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FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS APLICADAS DO ARAGUAIA – FACISA COORDENAÇÃO DO CURSO DE DIREITO

JESSIKA L. SOUZA SILVA MATEUS PAVAN DE SOUSA MAYKON PEREIRA ARAUJO PEDRO AUGUSTO SANTOS RUBENS R. DINIZ DE AGUIRRE

BIOÉTICA

Barra do Garças – MT outubro, 2010.

JESSIKA L. DINIZ DE AGUIRRE BIOÉTICA Trabalho elaborado sob orientação da(s) Prof.ª Gisele Silva Lira de Resende para avaliação da Disciplina Estudos Sócio-antropológicos do Direito. 2010. da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas do Araguaia – FACISA. . do 2º Semestre. SOUZA SILVA MATEUS PAVAN DE SOUSA MAYKON PEREIRA ARAUJO PEDRO AUGUSTO SANTOS RUBENS R. do Curso de Direito. Barra do Garças – MT outubro.

...........................................................................................SUMÁRIO 1.................... 05 4.........2 Definições.. CONSIDERAÇÕES FINAIS E POSICIONAMENTO DO GRUPO.............. EVOLUÇÃO HISTÓRICA................................................... REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS.................. 05 3.......... 09 5..................................................................................... 07 5.. RELAÇÃO DIREITO / BIOÉTICA / CULTURA............................ 07 5.................................................. 12 ........................ BIOÉTICA........................................................................................................ 06 5................... INTRODUÇÃO............. 04 2... 07 5.............................1 Aplicações............................3......3 TRANSGÊNICOS.........................................1....... BIODIREITO............................................... 11 7.................................................................................................................................2 EUTANÁSIA..............1 ABORTO....... 10 6............................................................... 08 5....

que identificam sua evolução conforme a progressão da sociedade e a tecnologia empregada na mesma. cumprindo sua função (fornecer respostas) evolui em conformidade com o sistema jurídico vigente. de maneira legal (biodireito) leciona aos pesquisadores e estudiosos de determinados assuntos ou temas de abrangência da bioética as formas legais a ser trabalhar com tais matérias. aborto. ao mesmo tempo tão desconhecido. político e religiosos. desde questões éticas à vida humana. Essa complexidade de temas e serem abordados demandam normas reguladoras com a finalidade de nortear todas as ações concernentes à bioética. clonagem. Por fim. tudo. o termo bioética. e. eutanásia. civis e penais do ordenamento jurídico vigente. criado para satisfazer a função de buscar explicações e respostas dos impactos sociais pelo crescente desequilíbrio criado pelo homem em seus avanços científicos e tecnológicos dentro do meio. um termo tão recente quanto abrangente. com um fim único. Temas esses que. mundialmente discutidos operam de modo a se tornarem focos independentes de estudo.3 1. Contemporaneamente a bioética abarca assuntos polêmicos e de peso social. sobre esse aspecto é criado o termo biodireito. e. INTRODUÇÃO Bioética. econômico. transgênicos. células tronco e fertilização in vitro. tais como. envolvendo. assim. devido seu complexo e fundamental conteúdo. gerar respostas às perguntas e questões que provocam na sociedade dúvidas e perplexidade. Surgido em 1971. entrelaçado aos ramos constitucionais. tem-se uma amálgama de conceitos e explicações a respeito da bioética e suas estruturas de estudo. Em sua ascensão esta (bioética) divide-se em três fases. . Ela (bioética) ainda em constante desenvolvimento cresce cada dia mais.

um bom exemplo são os problemas relacionados à reprodução humana que. na tentativa de responder aos vários questionamentos morais nascidos em contextos distintos da sociedade. 3. qualifica-se de selvagem. Beauchamp e James F. início da terceira fase histórica da Bioética. também conhecida como “ética geral” vai de 1960 até 1977. cuja preocupação primeira era buscar uma saída para o progressivo desequilíbrio criado pelo homem na natureza. tais como a Ética Ecológica e a Ética Empresarial. BIOÉTICA Bioética se caracteriza como a analise transdisciplinar entre direito (biodireito). Oito anos mais tarde. filosofia (ética). Sua etimologia deriva de dois vocábulos gregos bios (vida).4 2. com preocupações diferenciadas da “ética geral”. escrita pelo oncologista (médico especializado no tratamento de neoplasia) norte-americano Van Rensselaer Potter. ethos (indicativo à ética). animal e responsabilidade ambiental. surgem. . provocaram um diálogo entre a Bioética e o Direito. EVOLUÇÃO HISTÓRICA O termo bioética surgiu em 1971 com a obra “Bioethics: bridge to the future”. que ainda não está ratificada. foi marcada pelo extraordinário crescimento industrial e econômico do Ocidente. que estuda as condições necessárias para uma administração responsável da vida humana. maternidade e filiação. a preocupação com o impacto social causado pelos avanços científicos e tecnológicos no tratamento de seus pacientes. compreendida 1978 a 1997. Tom L. e. que restringiria a Bioética ao meio clínico. as chamadas “éticas aplicadas”. A segunda fase. abalando os conceitos clássicos de paternidade. período em que surge em diferentes regiões dos Estados Unidos. Childress publicaram juntos “The principles of biomedical ethics”. A partir de 1998. medicina e biologia. fazendo surgir o chamado Biodireito. entre o meio médico. vão tornando-se mais evidentes no pensamento bioético as características próprias de uma “ética aplicada”. A bioética divide-se em três fases: A primeira fase.

O Direito Constitucional relaciona-se com a Bioética. tem-se o caso das novas técnicas de reprodução artificial. . ao se deparar com as novas indagações surgidas em decorrência das novas tecnologias. quando da utilização da técnica de fertilização in vitro. Daí defende-se a grande relação entre Bioética e Direito. São eles o Direito Constitucional. São um conjunto de normas impostas coercitivamente pelo Estado com o objetivo de regular as condutas entre os indivíduos e dos indivíduos com o Estado. pode e deve se valer dos princípios norteadores da Bioética como forma de operacionalizar as questões que tanto causam perplexidades à nossa sociedade. necessitando de reformulações em vários institutos nesse ramo jurídico. é essa a pretensão do Direito. deve sempre decidir a questão baseado nos princípios constitucionais de dignidade da pessoa humana. sem dúvida. teríamos um filho sendo apenas de metade do casal? E. BIODIREITO O Direito é uma ciência que busca normatizar e regular as condutas dos indivíduos na sociedade. Se o esperma for do marido. no caso de utilização de mães de substituição. prevalecerá (Dworkin denomina essa situação de "hard case"). no caso concreto. sempre sobram ovos fecundados que não são aproveitados. o Direito Civil e o Direito Penal. Só para ficarmos com um exemplo. Deve. resposta satisfatória. seria isso um aborto? Poderíamos interpretar essa situação analogicamente ao tipo penal do aborto? Mais uma vez.5 4. É grande a relação do Direito Civil com a Bioética. ainda. mas o óvulo for de um terceiro. nos seus mais distintos ramos. essa terceira pessoa deve ser remunerada? Pode-se equiparar essa relação jurídica a um contrato? São perguntas que até agora não encontramos respostas satisfatórias. O Direito. No caso do Direito Penal. entretanto. Convém ressaltar. pelo fato de ser aplicável ao mesmo caso vários princípios. Só para se ficar com o mesmo exemplo já citado. inviolabilidade do corpo humano e direito absoluto à vida. que as maiores influências da Bioética no Direito encontram-se em ramos jurídicos específicos. Pelo menos. Algumas vezes. o juiz decidir qual princípio. entretanto. pois muitas questões têm surgido na área do Direito de Família. essa decisão tornar-se-á muito difícil. a relação também é íntima. O que se deve fazer com eles? Se forem jogados fora. são grandes as discussões e não há. no caso de reprodução artificial. pois o profissional da área jurídica.

o Direito conseguirá se aproximar bastante de soluções justas e eticamente aceitáveis. quando refere-se à indução da morte do feto. e consequentemente o fim da vida do feto. apresentar respostas satisfatórias a essas novas situações fáticas.1 ABORTO Um aborto ou interrupção da gravidez é a remoção ou expulsão prematura de um embrião ou feto do útero. cirúrgicas entre outras. o processo tem a designação médica de parto prematuro. . Ao se valer dos princípios e conceitos bioéticos para a tomada de decisão. o aborto foi provocado por vários métodos diferentes e seus aspectos morais. Também por ser denominado aborto involuntário ou casual. Após 180 dias (seis meses) de gestação. 5. o mais rápido possível. RELAÇÃO DIREITO / BIOÉTICA / CULTURA Nesta seção explicitar-se-á algumas das diversidades de temas abarcados pela bioética. o Direito deve. A maioria dos abortamentos espontâneos são causados por uma incorreta replicação dos cromossomos e por fatores ambientais.2 Definições Os seguintes termos são usados para definir os diversos tipos de aborto a partir da óptica médica:  Aborto espontâneo: aborto devido a uma ocorrência acidental ou natural. provocando-se o fim da gestação. éticos. pode continuar a ser utilizada em geral. eutanásia e transgênicos. Sendo esses: aborto. mediante técnicas médicas. 5.1.6 Por tudo isso. legais e religiosos são objeto de intenso debate em diversas partes do mundo. utilizando-se de conceitos e princípios bioéticos que orientem sua linha de ação. A terminologia "aborto". entretanto. Através da história. quando o feto já é considerado viável. 5. Isto pode ocorrer de forma espontânea ou artificial. resultando na sua morte ou sendo por esta causada.

A eutanásia representa atualmente uma complicada questão de bioética e biodireito. interrupção voluntária da gravidez.2 EUTANÁSIA Eutanásia é a prática pela qual se abrevia a vida de um enfermo incurável de maneira controlada e assistida por um especialista.Para dar fim à gestação que resultaria numa criança com problemas congênitos que seriam fatais ou associados com enfermidades graves. Aborto precoce: entre quatro e doze semanas. .7  Aborto induzido: aborto causado por uma ação humana deliberada. . distanásia.Para preservar a saúde física ou mental da mulher. Sendo eutanásia um conceito muito vasto. devido ao seu estado precário de saúde. Aborto tardio: após doze semanas.     Aborto eletivo: aborto provocado por qualquer outra motivação. Aborto subclínico: abortamento que acontece antes de quatro semanas de gestação. . O aborto induzido possui as seguintes subcategorias:  Aborto terapêutico . desejam dar um fim ao seu sofrimento antecipando a morte. . a própria morte e a dignidade humana. ortotanásia.Aborto provocado para salvar a vida da gestante. existindo sempre prós e contras – teorias eventualmente mutáveis com o tempo e a evolução da sociedade. Também é denominado aborto voluntário ou procurado. ou ainda. distinguem-se aqui os vários tipos e valores intrinsecamente associados: eutanásia. pois enquanto o Estado tem como princípio a proteção da vida dos seus cidadãos. seja ela legalizada ou não (tanto em Portugal como no Brasil esta prática é considerada como ilegal). existem aqueles que. é considerada como um assunto controverso. tendo sempre em conta o valor de uma vida humana. 5.Para reduzir seletivamente o número de fetos para diminuir a possibilidade de riscos associados a gravidezes múltiplas. Independentemente da forma de Eutanásia praticada.

É relevante distinguir eutanásia de "suicídio assistido". na qual foi desenvolvida a técnica do DNA recombinante. ainda que para isso disponha da ajuda de terceiros. A "eutanásia passiva" por sua vez. podem ser combinados os DNAs de organismos que não se cruzariam por métodos naturais. 5. não provoca deliberadamente a morte. no entanto. São cessadas todas e quaisquer ações que tenham por fim prolongar a vida.3 TRANSGÊNICOS Transgênicos (português brasileiro) ou transgénicos (português europeu) são organismos que. e no segundo é o próprio doente que provoca a sua morte. A geração de transgênicos visa organismos com características novas ou melhoradas relativamente ao organismo original. na medida em que é planeada e negociada entre o doente e o profissional que vai levar e a termo o ato. . normalmente associado a um imenso sofrimento físico e psíquico. farmacológicos ou outros. Não há por isso um ato que provoque a morte (tal como na eutanásia ativa). na medida em que na primeira é uma terceira pessoa que executa. incurável. A distanásia defende que devem ser utilizadas todas as possibilidades para prolongar a vida de um ser humano. A manipulação genética recombina características de um ou mais organismos de uma forma que provavelmente não aconteceria na natureza. o doente acaba por falecer. Resultados na área de transgenia já são alcançados desde a década de 1970. com o passar do tempo. mediante técnicas de engenharia genética. mas também não há nenhum que a impeça (como na distanásia). distanásia é o oposto de eutanásia. Por exemplo. é importante ressaltar que a eutanásia pode ser dividida em dois grupos: a "eutanásia ativa" e a "eutanásia passiva". Etimologicamente. a eutanásia em si consiste no ato de facultar a morte sem sofrimento a um indivíduo cujo estado de doença é crónico e. portanto. ainda que a cura não seja uma possibilidade e o sofrimento se torne demasiadamente penoso. conjuntamente com a interrupção de todos e quaisquer cuidados médicos.8 Em primeiro lugar. Embora existam duas "classificações" possíveis. A "eutanásia ativa" conta com o traçado de ações que têm por objetivo pôr término à vida. contêm materiais genéticos de outros organismos.

O primeiro caso público foi à utilização da bactéria E. já em 2007. Um exemplo recente. através da inserção de um gene que previne a infecção destes insetos pelo parasita portador da doença. por exemplo. . por exemplo. sendo a mosca da fruta um dos principais organismos modelos. mas. que foi modificada de modo a produzir insulina humana em finais da década de 1970. num espaço de tempo muito mais curto. Em outros casos.1 Aplicações A aplicação mais imediata dos organismos transgênicos (e dos organismos geneticamente modificados em geral) é a sua utilização em investigação científica.9 5. espécies com um reduzido ciclo de vida podem ser utilizadas como "hospedeiras" para a inserção de um gene de uma planta com um ciclo de vida mais longo. Coli. No caso das plantas. foi o facto de uma equipe de cientistas conseguir desenvolver mosquitos bobucha resistentes ao parasita da malária. a utilização de transgênicos é uma abordagem para a produção de determinados compostos de interesse comercial. Este tipo de abordagem é também usado no caso de animais. Estas plantas transgênicas poderão depois ser utilizadas para estudar a função do gene de interesse. A expressão de um determinado gene de um organismo num outro pode facilitar a compreensão da função desse mesmo gene. medicinal ou agronómico.3.

muitos pontos devem ser mudados mediante a visão social. A bioética está ligada à vida diretamente.10 6. até então confusas e controversas. CONSIDERAÇÕES FINAIS E POSICIONAMENTO DO GRUPO Em conformidade com tudo o que foi outrora exposto. sejam realmente fundadas na conduta humana. recente descoberta. pela falta de conhecimento sobre o assunto. . o grupo defende e apoia que tais assuntos sejam positivados e direcionados por esse “código de ética” do direito emergente. em virtude de ser um assunto novo e polemico. que no auge da sua terceira fase. Tais reformas permitem que o modo de vida seja melhorado e que todos possam desfrutar dessa vida. afim de que se possa positivá-la como um ramo do direito hodierno. Com a evolução social e as técnicas que surgem a cada dia é interessante para a sociedade que essas relações. Assim. que ainda gera impacto nas pessoas. muitas vezes. que busca regular sobre aspectos que o direito não alcança. o conteúdo da bioética faz referencia ao novo. afirma-se que a bioética é um conjunto de normas. regulamentando juridicamente para que nenhum dos direitos fundamentais sejam lesados. E o papel da bioética. e é isso que a faz tão discutida no cenário jurídico internacional. Outro ponto defendido é o fortalecimento da bioética. algo que só será obtido quando houver uma ponderação coerente para que se possam colocar a racionalidade e a emotividade em parceria para o avanço cientifico humano. fundada no direito. mais sim ampliados e atualizados nas reais vertentes da vida social. Com relação a todas as assertivas concernentes à bioética e o direito. é permitir que todos tenham o conhecimento das consequências daquilo que é trazido. ainda precisa ser modificada.

Domínio da vida. Débora.11 7. 2010.asp?id=1838>. OMMATI.uol. São Paulo: Brasiliense.com. Ronald. Acesso em: 25 out. Disponível em: <http://jus2.br/doutrina/texto. 2010.br/amaivos09/noticia/noticia. FERREIRA. Acesso em: 25 out. 69pp. André Marcelo M. et al.uol. 2010. José Emílio Medauar. . Patrícia.com/trab_estudantes/trab_estudantes/cienciasnaturais/ciencias_trab/ produtostrangenicos. DWORKIN. 2002. Disponível em: <http://amaivos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DINIZ . Disponível em: <http://www. Aborto. Produtos Transgênicos. eutanásia e liberdades individuais. Bioética: Inicio da História. São Paulo: Martins Fontes.htm>. SOARES. O que é bioética. 2003.notapositiva.asp?cod_noticia=8060&cod_canal=33> Acesso em: 25 out. Bioética e Direito.com.