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Os Nodos Lunares

Uma Perspectiva Medieval

Os Nodos Lunares são uma fonte de conhecimento muito rica no que consta à
delineação dos variados ramos da astrologia: Natal, Horária, Mundana, Electiva,
etc. Retirando a parte técnica deste pequeno estudo observa-se que os antigos
tinham uma forma muito diferente de determinar os efeitos dos Nodos, uma forma
bastante diferente da que é hoje mais conhecida e usada criando, creio eu, pontos
de fricção entre a Astrologia Clássica e a Moderna, contudo numa visão mais
filosófica do tema acredito que possam existir pontos de convergência entre ambas
as abordagens.
Espero que este pequeno estudo sobre o significado dos Nodos Lunares numa
perspectiva medieval venha contribuir para uma visão diferente dos mesmos, e
quem sabe proporcionar-lhe algumas respostas a perguntas que até hoje não tenha
conseguido responder.

Os Nodos Lunares (pontos de intersecção) são originados na intersecção entre a


órbita da Lua e a eclíptica (o percurso aparente do Sol), devido a um desfasamento
de aproximadamente 5º e 8’ existente entre ambos os percursos (o da Lua e o do
Sol).
O Nodo Norte ou o Nodo Ascendente é aquele em que a Lua cruza a eclíptica ao
passar de Sul para Norte do percurso por ela definido.
O Nodo Sul ou o Nodo Descendente é aquele em que a Lua cruza a eclíptica ao
passar de Norte para Sul.
O sistema de cáculo que usualmente se designa por « True Node » é aquele que
nos indica a sua posição ‘exacta’. O « True Node », devido às perturbações orbitais
provocadas pelas oscilações da Lua, pode estar em movimento retrógrado ou
directo.
O que se designa por « Mean Node » é aquele que é calculado de acordo com a sua
velocidade média, excluindo as perturbações orbitais causadas pela oscilação da
Lua o que faz com que o seu movimento seja constantemente retrógrado.
Os Nodos Lunares estão sempre opostos um ao outro e movem-se em sentido
inverso através do Zodíaco. O ciclo dos Nodos é de 18.6 anos e o seu movimento
diário aproximado é de 3’ de arco.

Al-Qabisi (Alcabitius): The Introduction to Astrology - Capítulo 2, Pág. 87


A Cabeça do Dragão é benéfica. A sua natureza é composta pela natureza de
Júpiter e de Vénus. Ela indica domínio, boa fortuna e posse.
Alguns dizem que a sua natureza é aumentar. Se ela estiver com os benéficos ela
aumenta a boa fortuna deles; se ela estiver com os maléficos, aumenta a má
fortuna deles.
A Cauda do Dragão é maléfica. A sua natureza é composta da natureza de Saturno
e Marte. Ela indica baixeza, queda e pobreza.
Alguns dizem que a sua natureza é diminuir. Se ela estiver com os benéficos ela
diminui a boa fortuna deles; se ela estiver com os maléficos ela diminui a má
fortuna deles. Contudo é dito que a Cabeça é benéfica com os benéficos e maléfica
com os maléficos; a Cauda é maléfica com os benéficos e benéfica com os
maléficos.

Al-Biruni: The Book of Instruction in the Elements of the Art of Astrology -


383, Pág. 233

Muitos astrólogos atribuem uma natureza clara ao nodo ascendente e descendente,


dizendo que o primeiro é quente e benéfico e denota um aumento em todas as
coisas, e o último frio, maléfico e acompanhado de uma diminuição de influências.
É relatado que os Babilónios defendiam que o nodo ascendente aumenta os efeitos
de ambos os planetas, maléficos e benéficos, mas nem todas as pessoas aceitam
esta opinião, por a analogia aparentar ser particularmente forçada.

Guido Bonatti: Liber Astronomiae - Segundo tratado, Parte 2, Capítulo XXX,


Pág. 35

Eles colocaram Gémeos como a exaltação da ‘Caput Draconis’, porque Gémeos é o


primeiro signo bicorpóreo e mutável depois de Carneiro, e ‘Caput Draconis’ é
igualmente bicorpórea porque é composta de duas naturezas, nomeadamente de
Júpiter e Vénus, que são as duas fortunas. Sagitário é colocado como a exaltação
da ‘Cauda Draconis’ porque Sagitário é oposto a Gémeos, como a ‘Cauda’ também
o é para a ‘Caput Draconis’.

Capítulo XXXI, Pág. 35

‘Caput Draconis’ tem a sua queda em Sagitário e a ‘Cauda Draconis’ em Gémeos.

William Lilly: Christian Astrology - Livro I, Pág. 83

A Cabeça do Dragão é masculina, da natureza de Júpiter e Vénus, e por si mesma


uma fortuna; todavia os antigos dizem que estando em conjunção com os bons é
boa, e em conjunção com os planetas maus eles consideram-na má.
A Cauda do Dragão é feminina por natureza e totalmente contrária à Cabeça; por
ela ser maligna quando ligada com planetas bons, e benigna quando em conjunção
com os planetas malignos. Esta é a constante opinião de todos os antigos, mas
sobre que razão é fundamentada eu desconheço; eu sempre achei a Cabeça do
Dragão equivalente a qualquer uma das fortunas, e quando ligada aos planetas
maus diminui o seu significado malévolo; quando ligada aos bons aumenta o bem
prometido por eles: em relação à Cauda do Dragão, eu sempre verifiquei na minha
prática que quando está ligada a planetas maus, a sua malícia ou o mal
intencionado por essa ligação era duplicado e triplicado, ou extremamente
aumentado, etc., e quando acontece estar em conjunção com qualquer das fortunas
que são significadoras da questão, apesar do assunto estar razoavelmente
prometido pelo significador principal e provavelmente levado à perfeição em pouco
tempo; sucedem-se muitas dificuldades e perturbações, muitas discussões e
grandes controvérsias, que o assunto está dado muitas vezes por perdido antes de
se chegar a uma perfeita conclusão; e a não ser que os principais significadores
estejam angulares e bem fortalecidos em dignidades essenciais, muitas vezes
inesperadamente o assunto inteiro dá em nada.

John Partridge: Mikropanastron - Centilóquio de Hermes, Aforismo 66, Pág.


300

O Nó Norte com as infortunas denota desgraças terríveis, pois isso aumenta a sua
maldade; mas com as fortunas, promove o bem e aumenta a sua benignidade; mas
as significações do Nó Sul devem ser tomadas no sentido inverso.

Um primeiro ponto a realçar é que os Nodos sendo pontos espaciais que não têm
luz própria não podem aspectar outros Planetas, eles só influenciam outros Planetas
por Conjunção.
A prática leva-me a acreditar que Planetas Conjuntos ao Nodo Norte estão
acidentalmente dignificados (as características dos Planetas são aumentadas) e que
Conjuntos ao Nodo Sul debilitados (as características dos Planetas são diminuídas).
Planetas dignificados têm um maior poder de acção tanto para o bem como para o
mal, contudo aqui é preciso usar bom senso; um Júpiter a 14º de Peixes na Casa X,
Conjunto ao Nodo Sul não pode ter a sua capacidade de acção diminuída pela sua
Conjunção ao Nodo, uma vez que está essencialmente e acidentalmente
dignificado, em Regência, Termo, Face e Angular; igualmente o poder de acção de
um Saturno Conjunto ao Nodo Norte a 17º de Balança na Casa VII, na sua
Exaltação, Triplicidade, Face e Angular, o que chamamos de um maléfico tornado
benéfico, pois possui muita dignidade essencial e acidental não pode ser malévolo
devido à Conjunção ao Nodo.
Apesar da necessidade de usar o bom senso no que diz respeito à interpretação dos
Nodos e também da necessidade de compreender bem os textos antigos, venho
mais uma vez reiterar que o grande conhecimento dos antigos mestres continua
muito válido e de grande utilidade para a compreensão de determinadas
configurações celestes, o que se pode verificar no que diz respeito aos Nodos
Lunares.