Ensina: Letícia Santanna Tutora: Marilucia Tema da Aula: Elementos da Narrativa I  O valor por trás dessa aula

“Conhecedores dos diferentes gêneros textuais, meus alunos buscarão nos mais diversos autores, respostas para perguntas rotineiras e terão livros como aliados do conhecimento sabendo da contribuição de cada um para o seu repertório” (Trecho da minha visão) Através desta aula pretendo fazer com que meus alunos comecem a perceber que há textos e textos. Histórias narradas, textos informativos e aqueles que mais do que informar, buscam convencer. Ao longo do ano pretendo ajuda-los a entender toda a diferença entre um gênero e outro. Portanto, vamos começar pelo gênero mais próximo deles. O que veem desde a infância o que praticam sem percebem. Será uma série de 3 aulas, incluindo produção de texto onde o aluno vai entender os principais elementos que constituem a narrativa e saberá aplica-los para que sua história tenha um desfecho. Ele também vai saber perceber características explícitas em determinados textos narrativos, como a participação ou não do narrador da história. Verá o que é uma crônica e quem são os principais cronistas do Brasil. E será convidado a iniciar carreira através de um blog. Acredito que estas aulas tendem a desenvolver o hábito de leitura como uma ação de prazer e o de escrever como uma exposição ampla de seus pensamentos criativos para que vejam como há histórias não reais que o poderiam ser. Basta que comecem a ter vida no papel.

Objetivo da Aula
 O aluno sairá desta primeira aula apto a definir o que é um texto narrativo, entendendo quais são suas principais diferenças em relação aos outros textos e exemplificando que elementos nos evidenciam tais diferenças.

Pontos-Chave
 Um texto narrativo é uma história contada que pode ser fictícia ou não;  Diferente de outros textos, os narrativos não procuram nos convencer de uma ideia, nem nos informar algo extremamente relevante. Sua finalidade é simplesmente compartilhar uma história;  Todo texto narrativo possui etapas. Cada uma delas é parte importantíssima para que a história tenha sentido e se mantenha interessante;  O principal elemento do texto narrativo é o próprio narrador. Seja participante ou observador, é ele quem nos conta a história;

1º Abertura – 7 minutos  Após alegremente cumprimentar os alunos e dar as boas vindas vou contar o tema da aula;  Vou relembrá-los da aula de Manejo e dizer como os procedimentos que aprendemos serão úteis para que não percamos tempo com bobeiras. Nada pode nos atrapalhar a alcançar o objetivo da aula de hoje!  Feito tudo isso vou mostrar um vídeo do Forrest Gump na etapa da corrida que dá em torno do mundo:  Vou perguntar ao Igor o que ele acha que a história tem a ver com o tema da aula;  Se a Ana Paula acha que a história do surgimento dos Smiles é verídica;  Ao David quem é que está narrando a história pra gente;  E a Carina se faz sentido ver só essa parte do filme sem saber quem é Forrest Gump;  A ideia é fazer com que eles percebam que o filme também se trata de uma narrativa; mas que só vendo o filme completo entenderemos toda a história. Por que é que Forrest conta tantas histórias?

Já pensou se a novela das 21h só tivesse a Griselda e a Tereza Cristina? Há várias micro histórias acontecendo dentro da novela. Por trás de uma boa história temos várias coisas se desenrolando. O texto narrativo não tenta convencer ninguém de nada. com tantos adjetivos já vamos imaginando a personagem e vendo se nos identificamos ou não com ele. Este ser sem nome que fala conosco é o narrador observador. amigos. mas se lembrarmos dos contos de fada que lemos quando crianças perceberemos que a maioria se inicia com um “Era uma vez” de uma voz do além. Na história de Forrest Gump ele mesmo a conta e ele participa da história. O “era uma vez” mostra que aconteceu tempos atrás. O que é uma narrativa  Um texto narrativo é um texto no qual nos é narrado um fato. Uma novela. “pela estrada à fora”. Pense na história de João e Maria. Os fatos que acontecem na história. 2º Introdução ao Conteúdo – 15 minutos  Percebam que toda boa história contada precisa de tais elementos. “viveram felizes para sempre” também nos dá ideia de que a história aconteceu a muito tempo. Faltando 15 minutos para o fim do segundo tempo” ou “estamos aqui ao vivo”  Espaço. Ele só observa. antagonistas e coadjuvantes. Todo texto narrativo é fortemente marcado pelo tempo em que a história aconteceu. Assim. Qual é a moral da história de Chapeuzinho Vermelho? 3. Quem são os protagonistas? Os coadjuvantes? E a anta? Cada um desses personagens recebe características físicas e psicológicas que geralmente já são apresentadas no início da história. A história também deve ter um CLÍMAX. (As palavras em Caps Lock serão escritas no quadro enquanto falo). imaginando melhor como eram/ são/serão as coisas na época da escrita do texto. apenas que nos é contada. Até mesmo o Galvão narrando jogo cita o tempo da narrativa: “Bem. por exemplo. E num texto narrativo também. Quais são os principais elementos que a constituem o texto narrativo  Um texto narrativo contém:  Personagens. Não sabemos quem conta a história.  Tempo. É sempre importante falar onde a história se passou. Temos vários fatos sendo narrados até que cheguemos ao momento especial da resolução dos problemas. não assistimos. Foi num reino tão-tão distante ou “numa cidade longínqua”. Vamos usálas como exemplo pra entender bem isso aqui. Quando aconteceu a história. Hoje vamos estudar em primeiro lugar: 1. Onde aconteceu a história? Seguindo a regra do Galvão: “Estamos aqui no estádio do Engenhão”. Vamos começar a pensar em histórias que nos são contadas quando somos crianças. o PROTAGONISTA. 2. é feita com o objetivo de nos manter ligados a uma trama legal. 4. “no bosque”?  Enredo/Ação. Isso é importante para que o leitor possa se situar ao ler a história. e é claro. mas sempre tenta passar uma moral com a sua história. não participa. Se for chata. Qual é a finalidade de um texto narrativo  Um texto narrativo tem a finalidade de nos entreter contando uma boa história ou permitir que tenhamos algum aprendizado a partir do fato narrado. Sendo eles divididos em Protagonistas. Em quais etapas podemos dividir um texto narrativo?  Toda boa narrativa conta com pelo menos 4 momentos essenciais: . não sabemos exatamente quanto tempo.Isso deve ser explicado no final. conta com outros PERSONAGENS além de Forrest. É como Galvão narrando um jogo de futebol. com um belo DESFECHO.

Com perguntas similares as feitas na PG.com.jhtm 5º Fechamento – 5 minutos  Retomar os ponto chaves e ler o trecho do texto “A suprema felicidade” em que se fala do porque gostamos de contos de fadas. E isso depende de cada um deles. 3º Prática Guiada . Momento completamente individual. vou distribuir um resumo disso aos alunos e demandar os conceitos apresentados individualmente. Cada dia é um capítulo da nossa novela que não tem final feliz. interpretando-a de acordo com o conteúdo visto hoje. ANEXOS: . Em anexo.  Clímax É o momento de maior tensão da história. Onde se começa a desenrolar o enredo.  Em seguida ler ao texto e fazer os exercícios com a turma.15 minutos  Vamos assistir ao vídeo da Turma da Mônica e analisar em conjuntos todas as características de uma narrativa. Para cada dia basta suas micro histórias. Também se explica o Onde e Quando a narrativa acontece. Precisa ser feliz constantemente. O exercício vale nota e precisamos bater a meta. Tarefa para casa Exercícios das páginas 25 e 26 da apostila.  Se liga aí que é hora da revisão! Depois de explicar tudo isso. Vou começar pelo aluno que prestou menos atenção. resoluções de conflitos e muitos conflitos.  Se der tempo vamos ouvir e ler a música Nina de Chico Buarque. Em anexo 4º Prática Independente – 15 minutos  Análise do Conto Uma Galinha de Clarice Lispector. http://educacao.uol.  Desfecho/Epílogo Conclusão da história com resolução do conflito.br/biografias/ult1789u592. Só vou seguir para a prática quando filtrar que todos estão cientes. Situação Inicial É onde nos são apresentados os personagens bem como os adjetivos (características) atribuídos a cada um deles.  Falar que a vida é feita de clímax.  Conflito É onde surgem os problemas que vão dar sentido a história.

estava agora com uma tensão agressiva. O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido. mas logo sufocava. Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. e isso nunca lhe tinha acontecido. Ele tentou contar toscamente. Uma sede enorme maior do que ele próprio. já beijei antes uma mulher. pensar. que lhe tomava agora o corpo todo. um dos garotos no meio da garotada em algazarra. percebeu que uma parte de seu corpo. jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos. Intuitivamente. sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador. num equilíbrio frágil.Está bem. o líquido germinador da vida. O ônibus parou. Olhou a estátua nua. espreitando.. sentir. e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. de coração batendo fundo. espaçado. E nem sombra de água. finos e sem peso como os de uma mãe. de uma boca para outra. agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava. Até que.. escorrendo pelo peito até a barriga. mais alto que o barulho do motor. nem sabia mais o que fazia. acredito que sou a sua primeira namorada. e não tirava a sede. esperar. Perturbado. E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca. O primeiro gole fresco desceu. e foi o que fez. O jeito era juntar saliva. todos estavam com sede. . confuso na sua inocência. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos Adaptado da tirinha de LoKáz companheiros. Era morna. De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. Estava de pé. atônito. Mas me diga a verdade. o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. sempre antes relaxada. Ele.Quem era ela? Perguntou com dor. a saliva. mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra. Ele a havia beijado. Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. gritar. entre arbustos estava. Agora podia abrir os olhos. A vida era inteiramente nova. era o amor. Ficar às vezes quieto. Amor com o que vem junto: ciúme. e apenas sentir era tão bom. fico feliz com isso. sem quase pensar. Ele se tornara homem. só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples: . porém.PRÁTICA GUIADA Nome: _____________________________________________________ Turma: _____________ O primeiro beijo Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos. e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada. vinda da profundeza de seu ser. E mesmo a sede começara: brincar com a turma. era outra. não sabia como dizer. mais frio do que a água.. O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele. antes tão boa. docemente agressivo. descoberta com sobressalto. O jeito era mesmo esperar. Era a vida voltando. Não sabia como e por que. antes de todos. rir. falar bem alto. Deu um passo para trás ou para frente. A brisa fina. E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes. enquanto sua sede era de anos. farejando. sentindo o mundo se transformar.. pressentia-a mais próxima. puxa vida! Como deixava a garganta seca. Clarice Lispector . penetrando entre os arbustos. mas agora se sentia mais perto da água.. . sozinho no meio dos outros.Sim.. Talvez minutos apenas. Perplexo.

vinda do seu ser. IV – A autora se torna narradora quando ela se passa pela namorada que narra a história surreal do namorado Agora assinale a alternativa correta: a) b) c) d) As alternativas I e II são corretas Todas as alternativas são corretas As alternativas III e IV são incorretas As alternativas I III são as válidas 4. III . Sobre o narrador. E que. Nenhum título de Clarice é gratuito.Exercícios 1. despertou sensações que até então não havia conhecido. A tomada de consciência de que “se tornara homem” foi provocada por algo que se evidencia no seguinte trecho: a) b) c) d) e) Não sabia como e por que. jorrou de uma fonte oculta nele a verdade De olhos fechados entreabriu os lábios e colocou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava água 5. Complete o esquema a seguir de acordo com as etapas da narrativa lida: 3. o autor narra a história do pequeno rapaz que havia tido sua primeira experiência com o sexo oposto. analise as seguintes afirmativas: I . Mas agora se sentia mais perto d’água. portanto. E soube então que havia colocado sua boca na boca da mulher de estátua Até que.O autor não se introduz na história. Talvez a necessidade que o menino estava de beber água o tenha feito sonhar um pouco mais. II . A primeira experiência sexual de um adolescente A sensação de que a vida é sempre feita de novidades O momento em que p protagonista se reconhece no outro A iniciação da vida com direitos e não apenas deveres O momento da descoberta de sensações até agora não conhecidas A dúvida é o sentimento mais presente em toda a construção da narrativa. Após a leitura. O encontro dos lábios do menino com os lábios da estátua da mulher nua.O texto se encontra na terceira pessoa. ele é quem começa a narrar a sua experiência de beijo com a estátua. que adjetivos melhor caracterizariam o menino e sua namorada? Por quê? _______________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________ O conto “O primeiro beijo” de Clarice Lispector. O conto em questão apresenta um título que ao longo da narrativa. Uma sede enorme. De acordo com a sua leitura da narrativa. amplia a primeira ideia que vem à cabeça do leitor. e no ciúme dela. a narra analisando todos os acontecimentos como se estivesse ao lado do protagonista.Podemos dizer que a realidade do conto consiste na paixão do rapaz por sua primeira namorada. tem como protagonista uma personagem que se depara com a descoberta da masculinidade. “O primeiro beijo” deve ser entendido como: a) b) c) d) e) 2. . que lhe tomara agora o corpo todo. O fazendo vivenciar experiências marcantes para sua vida como homem. mesmo que de uma forma surreal.

Foi então que aconteceu. Afinal. sempre mais raramente. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Talvez fosse prematuro. deu de ombros. a galinha passou a morar com a família. despregou-se do chão e saiu aos gritos: — Mamãe. escolhia com urgência outro rumo. Parecia calma. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento. Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. em dois ou três lances. Na fuga. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão: — Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida! O Ovo – Tarsila do Amaral — Eu também! jurou a menina com ardor. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. alcançou um telhado. a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar. Inconsciente da vida que lhe fora entregue. menos ela. Não olhava para ninguém. de onde. Mas logo depois. o sabiam. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. o rapaz alcançou-a. não era nada. enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. solevava e abaixava as penas. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida. nascida que fora para a maternidade. lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar. inchar o peito e. a mesma que fora desenhada no começo dos séculos. Um instante ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou. tão pequeno num prato. O que não sugeria nenhum sentimento especial. respirando. sacudiu-se um pouco. nem triste. em outro voo desajeitado. se fosse dado às fêmeas cantar. a mãe e a filha olhavam já há algum tempo. sem propriamente um pensamento qualquer. Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto voo. hesitante e trêmula. apalpando sua intimidade com indiferença.PRÁTICA INDEPENDENTE Nome: _____________________________________________________ Turma: _____________ Uma Galinha Era uma galinha de domingo. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. não mate mais a galinha. alcançar a murada do terraço. Seu coração. ninguém olhava para ela. Uma vez ou outra. Nem ela própria contava consigo. quando deu à luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha. nem alegre. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que a obriguei a correr naquele estado!" A galinha tornara-se a rainha da casa. no descanso. numa das vezes em que parou para gozar sua fuga. Ainda tonta. esta não era nem suave nem arisca. parecia uma velha mãe habituada. comeram-na e passaram-se anos. não souberam dizer se era gorda ou magra. Surpreendida. ela foi presa. Clarice Lispector . Entre gritos e penas. De pura afobação a galinha pôs um ovo. mamãe. era uma galinha. Até que um dia mataram-na. A perseguição tornou-se mais intensa. Esquentando seu filho. O pai. como o galo crê na sua crista. A mãe. Embora nem nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. O rapaz. Mesmo quando a escolheram. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã. cansada. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma. ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. era um caçador adormecido. vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta. de volta do colégio. ela pôs um ovo! ela quer o nosso bem! Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. O dono da casa. abotoando e desabotoando os olhos. exausta. porém. prestes a anunciar. A menina. em cacarejos roucos e indecisos. tímida e livre. Todos. jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a cozinha. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma. Estúpida. lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado. sem nenhum auxílio de sua raça.

Finalmente. ela é coisa: almoço. e longe de qualquer reflexão igualitária sobre a condição feminina. mas ficaria feliz em saber que pode. Não há relação direta entre narrar e escrever uma história. o tempo. muito menos. No entanto. o pai vê "o almoço" subir no telhado. a galinha é menos que um bicho. a caracterização de algum personagem. Enquanto a última vê o animal apenas como almoço. Em relação ao narrador da história. II) O narrador é observador porque simplesmente nos conta como a história que escreveu. dono da galinha. Agora responda: a) Alternativas I e IV estão corretas b) Nenhuma das alternativas é válida c) Alternativas II e IV são verídicas. O tipo de narrador. "mataram-na. Você também achou? Ela iria adorar saber disso. ora tímida e livre. é um nada. alheios à personificação da galinha promovida pelo narrador. Já o narrador procura saber se ela pode ser mais do que bicho ou coisa. o personagem protagonista desta narrativa. O título de um conto. Se observarmos bem o conto." a) O que faz com que a família desista de comer a galinha? ______________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________ b) O que faz com que a família desista de NÃO comer a galinha? ______________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________ 5. Exemplo: Galinha – um “ser humano” – protagonista ______________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________ 3. III) O narrador é o pai da família. os membros da família. não?! . No entanto. mas é também um ser. o narrador sonda a intimidade da galinha tentando descobrir se há algo nela que lhe confira o estatuto de ser. 4. IV) Não podemos dizer que a autora é narradora só porque a escreveu. Complete o esquema abaixo e entenda o conto com mais facilidade. Uma mulher a frente de seu tempo que marcou história ao escrever livros enigmáticos e cheios de palavras complexas. A galinha de Clarice é sem dúvidas. às vezes tem seus anseios. outros também aparecem na história. Até hoje tem gente que diz que é difícil de ler suas histórias. d) Alternativas I e II são incorretas “Ai palavras. Como muitos animais não domesticáveis possuem. Enquanto o narrador percebe nela "um anseio". ai palavras. há uma diferença entre o olhar do narrador e o olhar da família sobre a galinha. Ela poderia ter utilizado um artigo definido tornando o título “A galinha” ou até ter dado um nome próprio ao animal. é mais uma galinha entre todas as galinhas. Na projeção do narrador (narradora?). pode-se afirmar que: I) A narradora é Clarice Lispector porque foi ela quem escreveu a história. Para a família. não o fez. Cite cada um deles determinando um adjetivo central e sua função na história. se ela deseja a vida ou a liberdade. podemos notar que. Não quer (ou não ousa) cantar como o galo (ou cantar de galo). sem participar dela. Nada em Clarice Lispector é por acaso. O que faz com que Clarice batize seu conto com este título? ______________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________ 2. a galinha/mãe/mulher gostaria muito de não ter o sentido de sua vida reduzido à maternidade.Exercícios 1. Palavras são desafiantes. ora ela é estúpida. Às vezes ela é uma galinha de domingo. o espaço e o tipo de discurso são alguns dos elementos formais que podem ser fundamentais ao desvendar o mistério de uma narrativa. que estranha potência a vossa” Esta e outras frases inteligentes são de autoria de Clarice Lispector. comeram-na e passaram-se anos. mas também é uma jovem parturiente. desde o início.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful