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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Educação Física
LICENCIATURA EM

HISTOLOGIA
Marcia Regina Paes de Oliveira

PONTA GROSSA - PARANÁ 2010

CRÉDITOS
João Carlos Gomes Reitor Carlos Luciano Sant’ana Vargas Vice-Reitor Pró-Reitoria de Assuntos Administrativos Ariangelo Hauer Dias - Pró-Reitor Pró-Reitoria de Graduação Graciete Tozetto Góes - Pró-Reitor Divisão de Educação a Distância e de Programas Especiais Maria Etelvina Madalozzo Ramos - Chefe Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a Distância Leide Mara Schmidt - Coordenadora Geral Cleide Aparecida Faria Rodrigues - Coordenadora Pedagógica Sistema Universidade Aberta do Brasil Hermínia Regina Bugeste Marinho - Coordenadora Geral Cleide Aparecida Faria Rodrigues - Coordenadora Adjunta Marcus William Hauser - Coordenador de Curso Flávio Guimarães Kalinowski - Coordenador de Tutoria Colaborador Financeiro Luiz Antonio Martins Wosiak Colaboradora de Planejamento Silviane Buss Tupich Projeto Gráfico Anselmo Rodrigues de Andrade Júnior Colaboradores em EAD Dênia Falcão de Bittencourt Jucimara Roesler Colaboradores de Informática Carlos Alberto Volpi Carmen Silvia Simão Carneiro Adilson de Oliveira Pimenta Júnior Colaboradores de Publicação Denise Galdino de Oliveira - Revisão Janete Aparecida Luft - Revisão Ana Caroline Machado - Diagramação Milene Sferelli Marinho - Ilustração Colaboradores Operacionais Edson Luis Marchinski Kelly Regina Camargo Thiago Barboza Taques

Todos os direitos reservados ao NUTEAD - Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a Distância Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, Paraná, Brasil.

Ficha catalográfica elaborada pelo Setor de Processos Técnicos BICEN/UEPG.

O48h

Oliveira, Marcia Regina Paes de Histologia ./ Marcia Regina Paes de Oliveira. Ponta Grossa : UEPG/NUTEAD, 2010. 97. il Licenciatura em Educação Física - Educação a distância 1. Histologia dos tecidos muscular e nervoso. 2. Tecido conjuntivo. 3. Sitema cardiovascular. 4. Sitema respirátorio. 5. Sistema endócrino I. T. CDD : 611.018

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a Distância - NUTEAD Av. Gal. Carlos Cavalcanti, 4748 - CEP 84030-900 - Ponta Grossa - PR Tel.: (42) 3220 3163 www.nutead.org 2010

APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL
Olá, estudante Seja bem vindo! Certamente, neste período do curso você já se sente mais preparado para enfrentar os desafios desta modalidade educacional (EaD). Com certeza, também já percebeu que estudar a distância significa muita leitura, organização, disciplina e dedicação aos estudos. A educação a distância é uma das modalidades educacionais que mais cresce hoje no Brasil e no mundo. Ela representa uma alternativa ideal para alunos–trabalhadores, que necessitam de horários diferenciados de estudo e pesquisa, para cumprir a contento tanto seus compromissos profissionais como suas obrigações acadêmicas. Também é uma alternativa ideal para as populações dos municípios distantes dos grandes centros universitários, contribuindo significativamente para a socialização e democratização do saber. As novas tecnologias da informação e da comunicação estão cada vez mais presentes em nossas vidas, desafiando os educadores a inserir-se nesse “mundo sem fronteiras” que é a realidade virtual. Sensível a esse novo cenário, a UEPG vem desenvolvendo, desde o ano de 2000, cursos e programas na modalidade de educação a distância, e para tal fim, investindo na capacitação de seus professores e funcionários. Dentre outras iniciativas, a UEPG participou do Edital de Seleção UAB nº 01/2006SEED/MEC/2006/2007 e foi contemplada para desenvolver seis cursos de graduação e quatro cursos de pós-graduação na modalidade a distância pelo Sistema Universidade Aberta do Brasil. Isso se tornou possível graças à parceria estabelecida entre o MEC, a CAPES, o FNDE e as universidades brasileiras, bem como porque a UEPG, ao longo de sua trajetória, vem acumulando uma rica tradição de ensino, pesquisa e extensão e se destacando também na educação a distância. Os cursos ofertados no Sistema UAB, apresentam a mesma carga horária e o mesmo currículo dos nossos cursos presenciais, mas se utilizam de metodologias, materiais e mídias próprios da educação a distância que, além de facilitarem o aprendizado, permitirão constante interação entre alunos, tutores, professores e coordenação. Esperamos que você aproveite todos os recursos que oferecemos para facilitar o seu processo de aprendizagem e que tenha muito sucesso nesse período que ora se inicia. Mas, lembre-se: você não está sozinho nessa jornada, pois fará parte de uma ampla rede colaborativa e poderá interagir conosco sempre que desejar, acessando nossa Plataforma Virtual de Aprendizagem (MOODLE) ou utilizando as demais mídias disponíveis para nossos alunos e professores. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois a sua aprendizagem é o nosso principal objetivo. EQUIPE DA UAB/ UEPG

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SUMÁRIO ■ PALAVRAS DA PROFESSORA ■ OBJETIVOS E EMENTA 7 9 TECIDO CONJUNTIVO ■ SEÇÃO 1■ SEÇÃO 2■ SEÇÃO 1■ SEÇÃO 2- 11 12 26 TECIDO CONJUNTIVO PROPRIAMENTE DITO TECIDO CONJUNTIVO DE PROPRIEDADES ESPECIAIS HISTOLOGIA DOS TECIDOS: MUSCULAR E NERVOSO 39 HISTOLOGIA DO TECIDO MUSCULAR HISTOLOGIA DO TECIDO NERVOSO 40 50 VISÃO MICROSCÓPICA DOS SISTEMAS CARDIOVASCULAR. RESPIRATÓRIO E ENDÓCRINO ■ SEÇÃO 1■ SEÇÃO 2■ SEÇÃO 3HISTOLOGIA DO SISTEMA CARDIOVASCULAR E SUA ADAPTAÇÃO FRENTE AO TREINAMENTO ESPORTIVO HISTOLOGIA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO E SUA ADAPTAÇÃO FRENTE AO TREINAMENTO FÍSICO HISTOLOGIA DO SISTEMA ENDÓCRINO E SUA ADAPTAÇÃO FRENTE AO TREINAMENTO ESPORTIVO 63 64 73 78 ■ PALAVRAS FINAIS ■ REFERÊNCIAS ■ NOTA SOBRE A AUTORA 93 95 97 .

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a Licenciatura em Educação Física. Estamos iniciando mais um livro didático. Ao estudar Histologia você irá adquirir conteúdos básicos de grande importância para o seu desenvolvimento cognitivo. respiratório e endócrino. utilizando para isso conhecimentos sobre a estrutura celular adquiridos durante o estudo do livro didático de Biologia Celular. principalmente daqueles que serão mais recrutados durante a prática de esportes. bem como de alguns sistemas que compõem o ser humano. o qual muito o auxiliará na busca tão desejada de conhecimentos importantes para a prática do profissional em Educação Física. os quais serão aplicados quando estiver estudando as disciplinas específicas pertencentes à grade curricular do curso escolhido por você. Ao finalizar este livro. Bem-vindo ao fantástico mundo da histologia! . é esperado que você tenha noções das principais diferenças estruturais existentes entre os tecidos que constituem o nosso organismo. você terá uma visão ampla sobre a histologia dos mesmos. cardiovascular. ou seja. destacando principalmente os sistemas: locomotor. Visando estabelecer uma noção básica sobre a organização dos tecidos nos diferentes sistemas que compõem o corpo humano.PALAVRAS DA PROFESSORA Caro Acadêmico (a): Parabéns pela sua dedicação até o momento.

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endócrino e reprodutor. ■ Aplicar os conceitos de histologia nas disciplinas subsequentes. tecido muscular. sanguíneo. ObjetivOs específicOs ■ Conhecer os tipos de tecidos conjuntivos presentes no corpo humano. adiposo e linfoide). ■ Conhecer a histologia dos sistemas: cardiovascular. tecido conjuntivo (cartilaginoso. urinário. histologia dos sistemas: digestório. respiratório e endócrino. ■ Compreender a estrutura e a função dos nervos. ■ Identificar as principais adaptações que ocorrem nos sistemas cardiovascular. linfático. respiratório e endócrino frente às atividades físicas. ementa Tecido epitelial. adaptações dos sistemas frente ao esforço físico. respiratório. tecido nervoso. ósseo. . estabelecendo inter-relação com as suas funções. ■ Identificar as diferenças estruturais existentes entre os três tipos de músculo.OBJETIVOS E EMENTA ObjetivO Geral Conhecer a estrutura dos tecidos e sistemas que atuam nos movimentos e na sustentação do corpo humano. circulatório.

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■ Descrever a estrutura e a função dos componentes encontrados nas cartilagens e nos ossos. ■ Distinguir as diferentes formas de crescimento que ocorrem nos tecidos conjuntivos de propriedades especiais. ■ Caracterizar os principais componentes do tecido conjuntivo propriamente dito relacionando-os com as suas respectivas funções. rOteirO De estUDOs ■ SEÇÃO 1: Tecido Conjuntivo Propriamente Dito ■ SEÇÃO 2: Tecido Conjuntivo de Propriedades Especiais UNIDADE I Tecido Conjuntivo . ■ Conhecer a localização dos diferentes tipos de tecido conjuntivo propriamente dito no corpo humano. ■ Avaliar os tipos de tecidos conjuntivos mais recrutados durante a atividade física.MARCIA REGINA PAES DE OLIVEIRA ObjetivOs De aprenDiZaGem ■ Classificar os tipos de tecido conjuntivo encontrados no ser humano.

É importante que você compreenda a estrutura e o funcionamento do tecido conjuntivo. você irá estudar a estrutura dos tecidos conjuntivos propriamente ditos.Universidade Aberta do Brasil PARA INÍCIO DE CONVERSA Na seção 1. o tecido conjuntivo propriamente dito. que dos quatro tecidos básicos é o mais amplamente distribuído pelo corpo humano. Assim. relacionando-os com as suas respectivas funções. muscular 12 UNIDADE 1 . buscando sempre a interrelação de seus componentes com as suas funções. SEÇÃO 1 TECIDO CONJUNTIVO PROPRIAMENTE DITO Você sabia que a Histologia é a área da Biologia que estuda os tecidos? E que tecido é um agrupamento de células que apresentam formas semelhantes e que desempenham as mesmas funções? O corpo humano apresenta quatro tecidos básicos: epitelial. ou seja. No final desta seção. atentando para a ocorrência de variações na composição química que refletem diretamente nas diferenças funcionais. Na seção 2. de maneira que possa identificar os seus principais componentes. você irá conhecer a estrutura e as funções dos tecidos conjuntivos de propriedades especiais. nesta unidade será abordada a estrutura dos tecidos conjuntivos encontrados no corpo humano. para que possa estabelecer uma interrelação deste conhecimento com aqueles que serão trabalhados mais adiante nas disciplinas específicas. conjuntivo. você terá condições de distinguir o tecido conjuntivo propriamente dito dos demais tipos de tecidos presentes no corpo humano. o que possibilitará distinguir as principais diferenças entre estes com aqueles estudados na secção anterior. além de citar com exatidão os locais mais comuns onde podemos encontrá-los.

Para o caso de nunca ter ouvido falar neste tipo de tecido. daí a denominação de tecido conjuntivo embrionário. O tecido conjuntivo. não se preocupe. também denominado conectivo. UNIDADE 1 Histologia 13 . é formado no início do desenvolvimento do embrião. Em seguida. lá você visualizará imagens que lhe auxiliarão no conhecimento dos tipos. as células mesenquimais indiferenciadas. iremos abordar a estrutura e a função dos tecidos conjuntivos: embrionário e propriamente dito. a partir do mesênquima. Ele é encontrado somente no embrião. No mesênquima. também se agrupam para dar origem aos inúmeros sistemas que constituem o ser humano. Mesênquima é o tecido conjuntivo embrionário formado a partir da diferenciação do folheto médio do embrião. Você já ouviu falar em tecido conjuntivo propriamente dito? Para o caso de uma resposta afirmativa. recebem diversos sinais que levam a formação dos tecidos conjuntivos: embrionário.youtube. as principais características e as funções dos tecidos conjuntivos encontrados no ser humano. sem função determinada e se caracterizam pela capacidade de se transformar em diferentes tipos de tecidos que constituem o ser humano.com. encontrados no ser humano. tente mentalmente descrever de forma resumida os principais constituintes e as respectivas funções do tecido conjuntivo propriamente dito. os quais se agrupam para formar os órgãos que por sua vez.e nervoso. o mesoderme. assista ao vídeo Tecido Conjuntivo no link www. Células tronco: células indiferenciadas. propriamente dito e de propriedades especiais. Nesta seção. leia atentamente os parágrafos seguintes e deixe se envolver com os novos e interessantes conteúdos. tente citar um local do corpo humano onde podemos encontrar tecido conjuntivo propriamente dito. num período que compreende da terceira a oitava semana de gestação. Antes de iniciar o estudo desta seção. consideradas células tronco.

Apresentam a forma de meia lua e como possuem proteínas citoplasmáticas contráteis (discutidas com detalhes na unidade II). forma inativa dos fibroblastos. Originadas a partir das células mesenquimais indiferenciadas. Os fibrócitos. os fibrócitos. Os adipócitos. os capilares e vênulas pós-capilares e são considerados células fonte. temos: os fibroblastos. rica em prolongamentos citoplasmáticos e núcleo ovóide contendo um nucléolo bem definido. podem se transformar em células endoteliais e fibras musculares lisas. o único tecido conjuntivo embrionário encontrado no ser humano é o do cordão umbilical denominado mucoso. Os componentes que formam as fibras e a substância fundamental do tecido conjuntivo serão detalhados no final desta seção.Universidade Aberta do Brasil Após o nascimento. Os pericitos. os adipócitos e os mastócitos. uma vez que diante de uma lesão desses vasos. Os fibroblastos são as células mais abundantes do tecido conjuntivo. também atuam na regulação do diâmetro dos vasos sanguíneos de acordo com a intensidade do fluxo de sangue. atuam na produção da matriz extracelular do tecido conjuntivo. possuem um aspecto mais fusiforme e são responsáveis pela manutenção da matriz extracelular. um dos componentes do tecido conjuntivo que será abordado mais adiante nesta seção. Células fixas são aquelas que se formam no tecido conjuntivo e aí permanecem por um longo período realizando as suas funções. Como exemplos desta categoria de células. 14 UNIDADE 1 . Ele possui essa denominação porque apresenta riqueza em substância fundamental amorfa. armazenam e liberam gorduras também são derivadas das células Fusiformes – este termo refere-se a células que apresentam a forma alongada cujas extremidades são afiladas. As principais características histológicas dos fibroblastos são: forma estrelada. As células do tecido conjuntivo estão divididas em duas categorias: as fixas e as transitórias. Mas o que são células fixas? Matriz extracelular: termo designado para definir a região entre duas células do tecido conjuntivo preenchida por fibras e substância fundamental amorfa. derivados das células mesenquimais indiferenciadas. Os principais componentes encontrados no tecido conjuntivo são: diferentes tipos de células isoladas umas das outras por uma rica matriz extracelular. situam-se ao redor de pequenos vasos sanguíneos. células do tecido conjuntivo que produzem. ambas situadas na parede desses vasos. os pericitos. Segue abaixo uma breve descrição desses tipos de células.

a gordura está presente nos ombros. nas nádegas e à medida que envelhecem também acumulam este tipo de gordura na parede abdominal. A gordura parda está associada à produção de calor devido à riqueza de mitocôndrias. Você já prestou atenção na coloração amarelada das palmas das mãos e do rosto. este tipo de tecido adiposo é convertido para o unilocular. em um bebê cuja alimentação é rica em cenoura. beterraba e mamão? Isto se deve ao acúmulo de beta-carotenos pelo tecido adiposo subcutâneo da criança. Os adipócitos multiloculares. nas nádegas. uma vez que diminuindo a ingestão de alimentos ricos em beta-carotenos. Existem dois tipos de células adiposas: as uniloculares e as multiloculares. no quadril.mesenquimais indiferenciadas. UNIDADE 1 Histologia 15 . aumentando em até três vezes a produção de calor em ambientes frios. Os adipócitos uniloculares armazenam este tipo de pigmento no citoplasma de suas células e se transformam em tecido adiposo amarelo. o tecido adiposo unilocular torna-se novamente branco. Beta-caroteno: pigmento amarelado solúvel em gordura que exerce a ação antioxidante. Este tipo de tecido adiposo encontra-se na camada subcutânea de todo o corpo e se acumula em locais específicos de acordo com o sexo e a idade. principalmente nas proximidades do nariz. protege contra o envelhecimento. É importante saber que essa transformação é reversível. Camada subcutânea corresponde à região da hipoderme situada imediatamente abaixo da pele. que formam o tecido adiposo multilocular ou gordura parda. ou seja. Os adipócitos uniloculares que formam o tecido adiposo unilocular ou gordura branca são esféricos e possuem uma única gotícula grande de lipídeo que desloca o núcleo e a maioria das organelas para a periferia da célula. no quadril e na face lateral das coxas. no pescoço. Já foi observado que essas células degradam os ácidos graxos numa velocidade 20x maior que os adipócitos uniloculares. Células poliédricas: células que apresentam várias faces ou lados. Nas mulheres. O tecido adiposo multilocular está presente na região do pescoço e na região interescapular em recém-nascidos. são células poliédricas com núcleo central e apresentam inúmeras gotículas lipídicas no citoplasma. Nos homens. No adulto. a gordura está concentrada nas mamas.

já que produzem grande quantidade de anticorpos. as únicas células fixas que se formam a partir de células troncos pertencentes à medula óssea.blogspot. núcleo central e apresentam inúmeros grânulos citoplasmáticos que. realizei um passeio de barco até os Parrachos na praia de Maracajaú. atuam nos processos inflamatórios alérgicos. periferia do mesmo. Participam ativamente na defesa contra a invasão de microorganismos. cujo material genético mais corado encontra-se na Anticorpos são substâncias produzidas por algumas células de defesa do corpo humano como resultado da reação a germes. Os neutrófilos são células arredondadas que apresentam o núcleo multilobulado (três a cinco lóbulos). circulam pela corrente sanguínea até serem estimuladas a realizarem a diapedese. Os eosinófilos são células também arredondadas. Essa outra categoria de células do conjuntivo é formada na medula óssea vermelha. São elas: os plasmócitos. que são as células de defesa do nosso organismo. quando então chegam ao tecido conjuntivo onde realizam as suas funções. com núcleo deslocado do centro da célula. O garoto começou a apresentar falta de ar logo após a ingestão de um espetinho de camarão. O citoplasma destas células é rico em grânulos proteicos que não possuem grande afinidade para corantes ácidos e básicos. Os plasmócitos. nativos do Rio Grande do Norte. razão pela qual estas células receberam o nome de neutrófilos. como podemos definí-las? Diapedese: Migração dos glóbulos brancos ou leucócitos do sangue. São encontradas em maior quantidade nas áreas que apresentam inflamação crônica ou nas regiões em que substâncias estranhas ou microorganismos penetraram no tecido. são ovóides. Você já presenciou algum caso semelhante a este? Você saberia explicar o que aconteceu com o garoto após a ingestão de camarão? Acesse Alergodermatologia: Alergia a Camarão (alergodermatologia.Universidade Aberta do Brasil Os mastócitos. quando liberados. os leucócitos e os macrófagos. células formadas a partir de linfócitos B que entraram em contato com um corpo estranho. E quanto às células transitórias. e fui surpreendida com o resgate urgente de um garoto de dez anos. em Natal (RN). toxinas ou outros venenos quando estes são introduzidos no organismo. Parrachos: designação dada pelos potiguares. daí a denominação 16 UNIDADE 1 . às formações de recifes de coral. são ovóides. com/2008/06/alergia-camaro. porém possuem o núcleo bilobulado (somente dois lóbulos) e o citoplasma rico em grânulos proteicos com grande afinidade para corantes ácidos. para o tecido conjuntivo através da passagem pela parede dos vasos sanguíneos.html) e entenda o que realmente aconteceu com o garoto acima citado. Numa viagem de férias ao litoral do nordeste.

com núcleo também arredondado e de localização central que compreende quase todo o citoplasma.de eosinófilo. Núcleo indentado: que tem a forma semelhante a um feijão. São responsáveis pelo funcionamento adequado do sistema imunológico. que introduzidas no organismo estimulam a produção de anticorpos. São responsáveis pela fagocitose de microrganismos e organelas velhas ou danificadas. Os linfócitos são células arredondadas. Antígenos: quaisquer substâncias estranhas. componentes celulares com afinidade para corantes básicos que apresentam carga elétrica positiva. como a Hematoxilina. Os macrófagos são as únicas células do tecido conjuntivo que apresentam características de células transitórias e fixas. Você sabia que a Eosina é um corante ácido porque apresenta carga elétrica negativa e é largamente utilizada nas preparações de rotina na microscopia óptica? E que todo componente celular que tem afinidade para corantes ácidos são denominados eosinofílicos ou acidófilos? Em contraste. o que gera dúvidas em relação a sua exata classificação. organelas encontradas em grande quantidade nestas células. além de atuarem na defesa de doenças parasitárias. Participam da fagocitose e da digestão de complexos antígenos-anticorpos resultantes de processos alérgicos. são denominados basófilos ou basofílicos. Estas células possuem a forma alongada. o núcleo indentado deslocado para a periferia e o citoplasma rico em grânulos densos como consequência da união entre o material englobado e os grânulos lisossomais presentes nos lisossomos. UNIDADE 1 Histologia 17 .

As demais células são transitórias e migraram para esta região após o estabelecimento do processo inflamatório. 18 UNIDADE 1 . Observe a presença de duas células fixas do tecido conjuntivo: os adipócitos uniloculares e os adipócitos multiloculares.Universidade Aberta do Brasil Observe as figuras abaixo. Figura 2 – Tecido Conjuntivo Denso Não Modelado da Cápsula Perirrenal (500x). Figura 1 – Tecido Conjuntivo Frouxo da Derme Infeccionada de Rato (800x). Atente para as características histológicas de cada uma das células indicadas. Atente para a presença de uma das células fixas do tecido conjuntivo. Coloração: Hematoxilina-Eosina. elas mostram algumas células fixas e transitórias encontradas no tecido conjuntivo propriamente dito. Coloração: Hematoxilina-Eosina. o pericito.

A anemia é uma doença que pode ser facilmente detectada através de um simples exame de sangue. semelhante ao que observamos para os músculos estriados esqueléticos. sites ou livros as quantidades normais de células sanguíneas encontradas nos sangues de homens e de mulheres.Você já observou detalhadamente o exame de sangue de alguma pessoa? No exame de sangue são quantificadas as células sanguíneas e algumas delas. As fibras colágenas representam uma família abundante no corpo humano e são compostas pela glicoproteína colágena que. No entanto. dependendo do tipo considerado. Glicoproteína: proteína que apresenta carboidratos associados aos aminoácidos. podemos encontrar três tipos de fibras: as colágenas. Outro constituinte importante do tecido conjuntivo é a matriz extracelular formada de fibras e substância fundamental amorfa. há colágenos que se apresentam entrelaçados na forma de rede ou associados às fibrilas. principalmente certos tipos de glóbulos brancos ou leucócitos são transferidos para o tecido conjuntivo em situações de infecções aguda. No tecido conjuntivo propriamente dito. respectivamente. Estes tipos de fibras estão relacionados com a função de proteção contra as forças de tensão e/ou tração. UNIDADE 1 Histologia 19 . É bom lembrar que a quantificação das células do sangue nos auxilia no diagnóstico de várias doenças que acometem o ser humano. pode assumir arranjos finos e alongados denominados fibrilares. Pesquise em revistas. as elásticas e as reticulares. Você irá verificar que existe uma diferença significativa na quantidade destas células relacionadas ao sexo. nestes casos desempenham as funções de suporte estrutural e ligação.

São abundantes em locais que necessitam de elasticidade. Coloração: Hematoxilina-Eosina. o calcâneo. grosso e forte encontrado no nosso corpo é o de Aquiles. 20 UNIDADE 1 . tais como a derme e a parede das grandes artérias que transportam o sangue sob alta pressão. As fibras elásticas. Estas características histológicas são típicas de tecidos conjuntivos resistentes às forças de tração. Você sabia que o tendão mais longo. Observe a figura abaixo. ela mostra o tecido conjuntivo denso modelado elástico comumente encontrado na parede das artérias elásticas. ela mostra o tendão. Figura 3 – Tecido Conjuntivo Denso Modelado Colagenoso do Tendão (400x). envolvidas com a função de flexibilidade são formadas por dois tipos de proteínas: a elastina e a fibrilina. um tipo de tecido conjuntivo propriamente dito rico em fibras colágenas. Atente para os fibroblastos e para as fibras colágenas organizadas em feixes paralelos. situado acima do calcanhar? Ele une a musculatura da panturrilha (batata da perna) com a parte posterior do osso do calcanhar.Universidade Aberta do Brasil Observe a figura abaixo.

Acesse o Fórum Portal do Vale Tudo. ou mesmo naquelas que ganham grande quantidade de massa muscular num curto período de tempo.Figura 4 – Artéria Aorta (400x). UNIDADE 1 Histologia 21 . Atente para as lamelas de elastina representadas pelas fibras elásticas (cabeça de seta). Coloração: Orceína. Exercícios fortes dão estrias? Observe a foto de um fisiculturista que possui estrias até no antebraço e reflita a respeito de outros malefícios que os exercícios físicos quando praticados de forma exagerada podem causar ao ser humano. Você já observou a presença de riscos vermelhos ou brancos em sua pele? Estes riscos são as temidas estrias que se formam devido a um estiramento excessivo da pele. camada da pele situada abaixo da epiderme. As estrias podem surgir durante a adolescência em decorrência do crescimento acelerado nesta fase da vida. situadas na túnica média bem desenvolvida de uma artéria elástica de grande calibre. formada principalmente por colágeno e elastina. As estrias também podem estar presentes em pessoas que realizam exercícios físicos excessivos. resultando no rompimento das fibras elásticas que sustentam a derme. mas também ocorre em pessoas obesas ou mesmo durante a gravidez.

A substância fundamental amorfa. E por fim. que envolve cada célula do músculo estriado esquelético. outro componente da matriz extracelular é representada pelas glicosaminoglicanas. Técnica Imuno-histoquímica. a matriz extracelular proporciona uma superfície lisa o suficiente para proteger o organismo contra traumas e impedir a migração rápida de microrganismos e células tumorais. ela mostra o endomísio. As glicosaminoglicanas sulfatadas quando associadas a uma proteína formam as proteoglicanas. muscular e nervoso) e órgãos (rim.Corte Transversal do Músculo Estriado Esquelético (400x). o que possibilita o acúmulo de água sob a forma de gel. Observe a figura abaixo. 22 UNIDADE 1 . baço e fígado). o que as tornam mais delicadas possibilitando a atuação na sustentação estrutural de vários tecidos (adiposo. tecido conjuntivo reticular rico em fibras reticulares.Universidade Aberta do Brasil As fibras reticulares representam um tipo especial de colágeno. Como consequência. outro importante constituinte da matriz extracelular. podemos encontrar ainda dispersos na matriz extracelular as Glicosaminoglicanas são longas cadeias de polissacarídeos formadas a partir de dissacarídeos que se repetem. pois apresentam uma quantidade maior de carboidratos. A maioria das glicosaminoglicanas é de natureza ácida porque apresenta sulfato na sua composição. Figura 5 .

e proteção contra as forças de compressão. Segue abaixo a classificação dos tecidos conjuntivos. É importante que você perceba que o tecido conjuntivo exerce várias funções essenciais para o organismo. nutrição graças à abundância de vasos sanguíneos. UNIDADE 1 Histologia 23 . Os vários tipos de tecidos conjuntivos presentes no corpo humano são diferenciados de acordo com o predomínio ou não de seus constituintes. segundo Gartner e Hiatt (2008). plasmócitos e macrófagos. atuam na associação de todos os componentes do tecido conjuntivo. funções e localizações. Mucoso Preenchimento. Cordão umbilical. bem como as suas principais características. Fibroblastos dispersos numa matriz extracelular rica em substância fundamental amorfa. defesa devido à presença de leucócitos. São elas: preenchimento. contribuindo para a integridade do mesmo. Embrião. armazenamento de gordura.glicoproteínas de adesão. que como o próprio nome indica. uma vez que também são ricos em fibras colágenas. Tecido Conjuntivo Embrionário Características Células mesenquimais indiferenciadas embebidas numa matriz extracelular rica em substância fundamental amorfa. suporte estrutural. de tração e de tensão. Funções Localização Mesênquima Originar o tecido conjuntivo maduro.

Defesa.Universidade Aberta do Brasil Tecido Conjuntivo Características Propriamente Dito Não apresenta predomínio de componentes. Tendões. Fibroblastos embebidos numa matriz extracelular rica em fibras colágenas dispostas regularmente em feixes paralelos. Denso Modelado Colagenoso Resistência a trações. Fibroblastos dispersos numa matriz extracelular rica em feixes espessos e paralelos de fibras elásticas. Denso Modelado Elástico Elasticidade. Ligamentos. Camada subcutânea da pele. Funções Localização Frouxo ou Areolar Sustentação. Fibroblastos dispersos numa matriz extracelular rica em fibras colágenas dispostas irregularmente. 24 UNIDADE 1 . Parede dos grandes vasos sanguíneos. Denso Não Modelado Resistência a trações. Ligamentos amarelos da coluna vertebral. Bainha externa dos nervos (epineuro). Vários tipos de células dispersas numa rica matriz extracelular. Derme da pele. Abaixo dos epitélios. Preenchimento.

um dos mais importantes da seleção brasileira? Em 2008.com. Você se lembra das lesões sofridas pelo jogador de futebol “Ronaldo – o fenômeno”. o tecido conjuntivo propriamente dito. Alguns tipos de tecido conjuntivo propriamente dito.uol. Produção de calor. um dos quatro tecidos básicos encontrados no ser humano.br e assista as entrevistas disponíveis referentes aos dias 14/02/2008 “Ronaldo é operado em Paris após lesão no joelho esquerdo” e 22/02/2008 “Oito dias após cirurgia no joelho. Como você viu nesta seção. sanguíneas. desempenhando inúmeras funções de suma importância para o seu funcionamento normal. são constantemente recrutados durante a realização de atividades físicas. ele sofreu uma ruptura no tendão patelar do joelho esquerdo. ricos em fibras colágenas resistentes às forças de tração. Adiposo Predomínio de células de gordura. formadores Capilares do das células fígado. Medula óssea. Ronaldo recebe alta”. com a finalidade de evitar as lesões sofridas pelos atletas expostos à prática esportiva intensa. Para relembrar este fato acesse o link http://mais. apresentase amplamente distribuído pelo organismo. como aqueles que fazem parte dos tendões e dos ligamentos. Armazenamento de energia. Daí a importância de treinamentos sob a orientação de especialistas.Reticular ou Hematopoiético Fibroblastos embebidos numa matriz extracelular com predomínio de fibras reticulares sob a forma de redes. Bainha que reveste a Sustentação fibra nervosa estrutural (endoneuro) de órgãos e a fibra parenquimatosos muscular e de órgãos (endomísio). UNIDADE 1 Histologia 25 . elas relatam com detalhes o acontecido. Camada subcutânea da pele (hipoderme). um dos tipos de tecido conjuntivo propriamente dito abordado nesta seção. Baço. Cápsula renal.

denominada pericôndrio.Universidade Aberta do Brasil SEÇÃO 2 TECIDO CONJUNTIVO DE PROPRIEDADES ESPECIAIS Você sabia que o osso. como por exemplo. iremos abordar as principais características e as funções dos tecidos cartilaginosos e ósseos. apresentam núcleo ovóide e normalmente diferenciam-se em condroblastos. A cartilagem não apresenta vasos sanguíneos. não se encontra pericôndrio. Certas regiões do organismo. por isso. Os principais constituintes são: as células (condrogênicas. rico em fibras colágenas do tipo I. O pericôndrio apresenta duas regiões: uma camada interna celular composta principalmente pelas células condrogênicas e uma camada fibrosa externa vascularizada formada por tecido conjuntivo denso não modelado. a nutrição se dá através do líquido sinovial que banha as superfícies articulares e do tecido conjuntivo denso normalmente associado às fibrocartilagens. Nestes casos. nas superfícies articulares dos ossos ou nas fibrocartilagens. Os condroblastos podem se originar de duas formas: das células mesenquimais indiferenciadas. entretanto. condroblastos e condrócitos) e a matriz extracelular composta por glicosaminoglicanas e proteoglicanas intimamente associadas às fibras elásticas e colágenas. durante o desenvolvimento embrionário ou das células condrogênicas situadas na camada interna do pericôndrio 26 UNIDADE 1 . são chamados de tecido conjuntivo de propriedades especiais? A partir de agora. principal função deste tecido. podem se transformar em células osteoprogenitoras durante o crescimento dos ossos em comprimento. a cartilagem e o sangue são tecidos conjuntivos que apresentam algumas características exclusivas que os diferem dos tecidos conjuntivos propriamente ditos e. As células condrogênicas situadas no pericôndrio são fusiformes. linfáticos ou nervos. suas células se mantém vivas através da difusão de nutrientes pela matriz a partir de uma bainha de tecido conjuntivo. O tecido cartilaginoso possui componentes que contribuem para a formação de uma matriz extracelular firme e ao mesmo tempo flexível o que permite a proteção contra choques mecânicos ou traumas.

vão se separando umas das outras. aumentando a cartilagem de dentro para fora. formando lacunas individuais. Para o seu melhor entendimento é importante você saber que o preparo histológico do tecido cartilaginoso causa retrações e distorções artificiais nas células. no interstício. responsáveis pela síntese da matriz cartilaginosa. enquanto que os mais internos são arredondados. Observe a figura abaixo. e cresce de duas maneiras: aposicionalmente e intersticialmente. denominados lacunas. e desta maneira. e aparece mais corada nos preparados histológicos. assim como os tecidos conjuntivos propriamente ditos. cujas células condrogênicas se diferenciam em condroblastos que sintetizam camadas de matriz cartilaginosa à sua periferia. Estes grupos são denominados grupos isógenos e à medida que sintetizam matriz. ou seja. possui muita substância fundamental amorfa e poucas fibras. mesenquima. Mas como se forma o tecido cartilaginoso? A cartilagem. O crescimento intersticial ocorre somente na fase inicial da formação da cartilagem como resultado da divisão mitótica de condrócitos que podem originar grupos de quatro ou mais células dentro de uma mesma lacuna. Os condrócitos situados na periferia da cartilagem são ovóides. com núcleo arredondado e de localização central. A matriz cartilaginosa está dividida em duas regiões: a territorial e a interterritorial. se forma a partir do tecido conjuntivo embrionário. Já a matriz interterritorial que representa a maior parte da matriz cartilaginosa. A matriz territorial situa-se ao redor dos condrócitos. O crescimento aposicional ocorre durante toda a vida. São células arredondadas. nela podemos observar os principais UNIDADE 1 Histologia 27 .nos períodos de crescimento das cartilagens. via camada interna celular do pericôndrio. apresenta menor quantidade de substância fundamental amorfa e maior quantidade de fibras. quando comparada com a matriz territorial. o que resulta na observação de espaços entre as mesmas. durante o desenvolvimento embrionário. Quando estas células ficam aprisionadas na própria matriz tornam-se pouco ativas e se transformam em condrócitos. o que resulta numa coloração menos acentuada.

28 UNIDADE 1 . esta última corresponde a uma glicoproteína de adesão que possibilita a associação das células com os componentes fibrosos e amorfos da matriz. Você sabia que a cartilagem hialina também é encontrada nas articulações móveis ou sinoviais. a cartilagem elástica e a cartilagem fibrosa. podendo ser encontrada no nariz. sendo esta última também chamada de fibrocartilagem.Universidade Aberta do Brasil componentes encontrados no tecido cartilaginoso. cuja classificação baseia-se no tipo de fibra que predomina na matriz extracelular. Assim. condroitino6-sulfato ou heparansulfato) com uma proteína. A cartilagem hialina é a mais abundante do corpo. Sua matriz é rica em fibras colágenas do tipo II e a substância fundamental amorfa contém agrecanos e condronectina. bainha de tecido conjuntivo que reveste a maioria das cartilagens. temos a cartilagem hialina. No corpo humano. responsáveis por uma grande quantidade de movimentos no nosso corpo? A superfície lisa e a sua capacidade de resistir às forças de compressão e tensão são essenciais para o bom funcionamento dessas articulações. Figura 6 – Cartilagem Hialina da Traquéia de Rato (800x). assim como o pericôndrio. na traquéia formando os anéis em C. Agrecanos: são exemplos de moléculas de proteoglicanas formadas a partir de ligações fortes entre as glicosaminoglicanas sulfatadas (condroitino4-sulfato. podemos encontrar três tipos de cartilagens. Coloração:Hematoxilina-Eosina. nos brônquios e nas extremidades anteriores das costelas.

UNIDADE 1 Histologia 29 . parabéns! Você foi brilhante! A figura abaixo mostra o esquema da complexa articulação sinovial encontrada no joelho. que evita o desgaste e reduz o atrito durante a realização dos movimentos. Neste tipo de articulação. Atente para o termo “bolsas sinoviais” ele refere-se à cartilagem hialina. o que são articulações sinoviais? São articulações que apresentam nas extremidades dos ossos a cartilagem hialina banhada num líquido lubrificante denominado sinovial. que se encarregam de protegê-la mesmo quando submetidas a uma pressão intensiva. Figura 7 – Articulação Sinovial do Joelho.Mas afinal. os ossos estão unidos através dos ligamentos. Você saberia citar exemplos de articulações sinoviais? Se pensou nas articulações do joelho e do cotovelo.

online uma reportagem exibida em 13/06/2008 que trata de uma nova técnica de regeneração do tecido cartilaginoso. O tecido cartilaginoso. apresenta riqueza de fibras elásticas na matriz extracelular e na camada fibrosa do pericôndrio. A cartilagem fibrosa ou fibrocartilagem. conferindolhe flexibilidade. apesar de crescer durante toda a vida. no disco articular da articulação temporomandibular (ATM) e em locais de ligações de tendões e ligamentos a ossos. Para aprofundar os seus conhecimentos leia no link www. diante de lesão ou doença. na sínfise pubiana. não regenera facilmente. através das células-tronco. situada nos discos intervertebrais. Apresenta pouca substância fundamental amorfa. nos meniscos da articulação do joelho. nas tubas auditivas e na epiglote. apresenta condrócitos maiores e matriz interterritorial reduzida. O tecido ósseo é outro tipo de tecido conjuntivo de propriedade especial. característica esta que faz deste tecido um dos mais resistentes do corpo humano.Universidade Aberta do Brasil A cartilagem elástica presente no pavilhão auricular (orelha). 30 UNIDADE 1 . cienciahoje. ausência de pericôndrio e formam grupos isógenos paralelos às forças de tração a que são submetidas. possui abundância de fibras colágenas do tipo I e é considerada o tipo de cartilagem mais peculiar. as células produzem tecido conjuntivo denso no local lesionado. composto por vários tipos de células e substância fundamental amorfa calcificada. Contrastando com a cartilagem hialina. Quando a lesão atinge uma grande região de cartilagem.

com/ vídeos educativos. no periósteo e nos canais vasculares (Canal de Havers e Canal de Volkmann) dos ossos compactos. As principais células encontradas nos ossos são: as osteoprogenitoras ou osteogênicas. como no caso do osso compacto.youtube. As células osteoprogenitoras ou osteogênicas situadas no endósteo. Os ossos esponjosos abrigam a medula óssea vermelha ou hematógena em suas cavidades e normalmente apresentam um revestimento interno. composto principalmente por células osteogênicas e osteoblastos. os osteoblastos. situação comum durante o reparo do tecido ósseo. sob condição de baixa tensão de oxigênio. Os osteoblastos são encontrados na superfície do tecido ósseo. que os ossos podem apresentar cavidades sendo denominado esponjoso ou exibir aparência muito densa. Você já estudou na Anatomia. o endósteo. UNIDADE 1 Histologia 31 . Externamente os ossos são envolvidos por uma bainha de tecido conjuntivo. São consideradas células fonte e podem dar origem aos osteoblastos e condroblastos. de constituição semelhante ao pericôndrio encontrado na maioria das cartilagens. o periósteo. são fusiformes.Antes de iniciar o estudo microscópico do tecido ósseo assista ao vídeo O Corpo Humano – 12 – Músculos e Ossos Humanos (Parte 2) no link www. possuem a forma cúbica ou colunar e quando estão secretando ativamente a matriz apresenta o citoplasma rico em duas organelas: o retículo Medula óssea vermelha ou hematógena: órgão hematopoiético responsável pela formação das células sanguíneas. exceto pelo fato de possuir células osteoprogenitoras na camada celular interna. ele o auxiliará a ter uma visão geral sobre a estrutura dos ossos descrita a seguir. os osteócitos e os osteoclastos. com núcleo oval e pouco corado. estes últimos.

característica esta. ela representa uma porção de tecido ósseo recém-formado através do processo de ossificação intramembranosa. A porção orgânica representada por 35% do peso seco apresenta grande quantidade de fibras colágenas do tipo I e pequena quantidade de substância fundamental amorfa. Atente para os tipos de células comumente encontrados no tecido ósseo. Os osteócitos são células situadas dentro de lacunas. Os osteoblastos aprisionados pela própria matriz se diferenciam em osteócitos. através dos quais ocorre a passagem de nutrientes entre as células. quando estão inativas. Responsáveis pela reabsorção do osso. Coloração: Hematoxilina-Eosina. daí a denominação de células móveis. Figura 8 – Ossificação Intramembranosa na Cabeça de Feto de Rato (400x). Entretanto. possuem a forma ovoide e são ricas em prolongamentos citoplasmáticos. participam da manutenção da matriz óssea. Já a porção inorgânica que constitui aproximadamente 65% do peso seco é formada principalmente por cálcio e fósforo associados sob a forma de cristais de hidroxiapatita. móveis.Universidade Aberta do Brasil endoplasmático granular e o complexo de golgi. uma vez que a matriz calcificada não permite a difusão dos nutrientes. A matriz óssea possui componentes orgânicos e inorgânicos. quando ativas são encontradas em depressões denominadas lacunas de reabsorção ou lacunas de Howship. muito importante para a sobrevivência das mesmas. Como são as células maduras do osso. Observe a figura abaixo. Os osteoclastos são células grandes. 32 UNIDADE 1 . também podem ser encontradas nas proximidades do osso. multinucleadas e apresentam citoplasma intensamente acidófilo.

o que os torna mais resistente. UNIDADE 1 Histologia 33 . potássio. para a manutenção de ossos saudáveis. denominado canal de Havers. As lamelas circunferenciais internas diferem das lamelas circunferenciais externas por serem mais delgadas e por estarem envolvendo as cavidades medulares. dispostas ao redor de um espaço vascular. Histologicamente. a fim de introduzi-los na sua ingestão diária. de acordo com a organização de seus constituintes pode-se classificar o tecido ósseo em osso primário ou imaturo e osso secundário ou maduro. são eles: citrato. ósteons ou sistema de Havers e lamelas instersticiais ou intermediárias. Os ossos maduros ou secundários são formados por lamelas paralelas ou concêntricas de fibras colágenas mergulhadas na substância fundamental amorfa. Os ossos primários ou imaturos são os primeiros a serem formados durante o desenvolvimento embrionário ou após uma fratura e são gradativamente transformados em osso secundário ou maduro. exceto. bicarbonato e magnésio. ou seja. Os ósteons ou sistema de Havers são formados por camadas concêntricas de fibras colágenas submersas em substância fundamental amorfa calcificada. A quantidade de minerais é bem menor que a do tecido secundário ou maduro. quando comparado com o tecido primário ou imaturo. os quais serão discutidos a seguir.Outros minerais também são encontrados. porém aparecem em menor quantidade. apresentam quatro sistemas lamelares: lamelas circunferenciais externas. Daí. Os ossos compactos. Apresentam menor quantidade de osteócitos por mm2 e alto teor de minerais. sódio. nos locais de ligação dos tendões e nos ossos alveolares que sustentam os dentes. considerados ossos maduros. Cada canal de Havers apresenta um feixe neurovascular com seu tecido conjuntivo associado e é revestido por uma camada de osteoblastos e células osteoprogenitoras. É rico em osteócitos e em feixes irregulares de fibras colágenas. nas suturas dos ossos do crânio. a importância de você conhecer os tipos de alimentos ricos em tais minerais. As lamelas circunferenciais externas são encontradas abaixo do periósteo e formadas por camadas paralelas de fibras colágenas e substância fundamental amorfa calcificadas. lamelas circunferenciais internas.

como o 34 UNIDADE 1 .Universidade Aberta do Brasil O sistema de Havers é delimitado pela linha cimentante que corresponde a uma região rica em substância fundamental amorfa calcificada e pequena quantidade de fibras colágenas. as lamelas concêntricas de colágeno que envolvem os canais de Havers. Figura 9 – Sistemas Lamelares do Osso Compacto (200x). as lacunas que abrigavam os osteócitos. Vários ósteons podem se comunicar através de canais oblíquos ou perpendiculares. Observe a figura abaixo. denominados canais de Volkmann. À medida que o osso vai sendo remodelado. os canalículos por onde passavam os prolongamentos dos osteócitos e os sistemas intermediários localizados entre os sistemas de Havers. de composição semelhante ao canal de Havers. Nesse processo. Ossos chatos. os osteoclastos reabsorvem ósteons e os osteoblastos fazem a substituição do sistema de Havers. como a mandíbula. Técnica de Desgaste. Atente para os canais de Havers situados no centro dos ósteons. restos de ósteons permanecem como arcos irregulares de fragmentos lamelares que não foram totalmente reabsorvidos. Você sabia que os 206 ossos do corpo humano podem ser formados apenas de duas maneiras? Você saberia citar os dois tipos de ossificação? Leia atentamente os parágrafos abaixo e descubra mais esta façanha da natureza. ela mostra a estrutura microscópica do tecido ósseo. ou seja. são formados a partir de uma membrana conjuntiva ricamente vascularizada. através do processo de ossificação intramembranosa. Já os ossos longos. originando assim os sistemas intersticiais ou intermediários.

serve de alavancas para os músculos esqueléticos multiplicando suas forças durante a realização do movimento. crescimento da cartilagem que servirá de base para o desenvolvimento do osso e a reabsorção do tecido cartilaginoso com a consequente substituição da cartilagem por tecido ósseo. Após a calcificação dos discos epifisários os ossos longos param de crescer. quando então é definitivamente calcificada. necessitam de um molde de cartilagem hialina para se formarem. No caso dos ossos longos. Os ossos chatos ou irregulares crescem aposicionalmente. Como você observou. além de auxiliarem na realização dos movimentos do ser humano. A ossificação endocondral ocorre em vários estágios. estes crescem em largura aposicionalmente e em comprimento através dos discos epifisários que representam uma pequena faixa de cartilagem hialina que cresce e é constantemente substituída por osso até aproximadamente os dezoito anos. proteção de órgãos vitais como aqueles encontrados na caixa craniana (cérebro e cerebelo) e na caixa torácica (coração e pulmão). UNIDADE 1 Histologia 35 . de sustentação estrutural. além de ser considerado o maior reservatório de cálcio do organismo. possuem características adicionais peculiares. via diferenciação das células osteoprogenitoras da camada celular interna do periósteo em osteoblastos. que sintetizam camadas de tecido ósseo na periferia. o que lhes permitem desempenhar com eficiência as funções de proteção. apesar de apresentarem componentes comuns encontrados nos tecidos conjuntivos propriamente ditos. sendo porisso considerados tipos de tecidos conjuntivos de propriedades especiais. onde os principais são: formação de um molde de cartilagem hialina.fêmur. As principais funções desempenhadas pelo tecido ósseo são: sustentação estrutural. daí a denominação ossificação endocondral. as cartilagens e os ossos.

3. função e local onde são encontradas com maior abundância. (d) Tecido conjuntivo denso modelado colagenoso.Universidade Aberta do Brasil Nesta unidade. Com relação às cartilagens e ossos. quando se trata de regeneração. apesar de apresentarem uma estrutura extremamente dura. Assim. desejo-lhe um bom estudo! Afinal de contas você já chegou até aqui. sendo de extrema importância para a movimentação e a sustentação estrutural do ser humano. Descreva as semelhanças e as diferenças encontradas entre os tecidos cartilaginoso e ósseo no que se refere ao crescimento e regeneração. você pôde observar que o tecido conjuntivo propriamente dito. tais como: os ligamentos e os tendões. 4. Outro aspecto importante é com relação à regeneração dos tecidos conjuntivos de propriedades especiais. 36 UNIDADE 1 . 1. a quais devem receber atenção especial principalmente durante a prática de esportes que requerem sequências motoras complexas. 2. a fim de evitar lesões nas mesmas. duas medidas profiláticas atualmente mais utilizadas no esporte profissional para minimizar as lesões durante a prática de exercícios físicos. onde embora ocorra o crescimento de ambos durante toda a vida. Procure em revistas. Daí. os ossos. (e) Tecido conjuntivo reticular. forma várias estruturas em nosso organismo. Você observará que. na próxima Unidade. (b) Tecido conjuntivo frouxo. sites ou jornais. (c) Tecido conjuntivo cartilaginoso. sua localização e respectiva função: (a) Tecido conjuntivo denso modelado elástico. composto por vários tipos de células dispersas numa matriz extracelular rica em fibras e substância fundamental amorfa. a necessidade de evitar excessos desnecessários durante a realização de exercícios físicos que podem resultar na lesão das articulações. você aprendeu que estes fazem parte da categoria dos tecidos conjuntivos de propriedades especiais e estão amplamente distribuídos pelo organismo sob a forma de articulações e ossos do esqueleto. são muito mais fáceis de serem reparados quando comparado com as cartilagens. iremos abordar dois outros tipos de tecidos que também participam ativamente na movimentação do corpo humano. Associe a primeira coluna com a segunda coluna de acordo com o tipo de tecido conjuntivo. mostrando que tem muita garra e determinação. Elabore uma tabela com as células fixas e transitórias do tecido conjuntivo indicando suas características histológicas.

( ) É encontrado abaixo dos epitélios e é responsável pelo preenchimento. UNIDADE 1 Histologia 37 . ( ) É encontrado em grande quantidade na parede das artérias onde participa da elasticidade destes vasos. atua na proteção contra trações e tensões sofridas durante exercícios físicos.( ) Presente no endomísio que envolve cada fibra muscular estriada esquelética é responsável pela sustentação estrutural da células musculares. responsáveis pela redução do atrito durante a realização dos movimentos são formadas por este tipo de tecido conjuntivo. ( ) As articulações sinoviais. ( ) Presente nos tendões.

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muscular e nervoso

MARCIA REGINA PAES DE OLIVEIRA

ObjetivOs De aprenDiZaGem
■ Caracterizar as principais estruturas encontradas nos músculos que possibilitam a locomoção do corpo humano. ■ Conhecer as etapas dos mecanismos de contração e relaxamento do músculo estriado esquelético. ■ Identificar os constituintes presentes no sarcômero e descrever as suas funções no processo de contração muscular. ■ Reconhecer os diferentes tipos de fibras musculares estriadas esqueléticas quanto a sua capacidade de trabalhar em condições aeróbicas e anaeróbicas. ■ Relatar os componentes das células nervosas relacionandoos às suas efetivas contribuições durante a recepção, integração e transmissão do impulso nervoso. ■ Distinguir as principais diferenças existentes entre nervos amielínicos e nervos mielínicos no que se refere à estrutura e função.

rOteirO De estUDOs
■ SEÇÃO 1- Histologia do Tecido Muscular ■ SEÇÃO 2- Histologia do Tecido Nervoso

UNIDADE II
UNIDADE 2

Histologia

Histologia dos tecidos:

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Universidade Aberta do Brasil

PARA INÍCIO DE CONVERSA
Na seção 1 desta unidade, você irá estudar a estrutura dos componentes das fibras musculares estriadas esqueléticas, bem como a função que os mesmos desempenham durante o processo de contração muscular. Também irá conhecer a estrutura molecular do sarcômero, conhecido como a unidade fundamental da contração dos músculos estriados. É importante que você saiba que as fibras musculares estriadas esqueléticas, apesar de terem a capacidade de trabalhar em condições aeróbicas e anaeróbicas, possuem adaptações bioquímicas e estruturais que lhes permitem uma maior performance numa ou em outra condição. A quantificação dos diferentes tipos de fibras musculares auxilia o atleta na escolha da modalidade esportiva mais apropriada ao seu metabolismo. Na seção 2, será abordado o tecido nervoso, detalhando a estrutura microscópica dos nervos, componentes do sistema nervoso periférico que associados aos músculos esqueléticos contribuem para a locomoção do ser humano. Você também terá oportunidade de conhecer os principais componentes encontrados nos neurônios que fazem com que estas células sejam capazes de receber e transmitir os impulsos nervosos, através dos quais o organismo estabelece uma complexa rede de comunicação.

SEÇÃO 1

HISTOLOGIA DO TECIDO MUSCULAR
Você sabia que a movimentação de vários segmentos do ser humano, inclusive a sua locomoção se dá através do trabalho conjunto dos ossos e dos músculos? E que os músculos são formados por células especializadas na contração, denominadas fibras musculares?

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UNIDADE 2

Antes de iniciar o estudo sobre o tecido muscular assista ao vídeo A Contração Muscular (Parte 1 a 3) no link www. youtube.com, lá você encontrará imagens que muito lhe auxiliará no entendimento sobre a estrutura e o mecanismo de contração dos músculos esqueléticos. Você também terá uma noção sobre a estrutura das proteínas contráteis que formam o sarcômero, bem como o papel desempenhado por estas proteínas durante o processo de contração muscular.

As células ou fibras musculares podem ou não apresentar estrias transversais, sendo classificadas como estriadas e lisas, respectivamente. Em virtude de sua especificidade, as células musculares receberam uma terminologia própria para descrever alguns de seus componentes. Assim, a membrana plasmática é conhecida como sarcolema; o citoplasma como sarcoplasma; o retículo endoplasmático liso ou agranular, como retículo sarcoplasmático e raramente, as mitocôndrias são mencionadas como sarcossomos.

Você já pensou em quantos tipos morfológicos de células musculares existem no seu corpo? Você saberia citar as principais diferenças estruturais existentes entre as células musculares encontradas na parede dos vasos sanguíneos e as células musculares que formam o seu bíceps, por exemplo?

As características das fibras musculares estriadas esqueléticas serão descritas nesta unidade, porém, as fibras musculares estriadas cardíacas e lisas serão descritas detalhadamente na próxima unidade deste livro didático.

UNIDADE 2

Histologia

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As faixas escuras representam a banda A e são formadas por microfilamentos de actina e filamentos espessos de miosina. quando observadas ao microscópio óptico. Grande parte de seu sarcoplasma é ocupado por miofibrilas dispostas paralelamente ao eixo longitudinal da célula. a qual apresenta somente filamentos espessos de miosina e é dividida pela linha M. a unidade fundamental de contração dos músculos estriados. as faixas claras formam a banda I compostas principalmente por microfilamentos de actina. elas mostram alguns dos componentes encontrados nas fibras musculares estriadas esqueléticas. Vários sarcômeros alinhados paralelamente no citoplasma da célula formam as miofibrilas. estruturas visíveis no microscópio óptico. podem ou não se organizar em arranjos regulares resultando na formação de sarcômeros. Estas proteínas. Observe as figuras a seguir. resultando no aparecimento de faixas transversais claras e escuras. Mas afinal do que são constituídas as fibras musculares estriadas esqueléticas? As células musculares estriadas esqueléticas são cilíndricas. a actina e a miosina.Universidade Aberta do Brasil A principal diferença observada entre fibras musculares e qualquer outro tipo de célula eucariótica é a riqueza em proteínas citoplasmáticas contráteis. sendo denominada banda H. No centro de cada banda A é encontrado uma faixa um pouco mais clara. de contração involuntária. Em contraste. Os músculos estriados são subdivididos em dois tipos: o estriado esquelético. 42 UNIDADE 2 . quase que exclusivamente encontrado no coração. com vários núcleos alongados localizados perifericamente. No entanto. que representa a maior massa muscular voluntária corporal e o estriado cardíaco. constituída pela enzima fosfato de creatina. que não apresentam sarcômeros e são denominados músculos lisos. não podemos esquecer que existem músculos como aqueles encontrados nas paredes dos vasos sanguíneos ou ainda aqueles que realizam os movimentos peristálticos no canal alimentar. também denominadas miofilamentos.

Atente para a forma cilíndrica das células. quando a banda I se torna mais estreita. O estudo ultraestrutural através de microscopia eletrônica de transmissão. a banda H desaparece e os UNIDADE 2 Histologia 43 .Figura 1 – Fibras Musculares Estriadas Esqueléticas em Secção Longitudinal (1000x). os vários núcleos alongados situados perifericamente e algumas bandas visíveis do sarcômero. entender os principais eventos que ocorrem durante o mecanismo de contração muscular. a unidade fundamental da contração dos músculos estriados. tem sido muito útil para conhecer o arranjo dos miofilamentos no sarcômero e. Coloração: Tricrômico de Mallory. desta forma. equipamento utilizado para o estudo detalhado das organelas celulares. Figura 2 – Esquema do Sarcômero.

44 UNIDADE 2 .Universidade Aberta do Brasil discos ou linhas Z se aproximam uns dos outros. são elas: a troponina A ou I (TnA) ou (TnI). a troponina T (TnT) e a troponina C (TnC). As actinas filamentosas são originadas através da união de várias actinas globulares. Já a tropomiosina é uma proteína filamentosa formada por duas subunidades proteicas enroladas em dupla hélice. sendo que cada uma delas contém um sítio ativo. formando uma dupla hélice. A TnT é a subunidade da troponina que está associada à tropomiosina e a TnC é a subunidade da troponina que apresenta grande afinidade para os íons cálcio. Os microfilamentos de actina encontrados nas bandas A e I do sarcômero são formados a partir de duas cadeias de actinas filamentosas enroladas uma na outra. onde a região globular da miosina se liga. Nas fibras musculares estriadas esqueléticas há duas proteínas associadas ao microfilamento de actina: a troponina e a tropomiosina. cuja função é esconder o sítio ativo para o filamento espesso de miosina no microfilamento de actina. situada nos sulcos dos microfilamentos de actina. A troponina é uma proteína globular formada por três subunidades proteicas. A TnA ou TnI representa a subunidade da troponina que tem afinidade para o microfilamento de actina. A figura abaixo mostra de forma esquemática como ocorre a formação do microfilamento de actina presente nas bandas A e I do sarcômero.

A cabeça apresenta dois sítios importantes: um para o microfilamento de actina e o outro para a adenosina trifosfato (ATP). ela mostra a molécula de miosina. UNIDADE 2 Histologia 45 . de modo que o centro de cada banda A apresenta somente as caudas da miosina. sendo duas cadeias pesadas e quatro cadeias leves. o que resulta na banda H.Figura 3 – Esquema da Montagem do Microfilamento de Actina. A cadeia pesada possui duas regiões distintas: uma porção filamentosa denominada cauda e uma região globular. Observe a figura abaixo. Os filamentos espessos de miosina são formados a partir da associação de 200 a 300 moléculas de miosina. Cada molécula de miosina exibe a forma de um taco de golfe e apresenta seis cadeias polipeptídicas. bem como a organização destas moléculas para a formação do filamento espesso de miosina encontrado na banda A do sarcômero. a cabeça. As moléculas de miosina se organizam num arranjo “cabeça/cauda”.

Atente ainda para a organização dos miofilamentos presentes na banda A do sarcômero. São eles: o retículo sarcoplasmático. o que resulta numa estrutura denominada tríade. a fibra muscular estriada esquelética apresenta outros componentes que atuam no processo de contração muscular. além de exercer as funções de síntese e modificação de lipídeos. invaginações do sarcolema da fibra muscular. no limite entre as bandas A e I. normalmente se associam às miofibrilas e são responsáveis pela chegada do impulso nervoso até as cisternas do retículo sarcoplasmático. Cada túbulo transverso que chega até a miofibrila. responsável pela distribuição da onda de despolarização quase que 46 UNIDADE 2 . está situado entre duas cisternas dilatadas do retículo sarcoplasmático. também atua no controle da entrada e saída de cálcio para o sarcoplasma.Universidade Aberta do Brasil Figura 4 – Esquema da Montagem do Filamento Espesso de Miosina. O retículo sarcoplasmático representado por um sistema de túbulos citoplasmáticos que se intercomunicam. Os túbulos transversos. os túbulos transversos e as mitocôndrias. Mas será que somente as miofibrilas são importantes para a contração da fibra muscular estriada esquelética? Além das miofibrilas.

Mas afinal. a energia necessária para a contração muscular. Para realizar a contração vigorosa. quais são as principais etapas da contração muscular? UNIDADE 2 Histologia 47 . E por fim. ou seja. as mitocôndrias. Durante o processo de contração ocorre o deslizamento dos miofilamentos delgados sobre os miofilamentos espessos.instantaneamente. as fibras musculares estriadas esqueléticas obedecem à lei do Tudo ou Nada. são importantes para a produção de adenosina trifosfato (ATP). após a chegada do estímulo nervoso. a partir da superfície do sarcolema para toda a célula. todas as células do músculo se contraem ou nenhuma delas responde. de acordo com a teoria do deslizamento dos miofilamentos de Huxley. contínua e voluntária. ela mostra a organização do músculo estriado esquelético de forma esquemática. cuja estrutura e função foram detalhadas no livro de Biologia Celular. Atente para as estruturas intracelulares das fibras musculares estriadas esqueléticas. Figura 5 – Tecido Muscular Estriado Esquelético. Observe a figura abaixo.

Uma nova molécula de ATP se une à cabeça da miosina causando a dissociação entre a actina e a miosina. No retículo sarcoplasmático. Níveis reduzidos de cálcio no sarcoplasma provocam o desligamento dos cálcios ligados a subunidade TnC da troponina. São elas: Transporte ativo de íons cálcio para o interior do retículo sarcoplasmático através das bombas de cálcio presentes na membrana desta organela. Uma vez no sarcoplasma. impossibilitando a produção de energia pelas mitocôndrias. O fosfato quando liberado resulta num aumento de afinidade entre a actina e a miosina. ocorre a ativação dos canais de cálcio voltagem-dependentes resultando na liberação destes íons para o sarcoplasma da célula. uma vez que as células foram destruídas após a morte do organismo. Quando o sítio da molécula de actina fica exposto. o que permite a ligação deste complexo ao sítio ativo da actina. a adenosina trifosfato (ATP) ligada à cabeça da miosina é quebrada em adenosina difosfato (ADP) e fosfato inorgânico (Pi). os íons cálcio se ligam na subunidade TnC da troponina que sofre uma mudança na sua forma acarretando na modificação da posição da tropomiosina. actina é arrastado para o centro do sarcômero devido à transformação da energia química em movimento. expondo o sítio ativo na molécula de actina para a miosina.Universidade Aberta do Brasil O impulso nervoso que chega até o sarcolema da fibra muscular se espalha rapidamente para o interior da célula através dos túbulos transversos. chegando até as cisternas terminais dilatadas do retículo sarcoplasmático. a partir deste momento acontece uma inversão das etapas que levaram à contração muscular. Vários ciclos de ligação e dissociação devem acontecer entre a actina e a miosina para que a contração seja finalizada. Mas como ocorre o relaxamento do músculo? O relaxamento muscular ocorre quando o impulso nervoso que gerou o estímulo termina. Você já teve a curiosidade de saber por que os músculos de um cadáver são enrijecidos? O enrijecimento dos músculos de um cadáver é denominado “rigor mortis” e ocorre porque não há mais possibilidade de ligação da molécula de ATP à cabeça da miosina. Após a liberação do ADP o microfilamento de . na qual ela esconde o sítio ativo da 48 UNIDADE 2 . possibilitando o retorno da tropomiosina à sua posição anterior.

as fibras do Tipo IIC são consideradas de caráter intermediário em capacidade oxidativa e glicolítica. As fibras Tipo I são avermelhadas devido à grande quantidade de capilares sanguíneos e mitocôndrias. possuem número ainda menor de capilares sanguíneos o que resulta num metabolismo predominantemente anaeróbico. São raras e sua função é atuar na reinervação dos músculos. Brancas. São recrutadas em atividades que necessitam o uso de maior força numa única contração. Seu verdadeiro potencial está no metabolismo anaeróbico de média duração (1 a 3 minutos) produzindo o ácido láctico como subproduto. No ser humano.actina impedindo a interação da actina com a miosina. grande capacidade de oxidar (queimar) gorduras. Pessoas que realizam atividades físicas de longa distância. porém. apresentam predomínio deste tipo de fibra muscular. Normalmente são fibras pequenas com pouca capacidade de hipertrofiar. no entanto. Vermelhas. Já as fibras do tipo anaeróbicas recebem o nome de Tipo II. o que possibilita a elas. Apresentam grande capacidade de hipertrofia e são mais desenvolvidas em pessoas que aparentam possuir maior volume de massa muscular. E finalmente. As fibras Tipo IIB são as mais pálidas. enquanto outras são mais bem equipadas para trabalhar em condições anaeróbicas. possuem menor número de capilares sanguíneos resultando numa moderada capacidade oxidativa. são mais susceptíveis à fadiga. as fibras do tipo aeróbicas são denominadas Tipo I. como no caso dos fisiculturistas. como os maratonistas. IIB (Rápidas-glicolíticas – RG) e IIC (Não Classificadas ou Intermediárias). As fibras do Tipo II são subdivididas em IIA (Rápidas-Oxidativas-Glicolíticas – ROG). Você sabia que todas as fibras musculares estriadas esqueléticas podem atuar sob condições tanto aeróbicas quanto anaeróbicas? Apesar da versatilidade das células musculares. apresentando baixa capacidade oxidativa. de Contração Rápida (CR) ou Glicolíticas Rápidas (GR). As fibras Tipo IIA são mais pálidas que as fibras do Tipo I. UNIDADE 2 Histologia 49 . de Contração Lenta (CL) ou Oxidativas Lentas (OL). algumas delas são mais bem equipadas bioquímica e estruturalmente para trabalhar em condições aeróbicas. são resistentes à fadiga. como nos corredores de 100 m. carboidratos e até o ácido láctico.

assim como a de um indicador enzimático da velocidade de contração das fibras musculares. SEÇÃO 2 HISTOLOGIA DO TECIDO NERVOSO Você sabia que existe um trilhão de células nervosas com milhares de interconexões que formam um complexo sistema de comunicação neuronal dentro do seu corpo? E que este complexo sistema de comunicação neuronal juntamente com as células gliais de sustentação formam o que chamamos de tecido nervoso? E que os componentes do tecido nervoso que se concentram no encéfalo e na medula espinal fazem parte do sistema nervoso central. o trifosfato de adenosina miofibrilar ou miosina ATPase (m-ATPase). A análise consiste em corar quimicamente o tecido muscular para evidenciar a presença de enzimas oxidativas ou glicolíticas. A incisão ou corte é feita sob anestesia local. A agulha é inserida no músculo de forma que uma pequena abertura tipo janela é preenchida com tecido muscular. enquanto aqueles componentes que se encontram espalhados pelo organismo sob a forma de gânglios e nervos formam o sistema nervoso periférico? 50 UNIDADE 2 . consiste na introdução de uma agulha com tamanho aproximado de um lápis através de uma incisão de 1 cm na pele. Este procedimento. Uma lâmina interna presente na agulha corta um fragmento do músculo que normalmente pesa entre 20 a 40 miligramas. assim como a análise tecidual no microscópio óptico. É bom lembrar que o procedimento de biópsia de agulha. A seguir. relativamente sem dor. são realizados em laboratórios clínicos e de pesquisa bem equipados. a amostra obtida a partir da biópsia é processada de acordo com técnicas padronizadas para o estudo de enzimas em preparações histológicas.Universidade Aberta do Brasil A classificação dos tipos de fibras é feita através da análise histoquímica de uma amostra de tecido muscular obtida por meio do procedimento de biópsia por agulha.

UNIDADE 2 Histologia 51 . O corpo celular do neurônio. os neurônios pertencentes ao gânglio sensitivo da raiz dorsal da medula espinal. somente um prolongamento parte do mesmo e. também conhecido como soma. é a porção central da célula onde podemos encontrar o núcleo e o citoplasma perinuclear. Na maioria dos neurônios o corpo celular é arredondado. sendo chamados de bipolares.youtube. com inúmeros prolongamentos. lá você visualizará imagens que muito lhe auxiliará no entendimento da estrutura e da função das células nervosas. Citoplasma perinuclear: porção citoplasmática situada ao redor do núcleo. Mas o que existe de tão especial nos neurônios que permite que estas células sejam capazes de receber e transmitir informações de extrema importância para a nossa vida? Os neurônios são constituídos por três partes diferentes: um corpo celular. múltiplos dendritos e um único axônio.Antes de iniciar o estudo sobre a histologia do tecido nervoso assista ao vídeo Trabalho sobre o Sistema Nervoso no link www. ela mostra a classificação dos neurônios quanto ao número e a distribuição de seus prolongamentos. possuem o corpo celular arredondado. Já os neurônios localizados na retina e no epitélio olfativo da cavidade nasal.com. por isso. a partir do qual surgem apenas dois prolongamentos. sendo denominados multipolares. Observe a figura abaixo. embora apresentem o corpo celular arredondado. Entretanto. são denominados unipolares ou pseudo-unipolares.

Os grânulos de melanina de função desconhecida apresentam coloração que varia do castanho-escuro ao preto. As características acima citadas são indicativas de elevada atividade metabólica.Universidade Aberta do Brasil Figura 6 – Tipos de Neurônios. esférico e de localização central. grânulo pigmentar de coloração castanho-amarelada 52 UNIDADE 2 . A lipofuscina. Independente da forma. o corpo celular do neurônio apresenta um núcleo grande. acredita-se que participa da distribuição de proteínas pela célula e um Complexo de Golgi proeminente. quantidade de neurotransmissores. sendo denominados corpúsculos de Nissl. Também apresenta grande quantidade de retículo endoplasmático liso. Ele possui material genético pouco condensado e um nucléolo bem definido. responsável pelo armazenamento de substâncias neurotransmissoras ou enzimas essenciais para a sua produção no axônio. responsáveis pela transmissão do impulso nervoso ao longo do sistema nervoso. cuja função ainda não é muito bem esclarecida. O citoplasma do corpo celular possui riqueza em retículo endoplasmático granular que na microscopia óptica aparecem como grânulos de material basófilo. Armazenamento de substâncias. o que é facilmente explicada pela necessidade destas células produzirem grande Neurotransmissores correspondem às substâncias químicas elaboradas pelas células nervosas. tais como: a melanina e a lipofuscina são comuns no citoplasma dos neurônios.

que permitem a movimentação de íons de uma célula para outra. Acredita-se que estes grânulos sejam remanescentes da atividade enzimática do lisossomo. Há duas formas de transmitir o impulso nervoso nas sinapses: a elétrica e a química. Neste tipo de sinapse. Componentes do citoesqueleto. talvez centenas de milhares de impulsos. os tipos de comunicação mais comuns encontradas entre duas células nervosas. de um neurônio para uma célula glandular. de um neurônio para uma fibra muscular ou ainda. A ramificação dendrítica resulta numa extensa superfície para o estabelecimento de várias sinapses. as fibras musculares e as células glandulares. para realizar as funções de transporte de substâncias e sustentação estrutural da célula neuronal. a transmissão do impulso nervoso é muito mais rápida quando comparada com as sinapses químicas. pequena quantidade de retículo endoplasmático granular e de componentes do citoesqueleto representados por microtúbulos e neurofilamentos. daí a denominação de grânulos de envelhecimento. sendo encontradas na retina e no córtex cerebral. acarretando no deslocamento das organelas e do núcleo. Elas são representadas pelas junções comunicantes. tais como.e de formato irregular é mais facilmente encontrado no citoplasma de neurônios de adultos mais idosos. microfilamentos de actina e filamentos intermediários (neurofilamentos) também podem ser encontrados no soma do neurônio. As sinapses elétricas são raras nos mamíferos. ocorrem através da liberação de neurotransmissores. que quando associados aos receptores da membrana UNIDADE 2 Histologia 53 . possivelmente afetando a função celular. Elas permitem a comunicação entre os neurônios e entre neurônios e as células efetoras. o que permite a um único neurônio receber e integrar múltiplos. As sinapses químicas. tais como microtúbulos. Os dendritos são prolongamentos que partem do corpo celular do neurônio e ampliam incrivelmente o campo receptor destas células. Mas o que são sinapses? As sinapses são os locais onde os impulsos nervosos são transmitidos de um neurônio para outro neurônio. Nos dendritos da maioria dos neurônios existem numerosas mitocôndrias. especializações da membrana plasmática estudadas no livro didático de Biologia Celular.

ela mostra de forma esquemática dois tipos de sinapses encontradas entre as células nervosas. é rico em microtúbulos e 54 UNIDADE 2 . Os tipos de contatos sinápticos mais comuns observados entre os neurônios são: Sinapse axodendrítica – entre um axônio e um dendrito. Sinapse axossomática – entre um axônio e um soma ou corpo celular. Sinapse dendrodendrítica – entre dois dendritos. entretanto. O axônio surge do corpo celular como um delgado prolongamento que pode chegar a distâncias bem maiores que aquelas atingidas pelos dendritos. Observe a figura abaixo. axoplasma.Universidade Aberta do Brasil celular estimulam a liberação de íons que alteram a permeabilidade dessas membranas o que resulta na geração do impulso nervoso. Sinapse axoaxônica – entre dois axônios. nenhum retículo endoplasmático granular. contém pouco retículo endoplasmático liso e mitocôndrias. Você sabia que existem axônios que podem apresentar um metro ou mais de comprimento? Os axônios das células motoras da medula espinal que inervam os músculos do pé são exemplos deste tipo de axônio. Figura 7 – Tipos de Sinapses. O citoplasma do axônio denominado.

UNIDADE 2 Histologia 55 . Mas o que é placa motora ou junção neuromuscular? A placa motora ou junção neuromuscular é a porção terminal dilatada do axônio motor que representa o local de contato com a fibra muscular estriada esquelética. que é responsável pelo envio do estímulo que é essencial para a contração das fibras musculares que constituem o músculo estriado esquelético? E que o conjunto da fibra nervosa motora e as fibras musculares estriadas esqueléticas que inerva recebem o nome de Unidade Motora? O estímulo enviado pelo sistema nervoso chega até as fibras musculares por meio da placa motora ou junção neuromuscular.neurofilamentos que atuam no transporte de substâncias e na sustentação estrutural do mesmo. Figura 8 – Unidade motora (1250x). ou seja. ela mostra a unidade motora. Coloração: Lowiit. Você sabia que o axônio forma a fibra nervosa motora. é o momento de iniciar o processo de contração muscular. Observe a foto abaixo. Atente para uma das porções dilatadas do axônio motor sobre a fibra muscular estriada esquelética. É através do impulso nervoso gerado ao longo do axônio motor que ocorre a sinalização para a fibra muscular estriada esquelética. esta região é denominada placa motora ou junção neuromuscular. o axônio motor inervando as fibras musculares estriadas esqueléticas.

finalmente. estruturas estas estudadas no tópico de especializações da membrana plasmática do livro didático de Biologia Celular. Assim. precisão e coordenação de seu movimento. está associada com movimentos precisos. tecido conjuntivo rico em fibras reticulares que atua na sustentação individual de cada axônio. o epineuro. responsáveis pela formação de uma barreira que impede a passagem de agentes agressivos. A figura a seguir mostra a organização das bainhas de tecido conjuntivo nos nervos periféricos. Resumindo: alta relação baixa relação fibra – nervo fibra – nervo está associada com movimentos grosseiros. O envoltório mais externo de sustentação dos nervos é constituído por tecido conjuntivo denso. Já aqueles músculos usados para um trabalho bastante pesado. como no caso do quadríceps da perna. podem ter centenas ou até milhares de fibras musculares por unidade motora. músculos que realizam trabalhos refinados e delicados. que além de revesti-lo. 56 UNIDADE 2 . Cada feixe deste. possuem apenas uma fibra muscular em uma unidade motora.Universidade Aberta do Brasil É importante destacar que a relação de fibras musculares inervadas por um único axônio motor está relacionada com a exatidão. composto por várias camadas de células pavimentosas unidas por junções oclusivas. Cada grupo de fibras nervosas espalhadas pelo corpo humano forma o que chamamos de nervos periféricos. responsáveis pela sustentação e proteção contra agentes agressivos. E. também preenche os espaços entre os feixes de fibras nervosas. cada fibra nervosa é revestida pelo endoneuro. Os nervos periféricos são envolvidos por bainhas ou envoltórios de tecido conjuntivo. é revestido pelo perineuro. como os músculos oculares. composto por um aglomerado de fibras nervosas. tecido conjuntivo moderadamente denso.

pois as células de Schwann formam uma bainha contínua. um tipo de célula da glia presente no tecido nervoso periférico. As fibras nervosas que constituem os nervos numa pessoa adulta são envolvidas por dobras únicas ou múltiplas formadas pela célula de Schwann. Nas fibras amielínicas não existem nódulos de Ranvier. Mas o que são fibras nervosas amielínicas periféricas? As fibras nervosas amielínicas periféricas possuem os axônios envolvidos pelas células de Schwann. Qual seria então a principal diferença entre fibras nervosas amielínicas periféricas e fibras nervosas mielínicas periféricas? UNIDADE 2 Histologia 57 . porém neste caso específico. Já nos axônios mais calibrosos. As células de Schwann são achatadas e pobres em organelas citoplasmáticas. Sua membrana plasmática de constituição lipoproteica é peculiar. não ocorre o enrolamento em espiral.Figura 9 – Estrutura de um feixe nervoso. pois apresenta uma quantidade bem maior de lipídeos quando comparada com qualquer outra célula encontrada no corpo humano e a ela foi denominada bainha de mielina. Axônios de pequeno diâmetro são envolvidos por uma única dobra da célula envoltória e formam as fibras nervosas amielínicas periféricas. originando assim as chamadas fibras nervosas mielínicas periféricas. a célula envoltória enrola-se em espiral ao redor dos axônios.

Você sabia que a velocidade de condução das fibras nervosas periféricas depende da extensão da bainha de mielina? Nos nervos mielínicos. a transmissão do impulso nervoso “salta” pelos nódulos de Ranvier. a condução é contínua. Nas fibras mielínicas a bainha de mielina se interrompe em intervalos regulares. Coloração: Hematoxilina-Eosina. Mas o que é o Nódulo de Ranvier? Qual é a sua função? O Nódulo de Ranvier corresponde aos locais do axônio onde há interrupção da bainha de mielina. Já nos nervos amielínicos. Estes locais possibilitam a passagem do impulso nervoso. 58 UNIDADE 2 .Universidade Aberta do Brasil Nas fibras nervosas mielínicas periféricas. sendo denominada condução saltatória. pois a função da bainha de mielina é atuar como isolante impossibilitando a passagem de íons para a membrana do axônio. a membrana plasmática da célula de Schwann aparece sob a forma de diversas camadas enroladas em espiral ao redor dos axônios. Figura 10 – Gânglio Sensitivo da Raiz Dorsal da Medula Espinal de Rato (1250x). Observe a figura abaixo. cujos axônios são recobertos por somente uma única camada da membrana plasmática das células de Schwann. sendo mais lenta e com maior gasto de energia quando comparada com a condução saltatória. ela mostra fibras nervosas mielínicas que inervam o gânglio sensitivo da raiz dorsal da medula espinal. formando os nódulos de Ranvier. formando assim a bainha de mielina. Atente para o nódulo de Ranvier.

Após a chegada do estímulo no músculo. Os músculos estriados esqueléticos recebem informações sob a forma de impulso nervoso. Outro aspecto importante trabalhado nesta Unidade foi a caracterização das fibras musculares estriadas esqueléticas com relação a sua capacidade de trabalhar em condições aeróbicas e anaeróbicas. dois tecidos importantes que trabalham em perfeita harmonia durante a realização dos movimentos corporais voluntários. Pesquise em livros. mas também durante a prática de esportes. Siga em frente com seus estudos. É bom lembrar que a aquisição dos conhecimentos sobre a estrutura e o funcionamento dos tecidos muscular e nervoso será de muita valia quando você estiver estudando os conteúdos das disciplinas específicas do seu curso. iniciadas no cérebro a partir dos neurônios que se encontram nesta região e chegam até os músculos por meio das fibras nervosas que formam as placas motoras ou junções neuromusculares. UNIDADE 2 Histologia 59 . outro tipo de célula da glia encontrada exclusivamente no sistema nervoso central. Como você observou nesta seção foi abordada a histologia dos músculos e dos nervos. revistas ou sites os demais tipos de células da glia presentes no sistema nervoso central e elabore uma tabela com as características histológicas. os componentes das fibras musculares esqueléticas efetuam inúmeras ações que possibilitam a interação das proteínas contráteis do sarcômero. isso mostra a sua infinita dedicação na busca de novos conhecimentos. a função e a localização de cada célula da neuróglia pesquisada.O sistema nervoso central também apresenta fibras nervosas amielínicas e fibras nervosas mielínicas. A célula que envolve os axônios não é a de Schwann. afinal chegar até aqui não é tarefa para qualquer um. mas sim o oligodendrócito. gerando a contração dos músculos. essencial não só para a realização das nossas atividades diárias. Este conhecimento embasado nas suas características bioquímicas e estruturais auxilia o atleta na escolha da modalidade esportiva mais adequada ao seu biótipo.

existem algumas regiões em que estes tipos de células nervosas receberam nomes específicos. Porém. 2. 3. resumidamente. Pesquise na internet. Explique. Nesta unidade. 4. Os neurônios multipolares correspondem a um dos tipos mais abundantes. 60 UNIDADE 2 . tanto no sistema nervoso central como no sistema nervoso periférico. e) Nenhuma das alternativas está correta. c) Controlar a liberação e o sequestro do cálcio utilizado na contração. d) Proporcionar a formação dos filamentos espessos de miosina presentes nas bandas A e H do sarcômero. revistas ou livros. a importância do predomínio de fibras tipo I em pessoas que realizam atividades físicas de longa distância. O retículo sarcoplasmático da fibra muscular estriada esquelética tem como função: a) Enviar o estímulo nervoso para as proteínas contráteis. Pesquise na internet. revistas. O músculo estriado esquelético possui contração voluntária e é estimulado por impulsos nervosos gerados ao longo do axônio motor. Descreva as suas características histológicas e cite o local onde pode ser encontrado. você estudou as modificações sofridas pela fibra muscular estriada esquelética durante o processo de contração muscular.Universidade Aberta do Brasil 1. ou livros o que acontece na placa motora que permite a chegada do impulso nervoso até as fibras musculares estriadas esqueléticas. b) Promover a quebra da molécula de ATP para o fornecimento de energia para a contração. dois tipos de neurônios multipolares que receberam denominações especiais.

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■ Identificar.sistemas cardiovascular. as glândulas endócrinas descrevendo suas modificações adaptativas durante a prática de atividades físicas. rOteirO De estUDOs ■ SEÇÃO 1: Histologia do Sistema Cardiovascular e sua adaptação frente ao treinamento esportivo ■ SEÇÃO 2: Histologia do Sistema Respiratório e sua adaptação frente ao treinamento físico ■ SEÇÃO 3: Histologia do sistema endócrino e sua adaptação frente ao treinamento esportivo UNIDADE III 63 UNIDADE 3 Visão microscópica dos Histologia . ■ Descrever a histologia dos alvéolos pulmonares no processo de respiração. sob o ponto de vista histológico. ■ Caracterizar as principais modificações e adaptações evidenciadas nos sistemas cardiovascular e respiratório devido à prática de atividades físicas. respiratório e endócrino MARCIA REGINA PAES DE OLIVEIRA ObjetivOs De aprenDiZaGem ■ Descrever as características histológicas dos tecidos que formam o coração relacionando-os com as suas funções e distinguindo as principais diferenças entre os vasos sanguíneos.

Na seção 2. SEÇÃO 1 HISTOLOGIA DO SISTEMA CARDIOVASCULAR E SUA ADAPTAÇÃO FRENTE AO TREINAMENTO ESPORTIVO Histologia do Coração e dos vasos sanguíneos Você já estudou no livro didático de Biologia Celular a importância do sistema cardiovascular para o ser humano e quais são as adaptações 64 UNIDADE 3 . bem como os hormônios que elas produzem. É importante que você saiba que o coração e os vasos sanguíneos apresentam diferenças anatômicas e funcionais quando se compara um atleta com uma pessoa sedentária. Também irá conhecer as principais diferenças existentes entre os vasos sanguíneos presentes no corpo humano. você irá estudar a estrutura dos componentes do sistema cardiovascular. bem como as principais modificações que ocorrem neste sistema resultante da adaptação do corpo ao aumento da demanda de oxigênio durante o esforço físico. além de verificar como o sistema endócrino se adapta ao exercício físico a fim de manter normal o metabolismo do atleta. Algumas destas modificações serão apresentadas nesta unidade e refletem adaptações do organismo para suprir o aumento das necessidades de nutrientes requeridos durante a realização de atividade física. Na seção 3. apesar do estresse fisiológico gerado pela atividade física. Também terá oportunidade de conhecer a importância desses hormônios na regulação da homeostase do organismo. você irá estudar a estrutura e a organização das glândulas endócrinas.Universidade Aberta do Brasil PARA INÍCIO DE CONVERSA Na seção 1 desta unidade. associando-os com o tipo de sangue transportado e com o percurso do sangue durante o seu transporte. será abordada a histologia dos componentes responsáveis pelas trocas gasosas realizadas no sistema respiratório. bem como a função que os mesmos desempenham na distribuição de sangue e nutrientes para o organismo.

fibras e matriz extracelular. a média e mais desenvolvida. camada subendotelial. Você se lembra das principais características do tecido conjuntivo frouxo. O endocárdio é formado por uma camada de células achatadas.que o mesmo realiza durante a atividade física para manter normal a pressão sanguínea. o miocárdio e a externa. e por delgado tecido conjuntivo frouxo. No caso da camada UNIDADE 3 Histologia 65 .youtube. Também já é de seu conhecimento que ele é formado pelo coração.parte 3” no link www. denominado. No entanto. Antes de iniciar o estudo sobre a histologia do sistema cardiovascular assista ao vídeo “O Corpo Humano – 06 – Sistema Cardiovascular . lá você visualizará imagens que lhe ajudarão na compreensão do papel desempenhado por este sistema no organismo. estudadas na seção 1 da Primeira Unidade deste livro? O tecido conjuntivo frouxo propriamente dito apresenta quantidades semelhantes de células. o endotélio. Mas quais são os tecidos que formam o nosso coração? O coração é um órgão muscular que se contrai ritmicamente enquanto bombeia o sangue pelo sistema circulatório formado pelos vasos sanguíneos. órgão responsável pelo bombeamento do sangue para os órgãos e pelos vasos sanguíneos.com. através dos quais o sangue circula pelo organismo. verdadeiros ductos. chamada pericárdio. a parede do coração é constituída por três camadas ou túnicas: a interna. denominada endocárdio.

Nestas estruturas. os desmossomas que atuam na união das células musculares cardíacas impedindo que elas se separem durante a atividade contrátil e as junções comunicantes responsáveis pela continuidade iônica entre as células cardíacas permitindo que todas se contraiam ao mesmo tempo. Os discos intercalares são junções celulares que aparecem como linhas transversais retas ou na forma de degraus de escada. os discos intercalares. Além disso. Observe ainda.Universidade Aberta do Brasil subendotelial do endocárdio além de apresentar as fibras elásticas e colágenas. as células musculares cardíacas são ramificadas e se unem umas as outras através de junções intercelulares complexas. ela mostra o músculo estriado cardíaco em secção longitudinal. Observe a figura abaixo. organizadas em camadas que envolvem as câmaras deste órgão. componentes comuns deste tipo de tecido conjuntivo. podemos encontrar três especializações de membrana: as faixas de adesão responsáveis pela fixação dos microfilamentos de actina dos sarcômeros terminais à membrana plasmática. O miocárdio é a camada mais espessa do coração e formada por células musculares estriadas cardíacas. Atente para as células alongadas e ramificadas que podem conter até no máximo dois núcleos centrais. 66 UNIDADE 3 . os discos intercalares presentes nos limites entre as células musculares. por apresentarem somente um ou no máximo dois núcleos de localização central. fortemente coráveis nos preparados histológicos. mas diferem destas. também possui algumas fibras musculares lisas. O arranjo das células musculares é muito variável resultando em fibras orientadas em muitas direções quando observadas num corte histológico. As fibras musculares cardíacas são alongadas e apresentam estrias transversais semelhantes àquelas encontradas nos músculos esqueléticos.

No entanto. A análise ultraestrutural através de microscopia eletrônica de transmissão das células musculares do átrio esquerdo revelou a presença de grânulos secretores contendo o hormônio atrial natriurético que atua na redução da pressão arterial. Coloração: Hematoxilina Férrica. é constituída por tecido conjuntivo frouxo revestido por uma única camada de células UNIDADE 3 Histologia 67 . a estrutura e a função das proteínas contráteis são semelhantes àquelas descritas para o músculo esquelético na seção 1 da Segunda Unidade deste livro. Outra característica marcante do músculo cardíaco é a riqueza de mitocôndrias que ocupam aproximadamente 40% do volume citoplasmático. No músculo cardíaco.Figura 1 – Músculo Estriado Cardíaco de Rato em Secção Longitudinal (500x). Os túbulos transversos cardíacos da musculatura dos ventrículos são mais desenvolvidos do que no músculo esquelético e geralmente se associam a somente um segmento de retículo sarcoplasmático liso. A camada mais externa do coração. o túbulo transverso e o retículo endoplasmático liso não são tão organizados como no músculo esquelético. o epicárdio. originando as díades. devido ao seu intenso metabolismo aeróbico.

como nas artérias. em contato com o sangue. é denominada íntima e apresenta uma única camada de células pavimentosas. A camada mais interna. plasmática. Em alguns vasos. E por fim. A seguir serão abordadas com detalhes todas as túnicas ou camadas presentes nos vasos sanguíneos dos seres humanos. Associadas à membrana Invaginações: dobras da superfície de um corpo com o progressivo aprofundamento de uma de suas partes. formada por tecido conjuntivo frouxo. diferente do que ocorre nas fibras musculares estriadas. fibras reticulares e proteoglicanas. rico em fibras colágenas tipo I e fibras elásticas. constituída de fibras elásticas que são responsáveis pelo aparecimento de pregas na luz destes vasos. de acordo com a intensidade do fluxo de sangue que passa no interior dos mesmos. A camada mais externa das artérias é a adventícea. a túnica íntima está separada da túnica média pela presença da membrana limitante elástica interna. Os microfilamentos de actina e os filamentos espessos de miosina não se organizam na forma de sarcômero. Eles apresentam as túnicas íntima. a contração do músculo liso não obedece à lei do tudo ou nada. a camada subendotelial. denominada endotélio que se apoia numa camada de tecido conjuntivo frouxo. responsáveis pela regulação do diâmetro dos vasos sanguíneos. como que penetrando na estrutura restante do mesmo.Universidade Aberta do Brasil achatadas denominada mesotélio. Entre a túnica média e a túnica adventícea das artérias de médio e grande calibre é comum observar a presença da membrana limitante elástica externa. encontramos as cavéolas. sob a forma de invaginações da membrana. A túnica média é formada por várias camadas de fibras musculares lisas embebidas numa substância fundamental amorfa composta por fibras elásticas. média e adventícea. apesar 68 UNIDADE 3 . estruturas que atuam na regulação da concentração de íons cálcio no sarcoplasma. a célula toda ou somente parte dela pode se contrair num dado momento. É importante que você saiba que os vasos sanguíneos. As fibras musculares lisas apresentam aspecto fusiforme contendo somente um núcleo achatado e situado no centro da célula. Você sabia que os vasos sanguíneos que transportam o sangue pelo organismo apresentam camadas ou túnicas em comum? Você saberia citar as camadas encontradas na parede de um vaso sanguíneo? Vamos analisar a estrutura geral dos vasos sanguíneos. resultando na ausência de estrias transversais comumente encontradas nas fibras musculares estriadas. também constituída por fibras elásticas.

por serem os menores vasos que levam o sangue para os tecidos e órgãos. Vênula Idem as veias. Características Luz Núcleo do endotélio Artéria Pregueada e de tamanho normal. Arredondado. Ausente. Presente somente nas de médio calibre. Pavimentoso. Pouco desenvolvida ou inexistente. possuem uma parede mais simples. Membrana Limitante Elástica Presente. Pouco Pouco Bem desenvolvida. É bom lembrar que os capilares. Pavimentoso. exceto nas veias superficiais da perna. Ausente. Ausente. Arteríola Idem as artérias. desenvolvida. Bem mesmo nas desenvolvida. Veia Ampla. Arredondado. ela mostra as camadas presentes na parede dos vasos sanguíneos. terminais. veias e vênulas? A tabela abaixo mostra as principais diferenças existentes entre estes vasos sanguíneos. arteríolas. Interna Túnica Média Presente. Ausente. possuem diferenças estruturais como consequência do tipo de sangue que transportam e do local onde são encontrados no corpo humano. desenvolvida. Agora. tente identificar as diferenças estruturais mais evidentes existentes entre artéria e veia. Ausente. Externa. Com o auxílio da tabela I. Presente em menor quantidade que as veias. Ausente.de apresentarem as mesmas camadas ou túnicas. Ausente. observe a figura abaixo. Ausente. Ausente. Bem desenvolvida. Membrana Limitante Elástica Presente. Valvas Ausente. Ausente nas pequenas e terminais. UNIDADE 3 Histologia 69 . A parede destes vasos é formada por somente uma camada de células endoteliais pavimentosas. Túnica Adventícea Vasa vasorum Ausente nas de menor calibre. Mas quais são as principais diferenças entre artérias. Presente em grande quantidade. sem pregas e deformada.

associada a um aumento de peso. Você já ouviu falar em coração de esportista? O coração de esportista ocorre em pessoas que quando submetidas a determinados tipos de treinamentos esportivos de longa duração. Sangue residual: corresponde ao sangue que sobra no coração no final da sístole.Universidade Aberta do Brasil Figura 2 – Vasos Sanguíneos (500x). O aumento das cavidades cardíacas nos esportistas proporciona uma quantidade maior de sangue residual. quando a exigência da irrigação da musculatura aumentar repentinamente. que nada tem a ver com o aumento compensatório observado em algumas doenças cardíacas como consequência de lesão no músculo cardíaco. Adaptações do Sistema Cardiovascular frente ao exercício físico. quais são as principais características do coração de esportista? Hipertrofia: desenvolvimento excessivo de um órgão ou de uma parte do corpo pelo aumento do volume das células locais. Mas. A vantagem do aumento de sangue residual é que ele pode servir de reserva de volume sistólico. O coração do esportista tem um desempenho acima da média e diminui de tamanho quando há 70 UNIDADE 3 . O treinamento de resistência resulta no aumento do coração tanto por hipertrofia. induzem este órgão a sofrer adaptações morfológicas e funcionais. Coloração: Hematoxilina-Eosina. quanto pela dilatação das cavidades cardíacas. devido ao aumento das necessidades de oxigênio e nutrientes pelo organismo durante a realização destas atividades. É importante você saber que o coração do esportista é um coração harmonicamente aumentado. quando comparado com o coração de uma pessoa não-treinada.

sem que apareçam alterações patológicas. comparando-as com pessoas não treinadas (em cima). Você sabia que o aumento do coração ocasiona modificação na sua forma? E que esta modificação anatômica pode levar a diagnósticos errados na prática médica? No coração de esportistas o ventrículo esquerdo sofre aumento no diâmetro do comprimento e do arco ventricular. Já a esgrima ocasiona aumento do coração do esportista somente por hipertrofia. Figura 3 – Esquema do Coração de um Atleta e de uma Pessoa não Treinada. Estudos já demonstraram que esportes como o ciclismo e a canoagem induzem ao aumento significativo das cavidades cardíacas dos atletas. Observe as principais variações em vista anterior (a) e lateral (b). A figura abaixo evidencia as principais modificações anatômicas encontradas no coração de um atleta (embaixo). Com relação ao aumento sofrido pelo ventrículo direito. Espaço retro-cardíaco: que está situado atrás do coração. além do ápice ser progressivamente arredondado.redução do treinamento. UNIDADE 3 Histologia 71 . Estas modificações fazem com que o coração aumente para a esquerda e seja deslocado para o espaço retro-cardíaco. que no coração do esportista sofre uma significativa redução. este pode ser evidenciado pela passagem da cintura cardíaca.

O destreinamento deve ser planejado pelo menos por um ano e realizado sob controle médico. • Aumento no diâmetro das artérias coronárias. o treinamento de resistência também induz alterações importantes no sistema vascular arterial. Você sabia que a interrupção de um treinamento de alto nível. • Dilatação das entradas das artérias coronárias. SINTOMAS DA SÍNDROME AGUDA DO DESTREINAMENTO Pressão/pontadas na região do coração Extrassístoles Vertigem/desequilíbrio circulatório Cefaléia Sensação de saciedade na região superior do abdome Alterações da digestão Alterações do apetite Inquietação Distúrbios de sono Tendências depressivas Instabilidade mental 72 UNIDADE 3 (Fonte: Israel. É importante você saber que a Síndrome Aguda do Destreinamento pode ser evitada através da redução gradual das cargas de treinamento habituais. para que um aumento indesejado de peso corporal seja evitado. 1983. Durante a redução gradual dos treinamentos. que normalmente surge 4 a 20 dias após a interrupção do treinamento e pode durar até vários meses? Os principais sintomas desta patologia estão resumidos na tabela abaixo.) . • Aumento na espessura da parede dos capilares sanguíneos. pode resultar na Síndrome Aguda do Destreinamento. a alimentação também deve ser reduzida. denominada destreinamento. Você saberia citar alguma alteração sofrida pelo sistema vascular resultante da prática de esportes de resistência? Segue abaixo as principais mudanças observadas no sistema vascular arterial de esportistas que realizam treinamentos de resistência: • Aumento da rede de capilares que irrigam estas regiões.Universidade Aberta do Brasil O aumento e consequente alteração na forma do coração do esportista ocorrem harmonicamente e estendem-se às quatro cavidades cardíacas. especialmente nas modalidades de resistência. Além do aumento do coração. principalmente no que diz respeito ao número de calorias ingeridas.

UNIDADE 3 Histologia 73 . Também observou que a ventilação pulmonar e os movimentos de inspiração e expiração são essenciais para que ocorra a respiração. localizada somente no interior dos pulmões. todos os órgãos que compõem o sistema respiratório? Antes de iniciar o estudo sobre a histologia da porção respiratória do sistema respiratório assista ao vídeo “Biologia – A fisiologia do Sistema Respiratório – Prof. Toid” no link www. realiza a troca do oxigênio (O2) por dióxido de carbono (CO2). O sistema respiratório é formado pelos pulmões e por um conjunto de vias aéreas que são responsáveis pelo contato destes órgãos com o ambiente externo.SEÇÃO 2 HISTOLOGIA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO E SUA ADAPTAÇÃO FRENTE AO TREINAMENTO FÍSICO Histologia da porção respiratória do pulmão Você já estudou com detalhes a dinâmica da respiração na disciplina de Biologia Celular. lá você visualizará imagens que lhe ajudarão a entender mais facilmente a importância deste sistema para o organismo. processo fisiológico de extrema importância no fornecimento de oxigênio e na eliminação do dióxido de carbono para os seres vivos aeróbicos. Já a porção respiratória. com precisão. Você saberia citar. Ele é subdividido em dois componentes: a porção condutora e a porção respiratória. A porção condutora situada fora e dentro dos pulmões conduz o ar do ambiente externo para os pulmões.youtube.com.

Apresenta capilar sanguíneo e tecido conjuntivo rico em fibras elásticas e fibras reticulares. cartilagem e tecido conjuntivo fibroso. Esta porção é responsável pelo transporte. Como o próprio nome indica é a porção do sistema respiratório onde ocorrem as trocas gasosas. Elas impedem a saída do fluido tecidual para dentro do lúmen alveolar através da formação de junções oclusivas. boca. Mas quais as estruturas que participam das trocas gasosas? Como estudado anteriormente. laringe. brônquios e bronquíolos. traqueia. umedecimento e aquecimento do ar inspirado. Os pneumócitos tipo I são células pavimentosas que representam 95% da superfície alveolar. 74 UNIDADE 3 . nasofaringe. dobras da superfície de um corpo com a progressiva exteriorização de uma de suas partes. À medida que o ar progride pelas vias aéreas durante a inspiração. E a porção respiratória. Estima-se que a área de superfície total de todos os alvéolos disponíveis para as trocas gasosas exceda 140 m2. com aproximadamente 200 micrômetros de comprimento. ele encontra um sistema ramificado de túbulos com diâmetro cada vez menor. as trocas gasosas ocorrem em estruturas denominadas alvéolos. o espaço aproximado de uma quadra de tênis simples. antes de chegar até a porção respiratória. Cada alvéolo é uma pequena evaginação em forma de saco. cada pulmão pode apresentar até 300 milhões de alvéolos. faringe. consideradas as unidades funcionais do sistema respiratório.Universidade Aberta do Brasil Mas afinal quais são as estruturas que formam a porção condutora? A porção condutora do sistema respiratório é composta por: cavidade nasal. conferindo-lhe um aspecto esponjoso. apresenta quais estruturas? A porção respiratória conta com bronquíolos respiratórios e alvéolos. porque suas delgadas paredes possibilitam a Evaginação: antônimo de invaginação. A região entre dois alvéolos é conhecida como septo interalveolar e é revestida em ambos os lados pelo epitélio alveolar. Histologicamente é formada por uma combinação de tecido ósseo. filtração. troca de CO2 por O2 entre o ar contido em seus espaços e o sangue nos capilares situados nas proximidades. A parede alveolar é composta por dois tipos de células: os pneumócitos tipo I e os pneumócitos tipo II. ou seja. Apesar de suas dimensões reduzidas. Na disciplina de Biologia Celular você estudou com detalhes como ocorrem as trocas gasosas.

a atividade física causa modificações no sistema respiratório? O sistema respiratório de atletas expostos ao treinamento regular de resistência sofre alterações funcionais e morfológicas. À direita: Porção do Pulmão de Rato. As células de poeira também auxiliam os pneumócitos tipo II na fagocitose do surfactante. Mais de 100 milhões de macrófagos migram diariamente para os brônquios e através do movimento ciliar. Os pneumócitos tipo II são células cúbicas que ocupam somente 5% da superfície alveolar. o alvéolo. que levam a UNIDADE 3 Histologia 75 . mostrando os alvéolos pulmonares e o septo interalveolar (640x). Figura 4 – À esquerda: Detalhe do Alvéolo Pulmonar de Rato (1600x). Coloração: Hematoxilina-Eosina. Observe a figura abaixo. e assim mantêm um ambiente estéril dentro dos pulmões.estruturas estas apresentadas no fascículo de Biologia Celular. Atente para a unidade funcional do pulmão. prevenindo assim a atelectasia que é o colapso ou fechamento dos alvéolos. fagocitam material. Adaptações do sistema respiratório frente aos exercícios físicos. como poeira ou bactérias. Atuam na produção e fagocitose do surfactante pulmonar. Coloração: Hematoxilina-Eosina. são transportados para a faringe a fim de serem eliminados por expectoração ou deglutição. Estas células. Mas afinal. originadas a partir de monócitos do sangue que ganham acesso ao interstício pulmonar. cuja função é diminuir a tensão superficial. Atente ainda para as células de poeira (macrófagos) que podem ser encontradas tanto na luz do alvéolo como no septo interalveolar. Na luz dos alvéolos e também nos septos interalveolares pode-se observar outro tipo de célula. além de sofrerem mitoses para a regeneração de si mesmo. ela mostra a porção respiratória do pulmão. Cada alvéolo possui parede própria formada por pneumócitos tipo I e pneumócitos tipo II. ou seja. também renovam a população de pneumócitos do tipo I. denominada macrófago alveolar ou célula de poeira. Surfactante pulmonar: secreção lipoproteica produzida pelos pneumócitos tipo II.

Mas. você saberia definir o que é? O “ponto morto” pode ser definido como uma crise de desempenho. devido ao abastecimento insuficiente de oxigênio nas fibras musculares o que resulta numa preparação de energia Dispneia: falta de ar. E com relação ao “ponto morto”. 76 UNIDADE 3 . Adicionalmente. As condições prévias melhoradas do sistema respiratório. Mas. o volume do parênquima pulmonar aumenta quase 50%. os quais são responsáveis pela respiração torácica e o diafragma que representa o “motor” da respiração abdominal. que de acordo com a carga da atividade e a condição física. que por si só já compromete a adaptação da circulação. se a carga de atividade ocorrer após uma farta refeição. por que pessoas não treinadas apresentam “dor de lado”? A “dor de lado” ocorre quando há deficiência do diafragma no abastecimento de oxigênio e insuficiência na adaptação à carga corporal. O Treinamento de resistência entre os 12 e os 16 anos de idade pode levar a formação de um pulmão de desempenho. sensação de fraqueza e desejo intenso de interromper o desempenho. diminuem a exposição de riscos relacionados a distúrbios respiratórios como “dor de lado” ou “ponto morto” quando se compara uma pessoa treinada com uma pessoa não treinada. que atinge principalmente os músculos intercostais externos. o treinamento de resistência induz a hipertrofia da musculatura respiratória. quais são as vantagens de uma pessoa treinada apresentar condições prévias melhoradas do sistema respiratório? Parênquima pulmonar: células que constituem o pulmão. anaeróbica limitada evidenciada pela dispneia. tanto morfológicas quanto funcionais.Universidade Aberta do Brasil otimização da regulação respiratória resultando numa economia da respiração. Você sabia que na puberdade ocorre um aumento significativo da massa e da superfície alveolar do pulmão? Nessa fase de nossas vidas. Isso pode acontecer mediante a realização de pouca corrida de aquecimento ou ainda. surge mais cedo ou mais tarde (entre ½ e 6 minutos após o início da atividade física). Os sintomas mais comuns relatados pelos esportistas são: peso intenso nos músculos trabalhados. o que proporciona um maior crescimento da caixa torácica.

com isso. Pessoas com orifícios nasais dilatados provavelmente não terão melhora na capacidade aeróbia. recomenda-se aquecimento suficiente e específico para a modalidade a ser realizada pelo esportista. o domínio do “ponto morto” pelo esportista é chamado de “segundo plano” ou “segundo ar”.É importante que você saiba que se o esportista continuar com a carga de atividade ou reduzí-la de forma insignificante por um curto período de tempo. entre outros. Resumindo. Como mencionado acima. Devido ao fato do “ponto morto” também estar relacionado com a adaptação deficiente à carga corporal. o que possibilita buscar caminhos no abastecimento de oxigênio de uma forma substancialmente mais eficiente que a pessoa não treinada. uma pessoa treinada apresenta maior desempenho nas suas atividades físicas porque possui melhor capacidade de adaptação à carga. os dilatadores nasais devem ser testados pelos atletas para saber se no seu caso específico é vantajoso ou não. os sintomas acima citados passam relativamente rápido para o segundo plano e ele consegue realizar o exercício até o final. UNIDADE 3 Histologia 77 . Os dilatadores nasais foram desenvolvidos no início dos anos 90 nos Estados Unidos. jogadores de esportes coletivos. patinadores no gelo. atletas com orifícios nasais reduzidos podem apresentar melhoras significativas no seu desempenho com a utilização dos dilatadores nasais. respiração mais econômica e capacidade de maior reserva respiratória. e seu uso difundiu-se mundialmente em muitas modalidades esportivas. corredores de longa distância. proporcionar uma ventilação mais econômica e efetiva. Estudos científicos demonstraram que o uso de dilatadores nasais pode reduzir a resistência à passagem do ar durante a respiração nasal e. ciclistas competitivos. para evitar este desconforto. Entretanto. tais como. Pelo fato de existirem resultados controversos quanto a sua eficácia.

a tireoide.com. ao qual está conectado através de vias nervosas que através da liberação de sinais controlam a secreção da maioria dos hormônios produzidos por esta glândula. Ela é composta por várias porções.6” no link www.Universidade Aberta do Brasil SEÇÃO 3 HISTOLOGIA DO SISTEMA ENDÓCRINO E SUA ADAPTAÇÃO FRENTE AO TREINAMENTO ESPORTIVO Histologia das glândulas endócrinas O sistema endócrino tem como função regular as atividades metabólicas em certos órgãos e tecidos do corpo e é formado pelas glândulas endócrinas. Hormônios: são substâncias químicas. as paratireoides e as suprarrenais são exemplos de glândulas endócrinas. A hipófise. lá você visualizará imagens que lhe auxiliarão no entendimento sobre o papel desempenhado por alguns hormônios no organismo. responsáveis pela produção de hormônios que percorrem longas distâncias pelo organismo através dos vasos sanguíneos. Antes de iniciar o estudo sobre a estrutura e os tipos de hormônios produzidos pelas glândulas endócrinas assista ao vídeo “O Corpo Humano – 10 – Sistema Endócrino partes 1 e 2. que alcançam através dos vasos sanguíneos um ou mais órgãos influenciando de forma característica o seu metabolismo. produzidas pelas glândulas endócrinas. GLÂNDULA HIPÓFISE: A hipófise está localizada abaixo do hipotálamo no encéfalo. cada qual contendo 78 UNIDADE 3 .youtube. O que são glândulas endócrinas? São grupos de células situadas dentro de determinados órgãos.

UNIDADE 3 Histologia 79 . A pars distalis ou lobo anterior da hipófise possui cordões de células situados entre vasos sanguíneos de pequeno calibre e é envolvida por uma cápsula de tecido conjuntivo denso não modelado colagenoso. Figura 5 – Glândula Hipófise e seus órgãos alvo. Observe a figura abaixo. As células da pars distalis que tem afinidade para corantes são denominadas cromófilas. Você já ouviu falar em adeno-hipófise ou hipófise anterior? Esta região representa a porção anterior da hipófise e é subdividida em três regiões: a pars distalis.células especializadas que liberam diferentes hormônios. a pars intermedia e a pars tuberalis. enquanto aquelas células que não tem afinidade por corantes são chamadas de cromófobas. ela mostra a estrutura geral e os principais hormônios produzidos pela hipófise. As células cromófilas são divididas em acidófilas quando apresentam grânulos citoplasmáticos corados em vermelho-alaranjado na presença de eosina e basófilas quando coradas de azul com corantes básicos.

na formação do corpo lúteo e na secreção de progesterona e estrógeno. Espermatogênese: sequência de eventos onde células pouco diferenciadas. Estas células também produzem o hormônio luteinizante (LH) que auxilia o FSH na indução da ovulação. tireotróficas e gonadotróficas. estimulam as células de Sertoli localizadas nos túbulos seminíferos a produzirem a proteína de ligação ao andrógeno. que estimula a síntese e a liberação de hormônios da tireoide. produzem a prolactina. As células corticotróficas secretam o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH). Da mesma forma. o qual estimula a síntese e a liberação de hormônios pelo córtex da glândula suprarrenal.Universidade Aberta do Brasil A população de células acidófilas é subdivida em somatotróficas e mamotróficas. Nos homens. As células cromófobas são fracamente coradas porque possuem menos citoplasma que as demais células da pars distalis. promovendo o crescimento dos ossos longos em comprimento. o grupo de células basófilas denominadas gonadotróficas. 80 UNIDADE 3 . acredita-se que estas células sejam capazes de originar as demais células da hipófise ou representem células cromófilas parcialmente degranuladas. as células basófilas são divididas em corticotróficas. essencial em grandes quantidades nos túbulos seminíferos para que ocorra a espermatogênese. outra variedade de células acidófilas. Sua função ainda não é bem conhecida. E finalmente. hormônio responsável pelo desenvolvimento das glândulas mamárias durante a gravidez e também pela lactação após o nascimento. No testículo o hormônio luteinizante estimula as células de Leydig ou intersticiais a produzirem a testosterona. As células somatotróficas produzem a somatotrofina ou hormônio de crescimento responsável pela secreção de somatomedinas pelas células do fígado. se diferenciam em espermatozoides ou gameta sexual masculino. estudada com detalhes mais adiante. secreta o hormônio folículo estimulante (FSH) que estimula o crescimento dos folículos ovarianos e a secreção de estrógenos nas mulheres. As células mamotróficas. resultando no aumento do metabolismo celular. as quais estimulam as divisões mitóticas dos condrócitos nos discos epifisários. responsável pelo transporte da testosterona até os túbulos seminíferos. As células basófilas tireotróficas produzem a tireotrofina (TSH). as espermatogônias.

A pars tuberalis envolve a haste do infundíbulo e é composta pelas células basófilas cuboides. Embora não se conheça nenhum hormônio específico secretado por esta região da hipófise. algumas células possuem grânulos de secreção que se assemelham ao hormônio folículo estimulante (FSH) e ao hormônio luteinizante (LH). infundíbulo (que representa a continuação do hipotálamo) e pars nervosa. cromófilas basófilas e cromófobas. ela evidencia a população de células comumente encontradas na região anterior da hipófise a adeno-hipófise. por isso.Observe a figura abaixo. Nos seres humanos esta região apresenta cordões de células basófilas que produzem o pró-hormônio pró-opimelanocortina (POMC) responsável por estimular a liberação de prolactina e. Coloração: Tricrômico de Mallory. Esta região é dividida em eminência mediana. A pars nervosa da neuro-hipófise recebe axônios amielínicos UNIDADE 3 Histologia 81 . também denominado como fator liberador de prolactina. A pars tuberalis e o infundíbulo formam o pedículo hipofisário. Mas afinal o que significa neuro-hipófise ou hipófise posterior? A hipófise posterior ou neuro-hipófise é originada a partir de uma evaginação do hipotálamo. Figura 6 – Porção Anterior da Hipófise de Rato (500x). A pars intermedia situa-se entre a pars distalis e a pars nervosa e contém folículos revestidos por células cuboides que delimitam uma cavidade contendo líquido. Atente para as células cromófilas acidófilas.

Ela é formada por um lobo direito e um lobo esquerdo. anterior à junção das cartilagens tireoide e cricoide. Coloração: Tricrômico de Mallory. Observe a figura abaixo. ela mostra a pars nervosa ou porção posterior da hipófise. tornando a urina mais concentrada. cujos corpos celulares residem nos núcleos supraópticos e paraventriculares do hipotálamo. As células produtoras dos hormônios tiroidianos formam um epitélio simples 82 UNIDADE 3 . resultando na redução do volume urinário. Atente para os axônios amielínicos das células neurossecretoras e para os núcleos dos pituícitos. Estas células neurossecretoras produzem dois hormônios: a vasopressina ou hormônio anti-diurético (ADH) e ocitocina. onde estimula a contração da musculatura lisa durante o trabalho de parto. Já o alvo da ocitocina é o miométrio do útero.Porção Posterior da Hipófise de Rato (1250x). O alvo da vasopressina (ADH) é o túbulo coletor dos rins. A ocitocina também atua na liberação do leite pelas glândulas mamárias durante a fase de amamentação. Figura 7. GLÂNDULA TIREOIDE Você sabia que a glândula tireoide é a única do corpo humano que tem a capacidade de armazenar grandes quantidades de hormônio? Vamos analisar a estrutura histológica desta glândula endócrina e descobrir de que forma ela consegue estocar grandes quantidades de hormônios. onde regula a permeabilidade da membrana plasmática.Universidade Aberta do Brasil de células neurossecretoras. A glândula tireoide situa-se abaixo da laringe. os quais se mantem unidos através do istmo.

reduzindo assim as concentrações de cálcio no sangue. As células parafoliculares produzem a calcitonina ou tireocalcitonina. com as células principais. é comum encontrar células isoladas ou em grupos palidamente coradas. sendo a fase secretora ativa. GLÂNDULA PARATIREOIDE: As glândulas paratireoides. Observe a figura abaixo. quando comparadas com as células principais. Na glândula Tireoide atente para as células foliculares que envolvem a cavidade cheia de líquido denominado coloide UNIDADE 3 Histologia 83 . da respiração e da ação dos músculos. da frequência cardíaca. através da ligação aos receptores dos osteoblastos que induzem a produção do fator estimulante do osteoclasto. Entre os folículos tiroidianos. As células oxífilas. um hormônio que inibe a reabsorção óssea pelos osteoclastos. As células situadas ao redor da cavidade são denominadas foliculares e secretam os hormônios triiodotironina (T3) e tiroxina (T4). denominadas parafoliculares ou claras. embora já tenha sido sugerido que estas células representam fases inativas de um tipo celular único.cúbico. Elas podem aparecer em grupos ou isoladas. o qual envolve uma cavidade onde são armazenadas grandes quantidades de hormônios. ela mostra a histologia das glândulas tireoide e paratireoide. que se organizam na forma de cordões que se misturam a capilares sanguíneos. As células principais são produtoras do paratohormônio (PTH) responsável pelo aumento dos níveis de íons cálcio no sangue. geralmente em número de quatro. Cada glândula apresenta uma delgada cápsula individual de tecido conjuntivo denso não modelado colagenoso. resultando no aumento da reabsorção óssea. situam-se na superfície posterior da glândula tireoide. são grandes e se coram mais intensamente com a eosina. o qual se ramifica para formar os septos de tecido conjuntivo localizados nas proximidades dos folículos e que são ricos em vasos sanguíneos responsáveis pelo transporte dos hormônios até o seu destino. Sua função não é conhecida. As células mais comuns encontradas nestas glândulas são as principais. A tireoide é revestida por uma cápsula de tecido conjuntivo denso. das taxas de crescimento. outro tipo celular menos abundante encontrado nas glândulas paratireoides. responsáveis pelo aumento do metabolismo celular. além de vasos sanguíneos.

Figura 8 – Glândulas Tireoide e Paratireoide (500x). Coloração: Hematoxilina-Eosina. O córtex da suprarrenal apresenta células cúbicas e poliédricas que produzem um grupo de hormônios denominados corticosteroides. GLÂNDULA SUPRARRENAL: As glândulas suprarrenais ou adrenais situam-se na superfície apical dos rins e são envolvidas por cápsula de tecido conjuntivo que apresenta grande quantidade de células adiposas. Os hormônios corticosteroides podem ser divididos em três classes: mineralocorticoides. Você saberia citar um exemplo de hormônio mineralocorticoide liberado pelo córtex da adrenal e a sua respectiva função? 84 UNIDADE 3 . cujas secreções são reguladas pelo hormônio adrenocorticotrófico liberado pela pars distalis da hipófise anterior. o córtex suprarrenal que representa cerca de 80% a 90% do órgão e uma porção pequena e mais interna denominada medula da suprarrenal. Na glândula Paratireoide atente para as células principais e para os septos de tecido conjuntivo rico em capilares sanguíneos. O parênquima destas glândulas. glicocorticoides e andrógenos. está dividido em duas regiões: uma porção externa. todos sintetizados a partir do colesterol.Universidade Aberta do Brasil e as células parafoliculares situadas nos septos de tecido conjuntivo. sob o ponto de vista histológico e funcional.

principalmente os túbulos contorcidos distais. UNIDADE 3 Histologia 85 . Atente para a morfologia das células das zonas reticulada. A adrenalina é liberada em grandes quantidades nos momentos de estresse ou medo severos. Já a noradrenalina tem pouco efeito sobre as ações acima citadas. porque prepara o corpo para a luta ou para a fuga. Ela é mais efetiva no controle do débito cardíaco. Observe a figura abaixo. E com relação aos glicocorticoides. A região medular da adrenal é constituída pelas células cromafins e pelas células ganglionares parassimpáticas. da frequência cardíaca e do aumento do fluxo sanguíneo através dos órgãos. Vasoconstrição: diminuição brusca e passageira do calibre de alguns vasos sanguíneos (artérias e arteríolas). por controle do sistema nervoso autônomo. Resumindo a adrenalina age principalmente sobre o metabolismo e a noradrenalina sobre os vasos sanguíneos. quem são os seus representantes? O cortisol e a corticosterona são exemplos de hormônios glicocorticoides que atuam no controle do metabolismo de carboidratos. mas causa elevação na pressão sanguínea por vasoconstrição. dispersas no tecido conjuntivo desta região.A aldosterona é um exemplo de hormônio mineralocorticoide que atua no controle do equilíbrio de fluidos e de eletrólitos do corpo. além da cápsula de tecido conjuntivo que envolve a glândula. Os andrógenos produzidos pela região cortical da suprarrenal. por influenciar na função dos túbulos renais. deidroepiandrosterona e androstenediona são hormônios masculinizantes que apresentam efeitos desprezíveis no corpo humano. fasciculada e glomerulosa encontradas na região cortical. produzem as catecolaminas (adrenalina ou epinefrina e noradrenalina ou norepinefrina) que atuam como neurotransmissores. As células cromafins são poligonais e dispostas em cordões arredondados. gorduras e proteínas. ela mostra as regiões medular e cortical da suprarrenal.

Adaptações do sistema endócrino frente ao exercício físico. Outra consequência do treinamento é observada no sistema hipotálamo-hipofisário-adrenal. Em contraste. lipólise induzida por este tipo de hormônio. Quando amostras de sangue de atletas e de pessoas não treinadas são analisadas. ocorre uma diminuição significativa da liberação de catecolaminas disponibilizando assim quantidade suficiente de ácidos graxos livres para produzir a quantidade de energia necessária para suportar a sobrecarga corporal frente ao exercício físico. por períodos prolongados. nota-se discreto aumento do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) nas pessoas treinadas.Universidade Aberta do Brasil Figura 9 – Esquema das Regiões Cortical e Medular da Glândula Suprarrenal. Já foi observado que durante a realização de exercícios de resistência de média intensidade. Qual seria a vantagem desta pequena diferença na quantidade do hormônio ACTH no sangue de atletas e de pessoas não treinadas? 86 UNIDADE 3 . você já viu ou leu algo a respeito da influência dos exercícios regulares sobre o nosso sistema endócrino? Como a atividade física pode modificar o sistema endócrino? Vejamos a seguir algumas modificações no que se refere à estrutura glandular e quantidade de liberação de alguns hormônios como consequência da prática de exercícios. Mas. ocorre acentuado aumento do hormônio de crescimento devido ao aumento da necessidade de gorduras que é disponibilizada ao atleta através da Lipólise: quebra de lipídios armazenados nas células de gordura com a finalidade de disponibilizar energia para o organismo. Você já ouviu dizer que a atividade física quando praticada regularmente traz inúmeros benefícios para a saúde do ser humano.

onde o estresse psíquico e o condicionamento físico agem simultaneamente na condição pré-competitiva. Outro grupo de hormônios da glândula adrenal influenciado pela atividade física são as catecolaminas (adrenalina e noradrenalina). a partir de uma frequência cardíaca de 150 batimentos por minuto. expressa pela frequência cardíaca e absorção máxima de oxigênio. o que resulta num aumento da capacidade de regulação hormonal necessária às exigências elevadas devido ao treinamento esportivo. E com relação à glândula adrenal. As taxas de água retidas no organismo são reservadas para as diversas tarefas reguladoras de circulação e temperatura realizadas durante o treinamento. será que ela sofre modificações adaptativas devido à prática de exercícios? A secreção do hormônio anti-diurético (ADH) é significativamente aumentada durante cargas físicas mais fortes ou de maior duração. Este conhecimento é importante nas atividades esportivas competitivas.A vantagem está no fato de que o discreto aumento deste tipo de hormônio impede o possível esgotamento hormonal durante a realização de atividades físicas de longa duração. Por outro lado. Outra informação importante que você deve saber é que apesar UNIDADE 3 Histologia 87 . É importante que você saiba que a hipófise anterior sofre adaptações estruturais e funcionais essenciais para suprir as necessidades hormonais durante o treinamento. as cargas psíquicas influenciam de forma mais significativa no aumento de catecolaminas do que as cargas físicas. causando maior retenção de água pelo organismo. Nowacki e Schmid (1970) relataram que as quantidades de adrenalina e noradrenalina encontradas em cada indivíduo são adequadas e proporcionais à carga realizada. Exemplificando. Pesquisas com experimentação animal evidenciaram que o treinamento esportivo ocasiona a hipertrofia da hipófise anterior. com a secreção de catecolaminas. pois esta glândula exerce um papel fundamental no controle da liberação de vários hormônios de outras glândulas do corpo humano. ocorre um nítido aumento da secreção de catecolaminas. durante treinamentos físicos. Outros estudos evidenciaram a ocorrência de uma estreita relação entre a intensidade da carga.

nos atletas elas não caem no decorrer da carga. um tipo de Biossíntese: fenômeno que ocorre nos organismos vivos onde são produzidos compostos químicos complexos. tratando-se de atividades de longa duração (em maratonas. ao contrário. É conhecido que durante atividades físicas de longa duração. Nas pessoas treinadas o aumento é menor. mesmo diante de cargas físicas excessivas. a cortisona possui um efeito inibidor de inflamações. o que. 1971). LINKE e MANTEL. Como todas as reações celulares de defesa se tornam muito mais lentas quando a biossíntese de proteínas é inibida. pode ser um diferencial decisivo para a qualidade do desempenho energético. como por exemplo. Este controle contribui para a formação de atletas de alto desempenho. quando liberada em elevadas concentrações causa inibição geral da biossíntese de proteínas. Outra vantagem do treinamento físico está no fato de que pessoas treinadas diminuem a secreção de catecolaminas diante de uma dada carga física. como proteínas e ácidos nucleicos a partir de reagentes mais simples. geralmente catalisados por enzimas. que pode ser utilizado de forma vantajosa no campo esportivo. na maratona.Universidade Aberta do Brasil de não observar diferenças significativas relacionadas ao aumento da secreção de catecolaminas em pessoas treinadas e não treinadas que realizam desempenhos semelhantes. pode ocorrer nos atletas mal treinados. A cortisona. a vantagem do treinamento esportivo está em regular os níveis hormonais da glândula adrenal no organismo. Também já foi observado que a determinação da atividade adrenocortical pode esclarecer a capacidade individual de suportar carga: 88 UNIDADE 3 . o que resulta num efeito de economia. como por exemplo. (METZE. Com isso. uma queda na secreção de glicocorticoides. tornase possível compensar a perda destes hormônios devido ao estresse psíquico. Assim. acarretando na diminuição da capacidade de desempenho. 1971). Atletas de alto nível. glicocorticoide. Na carga de longa duração. Nos esportes com cargas ou influências estressantes excessivas ocorre um intenso aumento dos glicocorticoides. pelas condições de treinamento ou competição por meio de reações complementares. a fim de manter a sua secreção dentro dos padrões normais. devido a sua capacidade de economia. mobilizar as últimas reservas de energia na arrancada final de uma maratona. a obtenção de glicose a partir de proteínas assume um importante papel para a capacidade de desempenho esportivo. por exemplo). não mostram este tipo de queda (VIRU e KÖRGE.

. indiretamente. Com isso. (STRAUZENBERG e CLAUSNITZER. ou seja. 1972). o treinamento físico condiciona o organismo a aumentar ou diminuir a quantidade de hormônio. a inatividade proporciona a desmineralização do osso através da ativação dos osteoclastos. ocorre. 1974). É importante você saber que a atividade física também induz a mineralização do osso devido à ativação dos osteoblastos. Na realização de desempenhos máximos. células responsáveis pela formação do tecido ósseo. será que sofre alguma modificação com o treinamento físico? Sob carga corporal. De um modo geral.se existir uma queda de sua atividade em situação de carga intensa. de acordo com as necessidades metabólicas. quanto também durante a carga física. deve-se reduzir a carga de treinamento a fim de evitar danos à saúde do atleta. uma maior capacidade de mobilização hormonal (JÄGER et al. quando comparado ao pouco treinado. células responsáveis pela degradação do tecido ósseo. A capacidade de mobilização hormonal é o resultado da adaptação ocorrida no sistema endócrino mediante a prática de atividades físicas regulares. influencia na função das glândulas tireoide e paratireoide. E a glândula tireoide. ocorre um aumento da função da tireoide com maior secreção de hormônios. condicionado ao treinamento. não só um aumento funcional caracterizado pelo aumento da produção de hormônios. UNIDADE 3 Histologia 89 . Já foi observado que na tireoide parece haver. pode ocorrer o aparecimento da síndrome do treinamento excessivo. tanto no estado pré-competitivo. o esportista treinado demonstra. maior o movimento do hormônio da tireoide. Quanto melhor a condição de treinamento do atleta. mas também alterações morfológicas devido à hipertrofia (no caso da função tiroidiana normal) (MELLEROWICZ e MELLER. um aumento da atividade dos hormônios que agem sobre o cálcio. Da mesma forma. nesse caso. 1972).

Parabéns pelo seu empenho. Também foram apresentadas algumas modificações adaptativas do sistema respiratório como consequência da prática de exercícios físicos. bem como as adaptações sofridas pelos mesmos durante a realização de atividade física. É bom lembrar que. daí a necessidade de realizar exercícios físicos regulares e graduais. estruturas envolvidas na realização das trocas gasosas durante o processo de respiração. a aquisição dos conhecimentos sobre a estrutura e principalmente sobre as adaptações sofridas pelos sistemas cardiovascular. a fim de evitar consequências desastrosas para o organismo. você está na reta final de mais uma etapa importante para a sua formação profissional. Estas alterações contribuem para a melhoria do desempenho do atleta. Realize as atividades propostas a seguir. foi à descrição histológica dos alvéolos pulmonares. Considerando um atleta e uma pessoa não treinada. 90 UNIDADE 3 . 3. respiratório e endócrino presentes no ser humano. elas o auxiliarão a fixar os conceitos importantes para o seu conhecimento e aprofundamento. 1. O sistema cardiovascular formado pelo coração e vasos sanguíneos atua na distribuição do sangue rico em oxigênio e nutrientes para todos os órgãos. Outro aspecto importante trabalhado nesta Unidade. Você estudou que as veias são histologicamente semelhantes às artérias. o respiratório e o endócrino. respiratório e endócrino durante a atividade física possui um único propósito: o de proporcionar a manutenção de um corpo saudável.Universidade Aberta do Brasil Como você observou. 2. Dê a definição de valva e descreva a importância desta estrutura para as veias. Pesquise na internet. revistas ou livros sobre as glândulas exócrinas presentes no corpo humano. Dê as características histológicas e a função de duas células encontradas nos alvéolos respiratórios. É importante que você saiba que o sistema endócrino é responsável pela homeostase do organismo e que durante a atividade física ocorre um aumento ou diminuição desses hormônios no sangue com o objetivo de assegurar a manutenção das atividades metabólicas. A seguir. nesta seção foi abordada a histologia dos sistemas cardiovascular. mesmo sob condição de estresse fisiológico. E. a presença de valvas nas veias. finalmente. como por exemplo. descreva quatro diferenças encontradas entre as glândulas endócrinas estudadas nesta unidade e as glândulas exócrinas pesquisadas. Você também estudou que a prática de exercícios regulares pode contribuir para a formação do coração de atleta e induzir melhorias no sistema vascular sanguíneo. Também é sua função realizar a coleta do sangue rico em dióxido de carbono e pobre em nutrientes a partir dos tecidos para a sua renovação. uma vez que induzem um aumento significativo na captação de oxigênio. existem algumas diferenças marcantes entre estes vasos. 4. cite uma adaptação possível de ocorrer como consequência da atividade física para cada um dos sistemas a seguir: o cardiovascular. porém. em virtude do aumento da demanda de energia e nutrientes. foi apresentada a histologia das glândulas endócrinas e a função dos seus principais hormônios.

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No sistema endócrino você conheceu a organização celular de cada glândula e os principais hormônios liberados. responsáveis pela realização das trocas gasosas na respiração. quando realizado de forma a respeitar os limites individuais do atleta. desde as proteínas contráteis até as organelas celulares. Aprendeu que o tendão e os ligamentos. traz inúmeros benefícios PALAVRAS FINAIS Histologia 93 . você aprendeu a histologia e a dinâmica da contração do tecido muscular estriado esquelético.PALAVRAS FINAIS Você chegou ao final do fascículo de mais uma disciplina básica do seu curso. são exemplos deste tipo de tecido. No sistema cardiovascular você aprendeu a estrutura do coração e dos vasos sanguíneos. Outro aspecto importante estudado nesta unidade foi conhecer as principais diferenças estruturais e funcionais entre os tecidos conjuntivos de propriedades especiais (cartilagem e osso) e o propriamente dito. Na última Unidade você observou a estrutura microscópica dos sistemas cardiovascular. além de conhecer a estrutura e a importância dos nervos periféricos para o ser vivo. Na Unidade 2. previamente apresentadas a você no fascículo de Biologia Celular. Conheceu todos os componentes que participam do mecanismo de contração neste tipo de músculo. responsáveis pela distribuição do sangue pelo corpo. Também aprendeu as principais características do tecido nervoso. respiratório e endócrino. mitocôndrias e retículo endoplasmático liso. tão utilizados durante a prática de atividades físicas. No sistema respiratório o enfoque principal foi apresentar a estrutura dos alvéolos pulmonares. a histologia! Na primeira Unidade você teve a oportunidade de conhecer a estrutura e a função do tecido conjuntivo propriamente dito. Você aprendeu também que o exercício físico. tais como.

para a saúde do ser humano. Algumas das modificações adaptativas que ocorrem nos sistemas abordados foram apresentadas a você, tais como, o coração de esportista no sistema cardiovascular, a formação do pulmão de desempenho no sistema respiratório e a capacidade do sistema endócrino mobilizar hormônios para a manutenção da homeostase do organismo em condição de estresse. Espero que os objetivos propostos no início deste fascículo e que as suas expectativas em relação à disciplina de Histologia tenham sido integralmente atingidos. Parabéns por mais uma etapa vencida! Espero que você continue superando os obstáculos futuros, com a mesma garra e determinação que demonstrou até o momento. Afinal, os desafios quando ultrapassados com dignidade nos tornam pessoas intelectualmente fortalecidas. Boa sorte na sua caminhada acadêmica! Um Abraço, Profa. Márcia Regina Paes de Oliveira

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Histologia 97 AUTOR . Atualmente é professor titular do Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais e professor adjunto nível D da Universidade Estadual de Ponta Grossa.NOTAS SOBRE A AUTORA marcia reGina paes De Oliveira Possui graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1990). Tem experiência na área de Bioquímica. mestrado em Ciências Biológicas (Biologia Celular e Molecular) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1993) e doutorado em Ciências Biológicas (Biologia Celular e Molecular) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2000). com ênfase em Proteínas. atuando principalmente nos seguintes temas: histologia e biologia celular.