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ESCOLA DE MASSOTERAPIA SOGAB Disciplina de Fisiologia Aplicada APOSTILA DE FISIOLOGIA

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1. INTRODUÇÃO Sabemos que o envoltório celular, a chamada membrana plasmática, possui em sua constituição lipídica proteínas diversas, de variados tipos e tamanhos, o que lhe caracteriza uma imagem mosaica. Mas qual a importância destas proteínas? Principalmente, estes elementos participam de transportes, fluxo de nutrientes e íons do meio intra-celular para o meio extra-celular e vice e versa, função de extrema importância tanto para a sobrevivência celular como também para a manutenção da homeostasia do organismo. É através destes pequenos movimentos de íons e substâncias que se realiza todo o funcionamento do nosso corpo, porém, para que haja estes fluxos, se faz necessária grande quantidade de energia. E de onde vem toda essa energia? Todo o alimento que ingerimos, é convertido através de reações metabólicas em moléculas de energia. Conceitos: • Metabolismo: Anabolismo + Catabolismo • Anabolismo: É a ação de incorporar nutrientes para processar substâncias e extrair substratos necessários para a manutenção das funções corporais. • Catabolismo: Fragmentação enzimática de moléculas grandes, que são reduzidas em moléculas pequenas a fim de serem oxidadas pelas células e posteriormente, eliminadas. • ATP: é a forma que o organismo encontrou para armazenar energia (trifosfato de adenosina). São Três fósforos (P) ligados a uma adenosina. A energia é armazenada entre as ligações de fosfato com a adenosina e pode ser liberada independentemente. O nosso organismo é capaz de gerar energia através de duas vias, via aeróbica (ou oxidativa – com presença de oxigênio) e via anaeróbica (ou glicolítica – sem presença de oxigênio). A via glicolítica é uma seqüência de 10 reações enzimáticas que quebram uma molécula de glicose em 2 ATPs + ácido pirúvico. Com a presença de oxigênio, o ácido pirúvico presente no citoplasma celular (ou piruvato) entra na mitocôndria, onde sofre diversas reações enzimáticas (Ciclo de Krebs), dando origem a 36 moléculas de ATPs. Esta última é a chamada via oxidativa. Sem a presença de oxigênio, o ácido pirúvico em excesso gera o ácido lático (ou lactato), principal causador das dores musculares após as atividades físicas. Portanto, para que seja formada energia em grande quantidade é necessário a presença de oxigênio. Etapas: 1. A glicose é ingerida na alimentação e através da corrente sangüínea é liberada no líquido intersticial. 2. A insulina é um hormônio que estimula os receptores de membrana, facilitando a entrada da glicose na célula através da difusão facilitada. 3. Dentro da célula, a glicose sofre ação de enzimas citoplasmáticas gerando 2 moléculas de ATP + ácido pirúvico 4. O ácido pirúvico é levado através de transportadores até a mitocôndria, onde entra no ciclo de Krebs formando, o ácido oxalacético e 36 moléculas de ATP. 5. O ácido pirúvico não utilizado sobra e, devido a um déficit de oxigênio, gera o ácido lático. Como já mencionado, o ATP é necessário para qualquer função do nosso organismo, seja para a contração muscular, para o impulso nervoso, para a manutenção celular etc. A energia está armazenada entre as ligações da adenosina com os fosfatos. Assim que é quebrada uma destas ligações e é liberada energia, o ATP (trifosfato de adenosina) é convertido em ADP (difosfato de adenosina). Se o ADP for utilizado novamente liberando mais energia, passa a ser chamado de AMP (monofosfato de adenosina).

Após a quebra da ligação fosfato/adenosina o fosfato liberado é adicionado a um composto denominado fosfocreatina (creatina + fosfato) formando uma reserva energética. No momento em que for necessária energia rápida sem a presença de oxigênio uma enzima denominada creatina knase extrai o fosfato do composto, adicionando-o a um ADP formando de uma forma bastante rápida o ATP. A este processo denominamos ressíntese de ATP.

Profª Cíntia Schneider

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se o resultado de glicose for de 90mg / 100ml está normal. pois está dentro dos limites.br No organismo este processo serve para repor rápidamente os níveis de ATP celular. como no músculo esquelético e cardíaco. O que é feedback? É um processo que visa restabelecer o equilíbrio do meio interno de modo constante. reduz a concentração do dióxido de carbono. tornando-o capaz de se relacionar com as mudanças do meio externo. Essa resposta também é negativa em relação ao estímulo inicial. por sua vez. Isso. De modo inverso. com valores funcionais. Na regulação da concentração de dióxido de carbono. 2. porém de ação duradoura e de efeito amplo sobra o organismo. Feedback Negativo Feedback negativo: é quando a alteração funcional se faz num sentido e a reação para a correção em outro.35 não quer dizer que o organismo esteja em desequilíbrio. O nosso organismo possui a capacidade de manter-se em equilíbrio. em curto prazo e com efeito localizado sobre o ponto de desequilíbrio. a alta concentração de dióxido de carbono no líquido extracelular aumenta a ventilação pulmonar. o sistema nervoso apresenta ação rápida.com. provoca uma alteração (física ou química) no organismo. Através dessas propriedades. Profª Cíntia Schneider 2 . os valores normais para parâmetros sanguíneos de glicose são 75 – 110 mg / 100ml. A maior parte dos sistemas de controle do corpo atua por meio de feedback negativo. Mas esses valores não são fixos ou seja. Este é um processo que decorre sem a necessidade de oxigênio. de manter uma constância no meio interno.0 ou 6. se o pH do sangue estiver 7. um intervalo entre o valor máximo e mínimo que mantém sempre em equilíbrio o meio interno. a alta concentração produz redução da concentração. já o sistema endócrino possui ação mais lenta. a resposta do sistema de controle é oposta ao estímulo. Em resposta a um estímulo.5 já é considerado um desequilíbrio orgânico. existe um valor médio. garantindo a homeostase do organismo. Dois sistemas atuam na manutenção da homeostase. nessa condição. O aumento ou diminuição de uma função (pressão arterial). isso faz com que ocorra aumento por feedback dessa concentração.43 ou 7.4. e esta alteração desencadeia uma reação para a correção funcional. permitindo que ele ainda funcione por algum tempo mesmo que não haja oxigênio disponível. a médio e longo prazo. ou seja. o organismo torna-se estável e invariável diante das mudanças exteriores.ESCOLA DE MASSOTERAPIA SOGAB Disciplina de Fisiologia Aplicada www. Os dois sistemas agem de maneira integrada. este processo não consegue se manter por muito tempo. garantindo o equilíbrio dinâmico.sogab. porém se o pH estiver em 8. como por exemplo pressão arterial = 120/80 mmHg ou pH do sangue = 7. os pulmões eliminam maior quantidade de dióxido de carbono do corpo. o que é negativo em relação ao estímulo desencadeante. Tanto o sistema nervo como o sistema endócrino agem através de sistemas de feedback positivos e negativos. porém. por exemplo. Outro exemplo. caso a concentração de dióxido de carbono caia a valores muito baixos. Em outras palavras. o sistema nervoso e o sistema endócrino. ORGANISMO EM HOMEOSTASE Homeostasia: Permanente tendência do organismo de manter a constância do meio interno. porém. se o resultado for 120 mg /100ml está fora dos parâmetros de equilíbrio. Relativa independência do organismo em relação às oscilações do ambiente externo. visto que.

o que provoca a elevação da pressão arterial até seu valor normal. do local de maior concentração para o local de menor concentração. e este fluxo ocorre através das proteínas presentes na membrana plasmática das células. e nestes casos é necessário um canal específico. além de maior facilidade do fluxo sangüíneo pelos vasos periféricos. é a retraoalimentação positiva observada em casos nos quais a alteração funcional e a reação se fazem no mesmo sentido. o sistema baroceptor. que facilite a entrada ou saída destas moléculas. Esse processo continua até que a ruptura vascular seja ocluída... Profª Cíntia Schneider 3 . ectoproteína e transmembrana. Feedback Positivo O estímulo inicial produz mais estimulação do mesmo tipo. aumentando o desequilíbrio. no pescoço.ESCOLA DE MASSOTERAPIA SOGAB Disciplina de Fisiologia Aplicada www. De modo inverso. é necessária uma comunicação contínua entre as células deste organismo. # Contrações uterinas: aumento das contrações – cabeça do feto força a passagem pela cérvix – estiramento da cérvix – sinais enviados de volta ao corpo uterino – contrações uterinas mais fortes. enfraquecimento cardíaco. ciclos viciosos e morte. Ex: # Coagulação do sangue: o rompimento de um vaso sanguíneo dá início à formação do coágulo. queda da pressão arterial relaxa os receptores de estiramento. 3. e para que ocorra esta comunicação se faz necessário “portas” de entrada e saída de substâncias.. que atuam como um canal de passagem do meio intra-celular para o extra-celular e viceversa.br Diversos sistemas contribuem para a regulação da pressão arterial. substâncias como gases e moléculas pequenas sem cargas elétricas ultrapassam facilmente a camada celular. Esse ciclo se repete até a morte. Quando a pressão arterial fica elevada. Para que haja controle do equilíbrio do meio interno. reduz o número de impulsos transmitidos pelo sistema nervoso simpático para o coração e vasos sanguíneos. Mas por que são necessários estes canais para a entrada e saída de substâncias? Simplesmente porque há certos tipos de substâncias que não conseguem ultrapassar a membrana celular. por sua vez. Até a expulsão do feto. Ex: # Diminuição do volume sanguíneo (perda de sangue) – diminuição da pressão arterial. Nesse local. permitindo que o centro vasomotor fique mais ativo que o usual. que por sua vez ativa diversas enzimas – “fatores de coagulação”.sogab. porém moléculas grandes (como a glicose) ou moléculas com cargas elétricas (Na+. existem muitos receptores neurais. Nas paredes da região onde ocorre a bifurcação das artérias carótidas. Um deles.que atuam sobre outras enzimas. diminuição do fluxo sanguíneo p/ o coração – enfraquecimento cardíaco. esses dois efeitos fazem com que a pressão arterial caia até seus valores normais. ativando mais enzimas. MEMBRANA PLAMÁTICA E TRANSPORTES Estão presentes na membrana plasmáticas dois tipos de proteínas: *proteínas intrínsecas – endoproteína. Existem três tipos de transporte: Difusão simples: transporte de soluto que ocorre a favor do gradiente de concentração de determinada substância. A falta desses impulsos diminui a atividade bombeadora do coração.com. é exemplo simples e excelente de um mecanismo de controle. esses impulsos inibem o centro vasomotor. diminuição do bombeamento cardíaco. OBS: O Feedback Positivo causa. que são estimulados pelo estiramento da parede arterial. ativando o crescimento do coágulo. por vezes. A este fluxo de substância chamamos de transportes de membrana. *proteínas extrínsecas – interna e externa.. chamados baroceptores. Cl-) não passam pela membrana celular. que. Os tipos principais de proteínas participantes de transportes são as do tipo transmembrana. diminuição do fluxo sanguíneo coronário (arterial). os baroceptores emitem descargas de impulsos para o bulbo.. sem que se faça necessária a presença de proteínas carreadoras para facilitar o fluxo desta substância. no encéfalo.. bem como no arco aórtico.

Transporte Passivo (difusão facilitada): transporte de soluto que ocorre a favor do gradiente de concentração. do local onde está menos concentrado para o local mais concentrado. Ex: As moléculas X passam do compartimento onde estão em maior quantidade (A) para onde então em menor quantidade (B).sogab.com. porém neste caso. Profª Cíntia Schneider 4 .br Proteínas carreadoras: proteínas que mudam sua conformação para transportar moléculas muito grandes ou carregadas eletricamente. com gasto energético. Transporte Ativo: é o transporte de soluto que ocorre contra o gradiente de concentração. Osmose: é o transporte de solvente (líquido) do local onde há menos concentração para onde há mais concentração. do local onde a substância está mais concentrada para o local onde está menos concentrada. com o auxilio de proteínas carreadoras e canais iônicos. pois estas moléculas são muito grandes para ultrapassar a membrana celular. ou possuem cargas elétricas.ESCOLA DE MASSOTERAPIA SOGAB Disciplina de Fisiologia Aplicada www.

Esse mecanismo recebe o nome de bomba de sódio-potássio. Os íons cloreto possuem uma contribuição na difusão discreta em relação aos outros grupos já mencionados. Porém. Já para o sódio. Isso estabelece a diferença de potencial exigida pela membrana. Para os ânions orgânicos. deve existir um mecanismo que transporte os íons potássio e sódio contra os seus gradientes de concentração. como o interior da célula possui carga negativa.tornando a carga elétrica líquida resultante negativa.sogab. Os íons potássio atingem um estado de equilíbrio onde as forças elétricas e químicas se anulam e não ocorre mais fluxo de potássio pela membrana. então. a molécula sofre uma mudança na sua conformação tornando-se agora capaz de ligar-se com os íons potássio.com uma carga elétrica resultante positiva. e A. Assim. Para o potássio. Em repouso. o interior da célula possui uma maior concentração de íons K+ e A. Esse fluxo de íons potássio continua até o momento que as forças de natureza elétrica são compensadas devido à força gerada pelo gradiente de concentração. sítios de ligação para o potássio. Dessa forma. fazendo com que a célula mantenha a sua polaridade e seu potencial constante. essa transferência através da membrana é dificultada devido aos seus grandes tamanhos moleculares. O exterior possui uma concentração maior de íons Na+ e Cl. No lado interno da célula. Assim. os íons potássio acabam sendo carregados novamente para o interior da célula devido a forças de natureza elétrica (negativo – atrai positivo +).ESCOLA DE MASSOTERAPIA SOGAB Disciplina de Fisiologia Aplicada www. Profª Cíntia Schneider 5 . Devido à diferença de concentração de cada íon entre os ambientes intracelular e extracelular. o fluxo de íons devido ao gradiente de concentração (potencial químico) possui o sentido do exterior para o interior celular. estabelece-se uma diferença de cargas elétricas entre os meios intra e extracelular: há déficit de cargas positivas dentro da célula e as faces da membrana mantêm-se eletricamente carregadas. a proteína no interior da célula se liga ao sódio carregando-o para o exterior celular. O funcionamento dessa bomba está baseado em uma proteína (Na+K+ATPase) de elevado peso molecular que atravessa o interior e o exterior da membrana. Como a célula necessita manter o seu potencial de repouso (negativo no meio intracelular e positivo no meio extracelular). No lado exterior. BOMBA DE SÓDIO E POTÁSSIO As células em geral possuem íons dissolvidos em solução sendo então dotadas de cargas elétricas. K+. o número de canais abertos para o transporte de potássio é quase 30 vezes maior que para o sódio. os íons potássio e sódio atravessam a membrana através de canais específicos para cada um desses íons. chamado de potencial de membrana.com. que a membrana está polarizada. O potencial eletronegativo criado no interior da célula devido à bomba de sódio e potássio é chamado potencial de repouso da membrana. Essa diferença de polaridade gera uma diferença de potencial elétrico através da membrana celular. sendo definido como a diferença de potencial entre o ambiente intracelular e o extracelular. Para o sódio. Para cada três íons sódio transportados para fora. dois íons potássio são transportados para dentro (três íons sódio saem. como proteínas e aminoácidos). ficando o exterior da membrana positivo e o interior negativo. essa proteína possui sítios de ligação para o sódio. chamados canais de vazamento. Cl-. sendo mais negativo o lado intracelular e mais positivo o meio extracelular. à medida que os íons potássio abandonam o interior da célula. Porém. Os principais grupos portadores de carga elétrica que aparecem no ambiente celular são os íons Na+. a direção do fluxo de íons é do seu interior para o exterior. os fluxos de íons sódio para o interior da célula são regidos pelos potenciais químicos e elétricos e nenhum fenômeno passivo arrasta os íons para fora da célula.(ânions orgânicos carregados. Assim. Como a saída de sódio não é acompanhada pela entrada de potássio na mesma proporção. a carga elétrica resultante acaba ficando cada vez mais negativa.br 4. e no exterior. as forças elétricas e químicas se somam e não existe forma de controlar o fluxo. A concentração desses íons é diferente em relação ao ambiente intracelular e o extracelular. Nesse caso. Dizemos. enquanto 2 íons potássio entram). o que não permite que o fluxo de ambos os íons seja tão desequilibrado. surge uma força motriz que faz com que esses íons atravessem a membrana celular de forma a equilibrar o gradiente de concentração. a força elétrica acaba carregando os íons sódio para o interior da célula.

sogab. a célula volta a apresentar o meio intracelular negativo e o meio extracelular positivo. Assim. Este valor é em média = -85 mV e recebe o sinal negativo (-) por convenção (o interior da célula tem grande quantidade de ânions protéicos). Devido à lentidão da abertura dos canais voltagem-dependente para o potássio. Excitabilidade celular É a propriedade que a célula possui de alterar o seu potencial de repouso quando submetida a estímulos eficazes. ou seja. Profª Cíntia Schneider 6 . Esse processo é denominado repolarização celular. o sódio atravessa a membrana no sentido do interior da célula. Despolarização celular: entrada de sódio Quando uma célula recebe um estímulo eficaz ocorre um aumento da permeabilidade do íon sódio (abrem-se os portões dos canais voltagem-dependente para sódio). Quando esta demora se dá no fechamento nos canais para o potássio.com. ocorre a difusão em quantidade excessiva deste íon para fora da célula. porém. O Na+ entra na célula a favor do gradiente de concentração levando consigo cargas positivas e gerando uma ligeira despolarização local. Nessa situação a célula é dita polarizada. o meio intra-celular passa a ser positivo e o meio extra-celular torna-se negativo. ocorre o que chamamos de platô. Essa característica é comum a todas as células do organismo na ausência de estímulos eficazes. migra fora da célula. A bomba de sódio e potássio repõe as concentrações normais destes íons tornando a célula apta a responder a um novo potencial de ação.ESCOLA DE MASSOTERAPIA SOGAB Disciplina de Fisiologia Aplicada www. eles só se abrem quando os canais voltagemdependente para o sódio já estão se fechando. uma demora na repolarização. ocorre um aumento da permeabilidade ao potássio que sai da célula a favor do gradiente de concentração (difusão simples) levando consigo cargas positivas e fazendo com que o potencial caia novamente a valores negativos. as concentrações de Na+ e K+ estão invertidas. Este fluxo de íons inverte o potencial da membrana. Como a concentração desse íon é maior fora do que dentro da célula. devido ao gradiente de concentração. ou seja. Esse fenômeno é chamado despolarização celular. Potencial de Overshoot: momento durante da despolarização em que o aumento do potencial faz com que ocorra a inativação do fluxo de sódio que cessa a sua entrada na célula. a diminuição do influxo de sódio para o interior da célula e o aumento simultâneo de efluxo de potássio para fora da célula aceleram o processo de repolarização. Neste momento. TERMOS: Potencial de repouso (potencial transmembrana) Devido à diferença de concentração entre os meios intra e extracelular forma-se uma ddp (diferença de potencial) entre o interior da célula e o meio extracelular. por sua vez. Em alguns casos ocorre a lentidão do fechamento ou da abertura dos canais voltagem-dependente. criando um déficit de cargas positivas no meio intracelular. a entrada de grande quantidade sódio é acompanhada pela pequena saída de potássio. a célula que antes era polarizada (negativamente) despolariza e torna-se positiva internamente. Repolarização Celular: saída de potássio Aproximadamente um milisegundo após a despolarização celular. ou seja. ou seja. Neste momento. Essa positividade (despolarização) induz o fechamento dos canais voltagem-dependente para o sódio.br Quando estimulada (por um impulso nervoso). determinando a parada do fluxo deste íon para o interior da célula. uma hiperpolarização. Após esse processo a célula volta a apresentar o seu valor normal de potencial de repouso (-85 mv). aumenta ainda mais a permeabilidade ao sódio fazendo com que grandes quantidades deste íon entre na célula. que. Se a demora no fechamento ocorrer nos canais para sódio (chamados canais lentos) e ao mesmo tempo houver demora em abrir os canais voltagem-dependente para o potássio. abrem-se canais voltagemdependente de potássio. Essa despolarização. uma pequena região da membrana torna-se mais permeável aos íons sódio (abertura dos canais voltagem-dependente de sódio). Esta inversão de potencial é a despolarização.

A velocidade com a qual o potencial de ação se propaga ao longo do axônio depende de quão longe a despolarização é projetada à frente do potencial de ação. é necessário que o potencial de ação. o que. diz-se que os potenciais de ação obedecem à "lei do tudo ou nada". que é uma rápida variação do potencial de repouso. Nesses de axônios. contam com duas propriedades fundamentais: a irritabilidade (também denominada excitabilidade ou responsividade) e a condutibilidade. sejam eles internos ou externos. ou seja. o potencial de ação se propagará sem decaimento. Nas regiões dos nódulos de Ranvier. Essa propriedade é inerente aos vários tipos celulares do organismo. mas a propriedade que torna a célula apta a responder. possibilitando ao organismo a execução de respostas adequadas para a manutenção da homeostase. surja o potencial de ação. A aplicação de uma despolarização crescente a um neurônio não tem qualquer efeito até que se cruze o limiar e. os potenciais de ação são unidirecionais . uma vez gerado. Conseqüentemente.chamada de impulso nervoso . são de tamanho e duração fixos. Os impulsos nervosos ou potenciais de ação são causados pela despolarização da membrana além de um limiar (nível crítico de despolarização que deve ser alcançado para disparar o potencial de ação).por toda a sua extensão em grande velocidade e em um curto espaço de tempo. portanto. Esse fenômeno dura apenas milésimos de segundo e imediatamente a célula volta a apresentar o seu potencial de repouso normal. onde há os canais voltagem-dependente para sódio. Os potenciais de ação assemelham-se em tamanho e duração e não diminuem à medida em que são conduzidos ao longo do axônio. Por esta razão. 5.ESCOLA DE MASSOTERAPIA SOGAB Disciplina de Fisiologia Aplicada www. depende de certas características físicas do axônio: a velocidade de condução do potencial de ação aumenta com o diâmetro axonal. A resposta emitida pelos neurônios assemelha-se a uma corrente elétrica transmitida ao longo de um fio condutor: uma vez excitados pelos estímulos. Portanto. então. Esse fenômeno deve-se à propriedade de condutibilidade. os neurônios transmitem essa onda de excitação . Axônios com menor diâmetro necessitam de uma maior despolarização para alcançar o limiar do potencial de ação. ou seja. seja conduzido ao longo do axônio.com. A hiperpolarização ocorre devido a grande permeabilidade da célula aos íons potássio. IMPULSO NERVOSO Os neurônios são as células responsáveis pela recepção e transmissão dos estímulos do meio (interno e externo). Profª Cíntia Schneider 7 . a membrana muda sua polaridade e depois volta ao normal. a diferença de potencial pode baixar a valores maiores que -85 mv. Fala-se em condução saltatória e com isso há um considerável aumento da velocidade do impulso nervoso. por sua vez. não acontecendo em toda a extensão da região mielinizada (a mielina é isolante). do potencial de negativo para o potencial de positivo com um rápido retorno para o potencial de repouso negativo.ao que chamamos condução ortodrômica. irritabilidade não é uma resposta. Para exercerem tais funções. No entanto. Irritabilidade é a capacidade que permite a uma célula responder a estímulos. presença de bainha de mielina acelera a velocidade da condução do impulso nervoso. Um potencial de ação iniciado em uma extremidade de um axônio apenas se propaga em uma direção.br Hiperpolarização celular: saída excessiva de potássio Em algumas células durante o processo de repolarização celular. a onda de despolarização "salta" diretamente de um nódulo para outro.sogab. Potencial de Ação: Os impulsos nervosos são transmitidos através de potencial de ação. Para transferir informação de um ponto para outro no sistema nervoso. os potenciais de ação só ocorrem nos nódulos de Ranvier. não retornando pelo caminho já percorrido. Uma vez que a membrana axonal é excitável ao longo de toda sua extensão. as respostas emitidas pelos tipos celulares distintos também diferem umas das outras.

As sinapses ainda podem ser divididas entre sinapses químicas e sinapses elétricas. que se comunica com quaquer outra parte de outro neurônio.sogab. sinapses somatossomáticas (entre dois pericários). sinapses axossomáticas (axônio – elemento pré-sináptico / pericário – elemtento pós-sináptico). Neste tipo de sinapses. Este tipo de sinapse é classificado como polarizada. ou através de pequenas dilatações que ocorrem ao longo de sua arborização. Se o elemento pós-sináptico for uma célula muscular lisa ou cardíaca. ou se for uma glândula. e são exclusivamente interneuronais. o contato se faz de duas maneiras: ou através de uma única ponta dilatada. denomina-se junção neuroefetuadora somática. criando varicosidades. músculo. chamados botões sinápticos de passagem. Os principais neurotransmissores são a acetilcolina. Se o contato for com uma célula muscular estriada esquelética. SINAPSES Os axônios. a comunicação se faz através de uma substância química liberada. o GABA.ESCOLA DE MASSOTERAPIA SOGAB Disciplina de Fisiologia Aplicada www. ou placa motora. o elemento pré-sinaptico é uma terminação axônica. Sinapses Químicas Interneuronais Na grande maioria destas sinapses. Profª Cíntia Schneider 8 . entram em contato com outros neurônios (SNC) e com células efetoras (glândulas. Este tipo de sinapse não é polarizada. chamada neurotransmissor. ocorre nos dois sentidos. criando assim. conhecida como botão sináptico.com. neste tipo de sinapse o elemento pré-sináptico é uma terminação axônica de um neurônio motor. sinapses somatodendríticas (entre pericário e dendrito) e assim por diante... a dopamina. cujo corpo se localiza no corno anterior da medula espinhal. Ocorre quando há contato entre as membranas dos dois neurônios. cujos corpos celulares se localizam nos gânglios autonômicos. sinapses dendrossomáticas (entre dendrito e pericário). da célula pré-sináptica (que possui o neurotransmissor) para a célula pós-sináptica (que possui os receptores para o neurotransmissor). nestas o elemento pré-sináptico é a terminação nervosa de neurônios do sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático. Quando há comunicação entre neurônios. chama-se sinapse neuroefetuadora. o glutamato. As sinapses elétricas são menos freqüentes. sinpases dendrodendríticas (entre os dendritos das duas células). adrenalina e noradrenalina. abrangendo todas as sinapses neuroefetuadoras e a maioria das interneuronais. ou seja. ou seja. criando assim. Sinapses Químicas Neuroefetuadoras Este contato se faz através entre os axônios dos neurônios periféricos e uma célula não neuronal.br 6. quando o contato é entre neurônio e célula efetora. Porém. havendo assim uma comunicação direta de íons de uma célula a outra. ou sinapses axoaxônicas (axônio – elemento pré-sináptico / axônio – elemento pós-sináptico). pode ocorrer de o dendrito ou mesmo o pericário (corpo neuronal) ser o elemento pré-sináptico. chama-se junção neuroefetuadora visceral.) (SNP) passando-lhes informações. sinapses axodendríticas (axônio – elemento pré-sináptico / dentrito – elemento pós-sináptico). chama-se sinapse interneuronal. Estes locais de contato entre estas células são chamados de sinapses. através de suas terminações. Nas sinapses em que o axônio é o elemento pré-sináptico. a comunicação se faz em apenas um sentido. As sinapses químicas são as mais freqüentes.

gera a abertura de canais para o íon Cl. Na recaptação. os neurotransmissores se ligam aos seus receptores específicos localizados na membrana pós-sináptica. se organizam estruturas protéicas. como por exemplo. a célula fica mais negativa que o normal. que degrada e elimina a acetilcolina da fenda sináptica. Por exemplo. como a cocaína. ou seja. e uma vez dentro da terminação nervosa. é necessário que o neurotransmissor que continua na fenda sináptica após a transmissão do impulso nervoso seja rapidamente removido. O elemento pós-sináptico é formado pela membrana pós-sináptica. Esta eliminação pode ocorrer de duas maneiras: por degradação ou por recaptação. que armazenam os neurotransmissores. Nesta densidade estão agrupadas e organizadas as vesículas sinápticas. formando uma malha. A fenda sináptica é o espaço virtual existente entre as duas células da sinapse. Por degradação. O elemento pré-sináptico apresenta uma membrana pré-sináptica. O aumento na concentração deste íon dentro célula gera a fusão das vesículas sinápticas com a membrana pré-sináptica. Dependendo do neurotransmissor liberado e de sua ligação com o receptor específico pode ocorre uma inibição na célula póssináptica ou uma ativação.com. ocorre uma pequena alteração no potencial de membrana que abre canais voltagem-dependente para o íon cálcio. Após a sua liberação na fenda sináptica. Para que não ocorra inibição ou excitação por tempo prolongado. o neurotransmissor armazenado para a fenda sináptica.na membrana pós-sináptica e a entrada deste íon na célula causa uma hiperpolarização. Elementos de Uma Sinapse Uma sinapse compreende um elemento pré-sinaptico (que armazena e libera o neurotransmissor). chamada densidade pré-sináptica. chamada fenda sináptica. A transmissão sináptica ocorre através da ligação do neurotransmissor com o seu receptor específico na membrana pós-sináptica. um estímulo excitatório. e a entrada deste na célula causa uma despolarização. no qual será liberado o neurotransmissor. ocorre a ação de enzimas. este é um estímulo inibitório. na qual o neurotransmissor é liberado após o impulso nervoso. Transmissão Sináptica Quando o impulso nervoso atinge a membrana pré-sináptica.sogab. Esta recaptação pode ser bloqueada por drogas. sob a qual. Se houver a ligação da acetilcolina com o seu receptor específico (nicotínico) ocorre a abertura de canais para o íon Na+. liberando assim. a ligação do neurotransmissor GABA com o seu receptor específico. uma oferta contínua de neurotransmissor na fenda Profª Cíntia Schneider 9 . ou seja. na qual estão inseridos os receptores específicos para os neurotransmissores.ESCOLA DE MASSOTERAPIA SOGAB Disciplina de Fisiologia Aplicada www. a acetilcolinesterase. o neurotransmissor pode ser reutilizado ou inativado. ocorre uma recaptação do neurotransmissor pela membrana do elemento pré-sináptico.br Uma característica das sinapses neuroefetuadoras é a presença de um espaço (virtual) entre o elemento pré e o elemento pós sináptico. por exemplo. que entra na célula. uma fenda sináptica (onde é liberado o neurotransmissor) e um elemento pós-sináptico (que possui os receptores para o nerotransmissor). causando assim.

sogab. este bloqueio é a causa dos muitos distúrbios psíquicos que afetam os usuários destas drogas.br sináptica. Profª Cíntia Schneider 10 .com. gerando excitação por tempo prolongado.ESCOLA DE MASSOTERAPIA SOGAB Disciplina de Fisiologia Aplicada www.