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Novidades dentro de sua cabeça

Colunista discute estudos recentes que apontam o surgimento


de novos neurônios no cérebro adulto

Colunas:: por dentro das células

O neurocientista espanhol Santiago Ramón y Cajal (1852-1934) trabalha


em seu laboratório. Ele foi um dos pioneiros a desvendar a estrutura
microscópica do cérebro humano. Por esses estudos, ganhou o Nobel
de Medicina de 1906, dividido com o italiano Camilo Golgi (1843-1926).
Foto: Instituto de Neurobiología S. Ramón y Cajal (CSIC).

Desde os trabalhos pioneiros sobre a neurologia humana


realizados em 1913 por um dos pais da histologia, o cientista
espanhol Santiago Ramón y Cajal (1852-1934), acreditava-se que
os neurônios presentes no cérebro humano adulto eram incapazes
de se multiplicar. No entanto, estudos recentes têm mostrado que
não é bem assim, e que algumas regiões do cérebro humano
ganham novos neurônios ao longo de toda a vida. Vejamos como
isso ocorre.

Durante a evolução, a formação de novos neurônios, conhecida


como neurogênese, diminuiu à medida que aumentava a
complexidade do cérebro. A ocorrência de neurogênese em adultos
é comum em crustáceos e vertebrados como peixes e anfíbios.
Répteis, por exemplo, são capazes de regenerar partes inteiras de
seu cérebro. Porém, esse processo era desconhecido em aves e
mamíferos até poucas décadas atrás.
Essa visão começou a mudar a partir da década de 1960, devido às
pesquisas conduzidas pelo neurocientista norte-americano Joseph
Altman, do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), nos
Estados Unidos.

Altman utilizou um precursor radioativo do DNA, conhecido como


timidina-H 3 , para mostrar que novas células com morfologia
neuronal podiam ser encontradas no bulbo olfatório, no hipocampo
e no neocórtex de ratos e gatos adultos. As moléculas de timidina
radioativa, após injetadas nesses animais, foram utilizadas por
células nas quais estava acontecendo a síntese de DNA, um
evento que ocorre durante o processo de divisão celular. Essas
células foram posteriormente rastreadas por microscopia, por meio
da radioatividade das células multiplicadas.

Contudo, o trabalho desenvolvido pela equipe de Altman teve


pouco impacto no meio científico e seus resultados acabaram
questionados por outros estudos que não indicaram que esse
processo pudesse ocorrer em mamíferos mais evoluídos como
macacos, por exemplo.

Na década de 1980, o neurocientista Fernando Nottebohm, da


Universidade Rockefeller, em Nova Iorque (EUA), e sua equipe
publicaram vários estudos mostrando que novos neurônios são
produzidos no sistema sonoro de aves adultas. Essas células
surgem nos ventrículos e migram através do parênquima até
alcançar seu destino final, onde adquirem características
morfológicas e estruturais de neurônios. Nesses locais, elas
estendem corretamente seus axônios e são capazes de receber
informações sinápticas e de serem ativadas por estímulos
auditivos.

Essas descobertas deram novo fôlego para pesquisas na área. Os


estudos passaram a utilizar a bromodeoxiuridina (BrdU), substância
que, após injetada em animais adultos, é utilizada como substituto
do nucleotídeo timidina pelas células que estejam sintetizando DNA
e, portanto, se preparando para a divisão celular. Novos neurônios
marcados com BrdU podem ser visualizados com a ajuda de
técnicas imunoquímicas.

Neurogênese no cérebro humano


Neurônios piramidais no córtex cerebral humano. A primeira evidência
de multiplicação neuronal no cérebro de humanos adultos foi obtida há
dez anos (foto: BrainMaps.org).

A primeira evidência de que ocorria multiplicação neuronal no


cérebro de humanos adultos foi obtida há exatamente dez anos, em
um trabalho realizado pela equipe de Peter Eriksson, do Instituto
de Neurologia do Hospital da Universidade de Sahlgrenska, em
Gotemburgo, na Suécia.

Esses pesquisadores examinaram autópsias de cérebros de


pacientes com câncer que haviam recebido BrdU para marcar
células que estavam proliferando em suas regiões tumorais. As
amostras indicaram a presença de novos neurônios na região do
hipocampo e a existência dessas células foi confirmada com o
recurso a marcadores específicos para neurônios.

Atualmente, acredita-se que poucas regiões do cérebro humano


adulto são neurogênicas, isto é, capazes de produzir ou recrutar
novos neurônios sob condições normais. A neurogênese foi
comprovada em duas regiões do cérebro humano: a zona
subgranular do giro dentado do hipocampo e a zona subventricular
do bulbo olfatório, região formada por células associadas com a
integração de sensações olfativas.

Diversos estudiosos do assunto consideram o restante do cérebro


uma área não neurogênica. Existem evidências que sugerem a
ocorrência desse processo em outras regiões do cérebro adulto,
mas elas ainda não estão estabelecidas de forma clara pela
ciência.

As pesquisas indicam que o bulbo olfatório e o giro dentado do


hipocampo recebem neurônios recém-produzidos durante toda a
vida adulta. Nessas regiões a adição de novos neurônios é mais
uma forma pela qual o cérebro pode modificar seu próprio circuito
funcional e alterar sua plasticidade, ao lado de alterações
moleculares, sinápticas e morfológicas.

Portanto, esse processo de renovação celular não tem apenas a


função de substituir neurônios envelhecidos ou mortos, mas
representa também uma resposta adaptativa a modificações
promovidas pelo ambiente em que o animal vive ou pelo seu meio
interno. Essa plasticidade está associada com a capacidade do
cérebro de se modificar morfologicamente ou funcionalmente
durante sua maturação, diante do aprendizado, de alguma
patologia ou quando confrontado com modificações ambientais.

Origem da neurogênese

Bulbo olfatório e nervo olfatório ilustrados pelo médico belga Andreas


Vesalius (1514-1564) em seu atlas de anatomia De Humani Corporis
Fabrica. O bulbo olfatório é uma das regiões em que se confirmou a
formação de novos neurônios no cérebro humano adulto.

As pesquisas têm mostrado que, em áreas restritas do cérebro de


mamíferos, novos neurônios funcionalmente ativos são gerados de
forma contínua a partir de grupos de células-tronco neuronais.

Nos últimos dez anos, vários estudos têm indicado que a


neurogênese no adulto pode ser estimulada por danos cerebrais.
Lesões no hipocampo causadas por traumas e isquemia, por
exemplo, podem estimular o surgimento de neurônios no giro
dentado e no bulbo olfatório. O grau de desenvolvimento da
neurogênese em adultos pode depender da relação entre os
benefícios gerados pelos neurônios recém criados e os problemas
que eles podem ocasionar ao circuito nervoso ao qual se integram.
Acredita-se que células associadas com neurônios chamadas
astrócitos e localizadas entre o ventrículo lateral e o estriado ativam
células-tronco neuronais que se diferenciam e migram para regiões
como o bulbo olfatório. Em roedores, estima-se que essa migração
envolva cerca de 30 mil células a cada dia.

Outras regiões cerebrais consideradas não neurogênicas podem


também se tornar neurogênicas após danos cerebrais. Estudos
indicam o surgimento desse processo no neocórtex, no estriado, na
amígdala e na substância negra de roedores após a ocorrência de
lesões neuronais ou isquemia. Contudo, as técnicas de pesquisa
usadas atualmente não são precisas o suficiente para visualizar um
número relativamente pequeno de novos neurônios e estimar com
clareza a ocorrência desse processo em regiões normalmente não
neurogênicas.

Mas em que extensão a neurogênese do adulto se assemelha ao


processo que ocorre em nossa vida embrionária? Aparentemente,
ambos são similares quanto aos marcadores moleculares
expressos durante a maturação das células e em relação às
mudanças morfológicas verificadas. A única diferença observada
até o momento é que as células adultas apresentam ciclo celular
mais lento que o das formas embrionárias e que as primeiras se
localizam mais externamente nos tecidos colonizados. Novas
pesquisas futuras são necessárias para confirmar essa
similaridade.

Estudos indicam que o estado físico e alterações patológicas e


psicológicas podem influenciar a neurogênese adulta. A utilização
crônica de drogas como morfina e heroína, por exemplo, diminui a
neurogênese no hipocampo de ratos adultos. Experiências
traumáticas no início da vida, como uma separação maternal,
diminuem a proliferação celular e a produção de neurônios no giro
dentado em ratos adultos. Por outro lado, a atividade física
promove a proliferação celular no giro dentado.

Função dos novos neurônios


Apesar das descobertas recentes, uma questão permanece: qual o
papel desempenhado pelos neurônios recém produzidos? Essas
células podem apresentar, ao menos inicialmente, uma maior
plasticidade sináptica que os outros neurônios habitantes das
regiões por elas colonizadas. Assim, a neurogênese pode promover
uma adaptação a estímulos ambientais.

Esse processo adaptativo pode estar associado com a


aprendizagem e com a memória. Pesquisas indicam que, em aves
canoras, uma multiplicação neuronal está associada com o
aprendizado do canto. Há também indícios de que essa
proliferação celular esteja ligada ao desenvolvimento da noção
espacial e à discriminação olfativa em roedores.

Novas pesquisas são necessárias para que possamos


compreender realmente os mistérios do fascinante e intricado
cérebro dos mamíferos. Temos muito a aprender para compreender
claramente que células estão se multiplicando para que, no futuro,
possamos saber lidar melhor com patologias e potencialidades no
nosso cérebro.

Jerry Carvalho Borges


Universidade do Estado de Minas Gerais
Antonio Carlos Borges
Doutorando / Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Universidade de São Paulo
07/11/2008

Fonte:
http://cienciahoje.uol.com.br/132225

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A CORRIDA É O MELHOR ANTIDEPRESSIVO


Novembro/2004

ATIVIDADE FÍSICA REGULAR – CORRIDA – SAÚDE – DEPRESSÃO –


SEROTONINA – NEUROGÊNESE –

Prof. Nuno Cobra,


Prof. Educação Física –

Há 30 anos eu digo que o cérebro é exatamente igual a qualquer


outro órgão do corpo humano, apenas com funções diferentes e
extraordinárias. Sempre os pensadores acharam que, se o cérebro
é o órgão máximo do corpo e responsável por todas as diretrizes de
seu funcionamento, ele seria completamente diferente de todos os
outros. Eu lembrava que ele tinha de agir da mesma forma que o
fígado, por exemplo, que se revigora novamente quando perde
parte de seu todo.

Atualmente, no que pode ser o maior achado da neurociência nos


últimos tempos, descobriu-se que o cérebro adulto continua a
fabricar neurônios por toda nossa vida, conforme suas
necessidades. A descoberta da neurogênese adulta (fabricação de
novos neurônios) abre possibilidades de cura para doenças em que
parte do funcionamento cerebral é claramente prejudicado, como
derrame ou mal de Parkinson.

A nova pesquisa mostra também que a neurogênese tem um papel


importante em outras doenças psíquicas, especialmente a
depressão. Dois renomados neurocientistas americanos – Fred
Gage, do Salk Institute, e Barry Jacobs, da Universidade de
Pryncepton – descobriram que a depressão clínica pode surgir de
uma falha no cérebro em relação à produção de novos neurônios.

Os experimentos mostram que a neurogênese acontece


principalmente em uma parte do cérebro chamada “hipocampo”,
que é responsável por reger a aprendizagem, a memória e as
emoções. Segundo os estudos, o paciente que está em depressão
há muito tempo tem um hipocampo consistentemente menor que
pacientes não depressivos. Isso ocorre porque a produção de
novos neurônios não é rápida o suficiente para substituir os que
estão morrendo. O estresse e fatores genéticos são os maiores
responsáveis pela supressão da neurogênese no hipocampo.

O laboratório de Gage chegou a uma descoberta surpreendente:


percebeu que a neurogênese se duplicou quanto ratos tinham em
sua gaiola uma roda onde faziam corridas de longa duração. O
mais interessante é que o aumento da neurogênese provocado
pelo exercício foi muito maior que o aumento causado pela última
geração de medficamentos antidepressivos. As descobertas foram
tão convincentes que quase toda a equipe que trbalha no projeto
começou a correr. A explicação para o fenômeno é que a Atividade
Física aumenta o ritmo cardíaco e a circulação sangüínea no
cérebro, que, portanto, recebe maior quantidade de estimulantes da
produção de novas células. Outra justificativa é que a corrida
proporciona um ritmo cerebral chamado “theta”, que, por sua vez,
aumenta a produção de serotonina e o desenvolvimento dos
neurônios.

... alunos que sofriam de depressão e se curaram


com o esporte.

É interessante ver a prova científica do que eu já percebia


intuitivamente ao acompanhar alunos que sofriam de depressão e
se curaram com o esporte. O sol, um bom banho frio e corridas
diárias são o melhor remédio para a doença, e eu tenho tido
excelentes resultados com esse método.

É bom lembrar, porém, que o overtraining pode levar à depressão.


Uma corrida eficiente e saudável deve ser praticada sempre em
equilíbrio de oxigênio, ou seja, sem sofrimento e com razoável
conforto respiratório.

Nuno Cobra é treinador físico e mental


e autor do best seller “A Semente da Vitória”.
ncobra@revistao2.com.br

Fonte:
Revista O2 - #19 – Novembro 2004 –
Corrida – estílo de vida –

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Livros recomendados: >

“Fique mais jovem a cada ano” Chege aos 80 anos com a saúde,
o vigor e a forma física de um cinqüentão; Chris Croeley e Henry S.
Lodge, M.D. – Editora Sextante, 2007.

“O Leite que ameaça as mulheres”, um documento explosivo: o


consumo de derivados do leite teria uma influência preponderante
sobre os cânceres de mama; Raphaël Nogier, Ícone Editora Ltda,
São Paulo, 1999.

“As Alergias Ocultas nas Doenças da Mama”, Raphaël Nogier,


Organização Andrei Editora Ltda,1998.

“Leite: Alimento ou Veneno?” do pesquisador e cientista Robert


Cohen, Editora Ground, São Paulo, 2005.
Peter Rost, "The Whistleblower: Confessions of a Healthcare
Hitman" (O Denunciante: Confissões de um Combatente do
Sistema de Saúde), lançado em 2006 nos EUA e inédito no Brasil.

“Alimentação que evita o Câncer e outras doenças”,


Dr. Sidney Federmann/ Dra. Miriam Federmann – Editora
Minuano”

“Curas Naturais “Que” Eles Não Querem Que Você Saiba”,


Kevin Trudeau, Editora Alliance Publishing Group. Inc., 576
páginas, Spain, 2007 (Edição em português publicada pela LTVM,
S.A.) (pedidos pelo tel: 012-11-3527-1008 ou www.gigashopping.com.br/ )

“Técnicas de Controle do Estresse”, Dr. Vernon Coleman, Imago


Editora, 116 páginas (O Livro Explica Como, Porque e Quando o
Estresse Causa Problemas Alem de Mostrar Formas Eficientes de
Controlar e Minimizá-lo em sua Empresa.)

“Fazendo as Pazes com Seu Peso”, Obesidade e


Emagrecimento: entendendo um dos grandes problemas deste
século, Dr. Wilson Rondó Jr., Editora Gaia, São Paulo, 3ª Edição,
2003.

“Prevenção: A Medicina do Século XXI”, A Guerra ao


Envelhecimento e às Doenças, A terapia molecular irá diminuir a
incidência de câncer, doenças cardiovasculares, envelhecimento e
muito mais; Dr. Wilson Rondó Junior, 240 páginas, Editora Gaia,
São Paulo, 2000.

“O Atleta no Século XXI”, Dr. Wilson Rondó Junior, 158 páginas,


São Paulo, SP, Editora Gaia, 2000.

“A dieta do doutor Barcellos contra o Câncer” e todas as


alergias, Sonia Hirsch - uma publicação Hirsch & Mauad, Rio de
Janeiro, 2002, www.correcotia.com

“A Semente da Vitória”, Nuno Cobr, 223 páginas, Editora SENAC


São Paulo. www.sp.senac.br

"Atividade Física e Envelhecimento Saudável", Dr. Wilson Jacob


Filho, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do
Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas (SP), Editora Atheneu.
“O Fator Homocisteína”, A revolucionária descoberta que mostra
como diminuir o risco da doença cardíaca, Dr. Kilmer McCully e
Martha McCully, 231 páginas, Editora Objetiva, Rio de Janeiro,
2000.

“O Elo Perdido da Medicina”O Afastamento da Noção de Vida e


Natureza, Dr. Eduardo Almeida & Luís Peazê, 250 páginas, Rio de
Janeiro, Imago, 2007.

“Nutrição Multifuncional Celular”, Naturopatia Holística e


Integral; Marcos Beraldo, Rpsangela Arnt & Willian Sales – Curitiba,
PR – Everest : Pure Essence, 2008.

“Alimentos, O melhor remédio para a boa saúde, Alimentação


que pode prevenir e curar Problemas Digestivos”, Jean Carper,
Rio de Janeiro, Elsevier, 2004

“Apague a Luz!”, durma melhor e: perca peso, diminua a pressão


arterial e reduza o estresse; T S Wiley e Bent Formby, Ph.D. –
Editora Campus, 2000.

“Homeopatia e Medicina, Um Novo Debate”, François Choffat,


326 páginas, Edições Loyola, São Paulo, SP, 1996.

“Tratado de Homeopatia”, Pierre Cornillot; tradução Jeni Wolf. –


616 páginas, Porto Alegre: Artmed, 2005.

“Homeopatia” Medicina para o Século XXI, Dana Ullman,


Prefaciado pelo Dr Ronald W. Davey Médico de S.M. a Rainha
Elizabeth II, Editora Cultrix, São Paulo, SP.

“Medicamentos: ameaça ou apoio à saúde?”, Marilene Cabral do


Nascimento, Rio de Janeiro, Editora Vieira & Lent 2003.

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