Você está na página 1de 50
UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA QUIMICA CURSO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA QUIMICA CURSO DE ENGENHARIA QUÍMICA

PAULO FERNANDO DE OLIVEIRA LEAL

DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE EDUCACIONAL PARA A APLICAÇÃO EM AULAS DE TERMODINÂMICA

São Luis

2011

PAULO FERNANDO DE OLIVEIRA LEAL DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE EDUCACIONAL PARA A APLICAÇÃO EM AULAS DE

PAULO FERNANDO DE OLIVEIRA LEAL

DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE EDUCACIONAL PARA A APLICAÇÃO EM AULAS DE TERMODINÂMICA

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Engenharia Química da Universidade Federal do Maranhão, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Engenharia Química.

Orientador:

Prof.

Dr.

Marlus

Pinheiro

Rolemberg

São Luis

2011

Leal, Paulo Fernando de Oliveira. Desenvolvimento de software educacional para a aplicação em aulas de

Leal, Paulo Fernando de Oliveira. Desenvolvimento de software educacional para a aplicação em aulas de termodinâmica/ Paulo Fernando de Oliveira Leal. São Luís, 2011.

51f.

Impresso por computador (fotocópia). Orientador: Marlus Pinheiro Rolemberg. Monografia (Graduação) Universidade Federal do Maranhão, Curso de Engenharia Química, 2011. 1. Software - Termodinâmica. 2. Educação. 3. Antoine. I. Título.

CDU 004.05:536.7

PAULO FERNANDO DE OLIVEIRA LEAL DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE EDUCACIONAL PARA A APLICAÇÃO EM AULAS DE

PAULO FERNANDO DE OLIVEIRA LEAL

DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE EDUCACIONAL PARA A APLICAÇÃO EM AULAS DE TERMODINÂMICA

Aprovada em:

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Engenharia Química da Universidade Federal do Maranhão, como requisito para obtenção do título de bacharel em Engenharia Química.

Orientador:

Prof.

Dr.

Marlus

Pinheiro

Rolemberg

/

/

BANCA EXAMINADORA

Orientador: Prof. Dr. Marlus Pinheiro Rolemberg

(Doutor em Engenharia Química - UNICAMP)

Membro: Prof. Dr. Romildo Martins Sampaio

(Doutor em Engenharia de Alimentos-FEA/UNICAMP)

Membro: Prof. MSc. Reimar de Oliveira Lourenço (Mestre em Engenharia Química UFU)

A Deus que me guiou pelos caminhos certos; ao meus pais e irmãos que constituem

A Deus que me guiou pelos

caminhos certos; ao meus pais

e irmãos que constituem a

maior fonte de incentivo para minha realização profissional.

AGRADECIMENTOS

A Deus, nosso pai criador, por nos conceder força para vencer mais uma etapa da

minha vida.

Aos meus familiares, que são os maiores incentivadores e melhores amigos e que nos deixaram desistir desta caminhada.

Aos amigos, aos professores e alunos, por todo aprendizado adquirido ao longo deste curso, com quem pude conviver e descobrir o valor da união e respeito.

A todos que contribuíram de forma direta ou indireta para que este trabalho fosse

realizado e lograsse êxito em sua conclusão e alcance dos objetivos.

A diferença entre o possível e o impossível está na vontade humana. Louis Pasteur

A diferença entre o possível e o impossível está na vontade humana.

Louis Pasteur

RESUMO

RESUMO Neste trabalho foi desenvolvido um software para o tratamento de gases ideais e reais além

Neste trabalho foi desenvolvido um software para o tratamento de gases ideais e reais além da regressão de parâmetros de Antoine a partir de dados experimentais de temperatura e pressão de saturação, com o objetivo de auxiliar professores nas diversas etapas do ensino-aprendizagem no que diz respeito ao estudo da termodinâmica em cursos de engenharia química. O desenvolvimento desta ferramenta foi dividido em dois formulários, o primeiro trata-se do formulário “tratamento de gases” que possibilita ao usuário determinar propriedades de estados para gases de acordo com as equações de estado ideal, Van der Waals e Peng Robinson, as equações não lineares geradas durante os diversos cálculos inerentes ao formulário são resolvidas por meio do método de Newton-Raphson devido às suas boas características de convergência. O segundo formulário foi chamado de “regressão de parâmetros de Antoine”, neste formulário ocorre o ajuste dos parâmetros de Antoine de modo que o desvio entre os valores de pressão de saturação calculada e experimental seja mínimo, para a minimização da função objetivo responsável pelo ajuste foi utilizado o método simplex o qual se mostrou bastante eficiente. O software foi validado por meio de dados da literatura, os resultados encontrados se mostraram consistentes e coerentes com a realidade física do processo.

Palavras chaves: software, educação, gases, Antoine

ABSTRACT

ABSTRACT In this work software was developed for the treatment of real and ideal gases beyond

In this work software was developed for the treatment of real and ideal gases beyond Antoine regression parameters from experimental data of temperature and saturation pressure, in order to assist teachers in various stages of teaching and learning with respect the study of thermodynamics in chemical engineering courses. The development of this tool is divided into two forms, it is the first form "gas treatment" that allows the user to determine properties of states for gases according to the equations of ideal state, Van der Waals and Peng Robinson equations nonlinear generated during the various calculations associated with form are solved through the Newton-Raphson due to its good convergence characteristics. The second form was called "regression parameters of Antoine", this form is adjusting the parameters of Antoine so that the deviation between the values calculated saturation pressure is minimal and experimental, to minimize the objective function to adjust and simplex method was used which proved very effective. The software was validated by the literature, the results proved consistent and coherent with the physical reality of the process.

Keywords: software, education, gas, Antoine

LISTA DE FIGURAS

LISTA DE FIGURAS Figura 1-Formulário Tratamento de Gases 24 Figura 2-Seção substância do formulário

Figura

1-Formulário Tratamento de Gases

24

Figura 2-Seção substância do formulário Tratamento de Gases

25

Figura 3-Secão Determinar variáveis de estado do formulário Tratamento de gases

 

25

Figura 4-Secão Gráfico de isoterma do formulário Tratamento de gases

26

29

30

32

Figura 8-Formulário Regressão de parâmetros de Antoine

33

Figura 9-Seção Alimentação de dados do formulário Regressão de parâmetros de Antoine

34

Figura 10-Seção Resultados do formulário Regressão de parâmetros de Antoine

35

Figura 11-Gráfico comparativo entre pressões de saturação real e experimental

42

Figura 12-Seleção

de

componente

43

Figura 13-Seleção de Equação de estado

43

Figura 14-Preenchimento de propriedades conhecidas

43

Figura 15-Resultados do calculo do volume molar

44

Figura 16-Preenchimento de dados necessários à construção da isoterma

44

Figura 17-isoterma da acetona

45

Figura 18-Preenchimento de dados experimentais para a regressão de parâmetros

 

46

Figura 19-Resultados da regressão do exemplo 3

47

LISTA DE TABELAS Tabela 1-Funcionalidades dos botões calcular pressão e volume molar 26 Tabela 2-Funcionalidades

LISTA DE TABELAS

Tabela 1-Funcionalidades dos botões calcular pressão e volume molar

26

Tabela 2-Funcionalidades dos objetos de Seção Gráfico de Isoterma

27

Tabela 3-Constantes das equações polinomiais cúbicas de equações de estado de

gases reais

31

Tabela 4-Funcionalidades dos objetos da seção Alimentação de dados

35

Tabela 5-Funcionalidades dos objetos da seção Resultados

36

Tabela 6-Estimativas iniciais de parâmetros de Antoine

37

Tabela 7-Referências de validação

38

Tabela 8-Dados de validação para a equação de estado de gás ideal

39

Tabela 9-Dados de validação para a equação de estado de Van der Waals

39

Tabela 10-Dados de validação para a equação de estado de Peng Robinson

40

Tabela 11-Constantes de Antoine para o etanol

40

Tabela 12-Dados de validação da regressão das constantes de Antoine para Etanol

 

41

Tabela 13-Dados experimentais para regressão de constantes de Antoine

45

SUMÁRIO

SUMÁRIO 1 2 INTRODUÇÃO REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 12 13 2.1 O uso do computador na educação 13

1

2

INTRODUÇÃO

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

12

13

2.1 O uso do computador na educação

13

2.2 Comportamento dos gases e equações de estado

14

2.2.1 GÁS

IDEAL

16

GÁS

2.2.2 DE VAN DER WAALS

17

GÁS

2.2.3 DE PENG ROBINSON

19

2.2.4 FUGACIDADE E COEFICIENTE DE FUGACIDADE DE UM GÁS

20

2.3

Pressão de saturação e constantes de Antoine

21

3

METODOLOGIA

23

3.1

Modelagem e tratamento de gases

23

3.1.1

CRIAÇÃO

DA INTERFACE GRÁFICA

23

3.1.1.1 Seção 1: Substância

24

3.1.1.2 Seção 2: Determinar variáveis de estado

25

3.1.1.3 Seção 3: Gráfico de isoterma

26

3.1.2 CONEXÃO COM BANCO DE DADOS

27

3.1.3 CÁLCULO DA PRESSÃO, FUGACIDADE E FATOR DE

COMPRESSIBILIDADE

29

3.1.4

CÁLCULO DO VOLUME MOLAR DO GÁS

30

3.2

Regressão de

parâmetros de Antoine

32

3.2.1

DESENVOLVIMENTO DE INTERFACE GRÁFICA

33

3.2.1.1 Seção 1: Alimentação de dados

34

3.2.1.2 Seção 2: Impressão de resultados

35

3.2.2

DETERMINAÇÃO DA FUNÇÃO OBJETIVO E ESTIMATIVAS INICIAIS

36

4

RESULTADOS

38

4.1 Validação do formulário tratamento de

38

4.2 Validação do formulário regressão de parâmetros de Antoine

40

6

4.3 Etapas de utilização do software

CONCLUSÃO

42

48

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

49

12

1 INTRODUÇÃO

A busca por métodos de ensino que tornem o processo de aprendizagem mais eficaz, em meio a uma sociedade que sofre uma constante revolução tecnológica onde o computador se torna uma ferramenta cada vez mais presente no dia-dia do cidadão, requer o desenvolvimento de um novo método pedagógico onde o professor deixa de ser o agente exclusivo de transmissão do saber e passa a ser um intermediador e facilitador das muitas atividades necessárias à aquisição do conhecimento. No desenvolvimento de uma nova metodologia de ensino faz-se necessária a inclusão do computador como ferramenta básica. Sabe-se que o processo de conhecimento do mundo exterior é atingido ou captado pela proporção aproximada de: 80% para a visão e 10% para a audição CASTRO (1986). Neste caso, o uso de ferramentas computacionais é complementar ao processo de conhecimento, proporcionando principalmente o contato visual e raciocínio por parte do aluno. Tal ferramenta pode ser utilizada para a aquisição de diversos tipos de conhecimento e para atender a diferentes enfoques de ensino-aprendizagem (PASSARDIÈRE et al,1991). Assim, pode-se afirmar que o computador é fundamental como recurso didático, pois o seu uso pode gerar um vínculo mais forte entre o aluno/conteúdo, no sentido de o aluno ir atrás do conhecimento, tornando a aprendizagem mais significativa e eficaz. (COSTA, 2009) No âmbito do desenvolvimento dessa nova metodologia de ensino o presente trabalho se propõe a desenvolver um software para o tratamento de problemas termodinâmicos tais como o estudo dos gases ideais, reais e a regressão de parâmetros de Antoine a partir de dados experimentais de pressão vapor. Para tal feito será utilizada a linguagem de programação Visual Basic.NET, essa linguagem foi escolhida devido a facilidade de manuseio da mesma e ao fato desta ser uma linguagem de programação extensível a qual permite que o programa seja modificado facilmente, uma vez que toda a programação é dividida em classes e módulos.

13

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 O uso do computador na educação

A primeira discussão referente ao uso de computadores na educação brasileira se deu em 1971, quando foi cogitada a sua utilização no ensino de Física, através de seminários promovidos pela USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos em parceria com a universidade americana Dartmouth. Em 1973 a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveu simuladores para a aplicação do computador no ensino de química, no mesmo ano a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aplicou computadores no ensino de Física, porém estas experiências eram realizadas com computadores de grande porte, fato que dificultava a sua implantação nas escolas em geral (NASCIMENTO, 2007). Apesar de todos os acontecimentos citados anteriormente considera-se que a cultura nacional de informática na educação brasileira teve inicio nos anos 80, a partir do resultado de dois seminários internacionais (1981 e 1982) sobre o uso do computador como ferramenta auxiliar do processo de ensino-aprendizagem, tais seminários disseminaram a ideia de desenvolver um projeto piloto em universidades. Esta ideia se concretizou na criação do projeto EDUCOM em 1984 o qual tinha por finalidade propor um trabalho interdisciplinar voltado para a implantação experimental de centros pilotos, como instrumentos relevantes para a informatização da sociedade brasileira, visando à capacitação nacional e a uma futura política no setor (NASCIMENTO, 2011). Baseado nos resultados do projeto EDUCOM, o governo brasileiro criou em seguida programas de formação como o FORMA I e FORMAR II, que eram cursos análogos ao EDUCOM com objetivos específicos diferentes (COSTA, 2009). Com o caminhar dos anos os computadores foram sendo cada vez mais utilizados no âmbito escolar de modo que, atualmente, com o advento da internet e a evolução dos microcomputadores, o uso do destes tornou-se cada vez mais imprescindível. O computador tem sido usado nas mais diversas áreas do conhecimento como auxiliar na resolução de problemas. Uma das áreas de maior aplicação do

14

deste equipamento são as engenharias que devido aos grandes avanços tecnológicos e a necessidade de resultados cada vez mais precisos, levam os alunos a realizarem cálculos cada vez mais complexos, em um intervalo de tempo cada vez menor, os quais não seriam viáveis sem o uso dos computadores. Particularmente nas engenharias, a disciplina de termodinâmica é uma das que necessita do uso de computadores. No decorrer desta disciplina é necessária a abordagem a problemas matemáticos relativamente complexos, envolvendo a resolução de problemas com equações cúbicas, regressão de parâmetros, sistemas de equações não lineares, etc. A determinação das raízes de uma equação de estado cúbica para a determinação do volume molar, bem como a regressão de parâmetros da equação de Antoine para o cálculo da pressão de vapor, por exemplo, são importantes para os engenheiros químicos, pois estão presentes rotineiramente nos cálculos desenvolvidos durante o curso ou mesmo em sua vida profissional.

2.2 Comportamento dos gases e equações de estado

A fase gasosa se faz de grande importância em diversos processos industriais, uma vez que uma grande gama de atividades exige o conhecimento das propriedades de estado desse tipo de sistema. A modelagem termodinâmica dos gases consiste na determinação de equações que descrevam o comportamento de sistemas gasosos de modo a ajustar os valores calculados pelas equações aos dados experimentais medidos. A literatura mostra diversas equações de estado para gases (KORETSKY, 2007). De um modo geral, uma equação de estado tem a forma da equação (1):

(

)

(

)

Onde , e representam a temperatura, pressão e volume molar do sistema respectivamente. Para uma substância pura em uma única fase é necessária a determinação de duas propriedades de estado intensivas do sistema para que este esteja

15

completamente determinado, ou seja, se duas propriedades de estado intensivas forem conhecidas qualquer outra variável de estado poderá ser obtida por meio de aplicações de cálculos termodinâmicos (CASTELLAN, 1986). Dessa forma as equações de estado podem ser usadas para determinar a propriedade mensurável desconhecida em função das outras duas que determinam o estado do sistema (KORETSKY, 2007). As equações de estado podem ser explicitas na pressão ou no volume como mostram as equações (2) e (3) respectivamente (KORETSKY, 2007).

(

)

(

)

(

)

(

)

Outra maneira de expressar as equações de estado é por meio do fator

adimensional de compressibilidade,

, de acordo com as equações (4) e (5).

(

)

(

)

(

)

(

)

Neste trabalho serão abordadas as equações do gás ideal, Van der Walls e Peng Robinson.

16

2.2.1 GÁS IDEAL

Denomina-se ideal todo gás cujo comportamento pode ser descrito pela equação (6) (ATKINS, 2001).

(

)

Sendo a constante universal dos gases ideais, a qual tem seu valor independente da natureza do gás a ser analisado, em unidades do sistema internacional tem o valor de (COSTA, 2009).

A equação (6) pode ser diretamente a partir da teoria cinética dos gases

mediante as seguintes considerações (KORETSKY, 2007):

a) Um gás consiste em esferas rígidas e infinitesimalmente pequenas, que ocupam volume desprezível.

b) Não existe nenhuma interação intermolecular entre as moléculas do gás.

c) O movimento das moléculas é completamente aleatório.

d) As colisões existentes entre essas moléculas são perfeitamente elásticas.

A literatura nos mostra que gases reais se comportam como gases ideais

em condições de baixas pressões ou altas temperaturas, porém fora dessas situações o comportamento real de um gás pode diferir muito do comportamento ideal. Diante disso torna-se necessário a aplicação de equações mais complexas para predizer o comportamento de gases fora da região de idealidade. Tais equações serão estudadas nas próximas seções deste trabalho (ATKINS, 2001).

17

2.2.2 GÁS DE VAN DER WAALS

Embora a equação dos gases ideais seja bastante simples, ela apresenta algumas inconsistências no que diz respeito ao comportamento de um gás em situações extremas. A primeira inconsistência dessa equação está relacionada com o volume do gás em pressões infinitas, para ilustrar tal fato deve-se considerar a equação (7) que mostra a equação do gás ideal explicita no volume.

(

)

Se o gás estiver a uma pressão infinita teremos:

(

)

De acordo com a equação (8) se um gás estiver a uma pressão infinita seu volume seria nulo, ou seja, sua massa desapareceria. Outro problema da equação dos gases ideais e que esta não considera a interação entre as moléculas gasosas. Fato que deve ser considerado, pois a passo que a pressão de um gás aumenta a proximidade entre suas moléculas é maior e a possibilidade de uma interação entre elas aumenta (CASTELLAN, 1986). A fim de tentar resolver os problemas citados acima o físico holandês Van der Waals propôs em 1873, uma equação de estado para tentar predizer o comportamento de sistemas gasosos em zonas não ideais, tal equação é mostrada

na equação (9) (KORETSKY, 2007).

(

)

Onde e são constantes e apresentam valores distintos para cada gás.

A constante está relacionada com a existência do volume finito dos gases,

18

enquanto que a constante é relaciona-se com a existência de forças intermoleculares no gás (ATKINS, 2001).

ser obtidas a partir das

coordenadas do ponto critico do gás, como mostram as equações (10) e (11) (KORETSKY, 2007).

As

constantes de

Van

der Waals podem

(

)

(

)

(

(

)

)

Onde

substância.

e

representam a temperatura e a pressão no ponto crítico da

19

2.2.3 GÁS DE PENG ROBINSON

A equação de Van der Waals foi utilizada neste trabalho por ser uma das primeiras equações de estado para gases reais, porém não apresenta valores precisos para o cálculo das propriedades gasosas. Os valores obtidos por esta equação divergem bastante dos valores experimentais, principalmente em zonas próximas ao ponto crítico das substâncias. Quando se pretende obter valores mais precisos há equações melhores para se usar, como a equação de Peng Robinson que foi desenvolvida em 1976 e vem sendo amplamente ultilizada no meio científico quando se deseja obter valores precisos de propriedades gasosas, tal equação é mostrada na equação (12) (KORETSKY, 2007).

 

(

)

 

(

)

(

)

sendo

 
 

(

)

(

)

(

)

*

(

)+

(

(

(

(

(

)

)

)

)

)

Como se pode perceber a equação de Peng Robinson utiliza um terceiro parâmetro, , que é chamado de fator acêntrico. Por ser uma equação mais complexa e que tenta representar melhro o comportamento dos gases em relação as forças intermoleculares, esta euqação é mais adequada para representar as diversas classes de moléculas (KORETSKY, 2007).

20

2.2.4 FUGACIDADE E COEFICIENTE DE FUGACIDADE DE UM GÁS

A fugacidade é uma variável termodinâmica importante no estudo do

equilíbrio químico, pois a partir dela pode-se avaliar o comportamento das fases em

equilíbrio em um dado sistema. Quando duas ou mais fases estão em equilíbrio, a fugacidade de de cada componente em cada fase devem ser iguais. Para um sistema gasoso a fugacidade pode ser entendida como uma pressão corrigidaem relação ao gás ideal, uma vez que fugacidade e pressão tem a mesma unidade e a fugacidade é obtida multiplicando-se a pressão por um fator chamado coeficiente de fugacidade, como mostra a equação (17) (KORETSKY, 2007).

(

)

Onde e representam respectivamente a fugacidade e o coeficiente de fugacidade de um gás.

O coeficiente de fugacidade ( ) de um gás é interpretado como uma

medida de desvio de sua idealidade, isto é, se um gás se comporta como ideal terá coeficiente de fugacidade unitário más ao passo que seu comportamento se afasta da idealidade o valor de também se afasta da unidade (KORETSKY, 2007).

O coeficiente de fugacidade pode ser obtido a partir de equações de

estado, sendo que cada equação apresenta uma equação distinta para do cálculo deste. Equações para a determinação dos coeficientes de fugacidade a partir das

equações de Van der Waals e Peng Robinson são mostradas nas equações (18) e (19) respectivamente (KORETSKY, 2007).

[

* (

)

) ]

(

+

(

)

(

) *

(

)

 

(

)

 

(

)

+

(

)

21

2.3 Pressão de saturação e constantes de Antoine

O termo pressão de saturação designa a pressão em que ocorre a

vaporização de um dado composto puro a uma dada temperatura. Valores de pressão de saturação são constantemente requeridos no projeto de equipamentos da indústria química que envolvem separação de compostos por equilíbrio tais

como, colunas de destilação e evaporadores (BORGNAKKE et al, 2003). A pressão de saturação de compostos puros geralmente é modelada por meio da equação de Clausius-Clapeyron, a qual é mostrada na equação (20) (KORETSKY, 2007).

( )

(

)

Onde , e indicam o volume molar do vapor e do líquido na

condição de saturação e a entalpia de vaporização respectivamente.

Se for considerado que:

I - O gás se comporta como ideal;

II - O volume molar da fase gasosa é muito maior que o da fase líquida;

III - A entalpia de vaporização de uma dada substância não depende da

temperatura;

pode-se mostrar, a partir da equação (20), que a pressão de saturação de uma substância pode ser dada pela equação (21).

(

)

As considerações envolvidas na dedução da equação (21) fazem com que esta seja aplicável em um intervalo de temperatura muito pequeno, desse modo quando se deseja determinar pressões de saturação para intervalos grandes de temperatura costuma-se utilizar a equação de Antoine (22):

22

(

)

A, B, C são parâmetros empíricos que estão disponíveis para muitos fluidos. A equação de Antoine é uma equação empírica, muito semelhante a equação (21) desse modo pode-se perceber que ela reflete a forma básica da física envolvida no processo(KORETSKY, 2007).

23

3 METODOLOGIA

A elaboração do software proposto neste trabalho consiste em duas

tarefas distintas que são:

a) Modelagem de gases ideais e reais;

b) Regressão de parâmetros de Antoine.

O software foi todo desenvolvido em linguagem Visual Basic.NET, as

metodologias empregadas no desenvolvimento de cada tarefa serão estudadas nos

tópicos que seguem.

3.1 Modelagem e tratamento de gases

3.1.1 CRIAÇÃO DA INTERFACE GRÁFICA

A primeira etapa do desenvolvimento do formulário de tratamento de

gases do software aqui apresentado é a criação de uma interface gráfica amigável que permita ao usuário, de forma intuitiva, interagir com o programa de modo a obter deste os resultados desejados, Tal interface é mostrada na figura (1). O formulário “Tratamento de gases” é dividido em três seções básicas as quais estão dispostas a seguir:

Seção 1 (Substância): Seção de alimentação de dados ao formulário.

Seção 2 (Determinar variáveis de estado): Seção em que o usuário pode determinar a pressão ou o volume de um gás mediante a especificação de condições do sistema.

Seção 3 (Gráfico de isoterma): Seção em que o usuário pode plotar um gráfico de isoterma de um gás dentro de uma faixa de volume molar previamente estabelecida.

24

Seção 1: Seção 3: Gráfico de Isoterma Substância Seção 2: Determinar variáveis de estado
Seção 1:
Seção 3: Gráfico de Isoterma
Substância
Seção 2:
Determinar
variáveis de
estado

Figura 1-Formulário Tratamento de Gases

Uma vez que já se conhece as seções do formulário “Tratamento de

gases” deve-se explorar separadamente os objetos de cada uma.

3.1.1.1 Seção 1: Substância

Esta é a principal seção de alimentação do formulário, nela serão dadas

as seguintes informações: nome do gás, fórmula molecular, equação de estado,

temperatura crítica, pressão crítica e fator acêntrico. A seção 1 é mostrada, em

destaque, na figura (2).

25

Nome da substância

Fórmula molecular

Propriedades críticas Fator acêntrico Tipo de Gás
Propriedades críticas
Fator acêntrico
Tipo de Gás

Figura 2-Seção substância do formulário Tratamento de Gases

Como se pode perceber esta seção requer o preenchimento de uma

quantidade considerável de dados, para facilitar essa tarefa os campos Nome da

substância, Formula molecular, Temperatura crítica, Pressão crítica e Fator acêntrico

foram conectados diretamente a uma base de dados contendo tais informações.

Dessa maneira o preenchimento de qualquer uma dessas propriedades acarretará

no preenchimento automático das demais (mais detalhes podem ser encontrados no

tópico 3.1.2 deste trabalho).

3.1.1.2 Seção 2: Determinar variáveis de estado

Esta seção pode ser utilizada para a determinação de propriedade do

sistema tais como a pressão, temperatura, volume molar, fugacidade e fator de

compressibilidade em um ponto específico do mesmo, a seção (2) é mostrada, em

destaque, na figura (3).

Calcular Pressão Calcular Volume Molar
Calcular Pressão
Calcular Volume
Molar

Figura 3-Secão Determinar variáveis de estado do formulário Tratamento de gases

26

Toda a funcionalidade desta seção foi conferida aos botões “Calcular Pressão” e “Calcular Volume Molar” os quais são descritos na tabela (1).

Tabela 1-Funcionalidades dos botões calcular pressão e volume molar

Botão

Descrição

Calcular Pressão

Pressione para calcular a pressão, fator de compressibilidade e coeficiente de fugacidade mediante o fornecimento prévio da temperatura e volume molar do gás.

Calcular Volume Molar

Pressione para calcular o volume molar, fator de compressibilidade e coeficiente de fugacidade mediante o fornecimento prévio da temperatura e pressão do gás.

3.1.1.3 Seção 3: Gráfico de isoterma

Esta seção tem por finalidade a construção de uma isoterma de um gás mediante uma faixa de volume molar previamente estabelecida. A seção “gráfico de isoterma” é mostrada, em destaque, na figura (4).

1 2 3 4
1
2
3
4

Figura 4-Secão Gráfico de isoterma do formulário Tratamento de gases

27

Como se pode perceber, as funcionalidades desta seção do formulário são divididas em 5 partes distintas, as quais são descritas na tabela (2).

Tabela 2-Funcionalidades dos objetos de Seção Gráfico de Isoterma

Objeto

Descrição

1

Local onde se deve alimentar o formulário com o valor da temperatura da isoterma bem como sua unidade.

2

Pressione para gerar o gráfico da isoterma, uma vez determinados os

valores de temperatura bem como a faixa de volume molar aplicada e as unidades de volume molar e pressão.

3

Local onde se deve alimentar o formulário com o valor inicial e final do volume molar do gás bem como a sua unidade.

4

Área gráfica destinada à isoterma gasosa.

5

Mantenha esta caixa selecionada para gerar um gráfico referente ao

gás ideal com a finalidade de analisar os desvios entre o gás real, gerado a partir do pressionamento do botão “2” e o ideal.

Uma vez descritos os componentes principais da interface gráfica do formulário Tratamento de gases, torna-se necessário aplicar métodos computacionais e numéricos de modo a torna-los funcionais, isto será visto nos tópicos que seguem.

3.1.2 CONEXÃO COM BANCO DE DADOS

Para facilitar o uso do software foi criado um banco de dados em ACESS que contém os dados das substâncias puras tais como nome, fórmula molecular, temperatura crítica, pressão crítica, fator acêntrico. O acesso ao banco de dados via programa é feito de modo descontínuo, ou seja, não há uma conexão ativa do banco de dados durante todo o funcionamento do programa, o processo de conexão é descrito de acordo com as seguintes etapas (HALVORSON, 2009):

28

1ª Etapa: Na inicialização do programa, este cria um objeto DataSet que é

uma “cópia” do banco de dados criada por meio de um modelo de objeto interno de

programação chamado ADO.NET. 2ª Etapa: O tratamento de dados do programa é todo realizado no objeto

Dataset.

3ª Etapa: Ao finalizar o programa, caso não ocorra nenhum erro durante a

execução do mesmo, o modelo ADO.NET transpõe o objeto Dataset de volta para o banco de dados.

O grande diferencial de se utilizar o acesso a dados da forma com a qual

foi descrito é que possíveis erros durante a execução do programa não seriam transferidos à base de dados, enquanto que no modo de acesso contínuo tais erros poderiam se propagar para o banco de dados provocando até mesmo a sua perda.

29

3.1.3 CÁLCULO DA PRESSÃO, FUGACIDADE E FATOR DE COMPRESSIBILIDADE

Os cálculos da pressão, fugacidade e fator de compressibilidade foram

realizados de forma relativamente simples, pois nas equações para a determinação

destas variáveis elas aparecem de maneira explicita. A figura (5) mostra o diagrama

genérico para o cálculo dessas propriedades.

Obtenção de dados necessários

dessas propriedades. Obtenção de dados necessários Conversão das unidades dos dados de entrada para o SI

Conversão das unidades dos dados de entrada para o SI

Conversão das unidades dos dados de entrada para o SI Determinação da variável de interesse por

Determinação da variável de interesse por meio da aplicação da equação adequada

de interesse por meio da aplicação da equação adequada Conversão das unidades dos dados de saída

Conversão das unidades dos dados de saída para a unidade desejada pelo usuário

dos dados de saída para a unidade desejada pelo usuário Impressão dos resultados Figura 5-Diagrama de

Impressão dos resultados

Figura 5-Diagrama de determinação da pressão fugacidade e fator de compressibilidade

No intuito de facilitar a programação, todos os cálculos internos do

software são realizados em unidades do sistema internacional, tal fato também torna

o código mais amigável e de melhor entendimento.

30

3.1.4 CÁLCULO DO VOLUME MOLAR DO GÁS

Com exceção do gás ideal, o volume molar gasoso não pode ser calculado de forma direta, sua determinação muitas vezes consiste na resolução de uma equação não linear, dessa forma é necessário o uso de métodos numéricos para tal. O método utilizado para a resolução desse problema foi o de Newton- Raphson devido às suas boas características de convergência. Por se tratar e um método interativo o método de Newton-Raphson necessita de uma boa estimativa inicial do volume molar, pois caso contrário este pode não convergir ou até mesmo convergir para uma raiz diferente da desejada. No presente trabalho o volume molar do gás ideal foi utilizado como estimativa inicial, uma vez que um gás real é um gás ideal acrescido de desvios devido ao volume finito das moléculas e às interações intermoleculares. Para uma maior facilidade de convergência do método numérico deve-se reescrever as equações de estado de Van der Waals e Peng Robinson na forma de um polinômio do terceiro grau, com isso a determinação do volume molar passa a se resumir à resolução de uma equação cúbica. A figura (6) mostra o fluxograma do cálculo do volume molar gasoso.

Leitura dos dados necessários e conversões de unidades Método de Newton- Raphson Determinação da Função=0
Leitura dos dados
necessários e
conversões de
unidades
Método de Newton-
Raphson
Determinação da
Função=0
Não
estimativa inicial
Sim
Função=0
Retornar volume molar
convertido na unidade
desejada
Não
Sim

Retornar volume molar convertido na unidade desejada

Figura 6-Diagrama de determinação do volume molar de um gás

31

A função de determinação do volume molar apresenta a forma da equação (22):

(

)

(

)

Onde os coeficientes A, B, C e D do polinômio no terceiro grau dependem do tipo de gás, a tabela (3) mostra os valores de tais coeficientes para os gases de Van der Waals e Peng Robinson

.

Tabela 3-Constantes das equações polinomiais cúbicas de equações de estado de gases reais

 

Van der Waals

Peng Robinson

 

A

   

B

(

)

 

C

 

(

)

D

   

(

)

32

3.2 Regressão de parâmetros de Antoine

Embora a determinação de pressões de saturação pela equação de Antoine seja um processo simples, a determinação dos parâmetros desta equação é um processo relativamente complexo, pois consiste na minimização de uma função objetivo de tal forma que os dados calculados se ajustem aos experimentais. A minimização desta função muitas vezes exige a aplicação de métodos numéricos devido à natureza complexa dos cálculos. Neste trabalho o método de minimização escolhido foi o método Simplex, a figura (7) mostra um fluxograma completo do processo de minimização.

Leitura de dados experimentais

do processo de minimização. Leitura de dados experimentais Determinação da estimativa inicial Simplex

Determinação da

estimativa inicial

dados experimentais Determinação da estimativa inicial Simplex Função=Mínimo Sim Não Retornar parâmetros de

Simplex

Função=Mínimo Sim
Função=Mínimo
Sim
Não
Não

Retornar parâmetros de Antoine

Figura 7-Diagrama de minimização de parâmetros de Antoine

33

3.2.1 DESENVOLVIMENTO DE INTERFACE GRÁFICA

Da mesma forma que no tratamento de gases, a regressão de parâmetros

de Antoine também exige criação de uma interface gráfica que permita ao usuário

interagir com o software, tal interface foi desenvolvida e é mostrada na figura (8).

Seção 1: Alimentação de dados Seção 2: Impressão de resultados
Seção 1: Alimentação
de dados
Seção 2: Impressão de
resultados

Figura 8-Formulário Regressão de parâmetros de Antoine

Como se pode perceber o formulário Regressão de parâmetros de

Antoine foi dividido em duas seções básicas responsáveis pela entrada e saída de

dados, para um maior entendimento do software torna-se necessário estudá-las

separadamente.

34

3.2.1.1 Seção 1: Alimentação de dados

O usuário deverá digitar os dados necessários à regressão paramétrica na seção de alimentação mostrada na figura (9).

1 2 3 4
1
2
3
4

Figura 9-Seção Alimentação de dados do formulário Regressão de parâmetros de Antoine

Descrições do funcionamento de cada uma das partes destacadas na figura (9) são dadas na tabela (4).

35

Tabela 4-Funcionalidades dos objetos da seção Alimentação de dados

Objeto

Descrição

1

Neste local deve-se digitar o nome da substância a qual se deseja regredir os parâmetros de Antoine

2

Neste local deve-se digitar os valores experimentais de temperatura e pressão de saturação necessários à regressão.

3

Botões responsáveis pela transição de dados entre o presente software e a área de transferência do sistema operacional.

4

Pressione para iniciar a regressão de parâmetros

3.2.1.2 Seção 2: Impressão de resultados

Nesta seção serão exibidos os resultados pertinentes à regressão, como mostra a figura (10).

1 2 3
1
2
3

Figura 10-Seção Resultados do formulário Regressão de parâmetros de Antoine

36

Descrições do funcionamento de cada uma das partes destacadas na figura (10) são dadas na tabela (5).

Tabela 5-Funcionalidades dos objetos da seção Resultados

Objeto

Descrição

1

Local onde serão impressos os valores das constantes de Antoine regredidos pelo software.

2

Local onde será impresso o coeficiente de correlação da regressão

3

Área gráfica destinada à comparação entre os valores calculados e os valores experimentais.

3.2.2 DETERMINAÇÃO DA FUNÇÃO OBJETIVO E ESTIMATIVAS INICIAIS

A determinação da função objetivo é a etapa mais importante de uma regressão, pois é a partir desta que se torna possível o ajuste dos parâmetros de uma equação de modo que esta descreva o comportamento experimental de um processo.

Neste trabalho deseja-se fazer com que pressões de saturação calculadas tenham o mínimo desvio em relação aos valores experimentais, dessa forma é conveniente pensar que a função objetivo desse problema deve assumir a forma da equação (23).

∑(

(

)

(

) )

(

)

Onde P representa a pressão e os subscritos ( ) e ( ) representam valores experimentais e calculados no ponto i do sistema. Ao substituir a pressão calculada da equação (23) pela equação de Antoine se obtém a equação (24).

∑ (

(

)

Onde

)

representa a temperatura do ponto i.

(

)

37

Embora a equação (24) seja bastante simples, seu uso é limitado em cálculos de regressão devido à dependência exponencial da pressão com a temperatura, isto implica que pequenas variações de temperatura acarretam grandes variações da pressão. Isso dificulta a ação do método Simplex utilizado neste trabalho. Para contornar esse problema a função objetivo utilizada minimiza a somatória da diferença entre os logaritmos naturais das pressões experimentais e calculadas. A função objetivo desse trabalho é mostrada na equação (25).

∑(

(

)

(

) )

(

)

Substituindo a equação de Antoine na equação (25) chega-se à equação (26) que é a forma padrão da função objetivo utilizada neste trabalho.

∑ [

( )

(

)]

(

)

Uma vez determinada a função objetivo, é necessária a determinação de um conjunto de estimativas iniciais para os parâmetros de Antoine, neste trabalho as estimativas utilizadas foram baseadas na média de um conjunto de valores de constantes de Antoine obtidos em (KORETSKY, 2007). As estimativas iniciais das constantes de Antoine são mostradas na tabela (6).

Tabela 6-Estimativas iniciais de parâmetros de Antoine

Constante

A [ ln(bar) ]

B [ ln(bar).K ]

C [ K ]

Estimativa

10

1000

-100

38

4 RESULTADOS

Esta etapa do trabalho está destinada à validação do software, com o objetivo de tornar o mesmo confiável para futuras aplicações pedagógicas, o processo de validação consiste em validar as rotinas dos formulários de tratamento de gases e regressão dos parâmetros de Antoine. Além disso, serão resolvidos alguns problemas a fim de familiarizar o usuário com o uso do software.

4.1 Validação do formulário tratamento de gases.

A validação dos cálculos referentes ao estudo dos gases foi feita mediante a resolução de exemplos e exercícios obtidos em Koretsky (2007) e Atkins (2001) além de dados do trabalho de Costa (2009). Os valores de referência foram retirados dos trabalhos citados. A fim de facilitar a explanação dos resultados cada referência aqui utilizada foi associadas a um índice específico. As referências, juntamente com seus índices, são mostradas na tabela (7).

Tabela 7-Referências de validação

Índice

Referência

1

(COSTA, 2009)

p.

33

2

(COSTA, 2009)

p.

35

3

(ATKINS, 2001) Exemplo 4.11 p. 290

4

(COSTA, 2009)

p.

45

5

(KORETSKY, 2007) Exercício 7.5 p.321

39

Dados de validação para os cálculos referentes ao estudo das equações de estado ideal, Van der Waals são mostrados nas tabelas (8) e (9) respectivamente.

Tabela 8-Dados de validação para a equação de estado de gás ideal

Referência

Propriedade Calculada a Condições do sistema b

 

Valores

(Índice)

Referência

Calculado

Desvio

1

 

a

Pressão

2,00221 atm

2,0021 atm

0,0055 %

b (

122 K

5 L/mol)

2

 

a Volume molar

24,6173

24,6158

0,0061 %

b (

300 K

1 atm)

L/mol

L/mol

Tabela 9-Dados de validação para a equação de estado de Van der Waals

Referência

Propriedade Calculada a Componente b Condições do sistema c

 

Valores

(Índice)

Referência

Calculado

Desvio

   

a

Pressão

     

3

 

b Substância genérica

5,44 atm

5,44 atm

0 %

c (

0°C

10/3 L/mol)

   

a Volume molar

     

4

b

Nitrogênio

0,2891

0,2918

0,9340 %

 

L/mol

L/mol

 

c (

203 K

50 atm)

 
 

a Coeficiente de fugacidade

     

5

 

b

Água

0,8458

0,8452

0,0794 %

c (

647 K

114 atm)

Para a validação da equação de estado de Peng Robinson foi utilizado o software THEMOSOLVER que é uma ferramenta gratuita, já validada, que acompanha o livro KORETSKY (2007). Os resultados de tal validação são mostrados na tabela (10).

40

Tabela 10-Dados de validação para a equação de estado de Peng Robinson

Referência

 

Propriedade Calculada a Componente b Condições do sistema c

 

Valores

Referência

Calculado

Desvio

   

a

Pressão

     

THERMO

b

SOLVER

Etileno 20 L/mol)

300 K

1,2212 atm

1,2211 atm

0,0082 %

c (

   

a Volume molar

     

THERMO

b

Etileno

5,9944

5,9941

0,0050 %

SOLVER

 

L/mol

L/mol

 

c (

300 K

4 atm)

THERMO

a Coeficiente de fugacidade

     
 

b

Etileno

0,9809

0,9809

0 %

SOLVER

 
 

c (

200 K

1 atm)

Como foi mostrado, os valores das propriedades gasosas calculadas pelo software deste trabalho se mostraram bastantes similares aos obtidos por meio das referências citadas, uma vez que os desvios obtidos foram menores que 1%.

4.2 Validação do formulário regressão de parâmetros de Antoine

Para a validação dos cálculos de regressão das constantes de Antoine foram utilizados dados experimentais de temperatura e pressão de saturação obtidos no trabalho de Rolemberg (2004). A partir dos dados experimentais foram regredidas as constantes de Antoine para o Etanol, as quais são mostradas na tabela (11).

Tabela 11-Constantes de Antoine para o etanol

CONSTANTES DE ANTOINE

A [ ln(bar) ]

B [ ln(bar).K ]

C [ K ]

R

11,9217

3601,1905

-49,0782

0,99991

41

Como se pode perceber o processo de regressão se faz de forma muito precisa, isso é evidenciado no fato do coeficiente de correlação da regressão se aproximar bastante da unidade. A tabela (12) mostra um quadro comparativo entre os dados experimentais de pressão de saturação e os calculados por meio da equação de Antoine utilizando as constantes regredidas mostradas na tabela (11).

Tabela 12-Dados de validação da regressão das constantes de Antoine para Etanol

     

Desvio

308,75

0,14272

0,14277

0,035 %

311,90

0,16861

0,16858

0,017 %

312,95

0,17793

0,17803

0,056 %

314,55

0,19317

0,19329

0,062 %

315,00

0,19786

0,19778

0,040 %

320,65

0,26223

0,26214

0,034 %

323,55

0,30201

0,30157

0,146 %

325,30

0,32795

0,32771

0,073 %

328,95

0,38828

0,38845

0,044 %

329,25

0,39499

0,39384

0,291 %

331,45

0,43674

0,43532

0,325 %

332,55

0,45872

0,45741

0,285 %

333,45

0,47457

0,47617

0,337 %

334,85

0,50453

0,50665

0,420 %

335,45

0,51837

0,52020

0,353 %

338,75

0,59935

0,60033

0,163 %

340,00

0,63264

0,63327

0,099 %

340,15

0,63519

0,63733

0,337 %

341,75

0,68230

0,68192

0,060 %

342,05

0,69173

0,69057

0,168 %

343,25

0,72743

0,72608

0,186 %

344,70

0,77138

0,77101

0,048 %

345,15

0,78450

0,78542

0,117 %

346,00

0,81585

0,81325

0,319 %

346,55

0,83230

0,83169

0,073 %

347,80

0,87626

0,87491

0,154 %

348,95

0,91808

0,91631

0,193 %

350,05

0,95659

0,95742

0,087 %

352,15

1,03890

1,04018

0,123 %

353,60

1,09987

1,10073

0,078 %

42

A terceira coluna da tabela (12) nos mostra que o erro entre os valores de pressão calculados e experimentais são muito pequenos, tal fato pode ser evidenciado a partir do gráfico da figura (11).

1,2 1 0,8 0,6 Calculado Experimental 0,4 0,2 0 300 310 320 330 340 350
1,2
1
0,8
0,6
Calculado
Experimental
0,4
0,2
0
300
310
320
330
340
350
360
Pressão [bar]

Temperatura [K]

Figura 11-Gráfico comparativo entre pressões de saturação real e experimental

4.3 Etapas de utilização do software

Neste ponto do trabalho serão exemplificados alguns casos a fim de familiarizar o leitor com o uso do software.

Caso 1: Determine o volume molar (em L/mol) da acetona a uma temperatura de 50°C e pressão de 3atm utilizando a equação de Peng Robinson.

Etapas de resolução:

1º Passo: Seleciona-se a acetona na caixa de combinação referente ao nome da substância, como mostra a figura (12).

43

43 Figura 12-Seleção de componente Após a digitação do nome a substância ocorre o preenchimento automático

Figura 12-Seleção de componente

Após a digitação do nome a substância ocorre o preenchimento automático de todas as caixas de combinações referentes às propriedades críticas do gás a ser tratado. 2º Passo: Seleciona-se a equação de Peng Robinson na caixa de combinação referente à equação de estado, como mostra a figura (13).

referente à equação de estado, como mostra a figura (13). Figura 13-Seleção de Equação de estado

Figura 13-Seleção de Equação de estado

3º Passo: Na seção “Determinar variáveis de estado” preencha as unidades de temperatura, pressão e volume molar bem como os valores de temperatura e pressão, como é mostrado na figura (14).

de temperatura e pressão, como é mostrado na figura (14). Figura 14-Preenchimento de propriedades conhecidas 4º

Figura 14-Preenchimento de propriedades conhecidas

4º Passo: Pressione o botão “Calcular volume molar” para a exibição das propriedades desconhecidas, como mostra a figura (15).

44

44 Figura 15-Resultados do calculo do volume molar Caso 2 : Construa uma isoterma da acetona

Figura 15-Resultados do calculo do volume molar

Caso 2: Construa uma isoterma da acetona a 25°C com o volume molar variando de 1 a 10L/mol utilizando a equação de Peng Robinson. Etapas de resolução:

Os dois primeiros passos da construção de uma isoterma são análogos aos do exemplo 1, dessa forma o processo de resolução iniciar-se-á do terceiro passo.

3º Passo: Na seção “gráfico de isoterma” preencha as unidades de temperatura, pressão e volume molar bem como os valores da temperatura e faixa de volume molar a ser tratada, como mostra a figura (16).

de volume molar a ser tratada, como mostra a figura (16). Figura 16-Preenchimento de dados necessários

Figura 16-Preenchimento de dados necessários à construção da isoterma

4º Passo: Pressione o botão “Criar gráfico de isoterma” para a exibição da isoterma desejada, como mostra a figura (17).

45

45 Figura 17-isoterma da acetona Caso 3 : Determine as constantes de Antoine para uma substância

Figura 17-isoterma da acetona

Caso 3: Determine as constantes de Antoine para uma substância genérica cujos dados de temperatura e pressão de saturação são mostrados na tabela (9).

Tabela 13-Dados experimentais para regressão de constantes de Antoine

T sat [ K ]

P sat [ Pa ]

250

87,9138

255

137,6180

260

210,9568

265

317,1288

270

468,1333

275

679,3811

280

970,3791

285

1365,4875

290

1894,7460

295

2594,7642

46

Etapas de resolução:

1º Passo: Na seção “Dados experimentais” deve-se preencher as unidades de temperatura e pressão bem como os valores de temperatura e pressão de saturação, o nome da substância também deve ser preenchido, como mostra a figura (18).

Nesta etapa o usuário pode digitar ou simplesmente colar os dados experimentais caso estes já estejam salvos na área de transferência do sistema operacional.

salvos na área de transferência do sistema operacional. Figura 18-Preenchimento de dados experimentais para a

Figura 18-Preenchimento de dados experimentais para a regressão de parâmetros

2º Passo: Pressione o botão “Calcular Parâmetros” para a execução dos cálculos necessários e posterior exibição dos resultados, como é mostrado na figura

(19).

47

47 Figura 19-Resultados da regressão do exemplo 3

Figura 19-Resultados da regressão do exemplo 3

48

6 CONCLUSÃO

Uma vez que o software foi desenvolvido e testado, foram obtidos resultados que permitem apresentar as seguintes conclusões:

O método de Newton Raphson utilizado no cálculo do volume molar gasoso atuou de forma bastante eficiente, uma vez que os resultados gerados pelo software se mostraram condizentes com os dados da literatura.

O método simplex, utilizado na regressão de parâmetros de Antoine, convergiu para mínimos aceitáveis da função objetivo, fato que foi responsável por pequenos desvios entre valores calculados e experimentais (desvios da ordem de 0,1%).

Uma vez que todos os métodos interativos utilizados produziram resultados válidos, pode-se afirmar que as estimativas iniciais de cada um funcionaram de acordo com o esperado.

O sistema de banco de dados desconectado utilizado deu ao software uma maior uma maior segurança contra erro de operação do software em tempo de execução.

O sistema de interface gráfica do software possibilita ao usuário interagir de forma rápida e simples com o mesmo. Uma vez validado, o software deste trabalho pode ser aplicado em salas de aula com a finalidade de facilitar as diversas etapas do ensino-aprendizagem inerentes ao estudo da termodinâmica.

49

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ATKINS, P. Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio

Ambiente. Trad. Ignez Caracelli

[et al]. Porto Alegre: Bookman, 2001.

BORGNAKKE, C.; SONNTAG, R. E.; VAN WYLEN, G. J. Fundamentos da termodinâmica clássica. 4 Ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2003.

CASTRO, V. G. Teoria y Prática de Los Médios de Enseñanza. La Habana:

Pueblo y Educación, 1986.

CASTELLAN, G. Fundamentos de Físico-Química. Ed. 1. São Paulo: LTC, 1986.

COSTA, H.C. Desenvolvimento de um software educacional para a aplicação do estudo dos gases, Trabalho de conclusão de curso, Faculdade de Química Industrial, Universidade Federal do Maranhão 2009.

HALVORSON, M

Furmankiewicz: Bookman, 2009.

Visual

Basic 2008 Passo a

Passo.

1. Ed. Tradução

E.

KORETSKY, M. D. Termodinâmica para Engenharia Química. 1 Ed. Rio de Janeiro: LTC, 2007.

NASCIMENTO, J. K. Informática aplicada à educação. 1. Ed. Brasília:

Universidade de Brasília, 2007.

PASSARDIÈRE, B. L.; BARON, G. L. Hypermédias et Apprentissages: Actes des premières journées scientifiques Châtenay-Malabry, 24 et 25 Septembre, 1991.

ROLEMBERG, M.P. Determinação Experimental de Dados de Equilíbrio Líquido- Vapor de Misturas de Solventes e Pesticidas. 1998. 100 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Química) - Unicamp, Campinas: 1998.