 9. do Banco do Brasil e do Banco BANERJ S. 51 . gerou recursos para a capitalização inicial do RIOPREVIDÊNCIA. o Estado deveria auferir R$ 10.085 576.563 135.100 183.591 186.702 678.359 25.132 364.915.909 637.918. Os cálculos da ANP estimaram que ao longo de 255 meses.835 175.204 985.620 241.806 441.842 95.713 215.907 288.903 1. 21 anos e 3 (três) meses.131 296.451 87.8 bilhões em “Royalties” 52 e em “Participações Especiais” 53. ou seja. (em R$ mil.

apurado em 29/10/99. em 29/10/99.Mop/Rev61 De acordo com o visualizado no gráfico a seguir.0 760.0 1999 2000 2005 2010 2015 2020 2021 ANO Em função da projeção da ANP concentrar os recebíveis entre os anos 2000 a 2010.8 bilhões.0 910. sendo a fórmula: Onde: VPR = Valor Presente dos Royalties R n = Valor mensal dos Royalties a serem recebidos pelo Estado k = Taxa de desconto aplicada 76 . em virtude da utilização de uma taxa de desconto superior à aplicada sobre os recebíveis concentrados na primeira década de 2000. apurou-se que o valor econômico dos “Royalties do Petróleo” equivalia. concentrados após o ano de 2010. em 20/10/99. conforme definido na legislação vigente. concentram-se entre os anos de 2000 a 2010.0 460. De fato. devendo ser decrescentes findo o ano de 2005.0 R$ MILHÕES 610. o Valor Presente Líquido (VPL).0 310. caso os recebíveis estivessem distribuídos de forma mais equânime ao longo dos anos ou então.0 160. ROYALTIES RECEBÍVEIS EM ROYALTIES PARTICIPAÇÃO ESPECIAL TOTAL 1060. seria bem inferior ao apurado.0 10. foi expressivamente superior ao que seria aferido caso a previsão de recebimento de royalties se desse em uma série mais uniforme. de acordo com a metodologia de distribuição dos royalties e da participação especial aos beneficiários dos créditos. estimados pela ANP a partir da curva de produção prevista dos poços conhecidos até a data do cálculo. Com base nesse método. os recebíveis do Estado. a R$ 5. o valor econômico dos mesmos.

33 DESCRIÇÃO Abatimento do Saldo da Conta Gráfica Capitalização do RIOPREVIDÊNCIA Total Para ressarcimento dos valores antecipados. o Estado autorizou o Banco do Brasil (Agente Financeiro) a creditar à União.833.14 5.873) 10. a antecipação dos “Royalties do Petróleo” envolveu os seguintes valores: Valor Estimado R$ 2.588. mensalmente: • 60% (sessenta por cento) da parcela correspondente aos royalties de 5% (cinco por cento).607 (1.764) 1. A diferença decorre da não atualização da dívida do Estado pela variação do IGP-DI.030. Avaliados os montantes envolvidos na operação. cumpre destacar que o saldo devedor apontado no Balanço Patrimonial diverge do apurado a seguir.Índice (=) Saldo devedor corrigido (-) Valor contabilizado no Passivo Financeiro (-) Valor contabilizado no Permanente (=) Subavaliação do Passivo R$ mil de 30/06/01 10.113. não sendo em momento algum detalhada em Nota Explicativa.414.082.737. 77 .19 3.512. a partir de dezembro de 1999. cumpre destacar que a operação de antecipação de royalties constitui-se.939.322.Mop/Rev61 Em resumo. Desta maneira o montante devido em 30/06/01 estava subavaliado em aproximadamente R$ 1.20 Valor Econômico em 29/10/99 R$ 2.108.834. • 80% (oitenta por cento) da parcela correspondente à participação especial. em uma operação de securitização de recebíveis estaduais.519.607.768.38 10. na verdade. • 80% (oitenta por cento) da parcela correspondente aos royalties excedentes da parcela correspondente a 5% (cinco por cento).82 8.113.130. impondo restrições às avaliações levadas a cabo pelos usuários das Demonstrações Contábeis do Estado.073.247.741.811 (494.1938 12.764 1.462.720 Por fim.834.197.525. de acordo com o cálculo Descrição Valor histórico em out/99 (-) Valor histórico pago até 30/06/01 (=) Saldo devedor histórico restante (x) Variação do IGP-DI de out/99 a junho de 01 .327) (10.5 bilhão.

579.056.342. o critério adotado para contabilizar o Patrimônio Líquido Descoberto de empresas públicas ou de economia mista no Passivo não é usual.37 SOCIEDADES NÃO INTEGRANTES DO ORÇAMENTO DO ESTADO A SOCIEDADES ECONOMIA 12 13 14 15 MISTA DIVERJ BDRIO CELF BANERJ SOMA TOTAL TOTAL DO % PART.382.301.573.81 99.35 80. inicialmente.857.177.911.3.579.3.00) 1. serão abordadas a seguir: 78 .56 99.Mop/Rev61 2. perfazem 95.066.00.394.90 62.262.39 99.775.675.10 ------------------------521.372.99 92.268.467.368.47 -5.394.00) (14112.485.62 PATRIMÔNIO CAPITAL 1.455.792.145.154. que.030.832.775.038.895. Desta maneira.8 bilhões.04 * (9.931.00.348.789.368.386.00) -63.349.2 .70 10.891.7 bilhões (em moeda de poder aquisitivo de 30/06/01) registrados em 31/12/00.23 (14112.111.349.070.10 99.61% 18.47 10.46 -63.90 571.975.912.832.269.62 -4.281.249. causando espécie. serão tecidos comentários apenas sobre as rubricas mais representativas para a composição do saldo da conta Perdas e Deságios.03 \\\\\\\\\\\\\\\ -5.056.738.047.235.00) 101.631.07 1.606.482.86 62.26% 305.911.046.004.90) Para fins de simplificação.53 100.00.507.796.2.606.537.451. somente as rubricas Banerj e Companhia de Transportes Coletivos (CTC).517.08 4.792.10 99.10 18.00% 521.00% 877.631.383.402.45 5.301.219. DO NO PATRIMÔNIO CAPITAL 123.39 99.111.005.Perdas e Deságios Esta conta começou a apresentar saldos no exercício de 2000 quando.84 110.757.82 82.88 \\\\\\\\\\\\\\\ 143.00.467.225.814.032.047.90% 1.731.58 -4.Mista Investimentos Investimentos Patrimonial (14111.78 18.53 INVESTIMENTO INVESTIMENTO (14111.268.Econ.320. Com efeito. totalizou R$ 9.451.205.97% 5.84 -18.001.673.60 3.42 -5.04 68.62 101. a base de apuração dos valores para o Balanço de 31/12/00 é a demonstrada a seguir: Sociedades de Economia Mista 1 CEHAB 2 CASERJ 3 CEASA 4 CTC 5 CODIN 6 TURISRIO 7 IVB 8 CODERTE 9 CEDAE 10 FLUMITRENS 11 METRO SOMA TOTAL % PART.235.224.33% 110.45 100.70 B C D INVESTIMENTO (22233.319.892.729.348.44 123.150.281.938.750.775.822.757.58 -4.278.919.78 14.516.86 -5.682.99% 571.18 140.00) (22233.00.507.68 3.891.37 601.22 14.53 4.797.281.00) 9.37 571.225.18 133.48 100.070.721.176.217.176.3% do total de 9.919.00.274.005.22 601.68 1.938.931.56 -18.60 -241.634.607.219.130.44 123.738.665.977. em conjunto.00% 3.975.517.46 9.p/Perdas Perdas e Deságios Equivalencia Soc.45 5.90% -5.62 ------------------------110.19 99.150.07 521.95 -4.90% -5.00% -18.403.94% -63.382.48% 14.048.490.792.763.342. NO RESULTADO EQUIVALÊNCIA PATRIMÔNIAL 1. principalmente considerando que os Balanços Patrimoniais do Estado são apresentados como consolidados.369.56 10.35% -5. Sem aprofundar o mérito de como tais valores deveriam ser contabilizados.750.834.38 75.400.831.95 -4.527.15 \\\\\\\\\\\\\\\ A B C D Resultado da Investimentos Prov.490.352.528.

Considerando que as possibilidades de algum dia a CTC-RJ quitar tal dívida é por demasia remota.281. 2.7% 100. o montante negativo está sendo registrado em duplicidade (considerando que também está registrado na Dívida Contratual). 79 . 54 .0 bilhões em razão da existência de uma dívida superior a R$ 4. o montante apontado originou-se de um financiamento contratado junto ao Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro (BD-RIO – Em Liquidação Extrajudicial).3. negativo em R$ 5. A primeira refere-se ao Patrimônio Líquido do Banerj estar negativo no montante indicado em razão do déficit de Reservas Bancárias junto ao Banco Central.Demonstrações Financeiras da CTC-RJ. restando à CTC-RJ um débito com o Tesouro estadual. Estes valores foram assumidos pelo Governo do Estado quando concluído o processo da renegociação com a União. exercício findo em 31/12/98.047. tendo em vista a relevante superavaliação provocada no Passivo do Estado.3. em proporções estratosféricas. que o valor a receber não está registrado no Ativo do Estado. em razão de estar indexado à variação da TR plus juros de 12% ao ano.Mop/Rev61 Descrição Banerj CTC Outros Total R$ mil 4.757 461. o Governo do Estado decidiu assumir a dívida com o BD-RIO. cabe observar que deveriam ser elaborados estudos visando a eliminar este montante. já que a mesma não realizou nenhuma amortização da dívida.0% Caso avaliada a consistência dos saldos das rubricas Banerj e CTC identificam-se duas distorções. bem como da limitação de escopo. A segunda relaciona-se ao Patrimônio Líquido da CTC (Em Liquidação Extrajudicial).2. Registrado no Passivo da Companhia como devido ao Estado do Rio de Janeiro 54. Devido à inadimplência da CTC-RJ.7% 51. superavaliando o Passivo do Estado em R$ 4.6% 4.791.Obras Paralisadas.5 bilhões contabilizada.812 9.320 % s/ total 43. estas contas não serão examinadas.3 . Desta forma. obtido em 1983 para a aquisição de 125 (cento e vinte e cinco) ônibus. ainda. Provisões e Certificados Em razão da irrelevância.751 5.8 bilhões. que os saldos dos débitos e créditos porventura originados pela dívida são intragovernamentais. que o valor devido ao BD-RIO também não está registrado no Passivo do Estado e. que cresceu.

quase todos outros estados. R$ 14. os Estados de São Paulo e Minas Gerais e.PREVI-Banerj.3 bilhões em 30/06/01. a União.2. técnica.Empresas Públicas e Diversos Em razão da irrelevância e o encerramento de seu saldo.2. é uma autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Administração e Reestruturação do Estado – SARE. e regulamentado pelo Decreto nº 25.189. criado pela Lei Estadual nº 3. a conta Empresas Públicas não será avaliada no presente trabalho. Distrito Federal e municípios brasileiros. ou seja. considerando que. Saliente-se. patrimônio e receita próprias. considerou que os valores apurados na conta Reserva Matemática equivalia a uma conta de Patrimônio Líquido. apresentando os seguintes saldos em 31/12/00 e 30/06/01. III. Autarquia responsável pelo sistema de previdência dos servidores.5 . 2. também. A contabilização destes passivos foi iniciada no exercício de 2000. bem como aos ex-participantes e ex-beneficiários da Caixa de Previdência dos Funcionários de Sistema Integrado Banerj .Reserva Matemática A conta de Reservas Matemáticas registra os valores atuariais provenientes de obrigações já assumidas e a assumir. dotada de personalidade jurídica de direito público. e R$ 32. e aos antigos beneficiários dos Planos de Incentivo à Aposentadoria II.3. de 22/02/99. assegurar e administrar recursos financeiros e outros ativos para o custeio dos proventos de aposentadoria ou reforma. O RIOPREVIDÊNCIA tem a finalidade de arrecadar. o pioneirismo do Estado do Rio de Janeiro no registro de passivos previdenciários apurados atuarialmente. (R$ milhões em moeda de 30/06/01) 30/12/96 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 14. concedidos e a conceder a servidores estatutários e seus beneficiários. gestão administrativa.4 bilhões em 31/12/00. relativas aos benefícios previdenciários de responsabilidade do RIOPREVIDÊNCIA 55 .4 . de 17/03/99. inativos e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro. pelo Estado do Rio de Janeiro. suas Autarquias e Fundações.217. cabe distinguir que estão classificados em conta de Passivo Permanente. patrimonial e financeira descentralizada. das pensões e outros benefícios.O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro – RIOPREVIDÊNCIA.3. provavelmente. 80 .394 32. ao menos até 31/12/00.Mop/Rev61 2. Quanto aos saldos registrados no Balanço do Estado. A CGE inicialmente interpretou que a conta Reserva Técnica – Reserva Matemática deveria ser contabilizada no Patrimônio Líquido Estadual. IV e outros instituídos pelo Banerj e subsidiárias.262 Descrição Reserva Matemática Cumpre destacar que a escrituração desta conta representou um grande avanço de evidenciação contábil na Contabilidade Governamental. não registravam os montantes de benefícios concedidos pelos seus sistemas previdenciários. tal qual as contas de Reservas de 55 .

Quintella. Lucros etc.171 16.735-4/00 .278. CONTABILIZAÇÃO CORRETA DOS ATIVOS E PASSIVOS (em R$ mil de 31/12/99) BALANÇO PATRIMONIAL DO RIOPREVIDÊNCIA Em 31/12/99 ATIVO DISPONÍVEL PROGRAMA DE INVESTIMENTOS . os cálculos atuariais visam identificar qual é o montante de benefícios previdenciários já concedidos e a conceder.162 PASSIVO OPERACIONAL RESERVA TÉCNICA Reservas Matemáticas .863.489 7.853.426 8.026.171 24.682 (16. As Reservas Matemáticas são apuradas através de cálculos atuariais e.Benefícios a Conceder Deficit Técnico Total R$ 206.Outros R$ 414.098.125 10.863.829 7.Certificados Financeiros .481) 8.426 24.116 CONTABILIZAÇÃO EFETUADA NO SIAFEM (em R$ mil de 31/12/99) BALANÇO PATRIMONIAL DO RIOPREVIDÊNCIA Em 31/12/99 ATIVO CIRCULANTE PERMANENTE .116 Total 8.489 7. Sobre esta classificação inadequada.026.125 10.116 56 .829 7.759.278.338. exercício de 1999.Certificados Financeiros . Ou seja. quando submetida ao Plenário do TCE-RJ a primeira inspeção ordinária realizada no RIOPREVIDÊNCIA por técnicos daquela Corte de Contas: “2) Escrituração das Reservas Matemáticas A Conta de Reservas Matemáticas é um passivo e não uma conta de Patrimônio Líquido.690 24. são aferidas nas entidades de previdência para fins de evidenciação do passivo atuarial.759.Benefícios Concedidos . cabe destacar os comentários contidos no relatório que acompanha o voto 56 do Conselheiro Sergio F. da mesma forma que nas empresas do ramo de seguros.Benefícios Concedidos .Trata o presente processo de inspeção ordinária realizada no Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro – RIOPREVIDÊNCIA.098.116 Total 8.682 (16. registrado-os no passivo.171 16.Processo TCE-RJ 102.071.287 7.278. 81 .Benefícios a Conceder DEFICIT TÉCNICO (Patrimônio Líquido) Total R$ 206.481) 8.Outros R$ 14.338.098.287 7.162 PASSIVO CIRCULANTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO Reservas Matemáticas .278.853. Caso os ativos da entidade previdenciária sejam menores do que as Reservas Matemáticas haverá um Déficit de Reservas Técnicas.Mop/Rev61 Capital.

apesar de extremamente elevados. qualquer acréscimo do Passivo Atuarial (Reserva Matemática) automaticamente aumenta seu Patrimônio Líquido. onde são estabelecidas as normas gerais de contabilidade para Entidades de Previdência Fechadas.Mop/Rev61 Como se observa. 2.3 . 2. a análise dos ativos e passivos compensados não fazem parte do escopo do presente estudo. apesar dos avanços trazidos para evidenciação. A Portaria nº 4. em razão do critério contábil adotado.Passivo Compensado De acordo com o já destacado.4 .Ativo Real Líquido e Passivo Real a Descoberto Os saldos patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro.074) (21. sendo os montantes escriturados no Passivo Compensado idênticos aos já apresentados no tópico 3. cumpre destacar que os valores já apurados ainda não incluem todos os participantes do RIOPREVIDÊNCIA. (. ao longo do período analisado.). os valores escriturados até 31/12/01.” Por derradeiro. A incoerência da contabilização adotada pelo RIOPREVIDÊNCIA pode ser facilmente evidenciada.2. são relacionados a seguir.. representados pela diferença entre os ativos e os passivos. no qual se enquadra o RIOPREVIDÊNCIA.992/99) do Ministério de Previdência e Assistência Social.336) (52.622 255 (13.Ativo Compensado. deverão ser acrescidos expressivamente.3 .3.225) (13. Deficit Técnico: registra a insuficiência patrimonial no exercício atual em relação aos compromissos totais. considerou-se um Passivo (Reservas Matemáticas) como Patrimônio Líquido. Desta maneira. Tabela 11 – Saldo Patrimonial (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Saldo Patrimonial 30/12/96 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 5. para assim poder apresentar de maneira fidedigna o real Passivo resultante dos planos previdenciários mantidos no âmbito da Administração Fluminense.858/98 (4.440) 82 .. estabelece: Reservas Matemáticas: registram os passivos atuariais da entidade. na medida em que. deduzidos das fontes de recursos existentes para a garantia daqueles passivos.

730) (52.622 255 (13.Variação Patrimonial (Em R$ milhões. das Variações Patrimoniais contabilizadas nos exercícios e semestre examinados.074) (35. observa-se melhor o constante declínio da situação patrimonial. destacando-se também 83 .440) Variação entre os Períodos (5.Mop/Rev61 Graficamente.225) (13.480) 151 (22.000) (20.000 (10.000) (40.074) (35. mutações patrimoniais e variações independentes da execução orçamentária.4 bilhões em 30/06/01: Gráfico 4 – Evolução do Saldo Patrimonial Evolução do Saldo Patrimonial 10.730) (52. atingindo uma situação negativa de R$ 52. em moeda de 30/06/01) Período Dez/96 Dez/97 Dez/98 Dez/99 Dez/00 Jun/01 Saldo no Final do Período 5. principalmente.656) (16.000) R$ milhões (30.710) As alterações dos saldos patrimoniais foram decorrentes.440) decréscimos (13.000) 30/12/96 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 255 (13. Considerando que o trabalho não examinou o comportamento das receitas e das despesas orçamentárias do Estado do Rio de Janeiro.225) patrimoniais entre os períodos são os demonstrados na tabela a seguir: 5.000) (60.622 Saldo Patrimonial Os acréscimos e Tabela 12 .367) (13.000) (50. Estas variações são resultantes da execução orçamentária – representadas por receitas e despesas orçamentárias.

apenas as contas de Restos a Pagar e Dívida Fundada em Títulos (em decorrência das altas taxas de juros praticadas no Mercado Aberto) sofreram acréscimos de R$ 2. notadamente.3 bilhões do Ativo Real Líquido. respectivamente. relacionados a seguir: Tabela 13 – Variações Patrimoniais do exercício de 1997 84 . Em contrapartida.Mop/Rev61 que as mesmas tiveram pouca influência sobre os saldos patrimoniais. A diminuição do Ativo Real Líquido foi minimizada pelo acréscimo de R$ 4.8 bilhões da Dívida Ativa. anulando.6 bilhões. reduzindo o saldo desta conta de R$ 17.0 bilhões e R$ 1.3 bilhões neste período. elevando o saldo desta rubrica de R$ 3. pela baixa de R$ 7. ainda. por conseqüência. Tal fato ocorreu devido à inclusão de novos saldos de empresas até então não contabilizadas no Balanço Consolidado. pois ainda exigiam a constituição de provisões para créditos não realizáveis.4. ocorrida entre os exercícios findos em 31/12/96 e 31/12/97. Mesmo com a redução. Em resumo.5 bilhões para R$ 8.8 bilhões na conta de Ativo – Participações Societárias. permaneciam elevados. foi ocasionada.6 bilhão. a melhoria promovida pelo acréscimo observado na conta de Participações Societárias.6 bilhões para R$ 255 milhões entre 1997 e 1996. Por outro lado. Destaca-se. de R$ 5. diversas contas do Passivo tiveram seus montantes acrescidos. 2. adiante serão avaliadas apenas as principais razões para o acréscimo ou decréscimo dos saldos decorrentes apenas da inclusão ou exclusão de Ativos e Passivos. De fato.Variações Patrimoniais do exercício de 1997 A redução de R$ 5. a diminuição do Ativo Real Líquido observada. a conta de Dívida Fundada – Dívida Contratual foi acrescida em montante similar. como verificado adiante. é evidenciada pelos seguintes acréscimos e decréscimos patrimoniais.1 bilhões para R$ 9.1 . que o montante registrado na conta de Bancos Cta. Movimento elevou-se em R$ 4.8 bilhões devido à classificação inadequada dos valores representados pelas Contas “A” e “B”. em razão do equilíbrio orçamentário observado nos períodos sob exame. os valores registrados na referida conta em 31/12/97.

3 bilhão. de R$ 9. principalmente.Mop/Rev61 As variações patrimoniais ativas e passivas. na conta de Passivo – Depósitos.5 bilhões para R$ 13. o comportamento do saldo patrimonial entre os exercícios findos em 31/12/97 e 31/12/98 é o demonstrado a seguir: Tabela 14 – Variações Patrimoniais do exercício de 1998 Descrição Ativo Real Líquido em 31/12/97 (-) Valores baixados da Dívida Ativa (Ativo) (Em bilhões de R$.6 bilhões). e.1) (4. em moeda de 30/06/01) R$ bilhões 0.Variações Patrimoniais do exercício de 1998 Entre os exercícios de 1997 e 1998. algumas sobremaneira expressivas.1) (0. pela incorporação de R$ 4. relativos ao déficit de Reservas Bancárias do Banerj junto ao Banco Central (ressaltase que esta dívida era proveniente de exercícios anteriores a 1998).5 bilhões. de R$ 10.4. De maneira sintética. corroboram a constante mudança de critérios contábeis e expõem as deficiências encontradas para se proceder ao reconhecimento dos Ativos e dos Passivos com base no Regime de Competência de Exercícios.2 bilhões (denotando um acréscimo do Passivo de R$ 2. sendo influenciada. a situação patrimonial do Estado passou de um Ativo Real Líquido de R$ 255 milhões para um Passivo Real Descoberto de R$ 13. 2. pela redução dos saldos da conta Dívida Ativa.4 bilhões).2 . foram outras mutações importantes.1) (13. equivalentes a R$ 1.3 bilhões para R$ 1.2 bilhões para R$ 11. de R$ 8. A variação negativa atingiu R$ 13.8 bilhões ao Passivo.8) (2.2) (-) Incorporação da Dívida remanescente do Banerj na Dívida Fundada Contratual (Passivo) (-) Aumento da Dívida Fundada em Títulos (Passivo) (-) Lançamento inadequado dos rendimentos das Conta “A” e “B” na Conta Depósitos e Outros (Passivo) (+) Aumento de Títulos e Valores Mobiliários (Ativo) (=) Subtotal (-) Outras Variações Ativas e Passiva Passivo Real Descoberto em 31/12/98 85 .2 bilhões.3 (8. e o acréscimo da conta de Ativo – Participações Societárias.4 (13.2 bilhão.3) 3. o lançamento inadequado dos rendimentos das Contas “A” e “B”.6 bilhões (elevando o saldo desta rubrica em R$ 3.6) (1. O acréscimo da Dívida Fundada em Títulos. também.

herdado do exercício de 1998. gerando a diminuição dos saldos de R$ 5. O abrupto crescimento dos valores registrados nesta conta. sofreu ligeiro decréscimo até 31/12/99. Destaca-se ainda que apesar da assunção de dívida de R$ 12.3 .2 bilhão para R$ 4. qual seja.0 bilhões para zero em função da conversão de seus valores em CFTs. b) Dívida Ativa. lançar a contrapartida dos rendimentos das Contas “A” e “B” nesta conta de Passivo.5 bilhões. as principais mutações identificadas no Ativo e no Passivo entre 31/12/98 a 31/12/99 originaram-se: a) Valores Vinculados – “Conta A”. c) Órgãos da Administração Direta – Incorporação. e. 2. é explicado pela obtenção de R$ 7.8 bilhões para R$ 25. Caso analisadas individualmente.1 bilhões. como também prejudica a adequada evidenciação patrimonial do Estado. Seu saldo foi acrescido de R$ 1. ao longo do exercício de 1998. relativa à operação de antecipação de royalties.3 bilhões em razão da transferência de R$ 3.8 bilhões em CFTs. Diminuiu de R$ 28. Em razão da correção do critério adotado em 1998.Mop/Rev61 As grandes variações patrimoniais apresentadas. A partir do exercício de 2000 os montantes representados pelos CFTs foram reclassificados para a conta Títulos e Valores. a situação patrimonial manteve-se estável em face da conversão de parcela das participações governamentais na exploração e produção de petróleo e gás natural. O retorno de valores antes considerados de baixa liquidez para a conta de Dívida Ativa comprova a constante mudança de critério contábil para os montantes desta rubrica. considerando a redução do estoque da dívida promovido pelo recálculo dos saldos devedores. de R$ 619 milhões para R$ 9.1 bilhões anteriormentes contabilizados no Ativo Compensado.0 bilhões. d) Depósitos e Outros. bem como o reconhecimento extemporâneo de passivos gerados em exercícios anteriores.Variações Patrimoniais do exercício de 1999 O Passivo Real a Descoberto. e) Restos a Pagar. Teve seu saldo reduzido de R$ 4. em função do recálculo do montante devido quando firmada a renegociação da dívida do Estado junto à União.4. em razão do saldo remanescente da "Conta A" ter sido convertido em CFTs. também. A estabilização do saldo patrimonial se deu principalmente em razão da renegociação da Dívida Fundada do Estado junto à União. Devido à melhora de análise dos valores registrados nesta conta foram cancelados inúmeros restos a pagar processados e não processados. deixam evidentes as constantes mudanças de critérios contábeis.3 bilhões para R$ 3.5 bilhões. f) Dívida Fundada Interna. os valores registrados decresceram de R$ 1.3 bilhão para R$ 20 milhões. 86 .

cumpre salientar que o RIOPREVIDÊNCIA. os compromissos que a Autarquia. registrou um saldo de R$ 12. Ou seja. Quanto a outras variações patrimoniais. que a situação patrimonial do Fundo agravou-se em 2001. pode-se destacar as elencadas a seguir: 87 . os valores registrados nesta rubrica equivaleram a R$ 14.4 .8 1. responsável pelo pagamentos dos benefícios previdenciários dos servidores. ou seja. Salienta-se.1 7. As principais modificações supramencionadas são resumidas na tabela a seguir: Tabela 15 – Variações Patrimoniais do exercício de 1999 (Em bilhões de R$. Apurados atuarialmente. ainda. um déficit de ativos para arcar com os passivos de aproximadamente R$ 6.1) 2.0) (12.5) (13. registrava um Déficit Técnico. ativas e passivas. royalties excedentes e participações especiais. refletindo os montantes relacionados às obrigações já assumidas e a assumir pelo RIOPREVIDÊNCIA. em moeda de 30/06/01) Descrição Passivo Real Descoberto em 31/12/98 (-) Valores baixados da “Conta A” (Ativo) (-) Assunção de Dívida – Cessão de Direitos (Passivo) (+) Valores acrescidos a Dívida Ativa (Ativo) (+) CFTs registrados em Órgãos da Administração Direta (Ativo) (+) Estorno na conta Depósitos e Outros (Passivo) (+) Diminuição dos saldos de Restos a Pagar (+) Diminuição da Dívida Fundada Interna (Passivo) (=) Subtotal (-) Outras Variações Ativas e Passivas Passivo Real Descoberto em 31/12/99 R$ bilhões (13.4. em face do adiantamento de receitas futuras de royalties. em razão da elaboração de cálculos atuariais mais abrangentes que apontaram a necessidade de constituição de Reservas Técnicas mais elevadas. apesar de possuir aproximadamente R$ 7.Variações Patrimoniais do exercício de 2000 Um dos fatores preponderantes para a expansão do Passivo Real a Descoberto ocorrida neste exercício foi a contabilização da conta de Reservas Matemáticas.8 (11.6 bilhões.8 3.Mop/Rev61 g) Cessão de Direitos – Este passivo originado em outubro de 1999. possui junto aos participantes de seus planos de previdência. Antes de analisar outros fatores que influenciaram os montantes registrados no Passivo Real Descoberto do Estado. inativos e pensionistas do Estado.1) 3.1 bilhões em 31/12/99.2 1.8 bilhões em CFTs em 31/12/00.4 bilhões em 31/12/00.6) (1.2) (4.

portanto. O efeito das mencionadas alterações nos saldos das contas de Ativo e Passivo elevou o Passivo Real a Descoberto do Estado a R$ 35. d) Sentenças Judiciais.7 bilhões.3 bilhões. A escrituração dos valores correspondentes aos Patrimônios Líquidos Descobertos.8 bilhões.1) (14. passando. b) Participações Societárias. No exercício de 2000 foram incorporados ao Ativo R$ 7.4) (4. No exercício de 2000 iniciou-se a contabilização desta conta.5 bilhões. decorre da mudança de critério contábil aplicado à avaliação das participações mantidas em empresas públicas e de economia mista.1 (1. A sensível redução no valor desta conta. equivalente a R$ 9. de R$ 10. a partir de 2000. em 31/12/00. e) Perdas e Deságios. considerando que parcela destes passivos já estão registrados na Dívida Fundada Estadual. a serem apreciadas pelo método de Equivalência Patrimonial. promovendo. Até 1999 as empresas eram avaliadas pelo seu Capital Social. c) Restos a Pagar.6) (9. para R$ 2.5) (0.5 0. uma melhora aparente da situação patrimonial fluminense.8) 7.5 bilhões relativos a dívidas assumidas pelo Estado em decorrência do inadimplemento de suas empresas públicas e de economia mista. principalmente aqueles provenientes do Banerj e da CTC-RJ.Mop/Rev61 a) Sociedades de Economia Mista.8 34. Destaca-se que o critério utilizado pela CGE é passível de questionamentos. por conseqüência. em 31/12/00. Muito embora. e da melhora da situação financeira do Estado. ocasionaram um efeito demasiadamente negativo no saldo patrimonial do Estado. o saldo desta conta decresceu de R$ 3. em 31/12/99. conforme pode ser observado na tabela adiante: Tabela 16 – Variações Patrimoniais do exercício de 2000 (Em bilhões de R$. em 31/12/99. Em função das conciliações. estando. computados em dobro. estes valores nunca devam ser pagos ao Tesouro Estadual.8 bilhões. estes expressivos montantes passaram a ser registrados. que eliminaram saldos registrados.7 bilhões. aumentando o Passivo em R$ 611 milhões. conforme já avaliado. para R$ 5.7) 88 . em moeda de 30/06/01) Descrição Passivo Real Descoberto em 31/12/99 (-) Constituição da conta de Reservas Matemáticas (Passivo) (-) Redução do valor de Participações Acionárias (Ativo) (-) Contabilização de Sentenças Judiciais (Passivo) (-) Constituição da Conta Perdas e Deságios (Passivo) (+) Contabilização da conta Sociedade de Economia Mista (+) Diminuição dos saldos de Restos a Pagar (=) Subtotal (-) Outras Variações Ativas e Passivas Passivo Real Descoberto em 31/12/00 R$ (13.6) (35.

6). direitos e obrigações do Estado? c) a Auditoria Geral do Estado (AGE) e os controles internos fornecem garantia de melhor qualidade e confiabilidade dos saldos registrados no Balanço Patrimonial do Estado? d) o Controle Externo coopera para a melhoria da evidenciação do Balanço Patrimonial Fluminense? Em razão dos trabalhos realizados. 3 . com base na Emenda Constitucional nº 20/99 (em especial quanto à redação dada ao inciso II.4.AVALIAÇÃO DAS HIPÓTESES Neste capítulo são avaliadas as hipóteses apresentadas no seu congênere de nº 1 (tópico 1. A necessidade da ampliação das Reservas Matemáticas também foi influenciada pela extinção da cobrança das contribuições previdenciárias dos inativos 57 .7 bilhões. relacionadas a seguir: 57 . considerou inconstitucional a incidência de cobrança de contribuições previdenciárias sobre aposentadorias e pensões.A partir do 2º semestre de 2000 foi progressivamente extinta a cobrança das contribuições dos inativos e pensionistas em atendimento à decisão do Supremo Tribunal Federal que.3 bilhões.4 bilhões para R$ 32. originou-se do aumento do número de beneficiários do plano de seguridade considerados nos cálculos atuariais. as Notas Explicativas e os exames da AGE e do TCE-RJ. à medida que fornece subsídios para a adoção de medidas que promovam a sustentabilidade financeira e patrimonial do Estado? b) os Princípios de Contabilidade adotados pela Contadoria Geral do Estado (CGE) encontram-se em conformidade com a legislação e são suficientes para a obtenção da necessária evidenciação dos bens. 89 . a saber: a) a correta retratação do Patrimônio Público pode ser útil ao desenvolvimento. foi a expansão da conta de Reservas Técnicas.9 bilhões.4 bilhões. o presente estudo tece as seguintes considerações sobre as hipóteses levantadas. que elevou-se de R$ 14.7 bilhões para R$ 52. observada entre 31/12/00 a 30/06/01. equivalente a R$ 17.5 .Mop/Rev61 2. enfocando os registros. relacionados aos Balanços Patrimoniais dos exercícios encerrados em 31/12 de 1996 a 2000 e do semestre findo em 30/06/ 01. que acarretaram a redução das expectativas de receitas futuras do Fundo.Variações Patrimoniais do primeiro semestre de 2001 A principal razão para a elevação do Passivo Real a Descoberto de R$ 37. Tal acréscimo. do artigo 195 da CF). totalizando uma variação negativa de R$ 14.

em razão da inexistência anterior de cálculos atuariais. não se pode esquecer que. como nos elementos passivos. por conseqüência. e contenciosos trabalhistas. porém. restringindo de alguma maneira o desenvolvimento de sua economia. deve ser considerado para fins de adoção de políticas públicas. Outra falha identificada relaciona-se ao descontrole dos bens imóveis. No caso específico do Estado do Rio de Janeiro. Caso este passivo tivesse sido apurado e contabilizado há mais tempo. estas obrigações foram se materializando ao longo de anos. em moeda de 30/06/01. inativos e aos pensionistas. fiscais e outras avenças. R$ 1. nunca se buscaram soluções para enfrentar um problema de grandes repercussões.Demonstrações Contábeis do RIOPREVIDÊNCIA.8 bilhões. ainda. o patrimônio sofre mutações variadas. fundamentalmente. 90 .8 bilhões em 31/12/01 58. a capacidade de obtenção de novos financiamentos para projetos de desenvolvimento. em decorrência dos fatos administrativos de ordem financeira. do déficit de Reservas Bancárias junto ao Banco Central (BACEN).0 bilhão.A. Oriundos.1 bilhões.0 bilhões. porém somente foram reconhecidas no Balanço Patrimonial a partir de 1997. Publicada no D.J de 01 de abril de 2002. destinados à apuração do custo da concessão de benefícios previdenciários aos servidores. os dirigentes fluminenses já poderiam ter posto em prática ações para minimizar o déficit do Sistema de Seguridade Social do Estado. Não reavaliados na maioria dos casos. o grau de endividamento do Estado e comprometendo. em valores correntes de 1997. que equivalem. representando aproximadamente um quarto do PIB fluminense. p. assim como o das obrigações. atingiu R$ 33. Portanto. (Banerj) não privatizada.1 .O.Mop/Rev61 3. O Deficit Técnico do Fundo. a R$ 10. as limitações de seus controles são recorrentemente apontadas pela AGE e pelo TCE-RJ. sobremaneira. R$ 3. tanto nos elementos ativos. que reflete a insuficiência de ativos para garantir os benefícios já concedidos e a conceder. aumentando. Apesar da preocupação com a gerência de receitas e despesas na organização governamental. passivos atuariais. o correto controle dos bens e direitos.R. R$ 2.Hipótese 1: Correta Retratação do Patrimônio Público Muito embora a Administração Pública opere. mas só evidenciados após a criação do RIOPREVIDÊNCIA. pode-se citar alguns casos em que o descontrole de ativos e passivos gerou danos para as suas finanças. não resultando. O primeiro caso refere-se aos passivos remanescentes da parcela do Banco do Estado do Rio de Janeiro S. em razão dos Balanços Patrimoniais e as suas Notas Explicativas não fornecerem adequadas 58 . no completo saneamento das falhas identificadas. 78 a 80. O segundo relaciona-se aos passivos previdenciários do Estado formados no decorrer de décadas. na obtenção de recursos financeiros que permitam o atendimento das necessidades públicas. Deste modo e.

320/64.Hipótese 2: Os Princípios de Contabilidade Aplicados Ao longo deste estudo observou-se que os critérios contábeis utilizados pela CGE.Mop/Rev61 informações qualitativas e quantitativas. destacando-se: a) incorporação paulatina dos saldos da Administração Indireta e Fundacional. a CGE. Este modo de se pautar faz com que os avanços da Ciência Contábil não sejam implementados em razão da falta de previsão legal. c) reconhecimento. ao observar estritamente o Princípio da Legalidade. fornecendo uma visão mais abrangente da situação patrimonial do Estado como um todo.2 . para a Dívida Ativa) e não estima os passivos que deverão se materializar em razão de contenciosos cíveis. Por conseqüência. em seu Balanço Patrimonial. não calculam a depreciação. aumentando a transparência das obrigações do Estado. por seguir basicamente o previsto na Lei nº 4. direitos e obrigações. De fato. e e) ampliação das informações fornecidas através de Notas Explicativas. a correta evidenciação do Balanço Patrimonial é prejudicada. exigem Demonstrações Contábeis cada vez mais fidedignas dos governos que pleiteiam financiamento. não constitui provisões para valores não realizáveis (como. pode-se concluir que a correta evidenciação dos ativos e passivos no Balanço Patrimonial é uma importante ferramenta para o desenvolvimento. em conta própria. permitindo que os resultados das empresas públicas e de economia mista sejam refletidos no patrimônio do Estado. trabalhistas e outras avenças. Destarte. no que se refere àqueles adotados para o registro de bens. vêm apresentando constantes avanços. b) contabilização do passivo atuarial do RIOPREVIDÊNCIA. nunca atualizaram o valor de seus móveis e imóveis com base na sistemática de correção monetária de balanços. relativos a benefícios já concedidos e a conceder. não havia incluído o valor de seus passivos previdenciários. além do já mencionado. não há dados precisos dos imóveis que poderiam ser alienados pelo Governo do Estado para a obtenção de recursos destinados a fornecer benefícios à sociedade fluminense. 3. os Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro não contabilizam diversas provisões. por exemplo. Não obstante os avanços. mesmo no período de alta inflação. a própria União. e considerando ainda que os Organismos Internacionais de Desenvolvimento. 91 . tais como BIRD e BID. dos passivos decorrentes de decisões judiciais já tramitadas em julgado. d) adoção do critério de Equivalência Patrimonial (Equity) para as participações societárias. sendo esta uma iniciativa adotada por poucos estados e municípios. Deste modo. ao menos até 31/12/00. e.

à medida que este órgão teria mais facilidade para se comunicar com a estrutura administrativa do Estado. visando coletar informes sobre todos os eventos que afetassem ou pudessem afetar o patrimônio. 2002.Mop/Rev61 Da mesma maneira. 209. Ademais. se reportando diretamente ao Chefe do Poder Executivo. cria um sistema de controle interno-integrado.3 . que. 3. a um Balanço Combinado. Lino Martins da. na verdade. Vide: SILVA. Outro fator prejudicial para a adoção dos PCGAs advém das falhas do sistema de informação. pode-se concluir que. destacando-se a aplicada na conta de Investimentos (no caso. por sua vez. Indireta e Fundacional sem que se proceda às devidas eliminações a débito e a crédito nas contas das entidades intragovernamentais. pois a falta de dados prejudica o trabalho de escrituração de ativos e passivos executado pela CGE. muitas das operações que envolvem saldos patrimoniais. 92 . os critérios adotados pela CGE não contemplam todas as técnicas de consolidação usualmente aplicadas.O que. O chamado Balanço Consolidado do Estado do Rio de Janeiro assemelha-se. a soma dos ativos e passivos da Administração Direta. possibilita o abandono gradual do exame feito apenas nas formalidades. salienta-se que a criação de uma Controladoria 59 (abarcando também a AGE). os serviços desenvolvidos pela AGE têm seus esforços prejudicados por falta de estrutura adequada. quando o mais recomendável seria estar subordinada ao Governador. em face da avaliação procedida. a AGE está vinculada ao Secretário de Fazenda. 59 .Hipótese 3: A Atuação da Auditoria Geral do Estado (AGE) Ao longo do presente estudo foi demonstrada a atuação do Órgão Central de Controle. Neste aspecto. Contabilidade Governamental. Restam ainda outras eliminações necessárias. poderá minimizar sensivelmente o problema dos sistemas de informação. não são levadas à ciência e à análise da CGE. os Padrões de Contabilidade adotados pela CGE devem ser aprimorados para obtenção de uma melhor evidenciação do Balanço Patrimonial do Estado. apesar dos avanços. pois os trabalhos de auditoria provavelmente gozariam de maior independência. por exemplo. 5ª ed. restando claro que a AGE vem identificando e apontando falhas nos controles internos do Estado. Assim sendo. um enfoque administrativo. São Paulo: Atlas. apesar de não existir regulamentação detalhada para a Consolidação de Balanços Governamentais. principalmente aquelas relacionadas às deficiências dos sistemas de informação e aos controles dos bens imóveis e da dívida ativa. Destarte. incluindo também a análise dos aspectos finalísticos. Entretanto. na visão de Silva. pois apresenta. operadas por diversos órgãos do Governo. p. já que até o momento ainda não se conseguiu implantar os Grupos de Revisão de Relatórios e de Trabalhos nas Contas do Governador. Participações Societárias) contra o Ativo Real Líquido ou o Passivo Real a Descoberto.

3. tais como as elencadas a seguir: a) proceder à Consolidação dos Balanços. órgão que em conjunto com a ALERJ forma o Sistema de Controle Externo do Estado. restou comprovada a preocupação da AGE em relação ao correto registro dos saldos de contas patrimoniais.Hipótese 4: Cooperação do Controle Externo De acordo com o avaliado ao longo do estudo. f) registrar os passivos omitidos identificados. demonstrando que este órgão de auditoria é imprescindível para o aperfeiçoamento do Balanço Patrimonial e o correto registro dos bens. trazendo reflexos sobremaneira positivos para a correta evidenciação do Balanço Patrimonial. dos atos de pessoal. direitos e obrigações do Estado do Rio de Janeiro. e) reclassificar contas escrituradas em rubricas indevidas. Desta maneira. contábil. destacando-se a revisão dos critérios de Consolidação de Balanços adotados pelo Estado. patrimonial e operacional. vem envidando especial atenção à fiscalização dos ativos e passivos do Estado. do controle orçamentário. financeiro. b) elaborar estudos e contabilizar o Passivo Atuarial. o estudo conclui que o Controle Externo coopera expressivamente para a melhoria de evidenciação do Balanço Patrimonial do Estado do Rio de Janeiro. não podendo deixar de mencionar. quando da emissão de seus pareceres prévios. que deve aperfeiçoar o controle de algumas questões. relacionados aos ativos e passivos do Estado. tais como: exame das licitações. entretanto. d) adotar o método de Equivalência Patrimonial como critério para a avaliação das Participações Societárias. c) sanear os problemas de controle e saldos que envolvem a dívida interna e os bens imóveis do Estado. Não obstante. incluindo as novas e amplas advindas da Lei de Responsabilidade Fiscal. o TCE-RJ.Mop/Rev61 Embora possua limitações organizacionais. 93 .4 . e g) adotar controles internos. apesar das inúmeras competências legais que lhe são atribuídas. para promover o saneamento de questões que apresentam reflexo no Balanço Patrimonial. restando ainda outras. bem como melhorar os já existentes. restou comprovado que o TCE-RJ exerce o controle patrimonial. exarando diversas ressalvas e determinações.

Nesta etapa. Espanha e Estados Unidos. artigo 165. Considerando o exposto. corrigidos com base na variação do IGP-DI. sugiro a elaboração de um estudo destinado à avaliação dos Balanços Patrimoniais da União em conjunto com os de alguns estados e grandes capitais. exercícios findos em 31/12 de 1996 a 2000 e semestre encerrado em 30/06/01. Com efeito. mesmo considerando os avanços já trazidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. mutatis mutandis. em razão da avaliação das normas que regem o ramo da Contabilidade enfocada. cumprindo o previsto no § 9º. não contempla os recentes progressos da Contabilidade. 5 . é essencial que a nova norma legal a ser editada em substituição à Lei nº 4.SUGESTÕES PARA PESQUISAS RELACIONADAS A BALANÇOS PATRIMONIAIS GOVERNAMENTAIS O estudo em tela apontou que a não regulamentação do previsto no § 9º. independentemente de estarem contemplados ou não na legislação pátria. De fato. passivos e situação patrimonial. Controle Externo e Balanço Patrimonial. da Constituição da República Federativa do Brasil é um dos obstáculos para a melhoria qualitativa e quantitativa dos Balanços Patrimoniais Governamentais. da 94 . artigo 165. todos apresentados em moeda de poder aquisitivo de 30/06/01. A pesquisa teria como escopo identificar os melhores métodos adotados para o registro dos ativos. inicialmente foi revista a literatura relacionada à Contabilidade Governamental. Controle Interno. ao menos.320/64. bem como apontar as técnicas de evidenciação mais adequadas e qual é a extensão necessária das Notas Explicativas. usuários da Contabilidade. por já vigorar a quase 40 (quarenta) anos. à medida que forneceria elementos para a adoção das melhores práticas aplicáveis para a elaboração e apresentação dos Balanços Patrimoniais. Porém.320/64 que. no Estado do Rio de Janeiro e no exterior.CONCLUSÃO O presente estudo chega ao fim relacionando as principais conclusões resultantes dos exames dos valores contabilizados nos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro. incluir em seus ditames a obrigatoriedade de aderência aos Padrões de Contabilidade Geralmente Aceitos (PCGAs). No intuito de atingir o escopo proposto. restou claro que a legislação que trata da matéria no Brasil precisa evoluir para. importância idêntica ao arraigado apego aos aspectos estritamente legais que se observa no momento. é essencial que a cultura dos profissionais que atuam na Contabilidade Governamental evolua. Outrossim. princípios e normas contábeis não contempladas pela legislação deve merecer. vigentes no país. evidenciação. O estudo sugerido poderá ser de grande valia para os diversos governos nacionais. a exemplo da Argentina. México. até o presente o Congresso Nacional não editou nova lei para substituir a Lei nº 4. para fins de melhor comparabilidade. a defesa de critérios. além da necessidade premente quanto à edição de nova Lei Complementar.Mop/Rev61 4 .

b) elaborar Notas Explicativas mais abrangentes.2 bilhões. c) reavaliar os critérios de consolidação aplicados ao Balanço Patrimonial.4 bilhões em 30/06/01. À guisa de conclusão. entretanto. é necessário que sejam adotados procedimentos adicionais objetivando melhor apresentar os bens. e) valorizar os serviços de Contabilidade e Auditoria do Estado. se transformasse em um Passivo Real Descoberto de R$ 52. se adotadas. mas escriturados apenas em períodos posteriores aos de sua competência. e f) melhorar os controles internos e os sistemas de informações. Posteriormente. 95 . As análises levadas a efeito concluíram que embora a CGE observe as normas legais. As análises identificaram a omissão de passivos. Por sua vez. direitos e obrigações. d) modificar a atual estrutura de Contabilidade e Controle Interno. identificando que as mesmas não eram suficientes e adequadas. De fato. bem como o reconhecimento contábil de passivos gerados em determinado exercício. diversas falhas identificadas no estudo foram apontadas pela AGE e pelo TCE-RJ. o exame das ressalvas exaradas pelo Controle Interno e pelo Controle Externo demostrou a importância destes sistemas para o adequado cumprimento da legislação e a correta retratação dos Balanços Patrimoniais do Estado. o estudo considera que algumas decisões. o trabalho avaliou a quantidade e a qualidade das informações contidas nos Balanços Patrimoniais fluminenses. Cumpre destacar. considerando que diversas operações que afetam ou podem afetar o patrimônio do Estado em muitas ocasiões não são informadas à CGE. contenha dispositivos que ampliem a evidenciação e atendam aos diversos usuários da Contabilidade Governamental. Estes foram os principais fatores para que o Ativo Real Líquido de R$ 5. que os sistemas de informação do Estado devem ser aperfeiçoados. poderão melhorar qualitativa e quantitativamente o Balanço Patrimonial do Estado do Rio de Janeiro. com fulcro nos exames levados a efeito. iniciado o estudo de caso. super ou subavaliação de bens. prejudicando o desempenho de suas funções de registro de ativos e passivos. registrado em 31/12/96. criando uma Controladoria do Estado do Rio de Janeiro subordinada diretamente ao Governador. visando melhor informar à CGE sobre quaisquer operações que possam resultar em modificações patrimoniais do Estado. a saber: a) observar os Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos (PCGAs) na elaboração dos Balanços Patrimoniais. direitos e obrigações do Estado do Rio de Janeiro.Mop/Rev61 Constituição Federal.

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mormente no atendimento hospitalar. assim construída: um Município recebe do Estado um prédio preparado e equipado. sob a forma não exclusiva. mormente em áreas municipais. 102 . naquele hospital. no Brasil. vêm ganhando contorno de modernidade as chamadas organizações sociais – OSs e as organizações da sociedade civil de interesse público – OSCIPs. é necessário dotá-lo de toda uma equipe de profissionais. como serviço público. têm tido a sua execução cada vez mais transferida ao setor privado. vamos partir de uma hipótese fática. Nesse sentido. cada vez mais requisitados pela população e que vêm demonstrando a deficiência estatal em sua consecução. ou seja. tem na introdução e alteração de normas no âmbito da Constituição da República e das leis uma de suas etapas necessárias.PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO ATRAVÉS DE ORGANIZAÇÕES SOCIAIS E ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO NEILTON FERREIRA MACHARETE Técnico de Controle Externo A reforma administrativa do aparelho do Estado. ou desativadas ou subutilizadas por falta de equipamentos e até mesmo de pessoal necessário para o seu funcionamento. e que a partir de então passariam a realizá-los de forma universal. Para o desenvolvimento das ações de saúde. que tenham sua atuação voltada para a prestação de serviços de saúde. a par de diversas figuras já utilizadas para a “privatização em sentido amplo” dos serviços públicos não exclusivos. partimos da possibilidade desses hospitais (imóveis e equipamentos) serem encampados ou transferidos para setores privados. Dentre esses serviços públicos não exclusivos. Para esta “parceria”. surgindo daí a indagação para qual se busca uma solução nos diversos institutos jurídicoadministrativos colocados à disposição do intérprete. para nele instalar um hospital. o que reclama constantemente a parceria com o setor privado. Para uma delimitação desse estudo. vemos com destaque neste estudo os de prestação de saúde. Assim. Não é raro observar-se unidades hospitalares. os serviços prestados pelo Estado.

597. 2 . art. por exemplo (isto é. que tal deve ser tido como sendo um “serviço público”. 103 .” 1 Um ponto importante nesta definição é o termo “regime de Direito Público” ou “regime administrativo”. inclusive buscando a correta conceituação do serviço a ser prestado. Segundo o mesmo autor acima citado. há que ser realizado concurso público para provimento dos cargos. fluviais e lacustres). alínea “f” (portos marítimos. a continuidade. dotá-lo do pessoal técnico e administrativo capaz de prestar os serviços públicos de saúde? Numa primeira análise. que segundo Celso Antônio Bandeira de Mello é “toda a atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade material fruível diretamente pelos administrados. 13a ed. aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária). não servem para nada. utilizandose do imóvel cedido pelo Estado (a que título for). que devem ser criados por lei específica. portanto. Curso de direito administrativo. E ainda: “É por isso que noções como ‘serviço público econômico’. Obra citada. “de nada adiantaria qualificar como serviço público determinadas atividades se algumas fossem regidas por princípios de Direito Público e outras prestadas em regime de economia privada”. consagrador de prerrogativas de supremacia e de restrições especiais –. p.Quais são os instrumentos postos à disposição do Município para. a resposta que inevitavelmente aflora é de que. prestado pelo Estado ou por quem lhe faça às vezes. X (serviço postal e correio aéreo nacional). alínea “e” (transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros).” 2 Alguns serviços são públicos por determinação constitucional (para a União): art. a presunção de legitimidade dos atos praticados. São Paulo: Malheiros Editores. alínea “c” (navegação aérea. são necessárias algumas digressões. inc.MELLO. 21. 194 (seguridade social) e arts. sob um regime de Direito Público – portanto. a auto-executoriedade. a possibilidade de constituir obrigações por ato unilateral. Entretanto. e de caráter permanente. instituído pelo Estado em favor dos interesses que houver definido como próprios no sistema normativo.MELLO. XII. alínea “b” (energia elétrica). 601. a questão não deve ser respondida de forma açodada. alínea “a” (radiodifusão sonora e de sons e imagens). 205 e 208 (educação). p. Celso Antônio Bandeira de. alínea “d” (transporte ferroviário e aquaviário). inc. a revogabilidade e a unilateral declaração de nulidade. inc. 2001. Celso Antônio Bandeira de. 1 . mas ao contrário. serviço público estatal prestado sob regime fundamentalmente de Direito Privado). por ser a atividade de prestação de saúde (hospitalar) pelo Município típica de Estado. XI (telecomunicações). Tem-se. que se dá com a submissão ao princípio da legalidade.

4 . Obra citada. que não serão. Nesse ponto surge a diferenciação que os autores não se cansam de ensinar: o Estado é o primeiro setor. 2º. Mesmo não havendo total liberdade. A Lei 8. à sociedade. inc. o legislador ordinário pode qualificar certas atividades como “serviços públicos”. em geral e basicamente mediante tarifas cobradas diretamente dos usuários do serviço”. 622.incumbe ao Poder Público. então. há serviços públicos que podem ser prestados por particulares sem a necessidade de concessão do Estado. habitação e saneamento básico). e serviços públicos quando exercidos pelo Poder Público (em regime de Direito Público). inc. que podem ser considerados como atividades econômicas em sentido estrito quando executadas por particulares. 3 Certos serviços públicos podem ter sua gestão repassadas para particulares. IX (construção de moradias. diretamente. São os serviços públicos não privativos (não exclusivos). cabendo ao mercado o segundo setor e. inc. ou sob regime de concessão ou permissão.987/95. que tem caráter mais precário que a concessão e é utilizada normalmente em casos onde o permissionário não tem que se comprometer com investimentos de grande monta e nem alocar muito capital. 134). o terceiro. Celso Antônio Bandeira de. São Paulo: Malheiros editores.MELLO. p. art. como a educação e a saúde. p. 2000. dispõe sobre a possibilidade da permissão ser “revogada” pelo poder concedente a qualquer momento. atividades econômicas em sentido estrito. Os serviços públicos privativos (exclusivos do Estado) são prestados diretamente ou mediante concessão de serviços públicos. 5a ed. V (cultura e educação). remunerando-se pela própria exploração do serviço. 175 . por sua conta e risco. nas condições fixadas e alteráveis unilateralmente pelo Poder Público. IV. do Distrito Federal e dos Municípios: art.Muitos são de alçada dos Estados. Como regra.Eros Roberto Grau entende que o termo atividade econômica em sentido amplo é subdividido em serviços públicos e atividade econômica em sentido estrito (A ordem econômica na Constituição de 1988. 104 . por fim. por meio da concessão de serviços públicos. II (saúde). na forma da lei. 3 . 23. sempre através de licitação. mas sob garantia contratual de um equilíbrio econômico-financeiro. inc. Todavia. que “é o instituto através do qual o Estado atribui o exercício de um serviço público a alguém que aceita prestá-lo em nome próprio. pode existir ainda a permissão de serviços públicos. a prestação de serviços públicos. chamados também de serviços públicos sociais. 4 O caput do art. 175 da Constituição dispõe que: Art.

g. sem embargo de uma continuidade firme nos propósitos básicos. servirá de fundamento para as definições e afirmações adiante expostas. criadas por iniciativa de particulares segundo modelo previsto em lei. convertido em medida provisória e depois em lei (Lei 9. entende-se o terceiro setor como o conjunto das entidades da sociedade civil.637. voltadas para atividades de relevante valor social. Como exemplo de entidades não estatais. Pará. a cargo de uma esfera federada. sob critérios específicos. cujos objetivos refletem-se na execução de atividades meritórias e de alcance coletivo. por entidades não estatais. de conteúdo e forma. sofreu reformulações. Lei 5.027/97. cabe ao Poder Público velar pela primazia. devidamente organizada. ao longo do tempo. não contempla conceituação sintética de organização social. Essas entidades são percebidas como uma forma de parceria do Estado com as instituições privadas de fins sociais ou. dentre as existentes.637. O projeto elaborado pelo Poder Executivo Federal. muitas vezes inseridas no âmbito das políticas públicas. O modelo brasileiro das organizações sociais representa uma das respostas possíveis à crise do aparelho do Estado no âmbito da prestação dos serviços sociais.. vamos tratar das chamadas organizações sociais e das organizações da sociedade civil de interesse público – OSCIP. de 15 de maio de 1998. que lhe alteraram profundamente a compostura. sob outro ângulo. reconhecidas. também. sempre do interesse geral. Uma definição operacional das organizações sociais pode ser formulada nos termos seguintes: as organizações sociais são pessoas jurídicas de Direito Privado. O texto final da Lei 9. de 15 de maio de 1998). sem fins lucrativos.980/96.637. Ser 105 . Organizações Sociais – Lei 9. fiscalizadas e fomentadas pelo Estado.Assim. Lei 7. adotado em diversos Estados da Federação e transformado em lei estadual com algumas alterações (v. É importante saber que o projeto federal. de 15 de maio de 1998 Trata-se de um mecanismo novo no Brasil. Não são um novo tipo de pessoa jurídica privada nem entidades criadas por lei e encartadas na estrutura da administração pública. Não existe uma definição legal das organizações sociais no plano federal no Brasil. São pessoas jurídicas estruturadas sob a forma de fundação privada ou associação sem fins lucrativos. mas este pode ser titularizado. Bahia. Aqui cabe um alerta: o interesse público não é monopólio do Estado. para o desenvolvimento de ações de interesse público. uma forma de participação popular na gestão administrativa. revogada). que independem de concessão ou permissão do Poder Público. Por natural. uma vez que nos parecem as que mais se aproximam da solução que buscamos.

e) a submissão a uma vigilância especial e a limitações de ordem administrativa que vão além do simples poder de polícia exercido sobre as demais pessoas privadas. não sendo permitido seja o patrimônio repartido entre os membros da instituição. b) a existência de limites gerais à livre constituição e funcionamento dos órgãos de direção ou gerência como requisito para o exercício de ato posterior de reconhecimento ou qualificação. apresentam também características especiais que as distinguem de modo parcial das tradicionais entidades privadas declaradas de utilidade pública. segundo um procedimento especial regulado em lei. De fato. Em resumo. i) a submissão ao regime jurídico das pessoas de Direito Privado. As organizações sociais. g) a necessidade de reconhecimento formal por parte do Estado. não significa apresentar uma estrutura jurídica inovadora. subsídios. isenções e contribuições do Estado. os traços diferenciais básicos são os seguintes: 106 .organização social. com derrogações de Direito Público. por isso. d) o recebimento de favores especiais. em caso de extinção da entidade. conferido pelo Poder Público em vista do atendimento de requisitos gerais de constituição e funcionamento previstos expressamente em lei. f) sujeição ao controle do Tribunal de Contas e à supervisão do Ministério Público. no entanto. as organizações sociais são juridicamente entidades bastante semelhantes às tradicionais entidades privadas declaradas de utilidade pública. São traços comuns às duas entidades: a) a iniciativa privada voluntária na sua criação e na sua constituição. Esses requisitos são de adesão voluntária por parte das entidades privadas e estão dirigidos a assegurar a persecução efetiva e as garantias necessárias a uma relação de confiança e parceria entre o ente privado e o Poder Público. mas possuir um título jurídico especial. mas com elas não se identificam de modo completo. c) a afetação a uma finalidade de interesse público ou socialmente relevante. h) a destinação legal do patrimônio social a outra entidade de mesma natureza.

nem titularizarão qualquer espécie de prerrogativa de Direito Público. As organizações sociais. e) o estatuto ainda deve prever que a entidade estará sujeita a controle externo de resultados. Não serão instituídas por lei nem custeadas na sua integridade. não serão autarquias veladas. como requisito de qualificação. também quando autorizados por lei. bem como os seus símbolos designativos. respondendo apenas pela execução e regular aplicação dos recursos e bens públicos vinculados ao acordo ou contrato de gestão que firmarem com o Poder Público. Serão entidades privadas reconhecidas pelo Estado. bem como regras para a definição impessoal das regras a serem adotadas para a remuneração do pessoal da entidade e para o sistema de compras. inclusive prevendo a participação necessária de representantes do Estado. pelo Poder Público. Não serão criaturas do Estado. nem sucessoras necessárias de entidades públicas extintas. sujeição da entidade à publicação anual no Diário Oficial da União do relatório de execução do acordo ou contrato de gestão (relatório gerencial das atividades desenvolvidas. periódico e “a posteriori”. à semelhança das atuais entidades de utilidade pública. 107 . realizado por comissão de avaliação composta por especialistas de notória qualificação. desde que a extinção tenha sido realizada por lei específica. devendo sua constituição jurídica à iniciativa voluntária de indivíduos. apoiadas pelo Poder Público. d) o estatuto deve prever. Podem ser reconhecidas ou qualificadas como tais independentemente da extinção de qualquer ente público existente. f) as entidades poderão utilizar bens materiais e recursos humanos de entidades extintas do Estado. especialmente destinado à verificação do cumprimento do contrato ou acordo de gestão firmado com o Poder Público. regras rígidas de reforma das finalidades sociais. e não apenas do relatório formal da contabilidade da entidade). Não gozarão de prerrogativas processuais especiais ou prerrogativas de autoridade. também como um requisito da qualificação. de modo necessário. g) as entidades poderão também absorver atividades e contratos de entidade extintas.a) os seus estatutos devem prever e adotar determinado modelo de composição para os seus órgãos de deliberação superior. como requisito para permitir o ato posterior de qualificação pelo Poder Público. b) o trespasse de bens e recursos públicos nelas está condicionado à assinatura de contratos de gestão com os órgãos competentes da administração pública federal. no modelo proposto. desde que estes sejam seguidos obrigatoriamente do símbolo OS. Não estarão sujeitas à supervisão ou tutela da administração pública direta ou indireta. c) o estatuto deve prever.

cuja realização obrigatoriamente não pode objetivar o lucro ou qualquer outro proveito de natureza empresarial.As organizações sociais tampouco serão forma de privatização de entes públicos. uma transação de natureza econômica e uma retração do Poder Público em termos de inversão de recursos e em termos quantitativos de pessoal. sempre sob a fiscalização e supervisão imediata do Estado. inclusive públicos não estatais. Poderão ainda ser operados em regime de co-gestão. Estes podem ser geridos ou executados por outros sujeitos. mediante a formação de consórcios intergovernamentais ou entre o Poder Público e pessoas jurídicas privadas. patrimonial ou de pessoal quando vier a qualificar ou permitir o uso de bens públicos por organização sociais. Primeiro. porque o Estado não apresentará qualquer retração financeira. “O Estado deve ser regulador e promotor dos serviços sociais básicos e econômicos estratégicos. porque quando as entidades qualificadas recebem prédios ou bens públicos como forma de apoio ou fomento por parte do Estado não há transferência de domínio. fundações e organizações não governamentais sem fins lucrativos. Segundo. porque os contratos ou acordos de gestão que o Estado firmar com as entidades qualificadas não terão nem poderão ter finalidade ou natureza econômica. No modelo das organizações sociais esses pressupostos não comparecem. mas não necessariamente realizados pelo aparato do Estado. Não prover diretamente não quer dizer tornar-se irresponsável perante essas necessidades sociais básicas. demandará do Poder Público apoios e subvenções. continuando os bens a integrar o patrimônio da União. O Estado deve permanecer prestando-os diretamente quando não encontre na comunidade interessados que os efetivem de modo mais eficiente ou econômico ou quando razões ponderáveis de justiça social ou segurança pública determinem sua intervenção. mas simples permissão de uso. A instituição qualificada. Privatização pressupõe uma transferência de domínio. dos serviços públicos e dos serviços de assistência social de interesse coletivo. mas não deter o domínio de todos os hospitais necessários. Neste contexto. Precisa garantir a prestação de serviços de saúde de forma universal. Nesta nova ordem de idéias. executiva. convergindo para uma finalidade de natureza social e de interesse público. isto é. tem-se que o Estado não deve nem tem condições de monopolizar a prestação direta. tendo em vista o objetivo comum de persecução do interesse público. porque o ato de qualificação de uma entidade como organização social independe de qualquer extinção prévia ou posterior de ente público. como associações ou consórcios de usuários. mas não estatizar todo o ensino. A relação entre as organizações sociais e o Poder Público deve ter fundamento numa ética da solidariedade e numa ética do serviço. crescem 108 . públicos ou privados. o trespasse de um ente do domínio estatal para o domínio particular empresarial. Quarto. Terceiro. pelo contrário. Não se trata de reduzir o Estado a mero ente regulador. precisa assegurar o oferecimento de ensino de qualidade aos cidadãos. Os serviços sociais devem ser fortemente financiados pelo Estado. assegurados de forma imparcial pelo Estado.

pelo qual pode receber recursos públicos para o desenvolvimento de suas atividades de interesse público. enquadrando-o com precisão no âmbito do mencionado art. isto é. sem qualquer interferência estatal em sua gestão. uma vez atendidos os requisitos formais. arrola as áreas de atuação das entidades que podem receber a qualificação de OSCIP. o primeiro passo no procedimento de instituição de uma entidade que se pretende qualificar como OSCIP será o de bem delinear o seu objeto de atuação. Para tanto. de 30 de junho de 1999). CUNIL GRAU. em virtude de seu objeto institucional. de 23 março de 1999 No bojo do movimento de prestígio do terceiro setor.790. 1996: 126-137)” (grifei) Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIPs – Lei 9. sem obrigatoriedade de concurso público para o seu ingresso. 2º. O ato de qualificação tem natureza vinculada. que a torna apta a celebrar o termo de parceria. em 23 de março de 1999. a autoridade não pode deixar de conceder o título e respectiva qualificação. 3º. sociedade civil ou fundação. ou seja. a entidade recém-criada pode requerer a titulação. remunerados. atendidos esses requisitos e cautelas. A OSCIP conceitua-se como uma entidade de Direito Privado sem fins lucrativos. implementando a institucionalização de uma nova categoria de entidade. A seguir. sem desnaturar o seu caráter de gestão privada. entre elas as entidades criadas pelo Poder Público. conforme o seu art. em seu artigo 3º. organizada sob a forma de associação. deve-se cuidar de verificar se não se trata de uma entidade que possa estar incluída na lista do art. a Lei 9. 4º. e os seus dirigentes podem ser. o Governo Federal editou. O regime jurídico de funcionamento da OSCIP é o de Direito Privado. não se vinculará 109 . o art. que. 2º da lei veda a concessão do título a um elenco de categorias institucionais.100. deve-se requerer ao Ministério da Justiça a qualificação como OSCIP. coloquialmente. 1996: 285-87.790/99. deve-se cuidar para que o ato estatutário da entidade atenda aos requisitos impostos pela Lei 9. Uma vez criada a instituição. que recebeu. Assim. cujo regramento jurídico encontra-se traçado na referida norma e em seu decreto regulamentador (Decreto 3. 1997: 25-31.790. (BRESSER PEREIRA. a organização da sociedade civil de interesse público – OSCIP. a denominação de “Lei do Terceiro Setor”. Desse modo o seu pessoal será o da CLT.de importância os denominados entes 'públicos não-estatais' . Ademais. A lei citada. recebeu do Poder Público uma qualificação especial. Acrescente-se que não há exigência de interstício para a qualificação. ou não.

e Distrito Federal. por natural. mais importante. de forma a se ter o velamento constante da sociedade. compromete-se ao desempenho de certas tarefas. no desenvolvimento cooperado de objetivos comuns. a sua contabilidade é a geral privada. Não se trata de um contrato. estão aptos. como aliás. em síntese. bem como cessão de recursos materiais e humanos. reitera-se que para a celebração do termo de parceria não se impõe o prévio procedimento licitatório. para a verificação do alcance das metas acordadas e do nível de desempenho da OSCIP. no modelo atual.790/99 tem caráter nacional. desde logo. Estados federados e Municípios. o decreto regulamentador da Lei n. Mediante o termo de parceria.790/99. o título de OSCIP tem validade perante toda a estrutura federal nacional. pois não há aquisição de um bem ou serviço. Nos termos da Lei 9. Mas. vale dizer.º 9. 110 . pois não se trata de um contrato. pois a Lei n. há muita semelhança entre o termo de parceria e o contrato de gestão. o termo de parceria é um ajuste bilateral entre o Poder Público e a entidade privada para a consecução de finalidades comuns. o que pode ocorrer ou não. Para a celebração do termo de parceria não há necessidade de licitação.790/99 alude a um concurso de projetos. Ressalva-se. seus contratos são de Direito Privado. Portanto. este concebido para órgãos ou entidades do Poder Público. nos termos da Constituição da República. representa uma evolução do antigo convênio. assim qualificadas. ao arbítrio da autoridade. Estado e OSCIP. que serão acompanhadas e avaliadas.º 9. 9º e seguintes do diploma legal aludido e. Assim já ocorre. Esse instrumento encontra-se municiado nos arts. A idéia nuclear é a de cooperação. em suma. no nível federal. Em contrapartida. À semelhança deste. Nesse passo. mas sim a conjugação de esforços para a realização de um objetivo altruístico comum. têm no interesse público o móvel de suas atividades. pelo que não há necessidade de lei estadual ou municipal para se autorizar a celebração do termo de parceria. com os convênios. pelo respectivo Conselho de Política Pública. o relacionamento entre o Poder Público e a OSCIP foi concebido para se operar mediante o denominado termo de parceria. Contudo. a celebrarem termos de parceria com as OSCIPs.ao procedimento licitatório para as suas contratações e compras. Ainda que qualificada na órbita do Ministério da Justiça. é obrigação de todos que porventura tenham gestão de recursos desta natureza. O que se exige é o acompanhamento da execução do termo de parceria pelo órgão público e. que a OSCIP deverá prestar contas dos recursos públicos recebidos. a OSCIP pode receber recursos financeiros do orçamento da pessoa política. tendo em vista que ambos os parceiros. nada se lhe aplica do regime juridico-administrativo próprio das entidades que integram a administração pública. que sempre integra esses órgãos colegiados.

têm objetivos que se não são idênticos. afinal. Não é à toa que esses dois modelos são confundidos: são carros da mesma marca. são entidades privadas.MARTINS. não se confundem. b) As OSCIPs são a publicização do privado. vemos que são sociedades civis ou fundações. Paulo Hans. Ao lermos as duas leis. basta falar do simples fato de que se manifesta. Contudo. É como se estivéssemos olhando uma estrada de mão dupla: a estrada é a mesma. por estranho que pareça. Rede de Informações para o Terceiro Setor.790/99.org. Mas. atuam no mesmo campo.Diferença entre Organizações Sociais e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público 5 Recentemente.637/98 e 9.br 111 . indicam a mesma idéia. e. em que são diferentes essas entidades? a) Um fenômeno do mundo do Direito: Direito Público e Privado se atraem. Não precisamos gastar muito latim ou tempo explicando o quê e o porquê do fenômeno. não têm a mesma feição em origem e espírito. Isso não se deve a nenhum programa governamental de privatizações. previstas. sem fins lucrativos. pelas Leis 9. Levam conceitos de Direito Público ao campo tradicional do Direito Privado: as relações e pessoas privadas. de alguma forma. são profundamente similares. Pois bem. criadas por iniciativa do Poder Público. A Lei 9. as OSs o contrário As OSCIPs “materializam” as teses de publicização do Direito Privado. por outro lado.rits. duas leis criaram figuras jurídicas inéditas. respectivamente. nem como se manifesta. As OSs. exemplificando o fenômeno de privatização do Direito Público. mas os carros vêm e vão para lados opostos. Para solucionarmos o problema temos de citar um fenômeno que atinge o mundo do Direito já há algum tempo: a aproximação dos campos do Direito Público e do Direito Privado. Os nomes das duas são parecidos. www. podem se beneficiar da transferência de recursos públicos. Trata-se das organizações sociais – OSs e das organizações da sociedade civil de interesse público – OSCIPs. é algo muito anterior. aproxima-se no campo do Direito o público do privado. é comum se ouvir falar da publicização do Direito Privado e da privatização do Direito Público — fenômeno mundial —. Aparentemente. têm as mesmas limitações genéricas. embora formalmente as organizações sociais e as organizações da sociedade civil tenham a mesma natureza. Entre os juristas. Atualmente.790 é clara ao dizer que as organizações sociais não podem se qualificar como organizações da sociedade civil de interesse público. observando-se a mistura de conceitos e princípios antes considerados incompatíveis. ano 5 .

As OSCIPs têm que respeitar regras duras de caráter ético e comportamental.. A OS tem a gestão de certo patrimônio público. O motivo é simples: na prática. é de se notar que as OSs têm objetivos bem mais limitados que as OSCIPs. 9º – Fica instituído o Termo de Parceria. não é para ser vendido. é passível de ser firmado.790/99: Art.790/99. o contrato de gestão. como diz a lei. a lei tenta regulamentar e dar nova forma às relações entre Poder Público e as organizações do terceiro setor. nas OSCIPs como se comportar Em relação à estrutura. mas essas regras são genéricas. não. a gestão do patrimônio público. mantido. c) Termo de parceria e contrato de gestão Para as OSCIPs. O termo de parceria expressa outro ponto de vista. criadas espontaneamente na sociedade. Quem ler a Lei 9. 112 . nasce para e por ele. O conceito de gestão é diferente daquele que deu origem ao termo de parceria.e cor que estão nesse momento no mesmo local da estrada. mas. Veja o que diz a Lei 9. substituindo os tradicionais convênios por um novo instrumento mais transparente e menos burocratizado. mas avançam em direções opostas. a entidade já nasce com o contrato de gestão. sim.. que é cedido a ela pelo Estado.637/98 com atenção verá que não há nela qualquer termo que se assemelhe ao “passível” da Lei 9. a lei estipulou outra coisa. mas o bem não é transferido para ele. outra vez somos tomados por surpresas. mas. d) Objetivos sociais de ambas Quanto aos objetivos sociais que possibilitam às entidades sem fins lucrativos se qualificarem como OSs ou OSCIPs. e) Diferenças estruturais: para as OSs a lei diz o que se deve fazer.) O termo de parceria. As normas que regulam a estrutura organizacional das entidades são poucas. atuando em menos áreas e tratando de menos temas. assim considerado o instrumento passível de ser firmado entre o Poder Público e as entidades qualificadas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (. a lei instituiu o chamado termo de parceria. Na verdade. Ele terá a gestão da casa. Para as OSs. É mais ou menos como se fossemos viajar por algum tempo e deixássemos nossa casa para ser cuidada por um irmão. Ele indica que recursos públicos podem ser destinados a uma entidade. entidades privadas previamente existentes.

os não sócios. entidades privadas sem fins lucrativos. não seria possível na prática (ou no Direito) contar com a presença do próprio Poder Público no conselho de administração. iniciativas privadas que se aproximam do Poder Público e suas regras. representantes do Poder Público. Calcule que isso possa ser feito. à sua feição.Já na lei das OSs é marcante a presença de estipulações sobre o funcionamento. teoricamente. é formado obrigatoriamente por membros do Poder Público e representantes da sociedade civil. f) A presença do Poder Público: os sócios são minoria nas decisões das OSs A composição do corpo decisório da OSCIP é aquele definido nos seus estatutos. se não estiver em jogo um interesse do Poder Público. São entidades privadas que atuam em áreas típicas do setor público. É curiosa também a composição percentual dos membros desse “conselho de administração”. o “conselho de administração”. por incrível que pareça. o corpo decisório. em grande parte. sendo formado normalmente pelos associados. órgãos da entidade e deliberações obrigatórias. e o interesse social que despertam merece ser. onde somente 10% a 20% são eleitos. eventualmente. as OSCIPs seriam. Por fim. criadas pelo Poder Público. financiado para que suportem iniciativas sem retorno econômico. de que ela seja nova. mandam. É por isso que. minoritários no conselho de administração. antes do contrato de gestão? As decisões dos sócios. Mas. elas dependem de iniciativa do Poder Público. Como uma OS poderia funcionar. por exemplo. Já as OSs seriam. com alguma universidade federal. o patrimônio dela sendo gerido por uma entidade privada sem fins lucrativos. para gerir patrimônio que continuará público. as OSs podem ser entidades já existentes. a princípio. De 20% a 40%. O Poder Público somente está presente quando a lei manda ou quando o Poder Público decide estar presente. Em resumo: os sócios são minoria ao decidir. Assim. No caso das OSs. g) Conclusão Claro que na lei das OSs não há referência à obrigaritoriedade de que a entidade deva ser criada. seriam de validade no mínimo duvidosa. Dessa forma o Estado 113 . se não comparecessem o Poder Público e os “representantes” da sociedade civil. convenhamos. Já a categoria de OSCIPs foi criada com a pretensão de tornar-se expressiva. a princípio. e existem muito poucas ainda hoje em dia. devem ser representantes do Poder Público. mesmo a simples composição do conselho de administração já seria de grande dificuldade de se tornar factível. o conceito de OS foi criado como exceção. na prática. Resumindo. Se assim não fosse. de fomentar a formação de um grupo numeroso de entidades a portar essa qualificação.

Pela leitura detida da legislação que cria as chamadas OSCIPs. seja qual for a esfera administrativa em que se enquadre. passando a subsidiálos e buscando. o controle social direto e a participação da sociedade. para outra é o esquerdo. O controle da aplicação dos recursos públicos que estão sendo transferidos a essas instituições se faz por meio da verificação dos resultados alcançados em relação às metas estabelecidas no contrato de gestão. Uma é o espelho da outra: o que para uma é o braço direito.está sem dúvida alguma tentando ganhar maior agilidade ao fugir de sua própria burocracia. as chamadas “organizações sociais” gozam de uma autonomia administrativa maior do que aquela possível dentro do aparelho do Estado.. ao mesmo tempo. E no caso que nos interessa (saúde). é prevista a “promoção gratuita da saúde.. Por tudo já exposto até então. Seja qual for a forma escolhida. Esse processo configura um marco na transição de atividades estatais para o terceiro setor. uma interpretação que se pode tirar é que tais se prestam ao cumprimento de uma atividade complementar. A implementação de organizações sociais permite incentivar a produção pela sociedade de bens ou serviços públicos não-exclusivos de Estado. observando-se a forma complementar. bem como da responsabilidade pelo seu funcionamento e gerenciamento. pois o Estado abandona o papel de executor ou prestador direto de serviços. devendo ser qualificadas como tal mediante decreto para se habilitarem a receber recursos financeiros e a administrar bens e equipamentos do Estado.” Por outro lado. através de programas. por outro lado. independentemente da titularidade do hospital (imóvel). mantendo-se entretanto no papel de regulador e provedor ou promotor destes. se estadual ou se municipal. inicialmente. planos de ação. por meio do qual são acordadas metas de desempenho que buscam assegurar a qualidade e a efetividade dos serviços prestados ao público. Em contrapartida. que conforme acima já dito é de fácil solução política. sem correr o risco de perder o poder sobre seu patrimônio. sendo chamadas a atuar na melhoria da eficiência e eficácia dos serviços oferecidos ao cidadão. criar-se uma “associação” com fins específicos e estatutos adaptados ao que se pretende. elas se obrigam a celebrar um contrato de gestão. torna-se mais fácil e direto por meio da participação nos conselhos de administração dos diversos segmentos representativos da sociedade civil. O controle social. 114 . podemos concluir que o modelo de gestão pode ser realizado através de uma organização social ou de uma OSCIP especialmente criada para tal finalidade. há que. Constituem uma inovação institucional. podemos ainda concluir que.

Nada impede ainda que a “associação” criada preveja em seus atos constitutivos que os recursos financeiros necessários à sua manutenção serão obtidos não só de “contrato de gestão” (se for o caso). que não pode se restringir apenas aos aspectos técnicos. desenvolvimento e/ou execução de projetos de interesse na área de atuação da associação. com vistas à prestação de serviços de saúde. mas também de convênios ou contratos com instituições governamentais e/ou privadas. com foco especial nas ações de prestação de saúde. A opção por qual entidade deverá ser utilizada para os objetivos que se pretende deve ser objeto de um maior estudo. para custeio. mas também e fundamentalmente aos posicionamentos políticos. Por fim. bem como do Serviço Social Autônomo Associação das Pioneiras Sociais (Rede Sarah). deixamos claro que tal estudo teve como objetivo traçar uma visão do chamado terceiro setor. administram estabelecimentos hospitalares. uma vez que sua atuação haverá de ser intermunicipal. sem fins lucrativos. cujos modelos devem merecer atenção especial. as quais. através de contratos de gestão. 115 . Como exemplo podemos citar a qualificação da Associação Santa Maria de Saúde como organização social. nos termos autorizados por lei do Município de Jaguariúna-SP. firmados com o Poder Público.

Rede de Informações para o Terceiro Setor.MARTINS. de 22 de outubro de 1991 – autoriza o Poder Executivo a instituir o Serviço Social Autônomo “Associação das Pioneiras Sociais” (Rede Sarah) 9 . 5a ed. 13a ed.246.Lei 9. de 15 de maio de 1998 – Dispõe sobre a qualificação de entidades como Organizações Sociais. A ordem econômica na Constituição de 1988. de 19 de julho de 1996 – dispõe sobre as entidades qualificadas como Organizações Sociais (Estado do Pará) 4 . www. de 16 de janeiro de 2001 – Dispõe sobre a qualificação de entidades como organizações sociais e demais providências do Município de Jaguariúna-SP 6 .GRAU.306. como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP 3 .Estatuto Social da Associação Santa Maria de Saúde 8 . Paulo Hans.br 13 . sem fins lucrativos.Lei 5.Ata de Constituição da Associação Santa Maria de Saúde 7 .Ministério da Ciência e Tecnologia.mct.Lei 8.gov. 2 . São Paulo: Malheiros Editores 12 . São Paulo: Malheiros Editores.790.027. Celso Antônio Bandeira de. www.org. de 29 de janeiro de 1997 – Institui o Programa Estadual de Incentivo às Organizações Sociais e dá outras providências (Estado da Bahia). Curso de direito administrativo.Contrato de Gestão celebrado entre a União e a Associação das Pioneiras Sociais (Rede Sarah) 10 . Organizações Sociais e Contratos de Gestão.980. revogada pela Lei 8.Lei 1.Lei 9. Eros Roberto. 2001 11 .647/03 5 .Lei 7.br 116 .637. de 23 de março de 1999 – Dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direito privado.rits.BIBLIOGRAFIA 1 .MELLO.

3. com retirada da autonomia financeira.Introdução.Considerações iniciais.Prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. 3. 5. 4 .3. 3. 4.Evolução do ICMS. 3.4 .1 .1 . 5.Princípio da vedação ao confisco.Princípios constitucionais. 5.As questões controvertidas da substituição tributária.1 . 5.1 .3 .4 .Modalidades de substituição.Evolução do regime de substituição tributária.Base do cálculo para fins de substituição.3.4 .Reflexões sobre a possibilidade de violação do pacto federativo. 4.2 . 3.3 . 4.3 .A controvertida constitucionalidade da substituição "para frente". 5.Alcance do instituto. 3 .A TRIBUTAÇÃO PELO ICMS E O REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA SABRINA NUNES IOCKEN SUMÁRIO: Resumo.2 . 4.4. 3.1 .INTRODUÇÃO O presente estudo se propõe a desenvolver uma análise reflexiva em torno da tributação do ICMS e das conseqüências da aplicabilidade do regime da substituição tributária.Efeitos econômicos da tributação pelo ICMS. 5.Circulação de mercadorias.6 .Bibliografia I .Legitimidade para promover a restituição.3 Elemento pessoal. 3. 3.Não incidências contitucionais do ICMS. 5.2.Instituto da substituição tributária.3. 1 .Alíquota aplicável na tributação pelo ICMS.4.3. 2 .5 .O Estado Federal.4.Autonomia: necessidade do exercício da competência tributária.3.3. 7 .2 .7 . 3.Prestação de serviços de comunicação.3 . 3.Princípio da igualdade. 3.Não-cumulatividade.Capacidade contributiva.Posicionamento jurisprudencial. que pode ocorrer com ou sem *Professora Substituta da Faculdade de Direito da Universidade Federal fluminense 117 .Princípio da seletividade. 5. 3.Previsão no ordenamento jurídico. 3.2 . 3.2.2. 4. 4.3.Conclusão. 5 .2 . sendo seu objetivo precípuo a demonstração de como se adotar esse mecanismo verificando a sua compatibilidade constitucional refletida nos seus múltiplos aspectos legais doutrinários e jurisprudenciais.Interpretação evolutiva. 6 .4 .4 Entrada de bem ou mercadoria do exterior por pessoa física ou jurídica. 4.Convênio entre os Estados como requisito específico.Fator gerador.2 .2 .Perfil constitucional do ICMS no sistema tributário nacional. ainda que não seja contribuinte habitual do imposto.1 .1 .3 . Objetiva-se inserir no sistema de antecipação.1 .2.

II . É óbvio que não nos propusemos. Apresentamos.substituição. citando conceitos básicos. De acordo com esta linha de pensamento. além das hipóteses de incidência dos efeitos econômicos que dele decorrem. passou a ser visto como uma relação de direito. que outrora decorria de uma relação de força. a cláusula constitucional de repetição do excesso à luz dos princípios da capacidade contributiva. mostrando o mecanismo de seu funcionamento e a legislação pertinente e suas modificações. fazendo referência ao sujeito passivo e demais categorias imprescindíveis à melhor compreensão do tema desenvolvido. com as garantias do contribuinte estabelecidas constitucionalmente. Este é o modelo clássico. A noção de obrigação tributária passou a assumir grande relevância. ou seja. a tributação pelo ICMS. A escolha do tema fez-se pela sua importância no âmbito jurídico nacional. Assim. verificando. principal fonte de receita do Estado e através do qual este assegura a sua autonomia financeira. estamos conscientes de termos prestado uma colaboração para o seu entendimento. esgotar a complexidade do importante assunto tratado.CONSIDERAÇÕES INICIAIS Ao final do século XIX. em especial. nesta análise. oferecendo novas linhas para futuras discussões doutrinárias. Enfocamos elementos técnicos que servem para a compreensão da substituição tributária. da isonomia e da vedação do excesso. sua evolução no ordenamento jurídico. o modelo obrigacional seria a única maneira de viabilizar a arrecadação fiscal. e a partir dela. na qual o peso de cada princípio deve ser identificado pela ponderação. uma relação jurídica resultante das normas que disciplinariam a obrigação de entregar certa quantia de dinheiro aos cofres públicos. 118 . segundo o qual a obrigação tributária não existe enquanto não ocorrido o fato gerador. compreendida como mecanismo de garantia do pacto federativo. há de ser balanceada a necessidade do Estado em simplificar e garantir o recolhimento do imposto. o perfil constitucional do ICMS. entretanto. surgiu o conceito de fato gerador. Dentro de uma visão pós-positivista. o tributo. visto que o regime de substituição é aplicado extensamente na tributação do ICMS. portanto. além das modalidades de substituição.

no exercício desta competência. o fato gerador tivesse ocorrido. o modelo criado seja exclusivamente o obrigacional. através do mecanismo da substituição é possível eleger etapas do ciclo econômico em que o recolhimento deva ser efetuado. elege-se o momento no qual o tributo deva ser recolhido. utilizam a nomenclatura de fato imponível para se referir ao gênero. e sobre a entrada de bens ou mercadorias importadas do exterior por pessoa física ou jurídica.Greco. e o termo "fato legitimador" seria empregado no sistema de antecipação. Substituição Tributária. o sistema da antecipação é opção legislativa. uma vez que. Este momento pode ser antecedente. Com efeito. de forma a facilitar a apuração de eventual evasão fiscal. Por isso. constata-se a relevância na aplicação do regime da substituição na tributação pelo ICMS. plurifásico. como Marco Aurélio Greco1. Logo.praticado o fato descrito pela lei tributária. o qual comporta duas espécies: fato gerador e fato legitimador. de maneira que legitimaria a cobrança já realizada. Assim. ao adotar o regime obrigacional. Assim. poder-se-ia utilizar o sistema de antecipação (com ou sem substituição). alguns autores. não exige que. pela via legal. quando da exigência do tributo. deve fiscalizar o recolhimento do tributo em cada etapa do ciclo econômico. O fisco. contudo. O fato imponível só ocorreria a posteriori. que incide não apenas sobre a circulação de mercadorias. Conforme doutrina Sampaio Dória. São Paulo: IOB 119 . a Constituição Federal. Entretanto. De fato. cabe ao legislador optar pelo modelo operacional arrecadatório que mais se coadune com os objetivos pretendidos pelo ente federativo. é notória sua utilidade na aplicação do regime de substituição. promulgada em 1988. 1 . de maneira que sua ocorrência legitimaria o recolhimento realizado anteriormente. o que na prática é inviável. modelo operacional de arrecadação de tributos. a adoção do regime da substituição em tributos plurifásicos facilita a fiscalização do Poder Público. imposto de competência estadual. O objetivo é reduzir os locais que devam sofrer a ação da fiscalização. ainda que não seja contribuinte habitual do imposto. nasce a obrigação tributária. Mar5co Aurélio. pois. de maneira que a Administração possa efetivamente verificar se houve ou não o devido recolhimento do tributo. mas também sobre a prestação de serviços de comunicação e de transporte interestadual e intermunicipal. sem que. concomitante ou mesmo subseqüente ao fato gerador. ao atribuir competência em matéria tributária. em decorrência de tal fato surgirá a obrigação tributária. A expressão “fato gerador” seria apropriada para o sistema obrigacional. Sendo o ICMS um imposto que incide sobre a circulação de mercadorias.

EVOLUÇÃO DO ICMS 2 Com o advento da Emenda Constitucional nº 18 de 1965 houve uma profunda transformação no sistema tributário brasileiro. este tributo veio em substituição ao “Imposto de Vendas e Consignações” – IVC. o que se observa ao constatar que a hipótese de incidência de tal tributo não mais se restringia ao conceito jurídico de vendas e consignações.Sobre o tema.Desta forma. alvo de grandes debates doutrinários. visto que a hipótese de incidência passou a ser um indicativo da capacidade contributiva.PERFIL CONSTITUCIONAL DO ICMS NO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL III.1974. publicado em 29. 3 . O campo de abrangência do ICM foi ampliado. estabelecidas no Decreto 406 de 1968. para posteriormente tecer considerações acerca do regime de substituição. criou um sistema nacional. que ocorreu sob a égide do Ato Institucional nº 5. com base nestas categorias econômicas. mas sim. da vedação aos tributos confiscatórios entre outros.11. industriais e produtores. mister se faz a análise do perfil constitucional do ICMS. a seu tempo. patrimônio e renda. sobre todas e quaisquer operações relativas à circulação de mercadorias. realizadas por comerciantes. Nesta oportunidade. sobreveio o enquadramento de todos os impostos em três categorias econômicas: comércio exterior. Posteriormente. cabendo ao pleno do Supremo Tribunal Federal3 pacificar o entendimento de que o respectivo decreto devia ser considerado como lei complementar em sentido material. em Estudo Técnico sobre a Lei Kandir. no contexto do Direito Tributário Nacional. estadual e municipal). A edição do Decreto nº 406/68. viabilizou o desenvolvimento de uma política tributária. de tal sorte que os Estados deviam obediência às normas gerais de Direito Financeiro. foi. Rel Aliomar Baleeiro. III . a promulgação da Constituição Cidadã representou um aperfeiçoamento no sistema tributário nacional.1 . da igualdade tributária.RE 76.723-SP Min. produção e circulação. que. 120 . A tributação. consultar Clarides Rahmeir. De certo. ao unificar os sistemas tributários autônomos (federal. 2 . na medida em que foram inseridas no corpo constitucional mudanças significativas como a inclusão do princípio da capacidade contributiva. Inseriu-se entre as competências dos Estados o “Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias”– denominado ICM.

e dois impostos sobre serviços também foram deslocados da esfera federal: (a) serviço de transporte intermunicipal e interestadual (b) serviço de comunicação em geral. “Imposto sobre Vendas e Consignações”. II da Constituição da República Federativa do Brasil promulgada em 1988. art. Em síntese. surge o ICMS. pelo Decreto 406 de 1968 por força do art. verifica-se a tributação pelo IVC. até a edição da Emenda Constitucional 18. o ICMS é disciplinado pela CRFB.Art. conforme será analisado. 5 . ainda que não seja contribuinte habitual do imposto. para instituir o ICMS sobre as seguintes hipóteses de incidência: – Circulação de Mercadorias – Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal5 – Prestação de Serviços de Comunicação – Entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica. 121 . 6 . desde que em conjunto com o fornecimento de mercadoria. em seu art. 155. Hodiernamente. no que não for incompatível com a Lei Complementar 87 de 1996 (alterada recentemente pelas Leis Complementares 102. 155. Depois disso. de 1965. que será objeto de nosso estudo.6 Cabe esclarecer que também há previsão constitucional para a incidência do imposto na prestação de serviços não incluídos na competência municipal. o denominado ICMS. (b) combustíveis e lubrificantes líquidos e gasosos e (c) minerais do país.Redação determinada pela Emenda Constitucional 33/2001. já que não existe município situado em dois Estados da Federação brasileira.Cabe observar que a Constituição Federal é redundante no emprego das expressões “transporte intermunicipal” e "interestadual” pois o que é interestadual é necessariamente intermunicipal. 34 § 5º do ADCT. coube aos Estados-membros e ao Distrito Federal o “Imposto sobre as Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação. criando o ICM – “Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias”. A Constituição Federal prevê a competência dos Estados. com a promulgação da Constituição Federal de 1988. Há de se considerar que ao campo de incidência do ICM foram acrescidos três impostos únicos federais: (a) energia elétrica. II. ainda que as operações e as prestações iniciem-se no exterior” 4.No que permeia a repartição de competência para o exercício da tributação. 4 . 114 e 115). 155. que unificou o sistema tributário. II.

que ao tratar da matéria. 122 . Diante da conceituação de fato gerador. previstas constitucionalmente: III. consoante previsto no art 114 do Código Tributário Nacional. cabe à lei complementar a sistematização dos princípios e normas constitucionais que regulam a tributação. cabe a análise específica das hipóteses de incidência do ICMS. (2) e o fato legitimador. o tributo é devido antes da ocorrência do fato imponível. I.Circulação de Mercadorias A Constituição Federal. Ed Renovar. portanto. No entender de Ricardo Lobo Torres. 216. que deve ser empregado quando o mecanismo operacional utilizado for o obrigacional. em seu art 2º.FATO GERADOR O fato gerador da obrigação principal. prevê. das várias pessoas políticas. a competência da lei complementar para dispor sobre normas gerais com finalidade tributária. ordinários. foi promulgada a Lei Complementar 87. estabelecendo. a utilização do termo “fato legitimador”. em seu art 155.2 . como fato imponível. “o fato gerador no plano da norma. Com este propósito. prevê como hipótese de incidência do ICMS “as operações relativas à circulação de mercadorias”. oportuna. utilizado quando o mecanismo empregado for o da antecipação. já no regime da antecipação. é a definição abstrata da situação necessária ao nascimento da obrigação tributária. Na primeira hipótese o fato gerador concreto se subsume na hipótese de incidência.2. de 1996. p. originando a obrigação tributária. Ricardo Lobo .TORRES.III.Curso de Direito Financeiro e Tributário. as operações relativas à circulação de mercadorias. 7 . é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Doutrina Marco Aurélio Greco que o fato gerador é gênero. Com a sua realização se legitimará a cobrança já realizada. que comporta duas espécies: (1) o fato gerador. com todos os seus elementos”7. Conforme lição de Roque Antonio Carraza. orientando os legisladores. Há autores que utilizam o termo “hipótese de incidência” para designar o fato gerador abstrato.1. especificando como fato gerador a realização dos elementos abstratos no plano fático. ainda. O fato gerador abstrato pode tornar-se concreto se todos os elementos descritos na norma acontecerem na realidade. II. sendo.

A circulação física. prevista constitucionalmente. a conjugação de dois fatores: (a) a natureza do promotor da operação. Cleber Giardino. produz para vender ou compra para revender. como Geraldo Ataliba. segundo este ilustre doutrinador. por óbvio. A saída jurídica se dá quando a mercadoria sai do patrimônio de uma pessoa física ou jurídica e ingressa no patrimônio de outra pessoa física ou jurídica. desprovida de outras conseqüências. é o bem corpóreo da atividade empresarial do produtor. Na concepção de Aliomar Baleeiro. pois seria descaracterizada. que a tem por objeto e (b) a destinação comercial que a ela dá o seu titular. tendo como finalidade a sua distribuição para o consumo. De acordo com Aliomar Baleeiro. qualquer retirada física da mercadoria poderia caracterizar a realização do fato imponível. que ocorre quando há a circulação de fato do bem. Tradicionalmente. devendo ser entendida a titularidade de uma mercadoria à circunstância de alguém deter poderes jurídicos de disposição sobre a mesma. industrial e comerciante. Paulo de Barros Carvalho. Os doutrinadores brasileiros. mas apenas que seja relativa à circulação. Neste caso. Para tal corrente. circular significa mudança de titularidade do bem. esta não seria adequada para averiguar a realização do fato gerador. tanto do STF. entendem ser importante a saída jurídica. não tem conteúdo para a incidência do ICMS. Em outras palavras. não se exige que a operação transfira a propriedade ou a posse da mercadoria. “a operação há de ser relativa à circulação de mercadorias. Para Hugo de Brito8. a mercadoria pode ser definida como bem econômico. Isso corrobora o entendimento de que a saída física. Nesse sentido. com o propósito deliberado de lucro. por exemplo. há decisão dos Tribunais Superiores. Neste caso. É necessário. A questão se põe entre a circulação jurídica e a circulação econômica. quando houvesse a subtração de uma mercadoria do estoque da empresa por um ladrão. em sua maior parte. é a econômica. que alguém. o 123 . Este conceito se ajusta melhor às exigências constitucionais. a saber. quanto do STJ. Marco Aurélio Greco e Hugo de Brito Machado defendem que a circulação. A despeito da posição majoritária. apesar de ter havido saída física. não necessariamente uma operação de circulação. cuja circulação envolva habitualidade. No que permeia o conceito de circulação deve-se observar a existência de três espécies de circulação.O termo mercadoria pode ser compreendido como bem móvel destinado ao comércio. Salienta Geraldo Ataliba que não é qualquer bem que pode ser. juridicamente. não incidiria o ICMS. qualificado como mercadoria.

há incidência do ICMS nesses casos. Portanto é apenas uma questão de controle administrativo dos estoques em cada estabelecimento. do produtor para o comerciante atacadista. o legislador elegeu a saída da mercadoria como situação necessária e suficiente para o surgimento da obrigação tributária. incide nas operações de circulação da mercadoria pelas várias fases da cadeia econômica. fato gerador é necessariamente econômico. ainda que permanecendo no patrimônio da mesma pessoa jurídica”. 124 .x. A circulação econômica se dá independentemente de haver negócio jurídico. da Lei Complementar 87). a saída física ou a saída jurídica só vai revelar o núcleo de uma operação que tenha conteúdo econômico. e. para o empresário.Hugo de Brito Machado. No ICMS impera o princípio da autonomia dos estabelecimentos (art. Por exemplo. Não importa quantos estabelecimentos a empresa tenha. a mesma empresa é dona dos dois estabelecimentos. Esta saída física não terá relevância se não se traduzir também em uma circulação econômica. editora Dialética. pois foram percorridas duas etapas distintas do ciclo econômico. sem que houvesse a mudança de titularidade. Lei Complementar do ICMS (Lei Complementar 87. há o direito de se creditar da operação anterior. a circulação econômica é difícil de ser visualizada. do comerciante atacadista para o varejista. o que evidencia que a referida lei adota a tese da circulação econômica. Como salienta Hugo de Brito. Neste caso.p. é indiferente. sendo o ICMS um imposto plurifásico. É a mesma coisa. defende a tributação pelo ICMS por ocasião da circulação econômica da mercadoria . pagar uma vez só sobre x’. Circulação econômica é justamente a passagem de uma fase para outra da cadeia econômica. dono do estabelecimento. não. de 1996). Desse modo. 8 . mas o aspecto temporal utilizado pelo legislador muitas vezes é físico ou jurídico. Assim. A circulação de mercadoria entre estes estabelecimentos é econômica. em seu livro “ICMS – Aspectos Fundamentais”. muitas vezes o fato gerador do ICMS é a saída da mercadoria do estabelecimento empresarial. pois cada estabelecimento é um contribuinte diferente na legislação do ICMS. em algumas hipóteses. ou uma vez sobre x e outra sobre x’ . de forma que a lei Kandir estabelece momentos temporais para a incidência do ICMS. ser capaz de realizar o trajeto da mercadoria da produção até o consumo. o produtor e o comerciante. Respeitando o princípio da não-cumulatividade. ou seja. 12. Segundo a Lei Kandir. 25/28.que vale dizer. Ocorre que. Em todas as situações. e assim sucessivamente. Por isso. jurídica.

Neste caso é preciso estabelecer uma regra que possa dirimir o potencial conflito de competências entre o Estado e o Município. é o caso do fornecimento de mercadoria em conjunto com a prestação de serviço. para dar aplicabilidade ao regime da substituição e evitar o seu questionamento em sede judicial. restaurantes e similares. O objetivo é viabilizar a cobrança do ICMS por substituição. Este dispositivo tem por finalidade apenas possibilitar o instituto da substituição. por derradeiro. contudo. definiu como fato gerador a entrada de mercadoria. por exemplo. A Constituição Federal no inciso IX. em seu art. de 1996. no caso da substituição “para frente”. já que a entrada da mercadoria não constitui hipótese de incidência do ICMS. ocorre um diferimento no recolhimento do tributo. fato gerador autônomo deste imposto. 155. o adquirente da mercadoria. a Lei Complementar 87. tendo em vista o regime da substituição. de maneira que se vincularia apenas com o adquirente. Existe uma série de serviços em que há ao mesmo tempo a prestação de serviço e o fornecimento de mercadoria. Desta forma. sem constituir. Entretanto. ou seja. 7º. poderia alegar que a hipótese de incidência do ICMS seria a saída da mercadoria. como será explicado. a Lei Complementar 87. a ser averiguada. já que o alimento é consumido dentro do estabelecimento comercial. como. Outra hipótese. permitindo que o adquirente seja o responsável pelo recolhimento do tributo devido na primeira e na segunda circulação. assim estabelece: “Art. adiante analisado. a tributação da entrada da mercadoria visa apenas a solidificar a aplicabilidade do regime. também contemplou a entrada da mercadoria como fato gerador do ICMS.operações relativas à circulação de mercadorias e sobre 125 . Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II . em que há a antecipação do recolhimento do tributo. Na substituição ‘para trás’. alínea "b". na primeira circulação. fato gerador autônomo do ICMS. Há. o tributo devido em determinada etapa do ciclo econômico deverá ser arrecadado pelo fisco na próxima etapa deste ciclo. Da mesma forma. a prestação de serviço e a circulação da mercadoria. o fornecimento de alimentos e bebidas em bares. pois somente neste caso esta ocorreria. não constituindo esta hipótese.Contudo. artigo 155. na hipótese.

incidirá também: b) sobre o valor total da operação.2 . será cobrado ICMS sobre o valor total da operação. mas apenas o imposto municipal (ISS) sobre o valor total da operação. Apesar da Constituição não restringir a 126 . Se este não estiver na lista. apenas nos casos em que tal prestação for onerosa. Nesses casos. inclusive a parcela relativa a serviços. pontes. III. fora do local da prestação dos serviços. caso contrário.Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal Haverá incidência na prestação de serviço de transporte intermunicipal. a hipótese em que. quando mercadorias forem fornecidas com serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios”. apesar do serviço se encontrar previsto na lista. na legislação. se tal serviço estiver contemplado na lista de serviços. uma vez que previsto na lista de serviços. Se o serviço for tributável no âmbito da competência municipal. porque é devido o ICMS sobre o valor daquelas e o imposto municipal sobre o valor do serviço prestado (mão-de-obra). 2º O imposto previsto no inciso II. o prestador vai destacar na nota fiscal o valor da mão-deobra e o valor das mercadorias. que fica sujeito ao ICMS) – item 7. Há. No caso acima devem ser discriminados o valor das mercadorias e o valor da mão-de-obra. Deve haver a ressalva expressa. de 2003. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior. na reparação. anexa à Lei Complementar 116.05 da lista anexa ao Lei Complementar 116. conservação e reforma de edifícios. Isto se justifica na medida em que não há discriminação da parcela referente ao valor do produto e a referente à prestação do serviço.prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. por exemplo. não será cobrado ICMS. é devido o recolhimento do tributo municipal sobre todo o valor. estradas. para a discriminação do valor devido a titulo de prestação de serviço e a título de mercadoria. portos e congêneres (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador do serviço. como ocorre. haver ressalva para a cobrança de ICMS sobre as mercadorias.2. ainda. atenderá ao seguinte: IX .

ICMS. inviabilizou a incidência sobre a prestação gratuita. Art. gravadas em fita de videocassete.4 . “Não é simplesmente realizar a comunicação. quando esta se der em regime de direito privado (prestado por particulares. p. mediante contraprestação econômica um serviço de comunicação” 9. quando a prestação do serviço for onerosa. a Lei Complementar 87 assim o fez quando disciplinou que a base de cálculo seria o preço da mercadoria. publicado em 9 de outubro de 2003. 13. não alcança a comercialização de exemplares de obras cinematográficas.na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. 13. é prestar serviço de comunicação. Portanto o tributo só pode nascer do fato de uma pessoa prestar a terceiro. A Lei Complementar 87. No caso de prestação serviço de transporte intramunicipal não incide ICMS. VI. expressamente esclarece que a incidência do ICMS ocorrerá. confirmando tal entendimento. quando 9 .Entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica. que trata de livros. tão-somente.Roque Carrazza. 127 . periódicos e papel destinado a sua impressão. o preço do serviço. do STF. sendo a tributação de tal serviço restrita à competência municipal. III. na vigência do ICM. ainda que não seja contribuinte habitual do imposto À época da Constituição passada. considerava-se a ocorrência de circulação de mercadoria quando da importação desta. consoante verbete de súmula n° 662. 132. No entender de Roque Antonio Carrazza a hipótese de incidência do ICMS. III. A imunidade prevista no art 150. A base de cálculo do imposto é: III . Assim. jornais. 6ª edição. Assim. empresas privadas. empresas públicas e sociedades de economia mista).Prestação de Serviços de Comunicação O ICMS também incide sobre a prestação de serviços de comunicação.3 . em seu art.2. alínea “d”. ou seja.2. não há que se cogitar na incidência do referido imposto quando tal prestação for gratuita.incidência à prestação de serviço oneroso. de 1996. III. neste caso.

alguém importava um produto para revender. por si só. incidiria o ICMS. Com o advento da Emenda Constitucional 33. era no sentido de que só haveria incidência de ICMS sobre a importação de bem. Então. 128 . Do mesmo modo. para idêntica finalidade. se uma clínica médica importasse o mesmo computador. já que aquela não tem estabelecimento como se refere a Constituição. quando o Supremo estabeleceu que para haver incidência essa pessoa jurídica teria que ser comerciante e não prestadora de serviço.incidirá também: a) sobre a entrada de mercadoria importada do exterior. dispunha: IX . da pessoa jurídica. A exegese deste dispositivo. Por uma interpretação literal é até possível identificar uma distinção de tratamento entre a pessoa física e a jurídica. Este fato. mas não fazia referência a “estabelecimento comercial”). o Supremo Tribunal Federal entendia não incidir a tributação. inciso IX. assim como sobre serviço prestado no exterior. se esse fosse destinado a um estabelecimento comercial. Contudo. não constituía impedimento para incidência do ICM na importação. A CRFB de 88. conforme interpretação do Supremo Tribunal Federal. em que os anteriores se deram em outro país. foi afastada a interpretação 10 . cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o estabelecimento destinatário da mercadoria ou do serviço.Bens do ativo fixo devem ser compreendidos como bens de consumo. na redação originária do artigo 155. alínea "a". por exemplo. segundo o Pretório Excelso. há uma distinção que não se extraía dos dispositivos constitucionais. §2o. formava-se um novo elo da cadeia econômica. ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo fixo do estabelecimento. porque o bem do ativo fixo estava sendo destinado a um estabelecimento comercial (a Constituição até utilizava a expressão “estabelecimento”. Em outra hipótese. se uma empresa de eletrodomésticos importasse um computador. se o sócio gerente da empresa de eletrodomésticos ou médico da clínica importasse o computador para sua residência não ocorreria a incidência do ICMS. O problema se dava quando uma pessoa jurídica importava um bem de consumo ou do ativo fixo10 e quando uma pessoa física importava um de consumo.

só passarão a integrar a Súmula daquele Tribunal após numerados e publicados (por três vezes consecutivas) no Diário da Justiça. ou. bem como as alterações. pela de número 114. o ICMS incide.EFEITOS ECONÔMICOS DA TRIBUTAÇÃO PELO ICMS Imposto plurifásico. como se depreende da nova redação do artigo 155. ao comércio. conforme a nova redação do Verbete de Súmula 660. sobre a circulação da mercadoria dentro do ciclo econômico. A vontade original do constituinte de 1988 foi restabelecida pela Emenda 33. incide o ICMS na importação feita pela pessoa física ou jurídica. 11 . de maneira que se torna irrelevante a entrada de mercadoria. o ônus dessa tributação. do RISTF.1 . suportando. alínea "a" (dada pela Emenda 33/01): a ) sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica. até a alteração promovida pela Emenda Constitucional 33.3. que passará a vigorar. à primeira vista. Com a redação nova não há mais dúvidas.3 .deste dispositivo. o STF deliberou alterar a redação do Enunciado 660. para evitar o conflito entre os Estados. por ser tal tributo privativo da competência estadual. do STF11. a Constituição Federal estabelece certos limites na imposição dessas alíquotas.Acolhendo sugestão. Desta forma. III. Desta forma. não incide ICMS na importação de bens por pessoa física ou jurídica que não seja contribuinte do imposto. nos seguintes termos: Enunciado 660: “Até a vigência da EC 33/2001. Contudo. qualquer que seja a sua finalidade. respectivamente.ALÍQUOTA APLICÁVEL NA TRIBUTAÇÃO PELO ICMS Não compete à lei complementar definir a alíquota aplicável no ICMS. §2o. na forma prevista no § 3º. Também houve alteração na Lei Complementar 87.9. ainda que não seja contribuinte habitual do imposto. III. inciso IX. o consumidor final. 129 . do art.” Os novos enunciados. assim como sobre o serviço prestado no exterior.2003. destinada ou não. não incide ICMS na importação de bens por pessoa física ou jurídica que não seja contribuinte do imposto. A alteração promovida por esta lei se coaduna com o previsto pela Emenda Constitucional 33. como constatado. dos Ministros Cezar Peluso e Sepúlveda Pertence. 102. cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria. cuja aprovação foi concluída em 24. com ou sem habitualidade. imperioso a análise dos aspectos relevantes deste imposto. bem ou serviço. com ou sem habitualidade. dada pelo Supremo Tribunal.

foi elaborada a Resolução 22. Nesta hipótese. o imposto será calculado mediante a alíquota interestadual. torna-se importante salientar que. a alíquota do imposto será sempre a aplicável às operações internas. nos termos constitucionais. de 1989. há uma regra específica.resolução do Senado Federal. aplicáveis nas operações interestaduais e nas exportações. a regra geral é a da adoção de uma alíquota de 12%. 150. cujo teor é o seguinte: Art. foi estendida a imunidade. Entretanto. No entanto. do art 155. 2° A alíquota do imposto de que trata o art. sendo irrelevante o local do seu domicílio. Estas alíquotas. estabelecida. O artigo 2o. através do estímulo à exportação. da Constituição.O inciso IV. através da Emenda Constitucional 42. Assim. quando um consumidor adquire uma mercadoria cuja procedência é de outro Estado não se caracteriza. torna-se nítida a intervenção governamental na economia. não incide ICMS na exportação. são definidas pelo Senado Federal. Nas operações interestaduais. inscrito como contribuinte do ICMS. ou não. Outra hipótese a ser analisada é com relação à operação interestadual. interestaduais e de exportação. sendo de iniciativa do Presidente da República ou de 1/3 dos senadores e aprovada por maioria absoluta. 1°. aprovada pela maioria absoluta de seus membros. X. No que concerne à fixação de alíquota de exportação. que era concedida apenas para os produtos industrializados. Caso o seja. benefício surgido com a nova redação do art. O inciso IV não prevê que a resolução fixará alíquotas máximas e sim que será competente para fixá-las. alinea “a”12. Para que seja efetivada é preciso que se concretize entre dois comerciantes. por via de resoluções. dessa resolução fixou a alíquota de exportação em 13%. § 2º. nas operações de exportação para o exterior. Para o vendedor é importante saber se o comprador é. § 2º. prevê atribuição do Senado Federal para fixar a alíquota na exportação e nas operações interestaduais: IV . de 2003. aos produtos semi-elaborados e não-industrializados. estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e prestações. uma operação interestadual. será de treze por cento. atualmente. Se não o for. porque. no caso de uma mercadoria 130 . de iniciativa do Presidente da República ou de um terço dos Senadores.

Nordeste ou Centro-Oeste. qual seja. § 2º. Art. a alíquota mínima não pode ser inferior 12 . faculta ao Senado estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas para preservar o equilíbrio federativo. as alíquotas internas. Cabe ao fisco de cada Estado fiscalizar se o recolhimento do tributo observou a alíquota adequada. mas. especificamente. nas demais operações interestaduais a alíquota utilizada será a de 12%. ou. Não é possível a elaboração de uma alíquota máxima genérica. “g”. somente na situação acima referida será aplicada esta alíquota. existe uma alíquota mínima que deve ser respeitada pelos Estados-membros e pelo Distrito Federal. nem na alínea “b”). antes. quando aplicar-se-á a alíquota de 7%.sair de um Estado da região Sul e Sudeste (exceto Espírito Santo) e for para outro das regiões Norte. Implicitamente. §2o.A Emenda Constitucional tornou imunes os produtos semi-elaborados e não-industrializados. 131 . nesse artigo encontra-se disciplinada a alíquota mínima: “salvo disposição em contrário em convênio. e. expressamente. o inciso V. define a finalidade de tal medida.salvo deliberação em contrário dos Estados e do Distrito Federal. por uma via oblíqua. A questão é que o quorum necessário para a aprovação desta resolução é maior do que o previsto para a da Emenda Constitucional: a iniciativa é de maioria absoluta e a aprovação é por 2/3 do Senado. sendo que a Constituição. a faculdade é para fixar a alíquota máxima em operações internas. para o Estado do Espírito Santo. não poderão ser inferiores às previstas para as operações interestaduais. CRFB. do mesmo dispositivo. Na alínea “b”. que. Na verdade. que trata das operações interestaduais e da exportação. Assim. Ao contrário do inciso IV. em decorrência da isenção concedida pela Lei Complementar 87. alínea “a”. também não sofriam tributação. 155. Por tal motivo essa resolução ainda não foi nem elaborada. do art 155. não foi editada nenhuma das duas resoluções (nem a prevista na alínea “a”. VI . A fixação da alíquota máxima é. nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços. inciso VI. nos termos do disposto no inciso XII. evitar conflito entre Estados. empregada para determinado produto.

Não se pode. contudo. O objetivo é promover um equilíbrio na arrecadação dos Estados. A primeira medida. a tributação do ICMS. principal fonte de receita do Estado. Assim. ainda que tenha sido negociada a venda em outro local. privilegia o estado consumidor. através de empresa filial”13. através da aplicação de alíquotas interestaduais diferenciadas. sendo que tal medida tem por fim promover um equilíbrio na arrecadação dos Estados. De fato. beneficiando os Estado consumidores. como visto. nas operações interestaduais. A alíquota interestadual. o ICMS deve ser arrecadado pelo Estado em cujo território efetivamente se deu a saída da mercadoria. e não a exceção. privilegia mais ainda. esta tese não encontra respaldo constitucional. da alíquota de 7% entendem que sua alíquota interna mínima deve se basear na mesma porcentagem. no Estado onde saiu a mercadoria para o consumidor final. Portanto. nesta hipótese. com a aplicação de uma alíquota interestadual de 12%. repercute diretamente na economia. No entanto. Somente através de convênio poderá reduzir a porcentagem desta alíquota. a alíquota interna mínima também será de 12%. Quando a operação ou prestação de serviço destinar-se a outro Estado deverá ser aplicada a alíquota interna quando o destinatário não for contribuinte do imposto. Para o consumidor final não haverá qualquer alteração. Quando a compra foi realizada pelo consumidor final diretamente. a alíquota mínima em todos os Estados é de 12%. cabendo. conseqüentemente. A segunda medida. contudo. Deve ser considerada a regra. Será. aplicada a alíquota interestadual quando o destinatário for contribuinte do imposto. a regra proposta pelos ditames constitucionais é a adoção da alíquota interna não inferior à alíquota interestadual. Neste sentido. com a aplicação de uma alíquota interestadual de 7%. se diminui o crédito que essa operação causa e aumenta-se o débito da operação subseqüente (o que aumenta a arrecadação na operação subseqüente). quando for consumidor final. Este tratamento desigual constitui um dos fundamentos da República 132 . ao Estado da localização do destinatário o imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual. utilizar-se uma regra excepcional como critério para definir a alíquota interna. já que toda vez que se diminui a alíquota da operação de origem. oportuna manifestação do STJ no sentido de que “o ICMS deve ser recolhido pela alíquota interna.à alíquota interestadual”. após a sua fatura. ou seja. Como se verifica. é de 12%. Os Estados beneficiados com a aplicação.

Passamos a tecer breves considerações sobre estas não-incidências constitucionais: a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior. 133 .Federativa do Brasil14. mas sim como não incidências constitucionais. excluídos os semi-elaborados definidos em lei complementar” A Carta Constitucional havia distinguido os produtos industrializados para fins de ICMS em três categorias: de um lado os industrializados. assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores. a redação concedia a imunidade especifica “sobre operações que destinem ao exterior produtos industrializados. III.SEIXAS FILHO. Min. ressalvando-se a particularidade da imunidade recíproca. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: III .05. Se for adotada a tese de Ricardo Lobo Torres de que imunidade são as que derivam dos direitos fundamentais. na medida em que tem por objetivo reduzir as desigualdades regionais promovendo a integração nacional.” 15 . p. Eliana Calmon 23. 64.3. nem sobre serviços prestado a destinatários no exterior.erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. pois. as demais hipóteses de imunidade tributárias não passam de isenções sediadas na Constituição federal. antes. obviamente nenhuma delas poderá ser considerada como verdadeira imunidade. Esta alínea teve sua redação alterada pela Emenda Constitucional nº 42 de 2003.025 – MG Rel. Aurélio Pitanga .AgRg no Resp 67.“Art. de outro os não industrializados (matéria-prima bruta. “assim. Para Aurélio Seixas15 há nas hipóteses verdadeiras isenções constitucionais. 13 .NÃO INCIDÊNCIAS CONSTITUCIONAIS DO ICMS No inciso X do art 155.Teoria e Prática das Isenções Tributárias – 2ª edição.00. Um produto semi-elaborado é aquele que sofreu um processo incipiente de industrialização na forma prevista em lei complementar.2 . § 2º da Carta Constitucional encontram-se as imunidades específicas do ICMS. 14 . crua) e uma categoria intermediária denominada semi-elaborado. distinguindo-se das demais isenções por este específico fato de ser a norma jurídica restrita de hierarquia superior às normas jurídicas tributárias”.

A imunidade não beneficia o consumidor final. inclusive lubrificantes. o ouro como ativo financeiro não gera a tributação pelo ICMS. incluiu os serviços prestados a destinados no exterior. Nesta hipótese haverá tão-somente a incidência do IOF. do inciso X. pois quem recolhe todo o ICMS do Estado produtor de combustível e de lubrificante é o Estado de destino. por inteiro. Isso evidencia que. “a”. 134 .O inciso XII. por exemplo. Além de isentar os produtos semi-elaborados e os não-industrializados a lei Kandir confirmou a imunidade dos produtos industrializados. § 2º do art. alínea “e” concedia competência à União para conceder isenção de ICMS na exportação fora dos casos do inciso X.§ 5º A terceira não incidência constitucional é sobre o ouro quando este for considerado ativo financeiro. nas hipóteses definidas no art 153 . os produtos industrializados eram imunes. E ainda. desde que destinados ao exterior. restando o recolhimento. como para os semi-elaborados como para os não-industrializados. Assim. na segunda operação. naquilo que não fosse imune. E. no exemplo. II. combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. poderemos ter uma primeira operação em que há imunidade. e energia elétrica. em que o Estado de destino recolhe todo o ICMS incidente sobre a operação que envolva combustível e lubrificante. Os semi-elaborados e os não industrializados podiam ser isentados por lei complementar. 155 prever hipótese de não incidência constitucional sobre as operações sobre energia elétrica e petróleo. Portanto. há imunidade específica tanto para os produtos industrializados. Com atual redação. Assim. a Emenda Constitucional 33 acrescentou uma hipótese sobre a qual não incidirá tal regra. Isso ocorre porque não há crédito na primeira. o que foi feito pela LC 87. inclusive lubrificantes. combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. c) sobre o ouro. mas o Estado que irá arrecadar o tributo devido. em seu artigo 3º. ou seja. o Estado produtor restou prejudicado. uma vez que não houve nesta a incidência do tributo. b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo. A Lei Complementar poderá definir o combustível e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma única vez. uma segunda. Apesar da alínea “b”.

do Código Tributário Nacional). no mesmo ciclo econômico. em um imposto sobre o valor acrescido. sobre base de cálculo que. Ou seja. não há incidência fática. é gratuito. Cobrança indevida. com o intuito de reduzir a carga tributária. fornecidos por exibidores de espetáculos cinematográficos. A tributação cumulativa causava vários gravames econômico-sociais.“Imposto sobre Vendas e Consignações”.3 . pode-se citar a “concentração vertical das empresas”: o mesmo agente econômico realizava várias etapas do ciclo econômico. de caráter não-cumulativo.NÃO-CUMULATIVIDADE O instituto da não-cumulatividade foi introduzido no sistema tributário nacional brasileiro pela Lei 3.RE 112923 / SP . III. pois a prestação de serviço de comunicação pressupõe a onerosidade. cada fase apresentava um signo presuntivo de manifestação de riqueza caracterizador da incidência do tributo. apesar de integrar a lista de serviços. por falta de base de calculo. Era o fenômeno conhecido pela expressão “tributação em cascata”.SÃO PAULO “Ementa: imposto sobre serviços. exigido em relação a ingressos gratuitos (‘permanentes’). em parte. uma vez que não apresenta manifestação de riqueza a ser mensurada. A exemplo. Evidentemente. Na verdade. cobrado pelo sistema de cascata no ciclo de fabricação.3.520 de 1968 que transformou o então imposto de Consumo.d) nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiofusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita A Emenda Constitucional 42 de 2003 também acrescentou esta alínea. 16 . já havia sofrido tributação antes. Recurso extraordinário de que não se conhece”. atual IPI. Era uma das formas encontradas para reduzir o preço final da mercadoria. o IVC incidia várias vezes. O Supremo Tribunal 16 já decidiu neste sentido. capaz de configurar a hipótese legal de incidência (art. A introdução do ICM no ordenamento constitucional tributário objetivou modificar tal sistemática. em substituição ao IVC . 9. fazendo com que a tributação recaísse sobre o fenômeno da circulação econômica em cada fase deste ciclo. 135 . A prestação gratuita é desprovida de relevância para o direito tributário. foi criado ICM. com o advento da Emenda Constitucional 18. Na esfera estadual. ao decidir que não há base de cálculo para a cobrança do ISS em serviço que. determinando a não incidência constitucional do ICMS na prestação de serviço de comunicação de recepção livre e gratuita.

o que já foi tributado antes. em uma fase do ciclo. a diferença entre o preço de venda e o custo do produto. deduz-se. No sistema “base sobre base”. Outra questão a ser enfrentada é quanto à extensão do crédito. seja objeto de nova tributação nas fases subseqüentes. No sistema do imposto sobre imposto. A identificação do que pode ou não ser deduzido em nome da não-cumulatividade perpassa por dois regimes. em cada ciclo. o sistema da não-cumulatividade supõe a agregação de valor à mercadoria em cada etapa de sua circulação. A não-cumulatividade do ICMS pressupõe a existência de mais de uma fase do ciclo alcançável pelo imposto. I. o princípio da não-cumulatividade consiste na compensação do valor do ICMS incidente em cada operação com o do incidente nas operações anteriores. já que a técnica de tributação recaía sobre o valor agregado. Porém. em seu art 155. ou. O objetivo é evitar que o valor tributado. apenas sobre o valor nele acrescentado. Unânime é a doutrina ao afirmar que o princípio da não-cumulatividade constitui uma diretriz constitucional imperativa que deva ser observada na tributação do ICMS. contemplado pela Constituição Federal promulgada em 1988. ao tratar do ICMS. Há. Em outras palavras. em cada etapa. faz com que o imposto incida. 136 . do que incide em uma etapa. se subtrai o valor respectivo da base de cálculo na anterior. § 2º. não há subtração do que foi objeto de tributação na fase anterior do valor da base de cálculo na fase subseqüente. A tributação da agregação de valor implica subtrair. acrescido ou agregado ao bem. o que foi tributado antes. O imposto incide sobre o valor total da operação. de mais de uma operação tributável no processo de circulação. Desta forma. § 2º. II. dois métodos para aplicação do mecanismo da nãocumulatividade: o base sobre base (base on base) e o imposto sobre imposto (tax on tax). Ou seja. daquilo que será objeto de tributação numa fase. basicamente. o valor do imposto que incidiu na fase anterior é deduzido do que incide na posterior. ou seja. em seu artigo 155. em outras palavras. I. o do crédito financeiro e o do crédito físico. O mecanismo da não-cumulatividade foi. possa sofrer tributação. Como se averbou.Suprimiu-se a superposição da carga tributária. conforme disposto no Constituição Federal. E conduz a que somente essa agregação de valor. da base de cálculo do imposto devido numa fase. então.

há uma mitigação dos dois regimes. Filiamse a este entendimento Roque Antonio Carraza. Ao contrário da doutrina.10. Assim. p. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que a entrada de bens destinados ao consumo ou à integração no ativo fixo do estabelecimento não implica crédito para compensação com o montante do imposto devido nas operações ou prestações seguintes – AI 448413 AgR/SP. adota-se o regime do crédito financeiro temperado ou o do credito físico. ao comentar sobre o sistema de créditos Ricardo Lobo Torres “percebe uma certa simbiose entre o sistema do credito físico e do credito financeiro”. “sempre que a empresa suportar um custo seja ele consubstanciado no preço de um serviço. à utilização como matéria-prima. a cláusula da nãocumulatividade constitui uma diretriz constitucional imperativa cuja finalidade é. 137 . comercialização ou prestação de serviços. objeto da operação de saída do estabelecimento. com algumas exceções.Aspectos Fundamentais do ICMS. Este posicionamento defende a não-vinculação dos créditos de etapas anteriores aos débitos gerados por operações ou serviços da mesma natureza. entre outros18. aplicava o regime do crédito físico.O regime do crédito financeiro pressupõe que todos os custos onerados pelo ICMS possam ser creditados. independente de sua origem ser decorrente da aquisição de bens de consumo e ativo fixos ou de mercadorias para revenda. ou mesmo ao consumo ou à imobilização. a Lei Complementar 87 concedeu autorização para a utilização do crédito correspondente às mercadorias adquiridas para uso ou consumo do estabelecimento ou para o seu ativo fixo. 1999. Com base nesta definição grande parte da doutrina considera que o princípio da não-cumulatividade deve ser aplicado tomando por base o crédito financeiro. acondicionamento. Min Ilmar Galvão. a jurisprudência. Há também o regime do crédito físico que corresponde ao imposto incidente nas operações anteriores sobre as mercadorias empregadas fisicamente na industrialização. Neste sentido Hugo de Brito17. acrescido do valor de sua matéria-prima e componentes. 18 . em razão desta autorização concedida pela referida lei complementar. Assim. Geraldo Atalida . 19 . Preserva-se o direito público subjetivo do contribuinte de abater o montante do imposto cobrado nas operações anteriores. impedir que a cobrança do 17 .Apud. embalagem.168 rel. quer seja este destinado à revenda. 131. 82. p.Neste sentido RE 200. produto intermediário. o crédito a ser efetuado deve ser o crédito da própria mercadoria. Clarides Rahmeier.96. percebe-se que na sistemática atual. em reiterados pronunciamentos19. consoante doutrina José Jayme de Macedo Oliveira. Na prática. ou de um bem. o ônus do ICMS respectivo configura um crédito deste imposto". Pelo exposto. Assim. 08. Contudo.

traduzidos basicamente em alíquotas descoincidentes”. Desta forma. Assim. Essencialidade. sem dúvida. mercadorias e serviços. ao passo que produtos menos essenciais demandariam alíquotas maiores.4 . eficiente para interferir no setor econômico. conforme se verifica no art. José Eduardo Soares. p. Com a aplicabilidade da cláusula de não-cumulatividade exclui-se o efeito da cobrança cumulativa. III. o da entrega ao consumidor final.PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE A Constituição Federal consagra o princípio da seletividade aplicável na tributação pelo ICMS. 21 .imposto atinja um valor maior que o maior valor alcançado por todo o processo de circulação de mercadoria. ou seja. 263). na lição de José Eduardo Soares de Melo. José Eduardo Soares de Melo.20 Em se tratando do ICMS. §2o. em prol da seletividade. acarretando uma diminuição no valor final da mercadoria em virtude da redução da carga tributária incidente na circulação. 5ª edição. ICMS Teoria e Prática. III. o legislador tem a faculdade de estabelecer alíquotas diferenciadas. p.ICMS. “consiste na distinção entre cargas tributárias. 138 . 265. em razão de diferentes produtos.MELO. 104 (apud. Questão a ser enfrentada diz respeito à identificação do que é e do que não é essencial. Qual seria o seu campo de abrangência? Ao enfrentar a questão Henry Tilbery 21 entendeu “que o conceito de 20 . o valor utilizado como parâmetro é o da última etapa da circulação. o denominado efeito cascata. segundo o qual o ICMS poderá ser seletivo em função da essencialidade do produto. cabe à lei do Estado estabelecer alíquotas diferenciadas para certos produtos ou serviços. 155. p. Esta faculdade decorre do próprio texto constitucional ao utilizar o verbo “poder” e não “dever”. Em regra.3. É um mecanismo. Malheiros. Através dele pode-se estimular ou desestimular a circulação de determinado produto ou a prestação de certo serviço. São Paulo. torna-se opção legislativa a utilização de alíquotas diferenciadas em razão da essencialidade do produto. tomando como parâmetro a sua essencialidade. Mercadorias e serviços essenciais requerem alíquotas menores. Dialética.

quer adequando a tributação à capacidade contributiva. nos impostos em que a personalização é inviável se realiza a isonomia possível. pacto. ao passo que com a diminuição de alíquota incentiva-se a sua comercialização. efeitos diretos sobre a economia. consagrando o entendimento do ilustre doutrinador Henry Tilbery. como conseqüência da utilização deste mecanismo. deve prevalecer a interpretação extensiva do conceito de essencialidade. estimulando o consumo de produtos e a prestação de serviços que possibilitem o exercício digno da pessoa humana. Com a majoração de alíquotas pode-se frenar o consumo de produtos indesejáveis ou menos essenciais.4 . 265. quer atingindo finalidades extra-fiscais”. p. aferida indiretamente. de maneira a permitir a tributação incidente sobre a capacidade contributiva. Ressalta-se que há. mas deve abranger também aquelas necessidades que sejam pressupostos de um padrão de vida mínimo decente.Apud José Eduardo Soares de Melo. moradia. de acordo com o conceito vigente da maioria”.4. foedoris.REFLEXÕES SOBRE A POSSIBILIDADE DE VIOLAÇÃO DO PACTO FEDERATIVO. vestuário. III. podendo 22 . Defende tal tese Fátima Fernandes Garcia e Maria Omiri 22. tratamento médico).1. É certo que no estabelecimento destas alíquotas. Assim. cabe verificar a possibilidade de alteração da competência tributária dos Estados sem violação ao pacto federativo. verbis: “a seletividade é o meio pelo qual. Assim. Deve ser respeitada acima de tudo a dignidade da pessoa humana. os Estados devem observar o que dispõe o Senado Federal por meio de resoluções. III. 139 . conforme exposto ao tratar da alíquota aplicável no ICMS. preservando valores e princípios consagrados pela Magna Carta. Neste sentido deve a essencialidade transcender o mínimo existencial.O Estado Federal Federação vem do latim foedus. COM RETIRADA. nos termos da Constituição Federal. há limites que devem ser respeitados pelo legislador estadual. A seletividade também possibilita a identificação da manifestação de riqueza. DA AUTONOMIA FINANCEIRA Sem esgotar o tema. mas com o objetivo de trazer algumas reflexões para suscitar o debate.essencialidade não deve ser interpretado restritivamente para cobrir apenas as necessidades biológicas (alimentação. que significa aliança.

considera o federalismo como uma aliança ou união de Estados.. p. Neste sentido Dalmo de Abreu Dallari. em que Estados anteriormente soberanos se unem por um Pacto Federativo.” 24 O modelo norte-americano caracteriza um federalismo por agregação.na cidade de Filadélfia. Conclui. 25 . A origem do Estado Federal moderno é tipicamente norte-americana: “. os Estados possuem menor autonomia. de aliança.. Como a experiência da criação de uma Confederação não dera certo. 140 . que entrou oficialmente em vigor em 1789. na qual os Estados ao ingressarem na federação perdem sua soberania. 24 .RIBEIRO. pois neste. como forma de organização estatal. os Estados perdem sua soberania restando-lhes.Editora Saraiva. surgiu nos Estados Unidos da América. Ricardo Lodi. Autonomia Local e Reforma Tributária. surge do Estado Unitário. da necessidade de uma união mais firme e estreita.. ‘convocou-se uma convenção.. com a Constituição de 1787.. que o federalismo. ainda. passando. permitindo a democratização das decisões que passam a ser tomadas numa esfera mais próxima do cidadão. no caso brasileiro. Assim. Dalmo de Abreu. foi aprovada a nova carta. 227. Como bem salienta Ricardo Lodi Ribeiro 25 a origem histórica de cada federação acaba por influenciar a maior ou menor autonomia dos seus Estadosmembros.BORGES NETO. Também podendo ser denominado de Federação por força centrípeta. a ser uma federação. André Luiz. Federalismo Fiscal. a fim de rever o pacto formado entre as antigas colônias. ao contrário. de desagregação.’ Percebese. 418. É o que pode ser considerado de Federação por força centrífuga ou por desagregação. e em face.ser considerado.. do que no sistema de agregação. passando a constituir-se em Estados independentes entre si. Teoria Geral do Federalismo. assim.. preservando. que por uma decisão constitucional confere autonomia às províncias.. p. O modelo brasileiro.. Elementos da Teoria Geral do Estado . do exposto. contudo sua autonomia23. como um processo de integração política.as antigas treze colônias britânicas tornaram-se livres. principalmente.. apenas a autonomia.DALLARI. 23 .. o autor que o federalismo fundamenta a descentralização do poder. portanto.

Nas clássicas lições de Alexandre de Moraes 26, podemos extrair algumas características fundamentais do Estado Federal: repartição constitucional de competência entre os entes federados; poder de auto-organização (poder de elaborar sua própria constituição e legislação), auto-administração (poder de exercer suas competências administrativas), auto-governo (possibilidade de escolha dos governantes); participação da vontade regional, através do Senado Federal, na vontade nacional; e, por fim, a “necessidade de que cada ente federativo possua esfera de competência tributária que lhe garanta renda própria”. A forma de Estado Federal é assegurada constitucionalmente através de cláusula pétrea que impede a deliberação da proposta de emenda tendente a abolir “a forma federativa de Estado”, art. 60 § 4º da CRFB. III.4.2 - Autonomia: necessidade do exercício da competência tributária No direito brasileiro, há a concentração de competência em favor da União, de tal maneira, que há a exacerbação do poder central, em detrimento dos poderes regionais e locais. Assim, é nítido o caráter devolutivo do federalismo brasileiro 27. Mesmo com a exacerbação do poder central, há a necessidade de garantir a autonomia dos demais entes federativos. Esta autonomia pressupõe uma independência financeira, pois sem recursos não há como o ente desenvolver suas atividades. Não há o exercício das competências constitucionais se o ente federado não possuir um meio próprio de arrecadar recursos. Desta forma, com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, em 1988, foi assegurada a cada ente federativo a competência para a criação de seus impostos. No âmbito regional a principal fonte de receitas provém do ICMS, previsto na Constituição no art 155, II. Sendo assim, esta competência atribuída ao Estado pela ordem constitucional é que garante sua autonomia financeira. O cerne da questão situa-se na possibilidade de o poder constituinte derivado, através do seu poder de emenda, retirar parte significativa da competência do Estados para instituir o ICMS, tendo em vista a impossibilidade de violação do pacto federativo. Assim, deve ser analisada, de um lado, a necessidade do combate à guerra fiscal

26 - MORAES, Alexandre – Direito Constitucional, Editora Atlas, 15ª ed, p 269. 27 - Sylvio Motta & William Douglas – Direito Constitucional, Editora Impetus, p.239 e seguintes. Os Autores classificam o federalismo em devolutivo – devolutionary federalis (no qual a ordem constitucional redistribui os poderes de um prévio Estado Unitário) e em integrativo – integrative federalism (decorrente da busca de uma unidade na diversidade entre entidades componentes anteriormente independentes ou confederadas).

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como forma de concretização da justiça tributária e de outro lado a autonomia financeira dos Estados da federação para o exercício de sua competência tributária como forma de garantia do pacto federativo, cláusula pétrea da Constituição Federal. O combate à guerra fiscal possui como fundamento o Princípio da Conduta Amistosa dos Entes da Federação, 28 que segundo Konrad Hesse se traduz na fidelidade para com a Federação. A exegese que se extrai do dispositivo constitucional 29 que veda a proposta de emenda tendente a abolir a forma federativa de Estado não pode ser no sentido de que a única vedação é a do Estado Unitário. Como já fora analisado, irá ferir a cláusula pétrea a emenda que atende contra qualquer de suas características, como no caso, a autonomia financeira. Neste sentido Ricardo Lodi entende que “a proposta que restrinja sensivelmente a competência tributária de um dos entes da Federação, ainda que reserve recursos dos impostos de outros entes para compensar a diferença, também é inconstitucional, pois retira da unidade federada a possibilidade de estabelecer uma política fiscal condizente com os seus objetivos políticos, que numa Federação, não são necessariamente alinhados com o poder central” 30. A autonomia financeira é requisito essencial para que qualquer autonomia se efetive na prática. Silvio Spaventa observa que “para uma pessoa jurídica ser autônoma deve, além dos arcabouços organizacionais adequados possuir as seguintes características: I - que determine o próprio orçamento; II - que as despesas obrigatórias que possuam não dependam do arbítrio de quem quer que seja...” 31

28 - De acordo com Konrad Hesse, o Princípio da Conduta Amistosa dos Entes Federativos se traduz na fidelidade para com a Federação, não só dos estados em relação ao todo e a cada um deles , mas da União em relação aos estados.Segundo HESSE, é inconstitucional a iniciativa que fira essa fidelidade federativa, uma vez que se rompe o dever de boa conduta que deve presidir as relações entre os integrantes da Federação, baseada na colaboração e cooperação recíprocas. (HESSE, Konrad. Elementos de Direito Constitucional da República Federal da Alemanha. Tradução da 20ª edição alemã por Luís Afonso Heck, Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris Editor, 1998 Op. Cit., p. 212/215 apud Ricardo Lodi Ribeiro, Breves considerações sobre a reforma tributária sob a ótica da Justiça fiscal e o pacto federativo – www. aldemario.adv.br. 29 - Art. 60 § 4º, I da CRFB 30 - Ricardo Lodi Ribeiro, Breves considerações sobre a reforma tributária sob a ótica da Justiça fiscal e o pacto federativo – www. aldemario.adv.br. 31 - SPAVENTA, Silvio. La Giustizia nell’ Amministrazione, Giulio Einaudi Editore, 1949, p.151,apud Alexandre de Aragão – Agências Reguladoras e a Evolução do Direito Administrativo Econômico.

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Acentua ainda Flávio Bauer Novelli que o federalismo fiscal se funda “na distribuição da competência legislativa (autonomia normativa) em matéria tributária, ou seja, na atribuição, diretamente pela Constituição Federal, de poderes impositivos próprios e de fontes de receita, independentes e adequadas, respectivamente, à União e às unidades federadas.” 32 Cada Estado possui suas peculiaridades de modo que também deve ter sua independência para o exercício da competência tributária. O poder constituinte originário já estabeleceu algumas restrições para o exercício dessa competência, com o fim de evitar a guerra fiscal, a saber: estabeleceu a possibilidade de o Senado Federal fixar alíquotas mínimas e máximas para operações internas 33, bem como estabeleceu a necessidade de aprovação por convênio para a concessão de isenções, incentivos e benefícios fiscais 34. O que não se pode admitir é o esvaziamento desta competência pelo poder constituinte derivado. O que, contudo, deve ser ponderado com o objetivo da República do Brasil em reduzir as desigualdades sociais e regionais 35. Desse modo, da mesma forma que não se pode esvaziar a competência do ente federado, também não se pode admitir que uma tributação diferenciada fruto de uma guerra fiscal acabe acentuando tais diferenças. Desta forma, a constitucionalidade destas limitações, decorrentes do constituinte derivado, dependerá, segundo Ricardo Lodi, do grau de influência que tais medidas impliquem o equilíbrio federativo, o que só no caso concreto pode ser aferido. Porém, não se pode perder de vista nessa análise, que a competência para os estados legislarem sobre o ICMS já foi originalmente restringida pelo constituinte de 1988. A grande questão que envolve a reforma do ICMS é a supressão da competência tributária dos estados, que passam a ser tão somente titulares da capacidade tributária ativa e destinatários de parte da arrecadação do tributo36. Por

32 -[5] NOVELLI, Flávio Bauer,“Norma Constitucional Inconstitucional? A propósito do art. 2º, § 2º, da Emenda Constitucional nº 3/93”, RDA 199, p. 39. 33 - Art. 155, § 2º, V ,alíneas “a” e “b”:“é facultado ao Senado Federal: a) estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas, mediante resolução de iniciativa de um terço e aprovada pela maioria absoluta de seus membros; b) fixar alíquotas máximas nas mesmas operações para resolver conflito específico que envolva interesse dos Estados, mediante resolução de iniciativa da maioria absoluta e aprovada por dois terços de seus membros”. 34 - Art 150 § 2º, XII, “g”-“cabe à lei complementar: g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados”. 35 - Art. 3°, III da CRFB 36 - Capacidade tributária ativa é o poder de instituir tributos.

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oportuno, devemos ratificar a distinção entre a capacidade tributária ativa e a competência tributária. A primeira é o poder de exigir o tributo, compreendendo as atividades de fiscalizar. Já a competência tributária encontra seu fundamento de validade na própria Constituição, sendo compreendida como o poder de criar o tributo através de norma infraconstitucional, a qual deve obedecer os limites impostos pelo constituinte originário. E se for, o caso, os limites do constituinte derivado. É através da competência tributária que o ente federativo exerce sua autonomia, podendo definir a alíquota, conceder benefícios, isenções....37 Na clássica doutrina de Aliomar Baleeiro “a isonomia dos entes políticos – em que se baseia a Federação – não é conciliável com a norma de competência derivada de outro ente político” 38. Ou seja, só haverá autonomia se houver competência tributária. Esta violação ao pacto federativo não resta sanada com a capacidade tributária ativa e nem tão pouco com a destinação do produto da arrecadação. Salienta Ricardo Lodi a necessidade da competência tributária para estabelecer uma política fiscal condizente com as prioridades político-administrativas, peculiares de cada Estado-membro. É, neste ponto, justamente, que reside a crítica à proposta de mudança, pois hão de retirar a possibilidade de cada ente agir autonomamente violando decerto o pacto federativo, consagrado como cláusula pétrea. Em seu artigo, Ricardo Lodi traça um paralelo com o Imposto sobre o valor agregado: “tais limitações fazem com que o ICMS passe a ser verdadeiramente um imposto federal em que os estados mantenham a capacidade tributária ativa e a arrecadação. É bem verdade que o IVA (imposto sobre valor agregado), no direito comparado, é de competência legislativa do ente central, quando instituído em regimes federativos. No entanto, a fixação do IVA na esfera da União é compensada por outras competências atribuídas aos estados39”. Assim, reforçamos nossa opinião no sentido de que na colisão entre a necessidade de evitar a guerra fiscal, em decorrência do princípio da conduta amistosa dos entes federados, e a necessidade de garantia do pacto federativo, deve esta última prevalecer, de forma que qualquer emenda que o viole deve reputar-se como inconstitucional.
37 - Lembramos ao leitor a restrição específica do ICMS, prevista no art. 150, § 2º, XII, “g”. 38 - BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro – Editora Forensem, 11ª edição, revista e complementada pela professora MISABEL ABREU MACHADO DERZI - 1999, p. 76. 39 - Comentários do Autor: na Alemanha, por exemplo, o artigo 106 da Lei Fundamental atribui aos landers (estados-membros), além da participação na receita de vários impostos da União, como o de renda e o incidente sobre as sociedades, a competência, exercida sem interferência do legislador central, para a instituição dos impostos sobre o patrimônio, sobre as sucessões e transmissões a qualquer título, sobre os veículos automotores, sobre a cerveja e as casas de jogo.

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IV - INSTITUTO DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA IV.1 - EVOLUÇÃO DO REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA A substituição tributária foi introduzida no nosso direito positivo por meio do Código Tributário Nacional, Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966, em seu art. 58, § 2º, II, já revogado, segundo o qual “a lei pode atribuir a condição de responsável: II - Ao industrial ou comerciante atacadista, quanto ao imposto devido pelo comerciante varejista, mediante acréscimo, ao preço da mercadoria a ele remetida, de percentagem não excedente a 30% (trinta por cento) que a lei estadual fixar” O Ato Complementar 34, de 30 de janeiro de 1967, substitui o inciso II do § 2º pelo seguinte: II - Ao industrial ou comerciante atacadista, quanto ao imposto devido por comerciante varejista, mediante acréscimo: da margem de lucro atribuída ao revendedor, no caso de mercadoria com preço máximo de venda no varejo marcado pelo fabricante ou fixado pela autoridade competente de percentagem de 30% (trinta por cento) calculada sobre o preço total; cobrado pelo revendedor, neste incluído, se incidente na operação, o art. 46, nos demais casos.” O Decreto-Lei 406, de 31 de dezembro de 1968, revogou expressamente os referidos dispositivos, em seu artigo 13. A Lei Complementar 44, de 7 de dezembro de 1983, acrescentou parágrafos aos artigos 2º, 3º e 6º do Decreto-Lei 406, de 31 de dezembro de 1968, regulando a substituição tributária para frente, expressamente estabelecendo: “Art. 2º §9º Quando for atribuída a condição de responsável ao industrial, ao comerciante atacadista ou ao produtor, relativamente ao imposto devido pelo comerciante varejista, a base do imposto será: a) o valor da operação provida perlo responsável, acrescido da

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margem de lucro do comerciante varejista obtida mediante aplicação de percentual fixado em lei sobre aquele valor; b) o valor da operação promovida pelo responsável, acrescido da margem de lucro atribuída ao revendedor, no caso de mercadorias com preço de venda, máximo ou único, marcado pelo fabricante ou fixado pela autoridade competente. §10º Caso a margem de lucro efetiva seja normalmente superior à estimada na forma da alínea “a” do parágrafo anterior, o percentual ali estabelecido será substituído pelo que for determinado em convênio celebrado na forma do disposto no parágrafo 6º do artigo 23 da Constituição Federal. Art. 3º §7º A lei estadual poderá estabelecer que o montante devido pelo contribuinte, em determinado período, seja calculado com base em valor fixado por estimativa, garantida, ao final do período, a complementação ou a restituição em moeda ou sob a forma de utilização como crédito fiscal, respectivamente, às quantias pagas com insuficiência ou em excesso. Art. 6º §3º A lei estadual poderá atribuir a condição de responsável: ao industrial, comerciante ou outra categoria de contribuinte, quanto ao imposto devido na operação ou operações anteriores promovidas com a mercadoria ou seus insumos; ao produtor, industrial ou comerciante atacadista, quanto ao imposto devido pelo comerciante varejista; ao produtor ou industrial, quanto ao imposto devido pelo comerciante atacadista e pelo comerciante varejista; aos transportadores, depositários e demais encarregados da guarda ou comercialização de mercadorias.

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§4º Caso o responsável e o contribuinte substituído estejam estabelecidos em estados diversos, a substituição dependerá de convênio entre estados interessados.” A Constituição em vigor acolheu o instituto (art. 155, §2º, XII “b”), tendo o Convênio nº 66, de 1988, incluído no seu texto as normas da Lei Complementar nº 44, de 1983. Logo após, a Emenda Constitucional nº 3, de 17 de março de 1993, acrescentou o parágrafo 7º, ao art. 150, da Carta Magna: “§7º - A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido”. Em substituição ao Convênio ICMS 66, de 1988, editou-se a Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996, que regula a tributação pelo ICMS, tratando nos arts. 6° ao 10 do regime da substituição tributária. Recentemente, a Lei Complementar 87, de 1996, sofreu alterações em virtude da promulgação das Leis Complementares 102, de 2000; 114, de 2002; 115, de 2002. IV.2 - PREVISÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO Assim sendo, tem-se que o instituto da substituição tributária possui sede constitucional (1) no art. 146, III, “a”, que prevê a regulamentação por lei complementar para a definição de normas gerais em matéria de legislação tributária, em especial a definição dos contribuintes do imposto, e (2) no art. 155, § 2º, XII, “a” e “b”, que estipula a definição por lei complementar dos contribuintes do ICMS e do instituto da substituição tributária. A matéria é regulamentada atualmente pela LC 87 arts. 6º a 10, alterada pela LC 102 e posteriormente pela LC 114. A Lei Complementar 87 de 1996 dispõe sobre regras gerais incidentes na tributação pelo ICMS, em especial sobre o regime de substituição tributária. Entretanto, deve-se constatar a necessidade de lei específica sobre a matéria em observância ao princípio da legalidade esculpido na Constituição. O princípio da legalidade previsto na Magna Carta, art. 150, I, deve ser respeitado, de maneira que os elementos tradicionalmente considerados como essenciais ao tributo devem estar expressamente disciplinados na lei em sentido

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Resta.A discussão sobre a possibilidade de MP criar tributo foi cessada com a edição da Emenda Constitucional nº 32. já que cabe à lei a elaboração das regras para a implantação da substituição.formal. portanto. é a lei estadual que vai prever nominalmente. A previsão constitucional da reserva legal não se restringe ao modelo obrigacional. IV. consoante tal entendimento. deve a lei prever a fase preliminar sobre a qual incidirá o fato imponível. bens e serviços e etc. A lei em sentido formal é aquela emanada do Poder Legislativo de acordo com o processo legislativo previsto constitucionalmente 40. respeitando o princípio da legalidade estrita.ELEMENTO PESSOAL No Estado Federal Brasileiro.3 . delimitou a competência de cada ente federativo. Assim. compreendido como a pessoa jurídica de direito público titular da competência para exigir o seu cumprimento. e por fim. O sujeito passivo é a “pessoa obrigada a pagar o tributo e a penalidade 40 . que deverão ensejar a cobrança do tributo). a identificação das mercadorias. tendo por fim garantir sua autonomia financeira. é preciso que o sistema jurídico defina mecanismos de repartição de competência. aspecto objetivo (deve haver a indicação das mercadorias. § 2º. portanto. Ademais. a criação em sede de lei estadual do sistema de substituição. o Estado-membro e o Distrito Federal. 97 do CTN prevê os demais casos em que se torna necessário a disciplina legal. tributo por ora analisado. que estabelece expressamente a possibilidade da medida provisória criar tributos – art 62. da CRFB. O ICMS. Só cabe ao Executivo a função técnica de apuração e busca. 6° da Lei Complementar 87. No que concerne à criação de impostos. dos bens e dos serviços sujeitos ao regime. Neste sentido. afastada a possibilidade de regulação dessa matéria através de atos infralegais. mas a qualquer modelo que venha a ser utilizado como mecanismo de arrecadação. cada pessoa jurídica de direito público interno tem o poder de instituir e arrecadar seus próprios tributos. exige o art. o sujeito ativo do ICMS. A Constituição Federal. o aspecto de dimensionamento (referente à base de cálculo do tributo). Como a instituição de tributos se faz mediante a elaboração legislativa. 148 . englobando o aspecto subjetivo (sujeito passivo). consoante disposto na Magna Carta é de competência dos Estados-membros e Distrito Federal. é. de 1996. ou mediante a especificação das características objetivas. o art. Em se tratando do modelo operacional de antecipação. deverá a medida provisória ser convertida em lei antes do exercício seguinte àquele em que será cobrado.

ou. sob pena de inconstitucionalidade. Não se adota o critério temporal de passado. 6º. o que implica a utilização de um referencial de encadeamento das operações realizadas. Na hipótese deve ser realizada uma interpretação sistêmica que identifique um critério restritivo. ao contrário do entendimento majoritário dos Tribunais. somente poderá ser atingido pelo instituto da substituição o contribuinte do imposto ou o depositário a qualquer título. a expressão. pois deve haver uma relação entre o depositário e o fato imponível. 149 . portanto. 41 . Assim. Ricardo Lobo – Curso de Direito Financeiro e Tributário. presente e futuro. Entretanto. e não necessariamente. não havendo possibilidade deste rol ser ampliado pela lei estadual. deve ser entendido depositário a qualquer título como tão-somente os depositários das mercadorias que vão ensejar a tributação respectiva. nitidamente. A operação deve ser.TORRES. podendo a origem do depósito ser legal ou contratual. será responsável aquele qualificado pela legislação. p. já que cabe à lei disciplinar o sujeito passivo da obrigação tributária.pecuniária ou a praticar os deveres instrumentais para a garantia do crédito” 41. em seu art. “antecedente. Verifica-se. abrange depositários de qualquer bem. IV. que o sujeito passivo no regime de substituição é aquele que apresenta as qualificações previstas pela legislação. esta exegese não deve ser aplicada. caso em que será considerado contribuinte. aquele que praticou o fato gerador. em uma interpretação literal. Não se pode alcançar qualquer depositário. conforme previsto na legislação. que a Lei Complementar 87. fique obrigado ao pagamento do tributo por expressa determinação legal. Em consonância com o art. Somente os sujeitos que apresentarem estas qualidades poderão ser responsáveis pelo pagamento do imposto. 6°. como bem salienta Marco Aurélio Greco. percebe-se que a lei complementar contempla a circulação econômica da mercadoria. Em tal hipótese haveria invasão da competência definida pela Constituição. atribui a responsabilidade pelo pagamento do imposto a pessoa diversa daquela que praticou o fato gerador. concomitante ou subseqüente”.4 . Dentro desta linha.MODALIDADES DE SUBSTITUIÇÃO No que concerne ao aspecto temporal. Pode ter relação direta e pessoal com o fato gerador. em não sendo o contribuinte. Há de se concluir. sendo indiferente a circunstância que ocasionou o depósito. No que concerne ao depositário a qualquer título. 227. caso em que será o responsável.

ao comentar o regime da antecipação. pratica o fato gerador. principalmente. Pode-se destacar duas modalidades de substituição: (1) substituição para trás. já que é um diferimento no pagamento do tributo. juntamente com seu tributo. ou seja: ocorre o fato gerador para um determinado contribuinte sem que o tributo seja pago. que pode vir a se concretizar em uma etapa subseqüente. sendo alvo de inúmeras críticas.A operação deve ser subseqüente e não simplesmente uma operação futura. efetivamente. sem o débito (schuld). IV. (2) substituição para frente. sobre os quais o recolhimento do imposto só deve ser efetivado na fase de comercialização. A legislação denomina de contribuinte substituto aquele a quem confere o dever de pagar. a obrigação de pagar o tributo devido por outrem.A CONTROVERTIDA CONSTITUCIONALIDADE DA SUBSTITUIÇÃO “PARA FRENTE” O instituto da substituição tributária por antecipação vem. ou seja. A substituição “para trás” diz respeito ao deferimento. desde seus primórdios. deve ser antecedente e não simplesmente passada. tece algumas considerações. que apesar do entendimento jurisprudencial e doutrinário. que é na realidade uma postergação do momento do recolhimento do tributo. Esta técnica de tributação é aplicada. se vislumbra na hipótese a contemplação da circulação econômica da mercadoria. Da mesma forma. nos produtos agropecuários. Há grande resistência na doutrina para aceitar a constitucionalidade deste instituto. Isso vai viabilizar a incidência do tributo sobre todo o valor agregado. O instituto da substituição tributária por antecipação importa em atribuir a alguém que não realizou o fato gerador. quais sejam: 150 . Ricardo Lobo Torres. Ressalta-se. de maneira que só pode ser aplicado o instituto da substituição nas etapas interligadas do ciclo. possui a responsabilidade (haftung). pois torna-se relevante a passagem de uma estágio do ciclo econômico para outro. A substituição tributária “para trás” ou regressiva não encontrou resistência na doutrina. mas que a ele está de alguma forma relacionado. impedindo a evasão fiscal que poderia ocorrer no início da cadeia econômica. ficando para o contribuinte da operação seguinte a obrigação de pagá-lo. Há um entrelaçamento nas operações da cadeia econômica.5 . denominando de contribuinte substituído quem.

qual seja. 151 . e de todas as pessoas. 42 . à substituição “para frente”: “Ocorre que o direito de somente pagar um imposto depois da ocorrência do respectivo fato gerador. 128 do CTN. o primeiro. Admitir-se a cobrança de um imposto em face de um fato gerador futuro é submeter o contribuinte ao efeito de incidência de uma norma de tributação sobre um fato que ainda não ocorreu. assegurando. como o direito de somente se submeter aos efeitos da incidência de qualquer regra jurídica. Hugo de. mais abrangente. Aspectos fundamentais do ICMS. em face do que estabelece o art. (c) viola o preceito constitucional atributivo de competência tributária aos Estados-membros que – ao definir o ´fato signo presuntivo de riqueza‘ sobre o qual poderá ser instituído o ICMS – já indica. é um direito fundamental.Brito Machado. § 4º. ed. Sua inconstitucionalidade é flagrante. porque afronta um dos mais elementares direitos individuais. pois inexiste vínculo jurídico entre o industrial e o varejista. de modo induvidoso.” Também contestam este mecanismo Geraldo Ataliba e Aires Barreto sob os seguintes fundamentos: “(a) viola o princípio da tipicidade tributária – corolário da estrita legalidade tributária – porque importa exigência do ICMS antes da ocorrência do fato imponível. do contribuinte. pág. (b) importaria em desrespeito ao art. 1ª edição. Assim. (b) viola o princípio da não-cumulatividade que garante o aproveitamento de créditos do imposto incidente nas operações anteriores. a proposta da qual resultou a Emenda nº 3 nem poderia ter sido objeto de deliberação. pois não se sabe o real valor da venda ao consumidor final no momento prévio da saída da mercadoria do estabelecimento industrial. com isso. Dialética. repita-se o de não se submeter a qualquer efeito de incidência de norma jurídica antecipadamente.(a) constituiria uma obrigação tributária sem fato gerador. depois que tal incidência acontece. o destinatário legal do tributo. 60.São Paulo. inciso lV da CF. a atribuição de certa carga ideal de ICMS a cada contribuinte promovente da operação por ele alcançada. Hugo de Brito Machado 42 deixa clara sua crítica. o segundo. (c) haveria ofensa ao princípio da não-cumulatividade. o que contraria a própria fenomenologia do nascimento da relação jurídica tributária no ICMS.116.

ed. 43 . mas uma premissa parcial. pág. nem mesmo a cláusula que assegura a imediata e preferencial restituição da quantia paga. que ainda não aconteceu (mesmo que.41. caso não se realize o fato gerador. resta irremediavelmente atropelado com a simples tributação de fato imaginário.43 Para estes doutrinadores.176. como o da antecipação. que preserva a tributação incidente tão-somente em fatos concretamente verificados. no interesse fiscal da arrecadação.Carrazza. Deveras a eventual recomposição do dano não restabelece o primado da segurança jurídica.”. isto é. 5ª edição. 49. teria o condão de sanar o vício de inconstitucionalidade. Para que este regime se coadune com os preceitos constitucionais é necessário que se paute em fatos ocorridos. 389. entendendo ser inconstitucional o § 7º do art.ICMS. Diz ainda que à luz da competência tributária que lhe é outorgada. p. a inconstitucionalidade perdura. o mecanismo utilizado para arrecadação tributária é opção legislativa. mesmo assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga.(d) viola o princípio da capacidade contributiva.43. Assim. Roque Antonio Curso de Direito Constitucional Tributário 16ª edição p. ele realmente aconteça)” 45.Greco. Marco Aurélio.Substituição e Responsabilidade Tributária. O princípio da segurança jurídica é uma garantia do contribuinte. Contrária à grande maioria dos juristas é a lição de Marco Aurélio Greco 46.73/96. Diz o ilustre autor que “o argumento de que a obrigação tributária nasce da ocorrência do fato gerador é verdadeiro. a Constituição veda a tributação baseada em fatos prováveis. Roque Antonio Carrazza 44 eleva o princípio da segurança jurídica aos status de cláusula pétrea. por importar oneração ao patrimônio daquele que é o destinatário legal tributário na medida de fato de outrem e não na medida revelada pelo fato tributário a seu cargo. editora Malheiros. Rio de Janeiro. depois. que aliás. caso não se realize o fato gerador presumido. 44 . 23. 1º edição. “Evidentemente. IOB. 45 . e não em presunções incertas. uma vez que a Constituição não restringiu a utilização exclusiva do regime obrigacional. 150 acrescentado pela Emenda Constitucional 3 de 1993. Para este autor. 152 . o legislador criará mecanismos operacionais (compulsórios ou não) que viabilizem a percepção do tributo. 46 . vol. cabendo a utilização de outros regimes. pois alcança apenas uma fração dos modelos impositivos admitidos pela norma de competência e criados pela legislação”. Revista de Direito Tributário. p.

Resp 52960 SP. compatível com ditames constitucionais.o princípio da igualdade é empregado na sua acepção substancial.Afirma. Desse modo.12. a aplicabilidade do regime de substituição tributária. para fins de substituição tributária. 48 . sua ocorrência (elemento adequação) e na dimensão prevista (elemento proporcionalidade ou proibição do excesso). quais sejam: evitar a evasão fiscal (segurança jurídica) e assegurar recursos com alto grau de previsão e praticidade (certeza fiscal).531. 22.em relação às operações ou prestações subseqüentes.319/320. 153 . é pacífica. nº 16. Rel. o aludido jurista crê que o recolhimento antecipado é verdadeiramente uma mera técnica arrecadatória.RE 202715-4 – SP. de forma igualitária48. Min Ilmar Galvão. o regime da antecipação possibilita maior eficácia na fiscalização do imposto devido. 8º A base de cálculo.99. Sob este prisma.A substituição tributária por fato gerador futuro – Emenda nº 3 à Constituição de 1988.6 .08. e em determinado grau que permita prever. 49 . Segundo se depreende do ensinamento de Sacha Calmon Navarro Coelho 47. 50 Apesar da opinião doutrinária. 17. in Repertório IOB de Jurisprudência. participar das despesas públicas. da fase preliminar não pode ser aleatória nem arbitrária. Marco Aurélio Greco. No STJ este posicionamento encontra-se solidificado em reiterados acórdãos. obtida pelo somatório das parcelas seguintes: a) o valor da operação ou prestação própria realizada pelo substituto tributário ou pelo substituído intermediário. 47 .BASE DE CÁLCULO PARA FINS DE SUBSTITUIÇÃO Art. ao evitar a evasão fiscal. o STF também se posicionou pela constitucionalidade do regime de substituição. 50 . com razoável certeza.96. pelo legislador. primando pelo tratamento desigual aos desiguais. os tribunais acabaram por legitimar a aplicação do regime da antecipação.49 Assim. Min. que “a criação do modelo da antecipação e a escolha. Rel. no plano fático. ainda. o Poder Público assegura que todos os contribuintes que apresentem manifestação de riqueza possam. sendo certa a cobrança fiscal. reduzindo as possibilidades de não recolhimento do tributo. algum tipo de vinculação com o fato tributável a ocorrer posteriormente. será: II . em sede jurisprudencial. Adhemar Maciel. a substituição funda-se em dois valores. Na esteira deste posicionamento. 1/6. IV. págs. a escolha só pode recair em eventos que representem. 1993.” Desta feita.

“b” e “c”. relativa às operações ou prestações subseqüentes. observa-se a utilização de expressões como “usualmente praticados”. Há regras no § 4º que disciplinam a apuração deste valor para que a base de cálculo ficta se coadune com a real. c) a margem de valor agregado. já que é este o valor referencial para a apuração do montante devido. acrescido das demais despesas. O inciso II deste artigo estabelece que a base de cálculo será o somatório de três parcelas indicadas nas alíneas “a”. Tendo em vista esta possibilidade. de frete e de outros encargos cobrados ou transferíveis aos adquirentes ou tomadores de serviço. estabelece que a base de cálculo.b) o montante dos valores de seguro. no regime atual. introduzido pela LC 114 de 2002. verifica-se a intenção do legislador de tentar aproximar esta estimativa do valor final com a realidade. deve ser feita uma interpretação sistemática da expressão “margem do valor agregado”. inclusive lucro. O § 6º. com o valor final da mercadoria. quando da substituição por antecipação. ou seja. pois se há tanta preocupação com 154 . A todo o momento. Este parágrafo introduzido pela LC 114 apenas reafirmou o entendimento doutrinário a respeito. estabelecendo como regra a apuração do valor final da mercadoria. Mediante análise da alínea “a” percebe-se que o legislador não restringiu a possibilidade de substituição à operação imediatamente subseqüente. no sentido de considerá-la como a diferença entre o preço praticado na última etapa do ciclo econômico e o valor da operação própria. em especial quando ocorre a substituição em operações subseqüentes. “amostragens”. Os parágrafos subseqüentes do dispositivo corroboram este entendimento. a substituição pode abranger mais de uma operação subseqüente. conforme alínea “b”. O § 4º denota esta preocupação com a realidade. já que permitiu que a base de cálculo fosse calculada pelo valor da operação do substituto intermediário. Para tanto. que prestigia o valor final da mercadoria. Isso é de suma importância. comportando mais de uma etapa do ciclo econômico. Questão relevante que ora se coloca diz respeito à base de cálculo. Com efeito. “informações e outros elementos”. também poderá ser calculada mediante o valor em que a mercadoria chega ao consumidor final. se busca uma completa identificação entre o valor presumido e o valor real. previsto na alínea “a”. Busca-se adequar um modelo de substituição plural.

a LC 87 exige o levantamento de dados através de uma pesquisa dentro de um universo de condutas. Ou seja.7 . Dentro deste contexto. nas operações interestaduais. cabendo a ele a prova de que esta realidade foi alcançada. por exemplo. 155 . adequando-a ao valor presumido. Desta forma o acordo específico. violar regras constitucional e legalmente estabelecidas. a pretexto da utilização do um sistema. ou mesmo não venha a ocorrer. todos os mecanismos para adoção deste sistema devem permitir que o Fisco alcance a realidade. Caso este valor presumido não venha a se concretizar. Através destes dados o Poder Público vai encontrar subsídios para identificar a base de cálculo real. delineando cada hipótese em que se pretenda atribuir extraterritorialidade à lei estadual. cabe ao Estado a prova da veracidade do valor adotado para fins de substituição. a base de cálculo sobre um valor ficto será legitimada com a apuração do valor real. não é um meio para a elaboração de normas sobre a substituição tributária. Este acordo é o convênio. IV. ou seja. Assim. deverá haver um ajuste para adequar o montante devido com o que fora pago. que se torna necessário uma vez que a lei estadual criadora do sistema de substituição terá sua validade restrita aos limites territoriais do seu Estado. mas apenas um instrumento para a extensão da eficácia da lei do Estado de destino. em virtude da celebração de convênio que transponha os limites territoriais de seu Estado.CONVÊNIO ENTRE OS ESTADOS COMO REQUISITO ESPECÍFICO Há necessidade de um requisito específico para a implantação do sistema de substituição em operações interestaduais. informações e outros elementos que possibilitem a identificação da realidade. o valor real do produto. Uma determinada lei estadual não terá eficácia para alcançar. Este acordo é uma simples extensão das regras do primeiro Estado para o território de outro Estado. Esta tese é reafirmada pelo próprio legislador ao se preocupar com o valor em que a mercadoria chegará ao consumidor final. de fato. Não se pode. qual seja. um industrial situado em outro Estado. o acordo específico.o que de fato vai ocorrer é porque a base de cálculo devida é. Para tanto. O substituto. será responsável pelo pagamento do tributo devido. devendo nesta hipótese haver a restituição caso seja este valor menor do que o presumido. Conforme o dispositivo podem ser utilizados amostragens.

156 . a restituição é devida pelo Estado que arrecadou o valor do tributo a maior. Deve ocorrer o ajustamento entre a base de cálculo presumida e o valor final da mercadoria.AS QUESTÕES CONSTROVERTIDAS DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA V. A lei complementar adotou a teoria dualista. Ressalta-se a defesa da obrigatoriedade da restituição quando o fato gerador inexistir ou se verificar que a base de cálculo ocorre a menor. prevê dois sistemas de responsabilidade. cabe ao Estado disciplinar a forma pela qual irá promover esta restituição. segundo a qual se identificam duas relações jurídicas. Este ajuste entre o ficto e o real é mera operacionalização do mecanismo de antecipação. Entende-se que constitui direito inviolável do contribuinte a tributação tão-somente sobre a real manifestação de riqueza. o CTN. que realizou o fato gerador. contudo. inviabilizar o direito do contribuinte. e o sujeito passivo que suportará exclusivamente a responsabilidade sem a prática do fato imponível. a da responsabilidade (haftung).LEGITIMIDADE PARA PROMOVER A RESTITUIÇÃO O que se pretende é assegurar ao responsável o direito à restituição do indébito resultante da aplicação do mecanismo da antecipação. A primeira seria o vínculo estabelecido entre o credor e o devedor. de origem germânica. e ao credor há o dever de receber e dar quitação do que lhe for adequadamente prestado. De certo. Assim. sob pena de extrapolar os limites da manifestação de riqueza que legitima a cobrança do tributo. podendo ser responsável aquele que de fato possua o débito ou outro qualificado pela legislação como responsável. pode haver responsabilidade com ou sem o débito.V . ao contrário do defendido pelo Pretório Excelso.1 . em que ao devedor cabe o adimplemento da obrigação atendendo a todas as exigências devidas. O CTN acolheu a teoria dualista prevendo a possibilidade de não haver coincidência entre o titular do débito tributário. sendo inconstitucional a violação desta garantia. Seria uma relação de débito (schuld). em seu art 128. Esta segunda relação é independente da primeira. Desta forma. sem. entretanto a teoria dualista identificou uma segunda relação. No caso de operações interestaduais. tendo em vista a independência entre as duas relações. Na concepção da teoria monista este seria o único vínculo existente.

Questão relevante sobre o tema é a conjugação da teoria dualista com a possibilidade de restituição do valor pago a maior a título de imposto. com a exclusão da responsabilidade do contribuinte originário. Ricardo Lobo. A uma. Mesmo sob a égide deste diploma legal há acórdãos em sentido contrário atribuindo a legitimidade ao substituto sob os seguintes argumentos: 51 . Min. 2002 p. relação jurídica entre o Estado e o substituído. 23 157 . e o segundo sem a exclusão. No modelo da substituição. fica em lugar do contribuinte. Esta identificação é de suma importância para a fixação da titularidade ativa do pleito restituitório. apontar sobre quem efetivamente incide o peso financeiro do tributo.06. contudo. Humberto Gomes de Barros. 150 § 7º da CRFB se refere ao substituto. Os repertórios autorizados de jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça contêm inúmeros acórdãos atribuindo legitimidade ora ao substituto. de maneira que a responsabilidade do contribuinte originário permanece caso o responsável não cumpra com a devida obrigação. Assim.Torres. sendo o ICMS um tributo indireto deve ser averiguada a repercussão. em virtude de determinação legal. uma linha de coerência cronológica entre as teses esposadas.907 RS. a lei complementar adotou o sistema da responsabilidade com exclusão. o substituto será exclusivamente o responsável pelo pagamento do tributo devido. pois consoante a lição de Roque Antonio Carrazza. “substituto é aquele que. o art. Rel. Rio de Janeiro. Inexiste. tendo como marco divisório a vigência da LC 87/96 que. O cerne da questão está na legitimidade para promover a ação destinada à restituição do ICMS indevidamente recolhido em regime de substituição tributária.Um.Resp 173. portanto. que é a pessoa não vinculada ao fato gerador. investigar a repercussão de um tributo significa utilizar critérios econômicos para identificar quem suporta a carga tributária. ou em outros termos. pois consoante entendimento da doutrina. caput assegura ao substituído a legitimidade para a restituição. Percebe-se. Em que pese tal argumentação. 52 . Curso de Direito Financeiro e Tributário. ora ao substituído para a restituição do ICMS pago indevidamente. 9º edição. Renovar.1999. de maneira que o contribuinte originário não se responsabiliza caso haja o inadimplemento do responsável. publicado em 21. obrigada originariamente a pagar o tributo. assumindo a responsabilidade pela obrigação tributária” 52 A duas. 51 . 10. a relação jurídica tributária se estabelece entre o Fisco e o substituto. em seu art.

quando reconhecido por decisão que o contribuinte de direito não recuperou do contribuinte de fato o quantum respectivo. constatou o STF que nos impostos indiretos repercute o tributo. em diversos acórdãos. para evitar injustiças. pelo contribuinte. 10 do referido diploma legal. Inicialmente. Assim. utiliza ainda outros argumentos: Primeiro. o STJ. não cabe restituição de tributo indireto. e não o do enriquecimento ilícito do ente público. mas quem efetivamente suporta o ônus da exação é o substituído. o critério para a fixação da legitimidade ativa para a restituição do ICMS é o da redução da capacidade contributiva do contribuinte. O desenvolvimento do tema no Supremo seguiu linhas jurisprudenciais próprias. em cujo teor cabe a restituição do tributo pago indevidamente. foi decidido que “tratando-se de imposto indireto. Segundo. Min. 53 . não se prevendo a hipótese em que o contribuinte de direito pudesse suportar o ônus da carga tributária indevidamente paga. portanto. se consolidou. o contribuinte de direito apenas antecipa o recolhimento ao Fisco e o pagamento do tributo. A tendência do STF. no Superior Tribunal de Justiça. passou a exigir a prova da não repercussão do tributo discuto in casu. que não se transferiu o ônus respectivo ao comprador dos bens" 53. suportada pelo contribuinte de fato.Diante de tal fato.739 –SP. somada aos fundamentos éticos da repetição do indébito – a eqüidade e a vedação ao empobrecimento daquele que suportou a exação fiscal – fizeram que o Excelso Pretório emitisse o verbete de súmula nº 71 estabelecendo que embora pago indevidamente. no art. Com o advento da Lei Complementar 87 de 1996. considerando-a absorvida nos custos empresariais. Milton Luiz Pereira. a corrente jurisprudencial que defende a legitimidade do substituído para a restituição do ICMS. Rel. Houve uma generalização. a sua restituição somente pode ser dar quando comprovado. atualmente adotada pelo STJ. por entender que em tais hipóteses o tributo se dilui na margem de lucro. Garcia Vieira. ao contemplar tal corrente doutrinária. com o contribuinte de direito transferindo ao contribuinte de fato o ônus financeiro da imposição fiscal. distintas das verificadas no Superior Tribunal de justiça.Resp 32. foi editado o verbete de súmula nº 546. 158 . Min. Resp 149192. foi no sentido de adotar a tese que rejeita a repercussão indireta. fundamentada sobretudo no argumento da previsão expressa em lei. A doutrina. Tal razão. Nesse contexto.

questão a ser enfrentada é quanto à restituição do valor pago indevidamente a título de tributo. o substituído deveria recolher o restante devido. por si só. Entretanto. do outro. Segundo Ricardo Lobo Torres. no entender de Marco Aurélio Greco. em especial o da capacidade contributiva e da isonomia. O desafio. Grande parte da doutrina sustenta que a adoção do regime de substituição “para frente” não pode. Assim. superada tal discussão. Caso contrário estarse-ia violando princípios constitucionais. Quando a Constituição Federal trata do fato gerador presumido ela estabelece uma presunção relativa. V. como será analisado. 159 . de um lado a simplificação e a arrecadação. a tendência dos nossos tribunais foi no sentido de conferir a legitimidade da substituição “para frente”. se fosse o fato gerador maior. assegurando ao substituído o direito à restituição caso esta operação não se efetive nas dimensões previstas por ocasião do recolhimento. Na prática. é encontrar um ponto de equilíbrio entre dois valores. Na hipótese inversa. o valor estimado da operação deve corresponder ao seu valor real. da capacidade contributiva e da isonomia. já que assegura o direito à restituição caso o fato gerador não ocorra.2 . o Supremo Tribunal Federal começa a reconhecer a legitimidade ad causam do contribuinte de fato para a restituição. o convênio dispensa o pagamento quando o valor da base de cálculo for maior que a presumida. deveria ser devolvido ao substituído o valor da diferença. assegurando a restituição do que a maior fosse cobrado por antecipação. desde que a lei garantisse a veracidade da base de cálculo final. Se o fato gerador ocorresse sobre uma base de cálculo menor.Em que pese tal entendimento. quando for verificado que sobre ele repercutiu o tributo. em hipótese alguma. Ocorre que dificilmente o valor real se identifica com o valor presumido. a questão é extremamente controvertida. a proteção ao patrimônio e as garantias do contribuinte tendo em vista a aplicabilidade do princípio. ocasionou. debates doutrinários e jurisprudências acerca de sua constitucionalidade.ALCANCE DO INSTITUTO A adoção do regime de substituição tributária. como fora analisado. Caso contrário. em prol do favor fiscal. importar para o contribuinte carga tributária maior do que a devida de acordo com o arquétipo constitucional do imposto.

esculpido pelo princípio da capacidade contributiva. A tensão ocorre. quando estiverem em jogo princípios constitucionais. 15. Ricardo Lodi Justiça. ou seja. em seu art. como bem salienta Ricardo Lodi Ribeiro 55. 160 . deve ser assegurada ao contribuinte a completa identificação entre o fato gerador presumido e o real.A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição. de outro. Editora Lumen Juris 56 . baseadas no interesse da fiscalização em combater a elisão fiscal. a pretexto da utilização de um regime alternativo da arrecadação. Para tanto. o tributo torna-se devido em virtude de uma ficção legislativa. 150.Este mecanismo alternativo de arrecadação.GRECO. A CRFB prevê a possibilidade de restituição. Com efeito.Sobre o tema consultar Daniel Sarmento “A Ponderação de Interesses na Constituição Federal”. torna-se mister a ponderação 54 para encontrar o ponto de equilíbrio entre a simplificação e a arrecadação dos tributos. A realização da operação sobre a qual já foi recolhido o tributo apenas vai legitimar esta cobrança. Nesta hipótese eventual conflito deverá ser resolvido pela ponderação. tributar além da manifestação de riqueza. deve respeitar os valores e princípios garantidos pela Carta Magna. Assim. Para Marco Aurélio Greco 56. De fato. através da antecipação. § 7º: “§7º . a saber: 54 . o fato imponível é presumido pelo legislador. e a proteção ao patrimônio e as garantias do contribuinte. onde ganha relevância o peso específico que cada princípio assume no caso concreto. sendo este um direito do contribuinte. Não se pode. Substituição Tributária. reduzir os custos da arrecadação e do contribuinte. sendo obrigatório a realização de ajuste para adequação do ficto com o real. o da antecipação. o autor irá verificar a impossibilidade de aplicação dos métodos clássicos para a resolução de antinomias. e simplificar o procedimento de recolhimento. de um lado. Interpretação e Elisão Tributária. Com base na doutrina de Ronald Dworkin e Robert Alexy. caso não se realize o fato gerador presumido”. quando torna-se necessário compatibilizar as garantias do contribuinte com as normas de simplificação da legislação tributária. cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente. p. arrecadação e fiscalização dos tributos. este dispositivo pode ser desmembrado em três cláusulas constitucionais. pelo regime da antecipação. a tributação recai sobre a efetiva manifestação de riqueza. Marco Aurélio. assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga. 55 .RIBEIRO. Editora IOB.

por constituir um direito do contribuinte. A Constituição não condiciona a restituição do excesso. sob pena de tributar-se não a circulação de mercadoria. ou o responsável. que possui a responsabilidade pelo pagamento do tributo. ou seja. Para o autor. 3. o próprio contribuinte pode ser obrigado a recolher antecipadamente o tributo. Desta forma. deve ser observada a necessidade de previsão legal quando o mecanismo de restituição assim demandar. por fim. mas o capital das empresas. § 7º. Explica-se. a da restituição do excesso. Se o valor presumido não corresponder ao valor que de fato deveria ser tributado. o regime da antecipação pode ocorrer com ou sem substituição. cláusula de atribuição. não há necessidade de lei específica que preveja a restituição caso o fato imponível não venha a concretizar-se. do instituto da compensação. Ou seja. que guarda relação direta e pessoal com o fato gerador. havendo na hipótese a antecipação com substituição. por exemplo. E. caso em que ocorrerá a antecipação sem a substituição. sem vinculação direta e pessoal com o fato gerador. de maneira que a tributação deste excesso não é justificada com as hipóteses de incidência do ICMS. o ICMS deve incidir sobre o processo de produção e circulação de mercadorias e não sobre o capital e a renda das empresas. cláusula de vinculação. ou a lei poderá eleger pessoa diversa. Para Marco Aurélio Greco “não há autorização constitucional para cobrar mais 161 .1. pois diante do nexo entre o fato presumido e o fato legitimador se resguardaria a justa expectativa dos cidadãos. Assim. a Administração estaria promovendo a tributação sem vinculação com o fato gerador do tributo. Através desta cláusula estaria preservado o princípio da segurança jurídica. esta vinculação é fundamental. cláusula de restituição do excesso. assegura a coerência e a validade do regime da antecipação. 2. A cláusula de atribuição tem por fim definir o responsável pelo pagamento do imposto. A controvérsia se instaura ao delimitar a extensão que esta cláusula constitucional pode alcançar. Entretanto. a exegese deste dispositivo alcança apenas as hipóteses em que o fato não se realiza ou também se aplica às hipóteses em que a base de cálculo real for menor que a presumida. como o caso. a terceira cláusula. 150. Conforme já analisado o sujeito passivo pode ser o contribuinte. a expressa previsão legal. prevista no art. Segundo a cláusula de vinculação deve haver a identificação entre o fato presumido que gera o dever de recolhimento do tributo e o fato gerador. Ou seja.

É certo que a definição legal dos elementos necessários para ocorrência do fato imponível não pode constituir um empecilho para o controle da Administração. Resta clara a posição do ilustre doutrinador em extrair do art. porque não há hipótese de incidência para a diferença entre a base de cálculo presumida e o valor real da operação. a legitimidade para a restituição. o princípio da isonomia poderia ser violado pela facilidade no descumprimento da legislação tributária pelos contribuintes. na maioria dos casos. na hipótese não há tributo indevido.do que resultaria da aplicação direta da alíquota sobre a base de cálculo existente. não reflita a capacidade contributiva de cada um dos contribuintes. Analisa se a mesma é realmente necessária para assegurar a manutenção da isonomia tributária no cumprimento das obrigações pelos contribuintes. muitos contribuintes poderão deixar de recolher seus tributos. ou se a tributação pela capacidade efetiva já não seria suficiente para atingir esse objetivo. 162 .. O excesso deve ser restituído ao contribuinte por não haver fato imponível que justifique sua cobrança. e continua: “não se antecipa para arrecadar mais do que o devido”. No entanto. há o desrespeito pela isonomia se não há possibilidade de se estabelecer mecanismos de controle do cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes menos imbuídos do dever de contribuir para as despesas públicas ou quando o alto custo desses controles é suportado por toda a sociedade. Deve ser averiguada a razoabilidade da medida simplificadora. os pagamentos antecipados devem ser compensados com o imposto realmente devido. a adoção de medidas simplificadoras para facilitar a fiscalização não pode propiciar uma tributação que. não do tributo indevido.. e nem imputar a qualquer deles uma carga tributária radicalmente distinta da que seria devida caso não houvesse a medida simplificadora. ou pelo alto custo para a sociedade na adoção de medidas que impeçam esse descumprimento. § 7º. mas do valor pago a título de tributação. Devem-se ponderar os princípios a fim de alcançar um ponto de equilíbrio.”. da Constituição da República. Ao final do ciclo econômico. A rigor. Os interesses da fiscalização não devem ser confundidos com a justiça tributária. Ou seja. Ou seja. 150. Com a deficiência na fiscalização. A legitimidade na aplicação das normas de simplificação dependerá da proporcionalidade dessas medidas vistas sob o princípio da capacidade contributiva. o que acarretará uma injusta repartição das despesas públicas e uma violação do princípio da isonomia.

Interpretação e Elisão Tributária. Ricardo Lobo. a capacidade contributiva consiste na manifestação econômica. 67. caracterizando-se pela carga normativa que lhes é atribuída. com o pensamento pós-positivista.PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Os princípios ganham. como vetor exegético de interpretação.V. Ricardo Lodi Justiça. Editora Lumen Juris. 163 . 82. Aliomar. Ed. como a propriedade. este princípio determina: “que cada um deve contribuir na proporção de suas rendas e haveres. os princípios passam a ser considerados como espécies normativas. sem sacrifício do indispensável à vida compatível com a dignidade humana. 61 .Sobre o tema consultar Ronald Dworkin. Um Introdução . apud Luís Roberto Barroso. diante da importância que assume o princípio na visão pós-moderna. 1998 e Robert Alexy Teoría de los derechos fundamentals. Justiça. podem ser enquadradas em duas categorias diversas: normas-princípio e normas-disposição 58. Desse modo. 59 . “a capacidade contributiva do indivíduo significa sua idoneidade econômica para suportar. já que não é possível identificar a capacidade econômica de cada indivíduo. independentemente de sua eventual disponibilidade financeira.. p.. Ultrapassado o positivismo formalista da jurisprudência dos conceitos.3 . Na lição de Luís Roberto Barroso 57 já se encontra superada a distinção entre norma e princípio. um sistema tributário que identifique diversos signos de manifestação de riqueza.BARROSO. 559 apud Ricardo Lodi Ribeiro. p. Taking Rights Seriously. Curso de Direito Financeiro Editora Renovar. uma nova dimensão. tendo em vista que a dogmática moderna avaliza o entendimento de que as normas jurídicas. nos cabe analisar os princípios da capacidade contributiva. 58 . em geral. da igualdade e da vedação ao confisco. Segundo Ricardo Lobo Torres.” 59 Para Aliomar Baleeiro.3. Assim. Lumen Juris.151.TORRES. p. V. a 57 . Cabe ao legislador visualizar situações que demonstrem estes signos presuntivos de riqueza. segundo Ricardo Lodi Ribeiro 61. identificada pelo legislador. 2002 p. assim como o positivismo sociológico da jurisprudência dos interesses. 60 . 1993.1 .Capacidade Contributiva O primeiro princípio a ser analisado é o da capacidade contributiva.. uma fração qualquer do custo total dos serviços públicos. como signo presuntivo de riqueza a fundamentar a tributação.Baleeiro.” 60 Assim sendo. Interpretação e Elisão Tributária.RIBEIRO. Luís Roberto – Interpretação e Aplicação da Constituição.

exercida pelo Estado para estimular ou desestimular uma atividade. Violada será. maior do que nos tributos fiscais. o que seria violador do limite máximo da capacidade contributiva. É a busca pela segurança jurídica ao lado do valor da justiça. 145. A exemplo. temos o confisco. Segundo Tipke. No entanto. deve ser concebido à luz de fatos geradores que se revelem em signos de manifestação de riqueza e que sejam harmônicos entre si. que o limite inferior do princípio da capacidade contributiva é o mínimo existencial. como limite máximo. A tributação deve recair sobre uma manifestação econômica. A tributação não pode chegar ao ponto de confiscar a propriedade. temos alíquotas do imposto de exportação que podem chegar a cento e cinqüenta por cento. pois fruto dos direitos fundamentais. renda ou serviço do contribuinte. Evidente que tais limites da capacidade contributiva são aplicados aos tributos com caráter fiscal. ao princípio da capacidade contributiva reflete a tendência pós-moderna pela busca da justiça fiscal. a circulação de mercadoria. vislumbra o princípio da capacidade contributiva como critério justo para a repartição da carga dos impostos. o professor alemão Klaus Tipke. portanto. permite uma dilatação das alíquotas. Dentro desta concepção de que o fato gerador se traduz em signo de manifestação de riqueza é possível vislumbrar a acepção objetiva 62 da capacidade contributiva. o mínimo existencial representaria uma verdadeira imunidade. o legislador deve escolher como fato gerador do tributo um ato que seja revestido de conteúdo econômico. a expressa menção no texto constitucional. Um dos precursores da doutrina da justiça fiscal. De certo. § 1°. Tal sistema. E para que esta seja efetivada. quando houver tributação de atos que não se revelem em signos presuntivos de riqueza. é mais adequado do que o imposto único. A extrafiscalidade. tal princípio corresponde aos princípios do Estado Social de Direito e da consciência jurídica.renda e capital. Conclui-se. e não por fatos geradores que simplesmente se amoldam com uma arrecadação fiscal menos complexa. de modo que não há tributação na ausência desta manifestação. No entender de Ricardo Lobo Torres. visto como uma faceta da dignidade da pessoa humana e do próprio Estado Social. considerado como a menor riqueza para o exercício de uma vida digna. É o chamado mínimo existencial. assim. 164 . segundo Ricardo Lodi Ribeiro. Não se pode repartir as despesas do Estado com aqueles que não revelam signos presuntivos de riqueza. em seu art.

na medida em que algo indica a existência de capacidade contributiva. o fato gerador presumido por si só não apresenta a manifestação de riqueza. a capacidade contributiva busca identificar a manifestação de riqueza.Klaus Tipke e Douglas Yamashita. Editora Malheiros. Assim. como cânone da justiça fiscal. A tributação deste excesso não encontra justificativa nas hipóteses de incidência previstas na legislação. de maneira que a contribuição de cada indivíduo deve ser estabelecida de acordo com a sua manifestação de riqueza. com base na teoria moderna. ou seja. abrange o conceito de capacidade financeira. a capacidade contributiva. dados aparentes ou meramente nominais sem potencial econômico não corporificam capacidade contributiva alguma. 165 . a segunda objetiva. portanto. Na sua acepção objetiva. ao utilizar a expressão ¨sempre que possível” está se referindo à personalização dos tributos e não à capacidade contributiva que sempre deve ser observada. o princípio da capacidade contributiva é uma concretização do princípio da igualdade65.O art. Para o autor.O princípio da igualdade é utilizado em sua acepção moderna. sendo mero indício da provável realização de uma operação revestida de conteúdo econômico. 63 . na sua acepção objetiva. 145. estas serão mensuradas pelo limite mínimo de tal princípio. 65 . não podem ser concedidos 62 . Deve-se adotar o critério dos rendimentos reais. o que não é possível quando se está diante de uma ficção legislativa. manifestação de riqueza.Marco Aurélio Greco distingue o conceito de capacidade contributiva em suas duas acepções: a primeira subjetiva.§ 1º. Ora. em caráter definitivo. Justiça fiscal e o princípio da capacidade contributiva. quando houver isenção.se tal alíquota fosse aplicada a um tributo fiscal. No que se refere às taxas. Restaria violado tal princípio caso não houvesse a restituição dos valores recolhidos a título de imposto.34. de maneira que não refletem. Então. Não se pode exigir. 64 . um valor maior a título de imposto do que o resultante da alíquota sobre a base de cálculo do imposto na operação com o consumidor final. Na adoção do regime de antecipação. presumida e individual (alguém tem capacidade contributiva). pois ocorrerá na hipótese a tributação sem a respectiva correspondência com o pressuposto de fato do tributo. No texto foi empregada a expressão capacidade contributiva. ligada à pessoa. há de ser aplicada sempre63. por ausência da manifestação de riqueza. Klaus Tipke pondera que “o princípio da capacidade contributiva é um princípio de valor real e não pessoal”64. pág. Nesta hipótese a verificação da capacidade contributiva será promovida quando da adequação da ficção legal com o fato in concreto.

Princípio da Igualdade O princípio da igualdade é um limite ao arbítrio do aplicador da lei. com o seu pressuposto lógico da igualdade de situação. A igualdade jurídica não é outra coisa que a igualdade relativa.em matéria tributária. a lei tributária deve oferecer tratamento desigual para as respectivas situações diferentes. que não pode fazer distinção entre situações iguais. A existência de desigualdades naturais justifica a criação de categorias ou classes de contribuintes. de “tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente”. no art. No direito tributário o princípio da igualdade jurídica se expressa na igualdade da tributação. Segundo Themístocles Brandão Cavalcanti. A lei. no direito. Estados. da competência e das habilitações”. A Constituição da República. sem perder o seu caráter de universalidade.2 . por parte da União. Distrito Federal e Municípios.MORAES. Bernado de Ribeiro.3. Da mesma forma que se aplica de forma desigual aos que se encontrem em situação. A igualdade diante do imposto implica generalidade (alcança a todos que se encontrem nas mesmas condições) e uniformidade (pessoas em idênticas situações devem ser tratadas igualmente)66. dada a natureza da atividade a ser exercida. A lei se aplica do mesmo modo para todos que se encontrem em situações iguais nela previstas. Compêndio de Direito Tributário vol. do sexo. 117 166 . inciso I. veda a instituição. Diante desta premissa é possível verificar que a não restituição do valor a maior pago a título de imposto constitui grave violação a este tratamento isonômico. a influência da idade. pode estabelecer distinções. Em caso de desigualdade de condições. A igualdade. somente pode ser admitida no sentido de uma paridade de direitos numa correspondente paridade de condições. também. dirigir-se a grupos de pessoas. por ferir diretamente a uniformidade. 150. V. desiguais. contemplar situações excepcionais em que se pode colocar um número indeterminado de indivíduos. II p. Tal igualdade de situação pressupõe a igualdade de condições e de circunstâncias. pois a aplicação da lei tributária deve ser igual para todos que se encontrem em situações idênticas. É certo que a Constituição Federal não restringiu a utilização exclusiva do 66 . o princípio da igualdade não exclui “a diferença em função de condições pessoais.

Esta desigualdade. em decorrência do mecanismo utilizado para arrecadar o tributo. a variação da carga tributária deve se dar em função da variação da manifestação da capacidade contributiva. Não se pode. V. com a mesma base de cálculo real. em uma desigualdade entre os contribuintes. de fato. restaria por violado o princípio da igualdade se houvesse diferença no valor do tributo devido em razão do mecanismo adotado. a não restituição do valor indevido pago a título de imposto constitui uma violação ao princípio da igualdade. 150.3. sendo opção do legislador adotar o mecanismo que melhor atenda as exigências fiscais. O confisco por meio de tributos está ligado aos direitos de propriedade. De certo que nesta hipótese não se pode criar uma classe ou categoria de contribuintes. portanto. estar-se-á diante de hipótese em que mera técnica de arrecadação de tributo estará sendo utilizada como instrumento indireto de apropriação de parcela do patrimônio individual sem fundamento em norma constitucional.mecanismo obrigacional. vedado constitucionalmente. IV. previsto no art. da Constituição Federal. pois se não o for. Entretanto.Princípio da Vedação ao Confisco Outro princípio que merece destaque é o da vedação ao confisco. Ou seja. Marco Aurélio Greco vislumbra que “o excesso deve ser devolvido. O regime de antecipação é um meio utilizado pelo Fisco para facilitar a arrecadação e a fiscalização tributária. Em duas situações.3 . Não se pode admitir que o Poder Público possa. através do regime da 167 . Segundo se depreende das lições de Dino Jarach 67 igualdade tributária significa igualdade de condições de capacidade contributiva. Assim. o montante devido a título de ICMS não pode variar de acordo com o sistema arrecadatório utilizado. a Administração “invade” o patrimônio do particular para dele se apropriar sem qualquer motivo que justifique. corolário do princípio da capacidade contributiva. arrecadar mais do que seria devido na aplicação direta da alíquota sobre a base de cálculo real. que não se constitui. através deste instrumento.” Haveria na hipótese verdadeiro confisco. e não em razão do regime adotado pelo fisco. Em outras palavras. não legitima um tratamento diferenciado.

p. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. O regime de substituição tributária não autoriza. passa a adotar a interpretação restritiva. é inferior à base de cálculo presumida que serviu de parâmetro para o recolhimento do imposto.68 Desta forma. 150 da Constituição Federal.Recurso ordinário em mandado de segurança – ROMS 14615/RJ.116. cit. I. 1957. vinha admitindo a possibilidade de restituição ou compensação do ICMS quando o fato legitimador ocorrer sob valor inferior ao presumido. como princípios basilares. julgado em 17/06/02. em 08/05/ 2002. do art. em cada operação. no sistema de arrecadação. nos seguintes termos: “O contribuinte do ICMS tem direito. 68 .POSICIONAMENTO JURISPRUDENCIAL Cabe a análise jurisprudencial acerca da possibilidade de restituição no regime de substituição tributária "pra frente”. em reiterados julgados. Curso Superior de Derecho Tributário. quando sujeito ao regime de substituição tributária. que haja exigência de tributo em valor maior do que o determinante quando da ocorrência do fato imponível. diante do posicionamento do Supremo Tribunal Federal. no entanto. por via direta ou indireta. a compensar o valor do ICMS que recolheu a maior. 168 . quando o preço da mercadoria. de observância obrigatória. do que o realmente devido em face da quantificação do fato gerador. do §7º. Entretanto.4 . apesar de seus precedentes jurisprudenciais. O colendo Supremo Tribunal Federal.concluiu o julgamento da ADIn nº 1851/AL e. praticado na operação substituída. o Superior Tribunal de Justiça prestigia a capacidade contributiva e a isonomia. Não é lícito ao fisco interpretar disposição constitucional de forma restritiva. o Superior Tribunal de Justiça. julgou 67 .antecipação. por maioria. conduzir o contribuinte à entrega do seu patrimônio ao Estado sem que haja fundamento constitucional e legal para tanto. Ministro Relator José Delgado. por ausência de disposição legal. por ausência de disposição legal. 1ª edição.MORAES. Dino Jarach. A tributação não pode. V. quando da ocorrência do fato imponível. Segundo o STJ o regime de substituição tributária não autoriza. Vol. Buenos Aires. fazer nula as garantias constitucionais. que haja exigência de tributo em valor maior do que o determinante.

do art. porquanto o sistema da substituição tributária progressiva é adotado para produtos cujos preços de revenda fina são previamente fixados ou tabelados. apenas eventuais as hipóteses de excesso de tributação. que julgavam procedente a ação. em detrimento da capacidade contributiva efetiva. se a base de cálculo presumida for maior do que a efetivamente realizada.851/AL. STF.STF. a um só tempo. Ora. Celso de Mello e Marco Aurélio. eficiência e celeridade às atividades de tributação e arrecadação 71. aderindo ao argumento dos Estados-membros de que a devolução de tal montante acabaria por comprometer a sistemática da substituição tributária. do art. por isso. ADIN nº 1. Pleno. a lógica constitucional deveria ser a da necessidade de restituição do indébito.improcedente a ação e declarou a constitucionalidade do dispositivo impugnado por entender que a restituição assegurada pelo § 7º. violaria o § 7º. Min. não haverá necessidade de devolução. em face da posição uniformizadora do colendo Supremo Tribunal Federal” 69. não havendo que se falar em tributo pago a maior ou a menor por parte do contribuinte substituído. propiciando. o STF vislumbrou na hipótese a impossibilidade de restituição 70 . ante a impossibilidade do fisco estadual calcular. maior comodidade. noticiado no Informativo STF nº 271 (acórdão pendente de publicação). a diferença entre a base de cálculo presumida e a realizada. rel. 150.Idem 169 . restringe-se apenas às hipóteses de não vir a ocorrer o fato gerador presumido. sendo. por fim. ao excluir a possibilidade de restituição na hipótese de imposto pago a maior. da CF. o que consagrou a prevalência das normas de simplificação. da Magna Carta. O Supremo Tribunal Federal ao interpretar o §7o. o que inviabilizaria o próprio instituto da substituição tributária progressiva. em cada caso. portanto. em 08/05/02. No julgamento. j. Salientou-se. da máquina fiscal e da evasão fiscal a mínimas dimensões. Se este ocorrer sobre uma base de cálculo menor. Posicionamento que passa a seguir este Relator. estabeleceu que só há direito de restituição caso não ocorra o fato gerador. ao entendimento de que a norma impugnada. da CF. 70 É de se observar que o Supremo Tribunal Federal considerou que a adoção e aplicação do instituto da antecipação implicaria redução. com a ressalva do seu ponto de vista. No entanto. Ilmar Galvão. que a admissão da possibilidade de restituição implicaria o retorno do regime de apurações mensais do imposto. do artigo 150. 150. economia. O Supremo afastou a capacidade contributiva efetiva em nome da prática administrativa. 71 . ficaram vencidos os eminentes Ministros Carlos Velloso. Ou seja.

Ibidem 73 . através da interpretação evolutiva.Interpretação e Aplicação da Constituição. quando a operação final for de valor inferior ao fato imponível presumido. não autoriza normas simplificadoras na substituição tributária que se afastem da capacidade contributiva efetiva. Considerou. comprometedora da própria legitimidade da norma. Outrossim. à luz do princípio da razoabilidade. 1982. A rigor. a ausência de discrepância entre o valor presumido e o valor efetivo na maioria dos casos. estabeleceu que a presunção é relativa. 73 De acordo com a lição de Miguel Reale 74 as normas valem em razão da 72 .do ICMS. Saraiva. para a manutenção do regime de substituição tributária e a conseqüente promoção de uma arrecadação mais imune à evasão. em face da adoção do regime de substituição tributária em mercados sujeitos a preços fixados. § 7º. em determinados casos individuais. Luís Roberto . como a efetuada pelo Supremo Tribunal Federal. os prejuízos que eventualmente sejam impostos ao contribuinte.145/149. o art. A primeira.Sobre o tema consultar Barroso. apenas a partir de uma interpretação meramente literal. aquele Tribunal. também denominada de mutação constitucional. mediante um processo formal de alteração do texto constituído. a fim de se dimensionar. ao determinar ser devida a restituição imediata e preferencial caso o fato gerador presumido não ocorra. como ressaltado nos votos vencidos 72. negando abertura a qualquer norma simplificadora que evitasse a tributação conforme a riqueza efetivamente auferida. se poderia admitir que o fato gerador não ocorrido diferisse do fato gerador ocorrido sob uma base de cálculo menor. Miguel – Filosofia do Direito. V. deixou nossa Corte Maior de considerar a possibilidade desse regime estabelecer uma radical discrepância. cobrado a maior. p. p. Ed. também. É que o referido dispositivo constitucional. constituindo a tributação excessiva apenas uma eventualidade. 74 . 150.4. A segunda. mediante uma alteração informal do texto constitucional. máxime quando a norma não dispõe de mecanismos para quantificar o montante dessa diferença entre o valor presumido e o efetivo. da Constituição Federal. 594 170 . através do poder constituinte reformador. No entanto.Reale.1 – Interpretação evolutiva A ordem constitucional pode sofrer alterações de duas ordens.

apesar do Supremo já ter se pronunciado sobre a impossibilidade da restituição da diferença entre o fato gerador presumido e o real 75. 77 . A interpretação evolutiva possui como limite o próprio texto e os princípios fundamentais do sistema. em decorrência de fatores históricos. relator Min. pois a vinculação limita-se aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo. que consiste na atribuição de novos conteúdos sem a alteração do teor literal do dispositivo. diante de uma ação declaratória de constitucionalidade sobre determinado dispositivo. nada impede que haja novo pronunciamento sobre o assunto. inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto. 75 . 171 . diante das quais vislumbra-se a possibilidade de uma nova interpretação do art. que já se pronunciou no sentido de que o efeito vinculante de suas decisões não atinge o próprio Supremo. adquirindo novos sentidos ou significados. 28. § 7 º da Constituição Federal 77. César Peluso. 76 .ADIN 2675/PE.Art.851/ AL. seria o órgão competente para promover alterações do sentido da norma. consoante disposição de lei 76. Decerto que a ação declaratória de inconstitucionalidade possui efeitos vinculantes. parágrafo único da Lei 9868/99: A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade. No caso específico da substituição tributária. Mas este não é o entendimento do Pretório Excelso. não podendo penetrar no núcleo intangível dos princípios contrariando os programas constitucionais. como guardião da Constituição. mesmo quando mantidas inalteradas as suas estruturas formais. adequando-a à realidade social. Da mesma forma ocorreria com a questão da substituição tributária. políticos ou sociais. Mas será que tais efeitos também vinculam o próprio Supremo? Caso fosse positivo.realidade em que participam. Min. 150. a interpretação evolutiva é um processo informal de modificação do texto da Constituição. este se tornaria imutável. rel. tramita perante o órgão de cúpula uma ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo Governador do Estado de Pernambuco. O Supremo Tribunal nesse sentido.ADIN 1. estadual e municipal. bem como uma ação direta ajuizada pelo Estado de São Paulo. Carlos Velloso e ADIN 2777/SP. não podendo ser objeto de novo controle. Naturalmente que a interpretação deve se basear nos significados possíveis da norma. Assim. Diante desta possibilidade de reanálise da questão. têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal.

por via da Emenda Constitucional 33 acrescentou-se uma hipótese. seja objeto de nova tributação nas fases subseqüentes. servindo como diretriz constitucional imperativa cuja finalidade é. bem como para os serviços com destinatários no exterior. 4 . 3 .A terceira é sobre o ouro quando este for considerado ativo financeiro. prevista por lei complementar.Ao perquirir sobre os efeitos econômicos do ICMS. à extração das conclusões pertinentes: 1. constituindo um mecanismo eficiente para interferir no 172 . ainda que não seja contribuinte habitual do imposto.Com relação à primeira hipótese de não-incidência constitucional. determina a não incidência na prestação de serviço de comunicação de recepção livre e gratuita. impedir que a cobrança do imposto atinja um valor maior que o maior valor alcançado por todo o processo de circulação de mercadoria.O princípio da seletividade está intrinsecamente relacionado com a função de essencialidade do produto. esta. como não incidências constitucionais. E. por Ricardo Lobo Torres.A segunda hipótese de não incidência constitucional refere-se às operações sobre energia elétrica e petróleo. para melhor entendimento do tema em análise. sobre a qual não incidirá tal regra. também denominadas. inclusive lubrificantes. combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. prestação de serviços de comunicação e a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica. 5 . 6 . estendendo a imunidade específica que era concedida para os produtos industrializados para os semielaborados e os não-industrializados com destino ao exterior. temos que analisar as imunidades específicas. a Emenda Constitucional 42 promoveu uma alteração. sobre a circulação de mercadorias (circulação. por fim a última hipótese. em uma fase do ciclo. econômica). 7 . assim como os princípios da não-cumulatividade e da seletividade. passamos. consoante doutrina de José Jayme de Macedo Oliveira. acrescentada pela Emenda Constitucional 42.CONCLUSÃO Apresentada essa exposição de perfil jurídico-tributário.O ICMS é um imposto de competência dos Estados-membros. Entretanto. prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. 2 .O princípio da não-cumulatividade tem como objetivo evitar que o valor tributado.

sob pena de extrapolar os limites da manifestação de riqueza que legitima a cobrança do tributo. Não se adota o critério temporal de passado. sua principal fonte de receita. pois se trata de etapas interligadas do ciclo econômico. 11 . Na substituição ‘para frente’ há uma antecipação do recolhimento do tributo. o convênio. 10 . qual seja. sendo o sujeito passivo aquele que apresenta as qualificações previstas pela legislação. concomitante ou subseqüente. 14 . o que implica a utilização de um referencial de encadeamento das operações realizadas. grande é a divergência sobre o legitimado para a restituição. acabou por legitimar a aplicação do regime da antecipação. Este ajuste entre o ficto e o real é mera operacionalização do mecanismo de antecipação. requisito essencial para a adoção de um Estado Federal. em que há a repercussão. O Supremo começa a reconhecer a legitimidade ad causam 173 .As espécies de substituição decorrem de uma operação antecedente. concluímos ser ela inconstitucional por violar o pacto federativo.A substituição tributária é um mecanismo de arrecadação de tributo. No regime atual. há necessidade de um requisito específico. 13 . eis que através de alíquotas diferenciadas pode-se estimular ou desestimular a circulação de determinado produto.Por ser o ICMS um tributo indireto. o Supremo Tribunal Federal assim como o Superior Tribunal de Justiça. acaba por minar sua autonomia financeira.setor econômico. a substituição pode abranger mais de uma operação subseqüente. não se restringindo à operação imediatamente subseqüente. 9 . 12 . presente e futuro.Apesar de grandes embates doutrinários. 8 . 15 . pois há de verificar quem de fato suporta a carga tributária. 16 . assegurado como cláusula pétrea. e não necessariamente.Na substituição ‘para trás’ há uma postergação do momento do recolhimento do tributo. pelo poder constituinte derivado. que pode vir a se concretizar em uma etapa subseqüente da operação por ele alcançada.Para a implantação do sistema de substituição em operações interestaduais. aquele que praticou o fato gerador.Deve ocorrer o ajustamento entre a base de cálculo presumida e o valor final da mercadoria.O esvaziamento da competência do Estado-membro para legislar sobre o ICMS.No que tange à proposta de alteração da competência do ICMS.

777/SP e na ADIN 2. § 7º. sendo este um direito do contribuinte. Não se pode. 21 . A vinculação limita-se aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo. 23 .A controvérsia se instaura ao delimitar a extensão que esta última cláusula pode alcançar. pode ser desmembrado em três cláusulas constitucionais. 20 .A tributação deve recair sobre a efetiva manifestação de riqueza. 174 . Ou seja. 22 . que consiste na atribuição de novos conteúdos sem a alteração do teor literal do dispositivo. estabeleceu que só há direito de restituição caso não ocorra o fato gerador. da isonomia e da vedação ao confisco. a exegese deste dispositivo alcança apenas as hipóteses em que o fato não se realiza ou também se aplica às hipóteses em que a base de cálculo real for menor que a presumida.A interpretação evolutiva é um processo informal de modificação do texto da Constituição. garantido pelo princípio da capacidade contributiva. O Supremo afastou a capacidade contributiva efetiva em nome da prática administrativa. b) cláusula de atribuição.Nova interpretação poderá ser adotada na ADIN 2. que define o responsável pelo pagamento do imposto. a pretexto da utilização de um regime alternativo da arrecadação. o art . não haverá necessidade de devolução. a saber: a) cláusula de vinculação. 19 . do artigo 150. da Magna Carta. o da antecipação. 18 . que assegura a coerência a e a validade do regime da antecipação. o Pretório Excelso pode modificar a posição antes tomada na ADIN 1. tributar além da manifestação de riqueza.Para Marco Aurélio Greco. c) cláusula de restituição do excesso.do contribuinte de fato para a restituição.150.675/PE que tramitam no STF.851/AL.Assim. em decorrência de fatores históricos.O Supremo Tribunal Federal. Se este ocorrer sobre uma base de cálculo menor. segundo a qual deve haver a identificação entre o fato presumido que gera o dever de recolhimento do tributo e o fato gerador. 17 . políticos ou sociais. uma vez que o efeito vinculante de suas decisões não atinge o próprio Supremo. quando for verificado que sobre ele repercutiu o tributo. ao interpretar o §7o.

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referente ao termo de dação em pagamento realizado entre a Pedreira Anhanguera Empresa de Mineração S.40meses 111.200. 180 do Regimento Interno.320m pó de pedra e 2.609. aplicável a esta Corte de Contas nos termos do art. Assim.075-9/04. Competência exclusiva de Lei Complementar.01m3 de brita zero 117.075-9/04 Termo de dação em pagamento de Pedreira Anhanguera pó de pedra e brita zero para quitar Empresa de Mineração SA IPTU 179 . o qual será analisado em conjunto com o presente. segue em apenso a este o Processo TCE-RJ 202. Donato Nogueira Guimarães Objeto Contrato de locação e termo de dação em pagamento de aluguéis para quitar IPTU Termo aditivo ao contrato de locação substituindo uma das salas 3 Valor R$ Locação: 36 meses 206. 19.310. Donato Nogueira Guimarães e o Município de São Gonçalo. e o Município de São Gonçalo. nos termos do voto do Conselheiro Jonas Lopes de Carvalho Junior.A.051.41 202. RELATÓRIO Versam os autos dos Processos TCE 270.0759/04 sobre contrato de locação de imóveis não residenciais que têm como origem termo de dação em pagamento realizado entre o Sr.38 Sem valor 3.143-8/05 282. dispondo diferentemente do CTN. ainda. consagrado no art. referente ao termo aditivo ao contrato de locação. Invocando o princípio da conexão. que instituiu o Código Tributário Nacional para dispor de normas gerais. Aplicação da Súmula 347 do STF. 103 do CPC.7. 202. permite que sejam compensados tributos com a dação de bens móveis. encontra-se. É inconstitucional Lei Municipal que. Em cumprimento à decisão do Plenário de 19.CONTRATO DE LOCAÇÃO Dação em pagamento como forma de extinção de crédito tributário.199-5/04 Favorecido Sr. apensado ao presente o Processo TCE-RJ 282.04 Dação: aprox. Donato Nogueira Guimarães Sr.2005. pelo Tribunal de Contas.143-8/05.143-8/05 e 282. o voto que prolatarei ao final abrangerá os seguintes processos: Processo TCE 270.199-5/04. o qual também será analisado em conjunto.

ª Delja Marucia. cujos débitos. do Código Tributário Municipal de São Gonçalo (Lei 30/97). exclusivamente.075-9/04. A base legal de tal operação encontra-se positivada no art. bem como através de dação em pagamento de pó de pedra e de brita zero. 180 . inclusive serviços. Processo TCE-RJ 202. representado pelo Procurador Dr. e pela Procuradora Dr. nestes autos.É facultado ao Poder Executivo aceitar dação em pagamento de créditos tributários. utilizando-se dos débitos tributários do proprietário das salas e da empresa de mineração para quitá-las.” O Corpo Instrutivo após reexame e o Ministério Público Especial. a ilegalidade dos atos de dação em pagamento. no Processo TCE-RJ 282. 25. apurados ou confessados. em pagamento de tributos municipais. 25.De uma forma geral. se referirem. in verbis: “Art. previsto no § 1º. a comunicação ao atual Prefeito Municipal para que seja declarada a nulidade dos termos de dação em pagamento e elaborado termo de re-ratificação do contrato de locação em análise e expedição de ofício ao Ministério Público visando eventual propositura de ação para que a norma em tela seja declarada inconstitucional. A questão principal desses processos refere-se ao fato de o Município contrair obrigações. o Município de São Gonçalo pretende extinguir créditos tributários devidos a título de imposto predial e territorial urbano (IPTU) através de dação em pagamento de parte dos valores devidos pela locação dos imóveis não residenciais. tendo em vista o interesse da administração e observadas as disposições desta: §1º.A dação em pagamento será efetuada mediante o recebimento de bens. em linhas gerais. Lei Municipal 030/97. Horácio Machado Medeiros. 25 . representado pelo Procurador Dr. É o relatório. o Corpo Instrutivo e o Ministério Público Especial. através do instituto da dação em pagamento de bens. art. do Código Tributário Municipal como forma de pagamento do crédito tributário.143-8/05. a declaração de inconstitucionalidade do § 1º. Em relação ao termo aditivo ao contrato de locação. do art. propõem. 25 § 1º do Código Tributário Municipal. Horácio Machado Medeiros propõem o sobrestamento e apensação ao presente. a períodos anteriores ao pedido.

apenas prevê como hipótese de extinção do crédito tributário a dação em pagamento de bens imóveis. Direito Tributário Brasileiro. Atual. ou desatendem a princípios ou formas estabelecidas. Como bem disse Luciano Amaro 2 em sua obra: “O exercício do poder de tributar supõe o respeito às fronteiras do campo material de incidência definido pela Constituição e a observância às demais normas constitucionais ou infraconstitucionais que complementam a demarcação desse campo e balizam o exercício daquele poder.. quando seja o caso. como Lei Complementar e resoluções do Senado. o que se passa não é que a competência seja vedada. como também em outros tipos normativos. o moto. a forma e a intensidade de atuação do poder de tributar (ou seja...) .) Nas situações que ultrapassam os limites fixados. Requer a conformação com os princípios constitucionais tributários e a adequação. sendo balizada não só pelas limitações definidas no texto constitucional. do poder. 181 . A questão que se discute nos autos reside em saber se os Estados e os Municípios podem ampliar o contexto da expressão “bens imóveis” para todo e qualquer tipo de bem. em leis complementares ou em resoluções do Senado.O art. O que fazem. essa outorga não é ilimitada. (. acrescido pela Lei Complementar 104/01... Estados.as chamadas ‘limitações do poder de tributar’ integram o conjunto de traços que demarcam o campo. Apesar de a Constituição conferir competência tributária à União. 10ª. delimitar. XI do CTN 1. essas limitações é demarcar. 156. fixar fronteiras ou limites ao exercício do poder de tributar. São Paulo: Saraiva. que emana da Constituição... (. Luciano. ela simplesmente inexiste.“Extinguem o crédito tributário: (. 2004.AMARO. pois. Distrito Federal e Municípios.. ed.) a dação em pagamento em bens imóveis. incluindo neles os bens móveis e os serviços.” 1 . aos limites quantitativos (alíneas máximas ou mínimas) definidos na Constituição. na forma e condições estabelecidas em lei” 2 . de os entes políticos criarem tributos).

modo excepcional. quando a lei fiscal não indica expressamente as condições em que o crédito tributário deixa de existir. restringindo a aplicação do instituto utilizado no direito privado. 2ª. 3 . em seu artigo 146. 3º do CTN. 97 do Código Tributário Nacional dispõe que somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão. mas admitido na forma da cláusula “em moeda. ed. imóveis ou qualquer outro tipo de prestação. do CTN. 182 . Assim. ao definir as causas de extinção do crédito tributário. O inciso VI do art. suspensão e extinção de créditos tributários. Doutrina e Jurisprudência. Destaco trecho de autoria de José Jayme de Macêdo Oliveira 3: “Art. O instituto da dação em pagamento. XI – A obrigação tributária pode extinguir-se mediante a dação em pagamento (entrega de coisa que não seja dinheiro). Por esse motivo. 156. o contribuinte tem o dever de pagar o tributo em pecúnia. 356 do Código Civil. José Jayme de Macêdo. não se pode aplicar causas extintivas das obrigações de natureza privada. Comentários.A Constituição Federal. regular as limitações constitucionais e estabelecer normas gerais. caracteriza-se no consentimento do credor em receber prestação diversa da que lhe é devida. o Código Tributário Nacional. no que se refere à matéria tributária. Uma vez que o crédito tributário deve sua existência à lei. Contudo. sua extinção só pode ocorrer também em virtude de atos ou fatos previstos em lei. Em verdade. na forma e condições estabelecidas em lei.OLIVEIRA. caberia ao Município. 2003. podendo-se incluir bens móveis. inciso VI. elenca em seu inciso XI. estabelece que cabe à Lei Complementar dispor sobre conflitos de competência. disciplinar a forma e as condições de aplicação do instituto da dação em pagamento de bens imóveis. ou cujo valor nela se possa exprimir”. Código Tributário Nacional. em seu Código Tributário Municipal. São Paulo: Saraiva. apenas a dação em pagamento em bens imóveis. 97. conforme preconiza o art. contida no art. art. previsto no art. 156. não de ampliar o contexto da expressão “bens imóveis” para todo e qualquer tipo de bem. incluindo neles os bens móveis e os serviços.

249 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Processo AgRg no REsp 699244 / SC . ser pago "em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir". só pode ser aceita nas hipóteses elencadas em lei.11. resta demonstrada a impossibilidade da quitação da obrigação tributária sub examine por meio de dação em pagamento de apólices da dívida pública.A dação em pagamento. Min. PREQUESTIONAMENTO. em moeda ou em cujo valor nela se possa exprimir. AÇÃO ORDINÁRIA.2004 p. Precedentes: REsp nº 651. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2004/0158254-0 Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO (1116) Órgão Julgador T1 .Agravo regimental improvido. posto escapar à estrita legalidade. 1. PRECEDENTES. O débito tributário deve. CASTRO MEIRA. IMPOSSIBILIDADE. configura-o como prestação pecuniária compulsória. Min.O direito à quitação da obrigação tributária deve obedecer ao estabelecido no art. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.979/PE. Rel. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. Diante disso. resta inadmissível a dação em pagamento em títulos da dívida pública. ao definir tributo. nos casos excepcionais estabelecidos em lei poderá obter a extinção do crédito tributário mediante a entrega de bens ou serviços. 183 . Processo REsp 651404 / RS . II . DAÇÃO EM PAGAMENTO. tendo em vista a falta de previsão legal.404/RS. RECURSO ESPECIAL 2004/0046142-1 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 . 262 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. III . sendo que a presente disposição do CTN limita à dação em bens imóveis. quando visa à quitação de obrigação tributária. DJ de 06/09/2004. 2.Todavia. RECURSO ESPECIAL. para o fim de quitação de obrigação tributária.PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 09/11/2004 Data da Publicação/Fonte DJ 29. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS COM TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA.05. que. I . Tratando-se de débito tributário. Ausente o indispensável prequestionamento. reclama admissibilidade prevista textualmente na lei. nas quais não se enquadram os títulos da dívida pública. QUITAÇÃO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. inviável a apreciação da matéria em sede de recurso especial. 3.” Este também tem sido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça ao julgar recursos de ações em que se desejava extinguir crédito tributário através da dação em pagamento de títulos e apólices da dívida pública. Rel. DJ de 29/11/2004 e REsp nº 373. LUIZ FUX. 4.2005 p. necessariamente. A dação em pagamento.PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 12/04/2005 Data da Publicação/Fonte DJ 30. Recurso Especial desprovido. 3º do CTN. regido pelo princípio da indisponibilidade quanto à Autoridade Fazendária.

já decidiu sobre o tema. independente da origem da ADI/ADC. como definido pelo STF. estadual e municipal”. como a ADI/ADC é considerada um processo objetivo. afirmando não ser possível meio de quitação de crédito tributário diverso daqueles previstos no CTN. 102. o que confirma o limite do poder de tributação dos demais entes federados no que se refere às modalidades de extinção dos créditos tributários. (com redação dada pela Emenda Constitucional 45/04) não há mais dúvida de que as decisões do STF têm eficácia vinculante quando proferidas em sede de ADI e ADC e devem ser observadas pela administração pública como pelos órgãos do Poder Judiciário. Atualmente. § 2º da CR/88 4. que o Distrito 4 . independentemente do Estado da Federação ao qual se refira o dispositivo impugnado. Em outras palavras. Surge a relevância de pedido formulado em ação direta de inconstitucionalidade considerada lei local prevendo nova forma de extinção do crédito tributário na modalidade civilista da dação em pagamento.O próprio Supremo Tribunal Federal.917-5/DF. As formas de extinção do crédito tributário estão previstas no Código Tributário Nacional. se o STF decidir. proferidas pelo Supremo Tribunal Federal. em sede de ação direta de inconstitucionalidade (ADI 1. relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante. Até pouco tempo era pacífico no ordenamento nacional que as decisões das Cortes Superiores não viculavam os demais órgãos do Judiciário e a administração pública. alterando o entendimento contido na regra clássica do processo civil de que apenas o dispositivo faz coisa julgada. Outra questão é que. sem partes. nos termos do art. nas esferas federal. Assim. sim. o efeito vinculante se refere ao mérito da decisão do STF (a fundamentação). recepcionado pela Carta de 1988 como lei complementar.DISTRITO FEDERAL MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Relator(a): Min. servindo apenas como fonte de interpretação. por exemplo. Suspensão de eficácia da Lei Ordinária do Distrito Federal de nº 1.EXTINÇÃO. MARCO AURÉLIO Julgamento: 18/12/1998 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação: DJ 19-09-2003 PP-00015 EMENT VOL-02124-03 PP-00521 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO . como na ADI 1. o efeito vinculante não se refere apenas ao dispositivo da ADI/ADC.917-5/DF). ADI 1917 MC / DF . mas. a seu fundamento. 184 .“As decisões definitivas de mérito.624/97 Creio importante destacar os efeitos da decisão do STF proferida em sede de Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) nas deliberações desta Corte.

o tribunal cassará a decisão exorbitante de seu julgado ou determinará medida adequada à preservação de sua competência”.” STF. Aplicação das razões determinantes da decisão proferida na ADI 1662. Desta forma. STF nº 359. independentemente do Estado no qual se originou o questionamento. da reclamação. em sede incidental.5. Transcrevo duas decisões do STF que explicitam o Princípio da Transcendência.” Rcl 2155/RJ.10. Alcance do efeito vinculante que não se limita à parte dispositiva da decisão. Creio que a Súmula em tela deva ser utilizada com grande cautela. Min. exatamente em face do efeito vinculante demonstrado. incidentalmente considero inconstitucional o art. caso esta Corte não siga os entendimentos consignados pelo STF em sede de ADI e ADC. Gilmar Mendes. Como conseqüência. 6 . conheceu-se. “Efeito vinculante das decisões proferidas em ação direta de inconstitucionalidade. com base no que decidido na Rcl 1987/DF (DJU de 21.Federal não pode legislar sobre novos tipos de modalidades de extinção do crédito tributário. DJ de 01. o controle da inconstitucionalidade. por maioria. como ilegais.2004). caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público”. Rel.2005. o manejo da medida reclamatória seria cabível. Gilmar Mendes. Ademais. Apenas nos casos em que a inconstitucionalidade seja clara deve esta Corte efetivar. Rel. no exercício de suas atribuições. por ser aplicável ao caso o conteúdo essencial da decisão daquela ADI. diretamente no STF propugnando pela modificação de eventuais decisões que não observem o entendimento do Pretório Excelso. Reclamação que se julga procedente. “Inicialmente. tal decisão “transcende” ao Distrito Federal e alcança toda a República. Info.04. apesar de o ato impugnado não ter por fundamento expresso os itens da Instrução Normativa 11/97 do TST. qualquer interessado poderá ajuizar uma Reclamação. objeto da ADI 1662/SP. Plenário. cujo instituto está positivado nos arts. eis que lhes faltam fundamento de validade.038/90. pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Púublico”. 25 § 1º do Código Tributário Municipal de São Gonçalo (Lei 041/ 03).“Para preservar a competência do Tribunal ou garantir a autoridade das suas decisões. 13 5 e 17 6 da Lei 8. na espécie. pois a dação em pagamento para extinguir o crédito tributário 5 . em sede preliminar. por se entender que. com base na Súmula 347 do STF 7. RCL 2363/PA. Este me parece ser o caso. os termos de dação de pagamento aqui analisados devem ser entendidos. tendo em vista a limitação da competência tributária dos Municípios e em função do efeito vinculante e transcendente da decisão do STF na ADI 1. Julgamento por maioria em 23.“O Tribunal de Contas. Min.917-5/DF.2003. 185 . Eficácia que transcende o caso singular.“Julgando procedente a reclamação. 7 .

ainda em sede preliminar e nos termos do art. importe em terminação de litígio e conseqüente extinção de crédito tributário. 71. mediante concessões mútuas. juntada às fls. § 1º da CR/88 9. O art. permite tal faculdade ao Poder Executivo. em seu art. Márcio dos Santos. como o locador encontrava-se com ações ajuizadas para a cobrança do IPTU de exercícios anteriores e com valores inscritos na dívida ativa do Município. IX da CR/88 8 e oferecer ao responsável a oportunidade de corrigir a ilegalidade. não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior. 71 § 2º da CR/88 10. concordo com a posição do Corpo Instrutivo de que não está juntado aos autos qualquer documento necessário à análise do ato de dispensa de licitação esclarecendo as finalidades precípuas da administração. esta Corte deve sustar os referidos termos com base no art. 186 . condição imprescindível para a realização de contrato com a administração pública. 171 do Código Tributário Nacional permite que a lei faculte. de imediato. cujas necessidades de instalação e localização condicionem a escolha. 71. Silenciando o Legislativo competente. 10 . se verificada ilegalidade". a modalidade de extinção para os valores correspondentes da dívida ativa que foram ajuizados deveria ter sido a transação. a falha não venha a ser sanada.“Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo.2 da cláusula 1ª do termo de dação em pagamento identificam que o objeto de quitação seriam os exercícios inscritos na dívida ativa (exercícios de 1998 a 2002) bem como os valores correspondentes da dívida ativa que foram ajuizados (exercícios de 1991 a 1998). ao Poder Executivo as medidas cabíveis”. agora em sede definitiva. 2005. devo aplicar o art. ainda restam dúvidas quando à sua regularidade fiscal. bem como o item 1. 502 Comentários sobre licitações e contratos administrativos. São Paulo: Editora NDJ.“O controle externo. Destaco ainda que. Caso. Logo. Em relação à regularidade fiscal. aos sujeitos ativo e passivo da obrigação tributária a celebração de transação que. o Tribunal decidirá a respeito. ao qual compete (. que solicitará. o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional.) assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei. 58. Logo.“No caso de contrato. a cargo do Congresso Nacional. no prazo de noventa dias. homologada nos autos da ação de cobrança dos respectivos créditos. O Código Tributário do Município de São Gonçalo.Barros. 9 . Em relação ao contrato de locação. deve esta Corte encaminhar os referidos atos à Câmara Municipal. será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União.. destaco texto de autoria de Márcio dos Santos Barros 11: 8 . Outro fato importante é que a planilha de cálculo dos débitos de IPTU.” 11 .só pode recair em bens imóveis. 48/54. nas condições que estabeleça. entretanto..

199-5/04) e de dação em pagamento de brita zero e pó de pedra (Processo TCE-RJ 282. 195. Estadual e Municipal do domicílio ou sede do licitante.pela ilegalidade dos termos de dação em pagamento de locação de salas comerciais (Processo TCE-RJ 270. apesar de ter sido afirmado pela CEA (fl.“(187) De certa forma. preliminarmente. da Deliberação TCE 204/96. o exercício da atividade empresarial. trata-se de exigência que visa à cobrança de tributos daqueles que se encontram em situação irregular com o fisco. tendo em vista o exposto e analisado. no prazo de 30 dias contados da 187 .” Assim. 6º. aparentemente.1995. em termos absolutos. 29. art. em função da limitação da competência tributária dos Municípios e do efeito vinculante e transcendente da decisão do STF na ADI 1. 25 § 1º do Código Tributário Municipal de São Gonçalo (Lei Municipal 041/03) é inconstitucional.” (190) Nos termos da Nota Explicativa 07/CENAP. art. pois só impede a contratação com a Administração (as Súmulas 70 e 323 do STF estabelecem ser inadmissível a interdição de estabelecimentos e a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para a cobrança de tributos). relativa a exigências de comprovação de habilitação. ao mencionarem as exigências do inciso III. nos termos do § 1º. do art. VOTO I .Pela comunicação ao atual Prefeito Municipal de São Gonçalo.917-5/DF. de 2. taxas e contribuições de melhoria) como um todo. na forma da lei – devem fazê-lo em relação aos tributos (impostos. uma vez que seu lastro legal. ou outra equivalente. II .666/93 – prova de regularidade para com a Fazenda Federal. encontra-se com situação irregular junto ao fisco. e não a algum tributo. as finalidades precípuas da administração. para que. de acordo parcialmente com o Corpo Instrutivo e com o Ministério Púbico. Donato Nogueira Guimarães e pela firma Pedreira Anhanguera Empresa de Mineração SA. Possui base constitucional (art. já que o que se pretende comprovar é uma situação em relação à Fazenda. 78) que o contrato de locação encontra-se dentro dos valores praticados pelo mercado. cujas necessidades de instalação e localização condicionaram a escolha aos imóveis locados. “os editais. § 3º) e não veda. cujo locador. individualizadamente. utilizados como modalidade de extinção de crédito tributário (IPTU) devidos pelo Sr. Desta forma. entendo que devam ser esclarecidas.8. da Lei 8.075-9/04).

art. Sr. Henry Charles Armond Calvert. (1) siga a ordem estabelecida no artigo 26 do Regimento Interno deste Tribunal. tendo em vista o princípio do contraditório previsto no inciso LV do art. utilizados como modalidade de extinção de crédito tributário (IPTU). da Deliberação TCE 191/95. 5º da Carta Constitucional Federal. encontra-se com situação irregular junto ao fisco. 71. caso queiram.ciência da decisão desta Corte preste o esclarecimento e cumpra as determinações a seguir elencadas.Pela notificação ao Prefeito Municipal de São Gonçalo à época. Sr. 6º. inciso II. na forma da Consulta Interna TCE 301. IX da CR/88. comprove perante esta Corte que saneou a ilegalidade identificada. e aos contribuintes. IV . (2) faça constar do Ofício a advertência de que o não atendimento no prazo estabelecido. Donato Nogueira Guimarães e Pedreira Anhanguera Empresa de Mineração SA. declarando a nulidade dos termos de dação em pagamento de aluguéis e de dação em pagamento de pó de pedra e brita zero. DETERMINAÇÃO • com base no art. cujo locador.469-2/03. no prazo de 30 dias contados da ciência da decisão desta Corte. III . aparentemente. para que. 188 . • encaminhar a prova de regularidade para com a Fazenda Municipal do domicílio do locador. sem causa justificada. 3º. ESCLARECIMENTO • esclarecer as finalidades precípuas da administração. sujeitará o responsável às sanções previstas no inciso IV do artigo 63 da Lei Complementar 63/90 e ainda. da Deliberação TCE 204/96.Por determinação à SSE para que ao efetivar a comunicação determinada no item II deste voto. na forma da Lei Municipal. sujeitos dos termos de dação em pagamento ora impugnados. bem como efetue os devidos ajustes tributários. nos termos do § 2º. apresentem os argumentos para a formalização dos termos de dação em pagamento firmados. acompanhado dos elementos elencados no art. • remeta o ato de dispensa do qual o contrato de locação de imóvel não residencial decorre. cujas necessidades de instalação e localização condicionem a escolha aos imóveis locados. (3) que mencionado ofício seja acompanhado do inteiro teor deste voto e da instrução correspondente.

V . firmado entre o Município de São Gonçalo e o Sr. (4) que o mencionado ofício seja acompanhado do inteiro teor deste voto e da instrução correspondente. (3) faça constar do Ofício que o não atendimento no prazo estabelecido sujeitará o responsável aos efeitos da revelia nos termos do art. Donato Nogueira Guimarães. e à Câmara Municipal de São Gonçalo. Sala das Sessões. TCE 204/96. 14 da deliberação supra e ainda. VI .143-8/05 ao presente.Pelo sobrestamento da análise do termo aditivo ao contrato de locação de salas comerciais. RABELLO Relator 189 . tendo em vista a constatação. já que é titular do direito de mover ação direta de inconstitucionalidade. de forma incidental. até a análise final do contrato de locação respectivo e pela apensação do Processo TCE-RJ 202. 2 de agosto de 2005 JULIO L.Por determinação à SSE para que ao efetivar a notificação determinada no item III (1) proceda à publicação estabelecida no § 2º do artigo 7º da Del. 25 § 1º do Código Tributário Municipal de São Gonçalo (Lei 041/03).Pela expedição de ofício ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para que tome ciência dos fatos aqui elencados. da inconstitucionalidade do art. VII . (2) siga a ordem estabelecida no artigo 26 do Regimento Interno deste Tribunal.

O jurisdicionado foi devidamente cientificado através do Ofício PRS/SSE 31.2005 (fls. o jurisdicionado trouxe aos autos as peças autuadas nos Docs.4. Em atendimento à referida decisão. nos termos do voto proferido pelo ConselheiroRelator Sergio Franklin Quintella.comunicação da revogação do certame licitatório. devido ao fato de que o lapso temporal transcorrido (a concorrência está adiada sine die desde novembro de 2004 até a presente data) ensejou o desinteresse da Secretaria Municipal de Obras em realizá-la. mas encontrase adiado sine die. a ser executado no prazo de 360 dias corridos. Na Sessão Plenária de 9.969. que objetiva a contratação de empresa de engenharia para construção do Centro de Atendimento Integrado – CAI de Campos dos Goytacazes.635-9/05.385. tipo menor preço. de 9.57. conforme a informação passada pelos membros da Comissão Permanente de Licitações. 190 . .2004.337-6/05 e 22. 143 verso).cópias da comprovação da publicação do ato praticado nos jornais “Monitor Campista” e “O Dia”.462. a saber: .11. RELATÓRIO Trata o presente Processo 206. recebido pelo próprio em 5. O certame foi inicialmente designado para o dia 18.2004.EDITAL DE LICITAÇÃO Revogação de certame licitatório – Ausência de motivação do ato – Necessidade de comprovação de fato superveniente de interesse público – Voto pela comunicação ao Prefeito Municipal para que demonstre o fato superveniente que motivou a revogação da concorrência. sob o regime de empreitada por preço global.443-2/04 de cópia do edital da Concorrência Pública 05/04.2004.11. ficou decidido pela comunicação ao Titular do Poder Executivo Municipal para que adotasse medidas corretivas no ato convocatório. O valor estimado foi fixado em R$ 8. 19. oriundo de Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes.11.

151.JUSTEN FILHO. a Lei reconhece um 1 . cópia da ata da Sessão de Revogação da Concorrência Pública 05/2004. que assim leciona sobre a hipótese de revogação: “Ao determinar a instauração da licitação. do mesmo juízo. Consta. 157/162. 2002. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. Vale dizer. de forma a que seja explicitado o seu verdadeiro motivo. Embora cuide a presente hipótese de manifestação do poder discricionário da Administração. cujo teor dá conta do desinteresse da Secretaria Municipal de Obras em levar a efeito o presente certame. pertinente e suficiente para justificar tal conduta. trago à lume as preciosas lições de Justen Filho 1.. No momento final da licitação.Ata da sessão que trata da revogação da Concorrência 05/2004. 191 . Exercita-se sobre supostos fáticos distintos. . representado pelo Procurador Horacio Machado Medeiros. a Administração realiza juízo de conveniência acerca do futuro contrato. após exame. Não se trata. exercita-se novo juízo de conveniência. É o relatório. manifesta-se no mesmo sentido. .Aviso de revogação da Concorrência 05/2004. às fls. A norma insculpida no artigo 49 da Lei de Licitações permite à autoridade competente revogar o procedimento quando fundado em razões de interesse público.Ato de revogação da Concorrência 05/2004 assinado pelo Chefe do Poder Executivo local. sendo este decorrente de fato superveniente devidamente comprovado. porém. situação que levou a Comissão Permanente de Licitação a revogá-lo. Esse juízo é confirmado quando da elaboração e aprovação do ato convocatório. Nessa esteira. às fls. O Corpo Instrutivo. após apurada a classificação. estando em pauta sua conveniência e oportunidade. São Paulo: Dialética. 9 ed. entendo que o ato de revogação deva ser melhor fundamentado pelo Poder Executivo do Município de Campos dos Goytacazes. sob o fundamento de conveniência e interesse público. Marçal. sugere a ciência ao Plenário da revogação da Concorrência 05/2004 e o posterior arquivamento do processo. O Ministério Público Especial.

ao menos por ora.666/93. com tal postura. não se admite que a Administração julgue. Pelo exposto e examinado. Nesse sentido. Uma vez exercitada determinada competência discricionária. criando um espécie de preclusão administrativa. inexistentes ou desconhecidas à época anterior. Há que se indagar da Administração qual o suporte fático superveniente que sepultou. Tendo concluído que o ato é conveniente e determinado sua prática ou manutenção. posiciono-me em desacordo com o Corpo Instrutivo e o Ministério Público Especial e VOTO Pela comunicação. a Administração se vincula essa decisão. senão quando surgissem fatos novos. Sala das Sessões. prevista no § 1º do artigo 6º da Deliberação TCE-RJ 204/ 96. tendo em vista avaliação de sua inconveniência. a necessidade pública de se construir o Centro de Atendimento Integrado do Município. sob o manto de se estar. posteriormente. Logo. atendendo o “interesse público”. a Administração não poderia rever o ato. Isso indica a inviabilidade de renovação do mesmo juízo de conveniência exteriorizado anteriormente. de modo a que o ato de revogação não seja reputado como ato arbitrário do Poder Público.condicionamento à revogação. ao Prefeito do Município de Campos dos Goytacazes. deve o jurisdicionado trazer à lume os fatos supervenientes que ensejaram a revogação do certame em trâmite neste Tribunal. a Lei determina que a revogação dependerá da ocorrência de 'fato superveniente devidamente comprovado'. para que. nos termos do artigo 49 da Lei Federal 8. a qualquer tempo. A Administração pode desfazer seus próprios atos. Poderá revê-la desde que existam circunstâncias novas. significa uma restrição à liberdade da Administração.” (Grifei) Diante desse contexto. no prazo de 10 (dez) dias. que era inconveniente precisamente a mesma situação que fora reputada conveniente em momento pretérito. Sendo assim. sou movido a afirmar que a incúria da Secretaria de Obras do Município não se presta a motivar a revogação do certame. 26 de julho de 2005 JOSÉ MAURÍCIO DE LIMA NOLASCO Relator 192 . demonstre o suporte fático superveniente que motivou o ato de revogação em pauta. Em termos práticos.

Em sessão realizada em 13. O Douto Ministério Público concorda com a instrução. pela apensação e pela aplicação de multa ao Prefeito. Assim sendo. a fim de implementar o Plano Diretor de Execução Orçamentária da municipalidade. Na sessão realizada em 8. 25. Lei 8. tendo em vista a inobservância do disposto no inciso II do artigo 25 da Lei 8. esta Corte de Contas. auditoria financeira e treinamento de pessoal.7.174-4/01 de ato de inexigibilidade de licitação. RELATÓRIO Trata o presente Processo 261. decidiu pelo sobrestamento da análise do presente ato até decisão definitiva do Processo TCE-RJ 200. nos termos do voto prolatado pelo Conselheiro-Relator Jonas Lopes de Carvalho Junior. no valor de R$ 560.666/93. 193 .2003. assessoria. fundamentado no inciso II do art. Voto revisor. Despesas com a prestação de serviços de consultoria. 25 da Lei 8. o Conselheiro-Relator José Maurício de Lima Nolasco apresentou o seguinte voto: I . sugere o conhecimento do presente ato.979-4/978 foi conhecido por esta Corte.666/ 93).INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO Ato de inexigibilidade de licitação (II.Pela ILEGALIDADE do presente ato de inexigibilidade de licitação. Pelo conhecimento do presente ato e arquivamento do processo. observa que o referido Processo TCE-RJ 200.400. nos termos do voto proferido pelo Conselheiro-Relator José Maurício de Lima Nolasco. após reexame. assessoria.666/93 e encaminhado pela Prefeitura Municipal de Carapebus.02. Eduardo Nunes Cordeiro. em sessão de 11. o posterior arquivamento do processo e o retorno à SGE. com o fito de implementar o Plano Diretor de Execução Orçamentária da Prefeitura.979-4/98. objetivando a prestação de serviços de consultoria.5. O Corpo Instrutivo.00.2004.2003. auditoria financeira e treinamento de pessoal. Sr.

5.000 vezes o valor da UFIR-RJ. se anteriormente já havia proferido voto pela ilegalidade. ficando.2003. Cabe ressaltar que em sessão de 8. III .Pela APLICAÇÃO DE MULTA. desde já. É o relatório. Eduardo Nunes Cordeiro.971-7/03. aprovado pela Deliberação 167/92. para que providencie o devido procedimento licitatório. entendeu que deveria sobrestar a análise deste ato até decisão definitiva daquele. correspondente a 3.108-4/98 (contrato) e 260. 194 . V . comprovando a esta Corte o seu pagamento nos 10 (dez) dias subseqüentes.2003. o ilustre Relator observando que a questão meritória. no prazo de 30 (trinta) dias. e que.172-6/01 e 261. 36. Eduardo Nunes Cordeiro. ora em exame. a fim de dar continuidade aos serviços. Prefeito do Município de Carapebus. ao Sr. em caso de não-recolhimento no prazo fixado. IV . nos Processos TCE-RJ 261.II . inserido às fls. era exatamente a mesma do Processo TCE-RJ 200. bem como para o prosseguimento da cobrança judicial da multa imposta na Sessão Plenária de 8. com base no art. rescindindo o contrato em vigor. solicitei vista do processo. ao apreciar o presente processo. Esse posicionamento demonstra que a matéria não estava suficientemente clara a ponto de ter convencido plenamente o Relator. 201.5. 127 do Regimento Interno.Por DETERMINAÇÃO ao Sr.171-2/01.242-0/01 (termo aditivo) e posterior encaminhamento ao Conselheiro Jonas Lopes de Carvalho Junior para prosseguimento. Ora. posteriormente. através de acórdão. não há porque sobrestar a análise de um processo em razão de outro que aborda a mesma questão.Pela DESAPENSAÇÃO do Processos TCE-RJ 200. com fundamento no inciso III do artigo 63 da Lei Complementar 63/90.979-4/98 (ato de inexigibilidade). autorizada a cobrança judicial.Pela REMESSA do presente à SGE para adoção das providências cabíveis quanto ao Doc. remeta a esta Corte de Contas a comprovação do cumprimento desta determinação. 206/208. que deverá ser recolhida com recursos próprios ao erário estadual. pelos mesmos motivos. Na mesma sessão. Prefeito do Município de Carapebus.979-4/98.

tratam do mesmo objeto. este Tribunal em sessão de 11. Quanto ao segundo requisito da inexigibilidade fundamentada no inciso II do artigo 25 da lei. A singularidade. no entanto.2003. em período anterior. também fundamentado no inciso II do artigo 25 da Lei Federal 8. Não havendo mudança no interesse público a ser alcançado. o Processo TCE-RJ 200. ao analisar as razões apresentadas pelo Prefeito. Não devemos.De fato. cujo objeto é exatamente o mesmo deste processo. Realmente a existência de peculiaridade no interesse público (singularidade) exige a contratação de um profissional ou empresa notoriamente especializado em determinado ramo do conhecimento.666/93 está no fato de que. O ponto crucial de toda inexigibilidade fundamentada no inciso II do artigo 25 da Lei Federal 8. nas palavras do Conselheiro-Relator. deve estar presente na contratação o binômio singularidade e notória especialização da empresa adjudicatária. aparentemente. a fim de identificarmos posições. conheceu o ato de inexigibilidade. “a presença da natureza singular do serviço a ser prestado e a notória especialização da contratada”. além de identificar. não reside no próprio objeto. formalizado entre a Prefeitura Municipal de Carepebus e a SIM – Sistemas de Informações de Municípios Ltda. “ a raiz da inexigibilidade da licitação reside na necessidade a ser atendida e não no objeto ofertado”. para execução do mesmo objeto..666/93. temos a notória especialização da empresa contratada. confundir “notória 195 . tão contraditórias desta Corte em relação a processos. Portanto. A singularidade na contratação não deixa de existir porque novas empresas estão chegando ao mercado.979-4/98 trata de um ato de inexigibilidade de licitação. ou melhor. entendeu que o objeto adjudicado se enquadrava entre as possibilidades elencadas no inciso II do artigo 25 da lei. mais sim na peculiaridade do interesse público a ser satisfeito. precisamos analisar as peculiaridades da pretensão do órgão público.12. Assim sendo. A questão é delicada e merece um estudo mais bem elaborado. O Conselheiro-Relator Jonas Lopes de Carvalho Junior. que apesar de distintos. para sabermos se tal requisito está presente. nos termos do voto prolatado pelo Conselheiro-Relator Jonas Lopes de Carvalho Junior. devemos considerar mantida a mencionada singularidade. no entendimento da maior parte da doutrina e ratificado pelo Mestre Marçal Justen Filho. conforme nos ensina o ilustre Mestre.

. Configurado este panorama. cabe a ela a escolha do contratado..300 diz considerar-se de notória especialização o profissional ou empresa cujo conceito no campo de sua especialidade decorrente de desempenho anterior. de certa maneira e com determinado grau de confiabilidade. organização.. Eros Roberto Grau. é a própria Administração. A exclusividade autoriza a contratação direta com base no inciso I do mencionado artigo. características de qualidade. a singularidade do serviço está contida no bojo da notória especialização e sendo a municipalidade movida pelo fator confiabilidade. própria de seu prestador. Identificado o notório especializado. baseia-se num recurso de 196 . tem-se um notório especializado. a exemplo do Decreto-Lei 2. isso não significa seja ele necessariamente o único. embora não o possam realizar do mesmo modo e com o mesmo estilo de um determinado profissional ou de uma determinada empresa. quem delibera.666. já notória especialização parte de outros pressupostos. por um determinado profissional ou empresa. Outros podem realizá-lo.. a conformá-los. permita inferir que o seu trabalho é o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato. Os motivos alegados pelo ilustre Conselheiro-Relator José Maurício de Lima Nolasco para considerar ilegal o presente ato. publicações. aparelhamento. a escolha daquele que em última análise executará o serviço de forma mais adequada à plena satisfação do objeto do contrato. a Lei 8. equipe técnica ou de outros requisitos relacionados com suas atividades. Singulares são porque apenas podem ser prestados. em sua consagrada obra Dispensa e Inexigibilidade de Licitação ensinam que: “Efetivamente.especialização” com “exclusividade” na prestação dos serviços. concluindo que determinado profissional ou determinada empresa singularizará o serviço." Como vemos. em última instância pela confiança que inspira na Administração. estudos. pouco importa que ele seja uno ou integre uma pluralidade de notórios especializados”. ensina que: “Serviços singulares são aqueles que apresentam. Ser singular o serviço. experiências. na mesma linha de pensamento. Ora. Lucia Valle Figueiredo e Sérgio Ferraz. garantindo o atendimento ao interesse público.

hoje. e que poderiam executar o objeto.2003. pelos seguintes motivos: “Restou provado que o serviço a ser realizado na Prefeitura se enquadra como serviço singular. ou melhor.” (meus grifos) 197 .172-6/01). a análise deste ato foi sobrestada em função de outro idêntico. melhor atenderá a plena satisfação do interesse público. é atribuição do administrador escolher no rol de profissionais ou empresas capacitadas a executar aquele objeto singular. Conforme já explicitado acima. relativo ao Processo TCE-RJ 200. que em sessão de 8. melhores resultados alcançará. É cristalino que houve um equívoco na fundamentação do voto. cuja fundamentação do voto afirma que as decisões anteriores desta Corte. de forma que somente a contratada poderia realizar. em período anterior. 25 do texto legal) de notória especialização (inciso II do mesmo artigo). de destacar.979-4/98. que foi conhecido pelo ConselheiroRelator Jonas Lopes de Carvalho Junior. de outras empresas. que não diferenciou exclusividade (inciso I do art.5. ao contrário. A idéia de notória especialização não está centrada na possibilidade de um único prestador de serviços. igualmente especializadas e com atuação em diversas áreas da Administração Pública. mas. cujo objeto é exatamente o mesmo do presente ato. qual seja. O referido ato trata do mesmo objeto. notoriamente especializadas.reconsideração apreciado por este Tribunal (Processo TCE-RJ 261. Finalmente. mais uma vez. cabe a Administração escolher discricionariamente um profissional ou empresa notoriamente especializada. pela mesma Prefeitura. Observem que o Conselheiro-Relator que apreciou o recurso de reconsideração não descaracterizou o primeiro requisito do binômio. também. a singularidade. ocorreram no ano de 1998 e que existem. outras empresas que passaram a prestar serviços similares. que conheceram os atos de inexigibilidade. tendo sido contratado o mesmo Grupo SIM. aquele único que. contratado com o mesmo Grupo SIM. que continua existindo no presente ato como nos demais anteriormente conhecidos por esta Corte. segundo o grau de sua confiabilidade. O nobre Conselheiro apenas questionou a existência. hoje. não poderia deixar. a municipalidade só deposita confiança naquela empresa. mesmo existindo no mercado várias empresas capacitadas. que no seu entender.

que em outros processos. Negar a legalidade deste ato de inexigibilidade. deve procurar perseguir uma coerência nas decisões sobre uma mesma questão. foi conhecido. conflitos doutrinários. Volto a afirmar que este município ao celebrar o presente ato. e bem fundamentado. não inovou em absolutamente nada. Assim sendo. compatível com a melhor doutrina.Ressalta. não deve prosperar a afirmativa de que o presente ato seja ilegal. Nossas decisões muito influenciam os jurisdicionados. na fundamentação de seu voto. contratando de forma idêntica ao ano anterior. muitas vezes. e muitas vezes são surpreendidos por decisões tão conflitantes. mas ao contrário. Ante o exposto. ainda. também. totalmente fora de propósito. que buscam aperfeiçoar os seus atos. de acordo o Corpo Instrutivo e o Douto Ministério Público e em desacordo com o Conselheiro Relator. volto a frisar. naquelas que apresentam uma maior complexidade e. e. nos termos do voto do Conselheiro Relator José Gomes Graciosa. Sala das Sessões. é no meu entender. VOTO Pelo conhecimento do presente ato e o posterior arquivamento do processo. e principalmente. até porque este ato estava sobrestado a outro que. apenas repetiu a celebração de um mesmo ato já conhecido por este Plenário. conheceu e arquivou. esta Corte. ainda. seguindo o mesmo critério de entendimento. Esta Corte. como vimos. 5 de agosto de 2004 JOSÉ LEITE NADER Revisor 198 . aplicar multa ao Prefeito.

513-2/03 de cópia de ato de inexigibilidade de licitação.INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO Aquisição de sistemas aplicativos de informática – Ausência de comprovação da singularidade do objeto contratado – Voto pela rejeição das razões de defesa. pela comunicação ao Prefeito para que providencie a imediatamente a realização de processo licitatório e pela expedição de ofício ao Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.00. tributação e arrecadação municipal. no valor de R$ 158. Celso Alencar Ramos Jacob. o Plenário desta Corte. RELATÓRIO Trata o presente Processo 231.666/93. acompanhando voto por mim proferido. portanto. garantia qualidade técnica e condições favoráveis de preço demonstrando. Sr. notadamente em virtude da viabilidade de competição aventada em parecer jurídico mencionado análise prévia das ofertas de mercado e os sistemas compatíveis com a linguagem tecnológica implementada.Quanto à legalidade da singularidade invocada. julgamento subjetivo de dados e circunstâncias ensejadoras de 199 . formalizado pela Prefeitura Municipal de Três Rios. para que aduzisse e aprofundasse suas razões de defesa quanto às impropriedades apontadas nos itens abaixo elencados: “1 .346. pela ilegalidade do ato de inexigibilidade de licitação. cujo objeto é a aquisição da licença de uso e prestação de serviços especializados nas áreas de orçamento. finanças. a favor da empresa RPS – RIO’S PROJETOS E SISTEMAS LTDA. em face de existência de outras empresa capacitadas e notoriamente especializadas possivelmente interessadas em prestar os serviços pretendidos pela Administração.6.. folha de pagamento e patrimônio. decidiu pela notificação do Prefeito do Município de Três Rios. pelo prazo de 12 meses.2004. Na Sessão de 8. com fundamento no inciso II do artigo 25 da Lei Federal 8. contabilidade pública. pela aplicação de multa ao Prefeito. recursos humanos.

do art. imprecisão e a inconfiabilidade das informações produzidas pelos deficientes sistemas que vinha utilizando. dentro dos critérios de singularidade competitiva e economicidade. 130/135. 13 da Lei Federal 8. Este o fundamento básico da contratação por inexigibilidade e caracterizado no inciso II. trecho de Marçal Justen Filho. o jurisdicionado protocolizou neste Tribunal a documentação autuada como Doc. nos termos estabelecidos no art. ocorrendo inclusive após a celebração do contrato.quanto à intempestividade na publicação. 26 da L.cabia à Administração buscar no mercado. fruto das ´ofertas indiscriminadas do mercado´ alegadas na justificativa da inexigibilidade” (sic) Aduz. Esta seleção recaiu justamente na empresa RPS – Rios Projetos e Sistemas Ltda. Em relação ao item 01 (um) da notificação. com o intuito de justificar a interpretação de que seria inadequada a realização de licitação para atender as soluções eleitas pela Administração. expõe o Administrador que: “o Município via-se às voltas com a precariedade. ainda. 8.” Com o fito de atender à decisão plenária transcrita. 2 . 25. 200 .quanto à omissão na remessa do presente ato de inexigibilidade de licitação de dezembro de 2001. 3 .procedimento formal através de certame licitatório a fim de promover o julgamento objetivo das propostas apresentadas. constituindo-se de encaminhamento obrigatório à luz da Deliberação TCE-RJ 191/95.927-6/04. também. c/c o art.666/93: serviços singulares de notória especialização e comprovada qualificação técnica. uma empresa que não se limitasse ao fornecimento de sistemas de qualidade técnica comprovada. que: “. juntada às fls.F. de Belo Horizonte...” (sic) O jurisdicionado traz à colação. 30.. que correspondeu pelos vários e técnicas apontadas às expectativas. mas que tivesse condições de prestar assistência conceitual na orientação dos procedimentos requeridos no momento e ao depois e auxiliasse a Administração a colocar a casa em ordem.666/93.

que tratam. 119/120. III . estes últimos com decisão de sobrestamento. No que tange as respostas dos itens 2 e 3 o ordenador admite a irregularidade apontada por esta Corte de Contas. É o relatório. bem como proceda o procedimento licitatório pertinente para o objeto tratado no presente. Face ao exposto sugerimos: I . art. o interessado limita-se a ratificar as impropriedades então detectadas neste processo e a relatar as medidas implementadas pela Administração visando a correção das mesmas. opina nesses termos: “Portanto não foi a necessidade de contratação de empresa singular e sim de uma que pudesse suprir os anseios da prefeitura por sua falta de planejamento o que de toda forma não justificaria ‘a situação emergencial’ que passava.o não-acolhimento das razões de defesa apresentada pelo jurisdicionado.Em relação aos itens 2 (dois) e 3 (três). Tramitam em apenso os Processos TCE-RJ 230.512-8/03. o Corpo Instrutivo.878-4/03. 231. Reputando insubsistentes e insatisfatórios os argumentos de defesa apresentados.” (meus grifos) O Ministério Público. com fulcro no inciso III. em face das impropriedades apontadas às fls.516-4/03 e 233. Em que pesem as razões trazidas pelo titular do Poder Executivo Municipal.determinação ao atual Prefeito para que cesse os efeitos do ato em questão. manifesta-se no mesmo sentido. recolhendo a mesma aos cofres estaduais. 201 . acaso necessária. Celso Alencar Ramos Jacob. representado pelo Procurador de Justiça Horácio Medeiros. sem prejuízo de procedimentos corretivos. do contrato e de seus termos de aditamento. 230. II . restando autorizado os procedimentos inerentes à cobrança executiva.aplicação de multa ao Sr. respectivamente. 63 da Lei Complementar 63/90.564-4/03. após reexame. no que couber.

O artigo 25. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos.destina-se a evitar a generalização da contratação direta para todos os casos enquadráveis no art. da Lei de Licitações. Não me é custoso dizer que a inexigibilidade de licitação. inciso II. compelindo a Administração à adjudicação direta do objeto pretendido àquele que melhor satisfará a demanda pública. abrigadas nos artigos 24 e 25 da Lei Federal 8. Tais formulações. se pode ser reputada como atuação padrão e comum ou não. devem se submeter à prévia realização de competição licitatória. exemplifica a hipótese em que o serviço técnico a ser contratado tem natureza singular. 2002. 13. Marçal.. de quaisquer entes da Federação. Na Administração Pública. São Paulo: Dialética. É imperioso verificar se a atividade necessária à satisfação do interesse público é complexa ou simples.entendo que a contratação direta praticada em sua gestão não se amolda à hipótese do artigo 25. as compras e os serviços contratados pela Administração Pública. O legislador ordinário elencou as hipóteses em que essa regra geral estaria afastada para melhor satisfação do interesse público. entendendo-se por esta a condição atípica. leciona que a natureza singular: “.” (grifei) 1 . impossível de ser enfrentada satisfatoriamente por todo e qualquer profissional ´especializado´. 202 . pois apresentam complexidades que impedem obtenção de solução satisfatória a partir da contratação de qualquer profissional (ainda que especializado). são sobejamente conhecidas como dispensa e inexigibilidade de licitação.JUSTEN FILHO. incomum e excepcional enfrentada pela Administração que torna o objeto incapaz de ser realizado por qualquer profissional disponível no mercado. respeitado administrativista. Justen Filho 1.. A natureza singular se caracteriza como uma situação anômala. do Estatuto das Licitações – dispositivo invocado pelo Administrador como fundamento para o caso vertente –. Envolve os casos que demandam mais do que a simples especialização. como exceção à regra geral. cuida de situações em que a concorrência entre potenciais fornecedores de bens ou prestadores de serviços se torna inviável. inciso II.666/93. 9 ed. incomum.

na atividade profissional comum. de molde a que seja enfrentado por profissional de qualificações superiores aos ordinariamente disponíveis no mercado concorrencial. tornando-o ímpar. a natureza singular resulta da conjugação de dois elementos. a viabilidade de competição não pode ser avaliada apenas em face da necessidade estatal. É necessário examinar se um profissional qualquer de qualificação média enfrenta e resolve problemas dessa ordem. Para Justen Filho: “A identificação de um ´caso anômalo´ depende da conjugação da natureza própria do objeto a ser executado com as habilidades titularizadas por um profissional-padrão que atua no mercado. tornando inviável a competição. não basta reconhecer que o objeto é diverso daquele usualmente executado pela própria Administração. que respalda a inexigibilidade em tela.Depreende-se da lição ora transcrita que a contratação direta não se orienta. pela natureza técnica do serviço.. Imprescindível. in verbis: “Analisando a cópia do processo supracitado.. reporto-me à Instrução de fls. ainda.) 203 . Ou seja. conforme pauta definida no artigo 13 da Lei de Licitações. mas também depende da verificação do mercado. Um deles é a excepcionalidade da necessidade a ser satisfeita. às fls. mencionando a recente aquisição pela Prefeitura da ´avançada tecnologia Oracle´. Ulisses Guimarães Figueiredo Filho. onde são apontadas as seguintes constatações. Dr. O outro é a ausência de viabilidade de seu atendimento por parte de um profissional especializado padrão. apenas. que ao serviço técnico se acrescente a ocorrência de uma situação anômala. que impunha que os sistemas aplicativos a serem adquiridos observassem essa padronização. entre si relacionados. É perfeitamente imaginável que uma necessidade estatal excepcional e anômala possa ser atendida sem maior dificuldade por qualquer profissional especializado. Portanto. 04/05. (. deparamo-nos com o parecer do Procurador Geral do Município à época. Ou seja.” (grifei) Diante desse conjunto de idéias. 044 a 046. que traz considerações elaboradas pela equipe de inspeção de Auditoria de Sistemas acerca da inexigibilidade em debate.

o Sistema Tributário e de Arrecadação Municipal – SINTAX. através de inúmeros atestados insertos no mesmo.j. durante os trabalhos de inspeção in loco. embora a contratação tenha sido realizada com uma empresa de capacidade técnica exaustivamente comprovada no processo em tela. utilizando a tecnologia baseada no Banco de Dados Oracle.m. afasta a premissa da inexigibilidade por compatibilidade com a tecnologia supostamente recém-adquirida. No entanto. em seu parecer. Considerando então a existência de uma série de empresas fornecedoras de sistemas de informação desta natureza. inclusive. a melhor alternativa para a Administração Municipal teria sido a realização de uma licitação para o alcance de seus objetivos. constituída de um conjunto de sistemas integrados. que a Prefeitura não possuía a tecnologia Oracle à época do parecer do Procurador Geral e que.m. s.j. que a qualidade do sistema SINTAX. não utiliza a tecnologia Oracle. envolvendo o grau de segurança. Ressaltamos. Ademais. ou seja. constatamos que um dos sistemas comprados por meio deste processo de inexigibilidade. ressalta a necessidade de que a Prefeitura adquirisse ´uma solução proposta para a informática. anterior portanto à aquisição da tecnologia Oracle pelo Município.” 204 . existência de rotinas. tratar-se de objeto de natureza singular.. desenvolvido em linguagem de programação CLIPPER é bastante inferior a dos outros sistemas adquiridos junto à RPS que fazem uso da tecnologia Oracle. não consideramos. Desta forma. acrescentamos também que. s. o que. no tocante à segurança e confiabilidade dos dados necessários a um sistema de cunho estratégico para a Administração Municipal por controlar a receita tributária. entendemos. Por fim. tal justificativa não poderia ter sido empregada. por si só. etc. pois há paradigmas técnicos de comparação entre sistemas de informação que permitem a aplicação do critério de melhor técnica.Cabe destacar que o parecer do Procurador Geral data de 04 de outubro de 2001. confiabilidade e integridade dos dados. por conseguinte. dentro dos mesmos padrões tecnológicos´. o Procurador Geral. fornecido pela empresa RPS.

os fundamentos de minha decisão.Pela rejeição das razões da defesa expostas pelo Sr. Dessarte. ao invés da inexigibilidade de licitação. é inferior em qualidade. seria o da realização de licitação para a contratação dos serviços. imperativa a afastar a realização de competição licitatória. o que tornaria viável a competição licitatória. à época. tampouco conseguem infirmar as argumentações elaboradas pelo Corpo Instrutivo. O primeiro diz respeito ao parecer jurídico que serviu de amparo à edição do ato de inexigibilidade.Em seu relatório. portanto. São esses. posiciono-me de acordo com o Corpo Instrutivo e o Ministério Público e VOTO I . O Administrador. Tenho. Celso Alencar Ramos Jacob. em suas respostas. dada a existência de outros sistemas aptos à satisfação das necessidades do município. Pelo exposto e examinado. tendo em vista que não restou configurada a singularidade do objeto adjudicado diretamente à 205 . inusitada. vez que não se amolda ao comando do inciso II do artigo 25 do Estatuto das Licitações. não configuram a singularidade do objeto contratado. a equipe de inspeção aponta para problemas de duas ordens. II . não conseguiu demonstrar que a necessidade pública na Pasta da Fazenda era tal que somente o sistema adquirido.Pela ilegalidade do presente ato de inexigibilidade de licitação. daí. Os obstáculos de cunho administrativo apresentados pelo jurisdicionado. poderia satisfazer o interesse público em questão. ao meu pensar. porque fundamentado na aquisição da tecnologia Oracle que até então não se havia concretizado. Ademais. não restou configurada a singularidade do objeto contratado. com exclusão de qualquer outro. levando-me a concluir que o caminho legal que deveria ter sido adotado. portanto. que não utiliza a tecnologia Oracle e. segundo a equipe de inspeção. não estou convencido da situação ímpar. peculiar enfrentada pela Administração Municipal de Três Rios. O segundo é relativo ao sistema SINTAX. que o ato em voga padece de eiva insanável. quando considerados os quesitos segurança e confiabilidade.

Sala das Sessões. V . 21 de junho de 2005 JOSÉ MAURÍCIO DE LIMA NOLASCO Relator 206 .empresa eleita pela Administração.Pela expedição de ofício ao Exmo. a esta Corte de Contas. Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro para que tenha ciência da presente decisão e adote as providências que reputar cabíveis. IV . comprovando seu pagamento a esta Corte nos 10 (dez) dias subseqüentes. comprovando. hipótese que não se amolda ao disposto no inciso II do art. através de Acórdão. Sr. Sr. para que providencie imediatamente o devido procedimento licitatório a fim de dar continuidade aos serviços alvo deste ato de inexigibilidade. 25 da Lei 8. ao Prefeito do Município de Três Rios. Celso Alencar Ramos Jacob. ao Sr. prevista no § 1º do artigo 6º da Deliberação TCE-RJ 204/96. ficando. com fundamento no inciso III do artigo 63 da Lei Complementar 63/ 90.Pela aplicação de multa. Celso Alencar Ramos Jacob. tão logo. III . desde já. as medidas implementadas em virtude desta decisão.666/93. a qual deverá ser recolhida com recursos próprios ao erário estadual. na quantia correspondente a 3.Pela comunicação. autorizada a sua cobrança judicial em caso de não recolhimento no prazo fixado.000 vezes o valor da UFIR/RJ. no prazo de 30 (trinta) dias. Prefeito do Município de Três Rios.

nos termos da solicitação por mim subscrita no Processo TCE 200.Investimentos do Departamento de Limpeza Urbana. § 1º. 207 . alterada pela Lei 7.582-0/02. por estarem fixadas no município instalações terrestres de embarque e desembarque do óleo bruto e de gás natural da PETROBRÁS. Diligência externa. c) Quanto às transferências do tesouro nacional aos municípios do Estado do Rio de Janeiro. RELATÓRIO Trata o presente Processo 230. chegou-se ao percentual de 5.057.397. 18 do Decreto 1/91. b) Quanto à representatividade dos royalties no total de receitas acumuladas. fl. no total de R$ 18. que tramita junto ao Processo TCE 260. em seu Relatório de Inspeção Especial.873-3/01. e. 3996-8/02: No Departamento de Limpeza Urbana: 1 . nos termos do inciso I. na Prefeitura do Município de Duque de Caxias.00%. d) Os valores dos royalties. foram aplicados em cinco programas de trabalho.46. nos termos do art. o percentual levantado foi de 3. também. 02 a 17.INSPEÇÃO ESPECIAL Inspeção especial realizada na Prefeitura do Município de Duque de Caxias. 27 e seus §§ 4º e 6º. referente à aplicação das receitas provenientes dos royalties de petróleo e gás natural. 25 do Doc. Apresente razões e esclarecimentos e cumpra as determinações.990/89.26%.004/53. A 3ª IRE às fls. Exigências. traz as seguintes informações relevantes: a) A origem das compensações financeiras ao Município de Duque de Caxias estão vinculadas à instalação industrial da PETROBRÁS. da Lei 2. art.576-5/02 da inspeção especial realizada no período de 28 a 30 de janeiro de 2002. com o fim de verificar o resultado da aplicação das receitas dos royalties na qualidade de vida dos seus respectivos munícipes.

II . fls. No Departamento de Desenvolvimento: 3 . 5.000.00). . . 09. f) Quanto à existência de estudos elaborados pelo município acerca dos prejuízos diretos e indiretos causados pelo beneficiamento do petróleo bruto: 208 .Execução de obras de saneamento básico.foram utilizados R$ 6.89).419. para fornecimento de refeições aos servidores municipais de diversos órgãos (R$ 10. 11 a 14.para pagamentos de serviços de cópias (R$ 232.75).990/89). e) Quanto à aplicação dos recursos provenientes dos royalties e o cumprimento da legislação vigente. sendo 65. para manutenção dos sistemas (software) de contabilidade e tesouraria (R$13.2 .“existência de 06 processos de pagamento de folhas a servidores ativos e inativos custeadas com recursos de royalties” (em desacordo com o art.16% em Manutenção e Operacionalização do Departamento de Limpeza Urbana.773. 8º da Lei 7.Conservação de redes de esgoto sanitário e pluvial. 4 . para serviços de limpeza. constataram-se as seguintes impropriedades: . destaca-se o seguinte: I .1. especificamente em Execução de Obras de Saneamento. g) Em relação à aplicação dos royalties.Conservação de vias urbanas com serviços complementares. fl.73% foram destinados às despesas de capital ou investimentos.27% foram comprometidos com manutenção ou despesas correntes.00 – valor empenhado e não pago até a Inspeção).61 para pagamento do quadro permanente do Município. higiene e conservação nas dependência da SME (R$ 442.Manutenção e Operacionalização do Departamento de Limpeza Urbana.98.680.568. apesar da vedação legal.

16 e 17. “Determinações 1) Para que. h) Registra-se que houve aplicação de recursos dos royalties em obras de infra-estrutura. maximize empreendimentos efetivos na melhoria das condições de 209 . Conclui o Corpo Instrutivo. como o caso das despesas com alimentação para diversos órgãos. em prazo a ser fixado por esta Egrégia Corte. como por exemplo uma distribuidora de combustível e gás. § 2º.” g) A refinaria de petróleo agrega empreendimentos complementares. a fim de que. fls.990/89.“O Município não dispõe de qualquer estudo ou avaliação sobre os prejuízos diretos e indiretos causados pelo beneficiamento do petróleo bruto. 2) Quanto ao não-cumprimento do artigo 24 do Decreto Presidencial 01/91 que regulamentou a Lei 7. 6º. tesouraria e prestação de serviço de cópia. alertando-o para as sanções previstas no artigo 63. da Lei Complementar Estadual 63/90: “Razões de Defesa 1) Quanto ao não-cumprimento do artigo 8º da Lei 7. da Deliberação TCE 204/96 c/c o artigo 26 do Regime Interno deste Tribunal.. apresente razões de defesa e cumpra as determinações abaixo. pelo “Sistema de Mão Própria”. com fulcro no art. serviço de limpeza.001/90. através de estudos próprios acerca de possíveis prejuízos diretos e indiretos causados por esta atividade econômica. Prefeito do Município de Duque de Caxias. visto que foram aplicados recursos de royalties em despesas que não estão abrigadas na legislação em tela. com redação alterada pelo artigo 3º da Lei 8. José Camilo Zito dos Santos Filho. desenvolvimento e manutenção dos sistemas (software) de contabilidade. sugerindo: “Notificação ao Sr. higiene e conservação nas dependências das secretarias. visto que foram aplicados recursos de royalties com pagamento de quadro permanente de pessoal.990/89.

8º da Lei Federal 7. em obediência ao art.990/89. com redação alterada pelo art. 2) Para que seja atendido o disposto no artigo 60 da Lei 4. tendo esta última sugerido determinação no seguinte sentido: “Providenciar a correção das aplicações dos recursos provenientes dos Royalties do Petróleo de tal ordem que não despenda. Vale trazer alguns destes dados. Antes de examinar o mérito das questões levantadas na inspeção. 3º da Lei 8.vida dos munícipes. quero trazer aos autos alguns dados sobre o Município de Duque de Caxias de modo a contextualizar a utilização dos recursos compensatórios oriundos da exploração do petróleo e do gás natural na melhoria de qualidade de vida dos cidadãos. conferindo em definitivo a finalidade compensatória aos recursos municipais auferidos a título de royalties. visando uma melhora na informação contábil. em especial as contas 1921.” O Douto Ministério Público. É o relatório. 4) Para que o controle interno atue de forma a positivar normas para o registro da receita. opina no mesmo sentido do Corpo Instrutivo.2003): 210 . direta ou indiretamente. fls. bem como carreie recursos com vistas a recuperar danos causados ao meio ambiente local.” A SUM e a SGE opinam no mesmo sentido. deverá perseguir o princípio da evidenciação plena. 20. pois o gestor.320/64 no que diz respeito à despesa sem o prévio empenho. 3) Para que a contabilidade providencie os desdobramentos necessários. sempre que possível.9. disponíveis no site oficial da municipalidade na internet (22. no quadro permanente de pessoal e/ou em dívidas. fl. 18 e 19.001/90.03 Royalties do Petróleo e rendimentos de aplicação financeira.

856 ano 8. e .5% 71.6% 41.Fábrica da Nestlé. .9% 27.200 hab Principais segmentos industriais Químico/petroquímico Metalúrgico/gás Plástico Mobiliário Têxtil/vestuário Abastecimento (irregular) de água potável tratada Esgotamento sanitário Déficit habitacional 80% da população 32% da população 40 mil residências Empreendimentos previstos: . .125 hab 23. Há previsão de que até 2005 de 30 a 40 novas indústrias no setor plástico se instalem no município.Renda per capita PIB IPI ICMS Indústrias Comércio Densidade demográfica Taxa de urbanização Área geográfica R$ R$ R$ R$ 700 9.117 milhões 148 milhões Distribuição da população 1º Distrito (Duque de Caxias) 2º Distrito (Campos Elíseos) 3º Distrito (Imbariê) 4º Distrito (Xerém) Empregos por setor Primário Secundário Terciário 0.744 hab/km 25.797 ou US$ 3. .865 2 1.830 hab 1.Pólo Gás Químico.3% 2 465.International Business Park.4 bilhões 1.Ampliação do complexo petroquímico da REDUC.7 km 10.Pólo Tecnológico de Xerém. 211 . .721 hab 11.Termelétrica a gás.

com danos a longo prazo. ou a contaminação do solo e. No caso do petróleo. 4. químico. exigem das autoridades municipais de Duque de Caxias controle rigoroso no processo de licenciamento de instalação destas indústrias. A aplicação dos royalties deve buscar atenuar o impacto ambiental gerado pela exploração econômica de um recurso natural. mas com abastecimento irregular. § 1º. de substâncias tóxicas para o ser humano. inclusive com previsão de instalação de novas indústrias do setor plástico. O reflexo direto na qualidade do ar. somente 32% da população tem acesso ao esgotamento sanitário e 80% a água potável tratada. ampliação da refinaria de petróleo e instalação de um pólo de gás químico. o solo e a água não podem ser desprezados. interessa destacar: 1. do artigo 225. IV e V. A existência de forte concentração de indústrias do setor químico. o impacto sobre o ar. deve-se priorizar a qualificação de técnicos em matéria ambiental 212 . e possibilitar a geração de riqueza econômica compatível com a perda do patrimônio do recurso natural. § 2º e § 3º da Constituição da República e do artigo 182 e § 1º da Constituição da República. O setor de habitação apresenta um déficit de 40 mil residências. especialmente de uma refinaria de petróleo. das águas subterrâneas e das plantações repercute diretamente na saúde da população. Apesar do considerável valor do PIB do munícipio. Neste sentido. por conseqüência. com análise pormenorizada do Estudo Prévio de Impacto Ambiental e do Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança nos termos dos artigos 36 a 38 da Lei Federal 10. 3.257/0. doenças de pele e acumulação. com predominância deste último.Analisando os dados apresentados. A presença dominante de indústrias com forte impacto ambiental como é o caso do segmento petroquímico. A natureza compensatória dos royalties. A contaminação do ar e do solo por resíduos químicos decorrentes do processo de refinamento do petróleo bruto e de seu aproveitamento por indústrias químicas não pode ser negligenciado pelas autoridades do município. por se tratar de exploração de recurso natural esgotável tem duas finalidades: recuperação de dano ambiental produzido pela atividade de extração do petróleo e seu refinamento. A concentração de empregos nos setores secundário e terciário. podendo ser gerador de doenças respiratórias. plástico e metalúrgico. 2. por ingestão. e a previsão de instalação de novas indústrias do setor de plástico e de um pólo gás químico.

requeridas nos termos da legislação ambiental. Dar-se-á publicidade aos documentos integrantes do EIV. incluindo a análise. 38. Parágrafo único.7. por qualquer interessado. Os dispositivos legais e constitucionais mencionados assim dispõem: Da Lei Federal 10. O EIV será executado de forma a contemplar os efeitos positivos e negativos do empreendimento ou atividade quanto à qualidade de vida da população residente na área e suas proximidades. Lei municipal definirá os empreendimentos e atividades privados ou públicos em área urbana que dependerão de elaboração de Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança (EIV) para obter as licenças ou autorizações de construção.equipamentos urbanos e comunitários. “Art.ventilação e iluminação. 37.2001: “Art. A elaboração do EIV não substitui a elaboração e a aprovação de Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA).de modo a que o exame do EIA e do EIV sejam feitos adequadamente no exame do mérito e não apenas no atendimento das formalidades legais.257. III . “Art. no órgão competente do Poder Público Municipal. VII .geração de tráfego e demanda por transporte público.valorização imobiliária. de 10. IV . VI . que ficarão disponíveis para consulta. no mínimo. 36.paisagem urbana e patrimônio natural e cultural.uso e ocupação do solo.” 213 . ampliação ou funcionamento a cargo do Poder Público Municipal. V . II . das seguintes questões: I .adensamento populacional.

IV . pessoas físicas ou jurídicas. na forma da lei. a comercialização e o emprego de técnicas..Da Constituição da República: “Art.. conforme diretrizes gerais fixadas em lei. 225. § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores. executada pelo Poder Público municipal. 182 e 183 da Constituição da República. para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente. independentemente da obrigação de reparar os danos causados. § 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado. aprovado pela Câmara Municipal. A política de desenvolvimento urbano. obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes..” A Lei Federal 10. . estabelecendo os parâmetros para o desenvolvimento 214 . tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.exigir. § 1º O Plano diretor. a qualidade de vida e o meio ambiente. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.. a que se dará publicidade. de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente.. na forma da lei.257 (Estatuto da Cidade) regulamentou os arts. a sanções penais e administrativas.controlar a produção. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida.” “Art. V . estudo prévio de impacto ambiental. § 1º Para assegurar a efetividade desse direito. 182.. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. incumbe ao Poder Público: . métodos e substâncias que comportem risco para a vida. é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana.

” 215 . de modo a privilegiar os investimentos geradores de bemestar geral e a fruição dos bens pelos diferentes segmentos sociais..proteção... entendido como o direito à terra urbana. programas e projetos de desenvolvimento urbano. preservação e recuperação do meio ambiente natural e construído. II .. X . tributária e financeira e dos gastos públicos aos objetivos do desenvolvimento urbano. .. para as presentes e futuras gerações. histórico e artístico.. à infraestrutura urbana.. a mencionada lei submete a política urbana às seguintes diretrizes: “I . g) a poluição e a degradação ambiental.ordenação e controle do uso do solo.gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação. execução e acompanhamento de planos.. ao trabalho e ao lazer.adequação dos instrumentos de política econômica. do patrimônio cultural. VIII . 2º... . . à moradia. de forma a evitar: . Em seu art.adoção de padrões de produção e consumo de bens e serviços e de expansão urbana compatíveis com os limites da sustentabilidade ambiental... paisagístico e arqueológico. social e econômica do Município e do território sob sua área de influência.urbano e os instrumentos de política pública urbana. . V .garantia do direito a cidades sustentáveis. ao saneamento ambiental. XII . ao transporte e aos serviços públicos.

com conhecimento especializado em meio ambiente e nas suas inter-relações com os aspectos sociais e econômicos. quanto maior a concentração industrial. o licenciamento não encerra a questão da degradação ambiental ou da perda de qualidade de vida. de recuperação de possível degradação do meio ambiente. Retomando a questão da aplicação dos royalties. A preservação ambiental pode ocorrer através do controle prévio. Por outro lado. Cabe à autoridade municipal. em que seu desenvolvimento orbita em torno da indústria do petróleo. a fiscalização. dependente do uso de meios tecnológicos específicos. é indispensável e prioritário. 216 . Tanto a refinaria de petróleo. de investimentos tecnológicos que diminuam a emissão de resíduos. no caso do município de Duque de Caxias. com forte concentração industrial.As diretrizes para o licenciamento estão subordinadas à politica urbana de desenvolvimento urbano sujeitas aos dispositivos mencionados e ao Plano Diretor de Duque de Caxias. que se dá através do monitoramento do processo industrial. muito pelo contrário. Além disso. como também buscar convênios com órgãos estaduais e federais de meio ambiente. com excelência de qualificação técnica. Novamente a qualificação do quadro de fiscalização municipal é indispensável. quanto maior a densidade demográfica e o desenvolvimento econômico. a qualificação de técnicos do quadro efetivo do município. e do controle concomitante à atividade. que se dá na atividade do licenciamento. devendo para isso investir não só em formação técnica para seus quadros. a municipalidade tem o poder-dever de obrigar as indústrias instaladas a tornar transparente o seu processo industrial e as formas de controle de emissão de resíduos e de seu armazenamento. há que se priorizar a preservação ambiental e a busca de qualidade de vida dos habitantes. maiores os riscos de degradação ambiental e de qualidade de vida. A qualidade da análise no licenciamento para instalação de novas indústrias irá repercutir no padrão de saúde do município e na qualidade do meio ambiente urbano. no âmbito da preservação do interesse local dos munícipes. exercer. quanto as indústrias químicas e metalúrgicas devem apresentar à municipalidade todos os meios técnicos de diminuição do impacto ambiental. O controle dos resíduos produzidos pelos processos industriais deve ser objeto de monitoramento permanente com o uso de tecnologia avançada de medição. No caso específico desta municipalidade. dependente do nível de qualificação técnica dos servidores públicos responsáveis por sua análise.

proteção ao meio 217 . implica degradação ambiental irreversível e diminuição da qualidade de vida dos habitantes com risco à saúde dos munícipes. 8º da Lei 7. Por fim. 24 do Decreto 01/91. O desenvolvimento hoje deve ser visto não como sinônimo de geração de empregos e crescimento econômico mas priorizando sua sustentabilidade. destaque-se que o art.257 (Estatuto da Cidade) e com o Plano Diretor. ou seja.001.1. O art. irrigação. A natureza indenizatória dos royalties prioriza sua aplicação na recuperação e preservação do meio ambiente e. de 13.A qualidade de vida dos habitantes é a efetivação do acesso generalizado e regular à água potável tratada. que ampliou as vedações do art. à iluminação pública. entre outros. há que se analisar a questão em toda sua complexidade com suas repercussões sobre a saúde e o meio ambiente no desenrolar do tempo. de 28. Embora deva ser reconhecido que a instalação de indústrias signifique geração de empregos. às áreas de lazer.1989. do solo e da água) sem incremento da qualidade da vida (mantém-se nas áreas pobres as mesmas condições de vida com incremento da contaminação por resíduos industriais). Há que se compatibilizar o desenvolvimento da cidade com as diretrizes da Lei Federal 10. desenvolvimento compatível com a preservação ambiental e garantia de qualidade de vida para as gerações futuras. no padrão tradicional de desenvolvimento. à educação pública.1991. necessariamente. alterada pela Lei 8.12. ao transporte coletivo. O comum é o desenvolvimento com degradação ambiental (contaminação do ar.1990. abastecimento de água. não caminham necessariamente juntos. crescimento econômico e empregos sem degradação ambiental e produzindo melhoria de qualidade de vida dos habitantes. O desenvolvimento acelerado. substituindo-o pelo conceito de desenvolvimento sustentável.3. no desenvolvimento sustentável. ao emprego. por conseqüência. que regulamentou a Lei 7. pavimentação de rodovias. O Estatuto da Cidade tem por fim descartar este enfoque de crescimento ou desenvolvimento tradicional. 24 direciona a aplicação dos recursos dos royalties “exclusivamente em energia. à saúde pública. ser investida sob este dois enfoques. O art. de 11. à energia elétrica.990. de cidade sustentável. à segurança. Destaque-se que os recursos devem garantir o meio ambiente e a qualidade de vida também para as gerações futuras. ou seja.990. A aplicação dos recursos provenientes dos royalties deve. ao esgoto canalizado e tratado. 8º veda o uso das receitas dos royalties em “pagamento da dívida e no quadro permanente de pessoal”. não sustentável. A relação crescimento econômico e melhoria de qualidade de vida.

VOTO I . alertando-o para as sanções previstas no artigo 63. através de estudos próprios acerca de possíveis prejuízos diretos e indiretos causados por esta atividade econômica. sempre que possível.990/89. § 2º. deverá perseguir o princípio da evidenciação plena. 6º. a fim de que. visto que foram aplicados recursos de royalties com pagamento de quadro permanente de pessoal. Embora se deva entender que o sentido finalístico do Decreto Regulamentar deve ser reconhecido como de grande interesse ambiental e social. Prefeito do Município de Duque de Caxias. pois o gestor. 24 como recomendação para aplicação do valor dos royalties. da Deliberação TCE 204/96 c/c o artigo 26 do Regime Interno deste Tribunal. visando uma melhoria na informação contábil. Estar-se-ia limitando o poder discricionário do Executivo municipal através de ato do Executivo federal. conferindo em definitivo a finalidade compensatória aos recursos municipais auferidos a título de royalties. com redação alterada pelo artigo 3º da Lei 8. deve-se entender o teor do art. 3) Para que a contabilidade providencie os desdobramentos necessários. Sendo assim. 218 . Determinações: 1) Para que.320/64 que veda despesa sem o prévio empenho. da Lei Complementar Estadual 63/90: Razões e esclarecimentos: Quanto ao não-cumprimento do artigo 8º da Lei 7. José Camilo Zito dos Santos Filho. não é possível ampliar as vedações legais por meio de decreto sem violar o princípio federativo. em especial as contas 1921.Pela diligência externa. com fulcro no art. no prazo de 30 dias. com comunicação ao Sr.ambiente e em saneamento básico”. Face ao exposto. apresente razões e esclarecimentos e cumpra as determinações abaixo.001/90. maximize empreendimentos efetivos na melhoria das condições de vida dos munícipes. 2) Para que seja atendido o disposto no artigo 60 da Lei 4.03 Royalties do Petróleo e rendimentos de aplicação financeira. parcialmente de acordo com o Corpo Instrutivo e o Douto Ministério Público. pelo “Sistema de Mão Própria”. bem como carreie recursos com vistas a recuperar danos causados ao meio ambiente local.

c) número de domicílios com coleta de lixo regular.4) Para que o controle interno atue de forma a positivar normas para o registro da receita. especificamente em relação a doenças respiratórias. 2. considerando sua proteção.990/89. explicitando: a) número de domicílios com rede geral de água tratada. especificando as áreas deficientes e o quantitativo. 6) Para que todos as despesas municipais para contratação de obras ou serviços a serem financiadas com recursos oriundos dos royalties deixem claro a identificação da utilização destes recursos. discriminando a fonte. 5) Para que seja providenciada a correção das aplicações dos recursos provenientes dos royalties do petróleo de tal ordem que não se despenda tais recursos. e) dados relativos à saúde pública dos bairros mais próximos à refinaria de petróleo. com redação alterada pelo art. f) situação dos recursos hídricos do município. II . ar.001/90. Se possui planejamento para uso dos recursos dos royalties com o fim de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e quais os critérios utilizados. 3º da Lei 8. especificando os bairros em que há deficiência e o quantitativo. e como os recursos dos royalties estão sendo usados para preservação do meio ambiente. solo e recursos hídricos. Junte o Plano Diretor do município e legislação municipal que trate de meio ambiente. envolvendo. 3. em obediência ao art. 8º da Lei Federal 7. direta ou indiretamente. e junte os documentos pertinentes. d) dados relativos à saúde pública. a esta Corte de Contas: 1. b) número de domicílios com rede e tratamento de esgoto. A situação de degradação ambiental no município.Para que o jurisdicionado informe. especificando os bairros em que há deficiência e o quantitativo. no quadro permanente de pessoal e/ou em dívidas. 219 . seu aproveitamento e monitoramento da qualidade da água.

g) situação dos depósitos de resíduos sólidos. programas e projetos de desenvolvimento da cidade. m) como é efetivada. inclusive com qualificação. tendo em vista a população adjacente. i) quais projetos e programas estão em andamento com o fim de preservar o meio ambiente e se seu custeio envolve o uso dos royalties. j) como é feito o monitoramento da qualidade do ar. envolvidos na fiscalização do meio ambiente e no licenciamento. nos termos do Estatuto da Cidade. proximidade com rios. lençol subterrâneo de água. l) como é composto o quadro de servidores municipais. 28 de outubro de 2003 JOSÉ LEITE NADER Relator 220 . especialmente próximo à refinaria de petróleo e indústrias químicas. informando sua localização e manejo. proximidade com área de agricultura ou pecuária. Sala das Sessões. h) situação da coleta e armazenamento do lixo hospitalar e assemelhados. a participação dos municípes nos planos. k) os mecanismos municipais utilizados para controle de poluição industrial e formas de acesso à tecnologia com fim de diminuição de resíduos industriais.

a fim de coletar as informações referentes ao encerramento do exercício financeiro de 2004. entre os dias 4 e 7. Prefeito do Município de Sumidouro. nos termos descritos na instrução. e seus incisos. pela ciência e arquivamento do processo. da Deliberação TCE 204/96. 63 da Lei Complementar 63/90 e que a não-comprovação do cumprimento do art.1.12. nos termos do voto por mim proferido. ao término do exercício financeiro de 2004. com a redação dada pelo artigo 2º da Lei 10. Razões de defesa pelo descumprimento da Decisão Plenária de 7. RELATÓRIO Trata o presente Processo 203. em razão do primeiro término de gestão. o Plenário decidiu: “I . no prazo de 30 (trinta) dias. proferida nos autos do Processo TCE 280. em que o mandato foi cumprido integralmente dentro da vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal – Lei Complementar 101/00. 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal poderá caracterizar crime contra as finanças públicas tipificado no artigo 359-C do Código Penal (Decreto-lei 2. com fulcro no artigo 6º. alertando-o para as sanções previstas no inciso IV do art.1. na forma prevista no artigo 26. apresente: I.659-4/05 do Relatório de Inspeção Extraordinária realizada na Prefeitura Municipal de Sumidouro. do Regimento Interno desta Corte. Juarez Gonçalves Corguinha.582-8/04. 42 da LRF – Voto por acolhimento das razões apresentadas pelo Prefeito.848/ 1940). à qual lhe foi comunicada validamente.2005. aprovado pela Deliberação 167/92. § 2º.2005.Mop/Rev61 INSPEÇÃO EXTRAORDINÁRIA Prefeitura Municipal de Sumidouro – Inspeção extraordinária referente ao exercício financeiro de mandato integralmente cumprido na vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal – Observância à regra insculpida no art. no âmbito municipal.028/2000 e para que.4. 221 .2004. Em Sessão de 12.Pela notificação ao Sr.

exPrefeito. por força do término de gestão de mandato. para que dê acesso ao Sr. Os documentos elencados pelo Corpo Instrutivo no item 1.” Em atendimento à Decisão Plenária. Juarez Gonçalves Corguinha apresentou os documentos solicitados. aprovado pela Deliberação TCE-RJ 167/92. o Plenário acolheu a proposição do Exmo.2 da proposta de notificação e transcritos no meu Relatório.2004. tendo em vista que. parágrafo 3º.Por determinação ao atual Prefeito de Sumidouro.Mop/Rev61 I. sugere ciência e posterior arquivamento do processo. representado pelo Procurador Horacio Machado Medeiros.2. pelo responsável. Sr. 63 da Lei Complementar 63/90. em que o mandato foi cumprido integralmente dentro da vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/2000). É o relatório.12. em razão do primeiro término de gestão. Inicialmente. a fim de coletar as informações referentes ao encerramento do exercício financeiro de 2004. no âmbito municipal. por meio dos cálculos efetuados. à documentação necessária ao atendimento à decisão desta Corte. do Regimento Interno deste Tribunal. Sr. O Corpo Instrutivo. da regra insculpida no artigo 42 da LRF. Presidente desta Casa. em todos os municípios sob jurisdição do TCE-RJ. O Ministério Público Especial. nos termos do artigo 49. do artigo 222 . objeto do DOC. II) comunicação. nos seguintes termos: I) A realização de inspeção extraordinária. alertando-o de que o descumprimento desta decisão poderá ensejar a aplicação das sanções previstas no inciso IV do art. Em Sessão de 7. Juarez Gonçalves Corguinha. conforme prevê o § 1º do artigo 6º da Deliberação TCE/RJ 204/96. manifesta-se no mesmo sentido. cabe tecer alguns comentários sobre as inspeções extraordinárias realizadas nas Prefeituras Municipais. II . o Sr. notificado nos termos do item anterior. aos atuais Prefeitos Municipais e Presidentes das Câmaras Municipais. procedendo ao exame dos documentos apresentados. Manoel José de Araújo. Conselheiro José Gomes Graciosa. a ser efetivada no moldes do inciso II. TCE 20. verificou-se o cumprimento.368-4/05.

ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito. dos elementos relacionados nos anexos I e II. ou através de Procuradores legalmente habilitados disponibilizem no dia 3. um dos principais objetivos da presente Inspeção é verificar o cumprimento do art.2005.Mop/Rev61 26. Parágrafo único. ao término do exercício financeiro de 2004. nas sedes das respectivas Prefeituras e Câmaras Municipais. eleitos no pleito municipal de 2004. além de outros. previamente.1. nos dias 23 e 28 de dezembro de 2004. Prefeito Municipal de Sumidouro. para que os mesmos. do Regimento Interno deste Tribunal. ou seus Procuradores legalmente habilitados.É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. na sede da Prefeitura e da Câmara Municipal no dia 3. e assim se expressa: Art. 20. o art. elaborado por técnicos desta Corte de Contas. um ofício ao Sr. Destaca-se. Na determinação da disponibilidade de caixa serão considerados os encargos e despesas compromissadas a pagar até o final do exercício. Pois bem.2005. foi emitido. para que fossem providenciados os documentos listados no anexo do ofício e entregues aos técnicos deste Tribunal às 10 horas do dia 04 de janeiro de 2005. Juarez Gonçalves Corguinha. nos últimos dois quadrimestres do seu mandato. foi dada ciência aos novos Prefeitos e Vereadores. de modo que os mesmos facilitem o acesso dos Prefeitos e dos Presidentes das Câmaras em término de mandato. que cuida dos “Restos a Pagar”. que. Conforme consta do circunstancioso relatório. mediante edital publicado no Diário Oficial do Estado e nos jornais de grande circulação. 42 está inserido dentro da Seção VI. por oportuno. 42 . e III) ciência aos Prefeitos e Vereadores eleitos da Decisão Plenária.1. na forma prevista no inciso III do artigo 26 do Regimento Interno deste Tribunal. da realização da inspeção. 223 . para fins de apresentação à equipe de inspeção deste Tribunal. 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal. No sentido de viabilizar a referida inspeção extraordinária. contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele.

A questão não me parece de difícil solução. Em síntese. aos maus administradores. 42. qual seja: não gastar mais do que se arrecada. 20. Este conceito não é privativo do Estado. e. os titulares dos Poderes ou órgãos referidos no art. conseqüentemente. a assunção de compromissos tendentes a comprometer as disponibilidades financeiras de exercícios futuros e. conseqüentemente. esse é o espírito da norma. em final de mandato. tampouco 224 . no restante do mandato. ou seja. impactar seus orçamentos. este também deve ser o foco das organizações privadas e também das pessoas físicas.666/93. previstos na própria lei. Muitos dos preceitos que norteavam o equilíbrio das contas públicas já existiam antes da promulgação da Lei Complementar 101/2000. 42 ser analisado isoladamente. visto que é um dos princípios básicos. Cabe aqui o registro de que importa ao titular do Poder ou órgão referido no art. como as Leis Federais 4. desde a instituição do Estado legalmente constituído. A primeira parte da norma fixa o momento em que se deve aplicar a restrição contida nas disposições do art. mas em conjunto com as demais normas do direito financeiro e administrativo. coibir. inerentes ao controle dos gastos públicos. compulsoriamente. não poderão contrair obrigação de despesa que não possa ser paga dentro dele. o equilíbrio das contas públicas. cronograma mensal de desembolso e a limitação de empenho. Portanto. 20. 42 em final de gestão. que. em relação à vedação ali contida. de outros instrumentos eficazes.320/64 e 8. mas se estende a todos aqueles que pretendem realizar seus objetivos e manter sua saúde financeira. como os artigos 8º e 9º. A boa interpretação dos dispositivos da norma não deve se afastar desse contexto. mas estes dispositivos não eram suficientes para deter o avanço do déficit público. conjugados. contribuirão valiosamente para a redução do endividamento público. independente da forma de governo. Assim. ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem suficiente lastro financeiro. que estabelecem as obrigações da programação financeira. durante os últimos oito meses do mandato. com pagamentos de despesas decorrentes de tais compromissos. não deve o art. para as aflições com o art. bem como os próprios ditames da LRF. a norma é expressa ao designar que. valer-se.Mop/Rev61 A aplicação de tal dispositivo está diretamente relacionada com o objetivo principal da Lei de Responsabilidade Fiscal. Não que o equilíbrio fiscal seja uma necessidade dos tempos modernos. uma vez que. qual seja.

pois tinha que honrar os compromissos assumidos anteriormente. a implantação dos diversos instrumentos de controle e outras importantes condições impostas na norma. e o Ministério Público. na esfera Municipal. Legislativo e Judiciário. Nota-se que. nas esferas federal e estadual. inclusive na fixação de metas. o comprometimento com a responsabilidade na gestão fiscal. comprometidos com dívidas contraídas em exercícios anteriores. Tem-se que esse compromisso é que permitirá ao administrador público agir antecipadamente. Isto ocorria porque o gestor. Assim. 225 . com a edição da Lei de Responsabilidade Fiscal. e Poderes Executivo e Legislativo. Como conseqüência. obediência aos limites estabelecidos. Logo. as despesas que deveriam ser custeadas com aquele orçamento passaram também a não ter respaldo financeiro. a todos aqueles envolvidos nas diversas etapas da administração das contas públicas. cujo sucesso repercutirá em melhoria na oferta e na qualidade dos serviços públicos prestados à população. realizava despesas e as inscrevia em “Restos a Pagar” deixando a obrigação de pagamento para os exercícios seguintes. viu-se o engessamento dos orçamentos. era comum nos depararmos com governos altamente endividados. que busca garantir um rígido compromisso com a gestão fiscal. por força de gestões administrativas irresponsáveis sem qualquer compromisso com o equilíbrio das contas públicas. mesmo sem recursos suficientes. porque. necessário. No sentido de conter este círculo vicioso. que se traduz no cumprimento de metas de resultados entre as receitas e as despesas. portanto. então. que se inicia por meio da elaboração de uma proposta orçamentária equilibrada e ajustada à mais próxima realidade sócioeconômica. conseqüentemente. o orçamento futuro já nascia deficitário. objetivando sempre a prevenção de riscos e a correção de desvios capazes de afetar o saudável equilíbrio das contas. uma grande “bola de neve”. surge para os administradores públicos um novo código de condutas. foi introduzida no mundo das normas do direito financeiro a Lei Complementar 101/2000. posto que os recursos arrecadados eram utilizados para o pagamento das dívidas. Torna-se. por intermédio de ações planejadas e transparentes. Criava-se.Mop/Rev61 previam penalidades coercitivas que atingissem o administrador que agisse negligentemente. o qual abrange os Poderes Executivo. e se desenvolve com a implantação de instrumentos de controle disponíveis a assegurar a eficácia dos resultados pretendidos. a adoção de mecanismos de enquadramento nestes limites. estabelecendo regras que conduzem à gestão pública responsável.

a verdade é que a publicação da LRF e sua imediata vigência fizeram nascer e se propagar. Conhecedor da situação que se esboçava. não só entre os responsáveis em aplicá-la mas também entre os estudiosos e doutrinadores. Pois bem. 62 da Lei Federal 8. autorização de compra ou ordem de execução de serviço.O cumprimento integral de uma despesa pública se dá ao serem 226 . criada pelo Ato Executivo 13.contrair obrigação de despesa. 42.Mop/Rev61 Não obstante a intenção do legislador.. não querendo dar por esgotado o campo de discussões sobre o assunto.985/01. entendo que os critérios. doravante novas responsabilidades que lhe atribuíam a LRF e considerando a necessidade de apresentar diretrizes para aplicação e avaliação do cumprimento da Lei.666/93) com a outra parte que irá prestar um serviço ou vender um bem. e fiel cumpridor de sua missão institucional. consolidou entendimentos que deram origem às Ementas das Conclusões e Sugestões relativas à Lei de Responsabilidade Fiscal.02. não poderão ser outros senão aqueles aprovados pelo Corpo Deliberativo e divulgados publicamente por meio de órgão oficial. 6 . então.O. mas.” é a celebração. ao apreciar o Processo 303. para o período ora examinado (mandato de 2001-2004). por outro lado.O que caracteriza “. coerência e segurança em suas decisões. tendo sido a Ata publicada no D. o Plenário desta Corte.05. desde que haja a clara manifestação do responsável – gestor – do acordo de assunção de obrigação e contraprestação de bem ou serviço.J de 14. garantir ao Tribunal. constituir uma Comissão Especial.. 8 e 10. reunido em Sessão Administrativa. 42 da LRF.285-4/01. com o propósito de estudar. pela administração. conceitos e alcance das disposições do art. conforme art. dúvidas importantes e divergências de interpretação quanto às suas disposições. das conclusões sobre a interpretação do art. entre outros. interpretar e sugerir entendimentos sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal. cujos conceitos que se extraem entendo podem muito contribuir para a melhor compreensão da matéria: “5 . na sua forma de atuar e de se relacionar com os seus jurisdicionados.R. 42 da LRF. de relatoria do Conselheiro Sergio F. vale citar alguns de seus enunciados. entretanto para efeito do previsto no art.. deve ser observado o disposto nos itens 7. Quintella. nota de empenho de despesa. de contrato ou outro instrumento congênere (carta-contrato.. Findos os trabalhos da Comissão.E. Assim. objeto da presente inspeção. o Tribunal decidiu.

desde que preexistentes e essenciais à manutenção da Administração (e somente com a conjunção destas duas condições). 9 . não se prendem integralmente ao art. em final de mandato. contrair obrigação de despesa relativa a serviço contínuo preexistente. 8 . como para todas as outras espécies de despesas realizadas nos dois últimos quadrimestres de mandato de um gestor e não passíveis de serem cumpridas no respectivo exercício financeiro.É permitido ao gestor. para serem realizadas no referido período. liquidação e pagamento (arts. 58 a 65 da Lei Federal 4. pois algumas dessas despesas ocorrem em período coincidente com o fim de mandato de gestores públicos. 42 da Lei. 227 . cuja duração se estenda além de um exercício. 7 . Objetivando assim não descontinuar as ações da máquina administrativa e até propiciar a está meios de obter melhores condições nos processos licitatórios. a fim de não se impactar orçamentos e disponibilidades de outros exercícios. em final de mandato. contrair obrigação de despesa que esteja prevista no Plano Plurianual. por exemplo. Desta forma.320/64). que seja essencial à manutenção da Administração. em final de mandato. 42 da Lei Complementar 101/2000. ou seja. pois as despesas previstas no Plano Plurianual são passíveis de execução. cuja duração se estenda além de um exercício. a suficiente disponibilidade financeira para pagamento das parcelas que restarem relativas ao que foi empenhado no ano em gestão.Mop/Rev61 encerradas todas as suas fases peculiares. independentemente da época (mesmo nos dois últimos quadrimestres de mandato dos gestores públicos) ou de sua duração para integral cumprimento (término além do exercício financeiro coincidente com o final de mandato). no tocante a sua assunção e duração. a saber: empenho.É permitido ao gestor. face. necessitam ter a devida suficiência orçamentária-financeira (para empenho no ano e possibilidade de pagamento integral deste mesmo valor) no exercício financeiro respectivo. Porém. a término de contratos. Destaca-se que deverá haver sim. o não-endividamento e a não-geração de déficit financeiros.Não é permitido ao gestor. contrair obrigação de despesa relativa a serviço contínuo que não seja preexistente. fica atendida a essência preconizada no art. entendo que as despesas relativas a serviços contínuos.

contrair obrigação de despesa relativa a aluguel de equipamento e a utilização de programas de informática preexistentes. 13 . a suficiente disponibilidade financeira para pagamento das parcelas que restarem relativas ao que foi empenhado no ano em gestão. na medida que neste caso. após serem deduzidos os saldos das obrigações de despesas contraídas até então (exercícios anteriores também). cuja duração se estenda além de um exercício. desde que preexistentes e essenciais à manutenção da Administração (e somente com a conjunção destas duas condições). fica tipificado a constituição de uma nova dívida que irá impactar os orçamentos e as disponibilidades de caixa futuros. livres de quaisquer compromissos. fica tipificado a constituição de uma nova dívida que irá impactar os orçamentos e as disponibilidades de caixa futuros. analogamente ao exposto no item 8. na medida que neste caso. pois os recursos provenientes 228 . Reitera-se que deverá haver sim. não pode suprir a necessária disponibilidade de caixa para pagamento no exercício seguinte de despesas não relacionadas ao objeto conveniado. ou seja. em final de mandato. não se prendem integralmente ao art. 11 . uma vez que o aluguel de equipamentos e a utilização de programas de informática.Não é permitido ao gestor. que seja essencial à manutenção da Administração. 42 da Lei Complementar 101/ 2000. cuja duração se estenda além de um exercício.Mop/Rev61 mesmo que seja essencial à manutenção da Administração. 12 . mesmo que seja essencial à manutenção da Administração.É permitido ao gestor.A sobra de recursos financeiros ao final de mandato em fonte de recursos de convênios. em final de mandato. no tocante a sua assunção e duração. cuja duração se estenda além de um exercício. 10 . 42 da LRF compreendem os recursos financeiros restantes em 31 de dezembro (de cada ano). contrair obrigação de despesa relativa a aluguel de equipamento e a utilização de programa de informática que não sejam preexistentes.As disponibilidades de caixa a que se refere o art. como para todas as outras espécies de despesas realizadas nos dois últimos quadrimestres de mandato de um gestor e não passíveis de serem cumpridas no respectivo exercício financeiro.

em final de mandato. que não possa ser cumprida integralmente no respectivo exercício. que não possa ser cumprida integralmente no respectivo exercício. Desta forma.As disponibilidades de caixa nos Poderes Legislativo e Judiciário e nos Tribunais de Contas e Ministério Público. 15 . do saldo financeiro em 31 de dezembro. conforme a LRF. 14 . da dívida contraída até então (Restos a Pagar de exercícios anteriores e valores empenhados e não pagos entre 01 de janeiro e 30 de abril do exercício). representam. independentemente de terem sido executadas ou não. não podem ser encarados como disponibilidade de caixa. uma vez que o parágrafo único do art. no ano de 2000. deve ter disponibilidade de caixa para pagamento de todas e quaisquer despesas empenhadas e não pagas. • Valores empenhados e não pagos entre 01 de janeiro e 30 de abril do exercício em referência.Mop/Rev61 de convênios têm aplicação restrita ao cumprimento de seu objeto e.O gestor. não podem ser usados para pagamento de despesas diversas do objeto conveniado. em caso de sua não-utilização.As disponibilidade de caixa é necessária para se realizar nos dois últimos quadrimestres de mandato de um gestor. livre de comprometimento. após a exclusão. liquidadas ou não. 42 da LRF é geral. • Valor da despesa que se pretenda realizar. 16 . deverá o gestor que pretender realizar despesa nos dois últimos quadrimestres de seu mandato. uma vez terem estes sua execução financeira vinculada aos repasses constitucionais e legais do Executivo. ou seja. providenciar para que haja disponibilidade de caixa em 31 de dezembro para pagamento de: • Despesas empenhadas em exercícios anteriores e não pagas até então. Assim. não estabelecendo qualquer distinção entre despesas (face à fase em que se encontram) a fim de se apurar as disponibilidades de caixa de um órgão ou entidade. Esta disponibilidade é obtida. devem ser devolvidos quando da prestação de contas. o montante dos 229 .

Considera-se que a programação financeira e. as rotinas e os papéis de trabalho pertinentes. para tanto. face à determinação da LRF do estabelecimento pelo Poder Executivo da programação financeira e do cronograma de execução mensal de desembolso (art. alternativamente. as constantes da programação financeira. aprovado pelo Decreto-Lei 2. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 42 da LRF. apresentavam déficit financeiro no final do exercício. A partir de 2001. cuja despesa não possa ser paga no mesmo exercício financeiro ou. 42 foi incluído como crime contra as finanças públicas. com redação dada pela Lei 10. este trabalho visa identificar a situação financeira dos municípios que. foram elaboradas as seguintes planilhas eletrônicas: 230 . previsto no Código Penal. mesmo sem ter contraído obrigações de despesa nos últimos oito meses. 42. Por conseqüência. importa ainda lembrar que o descumprimento do art. 42.” Além do cumprimento do disposto no art. nos dois últimos quadrimestres do último ano do mandato ou legislatura. e com base nos conceitos ora expostos. Assim. que assim dispõe. face à complexidade do exame. em 2000 são receitas daqueles Poderes e Órgãos os valores legalmente empenhados ao longo do exercício. 8º). o cronograma de execução mensal de desembolso. verbis: “Art. caso reste parcela a ser paga no exercício seguinte. Pena – reclusão. que não tenha contrapartida suficiente de disponibilidade de caixa. conseqüentemente. 9º da LRF”. é aquela decorrente da estimativa da receita prevista em orçamento (e em seus exatos valores) ou.028/00.Mop/Rev61 empenhos legalmente constituídos (dentro da previsão orçamentária constante da Lei de Orçamento) e não pagos no exercício em referência. considerar-se-á como disponibilidade de caixa os efetivos recursos constantes naqueles instrumentos. Para dar consistência e respaldo aos trabalhos. Em 2001. conforme prevê o art.Ordenar ou autorizar a assunção de obrigação. livres de comprometimento (não vinculados a empenhos realizados). estabelecendo. a que resultar de alterações comprovadas em queda de expectativa de arrecadação.848/40. Ademais. o Corpo Instrutivo estruturou a metodologia de avaliação do cumprimento do art. para fins do art. 359-C .

84 335. as quais constituem a base de dados que deram suporte às planilhas que. 42 LRF) • MODELO VII – AVALIAÇÃO – ART.87 8.595.88 Poder Executivo 8.720.593. 42 E PARÁGRAFO ÚNICO DA LRF Estabelecidas as diretrizes e as ferramentas.88 231 .10 873. a Prefeitura Municipal de Sumidouro apresentou os seguintes resultados: • Disponibilidade Financeira Recursos Financeiros Caixa Bancos Total Prefeitura Municipal 1.88 6. ART.5.136. apontaram.284. após serem processadas de acordo com os critérios definidos pelo Conselho Superior de Administração.05 34.50 34.88 138.475.640. procedeu-se.2004 • MODELO III – RESTOS A PAGAR CANCELADOS REFERENTES A CONTRATOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 1.10 1.093.679.87 13. o resultado da avaliação do cumprimento do artigo 42 da LRF.Mop/Rev61 • MODELO I – CONTRATOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 1.2004 • MODELO IV – DESPESAS REALIZADAS NÃO INSCRITAS EM RESTOS A PAGAR • MODELO V – DISPONIBILIDADE FINANCEIRA • MODELO VI – ENCARGOS E DESPESAS COMPROMISSADAS A PAGAR (PARÁGRAFO ÚNICO.093.19 364.026. De acordo com a análise do Corpo Instrutivo.604. então.82 Demais Órgãos 22.078.95 420.497.150.679.284.99 1.83 277.604.58 521. de forma automática.87 • Passivo Financeiro RP do exercício – 01/01 a 30/04 RP do exercício – 01/05 a 31/12 RP de exercícios anteriores Consignações Depósitos de Diversas Origens Serviço da Dívida a Pagar Outras Obrigações de Curto Prazo Total Prefeitura Municipal 161.99 Demais Órgãos 6.76 55.2004 • MODELO II – RESTOS A PAGAR DE EMPENHOS EMITIDOS A PARTIR DE 1.595.079.718.5.74 186.497.75 152.5. à análise das informações fornecidas pelos jurisdicionados.298.626.68 Poder Executivo 22.093.026.804.604.788.

o jurisdicionado informa que não apresentou toda documentação solicitada porque a contabilidade dos Fundos carecia das conciliações bancárias e ainda. referentes aos contratos firmados. É parte integrante do presente voto a informação do Corpo Instrutivo.5. competindo-lhe exercer a fiscalização contábil. financeira.74 • Avaliação do cumprimento do art.05 O registro de suficiência de caixa.74 Total das Obrigações de despesas contraídas 1. Isto posto.00 e do total apurado referente aos possíveis cancelamentos de empenho. conforme disposto na Constituição Estadual e na Lei Complementar 63/90. num total de R$ 521. como o Plano Plurianual.2004.286. acrescido do total de contratos firmados nos últimos 8 meses de mandato.87 Total de Encargos e Das Despesas Compromissadas a Pagar em 31/12/2004 628. e Considerando que este Tribunal de Contas é o fiel guardião do erário público.12.998.Mop/Rev61 • Avaliação da disponibilidade de caixa Total das Disponibilidades Financeiras em 31/12/2004 8.284. Quanto ao descumprimento da Decisão Plenária de 7.75. que alguns documentos já haviam sido encaminhados ao Tribunal. no total de R$ 940.69 Suficiência de Caixa – 31/12/2004 5.2004. 42 Total das Disponibilidades de Caixa em 31/12/2004 7.286. nos últimos dois quadrimestres do mandato. e/ou teve parcelas a serem pagas no exercício seguinte com suficiente disponibilidade de caixa para este efeito.582-8/04.964.500. cuja despesa não foi empenhada no total de R$ 7.13 Superávit de Disponibilidade – 31/12/2004 7. orçamentária. obrigação de despesa que pôde ser cumprida integralmente dentro dele. indica o cumprimento do artigo 42 da LRF. O “Total das Obrigações de Despesas Contraídas” é composto pelo montante de Restos a Pagar. proferida nos autos do Processo TCE 280.781.500. naquilo que com este não conflite. que é o resultado da diferença positiva quando do confronto do “Total da Disponibilidade de Caixa” e do “Total das Obrigações de Despesa Contraídas”.284. referentes a empenhos a partir de 1.093.720.464. operacional e patrimonial dos municípios.464. e de todas as entidades de sua administração direta e indireta e fundacional.94. pois foi contraída.002. 232 .

Pela ciência ao Plenário do Relatório de Inspeção Extraordinária realizada na Prefeitura Municipal de Sumidouro. o Tribunal decidirá sobre a legalidade. III . auxílios e a renúncia de receitas. em que o mandato foi cumprido integralmente dentro da vigência da Lei Complementar 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal – e que compete ao Tribunal. TCE 20. De acordo com o Corpo Instrutivo e o Ministério Público Especial. que foi constatada a observância à regra insculpida no artigo 42 da LRF. Considerando o primeiro término de gestão. constantes no Doc.Mop/Rev61 Considerando que. fiscalizar o cumprimento das normas da referida Lei.Pelo posterior arquivamento dos presentes autos. bem como sobre a aplicação de subvenções. no âmbito municipal. a legitimidade e a economicidade dos atos de gestão e das despesas deles decorrentes. Prefeito do Município de Sumidouro. juntados aos presentes autos. II . Sala das Sessões. Juarez Gonçalves Corguinha.368-4/05. com base nas informações consignadas nos documentos juntados aos autos e nos cálculos efetuados.Pelo acolhimento das razões de defesa apresentadas pelo Sr. Considerando. VOTO I . que concluiu pelo cumprimento da regra insculpida no artigo 42 da Lei Complementar 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal. na fiscalização que lhe compete. 6 de outubro de 2005 JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR Relator 233 . ao término do exercício de 2004. em auxílio ao Poder Legislativo.

Contratação direta.9. no prazo de 10 (dez) dias. no prazo de 30 (trinta) dias. Em sessão realizada em 9. como normatizado no art. nos termos da alínea “a”. do Banco do Brasil para a prestação de serviços na gestão financeira dos recursos previdenciários municipais. elidindo a multa aplicada e reformando-se a decisão de 9. à época.2001. contados da ciência da decisão desta Corte. ficando desde já. esta Corte de Contas. 234 . Falta de escrituração do passivo atuarial do Instituto no Passivo Permanente do Balanço Patrimonial. II . que deverá ser recolhida com recursos próprios ao Erário estadual. em cumprimento ao cronograma de inspeções ordinárias no Processo TCE-RJ 300. devendo o responsável comprovar o seu recolhimento junto ao Tribunal de Contas.por DETERMINAÇÃO à Secretaria-Geral das Sessões para que. Pelo conhecimento e provimento do recurso. por inexigibilidade.2003. no valor de 2.pela APLICAÇÃO DE MULTA. Voto revisor. do art. abrangendo o período de agosto/2000 a setembro/2001. 26 do Regimento Interno desta Corte. 27 c/c art.002-6/02 de inspeção ordinária realizada no Instituto de Previdência do Município de São Sebastião do Alto. aprovado pela Deliberação TCE 167/92.718-0/01. aprovado pela Deliberação TCE 167/92. autorizada a cobrança executiva. no caso de não recolhimento.10. Geraldo Pietrani.2003. Presidente do Instituto de Previdência Social do Município de São Sebastião do Alto. nos termos do voto prolatado pelo Conselheiro-Relator Jonas Lopes de Carvalho Junior. 29 do Regimento Interno. pelas irregularidades descritas na fundamentação do meu voto.000 (duas mil) UFIR-RJ.INSPEÇÃO ORDINÁRIA Inspeção ordinária no Instituto de Previdência do Município de São Sebastião do Alto. decidiu: I . no dia 5.9. ao materializar a presente decisão. mediante acórdão. com base no inciso III. ao Sr. RELATÓRIO Trata o presente Processo 240. do art. inciso III. 63 da Lei Complementar 63/90.

9. III . O ilustre Relator. conforme §1º do art. não acolhidos pela instrução. Geraldo Petriani. devendo recolher. o Sr. Geraldo Pietrani.Pela COMUNICAÇÃO ao Sr. com recursos próprios. interpôs recurso de reconsideração.dirigida pessoalmente ao responsável. é imprescindível uma análise mais pormenorizada dos demais itens. foram satisfatoriamente explicados. faça a mesma ser acompanhada de cópia da instrução. às fls. protocolizado como Doc. É o relatório.279-7/03.Pelo CONHECIMENTO do presente recurso de reconsideração.2003. 61/70. no prazo de 10 (dez) dias contados da publicação desta decisão. Vice-Prefeito do Município de São Sebastião do Alto.9.2004.4. aprovado pela Deliberação TCE 167/92. inserido às fls.000 vezes o valor da UFIR-RJ. TCE 40. para o correspondente a 1. Presidente do Instituto de Previdência Social do Município de São Sebastião do Alto à época. acolheu as justificativas apresentadas pelo recorrente quanto aos itens 2. indicando o provimento parcial do recurso.2003. no meu entender. 235 . reduzindo-se a multa aplicada ao recorrente. comprovando a esta Corte o seu pagamento no prazo de 10 (dez) dias subseqüentes. retificando o exame realizado pelo Corpo Instrutivo. o Conselheiro-Relator Jose Maurício de Lima Nolasco apresentou o seguite voto: I . Na mesma sessão. dando-lhe ciência desta decisão. 127 do Regimento Interno. na Sessão Plenária de 9. com base no art. II . a multa correspondente a mil vezes o valor da UFIR-RJ. No entanto. Em sessão de 27. Geraldo Petriani. 5 e 6 que motivaram a multa aplicada em sessão de 9. solicitei vista do processo. mas que. e do inteiro teor deste voto. para uma melhor compreensão dos fatos apresentados. aprovado pela Deliberação TCE-RJ 167/92. 82/87.Pelo seu PROVIMENTO PARCIAL. 6º da Deliberação TCE-RJ 204/96 e na forma do artigo 26 e seus incisos do Regimento Interno desta Corte de Contas. Inconformado com a decisão deste Tribunal. Sr.

que providenciasse a avaliação atuarial dos planos de benefícios e procedesse à avaliação do passivo atuarial. o que aumenta as condições vantajosas da contratação. motivou a aplicação de multa. os estudos foram procedidos pela empresa contratada e apresentados ao poder público municipal no exercício de 2001. devendo o jurisdicionado escolher a proposta mais vantajosa. O ofício de comunicação 15. uma vez que. suas agências funcionam como escritórios itinerantes. Enfatiza o recorrente: 236 . Sobre o tema devo ressaltar que a Procuradoria deste Tribunal tem se posicionado. o município de São Sebastião do Alto possui um Posto de Atendimento (nº 0107-4) permanente aos interessados.O item n o 1 aponta como irregularidade a contratação direta. ainda não podiam ser plenamente avaliados. As taxas cobradas pelo Banco do Brasil são compatíveis com os valores praticados no mercado e a instituição detém todos os requisitos necessários ao atendimento aos municípios do interior. no período inspecionado. Antônio José Segalote Pontes. encaminhado por esta Corte.1. De fato. Prefeito à época. menciona a falta de escrituração do passivo atuarial do Instituto de Previdência Municipal de São Sebastião do Alto no Passivo Permanente do Balanço Patrimonial. seria caso de dispensa de licitação. ao passo que a Caixa Econômica Federal não possui qualquer agência de atendimento no referido município. Superada a questão das exigências de licitação. não há por que aplicar qualquer sanção ao ente federado por ter fundamentado a contratação como inexigibilidade. os resultados concretos. nos termos do parecer da Procuradoria deste Tribunal. nas palavras do recorrente. em matéria análoga. por inexigibilidade. como afirma o recorrente. Ocorre que na apreciação da Inspeção Ordinária realizada no Instituto em agosto de 2000. foi recebido pelo responsável em 5. também. aproximando o contratante do contratado. em função da anualidade dos orçamentos. quando. O item no 3 que. foi determinado ao Sr. Assim sendo. na verdade.944/2000 SSE. de forma que.2001. do Banco do Brasil para a prestação de serviços na gestão financeira dos recursos previdenciários municipais. pela contratação mediante dispensa de licitação em favor do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal.

Geraldo Petriani. estavam sendo precedidos os controles e todo levantamento na estrutura patrimonial do município. a eficácia dos novos controles que já estavam sendo implementados quando da inspeção. Enfatizo. entendo que seja mais coerente a verificação do atendimento da mencionada determinação na próxima inspeção. sob pena de atentar contra a fidedignidade dos balanços e demais demonstrativos contábeis.9. uma vez que os bens do Instituto estavam sendo identificados e registrados na contabilidade municipal na forma prevista na legislação e. creio eu as justificativas apresentadas pelo interessado devem ser acolhidas.2003. Tendo sido plenamente justificados todos itens que motivaram a aplicação da multa imposta ao Sr. de modo que é inoportuna qualquer punição neste momento.320/64.“na questão em tela. o mesmo será lançado na contabilidade do Instituto de Previdência”. poderá esta Corte aplicar as sanções cabíveis. mais uma vez. asseguro e firmo declaração que. após novo cálculo atuarial a ser apresentado. se for o caso. o douto Ministério Público.9. que somente na próxima inspeção poderá esta Corte verificar. VOTO I . o Conselheiro-Relator e.2003.Pelo CONHECIMENTO do presente recurso por preencher os requisitos de admissibilidade. na época da inspeção. quando. não posso proceder à contabilização de valores que ainda não me foram definitivamente apresentados. Sala das Sessões. No que tange ao item 4 que enfatiza o descumprimento do artigo 94 da Lei Federal 4. reformando-se a douta decisão de 9. Em razão dos fatos relatados e não restando indícios de má-fé administrativa.Pelo PROVIMENTO do recurso. manifesto-me em desacordo ao Corpo Instrutivo. elidindo a multa aplicada ao Sr. II . objetivamente. todas as providências necessárias à regularização dos bens foram evidenciadas no período da inspeção. De fato. Nestes termos. em sessão de 9. Geraldo Petriani. 25 de maio de 2004 JOSÉ LEITE NADER Revisor 237 .

comunica o falecimento do Sr. Amaurílio Jairo de Lima. Joaquim José da Silva Leal. 03 do Doc.000 vezes o valor da UFIR ao Sr. expedição de ofício ao atual Prefeito e arquivamento”. nessa época ex-Prefeito do mesmo Município. de 11.4. pelo não-provimento. Voto revisor. como comprova a certidão de óbito juntada às fls. Mediante o Ofício 164/2002/GP. vieram aos autos as seguintes manifestações: a) Corpo Instrutivo: sugeriu “quitação da multa imposta. ocorrido em 21. houve decisão pelo conhecimento e.7.4.2001.9. o Plenário.342-8/02 e solicita informações quanto ao procedimento no que diz respeito à emissão de certidão de inscrição na Dívida Ativa.5.067-4. Em vista do ofício acima referido. AR de fls. 19). tendo falecido depois de prolatado pelo TCE-RJ o acórdão condenatório. 22. Amaurílio Jairo de Lima. O jurisdicionado foi regularmente cientificado da decisão exarada nos autos dos embargos de declaração (Processo 207.2002. Extinção da punibilidade do jurisdicionado. no mérito. compreendendo exame do período de junho de 1995 a fevereiro de 1996.085-6/96 de inspeção ordinária realizada na Prefeitura Municipal de Areal. Expirado o prazo e não comprovado o recolhimento da multa. de acordo com o voto prolatado pelo Conselheiro José Gomes Graciosa. o Prefeito Sr.2001 e foram iniciados os procedimentos para a cobrança judicial do débito. em Sessão de 10. foi expedido certificado de revelia em 6.INSPEÇÃO ORDINÁRIA Jurisdicionado condenado em multa. com efeito sobre a pretensão executória.2002. Em 13. Interpostos embargos de declaração. RELATÓRIO Trata o presente Processo 203.1997. 238 . decidiu pela aplicação de multa na importância correspondente a 2. O acórdão condenatório é o de nº 73/97.

) XLV . 127 do Regimento Interno. por decisão plenária de 10.4. não ultrapassa a pessoa do condenado.2003 devolveu o processo. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser. em conseqüência.11. O jurisdicionado foi punido com aplicação de multa..b) Ministério Público: manifestou-se “pelo arquivamento”. Conselheiro Aluisio Gama de Souza: proferiu voto “pelo cancelamento da multa.5..4. ou seja. expedição de ofício ao atual Prefeito e pelo arquivamento”. inciso XLV: “Art. A questão que se põe é esta: em virtude da morte do jurisdicionado. solicitei vista dos autos.nenhuma pena passará da pessoa do condenado. 127 do RI. diferentemente da obrigação de reparar o dano. assim dispõe a Constituição Federal em vigor. É o relatório. aprovado pela Deliberação TCE 167/92. d) Conselheiro José Maurício de Lima Nolasco: com base no art. não se transmite aos herdeiros. nos termos da lei. 5º. que providência deverá ser determinada por este Tribunal? Inicialmente. (. com base no art. Não foi ofertado recurso de reconsideração no prazo legal. expedição de ofício ao atual Prefeito e arquivamento”. até o limite do valor do patrimônio transferido. deve ser ressaltado que a pena de multa tem caráter personalíssimo. de 13. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. foi mantida a pena de multa.” A multa. O jurisdicionado veio a falecer em 21. com emissão de voto revisor. Com efeito. Nesta Sessão.1997. depois da aplicação da multa e antes de sua inscrição na dívida ativa do Município. e. em que se manifestou “pela extinção da punibilidade. em seu art.2002. solicitou vista dos autos e na Sessão de 25. tem natureza 239 .2001. c) Relator. 5º. conforme Acórdão 73/97. Interpostos embargos de declaração.

Outras vezes. retroagem e atingem a pretensão punitiva. p. deve.eminentemente punitiva que. e. Já a obrigação de reparar o dano e a decretação de perdimento de bens podem ser. 6ª ed. o crime subsiste. 2002. desaparece o direito subjetivo de punir do Estado. pois. grifos meus). Há. isto é. tem caráter de pena. exceções: a anistia e a abolição do crime. os princípios oriundos do Direito Penal. “Muitas vezes a causa extintiva da punibilidade faz desaparecer todas as conseqüências de natureza penal.. por acaso. ou seja.” (Celso Delmanto e outros.. Segundo a doutrina. só a pretensão executória. I. mesmo quando posteriores à condenação passada em julgado. então o que se extingue é o “jus-punitionis”. tal como ocorre na anistia. o princípio da pessoalidade aplicável às sanções administrativas de conteúdo penal (CF. uma vez que omissa a Lei Orgânica do TCE. 107-I do Código Penal. nos termos da mesma regra constitucional. conforme prescreve o art. Processo Penal. Há de se preservar. 524. 61 do CPP. Se antes da sentença passada em julgado. não haverá condenação. a extinção da punibilidade tem por efeitos a extinção da “pretensão punitiva” ou da “pretensão executória” do Estado. estendidas aos sucessores e contra eles executadas até o limite do valor do patrimônio transferido. Cabe indagar quais são os efeitos da extinção da punibilidade. não pode passar da pessoa do agente. os efeitos da extinção da punibilidade correspondem ao momento em que elas ocorrem. 1979. porém. No processo penal. ex officio. SP: Javoli.. consoante dispõe o art. o “jus puniendi”. A imposição de multa é sanção personalíssima. grifos meus). XLV). “O que se extingue é a “punibilidade”. se depois. Em relação à multa..” (Fernando da Costa Tourinho Filho. o juiz. 5ª ed. por força do preceito constitucional em foco. conseqüentemente. porque. vol. extinta 240 . Código Penal Comentado. art. 202/3. extingue-se tão-somente a pena ou o jus puniendi”. No caso de morte do acusado. tomando ciência da morte do acusado ou do condenado. devem prevalecer. RJ: Renovar. p. Se. declarar extinta a punibilidade. Os doutos esclarecem expressamente: “Por via de regra. a morte do jurisdicionado é causa de extinção da punibilidade. 5º. dependendo do momento em que se verifica a causa. extingue-se a própria pretensão punitiva. já houver sentença condenatória.

O ilustre Conselheiro José Maurício de Lima Nolasco solicitou vista dos autos. bem como sobre a correspondente responsabilidade e eventual existência de dano. e votou pelo “cancelamento da multa”. deve se manifestar sobre eventuais irregularidades praticadas.o devedor.. a decisão judicial é bastante simples e geralmente é exarada nestes termos: “Em vista da certidão de óbito de fls.a punibilidade. Esta Corte. cada qual em proporção da parte que na herança lhe coube” (CC. Em qualquer dos casos. No caso de morte do condenado. PRI. o Corpo Instrutivo sugeriu “quitação da multa”. só respondem os herdeiros. cada herdeiro responde por elas na proporção da parte que na herança lhe coube” (CPC.. mas. “São sujeitos passivos na execução: I . art. porque o efeito da extinção da punibilidade se reflete sobre a execução da pena. “O espólio responde pelas dívidas do falecido. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. O nobre Conselheiro Aluisio Gama de Souza não concordou com a sugestão do Corpo Instrutivo porque. art. torna-se imutável. tendo transitado em julgado. II .o espólio. conforme a hipótese) e determino o arquivamento dos autos. 241 . como regra geral.. extinta estará a pretensão executória. 31 da Lei Complementar 63/90. e não há que se falar em descontinuação da sentença condenatória. os herdeiros ou os sucessores do devedor. 597) No caso dos autos. art. extingue-se a pretensão executória. de acordo com o art.” (CPC. extinta a punibilidade. mas. 568-II). feita a partilha. 1.” Se o condenado falecer após o trânsito em julgado da sentença condenatória.” ( CF. a quitação da multa se dá se comprovado o recolhimento integral do débito ou da multa. XLV) “A herança responde pelo pagamento das dívidas do falecido. até o limite do valor do patrimônio transferido. mesmo que ocorra o falecimento do jurisdicionado. extinta estará a pretensão punitiva. porque: “nenhuma pena passará da pessoa do condenado. julgo extinta a punibilidade do (acusado ou condenado. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser. hipótese em que os sucessores deverão responder pelo dano causado. nos termos da lei. feita a partilha.997). até porque a sentença condenatória. 5º. art. reconhecido como tal no título executivo.

Jurisdicionado condenado em multa. RI. com efeito sobre a “pretensão executória” e “pelo arquivamento do processo especial de cobrança executiva”. Com a morte do jurisdicionado após o trânsito em julgado da condenação. a meu ver a conseqüência é que ela não deverá ser inscrita em dívida ativa. subsistindo. O Tribunal podia punir e puniu. Portanto. a saber: extinção da pretensão punitiva ou extinção da pretensão executória. interpor “recurso de 242 . 96). A decisão do Tribunal deve ser “pela extinção da punibilidade. apresentou voto-revisor pela “extinção de punibilidade”.2003. O nobre Relator. discordando do ilustre Revisor. dependendo do momento em que se der o óbito. a extinção da punibilidade pode produzir efeitos distintos. cujo óbito só foi cientificado à Corte após a decisão definitiva: neste caso. extingue-se com o falecimento do responsável. mas o foi. nem de erro de cálculo. a seguir. não cabe alterar o acórdão. o óbito do jurisdicionado ocorreu após o trânsito em julgado da decisão.Recolocado o processo em pauta. Ademais. Esta a solução que me parece correta para o caso sob exame. porém. inclusive ao Ministério Público. A título exemplificativo. na Sessão de 25. se a dívida ainda não está inscrita. sob o argumento de que manter o acórdão que aplicou a multa é não reconhecer o fim da punibilidade. deu-se a extinção da punibilidade. Qual a conseqüência prática dessa extinção de punibilidade? Ora. uma vez que não se trata de inexatidão material. Cabe a qualquer legitimado (LO. a decisão condenatória transitada em julgado. tendo a multa caráter personalíssimo. sem preocupação de esgotar o assunto. a pretensão punitiva ainda não estava extinta. porque a decisão tornou-se imutável. que a morte do jurisdicionado pode induzir variados pronunciamentos desta Corte. 74. art. o acórdão que aplicou a multa está correto. Conselheiro Aluisio Gama de Souza. insiste na correção de seu voto pelo “cancelamento da multa”. pelo que se constata dos autos. Ressalvo. para o fim de cancelar a multa. estava extinta a pretensão punitiva. O Tribunal não pode corrigir ex officio o acórdão. por imutável. Transitada em julgado a decisão desta Corte. o nobre Conselheiro José Maurício de Lima Nolasco. são formuladas. Penso que a razão está com o nobre Conselheiro José Maurício de Lima Nolasco. sob o argumento de que. art. algumas situações e respectivas soluções que me parecem pertinentes: 1. tendo falecido antes de prolatado o acórdão condenatório. como já assentado pelo ínclito Relator. Como visto acima.11. contudo. mas com efeito somente sobre a pretensão executória. O jurisdicionado não poderia ter sido condenado em multa. concordando não ser caso de “quitação da multa”.

inclusive o Ministério Público. pode interpor “recurso de revisão” (RI. 243 . cujo óbito só foi cientificado à Corte após o trânsito em julgado da decisão definitiva e da inscrição do valor da multa em dívida ativa: a Administração deve se abster de ajuizar ação de execução fiscal. sob o fundamento de evidente violação da lei – RI. Jurisdicionado condenado em multa. segundo penso. declarar extinta a punibilidade. ciente do óbito. irá alterar o acórdão para. tendo falecido antes de prolatado o acórdão condenatório. art. Jurisdicionado condenado em multa. provendo o recurso. ou “recurso de revisão” em até cinco anos (RI. ou coisa soberanamente julgada porque não houve formulação de “recurso de revisão”. Provendo o recurso. tendo falecido antes de prolatado o acórdão condenatório. 2. art. a Corte. não poderá alterar o acórdão. a Corte. deixar de aplicar a multa. Jurisdicionado condenado em multa. 95-II (o jurisdicionado. constatando não ter sido interposto “recurso de revisão”. ficando prejudicada a inscrição do valor da multa como dívida ativa. 95). para o fim de determinar o arquivamento do processo de cobrança executiva. Interposto recurso tempestivo. tendo falecido depois de prolatado o acórdão condenatório: nesta hipótese. para o fim de cancelar a multa. mas foi). 88). interposto qualquer recurso por qualquer legitimado. art. com efeito sobre a pretensão executória. cujo óbito só foi cientificado à Corte após o trânsito em julgado da decisão definitiva: em até cinco anos qualquer interessado. Não sendo. 3. O acórdão está perfeito e não pode ser alterado sob o pretexto de que o jurisdicionado faleceu. ou de superveniência de novo documento. art. com efeito sobre a pretensão executória. a prova da morte não possibilitaria condenação em multa). configurado o trânsito em julgado. tomando ciência do óbito. a Corte não pode alterar o acórdão.reconsideração” em até 30 dias (RI. É o caso sob exame. tempestivamente. porque extinta a pretensão executória e comunicar o fato a esta Corte que. Não sendo interposto “recurso de revisão”. nem mesmo pelo Ministério Público. com efeito sobre a pretensão executória e determinar o arquivamento do processo de cobrança executiva. 96). art. mantendo o reconhecimento da irregularidade. 4. eis que extinta a pretensão punitiva. não poderia ter sido condenado. O jurisdicionado podia e foi condenado. com eficácia sobre a prova produzida – RI. a Corte irá alterar o acórdão. devendo se limitar a declarar a extinção da punibilidade. para o fim de determinar o arquivamento do processo de cobrança executiva. havia pretensão punitiva. uma vez que estava extinta a pretensão punitiva antes mesmo de ter sido prolatada a decisão. extinta a punibilidade pelo óbito. só pode. 95-IV (se a certidão de óbito tivesse sido juntada aos autos. devendo se limitar a declarar a extinção da punibilidade. Aqui só cabe à Corte declarar extinta a punibilidade com efeito sobre a pretensão executória e determinar a o arquivamento do processo de cobrança executiva.

que me parece correto. 9º da Deliberação TCE 166/92. eis que o óbito se deu após a condenação.Por tudo que foi exposto.por determinação à Secretaria-Geral de Controle Externo para que dê ciência do inteiro teor deste voto a todas as Inspetorias e Coordenadorias a ela subordinadas. 11 de dezembro de 2003 MARCO ANTONIO BARBOSA DE ALENCAR Revisor 244 .pelo arquivamento do processo. 282.pela expedição de ofício ao atual Prefeito do Município de Areal. Sala das Sessões. no caso presente. apenas esclarecendo que a extinção da punibilidade tem efeito. cientificando-lhe desta decisão. em face do falecimento do Sr. com efeito sobre a pretensão executória. II . Pelo exposto e examinado. como segundo revisor. relativo ao Processo Especial de Cobrança Executiva.Pela extinção da punibilidade. Amaurilio Jairo de Lima. ficando prejudicada a inscrição do valor da multa em dívida ativa municipal. para o fim de extinguir o procedimento descrito no art. VOTO I . sobre a pretensão executória e que o arquivamento se refere ao processo especial de cobrança executiva. iniciado a fls. III . IV . me alio ao voto do ilustre Conselheiro José Maurício de Lima Nolasco. ex-Prefeito de Município de Areal.

e artigo 1º . RELATÓRIO Trata o presente Processo 273. Urbanização e Saneamento e a Associação de Moradores da Rua Lions Clube. 08. escada. da Deliberação TCE 191/95. visando a execução do projeto parceria. formalizado entre a EMUSA – Empresa Municipal de Moradia. II. gasto com veículos e equipamentos. Travessa Sílvio Pinto Magaldi e Paulo Antunes. além do ato em questão. fls. “e”. em Niterói. fls. bem como os encargos incidentes.PEDIDO DE VISTA Convênio para execução de obras e serviços de engenharia – Distinção entre convênio. 3) Plano de Trabalho. 4) Estatuto da FAMNIT – Federação das Associações de Moradores do Município de Niterói. As obras encontram-se descritas no Plano de Trabalho. 08/09. 2) cronograma de desembolso. com interveniência da FAMNIT – Federação das Associações de Moradores do Município de Niterói. 07 e 09. 4. 06. fls. Foram encaminhados. II. os seguintes documentos: 1) tabela. fls. o qual elenca como tais a construção de muro de contenção. “d”. contrato e subvenção – Peculiar interesse da Administração – Análise do caso concreto – Voto revisor pela comunicação. 245 . Morro da Souza Soares. discriminando o valor a ser pago aos trabalhadores. na circunscrição da Associação”. Determina a cláusula primeira do convênio que o objeto deste refere-se à “união de esforços entre a EMUSA e a Associação. para realização de obras e manutenção.156-4/04 de convênio. que é submetido a esta Corte de Contas por força do disposto no artigo 48. Santa Rosa. nas Travessas Pedra 1 e 2 – Souza Soares. drenagem e passeio.

nos termos da Deliberação nº 207/99. art. da Lei Complementar 63/90). relativo à contratação. sendo o primeiro deles as razões que levaram a EMUSA a celebrar o presente convênio. Importa salientar que o valor global da obra monta R$ 136.666/93). que nesse intento. por essa. não só do valor do material. 39. materiais. fls. da Lei 8. este Tribunal determinou. segundo ele. encaminhou novamente os mesmos documentos que já constavam do processo que. veículos. • Outrossim.7. fls. Em 12. 04. Outrossim. • Nesse caso. referem-se ao que havia sido pedido. havendo desembolso orçamentário pela EMUSA. dirige-se à execução das obras supra.53 (cláusula 3. compete à EMUSA repassar à Associação. nos termos da cláusula 6ª. 2) Documento informando as atribuições da FAMNIT como interveniente (art. Já o valor repassado à Associação será de apenas R$ 85. 25. não seria lógico formalizar o convênio com quem não detém conhecimento técnico para consecução do objeto. optando-se por um convênio com Associação de moradores. 06. às fls. deve-se perquirir o motivo para se prescindir da contratação de uma empresa de engenharia. de trabalhadores para execução do trabalho. com especificações quanto a custos unitários.101. 116.2004. 26 a 64. em síntese: • Segundo a Instrução. por meio do ofício PRES 551/04. o material necessário à consecução dos serviços. definindo as condições da liberação das parcelas do convênio (§ 3º.69. nos termos da cláusula 5ª. 246 . em decorrência de inexistir contraprestação financeira por parte da Associação. Em reanálise. 66/70. etc. elenca diversos questionamentos. em despacho saneador.A melhoria de vida da comunidade traduz a meta do convênio. fls. mas também da mão-de-obra. • No que tange ao Plano de Trabalho. 04. letra “e”. que a EMUSA encaminhasse: 1) Plano de aplicação aprovado.1). para caracterizar a intervenção da FAMNIT neste convênio. e da tabela de fls. fls. esse deveria se fazer acompanhar de projeto básico. além do valor da mão-de-obra. O presidente da entidade.188. “g”. o Corpo Instrutivo. alínea.

Ocorre que não se admite em convênios a previsão de rescisão unilateral. • Finalizando. Voto do Relator Em Sessão de 29. caso não seja atingido o objetivo acordado.3. a aplicação dos termos da Deliberação TCE 200/96. pois em se tratando de convênio. transformando-o em contrato. esse instrumento se limita apenas à subvenção de terceiro.666/93. como conseqüência.3.00. nos termos do artigo 2º. da Lei 8. qualquer vínculo da Administração Pública com particular. onde haja obrigações recíprocas. Portanto. dispondo a cláusula oitava sobre rescisão. Ocorre que sendo as obrigações recíprocas. O Ministério Público.39 – fonte 100). Ante ao acima exposto. Segundo o nobre Relator: • Para a Lei 8. devendo ficar estabelecido o elenco das obrigações e responsabilidades da Federação na consecução do objeto. fls. as disposições da Lei 8. • Dessa forma.666/93. o código aplicado deveria ser o de número 3. deve ser considerado contrato. 72.entende ser insuficiente a remessa de cópia de seu estatuto. • Estabelece o convênio em questão que a EMUSA poderá rescindir a avença unilateralmente. para realização de atividade social.50. por meio do Procurador Renato Pereira França. a Instrução sugere a notificação do presidente da EMUSA para que remeta os documentos e esclarecimentos elencados às fls. nesse convênio. degeneraria o instrumento. o Conselheiro Aluisio Gama de Souza apresentou voto. a Instrução reputa como incorreto o elemento classificador utilizado (3390. 68/69.666/93.43. uma vez que cada partícipe poderá se retirar a qualquer momento. tanto para a Associação quanto para a EMUSA. elemento típico dos contratos.2005. concluindo não terem sido observadas. fica reforçada a tese de que se trata de contrato. • A presente avença estipula obrigações. e não de convênio. além de determinação. 247 . gerando. nos termos das cláusulas 5ª e 6ª. mesmo que receba o nome de convênio. concorda com o sugerido. que trata da concessão e prestação de contas de subvenção.

não estaria a EMUSA autorizada a formalizar o presente convênio. 16. subvencionar terceiro para realizar atividade social. A única hipótese permissiva encontra-se no artigo 199. evidencia-se que a EMUSA contratou uma associação de moradores para executar obras públicas. como se convênio fosse. tratando-se de contrato.320/64. nessa categoria. médica e educacional. não sendo essa a hipótese. razão pela qual pode o ato ser examinado. que trata da possibilidade de se efetuar convênio para autorizar as empresas privadas a participarem do SUS. De se ressaltar. • Dos autos. desde logo. dos institutos em torno dos quais se têm travado salutares debates em Plenário. É o relatório. seria. considero relevante tecer algumas considerações preliminares que permitam a diferenciação. • A exceção a essa regra só seria admissível em casos de lei autorizativa. da Constituição da República. notificando-se porém. Antes de adentrar a análise do presente caso concreto.• Portanto. há que se ressaltar que não houve intenção do jurisdicionado em inobservar a legislação aplicável. a fim de que se possa moralizar a utilização desse ato pelo Poder Público. efetuar fiscalização severa em sua 248 . o presidente da EMUSA para apresentar documentos e esclarecimentos. que reputo louvável a iniciativa e a preocupação do nobre Conselheiro Aluisio Gama para que o tema ora tratado seja sistematizado. o que implica pacificar o entendimento sobre a questão. • O objetivo da EMUSA. a concessão de subvenção social visará à prestação de serviços essenciais de assistência social. Nos termos do art. em tese. o presente instrumento. cuja inobservância confere invalidade a sua celebração. • Portanto. da Lei 4. na verdade. • Não obstante. também não se enquadraria. impõe-se a realização de licitação. em cumprimento aos princípios da impessoalidade. • Os convênios distinguem-se dos contratos por serem ajustes celebrados exclusivamente com pessoas de direito público. Ocorre que.

em cada caso. celebrar convênios ou contratos. a deficiência na regulamentação não implica a extinção dos convênios. que possuem entre si pontos convergentes e divergentes. por se tratarem os convênios e contratos espécies da categoria atos jurídicos bilaterais. a doutrina elenca alguns parâmetros. podem surgir dúvidas acerca da correta utilização do instituto. compartilho do entendimento dos Conselheiros Jonas Lopes de Carvalho Junior e José Maurício de Lima Nolasco quanto à não-exigência de autorização legislativa para a celebração de convênios. Vejamos: 1 . 99. acentuando que “a regra que subordina a celebração de convênios em geral. e ainda por inexistir suficiente regulamentação da matéria convênio. fere o princípio da independência dos Poderes. No que tange à distinção dos institutos. extravasando das pautas de controle externo constante da Carta Federal e de observância pelos Estados”. que subordinava a celebração de convênios à autorização prévia da Assembléia Legislativa. não se limitariam os convênios à hipótese autorizativa do art. que trata do Sistema Único de Saúde – SUS. à autorização prévia da Assembléia Legislativa. dependendo do caso concreto. declarando inconstitucionais os incisos XX e XXXI do art. 249 . Portanto. da Constituição do Estado do Rio de Janeiro 1. o próprio artigo refere-se à possibilidade da Administração.ADI 676-2 – Rio de Janeiro. para atendimento dos objetivos traçados pelo SUS. Convênios x Contratos x Subvenções Com efeito. possuindo inúmeras características em comum. 191 da Constituição da República. Não obstante. Assim decidiu o Supremo Tribunal Federal. para que se determine que a Administração possa celebrar apenas contratos com particulares. por órgãos do Executivo. bem com coibir o desvirtuamento dos institutos que visem a burla à Lei de Licitações e ao Princípio do Concurso Público. Nesse peculiar. No primeiro caso. serão firmados um ou outro instrumento. punindo aqueles que fazem mau uso desse instrumento. Outrossim. ou na transformação em subvenção de todos os convênios que prevejam repasse de verbas.execução.

• Composto por partes. pelas obras executadas ou pelos bens fornecidos. • O contratado recebe remuneração. são os interesses buscados no próprio acordo pela outra parte – que não o Poder Público – que vão determinar a utilização do convênio ou do contrato. Deve-se observar que o interesse do particular convenente será sempre público. sendo irrelevante para o repassador a destinação do mesmo. • Interesse patrimonial do contratado. • O interesse do contratado será sempre privado. • Como realiza interesse público. • O repasse de verbas há que se destinar a cobrir despesas por este realizadas na execução do convênio. somente podendo vir a ser utilizada para fins previstos no instrumento de convênio. ou entre estas e organismos particulares. proteção assistencial filantrópica ou objetivo de lucro – não são o bastante para firmar essa distinção. cujos interesses são opostos • Incidem as cláusulas exorbitantes decorrentes do privilégio da Administração Pública. e portanto poderá a Administração rescindir unilateralmente. indenizando custos operacionais e propiciando a própria execução do ajuste. • No contrato. com as exigências e peculiaridades de cada um deles.CONTRATO • Acordo firmado por entidade pública de com organismos qualquer espécie particulares. buscando parcerias para melhor desempenhar suas ações. o valor pago passa a integrar o patrimônio da entidade que o recebeu. a convenente enquadra-se na categoria iniciativa privada de interesse público. para realização de objetivos de interesse comum dos partícipes. • Ou melhor. mesmo que supletivamente seja atingido o interesse público. poís não obtém lucro. • Há o pagamento pelos serviços prestados. 250 . • A entidade contratada não presta contas do recebido ao Tribunal de Contas. • A contratada objetiva realizar sempre o interesse privado. CONVÊNIO • Acordo firmado entre entidade pública de qualquer espécie. para realização de interesses contrapostos ou divergentes. • A conveniada não recebe remuneração. não incidem as cláusulas exorbitantes. assim chamados por possuírem as mesmas pretensões. esse prevalece sempre. • Composto por partícipes. como por exemplo obrigação de aceitar o aumento de quantitativo inicialmente acordado. • Há prestação de contas do convênio ao Tribunal de Contas. Este busca auxiliar o Estado na obtenção de fins públicos. as partes convenentes e suas finalidades intrínsecas – defesa do interesse público. • Por possuírem os partícipes uma situação de igualdade. • A verba permanece com a natureza de dinheiro público. Não se olvide que incidindo o interesse público. • A conveniada busca o interesse público. Forma de descentralização da Administração Pública. • Interesse público do conveniado.

lei prévia. ou seja. O controle é feito a posteriori. dentro da doutrina dos pesos e contrapesos. controle prévio da Câmara Municipal. que. como regra. O contrário. portanto. • Deve prever prazo. de condução dos negócios públicos municipais. devido à inadimplência do contratado. não havendo interesse de lucro. • Não exige autorização do Poder Legislativo. apenas controle posterior.666/93. como tal. devendo ser aplicadas as penalidades elencadas na Lei 8. e portanto. licitação. • O convênio enquadra-se. • Quando há desembolso de recursos pela Administração. devido à independência dos poderes. é da exclusiva alçada do Executivo. no caput do artigo 25.069/93-6. 251 . Como o interesse é cooperativo. poderá ocorrer a denúncia do convênio. • Não há portanto. • A celebração de convênio encerra típico ato de gestão. • Excetuando os casos previstos em lei. impõe-se o dever de licitar. • Quando há desembolso de recursos pela Administração. fere a isonomia entre os mesmos.666/93. porque a Administração tem o poder discricionário de escolher seus colaboradores. • Em caso de inadequação de algum partícipe em concluir o acordado.• A possibilidade de rescisão decorre de disposição da lei. sendo. • Deve prever prazo. o contrato deve possuir previsão orçamentária. não se aplicando porém penalização ao partícipe faltoso. da Lei 8. atribuição de índole eminentemente administrativa. não há competição. Assim decidiu o TCU no voto nº 020. o convênio deve possuir previsão orçamentária.

a partir de um ato de governo. deve-se proceder a uma análise percuciente do ato. Não obstante. a construção de um muro ou escada. o qual. ou seja. o objeto acordado pode ser mais amplo. e que não poderia ser obtido com a simples contratação de uma empresa de engenharia. se analisado em tese. Deve-se lembrar que se busca no convênio não apenas o interesse público voltado para a materialização da obra. justificada na adequabilidade do suposto interesse público às finalidades institucionais gerais da “conveniada”. em outras hipóteses. existem situações nas quais se poderá de pronto identificar o ato bilateral. busca algo mais. um objeto imaterial. A Administração. genérico. ao invés de satisfação do interesse público almejado através de uma contratação usual. com aquela específica entidade. enquadrando-o na categoria de convênio ou de contrato.De fato. que extrapola o produto final. Nesses casos. daria margem a sua caracterização como um convênio. 252 . por exemplo. focada principalmente na existência de peculiar interesse que justifique a opção da Administração pela avença em forma de cooperação.

se está diante da figura do contrato. médica e educacional. Hoje. e no artigo 22. o que não quer dizer que sua natureza seja transmudada para uma subvenção. prestar e fiscalizar os serviços comuns a todos os cidadãos. Por exemplo. um repasse de verbas. nos termos do artigo 24. e objetiva. pois em tese. Aqueles excluídos recorriam normalmente aos serviços de caridade. já houve época em que determinados serviços (v. desvinculados do Poder Público.Hipótese diversa seria a do pacto entre Administração e entidade de assistência a deficientes para prestação de serviços. o convênio pode comportar. Nesse caso. 253 . Assim. ou seja. a princípio. dentre as incumbências da Administração. Como o próprio nome diz.666/93. g. as subvenções são auxílios pecuniários 2. na hipótese de um orfanato que atenda 100 (cem) crianças e possua 2 . e só podem ser feitas para instituições que tenham determinadas finalidades institucionais. tal hipótese deverá ser investigada. mas sim de uma subvenção. devendo ser encaradas como uma exceção ao custeio de serviços públicos. uma vez que a Administração Pública deve ter como fim precípuo organizar. se atenderem à Lei. De fato. da Lei 8. médicos) não eram vistos como obrigação do Poder Público e direito dos cidadãos. Todavia a análise não se encerra nesse ponto específico. da Deliberação TCE 200.320/64. que obedece a regramentos orçamentários específicos. No Brasil. da Lei 4. que prestam serviços públicos. na prestação de serviços de assistência social. ficando os demais excluídos desse atendimento. não se trata de um convênio. nos termos da Lei. se possa enquadrar a avença como um convênio. A subvenção encontra-se regulamentada no artigo 16. podem receber subvenção do Poder Público. deve ser averiguado se o instituto não está sendo usado como substitutivo de uma subvenção social. Dessa forma. mantidos por organismos assistencialistas.Novo Dicionário Aurélio. amparado por dispensa de licitação. no mesmo sentido. Ainda que. ou eram prestados a um pequeno número deles. inciso XX. caso um convênio se limite meramente a repassar verbas públicas para o particular. Essa ajuda é apenas complementar. essas entidades privadas. ou assistidos pela iniciativa privada. já consideradas pela Lei como de interesse público. no qual os interesses apresentam-se divergentes. ajuda financeira. a suplementação dos recursos de origem privada.

para diferenciar casos de convênio. inexistindo previsão de remuneração por isto. Foram remetidos o custo global dos materiais. atendidos os pressupostos legais. talvez com o objetivo de propiciar oferta de trabalho aos moradores da localidade. consta às fls. haver um vínculo com intenção (affectio) diversa da de um simples contrato.1. interessa à Administração firmar compromisso com a Associação pertencente ao perímetro da obra. Não obstante. entendo que o Tribunal. quem sabe. fls. talvez não se busque apenas uma obra a ser executada por uma empresa qualquer. do cronograma de repasse. bem como o material para consecução dos mesmos. objetiva o convênio a união de esforços entre os partícipes para realização de obras no âmbito da circunscrição da Associação convenente.b – encontra-se atendido parcialmente. 254 . por condições econômicas mais vantajosas. • O subitem 2. não compreendendo qualquer tipo de taxa de administração ou BDI. 06.1. Ou seja. firmado entre a EMUSA e a Associação.verba para o atendimento de 90 (noventa) delas. poderá a Administração. Sendo assim. 07. • Não foi prevista remuneração à Associação. No que tange à documentação e esclarecimentos reclamados pelo Corpo Instrutivo. ajudar a entidade com algum recurso. deverá ser encaminhado o custo unitário do material. ressaltam-se os seguintes elementos: • A avença decorre do Projeto Parceria. equipamentos e mão-de-obra. contrato e subvenção. a princípio. • Segundo a cláusula primeira. fls. • Nesse caso. Portanto. 08/09. até. a – Plano de aplicação. mas sim. haja vista que o objetivo da Associação também é público. Caso concreto No caso sob exame. deverá observar as diretrizes aqui traçadas. quais sejam: • O exigido no subitem 2. assim querendo. considera-se atendido. considero que alguns deles já se encontram no processo. a EMUSA repassará à Associação o valor para contratar os trabalhadores para execução dos serviços. • Observa-se. veículos.

10/15. para que.Por comunicação ao Sr. neste processo e por conexão no feito a seguir relacionado. não poderia essa Corte de Contas notificar o jurisdicionado para que apresente defesa pelo fato de não ter classificado a despesa como subvenção. na forma do art. fls. VOTO I .53) encontra-se esclarecida no próprio convênio. deixam claro que o valor repassado à Associação objetiva apenas ao pagamento da mão-de-obra. Diante de todo o exposto. médica e educacional.101. encaminhe a esta Corte os seguintes elementos: 1) cópia do Projeto Parceria. com base na definição legal e do manifestado voto. • 2. enquanto o restante refere-se aos equipamentos que serão fornecidos. quando o convênio soma R$ 136. no seguinte sentido: • 273. inciso I. fls. fls. se aparentemente não se está diante desse caso.c – Entendo ser desnecessária a lavratura de termo aditivo para que se faça constar do convênio as obrigações da FAMNIT como interveniente.d (documento informando as razões do repasse à Associação de apenas R$ 85. Edison Pinho Sobrinho. considerando que ainda restam algumas questões que deverão ser esclarecidas pelo jurisdicionado. 08/09 e a tabela. 26. uma vez que não só o plano de trabalho. manifesto o meu voto parcialmente de acordo com o Corpo Instrutivo.69. uma vez que a presença dessa no pacto decorre de suas próprias atribuições. do Regimento Interno. não vislumbro o enquadramento do presente ato na hipótese de suplementação de uma prestação de serviços de assistência social.188. Ministério Público e Conselheiro Relator. 3) cópia do projeto básico da obra. entendendo que a mesma deveria ser tratada como despesa de subvenção. presidente da EMUSA. 255 .• A dúvida materializada no subitem 2. Nesse caso.159-6/04. elencadas no referido estatuto. e conseqüentemente assim seu ato formalizador. • Quanto a considerar incorreta a classificação da despesa em questão. 06. tenho opinião diversa. 2) cópia da planilha de custo unitário do material. a saber: A princípio. no prazo de 30 (trinta) dias.

39. alínea “g”. inciso II. ao efetivar a comunicação supra. 19 de abril de 2005 MARCO ANTONIO BARBOSA DE ALENCAR Revisor 256 . ou então. ao invés de se executar o objeto diretamente. II . contratar firma especializada do ramo para executá-lo. encaminhe cópia integral do presente voto e dos pareceres do Ministério Público e do Corpo Instrutivo. visando à execução de obras e serviços de engenharia. Sala das Sessões. conforme o art.4) justificativa acerca do fato de ter sido celebrado termo de convênio com uma Associação de Moradores.Por determinação à Secretaria Geral das Sessões para que. da Lei Complementar 63/90.

RELATÓRIO Trata o presente Processo 210. informado no subitem 3. o fornecimento de 32. 26 cópia da publicação do resumo do edital feita em 07 de abril de 2005. visto que. conforme dispõe o seu item 2. o inciso I. Urbanização e Saneamento de Niterói – EMUSA. às fls. Voto revisor pela comunicação.000 toneladas de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) para recompor a pavimentação de diversos logradouros do Município de Niterói e reparos de pequenas obras.PEDIDO DE VISTA Edital de licitação por concorrência – Critério de reajustamento de preços – Legalidade da adoção da data do orçamento elaborado pela Administração como data-base para o cálculo do reajustamento de preços de contratos. informado no subitem 4. pela Empresa Municipal de Moradia. a sua remessa a esta Corte de Contas foi intempestiva. anexo à contracapa do processo. art. 256 .1 do edital.Ofício SGE/CEE 020/05.007-6/05 de edital de licitação a ser realizada na modalidade concorrência. conforme informado no aviso de fls. Consta às fls. 3. trezentos e noventa e seis mil e cinqüenta e quatro reais e quarenta centavos). O valor estimado da contratação. às fls. às fls. como se constata às fls. 1 .2 da minuta de contrato. O prazo de vigência do contrato que decorrer da licitação. O Conselheiro-Relator.40 (cinco milhões. 40 informa que a Coordenadoria de Exame de Editais – CEE fez chegar às suas mãos expediente 1 em que solicitou à EMUSA o adiamento do certame até que esta Corte de Contas ultime o exame do ato convocatório. às fls. 05. 04. 05. está marcada para o dia 09 de maio de 2005. é de 12 (doze) meses.396. 02. Como o edital foi protocolizado em 18 de abril de 2005. às 16:00h.054. O edital que recebeu o número de ordem 01/05 tem por objeto. tipo menor preço. é de R$ 5. A data e horário para o recebimento dos envelopes contendo os documentos e propostas.

às fls. A Coordenadoria de Estudos e Análises Técnicas – CEA. manifestando-se sobre os termos do edital. XI) O parágrafo terceiro da cláusula segunda da minuta do contrato (fls. Desta forma. em suas conclusões sugere: 257 . f c/c art. 15/20) estabelece os índices e critérios da EMOP como referências de reajuste de preços é março de 2005 como data-base (os grifos são do Conselheiro-Relator) As conclusões da CEA estão redigidas nos seguintes termos: Pelo exposto. II e art. II) Foi apresentada. sugerimos que cada fornecimento do CBUQ seja precedido de anotações na fatura (ou na folha de medição) com informações necessárias a proporcionar condições ao TCE de inspecionar a execução contratual. às fls. da Deliberação TCE-RJ 191/95 estabelece que os atos unilaterais devem ser remetidos a este Tribunal em até cinco dias da publicação de seus respectivos resumos. Portanto. Critério de reajuste de preços (art. I) Não foi apresentada a Memória de Cálculo do Projeto Básico com as suas respectivas quantidades licitadas. 3. 21/22. 29. 1. 7º.1º. dimensionamento e localização de cada respectivo serviço que consumirá a quantidade fornecida. como especificação. A Coordenadoria de Exame de Editais – CEE.2 . às fls. § 2º. § 2º. 40. dimensionamento e localização de cada respectivo serviço que consumirá a quantidade fornecida. IX. como especificação. § 2º.1 . a planilha orçamentária de preços estimados com data-base de janeiro/2005. sugerimos que o fornecimento do CBUQ seja precedido de anotações na fatura (ou na folha de medição) com informações necessárias a proporcionar condições ao TCE de inspecionar a execução contratual.quantidades (art. 40. 40. na qual constatamos que os preços praticados estão compatíveis com os de mercado. destaca os seguintes aspectos: 1.preços unitários (art. 6º. Orçamento 1. 30/37. não foi possível aferir se as quantidades de CBUQ são compatíveis com as obras mencionadas no item 2.1 do edital (cláusula que trata do objeto contratual).

nos termos do que estabelece o parágrafo único do artigo 38 da Lei Federal 8. nos termos do que estabelece a alínea "a".666/93. e pelo posterior arquivamento do processo.Faça constar do edital o local.666/93 quanto à necessidade de estabelecer compatibilização entre a duração dos 258 . 40 da Lei Federal 8. conforme preceitua o inciso XVI do art.666/93. 73 do mesmo diploma legal. uma vez que o tema não está inserido no rol dos artigos 27 a 30 da Lei Federal 8. V do art. IV . II .666/93. síntese do examinado. uma vez que vai de encontro ao direito de impugnação previsto nos § 1º e § 2º do artigo 41 da Lei 8. no sentido de considerar como item de habilitação a necessidade dos licitantes comprovarem o cumprimento do disposto no inc.Fixe a data em que serão realizados os pagamentos. excluindo do edital a respectiva exigência. XVI do art.666/ 93. V . VI do subitem 7.5. 7º da Constituição Federal. I . IX .Ante o exposto. V do subitem 7. excluindo do edital a respectiva exigência.666/93. VI .Faça constar as condições de recebimento do objeto. a serem comprovadas quando da remessa do instrumento contratual. horário e códigos de acesso dos meios de comunicação à distância. 27 da Lei Federal 8.666/93. compatibilizando-o com o art. compatibilizando-o com o art.Desconsidere a hipótese de inabilitar licitante que deixe de cumprir o inc.Observe o que dispõe o artigo 57 da Lei Federal 8. VIII .Observe o que estabelece o inc. III . 40 da Lei Federal 8.2.666/93. em obediência do inciso VIII do art. XIV do art.Estabeleça previsão quanto às condições de recebimento do objeto nos termos do que dispõe o inc.Desconsidere a hipótese de inabilitar licitante que deixe de cumprir o inc. inc. 40 da Lei Federal 8. 73 do mesmo diploma legal. 40 da Lei Federal 8. Plenário pronunciar-se pelo conhecimento do Edital de Licitação 001/2005 da EMUSA.Encaminhe o pronunciamento da assessoria jurídica da EMUSA aprovando o Edital de Concorrência 001/2005. com as determinações propostas a seguir. XXXIII do art. VII . sugerimos ao E. tomando por base um número exato de dias contados a partir do adimplemento de cada parcela.666/93.

para que.666/93. verbis: Pela comunicação.2. 259 . dimensionamento e localização de cada respectivo serviço que consumirá a quantidade fornecida. nos termos propostos pela CEA: ". 73 do mesmo diploma legal. § 4º. tendo em vista manifestação do Corpo Instrutivo através das Coordenadorias de Estudos e Análises Técnicas (fls.. opina pelo conhecimento do edital. caso o fornecimento envolva projetos não contemplados nas metas estabelecidas no Plano Plurianual. às fls.Por fim. no prazo de 10 (dez) dias. 21. V do art. com as respectivas determinações.666/ 93. compatibilizando-o com o art." O Douto Ministério Público. tendo sido proferido pelo Conselheiro José Maurício de Lima Nolasco o voto de fls. nos termos do que estabelece o parágrafo único do artigo 38 da Lei Federal 8. como especificação. reabrindo-se o prazo inicialmente estabelecido. b .666/93. 7º da Constituição Federal. na forma do art. 27 da Lei Federal 8. 40 da Lei Federal 8. e X . representado pelo Procurador de Justiça Horácio Machado Medeiros. hipótese que resultará na necessidade de alteração no prazo de vigência contratual prevista no subitem 3. atenda as seguintes medidas: a .encaminhe o pronunciamento de sua assessoria jurídica aprovando o Edital de Concorrência 001/2005. XXXIII do art.sugerimos que cada fornecimento do CBQU seja precedido de anotações na fatura (ou na folha de medição) com informações necessárias a proporcionar condições ao TCE de inspecionar a execução contratual. conforme preceitua o inciso XVI do art. 29). 38.contratos e a vigência dos créditos orçamentários.666/ 93. prevista no §1º do artigo 6º da Deliberação TCERJ 204/96. da Lei 8. e Coordenadoria de Exames de Editais (30/7).faça constar as condições de recebimento do objeto. com o seguinte teor.observe o que estabelece o inc. verbis: O Ministério Público.. Este processo foi submetido a apreciação do Plenário desta Corte de Contas na Sessão de 24 de maio de 2005. assim se manifesta. c . ao Presidente da EMUSA. no sentido de considerar como item de habilitação a necessidade dos licitantes comprovarem o cumprimento do disposto no inc. 49-51.

corrija o edital e todos os seus anexos nas redações relativas à hipótese de reajustamento.faça constar do edital o local.2. j .sugerimos que cada fornecimento do CBQU seja precedido de anotações na fatura (ou na folha de medição) com informações necessárias a proporcionar condições ao TCE de inspecionar a execução contratual. uma vez que o tema não está inserido no rol dos artigos 27 a 30 da Lei Federal 8. nos termos do que estabelece a alínea "a".fixe a data em que serão realizados os pagamentos. inc. fazendo constar qual o índice que será adotado (v.desconsidere a hipótese de inabilitar licitante que deixe de cumprir o inc.g.666/93.666/ 93.estabeleça previsão quanto às condições de recebimento do objeto nos termos do que dispõe o inc. em relação a esta última. excluindo do edital a respectiva exigência. 73 do mesmo diploma legal.d . uma vez que vai de encontro ao direito de impugnação previsto nos § 1º e § 2º do artigo 41 da Lei 8. XVI do art. INCC. h . tomando por base um número exato de dias contados a partir do adimplemento de cada parcela. k . etc. e . 40 da Lei Federal 8. compatibilizando-o com o art.666/93. horário e códigos de acesso dos meios de comunicação à distância. em obediência do inciso VIII do art.providencie a juntada da cópia do procedimento administrativo que justifica a exigência dos seguintes índices contábeis exigidos 260 . 40 da Lei Federal 8.desconsidere a hipótese de inabilitar licitante que deixe de cumprir o inc. FGV.666/93. VI do subitem 7. dimensionamento e localização de cada respectivo serviço que consumirá a quantidade fornecida". XIV do art. os termos de minha fundamentação. 40 da Lei Federal 8. l ..: EMOP.) e qual a data-base para o reajuste dos preços: se a da apresentação das propostas ou a data da elaboração dos orçamentos elaborados pelos licitantes.. V do subitem 7. i .666/93.atenda a proposição da CEA: ".5. g . como especificação. devendo ser observado.faça constar do edital que eventual prorrogação do enlace somente será admitida nas situações descritas no § 1º do artigo 57 da LF 8. excluindo do edital a respectiva exigência.666/93. f . o que demandará a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do ajuste e a correspondente motivação em processo administrativo.

acima transcritas.7 do edital dado que estão relacionados às contratações de obras e serviços de engenharia e não ao fornecimento objeto deste certame. m . (Grifei) O parágrafo terceiro da cláusula segunda da minuta do contrato. diz que o fornecimento objeto da licitação será realizado sob o regime de empreitada por preço unitário e que os preços serão irreajustáveis. Io – Índice do EMOP da data base do orçamento.reveja a redação dos subitens 7. após o que poderá ser revisto com base na fórmula R = (Im/ Io) x V.no certame: garantia de capitais de terceiros. talvez por erro de digitação. origem de recursos a longo prazo e endividamento.O texto do edital. faz referência expressa ao ano de 2003. 04. e. às fls. o nobre ConselheiroRelator. em virtude de paralisações ou outro fato plenamente justificado meses.1 do edital contém a seguinte informação (sic): Caso o contrato venha a ter vigência por mais de 12 (doze) meses. onde: R – é o valor do reajustamento procurado.6 e 7. verbis: 2 . O subitem 3. o preço poderá ser revisto aplicando-se os índices e critérios da EMOP. Sobre as incongruências do edital. manifesta-se nos seguintes termos. É o relatório. às fls. V – é o valor inicial contratual da obra. 16 informa que “caso haja prorrogação do prazo. o preço poderá ser revisto aplicandose os índices e critérios da tabela da EMOP. O subitem 2.2 do edital. às fls. tendo como database o mês de março/2003” 2. Im – Índice do EMOP do mês de reajuste. n . tendo como data-base o mês de março/2005”.5 do edital informa que “caso haja prorrogação do prazo. 43. 261 .faça constar redação no sentido de que a ausência de qualquer preposto na sessão de abertura e julgamento das propostas não acarretará na desclassificação das respectivas empresas licitantes. O subitem 16.

neste Egrégio Plenário. ora fixa como data-base para o reajustamento o mês de março de 2003. discorrendo sobre o vocábulo “orçamento”. externa o seguinte entendimento: Nos termos do artigo 40. até a data do adimplemento de cada parcela. manifesta-se no seguinte sentido. As incompatibilidades e irregularidades contidas no edital desaconselham o prosseguimento da licitação e eu aduziria que recomendam. discordando. pois é possível que. não tenha sido capaz de me fazer entender. mais uma vez. que propôs o conhecimento do edital com determinações. o critério de reajuste deve: “. por coerência. no que diz respeito aos entendimentos externados nas fundamentações do voto. permitam-me. admitida a adoção de índices específicos ou setoriais. entendimentos divergentes dos ora esposados pelo ilustre Relator.. 37. inciso XI. quanto aos critérios de reajustamento de preços. 43. externá-los. sim. a minha argumentação não tenha sido adequadamente estruturada e. assim. peço venia para discordar. Em diversas oportunidades anteriores.666/93. da Lei Federal 8. o Excelentíssimo Senhor Relator entendeu que a licitação sub examen não deveria prosperar sem que antes fossem efetuadas as correções das falhas apontadas pela instrução e por ele próprio. Nesse aspecto não hesito em concordar com o ilustríssimo Senhor Relator. às fls. a reabertura do prazo do certame. do sugerido pela CEE. Quando admitido. defendi. às fls. aquele apresentado pelo próprio licitante. já que as correções a serem introduzidas irão afetar a elaboração das propostas das licitantes. também. à época. ora a data do orçamento oficial da Administração. que é de janeiro de 2005.” (Grifei) Após algumas considerações sobre o transcrito dispositivo da Lei de Licitações. Esse orçamento deve traduzir a cotação dos preços que o interessado 262 . No entanto.. às fls. 48. O nobre Conselheiro-Relator. Nas fundamentações de seu voto. desde a data prevista para a apresentação da proposta.O ato de chamamento oscila entre a possibilidade e a impossibilidade de reajustamento. retratar a variação efetiva do custo de produção. o Conselheiro-Relator. por esta razão. ou do orçamento a que essa proposta se referir. verbis: O orçamento em questão não é aquele preparado pela Administração e. sobre reajustamento de preços. portanto.

O edital conterá . parágrafo 2º.. art....... (Grifei) Não há dois orçamentos.... II . A Administração não seleciona um “orçamento” num certame........ (Omissis) .. 263 .666/93. dele fazendo parte integrante: . 6º da Lei Federal 8.Constituem anexos do edital.. § 2º . 6º .. 40 da mesma Lei.... 3º da Lei Federal 8.. verbis: Art..... § 2º .... parágrafo 2º. considera-se: . (Omissis) .............As obras e os serviços somente poderão ser licitados quando: .... (Omissis) . cujos termos são os seguintes.. II . combinado com o inciso II..elaborou com base na especificação e no quantitativo previamente definido pelo projeto básico... Art.. 40 . cuja redação é a seguinte. apresenta uma proposta e não um “orçamento”.orçamento estimado em planilhas de quantitativos e custos unitários..Para os fins desta Lei..... Existem.A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração e .. dois orçamentos que jamais devem ser confundidos: o da Administração e o do proponente.. A Lei dispõe sobre o orçamento elaborado pela Administração e a proposta a ser apresentada pela licitante... portanto.. ao participar de um certame. A Administração está obrigada a elaborar o orçamento detalhado das obras e serviços que pretende contratar e informá-lo às licitantes sob a forma de anexo do edital por força do que dispõe o inciso II. mas sim a proposta mais vantajosa como dispõe o art. art. 3º .existir orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de todos os seus custos unitários.. verbis: Art...666/93..... . Não posso concordar com tal assertiva...... A licitante... (Omissis) ..

. obrigatoriamente.. coordenado pelo insigne administrativista Doutor Benedicto de Tolosa Filho 4. expressa nos seguintes termos. bem como. no edital ou em seus anexos. desde a data prevista para apresentação da proposta do orçamento a que essa proposta se referir.666/93 não conceitua “data-base”.O edital conterá . o seguinte: . Esta afirmação que faço tem os seguintes fundamentos legais: 1º) Inciso XI. portanto.. A Lei Federal 8... 55 da Lei Federal 8.666/93: Art. A ausência desse dado no ato convocatório.e indicará. art.... a data-base a que os preços estimados estão referidos. que deverá retratar a variação efetiva custo de produção.critério de reajuste.. ser inafastável a obrigação do Administrador de informar no edital de licitação o critério de reajuste.. como se constata. do ou ou do Depreende-se. MACEDO.. 2º da mesma Lei.... 3º da Lei Federal 10. 40 .... Edilson do Santos e SAITO. Benedito (Coordenador). no caso de prestações ou obras que demandem mais de um ano de execução. a data (mês) a partir do qual será iniciada a contagem da periodicidade.192.... os preços estimados. não há na referida Lei Federal qualquer dispositivo estabelecendo que a licitante tenha que informar ou fornecer à Administração o orçamento mediante o qual discriminou o preço ou preços consubstanciados em sua proposta nem a que data tais preços se referem.. p. 40 da Lei Federal 8. 1995. Dicionário de licitações e contratos administrativos. 2º) inciso III. artigo 55 da Lei Federal 8. em todas as esferas de governo..666/93: Ora.. verbis: 3 . 264 . art. A Administração é que está obrigada a informar. admitida a adoção de índices específicos setoriais. Encontra-se uma definição para este verbete no Dicionário de Licitações e Contratos Administrativos. (Omissis) . 4 . de 16 de fevereiro de 2000. no § 1º.. o valor máximo que está disposta a pagar pelo que pretende contratar. bem como.No entanto. os critérios de reajuste de preços. não é possível estabelecer critério de reajustamento sem informar a sua periodicidade. a que o inciso II.A periodicidade de reajustes de preços de contratos administrativos é anual (doze meses). 61.. combinado com o art.TULOSA FILHO. art. a periodicidade 3 em que os reajustes serão exigíveis...(Omissis) . configura ilegalidade. até a data adimplemento de cada parcela. de forma incontroversa. Rio de Janeiro: Aide.666/93 denomina de “data-base”. XI .. Luciano Massao.

..666/93: Ademais. 48. a que a Lei denominou “data-base”. 55.... 48 da Lei Federal 8... os critérios de atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento. II ..... (Grifei) O valor global estabelecido no edital como limite para a aceitação de propostas.. não pode estabelecer como limite para aceitação de preço. (Grifei) Como se depreende do transcrito dispositivo legal. não se trata de liberalidade do administrador.. a Administração está obrigada a informar no edital o valor global que está disposta a pagar pelo objeto licitado e desclassificar as propostas que ultrapassarem o limite estabelecido...Data marco para início da contagem do prazo para reajustamento de preços da proposta ou do contrato... valor superior ao que ela própria apurou em pesquisas de mercado e registrou no orçamento estimado que.... obrigatoriamente. cuja redação é a seguinte verbis: Art. (Omissis)...666/93. 265 ... tem que informar ao licitante os critérios de reajustamento a serem observados na execução contratual... obrigatoriamente.. conforme dispõe o inciso II. integra o edital..666/93 estabelece que é necessário constar nos contratos administrativos a “data-base” e a “periodicidade” dos reajustamentos. o contrato. art.. e em decorrência. como já assinalado.. não pode ser superior nem estar referido à data-base diferente da estabelecida no orçamento estimado 5 pela Administração. (Omissis) .. Serão desclassificadas: ....A Administração. em observância ao princípio da economicidade. III ... art. 5 .. 3º) inciso II. verbis: Art.. condições estas necessariamente especificadas no ato convocatório da licitação. artigo 55 da Lei Federal 8....propostas com valor global superior ao limite estabelecido . O referido inciso III...(Omissis).Data-base . não pode contratar por preços superiores aos praticados no mercado assim.. data-base e periodicidade do reajustamento de preços...o preço e as condições de pagamento. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: . os critérios. nos seguintes termos. 48 da Lei Federal 8. a data a partir da qual será contado o prazo para o reajustamento (periodicidade).

Como o edital é vinculante 6 a licitante fica impedida de oferecer em sua proposta, preço global superior ao limite imposto, bem como, de adotar data-base diferente da estabelecida, sob pena de desclassificação por desconformidade com os requisitos do instrumento convocatório 7. Assim, não é pertinente o entendimento do nobre Conselheiro-Relator, expendido na fundamentação de seu voto, às fls. 46, que está redigido nos seguintes termos, verbis: De toda sorte, caso opte a Administração pela data da elaboração do orçamento do licitante, esta deverá coincidir com a data que forem efetivamente entregues os envelopes contendo os valores das propostas a que se referirem. A Administração não pode exigir que a data do orçamento utilizado para a formulação da proposta da licitante coincida com a data em que os envelopes serão efetivamente entregues à comissão julgadora por falta de amparo legal. Aduz, ainda, o Senhor Relator, às fls. 44, os seguintes argumentos, verbis: Já o orçamento do proponente é aquele que serve de lastro à sua proposta, confeccionado com base nas informações constantes do edital e de seus anexos, mormente o projeto básico. Esse orçamento deve ser apresentado para detalhar o preço consignado na proposta e demonstrar a sua viabilidade (art. 48, inc. II, da LF 8.666/93),... (Grifei) O dispositivo legal oferecido para fundamentar que o “orçamento deve ser apresentado para detalhar o preço consignado na proposta”, o art. 48, inc. II, da Lei Federal 8.666/93, com a devida venia, não impõe à licitante qualquer obrigação desse gênero. O aludido dispositivo legal tem a seguinte redação, verbis: Art. 48, inc. II, da LF 8.666/93: .......... (Omissis) ......... II - propostas com valor global superior ao limite estabelecido ou com preços manifestamente inexeqüíveis, assim considerados aqueles que não venham a ter demonstrado sua viabilidade através
6 - Princípio da vinculação ao instrumento convocatório – caput do art. 3º da Lei Federal 8.666/93. 7 - Art. 43, inciso IV da Lei Federal 8.666/93.

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de documentação que comprove que os custos dos insumos são coerentes com os de mercado e que os coeficientes de produtividade são compatíveis com a execução do objeto do contrato, condições estas necessariamente especificadas no ato convocatório da licitação. O dispositivo não estabelece que a licitante tem que apresentar “orçamento” com a mesma data da entrega dos envelopes à comissão julgadora. Dispõe, sim, que serão desclassificadas as propostas com valores superiores aos estabelecidos ou ofertando preços inexeqüíveis. Estabelece, ainda, que serão considerados inexeqüíveis os preços que não venham a ter demonstrado sua viabilidade através de documentação que comprove que os custos dos insumos são coerentes com os de mercado e que os coeficientes de produtividade são compatíveis com a execução do objeto do contrato, condições estas, necessariamente especificadas no ato convocatório. No entanto, a Lei não estabelece quais documentos deverão comprovar a coerência dos insumos ou compatibilidade dos coeficientes, portanto, o que não tem nada a ver com “orçamento” ou “data-base”. O prestigiado administrativista Marçal Justen Filho 8, referindo-se ao dispositivo em comento, manifesta-se no seguinte sentido, verbis: De acordo com o inc. II, há obrigatoriedade de o edital veicular as condições mínimas de executoriedade da prestação. É óbvio que não cabe ao edital estabelecer coeficientes mínimos de produtividade, margens de lucro ou preços máximos de insumos e custos. O edital deverá prever a obrigatoriedade de o licitante declinar informação acerca da elaboração de sua proposta, de molde a permitir um exame objetivo da exeqüibilidade da proposta. Feitas as considerações acima, que são de minha lavra, entendo por oportuno, registrar, também, o entendimento do Tribunal de Contas da União sobre a necessidade de informar nos editais de licitação, de forma clara, a data a partir da qual será contada a periodicidade dos reajustes. Com essa finalidade, transcrevo, a seguir, o Acórdão de nº 1707 - Plenário, decidido na Sessão Plenária de 12 de novembro de 2003, nos autos do Processo 018.278/2002-0, in verbis:

8 - JUSTEN FILHO, Marçal. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. São Paulo: Dialética, 5 ed., 1998, p. 438.

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9.2.1 - estabeleça já a partir dos editais de licitação e em seus contratos, de forma clara, se a periodicidade dos reajustes terá como base a data-limite para apresentação da proposta ou a data do orçamento, observando-se o seguinte: 9.2.1.1 - se for adotada a data-limite para apresentação da proposta, o reajuste será aplicável a partir do mesmo dia e mês do ano seguinte; 9.2.1.2 - se for adotada a data do orçamento, o reajuste será aplicável a partir do mesmo dia e mês do ano seguinte se o orçamento se referir a um dia específico, ou do primeiro dia do mesmo mês do ano seguinte caso o orçamento se refira a determinado mês; 9.2.2 - para o reajustamento dos contratos, observe que a contagem do período de um ano para a aplicação do reajustamento deve ser feita a partir da data-base completa, na forma descrita no item 9.1.1, de modo a dar cumprimento ao disposto na Lei 10.192/2001, em seus arts. 2º e 3º, e na Lei 8.666/93, em seu art. 40, inciso XI; A transcrição não deixa dúvidas que o entendimento do Tribunal de Contas da União é pacífico quanto à possibilidade de adoção da data do orçamento, como data-base para o cálculo de reajustamento de preços de contratos e que esse orçamento é o estimado pela Administração. Em prosseguimento às suas fundamentações o nobre Conselheiro-Relator oferece nas fundamentações de seu voto, exposição didática e aprofundada sobre a Teoria Geral dos Contratos, buscando demonstrar em que momento um contrato administrativo se “forma”, pois, no seu entendimento, reajustamentos só seriam cabíveis após o decurso de um ano da “formação” dos contratos. A seguir transcrevo, in verbis, o fragmento da fundamentação do seu voto onde externa esse entendimento: A lei permite à Administração fixar como data-base para os reajustes a data da apresentação do orçamento a que a proposta do licitante se referir. Ocorre que, hodiernamente, não faz mais sentido essa data estar defasada em relação ao dia da entrega das propostas porque, se assim for, o contrato será reajustado antes do decurso de um ano de sua formação, contrariando § 1º do artigo 3º da Lei Federal 10.192/01. (Grifei) Como se constata, o ilustre Relator afirma que reajustar o contrato antes do decurso de um ano de sua formação contraria a Lei Federal 10.192/01.

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Também não posso concordar com esse entendimento, pelas razões que a seguir exponho: O art. 3º da referida Lei Federal dispõe, verbis: Art. 3º - Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípi-os, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993. O § 1º, art. 2º da citada Lei dispõe, verbis: § 1º - É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. O § 1º, art. 3º, ainda, da mesma Lei tem a seguinte redação, verbis: § 1º - A periodicidade anual nos contratos de que trata o caput deste artigo será contada a partir da data limite para apresentação da proposta ou do orçamento a que essa se referir. Como se depreende dos dispositivos transcritos, o § 1º, art. 3º da Lei Federal 10.192/01 não veda o reajuste de contratos administrativos antes do decurso de um ano de sua “formação” ou celebração, como afirma o Conselheiro-Relator, o que está vedado é o estabelecimento de reajustamento com periodicidade inferior a um ano. O que não foi percebido pelo ilustríssimo Relator é a outra conclusão que deflui dos dispositivos transcritos: o reajustamento de contratos administrativos passa a ser devido aos contratados após o decurso de um ano, contado a partir da data limite para apresentação da proposta ou do orçamento a que essa se referir e não da “formação” ou celebração de contrato. Fica claro, portanto, que a data da “formação do contrato” ou da sua assinatura não são cogitados na Lei Federal 10.192/01, nem interferem no cálculo de reajustamentos, como pretende fazer crer o nobre Conselheiro-Relator. Em verdade o que se reajusta não são os contratos, mas sim, os preços pactuados, obviamente, observada a periodicidade de um ano, contada da data limite para apresentação da proposta ou do orçamento a que essa se referir, conforme o disposto no § 1º, art. 3º da Lei Federal 10.192/01. Em outro trecho das fundamentações de seu voto o nobre Conselheiro-Relator assim se manifesta, verbis:

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A Lei de Licitações permite ao Administrador escolher como database: a data de apresentação das propostas ou a data do orçamento que detalha essa proposta. Quanto à adoção da primeira hipótese, não pairam quaisquer dúvidas de que esta será a data que servirá de parâmetro para a incidência do índice de reajuste. A celeuma está na escolha pela Administração da segunda hipótese. Entende o Conselheiro-Relator que se constitui em celeuma a escolha da data da elaboração do orçamento como data-base para o cálculo do reajustamento. Com a devida venia, não há qualquer celeuma nessa escolha. As leis que regem os reajustamentos admitem tal opção com todas as letras, e vou transcrevêlos mais uma vez, verbis: Artigo 40, inciso XI, da Lei Federal 8.666/93: XI - o critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para a apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela. (Grifei) O § 1º, art. 3º Lei Federal 10.192/01: § 1º - A periodicidade anual nos contratos de que trata o caput deste artigo será contada a partir da data limite para apresentação da proposta ou do orçamento a que essa se referir. Os dois dispositivos admitem, repito, com todas as letras, que os preços pactuados nos contratos administrativos podem ser reajustados a contar da data do orçamento. Não vislumbro onde possa haver celeuma. Enfeixando o elenco dos fundamentos de seu voto, o Senhor ConselheiroRelator transcreve dispositivos do Decreto Federal 1.054, de 07 de fevereiro de 1994, onde se constata que, àquela época, na esfera federal, os reajustamentos eram calculados tomando como marco inicial a data fixada para a entrega das propostas. Assinale-se, no entanto, que o aludido decreto é de fevereiro de 1994. Após o seu advento, ocorreram inúmeros eventos que transformaram, radicalmente, o cenário econômico bem como o contexto legal de nossa sociedade. Com a estabilização econômica, no decorrer 1994, a aplicação do transcrito

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inciso XI da Lei Federal 8.666/93 foi afetada, tendo em vista inúmeras regras supervenientes, trazidas pelos diversos diplomas legais que disciplinaram o chamado “Plano Real”. Os artigos 11 e 12 da Medida Provisória 434, de 27.2.1994 (DOU 28.2.1994), convertida na Lei Federal 8.880 de 27.5.1994 (DOU 28.5.1994), que dispôs sobre o Programa de Estabilização Econômica e o parágrafo 1 o, artigo 28 da Lei Federal 9.069 de 29.6.1995 (DOU 30.6.1995) impuseram à Administração Pública que o reajustamento de preços pactuados em contratos administrativos, obedeceriam a periodicidade de um ano. Já em abril de 1994, dois meses após a sua edição, os termos do Decreto Federal citado, pelo nobre Relator, veio a ser alterado pelo Decreto Federal 1.110, de 13 de abril de 1994, em decorrência da citada Medida Provisória 434/94. Em 28 de dezembro de 2000, foi editada a Medida Provisória 2.072-72, transformada em 26 de janeiro de 2001 na de número 2.072-73 que, finalmente, veio a ser convertida na citada Lei Federal 10.192, que hoje rege os reajustamentos. Portanto, o decreto invocado pelo Conselheiro-Revisor, não mais rege, na esfera federal o reajustamento de preços pactuados em contratos administrativos. Só pode fazê-lo no que não conflitar com as disposições da Lei Federal 10.192/01, por força do disposto no seu art. 3º, cujos termos são os seguintes, verbis: Art. 3º - Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993. Externar apenas o meu pensar neste Egrégio Plenário, na defesa do tema em comento, não tem se mostrado muito eficaz, por esta razão peço venia para trazer a colação, pela segunda vez, mais um entendimento do Tribunal de Contas da União, selecionado dentre inúmeros outros de idêntico conteúdo. Trata-se, desta feita, do Acórdão 474/2005 – Plenário, exarado em 27 de abril de 2005, no Processo 003.671/2005-0, que trata de resposta à consulta sobre reajustamento, formulada pelo Ministro de Estado dos Transportes. O decisum fixa o entendimento sobre o marco inicial, a partir do qual deve ser computado o período de um ano para a aplicação de índices de reajustamento, verbis: 9.1.1. - a interpretação sistemática do inciso XXI do art. 37 da Constituição Federal, do art. 3º, § 1º, da Lei 10.192 e do art. 40, inciso XI, da Lei 8.666/ 93 indica que o marco inicial, a partir do qual se computa o período de um ano para a aplicação de índices de reajustamento previstos em

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edital, é a data da apresentação da proposta ou a do orçamento a que a proposta se referir, de acordo com o previsto no edital. Note-se que em sua fundamentação o acórdão transcrito faz referência ao inciso XXI, art. 37 da Constituição Federal, justamente, pelo fato dessa disposição constitucional estabelecer que “as obras, serviços, compras e alienações deverão ser contratadas mediante licitação que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas das propostas”. Isso significa que as condições prescritas pela Administração, via instrumento convocatório e o preço ou valor proposto pela licitante, compõem uma situação de igualdade, denominada “equação econômico-financeira” (art. 65, inciso II, alínea “d” da Lei Federal 8.666/93) considerada inalterável, justamente, por ser constitucional o comando que estabelece como obrigação da Administração (art. 37, inciso XXI da Constituição Federal), manter imutável, durante toda a execução contratual, as condições efetivas da proposta. Para que as condições da proposta da licitante sejam mantidas imutáveis durante toda a execução contratual, no que diz respeito à equação econômicofinanceira, já que existe em nossa economia um cenário de instabilidade monetária, amenizado após o implemento do “Plano Real”, mas ainda existente, o edital tem que estabelecer a periodicidade, data-base e critérios de reajustamento e, o licitante, ao formular a sua proposta, tem que fazê-lo de acordo com os critérios estabelecidos. Como entre a elaboração do orçamento estimado pela Administração e a apresentação das propostas à comissão julgadora do certame, geralmente, pelas mais diversas razões, decorre um razoável interregno de tempo, a lei não pode estabelecer como início da contagem da periodicidade do reajustamento, exclusivamente, a data limite para a apresentação da proposta da licitante. Se fosse essa a única possibilidade, o período de tempo decorrido, entre a elaboração do orçamento e a apresentação da proposta, não seria computado no cálculo do reajustamento e o equilíbrio da equação econômico-financeira do contrato estaria irremediavelmente afetado. Assim, o legislador, teve que considerar as duas hipóteses: a data limite para a apresentação da proposta ou a do orçamento a que a proposta se referir. Cabe ao administrador público a escolha da data a partir da qual a periodicidade do reajustamento será contada, obviamente, sem desconsiderar a obrigação constitucional de manter imutável, durante toda a execução contratual, as efetivas condições da proposta. Se for estabelecido no edital que a data início da contagem da periodicidade

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§ 3º. 55.666/93). o procedimento de reajustamento aplicável. 43.na hipótese de vir a ocorrer o decurso de prazo superior a um ano entre a data da apresentação da proposta vencedora da licitação e a assinatura do respectivo instrumento contratual. XIII. tratar-se da proposta mais vantajosa para a Administração (art. da Lei 8.069/95 c/c os arts. A hipótese de adoção da data da apresentação da proposta. § 1º. manifestado formalmente. interesse do licitante vencedor.666/93). em continuar vinculado à proposta (art. consiste em firmar o contrato com os valores originais da proposta e. 28. Este entendimento está expresso no subitem 9. como marco inicial para a contagem da periodicidade. devendo os demais reajustes ser efetuados quando se completarem períodos múltiplos de um ano. já que este direito lhe é assegurado pela Constituição. pois admite que em ocorrendo decurso de prazo superior a um ano entre a data da apresentação da proposta vencedora da licitação e a assinatura do respectivo instrumento contratual. manutenção das condições exigidas para habilitação (art. justifica-se nos casos de dispensas ou inexigibilidades de licitações ou nas licitações realizadas na modalidade convite.2 do mesmo decisum. 64. O entendimento da Corte de Contas da União sobre o assunto vai bem além.do reajustamento é a da apresentação da proposta e a contratação demandar um longo período de tempo. em especial: haver autorização orçamentária (incisos II. esta Corte de Contas não tem que se ater aos entendimentos 273 . Obviamente. anteriormente citado.666/93). preços ofertados compatíveis com os de mercado (art. contados sempre desse marco inicial.1. antes do início da execução contratual. situações em que não ocorrem grandes interregnos de tempo entre a apresentação da proposta e a contratação.1.192/2001. 7º da Lei 8. o procedimento de reajustamento é aplicável. da Lei 9. IV. celebrar termo aditivo reajustando os preços de acordo com a variação do índice previsto no edital relativa ao período de somente um ano.666/93). III e IV do § 2º do art. sendo necessário que estejam devidamente caracterizados tanto o interesse público na contratação quanto a presença de condições legais para a contratação. sendo os seus termos.666/93). os seguintes: 9. in verbis. 2º e 3º da Lei 10. da Lei 8. o administrador terá incidido em ilegalidade e o contratado terá a prerrogativa de exigir a exata recomposição das condições de sua proposta. contado a partir da data da apresentação das propostas ou da data do orçamento a que ela se referir. em face do disposto no art. 3o da Lei 8. da Lei 8.2 .

desconsidere a hipótese de inabilitar licitante que deixe de cumprir o inc. g . atenda as seguintes medidas: a . para que. VI do subitem 7. com o Ministério Público e com o nobre Conselheiro-Relator. 40 da Lei Federal 8. em obediência do inciso VIII do art.666/93. tomando por base 274 .do Tribunal de Contas da União mas. 3º da Lei 10. a data do orçamento a que a proposta se referir.cumpra o que estabelece o inc. indiscutivelmente. b . parcialmente de acordo com Corpo Instrutivo.666/ 93.faça constar do edital as condições de recebimento do objeto. no prazo de 10 (dez) dias. XXXIII do art. excluindo do edital a respectiva exigência. excluindo do edital a respectiva exigência. nos termos do que estabelece o parágrafo único do artigo 38 da Lei Federal 8.faça constar do edital o local.5. V do art. 7º da Constituição Federal. também. f . está vinculada às disposições da lei e não pode.666/93. d . ao Presidente da EMUSA. conforme preceitua o inciso XVI do art. prevista no § 1º do artigo 6º da Deliberação TCE-RJ 204/ 96. horário e códigos de acesso dos meios de comunicação à distância. e . art. 40 da Lei Federal 8. A exceção do critério de reajustamento de preços a ser adotado.2.666/93.encaminhe o pronunciamento de sua assessoria jurídica aprovando o Edital de Concorrência 001/2005. c . V do subitem 7. simplesmente ignorar que o § 1º. 27 da Lei Federal 8. em suas decisões. artigo 41 da Lei 8.666/93. Dessa forma. compatibilizando-o com o art.desconsidere a hipótese de inabilitar licitante que deixe de cumprir o inc.fixe a data em que serão realizados os pagamentos. considerando como item de habilitação a necessidade dos licitantes comprovarem o cumprimento do disposto no inc.192/91 admite como marco inicial para a contagem da periodicidade de reajustamento de contratos administrativos. submeto ao Egrégio Plenário o seguinte VOTO REVISOR Pela comunicação. e por todo o exposto. 73 do mesmo diploma legal. além da data limite para a apresentação da proposta. uma vez que o tema não está inserido no rol dos artigos 27 a 30 da Lei Federal 8.666/93. uma vez que fere o direito de impugnação previsto nos § 1º e § 2º. concordo com todos os demais posicionamentos do Conselheiro-Relator quanto às intervenções a serem introduzidas no edital sub examine.

providencie a juntada da cópia do procedimento administrativo que justifica a exigência dos seguintes índices contábeis exigidos no certame: garantia de capitais de terceiros. nos termos do que estabelece a alínea “a”.666/93. art.corrija o edital e todos os seus anexos fazendo constar de forma clara os critérios de reajustamento. dimensionamento e localização de cada respectivo serviço que consumirá a quantidade fornecida”. h . art. j . da Deliberação TCE/RJ 191/95.7 do edital dado que estão relacionados às contratações de obras e serviços de engenharia e não ao fornecimento objeto deste certame.6 e 7. e n .reveja a redação dos subitens 7. 31 de maio de 2005 ALUISIO GAMA DE SOUZA Revisor 275 . inobservando o disposto no inciso I. origem de recursos a longo prazo e endividamento.faça constar redação no sentido de que a ausência de qualquer preposto na sessão de abertura e julgamento das propostas não acarretará na desclassificação das respectivas empresas licitantes.sugerimos que cada fornecimento do CBQU seja precedido de anotações na fatura (ou na folha de medição) com informações necessárias a proporcionar condições ao TCE de inspecionar a execução contratual. o que demandará a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do ajuste e a correspondente motivação em processo administrativo. inc.666/93. 40 da Lei Federal 8. 1º.justifique a remessa intempestiva da cópia do edital a esta Corte de Contas. e se a periodicidade anual do reajustamento terá como base a data limite para a apresentação da proposta ou a data do orçamento.atenda a proposição da CEA: “.. m . inclusive. com a definição do índice específico ou setorial a ser adotado. l . k . XIV.. como especificação. Sala das Sessões. i .faça constar do edital que eventual prorrogação do enlace somente será admitida nas situações descritas no § 1º do artigo 57 da LF 8.um número exato de dias contados a partir do adimplemento de cada parcela.

face à despesa com folha de pagamento superar o percentuallimite permitido.890-5/04. inciso I.005-3/04). O Chefe do Poder Executivo e Presidente do Poder Legislativo foram. a emissão de parecer prévio contrário à aprovação das contas. relativa ao exercício de 2003. foi fixado prazo. As presentes contas foram encaminhadas. e de paracer prévio contrário às Contas de Gestão do Poder Legislativo. de 13. com ressalvas e determinações. RELATÓRIO Trata o presente Processo 211. tendo em vista que a constituição inicial do processo carecia de documentos essenciais para análise das contas e emissão de parecer prévio. através do Ofício nº 114/2004. para que o Prefeito apresentasse a documentação complementar. O Corpo Instrutivo registra que houve atendimento parcial ao Ofício-Regularizador (Processo 211.04. 125. conforme estabelecido no art. o Corpo Instrutivo sugere a emissão de parecer prévio favorável à aprovação das Contas do Poder Executivo. com ressalvas e determinações. quanto ao Poder Legislativo.Mop/Rev61 PRESTAÇÃO DE CONTAS Prestação de Contas de Gestâo do Município de Mangaratiba. Voto pela emissão de parecer prévio favorável à aprovação das Contas de Gestão do Poder Executivo. sendo encaminhados elementos que constituem o Doc. 591 e 592. Ao examinar os elementos que demonstram o resultado geral do Município.002-1/04 da Prestação de Contas de Gestão do Município de Mangaratiba. 276 . conforme voto por mim prolatado em Sessão de 04/05/04.04. os Srs. a este Egrégio Tribunal de Contas. elencadas às fls. Carlo Busatto Junior e Waldyr Domingos da Costa Leste. para apreciação e emissão de parecer prévio. TCE nº 20. que abrange as contas dos Poderes Executivo e Legislativo. relativa ao exercício de 2003. respectivamente. Preliminarmente. tempestivamente. Poderes Executivo e Legislativo. da Constituição Estadual – redação dada pela Emenda Constitucional nº 4/91. porém.

intempestivamente.DOS ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Segundo dados existentes no SCAP – Sistema de Controle e Acompanhamento de Processos deste Tribunal. o Corpo Instrutivo manteve seu entendimento. com base nos novos elementos encaminhados. Ressalto que.08. esta Corte de Contas. É o relatório. protocolou. TCE nº 199/96. procedesse ao reexame da presente Prestação de Contas de Administração Financeira. bem como à luz do entendimento firmado nos autos do Processo TCE/RJ nº 210. conforme embasamentos elencados às fls. decidiu pela diligência interna. os quais adoto como fundamentação de meu voto. autuadas sob o Doc. o presente foi publicado em Pauta Especial no DORJ de 23. TCE nº 33. abrindo prazo para apresentação de defesa. razões de defesa. constantes do Documento TCE-RJ nº 33. Na Sessão realizada em 16. 624/629. em anexo. através das Razões de Defesa apresentadas. para que o Corpo Instrutivo. face às contestações apresentadas pelo responsável. 1 .512-9/04. Ao reexaminar a questão que suscitou sugestão de emissão de parecer prévio contrário à aprovação das Contas do Chefe do Poder Legislativo. Waldyr Domingos da Costa Leste. o Sr. 606. nesta Corte. no prazo de 10 (dez) dias úteis.04.09. exponho os comentários que se seguem sobre a análise das presentes contas.064-1/04. opinando pela emissão de parecer prévio contrário à aprovação das contas.Mop/Rev61 O Ministério Público. Em atendimento aos termos da citada publicação. Presidente da Câmara Municipal.04. representado pelo Procurador Julio Rabello. nos termos do voto que proferi. em atendimento ao artigo 123 do Regimento Interno e à Del. uma vez que não acolheu suas alegações. a Administração Municipal é constituída das entidades elencadas a seguir: 277 . Com base no conjunto de informações e documentos que constituem o presente e nos novos elementos trazidos aos autos. manifestase no mesmo sentido às fls.064-1/04.

121.320/64 De acordo com a Instrução.293. 371/380) Nota 1: O valor das Transferências Correntes da Prefeitura Municipal resultou da soma das Transferências Correntes (líquida). base para apuração dos limites constitucionais e legais. A comparação com o Anexo I do Relatório Resumido da Execução Orçamentária fica assim demonstrada: Em R$ milhares Anexo 2 da L.14 0 6. 326/330.414. das deduções para formação do FUNDEF e das Receitas de Contribuições .31 (fonte: Anexo 2. M. fls.412.844.385. 156/157) 278 .957.385.82 1.35 0 (fonte: Anexo I do RREO – 6º bim.054.39 Pessoal e Encargos 20.76 Transferências Correntes 25. 4. M. consideramos no quadro supra apenas as transferências oriundas de outros órgãos/entidades.21 1.76 0 25. fls.DA CONSISTÊNCIA ENTRE OS DADOS DO ANEXO I DO RREO E DO ANEXO II DA LEI FEDERAL Nº 4.60 Diferença 0 -113.149. Nota 2: O Município não procedeu aos registros das Transferências Intragovernamentais nos termos da legislação vigente.95 CM 0 0 1.585.932.320/64 FUND.932.05 25.67 PREVI Total 0 19.149.639.90 25.306.60 Receitas/Despesas Tributárias Transferências Correntes Pessoal e Encargos Anexo I do RREO 19.596.17 25. P.950.70 25..957.Mop/Rev61 ADMINISTRAÇÃO DIRETA Prefeitura Municipal de Mangaratiba Câmara Municipal de Mangaratiba ADMINISTRAÇÃO INDIRETA Fundações Fundação Municipal de Saúde Fundação Mário Peixoto Autarquias Previ-Mangaratiba 2 .90 25.F.521. 346/352.843. 185/188.149. SAÚDE 0 0 253.385.976.38 Anexo 2 da Lei Federal nº 4. F. assim sendo. registrados no Anexo 2 da Lei Federal nº 4.385.320/64 19. os dados relativos às receitas e às despesas.408.Royalties.320/64 referente a cada Unidade Gestora são os seguintes: Em R$ Receitas/Despesas PM Tributárias 19.

DA CONSOLIDAÇÃO E CONSISTÊNCIA DOS DADOS 3. constata-se inconsistência entre os dados.320/64). Dos Relatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal Os Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária – RREO.Mop/Rev61 Do exame efetuado. no inciso III do artigo 50. Entretanto. relativamente às Transferências Correntes. de 279 . a saber: "As demonstrações contábeis compreenderão isolada e conjuntamente as transações e operações de cada órgão. no que tange às Receitas Tributárias e as Despesas de Pessoal. pode-se constatar a consistência entre os dados apresentados no Balanço Orçamentário (Anexo I do RREO) com aqueles constantes do Demonstrativo das Receitas e Despesas segundo Categorias Econômicas (Anexo 2 da Lei Federal nº 4. inclusive empresa estatal dependente" (grifo nosso) Da análise do Corpo Instrutivo. dispõe sobre a escrituração e consolidação das contas. tendo em vista que não há deliberação normatizando o encaminhamento a esta Corte dos demonstrativos contábeis decorrentes da consolidação. A Lei Complementar Federal nº 101/00. autárquica e fundacional. fundo ou entidade da administração direta. cabe destacar: "Constatamos não ter sido efetuada pelo Município a consolidação das Demonstrações Contábeis conforme previsto na Deliberação TCE-RJ nº 199/96. 3 . assim como dos fundos. as presentes contas devem conter os resultados gerais da gestão de todos os órgãos e entidades dos Poderes do Município. contudo não podemos afirmar que a mesma não foi efetuada. Também não há evidência da realização da consolidação determinada pela Lei de Responsabilidade Fiscal. o que será motivo de ressalva e conseqüente determinação na análise final deste relatório.1 .Consolidação Deliberação TCE nº 199/96 e Lei Complementar nº 101/00 De acordo com o artigo 2º da Deliberação TCE-RJ nº 199/96.

compreende o período de 01. e os Demonstrativos Consolidados dos Relatórios de Gestão Fiscal – DCRGF. Fundações e Empresas estatais dependentes do Município. em consulta ao Sistema Integrado de Gestão Fiscal – SIGFIS constatamos a consolidação dos dados referentes às Unidades Gestoras que compõem a Administração Municipal. Autarquias. mais especificadamente às Portarias nº 519/01 c/c 211/01 e Portaria 339/01.01. com a lei de diretrizes orçamentárias e com a LRF.Plano Plurianual (PPA). devem abranger as Administrações Diretas.Mop/Rev61 acordo com o artigo 52 c/c artigo 1º. 4 . § 3º. entretanto. de acordo com o artigo 2º. ao 6º bimestre e 2º semestre. Fundos.12. Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Orçamento (LOA) O artigo 5º da Lei Complementar Federal nº 101/00 estabelece que o projeto de lei orçamentária anual deverá ser elaborado de forma compatível com o plano plurianual. do qual constam informações sobre as Unidades Gestoras que compõem o Relatório. Lei nº 323. Não foram enviados os 'Recibos do Envio dos Dados dos Relatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal' do RREO e DCRGF referentes.1.PPA O plano plurianual.DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA 4. uma vez que os registros das Transferências Intragovernamentais não foram efetuados nos termos das referidas Portarias.Consistência Do exame realizado." 3. A verificação da efetiva consolidação dos dados é realizada através da análise do documento intitulado 'Recibo do Envio dos Dados dos Relatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal'.2 . respectivamente. o Corpo Instrutivo verificou que o Município não se adequou à legislação vigente.1 .2005. da Lei Complementar Federal nº 101/00. da Portaria STN nº 559/01.2002 a 31.1 . 4. 280 .

A Instrução ressalta que o PPA se coaduna com o previsto no § 2º. Anexo de Riscos Fiscais Além do Anexo de Metas Fiscais a Lei Complementar Federal nº 101/00 prevê a obrigatoriedade da LDO de conter o Anexo de Riscos Fiscais. despesas.3 . uma vez que o mesmo possui população inferior a 50 mil habitantes. do artigo 35 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias uma vez que o mesmo abrange o período de quatro anos com vigência até final do primeiro exercício financeiro seguinte do mandato do Prefeito. conforme dispõe o inciso III. em que serão avaliados os passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas. O Município está desobrigado a elaborar o Anexo de Metas Fiscais. para execução nos quatro anos seguintes.LDO As Diretrizes Orçamentárias foram aprovadas pela Lei nº 357. resultados nominal e primário e montante da dívida pública. de 03. não elaborou o Anexo de Riscos Fiscais.1. artigo 63 da Lei Complementar nº 101/00. Anexo de Metas Fiscais A Lei Complementar Federal nº 101/00 prevê em seu § 1º do artigo 4º que a Lei de Diretrizes Orçamentárias contemplará o Anexo de Metas Fiscais aonde serão estabelecidas metas anuais.2002.LOA O orçamento do Município de Mangaratiba para o exercício de 2003 foi apro- 281 . artigo 4º da LRF. estando obrigado a fazê-lo a partir de 2005 (parágrafo único do artigo 6º da Deliberação TCE nº 218/00) 4. para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes. 4. O Município. conforme disposto no § 3º.1. relativas a receitas. por possuir população inferior a 50 mil habitantes. em valores correntes e constantes.Mop/Rev61 De acordo com o inciso I do artigo 165 da Constituição Federal o Poder Executivo ordenará suas ações com a finalidade de atingir objetivos e metas por meio do PPA.2 .07. um plano de médio prazo elaborado no primeiro ano de mandato.

Abrir créditos suplementares até o limite de 50% (cinqüenta por cento) do total do orçamento (art. em razão da abertura de créditos adicionais. fica o Poder Executivo autorizado a: 1 .Alterações no Orçamento Durante o exercício.00 15.12.25% Limite para Abertura de Créditos Suplementares . estimando a receita no valor de R$ 63. 7º).520.50% Valor (R$) 63. Cabe destacar que o orçamento anual enviado engloba o orçamento fiscal e o orçamento da seguridade social.400. ocorreram alterações orçamentárias. O Orçamento Municipal foi elaborado de acordo com os preceitos do artigo 167 da Constituição Federal.041.Efetuar Operações de Crédito por Antecipação da Receita até o limite de 25% (vinte e cinco por cento) da receita estimada (art.Mop/Rev61 vado pela Lei dos Orçamentos Anuais nº 378 de 26.00 e fixando a despesa em igual valor. 20 da Lei nº 357/02 – LDO. em desacordo com o inciso III. tendo em vista que todos os créditos foram abertos com recursos provenientes da anulação de dotações.00 4.041.2002.760. Assim. 2 .2 . 282 . A LOA não contém rubrica destinada à reserva de contingência.400. que previu a fixação de Reserva de Contingência em 1% da RCL. 5º).700.350. que no entanto não alteraram o valor do orçamento final. foram fixados os seguintes limites: Descrição Total da Despesa Fixada/Receita Estimada Limite para Efetuação de Operações de Crédito . De acordo com a Lei Orçamentária. artigo 5º da LRF c/c o art. de modo a atender os passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos.00 31.

000. Superavit Fonte do Recurso (R$) Excesso Operações Anulação Arrecadação de Crédito Tipo do Recurso* Convênios 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 Total Geral 773 770 769 766-A 764 759 758 757 748 747 745 ? 739 738 737 735 732 731 725 723 716 714-A 708 666-A 662 661 654 653 641 640 18 20 22 24 26 30 32 34 36 38 40 42 44/46 48 50 52 54/56 58 60 62 64 66 68 70 72 74 76 78 80 40.400.000.178. DEMONSTRATIVO DAS ALTERAÇÕES NO ORÇAMENTO R$ ÓRGAO Prefeitura Municipal e Câmara Fundação Municipal de Saúde Fundação Mário Peixoto Previ Mangaratiba Total ORÇAMENTO INICIAL 58.00 3.000.43 225. 365.00 2.000.00 3.33 20.250.000. 283 . fls.00 FONTE DOS RECURSOS (R$) Anulação 20.000.000.000.470. 298. 08/17. não foi encaminhada cópia do Decreto nº 759/03. 320.000.390.000.041.000. 05.00 217.03 777.00 63.000. da Fundação Mário Peixoto.00 2.00 410.450.00 1.00 33.000.000.63 460.00 290.000. 18/81 e Balanços Orçamentários.000. fls. relação dos decretos.000.00 10.000.500.33 S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S Da análise dos decretos de abertura dos créditos adicionais.00 20. da Fundação Municipal de Saúde.24 10.631.00 625. 365 e 390) Os valores demonstrados coadunam-se com os Balanços Orçamentários da Prefeitura Municipal (incluindo a Câmara Municipal).000.00 410.000.000. fls.580.000. 320.00 (fonte: LOA.00 665.000.000.000.041.000. fls.00 63.00 320.000.000.138.00 80.000.33 Excesso Arrecadação Superávit ORÇAMENTO FINAL 58. fls.00 20.Mop/Rev61 DECRETOS PARA ABERTURA DE CRÉDITOS ADICIONAIS Lei Autorizativa Decreto nº Fls.00 32.00 155.000. e da Previ Mangaratiba.000.00 3.291. fls. fls.00 1.000.000. cópias dos decretos.000.400.00 183.00 1. fls.284.00 300.720.844.631.000.138.00 300.00 143. 298.284.00 100.00 51. 390.00 2.284.138.000.350.00 1.00 360.400.00 1.400.

em conseqüência. As receitas arrecadadas corresponderam a 89.95%.Da Gestão Orçamentária A Receita Arrecadada no exercício foi de R$ 53. observando o preceituado no inciso V. 4.00.68 59. verifica-se a realização de 94.042. pode-se concluir que a abertura de créditos adicionais suplementares no montante de R$ 20.04 5 .680. conforme apresentado a seguir: Descrição Receitas Arrecadadas Despesas Realizadas Déficit Orçamentário (fonte: Balanços Orçamentários – fls.75%.74% da receita prevista.32.8% das despesas realizadas. 299.284.3 . a verificação da real situação patrimonial do Município. que representa 14. o que gerou um déficit orçamentário de 10.719.2%. a Dívida Ativa sofreu um acréscimo da ordem de 7.DA DÍVIDA ATIVA Durante o exercício.138.042.58.751.Mop/Rev61 Verifica-se que a abertura de créditos adicionais foi fundamentada apenas na Lei nº 378/02 – LOA. conforme exposição a seguir: 284 . sendo assim. gerando um saldo não utilizado de R$ 3. prejudicando. déficit de arrecadação de R$ 9. artigo 167 da Constituição Federal. 320.290.72 -6104677.185.041.33 encontra-se dentro do limite estabelecido na Lei Orçamentária.751. 365 e 391) Valor (R$) 53.400. dessa forma. Comparando a Despesa Autorizada final com a Despesa Realizada no exercício. portanto abaixo da previsão que era de R$ 63.DA GESTÃO FINANCEIRA E PATRIMONIAL Os demonstrativos contábeis não foram consolidados na forma prevista na Deliberação TCE-RJ nº 199/96. 6 .68.855. gerando.357.

e que se presta ao pagamento de aposentadoria e pensões.6% do saldo inscrito até 2002. art. agropecuárias. 301 Valor (R$) 81. se houver.25 2. 7 .342. b) Contribuição dos Servidores para o Custeio da Assistência Social: valores referentes à contribuição patronal. fls. § 9º. de serviços.DA RECEITA CORRENTE LÍQUIDA É considerado como Receitas Correntes Líquidas o somatório das receitas tributárias de contribuições. fls. 201. A receita corrente líquida pode ser assim demonstrada: 285 . do IPI e ICMS Desoneração.489. deduzidos: a) Contribuição do Plano de Seguridade Social do Servidor: valores referentes à contribuição patronal e do servidor.Mop/Rev61 Descrição Saldo do Exercício Anterior Inscrições no Exercício Cobrança Cancelamento Saldo para o Exercício Seguinte Fonte: BP.136.796/99 quando houver no Município: valores referentes à compensação financeira entre os diversos sistemas previdenciários. d) Dedução de receita para a formação do FUNDEF – registrar os 15% (quinze por cento) retidos automaticamente das receitas de transferências provenientes do FPM. que se presta ao pagamento de assistência social dos servidores públicos municipais. do ICMS.42 8. de acordo com a legislação vigente. 300 e DVP. CF e Lei Federal nº 9.655. ativo e inativo.56 A cobrança da Dívida Ativa pela Prefeitura de Mangaratiba representou 2. c) Valores relativos à compensação financeira. patrimoniais. transferências correntes e outras receitas também correntes (excluídas as transferências intragovernamentais).986.11 0 88340002.689. industriais.

163.70 8 .386. A informação acima pode ser comprovada por intermédio dos Comparativos da Receita Orçada com a Arrecadada às fls. Social Servidor Servidor Patronal Compensação Financ.00 1. Plano Seg.902. fls..843.766.1 .70 3. 167).70 391.10 519 645.90 25.4 0 0 1.DOS LIMITES CONSTITUCIONAIS E LEGAIS 8. onde se verifica que não há registro de receitas de capital derivadas de alienações de bens e direitos que integram o patrimônio público. as aplicações financeiras e 286 .80 4.Da Dívida Pública 8. Dedução de Receita para Formação do FUNDEF (A-B) RECEITA CORRENTE LÍQUIDA (fonte: Anexo III do RREO – 6º bim.412.2 . Empregados e Trab.Mop/Rev61 Especificação (A) RECEITAS CORRENTES (Município) Receita Tributária Receita de Contribuições Receita Patrimonial Receita Agropecuária Receita Industrial Receita Serviços Transferências Correntes Outras Receitas Correntes (B) DEDUÇÕES Contrib.164.Limites da Dívida Pública Consolidada ou Fundada Considera-se dívida consolidada líquida do Município a dívida pública consolidada deduzidas as disponibilidades de caixa. entre Regimes Previd.897.00 1.80 0.1 .159) Valor (Mil R$) 52.964. Social Contrib.50 19.Alienações de Ativos O Demonstrativo da Receita de Alienação de Ativos e Aplicação dos Recursos – Anexo XIV do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (6º bimestre do exercício de 2003) – demonstra que não houve alienação de ativos (fls.066.70 49. P/ Seg. 261/263.2.1 0 1. 8.

registradas nos Demonstrativos Contábeis. a Dívida Consolidada determinada no inciso I.Dívida Pública Mobiliária Não há registros de Dívida Pública Mobiliária. artigo 1º da Resolução nº 40/01.Mop/Rev61 os demais haveres financeiros. Para efeito fiscal.Base de cálculo para o percentual dos gastos com a manutenção e desenvolvimento do ensino – impostos 287 . 171. não evidencia a existência de dívida. § 1º.3.4 . fls. acrescida da Dívida Flutuante descrita no artigo 92 da mesma Lei.Limite para concessão de garantia De acordo com o Demonstrativo das Garantias e Contragarantias de Valores – Anexo III Relatório de Gestão do 3º quadrimestre de 2003.320/64 (Dívida Fundada). no mínimo. o Município não concedeu garantia em operações de crédito interna ou externa.2.2. no entanto. fls.Dos Gastos com a Educação O artigo 212 da Constituição Federal estabelece que os Municípios devem aplicar 25% (vinte e cinco por cento). 8. 8. o Demonstrativo da Dívida Consolidada – Anexo II do Relatório de Gestão Fiscal.2 .3 . fls.2.1 . 8. 172. 8.Limite para operações de crédito Conforme o Demonstrativo das Operações de Crédito – Anexo IV do Relatório de Gestão do 3º quadrimestre de 2003. 8. 173. compreende aquela definida no artigo 98 da Lei Federal nº 4. do artigo 29 da Lei Complementar nº 101/00.3 . o Município não contraiu operações de crédito no exercício. Segundo demonstrado pelo Corpo Instrutivo. conforme inciso V. constata-se a assunção de dívidas pela Prefeitura. da receita resultante de impostos na manutenção e no desenvolvimento do ensino.

74 6. fls.71 0. de acordo com o art. alterado pela Emenda Constitucional nº 14/96 Valor do FUNDEF gasto na remuneração do Magistério do Ensino Fundamental – mínimo de 60% 4.062.757.11 1.Outras Receitas Correntes do Município Multa e Juros de Mora de Impostos Municipais Multa e Juros de Mora da Dívida Ativa dos Impostos Municipais Dívida Ativa dos Impostos Municipais V .816.191.189.43 142.Exportação IPVA IV . Descrição Total dos Impostos Valor gasto na manutenção e no desenvolvimento do ensino Valor mínimo de acordo com o artigo 212 da C.597.48 14.27 100% 26.01 4.618.69 1.171.57 7.379.28 4795074.3.114.67 1.Cálculo do percentual mínimo da aplicação na manutenção e desenvolvimento do ensino – artigo 212 da Constituição Federal Para verificação da aplicação em ensino.Total (I+II+III+IV) Retido no Fundo Estadual FUNDEF 15% Município 85% Total 100% 15858754. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.323.44 10.13 1.Educação.883.58 695.70 82.322.Receita de Transferência da União FPM ITR ICMS Desoneração .35% dos recursos na forma do § 5º do artigo 60 do ADCT da CF Valor mínimo.53 598. do Ministério do Orçamento e Gestão.434.032.02 30646969. 212 CF 61.1 (fonte: Anexo 10.79 15.23 1.875.32 121.934. na Demonstração da Execução da Despesa.174.65 8.906.627.849.493.69 327.499.8 716.740.91% dos recursos aos quais se refere o caput do art. devem ser considerados os gastos registrados na Função 12 .803.646.58 Em R$ 5.36 3.440.579.636. 212 CF 60% dos recursos aos quais se refere o caput do art.43 1735610.2 .Diretamente Arrecadados ISS IPTU ITBI IRRF II .967.Receita de Transferência do Estado ICMS IPI .96 6.062.265.591.Mop/Rev61 Impostos I .527.80 Valor (R$) 30. de acordo com a classificação funcionalprogramática da Portaria nº 42/99.832.197.LC 87/96 III .18 97.3 7.04 4.07 8.742.455.29 3.969.422.47 21.661.20 288 .96% do impostos 25% do impostos total total dos dos Percentual 106.045.503.155.00 356.290.205.941.828.F Valor gasto no Desenvolvimento Fundamental (Função-08 – Programa-42) do Ensino 8.455. 261/263) 8.657.245.07 8257529.559.

transferência e aplicação dos recursos do fundo. constata-se: .Do acompanhamento do FUNDEF A movimentação ocorrida no exercício com os recursos do FUNDEF se resume a seguir: Descrição (A) Saldo Bancário do Exercício Anterior a Título de FUNDEF (B) Recursos Recebidos a Título de FUNDEF no Exercício de 2003 (C) Receitas de Aplicações Financeiras com FUNDEF no Exercício de 2003 (D) Despesa Paga com o FUNDEF no Exercício de 2003 (inclusive os restos a pagar de exercícios anteriores) (E) Saldo bancário para o Próximo Exercício a Título de FUNDEF (A+B+C-D) (fonte: Quadro V. artigo 60 do ADCT c/c o artigo 7º da Lei Federal nº 9.98 O total recebido a título do FUNDEF foi menor que o gasto realizado na manutenção e desenvolvimento do ensino fundamental. devidamente conciliado (fls. Cabe ainda destacar que o parecer do Conselho Municipal do FUNDEF (fls.3 . concluiu pela sua aprovação.643.3. fls.00 5. o qual se coaduna com o extrato bancário.98. em 31.12.00 35.13 5. 402) Valor (R$) 282. respeitando o limite estabelecido. . O saldo contábil da conta corrente vinculada ao FUNDEF nº 58023-6. .424/96 que o Município obedeceu o limite mínimo de 60% de aplicação dos recursos do FUNDEF em gastos com a remuneração de profissionais em efetivo exercício de suas atividades.96% na manutenção e desenvolvimento do ensino. 402. 289 . 435). 8.03 é de R$ 35.478. incluindo-se a capacitação de professores leigos.85 0.898.110/154). sobre a repartição.684. do Banco do Brasil S. conforme Quadro V às fls.A.quanto ao estabelecido na Emenda Constitucional nº 14/96 que o Município aplicou 106. respeitando o limite estabelecido.396.Mop/Rev61 Desta forma.quanto ao estabelecido no § 5º.898.91% na manutenção e desenvolvimento do ensino fundamental.quanto ao estabelecido no artigo 212 da Constituição Federal e na Lei Orgânica Municipal que o Município aplicou 26. da agência nº 0729-3.264.

De acordo com o artigo 71 da Lei Complementar nº 101/00. neste caso. 06 do Proc. Anexo I do RGF 2º sem. relativos a mandatos eletivos. inclusive adicionais. Anexo I do RGF do 2º sem.828-8/03. TCE/RJ nº 212. Cabe ressaltar que a verificação dos limites dos gastos com agentes políticos será efetuada quando da análise das Prestações de Contas de Ordenadores de Despesa.60% 2º Semestre 44.82% 47. horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza. ressalvada a hipótese do inciso X do artigo 37 da Constituição Federal/88. fls. com quaisquer espécies remuneratórias. TCE/RJ nº 213.. Anexo I do RGF 1º sem. Conforme o Demonstrativo da Despesa com Pessoal – Anexo I do Relatório de Gestão Fiscal – o cálculo de apuração do limite permitido assim se demonstra: 290 . os Poderes Executivo e Legislativo respeitaram o limite estabelecido no artigo 19 da LRF. civis.521-0/04) Conforme pode-se constatar. cargos. que. gratificações. tais como: vencimentos e vantagens. bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência. proventos da aposentadoria.75% 2. subsídios. a despesa verificada no exercício imediatamente anterior. conforme Portaria Interministerial nº 163/01 e suas posteriores alterações. 170. militares e de membros do poder.91% 2.85% 46. funções ou empregos. se esta for inferior a limite definido no artigo 20 (LRF).. Compõem também esta base de cálculo os contratos de terceirização de mão-de-obra que se referem à substituição de servidores e empregados públicos.Dos Gastos com Pessoal Para efeito de cálculo consideramos despesa total com pessoal o somatório dos gastos do Município com os ativos. TCE/RJ nº 210. Descrição Poder Executivo Poder Legislativo Total 1º Semestre 43.Mop/Rev61 8. fixas e variáveis. em percentual da Receita Corrente Líquida. são contabilizados como "outras despesas de pessoal" – artigo 18 da Lei Complementar nº 101/00. os inativos e os pensionistas.73% (Fonte: Proc. decorrentes de contrato de terceirização. 03 do Proc. fls. acrescida de até 10%.4 .022-3/03. reformas e pensões. nos dois semestres do exercício de 2003. fls. até o término do 3º exercício financeiro seguinte à entrada em vigor da LRF a despesa total com pessoal dos poderes não ultrapassará..

57% 2.Mop/Rev61 Poder Executivo Exercício 1999 2000 2001 2002 2003 (Fonte: Anexo I do RGF.25% 44.12% % da Despesa c/ Pessoal Apurado no Exercício 5.00% 2. 170) Limite Permitido p/ o Exercício -54. TCE/RJ nº 210. 06 do Proc. Entretanto.80% 5. fls.00% 6. sem que fossem considerados como despesas de pessoal na elaboração dos Anexos do Relatório de Gestão Fiscal.83% 3.521-0/04) Comparando-se o percentual permitido com o aplicado pelos Poderes Executivo e Legislativo. abrangendo o período de 01/09/03 a 31/12/03 – Processo TCE/RJ nº 211. com natureza remuneratória. conforme prevê o artigo 71 da Lei Complementar nº 101/00.59% 44.82% (Fonte: Anexo I do RGF.88% 2.495-2/04: 291 .52% 47. fls. podemos observar que ocorreu aumento na despesa com pessoal em até 10% da Receita Corrente Líquida do exercício anterior. o Corpo Instrutivo destaca que em inspeção ordinária realizada na Câmara Municipal de Mangaratiba. demonstrando assim que o percentual acima exposto encontra-se inconsistente. para embasar seus argumentos.67% % da Despesa c/ Pessoal Apurado no Exercício 51.35% 48. Assim.495-2/04. tendo em vista que distorceu a apuração dos limites impostos na Lei de Responsabilidade Fiscal. foi verificado o pagamento de "verba de gabinete" e "ajuda de custo" aos Vereadores.58% 2.64% 51. as seguintes informações constantes no Relatório de Inspeção Ordinária realizada na Câmara Municipal – Processo TCE-RJ 211.00% 52. são destacadas pela Instrução.91% Poder Legislativo Exercício 1999 2000 2001 2002 2003 Limite Permitido p/ o Exercício -6.00% 54.

4.. do Regimento Interno deste Tribunal. aprovado pela Deliberação nº 167/92.Pela ciência do teor deste voto à 1ª IRE para que. ajuda de custo.Pela comunicação ao atual Presidente da Câmara Municipal de Mangaratiba. parágrafo quarto. cujo cumprimento será verificado na próxima inspeção ordinária a ser realizada na Câmara Municipal de Mangaratiba. 37. assim como a existência eventual de despesa que venha a contrariar o disposto constitucionalmente no art.. 26 e seus incisos.) "II .14. do Legislativo Municipal. (. subitem I. subitens I.4. artigo 6º da Deliberação TCE nº 204/96. que versa acerca da impossibilidade jurídica da existência de outras formas de remuneração de agentes políticos que não seja o subsídio. bem como tome ciência das recomendações constantes no item I.1 a I. nos termos do § 1º.. merecem um exame mais acurado.) IV . Sr. caput. prolatada em Sessão de 08/04/03.813-1/02) na qual foi determinado: (.) Insta ressaltar que os Anexos da LRF bem como os cálculos efetuados com base nos demonstrativos das despesas com pessoal.3. verba de gabinete e subsídios são as mais significativas do órgão e. para que cumpra as determinações relacionadas no item I. Gilmar Abrahão da Silva. 39.3. às fls. na forma do art.3. deverão levar em consideração a decisão desta Corte de Contas.1.Mop/Rev61 Ressaltamos que o foco de análise está voltado para os processos de pagamentos relativos a despesas realizadas com os agentes políticos. pelos motivos a seguir expostos: As despesas relativas a diárias. às fls. da Constituição Federal. portanto.. Tal análise tem como intuito a verificação quanto ao atendimento aos princípios insculpidos no art.. 24/25.. na próxima inspeção ordinária a ser realizada na Câmara Municipal de 292 . (. no Processo de Inspeção Ordinária (TCE nº 212. 25.

todos os pagamentos relativos a verba de gabinete que. e "ajuda de custo" sejam registradas como despesa de pessoal.4 e 1. somente incluiremos nos gastos de pessoal as despesas de verba de gabinete e ajuda de custo as quais foram classificadas nos elementos de despesas 33. transcrevemos os itens 1. como despesa de pessoal. tendo como conseqüência a inclusão dos referidos pagamentos na remuneração dos Vereadores. Portanto.12). regulares e de valores significativos não têm natureza de indenização e sim de remuneração.. todos os pagamentos relativos a ajuda de custo que. por serem freqüentes.3.3.Registre.90.Registre. 18 da Lei Complementar nº 101/00 (fls.4 .3. por serem freqüentes.90.36 e 33.) Pelo exposto.90.. Ressalta-se que as despesas com diárias foram devidamente classificadas como despesa de pessoal no elemento de despesa 33. 293 ..5 da conclusão do referido processo. depreende-se que as despesas com "verba de gabinete". I. em atendimento ao art.Mop/Rev61 Mangaratiba. como despesa de pessoal.) I.3. constate in loco o cumprimento das determinações desta Corte. bem como." (grifo nosso) A seguir. 08).5 . quais sejam: "Determinações: (.. sejam incluídas na remuneração dos Vereadores. tendo como conseqüência a inclusão dos referidos pagamentos na remuneração dos Vereadores.11. respectivamente." (.33. regulares e de valores significativos não têm natureza de indenização e sim de remuneração. em atendimento ao art. 18 da Lei Complementar nº 101/00 (fls.

600. inciso I.000.00 17.600.600.00 47.00 17.000.932.00 17. evidenciando que.600.00 17.600.600.600.00 47. a saber: "Art.00 30.600.600.00 30.00 47.00 47.00 Feitas essas considerações.5 .00 47.00 30.600.600. relativamente ao Poder Legislativo. ocorreu aumento na despesa com pessoal superior a 10% da Receita Corrente Líquida do exercício anterior. em desacordo com o artigo 71 da Lei Complementar nº 101/00.Das Despesas com Saúde As despesas com ações e serviços públicos de saúde devem corresponder a 15% (quinze por cento) do produto da arrecadação dos impostos a que se refere o artigo 156 e dos recursos de que tratam os artigos 158 e 159.00 17.000.000.600.000.600.600.Mop/Rev61 Quanto ao registro como despesas de pessoal: A fim de atender à determinação por esta Corte de Contas. os recursos mínimos aplicados nas ações e serviços públicos de saúde serão equivalentes: 294 .000.Até o exercício de 2004.00 30.600.000.000.00 17.000.600.00 30.00 193.600.409.600. em consonância com o disposto no inciso III.00 30.600.00 330. artigo 77 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.00 47. demonstraremos os valores pagos como verba de gabinete e ajuda de custo.600.87% da RCL. TCE/RJ nº 210.00 17.600. alínea "b" e § 3º. 8.0 – obter-se-ia um total de R$ 1. os quais deixaram de ser classificados como despesa de pessoal: R$ Vereador Gilmar Abrahão da Silva José Luiz de Figueiredo Freijanes Francisco Rodrigues de Sá Célio Lopes Marcelo Tenório da Cruz Eduardo Ferreira Jordão Deise Lúcia de Deus Menino Fontella José Carlos de Medeiros Evandro Bertino Jorge José Carlos da Costa Waldir Domingos da Costa Leite Total recebido pelos Edis em 2003 Verba de Gabinete 30.600.000.000.00 30.521-0/04) – mil R$ 1. que representa 3.600.6 (mil).00 Ajuda de Custo 17.00 17.00 30.000. concluiu-se que se fosse acrescentado o valor supracitado ao constante no Anexo I do RGF/2º sem.00 523. 06 do Proc.600. no exercício de 2003.00 17.00 47.00 30.00 TOTAL 47. 77 .00 47.00 17.00 47. (fls.00 47.00 30.

o Distrito Federal e os Municípios que apliquem percentuais inferiores aos fixados nos incisos II e III deverão eleválos gradualmente.2000. a aplicação não poderá ser inferior a 7% (sete por cento). III . II e III. até o exercício financeiro de 2004. verbis: "A seguir.20% 2003 11. sendo que.Os Estados.. 580/582.no caso dos Municípios e do Distrito Federal. a partir de 2000. atentando para que. O Corpo Instrutivo apresenta as seguintes análises em relação aos recursos aplicados nas ações e serviços públicos de saúde. conforme a Emenda Constitucional nº 29. in verbis: "§ 1º . retroreproduzido." (grifo nosso) Em % Descrição Limite a ser Aplicado na Saúde 2000 7. quinze por cento do produto da arrecadação dos impostos a que se refere o artigo 156 e dos recursos de que tratam os artigos 158 e 159. consideraremos as despesas com inativos custeadas com recursos próprios: 295 . fls. ressaltando que da mesma forma procedida na educação. pelo menos. entretanto. reduzida a diferença a razão de.80% 2004 15.00% Conforme Manual sobre a Operacionalização da Emenda Constitucional nº 29/00 do Ministério da Saúde Vale ressaltar que a Lei Orgânica Municipal não prevê quanto o Município deverá gastar com saúde. no exercício de 2000. que os Municípios que apliquem percentuais inferiores aos fixados no inciso III do artigo 77. um quinto por ano. tendo como base os Demonstrativos Contábeis e os Quadros I.60% 2002 10. em face do disposto no § 1º do artigo 77 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.09. deverão reduzir a diferença à razão de um quinto ao ano. inciso I.Mop/Rev61 . alínea "b" e § 3º" Note-se.00% 2001 8. a aplicação será de pelo menos sete por cento.. de 13. evidenciaremos a situação do Município com relação aos gastos com saúde.

529.07 1906422. 261/263.197239192 30646969.795.074.41% 10. fls. 283/286.86 0 5668762.554. 304.36 2000 11. Anexo 11.29 8.66 0 0 6724852.028.524.48 13052603.72% 11.S US Da União para o M unic ípio Do Es ta do para o M unicípio Dem ais M unicípio s pa ra o M unicípio (C ) R EC EITAS DE OP ER AÇÕES DE C R ÉDITO VINC ULADAS À S AÚDE OUTR AS R EC EITAS (-) DEDUÇÃO P AR A O F UNDEF TOTAL D E S P E S A S C O M S A ÚD E (P o r G ru p o d e N a t u re z a d a D e s p e s a ) DES P ES AS C OR R ENTES P e s s o a l e Enc argo s S o ciais J uro s e Enca rgo s da Dívida Outra s Des pe s a s C o rre ntes DES P ES AS DE C AP ITAL Inve s tim ento s Inve rs õ es F ina nce ira s Amo rtiza çã o da Dívida (D) TOTAL D E S P E S A S P R Ó P R IA S C O M S A ÚD E DES P ES AS C OM S AÚDE (-) DES P ES AS C OM INATIVOS E P ENS IONIS TAS OR IUNDAS R EC UR S OS VINC ULADOS (-) TR ANS F ER ÊNC IAS DE R EC UR S OS DO S US (-) R EC EITAS DE OP ER AÇÕES DE C R ÉDITO VINC ULADAS À S AÚDE (E) TOTAL DAS DES P ES AS P R ÓP R IAS C OM S AÚDE V A LO R ( R $ ) 30646969.50 0 0 19.86 0 5668762. Anexo 1 da FMS.676.71 28740546.85% 7.168.33 4. 296 .99 V A LO R ( R $ ) 6724852.60% 2002 10.99 0 1056090.20% 2003 19.66 1.056.91 0 1.594. 397/400.Mop/Rev61 R E C E IT A S (A) R EC EITAS DE IM P OS TOS E TR ANS F ER ÊNC IAS CONS TITUC IONAIS E LEGAIS Im po s to s R ec eitas de Tra ns fe rências C o ns tituc io nais e Le ga is Da União Do Es ta do (B ) TR ANS F ER ÊNC IA DE R EC UR S OS DO S IS TEM A ÚNIC O DE S AÚDE .964.80% 2004 Fonte: Anexo 10.14 1. fls.126.385. par fins da EC nº 29/00 (G÷F ) 6724852. Quadros I. fls.30 1056090.090.13 E VO LUÇ Ã O D O P E R C E N T UA L M ÍN IM O D A D E S P E S A P R Ó P R IA C O M S A ÚD E / R E C E IT A LÍQ UID A D E IM P O S T O S A NO % Aplica do % M ínim o a Aplica r Ajus te da R e ce ita pa ra fins da EC nº 29/00 (A) Re c eita de Impo s to s e Tra ns fe rênc ia s C o ns tituc io nais e Le gais (-) De duçã o pa ra o F UNDEF (=)To ta l Ajus ta do das R e ce ita s de Im po s to s e Trans ferê nc ia s C o ns tituc io na is e Legais (F ) Ajus te da s Des pe s as c o m S a úde (D) To ta l da s Des pe s a s co m S a úde (-) De s pes as c o m ina tivo s e pens io nis tas paga s co m rec urs o s vincula do s (-) De s pes as vinc uladas a o s re curs o s do S US (-) De s pes as financiadas c o m re curs o s de o pe ra çõ e s de c ré dito (=) To tal Ajus tado da s Des pe s a s P ró pria s c o m S a úde (G) % da s Des pe s a s P ró pria s co m S a úde.86 1.67% 8. II e III.365.59 4.42 1524912.031. fls.912.71 49472971.257.07 17.36 V A LO R ( R $ ) 5199940.00% 2001 14.906.422.334.36 27.13 0.99 0 1.

As despesas com Saúde foram extraídas dos Anexos 11 da Secretaria Municipal de Saúde (fls. A diferença de R$ 7. conforme cópia da publicação encaminhada às fls. estão compatíveis com os demonstrados no Anexo 10 (fls. fls. 3º). 398. fls.00. Conforme Relatório de Inspeção Ordinária realizada na Fundação Municipal de Saúde. fls. donde constatamos que o respectivo órgão é composto de 8 membros de forma paritária com 25% de representantes governamentais.O valor das Transferências de Recursos do SUS foi extraído do Quadro II. 283). portanto.50. Nota 2 . o Município atingiu o limite permitido. Nota 3 . refere-se a despesa com Salário Família da Secretaria de Saúde. conforme Lei Municipal nº 287 de 18/09/01.577. O Município possui Fundo Municipal de Saúde. devendo atingir o percentual de 11. excluindo-se a transferência da Secretaria para a FMS. Conforme demonstrado. 399. devendo ser destacado que somamos às receitas de impostos os valores registrados como 'multa e juros de mora da dívida ativa tributária' e 'receita da dívida ativa tributária'.Mop/Rev61 Nota 1: Os valores constantes do Quadro I – Recursos Ordinários. o Município enquadrado no previsto § 1º do artigo 77 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. 261/263). a maior no Quadro III. no valor de R$ 2. abrangendo o período de 01/01 a 31/05/03 – Proc.85%. 25% de representantes dos profissionais da saúde e 50% de usuários (art. TCE/RJ nº 212. Nota 4 . verificamos que o montante gasto com saúde no exercício de 2000 foi de 11.263-2/03. 304).80% no exercício de 2003. uma vez que não foi possível identificar nos Anexos 10 da Prefeitura Municipal e da Fundação Municipal de Saúde todos os recursos oriundos do SUS.950.345. 398. 444. 283/286) e do Anexo 1 da Fundação Municipal de Saúde (fls. o Conselho Municipal de Saúde en- 297 . mas não da Função 10 (fls. O Conselho Municipal foi criado através da Lei Municipal nº 68/98. estando. exceto por 'outras receitas correntes'.Os valores dos demonstrativos contábeis estão compatíveis com o Quadro III. Da análise dos quadros.

011. conforme Ofício nº 095/ 04. bem como para capitalização de fundos de previdência. 429. fls. Xisto e Gás Natural Royalties pela Produção Royalties pelo Excedente da Produção Participação Especial Fundo Especial do Petróleo .Dos Royalties O artigo 8º da Lei nº 7.219. para pagamento da dívida com a União." 8.27 4.94 5. à exceção aberta pela Lei Federal nº 10.497.717.011.89 veda a aplicação dos recursos provenientes de royalties no quadro permanente de pessoal e no pagamento da dívida. O Município não dispõe de Plano de Saúde. fls.52 (fonte: Quadro VI.978.27 4. de 28.27 VALOR (R$) 702.497.6 .58 4.Mop/Rev61 contra-se efetivamente funcionando.017.011.94 4.011.978.315. 403.219.FEP (B) TRANSFERÊNCIAS DO ESTADO Cota-Parte Royalties pela Produção (25% da Quota Produção do Estado) (C) OUTRAS COMPENSAÇÕES FINANCEIRAS (D) TOTAL DAS RECEITAS (A+B+C) DESPESAS CUSTEADAS COM RECURSOS DA COMPENSAÇÃO FINANCEIRA (A) DESPESAS CORRENTES Pessoal e Encargos Juros e Encagos da Dívida Outras Despesas Correntes (B) DESPESAS DE CAPITAL Investimentos Inversões Financeiras Amortização da Dívida (C) TOTAL DAS DESPESAS (A+B) VALOR (R$) 4.978.12. O Prefeito declara que o Município de Mangaratiba não participa de Consórcio Administrativo Intermunicipal de Saúde.315. 403) 298 . a movimentação dos recursos de royalties no exercício pode ser resumida da seguinte forma: RECEITAS DA COMPENSAÇÃO FINANCEIRA (A) TRANSFERÊNCIAS DA UNIÃO Compensação Financeira de Recursos Hídricos Compensação Financeira de Recursos Minerais Compensação Financeira pela Exploração do Petróleo. Da análise do Corpo Instrutivo.58 702.195/01.27 0 4.990. entretanto a Administração não encaminhou o parecer do referido órgão.978. cabe destacar: "De acordo com o Demonstrativo Consolidado das Receitas e Despesas inerentes à Compensação Financeira decorrentes da Exploração de Recursos Naturais – Quadro VI – fls.

788. 158 e 159 efetivamente realizado no exercício anterior. 404. faz-se necessário a verificação do enquadramento ou não do Chefe do Executivo nestes dispositivos.290.900. observados os resultados preliminares do Censo IBGE 2000 que estima a população do Município em 24.452. 29-A da CF prevêem que o repasse à Câmara.088. § 2º do artigo 29-A da CF/88 Seguindo os critérios do artigo 29-A da Constituição Federal.Prefeitura Os incisos I e III do § 2º do art.854 habitantes.15 Contribuição Previdenciária * 518. incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos.71 ITBI 1.204. podemos concluir que o Município não aplicou recursos de royalties em pagamento de pessoal e de dívidas." 8. não poderá ultrapassar o percentual de 8% relativo ao somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5º do art.850.54 Receita de Cemintério 4.00 Multa e Juros de Mora de Impostos Municipais 316.7 .11 IPTU 4.00 Ê continua 299 .027. bem como o repasse a menor em relação à proporção fixada na Lei Orçamentária constituem crime de responsabilidade do Prefeito Municipal.05 Taxas 2.45 IRRF 503.735. fls. de acordo como o Quadro VII.508.164. não houve realização de Transferências Financeiras a outras entidades. 29-A da Constituição Federal/88 8.65 Contribuição de Melhoria 0. Assim.150.00 Dívida Ativa de Impostos Municipais 1.42 ISS 8.76 Multa e Juros de Mora da Dívida Ativa de Impostos Municipais 0.1 .837. Limite Previsto RECEITAS TRIBUTÁRIAS E DE TRANSFERÊNCIAS DO MUNICÍPIO NO EXERCÍCIO DE 2002 R$ Em (A) RECEITAS TRIBUTÁRIAS (tributos diretamente arrecadados) 19. Dos recursos recebido a título de royalties.Verificação quanto ao Cumprimento do Art. Verificação do cumprimento do inciso I. 153 e nos art.479.768. em montante superior aos limites definidos no mesmo artigo. o total da despesa do Poder Legislativo Municipal de Mangaratiba em 2003.7.Mop/Rev61 Do quadro acima.005.

42 12. monta em R$ 2.Mop/Rev61 continuação RECEITAS TRIBUTÁRIAS E DE TRANSFERÊNCIAS DO MUNICÍPIO NO EXERCÍCIO DE 2002 (A) RECEITAS TRIBUTÁRIAS (tributos diretamente arrecadados) (B) TRANSFERÊNCIAS FPM ITR ICMS Lei 87/96 ICMS IPVA IPI Exportação (C) TOTAL PERCENTUAL PREVISTO PARA O MUNICÍPIO LIMITE DO REPASSE DO EXECUTIVO PARA O LEGISLATIVO .838.569. Verificação do cumprimento do inciso III. 553/554) * Extraído o valor da Contribuição Previdenciária do Anexo V do RREO – 6º Bim/03. verifica-se o repasse a maior tendo sido cumprido o inciso III.600.96 18.958.63 (fonte: Anexos 1 e 6 da Câmara Municipal.94 7.33 REPASSE R$ Em RECEBIDO ABAIXO DO LIMITE 503.24 4.01 166. não computados os gastos com inativos do Legislativo (R$ 10. 336. ao comparar este valor com o efetivamente repassado à Câmara Municipal. § 2º do artigo 29-A da CF/88 Acordemente com a Lei Orçamentária e com o Demonstrativo das Alterações Orçamentárias. face à exclusão determinada no artigo 29-A da Constituição Federal/88.354. de acordo com o quadro anterior.208. 623.00 31.02 82. Contudo.37).281.556. em função do disposto no art. anexado às fls. 29-A da CF/88.00.319. 325 e 332) (1) corresponde ao total do repasse.508.416.132. conforme se demonstra: 300 .2003 19. § 2º do artigo 29-A da Constituição Federal. fls.193.000. 325.363.70 REPASSE RECEBIDO (1) 2. Verifica-se.193.33.556.788. Comparando este valor com o efetivamente repassado à Câmara Municipal. que o limite de repasse do Executivo para o Legislativo. Comparação do Limite Previsto com o Repasse Recebido LIMITE DE REPASSE PERMITIDO 2.556.628.443. fls. o montante previsto para repasse ao Legislativo no exercício de 2003 montava em R$ 1.193.952.645. constata-se que o limite foi respeitado.31 287.66 8% 2. fls.33 (Fonte: Anexo 10 exercício de 2002 – fls.684.052.

235.00 (fonte: Balanço Orçamentário – fls.64 pontos percentuais acima do 301 . 158 e 159 efetivamente realizado no exercício anterior. Verificação do cumprimento do art. 332) (1) corresponde ao total da despesa.00 REPASSE RECEBIDO 2.31 DESPESA PAGA Em R$ ABAIXO DO REPASSE PERMITIDO 497. 153 e nos art. A Câmara também não deverá gastar mais de 70% de sua receita com folha de pagamento. Verificação do cumprimento do caput do art. o Corpo Instrutivo observou que a despesa com a folha de pagamento de 2003 da Câmara Municipal em relação ao repasse permitido à mesma. nos termos do inciso I do artigo 29-A da Constituição Federal.7.000.02 (fonte: Anexo 6 da Câmara Municipal. 339) 8. fls.600. incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos.Câmara Conforme anteriormente mencionado. encontrada no tópico anterior.193. o total da despesa do Poder Legislativo Municipal em 2003.Mop/Rev61 REPASSE FIXADO NA LOA 1. encontrava-se 5.556. nota-se que o Legislativo não ultrapassou o percentual permitido para as despesas do referido Poder.33 DESPESA TOTAL DO PODER LEGISLATIVO (1) 2.000.063. não poderá ultrapassar o percentual de 8% relativo ao somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5º do art. não computados os gastos com inativos do Legislativo. § 1º da CF/88 Inicialmente.000.058. face à exclusão determinada no artigo 29-A da Constituição Federal/88. 29-A.2 .958.00 Em R$ REPASSE RECEBIDO ACIMA DO FIXADO 463. Pelo quadro anterior. 29-A da CF/88 Comparação do Limite Previsto com a Despesa Total do Poder Legislativo LIMITE DE REPASSE PERMITIDO 2. incluído o gasto com o subsídio de seus Vereadores.

o Sr. No que concerne a esta questão. já estaria empenhada na dotação 31. fls. Nota-se entretanto.11 . conforme se demonstra: Em R$ DESCRIÇÃO (A) Repasse Permitido para a Câmara no exercício de 2003 (conforme apurado) (B) Limite para gasto com a Folha de Pagamento do Legislativo (70%A) (C) Gastos com Folha de Pagamento (1) Pessoal Civil Salário-Família Auxílio-Transporte Auxílio-Alimentação Verbas de Gabinete (2) Ajuda de Custo (2) (D) Total do Gasto acima do Limite (C-B) VALOR (R$) 2. Alega que transformando este valores para 1 mês. conforme voto do Conselheiro-Relator Jonas Lopes de Carvalho Junior no Processo de Consulta TCE/RJ nº 270. nem os gastos com inativos e pensionistas.00 0 0 330.473.000. reproduzo a seguir para melhor fundamentar minha decisão: "Inicialmente. causando duplicidade.00.04.625. Em atendimento à Decisão Plenária de 16. à época.90. contida no Doc. Presidente da Câmara Municipal.00. que.514. face às alegações trazidas pelo responsável.Plenário.8131/02. Tais valores foram apurados na inspeção ordinária realizada na Câmara Municipal de Mangaratiba – Processo TCE/RJ nº 211.00.525.376.4 (Dos Gastos com Pessoal)" Saliento que tal fato ensejou a sugestão de emissão de parecer prévio contrário à aprovação das contas do Chefe do Poder Legislativo. e a título de ajuda de custo um total de R$ 17. o Corpo Instrutivo procedeu ao reexame da matéria. onde consta a título de verba de gabinete um total de R$ 30.59 (fonte: Anexo 2 da Câmara Municipal.000.Pessoal Civil .901.33 1760276. nos termos do voto do Conselheiro-Relator no Processo TCE/RJ nº 212.064-1/04. cujo resultado das análises.09.000. teríamos verba de gabinete = R$ 33. 327) "Nota 1 .52 1.Consideramos como gastos com folha de pagamento os valores pagos a título de "verbas de gabinete" e "ajuda de custo" uma vez que tais benefícios foram considerados como despesa de pessoal e remuneração dos Vereadores. às quais manifesto minha concordância. Nota 2 .681.222-2/01.600. que nossa análise se baseou no apurado em 302 . conforme comentado no Item 11. 579. havendo o não cumprimento do determinado pelo § 1º do artigo 29-A da Constituição Federal. 620.52 1.00 141.Mop/Rev61 percentual-limite de 70%. TCE/RJ nº 33.495-2/04. fls.Não computamos as despesas com encargos sociais e contribuição para previdência. apresentou defesa. o responsável aponta um equívoco na elaboração do demonstrativo de fls.931 1. na forma da Ordem de Serviço nº 360/2003.750.00 193. Waldyr Domingos da Costa Leste.600.

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inspeção ordinária realizada no Órgão nos dias 3 e 4 de maio de 2004 (Proc. TCE/RJ nº 211.495-2/04), que verificou a ocorrência de 3 pagamentos diferentes, quais sejam: - Verbas de Gabinete: Valores mensais de R$ 2.500,00 a cada Vereador, totalizando R$ 30.000,00 por Vereador e R$ 27.500,00 mensais, evidenciando um gasto anual de R$ 330.000,00, contabilizado no elemento de despesa 33.90.36; - Ajuda de Custo: Valores mensais de R$ 1.600,00 a cada Vereador, nos meses janeiro a novembro, totalizando R$ 17.600,00 por Vereador, evidenciando um gasto anual de R$ 193.600,00, contabilizado no elemento de despesa 33.90.33; - Diárias: Valores mensais de R$ 3.000,00 a cada Vereador, nos meses janeiro a novembro, totalizando R$ 33.000,00 por Vereador e R$ 33.000,00 mensais, evidenciando um gasto anual de R$ 363.000,00, contabilizado no elemento de despesa 31.90.11. Do demonstrado, depreende-se que o valor de R$ 33.000,00, que consta da Ordem de Serviço nº 360/2003, não se refere a verba de gabinete, e sim a diárias, as quais não somamos às despesas de pessoal, por já estarem devidamente contabilizadas, conforme evidenciado em nossa análise às fls. 577/579 e 586. Através do 'Comparativo da Despesa Autorizada com a Realizada', fls. 337, podemos verificar a contabilização dos valores apurados in loco, nos elementos 33.90.33 e 33.90.36, ou seja, não contabilizados em despesas de pessoal. Assim sendo, entendemos que não houve duplicidade quando da inclusão da verba de gabinete nos gastos com pessoal. Quanto ao fato de considerarmos a verba de gabinete e ajuda de custo como verbas remuneratórias, o responsável apresenta seus argumentos separadamente, vejamos: - Verba de Gabinete Destaca que a verba de gabinete foi criada pela Resolução nº 05/ 2001, que prevê a finalidade de sua concessão (art. 2º) e a

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obrigatoriedade de prestar contas (art. 3º), e que a mesma veio para possibilitar a locomoção dos Vereadores, o reconhecimento de firma e a autenticação de documentos, não tendo a finalidade de integrar as verbas que compõem o subsídio (remuneração) do Vereador. Ressalta ainda, que a referida resolução transforma a verba de gabinete no regime de adiantamento, amparado pelos artigos 68 e 69 da Lei Federal nº 4.320/64. A concessão da verba de gabinete como adiantamento não encontra amparo legal na Lei Federal nº 4.320/64, à medida que o regime de adiantamento é um modo excepcional de efetuar o pagamento da despesa (art. 65), estando sua aplicabilidade definida no art. 68 do mesmo diploma legal, transcritos a seguir: 'Art. 65 - O pagamento da despesa será efetuado por tesouraria ou pagadoria regularmente instituídas, por estabelecimentos bancários credenciados e, em casos excepcionais, por meio de adiantamento'. (Grifo nosso) 'Art. 68 - O regime de adiantamento é aplicável aos casos de despesas expressamente definidos em lei e consiste na entrega de numerário a servidor, sempre precedida de empenho na dotação própria, para o fim de realizar despesas que não possam subordinar-se ao processo normal de aplicação'. (Grifo nosso) Como podemos constatar, não ocorre a excepcionalidade nos pagamentos referentes às verbas de gabinete, bem como que estas despesas não foram definidas em lei, e podem subordinar-se ao processo normal de aplicação, uma vez que estes pagamentos são realizados mensalmente, no mesmo valor, a cada um dos parlamentares, caracterizando a sua regularidade e continuidade. Sendo assim, entendemos que as verbas de gabinete correspondem a vantagens pessoais, uma vez que são pagos diretamente aos parlamentares para que estes efetuem suas despesas, logo, constituem uma forma de despesa de caráter remuneratório, devendo ser classificada como despesa de pessoal. - Ajuda de Custo No que tange à ajuda de custo, o responsável discorda do corpo

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técnico, que no Processo TCE/RJ nº 212.813-1/02 (inspeção ordinária realizada no órgão em outubro de 2002) entendeu como credores os Vereadores, por realizarem diretamente as despesas. Alega que 'não é o Vereador o titular do crédito, sendo ele simplesmente o elo entre a Câmara Municipal e a empresa organizadora do evento e/ou empresa transportadora... Ao contrário, fosse ele o credor, não prestaria contas e sim emitiria notas fiscais ou recibos para exigir o pagamento de uma dívida oriunda de uma compra ou de prestação de serviço. Destaque-se que ao prestar a sua conta o Vereador apresenta as notas fiscais e recibos emitidos pelos verdadeiros prestadores do serviço (credores)...' A fim de corrobar sua afirmativa, de que a ajuda de custo é verba indenizatória e não remuneratória, o responsável cita a consulta formulada por aquela Casa, através do Proc. TCE/RJ nº 211.757-2/ 01. Transcrevemos a seguir o voto do Exmo. Conselheiro Jonas Lopes de Carvalho Junior: 'VOTO: Pela expedição de ofício ao consulente, Exmo. Sr. José Luiz Figueiredo Freijanes, Presidente da Câmara Municipal de Mangaratiba, com cópia das informações do Corpo Instrutivo, às fls. 05/07, do parecer da Procuradoria-Geral do Tribunal, às fls. 11, do parecer do douto Ministério Público, às fls. 12, e deste voto, para que tome ciência da resposta a esta consulta, nos seguintes termos: As despesas com congressos, simpósios, conferências ou exposições serão empenhadas no elemento de despesa 3.1.3.2 - Outros Serviços e Encargos, de acordo com o que estabelece o Adendo I à Portaria SOF nº 8, de 04.02.85. As despesas realizadas com pagamento de diárias serão classificadas no elemento de despesa 3.1.1.1 - Pessoal Civil, considerando o mesmo dispositivo legal. As despesas com diárias, por terem caráter indenizatório, não serão computadas, a priori, como despesa de pessoal, por não estarem abrangidas no conceito desta despesa, definido no artigo 18 da Lei Complementar nº 101/00. O valor atribuído à diária deve guardar relação de compatibilidade com os respectivos gastos que lhe deram origem, de modo a preser-

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var o seu caráter indenizatório, pois do contrário, é legítimo vislumbrar outra interpretação ao caráter da concessão, e, assim sendo, tais despesas poderão integrar a base de cálculo para fins de verificação do percentual dos gastos com pessoal na Receita Corrente Líquida, de acordo com os limites previstos nos arts. 19 e 20 da Lei Complementar nº 101/00.' (Grifamos) Do decidido por esta Corte, em Sessão Plenária de 16/10/2001, entendemos que a ajuda de custo pode sim vir a possuir caráter remuneratório, como tem entendido o Corpo Instrutivo desta Inspetoria Regional, em face da habitualidade como tem sido paga aos Vereadores desta Municipalidade. Cabe demonstrar os valores pagos diretamente aos Edis no exercício de 2003, conforme Prestação de Contas do Ordenador de Despesas (Proc.TCE/RJ nº 211.475-2/04):

Vereador Célio Lopes Deise Lucia de Deus M.Fontella Eduardo Ferreira Jordão Evandro Bertino Jorge Francisco Rodrigues de Sá Gilmar Abrahão da Silva José Carlos da Costa José Carlos de Medeiros José Luiz Figueiredo Freijanes Marcelo Tenório da Cruz Waldir Domingos da Costa Leste TOTAL

Total Subsídios (R$) 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 433.587,00

Total Diárias (R$) 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 363.000,00

Total Ajudas de custo (R$) 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 193.600,00

Total Verba De Gabinete (R$) 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 330.000,00

Total pago no exercício (R$) 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 1.320.187,00

Considerando que as despesas da Câmara Municipal totalizaram R$ 2.068.880,68, fls. 325, tais pagamentos representaram 63,8% dos gastos do Legislativo. Entendemos que por serem relevantes, sucessivas e uniformes, independentemente da nomenclatura que se dê às parcelas, as

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mesmas ganham foros salariais, e vêm a burlar os limites constitucionais e legais, tanto para a remuneração dos Vereadores, quanto para os gastos com pessoal. De todo o exposto, e com fundamento no decidido em Sessão Plenária de 08/04/03, no Processo de Inspeção Ordinária (TCE nº 212.813-1/02), consideramos despesa de pessoal todos os pagamentos relativos a verba de gabinete e ajuda de custo, in verbis: (...) 'II - Pela comunicação ao atual Presidente da Câmara Municipal de Mangaratiba, Sr. Gilmar Abrahão da Silva, nos termos do § 1º, artigo 6º da Deliberação TCE nº 204/96, na forma do art. 26 e seus incisos, do Regimento Interno deste Tribunal, aprovado pela Deliberação nº 167/92, para que cumpra as determinações relacionadas no item I.3, subitens I.3.1 a I.3.14, às fls. 24/25, cujo cumprimento será verificado na próxima inspeção ordinária a ser realizada na Câmara Municipal de Mangaratiba, bem como tome ciência das recomendações constantes no item I.4, subitem I.4.1, às fls. 25;' Transcrevemos os itens 1.3.4 e 1.3.5 da conclusão do referido processo: 'Determinações: (...) I.3.4 - Registre, como despesa de pessoal, todos os pagamentos relativos a verba de gabinete que, por serem freqüentes, regulares e de valores significativos não têm natureza de indenização e sim de remuneração, tendo como conseqüência a inclusão dos referidos pagamentos na remuneração dos Vereadores, em atendimento ao art. 18 da Lei Complementar nº 101/00 (fls. 08); I.3.5 - Registre, como despesa de pessoal, todos os pagamentos relativos a ajuda de custo que, por serem freqüentes, regulares e de valores significativos não têm natureza de indenização e sim de remuneração, tendo como conseqüência a inclusão dos referidos

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pagamentos na remuneração dos Vereadores, em atendimento ao art. 18 da Lei Complementar nº 101/00 (fls.12);' A seguir, refazemos os cálculos, com base no entendimento firmado em consulta formulada através do Processo TCE/RJ nº 210.512-9/04, ou seja, que as contribuições são parte integrante das receitas tributárias, devendo aquelas instituídas pelos Municípios (a COSIP e as Contribuições Previdenciárias cobradas de seus servidores para custeio dos regimes próprios de previdência e assistência) compor a base de cálculo para o repasse às Câmaras na forma prevista no artigo 29-A da CF/88.
RECEITAS TRIBUTÁRIAS E DE TRANSFERÊNCIAS DO MUNICÍPIO NO EXERCÍCIO DE 2002 R$ Em (A) RECEITAS TRIBUTÁRIAS (tributos diretamente arrecadados) 19.508.788,42 ISS 8.768.479,11 IPTU 4.204.027,71 ITBI 1.005.837,45 IRRF 503.150,05 Taxas 2.735.164,65 Contribuição de Melhoria 0,00 Dívida Ativa de Impostos Municipais 1.452.088,76 Multa e Juros de Mora da Dívida Ativa de Impostos Municipais 0,00 Multa e Juros de Mora de Impostos Municipais 316.290,54 Receita de Cemitério 4.850,15 Contribuição Previdenciária * 518.900,00 (B) TRANSFERÊNCIAS 12.443.628,24 FPM 4.569.132,96 ITR 18.958,01 ICMS Lei 87/96 166.363,94 ICMS 7.319.684,31 IPVA 287.208,02 IPI Exportação 82.281,00 (C) TOTAL 31.952.416,66 PERCENTUAL PREVISTO PARA O MUNICÍPIO 8% LIMITE DO REPASSE DO EXECUTIVO PARA O LEGISLATIVO - 2003 2.556.193,33

*Extraímos o valor da Contribuição Previdenciária do Anexo V do RREO – 6º Bim/03, anexado às fls. 623.

VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DO ART. 29-A, § 1º DA CF/88
Em R$
DESCRIÇÃO (A) Repasse Permitido para a Câmara no exercício de 2003 (conforme apurado) (B) Limite para gasto com a Folha de Pagamento do Legislativo (70%A) (C) Gastos com Folha de Pagamento Pessoal Civil Salário Família Auxílio Transporte Auxílio Alimentação Verbas de Gabinete Ajuda de Custo (D) Total do Gasto acima do Limite (C-B) VALOR (R$) 2.556.193,33 1789335,331 1.901.750,52 1.376.625,52 1.525,00 0 0 330.000,00 193.600,00 112.415,19

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Observamos portanto, que a despesa com a folha de pagamento de 2003 da Câmara Municipal em relação ao repasse permitido encontra-se 4,4 pontos percentuais acima do percentual-limite de 70%, havendo o não cumprimento do determinado pelo § 1º do artigo 29A da Constituição Federal." 9 - DA SITUAÇÃO PREVIDENCIÁRIA A Lei 9.717/98, que dispõe sobre regras gerais para organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos dos entes da Federação, tem como principal objetivo garantir o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema previdenciário. De acordo com o Demonstrativo das Receitas e Despesas Previdenciárias do Regime Próprio dos Servidores Públicos – Anexo V do Relatório Resumido da Execução Orçamentária – fls. 161, constata-se um resultado previdenciário deficitário da ordem de R$ 395,1 (mil), conforme exposição a seguir:

DESCRIÇÃO Receitas Previdenciárias Despesas Previdenciárias Déficit
(fonte: Anexo V do RREO; fls. 161)

VALOR (R$) 1.197,20 1.592,30 -395,1

Comparando este resultado com o apurado no ano anterior, verifica-se:

EXERCÍCIO 2002 (Superávit) 2003 (Déficit)
(fonte: Anexo V do RREO; fls. 161)

VALOR (R$) 22,9 -395,1

O Demonstrativo da Projeção Atuarial do Regime Próprio de Previdência Social dos Servidores Públicos – Anexo XIII do Relatório Resumido da Execução Orçamentária – fls. 166, não foi devidamente preenchido. Segundo a Instrução, face à ausência de elementos que permitam um exame mais detido sobre este tema, a análise do Sistema Previdenciário Municipal será feita na Prestação de Contas de Ordenadores de Despesas.

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Considerando que as Contas de Gestão do Prefeito. da Constituição Estadual do Estado do Rio de Janeiro. com fulcro no artigo 125.Mop/Rev61 10 . Considerando que o parecer prévio deve refletir a análise técnica das contas examinadas. ou pelos quais seja o Município responsável. Considerando que. orçamentária. já com as alterações dadas pela Emenda Constitucional nº 4/91. no exame das presentes contas. objetivos e resultados alcançados. da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. bem como de pessoas que arrecadaram e geriram dinheiro. ficando o julgamento das mesmas sujeito às Câmaras Municipais. Segundo relatado pelo Corpo Instrutivo. também com a alteração consubstanciada pela supramencionada emenda constitucional. nos termos da legislação em vigor. valores e bens municipais. na Lei de Diretrizes Orçamentárias e no Orçamento Anual. da Constituição Federal. TCE/ RJ nº 211. que o Município não observou.PARECER PRÉVIO Diante do exposto e. nos termos dos artigos 75. financeira. que é de competência desta Corte de Contas emitir parecer prévio sobre as contas dos Municípios e sugerir as medidas convenientes para a final apreciação da Câmara. fato ratificado pelo Ofício nº 095/04. na inspeção ordinária realizada na Prefeitura Municipal de Mangaratiba entre os dias 3 e 12 de maio de 2004 – Proc. operacional e patrimonial dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro.RELATÓRIO DO CONTROLE INTERNO O Relatório do Controle Interno Municipal não foi remetido a esta Corte e. o parecer prévio do Tribunal de Contas e o subseqüente julgamento pela Câmara dos Vereadores não eximem a responsabilidade dos ordenadores e ratificadores de despesa. Considerando. foi verificado que o Órgão de Controle Interno não foi instituído no âmbito do Executivo Municipal. e 124. constituídas dos res- 310 . ainda. cujos processos pendem de exame por esta Corte de Contas. incisos I e II. não tendo sido apresentada nenhuma avaliação de resultados e de efetividade dos programas de governo realizados. 11 .531–2/04. constata-se. Considerando que esta colenda Corte de Contas. as características necessárias à verificação das metas. é responsável pela fiscalização contábil.

descrita no § 1º do artigo 1º da LRF. direta.Quanto ao não encaminhamento de cópia do Decreto de Abertura de Créditos Adicionais nº 759/03. 2 . exceto pelas ressalvas apontadas. de que trata o Processo TCE/RJ nº 211. Carlo Busatto Junior.Quanto às inconsistências dos dados constantes no Relatório Resumido da Execução Orçamentária e no de Gestão Fiscal. artigo 5º da LRF. os demonstrativos contábeis que compõem as contas do Presidente do Poder Legislativo. referentes ao exercício de 2003. na forma do inciso III. VOTO I .005-3/04. com base no disposto no artigo 56 da Lei Complementar Federal nº 101/00.Quanto ao atendimento parcial ao ofício-regularizador. e nas empresas dependentes de recursos do Tesouro dos Municípios jurisdicionados.Mop/Rev61 pectivos balanços gerais do Município e das demonstrações de natureza contábil foram elaboradas com observância às disposições legais pertinentes. Considerando que as contas do Senhor Prefeito Municipal. pela Câmara Municipal. referentes ao exercício de 2003. Considerando que a Lei Complementar Federal nº 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal) impõe a adoção de medidas de caráter contábil. 4 . com as seguintes ressalvas e determinações: Ressalvas: 1 . incluíram. Carlo Busatto Junior. autárquica e fundacional. por não conter rubrica destinada à reserva de contingência. 3 .Pela emissão de parecer prévio favorável à aprovação. e de acordo com o Corpo Instrutivo e o Ministério Público. operacional e patrimonial para a administração pública. além das suas próprias. das Contas de Gestão do Chefe do Poder Executivo do Município de Mangaratiba. 311 . prejudicando a transparência na gestão fiscal. Face ao exposto e examinado. Sr. de modo a atender os passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos. financeiro.Quanto à elaboração da Lei Orçamentária Anual. orçamentário.

59 da Lei Complementar nº 101/00.Atentar.Quanto ao déficit na execução orçamentária de R$ 6. em desacordo com os artigos 70 e 74 da Constituição Federal c/c art. 3 .Quanto à não instituição do Órgão de Controle Interno. artigo 50 da Lei Complementar nº 101/00. para os critérios definidos no artigo 5º.Quanto ao não encaminhamento do parecer do Conselho Municipal de Saúde. nas próximas Prestações de Contas de Administração Financeira.Elaborar as Demonstrações Contábeis Consolidadas.Quanto à ausência de registro no Demonstrativo da Dívida Consolidada – Anexo II do Relatório de Gestão Fiscal – da Dívida Fundada do Município. 210/99 e 218/00. parágrafo único. todos os documentos de remessa obrigatória na forma prevista nas Deliberações TCE nos 199/96 (alterada pela Deliberação no 215/00).Fazer constar. 8 . inciso III. 9 . cerca de 10. da Deliberação 199/96 e inciso III. da Lei Complementar Federal nº 101/00. em desacordo com o disposto no artigo 3º. registrada no Balanço Patrimonial. posto que a cobrança representou 2.104. especialmente de modo a atender os passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos.04. 11.6% do saldo inscrito até 2002. incluindo todos os Balanços dos Órgãos e Entidades dos Poderes do Município (Administração Direta e 312 . atentando para a consolidação nos termos do parágrafo único do artigo 3º da Deliberação TCE-RJ nº 199/96. quando da elaboração da proposta de Lei Orçamentária. 10 .677. bem como nas Leis nos 4. Determinações: 1 .320/64 e 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal).Mop/Rev61 5 . 7 .20% da despesa realizada.Quanto à não consolidação dos demonstrativos relativos à movimentação financeira e patrimonial. 6 .Quanto à administração da Dívida Ativa.Quanto ao registro das Transferências Intragovernamentais em desacordo com a Portaria nº 519/01 c/c a 211/01 e 339/01. 201/99. evidenciando que os mecanismos de cobrança adotados pela administração municipal não são eficazes. 2 .

Encaminhar. de acordo com o que estabelece a Deliberação TCE nº 199/96 e inciso III. o parecer do Conselho Municipal de Saúde. 313 . eventuais imperfeições. 5 . 9) Remeter. identificar e corrigir. das Contas de Gestão do Chefe do Poder Legislativo do Município de Mangaratiba. entre outras.Cuidar para que o equilíbrio na execução orçamentária seja alcançado. artigo 50.Pela emissão de parecer prévio contrário à aprovação. na próxima Prestação de Contas de Administração Financeira do Município. cujas atribuições.Promover o registro das Transferências Intragovernamentais de acordo com a Portaria nº 519/01 c/c a 211/01 e 339/01. as apontadas nas Ressalvas nos 2 e 8. financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração municipal. 4 . no sentido de tornar mais eficientes seus mecanismos de controle e cobrança. pela Câmara Municipal.Implementar Sistema de Controle Interno. isto é. o Sistema de Controle Interno avalie o cumprimento das metas previstas no plano plurianual. atentando para o que dispõe o artigo 13 c/c o 9º da Lei de Responsabilidade Fiscal. II . cópia de todos os decretos de abertura de créditos adicionais. por exemplo. a comprovação da legalidade e avaliação dos resultados quanto à eficácia e à eficiência da gestão orçamentária. a execução dos programas de governo e dos orçamentos. em tempo hábil. 7 . de forma a garantir efetivo cumprimento ao que dispõe o art. 8 . acima do percentual-limite de 70%. 10) Cuidar para que.Mop/Rev61 Indireta). 74 da Constituição Federal. nas próximas prestações de contas. uma vez implantado. Waldyr Domingos da Costa Leste. em face da irregularidade e das impropriedades a seguir elencadas: Irregularidade: Realizar despesa com a folha de pagamento no percentual de 74.40% do repasse permitido para a Câmara Municipal. Sr. cuidando para que sejam eliminadas as duplicidades. referentes ao exercício de 2003.Reformular os meios de administração da Dívida Ativa. 6 . permitirão assegurar a consistência dos dados produzidos. como. da Lei Complementar nº 101/00 (LRF). em descumprimento ao determinado pelo § 1º do artigo 29-A da Constituição Federal.

Pelo arquivamento dos Processos TCE nos 210. III . Sala das Sessões. 213.Pela expedição de ofício ao Ministério Público Estadual.521-0/04.Aumentar a despesa de pessoal em percentual superior a 10% da Receita Corrente Líquida do exercício anterior. 638).022-3/03.843-8/03. 212. parágrafo primeiro. 212. 29-A. em desacordo com o artigo 71 da Lei Complementar nº 101/00. 2 . 30 de novembro de 2004 JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR Relator 314 . com cópia do inteiro teor da Informação do Corpo Instrutivo (fls.906-2/03. desrespeitou o disposto no art. 213.Registrar os recursos financeiros recebidos da Prefeitura Municipal em desacordo com a Portaria nº 339/01 da Secretaria do Tesouro Nacional. referentes aos Relatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal. para que se dê ciência de que o Presidente da Câmara Municipal de Mangaratiba. do parecer do Ministério Público (fls. IV . da Constituição Federal da República. e deste relatório e voto. que serviram de subsídio à análise das presentes contas. 557/605 e 624/637).342-1/03.828-8/03 e 210. no exercício de 2003.Mop/Rev61 Impropriedades: 1 .

Considerando. foram apresentadas a esta Corte.002-1/04 EXERCÍCIO DE 2003 PREFEITO: Sr. Considerando que as presentes Contas de Gestão do Município. acolhendo o relatório e o projeto de parecer prévio do Conselheiro-Relator. Considerando a análise técnica constante da informação do Corpo Instrutivo desta Corte de Contas sobre o Balanço Geral do Município. representado pelo Procurador Julio Rabello. relativas ao exercício de 2003. que é de competência deste Tribunal emitir parecer prévio sobre as Contas da Administração Financeira dos Municípios e sugerir as medidas convenientes para a final apreciação da Câmara Municipal. com o disposto no art. aprovandoos. Carlo Busatto Junior. com base no artigo 125 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. constituídas dos respectivos Balanços Gerais e das Demonstrações técnicas de natureza contábil. reunido nesta data. tendo como representante do Poder Executivo o Sr. 315 . em Sessão Ordinária. de acordo. Considerando a aplicação na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações de serviços públicos de saúde. 77 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. exceto pelas ressalvas apontadas. 212 da Constituição Federal e art.Mop/Rev61 PRESTAÇÃO DE CONTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DO MUNICÍPIO DE MANGARATIBA PROCESSO NO 211. respectivamente. foram elaboradas em observância às disposições legais pertinentes. dando cumprimento ao disposto no inciso I do art. CARLO BUSATTO JUNIOR PARECER PRÉVIO O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. 125 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. tendo examinado e discutido a matéria. e Considerando que as Contas do Município de Mangaratiba. Considerando o parecer do Ministério Público.

com as ressalvas e as determinações constantes do voto. 30 de novembro de 2004 Conselheiro JOSÉ GOMES GRACIOSA Presidente Conselheiro JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR Relator Representante do MINISTÉRIO PÚBLICO 316 . estando sob jurisdição desta Corte. pela Câmara Municipal. Sr. o parecer prévio e o subseqüente julgamento pela Câmara de Vereadores não eximem as responsabilidades de ordenadores e ratificadores de despesa. nos termos da legislação vigente. os quais. Considerando. Sala das Sessões. bem como daqueles que geriram valores e bens municipais. Carlo Busatto Junior. estão ou serão alvo de fiscalização e julgamento por este Tribunal.Mop/Rev61 Considerando que. das Contas de Administração Financeira do Chefe do Poder Executivo do Município de Mangaratiba. o voto do Conselheiro-Relator. referentes ao exercício de 2003. finalmente. Resolve: Emitir parecer prévio favorável à aprovação.

as Contas do Poder Legislativo receberão parecer prévio em separado do Poder Executivo. Considerando que as presentes Contas de Gestão do Município. com base no artigo 125 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. 56 da Lei Complementar nº 101/00. representado pelo Procurador Julio Rabello. bem como quanto às impropriedades apontadas no voto do Relator. dando cumprimento ao disposto no inciso I do art. relativas ao exercício de 2003. foram elaboradas em observância às disposições legais pertinentes. 317 . e Considerando que as Contas do Município de Mangaratiba. WALDYR DOMINGOS DA COSTA LESTE PARECER PRÉVIO O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Considerando que.Mop/Rev61 PRESTAÇÃO DE CONTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DO MUNICÍPIO DE MANGARATIBA PROCESSO NO 211. Considerando a análise técnica constante da informação do Corpo Instrutivo desta Corte de Contas sobre o Balanço Geral do Município. constituídas dos respectivos Balanços Gerais e das Demonstrações técnicas de natureza contábil. exceto quanto ao descumprimento do § 1º do art. acolhendo o relatório e o projeto de parecer prévio do Conselheiro-Relator. 125 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. Considerando o parecer do Ministério Público. Considerando. 29-A da Constituição Federal de 1988. tendo como representante do Poder Legislativo o Sr. Waldyr Domingos da Costa Leste. que é de competência deste Tribunal emitir parecer prévio sobre as Contas da Administração Financeira dos Municípios e sugerir as medidas convenientes para a final apreciação da Câmara Municipal. reunido nesta data. tendo examinado e discutido a matéria. foram apresentadas a esta Corte. em Sessão Ordinária.002-1/04 EXERCÍCIO DE 2003 PRESIDENTE DA CÂMARA: Sr. consoante o art. aprovando-os.

referentes ao exercício de 2003. os quais. das Contas de Administração Financeira do Chefe do Poder Legislativo do Município de Mangaratiba. Waldyr Domingos da Costa Leste. constantes do voto. bem como daqueles que geriram valores e bens municipais.Mop/Rev61 Considerando que. estando sob jurisdição desta Corte. estão ou serão alvo de fiscalização e julgamento por este Tribunal. Considerando. nos termos da legislação vigente. finalmente. pela Câmara Municipal. Sr. 30 de novembro de 2004 Conselheiro JOSÉ GOMES GRACIOSA Presidente Conselheiro JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR Relator Representante do MINISTÉRIO PÚBLICO 318 . face à irregularidade e às impropriedades. Sala das Sessões. o voto do Conselheiro-Relator. Resolve: Emitir parecer prévio contrário à aprovação. o parecer prévio e o subseqüente julgamento pela Câmara de Vereadores não eximem as responsabilidades de ordenadores e ratificadores de despesa.

9. Em atendimento à referida decisão. Roberto Daniel Campos de Almeida e Carlos Rubem Mattos Dias. após examinar as alegações. decidiu por citação ao Prefeito Municipal de Miguel Pereira e aos demais Edis da Câmara Municipal e por determinação. para que recolham. aos cofres públicos municipais. alterado pelo art. Sr.419-4/00 de Prestação de Contas do Ordenador de Despesas e do responsável pela Tesouraria da Prefeitura Municipal de Miguel Pereira. referente ao exercício de 1999.49 UFIR-RJ. e citação ao ex-Prefeito Municipal. 347 da Constituição Estadual. a quantia equivalente a 59. RELATÓRIO Trata o presente Processo 231. sugere ao Plenário a rejeição das razões de defesa apresentadas. esta Corte de Contas. solidariamente. Roberto Daniel Campos de Almeida. É o relatório. exercício de 1999. representado pelo Procurador Renato Pereira França. manifesta-se em idêntico sentido. O Ministério Público. O Corpo Instrutivo. nos termos do voto que proferi. com recursos próprios. 1º da Emenda Constitucional 11/ 99. Voto pela diligência interna. Pagamento aos Vereadores em desacordo com o que estabelece o inciso I. Em sessão realizada em 2. insta salientar que a minha manifestação quanto à aplicabilidade da Emenda Constitucional 11/99 na análise da remuneração dos Vereadores nas prestações de contas de Câmaras Municipais referentes aos exercícios 319 .PRESTAÇÃO DE CONTAS Prestação de Contas de Ordenador de Despesas e de Tesoureiro. art. como Ordenador de Despesas. bem como pelo exPrefeito Municipal. Preliminarmente. foi apresentada defesa conjunta pelos Edis da Câmara Municipal de Miguel Pereira no exercício de 1999.2003. de responsabilidade dos Srs. e demais Edis da Câmara Municipal.124.

contrariando a Lei Orgânica Municipal e a Constituição Federal.01. 347 da Constituição Estadual com a nova redação que lhe deu a Emenda Constitucional 11. A ADIN tornou-se prejudicada. o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Dr. os Vereadores. vinha sendo no sentido de que haveriam de ser observados os limites da Emenda retro para o período de junho de 1999 a maio de 2000. de 14. pelo fato de que.2. estabelecendo novos limites às suas remunerações. pela exegese do artigo 27 da Lei 9. que deve operar efeitos ex tunc. em relação aos Edis do Município de Itatiaia. com a redação que lhe deu a Emenda 11/99. Mário Robert Mannheimer. que tratam das contas dos Ordenadores de Despesas e dos Tesoureiros das Câmaras Municipais de Itatiaia e Porto Real. com os fundamentos que transcrevo a seguir in verbis: “Em que pese o brilho costumeiro e sempre festejado do eminente Procurador de Justiça. após tomar conhecimento. por meio das informações constantes nos Processos TCE 220. o STF pronunciou-se declarando a inconstitucionalidade somente quanto à parte alusiva aos Prefeitos.868/99. julgou procedente a Argüição de Inconstitucionalidade nº 1/ 01. cujo o Relator foi o Desembargador Sylvio Capanema de Souza.482-4/01. a partir de 01. Desta forma. tendo como objeto o artigo 347 da Constituição Estadual. respectivamente. Com efeito. pelos motivos que consignei nos processos por mim relatados. No entanto. passou a vigorar a Emenda à Constituição Federal 25. em que se suscitou a argüição de inconstitucionalidade.de 1999 e 2000. e das informações que trarei a seguir. de forma incidental. compreendendo o limbo jurídico em que se encontravam ante a incerteza dos efeitos da ADIN. já que o Pretório não se utilizou da faculdade autorizada por este dispositivo. que foi o Relator do acórdão.01.2000. 320 . do fato de que alguns Vereadores impetraram mandado de segurança preventivo contra o ato do Ordenador de Despesas da Câmara Municipal. Celso Barros. que determinou que o pagamento de seus subsídios se faria na forma do que dispõe o artigo 347 da Constituição Estadual. reformulei o meu posicionamento quanto à matéria concernente à aplicabilidade desta Emenda. impetraram mandado de segurança preventivo visando à declaração de inconstitucionalidade do dispositivo. Sendo assim. parece-me que a razão está com o prolator da decisão monocrática e o não menos eminente Des. com a redação dada pela Emenda Constitucional Estadual 11/99.315-3/00 e 220. no tocante aos subsídios de Vereadores. e que concluíram pela evidente inconstitucionalidade do art.

Não se percebe da leitura deste dispositivo que a Constituição Estadual possa interferir nesta matéria. E no inciso VI estabelece que o subsídio dos Vereadores é fixado por lei de iniciativa da Câmara Municipal. em espécie. porém. na razão de.521/MA. à autonomia municipal. que atenderá aos princípios estabelecidos pela Constituição Federal. o princípio da autonomia municipal e o pacto federativo.º mínimo e máximo de Vereadores. estabelece que o Município reger-se-á por lei orgânica. Em acórdão da lavra do Min. a qual. 29 da CF. já decidiu o Colendo STF que 'o sistema de remuneração deve constituir conteúdo da Lei Orgânica Municipal.12. consagrando o princípio federativo. a Constituição Federal estabeleceu um 321 . no máximo. 29. é ainda no art.1999) Sustenta o eminente Representante do Ministério Público. sob pena de se romper e gravemente. 29) que é norma de eficácia plena e auto-aplicável. que. No inciso VII ficou determinado que o total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o limite de 5% da receita do Município. para os Deputados Estaduais.' (RE 122. ao fixar o n. desde que observadas as limitações do art. 88. considerando a diversidade econômica dos milhares de Municípios brasileiros. Finalmente. deve respeitar as prescrições estabelecidas no mandamento constitucional (inciso V do art. Fácil é perceber que a competência para fixar os subsídios dos Vereadores não é do legislador estadual.O art. a ser calculado proporcionalmente à população do Município. DJ de 6. na Constituição do Estado e obedecendo aos demais preceitos que enumera. 29 da Constituição Federal. votada em dois turnos. agora no inciso IV. que o legislador constituinte federal estabeleceu um último limite. porque se trata de assunto de sua competência. 75% daquele estabelecido. Ilmar Galvão. em seu parecer. Os subsídios dos Vereadores serão estabelecidos em lei de iniciativa da Câmara de Vereadores.

se para tanto não foi expressamente autorizada pela Constituição Federal. observado o limite de 75% dos subsídios dos Deputados Estaduais. manifestar sua desaprovação. caberá aos eleitores. Não comungo de tal entendimento. que comprometam a respeitar aqueles valores éticos. 322 . e de modo a não ultrapassar 5% da receita do Município. que seria de 75% dos fixados para os Deputados Estaduais. não diria a Constituição Federal. Se assim fosse. à luz do modelo federativo desenhado pela Constituição Federal. As peculiaridades de cada Município. que os subsídios dos Vereadores seriam fixados por lei da iniciativa da Câmara dos Vereadores. 347 da Constituição Estadual. na legislatura seguinte. com absoluta precisão. que as conhecem bem. em 26 de julho de 2000 foi concedida medida liminar legalizando os pagamentos. ratificando os efeitos da liminar. para se declarar inconstitucional a Emenda 11/99. em 13 de agosto de 2001. respeitado o limite máximo. em que se fortaleceu a autonomia municipal. Por estas razões. considerando as realidades de cada Município. declara em seu decisum o transcrito a seguir. elegendo outros representantes. suas realidades sociais e econômicas. O que não me parece razoável. que deu nova redação ao art. verbis: “A questão é singela do ponto de vista jurídico.limite máximo para os subsídios da vereança. é que a Constituição Estadual possa fixar limites para os subsídios dos Vereadores. O Juiz de Direito da Vara Única da Comarca de Porto Real. terão que ser aferidas pelos próprios Vereadores. estabelecer graduações. através do voto. quando da fixação dos seus subsídios. julga-se procedente a argüição. Mas isto não significa impor óbices ao legislador constituinte estadual para abaixo deste limite. a cada legislatura.” No tocante aos Edis do Município de Porto Real. Se o fizerem de maneira a se romper o princípio da razoabilidade e da moralidade.

é exercido tanto da forma concentrada. cabendo-lhe processar e julgar. l. confirmando a liminar. Sempre será derivado. a guarda da Constituição. respeitadas as disposições constitucionais federais e legais da legislatura municipal. De acordo com a nossa Carta Magna. e por isso subordinado aos princípios e normas estabelecidos na Constituição Federal. com a seguinte ressalva. ou seja. conforme a regra insculpida no artigo 97 da Constituição Federal. conforme o artigo 102. Na Lei Maior ficou fixado que os Estados e Municípios compõem a estrutura político e administrativa do Estado Brasileiro e que são autônomos. concedo a segurança para. verbis: 323 . o controle de constitucionalidade difuso ou via de exceção poderá ser exercido pelos tribunais. o controle de constitucionalidade repressivo realizado pelo Poder Judiciário é misto. A subordinação do Município à Emenda 11 do Estado. se no exercício constitucional de seu interesse. não é possível de ser realizada. quanto difusa. como tal fixado na Carta Magna. razão por que. por controle difuso da constitucionalidade declaro a Emenda 11 inconstitucional por indevida ingerência nos assuntos de interesse local do Município ao qual exclusivamente compete definir padrão de subsídios da edilidade.” Convém elucidar que. refere-se à competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal. porque se baseia em ato legislativo flagrantemente inconstitucional porque violador do princípio maior da autonomia. O controle de constitucionalidade concentrado. DEFERIR o requerimento da inicial no sentido de que não se aplique aos autores as disposições então pretendidas pelo Ordenador de Despesas com base na emenda. no Brasil. aqui declarada constitucional. originariamente.A Emenda Constitucional de Unidade Federativa jamais terá a condição de legitimidade de um poder constituinte originário. a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal. da Constituição Federal. Em razão disso. Isso quer dizer que no espaço de sua autonomia não pode sofrer interferência de outro ente.

é própria das características da atividade jurisdicional. realizado por todos os órgãos do Poder Judiciário. preconiza. desde sua origem. inclusive. portanto. Sobre este tema.“Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. entre as partes do processo (ex tunc). no seu livro com relação aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade – controle difuso. tais 324 . destituídos de qualquer carga de eficácia jurídica. ao analisar a argüição de inconstitucionalidade da Emenda 11/99. em seu livro Direito Constitucional. interpretar e aplicar a lei. uma vez que os atos inconstitucionais são nulos e. evidencia um controle constitucional difuso ou aberto. verbis: “Na via de exceção. verbis: “Declarada incidenter tantun a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo pelo Supremo Tribunal Federal. o Tribunal deve aplicar esta última por ser superior a qualquer Lei Ordinária do Poder Legislativo. Porém. Em havendo contradição ou incoerência entre a legislação e a constituição. juntamente com todas as conseqüências dele derivadas. sobre a inconstitucionalidade. também conhecido como controle por via de exceção ou defesa. o Mestre Alexandre de Moraes. a pronúncia do Judiciário. os atos pretéritos com base nela praticados. quer seja. no caso concreto. Nesta via. a análise sobre a compatibilidade do ordenamento jurídico com a Constituição Federal. 13ª edição. Por ser um órgão de instância inferior ao Supremo Tribunal Federal. Tal controle se caracteriza pela permissão a todo e qualquer juiz ou Tribunal realizar. alcançando a declaração de inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo. Entretanto. nos ensina que. indispensável ao julgamento do mérito. mas sim sobre questão prévia. produzidos em desacordo com a Lei maior. o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. no caso concreto. este ato ou lei permanecem válidos no que se refere à sua força obrigatória com relação a terceiros” (grifo nosso) Ainda. desfaz-se. o que é outorgado ao interessado é obter a declaração de inconstitucionalidade somente para o efeito de isentá-lo.” A demanda para execução de controle de constitucionalidade. o ato declarado inconstitucional. não é feita enquanto manifestação sobre o objeto principal da lide. do cumprimento da lei ou ato.

Insta ainda salientar que este Tribunal. em Sessão de 24. em desacordo com o Corpo Instrutivo e o MP. Aluisio Gama de Souza. Campos dos Goytacazes. 250. este último referente à Prestação de Contas da Câmara Municipal de Nova Friburgo – exercício de 1999.” (grifo nosso) Destarte. 260. Sala das Sessões. manifestou-se no sentido de afastar a aplicabilidade da Emenda 11/99.efeitos ex tunc (retroativos) somente tem aplicação para as partes e no processo em que houve a citada declaração. respectivamente.462-2/01.754-9/00.385-9/97 e 240. Em decisões ainda mais recentes. afastando por completo os efeitos da EC 11/99 para o período compreendido entre 06/99 e 05/00.464-8/00 e 261.2004. Em face do exposto. observando os limites estabelecidos no ordenamento jurídico vigente à época. a decisão proferida pela Vara Única da Comarca de Porto Real cessa os efeitos da Emenda 11/99. em qualquer hipótese. exceto quanto ao disposto na Emenda Constitucional 11/99. 5 de outubro de 2004 JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR Relator 325 . pelo Conselheiro-Relator. para que reanalise a remuneração dos Edis em tela. recebida no exercício de 1999. tendo em vista os motivos anteriormente apresentados.791-8/01.6. em decisões prolatadas nos Processos TCE 202. nos Processos TCE 210. este Plenário decidiu pela diligência Interna ao Corpo Instrutivo para que proceda a novo exame da remuneração dos agentes políticos.2004.650-5/00. Iguaba Grande e Casimiro de Abreu. relatado e aprovado na Sessão de 16. VOTO Por diligência interna à Inspetoria competente. Prestações de Contas das Câmaras Municipais de Seropédica. para aplicação nos cálculos dos subsídios dos Edis desta Municipalidade.3. desde a sua publicação.

1997.915. este Tribunal decidiu por diligência externa para que o órgão jurisdicionado excluísse a gratificação de encargos especiais dos proventos. 74) Em Sessão Plenária de 11. Em 25. Acrescentou.12.2003. o jurisdicionado verificou que o cálculo do valor da gratificação não correspondia à média dos últimos 12 meses. que o fato de a interessada ter solicitado a aposentadoria em 1995 e desistido em 1996. matrícula n.7. 220 do Decreto 2. no cargo de Bibliotecário. Em resposta. este Tribunal decidiu pelo registro dos atos em exame.8. Diligência externa.896-4/97 dos atos de Aposentadoria e Fixação de Proventos em nome de Hellen Sarapu Rodrigues. Em Sessão Plenária de 6. Voto pelo conhecimento do recurso e pelo provimento quanto ao mérito. também.479/79. perfazendo mais de cinco anos de maneira contínua. classe I. RELATÓRIO Trata o presente Processo 109. 326 . uma vez que a interessada não havia preenchido o prazo estatuído no art. retificando o valor da gratificação que passou de R$ 1.50.413. Conselheiro Jonas Lopes de Carvalho Junior proferiu.2003. com validade a partir de 11. Desta forma.RECURSO DE RECONSIDERAÇÃO Aposentadoria e fixação de proventos. gerou divergências nas informações. Recurso de reconsideração. comunicação ao atual Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico e retificação do ato de fixação de proventos. o jurisdicionado provou que a interessada recebeu a gratificação no período de julho de 1991 a julho de 1997. nos termos do voto que o Exmo. (fls.870/02 que prevê a decadência da Administração de anular os atos administrativos. A interessada interpôs recurso de reconsideração para reformar a decisão que reduziu o valor da gratificação. 05 anos ininterruptos.2003. foi publicado novo ato. qual seja. invocando a Lei Estadual 3.2.º 181.35 para R$ 1.090-2.

se o caso presente sujeita-se à decadência administrativa.1. o recurso é tempestivo. não-provimento. O douto Ministério Público. às fls. preliminarmente. mas sim pela impossibilidade do jurisdicionado refazer o ato após transcurso do qüinqüídio. uma vez que a nossa manifestação pelo registro nos processos de aposentadoria se resume a ato de controle externo.2004 e a decisão de registro foi publicada no Diário Oficial deste Estado em 21. deu prosseguimento à instrução. Importante. Assim. Portanto. Conhecimento do recurso de reconsideração. parágrafo único do Regimento Interno deste Tribunal. abordar a questão da natureza do ato de registro por parte desta Corte e mais adiante. frise-se.5. fundamentando-se no art. o que. Vencida a preliminar. não ocorreu no presente caso. pelo não conhecimento do recurso. Cezar Romero. há de se esclarecer que o prazo para interpor o recurso de reconsideração para o interessado começa a correr a partir da intimação da decisão. 2. Apesar de inferir que o pedido é intempestivo. 327 . quanto ao mérito do recurso.O Corpo Instrutivo. não integrando o ato sob controle. 92. às fls. o Corpo Instrutivo sugeriu: 1.12. 3. não por aplicação da legislação específica a esta Casa. Quanto à tempestividade. Quanto ao recurso ser intempestivo ou não. 4. 74). opina pelo não provimento. Dr. opina. representado pelo Procurador de Justiça. às fls. 88. 84/89. o Corpo Instrutivo ressaltou que tal recurso foi protocolizado pela interessada em 5.2003 (registro da fixação de proventos apresentada à fl. 90. pois. fez a análise do recurso. caso seja relevada a intempestividade declinada. tendo em vista a sua flagrante intempestividade. Sempre me manifestei em defesa da tese da total possibilidade do reconhecimento da decadência administrativa nesta Corte de Contas. seja dada ciência à recorrente acerca dos termos deste decisum. É o relatório. manutenção da decisão plenária de 11.2004.

tratando do prazo para apreciação da legalidade dos atos de admissão de pessoal. e que o Tribunal de Contas apenas analisa a legalidade após sua concessão. dos atos de admissão de pessoal. 328 . de ordem do Exmo. no julgamento do MS 8. com a leitura deste parágrafo. em alguns parágrafos depois. chegou ao meu gabinete o Ofício Circular/PRS/ GAP 043/2003.Em 09 de outubro de 2003. assim se posicionou o parecerista: Parágrafo 91: “Em relação à natureza do registro. Senhor Presidente.657. com isenção. que apenas analisa a legalidade do ato já acabado. Nos parágrafos 68 a 73 do parecer a PGT bem demonstra as posições de doutrinadores e da jurisprudência sobre a questão do ato de aposentadoria não ser um ato complexo. me parece que o subscritor da peça se posicionou pela conclusão de que o ato de aposentadoria não é ato complexo. Transcrevo parte do estudo (parágrafo 70): “Na mesma linha de entendimento. Victor Nunes Leal. que entendo relevantes para a análise do caso. vale dizer. Quanto ao se considerar o ato de aposentadoria complexo ou não. A razão está com ele. pelas Cortes de Contas. encaminhando-me cópia dos pareceres da douta Procuradoria deste Tribunal sobre decadência administrativa. os dois posicionamentos sobre a natureza da atuação do Tribunal de Contas. (grifo meu) Assim.” (grifos meus) Após demonstrar. asseverou que o registro da aposentação pelas Cortes de Contas ´não integra nem completa o ato de concessão. mas que converte a executoriedade precária (porque condicionada) da concessão em executoriedade definitiva´. temos dois posicionamentos: os que vêem a atuação do TCE como a que finaliza a cadeia de vontades administrativas (ato complexo) e aqueles que vêem o ato do TCE como simples ato de controle externo. considerando o ato de apreciação de aposentadoria pelo Tribunal de Contas com ato de controle externo – e não como manifestação complementar de vontade da Administração – o Min. É ato de controle externo. sendo o registro um ato de controle externo. trata-se. Gostaria de destacar alguns pontos do parecer. tal qual as aposentadorias. de ato de controle externo”.

2 . no caso da aposentadoria. seja por conta de um direito potestativo ou de um direito patrimonial. este já passa a “ostentar” o status de aposentado. conceitua determinado autor. A razão do início da contagem do prazo decadencial após a manifestação da última vontade é muito clara: antes desta o ato almejado ainda não existe! Contudo. não se aplica às Cortes de Contas. o tempo exerce influência em tal relação e o faz. pois o servidor estará efetivamente aposentado e percebendo os seus proventos. 97. se o mesmo é um ato administrativo e os Tribunais de Contas não praticam atos administrativos propriamente ditos no desempenho de suas funções constitucionais? Assim. pois a partir da expedição do ato administrativo próprio. não é isto que ocorre no caso da aposentadoria. conforme um ou outro caso. que ocorrerá a vacância do cargo. no exercício de suas funções constitucionais.Atos complexos. De fato. Manual de Direito Administrativo. pois estas.” 1 Por esta conceituação. neste momento surge o interesse da Administração em revê-lo ou anulá-lo. “são aqueles cuja vontade final da Administração exige a intervenção de agentes ou órgãos diversos.FILHO. não praticam ato administrativo propriamente dito. havendo certa autonomia. de tal forma. que poderá ser novamente preenchido após o competente concurso. Se este ato possui algum vício em benefício do ex-servidor. Uma outra faceta deve ser enfrentada. tão logo seja publicado o ato de aposentação do servidor. ou conteúdo próprio. por tratar de processo administrativo. o ato complexo somente existirá após a participação do último órgão na formação da vontade administrativa. Rio de Janeiro. 2000. Se isto é certo (e acredito que seja). fl. discordo quanto à conceituação do ato de aposentadoria como ato complexo. O ato complexo resulta do concurso de vontades de vários órgãos ou vários sujeitos da Administração Pública. como pode o ato de aposentadoria ser considerado complexo. que o seu decurso poderá acarretar na decadência ou na prescrição do direito.Salvo as exceções expressamente criadas por lei. Como o ordenamento jurídico reza. os efeitos da inatividade já começam a se verificar. toda vez que nasce um direito de agir para que alguém influa na esfera jurídica de outro. José dos Santos Carvalho. em cada uma das manifestações. Os adeptos da teoria que afasta a incidência dos preceitos da Lei 9. sustentam que a norma. sendo requisitos indispensáveis do ato 1 . Não pode existir interesse de agir não sujeito a prazo prescricional 2.784/99 aos processos de aposentadoria em trâmite nos Tribunais de Contas. 329 . 6 a edição. Lumen Juris. Tanto isto é verdade.

como os atos coletivos. que se fundem para formação de um ato único. a natureza do mesmo. Milano: Dott. vol. os atos compostos. senão quando simultaneamente se completam. de que decorre manifestação de um só conteúdo e finalidade. enquanto o segundo visa o exame da legalidade do ato. 330 . as convenções. é de ato administrativo. sobre o ato complexo. O ato que concede a aposentadoria e o ato do registro pelos Tribunais de Contas não visam o mesmo fim. mas sim do doutrinador italiano Guido Zanobini (Corso di Diritto Amministrativo. destacando que o requisito de unidade de conteúdo e fim é essencial e indispensável para distingui-lo de outras formas de concurso de vontades. Neste. Pergunto: o Tribunal de Contas exerce atividade administrativa no exercício de suas funções constitucionais? Não! Trago valioso estudo da lavra do Promotor de Justiça do Estado de São Paulo. escreve Lafayette Pondé. o contrato entre entes públicos. Mais: se o ato formado é único. O primeiro visa passar o servidor para a inatividade. Dr. 292-295). Se as manifestações são de órgãos de uma só entidade ou entidades diversas. integrados. e não somente a manifestação de pessoas diferentes. I. indiviso: resultante de vontades distintas e homogêneas (nenhuma das quais idônea a constituir um ato administrativo à parte).administrativo complexo a identidade de conteúdo e a unidade de fins das diversas vontades. págs.” O conceito de ato complexo deve levar em conta a unidade de conteúdo e finalidade. também aborda a questão do registro da aposentadoria pelo Tribunal de Contas. Giuffrè Editore. que felizmente. Se as vontades manifestadas não se revestem de igual valor jurídico decorrerá a complexidade igual ou desigual. Wallace Paiva Martins Junior. Sandra Julien Miranda explica que o ato administrativo complexo “é o que se aperfeiçoa pela fusão ou integração de vontades de órgãos diversos. A. o acordo. seus atos específicos não produzem nenhum efeito isolado. o chamado ato-união e etc. 1939. o ato praticado isoladamente por uma das vontades não possui finalidade autônoma. concluindo que o mesmo não serve como exemplo do ato administrativo em debate: “Ato complexo é ato único. teremos a complexidade interna ou externa. no caso da aposentadoria. respectivamente”. Esclareço que a lição não é minha. sendo inócuo sem as outras. o controle estatal sobre as deliberações dos entes autárquicos.

residualmente.Continuando no estudo. entidades ou agentes públicos) é requisito atinente à perfeição e validade do ato administrativo complexo.. verdadeira condição suspensiva”. o ilustre jurista adentra na questão da eficácia do ato complexo: “A complexidade é fator de eficácia do ato? A manifestação concorde ou convergente de todos os sujeitos (órgãos. sem a qual ele não se aperfeiçoa. Por isso. pois. tendo como parâmetro o registro (ou julgamento da legalidade) de aposentadorias. porque esta ainda que reputada como ato necessita do concurso das demais. Sandra Julien Miranda invocando Caio Tácito. convém observar que o ato complexo tem essa característica porque apresenta uma convergência de atribuições ou competências. no ato de controle o objetivo do controlador é a verificação da legalidade e do interesse público do ato já praticado. inspirada por vários motivos (como a participação na condução política da administração pública). Será isto ineficácia do ato? Parece que de ineficácia não há que se cogitar. se atribuiria ao ato complexo a característica própria do ato composto: isto é. Caio Tácito limita o conceito de aprovação aos atos típicos de controle. adverte que “muito embora uma das formas típicas de ato complexo seja aquele sujeito à autorização ou aprovação de outra autoridade.” 331 . No ponto. subordinada à condição suspensiva (no caso. há controle da legalidade e do interesse público. em essência. depende para sua eficácia. em que não há identidade de fins e conteúdo entre as duas manifestações de vontade. A manifestação da vontade do último órgão a ser ouvido não condiciona a eficácia da vontade inicial. etc. Ora. No ponto. o mesmo: nomear alguém. embora concorrentes. atendem a interesses distintos. realizar certo empreendimento. embora esse traço não seja o essencial. O pronunciamento inicial. de ação de outra autoridade. homologação ou aprovação). a eficácia do ato principal ficaria na dependência de um ato acessório. reformas. a doutrina italiana costuma distinguir o ato complexo em que a aprovação integra a manifestação de vontade das formas de mero controle de legalidade. constitui um ato perfeito de eficácia condicionada à aprovação (juízo de legitimidade e oportunidade) ou ao visto (juízo de legalidade). em que o ato. nele. pensões e etc.. razão pela qual a falta de convergência de vontades para edição de ato único retira-lhe um elemento essencial. apesar de perfeito. complementa. que. enquanto que no ato complexo o objetivo de quem “aprova” é.

tida como meio instrumental e etapa decisória saneadora preparatória da decisão final sobre o registro. que o Tribunal de Contas no exercício de sua função se limita à legalidade ou não da concessão da aposentadoria. visando o mesmo fim. proceder a retificação e a negativa do 332 . (. cujo entendimento inclinava pela aplicação do art. sendo-lhe vedado determinar seu registro em termos diversos dos em que foi requerida e deferida. caberá ao Tribunal de Contas o pronunciamento definitivo sobre a efetivação do registro. participando de cada etapa do ato. os Tribunais de Contas não têm competência ou atribuição para conceder aposentadoria e/ou pensão a servidores dos seus jurisdicionados. declarou que configura função constitucional de típico poder de controle a verificação da legalidade de aposentadoria com a determinação da efetivação ou não do registro (dependente da situação jurídica emergente do ato concessivo). Mais recentemente. No ato complexo. adicionado a sustação do ato impugnado se não cumprida esta (art. 71. de modo a evitar a medida radical de recusa do registro e. IX. o órgão ou entidade recusar-se a dar execução à recomendação. no império da atual Constituição de 1988 (art. se. X). sob o pálio da mesma Constituição. 71. assentou que. IX.. Esta observação é muito importante.Faço pequena observação para chamar atenção para a questão da convergência de atribuições ou competências no ato complexo. sem poder o Tribunal de Contas. da Constituição. Continuando o estudo: “O Supremo Tribunal Federal dedicou especial atenção ao assunto na sua evolução. sofreu a crítica dos Ministros Moreira Alves e Francisco Rezek. somente na decretação da ilegalidade do registro. 71. Quanto a esta faculdade de recomendação precedente ao julgamento da legalidade ou não pelo Tribunal de Contas. em razão de sua competência constitucional de controle. mas podendo recomendar – se constatada ilegalidade no mesmo – ao órgão ou entidade competente a adoção das medidas necessárias para fiel cumprimento da lei. Excepcionando o caso dos seus próprios servidores. todas as pessoas envolvidas possuem a mesma atribuição e competência para nomeá-lo.) Em outra oportunidade. festejada pelo Relator Ministro Celso de Mello com base no art. não podendo inovar o título jurídico submetido a seu exame. A observância do órgão ou entidade concedente ao pronunciamento da ilegalidade da aposentadoria pelo Tribunal de Contas decorre da força de convencimento jurídico de suas decisões. no entanto. III). 71. como a nomeação de Ministro do STF..

o entendimento de que o ato de aposentadoria não é ato complexo. e resgatando a compreensão original da Súmula 06. sem função integrativa. em tal caso. Min. demonstrou apoiado em Seabra Fagundes. segundo o qual “o registro pressupõe acabado. Sua base está no “RMS 8.9. referindo parecer mais acertada esta última posição. integrado e perfeito o ato administrativo – já dotado de uma executoriedade provisória – correspondendo a uma função de controle. Neste sentido o Superior Tribunal de Justiça: “No ponto. Não se pode olvidar que o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 06. mais recentemente. dado que ela não pode anular o registro do Tribunal de Contas. sustentada por Francisco Campos. Assentado nessas premissas. assentindo nos seus motivos. de sua vez o registrasse o Tribunal de Contas. a primeira etapa do processo de anulação”. não pode ter qualquer efeito executório. não cabendo ao Tribunal de Contas modificar o ato porque não lhe é dado substituir a competência do órgão ou entidade.657. pois. que não colabora na formação do ato. e não mais da autoridade administrativa. mas “esse ato de revisão é inoperante até que. sendo apenas condição de sua executoriedade definitiva”. desfazendo o registro anterior”. do Tribunal de Contas. Por isso. o Supremo Tribunal Federal destacou que “ainda hoje não é pacífica a questão em torno da natureza jurídica do registro. em erudita exposição. acórdão do Superior Tribunal de Justiça julgando recurso em mandado de segurança impetrado por servidora pública estadual 333 . Sendo o ato. Prevalece. o Rel. o ato anulatório emanado da autoridade administrativa. o Supremo Tribunal Federal consente que a Administração Pública anule seu ato por motivo de ilegalidade. para formação de um ato único (ato complexo) ou se é ato autônomo de controle da legalidade.cumprimento da decisão de ilegalidade sujeita a sustação do ato. julgado em 6. se constitui ato que integra o ato de concessão de aposentadoria. que a aprovação do ato converte-o em procedimento da autoridade que o outorga. do qual depende a eficácia ou executoriedade definitiva do primeiro”. nem mesmo condicionalmente. o qual representa apenas. a competência para torná-lo sem efeito se desloca desta para aquele. nessa hipótese.1961. razão pela qual o ato anulatório não tem efeito antes de confirmado pelo Tribunal de Contas. Victor Nunes. Deste modo.

O primeiro se constitui pela manifestação de vontade de mais de um órgão. na espécie. cuja natureza revela ser composto e não complexo”. assemelhada à demissão. a legalidade dos atos de admissão de pessoal. em parecer sobre o assunto: “Embora reconheça a lógica e a importância da tese (sic: do ato complexo) entendo que há alguns obstáculos à sua plena aceitação. A partir do momento em que se concede a aposentadoria ao servidor e fixados os seus proventos.. a redação da norma sugere que a aposentadoria já tenha sido concedida antes de encaminhada ao Tribunal para registro. o que não pode acontecer. não há como se considerar o ato de aposentadoria complexo. refutou o argumento sob o pálio de que “a recorrente fora aposentada como professora. O respectivo decreto é suficiente. Wallace Paiva Martins Junior: “A decisão está correta na medida em que a manifestação do Tribunal de Contas não integra nem aperfeiçoa como elemento essencial o ato. O registro no Tribunal de Contas apenas condição de exeqüibilidade.. manifesta aprovação”. Com efeito. sustentando a ilegalidade pela ausência do Tribunal de Contas. Comenta a decisão do STJ o Dr. para fins de registro. o artigo 71 da Constituição Federal firma a competência do Tribunal de Contas no sentido de ´apreciar. O segundo forma-se pela atuação de um só órgão. ressaltando que “a cassação da aposentadoria. deste momento é que se começa a contar o prazo decadencial para revê-los. Ou seja. até mesmo por conta da Teoria dos Poderes Neutrais. importante destacar o que foi consignado pela então Procuradora-Geral do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Quanto à natureza do ato de aposentadoria.. Se assim for. é da competência da autoridade que efetiva a nomeação. Dra.cuja aposentadoria foi cassada por ato do Governador do Estado. até porque os efeitos típicos do ato já se verificam desde a manifestação inicial da Administração a qual estaria 334 . posteriormente. Rememorese a clássica distinção entre ato administrativo complexo e ato administrativo composto. Fátima Maria Amaral Tavares Paes. todavia exeqüível com a aprovação de outro”. O Tribunal de Contas. Logo. chegaríamos à conclusão de que os TCs estariam praticando atos administrativos propriamente ditos no exercício de suas atribuições constitucionais. bem como a das concessões de aposentadorias´.

assim se pronunciou: “Neste ponto. a rigor. isto 335 . do mesmo Tribunal. o ato é da competência da autoridade administrativa que o pratica. unilateralmente. mas a executoriedade. sendo sempre posterior ao ato da Administração. em relação a ele. pendendo. do ato que fica a depender do julgamento de controle do Tribunal de Contas”.657/61 (comentado pela PGT como fundamento para a natureza de ato de controle externo do registro da aposentadoria). sofrer um controle posterior que poderá. de um controle de legalidade posterior. porém. depois de consumado. Não é a validade. Ao estabelecer que o registro não trata de validade do ato. de natureza declaratória quanto à sua legitimidade em face da lei. Logo. Tal controle pode concluir pela legalidade da concessão do benefício. que a manifestação do Tribunal de Contas tem objetivos nitidamente distintos daquela exarada pelo órgão administrativo. por isso. porém. inclusive. É de se considerar. importar na sua desconstituição. pela sua invalidade. A aprovação do Tribunal de Contas não integra o ato mesmo. em caráter definitivo. O então Ministro do Supremo Tribunal Federal. demonstrou que a administração pode revê-lo. que visa a transformar o servidor ativo em inativo. desde logo apto a produzir efeitos. a aprova. apenas. Creio. é submetido à chancela do Tribunal. que a manifestação de vontade da Administração é suficiente para consumar o ato de aposentadoria do servidor público. o ato inicial afigura-se perfeito. não contribuindo. Victor Nunes Leal. esta última materializa uma ação administrativa. pois. (grifos meus). ou pela necessidade de sua reforma. que aprova o ato anulatório da aposentadoria. aquela verifica a regularidade dessa ação administrativa. que julga legal a aposentação e. nos autos do mandado de segurança 8. devendo. ainda. mas de executoriedade. é um plus. de natureza homologatória. para exame das conseqüências.” (grifos meus) E realmente é isto que ocorre. No primeiro caso. para que possa ter execução definitiva. havemos de distinguir. que. fica sujeito a ato complementar de controle.o servidor vinculado. e a decisão posterior. entre a decisão do Tribunal de Contas. para a formação deste. de organização de pessoal.

é. logo. ou seja. o interesse público em primário e secundário. ou então. foi verificada a necessidade da criação de órgãos estatais com 336 . acreditava-se que apenas os órgãos da soberania popular. porém. então. que consideramos o verdadeiro interesse público. ou órgãos legítimos. para atuar política e administrativamente eram aqueles cuja composição advinha da participação do eleitorado. Da Teoria dos Poderes Neutrais Outro argumento pode ser trazido para afastar a tese que imprime ao ato de aposentadoria o condão de complexo. A prática demonstrou a fragilidade da idéia. por não possuírem identidade de conteúdo e unidade de fim. de interesses políticos. Boas são as palavras do professor Alexandre Santos de Aragão: “No advento da Revolução Francesa. entendese aquele em que a satisfação interessa apenas ao Estado. ao passo que por interesse público secundário. buscando efetivar apenas interesses privados ou do próprio Estado como pessoa jurídica. aliando que o Tribunal de Contas não pratica ato administrativo propriamente dito no exercício de suas funções constitucionais. poderiam levar a vida em sociedade a bom termo. Para a verificação e fiscalização do atendimento do interesse público primário. Logo. pois vários segmentos sociais podiam não estar representados. Trata-se da Teoria dos Poderes Neutrais. Desta forma. podendo até contrariar interesses sociais ou coletivos. os representantes poderiam não buscar os verdadeiros interesses para o qual foram eleitos. sem a participação do Tribunal de Contas. como um interesse subjetivo. Passou a se distinguir. foram criados órgãos cuja composição é desprovida. tendo posições neutras (daí o nome Poderes Neutrais). em tese. decorrente de eleição. Entender a posição do Tribunal de Contas no cenário da organização e estruturação do Estado é de suma importância. Durante muito tempo entendia-se que os únicos poderes legítimos. Por interesse público primário entende-se aquele em que a satisfação interessa a toda a sociedade. os mandatários eleitos. ou seja. pois este não participa da sua formação. enquanto não registrado. uma vez eleitos. não há como se considerar o ato de aposentadoria como complexo. não é complexo o ato de aposentadoria.

Se o ato de aposentadoria é um ato administrativo e o Tribunal de Contas no exercício de suas atribuições não desempenha atividades administrativas propriamente ditas. estão inseridos valores que também são comuns aos destinatários das atividades dos órgãos independentes’. citando Silvia Niccolai em sua obra I Poteri Garanti della Costituzioni e le Autorità Indipendenti: “A independência assegurada aos órgãos neutrais do Estado é uma relação qualificada com os bens e valores que tutelam ou expressam. que os separa de tudo o que não for a eles concernente. podendo-se dizer haver ´uma relação de fundamentação. que abrangem realidades díspares. relação que produz a liberdade dos órgãos para atuar na proteção destes valores. ou uma relação hierárquica imprópria. controlar e equilibrar as relações entre os titulares dos cargos eletivos para assegurar a observância dos valores maiores da coletividade. Na independência. conselhos com sede constitucional etc. entre os valores tutelados e os órgãos neutrais. exige. que o mesmo não participe de qualquer ato dos seus jurisdicionados. tratado com bastante propriedade pela PGT. não participando da atividade dos órgãos sujeitos à sua fiscalização. desde as cortes constitucionais às agências reguladoras independentes. Prazo para Manifestação Abordarei outro ponto polêmico. o que lhes dá autoridade porque demonstra que os órgãos independentes pertencem ao ordenamento no qual. Inferir ao ato de aposentadoria o condão de ato complexo é retirar da Corte de Contas a neutralidade que lhe é essencial para o exercício de suas funções. 337 . A independência que este órgão deve ter. então. Surgiram. necessariamente. os poderes neutrais do Estado. pois estão comprometidos apenas com os bens e valores que tutelam. O trecho acima negritado demonstra que os órgãos neutrais não se imiscuem na atividade administrativa dos órgãos jurisdicionados. acrescentado o seu caráter neutral de órgão fiscalizador.autonomia de gestão e independência funcional para. passando pelos tribunais de contas. o Tribunal de Contas surge como órgão neutro.” (grifo meu) Assim. juntamente com os valores tutelados. portanto.” (grifos nossos) E continua seu escólio. estão ínsitos traços de sujeição a estes bens e valores. que se agregam à autoridade neutral. não há como imputar-lhe participação no mesmo. fora do círculo político-eleitoral.

e também. sobre os atos de aposentadoria e pensão.” (grifos meus) Resumindo.” “Conclusão nº 07: a Lei Estadual 3. 368 da Constituição do Rio de Janeiro). é um ato de controle externo.784/99 c/c art. Seria inócua a determinação feita pela Corte de Contas após expirado esse prazo. do prazo para pronunciamento desta Casa.” “Conclusão nº 14: sem embargo dessas decisões. qual seja a de fiscal da Administração Pública.870/2002 diferencia os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis aos servidores públicos: se praticados de boa-fé. se houver comprovada máfé. dada a posição específica de que desfrutam as Cortes de Contas. Parágrafo 116 do parecer já comentado: “No tocante ao prazo de que dispõe o Tribunal de Contas para determinar medidas administrativas a órgãos ou entidades. em várias outras proferidas pelo próprio STF. por isso se sujeita à decadência. decaindo o poder-dever de anulá-lo em cinco anos. pelo TCE-RJ. qual seja.” “Conclusão nº 12: é discutível a aplicação da Lei Estadual 3. e não haverá.e refutado de forma veemente por alguns de meus pares. de natureza homologatória. o ato será nulo. portanto prazo decadencial para o Poder Público anulá-lo. Como consignamos várias vezes. entendemos que é o mesmo prazo decadencial estabelecido em lei para que a autoridade administrativa competente (estadual ou municipal) exerça o poder de autotutela. quanto aos demais atos de que decorram efeitos favoráveis para os seus destinatários em geral (art. esse prazo decadencial no âmbito do Estado é de cinco anos. o ato será anulável. prevaleceu o entendimento de que o registro da aposentadoria. transcreverei algumas conclusões do estudado parecer: “Conclusão nº 02: o poder-dever de a administração pública anular os seus próprios atos (exercício da autotutela administrativa) assemelha-se ao exercício de um direito potestativo. à apreciação dos atos de aposentadoria. § 2o da Lei Federal 9. no que se refere aos atos de que sejam beneficiários servidores públicos estaduais (Lei Estadual 3. 54.870/2002). pelo Tribunal de Contas.870/ 2002. no decorrer desse estudo.” 338 .

Horácio Machado Medeiros. concluiu o douto Ministério Público. como a investidura inicial e o provimento derivado.” Deixou claro o seu entendimento de que. com parecer da lavra do Procurador de Justiça. da lavra do Procurador retro mencionado. de validade superior na hierarquia do nosso sistema jurídico. Dr. o que estou de acordo. o Decreto 20. mas sim.1999 e Lei Estadual 3.929-1/99. Interesse público é a realizaçãonque a lei tem em vista e. nos autos do Processo TCE/RJ 107. diversas das situações de acesso a cargo público.910/32. que têm força jurídica limitada. infraconstitucional. onde se discute a tese da decadência em questão de ingresso no serviço público sem concurso público. incidir na consolidação de efeitos ilícitos administrativos. pelo Tribunal de Contas. de 24. O prazo para a Corte de Contas determinar providências é o mesmo prazo estabelecido para o exercício de autotutela. in verbis: “35.“Conclusão nº 23: a determinação de prazo. a solução jurídica qüinqüenal de proteção à situação funcional de boa-fé.6. trago à colação conclusão de parecer do douto Ministério Público. procuramos demonstrar (com dezenas de citações. à hipótese de desconformidade da situação funcional do servidor com preceitos constitucionais não é aplicável a decadência administrativa. que tratou da aplicação da decadência administrativa em questões não constitucionais. Às situações funcionais estaduais e municipais em conflito direto com os citados mandamentos constitucionais expressos (federal e estadual). a Lei Federal 4.” Nos autos do Processo TCE/RJ 232. de 29. por nós sublinhadas. para que determinado órgão ou entidade adote providências quanto às irregularidades apontadas deve ser considerada medida impugnadora da validade do ato.784. vem apontando na mesma direção.717/65. e.1. que: “15. também as três últimas Constituições Federais (desde 1946). portanto.870. e também a doutrina. e só podem.870/ 2002. sedimentada. legais.2002). Continuando no estudo. e também a 339 . para efeitos da Lei Estadual 3. normas dotadas de uma superlegalidade. não se aplicam à legislação sobre decadência administrativa (Lei Federal 9.592-0/99. que incluem consagrados especialistas brasileiros em Direito Administrativo) que há mais de 70 (setenta) anos. como ocorre nas chamadas situações funcionais ampliativas.

870/02. e muito exatamente por isso.jurisprudência. veio para produzir efeitos.784/99. face à literalidade do seu texto. Assim. fiscal da lei. O Ministério Público. 39. dentro da sistemática constitucional. art. 54 da Lei 9. pois a sua clareza é meridional.Impossível exigir mais clareza. é evidente. imexível após o decurso do prazo decadencial de 5 (anos). que incide sobre o funcionalismo estadual e municipal. 340 . não é um simples adorno. palavra de conteúdo e rigor jurídico.870/02. sempre na perspectiva. 2º da Lei Estadual 3.870/02 sobre decadência. usando o termo decadência. 25). A Lei Estadual determinou. O prazo? Cinco anos (Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. específica. A situação funcional de servidores públicos.8. principalmente ampliativa de direito (salvo comprovada má-fé) é hoje. 37. é que não nos é possível ignorar a força jurídica nova da Lei Estadual 3. aplica-se aos Municípios do Estado do Rio de Janeiro que não disponham de lei própria. como indicando esforço do legislador em facilitar o aplicador da lei estadual em matéria tão delicada. não pode menosprezar o princípio da legalidade. inclusive federais. o encerramento das contas públicas iliquidáveis. de 1. após certo prazo.” Desnecessário tecer qualquer comentário sobre a conclusão do parecer acima transcrito. que. peremptório mesmo. A regra continua a mesma. o ato de aposentadoria é ato de controle externo e o TCE possui o mesmo prazo que a administração pública (5 anos) para determinar medidas saneadoras. Nâo há como atribuir interpretação diversa ao art.1990. 36. insistindo no simples decurso do prazo. mais incisiva ainda que seu modelo federal. Pelo registro da aposentadoria. A Lei Estadual 3. não apresentando dificuldade de interpretação. mais ainda do que sempre foi. o art. 38. mais uma vez adotada pela recente legislação federal e estadual sobre decadência administrativa. Lei Complementar 63.

pois a decadência somente estará afastada em relação às questões impugnadas dentro do qüinqüênio. do tudo aqui exposto.Da Segurança Jurídica.870/02 aos municípios do Estado do Rio de Janeiro. estamos perseguindo somente o Princípio Constitucional da Segurança das Relações Jurídicas.Da Garantia a um Ordenamento Jurídico Justo. na temática constitucional. também entendo que o mesmo seja considerado medida impugnadora. capaz de afastar a decadência administrativa. ser objeto de correção. nos valores acima. Por questão de fidelidade. Na verdade. concordo com as razões do parecer do douto Ministério Público quanto à aplicação desta mesma lei aos municípios. suprema injustiça. Já diziam os antigos: Summa jus. com base no princípio interpretativo da convergência prática ou cedência recíproca. 341 .” Existem. este último deve prevalecer. Estes valores permeiam o nosso ordenamento jurídico e a atividade estatal. esclareço que a PGT não se posiciona no sentido da aplicação da Lei 3. norteadores da atividade do Estado.Da Proteção à Dignidade da Pessoa Humana. valores e princípios a serem perseguidos pelo nosso Estado Democrático de Direito. o prazo decadencial de 5 (cinco) anos é retirado da interpretação sistemática do ordenamento jurídico. Contudo. após cinco anos.Quanto à determinação para que a administração adote as providências para que seja corrigido o ato. buscam. Observe-se que matéria de ordem legal (excluída a de ordem constitucional) não impugnada oportunamente. visando a quebra de tensão entre princípios constitucionais. 2 . interpretando o sistema constitucional. destaco três valores: 1 . mesmo que tenha havido diligência externa no processo. os seus fundamentos de validade e incidência. summa injuria – “Supremo direito. 3 . e mesmo que tal não existisse. Os princípios constitucionais. Sempre que um princípio estiver em conflito com um valor. não poderá. É a famosa ponderação de princípios. Presentes no preâmbulo da Carta Maior.

900 – RS. o anulamento com eficácia ex tunc é 342 . Ministro do STF. vol. (Verfassungsrecht.É o que ocorre no caso presente. O ponto inicial da trajetória está na opinião amplamente divulgada na literatura jurídica de expressão alemã do início do século de que. 1967. Nesses casos não se pode falar em proteção à confiança do favorecido. nos anos 50 na doutrina e na jurisprudência. em homenagem à boa fé e à segurança jurídica.. culpa etc. p. (. 3. a faculdade que tem o Poder Público de anular seus próprios atos tem limite não apenas nos direitos subjetivos regularmente gerados. mas também no interesse em proteger a boa fé e a confiança (Treue und Glauben) dos administrados. o principio da res judicata. 257 e segs. Tübingen 1966. ou resulta de procedimento que gera sua responsabilidade.. Verfahrensrecht in der Rechtssprechung des Bundesverwaltungsgerichts. até porque... não pode ser considerado justo. com culpa sua. para concluir que o princípio da possibilidade de anulamento foi substituído pelo da impossibilidade de anulamento.. p. citando expoentes do nosso direito. Auflage.. O Princípio da Legalidade Administrativa deve ceder espaço para o valor Segurança Jurídica. II. Embora do confronto entre os princípios da legalidade da Administração Pública e o da segurança jurídica resulte que.) vale a pena trazer à colação clássico estudo de Almiro do Couto e Silva sobre a aplicação do aludido: “É interessante seguir os passos dessa evolução. 339 e segs. um ordenamento jurídico que não possui segurança. embora inexistente. vol. Informa ainda que a prevalência do princípio da legalidade sobre o da proteção da confiança só se dá quando a vantagem é obtida pelo destinatário por meios ilícitos por ele utilizados. em voto proferido em ação cautelar. assim como do direito comparado: “(. fora dos casos de dolo. Lição importante traz o Exmo. I. Gilmar Mendes.) Esclarece OTTO BACHOF que nenhum outro tema despertou maior interesse do que este. na órbita da Administração Pública. nº 2.). Estabelecer que não há prazo decadencial para a atuação do TCE é desrespeitar dois valores fundamentais: o da segurança jurídica e o direito a um ordenamento jurídico justo. Verwaltungsrecht.

para os recursos contenciosos de anulação. que era o mesmo prazo concedido aos particulares para postular. rememorando o clássico “affaire Dame Cachet”: “Bem mais simples apresenta-se a solução dos conflitos entre os princípios da legalidade da Administração Pública e o da segurança jurídica no Direito francês.” Depois de incursionar pelo direito alemão. indagando: ‘Mas será que o poder de desfazimento ou de anulação da Administração poderá exercer-se indefinidamente e em qualquer época? Será que jamais as situações criadas por decisões desse gênero não se tornarão estáveis? Quantos perigos para a segurança das relações sociais encerram essas possibilidades indefinidas de revogação e. de 1935. II. de outra. 343 . as aplaude entusiasticamente. que se exauram de uma só vez ou que apresentem caráter duradouro. 1929. HAURIOU. fixou o Conselho de Estado o entendimento. de que.)”. sem lhe impor nenhum prazo’. de outra parte. uma atmosfera de estabilidade estender-se-á sobre as situações criadas administrativamente. 105-106. como os de índole social. em recurso contencioso de anulação. ambos também de 1923 e pelo affaire Dame Inglis. subvenções. vol.’ (La Jurisprudence Administrative de 1892 a 1929. de 1923. seja com relação às anulações administrativas. pensões ou proventos de aposentadoria. Paris.sempre inaceitável e o com eficácia ex nunc é admitido quando predominante o interesse público no restabelecimento da ordem jurídica ferida. a invalidade dos atos administrativos. um breve prazo de dois meses e que deixaria à Administração a possibilidade de decretar a anulação de ofício da mesma decisão. refere-se o mestre gaúcho ao direito francês. todas as nulidades jurídicas das decisões administrativas se acharão rapidamente cobertas. a revogação dos atos administrativos não cabia quando existissem direitos subjetivos deles provenientes e. Desde o famoso affaire Dame Cachet. numa construção jurídica que abre aos terceiros interessados. é absolutamente defeso o anulamento quando se trate de atos administrativos que concedam prestações em dinheiro. de que os atos maculados de nulidade só poderiam ter seu anulamento decretado pela Administração Pública no prazo de dois meses. que incoerência. E conclui: ‘Assim. de uma parte. seja com relação aos recursos contenciosos. p. comentando essas decisões. logo reafirmado pelos affaires Vallois e Gros de Beler.

observa Couto e Silva em relação ao direito brasileiro: “MIGUEL REALE é o único dos nossos autores que analisa com profundidade o tema. de sorte que o mundo progrida. assento constitucional (princípio do Estado de Direito) e está disciplinado. Usando as palavras do Exmo. diz ele que ‘é mister distinguir duas hipóteses: (a) a de convalidação ou sanatória do ato nulo e anulável. Professora Substituta de Direito Administrativo da Universidade Federal do Ceará e Procuradora do Município de Fortaleza leciona no seguinte sentido: “Dúvidas não restam de que várias conseqüências jurídicas advêm de atos passíveis de anulação. Pereat Mundus (faça justiça. Os princípios da legalidade da administração pública e da segurança jurídica no estado de direito contemporâneo. afasta-se do objetivo superior das leis.784. assume valor ímpar no sistema jurídico. no plano federal. 344 . ainda que o mundo pereça) não é uma máxima entre nós. Em verdade. Carlos Maximiliano. e jamais pereça”.” Considera-se. Publicação do Instituto de Informática Jurídica do Estado do Rio Grande do Sul. p. entre nós. cabendo-lhe papel diferenciado na realização da própria idéia de justiça material. Depois de salientar que ‘o tempo transcorrido pode gerar situações de fato equiparáveis a situações jurídicas. 2º). (op. Almiro do Couto e.. faça-se justiça. hodiernamente. 11-29. 1988). que o tema tem. como subprincípio do Estado de Direito. V. 18. (b) a perda pela Administração do benefício da declaração unilateral de nulidade (le bénéfice du préalable)’. nº 46. art. “o excesso de juridicidade é contraproducente. Clarissa Sampaio Silva. p. cit.” (grifos meus) O brocardo latino Fiat Justitia. Revista da Procuradoria-Geral do Estado.Na mesma linha. não obstante a nulidade que originariamente as comprometia’.g. na Lei 9. no seu mencionado ‘Revogação e Anulamento do Ato Administrativo’ em capítulo que tem por título ‘Nulidade e Temporalidade’. desvia os pretórios dos fins elevados para que foram instituídos. (SILVA. 82). parcialmente. de 29 de janeiro de 1999 (v. a segurança jurídica. porém do modo mais humano possível.

exatamente porque o desfazimento de certas situações causaria problemas práticos incontornáveis. existência de uma regra ou princípio de direito que lhe teria servido de amparo se houvesse sido validamente constituída. vem sendo acolhida pelo Poder Judiciário.Em determinados casos os atos inválidos de fato criam situações concessivas de benefícios ou ampliativas de direitos. ou por serem protetores do comum dos cidadãos. princípio que visa também protegê-los quando de suas relações com o Estado” (ZANCANER: 1993: 60) Sendo assim. a doutrina tem conhecido que o aparecimento de tais situações. 1993: 62) Trata-se do reconhecimento na seara administrativa da teoria do fato consumado que. pontifica a autora que situações ampliativas de direitos devem ser preservadas. notadamente no que tange a terceiros de boa-fé. em várias situações. embora o princípio da legalidade seja fundamental num Estado de Direito. Isso porque. “encartados no ordenamento jurídico estão outros princípios que devem ser respeitados. Nestas hipóteses. ainda que oriundas de atos viciados impõe-se também por atender aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade que são subjacentes ao regime jurídico-administrativo. como o decurso de um certo período de tempo e a boa-fé do administrado constitui uma barreira ao poder de invalidação dos atos administrativos. (MELLO: 1994:54) 345 . a boa-fé. ainda quando advenham de atos passíveis de anulação quando cumulativamente houver “decorrido um certo lapso de tempo desde a instauração da relação viciada. Pelo principio da razoabilidade. (id. boa-fé por parte do beneficiário”. aliado a outros fatores. como por exemplo. como por exemplo. a Administração “deve obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racional. o princípio da segurança jurídica. A estabilização de determinadas relações. em sintonia com o senso normal das pessoas equilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram a outorga da competência exercida. ou por se referirem ao direito como um todo.

ou seja. finalmente a exigência de que o resultado obtido com a intervenção. em virtude do qual a Administração fará um só pensamento entre o princípio da legalidade e o da estabilização das relações jurídicas. a decisão de diligência externa determinada em 6. 346 . (CANOTILHO: 1993: 387) Em resumo. através do qual meios a fins são colocados em equação mediante um juízo de ponderação. a providência de invalidação de um determinado ato ou relação jurídica deve ser não apenas capaz de restaurar a legalidade violada como “proporcional à sua carga coativa”. o princípio da proporcionalidade. impossibilidade de ser adotado outro meio menos oneroso para o cidadão e. Por ser questão infraconstitucional de ordem patrimonial. VOTO 1 .2.” Assim. quais sejam: exigência da conformidade ou adequação dos meios. necessidade. originariamente ligado ao problema da limitação do Poder Executivo. como a segurança das situações consolidadas. de modo que não venha a atingir outros valores albergados pelo ordenamento jurídico. seja proporcional à “carga coativa” da mesma. Pelo exposto. medida para limitações administrativas da liberdade individual (CANOTILHO: 1993: 386). Por sua vez.Pelo conhecimento do presente recurso de reconsideração e pelo provimento quanto ao mérito. através do qual uma providência adotada deve ser apropriada para o atingimento do fim estabelecido. desdobra-se em uma série de exigências ou subprincípios.2003 para excluir a gratificação de encargos especiais ocorreu após cinco anos da data de validade da aposentadoria. Há ainda de ser o meio menos gravoso para o administrado. deve exercer papel preponderante quando em confronto com a necessidade de se restaurar a legalidade violada e a preservação de situações consolidadas. entendo que já tenha ocorrido a decadência do poder de rever o ato. conhecida também como principio da proporcionalidade em sentido estrito.O princípio da proporcionalidade. em desacordo com o Corpo Instrutivo e com o douto Ministério Público.

26 do Regimento Interno . pelo “sistema de mão própria”.413. alterando o valor da parcela Gratificação de Encargos Especiais de R$ 1.Comunicação ao atual Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico. Sala das Sessões. conforme fundamentação de meu voto.35. a) Retifique o ato de fixação de proventos de fls. com fulcro no art. § 1º da Deliberação TCE-RJ 204/96. seja comprova a publicação da retificação do ato. 9 de dezembro de 2004 ALUISIO GAMA DE SOUZA Relator 347 .50 para R$ 1. 74.2 . c/c o art. Conseqüentemente. 6º.915. para que atenda ao item abaixo.

de nº 015/97. Excelentíssimo Dr. 62-63. 18-59. acostados às fls. em decorrência da licitação na modalidade de tomada de preços. o processo foi baixado em diligência externa. 348 . combinado com o art. deu entrada nesta Corte de Contas no dia 22 de agosto de 2001. nesta data a R$ 5. o Corpo Instrutivo.Mop/Rev61 RECURSO DE RECONSIDERAÇÃO Contrato oriundo de licitação por tomada de preços. José Gomes Graciosa. Edson Ezequiel de Mattos. às fls. às fls. em decorrência da diligência. para que o jurisdicionado remetesse a esta Corte de Contas os documentos relacionados no relatório do voto. ex-Prefeito do Município de São Gonçalo. 69. inciso III do Regulamento Interno aprovado pala Deliberação TCE/RJ 167 de 10 de dezembro de 1992.50 (cinco mil seiscentos e quarenta e um reais e cinqüenta centavos).1999. Serviços de "planejamento. A peça recursal. de acordo com o voto do ConselheiroRelator. inciso I da Lei Complementar Estadual 63/90.8.490-5/97 de recurso de reconsideração interposto pelo Sr. com fulcro nas disposições do art. constatando que o jurisdicionado não atendeu plenamente as exigências da decisão plenária de 17. Da análise procedida nos documentos trazidos ao processo.1997. que tem como objeto “serviços de engenharia de planejamento. Em Sessão de 17 de agosto de 1999. O documento vestibular deste processo é o contrato datado de 20.000 (cinco mil) UFIR-RJ. programação e execução de varrição e limpeza manual e mecânica de vias urbanas" são serviços de engenharia sanitária. 27-28. RELATÓRIO Trata o presente Processo 207. sugeriu notificá-lo nos termos de suas conclusões às fls. 108-112. equivalentes. celebrado pela Prefeitura Municipal de São Gonçalo e a empresa Hunnos Assessoria e Planejamento LTDA. com o propósito de obter a reconsideração da decisão que lhe impôs multa pessoal correspondente a 5. programação e execução de varrição e limpeza manual e mecânica de vias urbanas no Município”.8. 87.641.

parcialmente de acordo com o Corpo Instrutivo e o Ministério Público. conforme constata-se no voto de fls. § 2º. não teria atendido. nesta data a R$ 5.666/93. manifestou-se “Pela adoção das medidas propostas pela 7a IRE. Excelentíssimo Doutor José Gomes Graciosa. o Excelentíssimo Dr. descrição inadequada do objeto e modalidade de licitação em desacordo com os limites estabelecidos no inciso II do art. O Conselheiro-Relator. 23 da Lei 8. adote as seguintes providências: 1 . Quintella. comprovando a publicação do Edital de Tomada de Preços 015/97.666/93. 6º da Deliberação TCE 204/96 para no prazo de 15 (quinze) dias. às fls. na Tomada de Preços 015/97. como estipula o art. no Diário Oficial e em jornal diário de grande circulação.encaminhe a este Tribunal. integralmente. ficando desde já autorizada a cobrança judicial. com os serviços pormenorizados. O Ministério Público. em face de ter adotado. o Corpo Instrutivo concluiu que o jurisdicionado. 63 da Lei Complementar 63/90. equivalentes. Edson Ezequiel de Matos. nos termos do art. Prefeito do Município de São Gonçalo à época. 81-83. no caso de não-recolhimento no prazo fixado. 92-93. 71. comprovando o seu recolhimento no prazo regimental de 10 (dez) dias subseqüentes. 40. desta feita. acostado no processo às fls.641.encaminhe o orçamento estimado em planilha de quantitativos e preços unitários.Mop/Rev61 As sugestões do Corpo Instrutivo foram acolhidas pelo ConselheiroRelator. a ser recolhida com recursos próprios. 75-80. 82/83”. inciso II da Lei de Licitações. II . ainda. as exigências desta Corte de Contas. 87. às fls. às fls. 349 . expressando esse entendimento às fls.000 (cinco mil) UFIR-RJ. no valor de 5. 2 .Pela comunicação pessoal ao atual Prefeito do Município de São Gonçalo nos termos do § 1º do art. de acordo com o art. Sergio F. ao Sr. prolatou o seguinte voto. cópias em que apareçam o nome do veículo e a data da edição.50 (cinco mil seiscentos e quarenta e um reais e cinqüenta centavos). no prazo regimental de 30 (trinta) dias. verbis: I . 21 da Lei 8.Pela aplicação de multa mediante acórdão. Retornando o processo e compulsadas as peças aduzidas aos autos.

encontra-se superior ao pesquisado na EMOP. compulsando os aspectos de economicidade das peças trazidas ao processo pelo Documento 21. que formou o Doc. após o exame dos autos. 09 e 77. logo.Por determinação à SSE para que ao efetivar a comunicação acima determinada siga a ordem estabelecida no art. Isto posto. 99-106. 350 . verbis: “Passaremos primeiro à análise do item 1. o jurisdicionado protocolizou as peças de fls. R$ 44. de R$ 66.Mop/Rev61 III .044-9/01. 09 e 77. varrição. Quanto aos valores referentes a serviços gerais.70). apenas referente ao mês de janeiro de 1999. também constantes na planilha às fls. tendo em vista que os valores referentes a varrição (item 1) e fornecimento de equipamento Vac-all/Sewer-Jet (item 3).08. as seguintes conclusões. s e m causa justificada. 116. 23.46 (cada 1. sujeitará o responsável às sanções previstas no inciso IV do art. fls. com o preço da varrição por quilômetro de R$ 18. verificamos que os valores contratados apresentaram-se compatíveis com os de mercado. Não consta em nosso Banco de Dados nem na intranet informações referentes aos valores da data da abertura da proposta (julho de 1997) quanto a estes serviços. Em atenção às exigências dos subitens 1 e 2.82. do item II. 100-106. Inconformado com a decisão desta Corte de Contas.5km – R$ 27. o jurisdicionado interpôs o recurso de fls. que lhe aplicou multa pessoal nos termos do Acórdão 175/200. apresentou. que formaram o Doc. referente ao mesmo período. 96.37. A Coordenadoria de Estudos e Análises Técnicas (CEA). 63 da Lei Complementar 63/90 e ainda. que o mesmo seja acompanhado da cópia do inteiro teor deste voto.609-9/01. inferior ao valor contratado de R$ 44. O valor contratado referente ao serviço com equipamento Vac-all Sewer-jet.044-9/01. às fls. e. portanto muito aquém do contratado. chegaríamos ao valor final de R$ 51. 21. do voto acima transcrito. 108-112. 26 do Regimento Interno deste Tribunal. se considerarmos um acréscimo de 15% referente ao BDI. às fls. faça constar do ofício a advertência de que o não-atendimento no prazo estabelecido. às fls.54.

com fulcro no inciso II.No mérito.Pelo conhecimento do presente recurso. Quintella. interposto pelo Sr. 126. verbis: “Face a todo o exposto e examinado. ex-Prefeito do Município de São Gonçalo face ao atendimento dos pressupostos regimentais de admissibilidade.2001. para que. em média. da Lei Complementar 63/90 c/c o § 2º do art. apresentam-se superiores aos praticados no mercado à época. Conselheiro Sergio F. 09 e 77. Horácio Machado Medeiros. pelo sistema de mão própria. conforme estudo realizado pela Coordenadoria de Estudos e Análises Técnicas desta Corte sintetizado nesta informação. às fls. 117/125. a importância atualizada referente a 5. Edson Ezequiel de Mattos. 63. do art. Sr. com base na competência conferida a esta Corte através da Lei Complementar 63/90 em seu art. com o visto da 3º Subprocuradora-Geral de Justiça. O Douto Ministério Público. Dr. aos praticados pelo mercado. Sr. nos termos do Acórdão 175/01. a preços superiores 82. através do contrato de nº 20/08/1997. ao ex-Prefeito do Município de São Gonçalo. Sr. o Corpo Instrutivo deste Tribunal de Contas sugere às fls. inciso XVIII. ao ex-Prefeito do Município de São Gonçalo.000 UFIR-RJ.6. 17 e parágrafo único do art. 3 . pelo sistema de mão própria. pela aplicação de multa. 35 da Lei Complementar 63/90. Edson Ezequiel de Mattos. no prazo a ser estipulado pelo Plenário apresente suas razões de defesa para a contratação de serviços de limpeza de vias públicas. que representam o montante de 78% do valor contratado. Após o exame dos autos. para que recolha. manifestou-se. encaminhamos o presente para as providências cabíveis. pelo não-provimento mantendo-se a decisão proferida em Sessão 26. representado pelo Procurador de Justiça.Mop/Rev61 constante na planilha de fls. Dra. 41. da Lei Complementar 63/90. com fulcro no disposto no parágrafo único do art. Pela notificação pessoal. nos termos do voto proferido pelo Exmo. 3º.Pela citação com base na competência a esta Corte através da Lei Complementar 63/90 em seu art. Edson Ezequiel de Mattos. inciso IV. 2 . inciso XVIII. 3º.46%. verbis: 351 . Vera de Souza Leite. sugerimos: 1 .

uma só vez. O recorrente foi alcançado por decisão desta Colenda Corte de Contas. A priori. inciso III. do seu Regimento Interno.O recurso de reconsideração. 34 tem a seguinte redação. quais sejam: Da Legitimidade Dispõe sobre a legitimidade para interpor recursos perante o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.São competentes para interpor recursos e pedir revisão junto ao Tribunal de Contas: Omissis III . verifico o atendimento aos pressupostos recursais de admissibilidade previstos no Regimento Interno deste Tribunal de Contas. parte legitima para a interposição de recurso. sendo. 88 . em dias corridos. o art. portanto. por escrito. conhecimento e não-provimento do recurso (1 e 2). verbis: Art.Mop/Rev61 O Ministério Público opina pela adoção das medidas propostas às fls. 34 deste Regimento. verbis: Art. respectivamente. verbis: Art.os responsáveis pelos atos impugnados e os alcançados pelas decisões. É o relatório. 96 . será apreciado na forma estabelecida neste Regimento e poderá ser formulado. contados na forma prevista no art. excluído o primeiro e incluído o último. nos termos do inciso III do acima transcrito dispositivo legal. 96. exarada neste processo. que terá efeito suspensivo. 88 do Regimento Interno dessa Corte de Contas. 117/122. Da Tempestividade Dispõe sobre o prazo para a interposição de recurso de reconsideração o disposto no art. dentro do prazo de 30 (trinta) dias. da data: I .Os prazos referidos neste Regimento contam-se. O citado art.do recebimento pelo responsável ou interessado: 352 . 34 . citação (3) e notificação (4). 123 e 124 pelo Corpo Instrutivo.

2001. do Regimento Interno.7. portanto. verbis: Art. 112.da publicação do edital no Diário Oficial do Estado. 87. quando. às fls. esta Corte de Contas cientifica o recorrente que lhe foi aplicada multa de 5. 63. d) da comunicação de rejeição dos fundamentos da defesa ou das razões de justificativa. c) da comunicação de diligência.2001. II . em 23.Mop/Rev61 a) da citação. 63 . 98. da Lei Complementar 63/90. tempestivamente. através do Ofício PRS/SSE/CT 9633.Cabe recurso de reconsideração das decisões originárias que: Omissis III . ou determinarem outras penalidades em decorrência de infração da legislação ou de norma estatutária. ou interessado. da publicação da decisão no Diário Oficial do Estado. Conforme o documento de fls. III . O jurisdicionado foi “cientificado” da decisão dessa Corte de Contas. tendo interposto o presente recurso em 22.impuserem multas. conforme comprova o documento de fls. não for localizado. o responsável. com fulcro no art.000 UFIR-RJ.000 (mil) vezes o valor da UFERJ aos responsáveis por: Omissis 353 . b) da notificação. ou pelo descumprimento de prazos. abaixo transcrito in verbis: Art. cujos termos são os seguintes. 98.nos demais casos. nos casos indicados no inciso anterior. inciso IV. diligências e outros atos processuais.8. Do Cabimento O presente recurso encontra amparo no ordenamento dessa Corte de Contas nos termos do art.O Tribunal de Contas poderá aplicar multa de ate 1. 87 . salvo disposição legal expressa em contrário.

Ou. III . cientifica o jurisdicionado que esta Corte de Contas lhe aplicou multa de 5. O art. 92”.666/93”. programação e execução de varrição e limpeza manual e mecânica de vias urbanas”. operacional e patrimonial. orçamentária. sem causa justificada. verbis: Art.não atendimento. ilegítimo ou antieconômico. A irregularidade apontada no item I de fls. de que resulte. necessariamente.11. prevalece. ou possa resultar. 92. 96. inciso II e III da Lei Complementar 63/90. Sobre a escolha da modalidade da licitação. incisos II e III. no entanto. 63. no prazo fixado. às fls. nos termos do art. 23 da Lei 8. às fls. Do Mérito O Ofício PRS/SSE/CT 9633 de 29. 63. dispõe que a multa pessoal foi aplicada com fulcro no que dispõe o art.000 (mil) vezes o valor da UFERJ aos responsáveis por: Omissis II . o Acórdão 175/2001. se os serviços de “planejamento. inciso IV. dano. verbis: “descrição inadequada do objeto e modalidade de licitação em desacordo com os limites estabelecidos no inciso II do art. o que se está julgando é a escolha da modalidade de licitação.ato ilegal. 40). 98. como está definido o objeto da licitação nº 015/97. da Lei Complementar 63/90. é a seguinte. “pela irregularidade elencada no item I de fls. a diligência ou decisão do Tribunal. tem a seguinte redação. Quintella. no item 2 do referido edital. 63 . da Lei 63/90. de fls. ao erário. 31.2001. do edital da Tomada de Preços 015/97 354 .O Tribunal de Contas poderá aplicar multa de ate 1. financeira. inclusive editais de licitação. verbis: Os anexos 1 e 2 (fls. mais precisamente. Como a fundamentação do acórdão. às fls.Mop/Rev61 IV . 91-92.000 UFIR-RJ.ato praticado com grave infração a norma legal ou regulamentar de natureza contábil. 63. encontramos o seguinte entendimento no voto relator do Excelentíssimo Senhor Conselheiro Sergio F. adotada no certame 015/97. são ou não serviços de engenharia.

196 . o poder público conta. Verifica-se. o Prefeito não apresentou esclarecimentos. 3º da Lei 8.666/93. que na linguagem comum. 53). que tratam exclusivamente de limpeza de vias públicas. proteção e recuperação. “destino dos resíduos sólidos”. etc. Notificado para justificar o não-encaminhamento da discriminação e orçamentação dos serviços de engenharia. preliminarmente. ainda. Compulsando os autos. Por outro lado. Ao estipular que o objeto possuiria serviços de engenharia não cabíveis para o presente caso. às fls. “coleta de lixo”. tem sido nominado como “limpeza urbana”. como serviços de engenharia. restringiu e frustou a participação de empresas capacitadas a executarem os serviços de varrição e limpeza. garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário as ações e serviços para sua promoção. totalizam o valor do contrato. discorrer-se sobre o que seja. 355 .Mop/Rev61 (fls. 116. Para que se possa tratar adequadamente o assunto. não podendo ser enquadrada nesta modalidade de licitação. nada encontrei que me permita afirmar que tais serviços não sejam de engenharia. é da maior conveniência. exatamente. entre os quais não consta nenhum serviço de engenharia. Assim. que os serviços descritos nos anexos 1 e 2 e orçados no anexo 5 (fls. 30) apresentam a descrição detalhada dos serviços a serem executados. específico para obras e serviços de engenharia.A saúde é direito de todos e dever do Estado. Exceto o fato da Coordenadoria de Estudos e Análises Técnicas. contrariando o disposto no inciso I do parágrafo primeiro do art. a Tomada de Preços 015/97 não tem no seu objeto serviços de engenharia. não havendo portanto espaço para outros serviços. comparar os preços contratados pelo jurisdicionado com os do Catálogo de Preços da EMOP. 196 da Constituição Federal conceitua saúde pública da seguinte forma: Art. O art.” (grifei) Com o objetivo de reduzir o risco de doença e de outros agravos e de realizar as ações e serviços públicos para a proteção da saúde. não encontrei qualquer fundamentação legal que permita caracterizar o objeto do edital em comento.

para a qual. são consideradas as atividades de coleta. estabelece como metas para o saneamento básico o abastecimento de água para mais 18. denomina “tratamento de resíduos sólidos urbanos”. de onde não se pode excluir a “varrição de logradouros públicos”. devendo. Como abastecimento de água estão compreendidos a sua captação. e a expansão da rede de esgotos e do sistema de coleta de lixo. cujo manejo envolve sérios riscos para a saúde da população. dos serviços de coleta de lixo (gênero) e estes do que a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente . Os entendimentos acima transcritos evidenciam que a coleta e destinação final de lixo. monitoração de aterros. ser realizados por profissionais especializados e obviamente. tratamento e destino final. de 19 de dezembro de 1997. saneamento do meio pode ser definido como o controle de todos os fatores do meio físico do homem que exercem ou podem exercer efeito deletério sobre seu bem-estar físico. moral e social. A coleta de águas residuais inclui a construção de rede coletora de esgotos.9 milhões e 2. não são serviços de “limpeza”. é exigido.7 milhões de domicílios. com acréscimo de 2. e sim serviços públicos essenciais. inclusive. Saneamento básico é a parte do saneamento do meio que trata de programas que dizem respeito ao abastecimento de água. Segundo a Organização Mundial de Saúde.CONAMA de n o 237. reabilitação e valorização ambiental de áreas com antigas lixeiras e remediação de solos em zonas de lixeiras.Mop/Rev61 principalmente. controle e tratamento de águas lixiviantes de aterros controlados. Tal conceituação é adotada pelo Governo Federal que em seu Plano Plurianual de Investimentos 2000 – 2003. Não me parece fácil dissociar os serviços de varrição de logradouros públicos (espécie). tratamento para consumo humano. tratamento. o licenciamento ambiental. verbis: 356 . à coleta de águas residuais e ao destino dos resíduos sólidos. portanto. Quanto ao destino dos resíduos sólidos. reciclagem. que abaixo transcrevo. armazenamento e distribuição. minimização da produção desses resíduos. respectivamente. pertinentes à área de saneamento. como dispõe o parágrafo 1º do art. combinado com o anexo 1 desta mesma Resolução. supervisionados por profissionais de engenharia.9 milhões de domicílios. 2º. com atividades e projetos na área de medicina preventiva e de saneamento do meio.

que discrimina as atividades do Engenheiro Sanitarista. no meu entendimento. higiene e conforto de ambiente. Refiro-me ao inciso I. drenagem.Compete ao Engenheiro Sanitarista o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º da Resolução 218/73 do CONFEA.Mop/Rev61 Art. definitiva. Arquitetura e Agronomia .CONFEA. 1º da Resolução CONFEA 310. os fundamentos legais. 18 . parte integrante desta Resolução. sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis. § 1º .o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução. em análise. verbis: Art.Estão sujeitos ao licenciamento ambiental os empreendimentos e as atividades relacionadas no Anexo 1. cujos termos são os seguintes. dependerão de prévio licenciamento do órgão ambiental competente. referente a: 357 . seus serviços afins e correlatos.tratamento e destinação de resíduos sólidos urbanos.Compete ao ENGENHEIRO SANITARISTA: I . inclusive aqueles provenientes de fossas (grifei) Feitas as considerações acima. controle de poluição. de 29 junho de 1973. 2º .A localização. emanadas do Conselho Federal de Engenharia. que permitem. 18 da Resolução CONFEA 218. captação e distribuição de água. fui buscar nas normas complementares. construção. quanto à exata natureza do serviço licitado através do Edital nº 015/97. Omissis Anexo 1 Omissis . a clarificação. tratamento de água. instalação. refiro-me ao art. sob qualquer forma. ampliação. de 23 julho de 1986. por derradeiro. modificação e operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras. bem como os empreendimentos capazes. 1º . E. de causar degradação ambiental. de caráter geral. referentes a controle sanitário do ambiente. verbis: Art. esgoto e resíduos. art.

Exigências dos Subitens 1 e 2. deva retornar à sua consideração. Como as referidas exigências foram formuladas pelo Excelentíssimo Senhor Conselheiro Sergio F. art. 100. Da Conclusão Considerando todo o exposto. a classificação do objeto do Edital 015/97. não sendo admissível imputar ao jurisdicionado. que seja dado provimento. do Voto de Fls. Sergio F.coleta. Portanto. entendo que o presente processo. consumaram-se rigorosamente de acordo com a Lei. 90-93. objeto da licitação de nº 15/97. programação e execução de varrição e limpeza manual e mecânica de vias urbanas”. às fls. e que fundamentaram a penalidade pecuniária que lhe foi aplicada.2001. que formou o Processo-Documento 21. e quanto ao mérito. entendo que o recurso deva ser conhecido. do item II. não me parece que possam remanescer dúvidas quanto à natureza dos serviços de “planejamento. (grifei) Diante das considerações e fundamentações acima expostas. posiciono-me em desacordo com o Corpo Instrutivo e o Ministério Público e VOTO I . em seu voto. face ao atendimento dos pressupostos regimentais 358 . da Lei Complementar 63.Mop/Rev61 Omissis . Sr. conforme documento de fls. de serviços de engenharia sanitária. a prática dos atos a que se referem os incisos I e II. Quintella. 99-102.044-9/01. reformando-se a decisão proferida em 26.93 No dia 31 de julho de 2001. Trata-se. transporte e tratamento de resíduos sólidos (lixo). indubitavelmente. Edson Ezequiel de Mattos. 88 . de fls. 63.6. Ante o exposto. Quintella. do voto de fls. como sendo “serviços de engenharia” e a conseqüente realização da licitação na modalidade “tomada de preço”.pelo conhecimento do recurso interposto pelo ex-Prefeito do Município de São Gonçalo. nos termos do voto do Excelentíssimo Senhor Conselheiro-Relator. face ao atendimento dos pressupostos regimentais de admissibilidade. no que diz respeito às referidas exigências. 88-93. deram entrada no Protocolo Geral desta Corte de Contas os documentos exigidos nos subitens 1 e 2. Item II.

nos termos do acórdão de nº 175/2001.pelo encaminhamento do presente processo ao seu Relator. Sala das Sessões. para que dê prosseguimento ao feito. Conselheiro Dr. II . 93. Quintella. que seja dado provimento.6.2001.Mop/Rev61 de admissibilidade. 99-106. reformando-se a decisão proferida em 26. Sergio F. 24 de julho de 2003 ALUISIO GAMA DE SOUZA Relator 359 . em decorrência das exigências de fls. e quanto ao mérito. às fls. trazidas ao processo pelo jurisdicionado. considerando as novas peças.

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