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FACULDADE DE DIREITO CONSELHEIRO LAFAIETE CURSO DE DIREITO PROCESSUAL PENAL I 6ª PERÍODO NOTURNO

6ª APOSTILA - Atualizada

CITAÇÃO

1. Conceito: não há, no Código de Processo Penal, um conceito claro, expresso de citação. Porém, não há óbice em

utilizar o conceito estabelecido pelo CPC. Citação é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado, a fim de se

defender (art. 213 do CPC). Se no processo penal a instrução penal é contraditória, a parte contrária deve ser ouvida, e somente poderá sê-lo se houver o chamamento judicial para tal, que se faz por meio da citação. No processo penal, consiste basicamente na cientificação do teor da acusação e do chamamento para apresentar defesa.

2. Efeitos: instauração da instância, ou seja, o réu fica vinculado à instância, com todas as conseqüências dela decorrentes.

A citação triangulariza (completa) a relação jurídico-processual. A vinculação do réu à instância, obrigando-o a

comparecer aos atos processuais e, ainda, impedindo-o de mudar de residência sem comunicar ao juiz processante seu novo endereço, é o principal efeito da citação válida no processo penal. A revelia é conseqüência do não comparecimento

do réu ao juízo. Porém, no processo penal, não tem o mesmo efeito do cível, em que o juiz reputa verdadeiros os fatos

afirmados pelo autor se o réu não contestar a ação art. 319 do CPC. Os princípios da verdade processual e do devido processo legal impedem tal presunção, até porque o bem jurídico, na esfera penal, é indisponível. De qualquer forma, a acusação terá que provar que o fato delituoso ocorreu e que o réu foi agente da infração.

3. Classificação da Citação: Há três espécies de citação no processo penal:

- Real ou Pessoal (Regra), in faciem: é aquela feita pessoalmente ao réu, na sua própria pessoa, através de Mandado a ser cumprido por Oficial de Justiça. Art. 351 CPP.

Ficta ou Presumida (Exceção): - Citação por Edital: Se o acusado não for citado por encontrar-se em local incerto e não sabido, então será citado por edital (art. 361 do CPP). Citado o réu por edital, o processo será suspenso, e bem assim o curso do prazo prescricional, nos exatos termos do art. 366, do CPP, não revogado. Para que haja citação por edital é imprescindível que todos os esforços necessários para se localizar o réu tenham sido esgotados, pois a ampla defesa pressupõe pleno e integral conhecimento pelo réu, da acusação que lhe é feita e, portanto, salvo casos excepcionais, deve ser ele citado pessoalmente com cópia da acusação.

- Citação Por Hora Certa (novidade trazida pela Reforma): art. 362 CPP: Se o Oficial de Justiça não conseguir cumprir o Mandado de Citação e desconfiar que o réu esteja se ocultando para não ser citado, ele emitirá uma certidão neste sentido e o Juiz então mandará citar o réu com hora certa, seguindo-se os trâmites do disposto nos arts. 227-229 CPC.

Obs: na esfera criminal não existe citação por AR nem por e-mail.

4. Natureza Jurídica da Citação: pressuposto processual de validez da instância, pois, sem ela, não haverá validade da

relação jurídico-processual. Não se instaura validamente a instância. Tanto é verdade que a ausência de citação é causa de nulidade absoluta do processo, nos termos do disposto no art. 564, III, “e”, CPP.

5. Citação do réu preso: tem que ser feita pessoalmente (art. 360 CPP, com a nova redação que lhe deu a Lei nº

10792/2003). Não basta que seja ele requisitado à autoridade policial, como dizia a antiga redação do art. 360 CPP, que dizia: Se o réu estiver preso, será requisitada a sua apresentação em juízo, no dia e hora designados. Na prática, antes o réu

sentava perante o juiz sem saber qual era a acusação. Com a nova redação do artigo 360, ele deve ser citado pessoalmente, com cópia da inicial, para não ser surpreendido no momento de seu interrogatório.

6. A Lei nº 9271/96 e os princípios da Aplicabilidade Imediata da Lei Processual Penal e da Irretroatividade da Lei

Penal in Pejus:

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A citação ficta ou presumida, sendo exceção, deve receber, por parte do intérprete, quanto às normas que a regulam,

interpretação estrita, ou seja, não se admite interpretação extensiva ou analógica.

Portanto, a nova redação que a Lei nº 9271/96 deu ao art. 366 CPP trouxe as seguintes implicações na ordem jurídica

processual:

6.1. Revelia: o instituto da revelia não foi revogado da ordem processual penal. O que se deseja com o novo dispositivo é

impedir a impunidade e garantir ao acusado pleno conhecimento da acusação que lhe é feita. Assim, se o réu citado pessoalmente não comparecer para se defender, a revelia será decretada pelo juiz, nos termos do disposto no art. 367

CPP.

6.2. Dupla Suspensão: A suspensão do processo e do curso do prazo prescricional somente se dará quando a citação for

ficta ou presumida (por edital), desde que o acusado não tenha comparecido para se defender e não tenha constituído

advogado.

6.3. Infrações em que se admite a aplicação do art. 366: O legislador não diz em quais infrações penais será aplicada a

suspensão, não podendo o intérprete substitui-lo. Portanto, toda infração penal (crime ou contravenção), seja o crime apenado com reclusão ou detenção, seja hediondo ou não, se houve citação editalícia e não houver comparecimento do réu nem constituição de advogado, haverá a suspensão do processo e do curso do prazo prescricional. Muitas vezes, o acusado não comparece, mas há advogado constituído nos autos. Nesse caso, existe defesa técnica indicada pelo próprio acusado, não havendo cerceamento ao direito de defesa. O que o legislador quer é evitar acusação sem conhecimento do réu. Porém, se indicou um advogado para defendê-lo, é porque tem ciência dos fatos que lhe são imputados e tenta se subtrair à ação da justiça com sua ausência.

6.4. O art. 366 do CPP e a Lei nº 9099/95: o disposto no art. 366 do CPP não tem aplicação em processos de competência do Juizado Especial Criminal, pois, por força do art. 66 da Lei nº 9099/95, não pode haver citação por edital

no JECRim. Assim, no caso de o autor do fato encontrar-se em local incerto e não sabido, devem os autos ser remetidos

para o juízo comum, para o trâmite normal do processo através da citação ficta e seguimento do feito em seus ulteriores termos.

6.5. Limite de Tempo da Suspensão: o artigo 366 trouxe uma série de problemas. O prazo de duração da suspensão da

prescrição e do processo seria infinito? Teria, assim, sido instituída uma nova hipótese de imprescritibilidade? Por quanto tempo podem ficar suspensos o processo e o curso do prazo prescricional? A lei nada diz a respeito. A questão é polêmica e a doutrina sugere cinco alternativas:

-

1ª corrente: defende que como não há limite temporal, o termo final do prazo suspensivo ocorre na data em que o réu comparece em juízo, qualquer que seja o tempo decorrido;

-

2ª corrente: sustenta que deve ser levado em consideração o mínimo abstrato da pena privativa de liberdade cominada.

-

3ª corrente: sustenta que deve ser levado em consideração o limite máximo de prescrição previsto no Código Penal Brasileiro, que é de 20 anos art. 109, I.

-

4ª corrente: deve ser levado em consideração o tempo máximo de cumprimento de pena privativa de liberdade, que é de 30 anos, nos termos do disposto no art. 75 do CPB.

-

5ª corrente: diz que o prazo de suspensão deve ser o tempo de prescrição da infração penal, regulado pelo máximo da pena privativa de liberdade, nos termos do disposto no art. 109, caput, do CPB. A corrente predominante é esta última, objetivando-se evitar a imprescritibilidade dos delitos. A propósito, esta posição é a que consta do Projeto de Lei de Reforma do CPP. Deste modo, o processo e o curso do prazo prescricional são suspensos e não interrompidos, ou seja, expirado o prazo de suspensão, o tempo decorrido anteriormente é contado, é válido, soma-se ao que resta. Decorrido o prazo da suspensão (regulado pelo máximo da pena privativa de liberdade), recomeçará a fluir o da prescrição. Ex: Caio responde ao processo pela prática do crime de furto qualificado (pena máxima 08 anos). Citado por edital, não comparece nem nomeia advogado. O juiz suspende o processo e o curso do prazo prescricional pelo prazo de 12 anos (art. 155, § 4º, c/c art. 109, III, ambos do CP). Antes da suspensão, já haviam decorridos quatro anos do prazo prescricional. Expirado o prazo suspensivo, restam oito anos para prescrição. Ao abono desta corrente, diz Denílson Feitoza que não pode a lei infraconstitucional estabelecer outras hipóteses de imprescritibilidade além das previstas na Constituição Federal (art. 5, XLII e XLIV racismo e ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático).

-

6.6. Incidência da Norma:

A norma insculpida no art. 366 do CPP é de natureza híbrida, ou seja, de natureza processual no tocante à parte que

determina a suspensão do processo, e de natureza material em relação à parte que determina a suspensão do prazo prescricional.

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Não é possível sua aplicação isolada, tendo em vista que a partícula “e” é aditiva. Assim sendo, sendo a parte de natureza material (suspensão da prescrição) prejudicial ao réu, somente poderá ser aplicada a partir de sua entrada em vigor, ou seja, para os fatos que ocorreram a partir do dia 17/04/96. Aplica-se, portanto, a regra constitucional da irretroatividade da lei penal mais severa (art. 5º, XL CF/88 e art. 2º, § único do CPB). Não se admite a chamada lex tertia, que preconiza a tese de que a lei deve ser aplicada na parte processual (benéfica suspensão do processo) para os fatos que lhe são pretéritos, suspendendo-se apenas o processo e deixando transcorrer in albis o curso do prazo prescricional. Admitir essa tese é desconsiderar a intenção do legislador, qual seja: evitar a impunidade. Em suma: o art. 366 CPP, ao determinar a suspensão do curso do prazo prescricional é mais gravoso para o autor do fato e, portanto, trata-se de novatio legis in pejus, não podendo haver retroatividade. Neste sentido é o entendimento do STF e do STJ.

Neste sentido é o entendimento do STF e do STJ. Se o acusado não foi citado

Se o acusado não foi citado pessoalmente, será citado por edital. Se, citado por edital, não comparecer nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso da prescrição, podendo o juiz determinar a produção antecipada de provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar sua prisão preventiva.

7. Prazo do Edital de Citação: arts. 361 CPP:

- Réu que se encontra em local incerto e não sabido: o prazo do edital de citação é de 15 (quinze) dias art. 361 conforme pacífico entendimento jurisprudencial, é nula a citação por edital quando o oficial de justiça não procurou o citando em todos os endereços constantes dos autos, para que se procedesse à citação por mandado.

8. Concurso de Pessoas e Citação por Edital:

Nada impede que haja concurso de pessoas, ou seja, um litisconsórcio passivo necessário, em que, por exemplo, dois são os réus: A e B. A é citado pessoalmente e o processo tem seu curso normal. Porém, B encontra-se em local incerto e não sabido, sendo citado por edital, de sorte que não comparece nem constitui advogado para defendê-lo. Neste caso, o processo e o curso do prazo prescricional serão suspensos em relação a B, devendo, desta forma, ser desmembrado para não prejudicar o andamento em relação ao réu A. Percebemos aqui, mais um caso de separação obrigatória de processo e julgamento, não obstante a regra do art. 79 do CPP.

9. Conseqüências do não atendimento à citação:

Uma vez citado, fica o réu vinculado à instância, com todos os ônus daí decorrentes. Em decorrência desta vinculação, o acusado deverá comparecer quando citado, bem como toda vez que for intimado. Sua inércia em atender ao chamado denomina-se contumácia, que significa ausência injustificada. O efeito imediato da contumácia é a revelia, ou seja, o processo seguirá sem a presença do acusado que, citado ou intimado pessoalmente para qualquer ato, deixar de comparecer sem motivo justo, ou, no caso de mudança de residência, não comunicar o novo endereço ao juízo, consoante se infere do disposto no art. 367 CPP. Neste caso será nomeado defensor público (ou advogado dativo) para que seja feita a defesa técnica. Com a revelia, deixará de ser comunicado dos atos processuais posteriores. Todavia, contra ele não recairá a presunção de veracidade quanto aos fatos que lhe foram imputados, em obediência ao Princípio da Verdade Real que norteia o processo penal. Mesmo revel, o réu poderá, em qualquer fase do processo, retomar o seu curso, restabelecendo-se o contraditório. Vale frisar que o fenômeno da revelia somente se verificará nas seguintes hipóteses:

- contumácia de réu citado pessoalmente;

- contumácia de réu citado por edital, quando neste último caso tiver constituído defensor.

10. Citação por Mandado:

10.1. Conceito de Mandado é a ordem escrita, corporificada em um instrumento e emitida pela autoridade competente

para o cumprimento de determinado ato. Quando a ordem for proveniente do juiz, denomina-se mandado judicial, que,

conforme sua finalidade, apresenta várias designações: de citação, de busca e apreensão, de prisão, etc.

10.2. Finalidade: O mandado de citação destina-se à citação do réu que se encontra em local certo e sabido, dentro do

território do juízo processante. Lugar certo diz respeito ao País, Estado e Cidade. Lugar Sabido refere-se à rua,

número, bairro art. 351 CPP.

10.3. Quem cumpre o Mandado de Citação: O oficial de Justiça.

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10.4. Requisitos Intrínsecos do Mandado de Citação: são formalidades que fazem parte do instrumento do mandado.

Vide art. 352 CPP.

10.5. Requisitos Extrínsecos da Citação por Mandado: são modalidades externas ao mandado, que devem cercar a

realização do ato de citação. São elas: (art. 357 CPP).

- Leitura do Mandado ao Citando;

- Entrega da Contrafé (cópia de inteiro teor do mandado e da acusação) ao citando;

- Certificação, no verso ou ao pé do mandado, pelo oficial, acerca do cumprimento das duas formalidades anteriores.

Obs: somente o descumprimento do segundo requisito (falta da entrega de contrafé) implica nulidade. Nos demais casos, ocorrem mera irregularidade.

10.6. Dia e Hora da Citação:

A citação pode ser realizada a qualquer tempo, dia e hora, inclusive domingos e feriados,

A

citação pode ser realizada a qualquer tempo, dia e hora, inclusive domingos e feriados, durante o dia ou à

noite. Se o oficial de Justiça não encontrar o citando no endereço constante do mandado, mas obtiver informações quanto ao seu paradeiro, deverá procurá-lo nos limites territoriais da circunscrição do juízo processante.

Por analogia ao disposto no art. 217 do CPC, não se deve proceder à citação

Por analogia ao disposto no art. 217 do CPC, não se deve proceder à citação dos doentes enquanto grave o seu

estado; dos noivos, nos três primeiros dias de boda; a quem estiver assistindo o ato de culto religioso; ao cônjuge ou a outro parente do morto, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral em segundo grau, no dia

do falecimento e nos sete dias seguintes.

11. Citação por Precatória: arts. 353/356 – A citação é feita por carta precatória, quando o réu estiver fora do “território

da jurisdição” do juiz processante.

11.1. Finalidade: destina-se à citação do acusado que estiver no território nacional, em local certo e sabido, porém fora da

Comarca do Juízo Deprecante (art. 353 CPP). Trata-se de um pedido formulado pelo juízo processante ao juízo da localidade em que se encontra o réu, no sentido de que este proceda ao ato citatório. O pedido é remetido por uma carta, daí o nome carta precatória = carta que contém algum pedido. A precatória pode ser remetida a qualquer unidade da Federação.

11.2. Pressuposto: pressupõe que os juízos sejam da mesma instância (mesmo grau de jurisdição), pois se trata de mera

solicitação e não de determinação.

11.3. Juiz Deprecante e Juiz Deprecado: o juiz solicitante (onde corre o processo), denomina-se deprecante, ao passo

em que o Juiz a quem é pedido a realização do ato denomina-se deprecado.

11.4. Requisitos intrínsecos da citação por precatória: além dos requisitos exigidos na citação por mandado, a

precatória deverá conter: (art. 354):

o

juiz deprecado e o juiz deprecante;

a

sede da jurisdição de um e de outro;

o

fim para que é feita a citação, com todas as especificações;

o

juízo do lugar, o dia e a hora em que o réu deverá comparecer.

11.5. Caráter itinerante da precatória: art. 355, § 1º do CPP: Verificado que o réu se encontra em território sujeito à

jurisdição de outro juiz, a este remeterá o juiz deprecado os autos para efetivação da diligência, desde que haja tempo para fazer-se a citação. A precatória itinerante é muito útil no caso de réu que muda constantemente de endereço.

11.6. Precatória por fax e telegrama: admite-se, em caso de urgência: vide art. 356 CPP.

11.7. Interrogatório por Carta Precatória: Também é permitida a realização do interrogatório por via de carta

precatória, em virtude do princípio da brevidade processual.

12. Citação do Militar: art. 358 CPP: “A citação do militar far-se-á por intermédio do chefe do respectivo serviço.”.

Faz-se mediante a expedição de ofício pelo juízo processante, denominado ofício requisitório, o qual será remetido ao chefe do serviço onde se encontra o militar, cabendo a este (ao chefe) e não ao oficial de justiça, a citação do acusado. A requisição deverá obedecer aos mesmos requisitos intrínsecos e extrínsecos do mandado, não se admitindo que o militar tenha menos garantias de defesa do que o civil.

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13. Citação do Funcionário Público: art. 359 CPP: “O dia designado para funcionário público comparecer em juízo,

como acusado, será notificado assim a ele como ao chefe de sua repartição.”. Essa exigência é necessária e se justifica a

fim de que o chefe da repartição disponha de tempo para substituir, naquele dia e naquele horário, o funcionário cuja presença é reclamada pelo juiz. Não há necessidade, portanto, dessa providência, se o funcionário acusado estiver de férias, licença, etc.

14. Citação do réu que se encontra no estrangeiro: art. 368 CPP: Encontrando-se o acusado no estrangeiro, em local

certo e sabido, será sempre citado por carta rogatória. Todavia, a fim de se evitar a prescrição, a lei determina a suspensão do prazo prescricional até o cumprimento da carta rogatória. Entende-se que a prescrição ficará suspensa até a juntada aos autos da carta rogatória, devidamente cumprida. Se o acusado estiver no estrangeiro, porém em local

incerto e não sabido, será citado por edital.

15. Citação em Legações Estrangeiras (sede das embaixadas ou consulados): art. 369 CPP: também serão feitas

mediante carta rogatória. Neste caso, a carta rogatória será expedida e remetida ao Ministério da Justiça, para o seu devido cumprimento via Ministério das Relações Exteriores (art. 783 CPP). Atenção: esta regra se aplica somente aos funcionários da embaixada ou consulado. No caso de empregados particulares dos representantes diplomáticos, a citação será por mandado ou precatória, conforme o caso concreto.

16. Citação por carta de Ordem: São citações determinadas pelos tribunais nos processos de sua competência originária,

ou seja, o Tribunal determina ao magistrado de primeira instância que cite o acusado residente em sua Comarca e que goze de foro privilegiado por prerrogativa de função. Ex: Prefeito Municipal de Conselheiro Lafaiete está sendo processado criminalmente (e originariamente) no Tribunal de Justiça. O Tribunal de Justiça expedirá carta de ordem à Comarca de Lafaiete, determinando a citação do Prefeito acusado. O mesmo raciocínio se aplica aos tribunais superiores para tribunais de segundo grau.

17. Citação Circunduta: a falta ou defeito da citação é causa de nulidade absoluta, que não pode ser convalidada. O ato

pelo qual se julga nula ou de nenhuma eficácia a citação é chamado de circundução. Portanto, quando anulada a citação, diz-se que há citação circunduta.

18 Citação e as infrações penais de menor potencial ofensivo O Juizado Especial Criminal é regido pelos princípios da oralidade, informalidade, economia processual e celeridade. Assim, em nome dos princípios da celeridade e da economia processual, é que o legislador não permitiu outra forma de citação que não a pessoal art. 66 da Lei 9.099/95. Portanto, não podendo haver citação por edital, o disposto no artigo 366 é inaplicável ao Juizado Especial Criminal. Neste caso, não encontrado o acusado para ser citado, o juiz encaminhará as peças existentes ao juízo comum para adoção do procedimento previsto em lei art. 66, parágrafo único, Lei 9.099/95.

INTIMAÇÃO

1. Definição: é o meio pelo qual se dá ciência à parte, no processo, da prática de um ato, despacho ou sentença. Refere-se

a intimação a um ato já passado, já praticado, ou seja, é a comunicação da ocorrência de ato processual do passado. Ex. intimação da sentença.

2. Distinção entre Intimação e Notificação:

A notificação é a comunicação à parte ou outra pessoa, do dia, lugar e hora de um ato processual a que deva comparecer ou praticar, ou seja, de ato processual do futuro. Diferencia-se da intimação, porquanto a notificação refere-se a um ato

futuro, ao passo que a intimação refere-se a um ato passado. Obs: embora a doutrina distinga (intimação da notificação), por inúmeras vezes o CPP as confunde, referindo-se a uma, quando deveria aludir a outra. (Ex: o art. 367 refere-se à intimação, quando deveria denominar ao referido ato “notificação”.

3. Regra Geral: Nos termos do disposto no art. 370 CPP, aplica-se às intimações as mesmas regras aplicáveis às

citações. Todavia, a intimação deve ser dupla, isto é, tem que ser feita ao acusado e ao seu defensor. Inadmissível é a realização de atos processuais sem que a parte interessada tenha sido previamente intimada, exceto, é óbvio, no caso de revelia do réu (art. 367 CPP).

4. Intimação do Defensor Constituído, do Advogado do Querelante e do Assistente: art. 370, §§ 1º e 2º CPP: far-se-

á por publicação no órgão incumbido da publicidade dos atos judiciais da comarca, incluindo, sob pena de nulidade, o

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nome do acusado. Caso não haja órgão de publicação dos atos judiciais na comarca, a intimação far-se-á diretamente pelo escrivão, por mandado, ou via postal com comprovante de recebimento, ou por qualquer outro meio idôneo.

5. Intimação do Defensor Público: art. 5º, § 5º da Lei nº 1060/50: O defensor público será sempre intimado pessoalmente, sob pena de nulidade da intimação, sendo inadmissível a substituição por publicação na imprensa oficial. A mesma regra aplica-se para a intimação do defensor nomeado (dativo) (art. 370, parágrafo 4º, CPP).

6. Intimação do Ministério Público: será sempre pessoal, em qualquer processo e grau de jurisdição, conforme expressamente determinado pela LONMP, nº 8625/93 e art. 370, parágrafo 4º, CPP. Obs: a intimação da sentença de pronúncia obedece a regras especiais, que serão estudadas por ocasião do estudo do procedimento do Júri.

Fonte deste conteúdo:

do estudo do procedimento do Júri. Fonte deste conteúdo : Curso de Processo Penal: Fernando Capez

Curso de Processo Penal: Fernando Capez Direito Processual Penal: Paulo Rangel Direito Processual Penal: Denílson Feitoza Pacheco

FACULDADE DE DIREITO DE CONSELHEIRO LAFAIETE CURSO DE DIREITO PROCESSUAL PENAL I 6º PERÍODO MATUTINO

Exercícios de Aprendizagem: Citações e Intimações

1)

Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado:

Todas as alternativas estão corretas, exceto:

(a)

O processo ficará suspenso.

(b)

O curso do prazo prescricional ficará suspenso.

(c)

O Juiz poderá determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes.

(d)

O processo seguirá à revelia do acusado.

(e)

O juiz poderá, se for o caso, decretar a prisão preventiva do acusado.

2)

Como será feita a citação de um francês, que mora na França, em lugar conhecido, por haver praticado um fato previsto como lesão corporal de natureza leve, aqui no Brasil?

(a)

Por precatória.

(b)

Por Mandado.

(c)

Por via postal, com aviso de recebimento.

(d)

Por carta rogatória.

(e)

Por edital.

3)

Conforme a Lei nº 9271/96, assinale a alternativa correta:

(a)

Estando o acusado no estrangeiro, em ligar sabido, poderá ser citado por carta precatória.

(b)

Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficará suspenso o processo, mas não o curso do prazo prescricional.

(c)

Se o acusado, citado ou intimado pessoalmente para qualquer ato, deixar de comparecer sem motivo justificado, o juiz, automaticamente, decretará a prisão preventiva, independentemente do disposto no art. 312 CPP.

(d)

As provas antecipadas, se comprovadamente urgentes, poderão ser produzidas sem a presença do Ministério Público ou do Defensor Dativo.

(e)

Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional.

4)

O Código de Processo Penal não admite a intimação via postal com aviso de recebimento na seguinte hipótese:

(a)

Do Defensor constituído e do advogado do querelante.

(b)

Do Defensor nomeado e do Ministério Público.

(c)

Do Defensor nomeado e do advogado do assistente.

(d)

Não existe previsão legal no CPP para intimação via postal.

(e)

Do Defensor Constituído e do Ministério Público.

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(a)

Quando o réu se oculta para ser citado.

(b)

Não existe citação por hora certa do processo Penal.

(c)

Quando o réu reside em local de difícil acesso.

(d)

Quando o réu foi requisitado e não foi apresentado em dia e hora designados.

(e)

Quando o réu é de identidade duvidosa.

6)

Citado por edital, o réu não atendeu ao chamado da Justiça, mas constituiu advogado. Neste caso, ocorre o seguinte:

(a)

Seu defensor deverá requerer a suspensão do processo e do curso do prazo prescricional.

(b)

Deverá ser decretada a revelia do réu, devendo seu defensor receber as subsequentes intimações.

(c)

A revelia só poderá ser decretada se ocorrer o não atendimento à citação ou intimação pessoal do acusado.

(d)

A intimação do defensor constituído será sempre pessoal.

(e)

O Juiz deverá decretar a prisão preventiva do acusado.

7)

Se Mário, réu em ação penal, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ocorre o seguinte:

I - É declarado revel e a ação prossegue com defensor dativo. II - O Juiz declara suspensos o processo e o curso da prescrição.

III - Fica suspenso apenas o prazo prescricional.

IV - O Juiz pode determinar a produção antecipada de provas consideradas urgentes e decretar a prisão preventiva, nos

termos do disposto no art. 312 CPP.

(a)

Todas as proposições estão incorretas.

(b)

Está correta apenas a proposição I.

(c)

Está correta apenas a proposição III.

(d)

Estão corretas as proposições II e IV.

(e)

Todas estão corretas.

8)

É nula a citação editalícia:

(a)

Do réu que se oculta para não ser citado.

(b)

Do acusado não encontrado no endereço que forneceu, mas com advogado constituído nos autos, que não foi ouvido a respeito do paradeiro do constituinte.

(c)

Quando incerta a pessoa que houver de ser citada.

(d)

Do réu não encontrado no endereço constante nos autos, que na ocasião se encontrava preso em outra unidade da federação, sem conhecimento de quem quer que seja.

(e)

NDA.

9)

Se ficar evidenciado circunstancialmente que o réu se oculta para não ser citado, ocorre o seguinte:

(a)

Expedir-se-á mandado de citação com hora certa.

(b)

Renovar-se-á o mandado de citação.

(c)

Expedir-se-á requisição à autoridade policial para sua notificação.

(d)

Far-se-á a citação por edital com prazo de cinco dias.

(e)

Far-se-á a citação por edital com prazo de quinze dias.

10)

A citação inicial, estando o réu no território sujeito á jurisdição do juiz que a houver ordenado, far-se-á:

(a)

Por mandado, que pode ser cumprido por qualquer funcionário, inclusive pelo Ministério Público.

(b)

Por via Postal.

(c)

Por Mandado, cumprido por Oficial de Justiça.

(d)

Com hora certa, verificando-se que o réu se oculta para não ser citado.

(e)

Por edital, com prazo de cinco dias, se o réu não for encontrado.

11)

O réu reside em unidade da federação diversa daquela onde foi proposta a ação penal. Com problemas físicos e financeiros, não tem condições de viajar para receber citação e comparecer à audiência de interrogatório. Neste caso:

(a)

O Juiz do processo aguardará até que o réu eventualmente se restabeleça porque nosso sistema processual penal adota o princípio da identidade física do juiz, que impede a delegação do poder de interrogar a outro magistrado.

(b)

O processo seguirá com a nomeação de curador e defensor ao réu que poderá, a qualquer tempo, ser interrogado pessoalmente ou por precatória.

(c)

O Juiz poderá determinar a citação do réu e a coleta do interrogatório mediante precatória.

(d)

O Juiz determinará que o réu seja citado por edital, com o prazo máximo previsto em lei.

(e)

O juiz julgará antecipadamente a lide e extinguirá o processo, pela impossibilidade de instauração da relação jurídico-processual.

12)

Considere os casos abaixo:

I Acusado citado por mandado que não comparece nem constitui defensor. II - Acusado citado por edital que não comparece, mas constitui defensor.

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III - Acusado citado por edital que não comparece nem constitui defensor. Qual deles terá seu processo suspenso?

(a)

Apenas I.

(b)

Apenas II.

(c)

Apenas III.

(d)

II e III.

(e)

I, II e III.

13)

Considera-se ficta ou presumida a citação feita por:

(a)

Carta Rogatória.

(b)

Carta Precatória.

(c)

Mandado Judicial.

(d)

Edital.

(e)

Carta de Ordem.

14)

Quando o acusado estiver no estrangeiro, em lugar sabido, a citação deverá ser feita:

(a)

Por carta rogatória, interrompendo-se o prazo prescricional até seu cumprimento.

(b)

Por edital, com prazo mínimo de trinta dias, fluindo normalmente o prazo prescricional.

(c)

Por carta rogatória, suspendendo-se o prazo prescricional até seu cumprimento.

(d)

Por carta precatória, interrompendo-se o prazo prescricional até seu cumprimento.

(e)

Por edital, com prazo mínimo de trinta dias, suspendendo-se o prazo prescricional.

15)

Havendo necessidade de ser ouvida testemunha por carta precatória, para que não haja nulidade é necessário:

(a)

Intimação das partes, inclusive do Promotor de Justiça, do dia designado para oitiva da testemunha no Juízo deprecado.

(b)

Intimação só do Ministério Público, se a testemunha foi arrolada pela acusação.

(c)

Intimação das partes da expedição da precatória.

(d)

Intimação da defesa, se a testemunha foi arrolada na defesa prévia.

(e)

Expedição da precatória, sem necessidade de intimação das partes, mas com prazo para o seu cumprimento.