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CAPÍTULO 01 – CONDICIONAMENTO DE SINAIS

A grande variedade de sensores necessária para transformar um grande número de variável existente num sistema de controle de processo em sinais elétricos analógicos produz um igualmente grande número de sinais com características diferentes. Assim, o condicionamento de sinais é necessário para converter tais sinais e então realizar a interface de forma adequada com outros elementos no loop do controle de processo. Neste capítulo, interessará apenas a conversão analógica, onde a saída condicionada ainda é representada por uma variável analógica. Mesmo em aplicações envolvendo processamento digital algum tipo de processamento analógico é requerido antes que a conversão analógico-digital seja feita.

1 – Princípios de Condicionamentos de Sinais Analógicos
Um sensor mede uma variável pela conversão da informação acerca da daquela variável em um sinal dependente da natureza elétrica ou pneumática. Para desenvolver tais sensores, nós exploramos que algumas características do material, em circunstancias eventuais, são influenciadas por alguma variável dinâmica. Conseqüentemente, existe pouca escolha no tipo e no tamanho de tal proporcionalidade. Por exemplo, uma vez pesquisado na natureza e achado que a resistência de sulfeto de cromo varia inversamente com a intensidade de luz, nós devemos aprender como explorar este dispositivo para medida da intensidade de luz dentro das restrições deste dispositivo. O condicionamento de sinais analógicos proporciona a operação necessária para transformar a saída de um sensor em uma forma necessária e adequada para se comunicar com outros elementos do loop de controle de processo (figura 1.1).

Figura 1.1 – Elementos de um sistema de aquisição de sinais

É possível categorizar um condicionamento de sinais em vários tipos, como veremos a seguir, estes principais tipos são: 1. 2. 3. 4. 5. Amplificação; Mudança no nível; Conversões de parâmetros elétricos; Isolação elétrica; Filtragem;

e.= tensão na entrada inversora. Como esta diferença é muito baixa. Dessa forma. Baixa impedância de saída (inferior a 200 ). Resposta em freqüência desde DC até alguns MHz.2 – Revisão sobre amplificadores operacionais Amplificadores operacionais (AO’s) são amplificadores diferenciais que se aproximam muito racionais de sua condição ideal. A figura básica de um AO pode ser observada a seguir: Figura 1. Alta impedância de entrada (ordem de 106 para entradas bipolares e 1012 para entradas FET). Baixo offset. e+ = tensão na entrada não não-inversora. tem-se: 8. • • • • • Ganho em malha aberta elevado (105 ou 106).2 – Amplificador Operacional Básico A equação básica de um AO segue: Onde: GDM = ganho em malha aberta. considera considera-se: → → . podemos observar que: Como Vo para malha aberta é aproximadamente 85% da alimentação (V+ e V-) – este valor é conhecido como tensão de saturação (±VSAT) – .5 10 .

Portanto. se a sápida se situa abaixo da saturação. para circuitos que possuam realimentação negativa.1 – Realimentação Negativa A realimentação negativa tem a característica de fornecer uma saída proporcional à entrada. ↓ ↓ . ↑ .2.5x10-7 . Logo. pode ser considerado igual a zero. ã ↑ ↓ . será analisada a variação de Vo para subida e descida de nível: Para variação negativa: Para variação positiva: ↑ . ã ↓ ↑ . V±. Como este valor é muito pequeno. Surge então o conceito de potencial virtual: as entradas apresentam o mesmo potencial sem estarem conectadas. ou seja.3 – Análise da Realimentação Negativa Supondo que Vo esteja em uma tensão estável. ou seja. Figura 1. que a tensão de entrada e+ é igual à entrada e-. será considerado e+ = e-. garante uma operação linear que não deve atingir a saturação. a diferença entre os terminais de entrada será menor que 8.

Além disso. ↓ Como pode ser visto qualquer variação na saída resulta em uma variação ainda maior. possuem alta imunidade a ruídos. ã ↑ ↑ . ↑ ↓ .5 – Comparadores com histerese: (a) Inversora e (b) Não-Inversora . os comparadores com histerese são mais rápidos que os comparadores simples (sem realimentação). ã ↓ ↓ . Tal característica.2. ou seja.4 – Análise da Realimentação Positiva Supondo que Vo esteja em uma tensão estável. Figura 1. Este efeito é semelhante ao de uma bola de neve: uma vez iniciado tende a aumentar e.2 – Realimentação Positiva Este tipo de realimentação conduz a uma saída instável. São os chamados comparadores com histerese. nesse caso. saída em +VSAT ou – VSAT. provoca que o sinal não realize chaveamentos indevidos na tensão de saída. leva à saturação do dispositivo. Por isso. Da mesma maneira que no circuito anterior: Figura 1. será analisada a variação de Vo para subida e descida de nível: Para variação negativa: Para variação positiva: ↑ .

| d) e) Tensão de offset da entrada (VIO ou VOS) Drift | São derivadas das imperfeições dos processos de fabricação. . Assim.. A resistência de entrada fornecida pelos fabricantes é a resistência entre as entradas e+ e e-. o primeiro termo é o equivalente do ponto de set point (descrito nas figuras 1. Trata-se de um desbalanceamento nos parâmetros do dispositivo utilizado devido às variações de temperatura.As equações utilizadas para o cálculo dos comparadores descritos acima são: Para o comparador Inversor: . 2. possível de se aplicar para alimentação do AO.). | | Para ambas as equações. existirá uma pequena diferença entre IB+ e IB. IB. e as segundas parcelas são os intervalos simétricos da histerese. o fabricante fornecerá o valor médio dessas correntes. Esta resistência varia da ordem de 106 para os AO’s com entrada bipolar e de 1012 para o de entrada FET. Indica o tempo que a saída leva para responder às variações da entrada.P. | | E para o comparador não-inversor: . Como a resistência de entrada é alta. seja simétrico ou não. sendo da ordem de 10-9 para os AO’s de entrada bipolar e 10-15 para os de entrada FET. O operacional deve possuir um slew rate maior que a máxima variação de tensão no tempo do circuito.4 (a) e (b) como S. c) Correntes de Polarização São as correntes que entram ou saem das entradas. Devido às imperfeições do processo de fabricação. . ∓ . seu valor é muito baixo. f) g) Resposta em Freqüência Velocidade de Variação da Tensão de Saída (Slew Rate) Indica a faixa de freqüência em que um AO pode operar com ganho unitário. e também será fornecido o valor da máxima diferença entre eles. respectivamente.3 – Parâmetros Importantes de um Amplificador Operacional a) b) Tensão de alimentação Resistência de Entrada Máximo valor. Estes valores são conhecidos como IOS e IIO.

Este valor resulta. Como tal fato não ocorre. mas no operacional real também há a parcela correspondente ao modo comum (GCM). em torno de 80 e 100 dB. ou seja. GDM deveria ser infinito. Idealmente. foi criada uma taxa que define a comparação entre estes termos: Esse parâmetro é expresso em decibéis. entre 104 e 105.1 – Amplificador Não-Inversor Figura 1. e GCM deveria ser zero. 3 – Amplificadores 3. assim: . . geralmente.6 – Amplificador Não – Inversor Estes amplificadores apresentam a seguinte equação de tensão de saída: . O valor do ganho de modo comum é muito inferior ao ganho diferencial (ganho em malha aberta). portanto: .h) Taxa de Rejeição de Modo Comum (Commom Mode Rejection Ratio – CMRR) A resposta do AO depende da diferença de tensão existente entre seus terminais de entrada (a equação de malha aberta apresentada anteriormente).

.3 – Amplificador Somador Inversor Figura 1.8 – Amplificador Somador Inversor Estes amplificadores apresentam a seguinte equação de tensão de saída: . .2 – Amplificador Inversor Figura 1. … .3.7 – Amplificador Inversor Estes amplificadores apresentam a seguinte equação de tensão de saída: . 3.

a cada novo ajuste de ganho seria necessário um ajuste de casamento de resistência.9 – Amplificador Diferencial Este amplificador fornece uma saída proporcional à diferença entre as tensões de entrada.3. onde o elemento sensor causará um desbalanceamento da ponte quando a grandeza física em questão variar. no entanto. Este circuito. Para a escolha do operacional devemos verificar o slew rate. a banda de freqüência e outros parâmetros de interesse de acordo com as necessidades do circuito.4 – Amplificador Diferencial Figura 1. Este procedimento seria muito exaustivo. Geralmente é difícil realizar o casamento das resistências de realimentação e a resistência colocada entre e+ e terra. .5 – Amplificador de Instrumentação Figura 1. são utilizados uma resistência e o potenciômetro. Este circuito é muito utilizado em circuitos de pontes de wheatstone. Para fazer este ajuste. uma grande desvantagem: no caso de um circuito com ganho variável.10 – Amplificador de Instrumentação A tensão de saída desse circuito é obtida a partir da seguinte equação . 3. .

baixa não-linearidade. na seção sobre Amplificadores Operacionais. É possível encontrar-se este tipo de amplificador em soluções integradas. baixo offset e drift. porém este pino possui pequena amplitude de ajuste e não é presente em todos os circuitos. normalmente este CI apresenta os seguintes pinos: • • • • • 2 entradas: (+) e (-). 2 terminais de alimentação . . Aqui serão discutidas algumas alternativas para corrigir tal erro. Uma possibilidade é a utilização dos pinos de ajuste de offset. saída propriamente dita (Vo) e referência (Ref). 2 para conexões das resistências de ajuste de ganho. Esse erro é causado devido às características não-lineares do componente. Todos estes erros já foram explicados anteriormente. 3. 4 – Deslocamento DC Circuitos que utilizam amplificadores operacionais apresentam pequeno erro DC em sua saída.11 – Buffer Esta configuração possui ganho unitário e alta impedância de entrada. Isto se deve por apresentar alta impedância de entrada. Tensão de offset das entradas.Esse amplificador é ajustado somente uma vez e qualquer alteração de ganho será feita através da resistência aR. Drift. estabilidade no ganho e o custo relativamente baixo.6 – Buffer ou Seguidor de tensão Figura 1. Até 3 terminais de saída: sensor (S). 2 terminais de ajuste de offset (não presente em todos). Este tipo de amplificador é utilizado para amplificações de pequenos sinais. É muito utilizada em circuitos onde a máxima transferência de energia se faz necessária. As principais características responsáveis por tal efeito são: • • • Correntes de polarização nas entradas.

Outra possibilidade é a inclusão de divisores resistivos em alguns pontos das entradas e utilizar dos ganhos para se obter ajustes DC mais amplos. Para amplificadores não-inversores.12 – Ajustes DC para amplificadores inversores Para calcular a influência do deslocamento DC nos circuitos acima. Figura 1. serão utilizadas as seguintes equações: Para (a): Para (b): . . . podem ser usadas as seguintes topologias: Figura 1. Onde VA é uma porção da tensão no potenciômetro.13 – Ajustes DC para amplificadores não – inversores Para calcular a influência do deslocamento DC nos circuitos acima. . serão utilizadas as seguintes equações: Para (a): .

Onde VA é uma porção da tensão no potenciômetro. . 5 – Conversões de Parâmetros Elétricos Estes circuitos são utilizados devido à alta suscetibilidade do sinal de tensão a ruídos externos. . . para diminuir os problemas referentes a interferências externas. A manipulação do sinal é feito em termos de tensão. porém sua transmissão é feita através de corrente.14 – Conversão 1 a 5V para 4 a 20 mA . ão Para isto será implementados dois tipos de conversão: Conversão Tensão – Corrente e seu recíproco. Para suais corrente. 5.Para (b): Onde: . o padrão é 4 a 20 mA mA.1 – Conversão V/I Os padrões usuais de tensão utilizados em instrumentos são 1 a 5 VDC ou 0 a 10 VDC. O circuito para conversão de 1 a 5 V para 4 a 20 mA segue abaixo. Figura 1.

5 2.Este circuito é obtido através da premissa que as entradas do operacional possuem mesmo potencial.5 12. tem-se: se: Figura 1.5 2.5 1 5 Em termos de circuito. são necessárias manipulações matemáticas neste circuito: 0 10 2. A partir daí: → Para o conversor de 0 a 10V para 4 a 20 mA.5 2.5 12.15 – Conversão 0 a 10V para 4 a 20 mA .

o demodulador recupera a informação original. Maiores informações poderão ser obtidas em folhas de dados do fabricante. Basta inserir uma resistência cuja queda de tensão seja igual a 1 a 5 V (no caso. a informação é amplificada. modulada e aplicada ao transformador. Para isto. segue o circuito: Figura 1. No estágio de entrada. istemas O isolamento pode ser realizado de várias formas: luz. porém o mais utilizado é o acoplamento magnético.5[V]. que depois passa por um buffer para melhorar sua caracter característica de impedância de saída.5 e o terminal de referência deve receber -2.5. ultrasom. As alimentações são isoladas e obtidas através de um regulador chaveado.16 – Conversão de 4 a 20mA para 0 a 10V 6 – Isolação Elétrica Em isoladores. O ganho do amplificador diferencial deve ser ajustado para 2. o circuito de entrada é isolado da fonte de alimentação e do circuito de saída são ircuito utilizados em aplicações que requerem segurança. ondas de rádio. sistemas de controle de processos industriais. . medida precisa de sinais contínuos ou de baixa freqüência na presença de uma alta tensão de modo comum: equipamentos médicos. No estágio de saída. sistemas de potência convencionais ou nucleares.2 – Conversão I/V Um conversor corrente – tensão é facilmente implementado através de uma resistência e manipulação do sinal. é utilizado um resistor de 250[ ]) e seu valor seja muito inferior às resistências de lor entrada.

Portanto considera-se um sinal como eliminado quando de sua atenuação em 70% de seu valor total. Filtros não possuem saída ideal. circuitos que condicionam pequenos sinais devem ser protegidos de fontes geradoras de ruídos (motores. lâmpadas florescentes. ou seja. filtro passa faixa (FPF). como mostrado nas figuras acima. ou por componentes ativos. regiões onde não há atenuação. .17 – Tipos de Filtros: (a) Filtro Passa Baixa (b) Filtro Passa Alta (c) Filtro Passa Faixa (d) Filtro Rejeita Faixa Apesar da utilização de filtros. Os principais filtros. podem ser classificados em: • • • • filtro passa baixas (FPB). além da constante multiplicativa do ganho. Tal expressão significa a região de freqüências que são aceitas pelos filtros. cujas características elétricas. transformadores. filtro passa altas (FPA). Não é uma boa estratégia permitir que apenas a filtragem separe o sinal de ruídos. Um conceito que deve ser fixado aqui é o conceito de Banda Passante. quanto ao posicionamento da banda passante. aquecedores de indução e em geral qualquer fonte de radiação eletromagnética). capacitores e indutores. Figura 1. mas que seja apenas uma forma adicional de proteção. filtro rejeita faixa(FRF).7 – Filtros Os filtros analógicos podem ser construídos pela interligação de componentes como resistores. podem ou não participar da definição dos parâmetros do filtro.

Figura 1.1 – Filtros Passivos Filtros passivos são circuitos que modificam a resposta em freqüência de um sistema utilizando apenas elementos passivos (resistores. 7. capacitores e indutores). . .1 – Filtro Passa – Baixa RC O circuito correspondente a este filtro seria: Figura 1.2 – Filtro Passa – Alta RC O circuito correspondente a este filtro seria: .19 – Filtro RC Passa – Baixa Considerando a relação de saída como 0.1.1. . 7.707 do valor da entrada. o cálculo da freqüência de corte é obtido através da equação abaixo: Onde fc é a freqüência de corte do sistema. 7.18 – Resposta de Filtros Nesta seção serão vistos apenas os filtros de primeira ordem.

1.3 – Filtro Passa – Faixa Série O circuito correspondente a este filtro seria: Figura 1. 7. .4 – Filtro Rejeita – Faixa Série O circuito correspondente a este filtro seria: .1.21 – Filtro Passa – Faixa Série As equações das freqüências de corte inferior e superior são: . . é obtida pela seguinte equação: √ A banda passante será calculada pela seguinte equação: 7.20 – Filtro RC Passa – Alta Sua equação é igual à do filtro passa – baixa: .Figura 1. a freqüência de ressonância. E a freqüência de centro. .

a freqüência de ressonância.23 – Filtro Passa – Baixa Ativo . é obtida pela seguinte equação: √ Aqui será calculada a banda de rejeição através da seguinte equação: 7. além dos componentes passivos se utilizam também de componentes ativos – os amplificadores operacionais.1 – Filtro Passa Baixa O circuito correspondente a este filtro seria: Figura 1.2. . E a freqüência de centro. 7.2 – Filtros Ativos São filtros que.Figura 1.22 – Filtro Rejeita – Faixa Série As equações das freqüências de corte inferior e superior são: .

1 – Filtro Passa Alta O circuito correspondente a este filtro seria: Figura 1. 7.25 – Filtro Passa – Faixa Ativo . 7. .2. . .1 – Filtro Passa Faixa O circuito correspondente a este filtro seria: Figura 1. .24 – Filtro Passa – Alta Ativo Esta topologia apresenta ganho de tensão igual ao amplificador não-inversor: O cálculo da freqüência de corte será feito pela seguinte equação: .Esta topologia apresenta ganho de tensão igual ao amplificador não-inversor: O cálculo da freqüência de corte será feito pela seguinte equação: .2.

. Aqui será calculada a banda de rejeição através da seguinte equação: .As freqüências de corte inferior e superior são calculadas pelas seguintes equações: . .2. .26 – Filtro Rejeita – Faixa Ativo As freqüências de corte inferior e superior são calculadas pelas seguintes equações: . . A banda passante será calculada pela seguinte equação: 7. .1 – Filtro Rejeita Faixa O circuito correspondente a este filtro seria: Figura 1. .