FAR - FACULDADE REUNIDA

1º PERIODO – TURMA 2012 SERVIÇO SOCIAL

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CIÊNCIA POLÍTICA

Prof.:________________________ Aluno.:__________________________
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Sumário

Tema 01 - OS FUNDAMENTOS DA CIENCIA POLITICA Tema 02 - POLITICA E MORAL Tema 03 – POLITICA E DIREITO CONSTITUCIONAL Tema 04 _ BASES CONSTITUCIONAIS DO ESTADO MODERNO Tema 05_ CONCEPÇÃO DE ESTADO Tema 06 – O ESTADO E O DIREITO Tema 07 – ESTADO E O CIDADÃO Tema 08 –PARTIDOS POLITICOS Tema 09 – ELEMENTOS DO ESTADO MODERNO Tema 10 – PRINCIPAIS FORMAS DE GOVERNO E ESTADO Tema 11 – CONTEUDO SOCIAL E FORMAS DE ESTADO Tema 12 – SOBERANIA E GOVERNO Tema 13 – OS PRINCIPAIS SISTEMAS ELEITORAIS E A BUROCRACIA ESTATAL Tema14 – A ORGANIZAÇÃO FEDERATIVA E A DIVISÃO DOS PODERES 19

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TEMA 1 OS FUNDAMENTOS DA CIÊNCIA POLÍTICA Introdução
Caro (a) Acadêmico (a), Você está iniciando o Curso Seqüencial em Fundamentos e Práticas Judiciárias e já deve estar pensando: “Vou ter aulas de política, já não Basta encontrar essa palavra todos os dias nas conversas de todos???”“ Pois bem, este primeiro tema vai trabalhar justamente sobre a. Política, enquanto ciência, sua essência, seu caráter científico e os valores. Que estão ao seu redor. Muitas vezes, na sua prática no Cartório, na Delegacia, nos diversos órgãos do Poder Judiciário ou em outras atividades, você trabalha tão mecanicamente com aspectos legais, que não tem tempo para pensar nesses importantes conceitos. Então, vamos pouco a pouco trabalhando conceitos de suma importância para que você possa integrá-los aos seus conhecimentos do dia a dia no trabalho. Assim, você saberá o que é Política.

Objetivos:
• Conceituar política e mostrar como ela pode ser uma ciência; • Mostrar aspectos da evolução histórica do estudo da política; • Entender a relação entre política e direito.

1. PODER E POLÍTICA: ESSA DUPLA É COMPLICADA
Você pode perceber que a palavra “poder” é empregada em tantas situações, que acaba possuindo várias acepções. Em uma delas, poder é fazer valer, por qualquer meio, a vontade pessoal. E aí, reside um problema, esse Ser está consciente do poder que quer exercer? E quando o tem, exerce-o com equilíbrio, proporção, com justa medida? O poder pode ser exercido por dois meios: a coerção (a obrigação pela força ou imposição sobre outros para que façam aquilo que você deseja) e a influência (a persuasão pela retórica e outros dispositivos voltados para a sociabilidade, capazes de fazer com que os outros ajam como se fosse por vontade própria). Dessa maneira, existe um jogo de dominação incluído no poder. Ter recursos e estratégias é dois outros elementos que se fazem presentes na discussão sobre o poder. Os recursos são as condições imediatas para o exercício do domínio, podendo eles ser simbólicos (imagem pessoal, quantidade de informação, conhecimento, posição ocupada etc.), subjetivos (das qualidades e competências pessoais), econômicos (da materialidade dos insumos) e coercitivos (da força da vigilância, coerção e punição). Veja o quadro abaixo sobre alguns tipos de autoridade: Autoridade Tradicional O seu poder está baseado na tradição, nos costumes e valores arraigados no modo de viver e de ver o mundo de uma comunidade dada. A obediência é exercida por um sentimento de fidelidade. Muitas vezes, pode-se perceber a presença dessa concepção de autoridade tradicional quando se

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não se baseia em valores morais. heroísmos. Situações de opressão. porque sempre foram assim.FACULDADE REUNIDA escuta: as coisas devem continuar assim. não se deve esquecer que a política passa por aquela dimensão que está na organização da sociedade. poder intelectual ou oratória. Autoridade Legacional O seu poder está baseado na lei. O poder é assimétrico quando nem todas as pessoas compartilham na mesma quantidade e intensidade. Mas o termo possui várias interpretações: arte do possível. Vá-se acostumando com este nome.rtf) A palavra política é filha da civilização grega em seu período clássico.. se o indivíduo pensar que os fins justificam os meios. Autoridade Carismática O seu poder está baseado em suas qualidades pessoais e do reconhecimento que possui em meio ao grupo. 2 . pois somente uma ética será estabelecida. O oposto do poder é a impotência (o não ter controle da situação. Destacaremos agora o caráter científico da política. Por exemplo. O poder é uma necessidade humana e possui faces do Bem e do Mal. estatutos. Política se refere à vida na e da cidade (polis). é técnico. dentro da sociedade. A autoridade legal-racional muitas vezes pode ser reconhecida quando se escuta: Não gosto muito daquela pessoa naquele cargo. ciência do Estado e por aí afora. Essa autoridade enquanto liderança é estabelecida por faculdades mágicas. O CARÁTER CIENTÍFICO DO ESTUDO DA POLÍTICA. mas eles sempre possuem efeitos na vida das pessoas. regimentos e outros atos normativos. O exercício do poder traz a Influência (a possibilidade de indicar direcionamentos e intervenções). mas é competente. ele é obedecido. vencer e ganhar. Os fatos políticos podem ser diversos. Segundo Miguel Reale (1996. revelações. estudo do poder. 2. isto é. pois ele é referência para nós. descritos e escritos em constituição. p.pro.politica. Você já reparou como muita gente exerce o poder e a autoridade que tem? ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Contudo. carisma. ou seja. exploração e regimes totalitários embasam-se nesse princípio. nem influência ou capacidade de resistência). sendo possível verificar os múltiplos valores que condicionam a escolha dessas regras jurídicas. mas percebendo apenas que se deseja dominar. estudiosos das práticas judiciárias e do Direito. Miguel Reale.. (http://www. todo o conjunto de regras de ordenamento que garantem consensualmente a convivência. isto é. as tomadas de decisões pelos cidadãos por meio de seus representantes no governo. garantindo a execução de seus objetivos e funcionamento. as decisões políticas se traduzem em normas de eficácia obrigatória. o controle (obter sem resistência da partes. Enquanto o carisma do líder se mantém. O poder sem controle gera desequilíbrio na sociedade. aí reside grande perigo. arte e ciência do governo. E somos nós que damos reconhecimento a isso. 552).br/especial/socioem/socem/poder.FAR . da sociedade que se estrutura e permite que um conjunto de valores sejam normalizados.

p. os quais tratam de variados assuntos como a origem do Estado. como um dos objetos da Ciência Política. As reflexões da Ciência Política têm como objeto principal o poder político. Entrou gente no meio. 552) realça que sempre haverá necessidade da presença do poder político no processo de discussão dos valores e dos fatos. criando as normas jurídicas que vigoraram na sociedade. enxergadas na sua função de impor. jurista e cientista político italiano. 3. UMA PRIMEIRA DEFINIÇÃO DE CIÊNCIA POLÍTICA Ciência Política é o ramo do conhecimento humano que tem por objetivo estudar os acontecimentos.FAR . em sua obra clássica intitulada Política. as idéias políticas anteriores à sua. Outros defendem que ela é moderna. o enfoque básico deverá consistir no ser e agir da organização política (Estado). O intuito aqui não é discutir essas controvérsias. bem como as políticas públicas. A obra Política é composta por oito livros. por exemplo. também.C) e as passagens de uma forma de governo para outra.C) foi quem lançou as bases de criação da Ciência Política. disputas entre os poderes executivo. eles vislumbram. COMO SURGIU E PROGREDIU HISTORICAMENTE A CIÊNCIA POLÍTICA? Quando a coisa é boa. o bem da comunidade. Comissões Parlamentares de Inquérito. suas fontes e suas realizações. vivendo num espaço social sob condições específicas. p. com normas. Muitos pensadores se referem à finalidade do Estado como sendo o bem comum. de modo obrigatório para todos. lançou os fundamentos teóricos de que os estudiosos até hoje se utilizam para a compreensão da realidade política.FACULDADE REUNIDA Reale (1992. por fim. muitos defendem que o filósofo grego Aristóteles (384 – 322 a. as decisões dos tribunais e juízes. todo mundo quer ter a posse e a propriedade sobre ela! E assim aconteceu com a Ciência Política. E nós nos perguntamos: Será que esses critérios são os melhores para compreender a essência do fenômeno político? Norberto Bobbio. além de citar as melhores dentre elas. E não se esqueça: a política é filha da cidade. no século XX. em alguma 2 . 216) Perigoso isso. não é? 5. se destacaram na avaliação do fenômeno político. as estruturas e os pensamentos que têm a ver com a política. sobretudo a do filósofo grego Platão (428-347 a. Pela filosofia. Outros preferem levar em conta as funções exercidas pelo Estado ou pela comunidade política para o resguardo do bem comum. Impeachment de presidentes. legislativo e judiciário. no decorrer dos séculos. até as conversas dentro de casa entre o casais sobre a vida do país e os projetos de casa própria fazem parte da Ciência Política. os rumos que os membros da sociedade devem seguir.. o importante é perceber que: Aristóteles. São inúmeros os autores que. Assim. (BOBBIO. por mais amplo que seja o âmbito dos estudos que se realizam em tal área do saber humano. uma vez que o seu aspecto mais evidente é o de determinar. 2000. costumes e tradições a observar ou não. como educação e saúde e. faz a composição desses valores e fatos. É esse poder que. Vamos focalizar o Estado. A política está aí. Assim. assinala que o uso da força é o que apreende corretamente a essência da política ou do poder político. surgida com o desenvolvimento das cidades e progresso científico-social. dito de forma diferente. as leis. 4. QUAL É A ESSÊNCIA DA POLÍTICA ? SERÁ QUE A POLÍTICA TEM UM SENTIDO??? VAMOS DAR UMA ESTUDADA !!!! Alguns critérios são utilizados para se chegar à compreensão do que é a essência da política ou poder político. mostrando-se apropriado dizer que grandes filósofos da humanidade se lançaram. tudo girará ao redor do que se tem chamado de ordem e movimento da coisa pública ou.. permitir ou proibir determinados comportamentos. pelejas eleitorais e eleitoreiras. que solucionam os conflitos entre os membros do corpo social.

no qual. O direito é responsável por determinar em que ocasiões e em que condições o poder do Estado (poder público) pode e deve ser exercido. a moral etc. Sendo elas: . legitimação e finalidades do Estado ou. O melhor modelo é o do casamento entre direito e poder. em outras palavras. 7. Atividades Veja bem. . fundamentos. como. Todo aquele que exerce o poder político dentro de um Estado. em nome da coletividade.A perspectiva filosófica orienta-se para a busca e o exame das considerações inerentes ao surgimento.FAR . segundo a concepção do Estado democrático de Direito. quais os procedimentos a serem empregados para usar do poder e em quais circunstâncias. a qual parte da concepção de que o poder político é uma construção jurídica. quem. ou seja. onde o poder não é incontrolável. 6. 238). e finalmente. está sujeito a normas. sendo controlado pelo direito. tudo com o objetivo de impedir o uso arbitrário do poder. com os limites entre a política e outros domínios. isso traz à nossa mente alguma reflexão? Certamente. Onde o direito é fraco.A perspectiva sociológica verifica as comunidades políticas e os seus pressupostos históricos.como você percebe a existência dessas autoridades em sua casa/família. por meio de leis constitucionais. segue regras e procedimentos legais que controlam e disciplinam a suas atividades. sala de aula/escola. ao exame dos critérios de legitimação do dever de obediência política. local de trabalho. p. a sociedade corre o perigo de lançar-se na anarquia. corre o risco do outro extremo. do despotismo. procure fazer o seguinte caminho: . quando menos. a intensidade de poder que se dever utilizar.FACULDADE REUNIDA medida.A perspectiva jurídica. Conforme Norberto Bobbio (2000. para que só se ofereça ao público aquilo que se achar de acordo com as suas normas. em determinadas circunstâncias. poder e direito são duas faces da mesma moeda. Uma sociedade bem organizada necessita dos dois. POLÍTICA E DIREITO Ouvimos e lemos comumente. país/mundo? Tipo de Autoridade Casa/família Sala de 2 . culturais e naturais específicos. quando nos deparamos com o noticiário. ou seja. a partir do quadro das características das autoridades. na relação entre o poder político e o direito é como se o direito fosse um controle de qualidade” das práticas dos poderes políticos. como o direito. Em suma. ou à proposta do que cada um teve como o modelo ideal de Estado ou. o qual é expressão do comum acordo ativo da generalidade dos cidadãos. todo poder. Ora. . que pessoas podem usá-lo. expressões como “o ato do governo é ilegal” ou uma certa “lei é inconstitucional porque contraria a dignidade da pessoa humana e os direitos humanos” etc. Se fala em Direito Político como aquele que é composto de normas que regem a organização das instituições políticas e o seu funcionamento dentro dos parâmetros juridicamente predeterminados. na medida em que o seu exercício obedece a princípios e regras que lhe impõem restrições e limites. sem distinção de hierarquia. das comunidades sociais em que se manifesta o poder político. ou de uma comunidade política democrática. ou seja. a religião. PERSPECTIVAS DE ANÁLISE DO FENÔMENO POLÍTICO São algumas as perspectivas a partir das quais se procura avaliar o fenômeno político. rua/bairro/cidade.

_____. Rio de Janeiro: Campus. O Positivismo Jurídico: Lições de Filosofia do Direito. 5. São Paulo: Malheiros. ed. Frente aos conteúdos construídos. _____. _____. Brasília: Unb. A Teoria das Formas de Governo. Teoria do Direito e do Estado. Teoria Geral da Política. Tradução de: Alfredo Fait. São Paulo: Saraiva. Direito e Estado no pensamento de Emanuel Kant.FACULDADE REUNIDA aula/escola Rua/bairro/cidade País/mundo Autoridade Tradicional Autoridade Legal-racional Autoridade Carismática O espaço acima é pequeno para as respostas. ed. 1995. REALE.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 02 2 . Norberto. 10. procure respondê-la. 17. 2000. . _____. ed. Ciência Política. Tradução de: Sérgio Bath. pois envolve muitas circunstâncias e detalhes. Miguel. 4.FAR . ed.Filosofia do Direito. mesmo assim. 1997. então. São Paulo: Ícone. ed. Paulo. São Paulo: Malheiros. _____. Teoria do Estado. 2004. buscando mais conteúdos nas seguintes obras: BOBBIO. por que é tão difícil construir comunidade política? (É uma resposta difícil. BONAVIDES. explique-nos. ed. 2004. 1996.) Você pode complementar esta temática. 5. 2000. Tradução de: Daniela Beccaccia Versiani. sugerimos que você reproduza a tabela numa folha de papel A-3. 10. São Paulo: Saraiva. Brasília: Unb. 1997.

o qual tem desafiado. os mais variados teóricos. é comum ouvir falar expressões como “isso é uma imoralidade”. na moral vale a busca do bem pelo bem. no caso da política. o resultado. aquela que diz respeito ao agir com objetivos sociais como. ou seja. A primeira das éticas. 3. em comum. 1. o sociólogo Max Weber (1864-1920) fez distinção entre o que chamou de ética da convicção e ética da responsabilidade. o fato de que são ambas ligadas ao domínio da ação humana. os fins justificam os meios. com certeza. de notícias de corrupção dentro da esfera do poder público. Tais manifestações de indignação popular põem em destaque juízos positivos e negativos sobre o agir dos exercentes da função política e. Você. principalmente através dos meios de comunicação de massa. • Estudar as teorias de justificação da ação política. a ordem pública. por exemplo. por qual razão a política estaria á margem da moral. o difícil problema da relação entre política e moral. no decorrer dos séculos. a da convicção. a atuação política está sujeita às regras da moral. enquanto na política tudo se resume em manter e reforçar o próprio domínio exercido pelo detentor do poder. • Introduzir a concepção filosófica sobre a autonomia da política. expressa na compreensão de que a política se satisfaz com a obtenção dos fins buscados pelo governante (príncipe). A política e a moral têm. autor da famosa obra “O Príncipe”. A primeira é a ética de quem age segundo critérios pessoais do que admite como certo ou errado. pelo qual tem responsabilidade e segundo o TEMA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS qual há de responder pelos atos praticados ou de cuja efetivação se absteve. já se deparou com cenas de agitação social diante da revelação. “político é tudo semvergonha” etc. ou seja.FAR . Modernamente. A segunda delas. As várias teorias de justificação da ação política: 2 .FACULDADE REUNIDA POLÍTICA E MORAL Introdução Caro (a) Acadêmico (a). A política e a ética social Segundo Maquiavel. Nesses momentos. Objetivos: • Compreender as interrelações entre política e moral. com eles. A segunda é a ética de quem age tendo em conta as conseqüências. seguidas pelo homem em outros campos de sua vivência? Tem sido atribuída a Maquiavel (1469-1527) a distinção entre política e moral. a ética da responsabilidade corresponde à ética de grupo. corresponde à perspectiva pessoal de agir. Mas. alheia à sua influência? Como se têm posicionado os teóricos da política sobre tal questão? O objetivo dessa aula é introduzi-lo nas mais diversas perspectivas de solução da questão das fronteiras entre a política e a moral. Mas.

ora a moral é obediente aos critérios tidos como próprios da política. a relação de profundas ligações entre o Estado e certas visões religiosas. Celebrado o pacto. historicamente. vamos falar da concepção segundo a qual. ou adotam como úteis devem ser avaliadas pelo critério único de seu valor moral. Todas aquelas coisas a que as pessoas comuns se apegam como fonte de prazer. expõe que o único legislador é o soberano. qualquer costume não se torna lei apenas pela prática prolongada no tempo. quando o príncipe perde sua vida em tal causa. como uma sombra ainda presente do grande domínio exercido pela Igreja durante grande período da Idade Média e da Idade Moderna. ao tratar da lei civil. teorias de justificação da ação política.FACULDADE REUNIDA Em virtude da disparidade entre o universo das ações políticas e o que se esperaria como moralmente lícito. teólogo e filósofo holandês. no qual são conferidos ao que governará. no qual se vê com clareza a submissão do exercício do poder político a critérios de moral que qualificariam o príncipe cristão: “O prestígio de um príncipe. ou seja. A política é sujeita à moral ou vice-versa? Primeiramente. soberanamente. em sua obra “Educação de um Príncipe Cristão”. chegando a haver uma confusão entre o credo e comunidade política. Partindo da idéia de que o Estado é formado a partir de um pacto inicial. 3. o cristianismo se institucionalizou a ponto de verse ainda hoje o Vaticano como Estado soberano. príncipe) julga o que é justo ou injusto. Num primeiro momento. Outra observação é o fato de que. de 1516. Todos esses fatores continuam chamando a atenção ao problema das ligações entre política e religião que têm desafiado. para quem somente o soberano (rei. Quanto à concepção de que a moral se submete à política. podemos ver várias teorias a respeito das fronteiras entre os dois domínios. a ele se sujeitando. a integridade e a ação correta [. até mesmo à custa de sua própria vida. Assim. Pode-se citar como representante do primeiro tipo de monismo rígido o pensamento de Erasmo de Roterdã. Segundo ele. Erasmo de Roterdã (1469-1536). sua grandeza e sua dignidade régia não devem ser estabelecidas e conservadas mediante demonstrações ruidosas de posição privilegiada. principalmente em países de predomínio da fé islâmica. sai-se em busca de grandes realizações. por séculos. Por isso. ora a política é submissa à moral. Na sua obra “Leviatã”. podemos nos lembrar do pensamento de Thomas Hobbes (1588-1679).] O bom príncipe tem a obrigação de cuidar do bem-estar de seu povo. Ademais. todos os poderes necessários à obtenção da paz e defesa de todos.FAR . mas mediante a sabedoria. relegando-se os princípios ao plano secundário. ainda é observável. surge a intenção de justificar as ações concretas de exercício e prática do poder político. Hobbes. nota-se que o que geralmente conta em política é o que foi feito ou se deixou de fazer. o qual não está sujeito às próprias leis que impõe.” (ROTERDÃ. é comumente observado que os candidatos a cargos políticos querem fazer com que as obras realizadas sejam uma verdadeira moeda de troca para garantir o voto do eleitorado. ou respeitam como excelentes. ele não morre realmente. sustenta que o príncipe deve se sujeitar aos princípios cristãos para uma atuação política eficaz. Porém. inclusive as leis da Igreja.. Transparece na leitura do trecho citado que o governante deve ter em mente o bem de todos e que o único critério para julgamento de suas ações é o seu “valor moral”. torna-se ele indissolúvel. cabendo ao soberano a tarefa de juiz supremo de quais as opiniões e 2 . 1516). ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS. Além disso. Assim. todas as leis derivam de seu governo absoluto. o pensamento filosófico.. O costume só se torna lei pela vontade do soberano. se preciso for. expressa por seu silêncio e enquanto durar o seu silêncio ou o seu consentimento. Convém dedicar atenção a um trecho da referida obra.

tendo como um de seus representantes Jean Bodin (1530-1596). contrariando-as. PRESTE BEM ATENÇÃO NAS TEORIAS DE JUSTIFICAÇÃO POLÍTICA!!!!!! ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 5. qual o assunto e até que ponto do assunto se pode conversar com as multidões. enquanto ética do político. simplesmente. Ética Especial O pensador Norberto Bobbio (2000. o terreno da ação política é o lugar onde vigora uma ética especial. apenas. 2 . como melhor entender. podemos citar o pensamento de Hegel (1770-1831). para quem o Estado tem uma razão de ser concreta e somente essa existência concreta pode servir e valer como princípio condutor de sua ação. ficando revogada a norma moral e justificada a ação política. Assim. mas que ao filósofo parece. para Hobbes. 2) há situações que se mostram como um verdadeiro estado de necessidade. é o soberano que igualmente escolhe as ocasiões. o sistema político se submete às regras da moral social. 189) questionou se a atividade política é uma atividade com características específicas que exigem um regime normativo particular e com a mesma razão de ser de qualquer outra ética profissional. as coisas do Estado. ele deve determinar pessoas encarregadas de examinar as doutrinas de todos os livros.FACULDADE REUNIDA doutrinas são contrárias à paz. antes de serem publicados. para refletir sobre a razão do consentimento de práticas especiais aptas a atingir um fim próprio à política. Logo. pode ter os seus motivos justificados para a provação de uma conduta que à pessoa comum pode parecer imoral.FAR . a ética do político e. semelhante às diversas éticas profissionais. e quais lhe são propícias. Para essa teoria de justificação da ação política. O pensamento de Hobbes traz a ação política livre de juízos morais. p. mas independentes Segundo tal teoria de justificação. 6. Além disso. em situações excepcionais em que se justifiquem ações políticas divorciadas de seus princípios. Enfim. uma vez que o soberano detém o poder e a responsabilidade de gerir. A respeito. imprescindível para resolver certa situação em que se encontra o Estado ou a comunidade política. devem ser permitidos atos que são proibidos moralmente. dessa maneira. 3) se ao Estado também são proibidas condutas ou atos permitidos aos cidadãos. 4. não é correto dizer que o príncipe é tirânico quando. ética especial. ele utiliza meios violentos. São dois os pressupostos básicos do monismo flexível: 1) o sistema moral se compõe de leis universais de conduta. mas não totalmente independentes uma da outra. em estado de necessidade. a política e a moral são postas como separadas. a necessária conformação do indivíduo-membro à ética do grupo. também a ele. Estado de Necessidade Nesta corrente teórica. Nunca poderemos sujeitar a ação política a imperativos de moral abstrata que se distanciam das exigências que o movimento histórico impõe ao Estado. em ocasiões de necessidade extrema. Relacionadas. A ética política torna-se. há uma distinção necessária entre a moral e a ética de grupo em que se encaixa a práxis política.

para manter o governo. acima de tudo.” (MAQUIAVEL. 2 . 1996. O caminho para a resposta pode estar no Estado de Direito. pois. saber entrar para o mal.FAR . Política e moral totalmente separadas O pensamento de Maquiavel mostra a mais extrema separação entre a política e a moral. que é a lei suprema e fundamental. É indispensável que a cidadania reflita e distinga a ação política boa da ação política má. é oportuno considerar certos fatores. 7. 2) é o atingir das finalidades que torna legítimas as ações. 3) quando se decide o bem-comum. não partir do bem. 8. Maquiavel parte da distinção entre ações finais e ações instrumentais. Os meios que empregar serão sempre julgados honrosos e louvados por todos. A política seria o domínio das ações instrumentais. mas. SERIA A POLÍTICA UMA ATIVIDADE ESPECIAL. É possível separar a política e a moral? Embora sejam várias as correntes de pensamento que tentam resolver a questão das relações entre política e moral. e o mundo é constituído pelo vulgo. segundo a qual todas as estruturas do poder político e a organização da sociedade devem observar as normas de direito presentes.. Como exposto por Maquiavel. Veio então. máxime dos príncipes. onde não há tribunal para que recorrer. porque o vulgo é levado pelas aparências e pelos resultados dos fatos consumados. o Estado da filosofia hegeliana é um fim em si mesmo. não pode observar todas as coisas a que são obrigados os homens considerados bons. sendo freqüentemente forçado. e não haverá lugar para a minoria se a maioria não tem onde se apoiar. SUJEITA A REGRAS ESPECIAIS? Chegamos aqui ao pensamento de MAQUIAVEL !!!! ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS como. 102). a própria existência de teorias de justificação de exercício do poder político mostram que existem exigências morais. valores e fins dos quais não se pode libertar a prática histórica política. Primeiro.FACULDADE REUNIDA Segundo o Paulo Bonavides. por quais critérios se há de fazer essa distinção? É nesse ponto que entra nossa segunda consideração. então nem toda finalidade é lícita. na Constituição. por isso. que não serve a nenhum outro fim. Procure. O que está no alicerce desse pensamento? 1) o que importa é atingir as finalidades. e especialmente um príncipe novo. você pode perguntar. podendo. as ações instrumentais são julgadas com base no resultado obtido. a idéia de Estado de Direito.. a religião. É necessário. a agir contra a caridade. no rumo do constitucionalismo. por exemplo. p. na acepção do moderno constitucionalismo. O importante é que o Estado cumpra a sua tarefa. o socorro ao necessitado. que possua ânimo disposto a voltar-se para a direção a que os ventos e as variações da sorte o impelirem e. ao falar do que deve estar na mente do príncipe (do governante): “E há de se entender o seguinte: que um príncipe. vencer e conservar o Estado. a humanidade. Se é aquele que realiza o bem comum. como disse mais acima. e nem todo resultado é merecedor de aplausos. Enquanto as ações finais são julgadas com base no valor por elas buscado. a fé. um príncipe. impondo diversas normas que vinculam a atividade política. se a isso estiver obrigado [. o que importa é o êxito bom ou mau. Subsiste ainda o questionamento sobre o que é o bom governo. o qual condiciona a atuação do poder político.] Nas ações de todos os homens. Mas. não cabe consideração sobre justo e injusto. a totalidade moral.

1998. encontramos. dentre outros. 2004. existe uma moralidade típica de uma república. reina apenas a ambição e o tesouro público se torna patrimônio de particulares. Constitucionalismo pode ser exposto como uma técnica de rompimento do arbítrio ou do abuso de poder. associando as idéias a seus respectivos pensadores: ( A ) Maquiavel ( B ) Erasmo de Roterdã ( C ) Thomas Hobbes ( ) O costume só se torna lei pela vontade do soberano. Brasília: Senado Federal.FAR . São Paulo: Malheiros. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Atividades Relacione as colunas. com o intuito de refrear e impedir os excessos no âmbito do Estado. Tradução de: Daniela Beccaccia Versiani. Portanto. se preciso for. Paulo. Para isso. pois. conforme exposto por Montesquieu. se você encontrou alguma dificuldade na resolução deste exercício. ed. expressa por seu silêncio e enquanto durar o seu silêncio ou o seu consentimento. Quando perdida. mas mediante a sabedoria. ( ) “O bom príncipe tem a obrigação de cuidar do bem-estar de seu povo.” ( ) “Procure. releia o texto com mais atenção. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 03 POLÍTICA E DIREITO CONSTITUCIONAL 2 . 1996. a qual. CONSELHOS aos Governantes. você pode consultar as seguintes obras: BOBBIO.” ( ) “O prestígio de um príncipe. Teoria do Estado. Nicolau. Logo. ao princípio da moralidade.FACULDADE REUNIDA Na Constituição da República Federativa do Brasil. sua grandeza e sua dignidade régia não devem ser estabelecidas e conservadas mediante demonstrações ruidosas de posição privilegiada. bem como a divisão dos poderes nas mãos de diversos órgãos. até mesmo à custa de sua própria vida. pois a Para um conhecimento mais aprofundado do assunto tratado na presente aula. 2000. BONAVIDES. O Príncipe. propôs-se a definição de direitos fundamentais do cidadão. vencer e conservar o Estado.” Comentário: A atividade tem por finalidade reforçar o estudo do texto. um príncipe. 5. Teoria Geral da Política: a filosofia política e as lições dos clássicos. por exemplo. MAQUIAVEL. a integridade e a ação correta. Norberto. Rio de Janeiro: Campus. é a virtude. uma norma que diz que a administração pública obedecerá. São Paulo: Nova Cultural.

ESTADO CONSTITUCIONAL A Constituição tem sido definida como a ordem jurídica fundamental do Estado ou como o estatuto jurídico do político. 1. 2. A palavra estatuto faz a gente lembrar que tudo no Estado deve seguir os passos de um sistema de regras criado para facilitar o andar harmonioso das coisas. exigem o cumprimento das leis e. a Constituição projeta o Estado. sobretudo. interfere na formação de sua estrutura. Em todas as situações lembradas. das coisas em seus devidos lugares. Você já dever ter notado que a todo momento.FACULDADE REUNIDA INTRODUÇÃO Caro (a) Acadêmico (a). põem-se contra atos dos poderes públicos tidos como ilegais. Na tramitação de qualquer projeto de lei. as profundas ligações entre política e direito.FAR . Objetivos: • Esclarecer que a Constituição. os escândalos ligados ao uso indevido do dinheiro público têm gerado o ajuizamento de muitas ações penais e ações civis públicas. A palavra “ordem” dá a idéia de organização. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS As definições apontadas nos fazem concluir que o objetivo da Constituição é conferir as regras de conduta do poder político. assegurando que o poder político se moverá dentro dos padrões exigidos pelo interesse público. com a finalidade de dar uma estrutura para o funcionamento normal do poder político. ele passa obrigatoriamente pela Comissão de Constituição e Justiça. podemos notar também que. pessoas vão aos tribunais. ou seja. “o poder judiciário anulou contratação ilegal de pessoal. cuidando dos seus detalhes. dando-lhe os parâmetros que estabelecem os seus órgãos e as atividades para as quais eles são instituídos. antes de sua eventual avaliação pelo plenário das casas legislativas. O CONSTITUCIONALISMO 2 . para ser avaliado pelo ângulo de sua conformidade com os ditames da Constituição Federal ou Estadual. reclamam seus direitos. Nesta aula. È comum também ouvir expressões como “vou recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Por último. por ausência de concurso público”. em ordem a tornar mais clara a sua compreensão. • Entender os diversos aspectos do caráter político da Constituição. “o judiciário declarou inconstitucional a lei número tal”. Assim como o arquiteto desenha uma casa. como lei fundamental do Estado. cuidando de cada aspecto dele. partiremos de algumas informações básicas. • Mostrar aspectos da evolução histórica da idéia de Estado de Direito. podemos ver que há um conjunto de regras que delimitam a ação do Estado. tudo visando à responsabilização dos agentes públicos desonestos. se necessário”.

Deve-se deixar claro. de nada podendo ser responsabilizado perante seus súditos. Em outras palavras. os cidadãos ingleses têm direito de acesso aos tribunais. em constitucionalismo moderno e constitucionalismo antigo. PRESTE ATENÇÃO NO QUE VAI SER DITO !!! . 168) Aos fatores assinalados correspondem três grandes exigências: ao jusnaturalismo. ao soberano caberia dizer se cometeu ou não abuso de poder. p. com isso. cristalizados principalmente entre o fim da Idade Média e o século XVIII. era como entregar as chaves do galinheiro nas mãos da raposa. com a busca pelo uso racional do poder político. que constavam as limitações do uso do poder pelo monarca soberano. basicamente. bem como os padrões culturais. a supremacia do indivíduo. os quais são imprescindíveis dentro do Estado. e o iluminismo. (DALLARI. que resultaram na formação do Estado de Direito e. deveria ser observada a utilização de um processo justo. com a concepção de direitos inatos ao homem e anteriores ao Estado. Vários fatores se uniram para a formação da idéia moderna de Constituição: jusnaturalismo. regulamentado pelas leis. em primeiro lugar. já que só. criou-se um conjunto de regras jurídicas com a intenção de manter o Estado dentro de limites de atuação justos e razoáveis. São bem variados os momentos e condições históricos. levada a efeito por fortes movimentos de contestação. ele era o único legitimado a aferir do seu cumprimento ou não.FACULDADE REUNIDA Para melhor esclarecer o fato de que a Constituição é uma lei que tem por finalidade fundamental regulamentar o poder político. o uso racional do poder através do cumprimento do poder político. ademais. 2003. no curso da história. INGLATERRA Em 1215. A expressão constitucionalismo moderno designa todo um movimento filosófico e político de questionamento das bases de legitimação do uso tradicional do poder político. Mesmo assim. é possível definir o constitucionalismo como teoria que sustenta o princípio do governo limitado como sendo imprescindível à salvaguarda dos direitos dos cidadãos.FAR . foi imposta a Magna Carta ao rei João Sem Terra. (CANOTILHO. que são vários os momentos e os lugares em que surgiram aspirações no sentido de limitar o exercício do poder. submetendo-o ao cumprimento de regras jurídicas. determinando-se que. a luta contra o absolutismo político. ESTADO CONSTITUCIONAL E O ESTADO DE DIREITO O que é Estado de Direito? Por Estado de Direito entende-se. A partir de então. 2 . Fala-se. os que exercem o poder político têm cometido abusos e excessos. 52) 3. cabendo-lhe respeita-los. a de limitação ao poder político. a limitação do poder político por meio de regras jurídicas. de Estado Constitucional. para se defenderem contra as ilegalidades praticadas em nome do Estado ou contra as ações indevidas de outros cidadãos. 2005.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A Constituição na acepção moderna é a organização sistemática e racional da comunidade política através de um documento escrito no qual se declaram as liberdades e os direito e se fixam os limites do poder político. Partindo-se da constatação de que. O constitucionalismo antigo é o conjunto de princípios escritos ou costumeiros. Embora o monarca estivesse sob o dever de observar certos preceitos. e ao iluminismo. antes de tirar a liberdade ou os bens de qualquer cidadão. às lutas contra o absolutismo. é preciso estudar um pouco constitucionalismo.

. prevalecendo o Estado sobre o direito. principalmente a autoridade máxima da Constituição. o poder legítimo é o que cumpre a obrigação constitucional de governar segundo as normas postas na Constituição. durou por muito tempo o chamado Estado de Polícia. assumindo clara posição de protetor. São características do Estado de Direito alemão: .FACULDADE REUNIDA As leis e os costumes do país passaram a estar acima do poder soberano do rei.atuação do poder político dentro dos limites do necessário e do que for adequado e proporcional para solucionar os problemas. Na concepção dos teóricos norte-americanos.a administração pública tem o dever de obedecer às leis (princípio da legalidade da administração). No Estado de Direito há a primazia da lei sobre todo e qualquer ato do poder executivo (princípio da legalidade da administração). eles foram demasiadamente influenciados pela sua pátria mãe. todos os atos do poder executivo passaram a ser controlados pelo Parlamento.a lei votada pela representação popular deve ser respeitada em qualquer intervenção do Estado na liberdade individual e na propriedade privada. enquanto os aspectos econômico e social andariam segundo as regras da liberdade individual e da liberdade de concorrência. o sistema norte-americano põe grande confiança nos tribunais. O Estado passou a ter a atividade limitada à defesa da ordem e da segurança públicas. O Estado de Polícia é aquele que se diz protetor da felicidade e do bem-estar social. ou seja. Além disso. Para a teoria do Estado Policial. Além disso.limitação do poder soberano através de regras jurídicas. Enquanto o chamado Estado de Polícia acabou reforçando a autoridade e a consolidação do poder do rei. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS FRANÇA Na França. para fazer valer as regras do direito. A prática constitucional norte-americana mostrou uma idéia de Constituição como lei fundamental que trazia os esquemas fundamentais do governo e seus respectivos limites. dizendo ter o direito de compreender melhor que as pessoas aquilo que dissesse respeito à sua felicidade. Para compreendermos o tamanho do crédito recebido pelos tribunais nos Estados Unidos. pela Inglaterra. ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA E quanto aos Estados Unidos? Como era de se esperar. o Estado de Direito ou “Estado Jurídico” fez regras jurídicas limitadoras dos poderes e definidoras dos direitos dos cidadãos. ALEMANHA Na Alemanha. . Depois. O ESTADO CONSTITUCIONAL E OS DIREITOS FUNDAMENTAIS 2 .controle dos atos da administração pública pelo poder judiciário. as quais são obrigatórias e duradouras. . qualquer intervenção do Estado nos direitos individuais deveria ser aceita. eles podem até declarar que uma lei é nula e sem eficácia em razão de contrariar a Constituição. . desde que visasse a realização e a proteção do bem social. encarregando-os de fazer valer o império do direito.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 4. o Estado de Direito substituiu o Estado Policial. o Estado de feição liberal substituiu o Estado de Polícia. .FAR .

2 . (BOBBIO. ou um juiz com a força de um opressor. dando-lhes a proteção mais efetiva. O princípio da separação dos poderes se transformou numa verdadeira inspiração para as mais diversas Constituições contemporâneas. 4. desde a Declaração dos direitos francesa. para assegurar a liberdade política. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 6. Tais direitos são fundamentais no sentido formal e material. Inexistirá liberdade se o poder judiciário estiver nas mãos da mesma autoridade que exerce o poder legislativo ou o poder executivo. indispensável. O ESTADO CONSTITUCIONAL E A DEMOCRACIA Outro traço fundamental da Constituição e da sua ligação com a política é o fato de que ela estabelece um governo democrático. já que o seu objetivo é a descoberta das leis que governam o movimento e as formas das sociedades humanas.FACULDADE REUNIDA A definição na própria Constituição de direitos fundamentais do povo é elemento integrante da noção de Estado Constitucional. Para assegurar essa liberdade. a separação dos poderes seria o meio indispensável. 128) Os três poderes são o legislativo. Logo. o executivo e o judiciário. já que teríamos um juiz legislador. essencialmente. ao invés de liberdade. para o filósofo francês. somente o poder pode deter o poder. O pensador francês Montesquieu (1689-1755) tornou-se famoso por sua notável obra O Espírito das Leis. p. O nome de tal fenômeno é constitucionalização. com poder absoluto sobre a vida dos cidadãos. Assim. seja um monarca ou um grupo de indivíduos. Podemos resumir o pensamento de Montesquieu da seguinte forma: Se o poder legislativo e o poder executivo forem exercidos pelo mesmo titular.2 Fundamentalidade Material Os direitos fundamentais são materialmente fundamentais no sentido de que por eles se exprime princípios que são básicos no Estado e na sociedade. O ESTADO CONSTITUCIONAL E A SEPARAÇÃO DOS PODERES Para estabelecer a sua doutrina de divisão dos poderes. 5. Assim. sendo tido. Montesquieu parte da constatação de que todo aquele que detém o poder tende a dele abusar. 4. e o poder judiciário aplica as mesmas leis para resolver os conflitos que ocorrem entre os membros do corpo social. já que a Constituição é a lei de maior hierarquia. 1997. pelo qual se entende a incorporação de direitos do homem em normas da Constituição. O poder legislativo cria as leis que serão aplicadas a todos os cidadãos.FAR . o governo do povo. como essencial em todos os sistemas constitucionais. A democracia é. elas não podem ser revisadas por outras leis e as normas constitucionais que os definem não podem ser alteradas. haverá leis tiranas aplicadas tiranicamente. cria-se a limitação do poder como meio. a qual pode ser considerada uma teoria geral da sociedade. o poder executivo aplica essas leis com o objetivo de realizar o bem comum. Todo poder político é outorgado pelo povo e por ele ou em seu nome será exercido.1 Fundamentalidade Formal A fundamentalidade formal significa que as normas que estabelecem os direitos fundamentais estão em patamar superior a todas as normas das outras leis. de 1748. de 1789.

1438) 7. sempre em busca do bem comum. .5 Função de organização do poder político É na Constituição que se acha a definição das competências e atribuições dos órgãos que compõem a estrutura do Estado. Pluralismo político é a concepção que. 7. procura estabelecer meios de manifestação de todas as idéias. 287).ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 7. 7. p.2 Função de legitimidade e legitimação da ordem jurídico constitucional A Constituição regulamenta o poder com base em valores jurídicos encontrados na consciência jurídica geral de uma determinada comunidade. a Constituição é como uma placa de sinalização de trânsito. Ou seja. valores e diretrizes que servem de padrões de conduta política em uma determinada comunidade. Assim. todo ele é constituído pela Constituição. entendida esta como aquela em que o Estado democrático vincula a legitimação do exercício do poder político à observância das regras e procedimentos estabelecidos pelo direito. obtendo aí a sua legitimidade. Em um Estado pluralista. levando em conta a diversidade de grupos e interesses dentro de uma comunidade. na qual é dito ao Estado que se dirija de certa forma. os vários grupos ou centros de poder social tem a função de limitar e controlar as vontades isoladas dos detentores do poder político. (CANOTILHO. É dever de todas as autoridades respeitar os direitos fundamentais do povo. É na Constituição que se encontrará também o fundamento de toda ordem jurídico-política. além das atribuições dos órgãos públicos que compõem a estrutura do Estado.4 Função de ordem e ordenação O Estado é estruturado com órgãos distintos e interdependentes. 2003. e a dimensão formal. 2 . A Constituição fixa o valor. Já que a Constituição regulamenta o exercício e o uso do poder político.1 Função de consenso fundamental A Constituição mostra a concordância fundamental dos cidadãos em torno de princípios. Vejamos suas funções. Essa realidade se traduz em verdadeira legitimação do poder político. com vista a proteger a liberdade dos cidadãos. todas as funções conferidas à Constituição dizem à organização e ao exercício do poder político.3 Função de garantia e proteção A Constituição garante os direitos e liberdades fundamentais. 2003. Com efeito. a Constituição põe limites à atuação do poder político. sendo elas a dimensão material. 7. a força e a eficácia do restante das normas. FUNÇÕES CLÁSSICAS DA CONSTITUIÇÃO Os laços entre política e direito ficam mais claros quando pensamos sobre a questão das funções da Constituição. p.FAR . pela qual o Estado democrático se obriga a perseguir determinados fins como a realização do pluralismo político e dos direitos fundamentais. 7. procurando atender os anseios e harmonizá-los efetivamente. (CANOTILHO. já que a Constituição possui hierarquia superior a todas as demais leis e atos das autoridades estatais (princípio da supremacia da Constituição).FACULDADE REUNIDA O princípio democrático tem duas espécies básicas de dimensões.

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A Constituição define a estrutura de organização do Estado, estabelecendo a separação dos poderes ou funções políticas (poder legislativo, poder executivo e poder judiciário), bem como as relações de convívio entre eles. Por último, a Constituição é a lei que trata, a título exclusivo, da determinação das competências, as quais são somente aquelas postas na própria Constituição (princípio da tipicidade da competência).

Atividades
Marque V, se a afirmativa for verdadeira e F, se for falsa ( ) A Constituição tem sido definida como a ordem jurídica fundamental do Estado ou como o estatuto jurídico do político. ( ) Pluralismo político é a concepção que, levando em conta a diversidade de grupos e interesses dentro de uma comunidade, procura estabelecer meios de manifestação de todas as idéias, procurando atender os anseios e harmonizá-los efetivamente. Em um Estado pluralista, os vários grupos ou centros de poder social tem a função de limitar e controlar as vontades isoladas dos detentores do poder político. ( ) A Constituição regulamenta o poder com base em valores jurídicos encontrados na consciência jurídica geral de uma determinada comunidade, obtendo aí a sua legitimidade. ( ) É na Constituição que se acha a definição das competências e atribuições dos órgãos que compõem a estrutura do Estado. ( )A Constituição define a estrutura de organização do Estado, estabelecendo a separação dos poderes ou funções políticas (poder legislativo, poder executivo e poder judiciário), bem como as relações de convívio entre eles. BOBBIO, Norberto. Teoria das Formas de Governo. Tradução de: Sérgio Bath. 10. ed. Brasília: UnB, 1997. BONAVIDES, Paulo. Teoria do Estado. 5. ed. São Paulo: Malheiros, 2004. CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 7. ed. Coimbra: Almedina, 2003. DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de Teoria Geral do Estado.25. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. - ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS

TEMA 04 BASES CONSTITUCIONAIS DO ESTADO MODERNO CONCEPÇÃO DE ESTADO. INTRODUÇÃO

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Caro (a) acadêmico (a),
A presente aula tem por finalidade, tecer alguns comentários sobre o moderno conceito de Estado, definindo primeiramente o que é Estado e dando a vocês uma noção mais precisa deste e sua importância em nosso cotidiano.

Objetivos:
• Esclarecer a noção de Estado, a partir de suas origens; • Conceituar Estado; • Trabalhar sobre o tema da justificação do Estado.

1. O QUE É ESTADO?
Para que possamos entender a organização do Estado, precisamos preliminarmente conhecer o que é Estado. Para isso, precisamos conceituá- lo e para obtermos um Conceito de Estado devemos partir de um questionamento inicial: O que é Estado? Para respondermos a esta questão, nos filiamos ao entendimento de Celso Ribeiro Bastos onde diz: O Estado é, portanto, uma espécie de sociedade política, ou seja, é um tipo de sociedade criada a partir da vontade do homem e que tem como objetivo a realização dos fins daquelas organizações mais amplas que o homem teve necessidade de criar para enfrentar o desafio da natureza e das outras sociedades rivais. O Estado nasce, portanto, de um ato de vontade do homem que cede seus direitos ao Estado em busca da proteção e para que este possa satisfazer suas necessidades sempre tendo em vista a realização do bem comum. Na medida em que começam a se alargar as esferas de atuação do poder coletivo, é dizer, na medida em que a própria complexidade da vida social começa a demandar uma maior quantidade de decisões por parte dos poderes existentes, faz-se, portanto imprescindível que um único órgão exerça esse poder. (BASTOS, 2004, p. 42/43). Como vimos, o Estado nasce da necessidade do homem diante das dificuldades enfrentadas, seja pelo meio hostil em que vive, seja pelo conflito TEMA - ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS com outros humanos. Diante dessas situações e das necessidades da organização da vida em sociedade, que a cada dia se torna mais dinâmica e complexa, o homem viu-se compelido a delegar poderes para um órgão abstrato que serviria para dirimir os conflitos e organizar e gerir a sociedade. Mas o homem não viveu sempre em sociedade e, mesmo nas comunidades primitivas, não se conhecia o Conceito de Estado, surgindo este num momento histórico bem definido, tendo surgido no século XVI, momento de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. Não podemos negar que as Cidades Estado Gregas, bem como o Império Romano, na Antiguidade Clássica, já apresentavam primórdios e indícios de uma organização estatal, mas não contemplavam todas as características próprias de Estado que são, na definição de Celso Ribeiro Bastos: Povo, Território e Poder Soberano (Bastos, 2004). Assim, o surgimento do moderno conceito de Estado fica localizado, historicamente, no início dos Tempos Modernos, mais precisamente no Século XVI. Um dos pontos divergentes sobre o conceito de Estado diz respeito a sua relação com a sociedade política. Alguns defendem que Estado e sociedade política se identificam, outros entendem que o Estado é uma das espécies de Sociedade Política, considerado o mais importante destas espécies. Devemos, portanto, ao estudar o fenômeno estatal, ter em mente duas correntes diferentes. A primeira dá maior importância aos caracteres materiais do Estado: seu povo e seu território. A segunda corrente prioriza a organização normativa ou, o poder coercitivo que possui o Estado. Esta segunda corrente considera que não há Estado sem povo ou território. Na prática, não é possível se distinguir as duas correntes, uma vez que estas se complementam, mas para fins didáticos, é importante haver essa distinção, neste sentido manifestou Bastos: No fundo, no entanto, o Estado é simultaneamente as duas coisas e só por conveniência de estudo, ou em virtude das limitações da 2

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ciência que não se consegue dar conta do real senão secionando-o ou restringindo-o a uma única dimensão, é que se há de reluzi-lo a alguma de suas múltiplas manifestações, mas a verdade é que o Estado é simultaneamente um fato social e como tal passível de estudo pela sociologia, como também é um fenômeno normativo e, nessas condições, conhecível e estudável pelo Direito. (BASTOS, 2004, p. 44) É bom lembrar que o moderno conceito de Estado nasceu na conturbada transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, influenciando esse contexto social e político na sua formação. Concluindo, podemos dizer, de acordo com Bastos: [...] que o Estado é a organização política sob a qual vive o homem moderno. Ela caracteriza-se por ser resultante de um povo vivendo sobre um território delimitado e governado Entendemos que a corrente mais correta é a segunda, que considera o Estado como uma espécie de Sociedade Política, sendo que o Estado Moderno que conhecemos – que pode ser definido pelo conjunto de seu povo, território e poder político – é apenas um dos vários tipos de Estado existentes, conforme estudaremos nas próximas aulas. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS por leis que se fundam num poder não sobrepujado por nenhum outro externamente e supremo internamente. (BASTOS, 2004, p. 48).

2. ORIGEM DO ESTADO
Para que possamos nos aprofundar na origem do Estado, começaremos por entender a origem etmológica da palavra Estado. Estado deriva da palavra latina “status”, que pode ser traduzida como estado, posição e ordem. Já em seu sentido ontológico, a palavra Estado é, de acordo com Bastos: “um organismo próprio dotado de funções próprias, ou seja, o modo de ser da sociedade politicamente organizada, uma das formas de manifestação do poder”. (BASTOS, 2004, p.49). Quanto à origem, vários foram os autores que discutiram o seu surgimento ou a sua origem, sendo que estes autores formularam diversas teorias com a finalidade de explicar o surgimento do Estado, entre elas podemos destacar: 3.1 Doutrina Teleológica: Seus principais estudiosos foram São Tomás de Aquino, Santo Agostinho e Jaques Bossuet. Essa doutrina defendia que o poder advinha de Deus e, dessa forma, o Estado era criação divina, assim como todas as coisas. Dentro da Doutrina Teleológica, haviam duas correntes: a “Teoria Pura do Direito Divino Sobrenatural”, que teve seus maiores defensores na França, durante a Idade Média e que defendia, segundo Bastos, que “o Estado era obra imediata de Deus, e que ele próprio designaria o homem ou a família que deveria exercer a autoridade estatal”(BASTOS, 2004, p.51), o que servia para reforçar a força do rei e das monarquias absolutistas, um de seus maiores defensores foi o rei Luís XIV da França, que afirmava que todo Poder advinha de Deus, e portanto, tal poder não poderia ser contestado e só caberia ao rei (que representava todo o Poder Estatal) prestar contas a Deus, que era quem lhe conferia o poder e só Ele poderia tirá-lo. A Outra corrente era a da “Teoria do Direito Divino Providencial” que, segundo Bastos, defendia “a idéia de que o estado foi instituído pela providência divina, que o dirigia de maneira indireta através da direção providencial dos acontecimentos e das vontades humanas (livrearbítrio)”(BASTOS, 2004, p.52), a maior defensora dessa corrente foi a Igreja Católica.

2.2 Doutrina Jusnaturalista:
Essa teoria surgida no final da Idade Média início da Idade Moderna, vinha para contraditar a teoria teleológica, uma vez que buscava separar os valores humanos da religião, defendia que o Estado surgia das

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2004. simples instrumento de dominação. fundando-se em características divinas. Locke dizia que “[. 57). defendem o progresso do Estado natural para um estado social. “No direito natural os princípios que imperavam eram os de que ninguém deve prejudicar ninguém e que deve se der a cada o que é seu ”(BASTOS. Os povos antigos não utilizavam a palavra Estado para definir a sua organização social. sendo portanto este.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS servindo o Estado como o meio para se atingir o bem comum. paz. inerente aos seres humanos. dotado de personalidade jurídico política. Estes. 53).52). o Estado surge da vontade do homem. Bodin. sendo retomada e intesificada na Idade Média. Essa teoria teve como seus principais expoentes. 2. 56).5 Teoria Familiar: Esta teoria defende que o Estado surge diretamente da família que através de sua expansão surge como sociedade política. Assim. 2. Jean Jaques Rousseau. (BASTOS. pois dando cada um o todo inteiro.. Para os defensores desta doutrina. sendo que os mais fortes impõem sua vontade aos mais fracos através do Estado.3 Doutrina do Contrato Social: A base desta doutrina se deu com Aristóteles na Grécia Antiga.]defendia a idéia de que a sociedade política foi criada a partir da celebração de um contrato social firmado entre os homens. p. Hobbes “[. Thomas Hobbes e Jonh Locke. constituindo-se em uma forma de manutenção dessa soberania. p. em busca de harmonia. já que os princípios de solidariedade e amizade eram inerentes ao homem. mas tendo por princípio de que qualquer uma das formas tinha por finalidade principal a manutenção da vida.FACULDADE REUNIDA próprias exigências da natureza humana..]o homem cede todos os seus direitos naturais em prol da sociedade política. ela foi introduzida por Maquiavel em sua obra “O Príncipe” de 1531. através da força do mais forte sobre o mais fraco. surgindo naturalmente de forma necessária à continuidade da busca de uma sociedade perfeita. 2004. Os principais defensores desta teoria foram Jean Bodin e Luwig Gumplowicz. p.. que o homem construiu o Estado. assim como os jusnaturalistas. 2. . segurança e proteção de direitos e bens”(BASTOS.. 2 . sendo o Estado uma forma de aperfeiçoamento da vida em sociedade. dotado de poder” (Bastos. 2004.FAR . Dessa forma. Partindo desses pressupostos.4 Doutrina da Força do Estado: Para os defensores desta teoria o Estado nasce da supremacia dos mais fortes sobre os mais fracos. p. Já Gunplowicz defendia que o Estado era nascido naturalmente da luta do mais forte para subjugar o mais fraco. os jusnaturalistas defendiam que o Estado surgia da própria necessidade do homem de viver em sociedade e era o aperfeiçoamento natural dessa vida comum. a condição passa a ser igual para todos e sendo assim ninguém terá interesse em torná-la onerosa aos outros”..]o que instituiu a sociedade política foi o consentimento de todos os homens em unir-se para fundar um só corpo social. 2004. bem como de suas necessidades. Já para Rousseau. Segundo Bastos. o Estado surgia por meio de um pacto celebrado entre os homens. no contrato social “[. capaz de proteger os interesses individuais ao mesmo tempo em que busca o bem comum. ou pelo contrato social. baseando-se no fato de que anterior ao Direito Positivo havia um Direito Natural. E é através destes pactos. admitia a possibilidade de o Estado nascer através de duas formas distintas. servindo o Estado apenas para normatizar aquilo que já era inerente ao ser humano e de tornar exigíveis esses princípios. que diante das necessidades celebra com a coletividade um pacto com a finalidade de criar um Estado forte. que teria como base a transferência do poder divino para a pessoa do pai. onde estes abrem mão de seus interesses pessoais em prol da coletividade. em busca de uma formação jurídica que desse ao homem a garantia da proteção a seus direitos individuais dentro da coletividade. sendo portanto um poder patriarcal. em que o poder estatal é exercido pelo chefe da família..

de acordo com texto: Doutrina Teleológica Doutrina Jusnaturalista Doutrina do Contrato Social Doutrina Força do EstadoDoutrina Familiar. Elementos de Teoria Geral do Estado. Curso de Teoria do Estado e Ciência Política. sociais. podemos concluir que a origem do Estado deve ser estudada sem nos filiarmos a nenhuma destas teorias. desde o seu surgimento até o que ele é atualmente. . Nesse sentido cumpre dizer que o Estado tem como um de seus fins o jurídico. 6ª Edição. p. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS BASTOS. 2005. pode-se dizer que ele se justifica na segurança jurídica que transmite. cabe a ele garantir e proteger o Direito. São Paulo: Saraiva. portanto. Celso Ribeiro. Tais teorias serviam como forma de legitimação dos Estados. DALLARI. a finalidade permanente do Estado. 2004. fica claro que o Direito é inerente ao Estado. e consequentemente a organização da sociedade e o alcançe do bem comum. (BASTOS. religiosos. 3 JUSTIFICAÇÃO DO ESTADO Bastos assim define a justificação do Estado: No que se refere a justificação do Estado. uma vez que todas elas possuem parte da razão. Na verdade isso significa apenas que o Estado tem como uma de suas funções aplicar e também executar os princípios gerais do direito. 2004. pois o Estado surge de um somátorio de fatores que devem ser estudados juntos para se concluir todo o desenvolvimento. 25ª Edição. defina em três linhas o que você entende como conceito Estado? 2) Caracterize as cinco doutrinas que tratam sobre a origem do Estado. como uma das finalidades do Estado a busca do bem comum. e não há unicamente um destes como defendem as diversas teorias apresentadas. 60) Diante disso. BONAVIDES. todavia isso não implica em dizer que está ele restringido a uma mera organização judicial ou até mesmo a simples elaboração de uma legislação. mas sem deixar de valorar os interesses pessoais dos membros da coletividade. Portando. mas nenhuma delas sozinha consegue explicar satisfatoriamente a origem deste. 2004. sendo este um meio para se chegar a um dos fins que é o Direito. econômicos entre outros. que sempre precisaram destas para garantir a obediência as suas normas.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS uma vez que o surgimento do Estado está ligado a ínumeros fatores. 2 . São Paulo: Celso Bastos Editora. Os interesses do Estado não podem se sobrepor aos valores da pessoa humana. Teoria do Estado. Paulo. Constitui-se.FACULDADE REUNIDA Diversas são as teorias que buscam explicar a origem do Estado. sendo o Bem Comum. é dizer. São Paulo: Malheiros. 5ª Edição. Atividades 1) De acordo com o texto que trata sobre a concepção de Estado. Dalmo de Abreu.FAR .

Ricardo Luiz.FAR .FACULDADE REUNIDA ALVES. FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 30 O ESTADO E A ORDEM ECONÔMICA E SOCIAL ESTADO – TEMA 05 CONCEPÇÃO DE ESTADO Introdução 2 . A Concepção de Estado de Thomas Hobbes e John Locke.

emenda constitucional do sistema financeiro nacional etc. são. armazéns etc). Toda uma formulação teórica foi elaborada para justificar a proteção. Bem. direitos e deveres naturais. os instrumentos de produção (máquinas. está estreitamente ligado às origens do Estado Moderno. por sua vez. (OLIVEIRA. é a maneira como a sociedade produz seus bens e serviços. como em toda e qualquer lei moral ou jurídica. as várias formas de energia e os meios de transporte utilizados na produção de qualquer bem. Fazem parte dos meios de produção também as jazidas e outros recursos naturais. Em outras palavras. à liberdade ou à propriedade das outras pessoas. sem distinção. O jusnaturalismo lockeano O jusnaturalismo lockeano está na base da própria concepção liberal política e econômica.FAR . independentemente de sua própria vontade. ao ser governado pela lei da natureza. ele sabia que ninguém poderia provocar danos à vida. Modo de Produção é a totalidade das forças produtivas e das relações de produção de certa sociedade. no qual o homem possuía perfeita liberdade e igualdade e. nova lei de falências. diante do soberano detentor do poder político. com aplicação diretiva da movimentação das pessoas no referido plano. fazendo-se referência à existência de padrões fixados no direito positivo do Estado. ouve-se sempre falar em coisas como reforma previdenciária. ou seja. das quais derivam. (BOBBIO. pp. 2004. de esferas pessoais de ação humana e de propriedade privada. ou seja. O poder político se estende por um vasto domínio da atividade humana. direitos e deveres que são. 11) John Locke (1632-1704) parte do estado de natureza. procurando mostrar aspectos de sua evolução política. o estado de natureza 2 . ferramentas).FACULDADE REUNIDA Caro (a) Acadêmico (a). O principal meio de produção na agricultura é a terra. O jusnaturalismo pode ser definido como doutrina segundo a qual existem leis não postas pela vontade humana. detentores de certos direitos fundamentais. Capitalismo é o modo de produção que se baseia na propriedade privada dos meios de produção e distribuição de bens e riquezas. bem assim. pelo próprio fato de serem derivados de uma lei natural. o poder que as pessoas tinham sobre as coisas decorria do estado de natureza. Para Locke. a qual. 1. por isso se convencionou falar em ordem econômica e social. 242. na busca do lucro e no trabalho livre e assalariado. à saúde. p. 251-252) ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS As diferentes formas de pensamento jusnaturalista têm como ponto em comum a afirmação de que todos os homens. As instalações (edifícios. • Especificar as formas de Estado Social nas Constituições. O objetivo da presente aula é refletir sobre o Estado e a ordem econômica e social. 2005. fazendo-se sentir sua ingerência normatizadora inclusive no domínio econômico e social. o modo como os utiliza e a forma como os distribui. Objetivos: • Compreender as bases históricas e filosóficas das diversas posturas de atuação do Estado na ordem econômica e social. nada tinha a ver com o Estado e a instituição da sociedade política. Meios de Produção são os meios empregados por qualquer tipo de trabalho para a produção de bens. sendo uma das chaves de compreensão do modo de produção capitalista. Assim. e. num mercado em que haja livre concorrência entre as empresas. por força da própria natureza e.

direitos de resistência ou de oposição perante o Estado. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS O individualismo sugere que primeiro existe o indivíduo isoladamente considerado. Logo. assim. O que é liberalismo? A essência do pensamento liberal ou liberalismo é a limitação do poder do Estado na ordem política e na ordem econômica. onde se passava a resguardar de abusos do poder a vida. Pelas revoluções liberais veio a se afirmar o rol dos direitos fundamentais de primeira geração ou dimensão. no dizer de Bonavides. revelandose ilegítima qualquer intromissão no âmbito de livre disposição das coisas ou dos bens pelos particulares. como sendo aquele em que as decisões políticas se tomam com observância das normas. se encontra o da liberdade econômica dos cidadãos. O que é socialismo? 2 . No meio dos direitos então assegurados e constitucionalizados. Na compreensão dos liberais. o indivíduo é considerado na sua capacidade de autoformação. bem como zelando pela estabilidade da pátria no plano das relações internacionais. Um deles é a distribuição dos poderes entre órgãos políticos diversos. O ideal era. de progresso intelectual e moral num regime de máxima liberdade em relação a qualquer norma externa que lhe seja imposta pela força. com o objetivo de impedir o abuso e o excesso de poder. Consoante assinalado por Bobbio. depois. Em suma. Assim. O outro aspecto é o da limitação de atuação do Estado no campo da propriedade privada. vem a sociedade. o do Estado mínimo. O liberalismo revela uma concepção individualista da sociedade. inclusive as da livre concorrência econômica. existem limites à sua atuação. o resultado das revoluções comandadas por certas forças sociais contra a monarquia foi a celebração de novos acordos ou pactos entre o soberano e os súditos. Esse mesmo pensamento é que ajuda a construir o pensamento liberal. Deve-se ter em conta que essa limitação dos poderes e funções estatais se desdobra em dois aspectos que precisam ser distinguidos. o poder não pode ser absoluto. de desenvolvimento. As Revoluções Liberais: A mais notável conseqüência histórica da efetivação da concepção liberal foi o surgimento de revoluções voltadas à derrocada dos regimes monárquicos de poder absoluto. ou seja. protegendo os cidadãos de ilegalidades praticadas por outros. enfim. ou seja. aquele que intervem somente para garantir a ordem pública interna e externa. a liberdade e a propriedade privada. 2. 3. protegendo a sociedade de danos ao regime de liberdades gozado por ela. O Estado tem poderes e funções limitados. ou seja. os direitos de liberdade civil e política.FACULDADE REUNIDA seria o momento econômico anterior e determinante do poder político. com as suas necessidades e os seus interesses e. a mais famosa revolução liberal se confunde com o maior acontecimento do século XVIII: a Revolução Francesa. Reinvidica-se. direitos de prestação negativa. nos quais se vislumbrava um novo sistema de direitos e deveres. 4. Assim. no estado de natureza ou na sociedade natural. plena liberdade individual na esfera espiritual e na esfera econômica. a política está a serviço da economia. Ou seja.FAR . para Locke. qualquer empecilho ao livre comércio e gozo. então. de cuja observância as autoridades não podem se descuidar. os homens vivem segundo as leis naturais. A esse primeiro aspecto corresponde a idéia de Estado de Direito.

fortalece-se o socialismo utópico o qual. 5.FAR . teceu uma série de críticas de cunho negativo. uma série de limitações ao exercício do poder político. seria automaticamente extinto. Assim. através da tomada violenta do poder pelo proletariado. sociais e culturais. a revolução industrial. As Revoluções Socialistas: Os ideais socialistas também se traduziram. é a expressão de classes irreconciliáveis e antagônicas entre si. levou a um quadro de exploração do proletariado. Babeuf. Owen. mas deste se diferenciava pelo fato de seguir um método de observação e de avaliação das relações econômico-sociais. da opressão de uma classe sobre as outras. entrando em jogo a teoria da superação das classes e a dialética marxista. tencionando o estabelecimento de condições de vida igualitárias e justas. bem como de direitos coletivos ou de coletividades. entre outros. se constituía num protesto contra a sociedade dividida entre possuidores dos meios de produção e trabalhadores semi-escravizados. que não se verificavam nas situações do dia a dia da maior parte da população. portanto. reclamando-se daí em diante um Estado intervencionista. o Estado Social da concretização da igualdade e da justiça social. No pensamento de Marx e Engels. em terríveis condições de vida. Revolução Francesa foi um movimento político-social liderado pela burguesia. criticando a discrepância observável entre liberdade e igualdade formal asseguradas nas Constituições e a liberdade e igualdade reais. acabou se contentando com uma sociedade dividida em classes e cheia de desigualdades econômicas e culturais. Nesse quadro. muito embora tenha gerado várias transformações na idéia de Estado e de suas relações com os cidadãos. historicamente. a qual destronou os czares. transformando homens em máquinas de trabalho e produção. os quais tinham em comum com o socialismo utópico a busca por uma sociedade igualitária. qual resultado pode ver do confronto entre os ideais liberal e socialista? Podemos dividir em quatro os Estados. cujas Constituições os descrevem como sociais: o Estado Social conservador. a sociedade é mecanicista. o qual agiria na esfera tida até então como privada. com todas as profundas mudanças por ela operadas nas relações econômicas. Como proposta política e científica estava a extinção do Estado e. A obra revolucionária socialista resultou no reconhecimento. em revoluções que mudaram radicalmente a própria concepção de Estado. diante de sua inutilidade. O socialismo utópico. de direitos econômicos. servindo como instrumento de poder da classe forte e privilegiada. visando uma sociedade mais igualitária. inspirada pelos ideais liberais. os meios de produção passariam à propriedade estatal. na França. O socialismo científico propunha que. de 27 de agosto de 1789. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Com a passagem do tempo. representado por Proudhon. após isso. em diversos sistemas constitucionais. que marcou a ruptura com o Estado absoluto. os quais dominaram o cenário principalmente após a segunda guerra mundial. em nada orgânica. As diversas formas de Estado Social nas Constituições: E nos nossos dias. A grande revolução socialista foi um dos maiores acontecimentos do século XX. o resultado foi a formação de várias espécies de Estado Social. o Estado Social 2 . estabelecendo.FACULDADE REUNIDA A Revolução Francesa. Fourier. cujas bases científicas foram propostas pelos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895). Ao lado do prevalecimento das teorias liberais. enquanto a sociedade. 6. a Revolução de Outubro na Rússia. sobreveio o socialismo científico. e o Estado. expressas na Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão. acabando assim qualquer luta de classe.

7. sem abrir mão da perspectiva democrática. 8. mas o seu compromisso mais profundo é com os princípios do liberalismo econômico. então. Sendo assim. dando abertura à substituição do sistema capitalista e a adoção Estatal de um socialismo. vê-se o compromisso e a prática efetiva. Estado Social da concretização da igualdade: Nessa espécie de Estado Social. geralmente se deixa ao legislador a tarefa de concretizar os princípios de justiça social e igualdade. moradia. que abre caminho à concretização do socialismo. Enquanto as Constituições liberais são marcadas pela falta de alusão aos direitos sociais. contêm uma imposição obrigatória dirigida aos órgãos de direção política. a qual se torna sem resultado no plano dos anseios populares de igualdade e justiça social.FACULDADE REUNIDA transformador do status quão. através de políticas públicas da igualdade. mas vai além. Assim. a educação. trabalho. previdência social etc. no sentido de que a Constituição finge dar com uma das mãos enquanto retira com a outra. 11. propõe que a Constituição não somente enseja a concretização da igualdade. criando-se condições sociais melhores. Desse caráter impositivo derivam várias conseqüências jurídicopolíticas. as normas constitucionais referentes a direitos sociais como a moradia. fazendo-a peça decorativa de um Estado conservador de cunho efetivamente liberal. o moderno constitucionalismo democrático rejeita esse posicionamento. embora os proteja. do livre embate e debate das idéias e dos meios constitucionais de ascensão ao poder político. a afirmação de justiça social e igualdade por parte de regimes totalitários que se querem legitimar no poder através do uso de um aparente compromisso transformador da sociedade. referentes ao Estado Social. É. Pois a Constituição. segundo a qual. no Estado Social das ditaduras ocorre. nunca poderia sequer ser ajuizada uma ação para resolver o problema da falta ou omissão do poder público no tocante à concretização desses direitos. na verdade. e o Estado Social das ditaduras. J. em nome de projetos de justiça social. entendendo. Gomes Canotilho. Estado Social das ditaduras O Estado Social das ditaduras é. acaba por colocar nas mãos do legislador a definição de ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS uma política. 2 . segundo J. entra aquela frase de Kelsen. nos mais diversos âmbitos: educação. Estado Social conservador É aquele em que a Constituição o define como social. saúde. 9. Estado Social transformador do status que: O Estado Social transformador do status que é uma concepção que. já que somente poderiam servir de conselho ou de regra de boa conduta para os exercentes do poder político. destituídas de eficácia. o trabalho seriam meramente programáticas.FAR . que as normas constitucionais. Significado constitucional do Estado Social Por muito tempo foi sustentada a tese. um Estado Social apenas no nome e na proposta. os quais acabam por prevalecer na interpretação da Constituição. Porém. a eliminação da democracia e do pluralismo político. Nesses sistemas. 10. cujo cumprimento é reclamado pela ingerência do capital e de seus fatores reais de poder.

Brasília: Unb. 1997.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 06 O ESTADO E O DIREITO. Do Estado Liberal ao Estado Social. em troca. teceu uma série de críticas de cunho negativo. levando o poder público a se abster de fazer leis que firam os projetos constitucionais de igualdade e justiça social. ed. 2001. forneça efetiva e justa compensação ao desgaste criado. que abre caminho à concretização do socialismo. representado por Proudhon. desde que obtido um certo grau de realização dos direitos sociais e econômicos. o Estado Social da concretização da igualdade e da justiça social. Atividades: Diga se as afirmações são verdadeiras ou se são falsas ( ) O Estado Social das ditaduras é. _____. Owen. São Paulo: Martins Fontes. visando uma sociedade mais igualitária. Tradução de: Luís Carlos Borges. São Paulo: Malheiros. o legislador está autorizado a concretizar a transformação e a modernização das estruturas econômicas. sem que. 2. OLIVEIRA. as normas constitucionais asseguradoras do Estado Social devem ser tidas em conta na interpretação da Constituição. 2005. _____. dos meios necessários. Pérsio Santos. Babeuf. KELSEN.FACULDADE REUNIDA Em primeiro lugar. 7. Paulo. ( ) O socialismo utópico. 1996. a afirmação de justiça social e igualdade por parte de regimes totalitários que se querem legitimar no poder através do uso de um aparente compromisso transformador da sociedade. ed. Em segundo lugar. e o Estado Social das ditaduras. São Paulo: Ática. Teoria do Estado. BONAVIDES. 2004. o Estado Social transformador do status quo. ed. Tradução de: Marco Aurélio Nogueira. . ( ) A mais notável conseqüência histórica da efetivação da concepção liberal foi o surgimento de revoluções voltadas à derrocada dos regimes monárquicos de poder absoluto. Introdução 2 . ed. São Paulo: Brasiliense. ( ) Podemos dividir em quatro os Estados cujas Constituições os descrevem como sociais: o Estado Social conservador.Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Malheiros. usando. 1995. entre outros. 25. São Paulo: Malheiros. criticando a discrepância observável entre liberdade e igualdade formal asseguradas nas Constituições e a liberdade e igualdade reais. 5. na verdade. Liberalismo e Democracia. _____. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Em terceiro lugar. Norberto. ou seja. Hans.FAR . 6. Tradução de: Sérgio Bath. ed. que não se verificavam nas situações do dia a dia da maior parte da população. Fourier. o Estado não pode criar políticas públicas ou fazer normas que resultem na aniquilação dessas vantagens sociais. Introdução à Sociologia. BOBBIO. Teoria Geral do Direito e do Estado. Locke e o Direito Natural. para isso. é impedido o retrocesso social. 2004.

que ao contrário do culto antigo. mas. E. p. seria o indivíduo a matriz do Estado e do Direito. já havia admitido a possibilidade de se desvincular o direito natural da teologia cristã. diante desta filosofia individualista do Jusnaturalismo. • Introduzir o acadêmico no conhecimento das teorias jusnaturalista e liberal do Estado e do Direito. Para Grotius. de forma absoluta sendo portanto incontestável. entre os operadores do Direito.]a doutrina que se identifica com a natureza humana não se sujeita nunca as limitações impostas pelo Estado. demonstrando o quanto cada um é importante e necessário para a existência e sobrevivência do outro. 122). E. para os jusnaturalistas. Enquanto durou esse pensamento individualista do Jusnaturalismo. . 120). e se torna autônoma.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS este direito natural era inerente a todos os homens. indiferente de suas características culturais. acabou por produzir diversas consequências tanto no campo da política como do direito. O DIREITO NATURAL E O ESTADO O Direito Natural ou Jusnaturalismo é discutido desde a antiguidade. que defendiam que o homem tinha duas faces distintas. 2004. pois para este: “[. duas fases distintas do pensamento jusnaturalista: “Uma que corresponde à preponderância do espírito escolástico. Hugo Grotius. já não coincide com o Estado. metendo a personalidade humana em plano significativamente transcendental e lançando as bases ao individualismo da idade moderna. 2004. necessariamente inválida para abranger direito que lhe é anterior e superior. Segundo ainda Grotius. Objetivos: • Mostrar que a idéia de Estado pressupõe uma ordem jurídica que organiza a vida dentro da sociedade política organizada. partindo do indivíduo. proporcionando a vocês um maior conhecimento dessa relação. que legitimasse todo o direito positivo com ela acorde”(BONAVIDES. defendendo a idéia de que mesmo para aqueles que não acreditam em Deus havia um Direito Natural inerente. tempo e espaço. p. e a Igreja.. 1. sendo a Monarquia a melhor forma de governo. visto que.”(BONAVIDES. mas o moderno pensamento Jusnaturalista. havendo portanto. 2 . p. 119) Dessa forma. portanto.. havia o Jusnaturalismo Racional. o fim do Estado está diretamente ligado ao individualismo. uma vez que esta seria uma sociedade utópica em virtude de que seria formada apenas por homens redimidos e puros. a influência do cristianismo. o que era inconcebível no plano terreno. acima de tudo. mas antes dele. forma jurídica de associação confinada no espaço e. Assim. era o indivíduo que legitimava a existência do Estado. não havendo até então uma noção exata de sociedade como a conhecemos. 122). segundo Jellinek. na Grécia Antiga e em Roma. p. do qual um dos precursores foi Rousseau. baseando-se este em verdades eternas e imutáveis que deveriam nortear todos os Estados de forma semelhante. negavam a possibilidade da democracia. conforme o afiaçam as lutas do Santo Império Germânico com o Papado. a jurisprudência deveria estudar. a concentração da vida política medieval em inúmeras corporações. era fruto da ação de alguns fatores: o individualismo germânico. outro pensador. ligando a idéia de Jusnaturalismo a natureza humana que seria estável e constante. esse direito teria validade em qualquer lugar. outra que entende com a secularização do Sistema Estatal. pelo pensamento jusnaturalista. 2004. portanto. O Jusnaturalismo Escolástico tinha como seus maiores expoentes São Tomás de Aquino e Santo Agostinho.(BONAVIDES. que interfere diretamente no cotidiano de todo cidadão. e o Estado um mal necessário.FAR . principalmente.”(BONAVIDES. como o Direito para o Jusnaturalismo é um dos fundamentos do Estado e. uma boa e outra má. tutelar ou rivalizante. “a determinação dessa essência humana imutável.FACULDADE REUNIDA Nestas duas próximas aulas iremos discutir a interação e interdependência entre Estado e Direito. 2004. De outra ponta.

“Daí o caráter supostamente revolucionário que teria o direito natural. Torna-se. oriundo do direito natural e a este subordinado. 2004.”( BONAVIDES. Diante disso. concluiu-se que “as verdades eternas e os direitos imutáveis seriam sempre divergentes. dando a estas regras constitucionais o status de direitos inalienáveis da pessoa humana. o que acabou por desacreditar as teorias de Grotius. “[. o homem. nas suas leis e manifestações objetivas. é. 125) Kelsen.”(CORRÊA. fazendo com que esse intervísse o mínimo possível na liberade dos indivíduos. diz Bonavides: “Nele se esteou o liberalismo individualista. o maior percalço da teoria jusnaturalista a definição do que seria a “essência humana imutável” que é definida por cada pensador de forma particular. independente da realidade. Esses aspectos teleológicos individualistas do direito natural tiveram sua discussão acentuada. o Jusnaturalismo. na sua ética e essência. combatida ao presente por Kelsen.126/127) Preocupavam-se estes pensadores em criar métodos para confirmar a superioridade do Direito Natural sobre o Direito Positivo.FACULDADE REUNIDA Mas Grotius. limites rígidos de ação. portanto. anotadas por Max Ernst Mayer. diante das indagações de Rousseau a respeito da liberdade humana. 2002. buscando traçar a este. 2004. concluiu que o Estado é. para o progresso consequências positivas de cunho espiritual. necessariamente. que os defensores do jusnaturalismo. segundo Kelsen. Kelsen contestava não somente o Estado jusnaturalista. p. 123) O Jusnaturalismo tinha o Estado como contrário a liberdade. assim como seus sucessores até o século XIX. delimitando as áreas consideradas imutáveis. Segundo Paulo Bonavides.”(BONAVIDES. por falecer ao positivismo jurídico capacidade criadora ou autonomia para a livre produção de valores. p. 2004.” (BONAVIDES. cuja doutrina a esse respeito merece ser atentamente considerada. pergunta esta que veio a ser feita pelos empiristas como Savigny. como queriam alguns de seus defensores. conforme se tomasse por princípio essa ou aquela suposta esência humana. uma vez que mesmo nascendo livre. esqueceram-se de determinar a forma de especificar qual seria a natureza humana que serviria de base a suas teorias jusnaturalistas. p.. entre outros por Jellinek. Kelsen afirmava. p. fazendo com que essas questões acabassem se tornando objeto de estudo da ciência do direito e da filosofia..FAR .” (BONAVIDES. o direito natural não pode ser considerado revolucionário.”(BONAVIDES. sustentada. 124) Essas idéias foram adotadas pelo direito positivo em quase todas as Constituições dos países. vedando expressamente ao poder estatal modificá-las ou revogá-las. como teoria modificadora da realidade humana e social. nesse sentido manifesta-se Bonavides: 2 . 2004. em seus estudos. p. 124) Conceito de Jusnaturalismo: “Por Jusnaturalismo se entende uma doutrina segundo a qual existe e pode ser conhecido um ‘direito natural’ (ius naturale). p. de pesquisa científica e de consciência política. como: São Tomás de Aquino e Kant “consideravam o direito positivo. que inteiramente derrogado na esfera política e econômica. 2004. não admitindo um Estado jusnaturalista. 34) . era carente de coação de sua aplicação. constituído por uma ordem jurídica positiva. teve. Com isso. mas todo o direito que não fosse positivado. se via preso pela sociedade e por suas regras. como a lliberdade de confissão religiosa.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Ainda. um sistema de normas de conduta intersubjetiva diversa do sistema de normas fixadas pelo Estado. ou seja. ainda. que assevera estarem indescritivelmente vinculados o chamado etado natural e direito de resistência. todavia. de acordo com a doutrina estatal jusnaturalista.] não passou de um momento na dinâmica do direito. essa tese. sendo que quando se tornasse exigível por meio de imposição estatal estava este automaticamente tornando-se ositivado. uma vez que está não é demonstrável e pode portanto ser adaptada conforme as conveniências de quem a estiver interpretando. uma vez que este direito inerente a todos.

p. (BONAVIDES. este novo Estado necessitava de uma teoria jurídica que lhe desse a sustentação necessária a sua manutenção. segundo Kelsen. um dos formuladores desta teoria. ao produzir . Seria completa sua função de alheamento. a única finalidade do Estado seria a de manter e estabelecer a ordem jurídica. dando ao indivíduo total liberdade. que deveria ser mantido mediante as garantias legais. Diante disso. que fazia da liberdade o princípio fundamental do Estado. então. a não ser quando adquire característica de direito positivo ao ser aplicado ao caso concreto.FACULDADE REUNIDA O mais profundo na percuciente análise de Kelsen é a verificação feita por este de que. 132). dando grande dimensão as liberdades individuais. historicamente. o seu valor para a ordem política que o vinha utilizando. o Estado é ordem neutra e. “Nega a doutrina de Kant a teoria eudemonística do iluminismo. p. pois frente a esse neo-individualismo.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS. o espírito popular.. fazendo um estudo do “[. [.. estudando o Estado sobre um outro prisma. perde o mesmo. O ESTADO JURÍDICO SEGUNDO KANT Durante a trasição do mercantilismo para o liberalismo. de progresso e revolução. quando se dá a desnaturação conservadora do direito natural. Em vez da natureza ou da razão. Então. coube a Kant presidir e direcionar tais pesquisas.1 A proteção do direito como finalidade suprema do Estado Para o Estado kantiano. paternal. nacional.] Estado como fato Absoluto e não do Estado como fenômeno histórico e realidade concreta no tempo. se nos for lícita a comparação antropomórfica. poder-se ia compará-lo à figura de um inspetor de quarteirão ou guarda de trânsito.. havia a necessidade de se reavaliar os estudos até então realizados. substiuí-lo a todo transe. quanto maior for a liberdade individual dentro da segurança jurídica.]”.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS repousam a Sociedade e o Estado por ele tutelados. segundo Bonavides. As idéias de Kant assemelham-se ao Estado Constitucional de Montesquie. ao contrário do que preconizava a teoria wolfiana. p. Abstém-se o Estado de qualquer intervenção a favor da ventura humana que fica de todo arredada de suas cogitações. deixando de lado as teorias absolutistas. e diante da impossibilidade de sua exigibilidade..] 2 . na consciência dos povos. tinha por fonte do novo direito o chamado Volksgeist. na ocasião em que deixa de possuir o sentido de força estável em que . imperativo era impor-lhe restriçoes constitucionais. que o Estado deveria ser mantido o mais longe possível. e a mais defendida e privilegiada era a da separação dos poderes.. Neste momento histórico. houve um crescimento exacerbado do individualismo. uma vez que este era considerado um mal. Foi o que fez a reação conservadora.. partia-se do pressuposto. nem tampouco pode ser considerado como a base da criação do Estado. diante das dificuldades conceituais que este apresenta. a ideologia da escola histórica. Consiste a missão do mesmo num protecionismo benigno. Dessa forma. para converter-se. que negavam a liberdade individual atraves de normas e regulamentos que tinham por finalidade limitar as ações humanas para assim alcançar a felicidade. que defendia a ausência de intervenção do Estado na vida da sociedade. para assumir uma doutrina mais liberalista. já que essa ordem era considerada ideal. Em Kant. 2004. 2. segundo afirma Paulsen (Bonavides. Urge. como aconteceu depois da comoção revolucionária do século XVIII. 128) Com isso. (BONAVIDES. bem como com a Revolução Francesa que modificava os conceitos de Estado então vigentes. concluimos que o direito natural não foi um direito revolucionário. 134). se anteriormente não houvesse Kant reconhecido por justa alguma participação do direito no progresso espiritual de cada ser humano. de acordo com Kant. Protege os indivíduos contra a violência interna ou externa. Para isso. 2004. em instrumento de transformação e reforma.FAR . presente ou futuro[. sendo Kant. 2004. dessa forma: . poderíamos resumir a teoria do estado Jurídico de Kant. 2.

de sua importância bem como de suas funções em nosso cotidiano. mas em norma para a função estatal.FAR . Celso Ribeiro. 5ª edição. Curso de Teoria do Estado e Ciência Política. 137) Assim. Kant não indaga a história da origem do pacto. 2004. que não se constiui em uma simples manifestação empírica. para derivar do contrato social aquela norma de cunho teleológico (jurídico) a que alude Windelband. Introdução Dando continuidade ao nosso estudo sobre o Estado. segundo Bonavides. para termos uma visão mais ampla da interação destes. 2004. entrando na discussão e definindo cidadania. ao contrário de Hobbes e Rousseau. conforme observa judiciosamente Jellinek. p.”(BONAVIDES.FACULDADE REUNIDA Em suma. A Construção da Cidadania: Reflexões HistóricoPolíticas. e por sua vez o Direito serve de sustentáculo ao Estado. servindo este de meio de resolução de conflitos e forma de se alcançar o fim maior do Estado que é a busca do bem comum.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 07 O ESTADO E O CIDADÃO. Paulo. a função cpital e única de ‘garantir a coexistência dos homens em sociedade’. pois serve o Estado para aplicar o direito e fazer valer as grantias individuais. Atividade De acordo com o texto. 6ª Edição. 2002. Darcísio. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASTOS. 135/136) Um dos principais pontos do pensamento de Kant é a teoria contratual. BONAVIDES. a teoria do Estado de kantiano é a expressão jurídica do liberalismo. 3ª Edição. que lhe atribui. 2 . Paulsen afirma que: “o contrato social de Kant. CORRÊA. uma vez que lhe confere autoridade e credibilidade. p. São Paulo: Malheiros. faça um resumo do conteúdo abordado neste. Ijuí: UNIJUI. sendo que. Teoria do Estado. São Paulo: Celso Bastos Editora. podemos concluir que a relação entre Estado e direito é muito próxima e interdependente. vamos agora abordar a o tema referente ao Estado e o cidadão. mas a razão de ser do Estado.”(BONAVIDES. não refere a fato histórico. . mas exprime tão somente uma idéia racional. tecendo comentário e abordando os pontos que vocês consideram importantes. 2004. 2004.

devemos deixar de adjetivá-la e passar a analisá-la apenas em sua essência. (Apud. 2 . 214). ORIGEM HISTÓRICA DA CIDADANIA O conceito de cidadania começou a ser formulado na Grécia e Roma antigas. 1. Para isso. bem como as suas dimensões e. uma vez que o burguês não se adaptava ao sistema feudal. CONCEITO DE CIDADANIA A conceituação de cidadania se torna matéria difícil em virtude de sua estreita ligação com o direito. A formação do conceito de cidadania se deu de forma evolutiva. 217). 2002. fazendo emergir a autonomia de cada sujeito histórico. p. políticos.FACULDADE REUNIDA Objetivo: • Mapear as origens históricas do conceito de cidadania. podiam exercer a administração do Estado através da do voto e da elegibilidade que era somente admitida a burguesia. 2. conforme defendia Sieyes. e partindo-se desse conceito chegaríamos ao conceito de cidadania formulado por Souza Junior: Nesse sentido pode-se falar em cidadania como a representação universal do homem emancipado. conseqüente. concernente aos direitos ligados ao bem estar econômico e a herança É importante ressaltar que a moderna origem da cidadania está diretamente ligada à questão dos direitos humanos. Cidadania política ou ativa era aquela exercida pelos membros do Estado que possuiam bens e que. consubstanciado pelos direitos ligados à participação no exercício do poder político. como a luta por espaços políticos na sociedade a partir da identidade de cada sujeito. o elemento político.(CORRÊA. importância no âmbito do Estado. no século XIX. 2002. devemos nos ater aos estudos do escritor francês Sieyes. pois que poderia se definir cidadão como o portador de direitos e deveres dentro do Estado.FAR . que foi um dos protagonistas da revolução francesa. passando a analisá-la com base em sua concepção jurídica e sua relação com o Estado. Uma vez que sua base conceitual começou a ser desenvolvida com o crescimento do mercantilismo. de forma mais clara. Cidadania civil ou passiva constitui o laço jurídico que liga todos os indivíduos a um Estado.1 Dimensão Jurídica da Cidadania Essa conceituação está diretamente ligada à questão dos direitos humanos. sendo que o moderno conceito de cidadania esta diretamente ligado ao direito. uma vez que buscava sair da condição de servidão característica do feudalismo para uma condição de liberdade. mas para que possamos conceituar. 2. CORRÊA. Para Sieyes. ou seja. independente de suas condições financeiras. p. sendo esta a base da Revolução Francesa. diante da luta da burguesia para sair de seus status de servidão. mas o conceito moderno de cidadania tem sua origem na revolução francesa. com a criação da burguesia é que se começa a formular o conceito de cidadão. a cidadania civil ou passiva e a cidadania política ou ativa. Mas foi o conceito de cidadania civil que possibilitou o moderno entendimento da cidadania. e o elemento social. característico da época medieval. relacionado com os direitos civis de liberdade individual. portanto. havia dois tipos de cidadania. sendo estes detentores de direitos e deveres. em função das idéias jusnaturalistas que embasaram as revoluções. e os econômicossociais no século XX. não sendo formulado de forma precisa e definitiva em um dado momento: Segundo autores como Marshall e outros o desenvolvimento histórico da cidadania vem ligado as três fases ou elementos dos direitos humanos: o elemento civil. estendendo esta a todos os membros do Estado. a cidadania.

quando se refere aos cidadãos. como sujeito de direitos. embora. Nem todo nacional. 3. Basta que não esteja em gozo dos direitos políticos. todos são basicamente nacionais ou estrangeiros. 81) É. consequentemente.2 Dimensão Política da Cidadania Para podermos exercer a cidadania. introduzindo uma distinção usualmente feita entre aqueles que desfrutam dos direitos políticos e aqueles a quem não são conferidas tais prerrogativas. só que esta vinculada a outro Estado. ele é tido como cidadão. por força do prinípio denmocrático que estende o exercício do poder ao povo em geral (superadas as fases iniciais em que prevaleceu o voto censitário ou capacitário). quer passivos. que diz: [. todavia é cidadão. vemos a necessidade do exercício efetivo da cidadania para o bom andamento da atividade estatal. consequentemente. DIFERENÇA ENTRE CIDADÃO E POVO Para nosso estudo. Em outras palavras uma pessoa que se encontra vinculada a um Estado e. A cidadania implica a nacionalidade. Bastos.. (BASTOS. devemos necessariamente estar ligados a um Estado e. Ao assumir esta feição. Aos primeiros dá-se o nome de cidadãos.FAR . Isso de acordo com a Constituição Federal de 1988. se encontram privados destes? Aqui podem ocorrer duas posições: os estados que preferem reservar o termo ‘cidadão’ exclusivamente para aqueles que estão no gozo e no exercício dos direitos políticos. portanto iguais em direitos e deveres. vamos nos valer dos ensinamentos de Celso Ribeiro Bastos. e esta ligação se dá pela nacionalidade. por motivos múltiplos. Sendo reconhecida a cidadania somente àqueles que estão integralmente ligados a sociedade em que vivem. indiferente de suas condições pessoais. cidadão aquele indivíduo pertencente a um Estado e que possua o pleno gozo de seus direitos políticos. consistentes na prerrogativa de eleger seus representantes para integrar órgãos do Estado. A RELEVÂNCIA DA CIDADANIA PARA O ESTADO Diante do que foi exposto até o momento nesta aula. Essa definição de cidadania está diretamente ligada à condição pública do cidadão. Entende-se por nacional aquela pessoa vinculada a um Estado ou em virtude do jus anguinis. que estivessem deles destituídos. recebendo. Parece ser esta a solução do texto constitucional brasileiro. simplesmente fazendo a distinção entre cidadão ativo e passivo. da participação ativa do indivíduo na vida do Estado. necessita estar ligado a um Estado. ficando estas restritas ao interesse privado. consiste em reconhecer a todos os nacionais a condição de cidadão. na medida em que todo cidadão é também nacional. esta a significar o nacional na posse dos direitos políticos. O estrangeiro é aquela pessoa que se encontra dentro de um determinado Estado. então. portanto. substanciados na possibilidade de ser eleito. uma vez que este é composto por suas particularidades. Pois. ou em virtude do jus solis. deixando no ar a pergunta: e aqueles que. por quaisquer razões. 2004. Ainda não é conhecida posição diversa. pois na esfera pública há uma presunção de igualdade entre todos. que é um dos pressupostos da cidadania. muito bem resumiu a questão da cidadania: Antes de tudo cumpre dizer aqui que diante do Estado. inclusive por não ter atingido a idade necessária para o exercício dos direitos políticos. e. ou em razão de ter nascido dentro do território daquele Estado. Cumpre aqui adensar um tanto conceito de nacional. para isso. termos uma nacionalidade.] Esta é uma distinção importante. o status de cidadão e sendo. é importante ainda diferenciarmos o cidadão do povo. para que o indivíduo seja um cidadão.FACULDADE REUNIDA 2. não seriam cidadãos. quer ativos. razão de ser filho de pai nacional (paternidade). p. encontra-se reconhecida a universalidade do direito de voto. ou que nunca os tivessem adquirido. É certo que a distinção é ignorada numa linguagem comum e até mesmo por 2 .. visto que estas somente interessam a ele em seu caráter privado. 4. já aqueles que os tivessem cassados.

21:00 hs. sem considerar o problema dos direitos políticos. mas com a participação efetiva nas decisões.br. Curso de Teoria do Estado e Ciência Política. 6. Celso Ribeiro. como forma de poder político. consiste na expressão dessa qualidade de cidadão.FAR . todos os que integram o Estado. aborda o problema do desrespeito aos direitos dos cidadãos. decidir os rumos do Estado e até mesmo fazer valer a sua vontade. A cidadania consiste na manifestação das prerrogativas políticas que um indivíduo tem dentro de um Estado democrático. é que conseguiremos atingir os fins primordiais do Estado. Mas. uma vez que somente mediante o exercício efetivo e diário da cidadania. 5. CORRÊA. 2004.br/doutrina/texto.jus. dessa forma. Já a palavra ‘cidadão’ é voltada a designar o indivíduo na posse de seus direitos políticos. principalmente nos seus artigos 6º e 7° (para essa atividade. que denominam cidadãos. ed. Darcísio. (BASTOS. os membros de um Estado tomam coletivamente o nome de povo e chamam-se em particular. 2004. e não uma forma de alferir ganhos e vantagens pessoais. cidadãos enquanto participantes na atividade soberania e súditos enquanto sujeitos às leis do Estado’. 2002. sendo que este exercício não se consolida somente através do voto no dia das eleições. Ricardo Luiz. no direito de fazer valer as prerrogativas que defluem de um Estado Democrático. 26 de junho de 2005. é o meio pelo qual o cidadão pode interferir na gestão pública. portanto. consulte no site: www. portanto não há que se falar em democracia. ed.com. o texto da Constituição Federal). A cidadania. Em outras palavras a cidadania é um estatuto jurídico que contém os direitos e as obrigações da pessoa em relação ao Estado. 80/81) A cidadania é a forma de exercício da democracia.FACULDADE REUNIDA alguns ordenamentos jurídicos. dirimindo os conflitos decorrentes da vida em sociedade e com busca do bem comum. não se pode falar em participação política do indivíduo nos negócio do Estado e mesmo em outras áreas do interesse público. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASTOS. está demonstrada a importância do exercício diário da Democracia. de Gilberto Dimenstein. A Concepção de Estado de Thomas Hobbes e John Locke. Atividade A obra “O Cidadão de Papel”. que apenas são garantidos no papel. fazendo de seus mandatos um instrumento da busca do bem comum. ed. Somente com a consciência de todos os cidadãos de nossa sociedade e da importância desse exercício efetivo da cidadania.gov. é que conseguiremos os avanços necessários. ALVES. São Paulo: Celso Bastos. assim como nosso direito constitucional. pois sem ela. atingindo. que registra uma nítida separação entre direitos extensíveis a todos os nacionais e direitos restritos ao cidadão. 2004. nas leis. A Construção da Cidadania: Reflexões HistóricoPolíticas. a mais ampla definição da democracia.asp?id=6181. devemos assumir nosso papel de cidadão e tomar as rédeas da democracia em nosso país. Levando em conta tal afirmação. 3. ou seja. São Paulo: Malheiros. cobrando e fiscalizando o trabalho daqueles que foram eleitos para representar os cidadãos que neles votaram. Teoria do Estado. 2 . http://www1. Paulo. comente nas linhas abaixo os aspectos da realidade brasileira que mostram a ineficácia dos direitos sociais estabelecidos na Constituição Federal. para que isso aconteça. O exercício da cidadania é fundamental. BONAVIDES. Diante de todo o exposto. Ijuí: Unijui. p.planalto. A melhor doutrina agasalha esta diferenciação. Rousseau escreveu sobre o cidadão em sua obra O Contrato Social: ‘os associados.

Na presente aula.FACULDADE REUNIDA TEMA 08 PARTIDOS POLÍTICOS Introdução Caro (a) Acadêmico (a). V). É um dado da vida política moderna. 14. § 3º. a história de sua institucionalização e o seu lugar no dia a dia da política. temos como objetivo compreender melhor o que é um partido político. que o poder político é exercido com a mediação dos partidos. 2 . notado com muita facilidade.FAR . conforme dispõe a Constituição da República Federativa do Brasil (art. já que uma das condições para ser eleito é estar filiado a algum partido político. Eles são como uma ponte de utilização necessária pelos candidatos a cargos políticos eletivos.

enquanto agremiação de representação de interesses que objetiva conquistar o poder político e influenciar na tomada das decisões estatais. observando normalmente os meios legais. 3) enquanto os grupos de pressão exercem uma atividade sem responsabilidade social e com propósitos muitas vezes ocultos. motivadas por ideais e interesses comuns. a existência de uma organização formal de pessoas congregadas em torno de interesses e uma modalidade de ação do próprio grupo em vista da consecução de seus fins: a pressão. Assim como os partidos políticos. O partido político é uma organização formada por pessoas que. enquanto os grupos de pressão se restringem aos interesses. Por pressão se pode indicar a possibilidade de utilização de sanções negativas. enquanto os grupos de pressão tencionam apenas influir sobre o processo de tomada das decisões políticas. 2 . 346) Para ele. • Classificar os partidos políticos segundo os vários critérios propostos pelos estudiosos. de que são típicos as dádivas e privilégios. vejamos alguns. a título exclusivo. A expressão “grupos de pressão” traz à mente. 1) os partidos políticos buscam assumir o poder. 2) os partidos políticos sustentam uma visão global da sociedade e do Estado. ou seja. 1. Conceito de Partido Político OS PARTIDOS POLÍTICOS SÃO TÃO IMPORTANTES PARA ENTENDER A DEMOCRACIA Muitas definições têm sido propostas com o intuito de expressar a essência de um partido político. não se podendo furtar ao reconhecimento de que existem verdadeiros grupos de pressão à base de partidos políticos. os partidos políticos têm uma responsabilidade política e expõem seus programas aos olhos do todos. e sanções positivas. alguns pensadores têm sugerido que as marcas que distinguem os partidos políticos dos grupos de pressão podem ser encontradas somente naquelas atividades que os partidos exercem sozinhos. o intuito de tomada e conservação do poder político. revelar os elementos básicos que o integram e compõem a sua razão de ser. tencionam. 2004. no intuito determinar em certo sentido os rumos do poder político. • Compreender o que é sistema partidário e suas formas. que muitas vezes se confundem as ações e propósitos dos partidos políticos e dos grupos de pressão. Grupos de Pressão e Partido Político Convém distinguir. cujo prevalecimento se dedicam. para evitar confusão. p. bem como representam ambos os interesses dos seus membros. fazendo-os conhecidos no âmbito do poder político. Então. Observa-se. um conjunto de idéias comuns.FAR . você pode se perguntar: o que distingue os grupos de pressão dos partidos políticos? Alguns doutrinadores elencam vários critérios de distinção. visando a efetivação dos seus objetivos. (BONAVIDES. os elementos básicos de definição de um partido político sempre envolvem: um grupo social organizado. a um só tempo. conquistar o poder e nele se conservarem.FACULDADE REUNIDA Objetivos: • Introduzir o acadêmico no conhecimento científico dos partidos políticos. pretendendo assegurar os seus interesses. as noções diversas de grupos de pressão e partido político. 2. ou seja. as quais soam como verdadeiras punições. no entanto. Diante desse quadro. os grupos de pressão são organismos colocados entre os cidadãos e o Estado.

Já os partidos políticos reais são aqueles que se assentam em distinções reais de opinião e interesse político. Para ele. 4. No capítulo X da obra intitulada “Federalista”. Thomas Hobbes (1588-1679) via os partidos como fontes geradoras de sedução e violência. O que nenhuma das perspectivas de governo democrático via com bons olhos era a formação de partidos políticos. nomes influentes na história da política como Abraham Lincoln. David Hume (1711-1776) dividiu os partidos políticos em pessoais e reais. através dos titulares cargos políticos neles filiados.FACULDADE REUNIDA Colocam-se. por muito tempo. tudo se assenta na dedicação especial dos homens a certas famílias e indivíduos. então. Mas o interessante é que mesmo entre teóricos importantes da democracia representativa. sendo considerável também o silêncio guardado nas Constituições democráticas a respeito de tais agremiações. do interesse de todos e não de alguns. Os reais se subdividem em três: partidos de interesse. Max Weber divide os partidos políticos em dois grupos. Resistência à criação dos Partidos Políticos A primeira e mais fundamental resistência histórica à criação dos partidos políticos vem dos teóricos do poder político absoluto. Os partidos políticos pessoais são aqueles fundados sobre sentimentos de amizade pessoal ou hostilidade com os membros de partidos diversos. pelos quais desejam ser governados. p. Tais resistências chamam nossa atenção para uma colocação de Norberto Bobbio. Porém. no sentido de que a concepção originária de democracia nunca admitiu ou levou em conta a existência de partidos políticos. tratando como vício perigoso a tendência de formação de partidos. a agremiação tem origem em concepções abstratas e especulativas de vida. Entretanto. compostos de pessoas eleitas pelo povo. teórico da democracia direta. Rousseau (1712-1778). 350) 5. de direito e da maneira como as normas. partidos de princípio e partidos de afeição. (BONAVIDES. A referida oposição aos partidos políticos gerou. Nos de princípio. sempre se teve o cuidado de afirmar que por ela se instauraria o governo da vontade geral. 3. vendo-os como causa de constante perigo para a mantença da unidade da comunidade política e subsistência do próprio regime democrático.FAR . recusava toda idéia de intermediação de que resultasse empecilho à participação imediata de todo povo no processo de tomada das decisões políticas. A admissão doutrinária dos Partidos Políticos: Quando se concebeu a democracia. lacuna na literatura política e jurídica. não se poupou palavras duras sobre o que chamou de violência das facções. John Marshall e John Adams se posicionaram contra a instituição de partidos. segundo regras previamente estabelecidas. assim. os teóricos da democracia representativa acentuavam a necessidade de órgãos de representação da soberania popular. os partidos de patronagem e os partidos ideológicos. 2004. Nos partidos de interesse. o seu crescimento acompanhou o próprio desenvolvimento da democracia e de suas instituições. O problema passa a ser. o que domina é a busca pelos interesses econômicos dos integrantes de cada uma das agremiações políticas. Classificação dos Partidos Políticos Várias classificações de partidos políticos têm sido esboçadas no âmbito teórico. as funções de competição eleitoral e participação direta no poder. ou seja. sendo os verdadeiros responsáveis pelo ódio e violência sociais. Nos de afeição. 2 . Assim. as facções ou os partidos são dirigidos por homens dominados pelos impulsos de paixões contrárias aos direitos dos outros cidadãos e ao interesse constante e geral da sociedade.

O partido e o Estado se confundem. com Paulo Bonavides. parte-se do pressuposto que a sociedade. ou seja.FACULDADE REUNIDA Nos partidos de patronagem.No partido único ou totalitário.FAR . o sistema bipartidário e o sistema multipartidário. a tônica de sua ação está em transformar a estrutura estatal e social. . 287). também vemos que. encontram-se basicamente três sistemas partidários. notável pelas suas incursões no campo da Ciência Política. Sistemas Partidários AS ESPÉCIES DE SISTEMAS PARTIDÁRIOS !!!! No decorrer da história partidária moderna. interditando a liberdade e o pluralismo político. em suas questões políticas fundamentais. o objetivo é galgar o poder a fim de satisfazer meros interesses de posições políticas e de vantagens materiais. embora a Constituição pudesse sujeitar a formação e a atividade dos partidos a algum controle do governo. tem sempre a tendência de se dividir em duas correntes. virando uma só realidade de domínio político. a experiência nacional-socialista alemã. p. o que neles se busca é a defesa de interesses econômicos e ideologias de transformação social. havendo respeito mútuo no consenso e no dissenso. Para Georges Burdeau. pelas mais diversas formas. a ordem é imposta de cima e tem a qualidade de ser indiscutível. as agremiações políticas são classificadas em partidos políticos de massa e partidos políticos de opinião.No sistema bipartidário. 1) acordo quanto às regras básicas do jogo democrático. sendo eles o do partido político único. Como exemplo histórico dessa espécie de sistema partidário. . comandada por Hitler. Hans Kelsen foi importante jurista e filósofo austríaco. 2 . deixou claro que é essencial num regime democrático que seja assegurada liberdade ampla na formação de partidos políticos. sobretudo através de sua obra Teoria Pura do Direito e de seus estudos em direito internacional e jurisdição constitucional. A concepção kelseniana de Partido Político Hans Kelsen (1995. Essas proposições doutrinárias kelsenianas derivavam de sua sólida convicção democrática e da democracia como relativismo político. Os partidos de opinião são aqueles em que. em cujo âmbito as minorias são sempre protegidas contra a maioria. com base em concepções de cunho filosófico. também há somente a necessidade de dois partidos. 7. a subsistência das coisas como estão. se disfarça o mero interesse na mantença do status quo social. 6. ao falar sobre a importância dos partidos políticos dentro de uma democracia. oqual deixou profundo legado no direito. Por isso. Além disso. a ponto de se poder dizer. notadamente empregos públicos para os correligionários e beligerantes. Para o sucesso desse sistema. Nos partidos ideológicos. Georges Burdeau-importante constitucionalista francês. Os partidos de massa partem da noção de uma sociedade dividida em classes e da necessidade de participação popular ativa para o refazimento das estruturas de poder. havendo técnicas que possibilitam a alteração das normas e decisões políticas segundo novas composições de força. dois pressupostos são necessários. jamais poderia dar a algum deles uma posição privilegiada ou mesmo um monopólio. Assim. no pensamento de Kelsen. O sistema do partido único tem sido o preferido dos regimes totalitários. que as ditaduras do século XX encontraram nele o mais poderoso instrumento de mantença do poder.

Reflexões: política e direito.FAR . Tradução de: Daniela Beccaccia Versiani. ed. _____. 2000. já se pode falar numa realidade de constitucionalização dos partidos políticos. Por liberdade externa. Para complementar as informações expostas na presente aula. ou seja. alguns já disseram que os partidos exerciam funções de órgãos do poder político. KELSEN. em primeiro lugar. A Democracia. incorporação e extinção dos partidos políticos. que têm autonomia para estruturarem a sua organização externa. ou seja. Os Partidos Políticos nas Constituições modernas Por muito tempo. verificando os pontos diferentes de diversas teorias. sendo que a Constituição da República Federativa do Brasil reserva tratamento especial aos partidos políticos. fusão. São Paulo: Martins Fontes. Paulo. Por liberdade interna dos partidos políticos. 10. sendo órgãos do Estado. 5. organização e funcionamento. Contudo. por causa do reconhecimento constitucional dos partidos políticos e da sua influência para a formação da vontade política. O sistema multipartidário se encontra quando três ou mais partidos disputam o domínio do poder político dentro de certo Estado. quanto à estrutura constitucional do Estado. 1995. _____. Rio de Janeiro: Campus. Também diz a Constituição brasileira que é livre a criação. ed. São Paulo: Malheiros. indica-se que é livre tanto a criação de partidos políticos. Grupos de Pressão e Partido Político: Grupos de Pressão Partido Político Comentários: Esse exercício visa dar a você uma visão crítica do texto. São Paulo: Malheiros. 1998.FACULDADE REUNIDA 2) acordo quanto aos fundamentos básicos de organização da comunidade política. O reconhecimento constitucional da relevância dos partidos. 8. devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidárias. você pode consultar os seguintes livros: BOBBIO. Hans. São Paulo: Martins Fontes. que essas agremiações são livres de qualquer controle ideológico e de qualquer manipulação de seus programas e. Norberto. Teoria Geral do Direito e do Estado. dada a resistência no reconhecimento dos partidos políticos como algo natural à atividade política num regime democrático. sendo-lhes vedada a utilização de organização paramilitar. Teoria do Estado. também. Na Constituição Federal brasileira. Atividade Diferencie de acordo com o texto. São Paulo: Malheiros. ed. Ressalte-se. 2004. passando a ser entidades jurídico constitucionais de relevo. pertencente à estrutura do Estado. A constitucionalização dos partidos políticos ou a sua incorporação constitucional apenas fez com que eles deixassem de ser somente uma realidade sociológica e política. o qual assegura aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna. 2 .Ciência Política. Teoria Geral da Política: a filosofia política e as lições dos clássicos. _____. que não corresponde à sua transformação em entidade estatal. BONAVIDES. quanto a sua atuação. Os partidos gozam de liberdade externa e liberdade interna. 2000. as Constituições se silenciaram sobre eles. sugere-se. ainda. que os partidos políticos devem ter caráter nacional. 3. acostumando-o a analisar criticamente um texto. Segundo a doutrina lusitana. os partidos políticos são tratados no artigo 17. 2004.

para isso iremos retomar uma parte do histórico do surgimento do Estado. trazendo ele desde sua criação no século XVI até a atualidade.FAR . Introdução Nesta aula iremos trabalhar os fundamentos do Estado Moderno.FACULDADE REUNIDA TEMA 09 ELEMENTOS DO ESTADO MODERNO. discorrendo sobre os mesmos e dando a vocês uma noção mais aprofundada dos pilares que sustentam o Estado como o conhecemos. Objetivo: 2 .

OS FUNDAMENTOS DO ESTADO MODERNO Os principais fundamentos do Estado Moderno são o Povo. independentemente do local em que se encontram. ou melhor sua competência jurisdicional e na propriedade o poder de domínio. 70). não se configurando em um limite caracterizador do Estado. sendo que nesse caso não haverá qualquer quebra ao princípio da soberania ou da territorialidade. 1. A exceção a esta regra é a das Embaixadas. quando se dá tratamento diferenciado a nacionais e estrangeiros. Existe ainda a possibilidade de o Estado.2 Limites Territoriais: 2 .1 Principio da Territorialidade Pelo princípio da territorialidade se entende que naquele local só vige a legislação do Estado ao qual pertence tal espaço físico. por sua própria vontade. Este espaço físico necessário à existência do Estado não se limita às fronteiras geográficas deste. 1.FACULDADE REUNIDA • Compreender quais são os fundamentos do Estado Moderno e o significado de Povo. sendo que passaremos à análise de cada um destes fundamentos. Também não se deve confundir o conceito de território com o de propriedade. Hans Kelsen define território como sendo o âmbito de validade da norma jurídica. o que não impede de haver algumas distinções. vige apenas a sua ordem jurídica. uma vez que nestes locais se aplica a legislação de seu país de origem. constitui-se este no elemento material do Estado.1. p.FAR . sendo essa intervenção ilícita. que se constitui no local onde se encontram os membros do Estado (povo) e onde este exerce sua soberania. sendo que estes por sua vez não podem se eximir de seguir o ordenamento jurídico do local em que se encontram. Diante disso. O território tem que ser visto sob o prisma de um conceito político-jurídico e não apenas geográfico. e assim estão submetidas as suas leis. como por exemplo. fazer valer um direito estrangeiro. tendo que obrigatoriamente todos os indivíduos que ali viverem obedecer a essa ordem jurídica. (BASTOS.1 Território O território pode ser definido como a base geográfica de um Estado. conforme já mencionado. de forma a conceituá-los e dar uma maior noção de estado. 2004. uma vez que estes locais são considerados por tratados internacionais como extensões de seus territórios de origem. mesmo que contrário ao seu próprio. compreende ainda o ar. Território e Poder Soberano. sendo que dentro deste espaço geográfico.1.” Para o Burdeau o Território não passa de um limite natural a ação dos governantes. 70) 1. p. está a importância da existência do território na concepção do Estado. pois no território encontramos o poder de impérios. Pois segundo Celso Ribeiro Bastos: “É precisamente a circunstância de dispor ele de uma porção de terra sobre a qual apenas o seu poder é reconhecido que permite ao Estado ser soberano. A essa garantia da vigência somente de sua legislação se dá o nome de impenetrabilidade da ordem jurídica estatal (Bastos. sendo que tal situação não fere o princípio da territorialidade. não sendo permitido a outros Estados imporem suas legislações fora de suas fronteiras. uma vez que este não existe sem uma localização e um espaço físico. 2004) (BASTOS. aeronaves e navios. 2004. 1. uma vez que essa aplicação se deu por vontade própria do Estado e não por força da lei estrangeira. o Território e o Poder Soberano. o subsolo e suas águas.

Sendo.5 Plataforma Continental Assim como no mar territorial. já que essa controvérsia se estende há diversos anos. 75) 2.4 Mar Territorial Nos casos em que os Estados fazem limite com o mar. podem ser artificiais ou naturais. no que diz respeito ao encontro com outro Estado. é dizer. montanhas. Uma vez que. tenha força suficiente para ser obedecido pelos demais”. Demarcado pelo chamados limites que ocorrem ou pelo encontro com outro Estado ou com o mar. 3. sendo que quanto a essa discussão.FACULDADE REUNIDA Os limites territoriais ao contrário do que se pensa não se limitam ao seu espaço físico consistente de sua superfície. altura e profundidade. indiferente de suas características culturais. não sendo possível se chegar a um consenso. sendo este limitado a possibilidade de exploração. sendo que sobre esse tema iremos nos ater de forma mais aprofundada em uma aula próxima.” (BASTOS. primeiramente na sociedade patriarcal o poder estva ligado a pessoa do pai. grande é a discussão a respeito dos limites da plataforma continental. sendo o poder pertencente ao mais forte. passaremos a estudar o terceiro fundamento do Estado. e é a forma de coesão desta. 2004. Poder Soberano Em todas as formas de sociedade existe o poder. ficando também essa definição a cargo de cada Estado. que aos poucos vai se estendendo as outras famílias. sendo este exercido pelos indivíduos que serviam de intermediários entre a sociedade e as divindades. entre outras e as artificiais são aquelas feitas pelo homem. portanto. como por exemplo uma estrada. 2004. o povo pode ser definido como seu substrato humano (BASTOS. p. mas também a todo o espaço acima do solo. que é seu poder soberano. uma vez que este deriva da organização social. Chegou-se. o território de cada Estado interessado vai até a metade do rio. formando o mar territorial. lembrando que no caso de fronteira formada por rio. como é o caso do Brasil. só tinha a posse do poder. A existência desse poder se desenvolveu de diversas formas dependendo da sociedade em que estava inserido.1. nas sociedades primitivas o poder era ligado única e exclusivamente a força física. 77). p. e. sendo que modernamente tem se discutido a extensão deste em virtude do uso de satélites que passam sobre todos os países sem autorização expressa desses. ou seja. bem como tudo aquilo abaixo do solo. uma vez que essa decisão decorre de um ato de soberamia de cada Estado. Uma vez que essas divisas. ainda não se chegou a um consenso. aquela pessoa “que em razão de sua superioridade de posição social. impondo a vontade deste sobre os demais. através da moderna tecnologia. Povo Enquanto o território é o elemento material de um Estado. existe uma grande discussão a respeito da porção de águas oceânicas que pertencem a estes. 1. segundo Bonavides. mas podendo ser conceituada a plataforma continental como a “porção de solo marinho que apresenta idêntica constituição geológica à dos terrenos não cobertos pelas águas. ou de recursos tenha primeiramente praticado atos de soberania.1. o território um espaço geográfico formado pela união de sua extensão. inicialmente. alguns não se contentam com as 12 milhas e adotam duzentas milhas. 1.1. O Povo é constituído por todas as pessoas que fazem parte de um Estado.3 Espaço Aéreo O espaço aéreo é todo aquele acima de sua extensão geográfica. ficando o poder na mão dos detentores do capital. posteriormente o poder foi vinculado a capacidade econômica dos indivíduos. 2004. o espaço aéreo. 90) 2 . então a vinculação do poder às forças divinas. portanto. 1. (BASTOS.FAR . as naturais são rios. servindo de forma de organização do Estado. p.

mas não possuem o poder coercitivo. Para a inteligência de esta urbe lembrar que em toda organização ou sociedade há de comparecer uma certa dose de autoridade para impor aqueles comportamentos que os fins sociais estão a exigir. interessa mais diretamente o poder político. Neste sentido o poder político não é outro senão aquele exercido no Estado e pelo Estado. mas sempre havendo uma forma de coerção. consolidando-se na busca do bem comum.FAR . “O Poder Político é aquele exercido no Estado pelo Estado. mas sim alicerçado em fundamentos que demonstrem sua necessidade e convença os indivíduos que compõem o seu povo a respeitá-lo. o poder econômico. no relacionamento de pai para filho. não mais o dividindo com outro setores. p.2 Poder Jurídico e Político Conforme Bastos (2004. Surge.” Diante disso. Dessa forma constituindo esse poder estatal em um ordenamento superior. que se sobrepõem aos outros poderes sociais. Nesse sentido já se manifestou Miguel Reale citado por Bastos: 2 . os reis passam a consolidar sua liderança dentro de seus territórios. 91/92) Esses poderes continuam existindo. Para a compreensão do Estado. uma vez que esse poder pode derivar da simples persuasão daquele que se sujeita. o conceito de poder estatal. mas sim em uma relação de respeito as normas. quais sejam. mas nenhum tinha a condição de fazer valer sua vontade sobre os demais de forma a consolidar a soberania. (BASTOS. Todavia a criação do Estado não implica na eliminação desses outros poderes sociais. com o aparecimento do Estado moderno. preponderando o interesse coletivo sobre o particular.FACULDADE REUNIDA Na Idade Média não havia o conceito de poder soberano. tendo que estes poderes se valer da força coercitiva do poder estatal para alcançar a aplicabilidade de seus conceitos. portanto. assumindo assim o poder soberano sobre sua territorialidade. sendo ele quem detém as condições necessárias para fazer respeitar a vontade do Estado. p. 3. 92). Neste sentido. 2004. ou pelo menos o temor das conseqüências de não se sujeitar ao poder. patrão para empregado. 3. uma vez que diversos indivíduos reivindicavam esse poder. e é nesse discurso de validação do poder coercitivo que este adquire características de juridicidade. sendo esse de exclusividade do poder estatal. tornando-se um poder jurídico. com capacidade de coordenação da sociedade e dos interesses individuais. sendo que este poder não se resume a mera força física. uma das principais características desse poder é a sua supremacia sobre todos os outros poderes sociais já anteriormente citados. o poder religioso e o poder sindical.1 Poder Social O poder está inserido em todas as relações humanas. de forma incontestável. manifestam-se Bastos a respeito do Poder: Assim amplamente estendido o poder extravasa os campos da teoria do Estado para interessar mais a sociologia e até mesmo a psicologia. manifestado pelo poder do Papa. como o religioso. Essa supremacia se dá em virtude de que é este poder estatal o detentor da força coercitiva. A que chama mais atenção é a supremacia do poder do Estado sobre todos os demais que se encontra em seu âmbito de jurisdição. mas a no século XVI. Há inegavelmente algumas notas individualizadoras do poder estatal. Esse poder coercitivo não pode ser exercido com base única e exclusiva na força bruta.

FAR . ( ) Sendo portanto o território um espaço geográfico formado pela união de sua extensão. ( ) Enquanto o território é o elemento material de um Estado. no relacionamento de pai para filho. sendo que modernamente tem se discutido a extensão deste em virtude do uso de satélites que passam sobre todos os países sem autorização expressa desses. patrão para empregado. em regra. sendo que quanto a essa discussão. o povo pode ser definido como seu substrato humano. Quando dizemos que o poder é jurídico. que vai de um mínimo. mas em todo o funcionamento do Estado.FACULDADE REUNIDA O poder. 2004. uma vez que esse poder pode derivar da simples persuasão daquele que se sujeita. tal como é entendido no ‘Estado de Direito’. mas daí não se deve concluir que o poder deva ser puramente jurídico. ( ) O poder está inserido em todas as relações humanas. (Apud. Atividade Marque V se a afirmativa for verdadeira e F se a afirmativa for falsa. BASTOS. ( ) O espaço aéreo é todo aquele acima de sua extensão geográfica. ou pelo menos o temor das conseqüências de não se sujeitar ao poder. de tanto alcance nas ciências natural e humanas. p. que é a força empregada exclusivamente como meio de realização do Direito e segundo normas de direito. assim como poder não existe sem o Direito. por conseguinte. que é representado pela força ordenadamente exercida como meio de certos fins. De maneira geral não há poder que se exerça sem a presença do Direito. A questão da soberania do Estado será discutida posteriormente em uma aula específica sobre o tema. Por outro lado. mas que o poder. que através de seus órgãos fazem valer o poder estatal na busca do bem comum. se subordina às normas jurídicas cuja positividade foi por ele mesmo declarada. nunca deixa de ser substancialmente político para ser pura e simplesmente jurídico. segundo o princípio da complementaridade. Comentários: 2 . mas sempre havendo uma forma de coerção. 53) Importante lembrar que esta vinculação entre poder e direito não ocorre somente com a elaboração do texto constitucional. Não significa – como pensam alguns – que o poder se torna todo substancialmente jurídico (o que equivaleria a identificar Estado e Direito). A expressão poder de direito é o resultado de uma comparação entre os diversos graus de juridicidade do exercício do poder. em virtude de sua importância. um implicando o outro. mas sim em uma relação de respeito as normas. fazemo-lo relativamente a uma graduação de juridicidade. sendo que este poder não se resume a mera força física. mas pode existir com maior ou menor grau de juridicidade. até a u máximo. altura e profundidade. ainda não se chegou a um consenso. Isto quer dizer que o poder não existe sem o Direito. o Direito não se positiva sem o poder.

FAR . Faremos. ed.br/doutrina/texto. 5. Celso Ribeiro. 6. 21:00 hs. 26 de junho de 2005. influenciando nossas vidas. bem como aprofundar o estudo sobre as formas mais usuais e que dizem respeito a nosso cotidiano.jus. ainda. ALVES. Curso de Teoria do Estado e Ciência Política.asp?id=6181. São Paulo: Celso Bastos.FACULDADE REUNIDA Todas as afirmativas da questão acima são verdadeiras. BONAVIDES. de forma a dar a você uma visão geral sobre o Tema. uma distinção entre formas de governo e sistemas de governo. Tema 10 PRINCIPAIS FORMAS DE GOVERNO E ESTADO Objetivos Conhecer as diversas formas de governo e de Estado. A Concepção de Estado de Thomas Hobbes e John Locke. FALA UMA RESENHA: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASTOS. Paulo. Ricardo Luiz. Conhecer os principais sistemas de governo. 2 . 2004. ed. uma vez que a finalidade do presente exercício é a fixação do texto. Teoria do Estado. 2004.com. INTRODUÇÃO Caro acadêmico. Neste tema iremos analisar as diversas formas de governo e de Estado. São Paulo: Malheiros. http://www1.

1. Essa divisão de poderes serve ainda para dar aos membros da federação maior representatividade. este poder central delegava funções meramente administrativas a pontos mais distantes. o poder está centralizado em um único pólo. em alguns casos poderia haver ainda maiores delegações de competência. que detém todo poder de ditar normas e administrar a totalidade do territorial. torna a sua aplicabilidade mais eficiente. o Executivo e o Judiciário. estando todos em posição de igualdade diante do novo estado.1 ESTADO UNITÁRIO OU SIMPLES: Nesta formas de estado. Até o final do século XVIII. formando um novo estado. em 1787. pode se dizer que existe uma certa mudança no conceito de federação. estando todos eles submetidos a um regime especial. o mais importante. e a administração fica mais próxima dos administrados.FACULDADE REUNIDA 1 FORMAS DE ESTADO As formas de estado podem ser divididas em dois tipos: Estado unitário e estado composto. Ente as formas de estado composto. nos casos em que estas não fossem expressamente delegadas ao governo central. Mas. podemos afirmar que: Diferentemente do estado simples.FAR . fraudes. dentre os diversos motivos que levam os estados a adotar o sistema federativo. Nesse momento. que é o que vem acontecendo no Brasil. onde os Estadosmembros tinham suas competências expressas.1 FEDERAÇÃO: a federação surgiu coma promulgação da constituição dos Estados unidos da América. no estado composto há uma união de dois ou mais estados. há mais de uma manifestação do poder público. evitando. os treze Estados Americanos decidiram criar um novo estado decorrente da união dos territórios e populações de todos estes. Essa Divisão de poderes é que se constitui na grande inovação do sistema federativo. além dessa divisão. em sua aplicabilidade prática. Ao estudo dela é que nos ateremos neste momento. que seria regido por uma constituição e teria em sua organização três poderes definidos: o Legislativo. 1. mas mantendo para si o poder de legislar. A delegação de poderes ao Governo Central não foi absoluta. este era o único meio de estado conhecido.2. Diante isso. aonde a união vem intervindo cada vez mais nas decisões e nos diversos campos. a mais utilizada modernamente é a federação. sobrepondo-se de tal maneiro sobre os estados-membros de forma a fazer com que eles percam suas personalidades autônomas. em nosso entendimento. o que se conhecia era somente o modelo unitário. Para facilitar a administração. Agindo dessa forma. dessa maneira. é a democratização e a conseqüente limitação do poder pelo próprio poder. que pode vir a ensejar um novo tipo de estado composto. fazendo com que a classificação como federação seja quase que apenas formal. mantendo cada Estado-membro prerrogativas e competências próprias. em que há a formação de um único estado no qual há um governo central como sendo a única expressão do poder publico. 1. portanto. permitindo que estes supervisionem o trabalho de seus administradores. Pois como há uma maior distribuição de poderes. estes passaram a ter uma soberania compartilhada. Segundo Bastos. além daquelas de caráter exclusivo do estado-nação.2 ESTADO COMPOSTO: Para Bastos. definidos pela própria constituição federal. Passava o estado a ter dois patamares de competência. com poder sobre os outros. 2 . Mas há também o risco de haver um aumento desenfreado dos poderes da união. até esse momento histórico.

inclusive lhe dando os meios e os subsídios para resolver esses problemas. dado o caráter federativo de um pais. Portanto.1. desta preliminar:os Estados hão de viver na união: não podem subsistir fora dela. A soberania é de exclusividade da união.3 DEMOCRACIA: é a forma de governo em que o próprio povo exerce o poder. Alem desta classificação de Aristóteles.1. em nosso sistema federativo. segundo a classificação de Aristóteles. sendo que esse grupo de pessoas seria formado por poucos detentores de condições mais favoráveis. A união é o meio. uma vez que pelos princípios federativos. Esse modelo não fere os princípios da democracia. mas sim Autônomos. os estados membros não são soberanos. Com o aumento das populações e dos Estados. ou seja. na França. essa situação encontra-se um pouco distorcida.2 ARISTOCRACIA: é o governo formado por diversas pessoas pertencentes a um mesmo gupo social. Uma das mais utilizadas e conhecidas remonta á Grécia Antiga e tem como seu maior expoente Aristóteles. conforme veremos mais adiante. há uma inversão de valores. a condição absoluta da existência dos estados. formando uma elite governante. nas cidades estados gregas. A união é a exercente do poder central.1 CLASSIFICAÇÃO DE ARISTÓTELES 2. 2. podemos. que foi muito utilizado na Grécia Antiga. não da totalidade dos poderes públicos que ela divide com estados e municípios. Aristóteles dividai preliminarmente as formas de governo em puras e impuras. podendo coexistir com ela. 2 . 2. portanto dividira democracia. que detém o poder.1. que dividiu as formas de governo em dois tipos principais e cada um com suas divisões. uma vez que nossa federação partiu do pressuposto da preponderância da união. em três formas distintas de seu exercício: democracia direta. monopolizando-o de tal maneira que sua vontade se sobrepõe a qualquer outro órgão público. sendo seu meio mais comum a monarquia absoluta. 2. portanto. uma vez que o povo. a democracia representativa. Na nossa realidade.FACULDADE REUNIDA Para atender as necessidades de seus membros.1. temas as classificações de Mentesquieu e Hans Kelsen.1 MONOCRACIA: é o modelo de governo em que o poder está nas mãos de uma só pessoa.1. democracia semi-direta e democracia indireta. Senão vejamos o que diz Ruí Barbosa: “partamos.FAR .1 FORMAS DE GOVERNO PURAS: monocracia. Diante disso. a base.1. não conseguia tomar decisões de forma sensata e satisfatória. para fins didáticos. existe um monarca ou Rei. que detém todo o poder estatal. senhores. 2. A distorção desse modelo se dá por meio da Ditadura que será objeto de estudo nas formas de governo impuras.1. Sua forma impura é a oligarquia. Aristocracia e Democracia. seu maior expoente foi Luiz XIV. Sua classificação é até hoje adotada. reunido em grandes grupos. tornando-se necessário o surgimento de um novo modelo de democracia. 2 FORMAS DE GOVERNO Diversas foram às tentativas de se classificar as formas de governo. sendo tal definição o modelo clássico de democracia direta.” Como se pode ver. são os estados que são a ela. a participação direta do povo nas decisões foi se tornando cada vez mais difícil. a união ou estados-membros podem ainda descentralizar sua competência criando órgãos estatais com a finalidade de tornar mais ágil e eficiente a prestação de serviços.

a esses representantes o poder de legislar em nome do povo. 2.1 TIRANIA: Na tirania o poder é exercido por uma só pessoa de forma totalitária. Cabendo. como ocorria na Antiguidade. uma vez que acreditava ser a mais justa e igualitária.1.2. que defendia essa forma de governo. devido ao grande contingente populacional e á complexidade dos problemas não é mais viável a utilização da democracia direta.3. mas mantém o direito de intervir nas decisões tomadas por seus representantes por meio de institutos próprios de consulta popular.1. 2.1. Pois acreditava que nele os representantes eleitos pelo próprio povo poderiam a qualquer momento desvirtuar a vontade popular e seguir apenas seus próprios interesses. 2 . apesar do tirano ás vezes tomar decisões que vão ao encontro dos anseios populares. única e exclusivamente. O maior defensor da democracia direta foi o Francês Jean Jaques Rousseau. Na atualidade. plebiscito e recall.1.1 FORMAS DE GOVERNO IMPURAS : Tirania.FAR .1. que irão tomar as decisões necessárias para a manutenção dos direitos e das garantias da população. o exercício do poder é feito por meio da eleição de representantes. Concluindo podemos dizer “ que uma das características fundamentais do governo democrático é ser ele respeitador dos direitos individuais e coletivos. ou seja. o povo elege seus representantes.” 2. em que os contingentes populacionais são pequenos e os problemas ainda são resolvidos mediante decisões diretas de seus moradores.3. o sistema de representação política não exprimia de forma concreta e precisa a vontade popular. como o referendo. Neste Caso. com a finalidade de acalmar os ânimos e garantir a sua permanência no poder. Para Rousseau. passa de pai para filho. a mobilização da vontade popular feita com respeito aos direitos individuais. sendo um governo autoritário. uma vez que não há a possibilidade de o povo exercer diretamente a atividade estatal. Eles integram os órgãos representantes das diversas camadas populacionais. a democracia nada mais é do que. Portanto. diante da moderna sociedade.1. que integram órgãos representantes da população. o povo elege seus representantes para agir em seu nome e em nome de seus interesses. Normalmente tem características hereditárias.1. uma vez que o povo exerceria sua vontade de maneira direta e sem qualquer tipo de interferência. 2.3. o veto e iniciativa popular. fazendo valer sua vontade independente dos anseios do povo. existindo esta apenas em alguns lugares isolados. tomando ali as decisões necessárias à manutenção do estado e de acordo com os anseios do povo que lhe deu esses poderes.1 DEMOCRACIA DIRETA: essa forma de democracia teve seu berço na Grécia Antiga e Roma.2 DEMOCRACIA INDIRETA: neste modelo de democracia.1. Constitui-se a tirania uma forma de corrupção na Monocracia. E tem característica meramente manipuladoras. oligarquia e Demagogia.3 DEMOCRACIA SEMI-DIRETA: Neste modelo há uma mesclagem das duas formas de democracia já estudadas. pois nesse caso.FACULDADE REUNIDA 2. Ele era um dos maiores críticos deste sistema.

2 OLIGARQUIA: A oligarquia ocorre quando o governo é exercido por um grupo de pessoas fechado. o parlamento divide a gestão do estado com o executivo. Hans Kelsen. havendo uma equiparação de forças e divisão de poderes entre o chefe de Estado e o Chefe de governo.3 DEMAGOGIA: A demagogia é a forma corrupta da democracia. diz-se que o governo é monárquico. Outra forma de entendimento é aquela que considera a ditadura “como uma forma de exercício temporário de poder político. seguindo a classificação de Aristóteles. que. Nesses dois casos. normalmente por um golpe de estado.2 OUTRAS CLASSIFICAÇÕES A classificação aristotélica. Nesse caso. Politicamente livre é quem está sujeito a uma ordem jurídica de cuja criação participa.2.1. quando o poder pertence a vários indivíduos. e passam a exercer esse poder de forma autoritária e sem limites. ou de um grupo de pessoas que tomam o poder. Segundo a classificação do eminente escritor italiano.2. que através da concentração de atribuições pré fixadas buscam exterminar com algum mal público”. seria o governo de um só. mas o povo está influenciado por interesses outros que não o bem da coletividade. É a forma deturpada da Aristocracia. que busca satisfazer os interesses da minoria que detém o poder. a vontade coletiva é manifesta respectivamente por um colegiado restrito ou por uma assembléia popular. 2. por sua vez. destarte. tendo surgido na Inglaterra. cedeu lugar. que são o presidencialismo e o parlamentarismo 3. ainda baseado em um critério numérico.” 3.1. baseada no modo como a ordem jurídica é criada e. os sujeitos são excluídos da criação da ordem jurídica.FACULDADE REUNIDA 2. 2. Nesta o poder emana do povo. PRINCIPAIS SISTEMAS DE GOVERNO Diante das várias formas de como podem se relacionar os poderes dentro da organização estatal. a vontade representada na ordem jurídica do estado é idêntica as vontades dos sujeitos. a classificação de Maquiavel. cuja obra mais conhecida é O príncipe. vamos ter duas configurações básicas. excluindo o restante majoritário do povo.FAR . Na democracia. em detrimento do restante da população. após asseverar que o critério numérico é assaz superficial. na idéia de liberdade política. conforme o poder soberano pertença a uma minoria ou a uma maioria do povo. Assim como todas as evoluções históricas.2. tomando os outros poderes extremamente dependentes dele. 2. há uma supressão das liberdades e garantias individuais. Nessa forma de governo. Já na autocracia. consequentemente. com as conquistas de prerrogativas parlamentares ao longo dos Séculos XII e XIII. uma republica é uma aristocracia ou uma democracia. bem como uma centralização exacerbada do poder no executivo. baseada em uma tricotomia das formas de governo.1 PARLAMENTARISMO Nesse sistema. quando o poder soberano de uma comunidade pertence a um individuo. o parlamento não surgiu de imediato. e a harmonia entre a ordem e as suas vontades não é garantida de modo algum. onde o titular pode ser uma pessoa ou um colegiado.4 DITADURA: essa forma de governo pode ser entendida de duas maneiras: a primeira. propôs uma nova classificação. o governo é chamado republicano. 2 . dividiu as formas de governo em : monarquia e republica. o povo faz valer sua vontade por meio da força e contrariando os princípios democráticos. a partir da idade moderna. principalmente os poderes legislativos e executivos.1.

Ocorre entretanto. que seria a forma mais prática da teoria da separações dos poderes de Montesquieu. 2 . alce a antiga oposição a situação de governo. sendo que nestes o chefe de estado é o presidente. o caráter altamente democrático do sistema. tal não ocorre no presidencialismo. sendo assessorado por ministros de estado. O presidencialismo surgiu nos Estados unidos em 1787. sem duvida. Essa situação se consolida com o convite do líder do partido vitorioso.FAR . suas bases mantém-se praticamente inalteradas desde aquela época. O presidente acumula as duas funções. quando chamado a votar. aumentando seus poderes e consequentemente consolidando a força e importância do parlamento. consistindo-se em uma forma muito utilizada de sistema de governo. surgiram também os primeiros partidos políticos. o que acabou por tornar tradicional o Rei chamar o partido dominante para integrar o seu governo. assim fazendo. lhe de a razão e . o chefe de estado formar o governo com base na nova maioria surgida. pelo contrário. que passou a ter maior representatividade e maior atuação. O parlamentarismo tanto pode existir em paises que adotam a monarquia quanto nos republicanos. Não se pode dizer que o sistema parlamentarista está superado. ao contrário do parlamentarismo. Possuindo este sistema algumas características fundamentais. segundo nos demonstra Bastos: Em primeiro lugar. pois o Monarca passou a delegar tarefas aos seus assessores. não há qualquer forma de subordinação do poder executivo ao legislativo. em que o que se pões em jogo são os êxitos e malogros do governo findo. Como veremos mais adiante. dado que ambos apresentamse unificados pelo mesmo vincullo partidário. a de chefe de governo e chefe de estado. criticar o governo para que o povo. Os poderes seriam totalmente independentes. Os Estados unidos da américa são uma das mais bem sucedidas nações que adotam esse sistema de governo. A base do sistema parlamentarista consiste na subordinação do governo á vontade do parlamento. 3. O presidente da republica possui total autonomia no exercício de suas funções que são constitucionalmente definidas. que as funções fiscalizatórias acabam por ser exercidas pela oposição. Pode. de parlamentarismo republicano é a França. Um exemplo de parlamentarismo monárquico é a Inglaterra e. Nessa época. Havendo a destituição do governo pela perda de maioria. ou pelo voto de desconfiança. em que o governo se sustem até o fim do mandato ainda que não detenha a maioria parlamentar. visto que um governo não tem condições de manter-se no poder quando não contar com a maioria dos representantes do povo. seu líder fica obrigado a solicitar sua demissão do cargo de líder do governo. um caráter plebiscitário. em diversos paises. que procura. É imprescindível que haja uma perfeita sintonia entre o chefe de governo e o parlamento. o chefe de estado dissolve o parlamento e convoca eleições para que o povo de forma democrática consolide a nova maioria e eleja o novo governo. continua existindo.2 PRESIDENCIALISMO Nesse sistema de governo. Se esse partido perder sua posição de partido com maior representatividade. indicados por ele e de sua total confiança e responsabilidade. mas sendo mais comum a primeira alternativa. mas exerceriam o controle entre eles de forma a evitar abusos. As eleições ganham. a todo tempo.FACULDADE REUNIDA Esse sistema teve sua primeira expressão com o próprio surgimento do parlamento. constituindo se esse num traço importante do parlamentarismo. e de forma consolidada. essa afirmação é verdadeira. O que se pode dizer é que esse procedimento enfraquece a possibilidade de controle do legislativo sobre o executivo. Em parte. ainda.

COMENTÁRIO A presente atividade visa a fixar em você as principais características dos diversos assuntos abordados. São Paulo: Saraiva.ed. É comum a comparação entre ambos... Essa irresponsabilidade consiste no fato de que o presidente não precisa do apoio do parlamento para manter-se no poder.jus. ed. salvo em algumas exceções. São Paulo: Malheiros.com. Mas a diferenciação entre o presidencialismo e o parlamentarismo consiste na posição que o parlamento exerce na administração do bem publico. Não cabe ao presidente a edição de leis. PEREIRA. somente utilizado em casos específicos em que haja abusos por parte do presidente e por atos contrários a constituição. que tem origem na eleição popular que lhe confere o mandato de quatro anos. independentemente da vontade do legislativo. ed. Pedro Ivo Soares. 6.aspid=4716 2 . existem algumas características que definem o presidencialismo. é certo de um bom relacionamento com o legilativo. ATIVIDADE Faça uma leitura do tema proposto e após produção um quadro demonstrando as principais características de cada um dos temas abordados. DALLARI.FACULDADE REUNIDA Assim como no sistema parlamentarista. O Regime Representativo e Sua Crise. Não é pacifico entre os pensadores qual o melhor sistema. 5.. uma vez que essa sempre dependerá de leis e da aprovação de verbas que a custeie. Renan Paes.FAR . A principal delas é a irresponsabilidade do presidente diante do parlamento. na realidade uma total independência. O certo é que cada um possui suas vantagens e desvantagens. 2004. Curso de Teoria do Estado e Ciência política. por meio de processo complexo. No parlamentarismo o parlamento uma atuação maior na gestão do estado. Dalmo de Abreu. FELIX. 2005.br/doutrina/texto. uma vez que para a efetiva administração da coisa publica. na busca pela solução deste dilema. Cabendo a este única e exclusivamente julgar o presidente por crimes de responsabilidade. REFERENCIAS: BASTOS. sendo essa uma prerrogativa do legislativo. Celso Ribeiro. Não há. único meio que lhe pode assegurar a realização integral da sua política. As duas são as formas de governo mais utilidades e mais democráticas. BEZERRA. Paulo. Elementos da Teoria Geral do Estado. Um êxito global da sua política vi depender. BONAVIDES. http:www1. bem como aprofundar o estudo do tema e aguçar o interesse na busca de mais informações. Sobre esse assim manifestou-se Bastos: O que se extrai do exposto é que o presidente da republica dispõe dos meios necessários para manter-se no cargo e executar as leis. Lucas Clemente de Brito. Teoria do estado. 2004. 25. é imprescindível um bom relacionamento entre o Legislativo e o executivo. portanto. São Paulo: Celso bastos Editora. Cada um defende a sua ideologia.

Diante das dificuldades encontradas em nosso país e no mundo.FACULDADE REUNIDA TEMA 11 CONTEÚDO SOCIAL E FORMAS DE ESTADO OBJETIVO Analisar. a miséria entre tantos outros. verificando o quanto problemas sociais e o próprio contexto social interferem e interagem com o poder estatal. mas o que nos interessa neste 2 . INTRODUÇÃO Caro acadêmico.FAR . muito se tem discutido a respeito dos problemas de caráter social. a influencia das forças sociais. na constituição do estado. como a fome.

se tornando mais dependentes deles – capitalistas. a cada dia. não concorrem igualmente na luta pela produção. mas algumas características afins fazem com que eles se reúnam em castas e classes sociais. “a exploração do homem pelo homem” e. Ele traçou uma divisão entre os diversos planos da realidade social: o econômico. em suas diferenças. Um dos pensadores que mais se destacou no estudo da divisão do estado foi Karl Marx. e como o contexto social tem importância direta na organização e manutenção do poder estatal. tem seu fim com a ascensão da classe proletária. as dificuldades entre o trabalhadores e a burguesia detentora dos meios de produção seriam suficientes para desencadear a destruição do próprio modelo capitalista. segundo Marx. vamos encontrar o Egito. pertencia á classe social detentora do poder econômico ou da preponderância social.FAR . Segundo Bastos: Uma das formas mais antigas de governar é precisamente A Teocracia. O comunismo. Marx sustentou que a esfera econômica se sobrepõe as demais esferas. 1. Acaba assim. Já que os detentores do capital e dos meios de produção ficavam cada vez mais ricos enquanto os trabalhadores iriam. Esse tipo de divisão seria o que Marx denominou como “modo de produção capitalista”. mas não se apropria dos meios de produção que passam para domínio da coletividade. não passa de utopia. explora injustamente o proletariado. não havendo na história qualquer estado que não apresenta algum tipo de divisão social. Essa concentração do capital na mão de poucos acaba. o político e as próprias classes sociais. Na época moderno podemos encontrar ( até o final da segunda grande guerra) o Japão e o Tibet. Os homens. que vende sua força de trabalho. uma vez que estas não possuem os mesmos direitos e deveres. as riquezas. em função da sua natureza sacerdotal. o governo passa a ter o papel de mero administrador dos bens coletivos. A burguesia. que seria a forma de extinção de todas as classes sociais. a partir de um movimento revolucionário.FACULDADE REUNIDA momento é vislumbrar o quanto esses problemas sociais e a suas conseqüências interferem na nossa concepção de estado. Alguns detém os meios de produção e. consequentemente. onde reinavam. detentora dos meios de produção. sem falarmos na Assíria. 2. O proletariado ascende ao poder. Cada individuo é único. respectivamente. na antiguidade oriental. Bastos assim se manifestou: 2 .o imperador e o Dalai Lama. Sobre a estrutura marxista. Na teoria de Marx.O QUE SÃO FORÇAS SOCIAIS? Uma das maneiras de se analisar o estado é por meio das diferenças entre seus integrantes. Seu modelo foi oferecido. desencadeando o processo revolucionário que é inerente aos conflitos sociais quando atingem seu ápice. na Babilônia e na Índia.A SOCIEDADE DIVIDIDA Os estados sempre apresentaram divisões em classes sociais. em que o poder é exercido por uma casta de Sacerdotes. e cada vez mais pobres. com isso. enquanto que outros apenas vendem sua força de trabalho. respeitando essas desigualdades. Até mesmo os Estados marxistas apresentavam alguma classificação social: o poder político. no qual pontificavam os faraós que eram adorados como deuses. Essa concentração do capital na mão de poucos. uma vez que o conflito gerado entre os interesses de ambas as partes é insuperável. na maioria das vezes. que vão se sucedendo ao passar do tempo.

essa diversidade de opiniões e ideologias.” Essa situação só não se consolida na prática devido ao estado manter sua prerrogativa da edição de leis. existe a formação de grupos antagônicos. tem idéia de que esta fazendo ideologia. Marx. consequentemente. não somente no estado. que vem a ser uma concepção total de mundo dentro do qual se apresentam legitimadas as relações de classes existentes. para evitar que venha a ameaçar o poder político. é importante salientar o caráter de meras superestruturas de certas entidades. mas sim uma discussão entre os diversos tipos de pensamento. mantém a sua soberania. é ate mesmo incentivada como forma de fortalecimento da democracia. “A democracia pluralista traz consigo inegáveis méritos. restando a essas sociedades de pessoas o papel de fiscalizadoras do estado. ao contrário. ou. consequentemente. a desagregação do capitalismo por força de uma concentração de capital na mão de pouco. Nesse tipo de sociedade. sociedade de classes. contudo. Não se confunda. enfraquece o estado. são todas impregnadas de ideologia. nasce do descontentamento com o modelo pretérito. e. nesse sentido. mas sim escamoteá-la. que a simples extinção da propriedade privada não diluiu as disputas sociais. que. Ao fortalecer a sociedade ela. de 1988. Tais grupos agem de diversas formas. 4. uma vez que houve a tomada do poder por um grupo dominante através do partido comunista que governa o estado e. Visando não a unanimidade. os meios de produção. as opiniões isoladas não são ignoradas. Essa diversidades de opiniões é inerente a associação de pessoas. tais como o Estado. Existem alguns pontos na teoria de Marx que são muito criticados: o caráter reducionista. que culminou com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil.FAR . seus defensores alegam que “o bem estar social não é fornecido graciosamente pelo estado. utilizando-se de propaganda. em virtude disso. com a finalidade de discutir suas idéias e adquirir mais adeptos ao seu pensamento. Nos estados democráticos. seja em igrejas. mais como um cientista social. entre outros. a Moral. Seja na prestação da tutela jurisdicional que visa a dirimir esses conflitos. pela base econômica da sociedade. 2 . a Religião. enfim de todas as formas admitidas pela sociedade e pelo direito. o Direito. Sua natureza de superestrutura deriva de que elas são todas determinadas pelas técnicas de produção. as Constituições. de forma direta. como exemplo podemos citar o estado Marxista-Leninista. eleições. em geral. mas necessita da participação intensa de toda a coletividade”.FACULDADE REUNIDA Ainda dentro do pensamento marxista. O fim ultimo da ideologia não é buscar a verdade. Em qualquer tipo de organização social. No estado totalitário. relacionou esses conflitos ao governo e ao estado: eles são inerentes ao convívio social e interferem. essa diversidade ideológica é suprimida. mas não apresentam a força que possuem quando discutidas por meio de um grupo social. Nosso estado democrático de direito nasceu da luta da sociedade contra um regime militar totalitário. e agindo assim tentar influenciar suas decisões. debates. seja na própria formação desse estado. SOCIEDADE PLURALISTA A posse dos meios de produção não é o único fator das lutas de classe. A ideologia brota da classe dominante que sem sempre. na organização e atuação do estado. em parte de sua obra atuou. se preferirmos. que restringe a um só fator determinante na história. Forneceu aparatos e conceitos a respeito da organização social e conflitos decorrentes da vida em sociedade. desde que de forma legal e organizada. também com uma mentira que envolve uma predisposição consciente de quem a elabora.

obtendo inclusive poder normativo através das convenções coletivas de trabalho que passaram a ser exigíveis judicialmente. podemos entender: Por corporativismo deve se entender a doutrina que tem como propósito a reunião das classes produtoras em verdadeiras coorporações sob a fiscalização do estado. Compreendemos melhor a influencia da sociedade e dos conflitos atinentes a vida em sociedade na constituição e manutenção do estado. e passando a ter maior importância na vida política e social do estado. sociais ou culturais. Pode se dizer que ele é também uma das formas de reação profissional. O direito á sindicalização do ponto de vista histórico é ainda muito recente. As corporações podem ser econômicas. a liberação da sindicalização. como forma de organização entre os empregados na luta pelos seus direitos. O sindicalismo é um movimento que defende a própria existência e ação política dos sindicatos. As corporações de caracterizam por serem órgãos naturais que nascem como frutos da própria vida em sociedade. superior. Surge então o sindicato. é que ao mesmo tempo em que ele afirma o caráter natural das corporações. concede ao estado um papel. e servindo de incentivo a criação de partidos políticos de cunho trabalhista.FAR . sindicalismo é: O sindicato nada mais é do que a associação típica dos trabalhadores que tem por objetivo prepípuo a defesa de seus interesses. o seja. ganharam a ganhar maior apoio do estado. traço importante a ser destacado quando se fala de corporativismo. O sindicalismo surge como uma organização composta por trabalhadores para a defesa de seus interesses e também como uma forma de substituir o descrédito nos partidos políticos como instrumento eficiente de suas reivindicações. Já por corporativismo. ATIVIDADES De acordo com o texto. O corporativismo surgiu como uma forma de substituir o estado liberal. em ração da divisão do trabalho existente em nossa sociedade. de forma que concluímos que a participação da sociedade é primordial para o bom andamento da atividade estatal. As corporações nada mais ao do que as categorias de indivíduos que exercem funções sociais bem determinadas. com isso. Conforme bastos. todavia oposta ao sindicalismo em virtude de seus meios e de sua finalidade.FACULDADE REUNIDA 5 SINDICALISMO E CORPORATIVISMO Quando os sindicatos passaram a lutar por seus interesses de forma legal. 2 . conforme preceitua Bastos. faça um RESENHA destacando as idéias principais e tecendo suas considerações sobre o tema de forma critica e consistente. além de preconizar a sindicalização dos profissionais com o objetivo da defesa dos interesses comuns. e atmosfera de inquietação social que predominava a época. tendo surgido por ocasião da revolução industrial em razão da grande massa de empregados que trabalhavam nas industrias e não possuíam qualquer amparo por parte da lei. outorga imensos poderes ao estado corporativo. conseguindo.

ed. Celso Ribeiro. 2 .FAR . 2004. TEMA 12 SOBERANIA E GOVERNO OBJETIVO Elucidar as bases teóricas e conceituais da Soberania e as relações com o governo. São Paulo: Celso Bastos Editora. nos quais os estados membros abrem mão de parte de sua soberania para alcançar um objetivo comum: o crescimento econômico.. Curso de Teoria do Estado e Ciência política.FACULDADE REUNIDA COMENTÁRIO Esta atividade vai lhe auxiliar na fixação dos pontos principais do texto ao mesmo tempo em que lhe dá a oportunidade de desenvolver seu senso critico e testar suas habilidades para compreender e comentar o tema proposto. 5. ed. Paulo. http://ww.br/default.com. 6. São Paulo: Malheiros.aspx?codigo=49. como a união européia e o Mercosul.historianet. A REVOLUÇÃO SOVIÉTICA. consulta realizada em 29 de julho de 2005. Teoria do estado. 2004. INTRODUÇÃO Caro acadêmico: A questão da soberania vem sendo muito discutida nos últimos anos. BONAVIDES. devido a criação dos Blocos de Países.. REFERENCIAS: BASTOS.

Vamos aprofundar nossos estudos sobre esse tema para que você desenvolva uma consciência critica sobre ele em faze da atratividade da discussão que o envolve. Jellinek afirma que a soberania está no estado em si. pois para que o estado seja independente e tenha todos os pressupostos de sua conceituação. território e poder soberano. imposta pelos reis.mas uma qualidade desse poder. de forma de contenção entre os estado. primeiramente. uma vez que funciona como moderador entre estes. Com essa unificação territorial dos feudos. podemos destacar as definições de Bodin. Na antiguidade e na idade média. Rousseau diz que a soberania tem como seu detentor o próprio povo. é necessário que se tenha uma noção mais ampla do conceito de soberania. esse conceito foi formulado e aplicado somente no inicio dos tempos modernos. uma das condições de existência das sociedades políticas Sendo um poder supremo dentro do estado. b) a indivisibilidade: como corolário do primeiro atributo. devemos primeiramente diferencia la de poder político. Constitui-se. a soberania não admite qualquer outro poder igual ou superior a ela tanto na ordem interna como externa. pois dentro de seus limites. Ele surgiu nos tempos modernos. no seu surgimento histórico. quando também se formulou a base do estado como povo. consequentemente. em que esta reside. sua soberania é inquestionável. que veio a consolidar-se somente a partir do Século XVI. os senhores feudais. para ele. sendo necessário a criação de um outro sistema. quando os reis.FACULDADE REUNIDA Diante disso. Diversos eram os detentores do poder estatal. havendo somente limites morais á soberania alicerçados no Direito natural e nas Leis do Reino. ainda. por meio de batalhas sangrentas e acordos com a burguesia da época. entre eles. mas não em soberania. Idade média: também não se falava em soberania. Ao contrário do que se pensa. devemos nos situar. Diante das transformações pelas quais vinha passando a sociedade. a soberania apresentar-se como um todo. constituindo o estado. diversas foram as formas de definição da soberania em seu primórdio. a criação do processo capitalista. dando surgimento ao conceito de soberania que está diretamente vinculada ao estado moderno. houve um crescimento no mercantilismo e. Esse pensamento tinha por principal objetivo justificar a formação dos estados nacionais. reis e o Papa. uma vez que um estado sem soberania deixa de ser um estado. O responsável pela introdução dos conceitos filosóficos que deram origem ao poder monárquico foi Jean Bodin. o sistema feudal não mais servia para suprir os anseios da sociedade na época. não havia o conceito de soberania. Dentre elas. a soberania do monarca era absoluta e ilimitada. Bastos assim delimita os atributos da soberania: Os atributos do poder soberano são: a) a unidade: por não haver mais de uma autoridade soberana em um dado território. em elemento de estado e serve. para que possamos nos posicionar a esse respeito. ORIGEM DA SOBERANIA Para entendermos melhor o conceito de soberania. Em roma se falava em poder. portanto. consolidaram sua soberania por meio da imposição financiada pela burguesia. Diante dessa concepção histórica. a soberania não é um poder de estado. é essencial que sua soberania seja respeitada. uma vez que na antiguidade havia a concepção de auto-suficiencia da Polis Grega. pois nenhum pode entrar na esfera do outro. VOCE SABE O QUE É SOBERANIA? Para entendermos o conceito de soberania.FAR . podendo repartir competências e dividir as divisões políticas em três sem que 2 . que defendia que a soberania servia para reforçar o poder do rei.

é personalíssima. A soberania é um poder constituinte e não constituído. no que diz respeito á relação estatal. dá ao cidadão a garantia de que não sofrerá abusos. segundo Bastos: Uma ordem jurídico-positiva pode ser. ela o tenha sido. daí inferir que por falta de legitimidade ilegal. pode tomar o poder pelo uso da força. a soberania de cada estado-membro é respeitada.FAR . ela não é absoluta. Nessa época. mas a manutenção desse poder só se dá por intermédio do direito e. ao definir as formas de governo. O estado não detém apenas o monopólio institucionalizado da força. Já a constituição. durante um período foi considerado soberano e justo. mais importante do que força. A partir do principio da legalidade. mais ou menos legitima. em que o estado passou a respeitar suas próprias leis. d) a imprescritibilidade: a soberania eterniza-se no tempo. Esses recursos são utilizados raras vezes no estado moderno. c) a inalienabilidade: a soberania não pode ser transferida a outrem. que também tem sua soberania. Em caráter interno. visto que a própria legislação pode ser considerada válida ou inválida dependendo da interpretação da sociedade em que esta vigente. É aquela que irá delimitar a atuação desta. e nem podemos crer que. é que se efetivamente conquistou o principio da legalidade. bem como do momento histórico e social. editadas por um de seus órgãos. da ordem jurídica. o uso da força tem a finalidade de manter a ordem jurídica. A soberania não é absoluta. por sua vez. Um exemplo é poder monárquico. Essa normatização da força é chamada de “institucionalização da força”. pois o direito. e finalmente. em algum momento. Até mesmo na criação de blocos. como visto. Essa legitimidade dada pela legislação não é absoluta. garante direitos individuais e coletivos que irão delimitar a atuação da soberania. Pois é por meio do direito que se dá ás ordens emanadas do poder um sentido de obrigação de seu cumprimento. o estado já detinha o monopólio da edição de leis. contudo. No moderno estado. enquanto que o direito. já que eles apenas abrem mão de sua soberania em razão de seus interesses. serve ao exercício do poder. sendo a mesma respeitada pelos outros estados. ela é amplamente restrita pelas garantias individuais e determinações impostas pela constituição. mas podendo a qualquer tempo descenvilhar-se do bloco e retomar sua soberania. somente a apartir do surgimento do estado constitucional. o estado não se sujeitava as leis. O direito com um mínimo 2 . Dessa forma. porque não existe até hoje nada que se sobreponha a ela. No estado. Qualquer grupo de pessoas. Não se deve. estão diretamente ligados. Nos conceitos atuais. não sofrendo limitações de ordem temporal. o estado busca a garantia da leia á vontade do individuo.FACULDADE REUNIDA importe numa cisão da mesma. mas. como a União Européia. consequentemente. Atualmente a soberania popular é que é tida como legitima. desde que devidamente aparelhados do material necessário. LEGALIDADE E LEGITIMIDADE DA SOBERANIA Direito e poder são dois institutos completamente diferentes. Trata-se de conceitos voltados a realidades diversas. mas. nem será obrigado a nada senão em virtude de expressa determinação legal. reforçado pelo temor da sanção imposta pela força. o estado detém o monopólio da edição de leis que lhe garantem a sustentação. mas em outro foi considerado ilegítimo. Essa institucionalização evita que o estado tenha que se valer de seu aparto policial e militar para fazer valer sua vontade. que. ao mesmo tempo que legitima o estado. a lei é o limite maior da soberania. embora o poder estatal continue sendo soberano. pois mesmo na época da Revolução francesa e Revolução inglesa. E essa edição de lei só pode ser considerada como forma de manutenção do poder estatal a partir do momento em que o estado também se sujeita a essas leis.

E. A falta de legitimidade ou a perca de parte dela implica na perda do poder. por legítimos. não podendo. ou mesmo constitui normas jurídicas de valor constitucional. Portanto o poder constituinte pode ser considerado como uma forma especial de produção jurídica. 2 . cria. porque praticados com quebra da ordem jurídica vigente. mas tidos muitas vezes. o caso dos golpes e revoluções que eram inicialmente ilegais. Exemplos gritantes dos descompassos entre a legalidade e a legitimidade encontramos no caso da ascensão do nazismo ao poder na Alemanha que se deu pela utilização de instrumentos inteiramente legais.FACULDADE REUNIDA de eficácia tem. ( ) A partir do principio da legalidade. que determina os limites da soberania. são verdadeiras ou falsas. ( ) Em caráter interno. é ela que irá delimitar a atuação desta. a sua criação como não poderia ser de outro modo. que está diretamente ligado á necessidade de um mínimo de aceitações e consenso. agir á margem da legalidade. incita o surgimento do poder constituinte. em conseqüência.FAR . Pode-se dizer também que o poder constituinte é aquele que põem em vigor. ATIVIDADES Faça uma releitura do texto. a lei é o limite maior da soberania. pois o direito. qual seja o poder legislativo. ao mesmo tempo que legitima o estado. dá ao estado formas de auto-regulamentação e cria a obrigatoriedade do estado sujeitar-se também ás leis por ele mesmo. e é ele que legitima e dá sustentação e manutenção ao poder estatal. O estado constitucional tem no direito positivo sua base. na constituição. dando as garantias necessárias ao cidadão de que o estado esta obrigado a respeitar seus direitos individuais. cuja função precípua é a de criar a lei básica de uma sociedade ( a constituição). no que diz respeito ao tema. PODER CONSTITUINTE Segundo Bastos: Poder constituinte consiste na faculdade que todo povo possui de fixar linhas mestras e fundamentais sob as quais deseja viver. CONCLUSÃO A soberania do moderno estado encontra-seç embasada no positivismo jurídico. apesar de sua soberania. dá ao cidadão a garantia de que não sofrerá abusos. na maioria das vezes revolucionário. por si só. mais precisamente. como as normas constitucionais ocupam o topo da ordenação jurídica. No entanto implantou um regime que suscitou uma reação quase mundial pela violação que provocava de princípios já conquistados no grau de civilização por que passa a humanidade. De outra parte. o estado busca a garantia da lei a vontade do individuo. a perda da ordem jurídica. e posteriormente responda se as afirmaçõs abaixo. Esta legitimação encontra ainda sua base na forma de governo. que ao adotar o sistema de divisão de poderes. senão em virtude de expressa determinação legal. o condão de categorizar os comportamentos em legais e ilegais. E. porque portadores de um ideário político mais afiado com as crenças e valores da sociedade. enseja métodos próprio. produzidas por meio de um de seus órgãos. ou sua não aplicabilidade. nem será obrigado a nada.

vindo somente a surgir nos tempos modernos. Introdução Caro acadêmico: Este tema tem por finalidade discutir os diversos sistemas eleitorais existentes.ed.São Paulo: Malheiros. afirma que a soberania está no estado em si.. em elemento do estado. Celso Ribeiro.. Objetivos Conhecer o principais sistemas eleitorais. 2 . São Paulo: Celso Bastos Editora. 6. Teoria do Estado. tendo este conceito sido formulado e aplicado somente no inicio dos tempos modernos. ( ) A importância da soberania esta em ser um poder supremo dentro do estado. TEMA 13 OS PRINCIPAIS SISTEMAS ELEITORAIS E A BUROCRACIA ESTATAL. dentre elas podemos destacar as definições de Bodin. Paulo. Aprofundar as informações sobre a forma como elegemos nossos representantes. uma vez que na antiguidade havia a concepção de auto-suficiencia da Polis grega.FAR .. Portanto.FACULDADE REUNIDA ( ) Diversas foram as formas de definição da soberania em seu primórdio. mas não em soberania. ( ) Na antiguidade e na Idade Media. Curso de Teoria do Estado e Ciência política. portanto. não admitindo qualquer outro poder igual ou superior a este tanto na ordem interna como externa como externa. bem como. que defendia que a soberania servia para reforçar o poder do rei Rousseau diz que a soberania tem como seu detentor o próprio povo.. território e poder soberano. 2004. 2004. todas as afirmativas são verdadeiras. aprimorando seu entendimento e dirimindo duvidas. em que também se formulou a base do estado como povo. constituindo-se. de forma a dar a vocês uma visão mais ampla e critica sobre as formas de eleição de nossos representantes. ( ) Na roma se falava em poder. ed. em que esta reside e Jellinek. não havia o conceito de soberania. BONAVIDES. ( ) O responsável pela introdução dos conceitos filosóficos que deram origem ao poder monárquico foi Jean Bodin. COMENTÁRIO O presente exercício tem a finalidade de fixar os pontos importantes do texto.5. AGORA FAÇA UMA RESENHA: REFERENCIAS: BASTOS.

são se este grupo representar a maioria da sociedade. como os Estados Unidos da América. não importando suas características socioeconômicas. O mais importante são as próprias eleições. consequentemente. no dizer de Bastos. em que há a formação do colégio eleitoral. não é livre. Ele confere. E em alguns países. para desempenhar parte das funções mais altas do estado. pois como ocorrem de forma periódica. Já a liberdade consiste na vedação a qualquer tipo de atividade. ou seja. segundo procedimento eleitoral. quanto de particulares. O voto direto pode ser definido como a opção que o eleitor tem de escolher diretamente seus representantes. até mesmo os cargos do poder Judiciário são preenchidos por meio de eleições. salvo em caso de condenação que lhe inflige a perda ou suspensão de seus direitos políticos. em relação as suas escolhas. o povo pode substituir os representantes que não estão exercendo suas atividades de acordo com os interesses daquela parcela da população que lhe concedeu o mandato. segundo a nossa legislação. a paridade. necessário se faz observar alguns princípios sem os quais não se pode falar em eleição democrática. se ninguém tem acesso ao seu voto. que possam viciar a vontade do eleitor. a liberdade e o voto secreto e direto. quer passivos (votar) ou ativos (ser votado). 2 MANDATO O mandato. pode votar e ser votado. não delegando essa função para terceiro. de forma que não haja a sobreposição de um grupo social sobre o outro. O voto secreto é a garantia de que o eleitor pode exercer seu direito com total liberdade.FAR . Tratase de instituto intimamente ligado á representação e á teoria que sobre ela prevaleça. 3 TIPOS DE VOTO 2 .FACULDADE REUNIDA 1 ELEIÇÃO E VOTO A eleição é a forma utilizada para escolher os representantes do povo em diversas esferas da administração do estado. não há possibilidade de interferências anteriores ou cobranças futuras. é detentor de direitos eleitorais. O mandato é pois. portanto. Entre as outras formas de controle. Estes princípios são a generalidade. O principio da generalidade prescreve que todo o cidadão. na manifestação de sua vontade por meio do exercício efetivo dos direitos eleitorais. uma vez que. este nada mais é do que a investidura que o povo faz em alguém por ele escolhido. o instrumento nuclear para a configuração da democracia representativa. as mais importantes são a Ação popular e a Ação dos tribunais de contas. É o meio de provimento dos cargos tanto do executivo quanto do legislativo. não sendo possível qualquer forma de limitação desse direito. como ocorre no voto indireto em que se escolhe um representante para que este exerça o voto direto em nome de uma parcela dos eleitores. tanto do estado. independente de qualquer outra característica. Dentro do moderno conceito de eleição. interferindo de qualquer forma no exercício de seus direitos políticos e. No que se diz respeito á paridade. possuindo controle de suas atividades. poderes ao seu titular representar o povo. configura-se com o valor igualitário de todos os votos. pode ser assim definido: No que diz respeito ao mandato. como ocorre nos Estados unidos da América. Quanto ao exercício do mandato. cada cidadão possui apenas um voto. ou seja.

nas pequenas cidades. mas com a sua evolução. proporcionalmente aos votos dos partidos políticos. nesse caso. Seus opositores consideravam que ele deturpava a vontade popular. cada Distrito possui candidatos próprios. na Alemanha. Nesse sistema há uma sobreposição do partido e de sua ideologia em relação as pessoas. elegendo muitas vezes candidatos com pouca votação em detrimento de outro com votação individual bem superior. Voto Proporcional e o Voto Distrital. já na maioria absoluta. devendo seus eleitores decidir com base somente nos candidatos de seu distrito especifico. mas não se mostrou coerente com a efetiva representatividade. este sistema possui alguns problemas. quanto de esquerda”. como ocorre. o ideal seria a adoção de um sistema misto. se um partido obtém 10% dos votos.3 VOTO DISTRITAL Esse sistema consiste na separação do estado em Distritos eleitorais. mas o certo é que cada um possui vantagens especificas que não se transmitem aos outros sistemas.2 VOTO PROPORCIONAL Esse sistema surgiu como uma forma de contestação ao voto majoritário. considera-se eleito o candidato que receber o maior numero de votos válidos. valendo. adotando tanto o sistema proporcional como o sistema majoritário. o candidato obtém a vitória com qualquer diferença de votos. vale o critério da maioria simples. o candidato só é eleito se obtém mais da metade dos votos. por meio desse sistema. ou seja. os cientistas políticos. já no caso dos cargos executivos de âmbito federal. o sistema proporcional. Segundo Bastos. ainda o voto distrital misto.1 VOTO MAJORITÁRIO Trata-se do mais antigo meio de eleição e. Tal sistema se mostrou eficaz no que diz respeito á formação do governo. Mas. Segundo ele. que distribui suas vagas entre seus candidatos mais votados. e o meio utilizado para isso é o voto. A maioria de votos pode ser relativa ou absoluta. que acabou dando um número de cadeiras ao seu partido em virtude da votação deste candidato.FACULDADE REUNIDA Para a realização de eleições é necessário a utilização de um instituto para que o povo possa manifestar sua vontade eleger seus representantes de forma inequívoca.FAR . por exemplo. Há. Vamos ver um pouco sobre cada um. e os demais tem âmbito nacional. tanto de direita. 2 . 3. 3. Essa situação tem como exemplo prático as eleições de 2002. O voto distrital foi usado no Brasil até 1930. pelo maior numero de eleitores. passou-se a adotar distritos que elegerá seu representante. em que apenas uma parte dos candidatos pertence ao distrito. Na maioria relativa. “o mais grave inconveniente desse sistema é que ele abre campo para os extremismos. empurrados pela grande votação obtida por apenas um candidato. impossível se chegar a conclusão sobre qual o melhor sistema. desenvolveram alguns tipos principais de exercício dos direitos políticos por meio do voto. estadual e nas grandes cidades vale a maioria absoluta. no Brasil nós temos os dois sistemas. não possuímos apenas uma forma de voto. uma vez que é a legenda partidária que se sobrepõe. não podendo votar em candidatos de outro distrito eleitoral. 3. podemos dividi-los para fins didáticos em: Voto Majoritário. podendo ainda determinar o aumento desenfreado de partidos políticos. terá direito a 10% das vagas parlamentares. Diante dessas definições. Este sistema consiste na distribuição de vagas no parlamento. em que candidatos do PRONA elegeram-se para a Câmara dos Deputados com uma votação muito pequena. aproveitando dessa forma o que há de melhor em ambos.

lhes garantem uma autonomia maior do qu esse estivessem ligados diretamente ao poder político. e somente que possui o conhecimento técnico é que pode resolvê-la de forma eficiente. uma ideologia que coloca como valores inquestináveis. dando origem a burocracia. consequentemente. conhecimento técnico. mas é evidente que esta é uma operação intelectual de camuflagem ou de despistamento. mas onde esse avanço mostrou-se mais avassalador foi nos regimes militares autoritários do tipo daquele que viveu o Brasil após 1964. pois. uma vez que ela sofre todo tipo de pressão voltada para os interesses pessoais dos políticos e de pessoas ligadas a eles. agindo com base na legislação e com decisões neutras e técnicas. na prática. Para uma otimização destes serviços. tornando-se meio eficaz e necessário a todas as atividades organizacionais. Infelizmente.FACULDADE REUNIDA 4. Essa especialização pode também gerar alguns empecilhos á agilidade das atividades. Em outras palavras. também. mas basicamente. ou mesmo de um diretor que é o responsável pelas decisões fundamentais da entidade. A burocracia surgiu para superar as decisões de cunho unicamente político. ela tem a ver com o conjunto de funcionários especializados que de forma hierarquizada prestam as funções de administrar a organização sob o comando superior de um agente político. 2 . eficiência. no entanto. com base em suas qualidades. pois. Essa ideologia se denomina tecnoburocracia. que não comportam discussão. a honra. essa tecnoburocracia ganhou terreno. não é totalmente independente da vontade política. se tivesse a necessidade de realizar toda a atividade. Burocracia Diante da gama de problemas enfrentados pelo complexo estado moderno. o bem-estar medido em termos de comodidades. entre outras. mais lento. Bastos muito bem define a tecnoburocracia: A tecnoburocracia pretende ser neutra quanto aos valores. havendo inclusive alguns casos em que a situação se inverte. burocratas. As prerrogativas reservadas aos burocratas. Pois dependem que todos os problemas sócioeconomicos podem ser resolvidos por meio de decisões com base única e exclusiva na ordem técnica. Para cada problema só existe uma única solução. acabam por interferir nas atividades políticas assessorando suas chefias políticas que não conhecem a fundo a estrutura organizacional. Possui características que influenciam diretamente a eficiência dos serviços por ela prestados. tais funções necessitavam de certa estabilidade e profissionalismo. a burocracia continua ligada á vontade política. ela se recusa a reconhecer-se como ideologia da qual intenta se fazer passar por uma superação. seria necessário um conhecimento mais amplo e. procurando eliminar as razoes fundamentais da existência humana: o amor. Fernando C. o que agiliza a realização dela. a burocracia transformou-se em ideologia. É certo que a burocracia. Na prática. que lhe garante o direito de recusar-se a realizar tarefas com base única e exclusiva na vontade do gestor da coisa pública. tais como racionalidade. a religião. já que a tecnoburocracia é. como a estabilidade de que goza o burocrata. um pouco por toda a parte. tornou-se absolutamente necessário especializar algumas de suas funções por meio da criação de órgãos próprios. Atualmente.FAR . como a especialização: cada agente se responsabiliza por apenas uma parte das tarefas. Prestes Motta assim definiu a burocracia: Burocracia pode ser tomada em diversos sentidos. o desenvolvimento material. em função de sua antiguidade ou de seu grau de conhecimento da atividade. como a supervalorização desta atividade especializada em relação ao todo da atividade fim.

Celso Ribeiro. pois algumas atividades. devemos nos deter. Paulo. e. Compreender o principio da divisão dos poderes no contexto de um regime federativo. A burocracia está diretamente ligada ao poder. em duas importantes. Difícil ainda avaliar até que ponto sua utilização é necessária ou útil. São Paulo: Malheiros. ao invés de ser ágeis e eficientes. sobre o tema da separação dos poderes ou das funções estatais.. O supremo Tribunal Federal. 6. em uma delas. 2004. e é praticamente impossível acabarmos com a sua utilização. o que acabou dando ao termo até mesmo caráter pejorativo. declarou. 2004. com mais vagar. sendo primordial que o estado em sua constante evolução busque mecanismos para frear o crescimento da organização burocrática que acaba por sobrepujar o individuo. na outra.FAR . 2 . ATIVIDADE De acordo com o tema trabalhado. e deixam de lado seus princípios e passam a buscar interesses próprios. por violação do principio federativo.FACULDADE REUNIDA A burocracia já esta arraigada em nossa realidade. bem como refletir um pouco mais sobre a noção de Estado Federal. 5. BONAVIDES. TEMA 14 ORGANIZAÇÃO FEDERATIVA E A DIVISÃO DOS PODERES Objetivos Entender as bases do regime federativo. Na prática não é o que se tem visto.. a constitucionalidade da instituição do recente Conselho Nacional de Justiça. Referencias: BASTOS. Introdução Para melhor compreensão da estrutura organizacional brasileira. propaladas e recentes decisões. mostram-se atravancadas por uma burocracia excessiva.ed. faça uma RESENHA e compare o texto com a realidade do sistema eleitoral brasileiro. o qual longe estaria de ferir o principio constitucional da divisão dos poderes e a conseqüente independência do poder Judiciário. a nulidade de decreto lavrado pelo chefe do Poder Executivo da união de que resultava intervenção nos serviços de saúde prestados pela municipalidade do Rio de Janeiro. ed. São Paulo: Celso Bastos Editora. Teoria do Estado. Curso de Teoria do Estado e Ciência política. pois dentro de sua teoria ela é de suma importância.

em Estados Unidos do Brazil. 1. 2º PARA MANTER A FORMA REPUBLICANA FEDERATIVA” ( ART. 6º & 2º.” (Art 1º) Justificada teoricamente pelo intuito de fortalecer os seus membros. a União Federal receberia. chegamos a um primeiro elemento básico na compreensão da federação. os que se tornavam estados-membros abriram mão de sua soberania. como assinalado por este jurista. o poder de preservar a imutabilidade do propósito manifestado no pacto. DA CONSTITUIÇÃO REPUBLICANA DE 1891) A intervenção federal. pela sua própria natureza. e constitui-se por união perpétua e indissolúvel as usas antigas procincias. em diversas formas de Estado Federal. observados justos limites. inútil e desprovido de qualquer sentido! “O GOVERNO FEDERAL NÃO PODERA INTERVIR EM NEGÓCIOS PECULIARES DO ESTADO. NA CONSTITUIÇÃO REPUBLICANA DE 1891!!! “A nação brasileira adota como forma de governo. são várias as técnicas e as dimensões de uma intervenção federal. protegendo-os e gerindo-os nos negócios que. dentre outros. sem a qual. SALVO. Mas é refletindo justamente sobre a tensão que vamos compreender os pressupostos do regime Federativo. Criou-se. escapariam ás possibilidades e á alçada locais. Nesse ponto. no seu emprego. quando. então. conforme os lineamentos específicos com que a desenhe a constituição Federal. sobretudo. Hans Kelsen expõe a intervenção federal como consistindo numa reação do ordenamento jurídico ao ato ilícito do estadomembro de não se submeter aos devers que a Constituição Federal lhe impõe. além. de ser essencial para a compreensão dos espaços de atuação legitima de cada um dos exercestes dos poderes políticos.FACULDADE REUNIDA Logo. sob o regime representativo. a União seria um nome em vão. Ou seja. é imprescindível num estado federal. o qual consiste no pacto de indissolubilidade. com o intuito. em contrapartida. Portanto. pode-se ver que o tema sobre o qual trataremos se reveste de atualidade.FAR . de tal sorte que podemos falar. a República proclamada a 15 de Novembro de 1889. Os pressupostos do Regime Federativo O regime federativo ou federal se manifesta sob a constante tensão resultante da tentativa política de equilibrar dois propósitos em persistente antagonismo: o exercicioj do poder soberano e independente do poder central e o exercício do poder autônomo pelos entes federados. no dizer de João Barbalho Uchoa Cavalcanti. é senhor zelo parcimônia e cuidado. de proteger a mantença da União a intervenção federal. No entanto. Deve-se ter em mente que o uso da intervenção federal traduz-se em grande risco á autonomia dos Estados-membros. 2 . A indissolubilidade e o seu instrumento básico de efetivação O que não se pode admitir é a supressão das autonomias locais pelo poder central ou a dissolução da união por obra dos Estados.

A ele cabe. de tal sorte que a cada ordem parcial se assegura o campo próprio de atuação. a autonomia estadual é dimensionada pela constituição federal. mas sim num plano de verticabilidade. Porem. Esse não é o principio que prevalece no estado federal.” 2 . e a ordem parcial representada pelos estados-membros. cujo domínio é territorialmente restrito. de supressão temporária da autonomia de determinado ente federativo. conforme será estudado adiante. ou seja. esclarecendo-se que tanto a união quanto os estadosmembros. fundada em hipóteses taxativamente previstas no texto constitucional. Você talvez esteja perguntando: mas como garantir juridicamente que a intervenção federal não sirva de pretexto para uma progressiva centralização das decisões políticas em detrimento das instancias locais? Com que técnica o direito positivo resolve esta questão? Primeiramente.FACULDADE REUNIDA De outro lado. É certo que a constituição federal pode excetuar o regime federativo por ela própria instituído.a tonica do regime federativo é a distribuição ou repartição constitucional de competências entre a união e os estados-membros. de federalismo horizontal. dizendo. O horizontalismo enquanto elemento do Regime Federativo Surge. desde que provocado. de uma relação de coordenação. inclusive nos casos de intervenção federal.FAR . o Supremo Tribunal Federal é competente para julgar as causas e os conflitos ocorrentes entre a união e os estados-membros. VEJA O QUE DIZ O CONSTITUCIONALISTA ALEXANDRE DE MORAES!!! “A intervenção consiste em medida excepcional. então. não se encontram no plano de horizontabilidade em relação uns aos outros. a solução está em admitir a intervenção federal apenas quando se verificarem os pressupostos fáticos. Acrescente-se que. cujas normas vigoram em todo território e do estado. a qual. encenadores da intervenção federal. numa federação. decidi-los. destarte. “o exame da relação mostra que a união e estados-membros. Principio da hierarquia é aquele segundo o qual os atos normativos e as decisões não tem todos a mesma hierarquia. por sua própria natureza. se ela e não legitima. ao contrário. pois não se trata de uma relação de delegação. a necessidade de estabelecer limites á atuação de cada ordem de poder: a ordem parcial representada pela união. Fala-se . achando-se sujeita ás limitações e parâmetros nela previstos. constitucionalmente previstos. encontram-se no mesmo plano. no caso concreto. não há subordinação e superioridade. mas. é medida excepcional. como se estes fossem reduzidos ao papel de cumpridores das decisões políticas emanadas da união. Todos devemos ter em mente que não existe relação de subordinação ou hierarquia entre a união e os estados-membros.

Assim. 2 .ora não vale??? Calma! Vamos por parte: a) quando falamos em hierarquia no plano do poder judiciário. como é que eles devem aplicar o direito. E EM RELAÇÃO AO PODER JUDICIÁRIO? Apenas em relação ao poder judiciário é que se pode falar na existência de uma relação hierárquica.FACULDADE REUNIDA Logo. Nem um tribunal de justiça. assembléias legislativas (órgãos do poder legislativo dos estados) e câmaras municipais (órgãos do poder executivo dos municípios). Mas em que termos isso se dá? E como isso é possível? Sujeitar a justiça dos estados á justiça federal? Será que esse pacto federativo funciona pela metade? Ora vale. está acima de um tribunal regional federa. Esses órgãos são federais. verificar a qual dos entes. inexiste relação hierárquica entre congresso nacional (órgão do poder legislativo da união). pois a constituição federal pode ter dado ao estado-membro a competência para legislar sobre o assunto especifico. talvez prevaleça a lei estadual. órgão do poder judiciário federal de segunda estância. á lei federal. órgão do poder judiciário de primeira instancia. mas de caráter nacional. b) assim. pode ser atribuída á união ou ao estado-membro. revisar os julgamentos dos órgãos judiciários inferiores (hierarquia ascendente). Igualmente.FAR . mas. quando uma lei federal entra em choque com uma lei estadual. a saida não esta em dar prevalência automática. mas no da invasão de competência. DEFINE-SE ORGÃO COMO CENTRO AUTONOMO E INSTITUCIONALIZADO DO QUAL EMANA A VONTADE ESTATAL OU EM QUE SE FORMAM OS ATOS JURIDICOS CUJA ELABORAÇÃO É NORMATIVAMENTE IMPUTADA Á AUTORIA DO ESTADO. c) podemos dizer igualmente que a referida hierarquia não confere poderes para os órgãos superiores dizerem aos tribunais e juizes inferiores. não está em plano inferior ao que se acha um juiz federal. um juiz de direito. antes de eles julgarem. a constituição outorgou competência para legislar sobre a matéria tratada em ambas as leis. órgão do poder judiciáiro estadual de segunda estância. e vice-versa. e vice-versa. Mas sobre uns e outros se encontram o supremo tribunal federal e superior tribunal de justiça.se á união ou se aos estados-membros. em nome de uma pretensa hierarquia. A questão se resolve no campo não da hierarquia. órgão do poder judiciário estadual de primeira instãncia. considerando-se o tema das ordens parciais diversas de um estado federal. estamos dizendo somente que há órgãos de caráter federal que se colocam acima de todos os órgãos das Justiças ordinárias Federal e Estadual. governadores ( chefes do poder executivo dos estados-membros) e prefeitos (chefes do poder executivo dos municípios).a qual. no exemplo dado. antes. mas implica tão somente na competência que os órgãos superiores tem. conforme o caso. TODA ATENÇÃO É POUCA NO ASSUNTO AGORA TRATADO!!! Tenha se esclarecido que não há hierarquia entre Presidente da republica ( Chefe do poder executivo da união). eles são o supremo tribunal federal e o supremo tribunal de justiça. de uma vez provocados.

não há duvidas de que. Há. “os estados organizar-seão por forma que fique assegurada a autonomia dos municípios. repetindo. a cada ordem parcial. OS PODERES POLITICOS NO REGIME FEDERATIVO A divisão dos poderes políticos nas ordens parciais da Federação Num estado federal. A Republica federativa do brasil. a preservar apenas a autoridade dos poderes legislativo e judiciario federais. muito embora a constituição Republicana de 1981 haja feito referencia expressa somente a assegurar o cumprimento das leis e sentenças federais. a intervenção federal também se daria para manter. neguem aos municípios a condição de membros da federação. A proteção da divisão dos poderes no regime federal. formada pela união indissolúvel dos estados e municípios e do Distrito Federal. Atividade 2 .” A mencionada proteção constitucional nos vem.FAR . a união e os estados-membros possuem os poderes legislativo. já agora. com o objetivo de resguardar o livre exercício de qualquer dos podres nas unidades da Federação. a forma” republicana federativa”. eles certamente o são na nova ordem constitucional. exceto para prover a execução de lei federal. Para a proteção do livre exercício dos poderes políticos de cada uma das ordens parciais da federação. todavia. a ordem ou decisão judicial.” “o governo Federal não poderá intervir em negócios peculiares do estado. em todo o território brasileiro. em tudo quanto respeite ao seu peculiar interresse. ou seja. do inicio da prática federativa brasileira. em termos. um dos quais é a intervenção federal. Explicitando um poço um pouco mais. muito embora tenha havido bastante discussão sobre o artigo 68 da constituição republicana de 1891. executivo e judiciário. uma exceção: nos municípios. falta o poder judiciário! Neles funcionam órgãos de primeira instancia das justiças estadual e federal. Logo. constitui-se em Estado democrático de direito. tando a da união quanto a dos estados-membros. salvo 4º para assegurar a execução de leis e sentenças federais”. No entanto. a constituição federal de 1988. diz caber a intervenção para fazer valer a lei federal. “ A união não intervirá nos estados nem no distrito federal. expressão na qual se inseria o resguardo livre exercício dos poderes locais. embora existam os outros poderes (legislativo e executivo). “a união não intervirá nos estados nem no distrito Federal. existem vários instrumentos jurídicos. aliás. ordem ou decisão judicial. Malgrado alguns juristas. corresponde a tripartição dos poderes. exceto para garantir o livre exercício de qualquer dos poderes nas unidades da federação. como Roque Antonio Carrazza. a constituição republicana de 1891. de certa forma revivendo debate clássico sobre o tema.FACULDADE REUNIDA 2.

CARRAZA.FACULDADE REUNIDA Com base em seu entendimento do texto. 2 . 2003. MIRANDA. Constituição federal Brasileira (1891). 2002. REFERENCIAS: MORAES. José Joaquim Gomes. Rio de Janeiro: Forense.ed.ed. Alexandre de. São Paulo: Atlas. São Paulo: Malheiros. Direito constitucional. CANOTILHO. 7. Roque Antonio. Curso de Direito constitucional Tributário. de sua opinião sobre o tema abordando.Coimbra: Almedina. melhorando com isso sua compreensão FAÇA UMA RESINHA. CAVALCANTI. Teoria do estado e a da Constituição. 2003. Brasília: Ministério da Justiça. João Barbalho Uchoa.FAR . 19. Jorge.. 1997. Direito constitucional e Teoria da Constituição. 2005.

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