Você está na página 1de 61
INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MOÇAMBIQUE Trabalho de Licenciatura Curso de Gestão A Problemática

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MOÇAMBIQUE

Trabalho de Licenciatura Curso de Gestão

A Problemática da Dívida Externa e o seu Impacto no Desenvolvimento Económico de Moçambique

Jonasse Manuel Carlos Nº 142001046

Maputo Dezembro, 2005

Título: A Problemática da Dívida Externa e o seu Impacto no Desenvolvimento Económico de Moçambique. Data de Conclusão: Dezembro de 2005 Estudante: Jonasse Manuel Carlos Supervisor: Dr. Estevão Júlio Licussa

DECLARAÇÃO DO AUTOR

Declaro por minha honra que este trabalho é da minha autoria e resulta da minha investigação. Esta é a primeira vez que o submeto para um grau académico numa instituição educacional.

_____________________ (Jonasse Manuel Carlos)

APROVAÇÃO DO JÚRI

Este trabalho foi aprovado aos

de

de 2005. Por nós membros

___ do júri examinador do Instituto Superior de Ciência e Tecnologia de Moçambique.

_____________

Bancada Examinadora:

___________________

(Presidente)

________________

(Supervisor)

__________________

(Oponente)

Ofereço à minha família e à todos aqueles que sempre acreditaram em mim.

Dedico à minha avó Joana, mãe e tia Glória razões de minha luta.

AGRADECIMENTOS

À Deus

À minha família, especialmente a minhas tias Glória, pelo auxílio financeiro e pela oportunidade que me ofereceu para cursar numa instituição privada, Olga, Belmira e Paulina

Ao ISCTEM – Instituto Superior de Ciências e Tecnologias de Moçambique.

Cumpre-me enfim agradecer muito particularmente a Dr. Estevão Júlio Licussa, com os seus múltiplos conselhos, inúmeros e pertinentes comentários, desempenhou um papel orientador muito apreciado na construção deste trabalho.

Aos Professores do Curso.

À todos quanto, mercê do seu contributo, possibilitaram a realização deste trabalho: Júlio Sitoe (Banco de Moçambique), pessoal do departamento da dívida do Ministério das Finanças, GMD e do Instituto Nacional de Estatística, das bibliotecas visitadas, designadamente, ISCTEM, B.M., MPF, Assembleia da República.

Aos colegas do curso, e especialmente, aos amigos. Dentre eles cito, na ordem alfabética, os nomes de Aires, Claúdia, Cristiano, Gildo, Gina, Mataruca e Óscar, sem ser injusto com os demais. Tivemos momentos difíceis, os quais foram superados em conjunto e, naturalmente, desfrutamos dos momentos felizes.

À todos eles o meu profundo reconhecimento

RESUMO

Este trabalho analisa a problemática da dívida externa e o seu impacto no desenvolvimento económico de Moçambique. Para efeito de análise, tomou-se em consideração o período 1983 a 2003. O trabalho começa por fazer uma revisão da literatura sobre a dívida externa no geral, depois apresenta modelos de desenvolvimento económico (modelo de Lewis e de Solow), e estratégias de desenvolvimento económico relacionadas com a agricultura, indústria e comércio externo. A seguir, apresenta a dívida no caso moçambicano, sua origem, a procura de solução. Foi desenvolvido um modelo econométrico, considerando o PIB como variável dependente e dívida externa como variável independente. A equação foi estimada pelo método dos mínimos quadrados, com recurso ao Eviews e SPSS. Dos resultados econométricos obtidos no presente trabalho, pode-se afirmar que dívida teve um impacto negativo sobre o desenvolvimento económico de Moçambique e explica 29.8% da variação do PIB, o restante é explicada por outras variáveis não incluídas no modelo.

ÍNDICE

Página 1. INTRODUÇÃO 1 .......................................................................................................

  • 1.1 Apresentação 1 ............................................................................................................

  • 1.2 Pertinência do tema 1 ..................................................................................................

  • 1.3 Objectivos 2 ................................................................................................................

    • 1.3.1 Objectivos Gerais 2 .....................................................................................................

    • 1.3.2 Objectivos Específicos 2 .............................................................................................

      • 1.4 Metodologia 2 .............................................................................................................

      • 1.5 Organização do trabalho 2 ..........................................................................................

Capítulo II – REFERÊNCIAL TEÓRICO

3 ..........................................................................

  • 2.1 CRISE DA DÍVIDA EXTERNA

3 ..................................................................................

  • 2.1.1 Noção da Dívida Externa

...........................................................................................

3

  • 2.1.2 Capacidade e Necessidade de Financiamento

............................................................

3

  • 2.1.3 Origem e Evolução da Dívida

.....................................................................................

4

  • 2.1.4 Busca de Solução

.......................................................................................................

7

  • 2.1.5 Iniciativa HIPC ..........................................................................................................8

  • 2.1.5.1 Etapas do Processo HIPC

......................................................................................

9

  • 2.1.5.2 Sustentabilidade da Dívida na Óptica do HIPC

.....................................................

10

  • 2.2 MODELOS DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO 10 ..........................................

    • 2.2.1 Modelo de Lewis: Modelo de Oferta Ilimitada de Trabalho 10 ....................................

    • 2.2.2 Modelo de Solow 12 ......................................................................................................

      • 2.3 ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO 15 ...................................

        • 2.3.1 O Papel da Agricultura no Desenvolvimento Económico e na

Diminuição da Pobreza 15 ......................................................................................................

  • 2.3.1.1 Papel e Importância da Agricultura no Desenvolvimento Económico 15 ..................

  • 2.3.1.2 Agricultura, Crescimento e Diminuição da Pobreza 16 ..............................................

  • 2.3.1.3 Soluções 17 .................................................................................................................

    • 2.3.2 O Papel e Estratégias da Indústria 17 ............................................................................

      • 2.3.2.1 O Papel da Indústria e Problemas do seu do Desenvolvimento nos PVD 17 .............

  • 2.3.2.2.1 Industrias Industrializantes

.................................................................................

18

  • 2.3.2.2.2 Estratégia de Industrialização por Substituição de Importações .........................

18

  • 2.3.2.2.3 Industrialização Virada para as Exportações

.....................................................

19

2.3.3

Políticas do Comércio Externo no Âmbito do Desenvolvimento Económico

.........

20

2.3.3.1

Estratégias

22

Capítulo III – IMPACTO DA DÍVIDA EXTERNA NO

 

DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO DE MOÇAMBIQUE

.......................................

23

  • 3.1 Origem e Evolução da Dívida Moçambicana

..............................................................

23

  • 3.2 Soluções para Redução do Peso da Dívida 25 ..................................................................

  • 3.3 Moçambique e a Iniciativa HIPC

................................................................................

25

  • 3.4 Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta - PARPA (2001-

2005) 27 ..................................................................................................................................

  • 3.5 ANÁLISE ECONOMÉTRICO

28 ...................................................................................

  • 3.5.1 Análise das Variáveis, Testes de Hipóteses das Médias e

das Variâncias da Amostra 28 ................................................................................................

  • 3.5.1.1 Testes dos Pressupostos 29 .........................................................................................

  • 3.5.1.1.1 Teste de Homoscedasticidade

............................................................................

30

  • 3.5.1.1.2 Teste de Autocorrelação dos µ i

30

  • 3.5.1.1.3 Teste de Normalidade dos µ i

.............................................................................

30

  • 3.5.1.1.4 Coeficientes 30 ........................................................................................................

Capítulo IV – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 32 ................................................. 4.1 CONCLUSÕES 32 ..........................................................................................................

  • 4.2 RECOMENDAÇÕES 32 ................................................................................................

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 35 .............................................................................

ANEXOS 37-47 ......................................................................................................................

LISTA DE QUADROS

Página

Quadro 1 - Dívida da África Subsahariana, 1980-89, (em biliões de USD)

......................

7

Quadro 2 - Principais Indicadores Sociais

.........................................................................

26

Quadro 3 - Recursos transferidos para os PVD (1980-1992) Quadro 4 - Capital e Produto no Modelo de Solow

37

38

............................................

...........................................................

Quadro 5 - Montantes e Termos de Reescalonamento com o Clube de Paris

39

................... Quadro 6 - Total da assistencia HIPC no Completion Point.............................................40

Quadro 7 – Resultados de implementação do PARPA (educação e infra-estrutura)

.........

41

Quadro 8 – Resultados de implementação do PARPA (saúde)

......................................... Quadro 9 – Resultados de implementação do PARPA (agricultura e

42

desenvolvimento rural)

...................................................................................

43

Quadro 10 - Evolução do PIB e da Dívida Externa do país (1983 – 2003)

.......................

44

Quadro 11 – Coeficientes do modelo de regressão linear

46

46

.................................................. Quadro 12 – Teste Durbin-Watson do modelo de regressão linear

...................................

LISTA DE GRÁFICOS

Página

Gráfico 1- O colapso dos empréstimos internacionais às nações em desenvolvimento na década de 1980 (valores em biliões de USD) Gráfico 2 - Oferta ilimitada de trabalho

37

37

38

................

............................................................................ Gráfico 3 - Condições para que haja comércio externo entre dois países

.........................

Gráfico 4 - Stock da Dívida Externa do País, 1985-2004

39

45

.................................................. Gráfico 5 – PIB e Dívida externa de Moçambique (1983 – 2003)

....................................

Gráfico 6 – Teste de normalidade dos erros

......................................................................

47

ABREVIATURAS

BM – Banco Mundial DW – Darbin-Watson EUA – Estados Unidos da América FMI – fundo Monetário Internacional GMD – Grupo Moçambicano da Dívida GoM – Governo de Moçambique Ho – Hipótese Nula Ha – Hipótese Alternativa HIPC – Países Pobres Altamente Endividados OCDE – Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico PARPA – Plano de Acção para a Redução da Dívida PIB – Produto Interno Bruto PVD – Países em Vias de Desenvolvimento USAID – Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional USD – Dólar dos Estados Unidos VAL – Valor Actual Líquido

1. INTRODUÇÃO

  • 1.1 Apresentação

Este trabalho

analisa a problemática da dívida externa e o seu impacto no

desenvolvimento económico de Moçambique. As políticas económicas e sociais (internas e externas) são responsáveis pela pobreza, desigualdade e baixa produtividade que caracteriza o nosso país e muitos países em vias de desenvolvimento (PVD). Para se ter um desenvolvimento económico e social requere uma formulação de estratégias apropriadas que permitam atingir a redução da pobreza e o desenvolvimento económico.

Os PVD enfrentam uma situação muito difícil no que diz respeito ao endividamento interno e externo, o que, aliado à necessidade de fortes ajustes fiscais, vem colocando-os em um estado de escassez de recursos públicos para investimentos em políticas sociais. As instituições de Bretton Woods reconheceram a insustentabilidade da dívida dos PVD e lançaram a iniciativa HIPC e Moçambique tem tido alívio da dívida ao abrigo dessa iniciativa.

  • 1.2 Pertinência do tema

Analisar o impacto do alívio da dívida externa no desenvolvimento económico de Moçambique revela-se particularmente importante:

Em virtude de interesse pessoal em aprofundar os conhecimentos adquiridos e por sempre ter se interessado em saber a origem e os benefícios que dela advém. Para a formulação de uma estratégia que identifique as forças sobre as quais o investimento irá desencadear efeitos multiplicadores que permitirão sair-se do ciclo da pobreza. Mostrar que se o acréscimo em investimentos permite um excesso de produção cujo resultado líquido permita superar os encargos do empréstimo, o investimento propiciado pelo crédito externo pode ter uma resultante benéfica para o país.

1.3

Objectivos

  • 1.3.1 Objectivos Gerais

Objectivo geral do presente trabalho é procurar mostrar como sair de uma

economia de endividamento para financiar um desenvolvimento duradouro e socialmente justo e garantir a satisfação das necessidades humanas fundamentais.

  • 1.3.2 Objectivos Específicos

Os objectivos específicos do trabalho são:

Identificar os sectores em que foram canalizados os recursos provenientes da dívida e quais foram os resultados; Identificar as razões do fracasso das estratégias implementadas; Analisar o impacto que a crise da dívida externa teve em Moçambique;

Identificar a estratégia de desenvolvimento que o PARPA apresenta e analisar os resultados da sua implementação.

  • 1.4 Metodologia

Para a elaboração do trabalho foram empregues dois métodos: descritivo e análise econométrico. Assim, a metodologia se compôs de pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, recolha e análise de dados estatísticos, pesquisa na Internet e análise de conteúdos curriculares.

  • 1.5 Organização do trabalho

O

presente trabalho compõe-se de quatro capítulos, incluindo introdução. No

capitulo 2, apresenta-se o referencial teórico; o capítulo 3 trata da dívida externa moçambicana, apresenta a análise econométrico dos dados estatísticos, referentes a PIB e a dívida externa. Alem disso, também são discutidos os procedimentos para obter as variáveis que compõem a equação estimada; são apresentados e analisados os resultados de estimação do modelo. No capitulo 4 são apresentadas as conclusões e as recomendações; e para finalizar, as referências bibliográficas e os anexos.

Capítulo II – REFERÊNCIAL TEÓRICO

2.1 CRISE DA DÍVIDA EXTERNA

  • 2.1.1 Noção da Dívida Externa

Segundo Medeiros (2000: 733), quatro organizações internacionais 1 definiram a dívida externa bruta como sendo “ igual ao montante dos compromissos contratuais existentes e dá lugar ao pagamento, por parte dos residentes de um país, a não- residentes, comportando a obrigação do reembolso do principal, com ou sem pagamentos de juros, ou de pagamentos de juros, com ou sem reembolso do principal.”

Divida externa é um termo que implica a existência de um débito de um país para com o outro, no que diz respeito a reposição de fundos, bens ou serviços prestados. À dívida externa corresponde o serviço da dívida 2 , e quando esta é de montante elevado, representa sempre um encargo real para a economia e consequente cerceamento das possibilidades nacionais de consumo, salvo a hipótese de uma utilização selectiva que só dará maior reproductividade no PIB (Medeiros, 2000: 736).

  • 2.1.2 Capacidade e Necessidade de Financiamento

A poupança total (S) é a soma da poupança governamental e da poupança privada (S = Sg + Sp). E o investimento total (I) é a soma do investimento do sector público e do sector privado (I = Ig + Ip). Das equações atrás apresentadas, podemos escrever que a conta corrente (CC) é a diferença entre a poupança total (S) e o investimento total (I) da economia:

CC = S – I

(1)

Um país com défice em sua conta corrente, pode obter recursos do exterior para investir; em troca por poder importar mais produtos estrangeiros actualmente que o volume que pode ser pago por suas exportações actuais, prometendo pagar, futuramente, os juros ou o principal sobre os empréstimos ou os dividendos sobre acções de empresas vendidas para estrangeiros (Krugman & Obstfeld, 2001: 706).

  • 1 Banco Mundial, FMI, Banco de Pagamentos Internacionais e O.C.D.E.

  • 2 Isto é: fixa-se o prazo de amortização do empréstimo, calcula-se o juro respectivo, fixo ou variável, que vai afectar, previsionalmente, as reservas de ouro ou divisas.

Quando um país é aberto pode ter endividamento externo. Falamos da capacidade de financiamento quando a poupança doméstica é maior que o investimento doméstico (S>I), e uma necessidade de financiamento, evidentemente , é o oposto de uma capacidade de financiamento (S<I) 3 .

Quando os PVD tomam empréstimos, obtêm ganhos de operação, pois conseguem acumular suas acções de capital apesar dos limitados recursos nacionais economizados e os financiadores dos empréstimos recebem retornos mais altos por suas economias do que poderiam receber em seus países (Krugman & Obstfeld, 2001: 707).

2.1.3 Origem e Evolução da Dívida

A expressão “dívida externa” vem de longe, mas assumiu um destaque particular depois da Segunda Guerra Mundial, entre vários, eis alguns exemplos:

Segundo Lima (2004) 4 , “de 1580 a 1640, o rei Filipe da Espanha governou Portugal; em 1641 a Inglaterra patrocina a re-independência de Portugal e obriga a criação de uma taxa ad valorem de 2% nos portos ingleses e 14% no porto português. Portugal exportava bacalhau, vinho, cortiça, azeitonas e óleo, importando produtos manufacturados da Inglaterra. Mês a mês a balança ficava negativa para Portugal, e o seu endividamento aumentava.”

Em 1703 foi assinado o Tratado de Metwin, de protecção militar em troca de pagamento, entre o império britânico e Portugal, que não tinha poder militar para proteger suas colônias (Lima; 2004). Portugal exigiu vultuosa indemnização, para que o Brasil deixasse de ser sua colónia. A Inglaterra paga a indemnização à Portugal e o Brasil vira devedor, agravando a dependência económica e o endividamento externo 5 .

Praticamente tudo começou com o famoso Plano Marshall 6 (depois da II Guerra Mundial) criado com o objectivo de recuperar os países, especialmente a Alemanha, que haviam perdido a guerra. Forneceram recursos para sua recuperação material e económica, mas impuseram condições que se revelaram em muitos casos perversas e que, ainda hoje, colocam em evidencia a força do poder económico.

  • 3 Vide SACHS & LARRAIN (2000: 209 e 212).

  • 4 Disponível na internet via: www.noticiasforenses.com.br/artigos/nf189/online/alex-lima2-198

  • 5 Idem

  • 6 Um programa de investimentos e de recuperação económica para os países europeus em crise após a guerra.

Segundo Medeiros (2000), “a crise da dívida tem na sua base uma série de factores de natureza interactiva e complexa; a necessidade de desenvolvimento, patenteada nos anos 60, a par da política de afectação dos recursos públicos por parte da Comunidade Internacional, veio determinar o aperfeiçoamento da teoria das Transferências”.

Em nome da Comunidade Internacional, surgem três instrumentos 7 : (i) as transferências de origem pública, consubstanciada em donativos, ou em créditos fornecidos por um Estado para outro Estado; (ii) os investimentos directos, que dão origem à constituição de novos activos ou à aquisição por parte de agentes não- residentes; (iii) os mercados de capitais, que servem a estratégia da globalização das redes bancárias, e que se firmam nos créditos bancários, nos créditos à exportações e emissões de obrigações.

Quase todas os países que passaram por sérios problemas económicos na década passada só tinham uma coisa em comum: uma enorme dívida externa e, por tanto, uma pesada carga de serviço da dívida. Um aspecto notável da crise, é a força com que ela atingiu os países de renda média da América Latina, ao mesmo tempo causando quase nenhum efeito nos países de renda média da Ásia (Sachs & Larrain, 2000: 743 e 745).

Segundo Navalha (2002), relativamente, a zona austral de África, a dívida externa crescia mais rapidamente do que a de outras regiões em desenvolvimento, principalmente a partir de 1980. Grupo Moçambicano da Dívida (GMD, 2004), “As razões que podem

levar um país a enfrentar uma crise de dívida são várias e diferem de país para país, porém, é possível agrupá-las de seguinte modo” 8 :

  • i) Factores Externos: Aumento dos preços do petróleo nos anos 1970, aumento das taxas de juro reais no mercado internacional e a deterioração dos termos de troca e consequente queda das receitas de exportação.

7 MEDEIROS (2000: 749 e 750).

8 SACHS & LARRAIN (2000), SERRA (2003), MEDEIROS (2000) e NAVALHA (2002) têm a mesma opinião ao dizerem que, a crise resultou de uma combinação de elementos: factores externos e internos.

ii)

Factores Internos: adopção de políticas ineficientes de gestão macroeconómica que geravam elevados défices orçamentais, prática de taxas

de câmbios desajustadas (na sua maioria sobrevalorizadas), manutenção de elevados níveis de importações, políticas de subsídios governamentais, e a

contracção de empréstimos para o financiamento de projectos ambiciosos improdutivos a taxas de juro comercias.

e

Serra (2003) diz que, o resultado combinado de todos estes factores foi o agravamento da dívida externa dos países em desenvolvimento, em particular os da América Latina e África Subsahariana. Na opinião de vários autores, esta combinação, levou a que os PVD não conseguissem efectuar o pagamento do serviço da dívida conforme os compromissos assumidos e alguns países, por incapacidade financeira viram-se obrigados a optar pelo não pagamento da dívida, segundo Navalha (2002), “ocorrendo o que tecnicamente se denomina default 9 .

A crise começa em Agosto de 1980, quando o Governo do México, confrontado com a queda dos preços de petróleo que exportava viu reduzirem-se as suas possibilidades de saldar as dívidas, comunicou aos seus credores que suspendia todos os pagamentos das suas dívidas até que elas fossem renegociadas 10 . A África Subsahariana começa a enfrentar problemas da crise da dívida no princípio dos anos 80. Segundo Abrahamsson & Nilsson (1995), por causa dos factores atrás apresentados entramos na próxima década de desenvolvimento ( década 90) com uma dívida externa dos países africanos, que cresceu muito mais rapidamente do que o desenvolvimento económico.

Um dos primeiros sinais dos efeitos nefastos e visíveis da crise da dívida para os PVD foi a redução da entrada de capitais e empréstimos externos 11 (Sachs & Larrain, 2000: 753). Como consequência, o nível de investimento destes países reduziu de forma significativa, afectando de forma negativa o crescimento económico. Segundo Serra

9 O default tem consequências negativas tanto para os credores como para os devedores. Os devedores que optem por esta via acumulam atrasados e podem perder a credibilidade no mercado finaceiro, e ser-lhes vedado ao acesso ao Mercado de capitais, bem como motivar a fuga de capitais. 10 SERRA (2003); SACHS & LARRAIN (2000) e MEDEIROS (2000). 11 Ver gráfico 1 e o quadro 3 (anexo I).

(2003), a dívida da África Subsahariana conheceu a seguinte evolução durante os anos

80.

 

1980

1981

1982

1983

1984

1985

1986

1987

1988

1989

Dívida Total

56.2

64.0

70.2

79.3

82.7

96.2

113.0

137.9

139.6

143.2

a curto prazo de longo prazo

9.7

10.9

9.3

11.2

12.7

13.5

13.0

12.9

14.2

12.3

nao garantida

3.0

3.3

3.9

4.3

5.0

5.6

5.1

5.7

6.1

5.9

Garantida

40.5

46.4

52.2

57.8

58.9

70.3

87.7

101.7

112.3

119.7

a credores oficiais

24.0

27.5

30.2

34.8

37.5

45.4

61.7

78.3

79.6

85.6

a credores privados Rácio do Serviço da Dívida

16.5

18.8

22.0

23.0

21.5

24.9

26.1

33.4

32.7

34.1

(%)

8.4

9.6

15.1

17.8

19.9

22.6

22.0

16.8

19.2

22.4

Rácio dos juros pagos (%)

3.8

4.5

7.0

7.7

8.2

8.5

8.4

7.3

9.2

9.8

Quadro 1 - Dívida da África Subsahariana, 1980-89, (em biliões de USD). Fonte: African Development Bank, in SERRA, 2003.

2.1.4 Busca de Solução 12

A redução dos gastos domésticos, renegociação dos termos e contratos da dívida com os credores, foram medidas usadas, a fim de reduzir a carga da dívida para um nível razoável (Sachs & Larrain, 2000: 773). Assim, GMD (2004), “de entre as várias tentativas destacam-se as seguintes propostas tradicionais de solução”: (i) O Reescalonamento Clássico (1982): adiamento do pagamento; (ii) O Plano Baker (1985):

reescalonamentos e novos fundos; (iii) O Plano Brady (1989): reestruturação com redução da dívida; (iv) Termos de Toronto (1988) e Termos de Londres (1991):

reescalonamentos e taxas de juro concessionais; (v) Termos de Nápoles (1994):

reescalonamento e alívio até 67% do valor do serviço da dívida; (vi) Iniciativa HIPC ou Termos de Lyon (1996): Reescalonamento e alívio de 80% do serviço da dívida; (vii) Iniciativa HIPC II ou Termos de Colónia (1999): HIPC reforçado (aumento do alívio).

O resultado da aplicação das iniciativas antes de 1996 foi insatisfatório, muitos países, não conseguiam aceder às suas condições e/ou não as podiam suportar; daí que em 1996 o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) tenham lançado o que ficou conhecido na sua versão em inglês, pela High Indebted Poor

12 Para mais detalhes cf. SACHS & LARRAIN (2000), SERRA (2003), MEDEIROS (2000)

Countries

Initiative-

Endividados) 13 .

HIPC

(Iniciativa

sobre

a

Dívida

dos

Países

Altamente

2.1.5 Iniciativa HIPC

HIPC é um esquema adoptado conjuntamente pelo FMI e BM para apoiar a resolver a problemática da dívida externa dos países pobres altamente endividados, surgida em 1996, em resultado de várias pressões exercidas pelos países em desenvolvimento no sentido de verem as suas dívidas reduzidas para níveis considerados sustentáveis (Navalha, 2002: 18).

Segundo

Medeiros

(2000),

beneficiam-se desta iniciativa, os países

reconhecidamente pobres (com PIB per capita inferior a 895 USD/ano pessoa) e altamente endividados, que estejam a seguir políticas económicas sólidas e um programa de reformas e ajustamentos, cujos mecanismos tradicionais de alívio, tem sido insuficientes para obter níveis de dívida sustentáveis.

Assim, o objectivo principal do HIPC é trazer o ónus da dívida para níveis sustentáveis, recorrendo a uma aplicação de políticas satisfatórias de modo a assegurar que os esforços de ajustamento e de reformas não sejam postas em risco pelo elevado peso do seu serviço; a assistência HIPC consiste na redução do valor actual da dívida do país e consequentemente o seu serviço da dívida (Navalha, 2002: 19).

2.1.5.1 Etapas do Processo HIPC

Segundo Navalha (2002), o processo começa com a apresentação pelo país devedor ao board do FMI/BM da sua candidatura sobre a sua pretensão de ver a sua dívida reduzida, após a análise, a candidatura será aprovada ou rejeitada, os técnicos do FMI e do país candidato fazem a consolidação do stock da dívida, análise dos rácios de sustentabilidade da dívida, determinando a situação corrente da dívida externa do país; o país será assim considerado elegível para a assistência especial, se os rácios da dívida do

13 SERRA, 2003.

país se fixarem fora dos parâmentros estabelecidos, determinando assim o Decision Point (Ponto de Decisão).

O Decision Point é o momento, passados três anos (após a aprovação da candidatura) de bom desempenho económico, que o board do FMI/BM decide formalmente a elegibilidade do país para uma redução do stock da dívida oficial e a comunidade internacional compromete-se a dar assistência na fase seguinte (Completion Point); alcançado esta fase, o país deverá estabelecer um programa adicional de reformas e ajustamentos durante três anos com o suporte do FMI/BM e obter um bom performance, também, durante esta fase, os credores bilaterais e comerciais são obrigados a ter que reescalonar as obrigações do país enquanto que os credores multilaterais poderão avançar outro plano de assistência para o Completion Point (Ponto de Conclusão) 14 .

Na fase do Completion Point será dada a assistência final, representando assim o final do processo, aqui o board do FMI/BM anuncia o valor total da assistência e a contribuição de cada um dos credores que permita tornar a dívida do país dentro dos parâmentros de sustentabilidade pré-estabelecidos (Navalha, 2002: 26). Este autor, diz que, os recursos libertos na sequência do HIPC devem ser aplicados em programas de redução de pobreza, isto faz com que a iniciativa seja sempre acompanhada de planos de acção para a redução da pobreza, onde serão canalizados os recursos decorrentes da assistência externa.

2.1.5.2 Sustentabilidade da Dívida na Óptica do HIPC

Uma dívida é insustentável quando compromete o crescimento económico. De acordo com Navalha (2002), o problema da insustentabilidade da dívida começa a ser sentido fortemente a partir de 1980, pelos países que contraíram empréstimos externos durante a década de 70 a taxas de juros reais muito baixas.

Segundo Navalha (2002), o FMI apresentou alguns indicadores, sendo por isso considerados sustentáveis ou não os países cujos indicadores estejam de acordo com os seguintes parâmentros 15 : a) O rácio do valor actual líquido (VAL) da dívida sobre as exportações passou de 200% para 150%; b) Diminuição de crítérios orçamentais, assim o VAL da dívida em relação as receitas fiscais baixou de 280% para 250%; c) O peso rácio serviço da dívida em relação à exportações diminuiu de 20% para 15%.

2.2 MODELOS DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO

2.2.1 Modelo de Lewis: Modelo de Oferta Ilimitada de Trabalho

A pretensão do estudo é a de reconsiderar, em outros tempos, mas com a mesma ambição dos clássicos, aquilo que causa a riqueza das nações 16 . Segundo Moraes (2004), Lewis define como “causas imediatas do desenvolvimento”: 1. o esforço para economizar; 2. a aplicação de conhecimento; 3. o capital.

Moraes (2004), eis o seu ponto de partida: “há ilimitada oferta de trabalho nos países onde a população é tão numerosa em relação ao capital e recursos naturais, que existem amplos sectores da economia em que a produtividade marginal do trabalho é ínfima, nula ou mesmo negativa”. Trata-se, em suma, de um caso especial de emprego ineficiente dos recursos (incluindo o tempo) e que se chama de desemprego disfarçado (Moraes, 2004). O que não promete muito em termos de eficiência e crescimento.

O Modelo de oferta ilimitada de trabalho desenvolvida por Lewis, tem como pressuposto a existência de dois sectores, o Tradicional (campo) e o Moderno (cidade). Comparando o salário nos dois sectores, conclui-se que o salário do sector tradicional é menor que o do sector moderno. Essa diferença de salários, faz com que haja êxodo rural. No gráfico 2 (anexo I), π representa o lucro, w é o salário, Ls a oferta de trabalho, Ld a procura de trabalho, L é o trabalho e L * trabalho no ponto de equilíbrio. Segundo o Modelo, quando temos a oferta ilimitada de trabalho, o reinvestimento dos lucros desloca a Ld para a direita, isto é aumenta a procura de trabalho. A medida que absorve o L

15 Aqui refere-se ao HIPC II. 16 Moraes, 2004

haverá crescimento económico e este crescimento vai até um certo ponto. Assim, o investimento em economias com oferta ilimitada de trabalho teria retornos altos até se estabelecer o equilíbrio entre o capital e o trabalho 17 .

Segundo Moraes (2004), é necessário concentrar riqueza nas mãos de certos grupos, deslocá-los de outros; por isso, o melhor que pode ocorrer com o dinheiro adicional é que vá para as mãos daqueles que voltarão a investi-lo produtivamente. Rostow e Lewis repetem com insistência a ideia de que o desenvolvimento económico só resulta possível com transferência de renda daqueles que gastam (entesouram ou emprestam) menos produtivamente para aqueles que gastam (ou emprestam) mais produtivamente (Moraes, 2004). Isto contribui para o aumento da poupança interna para financiar despesas de investimento, não recorrendo ao financiamento externo (dívida externa).

Crítica à Lewis 18 : nem toda mão-de-obra que emigra será absorvida; a tecnologia que as empresas utilizam não são intensivas em capital e cria emprego; este modelo ignora a sazonalidade no campo, porque nem sempre existe oferta ilimitada de trabalho; ignora a interdependência dos dois sectores; a taxa de poupança de 100% é irrealista; nem sempre a emigração campo cidade é por razões económicas.

2.2.2 Modelo de Solow 19

O crescimento económico sempre esteve presente nas discussões sobre economia, foi a principal motivação do primeiro tratado sobre economia, escrito por Adam Smith e publicado em 1776, “Um Inquérito sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações”. Porém, Robert Solow em 1956, aparece com um modelo capaz de explicar o crescimento a partir do comportamento de firmas e famílias. De acordo com a teoria keynesiana da época assumiu-se que as famílias poupavam uma fracção fixa da renda, ou seja:

  • 17 Segundo conteúdos curricular da cadeira de Desenvolvimento Económico

  • 18 Idem

  • 19 Roberto (2002)

S t = sY t

(1)

onde S t representa a poupança, Y t a renda e s (0;1) representa a fracção da renda que será poupada no período t. E assumiu-se também que na economia existe um único produto que as firmas produzem de acordo com uma função de produção que exibe rendimentos decrescentes de escala em cada factor de produção, um exemplo deste tipo de função, conhecida como função Cobb-Douglas, possui a forma:

Q = AK α L β

(2)

onde Q é a quantidade produzida num determinado período, K e L representam, respectivamente, o capital e o trabalho utilizados no mesmo período, A é uma variável que captura mudanças na tecnologia, α e β 20 representam as elasticidades do produto em relação aos insumos, trabalho e capital; a soma α + β fornece o grau de homogeneidade da função Cobb-Douglas. Assim:

Se α + β = 1, há rendimentos constantes de escala;

Se α + β > 1, há rendimentos crescentes de escala;

Se α + β < 1, há retornos decrescentes de escala. Sabe-se que em economias fechadas sem, o investimento deve ser igual a poupança a cada período, ou seja:

I t = S t = sY t também sabe-se que o investimento representa a variação no stock de capital, ou seja:

(3)

K t+1 = (1 - δ)K t + I t

(4)

onde δ representa a taxa de depreciação do stock de capital, ou seja, a cada período o correspondente a δK t é depreciado. Considere que a população cresce a uma taxa η e a tecnologia cresce a uma taxa γ, de forma que N t+1 = (1 + η)N t e A t+1 = (1 + γ)A t , isto permite escrever a equação (4) da seguinte forma (equação 5, anexo IV). Definindo a variável por unidade de eficiência como a variável dividida pela mão-de-obra vezes o nível de tecnologia, ou seja, fazendo κ t = K t / (A t N t ) e i t = I t / (A t N t ) , temos que:

(1 + γ)(1 + η) κ t+1 = (1 - δ) κ t + i t

(5)

Aplicando o conceito de unidades de eficiência na função de produção, descrita em (2), o produto por unidades de eficiência será dado por:

20 Nota: β = 1 - α

q = k α

(6)

considerando as equações (3), (6) e o facto que o produto é igual a renda (Q t = Y t ) temos que:

(1 + γ)(1 + η) κ t+1 = (1 - δ) κ t + s κ α

(7)

esta equação determina o comportamento do stock de capital por unidades de eficiência e, por consequência, determina como o produto se comporta no tempo. Consideremos um exemplo numérico para melhor entender-se o comportamento desta equação. Suponha que a taxa de crescimento da população seja de aproximadamente 2% ao ano, a

tecnologia (ou a produtividade) cresça a uma taxa de 2,6% ao ano, assuma também que α

= 0,35 e que a depreciação é de

10%

ao

ano 21 .

O

quadro

4

(anexo II) mostra

o

comportamento do stock de capital e do produto quando a economia parte de um stock de capital igual a um para diversos valores de s.

Do quadro 4 (anexo II) pode-se chegar a duas conclusões importantes sobre o

modelo de Solow, Roberto (2002), “uma de carácter mais teórico e outra capaz de sugerir políticas macro-económicas”:

  • 1. A partir de um certo período o stock de capital e o produto por unidades de

eficiência chegam a um valor constante 22 . Nesta situação diz-se que a economia atingiu o estado estacionário. Segundo Roberto (2002), uma economia está no estado estacionário quando todas as suas variáveis (stock de capital, produto, consumo, investimento e poupança) assumirem um valor constante no tempo.

  • 2. A segunda conclusão diz respeito ao valor do produto no estado estacionário,

quanto maior for a taxa de poupança maior será o produto por unidades de eficiência. Isto sugere que uma maneira de estimular o crescimento da economia seria implementar políticas que aumentem a taxa de poupança. A adopção deste tipo de política nem sempre é bem sucedida, existem dois factores que não são levados em

conta e podem comprometem as políticas de incentivo a poupança (Roberto, 2002).

21 Ou seja: η = 0,02; γ = 0,026; α = 0,35 e δ = 0,1.

22 Se o produto por unidade de eficiência é constante, o consumo e o investimento também devem ser constantes, visto que ambos são fracções do produto.

O primeiro é que, segundo o Modelo de Solow, aumentos na taxa de poupança levam a um crescimento do produto por unidades de eficiência no estado estacionário, Roberto (2002), diz que “nada pode ser afirmado quanto a taxa de crescimento da economia, até porque, de acordo com a definição de estado estacionário, a taxa de crescimento seria zero”. O segundo factor importante é que o Modelo de Solow assume que a taxa de poupança é constante e determinada de forma exógena.

Do Modelo de Solow conclui-se que, a taxa de poupança é importante na determinação do nível de renda e da taxa de crescimento a curto prazo, e não influencia a taxa de crescimento a longo prazo; e quando consideramos o longo prazo a taxa de crescimento da economia será determinada apenas pela taxa de crescimento tecnológico, ou seja, a economia só irá apresentar um crescimento sustentável se for capaz de operar com tecnologias cada vez mais produtivas (Roberto, 2002). Assim, o aumento da poupança interna irá aumentar a capacidade de um país poder importar tecnologias sem ter que recorrer a empréstimos externos.

2.3 ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO 2.3.1 O Papel da Agricultura no Desenvolvimento Económico e na Diminuição da Pobreza

Grande parte da população do país vive e trabalha em áreas rurais (segundo o GoM, 2001. PARPA 2001-05, mais de 70%), se estima que vivem com menos de um dólar por dia, e dependem em grande medida da agricultura. Neste contexto, todo o esforço será concentrado no sentido de identificar as condições que fazem da agricultura um sector líder para fins de desenvolvimento e crescimento económico.

Segundo Sarris (2001), as principais determinantes do crescimento agrícola são o

capital físico e humano (capital e trabalho), a despesa pública com pesquisa e extensão agrícola, a infra-estrutura rural, a educação rural, a extensão e a densidade da população rural

.

2.3.1.1

Papel e Importância da Agricultura no Desenvolvimento Económico

O crescimento agrícola é importante para a geração de demanda por produtos locais não comercializáveis, sendo assim um estímulo à produção e ao crescimento em geral. O papel e importância da agricultura nos PVD 23 : (i) Fonte de mão-de-obra para outros sectores; (ii) é fonte de alimentos; (iii) é fonte de matéria prima; (iv) contribui para o aumento da população; (v) é uma fonte de divisas; (vi) tem maior peso no PIB desses países; (vii) é mercado para as industrias.

Problemas da agricultura em geral e específicos dos PVD 24 :

  • 1. Geral: (i) a curva da procura é rígida e não elástica; (ii) é um sector que tem um

baixo e lento retorno; (iii) é um sector de risco e incerteza (porque depende do clima); e (iv) Instabilidade de preços e rendimentos.

  • 2. Específicos PVD: (i) falta de incentívos (ex: crédito); (ii) baixa/fraca

produtividade (devido ao atraso tecnológico); (iii) resistência a modernização; (iv) falta de infra-estruturas de vias de acesso; e (v) dilema de preços 25 (aumentar ou baixar os preços dos produtos agrícolas).

  • 2.3.1.2 Agricultura, Crescimento e Diminuição da Pobreza

Questiona-se se o crescimento na agricultura conduz à diminuição da pobreza em geral. Segundo Sarris (2001) 26 , o desenvolvimento agrícola pode afectar o nível geral de pobreza num país de duas maneiras: A maneira directa implica que o crescimento agrícola diminua directamente o grau de pobreza em áreas rurais e na economia como um todo (através de melhoria de rendas agrícolas) ou indirectas, através dos impactos do emprego, dos salários, dos preços dos produtos e da produtividade dos activos não agrícolas.

  • 23 Segundo conteúdos curricular da cadeira de Desenvolvimento Económico

  • 24 Idem

  • 25 A decisão tomada pelos PVD foi a política “Urban Bias” com baixa de preços dos produtos agrícolas (favorecem os citadinos em deterioramento dos camponeses). Escolheram esta política para garantir a estabilidade política no país e afecta negativamente a agricultura.

  • 26 Em Sarris (2001), o autor apresenta as condições que podem fazer com que o crescimento da produtividade agrícola seja em simultâneo factor favorável do crescimento em geral e diminuição da pobreza.

Segundo Sarris (2001), há basicamente três canais através dos quais o desenvolvimento agrícola diminui a pobreza (isto é, maneiras pelas quais as pessoas podem melhorar suas rendas reais). Primeiro, através de aumentos nos activos produtivos que possuem; segundo, através da melhoria no nível de emprego e do retorno sobre activos que já possuem; finalmente, através do aumento da produtividade dos activos que possuem. O crescimento agrícola tem implicações diferentes em matéria de diminuição da pobreza e de crescimento em diferentes situações, e segundo diferentes grupos de pobres 27 .

  • 2.3.1.3 Soluções 28

Apresenta-se como soluções: a intervenção do Governo através de concessão de incentivos fiscais a agricultura (isenção de impostos, concessão de benefícios fiscais, etc); construção de infra-estruturas necessárias; intervenção do governo no processo produtivo (reforma agrária, induzir o avanço tecnológico, etc); modernização da agricultura (abertura ao comércio internacional, expansão dos programas de crédito rural subsidiado, aumento dos gastos com extensão rural, tratamento especial no sector de insumos: tractores, fertilizantes, inseticídas e herbicidas); apoio ao acesso aos micro- créditos (micro-finanças).

2.3.2 O Papel e Estratégias da Indústria

Apesar dos acelerados progressos da ciência e da tecnologia actuais, a indústria continua sendo o principal vector da geração e difusão de inovações tecnológicas e a mais importante fonte de criação de novos produtos. A actividade industrial impulsiona, também, os demais sectores da economia, graças à utilização de matérias-primas e de produtos agrícolas, para o processamento industrial, e à demanda por serviços ao longo das etapas de produção, armazenamento, transporte, distribuição e comercialização.

  • 2.3.2.1 O Papel da Indústria e Problemas do seu do Desenvolvimento nos PVD 29

27 SARRIS (2001) 28 SARRIS (2001) e conteúdo curricular da cadeira de Desenvolvimento Económico

Apresenta-se a seguir alguns argumentos a favor da indústria: a) sector mais dinâmico, porque é um sector com maior interactividade; b) este sector produz com maior valor acrescentado (em relação a agricultura); c) traz mudanças estruturais na economia (isto é, o crescimento industrial leva ao crescimento sócio-cultural); d) tem menor risco em relação a agricultura (porque não depende do clima, tem preços mais estáveis); e) industrialização trás progresso tecnológico; f) cria empregos mais bem remunerados para aliviar os problemas de desemprego; g) assistência a balança de pagamentos.

São problemas ou barreiras do desenvolvimento industrial nos PVD: (i) Falta de tecnologia moderna ou utilização de tecnologia obsoleta (oferecidas pelos países desenvolvidos ou comprados em terceira ou quarta mão); (ii) Falta de técnicos qualificados; (iii) Inexistência de know-how; (iv) Inexistência de mercado; (v) Inexistência de fornecedores (uma vez que a agricultura não oferece a produtividade necessária para fornecer matéria-prima para a indústria).

2.3.2.2 Estratégias da Indústria 30

  • 2.3.2.2.1 Industrias Industrializantes

Tem como pressupostos: (i) estratégia introvertida; (ii) assenta no desenvolvimento de indústrias consideradas motoras do crescimento, como a pretroquímica e a siderurgica; (iii) criação de pólos de desenvolvimento, que arrastariam a restante economia. E tem como aspectos negativos: endividamento externo; dependência tecnológica; abandono da agricultura; degradação das condições de vida das populações rurais; baixo nível de criação de emprego.

  • 2.3.2.2.2 Estratégia de Industrialização por Substituição de Importações

Os seus pressupostos são: (i) estratégia introvertida; (ii) desenvolvimento das indústrias nacionais cujas produções substituirão as importações; (iii) ao Estado compete

proteger o mercado interno da concorrência criando medidas proteccionistas; (iv) existência de mercado interno e fornecedores; (v) alto grau de qualificação do pessoal para a tecnologia.

O principal objectivo é aliviar a balança comercial pela diminuição das importações; estimular o emprego; acelerar a industrialização (proteger a industria nascente da concorrência externa por forma a possibilitar a fase de arranque económico). Tem como instrumentos, a cobrança de tarifas elevadas (direitos aduaneiros) para os produtos importados; restrições quantitativos (quotas de importações); proibições na importação de determinados produtos (principalmente os produzidos internamente); política cambial (favorável às protecções).

As suas vantagens são: a existência do mercado para o produto industrial reduz o risco de estabelecimento de uma industria para substituir as importações; as nações em desenvolvimento tem mais facilidades de proteger os seus mercados internos da concorrência estrangeira, do que forçar as nações desenvolvidas a diminuir as barreiras comerciais às suas exportações de produtos manufacturados; as empresas estrangeiras são induzidas a estabelecer as chamadas “fábricas tarifárias” para superar a barreira tarifária das nações em desenvolvimento.

Tem como desvantagens: a protecção contra a concorrência estrangeira leva a anulação da concorrência e não há motivação para que se tornem mais eficientes, o que leva a falta de competitividade; a substituição das importações torna as industrias ineficientes, porque a reduzida dimensão do mercado doméstico de diversas nações em desenvolvimento não permite que elas se beneficiem de economias de escala; a importação de manufacturados se torna cada vez mais difícil e custosa (devido a protecção), na medida em que importações mais intensivas em capital e tecnologicamente mais avançadas, tem de ser substituídas pela produção doméstica; agravamento do saldo da balança comercial, dependência tecnológica e o abandono de agricultura.

2.3.2.2.3 Industrialização Virada para as Exportações

Os objectivos desta estratégia são: ganhos de divisas (para pagar as importações úteis e dívidas externas); diminuição da dependência de um produto à exportar que causa vulnerabilidade da economia a flutuação dos preços ao mercado internacional; estimulo ou criação de emprego; melhoramento da competitividade. Utiliza os seguintes instrumentos: política de desvalorização da moeda nacional; controle das importações e facilidades de importar produtos utilizados nas industrias exportadoras; investimentos nas infraestruturas; concessão de incentivos às exportações; criação de zonas francas; facilidades de créditos às actividades exportadoras.

As suas vantagens são: é superada a reduzida dimensão do mercado doméstico, permitindo que o país se beneficie de economias de escala; a produção de mercadorias manufacturadas para a exportação exige e estimula a eficiência em toda a economia, sobretudo quando a produção de uma indústria é utilizada como insumo de uma outra industria doméstica; a expansão da exportação de manufacturados não é limitada pelo crescimento do mercado. Tem como desvantagens: para os PVD pode ser muito difícil implantar indústrias de exportação devido à concorrência com as industrias já estabelecidas e eficientes dos países desenvolvidos; os países desenvolvidos frequentemente concedem um grau elevado de protecção às suas indústrias ao produzir bens simples intensivos em mão-de-obra nos PVD já possuem ou podem em breve conseguir uma vantagem comparativa;

As estratégias são complementares. O modelo de desenvolvimento ideal é a combinação da expansão e diversificação rápida das exportações, com substituição selectivas de importações, pois, um processo de substituição das importações é necessário que as exportações cresçam para financiar as importações de máquinas, matérias-primas e amortizar a dívida externa.

2.3.3 Políticas do Comércio Externo no Âmbito do Desenvolvimento Económico

Será que o comércio externo contribui para o desenvolvimento económico dos países envolvidos? Para responder esta questão surgem duas posições: Clássica e Estruturalista.

1.

Clássica (Teorias Clássicas do Comércio Internacional) Teoria das vantagens absolutas 31 : Adam Smith (1776), na sua obra “ A Riqueza

das Nações”, demostra que “ O comércio internacional seria mutuamente vantajoso para os países que dele participassem, desde que um país, atendendo as suas dotações e recursos disponíveis, pudesse produzir determinado produto a custos comparativamente mais baixos (custos absolutos) do que outros países. Nesses casos, o país deveria especializar-se na produção do bem em que apresenta vantagens absolutas, trocando-os no mercado exterior pelos bens nos quais outros países iriam especializar-se”. E segundo ele, a divisão internacional do trabalho aumenta a quantidade dos produtos, e o livre cambismo permite aos consumidores obtê-los por menos custos, o que implica a alocação óptima dos recursos. Vantagens: Divisão internacional do trabalho; a especialização trás maior produtividade e permite um intercâmbio entre nações.

Teoria das vantagens Comparativas 32 : David Richard (1817), trouxe um contributo significativo na explicação das vantagens que advêm do comércio internacional. Partindo da formulação de Adam Smith, Ricardo demostrou a possibilidade de se verificarem vantagens mútuas não só nos casos em que ocorram vantagens absolutas de custos, como também naqueles em que se verificassem vantagens relativas. “Se na ausência do comércio, os preços relativos de dois bens diferem de um país para o outro, os dois países podem beneficiar de uma troca de bens com rácios intermédios de preços”; existem vantagens comparativas sempre que o rácio dos custos relativos de dois bens nos dois países sejam diferentes. Preços relativos é a quantidade de um outro bem que deve ser fornecida para se obter uma unidade do bem em causa numa troca no mercado.

Consequências da formulação Ricardiana: (i) Um país pode ter interesse em importar mercadorias que ele próprio produziria a um custo inferior ao do país onde as compra; (ii) Um país pode ter interesse em produzir mercadorias cujo é para ele mais desvantajoso, com a condição de obter, pela troca internacional, mercadorias que lhe custaria ainda mais caro se ele próprio as produzisse.

31 SALVATORE (1998). 32 KRUGMAN & OBSTFELD (2001) e SALVATORE (1998)

Segundo os clássicos, o comércio internacional contribui para o desenvolvimento económico, porque há benefícios mútuos para todas partes. E a especialização leva a deslocação da linha de fronteira de possibilidades de consumo (LFPC) para mais. 2. Estruturalista 33 Os estruturalistas dizem que existem vantagens no comércio externo, mas vantagens assimétricas, isto é, uma parte ganha a custa da outra, ou um perde em benefício do outro. Isto porque, segundo eles, beneficia os centros e prejudica a periferia por causa da deterioração dos termos de troca 34 . Aponta como razões de deterioração dos termos de troca: evolução tecnológica; pressões sindicais nos países desenvolvidos; políticas proteccionistas nos países desenvolvidos; curva de Engel (relaciona a procura de um bem e o aumento do rendimento, a medida que o rendimento aumenta a quantidade procurada diminui).

Pode existir comércio externo entre dois países quando houver diferenças das condições de capacidade de produção. Por exemplo, condições de clima, de recursos, etc; criam condições para a troca: Suponhamos que nos dois países tem o mesmo produto (ver gráfico 3, anexo II), onde Pa é preço do bem no país A, Pb é o preço do bem no país B, X é a exportação e Z é a importação (o país A exporta e o país B importa). A primeira condição para que haja comércio internacional é: se o preço do país de importação for inferior que o preço do país importador. A segunda condição é: se o preço do país A for menor que o preço do mercado internacional e menor que o preço do país B (Pa < P M.I. < Pb). E isso faz com que o país exportador beneficia, prejudicando os consumidores e ganham os produtores porque P M.I. > Pa e no país importador acontece o contrário (Pb >

P M.I. )

2.3.3.1 Estratégias 35 - Substituição das importações de produtos primários (defendida pelos estruturalistas); Promoção de Exportações (defendida pelos clássicos); Diversificação.

  • 33 Conteúdo curricular da cadeira de Desenvolvimento Económico

  • 34 Termos de troca é o preço relativo pelo qual um país comercializa um dado produto com outro produto de um outro país. E calcula-se pelo rácio de Índice Preço Exportação e Índice Preço Importação.

  • 35 Conteúdo curricular da cadeira de Desenvolvimento Económico

As duas primeiras estratégias são complementares, isto é, temos que especializar e promover as exportações e ao mesmo tempo substituir as importações. A substituição das importações tem que ser selectiva e temporária.

Capítulo III – IMPACTO DA DÍVIDA EXTERNA NO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO DE MOÇAMBIQUE

3.1 Origem e Evolução da Dívida Moçambicana

Devido à herança colonial 36 , a sociedade civil era embrionária demais para dinamizar o aparecimento dum regime de desenvolvimento mais orientado para a via de economia de mercado; a estratégia de desenvolvimento económico tinha como objectivo explícito acabar com o subdesenvolvimento num período de dez anos (Abrahamsson & Nilsson, 1995: iii e 6). Em Moçambique, o efeito imediato provocado pela independência foi o de mergulhar o país numa profunda recessão; durante o ano subsequente assistiu-se à saída maciça de quadros portugueses (Newitt, 1997: 472-478).

Segundo Newitt (1997), antes deste êxodo verificara-se uma queda de diversos indicadores, agravada pelos efeitos da guerra Israelo-árabe em 1973, guerra fria, as fortes chuvas que inundaram algumas zonas agrícolas vitais, incluindo o Vale do Limpopo, seguindo-se um período de seca que durou até 1982 e que "levou a população do país quase à beira da fome"; esta degradação da economia agrícola afectou todos os sectores. Para Silva 37 , estes factores contribuíram ainda para a criação de dívidas de importação e “a estratégia de desenvolvimento permitiu um total monopólio pelo poder do Estado, e a sua hegemonia sobre todas as forças económicas e políticas 38 ”.

Apesar do crescimento económico verificado nos primeiros sete anos depois da independência, a estratégia de desenvolvimento moçambicana, ainda não estava consolidada para que o país pudesse sozinho, fazer face aos efeitos da desestabilização e à seca; E mostrou ser a menos adequada para a solução dos problemas económicos preconizados pelo Estado 39 (Abrahamsson & Nilsson, 1995; Silva 40 ).

  • 36 A capacidade administrativa do estado e a capacidade de gestão política, bem como as forças do mercado, estavam muito pouco desenvolvidas.

  • 37 Disponível na internet via: http://www.ces.fe.uc.pt/emacipa/gen/mozambique.html

  • 38 ADAM (1997), citado por SILVA.

  • 39 Tinham marginalizado os camponeses familiares a favor do desenvolvimento de uma agricultura mecanizada, destruindo assim o sistema que havia garantido a maior parte da produção para consumo interno e uma parte de produção para exportação.

  • 40 Disponível na internet via: http://www.ces.fe.uc.pt/emacipa/gen/mozambique.html

Nos princípios da década de 80, a situação económica do país transportava já sinais alarmantes (Silva 41 ): (i) crescimento do nível de importações sem que houvesse disponibilidade de divisas; (ii) os subsídios estatais à educação, saúde e despesas correntes do sector estatal incluindo as empresas estatais levavam um déficit no orçamento do Estado. Isto resultou no endividamento público interno e externo 42 ;

Os dados existentes indicam que o elevado endividamento do país ocorreu depois de 1979, isto porque, depois deste ano o país começou a acumular elevados montantes de passivos externos e antes deste ano o nível de reservas disponível era suficiente para financiar a conta corrente do país (Navalha, 2002: 5). O surgimento da dívida externa dos países subdesenvolvidos e a moçambicana em particular pode ser atribuída a um conjunto de factores de natureza macro-económica, destacando-se 43 : A problemática da falta da poupança interna e o problema da procura interna.

De um modo geral, Navalha (2002: 10) diz que, os factores acima apresentados podem ser considerados as causas primárias do problema da dívida externa moçambicana e o seu agravamento está associado a outro conjunto de factores. Assim, conclui-se que:

os choques externos, factores políticos, políticas económicas domésticas e de financiamento e refinanciamento dos credores, os desastres naturais são factores que contribuíram para o agravamento da dívida externa do país.

3.5 Soluções para Redução do Peso da Dívida

Para fazer face aos efeitos das calamidades naturais, guerra, desestabilização da África do Sul e a necessidade de receber ajuda alimentar para superar a crise económica levaram o Estado a redifinir a sua política externa (Hanlon, 1997; Silva 44 ; Abrahamsson & Nilsson, 1995).

Navalha (2002), diz que, a adesão do país ao FMI e BM, foi a primeira medida e talvez a mais importante de todas, pois com ela o país passou a ter acesso a empréstimos

  • 41 Disponível em: www.ces.fe.uc.pt/emacipa/gen/mozambique.html

  • 42 Ver gráfico 4 (anexo III)

  • 43 NAVALHA (2002: 8 e 9).

  • 44 Disponível na internet via: http://www.ces.fe.uc.pt/emacipa/gen/mozambique.html

mais concessionais bem como a mecanismos tradicionais de alívio da dívida externa, através de cancelamento, reescalonamento, conversão em investimentos e “buy-back”, no âmbito do Clube de París, factores fundamentais para evitar a crise e a capitalização constante de juros. Apesar dos alívios que o país se beneficiou no âmbito do Clube de Paris (quadro 5, anexo III) terem permitido a uma redução do serviço da dívida e vários governos credores tomaram iniciativas individuais de cancelamento da dívida do país, o seu peso continuava insustentável.

3.3 Moçambique e a Iniciativa HIPC

Navalha (2002: 26) diz que, o nível de pobreza do país traduzido nos indicadores constantes no quadro abaixo e os vários rácios da dívida calculados, revelaram um nível insustentável da dívida externa e foram determinantes para a elegibilidade do país à iniciativa. Os directores executivos do FMI e BM acordaram que Moçambique era elegível a iniciativa HIPC tomando em consideração 45 : (i) O elevado peso da dívida externa (com base nos rácios de sustentabilidade); (ii) O reconhecido nível de pobreza do país aliado a vulnerabilidade do país a choques externos; (iii) O bom desempenho económico do país (redução da inflação, crescimento acelerado do PIB e estabilização da taxa de câmbio); e (iv) O bom desempenho do processo de reformas e economias em curso desde 1997.

Africa

Moçambique

Indicadores

Subsahariana

  • 90 PNB per capita (USD, 1996)

490

  • 47 Esperança media de vida a nascença

52

128

Mortalidade infantil (por 1000)

92

1100

Mortalidade materna (por 100 000)

700

  • 60 Alfabetizaçao (% populaçao > 15 anos)

43

  • 61 Gross Primary

71

  • 45 Dos quais mulheres

64

Quadro 2 - Principais Indicadores Sociais Fonte: FMI/Governo de Moçambique, in Navalha (2002)

45 Segundo NAVALHA, 2002:28.

O quadro 6 (anexo IV) mostra o total da assistência HIPC no Completion Point. De modo global, o impacto da iniciativa HIPC na economia moçambicana foi o seguinte 46 :

  • a) No período de 2000 e 2006, a média de pagamentos da dívida passou a ser 56.0 milhões de USD contra uma média de 113.0 milhões de USD pagos anteriormente;

  • b) Comparando o serviço da dívida previsto com e sem o HIPC, nota-se o nível de poupança que resultou com a iniciativa (a poupança média anual, no período 2000/6, com o HIPC atinge os cerca de 115 milhões de USD ao ano;

  • c) A carga fiscal da dívida também caiu significativamente, de um rácio de VAL sobre as receitas de 610% em finais de 1998, reduziu para cerca de 100% em 2010;

  • d) O rácio serviço da dívida sobre as receitas de exportação caiu de 30% em 1998, para 4% até 2010 e menos de 4% depois de 2010;

  • e) A carga fiscal medida pelo serviço da dívida em relação as receitas fiscais, previa- se reduzir o peso de 30% para cerca de 10%;

  • f) O rácio VAL da dívida sobre as exportações reduziu de 538% em 1998 para menos de 100%; e

  • g) Quanto aos sectores sociais, estava projectado um aumento dos gastos correntes na saúde e educação de cerca de 16% em termos reais durante 1999/2000, os gastos correntes orçados pelo Governo estavam projectados que aumentassem na saúde 9% em 1998, para 10% em 2000 e na educação de 18% em 1998, para 20% em
    2000.

A iniciativa HIPC visa sobretudo contribuir para alteração dos indicadores sociais do país, através da aplicação das poupanças pelo não pagamento do serviço da dívida em programas sociais, nomeadamente educação, saúde, fornecimento de água e saneamento e ainda desenvolvimento de infra-estruturas nas zonas rurais, em conformidade com o Plano de Acção para a Erradicação da Pobreza – PARPA (Navalha, 2002: 34 e 35).

3.4 Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta - PARPA (2001-2005)

É um documento elaborado pelo Governo de Moçambique sob a coordenação do Ministério do Plano e Finanças, contém a visão estratégica para a redução da pobreza e tem como objectivo principal a redução da pobreza absoluta. Considerava o Governo que

até 2005 era possível manter uma taxa de crescimento na ordem de 8% ao ano, e consequentemente reduzir a incidência da pobreza absoluta do nível de 70% em 1997 para menos de 60% em 2005, e menos de 50% por volta de 2010. “Os resultados do inquérito ao consumo doméstico mostram uma queda de 15.3% na incidência da pobreza, o número de agregados familiares pobres reduziu de 69.4% no inquérito de 1996-97 para 54.1% no inquérito de 2002-03 47 ”, tendo alcançado a meta do PARPA para 2005 (reduzir a incidência da pobreza para menos de 60% em 2005).

O PARPA define a pobreza como sendo a “incapacidade dos indivíduos de assegurar para si e para os seus dependentes um conjunto de condições básicas mínimas para a sua subsistência e bem-estar, segundo as normas da sociedade” (GoM, 2001. PARPA, 2001-05: 10). E apresenta uma estratégia de desenvolvimento baseada no mercado, onde o governo tem o papel principal de promover o investimento e produtividade, através do investimento em capital humano, desenvolvimento de infra- estruturas, programas para melhorar a qualidade das instituições públicas e políticas para uma gestão macro-económica financeira eficiente (GoM, 2001. PARPA, 2001-05). Em simultâneo a esta estratégia é ainda evidente o empenho do Governo em prosseguir políticas e desenvolver actividades que cobrem outras dimensões básicas da pobreza (a vulnerabilidade e empowerment). Concretamente, a estratégia de redução da pobreza em Moçambique é baseada em seis prioridades para a promoção do desenvolvimento humano e a criação de um ambiente favorável para o crescimento rápido, inclusivo e abrangente; são consideradas “áreas de acção fundamentais”: Educação, Saúde, Agricultura e Desenvolvimento rural, Infra-estrutura básica, Boa governação, e Gestão macro-económica e Financeira, porque são absolutamente essenciais para a redução da pobreza e para o crescimento, e também têm efeitos profundos e abrangentes (GoM, 2001. PARPA 2001-05). Os quadros dos anexos (V, VI e VII), apresentam os resultados de implementação do PARPA de alguns indicadores (valores observados e as metas de 2004, e as metas para 2005).

47 USAID, O Desafio do Desenvolvimento, Janeiro de 2005

3.5 ANÁLISE ECONOMÉTRICO 3.5.1 Análise das Variáveis, Testes de Hipóteses das Médias e das Variâncias da Amostra

Neste trabalho usar-se-á amostras de séries temporais, referentes à PIB e Dívida Externa de Moçambique para procurar estabelecer relações entre as duas variáveis, a função causal entre ambas e determinar os parâmetros da função no sentido de se retirar conclusões económicas, pelo método dos mínimos quadrados. Este método é aplicado para ajustar uma linha de regressão, “tal que a soma dos desvios ao quadrado seja mínima” (Woiler & Mathias, 1996: 75). Pelo critério dos mínimos quadrados, a linha (e a equação) de regressão que melhor ajusta é aquela para qual é mínima a soma dos quadrados dos desvios entre os valores observados e estimados da variável dependente para os dados amostrais.

A falta de registo de dados referente a dívida externa de Moçambique, levou a que o estudo se circunscrevesse numa amostra inferior a 30 ( 21 observações), embora não constituam uma amostra representativa, as duas variáveis contém dados aceitáveis para o tratamento estatístico: PIB e Dívida Externa, séries temporais que compreendem os anos de 1983 a 2003, foram computados e gravados no Excel, as amostras da população em estudo conforme o quadro 10 (anexo VIII).

Com recurso ao Eviews 4.0 na plamilha de trabalho importou-se os dados gravados no Excel e procedeu-se a representação gráfica para melhor visualização do comportamento das variáveis em estudo (gráfico 5, anexo IX). A análise gráfica mostra grandes oscilações no comportamento de cada uma das variáveis. Com os testes realizados no Eviews 4.0 e SPSS 10.1 sobre as variáveis PIB e Dívida, obteve-se pelo método dos mínimos quadrados, o modelo de regressão linear com a seguinte expressão analítica 48 :

PIB = - 0.657Dívida + 6364.677

(1)

onde: PIB é o valor estimado da variável dependente, dado um valor específico da

variável independente (Dívida); 6364.677 é o ponto de intersecção da linha de regressão

48 Ver quadro 11 (anexo X).

linear com o eixo do PIB regressão.

(ponto no qual Dívida =0); -0.657 é a inclinação da linha de

3.5.1.1 Testes dos Pressupostos

Quando um modelo de regressão é escolhido em uma pesquisa, deve-se verificar se ele é adequado para os propósitos a que se destina, uma ou mais características do modelo podem não se ajustar aos dados da amostra. É importante investigar a aptidão do modelo, antes de qualquer análise mais profunda dos resultados. Segundo Kazmier (2004), o objectivo principal da análise de regressão é predizer o valor da variável (dependente), dado que seja conhecido o valor da variável associada (variável independente).

Segundo Pinto & Curto (1999), a verificação das hipóteses é importante, porque toda a inferência estatística no modelo de regressão linear (testes de hipótese e intervalos de confiança) se baseia no pressuposto de que as hipóteses sobre o ε i se verificam. Caso as hipóteses sejam violadas, deve ser posta em causa a utilidade do modelo.

  • 3.5.1.1.1 Teste de Homoscedasticidade

O teste da hipótese é a seguinte:

Ho: a variância é constante (r 2 = 0) Ha: a variância não é constante (r 2 0) O resultado é que r 2 = 0.298145 ( quadro 11, anexo XI) com a probabilidade menor que 5% (Sig. F Change = 0.010), rejeita-se a Ho. Coeficiente de determinação (r 2 ) “mede quanto da variação observada é explicada pela regressão 49 “, isto é, é a percentagem da variação da variável dependente que é explicada pela variação da variável independente

  • 3.5.1.1.2 Teste de Autocorrelação dos µ i Ho: há correlação dos erros Ha: não há correlação dos erros

49 Woiler & Mathias, 1996

O resultado do Dw é 1.090708 (quadro 12, anexo X), sendo o Dw <1.5 concluí-se que existe correlação dos erros, violando assim este pressuposto.

  • 3.5.1.1.3 Teste de Normalidade dos µ i

Ho: µ i tem distribuição normal Ha: µ i não tem distribuição normal O gráfico 6 (anexo XI), mostra que a distribuição dos erros obedece ou tende à distribuição normal, não violando este pressuposto.

  • 3.5.1.1.4 Coeficientes Ho: b 2 = 0 Ha: b 2 0 p = 0.0104

; Ho: b 1 = 0 ; Ha: b 1 0 ; p = 0.0000

Os dois coeficientes (b 2 e b 1 ) tem probabilidades menores que 5% (p = 0.0104 e p

= 0.0000, respectivamente) o que leva a concluir que os coeficientes são significativos.

Assim, conclui-se que o modelo é racional,

r = 0.546027, isto quer dizer que,

existe uma relação inversa negativa entre o PIB e a dívida externa e a sua extensão é 0.54, isto é, quanto maior for ao dívida externa menor será o PIB. O r 2 = 0.298145, significando que somente 29.8% da variação da variável dependente (PIB) é explicada pela variação da variável independente (dívida externa).

A correlação entre as variáveis é provada pela estatística Durbin-Watson cujo o valor é 1.090708, bem distante da vizinhança normal que é 2 e a probabilidade P(F- statistic) = 0.010446, o Dw está acima do coeficiente de determinação (r 2 = 0.298145), o que revela que o modelo seleccionado é explicativo com relação ao comportamento normal da população. Apesar deste modelo violar alguns pressupostos:

homoscedasticidade e autocorrelação dos µ i,

Capítulo IV – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 4.1 CONCLUSÕES

Este trabalho analisou a problemática da dívida externa e o seu impacto no desenvolvimento económico de Moçambique e estimou um modelo de determinação do PIB dado qualquer valor da dívida externa. Para efeito de análise, tomou-se em consideração o período de 1983 a 2003, para a qual haviam informações.

Divida externa é um termo que implica a existência de um débito de um país para com o outro. Um país tem capacidade de financiamento quando a poupança doméstica é maior que o investimento doméstico, e o seu oposto é uma necessidade de financiamento. E a crise da dívida externa resultou de uma combinação de factores externos e internos.

Os dois modelos de desenvolvimento apresentados no presente trabalho, enfatizam a necessidade de existência da poupança que deverá ser investido produtivamente para se ter o desenvolvimento económico. E políticas que aumentam a taxa de poupança estimulam o crescimento da economia a curto prazo. Para termos um crescimento a longo prazo, a economia deverá operar com tecnologias cada vez mais produtivas. Existência de poupança interna é importante para financiar despesas de investimento, evitando o recurso do financiamento externo , que foi um dos principais factor do surgimento da dívida dos países africanos.

Neste trabalho, em relação as estratégias de desenvolvimento económico, concluí- se que: i) Os investimentos governamentais em capital humano, infra-estruturas e em pesquisa agrícola são importantes para a melhoria de produtividade agrícola, isto pode ser ao mesmo tempo factor de promoção do crescimento e de diminuição da pobreza; ii) O desenvolvimento industrial tem importância estratégica e fundamental, pois existe uma grande demanda potencial a ser atendida, por um crescimento da oferta de produtos industriais. Cabe a industria expandir as exportações, substituindo de forma competitiva as importações contribuindo para diminuir o défice de transações correntes; iii) Há uma correlação positiva entre o rápido crescimento das exportações e o rápido crescimento económico. As políticas de livre comércio e algumas taxas de protecção são fundamentais para o alto crescimento.

O período que se seguiu as independências africanas caracterizou-se no geral pela estratégia de substituição das importações pela industrialização. Moçambique opta por economia centralmente planificada; a industrialização, a modernização da agricultura iria garantir a substituição das importações valorizando o produto nacional para o consumo e para as exportações. O modelo inicialmente positivo veio a falhar pelos seguintes factores: o avanço da guerra fria, o avanço da guerra civil, secas cíclicas, fortes chuvas, crise do petróleo dos anos 70, diminuição de contratos de moçambicanos na África do sul, rompimento do acordo entre o país e a África do sul (que previa o pagamento dos trabalhadores em ouro), encerramento da fronteira entre Moçambique e o Zimbabwe.

Os vários rácios da dívida do país revelaram um nível insustentável da dívida externa e foram determinantes para a sua elegibilidade a iniciativa HIPC. Iniciativa essa que permitiu ao país reduzir a dívida externa para níveis sustentáveis, e consequentemente uma redução do serviço da dívida. Na implementação do PARPA 2001-05, o Governo priorizou acções que possam contribuir para o crescimento económico sustentável e a redução da pobreza e das desigualdades sociais. Dados existentes mostram que várias acções foram tomadas e houve melhorias nos indicadores das consideradas “áreas de acção fundamentais”, mas ainda há muito por fazer.

A equação estimada da determinação do PIB, obtido pelo método de mínimos quadrados, apresentou bons resultados, sendo que os coeficientes foram estatisticamente significativos. O coeficiente estimado do PIB tem sinal negativo, assim, concluí-se que a dívida teve um impacto negativo sobre o desenvolvimento económico de Moçambique e somente 29.8% da variação do PIB é explicada pela variação da dívida externa e o restante (70.2%) é explicada por outras variáveis não incluídas no modelo.

4.2 RECOMENDAÇÕES

Num país com a dimensão territorial como o nosso e com o tamanho da sua população, é importante que qualquer projecto nacional contemple uma política industrial, agrícola, comercial e de serviços de valor acrescentado, que permita

aumentar a base da nossa economia, elevando a taxa de eficiência dos seus processos produtivos; Vários instrumentos devem ser utilizados de forma coordenada para alcançar o desenvolvimento económico, são exemplos: formação e treinamento de quadros profissionais qualificados a operar em vários sectores, uma política activa de abertura do mercado; Existência de políticas que aumentem a taxa de poupança e estimulem o uso de tecnologias; Como grande parte da população do país vive no meio rural, optar por uma agricultura familiar altamente produtiva ou pela agricultura de escala com uso intensivo de força de trabalho é recomendável para reduzir a pobreza via sector agrário. Também é necessário que se decida como o país irá exportar: exportar matéria-prima ou se vai acrescentar valor via transformação industrial, o que é importante para reduzir o défice comercial; O investimento em capital físico e no emprego produtivo mostrou-se incapaz de diminuir a pobreza e desigualdade social, a solução avançada para promover a melhoria das condições de vida dos indivíduos e, consequentemente, das comunidades onde estes estão inseridos é o investimento no capital humano. O país deve continuar apostar em investir nos sectores que permitirão a longo prazo retornos individuais e sociais para a sua população (sector de educação e saúde); O presente trabalho considerou apenas uma variável independente (dívida externa) para análise da situação do país, sugere-se que os próximos estudos relacionados com o tema estudem outras variáveis (consumo, investimento, gastos do governo, exportações ou importações); Para se sair de uma economia de endividamento para financiar o desenvolvimento económico é necessário o crescimento do PIB real anual (8 a 10%), redução dos gastos do governo, redução das importações e o aumento das exportações.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • 1. ABRAHAMSSON, H. e NILSSON, A.; 1995. Ordem Mundial Futura e Governação Nacional em Moçambique: “Empowerment” e espaço de manobra. Maputo: Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais do Instituto Superior de Relações Internacionais.

  • 2. Balanço do Plano Económico e Social de 2004.

  • 3. ELLERY Jr., Roberto; 2002. Crescimento e Desenvolvimento Social e Económico. Disponível na internet via: http://www.robertoellery.com.br/teaching/crescimento.pdf [data de acesso: Setembro de 2005].

  • 4. GDM – Grupo Moçambicano da Dívida. 2004. Dívida Pública de Moçambique:

O endividamento externo e interno e considerações sobre suas ligações com a pobreza e desenvolvimento. Maputo: CIEDIMA.

  • 5. GoM- Governo de Moçambique. 2001. Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta, 2001-2005 (PARPA).

  • 6. KAZMIER, L. J.; 2004. Estatística Aplicada à Economia e Administração. São Paulo: Makron Books.

  • 7. KRUGMAN, P. R. e OBSTFELD, M.; 2001. Economia Internacional: Teoria e Política. 5ª ed. São Paulo: Pearson Education.

  • 8. LIMA, Alex; 2004. A História da Dívida Externa Brasileira. Disponível na internet via: www.noticiasforenses.com.br/artigos/nf189/online/alex-lima2-198 [data de acesso: Novembro de 2005]

  • 9. MEDEIROS, E. R.; 2000. Economia Internacional. 6ª ed. Lisboa: ISCSP.

10. MORAES, R. C. C.; 2004. Nota Sobre a Economia do Desenvolvimento nos

“vinte e cinco gloriosos” do Pós-guerra. Disponível na internet via

http://www3.usal.es/~dpublico/areacp/Doctorado0406/Seminario0405/Reginaldo0

4.PDF [data de acesso: Setembro de 2005]. 11. NAVALHA, F. D.; 2002. A Problemática da Dívida Externa (o caso moçambicano). Maputo: CDI – Banco de Moçambique. 12. NEWITT, M.; 1997. História de Moçambique. Publicações: Europa-América. 13. Pinto, J.C.C. e Curto, J.J.D.; 1999. Estatística para Economia e Gestão:

Instrumentos de Apoio à Tomada de Decisão. 1ª ed. Lisboa: Edições Sílabo.

14.

Proposta do Plano Económico e Social para 2000.

  • 15. Proposta do Plano Económico e Social para 2001.

  • 16. Proposta do Plano Económico e Social para 2002.

  • 17. Proposta do Plano Económico e Social para 2003.

  • 18. Proposta do Plano Económico e Social para 2004.

  • 19. REIS e seus co-autores; 2003. Estatística Aplicada. Vol. 1. 4ª ed. Lisboa: Edições Sílabo.

  • 20. SACHS, J. e LARRAIN, F. ; 2000. Macroeconomia em Economia global. São Paulo: Makron Books.

  • 21. SALVATORE, D. ; 1998. Economia Internacional. 6ª ed. Rio de Janeiro : LTC editora.

  • 22. SARRIS, A. H. ; 2001. O Papel da Agricultura no Desenvolvimento Económico e na Diminuição da Pobreza: Uma Base Empírica e Conceitual. Disponível na internet via http://www.nead.org.br/download.php?form=.pdf&id=46[data de acesso: Setembro de 2005].

  • 23. SERRA, A. M. A.; 2003. O Problema da Dívida Externa: origens, evolução e busca de solução. Disponível na internet via http:// www.iseg.utl.pt/disciplinas/mestrados/dci/dcipedcap6.htm [data de acesso: Setembro de 2005].

  • 24. SILVA, Teresa M. da Cruz e; (s.d.). Moçambique: Um Perfi. Disponível na internet via http://www.ces.fe.uc.pt/emancipa/gen/mozambique.html.

  • 25. USAID; 2005. O desafio do Desenvolvimento. Disponível na internet via http://www.usaid.gov/mz/developmet_challenge_po.htm [data de acesso: Agosto de 2005].

  • 26. WOILER, S. e MATHIAS W. F.; 1996. Projectos, Planejamento e Análise. São Paulo: Editora Atlas.

Anexo I

60 50 40 30 20 10 0 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989*
60
50
40
30
20
10
0
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989*
-10
-20

An o s

Gráfico 1- O colapso dos empréstimos internacionais às nações em desenvolvimento na década de 1980 (valores em biliões de USD). Fonte: FMI, International Capital Markets, Abril de 1990, in Sachs & Larrain (2000:753). (*) Somente os três primeiros trimestres.

(em biliões de USD)

1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992

27.9

49.6

38.2

-8.5 -41.0 -38.4 -20.6 -53.6 -51.5 -56.5 -59.1 -13.8 -16.8

Quadro 3- Recursos transferidos para os PVD (1980-1992) Fonte: FMI, World Economic Outlook, 1982-1992; in Navalha (2002)

π e w

Ls π w Ld L * L (Pleno emprego) Gráfico 2 - Oferta ilimitada de trabalho
Ls
π
w
Ld
L *
L (Pleno emprego)
Gráfico 2 - Oferta ilimitada de trabalho

Anexo II

 

s = 0,10

s = 0,15

 

s = 0,20

 

s = 0,25

Ano

capital

produto

capital

produto

capital

produto

capital

produto

001

 

1

1

1

1

 

1

1

 

1

1

002

0,9555

 

0,9842

1.0033

1.0012

1.0511

1.0176

1.0989

1.0335

003

0,9158

0,9697

1.0063

1.0022

1.0984

1.0334

1.1919

1.0634

004

0,8802

0,9563

1.0091

1.0031

1.1421

1.0476

1.2791

1.0900

005

0,8484

0,9441

10116

10041

11824

10604

13604

11137

.

.

.

.

.

.

.

 

.

.

025

0,5960

0,8343

1.0330

1.0114

1.5467

1.1649

2.1281

1.3026

.

.

.

.

.

.

.

 

.

.

050

0,5593

0,8160

1.0364

1.0126

1.6077

1.1808

2.2614

1.3305

.

.

.

.

.

.

.

 

.

.

075

0,5560

0,8143

1.0367

1.0127

1.6134

1.1822

2.2739

1.3331

.

.

.

.

.

.

.

 

.

.

098

0,5557

0,8141

1.0367

1.0127

1.6139

1.1823

2.2749

1.3333

099

0,5556

0,8141

1.0367

1.0127

1.6139

1.1823

2.2749

1.3333

100

0,5556

0,8141

1.0367

1.0127

1.6139

1.1823

2.2749

1.3333

Quadro 4 - Capital e Produto no Modelo de Solow

 

P

P P

P

P P

Pa

Pb X P M.I. Z Q
Pb
X
P M.I.
Z
Q
Pa Pb X P M.I. Z Q
 

Q

 

País A

País B

Gráfico 3 - Condições para que haja comércio externo entre dois países.

Anexo III

0 7,000 6,000 5,000 4,000 3,000 2,000 1,000 Milhoes de USD 1987 1989 2001 2003 1997
0
7,000
6,000
5,000
4,000
3,000
2,000
1,000
Milhoes de USD
1987
1989
2001
2003
1997
1999
1993
1995
1985
1991

Ano s

  • Div.

Bila te ra l

  • D iv.

Multila teral

  • Ba nc os Come rc ia is

  • Tota l Ge ra l

Gráfico 4 - Stock da Dívida Externa do País, 1985-2004

Data do Acordo

Periodo

%

da

de Divida

Consolidaçao cancelada

Montante Reescalonado

Termos

Reescalonamento

de

Reescal. I 25/Out/84

Reescal.

II 10/Jun/87

Reescal. III 14/Jun/90 Reescal. IV 23/Mar/93 Reescal. V 21/Nov/96

12 (meses)

19

(meses)

30 (meses)

12 (meses)

48 (meses)

Emenda ao V Reescal. (1998)

Reescal.

VII

09/Jul/99

Reescal VIII

2001

0

0

33.3%

50.0%

67.0%

80.0%

90.0%

95.0%

312

(milhoes

de

USD)

506

(milhoes

de

USD)

844 (milhoes de USD)

497

(milhoes

de

USD)

644

(milhoes

de

USD)

10 anos de pagamento 11 anos de graça e 10 de pagamento Termos de Toronto(1) Termos de Londres (2) Termos de Napoles (3) Termos de Lyon (4) Iniciativa HIPC/ Termos de Colonia Iniciativa HIPC/ Termos de Colonia

Quadro 5 - Montantes e Termos de Reescalonamento com o Clube de Paris Fonte: BM/MPF, in Navalha (2002:16)

Anexo IV

Divida Multilateral

Total da Divida Divida Bilateral IDA FMI BAD

Outros

No Decision Point-HIPC orig. (para alcançar os 200%) No Completion Point-HIPC ref. (para alcançar os 150%) Memoria VAL da Divida Clube de Paris (incluindo Brasil e Excluindo Russia) Russia Outras Bilateral Comercial Media das Exportaçoes (3 anos) VAL da Divida/Exportaçoes

1442

916

1716

1076

306

194

2731

1712

...

1129

...

205

...

302

...

76

507

538

526

95

352

115

62

18

564

168

98

119

22

202

38

55

9

86

Quadro 6 - Total da assistencia HIPC no Completion Point Fonte: IDA/FMI 1999 e FMI 2001

(1 - δ)K t I t K t+1 = + ⇒ A t+1 N t+1 A
(1 - δ)K t
I t
K t+1
=
+
A t+1 N t+1
A t+1 N t+1
A t+1 N t+1
(1 - δ)K t
I t
K t+1
=
+
(1 + γ)A t (1 + η)N t
(1 + γ)A t (1 + η)N t
A t+1 N t+1
K t
I t
K t+1
(1 + γ)(1 + η)
=
(1 - δ)
+
A t N t
A t N t
A t+1 N t+1

Equação 5 – do modelo de Solow.

Anexo V

Programa do Governo

PARPA

 

Prioridades

Indicadores

 

Metas

Objectivos

Áreas

Sub-áreas

 

Objectivos

Acções

2004

2004 obs.

2005

2006

Estratégico

 

Redução da

Educação

Ensino

Escolarização

Implementar

Taxa líquida

       

pobreza

Primário

 

Universal

o Plano

de

72%

75.6%

76%

80%

através da

-

aumento do

Estratégico

escolarização

orientação

acesso e

2004-2008

EP1

privilegiada

redução das

dos serviços

desistências;

Taxa líquida

69%

73.2%

74%

78%

públicos

-

Melhoria da

de

para as

qualidade;

escolarização

populações

-

Redução das

raparigas EP1

mais

disparidades

Taxa de

 

Sem

   

carentes

de género.

conclusão

43%

dados no

48%

53%

EP1

momento

Taxa de

conclusão de

36%

41%

52%

raparigas EP1

Infra-

Estradas

Melhoria de

Reabilitar e

Kms

813

819

1,160

705

estruturas

rede nacional

melhorar a

reabilitadas;

rede

Kms

1,392

514

2062

2001

nacional;

manutenção

Melhorar o

periódica;

13,578

9,653

14,343

15,247

sistema de

Kms

Procurement

manutenção

execução de

rotina

obras e

serviços

Água

Aumento do

Abrir poços,

Percentagem

41%

41%

43.4%

45.8%

acesso

estabelecer

populacional

novas

com acesso à

ligações

Saneamento

Aumento do

Latrinas

água potável Percentagem

35%

35%

37%

39%

acesso

melhoradas,

populacional

fossas

sépticas

com acesso a serviço de saneamento

Quadro 7 – Resultados de implementação do PARPA (educação e infra-estrutura)

Anexo VI

Programa do Governo

PARPA

Prioridades

Indicadores

 

Metas

 

Objectivos

Áreas

Sub-áreas

Objectivos

Acções

2004

2004

2005

2006

Estratégico

obs.

Redução da

                 

pobreza

         

através da

Saúde

Materno-

Redução da

Aumentar a

Partos

47%

49%

49%

51%

orientação

Infantil

mortalidade

oferta de

institucionais

privilegiada

da materna

cuidados

dos serviços

obstétricos

públicos

Redução da

Aumentar a

Taxa de cobertura

95%

96%

95%

95%

para as

mortalidade

cobertura de

< 1 ano DPT3 e

populações

infantil

PAV

Hepatite B (3-23

mais

meses)

carentes

 

Aumentar o

Expandir o

Índice de

0.91

1.02

0.93

0.94

acesso aos

acesso ao

utilização :

serviços

tratamento para

Consultas

básicos de

as doenças

externas/habitante

saúde

transmissíveis

e não-

transmissíveis

HIV/Sida

CNCs

Redução de

Iniciar a

Taxa de

14.9%

13.6%

15.6%

16.1%

índices de

implementação

prevalência do

infecção e

do PNCS II

HIV/Sida adultos

mortalidade

Reduzir a

Número de

vertical

  • 8000 4000

 

15000

20000

transmissão

mulheres

vertical

grávidas e

neonatos com HIV que recebem profilaxia para efitar a transmissão

Aumentar o

Número de

  • 4000 8000

 

10000

29000

acesso aos

pessoas vivendo

retrovirais

com HIV/Sida

que retrovirais

Quadro 8 – Resultados de implementação do PARPA (saúde).

Anexo VII

Programa do Governo

PARPA

Prioridades

Indicadores

 

Metas

 

Objectivos

Áreas

Sub-

Objectivos

Acções

2004

2004

2005

2006

Estratégico

áreas

obs.

Redução da

Agricultura e

Serviços

Promoção

Aumentar a

Percentagem das

20%

....

21%

22%

pobreza

Desenvolvimento

Agrários

de

abrangência

explorações

através da

rural

produção

dos serviços de

agrárias assistidas

orientação

agrícola

extensão

pelos serviços de

privilegiada

agrária

extensão com/ou

dos serviços

pécuaria durante

públicos

os 12 meses

para as

anterior (Públicos,

populações

Privados, ONG)

mais

Facilitar o

Clientes

80000

60000

90000

100000

carentes

acesso ao

microcrédito

financiamento

Estimular os

Percentagem

54.5%

 

57%

59.5%

mecanismos de

produção de

mercado

cereais

efectivamente

comercializada

(selecção de

cereais)

Gestão

Acesso a

Simplificar

Número de

2500

2117

3000

3200

dos

terra

mecanismos de

Recursos

tramitação do

processos tramitados no

naturais

direito de uso e aproveitamento de terra

prazo de 90 dias

Promoção

Promover o uso

Percentagem de

rega

11.5%

 

12%

12.5

da

sustentável de

exploração

técnicas de

pequenas e médias

sustentável

rega

explorações que

usam técnicas de

Estimular a

Percentagem de

22%

34%

30%

40%

gestão

concessões em

comercial

Plano Maneio

sustentável dos

aprovado

recursos

naturais

Quadro 9 – Resultados de implementação do PARPA (agricultura e desenvolvimento rural).

Anexo VIII

(milhões de USD)

ANO

PIB USD

DIVIDA

 

ANO

PIB USD

DIVIDA

  • 1983 4,060.00

2,000.00

 
  • 1994 2,163.00

5,276.90

  • 1984 4,604.00

2,400.00

  • 1995 2,247.00

5,471.70

  • 1985 6,103.00

2,794.30

  • 1996 2,841.00

5,691.60

  • 1986 7,405.00

3,156.50

  • 1997 3,382.00

5,480.10

  • 1987 2,627.00

3,898.20

  • 1998 3,874.00

6,056.00

  • 1988 2,238.00

4,209.70

  • 1999 3,985.00

5,711.70

  • 1989 2,419.00

4,391.40

  • 2000 3,685.00

5,002.70

  • 1990 2,655.00

4,959.50

  • 2001 3,436.00

4,940.60

  • 1991 2,458.00

4,994.80

  • 2002 3,495.00

3,605.90

  • 1992 1,969.00

5,040.90

  • 2003 4,196.00

3,938.80

  • 1993 2,028.00

5,011.20

 

Quadro 10 - Evolução do PIB e da Dívida Externa do país (1983 – 2003)

Anexo IX

8000 7000 6000 5000 4000 3000 2000 Divida Externa 1000 PIB real 1983 1987 1991 1995
8000
7000
6000
5000
4000
3000
2000
Divida Externa
1000
PIB real
1983
1987
1991
1995
1999
2003
1985
1989
1993
1997
2001
ano
Mean

Gráfico 5 – PIB e Dívida externa de Moçambique (1983 – 2003)

Anexo X

 

a

Coefficients

 
   

Standardi

       

zed

Unstandardized

Coefficien

Coefficients

ts

% Confidence Interval for

Collinearity Statistics

Model

B

Std. Error

Beta

t

 

Sig.

Lower Bound

Upper Bound Tolerance

 

VIF

(Constant)

  • 1 364,677

 

067,560

 

5,962

 

,000

4130,249

8599,105

   

Divida Exter

-,657

,231

-,546

-2,841

,010

-1,141

-,173

1,000

1,000

  • a. Dependent Variable: PIB real

 
 

b

Model Summary

 

R Square

 

Change

F Change

df1

atson

,298

 

8,069

Quadro 11 – Coeficientes do modelo de regressão linear.

           

Change Statistics

   

Adjusted

Std. Error of

         

Durbin-W

Model

R

R Square

R Square

the Estimate

df2

Sig. F Change

 

,546 a

  • 1 ,261

,298

 

1184,332