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IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007

O MODELO CONCEITUAL DAS CADEIAS DE SUPRIMENTOS SUSTENTÁVEIS: O CASO DA CADEIA DE BIODIESEL Getúlio Kazue Akabane – Universidade Católica de Santos Odair Oliva de Farias - Universidade Católica de Santos Resumo A inserção de um novo combustível, derivado de fontes renováveis, na matriz de combustíveis nacional, constitui um amplo campo de pesquisa no aumento de tecnologias relacionadas ao biodiesel que viabilizem a sua utilização em larga escala. A potencialidade brasileira na produção de biodiesel é fundamentada no desenvolvimento de marcos regulatórios para a produção e comercialização. A logística neste campo, tem por desafio a inserção do biodiesel de forma a integrar a cadeia de suprimentos já existente para o diesel. Este artigo faz uma revisão dos principais aspectos desta nova cadeia produtiva, considerando esta uma oportunidade sem precedentes para melhorar as condições sócio-econômicas e ambientais no país. O estudo manteve o foco na perspectiva de desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos efetivamente sustentável. Primeiramente, foram apresentadas as principais definições de cadeia de suprimentos e dos possíveis modelos conceituais. Em segundo, foram descritas as diversas etapas, começando pela matéria prima, constituída de plantas oleaginosas presentes em todas as regiões do Brasil e terminando pela disposição do produto final para o mercado consumidor. A grande distância para suprimento de matéria prima nos produtores e as dificuldades de distribuição deste produto nos grandes centros somente podem ser atenuadas por uma logística eficaz e eficiente. Por fim, o trabalho apresenta e discute os ganhos ambientais obtidos com o desenvolvimento desta cadeia e confirmando a necessidade de as empresas e centros tecnológicos integrarem metodologias e inovações para garantir os melhores resultados. Palavras-chave: Biodiesel, Cadeia de Suprimentos, Desenvolvimento Sustentável Introdução O crescente interesse mundial pelos biocombustíveis é facilmente percebido pela quantidade de informações disponíveis sobre o assunto. Estudos são realizados sobre novas fontes e processos de obtenção dessa energia, porém muitas questões ainda devem ser discutidas nas diversas áreas relacionadas ao seu processo de produção e distribuição. A utilização no Brasil, por força de lei, gera descrenças quanto a sua viabilidade econômica, desconhecimentos quanto a sua eficiência, e a capacidade de produção no país. Estes são alguns dos fatores que estão sendo estudados e precisam ser esclarecidos, numa era em que muitos veículos que possuem motores movidos a óleo diesel serão abastecidos com uma pequena parcela de biodiesel. O Brasil provou ao mundo competência nessa área, quando nos anos 80 preparou sua frota de veículos para a utilização do álcool, uma revolução em todo o mundo. Diversos pontos de estudo fazem parte de uma análise do biodiesel no país como consumo, produção projetada, a possibilidade da utilização de sementes características de cada região do país e a diversificação de combustíveis veiculares. Os impactos desta inserção na cadeia ainda não são percebidos pela ampla maioria dos consumidores, mas um amplo

dentro desta idéia surge um combustível de biomassa. A visão e abordagem da produção de biodiesel a luz de sua cadeia de suprimentos e interdependência entre os seus elos evidenciou boas perspectivas de desenvolvimento regional e riscos associados à gestão de custos. o planejamento estratégico integrado para o desenvolvimento de atividades logísticas. produção projetada. geração de renda. e mostrar as características desse produto e os fatores que impulsionam sua utilização. Com a participação efetiva do biodiesel na matriz de combustíveis estudos também na área de supply chain devem contribuir para formação de um modelo conceitual adequado para gestão sustentável desta cadeia. O Conceito Sistêmico de Cadeia de Suprimentos A integração entre os participantes de uma cadeia possibilita em longo prazo. mas trata a logística em suas diversas fases. Todavia o excessivo uso desse combustível tem causado impacto no meio ambiente. Entender o funcionamento da cadeia suprimento deste combustível depende da análise das potencialidades das matérias-primas na produção regional que atendam as demandas locais. No estabelecimento de parcerias com fornecedores e no desenvolvimento do canal de distribuição. Embora a ênfase principal venha sendo atribuída ao aspecto social são igualmente relevantes os aspectos estratégico e ambiental. preparando-o para atender as . O consumo regional de biodiesel tem alterado o mercado de combustíveis a partir da obrigatoriedade de sua utilização.IX ENGEMA . utilização de terras improdutivas e principalmente redução da emissão de poluentes. Diversos aspectos foram considerados como o perfil da demanda.ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA. 2004). Esse novo conceito refere-se ao gerenciamento de cadeia de suprimentos. criação de empregos. Neste artigo o modelo conceitual foi construído a partir de diagramas. com importância fundamental na matriz energética atual. Está definição quando trata do fluxo de informações. O diesel é o derivado de petróleo mais consumido no Brasil. A abordagem sistêmica é aquela que não se limita ao desempenho individual. bem como os respectivos fluxos de informação. descrições e cenários. criando uma demanda efetiva. A preocupação ambiental visa à diminuição na emissão de resíduos tóxicos resultantes da queima de diesel. Novos estudos podem realmente fortalecer a competitividade do biodiesel e contribuir para o avanço efetivo no que tange a utilização de energia de modo sustentável. será de grande importância para que o biodiesel seja efetivamente utilizado e que os benefícios desta utilização sejam sentidos por um grande grupo de consumidores. visto que o biodiesel deverá estar presente em todo o país. com o objetivo de integrar as diversas atividades para um gerenciamento da cadeia de suprimentos. A estruturação desta cadeia trará vantagens econômicas ao país. está baseada no compartilhamento de informações referentes ao produto entre os participantes. o que per si justifica a construção de um novo modelo conceitual. Segundo (BALLOU. 19 a 21 de novembro de 2007 trabalho de divulgação daquilo que é conhecido sobre este tema. o biodiesel considerado atualmente como ecologicamente correto. O fluxo de movimentação desse produto deve abastecer todo o mercado de combustíveis. possibilidade de utilização das sementes de cada região e principalmente as vantagens em relação ao meio ambiente. O artigo procurou identificar todas as fases que compreendem a cadeia de suprimento e distribuição do biodiesel. cadeia de suprimentos abrange todas as atividades relacionadas com o fluxo e a transformação de mercadorias desde o estágio de matéria-prima (extração) até o usuário final. O interesse pelos combustíveis de origem vegetal no Brasil foi resgatado com utilização em escala do álcool combustível e agora com a potencial participação do biodiesel na matriz energética nacional. O desafio logístico de suprimento dos grandes mercados consumidores foi o objeto de estudo deste trabalho.

porem são insuficientes para compor um modelo completo que contemple a previsão e o controle. por craqueamento. 2001). Mentzer (2001) considera o gerenciamento da cadeia de suprimentos como sendo a coordenação sistêmica e estratégica das funções de negócios tradicionais e táticas ao longo destas funções de negócios. ou ainda por transformações de líquido de gases obtidos de biomassa (Bonomi. Com grande extensão territorial. o processo produtivo está fortemente associado tanto à diversidade regional do suprimento como à intersecção com uma rede de distribuição já estabelecida. solo propício para o cultivo de oleaginosas. obtidos da reação de transesterificação com um álcool de cadeia curta. viabilizaram em todo o mundo. Biodiesel é um combustível composto de mono-alquil-ésteres de ácidos graxos de cadeia longa (com ou sem duplas ligações). diesel. portanto. sucedâneo ao óleo diesel mineral. biodegradável e ambientalmente correto. Estas explicações normalmente apresentam cenários através dos quais o fluxo de produtos representado pelos diagramas ocorrerá de fato. derivados de fontes renováveis como óleos vegetais. metanol ou etanol. o próprio cliente (CHOPRA E MEINDL. metanol ou etanol. aliado com a alta taxa de poluição mundial. isso ocorre porque grande parte dos veículos utilizados na indústria de transportes e agricultura no Brasil usa atualmente o óleo diesel. No caso da cadeia de biodiesel. Cadeia de Suprimentos consiste em todas as etapas do atendimento das demandas do cliente. tendo em vista a exaustão dos combustíveis fósseis. Para Taylor (2005). Nisto o Brasil tem acertado e não somente pela responsabilidade social. Segundo Wisner (2005) o gerenciamento de cadeias de suprimento envolve duas etapas em paralelo: (1) a gestão do suprimento com ênfase para os produtores e (2) o transporte e a logística com ênfase para os distribuidores. 54. o extremismo venezuelano e o crescente consumo de combustíveis. O Brasil importa cerca de 6% do óleo diesel consumido. A Era do Biodiesel A elevação de preços no barril de petróleo tem influenciado diretamente nos preços de seus derivados. . condições de clima. mas também pela necessidade de desenvolver fornecedores regionais eficazes. 19 a 21 de novembro de 2007 demandas do mercado. o governo tem interesse em reduzir dependência externa. Os constantes conflitos no oriente médio. gorduras animais ou óleos de frituras ou gordura usados. o que inclui alem dos produtores. Segundo dados do Ministério de Minas e Energia (MME) em 2004. obtidos da reação de transesterificação de qualquer triglicerídeo com um álcool de cadeia curta.IX ENGEMA . Segundo PARENTE (2003) o biodiesel é um combustível renovável. que ocorre através da importação desse combustível. respectivamente. expansão da pesquisa de novas tecnologias e novas fontes de produção passa a ser viabilizada a inserção do biodiesel no crescente mercado mundial de combustíveis renováveis. pesquisas no campo de energias renováveis. o modelo conceitual de uma cadeia é uma combinação de diagramas e explicações. notadamente no primeiro.ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA. 2004). fornecedores e transportadores.5% do consumo brasileiro de combustível foram de óleo diesel. tais como gasolina. para melhoria do desempenho em longo prazo das empresas individualmente e da cadeia de suprimentos como um todo. demanda esforços tanto no desenvolvimento de fornecedores como na eficiência logística. a aplicação do gerenciamento pode proporcionar resultados positivos aos participantes da rede integrada. constituído de uma mistura de ésteres metílicos ou etílicos de ácidos graxos. Para confirmar a importância desta visão e para efetivamente melhorar o desempenho operacional. As informações apresentadas neste artigo podem ajudar a compor um modelo conceitual da cadeia de biodiesel.

116/2005: Estabelece o modelo tributário federal e cria o conceito de combustível social. que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil”. autorização e fiscalização das atividades relacionadas a comercialização do biodiesel. 19 a 21 de novembro de 2007 O Marco Regulatório Segundo a Lei nº 11. Esta Lei estabelece percentuais mínimos de mistura de biodiesel ao diesel. que é estabelecido mediante vínculo do Produtor do biodiesel com a agricultura familiar. B20. biodiesel é um “biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão ou. gás natural e biocombustíveis. para a mamona e a palma. O Fornecimento de Matéria Prima A capacidade brasileira para a produção de energia a partir da biomassa possui grande dimensão. regularização. Podemos destacar algumas matérias primas quanto a sua disponibilidade e viabilidade de produção. Segundo (Parente. B5. As misturas mais usuais são: B2. para utilizar o biodiesel puro. 20%. para geração de outro tipo de energia. a proteção dos interesses dos consumidores. 30% e B100% (biodiesel puro). Através deste o governo propicia incentivos fiscais e financeiros direcionados preferencialmente para a agricultura familiar.907/05 e Cenarização.ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA. o monitoramento da inserção do novo combustível no mercado e define a ANP (agência nacional de petróleo) como órgão responsável pela regulação do Biodiesel. B30 e B100 que respectivamente possuem 2%. Lei 11. Para utilização do biodiesel pode ser em sua forma pura ou em mistura com o óleo diesel em qualquer proporção diferente das especificadas pelo marco regulatório.IX ENGEMA . Fonte: MME. de 13 de janeiro de 2005. 5%. 2003) as matérias primas para produção de biodiesel podem ser originadas de óleos vegetais. atribui a ANP a implementação da política nacional de petróleo.478/1997 e 11. Até 20% não é necessária adaptação nos motores. .097. complexidade e rica em quantidade. conforme regulamento.097/2005. 2005 a 2007 2008 a 2012 2013 em diante 2% Autorizado 840 Milhões litros/ano 2% Obrigatório 1 Bilhão litros/ano 5% Obrigatório 2. As Leis nº 9. devem ser autorizadas e acompanhadas pela autarquia governamental.4 Bilhões litros/ano Figura 1: Representação da Lei 11. para as Regiões Norte e Nordeste. é necessária efetuar algumas alterações nos motores. gordura de animais ou óleos e gorduras resultantes de processamento domestico ou comercial industrial.

Pelo emprego do óleo de girassol na área alimentícia. Quadro 1: Grupos. 6% de amendoim.IX ENGEMA . 19 a 21 de novembro de 2007 As diversas fontes de matérias primas para a produção do biodiesel podem ser classificadas em grupos. O girassol planta composta ornamental. comercialização e industrialização. esta não constitui uma opção para o emprego de produção energética em larga escala.5% de mamona e 13% de outras oleaginosas (ABIOVE. com segurança e precisão desejadas. 8% de girassol. mostra a diversidade de matérias primas disponíveis para a produção de Biomassa para fins energéticos. Origens e Obtenções das matérias primas para a Produção de Biodiesel. 0. Fonte: Parente (2003).ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA. do qual o Brasil é o 2º maior produtor mundial e constitui um componente importante para a produção de biodiesel. Possuem uma parametrização para o cálculo de custos. um grão rico em proteínas. 14% de colza. Todavia poderá favorecer um deslocamento de uma parte expressiva do óleo de soja para a produção do Biodiesel. 2003). 27% de palma. As diversas espécies de oleaginosas que ocorrem no Brasil. A produção mundial de óleos vegetais utiliza proporcionalmente: 32% de soja. . Estas culturas com grande expressividade no mundo possuem tecnologias de cultivo e produção bem difundidas. receitas e lucratividade. A tabela a seguir mostra o rendimento em óleo vegetal que pode ser utilizado para a produção de biodiesel. pois cerca de 90% da produção de óleo brasileiro provém desses grãos. A soja. A expressiva produção brasileira de soja desenvolveu certa automação quanto às tomadas de empréstimos para as etapas de produção. de sementes oleaginosas cujas flores se voltam para o sol.

500 e 2.ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA. sendo 330 dias de produção por ano (com um mês parado para a .200 l/ha e o algodão entre 250 e 500 l/há (PETROBIO.000 l/ha.000 l/ha. O babaçu rende entre 1.IX ENGEMA . 2005).000 a 3. a mamona de 400 a 1.000 l/ha. pode-se efetuar uma análise das produtividades médias que consiste no rendimento de extração de óleo por hectare. baseado nas produtividades mínimas e máximas apresentadas no Brasil. considerando produção de biodiesel estimada em 100.500 e 8.600 l/há. A disponibilidade e produtividade das oleaginosas variam de acordo com a região.000 l/ha. No que se referem às oleaginosas para a produção de biodiesel. o girassol produzindo de 800 a 1. Esses rendimentos são muito superiores em relação às outras oleaginosas.000 l/há (Petrobio. amendoim entre 800 e 1. 19 a 21 de novembro de 2007 Tabela 1: Rendimento em óleo de diversas oleaginosas.600 e 3. Fonte: ABIOVE (2003) O custo de produção do biodiesel depende principalmente da fonte de oleaginosa que será utilizada.000 litros pro dia. Fonte: Nappo (2005) Algodão REGIÃO SE Soja / Mamona / Algodão / Girassol Para a escolha da matéria prima ideal.500 a 4. o pequi entre 2.200 l/ha e a macaúba (ou macaíba) de 3. como a soja que produz entre 400 e 650 litros de óleo por hectare. vide figura a seguir: REGIÃO N Palma Variedades Nativas REGIÃO NE Babaçu / Soja / Mamona / Palma Algodão REGIÃO CO Soja / Mamona / Algodão / Girassol REGIÃO S Soja / Colza / Girassol / Algodão Figura 2: Produção de Oleaginosas no Brasil. Um levantamento realizado pela Petrobio em 2005. 2005). não menos famosas. podemos citar diversas. pinhão manso de 3. o dendê entre 5.

A preparação da matéria prima constitui um procedimento que visa obter a máxima taxa de conversão na reação de transesterificação. fatores que implicam na sua aceitação pelo mercado. estabeleceu a produtividade mínima de cada oleginosa separadamente. o subproduto do farelo e das proteínas. A matéria prima deve ter o mínimo de umidade e acidez.IX ENGEMA . devem ser avaliadas quanto as suas reais potencialidades técnicas e seus efeitos secundários como o aproveitamento dos seus subprodutos e em função desse diagnóstico. é produzido praticamente de graça. o uso do etanol possui vantagem sobre o metanol. No ponto de vista ambiental. 2005). considerando as características da regionalização como sazonalidade e escala periódica. As oleaginosas promissoras para a produção do biodiesel. modelar essa produção. qual o tamanho das unidades produtoras e principalmente os aspectos relacionados à qualidade do biodiesel. conforme tabela a seguir: Tabela 2: Estimativa de numero de hectares para uma produção anual de 100. que pode ser obtido através de um processo de neutralização. razão pela qual a vantagem ambiental pode desaparecer. As especificações do tratamento variam em função da natureza e condições da matéria graxa empregada como matéria prima. O resultado disso é que o óleo de soja. . No mundo ha predominância do uso da transesterificação pela rota metílica. havendo nesse caso uma inversão de valores (PETROBIO. entretanto o metanol pode ser produzido a partir da biomassa. se tornando ele.ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA. e seus subprodutos como exemplo o quilo do farelo da soja é mais valorizado que o próprio grão da soja e as proteínas que são extraídas deste óleo possuem um alto valor de mercado. apesar de ter pequena produtividade por hectare. que consiste em uma lavagem com uma solução alcalina de hidróxido de sódio ou de potássio. 19 a 21 de novembro de 2007 manutenção da fábrica). para definição de qual tecnologia é aplicavel. uma das oleaginosas que menos produzem óleo por hectare entre 400 e 650 litros de óleo por hectare.000 litros de biodiesel por dia. é aquela que possui maior produção no Brasil. sendo precedida de uma operação de secagem ou desumificação. Fonte: PETROBIO (2005) A soja. quando este álcool é produzido a partir de derivados de petróleo.

destilação da glicerina e purificação dos ésteres. reação de tarnsesterificação. A visão e abordagem da produção de biodiesel a luz de cadeias produtivas. . 2005). os diversos elos da cadeia produtivos do Biodiesel.ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA. Os processos de extração de óleo de grãos ou amêndoas oleaginosas podem ser definidos nos seguintes estilos ou rotas: Quadro 2: Indicativos e sinalizações para rotas adequadas para extração de óleos vegetais. a esterificação direta e o craqueamento catalítico ou térmico. pode ser feita por uma série de processos tecnológicos. com certeza. A especificação industrial de produção do biodiesel em nível internacional é especificada pela ASTM D6751. o Brasil. considerando os grupos ou fontes de matérias primas. básica ou enzimática.IX ENGEMA . sendo os mais comuns a transesterificação alcoólica por via catalítica ácida. em conformidade com a tabela acima. inclusive valendo-se da experiência do Proálcool (Aranda. Apesar do processo de transesterificação metílica ser aplicado em grande escala mundialmente. em blocos. No Brasil recentemente a ANP emitiu a portaria 255. pela sua vocação e condições. está definido como rota brasileira a rota etílica. A Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency) dos EUA concedeu ao biodiesel o título de único combustível alternativo a obter aprovação para venda e distribuição. pois as interdependências entre os seus elos podem definir o sucesso ou insucesso dos empreendimentos (Parente. separação de fases. é imperativa. Em suma o processo de obtenção de biodiesel a partir de uma matéria graxa qualquer envolve etapas operacionais como preparação da matéria prima. Fonte: Parente (2003). 19 a 21 de novembro de 2007 O Processo de Produção A produção de biodiesel a partir de óleos vegetais novos ou residuais ou gorduras animais. A figura a seguir mostra. especificando as características do produto. 2003).

19 a 21 de novembro de 2007 Figura 3: Fluxograma das cadeias produtivas no Brasil. revela que mais da metade dos veículos brasileiros utilizam esse combustível seus motores. aos quais se agrega valor ao consumidor.) que se repetem inúmeras vezes ao longo do canal pelo qual matérias-primas vão sendo convertidas em produtos acabados. O óleo diesel tem atualmente uma importância vital na matriz de combustíveis no Brasil. que atualmente baseado nesse combustível. 2004) cadeia de suprimentos é um conjunto de atividades funcionais (transporte. Fonte: Parente (2003) Cadeia de Distribuição de Combustíveis Segundo (Ballou. sem o mesmo. É imprescindível conhecermos a cadeia logística desse produto com alto índice de consumo. teria muita dificuldade para movimentar a . um levantamento realizado em 2005 pelo Ministério de Minas e Energia (MME).IX ENGEMA .ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA. o transporte no Brasil. A importância do óleo diesel é vital para a matriz de transporte. etc. controle de estoques.

que iniciam desde o produtor do produto acabado (Biodiesel B100) passsando pela armazenagem em terminais e bases de distribuição. A região Norte e Centro-Oeste. pela quantidade de intermediários da cadeia. pois a matéria prima. como as que atuam no transporte urbano dos municípios e os postos de revenda tradicionais. abastecimento e distribuição. 19 a 21 de novembro de 2007 sua frota com motores a diesel. suficiente para suprir as atuais necessidades do país. o produto segue para a distribuição nas redes varejistas de combustíveis e grandes consumidores. Os produtores de biodiesel seriam inseridos no primeiro quadro. devido às distâncias de transporte da região de produção. de onde o fornecimento do biodiesel deverá ser destinado aos grandes consumidores. a localização da área de produção e centros de consumo. aquilo que a região produz de oleaginosas para a fabricação própria do biocombustível.739 postos revendedores. Para o consumidor final. Dois pontos fundamentais devem ser observados com referencia a essa logística de suprimento. O mercado de combustíveis possui grande infra-estrutura de produção.IX ENGEMA . incita diversos estudos de viabilidade econômica do biodiesel.ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA. carentes de infra-estrutura de combustíveis. com alto custo. As bases de distribuição de combustíveis estão distribuídas em todos os Estados da federação. das quais estão operando regularmente 149 sendo que 139 possuem postos ostentando a sua marca. e a produção do biocombustível podem ser na mesma região de consumo. 01 operada pela Petrobrás tendo a REPSOL – YPF como sócia e duas refinarias privadas. ou seja. de acordo com a lógica econômica e comercial dos agentes privados e da BR Distribuidora. A coleta de biodiesel nas unidades de produção para o transporte aos consumidores finais acarretará uma demanda adicional ao setor de transporte de cargas inflamáveis.Também participam deste mercado 565 transportadores e 29. pois a principio a cadeia de suprimento do biodiesel seria mais enxuta. que atuam neste mercado altamente competitivo. O balanço anual estimado mostra as demandas de biodiesel e diesel. O imenso potencial de produção brasileira de biocombustíveis. A cadeia de distribuição do biodiesel é constituída pelos participantes do processo e por suas relações. abaixo representa os modais utilizados no transporte dos combustíveis. O mercado automotivo é composto por dois grandes grupos de consumidores: empresas que trabalham com o transporte local. de diversas matérias primas. Segundo último levantamento realizado pela a ANP existe 254 distribuidoras de combustíveis líquidos. recebem o diesel produzido nas refinarias. e os locais em que será efetuada a mistura com o diesel de Petróleo. 33% do gás natural e exporta 14% da gasolina e 16% do álcool produzidos. identificando regionalmente a produção e consumo desse combustível. junto às refinarias. Os produtores de biodiesel nessas regiões possuem uma vantagem logística. incluindo também os transportadores interestaduais de cargas e passageiros. O abastecimento do mercado interno de diesel se dá a partir de 13 refinarias. vantagens que confere ao biodiesel uma vantagem significativa nessas regiões com relação ao diesel. A cadeia de combustíveis hoje. o que talvez inviabilize a competitividade econômica em relação ao diesel. das quais 10 pertencentes à Petrobrás. A estrutura operacional. . e distribuidores. veículos leves e consumidores em geral. onde é feita a mistura. O aumento da produção de biodiesel deverá ser acompanhado de uma ampliação e renovação da frota existente para este tipo de transporte. Após a armazenagem. localizada em sua maior parte na região sudeste para os centros consumidores distantes. que resulta no Biodiesel B2. Estuda-se atualmente um modelo de produção que utiliza matérias primas regionais. importa 5% do consumo de diesel. entretanto o consumo de biodiesel ainda é ínfimo. pois grande parte das distribuidoras ainda não comercializa a mistura de biodiesel B2 em seus postos de revenda de combustíveis.

é fundamental. Fonte: Seminário Internacional de Biocombustíveis – OLADE – Abril 2006 A visualização do custo logístico.ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA. pois este custo está inserido no preço final do produto. o que gera impacto nos preços. Quadro 3: Fatores críticos para o sucesso do programa.IX ENGEMA . 19 a 21 de novembro de 2007 Figura 4: Estrututa Operacional da BR distribuidora. Uma infraestrutura de transporte adequada otimiza logística. . ainda que estimado. e na sua competitividade no mercado.

20 e 100% de biodiesel na frota da cidade do Rio de Janeiro. . 2.PNPB. onde se comprometeu a reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa (CO²).IX ENGEMA . Este plano diretor deve considerar principalmente. Destinação dos co-produtos (álcool hidratado residual e glicerina) 3. foi criado Programa Nacional de Produção e uso do Biodiesel .ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA.1% dos combustíveis utilizados nos transportes são derivados do petróleo. A utilização em larga escala desse combustível reduzira a emissão de CO² e a poluição nos grandes centros urbanos. cerca 80. A redução nas emissões foi feita de acordo com os valores médios citados acima em proporção com as emissões dos veículos a diesel. como sistemas de injeção eletrônicos. 2004) e 95% para São Paulo (CETESB. A contribuição da poluição dos veículos automotores é estimada em 77% para o Rio de Janeiro (FEEMA. que contribuem para a redução nos níveis de emissões de poluentes para a atmosfera. catalisadores pós-queima e alterações no combustível. pode-se considerar a poluição urbana como predominantemente de origem veicular. baseado em que o plantio da matéria prima desse combustível pode se tornar em um indutor do desenvolvimento regional. Segundo levantamento do MME 2005. 1. Apesar de uma série de melhorias implementadas. No caso das cidades brasileiras. Pontos de Mistura (Refinarias e distribuidoras) Os Ganhos Ambientais Em 1997 em Kyoto. Cenários foram simulados por Corrêa (2005) com a adição de níveis crescentes de 2. Visando a geração de empregos e inclusão social. A diversificação matriz energética brasileira através da inserção do biodiesel trará ganhos nos âmbitos sociais. 10. 2004). Tamanho e localização ideal das plantas de biodiesel considerando a logística existente de produção e distribuição do diesel e do álcool anidro. Tabela 3: Variação nas concentrações de poluentes. Transporte (Modais e Rotas existentes e futuras) 4. o aumento da frota e conseqüentes engarrafamentos caminha em sentido contrário. emitentes de CO² no ambiente. 19 a 21 de novembro de 2007 Fonte: HORN (2005) Segundo Horn (2005) existe a necessidade da elaboração de um plano diretor nacional para organizar e orientar a implementação do biodiesel na matriz logística dos combustíveis durante a fase de transição para a mistura obrigatória. Os principais poluentes emitidos para a atmosfera são provenientes do processo de combustão incompleta dos motores. 5. econômicos e ambientais. através da reforma de setores de energia e transportes e a promoção do uso de fontes de energias renováveis. o Brasil assinou o Protocolo de Kyoto.

interpreta e relata informações de forma que as decisões se tornem mais eficazes. ajudando a controlar o “efeito estufa”.IX ENGEMA . entrevistas com pessoas com vivencia no assunto e analise de casos. A química da atmosfera é muito complexa e alguns HC levam a uma maior ou menor formação de ozônio. A redução nas emissões deste poluente pelo uso do biodiesel conduz a uma conseqüente redução deste na atmosfera. a pesquisa em administração procura prever e explicar todos os fenômenos que. A fim de analisar os aspectos gerais e as possíveis configurações da cadeia de biodiesel o artigo reuniu através da pesquisa descritiva e da revisão de trabalhos dos principais autores envolvidos informações relevantes para a construção de um novo modelo conceitual. Este comportamento pode ser entendido por uma série de reações complexas. 19 a 21 de novembro de 2007 Fonte: Corrêa (2005). analisa. principal causador da chuva ácida e de irritações das vias respiratórias. A alteração das fontes primárias de poluentes como NOx e HC podem levar a resultados difíceis de serem previstos por simples modelos matemáticos. Envolve levantamento bibliográfico. um importante poluente fotoquímico. tomados em conjunto. Entretanto a redução nas emissões de HC conduz a um aumento nos níveis desta classe de poluente. para adições de 20 e 100% de biodiesel. na presença da luz. Esta evolução está ilustrada no gráfico a seguir: . A produção agrícola que origina as matérias primas para o biodiesel capta CO2 da atmosfera durante o período de crescimento. Assim. a pesquisa visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a tornar explícito ou a construir hipóteses. sendo que apenas parte desse CO2 é liberada durante o processo de combustão nos motores. Segundo Hair (2005). conforme observado na Tabela 3. Comentários e Propostas para Estudos Futuros É de fato incontestável a crescente participação do biodiesel na matriz nacional de combustíveis. o que deve nos próximos anos reunir esforços em pesquisa nas principais universidades no país no sentido de viabilizar de forma sustentável esta cadeia de suprimentos que pelos ganhos sócio-conômicos e ambientais vem sendo observada atentamente por toda a comunidade internacional. Metodologia Utilizada A essência da administração é a situação em que pessoas servem pessoas através da participação em um processo de criação de valor tendo a troca como centro.ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA. Por fim. De acordo com Demo (1991) do ponto de vista de seus objetivos. Isto inclui todos os sistemas de apoio necessários para facilitar este processo. a emissão de gases da combustão dos motores que operam com biodiesel não contém óxidos de enxofre. provenientes dos HC e dos Nox. compreendem o ambiente administrativo sempre em mutação. O monóxido de carbono é um poluente primário que possui uma baixa reatividade na atmosfera. A redução dos níveis de NOx obedece proporcionalmente à redução nas emissões. tem-se uma função de busca da verdade que reúne. causador do aquecimento global do planeta. Outro fator interessante é a redução nos níveis de ozônio.

com. Referências ABIOVE (2006) disponível em <http:www. a criação de um padrão intermediário que facilite a intersecção entre fornecedores e distribuidores.000 5. aproveitando na rede de distribuição os recursos em infra-estrutura já desenvolvida e hoje atendendo demandas importantes em todo país. Com uma abordagem semelhante à deste artigo novos estudos podem ser elaborados explorando quais as melhores estratégias de distribuição para esta cadeia. 19 a 21 de novembro de 2007 35. Ao destacar a importância do desenvolvimento de fornecedores para a cadeia de biodiesel o estudo conclui que uma nova rede de suprimento deve ser estruturada para atender os principais produtores. Embora com as limitações de uma revisão descritiva o artigo procurou contribuir com as discussões futuras nesta área principalmente apresentando caminhos para analise dos principais desafios como. A diversidade de matérias primas disponíveis aumenta o potencial desta cadeia.ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA.IX ENGEMA . Conclusões A forte ligação entre biodisel e logística.br> acessado durante o ano de 2006.000 25.000 30. seu processo produtivo vem se desenvolvendo de forma realmente diferenciada e apresenta agora desafios relacionados à distribuição.abiove.000 20. analisando através de método quantitativos quais os níveis adequados de produção em cada região. segundo a produtividade para cada matéria prima e especialmente segundo o índice de emissões em cada região.000 0 mar abr abr mai jun jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez jan fev mar Crescimento de 25% 2004 2005 2006 Diesel Biodiesel B2 Gráfico 1: Média de Vendas de Biodiesel MAR 2004 até ABR 2006 (em litros) Fonte: Cavalieri (2006). Para Cristopher (2005) cada vez mais a rede de suprimentos será uma fonte de vantagem sustentável. porem compõe um cenário complexo que precisa ser analisado considerando os custos de produção e distribuição para obter o melhor resultado deste novo recurso. por exemplo. Para obter esta vantagem é essencial considerar a reconfiguração da cadeia. conforme conceito apresentado de cadeia de suprimentos identifica as direções para consolidação do biodiesel como uma alternativa ambientalmente correta.000 15. Desde o registro da primeira patente por pesquisador da Universidade Federal do Ceará.000 10. .

HORN. (2004) A Indústria Brasileira de Óleos Vegetais e Biodiesel no Brasil. Thousand Oaks: Sage Publications. p. Disponível em: <http:www. Aspectos Atuais e Viabilidade de Aplicação. SP. Cortez. FIESP. (2005) Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. SP. MG. J. (2006). J. J.. S. Gorduras e Biodiesel. Gerenciamento de cadeia de suprimentos. 19 a 21 de novembro de 2007 ARANDA. H. CAVALIERI.. DEMO. Primeiras Experiências com Biodiesel: As Lições Aprendidas para o Futuro. Seminário de Comércio e Distribuição de biodiesel. 1º Ed. SP. K. D. MENTZER. Editora Thomson. São Paulo.F. E. A. RJ. Business Logistics / Supply Chain Management. 83-84. In: MENTZER.com. (2005) Fundamentos de Métodos de Pesquisa em Administração. Supply Chain Management. Fortaleza. (2005) Biodiesel: Matérias primas. S. 84. D. São Paulo. (2004). (1991) Avaliação Qualitativa. P. Pearson Education. . SP. BALLOU. Lavras. Tecnologias e Especificações. K. P. (2005) Biodiesel: Expandindo o Uso. (2003) Biodiesel: Uma Aventura Tecnológica. BA.. PARENTE. S. Editora Bookman. G. R. (2005) Logística na Cadeia de Suprimentos: Uma Perspectiva Gerencial.ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA. BONONI. R. p. LEONG. 1º Fórum Brasil – Alemanha sobre Biocombustíveis. p. 302. Rio de Janeiro. Ceará. CHOPRA. Editora Pearson. e TAN. São Paulo SP. (2001) Managing Supply Chain Collaboration. São Paulo. D. WISNER. M. São Paulo.. Seminário sobre Biocombustíveis – AEA. pg. 5 ed. M. São Paulo: Prentice-Hall. Editora Thomson. HAIR. CRISTOPHER. Ed. (2005) Efeitos do Biodiesel na Qualidade do Ar nas Grandes Cidades. A. São Paulo. 2º Ed. NAPPO.petrobio. pg. MEINDEL. 465. J.IX ENGEMA .br> e acessado em 12 de outubro de 2006 TAYLOR. PETROBIO (2006). pg 92. M. J. Salvador. 19. CORRÊA. Óleos. inc. (2004) Biocombustíveis: Uma Vocação Brasileira para uma Matriz Energética Sustentável. II Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas. (2003). (2005) Principles of Supply Chain Management.