POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA

:

A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E

AS TENDÊNCIAS ACTUAIS

CARLOS BRUM MELO
Portugal e as Relações Transatlânticas Mestrado em Relações Internacionais Universidade dos Açores

POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS

"Without energy there is no economy. Without climate there is no environment. Without economy and environment there is no material well being, there's no civil society, there's no personal or national security”.

John P. Holdren, Conselheiro Científico do Presidente dos Estados Unidos da América Barack Obama

CARLOS BRUM MELO
Trabalho de investigação para o seminário de Portugal e as Relações Transatlânticas, ministrada pelo Professor José de Medeiros Ferreira no 2.º semestre do ano lectivo de 2010/2011, no âmbito da 5.ª edição (2010/2012) do Mestrado em Relações Internacionais pela Universidade dos Açores.

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POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS

ÍNDICE
I.INTRODUÇÃO…………………...………………………………………………………………PÁG.03

II- POLÍTICA ENERGÉTICA II.I – VISÃO PARTILHADA………………..…………………………………………….PÁG.04 II.II – CONSTRUÇÃO EUROPEIA…………………………………………………….…PÁG.06 II.III – POLÍTICA EUROPEIA……………………….……………………………………PÁG.14

III – TENDÊNCIAS ACTUAIS III.I – ALEMANHA…………………………………………………………………….…PÁG.18 III.II –PAÍSES NÓRDICOS…….…………………………………………………………PÁG.19 III.III – PORTUGAL………….…………………………………………………………..PÁG.20 III.III.I – REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES…………………………..PÁG.20 III.IV – REINO UNIDO……………………………………………………………….…PÁG.22 III.V – FRANÇA…………………………………..………………………………………PÁG.24 III.VI – RÚSSIA…………………………………………………………………………..PÁG.25

IV - CONCLUSÃO……………………………………………..……………………………………PÁG.26 V - BIBLIOGRAFIA……………………………………………….…………………………………PÁG.29

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não só em termos de princípios e normas programáticas. reflectido pela importância em delinear o funcionamento dos processos de abastecimento. promover a competitividade e a sustentabilidade e ainda harmonizar o desenvolvimento económico. a energia disponibiliza os elementos (através das matérias-primas) primários para a sua acção. público ou privado. estabelecendo estratégias e implementando medidas. indústrias. Um destes pilares e o domínio energético. Fundamental no funcionamento de todo o ente. Nesta medida. o petróleo e o gás natural) enquanto elementos primários de potência para o desenvolvimento de produtos e serviços. consolidar as estruturas de produção e distribuição (capazes de adequar a oferta à procura). fazendo com que a criação e engenho humano encetassem um progresso caracterizado pelo recurso sistemático aos elementos naturais (primeiro a madeira. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. definindo prioridades. de fornecimento e de exploração dos recursos naturais. naqueles que são os seus pilares fundamentais a curto. efectivou-se em décadas.priberam. conforme se irá analisar. Na acção política. mas também as redes de fornecimento e infra-estruturas de aprovisionamento inquietam países. mas também o modo como se faz política interna e externamente. A rápida transição que se observou desde a utilização da madeira enquanto fonte de combustível até ao petróleo. depois o carvão. o estudo pormenorizado da política energética europeia. modos de vida dos cidadãos. apesar de implicar adaptações estruturais e comportamentais basilares. Nessa medida. através de “vigor. social e ambiental das gerações actuais e futuras. disponível em http://www. É por essa razão que a disponibilidade das matérias-primas. 3 . de dizer ou de querer”. o desenvolvimento de tecnologias de exploração e de produção. sem prejuízo de exibir uma visão essencialmente europeia do desempenho da União Europeia (UE) e da relação de vizinhança. permitirá verificar que o futuro dos cidadãos europeus depende em larga medida das decisões tomadas nesta matéria. colectivo ou individual. cumpre desenvolver um complexo normativo que perfilhe o rumo pretendido. o Estado estabelece um patamar de discussão e de regulação dos interesses da sociedade e dos seus cidadãos. médio e longo prazo. nos dias de hoje. actividade ou eficácia” 2.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS I – INTRODUÇÃO O conceito de energia1 reproduz a “maneira vigorosa de obrar. Os últimos dois séculos foram pautados por um crescimento civilizacional sem precedentes. A política energética centra-se no núcleo da actividade de qualquer estrutura.pt. É esse contexto que cumpre analisar a 1 2 Do grego “energeia”. empresarial ou familiar. os custos energéticos. de estruturas e subsequentemente. Cf. mas sobretudo ao nível de obrigações de facere e na adopção de medidas efectivas. de uma sociedade de tecnologia e de consumo.

htm. em 1945. A gradual mudança de comportamentos individuais e colectivos do ser humano perante a Natureza tem igualmente providenciado condições para que as instâncias decisórias estabeleçam metas ambiciosas para a sustentabilidade económico-social e ambiental. recolhendo o entendimento inequívoco de que a UE assume neste domínio a vanguarda política e tecnológica no contexto internacional actual.htm. por outro. político e jurídico na formação de substratos de equilíbrio e desenvolvimento económico e social. de forma individualizada. II – POLÍTICA INTERNA EUROPEIA II. em 1957. em países europeus de notória relevância na matéria. respeitando o princípio da subsidiariedade e as metas ambientais para o desenvolvimento sustentável. tornando possível gerar a convicção de que estamos perante um século que será marcado por uma revolução energética sustentável em termos económicos e ambientais. dos quais se extrai a relevância. http://europa. potência e multiplicidade de aplicações. e com a Comunidade Europeia da Energia Atómica (CEEA)4. Cf. Mais. Esta conceptualização formou-se com a criação da Comunidade Económica do Carvão e do Aço (CECA)3. tendo por base os tratados europeus e outros diplomas de relevo na UE.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS construção europeia. Em pleno período de desenvolvimento económico. Este percurso pretenderá assim demonstrar a preponderância do contexto histórico.eu/legislation_summaries/institutional_affairs/treaties/treaties_CEEA_pt. assume o objectivo de influenciar os modos de produção e consumo de energia.eu/ecsc/index_pt. tornando estas nas entidades responsáveis pela integração das indústrias do carvão e aço. destaque e princípios dominantes na política da energia. com o final da Segunda Guerra Mundial. os seis Estados Membros trilharam 3 4 Cf. rapidamente se verificou a alteração dos perfis energéticos a nível europeu e mundial. 4 . Na década de 50. procurar-se-á indicar as tendências actuais e futuras da decisão política em termos energéticos no contexto regional e.I – VISÃO PARTILHADA A política energética europeia. Com o petróleo a assumir crescente importância pela sua abundância. em 1960. susceptível de satisfazer 65% das necessidades energéticas dos seis países fundadores da Comunidade Económica Europeia. por um lado. o carvão era uma fonte de energia acessível e económica. http://europa. e pela nuclear. em 1951. e com a criação da Organização dos Países Produtores (OPEP). procurando salvaguardar e potenciar o crescimento económico e o bem-estar dos cidadãos europeus.

criou um de e de sentimento insegurança dependência deste bem vital para o funcionamento de todos os Estados-Membros. Com a crise petrolífera de 1973. e em especial à vontade da OPEP. Os efeitos da crise petrolífera foram intimidantes.com políticas. A UE figurou como o patamar de excelência na definição e uniformização das prioridades e metas. o fornecimento e o aprovisionamento tornaram-se questões de substancial relevo.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS um percurso individual 5. no decurso da Guerra de Yom Kippur. European Study Service.pdf. 5 . Neste acordo declararam o seu compromisso em desenvolver e implementar no futuro uma política energética comunitária (cujas linhas gerais só foram apresentadas no Memorandum da Comissão para o Conselho. em condições de competitividade e de sustentabilidade. presentes e futuras. 30/04/1964. a nível regional e externo6. de modo a garantir a segurança do transporte e aprovisionamento. 5 Com a excepção do Protocolo sobre Problemas de Energia. a nível interno e externo. sem definição conjunta de políticas nesta matéria. e famílias.eu/books/Book_2/. a fluidez da produção e distribuição. desde 1861 a 2009. impor limites de velocidade e introduzir restrições no aquecimento. Com a diminuição do receio da escassez de produtos. sociais e bélicos. até a procura crescer mais do que a oferta.moussis. Access to European Union – Law. indústrias Tornando inequívoca a urgência em erguer um sistema coerente de 1 – Quadro indicativo do preço petróleo.edu/5134/1/001612_1. companhias petrolíferas e países consumidores. Nicholas.pitt. Pela primeira vez. (2009). tornou-se necessário constranger a utilização de automóvel aos domingos. em 18 de Dezembro de 1968). de 21 de Abril de 1964. publicado no Jornal Oficial (JO). economics. tendo quadruplicado em meses o preço dos combustíveis fósseis e levantando inéditas dificuldades financeiras e limitações ao consumo. policies. a subida de preços e as suas consequências financeiras. verificada que foi a conversão da importância energética em instrumento de poder directamente correlacionado com aspirações de básica subsistência ou desenvolvimento. Disponível em http://aei. passando a estar em condições de ditar conflitos económicos. 18 edition. enquanto o seu fornecimento se manteve económico e seguro. Disponível em http://europedia. 6 th Moussis. alterou-se a relação de poder entre países produtores de petróleo. A exposição das vulnerabilidades das economias dos países europeus à vontade internacional. FONTE: energyforumonline. 069.

http://europa.as principais matérias-primas da época . Cf. Países Baixos e Luxemburgo. 2. Porém. Cf. II . em particular do sector privado. a dependência energética de combustíveis fósseis dos Estados-Membros permanecerá uma realidade nas próximas décadas. a despesa da UE foi de € 270 biliões em petróleo e € 40 biliões em gás. Actualmente.5% do seu Produto Interno Bruto é vertido em importações de energia7. o aumento do emprego e a melhoria do nível de vida. As atribuições preconizavam no art.tif. sector no qual se prevê um investimento na ordem de € 1 trilião. prevê-se que o mercado interno de energia aumente em 0. tinha por missão a contribuição para a harmonia da economia geral dos Estados-Membros e o estabelecimento de um mercado comum.6% a 0.CONSTRUÇÃO EUROPEIA O dia 18 de Abril de 1951 ficou marcado pela assinatura do Tratado de Paris que fundou a CECA8. Bélgica. e apesar dos investimentos em energias renováveis. II. Constituída pela Alemanha.8% o PIB europeu. estabeleceu as fundações para uma futura integração. Com progressiva competitividade em termos unitários pelos recursos energéticos. num domínio restrito. França. criando mais 5 milhões de empregos. por se considerar que este domínio carece de uma análise compreensiva dos diplomas jurídicos que incorporaram o espírito dos povos europeus no esforço da construção europeia. a uma parte da sua soberania em prol da Comunidade.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS Na UE. as quais são cada vez mais dispendiosas e responsáveis por 80% das emissões de gases de estufa (matéria na qual a UE assumiu desde 1997. o domínio energético constitui um autêntico pilar de actuação. visando a expansão económica. O primeiro considerando do Tratado confirma essa necessidade: CONSIDERING that world peace may be safeguarded only by creative efforts equal to the dangers which menace it. Até 2020. A Comunidade devia promover o estabelecimento de condições que garantissem autonomamente a repartição mais racional da produção. distinguindo-se por ser responsável pela primeira transferência de atribuições de um Estado para uma instituição europeia 9. papel de liderança a nível mundial).º. 2.para que deixasse de haver a possibilidade de um país mobilizar as suas forças armadas sem informar os restantes países (no rescaldo da Segunda Guerra Mundial).europa. http://eur-lex. estabelecida por um prazo de vigência de 50 anos. Nos termos do art. foi estabelecida com o objectivo de criar uma interdependência entre os sectores do carvão e do aço . Esta comunidade originária. 6 . 3.htm.eu/legislation_summaries/institutional_affairs/treaties/treaties_eec_pt. Itália.eu/en/treaties/dat/11951K/tif/TRAITES_1951_CECA_1_EN_0001. salvaguardando os níveis de emprego e a economia. 9 Considerado também como uma renúncia. em Quioto.º: 7 8 Em Fevereiro de 2011. permitindo a cada consumidor uma poupança de € 100/ano em eficiência energética.

cumpriu com os seus desígnios. 7 . A produção quadruplicou em relação à década de 50. onde se declarou que “para estes efeitos. os ministros concordaram quanto aos seguintes objectivos *…+ colocar à disposição das economias europeias energia mais abundante e mais barata”11.  Promover a expansão regular e a modernização da produção. Destaca-se a existência de uma Alta Autoridade com competência assente na informação que as empresas estavam obrigadas a fornecer e nas previsões de produção.  Promover nas indústrias a melhoria das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores.  Velar pelo estabelecimento dos mais baixos preços. Em Abril de 1956.  Garantir a todos os utilizadores do mercado comum. A sua organização componha-se por quatro títulos. instituições criadas. igual acesso às fontes de produção. preço e impacte ambiental. a ruina da Comunidade Europeia de Defesa.eu/legislation_summaries/institutional_affairs/treaties/treaties_ecsc_pt. sendo que o desenvolvimento tecnológico conheceu amplos progressos e o aço melhorou de qualidade. Comunicação da Comissão ao Conselho e ao Parlamento Europeu: Uma Política Energética para a Europa. http://europa. em Junho de 1955. resultaram dois projectos que correspondiam às duas opções decididas pelos Estados: 10 11 Cf. Com um balanço positivo. as ajudas à mobilidade e a formação. Cf. sendo complementarmente assistida de poderes de consulta e de verificação.  Promover o desenvolvimento do comércio internacional. assegurou o desenvolvimento equilibrado da produção. Os sistemas de gestão social compreendidos (como a reforma antecipada. facilitando as reestruturações e reconversões industriais necessárias. Esta vontade firmou-se na Conferência de Messina.htm. disposições económicas e sociais e ainda disposições gerais. de forma a evitar o seu esgotamento imponderado. de modo a permitir igual progresso. colocados em condições comparáveis. COM (2007) 1 final. Com os dados lançados para o processo de integração. atemorizou a estrutura da CECA.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS  Velar pelo abastecimento regular do mercado comum. e apesar das crises.  Velar pela manutenção das condições de incentivo às entidades privadas para o desenvolvimento e melhoramento dos potenciais de produção e para promoção de uma política de exploração racional dos recursos naturais. a distribuição dos recursos. tendo em conta as necessidades de países terceiros. por exemplo) revestiram-se também de primordial importância em períodos de crise10. com possibilidade de aplicação de multas e adstrições às entidades que não cumprissem com o exigido. referentes à Comunidade stricto sensu. em 1954. tornando premente consolidar o espírito europeu.

Do preâmbulo do Tratado que estabeleceu a CEEA13. O projecto foi concretizado em Roma. instituindo o mercado comum por intermédio da transformação das condições económicas das trocas comerciais e da produção no território da CEE.1. resolved to ensure the economic and social progress of their countries by common action to eliminate the barriers which divide Europe. http://eur-lex.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS  Criação de um mercado comum generalizado. in accordance with the principles of the Charter of the United Nations. Intending to confirm the solidarity which binds Europe and the overseas countries and desiring to ensure the development of their prosperity.eu/en/treaties/dat/11957K/tif/TRAITES_1957_CEEA_1_EN_0001. que instituíram. and calling upon the other peoples of Europe who share their ideal to join in their efforts. Recognizing that the removal of existing obstacles calls for concerted action in order to guarantee steady expansion. No segundo Tratado.tif. mais tarde. Anxious to strengthen the unity of their economies and to ensure their harmonious development by reducing the differences existing between the various regions and the backwardness of the less-favoured regions. constava: Recognizing that nuclear energy represents an essential resource for the development and invigoration of industry and will permit the advancement of the cause of peace *…+. *…+ Resolved by thus pooling their resources to preserve and strengthen peace and liberty. o âmbito de aplicação teve por objecto a exploração conjunta das indústrias nucleares dos Estados-Membros (incluindo pessoas singulares. balanced trade and fair competition. em Março de 1957.  Criação de uma comunidade da energia atómica. a intenção subjacente tinha por objectivo solidificar o domínio económico a um nível supranacional de cooperação.europa. a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a CEEA.eu/en/treaties/dat/11957E/tif/TRAITES_1957_CEE_1_EN_0001. 8 .europa. da constituição de futuros alargamentos.tif. respectivamente. onde foram assinados. No primeiro Tratado. affirming as the essential objective of their efforts the constant improvements of the living and working conditions of their peoples. Tais intenções consagraram-se na seguinte redacção12: Determined to lay the foundations of an ever closer union among the peoples of Europe. os Tratados de Roma. a melhoria do nível de vida e o desenvolvimento das relações com os outros países (art. mas também colocando a Comunidade ao dispor da estrutura político-funcional europeia e. Cf. empresas e instituições de direito público e privado).º). Resolved to create the conditions necessary for the development of a powerful nuclear 12 13 Cf. http://eur-lex.

segurança e relações externas. Anxious to create the conditions of safety necessary to eliminate hazards to the life and health of the public. em notificar investimentos nos sectores do petróleo. http://www. aprovisionamento. Particularmente relevante para o estudo em apreço resulta o disposto no Título II (arts.eu/legislation_summaries/institutional_affairs/treaties/treaties_CEEA_pt. ao mesmo tempo que consolidou as respectivas estruturas. e sobretudo em atenuar os efeitos das dificuldades de aprovisionamento de produtos petrolíferos (Directiva 73/238/EEC. through its many other applications. Com a reforma das instituições.º 1056/72 do Conselho.europa. http://www. lead to the modernization of technical processes and contribute.uc. entre outros. por um lado. http://europa. gás natural e eléctrico 18. 19 Directiva 73/238/EEC. Subdividido no Tratado da Carta e no Protocolo da Carta da Energia. com o armazenamento de resíduos radioactivos e com a não proliferação nuclear (ex.º a 106. naquele que foi designado o Acto Único Europeu20. 25/05/1972. publicado no JO. 15 Cf.º). Esta decisão unificou a estratégia seguida. to the prosperity of their peoples. 228.htm. estendendo a segurança nuclear15. 17 Cf. Convenção sobre a Segurança Nuclear). por exemplo. de 24 de Julho de 1973. protecção sanitária. por 14 Conforme sucedeu. know-how. 4. 21 Cf. 20 Cf. publicada no JO. de 30/06/1974. CEE e CEEA. o esparso conduto legislativo limitava-se à obrigação para os Estados-Membros em estabelecer stocks mínimos de produtos petrolíferos. tornou-se aplicável aos países candidatos. 9 . http://eur-lex.ena. http://europa. 18 Regulamento (CEE) n. criou um quadro especializado de cooperação internacional em matéria energética. ao determinar uma actuação harmonizada em matéria nuclear14. que disciplina o regime jurídico comunitário relativo ao desenvolvimento e investigação. enquanto medida de segurança 17. com a segurança operacional das instalações nucleares.do?uri=CELEX:31998D0181:PT:HTML.lu/?lang=2&doc=16994. de 18 de Maio de 1972. o primeiro procurou desenvolver o potencial dos países da Europa Central e Oriental. firmado em 1967. em 1987. investimentos.htm. de 24 de Julho de 1973)19.htm. Com o Tratado de Fusão16 (também conhecido por Tratado de Bruxelas). A Carta da Energia21.eu/legislation_summaries/energy/external_dimension_enlargement/l27071_en. e garantir a segurança do abastecimento de energia da UE. 16 Cf. simplificou-se o funcionamento das instituições europeias e criou-se um Conselho único para a CECA. preparou-se a adesão de Portugal e Espanha e agilizou-se o processo decisório no âmbito do mercado único. A CEEA evidenciou-se igualmente em sede de alargamento (sobretudo quanto aos países da Europa de Leste) pela circunstância de. Até ao período compreendido pela crise petrolífera.eu/LexUriServ/LexUriServ.pt/CI/CEE/pm/Tratados/AUE/AUE-f. em 1991. 120. Desiring to associate other countries with their work and to cooperate with international organizations concerned with the peaceful development of atomic energy. aprovada em nome da CECA e da CEEA.fd.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS industry which will provide extensive energy resources.

a criação de um Fundo de Coesão25. determinando que o Conselho. 129.europa. o impacte no ambiente e a harmonia com o princípio do crescimento sustentável. sem litoral e periféricas. Este esforço emergiu da vontade em reformar e aprofundar a relação europeia. Por sua vez. O mesmo artigo permite a introdução de medidas que afectassem consideravelmente a escolha de um Estado-Membro entre diferentes fontes de energia e a estrutura geral do seu aprovisionamento energético. No título III e IV deste Tratado. no que concerne às respectivas entidades encarregues de prosseguir as suas atribuições. Procedendo à alteração e renumeração dos artigos. fortaleceu-se o domínio energético já iniciado em Bruxelas e em Maastricht. ao comércio e trânsito dos materiais e produtos energéticos e à resolução dos litígios.º 2 do mesmo artigo reveste-se de particular importância.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS outro. Desta feita. 130. adoptava.º-B. 10 . a sua acção 22 23 Cf. mas também quanto ao processo decisório.º (previamente no art. à afectação dos solos. juntamente com a política de ambiente24. pela necessidade especial de se ligarem às regiões centrais da Comunidade.º2 do art.eu/pt/treaties/dat/11992M/htm/11992M. procedeu-se uma vez mais a alterações aos tratados da CECA e da CEEA. relativo ao ambiente).130. 174. e à gestão dos recursos hídricos. No domínio da energia. relativo às redes transeuropeias. Subsidiariamente. Em 1997. Semelhante aditamento surgiu no n. eficazes e sustentáveis. bem como da exigência internacional de uma posição firme da Comunidade após o colapso do comunismo na Europa de Leste e do processo de reunificação alemão. 25 Cf. sob proposta da Comissão. adaptando-as à adesão de futuros países. e após consulta do Parlamento Europeu e do Comité Económico e Social.html. estabelecendo que a Comunidade contribuiria para a criação e desenvolvimento das infra-estruturas dos transportes. das telecomunicações e da energia23. com a alteração da tónica constante do n. 24 Matéria à qual foi atribuída um estatuto de política (art. deliberando por unanimidade. o processo de construção europeia conheceu amplos desenvolvimentos com a assinatura do Tratado de Maastricht (ou sobre a União Europeia)22. No ano subsequente. entre outras. As disposições mais importantes do Tratado referem-se à protecção dos investimentos. o Protocolo ocupou-se da definição de princípios e objectivos de reforço da protecção do ambiente. O n. Proibiu-se ainda a interrupção ou redução do fluxo existente de materiais e produtos energéticos em caso de diferendo.º2 do art. medidas relativas ao ordenamento do território. de condições de mercado mais atractivas. o domínio energético europeu foi amplamente robustecido pelas preocupações ambientais que passaram a observar um enquadramento mais simplificado. A esta norma assistia.º-R. Protocolo relativo à coesão económica e social do Tratado. http://eur-lex.º-R a 130. procedeu-se à introdução do art. para as regiões insulares. comprometendo-se a Comissão a ter em conta em todas as suas propostas. através da promoção de eficiência energética.º-T). a alterações materiais no processo decisório e à consolidação dos tratados da UE e CEE. 130. funcionamento e disposições transitórias. com a assinatura do Tratado de Amesterdão efectivou-se a nova reforma das instituições.º-S.

http://eur-lex. a Bósnia-Herzegovina. http://eur-lex. tendo sido nesta sede apresentadas medidas relacionadas com o funcionamento. À margem das discussões sobre a reforma das instituições. manifestou a preocupação internacional dos Aliados em matéria de segurança ambiental. 29 Cf. a Antiga República Jugoslava da Macedónia.eu/pt/treaties/dat/12001C/htm/C_2001080PT. a composição das instituições. a Sérvia. cooperação (em particular. Com o Tratado de Nice29. http://www. 30 Cf. tais como reformas estruturais. Cf. O ano de 2006 assinalou a assinatura do Tratado que institui a Comunidade da Energia31. os sectores do carvão e do aço foram transpostos para o regime de direito comum do Tratado que institui a Comunidade Europeia30. e sem a celebração de um novo regime. 28 Cf. o debate em torno da energia teve pouco destaque. o Conceito Estratégico adoptado pelo Conselho do Atlântico Norte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (comummente denominada pela sigla inglesa NATO). afirmando que a interrupção dos recursos vitais poderia afectar os interesses de segurança dos mesmos. Nesta medida tem-se vindo a desenvolver acções em sede de operações de patrulha marítimas (desde o Estreito de Gibraltar a todo o Mar Mediterrâneo). a Croácia. o Montenegro.eu/LexUriServ/LexUriServ. no Diálogo do Mediterrâneo e na Iniciativa de Cooperação de Istambul) e sensibilização para a segurança energética28. http://europa. antecipando o final do prazo de vigência da CECA.php. 32 Os membros da Comunidade da Energia são a Comunidade Europeia. 31 Cf. criando finalmente as bases para um mercado interno de electricidade e de gás natural.000101.europa.do?uri=OJ:L:2006:198:0015:0017:PT:PDF. introduzindo-se pontuais alterações ao Tratado da CECA e CEEA.eu/pt/treaties/dat/12002E/pdf/12002E_PT.htm. bem como a Missão de Administração Provisória das Nações Unidas no Kosovo em conformidade com a Resolução n.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS passou a ser considerada como política autónoma. almejando uma economia com baixo teor de carbono27. Em Abril de 1999. 11 . http://eur-lex. e com as cooperações reforçadas. mecanismos de flexibilização e controle dos sectores mais poluidores. Este quadro integrou medidas de auxílio aos países em desenvolvimento e metas ambiciosas. assinado pela UE em 29 de Abril de 1998. em 2001. reunindo os 27 Estados-Membros da EU e 7 Estados e territórios europeus dos Balcãs32.eu/legislation_summaries/institutional_affairs/treaties/amsterdam_treaty/a15000_pt.pdf. no Concelho de Parceria Euro-Atlântica. Na génese destas alterações esteve também a celebração do Protocolo de Quioto. http://unfccc. investigação científica.htm?. com processo de decisão qualificado e com requisitos transversais às demais matérias26. a Albânia. em que este se comprometeu de forma séria e vanguardista em lutar contra as alterações climáticas. voltou-se a introduzir alterações no complexo normativo comunitário. em 24 de Julho de 2002.int/kyoto_protocol/items/2830.html.europa.int/cps/en/SID-4EDFBFD2-8FF93ABA/natolive/topics_49208. Com o desaparecimento desta. Esta Comunidade tinha por objectivos a criação de um quadro jurídico e comercial favorável aos investimentos (assegurando o 26 27 Cf.º 1244 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.nato. através de um quadro de cooperação para o desenvolvimento.europa.

com/.htm. todas as regiões e todas as famílias. tornaram a estrutura orgânica mais funcional. foi possível reforçar a legitimidade democrática europeia. Com o Tratado de Lisboa.tratadodelisboa. Arts. Este constructo político-jurídico inovador ao nível comunitário elaborou em torno da política da energia um leque de competências no que respeita aos objectivos comuns dos Estados-Membros. Passa a estar munido de personalidade jurídica. No dia 13 de Dezembro de 2007. efectivaram a personalidade jurídica da UE34. isto é. Conforme se demonstrou até esta fase. http://www. Este novo quadro e instrumentos jurídicos. reforçando o seu poder de negociação. simplificaram o processo decisório. concretizou-se um novo avanço na construção europeia. b) Assegurar a segurança do aprovisionamento energético da União. Por fim. conferiram poderes reforçados ao Parlamento Europeu e criaram um novo mecanismo de subsidiariedade entre os vários parlamentos e a UE. num espírito de solidariedade entre os Estados-Membros: a) Assegurar o funcionamento do mercado da energia. estabelece a seguinte redacção: 1.eu/legislation_summaries/enlargement/western_balkans/l27074_en. http://eur-lex. 191. 33 34 Cf. com a assinatura do Tratado de Lisboa. conjugando estes com a protecção ambiental33. o Tratado serve de base orientadora à acção europeia na resposta aos fenómenos da globalização. O Tratado introduziu maiores responsabilidades e garantias individuais aos Estados-Membros (como a liberdade de desvinculação da UE) e aos cidadãos (através da Carta dos Direitos Fundamentais e de uma maior representatividade política).eu/LexUriServ/LexUriServ. as conexões transfronteiriças. assinar tratados internacionais. Tratando-se de um domínio de interesse regional cujas problemáticas atingem todos os EstadosMembros.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS transporte. a segurança do aprovisionamento energético e a promoção de um diálogo em condições de competitividade com os países produtores de energia. de um espaço de regulação dos produtos energéticos. 36 Cf. uma resposta unitária da UE posiciona-se como a forma mais eficaz de salvaguardar a protecção do ambiente36. ao mesmo tempo que se consolidaram os princípios fundamentais da UE. passa a ter a capacidade para. constante do artigo 194. a nova base jurídica para a política energética europeia.europa. No âmbito do estabelecimento ou do funcionamento do mercado interno e tendo em conta a exigência de preservação e melhoria do ambiente. 35 Cf. das alterações climáticas e da energia35. http://europa.º do Tratado sobre o Funcionamento da UE37. Adaptando as instituições europeias e a sua organização. os tratados fundadores da UE não incluíam disposições normativas específicas nesta matéria.º a 193.º do Tratado sobre o Funcionamento da UE. em nome próprio. 12 . a política da União no domínio da energia tem por objectivos. a concorrência e o aprovisionamento estável e permanente).do?uri=OJ:C:2010:083:0047:0200:PT:PDF. 37 Cf. com a ressalva das normas e diplomas assinalados. e de um melhoramento da eficiência energética.

Sem prejuízo da aplicação de outras disposições dos Tratados. A liberdade de actuação da UE encontra-se igualmente limitada no que respeita às escolhas dos Estados-Membros das fontes e da estrutura do aprovisionamento energético (com a excepção constante da alínea c) do n. que permite suprimir esta liberdade de escolha. sem prejuízo da alínea c) do n. estabelece as medidas referidas naquela disposição que tenham carácter essencialmente fiscal. de diálogo e de cooperação efectiva em cenários de risco motivados por conflitos bélicos (como guerras civis). prevendo para o efeito o procedimento constante do art. e d) Promover a interconexão das redes de energia. por unanimidade e após consulta ao Parlamento Europeu.º do mesmo Tratado. 4. económicos (como a alta de preços dos bens energéticos) ou políticos (como a utilização das matérias-primas como “armas”).POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS c) Promover a eficiência energética e as economias de energia. Não afectam o direito de os Estados-Membros determinarem as condições de exploração dos seus recursos energéticos. o Conselho. No art. Em derrogação do n.º 2 do artigo 192. cabe ao Parlamento Europeu e ao Conselho a competência para legislar e cumprir com as atribuições definidas. a sua escolha entre diferentes fontes energéticas e a estrutura geral do seu aprovisionamento energético. Conforme dispõe o n. 2. conforme determina o princípio da subsidiariedade.º2 do artigo.º mantém-se a previsão da contribuição da UE para a criação e desenvolvimento da rede transeuropeia de energia.º 3.º2. mas também para a promoção da eficiência energética e interligação das suas redes de fornecimento (atentando aos nossos sublinhados).º. encontrando-se porem apenas legitimada para agir na medida em que seja capaz de alcançar os interesses dos EstadosMembros em condições mais favoráveis. 192. desde que recolha os requisitos cumulativos de decisão tomada por unanimidade e originada por razões ambientais).º2 do art. 122.º do Tratado. 13 . A alusão ao “espírito de solidariedade” entre Estados-Membros na execução da política europeia da energia tem a finalidade de estabelecer condições de auxílio. Essas medidas são adoptadas após consulta ao Comité Económico e Social e ao Comité das Regiões.º2. A UE passa assim a dotar-se de competências partilhadas com os Estados-Membros (art. a UE recolhe no seu seio atribuições vocacionadas para a garantia do seu funcionamento e da segurança do aprovisionamento energético. com a ressalva em matéria fiscal (desde que reunidos os requisitos cumulativos exigidos). n. após consulta do Comité das Regiões e do Comité Económico e Social Europeu. estabelecem as medidas necessárias à realização dos objectivos a que se refere o n. 170. No âmbito de aplicação baseada no mercado interno e nos desígnios de salvaguarda dos níveis de protecção ambiental e de sustentabilidade. o Parlamento Europeu e o Conselho.º1. deliberando de acordo com o processo legislativo ordinário. deliberando de acordo com um processo legislativo especial. alínea i) do Tratado). bem como o desenvolvimento de energias novas e renováveis.

M. procurou executar as suas atribuições ao nível do Parlamento Europeu e do Conselho. 42 Barroso. Instrumentos de mercado. e ainda quanto à relação UE-Rússia. com o desequilíbrio da relação da procura pelas potências emergentes (como a China e Índia). bem como em submeter um Plano de Acção para a Energia Sustentável nas Ilhas (cf. Presentation of J. 14 . Cf.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS Em 2010. conforme sucedeu no pós-guerra do Iraque. 41 Acordaram.III .pdf). Estes factores geopolíticos associam-se desta forma a cenários de instabilidade. de autoridades.islepact. sobretudo na definição de planos e medidas concretas a aplicar em todo o espaço europeu. constituiu um assinalável desenvolvimento nas políticas naquelas circunscrições e uma consolidação da estratégia arquitectada para todo o espaço europeu. amplamente influenciada pelo desenvolvimento legislativo comunitário. visto o equilíbrio entre um fornecimento seguro e em condições economicamente viáveis de produtos energéticos origina tradicionalmente de países cujas estruturas políticas.pdf. comunicação e rotas de trânsito para a garantia da segurança energética.nato. estabelecendo a necessidade em assegurar a sua estabilidade perante ataques ou interrupções de fornecimento (pontos 13 a 15)38.aspx?pageID=5000. sociais e ideológicas são fundadas nas suas reservas. President of the Commission.europa. 40 Registo até 6 de Julho de 2011. entre outras medidas. ir além dos objectivos da União Europeia para 2020.islepact. territórios e populações41 –.pdf. 4 February. com os ensejos nucleares do Irão (ou o abandono da opção pelo Japão e Alemanha). no intuito de reagir à pura acepção da qualificação de “ilha energética”39. a 12 de Abril de 2011 – onde 51 representantes40 de ilhas europeias assumiram a título voluntário a frente do pelotão na criação de um fornecimento energético independente com preocupações ambientais. numa plataforma sustentável interligada de linhas geográficas e nacionais. 38 39 Cf. (2011). Para o efeito.eu/europe2020/pdf/energy_en. Disponível em http://ec. to the European Council. A política europeia. http://www. Mais recentemente. tornando-se necessário para o efeito promover a emergência de novos fornecedores42. http://www. “Energy Priorities for Europe”.int/lisbon2010/strategic-concept-2010-eng. II.POLÍTICA EUROPEIA O território europeu não é abundante nos recursos energéticos que determinam a actual matriz energética.eu/userfiles/file/Pact%20of%20Islands%20Brochure%20PT. J. Barroso.M. A crescente dependência perante países terceiros coloca delicados desafios à definição de políticas de desenvolvimento económico e social. estrutura-se em quatro pilares:   Política de energia stricto sensu. a celebração do Pacto das Ilhas. Condição de não estar ou estar mal interconectado com o mercado interno de energia. http://www. o último Conceito Estratégico adoptado pela NATO em Lisboa afirmou a preocupação da organização sobre a importância do transporte.eu/html/index.

eu/LexUriServ/LexUriServ. apostando na inovação tecnológica e no conhecimento.eu/LexUriServ/site/pt/com/2005/com2005_0265pt01. face às alterações climáticas e poluição atmosférica). 46 Sendo de realçar que havia já sido publicada pela Comissão a Directiva 2006/67/EC. Política externa. em 2005. desenvolveu as bases em que irá operar. 45 Cf. atraindo investimento e criando emprego.europa. COM (2007) 1 final. Disponível em http://eurlex.europa. Diversidade do cabaz energético. competitiva e segura energeticamente. Objectivar e desenvolver uma Europa sustentável. A Comunicação da Comissão ao Conselho e ao Parlamento Europeu. ambiciosa. proclamando uma actuação imediata. Inovação e tecnologia. Solidariedade. torna cada vez mais necessário o estabelecimento de políticas de solidariedade entre Estados Membros. Os referidos pilares irão nas próximas décadas centrar-se em seis domínios de actuação:       Competitividade e mercado interno da energia. de Janeiro de 2007. o investimento em novas formas de produção de energia. Reiterando o compromisso estabelecido internacionalmente no cumprimento do Protocolo de Quioto (na redução e mitigação de emissões de gases com efeitos de estufa.do?uri=COM:2006:0105:FIN:PT:PDF. A actual estratégia europeia43 tem por base o Livro Verde sobre a Energia44. Paralelamente concorre a necessidade de optimizar a utilização de energia numa região cuja procura de electricidade aumenta cerca de 1. de 8 de Agosto.eu/LexUriServ/LexUriServ. sendo a segurança46 a chave para os demais objectivos.pdf.do?uri=COM:2007:0001:FIN:PT:PDF.2007. sobretudo em sectores como o de produção de energia e de transportes. a procura de novos fornecedores e de novas fontes. Por sua vez. A UE tem procurado despontar neste sector um mercado de oportunidades. de 8 de Março de 2006.5% ao ano (com a manutenção do status quo). 15 . 44 Cf. Instrumentos financeiros. no Livro Verde para a eficiência energética ou Fazer mais com menos. com a Directiva 2003/54/EC (da electricidade e mercado interno comum). A opção escolhida é clara e inequívoca. a crescente dependência de hidrocarbonetos importados a nível europeu.europa. Disponível em http://eur-lex. conjunta e de liderança responsável. a sustentabilidade representa uma visão de vanguarda.1. que procedeu à publicação do texto que consolidado que impõe aos Estados-Membros a obrigação de manter stocks mínimos de petróleo e/ou produtos petrolíferos. com a Directiva 2003/30/EC (da promoção do uso de biocombustíveis ou outros combustíveis de base renovável nos transportes). que só por si exigirá um investimento nas próximas duas décadas de 900 mil milhões de euros. acompanhando a tendência mundial de aumento em 41% da procura de petróleo até 2030. Uma Política Energética para a Europa45. http://eur-lex.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS   Investigação e inovação. de 10. e. Desenvolvimento sustentável. Estes factos 43 Seguindo a estratégia definida em 2003.

por outro. COM (2008) 30 final.1. de modo a suprir a notória exposição que a UE demonstra. Energia 2020 – Estratégia para uma energia competitiva. a Comissão propõe que os mercados da UE e dos países seus vizinhos sejam integrados através de uma comunidade pan-europeia da energia.do?reference=IP/08/1998.do?uri=COM:2008:0030:FIN:PT:PDF e http://europa. de redução de 30%. uma oportunidade para a Europa. pacificando os preços da mesma.11. COM (2010) 639 final.htm e http://europa. de acordo com as suas responsabilidades e capacidades. com mais de 50% do fornecimento de energia da UE proveniente do exterior. os líderes europeus adoptaram o Pacote Clima-Energia (Metas 20:20:20)47. Disponível em http://eur-lex. e outros países em desenvolvimento económico mais avançado. Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) e Argélia.   Alcançar 20% da produção total de energia com base em energias renováveis.htm. de 10. A execução de uma política e quadros legislativos adequados torna fundamental o estabelecimento de um mercado interno de energia.eu/legislation_summaries/energy/european_energy_policy/l27067_pt.2010. Duas vezes 20 até 2020 – As alterações climáticas. a acção projectada pretende transformar a Europa numa economia energética altamente eficiente e com baixa produção de dióxido de carbono.europa. http://europa.eu/LexUriServ/LexUriServ. Em Dezembro de 2008.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS consubstanciam a visão de que é ponderoso aproveitar as carências regionais de forma unitária. No plano internacional. Reduzir em 20% a energia primária por via da eficiência energética. com particular foco para o aprovisionamento e transporte de energia. Dada a sua localização geográfica. Ostentando um plano ambicioso. países de trânsito de energia50.europa.eu/pol/ener/index_en.do?uri=COM:2010:0639:FIN:PT:PDF. de modo a permitir um fornecimento regular e suficiente de energia. em caso de obtenção de um acordo internacional na linha de continuidade do Protocolo de Quioto (cujo primeiro período de compromisso finda em 2012). o diálogo com os parceiros energéticos procura estabelecer relações fiáveis que assegurem as exigências futuras. reunindo medidas para a redução e mitigação da contribuição dos Estados-Membros para as alterações climáticas. de 23. impondo uma nova revolução industrial. sustentável e segura. Disponível em http://eur-lex. 49 Cf. bem como a Ucrânia. que vinculasse os outros países desenvolvidos em atingir reduções de emissões comparáveis. os maiores fornecedores de energia da UE. convidando por um lado à competitividade e. Nesta medida.eu/LexUriServ/LexUriServ. Este pacto fixou metas para 2020. 50 Cf. 16 . 47 Cf. 48 Estabelecendo uma meta ainda mais ambiciosa. a estratégia definida em termos de segurança. potencializando os ganhos de competitividade e minimizando os custos. competitividade e sustentabilidade49 postula complexos desafios quanto ao modo como pretendem gerir a liderança nestes sectores face à sua ampla dependência energética.eu/rapid/pressReleasesAction. Turquia e Egipto.2008. nomeadamente:  Reduzir em pelo menos 20% as suas emissões de gases de efeito de estufa (relativamente aos níveis de 1990)48. na diplomacia estabelecida com a Rússia. à poupança de energia.

educação e pobreza.do?uri=COM:2010:2020:FIN:PT:PDF. a Comissão apresentou a Estratégia 202052. com países da região dos Balcãs) e a cooperação com África.europa. afirmou53 que: The energy challenge is one of the greatest tests for us all. investigação e desenvolvimento. mas também liderança tecnológica e negociação eficaz com os parceiros internacionais. Política unitária (27 Estados. Directiva relativa à promoção da utilização de energia proveniente de fontes renováveis. adoptada pelo Conselho Europeu em Junho de 2010. acrescem nesta sede medidas relacionadas com o emprego. propostas legislativas e incentivos a efectivar nos 18 meses seguintes. competitividade dos mercados baseada na estabilidade de preços. serão desenvolvidos quatro grandes projectos para a competitividade: novas tecnologias para as redes inteligentes e armazenamento de 51 Cf. No que concerne à inovação. Putting our energy system onto a new. Günther Oettinger. e na sequência da Directiva 2009/28/EC51. Segurança energética (no fornecimento e preços). 52 Os objectivos da UE em matéria de energia foram incorporados na ”Estratégia Europa 2020 para um crescimento inteligente.eu/LexUriServ/LexUriServ. Mercado integrado pan-europeu de energia com infra-estruturas até 2015. A primeira propõe-se a ajudar os proprietários e as entidades locais a financiarem medidas de restauração de imóveis e de poupança de energia.europa. propondo incentivos ao investimento e instrumentos financeiros inovadores. que reiterou o projecto para os próximos 10 anos. competitive and low-carbon economy we have to europeanise our energy policy and focus on a few but pressing priorities.eu/commission_2010-2014/oettinger/headlines/news/2010/11/20101110_en. A segunda prioridade implicará um avultado investimento na ordem de 1 bilião de euros e a redução burocrática dos procedimentos de licenciamento. 53 http://ec.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS Em 2010. uma só voz no mundo para a energia). To have an efficient. sustentável e inclusivo”. os certificados de eficiência energética poderão ser um incentivo para as empresas investirem em tecnologia de baixos consumos de energia.europa. com propostas adequadas à poupança de energia.eu/LexUriServ/LexUriServ. O Comissário da Energia.htm. Disponível em http://eur-lex. A terceira opção atribui primazia ao aprofundar dos termos do Tratado para a Comunidade da Energia (em particular. Este projecto define cinco prioridades que irão enquadrar o conjunto de iniciativas. more sustainable and secure path may take time but ambitious decisions need to be taken now. Para além das metas propostas em 2008. que deverá ter em consideração a eficiência energética aquando da adjudicação de obras e da aquisição de serviços ou produtos. 17 . segurança do aprovisionamento.do?uri=OJ:L:2009:140:0016:0062:en:PDF. As medidas terão por objecto o sector público. No sector da indústria. nomeadamente em termos de:      Poupança de energia (com particular foco nos sectores dos transportes e edifícios). Liderança em tecnologia e inovação energética. Disponível em http://eurlex.

são também objecto das actuais tendências da Alemanha. investigação sobre biocombustíveis de segunda geração.de/nn_6538/Content/EN/Artikel/__2011/06/2011-06-06-energiewende-textbreg__en. “Germany to close all nuclear plants by 2022” in New York Times. A actual discussão situa-se. conforme se observou com a decisão de terminar com a opção nuclear55.nytimes.intelligentcities.nytimes. implementada mais rapidamente do que o planeado inicialmente (prazo encurtado de dez para quatro anos). juntamente com a adaptação das infra-estruturas e a eficiência energética (em particular. de modo incontornável. A contratualização com a Rússia de um oleoduto que 54 55 Cf.html. Estas medidas.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS electricidade. Disponível em http://www.html. consistem em:    Sustentabilidade ambiental. Disponível em http://www. a mudança do perfil energético está no cerne da sua estratégia para o futuro. o cumprimento da vontade da sociedade alemã exigirá um planeamento faseado. http://www.net/uploads/gc/10066_INTERREG_CNC. Decidindo encerrar todas as centrais nucleares até ao final do ano de 2022. Com este plano pretende-se assegurar que o fornecimento de energia não seja interrompido. Dempsey. Segurança do aprovisionamento.com/2011/05/31/world/europe/31germany. “German nuclear ban approved“ in New York Times. A compensação da produção deverá ser. Reconhecendo a disciplina energética como uma posição vital para a prossecução dos interesses actuais e futuros de desenvolvimento social e económico. no plano nuclear. 30 de Maio. Cf. Concomitantemente com o término da produção de energia nuclear. 57 Cf. apresentando em todo o país uma rede mais adequada às actuais e futuras necessidades em termos de procura e gestão da energia57. consubstanciados na Estratégia para a Energia do governo alemão.pdf. Acessibilidade. no sector dos transportes e residencial). Judy et al. III – TENDÊNCIAS ACTUAIS III. Associated Press.html. (2011). que o seu custo não se torne proibitivo. http://www.com/2011/07/01/world/europe/01briefs-Germany. (2011).I – ALEMANHA A Alemanha encontra-se em transição para a era das energias renováveis. ao mesmo tempo que mantém o país como um local atractivo para o desenvolvimento de negócios e que se cumpre com as metas relacionadas com as alterações climáticas.bundesregierung. 56 Cf. complexo e rigoroso. parceria “cidades inteligentes” (vocacionada para a poupança de energia) 54. o pacote promove a expansão do uso de energias renováveis e a extensão da necessária rede eléctrica de suporte. Os três objectivos centrais. por essa via. prevendo-se que em 2020 sejam responsáveis por um mínimo de 35% da energia consumida no país. 1 de Julho. 18 . medida aprovada em 1 de Julho de 201156.

Para o efeito. na isenção de impostos dos veículos eléctricos e dos movidos a hidrogénio até 2012. III. A Noruega é assim um país de tradições ambientais.independent. A estratégia da Dinamarca preconiza a independência energética a longo prazo e a redução das emissões de gases de efeito de estufa. uma vez que pretendiam beneficiar do pagamento de taxas de transporte58. 59 60 Cf.23-24. que fornece quase a totalidade das necessidades do país) e ao mesmo tempo o sexto maior produtor de petróleo mundial e o segundo maior exportador de gás natural (2010)59. 19 . Ucrânia e pelos estados bálticos que se acharam desconsiderados no projecto. Lisboa. http://www. hidroeléctrica. Tony. Consideram igualmente importante a relevância em estabelecer um plano de florestação e de reclamação de territórios. elevar esse registo para 30%. paga pelas suas emissões. Disponível em http://www.uk/news/world/europe/germanys-new-gas-pipeline-to-russia-angers-neighbours518834. consideram essencial reunir um consenso na necessidade em conservar o valor das áreas naturais nacionais e definir um rigoroso projecto para as alterações climáticas. Em 2030. empresariais e educacionais para a defesa dos recursos naturais e a resistência à poluição. (2005). na sua coordenação regional. posicionando as estruturas governamentais. A Islândia ambiciona o reconhecimento enquanto líder ambiental à escala mundial. líder em energias renováveis (em particular. 2010.state. Juventude Social-democrata. até 2020. colocando a meta para 2011 de alcançar 20 % de produção de energia tendo por base fontes renováveis e. colocou em prática em 2008 um conjunto de medidas mais ambiciosas do que as estabelecidas pela UE. As suas políticas assentam no custo eficiente e numa lógica de obtenção das maiores reduções possíveis com o dispêndio do menor número possível de recursos. mas também nos incentivos à investigação nas áreas de energia solar. Para o efeito. Cf. Porém. assente na relação custo-benefício e na informação por via a assegurar que quem polui. permitindo uma maior segurança no aprovisionamento energético. este negócio sofreu forte oposição da Polónia.co. baterias eléctricas e energia das ondas60. instrumentos económicos transectoriais concebem o alicerce para uma estrutura descentralizada.II – PAÍSES NÓRDICOS A política energética da Noruega funde-se com a política ambiental. tendo apostado recentemente na implementação de novas centrais off-shore.gov/r/pa/ei/bgn/3421. Págs. A Dinamarca é líder desde os anos 80 em energia eólica. o governo de coligação declarou essa vontade.html.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS liga estes dois países constituiu um crucial desenvolvimento nas opções energéticas da Alemanha. Opções Energéticas para Portugal: produção sustentável e consumo eficiente. Para tal. o compromisso é para alcançar o estatuto de neutralidade em carbono. Pactor. e nas opções da UE. “Germany's new gas pipeline to Russia angers neighbours” in The Independent.htm. Em 2007. mas 58 Paterson.

III. criando 100 000 postos de trabalho. Estas dão particular destaque ao investimento eólico on-shore e off-shore (que em 2009. http://www. http://www.I – REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES A matriz energética renovável constitui um pilar incontornável nas condições de actuação da Região Autónoma dos Açores. As suas linhas de actuação pautam-se pelos seguintes objectivos:  Reduzir a dependência energética externa para 74% em 2020. Em 2011. bem como da potência eólica instalada. o Governo islandês publicou a estratégia Iceland 202061. permitindo de modo eficaz reagir ao afastamento do território 61 Cf.pdf.  Reduzir o consumo de energia final em 20% através da eficiência energética. Prevê-se que seja duplicada a potência ao nível das grandes e pequenas hídricas. a biomassa atingirá 9%.gov. 63 Cf.III. entre a natureza e ambiente e ainda os interesses das gerações futuras62. III. 20 .  Produzir 60% da electricidade através de fontes renováveis e 31% do total de energia através de fontes endógenas.is/media/2020/iceland2020.forsaetisraduneyti.portugal.  Reduzir em 25% o saldo importador energético. tendo como baliza o ano de 2020. mas também nas fontes solares e hídricas. com reaproveitamentos dos cursos de água. criando 21 000 postos de trabalho.  Desenvolver o cluster industrial associado à promoção da eficiência energética. (2011). Em 2020. Iceland 2020. sustentabilidade e bem-estar.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS também a criação de incentivos para o uso de veículos “amigos do ambiente” e ainda para explorações hidroeléctricas e geotérmicas. Prime Minister Office. seguida pela electricidade solar que representará 7% do consumo.nordicenergysolutions.pt/pt/GC18/Governo/Ministerios/MEI/ProgramaseDossiers/Pages/20100415_MEID_Prog_EN E2020. visando medidas integradas e alcançáveis fundadas na sustentabilidade entre as necessidades actuais do país e as perspectivas económicas e sociais futuras. 62 Cf. colocava a produção no 2. assente no conhecimento.III – PORTUGAL A política energética portuguesa assenta a sua estratégia actual e futura na Estratégia Nacional para a Energia para 202063. seguindo a Dinamarca).  Consolidar o cluster português das energias renováveis.org/. Disponível em http://www.º lugar a nível mundial. A concretização destas medidas são estabelecidas por intermédio do Plano Nacional para as Energias Renováveis.aspx. formulando equilíbrios em consonância com a segurança e a eficiência.

Cf. bastando para o efeito constatar que durante o período de Inverno a ilha é capaz de produzir durante algumas horas energia eléctrica puramente com base em energias renováveis.php?option=com_content&view=article&id=9876:geotermia-ultrapassa-termicaem-s-miguel&catid=51:actualidade&Itemid=22.acorianooriental. disponível em http://aeiou.eda.pt/index. Esta afirmação conduziu a que o Governo Regional propusesse um ambicioso objectivo a curto prazo para a política energética dos Açores. Henriques. “Renováveis garantiram 26% da produção de energia da EDA”. evitando um consumo superior a 33 mil toneladas de fuelóleo e a emissão para a atmosfera de cerca de 103 mil toneladas de dióxido de carbono66.pt/energia-renovaveis-representaram-28-da-producao-da-eletrica-dos-acores-em2010=f630431. a emissão de electricidade tendo por base energia geotérmica ultrapassou pela primeira vez a termoeléctrica em São Miguel. Disponível em http://www. 64 65 Grupo EDA – Electricidade dos Açores. 67 Cf. Os valores do ano de 2010 indicam que a Região produziu na componente renovável 28% (22% geotérmica. de 27 de Janeiro. demográficas têm evidenciado uma natural capacidade da ilha das Flores de se auto-sustentar em termos energéticos. 70 “Açores: Carlos César admite eléctrica açoriana EDA sem maioria de capitais públicos”. “Energia: Renováveis representaram 28% da produção da elétrica dos Açores em 2010”. nomeadamente o de alcançar a meta de produção de electricidade com base em fontes renováveis70:  Em 2014. Miguel”. O investimento no sector energético é dos que mais se fazem sentir na Região.pt/noticias/view/199542.expresso. a meta de 50%. 21 . (2011). 68 “Atinge o Máximo de Sempre”. Esse investimento teve como efeito uma produção energética de origem renovável no ano de 2009 na ordem dos 26% 65.º 138 (Janeiro/Fevereiro). (2010). in Jornal Expresso. Disponível em http://www.5% e a produção de origem hídrica aumentou 9. históricas. Disponível em http://www. Em Abril de 2011. 69 “Geotermia ultrapassa Térmica em S. 66 Cf.pt/upload2/eda_informa_138_jan_fev_2011_2011_03_10. de 24 de Junho. tendo atingido estas duas fontes primárias 50. face ao mesmo mês do ano anterior.4%. 4% hídrica e 2% eólica)67 da produção de electricidade. in Acoriano Oriental. (2011). de 6 de Setembro. in Diário dos Açores. 15. onde o Grupo EDA64 tem um plano de investimento anual na ordem de 60 milhões de euros num quadro a médio prazo aproximado de 340 milhões de euros. Marcos.pt/index. Pág. n. No mês de Janeiro de 2011. “EDA não desiste da Geotermia na ilha Terceira e injecta mais 10 milhões de euros” in Diário dos Açores. Estudos realizados apontam para que as ilhas mais a Ocidente sejam aquelas com maior apetência para uma independência energética. de 11 de Maio. (2010).POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS continental comunitário e à desconexão com o mercado interno e redes pan-europeias de energia. atingindo com as restantes fontes endógenas 54% da produção eléctrica na ilha69.7% da produção total de electricidade na ilha de São Miguel.diariodosacores.pdf. a meta de 75%. in EDA Informa. (2010). a produção de energia eléctrica de origem geotérmica teve um crescimento de 26.diariodosacores. Condições endógenas. o que corresponde à taxa máxima de energias renováveis alcançada nesta ilha68.php?option=com_content&view=article&id=5816:eda-nao-desiste-do-projectogeotermico-na-ilha-terceira-e-injecta-mais-10-milhoes-de-euros&catid=16:destaqueseconomia&Itemid=32. (2011). in Jornal i. Disponível em http://www.  Em 2018.

e. o Projecto Green Islands constitui um programa de excelência neste campo. com o Plano de Transição para um Reino Unido de reduzido carbono. previsto para um período de 20 anos. nem área suficiente para gerar a sua electricidade a partir dos seus próprios bio-combustivéis. de 22 de Maio. Projecto Graciosa. 76 Concretizada em 2009. A construção de uma autêntica autonomia energética regional tem resultado numa aposta de sucesso. a primeira do mundo sem emissões de dióxido de carbono. que passa por tornála na primeira ilha do mundo totalmente abastecida por energias renováveis. através da eficiência energética.Gov Archive – 1 de Junho. In Diário Insular. Universidade dos Açores e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Silva.html. João Manuel Monteiro da. 72 Cf. Págs.younicos. Amanda. (2010). Department of State. encontra-se a desenvolver ferramentas inovadoras para um planeamento de energia tendente à optimização dos recursos energéticos endógenos às realidades açorianas. a desconexão com a rede de energia por cabo submarino. A ilha da Graciosa72 tem actualmente um projecto em fase de contratualização. Instituto Superior Técnico & UNESCO Center of the Canary Islands. e o encarar do desafio. enquadrado no Programa MIT-Portugal75. nem potencial geotérmico explorável. 22 .S. por isso. Disponível em http://www. Spake. a inevitável dependência externa que determina o perfil energético açoriano. U. 74 “Projecto Graciosa – Primeira ilha totalmente abastecida por energia renovável”.IV – REINO UNIDO O publicitar do Livro Branco para a Energia. “Project Aims to Make Azores Islands a Climate Change Mode” in America. e a actual falta de condições tecnológicas aptas a conservar a energia produzida de base renovável obstam a uma plena autonomia.com/en/republic-of-younicos/graciosa/index. em 2003. A abundância de recursos naturais73. coordenado pela Agência Regional de Energia e Ambiente. em 2007.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS Também a ilha do Corvo. a sua escassa população. delineou uma postura 71 Cf. os tremendos custos do fornecimento de petróleo e de gás tornam a introdução de energias renováveis de relevância vital71. perspectivando a criação de uma economia de baixo teor de carbono 76. 43-48. uma maior sensibilização local e as dimensões reduzidas daquela ilha. como no caso dos transportes. . consagram-na como uma candidata ideal para a implementação de um projecto que se prevê que eventualmente possa ser estendido a outras ilhas ou regiões74. O projecto prevê o desenvolvimento de sistemas de armazenamento (com grandes baterias que são carregadas sempre que o vento e o sol produzam mais electricidade do que aquela que é consumida e descarregadas de modo controlado quando o consumo excede a produção) e soluções de rede seguras. pela mobilidade eléctrica e pelo desenvolvimento das potencialidades da biomassa. estáveis. “The Prospects of Renewable Energy Sources in the Azores Islands” in 100% RES – A challenge for island sustainable development. acessíveis e eficientes. alteração dos comportamentos de consumo. nem sistemas de armazenagem de água. Na área da investigação. III. Bureau of International Information Programs. 73 A ilha da Graciosa não tem água com potencial energético. (2011). Porém. apesar de até ao momento apenas ter produção de base termoeléctrica. 75 Cf. (2005).

Por fim.uk/assets/decc/publications/white_paper_07/file39387. http://www.gov.  Definição das atribuições da Ofgem80.pdf.  Prevenção da exploração do mercado da energia.  Manter a confiança do fornecimento energético.  Apoios sociais aos preços de energia.gov. Em 2007. Em 2003.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS política caracterizada por uma aposta nas energias renováveis e na eficiência energética. devendo apresentar resultados em 2020.pdf.uk/assets/decc/legislation/energybill/1_20100226093333_e_@@_energybillfactsheetsummary. assistindo o desenvolvimento económico sustentável. devendo considerar a redução de emissões de dióxido de carbono e o fornecimento de bens energéticos em segurança. Disponível em http://www.uk/assets/decc/publications/white_paper_03/file10719. Energy white paper 2007: Meeting the energy challenge. em 16 de Março de 2011.gov. Cf. 80 Denominação da entidade reguladora dos mercados de gás e electricidade. segurança do fornecimento.pdf. como a obrigatoriedade estatal de apresentação de relatórios alusivos à implementação das acções em curso e a definição normas de defesa do consumidor (nas tarifas do gás e electricidade).ofgem. Estas estratégias foram responsáveis pela Lei de Energia de 201079.decc. destinando-se esta ao estabelecimento de medidas de 77 Cf.  Aperfeiçoar a produtividade. a análise do impacte daquelas medidas encaminhou para o reafirmar da necessidade em reagir perante as alterações climáticas e a segurança energética 78. Department of Energy and Climate Change. (2003). http://www. Energy white paper 2003: Our energy future – creating a low-carbon economy.decc. (2007).  Promover a competitividade dos mercados do Reino Unido.  Outras medidas.decc. e preparou as bases para a instalação de centrais nucleares de nova geração.  Assegurar que cada lar é aquecido de forma adequada e económica. a estratégia77 postulava uma visão a longo prazo (até 2050) para a política energética combinando as políticas de ambiente. 79 Cf. Os objectivos definidos passavam por:  Reduzir emissões de dióxido de carbono em 60% até 2050.uk/. Disponível em http://www. no interesse dos consumidores. 23 . 78 Cf. competitividade e desígnios sociais. Department of Energy and Climate Change. foi apresentado um projecto de lei na Casa dos Comuns relativo à energia 2010-2011.gov. que procurou concretizar as seguintes medidas:  Incentivos ao sequestro de carbono.

uma vez que os impostos representavam em 2007. consumo residencial e transporte aéreo. As suas importações originam da Noruega. O consumo de gás.pdf.V – FRANÇA A França é o maior produtor de energia nuclear na UE 82. Na França os preços dos combustíveis situam-se acima da média europeia. Demonstrando uma dependência energética externa similar às médias europeias.uk/en/content/cms/legislation/energy_bill/energy_bill. 84 Cf. contribuindo para o enquadramento da estratégia supra mencionada 81. o petróleo assume a segunda posição enquanto fonte de energia. A maior parcela do consumo de produtos petrolíferos é absorvida pelo sector de transporte rodoviário. foram criadas 59 centrais nucleares no país (2004). Rússia e Arábia Saudita e. Apesar de apresentar capacidade de produção de petróleo nas bacias de Paris e Aquitaine. igualmente importado. a seguir aos Estados Unidos da América. Apesar de nas últimas décadas a aproximação às questões de energia ter sido acompanhada de um forte envolvimento estatal. http://www. Com uma matriz energética diversificada. A companhia Total S.asp?idarticle=9839&t=France%3A+Energy+profile.pdf. o país é muito activo na produção de petróleo internacional.  Competitividade do fornecimento energético.  Distribuição equitativa de serviços energéticos em todos os territórios e para todos os cidadãos. tal como os restantes 81 82 Cf. http://www.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS eficiência energética em termos residenciais e empresariais. De acordo com a sua marca energética nuclear. configurando este país como o segundo maior produtor mundial de energia eléctrica de base nuclear. Esta produção é destinada essencialmente para a geração de electricidade e é responsável por 40% do fornecimento primário de energia.  Afirmação da sustentabilidade do desenvolvimento energético.gov. 83 Cf. III.europa.A.speroforum. as exportações energéticas têm como destino a Holanda.decc. http://ec. é a quarta maior produtora mundial de petróleo com operações na África.aspx. http://www. Desde a crise petrolífera da década de 70. Europa e Médio Oriente. mantém-se como um dos países da EU com menores níveis de emissões de dióxido de carbono per capita84. este país tem suportado e beneficiado das crescentes interconexões entre mercados de energia ao mesmo tempo que tem despertado uma consciência global e ambiental.eu/energy/energy_policy/doc/factsheets/mix/mix_fr_en. A utilização de fontes renováveis 83 contribui em larga medida na produção energética.eu/renewables/factsheets/2008_res_sheet_france_en. 24 . em particular no mix energético.com/site/article. tem aumentado nos últimos anos. Os princípios que guiam a política energética francesa pautam-se pela:  Consolidação da segurança do fornecimento energético. 63% do preço da gasolina e 55% do preço do gasóleo 85. 85 Cf.energy.

gerindo eficazmente a sua propriedade. reassume a intenção em estabelecer políticas a longo prazo visando proteger os direitos e interesses legalmente protegidos de cidadãos e entidades empresariais. Ltd. (2011).  Estímulo do funcionamento dos mercados domésticos. desenvolvido para o período entre 1994-2010.uk/news/world-europe-13595455. (2010). a publicação de outro documento.%201992-2005. Disponível em http://www.lsa. foi considerado uma tentativa falhada de produzir um documento orientador para o Estado e para as empresas privadas. Ao contrário de outros países europeus como a Alemanha. sendo substituído em Novembro de 2000. 86 International Energy Agency. assegurando a defesa e segurança do Estado. “Russia’s Energy Policy.org/textbase/nppdf/free/2009/france2009. a política energética é cada vez mais governada por directivas europeias 86. os planos franceses passam não só por manter as suas estruturas. 90 Milov et al. fixando-se apenas indicadores de longo prazo quanto à exploração de recursos90. o plano estratégico para a energia. Assim. Disponível em http://www. Disponível em http://www. 1992–2005” in Eurasian Geography and Economics.pdf.cfm?fips=RS.pdf. 285-313. como em expandi-las 87. disponível em http://www. fazendo com que a sua procura condicione as perspectivas de desenvolvimentos russas. U. Energy Policies of IEA Countries: France 2009 Review.co. por outro plano sem concretização. Além disso.S.edu/UMICH/ceseuc/Home/ACADEMICS/Research%20Projects/Energy%20Security%20in%20Europe %20and%20Eurasia/Russia's%20Energy%20Policy. III. mantendo uma política energética fragmentária e contraditória. Energy Strategy of Russia for the period up to 2030. “France expands nuclear powers plans despite Fukushima” in BBC News Europe. A Energeticheskaya.  Aposta em companhias consistentes e estáveis aptas a representar o país nos mercados internacionais. pp. (2006). 89 Desde o período soviético. 25 .bbc. a procura de recursos que sustentem o seu funcionamento.iea.eia. n.VI – RÚSSIA A Rússia detém a maior reserva mundial de gás natural. As suas estratégias têm sido pautadas por interesses a curto e médio prazo extraídos do funcionamento capitalista intensivo do mercado energético. Energy Information Administration. alcançando um novo patamar qualitativo para o sector energético. a diversificação das rotas de fornecimento89 e a variedade de bens em exportação assumem-se como os grandes desafios actuais e futuros deste pais. a segunda maior reserva de carvão e a oitava maior reserva de petróleo bruto88.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS países de UE. 98% do petróleo e 100% do gás natural produzidos têm como destino a Europa. 88 Cf.º 47. as suas infra-estruturas não estão preparadas para exportar petróleo para os mercados norte-americanos ou da zona asiática do oceano pacífico. Itália e Suíça.gov/countries/country-data. 87 Cf. são definidos os seguintes princípios:  Consistência das medidas estatais na implementação de estratégias fundamentais para o desenvolvimento do sector.º 3 Bellwether Publishing. que reformularam as suas opções nucleares após Fukushima. Com um desenvolvimento económico real actual que se baseia numa estrutura de alto consumo energético. N.umich. Em 2009.

em termos de fornecimento. competitividade. prevêem-se quatro medidas:  Criação de mecanismos favoráveis ao desenvolvimento dos complexos energéticos (incluídos tarifas coordenadas. o peso orçamental e ainda a salvaguarda ambiental deste sector. A contratualização do oleoduto que liga à Alemanha e permite uma maior segurança no abastecimento energético consistiu numa significativa aproximação das relações entre os dois países e. Institute of Energy Strategy.  Estímulo e apoio às entidades empresariais em projectos de investimento. Energy Strategy of Russia – For the period up to 2030. taxas aduaneiras e medidas antimonopolistas).  Introdução de uma regulação técnica avançada. desenvolvimento e sustentabilidade. abrindo espaço à construção de uma união supranacional económica e política. (2010). simultaneamente com a UE. A necessidade originária de salvaguardar os países de conflitos no fenómeno do pós-guerra levou a uma transferência de determinadas atribuições dos Estadosmembros em prol de instituições europeias que permaneceu. inovação.ru/projects/docs/ES-2030_(Eng). Disponível em http://www. aprovisionamento e preços. Os tratados comunitários que deram forma a este projecto apresentam escassa previsão. solidariedade. de inovação. assegurar aos mercados nacionais maiores níveis de segurança energética. excepto em diplomas especializados que procuravam. impostos. Não obstante a importância do domínio energético ser amplamente reconhecida e 91 Ministry of Energy of the Russian Federation. de cariz ambiental e em outras áreas prioritárias. Para o efeito. A concepção política que esteve na génese da construção europeia reuniu em si desde a sua fundação o espírito que subjaz à orientação no domínio da energia.energystrategy. de economia de energia. a eficiência energética da economia. com parâmetros nacionais capazes de estimular a eficiência energética da economia. O objectivo estratégico além-fronteiras passa pela maximização das potencialidades da energia russa tendo em vista uma integração à escala global (estendendo as suas relações aos Estados Unidos da América e China) e a obtenção do maior lucro possível para a economia nacional91. que na actualidade continua a servir os interesses dos cidadãos europeus e dos seus Estados-Membros. IV – CONCLUSÃO A política europeia encontra-se na vanguarda no domínio da energia. Segurança. Estes princípios visam resguardar a segurança energética. na medida do possível.pdf. 26 .  Aperfeiçoamento da eficiência da gestão das propriedades estatais no sector.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS  Reconhecimento da relevância e previsibilidade das regulações estatais destinadas ao estímulo da iniciativa privada.

em que os Estados-Membros prescindirão gradativamente das atribuições que detêm. negociar e implementar as medidas necessárias de forma a solucionar a crescente importância que este sector irá compreender nas décadas. Tal como foi determinante para o arranque da construção europeia. a reestruturação de infra-estruturas. a segurança energética. mas o caminho é longo. A conjugação de todas as vontades políticas reveste-se de inúmeras vicissitudes e torna-se singular verificar que em certos parâmetros as políticas nacionais chegam a revestir-se de maior 27 . não só na adopção de princípios e normas programáticas. com a continuidade das políticas e com a estabilidade das relações. dadas as suas características e as da UE. bem como a sustentabilidade dos sectores constavam já dos objectivos e estratégias dos líderes europeus. a eficiência energética. sem o impacte de crises petrolíferas e sem a sensibilização para as alterações climáticas. e deste para o petróleo e outras fontes que hoje determinam o perfil energético europeu e mundial. a melhoria do nível de vida. A aposta na inovação tecnológica e conhecimento. já na década de 50. definir. este sector poderá consubstanciar-se num domínio em que. A estratégia está definida. produção. passando estas para o domínio de competências exclusivas da UE (passando a constar do elenco constante do art.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS demonstrada. desde a CECA ao Protocolo de Quioto. A política energética europeia reveste-se de desígnios ambiciosos. 3. É interessante observar que. fornecimento e preços dos combustíveis fósseis. É um fenómeno exemplar na escala regional e global. tal como foi a transição da utilização da madeira para o carvão. somente no Tratado de Lisboa se expressaram atribuições específicas norteadas pelo princípio da subsidiariedade para a UE. A necessidade deste passo estará directamente correlacionada com a eficácia das medidas em curso. Essa vontade tem imprimido nas políticas introduzidas um cariz progressivo. a estabilidade dos mercados e dos preços.º do Tratado de Funcionamento da UE). mas sobretudo na definição de obrigações e na implementação de medidas efectivas que têm entrado em ruptura com a prática interna e internacional. A observação das estratégias nacionais dos países com maior notoriedade em termos de energia permite concluir que a vontade em desenvolver sociedades sustentáveis descreve idênticos princípios e prioridades. Estamos perante a materialização de uma vontade partilhada. a diversificação de fontes e de fornecedores. poderá desentranhar-se da esfera soberana. A transição para uma economia de baixo carbono será uma realidade. a criação de um mercado pan-europeu de energia e a redução da dependência de combustíveis fósseis fazem parte das estratégias apontadas definidas e concretizadas por um agente – a UE – que tem as condições mais eficazes para discutir. Este avanço repercute a estratégia ambiciosa e responsável que a UE tem demonstrado a nível internacional.

28 . as oportunidades somente poderão ser desenvolvidas tendo em consideração a s condições específicas e cada país ou região. bem como a necessidade em conjugar as políticas neste domínio com a protecção ambiental e com a mudança de comportamentos individuais e colectivos. conhecimento. Só com base nas características próprias. diversificar fontes e fornecedores. se poderá explorar oportunidades. torna-se imprescindível disciplinar os mercados. rigor e na especialização que assenta o sucesso das políticas da energia. sustentabilidade e autonomia dos sectores de actividade. É numa pirâmide de responsabilidade. eficiência e. É pela circunstância de que as decisões que tomamos hoje têm implicações para os nossos filhos e netos.POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA: A CONSTRUÇÃO EUROPEIA E AS TENDÊNCIAS ACTUAIS rigor do que os delineados pela UE. da geotérmica na Região Autónoma dos Açores. À escala global. marcados por objectivos de industriais e de mercado e ou de destaque político. Em primeiro lugar. Subsequentemente. conforme se nota a título exemplificativo no impacte do mercado interno de energia em países como a Alemanha e França. Estas poderão materializar-se por intermédio da especialização tecnológica e formativa. em última linha. no desenvolvimento da energia hidroeléctrica na Noruega. prestação de serviços e bens que correspondam a procura dos mercados e sejam capazes de atrair investimento. é necessário consolidar o reconhecimento da tutela dos interesses económicos e sociais das gerações actuais e futuras. da eólica na Dinamarca e Portugal. Em síntese. promover o investimento. competitividade. criar postos de trabalho e riqueza. que a responsabilidade em adoptar a disciplina necessária se reveste de especial acuidade. a realidade conforma cenários distintos.

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