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Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni

Bibliografia: Cássio Scarpinella Bueno, Curso Sistematizado de Processo Civil – Ed. Saraiva – Vol. Sobre Processo Coletivo Fredie Didier Jr, Curso de Direito Processual Civil – Ed. Juspodium – Vol. Sobre Processo Coletivo Hugo Nigro Mazzilli, A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo fernando.gajardoni@usp.com.br Twitter - @FGajardoni __________________________________________________________________________________ _ TEORIA GERAL DO PROCESSO COLETIVO: 01/09/2010 1. Evolução histórico-metodológica: Somente entendendo as fases metodológicas do processo civil que se saberá o porquê da necessidade do processo coletivo. A doutrina aponta três fases, senão vejamos: a) Fase sincretista ou civilista: surgiu quando do Direito Romano perdurando até 1868. Essa fase nada dizia considerando que havia uma absoluta confusão metodológica entre direito material e direito processual. Não se entendia que havia uma relação de direito material distanciada da relação de direito processual. Essa fase foi tão influente que até os dias se usa a expressão ele “não tinha ação contra fulano de tal”, e o correto é se falar que não havia direito. b) Fase autonomista: essa fase autonomista durou de 1868 até cerca de 1950. Afirma-se que o marco histórico da mudança do sincretismo para o autonomismo se deu com a obra de Büllow (Alemão). Tal autor escreveu a obra As Exceções Processuais, e ao escrevê-la afirmou que, todas as vezes que se tenha relação jurídica com alguém – relação jurídica material – em que há direitos e deveres, tem-se também, ao lado dessa relação jurídica material, e de modo autônomo a ela, uma relação processual travada com o Estado. Aqui surge a autonomia do Direito Processual, que não era considerado ciência autônoma até então. Essa fase teve grande importância, mas também faltou postura crítica. Ao se entrar no autonomismo, restou esquecido o direito material que é o principal objeto do processo. Assim, podemos falar que essa fase “se perdeu”.
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c) Fase Instrumentalista: é uma fase em que se pode dizer que a principal obrigação é o acesso à justiça. Essa fase inicia-se em 1850 perdurando até os dias atuais. Prega tal fase que, sem perder a autonomia, o processo não deve ser um fim em si mesmo, mas sim um instrumento de acesso à justiça, preocupando-se com o Direito Material. É o momento em que se busca a efetivação do direito material por meio do processo. O instrumentalismo surgiu nessa era pela obra de dois autores: Mauro Cappeletti e Brian Garth que escreveram uma obra denominada Acesso à Justiça no ano de 1950. Esse livro fala que para que um sistema processual seja capaz de resgatar essa ligação entre direito material e processo, tornando-se um sistema instrumentalista, deveriam ser observadas Três Ondas Renovatórias do Estudo do Processo Civil, senão vejamos: 1. Justiça aos Pobres: para que o sistema se tornasse instrumentalista seria necessário o acesso dos pobres à justiça, tutelando-se os hipossuficientes. (Lei 1.060/50 – Assistência judiciária). 2. Coletivização do processo: Brian Garth e Cappeletti perceberam a necessidade da tutela de três situações até então não protegidas pelo sistema, e, não sendo dada proteção para essas situações, o processo não seria tão efetivo. São as seguintes situações: Bens ou direitos de titularidade indeterminada: existem certos bens que, por não haver titulares específicos a proteção resta dificultada. Ex. meio ambiente. Se alguém tem a titularidade, normalmente um deixa para o outro, e daí que surgiram legitimados genéricos para a tutela de tais direitos. Bens ou direitos individuais cuja tutela individual não fosse economicamente aconselhável: percebeu-se que existem certos bens ou direitos que individualmente são lesados, mas são bens ou direitos tão insignificantes isoladamente considerados que, a tutela individual não é economicamente viável. Ex. se no litro de leite tem apenas 900ml apesar do anúncio de 1L. Bens ou direitos cuja tutela coletiva seja recomendável do ponto de vista do sistema: aqui a preocupação dá-se com o Judiciário. O sistema poderia resolver tudo em uma única ação, potencializando a solução do conflito. Ex. expurgos inflacionários. O prof. Kazuo Wanatabbe afirma que esse terceiro fenômeno pode ser denominado Molecularização dos Conflitos. O discurso de tal professor é de que fomos criados para que houvesse atomização dos conflitos (demandas isoladas), e o melhor é se pensar na molecularização dos conflitos com a sua junção.
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Atente-se que também existiu uma segunda situação para a necessidade da coletivização do processo. Até então, o direito processual civil clássico era incapaz de tutelar essas três situações. Isso porque, o processo civil clássico se preocupa com demandas individuais (Caio versus Tício) e não com discussões entre coletividades. Isso porque o critério de legitimidade no processo individual é de legitimidade ordinária e porque as regras de coisa julgada individual são incompatíveis com o processo coletivo (art. 472 do CPC – afirma que a sentença não pode beneficiar nem prejudicar terceiros). Já no processo coletivo deve-se pensar em uma decisão que irá beneficiar a todos. 3. Efetividade das normas processuais: busca-se com a efetivação das normas processuais fazer com que o processo seja realmente um instrumento para efetivação de direitos. Essa fase ainda está em pleno andamento na maioria dos países do mundo, pelo que vários autores falam das várias mudanças do CPC, e sobre o novo CPC. 2. Evolução do Processo Coletivo no Brasil: O primeiro processo coletivo que surgiu no Brasil foi a ação popular, existindo desde as Ordenações do Reino (Ordenações Manuelinas), apesar de nessa época ser uma previsão extremamente precária. A previsão era tão precária a ponto de ser ignorada por vários autores. Em 1981 foi editada a Lei 6.931 que continha normas sobre a Política Nacional do Meio-ambiente com previsão de que o MP pudesse ajuizar uma Ação Civil Pública para tutela do meio ambiente. Com a lei 7.347/85 (LACP) e a CF/88 houve o que se pode chamar de Consolidação do processo coletivo no Brasil. Em 1990 surgiu um diploma bastante importante que é o CDC – Código de Defesa do Consumidor. Nessa era, pode-se dizer que ocorreu a Potencialização do Processo Coletivo no Brasil. O quadro atual ainda é esse, apesar da existência de outras normas. Tem-se pois, o nascimento, a consolidação e a potencialização da tutela dos direitos coletivos. *Futuro: No ano de 2000 houve tentativa perpetrada pela USP (Ada Pelegrini Grinover) e UERJ (Aloísio Mendes) para a elaboração de um Código Brasileiro de Processo Coletivo. A ideia de ambas as universidades é de que a tutela coletiva tivesse uma lei própria.
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3. De acordo com os Professores Gregório Assagra. É importante entender isso uma vez que ao se pensar na expressão interesse público temos sua divisão entre interesse público primário e interesse público secundário. Deve-se atentar que. Quanto aos sujeitos: a) Ativo: é aquele em que a coletividade é autora. existem duas posições diametralmente opostas acerca da possibilidade da ação coletiva passiva: 1ª Corrente: é adotada por Gajardoni. 4. E isso considerando que. apesar das várias classificações existentes na doutrina. o processo coletivo deve ser visto como um processo de interesse público. Daí que existe uma proposta acadêmica de que essa divisão entre público e privado não mais serve para o Brasil. a prática tem demonstrado que há situações que a coletividade deve ser Intensivo II Página 4 . buscando-se a aprovação de uma nova Lei de Ação Civil Pública (PL 5139). sempre aquele correspondente ao interesse buscado pela coletividade. sendo a majoritária. a Summa divisio do direito não deve ser mais entre público e privado. mas entre individual (público e privado) e coletivos ou metaindividuais. no ano de 2009. Natureza dos Interesses metaindividuais: A expressão metaindividuais é sinônima de coletivos. ou seja o interesse público Estatal deveria ser. atentando-se que a coletividade deve ser representada por um legitimado. Já o interesse público secundário é o interesse do Estado (aquilo que o Estado acha que é o bem geral). esses interesses deveriam se coincidir. Na doutrina. foi abandonada a ideia desse Código de Processo Coletivo.1. de fato.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Com a reunião de vários juristas. e são essas as estudadas: 4. É admitida a existência do processo coletivo passivo. Classificação do processo coletivo: Existem duas classificações uniformes. Interesse público primário é o interesse da coletividade (bem geral). Aqui devem ser feitas duas considerações sobre esse tema: Os direitos metaindividuais ainda não se encaixam na clássica classificação Direito Público e Direito Privado. mas na prática isso não ocorre sempre. b) Passivo: (?) seria o processo coletivo em que a coletividade é ré. Nelson Nery. Isso é o que ocorre na maioria dos casos. Em condições normais.

caso não sejam mantidos os serviços mínimos. Quanto ao objeto: a) Processo coletivo especial: são as ações de controle abstrato de constitucionalidade. Atente-se que. deve ser ajuizada ação em face dos metroviários que são uma coletividade. A ação de improbidade há possibilidade de sanções não possíveis na ação civil pública. Afirmam ainda que não há um legitimado passivo fixado para representação da coletividade. Tal argumento é rebatido pela primeira corrente afirmando que. o professor e o projeto de Lei da Ação civil pública não fazem essa distinção de nomenclatura. 4.: Alguns autores dizem que existe a chamada Ação Coletiva (Hugro Nigro Mazzili). ou seja. a manutenção de padrão mínimo dos serviços e nessa hipótese. ADC e ADPF. embora haja divergência doutrinária (o STJ faz essa referência). E essa ação coletiva seria o nome a ser dado para a ação prevista no CDC.429/92. Obs. segundo a lei da greve. 2ª Corrente: é uma posição adotada. geralmente para tutela dos interesses individuais homogêneos. Intensivo II Página 5 . deve haver representação por meio de associações e sindicatos. Ex. afirmando que. Isso porque a legitimidade. ao lado da ação civil pública. Não se pode negar que essas são as maiores ações coletivas diante dos efeitos erga omnes por elas produzidos. Podemos citar: Ação civil pública – Lei 7. Mas essa é uma questão apenas de nomenclatura.347/85.717/65. entre outros por Dinamarco. Ação popular – Lei 4. Atente-se que a ação de improbidade administrativa não é ação civil pública. inexiste previsão legal. Greve de Metrô em SP  é necessária. Outro exemplo é no caso de greve de Policiais Federais. pelo que não será possível a existência de ação coletiva passiva. b) Processo coletivo comum: o processo coletivo comum baseia-se nas ações para tutela dos interesses metaindividuais que não se relacionam ao controle abstrato de constitucionalidade. ADI. Seria uma ação civil pública cuja previsão se encontra no CDC. o objeto. a coisa julgada são distintos entre a ação civil pública e na ação de improbidade. Ação de Improbidade Administrativa – Lei 8. Segundo o professor. Ação Coletiva é gênero.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni acionada e a única maneira de se acionar a coletividade é por meio da ação coletiva passiva.2. pesar de não negar a inexistência de previsão legal.

16. e a desistência porventura existente não acarreta extinção. aqui não há exceção. promover o prosseguimento da ação. 15 da LACP. mas sim sucessão processual. 5º. Não há possibilidade de desistência da ação popular ou da ação civil pública. LAP: Caso decorridos 60 (sessenta) dias da publicação da sentença condenatória de segunda instância.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Mandado de Segurança Coletivo – Lei 12. diferentemente do primeiro princípio que possuía a palavra mitigada. Atente-se que. sem que a associação autora lhe promova a execução.016/2009 Mandado de Injunção Coletivo – quanto a este. o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. 5. ainda há divergência acerca de seu cabimento. o representante do Ministério Público a promoverá nos 30 (trinta) dias seguintes. 9º da Lei de Ação Popular. 9º.078. Citem-se os dispositivos pertinentes:               Art.078. de 1990)         Art.3. 7º. (Redação dada pela Lei nº 8. sob pena de falta grave. dentro do prazo de 90 (noventa) dias da última publicação feita. inciso II. decorridos 60 dias do trânsito em julgado da sentença coletivo. 5. (Redação dada pela Lei nº 8. Decorridos sessenta dias do trânsito em julgado da sentença condenatória. LACP. Mas atente-se que há uma exceção: se a desistência for fundada pode haver a extinção. LAP: Se o autor desistir da ação ou der motiva à absolvição da instância. de 1990) Por esse princípio. 5. Princípio da indisponibilidade da execução coletiva: Tem previsão no art. Princípio da Indisponibilidade mitigada da ação coletiva: Tem previsão no art. bem como ao representante do Ministério Público. ficando assegurado a qualquer cidadão.         Art. sem que o autor ou terceiro promova a respectiva execução. 15. caso permaneça inerte o autor da ação. senão vejamos:                   Art. qualquer legitimado poderá e o MP deverá executar a ação coletiva. Princípio do interesse jurisdicional no conhecimento do mérito: Página 6 Intensivo II . Princípios de processo coletivo Comum: 5. serão publicados editais nos prazos e condições previstos no art.1.2. LACP: Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada. facultada igual iniciativa aos demais legitimados. 16 da LAP e no art. §3º da Lei de Ação Civil Pública e no art. deverá fazê-lo o Ministério Público. 5º § 3°.

              § 3° Os efeitos da coisa julgada de que cuida o art. É chamado de Transporte in utilibus da coisa julgada coletiva. Princípio da Prioridade na tramitação: Também se trata de princípio implícito. mas. previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. que impõe que seja transportado. 5. de 24 de julho de 1985.347. HD. não induzem litispendência para as ações individuais. Art. As ações coletivas. 96 a 99. 103. mas nunca prejudicados. se procedente o pedido. Princípio do máximo benefício da tutela jurisdicional coletiva: Há previsão no art. se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias. a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais. beneficiarão as vítimas e seus sucessores. portanto. não prejudicarão as ações de indenização por danos pessoalmente sofridos. 103. é de que todos que estejam na mesma situação sejam beneficiados. §§3º e 4º e 104 do CDC. essas previsões expressas prevalecem sobre o processo coletivo. no que for útil a tutela coletiva. propostas individualmente ou na forma prevista neste código. senão vejamos: HC. já houve decisão na jurisprudência no sentido de que fosse publicado edital para chamar demais legitimados e também o MP a fim de se evitar a extinção da ação. Quer dizer que o juiz “deve dar maior atenção” ao processo coletivo considerando que estão sendo tutelados direitos não só de uma pessoa. 81. No processo coletivo. As sentenças proferidas em processos coletivos somente beneficiam os indivíduos. caso haja perda da legitimidade do sujeito ativo. combinado com o art. nos termos dos arts. No processo coletivo deve haver uma maior flexibilização das regras sobre a admissibilidade da ação a bem da análise do mérito do pedido. não havendo dispositivo legal nesse sentido.4.         § 4º Aplica-se o disposto no parágrafo anterior à sentença penal condenatória. 13 da Lei n° 7. mas de toda uma coletividade. MS. especificamente na ação popular. 16. Atente-se que há processos individuais cuja previsão legal expressa determina prioridade. Atente-se que esse princípio é um princípio implícito. que poderão proceder à liquidação e à execução. nunca os prejudicam. 5. Intensivo II Página 7 .5. A ideia.         Art.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Esse princípio inclusive consta do projeto do NCPC para a tutela individual. Idoso. 104.

Observe-se que.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Se a decisão da sentença coletiva for prejudicial. dentro do mínimo. Princípio da máxima amplitude ou da atipicidade das ações coletivas: Tal princípio tem previsão no art. como por exemplo. de acordo com a doutrina. cada um dos legitimados pode aviar ação autônoma buscando o seu direito. Assim. Atente-se que. pode converter uma ação coletiva em outra. Ex. Algumas pessoas sustentam a Reserva do Possível. ou seja. O processo coletivo é de interesse público primário. inexistindo creche na cidade. será atingido pela coisa julgada. considerando que foi parte no processo. 5. a CF é uma constituição que traz várias promessas. o Poder Judiciário somente pode intervir nas políticas públicas para a implementação de direitos e promessas fundamentais da Constituição Federal. Princípio da Máxima efetividade do processo coletivo: É também chamado de princípio do Ativismo Judicial. Trata-se de princípio implícito.7. 83 do CDC. o Judiciário pode intervir para determinar que a verba seja destinada a implementação da creche que é uma promessa fundamental da Constituição. O juiz é mais ativo na condução considerando que. pode flexibilizar as regras processuais e procedimentais a bem da tutela coletiva. E ao receber uma verba o administrador opta pela construção de uma praça. o ativismo judicial impõe a possibilidade de controle das políticas públicas pelo Judiciário. a garantia de creche para crianças de até seis anos de idade. sempre. pelo que não pode ser prejudicado. o Poder Judiciário acaba intervindo na própria decisão política do administrador. Quanto a solução. Acerca da matéria entende o STF que a defesa com base na Reserva do Possível não é válida no caso das promessas constitucionais – Mínimo existencial (núcleo mínimo de direitos que devem ser assegurados). 5. sendo esse o motivo para a condução e solução do processo coletivo. Intensivo II Página 8 . de forma específica. Isso porque. ou seja. cada um dos indivíduos não foi parte no processo coletivo e nele não pode exercer o contraditório. somente podem ser implementadas as políticas públicas caso haja verba para tanto. a reserva do possível não pode ser alegada. Nessa hipótese.6. *Exceção: há uma hipótese em que a pessoa possa ser prejudicada na ação coletiva  é no caso em que decide se habilitar na ação coletiva. o juiz pode dilatar prazo para defesa. Repare que foram usadas duas locuções: os poderes são ampliados na condução e na solução do processo.

Ex. invasão de área de reserva ambiental – pode-se aviar uma reintegração de posse para retirada das pessoas e proteção do meio ambiente (possessória para tutela de direitos coletivos). Ex. aplicação das regras de reexame necessário da Lei de ação Popular às demais ações coletivas. salvo MS coletivo (que tem disciplina própria). VIII do CDC) em qualquer ação coletiva. pois. Tal princípio foi copiado do sistema norte-americano. 21 dessa lei afirma que tudo que está previsto no CDC aplica-se para a ação civil pública CDC: o art. a fim de que os interessados possam intervir no processo como litisconsortes. Há duas leis que são vetores esse microssistema: Lei da Ação Civil Pública: o art. E segundo tal princípio. Princípio da integratividade do microssistema processual coletivo: Para o estudo do processo coletivo é necessário que sejam analisadas várias leis que são consideradas um microssistema. intervenham no processo coletivo. Há uma atipicidade das ações coletivas e qualquer tipo de ação pode ser coletivizada para a defesa de direitos coletivos. Para a defesa dos direitos e interesses protegidos por este código são admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar sua adequada e efetiva tutela. 5.8. 94 do CDC. sem prejuízo de ampla divulgação pelos meios de comunicação social por parte dos órgãos de defesa do consumidor. 94. deve ser dada ciência a coletividade a fim de que os interessados. 6º.9. ação de repetição do indébito de valores indevidamente cobrados.         Art. Enquanto não for aprovado o projeto de lei da Ação Civil pública que busca integrar todas as ideias devem ser observadas várias leis. Deve. Para analisar todo esse microssistema.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni         Art. será publicado edital no órgão oficial. 90 do CDC faz remissão no sentido de que os dispositivos da LACP são aplicáveis ao CDC Na teoria geral do direito é usada a expressão Teoria do Diálogo das Fontes normativas. possibilidade de inversão do ônus da prova (art. ser dada publicidade à ação coletiva. 83. é melhor observar o esquema a serguir: Intensivo II Página 9 . caso queiram. Princípio da Ampla divulgação da demanda: Tem previsão no art. 5. Proposta a ação.

a falta de representação e legitimidade do autor coletivo. o legislador já presumiu quem são os representantes adequados da coletividade. existem duas posições doutrinárias: 1ª Corrente: é encampada por Nelson Nery. sem prejuízo do controle legislativo da representação. por aqui. no caso. que se buscará o CPC. e somente se não for encontrada em nenhuma das disposições-regra. A grande dúvida que há no Brasil é se. A exceção quanto às associações se dá considerando os requisitos da constituição ânua e da pertinência temática. Afirma que. 5. norma aplicável. a aplicação é subsidiária.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Estatuto do Idoso Interpenetraçã o recíproca de Meio ambient todas as leis Lei da ação CDC: art. no Brasil. tanto quanto nos EUA. ao elencar no art. 90 ECA Norma de reenvio LACP: art. Intensivo II Página 10 . A partir dessa proposta. poderia também o juiz. não há controle judicial da representação adequada. entre outros. reconhecendo no caso concreto. fazer o controle judicial. não é qualquer indivíduo que pode ajuizar ação coletiva. 5º da LACP quem são os legitimados para a propositura. há uma presunção legal (é ope legis). Princípio da adequada representação ou do controle judicial da legitimação coletiva: Diferentemente do Sistema norte-americano. prazo para apelação. uma vez que.10. 21 Estatuto da Estatuto do Lei de Improbid CPC* *CPC: Já quanto ao CPC. Ex. vez que. à exceção das associações.

há presunção ope legis da legitimidade. ou a título coletivo. de natureza indivisível. Já se adotada a segunda posição. de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato. os transindividuais. também há possibilidade de controle judicial da adequada representação.III interesses ou direitos individuais homogêneos. não há posição majoritária! Dos livros indicados. é ação completamente desvirtuada da sua função institucional.II . Daí que. utiliza-se a finalidade institucional do órgão. para efeitos deste código. Já se adotada a segunda corrente seria declarada a ilegitimidade considerando que. 127 da CF traz as finalidades do MP. assim entendidos. 81 do CDC. o juiz pode afastar a presunção legal no caso concreto. 06/09/10 6. é necessário que o juiz. a pertinência temática. não importa a análise da legitimidade. E Hugo se aproxima da primeira. extinguir o processo. Caso não haja pertinência. Objeto do Processo Coletivo: Tem previsão no art. e admitindo-se a possibilidade do controle. Para os adeptos dessa segunda posição (inclusive o professor). no caso concreto. Intensivo II Página 11 . MP  o art. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente.  Atente-se que. Nessa hipótese. assim entendidos. Adotando essa ideia. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I . assim entendidos os decorrentes de origem comum. 81. caso fosse ajuizada ação pela Defensoria para análise de problema em um Carro Mercedes – adotando a primeira corrente. para efeitos deste código. deve ser chamado outro legitimado e não. E adotada primeira corrente.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni 2ª Corrente: é adotada por Ada Pelegrini. Segundo tal corrente.interesses ou direitos difusos. categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base. ou seja. ao receber a ação civil pública proposta pelo MP analise se há pertinência com suas funções institucionais. Parágrafo único.interesses ou direitos coletivos. os transindividuais. indaga-se qual o critério utilizado para tanto. O mesmo ocorre com a Defensoria Pública – a finalidade institucional é a defesa do hipossuficiente. Art. de natureza indivisível de que seja titular grupo. sem prejuízo do controle legislativo. Cássio e Fredie adotam a segunda posição. Ex.

meia entrada para estudante. temos que. na seara dos Direitos Difusos e Coletivos há defesa de ambos institutos.         Parágrafo único. Mas atente-se que. direito é um interesse tutelado pela norma. Os interesses acidentalmente coletivos são conhecidos como direitos Individuais homogêneos. que tem previsão legal. Barbosa Moreira. para efeitos deste código. Assim. ou perde. Ex. *Transindividuais ou Metaindividuais: supraindividuais – essas expressões são sinônimas. o que merece ser destacado. 81. ou seja. *Direitos ou interesses: existe diferença em se falar direitos ou interesses? Na Teoria Geral do Direito. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:               I . Já o interesse é uma pretensão não tutelada pela norma. de natureza indivisível. os transindividuais. Quer dizer que.               II . Estes se subdividem em: a.interesses ou direitos coletivos. 81 do CDC:         Art. passando a ser interesses de um grupo. Esses direitos são divididos em dois grandes grupos: a) Direitos naturalmente coletivos: são caracterizados pela indivisibilidade do objeto. assim entendidos. Pode ser que o agente a possua mas não há norma explícita nesse sentido. para efeitos deste código. Tais expressões demonstram que os interesses ou direitos em questão transcendem os limites de uma pessoa (excedem). de natureza indivisível de que seja titular grupo. os transindividuais. A ideia de diferenciar tais nomenclaturas dá-se uma vez que há alguns direitos coletivos previstos em norma e outras não.interesses ou direitos individuais homogêneos.         III . ou a título coletivo. o objeto do processo coletivo nada mais é que o interesse de grupos. toda vez que se tiver interesse ou direito naturalmente coletivo. assim entendidos os decorrentes de origem comum. de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato.interesses ou direitos difusos. inclusive com previsão do caput do art. ou toda categoria ganha.2) Coletivos: Coletivos stritu sensu b) Direitos acidentalmente coletivos: são caracterizados pela divisibilidade do objeto. categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Aqui se adota a lição do prof. Naturalmente coletivos: tais direitos prezam pela indivisibilidade do objeto. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente.1) Difusos a. O objeto do processo coletivo é a análise dos interesses ou direitos trans ou metaindividuais. assim entendidos. Intensivo II Página 12 .

O todos titulares têm o direito coletivo ou não o têm. o que quer dizer que. Todavia. propaganda enganosa. apesar de indeterminados. normalmente todos buscam a mesma coisa.: Geralmente as ações por entidades de classes são aquelas que tutelam os direitos coletivos stritu sensu. o que quer dizer que o objeto deles é indivisível. Alta abstração: costumam ser bastante abstratos. Ex. o que quer dizer que pode ter parte da categoria que possui o direito e outra parte que não o possui. para saber se são direitos ou interesses difusos devem ser observadas quatro características: Os titulares são indeterminados e indetermináveis. Baixa conflituosidade interna: nos coletivos stritu sensu. ou seja. *Coletivos stritu sensu: são direitos naturalmente coletivos. o objeto deles é indivisível. permitem haver cisão do objeto. São ligados por circunstâncias jurídicas (há relação jurídica-base entre os titulares ou com a parte contrária). Há uma ligação jurídica que une os titulares. Acidentalmente coletivos: são direitos ou interesses que.  Exemplos: Meio ambiente. por categoria. E são determináveis por grupo. O que interessa anotar é que. É como se fosse um coletivo atípico. patrimônio público. Tais direitos. Estes sujeitos são ligados entre si por circunstâncias de fato extremamente mutáveis (não há relação jurídica base entre os titulares).Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Não há possibilidade de cindir o objeto da ação. Aqui também devem ser observadas quatro características: Os titulares são indeterminados. patrimônio público. são determináveis. *Difusos: são direitos naturalmente coletivos. por si só são coletivos na medida em que são indivisíveis. associação. Ex. etc. Alta conflituosidade interna: dentro dos titulares dos interesses difusos há grande conflito. diferentemente dos naturalmente coletivos. meio ambiente  não há como despoluir um rio para um e não fazê-lo para outrem. Menor abstração: os interesses coletivos stritu sensu são muito mais concretos que os difusos. mesmo sindicato. Intensivo II Página 13 . o objeto tutelado pelos interesses acidentalmente coletivos é divisível. Obs.

mas existem vários titulares que tais direitos restam consolidados. expurgos inflacionários. Molecularização dos Conflitos. Há uma tese jurídica comum e geral a todos Tem-se uma natureza individual da pretensão: houve aqui uma opção política do legislador em que se decidiu a reunião das diversas tutelas individuais. (No Brasil. Outra situação é o caso de defeito ou vício do produto. na verdade. alguns autores entendem que os interesses individuais homogêneos são direitos coletivos. Permitiu-se que se tratem coletivamente pretensões que. Daí que sua principal característica é a indivisibilidade já que cada um tem seu interesse. mas determináveis. Exemplos: expurgos inflacionários: todos são poupadores. Aumento do acesso à justiça. Súmula 643. mas com a parte contrária. Aqui os sujeitos são determináveis na fase de liquidação / execução. Intensivo II Página 14 . mas alguns podem ganhar o índice e outros não. Ex. STF: “O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares”  os titulares são indeterminados. são individuais. A relação jurídica aqui não é entre eles. Outro exemplo é o caso do Microvilar (pílula de farinha no lugar de anticoncepcional). mas essa é uma minoria). 2. Pretensão de origem comum: a pretensão tem uma origem comum. Evita decisões contraditórias 5. mas são determináveis. É igual na sociedade. Economia processual: é uma economia processual menos preocupada com as partes e mais preocupada com o sistema. sua pretensão. Apontam-se na doutrina cinco razões: 1. Ex. Leite longa-vida. Nesse ponto. Ex. Atente-se que a nomenclatura ajuda muito: existem certos interesses da sociedade que são individuais – cada um poderia demandar de forma individual. é necessário destacar quais são as razões para a tutela coletiva de uma pretensão que é individual. homogeneizados na sociedade. *Individuais Homogêneos: são direitos acidentalmente coletivos diante da possibilidade de divisão do objeto. 3. automóvel (Lembrar do caso do Fox e gancho no porta-malas). O interesse individual homogêneo é o interesse individual que vários titulares possuem. Redução de custos 4. trata-se de direito abstrato e há baixa conflituosidade. Ex. Nada mais são que as chamadas ações repetitivas. A sentença é dada de forma genérica para todos e a discussão efetiva do direito deve ser feita em sede de liquidação.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni  Exemplos: benefícios previdenciários de determinada categoria. fato de serem poupadores no caso dos expurgos. Merece destaque ainda citar as características de tais direitos ou interesses: Os sujeitos são indeterminados.

podemos observar que há zonas cinzentas Dos três direitos ou interesses. 18 da Lei de Ação Popular. Atente-se que as regras aqui estudadas não se aplicam ao mandado de segurança coletivo e à improbidade administrativa que são ações que possuem regime de coisa julgada específico. Já a coisa julgada no processo coletivo é: Intensivo II Página 15 . de modo que o que define se se trata de difuso. As várias vítimas queriam indenização (individuais homogêneos). Posteriormente. MPF ajuíza ação para que todas as embarcações do país tivessem coletes para todos os tripulantes (difusos). Alguns autores não conseguem vislumbrar diferença entre os direitos difusos e coletivos (Dinamarco). indaga-se qual deles que teve especial pelo sistema. Outros autores são incapazes de diferenciar os interesses coletivos dos individuais homogêneos (José Marcelo Menezes Vigliar). Diante disso. Ao se falar em coisa julgada no processo coletivo. Observações Finais: Na prática. a associação de Turismo de Angra avia ação para que todas as embarcações tivessem coletes salva-vidas na cidade (coletivo).1. é necessário lembrar que. Nelson Nery dá exemplo no caso do barco Baton Mouche que afundou em Angra dos Reis. Para tal autor são totalmente artificiais tais diferenças. Introdução: tratamento percebidos tutelar os os direitos No processo coletivo. no processo individual. a previsão legal para a coisa julgada está nos artigos 103 e 104 do CDC. temos que a coisa julgada é inter partes e pro et contra (art. é o caso concreto. art. o mesmo fato pode ensejar ações coletivas para a tutela de todos estes interesses. 468 + 472. particular. Coisa Julgada no processo coletivo: 8. A coisa julgada funciona para as partes e se dá independente se ocorreu em razão da falta de provas ou não. A coisa julgada ocorre se há procedência ou improcedência da demanda. busca-se direitos difusos e somente após muitos anos opta-se por tutelar individuais homogêneos. Foram os Direitos coletivos  foram primeiro por causa dos sindicatos. Essa é a regra do processo individual. coletivo ou individual homogêneo é o direito afirmado na inicial. 16 da Lei de Ação Civil Pública e no art. 8.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni 7. CPC).

b) Secundum eventum probationes (ou secundum eventum litis): nem sempre haverá coisa julgada. mas não ação individual Difusos Procedente ou improcedente Procedente ou improcedente por Coletivos stritu qualquer outro sensu fundamento que não seja a falta de provas Individuais Procedente ou homogêneos improcedente. qualquer que seja o fundamento. Há quem afirme que são expressões equivalentes (Antonio Gidi). Há impedimento de outra ação coletiva. 8. Intensivo II Página 16 . devendo ser encontrada uma expressão que afirmasse ser válida a discussão para todos os interessados.2. Expressão Ultra partes: há autores que não distinguem esse fenômeno dos efeitos erga omnes. Gidi sustenta que não deveria haver distinção entre as expressões. No Brasil. os individuais homogêneos a coisa julgada existe. Isso porque não pode o agente que não participou do processo ser prejudicado. grupo. (ação coletiva) Improcedência por falta de provas Improcedência por falta de provas Coisa Julgada Secundum eventum probationes Observações pertinentes: 1. Gráfico: Não impede outra ação coletiva (não há coisa julgada material) Regime jurídico Erga omnes: haverá Efeito Ultra da Coisa impedimento de partes:apenas para o Julgada outra ação coletiva.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni a) Erga omnes ou ultra partes: atinge terceiros.

ainda que o autor da ação individual perca. se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias. Existência de ação coletiva em curso: Entretanto. para o autor da ação individual já proposta se beneficiar da procedência da ação coletiva para a tutela dos individuais homogêneos (para alguns. Intensivo II Página 17 . a sentença coletiva não lhe beneficiará e a ação individual prosseguirá. mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais. a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva.” Caso não o faça (pedir a suspensão). uma vez requerida a suspensão. Atente-se que nunca poderá ingressar o particular no caso de defesa de interesses difusos. previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. Atente-se que o prazo para requerer a suspensão é de 30 dias. Caso não seja avisada pelo réu. A coisa julgada coletiva. 94 do CDC  se o eventual beneficiário ingressa como litisconsorte na ação coletiva será atingido pela coisa julgada. É necessário observar ainda que. É o que dispõe o art. mas existem alguns autores que esse dispositivo pode ser usado também nos direitos coletivos (Hugo Nigro Mazzili). Ex. inicialmente. em apenas um processo. coletivos também) deverá requerer a suspensão da ação individual de objeto correspondente à coletiva. redução de mensalidades escolares. já que para ele é melhor defender-se. Mas essa regra tem uma exceção prevista no art.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni 2. a existência da ação coletiva. Esse dever de informar deve ser feito pelo réu que tem interesse nesse aviso. nada impede o ajuizamento da ação individual. A coisa julgada será transportada in utilibus – somente se beneficiar. Assim. ele poderá se beneficiar da procedência da ação coletiva. 104 do CDC: “As ações coletivas. contados da ciência nos autos da ação individual. mesmo se improcedente a ação coletiva. 3. do ajuizamento da ação coletiva. nunca prejudica as pretensões individuais. 81. É a aplicação do princípio da Máxima efetividade da tutela jurisdicional do processo coletivo. em todos os interesses metaindividuais. não induzem litispendência para as ações individuais. Esse dispositivo se aplica em relação aos direitos individuais homogêneos. considerando que foi parte no processo. o processo individual fica parado por prazo indeterminado (até o julgamento da ação coletiva). Só beneficia.

em relação às Coletivas). 104. já que nessa oportunidade o juiz analisou todas as peculiaridades do caso concreto. coletivos ou individuais homogêneos). Diante disso.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni 4. e. bem como que o autor da individual desacolhida não teve a oportunidade de suspender a ação individual de acordo com o art.110. posteriormente. vez que não havia a ação coletiva àquele tempo. No caso dos expurgos. ao julgar o Resp. 2ª Corrente: Hugo Nigro Mazzili  afirma o cabimento com base em dois fundamentos. 1.  Não há posição majoritária. ajuizada a ação coletiva atinente a macrolide geradora dos processos multitudinários (ações repetitivas). Entretanto. Já em concurso da advocacia pública. O STJ. entendeu que. Intensivo II Página 18 . Aduz a necessidade de aplicação do princípio da Igualdade. CDC) efetivar a suspensão da ação individual. Improcedente a ação coletiva para a tutela dos direitos individuais homogêneos (e para alguns. 543-C do CPC que cuida do julgamento dos recursos especiais repetitivos. a ação individual suspensa retoma seu curso. o que não impede o ajuizamento de outras ações individuais. b) Modelo da suspensão judicial: é a aplicação do art. é melhor adotar a primeira corrente. sobrevém ação coletiva julgada procedente (Difusos. considerando que a coisa julgada individual prevalece sobre a coletiva. Se a ação individual já foi julgada improcedente com trânsito em julgado. rompendo a facultatividade da suspensão da ação individual. suspendem-se obrigatoriamente as ações individuais já ajuizadas no aguardo do julgamento da ação coletiva. se a ação coletiva for procedente. pode o indivíduo se beneficiar dela? Para ser respondida essa pergunta surgem duas posições: 1ª Corrente: Ada Pelegrini Grinover  afirma o não cabimento desse benefício. 543-C feita pelo STJ. O fundamento utilizado pelo STJ foi o art. 5. 104 do CDC. foi efetivada a essa suspensão. 6.549/RS. atentando-se que a segunda é mais favorável ao jurisdicionado o que seria interessante afirmar em concursos do MP. extingue-se a ação individual (falta de interesse de agir) ou converte-se a ação individual em liquidação. graças ao STJ existem dois modelos de suspensão das ações coletivas para aguardar o julgamento das ações coletivas: a) Modelo da suspensão voluntária: cabe ao interessado (art. quanto aos processos que tramitavam nos Tribunais. Defensoria.

Ex. crimes contra o meio ambiente ou contra o sistema financeiro nacional.. a improcedência da ação coletiva obsta. é porque quer. A condenação somente vale contra o condenado. ela deve ter uma preliminar indicando qual é a nova prova.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni 7.Transporte in utilibus da sentença penal condenatória: art. A sentença criminal pode ser utilizada na seara cível diante da existência de crimes que ser referem a direitos coletivos. se não foi objeto da ação penal. sob pena de indeferimento. pelo que. O fundamento para isso é de que não se pode ser obrigado a ser sindicalizado e se faz parte. Na Justiça do Trabalho há precedentes indicando que nas ações coletivas ajuizadas por sindicatos para a tutela dos direitos individuais homogêneos (e coletivas para alguns). 8. não pode o sócio da empresa ser executado de forma isolada. inclusive. preservando-se. Já nas ações coletivas para a defesa dos direitos individuais homogêneos. as pretensões individuais. 11. a improcedência por ausência de provas.494/97: Art. deve ser determinada a emenda da inicial.. a partir do momento que o empregado se sindicaliza está correndo esse risco. Nos direitos difusos e nos direitos coletivos a improcedência por falta de provas não faz coisa julgada material (coisa julgada secundum eventum probationes) e permite a propositura de uma nova ação coletiva de mesmo objeto. a improcedência por qualquer fundamento (Inclusive falta de provas) faz coisa julgada material. Sobre esse fenômeno da coisa julgada secundum eventum probationes devem ser feitas três observações: Ajuizada uma nova ação coletiva. 103. como por exemplo. de modo que não precisa ser declarada na sentença. A possibilidade da nova propositura decorre da lei. por quem foi vencido na primeira. não se pode querer atingir terceiros pelo transporte in utilibus. a pretensão individual. inclusive. 10. Não havendo a preliminar. §4º do CDC. 16. A nova ação pode ser proposta. A sentença penal condenatória pode ser transportada para beneficiar o indivíduo.]”  significa dizer que a decisão proferida somente vale no território de competência Intensivo II Página 19 . 9. de modo que não será possível nova ação coletiva. LACP: “A sentença civil fará coisa julgada erga omnes. ou seja. nos limites da competência territorial do órgão prolator [.Análise dos artigos 16 da Lei de Ação Civil Pública e 2º-A da Lei 9. apenas.

A ideia dessa Teoria Intensivo II Página 20 . Essa crítica é feita de forma intensa por Cássio Scarpinella.09. não há razão para que isso não ocorra nas ações coletivas. 293. 103 do CDC sobrepõe-se a disposição do art. apontando sua inconstitucionalidade e sua ineficácia: a) A doutrina diz que esses dois dispositivos foram inseridos no ordenamento jurídico por meio de medida provisória (que virou lei posteriormente) e essa medida provisória criada não atendia os requisitos da relevância e da urgência. haveria expansão dos efeitos da decisão para o Estado. o que poderia levar a parte vencida a não recorrer para. 16 da LACP. restou em aberta a possibilidade de se sustentar que se o órgão jurisdicional superior apreciar a questão (TJ. Para tal autora o art. manter os efeitos da decisão nos estritos limites do órgão jurisdicional de primeiro grau. diz que o legislador confundiu dois institutos de direito processual civil que não se misturam: coisa julgada e competência. 103 do CDC. exigindo-se uma ação para cada limite territorial. o STJ entendeu que. 16 da LACP e art. no julgamento do EResp. 399. 29.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni do juiz prolator da decisão.494/97: aplicam-se as mesmas críticas já que o dispositivo é bastante semelhante.407/ SP (Corte) e do Resp. há julgados afirmando a inconstitucionalidade dos dispositivos (Min. evitando este fenômeno. pelo menos para os direitos individuais homogêneos as duas regras (art. b) Ada Pelegrini afirma que o dispositivo é ineficaz considerando que não houve alteração concomitante do art. c) Nelson Nery Jr.357/SP. No entanto. 301 e §§ do CPC.  No STJ. Afirma a inconstitucionalidade do dispositivo pela falta de razoabilidade uma vez que se uma ação individual tem a coisa julgada estendida para fora dos limites territoriais da competência. Mas essa disposição. 2º-A da Lei 9. Art. Relação entre demandas: No sistema brasileiro o que define a relação entre demandas é a Teoria de Tríplice Identidade que tem previsão no art.2010 9. TRF.  Entretanto. atente-se prejudica e muito o processo coletivo.494/97) são válidas. para a região e para o Brasil. 2º-A da Lei 9. Nancy Andrighi). STJ e STF). Atente-se que esse dispositivo sofre três ordens de críticas pela doutrina. que não contém tal restrição. neste julgamento.

nos termos do art. O legislador aqui fez opções dentro das espécies de demandas existentes. 105 do CPC. Continência: art. haverá possibilidade da ocorrência de dois fenômenos: Conexão: art. 103. acerca dos efeitos entre duas demandas. 9. Se a relação jurídica ali discutida também estiver sendo discutida nos mesmos moldes em outra demanda.1. pedido e causa de pedir. E a resposta é no sentido de que jamais ocorrerá identidade total entre ação individual e ação coletiva. 9. Dois fenômenos são identificados na identidade total no ordenamento jurídico Brasileiro: Coisa julgada: repetição de ação idêntica já julgada. Atente-se que quem define as consequências da identidade total ou parcial da demanda é o sistema. quando houver identidade parcial para a consequência de ser determinada a reunião das ações para julgamento conjunto se isso for possível. Relação entre ação individual e ação coletiva: Indaga-se a possibilidade de ocorrência de ação individual e ação coletiva iguais. Relação entre duas demandas individuais: O nosso sistema pode identificar que duas ações são iguais e aqui haverá o fenômeno da identidade total entre as ações. tanto pela Teoria da Tríplice Identidade tanto da Teoria da Identidade da relação Jurídica Material. Ocorrendo coisa julgada ou litispendência o ordenamento jurídico determina a extinção sem resolução do mérito de uma dessas demandas.2. ou seja. haverá identidade de ações. 104 do CPC – a continência ocorre quando há identidade de partes. nos termos do art. Mas a melhor doutrina afirma que essa Teoria é falha. existindo uma outra Teoria muito utilizada no Direito Italiano algumas vezes aplicada pelos Tribunais pátrios. Litispendência: repetição de ação idêntica ainda em curso. CPC – pedido ou causa de pedir idênticos. Para essa teoria. sendo inaplicáveis os fenômenos da litispendência e da coisa julgada. 267. o que vale para identificar se uma ação é idêntica a outra é a verificação do Direito Material Discutido. se forem iguais as partes. de modo que ele pode dar soluções distintas caso a caso. Tratando-se de identidade parcial dos elementos da ação.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni é o fato de que existirão ações idênticas se idênticos os elementos da ação. Intensivo II Página 21 . Atente-se que o nosso sistema optou. causa de pedir e o pedido de uma demanda é mais amplo que a outra. Tal teoria é denominada Teoria da Identidade da Relação Jurídica Material. V do CPC.

104 do CDC faz referência errada aos incisos I e II do art. 81. As ações coletivas. As partes são os legitimados coletivos na ação coletiva. nos termos do art. É necessário observar ainda que. mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais. art. 103 do CDC uma Intensivo II Página 22 . suspensão essa que pode ser requerida pela própria parte (facultativa – art. Já na ação individual. Nesse ponto. ou nos individuais homogêneos o pedido é genérico. 81. O pedido também não é idêntico considerando que na ação coletiva. Em uma ação é o ente coletivo e em outra é o indivíduo. Relação entre ações coletivas e coletivas (não necessariamente da mesma espécie) Ao analisar a relação entre ações coletivas é necessário perceber que não se faz necessário que sejam da mesma espécie. Ademais.549/RS).110. 104. Quanto às partes e o pedido não há como haver identidade. se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias. o indivíduo prejudicado. Havendo coisa julgada de uma das ações coletivas o efeito somente pode ser um que é o impedimento do ajuizamento de outra ação coletiva. A suspensão da ação individual pode se dar no caso de ação para tutela de direitos coletivos e individuais homogêneos. Por outro lado há possibilidade de ocorrência de conexão já que pode existir identidade da causa de pedir. importando na extinção da segunda ação. Pode haver relação entre ação popular e ação civil pública. o pedido ou é para tutela de um interesse difuso ou coletivo. Um alerta merece ser feito nesse ponto: cuidado com a coisa julgada secundum eventum probationes do art. 81. é diferente de uma ação individual. merece destaque o art. 1. 95 do CPC. a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. não haverá continência uma vez que o pedido de uma ação coletiva não é tecnicamente maior que o de uma ação individual. 16 da LACP e do art. 104 do CDC: Art.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Nessa hipótese o único elemento que pode ser igual é a causa de pedir. não induzem litispendência para as ações individuais. No que tange à identidade total. previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art.3. 9. No que tange à identidade parcial que determina os fenômenos da continência e da conexão temos que a continência não irá ocorrer já que não nunca haverá identidade de partes. indaga-se a possibilidade de haver na relação entre ações coletivas coisa julgada de uma influenciando outra. e o correto seria a referência aos incisos II e III do mesmo art. O efeito da conexão quando se tem a identidade parcial dos elementos entre ação individual e ação coletiva é o fato de haver a suspensão da ação individual. mas sim. 104 do CDC) ou judicial (lembrar a posição do STJ – Resp. por exemplo.

há possibilidade de conexão e continência em ações coletivas.: no exemplo da ação civil pública para despoluir o rio e também havendo ação civil pública para a tutela dos direitos individuais homogêneos em tutela dos pescadores temos que a causa de pedir de ambas é a mesma. e. Havendo essa hipótese. somente interessa a relação entre ações coletivas já que. Ex. duas ações coletivas aviadas por associações distintas em face da OMO por prejuízo causado a vários consumidores. Em relação à litispendência temos que há sim a possibilidade de sua ocorrência. 2ª Corrente: é a posição de Ada Pelegrini. mas sim a reunião para julgamento conjunto ou. devendo haver a junção de ambas para julgamento conjunto. ou seja. E observe-se que isso ocorre com bastante frequência. privatizações: quando existiram privatizações. O grande problema dessa corrente é no sentido de que uma das ações pode ser mal instruída e outra muito bem instruída e esta pode vir a ser extinta. Critério para unificação de demandas coletivas relacionadas: Inicialmente é necessário observar que. Havendo ações coletivas em litispendência. a suspensão de uma delas. vários sindicatos e pessoas buscavam em ações coletivas a suspensão de leilões  havia conexão entre as diversas ações. fazendo entretanto um alerta: aquele que teve o processo extinto pode se habilitar como litisconsorte na ação que teve seu curso continuado. havendo relação entre demandas individuais e coletivas as individuais serão suspensas. Obs. a despoluição do rio. Ex. não sendo este possível.4. A consequência da identidade parcial é a reunião para julgamento conjunto ou a suspensão. sendo julgada a primeira ação por falta de provas inexiste a coisa julgada podendo outra ação ser ajuizada. Intensivo II Página 23 . No que tange a identidade parcial. Afirma tal corrente que a solução para esse fenômeno é a extinção de uma das ações. Atentese que essa posição é a minoritária. temos que. que haja a suspensão. existem duas posições a respeito das consequências por ela trazidas: 1ª Corrente: é uma posição adotada entre outros por Giddi e por Tereza Arruda Alvim Wambier. afirmando que o efeito da litispendência quando houver ações idênticas coletivas não é a extinção.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni vez que. não sendo isto possível. 9. o que traz vários benefícios. Tais ações são conexas. por exemplo: uma no tribunal e a outra em primeira instância. entende-se que a ação que tramita em primeira instância deve ser suspensa aguardando a decisão da outra. há possibilidade de cada uma das ações estar em determinada fase. A junção das ações faz com que o juiz busque em cada uma delas o que há de melhor. Havendo o fenômeno da junção.

Assim. 219. Apesar da clareza do que foi afirmado no sentido de que devem ser aplicados os artigos 2º da LACP e 5º da LAP há julgados do STJ ignorando tais regras e aplicando os artigos 106 e 219 do CPC. §3º da Lei de Ação Popular. é necessário observar que existem dois modelos de liquidação e execução da sentença coletiva: Execução/liquidação da pretensão coletiva: tem previsão no art. Esse modelo é o usado para efetivar a execução/ liquidação dos direitos difusos e coletivos. prevalece esse terceiro critério quanto às demandas coletivas.1. Nesse ponto. o destinatário de tais valores será o Fundo de Reparação de Bens Lesados que tem previsão no art. Graças a essa interpretação. Obs. tendo como prevento o juízo que teve inicialmente proposta a demanda. Art. 15 da Lei de Ação Civil Pública. existem alguns autores que afirmam que à luz do art. CPC: considera-se prevento o Juiz que proferiu despacho de “citese”. E uma vez escolhido um juízo. *Legitimidade: o legitimado principal. essa pode ser efetivada pelos demais legitimados ou pelo MP. Por outro lado se o autor não executa a ação. 106. CPC: afirma que o que torna prevento o Juízo é a citação. atentando-se pela existência de três diferentes critérios para a ocorrência da prevenção: Art. E o art. 2. todas as demais ações devem ser encaminhadas a tal juízo. 2º da LACP e 5º da LAP: afirmam que o fenômeno que determina a prevenção é a propositura da demanda. Intensivo II Página 24 .Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni E o que define a unificação de demandas é o critério denominado Prevenção. os recursos serão destinados à Pessoa Jurídica lesada.Liquidação e execução da Sentença Coletiva: 10. se quem entrou com a ação foi uma associação essa será a principal legitimidade. 263 do CPC diz que a propositura se dá com a distribuição ou despacho do juiz. ou quando se tratar de dano ao patrimônio público. há o chamado Juízo Universal das Ações Coletivas. 10. (Ressalvas): 1. Art. *Destinatário dos valores: havendo valores a serem recebidos. 5º.008/95. Significa dizer que. sempre é o autor da ação coletiva. 13 da LACP e na Lei 9. Execução e liquidação dos direitos Difusos e Coletivos: Aqui os interesses são naturalmente coletivos.

Execução e liquidação de Direitos Individuais Homogêneos: Aqui merecem destaque três modelos: Execução da pretensão individual: tem previsão no art. III do CDC pode ser o domicílio da vítima ou dos sucessores. 97 do CDC. há mais de um juiz que possa julgar o processo.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Atente-se que esse Fundo é um problema existente no sistema. *Competência: é competente para execução o juiz que julgou a demanda coletiva. Daí que. Observe-se. É necessário observar que cada estado membro da federação possui lei especial para regulamentação desse fundo. envolverá tanto o quantum debeatur quanto a prova do dano e do nexo. mas sim de habilitação. 101. mas é feita de forma individual. o juízo da condenação (próprio lugar em que foi proferida a sentença). 10. §2º. Tem-se o Transporte in utilibus da coisa julgada coletiva para o processo individual. *Destinatários: Para que as vítimas e sucessores recebam os valores é necessária uma prévia liquidação da sentença. E é o normal a ocorrência da execução de cada um dos prejudicados. De acordo com o art. atentando-se. de acordo com Dinamarco. Havendo condenação para reparação do Meio ambiente o correto seria a destinação para o meio ambiente efetivamente prejudicado. não se trata propriamente de liquidação. I do CDC. *Competência: a competência é concorrente. no caso. ou seja. Destinados os recursos para tais Fundos estes serão utilizados para reparação dos bens lesados e para a elaboração de campanhas educativas. A lei chama essa liquidação de liquidação imprópria. que. Já de acordo com o art. que o ingresso desse dinheiro o transforma em verba pública sendo necessário atendimento à lei orçamentária. *Legitimidade: os legitimados são as vítimas e sucessores (a vítima pode ter falecido em razão do evento). 98. Intensivo II Página 25 . normalmente o dinheiro obtido permanece parado. Eis porque. Execução/liquidação da pretensão individual decorrente: essa execução decorre da sentença coletiva.2. que tudo que foi falado na execução da pretensão individual decorrente é válido aqui: *Legitimidade: os legitimados são as vítimas e sucessores (a vítima pode ter falecido em razão do evento). no entanto. e há lei federal geral que regulamenta o fundo federal.

*Destinatários: os destinatários serão as vítimas e seus sucessores. do direito norte-americano. Intensivo II Página 26 . que. Tem-se aqui a representação processual – age-se em nome alheio pleiteando direito alheio. o juízo da condenação (próprio lugar em que foi proferida a sentença). Nessa hipótese restou afastado o art. 98. nas execuções contra a Fazenda. desde que já tenham liquidado a sentença coletiva. Marcelo Abelha Rodrigues fala que essa ação é uma ação pseudocoletiva. ainda que não haja embargos. Essa forma de execução busca a criação de um fundo para depósito de valores para indenização diante da inércia das vítimas em buscar a indenização. tratando-se de pretensão de executória contra a Fazenda Pública relativo a processo coletivo. no caso. Assim. Execução da pretensão coletiva individual: tem previsão no art. §2º. STJ: “São devidos honorários advocatícios pela Fazenda Pública nas execuções individuais de sentença proferida em ações coletivas. III do CDC pode ser o domicílio da vítima ou dos sucessores. De acordo com o art. Existe um dispositivo de lei (art.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni *Destinatários: Para que as vítimas e sucessores recebam os valores é necessária uma prévia liquidação da sentença. A execução dá-se através daqueles que podem propor ações coletivas. ou seja. A lei chama essa liquidação de liquidação imprópria. ainda que não embargadas”. há pagamento de honorários. pode a execução se dar de forma coletiva. envolverá tanto o quantum debeatur quanto a prova do dano e do nexo. *Legitimado: nos termos do art. não há o pagamento de honorários advocatícios. não embargadas. 1º-D da lei retro citada. Obs.494/97) que afirma que. *Competência: essa execução da pretensão individual coletiva será feita no juízo da condenação já que se trata de demanda coletiva. I do CDC. É uma última opção.: o STJ editou recentemente uma Súmula que merece destaque: Súmula 345. 101. há mais de um juiz que possa julgar o processo. 100 do CDC e pode ser embasada no fenômeno denominado de Fluid recovery. mas sim de habilitação. *Competência: a competência é concorrente. Execução da pretensão individual coletiva: havendo condenação beneficiando várias pessoas. Já de acordo com o art. de acordo com Dinamarco. 1º-D da Lei 9. Eis porque. 98 do CDC: são legitimados os legitimados coletivos. não se trata propriamente de liquidação.

Não caberá ação popular. 5º da LACP. 98. O dinheiro não sairia do Fundo porque se trata de verba pública contingenciada.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni *Legitimidade: a legitimidade tem previsão no art. mas atentese que. como também o direito e a decadência é utilizada para as pretensões constitutivas ou potestativas (crises de situações jurídicas). busca-se a proteção da vítima. Intensivo II Página 27 . 11. *Destinatários: Fundo de Reparação dos Bens Lesados. pergunta-se o que seria feito se as vítimas aparecessem e. Alguns autores sustentam que uma vez indenizado o Fundo. Não há solução para esse problema. O parágrafo único do art. Obs. E por último. Prescrevem as pretensões coletivas da seguinte forma: Ação popular: art. são pagas as pretensões difusas. Quanto a decadência temos que se trata da perda do direito: perde-se não apenas a exigibilidade. de modo que após isso não poderia haver novas execuções. nos termos do art. 21 da LAP  ocorre em 05 anos a partir do conhecimento (publicidade) do fato. após liquidação. Gravidade do dano. II do CDC). apesar da omissão legislativa.Prescrição e Decadência nas ações coletivas: A prescrição é a perda da pretensão e ocorre nas ações relativas a prestação (pretensão condenatória). efetuassem a execução. por exemplo. prescreveriam as pretensões das vítimas. 82 do CDC e no art. *Critério para estimativa do valor devido: há dois critérios a serem levados em conta para fixação do valor devido: 1. sendo uma forma de legitimidade condicionada ao decurso do prazo de um ano. Inicialmente. §2º. Tampouco seria razoável exigir-se do devedor.: uma vez encaminhado o Dinheiro para o Fundo. novo pagamento. *Competência: é do juízo da condenação (art. 2. Número de vítimas habilitadas / indenizadas. Após. *Preferência de pagamento: É obvio que a legislação tem que estabelecer o que ela pretende que seja pago primeiro. sobrando valores. a pessoa jurídica pode entrar com a ação devida. Pode ocorrer que. 99 do CDC. 99 do CDC cria um compasso de espera da execução em favor do Fundo para aguardar a execução das pretensões individuais. a sentença da ação dos direitos difusos estar prestes a ser executada e ter uma série de ações individuais em fase de conhecimento. são pagas indenizações relativas a direitos coletivos. no caso de dano ao patrimônio público.

961/SP. Mas o STJ faz duas ressalvas. A ideia do STJ é no sentido de que deva ser aplicado o microssistema. Previsão legal e sumular da Ação Civil Pública: Aqui é necessário observar que a ação civil pública nasceu no art. considerando a expressão “ressalvada a reparação do dano”. mas o que está sendo discutido na referida ação civil pública.120.117/AC. §1º da Lei 6. 23. 1. o prazo de cinco anos se refere às hipóteses de mandato e cargo em comissão. Segundo ele. Intensivo II Página 28 . LIA  ocorre a prescrição em 05 anos. STJ __________________________________________________________________________________ _ AÇÃO CIVIL PÚBLICA 1. surgem três posições: 1ª Corrente: é adotada entre outros por Édis Milaré. afirmando que.938/81. §5º da CF. em duas situações a ação civil pública é imprescritível: 1. não havendo previsão legal sobre a matéria. Referida lei dispunha que a competência seria do MP para buscar a reparação de danos ambientais. A justificativa se dá com base no fato de que a ação civil pública nunca tem interesses patrimoniais.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Ação de Improbidade administrativa: art. sem prejuízo da ação penal cabível.107. o STJ entende que nessa hipótese há imprescritibilidade da ação civil pública. Patrimônio público: à luz do art. a ação civil pública é imprescritível estando no rol das chamadas ações perpétuas. Mandado de Segurança Coletivo: Lei 12. o prazo é de cinco anos se não houver previsão. Ação civil pública: ??? Não há previsão legal sobre a prescrição / decadência da ação civil pública e diante disso. REsp. 811. Tratando-se de servidor público titular do cargo. Essa lei está em vigor até os dias atuais e dispõe sobre a política nacional do meio ambiente. STJ. STJ. Mas observe-se que.016/09  o prazo é decadencial de 120 dias. O que define a prescrição não é o fato de que se trata de ação civil pública. Essa é a posição na doutrina que prevalece. 1. Assim. A reparação do dano ambiental é imprescritível Resp. o prazo prescricional é o relativo ao PAD – Processo Administrativo Disciplinar. Aqui é necessário observar que a expressão Ação Civil Pública é usada em razão da contraposição à Ação Penal Pública. 3ª Corrente: Resp. 14. 37. 2ª Corrente: afirma que a prescrição da ACP é definida pela pretensão de Direito Material subjacente.833/SP 2. mais especificamente a ação popular.

Essa súmula foi editada considerando que alguns autores afirmavam que era a própria pessoa jurídica de direito público e o cidadão. Súmula 329. entre outros. STJ: “O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil púbica em defesa do patrimônio público”. É necessário observar ainda acerca do histórico da ação civil pública que. que deveria ser efetivada a proteção do patrimônio público. por meio da ação popular. referida lei teve normas que retrocederam – tornando-a mais ineficiente – e isso se deu por meio das famigeradas Medidas provisórias. Outros direitos metaindividuais Ordem econômica. No que tange a previsão sumular da ação civil pública é necessário atentar pela existência de duas súmulas acerca da matéria: Súmula 643. 2. A Constituição Federal de 1988 trouxe para o texto constitucional no art. durante esses 25 anos de vigência da lei da ação civil pública. Objeto da ação civil pública: O objeto da ação civil pública se encontra nos artigos 1º. Em 1990 a ação civil pública é potencializada. retrocesso advindo de medidas provisórias. Bens de valor histórico cultural. 129 a remissão à Ação Civil Pública. ganhando força com a edição do Código de Defesa do Consumidor que introduz algumas modificações muito importantes como a tutela dos direitos dos consumidores. STF: “O Ministério Público tem legitimidade para promover a ação civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares”. tratando-se da tutela preventiva (inibitória ou de remoção do ilícito) ou ressarcitória dos seguintes bens e direitos: Meio ambiente. 3º e 11 da LACP. meio ambiente. tutelando patrimônio histórico. 16 da lei da ação civil pública – que diz respeito aos limites territoriais da coisa julgada – que foi inserido por Medida Provisória posteriormente convertida em lei (Lei 9. Houve. Como exemplo podemos citar o art.494/97).347/85 – atual Lei da Ação Civil Pública. É necessário observar que referida lei dispôs sobre vários outros bens a serem tutelados pela Ação Civil Pública.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Atente-se que após vários debates e após a elaboração de dois projetos de lei (um de autoria de Ada Pelegrini e Kazuo Watanabe e outro de Nelson Nery e Édis Milaré) enviados ao Ministério a Justiça houve a “mistura” de ambos. pois. incorporando esse poderoso instrumento que é a ação civil público à matéria constitucional. cultural. Consumidor. Intensivo II Página 29 . Daí que nos idos de 1985 foi publicada a lei 7.

se esta for suficiente ou compatível. Aqui é necessário lembrar o autor Marinoni. de 10. pela Lei nº 10. Após a proibição. evitando ou diminuindo o dano.1994)         l .257. (Vide Medida Provisória nº 2.7. de 10. o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço . mas se busca a redução dos danos. 2. ainda existiam medicamentos já na farmácia e aqui seria possível uma ação civil pública buscando a remoção do ilícito com a retirada dos medicamentos. 11. Havendo a comercialização da mercadoria antes da sua proibição ajuíza-se uma ação civil pública buscando inibir a comercialização do medicamento. de 11.257.8. pela Lei nº 10.a qualquer outro interesse difuso ou coletivo.7. Ex. estético.2001)               Art. (Renumerado do Inciso III.2. sob pena de execução específica.180-35.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Ordem urbanística Art. já que este já ocorreu. de 24. de 24.2001)  (Vide Medida Provisória nº 2. A diferença ontológica entre a tutela inibitória e a de remoção do ilícito está no fato de que a tutela inibitória objetiva evitar a ocorrência do ilícito e a tutela de remoção do ilícito busca retirar o ilícito. ou de cominação de multa diária.2001)         IV – a bens e direitos de valor artístico.   Não será cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam tributos. sendo inicialmente necessário ressaltar que tutela preventiva é gênero da qual são espécies a tutela inibitória e a de remoção do ilícito. A tutela preventiva busca evitar a ocorrência do dano.8. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. Na remoção do ilícito ataca-se um ato ilícito já ocorrido.2001)                 Parágrafo único. supondo que haja medicamento que foi proibido em razão de acarretar a possibilidade de ocorrência de AVC.         Art.7. pela Lei nº 10. Nota 2: Tutela ressarcitória: A tutela ressarcitória objetiva a reparação do dano. já que aqui o dano já ocorreu.8. o juiz determinará o cumprimento da prestação da atividade devida ou a cessação da atividade nociva.ao meio-ambiente.257.FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem ser individualmente determinados. mas nesse caso a retirada imediata acarreta o afastamento do ato ilegal e/ou danoso. contribuições previdenciárias.884. (Renumerado do Inciso IV.por infração da ordem econômica. 2.2001)               VI . Intensivo II Página 30 . sem prejuízo da ação popular. de 10.180-35. 1º Regem-se pelas disposições desta Lei. 3º A ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. independentemente de requerimento do autor.2001) (Vide Medida Provisória nº 2.257.1. (Renumerado do Inciso V.2001)         V .         III – à ordem urbanística. turístico e paisagístico. (Incluído pela Lei nº 10.ao consumidor.180-35.         ll . as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: (Redação dada pela Lei nº 8.6. histórico.7. de 10. Nota 1: Tutela preventiva (inibitória ou de remoção do ilícito). de 24.

Ex. Nota 3: Meio ambiente: De acordo com a doutrina existem três tipos de meio ambiente: a) Meio ambiente natural: tem definição no art. em virtude do risco de dano ao meio ambiente. há possibilidade de ter ação civil pública com o objetivo de inibir. Sobre a questão do dano moral coletivo duas posições merecem destaque: 1ª Corrente: STJ. remover o ilícito e reparar o dano  caso dos medicamentos: ação civil pública para inibir a importação. Isso porque em se tratando de responsabilidade objetiva simples. 1º da LACP. E. Ao se falar em tutela ressarcitória lembra-se de duas espécies de dano: material e moral. Assim. quanto ao dano moral. não tendo personalidade. Essa teoria do risco da atividade tem uma responsabilidade objetiva agravada. No Brasil adota-se a Teoria do Risco da Atividade. potencializada. 598. Há ainda outro argumento no sentido de que há o chamado consciente coletivo que se trata de um sentimento geral. Sucede que. Já no caso da Teoria do Risco da atividade não há exclusão da responsabilidade.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni É necessário atentar ainda aqui que. todas as vezes que esse consciente coletivo for violado há possibilidade de reparação pelo dano moral. acentuada e ainda que haja caso fortuito ou força maior haverá responsabilização pelo dano. retirar os medicamentos das farmácias e indenizar os consumidores. 2ª Corrente: é a posição majoritária na doutrina. à luz do caput do art. o agente responde independentemente de culpa. Resp. a tutela ressarcitória é cumulável com a tutela preventiva. Intensivo II Página 31 . ou seja: fauna. E. Quem explora atividade potencialmente danosa ao meio ambiente responde independentemente de culpa. existe dano moral coletivo. há exclusão da responsabilidade nas hipóteses de caso fortuito e de força maior.281/MG: restou entendido que inexiste dano moral coletivo uma vez que a coletividade não possui direito da personalidade. flora. é necessário que sejam feitas algumas observações. 3º da Lei 6. A ideia de dano moral se aproxima da ofensa à honra ou à dignidade da pessoa.3. de toda coletividade. água. não pode sua honra ou dignidade violadas. o que quer dizer que. especialmente quanto ao denominado Dano Moral Coletivo. sendo agravada. mar e ar. Sobre o dano material não há necessidade de maiores digressões.938/81 (Política Nacional do Meio Ambiente) sendo aquele construído sem a intervenção humana. afirmando que. Trata-se de um padrão de comportamento que todos nós adotamos. nesse caso deve haver busca da indenização por danos morais de forma individual. 2. terra.

patrimônio genético. pelo que podem ser objeto de tutela os bens de valor histórico cultural. c) Meio ambiente cultural: pode ser considerado meio ambiente cultural os valores históricos/culturais. Nota 6: hipótese de não cabimento da ACP: Página 32 Intensivo II .Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni b) Meio ambiente artificial: é aquele contrário ao natural. construído pela atividade humana. ou seja. Nota 4: Bens de valor histórico cultural: Atente-se que não haveria necessidade de alocação os bens de valores histórico cultural e a ordem urbanística já que este bens já estão protegidos pela locução Tutela do meio-ambiente. Ex.6. Ex.4. Isso porque. a LACP tem uma alteração legislativa acabando por inserir os chamados outros direitos metaindividuais e referida expressão significa uma norma de encerramento que quer dizer uma norma que abrange todos os demais bens que poderiam ser defendidos. Em relação ao bem não tombado é necessário que o autor da ACP prove o valor histórico cultural. 2. por exemplo. portador de deficiência. 2. pois. etc. É considerada uma cláusula aberta em que podem ser inseridos vários conceitos.5. Ex. sonora. Ex. E em relação a pergunta há sim. o carnaval (que já está incorporado ao meio ambiente cultural). 2. É possível a tutela com base nesse fundamento a tutela via ACP de bem não tombado? Inicialmente é necessário observar que o tombamento é um atestado administrativo. O meio ambiente artificial pode ser considerado. quando o bem é tombado não é necessária a demonstração do valor histórico já que esta já é presumida. a ordem urbanística. idoso. a possibilidade de proteção do bem não tombado. A ideia é de que existe um meio ambiente construído não exatamente pelo homem. não se pode imaginar um país sem. poluição visual. uma presunção administrativa de que determinado bem tem valor histórico cultural. mas pela cultura do homem. A ação civil pública defende valores maiores da sociedade. Há uma discussão interessante a respeito da possibilidade de ação civil pública com base na tutela dos bens de valor histórico cultural do bem não tombado. patrimônio público. Mas aqui merece destaque uma questão que diz respeito ao Bem Tombado. Nota 5: Outros direitos metaindividuais: Ao se falar nesse tema. E diferença entre a proteção do bem tombado e não tombado diz respeito à prova. criança e adolescente. cidades.

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É necessário observar que há hipótese de não cabimento da ACP. Sobre alguns temas, apesar de serem direitos metaindividuais, o legislador vedou o cabimento da ação civil pública. É o que dispõe o parágrafo único do art. 1º da Lei da Ação Civil Pública:
“Parágrafo único.   Não será cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem ser individualmente determinados.”

O maior destaque entre as matérias aqui delineadas diz respeito à matéria Tributária. Caso seja aviada ação civil pública com base em um dos seguintes fundamentos deve a mesma ser indeferida em razão da impossibilidade jurídica do pedido. Merece destaque aqui um julgado do STJ que é o Resp 1.101.808  a questão é a seguinte: o MP entrou com uma ação contra a prefeitura municipal de uma cidade para obstar que fosse dada isenção de tributos de vários contribuintes e entendeu o STJ que, a ação civil pública para discutir isenção ou imunidade tributária é cabível considerando que aqui a discussão não é eminentemente tributária, tutelando-se aqui, o patrimônio público. 3. Legitimidade na Ação Civil Pública: 3.1. Legitimidade ativa:

A legitimidade ativa tem previsão no art. 5º da Lei da Ação civil pública e no art. 82 do CDC. Atente-se que a legitimidade ora estudada é autônoma, concorrente e disjuntiva. É autônoma considerando que o ajuizamento de uma ação civil pública não depende da concordância do titular do Direito material. É concorrente pois pertence a vários legitimados. E é disjuntiva considerando que a atuação de um legitimado não depende da autorização/atuação do outro. Observe-se que a regra é a legitimação ordinária dependendo a legitimação extraordinária de autorização legal. E quanto a este tema existem três posições sobre essa legitimação relativa a ACP: 1ª Corrente: afirma que a legitimação é extraordinária. Ou seja, há defesa em nome próprio de direito alheio. 2ª Corrente: afirma que, na verdade, não se pode querer pegar um modelo de legitimação no processo individual para o coletivo, afirmando que se faz necessário um modelo específico para o processo coletivo denominado Legitimação Coletiva. 3ª Corrente: afirma que se o interesse em jogo for individual homogêneo a legitimidade é extraordinária. Em se tratando de direitos difusos ou coletivos Nelson Nery afirma que a legitimação dos entes seria autônoma para condução do processo  os legitimados além da defesa de direitos estariam defendendo suas próprias
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prerrogativas. Essa legitimação não decorre do direito material, mas decorrente da lei. Essa é a corrente dominante atualmente. De acordo com o art. 5º, §§ 2º e 5º é plenamente possível a formação de litisconsórcio entre todos os legitimados. Esse litisconsórcio é ativo, inicial, facultativo e unitário.
Art. 5o   Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: (Redação dada pela Lei nº 11.148, de 15.1.2007) I - o Ministério Público; (Redação dada pela Lei nº 11.148, de 15.1.2007) II - a Defensoria Pública; (Redação dada pela Lei nº 11.148, de 15.1.2007) III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; (Redação dada pela Lei nº 11.148, de 15.1.2007) IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; (Redação dada pela Lei nº 11.148, de 15.1.2007) V - a associação que, concomitantemente: a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; (Redação dada pela Lei nº 11.148, de 15.1.2007) b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico (Redação dada pela Lei nº 11.148, de 15.1.2007)

É necessário nesse ponto serem feitos comentários sobre cada um dos legitimados: Ministério Público: É o principal autor em sede da proteção de direitos difusos e coletivos. Mais de 90% das ações civis públicas são ajuizadas pelo MP. A sua legitimação encontra guarida também na Constituição Federal. Atente-se que o MP somente pode ajuizar ação civil pública dentro de suas finalidades institucionais, sendo necessário analisar sobre quais temas o MP pode atuar. De acordo com o art. 127 da CF sobre quatro temas cabe a atuação do MP, quais sejam: a) Defesa da ordem jurídica b) Defesa do regime democrático: preservação das instituições, participação popular, etc. c) Defesa dos interesses sociais: atente-se que os interesses sociais podem ser individuais ou coletivos. O direito não precisa ser, necessariamente indisponível, podendo ser, por exemplo patrimonial desde que haja relevância social. Ex. discussão sobre as mensalidades da COHAB. d) Defesa dos interesses individuais indisponíveis: aqui se faz menção a direitos individuais que são indisponíveis. Ex. saúde, vida, liberdade.
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Há que se considerar ainda que, prevalece com tranqüilidade na doutrina que, para a tutela dos direitos difusos e coletivos o MP sempre tem legitimidade. Isso porque, nesses casos há uma indisponibilidade do objeto. Sucede que há uma discussão quanto aos direitos individuais homogêneos, prevalecendo no STJ o entendimento segundo o qual o MP somente tem legitimidade se o direito for indisponível, como por exemplo para a obtenção de tratamento médico para portadores de doença grave; ou socialmente relevante (pode ser o direito patrimonial se de relevância social – ex. valor da prestação da moradia popular). Defensoria Pública: A legitimidade da defensoria pública para ajuizar ação civil pública foi incluída nos idos de 2007. E a primeira discussão aqui diz respeito à finalidade institucional da Defensoria prevista no art. 134 da Constituição Federal que diz respeito à orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados. Sobre o que sejam necessitados há duas correntes na doutrina: 1ª Corrente: Restritiva  Afirmam alguns que a expressão “necessitados” se refere apenas aos necessitados economicamente já que o art. 5º, LXXII da CF se refere à hipossuficiência econômica. 2ª Corrente: Ampliativa  Outros sustentam uma visão ampliativa que afirma que ao buscar a LC 80/94 com as alterações da LC 132/09 que a defensoria pública tem funções típicas e atípicas. A função típica, tradicional diz respeito ao hipossuficiente econômico. Todavia, as funções atípicas dizem respeito à defesa dos hipossuficientes jurídicos ou organizacionais, que não necessariamente precisam ser hipossufientes econômicos. Exemplo disso é o art. 9º, II do CPC: ao réu revel citado por edital ou hora certa será nomeado curador especial, papel este desempenhado pelo defensor público; réu no processo penal que não possui advogado. A legitimação da Defensoria Pública para ajuizamento de Ação Civil Pública começou a ser discutida quando de sua inserção no rol dos legitimados. E se há legitimidade, essa será relativa a quais direitos? Acerca da matéria surgem três posições: a) Nunca há legitimidade da Defensoria Pública: é defendida pelo CONAMP que ajuizou a ADI 3943 perante o STF afirmando que a outorga de legitimidade para a Defensoria Pública viola o art. 129, III da CF. Essa posição não tem sentido algum, sendo plenamente constitucional a legitimação da Defensoria Pública. b) Somente em relação aos direitos individuais homogêneos: essa teoria é adotada pelo Min. Sawascky – Resp. 912.849/RS: referido Ministro sustenta que para saber se há hipossuficiência econômica ou jurídica é necessário
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analisar a situação de cada um dos interessados. Para que se saiba que o indivíduo é necessitado o sujeito tem que ser identificável e a única forma para isso é analisando o indivíduo que somente pode ser feito quanto aos interesses individuais homogêneos – os sujeitos são identificáveis. Assim, a defensoria não teria legitimidade quanto aos interesses difusos e coletivos. Ex. ações de expurgos inflacionários  a pessoa ná hora de executar a sentença deveria provar que é hipossuficiente. Essa identificabilidade do indivíduo é, pois, essencial. c) A legitimação é para todos os interesses metaindividuais: essa é a posição que prevalece, havendo inclusive precedente do STJ nesse sentido. Resp. 912.849/ RS  nesse Recurso especial o voto do Sawascky foi vencido, prevalecendo o voto do relator Min. José Delgado. Pode haver parcela de não necessitado na coletividade protegida pela Defensoria Pública? Adotando-se essa terceira corrente é obvio que a resposta é positiva. Ex. em um rio poluído existe a população ribeirinha hipossuficiente  ajuizando a ação civil pública, é julgada procedente defendendo os interesses não apenas daquela população, como de todos que de alguma forma são beneficiados por aquele ecossistema. União, Estados, Municípios e DF; autarquias, empresas públicas, fundação ou sociedades de economia mista  administração pública direta e indireta – art. 85, III do CDC e art. 5º, III e IV da LACP: Sobre esse grupo de legitimados duas observações devem ser feitas. Uma é em relação à finalidade institucional. Aqui temos que a finalidade instituição não se encontra prevista em lei trazendo alguma dificuldade. Em relação à administração direta temos que sua finalidade institucional é o bem comum. Daí que há ampla liberdade para ajuizamento da ACP. Há autores que a denominam de Legitimada Universal. Em relação à administração indireta temos que seus órgãos têm um ato constitutivo, devendo, nessa hipótese ser verificado em tal ato constitutivo a finalidade institucional do ente. Ex. Ibama e meio ambiente. Outra observação que merece destaque diz respeito ao art. 82, III do CDC que afirma que, dentro da administração direta ou indireta ode haver entes despersonalizados mas com prerrogativas próprias a serem defendidas. Esses entes despersonalizados com prerrogativas próprias poderiam entrar com ACP. Ex. Procon, Secretaria do Meio ambiente. Associações que, estejam constituídas há pelo menos 01 ano e inclua entre suas finalidades institucionais a proteção do meio ambiente, ao
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consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência ou ao patrimônio histórico, estético, cultural ou paisagístico: Aqui podemos citar sindicatos, partidos políticos, entre outros. A lei coloca dois requisitos para tais associações ajuízem ACP: a) Constituição ânua: deve haver constituição na forma da lei, há pelo menos um ano. Atente-se que, nos termos do §4º do art. 5º pode haver dispensa pelo Juiz de tal requisito no caso em há relevância social do direito discutido. Há uma hipótese de dispensa e o leading case sobre esse assunto se deu em um caso da Adesf – Associação em defesa dos fumantes: buscava tal associação a indenização de vários fumantes em detrimento de empresas produtoras de cigarros. b) Pertinência temática da finalidade institucional: o segundo requisito para que a associação ajuíze a ação civil pública diz respeito à finalidade institucional da associação: tal requisito é implícito para os demais legitimados, mas aqui há expressa disposição legal. Tais requisitos foram incluídos considerando que apenas tais entidades não têm qualquer controle estatal. Merece destaque o art. 2º-A, p. único da Lei 9.494/97 que condiciona o ajuizamento de ACP por associações para tutela dos direitos Individuais homogêneos, contra o poder público, à apresentação de relação nominal dos associados, endereços, e autorização da assembleia.  Nas provas da Advocacia pública deve ser considerado tal dispositivo válido. De outra sorte, para os demais concursos, há um precedente do STJ (Resp. 805.277/ RS) relatado pela Min. Nancy Andrighy no sentido de que aqui o legislador confundiu legitimação extraordinária (decorrente da lei) com a representação (art. 5º XXI, CF), que decorre da vontade dos associados. 3.2. Legitimidade passiva:

Não há previsão legal sobre quem será réu na ação coletiva. E, diante disso existem duas posições sobre a legitimidade passiva: 1ª Corrente: aplicação do art. 6º da Lei de Ação Popular que diz haverá um litisconsórcio passivo necessário e simples entre os causadores e partícipes do dano. O problema dessa posição é de que o litisconsórcio é necessário e, faltando algum desses legitimados poderia haver nulidade, inexistência (a depender da posição que se adota). 2ª Corrente: a posição dominante afirma que deve ser aplicado o CPC (o que é equivocado ao se pensar em processo coletivo – já que somente deve ser aplicado o CPC de forma subsidiária, ou seja, não havendo outra norma no microssistema de
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Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni processo coletivo) e nesse sentido não há previsão acerca do litisconsórcio (art.1. I. I. a) Justiça Eleitoral: tem previsão no art. facultativo e simples. “A causa de pedir é o porquê do processo”. do Trabalho ou Estadual. “f” da CF não são propriamente hipótese de ACP originária. Eleitoral. Indaga-se aqui em qual justiça será julgada a ACP. b) Justiça do trabalho: na CF. Fala-se “em tese”pois é uma situação difícil de ocorrer na prática. STF: “Compete à Justiça do Trabalho julgar as ações que tenham como causa de Intensivo II Página 38 . 102. STJ. tem definição no art. Competência: 4. Na ação civil pública ou em ação coletiva não existe foro privilegiado. Ação civil pública para tutela do Meio Ambiente do Trabalho. Critério funcional ou hierárquico: O critério funcional hierárquico é definir os foros privilegiados e a definição das ações originárias. embora excepcionalmente acarrete o julgamento da ACP pelo STF.422/SP. Justiça Federal. Critério material: Aqui se fala em qual seja a justiça competente. Atente-se que devem ser feitas duas observações: Não se está considerando que a ação de improbidade administrativa seja ação civil pública: não se aplica essa regra a ação civil de improbidade administrativa. e nesse ponto é necessário observar que o Código Eleitoral foi recepcionado como Lei Complementar. Isso tendo em vista as funções exercidas por tais pessoas. Ex. CPC). Em tese é cabível ação civil pública na Justiça Eleitoral. 102. Súmula 736. E na prática têm sido várias ações civis públicas ajuizadas na Justiça do Trabalho. 121 da CF: afirma que a competência da Justiça Eleitoral será definida por Lei Complementar. 47. “n” e art. pelo que o litisconsórcio seria passivo. 901. 114.2. 114 da CF. Resp. Ainda que aviada em face de quem possua foro por prerrogativa de função a ação civil pública é aviada perante a primeira instância. 4. 25/10/2010 4. A competência na Justiça Eleitoral é definida pela causa de pedir. a competência será da Justiça do Trabalho. Todas as vezes em que se tiver como causa de pedir uma das matérias enumeradas no art. Ex. As regras do art. desvio de verbas do fundo partidário. Para que seja tratada na Justiça Eleitoral é necessário que a ação diga respeito a questões políticopartidárias ou relativas a sufrágio.

V. a competência da Justiça Estadual e amplia muito a competência da Justiça Estadual. Competência julgamento das ACPs ajuizadas pelo MPF: surge nesse ponto a seguinte questão: a mera presença do MPF implica a competência da Justiça Federal? Sobre a matéria existem duas posições na Jurisprudência: 1ª Corrente: afirma que as ações civis públicas ajuizadas pelo MPF devem sempre ser julgadas pela Justiça Federal. Se o ente federal não quer intervir na causa a competência será da Justiça Estadual. da União. devendo suscitar conflito de competência. higiene e saúde dos trabalhadores” c) Justiça Federal: nessa questão deve ser analisado o art. suas autarquias ou empresas públicas”. Resp. mas sim a parte que está litigando. SE. STJ: “Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença. mas sim a participação do ente federal na causa.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni pedir o descumprimento de normas trabalhistas relativa à segurança. no processo. Intensivo II Página 39 . Nesse critério o que define a competência da Justiça Federal é a parte e não a causa de pedir. O processo que estava na Justiça Estadual passa para a justiça estadual. Mas o que define a competência da Justiça Federal não é o fato de ser o bem da União. Em nenhum momento esse inciso usa a expressão “crime”. Muitas pessoas têm o hábito de relacionar a competência da Justiça Federal às ações que dizem respeito aos bens da União. qualquer justiça pode julgar ações civis públicas aviadas pelo MPF. e muito. o que faz crer a possibilidade de existência de IDC em caso de ação civil pública. Súmula 42. cabendo à Justiça Federal analisar interesse para sua atuação. 109. 440. entidade autárquica. “a” da CF que determina a competência da Justiça Federal no caso do IDC – Incidente de Deslocamento de Competência por grave ofensa a direitos humanos. Merece destaque o art. Não interessa o porquê do processo. STJ: “Compete à Justiça Comum estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento”. (Teory Albino Zawascky). Afirma que. A competência será da Justiça Federal se houver interesse federal em trâmite. I da CF que dispõe sobre a principal regra de competência da Justiça Federal: sendo parte União. Súmula 150. 109. A adoção dessa teoria exclui.002. 2ª Corrente: é majoritária na doutrina. fundação ou empresa pública federal. Quando um juiz estadual analisa uma ação civil pública e supõe haver interesse federal não lhe compete afirmar isso.

ou seja. XI da CF que estabelece ser de competência da Justiça Federal o julgamento das causas relacionadas ao Direito indígena. §1º. De acordo com tal dispositivo. mas a competência pode ser do DF. Não cabe ação civil pública no âmbito dos juizados especiais. de modo que não compete ao Juiz Estadual do local do dano julgar causas da competência material da Justiça Federal. nada importando em relação às ações coletivas. Para solucionar esse problema. pode ocorrer de apenas algumas comarcas ou subseções judiciárias serem atingidas.256/09. Critério territorial: É a questão que mais importa em relação aos direitos difusos e coletivos. Mas vários problemas existem em relação a tal dispositivo. de hipótese de delegação de competência. a ação civil pública deve ser ajuizada na capital do estado. I da Lei 10. Afirma que deve ser aplicado o art. 2º. I da Lei 12.4.259/01.3. tem-se sugerido que a definição da competência sempre se dê por prevenção. coletivos e individuais homogêneos. 93 do CDC em relação a todos direitos metaindividuais.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Deve ser analisado ainda o art. 3º. Isso porque não cabe ação coletiva no âmbito dos juizados especiais. art. somente haveria um dispositivo a ser aplicado. 4. senão vejamos: Local do dano: isso pode dar uma falsa impressão de que quem irá julgar a ação civil pública será sempre o Juiz do local do dano. Dano regional e dano nacional: atente-se que não há critério legal para definir o que seja dano regional ou nacional o que conduz a um grande problema. Os seguintes dispositivos dizem isso: art. se o dano for local. 4. se o dano for de âmbito nacional. 109. Por sua vez. Assim. d) Justiça Estadual: é residual a competência. a competência será do DF ou capital dos estados envolvidos. com preferência pela capital Intensivo II Página 40 . A Súmula 183 do STJ foi cancelada. Critério valorativo: O critério valorativo somente tem razão de ser em relação aos Juizados Especiais. não sendo justo que o Juiz da capital solucione conflito ocorrido distantemente. Isso porque. o ajuizamento da ação civil pública é no local do dano. O STF já chegou a dizer que esse raciocínio é errado. não se tratando portanto. direitos difusos. O mesmo fenômeno ocorre no dano nacional quando poucos estados são atingidos. Se o dano for regional. havendo duas posições na doutrina: 1ª Corrente: Ada Pelegrini. independentemente da Justiça a que pertença.

16 da LACP. 2º da LACP ou o art. Obs. Se ocorreu o dano inicialmente em Santos. mas nesse caso o Juiz da Capital que seria competente não estaria próximo do local efetivo do dano. 5. O CNMP por meio de Resolução 23 obrigou a todos estados se adequarem em relação ao Inquérito Civil. um dano que tenha atingido a região nordeste do Estado de SP. Generalidades: Art. 9º da mesma lei. Neste caso. Intensivo II Página 41 . Ex. este local será o competente. Ex. Merece destaque ainda o conceito de inquérito civil. 93 do CDC. b) Direitos difusos ou coletivos: aplica-se o art. Lei Complementar 734/93 – SP. 2ª Corrente: essa corrente faz uma divisão: a) Direitos individuais homogêneos: aplica-se o art. dano existente na costa marinha brasileira  competente será o local da ação ou omissão danosa. independentemente de se tratar de dano nacional. em se tratando de direitos difusos e coletivos. §1º da LACP e art. 93 do CDC foi criado a bem do interesse público. Entende-se que o art.  Essa é a posição do professor que vem ganhando destaque. 209 do ECA que dizem que. o juízo prevento estenderá sua competência sobre as outras áreas atingidas. Daí que o mais correto seria que o juiz mais próximo do dano julgar a demanda e somente se a capital for atingida ser este o local de competência. competente para julgamento da demanda será o local da ação ou omissão. Ex. O inquérito civil é um procedimento preparatório para colheita de dados que permitam a formação da convicção do Representante do MP pelo ajuizamento da ACP.  Essa é a corrente majoritária.1. Inquérito Civil: 5. esse dano é regional? Ao que parece sim. de modo que a competência territorial na ACP é absoluta. 8º.: as regras de competência territorial ora estudadas somente fazem sentido se considerarmos ineficaz o art. Mas além desses dois dispositivos. vez que do contrário. a decisão proferida pela capital do Estado ou DF não teria validade regional ou nacional. Édis Milaré ao tratar de Inquérito Civil fala que este permite um ajuizamento responsável da ação civil pública. no âmbito do MP estadual há leis que disciplinam o tema.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni somente se ela for atingida.

*Medidas contra a instauração: É necessário observar ainda sobre as medidas que podem ser adotadas contra a instauração do inquérito civil. Outros. afirmam que a resposta é sim. Não obrigatório: havendo elementos não será necessário o inquérito civil Público. Obs.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni É importante fazer um paralelo entre o inquérito civil e o inquérito policial já que ambos servem para formar a convicção do MP para ajuizamento de ação posterior. afirmando que o Inquérito civil pode ser aviado não apenas para a defesa dos direitos metaindividuais. ao tratar do inquérito civil. 129. É necessário observar as características do Inquérito civil: Procedimento preparatório: é prévio ao ajuizamento da ação Procedimento administrativo: não há participação do juiz na sua formação. Desde já é necessário destacar que essa portaria pode ser baixada de três formas distintas: De ofício: diante do conhecimento chegado ao MP. ele. Por requisição do Procurador Geral. assim também seria o inquérito civil. por si instaura o inquérito civil. Por representação. 5.: O inquérito civil só se presta para a tutela dos interesses metaindividuais? A questão é altamente controvertida na doutrina. porém. regra geral: Nada impede que o MP decrete o sigilo nas investigações por analogia ao art. 20 do CPP (que trata do inquérito policial). E como a ação civil pública é para a tutela dos interesses metaindividuais. Fases: a) Instauração: *Forma de instauração: A instauração do inquérito civil dá-se por meio de portaria emitida pelo MP. Privativo do MP: não há outro órgão legitimado que tenha atribuição para instaurar inquérito civil. Isso porque a CF. O Promotor pode agir com abuso no inquérito civil? Ou simplesmente ele pode fazer o que quiser? Algumas leis estaduais preveem Intensivo II Página 42 . III da CF).2. o faz juntamente com a ação civil pública (art. Hugro Nigro Mazzili entende que é cabível o inquérito civil para qualquer assunto.

região ou país é atingido pelo dano. 10 da referida lei. sob pena de praticar o delito de falso testemunho. É admitido ainda um controle judicial da instauração do inquérito civil por meio do Mandado de Segurança. Inquirir investigados e testemunhas. §2º. Atente-se que Intensivo II Página 43 . já a testemunha não pode se recusar. configura crime de denunciação caluniosa dar causa a instauração de inquérito civil indevidamente. Realizar vistorias e inspeções em qualquer órgão público. b) Instrução: Ao se falar em instrução do inquérito civil remete-se a ideia dos poderes instrutórios do MP. III do CDC diz que não correrá o prazo de decadência. 26. 339. Requisição de documentos e informações a qualquer pessoa. o art. Isso porque há situações em que toda a cidade. Está disposto no art. Como é feita a colheita de provas do MP? Quais são seus poderes instrutórios? O MP tem três poderes instrutórios no âmbito do inquérito civil que estão previstos no art. CP: Atualmente. A jurisprudência majoritária. 134 e 135 do CPC. 26 da LOMP (Lei 8.625/93). física ou jurídica. *Causas de impedimento e suspeição: Aplicam-se aos representantes do MP na presidência do inquérito as causas de impedimentos e suspeição dos arts. *Art. sob pena de condução coercitiva: o investigado pode se recusar a falar ao MP. diante desse dispositivo. tem entendido não ser possível a instauração de inquérito civil por representação apócrifa. Em relação a entidades privadas é necessário mandado judicial. *Efeito da instauração do Inquérito civil nas relações de consumo: A partir da instauração do inquérito civil. Tem-se entendido que não há impedimento ou suspeição pelo fato de o Presidente do IC também figurar na coletividade atingida pelo fato investigado. pública ou privada: esse dever de informação é tão sério que a LACP criou um delito específico para aquele que não presta as informações essenciais para a instauração da ACP.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni recurso administrativo para o órgão superior do MP contra a instauração do inquérito civil.

Ex. O MP pode expedir orientações com eficácia admonitória e sem caráter vinculativo a qualquer pessoa investigada. pode o MP: Ajuizamento da ação civil pública: nesse ponto finalizada está a fase administrativa iniciando-se a fase judicial. No que tange ao sigilo fiscal e bancário. e possibilidade de o MP requisitar informações há duas posições a respeito do tema: 1ª Corrente: Hugo Nigro Mazilli e Nelson Nery Jr – afirmam que o MP pode acessar diretamente os dados fiscais e bancários do investigado já que tais sigilos estão protegidos apenas por norma infraconstitucional. Arquivamento do inquérito civil: esse arquivamento deve ser fundamentado e encaminhado. ao órgão superior do MP. mas apenas com autorização judicial. no caso de três dias. O art. No MPF o órgão superior é denominado Câmara de Coordenação e Revisão. Tais dados não podem ser requisitados diretamente.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni essa prerrogativa tem exceção que se refere aos dados protegidos por sigilo constitucional. Até essa sessão. No MPE esse órgão é denominado Conselho Superior do Ministério Público (CSMP). finaliza-se o óbice ao decurso do prazo decadencial do CDC. 2ª Corrente: a grande maioria da doutrina e da jurisprudência entende que. 15 da Resolução 23 do CNMP agora vem disciplinar a matéria. *Poder de recomendação: Essa questão sempre existiu sem previsão alguma. apesar do sigilo fiscal e bancário não estarem previstos expressamente na CF. com a finalidade de evitar o ajuizamento da ACP. Atente-se que o arquivamento não impede que qualquer outro legitimado ajuíze a Intensivo II Página 44 . Essa posição é minoritária. Chegando à sessão há três opções: 1. qualquer interessado pode ministrar elementos  qualquer pessoa do povo pode fazê-lo. No órgão superior será nomeado relator para o caso que é um Procurador e esse relator irá pedir que se designe uma sessão de julgamento da representação pelo arquivamento do Inquérito civil. sigilo telefônico. c) Conclusão: Finalizado o inquérito civil. Há um entendimento comum de ambas correntes: As contas públicas não são protegidas por sigilo algum e nesses casos o MP pode requisitar diretamente. Homologação do arquivamento: nessa hipótese. eles decorrem da garantia constitucional da intimidade e da vida privada.

2. Assinando o TAC (documento) ou CAC (conteúdo) o investigado se compromete ajustar-se ao interesse da coletividade. Assim. §6º. Conversão do julgamento em diligência: quer dizer que tenha faltado alguma prova. Isso porque o agente que comete ato de improbidade sofre sanções previstas no art. 5º. 5º. proibição de contratar com o poder público. 6. Ex.4. coletivos e individuais homogêneos. §6º da LACP. 6. Ex. mas nunca acerca do direito violado em si. Esse arquivamento só vinculativo para o MP e apenas se não surgirem elementos novos. suspensão de direitos políticos. perda de bens. etc.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni ACP. replantar árvores. Compromisso de Ajustamento de conduta: 6.2. o Procurador Geral irá nomear outro Promotor para o caso. e após retornar o processo. O que o MP pode fazer é transacionar quanto ao prazo e forma de pagamento.3. afirmam que sua natureza é de reconhecimento jurídico do pedido já que o MP não pode dispor de nada considerando que se trata de questão de interesse público. devendo o MP atuar. 6. 3. de acordo com o art. pode celebrar o TAC: Intensivo II Página 45 . O mais usual é em relação aos obrigações de fazer ou não fazer. 6. não poluir. Legitimidade: Pode celebrar o TAC. que irá atuar como longa manus do órgão superior. Rejeição do arquivamento: se o órgão superior rejeita o arquivamento. de pagar e de fazer ou não fazer. os órgãos públicos legitimados a propositura da ACP. Cabimento: Dá-se nos direitos difusos. Outros porém. Natureza jurídica: O compromisso de ajustamento de conduta tem previsão no art. Não cabimento: Não cabe TAC em ato de improbidade administrativa. A maioria da doutrina trata que o TAC tem natureza jurídica de transação – em que há concessões mútuas. Entende-se ainda que o TAC é cabível quanto a obrigações de dar. 12 da LIA e não apenas deverá repor os cofres públicos.1.

9. Celebração do TAC pelo MP no âmbito do IC: Caso seja celebrado o TAC em sede de inquérito civil deverá o IC ser arquivado.1. é do órgão celebrante. Mas se o órgão faz um TAC. e cuja celebração não impede a propositura da ACP contra outros investigados ou para alcançar outros pedidos. 6. um órgão não precisa de autorização de outro para firmar o TAC. Cada órgão firma o compromisso diante da legitimidade que possui.11. Responsabilidade pela celebração: Como a competência para a ACP é concorrente e disjuntiva. o que significa ser cabível execução de imediato pelo celebrante ou qualquer interessado.8. Condição para celebração do TAC: Para a celebração do TAC somente pode ser feito sob pena de multa cominatória. Eficácia: O TAC tem eficácia de título executivo extrajudicial. Outras questões processuais: 7.7.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni a) b) c) d) e) 6. É da essência do TAC a fixação de multa cominatória em caso de descumprimento. a responsabilidade pela fiscalização do cumprimento e tomada de medidas em seu favor.6. 03. 6. 6. sob pena de improbidade administrativa e ajuizamento de uma nova ACP para solucionar o problema. MP Defensoria Pública Administração Direta Autarquias Fundações públicas de direito público.2010 7. Diante do acordo. 6. o IC será arquivado e consequentemente a validade do TAC vai ficar condicionada a homologação do órgão superior. Compromisso preliminar de ajustamento de conduta: Trata-se de acordo parcial.5. Concessão de liminar: Página 46 Intensivo II .

nem condenação da associação autora. (Renumerado do Parágrafo Único com nova redação pela Lei nº 8. A liminar somente será concedida se ouvido o representante judicial. Efeito Suspensivo: Página 47 Intensivo II .Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Art. 18. diz parte do STJ que cabe isenção. Esse dispositivo é também válido quanto ao MS coletivo. Nos casos de absoluta urgência e mediante fundamentação idônea. afastar a exigência da oitiva prévia do representante judicial da Fazenda Pública. de 1990)               Art. deixa também uma porta de saída. a danos. Em caso de litigância de má-fé. após a audiência do representante judicial da pessoa jurídica de direito público.078. 2º da Lei 8. haverá isenção do réu vencido.2. Sucumbência: Mercê destaque ainda destaque falar sobre a sucumbência na Lei de Ação Civil Pública cuja previsão se encontra nos artigos 17 e 18 da LACP. salvo má-fé. o réu irá pagar normalmente a sucumbência. Art. honorários periciais e quaisquer outras despesas. podendo se estabelecer uma limitação ao cabimento da liminar.078. Outra parcela da jurisprudência do STJ afirma que deve haver pagamento pela administração pública caso perca. entretanto. em honorários de advogado. Sendo autores os demais legitimados. salvo comprovada má-fé. O STF. Nas ações de que trata esta lei. 7. se o MP for autor da ação.437/92: Art. que deverá se pronunciar no prazo de setenta e duas horas Tal dispositivo proíbe a liminar in aldita altera pars em ACP contra pessoa jurídica de Direito Público. a liminar será concedida. b) Se ação civil pública julgada procedente: Atente-se que. não haverá adiantamento de custas. A lei entretanto deixa em aberto a hipótese de má-fé. emolumentos. Defensoria Pública ou Associações. Caso evidentemente a parte autora esteja de má-fé. o juiz pode. De acordo com o STF esse dispositivo é constitucional. haverá isenção do pagamento de custas e honorários. quando cabível. 17. custas e despesas processuais. a) Ação civil pública de improbidade julgada procedente: Se a ação civil pública de improbidade for julgada procedente e o autor for MP. 2º No mandado de segurança coletivo e na ação civil pública. de 1990) 7. Se o autor da ação for a administração pública (não interessando se é AP direta ou indireta). (Redação dada pela Lei nº 8. no caso concreto.3. A questão é controvertida não sendo fixada corrente dominante.

para evitar dano irreparável à parte.6. O STF. Acerca da matéria. 7. indaga-se a possibilidade de servir como um substitutivo da ADI.542/SP manda aplicar esses dois dispositivos retrocitados a todas as ações civis públicas. É a coletividade a protegida pelo reexame necessário e não a Fazenda Pública. haverá reexame necessário se o autor perder. ainda que aprecie a inconstitucionalidade de lei.               Art. Sobre a questão o art. Possibilidade de o MP ajuizar ACP em favor de uma única pessoa: Essa é uma indagação. Na ação civil pública. Mas a Ação civil pública não serve de sucedâneo da ADI. várias vezes se manifestou no sentido de que pode haver ADI e ACP com a mesma causa de pedir sem que haja usurpação de competência. indaga-se sobre a existência do reexame necessário contra ou a favor da Fazenda Pública.4. não havendo qualquer providência concreta. no julgamento do REsp. Reexame necessário: O reexame necessário é condição de eficácia para a sentença. O juiz poderá conferir efeito suspensivo aos recursos. No art. A causa de pedir da ADI é a inconstitucionalidade de terminada norma e seu pedido é a declaração de inconstitucionalidade da referida norma. mas seu pedido não pode ser a declaração da constitucionalidade em abstrato da lei. Na lei de ação civil pública não há qualquer menção sobre o reexame necessário. é a favor da coletiva.5. No STJ.108. Quanto a Ação civil pública. Isso quer dizer que.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni É necessário atentar ainda para o efeito suspensivo dado ao recurso. 14. o STJ. devendo ser buscadas informações nas demais leis que compõem o microssistema de processo coletivo. chamado a se pronunciar. como por exemplo para tutela de direitos do consumidor de dano nacional. 4º. 19 da LAP e art. 7. §1º da Lei do Deficiente estabelece-se que o reexame necessário é invertido. mas sim uma providência concreta a ser tomada. 1. essa pode ter como causa de pedir a inconstitucionalidade de uma norma. ACP versus ADI: Quanto à ação civil pública. partindo-se da premissa que possa ter validade nacional. 7. há duas posições acerca do tema: Intensivo II Página 48 . ou seja. 14 da Lei da ação civil pública diz que cabe ao juiz conferir o efeito suspensivo.

Método. por isso. REsp. nos termos da atribuição institucional do MP prevista no art. LXXIII. Legislação aplicável: Tem previsão na CF. 1.622/ RS. art. o qual deve ser aplicado.010/SP. STF: “Mandado de segurança não substitui ação popular” Intensivo II Página 49 . Rodolfo Camargo Mancuso – Revista dos Tribunais Manual dos procedimentos especiais cíveis de legislação extravagante. Merecem destaque algumas súmulas: Súmula 365.717/65. Por isso.1. 5º. integra o microssistema de processo coletivo. Possibilidade de inversão do ônus da prova em sede de ACP: O STJ. 127 da CF. conclui que se pode dizer que a ação popular é ação de caráter cívicoadministrativo. STF: “Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular”.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni 1ª Corrente: O MP poda ajuizar ação civil pública em favor de única pessoa.2. Hely Lopes diz ainda que a ação popular garante “direito subjetivo ao Governo honesto”. Lei 4. no REsp. Conceito: Hely Lopes Meirelles diz que se trata de mecanismo constitucional de controle popular da lesividade/legalidade dos atos administrativos em geral. É necessário atentar que a ação popular é ação coletiva e. sendo este um papel da Defensoria Pública. __________________________________________________________________________________ _ AÇÃO POPULAR: Ação Popular. 1. 7. 819. Essa posição foi recentemente pronunciada no Resp. 2ª Corrente: o MP não pode ajuizar essa ação civil pública.7. Fernado Gajarodni – Coordenador – Ed. A ação popular pode ser encarada como uma forma de participação popular na administração pública. Generalidades da Ação Popular: 1. mas desde que o direito seja individual indisponível. Súmula 101. tratando-se de exercício de participação da democracia direta. 972. 620.902/RS afirmou a possibilidade de ser realizada a inversão do ônus da prova em sede de ACP.

de serviços sociais autônomos. Intensivo II Página 50 . trazendo conceito bastante amplo. moralidade administrativa seria: padrões éticos e de boa-fé no trato com a coisa pública.qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe. a ação popular serve apenas para tutela de direitos difusos. à moralidade administrativa. bem como de pessoas jurídicas ou entidades subvencionadas. ou ressarcitória dos seguintes bens e direitos difusos: Patrimônio público. A moralidade administrativa é conceito jurídico indeterminado. 5º. dos Estados. Ou seja. 141. de entidades autárquicas. ou seja. de empresas públicas. LXXIII da CF: LXXIII . os bens e direitos de valor econômico. 1º e parágrafos da LAP. art. 1º Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. dos Estados e dos Municípios. §1º da CF que veda a autopromoção do administrador em obras. estético. dos Municípios. de instituições ou fundações para cuja criação ou custeio o tesouro público haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita ânua. de 1977)         § 2º Em se tratando de instituições ou fundações.         § 1º . do Distrito Federal. senão vejamos:               Art. A ação popular serve para tutela preventiva (inibitória ou de remoção do ilícito). aquele cuja definição varia conforme o tempo e lugar. 37. Objeto da ação popular: Tem previsão no art. salvo comprovada má-fé. Moralidade administrativa. as conseqüências patrimoniais da invalidez dos atos lesivos terão por limite a repercussão deles sobre a contribuição dos cofres públicos. artístico. art. de sociedades mútuas de seguro nas quais a União represente os segurados ausentes. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. para cuja criação ou custeio o tesouro público concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita ânua. o que é moralidade hoje não precisa ser amanhã. e de quaisquer pessoas jurídicas ou entidades subvencionadas pelos cofres públicos. O conceito de patrimônio tem previsão no art. do Distrito Federal.Consideram-se patrimônio público para os fins referidos neste artigo. Meio ambiente Patrimônio histórico cultural Diferentemente da ação civil pública que se presta a tutela de todos os direitos metaindividuais (difusos. § 38). de sociedades de economia mista (Constituição.513. de empresas incorporadas ao patrimônio da União. histórico ou turístico. Ex. (Redação dada pela Lei nº 6. De acordo com a doutrina. coletivos e individuais homogêneos). ficando o autor.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni 2.

906. há exceção no sentido de que é cabível ação popular em defesa do patrimônio histórico e cultura e do meio ambiente. Ex.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Obs. 818. seja ele omissivo ou comissivo. Mas a jurisprudência tem admitido ação popular contra as leis de efeitos concretos que são leis que.400/SP. STJ. ainda que contra ato de particular. por si sós. já operacionalizam o ato administrativo. restou entendido que é cabível ação popular para anular acordo homologado judicialmente. 3. Cabimento da Ação Popular: Aqui pode ser dividida a exposição em três partes: 3. E não basta que o cause prejuízo. não basta que o ato seja ilegal. motivo e finalidade. Lesivo: A ação popular tem como objeto atacar ato lesivo. 2º da Lei de Ação Popular: agente capaz. Ex. ou seja. Ilegal: No conceito de ilegalidade estão abrangidos todos os vícios do ato. 3. 3.725/SP. Resp. e necessário que referido ato cause prejuízo. podemos afirmar que a ação popular é cabível contra ato administrativo. empresa privada que despeja dejetos em rio. a regra geral é que não é cabível ação popular contra o mesmo. lei que concede anistia tributária  nessa hipótese é cabível ação popular. fora desses bens jurídicos não há como aviar Ação Popular.3. O ato pode ser inexistente. E contra ato legislativo é cabível ação popular? A regra geral é que não é cabível ação popular contra lei. Excepcionalmente. forma. Sucede que.1. No sistema. regra geral é que a ação popular seja cabível contra ato administrativo. Ato Ao se falar que a ação popular cabe contra ato. objeto lícito.: o rol objeto da ação civil pública é taxativo. Ou seja. Decreto desapropriatório. Indaga-se se é cabível ação popular contra ato particular e a regra geral é o não cabimento.2. nos termos de decisão do STJ no Resp. nulo ou ineficaz. No que tange ao ato jurisdicional. sendo legal. Intensivo II Página 51 . Ato administrativo ilegal é aquele que viola os elementos do ato administrativo que estão previstos no art. E nesse ponto é necessário observar que a jurisprudência ainda segue firme afirmando a necessidade do binômio ilegalidade/lesividade.

        VI . 4º São também nulos os seguintes atos ou contratos.A compra e venda de bens móveis ou imóveis.A operação bancária ou de crédito real. legais e regulamentadoras que regem a espécie. quando:         a) concedido com desobediência de quaisquer normas legais. regulamentares ou constantes de instruções gerais. em favor do adjudicatário.         V . Essa presunção de lesividade prevista no art.A concessão de licença de exportação ou importação.As modificações ou vantagens.               b) o valor real do bem dado em hipoteca ou penhor for inferior ao constante de escritura. contrato ou avaliação. quando:               a) for realizada com desobediência a normas legais. quando:         a) houver sido praticada com violação das normas legais e regulamentares ou de instruções e ordens de serviço. quando:               a) o respectivo contrato houver sido celebrado sem prévia concorrência pública ou administrativa. 4º é absoluta. praticados ou celebrados por quaisquer das pessoas ou entidades referidas no art.         IV . regimentais ou internas.         b) o preço de compra dos bens for superior ao corrente no mercado.1. regulamentares ou constantes de instruções gerais.         III .Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni O art. em favor de exportador ou importador.. 4. não cabendo prova em contrário. Aspectos processuais sobre a ação popular.A operação de redesconto quando sob qualquer aspecto. na época da operação. estatutárias. durante a execução dos contratos de empreitada. 1º. regulamento ou norma geral. 4. qualquer que seja a sua modalidade.         c) a concorrência administrativa for processada em condições que impliquem na limitação das possibilidades normais de competição.O empréstimo concedido pelo Banco Central da República.         b) resultar em exceção ou privilégio. inclusive prorrogações que forem admitidas.A admissão ao serviço público remunerado. regulamentares.               VII .. desobedecer a normas legais. na época da operação. sem que estejam previstas em lei ou nos respectivos instrumentos. que comprometam o seu caráter competitivo. tarefa e concessão de serviço público.               IX . na época da operação. nos casos em que não cabível concorrência pública ou administrativa. basta que seja provada a ilegalidade.         II . regulamentares.         VIII . regulamentares.         b) no edital de concorrência forem incluídas cláusulas ou condições. Legitimidade ativa: Intensivo II Página 52 . quando:         a) for realizada com desobediência a normas legais.A emissão. for inferior ao da avaliação. regimentais ou constantes de instruções gerias:         b) o valor dos bens dados em garantia. com desobediência. das normas legais.               I .         c) o preço de venda dos bens for inferior ao corrente no mercado. quanto às condições de habilitação. sem que essa condição seja estabelecida em lei. a tarefa e a concessão do serviço público. 4º da Lei de Ação popular prevê algumas hipóteses de presunção de lesividade. ou seja.               Art. quando efetuada sem observância das normas constitucionais. inclusive o limite de valor. ou constantes de instruções gerais.A empreitada.

e contra os beneficiários diretos do mesmo. Na hipótese de desistência ou perda de direitos políticos no curso do processo. Esse litisconsórcio é ativo. 4.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Prevalece o entendimento de que a legitimidade ativa para propositura da ação popular é do cidadão. A cidadania se comprova por meio de título eleitoral ou através de documento a ele equivalente. funcionários ou administradores que houverem autorizado. b) Litisconsórcio entre cidadãos: Há possibilidade de formação de litisconsórcio entre cidadãos. ou com documento que a ele corresponda. É necessário ter cuidado aqui sobre as hipóteses de cassação de naturalização e de suspensão de direitos políticos. o MP irá assumir a titularidade da demanda. O Português equiparado pode propor ação popular? Nos termos do art. Intensivo II Página 53 . aprovado. 1º. desde que lhe sejam assegurados os mesmos direitos em Portugal.2. a) Natureza da legitimidade ativa do autor popular: Prevalece na doutrina o entendimento de que se trata de legitimação extraordinária. STF. inicial ou ulterior. Recl. 1º. §5º: § 5º É facultado a qualquer cidadão habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da ação popular. tiverem dado oportunidade à lesão. por omissas. O cidadão pode ajuizar ação popular fora de seu domicílio eleitoral? O cidadão pode ajuizar a AP em qualquer lugar. Isso quer dizer que o cidadão age em nome próprio em defesa de direito alheio. Caso ninguém assuma. Art. facultativo. Cidadão é a qualidade daquele que pode votar (maior de 16anos). §3º da LAP: § 3º A prova da cidadania. outros serão intimados para dar prosseguimento ao feito. para ingresso em juízo. 6º prevê sobre a legitimidade passiva. 424/RJ. ratificado ou praticado o ato impugnado. nos termos do art. ou se for ele indeterminado ou desconhecido. 6º A ação será proposta contra as pessoas públicas ou privadas e as entidades referidas no art.         § 1º Se não houver benefício direto do ato lesivo. Acerca a matéria. 6º.§1º serão assegurados ao português os mesmos direitos do brasileiro. contra as autoridades. 12. ou que. a ação será proposta somente contra as outras pessoas indicadas neste artigo. o art. Legitimidade passiva: O art. será feita com o título eleitoral.

O MP tem três papeis: Atuação como custos legis: necessariamente irá funcionar como órgão opinativo. além das pessoas públicas ou privadas e entidades referidas no art. a) Legitimação passiva ulterior O art. beneficiada ou responsável pelo ato impugnado. A pessoa jurídica lesada começa como ré. de direito público ou privado.Qualquer pessoa. Salvo. 1º. cuja existência ou identidade se torne conhecida no curso do processo e antes de proferida a sentença final de primeira instância. desde que isso se afigure útil ao interesse público. Especial posição da pessoa jurídica lesada: Ao ser aviada ação popular. item "b". 7º. participaram do ato ou se beneficiaram diretamente dele. São réus na ação popular todos aqueles. sendo-lhe restituído o prazo para contestação e produção de provas. mas poderá: Se abster de contestar Contestar o ato. passando para o pólo ativo 4. civil ou criminal. deverá ser citada para a integração do contraditório. a juízo do respectivo representante legal ou dirigente.               III . citar-se-ão como réus. em qualquer hipótese. ou poderá atuar ao lado do autor. quanto a beneficiário. Promover a responsabilização penal e administrativa dos responsáveis Intensivo II Página 54 . Tem-se um litisconsórcio necessário simples.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni         § 2º No caso de que trata o inciso II. sendo-lhe vedado.4. §4º:               § 4º O Ministério Público acompanhará a ação. quando o valor real do bem for inferior ao da avaliação. se a citação se houver feito na forma do inciso anterior. 6º. assumir a defesa do ato impugnado ou dos seus autores. Há nesse caso um litisconsorte necessário sem anulação dos atos anteriormente praticados. O legislador previu essa possibilidade considerando que como o litisconsórcio é enorme há possibilidade dessa correção do pólo passivo sem a necessidade de anulação de todos os atos.               § 3º A pessoas jurídica de direito público ou de direito privado. apenas os responsáveis pela avaliação inexata e os beneficiários da mesma. inclusive em face da Pessoa jurídica lesada. cujo ato seja objeto de impugnação. 4º.3. permanecendo no pólo passivo Ataca o ato. esta é aviada contra todos. cabendo-lhe apressar a produção da prova e promover a responsabilidade. do art. poderá abster-se de contestar o pedido. pessoas físicas ou jurídicas. Ministério Público: Art. que de qualquer forma. 4. dos que nela incidirem. III da LAP cria fenômeno processual que pode ser denominada uma hipótese de legitimação passiva ulterior.

da LAP): Art. 4. a requerimento do interessado. sob pena de falta grave. quando for o caso. ao Distrito Federal. Atente-se ainda que não se aplicam os artigos 188 e 191 do CPC. do decurso do prazo assinado em edital. a requerimento do interessado. prorrogáveis por mais 20 dias.               § 4º Na defesa do patrimônio público caberá a suspensão liminar do ato lesivo impugnado.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Assumir a titularidade da ação ou da execução em caso de abandono (art. 16. 7º. Competência: Tem previsão no art. Observe-se que aqui o prazo é bastante diferenciado. 5º Conforme a origem do ato impugnado. do Distrito Federal. é competente para conhecer da ação. ou seja o prazo é comum e idêntico para qualquer que seja o réu. 5º da LAP: Art. ou. bem como os atos das sociedades de que elas sejam acionistas e os das pessoas ou entidades por elas subvencionadas ou em relação às quais renham interesse patrimonial. de acordo com a organização judiciária de cada Estado. se difícil a produção de prova. Caso decorridos 60 (sessenta) dias da publicação da sentença condenatória de segunda instância.               § 2º Quando o pleito interessar simultaneamente à União e a qualquer outra pessoas ou entidade. (Incluído pela Lei nº 6. será competente o juiz das causas da União. será competente o juiz das causas do Estado.               § 3º A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações. mas para os demais prazos previstos na lei há aplicação desses benefícios. o representante do Ministério Público a promoverá nos 30 (trinta) dias seguintes. que forem posteriormente intentadas contra as mesmas partes e sob os mesmos fundamentos. 4.5. do Estado ou dos Municípios os atos das pessoas criadas ou mantidas por essas pessoas jurídicas de direito público. o for para as causas que interessem à União. VI: Intensivo II Página 55 . se particularmente difícil a produção de prova documental. Prazo para resposta dos réus: Merece destaque aqui o art. equiparam-se atos da União. prorrogáveis por mais 20 (vinte).         § 1º Para fins de competência. nos termos do art.O prazo de contestação é de 20 (vinte) dias. se houver. processá-la e julgá-la o juiz que. 4. IV da LAP: IV . correndo da entrega em cartório do mandado cumprido. e será comum a todos os interessados. de 1977) A competência na LAP segue o regime da Ação Civil pública. 7º.7. quando interessar simultaneamente ao Estado e ao Município.6. já estudado. sem que o autor ou terceiro promova a respectiva execução. sendo de 20 dias. Essa não aplicação diz respeito a esse prazo. 16. ao Estado ou ao Município.513. se houver. Sentença: A sentença deve ser prolatada no prazo de 15 dias.

A sentença. Reexame necessário: Tem previsão no art. parte final: Art. ressalvada a ação regressiva contra os funcionários causadores de dano. decretar a invalidade do ato impugnado (OCORRE SEMPRE). com efeito suspensivo. 11 da LAP: Art. condenará ao pagamento de perdas e danos os responsáveis pela sua prática e os beneficiários dele. É o que diz o art. 19. 19.: Parágrafo único. ou seja. 19: Art. (SE FOR O CASO).Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni VI . quando incorrerem em culpa. nos termos do art. da que julgar a ação procedente caberá apelação. julgando procedente a ação popular. 14.9. quando não prolatada em audiência de instrução e julgamento.014. 4. não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal. se a ação popular não for julgada o juiz será diretamente sancionado já que lhe é proibido ser promovido pelo prazo de dois anos. diferentemente da ação civil pública tem apelação com efeito suspensivo. com efeito suspensivo. Não é possível querer pegar as penalidades previstas para a lei de improbidade e aplicar no caso da ação popular. apelação. A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da ação está sujeita ao duplo grau de jurisdição. de tantos dias quantos forem os do retardamento. 11.  A ação popular. A sentença da ação popular sempre terá natureza desconstitutiva do ato ilegal e lesivo.  (Redação dada pela Lei nº 6. ún. modificando ou extinguindo relação jurídica.8. criando.10. A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da ação está sujeita ao não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal. da que julgar a ação procedente caberá duplo grau de jurisdição. 19. para efeito de promoção por antigüidade. O proferimento da sentença além do prazo estabelecido privará o juiz da inclusão em lista de merecimento para promoção. e acarretará a perda. em favor da coletividade. Penhorabilidade salarial: Tem previsão no art. salvo motivo justo. Não há nenhum outro tipo de sanção na sentença da ação popular senão a que determina a reparação do dano causado. §3º: Intensivo II Página 56 . Poderá ainda a sentença ter eficácia condenatória. 7º. p. Atente-se que. declinado nos autos e comprovado perante o órgão disciplinar competente. de 1973) O reexame necessário é invertido. durante 2 (dois) anos. 4. 4. deverá ser proferida dentro de 15 (quinze) dias do recebimento dos autos pelo juiz. A sentença que. Apelação: Também está prevista no art.

429/92. §4º. 12: Art. A sentença que. se assim mais convier ao interesse público. Julgada procedente a ação. 37. 12. na condenação dos réus. o pagamento. apreciando o fundamento de direito do pedido. __________________________________________________________________________________ _ AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA ASPECTOS PROCESSUAIS DA LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA: 1. 5º. nos termos do art. 5º. a execução far-se-á por desconto em folha até o integral ressarcimento do dano causado. ficando o autor. 10. Art. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. LXXIII da CF haverá isenção de sucumbência. condenará o autor ao pagamento do décuplo das custas. As partes só pagarão custas e preparo a final.11. Intensivo II Página 57 . CR/88 e na Lei 8. Citem-se os dispositivos:      Art. salvo comprovada má-fé. julgar a lide manifestamente temerária.  LXXIII . Há possibilidade de penhora excepcionalmente em razão da dívida de alimentos e pela condenação na ação popular conforme dispõe a LAP. salvo comprovada má-fé. 13. Sucumbência: Se a ação popular for julgada improcedente (autor popular perdeu). Ficando comprovada a má-fé. 4. ao autor. A sentença incluirá sempre.         Art. de acordo com o art.qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe. bem como o dos honorários de advogado. Tratando-se de condenado funcionário público. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Não obstante haver previsão no CPC de que o salário é impenhorável. 13º que será pago o décuplo das custas.Generalidades: A improbidade administrativa tem previsão no art. das custas e demais despesas. judiciais e extrajudiciais. 10 e 13 da LAP e art.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni         § 3º Quando o réu condenado perceber dos cofres públicos. via de regra. à moralidade administrativa. o ressarcimento do dano poderá ser feito por desconto em folha de pagamento. diretamente relacionadas com a ação e comprovadas. diz o art. incide a sucumbência normalmente. Tem-se entendido que essa penhora pode recair em até 30% do salário do funcionário.

legitimidade e procedimentos diversos (ACP rito ordinário a improbidade é rito especial). Há o apontamento de 13 inconstitucionalidades. Intensivo II – Fernanda Marinela. atuando como Casa revisora. alega-se que a lei de improbidade desobedeceu ao processo legislativo previsto no art. Ação direta de inconstitucionalidade improcedente.429/1992 dada a circunstância de o pedido da ação direta de inconstitucionalidade se limitar única e exclusivamente à declaração de inconstitucionalidade formal da lei. não caracterizou novo projeto de lei a exigir uma segunda revisão. 3. QUESTÃO DE ORDEM: PEDIDO ÚNICO DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL DE LEI. 65 da CF. sem qualquer argumentação relativa a eventuais vícios materiais de constitucionalidade da norma. Iniciado o projeto de lei na Câmara de Deputados. IMPOSSIBILIDADE DE EXAMINAR A CONSTITUCIONALIDADE MATERIAL. Questão de ordem resolvida no sentido da impossibilidade de se examinar a constitucionalidade material dos dispositivos da Lei 8. cabia a esta o encaminhamento à sanção do Presidente da República depois de examinada a emenda apresentada pelo Senado da República. 1. 1.: estudar o caderno de Direito Administrativo. 2182 e 4295 sobre a constitucionalidade da referida lei. Aqui trataremos apenas dos aspectos processuais. pois ele não faz diferença entre elas nos seus julgados (as vezes o STJ fala em ACP de improbidade administrativa. a coisa julgada é diferente. objetivo. pretende discutir a inconstitucionalidade material da referida lei. 2. Há uma teoria no constitucionalismo norte-americano chamado Overbreadth Doctrine (Teoria da Nulidade da Norma pela Excessiva Abertura do Texto). A ADI 4295. 65 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. O substitutivo aprovado no Senado da República. onde são desenvolvidos os aspectos materiais da lei.Constitucionalidade da Lei 8. Obs. Segundo essa tese americana. que parece ser a do STJ. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL DA LEI 8. Ação de improbidade administrativa e ACP: A ação de improbidade administrativa é uma ACP? Temos duas posições a respeito do tema: 1ª Corrente: uma primeira posição (Cássio Scarpinella) (Garjadoni) entende que não. Intensivo II Página 58 . ajuizada pelo PMN. 3. 2ª Corrente: mas há uma segunda posição.429: Há duas ADI’S. pois são de objeto. 2.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni A ação de improbidade administrativa também é uma ação coletiva e. A ADI 2182 discute a constitucionalidade formal da referida lei.429/1992 (LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA): INEXISTÊNCIA. no sentido de que a ação de improbidade é uma espécie de ACP. 2. MÉRITO: ART. também a ela se aplica o micro-sistema (CDC e LACP). tem-se que poderá ser atacada a constitucionalidade de norma federal. sendo uma ação coletiva. EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.010 o STF por 7x1 declarou constitucional a lei. e as vezes fala em ação de improbidade administrativa). em 13 de maio de 2.

A improbidade deve ter esse fim. a lei de improbidade administrativa prevê três grupos de atos que são atacados por referida lei. 12 da Lei de improbidade administrativa aplica sanções mais graves para as condutas previstas no art. O art. 9º. 10. O tipo do artigo 11 é denominado “tipo de reserva” uma vez que as condutas ímprobas configuram também violação a princípios da administração pública. 1. A sanção varia conforme a gravidade da conduta. Objeto da Ação de Improbidade Administrativa: A ação civil de improbidade administrativa tem por objeto direitos difusos e nesse aspecto ela se assemelha e muito à ação popular. de acordo com o STJ. Atos que tenham causado prejuízo ao erário: art. 9º ou 10 e também no art. Atos que ofendem princípios da Administração Pública: art. entendeu o PMN. Isso porque. tais como de manifestação de pensamento ou de atividade. Há quem diga. As condutas aqui são punidas a título de dolo ou culpa. que a Lei de Improbidade utiliza termos de excessiva abrangência pondo em risco o pleno e seguro gozo de direitos fundamentais e gerando consequentemente afetações sobre direitos políticos. Legitimidade ativa: Página 59 Intensivo II . 3. mas sim. 5. a exorbitância na forma de proibir é abusiva. ofender a moralidade. Mas observe-se que não é qualquer culpa. 10 e mais leves no art. Sob a ideia da probidade. Atos que geram enriquecimento ilícito do agente: art. Legitimidade: 5.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni quando esta exorbitar na proibição de direitos. medianas no art. Daí que. Se o ato causou conduta prejuízo ao erário configura-se ato de improbidade administrativa. As condutas do art. Enxergou-se que a medida utilizada pelo legislador extrapola um instrumento razoável e na medida correta à proteção dos interesses apregoados pelo Estado Democrático de Direito 4. Nesse sentido. além do que o necessário para se alcançar a proteção de um interesse estatal. o que pode dar margem a abusos quando da aplicação de seus termos. civis e patrimoniais dos indivíduos. 11. 9º. esse móvel. a culpa grave. 11. As condutas aqui são punidas. em provas deve ser feita a menção subsidiária de enquadramento tanto no art. esse interesse de menosprezar. 9º somente são punidas a título de dolo. como Ada Pelegrini que tal ação nada mais é que uma ação popular com legitimidade distinta. nem toda ilegalidade é uma improbidade. a título de dolo. Em outras palavras. 11.1. Gravidade da 2.

induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. A ação principal. 5. nomeação. Vereadores. será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada. 3° As disposições desta lei são aplicáveis. e estando sujeitos a regime especial. Legitimidade passiva: Pode ser réu na ação de improbidade. para os efeitos desta lei. 2ª Corrente: afirma que a pessoa jurídica interessada é a pessoa jurídica de direito de público ou privado que sofreu o prejuízo (ou lesada). Indaga-se sobre o cabimento dessa ação de improbidade administrativa contra agente público. São legitimados para a propositura da Lei de Ação Civil Pública: Ministério Público. Isso porque.2. mandato. mesmo não sendo agente público. contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo. em tese é Intensivo II Página 60 . no julgamento da Reclamação 2138. Administração Pública Direta. Estariam excluídos Prefeitos. não caberia ação de improbidade. emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior. de acordo com o STF para o Presidente. E a discussão tem início com ideia de quem seja agente político. Esse entendimento é válido. diz o STF que. por eleição. restou decidido que não caberia Ação de Improbidade Administrativa contra agente político.         Art. No caso concreto se tratava de um Ministro. 2° Reputa-se agente público. E essa é uma questão bastante polêmica. Governador. Deputados e Senadores e em relação a eles. 2º da LACP. a ação de improbidade administrativa é ajuizada em primeira instância. 17. 17 da Lei de Improbidade Administrativa. tratando-se de rol amplo. Aqui podem ser incluídas as empresas públicas e as sociedades de economia mista. designação.         Art. Ministros de Estado e Ministros do STF. Art. 6. Para o STF.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Tem previsão no art. esses agentes estariam sujeitos à lei 1. aplicada integrativamente. ainda que transitoriamente ou sem remuneração. nos termos do art. ou seja. todo aquele que exerce. Não há foro privilegiado contra quem quer que seja e no local do dano. que terá o rito ordinário. dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar. àquele que. autarquia e fundações. no que couber.079/50 (Crimes de Responsabilidade dos agentes políticos). Pessoa jurídica interessada: sobre esse legitimado há duas correntes: 1ª Corrente: a pessoa jurídica interessada seria a pessoa jurídica de direito público lesada. cargo. Competência e a questão do agente político: Regra geral. as pessoas indicadas nos artigos 2º e 3º da Lei de Improbidade administrativa.

a Ação de improbidade administrativa é cabível contra qualquer agente político. 10 e 11. De fato. Assim. sendo cabível. É importante observar quanto a perda do cargo que. e. As sanções do art. esta será aviada em primeira instância. 7. 20 da LIA. Acerca da matéria. qual seja a elegibilidade. de acordos com os artigos 9º. Exceção: não cabe contra o Presidente: segue o procedimento de impeachment. apesar de controvertida a questão já há julgados afirmando que a pena da perda do cargo ou mandato alcança o cargo ou mandato que o agente estiver a ocupar quando do trânsito em julgado.               Parágrafo único. A lei da ficha limpa inseriu o art. Apesar desse dispositivo não revogar o art. ainda que não seja o mesmo em que praticado o ato de improbidade. Procedimento: Intensivo II Página 61 . perda da função pública e a suspensão de direitos políticos somente se efetivam com o trânsito em julgado da sentença.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni cabível a ação de improbidade contra esses agentes excluídos. ele antecipa um dos efeitos da suspensão dos direitos políticos. A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória. 1º-L na LC 64/50 (Lei da Inelegibilidade). há a possibilidade de afastamento cautelar do agente público: Art. p. 12 não são obrigatoriamente cumulativas. o art. A segunda observação se refere ao art. o agente condenado continua votando até o trânsito em julgado. cabe aplicação de condutas de forma isolada. Sanções: Diversamente das demais ações coletivas ora estudadas. De acordo com a Reclamação 2790/CE. De acordo com esse artigo 20.079/50 é do mesmo órgão competente para a ação penal. inclusive contra agentes políticos (todos eles). sem prejuízo da remuneração. 20. quando a medida se fizer necessária à instrução processual. Diz o STJ que a competência para julgar o agente político com base na lei 1. 12 da LIA que trata das sanções irá graduar as sanções. E se indaga se isso não seria uma exceção ao caput. As duas sanções mais graves quais sejam. 20 da Lei de Improbidade Administrativa. No caso haveria o que eles chamam de competência implícita suplementar. o STJ tem um entendimento diferente. emprego ou função. 8. ún. ou seja. mas não pode ser votado tão logo a sentença de procedência da improbidade seja confirmada. A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo. trata-se de uma exceção.

de 2001)               § 10. o disposto no § 3o do art. dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar.225-45.225-45. acordo ou conciliação nas ações de que trata o caput.         § 2º A Fazenda Pública. de 2001)         § 6o  A ação será instruída com documentos ou justificação que contenham indícios suficientes da existência do ato de improbidade ou com razões fundamentadas da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas. de 29 de junho de 1965. nos termos do §8º do art. (Incluído pela Medida Provisória nº 2. para oferecer manifestação por escrito.         § 1º É vedada a transação. fazendo o juiz. 17. Art. (Incluído pela Medida Provisória nº 2. quando for o caso. o juiz.  Em qualquer fase do processo. (Redação dada pela Lei nº 9.  Aplica-se aos depoimentos ou inquirições realizadas nos processos regidos por esta Lei o disposto no art. observada a legislação vigente. (Incluído pela Medida provisória nº 2.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Trata-se de procedimento especial. no prazo de trinta dias. será o réu citado para apresentar contestação. que poderá ser instruída com documentos e justificações.717. de 2001)         § 11. de 2001)         § 12. caberá agravo de instrumento. de 2001)               § 9o    Recebida a petição inicial. Tem previsão tal procedimento no art. de 2001)         § 7o   Estando a inicial em devida forma. se convencido da inexistência do ato de improbidade.180-35. 16 a 18 do Código de Processo Civil. o juiz extinguirá o processo sem julgamento do mérito.225-45.225-45. reconhecida a inadequação da ação de improbidade. que foi inserido pela Medida Provisória 2225/2001 e foi perenizada posteriormente. que terá o rito ordinário. de 1996)               § 4º O Ministério Público. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.         § 3o   No caso de a ação principal ter sido proposta pelo Ministério Público. 17. 221. atuará obrigatoriamente. Recebendo a inicial o Juiz determina a notificação para que o réu. caput e § 1o. que se assemelha muito ao procedimento das ações penais de crimes praticados por funcionários públicos. da improcedência da ação ou da inadequação da via eleita.225-45.225-45. rejeitará a ação. o juízo de admissibilidade da ação no prazo de 30 dias. normalmente são aviadas tais ações pelo MP. Esse juízo de admissibilidade deve ser feito de forma fundamentada. promoverá as ações necessárias à complementação do ressarcimento do patrimônio público. como fiscal da lei. nessa oportunidade. no que couber. suposto responsável pelo ato de improbidade apresente uma defesa preliminar que deve ser apresentada no prazo de quinze dias. de 2001)               § 8o    Recebida a manifestação. Intensivo II Página 62 . que normalmente traz consigo o inquérito civil já que.   Da decisão que receber a petição inicial.225-45. 6o da Lei no 4. aplica-se. sob pena de nulidade. será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada. em decisão fundamentada. (Incluído pela Medida Provisória nº 2. inclusive as disposições inscritas nos arts. do Código de Processo Penal.         § 5o  A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto. se não intervir no processo como parte. A ação principal. o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do requerido. (Incluído pela Medida Provisória nº 2. 17 da LIA. (Incluído pela Medida Provisória nº 2. dentro do prazo de quinze dias. de 2001) O procedimento tem início com a petição inicial.366. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.

Indaga-se aqui se a ausência dessa fase preliminar gera a nulidade do processo. Isso porque se entendia que a lei 1533/51 era um sistema fechado. O MP. atente-se. 515. __________________________________________________________________________________ _ MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO: 1. Dessa decisão de indeferimento ou rejeição é cabível apelação. Após essa fase é apresentada contestação. sendo posteriormente produzidas provas e. não sendo autor. o que pode ser feito agora e também no curso da ação. Nessa época se falava que não cabia agravo de instrumento no MS. Intensivo II Página 63 . nos termos do §11 do artigo em questão. salvo quando a própria lei fizesse a remissão. E sobre a matéria há duas correntes: 1ª Corrente: trata-se de nulidade absoluta. Art. 17. A previsão infraconstitucional é da lei 12. 15.016/09. 5º. Da decisão que recebe a ação de improbidade é cabível agravo. nos termos do §9º do art. Caso seja recebida a ação. bem como que o art. esse continua ser recurso sem aplicação ao MS. Já o art. §3º e 7º. Esse entendimento era o que prevalecia até no STJ. No que tange aos embargos infringentes. na forma do §12 as provas seguirão o regime do CPP. o que tem previsão no art. deve atuar como custos legis. cujo prejuízo à defesa é presumido. §3º do CPC era inaplicável ao MS (Teoria da Causa madura) e os embargos infringentes. pode rejeitar (mérito) ou indeferir (sem mérito) a ação de improbidade. já que há previsão expressa afastando sua aplicação. salvo quando a LMS excluir. §4º.1. §3º da Lei 12. LXX fala do mandado de segurança coletivo. Legal e Sumular: A CF faz menção ao mandado de segurança individual no art. Aplicação subsidiária do CPC: Durante muito tempo se entendeu que não aplicava o CPC ao MS. 17. Sucede que a jurisprudência evoluiu e passou a admitir a aplicação subsidiária do CPC ao MS. que buscava a integração de todo o sistema e colocação de toda a matéria em uma única lei. nos termos do §8º do art. 2ª Corrente: diz que somente haverá nulidade se a parte comprovar o prejuízo.016/09. LXIX. 17. Previsão Constitucional.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni O juiz. 1. 5º. o réu será citado.

§3º do CPC. como não há exclusão. Assim. apesar de haver alguns julgados do STJ negando sua aplicação. 1. mas há expressa vedação legal. 515.2. salvo quando houver exclusão. entende-se que pode haver seu cabimento.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni No que tange ao art. Súmulas aplicáveis: STJ STF Intensivo II Página 64 . nos termos do art. aplicaria o CPC. No que diz respeito aos honorários. 25 da nova lei do mandado de segurança. conclui-se que há aplicação subsidiária do CPC.

mandado de segurança. de situação funcional complexa. Súmula 430: Pedido de reconsideração na via Súmula 376: Compete a turma administrativa não interrompe o prazo para o recursal processar e julgar o mandado de segurança. originariamente. ou no julgamento do agravo. Súmula 105: Na ação de Súmula 268: Não cabe mandado de segurança mandado de segurança não se contra decisão judicial com trânsito em julgado. admite condenação em Súmula 269: O mandado de segurança não é honorários advocatícios substitutivo de ação de cobrança Súmula 169: São inadmissíveis Súmula 270: Não cabe mandado de segurança embargos infringentes no para impugnar enquadramento da Lei 3. convalidar a compensação Súmula 474: Não há direito líquido e certo. que envolva exame de prova ou segurança. não impede o uso da ação própria. ciência à autoridade para cumprimento da decisão. fica sem efeito a liminar concedida. e não da anterior deferida por medida liminar. direito à compensação tributária. interposição de recurso. administrativamente ou pela via judicial própria. Súmula 213:   O mandado de Súmula 405:   Denegado o mandado de segurança segurança constitui ação pela sentença.780. não fazendo coisa julgada contra o ato judicial. Súmula 202: A impetração de Súmula 304: Decisão denegatória de mandado de segurança por terceiro. não se condiciona à impetrante. Súmula 392: O prazo para recorrer de acórdão Súmula 212: A compensação de concessivo de segurança conta-se da publicação créditos tributários não pode ser oficial de suas conclusões. tribunais ou dos Respectivos Súmula 267: Não cabe mandado de segurança órgãos. em relação a incompetente para processar e período pretérito. retroagindo os efeitos da decisão contrária Súmula 333: Cabe mandado de Súmula 429: A existência de recurso segurança contra ato praticado administrativo com efeito suspensivo não impede o em licitação promovida por uso do mandado de segurança contra omissão da sociedade de economia mista ou autoridade. mandado de Súmula 266: Não cabe mandado de segurança segurança contra ato de outros contra lei em tese. Súmula 177: O Superior Súmula 271: Concessão de mandado de segurança Tribunal de Justiça é não produz efeitos patrimoniais. contra ato judicial passível de recurso ou correição. originariamente. mandado de segurança contra Súmula 272: Não se admite como ordinário ato de órgão colegiado presidido recurso extraordinário de decisão denegatória de por Ministro de Estado. mandado de segurança contra Súmula 433: É competente o Tribunal Regional do ato de juizado especial. dela adequada para a declaração do interposto. popular. Trabalho Intensivo II Página 65 para julgar mandado de segurança contra Súmula 460: É incabível o ato de seu presidente em execução de sentença mandado de segurança para trabalhista. . de 12 processo de mandado de de julho de 1960. contra segurança. os quais devem ser reclamados julgar.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Súmula 41: O Superior Tribunal Súmula 101: de Justiça não tem competência   O mandado de segurança não substitui a ação para processar e julgar. empresa pública.

Cite-se: Art. em sede de mandado de segurança não se admite dilação probatória. 6º. esse também deve ser incontroverso? Existe uma Súmula do STF. será apresentada em 2 (duas) vias com os documentos que instruírem a primeira reproduzidos na segunda e indicará. que deverá preencher os requisitos estabelecidos pela lei processual.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni 2.  Intensivo II Página 66 . da ação de mandado de segurança. Para que se prove fato incontroverso é necessária apresentação de documentos. §§1º e 2º da Lei do MS. Isso se dá quando a prova pré-constituída estiver na posse da autoridade coatora ou de terceiros. *Documentalização de prova oral ou pericial: Essa questão é controvertida. há quem admita.1. de número 625 que responde bem essa indagação: Súmula 625. LXIX da CF: LXIX . É necessário observar que a existência de prova de pré-constituída ou a existência de direito líquido e certo é condição especial. 2. pela qual a causa de pedir deve indicar não apenas os fatos como também os fundamentos jurídicos do pedido. 6o   A petição inicial. não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data".conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo. No MS o fato narrado deve ser incontroverso e deve haver prova pré-constituída disso (leia-se prova documental). STF: “Controvérsia sobre matéria de direito não impede a concessão de mandado de segurança” Comparando o MS com a ação monitória podemos observar que ambos são processos documentais. E o que deve ser líquido e certo não é o direito. É necessária a narrativa de fato e de direito. Por outro lado. O fato é incontroverso e pode-se demonstrar de plano que o que se diz é verdade. E o MS não foge dessa regra. Conceito de Mandado de Segurança: Está previsto no art.Tem-se entendido não ser possível este procedimento sob pena de violação dos fins e da condição para o exercício do MS. Daí que. 5º. mas há certa particularidade. mas sim o fato. ligada ao interesse de agir.: Há uma exceção ao cabimento do MS sem apresentação da prova préconstituída. Obs. A exceção se encontra no art. além da autoridade coatora. Direito líquido e certo: O direito brasileiro adotou a teoria da substanciação. O fato deve ser incontroverso e quanto ao direito. à qual se acha vinculada ou da qual exerce atribuições. a pessoa jurídica que esta integra. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.

Contra ato: O MS é cabível contra ato. que se trata de exceção da exceção. Cite-se: Art. a respeito desse ato administrativo. STF: “A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impedi e o uso do mandado de segurança contra omissão da autoridade” É necessário observar. com muita precisão excluiu essa restrição. por ofício. cabendo atualmente MS contra ato disciplinar.  Não será cabível MS contra ato administrativo. 5º. para o cumprimento da ordem. cabe MS. independentemente de caução. Não amparado por Habeas corpus ou Habeas data: Quando se coloca essa afirmativa. que havia dispositivo da lei que fora vetado (art. a exibição desse documento em original ou em cópia autêntica e marcará.3.2010 2.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni § 1o   No caso em que o documento necessário à prova do alegado se ache em repartição ou estabelecimento público ou em poder de autoridade que se recuse a fornecê-lo por certidão ou de terceiro. Intensivo II Página 67 . Antes da lei 12. prevista no art.  § 2o   Se a autoridade que tiver procedido dessa maneira for a própria coatora. O legislador. o MS é aviado em face de ato administrativo. ún) que afirmava que quando o ato fosse omissivo somente se poderia aviar o MS após a notificação extrajudicial da autoridade para que efetivasse o ato. O HD (Lei 9. preliminarmente. O escrivão extrairá cópias do documento para juntá-las à segunda via da petição. pois. vez que. residual. a ordem far-se-á no próprio instrumento da notificação. se o ato atacado for omissivo ainda que haja recurso com efeito suspensivo e sem caução. I da Lei do MS.2. quando.507/97) busca tutelar o direito a informações próprias e pessoais do impetrante. merecendo destaque uma divisão: a) Contra ato administrativo: Via de regra. O MS é. Merece destaque aqui a Súmula 429 do STF. p. o juiz ordenará. Mas há uma exceção. Isso porque em 1951 vigorava o Regime Militar.  2. contra ele couber Recurso Administrativo com efeito suspensivo e sem caução.de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo. 5º. O HC tutela a liberdade de locomoção. Súmula 429. 5o  Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:  I . inicialmente é necessário observar que o MS se trata de medida residual. 03. o prazo de 10 (dez) dias.12.016/08 também não cabia MS contra ato disciplinar. no prazo de 120 dias.

5º. o STF no MS 24.642/DF. senão vejamos: Decisão contra a qual não caiba recurso com efeito suspensivo  a lei fala de decisão da qual não caiba recurso com efeito suspensivo e isso levaria a crer que. senão vejamos: Leis de efeitos concretos: leis de efeitos concretos são aquelas leis que. regra geral não é cabível mandado de segurança contra ato legislativo.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni b) Contra ato legislativo: Aqui é necessário observar que. Ex.  O Mandado de Segurança não é substitutivo de recurso. aqui existem duas exceções que devem ser destacadas para o cabimento do MS contra ato judicial.de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo. Sucede que.de decisão judicial transitada em julgado. Súmula 267. que afirmam que será cabível MS contra ato legislativo. como o Re e o REsp não possuem efeito suspensivo seria cabível o Intensivo II Página 68 . c) Contra ato judicial: A regra geral do sistema é igual a do ato legislativo. 5o  Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:  II . por si só. ação impugnativa ou reclamação. Estabelece a jurisprudência que. É necessário observar que. STF: “Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição” Súmula 268. Merecem destaque as Súmulas 267 e 268 do STJ e também o art. a lei de efeito concreto nada mais é que “um ato administrativo que possui forma de lei”.  III . Merece destaque a Súmula 266 do STF: “Não cabe mandado de segurança contar lei em tese”. inciso II e III da Lei do MS. somente pode impetrar esse mandado de segurança o parlamentar. Mas aqui merecem destaque duas exceções. ou seja. leis proibitivas são de efeito concreto  lei que proíbe fumar em determinados locais. E isso se dá considerando que a lei é comando genérico e não é atacável via MS. STF: “Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado” Art. pelo não cabimento de MS contra ato judicial. não sendo necessário que haja ato administrativo para sua execução. Leis aprovadas com violação do processo legislativo: essa hipótese diz respeito à situação em que há violação das regras do processo legislativo. já atingem a esfera jurídica da parte. Nesse sentido.

em razão disso seria cabível MS. no âmbito do Juizado especial Cível não é cabível agravo e. na hipótese em que o ato extrapola aos limites constitucionais é cabível o Mandado de segurança contra ato político ou interna corporis. Ex. Ex. Na redação anterior falava-se apenas na decisão contra a qual não caiba recurso. Sucede que há uma exceção que merece destaque: Segundo Pedro Lessa. Extradição. será cabível o MS. é cabível o MS. A regra geral para esses casos é a do não cabimento do mandado de segurança. ausência de ampla defesa e aplicação de sanção ao Intensivo II Página 69 . Outro exemplo se dá considerando a irrecorribilidade das decisões interlocutórias no processo do trabalho das quais não cabem recurso. p. será cabível MS. ação de despejo em é decretado despejo pela não juntada da procuração. É a hipótese em que o agravo de instrumento. 527. declaração de guerra. Contra ato judicial quando a decisão proferida for teratológica: nesse caso o cabimento do MS se dá inclusive após o trânsito em julgado da decisão. sustentando que se deve ignorar essa expressão “com efeito suspensivo” O cabimento do MS se refere às decisões contra as quais não caiba recurso com previsão legal. dispositivos previstos no Regimento Interno. d) Contra atos políticos e interna corporis Tais atos estão relacionados à própria exteriorização do poder. Alguns autores entendem que.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni MS. Daí que a doutrina critica muito esse dispositivo. único do CP  isso porque. somente é cabível esse MS se interposto antes do trânsito em julgado da decisão. Ato interna corporis é o ato que produz efeitos dentro da própria entidade. veto. O STF entende que não cabe agravo nem MS (Re 576. Atente-se ainda que. o Ag. Teratologia dá ideia de monstruosidade. ao ser recebido no tribunal pode ser convertido em agravo retido e daquela em que se concede ou denega liminar não é cabível recurso algum. Ex. Reg. É necessário observar que se tem entendido que. de exercício da soberania.847/BA). 27. Nessa hipótese. mas essa é uma questão controvertida. contra decisão proferida colegiadamente pelo STF não é cabível MS. Ex. O MS não se presta a atuar como uma ação rescisória. sanção ao parlamentar que quebra decoro.569-3. nesse caso não há recurso previsto em lei. Nesse sentido. Tem-se entendido que cabe MS contra decisão proferida com fundamento no art. Quando a decisão fugir a qualquer parâmetro de razoabilidade e bom senso. Em razão da inexistência de recurso.

3º da Lei do MS: esse dispositivo traz informação bastante interessante: Art. somente é cabível o ingresso de litisconsortes ativos antes do despacho da petição inicial. 267. 2. condomínio). bem como até Poderes do Estado para assegurar prerrogativas próprias. 10. 3.1. A interpretação que se faz desse art. Não confundir litisconsórcio em MS individual (pluralidade de direitos individuais) com o MS coletivo. em condições idênticas. de terceiro poderá impetrar mandado de segurança a favor do direito originário. Daí que. em que após a concessão de liminar em algum processo as demais pessoas que estivesse na mesma situação ingressavam como litisconsortes. no prazo de 30 (trinta) dias. A ilegalidade é relacionada aos atos vinculados enquanto o abuso de poder se relaciona aos atos discricionários. 1º. massa falida. se o seu titular não o fizer. qualquer delas poderá requerer o mandado de segurança. Art. O art. pessoa jurídica. nos termos do art. o que violava o Princípio do Juiz Natural. Legitimidade: 3. Câmara de vereadores que avia MS para recebimento do duodécimo não repassado. Legitimidade ativa no Mandado de Segurança Individual: Aqui é necessário destacar cinco observações: A legitimidade ativa do MS individual é amplíssima. Ilegalidade ou abuso de poder: Ao serem usadas as expressões ilegalidade ou abuso de poder temos que são expressões distintas. IX do CPC). de direito público ou privado.  A ideia desse dispositivo foi a de preservar o princípio do Juiz Natural. § 2o  O ingresso de litisconsorte ativo não será admitido após o despacho da petição inicial. quando notificado judicialmente.4.  Intensivo II Página 70 . ou seja. §2º da Lei do MS. O MS é ação personalíssima. Em razão disso. §3º permite a formação de litisconsórcio ativo no MS. ente despersonalizado (espólio. Trata-se de ação intransmissível (não há sucessão). Pessoa física. 3o   O titular de direito líquido e certo decorrente de direito. é aquela que não passa da pessoa de quem ajuizou. podem aviar o MS. ausência de aprovação do CN para a declaração de guerra.  É necessário observar que. Ex. 1º é a que estabelece a possibilidade de formação de litisconsórcio ativo facultativo: § 3o   Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas. se o atestado do impetrante falecer deverá ser extinto o processo (art.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni parlamentar por falta de decoro. antes da lei do MS acontecia uma coisa estranha: se a empresa entrasse com MS na Justiça Federal.

no final das contas eles são a mesma pessoa – a autoridade coatora é a representante da pessoa jurídica. 1º. Daí que o 2º colocado avia o MS em favor do 1º. em que a lei garante ao titular do direito decorrente legitimidade para impetrar MS em favor do titular do direito principal. se o primeiro não consegue exercitar seu direito em razão da inércia do segundo. E o réu seria a pessoa jurídica. somente no que disser respeito a essas atribuições. O direito é do 1º colocado.  A doutrina tem uma dúvida que aos poucos vem sendo dirimida pela jurisprudência e diz respeito a quem seja o legitimado passivo no MS: 1ª Corrente: diz que o legitimado passivo é a autoridade coatora (pessoa física). Cite-se: § 1o   Equiparam-se às autoridades. 3. bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público. Legitimidade passiva: A legitimidade passiva aqui falada vale tanto para o MS individual como o Coletivo. A legitimidade passiva do MS tem previsão no art. Tem prevalecido na jurisprudência a segunda corrente. é necessário que o segundo exerça o seu. A consequência é que.  O exercício do direito previsto no caput deste artigo submete-se ao prazo fixado no art. É necessário observar que não há litisconsórcio passivo necessário entre autoridade coatora e pessoa jurídica demandada. para que o primeiro exerça seu direito. 23 desta Lei. §§ 1º e 2º da Lei do MS. Assim. Fernando passou em 1º Lugar em um concurso.  § 2o   Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas. mas essa seria representada no processo pela pessoa física (autoridade coatora). e eu em 2º e o administrador nomeou o 3º colocado. Intensivo II Página 71 . os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas. aquele pode aviar MS para assegurar direito do segundo. contado da notificação. ou seja o MS seria contra o Governador e não contra o Governo.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Parágrafo único.  Se o direito de alguém decorre do direito de outrem. 2ª Corrente: diz que o MS tem como legitimado passivo a pessoa jurídica de direito público ou quem lhe faça as vezes. trata-se de típica hipótese de legitimação extraordinária. Ex. mas esse permanece inerte. E isso se dá considerando que. de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público. para os efeitos desta Lei.2.

além da autoridade coatora. Art. 6o   A petição inicial. há informação à Procuradoria do órgão que há mandado de segurança em face dessa entidade.  A lei afirma que pode ser a autoridade coatora quem execute o ato ou quem determine sua prática. Outra hipótese é a possibilidade de ser impetrado um único mandado de segurança contra o superior hierárquico das quatro autoridades coatoras. Ex. ao invés de aviar contra os delegados da receita deveria aviar o MS contra o superintendente da receita. a fim de que.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Merece destaque o art. O melhor exemplo de ato composto é a hipótese de demissão de servidor Intensivo II Página 72 . 7o  Ao despachar a inicial.  Quem é a autoridade coatora para fins de MS? Antes da vigência da Lei 12. ou seja. Alguns entendiam que seria aquele que praticava o ato. 6º da Lei do MS que estabelece que na petição inicial do MS o impetrante vai indicar além da autoridade coatora.que se notifique o coator do conteúdo da petição inicial. o mero executor. ingresse no feito. enviando-lhe cópia da inicial sem documentos. Ato complexo: o ato complexo é aquele que precisa da conjunção de vontades de dois órgãos distintos para a prática do ato. enviando-lhe a segunda via apresentada com as cópias dos documentos. à qual se acha vinculada ou da qual exerce atribuições. um contra cada autoridade. querendo.  II . mas merece destaque algumas situações: Ato coator praticado em áreas distintas: a primeira opção é impetrar vários mandados de segurança. o MS deve ser impetrado contra a autoridade final que manifesta a última vontade. A segunda posição dizia que a autoridade coatora seria aquele que tivesse ordenado o ato. que deverá preencher os requisitos estabelecidos pela lei processual. A posição atual decorre da lei e tem previsão no art.que se dê ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada. para que. não poderia ser o subalterno. Ex.016/09 havia duas posições. o juiz ordenará:  I . no prazo de 10 (dez) dias. a pessoa jurídica que esta integra. 6º. será apresentada em 2 (duas) vias com os documentos que instruírem a primeira reproduzidos na segunda e indicará. 7º. II da Lei do MS pois o juiz além de pedir informações à autoridade coatora no MS. Cite-se: Art. Aposentadoria e deliberação do Tribunal de Contas.  Apesar de parecer que se tem um litisconsórcio esse não é possível e essa afirmação se deu em razão do art. preste as informações. a pessoa jurídica que esta integra. Nessa hipótese. §3º da Lei do MS: § 3o  Considera-se autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prática. Ato composto: é aquele em que um órgão decide e o outro homologa.

For razoável a dúvida quanto à real autoridade coatora. Nesse sentido o RMS 10. mas muitas vezes e afirma o legislador nesse sentido. Nessa hipótese.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni pública. aquele que contesta a ação (que deve ser superior) encampa o ato para si. Nessa situação. que o MS é cabível contra particular Intensivo II Página 73 . senão vejamos: Que o encampante seja superior hierárquico do encampado. que não se altere a competência absoluta do órgão jurisdicional competente para o MS. caso em que restaria suprida a errônea indicação. essa pessoa indica quem tenha praticado o ato e contesta o MS (autoridade superior). Ato praticado por órgão colegiado / ato colegiado: a autoridade coatora para efeitos do MS é o Presidente do órgão que irá representar a Pessoa jurídica. começou-se a entender que. Na hipótese de indicação errônea da autoridade coatora. §4º previa uma situação em que. o MS deve ser impetrado contra a autoridade que homologa. Teoria da encampação: Com o passar do tempo. não se dignando a exclusivamente alegar ilegitimidade. a jurisprudência do STJ e do STF é firme no sentido de que o caso é de extinção do MS sem resolução do mérito.484. Em razão da encampação. Normalmente é aplicada pela chefia imediata e depende da homologação da chefia mediata. Governador. apesar da forte crítica doutrinária no sentido de que o jurisdicionado não é obrigado a saber os meandros da administração. etc. Ninguém aqui é estranho a afirmação de que o MS seja cabível contra o poder público. Informações prestadas pela autoridade encampante enfrentem. Ex. Mas tal dispositivo fora vetado pelo Presidente da República. com a possibilidade de julgamento do MS. e estando dentro do prazo decadencial poderia haver correção do pólo passivo. ou seja. vedada a possibilidade de correção. ainda que indicada erroneamente a autoridade coatora. 6º. Nessa hipótese. a pessoa que não tenha praticado ou ordenado o ato. O art. (como na dúvida objetiva na fungibilidade de recurso) O legislador da Lei do MS disciplinou melhor tema que era praticamente lacônico na antiga lei: autoridades públicas por equiparação. A Teoria da encampação consiste na defesa doa ato atacado pela autoridade equivocadamente indicada como coautora. e acaba por abraçar a situação. STJ que afirma a necessidade de se preencher quatro condições para aplicação de tal teoria. após a impetração. diretamente a questão. Prefeito.

nessa situação. de acordo com o STF (RMS 24. STJ: “Cabe MS contra ato praticado em licitação promovida pro sociedades de economia mista ou empresas públicas” No que tange a hipótese de litisconsórcio passivo necessário e unitário no MS é necessário atentar que. Súmula 333. a previsão está em três Súmulas: Súmula 631. agentes dirigentes de sistema financeiro de habitação. Intensivo II Página 74 . Ex. Intervenção de Terceiros: Aqui é necessário observar que. é obrigatória a citação do réu como litisconsorte passivo”.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni equiparado à autoridade pública. que não é cabível a intervenção de terceiros no Mandado de Segurança em razão de se tratar de procedimento sumaríssimo. 1º. O termo “atribuição” compreende não apenas a delegação. sociedades de economia mista e concessionárias nos atos de Gestão pública. ele necessariamente. Contra dirigentes de pessoas físicas ou jurídicas que exerçam atribuições do Poder Público. autorizada ou não. há na doutrina quem sustente o cabimento de assistência litisconsorcial. A Súmula 510 do STF estabelece que quando for atividade delegada pelo poder público é cabível MS.414/DF). concurso público e licitações. em que o particular faça as vezes do Estado. Questões de terceiros devem ser resolvidos de forma autônoma. já que o assistente litisconsorcial é. a pessoa jurídica interessada. o que se dá quando se pensa que o réu seja a autoridade coatora. Serão réus no MS a autoridade coatora e o réu. 3. necessariamente intimado. Quando o ato atacado tiver um beneficiário. senão vejamos: Representantes de partidos políticos Administrador de autarquias e fundações de Direito público: aqui houve erro do legislador já que tais autoridades são autoridades públicas por natureza. STJ: “É inadmissível recurso especial quando cabíveis embargos infringentes contra o acórdão proferido no tribunal de origem”. STF: “No mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público contra decisão proferida em processo penal. Tais autoridades são encontradas no art. qualquer outra atividade. Súmula 202.STF: “Extingue-se o processo de mandado de segurança se o impetrante não promove no prazo assinado. deverá figurar no pólo passivo ao lado da autoridade impetrada.  aqui deve ser o beneficiário do ato. financiamento por Banco particular do SFH. Ex. como também. §§1º e 2º da LMS. atendimento em hospital particular pelo SUS. Dirigentes de empresas públicas. Ex. a citação do litisconsorte passivo necessário” Súmula 701. etc. Apesar disso.3.

105. nos termos da Súmula 376 do STJ. Sucede que.  Lembrar do “Top julga top”. As súmulas 41. mandado de segurança contra ato de outros tribunais ou dos respectivos órgãos”. MS contra ato de Juiz de 1º Grau: nessa hipótese quem irá julgar é o TJ. o STF no RE 576.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni 4. 2. STF: “É competente o TRT para julgar mandado de segurança contra ato de seu presidente em execução de sentença trabalhista” Súmula 624. Esse critério tem previsão nos artigos 102. I. É a Turma recursal. RMS 17. I. Critério funcional ou hierárquico: Refere-se aos foros por prerrogativa de função. 624.2. Nesse sentido. 4. STJ: “O Superior Tribunal de Justiça não tem competência para processar e julgar. Critério material: Intensivo II Página 75 . “d”. “c”. caso em que o MS não será julgado pelo próprio colégio. mas sim pelo TJ ou TRF. originariamente.1. Há duas exceções nessa regra: 1. STJ.542/BA. Competência: Para falar sobre competência no MS é necessário dividir a competência em seus quatro critérios: 4. Nas constituições estaduais há previsão do MS contra atos de autoridades estaduais. Súmula 330. Quando o vício a ser atacado for a própria incompetência do colégio recursal. 108. 433 e 330 do STF devem ser destacadas: Súmula 41. STF: “O STF não é competente para conhecer de mandado de segurança contra atos dos tribunais de justiça dos Estados” Súmula 433. STF: “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer originariamente de mandado de segurança contra atos de outros tribunais”.847/BA entendeu que não cabe MS contra ato do Juiz do Juizado especial cível. I. O Mandado de Segurança é uma das únicas ações cíveis em que há foro por prerrogativa de função aplicável. STJ. “b”. No caso do Jesp. todos da CF.

Esse mesmo raciocínio é aplicado na Universidade Particular  Escola de ensino superior: o status da delegação de ensino superior é federal já que se exige autorização do MEC. Justiça eleitoral: art.3. Art. A competência trabalhista tem previsão no art. 4. trabalhista ou comum (federal ou estadual). Art.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Desde já é necessário entender que o que vai definir a competência é a categoria funcional da autoridade. 3º. Aqui é necessário observar que. Ex. a competência é da Justiça Comum estadual. MS contra ato de Delegados regionais do trabalho. A competência da Justiça comum é residual. Art. 35 do Código Eleitoral  Expulsão de filiado de Partido político cujo réu será o dirigente do partido político. sendo outros. 114. 4.4. IV da CF  ex. energia elétrica  o MS deve ser julgado pela Justiça Federal já que a incumbência é da União para prestar tal serviço. 109. por exemplo é julgado pela JF. A competência é via de regra da 1ª Instância e aqui se deve analisar se é da Justiça eleitoral. e de quem é a competência para prestar o serviço. Ex.256/09 (Jesp Fazenda Pública). para definir quem julga o MS é necessário observar o disposto no art. 2º da LMS. O que é válido é o critério da qualidade funcional da autoridade. §1º da Lei 10.259/01 (Jesp Federal). ou seja. Se a delegação for de serviço público federal. é necessário observar o status da delegação. Critério territorial: Intensivo II Página 76 . 2º da Lei 12. não sendo cabível MS no Juizado Especial não há importância alguma esse critério valorativo. A competência da Justiça Federal para julgar MS tem previsão no art. 2o  Considerar-se-á federal a autoridade coatora se as consequências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas pela União ou entidade por ela controlada. I e VIII da CF. Em relação à ação de obrigação de fazer seria ajuizada na Justiça estadual. temos que. Critério valorativo: Quanto ao critério valor da causa. O MS para desbloqueio de diploma.  É necessário indagar qual o serviço público prestado. É necessário observar que a grande discussão nesse tema é a questão da competência nos Mandados de Segurança contra Concessionárias de Serviços Públicos.

Isso se dá considerando que o art. 259. deve ser aplicado o CPC de forma subsidiária.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni O critério territorial no MS. preliminarmente. querendo. será apresentada em 2 (duas) vias com os documentos que instruírem a primeira reproduzidos na segunda e indicará. o juiz ordenará. a petição inicial deve indicar a pessoa jurídica a que ela pertença. 7º. O MS será impetrado no domicílio funcional da autoridade coatora. por ofício. deverá haver aplicação subsidiária do Código de Processo Civil. Intensivo II Página 77 . entretanto uma hipótese em que se pode impetrar o MS sem a prova préconstituída é a hipótese prevista no art.  O valor da causa no mandado de segurança não encontra regra na lei do MS. vez que criado em razão do interesse público e significa dizer que. Art. o mandado de segurança é sempre uma ação civil. 5. além da autoridade coatora. cabe remessa ao juiz competente. a pessoa jurídica que esta integra. É necessário observar que. o prazo de 10 (dez) dias.1. O escrivão extrairá cópias do documento para juntá-las à segunda via da petição. pouco importando onde o ato tenha sido praticado. enviando-lhe cópia da inicial sem documentos. para o cumprimento da ordem. Procedimento no Mandado de Segurança: Inicialmente é necessário observar que. agora se avisa sobre o MS também para a pessoa jurídica. É importante destacar que. para que. §1º da Lei: § 1o   No caso em que o documento necessário à prova do alegado se ache em repartição ou estabelecimento público ou em poder de autoridade que se recuse a fornecê-lo por certidão ou de terceiro. Trata-se de ação civil de rito inicial e sumário. Existe.  O Mandado de segurança deve vir acompanhado da prova pré-constituída. além da autoridade coatora. que deverá preencher os requisitos estabelecidos pela lei processual. apesar de ser territorial é de competência absoluta.  Atente-se pela necessidade de alegação em preliminar da situação que afirma que a prova se encontra em poder de terceiro. nos termos do art. seja qual for o ato atacado. faltando regra aplicável. Local da repartição ou escritório. 7o  Ao despachar a inicial. 6º. Essa é uma novidade da lei. 6º da Lei: Art.que se dê ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada. ingresse no feito. ainda que o ato tenha sido praticado em outro lugar. 6o   A petição inicial. II da LMS estabelece que. o juiz ordenará:  II . Petição Inicial: A previsão da petição inicial se encontra no art. 5. a exibição desse documento em original ou em cópia autêntica e marcará. à qual se acha vinculada ou da qual exerce atribuições. Em face disso.

A vantagem econômica que se protege embasa o MS. do ato impugnado. Outros mandados de segurança possuem sim vantagem estimativa como na hipótese em que se pleiteia a liberação de quantia de restituição de Imposto de Renda. o magistrado possui três opções: Emendar a petição inicial. CPC. Atente-se que. 5. 23 da LMS: Art. contados da ciência. 284. quando não for o caso de mandado de segurança ou lhe faltar algum dos requisitos legais ou quando decorrido o prazo legal para a impetração. não há apreciação do mérito da causa. sob pena de indeferimento: art. STF: “Decisão denegatória (que não conhece) de mandado de segurança. Muitas vezes o MS não possui vantagem econômica. sendo hipótese de carência da impetração. de 11 de janeiro de 1973 . ou seja falta a prova pré-constituída. O autor é carecedor da impetração. 10.   O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 120 (cento e vinte) dias.  Obs. Nessa hipótese não há apreciação do mérito. Súmula 304. Intensivo II Página 78 . 10 da LMS: trata da hipótese de falta de direito líquido e certo.2. Juízo de Admissibilidade: Ao realizar o juízo de admissibilidade. oportunidade em que se deve fazer a colocação apenas de forma estimativa.869. o art.  A inicial será desde logo indeferida.c. Indeferimento da petição inicial: aqui há uma particularidade.  b) Art. não fazendo coisa julgada contra o impetrante não impede o uso da ação própria”. pelo interessado. 267 da Lei no 5. por decisão motivada. Art. na Lei do Mandado de Segurança decadência não é matéria de mérito. § 5o   Denega-se o mandado de segurança nos casos previstos pelo art. O indeferimento da inicial pode se dar por quatro razões: a) Art.  c) Decadência: ocorre na hipótese me que impetração do MS se dá em prazo superior a 120 dias. Art.: Nessas três primeiras hipóteses. Diferentemente do CPC. §5º da LMS: é a hipótese em que há vícios processuais. 6º. de acordo com a Súmula 304 do STF c.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni deve representar o valor do conteúdo econômico da demanda. 19 da LMS nessas hipóteses de extinção do MS sem análise do mérito há possibilidade de se pleitear o direito por meio de ação própria. 23.Código de Processo Civil.

t 7º. Sucede que a própria lei fala que essa é uma faculdade. nos termos do ar. sendo facultado exigir do impetrante caução. §3º da LMS: Intensivo II Página 79 . 285-A do CPC: é a hipótese em que há o indeferimento de causas repetitivas em sede liminar. é necessário citar o art.  No que tange aos efeitos da liminar. § 4o  Deferida a medida liminar. fica sem efeito a liminar concedida. a liminar concedida fica automaticamente cassada. pode ocorrer sim.  Uma vez julgada improcedente o MS. 15. deve o magistrado tomar três atitudes: a) Art. 7º. Art. quando houver fundamento relevante (fumus boni iuris) e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida (periculum in mora). Essa referência também é repetida no art. III da LMS: o Juiz deve apreciar a liminar. sendo hipótese facultada ao Juiz. é cabível o agravo de instrumento. da decisão que conceder ou denegar a liminar. e de acordo com o professor essa ADI será julgada improcedente. §4º.que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido. §3º: § 3o   Os efeitos da medida liminar. Essa foi uma disposição que veio confirmar a Súmula 405 do STF: “Denegado o MS pela sentença ou no julgamento do agravo. o juiz ordenará:  III . Esse condicionamento normalmente era negado pelos tribunais. o processo terá prioridade para julgamento. Atualmente. Há ADI aviada pela OAB impugnando essa previsão afirmando a impossibilidade de obrigatoriedade de fixação de caução. caso seja finalmente deferida. Uma vez concedida a liminar. retroagindo os efeitos da decisão contrária”. salvo se revogada ou cassada. diante da previsão legal. dela interposto. fiança ou depósito. §1º.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni d) Art. 7º. persistirão até a prolação da sentença. Uma novidade trazida pela LMS é no sentido de que a concessão da liminar pode ser condicionada a prestação de caução. 7o  Ao despachar a inicial. De acordo com o art. o processo terá prioridade para julgamento. Nessa hipótese o julgamento se dá com mérito. com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica.  É necessário observar que essa liminar exige o fumus boni iuris e o Periculum in mora. 7º. Admissibilidade da impetração: nessa hipótese.

no julgamento da ADC 4. a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior. Informações: A prestação de informações pela autoridade coatora serão apresentadas no prazo de 10 dias. no prazo de 10 (dez) dias. para que.que se dê ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada. § 3o  A interposição de agravo de instrumento contra liminar concedida nas ações movidas contra o poder público e seus agentes não prejudica nem condiciona o julgamento do pedido de suspensão a que se refere este artigo. 7o  Ao despachar a inicial. 273 e 461 da Lei no 5. a fim de que. c) Cientificação do órgão de representação judicial da pessoa jurídica: Art. referidas proibições são aplicáveis em relação à tutela antecipada.Código de Processo Civil. mas agora estão previstas condensadamente no art.869. §2º e § 5º: § 2o  Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários. 7º. apreciando essas limitações de liminar contra o Poder Público afirmou que essas limitações são constitucionais. O STF. ingresse no feito.  Art. Há hipóteses em que o juiz não pode conceder a liminar.3.  De acordo com o STJ. Intensivo II Página 80 . preste as informações. querendo. de 11 janeiro de 1973 .  Nessas hipóteses não pode haver a concessão de liminar em MS. 15.  § 5o   As vedações relacionadas com a concessão de liminares previstas neste artigo se estendem à tutela antecipada a que se referem os arts. essa notificação tem natureza de citação. 7o  Ao despachar a inicial.  É necessário observar ainda a existência de limites do cabimento da liminar contra o poder público. Essas limitações já existiam. o juiz ordenará:  II .869. I da LMS: Art. É o que prevê o art. enviando-lhe cópia da inicial sem documentos. § 1o   Da decisão do juiz de primeiro grau que conceder ou denegar a liminar caberá agravo de instrumento.Código de Processo Civil. O prazo é de 10 dias sem prorrogação. observado o disposto na Lei no 5. 7º.  5. b) Notificar a autoridade coatora para informações em 10 dias. atentando-se que. §5º. de 11 de janeiro de 1973 . 7º. nos termos do art. 7º. a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Art. o juiz ordenará:  I . enviando-lhe a segunda via apresentada com as cópias dos documentos. não se aplicando aqui os artigos 188 e 191 do CPC.que se notifique o coator do conteúdo da petição inicial.

de modo que é o Representante do MP que deve definir. que apenas representa a pessoa jurídica.  Parágrafo único. para vários ministérios públicos. suspeição ou incompetência são apresentadas nas próprias informações. os atos administrativos presumem-se legítimos. Vista ao MP: O art. no caso do art. as exceções de impedimento. 12. Art. os autos serão conclusos ao juiz. contado da juntada aos autos da prova do recebimento da notificação (AR ou mandado) Essa interpretação é retirada do art. a manifestação do MP seria cogente. essa norma deve ser interpretada de acordo com a Constituição Federal. portanto. e não por advogado. no caso concreto. a partir do momento em que prestadas as informações. dentro do prazo improrrogável de 10 (dez) dias. Prevalece na doutrina o entendimento de que as informações têm natureza de contestação. Há posicionamento isolado de Fredie Didier que as informações têm natureza de prova. Indaga-se sobre a existência da revelia no MS.4. 12 da Lei do MS deve ser citado aqui: Art. Intensivo II Página 81 . pois.  Findo o prazo a que se refere o inciso I do caput do art. e ainda que não sejam prestadas as informações deve haver prova das alegações feitas pelo impetrante. Seguindo-se. a qual deverá ser necessariamente proferida em 30 (trinta) dias. bem como a prova da entrega a estes ou da sua recusa em aceitá-los ou dar recibo e.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni De acordo com o sistema. Mas. Ao ser lido esse dispositivo. Alguns estados aplicam esse dispositivo de forma cega. apesar de haver possibilidade de o advogado assiná-las. a comprovação da remessa. o primeiro e último ato da autoridade. 11 da LMS. custos legis. o serventuário em cujo cartório corra o feito juntará aos autos cópia autêntica dos ofícios endereçados ao coator e ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada. Ex. que opinará. para a decisão. ao que parece. e isso se dá considerando que. As informações são. se há interesse público. É necessário observar que. Essa é a regra do CPC. temos que esse prazo é de notificação ou recusa da mesma.  As informações são subscritas pela própria autoridade.882/DF. em razão da impugnação do ato atacado. Não há revelia no MS e esse foi o entendimento do STF no julgamento do MS 20. o juiz ouvirá o representante do Ministério Público. cessa a atividade da autoridade coatora. A resposta é negativa. não tendo.  Com ou sem o parecer do Ministério Público. No que tange ao termo inicial do prazo de contagem desse prazo de 10 dias.  O MP aqui funciona como órgão opinativo. autonomia. 7o desta Lei. o MP SP adota esse entendimento. 11. 4o desta Lei.  Feitas as notificações. temos apenas a atividade da pessoa jurídica. 5.

a luz da própria disposição legal. 14. temos o não cabimento de honorários advocatícios em processo de mandado de segurança. que é mandamental.  Da sentença. 13. Entende-se. Sentença: Aqui é necessário observar a natureza do MS. Mas essa regra Intensivo II Página 82 . 25.  Concedido o mandado. a sentença estará sujeita obrigatoriamente ao duplo grau de jurisdição. 25 da LMS: Art. 14.  § 2o  Estende-se à autoridade coatora o direito de recorrer. É necessário ainda observar o art.6. 13 da Lei: Art. o inteiro teor da sentença à autoridade coatora e à pessoa jurídica interessada. Recursos: Os recursos na LMS são previstos no art. A sentença mandamental é aquela que impõe uma obrigação e ainda emite uma ordem (comando estatal). Não cabe a condenação. sem prejuízo da aplicação de sanções no caso de litigância de má-fé. Merece destaque o art. mediante correspondência com aviso de recebimento. a interposição de embargos infringentes e a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios.5. É a falta de intimação que gera nulidade. 5. 14 da Lei: Art. e não da própria manifestação. salvo nos casos em que for vedada a concessão da medida liminar.  Parágrafo único.  Consolidando-se o entendimento da súmula 512 do STF. poderá o juiz observar o disposto no art. A sentença do MS vem acoplada de uma ordem que o seu descumprimento gera crime.  Em caso de urgência.  § 4o   O pagamento de vencimentos e vantagens pecuniárias assegurados em sentença concessiva de mandado de segurança a servidor público da administração direta ou autárquica federal. §3º. mas pode o agente ser condenado em litigância de má-fé. tanto a autoridade coatora como a pessoa jurídica interessada serão intimadas.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni É pacífico o entendimento de que o que gera nulidade do processo é falta de oportunidade de manifestação do MP. cabe apelação.   Não cabem.  § 3o   A sentença que conceder o mandado de segurança pode ser executada provisoriamente. 5. o juiz transmitirá em ofício.  Da sentença deverá ter ciência a autoridade coatora e a pessoa jurídica interessada. que o recurso de apelação no MS não possui efeito suspensivo. denegando ou concedendo o mandado. por intermédio do oficial do juízo. estadual e municipal somente será efetuado relativamente às prestações que se vencerem a contar da data do ajuizamento da inicial. 4o desta Lei. no processo de mandado de segurança. É o que se infere do art.  Da sentença é cabível apelação.  § 1o   Concedida a segurança. Prolatada a sentença. ou pelo correio.

em relação ao período pretérito. É necessário observar que a sentença que concede a segurança está obrigatoriamente submetida ao duplo grau de jurisdição. sempre as sentenças concessivas do MS serão submetidas ao duplo grau. Na hipótese de obrigação de dar. os quais devem ser reclamados administrativamente ou por via judicial própria”. Tratando-se de obrigação de pagar. a apelação terá efeito suspensivo. Tratando-se de obrigação de fazer.  Devem ser observadas as Súmulas 269 e 271 do STF. nos casos em que se veda a liminar.7. o que o legislador quis dizer foi no sentido de que a autoridade coatora possa recorre nos casos em que a sua esfera pessoal seja atingida. são usadas as regras do art. São legitimados para interpor apelação. STF: “O mandado de segurança não é substitutivo da ação de cobrança”. 461 do CPC. §2º da Lei estendeu o direito de recorrer à autoridade coatora. A apelação. Na hipótese de pessoa jurídica de direito público. 6. Súmula 271. 730 do CPC. Súmula 269. 14. aplica-se o regime de precatórios previsto no art.1. estadual e municipal somente será efetuado relativamente às prestações que se vencerem a contar da data do ajuizamento da inicial. aplica-se o art. 14. o MP. a autoridade coatora. e tratando-se de pessoa jurídica de direito privado. 461-A do CPC. 5. 475-J do CPC. §§2º e 3º do CPC que fala do reexame necessário trazendo algumas exceções para o duplo grau obrigatório. 475. Assim. Execução. No caso de obrigação de pagar. as partes (impetrante e pessoa jurídica demandada). § 4o   O pagamento de vencimentos e vantagens pecuniárias assegurados em sentença concessiva de mandado de segurança a servidor público da administração direta ou autárquica federal. §3º da LMS. Somente nos casos em que sua esfera pessoal for atingida será possível o recurso pela autoridade coatora. E o STJ já pacificou o entendimento de que não se aplica o art. é necessário observar o art. O art.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni possui exceção consubstanciada na hipótese em que se veda a concessão de liminar. Desistência: Intensivo II Página 83 . Últimas questões processuais: 6. O MS não se presta a cobrança de prestações pretéritas. Aqui há uma particularidade. STF: “Concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais. aplicam-se as regras do art. e ainda. De acordo com o Professor.

No caso de atos omissivos. não se poderia afirmar seu exercício. ou da intimação. Decadência: O art. corre do fim desse prazo. Ex. O termo inicial para contagem do prazo decadencial deve levar em conta o art. Se quer atacar é o fazer da autoridade. Leonardo Carneiro da Cunha afirma que esse prazo tem natureza própria. 15 dias de prazo para concessão do alvará fixado em lei municipal. Nelson Nery Jr. __________________________________________________________________________________ MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO Intensivo II Página 84 . contados da ciência. Merece destaque a Súmula 430 do STF: “Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe prazo para o mandado de segurança”. Se há prazo para manifestação da autoridade fixado em lei. afirma que esse prazo de 120 dias é inconstitucional pois a CF não limitou o exercício do MS a esse prazo de 120 dias. Na hipótese de ato iminente. Já se a lei não fixa prazo. Súmula 632. Isso porque decadência é mérito e se essa estivesse presente. existe na doutrina duas posições a respeito. É o que afirma o STJ. §4º do CPC. e não do direito vez que há possibilidade de serem utilizados outros procedimentos. Isso se dá considerando que o ato ainda não foi praticado. STF: “É constitucional lei que fixa prazo de decadência para impetração de mandado de segurança”. Mas o STF editou a Súmula 632 que estabelece que o prazo de 120 do MS é constitucional. somente aplicável ao MS. não tem início o prazo decadencial. Entendendo que há decadência. 6. 267. 23 da LMS: Art. E aqui é necessário observar que prevalece o entendimento de que o prazo tenha natureza decadencial. Normalmente ocorre da publicação. 23 da LMS traz o prazo de 120 dias para requerer o MS. não corre o prazo decadencial. pelo interessado. o termo inicial para contagem do prazo é a ciência desse ato. do ato impugnado. A ciência pode ser pessoal ou por publicação.2.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Não se aplica o art.  Para os atos comissivos. não se faz necessária a concordância da parte contrária para a desistência no MS. 23. em que se avia mandado de segurança preventivo. essa é da via.  O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 120 (cento e vinte) dias. o termo inicial é a ciência. A decadência leva a extinção sem apreciação do ato. ou seja.

sendo bastante semelhante em relação ao mandado de segurança individual. Há possibilidade de partido político. objeto e na coisa julgada do mandão de segurança coletivo. No que tange a previsão legal. STF: “A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados. 22. 2. 21 da LMS Objeto: art. Procedimento: se encontra previsto na LMS. 5º. 21. §1º da LMS. p. b) organização sindical.016/09. independe da autorização destes” Súmula 630. STF: “A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria”. pode haver divisão em subtópicos: Legitimidade: art. 1. A diferença em relação ao MS individual está na legitimidade. Legitimidade do mandado de segurança coletivo: Intensivo II Página 85 .Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni O mandado de segurança coletivo nasce na Constituição Federal – art. Constituição Estadual e LMS  há identidade em relação a competência do MS individual. toda vez que o partido político ou entidade de classe impetrarem MS. LXX e somente foi regulamentado com a Lei 12. Conceito de mandado de segurança coletivo: O Mandado de segurança coletivo. Tanto a legitimidade como objeto são individuais. Coisa julgada: a previsão se encontra no art. ou entidade de classe impetrarem MS individual se a matéria nele disciplinada disser respeito a questões próprias. No mandado de segurança coletivo busca-se o interesse mataindividual. LXX da CF + art. esse seria coletivo. 3. único da LMS. 5º. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. O que se define o MS sendo individual ou coletivo é a combinação de legitimado e objeto. sindicato. Previsão legal e sumular: É necessário observar duas súmulas do STF que cuidam do MS Coletivo: Súmula 628.o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional. Competência pra processo e julgamento: devem ser observadas a CF. nada mais é que o mandado de segurança com variação da legitimidade e objeto. existe uma ilusão de que. Daí porque podemos lembrar que.  LXX . em defesa dos interesses de seus membros ou associados.

mas esse é um entendimento bastante minoritário. na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária. Nesses dois assuntos havia legitimidade. ou seja. entendia que como a CF não dispôs sobre o objeto de defesa do MS. duas correntes sobre o que o partido político poderia defender: 1ª Corrente – ampliativa: defendida. Sobre o partido político. A pertinência temática do partido político deve ser observada na lei de regência dos partidos políticos.   O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional. 21 da LMS traz uma dúvida. LXX da CF:  LXX . É necessário observar aqui o art. que possui um objetivo que é conquistar o poder para administrar o país. Até o advento da lei 12. 21. ou seja. entidade de classe ou associação Intensivo II Página 86 . analisando a CF essa é lacônica. entre outros por Ada Pelegrini Grinover. deve ser analisado o objeto de defesa do partido político no âmbito do MS coletivo e. É necessário esclarecer que o partido político nada mais é que uma grande associação. o partido político teria legitimação ampla. ou por organização sindical. atuação. especialmente. ele seria uma associação. o partido político poderia atuar em qualquer assunto de interesse nacional. ou seja. É associação com essa finalidade político-partidária.1. qualquer tema poderia ser tutelado pelo partido político. teria que observar sua pertinência temática. a autenticidade do regime representativo e defender os direitos fundamentais definidos na Constituição Federal.016/09 encontrávamos na doutrina. funcionamento. no art.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Inicialmente. servindo para o controle do direito objetivo e. no âmbito do MS Coletivo. 1º que diz que ele é destinado a assegurar no regime democrático.096/95 e nessa lei há previsão sobre criação. é necessário observar ainda que. é necessário um deputado ou senador atuantes.o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional. etc. 5º. A lei que trata dos partidos políticos é a lei 9. Aqui o partido político poderia aviar MS em relação a questões democráticas e ainda em relação a direitos fundamentais. diziam basicamente que o partido político somente poderia atuar de acordo com sua finalidade institucional. A grande dúvida que se impõe é que o art. Art. Há autores que dizem que quando o partido político não possui representante no CN. Tal dispositivo exige que o partido político tenha representação no Congresso Nacional. Partidos políticos: Os partidos políticos têm estatuto próprio para reger sua atividade. é necessário ter em mente que a lei cria dois grupos de legitimados: 3. 2ª Corrente – restritiva: os adeptos dessa posição restritiva. e assim poderia impetrar MS.

ou de parte. o que não é exigido em relação as organizações sindicais e entidades de classe.  Intensivo II Página 87 . somente é possível a impetração em favor dos filiados. independe da autorização destes” Art. quando se tratar de direitos fundamentais.2. Súmula 628. em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade. art.194/MA restou decidido pelo STF que o partido político não pode impetrar MS em relação a matéria tributária. LXX.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni legalmente constituída e em funcionamento há. em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade. pelo menos.   O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional. 21. dispensada. mesmo na defesa dos direitos fundamentais. autorização especial. Em provas deve ser adotada a visão restritiva. devendo ser aplicada a análise restritiva do MS. Na Lei da Ação civil pública há disposição no sentido da possibilidade de dispensa da constituição ânua para determinados casos. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há. 21. 3.  Na CF não há limitação de temas. autorização especial. b da CF traz tal legitimação.  LXX . O art. ou por organização sindical. Daí que. ou de parte. e a lei regulamentadora o faz. entidades de classe e associações: No que tange a tais legitimados. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. dispensada. Esse entendimento já foi encampado pelo STF. afirmando que o MS do partido político somente é cabível na defesa de seus filiados ou que tenha relação com a finalidade partidária. afirmando ainda que.o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional. constando da LMS. em defesa dos interesses de seus membros ou associados. É necessário observar que a associação exige a constituição ânua prévia. Sindicatos. pelo menos. Mas essa disposição não pode ser aplicada ao MS já que a exigência da constituição ânua está prevista na Constituição Federal. na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades. Súmula 629 do STF que se tornou letra de lei. somente os filiados presos estariam beneficiados. na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades. A lei diz que. na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária. 1 (um) ano. 5º. é necessário serem feitas algumas observações. para tanto. STF: “A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados. dos seus membros ou associados. se o partido político aviar MS para a dignidade dos presos. mas apenas em relação a seus filiados. b) organização sindical.: no julgamento do RE 196. para tanto. o partido político pode impetrar MS. dos seus membros ou associados. 1 (um) ano. Obs.

Inexistência de outros legitimados: Apesar de ter havido divergência. admite-se MS para os direitos difusos. não há controvérsia. o MS é impetrado em defesa dos filiados. 4. pois o STF definiu essa questão no julgamento do RE 181. tratando-se de entidade de classe. Fredie Didier. mas isso não ocorreu com a edição da nova lei do MS. Assim. 21. outras finalidades. o art. e que cabia o legislador ordinário efetivar a ampliação do rol. Estabelece tal ideia que o MS Coletivo pode ser ajuizado para a defesa de qualquer direito coletivo. por Luiz Manoel Gomes Jr. ou de apenas parte deles. a consequência é que se pode impetrar MS também nesse caso. Objeto do MS Coletivo: Falando sobre o objeto. único da lei: Intensivo II Página 88 . É necessário observar o objeto de defesa por esses legitimados. associação ou organização sindical. para os coletivos e para os direitos individuais homogêneos. p. Nesse sentido. e ainda que o interesse não precisa ser a finalidade principal da entidade. Ex. merecendo destaque: 1ª Corrente – Ampliativa: é adotada entre outros. e. duas posições. via mandado de segurança coletivo. além disso. E aqui. Pode o MS ser impetrado em favor da totalidade dos membros da entidade. somente são defendidos os direitos coletivos e individuais homogêneos. 3.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni A impetração pode se dar sem autorização pois essa foi dada quando da filiação. que. prevalece que não há outros legitimados para impetração do MS coletivo. por Ada Pelegrini. defesas relativas ao direito do consumidor para seus filiados. Adotando-se essa posição. fora os legitimados retro citados. deve deixar a entidade a que pertença. E exigir-se nova autorização seria muita burocracia. Merece destaque a análise da Súmula 630 do STF: “A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria”. Ada Pelegrini acha. entre outros que o MP pode impetrar o MS coletivo. Havendo além da finalidade principal.438/SP. é necessário observar que existem na doutrina e na jurisprudência. 2ª Corrente – Restritiva: é encampada pelo STF e pelo STJ. associação de magistrados que defende equiparação de vencimentos. Admite a defesa por meio de MS coletivo apenas quando os lesados forem determináveis.3. Caso o filiado não concorde.

104 do CDC dizia que se tivesse ação coletiva e individual de objeto correspondente.: concedida licença ambiental para construção de usina nuclear no centro de SP. assim entendidos. como a ação civil pública. a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. 6. tanto para direitos coletivos como para individuais homogêneos.individuais homogêneos.  No mandado de segurança coletivo. 22 caput. se quer se valer da coisa julgada do MS coletivo. os transindividuais. não seria cabível o MS coletivo já que os interesses aqui são difusos.  Há duas peculiaridades que diferenciam a coisa julgada no MS coletivo de outras ações coletivas. para se beneficiar da ação coletiva seria necessária a suspensão da ação individual. a ação popular. O legislador aqui. mas caso o associado. de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica.  II .coletivos. Obs. Coisa julgada no MS coletivo: A coisa julgada no MS tem previsão no art. mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva. deve requerer a desistência do MS individual. assim entendidos.  Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser:  I . 22. 5. os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni Parágrafo único. Procedimento: Intensivo II Página 89 . buscando proteger o Poder Público. Há cabimento de outras vias. e no §1º desse mesmo artigo: Art. para efeito desta Lei. o art. traz no §1º que o MS coletivo não induz litispendência para os individuais. na maioria das vezes isso normalmente implicaria decadência do MS em face do decurso do tempo. Outra diferença diz respeito ao fato de que.  Não se incluem aqui os direitos difusos. para efeito desta Lei. Mas os direitos difusos não ficam sem proteção.  § 1o  O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais. A LMS estabelece que a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo. Há exigência de se desistir do MS individual e isso se deu para proteger o Poder Público. de natureza indivisível. O modelo é de coisa julgada ultra partes. Não cabe MS para defesa de direitos difusos. pois.

22 que afirma que não cabe liminar in audita altera pars. que deverá se pronunciar no prazo de 72 (setenta e duas) horas.Direitos Difusos e Coletivos – Fernando Gajardoni O procedimento do MS coletivo é bastante semelhante ao individual. devendo haver oitiva do poder público previamente. A única diferença diz respeito ao §2º do art.  Intensivo II Página 90 . § 2o  No mandado de segurança coletivo. a liminar só poderá ser concedida após a audiência do representante judicial da pessoa jurídica de direito público.