PROJETO E INSTALAÇÕES DE SISTEMAS DE PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

UNOCHAPECÓ - 2012

Prof: Silvio Edmundo Pilz

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UNIDADE 1

CONCEITOS GERAIS

QUÍMICA E FÍSICA DO FOGO

INCÊNDIO

EXTINTORES

CARGA DE INCÊNDIO

__________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais, química e física do fogo, incêndio, extintores, carga de incêndio

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1. CONCEITOS GERAIS

1.1 FOGO E COMBUSTÃO
Se o homem aprendeu deste a pré-história a dominar o fogo, como sendo um gerador de energias e riquezas, aprendeu também que ele é causador de destruições e mortes. Da mesma forma, a evolução humana nos tirou das cavernas para habitarmos em grandes centros urbanos. Porém, ironicamente, duas técnicas dominadas pelo homem, fogo e habitação, em várias situações têm sido a causa de sua destruição. É difícil prever com exatidão quando irá ocorrer um incêndio e, uma vez iniciado, qual será o seu alcance, no entanto, através do conhecimento científico da ignição, da combustibilidade de sólidos, líquidos e gases e dos produtos da combustão, podemos determinar os métodos mais adequados para controlar os perigos dos incêndios e explosões. Este conhecimento também ajuda a identificar os riscos potenciais para quem combate o incêndio e para outras pessoas enquanto trabalham no local do incêndio. O fogo se manifesta diferentemente em função da composição química do material; mas, por outro lado, um mesmo material pode queimar de modo diferente em função da sua superfície específica, das condições de exposição ao calor, da oxigenação e da umidade contida. A maioria dos sólidos combustíveis possui um mecanismo seqüencial para sua ignição. O sólido precisa ser aquecido, quando desenvolve vapores combustíveis que se misturam com o oxigênio, formando a mistura inflamável (explosiva), a qual, na presença de uma pequena chama (mesmo fagulha ou centelha) ou em contato com uma superfície aquecida acima de 500ºC, igniza-se; aparece então a chama na superfície do sólido, que fornece mais calor, aquecendo mais materiais e assim sucessivamente. Alguns sólidos pirofóricos (sódio, fósforo, magnésio etc.) não se comportam conforme o mecanismo acima descrito. Os líquidos inflamáveis e combustíveis possuem mecanismos semelhantes, ou seja, o líquido, ao ser aquecido, vaporiza-se e o vapor se mistura com o oxigênio, formando a "mistura inflamável" (explosiva) que na presença de uma pequena chama (mesmo fagulha
Prof. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó - 2012

sólidos. O fogo é uma reação química denominada de combustão. Gerada da transformação de outra energia. carga de incêndio . para efeito prático. Para que haja combustão é necessária a presença simultânea de três elementos nas devidas proporções: Combustível  é toda substância capaz de queimar e alimentar a combustão. Comburente  é o elemento que possibilita vida às chamas. que se caracteriza pelo desprendimento de luz e calor. É a condição favorável que provoca a interação entre os dois reagentes. que aumenta a vaporização e a chama. O fogo é a parte visível da combustão. porém. química e física do fogo. não se processará. líquidos ou gasosos. foi arbitrada a temperatura de 1000ºC como um marco divisível entre os materiais considerados combustíveis (entram em combustão a temperaturas iguais ou inferiores a 1000ºC) e os incombustíveis (entram em combustão a temperaturas superiores a 1000ºC). Sabemos também que a atmosfera é composta por 21% de oxigênio. O mais comum é que o oxigênio desempenhe este papel. porem não é o único. Elemento que serve de campo de propagação ao fogo. já que os dois outros reagentes. todas as matérias são combustíveis a uma determinada temperatura. uma vez que é responsável pelo início do processo de combustão. e intensifica a combustão. em porcentagens inferiores a 4%. De maneira geral. sendo este o elemento de maior importância no triângulo do fogo. Caso esta faixa esteja entre 4% e 13% a combustão será incompleta. através de processo físico ou químico. ou ainda. encontram-se permanentemente associados. 78% de nitrogênio e 1% de outros gases. Os combustíveis podem ser.3 ou centelha) ou em contato com superfícies aquecidas acima de 500ºC. existindo outros gases. A quantidade de chama fica limitada à capacidade de vaporização do liquido. ignizam-se e aparece então a chama na superfície do líquido. A famosa figura clássica do triângulo do fogo ilustra bem estes três fatores essenciais. incêndio. Para que haja uma combustão completa é necessário que a porcentagem de oxigênio esteja na faixa de 13% a 21%. Calor  forma de energia que eleva a temperatura. em condições naturais. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. extintores.

Fig 1. Aí se tem uma indicação muito importante de como se pode acabar com o fogo: Prof. irradiando outra vez calor para o combustível. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . formando um ciclo constante.4 Fig 1. gerando uma reação química. REAÇÃO EM CADEIA  É a queima auto-sustentável.1 – Triângulo do fogo Alguns autores já consideram como o tetraedro do fogo. É a união dos três itens acima descritos. terminará a combustão. que se combinam com o comburente e queimam. Quando o calor irradiado das chamas atinge o combustível e este é decomposto em partículas menores.2 – Tetraedro do fogo Eliminando um desses elementos do triângulo.2012 . incluindo a reação em cadeia como o quarto elemento que liga as três faces do triângulo.

o oxigênio (comburente). Como exemplo temos um poço de petróleo que está em chamas. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. impedindo a ligação dos pontos do triângulo. acaba a sustentação. carga de incêndio . por introdução de outro gás que não é comburente. De tudo isso se concluí que. por abafamento. incêndio. dos elementos essenciais. o combustível e o comburente não poderão transformar-se em fogo.5 a) pode-se eliminar a substância que esta sendo queimada (esta é uma solução nem sempre possível). O calor. nas ações que se efetivam com o objetivo de combater este incêndio. c) pode-se. indispensáveis para o fogo. é a brasa do cigarro. a queima. isto é. comburente e calor. isto é. eliminar ou afastar o comburente (o oxigênio) do lugar da queima. o que se pretende é evitar que se forme o triângulo do fogo.3– Supressão de um dos elementos do triângulo do fogo. Sem este calor. Quando num lugar onde existe material combustível e oxigênio. para que o incêndio acabe. Eliminando-se uma das pernas. b) pode-se eliminar o calor provocando o resfriamento no ponto em que ocorre a combustão. combustível. O triângulo do fogo é como um tripé. ainda. extintores. química e física do fogo. se lê um aviso em que se proíbe fumar. este não surgirá ou deixará de existir se já tiver começado. neste caso. o que se deseja é afastar. ou seja. um dos elementos do triângulo do fogo. momentaneamente. Figura 1. o fogo se extingue.

os produtos resultantes da combustão serão o dióxido de carbono (CO2).2012 .6 1. Combustão Espontânea  Em alguns corpos este fenômeno ocorre sem que haja fonte externa de calor.2 CLASSIFICAÇÕES DA COMBUSTÃO A combustão pode ocorrer por diversas formas. há a Prof. há a emissão de gases que podem provocar combustão. ou seja. Porém. Em outros corpos. Neste caso. ou seja variando de 13% a 21%. Neste caso. nos combustíveis sólidos haverá formação de brasas sem chamas. Muito Viva  Quando a reação se processa com grande velocidade. atingindo imediatamente toda a massa do corpo. a água em forma de vapor e cinzas.2. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó .2.2 Quanto à reação Combustão Incompleta  É aquela na qual a concentração de oxigênio é baixa. O efeito desta combustão é a explosão (detonação). tendo como produto da reação o monóxido de carbono (CO). Pode ser exemplificada pela detonação da dinamite e da nitroglicerina. como por exemplo. inferior a 300 m/s.1 Quanto à velocidade de propagação Lenta  Quando não há produção de chamas ou de qualquer fenômeno luminoso. Instantânea  Quando a combustão se processa de forma súbita. em temperaturas ambientes. Por isso apresentamos abaixo o conceito de cada uma delas: 1. a deflagração. variando de 8% a 13%. Combustão Completa  É aquela na qual a concentração de oxigênio é propícia à combustão. porém. 1. Viva  Quando há produção de chamas e luminosidade. Pode ser exemplificada pela queima da pólvora negra ao ar livre. com velocidade superior a 300 m/s. devido a reações físico-químicas (fermentação). a oxidação do ferro (ferrugem).

ao ser __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. 1. A decomposição química do corpo com emissão de gases torna propício o fenômeno da combustão. é importante ressaltarmos a ocorrência de um fenômeno que incide sobre todos os corpos combustíveis. em locais confinados. Figura 1.7 combustão devido à emissão de gases e/ou vapores. Explosão  É a queima de gases ou partículas sólidas em altíssima velocidade.3. propriamente dito. sem que haja uma fonte externa de calor. Cientes deste fenômeno. 1.4– Pontos notáveis da combustão. Porém. carga de incêndio . química e física do fogo. incêndio.3 PONTOS NOTÁVEIS DA COMBUSTÃO Antes de entrarmos neste assunto. extintores.1 PONTO DE FULGOR É a temperatura mínima na qual um corpo combustível emite quantidade suficiente de vapores para provocar combustão na presença de uma fonte ígnea externa. que pode ser caracterizado pelo desprendimento de gases e/ou vapores combustíveis. denominado “Pirólise”. quando submetidos a um determinado aquecimento. veremos abaixo os três pontos notáveis da combustão.

é a temperatura mínima. independente ou não da presença de qualquer fonte ígnea externa. Quando dois ou mais corpos estão em contato. na qual os vapores emitidos por um corpo combustível provoca combustão na presença de uma fonte ígnea externa.2 PONTO DE INFLAMAÇÃO OU DE COMBUSTÃO Também conhecido como ponto de combustão.4 FORMAS DE PROPAGAÇÃO O calor pode-se propagar de três diferentes maneiras: Condução. 1. Convecção e Irradiação. Convecção – É a transferência de calor pelo próprio movimento ascendente de massas de gases ou líquido.3.2012 .3 PONTO DE IGNIÇÃO É a temperatura mínima na qual os vapores desprendidos por um corpo combustível provocam combustão ao entrar em contato com o ar. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . a combustão não se mantém. Porém ao ser retirada a fonte externa a chama se mantém acesa.3. 1. 1. Prof. O mais frio de dois objetos absorvera calor até que esteja com a mesma quantidade de energia do outro. o calor é conduzindo através deles como se fosse um só corpo. o calor é transferido de objeto com temperatura mais alta para aqueles com temperatura mais baixa.8 afastada a fonte externa. Irradiação – É a transmissão de calor por ondas de energia caloríficas que se deslocam através do espaço. Condução – É a transferência de calor através de um corpo sólido de molécula a molécula. devido à pequena quantidade de vapores. Como tudo na natureza tende ao equilíbrio.

na qual é possível distinguir-se três zonas específicas: __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. podendo. A fumaça. Carvão: é o resíduo sólido da combustão incompleta. os corpos combustíveis liberam alguns produtos que merecem atenção por parte daqueles que tentam extinguir as suas chamas. nem interferem na combustão. incêndio. sendo responsáveis por cerca de 50 a 75% das mortes. prejudicar as vias respiratórias e atacar o trato gastrintestinal. é a maior responsável pelo pânico nos incêndios. incluindo os gases venenosos invisíveis. Fumaça: É composta por partículas sólidas em suspensão (carbono). extintores. que variam de acordo com a natureza do combustível. provocar irritação nos olhos. existem rolos de fumaça negra e à medida que a extinção se processa aparece uma fumaça branca. as quais não oferecem risco ao homem. ácido fosfórico. por vezes pela existência de chama. dióxido de carbono (CO2) e outros gases. A chama (figura ao lado) é um fluxo de gás que queima emitindo luz. Vapor d’água: é produzido pela umidade existente no corpo que queima e pela água utilizada na extinção das chamas. ácido prússico e outros. normalmente.5 PRODUTOS DA COMBUSTÃO Durante a queima. provocando vômitos. Cinzas: são os produtos de uma combustão completa. o vapor d’água aquecido prejudica as vias respiratórias. além de prejudicar a visibilidade e dificultar a respiração. são também a principal causa de mortes em incêndios. identificada. monóxido de carbono (CO). identificando a presença de vapor d’água. caracterizada. tais como gás sulfuroso. química e física do fogo. carga de incêndio . Merece atenção especial. Durante os incêndios. Porém.9 1. também. pois pode estar em brasa no seu interior e permitir o retorno das chamas. Fogo: É a parte externa e visível de uma combustão. que serve para indicar a ação extintora.

Zona de Combustão  Somente aqui. os vapores combustíveis se decompõem em carbono e hidrogênio. inicia-se a combustão e o desprendimento de calor. Zona de Gás  Aqui inicia-se a vaporização do combustível líquido existente no material.2012 . onde o ar pode ter acesso. A incandescência se deve às partículas de carbono finamente divididas. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . Prof. Esta zona é facilmente reconhecida como uma fina camada azul clara.10 Figura 1.5: Zonas específicas da chama. devido à influência da temperatura de combustão (da zona de combustão). Zona de Incandescência  Aqui.

pelo fumo sufocante que expele. comumente. INCÊNDIO Chamamos Incêndio a todo fogo anômalo: tanto o que simplesmente se manifesta. incêndio. os explosivos. como o que ameaça destruir alguma coisa ou o que. química e física do fogo. carga de incêndio . Ordinariamente. afrontando a integridade e a existência de todos os seres. Outra propriedade que particulariza o incêndio de outro fogo qualquer. não sendo obstado. reduzem o incêndio a uma única fase. e se avolumam conforme a quantidade e a qualidade dos combustíveis e o ambiente que encontram. Mesmo as combustões espontâneas podem ser previstas e obstadas. c) O fogo. por conseguinte. ter sempre em vista a formação arbitrária de fontes de calor em meios ou locais onde as mesmas possam ter origem e evolução continuada. b) Após a transição. em função dos elementos que lhes dão causa. se propaga e envolve tudo quanto possa devorar. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. Incêndio  fogo indesejável. Deve-se. de serviço. englobando-as. isto é. propriamente dito. lenta ou repentinamente. o incêndio em combustíveis densos. seja ele casual ou intencional. com todas as suas características: ameaça de avassalamento e destruição. é a ameaça que expede e exerce pela propagação arbitrária. Uma característica constante dos incêndios é a periculosidade de que se revestem. aceleram ou abreviam a segunda fase. extintores. o fogo iniciado. pela crepitação e pelo próprio clarão que emite. seja qualquer a sua dimensão.11 2. passa a produzir novos elementos com que se nutre (gases e mais calor). se exorbita transmudando-se em incêndio. a combustão de alguma substância. Os incêndios surgem e se desenvolvem. Os combustíveis leves. pelo calor que mistura com o ar. ou enfeixados. em geral. favorecido pela conjunção eficiente dos fatores de que é resultante. onde quer que surja. obedece a três fases seguidas: a) O calor elementar vai-se associando aos fatores normais e dá causa à combustão.

bairros e cidades inteiras.AR. o fogo continuará crescendo até ganhar grandes proporções. Essa entrada Prof. Mas se ocorrer quando a edificação estiver deserta ou fechada.ASE) . ou ainda por bombardeios ou similares. Se o fogo está num espaço aberto (área exterior ou edificação de grande porte) a coluna de calor se eleva sem obstrução e vai puxando o ar atmosférico para dentro de si. Médio Incêndio  Evento em que a área atingida e a sua intensidade exigem a utilização de meios e materiais equivalentes a um socorro básico de incêndio (conjunto de viaturas do Corpo de Bombeiros composta de um Auto Rápido . vulcões. uma Auto Escada Mecânica .2012 .ABS.12 2. a sua intensidade e os meios empregados para a sua extinção. se produz a ignição ou eclosão do fogo. e um Auto Socorro de Emergência . Nesta fase inicial do incêndio. um Auto de Busca e Salvamento . como abalos sísmicos.1 CLASSIFICAÇÃO DE INCÊNDIO QUANTO ÀS PROPORÇÕES A proporção de um evento engloba as suas dimensões. etc. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . Incêndio Extraordinário  Incêndio provocado por fenômenos naturais.AB ou ABT. sendo extinto com facilidade e sem apresentar perigo iminente de propagação.. o calor gerado acaba formando uma coluna de gás aquecido. Para melhor compreender como tudo acontece devemos considerar que quando os quatro componentes do tetraedro do fogo estão presentes. Pequeno Incêndio  Evento cujas proporções exigem emprego e material especializado. necessitando para a sua extinção. atingindo quarteirões.AEM. Incêndio Incipiente  Evento de mínimas proporções para o qual é suficiente a utilização de um extintor portátil. um Auto Bomba . 2.2 EVOLUÇÃO DE UM INCÊNDIO Sabemos que se o fogo ocorrer em área ocupada por pessoas. Grande Incêndio  Evento cujas proporções apresentam uma propagação crescente. há grandes chances de que ele seja descoberto logo no seu início e a situação mais facilmente resolvida. do emprego efetivo de mais de um socorro básico. apresentando perigo iminente de propagação.

os quais permitem pré-aquecer combustíveis expostos.13 de ar frio na coluna de gases aquecidos proporciona um resfriamento dos gases localizados sobre o fogo. que depende de uma série de numerosas variáveis. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. Neste contexto. Já o desenvolvimento de um incêndio interior é sempre mais complexo que um incêndio em ambientes abertos (incêndio exterior). os incêndios poderão ser mais bem entendidos se estudarmos esse modelo de seqüência em fases. O crescimento e a propagação de um incêndio interior depende normalmente da existência de combustível e de oxigênio. incêndio. c) Fase de resfriamento e extinção. b) Fase de aquecimento. por isso. no entanto. química e física do fogo. A evolução do incêndio em um local pode ser representada por um ciclo com três fases características: a) Fase inicial de elevação progressiva da temperatura (ignição ou eclosão do fogo). os investigadores de incêndios (peritos) têm tentado descrever os incêndios interiores segundo as fases de seu desenvolvimento. Mais recentemente. extintores. Essa propagação de um fogo exterior pode ser incrementada pela presença de vento ou até pela posição inclinada de um terreno. A propagação de um fogo em uma área aberta se deve principalmente ao calor irradiado pela coluna de gases aquecidos e pelo calor irradiado do próprio incêndio até outros combustíveis situados ao redor da área incendiada. o termo incêndio interior se define como um incêndio que se produz dentro de um determinado espaço fechado de uma edificação. carga de incêndio . pode ser que nem todos os incêndios se desenvolvam seguindo cada uma das fases descritas a seguir. Convém observar que a ignição e o desenvolvimento de um incêndio interior é algo complexo.

Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . ocasionadas pela inflamação sucessiva dos objetos existentes no recinto. A manipulação acidental destes elementos é. Os investigadores de incêndio (peritos) chamam o lugar onde ocorre a ignição/eclosão do fogo de foco inicial ou foco principal. originam-se em locais onde fonte de calor e materiais combustíveis são encontrados juntos. Prof. Normalmente os materiais combustíveis (materiais passíveis de se ignizarem) e uma variedade de fontes de calor coexistem no interior de uma edificação. de tal forma que ocorrendo a decomposição do material pelo calor são desprendidos gases que podem se inflamar.2012 . potencialmente. Inicia-se como ponto de inflamação inicial e caracteriza-se por grandes variações de temperatura de ponto a ponto. de acordo com a alimentação de ar.6 – Curva tempo de um incêndio . Considerando-se que diferentes materiais combustíveis necessitam receber diferentes níveis de energia térmica para que ocorra a ignição é necessário que as perdas de calor sejam menores que a soma de calor proveniente da fonte externa e do calor gerado no processo de combustão. A primeira fase (ignição ou eclosão do fogo) descreve o período em que os quatro elementos do tetraedro do fogo se juntam e se inicia a combustão. Os focos de incêndio.14 Figura 1. de tal forma que ocorrendo a decomposição do material pelo calor são desprendidos gases que podem se inflamar. capaz de criar uma situação de perigo. originam-se em locais onde fonte de calor e materiais combustíveis são encontrados juntos. deste modo. Os focos de incêndio. deste modo.

ou a massa do material a ser ignizado for grande. Figura 1. essencialmente. se a oxigenação é inadequada e a temperatura permanece em elevação. carga de incêndio . que se caracteriza pelo envolvimento total do ambiente pelo fogo e pela emissão de gases inflamáveis através de portas e janelas. O tempo gasto para o incêndio alcançar o ponto de Inflamação generalizada é relativamente curto e depende. Se a ignição definitiva for alcançada. o incêndio ganhará ímpeto. os materiais passarão a ser aquecidos por convecção e radiação acarretando um momento denominado de “inflamação generalizada – Flash Over”. a sua temperatura de ignição for muito alta. somente irão ocorrer danos locais sem a evolução do incêndio. se a fonte de calor for pequena. através de portas e janelas. o material continuará a queimar desenvolvendo calor e produtos de decomposição. dos revestimentos e acabamentos utilizados no ambiente de origem. extintores. Com a evolução do incêndio e a oxigenação do ambiente. química e física do fogo. Porém. A queima torna-se lenta e a combustão incompleta __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. Neste momento torna-se impossível a sobrevivência no interior do ambiente. A temperatura subirá progressivamente. poderemos progredir para um backdraft. ainda. acarretando a acumulação de fumaça e outros gases e vapores junto ao teto. incêndio.7 – Fase anterior ao Flashover – acúmulo de gases e fumaça no nível do teto. e a profundidade da capa de gás começa a crescer.15 Neste sentido. ou. embora as circunstâncias em que o fogo comece a se desenvolver exerçam grande influência. que se queimam no exterior do edifício.

mudando de cor (cinza e amarelada) e saindo do ambiente em forma de lufadas. fumaça escura. pouco ruído e movimento de ar para o interior do ambiente quando alguma abertura é feita (em alguns casos ouve-se o ar assoviando ao passar pelas frestas). principalmente através das janelas superiores. Nesses casos. pois uma ventilação inadequada suprirá abundante e perigosamente o local com o elemento que faltava (oxigênio). As principais condições que indicam uma situação de backdraft são: fumaça sob pressão. quando este existir. os bombeiros precisam realizar uma adequada ventilação para permitir que a fumaça e os gases combustíveis superaquecidos sejam retirados do ambiente. Estes gases podem até atingir a temperatura de ignição. Contudo. d) velocidade e direção do vento.2012 . mas carecem de oxigênio suficiente para inflamar-se. Grandes quantidades de calor e gases do fogo podem acumular-se nos espaços não ventilados. num ambiente fechado. no entanto. isso deve ser realizado com cautela. e) a forma e dimensão do local. volume e espaçamento dos materiais combustíveis no local. na medida em que as chamas que saem pelas aberturas (portas e janelas) podem transferir fogo para o pavimento superior. resíduos da fumaça impregnando o vidro das janelas. c) área e locação das janelas. b) tamanho e situação das fontes de combustão. a inflamação generalizada irá correr e todo o compartimento será envolvido pelo fogo.16 porque não há oxigênio suficiente para sustentar o fogo. basicamente dos seguintes fatores: a) quantidade. o calor interior permanece e as partículas de carbono não queimadas (bem como outros gases inflamáveis. A essa explosão chamamos backdraft ou explosão por fluxo reverso. o incêndio irá se propagar para outros compartimentos da edificação seja por convecção de gases quentes no interior da casa ou através do exterior. produtos da combustão) estão prontas para incendiar-se rapidamente assim que o oxigênio for suficiente e. Se estes fatores criarem condições favoráveis ao crescimento do fogo. tornando-se densa. pequenas chamas ou inexistência destas. Prof. A possibilidade de um foco de incêndio extinguir ou evoluir para um grande incêndio depende. esse ambiente explodirá. na presença de oxigênio. provocando o backdraft. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . A partir dai. calor excessivo (nota-se pela temperatura na porta).

em última análise. Mas tanto a natureza quanto a quantidade de carga de incêndio depende de parâmetros culturais que. incêndio.17 A fumaça. móvel em função direta e imediata de sua ocupação. ou ainda. 2. entrando na fase de resfriamento e conseqüente extinção. em instantes. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. configurando uma conflagração. o fogo pode diminuir de intensidade.1 A influência do conteúdo combustível (carga de incêndio) O desenvolvimento e a duração de um incêndio são influenciados pela quantidade de combustível a queimar. através da convecção de gases quentes que venham a penetrar por aberturas existentes. podendo ser imóvel ou fixa ou incorporada a própria edificação. influem também sobra a arquitetura. Portanto pode-se definir um parâmetro que exprime o poder calorífico médio da massa de materiais combustíveis por unidade de área de um local. Com o consumo do combustível existente no local ou decorrente da falta de oxigênio. condições críticas para a sobrevivência na edificação. Com ele. ou ainda. por destruição destas barreiras. que já na fase anterior è Inflamação generalizada. A proximidade ainda maior entre habitações pode estabelecer uma situação ainda mais crítica para a ocorrência da conflagração na medida em que o incêndio se alastrar muito rapidamente por contato direto das chamas entre as fachadas. se intensifica e se movimenta perigosamente no sentido ascendente. que se denomina carga de incêndio específica (ou térmico) unitário e corresponde à carga de incêndio específica (fire load density). estabelecendo. Caso a proximidade entre as fachadas da edificação incendiada e as adjacentes possibilite a incidência de intensidades críticas de radiação. química e física do fogo. a propagação do incêndio entre unidades poderá se dar por condução de calor via paredes e forros. pode ter-se espalhado no interior da edificação. carga de incêndio . No caso de habitações agrupadas em bloco. o incêndio poderá se propagar (por radiação) para outras habitações. a duração decorre dividindo-se a quantidade de combustível pela taxa ou velocidade de combustão.3 FATORES QUE INFLUENCIAM NUM INCÊNDIO 2. A carga de incêndio está diretamente relacionada ao uso da edificação. extintores.3.

aproximando-se a uma queima de combustível ao ar livre. no qual a vazão de ar que adentra ao interior da edificação incendiada for superior á necessidade da combustão dos materiais. que estão relacionados com a ventilação e com a quantidade de combustível em chama. tais como revestimentos de piso. papéis. ou deficiente em decorrência de pequenas aberturas externas. contribuir para a redução das cargas de incêndio e de fumaça. Portanto. ou seja. evidentemente. cuja característica será de uma combustão rápida. pela carga incêndio. Disto ocorre uma constante troca entre o ambiente interno e externo. divisórias etc. forro. seu elementos de vedação e materiais de acabamento. no qual a entrada de ar é controlada. Em um incêndio ocorrem dois casos típicos. o projeto de uma edificação é o primeiro passo importante para reduzir o risco de incêndio.2012 . estando implicitamente relacionada com a quantidade de combustível e sua disposição da área do ambiente em chamas e das dimensões das aberturas. com a saída dos gases quentes e fumaça e a entrada de ar. tais como peças de mobiliário. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó .2 A influência da ventilação Durante um incêndio o calor emana gases dos materiais combustíveis. No segundo caso. No primeiro caso. Em resumo. que podem em decorrência da variação de temperatura interna e externa a edificação. pois nele já se pode antecipar e.18 Na carga de incêndio estão incluídos os componentes de construção. peças de vestiário e materiais de consumo (denominada carga de incêndio temporal). cuja queima é controlada pela quantidade de combustível. Na qual a estrutura da edificação estará sujeita a temperaturas elevadas por um tempo maior de exposição. elementos de decoração. até que ocorra a queima total do conteúdo do edifício. temos um incêndio com duração mais demorada. quanto considerando seu conteúdo. 2. livros.3. Esta diferença de temperatura provoca um movimento ascensional dos gases que são paulatinamente substituídos pelo ar que adentra a edificação por meio das janelas e portas. a taxa de combustão de um incêndio pode ser determinada pela velocidade do suprimento de ar. tanto considerando sua natureza. paredes. Deste conceito decorre a importância da forma e quantidade de aberturas em uma fachada. (denominada carga de incêndio incorporada). mas também todo o material depositado na edificação. Prof. ser mais ou menos densos que o ar. temos um fogo aberto.

caracterizado pelas cinzas e brasas que deixam como resíduos.8 – Fogos classe A 2. sendo que a queima se da na superfície e em profundidade. álcool.9 – Fogos classe B __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais.4. tecido. carga de incêndio .1 Classe “A” Combustíveis sólidos. borracha. etc.2 Classe “B” Líquidos inflamáveis. solvente.19 2. Figura 1. Figura 1. bem como a situação em que se encontram. extintores. Ex: madeiras. graxas e gases combustíveis. química e física do fogo.4 CLASSES DE INCÊNDIO Os incêndios são classificados de acordo com os materiais combustíveis neles envolvidos. Ex: gasolina. papel. caracterizados por não deixar resíduos e queimar apenas na superfície exposta. Essa classificação determina a necessidade do agente extintor adequado. incêndio. 2. palha. etc.4.

caracterizado pelo risco de vida que oferece. alumínio fragmentado. Figura 1. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó .4 Classe “D” Metais combustíveis. Líquido inflamável é todo o líquido cujo ponto de fulgor é menor que 37. selênio.4. geladeira. Figura 1. caracterizado pela queima em altas temperaturas e por reagir com agentes extintores comuns principalmente se contem água e que por vezes requerem agentes extintores específicos.2012 . antimônio. os líquidos podem ser classificados como inflamáveis ou combustíveis.7ºC.10 – Fogos classe C 2.20 2.4. Ex: Computador. titânio. conforme o quadro abaixo: Prof. B ou C.7º C (100ºF) e pode ser subdividido em subclasses A. Enquanto que líquidos combustíveis são aqueles com o ponto de fulgor superior a 37. zinco.3 Classe “C” Materiais e equipamentos energizados. lítio. Ex: magnésio. potássio. etc.11 – Fogos classe D De acordo com a NATIONAL FIRE PROTECTION ASSOCIATION (NFPA). sódio e zircônio. ventilador.

porque e onde iniciou o processo de combustão. o ferro de passar roupa ligado. Uma causa de incêndio é considerada culposa quando causada pela ação direta do homem por negligência (desrespeito às normas de segurança.3 º C > 93.8 º C > 37. em quantidades proporcionais.0 º C > 60. sobre a mesa.5 CAUSAS DE INCÊNDIO Entende-se por causa de incêndio o princípio da ação material ou pessoal que produz e transmite o fogo causador do incêndio. se a sua origem é proveniente da ação direta do homem ou não.. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais.8 º C < 22. podemos classificar as causas de um incêndio como: Causas Humanas: culposas e criminosas (dolosas).8 º C > 37. que. Exemplificando: quando o homem manipula uma determinada fonte de calor sem observar os cuidados necessários.8 º C - A B C < 22.8 º C > 22.8 º C > 37.1: Classificação de líquidos inflamáveis e combustíveis Classe Líquidos inflamáveis I Subclasse Ponto de Fulgor Ponto de ebulição < 37. incêndio. deixar velas acesas sobre o móvel. procuramos saber como. imprudência (incêndio causado por crianças ou pessoas em condições de incapacidade. deixando. carga de incêndio . Quando estudamos as causas de um incêndio. por exemplo.3 º C Líquidos combustíveis II III A B 2. combustível e calor. mesmo conhecendo-as.0 º C e < 93. usar o maçarico próximo a um material inflamável. O incêndio sempre será iniciado quando estiverem presentes. porém sem a intenção efetiva de provocar o incêndio) . etc.8 º C e < 37. Assim sendo.21 Tabela 1. química e física do fogo. extintores.8 º C e < 60. que não podem ser responsabilizadas pelo delito cometido) ou imperícia (é o desconhecimento das normas de segurança). na maioria das vezes necessita de um agente ígneo para dar início a esta reação. comburente.

etc. tais como: hidrosulfito de sódio. motivos financeiros. eletricidade estática.2012 . erupções vulcânicas. mesmo que o homem tenha tomado as devidas precauções para que isso não ocorra. pó de bronze. descargas atmosféricas. Químicas: como exemplo.. potássio. Causas Naturais: ocorrem pelos chamados fenômenos naturais.22 A causa criminosa ou dolosa se identifica quando o homem. etc. faíscas provenientes de chaves ou outros aparelhos elétricos. explosão mecânica dos vasos de pressão de caldeiras. eles acontecem. a curto-circuitos. terremotos. autoclaves e tubulações pressurizadas. que provocam incêndios com o intuito mórbido de se emocionar com o espetáculo apresentado pelas chamas. pentasulfeto de fósforo. cujo controle foge dos procedimentos preventivos. Mecânicas: atritos ou fricção provocados por falta de lubrificação em rolamentos e mancais. devido a inúmeros fatores independentes da sua vontade. ocultação de crimes. desabamentos. mecânicas e químicas: são as que ocorrem devido a falhas ocasionais. emperramento de correias de sistema de transmissão ou transporte em indústrias. que pode provocar um curto-circuito. tais como raios elétricos.Também. falta de proteção nos circuitos. por motivos psicopáticos o homem pode provocar um incêndio. entretanto. superaquecimento na fiação devido a sobrecarga nos circuitos ou circuitos mal calculados. voluntariamente. devido. Causas Acidentais: elétricas. principalmente. Prof. provoca um incêndio ou explosão. óxido de cálcio. dentre outros. podemos citar o fenômeno chamado de auto combustão causado pela absorção da umidade em determinados produtos químicos. o sol (através da concentração de seus raios em vidros e lentes). por motivos psicológicos e materiais. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . causando sua queima. Elétricas: aquecimento excessivo de um motor por falta de lubrificação. pó de alumínio. destruição de documentos. Vários são os motivos que levam um homem a provocar um incêndio: vingança. arcos elétricos e cantelhas. pó de zinco. São os chamados piromaníacos. É o chamado incendiarismo.

ainda não atingido. baseia-se na retirada do material combustível. tal como o isolamento. Retirada do material combustível  é o método mais simples de se extinguir um incêndio. carga de incêndio .13 – Extinção por resfriamento __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. conseqüentemente. Figura 1. consiste em diminuir a temperatura do material combustível que esta queimando. extintores. da área de propagação do fogo. Figura 1.12 – Extinção por isolamento Resfriamento  é o método mais utilizado.23 2.6 MÉTODOS DE EXTINÇÃO Conforme vimos anteriormente no triângulo do fogo. diminuindo. os métodos são baseados na supressão de uma das partes do triângulo. química e física do fogo. incêndio. a liberação de gases ou vapores inflamáveis.

Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó .24 Abafamento  consiste em impedir ou diminuir o contato do comburente com o material combustível. que lançados sobre o fogo.14 – Extinção por abafamento Extinção química  consiste na utilização de certos componentes químicos.2012 . Figura 1. interrompem a reação em cadeia. Figura 1.15 – Extinção química Prof.

carga de incêndio . espuma aquosa ou mecânica. um dos elementos formadores do fogo. por resfriamento e abafamento.25 2. a água no estado líquido age sobre o fogo por resfriamento. Para isto a maioria das vezes. não corrosivo e estável. principalmente. exigindo. sua inflamabilidade. por que tem grande poder de absorção de calor c) é um agente extinto seguro. Como agente extintor age. chamadas de agentes extintores. vapor no estado gasoso). então. Na realidade. incêndio. líquidas ou gasosas. 2. b) é a mais efetiva no combate ao fogo. abundante e barata. gases inertes e pós químicos secos. Utilizada nos incêndios de classe: A __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. no mínimo. age por abafamento. deve se utilizar a água ou certas substâncias químicas. O agente extintor a ser utilizado deve ser apropriado. com isso. ao conteúdo e à edificação.1 Água A água é a substância mais usada como agente extintor por várias razões: a) é a mais difundida na natureza e. para que sua ação seja rápida e eficiente.7 AGENTES EXTINTORES Para extinguir o fogo é necessário eliminar.7. conforme seu estado físico (jato compacto e jato de neblina no estado líquido. causando o mínimo de danos à vida das pessoas. portanto. conseqüentemente. química e física do fogo. que atuam diretamente sobre um ou mais desses elementos Cada material combustível tem suas características de combustão. absorvendo calor e aquecendo-se até transformar em vapor que. extintores. reduzindo a taxa de oxigênio e. a mais disponível. Os principais agentes extintores usados são a água. sólidas. formas específicas para extinguir o fogo. não tóxico.

normalmente o ar. etc. Utilizado nos incêndios de classe: A e B 2. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó .26 2. exatamente na zona das chamas. A extinção do fogo se dá por abafamento. bicarbonato de potássio.7. cloreto de potássio.2012 . principalmente por rompimento da cadeia de reação química. formada a partir de uma solução aquosa de um agente concentrado líquido especial formador de espuma (extrato). Nas edificações que processam. Prof. Com a espuma é mais eleve e flutua sobre o líquido combustível.2 Espuma aquosa ou mecânica A espuma aquosa ou mecânica é composta por bolhas de gás. Esta última é a forma de maior ação porque provoca a transformação das moléculas de hidrocarbonetos (radicais livres) em hidroxilas inertes.4 Pó Químico Seco (PQS) Os PQS tem como bases químicas principais o bicarbonato de sódio.3 Gás Carbônico (CO2) O CO2 extingue o fogo por abafamento. bicarbonato de potássio-uréia e monofosfato de amônia. misturados com aditivos que dão estabilidade ao pó frente a umidade. A espuma é usada na extinção do fogo em líquidos derramados ou armazenados em tanques combustíveis. à aglutinação. Utilizado nos incêndios de classe: A. reduzindo a geração de calor capaz de manter a combustão até a extinção completa do fogo. É produzida com a agitação de uma mistura de água com o extrato em determinadas proporções com a aspiração simultânea de ar atomosférico.7.7. com a diluição da concentração de oxigênio no ar. devem ser protegidos por sistemas de chuveiros automáticos abertos ou projetores que lançam espuma. armazenam ou manipulam combustíveis ou líquidos inflamáveis. resfriamento e. extingue o fogo por abafamento e resfriamento. B e C 2.

7. É hoje o extintor obrigatório em veículos. Utilizado nos incêndios de classe: B e C (na classe D é utilizado pó químico especial) 2. São usados no combate a incêndio em equipamentos energizados eletricamente. não é nocivo à saúde. incêndio. podendo ser usados no combate ao fogo em alguns equipamentos elétricos energizados. Em virtude dos estragos que causavam a camada de ozônio foram proibidos (em 1987 através do “Protocolo de Montreal”. bibliotecas. como na composição do gás Inergen. FE-13 e FE-25 (Dupont). arquivos. extintores. pois o pó químico em contato com a umidade do ar corrói as placas dos circuitos atingidos. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. recomenda-se apenas ventilar o local e as áreas atingidas. carga de incêndio . Ainda não é muito usado em edificações. talvez pelo seu custo quando comparado com os extintores de PQS normal.6 Pó químico tipo ABC A base de monofosfato de amônia (produto muito utilizado na produção de fertilizante agrícola).5 Gases inertes Ao gases mais usados até recentemente eram os halogenados. As composições novas normalmente são patenteadas. São também uma alternativa ao CO2 para extinguir fogos sem a utilização de água. O seu uso deve ser evitado em equipamentos eletrônicos. porém os dois últimos. argônio e outros. nitrogênio. Após a utilização de um extintor ABC. química e física do fogo. cozinhas e em quase todos os materiais combustíveis. largamente utilizado na Europa e nos EUA. embora sendo mais caros. em que 104 países assinaram um acordo para reduzir e eliminar o uso de substâncias capazes de destruir a camada de ozônio) e substituídos por outros gases tais como o CO2. O mais usado é o CO2. Inergen (Ansul Fire Protection) e NAF-S-III (North American Fire Guardian). como o trifluorbromometano e o difluorclorobromometano. citando-se o FM-200 (Great Lake Chemicals). CPD. Utilizado nos incêndios de classe: A. B e C 2. estão sendo cada vez mais usados.27 Os PQS são eficientes em extinguir o fogo em líquidos inflamáveis.7.

compostos por plásticos e elastômeros. Quanto menor este valor. O Protocolo de Montreal. Esta informação deve ser fornecida pelo fabricante do equipamento ou poderá constar no rótulo com as informações sobre o uso do extintor. Compatibilidade de materiais  para que o agente apague o fogo sem deteriorar o equipamento. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . após avaliar os riscos de fogo do local é preciso considerar alguns parâmetros. elastômeros e dispositivos elétricos e eletrônicos. O agente extintor deve preservar a integridade física e lógica de equipamentos sensíveis. evitando que o equipamento seja danificado pelo fogo. A quantidade de agente no extintor deve ser Prof. Um parâmetro utilizado para se medir o grau de degradação da camada de ozônio é o ODP (Potencial de Degradação do Ozônio). Caso o volume da sala seja menor que o volume mínimo determinado pelo fabricante. Analisar qual o princípio utilizado pelo agente extintor para a extinção do fogo (resfriamento. Eficiência de extinção  para uma extinção mais rápida e eficaz. O extintor deve ser suficientemente leve para que qualquer pessoa possa manuseá-lo durante a ação contra o fogo. Para agentes que não destroem a camada de ozônio o valor ODP é igual a zero. o extintor não deverá ser instalado neste local. abafamento. Ao selecionar o agente extintor deve-se estar atento ao volume mínimo do ambiente para o uso do equipamento. pois poderá colocar em risco a segurança do operador durante a descarga do agente. estabeleceu prazos para fabricação de substâncias com ODP diferente de zero. Veja abaixo os principais: Toxicidade  Para garantir a segurança das pessoas e do operador do extintor.2012 . menor o potencial do produto em degradar a camada de ozônio. barreira mecânica ou ação química na reação do fogo) e verificar se este princípio é o mais eficaz para sua aplicação de proteção Degradação da camada de ozônio  optar por tecnologia que não degrade a camada de ozônio. EXTINTORES 3. acordo mundial para a eliminação de produtos com potencial de degradação da camada de ozônio. Manuseabilidade do agente extintor  Refere-se a alta capacidade de extinção com baixo peso. Verificar se os agentes extintores são compatíveis com plásticos.1 ESCOLHA DO AGENTE EXTINTOR Na escolha do agente extintor a proteger determinado setor.28 3.

Para a instalação devem ser observadas as seguintes exigências: a) se instalados em paredes ou colunas. b) seja visível. c) permaneça protegido contra intempéries e danos físicos em potencial.. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. Além das exigências anteriores deve ser observado que: a) haja a menor probabilidade de o fogo bloquear seu acesso. Quanto mais eficiente o agente extintor. base. menor será a quantidade de agente extintor necessária para apagar o fogo. d) não fique obstruído por pilhas de mercadorias. c) extintores portáteis fixos em paredes devem ter altura de montagem em que a alça de manuseio não fique acima de 1. matérias-primas ou qualquer outro material.60 m do piso acabado e que a parte inferior esteja a mais de 20 cm do piso acabado. etc. para que todos os usuários fiquem familiarizados com a sua localização.29 suficiente para que o fogo possa ser extinto. Condutividade elétrica  Para garantir que o agente extintor possa efetivamente ser aplicado em equipamentos energizados (Classe C).2 ARRANJO FÍSICO (LOCALIZAÇÃO) Segundo a NBR 12693. 3. química e física do fogo. abrigo. os extintores podem ser locados interna ou externamente à área de risco a ser protegida. incêndio. os suportes devem resistir a três vezes a massa total do extintor (peso do extintor + conteúdo). g) não fique instalado em escadas. extintores. carga de incêndio . O extintor terá também menor peso contribuindo para uma melhor manuseabilidade durante a operação. e) esteja junto ao acesso dos risco. f) sua remoção não seja dificultada por suporte. b) extintores portáteis não devem ser instalados em contato direto com o piso.

havendo recomendações específicas na NBR 12693. no mínimo 50% do número total de unidades extintoras exigidas para cada risco devem ser constituídos por extintores portáteis.30 3. soleiras.Área máxima a ser protegida por extintor em m2 Prof. materiais e equipamentos.3. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . O dimensionamento e a distribuição dos extintores é feita conforme a classe de fogo.Determinação da unidade extintora.2.3. a distância máxima a serem percorridas estão colocadas na tabela1: Tabela 1. degraus no piso. Os extintores sobre rodas não podem ser utilizados para proteger locais situados em pavimentos diferentes e quando utilizados este tipo de extintor.3 DIMENSIONAMENTO E DISTRIBUIÇÃO Segundo a NBR 12693. devem ter livre acesso a qualquer parte da área protegida. para a classe A apresenta-se na tabela 2: Tabela 1. sem impedimentos de portas.2012 . 3. Os locais destinados a extintores devem ser sinalizados para fácil localização. área e distância a serem percorridas para fogo classe A Risco pequeno Unidade extintora Área máxima protegida pela CE de 1A Área máxima protegida por extintor Distância máxima a ser percorrida 2A 270 m 800 m 20 m 2 Risco médio 2A 135 m 800 m 20 m 2 Risco grande 4A 90 m 2 2 2 800 m 20 m 2 A área que pode ser protegida por um extintor.1 Fogo classe “A” A capacidade extintora (CE). além de atendimento às cores utilizadas segundo a NBR 7195 (Cor na segurança do trabalho – procedimento).

Determinação da UE e distância a ser percorrida para fogo classe A Tipo de risco Unidade extintora 10B 20B Médio 20B 40B Grande 40B 80B Distância máxima a ser percorrida (m) 10 15 10 15 10 15 Pequeno Como. carga de incêndio . extintores. há condições específicas ainda a atender. os riscos de incêndio de classe B dividem-se em duas categorias (categoria 1 e categoria 2). Categoria 1  líquidos com profundidade de até 6 mm.2 Fogo classe “B” A determinação da unidade extintora (UE) e distância máxima a serem percorridas estão colocadas na tabela 3: Tabela 1. química e física do fogo. que aqui não serão abordados e que se encontram na NBR 12693.3. incêndio. segundo a NBR 12693. tal como derramamento de combustíveis em superfícies abertas __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais.31 Extintores de classe A 2A 3A 4A 6A 10A 20A 30A 40A Risco pequeno 540 800 800 800 800 800 800 800 Risco médio 270 405 540 800 800 800 800 800 Risco grande 360 540 800 800 800 800 3.4.

pois a água é excelente condutor de eletricidade.4 TIPOS DE EXTINTORES 3. sua configuração.3. pó de alumínio e o carbonato de potássio.3 Fogo classe “C” Neste caso os extintores devem ser selecionados segundo: a) as dimensões do equipamento elétrico.3. particularmente a carcaça da unidade que influencia na aplicação do agente extintor. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . A distância máxima a ser percorrida para a classe D é de 20 m.1 Extintor de água pressurizado Este é o extintor mais indicado para o combate ao principio de incêndio em materiais da classe “A” (sólidos). não deverá ser usado em hipótese alguma em materiais da classe “C” (elétricos energizados). pois em contato com a água eles reagem de forma violenta. 3. deve-se evitar também seu uso em produtos da classe “D” (materiais pirofóricos).32 Categoria 2  líquidos inflamáveis com profundidade superior a 6 mm. 3. área a ser protegida. tais como tanques com superfícies abertas.4 Fogo classe “D” Neste caso a determinação do tipo e quantidade do agente extintor deve ser baseada no metal combustível específico. como o magnésio.2012 . Prof. 3. bem como recomendações do fabricante do agente extintor. A água agirá por resfriamento e abafamento. o que acarretará no aumento do fogo. b) a configuração do equipamento elétrico. c) o efetivo alcance do fluxo do agente extintor d) a soma dos materiais que resultem em fogos classe A e/ou B.4.

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3.4.2 extintor de água pressurizável (pressão injetada)
Seu uso é equivalente ao de água pressurizada, diferindo-se apenas externamente pelo pequeno cilindro contendo gás propelente, cuja válvula deve ser aberta no ato de sua utilização, a fim de pressurizar o ambiente interno do extintor, permitindo o seu funcionamento. O agente propulsor (propulente) é o gás carbônico (CO2).

3.4.3 Extintor de pó químico seco (PQS)
É o mais indicado para ação em materiais da classe “B” (líquidos inflamáveis), mas também pode ser usado em materiais classe “A” e em último caso, na classe “C”. Age por abafamento, isolando o oxígênio e liberando gás carbônico assim que entra em contato com o fogo.

3.4.4 Extintor de PQS com pressão injetável
As mesmas características do PQS pressurizado, mas mantendo externamente uma ampola de gás para a pressurização no instante do uso.

3.4.5 Extintor de espuma mecânica pressurizado
A espuma é gerada pelo batimento da água com o líquido gerador de espuma e ar (a mistura da água e do líquido gerador de espuma está sob pressão, sendo expelida ao acionamento do gatilho, juntando-se então ao arrastamento do ar atmosférico em sua passagem pelo esguicho). Será usado em princípios de incêndio das classes “A” e “B”.

3.4.6 Extintor de espuma mecânica com pressão injetada
As mesmas características do pressurizado, mas mantendo a ampola externa para a pressurização no instante do uso.
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3.4.7 Extintor de espuma química
Embora esteja em desuso no mercado, ainda é possível encontrá-lo em edificações. Seu funcionamento é possível devido a colocação do mesmo de “cabeça para baixo”, formando a reação de soluções aquosas de sulfato de alumínio e bicarbonato de sódio. Depois de iniciado o funcionamento, não é possível a interrupção da descarga. Deve ser usado em princípios de incêndio das classes “A” e “B”.

3.4.8 Extintor de gás carbônico (CO2)
É o mais indicado para a extinção de princípio de incêndio em materiais da classe “C” (elétricos energizados ), podendo ser usado também na classe “B”.

3.4.9 Extintor de halogenado (halon)
Composto Atua por por elementos halogênios a reação (flúor, em cloro, cadeia que bromo e o iodo). fogo.

abafamento,

quebrando

alimenta

Ideal para o combate a princípios de incêndio em materiais da classe “C”.

3.4.10 Extintor sobre rodas (carreta)
A diferença dos extintores em geral é a sua capacidade. Devido ao seu tamanho, sua operação requer duas pessoas. As carretas podem ser de água, de espuma mecânica, de espuma química, de pó químico seco e de gás carbônico.

Prof. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó - 2012

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ou simplesmente carga de incêndio. dos diferentes usos e ocupações das edificações é uma atividade importante na Engenharia de Incêndio. divisórias. e depende diretamente de sua ocupação. podendo ser imóvel ou fixa ou incorporada à própria edificação. grande parte das vezes.1 INTRODUÇÃO E CONCEITOS INICIAIS Carga de incêndio  É a soma das energias caloríficas possíveis de serem liberadas pela combustão completa de todos os materiais combustíveis em um espaço.100 MJ/m2 para as construções residenciais unifamiliares de até dois pavimentos estruturadas em madeira e de 180 MJ/m2 para a mesma edificação estruturada em alvenaria. Mas tanto a natureza quanto a quantidade de carga de incêndio dependem de parâmetros culturais que. Normalmente a carga de incêndio móvel constitui-se na maior parcela da carga de incêndio total de uma edificação.2012 . Para ilustrar. A carga de incêndio está diretamente relacionada ao uso da edificação. a norma austríaca TRVB A100 (1979) fornece valores de carga de incêndio fixas que variam entre 1. móvel em função direta e imediata de sua ocupação. Todos os modelos relacionados com o desenvolvimento e a propagação do incêndio dependem fundamentalmente das características e informações destas variáveis. é também de material combustível. Tal parcela é formada 1 Um kg de madeira/m equivale a 19 MJ/m .36 4. inclusive os revestimentos das paredes. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . em última análise. A pesquisa da densidade da carga de incêndio. ou ainda. influem também sobre a arquitetura. pisos e tetos. CARGA DE INCÊNDIO 4. expresso em megajoule (MJ) por metro quadrado (m²) ou em kg/m2 equivalente em madeira (NSCI/SC)1 . nos quais o seu fechamento lateral recebe placas de polietileno e seu revestimento térmico. Carga de incêndio específica  É o valor da carga de incêndio dividido pela área de piso do espaço considerado. Atualmente a carga de incêndio fixa pode ser significativo em construções do tipo galpão industrial. pelo fato de que a duração do incêndio e sua severidade dependem da carga de incêndio. 2 2 Prof.

quanto considerando seu conteúdo. d) dificuldade de propagação superficial de chamas – pede-se que os materiais ofereçam resistência à propagação de chamas pela sua superfície. ocorre de duas formas: primeiro. seguidos de correta administração do uso da edificação. quando expostos à radiação de um incêndio já iniciado no ambiente. e) baixo potencial de obscurescência – pede-se que os materiais não produzam grande quantidade de fumaça capaz de reduzir rapidamente a visibilidade do ambiente. não contribuindo assim. pois nele já se pode antecipar e. pela limitação da carga de incêndio. peças de decoração.2 CARGA DE INCÊNDIO E O PROJETO A limitação da carga de incêndio. é conseguida por meio de projetos adequados. quando em contato com chamas. utensílios. segundo. o que depende das características específicas do material – carga de fumaça. evidentemente. A redução do risco de incêndio em uma edificação. química e física do fogo. pelo controle da quantidade de material disponível para a combustão – carga de incêndio propriamente dita. Aliás. o projeto e uso correto das edificações devem ser considerados inseparáveis. equipamentos e materiais depositados no ambiente. seus elementos de vedação e materiais de acabamento. Dos materiais de construção em geral. c) baixo índice de propagação de chamas – pede-se que os materiais liberem pequena quantidade de calor na unidade de tempo. tanto considerando sua estrutura. contribuir para a redução das cargas de incêndio e de fumaça. b) baixa combustibilidade – pede-se que os materiais apresentem certo grau de dificuldade de iniciar sua ignição.37 pela forração aplicada sobre pisos e divisórias. exigem-se as seguintes qualidades: a) baixa ignitabilidade – pede-se que os materiais apresentem certo grau de dificuldade de iniciar sua ignição. para eficiência da prevenção de incêndios. incêndio. pela redução de quantidade de fumaça produzida. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. extintores. mobílias. do mesmo modo que a prevenção do início do incêndio. O projeto de uma edificação é o primeiro passo importante para reduzir o risco de incêndio. para a propagação do incêndio. carga de incêndio . 4.

Dividindo a carga pela área de piso do compartimento. Por essa razão. utilizada internacionalmente para classificar o incêndio. pode impor sérias restrições de mercado a materiais de construção como o aço e o concreto. é função da carga de incêndio. Uma definição dos riscos em função da carga de incêndio não é consensual no Brasil (e nem no mundo). por sua vez. média e elevada e é dada em kg/m2 (equivalente de madeira). este é estabelecido em todas as normas apresentadas por outros países. como o Brasil. Se considerarmos os valores constantes nesta norma são efetivos e através da relação de que 1 kg/m2 de madeira equivale a 19 MJ/m2.3 CLASSIFICAÇÃO DO RISCO DE INCÊNDIO PELA QUANTIDADE DE MATERIAIS Esta classificação está diretamente relacionada à carga que é definida pelo produto entre a quantidade de material combustível e o seu poder calorífico. obtém-se a carga de incêndio específica ou densidade de carga de incêndio. uma vez que estes podem acumular cargas de incêndio significativas em áreas não previstas pelo projeto. teremos as seguintes relações: a) risco leve  carga de fogo (carga de incêndio) estimada menor que 60 kg/m2 o que equivale a 1140 MJ/m2 . sendo a resistência ao fogo dependente da carga de incêndio. Se utilizarmos a NSCI/SC.38 f) alta resistência ao fogo – pede-se que os materiais mantenham sua capacidade portante. a classificação dos riscos é tomada como leve. necessária para o atendimento da resistência ao fogo especificada em regulamentos. sua integridade e sua capacidade de isolamento até temperaturas suficientemente altas. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . Em relação ao requisito de resistência ao fogo. Em alguns países. 4. o custo da proteção passiva estrutural.2012 . rigoroso levantamento das cargas de incêndio em edifícios tem reflexos positivos sobre o mercado desses materiais. O tempo de resistência ao fogo especificado em tais normas depende da severidade esperada para o incêndio que. Prof. e por vezes podemos obter valores bastantes distintos conforme o autor ou a entidade. Uma parte da edificação merecedora de atenção especial é a usada como depósitos improvisados.

o que reafirma a importância de se desenvolver uma engenharia de incêndio genuinamente brasileira. pois a severidade dos incêndios leva em conta o seu efeito sobre a edificação e os seus ocupantes. Trata-se. o que depende de grande número de parâmetros. c) risco pesado ou risco 3 – fogo em grande carga de incêndio. com elevada liberação de calor – Carga de incêndio acima de 540 MJ/m2. b) risco médio ou risco 2 – fogo em média carga de incêndio. Para Gomes (1998) a maioria das edificações se enquadrariam em risco médio. ou seja mais de quatro vezes mais. portanto. cujo desenvolvimento se faz com moderada emissão de calor – Carga de incêndio de 270 a 540 MJ/m2. cujo desenvolvimento se faz com fraca liberação de calor – Carga de incêndio até 270 MJ/m2. Nenhuma das classificações acima considera a influência das medidas ativas que.39 b) risco médio  carga de fogo (carga de incêndio) estimada entre 60 kg/m2 e 120 kg/m2 o que equivale entre 1140 MJ/m2 e 2280 MJ/m2. de uma tarefa complexa. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. Alguns desses são evidentemente culturais. Percebe-se a grande diferença entre os dois procedimentos adotados. Uma classificação moderna da severidade dos incêndios deveria considerar necessariamente os seguintes parâmetros: a) a densidade da carga de incêndio e a ventilação ambiente. c) risco elevado  carga de fogo (carga de incêndio) estimada maiorque 120 kg/m2 o que equivale a 2280 MJ/m2. b) a existência de medidas ativas que atuem como atenuantes. podem contribuir significativamente na redução da sua severidade. ainda que não tenham sucesso na extinção do incêndio. este valor sobe para 1140 MJ/m2. incêndio. Já nas NSCI/SC. extintores. pois que na maioria das vezes as cargas de incêndio tem valores acima de 270 MJ/m2 (ver tabela XX). bem como a natureza da carga de incêndio. os riscos e as cargas de incêndio são definids como se segue: a) risco leve ou risco 1 – fogo em pequena carga de incêndio. c) a existência de fatores externos e a geometria da edificação ou do compartimento que atuem como agravantes ou atenuantes dos efeitos do incêndio. Já para Gomes (1998). carga de incêndio . química e física do fogo.

Para a avaliação da densidade por mediada ou avaliação direta.40 As normas brasileiras (NBRs) também não apresentam uma definição clara dos riscos de incêndio. havendo inclusive falta de comunicação entre as diferentes normas. sem fazer menção a carga de incêndio ou risco apresentado na edificação.4 METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO DA CARGA DE INCÊNDIO A densidade da carga de incêndio. somente apresentando as exigências para o TRRF (tempos requeridos de resistência ao fogo) para diferentes usos e a NBR 13714 que discrimina diversos tipos de sistema de hidrantes (1. Talvez esta lacuna venha a ser preenchida futuramente por um Código Nacional de Incêndio. a exemplo de outros países. poderá ser medida e quantificada ainda em projeto. que não c) emprego de valores característicos de normas: observadas diretamente e avaliadas adotando-se um valor percentil de 80%. adota-se como tal percentil um valor obtido da multiplicação da média por 1. sem apresentar uma definição de diferentes tipos de riscos. a saber: a) medida ou avaliação direta: quando não houver alterações representativas na vida útil da edificação. em função da classificação dos edifícios. 2 e 3).5. os valores da carga de incêndio específica para as edificações destinadas a depósitos. e determina uma vazão nos hidrantes. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . pode ser determinada por três métodos distintos. 4. para uso no projeto. Caso somente seja conhecido o valor médio para as várias edificações avaliadas. exemplificando com a NBR 14432 que apresenta a metodologia para carga de incêndio além de um anexo com as cargas de incêndio específicas para diversos usos. referidas ao mobiliário e materiais de acabamento. explosivos e ocupações especiais podem ser determinadas pela seguinte expressão: q Mi Hi fi A f Prof. b) pesquisa estatística: por edificações semelhantes comprometam as características básicas preliminares. não afetando o seu poder calorífico.2012 .

ocasião em que Mi deverá ser reavaliado. em quilograma. incêndio. carga de incêndio . conforme tabela xx abaixo.área do piso do compartimento. extintores. em megajoule por quilograma.valor da carga de incêndio específica. A carga de incêndio específica do piso analisado deve ser tomada como sendo a média entre os dois módulos de maior valor. em megajoule por metro quadrado de área de piso. Mi . Hi . química e física do fogo.Valores do potencial calorífico específico Tipo de material Acetona Acrílico Algodão Benzeno Borracha Celulose C-Hexano Couro D-glucose Epóxi Etano Etanol Eteno Etino Fibra sintética 6.41 Onde: qfi . Módulos maiores de 500 m² podem ser utilizados quando o espaço analisado possuir materiais combustíveis com potenciais caloríficos semelhantes e uniformemente distribuídos.potencial calorífico específico de cada componente i do material combustível.6 H (MJ/kg) 30 28 18 40 Espuma – 37 Tiras – 32 16 43 19 15 34 47 26 50 48 29 Tipo de material Grãos Graxa. Tabela 1.massa total de cada componente i do material combustível. O levantamento da carga de incêndio deverá ser realizado em módulos de no máximo 500 m² de área de piso (espaço considerado). Lubrificante Lã Lixo de cozinha Madeira Metano Metanol Monóxido de carbono N-Butano N-Octano N-Pentano Palha Papel Petróleo Poliacrilonitrico Policarbonato H (MJ/kg) 17 41 23 18 19 50 19 10 45 44 45 16 17 41 30 29 Tipo de material Poliéster Poliestireno Polietileno Polimetilmetacrilico Polioximetileno Poliuretano Polipropileno Polivinilclorido Propano PVC Resina melamínica Seda H (MJ/kg) 31 39 44 24 15 23 43 16 46 17 18 19 __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais.6 . Af . em metro quadrado. Esse valor não poderá ser excedido durante a vida útil da edificação exceto quando houver alteração de ocupação.

14 do Corpo de Bombeiros do estado de São Paulo. Os valores abaixo representam um valor médio obtido de diversos estudos e/ou normas internacionais e pode poderá ser utilizado principalmente quando não se conhece o conteúdo dos materiais combustíveis que estejam presentes em uma edificação Prof.2012 .42 A tabela XX apresenta os valores médios adotados para carga de incêndio utilizados pela NBR 14. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó .432 e pela instrução técnica no.

esportivos Automóveis Bebidas destiladas Brinquedos Calçados Drogarias (incluindo depósitos) Comercial varejista. química e física do fogo. incêndio. Loja Ferragens Floricultura Galeria de quadros Livrarias Lojas de departamento ou centro de compras (Shoppings) Máquinas de costura ou de escritório Materiais fotográficos Móveis Papelarias Perfumarias Produtos têxteis A-1 A-3 B-1 B-1 B-2 C –1 C –2 C –1 C -1 C -1 C –1 C -2 C –2 C –1 C –2 C –2 C –2 C –2 C –1 C –1 C –1 C –2 C –2/ C –3 C –1 C –1 C –2 C –2 C –2 C –2 300 300 500 500 300 40 700 300 300 300 300 2100 800 200 700 500 500 1000 300 80 200 1000 800 300 300 400 700 400 600 Divisão A-3 A-2 Carga de incêndio (qfi) 2 em MJ/m 300 300 Relojoarias Supermercados C –2 C –2 600 400 __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. metal ou vidro Artigos de cera Artigos de couro. carga de incêndio . borracha. extintores.7 -Carga de incêndio específicas por ocupação Ocupação/Uso Descrição Alojamentos estudantis Apartamentos Residencial Casas térreas ou sobrados Pensionatos Hotéis Serviços de hospedagem Motéis Apart-hotéis Açougue Antigüidades Aparelhos domésticos Armarinhos Armas Artigos de bijouteria.43 Tabela 1.

44 Ocupação/Uso Descrição Tapetes Tintas e vernizes Comercial varejista. boates e similares Estações e terminais de passageiros Exposições Igrejas e templos Museus Restaurantes Divisão C –2 C –2 C –1 C –1 C –2 D -2 D -1 D -1 D -1 D -1 D -1 D -1 D -1 D -4 D -4 D -3 D -3 D -3 D -3 D -1 E-3 E-5 E-5 E-1/E2/E4/E6 F-1 F-5 F -7 F-3 F-6 F-4 F -10 F-2 F-1 F-8 Carga de incêndio (qfi) 2 em MJ/m 800 1000 200 200 1000 300 400 100 200 400 1000 700 300 500 300 300 600 200 500 400 300 300 300 300 2000 600 500 150 600 200 Adotar Anexo B 200 300 300 Prof. Loja Verduras frescas Vinhos Vulcanização Agências bancárias Agências de correios Centrais telefônicas Cabeleireiros Copiadora Encadernadoras Serviços profissionais. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . teatros e similares Circos e assemelhados Centros esportivos e de exibição Locais de reunião de público Clubes sociais. pessoais e técnicos Escritórios Estúdios de rádio ou de televisão ou de fotografia Laboratórios químicos Laboratórios (outros) Lavanderias Oficinas elétricas Oficinas hidráulicas ou mecânicas Pinturas Processamentos de dados Academias de ginástica e similares Educacional e cultura física Pré-escolas e similares Creches e similares Escolas em geral Bibliotecas Cinemas.2012 .

fotográficos. incêndio.45 Ocupação/Uso Descrição Estacionamentos Divisão G-1/G-2 G-4 G-3 G -5 H -2 H -6 H-1/H-3 H-5 H-4 I-2 I–1 I-2 I-2 I–2 I–1 I–1 I–2 I–1 I–1 I–2 I–2 I–1 I–1 I–1 I–2 I–2 I–1 I–2 I–2 I–1 I–1 Carga de incêndio (qfi) 2 em MJ/m 200 300 300 200 350 200 300 100 450 400 300 700 800 600 200 200 1000 80 40 500 1000 200 80 300 500 600 300 800 500 80 200 Serviços automotivos e assemelhados Oficinas de conserto de veículos e manutenção Postos de abastecimentos (tanque enterrado) Hangares Asilos Serviços de saúde e Institucionais Clínicas e consultórios médicos ou odontológicos. couro. espuma Artigos de argila. química e física do fogo. feltro. Hospitais em geral Presídios e similares Quartéis e similares Aparelhos eletroeletrônicos. carga de incêndio . extintores. cerâmica ou porcelanas Artigos de bijuteria Artigos de cera Artigos de gesso Artigos de mármore Industrial Artigos de peles Artigos de plásticos em geral Artigos de tabaco Artigos de vidro Automotiva e autopeças (exceto pintura) Automotiva e autopeças (pintura) Aviões Balanças Baterias Bebidas destilada Bebidas não alcóolicas Bicicletas __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. ópticos Acessórios para automóveis Acetileno Alimentação Artigos de borracha. coriça.

46 Ocupação/Uso Descrição Brinquedos Café (inclusive torrefação) Caixotes barris ou pallets de madeira Calçados Carpintarias e marcenarias Cera de polimento Cerâmica Cereais Cervejarias Chapas de aglomerado ou compensado Chocolate Cimento Cobertores.2012 . tapetes Colas Colchões (exceto espuma) Condimentos. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó . conservas Confeitarias Divisão I–2 I–2 I–2 I–2 I–2 I–3 I–1 I–3 I–1 I–1 I–2 I–1 I–2 I–2 I–2 I–1 I–2 I–2 I–2 I–1 I–2 I–2 I–3 I–3 I–2 I–2 I–2 I–1 I–1 I–1 I–2 I-3 I–1 I–2 Carga de incêndio (qfi) 2 em MJ/m 500 400 1000 600 800 2000 200 1700 80 300 400 40 600 800 500 40 400 800 1000 200 600 800 3000 2000 600 800 600 300 300 300 1000 2000 40 400 Industrial Congelados Couro sintético Defumados Discos de música Doces Espumas Farinhas Feltros Fermentos Fiações Fibras sintéticas Fios elétricos Flores artificiais Fornos de secagem com grade de madeira Forragem Fundições de metal Galpões de secagem com grade de madeira Prof.

incêndio. carga de incêndio .47 Ocupação/Uso Descrição Geladeiras Gelatinas Gesso Gorduras comestíveis Gráficas (empacotamento) Gráficas (produção) Guarda-chuvas Instrumentos musicais Janelas e portas de madeira Jóias Laboratórios farmacêuticos Laboratórios químicos Lápis Lâmpadas Laticínios Malharias Máquinas de lavar de costura ou de escritório Divisão I–2 I–2 I–1 I–2 I–3 I–2 I–1 I–2 I–2 I–1 I–1 I–2 I–2 I–1 I–1 I–1 I–1 I–2 I–2 I–3 I–1 I–1 I–1 I–1 I–2 I–2 I–2 I–2 I–1 I–2 I–3 I–2 I–1 I–1 I–2 Carga de incêndio (qfi) 2 em MJ/m 1000 800 80 1000 2000 400 300 600 800 200 300 500 600 40 200 300 300 1000 1000 2000 200 300 300 300 600 1000 1000 500 80 800 2000 800 40 300 700 Industrial Massas alimentícias Mastiques Materiais sintéticos ou plásticos Metalúrgica Montagens de automóveis Motocicletas Motores elétricos Móveis Óleos comestíveis Padarias Papéis (acabamento) Papéis (preparo de celulose) Papéis (procedimento) Papelões betuminados Papelões ondulados Pedras Perfumes Pneus __________________________________________________________________________________________ UNIDADE I – Conceitos gerais. extintores. química e física do fogo.

48 Ocupação/Uso Descrição Produtos adesivos Produtos de adubo químico Produtos alimentícios (expedição) Produtos com ácido acético Produtos com ácido carbônico Produtos com ácido inorgânico Produtos com albumina Produtos com alcatrão Produtos com amido Produtos com soda Produtos de limpeza Produtos graxos Produtos refratários Rações Relógios Resinas Roupas Divisão I–2 I–1 I–2 I–1 I–1 I–1 I–3 I–2 I–3 I–1 I–3 I–1 I–1 I–3 I–1 I–3 I–2 I–1 I–2 I–2 I–1 I–1 I–2 I–2 I–3 I–2 I–1 I–1 I–3 I–1 I–1 I–2 I–3 I–1 I–1 Carga de incêndio (qfi) 2 em MJ/m 1000 200 1000 200 40 80 2000 800 2000 40 2000 1000 200 2000 300 3000 500 300 800 500 80 200 600 700 4000 800 200 200 3000 300 200 700 1300 200 80 Industrial Sabões Sacos de papel Sacos de juta Sorvetes Sucos de fruta Tapetes Têxteis em geral Tintas e solventes Tintas látex Tintas não-inflámaveis Transformadores Tratamento de madeira Tratores Vagões Vassouras ou escovas Velas de cera Vidros ou espelhos Vinagres Demais usos Demais atividades não enquadradas acima levantamento da carga de incêndio conforme Anexo B Prof.2012 . Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia Civil – ACEA – Unochapecó .

UNIDADE 2 EXPLOSÕES POEIRAS EXPLOSIVAS BLEVE .

Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia e Segurança no Trabalho – CETEC . c) alterações atômicas. envolvendo uma violenta expansão de gases. em energia mecânica.1: Explosão Explosão  é uma rápida transformação de energia potencial. As explosões podem produzir-se a partir de: a) alterações químicas. "O esforço mecânico realizado durante a explosão é atribuída à rápida expansão dos gases. a explosão é o efeito produzido por uma expansão violenta e rápida de gases. sendo indiferente que esses gases existam previamente ou que se formem durante o processo explosivo". acompanhada por uma alteração de sua energia potencial. tais como a ruptura de uma caldeira. pode também ser seguido de uma onda expansiva e da destruição dos materiais ou estruturas que o contêm. Este processo de transformação rápida. tais como a detonação de um explosivo ou a combustão de uma mescla de ar e gás inflamável. de um sistema de energia mecânica.Unochapecó . física ou química. física e/ou química.50 1. Prof.NFPA FORÇAS DE EXPANSÃO DANOS FÍSICOS Figura 3. EXPLOSÕES 1.1 INTRODUÇÃO E CONCEITOS INICIAIS Em um sentido mais amplo. b) alterações físicas ou mecânicas. NATIONAL FIRE PROTECCION ASSOCIATION .

2 EFEITOS DA EXPLOSÃO  Onda positiva (explosão) . Pode ser uma explosão física ou térmica.é uma carga explosiva habilmente preparada para ser acionada em determinado momento. devido ao tremendo calor e pressão produzidos. em função da sobrepressão. porém dura até três vezes mais que a fase positiva da explosão.  Onda negativa (implosão) .  Bomba . produzindo aumento da pressão e grande quantidade de calor. as taxas de reação e geração de calor aceleram-se até que o continente falha.é toda substância que. A fase negativa é menos poderosa. ocorre quando a força de expansão é menor que a pressão atmosférica.é a decomposição ou desintegração do invólucro do explosivo.  Explosivo . explosão de pó. ou da interação entre água e metal fundido ou licor preto.51 Explosão Física origina-se de um fenômeno puramente físico.é o preenchimento do vácuo formado pela onda positiva. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE II – Explosões. Poeiras explosivas e Bleve . No caso de baixos explosivos.  Fragmentação . Explosão Química  originada de reações químicas tais como explosão de ar/vapor inflamável. A energia é produzida pelo vapor em expansão e o líquido em ebulição. transforma-se violentamente em gases. os fragmentos são de tamanho maior e formatos retorcidos. tais como a ruptura de uma caldeira ou de um continente pressurizado. 1. esticada e fina. Explosão de vapores de líquidos em ebulição  é conseqüência da ruptura do continente com um líquido substancialmente acima de seu ponto de ebulição atmosférico. ocorrida sob condições de continente com resfriamento inadequado. À medida que a temperatura aumenta. A detonação de um alto explosivo resulta em fragmentos de aparência rasgada. detonação de um explosivo ou agente detonador. mediante uma reação química. Explosão Térmica  é o resultado de uma reação exotérmica.é a expansão polidirecional dos gases formando uma região de vácuo no seu interior.

causando lesões por três mecanismos: arremessar objetos próximos à área da explosão contra a vítima. c) Ondas de choque: irradiam-se a partir do centro da explosão. quando se depara com um objeto que não pode fragmentar. Assim sendo. que se transforma em um projétil. O vidro de uma janela. pois sua velocidade é altíssima. b) Calor: produzido pela combustão do explosivo. etc.ocorre quando uma carga é detonada dentro de um cano com diâmetro maior que o dela.é o espaço seguro formado imediatamente após a convergência ou atrás de um anteparo onde a onda positiva sofreu reflexão. dutos de ventilação.  Zona de Proteção .  Reflexão .. calor e pressão. intensidade e pela existência de barreiras de proteção entre a vítima e a explosão. Prof. 1. sofrendo um afunilamento. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia e Segurança no Trabalho – CETEC . O mesmo ocorre em corredores.52  Térmico . causando incêndios e novas explosões.  Foco ou Afunilamento . pode refletir ondas positivas. e ela é refletida antes mesmo de danificar a matéria. ferindo-se ao cair ou chocar-se com outros objetos.  Convergência .é a divisão da onda positiva quando ela se encontra com um objeto que não pode fragmentar e que não possua área suficiente para provocar uma reflexão.é a mudança de rumo da onda positiva.Unochapecó .é a geração de altas temperaturas em conseqüência da explosão.. deve-se levar em conta que a energia contida no explosivo é convertida em luz. a) Luz: pode causar dano ocular.3 LESÕES DECORRENTES DE UMA EXPLOSÃO No caso de explosões. sendo o primeiro agente a atingir a vítima. é influenciado principalmente pela distância. podendo ocasionar traumatismos fechados ou abertos. podendo afetar produtos inflamáveis. arremesso da própria vítima. a gravidade das lesões depende da força da explosão e da distância em que a vítima se encontrava do material explosivo. por exemplo. A onda de choque irá refletir no anteparo.

As lesões decorrentes do deslocamento inicial do ar são quase que exclusivas dos órgãos que contêm ar.53 criação súbita e transitória de um gradiente de pressão entre o ambiente externo e o interior do corpo. Poeiras explosivas e Bleve . planos de manutenção e outras medidas necessárias. Sempre se deve suspeitar de lesões pulmonares em vítimas de explosão. tipos de equipamentos. As lesões causadas pelos fatores secundários são semelhantes aos ferimentos produzidos por armas brancas. estocagem e utilização de gases e líquidos inflamáveis.4 ANÁLISE DOS RISCOS DE EXPLOSÃO Os riscos de explosão de gases e vapores devem ser levantados e analisados nas áreas de fabricação. dispositivos de segurança. a qual pode manifestar-se na forma de sintomas bizarros no sistema nervoso central. Os órgãos mais suscetíveis a esse efeito são os ouvidos e os pulmões.  Secundário: vítima sendo atingida por material arremessado pela explosão. hemorragia parenquimatosa e especialmente ruptura alveolar.  Terciário: vítima sendo arremessada e atingindo o solo ou outro objeto. 1. objetivando o adequado tratamento de controle e / ou eliminação do risco. transporte. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE II – Explosões. O sistema auditivo geralmente apresenta ruptura das membranas timpânicas. Os tímpanos são forçados para dentro pelo aumento da pressão. A ruptura alveolar pode provocar embolia gasosa. pela definição de procedimentos de operação. Os mecanismos de lesão decorrentes de uma explosão classificam-se em:  Primário: deslocamento de ar inicial. podendo se romper. A compressão súbita do tórax pode provocar pneumotórax e hemorragia pulmonar. onde haja a possibilidade de ocorrência de atmosfera explosiva. As lesões pulmonares podem incluir pneumotórax. e as lesões terciárias são parecidas às que surgem em pessoas arremessadas para fora de um automóvel.

Unochapecó . Esta escala é graduada em porcentagem do limite mais baixo de explosão (limite inferior de explosividade). O desequilíbrio resultante faz com que o ponteiro indicador se mova escala acima. que faz parte do círculo elétrico balanceado.4 : Modelos Explosímetros Prof. sobre um filamento catalítico aquecido. quanto a concentrações e inflamabilidade que esta contém. Os combustíveis contidos na atmosfera são queimados no filamento. o qual eleva a sua temperatura e aumento sua resistência proporcionalmente à concentração de combustível na amostra. Figura3. Os testes são realizados tomando-se uma atmosfera a ser testada.54 1.5 EXPLOSÍMETRO Instrumento utilizado no processo de avaliação da presença de gases e vapores inflamáveis em uma atmosfera. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia e Segurança no Trabalho – CETEC .

5: Esquema básico de um explosímetro Limitações do equipamento: a) Não é capaz de medir a porcentagem de vapor em fumaça ou atmosferas inertes. devido à ausência do oxigênio necessário à combustão na unidade detectora do instrumento. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE II – Explosões. Necessidade de repetições de amostragens. b) Indica o potencial de inflamabilidade / explosividade de um atmosfera e não a sua toxidade. c) Necessita de operador experiente para análise dos procedimentos de medição em determinadas tarefas.55 CÂMARA FILTRO BULBO ASPIRADOR ENTRADA DA AMOSTRA FILAMENTO DETECTOR DE RESISTÊNCIA VARIÁVEL MEDIDOR ESCALA SAÍDA VÁLVULAS REOSTATO BATERIAS INTERRUPTOR Figura 3. Poeiras explosivas e Bleve .

de resinas. Se estiverem misturadas com poeiras de agentes oxidantes. b) construção especial que evite o acúmulo de pós. Prof. etc.1 INTRODUÇÃO A maioria dos combustíveis quando finalmente divididos (poeiras) são altamente perigosos. POEIRAS EXPLOSIVAS 2. produtos da agricultura. pois quando depositados em vigamentos. refinarias de açúcar. pesticidas. f) ventilação. e) eliminação das prováveis fontes de ignição. que evitem sua disseminação. serrarias. O perigo de explosão existe nos moinhos e industrias de farinhas em geral. de moagem de cortiça. g) proteção contra incêndio. os seguintes itens: a) boa organização. Numa mesma concentração de peso de poeira. maquinas e outras superfícies podem incendiar e se espalhadas em forma de nuvens estas poeiras explodem. as partículas maiores apresentam uma menor elevação de pressão que as partículas menores.Unochapecó . maior a facilidade de se incendiar uma nuvem de poeira. titânio. Constituem prevenção mínima contra explosão de pós. produtos químicos. pulverização de alumínio. c) coletores de pós. manufatura de plásticos. indústrias de moagem e pulverização de enxofre. Quanto menor a partícula. indústrias têxteis. magnésio e outros pós metálicos. Nas explosões o tamanho da partícula influencia na razão de elevação da pressão desenvolvida. de chocolate.56 2. a temperatura de ignição e a energia necessária para a ignição. fabricas de leite em pó. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia e Segurança no Trabalho – CETEC . diminui-se: o limite mínimo de concentração explosiva. a explosão será mais violenta ainda. d) exaustores que conduzam as poeiras para o exterior. Reduzindo-se o tamanho da partícula.

e devem. Poeiras explosivas e Bleve . indústrias plásticas. minorando os riscos inerentes. k) cuidados especiais quanto à eletricidade estática. poderão equacionar razoavelmente bem os problemas. c) indústrias alimentícias. e) indústrias farmacêuticas. uso de gases inertes para prevenir a ignição dos pós nas máquinas de moagem. pontos fracos para cederem em caso de explosão sem comprometer a estrutura do prédio i) j) escapes de explosão (Vents).57 h) nos locais de grande perigo. 2. g) indústrias do carvão.2 LOCAIS SUJEITOS A EXPLOSÃO DE PÓS As indústrias que processam produtos que em alguma de suas fases se apresentem na forma de pó. pois na fase de projeto as soluções são mais simples e econômicas. efetuar uma análise acurada dos mesmos e tomar as precauções cabíveis. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE II – Explosões. podem existir janelas sem fechos. com o auxílio de um profissional competente. f) indústrias de beneficiamento de madeira. d) indústrias metalúrgicas. Citamos algumas atividades industriais reconhecidamente perigosas quanto ao risco de incêndios e explosões: a) indústrias de beneficiamento de produtos agrícolas. b) indústrias fabricantes de rações animais. antes de sua implantação. porém as indústrias já implantadas. são indústrias de alto potencial de risco quanto a incêndios e explosões.

Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia e Segurança no Trabalho – CETEC . Presença de Oxigênio  em concentração mínima para a combustão total da massa de pó.58 Figura 3. Fonte de energia de ativação  qualquer elemento do sistema que possa causar uma centelha que se situe dentro dos padrões de inflamabilidade e energia de ativação. rotor e carcaça do ventilador. como motores e faiscamentos por atrito entre partes metálicas. suas características e condições ambientais. Prof. Grau de Concentração  é a quantidade de material em suspensão em gr/m3.6: Explosão de pó (simulação em computador) 2. Definida como Limites de Explosividade superior e inferior abaixo ou acima do qual não ocorre explosão.3 CONDICIONANTES DAS EXPLOSÕES DE PÓ Para que ocorra uma explosão com poeira é necessário que estejam presentes alguns fatores.Unochapecó . tais como: Mistura de pó e ar sob forma de nuvem  caracterizado por quantidade de material em suspensão dentro da faixa de explosividade. dentro de uma faixa passível de explodir. ou ainda de cargas eletrostáticas inerentes do processo de produção ou de elementos do transporte pneumáticos.

A concentração mínima necessária para que haja explosão. proporcionam energia suficiente para aquecer e evaporar a umidade que pode estar presente no pó. a Pmp. pois a maior parte das fontes de ignição.. A causa de uma explosão de pó deve atribuir-se a outros fatores.59 Umidade  quanto maior a umidade do material bem como a do ar mais difícil se torna a deflagração do mesmo. Quanto mais seco. A dimensão do tamanho da partícula. mas sim de incêndio. As dimensões da partícula influem também sobre a velocidade de crescimento da pressão: para uma concentração dada de pó em peso. a possibilidade que se produzam descargas eletrostáticas de suficiente intensidade para colocar em ignição a nuvem de pó. pois a água residual ao evaporar. Para que a umidade impeça a explosão. em comparação com as que requerem os gases. depois que se produzir a ignição. a energia mínima necessária para a ignição. Numerosos estudos indicam este efeito em grande variedade de poeiras.5%. Do ponto de vista pratico. a temperatura de ignição do amido de milho pode aumentar até 50 º C. é mais fácil a nuvem entrar em ignição. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE II – Explosões. Devido as altas energias de ignição necessárias para incendiar a nuvem. aumenta ao diminuir a dimensão média da partícula. consideráveis quantidades de pó em grandes volumes com forças dielétricas relativamente altas e consequentemente. A umidade do ar tem pouco efeito sobre a deflagração. a concentração de explosão mínima. A umidade contida nas partículas de pó faz aumentar a temperatura de ignição delas devido ao calor absorvido durante o aquecimento e a vaporização da umidade. Como a capacidade elétrica dos sólidos é função de sua superfície. mais suscetível fica. e a Vmp. entre outros. empobrece o ambiente. a umidade não pode considerar-se como meio efetivo de prevenção contra explosões. Poeiras explosivas e Bleve . Porém para que se produzam descargas eletrostáticas se requer. podendo queimar por diversas horas. a não ser que existam provas definitivas que demonstrem que esta foi a causa provável. porém. Quanto menor for a dimensão da partícula de pó. um pó formado por partículas grossas mostra uma velocidade de aumento de pressão mais baixa que o mesmo pó fino. e de difícil extinção. existe porém uma relação direta entre o conteúdo de umidade. longos períodos de relaxação. e a energia necessária para ignição por sua vez diminuem ao diminuir a dimensão da partícula de pó. a temperatura de ignição. faz aumentar também a capacidade elétrica das nuvens de pó. ou seja o tamanho das cargas elétricas que se pode acumular na partícula da nuvem. com um aumento de umidade de 1. de grande massa e de pouca superfície específica não são passíveis de explosão. Materiais compactos. Por exemplo. visto ser maior a superfície exposta por unidade de peso da matéria (superfície específica). maior o poder de deflagração do pó e maior a velocidade da mesma. o pó deve estar encharcado Granulometria  quanto mais fina. deslocando o oxigênio existente.6 a 12.

os fatores desencadeantes são: calor. É um limitador para as temperaturas do processo. No caso da explosão em cadeia a deflagração inicial evolui para detonação nas fases posteriores. Deflagração e detonação . chegando aos 1000 m/s. os telhados são destruídos. A segunda utilidade é o comparativo entre as diversas poeiras. porque o aumento da turbulência conduz ao aumento da velocidade da chama. A adição de corpos inertes reduz a Vmp. que não poderá ser alcançada em situações normais.Deflagração é o fenômeno de explosão que ocorre com velocidade de chama de um a 100 m/s e é o que acontece com maior freqüência nas indústrias. Um exemplo é a pulverização de rocha nas minas de carvão para impedir as explosões dos pós combustíveis. Detonação é o fenômeno de explosão em que a velocidade da chama é igual ou superior à velocidade do som. pois são ponto principal das fugas de pressão. bem como outros obstáculos quando no caminho do sinistro. estas pressões. gases. E aumenta a concentração mínima de pó necessária para a explosão. a velocidade dependerá da turbulência do gás na qual a poeira está dispersada. Além disso.Unochapecó . Temperaturas  A temperatura mínima de ignição é a temperatura mínima em que pode ocorrer a combustão da poeira. pressão máxima de explosão e velocidade máxima de aumento da pressão. buscando equilíbrio natural. reduz a combustividade do mesmo. pois absorve calor. umidade e granulometria. porém a quantidade necessária para impedir a explosão é considerada maior que as concentrações que possam ser encontradas ou toleradas como corpos estranhos ao processo. Geralmente a pulverização se faz na entrada das minas com uma concentração de poeira de rocha de 65% da quantidade total do pó. e estes valores podem atingir cifras de grande valor para os quais os efeitos são devastadores. Quando estruturas são projetadas para compensar em parte esses esforços.60 Corpos inertes  A presença de um sólido inerte no pó. luz. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia e Segurança no Trabalho – CETEC . provocam o aparecimento de forças descomunais nos obstáculos que existem para serem vencidos até chegar ao ambiente externo. A velocidade da chama não é constante e depende de fatores como: composição química do pó e do oxidante. calor de combustão.Quando ocorre uma explosão em uma indústria. Prédios inteiros poderão ser destruídos em poucos segundos. Se isto ocorrer em um ambiente confinado. Prof. uma temperatura de 250º C é segura como limite comum a todos materiais em forma de pó.

Ao contrário. entrem em suspensão. Os depósitos de poeira combustíveis sobre vigas. causando vibrações subsequentes pela onda de choque. Ao entrar em ignição. sobre máquinas em torno dos locais de transferência no transporte. se as poeiras em suspensão causarem uma explosão.7: Elementos para uma explosão 2. quando agitada ou colocada em suspensão e na presença de uma fonte de ignição com energia suficiente para a primeira deflagração.4 EXPLOSÕES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS A poeira depositada ao longo do tempo nos mais diversos locais da planta industrial. poderá explodir. cada qual mais devastadora que a anterior. Poeiras explosivas e Bleve .61 Figura 3. desde que poeiras depositadas nas cercanias do fogo. paradas no processo produtivo e o pior. Por outra parte. A mudança de incêndio para explosão pode ocorrer facilmente. as poeiras combustíveis suspensas no ar podem produzir fortes explosões. se as poeiras são agentes oxidantes e se acumulam sobre superfícies combustíveis. e como o local já esta com os ingredientes necessários. Si se mistura um agente oxidante finamente pulverizado com outras poeiras combustíveis. as partículas de poeira que estão queimando saem da suspensão e espalham o fogo. Para sufocar __________________________________________________________________________________________ UNIDADE II – Explosões. isto fará com que mais pó depositado entre em suspensão e mais explosões aconteçam. em geral muito perigosas. vidas são ceifadas ou ficam alijadas de sua capacidade elaborativa com as conseqüências por todos conhecidas (incapacidades totais e permanentes). o próximo passo é o desencadeamento das subseqüentes explosões. As misturas combustíveis finamente pulverizadas são. Nestes termos os danos podem ser consideravelmente maiores. sejam agitadas. são suscetíveis de incendiar com chamas. a violência da explosão resultante será muito mais grave que se faltasse tal agente oxidante. o processo de combustão se acelera consideravelmente no caso de incêndio. causando prejuízos irreversíveis ao patrimônio. ganhem concentração mínima.

tais como a pedra cal. galerias e pontos de carga e descarga de grãos com sistemas de captação de pó. Prof. substituir as caçambas dos elevadores e pás dos transportadores correntes metálicas por componentes plásticos. c) proceder o aterramento elétrico dos componentes eletro-mecânicos e pontos geradores de cargas eletrostáticas. b) fazer uso contínuo dos sistemas de captação de pó. recomenda-se: a) proceder cuidadosa limpeza da massa de grãos. h) tomar os devidos cuidados ao utilizar aparelhos de solda nos serviços de manutenção. b) instalar sistema de captação de pó em elevadores. Embora as explosões de poeiras se tenham contabilizado desde 1795 e os métodos para controla-las tenham sido publicados. Como aspectos técnicos construtivos recomenda-se a observância dos seguintes cuidados quando da elaboração e implantação de projetos de unidades armazenadoras: a) dotar os ambientes como túneis. i) j) aspergir a massa de grãos em movimento com óleos minerais para reduzir a emissão de pó.62 ou deter os incêndios ou deflagrações de poeiras combustíveis se empregam materiais inertes. g) certificar periodicamente os estado dos cabos elétricos. 2. d) proceder a limpeza das instalações evitando o acumulo de pó. ainda hoje seguem produzindo graves acidentes. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia e Segurança no Trabalho – CETEC . f) fazer manutenções periódicas dos equipamentos eletro-mecânicos. e) treinar os operadores e demais funcionários quanto os potências riscos de explosões. c) limpar periodicamente os sistemas de captação de pó trocando os filtros nos períodos definidos pelos fabricantes. caçambas e tubulações de transporte de grãos.5 PREVENÇÃO CONTRA EXPLOSÕES DE PÓS Como medidas operacionais preventivas.Unochapecó .

pois estes. ponto de fulgor em graus celsius. após o tratamento. f) instalar aspersores de óleo mineral em pontos do sistema de movimentação de grão passíveis de ocorrência de alta concentração de pó . g) projetar sistemas de iluminação apropriados aos ambientes com risco de explosão. sem descuidar com o custo final do mesmo. porém com enorme potencial de incêndio e explosões. um bom projetista poderá.valores superiores a 0.Estas medidas quando tomadas na fase do projeto são as que melhor satisfazem. Dessa forma. ponto de combustão em graus celsius. formando depósitos indesejáveis sobre estruturas. quando não atendam aos padrões legais. pois os gases em expansão serão lançados à atmosfera. b) propriedades físicas: densidade aparente. Higiene Ocupacional. Poeiras explosivas e Bleve .5. 2. Entretanto. sob os aspectos de: segurança contra incêndios e explosões. conciliar sistemas seguros. com bom senso. O destino dos pós capturados devem ser objeto de estudo entre a empresa e o projetista em função de seu aproveitamento ou descarte. isto minimizará danos a edificação. medidas devem ser observadas no sentido de se adequar um eficiente sistema exaustor para os locais onde haja formação de pó. cuidados devem ser tomados para o equacionamento do problema e a solução correta das medidas saneadoras que abranjam todos os parâmetros.. Para tal. os citados a seguir: a) características físico-químicas do produto a exaurir. poderão ser objeto de demandas judiciais. etc. pela comunidade vizinha às instalações. Um bom sistema de ventilação visa equacionar o problema. além de minimizar o custo de implantação. e) instalar sistemas de pára-raios. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE II – Explosões. evitam que o pó se disperse no ambiente. como por exemplo. limites de explosividade g/l. em uma planta existente.05 kg/m3. umidade. controle de emissões externas. tubulações e muitos outros locais de difícil acesso. além de usar menores vazões. pois evitam arranjos improvisados e pouco eficientes. granulometria. E importante também nesta fase conciliar o problema das emissões.63 d) projetar edificações que estruturalmente contemplem áreas de fácil ruptura caso ocorram explosões.1 Ventilação As medidas de ventilação local exaustora nos processos de geração de pó.

As velocidades de controle devem ser bem definidas para não usar potência em demasia.5. estar localizado fora do ambiente fabril. local do equipamento de separação. porém é importante que capture o máximo de substâncias indesejáveis. d) detalhamento físico do local e máquinas envolvidas no processo. Deve ser resistente aos esforços mecânicos das pressões envolvidas. nem tão baixas que impliquem na ocupação de grandes áreas. com a menor vazão de ar. limites de tolerância biológica. potência absorvida e tamanho dos dutos de transporte.5 Destino dos resíduos capturados Prof. 2. 2. para que não haja depósitos de material ao longo da mesma.5.4 Definição do equipamento de separação Os equipamentos de separação deverão atender às normas de emissões externas. peso molecular.2 Projeto do captor Um bom captor é aquele que consegue aspirar o máximo de substâncias.. manutenção e visibilidade do operador. ser seguro contra explosões e incêndio. conforme legislação local.3 Projeto da rede com todos os pontos de aspiração envolvidos A tubulação condutora do ar dos pontos ao sistema de separação deve ser bem dimensionada. local de fixação dos dutos de aspiração. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia e Segurança no Trabalho – CETEC . dilatações. Deve ser compatível e seguro quanto ao produto em questão. 2. etc. etc. pois isto implica no tamanho do equipamento.Unochapecó .5.64 c) propriedades químicas: composição química. Deve também ser projetado para não prejudicar a operação. catálogo das máquinas envolvidas. Deve ser provida de janelas de segurança e portas de inspeção. nem que haja formação de eletricidade estática.5. e) levantamento físico do local da instalação dos equipamentos objeto do sistema exaustor local. 2. aterramento.

porém. O fenômeno pode ocorrer. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE II – Explosões. É uma explosão de gás ou vapor em expansão proveniente de um líquido em ebulição. por exemplo. BLEVE 3.6 Equipamento de separação Caso a opção seja via seca. seu aproveitamento é limitado. geralmente resultante de uma exposição de recipiente a um incêndio. que se expande rapidamente. 2.5. por exemplo. no momento em que o conteúdo líquido está acima do seu ponto de ebulição à pressão atmosférica normal. o material será todo lavado. equipamentos estes mais suscetíveis de riscos de incêndio e explosão. implicará em sistemas secos. Via mista: separa-se entre 80 e 90% em ciclones e o resíduo final por lavagem. em um intervalo de tempo muito pequeno. dispersando-se no ar sob a forma de nuvem. pois quando é desejo de ser reaproveitado. Poeiras explosivas e Bleve . que pode causar danos materiais e queimaduras a centenas de metros de distância. Caso ocorra um vazamento instantâneo de um vaso de pressão. 3. dependendo da quantidade de gás liquefeito envolvida. eficiência de separação de até 97% e de trabalho contínuo. Caso a opção seja via úmida. ou a maior parte de seu conteúdo. com uma emissão intensa de calor radiante. Pode ser definido como o mais grave modo de falha de um recipiente: sua ruptura em dois ou mais pedaços. todo. A ignição dessa nuvem gera a “Bola de Fogo”.65 Este item é de vital importância e deve ser analisado em cima do risco benefício. com elevada eficiência de separação. devido a uma falha estrutural (o metal perde sua resistência). em um tanque no qual um gás liquefeito é mantido abaixo de seu ponto de ebulição atmosférico. é expelido sob a forma de uma mistura turbulenta de gás e líquido. a separação poderá ser via seca total: filtros de ar com limpeza por ar comprimido.1 INTRODUÇÃO BLEVE (Boiling Liquid Expanding Vapour Explosion) ou “Bola de Fogo” é uma combinação de incêndio e explosão.

a propulsão do recipiente ou Prof. como por exemplo.: água). haverá danos como.2 OCORRÊNCIA DE BLEVE Para ocorrência do BLEVE são necessárias algumas condições. Os impactos foram tão drásticos que um avião que pousaria na Cidade do México chegou a desviar a rota quando o piloto olhou para San Juanito e pensou que estivesse havendo uma explosão nuclear. no México.66 O caso de bleve mais famoso aconteceu em 1984 na cidade de San Juanito. Figura 3.11: Ocorrência de uma simulação de bleve em um tanque 3. mesmo se o fluído não for inflamável (ex. porém. O resultado foi trágico: 500 mortos e mais de 5 mil feridos. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia e Segurança no Trabalho – CETEC . conforme segue:  Existência de uma substância líquida: A maioria dos Bleves ocorridos envolveram líquidos inflamáveis ou gases liquefeitos inflamáveis. Um terminal de tanques da estatal Pemex (Petroquímica Mexicana) teve problemas em um dos tanques e houve reação em cadeia.Unochapecó .

3. que permitem que os líquidos inflamáveis vazem.  O líquido do recipiente deve estar a uma temperatura acima do seu ponto de ebulição normal à pressão atmosférica: Devido ao fato do recipiente ser fechado. Poeiras explosivas e Bleve . acidentes rodoviários e descarrilhamento de vagões. rapidamente dispersa o líquido restante (a maioria do líquido fica na forma “atomatizada”).  O líquido deve estar num recipiente que o deixe confinado: No caso. A energia de expansão produzida pela vaporização. além da emissão dos “mísseis” haverá uma “bola de fogo”. O fluído do recipiente é capaz de se manter no estado líquido.67 de pedaços dele. mesmo que sua temperatura esteja acima do seu ponto de ebulição normal. A força física que causa o Bleve deve-se à grande taxa de expansão líquido/vapor do líquido contido no recipiente. desloca pedaços dos recipientes como __________________________________________________________________________________________ UNIDADE II – Explosões. tanque de armazenamento ou tambores pequenos. 25% para gases criogênicos e 50% para gases não criogênicos. um tanque de transporte. é devida ao superaquecimento do recipiente metálico na região do vapor (onde não há líquido para absorver o calor do fogo). como exemplos.falta ou uso impróprio das válvulas de segurança. geraria uma bola de fogo e causaria a explosão do recipiente. falha .fraqueza inerente estrutural do recipiente.3 EFEITOS DO BLEVE Os efeitos de um Bleve são terríveis. vaporizem e formem uma nuvem de gás. Havendo as situações acima citadas e uma ignição externa. No caso dos inflamáveis. na sua ocorrência resulta uma vaporização extremamente rápida de uma porção de líquido. a pressão interna aumenta acima da pressão atmosférica. É importante lembrar que um Bleve pode ocorrer mesmo se o recipiente possuir válvula de alívio. impacto de origem mecânica – como exemplo. que permitem que a pressão dentro do tanque aumente até o ponto limite do dano total do recipiente.  Ocorrência de falha no recipiente: A falha pode ocorrer devido alguns fatores: contato com o fogo que enfraquece o recipiente – falha causada por fogo no tanque. Esta quantidade vaporizada varia: é aproximadamente 10% para líquidos inflamáveis. resultando na perda de resistência à tensão e o recipiente não consegue suportar a pressão interna.

O calor irradiado pode incendiar outros materiais nas proximidades. ocorrerá imediatamente uma ignição que resultará numa massa de chamas.68 mísseis a altas velocidades e cria uma onda de choque: o “Blast” (rajada ou deslocamento de ar resultante da explosão). Se o Bleve foi causado por exposição ao fogo. um perigo de radiação térmica. portanto. A bola de fogo (fire ball) formada quando líquidos inflamáveis são envolvidos. Caso as bolas de fogo sejam formadas por hidrocarbonetos. pode ser relacionado ao tamanho do recipiente: 7. serão luminosas e irradiarão calor que pode causar queimaduras fatais aos espectadores e ainda incendiarão outros materiais de carbono. O raio de exposição a um sério perigo de queimadura. uma mistura ar-gás é rapidamente formada.5 m para latas ou cilindros aerossóis. Esta inicialmente estende-se pelo terreno (groundflash) e depois cresce como uma bola de fogo (fire ball). 30 m para tambores de líquidos inflamáveis e cilindros de gases liquefeitos. Figura 3.12: Bola de fogo (fire ball) Prof. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia e Segurança no Trabalho – CETEC . 150 m para grandes caminhões-tanque e 240 m para vagões tanque.Unochapecó . Este é. No caso de líquidos inflamáveis. pode cobrir uma área de centenas de metros quadrados em todas direções. O tamanho da massa de chamas dependerá de quanto líquido estiver no recipiente.

Para fins de estimativa. Este é um aspecto vital. O maior problema trata-se do desconhecimento do tempo durante o qual o tanque já havia sido exposto ao fogo até a presença dos bombeiros. e freqüentemente mal visto. não impedirão o super aquecimento do recipiente e sua quebra.4 MEDIDAS PREVENTIVAS PARA EVITAR O BLEVE Na ausência de qualquer um dos métodos de prevenção que serão explanados na seqüência. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE II – Explosões. O perigo de Bleve existe até que todo o fluído inflamável tenha sido consumido e um resfriamento adequado tenha sido estabelecido. recomenda-se (com base em Bleve de GLP) um tempo máximo de 15 minutos. entretanto. quebrar vidros à uma distância de muitos quilômetros. O tempo para ocorrência de um Bleve num tanque.69 O “Blast” pode jogar homens a 75 m de distância. do perigo de Bleve. ocorre um Bleve num recipiente pressurizado contendo gás liquefeito (submetido a chamas na região do vapor) entre 8 e 30 minutos (dependerá de qual porcentagem de chama estiver em contato com o líquido: os maiores tempos correspondem a um maior contato com a parte líquida). Medidas preventivas podem ser adotadas para se evitar o Bleve. depois do surgimento do fogo. Esse processo é conhecido como “Blowdown”. Poeiras explosivas e Bleve . é variável. Tanques e cilindros de armazenamento e transporte tem proteção contra excesso de pressão através de aberturas e dispositivos de segurança de alívio. porém. que são projetados para descarregar o vapor produzido pelo líquido em evaporação. No caso de recipientes de líquidos inflamáveis há menos dados. já atingiu 20 horas. O menor tempo relatado é de 10 minutos. esta deve ser reduzida à pressão atmosférica ou aproximadamente a ela. antes que o recipiente sofra um dano total. porém o tempo pode ser estimado em duas vezes o tempo de Bleves em GLP. Fragmentos grandes ou pequenos podem atingir a 300 a 600 m de distância em qualquer direção do ponto do BLEVE. como: Limitação da pressão  se for único meio preventivo. 3. Seus desempenhos satisfatórios.

porém há novos sistemas em evolução: válvulas de segurança. emprego de ligas dúcteis e elásticas e proteção do veículo ou do reservatório. a área de coleta deve estar tão distante dos tanques e com tal área superficial. As medidas de prevenção citadas são clássicas. Limitação contra impacto  é aplicável para recipientes de gases liquefeitos. treliças metálicas entre outros.3 a 1. Este método é aplicável apenas para Bleves causados por fogo. resfriamento do recipiente (aplicação de água) e isolamento do mesmo. Prof. Outras medidas podem ser adotadas para proteger um vaso sob pressão contra o fogo: a inclinação do terreno . devido ao efeito protetor do isolamento. discos de ruptura. que as chamas na área não atinjam o tanque. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia e Segurança no Trabalho – CETEC . Técnicas de prevenção contra impactos são adotadas.70 Limitação da temperatura do recipiente  é efetuado por meio dos equipamentos de proteção contra incêndio.Unochapecó . No caso de recipientes para gases criogênicos são resistentes aos Bleves causados por impacto. como: reforço das paredes do reservatório. de forma que nenhum derrame seja acumulado (inclinado de 0. já que recipientes de líquidos não tem tendência a Bleves causados por impacto. o tempo entre o início da exposição do fogo e Bleve varia consideravelmente. A limitação da temperatura do recipiente por isolamento é obtida pela utilização de tanques enterrados ou semi-enterrados.onde a base na qual o vaso fica deve ser inclinada e isolada. aos níveis menores de pressão e à durabilidade dos metais usados.20 metros). porque a água é uma fonte de calor quando aplicada a qualquer produto ou material numa temperatura mais baixa (ex: criogênicos). Com isolamento térmico. ou por ignifugação do tanque.

13: Esquema de instalação de depósito de gás com indicação das principais medidas preveventivas Algumas medidas podem ser adotadas durante o combate ao incêndio. A região do equipamento. apesar de que nem sempre é possível se saber onde está exatamente esse ponto. é a mais importante e crítica. b) aplicar água no ponto de contato da chama. garantir uma aplicação mínima de água de 0. acima de fase líquida.25 __________________________________________________________________________________________ UNIDADE II – Explosões. Poeiras explosivas e Bleve . Para cada ponto de contato. a fim de se evitar o Bleve: a) possuir informação sobre produtos químicos envolvidos.71 Figura 3. por isso tem a prioridade em ser resfriada.

combate ao incêndio e para proteção pessoal. em um raio de 15 m. usar roupas de proteção e manter na área somente o pessoal essencial. utilizar equipamentos fixos do tipo canhão e não manuais. considerados como expostos ao incêndio. para resfriamento. e) providenciar o suprimento de água. apenas o pessoal essencial à operação deve permanecer na área de combate.1 gal/min/ft2 (fogo comum) para resfriamento nas partes superiores do recipiente. portanto. i) efetuar a aproximação junto ao recipiente sempre que possível pela sua lateral e levando em consideração a velocidade do vento e a fumaça (muitas vezes tóxica). pois a ação de combate pode durar várias horas. recipientes “fireproofed”: 25 minutos) para a sua fragilização. Silvio Edmundo Pilz – Curso de Engenharia e Segurança no Trabalho – CETEC . a fim de evitar a formação do Bleve. apesar do tempo ser um pouco maior (recipientes isolados: 90 minutos. Prof. apesar de sua dificuldade em acidentes rodoviários devido aos destroços e falta de visibilidade. A operação deve ser bem coordenada. j) qualquer equipamento utilizado no combate ao incêndio expõe o usuário a grande perigo. A coordenação da operação deve ser eficiente e buscar auxílio de outras entidades (Defesa Civil. Esta operação é muito perigosa e só deve ser realizada em último caso. d) proteger (resfriar) todos os recipientes. A área de acomodação para as pessoas retiradas das edificações deverá estar localizada à 1000 metros do acidente. h) efetuar o fechamento de válvulas ou operação para fechar os buracos nos recipientes somente após o estabelecimento efetivo do resfriamento do recipiente ou esfera. f) garantir a direção correta da água no combate ao incêndio é fundamental. A aplicação de água para resfriamento em recipientes com isolamento térmico ou com proteção contra incêndio (“fireproofing”) também é necessária. em quantidade suficiente.Unochapecó . c) permanecer a uma distância adequada da fonte de incêndio. Aqueles recipientes localizados fora da área de risco não precisam ser resfriados.72 gal/min/ft2 (fogo tipo maçarico) e 0. k) determinar as áreas seguras e distantes do acidente para garantir a proteção das pessoas retiradas das edificações. g) adotar procedimentos específicos e claros sobre as técnicas de combate. Auxílio Médico).

os cursos sobre o assunto. etc). a divulgação de informações. porém com efeitos catastróficos.: armazenamento de GLP. É um evento não muito freqüente. A preparação.73 l) um plano de emergência para este tipo de incidente deve prever o máximo de apoio. Áreas seguras devem ser estabelecidas para garantir proteção. exige uma atenção muito especial durante a concepção e exploração do recipiente sujeito a este perigo. controle e preparação da brigada para o combate. o qual. notadamente quando estes se encontram sob pressão e sua temperatura acima do seu ponto de ebulição à pressão atmosférica (Ex. __________________________________________________________________________________________ UNIDADE II – Explosões. Poeiras explosivas e Bleve . seu transporte rodoviário ou ferroviário. O Bleve é um dos grande perigos das Indústrias Químicas que estocam ou transportam líquidos e gases inflamáveis. Propeno em esferas ou tanques cilíndricos horizontais. a realização de simulados são importantes para a preparação de possível sinistro com possibilidade de Bleve. o treinamento prévio.

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