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Ilustre Direcção do Grémio Literário, Ilustres Convidados, Queridos Amigos, Familiares e Companheiros.

Dirijo-me primeiramente à Direcção do Grémio Literário, para agradecer o ter-se disponibilizado, desde o primeiro momento, a ajudar na concretização do lançamento do meu livro neste emblemático estandarte da Cultura. O meu profundo reconhecimento ao Senhor Professor Marcelo Rebelo de Sousa, por ter prefaciado Sentir e me ter aberto as portas desta casa. À Doutora Elsa Rodrigues dos Santos, distinta Presidente da Sociedade da Língua Portuguesa, o meu bem-haja por ter enobrecido esta obra, com palavras assentes e justapostas na matriz da língua. À pintora e querida amiga Manuela Pinheiro agradeço, sensibilizada, ter dado vida a estas páginas de poesia, pelo Belo com que as eleva. Ao editor Mário sena Lopes agradeço a colaboração, num processo de avanços e recuos de um ano de trabalhos, que culminou em um livro que, espero, esteja à altura do estimado leitor. Finalmente, ao Engenheiro Fernando Soares da Costa, querido Amigo, Isabel Cid, Manuel Alpalhão e João Canto e Castro, agradeço por engrandecerem esta sessão. E porque a enumeração seria longa e exaustiva, deixo agora, a todos vós aqui presentes, um afectuoso abraço, pela amizade e pelo vosso contributo para que a Poesia seja, cada vez mais, um valor intemporal, uma marca indelével do Homem novo que queremos construir. Escrito num registo fortemente individualista, este livro, que dedico a meus filhos e netos, exprime a busca do essencial através do imprevisto, mas exprime também uma comunhão inconfundível com a realidade. Tratam-se de poemas centrados na primeira pessoa, cuja força está na poética dos sentidos, dos afectos, e no próprio limite da espiritualidade. Há neles uma transferência para o mundo interior, a condição entre o ser e o não ser, entre a memória e o presente, a ternura e a ironia, numa constante atenção à textura das palavras. Poder-se-á considerar estarmos em presença de uma angústia metafísica muito pessoal, que dá força ao verbo e perpetua a inquietação. Num mundo cada vez mais despido dos valores ontológicos, a Cultura deve ser uma alavanca para que a Sociedade reencontre o seu equilíbrio, num patamar superior. Sendo Portugal um país onde a poesia nasce da terra – de Camões a Pessoa, de Bocage a Ruy Belo, de Florbela espanca a Sophia de

se revelara um egotista. porém. Na minha poesia estou Eu. para crítica soberana. Deixo ao distinto Leitor este livro. para vós. mas sempre com a força de uma fé firme. fluente e escultural. «este ser tudo e nada ser. este ser pouco mais que quase nada». também a poesia é – tantas vezes – uma forma de catarse. continua sendo inspiração para o Vate. São fragmentos de alma. Em Mário de Sá-Carneiro um dos temas que mais teimosamente aflora à superfície do seu complexo lirismo é o do desencontro do Poeta consigo e com o Mundo. como no caso de Cesário Verde. fonte inspiradora da criação de tantos poetas. De um estar.Mello Breyner. de temperamento recurvado sobre os fantasmas do seu mundo íntimo e fechado ao mundo exterior. De mim. De um momento vivido. Naturalmente que a trajectória literária dos nossos poetas tem sido longa e sincopada. pedaços do nosso Eu mais íntimo. Já António Nobre. De um querer inabalável. É em Pessoa que se sente o conflito psicológico que resulta do seu cepticismo. E a linguagem dos afectos. prazer/dor. quando quer fazer nascer mais um livro. da paixão. estas expansões líricas. indo do Idealismo Romântico e Anti-Romantismo ao Naturalismo e à Maturidade. A temática do amor. distante e apaixonada. brotando de uma necessidade interior. apesar de tudo. da dor. De um sentir. concisa e eloquente. o sentido universalista da existência. é perene no eixo do tempo. o poeta continua. um egocêntrico. por vezes. corpo/alma. a um tempo. uma personalidade com tendência para o narcisismo. incomodado pela busca de uma religiosidade. Toda inteira! Muitas vezes em estilhaços. no final do Século XIX. dos destroços da vida e do sofrimento. dentro do humanismo cristão. estes versos simples. E porque cada poeta se ultrapassa a s mesmo. já na sua terceira fase. Outubro de 2011 Maria Isabel Cupertino . a enfrentar uma barreira quase intransponível. O binómio sentir/pensar marca o poeta. E é este sentido universalista que deve ser a preocupação do poeta. Lisboa. Reflecte. William James dizia que «aqueles que penetram demasiado nas raízes abstractas das coisas» acabam por ser tocados pelo tédio da vida metafísica. Sê-lo-á para mim também. mas ele é. Mas… a poesia nasce. A poesia de Sophia de Mello Breyner é. do encontro do amor. oferecendo uma visão subjectiva do nosso mundo interior e exterior. onde retrata a realidade. identificando a visão plástica de aguarelista com a visão de poeta. que por vezes tangencia a linha do erotismo. Por uma dicotomia matéria/espírito. De uma solidão que dói. o concretismo.

Abordagens Literárias Sobre Alguns Escritores Portugueses. . Maio de 2007. dirigido por João José Cochofel. 1977. em Millenium n. Lilaz dos Santos Carriço.º 33.Fontes utilizadas e não referidas: Dicionário de Literatura Portuguesa e Teoria Literária.