FACULDADE EDUCACIONAL DE PONTA GROSSA FACULDADE UNIÃO

JOÃO FRANCISCO GLIZT JÚNIOR

INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE PRIVADA

PONTA GROSSA 2011

JOÃO FRANCISCO GLIZT JÚNIOR

INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE PRIVADA

PONTA GROSSA 2011 1

.............................................................................................................19 2 .....................................12 Desapropriação.............................................................................................................................................17 Bibliografia...SUMÁRIO Introdução..............................4 Limitação Administrativa.....................................................................................................................................7 Tombamento...................................................................................................................................................................................................................................................................................14 Conclusão.......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................4 Ocupação Temporária......................................6 Requisição Administrativa...........9 Servidão Administrativa..........................3 Modalidades..............................................................................................

sendo exercido “erga omnes”. como também as de deixar fazer e. hoje pacificamente aceita. tendo como fator de limitação de alguns de seus caracteres. tendo o proprietário. agregando os poderes de usar. a flora. de forma absoluta. de uma óptica individual para a social. poder de persegui-la nas mãos de quem a detenha injustamente. consistente no adequado aproveitamento do solo urbano. como se pode perceber no §1º. do art. o direito de propriedade deixou de ter a conotação absoluta que o caracterizava até as primeiras décadas do século XX. Este direito. o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico. exclusiva e perpétua. Dessa forma. a obrigação de fazer. submetendo-se. pela Constituição Federal.A INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE PRIVADA INTRODUÇÃO O direito de propriedade sempre foi considerado como o mais amplo dos diretos reais. bem como evitada a poluição do ar e das águas”. limitando o direito sobre a propriedade. a fauna. 1. a regime jurídico derrogatório e exorbitante do direito comum. Desta forma. ainda que em prejuízo de interesses individuais. evoluiu seu conceito. Percebe-se de modo sensível estas mudanças em matéria urbanística e agrária. 3 . dessa forma. a função social da propriedade. o Estado atua com o seu poder de polícia. em prol dos interesses públicos maiores.228 do Código Civil: “O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados. O princípio da função social da propriedade. expressa no artigo 182. ampliou as intervenções públicas. atualmente. as belezas naturais. §4º. pois a nova configuração estrutural do direito de propriedade ante a sua funcionalização social. gozar e dispor da coisa. sua noção de propriedade. de conformidade com o estabelecido em lei especial. que é de direito privado e passa a ser objeto de direito público. no entanto. engloba não somente a imposição de obrigações de não fazer.

Odete Medauar (direito administrativo moderno. enquanto que as restrições concernentes ao direito de vizinhança. gozar. e a desapropriação. 10ª. por objeto.MODALIDADES A intervenção do Estado na propriedade privada se opera mediante o exercício das chamadas restrições administrativas. Desapropriação. a preservação do interesse público nas situações em que este conflita com o privado. norteiam-se pelo atendimento do interesse de um. Tombamento. ao contrário. podem ser indicadas as seguintes modalidades. a requisição. Parcelamento e edificação compulsório (estes não serão comentados neste trabalho). em benefício do interesse coletivo. em seu curso de direito administrativo que as limitações administrativas têm. que no direito brasileiro. dispor da coisa). mais particulares específicos e identificados. que atingem o caráter exclusivo. Edição) diferencia estas modalidades dizendo: “As limitações administrativas abrangem as restrições que afetam o caráter absoluto do direito de propriedade. Afetam o caráter absoluto do direito de propriedade (usar. porém não se confundem com as restrições concernentes ao direito de vizinhança. a servidão. Explica o professor Luiz Alberto Blanchet. 4 . LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS Também chamada por alguns autores como restrições administrativas. cada qual afetando de modo diverso o direito de propriedade:        Limitações administrativas: Ocupação temporária. a ocupação temporária. essa modalidade atinge de forma geral a proprietários indeterminados. incidente sobre o caráter perpétuo”. Servidão administrativa. não identificados. Requisição.

2ª. com o sossego e a higiene da cidade e até mesmo com a estética urbana. deixará de ser limitação para ser interdição de uso da propriedade. o proprietário conserva em suas mãos a totalidade de direitos inerentes ao domínio. não acarretam. ed. cabe indenização ao proprietário”. ed. Segundo Odete Medauar. a propriedade não é afetada na sua exclusividade.. imperatividade. alinhamento.”.. “tais restrições apresentam as seguintes características: generalidade. os seus poderes sobre a coisa.). Lembra Di Pietro (direito administrativo.. unilateralidade. Edição. com terceiros. laterais e de fundo.O fundamento das limitações administrativas ao direito de propriedade é que cabe à Administração Pública o exercício da atividade de restrição ao domínio privado.nas limitações administrativas. tais como. mas no seu caráter de direito absoluto. se tal ocorrer. 20ª... por meio do poder de polícia. ed. e ainda exemplifica e condiciona “. pois o proprietário não reparte. José Afonso da Silva. 32ª. até onde não esbarre com óbices opostos pelo poder público em prol do interesse coletivo. em seu livro direito administrativo moderno.o recuo de alguns metros das construções em terrenos urbanos e a proibição de desmatamento de parte da área florestada em cada propriedade rural. para conformá-lo ao bem-estar social.”.. fundado na supremacia do interesse público sobre o particular. Mas. podem atingir “. mas. se o impedimento de construção ou de desmatamento atingir a maior parte da propriedade ou a sua totalidade. perda da propriedade ou dano patrimonial grave... p. com os bons costumes. 1995. isto é.) que “. da maneira que lhe convenha.não só a propriedade imóvel e seu uso como quaisquer outros bens e atividades particulares que tenham implicações com o bem-estar social. pode desfrutar de todos eles. Ainda esta mesma autora nos trás alguns exemplos destas limitações administrativas.360). 10ª. notadamente com a ordem pública. ao contrário. 5 . nas edificações. e nesse caso. pois aplicam-se a todos os proprietários ou bens inseridos em determinada situação.. não confiscatoriedade (cf. nivelamento. Estas limitações. como recuos frontais. ficando apenas sujeito às normas regulamentadoras do exercício desses direitos. com a segurança e a saúde da coletividade.. o Poder Público ficará obrigado a indenizar a restrição que aniquilou o direito dominial e suprimiu o valor econômico do bem.”.. como acentua Hely Lopes Meirelles (Direito administrativo brasileiro.. independentemente da anuência do proprietário. pois devem ser cumpridas obrigatoriamente.. em princípio. muro e passeio. Direito urbanístico brasileiro. pois decorrem da lei.

para a realização de obras ou serviços de interesse coletivo. O fundamento da ocupação temporária. autoriza o que se chama de ocupação temporária do imóvel. em favor do Estado ou do público em geral. unilateral e de ordem pública condicionadora do exercício de direitos ou de atividades particulares às exigências do bem-estar social. se houver dano”). a autoridade competente poderá usar de propriedade particular. OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA Esta modalidade impõem ao proprietário a obrigação de suportar a utilização temporária do imóvel pelo Poder Público. a mesma coisa não pode pertencer simultaneamente a duas ou mais pessoas. estas não são cabíveis na limitação administrativa. pois segundo esta. gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas.Quanto às indenizações. A atual lei das desapropriações (Decreto-Lei nº. assegurada ao proprietário indenização ulterior. O inciso XXV do art. Hely Lopes Meirelles: limitação administrativa é toda imposição geral. sendo que aquela incide sobre bens de natureza imóvel. enquanto esta pode recair sobre bens. normalmente. 5º. Dessa forma são assim definidas as limitações administrativas: Maria Sylvia Zanella Di Pietro: As limitações são medidas de caráter geral. “é. como na servidão administrativa e na desapropriação. caso haja perigo público iminente. e o proprietário tem a faculdade de opor-se à ação de terceiros exercida sobre aquilo que lhe pertence. A ocupação temporária assemelha-se à requisição. 6 . móveis ou imóveis e ora até sobre serviços como se verá adiante. pois só assim o seriam quando o proprietário se visse privado. afetando a exclusividade do direito de propriedade. como explana MEIRELLES. previstas em lei com fundamento no poder de polícia do Estado. da Carta Magna (“no caso de iminente perigo público. gratuita. de alguns ou de todos os poderes inerentes ao domínio. a necessidade de local para depósito de equipamentos e materiais destinados à realização de obras e serviços públicos nas vizinhanças da propriedade particular”. com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bemestar social.

3. Quanto a sua natureza jurídica.inexistência de edificação no terreno ocupado. 5º. no art.. para a execução de obras.realização de obras públicas. REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA O seu fundamento encontra-se no artigo 5º. inciso V da lei nº. “a ocupação temporária.987/95. Di Pietro afirma que só constitui instituto complementar da desapropriação. a prazo certo. por ação própria. Apesar da aproximação com estes institutos. também no art. ela se apresenta como desapropriação temporária de uso.666/93. §§2º e 3º da lei 8. O expropriante prestará caução. que dispõe sobre monumentos arqueológicos e pré-históricos. quando exigida”. mediante pagamento. de imóvel de propriedade particular. divergem os doutrinadores afirmando uns ser a ocupação temporária uma servidão administrativa.365/41) permite no artigo 36. 3º. serviços ou atividades públicas ou de interesse público.. vizinhos às obras e necessários à sua realização. XXV. afinal. que será indenizada. assegurada ao proprietário indenização ulterior. definem os autores a ocupação temporária: Hely Lopes Meirelles: ocupação provisória ou temporária e a utilização transitória. que regula as licitações e contratos administrativos.prestação de caução prévia. 4º.necessidade de ocupação de terrenos vizinhos. Outros exemplos de ocupação temporária no direito brasileiro estão contidos no art. 2º. enquanto que para outros.... gratuita ou remunerada. de terrenos não edificados. a ocupação temporária desde que nesta seja verificada os seguinte requisitos: 1º. pelo qual “no caso de perigo público iminente. 3. Di Pietro afirma que a ocupação temporária tem características próprias. que estabelece o regime de concessão e permissão de serviços públicos.924/61. 7 .. remunerada ou gratuita. a autoridade competente poderá usar da propriedade particular.obrigatoriedade de indenização. de bens particulares pelo Poder Público. 58. 35. imposta por lei. da Constituição Federal. 8. para fins de interesse público. Maria Sylvia Zanella Di Pietro: ocupação temporária é a forma de limitação do Estado à propriedade privada que se caracteriza pela utilização transitória. se houver danos”. Sendo assim. 13 da lei nº. não se identificando com qualquer deles. quando exigida.

inundação. art. Em síntese. porque é um ato de urgência. são conceituados a requisição administrativa: Maria Sylvia Zanella Di Pietro:requisição administrativa é ato administrativo unilateral. consistente na utilização de bens ou de serviços particulares pela Administração.. sem depender de qualquer regulamentação legal. também visa sua destruição. ambas com conceituação jurídica idêntica e com os mesmos fundamentos. Explana Meirelles que a requisição pode abranger bens móveis. pois segundo Di Pietro. Já em tempo de guerra. as requisições tanto civis.. III). independente de ordem judicial para imissão da posse. uma situação de risco imediato à integridade e segurança de pessoas e de bens. não se compatibilizando com o controle judicial a priori. a preservação da segurança interna da Nação e a soberania. total ou parcial. uma situação de urgência”. independe da aquiescência do particular e da prévia intervenção do Poder Judiciário para sua execução. a requisição militar objetiva o resguardo da segurança interna e a manutenção da Soberania Nacional”. autoexecutório e oneroso. Ambas as requisições são cabíveis em tempo de paz. justificando-se esse uso impróprio da propriedade particular pelo Poder Público. imóveis e serviços.. ausente na ocupação temporária.característica nuclear da requisição. mas com ela não se confunde por dois motivos: 1º. Coexistem atualmente a requisição civil e a requisição militar. para debelar o perigo. sejam civis ou militares.. epidemia.porque é executada diretamente pela Administração. ou seja. Meirelles explica que “a requisição civil visa a evitar danos à vida. mas com objetivos diversos. 8 . sonegação de gêneros de primeira necessidade.porque na requisição a indenização é posterior. Exemplos clássicos são em casos de incêndio. Em qualquer destas requisições. sendo que a requisição de coisas móveis e fungíveis assemelha-se à desapropriação. A requisição tem por objetivo. além da ocupação temporária. precisando que seja a situação de real perigo público iminente. quanto militares. devem atender aos preceitos da lei federal específica (CF. encontra-se no iminente perigo público que a justifica. para atender a necessidades coletivas em tempo de guerra ou em caso de perigo público iminente. 22. a requisição caracteriza-se por ser procedimento unilateral e auto-executório.Como bem identifica Odete Medauar “. à saúde e aos bens da coletividade. o estado de necessidade. como ocorre nos casos de incêndio e inundação. 2º.

p. para atendimento de necessidades coletivas urgentes e transitórias. implicando uma limitação perpétua ao direito de propriedade em benefício do interesse coletivo. nos quais se incluem: I. guardados na Torre do Tombo (cf. constituído pelos „bens de natureza material e imaterial. Uma dessas formas de tutela do patrimônio histórico e cultural é através do tombamento.. artísticas e tecnológicas. os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico. Aduz Meirelles. documentos. ecológico e científico‟ (art. IV. TOMBAMENTO Como bem nos ensina Di Pietro. 9 . II. paleontológico. reduzindo os direitos do proprietário ou impondo-lhe encargos. que utiliza a palavra tombar no sentido de registrar. III. Hely Lopes Meirelles) O tombamento tanto pode acarretar uma restrição individual quanto uma limitação geral.ex. as obras.Hely Lopes Meirelles: requisição é a utilização coativa de bens ou serviços particulares pelo Poder Público por ato de execução imediata e direta da autoridade requisitante e indenização ulterior. artístico. afetando o caráter absoluto do direito de propriedade e acarretando ônus maior do que as limitações administrativas. porque esta incide sobre imóvel determinado. as criações científicas. é limitação geral quando abrange uma coletividade. nota-se a preocupação do constituinte com a tutela do patrimônio cultural brasileiro. 216)”. arqueológico. à memória dos diferente grupos formadores da sociedade brasileira. tomados individualmente ou em conjunto. objetos. vem do direito português. V. os modos de criar. à ação. . portadores de referência à identidade. inventariar. que “na Constituição de 1988. as formas de expressão. paisagístico. “é restrição individual quando atinge determinado bem – uma casa. obrigando-a a respeitar padrões urbanísticos ou arquitetônicos. fazer e viver. O termo tombamento. edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais. inscrever nos arquivos do Reino. como ocorre com o tombamento de locais históricos ou paisagísticos”.

25: 1.1937. Nas esferas estadual e municipal essa atribuição é do respectivo órgão criado para esse fim. notificação ao proprietário.Quanto à competência. pois mesmo sem ela o tombamento produz efeitos jurídicos para o proprietário”. variando conforme a modalidade de tombamento. Etnográfico e Paisagístico. além de outros diplomas legais que complementam tal norma. o Livro do Tombo das Belas Artes. o Livro do Tombo das Artes Aplicadas. ou seja. do Dec. públicos ou privados. 2.11. na esfera federal. No âmbito federal. Quanto ao procedimento do tombamento. homologação pelo Ministro da Cultura. a Constituição Federal fala em “Poder Público”. Também podem ser constituídos de ofício. dispondo o Dec. que é a norma nacional sobre o tombamento. tendo como destinatários um indivíduo ou a coletividade. – Lei 25 de 30. impugnação. – Lei nº. o Livro do Tombo Histórico. 3. o Livro do Tombo Arqueológico. voluntária ou compulsoriamente. 10 . 4. O tombamento em si não é uma função abstrata da lei. de uma sucessão de atos preparatórios. mas sim um ato administrativo da autoridade competente. nos resume Di Pietro dizendo que “o procedimento do tombamento compulsório compreende os seguintes atos: manifestação do órgão técnico. em caso de preencher os requisitos. passando sempre nas mãos do órgão técnico para manifestação (IPHAN na esfera federal) e chegando até o ato final que é a inscrição do bem no Livro do Tombo. “Em se tratando de tombamento voluntário requerido pelo proprietário. nos termos do art. decisão pelo órgão técnico. 4º. manifestação do órgão que tomou a iniciativa do tombamento. essa missão está confiada ao Instituto Brasileiro do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. de caráter provisório ou definitivo. Estes atos efetuam-se por meio de um procedimento. inscrição no Livro do Tombo” e lembrando que “a transcrição no Registro de Imóveis não integra o procedimento. O tombamento somente se torna definitivo com a inscrição em um dos Livros do Tombo que. seja móveis ou imóveis. será determinada a sua inscrição no Livro do Tombo e a transcrição no Registro de Imóveis. será também ouvido o órgão técnico e. Tal modalidade pode atingir bens de qualquer natureza. ou seja. compreende. desde que se trate de bem imóvel. materiais ou imateriais. qualquer das entidades estatais pode dispor sobre o tombamento de bens em seu território.

quanto as transformações. de acordo com a inscrição em livro próprio. mas se o tombamento de uma área urbana ou rural que impeça a edificação ou sua normal exploração econômica há de ser indenizado.”. podemos mostrar o conceito de tombamento: Hely Lopes Meirelles: tombamento é a declaração pelo Poder Público do valor histórico. em princípio não obriga a indenizar. aos proprietário de imóveis vizinhos. se o tombamento permitir ao dono de uma obra de arte continuar na sua posse e no seu desfrute não exigirá indenização. quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil. Se isto ocorrer é necessária a indenização. artístico. que “o tombamento.O Decreto-Lei nº. que tem por objetivo a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. turístico. não correspondendo a estes encargos qualquer indenização. Maria Sylvia Zanella Di Pietro: tombamento é forma de intervenção do Estado na propriedade privada.. ou seja. quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico. ou prejudicam sua normal utilização. Quanto aos proprietários de imóveis vizinhos. resultando ao proprietário do imóvel tombado. e para o IPHAN. negativas (não fazer) e de suportar (deixar fazer). quanto ao deslocamento.. seja a de não colocar cartazes ou anúncios. por essa razão. quanto aos imóveis vizinhos. obrigações positivas (fazer). devam ser preservados. suprimindo ou depreciando seu valor econômico. ou resultam na interdição do uso do mesmo bem. Após o explanado. “o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país cuja conservação seja de interesse público. quanto à conservação e quanto à fiscalização. salvo se as condições impostas para a conservação do bem acarretam despesas extraordinárias para o proprietário. 11 . seja não fazendo construções que impeçam ou reduzam a visibilidade da coisa tombada. Quanto à indenização. a obrigação imposta é a de não fazer. pela legislação ordinária. obrigações negativas (não fazer). 25/37 dedica o seu capítulo III aos efeitos do tombamento. paisagístico. produzindo estes quanto à alienação. por se tratar de uma espécie de servidão administrativa. assim considerado. enfatiza Meirelles. cultural ou científico de coisas ou locais que. obrigações positivas (de fazer).

imposto especificamente pela Administração a determinados imóveis particulares. Do Decreto-Lei nº. em benefício da coletividade. com finalidade de serventia privada uti singuli. porque tem o caráter perpétuo”. mas lhe impõe o ônus de suportar um uso público. excepcionalmente afeta apenas o caráter absoluto. como por exemplo a servidão sobre as margens dos rios navegáveis e servidão ao redor dos aeroportos. enquanto que a servidão administrativa é ônus real do Poder Público sobre a propriedade particular. quando implica obrigação de não fazer. 1º. enquanto que a servidão administrativa é um ônus real de uso. por exemplo. impondo ao proprietário a obrigação de suportar um ônus parcial sobre o imóvel de sua propriedade. afeta a exclusividade do direito de propriedade. acarreta gravame maior do que a ocupação temporária. para possibilitar a realização de obras de serviço público. pois esta é uma restrição pessoal. a 12 . porque transfere a outrem faculdades de uso e gozo. Normalmente as servidões administrativas podem se constituir diretamente da lei. Também não se confunde a servidão administrativa com a desapropriação. 25. precedido de ato declaratório de utilidade pública. onde esta é direito real de um prédio particular sobre outro. porque esta retira a propriedade do particular e aquela conserva a propriedade com o particular. Não se confundem também com a limitação administrativa. de 30-11-37. mediante acordo. são diferentes das servidões civis de direito privado. nos dizeres de Di Pietro. que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional). em benefício de um serviço público ou de um bem afetado a um serviço público. imposta genericamente pelo Poder Público ao exercício de direitos individuais. com finalidade de serventia pública.bibliográfico ou artístico” (art. SERVIDÃO ADMINISTRATIVA Essa modalidade de restrição do Estado sobre a Propriedade Privada. “implica a instituição de direito real de natureza pública. As servidões administrativas não se confundem com as outras modalidades de restrições. geral e gratuita. pois aquelas.

Já Meirelles ensina que a indenização na servidão faz-se em correspondência com o prejuízo causado ao imóvel. 3) a desafetação da coisa dominante. as causas extintivas da servidão administrativas. 13 . ou seja. porque. segundo ela. em cada caso. a inscrição torna-se indispensável.as que decorrem diretamente da lei dispensam esse registro. a servidão desaparece. para conhecimento e validade erga omnes. 2) a transformação da coisa por fato que a torne incompatível com seu destino. pela mesma razão de que ninguém pode adquirir bens do domínio público por usucapião. como por exemplo. Quanto a sua perpetuidade.”. quando não haja acordo ou quando adquiridas por usucapião.. Di Pietro afirma que “. sendo elas: 1) a perda da coisa gravada. para serem oponíveis erga omnes.. Di Pietro apresenta de forma resumida. ser demolido. e por sentença judicial. o pensamento dominante é o de que as servidões administrativas não se extinguem pelo não uso.. tendo direito à indenização somente se um prédio sofrer prejuízo maior. que depende.” enquanto que nas demais hipóteses.exemplo da servidão de energia elétrica. o pagamento deverá corresponder ao efetivo prejuízo. podendo até a se transformar em desapropriação indireta com indenização total da propriedade. de decreto governamental e se efetivará por meio de acordo lavrado por escritura pública. Quanto à indenização. Se houver. não há indenização. Di Pietro entende que não cabe quando a servidão decorrer de lei.. Problema interessante é o que diz respeito à necessidade ou não de registro da servidão administrativa. Se não houver prejuízo algum. as servidões administrativas são perpétuas no sentido de que perduram enquanto subsiste a necessidade do Poder Público e a utilidade do prédio serviente.. 4) a incorporação do imóvel serviente ao patrimônio público. o sacrifício é imposto a toda uma coletividade de imóveis que se encontram na mesma situação. se a coisa dominante perder sua função pública. Já Meirelles diz que “a servidão administrativa só se efetiva com o registro competente. Quanto à prescrição..

como bem lembra Di Pietro. a definição de quais sejam os casos não fica a critério da Administração pública. de natureza pública. com base em lei. 3). implicando a transferência compulsória. a utilidade pública e o interesse social (arts.“existe necessidade pública quando a Administração está diante de um problema inadiável e premente.Sendo assim. à mais equitativa distribuição da riqueza.“ocorre interesse social quando o Estado esteja diante dos chamados interesses sociais. daqueles diretamente atinentes às camadas mais pobres da população e à massa do povo em geral. 5º. Hely Lopes Meirelles:servidão administrativa ou pública é o ônus real de uso imposto pela Administração à propriedade particular para assegurar a realização e conservação de obras e serviços públicos ou de utilidade pública. e para cuja solução é indispensável incorporar. como pressupostos da desapropriação. isto é. segundo estes renomados professores: Maria Sylvia Zanella Di Pietro:servidão administrativa é o direito real de gozo. à atenuação das desigualdades em sociedade” Nestas três hipóteses. inc. que não pode ser removido. concernentes à melhoria nas condições de vida.“há utilidade pública quando a utilização da propriedade é conveniente e vantajosa ao interesse coletivo. No Código Civil de 2002. no domínio do Estado. nem procrastinado. o bem particular”. XXIV. DESAPROPRIAÇÃO A desapropriação atinge a faculdade que tem o proprietário de dispor da coisa segundo sua vontade. eis aqui a conceituação de servidão administrativa. pois estas vêm taxativamente indicadas na lei. por entidade pública ou por seus delegados. para satisfazer a interesse público. 2). A Carta Magna brasileira indica. Doutrinariamente. mediante indenização dos prejuízos efetivamente suportados pelo proprietário. afetando o caráter perpétuo e irrevogável do direito de propriedade. 14 . costuma-se distinguir essas três hipóteses da seguinte maneira: 1). mediante indenização. isto é. em favor de um serviço público ou de um bem afetado a fim de utilidade pública. mas não constitui um imperativo irremovível”. instituído sobre imóvel de propriedade alheia. e 184). a necessidade pública.

3. Somente para os imóveis rurais sujeitos a reforma agrária e para os urbanos que não atendam ao plano diretor é que se admite a exceção do pagamento em títulos. também sendo mencionadas no artigo 5º. 5º.132/62. disciplinado pela Lei nº. quando da utilização do bem puder resultar prejuízo patrimonial ao proprietário do solo Quanto aos bens públicos.365/41 diz que todos os bens poderão ser desapropriados. 2º. Ensina Meirelles que a indenização justa é a que cobre não só o valor real e atual dos bens expropriados. Inciso XXIV da Constituição. 182. subutilizado ou não utilizado. inciso XXIV.132/62.365/41. quanto à caducidade. públicas ou privadas e incluindo também o espaço aéreo e o subsolo. Frise-se que não há indenização na desapropriação de glebas em que se cultivem culturas ilegais de plantas psicotrópicas. A justa indenização inclui. transformando-se em uma só categoria. prévia e em dinheiro. do Decreto-Lei nº. o artigo 184 prevê a desapropriação por interesse social. que indica os casos de interesse social no artigo 2º. como também os danos emergentes e os lucros cessantes do proprietário. a entidade política maior ou central pode expropriar bens da entidade política menor. quanto aos beneficiários e quanto à indenização. sendo que em qualquer das hipóteses em que a desapropriação seja possível. incluindo coisas móveis e imóveis. a indenização. Esta indenização deve ser justa. da lei 4. A fundamentação da desapropriação por utilidade pública esta prevista no art.a necessidade pública foi enquadrada como utilidade pública. 4. ela deve ser precedida de autorização legislativa. O artigo 2º. Cabe lembrar que na desapropriação. inc. à data do pagamento. corpóreas e incorpóreas. como forma de equilíbrio entre o interesse público e o privado. Também se considera requisito para a expropriação. que tem grande semelhança com o art. como o direito pessoal do autor. já que existem diferenças quanto à competência. de domínio da União. prevê que é cabível quando se tratar de solo urbano não edificado. Estados. à imagem. o direito à vida. DF e Municípios. Quanto à desapropriação por interesse social. aos alimentos etc. É importante para o expropriado verificar em qual hipótese se enquadra a desapropriação que incidiu sobre bem de sua propriedade. decorrentes do despojamento do seu patrimônio. objetivando assegurar a função social da propriedade rural. existem três fundamentos constitucionais diversos. I. 15 . ser sancionado a desapropriação. determinados tipos de bens são inexpropriáveis. sendo: o artigo 5º. o art. respectivamente. para fins de reforma agrária. da dívida agrária e da dívida pública. do Decreto-Lei nº. 3. ou seja.

danos emergentes e lucros cessantes. o expropriante deverá pagar ou depositar o preço antes de entrar na posse do imóvel e em dinheiro. tendo o expropriante que pagar ao expropriado em moeda corrente. o valor do bem. além de juros compensatórios e moratórios. A fixação da indenização pode ser feita por acordo administrativo ou por avaliação judicial. honorários de advogado e correção monetária. A primeira hipótese ocorre quando a Administração acerta amigavelmente com o expropriado o quantum da justa indenização. salvo as exceções constitucionais onde permite-se o pagamento em títulos especiais da dívida pública e da dívida agrária ou por acordo. Quando o bem não tem o destino para que se foi desapropriado. já no início da lide. os bens desapropriados passam a integrar o patrimônio da União. a corrente mais aceita. que é definida por Celso Antônio Bandeira de Mello (RDP 9/24). do DF e do Município ou das pessoas públicas ou privadas que desempenham serviços públicos por delegação do Poder Público.portanto. do Estado. importância fixada segundo critério previsto em lei”. ou seja. para fins de urbanização. se o Poder Público declarar urgência e depositar em juízo. De muita divergência na doutrina se esta é cabível. ocorrendo dessa forma a chamada Retrocessão. Todavia. para assegurar o abastecimento da população. despesas judiciais. a título punitivo. Esta indenização deve ser prévia. quando há divergência entre a oferta do Poder Público e a pretensão do particular. sendo comparado ao esbulho. Se o Poder Público declarar urgência para utilização do bem. pode ocorrer que os bens se destinem a ser transferidos a terceiros. quando incide sobre terras onde se cultivem plantas psicotrópicas. onde se resolverá em juízo. vê na retrocessão um direito de 16 . obrigatoriamente concedida pelo juiz. para fins de formação de distritos industriais. Os bens expropriados. que é a que se processa sem observância do procedimento legal. não podem ser objeto de reivindicação. por isso cabe ao proprietário impedir no momento oportuno. onde pode-se estabelecer qualquer outro modo ou forma de pagamento. Como regra. mediante avaliação por perito técnico de livre escolha do juiz. Na segunda. por interesse social. por meio de ação possessória. o expropriado tem o direito de exigir de volta o seu imóvel. pode ser feita a imissão da posse. quando a desapropriação se faz: por zona. uma vez incorporados ao patrimônio público. “é a transferência da posse do bem objeto da expropriação para o expropriante. Normalmente isso ocorre na chamada Desapropriação Indireta. em favor do proprietário. suas rendas.

utilizará da modalidade de ocupação temporária. Se esta ocupação temporária for devido a iminente perigo público. poderá desapropriar o imóvel. no caso de Reforma Agrária. A servidão administrativa imporá ao proprietário um ônus parcial sobre o imóvel de sua propriedade. ou seja. ainda. através do tombamento para proteger o patrimônio cultural da nação. 17 . impõe ao proprietário a perda de um bem.natureza mista. ou. ou guardar bens públicos.. se for por tempo determinado. XXIV). III). §4º. Se o Poder Público necessitar de obter para si a propriedade em razão de utilidade pública ou interesse social. por interesse social. art. perdas e danos. mediante prévia e justa indenização em dinheiro (CF. subtilizada ou não utilizada (CF. CONCLUSÃO O Estado. Após a apresentação dessa modalidade de restrição do Estado sobre a propriedade privada. real e pessoal. Se o Poder Público apenas necessitar impor obrigações de caráter geral a proprietários indeterminados e em benefício do interesse geral. 184). no caso de área urbana não edificada. se preferir. por utilidade ou necessidade pública. 5º. art. mediante prévia declaração de necessidade pública. Maria Sylvia Zanella Di Pietro a desapropriação é o procedimento administrativo pelo qual o Poder Público ou seus delegados. limitará perpetuamente o direito de propriedade determinada. art. em benefício de um serviço público ou de um bem afetado a um serviço público. utilizará da modalidade da limitação administrativa. eis aqui a definição dos autores pesquisados: Hely Lopes Meirelles: desapropriação ou expropriação é a transferência compulsória da propriedade particular (ou pública de entidade de grau inferior para a superior) para o Poder Público ou seus delegados. por interesse social (CF. em benefício do interesse coletivo. Quando necessitar fazer uso de propriedade particular para executar obras e serviços. e de pagamento em títulos da dívida agrária. 182. desde que indenize justa e previamente o proprietário. utilizará a modalidade de requisição administrativa. utilidade pública ou interesse social. salvo as exceções constitucionais de pagamento em títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal. substituindo-o em seu patrimônio por justa indenização.. cabendo ao expropriado a ação de preempção ou preferência (de natureza real) ou.

se for para satisfazer o interesse coletivo. necessidade pública ou utilidade pública. 18 . sempre embasados no princípio da função social da propriedade e da supremacia do interesse público sobre o interesse do particular.O Estado pode intervir na propriedade privada de várias formas. desde que esta intervenção tratese de interesse público.

Curso de Direito Administrativo. Hely Lopes. editora Atlas. 20ª. Lucia Valle. Odete. FIGUEIREDO. Direito Administrativo Brasileiro. Direito Administrativo Moderno. editora Malheiros. Direito Administrativo. edição.BIBLIOGRAFIA DI PIETRO. edição. 19 . 32ª. editora Malheiros. editora RT. edição. MEIRELLES. MEDAUAR. Maria Sylvia Zanella. 12ª. 8ª. edição.

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