cadernos do

CREA-PR
Série de fascículos sobre ética, responsabilidade, legislação, valorização e exercício
das prossões da Engenharia, da Arquitetura, Agronomia e Geociências no Paraná.
n.°7
RESPONSABILIDADE NA
CONSTRUÇÃO CIVIL
Eng. Civil Valmir Luiz Pelacani
Responsabilidade na
Construção Civil
Eng. Civil Valmir Luiz Pelacani
CURITIBA - 2010
5
Gestão 2010
PRESIDENTE: Eng. Agrônomo Álvaro José Cabrini Júnior
1º VICE-PRESIDENTE: Eng. Civil Gilberto Piva
2º VICE-PRESIDENTE: Eng. Civil Hélio Sabino Deitos
1º SECRETÁRIO: Técnico em Edificações Márcio Gamba
2º SECRETÁRIO: Eng. Mecânico Elmar Pessoa Silva
3º SECRETÁRIO: Eng. Agrônomo Paulo Gatti Paiva
1º TESOUREIRO: Eng. Civil Joel Kruger
2º TESOUREIRO: Engenheiro Eletricista Aldino Beal
DIRETOR ADJUNTO: Eng. Agrônomo Carlos Scipioni
[ conteúdo é de responsabilidade do autor ]
Cadernos do CREA-PR
N.° 1 - Ética e Responsabilidade Profissional
N.° 2 - Ética e Direitos Profissionais
N.° 3 - Ética e Organização Profissional
N.° 4 - Acessibilidade: Responsabilidade Profissional
N.° 5 - As Entidades de Classe e a Ética Profissional
N.º 6 - Responsabilidade Social
N.º 7 - Responsabilidade na Construção Civil
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SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ..................................................................... 13
INTRODUÇÃO ........................................................................... 14
1 DA ORIGEM DA CONSTRUÇÃO E NECESSIDADE AO SER HUMANO ..........................................................17
2 EVOLUÇÃO DA CONSTRUÇÃO EM HARMONIA AO URBANISMO ................................................................19
3 A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL E SUAS BASES ................................................................................20
4 CONSTRUIR TRATA-SE DE CIÊNCIA EXATA? .................................................................................................21
Capítulo I - DIREITO DE CONSTRUIR E A HARMONIA NA
VIDA COMUNITÁRIA
1 DIREITO DE PROPRIEDADE: FUNÇÃO E EVOLUÇÃO ...................................................................................23
2 CONSTRUÇÃO OU EDIFICAÇÃO – QUAL A DIFERENÇA? .............................................................................23
3 O SIGNIFICADO DE “PRÉDIO” ..........................................................................................................................24
4 CONSTRUÇÃO E SEU LIMITE AO INICIAR ......................................................................................................25
Capítulo II - RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA À CONSTRUÇÃO
1 VIZINHANÇA E EXTENSÃO DE SEU CONCEITO ............................................................................................27
2 AVANÇAR A CONSTRUÇÃO E INVADIR O VIZINHO? SAIBA COMO NÃO INCORRER NESTE ERRO.........27
Capítulo III - LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS À
CONSTRUÇÃO
1 VINCULAÇÃO DAS RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA ÀS LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS EM PROL DO
BEM-ESTAR DA POPULAÇÃO .................................................................................................................................33
Capítulo IV - LIBERDADE DE USO DA PROPRIEDADE ........ 35
1 NORMALIDADE E ANORMALIDADE DE USO DA PROPRIEDADE .................................................................36
2 DIREITOS DO VIZINHO .....................................................................................................................................36
3 INCÔMODOS AO ATO DE CONSTRUIR: ATÉ ONDE SE CONSIDERA UM ERRO OU FALHA TÉCNICA? ....36
Capítulo V - RESPONSABILIDADES NA CONSTRUÇÃO CIVIL .. 39
1 RESPONSABILIDADE QUE INDEPENDE DE CULPA ......................................................................................40
1.1 RESPONSABILIDADE OBJETIVA ............................................................................................................40
1.2 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA ..........................................................................................................41
2 PRIMEIRO PASSO ANTES DE CONSTRUIR: FAÇA UMA VISTORIA PRÉVIA DA VIZINHANÇA ...................41
Responsabilidade na Construção Civil 6 7
3 DAS RESPONSABILIDADES ADVINDAS DO ATO DE CONSTRUIR ...............................................................43
3.1 O FUNDAMENTO DA RESPONSABILIDADE ..........................................................................................44
3.1.1 CULPA E DOLO ............................................................................................................................45
3.2 FONTES DE RESPONSABILIDADES ......................................................................................................45
3.2.1 RESPONSABILIDADE LEGAL .....................................................................................................45
3.2.2 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL .........................................................................................45
3.2.3 RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL .............................................................................45
3.3 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR - CDC - ..........................................................................46
3.4 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DAS RESPONSABILIDADES ...........................................................47
3.4.1 DA PERFEIÇÃO ...........................................................................................................................48
3.4.1.1 PRAZO PARA A RECLAMAÇÃO: DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO .............................48
3.4.1.2 DOS DEFEITOS ...........................................................................................................49
3.4.1.3 PENALIDADES .............................................................................................................50
3.4.1.4 DOS VÍCIOS OCULTOS OU REDIBITÓRIOS ..............................................................50
3.4.1.5 DOS VÍCIOS APARENTES, IMPERFEIÇÕES OU FALHAS APARENTES ..................52
3.4.1.6 DO NÃO ATENDIMENTO À RECLAMAÇÃO ................................................................52
3.4.2 DA SOLIDEZ E SEGURANÇA ......................................................................................................53
3.4.2.1 PRAZO DE GARANTIA E PRAZO PRESCRICIONAL ..................................................54
3.4.2.2 DO SOLO ......................................................................................................................56
3.4.2.3 SEQUÊNCIA PROFISSIONAL DE RESPONSABILIDADES ........................................56
3.4.3 DOS DANOS A VIZINHOS E TERCEIROS ..................................................................................58
3.4.3.1 CONCEITO E RESPONSABILIDADE DO “CONSTRUTOR” E PROPRIETÁRIO .......58
3.4.3.2 RUÍNA DE CONSTRUÇÃO; NÃO EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE DO
PROPRIETÁRIO ...........................................................................................................59
3.4.3.3 CONSTRUÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ....................................................60
3.4.3.4 MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DEPOSITADOS ........................................................60
3.4.4 ÉTICO-PROFISSIONAL ...............................................................................................................60
3.4.4.1 FALTAS ÉTICAS ...........................................................................................................61
3.4.4.2 O PLÁGIO DE PROJETO .............................................................................................61
3.4.4.3 A USURPAÇÃO DE PROJETO.....................................................................................61
3.4.4.4 A ALTERAÇÃO DE PROJETO ......................................................................................61
3.4.5 TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA ...........................................................................................62
3.4.5.1 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .....................................................................................62
3.4.6 DOS FORNECIMENTOS ..............................................................................................................63
3.4.6.1 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA ............................................................................63
3.4.6.1.1 EMPREITADA DE LAVOR ................................................................................................. 63
3.4.6.1.2 EMPREITADA DE MATERIAIS .....................................................................................63
3.4.6.1.3 DAIMPORTÂNCIADO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA...........................63
3.4.6.2 CONSTRUÇÃO POR ADMINISTRAÇÃO .....................................................................64
3.4.6.2.1 RESPONSABILIDADE DA COMPRA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO .................64
3.4.6.2.2 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA ....................64
3.4.6.2.3 RESPONSABILIDADE DO RECEBIMENTO DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO ...65
3.4.6.3 CONSTRUÇÃO POR TAREFA .....................................................................................65
3.4.7 DOS TRIBUTOS ...........................................................................................................................65
3.4.8 ADMINISTRATIVA .........................................................................................................................66
3.4.8.1 DO AUTOR DO PROJETO ...........................................................................................66
3.4.8.2 DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS ...........................................................................67
3.4.9 DO DESABAMENTO ....................................................................................................................68
3.4.9.1 TRIPLA FINALIDADE DE PUNIÇÃO E REFLEXOS NOS DIFERENTES RAMOS DO
DIREITO ........................................................................................................................68
3.4.9.2 DO CÓDIGO PENAL.....................................................................................................69
3.4.9.2.1 DA ATITUDE DOLOSA ..................................................................................................69
3.4.9.3 CASO PARTICULAR DA IMPLOSÃO DE CONSTRUÇÃO ..........................................69
3.4.9.4 DA QUEDA DE MATERIAL OU FERRAMENTAS DE CONSTRUÇÃO ........................70
3.4.9.4.1 DO PERIGO EVENTUAL ..............................................................................................70
3.4.9.5 DO ESTADO DE RUÍNA DA CONSTRUÇÃO ...............................................................71
3.4.10 DA CONSTRUÇÃO CLANDESTINA .............................................................................................71
3.4.10.1 RESPONSABILIDADE DO CONSTRUTOR OU DO PROPRIETÁRIO ........................72
3.4.10.2 DO PROMISSÁRIO COMPRADOR ..............................................................................72
3.4.10.3 SANÇÕES .....................................................................................................................72
3.4.10.3.1 MULTA ..........................................................................................................................72
3.4.10.3.2 EMBARGO ...................................................................................................................72
3.4.10.3.3 DEMOLIÇÃO ................................................................................................................73
3.4.10.4 DAS ADAPTAÇÕES POSTERIORES ÀS NORMAS ....................................................73
3.4.11 DA FISCALIZAÇÃO MUNICIPAL ..................................................................................................73
Capítulo VI - DA ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE
NA CONSTRUÇÃO
1 EM LEGÍTIMA DEFESA ......................................................................................................................................75
2 EM ESTADO DE NECESSIDADE ......................................................................................................................75
3 EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO RECONHECIDO ..............................................................................75
4 OCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO ...............................................................................................................75
5 DE FORÇA MAIOR .............................................................................................................................................75
6 DO FATO NECESSÁRIO À ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE. NÃO CONFUNDIR COM IMPREVISIBILI-
DADE .........................................................................................................................................................................76
6.1 DO DESGASTE NATURAL OU FALTA DE MANUTENÇÃO.....................................................................76
6.2 PROVOCADO POR TERCEIROS ............................................................................................................79
Responsabilidade na Construção Civil 8 9
Capítulo VII - PATOLOGIA DE EDIFICAÇÕES - FALHAS
TÉCNICAS E DEFEITOS - CASOS PRÁTICOS DE
PERÍCIA EM CONSTRUÇÃO .............................. 81
1 PATOLOGIA DAS CONTRUÇÕES .....................................................................................................................82
1.1 ORIGENS..................................................................................................................................................82
1.1.1 EXÓGENA ....................................................................................................................................82
1.1.2 ENDÓGENA ..................................................................................................................................83
1.1.3 NA NATUREZA .............................................................................................................................83
1.2 ESTATÍSTICAS DE INCIDÊNCIA DAS PATOLOGIAS..............................................................................84
2 ESTUDO DE CASOS: .......................................................................................................................................86
2.1 FALHAS TÉCNICAS .................................................................................................................................86
2.2 DESABAMENTOS ....................................................................................................................................94
2.2.1 A IDÉIA DE INSPEÇÃO PREDIAL OBRIGATÓRIA ......................................................................95
2.3 FISSURAS ..............................................................................................................................................101
2.3.1 FISSURAS POR RETRAÇÃO ....................................................................................................103
2.3.2 FISSURAS POR VARIAÇÃO DE TEMPERATURA ....................................................................105
2.3.3 FISSURAS POR ESFORÇOS ....................................................................................................106
2.3.3.1 DE TRAÇÃO ...............................................................................................................106
2.3.3.2 DE COMPRESSÃO OU FLAMBAGEM DE ARMADURAS .........................................107
2.3.3.3 DE FLEXÃO ................................................................................................................108
2.3.3.4 POR FORÇA CORTANTE OU CISALHAMENTO .......................................................109
2.3.3.5 POR TORÇÃO ............................................................................................................ 110
2.3.4 FISSURAS POR CORROSÃO DA ARMADURA EM CONCRETO ARMADO ............................ 110
2.3.5 RECALQUE DE FUNDAÇÕES ................................................................................................... 113
2.3.6 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO HIGROSCÓPICA .............................................................. 114
2.3.7 FISSURAS POR ASSENTAMENTO PLÁSTICO ........................................................................ 115
2.3.8 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO DE FORMAS E ESCORAMENTOS .................................. 116
2.4 MOVIMENTO DE TERRAS/BULBO DE PRESSÃO E PERDA DE RESISTÊNCIA DE ESTACAS DE
DIVISA – RECALQUE DIFERENCIAL .................................................................................................... 116
2.5 ALTERAÇÃO DE UMIDADE/SATURAÇÃO DO SOLO ARGILOSO EM TERRENO VIZINHO .. 118
2.5.1 CASO DE AÇÃO JUDICIAL ........................................................................................122
Capítulo VIII - A FALHA OU O ERRO; ASPECTOS
PSICOLÓGICOS ENVOLVENTES .................... 123
1 COMO O SER HUMANO SE COMPORTA COM O PRÓPRIO ERRO OU FALHA? ........................................123
2 ELE ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR O PRÓPRIO ERRO OU FALHA? QUAL A CONSEQUÊNCIA
DISTO? ....................................................................................................................................................................124
3 O SER HUMANO TRANSFERE SUAS FALHAS PESSOAIS EM UMA ATIVIDADE OU FUNÇÃO OU PROFIS-
SÃO QUE ELE EXERÇA FUTURAMENTE? COMO E POR QUÊ ISTO ACONTECE? ........................................127
Capítulo IX - NOTAS E CONCLUSÃO DO AUTOR
1 A ARTE DE CONSTRUIR: SITUAÇÃO PARADOXAL .....................................................................................129
2 PERGUNTAS E RESPOSTAS. O QUE É MAIS IMPORTANTE? .....................................................................129
Referência Bibliográca ........................................................ 135
CC = Código Civil Brasileiro;
CDC = Código de Defesa do Consumidor;
CP = Código Penal Brasileiro;
ABNT = Associação Brasileira de Normas Técnicas;
NBR = Normas Técnicas Brasileiras
Responsabilidade na Construção Civil 10 11
Responsabilidade na
Construção Civil
Responsabilidade na Construção Civil 12 13
APRESENTAÇÃO
A presente publicação traz como contribuição aos profissionais da constru-
ção civil informações importantes com relação às responsabilidades no momen-
to do exercício da profissão em obras e serviços. O assunto é extremamente atu-
al e as informações necessárias ao ético exercício profissional. No texto o autor
relata o resultado de um extenso trabalho científico alicerçado no conhecimento
do dia a dia da profissão e na relação com o contratante e o meio relacionado
ao local onde a obra ou serviço está sendo executado. Traça com propriedade
as responsabilidades legal, contratual e extracontratual, suas características e
penalidades impostas ao profissional, passando pelo que diz o Código de Defesa
do Consumidor, as legislações e prazos vigentes com relação a garantia, por
exemplo. Traz ainda inúmeras situações pelas quais muitos profissionais já se
depararam ou ainda virão a vicenciar no exercício das profissões e que contri-
buem sem dúvida para uma conduta ética e responsável.
Que esta leitura subsidie os profissionais que atuam na área da construção
civil e que incentive contribuições para próximas publicações a serem editadas
pelo CREA-PR.
Boa leitura a todos.
Eng. Agr. Álvaro Cabrini Jr
Presidente do CREA-PR
Responsabilidade na Construção Civil 14 15
INTRODUÇÃO
A indústria da construção civil trata essencialmente de atividades que envol-
vem conhecimentos técnicos especializados e conhecimentos jurídicos que se
integram e consequentemente se harmonizam nas características do conjunto
engenharia-legal, engenharia-direito.
Este trabalho visa, além de aspectos jurídicos diretamente relacionados à
atividade de construir, aos cuidados e precauções com a vizinhança que devem
ter os profissionais e proprietários, quando assim exercem esta atividade, acom-
panhando e tratando tecnicamente alguns exemplos de defeitos, anomalias ou
patologias em trabalhos periciais, de experiência do autor ao longo destes mais
de vinte anos, bem como, em análise de resultados/sentenças de ações judiciais
pertinentes, sem contudo, ter a pretensão neste momento, com esta colabora-
ção literária, de esgotar o assunto.
Temos a intenção precípua de que os interessados e detentores do conheci-
mento técnico da atividade de construir, possam se familiarizar, onde por mais
que queiramos não devemos tapar nossa mente e nossa visão – e é aí que pre-
tendemos, modestamente, atingir do leitor, esta precaução e, até servindo de
alerta a determinadas situações que surgem na atividade de construir, que não
somente pelo fato das imprevisões estarem previstas em lei, pois elas aconte-
cem e com bastante frequência, acreditem os senhores leitores ou não.
Responsabilidade na Construção Civil 16 17
1 DA ORIGEM DA CONSTRUÇÃO
E NECESSIDADE AO SER HUMANO
Sabemos que a construção remonta às origens da humanidade. Meirelles
(1996) enfatiza que a intuição do perigo e o instinto de conservação levaram o
homem a procurar abrigo nos recôncavos da natureza. Depois, escavou a rocha
e habitou a caverna; abateu a árvore e fez a choupana; lascou a pedra e cons-
truiu a casa; argamassou a areia e ergueu o palácio; forjou o ferro e levantou o
arranha-céu, num lento e perene aprimoramento da técnica de construir, que
marcou o advento da Engenharia e da Arquitetura.
Construindo a habitação, o homem construiu a cidade. Urbanizou-se. Sur-
giram os problemas de segurança, de higiene e de estética; reclamando uma
arte – o Urbanismo, para ordenar os espaços habitáveis e uma técnica para o
cultivo do campo – a Agronomia.
Na cidade, passou o homem a desenvolver suas funções sociais precípuas –
habitar, trabalhar, circular, recrear, utilizando-se da propriedade particular e dos
bens públicos, num estreitamento, cada vez maior, das relações comunitárias.
Daí adveio a necessidade de normas técnicas reguladoras da construção e de
regras legais normativas do Direito de Construir.
Martins (2001) traduz em sua obra literária, que o consumidor em sua
aquisição de uma habitação na cadeia produtiva tem, de acordo com Cabrita
(1990), vários objetivos de qualidade, e apontado por Gomes (1990), como
sendo o elemento mais fraco da cadeia produtiva, pois na maioria das situa-
ções, ele não intervém na escolha ou decisão sobre o local da construção, rara-
mente influi no projeto, e não lhe é permitido interferir na execução da obra.
Completa ainda que, o conceito da qualidade inverte este papel onde o
consumidor de mero espectador, é transformado em ator principal, e Paladini
(1994) chama a atenção a este respeito, com a seguinte colocação: “a meta de
uma empresa é atender ao consumidor, porque não há outro meio de se manter
no mercado e, sem isso, a sobrevivência da organização está ameaçada. E nes-
ta situação, a empresa depende do consumidor e não o contrário”.
Existe, segundo Ross (1988), a necessidade de estabelecer um elo de liga-
ção entre o consumidor, os projetistas e os empresários construtores. Ocorre em
muitos casos, uma incompatibilidade entre o consumidor e os construtores, que
Responsabilidade na Construção Civil 18 19
pode chegar a um impasse, no que se refere aos objetivos e ao ponto de vista de
cada um em relação à qualidade do produto. Contudo, o consumidor é afetado
pela configuração, pelo custo, bem como por qualquer eventualidade prejudicial
que venha a ocorrer com o produto adquirido.
Conclui ainda que, na atualidade, e cada vez mais no futuro é necessário
tratar a questão da qualidade habitacional não como uma mera questão norma-
lizadora e técnica, mas, sobretudo, como a busca ao atendimento à satisfação
das necessidades sociais do bem-estar e da qualidade de vida do ser humano.
2 EVOLUÇÃO DA CONSTRUÇÃO
EM HARMONIA AO URBANISMO
Meirelles (1996) destaca que a construção, com origens em atividade leiga
e individual, evoluiu para uma atividade técnica e social. O sedentarismo, o
trabalho habitual como meio de subsistência e a invenção da cidade passaram
a exigir habitações duradouras e afeiçoadas às imposições sociais.
A construção civil, como atividade técnica, sucedeu à construção bélica, e
seus profissionais formaram-se, inicialmente, nas escolas de Engenharia Militar,
e para atender à diversidade da construção civil e à perene evolução de sua
técnica, as primitivas escolas de Engenharia Militar se foram transmudando em
escolas mistas – militar e civil. Depois se desmembraram em cursos autônomos
e, afinal, as escolas de Engenharia Civil se transformaram em escolas politécni-
cas, repartindo seus cursos nas várias especializações contemporâneas. Pouco
a pouco, as construções de paz sobrepujaram as obras de guerra, as fortifica-
ções e os engenhos bélicos.
Meirelles (1996) relata que principiou com a edificação urbana, estendeu-
se gradativamente a todos os domínios da atividade pacífica do homem como
fator de progresso e elemento de civilização. Transformou-se em indústria – a
indústria da construção civil, descobriu novos campos, aplicou novas técnicas,
utilizou novos materiais, solicitou novas especializações, ensejando, assim, o
florescer da Engenharia Civil e da Arquitetura e, paralelamente, o alvorecer do
Urbanismo.
Finalmente, a complexidade da vida urbana e a trama das metrópoles con-
verteram a construção numa atividade eminentemente técnica e especializada,
privativa de profissionais habilitados, que porfiam em adaptar a estrutura e a
forma à função social que a construção desempenha em nossos dias.
Responsabilidade na Construção Civil 20 21
3 A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO
CIVIL E SUAS BASES
A influência que a construção civil – notadamente a habitação (MEIRELLES–
1996), passou a ter na vida do indivíduo e na existência da comunidade exigiu
sujeição dessa atividade às normas técnicas e normas legais que assegurassem
ao proprietário a solidez e a perfeição da obra contratada e pusessem a coleti-
vidade a salvo dos riscos da insegurança das edificações.
Estabeleceram-se, assim, requisitos mínimos de solidez, higiene, funciona-
lidade e estética das obras, a serem atendidas desde a elaboração do projeto
até sua cabal execução, o que exige do Poder Público permanente e atenta
fiscalização, para sua fiel observância.
Além disso, desde que a construção civil se transformou numa atividade,
passou a exigir profissionais habilitados e auxiliares especializados nos vários
elementos e serviços que compõem a edificação particular e a obra pública.
Todos esses aspectos relacionados com a construção civil constituirão objeto
de estudo nos tópicos subsequentes desta obra literária.
4 CONSTRUIR TRATA-SE DE CIÊNCIA EXATA?
Em toda a atividade humana que envolve a utilização de conhecimento,
tratamento manual e observatório do ser humano, onde podemos enumerar na
construção civil a função do mestre de obras, do construtor, do arquiteto, do
engenheiro, do pedreiro, do carpinteiro, advém conjuntamente e comumente
de tudo o que o ser humano traz de bagagem consigo (a contar principalmente
da atitude frente ao seu conhecimento e experiência ou não do conhecimento
e da experiência ética e técnica), em poder observar, reconhecer e transferir na
aplicação ou no desempenho de sua função profissional, em algum momento,
inegavelmente, poderão vir a ocorrer falhas.
“Falhas ou erros da atividade profissional” que trataremos, também, nesta
obra literária, já a nível de parecer psicológico – frente a um parecer de profis-
sional da área, onde avalia que enquanto atividade de construir, transcende a
área da ciência exata.
Em juízo ou opinião sem fundamento preciso, e, pois, raciocinando em ní-
vel aquém do científico, acredito, até como profissional da área de engenharia e
já construir, inclusive para uso próprio, que depois de solucionarmos viavelmen-
te e solidariamente e/ou até a passar a conviver na construção com algumas
situações negativas de mínima ordem, é certo: TEMOS QUE NOS PREPARAR,
NÃO SÓ TECNICAMENTE E JURIDICAMENTE, MAS, E PRINCIPALMENTE,
PSICOLOGICAMENTE PARA CONSTRUIR.
Responsabilidade na Construção Civil 22 23
Capítulo I
DIREITO DE CONSTRUIR E A HARMONIA NA VIDA COMUNITÁRIA
1 DIREITO DE PROPRIEDADE: FUNÇÃO E EVOLUÇÃO
Meirelles (1996) bem inicia sua composição literária, descrevendo que o
direito de propriedade é o que afeta diretamente as coisas corpóreas – móveis
ou imóveis, subordinando-as à vontade do homem. O direito de propriedade é
real, no sentido que incide imediatamente sobre a coisa e a segue em todas as
suas mutações e, o domínio particular se vem socializando ao encontro da afir-
mativa de Léon Duguit
*1
, de que: “a propriedade não é mais o direito subjetivo
do proprietário; é a função social do detentor da riqueza.”
Alves (1999) destaca: “Com efeito, o direito de propriedade é considerado
não-ilimitado e de exercício condicionado. Sempre o fora, mas hoje o elemen-
to social, nele implícito, aflora de modo palmar”.
Inegavelmente, a afirmativa de René Dekkers
*2
, transcrito por Alves (1999),
procede em todo os seus termos, em que os progressos da tecnologia e o êxodo
do campo à cidade densificaram a sociedade moderna, de tal modo que os con-
flitos entre vizinhos se tornaram praticamente inevitáveis, e que, a vizinhança,
como círculo social, organismo social, antecedeu a propriedade imóvel. Essa
surgiu com a intervenção, e apenas aí, operada pelo elemento territorial, causa
mesma de evolução do grupo social.
2 CONSTRUÇÃO OU EDIFICAÇÃO – QUAL A DIFERENÇA?
Inicialmente, impõe-se a fixação de alguns conceitos técnicos da construção ci-
vil:
Construção e edificação são expressões técnicas de sentido diverso, comu-
mente confundidas pelos leigos.
Construção é o gênero, do qual a edificação é a espécie.
Construção, em sentido técnico, oferece-nos o duplo significado de atividade
e de obra.
1
Las Transformaciones Generales del Derecho Privado, ed. Posada, p. 37, 1931
2
Regime Democrático e o Direito Civil Moderno, p.233, 1937
Responsabilidade na Construção Civil 24 25
Como atividade, indica o conjunto de operações empregadas na execução
de um projeto; como obra, significa toda realização material e intencional do
homem, visando adaptar a natureza às suas conveniências. Neste sentido, até
mesmo a demolição se enquadra no conceito de construção, porque objetiva,
em última análise, a preparação do terreno para subsequente e melhor apro-
veitamento.
Edificação é a obra destinada a habitação, trabalho, culto, ensino ou recre-
ação. Nas edificações distingue-se, ainda, o edifício das edículas: edifício é a
obra principal; edículas são as obras complementares (garagem, dependências
de serviços etc).
Alves (1999) trata o termo construção que, a exemplo de edificação, é obra.
Toma-se, com ele, a obra pelo gênero, de que espécie são a edificação, a demo-
lição, a reforma, a reconstrução, a reparação. Se se destina, coberta, a abrigar
atividade humana ou qualquer instalação, equipamento e material, a obra de
construção denomina-se edificação.
3 O SIGNIFICADO DE “PRÉDIO”
Comumente, ouvimos e até tratamos, genericamente, em mais de um termo
o significado de construção: o termo construção propriamente dito, a edificação,
e atribuímos um terceiro termo: “prédio” mais às edificações de médio a grande
porte, principalmente quando possui mais de um pavimento.
Mas, o vocábulo “prédio” em Direito, significa, genericamente, a proprie-
dade fundiária: a terra com suas construções e servidões; mas, na linguagem
comum, o termo “prédio” vem-se tornando privativo da construção, ou mais
propriamente da edificação, onde se encontra com freqüência nas escrituras
de alienação, a referência específica: “terreno e prédio nele construído ...”
(MEIRELLES –1996).
Alves (1999) bem complementa que no conceito de prédio integram-se o
de subsolo, solo e sobressolo. Ainda, o de edificação ou, mais largamente, o de
construção. A ideia de prédio é mais ampla que a de terreno, pedaço da terra,
que está no substrato.
4 CONSTRUÇÃO E SEU LIMITE AO INICIAR
Alves (1999) conceitua, no sentido próprio, que obra é a realização de tra-
balho no bem imóvel do usuário vizinho, desde seu início até a conclusão,
implicando o resultado na alteração do estado físico anterior.
*3
Os materiais
destinados a qualquer construção, quando ainda não utilizados, são tratados e
conservam a qualidade de bens móveis (CC/2002, art.84)).
Sobre este título, bem observa Meirelles (1996) que, essa é a orientação
correta nas construções, principalmente nas edificações urbanas, que consti-
tuem a tessitura*
4
dos bairros, e dela dependem o bem-estar recíproco dos vizi-
nhos e a harmonia na vida comunitária. Daí por que o particular pode exigir de
seu vizinho, o respeito às normas administrativas e urbanísticas da construção,
tão essenciais como às restrições civis de vizinhança*
5.
Como já vimos em capítulo anterior, entende-se por construção toda rea-
lização material e intencional do homem, visando adaptar o imóvel às suas
conveniências.
Tanto é construção a edificação ou a reforma como a demolição, a muração,
onde todo aquele que se ergue rente à linha de divisa destinado à vedação
de suas propriedades/pertencente a quem o constrói (C/C2002, arts.1.297 e
1.327 a 1.330), nunca podendo ser utilizado como elemento de sustentação.
Meirelles (1996) destaca que as paredes divisórias são as que integram a estrutu-
ra do edifício na linha de divisa, com duas possibilidades legais de assentamento:
Parede somente no seu terreno ou até meia espessura no interior do terreno vizi-
nho; no primeiro caso, o vizinho que necessitar utilizá-la para travamento, desde que su-
porte, terá que pagar meio valor da parede e do chão correspondente, e, no segundo caso
terá que pagar metade do valor da parede e, mesmo tratando-se de parede-meia insu-
ficiente para suportar a obra do vizinho, este terá que fazer nova parede, rente a primei-
ra, como também não poderá embutir, sem consentimento do vizinho, armários ou obras
semelhantes correspondendo a outras, do lado oposto – de modo a por em risco a sua se-
gurança – fornos de forja ou fundição, canos de esgoto, fossos, aparelhos higiênicos,
depósito de sal ou de substâncias corrosivas (C/C2002, arts.1.305 a 1.308, sendo mais
prudente a não prática de parede-meia, evitando-se inconvenientes de ordem técnica),
a escavação, o aterro, a pintura e demais trabalhos destinados a beneficiar, tapar (enten-
3
Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo, Lei 11228 / 92, Anexo I, 1-1.
4
As Limitações Urbanísticas que são todas as imposições do Poder Público destinadas a organizar os espaços habitáveis (área em
que o homem exerce coletivamente qualquer das seguintes funções sociais: habitação, trabalho, circulação, recreação), de modo
a propiciar ao homem as melhores condições de vida na comunidade.
5
A invenção da cidade regular e a enunciação das primeiras regras de Urbanismo, no século IV a.C., atribuem-se a Hipodamus
de Mileto.
Responsabilidade na Construção Civil 26 27
de-se todo meio de vedação da propriedade urbana e rural, permitido pelas normas ad-
ministrativas, incluindo os muros, cercas, sebes vivas, gradis, valos, tabiques de proteção
aos edifícios em construção e o que mais se destina a separar, vedar ou proteger o imó-
vel ou impedir o devassamento do prédio), desobstruir, conservar ou embelezar o prédio.
Capítulo II
RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA À CONSTRUÇÃO
Faremos menção, que restringiremos, nesta obra literária, nosso estudo aos
aspectos físicos das restrições de vizinhança, não objetivando alcançar, portan-
to, de todos os tipos de ações judiciais cabíveis para cada caso (indenizatória,
demolitória, nunciação de obra nova etc).
1 VIZINHANÇA E EXTENSÃO DE SEU CONCEITO
Para fins de Direito, o conceito de vizinhança abrange, na sistemática do
Código Civil brasileiro, não só os prédios confinantes como os mais afastados,
desde que sujeitos às consequências do uso nocivo das propriedades que os
rodeiam, que nem por isso ficam desprotegidos contra os danos de vizinhança.
Vinculam não só proprietário (titular do domínio) como o possuidor do imóvel
a qualquer título legítimo (compromissário comprador, locatário, comodatário
etc).
2 AVANÇAR A CONSTRUÇÃO E INVADIR O VIZINHO? SAIBA COMO
NÃO INCORRER NESTE ERRO
De invasão em área vizinha, a primeira regra é que não pode avançar a cons-
trução além da meia espessura da parede sobre a linha divisória, tanto quanto
os alicerces são colocados além dos limites do terreno quanto ao avanço dos
pavimentos superiores – balanços.
Meirelles (1996) destaca ainda quanto a possíveis situações de invasão em
vizinhança previstas em lei, a saber:
a) Goteiras oriundas de beiral de telhado não devem ser despejados sobre o prédio vi-
zinho, quando por outro modo não possa evitar a goteira (CC/2002, art.1.300), que
com a utilização de calhas que recolham as goteiras e não as deixem cair na pro-
priedade vizinha, poderá encostar o telhado na linha divisória – não se opondo o vi-
zinho (expressa ou tacitamente*
6
) dentro de um ano e dia do término da construção,
decairá do direito de exigir que se desfaça essa situação (CC/2002, art.1.302)*
7
;
Grandiski (2001) traz sua valiosa colaboração quanto ao prescrito no
art.1.289 do Código Civil, e cita interessante caso ocorrido, onde fora construí-
do prédio de 17 (dezessete) andares, justaposto à divisa da casa vizinha, que na
6
Do termo “tacitamente”, AURÉLIO, página 1346, 4. Tácito, explica: “Que, por não ser expresso, de algum modo se deduz”.
7
GRANDISKI ( 2001 ) colabora em seu valioso trabalho – 2º TACIVIL – Ap. c/ Rev. 538.263 – 7ª Câm. – Rel. Juiz Miguel Cucinelli
– j. 22.09.1998: Direito de vizinhança – Nunciação de obra nova – Construção de beiral que invade terreno vizinho. A existência
de beiral por sobre terreno alheio não traz qualquer direito àquele que construiu, pois violado o direito de propriedade do vizinho
contíguo.
Responsabilidade na Construção Civil 28 29
época a legislação permitia. A calha da casa vizinha estava bem dimensionada
para receber as águas pluviais de seu telhado, mas tornou-se insuficiente com o
aumento da vazão provocado pelas chuvas que incidiam no paredão construído
do prédio, provocando danos na casa. A construtora, que apenas havia provi-
denciado a colocação de rufo, transferindo as águas para a calha vizinha, foi
aconselhada a reconhecer sua falha, criando nova calha acima do telhado do
vizinho, para receber esta nova contribuição de águas pluviais provocada pela
ação do vento, canalizando-a para a rua, conforme esquema abaixo.
fonte: Grandiski (2001) – Caso prático de perícia
judicial de obrigação de canalização de águas,
em direito de vizinhança.
b) Para janela, terraço ou varanda é defeso a construção a menos de metro e meio da
divisa do vizinho (CC/2002, art.1.301 ), entendendo que janela é qualquer abertu-
ra ou vão de mais de 10 centímetros de largura ou de mais de 20 centímetros de com-
primento com qualquer material vedante ou não, desde que permita a passagem de luz*
8

e, que terraço e varanda significam os espaços abertos interna ou externamente nos pré-
dios, envidraçados ou não*
9
; as janelas cuja visão não incida sobre a linha divisó-
ria, bem como as perpendiculares, não poderão ser abertas a menos de 75 centímetros;
c) De árvores que se encontram na linha divisória – presume-se pertencer em comum
aos confrontantes (CC/2002, art.1.282) ou nas suas proximidades e que interferem nas
construções com suas raízes, galhos, folhas – quando avançando sobre o vizinho poderá
cortá-lo no plano vertical divisório (CC/2002, art.1.283) ou frutos – que pertence a am-
bos quando a árvore se achar na linha divisória dos prédios (CC/2002, art.1.284) e, es-
tando fora da linha divisória só pertencerá ao vizinho os que se desprenderem da árvore
e cair em seu lado, pertencendo a quem apanhar quando cair em via ou terreno público;
d) A canalização das águas pelos vizinhos, através de prédios alheios, é permitida pelo
Código de Águas (CC/2002,arts. 1.288 a1.296), desde que sejam indenizados os pro-
prietários prejudicados e o aqueduto (canos, tubos, manilhas etc) não atravesse chácaras
ou sítios murados, quintais, pátios, hortas, jardins, bem como casas de habitação e suas
dependências, sendo justificada quando para atender às primeiras necessidades de vida,
para os serviços da agricultura ou da indústria, escoamento de águas superabundantes ou
para o enxugo e drenagem dos terrenos, e abrange a condução, captação e represamen-
to da água; o proprietário do terreno em nível inferior não pode se escusar de receber as
águas pluviais ou correntes que desçam naturalmente do terreno superior, não podendo o
vizinho achado em nível superior piorar a condição de escoamento, alterando o desagua-
douro, confinando as águas, ou nelas adicionando outras que não as compunham ante-
riormente, pode ser impedida pelo prejudicado que tem direito a exigir que se desfaçam as
obras prejudiciais, se restabeleça a situação anterior de escoamento e se lhe indenizem os
danos consumados (ver exemplo de trabalho pericial deste autor, em capítulo posterior);
Grandiski (2001) complementa que as despesas correrão por conta do dono
do prédio superior, e, se houver possibilidade de encaminhamento de parte das
águas pluviais do prédio superior diretamente à rua para a qual faz frente, o
vizinho inferior não estará obrigado a recebê-las*
10
.
e) A entrada em prédio vizinho para reparações, construções e limpezas (CC/2002, art.
1.313) são permitidas, desde que previamente informado e condicionado à necessidade
das construções (exemplo: reboco externo de parede divisória com execução de andaimes),
reparações em geral, limpeza ou cortes de árvores, eminentemente de caráter temporário.
Alves (1999) complementa, que não se haveria pré-excluir do campo de
incidência da lei o trabalho de demolição*
11
, muita vez pressuposto fático à
reconstrução mesma, ou à reparação, ou quiçá, à limpeza;
f) Em condomínio de apartamentos para quaisquer fins, onde além do já avençado, é regula-
do pela Lei Federal nº 4.591, de 1964 que impedem:
I e II – a manutenção da estrutura e do aspecto original do edifício (alterar a forma, tonalidade
ou cores diversas externa da fachada no conjunto da edificação, ou parte ou em esquadrias
externas ).
8
São permitido frestas para dar passagem à luz nas paredes divisórias nunca maiores de 10 centímetros de largura sobre 20 centíme-
tros de comprimento ( Artigo 1301, parágrafo 2º do Código Civil ) e construídas a mais de dois metros de altura de cada piso.
9
GRANDISKI ( 2001 ) traz em seu trabalho - DJU 06/12/99 – RESP 229164 STJ – Maranhão (99/0080312-4) – Rel. Ministro
Eduardo Ribeiro - ementa: Nunciação de obra nova. Abertura de janela. Não se opondo o proprietário, no prazo de ano e dia, à
abertura de janela sobre seu prédio, ficará impossibilitado de exigir o desfazimento da obra, mas daí não resulta siga obrigado ao
recuo de metro e meio ao edificar nos limites de sua propriedade.
10
GRANDISKI ( 2001 ) colabora em seu trabalho trazendo do 2º TACIVIL – Ap. c/ Rev. 478.751 – 9ª Câm. – Rel. Juiz Ferraz de
Arruda – j. 05.03.1997: Responsabilidade civil – Danos em prédio urbano – Irregular escoamento de água – Culpa do proprietário
do imóvel superior – Indenização – Cabimento. Pela lei civil, o dono do prédio inferior está obrigado a receber as águas naturais
ou artificiais do prédio superior, contudo, o proprietário deste há de cuidar de que o escoamento se faça de maneira a não causar
dano à propriedade inferior.
11
Gabriele Pescatore, Della Proprietá, III, p.204.
CALHA ADICIONAL
NECESSÁRIA
Prédio
construído
Responsabilidade na Construção Civil 30 31
fonte: PELACANI (2006) – Detalhe do beiral da cobertura da
churrasqueira executada após “habite-se” no pavimento superior
do apartamento duplex – 17º andar do edifício. Participei como
assistente técnico, onde originou ação judicial do condomínio
contra o proprietário, alegando “alteração de fachada”. Vista lateral
esquerda, da calçada oposta ao do edifício.
Grandiski (2001) destaca para este tópico ainda que, a alteração de facha-
da é sempre assunto polêmico, a começar pela própria definição do que seja a
fachada, entendida nas perícias como “a superfície mais externa que envolve a
construção”.
Segundo o Prof. Alexandre Albuquerque, seria o “alçado da parte exterior
de um edifício”, sendo o termo “alçado” em tudo o que for visível de um ponto
externo à fachada faria parte dela.
Quando a alteração for de pequena monta, sem comprometer a segurança
do imóvel, não prejudicando alguém ou o aspecto estético da fachada (exemplo:
substituição de esquadria de ferro por outra semelhante, mas em alumínio),
mas preservando vidas humanas, tais como as colocações de redes protetoras.
As cores das esquadrias externas não podem ser alteradas pelo condômino,
quebrando a uniformidade da fachada. Portanto, ao substituir esquadrias de
ferro por outras de mesmo tipo, mas de alumínio, este deverá ser pintado na
cor original. Já o forro da cortina interna não faz parte da fachada, e, portanto,
poderia ser de qualquer cor, embora afetando o aspecto visível externamente.
Neste caso, a convenção poderia especificar previamente a cor do forro das
cortinas, uniformizando esse aspecto externo*
12
*
13
*
14
.
III – preservação da finalidade do prédio, segurança da edificação e o bem-
estar dos condôminos e ocupantes*
15
;
IV – utilização das áreas e equipamentos comuns;
g) Como últimas restrições destacamos as individuais e gerais, onde a primeira serve para
atender a interesses peculiares de vizinhos e, de maneira geral como inibição de incômo-
dos para o confrontante (tipo de construção que possa tirar a vista panorâmica ou causar
sombreamento) e, a segunda, de ordem urbanística, comum e frequentes nos loteamentos,
visando assegurar ao bairro os requisitos urbanísticos convenientes (plano diretor do muni-
cípio – que rege o uso e ocupação do solo individualizados por bairro – classificado em lei
de zoneamento – zonas residencial/comercial /industrial/especial, com suas atividades per-
mitidas, recuos exigidos, taxa de ocupação de solo, coeficiente de aproveitamento, delimi-
tação da zona urbana permitido regido por legislação urbana específica) à sua destinação.
12
TJRJ – Ap.Civ. 4054/94 – Reg. 31/10/94 – 8ª Câm.Cív. – Unân. Des. Laerson Mauro – Julg. 13/09/94: Condomínio – Alteração
de fachada – Inocorrência. Colocação de película de “insufilme”. Alteração de fachada. Inocorrente. Edifício construído em centro
de terreno, com fachada em vidro, inteiramente ao sol, todo o dia. A colocação de película de insufilme, para amenizar os efeitos
incômodos dos raios solares nas unidades autônomas, a princípio não implica em modificação da fachada e estética do prédio, tal
como concluiu a perícia, mas deve-se reconhecer ao Condomínio a faculdade de regulamentar a matéria, visando à uniformização
e padronização da obra.
13
TJESP, Ap. 116.406-2, 16ª Câm.: Alteração de fachada do pavimento térreo do edifício. Admissibilidade. Prova Pericial no sentido
da valorização da fachada, bem como no da inocorrência de comprometimento estético do conjunto. Hipótese, ademais, de exis-
tência de distância suficiente entre a obra em questão e o prédio de apartamentos. Recurso provido.
14
TJSP – 9ª Câm. de Direito Privado; AC n.º 116.497.4/2 – SP; Rel. Des. Ruiter Oliva; j. 28/9/1999.
15
2º TACIVIL – Ap. c/Rev. 488.076 – 6ª Câm. – Rel. Juiz Thales do Amaral – J. 06.08.1997: Responsabilidade Civil – Indenização
– Danos em prédio urbano – Obras realizadas por vizinho. Ação Cominatória. Danos em prédio urbano. Edifício de apartamentos.
Compete ao proprietário do imóvel superior proceder aos reparos para que cessem vazamentos e infiltrações que danificam o imóvel
inferior. Recurso improvido.
Responsabilidade na Construção Civil 32 33
Capítulo III
LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS À CONSTRUÇÃO
1 VINCULAÇÃO DAS RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA ÀS LIMITAÇÕES
ADMINISTRATIVAS EM PROL DO BEM-ESTAR DA POPULAÇÃO
Meirelles (1996) traduz a questão da restrição de vizinhança (abordado no
capítulo anterior), como sequencial às limitações administrativas na atividade
de construir.
Das limitações administrativas, que protegem, genericamente, a coletivida-
de (em benefício do bem-estar da comunidade tendo em vista a função social
da propriedade, onde já tratamos neste trabalho anteriormente), muito bem
afirma, Gustavo Filadelfo Azevedo: “O Direito de Construir está sujeito às res-
trições de caráter regulamentar, destinadas a impedir o uso da propriedade
de forma nociva à saúde, contrária à segurança ou qualquer outro motivo de
interesse público dessa natureza, com liberdade ampla, dentro da órbita re-
clamada pelo bem-estar coletivo e do respeito à substância do próprio direito
de propriedade”.
Por expressa determinação do Código Civil, as normas ou restrições de vizi-
nhança são sempre complementadas pelas limitações administrativas ordena-
doras da construção e asseguradoras da funcionalidade urbana.
Também se inserem as normas para construção nas vizinhanças de aero-
portos e nas margens das rodovias, que requerem tratamento especial quanto
à segurança tanto para edificações e culturas em áreas adjacentes ao pouso de
aeronaves, bem como do espaço aéreo, e, em rodovias fixa-se um recuo obriga-
tório “non aedificandi” – área não permitida à edificação, a fim de evitar sejam
invadidas pela poeira e pela fumaça dos veículos, e não prejudicar a visibilidade
e a segurança do trânsito na via expressa.
Meirelles (1996) declina ainda que os superiores interesses da comunidade
justifiquem as limitações urbanísticas de toda ordem, notadamente as imposi-
ções sobre área edificável, altura e estilo dos edifícios, volume e estrutura das
construções.
Responsabilidade na Construção Civil 34 35
Complementa ainda que em nome do interesse público, a administração
exige alinhamento, nivelamento, afastamento, áreas livres e espaços verdes; im-
põe determinados tipos de material de construção; fixa mínimos de insolação,
iluminação, aeração e cubagem; estabelece zoneamento; prescreve sobre lotea-
mento, arruamento, habitações coletivas e formação de novas povoações; regu-
la o sistema viário e os serviços públicos e de utilidade pública; ordena, enfim,
a cidade e todas as atividades das quais depende o bem-estar da comunidade.
Essa enumeração evidencia, desde logo, que as limitações urbanísticas con-
finam com as normas sanitárias e as regras de trânsito, uma vez que todas elas
confluem para o mesmo objetivo: o bem-estar da população.
Alves (1999) entende e comenta que as limitações de vizinhança, como acen-
tuou Pontes de Miranda, não são intromissões. São diminuições de conteúdo;
portanto, em sentido preciso, limitações*
16.
Acrescenta ainda que, absoluto, o direito de propriedade assim concebido, a
princípio, com o passar dos tempos viu-se na contingência da limitação, para a
possibilidade mesma do fato social da vizinhança, eis que a aniquilação de um
dos termos da relação impediria a sua própria existência.
Fundamenta-se do direito de construir no direito de propriedade e, tratando-
se de propriedade imóvel, existe a necessidade das construções para colher as
vantagens que o terreno – propriedade imóvel, lhe proporciona.
Meirelles (1996) insiste em advertir que o direito de construir não é absolu-
to, porque as relações de vizinhança e o bem-estar coletivo impõem ao proprie-
tário certas limitações a esse direito, visando assegurar a coexistência pacífica
dos indivíduos em sociedade.
Capítulo IV
LIBERDADE DE USO DA PROPRIEDADE
O Código Civil em seu art. 1.299, prescreve que o proprietário pode levantar
em seu terreno as construções que lhe aprouver, salvo o direito dos vizinhos
e os regulamentos administrativos, que no poder de levantar em seu terreno
as construções que entender, está consignado, para o proprietário, a regra da
liberdade de construção; na proibição do mau uso da propriedade está o limite
dessa liberdade, assim comenta Meirelles (1996).
Grandiski (2001) admite que as restrições e limitações ao direito de cons-
truir, correspondem sempre a exceções à regra, exceções estas que podem ser
administrativas (leis federais, estaduais e municipais) ou regras contratuais, tais
como as que regulam os loteamentos, condomínios, etc*
17.
.
Este mau uso da propriedade, está consignado mais especificamente no art.
1.277 do Código Civil, em que o proprietário ou inquilino de um prédio tem o
direito de impedir que o mau uso da propriedade possa prejudicar a segurança,
o sossego e a saúde dos que o habitam.
Desta característica, não se admite o uso de forma anormal do Direito de
Construir em que o direito de propriedade possui limites, onde o interesse social
é o imperativo exigido pelas relações de vizinhança. Em consequência, o homem,
como ser inserido na sociedade, tem o seu direito simplesmente relativo, é o que
adverte Georges Ripert*
18
, onde evoluímos da propriedade-direito para a proprie-
dade-função e, desta função social da propriedade situa-se ainda como princípio
da ordem econômica, ao lado do reconhecimento da propriedade privada*
19
.
16
Tratado de Direito Privado, II, p. 312.
17
TJSP – 9ª Câm. de Direito Privado; Ap. Cível n.º 63745.4/5-Barueri-SP; Rel. Des. Ruiter Oliva; j. 21.10.1997; v.u.; ementa:
Direito de Construir – Demolição – Loteamento – Restrição convencional imposta pelo loteador – Obrigação propter rem – Projeto
aprovado observando tais restrições – Obrigação comum assumida pelo proprietário de executar a obra segundo o projeto apro-
vado – Descumprimento da obrigação – Irrelevância da concessão do “habite-se” pela Prefeitura Municipal, em decorrência de lei
de anistia das construções irregulares – Ato jurídico perfeito e acabado, que está incólume aos efeitos da lei ( Artigo 5º, XXXVI da
Constituição Federal ) – Recurso provido – Segundo o nosso direito, a regra é a liberdade de construir, mas as restrições e limitações
a esse direito formam as exceções, e somente são admitidas quando expressamente previstas em lei, regulamento ou contrato.
Quando previstas em Regulamento do Loteamento, e consignadas do título traslativo da propriedade, constituem obrigação propter
rem, isto é, obrigação daquele que é o titular da propriedade. Daí que a concessão do “habite-se” pela Prefeitura Municipal por
força de lei que concedeu anistia às construções irregulares, não elide a obrigação do devedor, em face da proteção outorgada pela
Carta Magna ao ato jurídico perfeito e acabado ( Artigo 5º, XXXVI ). Não estando a edificação de acordo com as restrições negociais,
e nem com o projeto aprovado segundo a obediência dessas restrições, impõe-se a correção das irregularidades, demolindo-se a
parte da construção em desacordo com tais restrições.
18
TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo, RT 251/256, 265/275 e 673/54
19
TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo, RT 152/639
Responsabilidade na Construção Civil 36 37
1 NORMALIDADE E ANORMALIDADE DE USO DA PROPRIEDADE
Meirelles (1996) destaca que, da Teoria da Normalidade de seu exercício
– Direito Positivo – Princípio do Direito de Propriedade – explica que a norma-
lidade se analisa em cada caso, levando-se em conta a utilização do imóvel,
a destinação do bairro, a natureza da obra ou da atividade, a época, a hora e
demais circunstâncias atendíveis na apreciação do ato molesto ao vizinho.
Anormal é toda a construção ou atividade que lese o vizinho na segurança
do prédio, ou no sossego ou na saúde dos que o habitam, enquadrando-se no
conceito de mau uso da propriedade.
2 DIREITOS DO VIZINHO
Meirelles (1996) registra que o vizinho tem o direito de impedir que os
outros danifiquem a sua propriedade, prejudiquem o seu sossego ou ponham
em risco a sua saúde com obras nocivas, trabalhos perigosos, ruídos intolerá-
veis, emanações molestas, vibrações insuportáveis, odores nauseabundos*
20
e
quaisquer outras atividades ou imissões prejudiciais à vizinhança, sendo permi-
tido aos lesados vedar essa utilização anormal da propriedade vizinha e obter a
reparação dos danos consumados*
21.
3 INCÔMODOS AO ATO DE CONSTRUIR: ATÉ ONDE SE CONSIDERA
UM ERRO OU FALHA TÉCNICA?
Entende-se que nem todos os incômodos não são reprimíveis, mas, então
somente os insuportáveis, mesmo causados sem o intuito de culpa ou dolo do
vizinho.
Meirelles (1996) destaca que, age com culpa todo aquele que, por ação
ou omissão voluntária, viola direito ou causa dano a outrem, por negligência,
imprudência ou imperícia de conduta, embora não desejando o resultado lesivo
( CC/art.186 e CP, art.18,II).
Daí depreendemos que se inclui como culpa o dever de atenção, da cautela,
da habilidade, da prudência, da precaução, da lesão não desejada mas ocorrida
por imprudência, imperícia ou negligência em todos os atos técnicos/humanos
no decorrer da construção.
Nesta categoria incluem-se todos os trabalhos que produzem dano na es-
trutura do prédio, trepidações, abalos e movimentos do solo (como é o caso
de perfuração de solo com o uso de bate-estaca e movimento de máquinas
e caminhões em terrenos vizinhos quando se modifica o nível natural dos
mesmos – ver trabalho pericial em tópico posterior desta obra literária*
22
e
art.1311 CC/2002), infiltrações daninhas (falta de rufos entre edificação
em construção e existentes, bloqueando um possível e incontrolável poten-
cializador de concentração de umidade em solo), explosões violentas, ema-
nações venenosas ou alergênicas, e, tudo o que mais possa prejudicar
fisicamente – consequências destes atos descritos, o prédio ou seus morado-
res.

1) 2)
fonte: PELACANI (2009) – 1) Muro de arrimo e aterro de terras em terreno vizinho; 2) abertura e deslocamento
vertical da parede do BWC social da residência – recalque diferencial.
Tratamos mais especificamente também de ato lesivo, a queda de madeira-
mento de construção com dano pessoal, a falta de tapume divisório que permita
a depredação do imóvel vizinho, a falta de muro de arrimo de contenção de terras
que enseja dano ao prédio inferior (ver trabalho pericial em tópico posterior desta
obra literária), a existência de poço em terreno aberto que dá causa à queda de
20
Do termo “nauseabundos”, AURÉLIO, página 965, 2. Fig., explica: “Nojento, (...), repugnante”.
21
Em GRANDISKI ( 2001 ) – TJRJ – 5ª Câm. Cível; AC n.º 13.039/99-RJ; Rel. Des. Carlos Raymundo Cardoso; j. 30/11/1999; v.u.:
Direito de vizinhança – Mau uso da propriedade – Dano material – Comprovação necessária – Sentença ilíquida – Impossibilidade –
Dano moral – Configuração – Arbitramento – Embora comprovada a violação do direito de vizinhança, pelo mau uso da propriedade
por parte do vizinho, pela constante emissão de ruídos e efluentes de odores, fumaça e gordura advindos da maquinaria utilizada
por pizzaria, há necessidade, para que sobrevenha decreto condenatório, da efetiva comprovação do dano material, consubstan-
ciado em alegada depreciação da propriedade imobiliária dos autores. Se esta comprovação não se faz, impossível a prolação de
sentença condenando a ré a reparar o dano, cuja comprovação se remeteu à subseqüente liquidação. Se o pedido é certo e líquido,
não pode o juiz proferir sentença ilíquida, nem, tampouco, sentença condicional, em que a condenação nela estabelecida fique
condicionada à prova do dano que vier a ser feita na fase de liquidação. A perturbação à tranqüilidade, ao sossego e ao repouso
do morador pela constante emissão de ruídos e efluentes de fumaça, gordura e odores, configura dano moral indenizável, face a
violação do direito ao descanso e do recesso do lar. Provimento de ambos os recursos; dos autores, para reconhecer a incidência do
dano moral e determinar sua reparação; dos réus, para excluir a condenação pelo dano material, não comprovado.
22
2º TACS – 9ª Câm. Ap. – Rel. Marcial Hollandi – j. 6.8.1997 – RT 748/290: O proprietário ou possuidor do imóvel no qual foi
realizado aterro causador dos danos em prédio vizinho responde pela respectiva reparação, ainda que não tenha havido prova
segura de que foi o autor direto da obra, por ser obrigação propter rem.
Responsabilidade na Construção Civil 38 39
transeunte, o dano a pessoa resultante de mau funcionamento de elevador, a
emissão de fuligem de indústria, prejudicial aos prédios vizinhos, o rebaixamento
de solo danoso à construção confinante, a pulverização de óleo com impregnação
no mobiliário do prédio vizinho, a falta de fecho que permita a entrada de me-
nores e o consequente acidente em fios de eletricidade, a exploração de pedreira
com dinamite de modo perigoso aos vizinhos, aterro ou desaterro lesivo ao prédio
vizinho (apresentamos estudo de casos, em capítulo posterior desta obra literária,
com apresentação de parte de sentença judicial, como o caso requereu), o rom-
pimento de represa com dano aos prédios inferiores, a alteração do escoamento
natural das águas pluviais com dano para os prédios inferiores.
Fonte: PELACANI ( 2006 ) – Detalhe de corte de terras
em terreno urbano da cidade. Vista de estacas “cortina”
e muro de arrimo executados para a contenção de
terras do terreno vizinho.
Age com dolo todo aquele que almeja o resultado lesivo ou assume o risco de produzi-lo
(CP. art.18,I), depreendendo da lesão que o agente desejou, onde trataremos com maiores
detalhes no capítulo posterior.
Capítulo V
RESPONSABILIDADES NA CONSTRUÇÃO CIVIL
Da atividade de construir, é delegado a função a operários e, isto, por si
só, já é controlado e, presume-se de responsabilidade prática, a elaboração do
serviço delegado, a uma segunda pessoa e, portanto, não estará o profissional
tecnicamente e teoricamente responsável pela atividade, no controle do servi-
ço. Daí, e não poderia ser diferente, a lei trata e se refere não mais a segunda
pessoa – que exerceu a sua função em serviço delegado, e sim a pessoa de cuja
responsabilidade é técnica, ao profissional que delegou a função.
A propósito, Grandiski (2001) destaca em sua obra literária, do acórdão do
TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo, publicado na RT – Revista dos Tribu-
nais, nº 621, p.76, tendo como Relator o Dr. Roque Komatsu:
“( ... ) Assentado que o autor tem ilegitimidade para agir contra o co-réu
M.A.D., engenheiro responsável pela obra e não apenas autor do projeto (fls.
14-15), a sua responsabilidade é inafastável, dela não se eximindo pelo fato
de ter alertado o construtor, que era o dono da obra, a respeito das fundações
e do desvio das instruções do projeto, como afirmado na contestação (fls. 81).
Aliás, o que afirma o co-réu M.A.D. até revela comportamento negligente,
uma vez que quando passou pela primeira vez na obra, as fundações já esta-
vam prontas e as paredes em elevação (fls. 81).
Escreve, a propósito, Pontes de Miranda: “O fato de dar instruções, o em-
preitante não exime o empreiteiro das suas responsabilidades na execução da
obra. O empreiteiro recebe-as, mas é autônomo. As instruções que lhe tiras-
sem a independência seriam infringentes do contrato. (...)”.
Faz alusão, ainda, ao termo “responsabilidade” como um significado ge-
nérico de ressarcimento, recomposição, obrigação de restituir. Na linguagem
coloquial, responsabilidade é a qualidade de quem tem de cumprir obrigações
suas, ou daquele que tem que responder pelos atos seus ou alheios.
Responsabilidade na Construção Civil 40 41
1 RESPONSABILIDADE QUE INDEPENDE DE CULPA
Meirelles (1996) relata bem em capítulo sobre a responsabilidade por danos
a vizinhos e terceiros, que:
“A construção, por sua própria natureza, e mesmo sem culpa de seus executores, comumente
causa danos à vizinhança, por recalques do terreno, vibrações do estaqueamento, queda de
materiais e outros eventos comuns na edificação. Tais danos hão de ser reparados por quem os
causa e por quem aufere os proveitos da construção. É um encargo de vizinhança, expressamen-
te previsto no CC/2002, art.1.299, que, ao garantir ao proprietário a faculdade de levantar em
seu terreno as construções que lhe aprouver, assegurou aos vizinhos a incolumidade de seus
bens e de suas pessoas e condicionou as obras ao atendimento das normas administrativas.
Essa responsabilidade independe da culpa do proprietário ou do construtor, uma vez que se origi-
na da ilicitude do ato de construir, mas, sim, da lesividade do fato da construção. É um caso típico
de responsabilidade sem culpa, consagrado pela lei civil, como exceção defensiva da seguran-
ça, da saúde e do sossego dos vizinhos ( CC/2002, art.1.277), exigindo não mais que a prova
da lesão e do nexo de causalidade entre a construção vizinha e o dano*
23
, surgindo a respon-
sabilidade objetiva e solidária de quem ordenou e de quem executou a obra lesiva ao vizinho.”
Daí a afirmativa de Pontes De Miranda que: “a pretensão à indenização que
nasce da ofensa a direito de vizinhança é independente de culpa.” *
24

Grandiski (2001) complementa que conforme a teoria clássica, a respon-
sabilidade civil se assenta em três pressupostos: que haja um dano, que seja
identificada a culpa do autor do dano, e que haja uma relação de causalidade
entre o fato culposo e o mesmo dano.
Acrescenta ainda que outra forma clássica de classificação de responsabili-
dades distingue a objetiva da subjetiva:
1.1 RESPONSABILIDADE OBJETIVA
Independe da existência de culpa, bastante provar o nexo de causali-
dade entre o evento e o dano para que surja o dever de indenizar, inde-
pendentemente de haver ou não culpa do causador. Conforme esta teoria,
o exercício de uma atividade de risco cria, para o agente causador, uma
responsabilidade objetiva, que independe da existência de culpa, bastando
provar a relação de causa e efeito entre o comportamento do agente e o
dano causado à vítima, para que esta possa exercer o direito de ser inde-
nizada. Neste caso, a existência ou não de culpa do agente é de menor
relevância.
É o conceito básico adotado pelo Código de Defesa do Consumidor, a partir
do dia 11.09.1991, como a TEORIA DO RISCO.
1.2 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA
Meirelles (1996) destaca que é indispensável provar antecipadamente a
culpa, para que daí emerga o dever de indenizar, e o causador responda pelas
perdas e danos. Portanto, neste caso, a responsabilidade depende do compor-
tamento do sujeito, e só se materializa se o causador agiu de forma culposa ou
dolosa.
Grandiski (2001) ressalta que não constituem atos ilícitos os praticados em
legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido (CC/2002,
art.188,I), o que implica dizer que ao repelir agressão ocorrida naquele mo-
mento, ou na iminência de ocorrer, a pessoa faz uso moderado dos meios ne-
cessários, que pode causar lesão ao oponente, e exercendo de regular direito
reconhecido em praticando ato previsto em lei, o responsável estará isentado de
culpa, mesmo causando danos a terceiros.
É o conceito básico adotado pelo Código Civil, como a TEORIA DA CULPA,
devendo ser provado através de parecer técnico fundamentado.
2 PRIMEIRO PASSO ANTES DE CONSTRUIR: FAÇA UMA VISTORIA
PRÉVIA DA VIZINHANÇA
Da construção, como realização material e intencional do homem*
25
, po-
dem resultar responsabilidades diversas do construtor para com o proprietário
da obra, e deste para com vizinhos e terceiros que venham a ser prejudicados
pelo só fato da construção ou por ato dos que a executam, como já vimos em
capítulo anterior deste trabalho.
A melhor precaução antes de se iniciar a construir, é a de vistoria da
vizinhança em seu entorno, contratando profissional para realizar uma vis-
toria com relatório técnico fotografado – denominada “Vistoria Cautelar”,
ad perpetuam rei memorian, na figura de Engenheiro Avaliador capacitado,
para não incorrer na seguinte situação: no prédio vizinho já havia fissura
ou fissuras anterior a construção nova, e o seu vizinho pode vir a aproveitar
a oportunidade de “consertar” os seus defeitos através de sua construção
23
STF, RT 614/240; 1º TACivSP, RT 632/13
24
Tratado de Direito Privado, 2ª ed., XIII / 293
25
Sobre o conceito de construção, ver ainda: Capítulo X, I e II – Responsabilidade Decorrente de Construção, Marco Aurélio Viana, Contrato
de Construção e Responsabilidade Civil, São Paulo, Saraiva, 1980; Luiz Rodrigues Wambier, Responsabilidade Civil do Construtor, RT
659/14.
Responsabilidade na Construção Civil 42 43
última, quanto a interferir/contribuir com qualquer modificação do terreno
natural (aterro ou desaterro – corte e retirada de terras) ou até com estacas
com base de pressão – bulbo de pressão, em subsolo que interfere na re-
sistência de atrito lateral das estacas (principalmente de divisas – melhor
detalhado em capítulo posterior desta obra literária) da edificação já exis-
tente, vindo a surgir defeitos/fissuras, rebaixamento de piso, fossas e caixas
de passagens com consequências inclusive em rompimento de tubulações,
potencializadoras de defeitos/patologias, onde o profissional mal informado
técnico-juridicamente, simplesmente “prefere” atribuir, sem antes se preca-
ver, das ocorrências patológicas que a edificação existente possuía, antes do
início da construção nova.
Grandiski (2001) complementa em seu trabalho, que as vistorias em imó-
veis vizinhos à obra que irá se iniciar nas imediações (não há necessidade de
ser vizinho justaposto, no caso de cravação de estacas, por exemplo), corres-
pondem a casos muito comuns de produção antecipada de provas, envolvendo
patologias das construções.
Maia Neto (1993) trata deste assunto, que um exemplo muito comum da
utilização deste expediente, que vem crescendo sem a realização de uma ação
judicial, mas por iniciativa das partes, é a realização de vistorias preliminares
em imóveis vizinhos a um terreno onde irá ser iniciada uma obra, que constitui
uma medida segura para a construtora, que não se responsabilizará por danos
eventualmente já existentes, e para os proprietários dos imóveis, que terão ga-
rantia da integridade de seu patrimônio.
Completa ainda que, ocorrem, não raras vezes, quando a obra está perto
do fim, ou mesmo acabada, surgem reclamações de vizinhos sobre danos cuja
origem é duvidosa, ocorrendo em construções já abaladas ou desgastadas pelo
tempo e uso, causando um impasse entre o construtor e o vizinho, onde o desfe-
cho irá ser resolvido nos tribunais. O caminho correto para evitar tais dissabores
é o procedimento, hoje adotado por muitas construtoras, da realização de uma
vistoria cautelar, contratando profissionais ou empresas habilitadas, preferen-
cialmente engenheiros especializados em perícias judiciais, que procede este
trabalho nos imóveis vizinhos ao terreno onde será iniciada a obra.
Objetivamente, ao construtor, interessa provar a preexistência antes do início
da obra, de trincas, vazamentos, deslocamentos de argamassas e pisos, desa-
linhamento ou inclinações do prédio principal e dos muros divisórios etc., para
que não possa vir a ser responsabilizado como seu causador.
Ao vizinho, por sua vez, interessa provar a inexistência de trincas, vazamen-
tos, telhas quebradas, salpicos em pisos e paredes externas, recalques diferen-
ciais, enfim o estado do imóvel, de forma que se possa presumir a culpa do
construtor no caso de aparecimento de novas anomalias, ou agravamento das
existentes.
Em não tomando esta precaução, consequentemente, advém processo judi-
cial de indenização, combinando com a opinião conclusiva de Meirelles (1996)
quanto a responsabilidade por danos a vizinhos e terceiros:
“A jurisprudência pátria, hesitante a princípio, firmou-se, agora, na res-
ponsabilidade solidária do construtor e do proprietário e na dispensa de prova
de culpa pelo evento danoso ao vizinho, admitindo, porém, a redução da in-
denização quando a obra prejudicada concorreu para o dano, por insegurança
própria, ou defeito de construção.
Tal critério jurisprudencial é razoável e eqüitativo, mas deve ser aplicado
com prudência e restrições. Se a construção vizinha, embora sem a resistên-
cia das edificações modernas, se mantinha firme e intacta na sua estrutura e
veio a ser abalada ou danificada pelas obras das proximidades, não há lugar
para desconto na indenização, porque o dano se deve, tão-só, à construção
superveniente; se, porém, a obra lesada, por sua idade ou vícios de edificação,
já se apresentava abalada, trincada ou desgastada pelo tempo e uso, e tais
efeitos se agravaram com a construção vizinha, a indenização há de se limitar
aos danos agravados.
O que convém fixar é que a idade das edificações vizinhas e a sua maior
ou menor solidez não eximem, desde logo, o proprietário e o construtor de
responsabilidade civil pelo que suas obras venham a produzir ou a agravar a
vizinhança por todas as lesões ocasionadas; por exceção, poder-se-á reduzir
essa responsabilidade, provando-se a concorrência de eventos de ambos os
vizinhos para a lesão em causa.
Sendo o princípio do Direito que quem aufere os cômodos suporta o ônus,
um e outro devem responder pelas lesões decorrentes da construção”.
3 DAS RESPONSABILIDADES ADVINDAS DO ATO DE CONSTRUIR
Meirelles (1996) acrescenta que se uma obra vier a desabar, por imperícia do
construtor, causando danos materiais a terceiros e lesões pessoais em operários,
dará ensejo, simultaneamente, às quatro espécies de responsabilidades, ou seja,
à reparação do dano patrimonial (responsabilidade civil), à punição criminal res-
ponsabilidade penal), à sanção profissional (responsabilidade administrativa) e à
indenização do acidente dos operários (responsabilidade trabalhista).
Responsabilidade na Construção Civil 44 45
O exemplo põe ao vivo a importância do conhecimento das responsabilida-
des decorrentes da construção, e que, em certos casos, podem abranger e soli-
darizar, com o construtor, o autor do projeto (arquitetônico e complementares),
o fiscal da obra e o proprietário que a encomendou.
3.1 O FUNDAMENTO DA RESPONSABILIDADE
O fundamento normal da responsabilidade é a culpa ou o dolo, mas
como observou o Prof. Alvino Lima*
26
: “o legislador brasileiro, consa-
grando a teoria da culpa, nem por isso deixou de abrir exceção ao princí-
pio, admitindo casos de responsabilidade sem culpa”, em que Meirelles
(1996 ) complementa que se exige apenas o nexo causal entre o ato ou a
omissão e o dano, denominada também de responsabilidade objetiva, como
ocorre nos casos de dano de obra vizinha ou de insegurança da construção
no quinquênio de sua conclusão, bastando a constatação do fato danoso, sem
participação da vítima, para ensejar a reparação civil.
Menção a parte, o C.D.C.– Código de Proteção e Defesa do Consumidor
(CC/2002, art.186 e CP, art.18,II) regulando as responsabilidades dos fornece-
dores de bens, produtos e serviços, previu a obrigação destes de indenizarem os
consumidores independentemente de existência de culpa pelos danos causados
por defeitos relativos aos fatos do produto e do serviço, relacionando ao profis-
sional liberal, ser a sua responsabilidade pessoal condicionada à apuração de
culpa, ou seja, subjetivamente (art.14, caput e § 4º).
Como previamente abrangido em capítulo anterior, age com culpa todo aque-
le que, por ação ou omissão voluntária, viola direito ou causa dano a outrem,
por negligência, imprudência ou imperícia de conduta, embora não desejando o
resultado lesivo (Artigo 186 do Código Civil e Artigo 18, II do Código Penal).
Grandiski (2001) adiciona literariamente que dano é toda consequência
provocada por falhas construtivas. Juridicamente falando, atualmente é consi-
derado como qualquer lesão causada a um bem jurídico. ( ... ) Apud Agostinho
Alvim: “aprecia-se o dano tendo em vista a diminuição sofrida no patrimônio.
Logo, a matéria do dano prende-se à da indenização, de modo que só interes-
sa o estudo do dano indenizável”.
3.1.1 CULPA E DOLO
Culpa é a violação de um dever preexistente: dever de atenção, dever de
cautela, dever de habilidade, dever de prudência em todos os atos da conduta
humana.
Meirelles (1996) acrescenta ainda, que a culpa revela-se na lesão não de-
sejada, mas ocorrida por imprudência, imperícia ou negligência na conduta de
quem a causa.
Grandiski (2001) complementa que existem várias modalidades de culpa,
entre as quais aqui são destacadas:
Age com dolo todo aquele que almeja o resultado lesivo ou assume o risco
de produzi-lo (CP, art.18,I), exterioriza-se na lesão desejada pelo agente.
3.2 FONTES DE RESPONSABILIDADES
Meirelles (1996) destaca que existem três fontes de responsabilidades
oriundas da atividade da construção civil:
3.2.1 RESPONSABILIDADE LEGAL
Toda aquela que a lei impõe para determinada conduta, de ordem pública e
por isso mesmo irrenunciável e intransacionável entre as partes, onde tratare-
mos nesta obra literária, com maiores detalhes em capítulo posterior.
3.2.2 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL
Aquela que surge do ajuste entre as partes, nos limites em que for conven-
cionada para o cumprimento da obrigação de cada contratante, podendo ser
renunciada e transacionada pelos contratantes a qualquer tempo e em quais-
quer circunstâncias, normalmente estabelecida para garantia da execução do
contrato.
3.2.3 RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL
Aquela que surge do ato ilícito, isto é, contrário ao Direito.
Grandiski (2001) complementa que são as que se originam na legislação
vigente ou nas tradições, usos e costumes do lugar, criando obrigações legais
resultantes do que nelas é disposto, e obrigam todos os agentes envolvidos,
quer sejam assumidas por escrito ou de forma verbal. Fazem parte deste grupo
as responsabilidades decorrentes de atos ilícitos.
26
Da Culpa ao Risco, São Paulo, 1938, p.215.
Responsabilidade na Construção Civil 46 47
3.3 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR – CDC
Meirelles (1996) resume que a responsabilidade do fornecedor, conforme os
arts.14 e 20 do Código do Consumidor, pode consistir, segundo opção do con-
sumidor, na reexecução dos serviços, inclusive através de terceiros, restituição
das quantias pagas ou abatimento proporcional do preço.
Grandiski (2001) explica que no CDC – Código de Defesa do Consumidor,
art.50, a responsabilidade contratual é complementar à legal e será conferida
mediante termo escrito.
Acrescenta ainda que o Código de Defesa do Consumidor preveja a respon-
sabilidade do construtor nas três fases do empreendimento:
- Na fase de projeto, quando os vícios previsíveis podem ser evitados;
- Na fase de fabricação ou execução, quando outros vícios imprevistos
podem e devem ser contornados;
Fonte: MAIA LIMA & PACHA ( 2005 ), apud
Revista “Téchne”, n. 08, p. 23 – Ninho
de concretagem na viga de concreto,
originalmente encoberto por concreto, que
não penetrou entre a forma de madeira e as
armaduras.
- FALHA DE PROJETO E GRAVE DE
EXECUÇÃO -
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) – Ninhos de concretagem no encontro do pilar
com a viga/laje, posteriormente preenchido com tijolo cerâmico.
-FALHA GRAVE DE EXECUÇÃO -
- Na fase pós-ocupação, dentro do prazo de garantia, dentro do qual é de
se esperar desempenho da obra correspondente ao prometido, e onde
informações ou instruções adequadas pdem evitar o aparecimento de
novos problemas.
Fonte: CARBONARI ( 2002 ) – Fases que compreendem as responsabilidades na construção civil.
Essas responsabilidades, mostram a abrangência multidisciplinar do CDC,
que inova na criação de um microssistema jurídico, envolvendo as áreas cível,
comercial, administrativa, processual civil e penal e de direito penal, visando a
facilitação da aplicação da justiça aos casos individuais (Procon, Juizados Es-
pecias Cìveis, Promotorias nas cidades do interior ), assim como nos coletivos
( interesses individuais homogêneos de origem comum, ou interesses difusos,
com número indefinido de titulares, como por exemplo nas cláusulas abusivas,
publicidade etc.).
3.4 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DAS RESPONSABILIDADES
Das responsabilidades decorrentes da construção, Meirelles (1996) declina
que a construção de obra particular ou pública, além das responsabilidades
estabelecidas no contrato, independentes da convenção das partes, pode acar-
retar outras para o construtor, para o autor do projeto (arquitetônico, estrutural,
elétrico, hidráulico etc.), para o fiscal ou consultor e para o proprietário ou
Administração contraente.
Responsabilidade na Construção Civil 48 49
Segue enumerando as seguintes características de responsabilidades, a saber:
3.4.1 DA PERFEIÇÃO
Dever legal de todo profissional ou empresa de Engenharia ou Arquitetura, onde
o Código Civil autoriza quem encomendou a obra a rejeitá-la quando defeituosa, ou
a recebê-la com abatimento no preço, se assim lhe convier (arts. 615 e 616).
Não se exime desta responsabilidade, ainda que tenha seguido instruções do
proprietário ou da Administração (em obra pública), quando aplicar material inade-
quado ou insuficiente, nem relegar a técnica ou norma técnica ou método apropria-
do, ou na falta de cuidados usuais na elaboração do projeto ou na sua execução.
3.4.1.1 PRAZO PARA A RECLAMAÇÃO: DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO
Dos defeitos, imperfeições ou vícios aparentes e ocultos, o Código de Defesa
do Consumidor - CDC (art.26) passou a regular a matéria, estabelecendo o pra-
zo de 90 ( noventa ) dias para qualquer reclamação, que é o prazo para decair
do direito, perda, perecimento ou extinção do direito em si, por consequência da
inércia ou negligência no uso de prazo legal ou direito a que estava subordinado
(NBR 13.752/96 – item 3.27), complementa Grandiski (2001).
Salienta ainda que, de acordo com o art. 27 do Código de Defesa do Con-
sumidor, prescreve em 5 (cinco) anos a pretensão à reparação pelos danos
causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo
(defeitos – casos que afetam a saúde e segurança do consumidor, melhor deta-
lhado adiante, dessa obra literária ). Ainda, em seu Artigo 47 que: “As cláusulas
contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor”. E
não há dúvida de que a aplicação do prazo é de 90 (noventa) dias de prescrição
previsto no art.26 do CDC, mesmo considerando que ele deve ocorrer dentro do
prazo de garantia de 5 (cinco) anos.
Acrescenta ainda que, para quaisquer reparos efetuados pela construtora (e
apenas para estes), o prazo de garantia de 5 (cinco) anos recomeça a conta-
gem, até que se completem os 5 (cinco) anos originais de garantia.
Exceção à regra, pode ser o caso de prescrição referente a falhas nas áreas
comuns de prédios em condomínio. Neste caso, a data de eleição do primeiro
síndico e recebimento das partes comuns por ele, que assume a representação
legal do condomínio, substituindo a “Comissão de Representantes”, é conside-
rada como data do início da contagem dos prazos legais. Como esta costuma
ser muito próxima à data da expedição do auto de conclusão (“Habite-se”),
rotineiramente a jurisprudência costuma contar esse prazo de garantia para as
áreas comuns dos condomínios: a partir do “Habite-se”.
Grandiski (2001) melhor esclarece, que de acordo com a teoria já apresen-
tada, a pretensão prescreve e o direito caduca. Em outras palavras, a prescrição
atinge a ação e não o direito de propor a ação. Na interpretação específica
do CDC – Código de Defesa do Consumidor, a decadência afeta o direito de
reclamar – os vícios caducam (decadência citada no CDC, art.26), enquanto
prescreve (CDC, art.27) a pretensão de reclamar em juízo dos danos, ou seja,
dos prejuízos resultantes de um defeito (fato do produto ou serviço).
Diferem da contagem, do início do prazo para a reclamação, dos defeitos, dos
vícios ocultos ou redibitórios e dos vícios aparentes ou imperfeições, a saber:
3.4.1.2 DOS DEFEITOS
Inicia-se com a entrega da obra (CDC, art.26,II, X1º). São aqueles danos
(consequências dos defeitos e vícios do produto ou serviço) que afeta, ou ameaça
afetar, a saúde ou a segurança do consumidor (NBR 13752/96, item: 3.28).
Exemplos que Grandiski (2001) traz à luz em sua obra literária, acrescendo
que defeito é um vício acrescido de uma coisa extrínseca, que causa um dano
maior que simplesmente o mau funcionamento:
a) Percutindo o revestimento do teto de uma cozinha, percebe-se que não
há deslocamento, pois o som emitido não é cavo*
27
. Portanto, as pequenas
fissuras ali investigadas, são simples vícios construtivos. Mas, se o som emitido
for cavo, em ampla área desse teto, fica caracterizado o descolamento do reves-
timento, que pode representar ameaça de queda. Aí, o antigo vício passa a ser
considerado um defeito, pois em sua queda pode afetar a saúde do morador;

Fonte: PELACANI (2009) – Abertura em teto de
sacada de edifício – 13º pavimento; revestimen-
to de pastilhas cerâmica na iminência de queda.
27
Do termo “cavo”, AURÉLIO, página 301, 2., explica: “Oco. Vazio”.
Responsabilidade na Construção Civil 50 51
b) Canos de esgoto mal instalados que contaminam a caixa d’água (po-
dem causar doenças);
c) Os pisos escorregadios; pisos soltos; degraus com alturas não unifor-
mes; falhas construtivas de grande porte, que permitam infiltração de água,
com formação de fungos e mofo, resultando numa edificação inabitável;
d) Vigas altas diminuindo o pé-direito em escadas ou no meio de ambien-
tes, permitindo que pessoas altas batam a cabeça;
e) Construção de caixa d’água enterrada, com sua parede e fundo em
contato direto com a terra: pode haver contaminação da água.
3.4.1.3 PENALIDADES
Pelo fato de envolver risco ou ameaça de risco a saúde e segurança, consti-
tuem crimes, sem prejuízo das cominações legais do disposto no Código Penal e
leis especiais, previstas as penas também no Código de Defesa do Consumidor
– CDC. Do art. 66, para exemplificar: “- Fazer afirmação falsa ou enganosa,
ou omitir informação relevante sobre a natureza, característica, qualidade,
quantidade, segurança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de pro-
dutos ou serviços”, onde podemos concluir que desde a qualidade, quantidade
e segurança estará o profissional responsabilizado, e com a pena estipulada:
“Pena – Detenção de três meses a um ano e multa”.
Grandiski (2001) relata, mais detalhadamente, que estão previstas nos
arts.61 a 80 do CDC, e preveem penas de detenção para cada uma das infra-
ções que venham a ser cometidas, ( ... ). ( ... ) onde as penalidades são mais
“fortes” para os defeitos do que para os vícios, pois trata da saúde e segurança
do consumidor.
3.4.1.4 DOS VÍCIOS OCULTOS OU REDIBITÓRIOS
Inicia-se no momento em que ficar evidenciado o vício (CDC, art.26,II, 3º),
não devendo ser confundidos com os vícios de solidez e segurança da obra, que
veremos a seguir.
Grandiski (2001) define que são anomalias as que afetam o desempenho
de produtos ou serviços, ou os tornam inadequados aos fins a que se desti-
nam, causando transtornos ou prejuízos materiais ao consumidor (afeta mate-
rialmente o consumidor). Podem decorrer de falha de projeto, ou da execução,
ou ainda da informação defeituosa sobre sua utilização ou manutenção (NBR
13.752/96, item 3.75).
Vícios ocultos ou redibitórios são os que diminuem o valor da coisa ou a
tornam imprópria ao uso a que se destina, e que, se fossem do conhecimento
prévio do comprador, ensejariam pedido de abatimento do preço pago, ou invia-
bilizariam a compra (NBR 13.752/96, item 3.76).
Exemplos: I) vazamentos em canalizações de prédios que aparecem dentro
do prazo legal de garantia de 5 anos; II) falhas em instalações elétricas de pré-
dios que aparecem dentro do prazo legal de garantia de 5 anos; III) queda de
revestimentos de tetos e fachadas que aparecem dentro do prazo legal de ga-
rantia de 5 anos; IV) vícios por inadequação de qualidade, surgindo fissuras ou
trincas; V) vícios por inadequação de quantidade, com metragem em desacordo
com as plantas aprovadas; VI) entrega de construção com atraso injustificado;
VII) não aplicação de normas técnicas.

1) 2)
Fonte: PELACANI ( 2009 ) – 1) trinca em fechamento de alvenaria com tijolo do tipo “sikal”; 2) queda de cerâmica
externa de fachada de edifício.
Ainda, podemos citar em região sob ou sobre a abertura de janelas, em
se provando, com relatório técnico devidamente fundamentado, não ter sido
executado elemento estrutural (verga) em concreto armado para resistir a ten-
sões atuantes, causando, fissuras, principalmente em direção no sentido de 45º
(quarenta e cinco graus). Estudo de caso sobre fissuras, está apresentado em
tópico posterior desta obra literária, com suas causas e características princi-
pais em estudo de caso.
Fonte: PELACANI ( 2006 ) – Vista de edicação sem a execução
de elemento estrutural ( vergas ) nas aberturas de janelas.
Responsabilidade na Construção Civil 52 53
Segue ainda, alertando que é importante salientar que no Código de Defesa
do Consumidor – CDC, é indiferente a gravidade do vício para que se responsa-
bilize o fornecedor, pois a própria existência do vício prejudica a expectativa do
consumidor, afetando subjetivamente o valor que este atribui ao bem. Portanto,
na visão dos autores do CDC, não importa se o problema é uma simples fissura
de retração de argamassa ou uma trinca de origem estrutural: o aparecimento
de qualquer uma, pode dar origem à reclamação. Não obstante, a indenização
será orçada, tecnicamente, conforme o seu custo.
3.4.1.5 DOS VÍCIOS APARENTES, IMPERFEIÇÕES OU FALHAS APARENTES
De mesma contagem do prazo de reclamação dos defeitos (título anterior
desta obra literária), a contar da data da entrega do empreendimento, estando
o termo “perfeito” explicitado por De Plácido E Silva (1999): “como sem ví-
cios, ou defeitos ( ... ). E compreendido, assim, como aquilo que se tem com
defeito ou vício, imperfeito quer também dizer irregular, ou falho, isto é, com
falha”. Imperfeito podemos atribuir às falhas como simples fissuras de origem
na aplicação da argamassa (do tipo “mapeamento”), em guarnição de batente
mal encaixados, ou de marcas de infiltração – efeito capilaridade, próximo aos
rodapés.
Fonte: PELACANI ( 2009 ) – Vista de marca de inltração
em parede próximo ao rodapé, por falta de impermeabili-
zação da viga baldrame.
3.4.1.6 DO NÃO ATENDIMENTO À RECLAMAÇÃO
Grandiski (2001) alerta que a reclamação deve ser feita ao construtor por
escrito, tão logo a falha tenha sido constatada, de preferência mediante notifi-
cação através de Cartório de Registro de Títulos e Documentos. O consumidor
deve aguardar o decurso do prazo máximo de 30 ( trinta ) dias após o recebi-
mento da notificação, para que o construtor corrija a falha, ou negue a intenção
de fazê-lo.
Esse tempo, entre a data do recebimento da notificação e a negativa do
construtor, não é contado como tempo decorrido dos 90 (noventa) dias da de-
cadência do direito de reclamar. Ocorrendo esse fato, o consumidor deve acio-
nar judicialmente o construtor dentro do prazo restante para completar os 90
(noventa) dias, apresentando desta vez, outra reclamação, em juízo, que agora
tem novo objetivo.*
28
3.4.2 DA SOLIDEZ E SEGURANÇA
O empreiteiro de materiais e execução, responde sempre e necessariamente
pelos defeitos do material que aplica e pela imperfeição dos serviços que exe-
cuta.
Meirelles (1996) acrescenta que se a obra assim realizada apresentar vícios
de solidez e segurança, já se entende que outro não pode ser o responsável por
esses defeitos, senão o construtor, qualquer que seja a modalidade contratual
da construção; até os erros do projeto enquanto não demonstrar a sua origem,
também o são.

1) 2) 3)
Fonte: PELACANI ( 2009 e 2008 ) DE PATOLOGIAS QUE COMPROMETEM A SEGURANÇA E SOLIDEZ DA
EDIFICAÇÃO – 1) Vista da expansão por corrosão de ferragem – estágio avançado, em pilar do pavimento térreo
de edifício; 2) idem, com vista da ferragem corroída após a abertura do local; 3) vista de inltração avançada –
stalactite, com início de comprometimento da estabilidade estrutural da viga – processo avançado de corrosão.
28
Carlos Roberto Gonçalves. Responsabilidade Civil, SARAIVA, 6ª ed., pág. 283: “ ( ... ) os dias que antecederam a primeira recla-
mação e aqueles que transcorrerem entre a negativa do fornecedor ou o decurso do prazo, legal ou contratual, para que sanasse o
vício, e a nova reclamação, são computados para efeito de contagem do prazo decadencial”.
Responsabilidade na Construção Civil 54 55
3.4.2.1 PRAZO DE GARANTIA E PRAZO PRESCRICIONAL
É uma presunção legal e absoluta de culpa por todo e qualquer defeito de
estabilidade da obra que venha a apresentar dentro de 05 ( cinco ) anos de sua
entrega ao proprietário.
Grandiski (2001) complementa que dentro deste prazo, o reclamante fica
dispensado de provar por que a falha ocorre e qual a sua causa – basta provar
que ela existe.
Meirelles (2001) em continuidade, afirma que o prazo quinquenal é de ga-
rantia e não de prescrição, como erroneamente tem entendido alguns julgados.
Aqui a responsabilidade é objetiva, como já vimos anteriormente, na TEO-
RIA DO RISCO, ou culpa presumida (CC/2002, art.618).
Desde que a falta de solidez ou de segurança da obra apresente-se dentro
de 5 (cinco) anos de seu recebimento, a ação contra o construtor e demais par-
ticipantes do empreendimento subsiste pelo prazo prescricional comum de 10 (
dez) anos, a contar do dia em que surgiu o defeito (CC/2002, art.205).
Grandiski (2001) em sua obra literária, descreve que prescrição é a perda
do direito a uma ação judicial, ou liberação de uma obrigação, por decurso de
tempo, sem que seja exercido por inércia dos interessados (NBR 13.752/96,
item 3.64). Em outras palavras, extinção da responsabilidade do acusado por
ter decorrido prazo legal da punição; perda do direito a uma ação judicial por
inércia do reclamante que deixou de exercê-lo no tempo oportuno, deixando
escoar o prazo legal sem que fosse exercido direito subjetivo; pode ser interrom-
pida por uma citação, por exemplo.
Passa a responsabilidade ser subjetiva, como também já vimos anteriormen-
te, na TEORIA DA CULPA, devendo ser provada a culpa. Como afirma Grandiski
(2001), se este prazo (de 5 anos) for ultrapassado, a responsabilidade do cons-
trutor deveria ser provada (não seria presumida). O ônus da prova, a partir dos
5 (cinco) anos, ficaria por conta do comprador, que ainda assim poderia mover
ação contra o construtor, que prescreveria em 10 (dez) anos.
Aí, cabe a conclusão expressa e inevitável que, em tendo sido constatado o de-
feito, com prazo próximo do final dos primeiros cinco anos de entrega do empreen-
dimento, e, contados os seus dez anos seguintes – “prazo prescricional”, podemos,
com certeza, afirmar que o prazo de garantia se estenderá, neste caso, para até “14
(quatorze) anos mais 11 (onze) meses mais 29 (vinte e nove) dias”.
Conclui ainda, que a reexecução de serviços por parte do construtor inicial, faz com
que recomece, após o seu término, o prazo de garantia relativo a esses serviços.
RESUMO DE PRAZOS DE RECLAMAÇÃO / GARANTIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL
C.D.C. - Código
de Defesa do
Consumidor (1990)
/ Teoria do Risco /
Responsabilidade
Objetiva
C.C. - CÓDIGO CIVIL
(2002)
PERFEIÇÃO
DEFEITOS (Saúde e
Segurança do Consumidor).
Ex.: Piso escorregadio;
deslocamento de
revestimento; cano de
esgoto mal instalado / cx.
d’água; viga alta = menor
pé-direito.
5 ANOS (a partir do
conhecimento do
dano) - Art. 26 e 27
VÍCIOS OCULTOS (material /
afeta o bolso do consumidor
/ que não afetam a
segurança e solidez).
Ex.: Mau funcionamento
de instalações elétricas;
diferença na metragem;
atraso; não aplicação
de normas técnicas.
Exceção: desgaste natural e
manutenção.
90 DIAS (dentro do
prazo de 5 anos da
entrega) - Art. 26
e 47
1 ANO (a partir do
conhecimento do
vício) - Art. 445
VÍCIOS APARENTES /
IMPERFEIÇÕES (material/
de fácil constatação visual).
Ex.: guarnição mal fixada;
janelas que não trancam;
pintura respingada.
90 DIAS - Art. 26
Ato da entrega - Art.
615
SEGURANÇA
E SOLIDEZ
10 ANOS (5 primeiros
anos da entrega =
TEORIA DO RISCO /
RESPONSABILIDADE
OBJETIVA; 5 últimos
anos da entrega =
TEORIA DA CULPA /
RESPONSABILIDADE
SUBJETIVA = PROVA
FUNDAMENTADA) -
Art. 618
FONTE: PELACANI ( 2009 ) – TABELA RESUMO DOS PRAZOS DE GARANTIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL -
CÓDIGO CIVIL (CC) E CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (CDC).
Responsabilidade na Construção Civil 56 57
3.4.2.2 DO SOLO
De defeitos decorrentes da falta de estabilidade/resistência ou firmeza do solo,
mesmo sendo comunicado ao proprietário da obra, ao construtor cabe a responsa-
bilidade (final do prescrito no CC/2002, art.618), ao contrário do que apontava o
antigo Código Civil em caso de comunicado ao proprietário das condições do solo.
Meirelles (1996) acrescenta que aos decorrentes de concepção ou de cálcu-
lo de projeto tornam seus autores responsáveis pelos danos deles resultantes.
Responde o construtor perante o proprietário ou a Administração Pública, mas
com direito a chamamento de quem elaborou o projeto ou efetuou os cálculos (cargas
e resistências), comprovados as origens em falhas desses profissionais ou empresa
especializadas. Ver ainda, parágrafo segundo do início deste capítulo principal.
3.4.2.3 SEQUÊNCIA PROFISSIONAL DE RESPONSABILIDADES
Grandiski (2001) traz, em sua obra literária, interessante acórdão do TJSP
– Tribunal de Justiça de São Paulo, publicado na RT – Revista dos Tribunais,
n.621, p.76, tendo como Rel. Dr. Roque Komatsu: “( ... ) O mais razoável
é admitir tratar-se de responsabilidade legal inspirada em motivo de ordem
pública atinente a atividade regulada em lei, consoante lição de Hely Lopes
Meirelles supracitada, que, ainda, acrescenta:
“Embora o Código Civil não se refira expressamente aos vícios de concepção
de obra, nem por isso ficam liberados de responsabilidade os que a projetaram
e calcularam as cargas e resistências. E nunca se entendeu de outro modo,
pois, se a lei civil é omissa a respeito, tal responsabilidade é imanente
*29
do
exercício profissional e deflui das normas regulamentadoras da Engenharia e
da Arquitetura como atividades técnicas vinculadas à construção, motivo pelo
qual é uma responsabilidade legal, e não contratual, como supõem alguns au-
tores menos familiarizados com as normas administrativas e com os preceitos
ético-profissionais que regem a matéria (arts.17 e 23 da Lei 5194/66 ).
Projetando ou construindo, o arquiteto, o engenheiro ou a empresa ha-
bilitada, cada um é autônomo no desempenho de suas atribuições profis-
sionais e responde técnica e civilmente por seus trabalhos, quer os execute
pessoalmente, quer os faça executar por prepostos ou auxiliares. Em tema de
construção, pode-se dizer que há uma cadeia de responsabilidades, que se
inicia no autor do projeto e termina no seu executor, solidarizando todos os
que participam do empreendimento”.
Se houver, ainda, um fiscal ou consultor da obra, responderá também por
seus defeitos e insegurança. Nem é por outra razão que se confia o acompa-
nhamento dos trabalhos a esses técnicos, para confronto do projeto com a sua
execução.
Grandiski (2001) complementa ainda que existe uma corresponsabilidade
entre o engenheiro titular e o engenheiro residente de uma obra, pela inobser-
vância de normas técnicas*
30.
.
Trata ainda da situação da responsabilidade do engenheiro substituto, que
nos termos do Artigo 18 da Lei 5.194/66 que regula o exercício das profissões
de Engenheiro e Arquiteto, nenhum profissional pode substituir outro colega
habilitado sem seu prévio conhecimento (atenção para a citação: “comprovada
a solicitação”). No entanto, com a sua aquiescência, isso é possível.
O engenheiro que assume a responsabilidade de substituir outro profissional
habilitado na direção técnica da obra, deve providenciar recolhimento de sua
Anotação de Responsabilidade Técnica – A.R.T., vinculada à A.R.T. do respon-
sável anterior, e, como medida cautelar, que deveria ser sempre amigável, pro-
videnciar uma vistoria técnica fartamente documentada por fotos, assinada por
ambos os profissionais, em duas vias, valendo também a filmagem do estado
da obra no momento da transferência, com depoimentos filmados dos dois en-
genheiros, confirmando que a filmagem foi feita no dia tal, ficando o engenheiro
substituído responsável pelas obras até ali executadas, definindo assim a res-
ponsabilidade do novo responsável apenas pelas novas obras.
29
TJRJ – Ac. unân. 3ª Câm. Cív. em 28-4-97 – Ap. 6436/95 – Rel. Des. Ferreira Pinto: Condomínio – Veículo atingido por tinta usada
na pintura de prédio – Culpa concorrente – Cuidando-se de danos sofridos por veículo atingido em sua pintura por tinta empregada
na pintura do prédio, a culpa é da firma que realizava os trabalhos, por estar realizando a pintura sem a necessária proteção às
coisas ou pessoas que estivessem embaixo do local do trabalho, com responsabilidade do condomínio pelos danos perante o dono
do veículo, por ter contratado a firma que realizava o serviço, e culpa concorrente do dono do veículo, que apesar de avisado o
estacionou no local que estava, no momento interditado.
30
RT 731, p. 643, Relator: Tupinambá Pinto de Azevedo - TARS: Homicídio culposo – Desmoronamento – Inexistência de escoramen-
to – Culpa manifesta do engenheiro empregador e do empregado especializado – Aplicação da majorante da inobservância de regra
técnica – Inteligência do Artigo 121, parágrafo 4º do Código Penal. Ementa oficial: Age com manifesta culpa o profissional de enge-
nharia que, em se tratando de estaqueamento, projeta ou executa escavação no solo, resultando talude em ângulo acentuado ( 90º
) com a superfície do terreno, deixando de providenciar em escoras para contenção da terra. Dono da empresa, autor do projeto e de
fiscalização esporádica, que delega a fiscalização direta a empregado especializado, também engenheiro, e que recebe relatos diários
do andamento da obra. Ciência de desmoronamento anterior e ausência de providências. Culpa manifesta. Engenheiro-empregado,
no comando da obra, detém competência para prevenir o desmoronamento. Culpa também manifesta. A majorante da inobservância
de regra técnica diz com a maior reprovabilidade da conduta, não se confundindo com as três modalidades da culpa stricto sensu.
Condenações mantidas. Ementa da Redação: A circunstância majorante do Artigo 121, parágrafo 4º do Código Penal, 1ª parte, não
se confunde com a imprudência, a imperícia ou a negligência. Estas são modalidades da culpa, situadas, na topologia estrutural do
delito, no tipo. Já a inobservância da regra técnica importa em maior reprovabilidade da conduta, seja qual for a modalidade de culpa.
Situa-se, portanto, na culpabilidade ( = reprovabilidade ), juízo de valor que incide sobre o autor. Daí a distinção que os autores esta-
belecem entre imprudência ou imperícia e a inobservância da regra técnica. Seja a culpa decorrente de qualquer das três modalidades
legais, pode a punição do autor ser agravada pelo plus decorrente de especial reprovabilidade no agir sem cautelas.
Responsabilidade na Construção Civil 58 59
Conclui que, além disto, o engenheiro substituto deve exigir a transferência,
para sua guarda, de cópias de todos os ensaios técnicos realizados (concreto,
aço, sondagem do solo etc.), bem como dos projetos devidamente atualizados
até a data da substituição, devidamente rubricados pelo engenheiro substituído,
para ressalva das respectivas responsabilidades.
Ao empreiteiro que só concorre com o serviço, recebendo o material do
proprietário a ser empregado na obra, responderá de maneira absoluta pelo seu
trabalho e de modo relativo pelo material utilizado.
3.4.3 DOS DANOS A VIZINHOS E TERCEIROS
A atividade da construção muitas vezes causa danos a pessoas e bens sem qualquer
situação de vizinhança, ou seja, terceiros em relação ao proprietário e ao construtor.
Aqui não se aplicam as regras de vizinhança, nem se dispensa a prova da
conduta culposa do construtor e do proprietário, para que respondam pelo dano
decorrente da construção.
Tratado em item anterior nesta obra literária, onde esclarece Meirelles
(1996), que não importa para o vizinho a natureza do contrato de construção
firmado entre o proprietário e o construtor, porque tal ajuste, seja ele de em-
preitada ou administração, é ato inerente a terceiros – “res inter alios”, que não
interfere nas relações de vizinhança.
O que solidariza e vincula os responsáveis pela reparação do dano é, objetivamen-
te, a lesão aos bens do vizinho proveniente do fato da construção, fato, este, proveito-
so tanto para o dono da obra como para quem a executa com fim lucrativo.
Completa ainda que ao autor do projeto não responda por danos aos vizinhos,
quando suas responsabilidades são encampadas pelo construtor, podendo chamar
regressivamente à responsabilidade o autor do projeto, provando que o evento da-
noso resultou de defeito de concepção da obra ou erro de cálculo das resistências.
3.4.3.1 CONCEITO E RESPONSABILIDADE DO “CONSTRUTOR” E PROPRIE-
TÁRIO
O construtor – Engenheiro ou Arquiteto “licenciado” ou sociedade autori-
zada a construir – responde sempre pelos atos culposos e lesivos a estranhos
resultantes de atividade própria ou de seus prepostos na construção – mestres
ou encarregados de obra, ou ainda, de seus operários (CC/2002, arts.932,III
e 933).
Se o construtor sub-contratar determinados serviços ou partes da obra com
outra firma ou profissional habilitado e resultar danos ou lesão a terceiros não
vizinhos, a responsabilidade é exclusiva da empresa ou profissional subcontra-
tante que assume autonomia técnica e financeira os trabalhos de sua especia-
lidade (como exemplo: empresa do ramo de granito, que movimenta seus fun-
cionários até o local da construção para o assentamento das placas de granito
ou mármore de seu estoque).
Meirelles (1996) ainda contempla que em princípio, o responsável pelos
danos que a construção causar a terceiros (não vizinhos) é o construtor – pessoa
física ou jurídica legalmente autorizada a construir.
Ao proprietário se solidarizará na responsabilidade se houver confiado a obra
a pessoa inabilitada para os trabalhos de Engenharia e Arquitetura (ver exemplo
nesta obra literária no tópico: “Estudo de Casos”).
Se a execução do projeto está cometida a profissional diplomado ou a socie-
dade legalmente autorizada a construir, fica afastada a presunção de culpa do
proprietário, ainda que o dano decorra de ato culposo do construtor ou de seus
prepostos (CC/2002, arts.932 e 933).
3.4.3.2 RUÍNA DE CONSTRUÇÃO; NÃO EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE
DO PROPRIETÁRIO
Há de se mencionar que a lei (ao contrário do antigo Código Civil) responsa-
biliza o proprietário em caso de danos a vizinhos e terceiros, quando resultante
da ruína de edifício ou construção carente de reparos*
31
, cuja necessidade fosse
manifesta (CC/2002, art.937).
Distingue, entretanto, o dano causado pela ruína da obra do dano causado
por ato do construtor ou de seus prepostos, como exemplo, a queda de um an-
daime, ou de uma ferramenta que atinja um transeunte.
Na primeira hipótese, a responsabilidade é objetiva e exclusiva do proprie-
tário; na segunda, é privativa do construtor, desde que se lhe comprove a culpa
pelo ato ou fato lesivo a terceiro*
32
.
31
Que significa abandono negligente da construção. Responsabilidade Civil decorrente da ruína de edifícios, Revista de Direito da
Prefeitura do Rio de Janeiro I/34.
32
RT, 441:223: Responsabilidade civil – Objeto caído de obra em construção – Dano causado a terceiro. Inobservância das normas
de segurança e proteção – Obrigação do construtor de indenizar – Ação procedente, sem qualquer dependência da prova de culpa
– Inteligência e aplicação do Artigo 1529 do Código Civil. Na actio de effusis et dejectis a responsabilidade é objetiva. Assim,
provado o fato e o dano do mesmo resultante, a obrigação indenizatória surge como normal conseqüência.
Responsabilidade na Construção Civil 60 61
A solidariedade pela composição do dano só ocorre quando se trata de le-
são a vizinhos ( Artigo 1299 do Código Civil ), ou quando o proprietário tenha
concorrido com culpa na escolha do construtor a quem confiou os trabalhos de
reparação ou de demolição da obra ruinosa.
3.4.3.3 CONSTRUÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Meirelles (1996) questiona ainda, quando a obra é executada diretamente pela
Administração Pública centralizada ou descentralizada, a responsabilidade civil fixa-
se na entidade que a realiza, bastando que o lesado demonstre o nexo causal entre
a obra e o dano; mesmo quando a obra é confiada a construtor particular a respon-
sabilidade é inafastável da Administração, e por disposição constitucional (CF/88,
art.37,6º) torna-se dispensável – e até mesmo vedado, o chamamento do construtor
na ação indenizatória do particular contra a Administração, não se negando o direito
regressivo de responsabilizar o construtor particular que, culposamente, causar danos
a vizinhos ou terceiros na execução de obra pública – responde o construtor particular
quando obrar por culpa, podendo ser feita depois de indenizado o particular lesado.
Grandiski (2001) traz à luz que quando o poder público causa prejuízos a
terceiros, pode ser responsabilizado*
33
*
34.
3.4.3.4 MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DEPOSITADOS
Há ainda o caso quando o dano é causado a vizinhos ou terceiros por ato
culposo do construtor particular, relacionado com a obra, mas não constante do
projeto, nem imposto pelo contrato – como exemplo o transporte e o depósito
de materiais, ou a instalação do canteiro de obras, a vedação ou sinalização
do local, a responsabilidade é originariamente do construtor e subsidiariamente
da Administração, onde o lesionado deve dirigir-se contra o construtor ou em
conjunto com a Administração.
3.4.4 ÉTICO-PROFISSIONAL
Além das responsabilidades contratuais e legais, a construção em geral pode
gerar responsabilidades ético-profissional para o autor do projeto, para seu exe-
cutor, para os fiscais e consultores.
Meirelles (1996) acrescenta que essa responsabilidade deriva de imperati-
vos morais, de preceitos regedores do exercício da profissão e do respeito mútuo
entre profissionais e suas empresas.
O desrespeito aos preceitos éticos consignados no respectivo Código de Ética
Profissional (Resolução CONFEA – Conselho Federal de Engenharia, Arquitetu-
ra, Agronomia e Geociências de 06.11.2002 – Capítulo 7, da Infração Ética,
arts. 13 e 14) é punido com uma das sanções previstas no art.72 da Lei
5.194/66 – que regula o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto,
Agrônomo e Geotécnicos.
3.4.4.1 FALTAS ÉTICAS
As faltas éticas podem assumir as mais variadas formas, merecendo desta-
que, onde menciona Meirelles (1996):
3.4.4.2 O PLÁGIO DE PROJETO
Que consiste na cópia de concepção de outro profissional com modificações
de detalhes que apenas visam a dissimular a reprodução, nem mesmo com o
intuito de “aprimorar” o projeto poderá outro profissional modificá-lo, sem auto-
rização do autor – Lei de Direitos Autorais – LDA 9.610/98, art 49; art 18 da
Lei 5.194/66 e art 621 do Código Civil.
3.4.4.3 A USURPAÇÃO DE PROJETO
Cópia de concepção de outro profissional reproduzido na íntegra, sem auto-
rização do autor.
3.4.4.4 A ALTERAÇÃO DE PROJETO
Caracterizada pela introdução de modificações na concepção original sem
prévia aquiescência do seu autor, que podem tipificar o crime de violação de di-
reito autoral (CP, art.184 e Lei 9.610/98 – Lei de Direitos Autorais – LDA *
35
.
33
2º TACIVIL – Ap. c/ Rev. 478.655 – 11ª Câm. – Rel. Juiz Clovis Castelo – J. 03.03.1997: Responsabilidade civil – Danos em
prédio urbano. Estouro da rede de água – Infiltração no imóvel – Indenização – Cabimento – Ônus da empresa prestadora de serviço
público ( artigo 37, parágrafo 6º da Constituição Federal ). Demonstrado que em decorrência de estouro de rede de água houve
infiltração no imóvel, provocando recalque das fundações e trincas, compete à empresa que exerce a função pública delegada,
ressarcir os danos causados.
34
Decisão do STF no RE 113587-5-SP, DJU 3.3.92, RT 682/239; v. III, fls. 3 a 6: Desvalorização por ruído de viaduto. É devida
indenização pela desvalorização de imóvel lindeiro ao viaduto Ary Torres, em São Paulo, decorrente de sua construção, situada a
40m de distância, pelo aumento do ruído até devassar a residência do piso mais elevado do viaduto.
35
Revista dos Tribunais 605, p. 194 e reforma de sentença do TJSP, em voto do Ministro Francisco Rezek, transcrito em GRANDISKI
( 2001 ): “Tal como o eminente Relator, dou por configurado o dissídio. Embora os fatos não sejam idênticos no caso concreto e
no paradigma, a questão jurídica nuclear é uma só, num e noutro caso. Cuida-se de saber qual a conseqüência do uso indevido da
produção intelectual ou da produção artística – como quer que se qualifique o projeto arquitetônico. O equívoco do Tribunal de Jus-
tiça, neste caso, consistiu em admitir que um ato ilícito possa ser encarado como mero equívoco praticado em boa-fé, e penalizado
com a simples cobrança de honorários à base da tabela. Ora, os honorários da tabela são aquilo que se paga ao arquiteto quando se
encomenda a ele um projeto e, com lisura e honradez, se recebe dele o projeto contra a remuneração singular de seu trabalho.”
Responsabilidade na Construção Civil 62 63
3.4.5 TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA
Todas aquelas que resultam das relações de trabalho entre o empregador –
pessoa física ou jurídica, e seus empregados, unicamente pessoas físicas.
Incluem-se os salários e adicionais, os demais direitos do trabalhador (fé-
rias, aviso-prévio, indenizações etc.), como também, os encargos acidentários
e previdenciários, atribuídas legalmente ao construtor (Lei 2959 / 1956 – Con-
trato Individual por obra) e a satisfazê-las no devido tempo.
Meirelles (1996) acrescenta que o engenheiro ou arquiteto, como firma de
Engenharia, de Arquitetura ou de Agronomia que mantém empregados para o
exercício da profissão ou para execução de obra particular ou pública, são em-
presa, com todos os encargos decorrentes dessa situação legal.
Ainda conclui que, se antes o proprietário não era solidariamente responsá-
vel com o construtor pelos encargos salariais, acidentários e previdenciários dos
empregados da obra, agora o é, por força do disposto nos arts 30, VI, VII e VIII
e 33, 4º da Lei 8.212/91 – Lei da Seguridade Social.
Grandiski (2001) reforça que é importante salientar que o engenheiro da
obra não pode transferir sua responsabilidade ao mestre de obra ( ... )*
36
. A pro-
pósito da caracterização da previsibilidade de eventos na construção e possível
acidente com morte que pudesse ser classificada como crime culposo ( ... ), por
não cumprirem normas de segurança*
50
e higiene do trabalho.
3.4.5.1 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Em especial situação, na posição de “empresa construtora” coloca-se a Ad-
ministração Pública quando executa suas obras diretamente por seus órgãos ou
entidades e com seu pessoal, suportando todos os encargos e responsabilidades
que caberiam ao construtor particular.
Quando, porém, contrata a construção com empresa habilitada a construir,
mantém-se na situação de simples dono da obra e só responde pelas obrigações
que lhe são inerentes.
A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos
encargos previdenciários resultantes da execução do contrato (Lei 8.212/91,
art.31- Lei da Seguridade Social), mas não responde pelos encargos trabalhistas
do contratado (Lei 9.032/95, art. 4º, 2º que dispõe sobre o salário-mínimo).
3.4.6 DOS FORNECIMENTOS
Pelo pagamento dos materiais fornecidos para a construção, pode ser de
responsabilidade do construtor ou do dono da obra, ou de ambos, conforme a
modalidade do contrato, melhor detalhado a seguir.
3.4.6.1 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA
(CC/2002, arts.610 a 626)
Meirelles (1996) acrescenta ainda que na construção por empreitada há que
distinguir, ainda:
3.4.6.1.1 EMPREITADA DE LAVOR
( CC/2002, art.610 )
Em que o construtor/empreiteiro só concorre com seu trabalho, não tendo
qualquer responsabilidade pelo fornecimento dos materiais; e,
3.4.6.1.2 EMPREITADA DE MATERIAIS
(CC/2002, art.611)
Em que o construtor / empreiteiro entra com o trabalho e a matéria-prima,
respondendo integralmente perante o fornecedor, por seu pagamento, e perante
o proprietário, por sua qualidade e adequação à obra.
O art.617 complementa ainda que os materiais que recebe e os inutiliza na
aplicação por imperícia ou negligência, será obrigado a pagar.
3.4.6.1.3 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA
Presume-se legalmente conhecido de todos aqueles que entretêm negócios
com as partes, e, portanto, se sujeitam ao convencionado no ajuste, no que
36
Apelação n.º 646.325/3, julgado 19/12/1991 – 7ª Câm. TACRIM/SP – Relator: Luiz Ambra, RJDTACRIM 13/84: Homicídio
culposo – Construção civil – Responsabilidade exclusiva do mestre de obra – Inocorrência – Entendimento – Inteligência: Art.
121, parágrafo 3º do Código Penal, Art. 13, parágrafo 2º do Código Penal, Art. 121, parágrafo 4º do Código Penal. Inadmissível
atribuir-se ao mestre de obras a responsabilidade por homicídio culposo ocorrido em construção civil, sendo esta pertencente ao
Engenheiro Civil que não providencia itens de segurança, não podendo invocar este que visita a obra uma vez por dia, pois o
“mestre” cumpre determinações do Engenheiro, podendo, em tese ser igualmente co-responsabilizado, não afastando, no entanto,
o responsável primário pela omissão.
50
TASP, RT 209/363, 236/357, 237/555.
Responsabilidade na Construção Civil 64 65
tange ao pagamento dos materiais adquiridos para a obra, quando o contrato
de empreitada seja firmado por escritura pública ou por instrumento particular
devidamente transcrito no Registro de Títulos e Documentos, para prova e vali-
dade perante terceiros (Lei de Registros Públicos 6.015/73, art.127,I).
Caso o contrato de empreitada de materiais não for regularmente registrado
ou constar de escritura pública, subsiste a responsabilidade conjunta e solidária
do proprietário e do construtor pelos materiais adquiridos para a obra, uma vez
que ambos são beneficiários da construção e, nessa qualidade, devem suportar
os encargos econômicos do empreendimento perante aqueles que concorrem
para a sua execução e valorização*
37
.
3.4.6.2 CONSTRUÇÃO POR ADMINISTRAÇÃO
Na construção por administração a responsabilidade pelos materiais for-
necidos à obra é normalmente do proprietário que os adquire*
38
, visto que o
construtor-administrador não assume pelo contrato os encargos econômicos do
empreendimento.
Limita-se a executar a obra, em conformidade com o projeto aprovado e com
a técnica adequada, aplicando os materiais que lhe são entregues pelo dono da
construção, embora por ele escolhidos ou indicados ao proprietário*
39
.
3.4.6.2.1 RESPONSABILIDADE DA COMPRA DE MATERIAIS DE CONSTRU-
ÇÃO
Reforça Meirelles (1996) que, se, ao revés, o construtor-administrador ad-
quiriu pessoalmente os materiais, e assinou notas, faturas ou duplicatas em
nome próprio, solidariza-se com o proprietário pelo pagamento do preço das
mercadorias destinadas à obra.
3.4.6.2.2 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA
Seguindo o mesmo raciocínio e princípio do capítulo anterior, quando da
ausência de registro ou de escritura pública do contrato de construção por ad-
ministração, subsiste a responsabilidade conjunta e solidária do construtor e do
proprietário pelos materiais aplicados na obra.
3.4.6.2.3 RESPONSABILIDADE DO RECEBIMENTO DOS MATERIAIS DE
CONSTRUÇÃO
Recebido o material na obra pelo construtor-administrador ou por seus pre-
postos, surge a obrigação do pagamento do preço, por perfeita e acabada a
compra e venda de efeitos móveis (CC/2002, art.611).
Meirelles (1996) aponta que a razão de ser da responsabilidade solidária
é o benefício conjunto que ambos auferem na construção, e o fundamento da
ação de cobrança do fornecedor é o enriquecimento sem causa, decorrente da
valorização do empreendimento com o emprego do material em débito.
3.4.6.3 CONSTRUÇÃO POR TAREFA
Na construção por tarefa, os materiais podem ficar a cargo do dono da obra
ou do construtor-tarefeiro, e, consequentemente, a responsabilidade pelo seu
fornecimento será daquele ou deste, conforme o ajustado.
Meirelles (1996) acrescenta ainda que, quanto à qualidade e adequação
dos materiais à obra, é de se repetir que o construtor-tarefeiro, como técnico e
profissional da construção, será sempre responsável pelo seu emprego, devendo
recusá-los quando comprometam a perfeição ou a segurança da obra, podendo
pedir judicialmente a rescisão de contrato, por inadimplência do ajustado, com
as perdas e danos que forem devidas.
3.4.7 DOS TRIBUTOS
Meirelles (1996) traduz que os encargos incidentes sobre a atividade da cons-
trução (impostos, taxas e contribuições – ISS Imposto sobre Serviços; PIS Plano
de Integração Social etc) é, em princípio, de responsabilidade do construtor, pes-
soa física ou jurídica, que executa a obra, e subsidiariamente do dono da obra.*
40

Se executado por órgão público, responde sobre todos os encargos tributários.
Além desses tributos, os profissionais e empresas de construção civil ficam
sujeitos, como as demais empresas, a todas as imposições fiscais e parafiscais
incidentes sobre o estabelecimento, o material ou trabalho empregado na obra,
independentemente de qualquer cláusula contratual, porque tais responsabili-
dades decorrem da lei, e não do contrato.
37
TJSP, RT 243/185, 249/177, 269/383, 278/586; TASP, RT 250/451, 274/636, 290/358.
38
TJSP, RT 135/360; TASP, RT 230/360.
39
Não devemos confundir contrato de construção por administração com contrato de fiscalização de construção, pois que aquele visa
à execução material da obra e este à prestação de serviços profissionais consistentes na verificação técnica da execução do projeto.
O construtor por administração, em certos casos, como já vimos, responde pelo pagamento dos materiais adquiridos para a obra; o
engenheiro ou arquiteto-fiscal nenhuma responsabilidade tem pelo pagamento dos materiais empregados na construção.
40
TFR, Súmula 126.
Responsabilidade na Construção Civil 66 67
3.4.8 ADMINISTRATIVA
Meirelles (1996) conclui que podem incidir os profissionais e as firmas de projeto,
consultoria ou construção que desatendam às exigências legais do Poder Público, ou
às normas regulamentadoras dessa atividade, expedidas pelo CONFEA – Conselho
Federal de Engenharia, Arquitetura, Agronomia e Geociências, ou pelo CREA – Con-
selho Regional de Engenharia, Arquitetura, Agronomia e Geociências competente.
Enquanto que a responsabilidade civil provém de lesão ao patrimônio de outrem,
a responsabilidade administrativa origina-se simplesmente de atentado ao interesse
público (pagamento das anuidades, à colocação de placa nas obras que projetam
ou executam, ao acobertamento de trabalhos de pessoas inabilitadas, à conduta
técnica e ético-profissional no desempenho de suas atribuições e atividades).
Desde a apresentação do projeto até sua final execução, fica o construtor res-
ponsável perante as autoridades públicas competentes pela adequação da obra às
exigências sanitárias e de segurança, e até mesmo de estética e funcionalidade.
Grandiski (2001) traduz ainda que os profissionais ligados à área de cons-
trução, devem atender às restrições técnico-legais impostas pelas legislações
federais, estaduais e municipais, autarquias e órgãos públicos encarregados de
disciplinar atividades específicas.
Estas exigências implicam no atendimento do disposto nos Códigos de Zo-
neamento, Códigos de Edificações, Códigos Sanitários, Regulamentos Profissio-
nais, Planos Diretores e outros, que impõem condições e criam responsabilida-
des assumidas intrinsecamente pelos profissionais, que podem ser punidos pela
desobediência.
Conforme o Código Civil Brasileiro, o profissional não pode alegar desconhe-
cimento da existência da lei, decreto, regulamentação, norma técnica etc., para
se isentar de sua aplicação.
3.4.8.1 DO AUTOR DO PROJETO
Quanto ao autor do projeto, sua responsabilidade administrativa perante o
Poder Público cessa com a aprovação de seu trabalho, mormente a imposição
de modificações do projeto originário em ajuste às exigências técnicas e legais
da obra projetada, do qual tem a obrigação de realizar as adaptações necessá-
rias à aprovação, sem o que não se considera concluído o projeto e findos os
seus encargos profissionais perante o proprietário da obra, não se admitindo, do
ponto de vista ético, que outro profissional passe a alterar o projeto alheio, sem
a autorização do autor, bem frisa MEIRELLES (1996).*
41
Grandiski (2001) alerta ainda que, em caso dos arquitetos, onde após apro-
vado o projeto, o cliente exige a modificação do tamanho do banheiro, mesmo
alegando que paga os honorários e respectivos custos do refazimento do projeto.
O arquiteto sabe que é possível aprovar essa modificação junto à Prefeitura, mas
essa interferência irá afetar a qualidade do projeto, pois o quarto (área de ocupação
permanente) será diminuído (razão técnica, mas de foro íntimo, pois permitida pelo
Código de Obra do município). A solução do problema fica a critério do arquiteto,
que na aplicação da Lei dos Direitos Autorais – LDA (Lei 9.610/1998), pode optar
pela aplicação do art.24, inc.IV: “( ... ) opondo-se a quaisquer modificações ...”, ou
do art. 26: “( ... ) repudiar a autoria de projeto arquitetônico alterado sem o seu
consentimento durante a execução ou após a conclusão da construção”.
Complementa ainda, que o texto do art.22 da Lei 5.194/66, que regula
o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto, Engenheiro Agrônomo e
Geotécnicos, deixa claro o direito assegurado aos projetistas, inclusive das es-
truturas, de fiscalizarem a execução de seus projetos, mas sem lhes assegurar
o direito de remuneração por este serviço adicional, que deveria constar como
cláusula adicional nos respectivos contratos de prestação de serviços.
3.4.8.2 DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS
As sanções administrativas normalmente escalonam-se em:
- Multa;
- Embargo de obra;
- Interdição de atividade;
- Suspensão temporária do exercício prossional;
- Cancelamento denitivo do registro;
- Faltas éticas, com advertência reservada ou censura pública (Lei 5.194/66, arts.71 e 72).
Não tendo natureza penal, podem recair tanto sobre a pessoa física do pro-
fissional da Engenharia ou da Arquitetura, como sobre a pessoa jurídica de
sua empresa, sendo suportadas quer pelo autor da infração, quer por seus
sucessores na obra ou na empresa, mas não se transmitem ao proprietário nem
à Administração contratante, desde que o contrato tenha sido celebrado com
firma ou profissional legalmente habilitado.
41
2 º TACIVIL – Ap. c/ Rev. 538.631 – 11ª Câm. – Rel. Juiz Carlos Russo – J. 28.09.1998: Danos em prédio urbano. Arquiteto con-
tratado apenas para elaborar projeto da obra. Execução da construção, a cargo de terceiro, sob responsabilidade dos proprietários.
Nenhuma participação do autor do projeto na fiscalização e execução da edificação. Prejuízos que não lhe podem ser imputados.
Assinatura na planta, exclusivamente para o efeito de viabilizar a respectiva aprovação. Inexistência da causalidade lesiva, impu-
tável ao projetista. Demanda improcedente. Apelo provido.
Responsabilidade na Construção Civil 68 69
3.4.9 DO DESABAMENTO
É admitido a responsabilidade dos proprietários quanto aos danos causados
por desabamento ou desmoronamento de obra – ver com maior detalhe em
capítulo mais adiante, sob o título: DO CÓDIGO PENAL; ressalvando que o
direito do proprietário de regressar a ação, posteriormente, contra o profissional
responsável técnico pela execução da obra, se este agiu com negligência, impe-
rícia ou dolo*
42
. Ver ainda, em tópico posterior desta obra literária – “ESTUDO
DE CASOS – DESABAMENTO”, com suas principais causas.
3.4.9.1 TRIPLA FINALIDADE DE PUNIÇÃO E REFLEXOS NOS DIFERENTES
RAMOS DO DIREITO
Grandiski (2001) relata que na área de construção civil, podem ser citadas as se-
guintes ocorrências incrimináveis, desde que se caracterize perigo à vida ou à proprie-
dade, sendo irrelevante o fato de ter havido lesão corporal ou dano material: ( ... ).
Meirelles (1996) especifica que é uma responsabilidade penal e resultante
do cometimento de infração definida como crime ou contravenção, sujeitando
o autor e o coautor (todo aquele que, de qualquer modo, concorre para o crime
– CP, art.29) – unicamente pessoas físicas, a sanções de natureza corporal (
reclusão, detenção, prisão simples), pecuniária (multa) ou restritiva de direito,
não se transmitindo aos sucessores e resultando a obrigação de indenizar o
dano causado pelo infrator (CP, art.91,I e CPP, art.63), imposta pelo poder pu-
nitivo do Estado, com a tríplice finalidade intimidativa, retributiva e de defesa
social, diversamente da responsabilidade civil, que é um encargo de ordem
privada, visando tão somente à reparação patrimonial do lesado*
43
, podendo
haver cumulação da responsabilidade penal com a administrativa e com a civil,
mas cada uma independente da outra e apurável em processo autônomo.
3.4.9.2 DO CÓDIGO PENAL
Meirelles (1996) acrescenta que o Código Penal prevê duas modalidades de
crimes de desabamento – por ação dolosa ou culposa, em se tratando de:
a) Queda de construção por desequilíbrio ou ruptura dos elementos de
sustentação
*44
ou desmoronamento – destruição de obra da natureza;
Para que artífices e operários respondam por autoria ou co-autoria no desa-
bamento ou desmoronamento da obra, impõe-se demonstrar que agiram com
culpa na execução dos trabalhos a seu cargo, ou que descumpriram ordens do
profissional que a conduzia.
Fiscal de obra – engenheiro ou arquiteto, responde penalmente pelo des-
moronamento ou desabamento, em coautoria com o construtor, uma vez que a
causa do evento criminoso passou pelo crivo de sua fiscalização.
b) De realização humana, por desagregação ou deformação de suas estru-
turas, como ocorre nos morros e aterros que se esboroam*
45
.
3.4.9.2.1 DA ATITUDE DOLOSA
Meirelles (1996) frisa que agir dolosamente é propiciar, por ação ou omissão intencional, a queda de construção
ou de partes do solo, expondo a perigo direto a vida, a integridade física ou o patrimônio de alguém.
Exemplo são os que executam ou ordenam demolição por meio violentos (com dinamite, solapamento de alicer-
ces, etc.), caracterizando o dolo direto*
46
.
Aquele que realiza trabalhos em outra obra, provocando o desabamento de construção vizinha, em razão de
abalo, recalques, inltrações ou escavações, caracteriza o dolo eventual.
3.4.9.3 CASO PARTICULAR DA IMPLOSÃO DE CONSTRUÇÃO
Meirelles (1996) relata que em caso de adotar-se a técnica da implosão
(modalidade de demolição – não é antijurídica), ou seja, da destruição de edi-
fícios mediante explosões combinadas de seus elementos de sustentação, de
modo a fazer com que a estrutura destruída convirja para o centro e caia sobre
si mesma e que as partes destacadas não ultrapassem uma determinada área.
42
GRANDISKI ( 2001 ) relata sobre a decisão do 2º TACSP – Ap. 497902-00/0 – 11ª Câm. – Rel. José Malerbi – J. 24.11.1997,
RT 751/305: “Os donos da obra, os autores do projeto e os responsáveis pela execução do edifício em construção que desmoro-
nou respondem solidariamente pelos danos que culposamente causaram aos prédios vizinhos, devendo a indenização ser a mais
completa possível, com a reposição dos danos materiais emergentes e inclusive danos morais”.
43
Vicente de Paulo, Vicente de Azevedo, Crime – Dano – Reparação, São Paulo, 1943, p. 250; A.L. Câmara Leal, Dos Efeitos do
Julgamento Criminal, São Paulo, 1930, p.172.
44
TACivRJ – Ac. unân. 6ª Câm. Cív. em 18-6-96 – Ap. 2359 – Rel. Juiz Odilon Gomes Bandeira: Condomínio – Desabamento de
marquise – Responsabilidade – Responde o condomínio, a título de dono do edifício, pelos danos resultantes da sua ruína, parcial
ou total, se esta provier da falta de reparos, cuja necessidade era manifesta. Não se desvincula ele dessa responsabilidade, ainda
que tenha contratado firma especializada em demolições, se esta, ao se desincumbir do encargo, não se cercou das cautelas
devidas para evitar a ocorrência dos danos reclamados. Há, sem dúvida, relação de preposição entre o condomínio e a empresa
contratada, porquanto esta última funcionou ad instar de longa manus daquele, ao executar ato que lhe incumbia fazê-lo. Culpas
in eligendo ac in ommittendo devidamente caracterizadas, a ensejarem o dever de ressarcir.
45
Do termo “esboroam”, AURÉLIO, página 549, 2., explica: “(...). Desmoronar”.
46
GRANDISKI ( 2001 ) descreve em sua obra literária sobre a decisão do STJ - 2ª turma – Relator responsável: Ari Pargendler – J.
20.05.1996. Rep. IOB Jurisprudência. 17/96, p. 296 e RT 734/255.: “O proprietário da obra responde solidariamente com o
empreiteiro pelos danos que a demolição do prédio causa ao imóvel vizinho”.
Responsabilidade na Construção Civil 70 71
Possui sempre o risco de vida ou de dano, mas não caracteriza o crime de
desabamento nem o de explosão.
Responderá, se ocorrer morte ou lesão corporal de alguém, por esses crimes;
se houver danos materiais à propriedade alheia, não haverá crime, por ausência
de dolo, mas o executor e o dono da obra implodida estarão sujeitos à responsa-
bilização civil (indenização).
3.4.9.4 DA QUEDA DE MATERIAL OU FERRAMENTAS DE CONSTRUÇÃO
Meirelles (1996) discorre ainda que, decorrente de queda de material ou
ferramentas da construção, situação penal da lesão culposa ou do homicídio
culposo, a responsabilidade é do artífice ou operário que deu causa ao evento,
e o construtor só responderá por co-autoria se se provar que concorreu com a
culpa na condução da obra, de modo a propiciar o acidente.
Do art.17 do Código de Defesa do Consumidor – CDC, traduz que se equi-
param aos consumidores todas as vítimas do evento, querendo dizer que, inde-
pendentemente de culpa ( responsabilidade objetiva ), deverão ser indenizadas
todas as vítimas que tiverem afetada sua saúde ou segurança, como é o exem-
plo de empregados de subempreiteiras, transeuntes ou vizinhos atingidos por
materiais caídos da obra, como bem relata Grandiski (2001).
FONTE: PELACANI ( 2006 ) – Vista de edifício em
execução com bandejas de segurança instaladas.
3.4.9.4.1 DO PERIGO EVENTUAL
Meirelles (1996) traz à luz a questão da contravenção de desabamento,
distinguindo do crime, bastando a possibilidade de perigo, também denomi-
nado perigo eventual, não se exigindo a comprovação de dolo ou culpa, sendo
suficiente a voluntariedade da ação ou omissão que provocou o evento delituoso
(Lei das Contravenções Penais – Dec– lei 3.688/41, zrt.3º).
Abrange estes princípios de contravenção de desabamento quem provoca a
queda, total ou parcial de construção, ou obra tanto em fase de realização como
já concluída.
Exemplo: se numa rua movimentada, alguém provoca desabamento incon-
trolado, cometerá crime – houve perigo concreto para as pessoas e veículos que
transitavam pelo local; se, porém, provocar esse mesmo desabamento em horas
ermas, incidirá apenas na contravenção – não existiu perigo concreto, dado que
havia sempre a possibilidade de que alguém passasse pelo local na ocasião.
3.4.9.5 DO ESTADO DE RUÍNA DA CONSTRUÇÃO
Meirelles (1996) adverte que além da contravenção de desabamento, já
comentado no tópico anterior, a mesma lei define a contravenção de perigo de
desabamento, configurado pela só omissão das providências – reparos ou de-
molição, exigidas pelo estado ruinoso da obra.
Conceitua-se ruína de uma estrutura, quando se dá a ruptura de um de seus
elementos ou quando estes se deformam além de um certo limite compatível
com a finalidade da estrutura.
Também se pode atingir aquela ruína quando a solicitação da estrutura for
de tal intensidade que à sua forma primitiva deixe de corresponder um equilíbrio
estável, o qual passa a ser instável, dando-se a flambagem*
47
da estrutura ou
de seus elementos*
48
, que presume sempre perigoso, pela potencial possibili-
dade de desabamento ou desmoronamento.
3.4.10 DA CONSTRUÇÃO CLANDESTINA
Assim considerada por Meirelles (1996) a obra realizada sem licença, é uma
atividade ilícita, por contrária à norma edilícia que condiciona a edificação à
licença prévia da Prefeitura.
Quem a executa sem projeto regularmente aprovado, ou dele se afasta na
execução dos trabalhos, se sujeita à sanção administrativa correspondente.
47
Do termo “flambagem”, AURÉLIO, página 633, 2., explica: “Encurvadura a que estão sujeitas peças de uma estrutura ( tais como
colunas e pilares ) que trabalham por compressão e devida a esbeltez das peças”.
48
Van Langendonck, Telêmaco, Curso de Mecânica das Estruturas: Resistência dos Materiais – Tensões, São Paulo, 1956, p.120.
Responsabilidade na Construção Civil 72 73
3.4.10.1 RESPONSABILIDADE DO CONSTRUTOR OU DO PROPRIETÁRIO
Se decorrer prejuízos patrimoniais, responderá, em regra, o proprietário, mas
com ele pode solidarizar-se o construtor que se prestar à execução.
O proprietário responde também pelas obras clandestinas feitas pelo inquilino*
49

e até mesmo por intrusos*
50
,uma vez que lhe incumbe, como dono, velar pelo
prédio locado, desocupado ou baldio; pela atividade ilícita da obra clandestina,
é sempre passível de embargo pelo dono do prédio, pelo Poder Público ou pelos
vizinhos, se lesados em seus direitos individuais ou interesses legítimos.
3.4.10.2 DO PROMISSÁRIO COMPRADOR
Quanto à construção clandestina realizada por promissário comprador, MEI-
RELLES ( 1996 ) entende que não atribui responsabilidade ao promitente ven-
dedor, porque a posse do imóvel, neste caso, é transmitida ao futuro dono,
acompanhada do direito de construir, por sua conta e risco, tanto assim que o
Poder Público aceita projetos assinados pelo promissário comprador e instruí-
dos com o contrato de compromisso de compra e venda*
51
.
3.4.10.3 SANÇÕES
Meirelles (1996) relata que as sanções administrativas contra as obras clan-
destinas distinguem-se em:
3.4.10.3.1 MULTA
A todo aquele que realiza obra sem alvará de construção, quando exigido
para os trabalhos, ainda que executados em plena conformidade com as nor-
mas de edificação, ficando o infrator sujeito à regularização do projeto e ao
pagamento de todos os emolumentos do processo respectivo.
3.4.10.3.2 EMBARGO
Podendo ser feito por via administrativa ou judicial, impedindo, prontamen-
te, as atividades particulares ilícitas e contrárias às normas de ordem pública .
3.4.10.3.3 DEMOLIÇÃO
Quando desconforme com as normas de construção – de localização, de estrutu-
ra, altura, volume, funcionalidade ou estética, podendo estar a obra em fase de anda-
mento ou já concluída, cujas despesas de demolição ao encargo do infrator *
52
.
3.4.10.4 DAS ADAPTAÇÕES POSTERIORES ÀS NORMAS
Podem ser admitidas e Meirelles (1996) acrescenta ainda que, se a constru-
ção clandestina admitir adaptações às exigências legais, deverá ser conservada,
desde que o interessado as satisfaça no prazo concedido e nas condições técni-
cas determinadas pela Administração, ou pela Justiça na ação pertinente *
53
.
3.4.11 DA FISCALIZAÇÃO MUNICIPAL
Grandiski (2001) ressalta que o poder de polícia da Prefeitura se limita
ao exame da adequação do projeto às posturas municipais e verificação da
exatidão de sua execução ao que foi licenciado, não lhe cabendo fiscalizar a
execução material da obra, conforme o que decidiu o Tribunal de Justiça do Rio
de Janeiro*
54
.
49
TJSP, RT 231/296; TASP, RT 200/505.
50
TASP, RT 209/363, 236/357, 237/555.
51
TJSP, RT 132/255.
52
GRANDISKI ( 2001 ) colabora em sua obra literária com: REsp 48001-PE, DJ 7/4/1997, e REsp 37026-PE, DJ 29/4/1996, REsp
111670-PE, Rel. Ministro César Asfor Rocha, J. 14/3/2000: Obra. Demolição. Logradouro público. A construção clandestina em
logradouro público está sujeita à demolição, não tendo o invasor de má-fé direito à retenção, nem à indenização pelo município de
eventuais benfeitorias. Precedentes citados.
53
TJSP, RT 137/614, 189/296 e 690; 1º TACivSP, RT 201/409, 288/691.
54
Processo 2000.001.07017 TJRJ – Responsabilidade civil do município. Exercício do poder de polícia. Fiscalização de cons-
truções. Limites. Muito embora incumba ao município o exercício do poder de polícia pela fiscalização das construções, este se
limita ao exame da adequação do projeto as posturas municipais e da exatidão de sua execução ao que foi licenciado, escapando
a órbita de sua atividade administrativa a fiscalização da execução material da obra, controle que, por estar afeto ao exercício da
profissão de engenharia, cabe aos respectivos conselhos profissionais. Sob este prisma, não tem o município dever de indenizar
danos causados ao morador por interdição provisória da edificação em razão de defeitos verificados em sua construção, questão de
responsabilidade civil que se resolve por aplicação do artigo 1246 do Código civil, prevalecendo a responsabilidade do empreiteiro.
Pretensão indenizatória improcedente. Recurso do município provido para reformar a sentença que o condenara a indenizar os
autores por dano moral.
Responsabilidade na Construção Civil 74 75
Capítulo VI
DA ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE NA CONSTRUÇÃO
Existem causas que retiram a ilicitude da conduta e isentam o autor de
qualquer responsabilidade.
Meirelles (1996) menciona que a lei declara que não constituem atos ilíci-
tos e não geram responsabilidade alguma, liberando o devedor do cumprimento
de suas obrigações, os praticados:
1 EM LEGÍTIMA DEFESA
Usando moderadamente dos meios necessários, causa lesão ao contendor,
no repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem –
CC/2002, art.180, I; CP, arts.23,II e 25;
2 EM ESTADO DE NECESSIDADE
Situação de perigo que obriga alguém a sacrificar bens alheios para evitar
ou livrar-se de um mal maior a fim de remover perigo iminente, caso não tenha
concorrido com culpa para o evento perigoso – CC/2002, arts.188,II e 929; CP,
arts.23,I e 24;
3 EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO RECONHECIDO
Prática normal de faculdade ou atividade concedida por lei, ainda que cause
dano a terceiros, salvo nos casos de responsabilidade objetiva – danos de constru-
ção a prédio vizinho – CC/2002, art.188,I, parte final e CP, art.23, III, parte final;
4 OCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO
Em fato da natureza ainda que cause danos a terceiros, por imprevisibili-
dade e inevitabilidade – salvo se a região não é sujeita a fenômenos físicos de
intempéries – causas geológicas ou hídricas (CC/2002, arts. 393 e 625,II);
5 DE FORÇA MAIOR
Em ato humano e fato necessário (CC/2002, arts. 393 e 625,I) que, por sua
imprevisibilidade e inevitabilidade criem impossibilidade para o cumprimento
de obrigações – greve de transportes ou ato governamental que impeçam a
importação de material ou matéria-prima necessários e insubstituíveis na cons-
trução;
Responsabilidade na Construção Civil 76 77
6 DO FATO NECESSÁRIO À ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE. NÃO
CONFUNDIR COM IMPREVISIBILIDADE
Um exemplo clássico, já ocorrido em outras épocas, foi o de determinada
marca de cimento que não mais se encontrava no mercado da cidade e, só
existia uma segunda com preço bem superior ao da primeira, não constitui caso
de força maior.
Meirelles (1996) reforça e alia-se ao fato necessário, onde os efeitos não
foram possíveis serem evitados ou impedidos.
Caracteriza a imprevisibilidade, não devendo ser confundido com a imprevi-
são do fato necessário, que em sendo de efeito contornável, mesmo que mais
onerosos, não constituindo motivo da liberação de obrigações.
Em situação inevitável, mas de efeitos contornáveis, mesmo que mais one-
rosos, também não constitui motivo de força maior.
Como já vimos em tópico anterior, e, bem alertado por Meirelles (1996),
da responsabilidade contratual o construtor só se libera cumprindo fielmente
o contrato ou demonstrando que a sua inexecução total ou parcial, deveu-se a
caso fortuito ou força maior.
Fora dessas hipóteses, sujeitar-se-á à indenização devida*
55
, devendo cobrir
os prejuízos ocasionados à parte inocente – perdas e danos – lucro cessante
– aluguéis e valorização do prédio – multa contratual - correção monetária –
custas judiciais – honorários de Perito e Advogado - CC/2002, arts.402,403 e
404 e CPC, art.20.
6.1 DO DESGASTE NATURAL OU FALTA DE MANUTENÇÃO
Exceção, ainda, de isenção de responsabilidade deve ser mencionada, quan-
do o defeito ou vício construtivo ocorreu devido ao desgaste natural pelo tempo
ou por falta de manutenção do prédio.
Grandiski (2001) destaca conclusão em congresso (Painel 2 – 4º Congresso
Brasileiro de Direito do Consumidor, Gramado, 08 a 11.03.1998), publicadas
na revista “Direito do Consumidor”, n.º 26, abr./jun.1998:
Conclusão 3 – “O prazo de garantia pela segurança da obra não é mais de
apenas 5 ( cinco ) anos, como previsto no art.618 do Código Civil, mas sim por
todo o período de durabilidade razoável da construção. Nesse período, ocor-
rendo o acidente, o incorporador / construtor só afastará o dever de indenizar
se provar que a obra não tinha defeito, ou seja, que o acidente decorreu do
desgaste natural do tempo por falta de conservação do prédio”.
Tratado a definição por Aurélio, p.883 e 368, onde evidencia a distinção
entre manutenção e conservação, respectivamente, a saber:
Manutenção: cuidados técnicos indispensáveis ao funcionamento regular.
Exemplos: troca de lâmpadas, vedantes de torneiras, recolocação de algumas
peças cerâmicas, re-pintura, limpeza inclusive de calhas;
Conservação: cuidados técnicos para resguardar de dano, decadência, dete-
rioração, prejuízo. Exemplos: troca de esquadrias, torneiras, calhas, condutores,
fiação elétrica, disjuntores e repintura total.
Padaratz (2000) completa o assunto, tratando a manutenção como sendo,
a combinação de ações destinadas a manter um edifício ou suas partes em
condições de uso.
Do termo conservação, é tratado por “recuperação” e o subdivide em outros,
a saber, melhor visualizado, sob o aspecto da influência, em gráfico abaixo:
- Preservação: Manter a estrutura nas suas condições atuais e evitar
progresso na sua deterioração – ver ainda nesta obra literária, Capítulo VII, Item
2.1/3;
- Reabilitação: Reparar ou modificar uma estrutura para um fim específico
de utilização;
- Reparo: Substituir ou corrigir materiais, componentes ou elementos dete-
riorados, danificados ou falhos;
- Restauração: Restabelecer os materiais, forma e aparência de uma estru-
tura que existiam na estrutura numa determinada época;
- Reforço: Aumentar a capacidade de carga de uma estrutura ou parte
dela.
55
TJSP, 132:168: Responsabilidade civil – Proprietário de edifício em construção – Materiais empilhados precariamente atirados por
ventania sobre o telhado de residência vizinha – Ininvocabilidade de caso fortuito ou força maior – Inclusão, ademais, das despesas
com móveis que guarnecem a residência, danificados por goteiras – Recurso provido.
Responsabilidade na Construção Civil 78 79
Fonte: PADARATZ (2000) - Inuência da
manutenção e recuperação no desempenho
da construção civil.
Maia Lima & Pacha (2005), em valiosa obra literária, relatam, que em rela-
ção a recuperação dos problemas patológicos, Helene (1992) afirma que: “as
correções serão mais duráveis, mais efetiva, mais fáceis de executar e muito
mais baratas quanto mais cedo forem executadas”.
A demonstração mais expressiva dessa afirmação é a chamada “Lei de Sit-
ter” que mostra os custos crescendo segundo uma progressão geométrica. Di-
vidindo as etapas construtivas e de uso em quatro períodos correspondentes ao
projeto, à execução propriamente dita, à manutenção preventiva efetuada antes
dos primeiros três anos e à manutenção corretiva efetuada após surgimento dos
problemas, a cada uma corresponderá um custo que segue uma progressão
geométrica de razão cinco, conforme indicado na figura 1.
Fonte: MAIALIMA& PACHA(2005), op.cit. SITTER,
apud HELENE ( 1992 ) / g. 1 - Lei de evolução de
custos
Concluem ainda que, toda medida extraprojeto, tomada durante a execu-
ção, incluindo nesse período a obra recém-construída, implica num custo cinco
vezes superior ao custo que teria sido acarretado se esta medida tivesse sido
tomada a nível de projeto, para obter-se o mesmo “grau” de proteção e durabi-
lidade da estrutura.
Um exemplo típico é a decisão em obra de reduzir a relação A/C (água/
cimento) do concreto para aumentar a sua durabilidade e proteção à armadura.
A mesma medida tomada durante o projeto permitiria o redimensionamento
automático da estrutura considerando um concreto de resistência à compressão
mais elevada, de menor módulo de deformação, de menor deformação lenta e
de maiores resistências à baixa idade.
Essas novas características do concreto acarretariam a redução das dimen-
sões dos componentes estruturais, economia de formas, redução de taxa de
armadura, redução de volumes e peso próprio etc. Essa medida tomada a nível
de obra, apesar de eficaz e oportuna do ponto de vista da durabilidade, não
mais pode propiciar alteração para melhoria dos componentes estruturais que
já foram definidos anteriormente no projeto.
6.2 PROVOCADO POR TERCEIROS
Outra situação aventada por Grandiski (2001) é de que se prove que a
origem do problema foi provocada por terceiros (outra obra ao lado, fazendo
rebaixamento de lençol freático, caminhão que derruba pilar de sustentação do
prédio, explosão de artefatos armazenados etc.)*
56
.
Segue, apresentando em sua obra literária, que, se a culpa não for exclusiva do
consumidor, pode-se concluir que teria havido culpa concorrente do fornecedor e, nes-
te caso, mesmo que essa culpa seja por simples omissão de advertência (omissão de
advertência no “Manual do Proprietário”, por exemplo), será considerado culpado.
Exemplo típico desta hipótese, é a do construtor que seria condenado pelos
danos causados ao consumidor pela explosão de aquecedor de acumulação de
água, pelo acionamento de sua resistência elétrica, sem que ele esteja cheio de
água (na ligação inicial, ou logo após a falta de água, ou após eventual refor-
ma). Nesse caso, o ar acumulado no aquecedor se esquenta, aumentando de
volume, como numa panela de pressão. O consumidor deve ter advertido pre-
viamente desta possibilidade no “Manual do Proprietário”; se não constar essa
advertência, haveria culpa concorrente do construtor, que seria condenado.
56
STJ – Agravo 289278/MG ( 2000/0014221-2 ) em 05/05/2000, Ministro Waldemar Zveiter: Ementa: Ação de Indenização.
Responsabilidade objetiva do construtor. Relação de causa e efeito entre o dano e a construção defeituosa. Prova. Imperiosidade.
Imprescindível que se evidencie a relação de causa e efeito entre o defeito de edificação e o dano sofrido pela parte, a teor do art.
12, caput, da Lei n.º 8078/90, sob pena de se afastar a responsabilidade objetiva da construtora, nos termos do parágrafo 3º da
referenciada legislação, principalmente se não se apresentam, no caso concreto, os requisitos necessários a que se estabeleça a
inversão dos ônus da prova, consoante as disposições do art. 6º, VIII, do referenciado texto legal. Recurso adesivo provido, restando
prejudicada a apreciação do apelo.
Responsabilidade na Construção Civil 80 81
Capítulo VII
PATOLOGIA DE EDIFICAÇÕES, FALHAS TÉCNICAS
E DEFEITOS, CASOS PRÁTICOS DE PERÍCIA EM
CONSTRUÇÃO
Grandiski (2001) traz em seu trabalho, que se pode classificar o estudo das
falhas construtivas como uma ciência experimental, que mais recentemente foi
denominada “Patologia das Construções” e envolve profundos conhecimentos
de muitas especialidades, algumas não ensinadas em cursos normais de arqui-
tetura e engenharia. Visto sob este aspecto genérico, o seu estudo é caso de
alta especialização.
Nessa mudança conceitual, os engenheiros perceberam que da mesma for-
ma que um ser vivo, a “saúde” das edificações dependia não só dos cuidados
durante a sua “gestação” (fase do projeto), mas também durante seu “cresci-
mento” (fase da construção), e deveriam permanecer durante o “resto da vida”
(fase de manutenção), sob pena de adquirir “doenças” (manifestações patológi-
cas). A medida que “envelhecem” (fase de degradação), elas podem passar por
enfermidades (processo lento e contínuo de deterioração).
Dessas semelhanças, com os termos usualmente empregados na área da
medicina, nasceu este novo ramo da ciência, designado: “Patologia das Cons-
truções”.
Não obstante, e como em outros ramos da ciência, o engenheiro e arqui-
teto que dominar razoavelmente bem a “Arte de Construir”, poderá prevenir,
entender, diagnosticar e corrigir cerca de 70% (setenta porcento) das “falhas
rotineiras”, que costumam ser repetitivas (...).
Os outros 30% (trinta porcento), podem e devem ser encaminhados aos
especialistas formados nos cursos universitários de pós-graduação, em labora-
tórios, nas empresas especializadas em recuperação de patologias, em alguns
cursos de reciclagem para engenheiros etc.
Responsabilidade na Construção Civil 82 83
1 PATOLOGIA DAS CONTRUÇÕES
“Ciência” que procura, de forma metodizada, estudar os defeitos dos mate-
riais, dos componentes, dos elementos ou da edificação como um todo, diag-
nosticando suas causas e estabelecendo seus mecanismos de evolução, formas
de manifestação, medidas de prevenção e recuperação.*
57
Helene (1988) descreve que os problemas patológicos, salvo raras exce-
ções, apresentam manifestação externa característica, a partir do qual se pode
deduzir qual a natureza, a origem e os mecanismos dos fenômenos envolvidos,
assim como se pode estimar suas prováveis consequências. Esses sintomas,
também denominados de lesões, defeitos ou manifestações patológicas, podem
ser descritos e classificados, orientando um primeiro diagnóstico, a partir de
minuciosas e experientes observações visuais.
Cabe ressaltar, que a identificação da origem do problema permite também
identificar, para fins judiciais, quem cometeu a falha. Assim, se o problema teve
origem na fase de projeto, o projetista falhou; quando a origem está na quali-
dade do material, o fabricante errou; se na etapa de execução, trata-se de falha
de mão de obra e a fiscalização ou a construtora foram omissos; se na etapa de
uso, a falha é da operação e manutenção.
1.1 ORIGENS
1.1.1 EXÓGENA
Grandiski (2001) complementa, que são causas com origem fora da obra
e provocadas por fatores produzidos por terceiros, ou pela natureza, tais
como:
- vibrações provocadas por estaqueamento, percussão de máquinas in-
dustriais, ou tráfego externo;
- escavações de vizinhos (ver ainda estudo de caso no item 2.4 adian-
te);
- rebaixamento de lençol freático;
- influência do bulbo de pressão de fundações diretas de obra de grande
porte em construção ao lado;
- trombadas de veículos e alta velocidade com a edificação;
- explosões, incêndios, acidentes de origem externa (explosões de boti-
jões de gás) etc.;
- variações térmicas, acomodações de camadas profundas, terremotos,
maremotos etc.
1.1.2 ENDÓGENA
Causas com origem em fatores inerentes à própria edificação (ver tam-
bém figura abaixo), e que podem ser subdivididos em:
- falhas de projeto, onde os projetistas deveriam: induzir a utilização de
um único RN (referência de nível) na obra, desde as sondagens, plantas
de arquitetura, estruturais, de instalações etc. prever travamento posi-
tivo no pé das cortinas; não projetar pilares em cantos (impossibilidade
de cravação de estacas); não induzir transições de pilares utilizando as
divisas (possibilidade de alterações no vizinho); prever travamento de
blocos de fundação etc.;
- falhas de gerenciamento e execução (desobediência às normas técni-
cas, ausência ou precariedade de controle tecnológico, utilização de
mão de obra inqualificada);
- falhas de utilização (sobrecargas não previstas no projeto, mudança de
uso);
- deterioração natural de partes da edificação pelo esgotamento da sua
vida útil.
Fonte: HELENE ( 1981 ) - Grá-
co de incidência da origem
dos problemas patológicos
com relação às etapas de pro-
dução e uso das obras civis.
1.1.3 NA NATUREZA
Causas que podem ser falhas previsíveis ou imprevisíveis, evitáveis ou ine-
vitáveis, conforme o caso, e entre as quais se destacam:
57
THOMAZ, Ércio. Trincas em Edificações, PINI, São Paulo.
Responsabilidade na Construção Civil 84 85
- movimentos oscilatórios causados por movimentos sísmicos;
- ação de ventos e chuvas anormais;
- inundações provocadas por chuvas anormais, neve;
- acomodações das camadas adjacentes do solo;
- alteração do nível do lençol freático por estiagem prolongada ou pela
progressiva impermeabilização das áreas adjacentes;
- variações da temperatura ambiente (calor, variações bruscas);
- ventos muito fortes, acima dos previstos em norma técnica.
1.2 ESTATÍSTICAS DE INCIDÊNCIA DAS PATOLOGIAS
Maia Lima & Pacha (2005), traz à luz ainda, a distribuição de incidência das origens das patologias em diver-
sos países, conforme mostra o quadro seguinte:
PAÍS
NÚMERO
DE
CASOS
CAUSAS TIPO DE OBRA
P M E U N R C I H
Inglaterra 510 49 11 29 10 1
Alemanha 1570 40 15 29 9 7
Romênia 432 38 23 20 11 8
Bélgica 3000 49 12 24 8 7
Dinamarca 601 37 25 22 9 7
Iugoslávia 117 34 22 24 12 8
França 10000 37 5 51 7 68 18 14
Espanha 586 41 13 31 11 4 67 20 13
Brasil 527 18 7 52 13 10 29 24 35 12
Fonte: Maia Lima & Pacha, op.cit. CARMONA FILHO & MAREGA e BUENO, apud ARANHA & DAL MOLIN (1994)
- Origem das manifestações patológicas em diversos países.
LEGENDA: causas: P = projeto; M = materiais; E = execução; U = utilização;N= naturais Tipo de obra: R = resi-
dencial; C = comercial; I = industrial; H = hidráulica
Segue comentando, que segundo Aranha & Dal Molin (1994:24): “as fa-
lhas de execução das estruturas podem ser de todo tipo, podendo estar vincu-
ladas à confecção, instalação e remoção das fôrmas e cimbramentos; corte,
dobra e montagem das armaduras e dosagem, mistura, transporte, lançamento,
adensamento e cura do concreto, todas elas relacionadas, principalmente, ao
emprego de mão-de-obra desqualificada ou falta de supervisão técnica”.
Padaratz (2000) trata ainda, das patologias no
Brasil de maior incidência em casas térreas e
apartamentos com idade maior que 8 ( oito ) anos
de construídos e ocupados, a saber:
Fonte: PADARATZ (2000), apud IOSHIMOTO, E. –
I.P.T. – Incidência de manifestações patológicas no
Brasil, de casas térreas com idade maior de 8 (oito)
anos.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) - Laje apresentando con-
creto altamente permeável e manchas de umidade em toda
a superfície, com inltração presente nas proximidades dos
ninhos de concretagem, provocando corrosão e expansão da
seção das armaduras.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) - Inltração e presença de
limo, causadas pela ssuração e permeabilidade excessiva da
laje de concreto (apud, Paulo Barroso Engenharia Ltda. )
Responsabilidade na Construção Civil 86 87
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) - Corrosão nas
armaduras próximas as tubulações, que apresentam
inltrações com desprendimento de concreto.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) - Laje apresen-
tando inltração, provocando a lixiviação do concreto
desencadeando a corrosão das armaduras.
2 ESTUDO DE CASOS
2.1 FALHAS TÉCNICAS
Em valiosa obra literária, Lima & Jorge (2001), destacou e avaliou os prin-
cipais problemas surgidos na fase de projeto e execução na construção civil, e,
para este caso, em obras públicas, com a finalidade de: “ ( ... ) diminuir gastos
orçamentários, sem diminuir a produtividade e a eficiência, aumentando a
qualidade dos bens e serviços adquiridos ou fornecidos, diminuindo, simulta-
neamente seus custos e seus prazos”.
Discorre ainda, que durante a execução da obra houve a necessidade da
realização de alguns serviços não previstos no projeto, a fim de atender às soli-
citações dos usuários e corrigir falhas de projeto, como também para solucionar
conveniências construtivas.
São apresentados quadros (na seqüência), que mostram as “Falhas Técnicas
na Concepção”, “Falhas Técnicas no Projeto”, “Falhas Técnicas na Execução” e
“Falhas Processuais”, com suas causas e procedimentos que deveriam ter sido
adotados para a sua não ocorrência.
As “Falhas Técnicas” ocorrem durante a construção e tem origem na con-
cepção, no projeto e na execução e são motivadas por falta de conhecimen-
to técnico específico e/ou omissão do profissional, e as “Falhas Processuais”
ocorrem em fase pós-construção, e tem origem devido ao desconhecimento e
descumprimento da legislação em vigor.
MAIA LIMA & PACHA (2005) trazem, também detalhado, os termos da
origem das falhas técnicas, a saber:
1 – CONCEPÇÃO (projeto)
Várias são as falhas possíveis de ocorrer durante a etapa de concepção da
estrutura. Elas podem se originar durante o estudo preliminar (lançamento da
estrutura), na execução do anteprojeto, ou durante a elaboração do projeto de
execução, também chamado de projeto final de engenharia.
Apud Souza & Ripper (1998:24) constataram que os responsáveis, princi-
palmente, pelo encarecimento do processo de construção, ou por transtornos
relacionados à utilização da obra, são as falhas originadas de um estudo preli-
minar deficiente, ou de anteprojetos equivocados, enquanto as falhas geradas
durante a realização do projeto final de engenharia geralmente são as responsá-
veis pela implantação de problemas patológicos sérios e podem ser tão diversas
como:
- Elementos de projeto inadequados (má definição das ações atuantes ou
da combinação mais desfavorável das mesmas, escolha infeliz do modelo
analítico, deficiência no cálculo da estrutura ou avaliação da resistência
do solo etc.);
- Falta de compatibilização entre a estrutura e a arquitetura, bem como
com os demais projetos civis;
- Especificação inadequada de materiais;
- Detalhamento insuficiente ou errado;
- Detalhes construtivos inexequíveis;
- Falta de padronização das representações ( convenções ); e
- Erros de dimensionamento.
Padaratz (2000), também complementa, que o projeto de edificações an-
tigas (até a década de 70), era baseado no método de tensões de serviço.
Como resultado, eram mais robustas e por consequência com menor índice
de esbeltez. As estruturas apresentavam pequena deformabilidade e raramente
perceptível nos casos mais comuns.
Responsabilidade na Construção Civil 88 89
Nas últimas décadas, com a introdução do conceito de estados limites úl-
timos, as estruturas foram ficando cada vez mais esbeltas, e, portanto, mais
sujeitas a estados de deformação anteriormente não percebidos.
O projeto de pavimentos esbeltos (lajes finas, poucas vigas e grandes vãos)
implica em elevada sensibilidade a vibrações. O problema piora em pavimentos
onde estiverem instaladas máquinas. As vibrações podem tornar-se incômodas
e causar prejuízos. A verificação da freqüência natural, pode ser necessária para
a definição de espessuras e dimensões de elementos estruturais.
A cultura brasileira não incorpora, via de regra, a necessidade de analisar os
efeitos reológicos
*58
do concreto e do aço, quando se trata de concreto armado,
principalmente no cálculo de flechas. Esses efeitos crescem de importância nas
estruturas mais esbeltas.
Nas construções convencionais, a retirada do escoramento está comumente
associada à obtenção de uma resistência mínima para o concreto. No entanto,
dependendo da idade, o módulo de deformação pode ser o parâmetro mais
importante para a garantia de obtenção de flechas compatíveis com o funcio-
namento da estrutura.
2 – EXECUÇÃO (construção)
A seqüência lógica do processo de construção civil, indica que a etapa de exe-
cução deva ser iniciada apenas após o término da etapa de concepção, com a con-
clusão de todos os estudos e projetos que lhe são inerentes. Suponha-se, portanto,
que isto tenha ocorrido com sucesso, podendo então ser convenientemente iniciada
a etapa de execução, cuja primeira atividade será o planejamento da obra.
Iniciada a construção, podem ocorrer falhas das mais diversas naturezas,
associadas a causas tão diversas como falta de condições locais de trabalho (
cuidados e motivação ), não capacitação profissional da mãodeobra, inexistên-
cia de controle de qualidade de execução, má qualidade de materiais e compo-
nentes, irresponsabilidade técnica e até mesmo sabotagem.
Nas estruturas, vários problemas patológicos podem surgir. Uma fiscalização
deficiente e um fraco comando de equipes, normalmente relacionados a uma
baixa capacitação profissional do engenheiro e do mestre de obras, podem, com
facilidade, levar a graves erros em determinadas atividades, como a implanta-
ção da obra, escoramento, fôrmas, posicionamento e quantidade de armaduras
e a qualidade do concreto, desde o seu fabrico até a cura.
A ocorrência de problemas patológicos cuja origem está na etapa de execu-
ção é devida, basicamente, ao processo de produção, que é em muito prejudica-
do por refletir, de imediato, os problemas sócioeconômicos, que provocam baixa
qualidade técnica dos trabalhadores menos qualificados, como os serventes e
os meio-oficiais, e mesmo do pessoal com alguma qualificação profissional.
3 – UTILIZAÇÃO (manutenção)
Acabadas as etapas de concepção e de execução, e mesmo quando tais
etapas tenham sido de qualidade adequada, as estruturas podem vir a apresen-
tar problemas patológicos originados da utilização errônea ou da falta de um
programa de manutenção adequado.
Ainda, segundo Souza & Ripper (ibid., p. 27), os problemas patológicos,
ocasionados por uso inadequado, podem ser evitados informando-se aos usu-
ários sobre as possibilidades e as limitações da obra, descritos abaixo, por
exemplo:
- Edifícios em alvenaria estrutural – o usuário ( morador ) deve ser infor-
mado sobre quais são as paredes portantes, de forma que não venha a
fazer obras de demolição ou de aberturas de vãos – portas ou janelas
– nestas paredes, sem a prévia consulta e a assistência executiva de
especialistas, incluindo, preferencialmente, o projetista da estrutura;
- Pontes – a capacidade de carga da ponte deve ser sempre informada,
em local visível e de forma insistente.
Os problemas patológicos ocasionados por manutenção inadequada, ou
mesmo pela ausência total de manutenção, tem sua origem no desconhecimen-
to técnico, na incompetência, no desleixo e em problemas econômicos.
Exemplos típicos, casos em que a manutenção periódica pode evitar pro-
blemas patológicos sérios e, em alguns casos, a própria ruína da obra, são a
limpeza e a impermeabilização das lajes de cobertura, marquises, piscinas ele-
vadas e playgrounds, que, se não forem executadas, possibilitarão a infiltração
prolongada de águas de chuva e o entupimento de drenos, fatores que, além de
implicarem a deterioração da estrutura, podem levá-la à ruína por excesso de
carga ( acumulação de água ).
58
Do termo “reológico”, AURÉLIO, página 1216, “Reologia” significa: “Parte da física que investiga as propriedades e o comporta-
mento mecânico dos corpos deformáveis, que não são nem sólidos nem líquidos”.
Responsabilidade na Construção Civil 90 91
1) 2)

3) 4)
Fonte: PELACANI (2008) – 1) Vista da marquise / laje sobre as sacadas do edifício – lado direito que não caiu; 2)
vista de empoçamento de água e ssuras generalizadas sobre a marquise; 3) vista da fachada – à direita, sacadas
que desmoronaram com a queda inicial da marquise sobre a última sacada; 4) vista dos escombros no dia seguin-
te ao desmoronamento das sacadas.
Segundo Aranha & Dal Molin (1994), os procedimentos inadequados duran-
te a utilização podem ser divididos em dois grupos: ações previsíveis e ações
imprevisíveis ou acidentais.
Nas ações previsíveis, podemos compreender o carregamento excessivo,
devido a ausência de informações no projeto e/ou inexistência de manual de
utilização.
No caso das ações imprevisíveis temos: alteração das condições de expo-
sição da estrutura, incêndios, abalos provocados por obras vizinhas, choques
acidentais etc.
Quadro 1 –Falhas Técnicas na Concepção
Falhas Causas Como evitar
1- Troca do tipo de fundação
inicialmente previsto no escopo
da obra. ( fundação direta para
estacas)
À não execução de sondagem
de reconhecimento do terreno
quando da elaboração dos
estudos preliminares.
Elaboração prévia da
sondagem do terreno, a fim
de definir o tipo adequado de
fundação a ser utilizado.
2- Não previsão de urbanização
e arruamento para acesso de
caminhões aos depósitos.
Falta de um minucioso
levantamento das
necessidades junto aos
usuários.
No levantamento das
necessidades devem ser
previstos todos os aspectos
necessários à realização da
obra.
3- Não identificação no projeto,
das redes existentes para
ligação de água e esgoto do
prédio.
Falta de um levantamento
preliminar das redes
existentes.
Na elaboração dos projetos
devem estar definidos todos
os pontos para execução da
obra.
Responsabilidade na Construção Civil 92 93
Quadro 2 – Falhas Técnicas no Projeto
Falhas Causas Como evitar
1- Não previsão de
armação na laje de piso do
térreo.
Desconhecimento das
características do terreno.
Elaboração prévia da
sondagem do terreno, a fim
de definir a adequada forma
construtiva.
2- Pilares projetados
com altura errada, cintas e
pilares não projetados.
A não compatibilização
dos projetos de estrutura
juntamente com os demais.
Elaboração e
compatibilização de todos os
projetos antes da licitação.
3- Superdimensionamento das
fundações do abrigo dos eqüi-
nos.
A execução das fundações
ficou a cargo da empresa que
elaborou o projeto.
Elaborar o projeto de
fundações antes da licitação,
juntamente com os demais
projetos.
4- Reforço das portas de
alumínio, devido ao tipo de
fechadura especificada.
Materiais especificados não
adequados a sua utilização.
Elaboração de projeto para
produção.
5-Dimensionamento insuficiente
das colunas do barrilete para
atender as válvulas de descarga
e a máquina de lavar.
Erro de execução e falta de re-
visão do projeto de instalações
hidro-sanitárias.
Revisão dos projetos por
outro profissional.
6- Indefinição com relação às
alturas das tomadas e bitola dos
eletrodutos.
Projeto de instalação
executado sem revisão.
Revisão e compatibilização
dos projetos.
Quadro 3 – Falhas Técnicas na Execução
Falhas Causas Como evitar
1-Cravação de estaca que não
constava do projeto.
2-Controle tecnológico
inadequado no início da
concretagem.
3-Deslocamento do eixo da
estaca do bloco BL13.
4-Armação da cinta V17 10x
40 como se fosse a cinta V16
12x40.
5-A cinta V2 e V9 foram
armadas erradas.
6-A cinta V3 foi concretada fora
do eixo do pilar P3.
7-Alguns pilares foram
concretados 15 cm acima da
altura indicada em projeto.
8-Demolição do emboço
executado desnecessariamente
em todo o perímetro das salas e
circulação no local do rodapé de
alta resistência.
9-Execução de contrapiso da sala
de sangria, com nível incorreto.
10-Portas de alumínio executada
3cm menor do que a altura do
vão.
Não existem por parte da firma
contratada procedimentos
para execução, verificação e
inspeção de serviços.
A utilização de
procedimentos técnicos de
execução e de inspeção e
verificação de ser-viços,
pelos técnicos da obra.

Responsabilidade na Construção Civil 94 95
Quadro 4- Falhas Processuais
Falhas Causas Como evitar
1- Atraso na assinatura do
contrato e consequentemente
do início da obra.
A empresa vencedora da
licitação não apresentou
a garantia contra- tual e a
administração não convo- cou,
dentro dos prazos estabele-
cidos por lei, a segunda
colocada.
Agilidade da administração
no cumprimento dos
procedimentos e prazos
estipulados no edital.
2- Acréscimo do prazo
contratual da obra.
Falta de planejamento por
parte da empreiteira e atraso
na liberação dos pagamentos
das faturas.
Planejamento e controle mais
eficaz das etapas dos serviços
e maior agilidade por parte da
administração no pagamento
das faturas.
3- Descontinuidade na
execução dos serviços.
Atraso na liberação dos
pagamentos das faturas.
Maior agilidade por parte da
administração no pagamento
das faturas.
Fonte: LIMA & JORGE ( 2001 ) – Quadros “Falhas Técnicas”
2.2 DESABAMENTOS
Souza (2001) trata em sua obra literária, quanto ao desabamento de edifí-
cios residenciais no Brasil. Tratado como acidentes estruturais, e o que podem
e devem servir de aprendizado, para que novas falhas não fossem cometidas,
para não vermos novo quadro de tragédia com vítimas fatais.
Esclarece ainda, que as rachaduras em lajes representam um risco de baixa or-
dem e é comum, nos apartamentos do último andar, apresentarem estas rachaduras
devido a variação de temperatura. As rachaduras em vigas representam um risco de
ordem intermediária, e geralmente são resultado de esforços de flexão. As rachaduras
em pilares representam os riscos mais graves, uma vez que estes elementos são res-
ponsáveis pela transmissão das cargas de vigas e lajes para a fundação.
Cita os casos de desabamento nas cidades de Santos–SP (1990), Volta
Redonda–RJ (1991), Guaratuba–PR (1995) – Edifício Atlântico, São José do
Rio Preto–SP (1997) –Edifício Itália, Rio de Janeiro–RJ (1998) – Edifício Palace
II e Olinda–PE (1999) – Edifícios Éricka e Enseada de Serrambi.
Finalmente concluiu que, apesar da experiência dos profissionais envolvidos
nestes desabamentos, na faixa de 30 (trinta) anos de profissão, quase sempre
são decorrentes de combinações de falhas técnicas. Foram destacadas, nestes
desabamentos:
- traço inadequado do concreto utilizado;
- materiais de baixa qualidade;
- deficiência de cobrimento das armaduras;
- falta de sondagem adequada no solo para realização das fundações;
- concepção estrutural inadequada;
- detalhamento de elementos estruturais com deficiência;
- construção da obra com materiais mais pesados que os especificados em
projeto;
- construção de outros pavimentos ou outros elementos (piscinas e caixas
d`água) sem consulta prévia do projetista;
- falta de orientação e acompanhamento dos profissionais junto aos encar-
regados da obra.
Saldanha (2001), colabora em sua obra literária, elaborada em razão de
perícia judicial, e, em função da vistoria realizada em sinistro de desabamento
de estrutura de pavilhão pré-moldado de concreto armado, das condições de
suporte do subsolo local, do tipo de fundações executadas –- do tipo Strauss, do
dimensionamento do projeto estrutural executado, e conclui que:
- a estaca não atende as solicitações de carga, uma vez que o esforço de
compressão absovido é menor que o esforço de compressão atuante na
estaca;
- a insuficiência de armaduras nos pilares, ferragem necessária deveria
ser 52% (cinqüenta e dois porcento) superior às existentes nas peças
confeccionadas;
- observou-se, também, que as armaduras indicadas no projeto estrutural,
não conferem com as armaduras de cálculo e nem de execução.
2.2.1 A IDEIA DE INSPEÇÃO PREDIAL OBRIGATÓRIA
Helene (2005) trouxe à tona, em recente artigo publicado, a importância e
a visão de alguns estados brasileiros e de outros países, quanto a assegurar a
segurança das obras civis projetadas e executadas por arquitetos e engenheiros.
Responsabilidade na Construção Civil 96 97
Traduz e conclui da enorme importância que a “Inspeção Predial PERIÓDICA”
de edificações, podendo alertar e provocar que se tomem atitudes, de ordem
efetiva, para a prevenção de verdadeiras catástrofes, como já vimos acontecer
em desabamento de edificações.
Inicia com a seguinte questão:
“A quem cabe assegurar a segurança? Ao sistema CONFEA/CREAs? Às
prefeituras? Às universidades? Aos fabricantes de materiais?”
Professor Titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo,
Presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON), especialista em Pato-
logia e Terapia das Estruturas de Concreto, em artigo de sua autoria, produzido
logo após o recente desabamento do Edifício Areia Branca, em Recife (PE), que
continua:
“Afinal – diz ele –, era um edifício de 12 andares, com mais de 20
anos de bons serviços prestados à sociedade. Um edifício desse porte, cons-
truído na década de 1980, faz-nos pressupor que deve ter sido objeto de es-
tudos, de projeto e de construção por empresas e profissionais competentes,
habilitados pelo CREA e pela prefeitura locais”.
Traz, em tom de grande e profunda advertência aos profissionais, outro
questionamento interessante:
“Mas serão só esses os responsáveis indiretos? Sabe-se, ainda, que
no edifício atuava uma empresa de engenharia especializada em reabilitação
de estruturas, ou seja, a engenharia estava presente no local da tragédia!
Por que, então, ainda ocorrem acidentes dessa magnitude? Projetam-se e se
constroem estruturas de edifícios com vida útil prevista para 50 anos; porém,
sempre admitindo manutenção periódica.
Portanto, em todas as obras existentes há a necessidade imediata de
estabelecer rotinas de inspeções periódicas, frequentes, seguidas de reformas
e intervenções corretivas, sempre que o diagnóstico assim o indicar.
Documentos internacionais, como os adotados na Europa pela Federation
Internationale du Béton (FIB) e nos Estados Unidos pelo American Concrete
Institute (ACI), exigem inspeções técnicas de edifícios a cada 10 anos, no
máximo.
No caso de obras de maior importância, a inspeção técnica deve ser reali-
zada a cada 2 anos, podendo esse período chegar a 4 anos.
Em Buenos Aires, há uma lei municipal obrigando vistorias periódicas em
balcões e edifícios.
No campo da habilitação profissional, é indispensável que o sistema CON-
FEA/CREAs institua um processo permanente, no qual o título universitário
qualifique, mas não habilite, pois a habilitação deveria ser temporária e não
vitalícia, como é hoje.
(...) O risco de desabamento de um edifício, como o ocorrido em Recife, é
centenas de vezes menor que o de explosão de um botijão de gás ou de morte
por acidente de carro nos centros urbanos e nas rodovias brasileiras. Ainda
assim, é inadmissível que ocorra sem aviso, e sem tempo suficiente de evacu-
ação segura dos moradores. O correto seria prever essa deficiência estrutural
por meio de inspeções periódicas, feitas por profissionais experientes, que
indicariam, a tempo, a necessidade de um reforço – e o acidente teria sido
evitado.
O primeiro documento regulador do exercício técnico da profissão foi a
norma NB-1, de 1940. Naquela época, o dimensionamento das estruturas era
realizado pelos chamados métodos deterministas e a introdução da segurança
era dada pelo método das tensões admissíveis. A partir de fins da década de
1970, houve a primeira grande revolução no setor e a segurança passou a
ser introduzida com base nos conhecimentos proporcionados pela teoria das
“probabilidades”, bastante mais complexa e abstrata, porém mais exata e
mais segura. Todos os arquitetos e engenheiros civis formados antes de 1980
foram considerados obsoletos e somente aqueles que se reciclassem deveriam
continuar sendo habilitados a projetar e construir obras de porte.
Estamos, agora, em meio à segunda grande revolução. Foram introduzidos
recentemente, ao lado da segurança, os conceitos de durabilidade. Até então,
considerava-se que as estruturas de concreto seriam eternas e não requeriam
manutenções, como ainda era subentendido na década de 1980, época do
projeto e construção do Edifício Areia Branca.
As normas mundiais mudaram e a brasileira também, tendo sido recém–
publicada sua nova versão, a NB-1 de 2004, obrigatória a partir de março
último (de 2005).
Responsabilidade na Construção Civil 98 99
Novamente os profissionais que sempre projetaram e construíram da forma
anterior, que, segundo a visão de hoje, é inadequada ou “insuficiente”, serão,
ou deveriam ser, automaticamente reciclados para incorporarem, efetivamen-
te, os novos conhecimentos. Somente a estrita obediência aos procedimentos
constantes desses documentos oficiais – inclusive referidos no “Código do
Consumidor” como de obediência obrigatória – poderá assegurar durabilidade,
qualidade e segurança às estruturas construídas no País.
Infelizmente muitos profissionais, geralmente mal-informados, desconhe-
cem as consequências de um mau uso ou uso parcial de documentos dessa
importância.
Pressionados por empresários irresponsáveis e avarentos, esses profissio-
nais se submetem a honorários escorchantes e, assim, cortam atividades de
estudo, de controle e de projeto, que têm importância crucial no conjunto das
atividades e procedimentos que conduzem a estruturas estáveis e duráveis.
Felizmente, o número de profissionais competentes ainda é muitas vezes su-
perior ao dos profissionais pouco atualizados e omissos.
Acidentes graves, do porte dos que têm ocorrido no País, demonstram a
importância de uma Engenharia Civil bem praticada e exigem que proprietários,
órgãos públicos, contratantes e usuários em geral, sejam melhor informados de
seus direitos e remunerem adequadamente os profissionais que os atendem,
exigindo deles, no mínimo, a consciente obediência às normas brasileiras.
Estas são elaboradas, como em qualquer país desenvolvido, para assegurar
os direitos dos cidadãos à qualidade mínima de produtos e serviços técni-
cos”.
Pedroso (2005), jornalista e assessor de comunicação do Ibracon–Instituto
Brasileiro do Concreto, colabora em seu artigo, expondo as causas, na visão do
engenheiro-membro da “Comissão de Diagnóstico do Edifício Areia Branca”,
Eng. Romilde de Oliveira, onde relata que: “(...) o colapso do edifício aconteceu
devido ao rompimento de um dos pilares da obra. A escavação de 1,5 metros
na base do pilar, próximo à caixa d’água com trincas, revelou o rompimento do
pilar e a armadura flambada”.
O diagnóstico preliminar constatou estribos e cintas estreitas, pequeno re-
cobrimento da armadura e bolhas com forma de elipses, que revelam que não
houve uma vibração adequada quando da fabricação do pilar.
Conclui, o profissional que:
“Os edifícios construídos antes da década de 80 encontram-se sob sus-
peição e requerem vistorias regulares para a caracterização de seu estado de
uso, pois a Norma Técnica NBR 6118, da década de 1960, mostra-se, hoje,
anacrônica”.
Pedroso (2005) acrescenta ainda, que as “Leis de Inspeções Prediais” existem em alguns municípios brasileiros.
A lei Ordinária 6.323/88, de Porto Alegre, obriga que os proprietários de
edificações com marquises, contratem um técnico para elaboração de laudo
técnico sobre a estabilidade estrutural da marquise, a cada 3 (três) anos. A
inobservância da lei implica penalidades de ordem pecuniária.
A dificuldade é pôr a lei em prática. “Quando da regulamentação da lei, não
havia estrutura na secretaria da prefeitura para examinar os laudos técnicos e,
pior, a inexistência de profissionais treinados para fazerem a inspeção técnica
resultava em laudos técnicos de baixa confiabilidade”, relatou o Eng.Luiz Carlos
Silva Filho, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, aos 160
debatedores presentes em evento.
“O problema da implementação da lei foi revertido com a inauguração de
cursos de especialização, a intensificação da fiscalização e a conscientização
dos usuários sobre os riscos de queda das marquises”, esclareceu Luiz Carlos.
Em Nova Iorque, segundo o Eng.Leonardo Garzón, que atua na América
do Norte, a Lei de Inspeção e Manutenção Preventiva de 1998 prevê a pe-
nalidade do encarceramento para quem não a cumpre. A cidade de Salvador
também possui uma lei de inspeções técnicas, mas de caráter mais geral. A Lei
5.907/01 preconiza a manutenção preventiva e periódica das edificações e
equipamentos públicos e privados, responsabilizando os proprietários e gestores
da edificação pela contratação e guarda dos laudos técnicos, que devem ser
apresentados quando solicitados pelos órgãos fiscalizadores.
Tal como se verificou em outras partes, a lei encontra dificuldade de im-
plementação, devido à escassez de recursos dos condomínios e dos órgãos
públicos, e também à falta de engenheiros de estruturas habilitados para a
inspeção. “A lei possui ainda o inconveniente de tratar igualmente os desiguais,
pois impõe encargos financeiros de igual monta para os pequenos e grandes
proprietários”, observou o Eng.Antônio Carlos Laranjeiras, especialista do setor.
Uma lei de natureza idêntica foi proposta pelo IBAPE-SP ao Vereador Domin-
Responsabilidade na Construção Civil 100 101
gos Dissei (PFL), em 2001, obrigando o proprietário a obter um “Certificado
de Inspeção Predial” com prazo de validade de 5 (cinco) anos. Enquanto a
sociedade civil não decide sobre o assunto, alguns fatos são indiscutíveis, como
exemplificou em sua palestra o Eng.João Carlos de Carvalho, diretor da Escola
de Engenharia D. Pedro II, de São José do Rio Preto: se antes do colapso do
Edifício Itália, naquela cidade, a proporção de vendas de apartamentos era de
um para três casas vendidas, depois do desmoronamento as vendas passaram
para uma unidade a cada vinte casas vendidas.
Buenos Aires tem uma lei semelhante. Ela obriga os proprietários a realiza-
rem inspeções cuja periodicidade depende da idade da edificação: quanto mais
antigo o edifício, menor é o tempo entre uma inspeção e outra.
“As dificuldades de implementação da lei foram parcialmente vencidas com
um convênio entre os órgãos do governo e a Associação de Engenheiros Estru-
turais (AIE), por meio do qual se viabilizou a realização de inspeções visuais das
marquises, o que possibilitou flagrar quem não cumpre a lei”, ressaltou Raúl
Husni, ex-presidente da AIE da Argentina.
Em São Paulo, a Abece–Associação Brasileira de Engenheiros Civis de Estru-
turas elaborou uma minuta de projeto de “Lei sobre Conservação das Marqui-
ses”, recentemente entregue ao Vereador José Aníbal (PSDB).
O projeto estabelece a obrigatoriedade de um parecer técnico para as mar-
quises, feito por engenheiros capacitados e com prazo de validade de 2 ( dois )
anos. “É importante destacar que o engenheiro responsável pelo laudo técnico
deve ser capacitado, e não somente habilitado, para que se evite profissionais e
empresas oportunistas”, lembrou aos debatedores o Eng.Valdir Silva da Cruz.
Algumas empresas construtoras das grandes cidades, e mais recentemente
de Maringá, com a preocupação técnica em antes de se iniciar uma edificação
– no momento somente para edifícios, contratam profissional capacitado para
a realização de vistoria cautelar das edificações vizinhas, onde mormente en-
contramos patologias de ordem de segurança e solidez destas edificações, onde
qualquer alteração de solo – escavação para garagens, pode vir a comprometer
a estabilidade das edificações preexistentes. A responsabilidade do construtor
ao registrar estas patologias preexistentes, passa de longe ao crivo do judiciário
em imputar como sendo o causador das mesmas.
2.3 FISSURAS
Ao longo destes mais de 20 (vinte) anos, na função de Avaliador e Perito
Judicial, evidenciamos que um dos principais problemas patológicos encontra-
do na construção, se refere a “fissuras”, chegando a índices da ordem de 70%
(setenta porcento).
Zatt (2000) em seu estudo, descreve os mecanismos de formação das fis-
suras em concreto, e suas possíveis causas, podendo se manifestar desde a
concretagem até anos após a mesma.
As fissuras podem servir como alerta de um eventual estado perigoso para a
estrutura: geralmente, a iminência de colapso em estruturas de concreto arma-
do é precedida de fissuração. ( ... ). Há, ainda, o constrangimento psicológico
que as fissuras exercem sobre o indivíduo, seja estético, ou de dúvidas quanto
à segurança da edificação.
Maia Lima e Pacha (2005) descreve a manifestação patológica de fissura-
ção, como sendo:
Para Souza e Ripper: “as fissuras podem ser consideradas como a manifes-
tação patológica característica das estruturas de concreto, sendo mesmo o dano
de ocorrência mais comum e aquele que, a par das deformações muito acen-
tuadas, mais chama a atenção dos leigos, proprietários e usuários aí incluídos,
para o fato de que algo de anormal está a acontecer” (op. cit., p. 57).
Na época do ano em que a temperatura ambiente mantém-se elevada, é
frequente o aparecimento de fissuras ou trincas no concreto.
As práticas modernas de construção, com exigências de altas resistências
iniciais, desforma em pequenas idades, concretos bombeados e outras, torna-
ram a trinca ou fissura um assunto mais comum do que era há algum tempo.
Não há dúvida de que ocorriam menos trincas na época em que se usa-
vam concretos com menores consumos de cimento, abatimentos menores e
empregava-se mais tempo no adensamento e acabamento durante uma con-
cretagem.
Responsabilidade na Construção Civil 102 103
É certo que seja quase impossível executar um concreto totalmente livre
de algum tipo de fissura, mas existem medidas para reduzir sua ocorrência ao
mínimo possível.
Conforme Ripper,E. ( apud ): “( ... ). Mesmo quando são usados os mesmos
materiais, proporções, métodos de mistura, manuseio, acabamento e cura, as
trincas podem ocorrer ou não, dependendo apenas das condições do tempo”
(op. cit. p. 42).
Maia Lima e Pacha (2005) relatam ainda, que é interessante observar que, no entanto, a caracterização da ssu-
ração como deciência estrutural dependerá sempre da origem, intensidade e magnitude do quadro de ssuração
existente, posto que o concreto, por ser material com baixa resistência à tração, ssurará por natureza, sempre
que as tensões trativas, que podem ser instaladas pelos mais diversos motivos, superarem a sua resistência
última à tração.
Além do aspecto antiestético e a sensação de pouca estabilidade que apre-
senta uma peça fissurada, os principais perigos decorrem da corrosão da arma-
dura e da penetração de agentes agressivos externos no concreto.
Ao diagnosticar as mesmas, deve levar em conta que podem ser uma com-
binação de causas, e Zatt (2000) completa em sua obra literária, que alguns
aspectos devem ser atentados:
- local da ocorrência das fissuras, se no elemento estrutural ou somente
no revestimento;
- profundidade das fissuras (se são superficiais ou se seccionam o ele-
mento);
- configuração das fissuras, sua direção, quantidade, frequência, ordem
de aparecimento etc.;
- abertura das fissuras (se estão muito acima dos limites dados em nor-
ma ou não);
- se as fissuras abrem e fecham (variam) ao longo do dia ou do ano;
- se a fissuração está evoluindo ou não (quanto ao aumento do comprimento ou
abertura);
- se estiverem surgindo novas fissuras ou não;
- se a construção está sendo utilizada para os fins previstos em projeto;
- se houveram recentemente reformas na construção;
- se foram erigidas recentemente novas construções no entorno da cons-
trução afetada; e,
- se as construções vizinhas sofrem do mesmo problema.
Helene (1988) assegura, que em geral, os problemas patológicos são evolutivos e tendem a se agravar com
o passar do tempo, além de acarretarem outros problemas associados ao inicial. Por exemplo: uma ssura de
momento etor pode dar origem à corrosão de armadura; echas excessivas em vigas e lajes, podem acarretar
ssuras em paredes e deslocamento em pisos rígidos apoiados sobre os elementos etidos. Pode-se armar que
as correções serão mais duráveis, mais fáceis e muito mais baratas quanto mais cedo forem executadas. (vide
gura abaixo).
Fonte: HELENE (1988),
apud HELENE (1981) - Evo-
lução dos custos de
correção dos problemas
patológicos no tempo.
Zatt (2000) apresenta ainda, os principais tipos de ssuras, a saber.

Não tendo a pretensão de esgotar o assunto, também são abordados algu-
mas patologias, e até causadoras com relação ao surgimento das fissuras, como
é o caso da corrosão das armaduras no concreto armado, recalque de fundações
e movimentação de formas na execução das construções.
2.3.1 FISSURAS POR RETRAÇÃO
Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por
retração.
Responsabilidade na Construção Civil 104 105
Característica e forma: Provoca a diminuição do volume do concreto em con-
sequência da “retirada” de água da massa de concreto em processo de cura, seja
pela hidratação do cimento (a reação química utiliza água), ou pela secagem
superficial dos elementos (evaporação da água próxima à superfície da peça).

Formato de “malha”, “teia de aranha” ou “escama de peixe”. Quando o elemen-
to é pouco armado, o tamanho da “malha” tende a ser da ordem de 5 a 10 mil ve-
zes a abertura das fissuras, mas não menor que o diâmetro máximo do agregado.

Causas:
a)Quanto mais cimento houver no concreto, maior a retração (o processo
químico consumirá mais água);
b) Quanto maior a relação água/cimento, também maior será a retração
(sobra mais água não utilizada no processo químico, água essa que pode eva-
porar);
c) Processo de cura ineficiente (ambiente muito seco e/ou muito quente) e
peças muito delgadas, também contribuem para agravar o problema;
d) Obstáculos internos (como as armaduras) e os vínculos, tendem a impedir
o concreto de se retrair, surgindo então tensões internas de tração que podem
provocar fissuras nas peças de concreto.
Helene (1988) ainda completa, que são causas a proteção térmica ineficien-
te e excesso de calor de hidratação.
Maia Lima e Pacha (2005) discorrem que, a retração hidráulica, após a
pega, é devida à perda por evaporação de parte da água de amassamento para
o ambiente, de baixa umidade relativa. A retração, após a pega, manifesta-se
muito mais lentamente do que a retração plástica.
A retração hidráulica, tanto no concreto quanto em argamassas ou pastas de
cimento, manifesta-se imediatamente após o adensamento do concreto, se não
forem tomadas providências que assegurem uma perfeita cura, ou seja, se não
for impedida a evaporação da água do concreto.
Principais fatores que influem na retração são os seguintes:
- finura do cimento (a retração é aproximadamente, proporcional a finu-
ra) e dos elementos mais finos do concreto;
- tipo do cimento (a retração pode variar de uma até três vezes, conforme
o tipo de cimento); existe um teor ótimo de gesso para se obter a re-
tração mínima. Os álcalis, os cloretos e, de um modo geral, os aditivos
aceleradores aumentam a retração;
- teor de água: a retração é aproximadamente proporcional ao volume
absoluto da pasta;
- consumo de cimento;
- tipo de granulometria dos agregados: as areias finas aumentam a retra-
ção; quanto maior for o módulo de elasticidade dos agregados, tanto
maior será a reação por eles oposta a retração;
- umidade relativa e período de conservação;
- execução cuidadosa da cura, sem que o concreto fique sujeito a ciclos
de secagem e umedecimento; e,
- concretos dosados com excesso de areia apresentam retração maior do
que misturas semelhantes com teores normais.
Concluindo que, quando a cura do concreto é bem feita, a retração só se
iniciará quando a cura for interrompida, idade em que o concreto terá sua re-
sistência à tração aumentada, e assim, quando surgirem as tensões de tração
devidas à retração, o concreto já poderá apresentar resistência à tração superior
às tensões oriundas da retração, não ocorrendo portanto o fissuramento.
2.3.2 FISSURAS POR VARIAÇÃO DE TEMPERATURA
Fonte: ZATT ( 2000 ) – Fissuras causadas por
variação de temperatura.
Característica e forma: Comum no caso das lajes de cobertura, onde a face
superior pode ficar exposta a uma temperatura maior que a face inferior.
De abertura constante, perpendiculares ao eixo, com configuração a seccio-
nar a peça.
Causas:
a) Efeito das variações dimensionais devido à variação de temperatura; sur-
gem devido ao encurtamento de elementos (diminuição de temperatura) restrin-
gidos por vínculos, podendo ser amenizado com juntas de dilatação;
b) Em materiais com coeficientes de dilatação térmica muito diferente (es-
trutura de concreto armado – barracão fechado em alvenaria de tijolos cerâ-
micos);
Responsabilidade na Construção Civil 106 107
c) Partes da estrutura de mesmo material mas sujeitas a temperaturas dife-
rentes – laje de cobertura, face externa exposta com a face interna;
FONTE: PADARATZ (2000) – Fissura
em canto de alvenaria portante por
dilatação térmica da laje de cobertura.
2.3.3 FISSURAS POR ESFORÇOS
2.3.3.1 DE TRAÇÃO

Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por esforço de tração.
Característica e forma: De abertura constante, perpendiculares ao eixo, com conguração a seccionar a peça.
Causa: O concreto resiste pouco à tração; elemento estrutural deve ser armado adequadamente, onde o aço
possui característica para melhor resistir a este esforço.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) – Espaça-
mento irregular em armaduras de lajes
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005)– Armadura
negativa da laje fora de posição
2.3.3.2 DE COMPRESSÃO OU FLAMBAGEM DE ARMADURAS (HELENE, 1988)
Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por esforço de compressão
Característica e forma: São visíveis com esforços inferiores ao de ruptura, e aumentam de forma contínua;
consequência da exão composta causada pela ambagem, e não da compressão propriamente dita; em peças
muito esbeltas e comprimidas, podem aparecer ssuras na parte central da peça – em uma de suas faces.
Paralelas à direção do esforço; em concreto heterogêneo, cortam o elemento
estrutural em ângulos agudos; finas e se apresentam juntas.
Causa: O concreto resiste pouco à tração; o elemento estrutural deve ser
armado adequadamente, onde o aço possui característica para melhor resistir
a este esforço.
Helene (1988) atribui a má colocação ou insuficiência de estribos, carga superior
à prevista, concreto de resistência inadequada e mau adensamento do concreto.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA ( 2005 ) – Armadura positiva da laje com espa-
çadores, para garantir o cobrimento da armadura
Responsabilidade na Construção Civil 108 109
2.3.3.3 DE FLEXÃO
Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas
por esforço de exão.
Característica e forma: São as mais frequentes; de maneira geral, irradiada no corpo do elemento estrutural, de
abertura variável – maior na borda tracionada e diminuindo à medida que chega próximo da linha neutra.
Causas: Helene (1988) diagnostica, que se originam de sobrecargas não previstas, armadura insuciente,
ancoragem insuciente e armadura mal posicionada no projeto ou na execução.

Helene (1988) complementa, que em marquises e balcões, as causas são
idênticas. Em fissuras de flexão e escorregamento da armadura, a causas são
da má aderência da armadura ao concreto, concreto de resistência inadequada,
ancoragem insuficiente, sobrecargas não previstas e desforma precoce.
Padaratz (2000), traz em sua obra literária sob o título: “Fissuras em alvena-
rias causadas por deformabilidade excessiva/sobrecargas”, do qual, em análise
por elementos finitos, retrata as tensões existentes próximas às aberturas – pon-
tos fracos na alvenaria, de paredes sob carga unitária uniforme, a saber, onde
em região de maior abertura, maior será a concentração de tensões:
CARGA UNÌTÁRÌA
2.19 2.19
2.19 2.19
2.73 2.73
1.31
1.95 1.95
2.05 2.05
1.56
1.56
1.56
1.56
0.58
Fonte: PADARATZ (2000) – Fatores de
majoração de tensões próximas às
aberturas de paredes (janelas), sob carga
unitária ( análise em elementos nitos)
Fonte: PELACANI (2009) – Vista de ssuras em parede, na região próxima à
abertura da janela, onde não fora executado viga (verga) em concreto armado, para
combater as tensões.
Fonte: PELACANI (2006) – Vista de edifício em construção
com execução de vergas de concreto armado sob as abertu-
ras de janelas
2.3.3.4 POR FORÇA CORTANTE OU CISALHAMENTO (HELENE, 1988)
Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por
esforço cortante
Característica e forma: Percorrem todo o elemento estrutural; de inclinação
entre 30° a 45°; em região próximas aos apoios – área de maior força cortan-
te.
Causa: De incidência vertical, pode ser combatido com o dimensionamento
e aplicação adequada de ferros de estribo; Helene (1988) complementa, que
advém de sobrecargas não previstas, estribos insuficientes, estribos mal posi-
cionados no projeto ou na execução e concreto de resistência inadequada.
Padaratz (2000), apud Eng.Augusto Carlos de Vasconcelos, adverte: “(...)
Fissuras de cisalhamento nunca abrem excessivamente como as de flexão, e
podem levar uma estrutura ao estado limite último sem aviso prévio”.
Responsabilidade na Construção Civil 110 111
2.3.3.5 POR TORÇÃO

FONTE: ZATT ( 2000 ) – Fissuras
causadas por esforço de torção.
Característica e forma: Geralmente inclinadas a 45°, originando nos cantos do elemento estrutural.
Causa: De incidência a torcer a peça no sentido espiral, pode ser combatido com o dimensionamento e aplicação
adequada da ferragem longitudinal.
HELENE ( 1988 ) acrescenta, podem contribuir as sobrecargas não previstas, desconsideração de
torção de compatibilidade, armadura insuciente e armadura mal posicionada no projeto ou na execução.
2.3.4 FISSURAS POR CORROSÃO DA ARMADURA EM CONCRETO ARMADO
FONTE: ZATT ( 2000 ) – Fissuras causadas por corrosão da armadura em vigas
Característica e forma: Aparecem ao longo da ferragem longitudinal, quando as mesmas encontram-se em
processo de oxidação.
Causa: Zatt (2000) dene que, o aço, ao oxidar-se, produz resíduos de volume muito maior que o do aço ori-
ginal (aproximadamente 10 vezes mais). Como o aço está imerso na massa de concreto, este aumento de volume
causa tensões de tração no mesmo, resultando na ssuração ( ou mesmo no destacamento ) do concreto que
forma o cobrimento. Com isso, o aço ca mais exposto aos gases e umidade do ambiente e se oxida mais rápido,
o que acelera o processo de degeneração da construção.
FONTE: PELACANI ( 2009 ) – Processo de corrosão de ferragem (inltração oriunda de jardim, expansão da
ferragem, queda de concreto de cobrimento) em laje de sub-solo/garagens de edifício.
O emprego de cobrimento adequado e um concreto compacto dificultam o
processo de corrosão das armaduras, e, por conseguinte, amenizam (ou mesmo
impedem) o problema da fissuração causada pela oxidação da armadura.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) – Alta densidade de armadura com
cobrimento insuciente em base de pilar, provocando corrosão
generalizada e expansão da seção das armaduras, com posterior
rompimento dos estribos e lascamento do concreto.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) - Alta densidade de
armadura na base da viga com cobrimento insuciente, e
inltração pela junta de dilatação provocando corrosão
generalizada, expansão da seção das armaduras e lascamento
do concreto.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) - Laje executada
sem o mínimo de cobrimento para proteção da
armadura, que coincidiu com as juntas das formas,
provocando corrosão generalizada, expansão da seção
das armaduras e lascamento do concreto.
Responsabilidade na Construção Civil 112 113
PADARATZ (2000), trata da corrosão, em sua obra literária, onde resumida-
mente, relatamos: “ocorre em presença de umidade; o mecanismo básico en-
volve ionização, mas se os íons forem solúveis no meio envolvente (ex. água), o
metal corrói imediatamente. (...). Produtos da corrosão (óxidos e hidróxidos de
Ferro) ocupam volumes de 3 a 10 vezes superiores que o volume original do aço
da armadura, levando a pressões de expansão (tração) superiores a 15 MPa.
Fatores que inuenciam:
Fatores Endógenos - tipo de cimento (composição química a superfície especíca); tipo de agregrado (forma e
granulometria, composição mineralógica); dosagem (relação água/cimento, teor de cimento, teor de argamassa);
cura (duração, temperatura).
Fatores Ambientais - concentração da solução agressiva; temperatura da solução; constância do uxo de solução
agressiva.
Medidas Preventivas – redução da agressividade do meio: íons agressivos e água disponível; modicação das
características do concreto: cimento com baixo teor de C3A e incorporação de adições; diculdade ao acesso do
agente agressivo: isolamento e impermeabilização”.
Apud Eng.Adriano Silva Fortes – Fortes Engenharia Ltda., traz quadro esquemático sob o título: Por quanto tem-
po resiste a construção, traçando um comparativo entre edicações na praia, cidade e campo, com espessuras de
camadas diferenciadas de cobrimentos em estrutura de concreto armado, a saber, explicitando ainda que: “Quan-
to maior a camada de concreto que cobre a armadura de aço, mais a doença demora em aparecer. Em ambientes
úmidos (como praia) ou poluídos (cidade), as condições pioram”.
Fonte: PADARATZ (2000), apud FORTES, Adriano S. – Tempo de resistência da construção – na horizontal, o
prazo para que apareçam os primeiros problemas em estrutura de concreto armado de construções em praia,
cidade e campo.
Helene (1986) relata à função do cobrimento de concreto: “Uma das grandes vantagens do concreto armado é que
ele pode, por natureza e desde que bem executado, proteger a armadura da corrosão. Essa proteção baseia-se
no impedimento da formação de células eletroquímicas, através de proteção física e proteção química. ( ... ) A
função do cobrimento do concreto é, portanto, proteger essa capa ou película protetora da armadura contra danos
mecânicos e, ao mesmo tempo, manter sua estabilidade”.
2.3.5 RECALQUE DE FUNDAÇÕES

Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por
recalques das fundações.
Característica e forma: Os recalques de pilares (deslocamento vertical) provocam aberturas variáveis das vigas
unidas aos mesmos, sendo maiores na parte superior das vigas.
Causa: De natureza diversa, desde o cálculo das fundações, umidade excessiva potencializadora na região
(acúmulo indesejado, fossa em ruína, tubulações de água e esgoto rompidos, sobrepeso de fundações vizinhas
– bulbo de pressão inuente etc., e, a mais grave de todas, quando a ferragem não estiver adequadamente dimen-
sionada, aplicada e posicionada nos elementos estruturais. (ver tópico posterior desta obra literária – “Estudo de
Caso”).
Padaratz (2000) traz em sua obra literária, “que no Rio Grande do Sul, 6%
(seis por cento) das fissuras observadas em estruturas de concreto armado, são
devidas a problemas nas fundações (Alta e Média Gravidade); nos E.U.A., US$
2 bi/ano em reparos de edificações danificadas por problemas nas fundações;
custo da sondagem: 0,5% (meio por cento) do custo total da obra; custo da
recuperação: pode ser maior que o custo da obra; levantamento de problemas
em fundações no Rio Grande do Sul (período de 1970 a 1990): 85% (oitenta
e cinco por cento) dos problemas causados por desconhecimento das caracte-
rísticas do subsolo”.
Nota: Ver em tópico posterior desta obra literária, caso prático sobre o as-
sunto.
Responsabilidade na Construção Civil 114 115
2.3.6 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO HIGROSCÓPICA
Característica e forma: Idêntica às de retração.
Causa: Zatt (2000) conclui que, a variação de umidade do ambiente pode gerar uma variação de volume do
concreto. Quando a umidade aumenta o elemento de concreto tende a expandir-se, e quando aquela diminui,
ocorre também à diminuição de volume do mesmo. Essa variação volumétrica pode causar ssuração.
Em recente participação, nomeado à função de Perito Judicial, deparamos
com a seguinte situação: edifício residencial com fechamento das paredes com-
posto de tijolos celulares do tipo “Siporex”, apresentando fissuras com aberturas
de 0,4 a 1,1 milímetros nos sentidos horizontal, vertical e a 45º, com algumas
paredes já reparadas e que voltaram a apresentar a mesma patologia, em todos
os halls dos apartamentos, em parede de diviso-externa com o poço de ilumi-
nação, em encontro com a laje, sob e sobre aberturas de janelas para este poço
de iluminação e portas, e, em geral, no interior dos apartamentos.
Em vistoria detalhada da estrutura (concreto armado de vigas, lajes e pila-
res), não detectamos nenhum vestígio de fissuramento que levasse a compor
patologia de algum ou alguns elementos estruturais do edifício e, consequen-
temente, passamos a analisar o elemento utilizado para o fechamento das pa-
redes (Siporex), onde trazemos algumas das principais características, onde
Thomaz, nos fornece:

Tijolos ou blocos celulares Tijolos ou blocos celulares
Concreto celular Barro cozido
Módulo de deformação
(kN/mm
2
) = 3 – 8
Módulo de deformação
(kN/mm
2
) = 4 – 26

E, ainda, SELMO (2002):
“I.R.A. – Índice de Retenção de Água (g/200 cm
2
/min):
Cerâmico Bloco Celular
12 70
”.
Portanto, concluímos em Laudo Pericial que, o elemento de fechamento
do tipo “Siporex” é superior, em aproximadamente, 6 (seis) vezes ao elemento
cerâmico em retenção de água, com contração irreversível da ordem média de
0,07% em seu movimento devido à presença de umidade e módulo de defor-
mação, em aproximadamente, 3 (três) vezes inferior ao do elemento barro cozi-
do, com consequente baixa resistência ou suporte à mínima tensão que venha a
sofrer, não devendo, com estas características, ser utilizado como elemento de
fechamento de paredes.

Fonte: PELACANI (2006) – Vista de fechamento de alvenaria com
blocos de tijolos do tipo “siporex”.
2.3.7 FISSURAS POR ASSENTAMENTO PLÁSTICO
Maia Lima & Pacha (2005) discorrem que, Cánovas, adverte que “a união
de pilares a vigas corre riscos se, uma vez concretados os pilares, e não se es-
pera algumas horas antes de concretar as vigas, para permitir que o concreto
fresco dos pilares assente” (op. cit., p. 222).

Fonte: HELENE (1992), op. Cit. – Fissuras de assentamento
plástico.
É importante também considerar que, em termos de durabilidade, ssuras como estas, que acompanham as
armaduras, são as mais nocivas, pois facilitam, bem mais que as ortogonais, o acesso direto dos agentes agres-
sores, facilitando a corrosão das armaduras.
Responsabilidade na Construção Civil 116 117
2.3.8 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO DE FORMAS E ESCORAMENTOS
Seguem ainda relatando, que os recalques do subleito ou mau escoramento das formas, podem causar
trincas no concreto enquanto na fase plástica.
Tais movimentos podem ser causados por:
- deformação das formas por mau posicionamento, por falta de fixação
inadequada, pela existência de juntas mal vedadas ou de fendas etc.;
- inchamento da madeira devido à umidade ou perda de pregos; e,
- devido ao uso impróprio ou excessivo dos vibradores.
Fonte: RIPPER, E. (1996), apud – Fissura causada por
movimentação da forma.
2.4 MOVIMENTO DE TERRAS/BULBO DE PRESSÃO E PERDA DE RESISTÊN-
CIA DE ESTACAS DE DIVISA – RECALQUE DIFERENCIAL
Bisotto (1999) traz em objetivo de sua obra literária, demonstrar as influên-
cias de uma edificação nova, executada sem os cuidados necessários, ocasio-
nando, assim, abalo da estrutura de uma residência lindeira, já estabilizada ao
longo do tempo sobre o terreno no qual foi construída.
Ensejou ação judicial de autoria do vizinho da construção nova, onde foram
apresentadas as causas:
“Durante a escavação para executar as fundações do imóvel do réu, não foram toma-
das as devidas precauções para proteger as fundações do imóvel dos autores, poden-
do as mesmas terem sofrido diminuição da área de apoio. Tal fato por si só, com o tem-
po, já ocasionaria o recalque das fundações do imóvel dos autores, originando, dessa
forma, rachaduras em pisos e paredes, deslocamento do telhado, etc.
Ao serem executadas as fundações do imóvel do réu, houve escavação do
terreno para poder assentá-las ao lado das fundações do imóvel vizinho, dos
autores. Não havendo os cuidados necessários, as fundações do imóvel dos
autores podem ter perdido parte de sua sustentação, ocasionando recalque e
por conseqüência todos os danos presentes no imóvel, tais como, rachaduras
de pisos, paredes e deslocamento de telhado.”

FONTE: PADARATZ (2000) – Intersecção
dos bulbos de tensões de duas edicações
vizinhas.
LEGENDA: P1 = PRÉDIO EXISTENTE, ESTÁVEL; P2 = PRÉDIO NOVO; CURVA 1 = BULBO DE TENSÕES
DE P1; CURVA 2 = BULBO DE PRESSÕES DE P2; ÁREA 3 = REGIÃO DE INTERSECÇÃO DOS BULBOS DE
TENSÕES DE P1 E P2; CURVA 4 = DEFORMAÇÃO DO PRÉDIO EXISTENTE P1, DEVIDO AO AUMENTO DAS
TENSÕES EFETIVAS NA ÁREA 3.
Mello & Teixeira (1973) tratam da propagação e distribuição das tensões no
solo, em seu Capítulo 4 – Tensões Devidas à Pressão Uniformemente Distribu-
ída: “Teoricamente, as pressões se propagam até grandes profundidades, mas,
para fins práticos, convencionou-se admitir em casos comuns, que o material
significativamente solicitado por uma determinada placa, fica delimitado pela
linha de igual pressão (...). Esse corpo sólido, assim solicitado, é também cha-
mado bulbo de pressão”.
Pedro Maa (1999) traz exemplo, em sua obra literária, de colapso de obra urbana de contenção de encosta,
originando, ação judicial indenizatória, onde, resumidamente, conclui que a causa fora: “(...) QUANTO À EXECU-
ÇÃO DA OBRA:
Responsabilidade na Construção Civil 118 119
“A execução da obra de contenção foi recheada de vícios construtivos, con-
forme anteriormente descritos, que interferiram diretamente nas condições e
premissas de cálculo do projeto executado.
A modificação dessas condições e premissas foram muito expressivas, mor-
mente em período de chuvas intensas e continuadas, a ponto de provocar a
ruína generalizada da obra.
Não há dúvidas para se concluir, que as causas que motivaram a ruína da
obra de contenção, foram oriundas de vícios construtivos”.
2.5 ALTERAÇÃO DE UMIDADE/SATURAÇÃO DO SOLO ARGILOSO EM TERRE-
NO VIZINHO
Padaratz (2000) descreve que a inuência das vibrações causam rearranjo dos grãos dos solos. “Intensidade
= f (tipo de solo, grau de saturação, intensidade e duração da fonte de vibração) – FONTES (f): explosões; esta-
queamento, tráfego, equipamentos industriais, terremotos etc.
Destaca ainda, que dentre os problemas clássicos em fundações, das falhas na etapa de projeto, está a não
consideração do efeito de grupo de estacas e tubulões, onde enumera os problemas devidos a fatores externos:
“Variações no Teor de Umidade do Solo:
- aumento do teor de umidade: rompimento de tubulações, chuvas inten-
sas, inundações;
- diminuição do teor de umidade: árvores próximas, rebaixamento do
nível do lençol freático.
Inuência de Obras Vizinhas:

- escavação em terreno vizinho;
- vibrações próximas;
- carregamento em terreno vizinho.
ATERRO
NOVO CARREGAMENTO
EDÌFÌCAÇÃO
Tempo (anos)
R
e
c
a
lq
u
e

(
c
m
)
C
a
r
g
a

(
k
N
/
m
)
2
FONTE: PADARATZ ( 2000 ) – Efeito de um novo
carregamento sobre um processo de adensamen-
to já iniciado.
Pinto (2000) trata em sua obra literária, quanto às deformações devidas a carregamentos verticais, que:
“Um dos aspectos de maior interesse para a engenharia geotécnica é a de-
terminação das deformações devidas a carregamentos verticais na superfície do
terreno ou em cotas próximas à superfície, ou seja, os recalques das edificações
com fundações superficiais (sapatas ou radiers) ou de aterros construídos sobre
os terrenos.
Estas deformações podem ser de dois tipos: as que ocorrem rapidamente
após a construção e as que se desenvolvem lentamente, após a aplicação das
cargas.
Deformações rápidas são observadas em solos arenosos ou solos argilosos
não saturados, enquanto que nos solos argilosos saturados os recalques são
muito lentos, pois é necessária a saída da água dos vazios do solo.
O comportamento dos solos perante os carregamentos, depende da sua
constituição e do estado em que o solo se encontra, e pode ser expresso por
parâmetros que são obtidos em ensaios ou através de correlações estabelecidas
entre estes parâmetros e as diversas classificações”.
Responsabilidade na Construção Civil 120 121
2.5.1 CASO DE AÇÃO JUDICIAL
Em relatório e sentença judicial proferida, onde participamos como Assisten-
te Técnico da parte Autora, em ação judicial (Ação Cominatória de Reparação de
Danos) movida por vizinhos lindeiros contra o proprietário de terreno urbano
desta cidade, traz um exemplo clássico do avençado anteriormente.
O relatório judicial proferido discorre sobre o caso judicial que:
“Ocorreu que, em meados do ano de 1994, o Requerido, proprietário do
terreno urbano que ainda não havia construção (único e último da quadra),
com caimento em direção aos fundos do mesmo, em aproximadamente, 3 (
três ) metros, onde tencionaram a executar um aterro de terras em sua data,
depositando 100 (cem) caminhões de terra, sem edificar, antes, obras de enge-
nharia para conter o volume de terras e propiciar a drenagem do terreno, o que
decorridas chuvas de primavera/verão de 94/95, ficaram represadas ao longo
das divisas laterais e de fundo do terreno.
Apresentado Laudo Técnico elaborado por Perito Engenheiro (de autoria des-
te Assistente Técnico), que concluiu que a inação do requerido em efetivar as
obras de engenharia, foi preponderante aos danos nas residências dos autores.
(...), tratando-se de direito cristalino diante à responsabilidade objetiva do
Requerido, demonstrada por Laudo Técnico trazido, representando o “fumus
boni iuris”, enquanto o “periculum in mora” resulta factível, assim como foi ale-
gado, pois caso não se providenciasse a imediata construção do muro de arrimo
e obras de drenagem, os danos tornar-se-iam irreversíveis, acharam, então,
demonstrados os requisitos do art. 273 do CPC autorizador de antecipação de
tutela. Acresceram que diante do risco real e iminente e que se agravava, no
caso do Requerido não se acautelassem preventivamente, fossem compelidos a
prestar caução real, com fulcro no Art. 555 do CC/1916, para que efetivamente
sejam ressarcidos de seus prejuízos.
(...) Manifestou-se, o Perito nomeado por este Juízo, às fls. 93 e 94, que
ratificou o Laudo Técnico já apresentado pelos autores, acrescentando que o
imóvel da autora: Sra. .........., não tinha condições de habitação, e que, portan-
to, mudou-se. Salientou ser urgente a execução do muro de arrimo e drenagem
da data do requerido.
Às fls. 95 e verso, deferiu este Juízo, a antecipação da tutela, determinando
o prazo de 15 ( quinze ) dias para a construção das obras de engenharia neces-
sárias, sob pena de multa diária de R$ 500,00 (quinhentos reais).(...)”.
Segue o relatório judicial, onde em contestação do Requerido, afirma:
“(...) que as rachaduras e demais danos apresentados nas edificações dos
Autores, não foram causadas pela terra colocada na data do requerido e nem
mesmo pela falta de muro de arrimo ou sistema de drenagem, pois, alega, foi
observada distância em relação aos muros divisores para colocação de terra,
onde foi feita uma vala para fluência natural e eventual de acúmulo de água”.
Na parte final, na decisão – na sentença judicial, do Juiz, declara:
“(...) Em que pesem as defesas do Requerido, restou demonstrado que os
mesmos não foram diligentes quando aterraram a data n.06, que divisa com
os imóveis dos Autores, pois não executaram as obras necessárias, ou seja, o
indispensável muro de arrimo, que só foi construído por determinação judicial,
como se vê das fotos de fls. 176 a 181.
Embora as construções dos Autores são antigas e seus alicerces plantados
sobre sapatas, ou pedras amarroadas, eram habitáveis, pelo menos em tese,
como são tantas outras construídas na cidade, no mesmo sistema. Não se tem
dúvidas que a causa primária dos trincos e rachaduras de paredes são originá-
rias da cumulação de terra na data n.º 06, do Requerido, devido as infiltrações
das águas pluviais em demasia que caíram nos idos de 1994/1995, mas por
falta de retenção por inexistência do muro de arrimo. A terra ainda não com-
pactada, formou grandes charcos e escoou pelo caminho natural, mais baixo,
causando danos nos prédios lindeiros. Por mais que o requerido menospreze os
laudos periciais, unilateral dos Autores e o do Perito do Juízo, eles demonstra-
ram, de forma lógica e clara que houve negligência e imprudência ao aterrarem
o terreno sem orientação técnica necessária.
A culpa pelos danos recai sobre o Requerido. Não se tenha dúvidas que o
erro imprudente, negligente e inescusável do Requerido causou danos aos auto-
res, de ordem material e de grande intensidade, passíveis de reparação.
Responsabilidade na Construção Civil 122 123
(...) Ante ao exposto, julgo procedente a ação e parcialmente a pretensão
dos Autores, condenando o requerido a indenizá-los pelos danos materiais
perpetrados, ou seja, a FULANO DE TAL (...). De conseqüência, condeno-os,
ainda, nas custas processuais e verba honorária, face a regra do art.20, pará-
grafo 3º do CPC, vigente”.
Capítulo VIII
5 - *A FALHA OU O ERRO: ASPECTOS PSICOLÓGICOS
ENVOLVENTES
_________________________________________
Colaboração técnica exclusiva para esta obra literária, do Psicólogo Dr. Jair Ribeiro dos Santos Junior.

Depois de um bom tempo participando como Perito Judicial em audiências,
mais precisamente em esclarecimentos de perícias frente ao Juiz, Advogados,
Promotores, e às partes envolvidas em litígio, partes estas que invariavelmente
são colegas de profissão envolvidos em ações de indenizações – responsabili-
dades de engenharia, observamos que na sua grande maioria as finalizações
destes litígios poderiam ser resolvidos sem que o desgaste psicológico afetasse
de tal monta, que pudesse vir a desestimular a continuidade destes mesmos
colegas no prosseguimento da profissão.
Assim, nesta procura por entender qual o motivo de não tomar uma atitude
no início do surgimento de uma possível falha na atividade de construir, pro-
curei exatamente e na explicação do desgaste psicológico que esta omissão ou
medo (se assim posso definir como leigo no assunto) poderia vir a afetar tão
largamente na conclusão dos litígios judiciais, além do prejuízo normal que a
questão dispende.
Nesta curiosidade, o trabalho de importante colaboração e explanação a se-
guir, de um profissional da área, Santos Junior, retrata com maior propriedade e
muita profundidade o assunto nas mais variadas fases em que o ser humano se
desvenda, quando defronte ao enfrentamento de seu próprio erro ou falha.
1 COMO O SER HUMANO SE COMPORTA COM O PRÓPRIO ERRO OU FA-
LHA?
Quando as pessoas utilizam a célebre justificativa, que “errar é humano”,
estas pessoas estão certas em afirmarem isso. Elas simplesmente não se aten-
tam para a responsabilidade que se impõe na aceitação da intenção de errar,
incutida na utilização de uma justificativa, assumindo assim a fraqueza humana
perante seus impulsos.
Responsabilidade na Construção Civil 124 125
Pois pensemos, que a recíproca seria verdadeira, pois “acertar também é
humano”, fato este que comprova a intenção positiva perante as situações, a
iniciativa de sempre buscar o melhor, e de fato o ser humano em sua grande
maioria mais acerta do que erra, porque se não fosse dessa maneira, o homem
não evoluiria, e nem construiria.
A iniciativa que muitas pessoas adotam em alegar o fato de ter “tentado
acertar”, caracteriza como se sujeitar a estar errando, aceitando intimamente
às possibilidades de errar.
Outro aspecto importante é que acertar não implica em ter que assumir suas
pulsões, e nem assumir as causas intrínsecas à decisão.
Errar, na maioria das vezes, acaba sendo parte de um processo de aceitação,
de uma condição na qual a própria pessoa se coloca. A pessoa assumiu uma
iniciativa de agir que continha o erro, como possibilidade, sendo capaz de satis-
fazer a uma impulsividade que vai encontrar o fim máximo da responsabilidade
embutida em seus atos.
Pois toda decisão está envolvida de suas responsabilidades finais, onde te-
mos as pessoas que tentam se justificar, tentando se isentar, transferindo de
“si”, alegando ser característica de todos os humanos.
2 ELE ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR O PRÓPRIO ERRO OU FALHA?
QUAL A CONSEQUÊNCIA DISTO?
Errar não só é humano, como é do “querer humano”.
O indivíduo que deseja errar, como forma de burlar o preestabelecido, o faz
como uma forma de exigir um gesto de repressão, e no grau máximo, chamar a
atenção para as suas possibilidades de cometer “delitos” pessoais, correndo o
risco assim de ter que se reestruturar, por força da situação, e não por iniciativa
pessoal.
Os primeiros questionamentos surgidos ao mencionarmos a consciência do
erro, no entendimento humano seriam:
De onde provém, no intelecto humano, à predisposição a errar?
E por quais razões este não é evitado?
Partindo do embasamento teórico que Freud fornece, de que nada ocorre
por acaso, que nos processos mentais, tudo tem uma causa atribuída, onde se
identifica uma para cada pensamento, sentimento ou ação, e, principalmente,
as decisões teriam uma origem causal. Tornando assim cada um, responsável
por suas ações e iniciativas, mediante escolhas e decisões que por ventura po-
deriam findar em erro ou em uma consequência inesperada.
Todos os resultados são esperados em consequência de uma decisão, do
contrário seriam variações de resultados, que poderiam ser previstos ou imagi-
nados.
Sendo assim temos, que cada evento mental é causado por uma intenção
consciente ou inconsciente, e esse processo é determinado pelos fatos que pre-
cedem à tomada de decisão.
E de quais aspectos essa iniciativa estaria mais próxima; quando esta di-
ferenciação se apresenta da seguinte forma: onde correspondemos ao termo:
“consciente”, tudo de que estamos cientes em um determinado momento, as-
sim temos que uma decisão ciente das especificidades de seus resultados não
poderia destoar de um erro; seria um risco assumido de forma consciente.
Pois tendo em si todos os parâmetros para uma tomada de iniciativa que
fugisse de determinados resultados, podendo de posse desses parâmetros, bus-
carem uma finalização que gerasse a satisfação, e um resultado positivo e re-
compensador.
Mas nem sempre funciona assim. Pensemos nos aspectos inconscientes das
tomadas de decisão, que podem gerar erros, e que a primeira vista seriam ines-
perados, pois são respostas empíricas de pulsões e instintos desconhecidos, ou
ignorados pelo autor da ação.
Descrevemos o inconsciente, como sendo a premissa inicial de Freud, que
apontava que havia conexões entre todos os eventos mentais, e que por ventura
quando um pensamento ou sentimento não estivesse relacionado aos pensa-
mentos e sentimentos que o antecedessem, as conexões estariam no incons-
ciente. Sendo que estes elos inconscientes seriam descobertos, e assim a apa-
rente descontinuidade dos eventos mentais estaria resolvida.
Freud designa, que um processo psíquico é inconsciente, quando podemos
afirmar que a existência deste, somos obrigados a supor, devido a um motivo tal
que inferimos a partir de seus efeitos, mas que do qual nada sabemos.
Responsabilidade na Construção Civil 126 127
No inconsciente, identificamos elementos instintivos que não são acessíveis
à consciência. O inconsciente é responsável por manter o material que foi ex-
cluído da consciência, censurado ou reprimido. Este material não é esquecido
nem perdido, só não é permitido ser lembrado.
Temos, assim, que a maior parte da consciência é inconsciente. Nela se
encontra os principais determinantes da personalidade, as fontes da energia
psíquica, as pulsões e os instintos.
Esses instintos são pressões que orientam um organismo para determinados ns especícos, e é a maior causa
de toda atividade no indivíduo. Freud aponta os aspectos físicos dos instintos como sendo necessidades; sendo
assim, temos os instintos como forças propulsoras que incitam as pessoas à ação.
Sendo assim, podemos identificar no instinto quatro componentes: uma fon-
te, uma finalidade, uma pressão e um objeto. Sendo a fonte o surgimento de
uma necessidade, podendo ser uma parte ou toda a ação. A finalidade seria
reduzir essa necessidade até que nenhuma ação fosse mais necessária; é dar
ao organismo a satisfação exigida no momento. Já a pressão vem a ser a quan-
tidade de energia ou força que é empenhada para satisfazer o instinto que é de-
terminado pela intensidade ou urgência da necessidade anterior. Identificamos
que o objeto de um instinto pode vir a ser qualquer coisa, ação ou expressão
que permita a satisfação da finalidade imposta na tomada de iniciativa.
O ponto agravante, é que o ser humano pode buscar corresponder aos ins-
tintos de várias maneiras, que diretamente no momento de uma decisão podem
afetar o seu direcionamento a acertar, ou a preferir cumprir com suas tendên-
cias instintivas.
A tomada de decisão se faz com a necessidade mais o desejo, e ambos po-
dem ser ou não conscientes; isso tudo, somado a toda noção, ideias, hábitos e
opções que o influenciam no momento.
Deve-se ir à procura, das causas dos pensamentos e comportamentos, de
modo que se possa lidar de forma mais adequada com uma necessidade que
não esteja sendo satisfeita por um pensamento ou comportamento particular na
hora de se tomar uma decisão.
Então, é possível determinarmos que haja uma pré-intenção consciente ou
inconsciente, no ato de errar; uma aceitação da circunstância a qual almejava
se encontrar futuramente. Processos esses que podem se dar de maneira níti-
da, e consciente, ou imbuída de aspectos inconscientes, “desconhecidas” pelo
autor da ação.
Fato é que se apontarmos uma razão interna, à decisão que faz ser apa-
rentemente aceitável a possibilidade de não se submeter à circunstância que
geraria o erro, torna o fato de errar muito mais responsável, e inerente ao desejo
humano.
3 O SER HUMANO TRANSFERE SUAS FALHAS PESSOAIS EM UMA ATIVI-
DADE OU FUNÇÃO OU PROFISSÃO QUE ELE EXERÇA FUTURAMENTE?
COMO E POR QUÊ ISTO ACONTECE?
Os seres humanos contém dentro de si, os seus questionamentos, e também
as respostas; assim, todos estariam preparados para enfrentar os próprios erros,
mas esta busca é intermediada por detalhes muito mais delicados, como o fato
de admitir que em tal momento cedesse a determinadas pulsões, ou a instintos
específicos.
É que, inevitavelmente, vai tentar evitar assumir a responsabilidade de seus
atos, ou então vai negar, ou ainda, vai projetar essa insuficiência interna, em
outras pessoas, ocasiões, ou possibilidades, as quais não o influenciavam no
momento da decisão.
Mas fica aqui o apontamento, que se faz importante: a pessoa pode até fugir
da consequência dos seus erros, mas a causa primeira, ele sempre vai carregar
com ele.
Estar preparado para construir, não somente algo, como também um futuro,
onde se possam ter nitidamente as causas que o direciona a decidir coeren-
temente, não se deixando levar a uma situação que mereça a autocrítica, é a
forma mais autêntica de construir uma alta imagem que vai ser refletida em
todas as atividades que venha a desenvolver, e isto retornará como realização e
satisfação das vontades primordiais do ser humano.
Responsabilidade na Construção Civil 128 129
Capítulo IX
NOTAS E CONCLUSÃO DO AUTOR
1 A ARTE DE CONSTRUIR: SITUAÇÃO PARADOXAL
Ao se falar em construir, em edificar, ocorre uma situação diferenciada e
diria, até, paradoxal: num primeiro momento, de um modo positivo, um mo-
mento de sonho: o da construção, o da edificação e, por que não dizer, de uma
satisfação futura.
Em segundo momento e ao final da construção, como já descrevemos, sur-
gem complicações (daí o negativismo) e, que, para serem solucionadas depen-
dem de um terceiro envolvido – a pessoa que porta a colher ou o nível de pe-
dreiro ou a serra. Se este terceiro envolvido tiver boa intenção e responder com
ética e profissionalismo, e isto ocorre com certa frequência, por diversas razões
e desculpas, não terminando, invariavelmente, em nada amigável.
Sobrevém atribuição de culpa ou de culpas à ponta hierárquica das res-
ponsabilidades previstas no Código Civil Brasileiro – aos profissionais da enge-
nharia, sem o direito de poder isentar-se ou bradar em prol de que na verdade
real dos fatos, não estava, o profissional da ponta hierárquica, quem detinha o
equipamento braçal para cumprir aquela tarefa, que foi executada em desacor-
do técnico.
2 PERGUNTAS E RESPOSTAS. O QUE É MAIS IMPORTANTE?
Nos deparamos, e até para abrandar o relatado no capítulo anterior, um tes-
temunho de professor universitário (KANITZ, 2005), formado em outra concep-
ção de estudo, fora de nosso país –Harvard, que relata um bom aconselhamen-
to, se assim posso afirmar, para nos preparar para exercer qualquer atividade, e
a cumpri-la dignamente, onde discorre:
“Temos um ensino no Brasil voltado para perguntas prontas, e definido por
uma razão muito simples: é mais fácil para o aluno e também para o profes-
sor.
O professor é visto como um sábio, um intelectual, alguém que tem solução
para tudo. E, os alunos, por comodismo, querem ter as perguntas feitas, como
no vestibular.
Responsabilidade na Construção Civil 130 131
Nossos alunos estão sendo levados a uma falsa consciência, o mito de que
todas as questões do mundo já foram formuladas e solucionadas. O objetivo
das aulas passa a ser apresentá-las, e a obrigação dos alunos é repeti-las na
prova final.
Em seu primeiro dia de trabalho você vai descobrir que seu patrão não lhe
perguntará quem descobriu o Brasil e não lhe pagará um salário por isso no fim
do mês; nem vai lhe pedir para resolver 4/2 = ?.
Em toda a minha vida profissional nunca encontrei um quadrado perfeito,
muito menos uma divisão perfeita; os números da vida sempre terminam com
longas casas decimais.
Seu patrão ou seu cliente vai querer saber de você quais são os problemas
que precisam ser resolvidos em sua área. Bons administradores são aqueles que
fazem as melhores perguntas, e não os que repetem suas melhores aulas.
Não existem mais perguntas a serem feitas depois de Aristóteles e Platão.
Talvez por isso não encontremos solução para os inúmeros problemas brasilei-
ros de hoje.
O maior erro que se pode cometer na vida é procurar soluções certas para
os problemas errados.
Em minha experiência e na da maioria das pessoas que trabalham no dia-a-
dia, uma vez definido qual é o verdadeiro problema, o que não é fácil, a solução
não demora muito a ser encontrada.
Se você pretende ser útil na vida, aprenda a fazer boas perguntas mais do
que sair arrogantemente ditando respostas.
Se você ainda é estudante, lembre-se de que não são as respostas que são
importantes na vida; são as perguntas.”
Neste diapasão, no exato momento que ocorrer qualquer reclamação de erro
ou falha na construção, me vem a mente a seguinte pergunta: quais passos
devem ser seguidos quando se deparar com este tipo de situação?
Acredito que a melhor alternativa, por mais simples que pareça, é não esqui-
var-se da situação de possível erro.
Primeiro indo ao local, por mais difícil que seja a comunicação com o cliente
ou o vizinho reclamante. Apresente a ele, o mais breve possível, um relatório
técnico de acompanhamento das patologias ou dos defeitos que será indicado
ao profissional, mesmo que inicialmente lhe pareça uma prova de sua futura
“culpabilidade”, ou contrate um terceiro profissional especializado na área, im-
parcial, para elaborar este relatório técnico. Isto fatalmente passará pela apro-
vação ou de outro profissional no campo judiciário e, que verificará a sua não
negligência com seu pronto atendimento e, possivelmente, atuação de maneira
menos dispendiosa.
Este relatório poderá conter informações ao seu cliente ou reclamante, das
manutenções ou prevenções corretivas a serem adotadas com suas possíveis
causas, e futura troca de material para um mais apropriado ao ambiente.
Isto trará um conforto profissional ao mínimo da seguinte ordem: continuar
acreditando na sua capacidade, pois sem ela, seu desgaste e sua integridade
psicológica, estará, ao mínimo abalada.
Sobre de quem é a responsabilidade, estará, com este ato, relegado, não
menos importante, em segundo plano.
O que o profissional tem que, finalmente, se preocupar, é de não cometer o
erro da “irresponsabilidade” ao de estar, sempre, disposto e pronto ao atendi-
mento, por mais banal ou simples que lhe pareça a reclamação de um erro ou
de uma falha cometida no exercício de sua profissão.
Grandiski (2001) também traz um alerta em sua valiosa obra literária que:
“Na área ligada à construção civil, o STF – Supremo Tribunal Federal e pos-
teriormente o STJ – Superior Tribunal de Justiça abandonaram o antigo conceito
de que a responsabilidade civil deveria se limitar à reparação do dano, fundada
ou não na culpa do responsável. Sua função deixa de ser apenas ressarcitória,
para servir como indutor da prevenção antecipada para evitar o dano.
Essa nova orientação parte do princípio de que a indenização não pode atin-
gir valores insuportáveis, extrapolando os limites lógicos do nexo de causalidade
entre a ocorrência e sua conseqüência. Mas, por outro lado, essa indenização
deveria servir como advertência aos agentes causadores, impondo-lhes verda-
deiro receio pelas conseqüências de seus atos, elevando seu comportamento
ético ao mesmo e elevado patamar do comportamento profissional.”
Responsabilidade na Construção Civil 132 133
Maia Lima & Pacha (2005) concluem seu valioso trabalho, que:
“Na verdade, existe todo um processo executivo errado, que é uma falha do
controle de qualidade do mesmo, quando existe. O meio técnico, que é respon-
sável pelo controle em geral, se deixa levar pela “acomodação” ou até mesmo
não tem capacidade de decisões claras e corretas, prejudicando o processo
executivo.
Esse mesmo profissional, deve estar presente tanto antes, durante e após o
período de concretagem (execução), para distinguir e eliminar pequenos deta-
lhes. O exemplo, seria o da não observância de elementos prejudiciais na base
dos pilares e, não havendo a limpeza, os mesmos irão colaborar para o início
precoce do mecanismo da corrosão.
Em relação às fissuras, são inevitáveis. Mas, se as mesmas forem vistas
dessa maneira, não mais nos preocuparemos em preveni-las.
Sabendo que elas são caminhos mais fáceis aos agentes agressores, temos
que tomar cuidados em toda a fase de projeto e, sem dúvida, na execução das
estruturas de concreto armado.
Tendo em vista as fissuras, a carbonatação, a corrosão das armaduras, fa-
tores estes que influenciam diretamente na durabilidade das estruturas, não há
dúvidas, que se não obedecermos e nos conscientizarmos em relação à questão
do fator água/cimento, cura do concreto, espessura e qualidade de cobrimen-
to da armadura, estamos certos que, necessariamente em pouco tempo, essa
mesma estrutura precisará ser recuperada.
Todos os processos de deterioração das estruturas podem ser de origem
física, química ou biológica, sendo estes, decorrentes na maioria das vezes do
ambiente em que estão inseridos e, dependentes do não treinamento da mão-
de-obra e a baixa qualificação do corpo técnico.
Para nós, do meio técnico, fica a idéia de que, se não podemos eliminar
totalmente as causas das doenças, podemos reduzir consideravelmente esses
fatores, aumentando a durabilidade das estruturas para que elas venham su-
portar o processo de deterioração e que tenha um período de vida útil mínimo
para o qual foi projetada”.
Para não incorrer nesta situação, o segredo está na precaução técnica? Diria
que aliado à precaução técnica está o comprometimento profissional diário e
a atitude efetivamente tomada, é o que faz de um profissional estar exercendo
sua função perante a sociedade, como prometido fora, no ato do recebimento
de seu diploma.
Responsabilidade na Construção Civil 134 135
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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tuto de Pesquisas Tecnológicas. São Paulo: PINI,1986.
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creto. São Paulo: PINI, 1988.
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nharia Civil da Universidade Federal do Pará – Serviço Público Federal, 2005.
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18 MELLO, Victor F. B.; TEIXEIRA, Alberto H. Mecânica dos Solos. São Paulo: U.S.P.
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Avaliações e Perícias. Porto Alegre a 1, n. 9, 2001.
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IBAPE/SP Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia. São Paulo, 2002.
28 SOUZA, Rafael Alves de. Ruínas Recentes de Edifícios no Brasil. 2º Encontro Tecno-
lógico da Engenharia Civil e Arquitetura de Maringá – II ENTECA. Maringá: UEM, 2001.
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Fissuras em Concreto. 1º Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura de
Maringá – I ENTECA. Maringá: UEM, 2000.
Responsabilidade na Construção Civil 138 139
CURRICULO PROFISSIONAL RESUMIDO
VALMIR LUIZ PELACANI
Engenheiro Civil
CREA PR n.º 17.303-D
ENDEREÇO: pelacani@creapr.org.br
FONE: (44) 3034.4613 / 9963.9280 (Maringá / PR)
ESPECIALISTA EM ENGENHARIA DE AVALIAÇÃO DE BENS E PERÍCIAS
ESPECIALIZAÇÕES, CURSOS E PARTICIPAÇÕES TÉCNICAS:
- Pós-Graduação: “Engenharia de Avaliação de Bens e Perícias”
- Ibape / Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia / SP
e PR - Unifil / Universidade Filadélfia – Londrina - UEM / Universidade
Estadual de Maringá – 2001/2003
- Graduação: “Engenheiro Civil”
- UEM – Universidade Estadual de Maringá / 1985
- Membro Titular: “I.B.A.P.E. - Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias
de Engenharia”
- São Paulo / 1997 a 2000, e, Paraná / 2000 a 2006
- Colaborador Técnico: “Revista de Avaliações e Perícias de Avaliações e
Perícias de Engenharia”
- Publicação Técnica Oficial do IBAPE / Entidade Federativa Nacional – In-
formativo Mensal da “S.I.A.E. - SOCIETAS INTERNATIONALIS AESTIMA-
TIONUM (S.A.I. - Sociedade Internacional de Avaliações; S.I.T. – Socie-
dad Internacional de Tasación; S.I.E. – Sociedad Internazionale di Estimo;
S.I.E. – Societê Internacionail da Expertisacione; I.S.A. – International
Society of Appraisal; I.G.E. Internationale Gesellschaft zur Einschatzung)”
- Editora AVALIEN – Porto Alegre - RS / desde 1996
Responsabilidade na Construção Civil 140 141
- “Curso de Atualização em Engenharia de Avaliações e Perícias”
- CREA PR / 1993 E 1997
- Palestrante em Encontro Tecnológico – ENTECA - Departamento de En-
genharia Civil - UEM - MGÁ (PR) / 2002
- Palestrante e Representante Técnico do Ibape-PR / Instituto Brasileiro
de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná / Semana Paranaense
de Engenharia “Sepec” – UEM / Mgá (PR) / 2005
- Palestrante: “Perícias e Riscos Ambientais” / Curso – Tecnologia do
Meio-Ambiente / UEM – Câmpus Umuarama (PR) /2007
- Palestrante: “Responsabilidade Civil na Construção” / AREARC – Asso-
ciação Regional de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Cianorte
– Cianorte ( PR ) / 2009
- Palestrante: “Responsabilidade Civil na Construção” / Capacitação Pro-
fissional - Training Company / Hotel Golden Tulip Park Plaza – São Paulo
(SP) / 2010
- Palestrante de Curso Cadastrado no Programa Pro-Crea/Pr: “Respon-
sabilidade Civil na Construção e Perícias Judiciais” / Curitiba (PR) /
2009
- Representante Técnico da Assoc. dos Engenheiros e Arquitetos de Ma-
ringá – A.E.A.M. Na “Comissão Especial de Avaliação de Imóveis de
Maringá – Planta de Valores Genéricos” - Secretaria da Fazenda / Munic.
de Maringá ( PR ) / 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009
- Representante Técnico da Assoc. dos Engenheiros e Arquitetos de Ma-
ringá – A.E.A.M. na “Comissão Especial da Defesa Civil / 5º CORE-
DEC – Coordenador Regional de Defesa Civil - Corpo de Bombeiros de
Maringá – Avaliação Técnica de Queda de Palanque / Paiçandu (PR)”
– Novembro / Dezembro de 2009 e Janeiro / Fevereiro de 2010
- Professor da U.E.M. – Universidade Estadual de Maringá / Departamen-
to de Engenharia Civil / 1990
- Diretor da A.E.A.M. - Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Marin-
gá – Biênio: 2009 / 2010
- Autor do Livro 01: “O Perito Judicial e o Assistente Técnico” - Editora JM,
Curitiba (PR) / 2003
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL:
- Perito Judicial da 6ª, 5ª, 4ª, 3ª, 2ª E 1ª Vara Cível de Maringá – Paraná /
1ª nomeação em 1989
- Perito Judicial da Vara Cível da Marialva – PARANÁ / 1ª nomeação em
2002
- Perito Judicial da Vara Cível de Ubiratã – PARANÁ / 1ª nomeação em
2003
- Perito Judicial da Vara Cível de Ivaiporã – Paraná / 1ª Nomeação em
2009
- Avaliador Junto à Previ - Caixa de Previdência do Banco do Brasil em
Maringá – Paraná / 1985 a 1992
- Avaliador Junto ao Banco Itaú em Maringá – Paraná / 1993
- Consultor Técnico da Sanepar - Cia. de Saneamento do Paraná / Reg. Mgá
– Processos de Ressarcimento de Danos / 1998
- Consultoria Especializada em Avaliações e Pareceres Técnicos Extra-Judi-
ciais a Advogados e Particulares de Maringá e Região
- Assistente Técnico em Várias Ações Judiciais
- Laudos de Avaliações / Resumido:
Novo Aeroporto de Maringá; Edificação e Terrenos do Shopping Center –
Aspen Park; Lojas Americanas; Edificação e Terrenos do Antigo Shopping
da Construção – Rodovia Pr-317; Terrenos da Polícia Federal; Edificação
e Terreno de Condomínios Residenciais, Comerciais e Residenciais (Cotel
– Prefeitura de Paraíso do Norte / PR – Cafeeira e Cerealista Feltrin – Co-
mercial Catarinense - Catarinense S.A.; Monolux Construções Civis – Lote
Responsabilidade na Construção Civil 142
204 / Sarandi (PR); e Demais Particulares); Terrenos Desapropriados de
Rodovias (D.E.R.) e Urbanos / Industriais (Município de Maringá – Copel
– Sanepar – Eletrosul – Ate V Londrina Transmissora de Energia); Demais
Residências e Comércios Particulares;
- Laudos de Inspeção Predial em Patologias de Edificações de Pequeno e
Grande Porte / Resumido:
Edifício Don Gerônimo; Edifício Portal do Sol; Edifício Villagio Difiren-
ze; Edifício Monet; Edifício Açores; Edifício Pantanal; Edifício Versalhes;
Edifício Van Gogh; Edifício Da Galeria Dona Eulália; Edifício Residencial
Dona Eulália; Edifício Residencial Joubert de Carvalho; Edifício Marques
de Sagres; Edifício Continental; Edifício Norte; Condomínio Residencial
Villa Fontana; Edifício Belle Ville Boulevard; Edifício Dona Amélia I e Ii;
Edifício Caravelas; Edifício La Palma; Edifício Néo Alves Martins; Edifício
Narayama; Edifício Vanor Henriques; Edifício El Greco; Edifício Del Arthur;
Edifício Citizen Park; Edifício Hércules; Edifício Lavoisier; Edifício Itália I;
Edifício Vinícius de Moraes; Edifício Maria José; Edifício Central Park;
Edifício Mário Pagani; Edifício Solimões; Hotel Deville; Edifício Maria Te-
reza; Cartório Liana Cláudia; Banco Santander; Imobiliária Theodorado;
Condomínio Residencial Iguaçu I; Condomínio Residencial Iguaçu II; Con-
domínio Residencial Petit Village; Conjuntos Habitacionais de Mandagua-
ri, São João do Ivaí e Barbosa Ferraz (PR); Escolas Estaduais de Maringá
– Ceebja (Zona 07), Flórida e Astorga (PR) – Distrito de Santa Zélia; Motel
Hipnose / Mandaguari (PR); A.S.P.P. – Associação dos Servidores Públicos
do Paraná / Caiobá (PR); Quadras de Esportes – Douradina / Perobal e
Tapira (PR) – Obras do Paranácidade; Clínica Odontológica Dr.ª Dirce M.
Balbinot Cavaletti – Campo Mourão (PR); Demais Residências e Comér-
cios Particulares.
- Relatórios de Vistorias Cautelares de Vizinhança em Edificações de Pe-
queno, Médio e Grande Porte:
Construtora Design; Construtora Vicky; Construtora Cantareiras / Maringá
(PR); Construtora Novo / Cianorte (PR).
0800 41 0067
www.crea-pr.org.br

Responsabilidade na Construção Civil

Eng. Civil Valmir Luiz Pelacani

CURITIBA - 2010

SUMÁRIO APRESENTAÇÃO .....................................................................13 INTRODUÇÃO ...........................................................................14
1 DA ORIGEM DA CONSTRUÇÃO E NECESSIDADE AO SER HUMANO ..........................................................17 EVOLUÇÃO DA CONSTRUÇÃO EM HARMONIA AO URBANISMO ................................................................19 A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL E SUAS BASES ................................................................................20 CONSTRUIR TRATA-SE DE CIÊNCIA EXATA? .................................................................................................21

Gestão 2010
PRESIDENTE: Eng. Agrônomo Álvaro José Cabrini Júnior 1º VICE-PRESIDENTE: Eng. Civil Gilberto Piva 2º VICE-PRESIDENTE: Eng. Civil Hélio Sabino Deitos 1º SECRETÁRIO:  Técnico  em  Edificações  Márcio  Gamba 2º SECRETÁRIO: Eng.  Mecânico  Elmar  Pessoa  Silva   3º SECRETÁRIO: Eng. Agrônomo Paulo Gatti Paiva 1º TESOUREIRO: Eng. Civil Joel Kruger 2º TESOUREIRO: Engenheiro Eletricista Aldino Beal DIRETOR ADJUNTO: Eng. Agrônomo Carlos Scipioni

2 3 4

Capítulo I - DIREITO DE CONSTRUIR E A HARMONIA NA VIDA COMUNITÁRIA
1 2 3 4 DIREITO DE PROPRIEDADE: FUNÇÃO E EVOLUÇÃO ...................................................................................23 CONSTRUÇÃO OU EDIFICAÇÃO – QUAL A DIFERENÇA?.............................................................................23 O SIGNIFICADO DE “PRÉDIO”..........................................................................................................................24 CONSTRUÇÃO E SEU LIMITE AO INICIAR ......................................................................................................25

[ conteúdo é de responsabilidade do autor ]

Capítulo II - RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA À CONSTRUÇÃO
1 VIZINHANÇA E EXTENSÃO DE SEU CONCEITO ............................................................................................27 AVANÇAR A CONSTRUÇÃO E INVADIR O VIZINHO? SAIBA COMO NÃO INCORRER NESTE ERRO.........27 2

Cadernos do CREA-PR N.° 1  -­  Ética  e  Responsabilidade  Profissional N.° 2  -­  Ética  e  Direitos  Profissionais N.° 3  -­  Ética  e  Organização  Profissional N.° 4  -­  Acessibilidade:  Responsabilidade  Profissional N.° 5  -­  As  Entidades  de  Classe  e  a  Ética  Profissional N.º 6 - Responsabilidade Social N.º 7 -­  Responsabilidade  na  Construção  Civil

Capítulo III - LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS À CONSTRUÇÃO
1 VINCULAÇÃO DAS RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA ÀS LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS EM PROL DO BEM-ESTAR DA POPULAÇÃO.................................................................................................................................33

Capítulo IV - LIBERDADE DE USO DA PROPRIEDADE ........35
1 2 3 NORMALIDADE E ANORMALIDADE DE USO DA PROPRIEDADE .................................................................36 DIREITOS DO VIZINHO .....................................................................................................................................36 INCÔMODOS AO ATO DE CONSTRUIR: ATÉ ONDE SE CONSIDERA UM ERRO OU FALHA TÉCNICA? ....36

Capítulo V - RESPONSABILIDADES NA CONSTRUÇÃO CIVIL.. 39
CREA-PR - Rua Dr. Zamenhof, 35 - CEP 80.030-320 - Curitiba - PR Central  de  Informações:  0800-­410067   E-mail: comunicacao@crea-pr.org.br www.crea-pr.org.br twitter.com/CREA_PR

1

RESPONSABILIDADE QUE INDEPENDE DE CULPA ......................................................................................40 1.1 RESPONSABILIDADE OBJETIVA............................................................................................................40 1.2 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA..........................................................................................................41

2

PRIMEIRO PASSO ANTES DE CONSTRUIR: FAÇA UMA VISTORIA PRÉVIA DA VIZINHANÇA ...................41

5

.........................................................................................53 3.........75 OCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO ...4............1...4..........52 DO NÃO ATENDIMENTO À RECLAMAÇÃO ..49 PENALIDADES ...70 3.....4.....................1....................................4.............62 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA............................2.................................................................45 3...............................3 3.................4...............................................75 3.................73 3......................69 CASO PARTICULAR DA IMPLOSÃO DE CONSTRUÇÃO ...4..........................................47 3........1 3.................................................6...............6.....3 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA .......2................................10........2 EMBARGO ....................10............................................4....................5 3...............2...........4.....................................50 DOS VÍCIOS OCULTOS OU REDIBITÓRIOS ....................................................63 3..............................1 MULTA .......4............2 3........................................................................................8....65 3..3...45 3....................................4...................................61 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .......................................................................3 RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL................ NÃO EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE DO PROPRIETÁRIO .........................3 3................2.......2 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA ..............1 PRAZO PARA A RECLAMAÇÃO: DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO ........................................1 3.....10...........4 3...72 3.............4............58 3.......................................................10..............................6 DOS FORNECIMENTOS ............4.......................................65 3..............................................4......4................................9.................73 3............................66 DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS ...........................................1...........................................48 3.............8........................................3.......6...4..........................76 6.....CDC ...............................................1 DO DESGASTE NATURAL OU FALTA DE MANUTENÇÃO....................9...........4 ÉTICO-PROFISSIONAL .............3 3......4...3 SANÇÕES..44 3......................65 3.............................4....................................................................48 DOS DEFEITOS ...................46 3.......................4..4...................72 3...................1 3..................................................................................................11 DA FISCALIZAÇÃO MUNICIPAL ...........2....... IMPERFEIÇÕES OU FALHAS APARENTES .......................50 DOS VÍCIOS APARENTES...................................2.............3 DOS DANOS A VIZINHOS E TERCEIROS .............4......7 DOS TRIBUTOS .........1......4................67 TRIPLA FINALIDADE DE PUNIÇÃO E REFLEXOS NOS DIFERENTES RAMOS DO DIREITO..........2.......................................4.......4............73 3.......DA ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE NA CONSTRUÇÃO 1 2 3 4 5 EM LEGÍTIMA DEFESA.............61 O PLÁGIO DE PROJETO .....4................2 3...........................................................4 DAS ADAPTAÇÕES POSTERIORES ÀS NORMAS ....6.........4......1 CONSTRUÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA................1...........4.....66 3..45 3...69 3................9..................................................................................9 DO DESABAMENTO .........................4....2 3.........................................45 3.............4..............4 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DAS RESPONSABILIDADES ...........................................................8 ADMINISTRATIVA...............6........................................2 DA SOLIDEZ E SEGURANÇA....................64 6 DO FATO NECESSÁRIO À ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE....................................................................................43 3.....1 DO PERIGO EVENTUAL ...................................54 DO SOLO ...........................10 DA CONSTRUÇÃO CLANDESTINA..................2 EMPREITADA DE MATERIAIS .............................................................4...................................................................................4...........4.........................................................................................................................................................75 EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO RECONHECIDO .......1................................................1 CULPA E DOLO ...................2 3...........4 3.72 3.............................................................6...4...........71 3.....76 6...............................3 RESPONSABILIDADE DO RECEBIMENTO DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO..........64 3..4............4............................................................................4...........................................................56 SEQUÊNCIA PROFISSIONAL DE RESPONSABILIDADES ................................................................................................4.........................2 FONTES DE RESPONSABILIDADES ................................................1 RESPONSABILIDADE DO CONSTRUTOR OU DO PROPRIETÁRIO ..............4...4 3...........................4................................1 RESPONSABILIDADE LEGAL .....................62 3..68 3....................................2 PROVOCADO POR TERCEIROS ..............2 DO PROMISSÁRIO COMPRADOR.......................4............5 DO AUTOR DO PROJETO ..1............................2...................................................................1 3...........................4.......3.......................................................4................4...................................................................4.............................3 3..........................2 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL......64 3..........................................3..................................................................................................3 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR ..............9....4...............................................56 CONCEITO E RESPONSABILIDADE DO “CONSTRUTOR” E PROPRIETÁRIO ...................................................................52 PRAZO DE GARANTIA E PRAZO PRESCRICIONAL.................................................9.....1........................1 DA ATITUDE DOLOSA..4..........63 3...............75 EM ESTADO DE NECESSIDADE .............................................4................59 3...........4..........9..........................4.....10........................10.............................................6 3.....4........................79 6 Responsabilidade na Construção Civil 7 ..................................61 A ALTERAÇÃO DE PROJETO .....63 3..............60 FALTAS ÉTICAS ....5.......3 CONSTRUÇÃO POR TAREFA ............................................................6................58 3...............................................................................68 DO CÓDIGO PENAL................1 EMPREITADA DE LAVOR .............3...........6...63 3................................................2...............................3 DEMOLIÇÃO ...........70 DO ESTADO DE RUÍNA DA CONSTRUÇÃO .....................4........9......................................4.................1.............3....................................................................................................................2....4.........................................5 TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA ...1 DA PERFEIÇÃO .4...1 3..................................72 3.........1.........3.....72 3.....................60 Capítulo VI ..........4........60 MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DEPOSITADOS .61 A USURPAÇÃO DE PROJETO....10.4...63 3..........................................4 3......................71 3....................................4......................... NÃO CONFUNDIR COM IMPREVISIBILIDADE..........................2 RUÍNA DE CONSTRUÇÃO.......................45 3........................69 DA QUEDA DE MATERIAL OU FERRAMENTAS DE CONSTRUÇÃO ........................4..............................................2 3....................................4....................4................2 CONSTRUÇÃO POR ADMINISTRAÇÃO ..................1 RESPONSABILIDADE DA COMPRA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO ....1 O FUNDAMENTO DA RESPONSABILIDADE ..............................3 3...............................................1 3..............6.....3 DAS RESPONSABILIDADES ADVINDAS DO ATO DE CONSTRUIR ...........75 DE FORÇA MAIOR ..........................................................

..........................................3.............................................................................................................86 2............................................................................................................................101 2........116 2...................................................................................................................................................... NBR = Normas Técnicas Brasileiras 2.......................................2..................................................5 RECALQUE DE FUNDAÇÕES ....................5 ALTERAÇÃO DE UMIDADE/SATURAÇÃO DO SOLO ARGILOSO EM TERRENO VIZINHO ...3.....................................FALHAS TÉCNICAS E DEFEITOS ..3....................................................................................PATOLOGIA DE EDIFICAÇÕES .............................................................5 DE TRAÇÃO ................................2 DESABAMENTOS ..............................82 1....................................3.............................................................................. O QUE É MAIS IMPORTANTE? .............3...........110 Capítulo VIII ..........................................3................................................................................113 2..............3...................................106 2..............................8 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO DE FORMAS E ESCORAMENTOS ........83 1..........................82 1...............................................................................CASOS PRÁTICOS DE PERÍCIA EM CONSTRUÇÃO ...............4 2...........3.......103 2....................108 POR FORÇA CORTANTE OU CISALHAMENTO .............3 NA NATUREZA ......2 FISSURAS POR VARIAÇÃO DE TEMPERATURA ................................................86 2.......2 ESTATÍSTICAS DE INCIDÊNCIA DAS PATOLOGIAS..........................................................................3...................1 CASO DE AÇÃO JUDICIAL ............. ABNT = Associação Brasileira de Normas Técnicas.123 1 COMO O SER HUMANO SE COMPORTA COM O PRÓPRIO ERRO OU FALHA?..........................................114 2...........3 FISSURAS ......................................................3....................................................129 Referência Bibliográfica ...................................106 DE COMPRESSÃO OU FLAMBAGEM DE ARMADURAS..............3.7 FISSURAS POR ASSENTAMENTO PLÁSTICO ........................1 ORIGENS......3 2...........................................................................107 DE FLEXÃO ................5.......124 3 O SER HUMANO TRANSFERE SUAS FALHAS PESSOAIS EM UMA ATIVIDADE OU FUNÇÃO OU PROFISSÃO QUE ELE EXERÇA FUTURAMENTE? COMO E POR QUÊ ISTO ACONTECE? .......................NOTAS E CONCLUSÃO DO AUTOR 1 2 A ARTE DE CONSTRUIR: SITUAÇÃO PARADOXAL .............................135 CC = Código Civil Brasileiro..........2 2....1 A IDÉIA DE INSPEÇÃO PREDIAL OBRIGATÓRIA .........................................127 Capítulo IX ....................3.......................118 2...........................................................94 2.82 1...........................3....................Capítulo VII .................................................3.........115 2................122 8 Responsabilidade na Construção Civil 9 ........................................84 2 ESTUDO DE CASOS: ............................................105 2..3................................................................................................110 2.......................................81 1 PATOLOGIA DAS CONTRUÇÕES ...........1 FISSURAS POR RETRAÇÃO ..........................109 POR TORÇÃO ............................................1........................ CP = Código Penal Brasileiro................................................3......................................................................................123 2 ELE ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR O PRÓPRIO ERRO OU FALHA? QUAL A CONSEQUÊNCIA DISTO?.......................1......................6 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO HIGROSCÓPICA .....................1 EXÓGENA ....116 2............................A FALHA OU O ERRO......129 PERGUNTAS E RESPOSTAS........................................................................................................................83 1..............3 FISSURAS POR ESFORÇOS ....95 2........................1 2.....1 FALHAS TÉCNICAS ...............2 ENDÓGENA......................................3....4 MOVIMENTO DE TERRAS/BULBO DE PRESSÃO E PERDA DE RESISTÊNCIA DE ESTACAS DE DIVISA – RECALQUE DIFERENCIAL ...1...............3............................................... ASPECTOS PSICOLÓGICOS ENVOLVENTES ....................4 FISSURAS POR CORROSÃO DA ARMADURA EM CONCRETO ARMADO ..................................... CDC = Código de Defesa do Consumidor.........................

Responsabilidade na Construção Civil 10 Responsabilidade na Construção Civil 11 .

Boa leitura a todos. O assunto é extremamente atual e as informações necessárias ao ético exercício profissional. Álvaro Cabrini Jr Presidente do CREA-PR 12 Responsabilidade na Construção Civil 13 . as legislações e prazos vigentes com relação a garantia. passando pelo que diz o Código de Defesa do Consumidor.APRESENTAÇÃO A presente publicação traz como contribuição aos profissionais da construção civil informações importantes com relação às responsabilidades no momento do exercício da profissão em obras e serviços. Traz ainda inúmeras situações pelas quais muitos profissionais já se depararam ou ainda virão a vicenciar no exercício das profissões e que contribuem sem dúvida para uma conduta ética e responsável. Agr. No texto o autor relata o resultado de um extenso trabalho científico alicerçado no conhecimento do dia a dia da profissão e na relação com o contratante e o meio relacionado ao local onde a obra ou serviço está sendo executado. Eng. suas características e penalidades impostas ao profissional. por exemplo. contratual e extracontratual. Que esta leitura subsidie os profissionais que atuam na área da construção civil e que incentive contribuições para próximas publicações a serem editadas pelo CREA-PR. Traça com propriedade as responsabilidades legal.

de experiência do autor ao longo destes mais de vinte anos. quando assim exercem esta atividade. Temos a intenção precípua de que os interessados e detentores do conhecimento técnico da atividade de construir. pois elas acontecem e com bastante frequência. acompanhando e tratando tecnicamente alguns exemplos de defeitos. onde por mais que queiramos não devemos tapar nossa mente e nossa visão – e é aí que pretendemos. até servindo de alerta a determinadas situações que surgem na atividade de construir. em análise de resultados/sentenças de ações judiciais pertinentes. atingir do leitor. esta precaução e. acreditem os senhores leitores ou não. ter a pretensão neste momento. que não somente pelo fato das imprevisões estarem previstas em lei. com esta colaboração literária. bem como. anomalias ou patologias em trabalhos periciais.INTRODUÇÃO A indústria da construção civil trata essencialmente de atividades que envolvem conhecimentos técnicos especializados e conhecimentos jurídicos que se integram e consequentemente se harmonizam nas características do conjunto engenharia-legal. sem contudo. aos cuidados e precauções com a vizinhança que devem ter os profissionais e proprietários. possam se familiarizar. de esgotar o assunto. além de aspectos jurídicos diretamente relacionados à atividade de construir. engenharia-direito. Este trabalho visa. 14 Responsabilidade na Construção Civil 15 . modestamente.

das relações comunitárias. que o consumidor em sua aquisição de uma habitação na cadeia produtiva tem. argamassou a areia e ergueu o palácio.1 DA ORIGEM DA CONSTRUÇÃO E NECESSIDADE AO SER HUMANO Sabemos que a construção remonta às origens da humanidade. Existe. forjou o ferro e levantou o arranha-céu. E nesta situação. trabalhar. os projetistas e os empresários construtores. e não lhe é permitido interferir na execução da obra. o homem construiu a cidade. Construindo a habitação. segundo Ross (1988). e apontado por Gomes (1990). a necessidade de estabelecer um elo de ligação entre o consumidor. com a seguinte colocação: “a meta de uma empresa é atender ao consumidor. Urbanizou-se. uma incompatibilidade entre o consumidor e os construtores. sem isso. num lento e perene aprimoramento da técnica de construir. que marcou o advento da Engenharia e da Arquitetura. de acordo com Cabrita (1990). reclamando uma arte – o Urbanismo. pois na maioria das situações. a sobrevivência da organização está ameaçada. a empresa depende do consumidor e não o contrário”. num estreitamento. porque não há outro meio de se manter no mercado e. ele não intervém na escolha ou decisão sobre o local da construção. recrear. Completa ainda que. Na cidade. vários objetivos de qualidade. que 16 Responsabilidade na Construção Civil 17 . é transformado em ator principal. lascou a pedra e construiu a casa. raramente influi no projeto. utilizando-se da propriedade particular e dos bens públicos. e Paladini (1994) chama a atenção a este respeito. o conceito da qualidade inverte este papel onde o consumidor de mero espectador. Meirelles (1996) enfatiza que a intuição do perigo e o instinto de conservação levaram o homem a procurar abrigo nos recôncavos da natureza. Depois. cada vez maior. abateu a árvore e fez a choupana. como sendo o elemento mais fraco da cadeia produtiva. circular. Surgiram os problemas de segurança. passou o homem a desenvolver suas funções sociais precípuas – habitar. Daí adveio a necessidade de normas técnicas reguladoras da construção e de regras legais normativas do Direito de Construir. de higiene e de estética. Ocorre em muitos casos. Martins (2001) traduz em sua obra literária. escavou a rocha e habitou a caverna. para ordenar os espaços habitáveis e uma técnica para o cultivo do campo – a Agronomia.

bem como por qualquer eventualidade prejudicial que venha a ocorrer com o produto adquirido. sobretudo. repartindo seus cursos nas várias especializações contemporâneas. Transformou-se em indústria – a indústria da construção civil. a complexidade da vida urbana e a trama das metrópoles converteram a construção numa atividade eminentemente técnica e especializada. o florescer da Engenharia Civil e da Arquitetura e. utilizou novos materiais. as escolas de Engenharia Civil se transformaram em escolas politécnicas. 2 EVOLUÇÃO DA CONSTRUÇÃO EM HARMONIA AO URBANISMO Meirelles (1996) destaca que a construção.pode chegar a um impasse. privativa de profissionais habilitados. descobriu novos campos. no que se refere aos objetivos e ao ponto de vista de cada um em relação à qualidade do produto. e seus profissionais formaram-se. A construção civil. sucedeu à construção bélica. Pouco a pouco. o alvorecer do Urbanismo. Depois se desmembraram em cursos autônomos e. o trabalho habitual como meio de subsistência e a invenção da cidade passaram a exigir habitações duradouras e afeiçoadas às imposições sociais. inicialmente. e para atender à diversidade da construção civil e à perene evolução de sua técnica. ensejando. na atualidade. nas escolas de Engenharia Militar. 18 Responsabilidade na Construção Civil 19 . e cada vez mais no futuro é necessário tratar a questão da qualidade habitacional não como uma mera questão normalizadora e técnica. mas. como atividade técnica. Finalmente. as fortificações e os engenhos bélicos. como a busca ao atendimento à satisfação das necessidades sociais do bem-estar e da qualidade de vida do ser humano. assim. aplicou novas técnicas. Contudo. paralelamente. solicitou novas especializações. pelo custo. O sedentarismo. Meirelles (1996) relata que principiou com a edificação urbana. que porfiam em adaptar a estrutura e a forma à função social que a construção desempenha em nossos dias. afinal. evoluiu para uma atividade técnica e social. com origens em atividade leiga e individual. estendeuse gradativamente a todos os domínios da atividade pacífica do homem como fator de progresso e elemento de civilização. as primitivas escolas de Engenharia Militar se foram transmudando em escolas mistas – militar e civil. as construções de paz sobrepujaram as obras de guerra. o consumidor é afetado pela configuração. Conclui ainda que.

raciocinando em nível aquém do científico. reconhecer e transferir na aplicação ou no desempenho de sua função profissional. “Falhas ou erros da atividade profissional” que trataremos. NÃO SÓ TECNICAMENTE E JURIDICAMENTE. Em juízo ou opinião sem fundamento preciso. Estabeleceram-se. desde que a construção civil se transformou numa atividade. higiene. PSICOLOGICAMENTE PARA CONSTRUIR. poderão vir a ocorrer falhas. transcende a área da ciência exata. do pedreiro. Todos esses aspectos relacionados com a construção civil constituirão objeto de estudo nos tópicos subsequentes desta obra literária. nesta obra literária. do construtor. acredito. MAS. do carpinteiro. assim. 4 CONSTRUIR TRATA-SE DE CIÊNCIA EXATA? Em toda a atividade humana que envolve a utilização de conhecimento. funcionalidade e estética das obras. o que exige do Poder Público permanente e atenta fiscalização. onde podemos enumerar na construção civil a função do mestre de obras. pois. onde avalia que enquanto atividade de construir. inclusive para uso próprio. passou a exigir profissionais habilitados e auxiliares especializados nos vários elementos e serviços que compõem a edificação particular e a obra pública. a serem atendidas desde a elaboração do projeto até sua cabal execução. e. requisitos mínimos de solidez. até como profissional da área de engenharia e já construir. também. Além disso. em algum momento. para sua fiel observância.3 A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL E SUAS BASES A influência que a construção civil – notadamente a habitação (MEIRELLES– 1996). que depois de solucionarmos viavelmente e solidariamente e/ou até a passar a conviver na construção com algumas situações negativas de mínima ordem. E PRINCIPALMENTE. inegavelmente. tratamento manual e observatório do ser humano. é certo: TEMOS QUE NOS PREPARAR. do arquiteto. já a nível de parecer psicológico – frente a um parecer de profissional da área. do engenheiro. 20 Responsabilidade na Construção Civil 21 . passou a ter na vida do indivíduo e na existência da comunidade exigiu sujeição dessa atividade às normas técnicas e normas legais que assegurassem ao proprietário a solidez e a perfeição da obra contratada e pusessem a coletividade a salvo dos riscos da insegurança das edificações. em poder observar. advém conjuntamente e comumente de tudo o que o ser humano traz de bagagem consigo (a contar principalmente da atitude frente ao seu conhecimento e experiência ou não do conhecimento e da experiência ética e técnica).

de que: “a propriedade não é mais o direito subjetivo do proprietário. mas hoje o elemento social. de tal modo que os conflitos entre vizinhos se tornaram praticamente inevitáveis. ed. procede em todo os seus termos. é a função social do detentor da riqueza.” Alves (1999) destaca: “Com efeito. descrevendo que o direito de propriedade é o que afeta diretamente as coisas corpóreas – móveis ou imóveis. subordinando-as à vontade do homem. operada pelo elemento territorial. o direito de propriedade é considerado não-ilimitado e de exercício condicionado. Inegavelmente. nele implícito. e que. transcrito por Alves (1999). e apenas aí.Capítulo I DIREITO DE CONSTRUIR E A HARMONIA NA VIDA COMUNITÁRIA 1 DIREITO DE PROPRIEDADE: FUNÇÃO E EVOLUÇÃO Meirelles (1996) bem inicia sua composição literária. oferece-nos o duplo significado de atividade e de obra. 1 Las Transformaciones Generales del Derecho Privado. em sentido técnico. Construção. antecedeu a propriedade imóvel. do qual a edificação é a espécie. 37. Essa surgiu com a intervenção. Posada. o domínio particular se vem socializando ao encontro da afirmativa de Léon Duguit*1. comumente confundidas pelos leigos. 1937 22 Responsabilidade na Construção Civil 2 23 . Construção é o gênero. a afirmativa de René Dekkers*2 . como círculo social. 1931 Regime Democrático e o Direito Civil Moderno. a vizinhança. impõe-se a fixação de alguns conceitos técnicos da construção civil: Construção e edificação são expressões técnicas de sentido diverso. em que os progressos da tecnologia e o êxodo do campo à cidade densificaram a sociedade moderna. no sentido que incide imediatamente sobre a coisa e a segue em todas as suas mutações e. p. causa mesma de evolução do grupo social. Sempre o fora. aflora de modo palmar”.233. O direito de propriedade é real. organismo social. p. 2 CONSTRUÇÃO OU EDIFICAÇÃO – QUAL A DIFERENÇA? Inicialmente.

depósito de sal ou de substâncias corrosivas (C/C2002. o de construção. evitando-se inconvenientes de ordem técnica). visando adaptar o imóvel às suas conveniências. arts. Edificação é a obra destinada a habitação. edículas são as obras complementares (garagem. mas. significa toda realização material e intencional do homem.. como obra. a propriedade fundiária: a terra com suas construções e servidões. e atribuímos um terceiro termo: “prédio” mais às edificações de médio a grande porte.1. arts. e dela dependem o bem-estar recíproco dos vizinhos e a harmonia na vida comunitária. a abrigar atividade humana ou qualquer instalação. na linguagem comum. trabalho. sem consentimento do vizinho.. aparelhos higiênicos. de que espécie são a edificação. Meirelles (1996) destaca que as paredes divisórias são as que integram a estrutura do edifício na linha de divisa. Ainda.. A ideia de prédio é mais ampla que a de terreno. art. onde se encontra com freqüência nas escrituras de alienação. ou mais propriamente da edificação. o vocábulo “prédio” em Direito. a reconstrução. no segundo caso terá que pagar metade do valor da parede e. como também não poderá embutir. porque objetiva. bem observa Meirelles (1996) que. ouvimos e até tratamos. circulação. em última análise. em mais de um termo o significado de construção: o termo construção propriamente dito. a pintura e demais trabalhos destinados a beneficiar. no século IV a. equipamento e material. o termo “prédio” vem-se tornando privativo da construção. tão essenciais como às restrições civis de vizinhança*5. indica o conjunto de operações empregadas na execução de um projeto.330). visando adaptar a natureza às suas conveniências. a obra de construção denomina-se edificação. Daí por que o particular pode exigir de seu vizinho. Alves (1999) trata o termo construção que. e. sendo mais prudente a não prática de parede-meia. do lado oposto – de modo a por em risco a sua segurança – fornos de forja ou fundição. até mesmo a demolição se enquadra no conceito de construção. Sobre este título.327 a 1.297 e 1. que constituem a tessitura*4 dos bairros.308. significa. ainda. 4 CONSTRUÇÃO E SEU LIMITE AO INICIAR Alves (1999) conceitua. a reforma. Neste sentido. dependências de serviços etc).*3 Os materiais destinados a qualquer construção. com duas possibilidades legais de assentamento: Parede somente no seu terreno ou até meia espessura no interior do terreno vizinho. fossos. recreação). 3 Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo. genericamente. no primeiro caso. a edificação. o de edificação ou. 1-1. trabalho. a exemplo de edificação. com ele. Alves (1999) bem complementa que no conceito de prédio integram-se o de subsolo. pedaço da terra. este terá que fazer nova parede. o vizinho que necessitar utilizá-la para travamento. implicando o resultado na alteração do estado físico anterior. a obra pelo gênero. rente a primeira. coberta. onde todo aquele que se ergue rente à linha de divisa destinado à vedação de suas propriedades/pertencente a quem o constrói (C/C2002. atribuem-se a Hipodamus de Mileto.1. genericamente. culto. o respeito às normas administrativas e urbanísticas da construção. a muração. a preparação do terreno para subsequente e melhor aproveitamento. armários ou obras semelhantes correspondendo a outras. a escavação.84)). Se se destina. A invenção da cidade regular e a enunciação das primeiras regras de Urbanismo. solo e sobressolo. desde que suporte. terá que pagar meio valor da parede e do chão correspondente. As Limitações Urbanísticas que são todas as imposições do Poder Público destinadas a organizar os espaços habitáveis (área em que o homem exerce coletivamente qualquer das seguintes funções sociais: habitação. de modo a propiciar ao homem as melhores condições de vida na comunidade.C. a referência específica: “terreno e prédio nele construído .305 a 1. Toma-se. canos de esgoto. mais largamente. Mas. Lei 11228 / 92. a reparação.Como atividade. que está no substrato. o aterro. principalmente quando possui mais de um pavimento. Como já vimos em capítulo anterior. no sentido próprio. nunca podendo ser utilizado como elemento de sustentação. Nas edificações distingue-se. desde seu início até a conclusão. que obra é a realização de trabalho no bem imóvel do usuário vizinho. é obra. a demolição. Tanto é construção a edificação ou a reforma como a demolição. entende-se por construção toda realização material e intencional do homem. essa é a orientação correta nas construções. são tratados e conservam a qualidade de bens móveis (CC/2002. 4 5 24 Responsabilidade na Construção Civil 25 . ensino ou recreação. quando ainda não utilizados.” (MEIRELLES –1996). o edifício das edículas: edifício é a obra principal. tapar (enten- 3 O SIGNIFICADO DE “PRÉDIO” Comumente. Anexo I. principalmente nas edificações urbanas. mesmo tratando-se de parede-meia insuficiente para suportar a obra do vizinho.

permitido pelas normas administrativas. de todos os tipos de ações judiciais cabíveis para cada caso (indenizatória. comodatário etc). e cita interessante caso ocorrido. nunciação de obra nova etc).263 – 7ª Câm. valos.1998: Direito de vizinhança – Nunciação de obra nova – Construção de beiral que invade terreno vizinho. – Rel. conservar ou embelezar o prédio. que nem por isso ficam desprotegidos contra os danos de vizinhança. justaposto à divisa da casa vizinha. 538. decairá do direito de exigir que se desfaça essa situação (CC/2002. Tácito. pois violado o direito de propriedade do vizinho contíguo. 22.09. gradis. que na 6 Do termo “tacitamente”. desobstruir. Capítulo II RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA À CONSTRUÇÃO Faremos menção.1. poderá encostar o telhado na linha divisória – não se opondo o vizinho (expressa ou tacitamente*6) dentro de um ano e dia do término da construção. locatário. o conceito de vizinhança abrange. portanto. que com a utilização de calhas que recolham as goteiras e não as deixem cair na propriedade vizinha. quando por outro modo não possa evitar a goteira (CC/2002. Grandiski (2001) traz sua valiosa colaboração quanto ao prescrito no art. 7 26 Responsabilidade na Construção Civil 27 . 2 AVANÇAR A CONSTRUÇÃO E INVADIR O VIZINHO? SAIBA COMO NÃO INCORRER NESTE ERRO De invasão em área vizinha. a primeira regra é que não pode avançar a construção além da meia espessura da parede sobre a linha divisória.1. GRANDISKI ( 2001 ) colabora em seu valioso trabalho – 2º TACIVIL – Ap. Vinculam não só proprietário (titular do domínio) como o possuidor do imóvel a qualquer título legítimo (compromissário comprador. incluindo os muros. A existência de beiral por sobre terreno alheio não traz qualquer direito àquele que construiu. na sistemática do Código Civil brasileiro. art.302)*7. desde que sujeitos às consequências do uso nocivo das propriedades que os rodeiam. Juiz Miguel Cucinelli – j. nosso estudo aos aspectos físicos das restrições de vizinhança. cercas. sebes vivas. nesta obra literária. 4. 1 VIZINHANÇA E EXTENSÃO DE SEU CONCEITO Para fins de Direito. demolitória. a saber: a) Goteiras oriundas de beiral de telhado não devem ser despejados sobre o prédio vizinho. não objetivando alcançar. Meirelles (1996) destaca ainda quanto a possíveis situações de invasão em vizinhança previstas em lei.1. página 1346.289 do Código Civil. tabiques de proteção aos edifícios em construção e o que mais se destina a separar.300). AURÉLIO. explica: “Que. vedar ou proteger o imóvel ou impedir o devassamento do prédio). que restringiremos. art. c/ Rev. não só os prédios confinantes como os mais afastados. tanto quanto os alicerces são colocados além dos limites do terreno quanto ao avanço dos pavimentos superiores – balanços.de-se todo meio de vedação da propriedade urbana e rural. onde fora construído prédio de 17 (dezessete) andares. por não ser expresso. de algum modo se deduz”.

ou nelas adicionando outras que não as compunham anteriormente. ou quiçá. transferindo as águas para a calha vizinha. mas tornou-se insuficiente com o aumento da vazão provocado pelas chuvas que incidiam no paredão construído do prédio. pertencendo a quem apanhar quando cair em via ou terreno público. 11 28 Responsabilidade na Construção Civil 29 . 1. folhas – quando avançando sobre o vizinho poderá cortá-lo no plano vertical divisório (CC/2002.288 a1. Prédio construído d) A canalização das águas pelos vizinhos. desde que sejam indenizados os proprietários prejudicados e o aqueduto (canos.1.296). à abertura de janela sobre seu prédio. onde além do já avençado. e. ficará impossibilitado de exigir o desfazimento da obra. conforme esquema abaixo.1. art.751 – 9ª Câm. mas daí não resulta siga obrigado ao recuo de metro e meio ao edificar nos limites de sua propriedade. e abrange a condução. confinando as águas. desde que permita a passagem de luz*8 e. através de prédios alheios. A calha da casa vizinha estava bem dimensionada para receber as águas pluviais de seu telhado.282) ou nas suas proximidades e que interferem nas construções com suas raízes.1. provocando danos na casa. captação e represamento da água.591. o dono do prédio inferior está obrigado a receber as águas naturais ou artificiais do prédio superior. que não se haveria pré-excluir do campo de incidência da lei o trabalho de demolição*11. manilhas etc) não atravesse chácaras ou sítios murados. art. art. foi aconselhada a reconhecer sua falha. sendo justificada quando para atender às primeiras necessidades de vida.arts. 1. c/ Rev. III. alterando o desaguadouro. à limpeza. p. em direito de vizinhança. Abertura de janela. o vizinho inferior não estará obrigado a recebê-las*10.283) ou frutos – que pertence a ambos quando a árvore se achar na linha divisória dos prédios (CC/2002. para receber esta nova contribuição de águas pluviais provocada pela ação do vento.1. se houver possibilidade de encaminhamento de parte das águas pluviais do prédio superior diretamente à rua para a qual faz frente. em capítulo posterior). bem como as perpendiculares. quintais. galhos. eminentemente de caráter temporário. pode ser impedida pelo prejudicado que tem direito a exigir que se desfaçam as obras prejudiciais.03. – Rel. é permitida pelo Código de Águas (CC/2002. bem como casas de habitação e suas dependências.DJU 06/12/99 – RESP 229164 STJ – Maranhão (99/0080312-4) – Rel.301 ).313) são permitidas. o proprietário do terreno em nível inferior não pode se escusar de receber as águas pluviais ou correntes que desçam naturalmente do terreno superior. Della Proprietá.284) e. I e II – a manutenção da estrutura e do aspecto original do edifício (alterar a forma. criando nova calha acima do telhado do vizinho. muita vez pressuposto fático à reconstrução mesma. para os serviços da agricultura ou da indústria. art. que terraço e varanda significam os espaços abertos interna ou externamente nos prédios. b) Para janela. Grandiski (2001) complementa que as despesas correrão por conta do dono do prédio superior. Gabriele Pescatore. é regulado pela Lei Federal nº 4. 478.204. não podendo o vizinho achado em nível superior piorar a condição de escoamento. Pela lei civil. não poderão ser abertas a menos de 75 centímetros. canalizando-a para a rua. hortas. se restabeleça a situação anterior de escoamento e se lhe indenizem os danos consumados (ver exemplo de trabalho pericial deste autor. parágrafo 2º do Código Civil ) e construídas a mais de dois metros de altura de cada piso. que apenas havia providenciado a colocação de rufo. Não se opondo o proprietário. tonalidade ou cores diversas externa da fachada no conjunto da edificação. Alves (1999) complementa. limpeza ou cortes de árvores. ou à reparação. 8 São permitido frestas para dar passagem à luz nas paredes divisórias nunca maiores de 10 centímetros de largura sobre 20 centímetros de comprimento ( Artigo 1301. contudo. reparações em geral.ementa: Nunciação de obra nova. escoamento de águas superabundantes ou para o enxugo e drenagem dos terrenos. ou parte ou em esquadrias externas ). as janelas cuja visão não incida sobre a linha divisória. desde que previamente informado e condicionado à necessidade das construções (exemplo: reboco externo de parede divisória com execução de andaimes). tubos. o proprietário deste há de cuidar de que o escoamento se faça de maneira a não causar dano à propriedade inferior. art. estando fora da linha divisória só pertencerá ao vizinho os que se desprenderem da árvore e cair em seu lado. pátios. de 1964 que impedem: c) De árvores que se encontram na linha divisória – presume-se pertencer em comum aos confrontantes (CC/2002. CALHA ADICIONAL NECESSÁRIA fonte: Grandiski (2001) – Caso prático de perícia judicial de obrigação de canalização de águas. GRANDISKI ( 2001 ) traz em seu trabalho . 10 9 GRANDISKI ( 2001 ) colabora em seu trabalho trazendo do 2º TACIVIL – Ap. no prazo de ano e dia. Juiz Ferraz de Arruda – j. construções e limpezas (CC/2002. e) A entrada em prédio vizinho para reparações. 05. terraço ou varanda é defeso a construção a menos de metro e meio da divisa do vizinho (CC/2002. f) Em condomínio de apartamentos para quaisquer fins. A construtora. Ministro Eduardo Ribeiro .época a legislação permitia.1997: Responsabilidade civil – Danos em prédio urbano – Irregular escoamento de água – Culpa do proprietário do imóvel superior – Indenização – Cabimento. entendendo que janela é qualquer abertura ou vão de mais de 10 centímetros de largura ou de mais de 20 centímetros de comprimento com qualquer material vedante ou não. envidraçados ou não*9. jardins.

Alteração de fachada. Recurso provido. e. Alexandre Albuquerque. embora afetando o aspecto visível externamente. 16ª Câm. portanto.poderia ser de qualquer cor. onde originou ação judicial do condomínio contra o proprietário. Quando a alteração for de pequena monta. ademais.406-2. taxa de ocupação de solo. g) Como últimas restrições destacamos as individuais e gerais. Colocação de película de “insufilme”.Cív. visando à uniformização e padronização da obra. a alteração de fachada é sempre assunto polêmico. 488. este deverá ser pintado na cor original.076 – 6ª Câm. Inocorrente. Des. Segundo o Prof. Edifício de apartamentos. Des. com fachada em vidro. Laerson Mauro – Julg. 2º TACIVIL – Ap. todo o dia. 13/09/94: Condomínio – Alteração de fachada – Inocorrência. c/Rev. da calçada oposta ao do edifício. mas deve-se reconhecer ao Condomínio a faculdade de regulamentar a matéria. 06. da valorização da fachada. alegando “alteração de fachada”. – Unân. Neste caso. 12 TJRJ – Ap. 4054/94 – Reg. mas em alumínio). entendida nas perícias como “a superfície mais externa que envolve a construção”. 28/9/1999. a começar pela própria definição do que seja a fachada. mas preservando vidas humanas. para amenizar os efeitos incômodos dos raios solares nas unidades autônomas. recuos exigidos. Compete ao proprietário do imóvel superior proceder aos reparos para que cessem vazamentos e infiltrações que danificam o imóvel inferior. sendo o termo “alçado” em tudo o que for visível de um ponto externo à fachada faria parte dela.1997: Responsabilidade Civil – Indenização – Danos em prédio urbano – Obras realizadas por vizinho. mas de alumínio. Rel. ao substituir esquadrias de ferro por outras de mesmo tipo. não prejudicando alguém ou o aspecto estético da fachada (exemplo: substituição de esquadria de ferro por outra semelhante. de Direito Privado. Juiz Thales do Amaral – J. Ação Cominatória.º 116. de ordem urbanística. Já o forro da cortina interna não faz parte da fachada. a convenção poderia especificar previamente a cor do forro das cortinas. bem como no da inocorrência de comprometimento estético do conjunto.08. coeficiente de aproveitamento. Portanto. segurança da edificação e o bemestar dos condôminos e ocupantes*15. Prova Pericial no sentido . delimitação da zona urbana permitido regido por legislação urbana específica) à sua destinação. tal como concluiu a perícia. onde a primeira serve para atender a interesses peculiares de vizinhos e. a princípio não implica em modificação da fachada e estética do prédio. quebrando a uniformidade da fachada.: Alteração de fachada do pavimento térreo do edifício.4/2 – SP. As cores das esquadrias externas não podem ser alteradas pelo condômino. Danos em prédio urbano. TJSP – 9ª Câm. IV – utilização das áreas e equipamentos comuns. Hipótese. Grandiski (2001) destaca para este tópico ainda que. com suas atividades permitidas. inteiramente ao sol.497. de existência de distância suficiente entre a obra em questão e o prédio de apartamentos. a segunda. 31/10/94 – 8ª Câm. fonte: PELACANI (2006) – Detalhe do beiral da cobertura da churrasqueira executada após “habite-se” no pavimento superior do apartamento duplex – 17º andar do edifício. Recurso improvido. visando assegurar ao bairro os requisitos urbanísticos convenientes (plano diretor do município – que rege o uso e ocupação do solo individualizados por bairro – classificado em lei de zoneamento – zonas residencial/comercial /industrial/especial. III – preservação da finalidade do prédio. Ruiter Oliva. de maneira geral como inibição de incômodos para o confrontante (tipo de construção que possa tirar a vista panorâmica ou causar sombreamento) e. Admissibilidade. A colocação de película de insufilme. tais como as colocações de redes protetoras. comum e frequentes nos loteamentos. Participei como assistente técnico. – Rel. seria o “alçado da parte exterior de um edifício”. 13 14 15 30 Responsabilidade na Construção Civil 31 . 116. AC n. sem comprometer a segurança do imóvel. TJESP Ap.Civ. Edifício construído em centro de terreno. uniformizando esse aspecto externo*12*13*14. Vista lateral esquerda. j.

Das limitações administrativas. como sequencial às limitações administrativas na atividade de construir. que protegem. volume e estrutura das construções. Meirelles (1996) declina ainda que os superiores interesses da comunidade justifiquem as limitações urbanísticas de toda ordem. destinadas a impedir o uso da propriedade de forma nociva à saúde. 32 Responsabilidade na Construção Civil 33 . onde já tratamos neste trabalho anteriormente). Também se inserem as normas para construção nas vizinhanças de aeroportos e nas margens das rodovias. com liberdade ampla. a fim de evitar sejam invadidas pela poeira e pela fumaça dos veículos. contrária à segurança ou qualquer outro motivo de interesse público dessa natureza. altura e estilo dos edifícios. Gustavo Filadelfo Azevedo: “O Direito de Construir está sujeito às restrições de caráter regulamentar.Capítulo III LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS À CONSTRUÇÃO 1 VINCULAÇÃO DAS RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA ÀS LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS EM PROL DO BEM-ESTAR DA POPULAÇÃO Meirelles (1996) traduz a questão da restrição de vizinhança (abordado no capítulo anterior). muito bem afirma. e não prejudicar a visibilidade e a segurança do trânsito na via expressa. dentro da órbita reclamada pelo bem-estar coletivo e do respeito à substância do próprio direito de propriedade”. em rodovias fixa-se um recuo obrigatório “non aedificandi” – área não permitida à edificação. e. que requerem tratamento especial quanto à segurança tanto para edificações e culturas em áreas adjacentes ao pouso de aeronaves. notadamente as imposições sobre área edificável. bem como do espaço aéreo. genericamente. a coletividade (em benefício do bem-estar da comunidade tendo em vista a função social da propriedade. Por expressa determinação do Código Civil. as normas ou restrições de vizinhança são sempre complementadas pelas limitações administrativas ordenadoras da construção e asseguradoras da funcionalidade urbana.

p. como ser inserido na sociedade. constituem obrigação propter rem. Capítulo IV LIBERDADE DE USO DA PROPRIEDADE O Código Civil em seu art. Acrescenta ainda que. habitações coletivas e formação de novas povoações. na proibição do mau uso da propriedade está o limite dessa liberdade. absoluto. iluminação. v. prescreve sobre loteamento. 19 34 Responsabilidade na Construção Civil 35 . está consignado mais especificamente no art. XXXVI ). não são intromissões. tais como as que regulam os loteamentos. assim comenta Meirelles (1996).4/5-Barueri-SP. Daí que a concessão do “habite-se” pela Prefeitura Municipal por força de lei que concedeu anistia às construções irregulares. a administração exige alinhamento. como acentuou Pontes de Miranda. isto é.277 do Código Civil. Este mau uso da propriedade. de Direito Privado. XXXVI da Constituição Federal ) – Recurso provido – Segundo o nosso direito. Em consequência. Grandiski (2001) admite que as restrições e limitações ao direito de construir. 17 TJSP – 9ª Câm. tem o seu direito simplesmente relativo. regulamento ou contrato. e consignadas do título traslativo da propriedade. em sentido preciso. Alves (1999) entende e comenta que as limitações de vizinhança. e nem com o projeto aprovado segundo a obediência dessas restrições. o sossego e a saúde dos que o habitam. ementa: Direito de Construir – Demolição – Loteamento – Restrição convencional imposta pelo loteador – Obrigação propter rem – Projeto aprovado observando tais restrições – Obrigação comum assumida pelo proprietário de executar a obra segundo o projeto aprovado – Descumprimento da obrigação – Irrelevância da concessão do “habite-se” pela Prefeitura Municipal. RT 251/256. demolindo-se a parte da construção em desacordo com tais restrições. para a possibilidade mesma do fato social da vizinhança. mas as restrições e limitações a esse direito formam as exceções. áreas livres e espaços verdes. ordena. porque as relações de vizinhança e o bem-estar coletivo impõem ao proprietário certas limitações a esse direito. Ruiter Oliva. 265/275 e 673/54 TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo. que está incólume aos efeitos da lei ( Artigo 5º. que as limitações urbanísticas confinam com as normas sanitárias e as regras de trânsito. impõe-se a correção das irregularidades. com o passar dos tempos viu-se na contingência da limitação. nivelamento. eis que a aniquilação de um dos termos da relação impediria a sua própria existência. a regra é a liberdade de construir. regula o sistema viário e os serviços públicos e de utilidade pública. a cidade e todas as atividades das quais depende o bem-estar da comunidade. obrigação daquele que é o titular da propriedade. está consignado. em face da proteção outorgada pela Carta Magna ao ato jurídico perfeito e acabado ( Artigo 5º. Não estando a edificação de acordo com as restrições negociais. 1. o homem. Quando previstas em Regulamento do Loteamento. Fundamenta-se do direito de construir no direito de propriedade e.299. visando assegurar a coexistência pacífica dos indivíduos em sociedade. tratandose de propriedade imóvel. portanto. Rel. j. 21. Des. exceções estas que podem ser administrativas (leis federais. salvo o direito dos vizinhos e os regulamentos administrativos.Complementa ainda que em nome do interesse público. Essa enumeração evidencia. lhe proporciona. é o que adverte Georges Ripert*18. ao lado do reconhecimento da propriedade privada*19 . desde logo.. não elide a obrigação do devedor. afastamento. Meirelles (1996) insiste em advertir que o direito de construir não é absoluto. em que o proprietário ou inquilino de um prédio tem o direito de impedir que o mau uso da propriedade possa prejudicar a segurança. fixa mínimos de insolação.. 312. existe a necessidade das construções para colher as vantagens que o terreno – propriedade imóvel. correspondem sempre a exceções à regra. o direito de propriedade assim concebido. etc*17. II. e somente são admitidas quando expressamente previstas em lei. Cível n.u. a regra da liberdade de construção. estabelece zoneamento. RT 152/639 18 16 Tratado de Direito Privado. enfim. não se admite o uso de forma anormal do Direito de Construir em que o direito de propriedade possui limites. a princípio. arruamento.1997. Ap. limitações*16. que no poder de levantar em seu terreno as construções que entender. desta função social da propriedade situa-se ainda como princípio da ordem econômica. Desta característica. onde evoluímos da propriedade-direito para a propriedade-função e. São diminuições de conteúdo. para o proprietário. TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo.º 63745. prescreve que o proprietário pode levantar em seu terreno as construções que lhe aprouver. impõe determinados tipos de material de construção. 1. onde o interesse social é o imperativo exigido pelas relações de vizinhança. aeração e cubagem. estaduais e municipais) ou regras contratuais. condomínios. uma vez que todas elas confluem para o mesmo objetivo: o bem-estar da população. em decorrência de lei de anistia das construções irregulares – Ato jurídico perfeito e acabado.10.

Meirelles (1996) destaca que. viola direito ou causa dano a outrem. ainda que não tenha havido prova segura de que foi o autor direto da obra.1311 CC/2002). levando-se em conta a utilização do imóvel. página 965. dos réus.. emanações molestas.039/99-RJ. j. explosões violentas. da precaução. Em GRANDISKI ( 2001 ) – TJRJ – 5ª Câm. então somente os insuportáveis. configura dano moral indenizável. por ação ou omissão voluntária. Daí depreendemos que se inclui como culpa o dever de atenção. a falta de tapume divisório que permita a depredação do imóvel vizinho.1997 – RT 748/290: O proprietário ou possuidor do imóvel no qual foi realizado aterro causador dos danos em prédio vizinho responde pela respectiva reparação.u. prejudiquem o seu sossego ou ponham em risco a sua saúde com obras nocivas.. impossível a prolação de sentença condenando a ré a reparar o dano. v. sentença condicional. há necessidade. consubstanciado em alegada depreciação da propriedade imobiliária dos autores. para excluir a condenação pelo dano material.186 e CP art. Provimento de ambos os recursos. cuja comprovação se remeteu à subseqüente liquidação. a natureza da obra ou da atividade. A perturbação à tranqüilidade. da habilidade. por ser obrigação propter rem. repugnante”. ruídos intoleráveis. Cível. pela constante emissão de ruídos e efluentes de odores. para reconhecer a incidência do dano moral e determinar sua reparação. Ap. não pode o juiz proferir sentença ilíquida. Carlos Raymundo Cardoso.º 13. Rel. tudo o que mais possa prejudicar fisicamente – consequências destes atos descritos. 30/11/1999. ao sossego e ao repouso do morador pela constante emissão de ruídos e efluentes de fumaça. odores nauseabundos*20 e quaisquer outras atividades ou imissões prejudiciais à vizinhança. 20 1) 2) fonte: PELACANI (2009) – 1) Muro de arrimo e aterro de terras em terreno vizinho.1 NORMALIDADE E ANORMALIDADE DE USO DA PROPRIEDADE Meirelles (1996) destaca que. da cautela. em que a condenação nela estabelecida fique condicionada à prova do dano que vier a ser feita na fase de liquidação. Nesta categoria incluem-se todos os trabalhos que produzem dano na estrutura do prédio. o prédio ou seus moradores. a falta de muro de arrimo de contenção de terras que enseja dano ao prédio inferior (ver trabalho pericial em tópico posterior desta obra literária). gordura e odores.18.). Se esta comprovação não se faz. da lesão não desejada mas ocorrida por imprudência. a existência de poço em terreno aberto que dá causa à queda de 22 2º TACS – 9ª Câm. a época. não comprovado. 3 INCÔMODOS AO ATO DE CONSTRUIR: ATÉ ONDE SE CONSIDERA UM ERRO OU FALHA TÉCNICA? Entende-se que nem todos os incômodos não são reprimíveis. 6. sendo permitido aos lesados vedar essa utilização anormal da propriedade vizinha e obter a reparação dos danos consumados*21. trepidações. embora não desejando o resultado lesivo ( CC/art. . Do termo “nauseabundos”. trabalhos perigosos. por negligência.II). mesmo causados sem o intuito de culpa ou dolo do vizinho. nem. imperícia ou negligência em todos os atos técnicos/humanos no decorrer da construção. explica: “Nojento. imprudência ou imperícia de conduta. AC n. enquadrando-se no conceito de mau uso da propriedade. mas. abalos e movimentos do solo (como é o caso de perfuração de solo com o uso de bate-estaca e movimento de máquinas e caminhões em terrenos vizinhos quando se modifica o nível natural dos mesmos – ver trabalho pericial em tópico posterior desta obra literária*22 e art. e. (. Se o pedido é certo e líquido. face a violação do direito ao descanso e do recesso do lar. a queda de madeiramento de construção com dano pessoal. da efetiva comprovação do dano material. 2. fumaça e gordura advindos da maquinaria utilizada por pizzaria. Des. pelo mau uso da propriedade por parte do vizinho. tampouco. dos autores.: Direito de vizinhança – Mau uso da propriedade – Dano material – Comprovação necessária – Sentença ilíquida – Impossibilidade – Dano moral – Configuração – Arbitramento – Embora comprovada a violação do direito de vizinhança. a destinação do bairro. 2 DIREITOS DO VIZINHO Meirelles (1996) registra que o vizinho tem o direito de impedir que os outros danifiquem a sua propriedade.8. age com culpa todo aquele que. infiltrações daninhas (falta de rufos entre edificação em construção e existentes. ou no sossego ou na saúde dos que o habitam. da Teoria da Normalidade de seu exercício – Direito Positivo – Princípio do Direito de Propriedade – explica que a normalidade se analisa em cada caso. 36 Responsabilidade na Construção Civil 37 . emanações venenosas ou alergênicas. Marcial Hollandi – j. AURÉLIO.. Anormal é toda a construção ou atividade que lese o vizinho na segurança do prédio. bloqueando um possível e incontrolável potencializador de concentração de umidade em solo). vibrações insuportáveis. para que sobrevenha decreto condenatório. 21 Tratamos mais especificamente também de ato lesivo. 2) abertura e deslocamento vertical da parede do BWC social da residência – recalque diferencial. Fig. – Rel. a hora e demais circunstâncias atendíveis na apreciação do ato molesto ao vizinho. da prudência.

76. a alteração do escoamento natural das águas pluviais com dano para os prédios inferiores. já é controlado e. portanto. ao profissional que delegou a função. (. o empreitante não exime o empreiteiro das suas responsabilidades na execução da obra. a lei trata e se refere não mais a segunda pessoa – que exerceu a sua função em serviço delegado.. a sua responsabilidade é inafastável. responsabilidade é a qualidade de quem tem de cumprir obrigações suas. Age com dolo todo aquele que almeja o resultado lesivo ou assume o risco de produzi-lo (CP art. Capítulo V RESPONSABILIDADES NA CONSTRUÇÃO CIVIL Da atividade de construir. a falta de fecho que permita a entrada de menores e o consequente acidente em fios de eletricidade. no controle do serviço. nº 621. 81). as fundações já estavam prontas e as paredes em elevação (fls. ou daquele que tem que responder pelos atos seus ou alheios. A propósito. a propósito. ao termo “responsabilidade” como um significado genérico de ressarcimento. o rompimento de represa com dano aos prédios inferiores. não estará o profissional tecnicamente e teoricamente responsável pela atividade. ) Assentado que o autor tem ilegitimidade para agir contra o co-réu M. O empreiteiro recebe-as. Roque Komatsu: “( . Faz alusão. a respeito das fundações e do desvio das instruções do projeto. que era o dono da obra. Aliás. a uma segunda pessoa e. detalhes no capítulo posterior. o dano a pessoa resultante de mau funcionamento de elevador. e não poderia ser diferente. tendo como Relator o Dr. ainda.)”. a exploração de pedreira com dinamite de modo perigoso aos vizinhos.D... e sim a pessoa de cuja responsabilidade é técnica. prejudicial aos prédios vizinhos. 38 Responsabilidade na Construção Civil 39 . até revela comportamento negligente. por si só. presume-se de responsabilidade prática. a emissão de fuligem de indústria. Vista de estacas “cortina” e muro de arrimo executados para a contenção de terras do terreno vizinho. depreendendo da lesão que o agente desejou.transeunte.I). em capítulo posterior desta obra literária. 14-15). como afirmado na contestação (fls. 81). mas é autônomo. Escreve. p. o rebaixamento de solo danoso à construção confinante. engenheiro responsável pela obra e não apenas autor do projeto (fls. como o caso requereu). publicado na RT – Revista dos Tribunais. dela não se eximindo pelo fato de ter alertado o construtor.. recomposição.A. uma vez que quando passou pela primeira vez na obra. do acórdão do TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo. Grandiski (2001) destaca em sua obra literária. o que afirma o co-réu M. Fonte: PELACANI ( 2006 ) – Detalhe de corte de terras em terreno urbano da cidade. obrigação de restituir. Daí. As instruções que lhe tirassem a independência seriam infringentes do contrato. isto. aterro ou desaterro lesivo ao prédio vizinho (apresentamos estudo de casos.D. a pulverização de óleo com impregnação no mobiliário do prédio vizinho. com apresentação de parte de sentença judicial.A. é delegado a função a operários e. Pontes de Miranda: “O fato de dar instruções. a elaboração do serviço delegado.18.. onde trataremos com maiores . Na linguagem coloquial.

podem resultar responsabilidades diversas do construtor para com o proprietário da obra. Neste caso. 2ª ed. como já vimos em capítulo anterior deste trabalho. independentemente de haver ou não culpa do causador. e que haja uma relação de causalidade entre o fato culposo e o mesmo dano. 40 Responsabilidade na Construção Civil 41 . da saúde e do sossego dos vizinhos ( CC/2002. 23 STF. uma responsabilidade objetiva. para não incorrer na seguinte situação: no prédio vizinho já havia fissura ou fissuras anterior a construção nova. sim. É um encargo de vizinhança. como a TEORIA DO RISCO. 1º TACivSP RT 632/13 . ao garantir ao proprietário a faculdade de levantar em seu terreno as construções que lhe aprouver. e mesmo sem culpa de seus executores. A melhor precaução antes de se iniciar a construir. RT 614/240. Tratado de Direito Privado. RT 659/14.1. assegurou aos vizinhos a incolumidade de seus bens e de suas pessoas e condicionou as obras ao atendimento das normas administrativas. Acrescenta ainda que outra forma clássica de classificação de responsabilidades distingue a objetiva da subjetiva: 2 PRIMEIRO PASSO ANTES DE CONSTRUIR: FAÇA UMA VISTORIA PRÉVIA DA VIZINHANÇA Da construção.299. Marco Aurélio Viana. Portanto. para que esta possa exercer o direito de ser indenizada. 1. o exercício de uma atividade de risco cria. neste caso.1. Daí a afirmativa de Pontes De Miranda que: “a pretensão à indenização que nasce da ofensa a direito de vizinhança é independente de culpa. É um caso típico de responsabilidade sem culpa. Contrato de Construção e Responsabilidade Civil. surgindo a responsabilidade objetiva e solidária de quem ordenou e de quem executou a obra lesiva ao vizinho. queda de materiais e outros eventos comuns na edificação. ver ainda: Capítulo X. a existência ou não de culpa do agente é de menor relevância.1 RESPONSABILIDADE QUE INDEPENDE DE CULPA Meirelles (1996) relata bem em capítulo sobre a responsabilidade por danos a vizinhos e terceiros. ou na iminência de ocorrer.” *24 Grandiski (2001) complementa que conforme a teoria clássica. consagrado pela lei civil. art.277). e o causador responda pelas perdas e danos. art. expressamente previsto no CC/2002. que pode causar lesão ao oponente. mas. como exceção defensiva da segurança. o que implica dizer que ao repelir agressão ocorrida naquele momento.09. como realização material e intencional do homem*25. art.188. que independe da existência de culpa. É o conceito básico adotado pelo Código Civil. para que daí emerga o dever de indenizar. 1980. como a TEORIA DA CULPA. que seja identificada a culpa do autor do dano. Saraiva. Grandiski (2001) ressalta que não constituem atos ilícitos os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido (CC/2002. para o agente causador. o responsável estará isentado de culpa. ad perpetuam rei memorian. a partir do dia 11. devendo ser provado através de parecer técnico fundamentado. Responsabilidade Civil do Construtor. Luiz Rodrigues Wambier. da lesividade do fato da construção. XIII / 293 24 Sobre o conceito de construção. São Paulo. e exercendo de regular direito reconhecido em praticando ato previsto em lei. comumente causa danos à vizinhança. bastante provar o nexo de causalidade entre o evento e o dano para que surja o dever de indenizar. na figura de Engenheiro Avaliador capacitado. exigindo não mais que a prova da lesão e do nexo de causalidade entre a construção vizinha e o dano*23. I e II – Responsabilidade Decorrente de Construção. contratando profissional para realizar uma vistoria com relatório técnico fotografado – denominada “Vistoria Cautelar”. vibrações do estaqueamento. por recalques do terreno.I). a responsabilidade depende do comportamento do sujeito. e deste para com vizinhos e terceiros que venham a ser prejudicados pelo só fato da construção ou por ato dos que a executam. a pessoa faz uso moderado dos meios necessários. mesmo causando danos a terceiros. é a de vistoria da vizinhança em seu entorno. por sua própria natureza. que: “A construção.2 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA Meirelles (1996) destaca que é indispensável provar antecipadamente a culpa. Essa responsabilidade independe da culpa do proprietário ou do construtor. a responsabilidade civil se assenta em três pressupostos: que haja um dano. e só se materializa se o causador agiu de forma culposa ou dolosa.1 RESPONSABILIDADE OBJETIVA Independe da existência de culpa..1991. Conforme esta teoria. que. Tais danos hão de ser reparados por quem os causa e por quem aufere os proveitos da construção. bastando provar a relação de causa e efeito entre o comportamento do agente e o dano causado à vítima.” É o conceito básico adotado pelo Código de Defesa do Consumidor. uma vez que se origina da ilicitude do ato de construir. e o seu vizinho pode vir a aproveitar a oportunidade de “consertar” os seus defeitos através de sua construção 25 1.

sem antes se precaver.. onde o profissional mal informado técnico-juridicamente. por exceção. da realização de uma vistoria cautelar. por exemplo). simultaneamente. ou mesmo acabada. 3 DAS RESPONSABILIDADES ADVINDAS DO ATO DE CONSTRUIR Meirelles (1996) acrescenta que se uma obra vier a desabar. ao construtor. a obra lesada. deslocamentos de argamassas e pisos. tão-só. firmou-se. interessa provar a preexistência antes do início da obra. vindo a surgir defeitos/fissuras. de forma que se possa presumir a culpa do construtor no caso de aparecimento de novas anomalias. um e outro devem responder pelas lesões decorrentes da construção”. agora. quanto a interferir/contribuir com qualquer modificação do terreno natural (aterro ou desaterro – corte e retirada de terras) ou até com estacas com base de pressão – bulbo de pressão. à reparação do dano patrimonial (responsabilidade civil). ou defeito de construção. 43 . hoje adotado por muitas construtoras. onde o desfecho irá ser resolvido nos tribunais. mas por iniciativa das partes. se. envolvendo patologias das construções. a indenização há de se limitar aos danos agravados. à sanção profissional (responsabilidade administrativa) e à indenização do acidente dos operários (responsabilidade trabalhista). não há lugar para desconto na indenização. porque o dano se deve. Em não tomando esta precaução. correspondem a casos muito comuns de produção antecipada de provas. por sua idade ou vícios de edificação. de trincas. para que não possa vir a ser responsabilizado como seu causador. que procede este trabalho nos imóveis vizinhos ao terreno onde será iniciada a obra. Sendo o princípio do Direito que quem aufere os cômodos suporta o ônus. por imperícia do construtor. trincada ou desgastada pelo tempo e uso. na responsabilidade solidária do construtor e do proprietário e na dispensa de prova de culpa pelo evento danoso ao vizinho. por insegurança própria. consequentemente. o proprietário e o construtor de responsabilidade civil pelo que suas obras venham a produzir ou a agravar a vizinhança por todas as lesões ocasionadas. 42 Responsabilidade na Construção Civil Ao vizinho. é a realização de vistorias preliminares em imóveis vizinhos a um terreno onde irá ser iniciada uma obra. ocorrendo em construções já abaladas ou desgastadas pelo tempo e uso. porém. O caminho correto para evitar tais dissabores é o procedimento. surgem reclamações de vizinhos sobre danos cuja origem é duvidosa. interessa provar a inexistência de trincas. no caso de cravação de estacas. causando danos materiais a terceiros e lesões pessoais em operários. das ocorrências patológicas que a edificação existente possuía. às quatro espécies de responsabilidades. se mantinha firme e intacta na sua estrutura e veio a ser abalada ou danificada pelas obras das proximidades. rebaixamento de piso. que vem crescendo sem a realização de uma ação judicial. dará ensejo. preferencialmente engenheiros especializados em perícias judiciais. à construção superveniente. que não se responsabilizará por danos eventualmente já existentes. Grandiski (2001) complementa em seu trabalho. mas deve ser aplicado com prudência e restrições. que terão garantia da integridade de seu patrimônio. salpicos em pisos e paredes externas. não raras vezes. ocorrem. ou seja. Se a construção vizinha. que constitui uma medida segura para a construtora. quando a obra está perto do fim. provando-se a concorrência de eventos de ambos os vizinhos para a lesão em causa. desalinhamento ou inclinações do prédio principal e dos muros divisórios etc. causando um impasse entre o construtor e o vizinho. desde logo. vazamentos. hesitante a princípio. por sua vez. e para os proprietários dos imóveis. Tal critério jurisprudencial é razoável e eqüitativo. vazamentos. em subsolo que interfere na resistência de atrito lateral das estacas (principalmente de divisas – melhor detalhado em capítulo posterior desta obra literária) da edificação já existente. enfim o estado do imóvel. admitindo. recalques diferenciais. Objetivamente.última. contratando profissionais ou empresas habilitadas. O que convém fixar é que a idade das edificações vizinhas e a sua maior ou menor solidez não eximem. a redução da indenização quando a obra prejudicada concorreu para o dano. já se apresentava abalada. Completa ainda que. antes do início da construção nova. simplesmente “prefere” atribuir. telhas quebradas. porém. e tais efeitos se agravaram com a construção vizinha. que as vistorias em imóveis vizinhos à obra que irá se iniciar nas imediações (não há necessidade de ser vizinho justaposto. que um exemplo muito comum da utilização deste expediente. embora sem a resistência das edificações modernas. advém processo judicial de indenização. fossas e caixas de passagens com consequências inclusive em rompimento de tubulações. potencializadoras de defeitos/patologias. poder-se-á reduzir essa responsabilidade. Maia Neto (1993) trata deste assunto. ou agravamento das existentes. combinando com a opinião conclusiva de Meirelles (1996) quanto a responsabilidade por danos a vizinhos e terceiros: “A jurisprudência pátria. à punição criminal responsabilidade penal).

contrário ao Direito..1 O FUNDAMENTO DA RESPONSABILIDADE O fundamento normal da responsabilidade é a culpa ou o dolo. 3. de modo que só interessa o estudo do dano indenizável”. previu a obrigação destes de indenizarem os consumidores independentemente de existência de culpa pelos danos causados por defeitos relativos aos fatos do produto e do serviço. age com culpa todo aquele que. o C. como ocorre nos casos de dano de obra vizinha ou de insegurança da construção no quinquênio de sua conclusão. denominada também de responsabilidade objetiva.18. sem participação da vítima.1 CULPA E DOLO Culpa é a violação de um dever preexistente: dever de atenção.2. dores de bens. consagrando a teoria da culpa. de ordem pública e por isso mesmo irrenunciável e intransacionável entre as partes.14. 3.2. Alvino Lima*26: “o legislador brasileiro. a matéria do dano prende-se à da indenização. em que Meirelles (1996 ) complementa que se exige apenas o nexo causal entre o ato ou a omissão e o dano.C. imprudência ou imperícia de conduta. podendo ser renunciada e transacionada pelos contratantes a qualquer tempo e em quaisquer circunstâncias. 3. onde trataremos nesta obra literária.215. usos e costumes do lugar. para ensejar a reparação civil. com maiores detalhes em capítulo posterior.– Código de Proteção e Defesa do Consumidor (CC/2002. Grandiski (2001) complementa que são as que se originam na legislação vigente ou nas tradições. Logo. dever de cautela. embora não desejando o resultado lesivo (Artigo 186 do Código Civil e Artigo 18. mas ocorrida por imprudência. p. o autor do projeto (arquitetônico e complementares).1 RESPONSABILIDADE LEGAL Toda aquela que a lei impõe para determinada conduta. admitindo casos de responsabilidade sem culpa”. dever de prudência em todos os atos da conduta humana.D. São Paulo. atualmente é considerado como qualquer lesão causada a um bem jurídico. Menção a parte.I). relacionando ao profissional liberal.2 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL Aquela que surge do ajuste entre as partes. com o construtor.18. normalmente estabelecida para garantia da execução do contrato. 3.II) regulando as responsabilidades dos fornece. . que a culpa revela-se na lesão não desejada. 3. ) Apud Agostinho Alvim: “aprecia-se o dano tendo em vista a diminuição sofrida no patrimônio. e obrigam todos os agentes envolvidos. Como previamente abrangido em capítulo anterior. ( . Juridicamente falando. podem abranger e solidarizar. o fiscal da obra e o proprietário que a encomendou. exterioriza-se na lesão desejada pelo agente. II do Código Penal). ser a sua responsabilidade pessoal condicionada à apuração de culpa.2.186 e CP art. quer sejam assumidas por escrito ou de forma verbal. criando obrigações legais resultantes do que nelas é disposto. em certos casos. isto é. nem por isso deixou de abrir exceção ao princípio. entre as quais aqui são destacadas: Age com dolo todo aquele que almeja o resultado lesivo ou assume o risco de produzi-lo (CP art. por negligência..2 FONTES DE RESPONSABILIDADES Meirelles (1996) destaca que existem três fontes de responsabilidades oriundas da atividade da construção civil: 3. Fazem parte deste grupo as responsabilidades decorrentes de atos ilícitos. Grandiski (2001) complementa que existem várias modalidades de culpa.1. ou seja. art. caput e § 4º).3 RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL Aquela que surge do ato ilícito. produtos e serviços. nos limites em que for convencionada para o cumprimento da obrigação de cada contratante. 45 26 Da Culpa ao Risco. viola direito ou causa dano a outrem. subjetivamente (art. por ação ou omissão voluntária. 1938. Grandiski (2001) adiciona literariamente que dano é toda consequência provocada por falhas construtivas. imperícia ou negligência na conduta de quem a causa.O exemplo põe ao vivo a importância do conhecimento das responsabilidades decorrentes da construção. bastando a constatação do fato danoso. e que. dever de habilidade. 44 Responsabilidade na Construção Civil . Meirelles (1996) acrescenta ainda. mas como observou o Prof.

dentro do prazo de garantia. inclusive através de terceiros. quando os vícios previsíveis podem ser evitados.Na fase pós-ocupação. elétrico. Acrescenta ainda que o Código de Defesa do Consumidor preveja a responsabilidade do construtor nas três fases do empreendimento: Na fase de projeto. Fonte: CARBONARI ( 2002 ) – Fases que compreendem as responsabilidades na construção civil. administrativa. Grandiski (2001) explica que no CDC – Código de Defesa do Consumidor. estrutural.4 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DAS RESPONSABILIDADES Das responsabilidades decorrentes da construção. que inova na criação de um microssistema jurídico. p. Meirelles (1996) declina que a construção de obra particular ou pública. art.3. Na fase de fabricação ou execução. envolvendo as áreas cível. conforme os arts. . Fonte: MAIA LIMA & PACHA ( 2005 ). como por exemplo nas cláusulas abusivas.14 e 20 do Código do Consumidor. hidráulico etc. restituição das quantias pagas ou abatimento proporcional do preço. posteriormente preenchido com tijolo cerâmico.FALHA DE PROJETO E GRAVE DE EXECUÇÃO - Essas responsabilidades. pode acarretar outras para o construtor. 23 – Ninho de concretagem na viga de concreto. . publicidade etc. Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) – Ninhos de concretagem no encontro do pilar com a viga/laje. com número indefinido de titulares.). segundo opção do consumidor. originalmente encoberto por concreto. além das responsabilidades estabelecidas no contrato. pode consistir. dentro do qual é de se esperar desempenho da obra correspondente ao prometido.50. 3. -FALHA GRAVE DE EXECUÇÃO - 46 Responsabilidade na Construção Civil 47 . para o fiscal ou consultor e para o proprietário ou Administração contraente. e onde informações ou instruções adequadas pdem evitar o aparecimento de novos problemas. quando outros vícios imprevistos podem e devem ser contornados.3 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR – CDC Meirelles (1996) resume que a responsabilidade do fornecedor.). visando a facilitação da aplicação da justiça aos casos individuais (Procon. para o autor do projeto (arquitetônico. comercial. mostram a abrangência multidisciplinar do CDC. 08. processual civil e penal e de direito penal. independentes da convenção das partes. n. assim como nos coletivos ( interesses individuais homogêneos de origem comum. a responsabilidade contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito. ou interesses difusos. na reexecução dos serviços. Promotorias nas cidades do interior ). que não penetrou entre a forma de madeira e as armaduras. Juizados Especias Cìveis. apud Revista “Téchne”.

acrescendo que defeito é um vício acrescido de uma coisa extrínseca. por consequência da inércia ou negligência no uso de prazo legal ou direito a que estava subordinado (NBR 13. a saber: 3. de acordo com o art.4. revestimento de pastilhas cerâmica na iminência de queda. explica: “Oco. do início do prazo para a reclamação. item: 3. que de acordo com a teoria já apresentada. Grandiski (2001) melhor esclarece. até que se completem os 5 (cinco) anos originais de garantia. imperfeições ou vícios aparentes e ocultos. enquanto prescreve (CDC. art. Acrescenta ainda que. X1º). que é o prazo para decair do direito. Neste caso. quando aplicar material inadequado ou insuficiente. o Código de Defesa do Consumidor . as pequenas fissuras ali investigadas.26) passou a regular a matéria. substituindo a “Comissão de Representantes”.27) a pretensão de reclamar em juízo dos danos. perecimento ou extinção do direito em si. 2. nem relegar a técnica ou norma técnica ou método apropriado.1 PRAZO PARA A RECLAMAÇÃO: DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO Dos defeitos. dos vícios ocultos ou redibitórios e dos vícios aparentes ou imperfeições. a saber: 3.26.752/96 – item 3. em seu Artigo 47 que: “As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor”. prescreve em 5 (cinco) anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo (defeitos – casos que afetam a saúde e segurança do consumidor. Diferem da contagem.. para quaisquer reparos efetuados pela construtora (e apenas para estes). se o som emitido for cavo. São aqueles danos (consequências dos defeitos e vícios do produto ou serviço) que afeta. ou a recebê-la com abatimento no preço. dessa obra literária ). mesmo considerando que ele deve ocorrer dentro do prazo de garantia de 5 (cinco) anos. 49 . são simples vícios construtivos. 48 Responsabilidade na Construção Civil 3.1 DA PERFEIÇÃO Dever legal de todo profissional ou empresa de Engenharia ou Arquitetura. 27 do Código de Defesa do Consumidor.Segue enumerando as seguintes características de responsabilidades.2 DOS DEFEITOS Inicia-se com a entrega da obra (CDC. Vazio”. pode ser o caso de prescrição referente a falhas nas áreas comuns de prédios em condomínio. ou na falta de cuidados usuais na elaboração do projeto ou na sua execução. Não se exime desta responsabilidade. complementa Grandiski (2001).CDC (art.26 do CDC. art. percebe-se que não há deslocamento. o prazo de garantia de 5 (cinco) anos recomeça a contagem. E não há dúvida de que a aplicação do prazo é de 90 (noventa) dias de prescrição previsto no art. ou seja.28).4. Exemplos que Grandiski (2001) traz à luz em sua obra literária.1.27). Na interpretação específica do CDC – Código de Defesa do Consumidor. em ampla área desse teto. pois em sua queda pode afetar a saúde do morador. página 301. art. melhor detalhado adiante. Como esta costuma ser muito próxima à data da expedição do auto de conclusão (“Habite-se”).4. Portanto. que assume a representação legal do condomínio. AURÉLIO. dos prejuízos resultantes de um defeito (fato do produto ou serviço). que causa um dano maior que simplesmente o mau funcionamento: a) Percutindo o revestimento do teto de uma cozinha. perda. estabelecendo o prazo de 90 ( noventa ) dias para qualquer reclamação. a decadência afeta o direito de reclamar – os vícios caducam (decadência citada no CDC. dos defeitos. pois o som emitido não é cavo*27. 27 Do termo “cavo”. onde o Código Civil autoriza quem encomendou a obra a rejeitá-la quando defeituosa. Salienta ainda que. rotineiramente a jurisprudência costuma contar esse prazo de garantia para as áreas comuns dos condomínios: a partir do “Habite-se”. Fonte: PELACANI (2009) – Abertura em teto de sacada de edifício – 13º pavimento.II. a pretensão prescreve e o direito caduca. Mas. a saúde ou a segurança do consumidor (NBR 13752/96. Exceção à regra. o antigo vício passa a ser considerado um defeito. que pode representar ameaça de queda. Aí. a prescrição atinge a ação e não o direito de propor a ação. ou ameaça afetar. é considerada como data do início da contagem dos prazos legais. Ainda. se assim lhe convier (arts. fica caracterizado o descolamento do revestimento.26). ainda que tenha seguido instruções do proprietário ou da Administração (em obra pública). a data de eleição do primeiro síndico e recebimento das partes comuns por ele.1. 615 e 616). Em outras palavras.

b) Canos de esgoto mal instalados que contaminam a caixa d’água (podem causar doenças); c) Os pisos escorregadios; pisos soltos; degraus com alturas não uniformes; falhas construtivas de grande porte, que permitam infiltração de água, com formação de fungos e mofo, resultando numa edificação inabitável; d) Vigas altas diminuindo o pé-direito em escadas ou no meio de ambientes, permitindo que pessoas altas batam a cabeça; e) Construção de caixa d’água enterrada, com sua parede e fundo em contato direto com a terra: pode haver contaminação da água.

Vícios ocultos ou redibitórios são os que diminuem o valor da coisa ou a tornam imprópria ao uso a que se destina, e que, se fossem do conhecimento prévio do comprador, ensejariam pedido de abatimento do preço pago, ou inviabilizariam a compra (NBR 13.752/96, item 3.76). Exemplos: I) vazamentos em canalizações de prédios que aparecem dentro do prazo legal de garantia de 5 anos; II) falhas em instalações elétricas de prédios que aparecem dentro do prazo legal de garantia de 5 anos; III) queda de revestimentos de tetos e fachadas que aparecem dentro do prazo legal de garantia de 5 anos; IV) vícios por inadequação de qualidade, surgindo fissuras ou trincas; V) vícios por inadequação de quantidade, com metragem em desacordo com as plantas aprovadas; VI) entrega de construção com atraso injustificado; VII) não aplicação de normas técnicas.

3.4.1.3 PENALIDADES
Pelo fato de envolver risco ou ameaça de risco a saúde e segurança, constituem crimes, sem prejuízo das cominações legais do disposto no Código Penal e leis especiais, previstas as penas também no Código de Defesa do Consumidor – CDC. Do art. 66, para exemplificar: “- Fazer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação relevante sobre a natureza, característica, qualidade, quantidade, segurança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de produtos ou serviços”, onde podemos concluir que desde a qualidade, quantidade e segurança estará o profissional responsabilizado, e com a pena estipulada: “Pena – Detenção de três meses a um ano e multa”. Grandiski (2001) relata, mais detalhadamente, que estão previstas nos arts.61 a 80 do CDC, e preveem penas de detenção para cada uma das infrações que venham a ser cometidas, ( ... ). ( ... ) onde as penalidades são mais “fortes” para os defeitos do que para os vícios, pois trata da saúde e segurança do consumidor.

1) 2) Fonte: PELACANI ( 2009 ) – 1) trinca em fechamento de alvenaria com tijolo do tipo “sikal”; 2) queda de cerâmica externa de fachada de edifício.

3.4.1.4 DOS VÍCIOS OCULTOS OU REDIBITÓRIOS
Inicia-se no momento em que ficar evidenciado o vício (CDC, art.26,II, 3º), não devendo ser confundidos com os vícios de solidez e segurança da obra, que veremos a seguir. Grandiski (2001) define que são anomalias as que afetam o desempenho de produtos ou serviços, ou os tornam inadequados aos fins a que se destinam, causando transtornos ou prejuízos materiais ao consumidor (afeta materialmente o consumidor). Podem decorrer de falha de projeto, ou da execução, ou ainda da informação defeituosa sobre sua utilização ou manutenção (NBR 13.752/96, item 3.75).

Ainda, podemos citar em região sob ou sobre a abertura de janelas, em se provando, com relatório técnico devidamente fundamentado, não ter sido executado elemento estrutural (verga) em concreto armado para resistir a tensões atuantes, causando, fissuras, principalmente em direção no sentido de 45º (quarenta e cinco graus). Estudo de caso sobre fissuras, está apresentado em tópico posterior desta obra literária, com suas causas e características principais em estudo de caso.

Fonte:  PELACANI  (  2006  )  –  Vista  de  edificação  sem  a  execução   de elemento estrutural ( vergas ) nas aberturas de janelas.

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Segue ainda, alertando que é importante salientar que no Código de Defesa do Consumidor – CDC, é indiferente a gravidade do vício para que se responsabilize o fornecedor, pois a própria existência do vício prejudica a expectativa do consumidor, afetando subjetivamente o valor que este atribui ao bem. Portanto, na visão dos autores do CDC, não importa se o problema é uma simples fissura de retração de argamassa ou uma trinca de origem estrutural: o aparecimento de qualquer uma, pode dar origem à reclamação. Não obstante, a indenização será orçada, tecnicamente, conforme o seu custo.

Esse tempo, entre a data do recebimento da notificação e a negativa do construtor, não é contado como tempo decorrido dos 90 (noventa) dias da decadência do direito de reclamar. Ocorrendo esse fato, o consumidor deve acionar judicialmente o construtor dentro do prazo restante para completar os 90 (noventa) dias, apresentando desta vez, outra reclamação, em juízo, que agora tem novo objetivo.*28

3.4.2 DA SOLIDEZ E SEGURANÇA
O empreiteiro de materiais e execução, responde sempre e necessariamente pelos defeitos do material que aplica e pela imperfeição dos serviços que executa. Meirelles (1996) acrescenta que se a obra assim realizada apresentar vícios de solidez e segurança, já se entende que outro não pode ser o responsável por esses defeitos, senão o construtor, qualquer que seja a modalidade contratual da construção; até os erros do projeto enquanto não demonstrar a sua origem, também o são.

3.4.1.5 DOS VÍCIOS APARENTES, IMPERFEIÇÕES OU FALHAS APARENTES
De mesma contagem do prazo de reclamação dos defeitos (título anterior desta obra literária), a contar da data da entrega do empreendimento, estando o termo “perfeito” explicitado por De Plácido E Silva (1999): “como sem vícios, ou defeitos ( ... ). E compreendido, assim, como aquilo que se tem com defeito ou vício, imperfeito quer também dizer irregular, ou falho, isto é, com falha”. Imperfeito podemos atribuir às falhas como simples fissuras de origem na aplicação da argamassa (do tipo “mapeamento”), em guarnição de batente mal encaixados, ou de marcas de infiltração – efeito capilaridade, próximo aos rodapés.

Fonte:  PELACANI  (  2009  )  –  Vista  de  marca  de  infiltração   em parede próximo ao rodapé, por falta de impermeabilização da viga baldrame. 1) 2) 3)

3.4.1.6 DO NÃO ATENDIMENTO À RECLAMAÇÃO
Grandiski (2001) alerta que a reclamação deve ser feita ao construtor por escrito, tão logo a falha tenha sido constatada, de preferência mediante notificação através de Cartório de Registro de Títulos e Documentos. O consumidor deve aguardar o decurso do prazo máximo de 30 ( trinta ) dias após o recebimento da notificação, para que o construtor corrija a falha, ou negue a intenção de fazê-lo.

Fonte: PELACANI ( 2009 e 2008 ) DE PATOLOGIAS QUE COMPROMETEM A SEGURANÇA E SOLIDEZ DA EDIFICAÇÃO – 1) Vista da expansão por corrosão de ferragem – estágio avançado, em pilar do pavimento térreo de edifício; 2) idem,  com  vista  da  ferragem  corroída  após  a  abertura  do  local;;  3)  vista  de  infiltração  avançada  –   stalactite, com início de comprometimento da estabilidade estrutural da viga – processo avançado de corrosão.

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Carlos Roberto Gonçalves. Responsabilidade Civil, SARAIVA, 6ª ed., pág. 283: “ ( ... ) os dias que antecederam a primeira reclamação e aqueles que transcorrerem entre a negativa do fornecedor ou o decurso do prazo, legal ou contratual, para que sanasse o vício, e a nova reclamação, são computados para efeito de contagem do prazo decadencial”.

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3.4.2.1 PRAZO DE GARANTIA E PRAZO PRESCRICIONAL
É uma presunção legal e absoluta de culpa por todo e qualquer defeito de estabilidade da obra que venha a apresentar dentro de 05 ( cinco ) anos de sua entrega ao proprietário. Grandiski (2001) complementa que dentro deste prazo, o reclamante fica dispensado de provar por que a falha ocorre e qual a sua causa – basta provar que ela existe. Meirelles (2001) em continuidade, afirma que o prazo quinquenal é de garantia e não de prescrição, como erroneamente tem entendido alguns julgados. Aqui a responsabilidade é objetiva, como já vimos anteriormente, na TEORIA DO RISCO, ou culpa presumida (CC/2002, art.618). Desde que a falta de solidez ou de segurança da obra apresente-se dentro de 5 (cinco) anos de seu recebimento, a ação contra o construtor e demais participantes do empreendimento subsiste pelo prazo prescricional comum de 10 ( dez) anos, a contar do dia em que surgiu o defeito (CC/2002, art.205). Grandiski (2001) em sua obra literária, descreve que prescrição é a perda do direito a uma ação judicial, ou liberação de uma obrigação, por decurso de tempo, sem que seja exercido por inércia dos interessados (NBR 13.752/96, item 3.64). Em outras palavras, extinção da responsabilidade do acusado por ter decorrido prazo legal da punição; perda do direito a uma ação judicial por inércia do reclamante que deixou de exercê-lo no tempo oportuno, deixando escoar o prazo legal sem que fosse exercido direito subjetivo; pode ser interrompida por uma citação, por exemplo. Passa a responsabilidade ser subjetiva, como também já vimos anteriormente, na TEORIA DA CULPA, devendo ser provada a culpa. Como afirma Grandiski (2001), se este prazo (de 5 anos) for ultrapassado, a responsabilidade do construtor deveria ser provada (não seria presumida). O ônus da prova, a partir dos 5 (cinco) anos, ficaria por conta do comprador, que ainda assim poderia mover ação contra o construtor, que prescreveria em 10 (dez) anos. Aí, cabe a conclusão expressa e inevitável que, em tendo sido constatado o defeito, com prazo próximo do final dos primeiros cinco anos de entrega do empreendimento, e, contados os seus dez anos seguintes – “prazo prescricional”, podemos, com certeza, afirmar que o prazo de garantia se estenderá, neste caso, para até “14 (quatorze) anos mais 11 (onze) meses mais 29 (vinte e nove) dias”.
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Conclui ainda, que a reexecução de serviços por parte do construtor inicial, faz com que recomece, após o seu término, o prazo de garantia relativo a esses serviços.
RESUMO DE PRAZOS DE RECLAMAÇÃO / GARANTIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL
C.D.C. - Código de Defesa do Consumidor (1990) / Teoria do Risco / Responsabilidade Objetiva DEFEITOS (Saúde e Segurança do Consumidor). Ex.: Piso escorregadio; deslocamento de revestimento; cano de esgoto mal instalado / cx. d’água; viga alta = menor pé-direito. VÍCIOS OCULTOS (material / afeta o bolso do consumidor / que não afetam a segurança e solidez). Ex.: Mau funcionamento de instalações elétricas; diferença na metragem; atraso; não aplicação de normas técnicas. Exceção: desgaste natural e manutenção. VÍCIOS APARENTES / IMPERFEIÇÕES (material/ de fácil constatação visual). Ex.: guarnição mal fixada; janelas que não trancam; pintura respingada.

C.C. - CÓDIGO CIVIL (2002)

5 ANOS (a partir do conhecimento do dano) - Art. 26 e 27

PERFEIÇÃO

90 DIAS (dentro do prazo de 5 anos da entrega) - Art. 26 e 47

1 ANO (a partir do conhecimento do vício) - Art. 445

90 DIAS - Art. 26

Ato da entrega - Art. 615

SEGURANÇA E SOLIDEZ

10 ANOS (5 primeiros anos da entrega = TEORIA DO RISCO / RESPONSABILIDADE OBJETIVA; 5 últimos anos da entrega = TEORIA DA CULPA / RESPONSABILIDADE SUBJETIVA = PROVA FUNDAMENTADA) Art. 618

FONTE: PELACANI ( 2009 ) – TABELA RESUMO DOS PRAZOS DE GARANTIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL CÓDIGO CIVIL (CC) E CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (CDC).

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responderá também por seus defeitos e insegurança. se a lei civil é omissa a respeito.76. resultando talude em ângulo acentuado ( 90º ) com a superfície do terreno. pois. Engenheiro-empregado. a culpa é da firma que realizava os trabalhos. em duas vias. Cív. que apesar de avisado o estacionou no local que estava. unân. art. ainda. e. ao contrário do que apontava o antigo Código Civil em caso de comunicado ao proprietário das condições do solo. em se tratando de estaqueamento. Ementa da Redação: A circunstância majorante do Artigo 121. no comando da obra.3 SEQUÊNCIA PROFISSIONAL DE RESPONSABILIDADES Grandiski (2001) traz. Relator: Tupinambá Pinto de Azevedo . mesmo sendo comunicado ao proprietário da obra. E nunca se entendeu de outro modo. Responde o construtor perante o proprietário ou a Administração Pública. Ementa oficial: Age com manifesta culpa o profissional de engenharia que. e que recebe relatos diários do andamento da obra. o arquiteto.17 e 23 da Lei 5194/66 ). motivo pelo qual é uma responsabilidade legal. o engenheiro ou a empresa habilitada. que deveria ser sempre amigável. juízo de valor que incide sobre o autor. em sua obra literária. que se inicia no autor do projeto e termina no seu executor. que nos termos do Artigo 18 da Lei 5. 56 Responsabilidade na Construção Civil 57 .T. Condenações mantidas. e culpa concorrente do dono do veículo.2 DO SOLO De defeitos decorrentes da falta de estabilidade/resistência ou firmeza do solo. Daí a distinção que os autores estabelecem entre imprudência ou imperícia e a inobservância da regra técnica. providenciar uma vistoria técnica fartamente documentada por fotos. portanto. projeta ou executa escavação no solo. como supõem alguns autores menos familiarizados com as normas administrativas e com os preceitos ético-profissionais que regem a matéria (arts.618). e não contratual. com depoimentos filmados dos dois engenheiros. Meirelles (1996) acrescenta que aos decorrentes de concepção ou de cálculo de projeto tornam seus autores responsáveis pelos danos deles resultantes.TARS: Homicídio culposo – Desmoronamento – Inexistência de escoramento – Culpa manifesta do engenheiro empregador e do empregado especializado – Aplicação da majorante da inobservância de regra técnica – Inteligência do Artigo 121. situadas. ficando o engenheiro substituído responsável pelas obras até ali executadas. parágrafo 4º do Código Penal. pode a punição do autor ser agravada pelo plus decorrente de especial reprovabilidade no agir sem cautelas. Culpa também manifesta.... A majorante da inobservância de regra técnica diz com a maior reprovabilidade da conduta. na culpabilidade ( = reprovabilidade ). n. Dono da empresa. Estas são modalidades da culpa. Em tema de construção. publicado na RT – Revista dos Tribunais. 6436/95 – Rel.2. seja qual for a modalidade de culpa. Nem é por outra razão que se confia o acompanhamento dos trabalhos a esses técnicos.621. ) O mais razoável é admitir tratar-se de responsabilidade legal inspirada em motivo de ordem pública atinente a atividade regulada em lei.4. não se confundindo com as três modalidades da culpa stricto sensu. não se confunde com a imprudência. por estar realizando a pintura sem a necessária proteção às coisas ou pessoas que estivessem embaixo do local do trabalho. que.R. pela inobservância de normas técnicas*30. parágrafo segundo do início deste capítulo principal. 643. consoante lição de Hely Lopes Meirelles supracitada. do responsável anterior. quer os execute 29 TJRJ – Ac. detém competência para prevenir o desmoronamento. 1ª parte. Grandiski (2001) complementa ainda que existe uma corresponsabilidade entre o engenheiro titular e o engenheiro residente de uma obra. confirmando que a filmagem foi feita no dia tal. mas com direito a chamamento de quem elaborou o projeto ou efetuou os cálculos (cargas e resistências). por ter contratado a firma que realizava o serviço. nem por isso ficam liberados de responsabilidade os que a projetaram e calcularam as cargas e resistências. pode-se dizer que há uma cadeia de responsabilidades. Situa-se.. definindo assim a responsabilidade do novo responsável apenas pelas novas obras. um fiscal ou consultor da obra. Se houver. Ferreira Pinto: Condomínio – Veículo atingido por tinta usada na pintura de prédio – Culpa concorrente – Cuidando-se de danos sofridos por veículo atingido em sua pintura por tinta empregada na pintura do prédio. que delega a fiscalização direta a empregado especializado. Ver ainda. Seja a culpa decorrente de qualquer das três modalidades legais. Trata ainda da situação da responsabilidade do engenheiro substituto. cada um é autônomo no desempenho de suas atribuições profissionais e responde técnica e civilmente por seus trabalhos. no momento interditado.4. deixando de providenciar em escoras para contenção da terra. Dr. parágrafo 4º do Código Penal.194/66 que regula o exercício das profissões de Engenheiro e Arquiteto. ao construtor cabe a responsabilidade (final do prescrito no CC/2002. ainda. nenhum profissional pode substituir outro colega habilitado sem seu prévio conhecimento (atenção para a citação: “comprovada a solicitação”). No entanto. Projetando ou construindo. valendo também a filmagem do estado da obra no momento da transferência. p. deve providenciar recolhimento de sua Anotação de Responsabilidade Técnica – A. em 28-4-97 – Ap. Des. assinada por ambos os profissionais. no tipo. Ciência de desmoronamento anterior e ausência de providências.3.T.R. 30 3. 3ª Câm. O engenheiro que assume a responsabilidade de substituir outro profissional habilitado na direção técnica da obra. pessoalmente. acrescenta: “Embora o Código Civil não se refira expressamente aos vícios de concepção de obra. com responsabilidade do condomínio pelos danos perante o dono do veículo. autor do projeto e de fiscalização esporádica.2. solidarizando todos os que participam do empreendimento”. tendo como Rel. Culpa manifesta. tal responsabilidade é imanente*29 do exercício profissional e deflui das normas regulamentadoras da Engenharia e da Arquitetura como atividades técnicas vinculadas à construção. com a sua aquiescência. RT 731. p. interessante acórdão do TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo. vinculada à A. isso é possível. para confronto do projeto com a sua execução. como medida cautelar. também engenheiro. a imperícia ou a negligência. comprovados as origens em falhas desses profissionais ou empresa especializadas. Roque Komatsu: “( . quer os faça executar por prepostos ou auxiliares. Já a inobservância da regra técnica importa em maior reprovabilidade da conduta. na topologia estrutural do delito.

terceiros em relação ao proprietário e ao construtor. entretanto.4. na segunda. Na actio de effusis et dejectis a responsabilidade é objetiva. bem como dos projetos devidamente atualizados até a data da substituição.1 CONCEITO E RESPONSABILIDADE DO “CONSTRUTOR” E PROPRIETÁRIO O construtor – Engenheiro ou Arquiteto “licenciado” ou sociedade autorizada a construir – responde sempre pelos atos culposos e lesivos a estranhos resultantes de atividade própria ou de seus prepostos na construção – mestres ou encarregados de obra. é privativa do construtor. Se o construtor sub-contratar determinados serviços ou partes da obra com outra firma ou profissional habilitado e resultar danos ou lesão a terceiros não vizinhos.Conclui que. RT. Na primeira hipótese. Completa ainda que ao autor do projeto não responda por danos aos vizinhos. Responsabilidade Civil decorrente da ruína de edifícios. Ao empreiteiro que só concorre com o serviço. quando resultante da ruína de edifício ou construção carente de reparos*31. a responsabilidade é objetiva e exclusiva do proprietário. ou de uma ferramenta que atinja um transeunte. proveitoso tanto para o dono da obra como para quem a executa com fim lucrativo. responderá de maneira absoluta pelo seu trabalho e de modo relativo pelo material utilizado. o engenheiro substituto deve exigir a transferência. 3. 31 3.4. O que solidariza e vincula os responsáveis pela reparação do dano é. Assim.3.3. NÃO EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE DO PROPRIETÁRIO Há de se mencionar que a lei (ao contrário do antigo Código Civil) responsabiliza o proprietário em caso de danos a vizinhos e terceiros. Revista de Direito da Prefeitura do Rio de Janeiro I/34. art. Ao proprietário se solidarizará na responsabilidade se houver confiado a obra a pessoa inabilitada para os trabalhos de Engenharia e Arquitetura (ver exemplo nesta obra literária no tópico: “Estudo de Casos”).2 RUÍNA DE CONSTRUÇÃO.4. recebendo o material do proprietário a ser empregado na obra. desde que se lhe comprove a culpa pelo ato ou fato lesivo a terceiro*32 . que não importa para o vizinho a natureza do contrato de construção firmado entre o proprietário e o construtor. sem qualquer dependência da prova de culpa – Inteligência e aplicação do Artigo 1529 do Código Civil. ainda que o dano decorra de ato culposo do construtor ou de seus prepostos (CC/2002. além disto. para ressalva das respectivas responsabilidades. para que respondam pelo dano decorrente da construção. quando suas responsabilidades são encampadas pelo construtor. Meirelles (1996) ainda contempla que em princípio. ou ainda. a obrigação indenizatória surge como normal conseqüência. Inobservância das normas de segurança e proteção – Obrigação do construtor de indenizar – Ação procedente.III e 933). onde esclarece Meirelles (1996).937). a lesão aos bens do vizinho proveniente do fato da construção. fato. a responsabilidade é exclusiva da empresa ou profissional subcontratante que assume autonomia técnica e financeira os trabalhos de sua especialidade (como exemplo: empresa do ramo de granito.932 e 933). este. Tratado em item anterior nesta obra literária. 32 59 . o responsável pelos danos que a construção causar a terceiros (não vizinhos) é o construtor – pessoa física ou jurídica legalmente autorizada a construir. podendo chamar regressivamente à responsabilidade o autor do projeto. de seus operários (CC/2002. 441:223: Responsabilidade civil – Objeto caído de obra em construção – Dano causado a terceiro. Se a execução do projeto está cometida a profissional diplomado ou a sociedade legalmente autorizada a construir. nem se dispensa a prova da conduta culposa do construtor e do proprietário.3 DOS DANOS A VIZINHOS E TERCEIROS A atividade da construção muitas vezes causa danos a pessoas e bens sem qualquer situação de vizinhança. aço. Aqui não se aplicam as regras de vizinhança. que movimenta seus funcionários até o local da construção para o assentamento das placas de granito ou mármore de seu estoque). como exemplo. objetivamente. é ato inerente a terceiros – “res inter alios”. porque tal ajuste.). Distingue. a queda de um andaime. fica afastada a presunção de culpa do proprietário. que não interfere nas relações de vizinhança. provando que o evento danoso resultou de defeito de concepção da obra ou erro de cálculo das resistências. 3. para sua guarda. o dano causado pela ruína da obra do dano causado por ato do construtor ou de seus prepostos. sondagem do solo etc. 58 Responsabilidade na Construção Civil Que significa abandono negligente da construção. de cópias de todos os ensaios técnicos realizados (concreto. ou seja. arts.932. seja ele de empreitada ou administração. cuja necessidade fosse manifesta (CC/2002. arts. devidamente rubricados pelo engenheiro substituído. provado o fato e o dano do mesmo resultante.

Agronomia e Geociências de 06. 34 Revista dos Tribunais 605. situada a 40m de distância.1 FALTAS ÉTICAS As faltas éticas podem assumir as mais variadas formas. Meirelles (1996) acrescenta que essa responsabilidade deriva de imperativos morais. . Arquiteto. pelo aumento do ruído até devassar a residência do piso mais elevado do viaduto. a construção em geral pode gerar responsabilidades ético-profissional para o autor do projeto.” 60 Responsabilidade na Construção Civil 61 . a questão jurídica nuclear é uma só. parágrafo 6º da Constituição Federal ). v. Estouro da rede de água – Infiltração no imóvel – Indenização – Cabimento – Ônus da empresa prestadora de serviço público ( artigo 37. III. O equívoco do Tribunal de Justiça. e penalizado com a simples cobrança de honorários à base da tabela. causar danos a vizinhos ou terceiros na execução de obra pública – responde o construtor particular quando obrar por culpa. art 18 da Lei 5. Demonstrado que em decorrência de estouro de rede de água houve infiltração no imóvel. p. ou quando o proprietário tenha concorrido com culpa na escolha do construtor a quem confiou os trabalhos de reparação ou de demolição da obra ruinosa. 3.4. fls.4. RT 682/239. Agrônomo e Geotécnicos.4 A ALTERAÇÃO DE PROJETO Caracterizada pela introdução de modificações na concepção original sem prévia aquiescência do seu autor. neste caso. se recebe dele o projeto contra a remuneração singular de seu trabalho. onde o lesionado deve dirigir-se contra o construtor ou em conjunto com a Administração. ( 2001 ): “Tal como o eminente Relator. decorrente de sua construção. art 49. ou a instalação do canteiro de obras.37.1997: Responsabilidade civil – Danos em prédio urbano. c/ Rev.92. Cuida-se de saber qual a conseqüência do uso indevido da produção intelectual ou da produção artística – como quer que se qualifique o projeto arquitetônico. para os fiscais e consultores.A solidariedade pela composição do dano só ocorre quando se trata de lesão a vizinhos ( Artigo 1299 do Código Civil ).03. dou por configurado o dissídio. podendo ser feita depois de indenizado o particular lesado. 3. 33 3.3. 3. sem autorização do autor.4.6º) torna-se dispensável – e até mesmo vedado. Embora os fatos não sejam idênticos no caso concreto e no paradigma.11. Arquitetura.3 A USURPAÇÃO DE PROJETO Cópia de concepção de outro profissional reproduzido na íntegra.4 MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DEPOSITADOS Há ainda o caso quando o dano é causado a vizinhos ou terceiros por ato culposo do construtor particular.2002 – Capítulo 7. Decisão do STF no RE 113587-5-SP DJU 3. de preceitos regedores do exercício da profissão e do respeito mútuo entre profissionais e suas empresas. 3.4 ÉTICO-PROFISSIONAL Além das responsabilidades contratuais e legais. relacionado com a obra. a vedação ou sinalização do local. sem autorização do autor – Lei de Direitos Autorais – LDA 9. arts. nem imposto pelo contrato – como exemplo o transporte e o depósito de materiais.4. – Rel. consistiu em admitir que um ato ilícito possa ser encarado como mero equívoco praticado em boa-fé. Juiz Clovis Castelo – J. da Infração Ética.610/98.184 e Lei 9.194/66 e art 621 do Código Civil.4.72 da Lei 5. Ora. É devida .2 O PLÁGIO DE PROJETO Que consiste na cópia de concepção de outro profissional com modificações de detalhes que apenas visam a dissimular a reprodução.4. e por disposição constitucional (CF/88.4. Grandiski (2001) traz à luz que quando o poder público causa prejuízos a terceiros. ressarcir os danos causados. 13 e 14) é punido com uma das sanções previstas no art. nem mesmo com o intuito de “aprimorar” o projeto poderá outro profissional modificá-lo. 35 2º TACIVIL – Ap. 03. provocando recalque das fundações e trincas. quando a obra é executada diretamente pela Administração Pública centralizada ou descentralizada. art.610/98 – Lei de Direitos Autorais – LDA *35. a responsabilidade civil fixase na entidade que a realiza.4.4.3. bastando que o lesado demonstre o nexo causal entre a obra e o dano. culposamente. para seu executor. que podem tipificar o crime de violação de direito autoral (CP art.3. indenização pela desvalorização de imóvel lindeiro ao viaduto Ary Torres. merecendo destaque. não se negando o direito regressivo de responsabilizar o construtor particular que. num e noutro caso. transcrito em GRANDISKI . onde menciona Meirelles (1996): 3. o chamamento do construtor na ação indenizatória do particular contra a Administração. a responsabilidade é originariamente do construtor e subsidiariamente da Administração. mesmo quando a obra é confiada a construtor particular a responsabilidade é inafastável da Administração. 194 e reforma de sentença do TJSP em voto do Ministro Francisco Rezek. 3 a 6: Desvalorização por ruído de viaduto. O desrespeito aos preceitos éticos consignados no respectivo Código de Ética Profissional (Resolução CONFEA – Conselho Federal de Engenharia. com lisura e honradez. 478.655 – 11ª Câm. mas não constante do projeto. os honorários da tabela são aquilo que se paga ao arquiteto quando se encomenda a ele um projeto e.3 CONSTRUÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Meirelles (1996) questiona ainda. compete à empresa que exerce a função pública delegada. em São Paulo. pode ser responsabilizado*33*34.4.4.194/66 – que regula o exercício das profissões de Engenheiro. 3.

Grandiski (2001) reforça que é importante salientar que o engenheiro da obra não pode transferir sua responsabilidade ao mestre de obra ( .1.31. como firma de Engenharia. no entanto. mantém-se na situação de simples dono da obra e só responde pelas obrigações que lhe são inerentes. RJDTACRIM 13/84: Homicídio culposo – Construção civil – Responsabilidade exclusiva do mestre de obra – Inocorrência – Entendimento – Inteligência: Art. 3. atribuídas legalmente ao construtor (Lei 2959 / 1956 – Contrato Individual por obra) e a satisfazê-las no devido tempo.212/91 – Lei da Seguridade Social.. pois o “mestre” cumpre determinações do Engenheiro. parágrafo 4º do Código Penal. art. não afastando. parágrafo 2º do Código Penal. TASP RT 209/363. aviso-prévio. no que 63 50 62 Responsabilidade na Construção Civil . de Arquitetura ou de Agronomia que mantém empregados para o exercício da profissão ou para execução de obra particular ou pública.4. )*36. 3. ainda: 3. art. 13.4.1.610 ) 3.4. Quando. podendo.1 EMPREITADA DE LAVOR ( CC/2002. e perante o proprietário. Inadmissível atribuir-se ao mestre de obras a responsabilidade por homicídio culposo ocorrido em construção civil.º 646. Incluem-se os salários e adicionais. mas não responde pelos encargos trabalhistas do contratado (Lei 9.1.3 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA Presume-se legalmente conhecido de todos aqueles que entretêm negócios com as partes. 121.5 TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA Todas aquelas que resultam das relações de trabalho entre o empregador – pessoa física ou jurídica. 4º da Lei 8. indenizações etc. arts.1 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA (CC/2002. Meirelles (1996) acrescenta que o engenheiro ou arquiteto. Art.3.610 a 626) Meirelles (1996) acrescenta ainda que na construção por empreitada há que distinguir.6. na posição de “empresa construtora” coloca-se a Administração Pública quando executa suas obras diretamente por seus órgãos ou entidades e com seu pessoal..5. 121.Lei da Seguridade Social). parágrafo 3º do Código Penal. art. 236/357. art. Art. não tendo qualquer responsabilidade pelo fornecimento dos materiais. respondendo integralmente perante o fornecedor.6. portanto. por sua qualidade e adequação à obra.4. e.212/91. Ainda conclui que. pode ser de responsabilidade do construtor ou do dono da obra.4. VI. agora o é. e seus empregados. por força do disposto nos arts 30. julgado 19/12/1991 – 7ª Câm. se sujeitam ao convencionado no ajuste. 237/555. com todos os encargos decorrentes dessa situação legal. . TACRIM/SP – Relator: Luiz Ambra. em tese ser igualmente co-responsabilizado.4.1 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Em especial situação. o responsável primário pela omissão. como também. os encargos acidentários e previdenciários. se antes o proprietário não era solidariamente responsável com o construtor pelos encargos salariais. 2º que dispõe sobre o salário-mínimo). ). A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato (Lei 8. por seu pagamento. sendo esta pertencente ao Engenheiro Civil que não providencia itens de segurança.032/95. 3. contrata a construção com empresa habilitada a construir. e. por não cumprirem normas de segurança*50 e higiene do trabalho. O art. não podendo invocar este que visita a obra uma vez por dia. conforme a modalidade do contrato. melhor detalhado a seguir.. 4º.6 DOS FORNECIMENTOS Pelo pagamento dos materiais fornecidos para a construção. VII e VIII e 33. A propósito da caracterização da previsibilidade de eventos na construção e possível acidente com morte que pudesse ser classificada como crime culposo ( . Em que o construtor/empreiteiro só concorre com seu trabalho.2 EMPREITADA DE MATERIAIS (CC/2002. ou de ambos. são empresa. será obrigado a pagar. 36 Apelação n.325/3..617 complementa ainda que os materiais que recebe e os inutiliza na aplicação por imperícia ou negligência. suportando todos os encargos e responsabilidades que caberiam ao construtor particular.611) Em que o construtor / empreiteiro entra com o trabalho e a matéria-prima.6. os demais direitos do trabalhador (férias.4. acidentários e previdenciários dos empregados da obra. 3.).6. unicamente pessoas físicas. porém.

como técnico e profissional da construção. 64 Responsabilidade na Construção Civil 65 .6. Meirelles (1996) aponta que a razão de ser da responsabilidade solidária é o benefício conjunto que ambos auferem na construção. 269/383. 3.1 RESPONSABILIDADE DA COMPRA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO Reforça Meirelles (1996) que. com as perdas e danos que forem devidas.4. solidariza-se com o proprietário pelo pagamento do preço das mercadorias destinadas à obra. subsiste a responsabilidade conjunta e solidária do construtor e do proprietário pelos materiais aplicados na obra. a responsabilidade pelo seu fornecimento será daquele ou deste. que executa a obra.3 RESPONSABILIDADE DO RECEBIMENTO DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO Recebido o material na obra pelo construtor-administrador ou por seus prepostos. 274/636. como as demais empresas. 3.6. Súmula 126. taxas e contribuições – ISS Imposto sobre Serviços. faturas ou duplicatas em nome próprio. em certos casos. os materiais podem ficar a cargo do dono da obra ou do construtor-tarefeiro. Meirelles (1996) acrescenta ainda que.3 CONSTRUÇÃO POR TAREFA Na construção por tarefa. embora por ele escolhidos ou indicados ao proprietário*39. visto que o construtor-administrador não assume pelo contrato os encargos econômicos do empreendimento. Caso o contrato de empreitada de materiais não for regularmente registrado ou constar de escritura pública. o engenheiro ou arquiteto-fiscal nenhuma responsabilidade tem pelo pagamento dos materiais empregados na construção.I). e o fundamento da ação de cobrança do fornecedor é o enriquecimento sem causa. por perfeita e acabada a compra e venda de efeitos móveis (CC/2002. . é de se repetir que o construtor-tarefeiro. Não devemos confundir contrato de construção por administração com contrato de fiscalização de construção. 3. subsiste a responsabilidade conjunta e solidária do proprietário e do construtor pelos materiais adquiridos para a obra. TASP RT 250/451.4. a todas as imposições fiscais e parafiscais incidentes sobre o estabelecimento. será sempre responsável pelo seu emprego. decorrente da valorização do empreendimento com o emprego do material em débito. TJSP RT 135/360. art. . para prova e validade perante terceiros (Lei de Registros Públicos 6. 278/586.6. responde sobre todos os encargos tributários. . em princípio.6.4. art.4.611).127. 3. 249/177. devem suportar os encargos econômicos do empreendimento perante aqueles que concorrem para a sua execução e valorização*37.6. o construtor-administrador adquiriu pessoalmente os materiais. porque tais responsabilidades decorrem da lei.2. e não do contrato. consequentemente. Além desses tributos.2 CONSTRUÇÃO POR ADMINISTRAÇÃO Na construção por administração a responsabilidade pelos materiais fornecidos à obra é normalmente do proprietário que os adquire*38. por inadimplência do ajustado. Limita-se a executar a obra.2. podendo pedir judicialmente a rescisão de contrato. e subsidiariamente do dono da obra. ao revés. pessoa física ou jurídica. e.4. surge a obrigação do pagamento do preço.2 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA Seguindo o mesmo raciocínio e princípio do capítulo anterior.*40 Se executado por órgão público. 3. conforme o ajustado.4. e assinou notas. PIS Plano de Integração Social etc) é. uma vez que ambos são beneficiários da construção e. devendo recusá-los quando comprometam a perfeição ou a segurança da obra. TASP RT 230/360. . nessa qualidade. quanto à qualidade e adequação dos materiais à obra. se. 3. de responsabilidade do construtor. 38 39 40 TFR. independentemente de qualquer cláusula contratual.015/73. O construtor por administração.tange ao pagamento dos materiais adquiridos para a obra. 37 TJSP RT 243/185. em conformidade com o projeto aprovado e com a técnica adequada. quando da ausência de registro ou de escritura pública do contrato de construção por administração. responde pelo pagamento dos materiais adquiridos para a obra. quando o contrato de empreitada seja firmado por escritura pública ou por instrumento particular devidamente transcrito no Registro de Títulos e Documentos. os profissionais e empresas de construção civil ficam sujeitos.2. como já vimos. 290/358.7 DOS TRIBUTOS Meirelles (1996) traduz que os encargos incidentes sobre a atividade da construção (impostos. aplicando os materiais que lhe são entregues pelo dono da construção. pois que aquele visa à execução material da obra e este à prestação de serviços profissionais consistentes na verificação técnica da execução do projeto. o material ou trabalho empregado na obra.

estaduais e municipais. Demanda improcedente.2 DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS -­   -­   Multa. sendo suportadas quer pelo autor da infração. Inexistência da causalidade lesiva. a cargo de terceiro. que na aplicação da Lei dos Direitos Autorais – LDA (Lei 9. fica o construtor responsável perante as autoridades públicas competentes pela adequação da obra às exigências sanitárias e de segurança. Complementa ainda. 28.194/66. Enquanto que a responsabilidade civil provém de lesão ao patrimônio de outrem. 41 2 º TACIVIL – Ap.. o cliente exige a modificação do tamanho do banheiro. pois o quarto (área de ocupação permanente) será diminuído (razão técnica.8. sem a autorização do autor.IV: “( . Arquiteto contratado apenas para elaborar projeto da obra. seus encargos profissionais perante o proprietário da obra. que podem ser punidos pela desobediência.22 da Lei 5. o profissional não pode alegar desconhecimento da existência da lei.; Faltas éticas.. 3. ou do art. expedidas pelo CONFEA – Conselho Federal de Engenharia.3. Arquitetura. c/ Rev. que regula o exercício das profissões de Engenheiro. Códigos Sanitários. em caso dos arquitetos. 538.. Interdição de atividade.. mas essa interferência irá afetar a qualidade do projeto. Nenhuma participação do autor do projeto na fiscalização e execução da edificação. 26: “( . do ponto de vista ético. como sobre a pessoa jurídica de sua empresa.4. bem frisa MEIRELLES (1996).631 – 11ª Câm.. Desde a apresentação do projeto até sua final execução. mesmo alegando que paga os honorários e respectivos custos do refazimento do projeto.*41 Grandiski (2001) alerta ainda que. mas sem lhes assegurar o direito de remuneração por este serviço adicional. deixa claro o direito assegurado aos projetistas.1 DO AUTOR DO PROJETO Quanto ao autor do projeto. inc. ou às normas regulamentadoras dessa atividade. onde após aprovado o projeto. ) repudiar a autoria de projeto arquitetônico alterado sem o seu consentimento durante a execução ou após a conclusão da construção”.09. do qual tem a obrigação de realizar as adaptações necessárias à aprovação. regulamentação. Regulamentos Profissionais. que impõem condições e criam responsabilidades assumidas intrinsecamente pelos profissionais. Estas exigências implicam no atendimento do disposto nos Códigos de Zoneamento.. sem o que não se considera concluído o projeto e findos os Não tendo natureza penal. desde que o contrato tenha sido celebrado com firma ou profissional legalmente habilitado. e até mesmo de estética e funcionalidade..71 e 72). mormente a imposição de modificações do projeto originário em ajuste às exigências técnicas e legais da obra projetada. inclusive das estruturas. Arquiteto. imputável ao projetista.”. norma técnica etc. quer por seus sucessores na obra ou na empresa. Prejuízos que não lhe podem ser imputados. devem atender às restrições técnico-legais impostas pelas legislações federais.610/1998). para se isentar de sua aplicação. que outro profissional passe a alterar o projeto alheio. Execução da construção. 66 Responsabilidade na Construção Civil 67 . Agronomia e Geociências competente. Agronomia e Geociências. pode optar pela aplicação do art. Conforme o Código Civil Brasileiro. Juiz Carlos Russo – J. consultoria ou construção que desatendam às exigências legais do Poder Público. autarquias e órgãos públicos encarregados de disciplinar atividades específicas. podem recair tanto sobre a pessoa física do profissional da Engenharia ou da Arquitetura.8. Códigos de Edificações. Assinatura na planta. mas de foro íntimo. não se admitindo. à conduta técnica e ético-profissional no desempenho de suas atribuições e atividades). decreto. ao acobertamento de trabalhos de pessoas inabilitadas. – Rel. A solução do problema fica a critério do arquiteto. ) opondo-se a quaisquer modificações . que o texto do art. Planos Diretores e outros. de fiscalizarem a execução de seus projetos.4. à colocação de placa nas obras que projetam ou executam. sob responsabilidade dos proprietários. mas não se transmitem ao proprietário nem à Administração contratante. que deveria constar como cláusula adicional nos respectivos contratos de prestação de serviços. Suspensão  temporária  do  exercício  profissional. com advertência reservada ou censura pública (Lei 5.1998: Danos em prédio urbano.4.8 ADMINISTRATIVA Meirelles (1996) conclui que podem incidir os profissionais e as firmas de projeto. O arquiteto sabe que é possível aprovar essa modificação junto à Prefeitura. a responsabilidade administrativa origina-se simplesmente de atentado ao interesse público (pagamento das anuidades. Embargo de obra.194/66. Arquitetura. exclusivamente para o efeito de viabilizar a respectiva aprovação. Engenheiro Agrônomo e Geotécnicos. ou pelo CREA – Conselho Regional de Engenharia. pois permitida pelo Código de Obra do município).; Cancelamento  definitivo  do  registro. Apelo provido. arts.24. sua responsabilidade administrativa perante o Poder Público cessa com a aprovação de seu trabalho. Grandiski (2001) traduz ainda que os profissionais ligados à área de construção. As sanções administrativas normalmente escalonam-se em: 3.

como ocorre nos morros e aterros que se esboroam*45. Exemplo são os que executam ou ordenam demolição por meio violentos (com dinamite. Aquele que realiza trabalhos em outra obra. ao executar ato que lhe incumbia fazê-lo. pecuniária (multa) ou restritiva de direito. expondo a perigo direto a vida. detenção. prisão simples). Rep.9.  recalques. porquanto esta última funcionou ad instar de longa manus daquele. reclusão. explica: “(. de qualquer modo. se esta provier da falta de reparos. Fiscal de obra – engenheiro ou arquiteto.L. em razão de abalo. 2359 – Rel.  infiltrações  ou  escavações. concorre para o crime – CP art. em se tratando de: a) Queda de construção por desequilíbrio ou ruptura dos elementos de sustentação*44 ou desmoronamento – destruição de obra da natureza. ressalvando que o direito do proprietário de regressar a ação. relação de preposição entre o condomínio e a empresa contratada. Cív. com suas principais causas. Ver ainda. sob o título: DO CÓDIGO PENAL. uma vez que a causa do evento criminoso passou pelo crivo de sua fiscalização. não se transmitindo aos sucessores e resultando a obrigação de indenizar o dano causado pelo infrator (CP art. Do termo “esboroam”. podendo haver cumulação da responsabilidade penal com a administrativa e com a civil.). em 18-6-96 – Ap. caracterizando o dolo direto*46. os autores do projeto e os responsáveis pela execução do edifício em construção que desmoronou respondem solidariamente pelos danos que culposamente causaram aos prédios vizinhos. se esta.1 DA ATITUDE DOLOSA Meirelles (1996) frisa que agir dolosamente é propiciar. 497902-00/0 – 11ª Câm. a integridade física ou o patrimônio de alguém. 24.4. 20. Não se desvincula ele dessa responsabilidade. Vicente de Azevedo. GRANDISKI ( 2001 ) descreve em sua obra literária sobre a decisão do STJ . a queda de construção ou de partes do solo.. sem dúvida. p. de modo a fazer com que a estrutura destruída convirja para o centro e caia sobre si mesma e que as partes destacadas não ultrapassem uma determinada área. ).). provocando o desabamento de construção vizinha.63). 6ª Câm. Meirelles (1996) especifica que é uma responsabilidade penal e resultante do cometimento de infração definida como crime ou contravenção. em coautoria com o construtor. unân.9.4. Vicente de Paulo.. ainda que tenha contratado firma especializada em demolições. 2. solapamento de alicerces. a ensejarem o dever de ressarcir. podem ser citadas as seguintes ocorrências incrimináveis. página 549. b) De realização humana. 1943.2ª turma – Relator responsável: Ari Pargendler – J. visando tão somente à reparação patrimonial do lesado*43.29) – unicamente pessoas físicas. devendo a indenização ser a mais completa possível.9 DO DESABAMENTO É admitido a responsabilidade dos proprietários quanto aos danos causados por desabamento ou desmoronamento de obra – ver com maior detalhe em capítulo mais adiante. 3. TACivRJ – Ac. São Paulo.. parcial ou total. sujeitando o autor e o coautor (todo aquele que.1997. . com a reposição dos danos materiais emergentes e inclusive danos morais”. imposta pelo poder pu.3 CASO PARTICULAR DA IMPLOSÃO DE CONSTRUÇÃO Meirelles (1996) relata que em caso de adotar-se a técnica da implosão (modalidade de demolição – não é antijurídica).4.05. 250.. por desagregação ou deformação de suas estruturas. Para que artífices e operários respondam por autoria ou co-autoria no desabamento ou desmoronamento da obra. pelos danos resultantes da sua ruína. 1930.1996. IOB Jurisprudência.: “O proprietário da obra responde solidariamente com o empreiteiro pelos danos que a demolição do prédio causa ao imóvel vizinho”. posteriormente.I e CPP art. desde que se caracterize perigo à vida ou à propriedade.3. a sanções de natureza corporal ( . que é um encargo de ordem privada. Crime – Dano – Reparação. A. 44 42 GRANDISKI ( 2001 ) relata sobre a decisão do 2º TACSP – Ap.2. São Paulo. ou seja. responde penalmente pelo desmoronamento ou desabamento. Desmoronar”. mas cada uma independente da outra e apurável em processo autônomo. 296 e RT 734/255. p.91.9.11. não se cercou das cautelas devidas para evitar a ocorrência dos danos reclamados. contra o profissional responsável técnico pela execução da obra. etc. Culpas in eligendo ac in ommittendo devidamente caracterizadas. imperícia ou dolo*42. ou que descumpriram ordens do profissional que a conduzia. Juiz Odilon Gomes Bandeira: Condomínio – Desabamento de marquise – Responsabilidade – Responde o condomínio.  caracteriza  o  dolo  eventual. Dos Efeitos do Julgamento Criminal. ao se desincumbir do encargo.. sendo irrelevante o fato de ter havido lesão corporal ou dano material: ( . 45 43 46 68 Responsabilidade na Construção Civil 69 . 17/96.4. impõe-se demonstrar que agiram com culpa na execução dos trabalhos a seu cargo. Há. 3. AURÉLIO. com a tríplice finalidade intimidativa. em tópico posterior desta obra literária – “ESTUDO DE CASOS – DESABAMENTO”. RT 751/305: “Os donos da obra. – Rel. se este agiu com negligência.9. diversamente da responsabilidade civil.2 DO CÓDIGO PENAL Meirelles (1996) acrescenta que o Código Penal prevê duas modalidades de crimes de desabamento – por ação dolosa ou culposa. p.4. cuja necessidade era manifesta. da destruição de edifícios mediante explosões combinadas de seus elementos de sustentação.1 TRIPLA FINALIDADE DE PUNIÇÃO E REFLEXOS NOS DIFERENTES RAMOS DO DIREITO Grandiski (2001) relata que na área de construção civil. por ação ou omissão intencional. a título de dono do edifício. retributiva e de defesa social. nitivo do Estado. Câmara Leal.   3. José Malerbi – J.172. 3.

São Paulo. 48 71 . é uma atividade ilícita. 1956.10 DA CONSTRUÇÃO CLANDESTINA Assim considerada por Meirelles (1996) a obra realizada sem licença. por contrária à norma edilícia que condiciona a edificação à licença prévia da Prefeitura.3º). bastando a possibilidade de perigo. provocar esse mesmo desabamento em horas ermas. FONTE: PELACANI ( 2006 ) – Vista de edifício em execução com bandejas de segurança instaladas. a responsabilidade é do artífice ou operário que deu causa ao evento. Conceitua-se ruína de uma estrutura.. quando se dá a ruptura de um de seus elementos ou quando estes se deformam além de um certo limite compatível com a finalidade da estrutura. Do art. Telêmaco. querendo dizer que. por ausência de dolo.9.4. zrt. 3. Quem a executa sem projeto regularmente aprovado.4. 3. como bem relata Grandiski (2001). mas o executor e o dono da obra implodida estarão sujeitos à responsabilização civil (indenização). ou dele se afasta na execução dos trabalhos. Van Langendonck. AURÉLIO.1 DO PERIGO EVENTUAL Meirelles (1996) traz à luz a questão da contravenção de desabamento. Curso de Mecânica das Estruturas: Resistência dos Materiais – Tensões. se ocorrer morte ou lesão corporal de alguém. total ou parcial de construção. porém.688/41. alguém provoca desabamento incontrolado. por esses crimes.5 DO ESTADO DE RUÍNA DA CONSTRUÇÃO Meirelles (1996) adverte que além da contravenção de desabamento.9. decorrente de queda de material ou ferramentas da construção. se houver danos materiais à propriedade alheia. 70 Responsabilidade na Construção Civil 47 Do termo “flambagem”. e o construtor só responderá por co-autoria se se provar que concorreu com a culpa na condução da obra. exigidas pelo estado ruinoso da obra.Possui sempre o risco de vida ou de dano. ou obra tanto em fase de realização como já concluída. deverão ser indenizadas todas as vítimas que tiverem afetada sua saúde ou segurança. Também se pode atingir aquela ruína quando a solicitação da estrutura for de tal intensidade que à sua forma primitiva deixe de corresponder um equilíbrio estável. Exemplo: se numa rua movimentada. transeuntes ou vizinhos atingidos por materiais caídos da obra. configurado pela só omissão das providências – reparos ou demolição. se. dado que havia sempre a possibilidade de que alguém passasse pelo local na ocasião. explica: “Encurvadura a que estão sujeitas peças de uma estrutura ( tais como colunas e pilares ) que trabalham por compressão e devida a esbeltez das peças”. já comentado no tópico anterior. sendo suficiente a voluntariedade da ação ou omissão que provocou o evento delituoso (Lei das Contravenções Penais – Dec– lei 3. não se exigindo a comprovação de dolo ou culpa. de modo a propiciar o acidente. cometerá crime – houve perigo concreto para as pessoas e veículos que transitavam pelo local. 2. que presume sempre perigoso. se sujeita à sanção administrativa correspondente. incidirá apenas na contravenção – não existiu perigo concreto. como é o exemplo de empregados de subempreiteiras. a mesma lei define a contravenção de perigo de desabamento.9.4. não haverá crime. Responderá. mas não caracteriza o crime de desabamento nem o de explosão. 3. o qual passa a ser instável. página 633. situação penal da lesão culposa ou do homicídio culposo. traduz que se equiparam aos consumidores todas as vítimas do evento. p.17 do Código de Defesa do Consumidor – CDC.120. pela potencial possibilidade de desabamento ou desmoronamento.4.4. distinguindo do crime. também denominado perigo eventual. Abrange estes princípios de contravenção de desabamento quem provoca a queda. independentemente de culpa ( responsabilidade objetiva ). dando-se a flambagem*47 da estrutura ou de seus elementos*48.4 DA QUEDA DE MATERIAL OU FERRAMENTAS DE CONSTRUÇÃO Meirelles (1996) discorre ainda que. 3.

deverá ser conservada. não tem o município dever de indenizar danos causados ao morador por interdição provisória da edificação em razão de defeitos verificados em sua construção. como dono.2 EMBARGO Podendo ser feito por via administrativa ou judicial. se lesados em seus direitos individuais ou interesses legítimos.10. 53 54 49 TJSP RT 231/296. controle que. e REsp 37026-PE. volume. Rel. mas com ele pode solidarizar-se o construtor que se prestar à execução. .3. nem à indenização pelo município de eventuais benfeitorias. DJ 7/4/1997. podendo estar a obra em fase de andamento ou já concluída.3. . Recurso do município provido para reformar a sentença que o condenara a indenizar os autores por dano moral.10. TASP RT 209/363. Fiscalização de construções. por estar afeto ao exercício da profissão de engenharia. 3. é transmitida ao futuro dono.10.3.3. . 189/296 e 690. 237/555. em regra.4. impedindo. de estrutura. altura.4. 1º TACivSP RT 201/409. ficando o infrator sujeito à regularização do projeto e ao pagamento de todos os emolumentos do processo respectivo. prevalecendo a responsabilidade do empreiteiro. ainda que executados em plena conformidade com as normas de edificação.4. 3.1 MULTA A todo aquele que realiza obra sem alvará de construção. se a construção clandestina admitir adaptações às exigências legais. Muito embora incumba ao município o exercício do poder de polícia pela fiscalização das construções. TJSP RT 137/614. pela atividade ilícita da obra clandestina. desde que o interessado as satisfaça no prazo concedido e nas condições técnicas determinadas pela Administração. escapando a órbita de sua atividade administrativa a fiscalização da execução material da obra. tanto assim que o Poder Público aceita projetos assinados pelo promissário comprador e instruídos com o contrato de compromisso de compra e venda* 51. não tendo o invasor de má-fé direito à retenção. funcionalidade ou estética. Logradouro público. TASP RT 200/505. ou pela Justiça na ação pertinente *53.4.10. pelo Poder Público ou pelos vizinhos.10.3 SANÇÕES Meirelles (1996) relata que as sanções administrativas contra as obras clandestinas distinguem-se em: 3. o proprietário. Limites. 3. é sempre passível de embargo pelo dono do prédio. 14/3/2000: Obra. MEIRELLES ( 1996 ) entende que não atribui responsabilidade ao promitente vendedor. Sob este prisma. não lhe cabendo fiscalizar a execução material da obra.10. neste caso. .001. velar pelo prédio locado. 3. . Ministro César Asfor Rocha.4. conforme o que decidiu o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro*54.2 DO PROMISSÁRIO COMPRADOR Quanto à construção clandestina realizada por promissário comprador. Exercício do poder de polícia. porque a posse do imóvel. TJSP RT 132/255. Demolição. DJ 29/4/1996. REsp 111670-PE. Pretensão indenizatória improcedente. 50 51 72 Responsabilidade na Construção Civil 73 . acompanhada do direito de construir. prontamente. cabe aos respectivos conselhos profissionais.3 DEMOLIÇÃO Quando desconforme com as normas de construção – de localização.4. 236/357. este se limita ao exame da adequação do projeto as posturas municipais e da exatidão de sua execução ao que foi licenciado. as atividades particulares ilícitas e contrárias às normas de ordem pública .11 DA FISCALIZAÇÃO MUNICIPAL Grandiski (2001) ressalta que o poder de polícia da Prefeitura se limita ao exame da adequação do projeto às posturas municipais e verificação da exatidão de sua execução ao que foi licenciado. O proprietário responde também pelas obras clandestinas feitas pelo inquilino*49 e até mesmo por intrusos*50. A construção clandestina em logradouro público está sujeita à demolição.uma vez que lhe incumbe. por sua conta e risco.07017 TJRJ – Responsabilidade civil do município. responderá. cujas despesas de demolição ao encargo do infrator * 52 . 3. desocupado ou baldio.4. Precedentes citados. 3. Processo 2000. .10. 288/691. questão de responsabilidade civil que se resolve por aplicação do artigo 1246 do Código civil. J. quando exigido para os trabalhos.1 RESPONSABILIDADE DO CONSTRUTOR OU DO PROPRIETÁRIO Se decorrer prejuízos patrimoniais. 52 GRANDISKI ( 2001 ) colabora em sua obra literária com: REsp 48001-PE.4 DAS ADAPTAÇÕES POSTERIORES ÀS NORMAS Podem ser admitidas e Meirelles (1996) acrescenta ainda que.4.

ainda que cause dano a terceiros. III. caso não tenha concorrido com culpa para o evento perigoso – CC/2002.I e 24.I) que. a direito seu ou de outrem – CC/2002. arts. 393 e 625. 3 EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO RECONHECIDO Prática normal de faculdade ou atividade concedida por lei. 5 DE FORÇA MAIOR Em ato humano e fato necessário (CC/2002.188. salvo nos casos de responsabilidade objetiva – danos de construção a prédio vizinho – CC/2002. parte final. CP arts.I.23. . CP . causa lesão ao contendor. arts. art. art. arts. atual ou iminente. I. os praticados: 1 EM LEGÍTIMA DEFESA Usando moderadamente dos meios necessários. parte final e CP art. no repelir injusta agressão. .23.Capítulo VI DA ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE NA CONSTRUÇÃO Existem causas que retiram a ilicitude da conduta e isentam o autor de qualquer responsabilidade.II).23. por sua imprevisibilidade e inevitabilidade criem impossibilidade para o cumprimento de obrigações – greve de transportes ou ato governamental que impeçam a importação de material ou matéria-prima necessários e insubstituíveis na construção.II e 929. 393 e 625. 74 Responsabilidade na Construção Civil 75 . 4 OCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO Em fato da natureza ainda que cause danos a terceiros. 2 EM ESTADO DE NECESSIDADE Situação de perigo que obriga alguém a sacrificar bens alheios para evitar ou livrar-se de um mal maior a fim de remover perigo iminente.II e 25.180.188. liberando o devedor do cumprimento de suas obrigações. Meirelles (1996) menciona que a lei declara que não constituem atos ilícitos e não geram responsabilidade alguma. por imprevisibilidade e inevitabilidade – salvo se a região não é sujeita a fenômenos físicos de intempéries – causas geológicas ou hídricas (CC/2002. arts.

Padaratz (2000) completa o assunto. a combinação de ações destinadas a manter um edifício ou suas partes em condições de uso. mesmo que mais onerosos.6 DO FATO NECESSÁRIO À ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE. abr. componentes ou elementos deteriorados. fiação elétrica. danificados por goteiras – Recurso provido. não constituindo motivo da liberação de obrigações. decadência. que o acidente decorreu do desgaste natural do tempo por falta de conservação do prédio”.883 e 368. tratando a manutenção como sendo. 76 Responsabilidade na Construção Civil 77 . recolocação de algumas peças cerâmicas. p. vedantes de torneiras. Tratado a definição por Aurélio. Caracteriza a imprevisibilidade. foi o de determinada marca de cimento que não mais se encontrava no mercado da cidade e. respectivamente. Conclusão 3 – “O prazo de garantia pela segurança da obra não é mais de apenas 5 ( cinco ) anos. sob o aspecto da influência. Grandiski (2001) destaca conclusão em congresso (Painel 2 – 4º Congresso Brasileiro de Direito do Consumidor.03. danificados ou falhos.Reabilitação: Reparar ou modificar uma estrutura para um fim específico de utilização. Nesse período.Restauração: Restabelecer os materiais. Do termo conservação. Item 2.618 do Código Civil.1/3. art.Reforço: Aumentar a capacidade de carga de uma estrutura ou parte dela. onde os efeitos não foram possíveis serem evitados ou impedidos. também não constitui motivo de força maior. .correção monetária – custas judiciais – honorários de Perito e Advogado . torneiras. . mesmo que mais onerosos. Conservação: cuidados técnicos para resguardar de dano.1998: 55 TJSP 132:168: Responsabilidade civil – Proprietário de edifício em construção – Materiais empilhados precariamente atirados por . Exemplos: troca de lâmpadas.Reparo: Substituir ou corrigir materiais. ventania sobre o telhado de residência vizinha – Ininvocabilidade de caso fortuito ou força maior – Inclusão. NÃO CONFUNDIR COM IMPREVISIBILIDADE Um exemplo clássico. é tratado por “recuperação” e o subdivide em outros. deterioração. limpeza inclusive de calhas. Como já vimos em tópico anterior. que em sendo de efeito contornável. como previsto no art./jun. publicadas na revista “Direito do Consumidor”. disjuntores e repintura total.403 e 404 e CPC. a saber. de isenção de responsabilidade deve ser mencionada. . devendo cobrir os prejuízos ocasionados à parte inocente – perdas e danos – lucro cessante – aluguéis e valorização do prédio – multa contratual . bem alertado por Meirelles (1996). calhas. Gramado. ademais.1 DO DESGASTE NATURAL OU FALTA DE MANUTENÇÃO Exceção.º 26.402. arts. já ocorrido em outras épocas. ainda. Exemplos: troca de esquadrias.20. onde evidencia a distinção entre manutenção e conservação. Em situação inevitável. deveu-se a caso fortuito ou força maior. em gráfico abaixo: Preservação: Manter a estrutura nas suas condições atuais e evitar progresso na sua deterioração – ver ainda nesta obra literária. n. Fora dessas hipóteses. ou seja.1998). só existia uma segunda com preço bem superior ao da primeira. ocorrendo o acidente. 08 a 11. sujeitar-se-á à indenização devida*55. e. a saber: Manutenção: cuidados técnicos indispensáveis ao funcionamento regular. . 6. mas sim por todo o período de durabilidade razoável da construção. não constitui caso de força maior. forma e aparência de uma estrutura que existiam na estrutura numa determinada época. melhor visualizado. prejuízo. Meirelles (1996) reforça e alia-se ao fato necessário. quando o defeito ou vício construtivo ocorreu devido ao desgaste natural pelo tempo ou por falta de manutenção do prédio. da responsabilidade contratual o construtor só se libera cumprindo fielmente o contrato ou demonstrando que a sua inexecução total ou parcial. o incorporador / construtor só afastará o dever de indenizar se provar que a obra não tinha defeito. re-pintura.CC/2002. não devendo ser confundido com a imprevisão do fato necessário. condutores. das despesas com móveis que guarnecem a residência. mas de efeitos contornáveis. Capítulo VII.

economia de formas. 12. de menor deformação lenta e de maiores resistências à baixa idade. se a culpa não for exclusiva do consumidor. fazendo rebaixamento de lençol freático. sob pena de se afastar a responsabilidade objetiva da construtora.2 PROVOCADO POR TERCEIROS Outra situação aventada por Grandiski (2001) é de que se prove que a origem do problema foi provocada por terceiros (outra obra ao lado. consoante as disposições do art. à execução propriamente dita. se não constar essa advertência. conforme indicado na figura 1. ou após eventual reforma). Responsabilidade objetiva do construtor. os requisitos necessários a que se estabeleça a inversão dos ônus da prova. relatam. toda medida extraprojeto.º 8078/90. que. à manutenção preventiva efetuada antes dos primeiros três anos e à manutenção corretiva efetuada após surgimento dos problemas. Nesse caso. apud HELENE  (  1992  )  /  fig. A mesma medida tomada durante o projeto permitiria o redimensionamento automático da estrutura considerando um concreto de resistência à compressão mais elevada. será considerado culpado. implica num custo cinco vezes superior ao custo que teria sido acarretado se esta medida tivesse sido tomada a nível de projeto. sem que ele esteja cheio de água (na ligação inicial. mesmo que essa culpa seja por simples omissão de advertência (omissão de advertência no “Manual do Proprietário”. neste caso. a cada uma corresponderá um custo que segue uma progressão geométrica de razão cinco. pode-se concluir que teria havido culpa concorrente do fornecedor e. 79 . nos termos do parágrafo 3º da referenciada legislação. haveria culpa concorrente do construtor.)* 56. Um exemplo típico é a decisão em obra de reduzir a relação A/C (água/ cimento) do concreto para aumentar a sua durabilidade e proteção à armadura. em valiosa obra literária. da Lei n. ou logo após a falta de água. explosão de artefatos armazenados etc. 78 Responsabilidade na Construção Civil STJ – Agravo 289278/MG ( 2000/0014221-2 ) em 05/05/2000.Fonte:  PADARATZ  (2000)  -­  Influência  da   manutenção e recuperação no desempenho da construção civil. Helene (1992) afirma que: “as correções serão mais duráveis. redução de taxa de armadura. 6. 6º. mais efetiva. Segue. A demonstração mais expressiva dessa afirmação é a chamada “Lei de Sitter” que mostra os custos crescendo segundo uma progressão geométrica. Ministro Waldemar Zveiter: Ementa: Ação de Indenização. Essa medida tomada a nível de obra. o ar acumulado no aquecedor se esquenta. Imperiosidade. não mais pode propiciar alteração para melhoria dos componentes estruturais que já foram definidos anteriormente no projeto. no caso concreto. mais fáceis de executar e muito mais baratas quanto mais cedo forem executadas”. principalmente se não se apresentam.cit. apresentando em sua obra literária. Relação de causa e efeito entre o dano e a construção defeituosa. a teor do art. op. caput. Recurso adesivo provido. Imprescindível que se evidencie a relação de causa e efeito entre o defeito de edificação e o dano sofrido pela parte. tomada durante a execução.  1  -­  Lei  de  evolução  de   custos Concluem ainda que. Dividindo as etapas construtivas e de uso em quatro períodos correspondentes ao projeto. aumentando de volume. restando prejudicada a apreciação do apelo. é a do construtor que seria condenado pelos danos causados ao consumidor pela explosão de aquecedor de acumulação de água. como numa panela de pressão. do referenciado texto legal. O consumidor deve ter advertido previamente desta possibilidade no “Manual do Proprietário”. SITTER. Prova. que seria condenado. pelo acionamento de sua resistência elétrica. por exemplo). redução de volumes e peso próprio etc. VIII. para obter-se o mesmo “grau” de proteção e durabilidade da estrutura. Exemplo típico desta hipótese. que em relação a recuperação dos problemas patológicos. incluindo nesse período a obra recém-construída. apesar de eficaz e oportuna do ponto de vista da durabilidade. Essas novas características do concreto acarretariam a redução das dimensões dos componentes estruturais. Maia Lima & Pacha (2005). de menor módulo de deformação. 56 Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005). caminhão que derruba pilar de sustentação do prédio.

FALHAS TÉCNICAS E DEFEITOS. Nessa mudança conceitual. 80 Responsabilidade na Construção Civil 81 . Dessas semelhanças. com os termos usualmente empregados na área da medicina. que se pode classificar o estudo das falhas construtivas como uma ciência experimental. algumas não ensinadas em cursos normais de arquitetura e engenharia. que mais recentemente foi denominada “Patologia das Construções” e envolve profundos conhecimentos de muitas especialidades. sob pena de adquirir “doenças” (manifestações patológicas). elas podem passar por enfermidades (processo lento e contínuo de deterioração). a “saúde” das edificações dependia não só dos cuidados durante a sua “gestação” (fase do projeto).. e como em outros ramos da ciência. mas também durante seu “crescimento” (fase da construção). Visto sob este aspecto genérico.. e deveriam permanecer durante o “resto da vida” (fase de manutenção). diagnosticar e corrigir cerca de 70% (setenta porcento) das “falhas rotineiras”. podem e devem ser encaminhados aos especialistas formados nos cursos universitários de pós-graduação.Capítulo VII PATOLOGIA DE EDIFICAÇÕES. o seu estudo é caso de alta especialização. os engenheiros perceberam que da mesma forma que um ser vivo. poderá prevenir. CASOS PRÁTICOS DE PERÍCIA EM CONSTRUÇÃO Grandiski (2001) traz em seu trabalho. A medida que “envelhecem” (fase de degradação). Não obstante. que costumam ser repetitivas (. o engenheiro e arquiteto que dominar razoavelmente bem a “Arte de Construir”. nas empresas especializadas em recuperação de patologias. nasceu este novo ramo da ciência. designado: “Patologia das Construções”. em laboratórios.). em alguns cursos de reciclagem para engenheiros etc. entender. Os outros 30% (trinta porcento).

também denominados de lesões. . a partir de minuciosas e experientes observações visuais. dos elementos ou da edificação como um todo.1. medidas de prevenção e recuperação. Esses sintomas. . diagnosticando suas causas e estabelecendo seus mecanismos de evolução.1. e entre as quais se destacam: 83 THOMAZ. não induzir transições de pilares utilizando as divisas (possibilidade de alterações no vizinho). evitáveis ou inevitáveis.  que  são  causas  com  origem  fora  da  obra   e provocadas por fatores produzidos por terceiros.variações térmicas.falhas de projeto. quem cometeu a falha. o projetista falhou.vibrações provocadas por estaqueamento. 1. incêndios. se na etapa de uso. prever travamento positivo no pé das cortinas. tais como: . a partir do qual se pode deduzir qual a natureza.escavações de vizinhos (ver ainda estudo de caso no item 2. . estudar os defeitos dos materiais. quando a origem está na qualidade do material.* 57 Helene (1988) descreve que os problemas patológicos. maremotos etc. Cabe ressaltar. 1. ou tráfego externo. prever travamento de blocos de fundação etc.falhas de gerenciamento e execução (desobediência às normas técnicas. São Paulo. a origem e os mecanismos dos fenômenos envolvidos. mudança de uso). a falha é da operação e manutenção. se na etapa de execução. ausência ou precariedade de controle tecnológico. para fins judiciais. . 1. 57 Fonte: HELENE ( 1981 ) . defeitos ou manifestações patológicas. percussão de máquinas industriais.falhas de utilização (sobrecargas não previstas no projeto.deterioração natural de partes da edificação pelo esgotamento da sua vida útil. plantas de arquitetura. .1 EXÓGENA Grandiski  (2001)  complementa. terremotos.  e  que  podem  ser  subdivididos  em: .4 adiante). conforme o caso. .3 NA NATUREZA Causas que podem ser falhas previsíveis ou imprevisíveis. . . onde os projetistas deveriam: induzir a utilização de um único RN (referência de nível) na obra.. Trincas em Edificações. acomodações de camadas profundas. . utilização de mão de obra inqualificada). se o problema teve origem na fase de projeto.1. 82 Responsabilidade na Construção Civil . Ércio.1 PATOLOGIA DAS CONTRUÇÕES “Ciência” que procura. PINI.rebaixamento de lençol freático. desde as sondagens. salvo raras exceções. estruturais. podem ser descritos e classificados. Assim.. assim como se pode estimar suas prováveis consequências.1 ORIGENS 1. dos componentes. ou pela natureza. orientando um primeiro diagnóstico. não projetar pilares em cantos (impossibilidade de cravação de estacas).explosões. acidentes de origem externa (explosões de botijões de gás) etc.2 ENDÓGENA Causas  com  origem  em  fatores  inerentes  à  própria  edificação  (ver  também  figura  abaixo). de instalações etc.trombadas de veículos e alta velocidade com a edificação. trata-se de falha de mão de obra e a fiscalização ou a construtora foram omissos.influência do bulbo de pressão de fundações diretas de obra de grande porte em construção ao lado.Gráfico  de  incidência  da  origem   dos problemas patológicos com relação às etapas de produção e uso das obras civis. de forma metodizada. o fabricante errou. formas de manifestação. apresentam manifestação externa característica. que a identificação da origem do problema permite também identificar.

  com   infiltração   presente   nas   proximidades   dos   ninhos de concretagem. acima dos previstos em norma técnica. C = comercial. de casas térreas com idade maior de 8 (oito) anos. das patologias no Brasil  de  maior  incidência  em  casas  térreas  e   apartamentos com idade maior que 8 ( oito ) anos de construídos e ocupados. que segundo Aranha & Dal Molin (1994:24): “as falhas de execução das estruturas podem ser de todo tipo. adensamento e cura do concreto.- movimentos oscilatórios causados por movimentos sísmicos.   –   Incidência   de   manifestações   patológicas   no   Brasil. conforme mostra o quadro seguinte: PAÍS Inglaterra Alemanha Romênia Bélgica Dinamarca Iugoslávia França Espanha Brasil NÚMERO DE CASOS 510 1570 432 3000 601 117 10000 586 527 CAUSAS P 49 40 38 49 37 34 37 41 18 M 11 15 23 12 25 22 5 13 7 E 29 29 20 24 22 24 51 31 52 U 10 9 11 8 9 12 7 11 13 4 10 N 1 7 8 7 7 8 TIPO DE OBRA R C I H Fonte: PADARATZ (2000). apud ARANHA & DAL MOLIN (1994) -­  Origem  das  manifestações  patológicas  em  diversos  países. I = industrial.cit. a saber: 1. LEGENDA: causas: P = projeto. . Fonte:  MAIA  LIMA  &  PACHA  (2005)  -­  Infiltração  e  presença  de   limo. E = execução. E. transporte. principalmente.2 ESTATÍSTICAS DE INCIDÊNCIA DAS PATOLOGIAS Maia Lima & Pacha (2005). podendo estar vinculadas à confecção. mistura. M = materiais. a distribuição de incidência das origens das patologias em diversos países. .ventos muito fortes.variações da temperatura ambiente (calor. instalação e remoção das fôrmas e cimbramentos.Laje apresentando concreto altamente permeável e manchas de umidade em toda a   superfície. Fonte: Maia Lima & Pacha. dobra e montagem das armaduras e dosagem. ação de ventos e chuvas anormais. corte. CARMONA FILHO & MAREGA e BUENO. Padaratz (2000) trata ainda. Paulo Barroso Engenharia Ltda. alteração do nível do lençol freático por estiagem prolongada ou pela progressiva impermeabilização das áreas adjacentes. 68 67 29 18 20 24 14 13 35 12 Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) . – I. ) 84 Responsabilidade na Construção Civil 85 . acomodações das camadas adjacentes do solo.T. lançamento. apud IOSHIMOTO. traz à luz ainda. variações bruscas).N= naturais Tipo de obra: R = residencial. H = hidráulica Segue comentando. provocando corrosão e expansão da seção das armaduras. ao emprego de mão-de-obra desqualificada ou falta de supervisão técnica”. U = utilização. neve.  causadas  pela  fissuração  e  permeabilidade  excessiva  da   laje de concreto (apud. op. todas elas relacionadas. inundações provocadas por chuvas anormais.P.

“Falhas Técnicas na Execução” e “Falhas Processuais”.Detalhamento insuficiente ou errado. escolha infeliz do modelo analítico. São apresentados quadros (na seqüência). . com a finalidade de: “ ( . “Falhas Técnicas no Projeto”. para este caso. e tem origem devido ao desconhecimento e descumprimento da legislação em vigor. 2 ESTUDO DE CASOS 2. também chamado de projeto final de engenharia. a fim de atender às solicitações dos usuários e corrigir falhas de projeto.Especificação inadequada de materiais. também detalhado.). Como resultado. era baseado no método de tensões de serviço.  que  apresentam   infiltrações  com  desprendimento  de  concreto.Erros de dimensionamento. Discorre ainda. ou de anteprojetos equivocados. Apud Souza & Ripper (1998:24) constataram que os responsáveis.Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) . As estruturas apresentavam pequena deformabilidade e raramente perceptível nos casos mais comuns. a saber: 1 – CONCEPÇÃO (projeto) Várias são as falhas possíveis de ocorrer durante a etapa de concepção da estrutura. . são as falhas originadas de um estudo preliminar deficiente. na execução do anteprojeto.Elementos de projeto inadequados (má definição das ações atuantes ou da combinação mais desfavorável das mesmas. destacou e avaliou os principais problemas surgidos na fase de projeto e execução na construção civil..Laje apresentando  infiltração. deficiência no cálculo da estrutura ou avaliação da resistência do solo etc. sem diminuir a produtividade e a eficiência. ou durante a elaboração do projeto de execução. que durante a execução da obra houve a necessidade da realização de alguns serviços não previstos no projeto.  provocando  a  lixiviação  do  concreto   desencadeando a corrosão das armaduras. simultaneamente seus custos e seus prazos”. ) diminuir gastos orçamentários. e . no projeto e na execução e são motivadas por falta de conhecimento técnico específico e/ou omissão do profissional. que o projeto de edificações antigas (até a década de 70). principalmente. MAIA LIMA & PACHA (2005) trazem.Corrosão nas armaduras  próximas  as  tubulações. os termos da origem das falhas técnicas. 87 Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) .Falta de padronização das representações ( convenções ). aumentando a qualidade dos bens e serviços adquiridos ou fornecidos. que mostram as “Falhas Técnicas na Concepção”. Elas podem se originar durante o estudo preliminar (lançamento da estrutura). Padaratz (2000). As “Falhas Técnicas” ocorrem durante a construção e tem origem na concepção.Detalhes construtivos inexequíveis. . eram mais robustas e por consequência com menor índice de esbeltez. em obras públicas. enquanto as falhas geradas durante a realização do projeto final de engenharia geralmente são as responsáveis pela implantação de problemas patológicos sérios e podem ser tão diversas como: . e. também complementa. diminuindo. 86 Responsabilidade na Construção Civil .. Lima & Jorge (2001). ou por transtornos relacionados à utilização da obra.1 FALHAS TÉCNICAS Em valiosa obra literária. pelo encarecimento do processo de construção. como também para solucionar conveniências construtivas.Falta de compatibilização entre a estrutura e a arquitetura. e as “Falhas Processuais” ocorrem em fase pós-construção. . bem como com os demais projetos civis. . com suas causas e procedimentos que deveriam ter sido adotados para a sua não ocorrência.

levar a graves erros em determinadas atividades. “Reologia” significa: “Parte da física que investiga as propriedades e o comportamento mecânico dos corpos deformáveis. Uma fiscalização deficiente e um fraco comando de equipes. que é em muito prejudicado por refletir. cuja primeira atividade será o planejamento da obra. no desleixo e em problemas econômicos. que provocam baixa qualidade técnica dos trabalhadores menos qualificados. se não forem executadas. de imediato. são a limpeza e a impermeabilização das lajes de cobertura. de forma que não venha a fazer obras de demolição ou de aberturas de vãos – portas ou janelas – nestas paredes. AURÉLIO.. por exemplo: . piscinas elevadas e playgrounds. Nas construções convencionais. casos em que a manutenção periódica pode evitar problemas patológicos sérios e. fatores que. que. O problema piora em pavimentos onde estiverem instaladas máquinas. podendo então ser convenientemente iniciada a etapa de execução. com a conclusão de todos os estudos e projetos que lhe são inerentes. dependendo da idade. vários problemas patológicos podem surgir. e. que isto tenha ocorrido com sucesso. A verificação da freqüência natural. ou mesmo pela ausência total de manutenção. com facilidade. Exemplos típicos. via de regra. escoramento. basicamente. A cultura brasileira não incorpora. preferencialmente. inexistência de controle de qualidade de execução. . pode ser necessária para a definição de espessuras e dimensões de elementos estruturais. a necessidade de analisar os efeitos reológicos*58 do concreto e do aço. As vibrações podem tornar-se incômodas e causar prejuízos. mais sujeitas a estados de deformação anteriormente não percebidos. marquises. o módulo de deformação pode ser o parâmetro mais importante para a garantia de obtenção de flechas compatíveis com o funcionamento da estrutura. com a introdução do conceito de estados limites últimos. página 1216. além de implicarem a deterioração da estrutura. indica que a etapa de execução deva ser iniciada apenas após o término da etapa de concepção. não capacitação profissional da mãodeobra. em alguns casos. incluindo.Edifícios em alvenaria estrutural – o usuário ( morador ) deve ser informado sobre quais são as paredes portantes. p. e mesmo do pessoal com alguma qualificação profissional. os problemas sócioeconômicos. 89 2 – EXECUÇÃO (construção) A seqüência lógica do processo de construção civil. podem ser evitados informando-se aos usuários sobre as possibilidades e as limitações da obra. como a implanta58 Do termo “reológico”. podem ocorrer falhas das mais diversas naturezas. segundo Souza & Ripper (ibid. ção da obra. as estruturas podem vir a apresentar problemas patológicos originados da utilização errônea ou da falta de um programa de manutenção adequado. ocasionados por uso inadequado. possibilitarão a infiltração prolongada de águas de chuva e o entupimento de drenos. irresponsabilidade técnica e até mesmo sabotagem. a retirada do escoramento está comumente associada à obtenção de uma resistência mínima para o concreto. portanto. podem. A ocorrência de problemas patológicos cuja origem está na etapa de execução é devida. Iniciada a construção. associadas a causas tão diversas como falta de condições locais de trabalho ( cuidados e motivação ). portanto. normalmente relacionados a uma baixa capacitação profissional do engenheiro e do mestre de obras. desde o seu fabrico até a cura. podem levá-la à ruína por excesso de carga ( acumulação de água ). 3 – UTILIZAÇÃO (manutenção) Acabadas as etapas de concepção e de execução.Nas últimas décadas. 88 Responsabilidade na Construção Civil . principalmente no cálculo de flechas. o projetista da estrutura. No entanto.Pontes – a capacidade de carga da ponte deve ser sempre informada. posicionamento e quantidade de armaduras e a qualidade do concreto. Ainda. má qualidade de materiais e componentes. O projeto de pavimentos esbeltos (lajes finas. ao processo de produção. a própria ruína da obra. poucas vigas e grandes vãos) implica em elevada sensibilidade a vibrações. que não são nem sólidos nem líquidos”. Nas estruturas. quando se trata de concreto armado. como os serventes e os meio-oficiais. descritos abaixo. Suponha-se. tem sua origem no desconhecimento técnico. na incompetência. e mesmo quando tais etapas tenham sido de qualidade adequada. em local visível e de forma insistente. Os problemas patológicos ocasionados por manutenção inadequada. 27). sem a prévia consulta e a assistência executiva de especialistas. os problemas patológicos. as estruturas foram ficando cada vez mais esbeltas. fôrmas. Esses efeitos crescem de importância nas estruturas mais esbeltas.

4) vista dos escombros no dia seguinte ao desmoronamento das sacadas.;  3)  vista  da  fachada  –  à  direita. 2) vista  de  empoçamento  de  água  e  fissuras  generalizadas  sobre  a  marquise.Quadro 1 –Falhas Técnicas na Concepção Falhas 1. os procedimentos inadequados durante a utilização podem ser divididos em dois grupos: ações previsíveis e ações imprevisíveis ou acidentais. Como evitar Elaboração prévia da sondagem do terreno. 3) 4) Fonte: PELACANI (2008) – 1) Vista da marquise / laje sobre as sacadas do edifício – lado direito que não caiu. Falta de um levantamento das redes existentes para preliminar das redes ligação de água e esgoto do existentes. No levantamento das necessidades devem ser previstos todos os aspectos necessários à realização da obra.Troca do tipo de fundação inicialmente previsto no escopo da obra. 3. devido a ausência de informações no projeto e/ou inexistência de manual de utilização. Nas ações previsíveis. ( fundação direta para estacas) Causas À não execução de sondagem de reconhecimento do terreno quando da elaboração dos estudos preliminares. Segundo Aranha & Dal Molin (1994). incêndios.  sacadas   que desmoronaram com a queda inicial da marquise sobre a última sacada. 90 Responsabilidade na Construção Civil 91 . 1) 2) 2. Na elaboração dos projetos devem estar definidos todos os pontos para execução da obra. necessidades junto aos usuários. prédio. podemos compreender o carregamento excessivo.Não previsão de urbanização Falta de um minucioso e arruamento para acesso de levantamento das caminhões aos depósitos. a fim de definir o tipo adequado de fundação a ser utilizado. No caso das ações imprevisíveis temos: alteração das condições de exposição da estrutura.Não identificação no projeto. choques acidentais etc. abalos provocados por obras vizinhas.

5-Dimensionamento insuficiente das colunas do barrilete para atender as válvulas de descarga e a máquina de lavar. 4.Revisão dos projetos por visão do projeto de instalações outro profissional. com nível incorreto. Materiais especificados não adequados a sua utilização.Indefinição com relação às alturas das tomadas e bitola dos eletrodutos.Pilares projetados com altura errada. verificação e inspeção de serviços.Reforço das portas de alumínio. Causas Não existem por parte da firma contratada procedimentos para execução. Revisão e compatibilização dos projetos. Elaborar o projeto de fundações antes da licitação. juntamente com os demais projetos. Projeto de instalação executado sem revisão.Quadro 2 – Falhas Técnicas no Projeto Falhas 1. A não compatibilização dos projetos de estrutura juntamente com os demais. Elaboração e compatibilização de todos os projetos antes da licitação. Falhas 1-Cravação de estaca que não constava do projeto. 8-Demolição do emboço executado desnecessariamente em todo o perímetro das salas e circulação no local do rodapé de alta resistência. 9-Execução de contrapiso da sala de sangria. 3.Superdimensionamento das fundações do abrigo dos eqüinos. 2-Controle tecnológico inadequado no início da concretagem. devido ao tipo de fechadura especificada. 7-Alguns pilares foram concretados 15 cm acima da altura indicada em projeto. Como evitar A utilização de procedimentos técnicos de execução e de inspeção e verificação de ser-viços. 92 Responsabilidade na Construção Civil 93 . pelos técnicos da obra. Causas Desconhecimento das características do terreno. 3-Deslocamento do eixo da estaca do bloco BL13. 5-A cinta V2 e V9 foram armadas erradas. 6-A cinta V3 foi concretada fora do eixo do pilar P3. 6. Erro de execução e falta de re. hidro-sanitárias. a fim de definir a adequada forma construtiva. 4-Armação da cinta V17 10x 40 como se fosse a cinta V16 12x40.Não previsão de armação na laje de piso do térreo. Quadro 3 – Falhas Técnicas na Execução Como evitar Elaboração prévia da sondagem do terreno. Elaboração de projeto para produção. 10-Portas de alumínio executada 3cm menor do que a altura do vão. A execução das fundações ficou a cargo da empresa que elaborou o projeto. cintas e pilares não projetados. 2.

das condições de suporte do subsolo local. . nestes desabamentos: . para que novas falhas não fossem cometidas.materiais de baixa qualidade. uma vez que o esforço de compressão absovido é menor que o esforço de compressão atuante na estaca. que as rachaduras em lajes representam um risco de baixa ordem e é comum.construção da obra com materiais mais pesados que os especificados em projeto. 2. .Acréscimo do prazo contratual da obra. Volta Redonda–RJ (1991).cou. Maior agilidade por parte da administração no pagamento das faturas. São José do Rio Preto–SP (1997) –Edifício Itália. 2. Esclarece ainda.detalhamento de elementos estruturais com deficiência. elaborada em razão de perícia judicial. Causas A empresa vencedora da licitação não apresentou a garantia contra. 3. Fonte: LIMA & JORGE ( 2001 ) – Quadros “Falhas Técnicas” Finalmente concluiu que. Saldanha (2001). Atraso na liberação dos pagamentos das faturas. para não vermos novo quadro de tragédia com vítimas fatais.do tipo Strauss. Como evitar Agilidade da administração no cumprimento dos procedimentos e prazos estipulados no edital.2 DESABAMENTOS Souza (2001) trata em sua obra literária.tual e a administração não convo. Falta de planejamento por parte da empreiteira e atraso na liberação dos pagamentos das faturas. quanto a assegurar a segurança das obras civis projetadas e executadas por arquitetos e engenheiros. Planejamento e controle mais eficaz das etapas dos serviços e maior agilidade por parte da administração no pagamento das faturas. Rio de Janeiro–RJ (1998) – Edifício Palace II e Olinda–PE (1999) – Edifícios Éricka e Enseada de Serrambi. As rachaduras em pilares representam os riscos mais graves. que as armaduras indicadas no projeto estrutural.concepção estrutural inadequada. a importância e a visão de alguns estados brasileiros e de outros países. Tratado como acidentes estruturais. e geralmente são resultado de esforços de flexão.falta de sondagem adequada no solo para realização das fundações.Quadro 4. . .1 A IDEIA DE INSPEÇÃO PREDIAL OBRIGATÓRIA Helene (2005) trouxe à tona. Foram destacadas. e. uma vez que estes elementos são responsáveis pela transmissão das cargas de vigas e lajes para a fundação. apresentarem estas rachaduras devido a variação de temperatura. Guaratuba–PR (1995) – Edifício Atlântico. As rachaduras em vigas representam um risco de ordem intermediária. a segunda colocada. .a insuficiência de armaduras nos pilares.deficiência de cobrimento das armaduras. e o que podem e devem servir de aprendizado.a estaca não atende as solicitações de carga. . quase sempre são decorrentes de combinações de falhas técnicas. nos apartamentos do último andar.Falhas Processuais Falhas 1. .traço inadequado do concreto utilizado. . não conferem com as armaduras de cálculo e nem de execução. em função da vistoria realizada em sinistro de desabamento de estrutura de pavilhão pré-moldado de concreto armado. 94 Responsabilidade na Construção Civil 2. dentro dos prazos estabelecidos por lei. apesar da experiência dos profissionais envolvidos nestes desabamentos.Descontinuidade na execução dos serviços.Atraso na assinatura do contrato e consequentemente do início da obra. do dimensionamento do projeto estrutural executado. ferragem necessária deveria ser 52% (cinqüenta e dois porcento) superior às existentes nas peças confeccionadas. colabora em sua obra literária. em recente artigo publicado. . também. . 95 . quanto ao desabamento de edifícios residenciais no Brasil.falta de orientação e acompanhamento dos profissionais junto aos encarregados da obra. Cita os casos de desabamento nas cidades de Santos–SP (1990). na faixa de 30 (trinta) anos de profissão.observou-se. do tipo de fundações executadas –.2. e conclui que: .construção de outros pavimentos ou outros elementos (piscinas e caixas d`água) sem consulta prévia do projetista.

faz-nos pressupor que deve ter sido objeto de estudos. podendo alertar e provocar que se tomem atitudes. No caso de obras de maior importância. em meio à segunda grande revolução. é centenas de vezes menor que o de explosão de um botijão de gás ou de morte por acidente de carro nos centros urbanos e nas rodovias brasileiras. o dimensionamento das estruturas era realizado pelos chamados métodos deterministas e a introdução da segurança era dada pelo método das tensões admissíveis. houve a primeira grande revolução no setor e a segurança passou a ser introduzida com base nos conhecimentos proporcionados pela teoria das “probabilidades”. como já vimos acontecer em desabamento de edificações. obrigatória a partir de março último (de 2005). considerava-se que as estruturas de concreto seriam eternas e não requeriam manutenções.Traduz e conclui da enorme importância que a “Inspeção Predial PERIÓDICA” de edificações. em tom de grande e profunda advertência aos profissionais. ao lado da segurança. porém mais exata e mais segura. sempre que o diagnóstico assim o indicar. a tempo. exigem inspeções técnicas de edifícios a cada 10 anos. Inicia com a seguinte questão: “A quem cabe assegurar a segurança? Ao sistema CONFEA/CREAs? Às prefeituras? Às universidades? Aos fabricantes de materiais?” Professor Titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. como é hoje. Traz. para a prevenção de verdadeiras catástrofes. como o ocorrido em Recife. podendo esse período chegar a 4 anos. Portanto. seguidas de reformas e intervenções corretivas. ainda. Até então. é indispensável que o sistema CONFEA/CREAs institua um processo permanente. construído na década de 1980. A partir de fins da década de 1970. Em Buenos Aires. O correto seria prever essa deficiência estrutural por meio de inspeções periódicas. O primeiro documento regulador do exercício técnico da profissão foi a norma NB-1. em artigo de sua autoria. como ainda era subentendido na década de 1980. a engenharia estava presente no local da tragédia! Por que. no máximo.. em Recife (PE). frequentes. habilitados pelo CREA e pela prefeitura locais”. com mais de 20 anos de bons serviços prestados à sociedade. pois a habilitação deveria ser temporária e não vitalícia. ainda ocorrem acidentes dessa magnitude? Projetam-se e se constroem estruturas de edifícios com vida útil prevista para 50 anos. 96 Responsabilidade na Construção Civil 97 . ou seja. especialista em Patologia e Terapia das Estruturas de Concreto. Um edifício desse porte. porém. bastante mais complexa e abstrata. Foram introduzidos recentemente. Naquela época. a NB-1 de 2004. há uma lei municipal obrigando vistorias periódicas em balcões e edifícios. Todos os arquitetos e engenheiros civis formados antes de 1980 foram considerados obsoletos e somente aqueles que se reciclassem deveriam continuar sendo habilitados a projetar e construir obras de porte. As normas mundiais mudaram e a brasileira também.) O risco de desabamento de um edifício. produzido logo após o recente desabamento do Edifício Areia Branca.. Estamos. como os adotados na Europa pela Federation Internationale du Béton (FIB) e nos Estados Unidos pelo American Concrete Institute (ACI). a necessidade de um reforço – e o acidente teria sido evitado. no qual o título universitário qualifique. então. mas não habilite. Documentos internacionais. feitas por profissionais experientes. sempre admitindo manutenção periódica. em todas as obras existentes há a necessidade imediata de estabelecer rotinas de inspeções periódicas. Ainda assim. é inadmissível que ocorra sem aviso. que indicariam. a inspeção técnica deve ser realizada a cada 2 anos. e sem tempo suficiente de evacuação segura dos moradores. tendo sido recém– publicada sua nova versão. que continua: “Afinal – diz ele –. época do projeto e construção do Edifício Areia Branca. Presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON). outro questionamento interessante: “Mas serão só esses os responsáveis indiretos? Sabe-se. (. No campo da habilitação profissional. que no edifício atuava uma empresa de engenharia especializada em reabilitação de estruturas. de ordem efetiva. os conceitos de durabilidade. agora. era um edifício de 12 andares. de 1940. de projeto e de construção por empresas e profissionais competentes.

segundo a visão de hoje. que revelam que não houve uma vibração adequada quando da fabricação do pilar. mas de caráter mais geral. aos 160 debatedores presentes em evento.Novamente os profissionais que sempre projetaram e construíram da forma anterior. efetivamente. pequeno recobrimento da armadura e bolhas com forma de elipses. exigindo deles.. jornalista e assessor de comunicação do Ibracon–Instituto Brasileiro do Concreto.907/01 preconiza a manutenção preventiva e periódica das edificações e equipamentos públicos e privados. Romilde de Oliveira. de controle e de projeto. Eng. Tal como se verificou em outras partes. “A lei possui ainda o inconveniente de tratar igualmente os desiguais. a intensificação da fiscalização e a conscientização dos usuários sobre os riscos de queda das marquises”. hoje. é inadequada ou “insuficiente”. “Quando da regulamentação da lei. A inobservância da lei implica penalidades de ordem pecuniária. assim. esses profissionais se submetem a honorários escorchantes e. contratantes e usuários em geral. Pedroso  (2005)  acrescenta  ainda. não havia estrutura na secretaria da prefeitura para examinar os laudos técnicos e. desconhecem as consequências de um mau uso ou uso parcial de documentos dessa importância. segundo o Eng. a consciente obediência às normas brasileiras. A escavação de 1. A Lei 5. mostra-se. para assegurar os direitos dos cidadãos à qualidade mínima de produtos e serviços técnicos”. expondo as causas. próximo à caixa d’água com trincas. órgãos públicos. o profissional que: “Os edifícios construídos antes da década de 80 encontram-se sob suspeição e requerem vistorias regulares para a caracterização de seu estado de uso.Antônio Carlos Laranjeiras. do porte dos que têm ocorrido no País. Acidentes graves. colabora em seu artigo. Pedroso (2005). e também à falta de engenheiros de estruturas habilitados para a inspeção. os novos conhecimentos. o número de profissionais competentes ainda é muitas vezes superior ao dos profissionais pouco atualizados e omissos. A dificuldade é pôr a lei em prática. a inexistência de profissionais treinados para fazerem a inspeção técnica resultava em laudos técnicos de baixa confiabilidade”. Felizmente. Em Nova Iorque. pior.Luiz Carlos Silva Filho. professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. geralmente mal-informados. a cada 3 (três) anos. que têm importância crucial no conjunto das atividades e procedimentos que conduzem a estruturas estáveis e duráveis. O diagnóstico preliminar constatou estribos e cintas estreitas. a Lei de Inspeção e Manutenção Preventiva de 1998 prevê a penalidade do encarceramento para quem não a cumpre. na visão do engenheiro-membro da “Comissão de Diagnóstico do Edifício Areia Branca”. “O problema da implementação da lei foi revertido com a inauguração de cursos de especialização. sejam melhor informados de seus direitos e remunerem adequadamente os profissionais que os atendem. relatou o Eng.. demonstram a importância de uma Engenharia Civil bem praticada e exigem que proprietários. contratem um técnico para elaboração de laudo técnico sobre a estabilidade estrutural da marquise. da década de 1960. 98 Responsabilidade na Construção Civil Conclui. no mínimo. Pressionados por empresários irresponsáveis e avarentos. pois a Norma Técnica NBR 6118. anacrônica”. revelou o rompimento do pilar e a armadura flambada”. como em qualquer país desenvolvido. devido à escassez de recursos dos condomínios e dos órgãos públicos. observou o Eng. de Porto Alegre. A cidade de Salvador também possui uma lei de inspeções técnicas. obriga que os proprietários de edificações com marquises. cortam atividades de estudo. ou deveriam ser.  que  as  “Leis  de  Inspeções  Prediais”  existem  em  alguns  municípios  brasileiros. Somente a estrita obediência aos procedimentos constantes desses documentos oficiais – inclusive referidos no “Código do Consumidor” como de obediência obrigatória – poderá assegurar durabilidade. automaticamente reciclados para incorporarem.Leonardo Garzón. Infelizmente muitos profissionais. especialista do setor. responsabilizando os proprietários e gestores da edificação pela contratação e guarda dos laudos técnicos.) o colapso do edifício aconteceu devido ao rompimento de um dos pilares da obra. pois impõe encargos financeiros de igual monta para os pequenos e grandes proprietários”.5 metros na base do pilar. onde relata que: “(. Uma lei de natureza idêntica foi proposta pelo IBAPE-SP ao Vereador Domin99 . a lei encontra dificuldade de implementação.   A lei Ordinária 6. que devem ser apresentados quando solicitados pelos órgãos fiscalizadores. que atua na América do Norte. qualidade e segurança às estruturas construídas no País. esclareceu Luiz Carlos.323/88. serão. Estas são elaboradas. que.

como exemplificou em sua palestra o Eng.Valdir Silva da Cruz. 100 Responsabilidade na Construção Civil 101 . Ela obriga os proprietários a realizarem inspeções cuja periodicidade depende da idade da edificação: quanto mais antigo o edifício. ressaltou Raúl Husni. com exigências de altas resistências iniciais. o que possibilitou flagrar quem não cumpre a lei”. contratam profissional capacitado para a realização de vistoria cautelar das edificações vizinhas. evidenciamos que um dos principais problemas patológicos encontrado na construção.gos Dissei (PFL). diretor da Escola de Engenharia D. cit. na função de Avaliador e Perito Judicial. O projeto estabelece a obrigatoriedade de um parecer técnico para as marquises. Há. As fissuras podem servir como alerta de um eventual estado perigoso para a estrutura: geralmente. Zatt (2000) em seu estudo. Enquanto a sociedade civil não decide sobre o assunto. Algumas empresas construtoras das grandes cidades. e não somente habilitado. a proporção de vendas de apartamentos era de um para três casas vendidas. tornaram a trinca ou fissura um assunto mais comum do que era há algum tempo. descreve os mecanismos de formação das fissuras em concreto. naquela cidade. para que se evite profissionais e empresas oportunistas”. depois do desmoronamento as vendas passaram para uma unidade a cada vinte casas vendidas. ex-presidente da AIE da Argentina. ainda. chegando a índices da ordem de 70% (setenta porcento). com a preocupação técnica em antes de se iniciar uma edificação – no momento somente para edifícios. se refere a “fissuras”. em 2001. passa de longe ao crivo do judiciário em imputar como sendo o causador das mesmas. alguns fatos são indiscutíveis. mais chama a atenção dos leigos. como sendo: Para Souza e Ripper: “as fissuras podem ser consideradas como a manifestação patológica característica das estruturas de concreto. obrigando o proprietário a obter um “Certificado de Inspeção Predial” com prazo de validade de 5 (cinco) anos. p. concretos bombeados e outras. a iminência de colapso em estruturas de concreto armado é precedida de fissuração. feito por engenheiros capacitados e com prazo de validade de 2 ( dois ) anos. ou de dúvidas quanto à segurança da edificação. pode vir a comprometer a estabilidade das edificações preexistentes. “As dificuldades de implementação da lei foram parcialmente vencidas com um convênio entre os órgãos do governo e a Associação de Engenheiros Estruturais (AIE). proprietários e usuários aí incluídos.. e suas possíveis causas. 2. sendo mesmo o dano de ocorrência mais comum e aquele que.3 FISSURAS Ao longo destes mais de 20 (vinte) anos. Pedro II. “É importante destacar que o engenheiro responsável pelo laudo técnico deve ser capacitado. é frequente o aparecimento de fissuras ou trincas no concreto.. Maia Lima e Pacha (2005) descreve a manifestação patológica de fissuração. para o fato de que algo de anormal está a acontecer” (op. por meio do qual se viabilizou a realização de inspeções visuais das marquises. onde qualquer alteração de solo – escavação para garagens. Em São Paulo.João Carlos de Carvalho. As práticas modernas de construção. o constrangimento psicológico que as fissuras exercem sobre o indivíduo. menor é o tempo entre uma inspeção e outra. Na época do ano em que a temperatura ambiente mantém-se elevada. seja estético. a par das deformações muito acentuadas. desforma em pequenas idades. podendo se manifestar desde a concretagem até anos após a mesma. ( . ). e mais recentemente de Maringá. onde mormente encontramos patologias de ordem de segurança e solidez destas edificações. lembrou aos debatedores o Eng. Não há dúvida de que ocorriam menos trincas na época em que se usavam concretos com menores consumos de cimento.. abatimentos menores e empregava-se mais tempo no adensamento e acabamento durante uma concretagem. recentemente entregue ao Vereador José Aníbal (PSDB). A responsabilidade do construtor ao registrar estas patologias preexistentes. de São José do Rio Preto: se antes do colapso do Edifício Itália. Buenos Aires tem uma lei semelhante. a Abece–Associação Brasileira de Engenheiros Civis de Estruturas elaborou uma minuta de projeto de “Lei sobre Conservação das Marquises”. 57).

os principais perigos decorrem da corrosão da armadura e da penetração de agentes agressivos externos no concreto.se a construção está sendo utilizada para os fins previstos em projeto.  no  entanto.  além  de  acarretarem  outros  problemas  associados  ao  inicial. cit. se no elemento estrutural ou somente no revestimento.  que  é  interessante  observar  que. .É certo que seja quase impossível executar um concreto totalmente livre de algum tipo de fissura. Ao diagnosticar as mesmas. como é o caso da corrosão das armaduras no concreto armado. frequência. Zatt  (2000)  apresenta  ainda.  a  saber.  posto  que  o  concreto. e.se a fissuração está evoluindo ou não (quanto ao aumento do comprimento ou abertura)..  intensidade  e  magnitude  do  quadro  de  fissuração   existente.  sempre   que  as  tensões  trativas. . e Zatt (2000) completa em sua obra literária. apud HELENE (1981) . Conforme Ripper.  os  principais  tipos  de  fissuras.  (vide figura  abaixo).se as construções vizinhas sofrem do mesmo problema. dependendo apenas das condições do tempo” (op. 2. ordem de aparecimento etc.3.se foram erigidas recentemente novas construções no entorno da construção afetada. 42). Helene (1988) assegura..se as fissuras abrem e fecham (variam) ao longo do dia ou do ano. Maia  Lima  e  Pacha  (2005)  relatam  ainda.  que  podem  ser  instaladas  pelos  mais  diversos  motivos.   Fonte: HELENE (1988).se estiverem surgindo novas fissuras ou não. p.E.local da ocorrência das fissuras.  fissurará  por  natureza.se houveram recentemente reformas na construção.Evolução dos custos de correção dos problemas patológicos no tempo.  podem  acarretar   fissuras  em  paredes  e  deslocamento  em  pisos  rígidos  apoiados  sobre  os  elementos  fletidos.  a  caracterização  da  fissuração  como  deficiência  estrutural  dependerá  sempre  da  origem. mas existem medidas para reduzir sua ocorrência ao mínimo possível. . os problemas patológicos são evolutivos e tendem a se agravar com o  passar  do  tempo. . as trincas podem ocorrer ou não. Não tendo a pretensão de esgotar o assunto. proporções. que alguns aspectos devem ser atentados: . métodos de mistura. e até causadoras com relação ao surgimento das fissuras.configuração das fissuras. Mesmo quando são usados os mesmos materiais. . ( apud ): “( .profundidade das fissuras (se são superficiais ou se seccionam o elemento). . . . 102 Responsabilidade na Construção Civil 103 . também são abordados algumas patologias.  mais  fáceis  e  muito  mais  baratas  quanto  mais  cedo  forem  executadas.  por  ser  material  com  baixa  resistência  à  tração.. manuseio.  Pode-­se  afirmar  que   as  correções  serão  mais  duráveis.1 FISSURAS POR RETRAÇÃO Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por retração. . quantidade. sua direção. deve levar em conta que podem ser uma combinação de causas. Além do aspecto antiestético e a sensação de pouca estabilidade que apresenta uma peça fissurada. acabamento e cura.abertura das fissuras (se estão muito acima dos limites dados em norma ou não). recalque de fundações e movimentação de formas na execução das construções.;  flechas  excessivas  em  vigas  e  lajes. . que em geral.  superarem  a  sua  resistência   última à tração.  Por  exemplo:  uma  fissura  de   momento  fletor  pode  dar  origem  à  corrosão  de  armadura. ).

execução cuidadosa da cura. água essa que pode evaporar). Característica e forma: Comum no caso das lajes de cobertura. A retração. Os álcalis. Formato de “malha”. de um modo geral. conforme o tipo de cimento). . também contribuem para agravar o problema.3. . os aditivos 104 Responsabilidade na Construção Civil aceleradores aumentam a retração. 105 . de baixa umidade relativa. c) Processo de cura ineficiente (ambiente muito seco e/ou muito quente) e peças muito delgadas. o tamanho da “malha” tende a ser da ordem de 5 a 10 mil vezes a abertura das fissuras.Característica e forma: Provoca a diminuição do volume do concreto em consequência da “retirada” de água da massa de concreto em processo de cura. onde a face superior pode ficar exposta a uma temperatura maior que a face inferior. Maia Lima e Pacha (2005) discorrem que. Helene (1988) ainda completa. manifesta-se muito mais lentamente do que a retração plástica. proporcional a finura) e dos elementos mais finos do concreto. tanto maior será a reação por eles oposta a retração. Principais fatores que influem na retração são os seguintes: . também maior será a retração (sobra mais água não utilizada no processo químico. tendem a impedir o concreto de se retrair. com configuração a seccionar a peça. maior a retração (o processo químico consumirá mais água).umidade relativa e período de conservação. Quando o elemento é pouco armado.consumo de cimento. Causas: a) Efeito das variações dimensionais devido à variação de temperatura. quando surgirem as tensões de tração devidas à retração. . quando a cura do concreto é bem feita.finura do cimento (a retração é aproximadamente. . De abertura constante. “teia de aranha” ou “escama de peixe”.teor de água: a retração é aproximadamente proporcional ao volume absoluto da pasta. sem que o concreto fique sujeito a ciclos de secagem e umedecimento. idade em que o concreto terá sua resistência à tração aumentada. a retração só se iniciará quando a cura for interrompida. d) Obstáculos internos (como as armaduras) e os vínculos. ou pela secagem superficial dos elementos (evaporação da água próxima à superfície da peça). é devida à perda por evaporação de parte da água de amassamento para o ambiente. Concluindo que. se não for impedida a evaporação da água do concreto.tipo do cimento (a retração pode variar de uma até três vezes. os cloretos e. A retração hidráulica. quanto maior for o módulo de elasticidade dos agregados. ou seja. surgem devido ao encurtamento de elementos (diminuição de temperatura) restringidos por vínculos. que são causas a proteção térmica ineficiente e excesso de calor de hidratação. 2. se não forem tomadas providências que assegurem uma perfeita cura. perpendiculares ao eixo. podendo ser amenizado com juntas de dilatação.concretos dosados com excesso de areia apresentam retração maior do que misturas semelhantes com teores normais.2 FISSURAS POR VARIAÇÃO DE TEMPERATURA Fonte: ZATT ( 2000 ) – Fissuras causadas por variação de temperatura. b) Quanto maior a relação água/cimento. não ocorrendo portanto o fissuramento. . b) Em materiais com coeficientes de dilatação térmica muito diferente (estrutura de concreto armado – barracão fechado em alvenaria de tijolos cerâmicos). seja pela hidratação do cimento (a reação química utiliza água). e assim. . Causas: a)Quanto mais cimento houver no concreto.tipo de granulometria dos agregados: as areias finas aumentam a retração. após a pega. a retração hidráulica. e. tanto no concreto quanto em argamassas ou pastas de cimento. manifesta-se imediatamente após o adensamento do concreto. existe um teor ótimo de gesso para se obter a retração mínima. . surgindo então tensões internas de tração que podem provocar fissuras nas peças de concreto. o concreto já poderá apresentar resistência à tração superior às tensões oriundas da retração. mas não menor que o diâmetro máximo do agregado. após a pega.

concreto de resistência inadequada e mau adensamento do concreto.3 FISSURAS POR ESFORÇOS Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por esforço de compressão Característica e forma: São visíveis com esforços inferiores ao de ruptura. elemento estrutural deve ser armado adequadamente. Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005)– Armadura negativa da laje fora de posição FONTE: PADARATZ (2000) – Fissura em canto de alvenaria portante por dilatação  térmica  da  laje  de  cobertura. onde o aço possui característica para melhor resistir a este esforço.  e  não  da  compressão  propriamente  dita. 2. Causa: O concreto resiste pouco à tração.2 DE COMPRESSÃO OU FLAMBAGEM DE ARMADURAS (HELENE. onde o aço possui característica para melhor resistir a este esforço.1 DE TRAÇÃO Paralelas à direção do esforço.3.  com  configuração  a  seccionar  a  peça.  perpendiculares  ao  eixo. Característica  e  forma:  De  abertura  constante.3. cortam o elemento estrutural em ângulos agudos.3.;  em  peças   muito  esbeltas  e  comprimidas. Causa: O concreto resiste pouco à tração. Helene (1988) atribui a má colocação ou insuficiência de estribos. e aumentam de forma contínua.c) Partes da estrutura de mesmo material mas sujeitas a temperaturas diferentes – laje de cobertura. carga superior à prevista. em concreto heterogêneo. 1988) 2. Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) – Espaçamento irregular em armaduras de lajes Fonte: MAIA LIMA & PACHA ( 2005 ) – Armadura positiva da laje com espaçadores. finas e se apresentam juntas. 2.3.3. Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por esforço de tração. consequência  da  flexão  composta  causada  pela  flambagem. face externa exposta com a face interna.  podem  aparecer  fissuras  na  parte  central  da  peça – em uma de suas faces. para garantir o cobrimento da armadura 106 Responsabilidade na Construção Civil 107 . o elemento estrutural deve ser armado adequadamente.

de paredes sob carga unitária uniforme. traz em sua obra literária sob o título: “Fissuras em alvenarias causadas por deformabilidade excessiva/sobrecargas”. de maneira geral. pode ser combatido com o dimensionamento e aplicação adequada de ferros de estribo. Padaratz (2000). 1988) Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por esforço cortante Característica e forma: Percorrem todo o elemento estrutural. Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por    esforço  de  flexão. maior será a concentração de tensões: Fonte: PELACANI (2006) – Vista de edifício em construção com execução de vergas de concreto armado sob as aberturas de janelas 2.3. sob carga unitária  (  análise  em  elementos  finitos) Causa: De incidência vertical.. onde em região de maior abertura. de inclinação entre 30° a 45°. 108 Responsabilidade na Construção Civil 109 .   ancoragem  insuficiente  e  armadura  mal  posicionada  no  projeto  ou  na  execução. que advém de sobrecargas não previstas. irradiada no corpo do elemento estrutural. apud Eng. as causas são idênticas. onde não fora executado viga (verga) em concreto armado. e podem levar uma estrutura ao estado limite último sem aviso prévio”.3. adverte: “(. retrata as tensões existentes próximas às aberturas – pontos fracos na alvenaria. estribos insuficientes.3. Padaratz (2000). Em fissuras de flexão e escorregamento da armadura.   Helene (1988) complementa. Causas:   Helene  (1988)  diagnostica. de abertura variável – maior na borda tracionada e diminuindo à medida que chega próximo da linha neutra. ancoragem insuficiente. a causas são da má aderência da armadura ao concreto.  que  se  originam  de  sobrecargas  não  previstas.2.  armadura  insuficiente.Augusto Carlos de Vasconcelos. em análise por elementos finitos. a saber. Fonte: PADARATZ (2000) – Fatores de majoração  de  tensões  próximas  às   aberturas de paredes (janelas). Característica e forma: São as mais frequentes.  na  região  próxima  à   abertura da janela. estribos mal posicionados no projeto ou na execução e concreto de resistência inadequada. para combater  as  tensões.3 DE FLEXÃO Fonte:  PELACANI  (2009)  –  Vista  de  fissuras  em  parede. concreto de resistência inadequada. do qual..4 POR FORÇA CORTANTE OU CISALHAMENTO (HELENE. em região próximas aos apoios – área de maior força cortante. Helene (1988) complementa. que em marquises e balcões.3. sobrecargas não previstas e desforma precoce.) Fissuras de cisalhamento nunca abrem excessivamente como as de flexão.

este aumento de volume causa  tensões  de  tração  no  mesmo. originando nos cantos do elemento estrutural.4 FISSURAS POR CORROSÃO DA ARMADURA EM CONCRETO ARMADO FONTE: ZATT ( 2000 ) – Fissuras causadas por corrosão da armadura em vigas Característica e forma: Aparecem ao longo da ferragem longitudinal. Característica e forma: Geralmente inclinadas a 45°.  o  aço  fica  mais  exposto  aos  gases  e  umidade  do  ambiente  e  se  oxida  mais  rápido. Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) .   o que acelera o processo de degeneração da construção. 2. pode ser combatido com o dimensionamento e aplicação adequada da ferragem longitudinal. 110 Responsabilidade na Construção Civil 111 . HELENE ( 1988 ) acrescenta. que coincidiu com as juntas das formas.3. Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) – Alta densidade de armadura com cobrimento  insuficiente  em  base  de  pilar.  Com  isso.  o  aço. desconsideração de torção  de  compatibilidade. expansão da seção das armaduras e lascamento do concreto.  ao  oxidar-­se.  provocando  corrosão   generalizada e expansão da seção das armaduras. quando as mesmas encontram-se em processo de oxidação.  e   infiltração  pela  junta  de  dilatação  provocando  corrosão   generalizada.5 POR TORÇÃO O emprego de cobrimento adequado e um concreto compacto dificultam o processo de corrosão das armaduras. provocando corrosão generalizada.  resultando  na  fissuração  (  ou  mesmo  no  destacamento  )  do  concreto  que   forma  o  cobrimento. FONTE:  PELACANI  (  2009  )  –  Processo  de  corrosão  de  ferragem    (infiltração  oriunda  de  jardim.Laje executada sem o mínimo de cobrimento para proteção da armadura.  produz  resíduos  de  volume  muito  maior  que  o  do  aço  original (aproximadamente 10 vezes mais).3. Causa: De incidência a torcer a peça no sentido espiral. com posterior rompimento dos estribos e lascamento do concreto. amenizam (ou mesmo impedem) o problema da fissuração causada pela oxidação da armadura.  expansão  da   ferragem. FONTE: ZATT ( 2000 ) – Fissuras causadas por esforço de torção. queda de concreto de cobrimento) em laje de sub-solo/garagens de edifício. por conseguinte. expansão da seção das armaduras e lascamento do concreto.  armadura  insuficiente  e  armadura  mal  posicionada  no  projeto  ou  na  execução.2. Causa:   Zatt  (2000)  define  que. e.Alta densidade de armadura  na  base  da  viga  com  cobrimento  insuficiente. Como o aço está imerso na massa de concreto. Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) .3. podem contribuir as sobrecargas não previstas.

) A função do cobrimento do concreto é. (. US$ 2 bi/ano em reparos de edificações danificadas por problemas nas fundações. nos E. onde resumidamente. são devidas a problemas nas fundações (Alta e Média Gravidade).  umidade  excessiva  potencializadora  na  região   (acúmulo  indesejado.;  dificuldade  ao  acesso  do   agente agressivo: isolamento e impermeabilização”. ao mesmo tempo. Fatores  Ambientais    -­  concentração  da  solução  agressiva. através de proteção física e proteção química. Produtos da corrosão (óxidos e hidróxidos de Ferro) ocupam volumes de 3 a 10 vezes superiores que o volume original do aço da armadura. cidade e campo. Fatores  que  influenciam:   Fatores  Endógenos  -­  tipo  de  cimento  (composição  química  a  superfície  específica). Causa:   De  natureza  diversa.5 RECALQUE DE FUNDAÇÕES Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por recalques das fundações.  quando  a  ferragem  não  estiver  adequadamente  dimensionada.  a  mais  grave  de  todas.U.  o   prazo para que apareçam os primeiros problemas em estrutura de concreto armado de construções em praia. (ver tópico posterior desta obra literária – “Estudo de Caso”)..). Helene (1986) relata à função do cobrimento de concreto: “Uma das grandes vantagens do concreto armado é que ele pode.. mas se os íons forem solúveis no meio envolvente (ex. temperatura).5% (meio por cento) do custo total da obra. cura (duração. relatamos: “ocorre em presença de umidade. trata da corrosão. dosagem (relação água/cimento..A.3. Nota: Ver em tópico posterior desta obra literária. traz quadro esquemático sob o título: Por quanto tempo  resiste  a  construção.  as  condições  pioram”.  e. a saber. Apud Eng.PADARATZ (2000). custo da recuperação: pode ser maior que o custo da obra. portanto. Característica e forma: Os recalques de pilares (deslocamento vertical) provocam aberturas variáveis das vigas unidas aos mesmos. 6% (seis por cento) das fissuras observadas em estruturas de concreto armado.  traçando  um  comparativo  entre  edificações  na  praia. teor de cimento. caso prático sobre o assunto..;  tipo  de  agregrado  (forma  e   granulometria. 2.  com  espessuras  de   camadas diferenciadas de cobrimentos em estrutura de concreto armado.Adriano Silva Fortes – Fortes Engenharia Ltda. sendo maiores na parte superior das vigas. Essa proteção baseia-se no impedimento da formação de células eletroquímicas. mais a doença demora em aparecer. custo da sondagem: 0.;  constância  do  fluxo  de  solução   agressiva. Padaratz (2000) traz em sua obra literária. Em ambientes úmidos  (como  praia)  ou  poluídos  (cidade).  fossa  em  ruína. ( ..  apud  FORTES. levando a pressões de expansão (tração) superiores a 15 MPa. água). proteger essa capa ou película protetora da armadura contra danos mecânicos e.;  temperatura  da  solução. Fonte:  PADARATZ  (2000).  desde  o  cálculo  das  fundações. proteger a armadura da corrosão.;  modificação  das   características  do  concreto:  cimento  com  baixo  teor  de  C3A  e  incorporação  de  adições. o mecanismo básico envolve ionização. o metal corrói imediatamente. em sua obra literária. levantamento de problemas em fundações no Rio Grande do Sul (período de 1970 a 1990): 85% (oitenta e cinco por cento) dos problemas causados por desconhecimento das características do subsolo”.. explicitando ainda que: “Quanto maior a camada de concreto que cobre a armadura de aço.  Adriano  S.  sobrepeso  de  fundações  vizinhas   –  bulbo  de  pressão  influente  etc. 113 112 Responsabilidade na Construção Civil . por natureza e desde que bem executado.  tubulações  de  água  e  esgoto  rompidos.  –  Tempo  de  resistência  da  construção  –  na  horizontal. teor de argamassa).. manter sua estabilidade”. “que no Rio Grande do Sul. composição mineralógica).  cidade  e  campo. aplicada e posicionada nos elementos estruturais. Medidas  Preventivas  –  redução  da  agressividade  do  meio:  íons  agressivos  e  água  disponível.

para permitir que o concreto fresco dos pilares assente” (op.6 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO HIGROSCÓPICA Característica e forma: Idêntica às de retração. a variação de umidade do ambiente pode gerar uma variação de volume do concreto. facilitando a corrosão das armaduras. consequentemente. cit. com algumas paredes já reparadas e que voltaram a apresentar a mesma patologia.7 FISSURAS POR ASSENTAMENTO PLÁSTICO Maia Lima & Pacha (2005) discorrem que. o elemento de fechamento do tipo “Siporex” é superior. Cánovas. pois facilitam. ainda. deparamos com a seguinte situação: edifício residencial com fechamento das paredes composto de tijolos celulares do tipo “Siporex”. ser utilizado como elemento de fechamento de paredes. 222). mação. uma vez concretados os pilares. e. onde Thomaz. concluímos em Laudo Pericial que. são as mais nocivas. ” E. ocorre  também  à  diminuição  de  volume  do  mesmo.  em  termos  de  durabilidade. – Índice de Retenção de Água (g/200 cm2/min): Cerâmico 12 Bloco Celular 70 ”. 6 (seis) vezes ao elemento cerâmico em retenção de água. Cit.3. apresentando fissuras com aberturas de 0. em todos os halls dos apartamentos. Portanto. e não se espera algumas horas antes de concretar as vigas. Em vistoria detalhada da estrutura (concreto armado de vigas.07% em seu movimento devido à presença de umidade e módulo de defor114 Responsabilidade na Construção Civil É  importante  também  considerar  que. 3 (três) vezes inferior ao do elemento barro cozido. adverte que “a união de pilares a vigas corre riscos se. em parede de diviso-externa com o poço de iluminação. o acesso direto dos agentes agressores.1 milímetros nos sentidos horizontal.  fissuras  como  estas. em geral. nos fornece: “ Tijolos ou blocos celulares Concreto celular Módulo de deformação (kN/mm2) = 3 – 8 Tijolos ou blocos celulares Barro cozido Módulo de deformação (kN/mm2) = 4 – 26 Fonte: PELACANI (2006) – Vista de fechamento de alvenaria com blocos de tijolos do tipo “siporex”. em encontro com a laje. com contração irreversível da ordem média de 0. Fonte: HELENE (1992). sob e sobre aberturas de janelas para este poço de iluminação e portas. Causa: Zatt (2000) conclui que. bem mais que as ortogonais.3. – Fissuras de assentamento plástico. onde trazemos algumas das principais características. com estas características. p. não detectamos nenhum vestígio de fissuramento que levasse a compor patologia de algum ou alguns elementos estruturais do edifício e. 2.2. não devendo. e quando aquela diminui. SELMO (2002): “I. em aproximadamente. op. Quando a umidade aumenta o elemento de concreto tende a expandir-se. nomeado à função de Perito Judicial. vertical e a 45º. Em recente participação. lajes e pilares).A.  que  acompanham  as   armaduras.  Essa  variação  volumétrica  pode  causar  fissuração.4 a 1. com consequente baixa resistência ou suporte à mínima tensão que venha a sofrer. em aproximadamente. passamos a analisar o elemento utilizado para o fechamento das paredes (Siporex).. no interior dos apartamentos.R. 115 .

) QUANTO À EXECUÇÃO DA OBRA: 116 Responsabilidade na Construção Civil 117 . ocasionando recalque e por conseqüência todos os danos presentes no imóvel. originando.” Fonte: RIPPER. CURVA 1 = BULBO DE TENSÕES DE P1. as fundações do imóvel dos autores podem ter perdido parte de sua sustentação. Ao serem executadas as fundações do imóvel do réu. fica delimitado pela linha de igual pressão (. dos autores. . já ocasionaria o recalque das fundações do imóvel dos autores. que os recalques do subleito ou mau escoramento das formas. . P2 = PRÉDIO NOVO. convencionou-se admitir em casos comuns. de colapso de obra urbana de contenção de encosta. E. onde. abalo da estrutura de uma residência lindeira. que o material significativamente solicitado por uma determinada placa. Tais movimentos podem ser causados por: po. tais como. (1996). pela existência de juntas mal vedadas ou de fendas etc. executada sem os cuidados necessários. em seu Capítulo 4 – Tensões Devidas à Pressão Uniformemente Distribuída: “Teoricamente. em sua obra literária.. ocasionando. resumidamente. para fins práticos. é também chamado bulbo de pressão”. originando. não foram tomadas as devidas precauções para proteger as fundações do imóvel dos autores. ação judicial indenizatória. . etc.4 MOVIMENTO DE TERRAS/BULBO DE PRESSÃO E PERDA DE RESISTÊNCIA DE ESTACAS DE DIVISA – RECALQUE DIFERENCIAL Bisotto (1999) traz em objetivo de sua obra literária. dessa forma. Ensejou ação judicial de autoria do vizinho da construção nova..8 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO DE FORMAS E ESCORAMENTOS Seguem ainda relatando. Mello & Teixeira (1973) tratam da propagação e distribuição das tensões no solo. rachaduras em pisos e paredes. apud – Fissura causada por movimentação da forma. 2. podendo as mesmas terem sofrido diminuição da área de apoio. rachaduras de pisos. CURVA 4 = DEFORMAÇÃO DO PRÉDIO EXISTENTE P1. houve escavação do terreno para poder assentá-las ao lado das fundações do imóvel vizinho.2. CURVA 2 = BULBO DE PRESSÕES DE P2. mas. já estabilizada ao longo do tempo sobre o terreno no qual foi construída.devido ao uso impróprio ou excessivo dos vibradores. demonstrar as influências de uma edificação nova. e. assim.inchamento da madeira devido à umidade ou perda de pregos. Esse corpo sólido. Não havendo os cuidados necessários. FONTE: PADARATZ (2000) – Intersecção dos  bulbos  de  tensões  de  duas  edificações   vizinhas. assim solicitado. por falta de fixação inadequada. com o tem- LEGENDA: P1 = PRÉDIO EXISTENTE.deformação das formas por mau posicionamento. conclui que a causa fora: “(. DEVIDO AO AUMENTO DAS TENSÕES EFETIVAS NA ÁREA 3. paredes e deslocamento de telhado. deslocamento do telhado.. ÁREA 3 = REGIÃO DE INTERSECÇÃO DOS BULBOS DE TENSÕES DE P1 E P2. ESTÁVEL. Tal fato por si só..). podem causar trincas no concreto enquanto na fase plástica.3. onde foram apresentadas as causas: “Durante a escavação para executar as fundações do imóvel do réu. as pressões se propagam até grandes profundidades.. Pedro Maa (1999) traz exemplo.

 que  dentre  os  problemas  clássicos  em  fundações. Estas deformações podem ser de dois tipos: as que ocorrem rapidamente após a construção e as que se desenvolvem lentamente.diminuição do teor de umidade: árvores próximas. que interferiram diretamente nas condições e premissas de cálculo do projeto executado. . . mormente em período de chuvas intensas e continuadas. tráfego. FONTE: PADARATZ ( 2000 ) – Efeito de um novo carregamento sobre um processo de adensamento já iniciado. os recalques das edificações com fundações superficiais (sapatas ou radiers) ou de aterros construídos sobre os terrenos.“A execução da obra de contenção foi recheada de vícios construtivos. A modificação dessas condições e premissas foram muito expressivas. rebaixamento do nível do lençol freático. enquanto que nos solos argilosos saturados os recalques são muito lentos. foram oriundas de vícios construtivos”. .   Destaca  ainda. Não há dúvidas para se concluir.  “Intensidade   =  f  (tipo  de  solo.  quanto  às  deformações  devidas  a  carregamentos  verticais.5 ALTERAÇÃO DE UMIDADE/SATURAÇÃO DO SOLO ARGILOSO EM TERRENO VIZINHO   Padaratz  (2000)  descreve  que  a  influência  das  vibrações  causam  rearranjo  dos  grãos  dos  solos. a ponto de provocar a ruína generalizada da obra. Deformações rápidas são observadas em solos arenosos ou solos argilosos não saturados. .;  estaqueamento. ou seja. O comportamento dos solos perante os carregamentos. Influência  de  Obras  Vizinhas: 118 Responsabilidade na Construção Civil 119 . pois é necessária a saída da água dos vazios do solo. chuvas intensas.carregamento em terreno vizinho. terremotos etc.  que:   “Um dos aspectos de maior interesse para a engenharia geotécnica é a determinação das deformações devidas a carregamentos verticais na superfície do terreno ou em cotas próximas à superfície.  das  falhas  na  etapa  de  projeto. conforme anteriormente descritos.  intensidade  e  duração  da  fonte  de  vibração)  –  FONTES  (f):  explosões.escavação em terreno vizinho.  grau  de  saturação. . inundações. depende da sua constituição e do estado em que o solo se encontra.  está  a  não   consideração  do  efeito  de  grupo  de  estacas  e  tubulões. que as causas que motivaram a ruína da obra de contenção. equipamentos industriais. após a aplicação das cargas.aumento do teor de umidade: rompimento de tubulações.  onde  enumera  os  problemas  devidos  a  fatores  externos:   “Variações  no  Teor  de  Umidade  do  Solo: Pinto  (2000)    trata  em  sua  obra  literária. e pode ser expresso por parâmetros que são obtidos em ensaios ou através de correlações estabelecidas entre estes parâmetros e as diversas classificações”. 2.vibrações próximas.

pois não executaram as obras necessárias. de ordem material e de grande intensidade. restou demonstrado que os mesmos não foram diligentes quando aterraram a data n. como são tantas outras construídas na cidade. devido as infiltrações das águas pluviais em demasia que caíram nos idos de 1994/1995. o Requerido. O relatório judicial proferido discorre sobre o caso judicial que: “Ocorreu que. Não se tem dúvidas que a causa primária dos trincos e rachaduras de paredes são originárias da cumulação de terra na data n. enquanto o “periculum in mora” resulta factível... Na parte final. o que decorridas chuvas de primavera/verão de 94/95.. que ratificou o Laudo Técnico já apresentado pelos autores.. mais baixo. eles demonstraram.. foi observada distância em relação aos muros divisores para colocação de terra. no caso do Requerido não se acautelassem preventivamente. obras de engenharia para conter o volume de terras e propiciar a drenagem do terreno.. do Juiz. alega. foi preponderante aos danos nas residências dos autores. e que. fossem compelidos a prestar caução real. mudou-se. em aproximadamente. assim como foi alegado.) Manifestou-se.1 CASO DE AÇÃO JUDICIAL Em relatório e sentença judicial proferida. traz um exemplo clássico do avençado anteriormente.)”. acharam....º 06. representando o “fumus boni iuris”. os danos tornar-se-iam irreversíveis.. Salientou ser urgente a execução do muro de arrimo e drenagem da data do requerido. que só foi construído por determinação judicial. tratando-se de direito cristalino diante à responsabilidade objetiva do Requerido. proprietário do terreno urbano que ainda não havia construção (único e último da quadra).). depositando 100 (cem) caminhões de terra. deferiu este Juízo. Às fls. no mesmo sistema. acrescentando que o imóvel da autora: Sra.) que as rachaduras e demais danos apresentados nas edificações dos Autores. pois caso não se providenciasse a imediata construção do muro de arrimo e obras de drenagem. às fls. formou grandes charcos e escoou pelo caminho natural. em meados do ano de 1994. antes. onde em contestação do Requerido.. 120 Responsabilidade na Construção Civil 121 . o indispensável muro de arrimo... afirma: “(. sem edificar. com fulcro no Art. passíveis de reparação. 3 ( três ) metros. Por mais que o requerido menospreze os laudos periciais. portanto. Apresentado Laudo Técnico elaborado por Perito Engenheiro (de autoria deste Assistente Técnico).. então.. como se vê das fotos de fls. pelo menos em tese. não tinha condições de habitação. pois. A culpa pelos danos recai sobre o Requerido. 93 e 94. o Perito nomeado por este Juízo. sob pena de multa diária de R$ 500.. ficaram represadas ao longo das divisas laterais e de fundo do terreno. para que efetivamente sejam ressarcidos de seus prejuízos. unilateral dos Autores e o do Perito do Juízo. 273 do CPC autorizador de antecipação de tutela. que divisa com os imóveis dos Autores. Embora as construções dos Autores são antigas e seus alicerces plantados sobre sapatas.(. Não se tenha dúvidas que o erro imprudente. declara: “(. mas por falta de retenção por inexistência do muro de arrimo. ou pedras amarroadas. não foram causadas pela terra colocada na data do requerido e nem mesmo pela falta de muro de arrimo ou sistema de drenagem.) Em que pesem as defesas do Requerido. Segue o relatório judicial.06. determinando o prazo de 15 ( quinze ) dias para a construção das obras de engenharia necessárias. do Requerido. demonstrados os requisitos do art. (. onde foi feita uma vala para fluência natural e eventual de acúmulo de água”. 176 a 181. a antecipação da tutela. onde tencionaram a executar um aterro de terras em sua data. eram habitáveis..2. demonstrada por Laudo Técnico trazido. negligente e inescusável do Requerido causou danos aos autores. em ação judicial (Ação Cominatória de Reparação de Danos) movida por vizinhos lindeiros contra o proprietário de terreno urbano desta cidade.. ou seja. onde participamos como Assistente Técnico da parte Autora.. que concluiu que a inação do requerido em efetivar as obras de engenharia. de forma lógica e clara que houve negligência e imprudência ao aterrarem o terreno sem orientação técnica necessária. causando danos nos prédios lindeiros. Acresceram que diante do risco real e iminente e que se agravava.. com caimento em direção aos fundos do mesmo. (. na decisão – na sentença judicial.00 (quinhentos reais).5. 555 do CC/1916. A terra ainda não compactada. 95 e verso. .

*A FALHA OU O ERRO: ASPECTOS PSICOLÓGICOS ENVOLVENTES _________________________________________ Colaboração técnica exclusiva para esta obra literária.). além do prejuízo normal que a questão dispende. estas pessoas estão certas em afirmarem isso. Depois de um bom tempo participando como Perito Judicial em audiências. ainda. procurei exatamente e na explicação do desgaste psicológico que esta omissão ou medo (se assim posso definir como leigo no assunto) poderia vir a afetar tão largamente na conclusão dos litígios judiciais.) Ante ao exposto. 122 Responsabilidade na Construção Civil 123 . julgo procedente a ação e parcialmente a pretensão dos Autores. que pudesse vir a desestimular a continuidade destes mesmos colegas no prosseguimento da profissão. observamos que na sua grande maioria as finalizações destes litígios poderiam ser resolvidos sem que o desgaste psicológico afetasse de tal monta. Santos Junior.20. de um profissional da área. ou seja. incutida na utilização de uma justificativa. Jair Ribeiro dos Santos Junior. De conseqüência. Advogados.. Nesta curiosidade. nas custas processuais e verba honorária. condeno-os. Elas simplesmente não se atentam para a responsabilidade que se impõe na aceitação da intenção de errar. vigente”. condenando o requerido a indenizá-los pelos danos materiais perpetrados. retrata com maior propriedade e muita profundidade o assunto nas mais variadas fases em que o ser humano se desvenda.(. quando defronte ao enfrentamento de seu próprio erro ou falha. assumindo assim a fraqueza humana perante seus impulsos. face a regra do art. que “errar é humano”. parágrafo 3º do CPC. do Psicólogo Dr.. nesta procura por entender qual o motivo de não tomar uma atitude no início do surgimento de uma possível falha na atividade de construir. Assim. e às partes envolvidas em litígio. partes estas que invariavelmente são colegas de profissão envolvidos em ações de indenizações – responsabilidades de engenharia. Promotores. Capítulo VIII 5 . 1 COMO O SER HUMANO SE COMPORTA COM O PRÓPRIO ERRO OU FALHA? Quando as pessoas utilizam a célebre justificativa. a FULANO DE TAL (. mais precisamente em esclarecimentos de perícias frente ao Juiz. o trabalho de importante colaboração e explanação a seguir...

caracteriza como se sujeitar a estar errando. que apontava que havia conexões entre todos os eventos mentais. que podem gerar erros. e que a primeira vista seriam inesperados. e no grau máximo. principalmente. Descrevemos o inconsciente. Freud designa. como forma de burlar o preestabelecido. Todos os resultados são esperados em consequência de uma decisão. e um resultado positivo e recompensador. tudo de que estamos cientes em um determinado momento. correndo o risco assim de ter que se reestruturar. por força da situação. Pois toda decisão está envolvida de suas responsabilidades finais. onde temos as pessoas que tentam se justificar. Pensemos nos aspectos inconscientes das tomadas de decisão. na maioria das vezes. Sendo assim temos. mas que do qual nada sabemos. que a recíproca seria verdadeira. Mas nem sempre funciona assim. 125 2 ELE ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR O PRÓPRIO ERRO OU FALHA? QUAL A CONSEQUÊNCIA DISTO? Errar não só é humano. Sendo que estes elos inconscientes seriam descobertos. Tornando assim cada um. de uma condição na qual a própria pessoa se coloca. tudo tem uma causa atribuída. à predisposição a errar? E por quais razões este não é evitado? 124 Responsabilidade na Construção Civil . e nem construiria. pois são respostas empíricas de pulsões e instintos desconhecidos. que nos processos mentais. ou ignorados pelo autor da ação. Pois tendo em si todos os parâmetros para uma tomada de iniciativa que fugisse de determinados resultados. e esse processo é determinado pelos fatos que precedem à tomada de decisão. e assim a aparente descontinuidade dos eventos mentais estaria resolvida. A iniciativa que muitas pessoas adotam em alegar o fato de ter “tentado acertar”. Outro aspecto importante é que acertar não implica em ter que assumir suas pulsões. e que por ventura quando um pensamento ou sentimento não estivesse relacionado aos pensamentos e sentimentos que o antecedessem. Partindo do embasamento teórico que Freud fornece. acaba sendo parte de um processo de aceitação. O indivíduo que deseja errar. devido a um motivo tal que inferimos a partir de seus efeitos. E de quais aspectos essa iniciativa estaria mais próxima. mediante escolhas e decisões que por ventura poderiam findar em erro ou em uma consequência inesperada.Pois pensemos. de que nada ocorre por acaso. e nem assumir as causas intrínsecas à decisão. do contrário seriam variações de resultados. que um processo psíquico é inconsciente. pois “acertar também é humano”. e de fato o ser humano em sua grande maioria mais acerta do que erra. quando podemos afirmar que a existência deste. assim temos que uma decisão ciente das especificidades de seus resultados não poderia destoar de um erro. que cada evento mental é causado por uma intenção consciente ou inconsciente. podendo de posse desses parâmetros. onde se identifica uma para cada pensamento. como possibilidade. transferindo de “si”. o faz como uma forma de exigir um gesto de repressão. o homem não evoluiria. alegando ser característica de todos os humanos. quando esta diferenciação se apresenta da seguinte forma: onde correspondemos ao termo: “consciente”. no intelecto humano. porque se não fosse dessa maneira. Errar. e não por iniciativa pessoal. as decisões teriam uma origem causal. como é do “querer humano”. A pessoa assumiu uma iniciativa de agir que continha o erro. seria um risco assumido de forma consciente. no entendimento humano seriam: De onde provém. fato este que comprova a intenção positiva perante as situações. buscarem uma finalização que gerasse a satisfação. sentimento ou ação. e. responsável por suas ações e iniciativas. as conexões estariam no inconsciente. sendo capaz de satisfazer a uma impulsividade que vai encontrar o fim máximo da responsabilidade embutida em seus atos. chamar a atenção para as suas possibilidades de cometer “delitos” pessoais. aceitando intimamente às possibilidades de errar. somos obrigados a supor. como sendo a premissa inicial de Freud. a iniciativa de sempre buscar o melhor. Os primeiros questionamentos surgidos ao mencionarmos a consciência do erro. tentando se isentar. que poderiam ser previstos ou imaginados.

as fontes da energia psíquica. assim. Nela se encontra os principais determinantes da personalidade. como o fato de admitir que em tal momento cedesse a determinadas pulsões. podemos identificar no instinto quatro componentes: uma fonte. uma aceitação da circunstância a qual almejava se encontrar futuramente. isso tudo. ele sempre vai carregar com ele. e ambos podem ser ou não conscientes. vai tentar evitar assumir a responsabilidade de seus atos. ou ainda. inevitavelmente. Temos. das causas dos pensamentos e comportamentos. ocasiões. Estar preparado para construir. Fato é que se apontarmos uma razão interna. Sendo a fonte o surgimento de uma necessidade. Sendo assim. ou a instintos específicos. Esses  instintos  são  pressões  que  orientam  um  organismo  para  determinados  fins  específicos. A tomada de decisão se faz com a necessidade mais o desejo. no ato de errar. não somente algo. É que. vai projetar essa insuficiência interna. Já a pressão vem a ser a quantidade de energia ou força que é empenhada para satisfazer o instinto que é determinado pela intensidade ou urgência da necessidade anterior. ação ou expressão que permita a satisfação da finalidade imposta na tomada de iniciativa. Então. que diretamente no momento de uma decisão podem afetar o seu direcionamento a acertar. não se deixando levar a uma situação que mereça a autocrítica. só não é permitido ser lembrado. uma pressão e um objeto. e consciente. censurado ou reprimido. e inerente ao desejo humano. é a forma mais autêntica de construir uma alta imagem que vai ser refletida em todas as atividades que venha a desenvolver. A finalidade seria reduzir essa necessidade até que nenhuma ação fosse mais necessária. que se faz importante: a pessoa pode até fugir da consequência dos seus erros. O inconsciente é responsável por manter o material que foi excluído da consciência. todos estariam preparados para enfrentar os próprios erros.No inconsciente. da. é que o ser humano pode buscar corresponder aos instintos de várias maneiras. à decisão que faz ser aparentemente aceitável a possibilidade de não se submeter à circunstância que geraria o erro. Deve-se ir à procura. ou possibilidades. como também um futuro. que a maior parte da consciência é inconsciente. Freud aponta os aspectos físicos dos instintos como sendo necessidades. é dar ao organismo a satisfação exigida no momento. e isto retornará como realização e satisfação das vontades primordiais do ser humano. ideias. torna o fato de errar muito mais responsável. Identificamos que o objeto de um instinto pode vir a ser qualquer coisa. “desconhecidas” pelo autor da ação. de modo que se possa lidar de forma mais adequada com uma necessidade que não esteja sendo satisfeita por um pensamento ou comportamento particular na hora de se tomar uma decisão. ou a preferir cumprir com suas tendências instintivas. somado a toda noção. onde se possam ter nitidamente as causas que o direciona a decidir coerentemente. identificamos elementos instintivos que não são acessíveis à consciência. Mas fica aqui o apontamento. podendo ser uma parte ou toda a ação. O ponto agravante. assim. uma finalidade. é possível determinarmos que haja uma pré-intenção consciente ou inconsciente. e também as respostas. Este material não é esquecido nem perdido. Processos esses que podem se dar de maneira nítiResponsabilidade na Construção Civil 126 127 . os seus questionamentos. mas a causa primeira. temos os instintos como forças propulsoras que incitam as pessoas à ação. mas esta busca é intermediada por detalhes muito mais delicados.  e  é  a  maior  causa   de toda atividade no indivíduo. sendo assim. ou então vai negar. as pulsões e os instintos. as quais não o influenciavam no momento da decisão. hábitos e opções que o influenciam no momento. ou imbuída de aspectos inconscientes. em outras pessoas. 3 O SER HUMANO TRANSFERE SUAS FALHAS PESSOAIS EM UMA ATIVIDADE OU FUNÇÃO OU PROFISSÃO QUE ELE EXERÇA FUTURAMENTE? COMO E POR QUÊ ISTO ACONTECE? Os seres humanos contém dentro de si.

2 PERGUNTAS E RESPOSTAS. os alunos. que foi executada em desacordo técnico. não estava. até. o da edificação e. ocorre uma situação diferenciada e diria. um intelectual. quem detinha o equipamento braçal para cumprir aquela tarefa.Capítulo IX NOTAS E CONCLUSÃO DO AUTOR 1 A ARTE DE CONSTRUIR: SITUAÇÃO PARADOXAL Ao se falar em construir. 128 Responsabilidade na Construção Civil 129 . e a cumpri-la dignamente. um momento de sonho: o da construção. que relata um bom aconselhamento. um testemunho de professor universitário (KANITZ. alguém que tem solução para tudo. Em segundo momento e ao final da construção. formado em outra concepção de estudo. O QUE É MAIS IMPORTANTE? Nos deparamos. sem o direito de poder isentar-se ou bradar em prol de que na verdade real dos fatos. de um modo positivo. onde discorre: “Temos um ensino no Brasil voltado para perguntas prontas. como já descrevemos. em nada amigável. surgem complicações (daí o negativismo) e. de uma satisfação futura. fora de nosso país –Harvard. e definido por uma razão muito simples: é mais fácil para o aluno e também para o professor. e isto ocorre com certa frequência. por diversas razões e desculpas. se assim posso afirmar. em edificar. e até para abrandar o relatado no capítulo anterior. Se este terceiro envolvido tiver boa intenção e responder com ética e profissionalismo. o profissional da ponta hierárquica. como no vestibular. E. O professor é visto como um sábio. invariavelmente. paradoxal: num primeiro momento. por comodismo. que. não terminando. Sobrevém atribuição de culpa ou de culpas à ponta hierárquica das responsabilidades previstas no Código Civil Brasileiro – aos profissionais da engenharia. por que não dizer. para serem solucionadas dependem de um terceiro envolvido – a pessoa que porta a colher ou o nível de pedreiro ou a serra. 2005). para nos preparar para exercer qualquer atividade. querem ter as perguntas feitas.

são as perguntas. o que não é fácil. se preocupar. no exato momento que ocorrer qualquer reclamação de erro ou falha na construção. me vem a mente a seguinte pergunta: quais passos devem ser seguidos quando se deparar com este tipo de situação? Acredito que a melhor alternativa. os números da vida sempre terminam com longas casas decimais. um relatório técnico de acompanhamento das patologias ou dos defeitos que será indicado ao profissional. imparcial. estará. Se você pretende ser útil na vida. impondo-lhes verdadeiro receio pelas conseqüências de seus atos. lembre-se de que não são as respostas que são importantes na vida. Primeiro indo ao local. Não existem mais perguntas a serem feitas depois de Aristóteles e Platão. atuação de maneira menos dispendiosa. por mais difícil que seja a comunicação com o cliente ou o vizinho reclamante. por outro lado. nem vai lhe pedir para resolver 4/2 = ?. que verificará a sua não negligência com seu pronto atendimento e. Sua função deixa de ser apenas ressarcitória. Apresente a ele. Essa nova orientação parte do princípio de que a indenização não pode atingir valores insuportáveis. O objetivo das aulas passa a ser apresentá-las. para servir como indutor da prevenção antecipada para evitar o dano. elevando seu comportamento ético ao mesmo e elevado patamar do comportamento profissional. muito menos uma divisão perfeita. finalmente. ou contrate um terceiro profissional especializado na área. O maior erro que se pode cometer na vida é procurar soluções certas para os problemas errados. Isto trará um conforto profissional ao mínimo da seguinte ordem: continuar acreditando na sua capacidade. estará. Mas. por mais simples que pareça. O que o profissional tem que. Se você ainda é estudante.” Neste diapasão.” 130 Responsabilidade na Construção Civil 131 . extrapolando os limites lógicos do nexo de causalidade entre a ocorrência e sua conseqüência. é de não cometer o erro da “irresponsabilidade” ao de estar. Em seu primeiro dia de trabalho você vai descobrir que seu patrão não lhe perguntará quem descobriu o Brasil e não lhe pagará um salário por isso no fim do mês. fundada ou não na culpa do responsável. o mito de que todas as questões do mundo já foram formuladas e solucionadas. das manutenções ou prevenções corretivas a serem adotadas com suas possíveis causas. com este ato. e a obrigação dos alunos é repeti-las na prova final. Isto fatalmente passará pela aprovação ou de outro profissional no campo judiciário e. Em toda a minha vida profissional nunca encontrei um quadrado perfeito. disposto e pronto ao atendimento. mesmo que inicialmente lhe pareça uma prova de sua futura “culpabilidade”. e não os que repetem suas melhores aulas. Sobre de quem é a responsabilidade. possivelmente. relegado. uma vez definido qual é o verdadeiro problema. ao mínimo abalada. Bons administradores são aqueles que fazem as melhores perguntas. seu desgaste e sua integridade psicológica. pois sem ela. Este relatório poderá conter informações ao seu cliente ou reclamante. é não esquivar-se da situação de possível erro. não menos importante. para elaborar este relatório técnico. o STF – Supremo Tribunal Federal e posteriormente o STJ – Superior Tribunal de Justiça abandonaram o antigo conceito de que a responsabilidade civil deveria se limitar à reparação do dano. por mais banal ou simples que lhe pareça a reclamação de um erro ou de uma falha cometida no exercício de sua profissão.Nossos alunos estão sendo levados a uma falsa consciência. essa indenização deveria servir como advertência aos agentes causadores. sempre. Talvez por isso não encontremos solução para os inúmeros problemas brasileiros de hoje. Em minha experiência e na da maioria das pessoas que trabalham no dia-adia. Grandiski (2001) também traz um alerta em sua valiosa obra literária que: “Na área ligada à construção civil. aprenda a fazer boas perguntas mais do que sair arrogantemente ditando respostas. e futura troca de material para um mais apropriado ao ambiente. em segundo plano. o mais breve possível. a solução não demora muito a ser encontrada. Seu patrão ou seu cliente vai querer saber de você quais são os problemas que precisam ser resolvidos em sua área.

não havendo a limpeza. Tendo em vista as fissuras. química ou biológica. o segredo está na precaução técnica? Diria que aliado à precaução técnica está o comprometimento profissional diário e a atitude efetivamente tomada. 132 Responsabilidade na Construção Civil 133 . Para nós. não mais nos preocuparemos em preveni-las. que é uma falha do controle de qualidade do mesmo. Mas. se deixa levar pela “acomodação” ou até mesmo não tem capacidade de decisões claras e corretas. O meio técnico. que é responsável pelo controle em geral. espessura e qualidade de cobrimento da armadura. deve estar presente tanto antes. a carbonatação. se não podemos eliminar totalmente as causas das doenças. no ato do recebimento de seu diploma. Para não incorrer nesta situação. O exemplo. fatores estes que influenciam diretamente na durabilidade das estruturas. se as mesmas forem vistas dessa maneira. é o que faz de um profissional estar exercendo sua função perante a sociedade. sem dúvida. podemos reduzir consideravelmente esses fatores. necessariamente em pouco tempo. decorrentes na maioria das vezes do ambiente em que estão inseridos e. sendo estes. são inevitáveis. a corrosão das armaduras. estamos certos que. do meio técnico. fica a idéia de que. essa mesma estrutura precisará ser recuperada. na execução das estruturas de concreto armado. Todos os processos de deterioração das estruturas podem ser de origem física. quando existe. que: “Na verdade. para distinguir e eliminar pequenos detalhes. prejudicando o processo executivo. que se não obedecermos e nos conscientizarmos em relação à questão do fator água/cimento. Sabendo que elas são caminhos mais fáceis aos agentes agressores. os mesmos irão colaborar para o início precoce do mecanismo da corrosão. como prometido fora. existe todo um processo executivo errado. temos que tomar cuidados em toda a fase de projeto e. Em relação às fissuras. aumentando a durabilidade das estruturas para que elas venham suportar o processo de deterioração e que tenha um período de vida útil mínimo para o qual foi projetada”.Maia Lima & Pacha (2005) concluem seu valioso trabalho. seria o da não observância de elementos prejudiciais na base dos pilares e. não há dúvidas. dependentes do não treinamento da mãode-obra e a baixa qualificação do corpo técnico. cura do concreto. durante e após o período de concretagem (execução). Esse mesmo profissional.

30/03/2005 134 Responsabilidade na Construção Civil 135 . n. Perícias em Edificações. 2005. Patologia de Edificações.Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Direito de Construir nas Relações de Vizinhança. Revista Veja. 18.1986.. São Paulo: PINI. Maria Helena. Curso de Especialização em Engenharia de  Avaliações  de  Bens  e  Perícias.1999. Vocabulário Jurídico. p.  Fernando. São PAulo: RT. São Paulo: saraiva.  set. 2002. Manual Prático para Reparo e Reforço de Estruturas de Concreto.n.2001.  Apostila  CEDEMPT  –  Londrina. 16. I. 8 GRANDISKI.REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 1 ALVES.. 2 Aurélio Buarque de Holanda.2008.  Apostila  CEDEMPT  –  Londrina. 1988. jan.ed. ampl. 10. ed. 11 _________________ . 1999. a. atualizado de acordo com o novo Código Civil (Lei n. 9 HELENE. e atual. Stephen.  Maringá.fev. ed.ed. Corrosão em Armaduras para Concreto Armado. 13.14.  Influência  de  Obra  em  Imóvel  Lindeiro. Yussef Said (Org.18. 12 KANITZ.22/23. A segurança das Obras de Engenharia Civil. Revista CREA SP. p. 1. 1999. 6 DINIZ. Rio de Janeiro: Forense. Porto Alegre.) Código Civil. a.T – Instituto de Pesquisas Tecnológicas. 10406 de 10/01/2002). ed. Paulo. L. V. 16. Vilson Rodrigues. edição 1898. n. XI. Paulo R. ano 38.imp.123. Berenice Martins Toralles. 5 CAHALI. 7 DE PLÁCIDO E SILVA. (Administrador por Harvard). Responsabilidade Civil – Curso de Direito Civil Brasileiro. 10 _________________. 4 CARBONARI. São Paulo: LEX. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Abril. São Paulo: PINI. 1.7v. 3   BISOTTO. Curso de Especialização  em  Engenharia  de  Avaliações  de  Bens  e  Perícias  –  Disciplina:  Fundamentos  de   Patologia  nas  Edificações.  AVALIEN – Revista de Avaliações e Perícias.  Maringá.  2002. São Paulo.rev.P. ed.

v. 16 MARTINS. 9. Jefferson.  Fábio  L. Patologias das Estruturas de Concreto Armado com ênfase a Execução. pg. Maringá: UEM. 1973.P.São Paulo: Revista Dos Tribunais. 124 e 125. Daniel das Neves. 29 THOMAZ. Mecânica dos Solos. Porto Alegre a 1. Perícia sobre Acidente de Obra de Terra em Área Urbana 12 anos depois: Falha de Projeto ou de Construção?.V. 18. 2002.  2002. Curso Básico de Mecânica dos Solos. Trincas em Edifícios. jan. 7.Turma: Universidade Estadual de Maringá . Maringá: UEM. 15 MAIA NETO. Qualidade Habitacional. Patrícia Juliane Ribeiro. 26 SALDANHA. Direito de Construir.  Debates  sobre  Inspeções  de  Obras  Civis  Pauta  o  Problema  da   Segurança  das  Edificações. 20 PADARATZ. 2000. Hely Lopes. Ivo José. 2005.São Paulo: malheiros.  São  Paulo. São Paulo n.1 e 2. Florianópolis.406 de 10 de Janeiro de 2002. 28 SOUZA. Silvia Maria. n. Elaboração de Prova Pericial em Sinistro de Desabamento de Estrutura de Pavilhão Pré-Moldado de Concreto Armado.  São  Paulo:  Oficina   De Textos. 22  PEDROSO. Ismael Wilson. Afonso. Maringá: UEM. 2001. Perícias Judiciais de Engenharia – Doutrina– Prática– Jurisprudência. 21 PEDRO MAIA.Belém: Centro Tecnológico do Curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Pará – Serviço Público Federal. Maringá.fev.UEM.1999.ed. n. Lei 10. São Paulo: PINI. 2005. I. Rafael Alves de. José Raimundo Serra. Um Estudo sobre Fissuras em Concreto.. Trabalhos Periciais Judiciais e Extra-Judiciais. 2001. Universidade de São Paulo – Escola de Engenharia de São Carlos. 23/24. Maringá: UEM. 2001 14 MAIA LIMA.v. AVALIEN – Revista de Avaliações e Perícias. Belo Horizonte: Del Rey.13 LIMA. Patologia das Edificações. CADAMURO JÚNIOR. B. 2000. Maringá. TEIXEIRA. 25 PINTO.P.I. Ércio.ed. 1993. Qualidade no Processo de Contratação de Obras Públicas. 19 NOVO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO. 2º Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura de Maringá – II ENTECA. 2000. 2001. 18 MELLO. Marcelo Suarez. Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina. São Paulo: U.atual.S. 2º Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura de Maringá – II ENTECA. 1985/2009. 1º Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura de Maringá – I ENTECA. a.e amp. Victor F. 23  PELACANI. JORGE.–Instituto de Pesquisas Tecnológicas.1996. Alberto H. 17 MEIRELLES. 30 ZATT.  Curso  de  Especialização  em  Engenharia  de  Avaliações  e  Perícias. rev. Perícias em Revestimentos de Argamassa.T. 2º Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura de Maringá – II ENTECA. Paulo Roberto Lagoeiro. PACHA.   Apontamentos. 136 Responsabilidade na Construção Civil 137 . Carlos de Sousa. 2001/ 2003 24 _________________. Luciana Falcão Correia.  Valmir  L. Curso Avançado do IBAPE/SP  Instituto  Brasileiro  de  Avaliações  e  Perícias  de  Engenharia. a. Francisco.  Revista  CREA SP. AVALIEN – Revista de Avaliações e Perícias. 27 SELMO. 2. XI. Ruínas Recentes de Edifícios no Brasil.

Pós-Graduação: “Engenharia de Avaliação de Bens e Perícias” .A.I.Publicação Técnica Oficial do IBAPE / Entidade Federativa Nacional – Informativo Mensal da “S.E.4613 / 9963.E.A.S.org. S. S. I.303-D ENDEREÇO: pelacani@creapr. . Paraná / 2000 a 2006 .P .Editora AVALIEN – Porto Alegre .UEM / Universidade Estadual de Maringá – 2001/2003 . – Societê Internacionail da Expertisacione.br FONE: (44) 3034.A.Ibape / Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia / SP e PR . – Sociedad Internazionale di Estimo.E.Unifil / Universidade Filadélfia – Londrina .UEM – Universidade Estadual de Maringá / 1985 .I.Membro Titular: “I. S.São Paulo / 1997 a 2000.G. – Sociedad Internacional de Tasación.Colaborador Técnico: “Revista de Avaliações e Perícias de Avaliações e Perícias de Engenharia” .E.º 17.E.I.I.I.RS / desde 1996 138 Responsabilidade na Construção Civil 139 . e.Sociedade Internacional de Avaliações.T.Graduação: “Engenheiro Civil” . . de Engenharia” . – International Society of Appraisal.SOCIETAS INTERNATIONALIS AESTIMATIONUM (S.B.A. CURSOS E PARTICIPAÇÕES TÉCNICAS: . Internationale Gesellschaft zur Einschatzung)” .9280 (Maringá / PR) ESPECIALISTA EM ENGENHARIA DE AVALIAÇÃO DE BENS E PERÍCIAS ESPECIALIZAÇÕES.Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias . I.CURRICULO PROFISSIONAL RESUMIDO VALMIR LUIZ PELACANI Engenheiro Civil CREA PR n.

Representante Técnico da Assoc.E. 5ª.Representante Técnico da Assoc. dos Engenheiros e Arquitetos de Maringá – A.. de Maringá ( PR ) / 2005.Laudos de Avaliações / Resumido: Novo Aeroporto de Maringá.Palestrante: “Responsabilidade Civil na Construção” / Capacitação Profissional . 2006.Caixa de Previdência do Banco do Brasil em Maringá – Paraná / 1985 a 1992 .E.Avaliador Junto à Previ .Departamento de Engenharia Civil .Palestrante: “Perícias e Riscos Ambientais” / Curso – Tecnologia do Meio-Ambiente / UEM – Câmpus Umuarama (PR) /2007 .A.Consultoria Especializada em Avaliações e Pareceres Técnicos Extra-Judiciais a Advogados e Particulares de Maringá e Região .Editora JM. Edificação e Terrenos do Shopping Center – Aspen Park. 2ª E 1ª Vara Cível de Maringá – Paraná / 1ª nomeação em 1989 . Na “Comissão Especial de Avaliação de Imóveis de Maringá – Planta de Valores Genéricos” . Comerciais e Residenciais (Cotel – Prefeitura de Paraíso do Norte / PR – Cafeeira e Cerealista Feltrin – Comercial Catarinense .Perito Judicial da Vara Cível de Ubiratã – PARANÁ / 1ª nomeação em 2003 .Palestrante de Curso Cadastrado no Programa Pro-Crea/Pr: “Responsabilidade Civil na Construção e Perícias Judiciais” / Curitiba (PR) / 2009 .Secretaria da Fazenda / Munic. Terrenos da Polícia Federal.Palestrante e Representante Técnico do Ibape-PR / Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná / Semana Paranaense de Engenharia “Sepec” – UEM / Mgá (PR) / 2005 . 3ª.Avaliador Junto ao Banco Itaú em Maringá – Paraná / 1993 .M.CREA PR / 1993 E 1997 .Diretor da A. Curitiba (PR) / 2003 EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL: . na “Comissão Especial da Defesa Civil / 5º COREDEC – Coordenador Regional de Defesa Civil . 4ª.E.Palestrante em Encontro Tecnológico – ENTECA .E..Professor da U.M.Cia.Palestrante: “Responsabilidade Civil na Construção” / AREARC – Associação Regional de Engenheiros.Consultor Técnico da Sanepar . .Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Maringá – Biênio: 2009 / 2010 . 2008 e 2009 . Monolux Construções Civis – Lote 141 140 Responsabilidade na Construção Civil .Assistente Técnico em Várias Ações Judiciais .M.Training Company / Hotel Golden Tulip Park Plaza – São Paulo (SP) / 2010 .UEM .Autor do Livro 01: “O Perito Judicial e o Assistente Técnico” .“Curso de Atualização em Engenharia de Avaliações e Perícias” .A. dos Engenheiros e Arquitetos de Maringá – A. Edificação e Terrenos do Antigo Shopping da Construção – Rodovia Pr-317. Arquitetos e Agrônomos de Cianorte – Cianorte ( PR ) / 2009 . Mgá – Processos de Ressarcimento de Danos / 1998 . Lojas Americanas.MGÁ (PR) / 2002 .Perito Judicial da Vara Cível de Ivaiporã – Paraná / 1ª Nomeação em 2009 .M. de Saneamento do Paraná / Reg.Perito Judicial da 6ª.A.Catarinense S.A. 2007.Corpo de Bombeiros de Maringá – Avaliação Técnica de Queda de Palanque / Paiçandu (PR)” – Novembro / Dezembro de 2009 e Janeiro / Fevereiro de 2010 . Edificação e Terreno de Condomínios Residenciais. – Universidade Estadual de Maringá / Departamento de Engenharia Civil / 1990 .Perito Judicial da Vara Cível da Marialva – PARANÁ / 1ª nomeação em 2002 .

São João do Ivaí e Barbosa Ferraz (PR). Imobiliária Theodorado. Clínica Odontológica Dr. Edifício Lavoisier. Edifício Pantanal. Edifício Norte. Banco Santander. Edifício Narayama. Edifício El Greco. Médio e Grande Porte: Construtora Design. Edifício Marques de Sagres. Edifício Portal do Sol. Edifício Continental. Construtora Cantareiras / Maringá (PR).S. Edifício Néo Alves Martins. Edifício Belle Ville Boulevard. Condomínio Residencial Petit Village. . Construtora Novo / Cianorte (PR). Edifício La Palma.E.R. Edifício Maria José. Edifício Central Park. A.ª Dirce M.Relatórios de Vistorias Cautelares de Vizinhança em Edificações de Pequeno. . Terrenos Desapropriados de Rodovias (D. Edifício Maria Tereza. Quadras de Esportes – Douradina / Perobal e Tapira (PR) – Obras do Paranácidade. Edifício Vanor Henriques. Condomínio Residencial Iguaçu I. Edifício Monet. Edifício Vinícius de Moraes. Edifício Hércules.204 / Sarandi (PR).Laudos de Inspeção Predial em Patologias de Edificações de Pequeno e Grande Porte / Resumido: Edifício Don Gerônimo. Edifício Villagio Difirenze. Edifício Del Arthur. Edifício Citizen Park. Edifício Mário Pagani. Hotel Deville. Flórida e Astorga (PR) – Distrito de Santa Zélia. Edifício Residencial Dona Eulália. – Associação dos Servidores Públicos . Edifício Dona Amélia I e Ii. Cartório Liana Cláudia. Balbinot Cavaletti – Campo Mourão (PR). Edifício Solimões. Edifício Açores. Condomínio Residencial Villa Fontana. Edifício Versalhes. e Demais Particulares). Conjuntos Habitacionais de Mandaguari. Edifício Caravelas.P . Motel Hipnose / Mandaguari (PR).) e Urbanos / Industriais (Município de Maringá – Copel – Sanepar – Eletrosul – Ate V Londrina Transmissora de Energia). Construtora Vicky. Edifício Van Gogh. Demais Residências e Comércios Particulares. 142 Responsabilidade na Construção Civil . Edifício Da Galeria Dona Eulália. Edifício Residencial Joubert de Carvalho. Edifício Itália I. Condomínio Residencial Iguaçu II. Escolas Estaduais de Maringá – Ceebja (Zona 07). Demais Residências e Comércios Particulares.P do Paraná / Caiobá (PR).

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