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pais C hama-se síndroma de alie-

nação parental (SAP) o dis-


túrbio que define um con-
junto de sintomas (e ac-
ções) resultantes de um processo de ma-
nipulação da consciência das crianças, no

em luta
sentido de «impedir, obstaculizar ou destruir
os vínculos daquelas com o outro progeni-
tor», alienando-o da vida e da educação dos
filhos. Assim designada pela primeira vez na
segunda metade dos anos oitenta, a SAP sur-
ge no contexto de disputas pela custódia das
crianças e tem regra geral as mães por prota-
gonistas – já que são elas quem na sua maio-
ria age segundo princípios bem conhecidos
dos técnicos que trabalham na área da psico-

pelos
logia do casal e da família, embora dissimu-

filhos
lados por detrás de estratégias ocultas. Mas,
pese embora toda a «não-inscrição» (enten-
da-se o apagamento, a ocultação) deste tipo
de doutrinação (também chamada lavagem
cerebral), ou talvez precisamente por causa
dela, a SAP caracteriza-se por afectar irre-
versivelmente a vida de todas as suas vítimas.

Vidas magoadas
Têm as vidas cheias das pequenas e grandes
cicatrizes da guerrilha. Fizeram o favor de
contar as suas histórias, mas fizeram-no
cheios de dúvidas, divididos entre a indigna-
ção e o medo: o de dar um passo em falso, por-
ventura passível de os afastar ainda mais dos
filhos. Cada história que aqui se conta é de
certa forma um calvário, um caminho longo
(para um pai cada dia sem ver o seu filho está
a mais) e cheio de obstáculos, que estes pais
percorrem com o coração nas mãos. Há
quem não veja os filhos há anos, porque as
mães não deixam, ajudadas por um sistema
judicial impossibilitado de funcionar com
justiça. Um sistema que aceita, por exemplo,
tratar estes pais como criminosos, à primeira
SEPARAÇÃO acusação das mães todo-poderosas (de abuso
sexual, por exemplo). Mas talvez fosse con-
veniente lembrar a estas mães (feridas, mas
Ninguém sabe ao certo quantos filhos há em Portugal de outras guerras) que aquele pai que esco-
lheram para os seus filhos é só mesmo um:
privados dos pais,mas,cruzando os números emanados dos aquele – que não se substitui, que não se pode
esquecer, que tem direitos e não apenas deve-
gabinetes do Ministério da Justiça (sempre distantes da res, que mesmo se menos equilibrado, ou me-
nos lúcido, ou menos consensual, ou menos
realidade, acredita-se) com aqueles (talvez mais perto da convencional, ou até mesmo fora do baralho,
verdade) fornecidos pelas associações a trabalhar na área será sempre o pai legítimo. Excluem-se evi-
dentemente deste raciocínio os pais com psi-
da família, fica uma certeza:a de que em Portugal há mi- copatologias impeditivas da sua condição.

lhares de crianças que crescem longe dos progenitores – as Leis variáveis


Nos EUA a legislação varia de estado para es-
mais das vezes afastadas dos pais pelas próprias mães, tado, tal como na Europa de país para país,
embora no mundo predomine a guarda úni-
mediante processos judiciais erguidos antes de mais para ca – em geral dada à mãe. No Brasil, foi apro-
vada nova legislação, que os movimentos as-
os afastar delas próprias. Sarah Adamopoulos ¬
TEXTO FOTOGRAFIA
Clara Azevedo sociativos de pais consideram um avanço
inédito em termos mundiais. A Associação
Pais para Sempre (APPS) mantém contac-
tos com uma associação brasileira de mães
solteiras, realidade que no Brasil não tem a
mesma aceitação que em Portugal. No Bra- entrar. A mãe da minha filha anunciou então «Os tribunais não enfrentam as mães, por-
sil há uma enorme quantidade de crianças que eu só poderia ver a menina em casa dela que fazem o que é mais fácil, porque da ou-
não registadas (muitas fruto de uniões está- e na presença dela. Sim, penso que ela tem tra maneira dá muito trabalho. Os próprios
veis), sendo comummente aceite que a mãe um ressentimento enorme contra mim.» juizes saem frustrados destes processos, o
não forneça a identidade do pai. Inesperado que explica que se desinteressem. Quanto a
que num país como o Brasil a nova legislação Advogados impreparados alguns representantes do Ministério Públi-
tome contornos de progresso civilizacional. Para Jaime Roriz, ele próprio jurista, alguns co, estão por vezes mais preocupados com a
Trata-se de um diploma que define como re- advogados têm neste tipo de casos uma in- hora de almoço... Isso aconteceu-me.»
gra a guarda conjunta e também a redução tervenção que considera insuficiente. «Para «A dada altura, por ordem do juiz, fui du-
de direitos em caso de difamação do outro eles um processo destes não passa de mais rante seis semanas todos os sábados a casa
pai. Resta compreender de que modo os juí- um, mas a verdade é que envolve quase sem- da minha filha para passar com ela um mo-
zes a vão aplicar, já que os tribunais de famí- pre um grande desgaste emocional, para o mento. Comprei-lhe uma mochila, onde co-
lia são amiúde acusados de nem sempre qual muitos advogados não estão prepara- locava novos brinquedos, um livro para ler
aplicar a lei, mas os preconceitos dos juízes. dos. Percebi que dificilmente conseguiria com ela, uma máquina fotográfica para fa-
arranjar um advogado que fosse comigo a zermos fotos juntos, material para dese-
Preconceitos e realidade uma conferência de pais e que pegasse no nhar... Mas logo na segunda vez a mãe come-
Um porta-voz da APPS (que pediu anoni- assunto como ele merecia. Eu dou apoio ju- çou a boicotar. Ficava sentada no sofá, a me-
mato) disse à nm pensar que o facto de a rídico numa associação e sei que a primeira nina no meio, eu de um lado, ela de outro, e
guarda em Portugal ser quase sempre entre- coisa que as pessoas fazem é passar a sua an- inventava todo o tipo de coisas urgentes pa-
gue à mãe deriva da aplicação de princípios gústia ao advogado. Se eu não tivesse algu- ra fazer com a criança, interferindo cons-
da tradição. Embora nãose possa falar da ma preparação, que decorre também do tantemente. De tal forma que o Instituto de
existência de uma lei sexista, a verdade é que meu caso pessoal, saía de todas essas reu- Reinserção Social interveio e conquistei pa-
os juízes parecem sê-lo. «A tradição serve niões de rastos. O que a generalidade dos ad- ra o meu lado tanto as técnicas como a psicó-
para esconder os preconceitos dos juízes, vogados faz é construir uma “parede emo- loga e a pedopsiquiatra, todas essas pessoas
porque sabemos hoje que, tirando o período cional”, para não deixar que essa angústia os concordam que um pai tem o direito de
da amamentação, que justifica nalguns casos afecte – mas isso não resolve nada. Por outro acompanhar a vida da filha. Contudo, não há
que a guarda seja da mãe, o que predomina lado, é preciso ver que este tipo de processos nada nem ninguém que possa punir a mãe
na educação de uma criança é a afectividade. não tem muito interesse para os advogados, da minha filha por boicotar tanto a minha
Mesmo assim, muitos bebés são alimenta- porque obrigam a muito trabalho, muitas di- como a acção deste pessoal técnico.»
dos a biberão, sem prejuízos de maior. Acre- ligências, muito tempo, por pouco dinheiro.
ditamos que o que verdadeiramente conta é E portanto não é uma área vantajosa para Sofrimento das crianças
a ligação que as crianças estabelecem e eles. Eu confrontei-me pessoalmente com Num segundo momento, Jaime passou a en-
mantêm com os dois pais. Outro preconceito essa realidade. Só consegui pegar novamen- contrar-se com a filha no espaço do então
é a pouca aceitação da guarda conjunta, com te no processo quando a minha filha já tinha Instituto de Reinserção Social, agora Co-
base no facto de a criança supostamente não seis anos.» missão de Protecção de Menores e Jovens
poder crescer equilibradamente se viver em
duas casas. Está hoje em dia sobejamente não representa nenhum problema em ter- sitivas. A alteração da designação «poder pa- xa de ter cabimento, porque (a título de
provado que o que prejudica o bom desenvol- mos sociais. Antigamente as mulheres ti- rental» para «responsabilidade parental» é exemplo) o elemento que estava mais con-
vimento das crianças é a impossibilidade de nham a vida muito complicada se queriam di- uma das mudanças mais aplaudidas. Já o não fortável do ponto de vista financeiro deixou
manter uma relação afectiva com ambos os
pais. A guarda conjunta não é uma solução
milagrosa, mas é a que mais se aproxima de
uma solução sensata. Porque uma coisa é os
vorciar-se. Os homens tinham quase todos os
direitos – o cabeça-de-casal era sempre o ho-
mem, que tomava todas as decisões, incluin-
do as que diziam respeito aos bens do casal.
cumprimento da prestação de alimentos
passou a ser considerada tão grave como a re-
cusa de contacto entre os filhos e o outro pai.
Relativamente à introdução do princípio da
de estar, invertendo-se por vezes a situação,
sem que a lei possa ser célere a revê-la.»

Divórcio litigioso
Confronto «Os tribunais
não enfrentam as mães porque fazem
pais desentenderem-se entre si, e outra são Antes do 25 de Abril as mães não tinham se- guarda conjunta, o dirigente associativo Jaime Roriz, cinquenta anos, é pai de uma
os filhos. É preciso que os pais percebam que quer o direito de levar os filhos ao estrangei- pensa que a questão foi apenas considerada menina com dez anos, filha de um casamen- o que é mais fácil,da outra maneira
não podem continuar a usar os tribunais de
família para benefício da sua vingança, das
ro... e também não tinham o direito de atribuir
a um filho outro nome que não o do marido
a nível teórico. Também a supressão da no-
ção de culpa merece o seu aplauso, porque,
to cuja dissolução aconteceu contra a vonta-
de da mãe. «Eu mudei de cidade, mas ia qua-
dá muito trabalho»,Jaime Roriz.
suas irritações, dos seus ressentimentos, (mesmo que o filho fosse de outro homem)! diz, «a culpa, tal como estava expressa na lei, se todos os dias a casa da minha ex-mulher
instrumentalizando os filhos, embora pre- Já em Espanha, sobretudo desde a governa- tinha consequências muito graves em ter- (distante uma centena e meia de quilóme-
tendendo estar a beneficiá-los. Há aqui uma ção de Zapatero, assistiu-se ao surgimento de mos práticos, porque muitas vezes as pes- tros) para dar banho à minha filha. Cantava- Perversões do sistema judicial em Risco, após o que ia passear um pouco
bandeira, socialmente bem recebida, que é uma discriminação legal, aprovada por todos soas não conseguiam pura e simplesmente -lhe uma canção, vestia-a, e essa foi durante A dado passo houve um juiz que se mostrou com ela, entregando-a mais tarde em casa
a da defesa dos filhos – mas que se presta a os partidos, e que penaliza sobretudo os ho- divorciar-se!» Sobre os denominados direi- um ano a minha maneira de estar com ela. interessado em resolver o problema. Fui ou- da mãe. «A mãe fazia uma fita quando eu
todo o tipo de abusos.» mens no caso de violência doméstica ou abu- tos de compensação, muitas são as vozes que Depois as coisas começaram a correr mal e a vido por ele, que se decidiu pela aproxima- chegava a casa dela. Um dia, sem razão, de-
sos sexuais. O que contraria evidentemente a se levantam contra aquilo que consideram mãe da minha filha tornou-se extremamen- ção entre mim e a minha filha, porque a satou a chorar à frente da criança, o que fez
Princípios sexistas prevalecem primazia legal da não distinção entre os géne- ser um retrocesso, já que a pensão que visava te violenta, mudou a fechadura da casa e im- criança tem direito a ter um pai, e um pai com que esta fizesse chichi pelas pernas
«Por outro lado, a guarda conjunta, a que mui- ros. É preciso ainda não esquecer que a vio- compensar o cônjuge que tinha deixado de pediu-me de estar com a menina. A essa re- tem direito a estar com os filhos. Esse juiz abaixo.» Admoestada pelas técnicas do en-
tas mães se negam pelas razões erradas (no- lência doméstica toma diferentes formas, e trabalhar para dar apoio em casa a tempo in- cusa juntaram-se outras circunstâncias, a disse-se empenhado em resolver o proble- tão Instituto de Reinserção Social, a mãe
meadamente para se vingarem dos pais dos atinge tanto mulheres como homens, crian- teiro passou a ser encarada como uma forma mudança de cidade, de emprego, e tive mui- ma. Mas a conferência de pais que se seguiu não abrandou o boicote, transformando as
filhos), serve também as mães – criar um filho ças ou velhos. Convém finalmente lembrar de contabilizar o cumprimento de cada um ta dificuldade em lutar contra isso. A minha foi com outro juiz. Tive três juizes ao longo visitas do pai em momentos de disforia cul-
sozinha é uma enorme responsabilidade e que a violência maior é a psicológica, que dei- na partilha das tarefas domésticas (quem la- vida estava por demais complicada, e confes- do processo. Isto não devia acontecer, mas pabilizadora para a criança, que mais do que
uma grande carga. Por que razão há cada vez xa mais marcas do que a física, como bem.» vou mais vezes a casa, mudou mais fraldas, so que houve um momento em que baixei os infelizmente é a regra.» Jaime tem plena uma vez perdeu o controlo da micção. E foi
menos mulheres a casar uma segunda vez? etc.) – o que produz processos intermináveis braços, e desisti. Quando a minha vida esta- consciência de que a colaboração da mãe é então que o pai bateu uma segunda vez em
Porque não têm tempo, muitas vezes, nem se- Nova lei aquém das expectativas em tribunal, no decorrer dos quais se vai es- bilizou um pouco, tentei reaproximar-me da fundamental para chegar à filha, porém es- retirada, mais preocupado com a saúde e o
quer para conhecer outros homens, pois es- Relativamente às recentes alterações à lei do quecendo o que deveria ser prioritário: a minha filha, mas fui mal recebido. Na altura sa ajuda nunca existiu, muito pelo contrário, equilíbrio mental da filha do que com qual-
tão a tempo inteiro a tratar dos filhos da pri- divórcio, o representante da APPS conside- questão dos filhos. Para não falar dos inúme- em que ela fez dois anos, apareci lá em casa, já que a mãe investiu a partir de certa altura quer outra coisa. «Sou feito de carne e osso,
meira união. Hoje em dia, uma segunda união ra-as superficiais, apesar de globalmente po- ros casos em que a pensão de alimentos dei- mas a avó materna recusou-se a deixar-me num discurso difamatório em relação ao pai. e houve um momento em que à frente da

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técnica do instituto eu disse que não aguen- que se recusa a tirar o alimento da sua boca po com a mãe, que contudo impôs que eu me Quando a família toma o poder
tava mais aquele sofrimento. Alguém tinha para dar aos filhos – porque é isso que é su- deslocasse a casa dela para estar com a mi- A filha de António (nome fictício), 43 anos,
de ter juizo e acabar com aqueles momen- posto eles fazerem: tirar da boca deles para nha filha. Não penso que tenha feito isso por nasceu de uma união que durou cerca de três
tos de sofrimento insuportável para a crian- dar aos filhos! Mas o que acontece é que a lei achar que eu não era capaz de cuidar da me- anos, e que este pai considera ter sido «de iní-
ça, que não percebia nada do que se passava permite que um dos pais tome todas as deci- nina. Mas as alegações da mãe, no processo cio boa, com alguma harmonia. A nossa filha
e se sentia culpada por aquelas cenas da sões, e o outro apenas tem o direito de vigiar que está a decorrer, são bastante agressivas, nasceu um ano e meio depois de estarmos a
mãe. Isto passou-se há três anos.» de longe. Faz algum sentido, isto?» acusatórias. Foi feita por exemplo referên- viver juntos, e a partir desse momento passá-
Entretanto, Jaime mudou de casa, onde cia ao facto de eu não ter sido, segundo ela, mos a ter imensos problemas. A avó materna
pela primeira vez não fez um quarto para a Formação parental capaz de lhe limpar o umbigo sem ser com é uma pessoa com um comportamento um
filha, por se recusar a olhar para ele sempre Não deveria ser obrigatório algum tipo de violência, fazendo sangrar a bebé (mesmo pouco obsessivo, um pouco estranho em re-
vazio. Inúmeras vezes pediu à mãe que fi- formação para futuros pais – que pudesse depois de a pediatra dizer que essa situação lação à minha filha. Eu explico: a mãe da mi-
zesse algum tipo de trabalho interior, uma prepará-los para uma condição que jamais costuma acontecer). Fui acusado de lavar os nha filha tinha uma irmã, que morreu com
psicoterapia por exemplo, passível de a aju- deveria ser assumida com a ligeireza co- biberões com detergente. Mas nunca foi fei- 16 anos, e de alguma forma a avó materna fez
dar a lidar melhor com a situação. Em tribu- mum às coisas da paixão amorosa entre uma ta referência ao facto de eu me ter demons- uma projecção na neta dessa filha que per-
nal, solicitou uma avaliação psicológica à mulher e um homem? A paixão dissipa-se, trado capaz de fazer tudo o que respeita aos deu. E por isso, a partir do nascimento da me-
mãe, que nunca aconteceu porque o tribu- tal como por vezes a união, deixando filhos, cuidados com a menina. No final do dia, a se- nina, a nossa vida de casal passou a ser de cer-
nal não tinha meios coercivos para o fazer. com necessidades afectivas que as pessoas guir ao trabalho, ia todos os dias dar banho à to modo comandada pela avó materna, por-
descuram em virtude da habitual falta de minha filha. Penso que o objectivo da mãe é que a minha então companheira não era
Mediação familiar musculada discernimento que marca o momento da se- ficar com a guarda da menina. Até porque os capaz de fazer o que quer que fosse sem con-
Jaime luta contra o estereótipo que dita que paração de um casal. «Para tudo é necessária filhos costumam ser entregues às mães – sultar a mãe, que mandava em tudo e toma-
os filhos devem sempre ficar com a mãe, em uma licença, incluindo a carta de condução simplesmente porque é hábito fazê-lo. Para va todas as decisões. A nossa relação termi-
favor da teoria da psicóloga (e autora de vá- de velocípedes para andar de bicicleta. Já mim há aqui um egoísmo das mães, porque nou por causa disso. Era muito difícil lidar
rios livros sobre a alienação parental em para ter filhos, toda a gente pode tê-los», iro- têm uma noção de propriedade sobre os fi- com essa situação. Tentei várias vezes cha-
Portugal) Maria Saldanha Pinto Ribeiro, niza Jaime Roriz. «No momento da separa- lhos, e vão para tribunal à partida favoreci- mar a mãe da minha filha à razão, mas ela não
que defende que os filhos devem ficar com o ção pai e mãe estão em sofrimento, indepen- das, usando isso contra os pais.» assumia. Quando nos separámos, a nossa fi-
progenitor mais flexível – aquele que seja dentemente de quem tem mais ou menos Este pai culpa-se por «erros de análise» lha tinha um ano e meio. Não foi pacífico,
considerado o mais equilibrado do ponto de culpa. Aliás, a culpa é uma ideia judaico-cris- relativamente à evolução daquela mulher porque a mãe não queria essa separação, e
vista do superior interesse das crianças. So- tã que não leva a lado algum, e ainda bem enquanto mãe. Erros tão-somente decor- agia como se a nossa situação estivesse ópti-
bre o poder das mães, Jaime pensa que cabe que este governo decidiu retirar esse con- rentes da sua fé no facto de um ambiente fa- ma, como se a relação não estivesse a degra-
aos legisladores e aos juízes cerceá-lo,no ceito do texto legal do divórcio. Bom tam- miliar estável poder ajudar a atenuar as in- dar-se diariamente, muito devido àquela cir-
sentido de se manterem de acordo com as bém que tenham mudado a expressão “po- seguranças da mãe. Luís refere inseguran- cunstância familiar nada saudável.»
necessidades das crianças. Este pai sabe que der paternal” para “responsabilidades pa- ças maiores do que a conta, fala de alguém
a sociedade não se muda por decreto. «Os rentais”, porque é disso que se trata.» Jaime pouco independente, talvez demasiado Acusação de abuso sexual
juízes vêem a guarda conjunta como um fac- Roriz está a candidatar-se a uma tese de dou- imatura. Alguém que não dialoga, antes im- A partir da separação, há cerca de cinco anos,
tor de conflitualidade, mas é preciso não toramento sobre a síndroma de alienação põe – regimes e horários de visita, valores de várias peripécias marcam o percurso de An-
perder de vista as questões filosóficas, as da parental, no âmbito da qual pretende cons- pensão de alimentos («absurdos e numa tónio enquanto pai. Desaparecimentos da
doutrina. Porque se trata aqui de um valor truir um modelo jurídico passível de ajudar perspectiva exploratória»), como se fosse mãe, tentativas goradas de chegar a um acor-
que não pode ser posto de lado: o do direito a mudar o estado das coisas. natural ser a mãe a tomar esse tipo de deci- do em termos de regulação das responsabili-
dades parentais, constante intervenção da
com a minha filha em minha casa, mas a mãe com a filha quanto eu, e a flexibilidade é ele- família da mãe, desemprego temporário de

Vantagem «Os filhos são entregues às mães


simplesmente porque é hábito fazê-lo.Há aqui um egoísmo
recusou-se (alegando que era muito peque-
nina e podia estranhar), e foi então que pus
uma acção em tribunal. Desde então, as coi-
sas pioraram, penso que ela ficou magoada,
mento-chave porque a maior beneficiada é a
nossa filha), pelo menos enquanto a menina
é bebé. Não vejo nenhum impedimento para
a guarda conjunta, mesmo na versão mais co-
António, chantagens «inaceitáveis» da mãe
(«para veres a tua filha tens de pagar»), ten-
tativa de afastamento da família de António
da vida da criança (agressões verbais à avó
mas eu não podia fazer outra coisa, porque mum, em que a criança vive em duas casas, paterna, por exemplo) e, finalmente, «a cere-
das mães,que vão à partida favorecidas para tribunal»,Luís. não havia diálogo possível. Eu não prescindo porque acredito que a única coisa que as ja»: acusação de abuso sexual. «Eu tinha es-
do direito de participar na vida da minha fi- crianças vêem, e sentem, é a dedicação, o tado vários meses impedido de ver a minha
lha. O tempo está a passar, sem que esteja afecto dos pais. Para elas ter duas casas não re- filha, e tinha consultado um advogado, que
com ela ou tenha sequer uma palavra a dizer presenta um problema. Mas a justiça, en- me aconselhou a ser mais afirmativo e a im-
das crianças a ter um pai. A regulação do po- Bebés pertencem às mães? sões. Há um desequilíbrio da mãe ao nível sobre a sua vida. A minha filha está a crescer quanto instituição, tem outro entendimento. por o meu direito de visita. Acabou por resul-
der parental não é a mesma coisa que a ven- Luís (nome fictício), 36 anos, separou-se da das exigências feitas, que não saberei dizer a sem mim – posso ter todos os defeitos mas A justiça limita-se a aplicar a “chapa 5” para tar, e vi-a durante alguns fins-de-semana.
da de um andar. Em processo civil, como é o mulher com quem teve uma filha ao fim de que corresponde, mas talvez a mágoas que sou o pai dela. É muito frustrante ter este ti- este tipo de casos. O que sinto, e vejo, à minha Mas depois da acusação de abuso sexual
caso, que tem uma jurisdição voluntária e cerca de três anos de relação – quando a ela tem. Todos saímos magoados disto, in- po de contacto com a minha filha, que se re- volta é desinteresse em saber por exemplo nunca mais consegui vê-la. Antes disso liguei
em que os juízes têm autonomia processual, criança, que tem neste momento pouco cluindo a nossa filha. Felizmente consegui sume às minhas horas de almoço, ao banho qual o progenitor que reúne melhores condi- várias vezes à mãe, mas ela não atendia. As
no âmbito dos quais podem tomar iniciati- mais de um ano, contava apenas três meses. evitar que a mãe a pusesse num infantário, que lhe dou às quartas-feiras ao final do dia e, ções, do ponto de vista do equilíbrio da crian- semanas desfilaram sem que eu pudesse es-
va, as coisas deviam correr melhor. Por ve- Tratou-se de uma separação de comum porque não havia justificação para essa de- desde a última conferência de pais, a uma ça, para ficar com a guarda. Saber por exem- tar com a minha filha. Vários meses depois
zes os juízes tomam boas decisões, mas de- acordo, e a mãe ficar na altura com a guarda cisão, já que a minha mãe está disponível pa- noite por semana em minha casa.» plo qual é a pessoa que tem mais disponibili- recebi uma mensagem da mãe da minha fi-
pois não conseguem fazer cumpri-las, por- da menina não representou qualquer pro- ra tomar conta da menina. É uma situação dade para favorecer o contacto com o outro lha informando-me que estavam de férias e
que esbarram no poder das mães de fechar blema para Luís, que concordou para ela de grande desgaste emocional, claro. Uma Em defesa da guarda conjunta pai. Eu pedi a guarda conjunta, mas a mãe não que estava tudo bem. Ela não tem, ainda ho-
a porta aos pais, impedindo-os de ver os fi- continuar a ser amamentada pela mãe. coisa sei: os filhos não têm de pagar pelos er- Luís sabe que é melhor manter as expectati- aceitou e pediu a guarda única, porque quer je, capacidade para se confrontar comigo.
lhos. Penso que a solução passa por uma me- O conflito entre estes pais surgiu no fim da ros dos pais. Eu não abdico da minha filha.» vas baixas, o que diz bem da falta de esperan- deter o controlo exclusivo da criança. Não Até que uma vez lhe liguei, e ela me disse que
diação familiar musculada, em que haja um amamentação, altura em que o pai pediu pa- ça na justiça da Justiça. «É claro que gostava sendo possível, reclamo a guarda para mim, eu ia ter de responder à polícia – um mês de-
controlo objectivo dos movimentos das ra partilharem a guarda, «embora não numa Pai afastado da vida da filha de uma guarda conjunta, e estaria disposto a para fazer uma guarda conjunta. Tenho di- pois soube que ela me acusava de abuso se-
mães. As pessoas não podem dizer uma coi- perspectiva rígida», esclarece Luís, «tendo Luís queixa-se: a comunicação com a mãe da que fosse exercida de forma flexível, por aten- vergências com a mãe a vários níveis, mas ela xual da minha filha, abuso que teria ocorrido
sa e fazer outra. Os juízes não podem aceitar eu aceitado que ela continuasse (por ser ain- sua filha está a ser muito difícil: «Quando a ção para com a sensibilidade da mãe (e reco- é ainda assim a melhor mãe que a minha filha no último fim-de-semana em que eu tinha
que um pai em incumprimento possa dizer da muito pequenina) a maior parte do tem- amamentação terminou, eu pedi para estar nhecer que a mãe tem tanto direito em estar pode ter, porque é a dela!» estado com a menina.» Indagada sobre o fim-

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minha filha seis meses depois de a queixa ter
sido feita pela mãe (o que demonstra a ma-
ravilha de sistema e da investigação policial
que temos). Acho que o afastamento entre
mim e a minha filha se deve à ineficácia da
acção dos tribunais e a um sistema que per-
mite que estas mães saiam ilesas.»

Afastar pais e avós


Manuel (nome fictício), cinquenta anos, tem
dois filhos que deixou de ver devido «a um so-
fisticado processo de indução» levado a cabo
por uma mãe que «perante os filhos se apre-
senta como vítima de toda esta situação por
ela criada, o que leva naturalmente os filhos a
“protegê-la”, afastando-se do pai». Quando
Manuel casou, a mãe tinha já um filho, nasci-
do noutro país, ao qual não colocou o nome do
pai biológico. O que determinou que Manuel
perfilhasse a criança. «Fiz uma adopção ple-
na, dei-lhe o meu nome e também avós pater-
nos, uma família, achando que estava peran-
te o resultado de um momento menos bom
da mãe – refiro-me também ao facto de ela ter
saído desse outro país com essa criança sem a
autorização do pai biológico e sem o nome do
pai. Agora vejo isso como um comportamen-
to revelador da actuação dela em relação aos
pais dos filhos. Ou seja, como um traço de ca-
rácter de alguém que elimina os pais da vida
dos filhos. Quando me separei, há três anos,

-de-semana com o pai, a menina teria conta-


do que havia feito uma brincadeira com este,
que consistia em o pai «pôr o dedo no pipi da
menina» – terá sido mais ou menos nestes
termos que a mãe elaborou o texto acusató-
Recusa «A mãe manipulou
o pensamento dos filhos contra mim.
rio, conta António, recordando a indignação.

Abusos de poder
O mais novo acha que vir ter comigo
«Fizeram-me perguntas absurdas, feliz- é traí-la», Manuel.
mente estava com uma advogada, caso con-
trário receio que tivesse corrido mesmo
muito mal. As visitas nunca foram suspen-
sas, porque não houve provas. Nem nunca estabilizada, que lhe permite poder cumprir mudei-me para uma casa a poucos quartei-
haverá, porque eu nunca abusei sexualmen- com a pensão de alimentos determinada pe- rões, para ficar perto. Mas, apesar dos meus
te da minha filha. Mas a mãe aproveitou-se lo tribunal. Já a mãe continua em situação sucessivos convites, o meu filho mais velho
dessa acusação formal para me impedir de de incumprimento no que respeita ao regi- nunca veio a minha casa. Nunca. Nem quan-
ver a menina. Entretanto, houve uma advo- me de visitas do pai, apesar de este não ter do o meu pai esteve muito doente, antes de fa-
gada, contratada pela mãe, que mandou ainda sido formalmente restabelecido (de- lecer. Refiro-me a um avô que era muito afec-
uma carta para a escola dizendo que en- vido à queixa-crime só ter sido recentemen- tuoso com os netos e de quem eles gostavam
quanto o tribunal não decidisse relativa- te considerada sem fundamento). António muito. Mas a verdade é que os meus filhos se
mente àquela acusação, eu tinha o acesso considera que o que lhe está a acontecer é afastaram também dos avós paternos.»
vedado à minha filha, e nenhuma informa- muito grave, porque doloso tanto para a sua
ção sobre ela devia ser fornecida pela esco- condição de pai como, e sobretudo, na pers- Manipulação das mães
la! A advogada passou por cima do tribunal, pectiva da criança, impedida também ela do Manuel recorda as visitas do filho mais novo,
e está com um processo posto por mim, e ao seu direito de ter um pai presente. António actualmente com 17 anos, que até dada altura
que sei suspensa pela Ordem.» acredita que vai recuperar a filha – tendo frequentou regularmente a casa do pai. «Ele
António recebeu entretanto uma comu- aliás pedido a guarda conjunta. «Mas a len- vinha a minha casa várias vezes por semana,
nicação do tribunal devolvendo a queixa- tidão de todo o processo é muito revoltante. aos fins-de-semana eu ia com ele fazer surf,
-crime por falta de fundamento. Mas teve de Nunca baixei os braços nem tenciono vir a ou tomávamos o pequeno-almoço juntos, ou
se sujeitar a exames do foro psiquiátrico, ha- fazê-lo. Não vejo a minha filha há três anos, íamos visitar os meus pais. Mas nunca dormiu
bitualmente levados a cabo neste tipo de apesar de nunca ter sido suspenso pelo tri- em minha casa, apesar de lá ter um quarto. Pa-
processos-crime, para identificar algum ti- bunal de exercer o meu direito de visita ou ra ele, tornou-se insustentável não seguir o
po de patologia mental. António deu a volta de acompanhar a vida da minha filha. Sou- exemplo do irmão, induzido pela mãe. Ele vir
à situação profissional e tem hoje uma vida be que estava acusado de abuso sexual da ter comigo era como traí-la.» Manuel diz que

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marcado por ter perdido a mulher de quem
gostava. Nunca deixou de trabalhar, tinha
muitas despesas, e a mulher não trabalhava.
Morreu com uma depressão.»
«Há pessoas que me perguntam como é
que tive coragem para me meter nesta luta.
O desgosto da morte de um filho é para toda a
vida. Estou ciente disso. Mas não desisto da
menina.» Nilde não aceita que a mãe da neta
pretenda apagar o pai, e a sua família, da vida
da criança. Diz que tem coisas para transmi-
tir, para ensinar à menina, que entretanto ga-
nhou um padrasto e uma nova família. Há um
ano e meio, um juiz determinou que pudesse
ir buscar a neta à escola uma vez por mês.
«Foi-me dito que já tinha passado muito tem-
po desde a última vez que a criança estivera
comigo, que os laços afectivos estavam que-
brados, e que era melhor começar por pouco.
Mas todo esse tempo que passou não foi por
culpa minha nem da criança. Esse tempo foi

a mãe o acusa de ser um pai controlador, que


se excede na autoridade paternal e que não é
capaz de lidar com a adolescência do filho.
Manuel nega, considera normal pretender
seguir de perto a escolaridade do filho ou
Luta «Perdi o meu filho,mas
não vou desistir da minha neta apesar
acompanhá-lo de forma regular na sua vida.
Gostava também de restabelecer a ligação
afectiva com o mais velho, segundo este pai
do que a minha nora faz para a afastar
impossibilitada de existir por via de um dis- de mim e da família do pai»,Nilde.
curso manipulatório e vitimizador da mãe –
que, conta, alega tratar-se de uma coisa entre
pai e filho, que não diz respeito à mãe. «Ela
considera-se completamente ilibada, apesar na manipulação dos filhos. Apesar de pensar o da justiça, o dos tribunais. Porque é que as
de ser para mim muito claro que esse afasta- que os mecanismos da justiça visam punir e pessoas desistem das causas em tribunal?
mento se deve à acção da mãe. Há aqui aliena- não conciliar, Manuel vai até onde for preci- Porque se fartam de ser humilhadas, como
ção parental numa versão sofisticada. Porque so para recuperar o direito a ser pai. «Não me aconteceu. Fui considerada uma avó de
a realidade é que eu me vi impedido de parti- aceito o que esta mãe tem feito comigo. Os tri- pouca qualidade, sem bases culturais, ou ca-
cipar das decisões, das escolhas de vida dos bunais não têm preparação para promover a pacidade para ajudar a minha neta a fazer os
meus filhos, mediante aquilo que considero aproximação, para perceber a dinâmica afec- trabalhos de casa, por exemplo.» A nora tem
ser uma manipulação abusiva do pensamen- tiva. Vejo isto como uma santa aliança entre a feito o que pode para afastar a avó paterna da
to deles em relação a mim. Porque o que esta magistratura e as “mães mata-pais”, como filha: «O tribunal propôs-me ir buscar a mi-
mãe faz, quando alega nada ter a ver com a re- lhes chamo. Também há “pais mata-mães”, nha neta uma vez por mês à escola para pas-
lação que tenho com os eles, é outorgar-lhes convém não esquecer. Penso que isto tem ori- sar com ela uma hora! Já fiz as contas à média
um poder sem limites para conflituar comigo. gem nos princípios, e no amor dos pais, a que de dias feriados num ano, e às férias escolares,
Porque uma mãe que não respeita o pai faz tivemos ou não direito. Quando somos ama- e concluí que veria a minha neta quatro ou
com que os filhos percam, também eles, o res- dos, e não apenas ensinados a usar os talheres cinco horas por ano!» Já lhe ocorreu várias
peito por ele.» à mesa, ficamos mais aptos a lidar com este ti- vezes desistir, por motivos de saúde, porque
po de conflitos na vida adulta. Esta mãe quer se trata de um processo de grande desgaste
Mães mata-pais apagar-me da vida dos filhos..» emocional, mas alguma coisa a impele a man-
A mãe tentou fixar em tribunal uma guarda ter-se firme: «Gostava de saber se a minha ne-
única provisória, «como forma de me tirar tu- Atropelada pela justiça ta está bem mentalmente, se a nova família
do o que restava», diz Manuel, indignado com «Estou metida nisto porque fui atropelada dela está estruturada.» Nilde lamenta a im-
os procedimentos da ex-mulher, que acusa de pela justiça. Um dia vi a justiça chegar naque- preparação dos tribunais para estas questões
usar de inaudita sofisticação e perversidade le camião enorme, com os procuradores, os mas agradece os amigos que tem feito por via
advogados e os juízes lá dentro. Fui atropela- do associativismo a que se dedica, pondo-se
Bibliografia consultada da por esse camião.» Nilde, 64 anos, perdeu o ao lado dos pais sem filhos, que como ela re-
filho, de 35, no momento em que aquele esta- clamam os seus direitos: «O apoio é funda-
Síndrome de Alienação Parental – Filhos va a divorciar-se. Foi há cinco anos. A neta de mental, porque sozinha nada posso contra o
Manipulados por Um Cônjuge para Odiar Nilde tem actualmente dez. «O meu filho camião da justiça – não tenho os meios. Os ad-
o Outro, José Manuel Aguilar, com prefácio morreu de amor. Encontrou a mulher em ca- vogados também lá vão dentro!»«
de Eduardo Sá, Edição Caleidoscópio, 2008. sa com outro, na presença da filha menor, a
Amor de Pai – Divórcio, Falso Assédio e minha neta. Começou a beber e a misturar a A nm agradece a colaboração da
Poder Paternal, Maria Saldanha Pinto bebida com antidepressivos e ansiolíticos, an- Associação Pais para Sempre
Ribeiro, Publicações Dom Quixote, 2007. dou naquilo perto de um ano, ficou muito (http://pais-para-sempre.blogspot.com/).

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