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O CENÁRIO DO PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA (PDE-ESCOLA) NO MUNICÍPIO DE IRATI PARANÁ

Juliane Martinhuk Universidade Estadual do Centro-Oeste julianemartinhuk@yahoo.com.br Michelle Fernandes Lima Universidade Estadual do Centro-Oeste mfernandeslima@yahoo.com.br

RESUMO

O presente trabalho tem como objeto de estudo o Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE- Escola). Nosso objetivo consiste em analisar o PDE-Escola a fim de buscar compreender seus objetivos, formas de implantação e seus reflexos na política educacional brasileira, bem como sua elaboração, implementação e efetivação no município de Irati - Paraná. Para tanto, realizamos estudo bibliográfico, análise documental e entrevistas com a coordenadora municipal do projeto e com as diretoras das três escolas do município de Irati, que receberam o projeto. O trabalho está organizado na seguinte seqüência: primeiramente, fazemos uma breve abordagem sobre o PDE-Escola no Brasil e no Paraná, em seguida enfocamos a realização do projeto no município e concluímos analisando o processo de implantação. Como categoria de análise elencamos a questão da centralização e descentralização, a influência dos organismos internacionais na educação brasileira e a ação do governo federal na implementação de programas, planos e projetos. O estudo mostra a necessidade de maior criticidade diante das políticas que são implementadas, pois estas expressam contradições e limites.

PALAVRAS-CHAVE: Políticas Educacionais, Programas Educacionais, PDE- Escola.

INTRODUÇÃO A temática investigada nesta pesquisa refere-se a um acordo técnico- financeiro entre Ministério da Educação (MEC) e Banco Mundial (BM), criado para ser concretizado a partir de 1998. Trata-se do Plano de Desenvolvimento da escola (PDE-Escola). Este é um projeto integrante do programa FUNDESCOLA (Fundo de Desenvolvimento da Escola) que foi lançado no Brasil, em 1997, com intuito de melhorar a qualidade das escolas de Ensino Fundamental. O projeto referido pretende formar administradores da educação com qualidade para gerenciar o processo educativo e tomar decisões eficazes. Para

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tanto, enfoca ações descentralizantes e enfatiza certa autonomia da escola para, assim, obter resultados mais eficientes. Nosso objetivo consiste em analisar o PDE-Escola, a fim de buscar compreender seus objetivos, formas de implantação e seus reflexos na política educacional brasileira, bem como sua elaboração, implementação e efetivação no município de Irati - Paraná. O trabalho de investigação ocorreu por meio de estudos bibliográficos, análise documental e ainda, mediante entrevistas realizadas com a coordenadora municipal do projeto e com as diretoras das três escolas do município de Irati, que receberam o projeto. A investigação da presente temática justifica-se pela necessidade de compreender as transformações que ocorreram nas Políticas Educacionais, devido ao processo de construção da sociedade capitalista, especialmente a partir dos anos de 1980, quando a educação passou a ter sua finalidade voltada também para as relações de produção. A questão da globalização, não deixou de repercutir também nas políticas Educacionais Brasileiras, por meio de parcerias entre MEC e BM. Foi, pois, um destes acordos que deu origem ao FUNDESCOLA e inserido nele encontra-se o PDE-Escola, projeto este que analisamos nesta pesquisa, de modo específico sua implantação e efetivação no Município de Irati (PR). Por se tratar também de um estudo bibliográfico e para obtermos uma compreensão mais ampla sobre a temática, alguns autores foram priorizados, são eles: Fonseca (1995; 2009); Nagel (2003; 2008); Arelaro (2000; 2003); Ferreira (2009); Vieira (2009), entre outros. No presente estudo fazemos, primeiramente, uma breve abordagem sobre o PDE-Escola, suas principais características e efetivação no Brasil e no estado do Paraná. Em seguida, enfocamos a realização do projeto no município de Irati (PR), desde 2008 e concluímos fazendo uma análise sobre sua implementação no referido município. Por meio dos estudos realizados e dos dados coletados elencamos como categorias de análise a centralização e descentralização das políticas públicas que são implementadas, a influência dos organismos internacionais na educação brasileira e a ação do governo federal na implementação de programas, planos e projetos.

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1 O PDE-ESCOLA NO BRASIL E NO PARANÁ A análise das Políticas Educacionais Brasileiras vem sendo difundida cada vez mais, especialmente a partir da década de 1990, período este que representa um marco de transformações em todos os âmbitos da sociedade, bem como da educação. Foi nessa época que se disseminou o ideário neoliberal de sociedade. Também foi cada vez mais evidenciada a questão da globalização, do avanço tecnológico e da descentralização das políticas, especificamente no campo educacional. Tais aspectos resultaram na construção de parcerias brasileiras com organismos internacionais no intuito de fazer com que o Brasil acompanhasse as exigências que se apresentavam por meio de conferências internacionais. Destacamos aqui, a Conferência Mundial de Educação para Todos 1 , realizada em Jontiem, na Tailândia em 1990, a qual influenciou fortemente a elaboração das políticas educacionais brasileiras. Além da presença de 155 países, “a conferência contou com a participação de outras agências internacionais, bilaterais e multilaterais, entre as quais é de ressaltar o papel do Banco Mundial como um dos principais coordenadores do evento”. (FONSECA, 1995, p. 169 e 170). De acordo com Fonseca (2009), a parceria brasileira com os organismos internacionais vem desde os anos de 1970. Entretanto, a autora ressalta que na década de 1990 o Banco Mundial aumentou seus financiamentos em relação à educação brasileira. Assim, segundo Fonseca (2009), em 1998, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e o Banco Mundial (BM) firmaram parceria quanto à implantação do programa de Fundo de Desenvolvimento da Escola (FUNDESCOLA) que:

Orienta-se para a melhoria da qualidade das escolas de Ensino

Fundamental, ampliando a permanência na escola e escolaridade dos

alunos das regiões atendidas [

sistema e o fortalecimento da escola [

]

visa assegurar o alinhamento do

]

(VIEIRA, 2009, p. 78 e 79).

1 Da conferência resultaram “posições consensuais” que deveriam constituir as bases dos planos decenais de educação, especialmente dos países mais populosos do mundo, signatários da Declaração Mundial de Educação para todos (OLIVEIRA, 2000).

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Inserido neste programa estão vários projetos, entre os quais tem destaque o Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE- Escola), foco da presente pesquisa. O objetivo do PDE-Escola:

É elevar o conhecimento e o compromisso de diretores, professores e outros funcionários com resultados educacionais; estimular a gestão participativa e o acompanhamento dos pais nas atividades escolares em geral e na aprendizagem dos filhos. Sua ação visa promover a autonomia e o fortalecimento da gestão escolar por meio de uma metodologia de planejamento estratégico, centrada na racionalização, na eficácia e na eficiência do desempenho escolar (FONSECA, 2009, p. 274).

Deste modo o projeto pretende formar profissionais de educação, fortalecer a gerência escolar e envolver a comunidade escolar como um todo, possibilitando uma maior autonomia da escola para assim, obter resultados mais eficientes. Ainda de acordo com Fonseca (2009), um aspecto que deve ser considerado diante do programa FUNDESCOLA bem como do PDE-Escola, refere-se à proposta de formar administradores da educação com qualidade para gerenciar o processo educativo e tomar decisões eficazes. Assim, “o projeto formará um grande número de profissionais de educação, com atributos gerenciais necessários para dirigir um sistema local mais autônomo” (FONSECA, 2009, p. 74). De acordo com os idealizadores do projeto o PDE-Escola representa:

Uma ferramenta gerencial que auxilia a escola a realizar melhor seu trabalho: focalizar sua energia, assegurar que sua equipe trabalhe para atingir os mesmos objetivos e avaliar e adequar sua direção em resposta a um ambiente em constante mudança. O PDE-Escola constitui um esforço disciplinado para produzir decisões e ações fundamentais que moldam e guiam o que ela é, o que faz e porque assim o faz, com um foco no futuro. 2

Na tentativa de ampliar nossa compreensão sobre o PDE-Escola, fizemos um levantamento bibliográfico sobre estudos e posicionamentos teóricos já realizados sobre a temática. Utilizamo-nos de fontes virtuais para tal fim, como o banco de teses da Capes 3 , Domínio Público 4 , ANPEd 5 e SciELO 6 .

2 Conceito disponível em http://portal.mec.gov.br/index.php?option=article&id=1296%253plano-

de-desenvolvimento&Itemid=811.

3 CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

Domínio Público biblioteca digital de livre acesso 5 ANPEd - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação. Disponível em:

http://www.anped.org.br/novo_portal/internas/ver/sobre-a-anped?m=1

SciELO - Scientific Electronic Library Online - é uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros.

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Com isso tivemos acesso a muitas pesquisas já publicadas, porém não é possível realizar um estudo e análise sobre todas elas. Por conseguinte, destacamos quatro estudos de autoras distintas (Fonseca (2003); Fernandes (2004); Scaff (2007); Sodré (2008)) que abordam esse tema tendo diferentes categorias de análise. Com isso foi possível ampliar nossa visão sobre o PDE- Escola. A pesquisa de Fonseca (2003) é intitulada “O Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE): modernização, diretividade e controle da gestão e do trabalho escolar”. A autora objetiva com a investigação realizada “caracterizar e analisar criticamente a implementação e universalização do Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE), no Estado de Goiás” (FONSECA, 2003, p. 1). A autora parte da caracterização do FUNDESCOLA e do PDE que, segundo ela, evidenciam o empreendimento em melhorar a gestão tanto do sistema como das escolas. Posteriormente, faz considerações sobre a implantação, a expansão e a universalização do PDE no Estado de Goiás e, por fim, procura evidenciar como se dá a avaliação do PDE por professores e gestores do programa. O estudo realizado por Fernandes (2004) intitula-se “Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE): evidências da implantação em escolas municipais”, apresenta um relato das estratégias do FUNDESCOLA quanto à implantação e consolidação do PDE nas escolas, sendo delimitado pela autora escolas do município de Dourados, Estado de Mato Grosso do Sul. A autora verifica a necessidade de se pensar com maior criticidade e fundamentação teórica a questão da participação, dos resultados quantitativos

e imediatos, dos recursos do Plano destinado a materiais pedagógicos e

capacitações, pois, estes aspectos têm ligação com os mesmos objetivos da gerência empresarial.

Outra pesquisa denominada “Possibilidades e Limites da Aplicação do Planejamento Estratégico à Educação: uma análise a partir da escola”, realizada por Scaff (2007), tem por objetivo “identificar como o Planejamento Estratégico vem sendo implementado em escolas públicas brasileiras e quais

os seus efeitos na prática escolar” (SCAFF, 2007, p. 1).

Para alcançar este objetivo, a autora utiliza como foco de pesquisa o PDE-Escola, com o intuito de analisar, comparativamente, os principais

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componentes do planejamento estratégico no referido Plano e a nível empresarial. Com sua pesquisa a autora conclui que há limites nesse projeto, que são: o espírito competitivo entre as escolas, a burocratização excessiva, pouco enfoque à participação da comunidade externa à escola, restrição da autonomia para tomar decisões e diretividade quanto ao planejamento da escola. O quarto estudo foi realizado por Sodré (2008). O título de seu trabalho é “O Plano de Desenvolvimento da Escola – PDE na ótica da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul”, por meio do qual objetiva apresentar seu estudo sobre os motivos “que levaram à implantação do PDE nas escolas da rede estadual, em Campo Grande, no período de 1998 a 2005, como também, qual foi o impacto causado por esse programa do Ministério da Educação” (SODRÉ, 2008, p.1). Para tanto, a autora dialogou com os responsáveis pela implantação e consolidação do PDE no Estado, bem como com autores que abordam a questão da “cultura descentralizante”, do “exercício da autonomia” e a “chamada gestão democrática.Sob a ótica do capital a autora aponta que “a educação tornou-se lucrativa para a indústria de papel, de móveis, materiais pedagógicos, para as editoras e a todos aqueles que, de alguma forma, vendem serviços e mercadorias para as escolas” (SODRÉ, 2008, p. 12). A autora finaliza dizendo que para garantir o direito à educação de qualidade social, é indispensável que se construa uma escola com bases teóricas, as quais possibilitem analisar a atual sociedade em suas possibilidades e contrariedades. Já para obtermos informações sobre a abrangência do projeto no território nacional entramos em contato, via email 7 com a comissão técnica responsável pelo PDE-Escola. Estes nos enviaram retorno nestes termos:

Desde 2007, todos os estados estão participando do PDE-Escola, e também a maioria dos municípios que têm escolas com baixo Ideb. Você pode ver maiores informações sobre o PDE-Escola em nossa página no portal do MEC. O Plano de Desenvolvimento da Escola é uma metodologia de planejamento, de gestão escolar, e qualquer escola pode utilizá-la 8 .

7 (pdeescola@mec.gov.br).

Esta resposta da comissão técnica foi recebida no dia 12 de janeiro de 2011 as 9:00 horas da manhã. Finaliza o email com os seguintes dados: Equipe Técnica PDE- Escola MEC/SEB/DFIGE/CGGE/PDE Escola - Esplanada dos Ministérios, Bloco L Edifício Sede, 5º andar Sala 520 Brasília DF -CEP.:70.047-901 pdescola@mec.gov.br.

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Com isso identificamos que o projeto está sendo realizado em todos os estados brasileiros, abrangendo tanto escolas públicas municipais quanto estaduais. Sendo esta a realidade que se apresenta, subentendemos que também o estado do Paraná recebe o projeto e nele muitos municípios, inclusive o município de Irati, espaço de nossa pesquisa. O município de Irati foi fundado em 15 de julho de 1907, está situado a cerca de 150 km da capital, Curitiba. Conta com aproximadamente 56 288 habitantes. Em 2008, o município passou a participar do PDE-Escola devido aos índices do IDEB. As duas escolas que receberam o projeto localizam-se no Bairro Rio Bonito e uma no Bairro Alto da Lagoa. Todas estão na área periférica da cidade. A partir da presente explanação sobre o Plano de Desenvolvimento da escola, bem como da localização do município em que realizamos nossa pesquisa, abordamos, no tópico seguinte, dados mais concretos do projeto por meio das entrevistas que foram realizadas nas escolas.

2 O PDE-ESCOLA NO MUNICÍPIO DE IRATI Para obtermos informações sobre o Plano de Desenvolvimento da Escola no município de Irati (PR), realizamos entrevistas 9 com a coordenadora municipal do projeto e com as diretoras das três escolas que receberam o PDE-Escola. Uma delas já concluiu as duas etapas, ou seja, já fez o investimento e a prestação de contas das duas parcelas do dinheiro recebido que foi no valor de R$ 16.000 e de R$ 13.000, respectivamente. As outras duas escolas ainda estão desenvolvendo suas ações, referente à segunda parcela do dinheiro recebido que foi de R$ 13.000. O valor da primeira parcela foi o mesmo. Neste primeiro momento analisamos as colocações feitas pela coordenadora municipal do PDE-Escola. Segundo ela, o Plano de Desenvolvimento da Escola teve início na cidade de Irati em 2008. Isso porque em 2007, uma das escolas do município apresentou o IDEB 10 abaixo do

desenvolvimento 9 Todas as falas das pessoas entrevistadas estão apresentadas em fonte itálica. 10 IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado pelo Inep em 2007 e representa a iniciativa pioneira de reunir num só indicador dois conceitos igualmente

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esperado. Assim sendo, o critério para uma escola receber a verba do PDE- Escola está ligado ao IDEB, segundo a coordenadora “é medido o IDEB geral do Brasil, depois do Paraná e o índice do município. As escolas que apresentam um IDEB menor do que o esperado entram para receber uma assistência para que haja uma melhoria na questão da qualidade do ensino. Ao ser questionada sobre a elaboração, implementação e coordenação das ações do projeto a coordenadora ressalta que por ser algo novo:

A elaboração, implementação e coordenação foi bem complicada [ ] deu muito trabalho até a gente compreender, até colocar em prática, explicar para os pais, para a comunidade e para os professores, mas foi gratificante porque houve a participação de todas as instâncias.

Com isso a coordenadora aponta sobre o envolvimento de toda a comunidade escolar, que é um aspecto relevante do projeto. Contudo, vale indagar que tipo de envolvimento é esse, até que ponto e de que maneira se dá essa participação de todas as instâncias? Ainda, segundo ela, não foi fácil explicar os objetivos da verba do PDE- Escola e que esse dinheiro não pode ser gasto de qualquer maneira e sim objetivando a melhoria no desempenho dos alunos, com foco na aprendizagem. A coordenadora não deixa de ressaltar a melhoria na infra- estrutura da escola, pois isso também ocorreu.” Quanto à avaliação do projeto, a coordenadora aponta que:

Num primeiro momento os professores ficaram com um aspecto

negativo [

trabalho não é bem feito, os alunos não são bons. Até a gente fazer um trabalho de mostrar que esse índice vem para ajudar e não para desmerecer, então agora sim, os professores estão mais

Melhoraram

empenhados,

A escola foi para o PDE então é uma escola ruim, o

].

a

auto-estima

melhorou

muito.

[

].

algumas práticas, consequentemente melhorou também o desempenho dos alunos, mas ainda há muito a ser melhorado. [

Em termos de porcentagem houve 60% de avanço.

Diante disso, verificamos que o PDE-Escola repercutiu negativamente, num primeiro momento, porém o trabalho de esclarecer sobre sua função parece ter revertido esse quadro. Contudo, uma coisa fica evidenciada, a melhoria no desempenho dos alunos foi resultado da melhoria de práticas

importantes para a qualidade da educação: fluxo escolar e médias de desempenho nas

em:

avaliações.Conceito

disponível

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docentes, ou seja, a capacitação recebida pelos professores é um aspecto relevante que contribuiu para um melhor desempenho dos alunos.

A partir dos apontamentos feitos pela coordenadora municipal do projeto

buscamos verificar, através das diretoras das escolas que receberam o projeto,

a compreensão do que é o PDE-Escola? Como ocorreu o projeto? Quais os

objetivos deste e como se relaciona com o Projeto Político Pedagógico (PPP)?

E ainda quais as contribuições e os limites do projeto na escola? Para a presente análise não citamos os nomes das escolas que

receberam o projeto e que aceitaram participar desta pesquisa. Para tanto, utilizamos a nomenclatura de escola A, escola B e escola C, conforme a ordem das entrevistas realizadas.

A elaboração do PDE-Escola requer que se sigam, obrigatoriamente,

cinco etapas, uma delas consiste na definição da visão estratégica e do plano de suporte estratégico, este, além de abordar estratégias e metas, também

requer que se realizem planos de ação, para alcançar os resultados dos objetivos estratégicos que foram elencados como prioritários. Assim, a diretora da escola A afirmou que as ações realizadas tinham por objetivo capacitar os professores e, principalmente, ajudar os alunos a

superarem a defasagem de idade, pois havia muitos deles que estavam em séries que não correspondiam as suas idades. Sendo esta a maior necessidade da escola, todo o projeto pautou-se em possibilitar aos alunos um ensino diferenciado. Para tanto, foi feita a separação de turmas e adquirido materiais didático-pedagógicos para os professores, bem como muitos jogos. Tais ações tinham por intuito subsidiar os professores para que realizassem um trabalho diferenciado. Quanto à compreensão sobre o PDE-Escola, a diretora afirmou tratar-se de um plano de desenvolvimento do ensino para elevar a qualidade de ensino da escola. Segundo ela “esse PDE vem para que façamos o trabalho dentro da escola visando a melhoria da qualidade de ensino e que esses alunos tenham melhor desempenho acadêmico”.

A diretora da escola B compreende que o projeto visa a melhoria e o

desenvolvimento das escolas. Segundo ela “os recursos são muito bons, um valor bom que auxilia na estrutura, no desenvolvimento da aprendizagem dos

próprios alunos, porque uma coisa está ligada a outra”.

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Para a diretora da escola C o Plano de Desenvolvimento da Escola tem como principal objetivo levantar as necessidades da escola, para então fazer um planejamento visando melhorar a aprendizagem dos alunos. Tudo isso envolve: estrutura, material escolar, material didático-pedagógico, até a

criação de um ambiente como o laboratório de informática [ nosso refeitório”.

A partir do exposto pelas diretoras sobre a compreensão do PDE-

Escola, percebemos que para todas o projeto visa o desenvolvimento e a

aprendizagem dos alunos. O que se difere é a questão dos objetivos que são elaborados conforme as necessidades e a realidade de cada escola. Diante da questão sobre como ocorreu o projeto na escola, as três diretoras apontam que foi bastante trabalhoso. A diretora da escola A diz que este exigiu muita dedicação, pois tiveram que estudar o manual enviado pelo MEC, entendê-lo e, além disso, “teve muita documentação que nós

precisávamos preencher para enviar para o MEC [

Foi desde dados do

número de alunos, número de repetentes, se teve abandono, muitos dados

estatísticos”.

A diretora da escola B, a primeira que recebeu o PDE-Escola no

município, assim se expressa:

Eu achei bastante trabalhoso. Tivemos que reunir os professores

várias vezes pra fazer toda a análise da situação da escola, desde a

] Futuramente o

].

graduação dos professores,

nível de administração. Tudo! Tudo! Tudo! Pra fazer isso a gente

ficava depois do horário [

trabalhar um dia inteiro, fazendo.

estrutura, defasagem idade/série, [

]

].

A gente estava aqui, cansada depois de

A direção da escola C sintetiza a concretização do projeto dizendo:

então o que acontece é assim, houve todo um processo, primeiro o levantamento das necessidades, o planejamento e agora a ação em cima disso.” Com base nas afirmações feitas fica evidenciado o que outros pesquisadores, Fonseca (2003); Fernandes (2004); Scaff (2007); Sodré (2008), já apontaram sobre o Plano de Desenvolvimento da Escola. O projeto tem uma enorme exigência burocrática, que exige dos professores, diretores e coordenadores muita dedicação, levando-os a ficar na escola depois do horário.

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A direção da escola A faz um comentário sobre a participação da comunidade escolar, ela diz que teve que haver um envolvimento de todos, o que se deu por meio de encontros. A partir deles são construídas as metas, os objetivos e as ações que haveriam de ser aplicadas visando a melhoria da escola. Os encontros geraram a elaboração de um documento:

Esse documento foi enviado para o MEC pela coordenadora

Municipal

documentação [

um formulário dizendo o que nós devemos fazer e onde investir.

do

PDE-Escola

[

].

Após isso o MEC avalia essa

]

e eles encaminham de novo dando retorno com

Vale destacar, a partir da afirmação da diretora, onde fica a autonomia

da escola. Se por um lado o programa aponta a autonomia da escola como um

ponto importante concedido pelo projeto, por outro podemos nos perguntar que tipo de autonomia é essa se o retorno do MEC consiste em um formulário dizendo o que se deve fazer e onde investir.

Ao questionarmos sobre a relação dos objetivos do PDE-Escola com os

do PPP, tanto a escola A quanto a escola B garantem que o projeto tem tudo a

ver com o PPP, que está contemplado na proposta do município, porém ambas não explicitam bem como isso ocorre e quais são os objetivos comuns. O que o MEC está nos pedindo está dentro, está contemplado na proposta(Diretora

da

escola A). Já a escola C demonstra mais claramente a relação do PDE-Escola com

o

PPP. A diretora esclarece sobre algumas alterações que se fazem

necessárias no PPP, quanto a estrutura e mudança de funcionários, mas quanto aos objetivos e a otimização da aprendizagem diz:

Tem tudo a ver porque o PDE-Escola não é nada mais que o

] os

nossos direitos e deveres dentro da escola, nossa organização estrutural e a nossa proposta municipal, que como eu tinha falado no início, quando a gente fez a capacitação dos professores, a compra

do material, foi em cima da proposta do município, objetivos que estão também registrados no nosso PPP. Então eles caminharam juntos.

levantamento das necessidades da escola e o PPP ele tem [

Vale destacar que o município adotou, em 2009, a proposta nos moldes

da Pedagogia Histórico Crítica, é nesse sentido que a diretora aponta como o

recurso do PDE foi utilizado para capacitar os professores diante dessa

“novidade” e também para aquisição do material referente às temáticas indicadas pela proposta municipal.

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Na última questão, as escolas foram diretas e unânimes quanto às contribuições do Plano de Desenvolvimento da Escola, estas estão voltadas a possibilidade de adquirir muito material, o que seria impossível com o dinheiro das APMFs. Mais uma vez o projeto é considerado excelente pelo valor financeiro que oferece, uma vez que ele é real e vai parar direto na escola, sem subterfúgios. Os limites se diferenciam de uma escola para outra. No caso da escola

A, a limitação torna-se contraditória à contribuição, uma vez que a diretora diz que: o limite que a gente encontra ainda é a questão do professor não usar

muito esse material [

exposto fica evidenciado que o Plano de desenvolvimento da Escola é um projeto que ainda não bem compreendido, apresentando contrariedades que nos instiga a continuar pesquisando para compreendê-lo mais integralmente. Na escola B o limite encontrado foi de que o recurso já vem destinado no que e quanto se pode gastar, é a questão de utilizar uma parte do recurso para capital e a outra para custeio. A gente podia gastar em outras coisas também, mas como não pode porque na prestação de contas tem que aparecer tudo

certinho”. Então a escola se vê limitada. Diante disso, questionamos que tipo de autonomia o projeto almeja, uma vez que este é um aspecto importante ligado ao PDE-Escola. O próprio manual confirma isso quando diz que o planejamento da escola funciona como mecanismo de fortalecimento de sua autonomia(BRASÍLIA, 2006, p. 10). A escola C aponta que os recursos recebidos garantem um enorme aparato didático-pedagógico para os professores

Mas até você atingir o professor, fazer ele mudar aquela prática dele, sabe? Isso daí não ocorre em dois semestres, isso é ao longo do

]

há muita resistência em utilizar o material”. Diante do

Então do começo do processo até esse

desenvolvimento do aluno, no sentido literal da palavra, é todo um

processo, não é em um ano que vai acontecer, mas tem todas as condições necessárias para que isso aconteça.

tempo, é uma conquista [

].

A diretora demonstra-se bem realista, só o recurso financeiro não basta, apesar de este contribuir e muito, é preciso uma mudança de mentalidade e de prática docente. Para isso é necessário planejamento e acompanhamento das ações para ver se os objetivos estão sendo realmente atingidos.

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A partir dos estudos realizados e das informações coletadas podemos realizar uma análise mais aprofundada sobre a implementação do PDE-Escola em Irati. Para tanto utilizamos como categoria de análise a questão da centralização e descentralização, bem como a influência dos organismos internacionais e a ação do governo, tentando observar até que ponto as orientações federais se efetivam na prática.

3 ANÁLISE SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DO PDE-ESCOLA NO MUNICIPIO DE IRATI - PR As políticas públicas que são elaboradas e implementadas refletem o contexto e a realidade em que se apresentam, seja no âmbito social, econômico, político ou cultural. Elas não acontecem de repente, mas são construídas ao longo de um processo histórico. A década de 1990, como já afirmado anteriormente, é marcada pela disseminação do ideário neoliberal de sociedade, bem como pela construção de políticas públicas gerenciadas por organismos internacionais, cujo representante máximo é o Banco Mundial. É nesse período também que se destaca o discurso da descentralização das políticas, especialmente, as educacionais. De acordo com Ferreira (2009), no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), as reformas educacionais pautavam-se pela descentralização, controle e privatização, cabendo ao Estado um papel gerenciador e regulador uma vez que, se transferia a responsabilidade deste para outros setores da sociedade. Com isso, a gestão dos sistemas educacionais passa a ocupar um lugar central, cuja eficiência e eficácia resultariam na melhora da qualidade do ensino. Assim sendo, “a luta pela descentralização do sistema educacional foi aplaudida como libertação do autoritarismo administrativo, do poder sem representatividade” (NAGEL, 2008, p. 8). Sem nunca ser concebida como um requisito prévio para revigorar a economia burguesa que almejava, ansiosamente, pela autonomia de normas e rotinas pré-estabelecidas. Diante disso, compreendemos porque o discurso de descentralizar ações foi acolhido como algo positivo, pois, não se analisava ou se percebia a ideologia que envolvia as reformas.

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Por conseguinte, a gestão educacional descentralizadora era entendida

como:

Descentralização das ações com pulverização e localização nas unidades escolares e, em especial, nos profissionais de ensino, das responsabilidades existentes para todo o sistema educacional com consequente inédita e competente centralização das decisões nas mãos do Governo Federal (ARELARO, 2003, p. 27).

Percebemos, assim, que a descentralização da gestão passou a permear as reformas, os programas e os projetos. Não foi diferente com o PDE-Escola, objeto de nossa pesquisa. O maior enfoque dado ao projeto é a capacidade deste formar profissionais da educação com qualidades gerenciais para obter eficiência e eficácia a partir de decisões acertadas, tomadas por meio de bons planejamentos. Aparentemente, o projeto parece ser realmente uma ferramenta gerencial que contribui para que a escola realize melhor seu trabalho, contudo as entrevistas revelam contradições, uma vez que, há centralização quanto à utilização do recurso financeiro. É como afirmou a diretora quando disse que o MEC avalia a documentação enviada e dá retorno “com um formulário dizendo o que nós devemos fazer e onde investir” (Diretora da escola A). Desta forma, o trabalho gerencial que deveria ser descentralizador e autônomo é, na verdade, diretivo, controlador, burocrático e fragmentado, uma vez que se fundamenta na criação de vários projetos e estes nem sempre são articulados pedagogicamente. Com isso verificamos o que Fonseca (2003, p. 13) apontou em sua pesquisa sobre a implantação do Plano de desenvolvimento da Escola no estado de Goiás. Diz ela: o PDE expressa uma modalidade de reforma voltada para a estrutura do sistema educativo tendo, como alvo principal, a racionalização de gastos e a eficiência operacional, sendo a questão pedagógica tratada secundariamente”. Diante disso nos questionamentos até que ponto as ações são descentralizadoras e que tipo de autonomia é essa de que a escola dispõe?

O problema reside, na verdade, em tomar a administração escolar

como um campo de conhecimento separado da dinâmica social, o

e/ou liberdade pelo qual

o homem se pensa como agindo no mundo por sua própria vontade

que reforça o ideário mítico da autonomia

11

ou deliberação (NAGEL, 2008, p. 10).

11 Grifo nosso.

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Ainda refletindo sobre a descentralização, com base em Arelaro (2000), percebemos que o Estado se mantém como centralizador, regulador, o grande supervisor, principalmente por meio das avaliações em larga escala, que são padronizadas para todo o território brasileiro. Até mesmo o recebimento do PDE-Escola, ao menos no município de Irati, está ligado ao IDEB, e este se obtém por meio de uma avaliação. Avaliações que apresentam índices quantitativos é um aspecto típico de projetos ligados a financiamentos de organismos internacionais, os quais impõem políticas focais e fragmentadas além de centrarem a gestão educacional em uma visão mercantilista. Faz parte da “negociação” ter certo controle. Portanto, a escola precisa apresentar dados, preferencialmente mais elevados que antes, para demonstrar a eficiência e a eficácia dos projetos. Diante dessas abordagens, cabe-nos refletir um pouco sobre a transferência que o Estado faz, das suas responsabilidades para outros fatores da sociedade. É de nosso conhecimento que uma das funções do Estado é garantir qualidade de ensino para todos, independente das condições sociais e/ou econômicas. O Brasil é uma nação vasta territorialmente, bastante diversificada culturalmente e riquíssima em riquezas naturais. Contudo, trata-se também de um país com elevado índice de desigualdade social e econômica. No campo educacional também é possível perceber essa disparidade. Segundo Ferreira (2009, p. 13), “ao analisar-se a educação no Brasil percebe-se a desigualdade inter e intrarregional, decorrente da assimetria entre as condições econômicas dos entes federados e a distribuição de competências previstas constitucionalmente”, pois, cabe a cada ente federado, seja ele estadual ou municipal, prover a educação para a população. Mas, diante das desigualdades que cada um deles apresenta, subentendemos que também a oferta da educação será desigual comparando-se uma região a outra.

Como exemplo, podemos pensar a realidade do nordeste do Brasil e compará-lo com a região sudeste ou sul. Não se faz necessário maiores esclarecimentos para percebermos a grande ruptura que há, em todos os aspectos como também na educação.

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Quem são os responsáveis por esta desigualdade? Não é nosso objetivo, apontar culpados, mas questionamos sobre o direito igual que todos têm, ou deveriam ter em um Estado democrático. Com isso, o que resta ao Governo é tentar solucionar essas questões, e ele o faz discursando sobre uma política descentralizadora. O PDE-Escola é uma das estratégias do governo em melhorar a qualidade do ensino, porém essa qualidade em que consiste? Em repasse de recurso financeiro com valor elevado? Como vimos, a colocação da diretora da escola C, só isso não basta. Ajuda, mas não é suficiente para garantir o desenvolvimento da escola e daqueles que são os sujeitos do processo: os alunos. O projeto, ao apontar para a necessidade de formar profissionais da educação com capacidades gerenciais de fazer planejamentos estratégicos, nos induz a pensar que se a educação, o ensino não vai bem, não é a falta de recurso, mas sim, falta de uma gestão eficiente e eficaz. Diante disso, concluímos que:

As políticas públicas, particularmente as de caráter social, são mediatizadas pelas lutas, pressões e conflitos entre elas. Assim, não são estáticas ou fruto de iniciativas abstratas, mas estrategicamente empregadas no decurso dos conflitos sociais expressando, em grande medida, a capacidade administrativa e gerencial para implementar decisões de governo (SHIROMA; MORAES; EVANGELISTA, 2007, p. 8-9).

Com isso precisamos superar a visão ingênua de que as políticas elaboradas têm por objetivo único mais humanização e dignidade às pessoas, ou seja, garantir iguais possibilidades e os mesmos direitos a todos. Este é um discurso que camufla outras realidades, na verdade são estratégias que impedem de ver a realidade como ela é. Como afirmam Shiroma; Moraes; Evangelista (2007, p.9), “as políticas educacionais, mesmo sob semblante muitas vezes humanitário e benfeitor, expressam sempre as contradições”. Sob este viés podemos olhar também para o Plano de desenvolvimento da Escola (PDE-Escola), uma vez que enfoca ações descentralizantes e enfatiza a autonomia da escola. Tais aspectos nos induzem a refletir sobre o papel da gestão educacional, como também da função do Estado neste novo período do sistema capitalista, uma vez que, estando ligado a iniciativas de

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investimentos na educação, segundo Vieira (2009), pode contribuir para desobrigá-lo de algumas atribuições próprias, contrariando sua própria função. Diante desses aspectos, percebemos que também a implementação do PDE-Escola no município de Irati (PR) revela contrariedades e limites que devem ser considerados, para que haja maior criticidade e reflexão quanto ao projeto, pois, como vimos, ele se apresenta como uma ferramenta gerencial de planejamento, mas se revela bastante diretivo e controlador, limitando a autonomia da escola, até mesmo porque é financiado por organismos internacionais, para os quais a quantidade tem maior peso que a qualidade.

POSSÍVEIS CONSIDERAÇÕES Com base no exposto, é possível fazer algumas reflexões a respeito do Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE), especificamente quanto sua elaboração, efetivação e coordenação no município de Irati Paraná. Primeiramente, ao analisarmos as Políticas Educacionais elaboradas e implantadas no contexto dos anos de 1990, percebemos que o Banco Mundial aumentou seus financiamentos para a gestão da educação fundamental neste período e, paralelamente, o que ocorreu foi a disseminação da visão gerencial de planejamento escolar. O enfoque na gerência escolar e no planejamento estratégico são elementos que norteiam o PDE-Escola cujo objetivo, abordado na teoria, por meio dos documentos do projeto, consiste em garantir maior desenvolvimento da escola por meio de planejamentos eficientes. Contudo, o que foi possível perceber através do presente estudo, é que o projeto apresenta contrariedades e limites. Se por um lado ressalta a autonomia da escola, por outro revela aspectos bastante controladores e burocráticos. A intenção em estabelecer uma política descentralizadora parece minimizar a atuação daquilo que seria função do Estado. E, ainda, por se tratar de um projeto que se realiza em parceria com organismos internacionais, já traz em seu bojo, características próprias, sendo uma delas, que merece destaque, os índices quantitativos. Enfim, o PDE-Escola é um projeto que traz recursos financeiros para a escola, porém, é interessante pensar que só isso não garante o seu desenvolvimento e a qualidade do ensino. Uma vez que envolve sujeitos,

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precisa ir além do capital. Cabe, aos envolvidos com o processo ensino-

aprendizagem, ou seja, com a educação, superar a visão ingênua e ter maior

reflexão e criticidade diante das políticas e dos projetos que são

implementados.

REFERÊNCIAS

ARELARO, Lisete Regina Gomes. Resistência e submissão: a reforma educacional na década de 1990. In: KRAWCZYK, Nora; CAMPOS, Maria Malta; HADDAD, Sergio (orgs). O cenário educacional latino-americano no limiar do século XXI: reformas em debate. Campinas, São Paulo: Autores Associados, 2000.

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educação, tecnologias e pessoas com deficiências. Campinas, São Paulo:

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aumentando o desempenho das escolas por meio do planejamento eficaz. Brasília, 2006.

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É possível articular o projeto político-pedagógico e o plano de desenvolvimento da escola? Reflexões sobre a reforma do Estado e a gestão da escola básica. In: FERREIRA, Eliza Bartolozzi; OLIVEIRA, Dalila Andrade (orgs). Crise da escola e políticas educativas. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.

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SCAFF, Elisângela Alves da Silva. Possibilidades e limites da aplicação do Planejamento Estratégico à Educação: uma análise a partir da escola. Caxambu, MG: 2007. Disponível em:

SHEEN, Maria Rosemary Coimbra Campos. A Política Educacional como momento de Hegemonia: notas metodológicas a partir das contribuições de Antonio Gramsci. Campinas, 2007. Revista HISTEDBR On-line.

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