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INTRODUÇÃO APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I PROF. RODRIGO SOUZA A democracia no Brasil é

INTRODUÇÃO

APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I

PROF. RODRIGO SOUZA

A democracia no Brasil é conceituada como semi-direta, considerando a possibilidade do cidadão participar da formação da vontade política nacional, seja através de seus representantes eleitos, seja diretamente. Tal afirmação pode ser retirada da análise do art. 1º §único da Constituição Federal:

Dispõe o art. 1º em seu paragráfo único:

Parágrafo único - Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

DA DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

(a) Plebiscito e referendo. Iniciativa Popular

Os principais institutos da democracia direta (participativa) no Brasil são a iniciativa popular, o referendo popular e o plebiscito 1 .

A iniciativa popular configura-se como a possibilidade de início do processo legislativo pelo povo, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 61 §2º de nossa Constituição:

CF 88

Art. 61§ 2º - A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.

1 Lei 9709/98 Art. 2º. Plebiscito e referendo são consultas formuladas ao povo para que delibere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. ( )

§1º. O plebiscito é convocado com anterioridade a ato legislativo ou administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe tenha sido submetido

§ 2º. O referendo é convocado com posterioridade a ato legislativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição.

APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I PROF. RODRIGO SOUZA O referendo é a forma de

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O referendo é a forma de manifestação popular pela qual o eleitor

aprova ou rejeita uma atitude governamental já manifestada (exemplo: quando uma emenda constitucional ou um projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo é

submetido à aprovação ou rejeição dos cidadãos antes de entrar em vigor).

O plebiscito é a consulta popular prévia pela qual os cidadãos decidem ou demonstram sua posição sobre determinadas questões. A convocação de plebiscitos é de competência exclusiva do Congresso Nacional quando a questão for de interesse nacional.

A autorização e a convocação do referendo popular e do plebiscito são da competência exclusiva do Congresso Nacional, nos termos do artigo 49, inciso XV, da Constituição Federal, combinado com a Lei n. 9.709/98 (em especial os artigos 2.º e 3.º).

DO SUFRÁGIO UNIVERSAL

O artigo 14 da Constituição Federal explicita que no Brasil a soberania

popular é exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor

igual para todos (democracia indireta), e, nos termos da lei, mediante iniciativa popular, referendo e plebiscito, instrumentos da democracia direta (também denominada participativa).

A esse exercício misto da soberania popular, eleição direta dos

parlamentares e dos chefes do executivo democracia indireta ou representativa - e iniciativa popular, plebiscito e referendo democracia participativa -, dá-se o nome de democracia semi-direta.

A democracia indireta, como vimos, é representativa. Conforme nos

ensina o grande mestre Kildare Gonçalves “o fundamento jurídico da representação política é o procedimento eleitoral que vem definido na Constituição e nas Leis”.

Excepcionalmente, poderemos ter eleições indiretas no Brasil, conforme previsto no art. 81 §1º da Constituição Federal. Tal fato ocorrerá no caso de vacância dos cargos de Presidente e Vice nos dois últimos anos do mandato. Nesse caso, deverá ser realizada uma nova eleição pelo Congresso Nacional no prazo de 30 dias da última vaga. O eleito somente completará o mandato.

APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I PROF. RODRIGO SOUZA Nesse contexto, cabe destacar que a

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Nesse contexto, cabe destacar que a Jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral era no sentido de que as eleições indiretas se aplicavam somente no caso de vacância não eleitoral. No entanto, hoje o TSE mudou tal entendimento.

Mandado de Segurança. Resolução do Tribunal Regional. Determinação de eleições diretas. Cassação de prefeito e vice. Vacância no segundo biênio do mandato. Art. 81, § 1º, da Constituição Federal. Aplicação aos estados e municípios. Ordem concedida. 1. Aplica-se, aos estados e municípios, o disposto no art. 81, § 1º, da Constituição Federal, que determina a realização de eleição indireta, se ocorrer vacância dos cargos de Presidente e Vice-Presidente da República nos dois últimos anos do mandato, independentemente da causa da vacância. Precedentes da Corte. 2. Ordem concedida para determinar a realização de eleições indiretas no Município de Poção/PE, a cargo do Poder Legislativo local.”

(Ac. de 26.6.2008 no MS nº 3.643, rel. Min. Marcelo ribeiro.)

“Agravo regimental. Provimento. Mandado de segurança. Negativa de seguimento. Renovação do pleito (art. 224, CE). Permanência do segundo colocado. Decisão teratológica. Presidente da câmara de vereadores. Legitimação. Segurança concedida. 1. No caso da aplicação do art. 224 do CE, o Presidente do Legislativo Municipal é o único legitimado a assumir a chefia do Executivo Municipal interinamente, até a realização do novo pleito. 2. Agravo regimental provido.”

Sufrágio x Voto

(Ac.

Marcelo Ribeiro.)

de

4.9.2008

no

AgRgMS

3.757,

rel.

Min.

No que diz respeito à diferença entre sufrágio e voto. Aquele representa o direito de participar do processo político e o voto seria um dos modos de externar esse direito. O sufrágio é universal na medida que a possibilidade de participar do processo político é conferida aos cidadãos, sem que haja restrições de cunho intelectual ou econômico. Desse modo:

APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I PROF. RODRIGO SOUZA Sufrágio Universal – ocorre quando não

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Sufrágio Universal ocorre quando não há discriminação para seu exercício em função do grau de instrução, do patrimônio e do sexo, como no caso do Brasil.

Sufrágio Restrito ao contrário, somente é exercido por indivíduos que possuam determinada qualificação econômica ou de capacidades especiais, sendo discriminatório. Pode ser censitário (restrito a indivíduos que apresentem determinada qualificação econômica, como o pagamento de imposto, renda mínima etc.) ou capacitário (baseado em capacitação intelectual, como exigir determinado grau de instrução)

DOS DIREITOS POLÍTICOS

Nesse sentido, o direito eleitoral é o ramo do Direito Público composto por um conjunto de normas destinadas a regular os deveres dos cidadãos em suas relações políticas com o Estado. O foco principal do estudo do direito eleitoral recai sobre os direitos políticos. Tais direitos estão disciplinados nos art. 14 a 16 da Constituição Federal2. Os direitos políticos podem ser classificados em positivos ou negativos, conforme tradicional divisão nos apresentada por José Afonso da Silva:

Direitos Políticos Positivos

São as normas que asseguram a participação no processo político. Garantem a participação do povo na gestão e controle da coisa pública, seja pelo direito de participação popular: através da iniciativa legislativa popular, o direito de propor a ação popular e o direito de organizar e participar de partidos políticos, seja através das várias modalidades de direito de sufrágio: direito de voto nas eleições, direito de elegibilidade (de ser votado), direito de voto nos plebiscitos e referendos.

Por sua vez os direitos políticos positivos podem ser divididos na capacidade eleitoral ativa (direito de votar) ou capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado).

2 Conforme lembra Pedro Henrique Távora Neles, citando, José Afonso da Silva, “embora a Constituição conceba os direitos políticos, em sentido estrito, o conceito é mais amplo, indo além do direito de sufrágio para alcançar o direito de propor ação popular e o direito de organizar e participar de partidos políticos.

 Direitos Políticos Negativos APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I PROF. RODRIGO SOUZA Tratam-se das

Direitos Políticos Negativos

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Tratam-se das normas constitucionais restritivas e impeditivas do direito do cidadão de participar do processo político e nos órgãos governamentais, privando o cidadão do direito de eleger e ser eleito, de exercer atividade político partidária ou de exercer função pública.

AQUISIÇÃO DA CIDADANIA

(a) Alistamento Eleitoral e Voto

O alistamento eleitoral, para grande parte da doutrina configura-se como a primeira fase do processo eleitoral. É a formalização da aquisição de direitos políticos pelo nacional. Com o alistamento eleitoral o cidadão adquire a capacidade eleitoral ativa (direito de votar)

De acordo com a Constituição Federal, que o alistamento e o voto são obrigatórios para os maiores de 18 anos. Obviamente, não para todos. No art. 14 §1º, II, a Constituição Federal dispõe acerca da facultatividade do alistamento e do voto:

Maiores de 70 anos

Analfabetos

Maiores de 16 anos e maiores de 18 anos

A Resolução 21538/2003 dispõe no art. 80 §6º que existe a dispensa de apresentação de justificativa para os acima mencionados, salvo quando maiores de 80 anos. Todavia, o TSE decidiu no Acórdão 649 afastar a expressão “ maiores de 80 anos”. O que nos parece o mais lógico, ou seja, um idoso com 71 anos, alistado, que não votar, não precisaria justificar. Agora, uma pessoa com 82 anos que não comparecesse para justificar a ausência do voto, poderia ter o cancelamento da inscrição como eleitor. 3

Deve-se destacar que para os acima estabelecidos, caso seja efetivado o alistamento eleitoral permanecerá facultativo o voto. No que diz respeito aos analfabetos é correto afirmar que esses possuem capacidade eleitoral ativa. Todavia, não possuem capacidade eleitoral passiva.

3 Desde que deixasse de votar e justificar por três eleições consecutivas.

APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I PROF. RODRIGO SOUZA O alistamento eleitoral é vedado para

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O alistamento eleitoral é vedado para os estrangeiros e para os conscritos, que são os militares durante o serviço militar obrigatório. Também é vedado o alistamento eleitoral dos menores de 16 anos. Entretanto, o menor com quinze anos poderá alistar-se como eleitor, desde que complete 16 anos até o dia da eleição.

O Código Eleitoral dispõe que não podem ser eleitores aqueles que não saibam exprirmir-se na língua nacional. (Art. 5, II, CE/65)

Analisando-se, ainda, a situação do conscrito, o TSE apreciando a Consulta nº 9.881/90 entendeu que “o eleitor inscrito, ao ser incorporado para a prestação do serviço militar obrigatório, deve ter sua inscrição mantida, porém ficará impedido de votar”, fundamentando a v. decisão com o art. 6º, inciso II, alínea „c‟ do CE – Resolução 15.072, de 28.2.89.

Em seu artigo 6.º, o Código Eleitoral (Lei n. 4.737/65) também faculta o alistamento do inválido e dos que se encontram fora do país. Faculta, ainda, o voto dos enfermos, dos que se encontram fora de seu domicílio e dos servidores públicos em serviço que os impeça de votar.

O eleitor obrigado a votar, que se encontra no exterior no dia da votação, tem o prazo de 30 dias contados de seu ingresso no país para justificar sua falta perante o juiz de sua zona eleitoral. No caso de estar no país, o eleitor, que tinha obrigação de votar e não o fez, tem o prazo de 60 dias para justificar sua ausência.

Sobre o prazo máximo para o requerimento de alistamento deve-se analisar o art. 91 da Lei 9504/97: “nenhum requerimento de alistamento eleitoral ou transferência de domicílio eleitoral será recebido dentro dos cento e cinqüenta dias anteriores à eleição”. Desse modo o prazo máximo para os nacionais efetivarem o alistamento eleitoral é o 151º dia anterior à eleição.

Nos arts. 71 a 81 O Código Eleitoral elenca as hipóteses de cancelamento e exclusão do alistamento eleitoral. Segundo Pinto Ferreira: “O Cancelamento se realiza quando a inscrição de que se trata deixa de existir, como nas hipóteses de pluralidade de inscrições, quando elas são canceladas, ou na de transferência do eleitor para outra zona ou circunscrição . A exclusão é feita contra o próprio eleitor, que deixa de ser eleitor, até que cesse o motivo da exclusão, quando poderá novamente pleitear e requerer a sua inscrição.”

APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I PROF. RODRIGO SOUZA Para Djalma Pinto: “O cancelamento é

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Para Djalma Pinto: “O cancelamento é a retirada do nome do cidadao do rol dos eleitores. Exclusão, por sua vez, é o processo através do qual se realiza o cancelamento da inscrição.” Durante o processo e até a exclusão pode o eleitor votar validamente (art. 72). Saliente-se que a ocorrência de exclusão ou cancelamento não prejudica a aplicação das sanções penais correspondentes.

As causas de cancelamento da inscrição eleitoral (o alistamento eleitoral é uma das condições de elegibilidade) estão explicitadas no artigo 71 do Código Eleitoral. São elas:

I infração do artigo 5.º do Código Eleitoral, que veda o alistamento como eleitores dos que não saibam exprimir-se na língua nacional (conceito que não restringe o alistamento e o voto dos deficientes que têm capacidade de expressar sua vontade) ou que estejam privados dos seus direitos políticos;

II infração do artigo 42 do Código Eleitoral, que veda o

alistamento dos que estão privados temporária ou definitivamente dos direitos políticos;

III

a suspensão ou perda dos direitos políticos;

IV

a pluralidade de inscrições;

V

o falecimento do eleitor, devendo o cartório de registro civil, até

o

dia 15 de cada mês, enviar ao Juiz eleitoral a comunicação dos

óbitos dos cidadãos alistados;

VI deixar de votar em três eleições consecutivas.

Nesse último caso será cancelada a inscrição do eleitor que se abstiver de votar em três eleições consecutivas, salvo se houver apresentado justificativa para a falta ou efetuado o pagamento da multa, ficando excluídos do cancelamento os eleitores que, por prerrogativa constitucional, não estejam obrigados ao exercício do voto.

JURISPRUDÊNCIA DO TSE SOBRE ALISTAMENTO !

Alistamento eleitoral. Exigências. São aplicáveis aos indígenas integrados, reconhecidos no pleno

APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I PROF. RODRIGO SOUZA exercício dos direitos civis, nos termos

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exercício dos direitos civis, nos termos da legislação especial (Estatuto do Índio), as exigências impostas para o alistamento eleitoral, inclusive de comprovação de quitação do serviço militar ou de

cumprimento de prestação alternativa 20.806, de 15.5.2001, rel. Garcia Vieira.)

.(

eleitoral. Arts. 29, II, a, e 80 do Código Eleitoral.

Recurso provido. I . Ao delegado de partido é facultado recorrer não só da sentença de exclusão,

mas ainda da que mantém a inscrição eleitoral (art. 80 c.c. o art. 29, II, a, do Código Eleitoral). II . O Ministério Público Eleitoral é parte legítima para interpor o recurso de que trata o art. 80 do Código Eleitoral (Ag no 4.459/SP, rel. Min. Luiz Carlos

(Ac. no 21.644, de

2.9.2004, rel. Min. Peçanha Martins.)

Madeira, DJ de 21.6.2004). (

Cabimento de recurso contra decisão de juiz

(Res. no

)

).

Alistamento eleitoral. Impossibilidade de ser

efetuado por aqueles que prestam o serviço militar obrigatório. Manutenção do impedimento ao exercício do voto pelos conscritos anteriormente alistados perante a Justiça Eleitoral, durante o

(Res. no 20.165, de 7.4.98,

período da conscrição rel. Min. Nilson Naves.)

Alistamento eleitoral. Militares. Obrigatoriedade. CF, art. 14 § 2o. O alistamento eleitoral é obrigatório para os militares, exceto os conscritos, enquanto

(Res. no 15.945,

de 16.11.89, rel. Min. Octávio Gallotti.)

.1. Eleitor. Serviço militar obrigatório. 2. Entendimento da expressão .conscrito. no art. 14, § 2o da CF. 3. Aluno de órgão de formação da reserva. Integração no conceito de serviço militar obrigatório. Proibição de votação, ainda que anteriormente alistado. 4. Situação especial prevista na Lei no 5.292. Médicos, dentistas, farmacêuticos e veterinários. Condição de serviço militar obrigatório. 5. Serviço militar em prorrogação ao tempo de soldado engajado.

Nessa

Implicação do art. 14, § 2o da CF

durar o serviço militar obrigatório

NE: .(

)

situação, estão abrangidos pela proibição do art.

APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I PROF. RODRIGO SOUZA 14, § 2o da CF, isto

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14, § 2o da CF, isto é, não podem se alistar. ( (Res. no 15.850, de 3.11.89, rel. Min. Roberto Rosas.)

.(

2o. Os policiais

militares, em qualquer nível de carreira são

2. Alistamento. Policiais militares. CF, art.14, §

)

alistáveis, tendo em vista a inexistência de vedação

legal

Boas.)

(Res. no 15.099, de 9.3.89, rel. Min. Villas

DOMICÍLIO ELEITORAL. CONCEITO, TRANSFERÊNCIA E PRAZOS.

O conceito de domicílio eleitoral não se confunde com o de domicilio civil. Nesse sentido, dispõe o artigo 42 do Código Eleitoral: “caso o alistando tenha mais de uma residência, qualquer uma delas será considerada como domicílio

“Domicílio eleitoral. O domicílio eleitoral não se confunde, necessariamente, com o domicílio civil. A circunstância de o eleitor residir em determinado município não constitui obstáculo a que se candidate em outra localidade onde é inscrito e com a qual mantém vínculos (negócios, propriedades, atividades políticas).” ( Ac. n° 18.124, de 16.11.2000, rel. Min. Garcia Vieira, red. designado Min. Fernando Neves.)

eleitoral

Assim dispõe a jurisprudência do TSE:

1. O TSE, na interpretação dos arts. 42 e 55 do

CE, tem liberalizado a caracterização do domicílio para fim eleitoral e possibilitado a transferência

“(

).

ainda quando o eleitor não mantenha residência civil na circunscrição à vista de diferentes vínculos

)” NE :

com o município (histórico e precedentes). (

Histórico da exigência de prazo mínimo de domicílio eleitoral na circunscrição. ( Ac. n° 18.803,

de 11.9.2001, rel. Min. Sepúlveda Pertence.)

APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I PROF. RODRIGO SOUZA Com relação ao conceito de domicílio

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Com relação ao conceito de domicílio eleitoral para fins de pretensão aos cargos eletivos, a Lei 9504/97 em seu artigo 9º assevera que os candidatos devem possuir domicílio eleitoral na circunscrição em que pretendem concorrer pelo prazo mínimo de um ano antes da eleição. Desse modo, um governador deverá possuir domicílio eleitoral no Estado, pelo prazo mínimo de um ano. Por outro lado o prefeito, deverá possuir domicílio no respectivo município pelo prazo de um ano.

Importante observar que, conforme entende o TSE, o detentor de mandato eletivo que transferiu seu domicílio eleitoral para outra unidade da Federação pode ser candidato para o mesmo cargo pelo seu novo domicílio. A transferência do domicílio eleitoral, nesse caso, não irá acarretar a perda do mandato.

A transferência do domicílio eleitoral deverá ser requerida ao juiz do novo domicílio, antes dos 150 dias anteriores à eleição. Registre-se, desde logo, que o eleitor não é obrigado a transferir o domicílio eleitoral. Entretanto, caso o eleitor não compareça para votar, deverá justificar sua ausência no prazo de 60 dias contados da eleição.

Os requisitos para transferência estão previstos no art. 55 do Código Eleitoral e atualizados pela Resolução 21538/03 do TSE:

1. Residência mínima de três meses no novo domicílio, declarada pelo eleitor sob as penas da lei.

2. Decurso de um ano do alistamento ou da última transferência.

3. Requerimento até o 151º dia anterior à eleição.

4. Quitação com as obrigações eleitorais

No caso de remoção de servidor público ou militar, os requisitos 1 e 2 são dispensados. Essa regra aplicar-se-á aos membros da família.

Outro ponto a ser destacado é a possibilidade de recursos no processo de transferência do domicílio eleitoral. O eleitor que teve indeferido o requerimento de transferência poderá recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral no prazo de 5 dias. No caso de deferimento, os delegados de partidos poderão recorrer no prazo de 10 dias ao Tribunal Regional Eleitoral. Esse Tribunal irá julgar os recursos no prazo de cinco dias. (Resolução 21538/2003)

APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I PROF. RODRIGO SOUZA (b) Perda ou Suspensão dos direitos

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(b) Perda ou Suspensão dos direitos políticos

O art. 15 da Constituição Federal dispõe que os direitos políticos não podem ser cassados. O cidadão pode, excepcionalmente, ser privado definitivamente de seus direitos políticos ocorre através da perda dos direitos políticos. Pode ocorrer também a privação temporária dos direitos políticos do cidadão o que ocorre através da suspensão dos direitos políticos.

Registre-se que o art. 15 da Constituição Federal não dispõe quais seriam as causas de perda ou suspensão. Adoto, portanto, abstraindo-se posições doutrinárias divergentes, o posicionamento dado pela Resolução 21538/03 do Tribunal Superior Eleitoral: 4

Art. 15 I Perda

Art. 15 II ao V Suspensão dos direitos políticos

Saliente-se que vige o princípio da plenitude de gozo dos direitos políticos positivos, sendo certo que a Constituição veda a cassação dos direitos políticos. Contudo, admite nos termos do art. 15 a perda e a suspensão. Portanto, se frise que nas hipóteses de perda e suspensão dos direitos políticos, estas devem ser interpretadas restritivamente como ocorre com todas as normas que importam em limitação a algum direito fundamental

No caso dos direitos políticos suspensos, uma vez cessados os motivos que geraram a suspensão dos direitos políticos (incapacidade civil ou condenação criminal), dar-se- á sua reaquisição integral. Já na hipótese dos direitos políticos perdidos: cancelamento da naturalização apenas por ação rescisória, uma vez readquirida deverá proceder a novo alistamento eleitoral para reaver seus direitos políticos.

JURISPRUDÊNCIA DO TSE SOBRE SUSPENSÃO DE DIREITOS POLÍTICOS:

Recurso ordinário. Registro. Candidatura. Matéria. Constitucional. Recepção. Recurso especial. Condenação. Ação Cível. Improbidade administrativa. Suspensão. Direitos políticos. Inelegibilidade. Arts. 15, V, e 37, § 4º, da CF/88. Improcedência.

1) Primeiramente, a norma constitucional que cuida da suspensão dos direitos políticos tornou-se aplicável com a entrada em vigor da Lei nº 8.429/92

4

APOSTILA DIREITO ELEITORAL 2012 PARTE I PROF. RODRIGO SOUZA e concretizou, em seu art. 12,

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e concretizou, em seu art. 12, o comando

constitucional que estabelece as sanções aplicáveis de acordo com o grau de ofensa à probidade administrativa. No caso dos autos não há sequer capitulação legal da improbidade administrativa alegada, de modo a aferir qual o prazo de inelegibilidade, caso fosse esta à hipótese.

2) Demais disso, as sanções decorrentes de ato de improbidade administrativa, aplicadas por meio da ação civil, não têm natureza penal, e a suspensão dos direitos políticos depende de aplicação expressa e motivada por parte do juízo competente, estando condicionada sua efetividade ao trânsito

em julgado da sentença condenatória, consoante previsão legal expressa no art. 20 da Lei nº 8.429/92.

Na situação delineada não há referência expressa

à suspensão dos direitos políticos do candidato.

3) Recurso conhecido e provido para o fim do deferimento do registro.

Caputo

Bastos.)

(

Acórdão

811,

de

25.11.2004,

rel.

Min.

Agravo de Instrumento - Ação de impugnação de mandato eletivo -Art. 14, § 9º da Constituição Federal - Rejeição de contas - Improbidade administrativa - Art. 15, inciso V da Carta Magna - Suspensão de direitos políticos - Art. 20 da Lei nº 8.429/92 - Fraude.

1. A rejeição de contas não implica, por si só,

improbidade administrativa, sendo necessária decisão judicial que assente responsabilidade por

danos ao erário.

2. A suspensão dos direitos políticos só se efetiva

com

o

trânsito

em

julgado

da

sentença

condenatória, nos

termos

do

art.

20

da

Lei

8.429/92.

3. A fraude que pode ensejar ação de impugnação de mandato é aquela que tem reflexos na votação ou na apuração de votos. 4. Agravo a que se nega provimento. ( Acórdão 3009, de 09.10.2001, rel. Min. Fernando Neves)