ESTUDO DE CASO sobre Síndrome de Alienação Parental NOMES FICTÍCIOS: Maria (autora do processo), José (réu) e Mariazinha (filha

das partes, com 05 anos). A pretensão da autora (Maria) é de modificação do regime de visitas à filha, com quatro anos de idade, e que consensualmente estabeleceu com o genitor desta em 16.5.2005. Verifico, nos autos, que o regime de visitas foi fixado já há três anos, sendo certo que as afirmações feitas no boletim de ocorrência de fl. 23 (o pai causa hematomas na filha) não foram ratificadas por laudo que atestasse as alegadas lesões (hematomas e marcas de insetos) que a criança apresentaria. A declaração subscrita por psicóloga (psicóloga clínica, contratada pela autora, sem vínculo com o poder judiciário) à fl. 25 não serve como elemento de convicção em desfavor do genitor, posto que sequer esclarece os critérios e tempo de avaliação usados pela profissional, e em nada indica que o comportamento de ansiedade da menor possa ser atribuído ao pai. Não vislumbro, assim, elementos de convicção seguros, ainda que em juízo de cognição sumária inerente à tutela de urgência, sendo de se propiciar previamente, a bem dos interesses da criança, avaliação do caso. 04/02/09 RELATÓRIO PSICOLÓGICO, em 14/03/09. ANÁLISE: O ex casal teve relacionamento conturbado, com muitas brigas e agravadas pela gestação. Maria, apesar de jovem, atualmente com 24 anos, deixou que sua mãe viesse até o Fórum e conversasse previamente conosco (assistente social e psicóloga). A mãe e o pai exercem total influência sobre as decisões da Maria e considero que este foi o centro dos problemas que o ex casal enfrentou. A Maria era menor de idade quando iniciou o namoro com o José e os pais dela ficaram assustados com o relacionamento. Os conflitos se iniciaram quando ficou evidenciado o relacionamento sexual dos dois. O pai, então, começou a controlar horários e houve discussões, inclusive um BO mostrado pelo José, de que o pai agrediu a própria filha, em gesto de desespero por não ter controle da situação. O pai sentiu-se envergonhado da aparição da filha com o namorado e da exposição sobre a sua virgindade ou não, relatando que os vizinhos comentavam sobre os dois. A mãe da Maria tenta nos passar a impressão de que a família sempre foi harmônica, de que a Maria sempre foi apoiada, mas não relatou os conflitos que a filha teve com o pai em função da sua maturidade sexual. A Maria demonstrou-se incapaz de assumir o casamento e posicionar-se diante dos conflitos, nos relatando que rompeu com o José logo após o nascimento da Mariazinha e que ainda amava-o. Parece sentir-se muito culpada pelos transtornos que causou aos seus pais, por voltar à casa materna com uma filha e de estar 100% sob os cuidados dos mesmos. Foi relatado pela Maria que o seu pai não aceita que o José pague pensão para a Mariazinha, ficando evidente a pressão psicológica que o pai exerce para que os laços se rompam, inclusive a responsabilidade financeira do pai biológico. O José relatou-nos de que percebeu que não era normal seu relacionamento com a filha quando uma parente sua alertou-o de que o amor entre pais e filhos é espontâneo e de que a resistência da Mariazinha era por falta de contato. Dessa forma, tentou impôr sua presença para a menor, em gesto de desespero, aumentando assim a resistência da mesma em sair com o pai porque a companhia dele, após se afastarem da casa materna, ficava tranquila e agradável. A Mariazinha é uma criança de 04 anos bastante comunicativa. Chegou feliz e

sugerimos visitas que serão acompanhadas pela psicóloga deste setor. Quando começa a entardecer. sugiro que a readaptação do pai e filha seja feita de forma lenta e contínua. Na páscoa. Não há qualquer indício de ansiedade caracterizada por comportamento de retraimento. TERMO DE AUDIÊNCIA. "Meu pai não é mau comigo só que ele brigou comigo no carro." Quase todo o seu discurso foi iniciado com uma afirmativa e concluído com uma oposição. restou exitosa. A criança está passando sim por problemas psicológicos porque é muito perceptiva do ambiente materno e sabe que os conflitos gerados entre sua mãe e seu avô dizem respeito ao seu pai José. por exemplo: " eu quero brincar com meu pai. Muito pelo contrário. começa a vincular-se espontaneamente com o pai. o período será prorrogado até que haja parecer . Durante todo esse período haverá o acompanhamento da psicóloga forense e da assistente social forense. porém que a Mariazinha seja entregue para o pai no portão de sua casa e que o pai não entre e seja devolvida na casa da mãe. Em alguma situação. Em caso de não adaptação da criança às visitas do pai e sendo viável de acordo com a avaliação do setor competente. Proposta a conciliação. visto que estará em fase de readaptação. também no portão de casa. sente saudades da mãe e necessidade de voltar. eu quero sair com ele e com a Crislaine" (noiva do pai). página 05. PARECER: Considerando que não há motivo justificável para que o pai da Mariazinha não possa visitá-la. É inteligente suficientemente para evitar que o pai frequente a sua casa. presentes as partes acima identificadas. porque o tempo da criança é muito mais urgente que o do adulto e poderia gerar novamente desconfiança na Mariazinha. II – As visitas ficam regulamentadas da seguinte forma: Para melhor adaptação da menor nos meses de Abril/2009 a Junho/2009 o pai poderá visitá-la nos primeiros e terceiros Domingos de cada mês das 09:00 às 18 horas. não importa o motivo. não há nenhum indício de retraimento na menor. ficará sob a guarda e responsabilidade da genitora. Sugiro que o pai considere os dias e horários de visita como uma grande oportunidade e não tente transferi-los ou compensá-los. No início da entrevista disse que não gostava do pai e após trinta minutos disse: "eu gosto do meu pai. mas não quero que ele vá lá em casa porque o pai e a mãe ficam brigando. a Mariazinha sente que deve ir para a casa. nos seguintes termos: I – A filha menor do casal. Também não foi constatado medo de situações novas ou inabituais conforme sugerido por psicóloga citada no processo. respeitando-se o interesse da criança. o pai terá direito de visitação à menor. em relação ao bem estar da Mariazinha e a sua adaptação. demonstrando que não gosta de sair com o pai. O pai não deve impor à Mariazinha sua visita quando a mesma." . o pai não cumpriu essa necessidade e a Mariazinha ficou apreensiva e desconfiada sobre o pai. Porém. que comunicarão qualquer situação diferente e ao final do período elaborarão novos pareceres sobre a situação da visita. Considerando a resistência do avô materno em relação à presença do José e os conflitos passados. A estrutura de linguagem da Mariazinha denota a sua ambivalência sobre esse pai quando diz.empolgou-se com os brinquedos. assim que sai do ambiente da casa materna. não quiser sair com ele. em 27/03/09 Aberta a audiência. sendo que a entrega e a devolução da criança se darão no portão da casa da genitora.

sem alegações de outros compromissos por parte da mãe. As visitas devem ser semanais e não quinzenais e o pai deve ter acesso a conversar com a filha durante a semana. em 27/04/09 Conforme determinação de Vossa Excelência. dia 23/04/09.favorável às visitas no horário estendido abaixo explicitado. Considerando o acima exposto. sugiro que. Aguardei a manifestação do pai que.. em 14/04/09. b) Fica o pai com direito de ter a filha em sua companhia na metade das férias escolares da menor. 64. INFORMAÇÃO DA PSICÓLOGA. no dia 11/08/2009. duas semanas mais tarde. no termo de audiência (27/03/2009). Sugerimos que as visitas aconteçam uma vez por semana. em 18/08/09 . para que converssem uma vez por dia. dificultando sua vinculação com a filha. A mãe esteve no setor psicossocial junto a menor. em 27/07/09 Informo que as visitas da Mariazinha e o pai aconteceram no Fórum. enquanto a Mariazinha não sair sempre com o pai no sábado. Dessa forma. somente após mudança de conduta de sua mãe. aceitou trocar as visitas no Fórum por visitas no sábado. mediante a elaboração de estudo psicossocial no período de 3 em 3 meses. INFORMAÇÃO DA PSICÓLOGA. via celular. que o mesmo providenciará e que será de responsabilidade da mãe mantê-lo com a Mariazinha em perfeito funcionamento. uma vez por semana. em 06/08/09 Em razão do conteúdo da informação de fls. entendemos que as visitas devam acontecer neste setor para melhores resultados.. R. Solicito convocação da Maria para assistir ao filme sobre alienação Parental. a Maria programou viagem com a Mariazinha e família e não acordou com o José um dia para reposição. No dia 18 de julho aconteceu o primeiro passeio fora do Fórum e a receptividade da Mariazinha foi excelente. INFORMAÇÃO DA PSICÓLOGA. 11/08/09. no item II – referente à regulamentação de visitas do pai para a menor Mariazinha.. das 09:00 horas do Sábado às 18:00 horas do Domingo. Porém. Intime-se. à noite. comunico que houve resistência da menor em aceitar sair com o pai. agiu contrariamente à facilitação do vínculo do pai e da filha. ou sumisso. determino a convocação da genitora Maria para assistir ao filme sobre alienação parental. Após este período. A Mariazinha foi bastante resistente e. relatou as dificuldades de realizar as visitas na casa da criança em tela. às 18:00 horas. 18h. Diante da resistência da mãe. iniciando no dia 06/05 as 17:00 horas. neste Fórum. sendo assumida a despesa do crédito pelo pai e de qualquer avaria. ou desligamento do celular. no sábado seguinte (25/07/09). os encontros permanecerão no Fórum. pela mãe. alegando que a mesma está tendo febres e não quer mais ver o pai.h. havendo parecer favorável do setor psicossocial: a) O pai poderá visitar a menor nos primeiros e terceiros finais de semana de cada mês. no Tribunal de Júri.

Sugiro que a Mariazinha seja entregue ao pai na sexta-feira. Importante recordar que durante o período de adaptação da criança para com o seu genitor. não conseguindo o pai exercer seu dever de visita. "nos dias de visita a mãe não pode ter o direito de conservar o filho com ela. A "aparente" agressão à acomodação emocional de Mariazinha. porém. amanhã (sábado. O pai tem todas as condições para cuidar da Mariazinha. Jorge Zahar Editor. 72/73 que "(. Vitor.. estivemos aqui para ajudá-la. tentaremos por fim em um processo de alienação que durará a vida de Mariazinha se não for interrompido. o espaço que lhe pertence é ter o 1 Dolto. e que o pai a devolva somente no domingo 18h. Me ligue que eu quero falar com você. 51/52. em 20/09/09 Trata-se de Ação de Regulamentação de Visitas. informo que mesmo diante dos esclarecimentos que tenho tentado fazer na esfera emocional da tríade (Maria – Mariazinha .) Mariazinha seja entregue ao pai na sexta-feira. quer o outro genitor não compareça. Dos acompanhamentos realizados. a Maria diz: "fiz minha parte.. Vitor. O genitor contínuo deve respeitar esse espaço. não se fazendo presente para a criança nesse dia – quer a criança se recuse a ver o outro genitor. que elas a confiem. nesse dia. destruindo a imagem do pai e fazendo com que Mariazinha não sinta interesse em estar com o pai. .. gravada no celular do José. etc. mas não está executando as orientações. Que se diga às mães que elas não têm que guardar a criança no dia reservado ao pai. Maria foi orientada por nós a fazer o caminho da volta. Assim. a Psicóloga forense sugeriu às fls. RJ. e não vou desmarcar por sua causa. o trabalho de ida em direção à alienação parental foi feito pela Maria e família. não houve interesse da parte da mãe. a um parente neutro. A "aparente" agressão à acomodação emocional de Mariazinha." Dentro dessa perspectiva educacional. O pai tem todas as condições para cuidar da Mariazinha.Com o devido respeito. Françoise. Não vou te esperar. Mariazinha é resistente para sair com o pai. devido ao processo de alienação vivido de 01 ano até os 6 anos. Quando os Pais se Separam. senhor José. 64 e 72/73. Assim. sabendo ou não. "Oi. foi determinado que houvesse o acompanhamento da psicóloga forense e da assistente social forense. já que este é o dia em que você tem a obrigação de se dedicar ao seu pai". conforme demonstram os relatórios de fls. Se a criança não quiser ver o pai. deve saber fazer o caminho da volta. nesse dia: "Hoje não posso ficar com você. Transcrevo a última ligação telefônica que o atual companheiro de Maria. A postura da mãe é o foco do insucesso: não se opor ao "querer" da Mariazinha. após o horário de aula." Fone de origem: 8462-1119. Maria está recebendo orientações de como agir em relação ao restabelecimento do vínculo pai e filha. não posso obrigar minha filha".José). Quem faz o caminho da ida. quando a mãe aceita ficar com seu filho. em que as partes acordaram o direito de visitas nos termos expostos às fls. 58. 2003. e que o pai a devolva somente no domingo 18h. a criança acredita inconscientemente que tem direito exclusivo sobre essa mãe. Segundo Françoise Dolto1. É importante que o genitor que a abriga lhe diga. de qualquer forma. abrirá um espaço para o que lhe pertence. se a criança diz "não". Assim. dia 15/08/09). isto é desalienar a filha em relação ao pai. o que efetivamente vem sendo cumprido. após o horário de aula. Vistos. abrirá um espaço para o que lhe pertence. A Mariazinha está falando que não quer sair com você. o espaço que lhe pertence é ter o pai em sua vida. tentaremos por fim em um processo de alienação que durará a vida de Mariazinha se não for interrompido. ainda assim. Caso contrário. tenho um compromisso e vou levar a Mariazinha e a mãe dela. fez ao pai de Mariazinha na noite anterior à visita do pai para a Mariazinha.

Consigno. Notifique-se. cit. II). a qual é acatada e deferida por este juízo. ainda.069/90 arrola: a) encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico. Com vista dos autos. ficando garantido ao genitor o direito de visitas quinzenalmente. e e) suspensão ou destituição do poder familiar. Desde já. por fim. que a forma acima estabelecida deverá ter seu cumprimento já no dia de amanhã. por ser fator imprescindível ao seu integral desenvolvimento. 129 da Lei 8.. sob as penas da lei e de lesão grave à filha ntimem-se. devendo a criança ser entregue pela mãe no Setor Psicossocial. Decido e advirto ambos os genitores: Lamentável. diga-se de passagem (CF/88. como determinado em acordo ou sentença.069/90) [. 98. Assim. sendo que a convivência com o pai é um direito a ser preservado e garantido à criança. podendo pegar a filha na sexta-feira.. até às 19:00 horas.. [. continue dificultando o relacionamento da filha com o genitor. Ressaltando a inegável prevalência dos interesses da filha. art. b) realização de cursos ou programas de orientação. 227) o citado doutrinador indica o caminho para assegurar o direito de visitas: "Sendo o visitado criança ou adolescente. dever-se-á destituí-la da guarda ou. suspendê-lo ou destituí-lo do poder familiar (art. pessoa adulta." (op. é seu dever facilitar a convivência entre visitante e visitado a abster-se de opor empecilhos ou obstáculos a que elas venham a transcorrer no tempo e no espaço. sob a supervisão da Psicóloga Forense. se o fato for grave. d) perda da guarda. Fábio Bauab. É o relato do necessário. 22 c/c o art. por certo. afeta o bem-estar da criança. c ) advertência. informo que após as visitas terem sido decididas com a entrega da Mariazinha no Fórum. devendo devolve-la à genitora no domingo até às 18:00 horas. 73 mostra-se razoável. o art. advirto à genitora para o cumprimento da decisão judicial. após o horário de aula. esclarecida e ciente das consequências emocionais que pode causar à filha. não obstante a certeza de que as partes conhecem seus direitos e obrigações. 74). de estatura constitucional. especialmente em prol da filha comum. levando-se em consideração os pareceres emitidos pelo Setor Psicossocial.] "No terreno das visitas. a posição do guardião é a de verdadeiro devedor de uma obrigação de fazer. por isso. o Representante Ministerial nada opôs quanto à sugestão feita pela psicóloga (fl. 24 da Lei 8. 2005. Outrossim. ou seja. Direito de Visita – São Paulo : Editora Saraiva. quinzenalmente. 177/179) Ante o exposto.pai em sua vida". pode-se lançar mão das medidas de proteção previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente sempre que o guardião omitir-se ou faltar com seus deveres ou abusar de seu direito (art. positiva e negativa. e devolvida . INFORMAÇÃO DA PSICÓLOGA.] "Persistindo o guardião com o propósito de dificultar a visita ou não cumprindo a determinação judicial de submeter-se a tratamento psicológico e participar de curso de orientação familiar. determino que o sistema de visitação continue sendo acompanhado pelo setor psicossocial." (BOSCHI. 175). bem como considerando o princípio do melhor interesse da criança. em 22/10/09 Com o devido respeito e consideração. que a genitora. a sugestão de fl. o que. "Dentre as medidas protetivas pertinentes aos responsáveis pela criança ou adolescente. 21/08/2009. importa transcrever da doutrina: "Um grave problema é conscientizar o guardião quanto à importância da visita para o visitado. p..

nos moldes dos horários fixados na decisão de fls. Sugiro que não haja aberturas para trocas de dias de visitas. R. Mariazinha chorou e se agarrou na mãe .Maria colaborou com a proposta.em casa. não sendo capaz de demonstrar seu amor pelo pai para não magoar a mãe. Mostra-se que é "obrigada" a sair com o pai para permanecer "fiel" ao desejo da mãe. INFORMAÇÃO DA PSICÓLOGA. sugiro o despacho para o próximo feriado 02/11/09 e todos os seguintes. Dalí para frente. devendo encaminhar relatório no prazo de 20 (vinte) dias. R. Entretanto. Esse sentimento tende a diminuir conforme Mariazinha amadurecer e sentir-se segura com o pai. Mariazinha mostra-se apta a aceitar o pai e reconstruir certos conceitos sobre o mesmo. iniciando-se a partir do feriado de 02/11/2009 junto ao genitor. decisão esta alicerçada também na informação de fl. nem exceções e que qualquer falta por emergência. Nas duas primeiras tentativas. considero que podemos interromper o acompanhamento no Fórum desde que a família da Maria mantenha-se respeitando o espaço do pai na vida da Mariazinha. Mariazinha ainda guarda em seu relacionamento com a mãe. em 26/01/10 Ao Setor Psicossocial para que informe ao juízo a atual situação do caso. Porém. . No dia 12/10/09.. Após a juntada da devida informação. Também ficou com a sequela do medo de fracassar e não conseguir manter o interesse da Mariazinha. 87.. devido aos inúmeros fracassos no passado. Hoje. "conflitos de fidelidade". Caso encontre ainda dificuldades nesse sentido. José procura restabelecer o vínculo sem perder de vista o compromisso com a educação e autoridade da filha. de forma alternada.h. Após um período. A partir desse ponto. Assim. há controvérsias referente aos feriados.h. informo que as visitas supervisionadas no Fórum atingiram o objetivo – restabelecer o vínculo afetivo entre a filha e o pai. em 30/10/09 Considerando o progresso no fortalecimento dos laços afetivos entre pai e filha. determino que sejam incluídos no sistema de visitação os feriados oficiais. Mariazinha está fazendo o teste da realidade. para que não haja desentendimentos entre as partes em relação a alternância dos feriados. Mariazinha mostrou-se resistente. deve ser reposta para as visitas do pai. As primeiras vezes. a chegada e saída de Mariazinha tem sido em clima alegre e descontraído. Maria passou esse dia com Mariazinha e só aceitará alternar os feriados com o devido despacho de sua Excelência. em 09/02/10 Com o devido respeito e consideração. Diante do exposto e do sucesso do restabelecimento do vínculo afetivo. Atualmente. podemos retornar a qualquer tempo as visitas supervisionadas no Fórum. 51/52. o que dará a Mariazinha a noção de autoridade e limite. chorava e se agarrava à mãe. mas voltaria para a mãe. compreendeu e começou a aproveitar os momentos bons e mostrar-se segura de que iria com o pai. seu afeto pelo pai é espontâneo e positivo. verificando na família do pai se certos fatos ocorrem ou não conforme o que lhe era dito. indo embora. o vínculo entre o José e a Mariazinha começa a se restabelecer com sucesso. dê-se vista ao Ministério Público.

parentesco. relatando o seguinte: Mariazinha foi hospitalizada para operar as amídalas e teve alta em 14/04/10. e dificulta o fortalecimento dos laços de afeição. no dia 15 de abril de 2010. Em 01/12/10.. que a injusta negativa da genitora em permitir as visitas configura descumprimento de ordem judicial e viola não apenas os direitos do genitor. No dia 16/04/10. recebi a visita da advogada da Maria trazendo algumas reclamações importantes da sua cliente sobre as visitas do pai para a filha. ainda. desde já. sugerindo que a criança não sairá de casa durante esse período. Considerando. mas. entrega da criança fora do horário) sobre a mudança de cidade da Maria e Mariazinha e necessidade de novo arranjo de visitas. 2) Maria conhecia a sua responsabilidade em não obstruir o vínculo afetivo entre Mariazinha e seu pai? 3)Quais as iniciativas do judiciário para alertar Maria sobre a alienação parental? 4) Mariazinha apresentou alguma sequela em sua personalidade. A advogada também intencionou orientação a respeito de como conduzir a situação com sua cliente. (mordida de insetos. esta antecipou que Mariazinha estará de licença escolar por 30 dias. por fim. em conversa com a avó materna. 98. conforme as orientações prescritas pelo médico. 100. É a informação. em 15/04/10 Com o devido respeito e consideração. através de serventuário de plantão. informo que José esteve no setor psicossocial. José foi avisado somente após a operação. que havendo oposição de qualquer dos genitores quanto ao direito de visita acordado. além de comprometer-se espontaneamente com todas as condições de convalescência da criança. mas também o da filha. importante registrar. a informação de fl. poderá ocorrer a perda da guarda. Intimem-se. referente ao conflito dos pais e a alienação? . carinho e amizade entre pai e filha. em 16/04/10 Considerando a informação de fl. se necessário. por concordar com o diagnóstico da SAP e com as determinações judiciais que alcançaram os objetivos de restabelecer a comunicação entre o pai e a filha. determino que a visitação passe ocorrer na forma acordada às fls. na medida em que a priva da convivência paterna. pessoalmente. José deverá buscar a filha para visita. sexta-feira. 51/52.INFORMAÇÃO DA PSICÓLOGA. Consigno. o que fez com que José viesse até o setor para garantir seu direito de visitas. não utilização obrigatória da cadeirinha de segurança no carro. QUESTÕES SOBRE O CASO 1) Em qual informação há indícios de alienação parental? Utilize os 04 critérios que indicam que a SAP está a caminho. R.h. mostrando-se apto para cuidá-la e medicá-la.

5) Quais os erros cometidos pela profissional que acompanhou o caso ou pelo juízo? 6) Quais os acertos? 7) Há acusação de abuso sexual? 9) Qual o grau de SAP que você apontaria no caso? Utilize a tabela de sintomas da criança para se orientar. . já que no mesmo caso o grau pode variar conforme o sintoma que a criança apresenta? Essa resposta demanda alguma experiência dos profissionais do judiciário que trabalham nos processos de SAP. Sugiro novos encontros. 10) Justifique a exclusão dos outros graus! 11) Por que diagnosticar o grau da SAP é importante.

Medo da criança em relação ao pai. O juízo aceitou a sugestão. capacidade para a mentira (mentiu sobre o presente do dia dos pais. impossibilita o teste da realidade e a experiência positiva com esse pai. 6) Rapidez nas informações da profissional e sugestões para impedir a alienadora de utilizar suas artimanhas. a criança apresentou grau severo. mas em relação as dificuldades de visita na casa do pai. Ameaças judiciaias para a alienadora e definição clara das condições de visitas do pai. 10) Não é grau leve porque a criança não se permitia sair com esse pai ou entregar-se aos seus cuidados. capacidade para a manipulação e medo de ser autêntica = falso eu. dizia para a mãe que não queria mais ter aquele pai). agarrandose no portão ou se escondendo dentro da casa. o que rompe o vínculo. as visitas e pernoites são impossíveis de se realizarem ou muito dificultadas pela própria criança. 4) Evitação do pai e portanto inpossibilidade de ter o outro lado para testar a realidade. ampliação para o mesmo. No grau leve não há dificuldades durante as visitas. Precisou haver restrições e ameaças de reversão de guarda à mãe. 8) Grau moderado em outros sintomas. com as determinações judiciais feitas rapidamente. Acusação de que o pai é perigoso e causa hematomas na filha = abuso físico ou negligência. Maria utilizava sua mãe como porta voz e evitava qualquer comunicação com o pai da criança = deteriorização da relação do casal depois da separação. conflito de fidelidade com a mãe e avós maternos. o que rompe o vínculo. em estreita sintonia com as sugestões da psicóloga. 7) Não. rapidez das decisões do juízo em benefício da reestruturação do vínculo afetivo do pai e filha. Não é grau severo porque. 5) No início do atendimento. 9) Grau moderado em outros sintomas. mas em relação as dificuldades de visita na casa do pai. a criança foi aceitando afastar-se da mãe para conhecer o pai. a criança apresentou grau severo. impossibilita o teste da realidade e a experiência positiva com esse pai.RESPOSTAS DAS QUESTÕES 1) Tentativa de suspensão das visitas feita pela Maria = obstrução de todo contato. . no próprio parecer. 2) Não. alerta de possível reversão de guarda em caso de descumprimento de ordem judicial. No caso severo. resistência da criança em sair com o pai. conflito de fidelidade para com a guardiã = medo da criança. 3) Convocação para ver o filme. a profissional sugeriu que o pai não forçasse Mariazinha a sair com ele. procurando agradar as mesmas e demonstrando desprezo pelo pai.

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