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1.

º Semestre
A NATUREZA SOCIAL DO HOMEM O Homem vive necessariamente em sociedade com o objectivo de realizar os seus fins e garantir a sua sobrevivência. Nasce incompleto, pois precisa de normas e dessa mesma sociedade, na qual existe uma ordem e uma definição de posições que cada indivíduo ocupa. É o direito que fornece as normas que permitem ao Homem viver em harmonia com os outros, assim, o direito é uma das formas de sociabilidade do Homem e é, também, antropológico, pois se é o direito que organiza a sociedade e o Homem só pode viver e coexistir em sociedade se souber como se organizar, então o Homem não pode viver sem o direito. O direito é, pois, um fenómeno humano e social. Como já foi dito, toda a sociedade precisa de uma ordem, que procura conjugar vários elementos e demarcar as suas posições com o intuito de concretizar um fim comum. Por vezes, a ordem de uma sociedade pode ser transtornada por algum fenómeno, mas depressa se reconstitui, pois sem ordem na sociedade esta seria um caos. Podemos distinguir dois tipos de ordem numa sociedade: a ordem social e a ordem natural. Ambas são um facto mas não se confundem uma com a outra. • Ordem Natural: esta ordem alberga as leis da natureza, que são leis de fatalidade, de necessidade e universais, e que relacionam fenómenos em termos de causa e efeito. As leis desta ordem não são substituíveis, aplicam-se forma invariável e constante, independentemente da vontade do Homem ou mesmo contra sua vontade. Tais leis não são fruto da vontade do Homem, mas sim inerentes à própria natureza das coisas. • Ordem Social: esta ordem alberga as leis sociais, e é uma ordem de liberdade, pois, apesar das suas normas exprimirem um «dever ser» e se imporem ao Homem, este pode violá-las, contestá-las e até mesmo alterá-las. As leis sociais são criadas pelo Homem e pela sua cultura, pelo que podem modificar-se segundo o espaço e o tempo. Na Ordem Social podemos distinguir, ainda, as ordenações éticas ou normativas e as ordenações de mero facto.  Ordenações Normativas: compreendem as leis do dever ser, as quais podem ser alteradas e representam a vontade do Homem em querer que elas existam. Das ordens normativas que pautam aspectos diferentes da vida do Homem em sociedade destacam-se, pela sua importância, as seguintes ordens: ♦ Ordem Moral: é uma ordem de condutas que visa o aperfeiçoamento do indivíduo, dirigindo-o para o Bem, e que só indirectamente influencia a organização social. É um conjunto de imperativos impostos ao homem por si próprio, o que faz da moral uma ordem intra-subjectiva, porque relaciona a pessoa consigo mesma. A violação da regra moral pode não implicar apenas a censura por parte da própria pessoa que a violou, mas também a de toda a comunidade, levando inclusivamente à marginalização ou rejeição dessa pessoa pelo círculo social onde estava inserida. ♦ Ordem Religiosa: é uma ordem de Fé. Regula as relações que se estabelecem entre o crente e Deus, ou os deuses. Trata-se de uma ordem normativa essencialmente intra-individual, mas que, tal como acontece com a moral, repercutir-se-á na vida social, já que o comportamento dos crentes é condicionado pelos seus valores religiosos. A violação das regras religiosas leva a sanções de carácter extraterreno. ♦ Ordem de Trato Social: esta ordem exprime-se através dos usos sociais, e pretende fazer com que os homens vivam em melhor harmonia (ex.: cumprimentar o vizinho). A violação das normas de trato social implica uma sanção social inorgânica, que consiste essencialmente num sentimento de reprovação por parte da comunidade, levando muitas vezes à própria segregação social do infractor. ♦ Ordem Jurídica: constituem esta ordem normas de conduta humana obrigatórias, que são garantidas por mecanismos de coacção socialmente organizados, que visam a prossecução de valores, designadamente a Justiça e a Segurança.  Ordenações de Mero Facto: embora estas ordenações não possuam uma índole normativa, contribuem significativamente para a ordem social. As ordenações de mero facto compreendem as leis de ser, leis de

funcionamento do corpo humano, contudo não são leis naturais pois a sua modificação pode ser provocada (ex.: peso de um indivíduo). O Homem orienta-se segundo esta ordem da sociedade através das instituições que ele próprio cria. • Instituições: As instituições são permanentes numa sociedade e são elas que dão aos indivíduos uma unidade e uma identidade, ou seja, cada um se integra no seu papel assumindo uma nova maneira de estar e de ser. Uma instituição é, pois, uma organização feita de um conjunto de normas jurídicas, as quais funcionam como aparelho dessa organização. Hauriou diz que a instituição é «uma ideia de obra ou empreendimento que vive e perdura no meio social». Por exemplo, a família forma um conjunto de normas que têm como objectivo uma unidade de orientação e uma passagem de valores de geração em geração. As instituições são realidades objectivas, pois não dependem das capacidades intelectuais ou morais dos seus membros. No entanto, não têm existência própria, pois só vivem se participadas por aqueles. A ordem social criada nas instituições permite a permanência e a duração da sociedade. Contudo, as instituições, ainda que permanentes, não são imutáveis, variam sempre já que acompanham, ou pelo menos tentam, a evolução social. O direito é, sem dúvida, o instrumento mais eficaz para provocar a evolução social. CONCEITO DE DIREITO  Porque é que surge o direito? Existem, na história, casos de pessoas que foram destituídas dos seus direitos individuais, como foi o caso dos escravos que estavam desprovidos dos seus direitos e eram considerados meros objectos. Também os adversários políticos, em outros tempos, eram tratados como doentes mentais, pelo que lhes faziam uma lavagem cerebral de modo a fazer dos mesmos modelos “pré-fabricados” ao serviço das entidades responsáveis por tal acto. Estes e outros casos levam os autores a pensar que todos os homens têm direito ao Direito, antes de todos os outros direitos, designados por direitos parcelares. Todos os direitos fazem a nossa existência quotidiana. O Homem não pode viver isolado (sem direitos), porque isso significaria a “morte em vida”. Sem direitos a vida seria uma anarquia, um caos, porque o homem não tem o instinto que lhe permitiria viver como os animais, que ainda hoje vivem da mesma maneira como viviam há dois mil anos atrás. A sua vida não sofreu uma evolução, daí os animais não precisarem de direitos entre si. Em relação ao Homem, sabe-se que daqui a muitos anos vai ser muito diferente, irá sofrer uma evolução. O Homem vai-se adaptando, vai melhorando a sua própria vida, muda os seus hábitos, não espera, como uma fatalidade, aquilo que lhe sucede. O Homem modifica tudo.  O que é o Direito? O direito é visto por todos os sociólogos como um instrumento de controlo social, já que se trata de um conjunto de normas assistidas por uma sanção socialmente organizada. O direito é uma ordem de convivência humana com o sentido da justiça, é, pois, uma das formas de sociabilidade. É preciso ter em conta que o direito tem uma existência no tempo e no espaço, quer isto dizer que as normas de certo ordenamento entram em vigor num certo espaço e em num dado momento, e deixam de vigorar, por revogação ou por desuso, noutro momento. O direito informa-nos de quais as atitudes que devemos tomar perante situações ilegais. Representa o somatório de todas as normas pelas quais devemos reger a nossa vida. Assim, o direito não é apenas um fenómeno social (“ubi ius ibi societas; ubi societas ibi ius”), mas sim uma forma de moldar o comportamento e a própria dinâmica social. É uma forma de preceitos impostos que não têm uniformidade geral. Podemos, então, concluir que o direito é imprescindível a toda a sociedade, não existe uma sociedade sem direito pois se este faltasse verificar-se-ia a dissolução dessa mesma sociedade. A ordem tanto é necessária numa sociedade muito simples como o é numa muito complexa, pois em ambas as sociedades é necessário definir o lugar de cada um, para que juntos alcancem o objectivo comum. A regra da vida social é justamente o direito.

RELAÇÃO ENTRE O DIREITO E A FORÇA A força física é utilizada como meio preventivo da ordem social. Existe, no entanto, uma diferença entre a utilização da força e a utilização da violência: o direito precisa da força mas condena a violência. Esta força pode ser legitimada por um poder livremente aceite pelos cidadãos. É o povo que organiza o seu direito através das instituições responsáveis e é, também, o povo que legitima essas mesmas instituições. Não se deve, contudo, cair na definição do direito como ordem da força. O direito precisa de ter a força ao seu serviço, mas de todas as normas só as jurídicas podem recorrer à força. Um Estado não deve impor as regras pela força, porque assim as pessoas não reconhecem essas regras, chegando a um ponto de revolução, pelo que o Estado não se aguenta. ♦ Será que é legítimo o direito recorrer à força? O direito é essencial à sociedade, uma vez que é necessário limitar o espaço de cada um, segundo um ideal de justiça. O direito não se define pela coercibilidade, mas esta é uma característica ou qualidade que resulta da própria natureza do direito. Para manter a ordem e repor a justiça na sociedade, o recurso a meios de coacção não só é legítimo mas até exigível. A força é necessária na sociedade porque nós somos imperfeitos. O direito sem a força seria impotente, note-se, no entanto, que esta força advém do poder político. Só numa sociedade ideal o direito dispensaria a força. ♦ Proporcionalidade entre o uso da força ou da sanção A força que acompanha a ordem do direito é muito complexa. Uma força estruturada feita ao serviço do direito por órgãos legítimos tem que ser uma força proporcional, não pode cair em violência. A força física tem que ser a última medida pensada pelo direito, depois de ter esgotado todas as outras. Contudo, indivíduos que violam gravemente os valores e as leis podem ser punidos com penas violentas (ex.: pedófilo - pena de morte). É, também, importante que as pessoas acreditem na legitimidade do direito e na justiça dos tribunais. E que evitem violar as leis não só porque receiam a sanção mas também porque têm consciência do Bem e do Mal. O DIREITO E O ESTADO  Relação entre o Direito e o Estado Vários são os autores que identificam o direito com o Estado. Mas, o direito não se confunde com o poder, e como este é o elemento fundamental do Estado, o direito não se confunde com o Estado. A função do direito é limitar e legitimar o poder do Estado, assim há princípios de direito que se impõem ao próprio Estado. A questão fundamental é saber se todo o direito é de origem estadual Quase todo o direito com que lidamos no dia a dia foi criado pelo Estado, por órgãos instituídos que fazem parte do Estado e que têm competência para fazer leis (ex.: Assembleia da República). Para além do direito estadual, há, também, o direito internacional Por não existir uma instância superior, um poder organizado capaz de impor sanções ao transgressor quando este é uma superpotência, coloca-se frequentemente a seguinte questão: Será que, na realidade, existem normas reguladoras da sociedade internacional, detentoras de um carácter obrigatório que em caso de violação seja legítimo o recurso à coacção? A resposta é afirmativa. Existe sim, na sociedade internacional, um conjunto de normas obrigatórias para os Estados, que determinam o espaço de cada um, segundo um critério de justiça. Note-se, contudo, que existe uma grande probabilidade de as normas do direito internacional ficarem sem sanção, dado que os Estados mais fortes desrespeitam, muitas vezes, essas normas, crentes de que dificilmente lhe serão impostas sanções, já que não há uma instância superior encarregada, directamente, de o fazer. Coloca-se, ainda, outra questão, a da existência de direito nas comunidades primitivas Apesar de nestas comunidades ainda não existir uma autoridade central (ex.: Estado) que estabeleça normas e que tome decisões quando existem conflitos entre os indivíduos, é claro que existem regras impostas pela própria comunidade.

Por conseguinte, existem normas que são consideradas obrigatórias, pois existe a necessidade da subsistência do grupo. Sempre que estas normas são violadas, constituem-se espontaneamente mecanismos sociais que aplicam as sanções com o fim de evitar a dissolução do grupo. Estes mecanismos não têm carácter permanente, mas formam-se sempre que necessário, já que não é possível a subsistência de uma comunidade humana sem regras de justiça, reguladoras das relações entre os membros e destes com a comunidade. Assim, existe direito nas comunidades primitivas. Fica, então, provado que existem normas jurídicas que não são criadas pelo Estado. Existe direito de fonte não estadual. O DIREITO E A SEGURANÇA  Relação entre Direito, Justiça e Segurança Uma das exigências feitas ao direito é a segurança. Esta exigência pode convergir com a exigência de justiça. Assim, a justiça e a segurança estão em constante dialéctica. A justiça representa um ideal de hierarquia superior, enquanto a segurança representa um valor de escalão inferior. No entanto, a praticabilidade do direito pode exigir que o valor segurança prevaleça sobre o valor de justiça. Como já disse anteriormente, a justiça e a segurança estão em constante dialéctica, pois uma justiça sem segurança seria ineficaz, e uma segurança sem justiça seria meramente uma situação de força. A segurança deve estar ao serviço da justiça e legitimar-se perante ela. ⇒ Aspectos de Segurança: • Paz Social: quando afirmamos que o direito deve realizar a segurança, o primeiro aspecto que nos surge à memória é a paz social, o bem-estar colectivo. Facto que está directamente relacionado com a época em que se vive. A segurança traz a ordem e a paz social, mas o que na verdade interessa ao Homem não é uma ordem social mas sim uma ordem justa. A paz social deve ser produto da justiça. • Segurança nas Relações Jurídicas: - prescrição: é um dos princípios que o direito consagra para estabelecer segurança nas relações entre as pessoas. A prescrição é a perda de um direito com o decurso do tempo. - usucapião: é quando uma pessoa adquire o direito de posse sobre um bem com o decurso do tempo. - regras de registo: para garantir-me a segurança na compra de um imóvel, o direito exige-me que faça a escritura pública e que, depois, registe o meu imóvel no registo predial. • Protecção perante o Estado: - certeza do direito: a certeza do direito é um problema de medida, que varia de acordo com as épocas. Para o direito ser certo tem de ser conhecido, e eu conheço o direito pela obrigatoriedade de publicação, que é feita através do Diário da República (“a ignorância da lei não aproveita a ninguém”). Mas o direito também tem de ser claro: as leis não podem ser vagas, dúbias, ambíguas, pois a complexidade que, por vezes, as leis apresentam leva à incompreensão das mesmas por parte dos cidadãos. Na certeza do direito há ainda que ter em conta a irrectroatividade: quando se cria uma lei nova, esta só deve ser disposta para o futuro. Só se pode ser penalizado por um acto quando o mesmo foi praticado numa altura em que existia uma lei que o considerava crime. Só em alguns casos, por questões de justiça, é que se pode aplicar a nova lei a casos cometidos no passado, o que beneficia o julgado. Quando se faz a aplicação da irrectroactividade arbitrariamente está-se a contraria a segurança. • Protecção dos Direitos Fundamentais e Estado de Direito: - Estado de Direito: é o estado que consagra os direitos fundamentais dos cidadãos e que se rege por regras às quais ele próprio se submete. Opõem-se, por exemplo, ao Estado Totalitário. O direito protege-nos contra o Estado. ⇒ Justiça: Pressupõe igualdade de análise por parte de quem analisa diversos casos, os casos iguais devem ser julgados de forma igual, e os casos iguais devem ser julgados de forma igual, e os casos diferentes devem ser

Apresenta algumas características decisivas: . o direito é cada vez mais igualitário e menos discriminatório. contudo. O casamento era um sacramento indissolúvel e até 74 o Direito garantia esta indissolubilidade. Assim se pode ver a influência que a doutrina católica pode ter no Direito de um Estado. No entanto. As regras de conduta impostas pelo direito devem considerar os valores que a sociedade aceita como seus. Até aí um segundo casamento era considerado adultério e se o adultério masculino era considerado de ânimo leve. Mas os preceitos que dizem respeito à conduta externa do indivíduo formam o Direito Islâmico . Tem de existir uma proporção. Terá que haver equidade. muitos valores cristãos que formam a nossa sociedade não devem ser descurados pelos legisladores. A proximidade entre a Igreja e Estado não pode influir na legislação. A Igreja Católica teve uma grande influência na História de Portugal e isso reflecte-se no Direito.” A Religião diz: “Não matarás. Noutros países islâmicos. por exemplo). visa o aperfeiçoamento individual. No casamento era o homem que administrava todos os bens. É importante. principalmente à católica. o que por vezes leva a situações ambíguas como a questão da prostituição ou do aborto. outros sistemas normativos: moral. por exemplo. muitas vezes interagindo (quando há coincidência entre Direito e Moral. religião e política. entre o crime praticado e a aplicação da pena. Com o tempo cada um destes ramos foi-se tornando independente. De facto. ao seu lado.julgados de forma diferente. verificar que nem todas as normas do Corão são jurídicas pois preceitos como rezar em voz alta não têm sanções jurídicas. constituindo um imperativo de consciência. O DIREITOE A RELIGIÃO Um exemplo típico de onde o Direito se confunde com a Religião são os países islâmicos onde o Código Religioso (Corão) é o Código dos Tribunais. Mas com a internacionalização dos países e a crescente globalização. A MORAL E A RELIGIÃO O Direito diz: “Quem matar sofrerá determinada pena. O DIREITO E A MORAL A Moral será uma ordem de condutas humanas que. deve ser dada a cada um sobre os seu méritos e segundo as suas capacidades. O Direito dá alguma protecção à religião. A Justiça segundo Aristóteles: ♦ Justiça Distributiva: na justiça tem de haver uma proporcionalidade geométrica. RELAÇÕES ENTRE O DIREITO. dirigindo a pessoa para o Bem. convivem. contudo.” Podemos encontrar uma confusão entre Direito. o facto da Igreja Católica ter sido muito importante na história do nosso país ou a clara maioria de praticantes desta confissão sobre as outras. ♦ Justiça Sinalagmática: deve obedecer a uma proporção aritmética: aplica-se nas relações entre os indivíduos e na aplicação das penas (proporção da sanção). o adultério feminino era considerado uma falta grave. Em 74 revogou-se a cláusula que impedia a dissolução do casamento. o Direito não é o único sistema normativo pois. já se encontra a distinção entre preceito religiosos e preceito de direito. Moral e Religião nas sociedades primitivas. Na recente elaboração da Lei da liberdade religiosa os grupos de pressão da Igreja conseguiram que se mantivessem princípios claramente inconstitucionais previstos na Concordata: .dinheiros públicos para a conservação do património da Igreja Surgem aqui uma série de questões que se põem como o facto da difícil distinção entre Igreja e seita. No entanto ou se dão os mesmos privilégios a todas as confissões ou deixa de haver privilégios para a Igreja.” A Moral diz: “Não deves matar.a isenção de impostos: viola a equidade . não basta só a igualdade de tratamento entre os diferentes casos. Mesmo em Portugal a discriminação sexual existiu no direito até meados do século.

tudo o que importa ao direito é a exterioridade da conduta. “não se deve matar” mas ninguém pode exigir. é uma relação da pessoa consigo mesma. podendo-se impor pela força. Mas a Moral condiciona o comportamento. ainda que intra-subjectiva. A violação de uma regra moral não impõe uma sanção externa mas uma reacção do próprio indivíduo (remorso. O essencial é impedir que haja um “dano social”.  Critério do Mínimo Ético: Segundo este critério. no social. uma tutela excessiva do ético podia acabar por ser uma tutela moral da sociedade por parte do Estado.  Critério da Exterioridade: Segundo este critério. . o direito deveria limitar-se a impor regras morais essenciais para que haja paz. O Direito procura assegurar o desenvolvimento do Homem pelo estabelecimento das regras que regulam as relações essenciais de uma sociedade de uma forma harmoniosa. perturbando a ordem e originando um castigo através de uma sanção social difusa. com o passar dos tempos.  Essência: a Moral é intra-subjectiva. enquanto à moral importa a intenção interior do indivíduo ao aderir à norma.  Natureza da Coercibilidade: a regra moral é assistida de uma coercibilidade psíquica. compatibilizando os diversos sujeitos e os seus interesses que podem ser conflituosos. Assim. Casos que não são imorais mas sim “contra a sociabilidade” (conduzir pela direita) e. Para um funcionamento da sociedade tanto o Direito como a Moral têm que estar actuantes. O Direito só determina o que é socialmente relevante através de uma decisão valorativa. O Direito é inter-subjectivo. A regra jurídica tem uma coercibilidade material. as finalidades do Direito são pautadas pela Moral. a maior parte das normas jurídicas (ex. a conduta que prejudica os interesses juridicamente tutelados. Porque.  Consciencialização subjectiva: a regra moral nasce da consciência individual. A regra jurídica dispensa essa consciência para ser aplicada.. nortear as suas acções.). mudam os valores sociais vigentes. por isso. projectando-se. A única coisa que importa ao direito é se um indivíduos cumpre ou não a lei. São três os critérios clássicos usados para caracterizar a ordem normativa que é o Direito e distingui-la de outra ordem normativa que é a Moral. liberdade e justiça na vida social. enquanto que o direito é-nos imposto pelo exterior.: normas processuais) são normas amorais. por outro lado. integra uma inserção social. a Moral. De facto. para o Direito.. existem condutas moralmente censuráveis que o Direito permite. Ao ser partilhada por toda a comunidade a Moral torna-se uma moral social. As regras de Moral não visam regular relações sociais mas. considerando o juízo que o indivíduo faz do Bem e do Mal. O Estado deve tutelar o mínimo possível. A violação desta passa então a provocar uma reacção não só do indivíduo mas do corpo social. não ser morto.• é intra-individual: uma relação da pessoa consigo mesma • as suas regras impõem deveres mas não conferem direitos: isto é. Uma outra forma de distinguir o Direito da Moral é através de uma análise das suas características:  Finalidade: a Moral visa dirigir a pessoa para o Bem. pouco lhe importa que motivos interiores é que levam um indivíduo a praticar um determinado acto. Quando o Direito tutela a “moral pública” não protege estes valores éticos por si mesmos mas enquanto a sua violação prejudica a convivência em sociedade. assim.  Critério da Heteronomia e Coercibilidade: Este critério mostra que a moral é algo que nos é “imposto” pela nossa própria consciência individual. É importante ter em conta que apenas é relevante. Contudo. A não coincidência entre Direito e Moral acontece em muitos casos. passível de promover intolerâncias.

Se é difícil definir a Moral podemos distinguir três tipos de actos: • morais • imorais • amorais O aborto em Portugal é ilegal e imoral. a igualdade e a tolerância que devem existir numa sociedade. O Direito não pode defraudar a moralidade. ter em conta esses valores (um condenado que se arrependa pode ver diminuída a pena). contudo. acontecer que exista uma convergência de interesses. Por exemplo. existe uma interferência mútua. Por exemplo. a Moral trata dos valores íntimos da pessoa. este critério falha na medida em que na maior parte das vezes é difícil saber quais são os interesses dominantes numa relação jurídica. e é privado o direito que regule situações de sujeitos particulares. O nudismo era reprovado. uso de um direito subjectivo . Tem de coincidir com o mínimo ético. • Direitos Subjectivos: são direitos que. Vários são os critérios de distinção propostos por diversos autores. O Direito diz respeito à conduta valorada por outrem. As normas que regulam as relações materiais ou áreas institucionalizadas da vida social tendem a constituir diversos subconjuntos normativos. ⇒ Critério da Qualidade dos Sujeitos: Numa relação jurídica os sujeitos não têm que aparecer necessariamente com a mesma qualidade. Assim. Temos então vários ramos do direito. Sob o ponto de vista jurídico não há razão para a proibição do aborto mas devido à moral católica vigente ele está proibido. é condenado. Agora. uma distinção entre valores morais e valores jurídicos. são atribuídos a determinadas pessoas quando verificados factos jurídicos previstos naquelas mesmas regras. ainda. e pode. Os direitos que se relacionam com o ordenamento da vida comum não se relacionam com a Moral. De qualquer forma. O Direito pode. e são normas de direito privado aquelas que regulam ou tutelam interesses privados. à imagem) são tanto morais como jurídicos. enquanto que na Índia. quando digo que uma caneta é minha. mas os que se relacionam com a pessoa humana (direito à vida. com o mesmo problema de crescimento demográfico. em algumas questões. este critério sustenta que é público o direito que regula situações em que intervenha o Estado ou qualquer ente público. definem o estatuto das pessoas e regulam as relações entre elas.direito de propriedade. Há. são normas de direito objectivo as regras que regem a família. DISTINÇÃO ENTRE DIREITO PÚBLICO E DIREITO PRIVADO A distinção entre direito público e direito privado já vem de longe. e normas de direito privado como aquelas que tutelam primeira e predominantemente os interesses particulares. se são os particulares ou os públicos. mas os principais são três: ⇒ Critério do Interesse: (1882. GRANDES DIVISÕES DO DIREITO Há várias formas de configurar numa visão panorâmica os vários conjuntos de normas que compõem o direito objectivo. Contudo. 1885) Este critério diz que são normas de direito público aquelas que regulam ou tutelam interesses públicos. entre Direito e Moral. pela aplicação das regras de direito objectivo. e que continua a ser polémica. ou seja. tendo surgido na antiga Roma. É uma distinção que ainda hoje é fundamental. DIREITO OBJECTIVO E DIREITOS SUBJECTIVOS • Direito Objectivo: é o conjunto de normas gerais e abstractas que tutelam a vida em sociedade. Estas diferenças de interpretação moral se variam no espaço também variam no tempo. . A coincidência total entre Direito e Moral iria interferir com a liberdade. portanto. mas na China é até incentivado pelo Estado. só tem relevância jurídica se perturbar a ordem pública. Tal situação leva à reformulação deste critério que agora define as normas de direito público como aquelas que tutelam primeira e predominantemente os interesses públicos. Certo é que o direito no seu todo abrange diversos aspectos e relações da vida comunitária.

• A Constituição: o 1. pois é aquele que é susceptível de menos reparos sendo. Entende-se por Ramos de Direito todo o sector normativo dotado de autonomia científica por possuir princípios gerais próprios que permitam um tratamento técnico e sistemático peculiar.: Santa Sé). Materialmente são crimes as condutas que violam normas básicas da convivência social. A distinção entre direito público e direito privado determina quais são as normas que devem ser aplicadas numa relação jurídica. e quais os tribunais a que se pode recorrer em casos de violação dessas normas. e entre estes e outras entidades soberanas (Ex. A Constituição da República Portuguesa segue este 2. ambos aparecem numa posição de igualdade. o critério da posição dos sujeitos.  Direito Internacional Público: é o conjunto de normas que regula as relações entre Estados. quais as vias a seguir. dos órgãos da soberania e da repartição dos poderes entre eles. seguindo-se o poder político e a organização económica (modelo ocidental) ou vice-versa (modelo soviético). encarregando-se da sua organização e também da dos entes públicos menores. nem sempre os entes públicos actuam a coberto de poderes de autoridade. . que lesam bens ou valores fundamentais.: Estado) e os agentes económicos em geral. Assim.  Direito Criminal/Penal: Este é o direito que regula os crimes. a gestão e a aplicação ou dispêndio dos meios financeiros públicos. O direito público e o direito privado subdividem-se. pois. a qualidade dos sujeitos nem sempre é suficiente para determinar se a natureza da relação jurídica é pública ou privada.  Direito Administrativo: É o conjunto de normas que regulam a organização e a actividade da Administração Pública. as penas e as medidas de segurança aplicadas a infractores. ⇒ RAMOS DO DIREITO PÚBLICO  Direito Constitucional ou Político: Este é o direito que caracteriza o Estado. por isso. estabelecendo os direitos fundamentais dos cidadãos. determinar a medida da responsabilidade civil que pode resultar do incumprimento dos deveres jurídicos que decorrem da relação. Assim. uma relação jurídica é de direito público sempre que pelo menos um dos sujeitos apareça na relação jurídica munido de poderes de autoridade. ⇒ Critério da Posição dos Sujeitos: Segundo este critério. Note-se que o critério que mais correctamente explica a divisão tradicional entre direito público e privado é. actuado frequentemente nos mesmos termos e utilizando as mesmas regras que os particulares. • Direito Fiscal: regula as relações de natureza tributária que se estabelece entre os sujeitos activos da relação tributária (ex. abrindo com um preâmbulo sobre a Revolução de 25 de Abril. o mais praticável. em outras áreas designadas por Ramos de Direito. ainda. esta distinção permite.º capítulo diz sempre respeito aos direitos. das receitas patrimoniais e dos empréstimos públicos. São relações jurídicas de direito privado aquelas em que nenhum dos sujeitos aparece munido de poderes de autoridade. provenientes dos impostos e taxas. tutelando as relações que esta disciplina. Liberdades e Garantias dos cidadãos. também.Contudo.º modelo. sem dúvida.  Direito Financeiro ou Tributário: Fazem parte deste direito as normas que regulam a recolha.  Direito Processual ou Direito Adjectivo: Entende-se por direito processual o conjunto de normas que regulam as acções dos tribunais e dos particulares que perante eles actuam ou litigam durante o processo jurisdicional. a Lei Fundamental. A Constituição é.

 Direito Internacional Privado: É o direito que resolve os conflitos de leis de direito privado no espaço ou regula situações da vida privada internacional. • direito da família: regula a constituição da família e as relações que se estabelecem no seio desta.  Direito Comunitário. excepto aquelas que se podem tornar objecto de um direito especial. isto é.  Direitos de Autor (ramo do direito civil).  Direito Agrário. o direito comercial e o direito internacional privado. Ao longo dos tempos. O direito civil subdivide-se em: • direito das obrigações: regula as relações jurídicas que têm o contrato como instituição fundamental. em que a propriedade aparece como instituição central. prevalecendo contra a vontade do autor da sucessão. sejam ou não comerciantes as pessoas que nele intervêm. entre outros.Note-se que o direito processual pode ser civil.  Direito Económico. . • direito das coisas ou direitos reais: regula as relações que se estabelecem entre as pessoas e as coisas. criminal ou penal. É um direito historicamente elaborado para desembaraçar o tráfico mercantil das peias do formalismo do direito civil.  Direito Canónico.  Direito Comercial: É aquele que rege os actos de comércio.legítima: com carácter supletivo. pode ser: .legitimária: forçosa.testementária: deferida por testamento. Consideram-se relações da vida privada internacional quando os sujeitos estão em contacto com mais de um ordenamento jurídico. consoante o título de vocação sucessória dos herdeiros. administrativo. o direito que permite determinar o tribunal competente para uma determinada acção jurisdicional. Note-se que o direito do trabalho regula apenas relações de trabalho subordinado. do trabalho. ⇒ RAMOS DO DIREITO PRIVADO Dentro do direito privado é costume distinguir o direito civil. O direito processual é. É o caso do:  Direito dos Registos e Notariado. . pela hipótese de o autor da sucessão ter morrido sem testamento. fiscal. Esta sucessão. as situações daqueles que trabalham sob a direcção e por conta de outrem. certos complexos normativos assumem uma cada vez maior autonomia. que tem por base a necessidade de celeridade do tráfico económico e a do reforço do crédito.  Direito do Trabalho.  Direito Civil: Este é o direito privado comum ou geral que abrange todas as relações de direito privado. . ainda. • direito das sucessões: regula a sucessão por morte nos bens do defunto. ⇒ NOVOS RAMOS DE DIREITO  Direito do Trabalho: Este direito estuda as normas jurídicas que regem as relações de trabalho: os direitos e obrigações dos trabalhadores face à entidade patronal e de ambos face ao Estado.

que produzirão a consequência. que se traduzem na constituição. direitos potestativos (de modificar ou extinguir uma relação jurídica) e direitos de direcção (do empresário em relação à sua empresa ou do pai em relação aos bens do filho menor). prescrito pela lei.: o divórcio litigioso). como condição de obtenção de determinada vantagem ou evitar determinada desvantagem. a inviolabilidade do domicílio. • actos jurídicos: modos de conduta humana dirigidos pela vontade. são os factos jurídicos que produzem alterações na vida jurídica ou no mundo do direito. ter intervenção negocial e jurídica. que produzem leis ou normas jurídicas.  Espécies de Direitos Subjectivos: Dividem-se em dois grandes grupos: • direitos de domínio: propriedade das coisas. O acto a que se reporta não é um dever mas é uma obrigação para se atingir certa vantagem. Os factos a que se referem as hipóteses ou facti-species legais. Estes actos jurídicos podem. Existem. Os factos jurídicos distinguem-se em: • puros factos jurídicos: exteriores ao Homem. ainda. a relação jurídica e a situação jurídica: O facto jurídico é o facto susceptível de produzir efeitos de Direito. que podem constituir uma acção uma omissão. A relação jurídica é quando ao direito de determinado sujeito corresponde um dever de outro sujeito jurídico determinado. A previsão normativa também pode ser designada por Hipótese. obras. A personalidade jurídica é atribuída a pessoas singulares mas também o pode ser a organizações humanas: as pessoas colectivas (associações. na modificação ou extinção de uma situação jurídica. A norma jurídica pode ser decomposta em dois elementos: uma previsão (antecedente) e uma estatuição (consequente). Desta capacidade de exercer direitos vem a imputação de responsabilidade sobre o que se fax: é a capacidade delitual que pode ser penal ou civil. O ónus jurídico é a observância de um certo comportamento. Mas há.A NORMA JURÍDICA ⇒ Estrutura e Noção da Norma Jurídica A ordem jurídica é composta por normas jurídicas. Devemos. sociedades ou fundações). Mas a hipótese da norma jurídica refere-se a “factos”. assim. . que distinguir os actos normativos. também. como uma intenção.  O facto jurídico. a designação que melhor lhe assenta é a de “facti-species”. ou internos da vida psíquica do homem. È o elemento dinâmico que produz alterações na vida jurídica ou no mundo do Direito. A norma estabelece uma relação de causalidade entre os factos a que se reporta na sua previsão e os efeitos jurídicos presentes na sua estatuição. etc. que é chamada prestação de facto ou de coisa. por sua vez. O estado de sujeição. não sendo um dever jurídico. Estes efeitos consistem na imposição de um direito subjectivo. • direitos de crédito: são relativos na medida em que o titular pode exigir de outrem (o devedor) o exercício de certa conduta.  O sujeito jurídico e os direitos de personalidade: Define-se personalidade jurídica como a capacidade de ser titular de direitos e obrigações. como a localização de um terreno. o bom nome e a intimidade da vida privada. a integridade física. Isto significa que se podem exercer direitos: tomar decisões. é um poder conferido a uma das partes para modificar ou extinguir a relação jurídica ou de constituir um direito que limita o direito de outrem (ex. ainda diferenciar os actos jurídicos lícitos e os actos jurídicos ilícitos. ser simples actuações de facto ou exteriorizações de vontade que condicionam a consequência jurídica (declarações quase negociais ou negócios jurídicos). de “tipo legal”. À personalidade jurídica vêm ligados direitos como o nome. São direitos absolutos em que um terceiro não pode intrometer no exercício desses direitos. hipótese legal ou ainda.

que acontecem no dia a dia. para isso. Quando esta situação é executada é feita segundo uma norma jurídica abstracta. é individual o preceito respeitante ao cidadão X. tiver que demolir uma casa. faz a subsunção referente ao caso concreto que tem de resolver e toma uma decisão judicial. A lei não é para demolir casas mas sim para construir a auto-estrada. tem de fazer um normativo jurídico que se aplique a todos os casos (ex. que se aplica concretamente.  Normas Permissivas: Estas normas permitem determinadas condutas. Por exemplo. legalmente. . entre outras. Estas normas têm de ser feitas por um órgão de poder nacional (Assembleia da República) e aplicam-se a todo o território do Estado. que depois se aplicam em casos concretos. Assim. etc. Exemplo: se o governo pretender fazer uma auto-estrada e. as ofensas corporais. Um preceito pode ter uma pluralidade de destinatários e. na compra de imóveis (caso concreto) é preciso saber quais os direitos e os deveres dos intervenientes no contrato de compra e venda. testamento. fazer leis de acordo com as necessidades. É geral o preceito referente a uma vasta área de destinatários. mas sim para uma ampla categoria de situações. a não ser que o próprio órgão queira limitar a aplicação de uma determinada lei a uma determinada região. uma vez que tem poder para tal. CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS  Normas Preceptivas: Estas normas impõem uma determinada conduta.: casamento.Subsunção. e vice-versa. o estado tem o direito de lhe tirar a casa e obrigá-lo a receber uma indemnização.  Abstracção da norma jurídica: Uma determinada norma deve prever-se em abstracto (opondo-se ao concreto). O legislador não pode fazer normas jurídicas para um caso concreto. A qualificação como imperativo só se adequaria às regras de conduta. sem saber que pode ser um caso concreto. dever do outro. Imperatividade da norma jurídica: A imperatividade é característica da ordem jurídica. o governo faz um alei onde expõe que o estado pode comprar todas as casas que for preciso para a realização da autoestrada. a circular pela direita. no entanto.  Normas Universais: São universais as normas que se aplicam a todo o território nacional. ter por base a realidade. e se o proprietário se recusar a vender a casa. mas nem todas as regras podem ser reduzidas a um imperativo. fruição e disposição das coisas que lhe pertencem. A diferença é que esta norma é feita não para prejudicar ou beneficiar os proprietários mas sim em função do interesse que o Estado tem em que a auto-estrada passe a direito. Assim. Os tribunais não fazem leis jurídicas abstractas mas aplicam-nas a casos concretos e tomam decisões judiciais. são normas proibitivas aquelas que punem o furto. É importante distinguir generalidade de pluralidade. são normas permissivas aquelas que atribuem ao proprietário faculdades de uso. são normas preceptivas aquelas que nos obrigam a pagar impostos. Ao legislador interessa disciplinar situações da vida real. Assim. o homicídio. não foi feita em concreto mas aplica-se a casos concretos.  Normas Proibitivas: Estas normas proíbem-nos determinadas condutas. não ser geral. O legislador não deve pensar numa determinada situação concreta. e que nos interessa participar. e por isso precisamos de uma disciplina que nos diga como devemos proceder para agir de acordo com a lei.). entre outras. Mas para imaginar uma determinada situação é preciso ser-se realista. O legislador pensa em forma de abstracção e não de regulamentação de casos concretos. Neste caso existe a correlação: direito de um. Na abstracção. A abstracção é vista como que a partir de casos concretos: faço uma categoria geral em que são contemplados todos os casos concretos .  Generalidade da norma jurídica: A generalidade contrapõe-se à individualidade. a partir da norma jurídica abstracta. um juiz. A abstracção é conceber uma determinada situação ou caso na imaginação.

 Normas Autónomas: São normas autónomas aquelas que têm só por si um sentido completo. Por exemplo. para além da nulidade do acto é aplicada. As normas imperativas podem ser: • normas preceptivas • normas proibitivas  Normas Dispositivas: Estas normas só se aplicam se as partes suscitam ou não afastam a sua aplicação. Como estas normas são supletivas podem ser. coisas ou relações. ou seja. o legislador para além de anular este negócio vai considerá-lo crime e punir o pai com uma sanção adjacente (artigo 280 do Código Civil).  Normas de Direito Comum: São normas de direito comum as consagradas no Direito civil.  Normas Gerais ou de Direito-Regra: As normas gerais constituem o direito-regra. leis perfeitas.  Normas Excepcionais: As normas excepcionais representam um direito singular. • normas supletivas: são aquelas que vêm suprir a ausência de acordo. o Direito Comercial e o Direito Agrário. ao infractor.  Normas de Direito Especial: São direitos especiais. modificadas por livre acordo das partes. isto é. o artigo 219 do Código Civil. já que consagram normas destinadas a círculos mais restritos de pessoas. em caso de dúvida (artigo 840). Estas normas só obtêm um sentido completo em combinação com outras normas. uma sanção acrescentada. tomando por ponto de referência a autonomia privada  Normas Injuntivas ou Imperativas: Estas normas aplicam-se haja ou não declaração da vontade dos sujeitos nesse sentido. Normas Regionais: São regionais as normas que apenas se aplicam numa determinada região. o artigo 1143 do Código Civil. um pai vende a sua filha para prostituição. só valem quando não há acordo entre as partes (artigos 772. ⇒ Normas mais que perfeitas. As normas dispositivas subdividem-se em: • normas facultativas • normas concessivas ou atributivas • normas interpretativas: são aquelas disposições legais cuja função é determinar o alcance e sentido imputáveis a certas expressões ou a certas condutas declarativas ou actos das partes. posteriormente. por exemplo. . Por exemplo. por exemplo.  Normas Locais: São normas locais aquelas que apenas se aplicam no território de uma autarquia local.  Normas Não Autónomas: São normas não autónomas aquela que por si só não têm um sentido completo (falta-lhe toda a parte da hipótese. um regime oposto ao regime-regra das normas gerais. ⇒ Classificação das Normas. 784 e seguintes). toda ou parte da estatuição). Por exemplo. como por exemplo os Decretos das Regiões Autónomas. estabelecem o regime-regra para o sector de relações que regulam. leis menos que perfeitas e leis imperfeitas  Normas mais que perfeitas: São normas que o legislador acha tão importantes que no caso de serem violadas. todas as posturas de câmaras municipais.

por meio equivalente e compensação Exemplo: A ocupa ilegalmente um prédio pertencente a B. Aqui entra a intervenção da autoridade pública no exercício das actividades dos particulares. O autor do acto ilícito paga uma compensação para compensar esses danos. bem como uma circulação de valores segura. Mas se não for possível a execução específica (coisas não fungíveis) dá-se a reconstituição por meio equivalente (ex. São ainda medidas preventivas aquelas que proíbem a prática de determinada actividade ou exercício de certa profissão em determinadas situações. A lei diz que se deve fazer uma determinada coisa. ilicitamente. mas não anula o acto. Este aparelho estadual é complexo e compreende tanto a Jurisdição como a Administração. Como meios compulsivos privados podemos referir o direito de retenção ou os juros de mora. aceita o mau comportamento do infractor. caracterizam-se pela sua coercibilidade. que até ali omitiu. MEIOS DE TUTELA JURÍDICA  Tutela Preventiva: São as medidas destinadas a impedir a violação da ordem jurídica.: pagamento de uma indemnização). cujo topo é o governo. Contudo. um negócio contrário aos bons costumes ou à ordem pública. um lojista devia fechar a sua loja às 19:00H. A Administração corresponde ao Poder Executivo. merecedor de uma sanção.: hipotecas no caso de empréstimos que não se conseguem saldar). se a reacção for negativa o legislador vai aplicar uma sanção a essa norma. no caso de violação das normas. Nestes casos não se reconstitui a situação que existia. ao contrários das normas morais e de outras regras de conduta. Por exemplo. MEIOS DE TUTELA REPRESSIVOS  Medidas Compulsivas: Destinam-se a actuar sobre o infractor da norma. Normas perfeitas: São normas quer no caso de serem violadas resulta a nulidade do acto. as quais implicam a privação de um bem e uma reprovação da conduta do infractor. SANÇÕES PUNITIVAS Nos casos de violação da ordem jurídica mais graves o Direito recorre à aplicação de penas. É o que sucede com a obrigação de prestar alimentos devidos a menores. mas não o fez e vendeu um produto após essa hora. representa a garantia jurídica dos direitos subjectivos. MEIOS DE TUTELA RECONSTITUTIVOS: reconstituição “in natura”.  Normas menos que perfeitas: São normas em que o legislador. por um lado. que é assegurada pelo aparelho de coerção estadual que. pois não existe uma sanção prevista. Mas se a sociedade se manifestar indiferente ao facto de essa norma ser violada. . A TUTELA DO DIREITO E A GARANTIA DOS DIREITOS As normas jurídicas. a impedir ou evitar a inobservância dessas normas. A reconstituição “in natura” traduz-se na expulsão de A e entrega do prédio a B. impõe e tutela o Direito objectivo e. o legislador aplica-lhe uma sanção (coima) mas não fecha a loja. para o constrangir a adoptar o comportamento devido. em muitos casos ao lado da responsabilidade penal (prestação de contas à Justiça) existe responsabilidade civil (reconstituição. a mesma pode vir a ser retirada da legislação. mas se não se cumprir essa lei não se é punido. Para além de medidas de prevenção a lei organiza os chamados procedimentos cautelares (ex. Por vezes os danos causados pelo facto ilícito não têm natureza patrimonial (danos morais). A Jurisdição corresponde ao Poder Judicial. incluiremos entre as sanções jurídicas a invalidade e a ineficácia dos actos jurídicos. mas sem pena. por outro lado. da situação anterior). A multa tem de ser graduada de tal maneira que não sirva de estímulo à contravenção. Cria-se uma norma e vai verificar-se a opinião da sociedade perante a hipótese de violação da norma. INEFICÁCIA E INVALIDADE DOS ACTOS JURÍDICOS Se definirmos como meios de tutela do Direito também a frustração dos desígnios daquele que queria obter. o que torna viável um tráfico económico de bens e serviços. certo resultado jurídico.  Normas imperfeitas: Estas normas são uma espécie de “balão de ensaio”. para evitar danos sociais que daí pudessem resultar. na medida do possível. Por exemplo. A observância da ordem jurídica pode ser imposta pela força.

De facto.) ⇒ acção directa (art.): caso residual.  Autotutela (tutela particular de carácter excepcional) A TUTELA DO DIREITO E A TUTELA DOS DIREITOS Todos os direitos subjectivos estão protegidos contra a violação por parte dos particulares mas também contra abusas da Administração. são aqueles que não são albergados nem pela legítima defesa nem pelo estado de necessidade. 339 do C. Assim. para que a legislação emanada seja respeitada. ela tem. • a defesa e garantia dos direitos dos administrados face à Administração. podendo esta fazer executar os seus intentos sem recorrer aos tribunais (privilégio de execução prévia). da qual fazem parte os tribunais. Contudo. A Administração recorre à autotutela: as decisões administrativas gozam de uma força quase semelhante às sentenças dos tribunais. é preciso que haja impossibilidade de recurso à força pública. fazem parte das incumbências da Administração a prevenção de certos delitos e a manutenção da ordem pública. Assim. • pode consistir na apropriação.) : para alegarmos legítima defesa é preciso: é preciso que haja uma agressão actual e ilícita. ⇒ resolução por incumprimento CLASSIFICAÇÃO DOS MEIOS DE TUTELA DO DIREITO  Heterotutela (tutela pública): abrange a tutela preventiva. SANÇÃO E SISTEMA JURÍDICO • Sanção: reacção da ordem jurídica contra a inobservância ou violação das suas normas. 337 do C. por outro lado. Donde se conclui que existe uma distinção entre Jurisdição e Administração.TUTELA PRIVADA E AUTOTUTELA DOS PARTICULARES Se cabe às autoridades públicas a realização de actos de coerção. essencialmente. O próprio direito Constitucional comporta uma fiscalização preventiva das leis. C. 336 do C. • proporcionalidade. dirigida pelo Governo e a Administração autónoma. C. a sanção recusa a eficácia jurídica dos actos praticados e desencadeia determinados efeitos jurídicos. C. • impossibilidade de recorrer em tempo útil aos meios coercivos normais. na eliminação de resistência irregularmente oposta ao exercício do direito ou em acto análogo. ⇒ direito de retenção (art. é preciso haver proporcionalidade. A Administração é o órgão executivo do Estado. Pode falar-se em contrapartida de um tutela administrativa face aso actos ilegais praticados pela Administração.): usado para evitar um perigo maior: • admite-se a destruição ou danificação de coisa alheia com o fim de remover um perigo actual. destruição ou deterioração de uma coisa. existem casos na lei em que a acção dos particulares pode funcionar como meio de tutela dos direitos: ⇒ • • • • legítima defesa (art. uma missão de realização dos fins colectivos dos cidadãos e aqui encontramos duas facetas: • a tutela dos direitos do Estado quando este os quer fazer valer sobre os particulares. que no seu conjunto formam o Aparelho Judicial e. C. é preciso que seja contra a pessoa ou património do agente ou de terceiro. • meio indispensável. a reconstitutiva. merecem atenção por parte do direito: • recurso à força para assegurar o próprio direito. no entanto. a punitiva e a recusa dos efeitos jurídicos dos actos praticados ilicitamente. • está prevista uma indemnização ao lesado. ⇒ estado de necessidade (art. uma violação ao Direito não podia ser juridicamente irrelevante porque se assim fosse não teria autonomia perante o seu envolvimento político-social. TUTELA ADMINISTRATIVA E GARANTIAS ADMINISTRATIVAS A tutela da ordem jurídica e a sua implementação incumbem parcialmente ao aparelho estadual. 754 do C. a Administração Pública. a compulsiva. Os .

importa definir qual a interpretação do interesse que deve prevalecer (numa democracia. há que distinguir o Estado Político do Estado Administrativo. aos tribunais. de tal foram que os indivíduos por ela lesados têm direito a uma indemnização. Pode acontecer que. então. ao Estado Administrativo cabe escolher os meios mais eficientes para os alcançar. já que este não os mandatou para tal. . Esta pronuncia tem de ser feita num órgão de Estado imparcial. A Administração Pública é encimada pelo governo que responde perante a Assembleia pelos seus actos. De facto. em último caso. Como os juizes não são eleitos mas nomeados parece não existir uma relação orgânica entre os tribunais e a soberania popular. Por outro lado. Quando se trata de criar leis e definir as linhas fundamentais da política do país. JURISDIÇÃO E ADMINISTRAÇÃO A Jurisdição traduz-se na apreciação jurídica duma situação concreta seguida da pronúncia de uma decisão sobre quais os direitos e obrigações das partes envolvidas. concentrando-se nos fins. será uma decisão tomada em nome do povo.administrados podem impugnar o acto ilegal recorrendo aos meios administrativos superiores ou. a legitimidade das decisões não se funde no facto de elas tomadas por quem tem a maioria mas no respeito pelo estatuto da função em que os titulares dos órgãos são investidos. utilize meios que lesem os cidadãos.  A legitimidade fundada na vinculação às leis e no respeito dos deveres estatuários do cargo A legitimidade democrática baseada no sufrágio não equivale à atribuição de um poder de dominação à maioria. Por isso. reprimir a violação da legalidade democrática e diminuir ou atenuar os conflitos de interesses público e privados. será a maioria). os agentes da Administração podem exceder as suas funções e cometer “desvios de poder”. como uma certeza do controlo da legalidade administrativa. Parece.  Princípio da Responsabilidade da Administração: ela é possível pelos seus actos. O fundamento da legitimidade está na vinculação à lei e não na eleição. basta a vinculação destes à lei e a observância pelos titulares dos cargos do estatuto da sua função. • toda a decisão imparcial e justa. Mas quando se trata de aplicar o Direito. Transformando-se em agente empenhado na realização de fins e interesses próprios. que careceriam de legitimidade democrática para pronunciarem as suas decisões em nome do povo. pelo que a entrega do recurso contencioso aos particulares funciona. pois carece de um terceiro imparcial que o controle. A Administração funciona segundo três princípios:  Princípio da Legalidade Administrativa: quando uma decisão não está vinculada à lei tem que justificar o objectivo legal de bem comum ou cai-se no desvio de poder.  Princípio da Administração Aberta: qualquer pessoa pode pedir que lhe seja facultado o exame de um processo administrativo findo. Só há restrições no que respeita à protecção da intimidade individual. Assim temos uma representação estatuária: uma competência atribuída por lei para a realização dos interesses manifestados e definidos pelo representado.  Os Tribunais como órgão de soberania A qualidade dos tribunais como órgão de soberania levanta uma certa dificuldade à Teoria Constitucional porque a soberania pertence ao povo. também. para assegurar a legitimidade dos órgãos. nem directa nem indirectamente. de acordo com os critérios legais. no interesse da colectividade. o povo. tendo que respeitar todas as leis. Para essa administração incumbe aos Tribunais assegurar a defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos. A TUTELA JUDICIÁRIA ⇒ Posição Constitucional e função do Poder Judicial  Função tuteladora dos Tribunais Os tribunais são os órgãos de soberania com competência para administrar a justiça em nome do povo. Resultam daqui duas consequências: • o titular da função judicial tem de representar os interesses de todo o povo.

Divididos em quatro distritos judiciais (Coimbra. Os juizes são chamados conselheiros. Os seus juizes são os desembargadores. Corresponde a 4 secções: 2 cíveis. A Irresponsabilidade do juiz significa que este não responde pelos danos causados pela sua decisão. nos julgamentos. os juizes não dependem do ministro da Justiça ou de qualquer outro órgão. • Princípio da igualdade das armas: ambas as partes têm de dispor dos mesmos meios de qualidade.ª Instância: existentes nos concelhos grandes e que podem ser divididos em juízos. Fora desta hierarquia existem os tribunais administrativos. oferece maiores garantias de objectividade e correcção jurídica da decisão.).  Funcionamento dos Tribunais: O juiz deve fazer justiça atendendo ao: • Princípio da Administração da Justiça: as partes devem proporcionar ao tribunal a resolução do caso.ª instância • Supremo Tribunal de Justiça Tribunais de 1. colocação. da família. Para melhor garantir esta independência estabelece-se o Princípio da Irresponsabilidade dos juizes pelos seus julgamentos e decisões e o Princípio da Inamobilidade. É por isso que os tribunais são considerados um poder neutro. O Estado é representado nos tribunais pelo Ministério Público. não estão sujeitos a quaisquer ordens ou instruções (ao contrário do que se verifica com a Administração). • Princípio da igualdade de procedimento: deve-se seguir um código de procedimento até se chegar a uma decisão. A imparcialidade dos juizes tem a ver com o tratamento igual a todos os cidadãos. a presença de um júri que dão o seu veredicto sobre a matéria de facto. Pode funcionar por secções ou em plenário e só conhece matéria de Direito. Isto significa que os juizes.  Imparcialidade: Todas aquelas questões que são susceptíveis de decisão jurisdicional em sentido material devem ser sujeitas a controlo jurisdicional.ª instância • tribunais de 2. ao magistrado só compete declarar o que é o Direito em cada caso.. Assim. Para cautelar esta situação o juiz pode pedir escusa do processo. Évora. militares ou o Tribunal de Contas. Pode ainda haver recurso para o Tribunal Constitucional.  A Independência e Irresponsabilidade dos Tribunais: Ligada a esta imparcialidade está a independência dos tribunais. . Estão divididos em secções especializadas (cível. Além disso. tendo uma decisão estritamente jurídica. Lisboa e Évora). Tribunais de 2.ª Instância: são os tribunais das relações.  Organização Judicial A hierarquia dos tribunais judiciais é composta por: • tribunais de 1. nomeadamente a imparcialidade. mas não dão pena. criminal. promover a realização do interesse social e defender a legalidade democrática. para os crimes de maior gravidade. a quem compete. não deve estar ligado a nenhuma parte em litígio para que fique garantida a sua isenção e imparcialidade. A nossa Constituição permite. sem se deixar influenciar por outras considerações. O autogoverno dos tribunais judiciais traduz-se no facto da nomeação. do trabalho. De facto. social). Isto porque é a Jurisdição que. 1 criminal e 1 social. exercer a acção penal. para além do colectivo. pela sua imparcialidade e independência e pela sua específica competência para decidir os litígios do estrito ponto de vista da jurisdicidade. Para reforçar a isenção dos juizes está estabelecido que estes não podem desempenhar outra função pública ou privada remunerada ou um cargo político-partidário..São várias as características que distinguem Administração de Jurisdição. transferência e promoção de juizes ser efectuado pelo conselho Superior de Magistratura. Supremo Tribunal de justiça: é o órgão superior dos tribunais. para além dessa representação. Para além destes existem tribunais de competência especializada (de menores. a inexistência de órgãos jurisdicionais na Administração e o facto de na Jurisdição os pareceres se basearem em factos já verificados.

têm de ser levados ao conhecimento da outra parte para esta se pronunciar sobre eles.. Estes assentos. despachos) e os regulamentos emanados das autarquias locais.• Princípio do não contraditório: não se pode ouvir só uma das versões. ao longo do processo.. O juiz deve fazer o Saneamento do processo (seleccionar os factos que interessam à causa). todos os actos praticados. ⇒ Lei A Lei. As fontes de direito subdividem-se em fontes voluntárias e fontes não voluntárias. . É uma fonte mediata do Direito na medida em que dá a conhecer o sentido e o alcance da lei. Diz respeito às causas que são tradicionalmente tratadas no Direito Comum: o Direito Civil e Penal e os seus ramos. C. excepto aqueles casos novos que nascem ou surgem depois da acção. Ao lado da jurisdição comum encontra-se a especializada: o Direito Administrativo. Assim. a jurisprudência e a doutrina. vinculam todos os tribunais e todas as demais pessoas e entidades. quando publicados no diário da República. Hoje em dia são também considerados fontes de direito os princípios fundamentais de direito e os assentos. corresponde a uma lei em sentido material e formal. As leis em sentido meramente material são os regulamentos emanados do Governo (decretos regulamentares.  Fontes Mediatas: não têm força vinculativa própria mas são importantes pelo modo como influenciam o processo de formação e revelação da norma jurídica. sendo. as que concedem amnistias.  • • • • Fontes Voluntárias: lei assentos jurisprudência doutrina  Fontes Não Voluntárias: • princípios fundamentais do direito • costume Segundo o nosso Código Civil. ⇒ Costume . fixar uma doutrina “com força obrigatória geral” (artigo 2 C. A seguir avaliam-se as provas e o juiz dá a sentença. o Supremo Tribunal de Justiça e o Tribunal de Contas podem editar normas sob a forma de “assentos”. ⇒ Jurisprudência É o conjunto das decisões em que se exprime a orientação seguida pelos tribunais ao julgar os casos concretos que lhe são submetidos. As leis em sentido meramente formal são as que conferem ao Governo autorizações legislativas. as que autorizam o Governo a realizar empréstimos. na sua designação oficial. Os factos não apresentados na altura devida perdem esse direito. os verdadeiros modos de produção do direito. isto é. etc.. as leis da revisão constitucional e as leis ordinárias da Assembleia da República. portanto. A possibilidade de recurso previne uma irregularidade neste procedimento. o direito Fiscal. Os tribunais estão divididos em dois ramos principais: Jurisdição Comum. ⇒ Assentos No sistema jurídico português. o costume. o Direito Militar. FONTES DE DIREITO E VIGÊNCIA DAS NORMAS A expressão Fontes de Direito tem sido utilizada por diversos autores em vários sentidos. há ainda que distinguir entre as fontes imediatas e as fontes mediatas do direito. mas não a faz.). No elenco tradicional das fontes de direito é de uso referir a lei. portarias. Jurisdição especializada. são leis a Constituição.  Fontes Imediatas: são aquelas que têm força vinculativa própria.

A influência que a doutrina exerce de facto sobre as decisões jurisprudenciais depende em muito do apuro técnico da mesma e da autoridade científica (ou qualidade de especialista na matéria) do autor que a subscreve. manuais. como a lei e contra a lei. desaparecendo. mas hoje em dia só é fonte em raríssimos casos. vá contra os Direitos Humanos. com competência para fazer as leis é o Parlamento. De qualquer forma. 2.Será uma prática social constante.º Semestre PROCESSO LEGISLATIVO A Lei resulta necessariamente de um processo ou procedimento. Assim. nestas civilizações. por forma a salvaguardar conflitos. em certa medida. as novas tecnologias implicam uma novidade de Direito que é feito. Pode ser: segundo a lei. encadeados para um fim. independentemente do órgão competente para a emanar. por excelência. pelo costume. como a Inglaterra ou as sociedades primitivas. ainda que este. Temos. anotações e estudos jurídicos vários. Quer isto dizer que a lei resulta de uma sucessão de actos. Apesar disso. por vezes. • animus: a convicção de se estar a obedecer a uma regra geral. Este é o órgão que representa o eleitorado. um movimento legislativo destinado a acabar com o Costume. com preocupação de legislar. então. mas que o aceita em certas situações. o Costume é fonte do Direito. . De facto. em inúmeros casos de usos e práticas reiterados e permanentes. as suas concepções sobre a interpretação ou integração do Direito. em bases científicas ou doutrinárias. Foi fonte do direito até 1967. Os elementos do costume são dois: • corpus: a observância generalizada e uniforme de determinado padrão de conduta em que está implícita uma norma. • O órgão. acaba por ser convertido em lei. ⇒ Doutrina Por doutrina entendem-se aqui as opiniões ou pareceres dos jurisconsultos em que estes desenvolvem. de várias estruturas e relativamente autónomos. aquilo a que corresponde a Lei. onde o Direito ainda não está positivado é ainda uma fonte importante. Contudo. e o momento conclusivo deste processo é. Porque não é deliberadamente produzido não pode ser fonte voluntária e na sociedade actual é escassa a possibilidade de o Direito se formar pela via consuetudinária. em países de tradição de Direito não escrito. abstracta e obrigatória. monografias. pois. caucionada pela consciência jurídica da comunidade. acompanhada do sentimento ou convicção da obrigatoriedade da norma a que corresponde. ainda que o Direito Internacional Público ainda utilize o costume como uma importante fonte de Direito. as civilizações colonizadas mantêm o seu Direito Costumeiro. Essa doutrina consta de tratados.

162º e 163º da Constituição) Governo. quando um acto provém de um órgão errado (ex. independentemente de quaisquer outras condições. isto é. mas só o Governo pode legislar sobre a organização do Governo. O Regimento da Assembleia da República distingue entre processo legislativo comum e processos legislativos especiais (aprovação do estatuto das Regiões Autónomas. A regra básica é a aplicação das regras do procedimento legislativo comum. Tribunais. não trazem regimes novos para novas áreas da vida.  Da Assembleia da República saem as leis. embora a Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão declare que todos têm direito ao voto (capacidade eleitoral passiva e activa) a partir da maioridade. autorização para declarar a guerra e fazer a paz. • Hoje em dia. que legislam sobre os ministérios.º Poder: poder moderador (artigos 132º e 134º da Constituição) HIERARQUIA: 1. que legislam sobre todos os assuntos. do estatuto do território de Macau. embora nem todas as pessoas possam votar.  • • • •  • • •  • • • Quatro órgãos de soberania do Estado: (artigos 108º a 112º da Constituição) Assembleia da República.: o governo faz uma lei da competência absoluta da Assembleia da República). Decreto-lei. são normativos. a lei será declarada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional. Assembleias Regionais. declaração de estado de sítio ou estado de emergência.. Decreto-legislativo.  Do Governo saem os decretos-lei. para além da idade. Se faltar ou for infringido um dos preceitos desta tramitação ou formalismo.• O eleitorado representa o povo português. Existem três tipos de inconstitucionalidade da lei: 1. 5. Regulamentos: corresponde à função administrativa. 4. será assim uma lei nula. salvo quando não estiver estabelecido um processo especial. pode impor outras incompatibilidades que não permitem o voto. A feitura das leis deve obedecer a uma série de formalidades para que sejam válidas. não são actos legislativos. como por exemplo a nacionalidade. Constituição. é. 3. autorizações legislativas). onde se descrimina o eleitorado quanto ao sexo. pois a Lei. Órgãos de competência legislativa: Assembleia da República. (artigo 182º da Constituição) O Governo regulamenta vários aspectos da administração. ♦ Competências do Presidente da República : • 4. também. mas há países em que se pratica um tipo de sufrágio muito limitativo. bens materiais. Leis Orgânicas. Presidente da República. Governo.  O Governo é o órgão supremo da administração pública. Decretos Legislativos Regionais. Três actos legislativos básicos: Lei. o sufrágio universal e directo é quase geral. 2. etc. (artigos 161º. . Inconstitucionalidade Orgânica: quando um acto desobedece às regras de competência é considerado inconstitucional. Leis e Decretos-lei (valor igual): excepto os decretos-lei no uso de autorização legislativa e decretos-lei de desenvolvimento de leis de base. um órgão legislador. Daí a importância da formalidade.

responder a perguntas. Tribunal Constitucional: órgão que tem competência para declarar a força obrigatória geral da inconstitucionalidade. Se o órgão competente. Inconstitucionalidade Material: no processo legislativo a Constituição estabelece que nenhuma lei que a contrarie é válida. Esta lei não dá a solução para um problema mas delega funções. A constituição consagra direitos fundamentais. na sua elaboração. faz-se uma Revisão Constitucional extraordinária. A nossa Constituição reserva matérias para exclusiva competência da assembleia da República. também. na elaboração de uma lei. salvo as reservadas ao governo. Garante a constitucionalidade dos actos.2. a uma forma especial. . já que é feita por uma assembleia formada especialmente para este propósito. com a possibilidade desta conceder autorizações legislativas ao Governo. • aprovar os estatutos político administrativos das Regiões Autónomas. a competência atribuída pela Constituição ao Parlamento relativamente a quaisquer questões. • aprovar as leis das grandes opções dos planos e orçamentos de estado. várias outras competências: • aprovar alterações à Constituição.  É o órgão que representa o povo e. • fazer leis sobre todas as matérias. A nossa Constituição limita.  Tem. independentemente do partido em que estiver. As leis paraconstitucionais são ainda mais reforçadas que estas exigindo. Revisão Constitucional: De 5 em 5 anos abre-se um prazo para a Revisão Constitucional. princípios do nosso estado que não podem ser violados (regras de fundo). Uma vez aceite um processo de revisão. a competência legislativa genérica. A Constituição obedece.. • etc.  A Assembleia da República tem. se necessário. a competência legislativa reservada. uma maioria de dois terços. Normalmente há um processo legislativo próprio para a votação das leis da Constituição na revisão. a competência legislativa sem acepção ou determinação de matérias.  Leis Paraconstitucionais: têm a mesma natureza que as constitucionais.  Leis Adjectivas: quando a Assembleia da República determinada lei para legislar . regras quanto à forma que têm de ser respeitadas. A própria constituição prevê os trâmites através dos quais se fazem as leis (ao contrário da Constituição inglesa). ou seja. também. como tal. Pode chamar os ministros. os trâmites a observar no processo de elaboração dessa lei. pois. as leis ou preceitos que não se podem rever enquanto esta estiver em vigor. como as constitucionais. Se uma proposta for votada por 4/5 da Assembleia Constituinte fora do prazo estabelecido. há regras de competência. tem um processo especial.  Leis Orgânicas: precisam de uma maioria absoluta dos deputados em efectividade de funções na votação. pela Constituição. esta será declarada inconstitucional. tem funções legislativas mas tem. esta é uma lei adjectiva porque pode ser elaborada por outro órgão que não a Assembleia. também. de Reserva Absoluta e Reserva Relativa. Quando a Assembleia da República quiser pode chamar a si uma lei para estudá-la e rectificá-la. dá-se um prazo de um mês para que outros grupos parlamentares apresentem o seu projecto. tal como as rectificações. não respeitar as formalidades. esta será apresentada se for recebida por um deputado que a toma como sua. também. relações ou situações da vida. Sempre que uma pessoa tenha uma proposta. Assembleia da República:  A Assembleia da República é o órgão legislativo por excelência . questioná-los sobre determinados assuntos que considere pertinentes e pode. A própria lei enumera quais as matérias que só a assembleia da República pode legislar. mas não prevêem um processo especial de elaboração como estas.lei de delegação legislativa -. Fala-se. que é unicamente conferida à Assembleia da República. em primeiro lugar. só com limites do direito Comunitário e do Direito internacional. 3. • conferir ao Governo autorizações legislativas. Inconstitucionalidade Formal: a Constituição estabelece os passos a seguir até à elaboração da lei.

o governo recolhe os dados e elementos necessários. Por conseguinte. Estas matérias são. Os deputados não são especialistas em todas as matérias. . dos nossos interesses. mas tal tarefa seria difícil por se tratarem de matérias muito técnicas. São várias as matérias da Reserva Relativa: . a oposição não tem possibilidade de tomar iniciativa. • • .a Administração do país. Por exemplo. Depois de debatido elabora-se a lei que entrará em vigor depois da apresentação e aprovação na Assembleia da República.matérias em que a Administração procura obter uma solução que requer um conhecimento profundo para satisfazer esses interesses sectoriais (económicos.regimes de referendo. . . os partidos têm a oportunidade de fazer ouvir os seus projectos na Assembleia.aquisição. e há um Direito Potestativo.organização. a sua competência própria . também. não significa que a iniciativa de fazer leis parta dos deputados.bases do sistema de ensino.eleições dos titulares dos órgãos de soberania. um conjunto de matérias que é delegado ao Governo. etc. perda e reaquisição da cidadania portuguesa. assim. funcionamento e processo do Tribunal Constitucional. São matérias que têm uma ligação directa com os nossos direitos mais básicos (liberdade) e com o sistema de poder. sociais. . penas.. juizes. a maioria é que deve legislar e impor o seu programa de governo. . Há outros casos delegados ao Governo . liberdades e garantias.regimes do estado de sítio e do estado de emergência. do equilíbrio ecológico e do património cultural.. Em Portugal. advogados. é uma excepção dos partidos dos Parlamentos europeus. São matérias legisladas sob a forma de leis. por grupos parlamentares (partidos políticos). É o representante do país no estrangeiro.etc. Ao lado destes sectores. A Assembleia da República pode delegar estas matérias ao governo por estas exigirem um maior rigor técnico. Nos casos de maioria parlamentar este problema não se põe.definição dos limites das águas territoriais. que quando vê a necessidade de determinada legislação. em que se requer um conhecimento total da matéria a legislar e do seu contexto.bases do sistema de protecção da natureza. as oposições podem apresentar os projectos-lei. salvo autorização dada ao Governo para legislar. . Noutros países democráticos. embora não tão directamente.associações e partidos políticos.Reserva Absoluta: (artigo 164º da Constituição) • Só a Assembleia da República é que legisla sobre os assuntos/matérias da Reserva Absoluta. nas organizações internacionais. Há. consoante o seu poder (que se mede pelo número de deputados). etc. podem obrigar a Assembleia a discutir estas iniciativas. . .direitos. . . o Governo tem. Tratando-se de matérias da exclusiva competência da Assembleia da República.organização da defesa nacional. Assim. nem goza do Direito Potestativo. Também estas são matérias que têm uma ligação com princípios estruturantes da nossa sociedade e do nosso ordenamento jurídico. apresenta uma proposta de lei para ser discutida na Assembleia da República.criação de impostos. ou pelo governo. o Governo tem de estar munido de capacidades que lhe permitam a realização desses interesses. por exemplo: .estado e capacidade das pessoas. . que será debatido pelo ministro. não podendo transferir esta tarefa para outros órgãos legislativos. Através dos seus sectores especiais. . defensor. Reserva Relativa: (artigo 165º da Constituição) • Em relação a esta matérias só a Assembleia da República pode legislar. culturais).definição dos crimes.. A iniciativa de apresentar uma proposta/projecto-lei pode ser tomada directamente por qualquer deputado.etc. . . todos os códigos podiam ser elaborados na Assembleia da República. . Nomeiam-se comissões de elaboração de códigos (professores universitários.bases do sistema de Segurança Social e do Serviço Nacional de Saúde.) que fazem um anteprojecto.

a extensão e a duração da autorização.O governo possuí quatro meios que lhe permitem cumprir o seu programa legislativo: 1. Competência própria (decretos-lei). Se o governo não a utilizar durante o prazo concedido ela perde a validade.” Como é que o governo obtém a autorização da Assembleia da República para legislar sobre determinadas matérias? • Tem que ser ele a solicitar à Assembleia da República a autorização para legislar e fá-lo através de um acto legislativo. Se esta lei não for utilizada ela caduca. Pode ser objecto de utilização parcelar mas não se pode utilizar mais que uma vez. Esta autorização não é uma lei de execução imediata. Inglaterra: . é a matéria prima que o governo irá utilizar. Bancada do Governo A mesa funciona como um órgão. . As leis de autorização legislativa têm de definir o objecto. • Projecto de proposta de lei. GRUPOS PARLAMENTARES / PARLAMENTO Deputados Presidente Tribuna dos Oradores Secretários Direcção da mesa dos serviços administrativos onde se entregam os articulados. . 2. A norma referida no exemplo não é ainda válida porque o governo tem que a legislar.objecto: pequenas e médias empresas. As autorizações legislativas não são anárquicas.extensão: 35% .artigo 198º da Constituição “Compete ao governo. O público ainda não pode beneficiar dela. Governo .duração: todo o ano de 1998.20% . Competência Absoluta da Assembleia da República: o governo apresenta uma proposta para ser debatida na Assembleia da República. Ela dirige-se ao governo e não aos cidadãos. o sentido. Toma a iniciativa de apresentar um projecto-lei que beneficie o governo.sentido: benefícios. 4. fazer decretos-lei em matérias de Reserva Relativa da Assembleia da República mediante autorização desta. 3. no exercício de funções legislativas: fazer decretos-lei em matérias não reservadas à Assembleia da República. As decisões da mesa são formadas pela maioria. e tem que controlar os actos do governo. Exemplo: Lei de autorização legislativa: . Plenário composto por 235 deputados. Quando a Assembleia da República autoriza o governo a elaborar determinada lei tem que o fazer de acordo com estes elementos. Competência Relativa da Assembleia da República: o governo pede a autorização legislativa e faz o decretolei.

os ministros votam como deputados. Portugal: Os debates nunca excedem as 4:30 / 5:00 horas.  Quorum deliberativo: para a Assembleia da República poder votar e tomar decisões tem de estar presente a maioria do número legal dos seus membros. • o Presidente da Assembleia da República estuda o projecto a fim de o admitir ou não. Órgãos colegiais: órgão composto por muitos membros. o governo tem o mesmo tempo que o maior partido. para discutirem assuntos parlamentares. Grelhas de Debate: O tempo global é dividido entre o Governo e a Assembleia da República. dá o despacho da admissão ou o da não admissão (neste último caso. faz um resumo sobre as justificativas. é ele que escolhe quem deve falar.Speaker . tem de justificar o seu procedimento). por ordem crescente. • os deputados falam um de cada vez. discurso do tram: o governo diz quais são as suas propostas.número de presenças que a lei exige para a Assembleia da República deliberar (há 230 deputados.  Princípio da publicidade para todos os órgãos colegiais: as reuniões da Assembleia da República são públicas. Quorum . Governo:  apresenta uma autorização legislativa.regra da precedência: • dá números aos projectos para ver em que sessão legislativa entrou o projecto. isto é.Presidente da Câmara dos Comuns Governo (trabalhista) Oposição (conservador) Orador • • • • não há tempos marcados. o speaker não é obrigado a dar a palavra a qualquer deputado.  Princípio da maioria simples: Maioria: há 1000 votos: 40 a favor 30 contra . com excepção do debate do orçamento. Maria. • o debate é disciplinado pelo Presidente da Assembleia da República: • um deputado não apresenta uma iniciativa legislativa. • na mesa dos serviços justificativos é marcada a hora a que chega o articulado . têm de estar presentes 116 deputados para se votar). • a agenda é fixada de comum acordo entre o Governo e os partidos na sala D. Tempo 4 horas 3:30 horas 3 horas 2:30 horas 2 horas Assuntos A B C D E Os tempos são divididos segundo a força numérica. tem de apresentar um articulado onde exponha os interesses e razões que o levam a apresentar tal iniciativa.  não vota (os membros do governo deixam de ser deputados).

por isso. Por exemplo. ∗ O Pacto de Regime não pode ser uma espécie de direito de veto. ∗ Directrizes Comunitárias: as matérias legislativas são importadas e nós somos obrigados a aceitá-las. eleitos pelo país. ∗ O Parlamento é o teatro político. ∗ Inflação legislativa: há uma produção incessante de leis. Mas sob o ponto de vista nacional não têm importância de maior. têm de ser aprovadas por maioria reforçada. aquelas que se aplicam nos arquipélagos. direito de bloqueio que a oposição usa. entre outras. Tem a duração de quatro sessões legislativas.30 abstenções . 2/3 de 120 são 80. FASES DO PROCESSO LEGISLATIVO DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA A Assembleia da República pode fazer todas as leis de aplicação geral no território nacional. Os deputados não expõem assuntos de interesse particular.  Princípio da maioria absoluta: na maioria simples tem-se mais votos do que qualquer posição. ∗ Legislatura: é o período do mandato da Assembleia da República (artigos 171º e 174º da Constituição). A Assembleia da República pode pronunciar-se sobre essas leis em termos formais e não materiais. isto é. o que se reflectirá nas eleições. Exemplo: Leis orgânicas por maioria absoluta: (artigo 168º da Constituição) em 230 deputados em efectividade de funções são precisos 116 votos. que são 2/3 dos votos presentes. na absoluta tem-se mais de metade dos votos. ∗ Comunicação social: o país não vai todos os dias à Assembleia da República saber o que se passa. Se esta maioria tiver tomado uma decisão que vá contra um interesse vital do país. por isso. toma conhecimento das fases mais importantes através da comunicação social.estas não contam para a apuração da maioria. Na Assembleia as decisões são tomadas por maioria simples: 30 a favor. desvirtuando a verdade. ∗ Leis estruturantes do regime: são leis de valor reforçado.: fogo posto pela urbanização). ∗ Leis estruturais: mexem com a estrutura do regime. como por exemplo. estão presentes 120. cujo papel é insubstituível. O deputado deverá reger-se pela responsabilidade do seu cargo e não por interesses puramente partidários.  Princípio da maioria reforçada: quanto mais importante é um assunto. estas iniciativas não passam de uma satisfação que pequenos partidos dão ao seu eleitorado. Exemplo: Actos normativos: (artigo 112º da Constituição) leis que carecem de aprovação por maioria de 2/3. Se o grupo parlamentar se mostra um bom representante. leis militares. as leis da segurança social. e mesmo aquelas que não se aplicam a todo o território nacional. ∗ Leis Comunitárias: uma norma votada por maioria qualificada será sempre aplicada nem que Portugal esteja contra ela. a lei pode ser vetada. como a revisão da Constituição. os partidos políticos julgam que satisfazem o seu mandato se apresentarem o maior número possível de iniciativas legislativas. a informação fornecida pela comunicação social é filtrada e subordinada aos critérios dos jornalistas. ∗ Legislação: variável consoante a vida do dia-a-dia. consegue articular bem os vários interesses e arranja soluções para eles. o grupo ficará “bem visto” pela opinião pública. 20 contra e 100 não contam porque são abstenções. Dupla exigência quanto à maioria: há 230 deputados. precisam de um consenso alargado. Muitas vezes. desenvolvem matérias que julgam serem do interesse público e que o governo deve disciplinar. que muitas vezes fazem os seus próprios juízos de valor. O número de votos a favor tem de ser superior à metade dos votantes. Leis a que a Constituição dá um valor reforçado q que. leis de educação. Por outro lado. ∗ Reformas estruturais: a oposição não pode impedir estas reformas desrespeitando o pacto de regime. É o palco político onde os representantes do país. Não . torna-se menos possível votar-se por maioria simples. por isso é maioria simples ou relativa. Os 2/3 têm de representar mais de metade dos votos presentes. Para matérias importantes vai-se estabelecendo maiorias reforçadas ou qualificadas. cataclismos que não podem ser resolvidos pela administração mas sim pela legislação (ex. ∗ Assembleia da República: todos os actores políticos têm de estar representados neste palco.

2. requerer uma comissão especializada para estudar o projecto/proposta. havendo mais do que um projecto de lei (não pode ser proposta de lei) sobre a mesma matéria. como não há uma ditadura do Presidente da Assembleia da República. O Presidente da Assembleia da República pode. já que os meios de comunicação social atribuirão uma maior relevância aos primeiros argumentos e secundarizarão a intervenção dos segundos. em virtude de regras integradas na Constituição. a apreciação externa é específica (matérias previstas na constituição). A data e a hora de entrada são. e diz respeito à norma em si.  Depois. Depois disto é proibido “mexer” mais nesta matéria. A segunda é aquela que se realiza noutros órgãos constitucionais ou mesmo em organizações da sociedade civil. que as disposições são contraditórias. pois a Assembleia da República não pode perder tempo com articulados que contenham disposições inconstitucionais. Ou. Embora o Tribunal constitucional seja o órgão competente para verificar a inconstitucionalidade da lei. ⇒ Fase da Iniciativa:  O processo começa com a entrega do articulado na mesa dos serviços administrativos da Assembleia da República.: união de facto). lê os articulados e. no prazo de 48 horas. Promulgação e Controlo. a sua discussão obedece a uma precedência conforme a data e hora de entrada dos projectos. importantes para efeito de comunicação social. mudando o chefe de estado. o que será importante em termos da regra de precedência.  Além dos casos expressamente previstos na lei. Também faria o mesmo se o diploma fosse em relação à restauração da monarquia.há um órgão legislativo comum aos arquipélagos. salvo quando se está a aprovar o orçamento. São estes serviços que põem a data e a hora de entrada do projecto ou da proposta de lei. Iniciativa. Quanto à publicação. ainda. esta situa-se já fora do processo. o Presidente da Assembleia da República pode achar que o articulado está mal escrito. pode apresentá-la na sessão seguinte. o Presidente da Assembleia da República também o pode verificar. Apreciação ou Consulta. e o Presidente da Assembleia da República não deve admitir esses projectos/propostas. O primeiro orador pode esgotar todos os argumentos principais. São quatro as fases do Processo Legislativo: 1. quer isto dizer que o Dr.o Presidente da Assembleia da República recusará o diploma por manifesta e ostensiva inconstitucionalidade. a lei eleitoral da Madeira. • lei de travão: os deputados são impedidos de apresentar projectos que aumentem ou diminuam as receitas do estado. quanto aos direitos. e toma a forma de proposta de lei quando é exercida pelo governo ou pelas assembleias legislativas regionais. Só em casos excepcionais é que o Presidente da Assembleia da República não admite os projectos/propostas. A apreciação interna é genérica (todos os casos). A primeira é aquela que se desenvolve no seio do Parlamento. os projectos/propostas são enviados à mesa do Presidente da Assembleia da República que pode ou não admiti-los. desprendida do acto legislativo. deixando para os outros a contestação dos argumentos com que discordam ou então repeti-los. através do exame em comissão. e nestes casos o Presidente chama a atenção do deputado do grupo parlamentar para corrigir os “erros”. Também não se pode apresentar uma iniciativa que já tenha sido chumbada na mesma sessão legislativa (ex. • A iniciativa legislativa toma a forma de projecto-lei quando é exercida pelos deputados ou grupos parlamentares. Exemplo: a pena de morte . Deliberação ou Discussão. ⇒ Fase da Apreciação ou Consulta: Nesta fase há que distinguir entre apreciação interna e apreciação externa. Estes casos são ostensivamente contrários à Constituição. pois ficaria vedado o direito de expressão. interpreta-se o recurso (dentro de um prazo): deputados entendem que o Presidente devia ter admitido ou . Almeida santos. 4. para depois dar o despacho da admissão ou não do projecto/proposta. e Votação. A legislatura tem quatro sessões legislativas. a decidir receitas e despesas do estado anuais. isto é. também. apenas aquilo que é individual a cada arquipélago é que é legislado na sua Assembleia Regional. liberdades e garantias dos cidadãos. dá o despacho da admissão ou da não admissão do projecto/proposta. 3. como por exemplo. qualquer decisão é sempre susceptível de recurso ao plenário. actual presidente da Assembleia da República. Mas.

a um certo número de projectos-lei (traço característico da nossa Assembleia). os ministros podem ser. este é obrigado a admitir ou não o se seu despacho anterior. em que a nossa Constituição foi feita para o pluripartidismo.: comissão de educação). O orador desenvolve a importância do projecto para a Assembleia da República votar a favor ou contra a sua proposta. será publicado no Diário da República para ser conhecido por todos os deputados. se a sua filosofia é importante. O tempo que cada partido dispõe está de acordo com o número de votos que lhe foram atribuídos nas legislativas.não determinado projecto. onde é o governo que fixa o programa legislativo e escolhe os projectos/propostas que quer ver discutidos na Assembleia da República. segundo o seu número de deputados. O Presidente dá a palavra a cada grupo parlamentar. Em Portugal. o respectivo tempo de debate atribuído a cada partido (o tempo global é dividido entre o governo. Ao contrário de Portugal. ⇒ Fase da Deliberação ou Discussão. uma espécie de preparação para o debate na generalidade do plenário. a um ministro é suspendido é-lhe suspendido o cargo de deputado. O Presidente pode ser forçado. em turnos. • Se for admitido.  Depois da publicação. em proporção. na actividade legislativa vêm seriados os diplomas legislativos que vão ser debatidos. excepto que se vai proceder à votação de um decreto-lei. para se ficar a saber a história legislativa do país. que espécie de articulados foram apresentados durante a nossa história.  Em Inglaterra. quando há maioria absoluta.  O Debate na Generalidade é a apresentação na Assembleia da República sobre a filosofia geral do projecto de lei. e não são obrigados a assistir aos debates parlamentares. Então. caso tal não se verifique é fixada pelo Presidente) a agenda mensal dos trabalhos publicados pela Assembleia da República. quais os benefícios que essa iniciativa trará e quais os seus inconvenientes. para não haver maioria absoluta de qualquer partido. então. e os .  Uma vez fixada a agenda parlamentar. em simultâneo. e depois de cada grupo parlamentar ter falado procede-se à votação. mas está teoricamente “morta” a questão da proposta de lei. então. tem direito. os ministros não podem votar os projectos/propostas de lei. O orador deve dizer o que é que o levou a tomar esta iniciativa. haverá o debate na generalidade. ao contrário da França. Entre o dia em que é fixada a data e o debate. defendendo as suas propostas. fazem. esses projectos são agendados com um mês de antecedência na Conferência dos líderes. se entrega ao governo a fixação do programa legislativo da Assembleia da República. caso haja uma lei anterior respeitante ao seu projecto. Este ministro está sempre no Parlamento e acompanha os seus colegas. São países onde. porque é que acha que esse projecto é necessário e quais serão as modificações na lei. e líderes parlamentares. conferida à Conferência dos representantes/líderes dos grupos parlamentares. presidida pelo Presidente da Assembleia da República. Esta publicação é obrigatória para efeitos de registo. • Uma vez não admitido. O projecto é estudado para ver se vale a pena continuar com ele. só pode ser tomado mais tarde noutra sessão legislativa. e dão o seu parecer: o que é que traz de novo. as soluções que consagra e se são viáveis. rebatendo estes últimos. e da Inglaterra. Noutros países os partidos da oposição não podem apresentar os seus projectos legislativos. assistida por vice presidentes. e. e Votação: A discussão dos projectos e propostas de lei está sujeita a um debate na generalidade e outro na especialidade. o projecto/proposta é mandado para as diferentes comissões parlamentares relativas às diferentes matérias (ex. para criticar o seu despacho. ministros e deputados. Em Portugal. Ninguém apresenta um projecto-lei antes do debate. Assim. é preciso haver uma ordem definida pelo consenso entre os deputados. onde é o Primeiro Ministro que diz qual será a agenda dos trabalhos da Assembleia Legislativa. e dão o direito potestativo aos partidos da oposição. porque há centenas de projectos sobre as mais variadas matérias apresentados pelos deputados. Estes fixam por consenso (em princípio é por consenso. Se na votação houver a maioria a favor ou não da admissibilidade do despacho do Presidente. pode ter de não admitir um projecto que outrora admitiu. pois. então. Cada partido. por 3 minutos. O ministro residente na Assembleia da República é o Ministro dos Assuntos Parlamentares. também.  A agenda legislativa é. a maioria e a oposição). quando chega o dia. a admitir o projecto que recusou ou.

Cada partido tem um determinado tempo. nominal (a mesa chama os deputados para votar. revista por uma comissão de redacção. os deputados confirmam que a lei em questão corresponde ao seu espírito inicial de generalidade. mas será. de modo a permitir aos deputados um momento de reflexão. Assim. passa a uma segunda fase. Há um certo tempo entre o fim do debate e o início da votação. podem pedir a votação individual desse artigo. aquilo que o orador fará é ler os artigos.  Pode haver a necessidade política de tornar público porque é que um deputado vota a favor ou contra uma determinada proposta (ex. 3 minutos para expressar a sua opinião sobre a proposta. etc. e quando vê que o governo está a ser atacado pode aparecer e dar resposta aos deputados em seu nome.  Ultrapassada toda esta fase de votação. Isto não se sucede com frequência. Mas. ainda. da votação na especialidade. no entanto. A votação pode ser feita de braço no ar (normal). a votação pode ter lugar imediatamente a seguir ao debate.  Após esta tarefa da comissão. pois o trabalho feito na comissão não consta das actas da Assembleia da República. Caso haja uma urgência justificada. já explicado anteriormente. podendo. há. a qual segue uma regra. o que se faz é ver artigo por artigo. por ordem alfabética). a lei fica aprovada. geralmente. geralmente. começa a sucessão de discursos segundo as indicações dadas à mesa.: caso da despenalização do aborto). já que não se pode modificar nenhuma orientação. seguir o debate através do circuito interno.  Geralmente. por diversos motivos. se estão bem redigidos.  Depois da votação na generalidade. é feito na comissão especializada na matéria (ex.  Se o projecto passar na generalidade. Neste último caso o projecto não pode voltar a ser proposto. após as 18:00 horas e. fica redigido o texto da lei.interesses do governo na Assembleia da República. que será impresso e enviado ao Presidente da República para efeitos de promulgação. pelo que é desconhecido do público. uma votação final global. como a comissão tem apenas um pequeno número de deputados (máximo 29) o seu trabalho não terá o valor do de toda a Assembleia. o plenário pergunta se os deputados estão de acordo com o trabalho da comissão. pelo que se dá. novamente.  Findos estes passos. Está sempre atento (mesmo quando fora do plenário. comissão de educação) e não no plenário.  Na Especialidade. Isto só acontece quando se quer chamar a atenção da comunicação social. para tratar do assunto e expressar a sua opinião. dizem respeito a propostas apresentadas na semana anterior. uma vez que nem todos os deputados estão presentes.  Através da votação final global. uma vez que os partidos que estão no plenário são os que compõem a comissão. dizendo se o projecto foi aprovado ou rejeitado pela Assembleia. que é um Debate na Especialidade que.  Cada deputado tem. ou pode ser secreta (só se aplica em matérias onde estejam envolvidos os nomes das pessoas).  O Presidente da Assembleia da República declara o resultado da votação. . no fim desta votação. Acabado este período. inicialmente. Os ministros podem ir assistir às intervenções da sua bancada sempre que queiram. que revê o português e o aspecto literário da lei. o que vai contra a própria natureza de um debate na generalidade. e os partidos aceitam-na na globalidade.  Quando um debate na generalidade é feito apenas para efeitos mediáticos. Se houver deputados que discordem de algum artigo.  As votações têm lugar às 5ª feiras. a oportunidade para o plenário se pronunciar sobre o trabalho da comissão. a iniciativa deixou de ser projecto/proposta de lei. é agora um Decreto-legislativo. Este é um passo puramente formal. acompanha o processo através de um circuito interno de TV) aos assuntos em discussão. marca-se o dia da votação na especialidade. se podem levantar dúvidas na interpretação..  Depois do debate vem a votação. finalmente. embora hajam casos em que uma lei aprovada nas votações anteriores chumba na votação final global. a lei já está pronta. Assim.

⇒ Fase da Promulgação e Controlo: Há sistemas unicamarais e sistemas bicamarais. o juiz pode tomar outra decisão. ou o jurista cria. verdadeiramente. Nos sistemas semi-presidencialistas.Vacatio Legis: corresponde ao período de tempo que vai desde a aprovação da lei até à sua entrada em vigor. embora não seja um órgão legislativo. o chefe de estado pode exercer uma função simbólica. geralmente. porque é o eleitorado que elege ambos os órgãos através do sufrágio universal e directo. revogar ou modificar as leis é a Assembleia da República. é que os magistrados podem agir como “legisladores”. Não há. O poder judicial não é. Nomeia o Primeiro Ministro. como o nosso e o da Áustria. para preencher a lacuna pode recorrer-se a casos análogos. Assim. Sufrágio universal e directo: teoricamente. Contudo. Assim. é o mesmo eleitorado que elege a Assembleia da República e o Presidente da República. e o Governo é uma emanação deste. A data em que a lei é publicada é extremamente importante. o Presidente da República tem o poder quase similar ao da Assembleia da República. uma lei. No nosso sistema o Presidente da República goza do poder de intervir no processo legislativo. Mas esta lei criada não tem qualquer validade jurídica para além do caso que pretende regrar. para o caso concreto. Os sistemas parlamentares anglo-saxónicos têm duas variantes: • Inglaterra: o Parlamento é o verdadeiro “senhor” político. o poder do juiz é mais uma função do que um poder. era necessário que o poder político não estivesse concentrado num só órgão. sem tomar em conta as modificações efectuadas pela câmara alta (isto. mas tem mais poder que este. Em Inglaterra os ministros têm de ser deputados e votam como tal. Se a Câmara dos comuns reaprovar de novo essa lei. A Câmara dos comuns protege os interesses dos estados federados. pois só quando publicada no diário da República é que a lei passa a vigorar. assim. porque há interesses particulares de cada estado que têm de ser tomados em conta. não acontece). respectivamente. como é o caso da Inglaterra. Não tem poderes sobre o Parlamento e nem qualquer intervenção no processo legislativo. como o preenchimento de lacunas. Estes regimes são puramente parlamentares. Lacunas da lei: são casos não previstos na lei que necessitam de ser preenchidos juridicamente. mas quem o escolhe é o eleitorado que nele votou. Esta segunda câmara é quase obrigatória nos sistemas federados. Se tal acontecesse poderia levar a ideias ditatoriais. O primeiro verifica-se em Portugal. a câmara alta (senado9 tem a hipótese de fazer uma segunda leitura da lei aprovada na Câmara dos Comuns. Isto é. A “moção de . A Rainha da Inglaterra não tem quaisquer funções próprias a não ser uma função simbólica ou histórica. há diferenças no tempo do mandato e no tempo em que as eleições se realizam. um poder político como os outros. Tal não acontece em Portugal. que se refere ao facto do Presidente da República se “esquecer” da lei na gaveta/bolso. visto que os magistrados apenas aplicam o direito e fazem justiça. em Inglaterra há Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns. a lei é aprovada e vai para a Rainha para ela a promulgar. Entendeu-se que para haver um equilíbrio entre as várias formas de poder. é aplicável só para o caso concreto. Não é uma regra geral e universal. Outras vezes. Deste modo. • Alemanha: o peso do poder político vai para o Governo que nasce no Parlamento. criando uma norma diferente. a lei não é nem vetada nem é posta em prática. Quem tem o poder constitucional de fazer. O poder político é unitário. Só em casos excepcionais. a câmara alta representa os estados federados indianos e os estados federados americanos. e o segundo em Inglaterra. Segundo as constituições. Se surgir uma situação igual e a lacuna não tenha sido preenchida. as câmaras altas representam simplesmente uma tradição. Neste país o Parlamento fica sujeito a regras que dificultam o derrube do Governo. o que difere é a forma como é exercido pelos órgãos competentes. o Governo é uma emanação do Parlamento. Veto de bolso: na América existe o chamado veto de bolso. Este último sente-se com a mesma legitimidade constitucional que a Assembleia da República. Em Inglaterra. uma divisão tão linear entre poderes como defendiam os antigos filósofos. Na índia e na América.

não recomendando a entrada em vigor do mesmo. isto é. sem ser o encontro de várias vontades como o Parlamento. Mas. é lida pelo seu presidente. Exemplo: se um partido tiver a maioria absoluta pode exercer as suas funções não de acordo com a vontade pública mas mediante os seus próprios interesses.  Em Portugal. chama a atenção do Parlamento ao vetar o documento que lhe é apresentado. e destituir o governo. composto por acessores políticos.  Quando o Presidente da República recebe o decreto legislativo para fins de promulgação. Mas se. e é. abuso de poder. De Gaulle definiu os termos do sistema semi-presidencialista: reservou alguns poderes para o Presidente da República.  Depois da votação final global. há actos da Assembleia que são publicados independentemente da promulgação. Esta mensagem.  Depois de promulgado. nepotismo. como é o caso da corrupção. tem o direito de o reanalisar . por técnicos especializados que preparam o expediente do Presidente da República. pelo que acata e promulga a lei. a Assembleia da República elabora o decreto legislativo. isto é. politicamente.se pretende acatar a mensagem e. Foi dado ao Presidente da República o poder de chamar à atenção da Assembleia da República. assim. esse diploma deve ser reapreciado e emendado.censura construtiva” pode ser apresentada contra o Governo. se ele cometer crimes vai ser julgado mediante os dispostos previstos na lei. o Presidente da República tem o poder de dissolver a Assembleia da República. quando o Presidente da República não concorda com o diploma legislativo exerce o seu direito de veto. pois não teria a mesma legitimidade que a Assembleia da República. entra em vigor segundo os termos estabelecidos na lei. que garante a execução deste diploma. Será o Governo que irá garantir a boa execução deste diploma. um órgão unipessoal mas que não está só. lida a mensagem. Assim. A Assembleia da República não pode retirar ao Presidente da República as suas funções. a conferência de líderes fixa o dia do debate da mensagem na Assembleia da República. pois tem de derrubar o Governo e tem de ter uma alternativa para o substituir. então. • Existe um serviço do Presidente da República. mas para tal o Parlamento tem de ter uma alternativa. representa a totalidade dos interesses do Estado. indirectamente. por todos os órgãos. publicada no Diário da Assembleia República. enquanto órgão plural. Mas este poder tem de ser exercido de acordo com a situação. ou verificando-se a subversão institucional do normal funcionamento das instituições. em que o Presidente da República fundamente o seu veto Mensagem Presidencial. uns poderes para o Parlamento e fez uma divisão entre as funções do Governo e do Parlamento. que é enviado para o Presidente da República. De seguida. os decretos legislativos estão sujeitos à promulgação do Presidente da República.se fosse eleito. a Referenda do Primeiro Ministro. . depois. O debate tem por objectivo definir o que a Assembleia deve fazer: . acatam a sua mensagem e o diploma é arquivado. No caso de haver perturbações. o Presidente da República não tem nada contra o decreto legislativo. Dá-se. o seu trabalho é mais complexo. a conferência decidir que não é necessário o debate porque todos estão de acordo e acham que o Presidente da República tem razão. No entanto. o diploma é rejeitado. se o Presidente da República considerar que uma lei não vai de encontro com a vontade e os interesses públicos. Este veto tem de ser fundamentado através de uma mensagem à Assembleia da República. podendo alegar dois motivos:  Veto Político: o Presidente considera que. através do conhecimento que toma e manda publicar. para que seja garantida a sua aplicação. ainda. tem de apresentar um chefe de Governo e tem de ter uma maioria. ao chegar à Assembleia da República. ao considerar não terem sido utilizados adequadamente os poderes da Assembleia da República. que ponha em causa ou torne impossível o bom funcionamento das instituições políticas. deste modo. pelo Parlamento não o poderia fazer. recomendar a revisão de certos pontos que necessitem de ser emendados. vetando leis que lhe são enviadas. Depois de publicado no diário da República. o documento volta para o governo.  Normalmente. O Presidente da República. enquanto órgão unilateral. O Presidente da República pode. por meio do Presidente do Parlamento.

Se o Tribunal Constitucional declarar que os fundamentos do Presidente da República têm razão de ser. o que não significa a caducidade da mesma. Pede. composta pelo presidente da Assembleia da República e por 4 vice-presidentes. para repor o normal andamento do processo legislativo. também. o Presidente pode. a Assembleia da República tem dois caminhos possíveis: • mantém a sua posição. • todas as leis que vão contra as chamadas leis de valor reforçado. não pode ser renovada na mesma sessão legislativa. Nas leis orgânicas. É na mesa da Assembleia da república. rejeitando os fundamentos do Presidente da República. são retiradas. deixar cair a lei. LIMITES À INICIATIVA: • lei travão: qualquer projecto ou proposta de lei que implique a diminuição das receitas ou o aumento de despesas é imediatamente impedido de prosseguir o processo legislativo. este novo elemento subscreve a iniciativa e. ainda. e o Presidente da república é obrigado a promulgar a lei. elimina-se o cancelamento e o processo continua. e quando tal acontece. de modo a prevenir que seja publicada uma lei inconstitucional. Se o Tribunal Constitucional declarar que os fundamentos do Presidente da República não são viáveis. • só o governo faz a proposta de lei do próprio governo: tem uma reserva de iniciativa neste âmbito. e este mesmo que encontre outros fundamentos que sejam inconstitucionais. • pode emendar as inconstitucionalidades. ou seja. por vezes. Há alguns casos em que a fiscalização do diploma não precisa de ser pedida pelo Presidente da República. A Assembleia da República pode. este é obrigado a promulgar a lei. declarar o veto político (teoricamente isto é possível. ser retirada quando aquele que iniciou o processo desista de apresentá-lo. acontece que todos sabem que a lei é inconstitucional e podem recorrer ao Tribunal Constitucional aquando a sua utilização na vida prática. • todas as leis que vão contra o regimento da Constituição são retiradas. reservando o seu juízo apenas aos fundamentos do Presidente da República. o diploma ao Presidente da República que.diz-se expurgar a lei das inconstitucionalidades. O Tribunal Constitucional. Depois entrega. Quer isto dizer que o Tribunal constitucional só pode dar o seu parecer sobre aquilo que lhe foi solicitado.se a maioria (cerca de 117 votos) mantiver a sua visão. . • todas as leis que vão contra as convenções internacionais das quais Portugal faz parte são retiradas. e esta é arquivada. com competência para tal. que pode acontecer até à primeira votação (na generalidade). A promulgação é indispensável à existência da lei. ainda.. é o chamada cancelamento da iniciativa. adopte a lei que aquele quis cancelar. após receber a chamada “fundamentação do Presidente da República”. o que é feito mediante o grau de importância que esta desempenhe no diploma (pode ser a ideia principal que seja inconstitucional). • uma proposta pode. é a chamada economia processual. pode ser pedida pelo governo. votando por 2/3. mas que não estejam inscritos nos fundamentos do Presidente da República. tem um prazo próprio para dar a sua resposta. como quando o governo apresenta à assembleia da república um orçamento para o ano seguinte. que se dá a admissão ou a não admissão da proposta que fora entregue. não pode evocá-los. embora nunca tenha sido usado na prática). Quando uma proposta é rejeitada definitivamente. A proposta é rejeitada/recusada de acordo com os parâmetros acima referidos. então. quem teve a iniciativa pode ainda recorrer à Comissão de Assuntos Constitucionais. novamente. por exemplo. Mas. Pode ser que outro elemento. também.  Veto por Inconstitucionalidade: o Presidente da República não aprova o diploma por suspeitar de inconstitucionalidade de certos pontos desse diploma que lhe é apresentado. promulga a lei. então. substituindo esses artigos ou pontos por outros que sejam constitucionais . já que. • caducidade: acontece quando a proposta não chega a ser discutida nem votada. ao Tribunal constitucional o seu parecer. Esta decisão tem um prazo de 48 horas para ser tomada. A inconstitucionalidade pode matar a própria lei. se não encontrar nada contra. Quando uma lei não é promulgada ela é inexistente. Note-se que a discussão e a votação de uma proposta não têm de ter lugar na mesma sessão legislativa em que a proposta é apresentada. não é possível expurgar a inconstitucionalidade do diploma.

A lei nova revoga a antiga. pelo que é mais prático que a lei diga expressamente o que é que revoga. a própria lei nova diz que a anterior está revogada. Quando não diz nada há revogação tácita (implícita). a revogação é expressa.  Revogação: a forma mais normal de uma lei deixar de vigorar é pela revogação.  Revogação Global: quando uma lei vem revogar de uma forma global todo um instituto jurídico ou um ramo de direito. A lei inferior não revoga a lei superior.Uma vez admitido. . isto é. por vezes. Resulta da ocorrência de um facto exterior. Isto só acontece quando a lei nova é incompatível com a anterior. CESSAÇÃO DA VIGÊNCIA DA LEI (Como é que a lei deixa de vigorar)  Caducidade: pelo decurso do tempo. forma de cessação da vigência da lei porque uma nova lei substitui a antiga. porque desaparece a situação que ela regulava ou porque termina o tempo que ela tinha previsto. revoga-a. isto é. para que esta última esteja revogada automaticamente. o projecto segue os parâmetros normais da legislação. às vezes previsto pela própria lei. por isso basta que a nova seja incompatível com a antiga. Mas.

• Os prazos supletivos só entram em vigor se a própria lei não estabelecer a data de entrada. Todos eles têm dignidade inferior à lei. já que nem todos os seus actos normativos são actos legislativos. mas sim como Primeiro Ministro. 3. Diplomas do Governo: • Matérias de competência de Reserva Relativa à Assembleia da República. o governo passa por diversas fases: 1. O Governo tem uma competência legislativa residual (artigo 198º da Constituição). • Decretos regulamentares. pode voltar a renovar uma lei. Para elaborar um decreto-lei. também.PROCESSO LEGISLATIVO DO GOVERNO O processo de feitura das leis do Governo é o mais simples. Com a promulgação e decorrido o período da vacatio legis. Uma lei mais complicada estabelece por si própria um prazo mais alargado para dar tempo às pessoas para a estudarem e se habituarem à mesma. são os serviços que propõem aos ministros a modificação/elaboração de determinado decreto-lei. 5. • Matérias de competência de Reserva Absoluta da Assembleia da República. A falta da publicação implica a ineficácia da lei. Quem influencia a acção legislativa do governo são os burocratas de cada serviço. assim. ⇒ Princípio da Publicidade da Lei:  Vacatio Legis: • 5 dias no Continente. Promulgação: depois de aprovado. Elaboração: quem elabora o projecto de decreto-lei são os gabinetes dos vários ministros. Os actos regulamentares pormenorizam a lei. é que é assinado pelo Primeiro Ministro. Há. que atesta a sua conformidade e intima a sua observância. O Presidente da República. Normalmente. é elaborado pelos gabinetes ministeriais. • Resoluções. Publicação/Entrada em vigor: a lei só se torna obrigatória depois de publicada. A publicação da lei serve. 2. segue para o Presidente da República. 4. actos legislativos e actos regulamentares. Só depois de ser aprovado. Outros são simples actos regulamentares. intima a observância do decreto-lei. sendo a primeira figura da Nação. A falta de promulgação por parte do Presidente da República implica a inexistência da lei. • 15 dias boa Açores e na Madeira. para consagrar o princípio do código civil que diz “a ignorância da lei não aproveita a ninguém”. não como presidente do concelho de ministros. INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA LEI . Aprovação: quem aprova é o Primeiro ministro. até à sua entrada em vigor (ex.Vacatio legis. • 30 dias em Macau. Mas há prazos para as leis entrarem em vigor . preenchem os espaços que ela tem em branco. mesmo por veto político ou inconstitucionalidade. mas o decreto-lei. já que os actos legislativos têm uma dignidade superior aos actos regulamentares. em concelho de ministros. e entre estes últimos há: • Despachos normativos. • Matérias de competência livre: são aquelas cujo processo é mais simples • Projectos-lei que beneficiam o Governo. em colaboração com os serviços da área a legislar. a lei entra em vigor.: revisão do código). mas até chagar a este. o decreto-lei é analisado quanto à forma e conteúdo. Referenda: o Primeiro ministro assina de novo. Saber se se vai ou não legislar sobre determinado tema depende da dignidade do tema em questão. enquanto que o governo não tem o mesmo poder da Assembleia da república. em si. Quando o governo cria normas jurídicas nem sempre é ao abrigo da sua competência legislativa. pois pode ser da sua competência regulamentar. Aquilo que é concedido por lei é definido pelo ministro através de um despacho normativo que diz a forma de funcionamento e da aplicação da lei no sector sob a sua administração. A diferença entre a Assembleia da República e o Governo é que a primeira. • Portarias.

isto inclusive se o texto estiver mal escrito. A regra existe para ser aplicada. se não se souber o que está realmente naquele texto. antes de mais. que a elas devem obedecer. outra é o que é transmitido. obriga à sua observância. à primeira vista. . Quando está em causa a interpretação da lei fala-se em hermenêutica jurídica. no constante dilema de não sabermos se estamos a agir correctamente. Com efeito. ainda. se a interpretação ficar ao arbítrio de quem o lê cai-se numa anarquia. É. pode ser traduzido em forma diversas de entender um preceito. Nesta direcção. O problema refere-se especialmente ao direito porque os textos que não vinculam. tenham os critérios e os instrumentos intelectuais com os quais devem operar para obter o sentido e o alcance da lei. a interpretação existe na medida da segurança . Para que seja possível aplicar uma lei a um caso concreto. de direito civil.valor mais preconizado pelo direito. para que seja possível determinar o seu sentido. sendo uma ordem imperativa. Existe um sistema de regras de interpretação das leis. cumpram escrupulosamente essa regra sob pena de serem sancionados. Uma vez afastado o autor da lei. Em direito. em regra dotada de generalidade e abstracção. O problema da interpretação das leis é um problema do direito. por isso. Portanto. Pressupões um conhecimento imediato de nações sem as quais a interpretação de um texto legal é impossível. penal. O problema da interpretação reside no facto de surpreender o que está no texto. É da lei que se retira a solução para as situações que. O Direito fornece a série de operações que um intérprete (por exemplo. qual a ideia que o guiou. fiscal. ela é uma espécie de propriedade de quem sobre ela se posiciona e dá um significado derivante da sua perspectiva. é necessário saber as regras basilares de uma norma de direito geral. Só após esta determinação se pode proceder à sua aplicação a um caso concreto. Por isso. isto é. Não se pode viver na incerteza. interpretações e alcances. o seu sentido. de saber o que é que o autor quis efectivamente dizer. verificadas em sociedade. reclamam uma disciplina jurídica. outra. se o seu conteúdo é facilmente apreendido ou se o respectivo entendimento exige uma tarefa interpretativa árdua e difícil. A formação intelectual do intérprete é fundamental. é o que é recebido pelos indivíduos. é criada para a resolução de casos concretos. a quem se destina a regra. é necessário. Uma coisa é o que se quer transmitir. O Direito prevê o modo de interpretar as suas regras de modo a que os intérpretes. Mesmo a lei cujo conteúdo se afigura. É através da interpretação que os desígnios da lei se tornam apreensíveis e que conseguimos seguir o comportamento preconizado na norma. por isso não pode ter mais do que uma interpretação dada por cada qual. facilmente apreensível necessita de ser interpretada. Vulgo: significa colher ou alcançar o sentido da lei. Intérprete: é quem procede à interpretação da lei. ou seja. Hermenêutica: é a técnica de interpretação. um juiz aplicador da lei) deve ter conta para chegar ao sentido da lei considerado verdadeiro. Deve e tem de haver uma interpretação que vincule todos os cidadãos para não haver ambiguidades que proporcionem amplas margens de confusão. disciplina/matéria relativamente aos menores. a hermenêutica (ciência da interpretação) é crucial para a teoria do direito. O Direito. que pode definir a norma que regula a matéria da interpretação da lei como a “fixação do sentido e alcance da lei”. O mesmo texto pode ter vários sentidos. para que os indivíduos. de rejeitar o velho aforismo que diz que as normas claras não necessitam de ser interpretadas. retirando daí uma solução jurídica. tarefa reservada apenas às menos claras. comercia. saber qual o conteúdo da norma. A interpretação não é um acto criativo e abstraído que dá alguma satisfação mental. É nisto que consiste a interpretação da lei. que não estão ligados a quaisquer sanções ficam-se pelos princípios.INTERPRETAÇÃO DA LEI A lei. só depois de se proceder à interpretação do preceito é que se pode concluir se ele é “claro” ou não.

dirige-se a um determinado tipo de pessoa e situação. • para se saber qual foi a vontade do legislador. defendem que a vontade do legislador está acima do texto da lei. ou conjuntura pontual que diz respeito à permanência longa. o órgão que a criou tem competência para a interpretar através de uma nova lei. dá-se o nome de leis interpretativas. temos de saber se a lei é uma norma de um conjunto de normas que diz respeito a um determinado instituto (sector ou conjunto que disciplina uma matéria específica . apesar da situação ser pontual.conceitos com regulamentação própria. comando. criadas para fixar o sentido de outras leis anteriores. . um somatório de normas tem uma unidade de propósito entre si porque dizem respeito a uma matéria específica. Quer isto dizer que quando uma lei promulgada suscita dúvidas quanto ao seu conteúdo e. orientação. quanto ao seu sentido. Quando lemos uma lei estamos. 4. competência para interpretar. Se faço normas para uma situação pontual toda a legislação efectuada para um caso diz respeito a uma situação determinada no tempo. numa câmara. suspender ou revogar uma lei. • os subjectivistas entendem que a expressão geral e abstracta do pensamento do legislador permite que a lei possa compreender não só os casos efectivamente previstos mas também os semelhantes. devemos seguir os seguintes passos: 1. 3. Não vamos manter uma eterna discussão sobre estes critérios. a vontade de um legislador. Código civil: norma de interpretação das normas jurídicas.Para melhor interpretarmos uma lei. A justiça exige que casos iguais sejam resolvidos da mesma forma. consulta-se as actas da Assembleia da República. Parte Técnica: operações jurídicas das instituições das leis. São normas de princípio. • afirmam que é impossível determinar. uma vez que consideram que o legislador pode não ter conseguido transmitir bem a sua intenção. faz-se a interpretação da lei através de um conjunto de critérios previamente criados.instituto da família) . por conseguinte. inevitavelmente.actividade que se desenvolve transjuridicamente (fora do alcance do direito). conhecer as circunstâncias em que a norma foi feita: conjuntura que já não existe. quando muito passa para a esfera da doutrina . • os subjectivistas extremos quase esqueciam o texto da lei. modificar. a interpretá-la. atingir quais os interesses que o legislador quis atingir e defender ao impor determinadas regras. Uma norma para ser interpretada exige outra norma jurídica. Interpretação Autêntica: este é o tipo de interpretação feita pelos órgãos com competência legislativa. Para evitar diversas sobreposições de interpretação há um primeiro dogma (não se discute): as normas de interpretação são normas que lançam ou definem os princípios de direito que devemos tomar em consideração mas que depois vamos interpretar outras leis segundo estes critérios. MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO As duas primeiras correntes que se contrapõem na questão da interpretação das leis são as corrente subjectivista (mens legislatoris) e a corrente objectivista (mens legis). As normas que dizem respeito à interpretação das leis são. Interpretação Doutrinal: é este o tipo de interpretação que temos vindo a falar. também. questionando sobre o facto de procurar a vontade de um legislador entre 200 ou 300 deputados. ou outros documentos análogos. normas jurídicas.a discussão destas normas nunca mais se integra no seio do direito positivo. designar os princípios gerais/fundamentais do Direito. elas próprias. que têm.  Corrente Objectivista: • contestam os subjectivistas. A estas leis. 2.  Corrente Subjectivista: • defendem que quando se lê uma lei e o seu sentido não é muito claro. A legislação geral é para se aplicar sempre para o futuro. Normas que oferecem certeza e segurança .denominadores comuns a todas as normas de direito. Cada norma não “vive” isolada. pois o sentido da lei é o sentido que o legislador lhe quis dar. isto é. não é singular nem é uma lei. Consta aqui porque não temos um diploma legal próprio com princípios gerais de direito . deve procurar-se a vontade do legislador.

qual o sentido final que o legislador pretendeu ao elaborar a norma. e que é marcada pelo momento em que foi criada. ⇒ Elemento Lógico:  racional/teleológico: este é o elemento que permite ao intérprete perceber qual a finalidade dos termos da lei. mais ainda quando acompanhado pelo conhecimento das circunstâncias em que a norma foi elaborada. a lei deve ser interpretada segundo o seu contexto histórico. aquilo que realmente importa é o que se retira da lei.• sustentam que é preciso interpretar a lei a partir do sentido que resulta da lei. Por vezes.  Os objectivistas actualistas entendem o sentido da lei no momento em que ela está a ser aplicada. não é possível encontrar o sentido imediato do texto.  Os objectivistas históricos procuram o sentido que se “desprende” da lei.  ELEMENTOS DE INTERPRETAÇÃO DA LEI Para melhor compreender o sentido e o alcance das leis. • consideram que uma interpretação objectivista favorece mais a rectificação ou justeza do direito. É preciso encontrar o “espírito da lei”.  sistemático: . a lei nasce para interpretar casos num determinado momento. Outras duas correntes que neste campo. também.  Os subjectivistas actualistas procuram a vontade do legislador no momento em que foi criada a lei. • nascem para durar indeterminadamente. independentemente da vontade do legislador. pelo que o intérprete deve optar por aquele sentido que melhor e mais imediatamente corresponde ao significado natural das expressões verbais utilizadas. e designadamente ao seu significado técnico-jurídico.  Os subjectivistas historicistas procuram a vontade do legislador real no momento em que foi criada a lei.  Corrente Actualista: • defendem que as leis devem ser interpretadas segundo as circunstâncias do momento em que são aplicadas. O conhecimento desse fim é essencial para a determinação do sentido da norma. já que permite extrair dos textos o sentido mais razoável que estes comportam. uma vez que essa lei ainda se mantém. mas procuram compreender como é que essa vontade pode ser projectada no momento actual. o intérprete serve-se de vários elementos.  • • • Corrente Historicista: dizem que a lei tem um sentido histórico. mas no momento para o qual ela nasceu. se contrapõem são as corrente historicista e a corrente actualista. a) Elemento gramatical racional/teleológico b) Elemento lógico sistemático lugares paralelos c) Elemento histórico história evolutiva do instituto fontes da lei trabalhos preparatórios contexto da lei ⇒ Elemento Gramatical: O texto é o ponto de partida da interpretação. mas não é o suficiente. conferindo à lei uma maior maleabilidade.

Então. e uma correcta inserção da norma. também proíbe aliená-los). onde a letra e o espírito da lei coincidem. as leis doutros países (recorrendo ao Direito Comparado) que servirão. os quais são uma grande valia na definição do sentido final que o legislador quis dar a essa mesma lei. o piloto corrigiu a norma.  Interpretação Extensiva: esta é a interpretação que o intérprete faz quando chega à conclusão que o espírito da lei é mais amplo do que o texto da mesma. também. o intérprete estende a sua interpretação. mas ao chegar ao local. normalmente.  Interpretação revogatória ou ab-rogante: é o tipo de interpretação usado quando o conteúdo da norma é contrário a algum princípio. a saber: • história evolutiva do instituto: o intérprete deve procurar conhecer a evolução histórica da instituição que analisa (ex. neste caso o piloto pode decidir não atacar o hospital. pois muitos casos devem ser excluídos deste tipo de interpretação. inseri-la no seu contexto. quando existe uma contradição insanável entre duas disposições legais. a interpretação que resulta dos casos mais simples. deve. é preciso restringir a aplicação da mesma. isto é. Exemplo: uma norma diz que em tempo de guerra há recolher obrigatório às 20:00 horas. Apesar de. o texto diz menos do que aquilo que se pretendia dizer. que será o regime-regra. fazendo corresponder o texto da lei ao espírito da lei. • trabalhos preparatórios: o intérprete deve tomar em conta todos os trabalhos realizados antes da promulgação de uma determinada lei. e o intérprete se limita a retirar o sentido que o texto transmite clara e directamente. há casos que não são directamente abrangidos pela letra da lei mas são abrangidos pela finalidade da mesma. etc. e vice-versa.) por forma a melhor alcançar o sentido da norma. isto é.• contexto: o intérprete nuca deve analisar a norma isoladamente. no complexo normativo que regula a mesma matéria que a norma em questão. muitos casos serem abrangidos por esta lei. isto é. pois.  Interpretação Correctiva: esta é a interpretação que o intérprete faz quando chega à conclusão de que o resultado da norma não é aquele que se pretendia transmitir. isto é. utilizando para tal certas inferências lógico-jurídicas que assentam nos seguintes tipos de argumentos: • Argumento “a maiori ad minus”: a lei que permite o mais também permite o menos (se certo indivíduo pode alienar determinados bens. também pode onerá-los). Assim. • lugares paralelos: é legítimo que o intérprete recorra a uma norma mais clara e explícita para fixar a interpretação de outra norma (paralela) mais obscura ou ambígua. Quer isto dizer que o legislador ao analisar um problema de regulamentação jurídica pode e deve procurar casos análogos que lhe permitam um maior esclarecimento do caso. Exemplo: é ordenado a um piloto que destrua uma determinada base inimiga.  Interpretação Restritiva: esta é a interpretação que o intérprete faz quando chega à conclusão que o texto da lei diz mais do que aquilo que se pretendia dizer. pelo seu texto. família. pois é esse o sentido que corresponde ao pensamento legislativo. O elemento teleológico é o que nos leva a fazer estes dois tipos de interpretação.  histórico: compreende todos os materiais relacionados com a história do preceito.: casamento. por exemplo. • Argumento “a contrario”: da norma excepcional deduz-se que os casos que ela não contempla na sua hipótese seguem um regime oposto (contrário). logo se pode deduzir . visto que esse não era o objectivo final da ordem. proíbe onerar certos bens. ainda. o piloto verifica que ali não se encontra uma base inimiga mas sim um hospital. • Argumento “a minori ad maius”: a lei que proíbe o menos também proíbe o mais (se. RESULTADOS DA INTERPRETAÇÃO  Interpretação Declarativa: esta é.  Interpretação enunciativa: é aquela pela qual o intérprete deduz de uma norma um preceito que nela apenas está virtualmente contido. uma vez que há casos em que a lei diz menos ou diz mais do que aquilo que se pretendia dizer. pelo que é legítimo corrigir a interpretação. • fontes da lei: entende-se por “fontes da lei” os textos legais ou doutrinais que inspiraram o legislador na elaboração da norma. o texto da lei atraiçoa o espírito da lei. O intérprete deve ter em conta essas fontes que serviram de base à fórmula normativa e. O argumento em que assenta este tipo de interpretação é “lá onde termina a razão de ser da lei termina o seu alcance”. Os argumentos usados pelo intérprete para fundamentar este tipo de interpretação são o argumento de identidade de razão e o argumento de maioria de razão. de fonte de inspiração ao legislador português.

estamos perante uma lacuna da lei. a partir das normas postas. a custo se poderá distinguir. Note-se que este argumento deve ser usado com muita prudência. perante os casos omissos. referente a esta matéria. ainda que as considerássemos merecedoras de tutela jurídica. Aponta como acção fundamental na actividade interpretativa a descoberta do “pensamento legislativo”. a função de fortalecer a interpretação que melhor se lhe adapta. também. • começa o referido texto por dizer que a interpretação não deve cingir-se à letra (texto) mas reconstituir a partir dela o pensamento legislativo (espírito da lei). Daí que o comando directo da lei não cubra aquelas inferências que o intérprete faça. a constatação de uma lacuna da lei deve ser muito bem fundamentada. uma falta ou falha. uma vez que não se refere nem à “vontade do legislador” nem à “vontade da lei”. Até se chegar a esta conclusão passa-se por uma “operação técnica” muito cuidada. • este artigo serve apenas na medida em que afasta certos extremismos que os próprio cânones hermenêuticos correntes também repudiam. • a letra é o ponto de partida para a interpretação. para resolver casos não previstos. Segundo Baptista Machado. perante situações que não caibam em qualquer previsão legal. poderia formalmente adoptar-se sempre a seguinte atitude: considerar tais situações excluídas do âmbito jurídico. possuindo todas as soluções dada a sua flexibilidade (a norma move-se). É no Direito Penal que se torna mais provável o aparecimento de lacunas. ainda. isto é.º do Código Civil. ainda que imperfeitamente expresso”. são eles: “unidade do sistema jurídico”. Assim. por mais diligente e precavido que seja. no plano metodológico. Qual é a posição do nosso Código Civil perante o problema da interpretação? O artigo 9. • o artigo 1º deste artigo refere. As decisões do julgador não poderão aqui fundar-se directamente nos comandos normativos. a verdade é que terão de ser decididas pelo julgador de acordo com os processos de integração das leis. não tomou posição na controvérsia entre a doutrina subjectivista e a doutrina objectivista.» Quando a lei e o direito consuetudinário não albergam uma resposta a uma determinada questão jurídica. “as circunstâncias em que a lei foi elaborada” e “as condições específicas do tempo em que é aplicada”. mas sim em argumentos e inferências metodológicas . três elementos de interpretação que devem ser tomados em conta. pelo que o intérprete presumirá que o legislador “soube exprimir o seu pensamento em termos adequados”. Embora tais situações da vida careçam de regulamentação jurídica. INTREGRAÇÃO DA LEI Na perspectiva dinâmica da aplicação do Direito. mas.que quando não há guerra não há recolher obrigatório às 20:00 horas.vincadas a tais comandos. exerce um limite já que “não pode ser considerado pelo intérprete o pensamento legislativo que não tenha na letra da lei um mínimo de correspondência verbal. NOÇÃO DE LACUNA Como o diz Baptista Machado «a lacuna é sempre uma incompletude. entre interpretação e integração do Direito. ESPÉCIES DE LACUNAS “camada das normas” Lacunas da Lei “camada das rationes legis” Lacunas do Direito ⇒ Lacunas da Lei: “camada dos princípios e valores jurídicos gerais” (rationes juris) . Começa por afirmar-se que nenhum legislador é capaz de prever todas as relações da vida social merecedoras de tutela jurídica. ainda. • a letra tem. uma vez que se deve partir do princípio que o sistema legal é completo.

assim. O recurso à analogia como primeiro meio de preenchimento das lacunas justifica-se por uma razão de coerência normativa ou de justiça relativa (princípio da igualdade).surgem casos imperativos no Direito. Nesta categoria de lacunas podem distinguir-se as lacunas “patentes” e as lacunas “latentes”: • lacunas “patentes”: uma lei não contém qualquer regra que seja aplicável a certo caso ou grupo de casos. deixando aos juizes a tarefa de criar a norma consoante o caso.  Lacunas Teleológicas: esta é a mais importante categoria das “lacunas da lei”. isto é. que fazer um julgamento para cada caso.  Lacunas de colisão: estas nascem das contradições lógicas e teleológicas. segundo a sua finalidade. esses casos deveriam ser abrangidos pela mesma. Lacunas ao nível da normas: no plano das próprias normas podem verificar-se lacunas quando uma norma legal não pode ser aplicada sem que acresça uma nova determinação que a lei não contém. Quando o sistema jurídico não deu qualquer solução para este caso porque ultrapassa os limites da lei constitucional. remetidos para critérios de valoração extralegais. Às vezes as lacunas existem porque o legislador não encontra nenhuma solução para determinado caso. a que acresce ainda uma razão de certeza do direito: é muito mais fácil obter a uniformidade de julgados pelo recurso à aplicação da norma aplicável a casos análogos do que remetendo o julgador para critérios de equidade ou para os princípios gerais do direito. • lacunas “latentes”: uma lei. contradições teleológicas e contradições valorativas. o que impede que se aplique uma delas. de modo a que o critério valorativo adoptado pelo legislador para compor esse conflito de interesses num dos casos seja por igual ou maioria de razão aplicável ao outro. deveria ter previsto algumas especialidades. Só normas provindas de instâncias sociais criam um verdadeiro sistema jurídico. pelo que o juiz tem. pois as duas normas anulam-se uma à outra. Isto cria a instabilidade social . a lei deveria conter tal regulamentação. Dois casos dizem-se análogos quando neles se verifique um conflito de interesses paralelo ou semelhante. frequentemente. O RECURSO À ANALOGIA / INTEGRAÇÃO ANALÓGICA Certas lacunas poderão ser preenchidas por normas referentes a casos análogos. abrange muitos casos quando. o juiz deve ele próprio fazer-se de legislador tomando em consideração: • a arquitectura do sistema jurídico. Os procedimentos metodológicos exigidos para a descoberta e preenchimento das lacunas do direito são bem mais complexos.  Lacunas resultantes de contradições normativas: tais contradições só podem verificar-se entre normas da mesma hierarquia que entrem em vigor na mesma data.º 3 do artigo 10º do Código Civil). ⇒ Lacunas do Direito: O Direito positivo não se esgota nos seus comandos e valorações avulsos. mas segundo a finalidade dessa lei. pois é exigida uma valoração adicional que envolve. . a situação é resolvida segundo a norma que o próprio intérprete criaria. através de critérios orientadores que tornam possível a adaptação a novos problemas. Somos. Há um choque/contradição entre duas normas. Exemplo: a lei manda constituir um órgão por eleição mas não diz quem elege ou qual é processo eleitoral. o recuso à ideia de Direito e à “natureza das coisas”. mas nem por isso extrajurídicos. Estão no domínio da eleição da analogia. O RECURSO A UMA NORMA “AD HOC” ELABORADA PELO LEGISLADOR DENTRO DO ESPÍRITO DO SISTEMA “Na falta de caso análogo. se houvesse de legislar dentro do espírito do sistema” (n. que serve tanto para determinar a existência de uma lacuna como para o preenchimento da mesma. Podem ser contradições lógicas. na verdade. Isto significa que toda a ordem jurídica assenta num transfundo de princípios ordenadores ou decisões fundamentais que lhe conferem unidade e coerência. Cria uma norma jurídica nova só para aquele caso (já que não pode criar leis abstractas). assim. • os princípios gerais de direito.

há. É através da Reforma Legislativa que as leis se sucedem no tempo de uma forma jurídica e legal. Ainda hoje se afirma que os legisladores de inspiração conservadora tendem para um sistema de normas que preserve a estabilidade.APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO E NO ESPAÇO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO As leis sucedem-se no tempo. Será a taxa estabelecida pela lei antiga (aquela que vigora no momento da realização do contrato) ou será a taxa estabelecida pela lei nova (aquela que vigora no momento da cobrança)? Solução: o Pedro pagará a taxa no valor de 15%. também. A cada passo o legislador modifica os regimes jurídicos. Mas nem sempre foi assim. referentes à mesma situação é preciso saber qual delas é aplicável a essa situação jurídica. na medida em que legitima toda a acção revolucionária. Daí que o problema de sucessão das leis tenha andado envolvido em problemas de filosofia política e jurídica. retroactiva. em ligação com a protecção dos direitos do cidadão e da sua segurança jurídica contra o poder. Daí que se verifique uma mudança na forma como o legislador concebe o seu papel . de base consuetudinária. A “aceleração da História” e as mudanças económicas e sociais sucedem-se a um ritmo vertiginoso. o Direito. a segurança. tendem a continuar no futuro ou a projectar-se nele. ao passo que os reformistas tendem para a fixação de disposições transitórias que fomentam a mais rápida aplicação possível da lei nova a todas as situações. Há situações jurídicas constituídas no passado que se prolongam no futuro. A legislação revolucionária será. Há factos e situações que. capaz de ajustar a ordem estabelecida à evolução social e de promover esta evolução num determinado sentido. surgem leis novas que se aplicam para o futuro. Uma que defenderia que deveria ser aplicada a lei que vigorava no momento em que foi realizada a situação jurídica (concepção conservadora). mas a partir do momento em que sai a lei nova. e outra que defenderia que deveria ser aplicada a lei nova (concepção revolucionária). sob a taxa de 15%. As ordens jurídicas da sociedade estão sujeitas ao postulado de uma dinâmica ordenada e ordenadora. tendo-se verificado antes da entrada em vigor da lei nova. No caso de existirem duas leis. na sociedade. PROBLEMA DA APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO O grande problema da aplicação da lei no tempo é saber quando é que se deixa de aplicar a lei antiga e se começa a aplicar a lei nova.um instrumento de modelação da sociedade. PROBLEMAS DECORRENTES DA TEORIA DA NÃO RECTROACTIVIDADE Cabem ao direito duas funções diferentes: uma função estabilizadora e uma função dinamizadora e modeladora. saiu uma lei nova que estabelece que o valor da taxa legal passa a ser 10% e não 15%. em forma de prestações. como estava estabelecido na lei (taxa legal). evitar as revoluções periódicas. mas. E a entrada em vigor de uma lei nova ou até de um sistema jurídico inteiramente novo não provoca um corte radical na continuidade da vida social. uma revolução jurídica. Só no século XVIII é que o problema de conflitos da lei no tempo surgiu com um novo interesse. Este aspecto assume uma dimensão particular no nosso tempo. O problema reside em saber qual será afinal o valor da taxa que o Pedro terá de pagar ao Luís. uma nova e uma antiga. Caso Prático: o Luís emprestou 100 contos ao Pedro na condição deste lhe devolver o dinheiro. tinha um carácter predominantemente estático. o Pedro ficará obrigado a pagar a taxa apenas no valor de 10%. No Antigo Regime. através de reformas permanentes. A cada momento. Sempre que há uma revolução. Quando há um determinado caso concreto (relação/Situação Jurídica) para resolver. é preciso saber qual é a lei que se deve aplicar. sangrenta ou não. por natureza. . não se colocando o problema da retroactividade da lei. Poderia haver duas posições extremistas. A actual ideia de modificação assenta num sistema capaz de. A reforma opõem-se a revolução.

suscitados pela entrada em vigor de uma lei nova. • quando o próprio legislador quer fazer as tais normas. É nesta linha de argumentação que se pode afirmar que o princípio da não retroactividade recorre da essência da lei. passará a ser dele quando passados 10 anos. o agricultor já era e continua a ser o dono da propriedade. para certas situações que se encontram na fronteira entre estas duas leis. Assim. a estabelecer a transição entre os regimes. pelo menos parcialmente. (ex. . e que se aplica mesmo aos contratos já extintos: um agricultor arrenda e cultiva uma propriedade que não é dele mas que.)  Jurisprudência de interesses e de conceitos: ver na lei nova quais os interesses que o legislador quis proteger nessa lei. Muitas vezes a própria Constituição diz quais são os interesses a respeitar no caso da sucessão das leis. pois a lei nova não pode ser aplicada retroactivamente. GRAUS DE RETROACTIVIDADE  Retroactividade de grau máximo: aquela em que a lei nova nem sequer respeita as situações definitivamente estabelecidas por sentença transitada em julgado ou qualquer outro título equivalente. ainda. de lei que venha instituir novas penas ou aprovar as anteriores é constitucionalmente proibida a retroactividade . ser directamente resolvidos por esta mesma lei através das chamadas disposições transitórias. Nas constituições modernas isto só acontece no domínio do Direito Penal. que não coincide nem com a lei antiga nem com a lei nova. não precisava do consentimento dos pais pois já era maior de idade.  Teoria dos direitos adquiridos: retroactividade que. o problema da aplicação da lei no tempo surge em dois campos: • qual deve ser a melhor forma de salvaguardar os interesses sucedidos de situações passadas. estabilizadora de condutas. essencialmente. não se detém sequer perante efeitos jurídicos produzidos no passado mas. podendo presumir-se que em todo o preceito jurídico está implícito um “daqui para o futuro”. isto é. Mas há leis que não referem estes aspectos.)  Retroactividade normal: é aquela que se verifica nas situações jurídicas objectivas e subjectivas. não julgados. mas a lei nova diz que a maioridade só é atingida aos 21 anos. quais são as normas que estão correctas. Destinam-se a adaptar o regime da lei nova às situações. É o chamado Direito Transitório. que não têm estas disposições transitórias. Em matéria do Direito Fiscal.A função social do Direito é. como um contrato de trabalho. é aplicável a determinadas situações. O agricultor já lá está há 12 anos. Ora. para a situação jurídica objectiva o indivíduo com 19 anos passa a ser menor. embora respeitando as causas finitas. podem. (ex. como é o caso do casamento. a lei nova respeita os efeitos de direito já produzidos pela lei antiga.: um indivíduo casou aos 19 anos. DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS / DIREITO TRANSITÓRIO Os problemas de sucessão de leis no tempo. Em matéria de lei penal incriminadora. pois aquele é um princípio universal do Direito. As disposições transitórias podem ser de carácter formal ou material:  Disposições de carácter formal: são as que se limitam a determinar qual das leis. As várias constituições dos fins do século XVIII deram ao princípio da não retroactividade da lei o valor de um princípio constitucional. o benefício fiscal é retroactivo.  Disposições de carácter material: são as que estabelecem uma regulamentação própria. o indivíduo passa a ser menor. a lei antiga ou a lei nova. e para a situação jurídica subjectiva os actos praticados numa situação jurídica objectiva anterior. mas há actos em que a lei reconhece o indivíduo como maior. mas saiu uma nova lei que diz que o direito de aquisição só é legítimo quando passados 15 anos. Não respeita nem sequer as “causas finitas”. Ora.: uma lei que impõe um prazo mínimo ao contrato de arrendamento rural. em que o legislador diz em que condições se aplicará a lei antiga e em que condições de aplicará a lei nova. segundo a lei. o Direito pretende orientar as condutas dos seus destinatários.

hoje.). “normas sobre normas”. matéria de que se ocupa o Direito Internacional Privado. • prova de qual o direito aplicável: a aplicação da lei no espaço tem este problema das normas em conflito quando há mais de uma ordem jurídica em conflito. cabe à doutrina.  Leis confirmativas: são. que estão desertos e querem receber pessoas de diferentes países. LEIS INTERPERTATIVAS E LEIS CONFIRMATIVAS:  Leis interpretativas: devem ter o valor da lei. ∗ O legislador pode resolver os problemas mediante disposições transitórias. (Código Civil . desenhar com nitidez a linha de confins que separa o âmbito de competência da lei antiga e da lei nova. reduzem a nacionalidade para o Jus Sanguini. isto é. isso é. O direito adquirido não pode ser revogado pela lei nova. CONCLUSÃO: ∗ O princípio da retroactividade só tem força de princípio constitucional no domínio do Direito Penal . à lei e à jurisprudência apurar um critério racional e preciso que permita definir a retroactividade. em que as pessoas querem sair de lá. pois integram-se na lei interpretada. conflitos de leis no espaço.artigos 14º a 65º) Esta matéria pressupõe duas fases: • escolha da lei: conhecimento do direito estrangeiro aplicável. ainda.. Estes conflitos de leis no espaço são reprimidos mediante regras de conflito. factos constitutivos. com ressalva das situações de origem contratual relativamente às quais poderia haver uma sobrevigência da lei antiga. retroactivas. É possível que um legislador faça certos “truques”. A nacionalidade de estatuto territorial dá-se mais em países de imigração. cuja função é determinar qual de entre as leis em contacto com a situação deve ser considerada competente para a reger. através de uma lei interpretativa o legislador faz uma lei inovadora. ∗ Na maioria dos casos a lei nada estabelece quanto à sua aplicação no tempo . • doutrina do facto passado / caso julgado: a lei nova não se aplicaria (sob pena de retroactividade) a factos passados e aos seus efeitos (só se aplicaria a casos futuros). em que o jurista nada diz sobre os problemas de conflitos de leis no tempo. À constituição das situações jurídicas aplica-se a lei do momento em que a mesma se verifica (requisitos de validade. e devem ser aplicadas retroactivamente.vigora o princípio da não retroactividade da lei. em toda a parte. ∗ Este problema da definição do conceito da retroactividade foi objecto de duas doutrinas principais: • doutrina dos direitos adquiridos: a lei nova teria de respeitar os direitos adquiridos sob pena de retroactividade. pelo respeita ao regime futuro o seu conteúdo e os seus efeitos. ∗ Tende-se a sintetizar a teoria da aplicação das leis no tempo distinguindo entre constituição e conteúdo das situações jurídicas. Assim. ao conteúdo das situações jurídicas aplica-se imediatamente esta lei. muito populosos. APLICAÇÃO DA LEI NO ESPAÇO O espaço limita a aplicação das leis. . daí que tenha ultrapassado a doutrina anterior e predomine. não se pode fazer a aplicação retroactiva. há dois tipos de legislações: • as que dão prevalência ao estatuto nacional do sujeito da relação jurídica.um dos valores fundamentais do Direito é a estabilidade/segurança nas relações jurídicas. • as que dão prevalência ao estatuto territorial.Na maioria dos casos. então. Há situações jurídicas que entram em contacto com mais de um ordenamento jurídico estadual. . pelo que surgem. Tem que haver uma norma supletiva para resolver os problemas quando os vários direitos se entrecruzam. Garantia dos cidadãos e do próprio Direito . Tais regras são. Não há outra figura que reclame a segurança e a estabilidade como o caso julgado.. É preciso saber se o cidadão adquire a qualidade de soberania sobre as leis da nacionalidade. Nos países de emigração. aplica-se o princípio da não retroactividade da lei. na medida em que as normas jurídicas não podem ter a pretensão de regular factos que se passaram e passam sem qualquer contacto com o Estado que as edita. pela sua própria natureza.

. Estatuto territorial .estatuto de nacionalidade.Estatuto pessoal .estatuto do território.