Você está na página 1de 5

O que é ónus?

Ónus é a situação jurídica que consiste na necessidade de adoptar determinada conduta para que seja satisfeito o interesse da própria pessoa, sendo que não existe sanção jurídica no caso de tal conduta não ser realizada. Uma norma jurídica contém: Previsão – indicação dos factos à qual se reporta; projecta uma situação, hipótese, modelo, cria um cenário passível de acontecer  Estatuição – regra jurídica para o caso de os factos previstos se verificarem  Sanção – consequência negativa que advém para quem não cumprir o estatuído na norma  A norma estatui materialmente (sobre factos) ou juridicamente. As normas podem distinguir-se de diversas maneiras:                   Imperativas – determinam uma conduta obrigatória para o destinatário (a obrigatoriedade da norma) Preceptivas – impõem uma acção [CC 1323] Omissivas – impõem uma atitude omissiva Permissivas – permitem a realização de determinado comportamento. Existe uma possibilidade de acção ou de obtenção de resultado. Ex: testamento Supletivas/subsidiárias – são aplicadas se as partes a isso não obstarem Proibitivas – revestidas de imperatividade, proíbem comportamentos Interpretativas – estabelecem a compreensão de outra norma, a interpretante [CC 334] Ordenadas – estipulam comportamentos e, regra geral, impõem sanções. Define um contexto e tenta evitar ruído ao qual a perceptiva responde. Sancionatórias – fixam sanções Directas – aplicam-se a todos os sujeitos Indirectas – aplicam-se a uma parte dos sujeitos Completas/perfeitas – contêm sanção Incompletas/imperfeitas – não têm sanção fixada. Proibitivas – proíbem determinada acção ou conduta Preceptivas – impõem determinada acção ou conduta Permissivas – permitem determinada acção ou conduta Injuntivas – não podem ser afastadas pelas partes Dispositivas/supletivas – aplicáveis se e só se as partes não as afastarem

têm poder/autoridade do próprio) são os dispositivos formais (por oposição aos informais. Órgãos de Polícia Criminal. adaptam-no ou especificam-no para certos pontos ou situações Excepcionais – contrariam o regime geral [CP viola direitos de liberdade consagrados na CRP] Perfeitas – contêm uma sanção que é a nulidade do acto jurídico Imperfeitas – não contêm uma sanção Mais Que Perfeitas – contêm uma sanção que vai além da nulidade do acto jurídico Menos Que Perfeitas – contêm uma sanção que não a nulidade do acto jurídico A lei pode impor um comportamento pela proscrição da antítese. uma regra aplicável a determinado tipo de situações Especiais – não contrariando o regime geral. Foucault] Os Dispositivos que asseguram a normalidade através do recurso à força (à lei) e fazem parte da estrutura do Estado (logo. não trazem um novo regime jurídico Inovadoras – trazem um regime jurídico novo Gerais – trazem um regime. «A coercibilidade exerce-se através do dispositivo de controlo social» [M. Daí que a coerciblidade seja um elemento fulcral da ordem jurídica. A primeira é anterior ao facto. Técnica.. incluem:  Ministério Público  Polícias (Judiciária)  PSP. não estruturados oficialmente no Estado). Os primeiros.. A protecção coactiva pode-se distinguir entre a preventiva e a repressiva. O Direito visa salvaguardar os direitos da comunidade que regula. e recebe o nome de prevenção primária.           Autónomas – regulam uma situação de vida por si só Não Autónomas – necessitam de outras normas para regular essa situação [Direito Internacional Privado] Interpretativas – estabelecem a compreensão de outra norma. Tem como . GNR (polícia civil)  SEF  SIS  Polícia Marítima     Os segundos incluem Grupos/Lobbies Económicos Igrejas Comunicação Social Comunidades Científica.

pode ser realizada por via judicial (tribunais)  Administrativa – ou seja..) A tutela pública pode ser  Preventiva – o conjunto de medidas tendentes a impedir a violação da ordem jurídica e a evitar a inobservância das normas jurídicas. «É a lei infringida e furiosa que parte em busca do infractor» [Definição de Foucault] A sanção. Este tipo de tutela pode conhecer diversas formas. a prevenir ou reparar a violação dele e a realizá-lo coercivamente. Código de Processo Civil 1 – Proibição de Autotutela A ninguém é lícito o recurso à força com o fim de realizar ou assegurar o próprio direito. pode ser:  Criminal (pena) . a segunda é posterior ao facto e recebe o nome de prevenção secundária. podendo assumir a forma:  Judiciária – isto é. e só é admitida pela lei a título excepcional e subsidiário [CPC 1.  Compulsiva – o conjunto de medidas tendentes a actuar sobre o infractor de certa norma jurídica. A tutela privada (autotutela) é aquela que é assegurada pelo própio titular do direito violado. A lei prevê três meios de tutela privada. pode ser conseguida pela administração pública (forças policiais. de recurso à força própria:  Acção directa [CC 336]  Legítima defesa [CC 337]  Estado de necessidade [CC 339] A tutela pública ou estadual é aquela que é assegurada pelo Estado com o objectivo de garantir a boa aplicação e cumprimento das normas jurídicas.2]. Sanção é a consequência desfavorável que atinge o infractor em caso de violação ao estatuído na norma.. de forma a levá-lo a adoptar o comportamento adequado  Repressiva/sancionatória – o conjunto de sanções que podem ser aplicáveis em consequência da violação das normas jurídicas. corresponde a acção adequada a fazê-lo reconhecer em juízo. Como exemplo temos a prorrogação de prazos para entrega das declarações de IRS com vista a diminuir o número de entregas fora de prazo. é um instrumento posto em prática por uma cadeia de acções de um dos dispositivos formais. etc.. tendo em vista reparar essa violação. Por sua vez. cujo objectivo é a domesticação e socialização do sujeito.objectivo prevenir a violação à norma de ocorrer. bem como nos procedimentos necessários para acautelar o efeito útil da acção.. excepto quando a lei determine o contrário.) A todo o direito. assumindo especial importância e relevo duas delas: medidas de segurança e procedimentos cautelares. ou seja. salvo nos casos e dentro dos limites declarados por lei Código de Processo Civil 2 – Garantia de Acesso aos Tribunais (.

† .      Civil (sanção) Disciplinar De mera ordenação social Uma sanção pode ser: Pecuniária (pagamento de uma quantia em dinheiro. ‡ .e. indemnização) Restaurativa (restaurar a situação original) Jurídica (ineficácia do acto) As sanções podem ainda ser:  Pessoais – aquelas que incidam sobre a pessoa do sujeito do infractor (p. . Decreto Regulamentar – aprovado em Conselho de Ministros.e. prisão)  Patrimoniais – aquelas outras que versam património do sujeito (p. promulgado pelo Presidente da República 2. Despacho Normativo – aprovado em Conselho de Ministros. não promulgado pelo Presidente da República 3. Regulamento Local – aprovado pelo poder local Todos estes são publicados em Diário da República.Lei Interna Ordinária Os regulamentos também têm a sua hierarquia: 1.e. p. multa)      Há ainda sanções: Reconstitutivas – que visam reconstituir a situação antes da violação da norma Ressarcitórias/Compensatórias – que visam compensar ou ressarcir o dano Punitivas/Penalizadoras Invalidatórias – para impedir que se realize o efeito jurídico que o sujeito esperava obter através do ilícito Compulsórias/Compulsivas – obrigam o sujeito a realizar um comportamento ao qual ele se tentara furtar (p.O Direito Internacional Público goza do Princípio da Recepção Automática. Portaria – aprovada por um ou mais ministro(s) 4. entra em vigor quando aprovado internamente.e. faltar ao pagamento do IRS leva a uma penhora que é levantada quando o sujeito pagar) O Direito que gera benefícios (=prémios) por oposição a sanções como consequência a determinadas acções recebe o nome de Direito Premial.

portarias. regulamentos policiais. regulamentos e posturas locais . circulares. costume e jurisprudência internacionais) Actos Normativos‡ (leis. despachos. decretos. tratados não-comunitários.CRP / Direito Comunitário Direito Internacional Público† (convenções. decretos-leis e decretos legislativos regionais) Actos de Administração‡ (regulamentos. resoluções do Conselho de Ministros. instruções.