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Direito de Arrependimento por Elcio Augusto Antoniazi Para a estreia do blog, separei este tema

Direito de Arrependimento

por Elcio Augusto Antoniazi

Para a estreia do blog, separei este tema que apesar de simples, costuma gerar muitas dúvidas

nos consumidores: o Direito de Arrependimento, previsto no Art. 49 do Código de Defesa do Con-

sumidor.

Vamos começar conferindo o texto da lei:

Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, es- pecialmente por telefone ou a domicílio.

Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo, os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados. Com a simples leitura do texto acima, é claro o direito do consumidor de desistir das contratações realizadas fora do estabelecimento comercial, e o prazo para exercer tal direito é de 7 dias.

As dúvidas surgem quando precisamos interpretar para aplicar ao caso concreto o que são

consideradas contratações fora do estabelecimento, e qual o termo inicial da contagem do prazo, uma

vez que o texto de lei determina que é “de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou

serviço”.

Vamos então analisar, primeiro, o que são os contratos realizados fora do estabelecimento

comercial. Algumas situações são facilmente identificadas, como as compras realizadas pela internet,

por telefone ou reembolso postal (catálogos), mas existem também outras modalidades, como vendas

porta a porta, em stands ou até mesmo abordagens em frente às lojas. Todas estas modalidades indi-

cadas comportam o exercício do direito de arrependimento.

É muito importante que fique claro que para o exercício do direito de arrependimento, o con-

sumidor não é obrigado a justificar as razões da desistência ao fornecedor ou prestador de serviços,

sendo certo que não é necessário a existência de qualquer razão que a justifique, como defeito ou di-

vergência de especificação. Basta o simples arrependimento do consumidor.

Com relação ao marco inicial da contagem do prazo de 7 dias para o arrependimento, no

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caso de produtos se dá a partir do momento em que o consumidor tenha efetivo

caso de produtos se dá a partir do momento em que o consumidor tenha efetivo acesso ao bem ad- quirido, ou seja, no caso de compras que não sejam entregues imediatamente, a contagem se inicia no recebimento do produto. No caso de serviços (TV por assinatura, telefonia, etc.), a contagem se dá a partir da contratação, e não de sua realização.

Passamos então para a disposição do parágrafo único do artigo 49, que determina expres- samente que o consumidor deverá receber a devolução de todos os valores pagos, a qualquer título, imediatamente, e monetariamente atualizado.

Tratando da parte ainda aplicável do dispositivo legal, este não deixa dúvidas de que a devolução deve ser de todo o valor pago a qualquer título, incluindo assim valores eventualmente pa- gos pelo frete, por embalagem, ou qualquer outro custo envolvido na contratação em questão. Além disto, deve ocorrer imediatamente, não podendo o fornecedor solicitar prazo para devolução dos valores pagos.

Por fim, o consumidor deve saber que o fornecedor não pode condicionar o exercício desde direito à não abertura da embalagem do produto, isto por que, muitas vezes, somente após a sua ab- ertura é que poderá ser constatado que não se trata daquilo que era esperado. O consumidor deverá apenas conservar o produto sem danos, com a embalagem original, e todos os items que o acompan- ham. E é claro, o consumidor não poderá ter qualquer ônus para o exercício de seu direito, devendo também o fornecedor arcar com os eventuais custos de devolução do produto.

EXEMPLOS DE DESCUMPRIMENTO DA LEI:

São exemplos comuns de descumprimento ao direito de arrependimento garantido ao consumi- dor, as seguintes situações:

Devolução apenas do valor do produto, mas não do frete pago; Devolução parcial do valor pago, sob a justificativa de custos administrativos ou outros do gênero; Recusa de aceitação da devolução devido à abertura da embalagem; Exigência de que o consumidor arque com os custos decorrentes da devolução; Não devolução imediata dos valores, exigindo prazo para fazê-la.

As hipóteses acima são apenas os casos mais comuns, mas existem uma série de outras condutas irregulares que são adotadas por fornecedores e prestadores de serviços.

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COMO EXERCER SEU DIREITO: Para garantir o exercício de seu direito, o consumidor deve tomar

COMO EXERCER SEU DIREITO:

Para garantir o exercício de seu direito, o consumidor deve tomar alguns cuidados básicos e adotar alguns procedimentos, de forma a manter documentado o histórico de todos os seus contatos.

Desta forma, a primeira e mais importante recomendação é de manter a nota fiscal ou con- trato original.

No momento do arrependimento, dentro do prazo de 7 dias, o consumidor deverá notificar imediatamente o fornecedor ou prestador de serviço pelos meios de contato disponíveis, preferencial- mente utilizando-se do mesmo meio adotado para realização da contratação, e solicitar um número de protocolo.

Se o fornecedor ou prestador de serviços se recusar a fornecer um número de protocolo, por segurança, recomenda-se que o consumidor registre também por e-mail sua solicitação.

Caso haja a recusa em aceitar o cancelamento da compra ou contratação, ou seja colocado qualquer obstáculo ou condição, o consumidor poderá fazer uma reclamação no PROCON de sua localidade, ou então procurar o auxílio do judiciário, sendo certo que nos casos que envolvam valores inferiores a 20 vezes o salário mínimo federal, a ação poderá ser proposta no Juizado Especial Cível, sem a necessidade da contratação de um advogado.

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