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Integração Energética e Síntese de Redes de Trocadores de Calor

Processo:

Correntes que precisam ser aquecidas são denominadas frias. Correntes que precisam ser resfriadas são denominadas quentes.

Esquema de integração de calor com as temperaturas de origem e de destino

ser resfriadas são denominadas quentes. Esquema de integração de calor com as temperaturas de origem e

Esquema de integração de calor com as redes interior e auxiliar de trocadores de calor

com as redes interior e auxiliar de trocadores de calor A síntese de uma rede de

A síntese de uma rede de trocadores de calor (HEN, Heat

Exchanger Network) pode ser formalizada como um problema com o seguinte enunciado:

Dados um conjunto de N H correntes quentes com temperaturas

, N C correntes frias com temperaturas de origem e de destino, T c j

e

sistema de custo mínimo capaz de levar as correntes das suas temperaturas de origem às suas temperaturas de destino.

, e um conjunto de utilidades, determinar o

, um conjunto de

de origem e de destino, T h i

s ,

e

t

T h i

,

i

= 1,K ,

N H

s

,

t

T c j

,

,

j

=

1,K ,

N C

Perlingeiro (2005):

Uma corrente quente e uma fria, existe apenas uma solução. Uma corrente quente e duas frias, o problema admite cinco soluções.

Uma

corrente

quente

e

três

frias,

o

problema

admite

31

soluções.

Conceito de T Mínimo

Uma corrente quente deve ser resfriada de 180 a 120°F, enquanto que uma corrente fria deve ser aquecida de 100 a 180°F. Estes requerimentos de calor podem ser satisfeitos mediante um resfriador utilizando água de resfriamento e um aquecedor a vapor.

utilizando água de resfriamento e um aquecedor a vapor. Projeto de um trocador de calor entre

Projeto de um trocador de calor entre as duas correntes.

Projeto de um trocador de calor entre as duas correntes. Custo de utilidade deixa de existir,

Custo de utilidade deixa de existir, mas o projeto do trocador implica em uma área infinita.

Q

=

UA

T lm

Q

=

UA

Q = UA

T −∆

1

T

2

ln

T

1

T

2

(

180

180

)

(

120

−−−

100

)

ln

180

180

120

100

A →∞

A solução que desejamos situa-se entre esses dois extremos e estabelece que deve existir uma diferença de temperatura na extremidade crítica do trocador que proporciona o melhor compromisso entre o custo de utilidade e o custo do equipamento. Este conceito de estabelecer uma diferença mínima de temperatura entre as correntes que trocam de calor, T min , é essencial em qualquer projeto de rede de trocadores de calor. É comum adotar, de forma heurística, um valor de T min de 10°C ou

20°F.

Meta de Consumo Mínimo de Utilidades

É desejável calcular a máxima recuperação de energia antes de sintetizar a rede; isto é, determinar as quantidades mínimas de utilidade quente e de utilidade fria uma vez conhecidos os requerimentos de aquecimento e resfriamento das correntes do processo. Essa importante etapa é chamada de meta de consumo mínimo de utilidades (MER, Minimum Energy Requirement).

O Método do Ponto de Estrangulamento

Será descrito agora um método para a síntese de redes de trocadores de calor que se baseia em determinar, usando princípios termodinâmicos, um ponto crítico para o desenho da rede chamado de gargalo ou ponto de estrangulamento térmico (pinch).

Duas correntes quentes, H1 e H2, devem ser resfriadas e duas correntes frias, C1 e C2, devem ser aquecidas, sem mudança de fase. A quantidade de calor trocada é dada por:

Q

=

wC

p

T

Corrente

T s (°F)

T t (°F)

wC p

(Btu/h°F)

Q

(10 4 Btu/h)

H1

260

160

30.000

300

H2

250

130

15.000

180

C1

120

235

20.000

230

C2

180

240

40.000

240

Assume-se que a vazão de capacidade calorífica, wC p , não varia com a temperatura. Projete uma rede de trocadores que utiliza as quantidades mínimas possíveis de utilidades quente e fria, tal que as diferenças de temperaturas de approach não fiquem abaixo do valor mínimo de 10°F.

T min = 10 °F

Para esse sistema, um total de 480×10 4 Btu/h devem ser removidos das duas correntes quentes, mas somente um total de 470×10 4 Btu/h são consumidos pelas duas correntes frias. Assim, da primeira lei da termodinâmica, a quantidade mínima de 10×10 4 Btu/h devem ser removidas por alguma utilidade fria, por exemplo, água de resfriamento. Só que isso não corresponde ao consumo mínimo de utilidades, pois da segunda lei da termodinâmica, depende de T min .

Uma possível rede de trocadores de calor envolvendo seis trocadores de calor e 57,5×10 4 e 67,5×10 4 Btu/h de utilidades quente e fria, respectivamente.

Trocador 1 (H1-C2)

Q

Q = 30 000(260 190) 210

wC

ph

.

(T

hi

T

ho

)

=

10 4

Btu/h

ou

Q

Q = 40 000(232 5 180) 210

,

wC

pc

.

(T

co

T

ci

)

=

10 4

Trocador 2 (H1-C1)

Btu/h

Q

= 30 000(190 160) 90

.

10 4

Btu/h

Q

= 20

.

000(165 120) 90

10 4

Btu/h

Trocador 3 (H2-C1)

Q

= 15 000(250 −=175)

.

112 5 × 10 4

,

Btu/h

Q = 20 000(221 25 −=165)

.,

112 5 × 10 4

,

Btu/h

Aquecedor de C2

Q

= 40 000(240 232 5) 30

.

,

10 4

Btu/h

Aquecedor de C1

Q = 20 000(235 221 25) 27 5

.

,,

10 4

Btu/h

Resfriador de H2

Q

= 15 000(175 −=×130)

.

67 5

,

10 4

Btu/h

(a) (b) Fluxograma proposta para a rede de trocadores de calor: (a) temperaturas; (b) cargas

(a)

(a) (b) Fluxograma proposta para a rede de trocadores de calor: (a) temperaturas; (b) cargas térmicas.

(b)

Fluxograma proposta para a rede de trocadores de calor: (a) temperaturas; (b) cargas térmicas. Multiplicar as cargas Q por 10 4 Btu/h.

Note que a diferença entre as cargas de utilidades quente e fria é igual a que foi calculada pela primeira lei da termodinâmica.

Método de Intervalos de Temperatura (TI)

O

método

de

intervalos

de

temperatura

(TI,

Temperature

Interval) foi desenvolvido por Linnhoff e Flower (1978).

O método será aplicado às correntes quentes e frias do exemplo. O primeiro passo do método TI é ajustar as temperaturas de origem e destino usando T min . Isto é feito reduzindo as temperaturas das correntes quentes por T min e deixando inalteradas as temperaturas das correntes frias.

Temperaturas

ajustadas

T s (°F)

T t (°F)

T s (°F)

T t (°F)

H1

260

250

T 0

 

160

150

T 4

H2

250

240

T 1

 

130

120

T 5

C1

120

120

T 5

 

235

235

T 2

C2

180

180

T 3

 

240

240

T 1

Esse ajuste das temperaturas das correntes quentes subtraindo T min traz as correntes quentes e frias para um nível de referência comum, de modo que quando realizamos um balanço de energia envolvendo correntes quente e fria no mesmo nível de temperatura, os cálculos levam em conta o transporte de calor com uma força motriz mínima de T min . A seguir, as temperaturas ajustadas são ordenadas, iniciando com T 0 , a temperatura mais alta.

Intervalo, i T i − 1 − T (°F) i ∑ wC ph − ∑

Intervalo, i

T

i

1

T (°F)

i

wC

ph

wC

pc

(10 4 Btu/h°F)

H i (10 4 Btu/h)

1 250 240 = 10

2 240 235 = 5

3 235 180

=

55

4 180

150

=

30

5 150 120 = 30

3

30

3 + 15, −=4

05,

2,5

3 + 15, 4 2 =−15,

-82,5

3 + 15, −=2

25,

75

15, 2 =−05,

-15

Diagrama de intervalos de temperatura Isso cria uma cascata de intervalos de temperatura, ∆ T

Diagrama de intervalos de temperatura

Isso cria uma cascata de intervalos de temperatura, T , e para cada um deles é feito um balanço de energia. A diferença de entalpia, H i , em cada intervalo de temperatura i, é dada

H =

i

(

wC

ph

wC

pc

)

i

T

i

A idéia é formar uma cascata de calor que vai desde T 0 até T 5 . Podemos calcular o fluxo de calor (ou resíduo do intervalo), que flui de um nível de temperatura T i1 para um nível T i .

RR

=

ii

1

+ ∆ H

i

Cascata de intervalos de temperatura, balanços de energia e resíduos; multiplique ∆ H i e

Cascata de intervalos de temperatura, balanços de energia e resíduos; multiplique H i e R i por 10 4 Btu/h.

Q steam representa a quantidade mínima de aquecimento necessária por parte de alguma utilidade quente. Q cw representa a quantidade mínima de resfriamento necessária por parte alguma utilidade fria. A fronteira entre os intervalos 2 e 3 divide o diagrama em duas partes termicamente independentes, pois não há fluxo de calor através dela. Essa fronteira é chamada de gargalo ou estrangulamento térmico (pinch). Ela é identificada pelas temperaturas limítrofes das correntes quentes (190°F) e frias

(180°F).

Representação em grade da decomposição pinch das correntes quentes e frias. Método das Curvas Compostas

Representação em grade da decomposição pinch das correntes quentes e frias.

Método das Curvas Compostas

Curvas de perfis de temperatura-entalpia de calor disponível no processo (curva composta quente) e de demanda de calor no processo (curva composta fria) juntos num mesmo gráfico.

Exemplo

Curva composta quente é traçada iniciando com uma entalpia de referência 0 a 130°F.

Q

1

= 15.000 160 −=×130

0,45

(

)

10

6

Btu/h

Q

2

Q

Q

3

4

Q

5

(

(

(

= 30

= 30

= 30

000

000

000

+ 15 000

+ 15 000

+ 15 000

(

= 30.000 260 250

)(

)(

)(

)

190 160

)

)

1,35 10

6

2,475 × 10 0,225 × 10

Btu/h

245 −=190

)

250 −=245

0,3 10

6

Btu/h

6

6

Btu/h

Btu/h

 

T (°F)

130

160

190

245

250

260

H

(10 6

Btu/h)

0

0,45

1,80

4,275

4,50

4,80

A seguir, a curva composta fria é traçada. Para T min = 10 °F, o método TI determinou a quantidade mínima de utilidade de 60×10 4 Btu/h. Portanto a curva inicia com uma entalpia de referência nesse valor.

Q

1

Q

2

Q

3

Q

4

(

Btu/h

Btu/h

3,3 10

Btu/h

=

=

=

= 40.000 240 235

20.000 150 120 20.000 180 150

(

)

(

20

000

)(

)

)

0,6 10

0,6 10

)

6

6

+ 40 000 235 180

(

0,2 10

6

6

Btu/h

T (°F)

120

150

180

235

240

H

(10 6

0,6

1,20

1,80

5,10

5,30

Btu/h)

260 240 220 C2 H1 200 H2 C1 180 160 140 120 0 1 2
260
240
220
C2
H1
200
H2
C1
180
160
140
120
0
1
2
3
4
5
6
7
Q (Btu/h)
x10 6
T( o F)

(a)

Q steam = 500.000 Btu/h 260 H1 240 C2 220 Curva composta quente H1+H2 Curva
Q
steam = 500.000 Btu/h
260
H1
240
C2
220
Curva composta
quente H1+H2
Curva composta
200
fria C1+C2
Curva composta
180
fria deslocada
Pinch
160
C1
H2
140
120
0
1
2
3
4
5
6
7
8
Q (Btu/h)
Q
cw = 600.000 Btu/h
x10 6
T( o F)

(b)

Método gráfico para determinar a meta MER: (a) curvas de temperatura-entalpia das correntes; (b) curvas compostas quente e fria.

Curvas Compostas Balanceadas

As curvas compostas mostradas na figura, contêm apenas correntes do processo utilizadas para integrar calor entre elas. O diagrama pode ser complementado incluindo os níveis de temperatura das utilidades disponíveis. Supondo que, por exemplo, no problema em questão, dispõe-se de vapor a 280°F, e água de resfriamento a uma temperatura média de 60°F (que pode representar, por exemplo, uma temperatura de entrada de 50°F com uma temperatura de saída de 70°F).

300 250 200 150 100 50 0 1 2 3 4 5 6 Q (Btu/h)
300
250
200
150
100
50
0
1
2
3
4
5
6
Q (Btu/h)
x10 6
T( o F)

Grande Curva Composta

Quando em cada intervalo de temperatura ambos os tipos de correntes são englobados com acúmulo de déficit ou superávit de energia, obtém-se a grande curva composta do processo, ou seja, combina as duas curvas compostas transformando-as em uma única curva. A vantagem da grande curva composta é a possibilidade de se observar melhor onde o processo deve trocar calor com as utilidades e onde ele pode satisfazer a própria demanda. Os pontos para gerar esse diagrama são, basicamente, os mesmos da cascata de calor do processo.

Exemplo

Para as correntes quentes.

Intervalo, i

T

i

1

T (°F)

i

wC ph (Btu/h°F)

H hi (10 4 Btu/h)

1 250 240 = 10

2 240 235 = 5

3 235 180

=

55

4 180

150

=

30

5 150 120 = 30

3

30

3 + 15,

=

45,

22,5

3 + 15,

=

45,

247,5

3 + 15,

= 45,

135

1,5

 

45

Para as correntes frias.

Intervalo, i

T

i

1

T (°F)

i

wC pc (Btu/h°F)

H ci (10 4 Btu/h)

1 250 240 = 10

0

0

2 240 235 = 5

4

20

3 235 180 = 55

426+

=

330

4 180

150

= 30

2

60

5 150 120 = 30

2

60

O fluxo de calor que flui de um nível de temperatura T i1 para um nível T i é dado por:

QQ =+

i

i

1

(

H

hi

H

ci

)

Para não violar a segunda lei da termodinâmica, onde o calor flui de uma região de temperatura mais alta para outra de temperatura mais baixa, é acrescentado 50×10 4 Btu/h a todos os fluxos de calor.

Intervalo, i

T

i

1

T (°F)

i

Q i (10 4 Btu/h)

Q i modificado (10 4 Btu/h)

1 250 240 = 10

30

80

2 240 235 = 5

32,5

82,5

3 235 180

= 55

-50

0

4 180

150

= 30

25

75

5 150 120 = 30

10

60

Note o uso de temperaturas ajustadas para este tipo de diagrama.

T (°F)

120

150

180

235

240

250

Q (10 6 Btu/h)

60

75

0

82,5

80

50

260 240 220 200 180 160 140 Q steam Q cw 120 0 10 20
260
240
220
200
180
160
140
Q steam
Q cw
120
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
T( o F)

Q (Btu/h)

Mudança de Fase

O procedimento requer que os valores de wC p das correntes sejam constantes. Podemos incorporar mudanças de fase a temperaturas constantes no formalismo simplesmente assumindo uma variação de temperatura de 1°C ou 1°F na temperatura da mudança de fase e calcular um valor fictício para wC p com a mesma carga térmica da mudança de fase.

wC

f

pf

()

1

= FH

v

Método de Programação Linear Um exame mais minucioso do método de intervalos de temperatura mostra

Método de Programação Linear

Um exame mais minucioso do método de intervalos de temperatura mostra que as utilidades quente e fria podem ser determinadas criando um problema de programação linear.

Exemplo

Deseja-se determinar o mínimo de utilidades quente e fria de uma rede de trocadores de calor envolvendo as quatro correntes do Exemplo.

O problema de programação linear pode ser formulado escrevendo o balanço de energia para cada intervalo da cascata.

Minimizar Q steam

Sujeito a:

Q

steam +=

1

R

30

0

R

R

R

R

1

2

3

4

−+ 25,

R

2

= 0

−− R 82,5 = 0

3

−+=75 R 0

4

Q

cw

−=15 0

Q

steam

,

Q

cw

,,,, RRRR

1234

0

Note que na função objetivo, aparece apenas Q steam , pois quando Q steam é mínimo, Q cw também é mínimo.

A resolução pelo método de duas fases (Fase I e fase II) forneceu o seguinte resultado:

Q steam

=

50 × 10 4 Btu/h

Q cw = 60 × 10 4 Btu/h

R 1

R 2

R 3 = 0

= 80 × 10

4

Btu/h

= 82,5 × 10

4

Btu/h

R

4

=

15 × 10

4

Btu/h

Redes para Máxima Recuperação de Energia

Uma vez determinadas as utilidades mínimas para aquecimento e resfriamento, o próximo passo é desenhar duas redes de trocadores de calor, uma para o lado quente e a outra para o lado frio do pinch. O método descrito nesta seção foi apresentado por Linnhoff e Hindmarsh (1983), que enfatiza a colocação de trocadores de calor feita a partir do pinch.

Combinando Correntes no Pinch

Abordagem de Linnhoff e Hindmarsh (1983).

Esquema de um trocador de calor contracorrente Fazendo os balanços de energia para as correntes

Esquema de um trocador de calor contracorrente

Esquema de um trocador de calor contracorrente Fazendo os balanços de energia para as correntes quente

Fazendo os balanços de energia para as correntes quente e fria, tem-se:

Q

Q

=

=

wC

ph

wC

pc

(T

hi

(T

co

T

ho

T

ci

)

)

ou T

hi

ou T

co

T

ho

T

ci

=

=

Q

wC

ph

Q

wC

pc

Subtraindo a segunda equação da primeira equação:

(TT −−−= (TT Q

hi

ho

)

co

ci

)

1

1

wC

ph

wC

pc

ou

T T

1

2

=

(

Q wC

pc

wC

ph

)

wC

ph

wC

pc

O posicionamento em potencial dos trocadores de calor no pinch

é considerado agora. Quando um trocador de calor é posicionado no lado quente do pinch, considerado arbitrariamente com

T T

2

=

min

T T

=

1

min

, então:

+

(

Q wC

pc

wC

ph

)

wC

ph

wC

pc

Desde que Q > 0 e os fluxos térmicos são positivos, então a

é

. Isto é, para que uma combinação seja factível no

lado quente do pinch, wC

o

. Quando um

trocador de calor será infactível, pois T

correntes forem combinadas no pinch com wC

deve ser satisfeito. Se duas

condição necessária e suficiente para assegurar que T

1

wC

pc

wC

ph

pc

wC

ph

1

< ∆T

min

pc

<

T

min

wC

ph

,

trocador de calor é posicionado no lado frio do pinch T

e a equação fica

1

= ∆T

min

T 2 = ∆T

min

(

Q wC

pc

wC

ph

)

wC

ph

wC

pc

Neste caso, para assegurar que não haja violação da temperatura

de approach, isto é, T

, é necessário e suficiente que

. Note que esta condição é exatamente o contrário do

lado quente do pinch.

≥ ∆T

2

min

wC

ph

wC

pc

Essas regras de pareamento aplicam-se somente no pinch.

Das muitas heurísticas desenvolvidas para a síntese de redes de trocadores de calor, duas serão consideradas.

A primeira é:

Efetuar a troca térmica máxima entre correntes escolhidas respeitando um T min de 10°C ou 20°F.

Essa troca é limitada pela menor carga térmica dentre as correntes escolhidas.

A outra é:

Selecionar a corrente quente com a maior temperatura de entrada e a fria com a maior temperatura de entrada.

ou de forma equivalente:

Selecionar a corrente quente com a menor temperatura de entrada e a fria com a menor temperatura de entrada.

Exemplo

Projete uma rede de trocadores de calor que atenda a meta MER do Exemplo 1.1: Q H ,min = 50 × 10 4 Btu/h e Q C,min = 60 × 10 4 Btu/h, em que Q H ,min e Q C,min são as cargas térmicas quente e fria mínimas.

Lado quente Condição: wC pc Lado frio Condição: wC ph ≥ wC ph ≥ wC

Lado quente

Condição: wC

pc

Lado frio

Condição: wC

ph

wC

ph

wC

pc

Trocador 1 (H1-C2)

Carga térmica

Q

Q

wC

ph

.

Btu/h

ou

Q

Q

wC

pc

.

(T

hi

(T

co

T

ho

T

ci

)

)

Btu/h

T = 232,5°F

Trocador 2 (H2-C1)

Q

Trocador 3 (H1-C1)

Carga térmica

Q

=

wC

ph

(T

hi

T

ho

)

=

= 30 000(260 190) 210

10 4 Q = 30 000(190 160) 90 Btu/h

.

ou

Q

Q

wC

pc

.

(T

co

T

ci

)

=

= 20 000(180 −=×T)

90

Btu/h

T = 135°F

Trocador 4 (H2-C1)

Q

10 4

=

= 40 000(T 180) 210

10 4

10 4

= 15 000(250 190) 90

.

10 4

= 20 000(135 120) 30

.

10 4

Btu/h

Q

Btu/h

Q

= 20 000(T 180) 90

.

10 4

= 15 000(190 −=×T)

.

30

10 4

Btu/h

T = 225°F

Aquecedor de C1

(

Q H = 20 000 235 225

.

Btu/h

T = 170°F

Resfriador de H2

)

20 10 4 Q = 15 000(170 130) 60 10 4

.

Btu/h

Btu/h

Aquecedor de C2

(

Q H = 40.000 240 232,5 Btu/h

)

30 1

( 170 − 130 ) =× 60 10 4 . Btu/h Btu/h Aquecedor de C2 (

(a)

(b) Fluxograma da rede de trocadores de calor: (a) temperaturas; (b) cargas térmicas. Multiplicar as

(b)

Fluxograma da rede de trocadores de calor: (a) temperaturas; (b) cargas térmicas. Multiplicar as cargas Q por 10 4 Btu/h.

Número Mínimo de Trocadores de Calor

Uma vez projetada uma rede de trocadores de calor que atende a meta MER, é comum reduzir o número de trocadores de calor e permitindo, ao mesmo tempo, que o consumo de utilidades aumente, particularmente quando podem ser eliminados os trocadores de calor pequenos.

O número mínimo de trocadores de calor numa rede é dado por:

N

HX ,min

=+−1 NN

S

U

em que N S é o número de correntes e N U é o número total de fontes de utilidades quentes e frias distintas.

Uma forma de projetar uma rede de trocadores de calor que minimiza o número de trocadores de calor e satisfaz a meta MER, é utilizar a divisão de corrente.

Reduzindo o Número de Trocadores de Calor - Divisão de Corrente

Ao projetar uma rede de trocadores de calor para atender a meta MER, a divisão de corrente é empregada se:

O número de correntes frias no pinch, no lado quente, é menor do que o número de correntes quentes.

O número de correntes quentes no pinch, no lado frio, é menor do que o número de correntes frias.

Uma corrente que troca calor sequencialmente, com duas ou mais correntes, pode ser dividida de maneira a trocar a mesma quantidade de calor simultaneamente com as mesmas correntes, num esquema em paralelo.

com as mesmas correntes, num esquema em paralelo. (a) (b) Esquema de troca térmica: (a) esquema

(a)

com as mesmas correntes, num esquema em paralelo. (a) (b) Esquema de troca térmica: (a) esquema

(b)

Esquema de troca térmica: (a) esquema seqüencial; (b) esquema em paralelo.

Dessa maneira, tornam-se possíveis pareamentos em paralelo que aproveitam completamente as diferenças de temperatura entre fontes e absorvedores de calor. Além disso, a divisão de corrente ajuda a reduzir o número de trocadores de calor em uma HEN sem aumentar as cargas de utilidade.

Exemplo

Este exemplo ilustra o conceito de divisão de corrente para contornar o problema provocado pela violação de T min na síntese de uma rede inicial com um número mínimo de unidades. Considere o projeto de uma HEN com um número mínimo de trocadores de calor que satisfaz T min = 10 °C e meta MER de utilidade quente de 300 kW, para as três correntes no lado quente do pinch.

Corrente

T s (°C)

T t (°C)

wC p

(kW/°C)

Q (kW)

H1

200

100

5

500

H2

150

100

4

200

C1

90

190

10

1.000

Como não é permitida nenhuma utilidade fria no lado quente do pinch, o número mínimo de trocadores de calor é:

N HX ,min = 311+−= 3

Supondo que a corrente C1 troque calor primeiramente com a corrente H1 e em seguida com a corrente H2.

Lado quente

Condição: wC

pc

wC

ph

Trocador 1 (H1-C1)

Carga térmica

Q

= 5(200 −=100)

500 kW

Q

= 10(T −=90) 500 kW

T = 140°C

Trocador 2 (H2-C1)

Com essa seqüência de troca térmica H1-C1 e em seguida H2-C1, pode-se ver que não será possível fazer a troca térmica entre H2 e C1, uma vez que a diferença de temperatura de approach viola a condição de T min = 10°C. A solução para este conflito consiste em fazer uma divisão da corrente C1. Cada ramo da divisão deve

preservar os respectivos critérios de wC

de maneira que

cada troca seja factível. Existem várias alternativas.

wC

ph

pc

Como as duas correntes quentes necessitam ser resfriadas

totalmente pela corrente fria, para evitar violação na temperatura

), a corrente fria deve ser

dividida. Note que as cargas térmicas dos três trocadores foram ajustadas para atender a meta MER. A porção do fluxo de capacidade calorífica assinalada para a primeira corrente, deve ser determinada resolvendo-se os balanços de energia para as correntes divididas:

de approach (isto é, T

< ∆T

2

min

x(T 1 90 = 500

)

(10 x

)(

T

2

−= 90)

200

sujeitas às restrições:

200

−≥T T =

1

min

10

150

−≥T T =

2

min

10

O problema consiste em determinar a fração x onde a corrente é

dividida e as temperaturas T 1

trabalho, é desejável misturar as correntes isotermicamente, isto

é, selecionar T

e T 2 . Para minimizar a perda de

= 160 °C com x = 7,143 kW/°C. Infelizmente,

a mistura isotérmica é infactível desde que a desigualdade 1

limita T 2

igualdade é ajustada a ser ativa, isto é, T 2 = 140 °C, fornecendo

de ser menor ou igual a 140°C. Arbitrariamente, a

1

= T

2

T 1

= 173,33°C.

a 140°C. Arbitrariamente, a 1 = T 2 T 1 = 173,33 °C. Note que fazendo

Note que fazendo uma pequena mudança estrutural onde o aquecedor é movido para a montante da junção de mistura, o projeto é melhorado propiciando uma mistura isotérmica conforme desejado.

Estimativa de Áreas em Redes de Trocadores de Calor Supondo que agora sejam incluida s

Estimativa de Áreas em Redes de Trocadores de Calor

Supondo que agora sejam incluidas linhas verticais no diagrama temperatura-entalpia toda vez que houver uma variação na inclinação e considerando que cada intervalo representa um ou mais trocadores de calor em paralelo. Do gráfico, podemos ler a carga térmica de cada trocador e os valores das forças motrizes em temperatura de cada extremidade.

1

1

U = +

h

i

h

o

A =

Q

U

T lm

Múltiplas correntes em qualquer intervalo

A = Q  1111 +++   hh    ∆ Thh lm
A = Q  1111 +++   hh    ∆ Thh lm

A =

Q

1111 +++ 

hh

Thh

lm

1234

Em geral

A =

Q

correntes quentes

i

=

1

correntes frias

1

1

T

lm

+

hh

i

j

=

1

j

Exemplo

Considere o exemplo para ilustrar a construção das curvas compostas. Complemente a cascata de calor com estimativa da área requerida pela rede. Suponha que os coeficientes de convecção sejam constantes e iguais a 400 Btu/hft 2 °F.

300 250 200 150 100 50 0 1 2 3 4 5 6 Q (Btu/h)
300
250
200
150
100
50
0 1
2
3
4
5
6
Q (Btu/h)
x10 6
T( o F)
300 6 7 250 5 4 200 3 150 2 1 100 50 0 1
300
6
7
250
5
4
200
3
150
2
1
100
50
0
1
2
3
4
5
6
Q (Btu/h)
x10 6
1
1
1
1
=+= 11
+
=
U
hh
400
400
200
T( o F)

U = 200 Btu/hft 2 °F

Intervalo

T h (°F)

T c (°F)

Q (10 6 Btu/h)

1

130 a 160

60 a 60

0,4456

2

160 a 163,74

60 a 60

0,6010 0,4456

3

163,74 a 190,46

120 a 180

1,8083 0,6010

4

190,46 a 250

180 a 224,8092

4,5130 1,8083

5

250 a 260

224,8092 a

4,8083 4,5130

 

229,7710

6

280 a 280

229,7710 a 235

51140, 4,8083

7

280 a 280 235 a 240 5,3109 5,1140

As áreas em cada intervalo são sumarizadas na Tabela 1.12. A área mínima estimada para a rede é de 1.209,2693 ft 2 . Deste valor, 55,3254 correspondem a aquecedores, 34,1173 a resfriadores e 1.119,8266 a correntes do processo.

Intervalo

T lm (°F)

Q (10 6 Btu/h)

A (ft 2 )

1

84,1102

0,4456

26,4891

2

101,8586

0,1554

7,6282

3

23,2613

1,2073

259,5083

4

16,7601

2,7047

806,8866

5

27,6334

0,2953

53,4317

6

47,5666

0,3057

32,1339

7

42,4509

0,1969

23,1915

Exercícios

1 Duas correntes precisam ser resfriadas e duas precisam ser aquecidas de acordo com a tabela a seguir:

Corren

T s

T t

Fluxo

Capacidade calorífica (Btu/lh°F)

te

(°F)

(°F)

(lb/h)

1

250

100

9.500

1,0

2

180

100

12.000

0,7

3

110

200

10.000

1,0

4

110

230

10.000

0,9

T min = 20 °F

Use o método pinch para obter:

a) Os requerimentos mínimos de utilidades.

b) O ponto pinch para as correntes quentes e frias.

c) A rede de trocadores de calor que consome o mínimo de

utilidades. Especifique as temperaturas dos trocadores e as cargas térmicas dos aquecedores e resfriadores.

2 Considere o seguinte problema:

Corrente

T s (°C)

T t (°C)

wC p

(kcal/h°C)

1 90

50

6

2 50

20

9

3 20

200

12

4 20

90

10

T min = 10°C

Use o método pinch para obter:

a) Os requerimentos mínimos de utilidades.

b) O ponto pinch para as correntes quentes e frias.

c) A rede de trocadores de calor que consome o mínimo de

utilidades. Especifique as temperaturas dos trocadores e as cargas térmicas dos aquecedores e resfriadores.