EIXO TEMÁTICO METROLOGIA

Prof. André Roberto de Sousa

ÍNDICE

1.

Qualidade e segurança de produtos e serviços automobilísticos ____________ 6
1.1 1.2 1.3 Importância para a Indústria e para a sociedade _____________________________ 8 Normalização, Regulamentação Técnica e Avaliação de conformidade _________ 10 A Metrologia __________________________________________________________ 15 Presença e importância na vida do cidadão e da sociedade __________________ 18 Presença e importância nas atividades técnicas ___________________________ 19

1.3.1 1.3.2

2.

Presença da Metrologia na área automobilística _________________________ 22
1.1. 2.2 2.3 2.4 Metrologia no Desenvolvimento de produtos _______________________________ 23 Metrologia no Controle de Processos e Produtos ___________________________ 24 Metrologia na Manutenção e assistência técnica____________________________ 26 Metrologia na Inspeção veicular__________________________________________ 28

3.

Fundamentos metrológicos __________________________________________ 30
3.1 3.2 3.3 3.4 O Processo de medição_________________________________________________ 30 Erros e Incertezas de medição ___________________________________________ 33 Características metrológicas de instrumentos______________________________ 38 A Importância dos resultados confiáveis __________________________________ 41

4.

Metrologia Dimensional ______________________________________________ 43
4.1 Sistemas de unidades __________________________________________________ 43 Sistema métrico _____________________________________________________ 43 Sistema Inglês ______________________________________________________ 48 Conversões de Unidades _____________________________________________ 50

4.1.1 4.1.2 4.1.3 4.2

Instrumentos de medição básicos ________________________________________ 51

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2

4.2.1 4.2.2 4.2.3 4.3

Réguas graduadas (escalas flexíveis) ___________________________________ 51 Escalas articuladas __________________________________________________ 57 Trenas ____________________________________________________________ 57

Calibradores e Verificadores_____________________________________________ 59 Calibradores _______________________________________________________ 59 Verificadores _______________________________________________________ 65

4.3.1 4.3.2 4.4

Paquímetros __________________________________________________________ 71 Tipos e usos _______________________________________________________ 73 O Princípio do Nônio _________________________________________________ 75 Cálculo da resolução _________________________________________________ 77 Paquímetro no sistema métrico ________________________________________ 78 Paquímetro no sistema inglês __________________________________________ 87 Evitando erros de medição ____________________________________________ 94 Utilizando corretamente o paquímetro ___________________________________ 96 Cuidados com a conservação dos paquímetros ___________________________ 99

4.4.1 4.4.2 4.4.3 4.4.4 4.4.5 4.4.6 4.4.7 4.4.8 4.5

Micrômetros _________________________________________________________ 100 Tipos e aplicações__________________________________________________ 103 Micrômetros no sistema métrico _______________________________________ 106 Micrômetros no sistema Inglês ________________________________________ 114 Cuidados com a operação e conservação dos Micrômetros _________________ 120

4.5.1 4.5.2 4.5.3 4.5.4 4.6

Relógios comparadores________________________________________________ 121 Tipos de relógio ____________________________________________________ 121 Mecanismo de amplificação __________________________________________ 124 Utilização e Conservação ____________________________________________ 126 Relógio apalpador __________________________________________________ 127 Leitura nos relógios _________________________________________________ 128

4.6.1 4.6.2 4.6.3 4.6.4 4.6.5 4.7

Medidores internos com relógio_________________________________________ 131 Procedimentos de uso do comparador __________________________________ 134

4.7.1 4.8

Medição tridimensional ________________________________________________ 137 Princípio de medição ________________________________________________ 138 Potencialidades e Presença na Indústria Automotiva ______________________ 140 A máquina de medir por coordenadas __________________________________ 142 Iniciando a medição ________________________________________________ 146

4.8.1 4.8.2 4.8.3 4.8.4

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8. André Roberto de Sousa Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 4 .4. e destina-se exclusivamente a apoiar os alunos do Curso Técnico de Automobilística do CEFET-SC na área de Metrologia.6 4. sem nenhum fim comercial.8.2 5. Prof.1 5.8.INMETRO _______________________________ 159 6. Calibração de instrumentos de medição _______________________________ 153 5.5 4.3 5.8 Tipos e tamanhos de Máquinas de Medir por Coordenadas _________________ 148 A técnica de construção de elementos geométricos _______________________ 150 Medição programada _______________________________________________ 151 Erros e Incertezas __________________________________________________ 152 5.8. A sua utilização para fins comerciais e fora do contexto do CEFET-SC não está autorizada.7 4.4 Importância para a qualidade das medições ______________________________ 153 Exemplo de calibração_________________________________________________ 155 Exigência de normas de qualidade ______________________________________ 157 A Rede Brasileira de Calibração . BIBLIOGRAFIAS ___________________________________________________ 160 Esse material possui fins puramente didáticos.

o que proporcionou enormes avanços em termos de desempenho e confiabilidade dos veículos. André Roberto de Sousa Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 5 .A metrologia como ciência das medições está na base de qualquer atividade técnica e é a mola que impulsiona o desenvolvimento tecnológico e a qualidade de produtos e serviços na área automobilística. Nessa apostila. A evolução tecnológica ocorrida na área automobilística nos últimos anos aumentou a produtividade das empresas fabricantes e incluiu tecnologias bem mais complexas. Em todas essas atividades a qualidade das medições é indispensável para a qualidade de produtos e serviços. a metrologia está presente em cada procedimento de montagem. as empresas teriam sérios problemas em seus processos e nós consumidores estaríamos sujeitos a produtos com qualidade muito deficiente. Nas atividades de assistência técnica. as medições estarão em todas as operações de controle de qualidade para ajustar os processos a produzirem sempre produtos dentro das especificações.INTRODUÇÃO A metrologia é a bússola que nos orienta a caminhar na direção certa para produzir bens e serviços com segurança e qualidade. muitas delas. Todo o avanço no desempenho e segurança dos veículos não ocorreria sem os inúmeros testes e medições realizados durante as etapas de desenvolvimento de componentes e do veículo. e conhecerá instrumentos e técnicas de medição que serão de grande importância para toda a sua vida profissional. você reconhecerá a importância da metrologia no cotidiano e nas atividades técnicas na área de automobilística. onde as tecnologias são testadas exaustivamente e. Não existem bons produtos e serviços sem que os profissionais atuantes empreguem métodos e instrumentos adequados para realizar as medições de forma confiável. desmontagem. Com a grande tecnologia instalada nos veículos. A Fórmula 1 é um exemplo de campo de testes para os fabricantes. Sem essas medições. são introduzidas nos carros de passeio. as atividades de manutenção há muito deixaram de ser meros apertos de parafusos. Uma vez que o produto está em produção. Prof. diagnóstico e análise de falhas.

caminhões.1. As muitas atividades que giram em torno da produção de veículos automotores empregam milhares de pessoas. Cadeia produtiva é um agrupamento de empresas do mesmo setor que atua de forma coordenada e em parceria para atingir um objetivo comum. Por sua importância estratégica para a indústria e para a vida cotidiana de todos nós. ônibus e máquinas agrícolas? A presença indispensável dos veículos automotores no nosso dia a dia A produção de veículos desencadeia uma série de atividades de produção e de serviços. pelas montadoras e chegando até a manutenção e assistência técnica dos veículos. Qualidade e segurança de produtos e serviços automobilísticos A indústria automotiva é um setor produtivo de importância estratégica para qualquer país industrializado. Os consumidores Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 6 . geram renda para o País. motos. resumindo o que se chama de cadeia produtiva da indústria automotiva. impostos para os governos e produzem bens e serviços indispensáveis para a sociedade. desde as indústrias de base que fornecem as matérias-prima. os produtos e serviços produzidos dentro da cadeia produtiva da indústria automotiva precisam apresentar um alto nível de qualidade e uma grande segurança operacional. passando pelas indústrias de autopeças. A próxima figura mostra essa seqüência de atividades. • Você consegue imaginar hoje em dia um mundo sem automóveis.

etc) . perfis. etc) • Outros (vidros. pois. Indústria deinsumos básicos • Metais ferrosos (bobinas. eletroeletrônicos tintas e resinas. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 7 . chapas. papelão. chumbo. polímeros. etc) • Metais não ferrosos (cobre. arames de aço. alumínio. os produtos e serviços devem procurar satisfazer totalmente os consumidores. indispensáveis para a competitividade das empresas no mercado e para a segurança e satisfação dos consumidores. Indústria deautopeças • Motores e complementos • Peças para câmbio • Peças para suspensão • Peças para sistema elétrico • Peças paracarroceria • Peças de acabamento e acessórios Indústria montadora de auto-veículos • Automóveis • Comerciais leves • Ônibus • Caminhões • Máquinas agrícolas Revendedores e distribuidores autorizados deveículos CLIENTE FINAL Cadeia produtiva da indústria automotiva Além de garantir a segurança. zinco. A qualidade e segurança nas atividades da área automotiva são. as exigências por desempenho e confiabilidade nos veículos são cada vez maiores e o mesmo se exige das atividades de manutenção. eles irão buscar outros produtos e serviços. Hoje.borracha. madeira.etc) • Não metálicos (cortiça.não podem ser expostos a riscos ou serem enganados por produtos e serviços de baixa qualidade. Todos nós procuramos os serviços de assistência técnica que consigam realizar as atividades de manutenção da forma mais eficiente e no menor custo. os produtos e serviços devem ser construídos dentro de bons padrões técnicos e passar por avaliações para comprovar o atendimento às suas especificações. Para garantir essa segurança. estanho. tubos. Se as empresas não conseguem atingir esses objetivos e satisfazer os consumidores. amianto. produtos químicos.

o consumidor estará satisfeito e o produto terá um conceito de boa qualidade. Sendo mais eficiente. de forma a se tornarem mais produtivos e eficientes (próxima figura). Na produção automotiva. De forma semelhante. a qualidade e segurança dos produtos é importante na medida em que isso irá deixar os clientes seguros e satisfeitos. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 8 . Um carro popular foi projetado para ter certas características e um jipe para ter outras características. Acidentes provocados por produtos e serviços de má qualidade geram grandes prejuízos de imagem para a empresa.1 Importância para a Indústria e para a sociedade Para as empresas. os veículos são produzidos e chegam até os consumidores. produtos e serviços de má qualidade que chegam até os clientes são um péssimo marketing para a empresa. Sendo mais produtiva. além de todos os eventuais problemas para os seus clientes (figura abaixo). Problemas de qualidade e segurança em produtos automotivos O conceito de qualidade está associado ao atendimento da função para o qual o produto ou serviço foi produzido. Se os veículos atendem a essas especificações técnicas. que os compraram por causa das características técnicas anunciadas.1. PROBLEMAS NA PRODUÇÃO DA AUTOPEÇA PRODUTOS DEFEITUOSOS ENVIADOS PARA A MONTADORA FALHA DOS PRODUTOS DEFEITUOSOS • Produtoso defeituosos e não detectados pelo Controle de qualidade Consequências: • Acidentes • Defeitos • Recall de produtos • Perda de clientes • Etc. a empresa pode praticar preços mais baixos e competir em melhores condições no mercado. as empresas empregam todos os esforços e investem pesados recursos para melhorar os seus métodos de trabalho. Diante da grande concorrência existente entre os muitos fabricantes de automóveis e entre os diversos prestadores de serviços de manutenção. diminui a probabilidade de ocorrerem produtos e serviços fora de especificação e aumentam as chances de satisfação dos clientes. Após o projeto. cada veículo é projetado para atender certos requisitos técnicos.

o consumo aumenta. peças começam a fazer ruídos. prejuízo para os consumidores e meio ambiente. As pessoas não podem ser prejudicadas por produtos e serviços de má qualidade ou que ponham em risco a sua saúde. a qualidade e segurança de produtos e serviços automotivos são importantes para a garantia de se ter bons produtos e serviços pelo dinheiro que pagam. falham de acabamento vêm à tona.PRODUÇÃO COM QUALIDADE E PRODUTIVADE PRODUTO EFICIENTE COM PREÇO COMPETITIVO CLIENTE SATISFEITO EMPRESA COMPETITIVA NO MERCADO Qualidade e produtividade para a empresa competir Para a sociedade e para os consumidores. Situações como essas. mas o problema volta em pouco tempo ? • Que imagem você faria de um posto de combustíveis que lhe vende combustível adulterado e coloca óleo lubrificantes de baixa qualidade no seu automóvel ? • O que você pensa de fabricantes de automóveis que estão a todo momento fazendo chamada generalizada de carros para a reposição de peças defeituosas (“Recall”) ? • Qual a impressão você teria sobre empresas de transporte rodoviário que negligencia na manutenção da frota e coloca em risco a vida de pessoas e a segurança do meio ambiente ? Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 9 . o desempenho cai. ao rodar algumas centenas de km. ? • Qual seria sua impressão de um fabricante de autopeças que produz componentes de baixa qualidade que falham bem antes do prometido ? • Que imagem você teria de uma oficina que faz manutenção no seu carro. etc. vazamentos ocorrem. perda de imagem das empresas. as suas expectativas não podem ser frustradas. cobra caro por isso. Uma vez que o cliente se dispôs a investir em um produto ou serviço levados por propagandas de qualidade e segurança. que ocorrem a todo o momento. são responsáveis por acidentes. • Que imagem você teria de um automóvel que acaba de comprar e.

atividades ou métodos produtivos. Até jantares sofisticados têm normas precisas de atitudes conhecidas como etiqueta. as empresas sérias buscam a todo o momento produzir bens e serviços automotivos dentro de bons padrões de qualidade e segurança. Mas. Na área técnica. Não basta fazer. É a obediência às recomendações Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 10 . são bem estabelecidas. se os processos de produção ou prestação de serviços são sujeitos a erros ? PROCESSO COM IMPERFEIÇÕES COMO GARANTIR PRODUTOS 100% BONS ? PROJETO MATERIAIS MÃO DE OBRA MÁQUINA MÉTODO MEIO AMBIENTE MEDIÇÃO Garantia da qualidade dos produtos Nessa apostila você conhecerá algumas ferramentas e métodos indispensáveis para a garantia de qualidade de produtos e serviços automotivos. conformidade Regulamentação Técnica e Avaliação de As normas são regulamentos que padronizam ações. normas.2 Normalização. A vida em comunidade impõe a existência de diversas normas. até mesmo as normas de comportamento. A bíblia e outros livros sagrados nos oferecem normas de conduta bem específicas e de caráter universal.Tem que fazer bem feito. etc. como garantir a produção de bens e serviços sempre com boa qualidade para os clientes. manuais técnicos. ainda que primitivas. Comunidades de animais também seguem normas de conduta que. Sempre.Para fugir de situações como essas. tudo o que fazemos deve seguir métodos padronizados contidos em procedimentos internos. livros. 1.

Para ser exportado. os produtos precisam demonstrar estar em conformidade com certas exigências contidas em normas (próxima figura). NACIONAL Normas de Empresa EMPRESA Hierarquia das normas Atualmente no mundo globalizado em que vivemos. As normas técnicas são documentos que padronizam ações. As normas são fundamentais para a uniformização das atividades e para garantir os requisitos mínimos de qualidade e de segurança relacionado aos produtos e serviços. A intercambiabilidade significa que componentes produzidos em locais completamente diferentes possuem geometrias e tamanhos dentro de certas medidas de tal forma que possam encaixar uns nos outros e manter um funcionamento correto no produto..contidas nesses documentos que possibilita produzir produtos e serviços dentro de certas especificações de qualidade. .. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 11 . é imprescindível que exista uma padronização de atividades na produção e prestação de serviços. atividades ou métodos produtivos. BSI. de um determinado setor ou ser aplicada somente dentro da empresa. ANSI. É essa padronização que permite a intercambiabilidade entre componentes na produção e que permite definir os requisitos mínimos de segurança que certos produtos e serviços precisam atender. Podem ter validade internacional. DIN. ISO IEC INTERNACIONAL Normas Regionais MERCOSUL REGIONAL Normas Nacionais ABNT. nacional.

?! Falta de normalização impede o uso do produto Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 12 . o mercado a obriga a seguir essas normas. caso contrário seus produtos não serão vendidos. os produtos e serviços que não estão de acordo com as normas estipuladas têm maior dificuldade para sua aceitação no mercado. Também na área automotiva. Contudo. assim. Embora a empresa de tomadas não seja obrigada por lei a seguir nenhuma norma em relação ao formato dos pinos do plug. A eficiência de uma oficina de manutenção pode ser atestada por normas de qualidade como a ISO9000. não impedem que nenhum produto ou serviço seja comercializado.Importância da intercambiabilidade entre peças Todas as atividades de manutenção automotiva são realizadas segundo procedimentos técnicos contidos em manuais e normas. A normas possuem caráter voluntário e. a certificação de mecânicos pela ASE (Automotive Service Excelence) revela que eles passaram por uma avaliação e demonstraram estar em conformidade com os requisitos das normas dessa associação. A figura a seguir mostra um problema da falta de normalização. o que revela que a empresa passou por uma auditoria e teve a sua organização e métodos de trabalho aprovados.

de motociclista e pneus atender serem obrigatoriamente técnicos para Com base nos requisitos técnicos especificados por normas e regulamentos. orientar e supervisionar o processo de elaboração das normas nacionais. na atividade conhecida como avaliação de conformidade. Este é um poderoso instrumento tanto para proteger o consumidor quanto para o desenvolvimento da qualidade dos produtos e das empresas. entidade privada criada com o objetivo de coordenar. processo. Diferentemente das normas. Extintores de incêndio. proteção dos consumidores contra práticas comerciais enganosas e compra inadvertida de produtos inadequados ao uso.No Brasil. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 13 . serviço. processo ou serviço atende aos requisitos especificados e confirma ou não se os regulamentos/normas estão sendo cumpridos. Esse conceito demonstra que um produto. os regulamentos técnicos possuem caráter obrigatório e são estabelecidos pelo governo através de diversos agentes. as normas são elaboradas no âmbito da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. sistema ou até mesmo pessoas podem ser avaliados e testados desde que uma norma ou regulamento técnico tenham sido estabelecidos (próxima figura). A avaliação da conformidade verifica se um produto. para assegurar algumas metas como a garantia da segurança e saúde dos consumidores. em suas áreas de competência. capacetes precisam regulamentos comercializados. Os produtos que não estiverem de acordo com tais regulamentos não podem ser comercializados. são realizadas verificações da adequação do produto. além da proteção do meio ambiente.

pessoas e sistemas. Da mesma forma o transporte de cargas perigosas também precisar atender a normas de segurança e em alguns países todos os veículos é avaliado anualmente para verificar as suas condições de segurança e nível de poluição ambiental (figura abaixo). as empresas têm procurado avaliar e certificar os seus produtos. Dessa forma. mesmo em situações em que a avaliação de conformidade não é obrigatória. serviços. que é a base da confiança que os consumidores possuem em relação a eles. Esses veículos são levados a algum órgão de inspeção credenciado pelo INMETRO e avaliados tecnicamente para verificar a sua adequação a normas de segurança. aumenta a procura por produtos e serviços certificados. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 14 . serviços e pessoas que passam por avaliações de conformidade recebem certificados de conformidade. Avaliações de conformidade em veículos e em cargas perigosas (Gava) Os produtos. Com a crescente conscientização dos consumidores.Avaliação da conformidade em capacetes para motociclistas Veículos automotores que sofrem alguma alteração na sua estrutura também são objeto de avaliação obrigatória.

Se o produto atende as especificações está em conformidade e se não atende está não conforme. Com o passar do tempo e o aumento do comércio e da produção. Isso afasta a idéia de que um produto com qualidade é simplesmente um “produto bom”. através do emprego da Metrologia. A palavra qualidade tem sido utilizada de forma abusiva. o volume de um líquido e muitas outras situações são exemplos de necessidades que o homem tinha para expressar em números alguns fenômenos físicos. sem nenhuma precisão. foram as primeiras unidades de medida de comprimentos. etc. com isso. a extensão de terras. Devido às dificuldades técnicas daquela época. todas as características de desempenho de um produto são medidas para verificar se atendem as suas especificações. por exemplo. na medição nós precisamos de unidades de medição que sejam bem definidas. universais e aceita por todos. O desenvolvimento das técnicas de medição trouxe a possibilidade de facilmente comparar produtos por meio de características bem definidas. Na área técnica. essa avaliação de conformidade não se faz sem que existam métodos de medição e ensaio que possam atestar a qualidade. geralmente para rotular um produto como bom ou ruim. as unidades de medida eram referenciadas a padrões muito simples. essa necessidade foi ficando maior e. As partes do corpo humano de um rei. número de tijolos. pedras e objetos metálicos variados eram usados em balanças de pratos para a pesagem de produtos (próxima figura). foram surgindo os padrões e as unidades de medida. A quantidade de ouro. pois eram universais e podiam ser verificadas pro qualquer pessoa. melhor dizendo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 15 . Na área de massa. Diferentemente de um processo de contagem em que somente um número é suficiente (número de pães.).Nos produtos e serviços.3 A Metrologia Desde os tempos mais antigos o homem precisou expressar certas quantidades através de medições. 1. A avaliação de produtos e serviços está sempre baseada em alguma medição ou. número de melões.

Unidade (de medida) é uma grandeza especifica. de máquinas. a carga máxima de um veículo. esses padrões foram surgindo e sendo aperfeiçoados até chegarmos à situação que temos atualmente. em que todas as medições estão referenciadas a unidades de medida reconhecidas e aceitas internacionalmente. o que dificultava muito as transações comerciais entre os povos. Com o passar do tempo. a potência de um motor e o torque de aperto de um parafuso são alguns exemplos da padronização através de unidades de medição. Como trocar produtos sem uma base de comparação única ? Para resolver esse problema. definida e adotada por convenção. pois esses padrões variavam de região para região ou mesmo de pessoa para pessoa. com a qual outras grandezas de mesma natureza são comparadas para expressar suas magnitudes em relação àquela grandeza. era necessário estabelecer padrões de medida que fossem muito precisos e que todos o reconhecessem como a referência primária das medições. O tamanho de uma chave de boca. Isso permite que resultados de medições realizadas em partes diferentes do mundo possam ser comparados entre si.Primeiros padrões de medição utilizados Essa situação criava grandes problemas. de produtos e serviços. o que permite a padronização de atividades produtivas. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 16 .

que trata da definição e manutenção das grandezas elétricas que são referência para todas as medições nessa área. Por causa da grande quantidade de grandezas físicas. normas e procedimentos de medições aplicáveis na área elétricas. As quantidades e os tipos de componentes de um alimento ou medicamento são determinados através da metrologia química. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 17 . A metrologia é a ciência da medição. que inclui todas as grandezas utilizadas para a caracterização química e quantificação de materiais e substâncias. Abrange todos os padrões. Trata dos conceitos básicos. dos erros e sua propagação. e engloba todos os fenômenos. Dentre esses campos podemos citar: • Metrologia Elétrica. • Metrologia Química. dos métodos. a metrologia possui vários campos de atuação.000 m 3 Carga máxima: 40 t Chave 10 (mm) Ruído: 65 db Voltagem: 220 V Potência máxima: 800 CV Caracterização e padronização metrológica de produtos e serviços A ciência que trata de tudo isso se chama de Metrologia. ou ciência das medições.Velocidade máxima: 320 km/h Frequência interna: 1 GHz Tela de 14 polegadas Consumo: 9 km/l Consumo de energia da sua casa: 120 kWh Volume: 1 litro Gordura: 6 g Valor calórico: 120 kCal Pressão arterial Volume máximo = 80 m3 Aro de 14 polegadas Volume = 10. sistemas de medição. das unidades e dos padrões envolvidos na quantificação de grandezas físicas. instrumentos e procedimentos envolvendo as medições e unidades de medida.

e uma área que é muito importante para a indústria e serviços na área automotiva. massa. Ao longo da nossa vida. da sociedade e da indústria. 1.1 Presença e importância na vida do cidadão e da sociedade Por sua presença constante ao longo da nossa vida.• Metrologia Mecânica que engloba as áreas de temperatura. que inclui toda a parte de medições de comprimento e ângulos e possui importância estratégica em qualquer atividade técnica na área de mecânica. etc.3. a metrologia tem importância fundamental no cotidiano do cidadão. ao medir a temperatura do corpo e em muitas outras situações estamos praticando atividades metrológicas essenciais para a nossa vida. nos deparamos com situações que estão sempre precisando de alguma medição. Ao acordar e olhar para o relógio. Os tamanhos de peças que se compra ou fabrica precisam estar dentro de medidas bastante precisas. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 18 . ao pesar o prato no restaurante. É a metrologia dimensional. ao abastecer o carro. caso contrário corre-se o risco de haver problemas de montagem ou falhas de desempenho no produto final (figura abaixo).. força. METROLOGIA MECÂNICA DIMENSIONAL FORÇA PRESSÃO MASSA VOLUME TEMPERATURA Área da Metrologia mecânica que trata das medições de comprimentos e ângulos Subdivisões da Metrologia mecânica e a metrologia dimensional Essa área de metrologia dimensional e a sua presença no setor automobilístico são o objeto de estudo dessa apostila e do eixo temático de metrologia nesse curso técnico de mecânica. pressão.

As condições ambientais do ar e das águas são continuamente monitoradas através de medições. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 19 . industriais e de serviços. os exames dos mais simples aos mais sofisticados empregam medições para o diagnóstico e tratamento de doenças. Na Indústria. Na área médica.2 Presença e importância nas atividades técnicas Nas empresas técnicas. Esses são alguns pequenos exemplos da importância da metrologia na nossa vida.3. As especificações técnicas dos componentes a serem fabricados e estão todas baseadas em unidades de medição (próxima figura). a especificação de materiais e dos componentes a serem comprados também obedece a padrões técnicos baseados em unidades de medição. As quantidades dos produtos e serviços que consumimos são padronizadas por medições e a qualidade dos produtos que consumimos ou utilizamos é avaliada através de ensaios laboratoriais para verificar a sua adequação ao uso e consumo.A saúde e proteção do consumidor e do meio ambiente também é grandemente ajudada pela metrologia. 1. as medições são realizadas ainda na etapa de projeto do produto. Da mesma forma. a metrologia está na base de qualquer atividade técnica que sustenta todas as ações de melhoria e garantia da qualidade de produtos e serviços. para indicar alguma irregularidade e tomar as ações corretivas. Toda e qualquer atividade técnica irá precisar de alguma medição ao longo da sua execução.

para verificar se as especificações técnicas colocadas no projeto dos componentes estão de fato sendo atendidas.EXIGÊNCIAS SOBRE O EIXO VIRABREQUIM • • • • • • Impactos Deformações Velocidade Temperatura Corrosão … PROJETO ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS • Tamanhos e formas (mm) • Peso (kg) • Resistência mecânica (kgf/mm2) • Dureza (HB. Produtos fora de especificação são afastados para retrabalho e mesmo o descarte (próxima figura). que indicam o caminho a ser seguido para a otimização de performance do produto (figura abaixo). um produto passa por muitas e muitas horas de testes e por muitos melhoramentos. medições são realizadas e. Antes de entrar em produção. …) •… As especificações técnicas precisam de unidades de medição Após o projeto inicial vem a etapa de desenvolvimento. Esse desenvolvimento tecnológico e melhoria de qualidade só são possíveis por meio de práticas metrológicas confiáveis. parte-se para a etapa de produção. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 20 . caso algum desvio seja identificado. HRC. ENSAIOS E TESTES PROJETO INICIAL PROJETO OTIMIZADO MELHORAMENTOS A Metrologia está nos testes que levam ao desenvolvimento dos produtos Uma vez que as condições ótimas do produto estão definidas. quando muitas medições e testes são realizadas para melhorar a sua eficiência e confiabilidade e para fazê-lo atender a certas exigências de clientes. na qual a metrologia continua a exercer uma função indispensável e muito importante nas operações de controle de qualidade de processos e de produtos. ações corretivas são realizadas para manter o processo sob controle. até ter o seu desempenho melhorado e a sua confiabilidade comprovada. normas e órgãos legais. Em várias etapas.

Nas atividades de assistência técnica. Problemas como esse prejudicam enormemente os esforços da empresa para conquistar clientes. Muitas medições serão realizadas para identificar ferramentas. Medições são fundamentais nas atividades de manutenção Em qualquer dessas etapas. as atividades de manutenção e assistência técnica devem dar o apoio necessário para que a eficiência e segurança desse produto se mantenham ao longo do tempo (próxima figura). a metrologia também está presente a todo o momento. (Confederação Nacional da Indústria).A Metrologia é a base das atividades de controle de qualidade na produção Uma vez que esse produto está no mercado já com o seu dono. diagnosticar falhas. Certamente a empresa causadora do problema terá sérias dificuldades para vencer novos pedidos de compra com esse cliente não satisfeito. A busca da metrologia como diferenciador tecnológico e comercial para as empresas é. metrologia e avaliação da conformidade. e as empresas deverão investir recursos (humanos. uma questão de sobrevivência. materiais e financeiros) para incorporar e harmonizar as funções básicas da competitividade: normalização. analisar desgastes. na verdade. mais cedo ou mais tarde. problemas serão percebidos e as suas causas descobertas. etc. verificar os tamanhos de peças. produtos e serviços mal realizados chegarão até o seu cliente e. No mundo competitivo em que estamos. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 21 . caso a empresa pratique uma metrologia sem confiabilidade. não há mais espaço para medições sem qualidade.

2. Neste capítulo 2. que traz as etapas que compõem o ciclo de vida de um veículo. até o final do ciclo com as atividades de manutenção e assistência técnica. DE DESENVOLVIMENTO Trabalha tecnicamente as necessidades do mercado. DE MARKETING Analisa continuamente o mercado e capta as necessidades e oportunidades DEPTO. As etapas. para transformá-las em produtos • • • • • • Esboço de conceitos Simulações computacionais Construção de protótipos Testes e melhoramentos Definição do produto Projeto para produção • Tipo de veículo • Faixa de potência • Acessórios • Faixa de preço • Volume de vendas • Concorrência •… ASSISTÊNCIA TÉCNICA Dá suporte aos clientes na manutenção do veículo. desde as primeiras análises de mercado para verificar as preferências e necessidades dos consumidores. DE PRODUÇÃO Se encarrega de produzir os veículos conforme as especificações detalhadas no projeto Planejamento dos processos Compra de materiais Compra de autopeças Fabricação dos componentes Integração e montagem Testes e expedição • Realizar a manutenção preventiva • Identificar e corrigir problemas • Orientar usuário a lidar com o veículo • Comunicar a fábrica sobre anormalidades Ciclo produtivo do setor automobilístico Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 22 . de forma rápida e eficiente CLIENTE Adquire o veículo em função das especificações divulgadas • Robusto • Confortável • Econômico • Veloz •… • • • • • • DEPTO. observemos a figura abaixo. MERCADO Tendências e Necessidades DEPTO. você irá conhecer as atividades principais onde a metrologia está presente na setor automotivo. Presença da Metrologia na área automobilística Para que percebamos a penetração da metrologia nas atividades da área automotiva.

Com base nos resultados dessas medições. muitas e muitas atividades de medição serão realizadas até que as condições mais adequadas tenham sido atingidas. Após os esboços e construção dos protótipos. Antes de o motor entrar em produção. os profissionais vão empregar todos os esforços e tecnologias para trabalhar tecnicamente a necessidade do consumidor e desenvolver o produto. Essa informação é. então. nível de poluentes. através do seu departamento de marketing. (próxima figura) se fazem muitos ensaios para verificar a sua performance. é alertada de que o mercado está precisando de um determinado produto e que existe a oportunidade de lançar um novo produto nessa área. Medições erradas favorecem que componentes com defeitos de projeto sejam aprovados. Esse desenvolvimento tecnológico e melhoria de qualidade só são possíveis por meio de práticas metrológicas confiáveis.1. para identificar essas oportunidades em potencial. consumo. várias alterações são realizadas para fazer o seu regime de funcionamento mais eficiente e a sua vida útil maior. Metrologia no Desenvolvimento de produtos No desenvolvimento de um veículo. etc. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 23 . por exemplo.2. No desenvolvimento de um motor. causando problemas com o “Recall” de veículos para troca de peças. vibrações. É atribuição das pessoas que trabalham nesse setor monitorar continuamente as tendências de mercado e da concorrência. existe uma infinidade de testes e medições aplicadas para poder verificar a performance dos componentes e do veículo. Se as medições não forem bem feitas. todo o trabalho começa quando a empresa. não há como se ter um bom produto. passada à área de desenvolvimento de produtos. Projeto original Análises Meta Ensaios ia iênc Efic Modificaçõ es Ensaios A nálises Modificaçõ es Condi ções estabelecidas Ensaios A nálises Projeto para produção Bancada de testes de motor e câmbio Modificações Metrologia atuando no desenvolvimento de um motor de combustão Assim ocorre com todos os componentes de um veículo e com ele próprio. Nesse momento a metrologia possui uma função indispensável para se chegar a um bom produto. antes que esse seja liberado para a produção. Nesse setor. que indicam o caminho a ser seguido para a otimização de performance do produto. ruído.

confiabilidade. Processo Controle de qualidade Peças Aprovado Despachado para o cliente Refugado Informações para ajustar o processo Metrologia no controle da produção de autopeças Assim. é indispensável que a metrologia seja empregada. Essa intercambiabilidade entre componentes mecânicos é um grande desafio para as empresas e a metrologia é a arma para vencer esse desafio (próxima figura). as atividades metrológicas na produção orientam os processos a produzirem componentes dentro dos limites de especificação. Em todo e qualquer processo de fabricação. segurança operacional. etc. do ambiente. certificação de conformidade para comercialização no Brasil ou exterior. Ao final da produção o produto será também testado e inspecionado em uma série de aspectos para verificar a sua eficiência. da máquina. reduzindo desperdícios e aumentando a produtividade. Para evitar problemas. Então.2. além de evitar que maus produtos cheguem até o cliente. irá produzir variações na qualidade dos produtos.2 Metrologia no Controle de Processos e Produtos Na etapa de produção existe a necessidade de garantir que os componentes estejam sendo produzidos de acordo com as especificações colocadas no projeto. Produtos fora de especificação serão afastados e os erros encontrados serão informados para corrigir os processos. Com o intenso comércio entre empresas de diferentes países. a influência do operador. hoje em dia é necessário garantir que componentes fabricados em locais totalmente diferentes sejam montados e funcionem perfeitamente. atendimento a requisitos de normas. as exigências de qualidade dos produtos nesse sentido têm aumentado muito. em todos os processos são realizadas medições para verificar se os componentes estão sendo bem produzidos e para ajustar possíveis desvios nos processos. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 24 . Com a globalização. etc.

as medições precisam apresentar um bom nível de confiabilidade metrológica. tem que medir com confiabilidade. uma metrologia sem confiabilidade provoca erros de avaliação de produtos e de controle de processos.Despachados para o cliente CLIENTE MONTAGEM E TESTES INSTALAÇÃO E TESTES CLIENTE FINAL A metrologia possibilita a intercambiabilidade entre componentes Diante do que foi colocado. com conseqüências imprevisíveis para a empresa e seus clientes. No entanto. fica claro a necessidade e importância da metrologia em todas as ações de melhoria e garantia da qualidade de produtos industriais. Medição das estruturas soldadas veículos Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 25 . Da mesma forma que uma bússola com problemas leva o viajante para a direção errada. para que cumpra a sua função. Não basta medir.

dentro e fora da garantia. que é o de identificar problemas que ocorrem com uma freqüência acima do normal. A área de assistência técnica possui. instrumento colocado junto à chave de aperto que orienta o mecânico sobre esse aperto. freqüentemente o mecânico precisa identificar tamanhos de de parafusos.2. uma missão bastante importante no ciclo de produção de um veículo. a assistência técnica contribui grandemente para que o problema seja solucionado nos próximos veículos produzidos ou mesmo para que os proprietários sejam convidados a trocar gratuitamente a peça. e utilizará Muitas instrumentos medição essa identificação. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 26 . na operação que se chama de “Recall”. ferramentas de manutenção são padronizadas quanto ao seu tamanho. que inclui principalmente: • • • • Revisões. Esses problemas podem indicar erros de projeto de um componente e. por exemplo. Manutenção corretiva e Orientação do usuário ao uso do veículo. etc.3 Metrologia na Manutenção e assistência técnica Uma vez que o veículo produzido foi vendido. A medição desse aperto é feita com um torquímetro. Sem essas medições é praticamente impossível identificar defeitos e realizar as correções necessárias. Muitos procedimentos de montagem são padronizados inteiramente quanto à seqüência de colocação de componentes e também quanto à intensidade do aperto dos parafusos. ainda. chaves de boca. Na manutenção de um sistema de injeção eletrônica. ao avisar a fábrica desse caso. Manutenção preventiva. para porcas. com uma série de atividades de assistência técnica. Nessas atividades. várias medições de grandezas mecânicas e elétricas são realizadas para um correto diagnóstico e ajuste do sistema. é necessário apoiar o usuário durante e após o período de garantia.

Na parte estrutural do veículo. Mais uma vez. ressalta-se a importância de medições de qualidade para obter resultados confiáveis que levem à solução dos problemas. O reparo de um motor com atividades de usinagem e troca de componentes só se faz de forma eficiente através de medições precisas em bloco. Medições com erros levam a um diagnóstico errado do problema e dificultam os ajustes e correções. A profundidade dos sulcos de pneus. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 27 . virabrequim e outros componentes. Medições para balanceamento de rodas e para a regulagem de geometria e faróis As análises de desgaste de peças são realizadas através de observações e também através de medições. A metrologia é indispensável para as atividades de reforma de motores Nesses exemplos e em muitas outras situações constata-se a grande presença da metrologia em atividades de manutenção automotiva. a geometria e o alinhamento de chassis. suspensão e pneus também são realizados com o auxílio de sistemas de medição mecânicos e ópticos. Da mesma forma o ajuste dos faróis emprega a metrologia (figura abaixo). a espessura de material em pastilhas e lonas de freio e o desgaste de peças do motor são exemplos de medições realizadas para identificar desgastes e corrigi-los.

O projeto do pára-choque traseiro de um caminhão também precisa estar de acordo com normas de segurança e passar em testes de resistência (figura abaixo). Essas atividades são conhecidas no mercado como Inspeção Veicular sendo realizadas por órgãos credenciados ao INMETRO. e são de grande importância para identificar irregularidades que possam causar acidentes. Atividades de Inspeção de veículos especiais O transporte de pessoas também é objeto de inspeção veicular. é uma das alterações que precisa ser verificada para comprovar o atendimento a normas de segurança veicular. vans escolares e similares também precisam ser verificadas para assegurar o cumprimento às normas (figura 2. poluir o meio ambiente e outras conseqüências desagradáveis.2. A legislação de trânsito contém vários itens relacionados aos requisitos técnicos que os veículos precisam atender para poder ser liberada a sua circulação. os veículos automotores precisam passar por medições para verificar se as suas características técnicas estão de acordo com as normas de segurança do trânsito. Inspeção de veículos de transporte coletivo (Grupo GAVA) Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 28 . por exemplo.9). O alongamento do chassi. As condições técnicas de ônibus. Um desses itens trata da inspeção de veículos que tenham passado por alguma alteração estrutural e veículos especiais.4 Metrologia na Inspeção veicular Em muitas situações.

Também é objeto de regulamentação a área de transporte de cargas perigosas. Caso contrário. o proprietário é obrigado a realizar os ajustes necessários para enquadrar o veículo dentro dos limites máximos permitidos. Os veículos que transportam tais cargas precisam atender a várias questões técnicas específicas dessa atividade e precisam passar por inspeções periódicas para verificar se está atendendo a essas normas. pois um laudo incorreto acerca da condição de segurança de um veículo pode causar grandes acidentes e trazer grandes complicações para o profissional responsável pela avaliação do veículo. Em muitos países anualmente os veículos são inspecionados e colocados em estações de teste que medem o nível de emissões do motor. Se estiver de acordo com as normas é liberado para circular. Medição do nível de emissões de poluentes Em qualquer dessas situações as medições devem ser realizadas com grande responsabilidade e confiabilidade. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 29 . Inspeção de veículos de transporte de cargas perigosas Um outro exemplo de medição na área de inspeção veicular ocorre na área de emissão de poluentes. como substâncias tóxicas e combustíveis.

deve haver um compromisso de buscar a confiabilidade nos resultados das medições. como você aprenderá em seguida. da sociedade e para o desenvolvimento tecnológico das empresas. pois nenhum instrumento ou operador é perfeito. tomando como exemplo a medição do diâmetro de um eixo. pedaços de corda.1 O Processo de medição Vamos analisar passo a passo como ocorre um processo de medição. Fundamentos metrológicos Como já vimos no início dessa apostila. Para que essa medição tenha validade. não reconhecida. essa quantidade precisa ser determinada de forma referenciada a uma unidade de medição que seja aceita e reconhecida. a medição é uma operação de fundamental importância para diversas atividades do ser humano. cabeças. 3. Todas as decisões que são tomadas com base em uma medição estão sujeitas a problemas originados por erros da própria medição. Medir é uma tarefa fácil. Em toda e qualquer medição nós queremos determinar a quantidade de uma grandeza física. Seria um absurdo você determinar esse comprimento utilizando referências como palmos. A nossa qualidade de vida e o desenvolvimento das empresas está bastante fundamentada na quantificação de diversas grandezas físicas. Dada essa importância. Sabendo disso.3. Embora a tarefa de medição seja operacionalmente simples e no final sempre temos um número. nesse caso. Temos o desafio de buscar obter resultados confiáveis mesmo com imperfeições interferindo nas medições. ou outra referência rudimentar de comprimento. um comprimento. Uma vez que nós não podemos estimar com confiabilidade essa quantidade somente avaliando Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 30 . mas cometer erros de medição é ainda mais. O único caminho para vencer esse desafio é ter um bom conhecimento teórico e prático sobre o que acontece em um processo de medição. partimos em busca de um equipamento que nos auxilie nessa tarefa. no caso o metro (m). não é tão simples obter resultados confiáveis.

precisamos de uma ferramenta conhecida como instrumento de medição. Trenas. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 31 . que deve ser construída com materiais especiais e com bastante critério de forma a poder representar bem a unidade de medição de interesse. aplicamos sobre o objeto que queremos medir e temos uma indicação. em função do resultado. Anotamos esse valor e. réguas. e explica de forma detalhada a essência do que é o ato de medir. Agora de posse do instrumento de medição. um número acompanhado de uma unidade de medição. Essa seqüência descreve as operações por que passamos para quantificar qualquer grandeza de interesse que precisamos determinar.visualmente. estabelecida por um padrão. Medir é o procedimento experimental pelo qual o valor momentâneo de uma grandeza física (mensurando) é determinado como um múltiplo e/ou uma fração de uma unidade. escalas e outros artefatos que iremos conhecer em breve são exemplos dessas ferramentas utilizadas nas medições. e reconhecida internacionalmente. tomamos uma ação para corrigir ou não eventuais problemas no eixo. Indicação (de um instrumento de medição) é o valor de uma grandeza fornecido por um instrumento de medição.

São esses atores que fazem um processo de medição acontecer. e a incerteza existente nessa medição pode nos levar a uma ação errada. a medição não está confiável.Nessa definição participaram alguns atores que você provavelmente deve ter identificado. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 32 . Da mesma forma eles possuem imperfeições que causam erros de medição e podem tornar o resultado sem confiabilidade. • Quando precisamos tomar uma ação com base em uma medição. O Instrumento de medição O operador do instrumento de medição Grandeza a medir Instrumento Operador Processo de Medição Esses atores estarão presentes em qualquer processo de medição e serão grandemente responsáveis pela confiabilidade dos resultados. a medição pode ser classificada como confiável. • Em uma situação em que a incerteza da medição não é capaz de nos levar a problemas. São eles: A grandeza a medir (mensurando).

nada é perfeito no nosso mundo material. do meio ambiente ou do operador sobre o sistema de medição. Estabelece os caminhos para minimizar as incertezas das medições e a obtenção de informações confiáveis na presença dos erros de medição.2 Erros e Incertezas de medição A primeira vista medir é uma operação muito simples. Na área de metrologia dimensional são causadores de erros de medição: Operador Ambiente Instrumento Peça a medir Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 33 . e ainda obter informações confiáveis que levem à tomada de decisões responsáveis e acertadas. a ciência das medições. enquanto outros decorrem da ação do tempo. Parece tudo muito fácil mas. mas sempre um valor aproximado. Na verdade. a medição de uma grandeza nunca revela o seu valor exato. operadores. Em função disso. etc. Os caminhos da metrologia são perfeitamente lógicos e estão ao nosso alcance. Alguns erros são internos ao próprio sistema de medição. será que é só isso? Algumas perguntas para reflexão: (a) Por que há relógios que “contam” melhor o tempo que outros? Os de pior qualidade têm de ser “acertados” mais vezes. Basta aplicar o instrumento de medição sobre a grandeza de interesse e obter o seu valor. Este é o lado difícil da medição: conviver com as incertezas trazidas pelas imperfeições dos instrumentos de medição. A Metrologia. não é verdade? (b) Será que ninguém duvidou da balança do "seu Zé" do açougue? Será que a quantidade de carne pela qual pagamos corresponde ao que. nunca são perfeitos. de fato. trata destas questões. A maioria dos erros de medição tem origem no próprio sistema de medição. levamos para casa? (c) Por que algumas peças de reposição não encaixam como deveriam ao serem substituídas? Esteja alerta: os instrumentos de medição.3. por melhor que sejam.

Lembrese que a temperatura de referência no qual os instrumentos são válidos é de 20oC. o operador precisa estar capacitado a usar o instrumento e ciente dos cuidados que precisa tomar para não cometer erros. Ao utilizar um instrumento sem conhecer a sua exatidão. A utilização correta dos instrumentos de medição e o emprego de métodos de trabalho adequados são fundamentais para que o operador não prejudique a confiabilidade da medição. Esses testes são chamados de calibração e serão estudados em maiores detalhes no capítulo 5 dessa apostila.20 mm. Dessa forma. A medição fora dessa temperatura irá alterar o comportamento do instrumento e da peça e precisamos saber se isso irá ou não interferir no resultado da medição. portanto. os instrumentos de medição por melhor que sejam não são perfeitos.a) Operador O operador provoca erros ao estabelecer uma estratégia de medição imperfeita e cometendo erros de leitura. c) Instrumento Como já foi citado. Eles possuem imperfeições construtivas que vão piorando com o tempo de uso e provocam erros de medição. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 34 . Para isso. Há. corre-se o risco de cometer grandes erros e causar problemas de qualidade em produtos e serviços. só que o custo desse controle é bastante alto. b) Ambiente As influências do ambiente de medição também provocam erros de medição. Quanto maior a exatidão requerida mais controlado deve ser o ambiente.00 mm calibrada e está indicando 10. um erro de 0. As peças e os instrumentos variam as suas dimensões conforme a temperatura. Na figura abaixo o paquímetro está medindo uma peça com 10.20 mm. é importante realizar ensaios periódicos nos instrumentos e avaliar se o seu erro está dentro de limites aceitáveis. O ambiente de medição deve ser compatível com a exatidão pretendida.

mesmo tendo-se os três fatores acima (operadorinstrumento-ambiente) bem controlados. As peças mecânicas possuem erros de forma que podem levar a erros no resultado da medição. A cada momento ou local que se mede pode-se obter um valor diferente e isto caracterizam um erro de medição. ainda corre-se o risco de cometer grandes erros de medição. responda: Qual o diâmetro da peça abaixo ?. Isto ocorre se a grandeza que se mede está variando o tempo todo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 35 .d) Peça a medir Existem determinadas situações em que. Para perceber bem como os erros de forma da peça provocam erros de medição.

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 36 . para mais e para menos. essa incerteza pode ser tão grande que não podemos afirmar se a peça está boa ou ruim. ser até 20. por causa da margem de erro (incerteza) do instrumento. não é possível afirmar quem está na frente. Por causa dessa incerteza. O entendimento que devemos ter é o mesmo de uma pesquisa eleitoral. A incerteza de medição delimita a faixa dentro da qual está o valor exato da medição ou. Incerteza de medição é a faixa de valores que exprime a parcela de dúvidas presente no resultado de uma medição. Eles possuem uma margem de erro. em relação aos resultados da pesquisa. Nas medições ocorre exatamente isso.11 mm.09 mm. em muitas situações. Todas as medições possuem a sua margem de erro. para mais e para menos. Devido a vários fatores. engloba todos os erros prováveis de ocorrência. os resultados de uma pesquisa de opinião pública não são exatos. provocados por vários fatores fazem que com nunca se consiga saber o valor exato do que se está medindo.Nesse ponto. em relação ao valor medido. A última pesquisa para candidatos a governador indicou os seguintes números: 25 23 21 -4 +4 • • • Maria Soares 25 % João da Silva 23% Pedro Pedreira 21% -4 -4 +4 +4 Como a margem de erro da pesquisa é de ±4%. 20. temos um empate técnico. em outras palavras. Dessa forma. existe chance do valor medido. já temos plena ciência de que os erros de medição. em todas as nossas medições estamos colhendo uma aproximação da grandeza exata e existe sempre uma margem de erro. Na figura a seguir. que chamamos de incerteza e. Essa margem de erro é conhecida como incerteza de medição.

1997. Ed. • Para peças mais grosseiras podemos utilizar instrumentos com maior incerteza. 1998 • • • Fundamentos da Metrologia Industrial.1 20 -0. Aqueles que precisarem desse conteúdo devem consultar as seguintes literaturas: • Guia para a expressão da incerteza de medição.1 Figura 3.09 mm 20 ± 0. Rio de Janeiro. 1997. PUC-RS. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 37 .1 .0. • Para a medição de peças de alta precisão. ABNT. precisamos ter instrumentos de baixa incerteza. Segunda edição Brasileira do "Guide to the Expression of Uncertainty in Measurement". um ambiente bem controlado e empregar procedimentos de medição bem criteriosos para obter uma incerteza bem pequena. Metrologia Mecânica. INMETRO.02 NÃO CONFORME . A determinação dos erros e da incerteza de medição obedece a procedimentos matemáticos normalizados. ambientes menos controlados e procedimentos de medição mais simples. SBM. 2003. Metrologia. Nessa apostila esses procedimentos não foram incluídos por limitações de tempo e profundidade no conteúdo. Armando Albertazzi.02 +0. Walter Link.Dúvidas quanto à aprovação ou reprovação da peça Para evitar situações como essa precisamos tomar os cuidados necessários para que a incerteza seja tão pequena quanto necessária.1 CONFORME NÃO CONFORME +0.02 MICRÔMETRO ± 0. Álvaro Theisen.20.

A resolução está diretamente relacionada com o número de algarismos significativos com que a mesma é efetuada. potência. etc. Alguns instrumentos apresentam esta variação em 2 ou até 5 unidades. a resolução de um instrumento é a menor medida que pode ser feita no instrumento. especificada pelo fabricante. o técnico possivelmente será chamado a especificar instrumentos para utilização e também para compra. dentro da qual o instrumento de medição pode ser normalmente utilizado. ou seja. preço. Deve-se observar que.3. pela menor variação de seu último dígito. a variação do último dígito não é sempre 1. Na indústria.. O conhecimento destas características possibilita a identificação de propriedades do instrumento que são fundamentais na sua seleção para uma dada aplicação. e estes fundamentos tornam-se indispensáveis para tal. b) Resolução Resolução de um instrumento de medição é a menor diferença entre indicações que pode ser significativamente percebida. consumo. espaço interno. Como se pode entender da definição acima. nível de ruído. nos indicadores digitais. Em instrumentos com indicação digital.3 Características metrológicas de instrumentos Da mesma forma que os automóveis possuem uma série de características funcionais como tamanho do porta-malas. Vamos às características metrológicas mais fundamentais: a) Faixa de medição A Faixa de medição é a faixa de valores. os instrumentos e sistemas de medição possuem uma série de características metrológicas que determinam a utilização dos mesmos em função das características dimensionais das peças. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 38 . a resolução é dada pelo menor incremento digital em seu mostrador. Em algumas situações é até possível utilizar o instrumento fora da sua faixa de medição mas essa região já está fora das suas especificações e não há garantias de que o instrumento mantenha a sua exatidão especificada. que determinam a escolha do consumidor por um carro para sua exigência. Essa faixa delimita os valores máximo e mínimo que o instrumento deve ser utilizado segundo suas especificações metrológicas.

Tendência = + 28 mm Tendência = zero Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 39 .01 mm a mais do que o valor correto. que é uma das características metrológicas que compõem a sua incerteza de medição. e indica a parcela previsível do erro de medição. Repetitividade = ± 30 mm Repetitividade = ± 3 mm d) Tendência A tendência é uma estimativa do erro sistemático de um instrumento.c) Repetitividade Repetitividade (de resultados de medições) é o grau de concordância entre os resultados de medições sucessivas de um mesmo mensurando efetuadas sob as mesmas condições de medição. significa que as suas indicações estão todas 0.01mm. É imprescindível que um instrumento apresente uma boa repetitividade. Conhecendo-se a tendência pode-se aplicar uma correção no resultado. Quando um instrumento apresenta uma tendência de + 0.

Não se deve utilizar o termo precisão acompanhado de um número. A incerteza de medição é. é encontrado como o sinônimo de incerteza de medição.e) Precisão Precisão é um termo qualitativo que exprime a capacidade do instrumento de fornecer indicações com pouca dispersão. na unidade de medição do instrumento. Boa Precisão Boas Precisão e Exatidão g) Incerteza de medição A incerteza de um sistema de medição expressa a faixa que necessariamente contém o erro máximo que o mesmo poderá impor à medida. próxima umas das outras. para exprimir o erro máximo do instrumento. Um instrumento com boa precisão é aquele que apresenta uma boa repetitividade. ao longo de toda sua faixa de medição. O termo precisão. embora não recomendado. em relação ao máximo valor da faixa de medição do instrumento.15 mm. para exprimir o erro máximo do instrumento. Ou seja. expressa em termos relativos. Um instrumento com boa exatidão é aquele que apresenta uma boa repetitividade e uma tendência pequena. o 0. por vezes. pode vir como sendo igual a fundo de escala de um instrumento) o que corresponderia a ± ± 0.1 % (de 150 mm. Considera-se mais apropriado indicar a incerteza de medição em termos absolutos. que é um dos parâmetros mais significativos para a seleção de um instrumento para determinada aplicação. f) Exatidão Exatidão é um termo qualitativo que exprime a capacidade do instrumento de fornecer indicações próximas aos valores verdadeiros e com pouca dispersão. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 40 . Não se deve utilizar o termo acompanhado de um número.

4 A Importância dos resultados confiáveis Em toda operação de medição na área de mecânica e automobilística. Na produção seriada as medições são feitas para tornar o produto melhor e mais confiável em uso. milhares de medições são feitas para se conseguir melhorias que façam os carro ganharem frações de segundo. Com base nessas medições correções são feitas continuamente no processo para mantê-lo produzindo sempre peças boas. o resultado que obtemos vai nos levar a tomar alguma decisão acerca de um produto ou de um processo. Processo Controle de qualidade Peças Aprovado Despachado para o cliente Refugado Informações para ajustar o processo Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 41 . Se a medição é feita no teste de um produto em fase de desenvolvimento. o resultado vai nos levar a tomar uma decisão acerca da qualidade dimensional das peças. o resultado vai servir para avaliar a sua performance e propor mudanças para melhorar o seu desempenho.3. Na fórmula 1. Se essa medição é feita na produção. por exemplo. Peças ruins são refugadas e peças boas são aprovadas e enviadas para o cliente.

situações de risco e outras conseqüências desagradáveis podem surgir dessa situação. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 42 . como no caso do motor. Se a medição é feita em uma etapa de avaliação de conformidade. Não basta medir. os resultados vão servir para se chegar à conclusão de que os componentes ainda podem ser utilizados ou se já precisam ser trocados.Se essa medição é feita na manutenção do produto. Então é fundamental que em toda prática metrológica se empreguem os meios necessários para que as medições sejam realizadas com boa confiabilidade. uma metrologia sem confiabilidade provoca erros de avaliação de produtos e de controle de processos. Em todas essas situações acima. reclamações de clientes. as medições vão orientar os processos para que o resultado do trabalho seja bom. Da mesma forma que uma bússola com problemas leva o viajante para a direção errada. procure imaginar o que ocorre quando as medições são realizadas sem muito critério técnico e os resultados apresentam grandes erros. a medição vai gerar um laudo técnico que afirma se o produto pode ou não pode ser liberado para funcionamento. com conseqüências imprevisíveis para a empresa e seus clientes. Grandes prejuízos financeiros. tem que medir com confiabilidade. Se há a necessidade de um reparo do componente. perda de qualidade em produtos.

a roda de aro 14”.1 Sistemas de unidades Na área de metrologia dimensional. A TV de 14”. com o objetivo de se tornarem mais exatas e com reconhecimento universal. Com o passar do tempo e o aumento do comércio e da produção.1 Sistema métrico Como já citamos nessa apostila. 1 Esse capítulo traz informações obtidas da Apostila do Telecurso Profissionalizando de Mecânica.4. 4. precisamos aprender a trabalhar com esses dois sistemas. essa necessidade foi ficando maior e. Então. 4.1. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 43 . muitos produtos e máquinas de produção tradicionalmente foram produzidos com base nas medidas inglesas. Metrologia Dimensional 1 Como você aprendeu. foram surgindo os padrões e as unidades de medida. Há vários anos o sistema métrico passou a ser o único sistema de unidades oficialmente aceito para a medição de comprimentos em todos os países. Nesse sentido dois sistemas de unidades evoluíram e são hoje largamente utilizados em todos os países do mundo. Nesse capítulo você conhecerá mais sobre essa área da metrologia e aprenderá a utilizar de forma correta uma série de instrumentos de medição. desde os tempos mais antigos o homem precisou expressar certas quantidades através de medições. São eles o sistema métrico e o sistema inglês. com isso. No entanto. as chapas. as unidades de medição mais primitivas que eram fundamentadas em partes do corpo humano foram evoluindo ao longo do tempo. conexões e outros produtos são exemplo disso e continuarão assim por muito tempo até que toda uma cultura seja modificada. o barco de 16 pés. a metrologia dimensional trata de todas as medições de comprimentos lineares e angulares e possui uma presença muito importante em todas as atividades técnicas realizadas na área de mecânica. tubos.

ser facilmente reproduzida. isso se mostrou inviável por causa da grande variação de tamanhos entre os seres humanos. seria necessário que a medida do meridiano apresentasse um erro inferior a 40 metros. em seguida. Entretanto. esse padrão foi se desgastando com o tempo e teve que ser refeito. Tudo isso começou no tempo em que os padrões e unidades de medida eram referenciados a partes do corpo humano. foi padronizada em uma barra de ferro com dois pinos nas extremidades e. então. Dessa forma cada interessado poderia conferir seus próprios instrumentos. Como já sabemos. universais e aceita por todos. a toesa. que pudesse ser encontrada na natureza e. madeira e metal com um comprimento que pudesse ser reproduzido e comparado por todos. que passa pelo observatório de Paris. Um desses padrões que era utilizado na França no século XVII. Diante desse problema. um movimento no sentido de estabelecer uma unidade natural. Mas nem sempre foi assim. Assim foi com o metro. partiu-se para a estratégica de usar barras de pedra. nas proximidades de Paris. As unidades de comprimento que temos hoje foram o resultado de uma evolução contínua ao longo do tempo. para o metro padrão apresentar um erro inferior a 0. constituindo um padrão de medida. Havia também outra exigência para essa unidade: ela deveria ter seus submúltiplos estabelecidos segundo o sistema decimal.Como você já sabe na medição nós precisamos de unidades de medição que sejam bem definidas. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 44 . unidade padrão de comprimento do sistema internacional de unidades (SI). Surgiu. chumbada na parede do Grand Chatelet. Na ocasião ficou decidido que a unidade de comprimento seria a décima milionésima parte de ¼ do meridiano terrestre. assim. o que era impossível para época.001 mm. A medida deste meridiano se realizou entre 1792 a 1798 e chegou-se a conclusão de que. isto é.

No entanto. sendo que. marcados sobre uma barra metálica em forma de X. Esses protótipos possuíam o formato em forma de X para serem bem rígidos e eram construídos em platina e irídio. permanecendo na sede do B. Em 1889 surge a definição técnica do metro. que possuía 2 marcas e a distância entre elas foi definida como padrão para ser aceita por todos. (França). Essa barra de platina de formato retangular mostrou-se de baixa rigidez e foi desgastando-se ao longo do tempo. firmado por 20 países.P. o de no 06 foi tirado como protótipo internacional.Dessa forma em 1799 partiu-se para a construção de uma medida materializada na forma de uma barra metálica. a idéia de referenciar o metro a uma grandeza da natureza não foi esquecida. Foram confeccionados 30 protótipos do metro padrão técnico.M. então à definição técnica do metro que dizia: O metro internacional pode ser definido como sendo a distância entre dois traços transversais. segundo a seguinte definição: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 45 . Chegou-se. Após muitos anos de pesquisa. Em 1875 surge o Sistema Internacional de Medidas. principalmente pelo risco de uma destruição da referência primária do metro.I. Surge daí o Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM). finalmente em 1960 o metro foi referenciado ao comprimento de onda da luz. contendo 90% de platina e 10% de irídio e cujo tamanho legal é obtido a temperatura de 0o C.

Seria bem estranho e até difícil se expressar como uma das formas abaixo: • • • A distância entre Florianópolis e Curitiba é de 300.000004 mm ± ± ± ± 4. o metro passou por todas essas definições até chegar à atual.763. entre faces paralelas Barra em forma de “X” em 90% de platina e 10% de irídio Irradiação do átomo de criptônio 86 Velocidade da luz no vácuo ± Incerteza 0. que é bem mais precisa do que todas elas.75 m O diâmetro do eixo possui 0. A tabela abaixo resume as 4 definições por que o metro passou e os erros ao reproduzi-las.000 m.1 metro é igual a 1. no vácuo.210 mm 0.1.650.012 m.1. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 46 . em 1983 o metro passou a ser referenciado ao comprimento que a luz percorre no vácuo.000000003 segundo. A comprimento da mesa é de 0. Devido à dificuldade de disseminação dessa definição e ao grande desenvolvimento dos sistemas ópticos e do laser.1 Múltiplos e submúltiplos do metro Para facilitar a utilização da unidade básica do sistema métrico em diversas situações.73 comprimentos de onda.01 mm 0. foram criados os múltiplos e sub-múltiplos do metro. da radiação correspondente a transição entre os níveis 2p10 e 5d5 do átomo de criptônio 86. Essa definição é a aceita atualmente e está definida da seguinte forma: O Metro é o comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo durante 0. Ano 1798 1799 1889 1960 1983 Referências ¼ da 10 000 000a parte do meridiano terrestre Barra plana de platina.0002 mm 0.00002 mm 0. Dessa forma.

A tabela abaixo mostra todos eles.000 000 001 m 10-12 = 0.000 000 000 000 001 m 10-18 = 0. Denominação yottametro zettametro exametro petametro Múltiplos terametro gigametro megametro kilômetro hectômetro decâmetro Unidade metro decímetro centímetro milímetro micrometro Submúltiplos nanometro picometro fentometro attometro zeptometro yoctometro Símbolo Fator pela qual a unidade é multiplicada 1024 = 1000 000 000 000 000 000 000 000 m 1021 = 1000 000 000 000 000 000 000 m 1018 = 1000 000 000 000 000 000 m 1015 = 1000 000 000 000 000 m 1012 = 1000 000 000 000 m 109 = 1000 000 000 m 106 = 1000 000 m 103 = 1000 m 102 = 100 m 101 = 10 m 10o = 1 m 10-1 = 0.000 000 000 001 m 10-15 = 0.000 000 000 000 000 000 000 001 m Ym Zm Em Pm Tm Gm Mm km hm dam m dm cm mm µm nm pm fm am zm ym Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 47 .01 m 10-3 = 0.Para evitar situações como essa os múltiplos e submúltiplos do metro são utilizados largamente.000 000 000 000 000 001 m 10-21 = 0.000 000 000 000 000 000 001 m 10-24= 0.1 m 10-2 = 0. onde estão sublinhados os submúltiplos do metro mais utilizados na área de mecânica.000 001 m 10-9 = 0.001 m 10-6 = 0.

2 mm = f) 46.2 Sistema Inglês Da mesma forma que o sistema métrico que se desenvolveu na França.56 mm = h) 145 cm = i) 1. o milímetro (mm) e o micrometro (µm) são esses submúltiplos e se relacionam com o metro pela seguinte proporção: 1 m = 1000 mm 1 m = 100 cm 1 mm = 1000 µ m Ou.01 m 1 mm = 0.425 km = c) 851 mm = d) 139. um outro sistema de medidas se desenvolveu na Inglaterra e assim foi chamado de sistema inglês de medidas. O sistema inglês padronizou certos comprimentos baseados em partes do corpo humano e criou uma série de unidades de medida. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 48 .001 mm Com base nessas relações. do menor para o maior: 1 cm = 0.4 cm = e) 872.1 m = b) 0.1.001 m 1 µ m = 0.8 µm = cm m m m µm g) 232.O centímetro.4 mm = cm m mm cm mm µm mm 4.8 m = j) 1290 mm = l) 733 µm = m) 1. realize as seguintes transformações: a) 1.

Por exemplo.4 304. 5 partes de estanho e 2 partes de zinco cujo tamanho legal é obtido a 62o F (16. TV de 20”. pela primeira vez na Europa. o rei Eduardo I decretou que fosse considerada como “uma polegada” a medida de três grãos secos de cevada. Equivalências Nomenclatura Jarda (Yard) Pé (foot) Polegada (inch) Símbolo yd ft (‘) in (“) Jardas 1 1/3 1/36 Pés 3 1 1/12 Polegada 36 12 1 mm 914. contendo 32 partes de cobre.Dentre essas unidades de medida está a unidade padrão do sistema inglês que é a jarda. Referenciados à Jarda estão outras unidades do sistema inglês de medidas: o pé e a polegada que é a unidade do sistema inglês mais usada na área de mecânica e tem por símbolo 2 aspas após o número. Deste modo. para uniformizar as medidas em certos negócios. sapatos com tamanho padrão baseados nessa unidade. segundo a seguinte definição: A jarda padrão está definida como a distância entre dois traços transversais marcados sobre uma barra plana de bronze. e assim por diante.8 25. Os sapateiros ingleses gostaram tanto da idéia que passaram a fabricar.4 Curiosidade: Em 1305. colocados lado a lado. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 49 . um calçado medindo quarenta grãos de cevada passou a ser conhecido como tamanho 40.67o C). na Inglaterra.

8 mm = h) 19. as unidades do sistema inglês também fazem parte do nosso dia a dia. mas é bem menos comum.7625 mm = “ “ “ “ “ “ Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 50 .05 mm = i) 9. o diâmetro da roda de automóvel. É preciso.4 mm Na maior parte dos casos a polegada está na forma de fração.175 mm = l) 76. A equivalência entre a polegada e o milímetro ocorre segundo a seguinte relação: 1” = 25. então.2 mm = m) 4. No numerador haverá sempre um número ímpar e no denominador uma potência de 2. Sabendo dessa relação.525 mm = j) 3. as conexões e tubos. O tamanho da tela de uma TV. que saibamos utilizar os dois sistemas de unidade e fazer as conversões de um sistema para o outro.como nos exemplos: 1" 2 1" 4 3" 8 17 " 32 11" 64 23 " 128 1 1" 2 A polegada na forma decimal também é praticada.4. e muitos outros produtos ainda hoje são fabricados em unidades do sistema inglês.1. faça as conversões abaixo: a) ½” = b) ¾” = c) ¼” = d) 2” = e) 1 ½” = f) 2 ¼” = mm mm mm mm mm mm g) 50.3 Conversões de Unidades Apesar do metro ser a unidade oficialmente aceita como a unidade básica de comprimento segundo o sistema internacional de unidades.

eqüidistantes e finos. Nessa lâmina estão gravadas as medidas em centímetro (cm) e milímetro (mm). 300. superior à menor graduação. bordas retas e bem definidas. 200. pois nessas aplicações não se requer um nível tão alto de exatidão. conforme o sistema métrico.4. 1000. e faces polidas. conforme o sistema inglês. 1500. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 51 . pois são bem mais caros. Alguns são mais sofisticados e de alta exatidão e devem são utilizados para situações onde essa exatidão é indispensável. 250. Recomenda-se utilizar a régua graduada nas medições com erro admissível. As réguas. ou em polegada e suas frações.2. bem definidos. trenas e escalas articuladas estão entre os instrumentos de medição básicos mais utilizados em aplicações técnicas. e são o objeto de estudo desse capítulo. As réguas graduadas apresentam-se nas dimensões de 150. 2000 e 3000 mm. essa graduação equivale a 1 mm ou 1/32". uma escala de qualidade deve apresentar bom acabamento. De modo geral. As mais usadas na oficina são as de 150 mm (6") e 300 mm (12"). Normalmente. embora de concepção simples. em forma de lâmina de aço-carbono ou de aço inoxidável. 600.1 Réguas graduadas (escalas flexíveis) A régua apresenta-se. normalmente. existem muitas aplicações onde a utilização de instrumentos básicos é mais recomendada. Esses instrumentos básicos. É necessário que os traços da escala sejam gravados. No entanto. As réguas de manuseio constante devem ser de aço inoxidável ou de metais tratados termicamente. 4. uniformes.2 Instrumentos de medição básicos Na metrologia dimensional existem instrumentos com diferentes classes de exatidão e sofisticação. possuem utilidade em muitas situações do dia a dia de um profissional de mecânica. 500.

a qual é utilizada como encosto. antes de guardar a régua graduada. Evitar riscos ou entalhes que possam prejudicar a leitura da graduação. c) Régua com encosto Destinada à medição de comprimento a partir de uma face externa. b) Régua sem encosto Nesse caso. Não utilizá-la para bater em outros objetos. deve-se observar: • • • • • Evitar que a régua caia ou a escala fique em contato com as ferramentas comuns de trabalho. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 52 . Os principais tipos e aplicações da régua graduada são: a) Régua de encosto interno Destinada a medições que apresentem faces internas de referência como mostra a medição da peça na figura a seguir. Em relação à conservação das réguas. Limpá-la após o uso. removendo a sujeira. devemos subtrair do resultado o valor do ponto de referência. Não flexionar a régua: isso pode empená-la ou quebrá-la. Aplicar uma leve camada de óleo fino.A retilineidade e o erro máximo admissível das divisões obedecem a normas internacionais.

e) Régua de dois encostos Dotada de duas escalas: uma com referência interna e outra com referência externa. controle de dimensões lineares. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 53 . traçagem etc. É utilizada principalmente pelos ferreiros.d) Régua de profundidade Utilizada nas medições de canais ou rebaixos internos. f) Régua rígida de aço-carbono com seção retangular Utilizada para medição de deslocamentos em máquinas-ferramenta.

. Nesse sistema. partes iguais. muito simples de interpretar.2.2 Leitura no sistema inglês Ao contrário da régua no sistema métrico que possui uma divisão decimal. 4. A ilustração a seguir mostra.1 Leitura no sistema métrico Nas réguas no sistema métrico cada centímetro na escala encontra-se dividido em 10 partes iguais e cada parte equivale a 1 mm.4. 16. A ilustração a seguir mostra essa divisão.1. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 54 . a polegada divide-se em 2. Assim. 8. de forma ampliada.1.. As escalas de precisão chegam a apresentar 32 divisões por polegada. como se faz isso. 4. na régua no sistema inglês possui uma subdivisão fracionária o que exige de nós um pouco mais de atenção e prática. a leitura pode ser feita em milímetro. enquanto as demais só apresentam frações de 1/16”.2. representando a polegada em tamanho ampliado.

Não existe número em polegada com numerador par. Assim. Isso acontece porque. sempre que houver numeradores pares.Observe que estão indicadas somente frações de numerador ímpar. O traço da polegada inteira é maior do que todos. Na leitura. o objeto na ilustração a 1 polegada) de comprimento. porque ele facilita a identificação das partes em que a polegada foi dividida. deve-se observar sempre a altura do traço. o da ½”vem em seguida e assim por diante. a fração é simplificada. A leitura na escala consiste em observar qual traço coincide com a extremidade do objeto. 1 " seguir tem 8 (uma polegada e um oitavo de Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 55 .

• Verifique o seu entendimento fazendo os exercícios a seguir: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 56 .

por sua vez.2 Escalas articuladas As escalas articuladas também conhecidas como metro articulado são instrumentos de medição linear. e lubrificar suas articulações. em situações em que a exatidão da medição não seja exigente. Em geral. a fita está acoplada a um estojo ou suporte dotado de um mecanismo que permite recolher a fita de modo manual ou automático. pode ou não ser dotado de trava. Tal mecanismo. graduada em uma ou em ambas as faces. no sistema métrico e/ou no sistema inglês. 4. com traços transversais. A leitura com a escala articulada é muito simples. A fita das trenas de bolso são de aço fosfatizado ou esmaltado e apresentam largura de 12. fabricado de madeira. e se faz de forma idêntica à da leitura das réguas. evitar que ele sofra quedas e choques. 7 mm e comprimento entre 2 m e 5 m. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 57 .4.2. ao longo de seu comprimento. alumínio ou fibra e utilizados para a medição de comprimentos até 2 m.2. Para sua conservação é recomendado abrir o metro articulado de maneira correta. fibra ou tecido.3 Trenas A trena é um instrumento de medição constituído por uma fita de aço.

as fitas das trenas podem ser planas ou curvas. Essa chapa é chamada encosto de referência ou gancho de zero absoluto. Não se recomenda medir perímetros com trenas de bolso cujas fitas sejam curvas. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 58 . As trenas apresentam. As de geometria plana permitem medir perímetros de cilindros.Quanto à geometria. na extremidade livre. por exemplo. uma pequenina chapa metálica dobrada em ângulo de 90º.

Essas peças são construídas dentro de medidas muito bem definidas e conhecidas e são largamente utilizadas em atividades de controle de qualidade de peças. entre o limite máximo e o limite mínimo. as medidas de roscas. Medida materializada é um dispositivo destinado a reproduzir ou fornecer.1 Calibradores Calibradores são instrumentos que estabelecem os limites máximo e mínimo das dimensões que desejamos comparar. as peças estão dentro dos limites de tolerância. Quando isso acontece. 4. isto é. dependendo das aplicações. Podem ter formatos especiais.3 Calibradores e Verificadores Em muitas aplicações na área de mecânica os instrumentos de medição apresentam limitações quanto à exatidão ou quanto à praticidade e velocidade de medição. furos e eixos.3. isto é. por constituírem conjuntos praticamente idênticos. mas não da outra extremidade (lado não-passa). os calibradores são empregados nos trabalhos de produção em série de peças intercambiáveis. ajuste de máquinas. como. Geralmente fabricados de aço-carbono e com as faces de contato temperadas e retificadas. Alguns dos mais comuns tipos de calibradores são: a) Calibrador Tampão O funcionamento do calibrador tampão é bem simples: o furo que será medido deve permitir a entrada da extremidade mais longa do tampão (lado passa). peças que podem ser trocadas entre si. Em vários desses casos a utilização de medidas materializadas na forma de calibradores e verificadores dimensionais é a solução mais adequada. por exemplo. de maneira permanente durante o seu uso. um ou mais valores conhecidos de uma grandeza. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 59 .4. componentes e outras aplicações. quer dizer: passa/não-passa.

b) Calibrador de boca Esse calibrador tem duas bocas para controle: uma passa. e a outra nãopassa.030 mm) não deve passar pelo furo. no calibrador tampão 50H7. sem pressão.000 mm. O lado não-passa tem chanfros e uma marca vermelha.Por exemplo. a extremidade cilíndrica da esquerda (50 mm + 0. ou seja. O diâmetro da direita (50 mm + 0. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 60 . O calibrador deve entrar no furo ou passar sobre o eixo por seu próprio peso. Esse tipo de calibrador é normalmente utilizado em furos e ranhuras de até 100 mm. O lado não-passa tem uma marca vermelha. com a medida máxima. É normalmente utilizado para eixos e materiais planos de até 100 mm. 50 mm) deve passar pelo furo. com a medida mínima.

de e) Calibrador chato Para dimensões internas.c) Calibrador de boca separada Para dimensões muito grandes.). Sua utilização compreende dimensões até 500 mm. d) Calibrador de boca escalonada Para verificações com maior rapidez. tendo em vista a redução de seu peso.) e não passar no diâmetro mínimo (Dmín. Os calibradores de bocas separadas são usados para dimensões compreendidas entre 100 mm e 500 mm. O deve passar no diâmetro máximo (Dmáx. foram projetados eixo calibradores de bocas escalonadas ou de bocas progressivas. usa-se o calibrador chato ou calibrador de contato parcial. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 61 . na faixa de 80 a 260 mm. são utilizados dois calibradores de bocas separadas: um passa e o outro não-passa.

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 62 . O calibrador ajustável para eixo tem dois ou quatro parafusos de fixação e pinos de aço temperado e retificado. em forma de ferradura. A dimensão máxima pode ser ajustada entre os dois pinos anteriores. enquanto a dimensão mínima é ajustada entre os dois pinos posteriores. Para dimensões acima de 260 mm. usa-se o calibrador escalonado representado abaixo. É confeccionado de ferro fundido. Esse calibrador normalmente é ajustado com auxílio de blocos-padrão.Para dimensões internas entre 100 e 260 mm. que são hastes metálicas com as pontas em forma de calota esférica. usa-se o calibrador tipo vareta. f) Calibrador de bocas ajustável O calibrador de boca ajustável resolve o problema das indústrias médias e pequenas pela redução do investimento inicial na compra desses equipamentos.

depois de ter estendido sobre a superfície do cone padrão uma camada muito fina de corante. que deixará traços nas partes em contato. tenta-se uma movimentação transversal do padrão. São peças de aço. obedecendo a dimensões temperadas econdições de execução para cada tipo de rosca. para a verificação da rosca externa. procede-se à verificação por atrito. O outro calibrador da figura é o modelo comum do tampão de rosca. Em seguida. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 63 . Esse método é muito sensível na calibração de pequenas inclinações. verifica-se o diâmetro pela posição de penetração do calibrador. servindo a verificação de rosca interna. i) Calibrador de rosca Um processo usual e rápido de verificar roscas consiste no uso dos calibradores de rosca. Para a verificação simples do cone. e retificadas.g) Calibrador tampão e anéis cônicos As duas peças de um conjunto cônico podem ser verificadas por meio de um calibrador tampão cônico e de um anel cônico. O calibrador de rosca da figura a seguir é um tipo usual de calibrador de anel. o movimento é nulo. Por fim. composto por dois anéis. Quando o cone é exato. podendo ser macho ou fêmea. h) Calibrador cônico morse O calibrador cônico morse possibilita ajustes com aperto enérgico entre peças que serão Sua montadas conicidade ou é desmontadas com freqüência. sendo que um lado passa e o outro não passa. padronizada.

uso de um só calibrador para vários diâmetros. Os roletes cilíndricos podem ter roscas ou sulcos circulares. na rosca interna da peça que está sendo verificada. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 64 . o que torna a operação muito rápida. cujo perfil e passo são iguais aos do parafuso que se vai verificar. Dizse lado passa. sem ser forçada. Limpar e passar um pouco de óleo fino. desgaste menor. após o uso. como porque o calibrador não se aparafusa à peça. as seguintes recomendações valem para todos os tipos: • • • Evitar choques e quedas.A extremidade de rosca mais longa do calibrador tampão verifica o limite mínimo: ela deve penetrar suavemente. A extremidade de rosca mais curta. j) Calibrador regulável de rosca O calibrador de boca de roletes é geralmente de boca progressiva. pois os roletes giram. verifica o limite máximo. O calibrador em forma de ferradura pode ter quatro roletes cilíndricos ou quatro segmentos de cilindro. Esses calibradores são ajustados às dimensões máxima e mínima do diâmetro médio dos flancos. Em relação à conservação dos calibradores. não só porque é desnecessário virar o calibrador. Guardar em estojo e em local apropriado. As vantagens sobre o calibrador de anéis são: verificação mais rápida. regulagem exata. não-passa.

retificada e com fios arredondados. com o fio ligeiramente arredondado.2 Verificadores Assim como os calibradores. construídas de aço. § Régua triangular Construída de aço-carbono. colocase a régua com o fio retificado em contato suave sobre essa superfície. em forma de faca (biselada).4. Repete-se essa operação em diversas posições. com canais côncavos no centro e em todo o comprimento de cada face temperada. em forma de triângulo. verificando se há passagem de luz. Para verificar a planeza de uma superfície.3. os verificadores também são usados para medição indireta por comparação com a grandeza a medir. Os principais tipos são: • Régua de fio Construída de aço-carbono. É utilizada na verificação de superfícies planas. É utilizada na verificação de superfícies planas. temperada e retificada. onde não se pode utilizar a biselada. a) Réguas de controle Réguas de controle são instrumentos para a verificação de superfícies planas. Apresentam diversas formas e tamanhos. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 65 . Vejamos alguns dos principais verificadores. ferro fundido ou de granito.

a régua deve ter um comprimento maior que o da superfície que será verificada. Na utilização das de réguas de controle de faces retificadas ou rasqueteadas. a tinta indicará os pontos altos da superfície. Sempre que for possível. utiliza-se negro de fumo. No caso de peças de ferro fundido. Pode ter ângulo de 45º ou de 60º. Possui duas faces lapidadas. coloca-se uma substância sobre a face que entrará em contato com a superfície. sem pressioná-la. É o caso. usa-se uma camada de zarcão ou azul da prússia. é utilizada na verificação do alinhamento ou retilineidade de máquinas ou dispositivos. § Régua paralela plana Confeccionada de granito negro ou cerâmica. § Régua triangular plana Feita de ferro fundido. por exemplo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 66 . Para peças de aço. As dimensões das réguas encontradas no comércio estão indicadas nos catálogos dos fabricantes. é usada para determinar as partes altas de superfícies planas que vão ser rasqueteadas. Ao deslizá-la em vários sentidos. é utilizada para verificar a planeza de duas superfícies em ângulo agudo ou o empenamento do bloco do motor.§ Régua de superfície plana Confeccionada de ferro fundido. das superfícies de barramento de torno.

Evitar choques. utilizado também para traçar. construído de aço. Usa-se para verificação de superfícies em ângulo de 90º. ou granito. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 67 .Para a conservação das réguas. Não usar lixa. Possuem vários tipos e são classificados quanto à forma e ao tamanho. Não manter a régua de controle em contato com outros instrumentos. Em caso de oxidação (ferrugem) nas superfícies da régua de aço ou ferro fundido. Guardar a régua de controle em estojo. § Esquadro de base com lâmina lisa. deve-se observar os seguintes cuidados: § § § § § § Não pressionar nem atritar a régua de fios retificados contra a superfície. Após o uso. limpá-la e lubrificá-la adequadamente (a régua de granito não deve ser lubrificada). b) Esquadros de precisão O esquadro é um instrumento em forma de ângulo reto. limpálas com pedra-pomes e óleo.

fabricado de aço-carbono temperado e retificado. O cilindro-padrão tem sua base rigorosamente perpendicular a qualquer geratriz da sua superfície cilíndrica. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 68 . Usa-se para verificação de superfícies em ângulo de 90º. em virtude da pequena superfície de contato. A próxima figura à direita indica o modo de se fazer a verificação. § Esquadro cilíndrico e coluna-padrão É um esquadro de forma cilíndrica. Também a coluna-padrão possui as duas bases rigorosamente perpendiculares a qualquer dos quatro planos estreitos talhados nas suas arestas longitudinais e cuidadosamente retificados. utilizado para se obter melhor visualização. quando a face de referência é suficientemente ampla para oferecer bom apoio.§ Esquadro com lâmina biselada.

Em cada lâmina é estampada a medida do raio. § Verificador de raio Serve para verificar raios internos e externos. tipos e tamanhos variam de acordo com o trabalho a ser realizado. que varia de 1º a 45º. ou para facilitar certas operações. de 1 a 15 mm ou de 1/32” a ½” . escantilhões para rosca métrica e whithworth etc. confeccionados de aço-carbono. há necessidade complexos. § Verificador de ângulos Usa-se para verificar superfícies em ângulos. montagens. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 69 . assim. de ângulo fixo para ferramentas de corte. verificadores de raios. Os gabaritos são instrumentos relativamente simples. suportes Nesse utilizam-se gabaritos para verificação e controle. Temos. Os gabaritos comerciais são encontrados em formatos padronizados. Em cada lâmina vem gravado o ângulo. Suas dimensões variam. Suas formas. de com se lidar com perfis e furações. podendo ser fabricado pelo próprio mecânico.c) Gabaritos Em determinados trabalhos em série. caso. geralmente.

§ Verificador de folga O verificador de folga é confeccionado de lâminas de aço temperado. os verificadores de folga se apresentam em forma de canivete. o que pode danificar suas lâminas. São usadas para medir folgas nos mecanismos ou conjuntos. entretanto. rigorosamente calibradas em diversas espessuras. § Verificador de ângulo de broca Serve para a verificação do ângulo de 59º e para a medição da aresta de corte de brocas. utilizam-se calibradores de folga em rolos. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 70 . Em suas lâminas está gravado o número de fios por polegada ou o passo da rosca em milímetros. No uso não se deve exercer esforço excessivo. De modo geral. § Verificador de rosca Usa-se para verificar roscas em todos os sistemas. As lâminas são móveis e podem ser trocadas.§ Escantilhões whithworth para roscas métrica e Servem para verificar e posicionar ferramentas para roscar em torno mecânico. Em ferramentaria.

§ Fieira A fieira. externas e de profundidade de uma Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 71 . Foi então que um Português chamado Pedro Nunes utilizou um princípio matemático descoberto pelo Francês Pierre Vernier anos antes e criou o mais popular instrumento de medição utilizado na área de mecânica: o paquímetro. Caracterizam-se por uma série de entalhes. a uma medida de diâmetro de fios ou espessuras de chapas. 4. Cada entalhe corresponde. procurando o entalhe que se ajusta ao fio ou à chapa que se quer verificar. o instrumento foi evoluindo ao longo do tempo e hoje o paquímetro é um instrumento usado para medir as dimensões lineares internas.Os dois modelos a seguir são de aço temperado. conforme a fieira adotada.4 Paquímetros Com o desenvolvimento tecnológico na produção mecânica. Desde então. rigorosamente. e os instrumentos simples já não mais atendiam as necessidades. destina-se à verificação de espessuras e diâmetros. ou verificador de chapas e fios. a precisão dimensional com que as peças eram fabricadas foi ficando cada vez mais exigente. A verificação é feita por tentativas.

02 mm.05 mm. Suas graduações são calibradas a 20ºC. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 72 . Os instrumentos mais utilizados apresentam uma resolução de: 0.peça. Essa escala permite a leitura de frações da menor divisão da escala fixa. chamada nônio ou vernier. e o instrumento geralmente é feito de aço inoxidável. Consiste em uma régua graduada. O cursor ajusta-se à régua e permite sua livre movimentação. com encosto fixo. Ele é dotado de uma escala auxiliar. O paquímetro é usado quando a quantidade de peças que se quer medir é pequena. sobre a qual desliza um cursor. com um mínimo de folga. 1/128” ou 0. 0.001" As superfícies do paquímetro são planas e polidas. A figura a seguir ilustra as partes de um paquímetro.

de profundidade e de ressaltos. agilizando a medição. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 73 . Para algumas aplicações específicas existem tipos de paquímetros com algumas diferenciações que os tornam mais aptos para essas tarefas de medição. o relógio acoplado ao cursor facilita a leitura. É utilizado em medições internas.4. externas. • No paquímetro com relógio.1 Tipos e usos O tipo mais usado é o paquímetro universal.4. que recebe esse nome devido à diversidade de medições que é capaz de fazer. como mostra a figura a seguir.

rebaixos etc.• O Paquímetro com bico móvel (basculante) é empregado para medir peças cônicas ou peças com rebaixos de diâmetros diferentes. Esse tipo de paquímetro pode apresentar haste simples ou haste com gancho. • O Paquímetro duplo Serve para medir dentes de engrenagens. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 74 . • O Paquímetro de profundidade serve para medir a profundidade de furos não vazados. rasgos.

livre de erro de paralaxe. Como pode ser visto na figura abaixo. no controle dimensional. • Um outro instrumento que utiliza o mesmo princípio de funcionamento do paquímetro é o traçador de altura. 4. considerados seus inventores. é conhecido como o princípio do nônio.4.• O Paquímetro digital é utilizado para leitura rápida. utilizado em muitos instrumentos e máquinas.2 O Princípio do Nônio O paquímetro consegue “enxergar” tamanhos bem pequenos graças à comparação entre as suas escalas de medição com divisões diferentes. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 75 . com auxílio de acessórios. que apresenta a escala fixa com cursor na vertical. A escala do cursor é chamada de nônio ou vernier. É empregado na traçagem de peças. para facilitar o processo de fabricação e. em homenagem ao português Pedro Nunes e ao francês Pierre Vernier. Esse princípio de medição. o nônio possui uma divisão menor do que a usada na escala fixa. e ideal para controle estatístico da produção.

No sistema métrico, existem paquímetros em que o nônio possui dez divisões equivalentes a nove milímetros (9 mm). Há, portanto, uma diferença de 0,1 mm entre o primeiro traço (após o zero) da escala fixa e o primeiro traço (após o zero) da escala móvel. Se fazemos coincidir esses traços, significa que o paquímetro está aberto em 0,1 mm, como mostra a figura abaixo.

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Essa diferença é de 0,2 mm entre o segundo traço de cada escala; de 0,3 mm entre os terceiros traços e assim por diante.

4.4.3 Cálculo da resolução

Como já sabemos, a resolução é a menor leitura que um instrumento oferece. Nos paquímetros e em todos os instrumentos que utilizem o princípio do nônio, ela é calculada utilizando a seguinte fórmula:

Resolução

=

Divisão da escala principal Número de divisões do Nônio

Exemplos:

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4.4.4 Paquímetro no sistema métrico
Como você deve ter percebido, os paquímetros possuem duas escalas colocadas na parte fixa e duas escalas colocadas na parte móvel. A escala inferior do paquímetro está em mm e a superior em polegadas. Essa característica construtiva torna o paquímetro ainda mais versátil, visto que se pode utilizá-lo para medidas no sistema métrico e também medidas no sistema inglês, ambas necessárias para muitas aplicações em mecânica. Vamos aprender como se faz a leitura em ambas as escalas começando pelo paquímetro no sistema métrico, embora a seqüência de medição deva ser a mesma adotada em qualquer instrumento que possua um nônio.

Temos

o

desafio

de

fazer

a

leitura

do

paquímetro ao lado.

1o Passo: Calcular a resolução do paquímetro Como observado, esse paquímetro possui uma divisão na escala principal de 1mm, e 10 divisões no nônio. Portanto, aplicando a fórmula simples, temos que:

Resolução

=

Divisão da escala principal Número de divisões do Nônio

=

1 10

=

0,1mm

A resolução indica o quanto vale cada traço do nônio.

2o Passo: Identificar, na escala principal, o último valor ultrapassado pelo “zero” do nônio Observando a figura ao lado, identificamos rapidamente que esse valor é de 103 mm

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pelo cálculo da resolução.1 mm.3o Passo: Identificar no nônio. seguindo essa seqüência conseguiremos desvendar a forma de fazer a leitura. Faça os exercícios abaixo para verificar se você entendeu bem o que foi passado acima. temos então 0. Sempre que nos depararmos com um paquímetro com qualquer escala que seja. que cada traço do nônio representa 0. 4o Passo: Somar a leitura da escala principal com a leitura do nônio Fazendo isso temos: À medida que praticamos com o paquímetro. aquele traço que está coincidente e alinhado com a algum traço da escala principal Observe novamente a figura do paquímetro e perceba que essa coincidência ocorre no “5” do nônio. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 79 .5 mm que é a leitura obtida do nônio. Sabendo. essas atividades são realizadas de forma muito rápida e quase automaticamente.

Agora que você já entendeu o princípio de leitura de um paquímetro com resolução de 0.1 mm. conseguem dividir o mm da escala principal em partes menores. por isso. Esses paquímetros possuem mais divisões no nônio e. • Pratique agora esse conceito nos exercícios a seguir: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 80 . vamos entender e praticar a leitura de paquímetros que conseguem “enxergar” comprimentos menores. • Vamos a eles: a) Paquímetro com 20 divisões no nônio Aplique o mesmo raciocínio utilizado no exemplo anterior e procure entender a medida a seguir. e que são utilizados na maior parte dos casos.

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 81 .

05 mm. COTA A B C D E F G H I RESULTADO Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 82 .• Práticas de Medição Com o paquímetro de resolução 0. realize as medições das cotas indicadas nos desenhos das peças abaixo.

COTA A B C D E F G H I J RESULTADO COTA A B C D E F G H I J RESULTADO Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 83 .

• Pratique esse conceito nos exercícios a seguir: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 84 . Agora são 50 divisões no nônio e o desafio de identificar o traço que está coincidente aumenta.b) Paquímetro com 50 divisões no nônio Estamos diante agora do paquímetro mecânico com menor resolução no sistema métrico. Aplique o mesmo raciocínio utilizado no exemplo anterior e procure entender a medida abaixo.

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 85 .

• Práticas de Medição Com o paquímetro de resolução 0. realize as medições das cotas indicadas nos desenhos das peças abaixo.02 mm. COTA A B C D E F G H I J RESULTADO COTA A B C D E F G H I J RESULTADO Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 86 .

somam-se os milésimos de polegada indicados pelo ponto em que um dos traços do nônio coincide com o traço da escala principal.001" 25 O procedimento para leitura é o mesmo que para a escala em milímetro.5 Paquímetro no sistema inglês No sistema inglês existem paquímetros em que a polegada está em forma de fração (polegada fracionária) e paquímetros em que a polegada está em forma decimal (polegada milesimal).025 = 0. a seguir.4.4. Contam-se as unidades . cada polegada da escala fixa divide-se em 40 partes iguais.025" na escala principal que estão à esquerda do zero (0) do nônio e. a resolução desse paquímetro é: Resolução = 0. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 87 .025" Como o nônio tem 25 divisões. Observe a figura abaixo e procure entender. cada divisão corresponde a: Divisão = 1 40 = 0. Portanto. Vejamos como fazer a leitura em cada um deles: a) Paquímetro com leitura em polegada milesimal No paquímetro com leitura em polegada milesimal.

• Pratique esse conceito nos exercícios a seguir: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 88 .

COTA A B C D E F G H I J RESULTADO COTA A B C D E F G H I J RESULTADO Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 89 .001”. realize as medições das cotas indicadas nos desenhos das peças abaixo.Práticas de Medição Com o paquímetro de resolução 0.

b) Paquímetro com polegada fracionária Nesse paquímetro. Deve-se lembrar que. Observe a figura abaixo e procure entender. resultando em uma menor divisão da escala principal de: Divisão = 1 " 16 Como o nônio tem 8 divisões. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 90 . a resolução desse paquímetro é: Resolução = 1 16 8 = 1 1 1 " ⋅ = 16 8 128 O procedimento para leitura é o mesmo que para a escala em milímetro. cada polegada da escala principal está dividida em 16 partes. sempre á fração deve ser simplificada tantas vezes até que o numerador seja um número ímpar. Contam-se as unidades 1/16" na escala principal que estão à esquerda do zero (0) do nônio e. somam-se com os 1/128” indicados pelo ponto em que um dos traços do nônio coincide com o traço da escala principal. a seguir.

• Pratique esse conceito nos exercícios a seguir Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 91 .

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 92 .

realize as m edições das cotas indicadas nos desenhos das peças abaixo.• Práticas de Medição Com o paquímetro de resolução 1/128”. COTA A B C D E F G H I J RESULTADO COTA A B C D E F G H I J RESULTADO Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 93 .

conhecido como paralaxe. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 94 . Um erro muito comum no paquímetro ocorre no momento de fazer a leitura da coincidência no nônio. evitando erros como: a) Paralaxe Sendo o paquímetro um instrumento de operação manual. o operador possui grande influência no resultado da medição. que é mais comum nos paquímetros que possuem grande número de divisões no nônio. podendo cometer erros ao menor descuido. não basta saber tirar um número de um instrumento. é necessário conhecer os erros e como fazer para evitá-los. vai acontecer sempre que o operador se descuidar e olhar o nônio numa direção que não seja perpendicular. Temos que empregar métodos de medição corretos que assegurem uma boa confiabilidade nesse número.4.4.6 Evitando erros de medição Como foi explicado ao longo de toda a apostila. A figura abaixo ilustra o erro de paralaxe. Portanto. Esse erro.

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 95 . Para se deslocar com facilidade sobre a régua.b) Força de medição A força de medição empregada no paquímetro deve ser suficiente para manter um bom contato com a peça e expulsar pequenas impurezas no contato da medição. porém sem folga. controlado por uma mola. Caso exista uma folga anormal. No paquímetro o erro de pressão de medição origina-se no jogo do cursor. girando-os até encostar-se ao fundo e. regular a mola. Se o operador faz uma força excessiva durante a medição haverá erros de medição por causa da deformação da peça e do paquímetro. Pode ocorrer uma inclinação do cursor em relação à régua. O operador deve. o que altera a medida. nem muito solto. Após esse ajuste. em seguida. o movimento do cursor deve ser suave. portanto. o cursor deve estar bem regulado: nem muito preso. adaptando o instrumento à sua mão. retornando 1/8 de volta aproximadamente. os parafusos de regulagem da mola devem ser ajustados.

4.4.7 Utilizando corretamente o paquímetro
Para ser usado corretamente, o paquímetro precisa ter, antes de tudo:
• •

Suas faces de medição limpas; A peça a ser medida deve estar posicionada corretamente entre os encostos.

Para evitar atrito e arranhões nas faces de medição, é importante abrir o paquímetro com uma distância maior que a dimensão do objeto a ser medido. Após isso, o centro da face fixa deve ser encostado em uma das extremidades da peça e o paquímetro é fechado suavemente até que a face móvel toque a outra extremidade.

Feita a leitura da medida, o paquímetro deve ser aberto e a peça retirada, sem atritar com as faces do paquímetro. Nas medidas externas, a peça a ser medida deve ser colocada o mais profundamente possível entre os bicos de medição para evitar qualquer desgaste na ponta dos bicos e para evitar a deformação dos bicos que provoquem erros de medição.

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As superfícies de medição dos bicos e da peça devem estar bem apoiadas para evitar erros por

mau contato da peça com o paquímetro.

Nas medidas internas, as orelhas precisam ser colocadas o mais profundamente possível. O paquímetro deve estar sempre paralelo à peça que está sendo medida.

Para maior segurança nas medições de diâmetros internos, as superfícies de medição das orelhas devem coincidir com a linha de centro do furo. Toma-se, então, a máxima leitura para diâmetros internos e a mínima leitura para faces planas internas.

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No caso de medidas de profundidade, apóia-se o paquímetro corretamente sobre a peça, evitando que ele fique inclinado.

Nas medidas de ressaltos, coloca-se a parte do paquímetro apropriada para ressaltos perpendicularmente à superfície de referência da peça. Não se deve usar a haste de profundidade para esse tipo de medição, porque ela não permite um apoio firme.

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Não aplicar força de medição excessiva. Essas recomendações valem para qualquer instrumento de medição. Não atritar as faces de medição com a peça a medir. Cuidado com riscos nas réguas fixa e móvel. um instrumento de medição é um equipamento construído com grande precisão. A nossa responsabilidade pela sua conservação deve estar à altura dessa sofisticação dos instrumentos. com maiores custos para a empresa. Disso resulta o instrumento ser muito mais caro do que uma ferramenta.8 Cuidados com a conservação dos paquímetros Devido à sua grande responsabilidade.. apertar. . Não expor a temperaturas elevadas. por exemplo..4. Portanto. Muito cuidado com choques e quedas. preste bem atenção às recomendações abaixo e ponha em prática no seu dia a dia como profissional de mecânica. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 99 . com perda de qualidade de produtos e serviços. Limpar após o uso e guardar em local apropriado. • • • • • • • • • Não guardar instrumentos misturados como ferramentas. Proibido usar em outra atividade que não seja a de medir (riscar. bater. Instrumentos mal conservados se degradam rapidamente. A reposição ou manutenção dos instrumentos terá que ser feita em tempos menores.). provocando um prejuízo duplo para a empresa: Instrumentos mal conservados têm prejudicado a sua exatidão e cometem erros de medição bem maiores. Jamais medir peças que estejam em movimento. materiais especiais e sob um critério técnico bastante rigoroso. por exemplo. no torno.4.

4. há uma porca fixa e um parafuso móvel que. o micrômetro é denominado palmer. o instrumento é conhecido como micrômetro. será necessário empregar instrumentos de maior exatidão. o que exigia instrumentos de medição com resolução e incerteza compatíveis. um micrômetro para requerer sua patente. O princípio de funcionamento do micrômetro assemelha-se ao do sistema parafuso e porca. de maneira simples. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 100 . O micrômetro é um desses instrumentos. e é largamente utilizado em operações de medição de peças onde a exigência de exatidão é bastante alta. a precisão dimensional das peças foi ficando cada vez mais apertada. Na França. o micrômetro foi aperfeiçoado e possibilitou medições mais rigorosas e exatas do que o paquímetro. pela primeira vez. em homenagem ao seu inventor. se der uma volta completa. quando Jean Louis Palmer apresentou. Assim. provocará um descolamento igual ao seu passo. Para muitas aplicações o paquímetro é um excelente instrumento mas a partir de um certo nível de precisão dimensional ele não atende mais as exigências e. A sua origem é do século 17 na França. desse ponto em diante. entretanto.5 Micrômetros À medida que a indústria mecânica foi aperfeiçoando os seus métodos de trabalho e suas máquinas. O instrumento permitia a leitura de centésimos de milímetro. De modo geral. Com o decorrer do tempo.

onde se podem visualizar os seus componentes. com isso. Micrômetro convencional para medidas externas Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 101 . atualmente. medir comprimentos menores do que o passo do parafuso. mostra-se na forma indicada na figura seguinte.Desse modo. Esse princípio foi utilizado na concepção do micrômetro que. pode-se avaliar frações menores que uma volta e. dividindo-se a cabeça do parafuso.

para isso. Portanto. . quando isso é necessário. A porca de ajuste permite o ajuste da folga do fuso micrométrico. • • • • • • A faixa de medição dos micrômetros é de 25 mm ou 1”. Podem chegar a 2000 mm (ou 80"). Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 102 . de alta resistência ao desgaste. tratado termicamente para eliminar as tensões internas. coincide com o zero (0) da escala do tambor. 0. fixado ao arco. A trava permite imobilizar o fuso numa medida predeterminada. As faces de medição tocam a peça a ser medida e. gravada na bainha.0001". evita sua dilatação porque isola a transmissão de calor das mãos para o instrumento. Ele gira ligado ao fuso micrométrico. quando as faces dos contatos estão juntas. a cada volta. A resolução nos micrômetros pode ser de 0.001" ou . apresentam-se rigorosamente planos e paralelos. O tambor é onde se localiza a escala centesimal. O isolante térmico. Variando o tamanho do arco de 25 em 25 mm (ou 1 em 1"). Em alguns instrumentos.Os principais componentes possuem as seguintes características e funções: • • O arco é constituído de aço especial ou fundido. os contatos são de metal duro.01 mm. A figura abaixo ilustra essa situação. A linha longitudinal. No micrômetro de 0 a 25 mm ou de 0 a 1". a borda do tambor coincide com o traço zero (0) da bainha. seu deslocamento é igual ao passo do fuso micrométrico. A catraca ou fricção assegura uma pressão de medição constante.001 mm. evitando erros de medição e problemas na rosca do fuso. O fuso micrométrico é construído de aço especial temperado e retificado para garantir exatidão do passo da rosca.

Medição de dimensão externa Alguns dos mais utilizados são: Micrômetro de profundidade Conforme a profundidade a ser medida.5.4. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 103 .1 Tipos e aplicações O micrômetro convencional possui a capacidade de medir somente dimensões externas. existem micrômetros construídos especificamente para essas funções. que são fornecidas juntamente com o micrômetro. como mostra a figura abaixo. Para aplicações especiais como medidas internas. de profundidade e outras. utilizam-se hastes de extensão. Micrômetro com arco profundo Serve para medições de espessuras de bordas ou de partes salientes das peças.

macho. etc. 5 cortes. Micrômetro com contato em forma de V É especialmente construído para medição de ferramentas de corte que possuem número ímpar de cortes (fresas de topo. de pano papel. este micrômetro possui as hastes furadas para que se possa encaixar as pontas intercambiáveis.Micrômetro com disco nas hastes O disco aumenta a área de contato possibilitando cartolina. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 104 . Micrômetro para medição de roscas Especialmente construído para medir roscas triangulares. Os ângulos em V dos micrômetros para medição de ferramentas de 3 cortes é de 60º. couro. 108º e 7 cortes. Também é empregado para medir dentes de engrenagens. a medição borracha.). conforme o passo para o tipo da rosca a medir. 128º34™17". alargadores etc.

Micrômetro Interno com 3 contatos Este micrômetro possui 3 contatos que se movem radialmente até tocarem nas paredes do furo. Sua característica principal é a de ser autocentrante. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 105 . o micrômetro tubular atende quase que somente a casos especiais. o que permite a introdução do contato fixo no furo do tubo. Micrômetro Interno tubular É empregado para medições internas acima de 30 mm. como mostrado na figura a seguir. que formam. um ângulo de 120º. entre si.Micrômetro Para medir parede de tubos Este micrômetro é dotado de arco especial e possui o contato a 90º com a haste móvel. É usado exclusivamente para realizar medidas em superfícies cilíndricas internas. permitindo leitura rápida e direta. principalmente as grandes dimensões. devido à forma e à disposição de suas pontas de contato. Devido ao uso em grande escala do micrômetro interno de três contatos pela sua versatilidade.

a partir daí. que é determinada pela seguinte equação: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 106 . A leitura em todos eles é muito semelhante e também simples.001 mm. varia de 25 em 25 mm. a) Micrômetro de resolução 0. Exemplos desses são o micrômetro com contador mecânico e o micrômetro digital.2 Micrômetros no sistema métrico Os micrômetros no sistema métrico possuem resoluções de 0.01 mm.Micrômetro Interno Tipo Paquímerto É empregado para medições acima de 5 mm e. 4.01 mm. micrômetros para medidas externas que foram modificados para tornar mais fácil a leitura e para possibilitar a conexão com equipamentos eletrônicos.001 mm.01 mm e 0. 0.002 mm e 0.5. Existem ainda. Vamos começar pelo micrômetro de 0. sendo mais comum encontrar os micrômetros de 0.01 mm O primeiro passo para medir com esse micrômetro é calcular a sua resolução.

leitura dos milímetros inteiros na escala da bainha. também na escala da bainha.01 mm. Observe esses exemplos e procure entender essa seqüência para a leitura desse micrômetro de resolução 0.5 mm e 50 divisões no tambor.01 mm. 3º passo .01 mm 50 Dessa forma. girando-se o tambor. teremos: Resolução = 0.5 = 0.Resolução = Passo da rosca micrométri ca Número de divisões do Tambor Em um micrômetro que possua o passo da rosca de 0. cada divisão representa um deslocamento do fuso de 0. 2º passo . Para a leitura. deve-se seguir a seguinte seqüência: • • • 1º passo .leitura dos centésimos de milímetro na escala do tambor.leitura dos meios milímetros. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 107 .

Verifique seu entendimento fazendo o exercício abaixo:

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Agora pratique esses conceitos nesses exercícios:

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109

b) Micrômetro de resolução 0,001 mm Quando houver nônio no micrômetro, ele indica o valor a ser acrescentado à leitura obtida na bainha e no tambor. A medida indicada pelo nônio é igual à leitura do tambor, dividida pelo número de divisões do nônio. Se um micrômetro de 0,01 mm tiver dez divisões marcadas na bainha, sua resolução será:

Resolução

=

0,01 = 0,001 mm 10

A Leitura no micrômetro com resolução de 0,001 mm ocorre, então, segundo os seguintes passos:
• • • •

1º passo - leitura dos milímetros inteiros na escala da bainha. 2º passo - leitura dos meios milímetros na mesma escala. 3º passo - leitura dos centésimos na escala do tambor. 4º passo - leitura dos milésimos com o auxílio do nônio da bainha, verificando qual dos traços do nônio coincide com o traço do tambor.

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A leitura final será a soma dessas quatro leituras parciais. Verifique esses exemplos: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 111 .

Agora pratique esses conceitos nesses exercícios: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 112 .

001 mm. realize as medições das cotas indicadas nos desenhos das peças abaixo.001 mm Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 113 .01 e 0. COTA A B C D E F G H I J 0.• Práticas de Medição Com os micrômetros de resolução 0.01 mm 0.

possui 25 divisões.01 mm 0.001 mm 4. com resolução de 0. a) Micrômetro de resolução 0. Desse modo.3 Micrômetros no sistema Inglês Os micrômetros no sistema inglês apresentam-se nas resoluções de 0.001” apresenta as seguintes características: • Na bainha está gravado o comprimento de uma polegada.025" • O tambor do micrômetro. dividida em 40 partes iguais.001” O micrômetro de resolução 0.COTA A B C D E F G H I 0.001” e 0.001". cada divisão equivale a 1" : 40 = 0.0001”.5. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 114 .

Para medir com o micrômetro de resolução 0. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 115 .001". Depois. soma-se essa medida ao ponto de leitura do tambor que coincide com o traço de referência da bainha. Veja a figura a seguir. lê-se primeiro a indicação da bainha.

há um nônio com dez divisões. então.001” Para a leitura no micrômetro de 0. em 250 partes iguais. além das graduações normais que existem na bainha (25 divisões). O tambor divide-se.Verifique o seu entendimento fazendo as leituras abaixo: b) Micrômetro de resolução 0. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 116 .0001".

Verifique o seu entendimento fazendo as leituras abaixo: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 117 .

Agora pratique a leitura desses dois micrômetros executando os exercícios a seguir: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 118 .

001”.• Práticas de Medição Com o micrômetro de resolução 0. COTA A B C D E F G H I J RESULTADO COTA A B C D E F G H I RESULTADO Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 119 . realize as medições das cotas indicadas nos desenhos das peças abaixo.

• Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 120 .5. Para os micrômetros cuja capacidade é de 0 a 25 mm. Para a sua conservação. ou de 1" a 2". são necessários alguns cuidados básicos na operação e conservação dos micrômetros.. • • Antes do uso. Antes de iniciar a medição de uma peça. ou seja. para não deixá-lo exposto à sujeira e à umidade.4 Cuidados com a operação e conservação dos Micrômetros Para que se possa medir com uma exatidão bastante boa com o micrômetro. esse ajuste do ponto inicial é o próprio ajuste de zero do instrumento. Para ajustar micrômetros de maior capacidade. de 25 a 50 mm. Se estas não coincidirem. devemos verificar o ajuste do ponto de medição inicial do micrômetro. Untar o micrômetro com vaselina líquida. Encostar suavemente as faces de medição usando apenas a catraca e verificar a coincidência das linhas de referência da bainha com o zero do tambor. Guardar o micrômetro em armário ou estojo apropriado. Para isso precisamos tomar os seguintes cuidados: • Limpar cuidadosamente as partes móveis eliminando poeiras e sujeiras. de acordo com a sua capacidade. de 50 a 75 mm etc. porém com a utilização de hastes-padrão. utilizando um pincel. limpar as faces de medição usando somente uma folha de papel macio. deve-se ter o mesmo cuidado e utilizar os mesmos procedimentos para os micrômetros citados anteriormente. de 2" a 3" etc. ou de 0 a 1". com pano macio e limpo. secando-o com um pano limpo e macio (flanela). Evitar contatos e quedas que possam riscar ou danificar o micrômetro e sua escala. devem ser tomados os seguintes cuidados após o uso: • • • Limpar o micrômetro. faça o ajuste movimentando a bainha com a chave de micrômetro. que normalmente acompanha o instrumento.4.

ligados por mecanismos diversos a uma ponta de contato.4. ou seja. de dimensões conhecidas. Se o ponteiro girar em sentido anti-horário. que é utilizada como referência.6. a diferença será negativa. a diferença é positiva. Para realizar essa medição de forma diferencial se utiliza largamente um instrumento conhecido como relógio comparador. O comparador centesimal é um instrumento comum de medição por comparação.6 Relógios comparadores Medir a grandeza de uma peça por comparação é determinar a diferença da grandeza existente entre ela e um padrão de dimensão predeterminado. As diferenças percebidas nele pela ponta de contato são amplificadas mecanicamente e irão movimentar o ponteiro rotativo diante da escala. dotado de uma escala e um ponteiro.1 Tipos de relógio O relógio comparador é um instrumento de medição por comparação. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 121 . 4. Dimensão da peça = Dimensão do padrão ± diferença Também se pode tomar como padrão uma peça original. Quando a ponta de contato sofre uma pressão e o ponteiro gira em sentido horário. a peça apresenta menor dimensão que a estabelecida. Isso significa que a peça apresenta maior dimensão que a estabelecida. Daí originou-se o termo medição diferencial.

os relógios comparadores possuem. Em alguns modelos. podendo ser ajustados nos valores máximo e mínimo permitidos para a peça que será medida. 10 mm. medições especiais de superfícies verticais. Alguns relógios trazem limitadores de tolerância. de profundidade. Sua finalidade é possibilitar controle em série de peças. Existem ainda os acessórios especiais que se adaptam aos relógios comparadores. a escala dos relógios se apresenta perpendicularmente em relação a ponta de contato (vertical). Esses limitadores são móveis. denominado contador de voltas do ponteiro principal. E.01 mm. . Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 122 . As próximas figuras mostram esses dispositivos destinados à medição de profundidade e de espessuras de chapas. Os mais utilizados possuem resolução de 0. caso apresentem um curso que implique mais de uma volta. outro menor. O curso do relógio também varia de acordo com o modelo. porém os mais comuns são de 1 mm.Existem vários modelos de relógios comparadores.250" ou 1". além do ponteiro normal. de espessuras de chapas etc.

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 123 . Existem ainda os relógios comparadores eletrônicos. Este relógio possibilita uma leitura rápida. ovalização. zeragem em qualquer ponto e com saída para mini-processadores estatísticos. rápida e em qualquer ponto. indicando instantaneamente a medida no display em milímetros. da dimensão do diâmetro ou de defeitos. etc.Os relógios comparadores também podem ser utilizados para furos. no qual pode-se obter a leitura da dimensão. Uma das vantagens de seu emprego é a constatação. Esse dispositivo é conhecido como medidor interno com relógio comparador ou súbito e será visto em mais detalhes no próximo capítulo. como conicidade. com conversão para polegada. Consiste basicamente num mecanismo que transforma o deslocamento radial de uma ponta de contato em movimento axial transmitido a um relógio comparador. O instrumento deve ser previamente calibrado em relação a uma medida padrão de referência.

por sua vez. cada divisão equivale a 0. A ponta de contato move o fuso que possui uma cremalheira. que aciona um trem de engrenagens que. além das vantagens apresentadas acima. As diferenças de grandeza que acionam o ponto de contato são amplificadas mecanicamente.01 mm. aciona um ponteiro indicador no mostrador. 4.6. a) Amplificação por engrenagem Os instrumentos mais comuns para medição por comparação possuem sistema de amplificação por engrenagens. Como o mostrador contém 100 divisões.A aplicação é semelhante à de um relógio comparador comum. Nos comparadores mais utilizados.2 Mecanismo de amplificação Os sistemas mais usados nos mecanismos de amplificação são por engrenagem e por alavanca. uma volta completa do ponteiro corresponde a um deslocamento de 1 mm da ponta de contato. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 124 .

chamados indicadores com alavancas. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 125 . mantido em contato com os dois cutelos pela mola de chamada. a haste que suporta o cutelo móvel desliza.002 mm por divisão. cuja capacidade de medição é limitada pela pequena amplitude do sistema basculante. temos: Relação de Amplifica ção = Compriment o do ponteiro (a) Distância entre os cutelos (b) Durante a medição. A figura abaixo representa a montagem clássica de um aparelho com capacidade de ± 0. O ponteiro-alavanca. Assim. gira em frente à graduação. a despeito do esforço em contrário produzido pela mola de contato.06 mm e leitura de 0.b) Amplificação por alavanca O princípio da alavanca aplica-se a aparelhos simples.

Colocar o relógio sempre numa posição perpendicular em relação à peça. São encontrados também calibradores específicos para relógios comparadores. Vejamos algumas aplicações dos relógios comparadores: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 126 . tomam-se as diversas medidas nos blocos-padrão. ao iniciar uma medida. A verificação de possíveis erros é feita da seguinte maneira: com o auxílio de um suporte de relógio. devemos nos certificar de que o relógio se encontra em boas condições de uso. deve-se dar uma pré-carga para o ajuste do zero. Antes de tocar na peça. Em seguida.4. Os relógios podem ser destinados a várias operações de medição.3 Utilização e Conservação Antes de medir uma peça. para não incorrer em erros de medida.6. Assim. deve-se observar se as medidas obtidas no relógio correspondem às dos blocos. o ponteiro do relógio comparador fica em uma posição anterior a zero.

Descer suavemente a ponta de contato sobre a peça.6. Verificar se o relógio é anti-magnético antes de colocá-lo em contato com a mesa magnética.Quanto à conservação. Evitar choques. Existem dois tipos de relógios apalpadores. 4. Seu corpo monobloco possui três guias que facilitam a fixação em diversas posições. Manter o relógio guardado no seu estojo. arranhões e sujeira.4 Relógio apalpador É um dos relógios mais versáteis que se usa na mecânica. Um deles possui reversão automática do movimento da ponta de medição. outro tem alavanca inversora. os seguintes cuidados devem ser observados durante o uso dos relógios comparadores: • • • • • • • Montá-lo rigidamente em seu suporte. a qual seleciona a direção do movimento de medição ascendente ou descendente. Levantar um pouco a ponta de contato ao retirar a peça. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 127 . Os relógios devem ser lubrificados internamente nos mancais das engrenagens.

002 mm. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 128 .Medições internas. . .Excentricidade de peças.01 mm.Paralelismos entre faces. . multiplicado pelo deslocamento representado por cada volta.001" ou 0. 4. Esse número de voltas. A resolução do relógio vem sempre indicada no seu mostrador. 0.5 Leitura nos relógios Na leitura de um relógio comparador existem dois ponteiros. pode ser usado para grande variedade de aplicações. Exemplos: .O mostrador é giratório com resolução de 0.0001". um bem pequeno e um maior. 0. deve ser medido e anotado. Por sua enorme versatilidade.6. .Alinhamento e centragem de peças nas máquinas.Medições de detalhes de difícil acesso. tanto na produção como na inspeção final. O ponteiro pequeno indica o número de voltas que o ponteiro maior percorre durante a medição.

Observe esse exemplo: • • • • Resolução: 0.Essa medição se soma ao deslocamento do ponteiro maior. em relação ao zero ou ponto de início da medição.55 mm Leitura: 1 + 0.01 mm = 1 mm Ponteiro maior: 55 x 0.55 mm Com base nesse exemplo faça a leitura nos relógios abaixo: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 129 .01 = 0. que pode ser positiva ou negativa. O resultado dessa soma é a leitura do relógio.55 = 1.01 mm Ponteiro menor: 1 volta = 100 x 0.

Agora pratique seus conhecimentos nesses exercícios: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 130 .

Ao ser introduzido o instrumento no furo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 131 . o relógio é zerado com a utilização de um padrão com a medida nominal a ser controlada. Uma vez selecionado o batente móvel.4. por sua vez. Assim. Consiste basicamente de um mecanismo que transforma o deslocamento radial de uma ponta de contato em movimento axial transmitido a um relógio comparador. ocasionando a movimentação de uma barra interna que está em contato com a ponta do relógio. transmite o movimento a 90o. provoca a movimentação de um came que.7 Medidores internos com relógio Este instrumento foi desenvolvido para efetuar medições por comparação em diâmetros internos a diferentes profundidades. onde se pode obter a leitura da sua dimensão. os roletes posicionam as pontas na linha do diâmetro. O instrumento deve ser previamente ajustado em uma medida padrão de referência. daí sua potencialidade na verificação de circularidade (ovalização) e cilindricidade (conicidade). a ponta móvel ao se deslocar.

foram desenvolvidos diferentes tipos de comparadores para diâmetros internos. a) Com sistema de pinças auto centrantes circulares: Nesse modelo. as pontas entram em contato com as paredes e pressionam um pino de medição que aciona o mecanismo do relógio para indicar o diâmetro do furo. tanto dos setores da metrologia como de fabricação da indústria de mecânica de precisão.Desta forma. Cabe ainda acrescentar que no relógio o movimento do ponteiro no sentido horário indica que a medida é menor do que o padrão. Para atender diversas necessidades. uma pequena variação de posição da ponta móvel em relação ao padrão é observada no relógio. quando o instrumento é colocado dentro do furo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 132 . Existem basicamente dois tipos de medidores internos com relógio.

São utilizados para a medição de pequenos diâmetros, entre 1 mm e 18 mm.

b) Com sistema de 3 apoios e ponta apalpadora Esse modelo é utilizado para a medição de diâmetros internos, e para medir os erros de circularidade e cilindricidade. A circularidade está relacionada à ovalização do furo e a cilindricidade está relacionada principalmente à conicidade do furo. Possui 3 apoios fixos e o medidor que se apóiam nas paredes do furo para determinar o seu diâmetro por comparação com um anel padrão.

Nas operações de retífica de motores são realizadas operações de desbaste dentro dos cilindros do bloco do motor, para deixar o cilindro com um acabamento adequado e dentro de medidas precisas. Esse medidor, conhecido como súbito é utilizado para essas medições.

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Na operação do súbito, deve-se tomar todo o cuidado para alinhar o medidor com o eixo do cilindro a medir, caso contrário surgirão erros de medição, como mostra a figura abaixo. Para assegurar uma posição de medição correta deve-se buscar a m enor leitura do relógio, que corresponde ao diâmetro do furo.

4.7.1 Procedimentos de uso do comparador
Para uma medição eficiente e confiável, vários cuidados devem ser observados na medição interna utilizando os medidores com relógio.

a) Seleção do comparador mais adequado

b) Limpar o comparador e a peça a medir com um pano limpo

c) Ajustar a profundidade de montagem do relógio

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d) Selecionar os componentes necessários para montar o comparador de diâmetros internos

e) Colocar o comparador de diâmetros internos no ponto zero de referência através de um dos métodos: - Usando anéis padrão - Usando um micrômetro ajustado com bloco-padrão

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Movimento no sentido anti-horário indica diâmetro menor Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 136 .- Usando um micrômetro - Usando blocos-padrão montados com acessórios especiais f) Observar o sentido de movimento do ponteiro do relógio .Movimento no sentido horário indica que o diâmetro interno está maior .

as atividades de medição também tiveram que se adaptar a essa velocidade e se automatizarem. alta velocidade de medição. por exemplo. Com a redução dos preços das máquinas e a intensa busca por qualidade. geometricamente complexas e variadas. Nesse panorama as operações de medição manuais perderam espaço para sistemas de medição automatizados e a máquina de medir por coordenadas foi o principal desses equipamentos a surgir nos últimos anos. o baixo nível de incertezas.8 Medição tridimensional A intensa automatização que se deu na produção nos últimos 30 anos levou a fabricação para patamares crescentes de desenvolvimento. levando à conclusão de que as Máquinas de Medição por Coordenadas são cada vez mais necessárias neste ambiente de consumidores exigentes e de empresas tentando alcançar a excelência naquilo que produzem. além de serem muito mais precisas.4. Volkswagen e outras há bastante tempo têm usado as MMC em seus sistemas de manufatura. A evolução no design e a grande diversidade dos automóveis atuais é um exemplo claro desse desenvolvimento. Sua flexibilidade. e todos os demais setores do fluxo produtivo têm sido chamados a acompanhar este desenvolvimento. No Brasil. grandes empresas como a Embraco. notadamente na indústria automotiva. além da grande aplicabilidade (são muito poucas as dimensões inviáveis de serem medidas por uma MMC) têm motivado a sua utilização para controle de qualidade de muitos componentes. Mercedes-Benz. Com a automação e a rapidez da fabricação. As peças hoje são fabricadas com uma velocidade muito maior do que antes. muitas empresas pequenas e médias têm optado por este sistema com significativo sucesso. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 137 .

1 Princípio de medição A geometria de qualquer peça pode ser definida através de pontos característicos. Nesta definição está baseado todo o princípio de medição por coordenadas e. para visualizarmos melhor este princípio. D. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 138 . e do processamento matemático destes pontos.X E Como observamos através desse exemplo.4.YA Altura = ZD . Comprimento = YB . Localizando os pontos A. na medição por coordenadas as dimensões de uma peça são determinadas através da coleta de pontos referenciados a um sistema de coordenadas. observemos a peça mostrada na figura abaixo. cuja posição no espaço seja conhecida em relação a uma referência fixa. Admitindo que a peça está alinhada com os eixos do sistema de coordenadas cartesiano (X. podemos medir as dimensões utilizando a posição desses pontos. E e F. B. C. Y e Z).8.ZC profundidade = X F . podemos determinar suas 3 dimensões se pudermos localizar a posição de pontos estratégicos sobre as faces do paralelepípedo.

a máquina de medição possui sistemas de medição de deslocamento (escalas) das que determinam a posição que um elemento localizador ocupa dentro do espaço de trabalho da máquina. Este elemento localizador que iremos chamar de apalpador irá tocar na peça em determinados pontos e as escalas determinam as coordenadas especiais de cada ponto. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 139 . pois. O processamento matemático destas coordenadas irá fornecer as dimensões da peça. Para isso. determinar a posição espacial destes pontos e fazer o processamento matemático para medir qualquer elemento geométrico: Círculos Planos Cilindros Cones Esferas Rasgos Pontos Superfícies Perfis Elipses Distâncias Ângulos Curvaturas etc. Na figura a seguir pode ser vista uma MMC básica com alguns de seus componentes.A função da Máquina de Medição é.

na indústria automobilística tem sido largamente utilizado em aplicações como: Controle de qualidade de peças seriadas Para verificar a qualidade dimensional de autopeças e dos veículos e assim manter os processos de produção ajustados para produzir dentro das especificações dimensionais.2 Potencialidades e Presença na Indústria Automotiva Com essas potencialidades a máquina de medir por coordenadas possui recursos quase ilimitados para fazer análises dimensionais em peças e produtos. medições são realizadas para verificar a capacidade dos processos produtivos.8.4. - Investigação de problemas em peças e processos Na etapa de desenvolvimento dos veículos e autopeças. além de evitar que maus produtos sigam adiante no processo produtivo. Análise de desgaste em um came de eixo de comando de válvulas Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 140 . Sua grande flexibilidade permite medir e digitalizar qualquer formato geométrico e. para analisar desgastes após um teste e em outras situações em que sejam necessárias verificar a dimensão de peças e protótipos.

gesso. . Essas máquinas conseguem medir com erros bastante pequenos e. esquadros. - Digitalização de peças para engenharia reversa Devido à capacidade da máquina de medir por coordenadas de coletar conjuntos de pontos sobre uma superfície é possível digitalizar uma peça e levar esses pontos para um sistema de CAD. Nesse sistema de CAD esse conjunto de pontos é processado até se ter a superfície reconstruída virtualmente.) por um designer.. e depois precisa ser reproduzida em série. podem ser utilizadas para a calibração de alguns instrumentos (paquímetros. .. resina.. Esse processo é empregado em situações onde a peça seja modelada fisicamente (em madeira. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 141 .Os recursos para comparar diretamente o desenho no CAD com os resultados da medição permitem avaliações bastante úteis para o desenvolvimento dos produtos.. - Calibração de instrumentos e padrões dimensionais Algumas máquinas de medir de alta exatidão estão instaladas em laboratórios bastante controlados quanto a temperatura e umidade.). calibradores. .. assim..) e padrões (réguas. micrômetros.

Máquinas com diferentes níveis de automatização Em todas elas alguns componentes fundamentais estarão sempre presentes. máquinas-ferramenta. desde as máquinas completamente manuais até as máquinas completamente automatizadas e intergradas com outros equipamentos da produção (robôs.).4.. .8. que são compostas por: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 142 .3 A máquina de medir por coordenadas As máquinas de medir por coordenadas possuem diferentes níveis de automatização.. A figura abaixo mostra os componentes básicos de uma máquina de medir por coordenadas.

nas máquinas de maior exatidão o descolamento dos eixos ocorre sobre colchões de ar. pois determinam a posição dos pontos localizados pelo apalpador.a) Estrutura Mecânica A mesa. por engrenagens ou por roda de atrito movimentam os eixos da máquina de medir. as colunas e as guias da máquina compõem a sua estrutura mecânica. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 143 . que são fabricadas com grande precisão e montadas com o máximo cuidado.01 mm. b) Motores e elementos de acionamento Os motores e elementos de acionamento por correia. São réguas eletrônicas que operam por interferência de luz e possuem resolução de até 0. Formas de transmissão de movimento Mancal a ar c) Escalas de medição As escalas de medição são elementos vitais na máquina de medir. Para garantir suavidade e baixo atrito na movimentação.

que possuem um sistema de chave elétrica. Quando a ponta do apalpador toca na peça essa chave elétrica é aberta e avisa à máquina que ocorreu um toque. - Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 144 . São sistemas mais comuns e mais baratos mais não compensam a inclinação da haste do apalpador. São basicamente de 3 tipos: Apalpadores comutadores.d) Cabeçote de apalpação Os apalpadores são os elementos que localizam pontos e avisam a máquina do momento do toque com a peça para que as leituras das escalas naquele momento sejam capturadas e gravadas.

além de poderem fazer medições por varredura. segundo o princípio de triangulação.• Apalpadores medidores. São bem mais caros mas possibilitam medição com maior exatidão. que conseguem medir o quanto a haste do apalpador se desloca durante o toque e compensam esse erro da medição. São mais caros do que os apalpadores por contato e a sua exatidão é pior. Os mais freqüentemente encontrados operam com o uso do laser. sem perder contato com a peça. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 145 . ou com câmeras de vídeo. - Apalpadores ópticos são utilizados para peças onde as forças de medição já influenciam o resultado de forma significativa.

A trajetória percorrida pela MMC do início ao fim da peça é referenciada pelo centro do apalpador. a operação da máquina requer certos procedimentos que são comuns a todos os equipamentos.3.4 Iniciando a medição Os software de medição dos diversos fabricantes de máquina são diferentes entre si quanto ao formato dos comando e a aparência. A MMC precisa conhecer previamente a dimensão do apalpador para efetuar o processamento matemático de forma adequada e fornecer resultados confiáveis. No entanto.8. 4. onde é feita a medição do comprimento de uma peça.Um acessório que normalmente é o está associado motorizado. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 146 . e é maior do que o comprimento da peça. Isto pode ser melhor entendido com o auxílio da figura 5. aos que apalpadores mecânicos cabeçote possibilita inclinar o apalpador em qualquer direção para a medição de elementos geométricos em diferentes orientações. Os principais são: Calibração das pontas dos apalpadores Alinhamento da peça a medir a) Calibração das pontas O conhecimento do diâmetro da ponta do apalpador é outra informação imprescindível para a medição ser feita com confiabilidade.

O alinhamento da peça consiste basicamente em informar à MMC a sua posição espacial. Isto é feito a partir da definição de planos que. delimitam a posição da peça na mesa da máquina. pois toda a medição será feita com base neles. A calibração é normalmente realizada medindo-se uma esfera de diâmetro conhecido. Isso é feito através da definição de um sistema de coordenadas da peça. Para essa compensação é necessário calibrar todas as pontas que serão utilizadas nas medições. quando são utilizados várias posições de apalpação a calibração das pontas serve para amarrar essas posições entre si. b) Definição do sistema de coordenadas da peça Após a calibração das pontas que serão utilizadas para a medição. haveria um grande erro de medição. Além de servir para a compensação de raio.Sem a devida compensação do diâmetro da ponta do apalpador. é necessário informar à máquina de medir onde está localizada a peça que será medida. juntos. Estes planos são construídos por pontos sobre a peça. que devem ser definidos de forma eficiente. na operação normalmente chamada de alinhamento da peça. Sistemas de coordenadas da máquina e da peça Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 147 .

Podemos identificar 4 grupos distintos de MMC: a) Máquinas do tipo coluna São máquinas com incerteza de medição muita baixa. Um exemplo clássico de alinhamento é o do plano-linha-ponto.Para realizar isso.5 Tipos e tamanhos de Máquinas de Medir por Coordenadas Devido à grande diversidade de tarefas de medição. é necessário localizar na peça elementos geométricos que possibilitem a criação desse sistema de coordenadas local. Com esses 3 elementos é possível amarrar a posição da peça e definir um sistema de coordenadas. mas restritas a peças pequenas (500 x 200 x 200 mm). como mostra a figura abaixo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 148 . Normalmente a mesa tem os movimentos no plano horizontal (plano xy) e a coluna movimenta-se verticalmente. tamanhos e tolerâncias das peças. com a área de acesso para a colocação da peça. apesar da boa área de acesso. A forma construtiva está muito relacionada com o volume de medição. Esse sistema de coordenadas pode ser criado de várias formas e também modificado (translação e rotação) sempre que necessário. existem diversas formas construtivas de MMC. com a incerteza de medição e com a própria tecnologia acumulada por um certo fabricante. no que diz respeito às formas.8. 4.

uma vez que possui uma base reforçada para apoio das peças. c) Máquinas tipo Lança ou braço horizontal Estas MMC possuem uma grande área de acesso à mesa de trabalho e são apropriadas para grandes peças (até 24 m no maior eixo e 3 m na direção do braço) com um custo bastante atrativo. No entanto apresentam uma alta incerteza de medição. ferramentas de estampagem e dispositivos de fabricação auxiliares.Possui utilização para a medição de pelas pequenas de alta precisão e para a calibração de instrumentos e padrões. São largamente utilizadas na indústria automobilística para a medição de carroceiras. São utilizadas geralmente na medição de carrocerias de automóveis. Existem algumas variações deste tipo de MMC: em um deles. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 149 . São máquinas de grande porte e custo muito alto (até 20 x 6 x 4 m) e incertezas de medição menores do que as máquinas tipo lança. o movimento é realizado pelo portal e a mesa permanece parada enquanto no outro o movimento é realizado pela mesa e o portal é fixo. d) Máquinas tipo ponte Indicado quando há a necessidade de medir peças de grandes dimensões com grande exatidão. devido à deformação da lança e da coluna. b) Máquinas tipo Portal É a forma mais comum de MMC permitindo a medição de peças de médio e grande porte. Apresentam incertezas de medição de pequena a média e o acesso à mesa é restringido pelas colunas.

Aí entra em ação um dos recursos mais úteis da medição por coordenadas que é a construção de medidas. não temos como tocar esse ponto pois ele não existe fisicamente. Por exemplo.6 A técnica de construção de elementos geométricos Em muitas situações a medição direta de certas características dimensionais é impossível pois elas não existem fisicamente. É possível combinar diversos elementos geométricos medidos para se chegar até um outro elemento. se queremos determinar o ponto de intersecção entre os eixos de 2 cilindros do motor. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 150 . seriam medidos os dois cilindros e construídos as linhas que passam no centro de cada um. na figura abaixo. Nesse exemplo do bloco do motor. Finalmente seria construído o ponto de interseção entre as duas linhas.8. • Pratique esse conceito no exercício abaixo: Descreva dois procedimentos de medição capazes de determinar o centro do círculo que contém os centros dos 4 furos.4.

a máquina vai registrando os comandos e gerando o programa de medição. Quando o número de peças a medir é grande. a partir de um programa de medição previamente feito para uma peça. por onde se mover. À medida que o operador mede a primeira peça manualmente. A forma mais comum de programar a máquina de medir por coordenadas é ensiná-la a medir a primeira peça manualmente.4. Programação por aprendizado com a marcação dos pontos intermediários Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 151 . grandes problemas podem ocorrer. Essa técnica é conhecida como programação por aprendizado. como mostra a figura abaixo. Ao final dessa medição manual. para conseguir realizar a medição da peça. Regiões de colisão devem ser evitadas com o uso de comandos na caixa de comando manual da máquina. Caso contrário. Esse programa contém todas as instruções do que a máquina deve fazer. compensa fazer um programa de medição que será executado várias vezes. o que medir. ao executar o programa.7 Medição programada Uma das grandes vantagens das máquinas CNC é a possibilidade de medir de modo automático.8. o programa está pronto para ser rodado para as outras peças. etc.

as máquinas de medir por coordenadas.2 m Laboratorial e Industrial Lança U3= (23 + L/45) U3= (60 + L/25) De 1. vibrações. Características Coluna Típicas Incerteza de U1=(0.8 + L/800) Faixa de Medição Aplicações Até 410 mm Laboratorial Portal U1=(0.5 + L/1200) Medição (µm) U3=(0. configurações e níveis de exatidão. No mercado existem máquinas com diferentes tamanhos. como qualquer instrumento de medição.8 Erros e Incertezas Apesar do elevado grau de automatização e informatização.: Carrocerias de carros e caminhões Ponte U3= (7 + L/125) U3= (20 + L/50) Até 10 m Industrial Ex.7 + L/600) Até 1. A tabela abaixo ilustra os principais tipos de máquinas existentes no mercado e suas faixas de atuação. As medições precisam ser realizadas com um bom critério para que os resultados sejam confiáveis.8. etc.Colisão provocada por falta de ponto intermediário 4. caso a caso. faixa de medição e aplicações típicas para CMM industrial e laboratorial As influências do ambiente de medição (temperatura. Quanto maior a exatidão da máquina maior o seu custo e a escolha do equipamento mais adequado vai depender de uma boa análise sobre as necessidades de medição.) e do operador contribuem para que a incerteza de medição seja maior do que a incerteza do equipamento. possuem imperfeições que se traduzem em erros e incertezas de medição.: Automotiva e Aeronáutica Incertezas de medição.4 + L/900) U3= (0.5 a 12 m Industrial Ex. Percebem-se diferentes níveis de exatidão entre elas. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 152 .

o controle de qualidade do instrumento ou padrão de medição. Com a calibração conseguimos evitar o uso de instrumentos fora de especificações que levaria a erros acima do aceitável. em condições específicas.001 + 0. Essas alterações.0. CALIBRAÇÃO é o conjunto de operações que estabelece.0. Tendência + 0. a correspondência entre os valores indicados por um instrumento de medir ou por um sistema de medição ou por uma medida materializada e os valores verdadeiros convencionais correspondentes da grandeza medida. com prejuízo para a qualidade de produtos e serviços. A calibração é.001 ± 0. Para verificar se o instrumento atende ou não os limites de erro previstos para ele. realizase um procedimento experimental que visa levantar os erros que o instrumento apresenta ao longo da sua faixa de medição. etc. devem ser calibrados com regularidade porque podem sofrer alterações devido a deslocamentos. Esse procedimento experimental é chamado de calibração. por sua vez.001 . por mais sofisticado e moderno que seja o instrumento.0. O resultado de uma calibração pode ser registrado num documento chamado Certificado ou Relatório de Calibração. falhas dos instrumentos.002 ± 0. tais como relógios comparadores.002 . Como já discutimos.001 .0. informações muito úteis para realizar ações de correção de erros ou para decidir se é o momento de encaminhar o instrumento para uma manutenção e ajuste.5. paquímetros e micrômetros.002 ± 0.001 Certificado de Calibração N o 16524 / 2003 Micrômetro digital Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 153 .002 ± 0.003 ± 0.001 ± 0.002 ± 0. temperatura. 5. ele possui imperfeições que podem provocar erros de medição.002 + 0.003 + 0. Através da calibração determina-se a tendência e a incerteza de medição do instrumento.001 ± 0.004 + 0.003 Incerteza ± 0. portanto.1 Importância para a qualidade das medições Um dos principais causadores de erro em uma medição é o instrumento.001 ± 0.003 + 0.003 . podem provocar desvios ou erros nas leituras das medidas.001 ± 0. Calibração de instrumentos de medição Instrumentos de medida.001 + 0.

Observe a figura a seguir que mostra a incerteza e a tendência de uma arma em acertar um alvo. através de uma cadeia contínua de comparações. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC Te nd ên ci a 154 . todas tendo incertezas estabelecidas. representa a parte do erro que é imprevisível ou aleatória. geralmente por padrões nacionais ou internacionais. comparamos com os limites de erro aceitáveis e tomamos a decisão de mantê-lo operando ou afastá-lo para uma manutenção.Tendência é a estimativa do erro sistemático que é a parte previsível do erro. In ce rte za Tendência (parte previsível do erro) e Incerteza (parte imprevisível) Sabendo da tendência que o instrumento apresenta. estamos indiretamente comparando esse paquímetro com o equipamento que reproduz a própria definição do metro mundial. corrigida a tendência. A incerteza de medição. Ao calibrarmos um paquímetro com um padrão calibrado. É importante que a calibração dos instrumento permite amarrar os instrumentos mais simples aos padrões primários do Brasil e do mundo. podemos corrigir essa parcela sistemática de erro do resultado da medição. maior a incerteza. Rastreabilidade é uma propriedade do resultado de uma medição ou do valor de referência de um padrão estar relacionado a referências estabelecidas. Quanto maior a dispersão dos resultados. Essa cadeia de comparações garante essa amarração ou rastreabilidade. Conhecendo a sua incerteza de medição. que é exigência de normas de qualidade como a ISO9000.

A figura a seguir mostra a cadeia de rastreabilidade de dois instrumentos que fazem o controle de qualidade de duas peças produzidas em países diferentes. por meio da definição mundial do metro. os dois instrumentos estão vinculados entre si. Quando calibramos um instrumento. e que irão ser montadas uma na outra. A exatidão desse padrão precisa ser bem maior do que a do instrumento sendo calibrado. Para isso medem-se peças conhecidas como blocospadrão que são medidas materializadas confeccionadas e calibradas com um erro muito Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 155 . METRO PRIMÁRIO BRASIL LABORATÓRIO NACIONAL ALEMANHA LABORATÓRIO NACIONAL LABORATÓRIO SECUNDÁRIO LABORATÓRIO SECUNDÁRIO INDÚSTRIA SALA DE MEDIDAS INDÚSTRIA SALA DE MEDIDAS INTERCAMBIABILIDADE 5. comparamos a sua resposta com o valor de uma medida padrão conhecida. Por exemplo na calibração de um micrômetro. A garantia da rastreabilidade dos instrumentos é fundamental para aumentar as chances de sucesso nessa operação. uma das avaliações feitas é a da exatidão do deslocamento do fuso micrométrico.2 Exemplo de calibração A calibração de um instrumento de medição é uma atividade bastante criteriosa em que a precisão na execução das tarefas tem que ser garantida a todo custo. Através de uma cadeia de calibrações.

Após um processamento matemático dos resultados chega-se à tendência e incerteza de medição do micrômetro.001 mm. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 156 . Durante esse intervalo o instrumento pode apresentar erros ou sofrer avarias e desgastes que comprometa a sua confiabilidade.000 mm. Segundo a norma de calibração de micrômetros. seja comparando com algum padrão existente na empresa. comparando-se os resultados com a norma é feita a aprovação ou não do micrômetro. Na figura abaixo se pode ver um micrômetro medindo um desses blocos padrão de comprimento nominal 25 mm. em cada posição avaliada.000012 mm. Erro = Valor indicado – Valor verdadeiro convencional Esse bloco foi calibrado e possui um comprimento conhecido de 25. Dessa forma é sempre útil fazer alguma operação de verificação dos erros do instrumento. Apesar da calibração evitar que utilizemos instrumentos com erros acima do aceitável.pequeno. o seu erro máximo deve obedecer à equação (L em milímetros): E máx = (4 + L ) ìm 50 Dessa forma. ela é realizada em intervalos normalmente de 1 ano. em uma das avaliações que compõem a sua calibração. Qualquer diferença entre a indicação do micrômetro e o valor calibrado do bloco é anotada. muito menor do que a incerteza do micrômetro. o bloco possui para ele o valor de 25. ou mesmo comparando com outro instrumento que esteja calibrado. Como o micrômetro só consegue “enxergar” até a casa dos 0.

5. assegurar que a incerteza das medições seja conhecida e consistente com a capacidade de medição requerida. desde o desenvolvimento até a produção dos produtos. Medições com erros acima do aceitável vão causar uma série de problemas para a produtividade dos processos e para a qualidade dos produtos.3 Exigência de normas de qualidade A qualidade dos produtos de uma empresa é extremamente dependente da confiabilidade com que as medições são realizadas na empresa. Dentre os procedimentos que as empresas certificadas têm que atender. medição e ensaio para garantir a conformidade do produto com os requisitos especificados. controle e manutenção dos padrões e sistemas de medição. Esses procedimentos objetivam o controle dos equipamentos de inspeção. a norma ISO9000 estabelece procedimentos que devem ser seguidos quando da seleção. • Os equipamentos de inspeção. Como forma de garantir que os sistemas de medição estejam dentro da conformidade e evitar esses problemas de qualidade. para demonstrar a conformidade do produto com os requisitos especificados. medição e ensaios. o erro máximo admissível e selecionar o equipamento apropriado de inspeção. • O fornecedor deve identificar as medições as serem feitas. medição e ensaios devem ser utilizados de tal forma que assegurem que a incerteza das medições seja conhecida e consistente com a capacidade de medição requerida. calibração. estão: • O fornecedor deverá estabelecer e manter um sistema efetivo para o controle e calibração dos padrões e equipamentos de inspeção. • Os procedimentos de calibração devem ser documentados. e prover a confiança nas decisões ou ações baseadas em dados de medições. uso. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 157 . Ação obrigatória de calibrar os sistemas de medição • O sistema de calibração deve ser periodicamente e sistematicamente revisado para assegurar sua eficiência contínua. medição e ensaios utilizados.

Como se pode perceber.• Evidências objetivas que o sistema de medição está efetivamente controlado deverão prontamente ser demonstrado aos clientes (consumidores). Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 158 . quando os equipamentos de medição. estes devem ser verificados periodicamente. próxima calibração.). etc. deverão levar em conta todos os erros e incertezas do processo de medição. • Quando forem utilizados gabaritos ou programas de computador para ensaios ou para execução de medidas. Estes registros devem demonstrar que todos os equipamentos de medição utilizados são capazes de desenvolver a medição dentro dos limites especificados. • Um registro para cada equipamento de medição deverá ser mantido. inspeções e ensaios anteriores. para evitar modificações da situação em que se encontravam quando da calibração. • As calibrações devem ser realizadas por equipamentos rastreados aos padrões nacionais ou internacionais. • A periodicidade das calibrações deve ser reajustada sempre que os erros encontrados forem superiores aos permitidos. quer sejam aquelas com finalidades de calibração ou controle e especificação dos produtos. • Todo equipamento deve ser etiquetado quanto ao seu estado em relação à calibração (data de calibração. • Os ajustes dos equipamentos deverão ser lacrados após a calibração. • Todas as pessoas que desempenham funções de calibração devem ter um treinamento adequado. a metrologia é levado muito a sério pela ISO9000. e as empresas que querem buscar a certificação precisam manter uma metrologia eficiente e confiável. inspeção e ensaio forem encontrados fora dos limites admissíveis de erro. • Avaliar e documentar a validade dos resultados de medições. • Devem ser estabelecidos procedimentos para monitorar e manter sob controle estatístico o processo de medição. • Todas as medições. a fim de se comprovar que são capazes de mostrar a conformidade do produto.

Para isso o laboratório deve comprovar a sua competência técnica. universidades e institutos tecnológicos. recebem o credenciamento e passam a integrar a RBC.INMETRO A Rede Brasileira de Calibração (RBC) é constituída por laboratórios credenciados pelo INMETRO. Ao utilizar os serviços de calibração de um laboratório credenciado pelo INMETRO. caso sejam aprovados. Esses laboratórios passam por avaliações chamadas de auditorias e. a demanda por serviços de calibração tem aumentado significativamente. Ao ser aprovado e fazer parte da RBC o laboratório pode calibrar o instrumento e colocar o selo RBC.4 A Rede Brasileira de Calibração . habilitados à realização de serviços de calibração. Isso é muito valorizado pelos auditores da certificação ISO9000. as empresas que possuem ou buscam a ISO9000 precisam calibrar periodicamente os seus instrumentos e padrões de medição. Com a crescente procura pela certificação ISO9000. credibilidade e capacidade de operar de forma organizada. Como já citado. a RBC estabelece o vínculo com as unidades do Sistema Internacional (SI) constituindo a base técnica imprescindível ao livre comércio ente áreas econômicas preconizado nos mercados globalizados. as empresas contam com a garantia de que o laboratório é submetido a uma avaliação contínua. uma garantia de qualidade no serviço de calibração.5. e reúne laboratórios de calibração vinculados às indústrias. Calibração de padrões em Laboratório da RBC (Fundação CERTI) Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 159 . Utilizando padrões rastreáveis às referências metrológicas mundiais de mais alta exatidão. e o número de laboratórios credenciados também.

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