SEGURADO ESPECIAL

Esta espécie de segurado obrigatório tem previsão constitucional. A CF, no art. 195, § 8º, estabelece uma forma de custeio diferenciada para os segurados especiais, em atenção às peculiariedades próprias desta categoria. O Regulamento, no art. 9º, VII, nos dá o conceito de segurado especial, ao dispor que se enquadram nesta categoria "o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o pescador artesanal e seus assemelhados, que exerçam suas atividades individualmente ou em regime de economia familiar, com ou sem auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges e companheiros e filhos maiores de 16 anos de idade ou a ele equiparados, desde que trabalhem comprovadamente com o grupo familiar respectivo". Na redação original , o dispositivo incluía o garimpeiro, dele excluído pela EC 20/98. Na redação original do art. 11, VII, do PBPS, o garimpeiro estava incluído no rol dos segurados especiais. Porém, com a edição da Lei 8.398/92, o garimpeiro deixou de ser segurado especial e, atualmente, está enquadrado como contribuinte individual no art. 11, V, B do decreto lei 3.048/99. A Instrução Normativa nº 57/2001, do INSS, discrimina as situações que se enquadram dentro do conceito de segurado legal. A lista é um pouco extensa, nem de longe é necessária a memorização de todas as seus detalhes, mas vale sua apresentação pelo aspecto comum que todos os casos ali relacionados apresentam, e cuja constatação é indispensável para uma compreensão correta de quem é considerado segurado especial. De acordo com tal diploma normativo, são assim compreendidos o: - produtor: aquele que proprietário ou não, desenvolve atividade agrícola, pastoril ou hortifrutigranjeira, por conta própria, individualmente ou em regime de economia familiar;

comprovadamente. individualmente ou em regime de economia familiar. tem contrato de parceria com o proprietário da terra ou detentor da posse e da mesma forma exerce atividade agrícola. ao proprietário do imóvel rural.parceiro: aquele que. pastoril ou hortifrutigranjeira. ainda que com auxílio de parceiro.meeiro: aquele que.condômino: aquele que se qualifica individualmente como explorador de áreas de propriedade definidas em percentuais. comodatário: a aquele que. faz da pesca sua profissão habitual ou meio principal de vida. mediante pagamento de aluguel em espécie ou in natura. comprovadamente. para desenvolver atividade agrícola. utilize embarcação de até dez toneladas de arqueação bruta. . utiliza a terra. partilhando o lucro conforme o ajuste. dividindo os rendimentos auferidos.arrendatário: aquele que. tem contrato como proprietário da terra ou detentor da posse e da mesma forma exerce atividade agrícola. . . desde que: a) não utilize embarcação. c) na condição exclusiva de parceiro outorgado. pastoril ou hortifrutigranjeira. b) utilize embarcação de até seis toneladas de arqueação bruta. comprovadamente. para desenvolver atividade agrícola. gratuito. individualmente ou em regime de economia familiar. . por determinado ou não. comprovadamente. sem utilização de mãode-obra de qualquer espécie.. pastoril ou hortifrutigranjeira. . pastoril ou hortifrutigranjeira. por empréstimo explora a terra tempo pertencente outra pessoa.pescador artesanal ou assemelhado: aquele que.

no rio ou da lagoa. quando firmarem contratos como os de arrendamento ou de parceria. pastoril. na relação contratual. O trabalho de mútua dependência e colaboração significa que todos os membros do grupo familiar exercem atividade para garantir a subsistência e o desenvolvimento socioeconômico do próprio grupo. se refere ao enteado e o menor tutelado mediante declaração do segurado e desde que comprovada a dependência econômica na forma estabelecida do regulamento. Todos o membros da família. As atividades do segurado especial podem ser exercidas individualmente ou em regime de economia familiar. Para o . dá conceito de regime de economia familiar. quando proprietários ou possuidores da terra. A expressão a este equiparado. exerce atividade de captura ou de extração de elementos animais ou vegetais que tenham na água seu meio normal ou mais freqüente de vida. e não na condição de proprietário ou de possuidor do bem relacionado ao ajuste. É condição primeira desta categoria de segurado que o indivíduo ou seu grupo familiar.212/91. 12 da lei 8. da embarcação. §1. Entretanto. Em todas as situações apresentadas percebe-se nitidamente que SÓ É segurado especial o indivíduo ou o grupo familiar que executa pessoalmente e sem subordinação as tarefas relacionadas com exploração agrícola. Para que sejam considerados segurados especiais. ainda que com auxilio eventual de terceiros. explorem-na diretamente. encontrem-se sempre. sem auxílio de empregados e. O Art.. como a parte obrigada ao desempenho da atividade agrícola. sem utilizar embarcação pesqueira. 11. deverão ter participação ativa nas atividades rurais do grupo familiar. bem como o filho maior de 16 anos de idade ou a este equiparado são segurados especiais pelo fato de ser paga a contribuição para custeio da seguridade social incidente sobre o produto da comercialização da produção. repetido pelo §2º do art. na beira do mar. dos animais. o cônjuge ou companheiro.mariscador: aquele que. A contratação de empregados descaracteriza o regime de economia familiar. pesqueira e assemelhadas. pastoril ou pesqueira e assemelhadas. a lei admite o auxilio eventual de terceiros.

por exemplo. em épocas de safra. conforme art.718/2008. no incisos I a VI. em condições de mútua colaboração. ainda. Entende-se por este . 9 do RPS. Essa é a regra geral. contudo. O numero de contratados não pode ultrapassar 120 pessoas/dia no ano civil. Nesse caso. A jurisprudência abrandou a aplicação desse conceito de admitir a contratação eventual de mão de obra. época em que o grupo familiar pode não dar conta da tarefa. §9º. o auxilio eventual de terceiros é aquele exercido ocasionalmente. durante a colheita.§7º da lei 8.213/91. ou de diaristas. 11. sem. em períodos corridos ou intercalados ou. inciso I a VIII: O Regulamento adota claramente este critério. enquanto que o segurado especial tem autonomia para desenvolver suas tarefas. não existindo subordinação nem remuneração. A legislação tem exceções: a lei prevê a possibilidade de o segurado especial auferir outros rendimentos. O art. Esse posicionamento foi adotado pela lei nº. Os prepostos poderão ser segurados especiais. 11. Há situações em que um dos do grupo familiar tem outra fonte de rendimento além da que decorre do trabalho do grupo. a lei retirou-lhe a condição de segurado.parágrafo §6º do art. São as hipóteses elencadas no art.§8º da lei 8. passando a ser admitida a contratação de empregados por prazo determinado. Este exerce suas funções com subordinação. 11. quando exclui da condição de segurado especial aquele que procede à exploração de atividade pecuária ou pesqueira por intermédio de prepostos. nunca aquele que participa da exploração apenas por seu intermédio. perder o enquadramento. Não podemos também confundir o segurado especial com o empregado rural. por tempo equivalente em horas de trabalho.213/91. mesmo que sem auxílio de empregados. 11. enumera situações em que não se descaracteriza a condição de segurado especial. O segurado especial necessariamente exerce sua atividade individualmente ou em regime de economia familiar.

O grupo familiar compreende o cônjuge ou companheiro. que entende ser ela contrária à Constituição. não se inclui mais o menor sob guarda no grupo familiar. sem auxílio de empregados. Em outros termos: (1) a atividade não visa ao preponderantemente ao lucro. e é exercido em condições de mútua dependência e colaboração. 2º) exploração de atividade agropecuária ou pesqueira de forma direta. são características do SEGURADO ESPECIAL: 1º) exploração de atividade agropecuária ou pesqueira sem subordinação. gratuita e sem subordinação.regime "a atividade em que o trabalho dos membros da família é indispensável à própria subsistência. mas à subsistência da família. observados os pressupostos legais. mas tal exclusão tem sido afastada pelo Poder Judiciário. O menor sob guarda foi excluído deste grupo pela Lei 9. quando permanecer na atividade individualmente ou com o restante do grupo familiar. entretanto. . 3º) atividade exercida individualmente ou em regime de economia familiar. art 9º. Em síntese.528/97. desde que este auxílio se dê de forma esporádica. (2) não existe hierarquia funcional e não há distribuição do resultado em quotas de participação individual. O filho maior de 16 anos do segurado especial estabelece vínculo com a previdência em seu próprio nome. admitindo-se o auxílio eventual de terceiros. sem utilização de empregados"( RPS. limitando-nos à legislação hoje vigente. de modo que a morte dos seus pais não lhe retira esta condição. o enteado maior de 16 anos e o menor sob tutela com mais de 16 e menos de 21 anos. § 6º). (3) é permitido o auxílio de pessoas não pertencentes ao grupo familiar. o filho maior de 16 anos e.

9º. ou pelo arrendamento de imóvel rural.Não é reputado segurado especial aquele que aufere rendimentos pelo exercício de outra atividade remunerada (ressalvada a de dirigente sindical). portanto. Duas conclusões se impõem a este respeito: 1º) permanece como segurado especial o segurado eleito dirigente sindical. torna-se segurado obrigatória com relação à nova atividade. . É vedada a continuidade da filiação a este título apenas quando a pessoa aufere rendimentos pelo exercício de outra atividade por ela mesma ainda ou já desempenhada (aposentadoria). com o que concluímos que é possível a permanência na condição de segurado especial. § 1º. pois qualquer segurado eleito para esta função mantém o mesmo enquadramento que detinha antes da investidura. pelo arrendamento de imóvel rural ou em decorrência de aposentadoria por qualquer outro regime previdenciário. do RPS. o aposentado que retornar à ativa e exercer atividade típica de segura especial não poderá filiar-se a tal título. O recebimento de pensão por morte do seu cônjuge ou companheiro certamente não se enquadra na hipótese. permanece como segurado especial. pois é vedado o enquadramento nesta categoria de segurado para aquele que recebe aposentadoria por qualquer outro regime. Há duas regras gerais constantes no Regulamento que tem aplicação diferenciada quanto aos segurados especiais: 1º) o art. entendemos possível que um segurado perceba pensão por morte de outro segurado especial e permaneça neste enquadramento. quando volta a exercer atividade sujeita ao regime geral. Nesta hipótese. 2º) embora o RPS não seja claro. traz como regra geral que o aposentado. Esta disposição não é válida para o segurado especial. Afastando-se ou não da atividade para o exercício do mandato.

É que a contribuição do segurado especial é feita mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da produção. mediante o recolhimento de 20% do seu salário-de-contribuição. como será demonstrado em outro momento. 39. 39. com renda mensal no morte. Em síntese. ATENÇAO: o segurado especial não tem direito a aposentadoria por tempo de contribuição. todos o membros do grupo trabalham em regime de economia familiar são segurados especiais. excepciona o segurado especial desta regra. e. art. O Regulamento. at. 200. como contribuinte individual. bem como aos demais benefícios previdenciários como renda mensal superior a um salário mínimo. auxílio-doença. II. A utilização ou não desta faculdade conferida pela legislação vai ter repercussão direta nos benefícios que serão propiciados ao segurado especial. valor de um salário mínimo: aposentadoria por idade. 39 da Lei n. § 2º. pois permite que ele. com renda mensal de um salário mínimo. art 11). Para ter direito a aposentadoria por tempo de contribuição. filie-se também facultativamente. no art. nessa condição. A segurada especial tem direito a cobertura previdenciária de saláriomaternidade. aposentadoria por invalidez. além da filiação a este título (que é obrigatória).2º) aquele que exerce atividade remunerada sujeita à filiação obrigatória à previdência social não pode filiar-se discricionariamente na condição de facultativo (RPS. o segurado especial deve ingressar no sistema previdenciário como segurado contribuinte individual ou facultativo e pagar contribuição previdenciária na forma da prevista no plano de custeio. 8213/91. pela qual ele contribui com base no resultado da comercialização de sua produção. entretanto. auxilio reclusão e pensão por . parágrafo único. tem direito a cobertura previdenciária prevista no art.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful