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Universidade Estadual de Campinas

Messias: A História por trás do Oratório

Por Moisés Rotth Cantos RA 974409

Monografia apresentada em cumprimento às exigências da disciplina de Regência Coral do Curso de Bacharel em Regência

Campinas – SP Maio de 2001

SUMÁRIO Introdução....................................................................................................................... 1. Mitos sobre o Messias.............................................................................................. 1.1. O nome do oratório............................................................................................. 1.2. Handel escreveu este oratório para quatro solistas............................................. 1.3. A versão definitiva do Oratório Messias é a autógrafa....................................... 1.4. O tamanho do coro e da orquestra...................................................................... 1.5. Messias é uma peça composta para a igreja........................................................ 1.6. Messias é uma peça composta para o natal......................................................... 2. Da advocacia à música............................................................................................. 2.1. 1ª Fase – Período de aprendizado alemão (1696-1706)...................................... 2.2. 2ª Fase – Período de aprendizado italiano (1707-1710)..................................... 2.3. 3ª Fase – Período de aprendizado inglês: Período do mestre (1711-1759)......... 3. Circunstâncias que influenciaram na composição do Messias............................. 4. O Libreto................................................................................................................... 5. A Música do Messias................................................................................................ 6. Análise Harmônica e Textual do Coro 46: Since by man came death.................. 7. As versões do Oratório............................................................................................. 7.13. A Partitura Autógrafa........................................................................................ 7.14. O Score de Handel............................................................................................ 7.15. Dublin................................................................................................................ 7.16. Covent Garden.................................................................................................. 7.17. A Versão de Mozart.......................................................................................... 01 03 03 03 03 04 04 05 06 06 07 08 12 18 20 22 26 30 31 32 33 35

8. A Classificação dos oratórios de Handel................................................................ 8.1. Ópera Coral......................................................................................................... 8.2. Cantata Coral...................................................................................................... 8.3. Drama Coral........................................................................................................ 9. Uma Paráfrase Moderna do Texto do Messias...................................................... Conclusão........................................................................................................................ Bibliografia..................................................................................................................... Apêndice.......................................................................................................................... Anexos.............................................................................................................................

38 38 38 39 40 41 42 44 52

Várias fontes bibliográficas e versões do oratório foram consultadas com o objetivo de apresentarmos uma opinião embasada em autores sérios. partimos da necessidade de se desfazer alguns dos mitos sobre este oratório. Antes de tudo. nos baseamos em um extenso trabalho de pesquisa. alguns textos e documentos extraídos da pesquisa que irão ajudar na melhor compreensão do trabalho aqui apresentado. explicamos a existência de uma das principais versões do oratório surgidas após a morte do compositor. Incluímos no apêndice. Com o objetivo de explicar os motivos que levaram Handel a fazer alterações e ajudar na escolha de uma versão para as apresentações contemporâneas do oratório. um dos coros da terceira parte para exemplificar essas influências e os objetivos de Handel.RESUMO O objetivo deste trabalho é apresentar as circunstâncias que envolveram a composição do Oratório Messias de George Frideric Handel e explicar como essas circunstâncias o influenciaram determinando. . o leitor concluirá ao final do trabalho que o Oratório Messias se tornou uma referência no repertório coral por ser o resultado da experiência do compositor com seus semelhantes e com Deus. que é a mensagem central da peça: um Deus amoroso que busca um relacionamento eterno com o homem. as alterações efetuadas por Handel durante as várias apresentações do oratório. Também. usando inclusive. as fases da vida de Handel. fizemos uma compilação das versões. Apresentamos de forma resumida. Para tanto. tratar de forma clara as pretensões de Charles Jennens na seleção que ele fez do texto para o oratório. procurando mostrar os principais fatos e como estes o influenciaram na composição do Messias. inclusive. além de anexarmos um vasto material que serviu como fonte de pesquisa e que corrobora para a veracidade dos fatos apresentados no trabalho. Por fim. Procuramos também. tomando como base as principais fontes existentes e apresentadas por diversos autores.

Nas artes de uma forma geral. Através desta obra.Introdução Não há. apesar de não ser o único do compositor. Igualmente importante nessa busca de compreender a importância da peça para aquele período e o papel que ela desempenha dentre as composições de Handel. sobre as circunstâncias que envolveram a composição do Messias. mas. sobretudo na música. Este oratório. se destaca dentre todos os outros e se confunde à história da música ocidental da mesma forma que a própria vida de Handel. o Messias ocupa um lugar de destaque dentre as obras corais. Handel não foge à regra. é abandonarmos . ou de terem ouvido-o todo ou apenas excertos dele. podemos vislumbrar um pouco do que pensava seu compositor e sua época. e sua importância é maior do que a que tem sido dada. não apenas relativas ao tempo gasto na composição – 24 dias – mas também. Várias histórias têm sido contadas desde a morte do compositor naquela manhã de 14 de abril de 1759. e rascunhar um cenário de fundo onde se desenrola um drama sem palavras. De fato. a respeito da vida de Handel durante aquele período. De qualquer forma. ou ao menos. sendo impossível se referir ao compositor sem mencioná-lo. poucos são aqueles que nunca ouviram falar do Oratório Messias de George Frideric Handel. uma peça musical reflete as emoções do compositor e a circunstâncias pelas quais ele está passando. as circunstâncias vividas pelo artista têm profunda influência sobre sua obra.

e assim. contudo. nos impedem de avaliarmos sua importância na atualidade. Como veremos. por menor que seja esse conhecimento. bem como.alguns conceitos que se firmaram ao longo dos anos de apresentação deste oratório. qualquer conhecimento que possa ser acrescentado é relevante para um melhor entendimento da obra. conceitos firmados em relação ao próprio período barroco. dos quais podemos citar a falta de habilidade que muitos têm atribuído aos instrumentistas daquele período. Com certeza o assunto não será esgotado e talvez até surjam novas dúvidas. . Este trabalho tem por objetivo trazer à tona algumas destas circunstâncias que foram importantes na composição deste oratório. Esses preconceitos não apenas atrapalham na compreensão da obra como também. essas circunstâncias influenciaram Handel para compor o que hoje conhecemos como “O Messias”. auxiliar em uma melhor compreensão da obra e dos motivos que levaram Handel a compô-la.

Handel o denominava apenas de Messias (vide anexo 01). tenor e baixo) que não cantavam com o coro – Muitos coros tem solistas especialmente convidados para cantar os recitativos e árias. O objetivo dele não era tratar especificamente sobre Jesus Cristo. ele nunca usou exclusivamente um solista. mas vários (sempre mais que cinco). e não a Cristo. George Frideric Handel.. Mitos sobre o Messias Falamos anteriormente sobre preconceitos que foram estabelecidos ao longo dos anos com respeito a este oratório. alguns deles. fosse ela música vocal ou instrumental. o Redentor..3. pp. a quem ele tão magnificentemente evoca em uma de suas árias – e isto à despeito do fato de que o Messias é essencialmente uma homenagem à redenção. contralto. Handel: Messiah.1. assim achamos oportuno começar este trabalho com este tópico. os solistas faziam parte do coro o que deixa claro a idéia de conjunto. mas a contemplação épica e lírica da idéia da redenção cristã. 1. esse pensamento não era exclusivo de Handel. (Paul Henry Lang. ele tinha oito (08) solistas e em 1750. 30-37) e também. O Messias (como fez Bach em suas paixões). Handel intencionou exaltar o Deus do Antigo Testamento: Intencionalmente. 342 e 343)..1. o oratório não apresenta a vida e Paixão de Jesus. Relacionamos abaixo. Na prática adotada por Handel.2. seis (06) (Donald Burrows. 1. a deidade que finalmente emerge deste grande trabalho é o triunfante Deus do Antigo Testamento a quem Handel freqüentemente louvava em seus oratórios. Handel escreveu este oratório para quatro solistas (soprano. A versão definitiva do Oratório Messias é a autógrafa – Não havia na mente de Handel a idéia de compor uma versão definitiva de uma peça sua. Na apresentação de 1743 em Londres. mas outros compositores barrocos costumavam aproveitar fragmentos de composições . contudo. 1. O nome do oratório – Freqüentemente nos referimos ao oratório como O Messias.. mas ainda que haja referências em recitativos e árias. Aliás. pp.

4.. Cada novo elenco para ópera ou oratórios necessitava de novo material. A performance ideal será aquela que se concentra em uma versão específica. 1.Muitos compositores do período barroco. 1985. No caso do Messias. sobretudo. por motivos que explicaremos mais adiante. não tinham intenção de produzir versões definitivas de seus trabalhos.21) BURROWS apud CAMP. Handel fez isso em quase toda a sua obra. Messias é uma peça composta para a igreja – Handel jamais planejou apresentar o Messias em uma igreja. e especialmente Handel. ou partes totalmente novas. Nenhuma versão tinha a pretensão de ser mais definitiva do que outra. o mais importante não é qual a versão que será usada. É comum ouvirmos coros que ultrapassam oitenta vozes acompanhadas por orquestras igualmente grandes. o que explica o fato de existir outras versões para recitativos. Handel não era um músico de igreja como Bach.anteriores. e tinha . Mesmo sendo um homem temente a Deus (o que fica claro em toda a sua obra). ele continuamente revisava a partitura para adequá-la às suas necessidades de concerto. árias e coros: . ou seja. 1. (“Some Thoughts on Performing Messiah” American Choral Review. suas ou não. p. Abril/Julho. e usá-las em novos trabalhos.. A prática iniciada após a morte de Handel de se ter coros e orquestras grandes. novas revisões de versões antigas. Handel. sempre usou um grupo que não ultrapassava a sessenta pessoas. No capítulo “As Versões do Oratório” abordamos de maneira mais detalhada esta questão. mas o quão fiel se permanece a mesma. Cada uma era trabalhada de forma a atender às necessidades individuais de determinados solistas ou a disponibilidade de certos instrumentos. emprega à peça uma vitalidade que não era comum à época e foge às intenções do compositor. se a demanda fosse grande. O tamanho do coro e da orquestra – Este é outro equívoco que temos cometido ao longo dos anos.5. assim como Bach e outros.

julho-outubro. 1975. Music and Letters.153) BURROWS apud CAMP. . As apresentações eram feitas em pequenas salas de concertos.6. O que de fato aconteceu em uma sala de concertos secular em 13 de abril de 1742. na época. p. pela Sociedade Handel e Haydn de Boston (Manson Myers. e algumas vezes. Handel pessoalmente regeu ou supervisionou as trinta e seis (36) apresentações do oratório que sempre ocorreram em março.objetivos específicos na composição do oratório. abril ou maio (Baseado em informações compiladas por Donald Burrows: “Handel’s Performances of Messiah: The Evidence”. Messias é uma peça composta para o natal – O Messias foi composto para ser apresentado em Dublin. em 1818. em teatros. Dentre estes objetivos não estava apresentá-lo em igreja. 1.334) BURROWS apud CAMP. o Messias era. Handel’s Messiah. Essencialmente. Irlanda. em 1791. pela Sociedade Ceciliana de Londres e nos Estados Unidos. A tradição de se apresentar o oratório anualmente na época do natal foi introduzida na Grã-Bretanha. música para entretenimento e deve ser analisado também por esta ótica. p.

Handel participava dos cultos na Igreja Luterana da qual sua família fazia parte. além de receber aulas de harmonia. p. mas onde existe um grande espaço biográfico vazio sobre a sua vida. Neste período Handel estudou cravo. mas quando e onde começou seu estudo de teclado ninguém sabe ao certo. Ele tinha 30 anos quando o jovem iniciante caiu em suas mãos e Zachow tratou logo de instruir seu discípulo no “novo estilo”. violino e oboé. segundo filho do segundo casamento de seu pai com uma filha de pastor luterano. Certa vez quando Handel teve a oportunidade de tocar o poslúdio em um culto. e é provável que tenha levado consigo o pequeno Handel. Da advocacia à música Georg Friedrich Händel (sic) nasceu no dia 23 de fevereiro de 1685. 1ª Fase – Período de aprendizado alemão (1696-1706) Friedrich Wilhelm Zachow (1663-1712) foi o primeiro e único professor que Handel teve. o Duque da Prússia ficou impressionado ao ver que um menino de oito ou nove anos tocava com tanta facilidade e conhecimento o teclado. seu pai insistiu para que ele estudasse advocacia ao invés de se dedicar a coisas frívolas como a música (Paul Henry Lang. a música secular na Alemanha estava muito mais ligada estilisticamente com a linha moderna da música francesa e italiana. e logo encorajou o pai de Handel a permitir que seu filho se dedicasse ao estudo. composição e contraponto. assim. orquestrações coloridas e um manuseio prático do estilo concertado.1. Suas cantatas eram brilhantemente dramáticas e eram distinguidas por uma escrita coral imaginativa. 11). Quando menino. Seu pai foi convidado por parentes de seu primeiro casamento a visitar a corte. Nesta época. acredita-se que Handel tenha demonstrado interesse ou iniciado seus estudos durante aquele período. George Frideric Handel. 2.2. do que com o que era a música . Chegamos agora ao primeiro ponto importante sobre a vida do compositor. Mesmo mostrando talento desde muito cedo.

Em Roma. mas também música para teclado para Froberger. oratórios e paixões. escrevendo a Paixão de São João. Ele copiava não só cantatas para Zachow. Sua primeira composição data deste mesmo período de aprendizagem. O primeiro contato de Handel com a ópera italiana deveu-se a sua viagem à Berlim onde teve contato com a ópera italiana e com compositores como Ariosti. HunoldMenantes e Brockes. ele . Handel tornou-se especialista em um tipo italiano de “fuga dupla” isto é. a maioria destes mestres pertencia à escola do Sul da Alemanha. 1696. Isso o colocou em contato com Alessandro Scarlatti. Handel adquiriu sólida habilidade como copista de composições de cantores alemães e mestres italianos. Esta atividade de fazer cópias para compositores colocou Handel em contato direto com a técnica de composição e contraponto da época. Coreli (que foi seu spalla). Handel dá a sua maior contribuição à música sacra daquele período. 2.2. Em 1704. Significativamente. todos bem conhecidos por suas inovações nas cantatas sacras. as quais figuram proeminentemente em suas tão admiradas improvisações. pós-modelo da ópera e da cantata secular. Pasquini.sacra. 2ª Fase – Período de aprendizado italiano (1707-1710) O estímulo que Handel recebeu durante este período pode ser comparado com a criatividade que Bach encontrou em Buxtehude. Aqui é dado o primeiro passo em direção as composições oratóricas. Roma. Kerll. fugas com contrasujeitos. um renomado libretista pertencente ao círculo de Neumeister. Marcello. Johann Krieger. Steffani e Domenico Scarlatti. Gasparini. Esta atitude progressiva prevalece também nos primeiros trabalhos de Handel. Pistocchi e Giovanni Battista Bononcini. Handel entra em contato com importantes cidades musicais da Itália: Florença. a qual dependia do estilo italiano. Ebner. Nápolis e Veneza. Pachelbel e outros. Tal qual Bach. pois o texto desta paixão era de Postel. Strungk. Nessa viagem.

do que como membro formal do grupo.e no Coro 17 – Glory to God (quando os anjos se retiram dos pastores. os ingleses não demonstraram muito interesse nessa forma musical. várias tentativas tinham sido feitas no sentido de estabelecer na Inglaterra a Ópera Inglesa. Porém. relacionando a música a essas forças da natureza. Os arcadianos assumiam um gosto pastoral e afetivo a vida e ao idílico1. Handel tornou-se familiar com o que mais tarde emerge como uma característica marcante de suas composições: composições poéticas com caráter pastoril e a contemplação da natureza. e no Messias. Rodeado por este refinado ambiente. uma ópera especialmente composta para Londres. artistas e músicos que tinham o objetivo de melhorar o gosto artístico das pessoas (uma espécie de Camerata Fiorentina). 3ª Fase – Período de aprendizado inglês: Período do mestre (1711-1759) Quando Handel foi à Inglaterra para a apresentação de Rinaldo (1711). ora através do tratamento dado às tonalidades (ex.: Coro 9 – He smote all the first-born e Coro 12 – He rebuked the Red Sea).conheceu a Arcadia. .And suddenly there was with the angel . Até a chegada de Handel. ora através da melodia e ritmo. ou no bater das asas dos anjos no recitativo acompanhado 16 . através do cenário pastoril proposto pelo Pifa. Isto pode ser notado nitidamente em vários de seus oratórios. Israel no Egito onde Handel trabalha com perfeição elementos como água e fogo.3. compasso 42-50). Handel participava da Arcadia mais por causa do reconhecimento de seu talento. ele era um verdadeiro representante da arte Italiana. originalmente uma academia de literatura da qual faziam parte nobres. Handel assim era a pessoa mais indicada para mostrar o que era possível fazer neste sentido. 2. como por exemplo. o que ficou comprovado pelos 1 Amor poético e suave pelo ambiente campestre e pela natureza.

. o Oratório Inglês. e acompanhado por uma banda detestável de violinistas na “Play-House2”. Handel estava totalmente falido e a solução encontrada foi partir para um novo estilo musical. mas. Da Inglaterra. Também lá. que não tinha um libreto parafraseando a Bíblia.altos e baixos que a ópera passou. A leveza que ele emprega a estes instrumentos é uma marca em suas músicas. Nas primeiras tentativas que Handel fez com seus oratórios. Ele era muito bem quisto e muitas pessoas freqüentavam seus concertos. um pouco pelo grande número de coros (que era uma experiência de Handel em seus primeiros oratórios). 334). Após várias tentativas de tornar a ópera um sucesso. sobretudo. Mesmo com todos os percalços que Handel enfrentou. Os ingleses estavam cansados do aparato exigido pela ópera italiana e requeriam algo que representasse seu anseio. uma instituição pouco decorosa onde nenhum cristão genuíno entraria sem ser tido como sujo.. No período que permaneceu na Inglaterra. pela corte inglesa. mas uma seleção de linhas do Êxodo em um compêndio musical.(Paul Henry Lang. ele encontrou na Inglaterra um ambiente favorável para investir na nova forma musical. sobretudo pelo local onde foi apresentado e pelo grupo que Handel contratou para o concerto: Israel no Egito. Israel no Egito sofreu duras críticas. teatro ralé. ele teve contato com duas classes de músicos bem estabelecidas que eram os trompetistas e timpanistas. Estas duas classes formavam uma espécie de sindicato organizado e eram profissões bem solicitadas. na Inglaterra no período de 1711 a 1737. Handel trabalha majestosamente estes instrumentos em suas composições. Música Aquática e Música para os Reais Fogos de Artifícios). a Santa Escritura cantada pelas mais lascivas e imorais pessoas. ele também não teve muito sucesso. chocou profundamente muitos cavalheiros ingleses. p. . Handel sofreu a influência da dança e do estilo concerto que tão bem ele expressa em suas árias e em sua música instrumental (por exemplo. George Frideric Handel. Handel encontrou inspiração 2 Play-House – uma das casas de espetáculos de Londres.

além de criar um estilo próprio que o acompanhou pelo resto de sua vida. Além de 3 Masque – Dramatização alegórica nos séculos XVI e XVIII. (Paul Henry Lang. um drama musical. ainda hoje. feita por atores fantasiados para entreter o público.Mas com as antífonas. as pastorais e as masques3 compostas durante estes anos. Teodora (1750. Em uma tentativa de cura. alternando o cravo e a regência com seu aluno e amigo John Christopher Smith. George Frideric Handel. a antífona constitui uma parte importante nesta mudança e elemento do oratório. Handel era conhecido como “Sr. Sem obter sucesso nesta cirurgia... Música Aquática (1718). Em 1753. contribuiu para o desenvolvimento de trabalhos entre os quais podemos destacar os Antemas de Chandós (compostos entre 1717 a 1720). Handel faleceu em sua casa em Londres às oito horas do dia 14 de abril de 1759. no verão de 1758. três mil pessoas. p. Música para os Reais Fogos de Artifícios (1749). aos sessenta e oito anos de idade. Judas Macabeus (1746). começou a mudança decisiva para que ele viesse a se tornar o provedor de entretenimento exótico para a aristocracia como o compositor nacional. O prestígio de Handel atingiu tal ponto que os ingleses o consideram. seu favorito) e O Triunfo do Tempo e da Verdade (1756). Handel. Na verdade. os Te Deums.para a composição de importantes trabalhos. Handel continuou sua série de concertos durante o ano que se seguiu. Seu sepultamento aconteceu no dia 20 de abril. aliada às oportunidades que teve neste período. e foi acompanhado por uma multidão de aproximadamente. . A concepção que Handel tinha da Igreja Anglicana e da cultura inglesa.. patrimônio nacional. lembrando que a antífona era música cerimonial e o oratório. o famoso compositor de música italiana”. provavelmente acometido por cataratas.199). John Taylor que também havia operado Bach antes de sua morte em 1750. Quando chegou à Inglaterra. ele é operado por um cirurgião. Handel começa a perder a visão.

. ele foi enterrado com honras de monarca. 534 e 535). Handel morreu como viveu – um bom cristão. figura B). com um verdadeiro senso de seu dever para com Deus e o homem. (Paul Henry Lang. e seu túmulo se encontra na Abadia de Westminster (vide anexo 02. e em perfeita harmonia com todo o mundo.uma estátua sua erguida no Green Park (sic). pp. George Frideric Handel.

p.296). marcam o retorno de Handel à forma Oratória. amigo pessoal de Handel. e pastoral. a grande atração para Handel nos trabalhos ingleses era o coro. acreditavam estar sob a proteção especial de Deus a quem eles cultuavam com pompa e esplendor. as pessoas acreditavam que ele estivesse tendo uma falha mental.298). o sentimento nacionalista inglês que se identificava com Israel e seu Deus. e seu gosto perdeu o brilho (Paul Henry Lang. compõe suas obras valorizando-a.3. sua inspiração está exaurida. Quando retorna da Alemanha para Londres em novembro de 1737. expressando entre outros. Enquanto o ortodoxo Luterano Bach tinha pouco interesse na natureza. os ingleses à semelhança do povo de Israel. o Grande. O período que antecedeu a composição de Israel no Egito (1739). ode. O Príncipe Coroado da Prússia. um reflexo do estado emocional que o compositor enfrentava. George Frideric Handel. as circunstâncias sempre influenciam o artista. foi intensamente abalado pelas circunstâncias no momento em que compôs o Messias. O sucesso e prestígio anteriormente alcançados davam lugar à perda de sua mãe. apatia e a mais violenta devastação da razão (Paul Henry Lang. Estes problemas fizeram com que Handel deixasse Londres e voltasse à Alemanha para cuidar de sua saúde. p. 1738). que incluía depressão. o futuro Frederico. Não só na Inglaterra. Handel sob a influência do que aprendeu na Arcadia. Composições como Saul (1739) e Israel no Egito (1739). Circunstâncias que influenciaram na composição do Messias Como dissemos no início. ele faz ainda algumas investidas na ópera (Xerxes. Ele foi acometido de uma doença que o deixou temporariamente sem controle de seu braço direito. mas retorna de vez ao oratório. e Handel no período em que fixou residência em Londres. ele já havia . ao fracasso financeiro e a problemas de saúde. escrevendo à sua esposa disse que Os grandes dias de Handel terminaram. mas em vários centros de música da época. Na verdade. Certamente. foi muito difícil para Handel. George Frideric Handel. Sob a influência do estilo oratório.

Aleluia. e La Resurrezione. O uso da cultura inglesa e de temas religiosos aliados a um aumento significativo na quantidade de coros formava a base para a nova forma musical. No entanto. a segunda foi terminada em 06 de setembro e a terceira em 12 de setembro. não é contado entre os oratórios ingleses. Por várias vezes. encontrou-o andando de um lado para outro com o rosto molhado em lágrimas cantando Aleluia. inicialmente esta fórmula não funcionou.T. XVII. tanto que imediatamente ao término do Messias. e especialmente. o outro oratório “cristão”. Sob este clima. havia a possibilidade de dar certo. (Paul Henry Lang. p. O novo incentivo que estimulou Handel foi tão grande que logo depois de completar o Messias em 14 de setembro..tentado introduzir o uso do coro nas óperas. foi completado ainda em outubro daquele ano.338). porque embora admirado e aclamado como uma obra prima. A data final para o término da orquestração foi 14 de setembro. e o próprio Deus assentado em seu trono. Durante os vinte e quatro dias que se seguiram. ele começa outro oratório. não é baseado no N. A baixa freqüência aos concertos agravou a crise financeira de Handel e acabaram por levá-lo a uma reorientação musical. O Messias é o único trabalho entre os oratórios que usa textos tirados do Novo Testamento4. Certo dia quando subiu para levar-lhe comida. no fim do verão de 1741. seu servo o viu chorando ou orando. Sansão. o seu uso do coro que tinha naquela época. Handel disse a ele: Eu creio ter visto todo o céu diante de mim. pois o Senhor Onipotente Reina! Em outra oportunidade. funções dentro da ação e outras vezes fora dela como um comentarista ou narrador. A primeira parte teve início em 22 de agosto e foi terminada em 28 de agosto. Handel retorna ao oratório dramático. não é um drama (vide ponto 6. mas não obtivera sucesso. Ele é único também. Teodora. 4 . mas em uma novela histórica do séc. Handel inicia a composição do Messias. sobre a classificação dos oratórios). que apesar de ser maior que o Messias. Os libretistas de Handel procuravam incorporar em seus trabalhos muito do espírito e da técnica do drama grego antigo. já no oratório. Handel se confinou em seu quarto e quase não saía. George Frideric Handel.

.. . (Christopher Hogwood. nem sempre pela narrativa. a visão completa do texto da profecia e seu cumprimento. isto é pouco provável.. pp. um compositor que tinha a reputação de compor música para a igreja. em um concerto beneficente como Charles Jennens havia sugerido. Handel: Messiah. entretanto. ele (Oratório Messias) não contém drama ou senso teatral.Embora quinta-essencialmente seja um trabalho de compositor de teatro. .167). que estariam satisfeitas se viessem sem os seus suportes (suporte dos vestidos). E. não há facções guerreando (nenhum Israelita verso Filisteu). No Jornal de Dublin. mas há cartas que confirmam que o Duque havia estado em Londres em fevereiro de 1741. é que isto era uma das possibilidades que Handel cogitava. lemos o seguinte: . edição de 10 de abril de 1742. Handel: Messiah. só um incentivo também especial poderia fazer com que Handel saísse de sua rotina de composição. o Duque de Devonshire.. um fato que explica a natureza específica do Messias e o convite a Handel. pois como será um concerto beneficente. 18). o Sr. responsável por uma das três entidades de caridade naquele país. Não se sabe ao certo quando Handel recebeu este convite.. 12 e 13) No entanto. Handel. De fato. Claramente. Conquanto a possibilidade de Handel ter composto o Messias para apresentá-lo em Dublin não possa ser descartada.Muitas Senhoras e Cavalheiros que são bem-vindos a este Nobre e Grande evento de Caridade para o qual o Oratório foi composto. e do drama. não há nenhum protagonista mencionado. outros fatos reforçam a primeira idéia de que Handel compôs o Messias para uma ocasião especial. uma vez que o Messias foi composto antes de Sansão.. teríamos mais pessoas na sala (Donald Burrows. especialmente em concertos beneficentes. é provável que Handel o tenha composto para ser apresentado em Londres. através do convite do Lord Lieutenant da Irlanda. Handel era bem conhecido em Dublin onde seus trabalhos já haviam sido apresentados. A interpretação mais provável para uma temporada de concertos em Dublin.. Por outro lado. mas sua intenção primeira era de permanecer em Londres. pedem como um favor as Senhoras que honrarem esta apresentação com suas presenças. (Donald Burrows. pp. William Cavendish. Há alguns historiadores que acreditam que o propósito do Messias e o período que Handel permaneceu em Dublin são outros que não os descritos acima.. p. a comissão especial para este trabalho veio de Dublin. podemos perceber que para desenvolver um trabalho especial como o Messias. é revelado obliquamente pela inferência e informação.

o Mercer’s Hospital (sic) na rua Stephen. Finalmente. o Jornal de Dublin observa que o oratório foi composto para esta Nobre e Grande Caridade. Handel. Handel contava com a ajuda das vozes masculinas e de nove solistas do coro das duas igrejas da cidade. os bilhetes eram adquiridos diretamente na casa de concertos. aliando a isto. o “elegante entretenimento” foi apresentado ao público que lotava a sala. dois trompetes. O objetivo do concerto beneficente era ajudar os presos da cadeia local. . As anotações con ou senza ripieno encontradas na partitura autógrafa. Em uma matéria sobre o ensaio do oratório intitulada “O novo e grande oratório do Sr. Handel é aclamado pelo público presente. 5 Entre uma parte e outra do Messias. outro fator que merece consideração é o tamanho do coro e da orquestra que Handel utilizou. havia autorizado pessoalmente a participação de seus coristas neste evento. a inauguração de uma nova sala de concertos. autoridades civis e eclesiásticas da cidade neste evento. na noite do dia 13 de abril de 1742. temos aqui a confirmação de que o Messias foi composto com o objetivo de angariar fundos para uma instituição de caridade e devido a isto.Além disso. A orquestra era pequena. a Christ Church e a St. Não havia oboés ou fagotes que foram acrescentados posteriormente para empregar colorido às vozes dos meninos cantores. a maior e também Igreja Anglicana cujo deão. composta por um pequeno grupo de cordas. Handel também improvisava ao órgão. Mais uma vez. tímpanos. mas para o Messias. estava condicionado às forças musicais disponíveis para aquela ocasião. foram acrescentadas em versões posteriores em função do aumento da orquestra. e a enfermaria de uma estalagem nas docas. No final. em todos os concertos que Handel realizou em Dublin os bilhetes eram adquiridos diretamente com ele em sua residência na rua Abbey. Além do envolvimento da população. cravo e um órgão positivo5. Patrick’s Cathedrals (sic). chamado o MESSIAS”. Jonathan Swift.

e penso que não há nada igual a ela. se for. por Walsh. mas esses fatores merecem um tratamento à parte o que não será feito aqui. para fazer o que no caso. é considerar. Voltando: Um Oratório ainda é um Ato de Religião... Os ingleses.. Handel apresenta o Messias no dia 23 de março de 1743. Um fato curioso é que no anúncio publicado pelo jornal local..Um dos presentes ao concerto. não eram favoráveis entre outras coisas.. 19 de março de 1743) apud BURROWS Outros fatores ainda contribuíram para o fracasso do Messias nos primeiros anos em Londres. diferentemente dos irlandeses. mas o sucesso obtido em Dublin não foi correspondido em Londres. Ao AUTOR do “UNIVERSAL SPECTATOR” Senhor....Eu também sou um grande admirador de Música Sacra. Handel. Propósito. . Handel deixa Dublin e retorna a Londres. Um fato bastante relevante deve ser observado quanto ao Messias: a primeira partitura impressa só foi publicada no ano de 1767. Handel fitando-o rebateu: Perdoe-me. De qualquer forma. devolveram a . e se possível. Em 13 de agosto de 1742. esperava oferecer-lhe mais que um entretenimento. ou não é.PHILALETHES (O Universal Spectator. após uma temporada de concertos de Sansão e L’Allegro. não é mencionado o nome do oratório (vide anexo 02. induzir a outros a considerarem a impropriedade dos Oratórios como eles são agora apresentados.. figura A). Meu.. . à apresentação de “música sacra” em outro lugar senão na igreja. fato que corrobora a idéia de que o Messias foi especialmente encomendado para um concerto beneficente. eu pergunto se a Playhouse é um Templo adequado para apresentá-lo. ou um grupo de instrumentistas são adequados Ministros da Palavra de Deus. procurou Handel e lhe cumprimentou parabenizando-o pelo entretenimento. eles estão fazendo. Apresentar um oratório “sacro” em um teatro levantava dúvidas se ela seria sacrossanto mesmo. ou outra pessoa tão capaz de compô-la quanto o Sr. o sucesso das apresentações de outros oratórios posteriores ao Messias.

Handel quando morreu não possuía muitos bens. em decorrência da quantidade de concertos na temporada.Handel seu prestígio junto ao público e a estabilidade financeira6. Ainda assim. sua partitura do Messias. e o que tinha de mais precioso. A vida financeira de Handel era muito instável variando principalmente. 6 . doou para o Foundling Hospital (sic). uma entidade que atendia crianças carentes e da qual Handel foi diretor a partir de 1749 até a sua morte em 1759.

culminando com a vitória final de Cristo. mas . Cada título foi cuidadosamente escolhido para proclamar que Jesus é o Messias. Salmos. Epístolas Paulinas e Apocalipse. Estas verdades. é claro. figura C) e tinha como base o texto inglês da Bíblia. Saul e Belsazar. Esta compilação foi feita por Charles Jennens (vide anexo 03. e ressurreição que trouxeram redenção à humanidade. o texto usado no Messias é uma compilação de textos dos Profetas. Estas críticas tentavam desacreditar a base da religião cristã pelo questionamento de profecias do Antigo Testamento que identificavam Jesus como o Messias e. pois seu nome consta da lista dos que ficavam assentados na primeira fila no concerto de Rondelinda. são as principais mensagens do oratório. como concebidas por Jennens. Jennens meticulosamente balanceia as passagens de promessas proféticas do Antigo Testamento com as que descrevem o seu cumprimento no Novo Testamento. Ele era um homem rico e culto e passava parte do tempo em sua residência próxima a Chandós e a outra parte em Londres no período em que o Parlamento se reunia. O Libreto O sucesso que o Messias obteve em sua época e hoje se deve principalmente a fonte: a Bíblia. As três partes do Messias. Evangelhos. financiava alguns dos concertos de Handel. O objetivo de Jennens em escrever este libretto era o de combater o ataque de críticos contemporâneos deístas. ao cristianismo. Handel conheceu Charles Jennens provavelmente por volta de 1725. Jennens possuía não só conhecimentos em literatura.4. o que indicava o lugar destinado aos patrocinadores do concerto. e ao que tudo indica. Vimos anteriormente que os ingleses se identificavam com Israel e Handel achou no Antigo Testamento uma farta fonte de assuntos para seus oratórios. a versão King James. podem ser resumidas da seguinte forma: (1) profecia e nascimento de Cristo. morte. no Novo Testamento. contudo. Charles Jennens era quinze anos mais moço que Handel e contribuiu com o libreto de outros oratórios. o milagre de seu nascimento. (2) a vida. morte e ressurreição de Cristo e (3) o triunfo cristão sobre a morte (ressurreição).

ainda que essa idéia de “apropriado” não coincida com a de Handel. Handel mesmo fez correções às suas correções no texto do oratório. qualidades ideais para um compositor como Handel.também em música a ponto de poder analisar a redução do oratório Messias. . Handel recebeu uma cópia do libreto em 1735. Na verdade. Ele demonstra um grande senso musical e conceitos apropriados para a acentuação textual. fez as mudanças que achou por bem. que Handel lhe havia mandado. Depois do primeiro concerto em Dublin. Handel tinha suas próprias idéias sobre o oratório além de ter bom conhecimento da prosódia inglesa (ainda que alguns tomem como exemplo contrário a Ária 48 para baixo The trumpet shall sound. O entusiasmo que ele tinha por Handel o levou a escrever este libreto. onde aparecem alguns problemas de prosódia). Charles Jennens teve importante participação no sucesso do oratório. mas quando se decidiu por compor o oratório. Contudo. Jennens combinava conhecimento prático de literatura e música com um acurado senso crítico. o que gerou um certo desconforto no seu relacionamento com Jennens que o criticou por ter colocado uma abertura para o oratório e ter feito outras modificações no texto.

quando incluiu trompetes e tímpanos finalizando as partes dois e três do oratório na tonalidade de Ré Maior. Além disso. último movimento. “And he shall purify’ de ‘Quel fior che all’alba ride’. di voi non vo’ fidarmi’ (completado em 3 de julho de 1741). a referência a um pronunciamento feito por anjos. where is thy sting’ de ‘Se tu non lasci amore’ (c. Esta influência teve um efeito importante no esquema musical adotado por Handel. HWV 192. entretanto. A importância das tonalidades proposta por compositores como Johann Mattheson (vide apêndice 1) é verificada nas composições de Handel e seus contemporâneos. Handel faz ainda uso de outras composições suas.1722). Mesmo não tendo trabalhado um plano tonal estratégico de forma total para o oratório. HWV 189. contraste e seqüência tonal entre os . a melhor tonalidade para o trompete barroco. deriva de Sansão e a expressão “off-stage” colocada na partitura autógrafa indica que eles devem ser tocados suavemente reforçando assim. A idéia de incluir os “trompetes angelicais” no coro ‘Glória a Deus’ sem estar atrelado aos tímpanos. último movimento. e criando um clima triunfal com o acréscimo dos tímpanos. A Música do Messias A música sempre teve o poder de comunicar idéias e sentimentos aos seus ouvintes. ‘His yoke is easy’ de ‘Quel fior che all’alba ride’ (completado em 2 de julho de 1741). di voi non vo’ fidarmi’. HWV 189. primeiro movimento. ‘For unto us a child is born’ de ‘Nò. a convivência em Londres com vários instrumentistas da corte e a influência do estilo inglês. sobretudo.5. Handel mantém sua atenção para a variedade. influenciaram ou estimularam Handel na escolha da relação tonal entre os recitativos/árias/coros. primeiro movimento. no período barroco. primeiro movimento. Ele retrabalha material temático de seus duetos italianos seculares para duas vozes e baixo contínuo: ‘O Death. Vários fatores externos. também contribuiu na forma final do oratório. afinados respectivamente na tônica e na dominante. ‘All we like sheep’ de ‘Nò.

movimentos e cenas. E bemól maior da capo – F menor – F menor – F maior. mantém o mesmo centro tonal em seus dois primeiros movimentos. Handel: Messiah.63 e 64). Aparte da seqüência da Encarnação .todas as cenas da Parte Um como compostas. pp.Cena 5 (veja item 9) que é dramaticamente diferente das outras . terminando em F menor Cena 2 – B bemól menor E bemól menor – C menor – A bemól maior B menor (terminando em uma tierce de picardie) (Campo da tonalidade sustenido) Cena 2 – E menor (terminando em um acorde de V) – B menor Cena 3 – A maior (Análise extraída de Donald Burrows. C menor G menor. Parte a Primeira Cena 1 – E maior – E menor – A maior Cena 2 – D menor – D menor – G menor Cena 3 – Recitativo e Ária em D maior – Coro em D maior Cena 4 – B menor – B menor – G maior Cena 6 – B bemól maior – B bemól maior – B bemól maior Parte a Segunda (Campo da tonalidade bemól) Cena 1 – G menor – E bemól maior. E maior .

Primeiramente.(vide apêndice 3 para a cópia da partitura). selecionamos um dos coros para exemplificar mais detalhadamente o que foi dito acima.6. o objetivo da seleção textual é apontar Jesus como o Filho Redentor de Deus e neste coro que compõe a terceira parte. e novamente Lá menor e Ré menor. é uso de duas formas de composição: o estilo renascentista (Prima Prattica) com passagens a cappella7 e o estilo barroco (Seconda Prattica). Análise Harmônica e Textual do Coro 46: Since by Man Came Death Tessitura Características da Música Mostramos no item anterior como Handel trabalhou de forma contrastante seu oratório. Igualmente interessante. 7 O termo a cappella está sendo empregado aqui em seu conceito moderno de música sem acompanhamento e não dentro do conceito barroco de música acompanhada por órgão. Isto explica o uso de apenas fragmentos do texto. . concluindo em Lá menor. neste coro. É surpreendente constatarmos como o ideal barroco de reviver a tragédia grega é apresentado em toda a obra e no caso. versos 21 e 22 (vide apêndice 2 para a íntegra do texto). pela escolha das tonalidades: Lá menor e sua relativa maior. o assunto é a redenção humana alcançada através de Jesus. Características do Texto O texto está baseado na Primeira Carta de Paulo aos Coríntios capítulo15. Como explicamos anteriormente. Para uma melhor compreensão.

Na verdade este recurso da retórica de repetir determinado trecho do texto serve como uma confirmação (confirmatio) da idéia. como à semelhança do primeiro Adão. Dm for as in Adam all die. Compasso 1a 3 4a6 7 a 101 102 a 131 132 a 161 17 a 19 202 a 22 232 a 251 252 a 271 272 a 311 312 a 342 2 Tema A A’ B B’ B” E E’ F F’ F” F’” Trabalhando o texto A caracterização textual aplicada por Handel nesse coro foi cuidadosamente trabalhada. É interessante observar que ele repete o texto. Na tonalidade de dó maior. Am by man came also the resurrection of C the dead. Agora em ré menor (subdominante de lá menor). todos à semelhança do segundo Adão. Cristo. Am Since by man came death. by man came also the resurrection of C the dead. by man came also the resurrection of C the dead.Handel explora este texto de I Coríntios de maneira a deixar evidente a diferença entre o velho e o novo Adão. O coro é curto. traz a ressurreição. Dm even so in Christ shall all be made Dm alive. serão vivificados. Essa inferência ao texto poderia ser percebida sem que se precisasse usar uma palavra se quer. todos morrerão. Isto demonstra uma preocupação considerável com a sonoridade e com o impacto emocional deste texto. Fazendo uso da tonalidade de lá menor (vide apêndice 1 sobre as 17 tonalidades). A seguir. for as in Adam all die. elaboramos um resumo da análise. em contraste com o primeiro homem. mas extremamente poderoso. A Parte III tem um pequeno número de . Estilo Prima Prattica Verso 21a 21a 21b Seconda Prattica 21b 21b Prima Prattica 22a 22a 22b Seconda Prattica 22b 22b 22b Texto Tom Since by man came death. Idem Dm Idem Am even so in Christ shall all be made Am alive. Cristo o segundo homem. ele traz à tona o peso da morte que caiu sobre a humanidade através do primeiro Adão. Em ré menor.

o Messias. Uma leve respiração depois da palavra “Adam” tornará isto mais claro. Por causa de seu pecado. as in Adam. Devemos imaginar o uso de vírgulas depois da primeira e quarta palavras: “For. all die”. Cristo como homem anulou o pecado”. Imaginemos que ele estivesse dizendo “Da mesma forma que em (por causa do pecado de) Adão (o primeiro homem) todos morrem. De uma forma mais simples podemos dizer: “Como o homem original trouxe o pecado. e os dois primeiros coros são relativamente curtos comparados ao terceiro. Devemos nos conscientizar da necessidade de minimizar os efeitos do vibrato (até mesmo. Contudo. Isto acontece porque Handel tinha a intenção de preservar o coro para o movimento final que exigiria maior participação deles. Na segunda seção a cappella o n e o m devem receber o mesmo tratamento explicado acima. ele causou a morte. que se tornou nosso destino final. principalmente para evitarmos cantar “Mall” (For as in Ada Mall die).coros se comparado às outras duas partes. também precisam ser destacadas com um brilho pequeno e emocional para expressar o pensamento: Adam é a palavra hebraica para homem (man). Nas duas seções allegro há material melódico que representa a ressurreição da morte que aguarda aqueles que crerem em Cristo. Deve-se ter o cuidado de enfatizar as consoantes m e n acrescentando-se uma ressonância extra e energia vocal a frase inicial: “SiNce by MaN caMe death. também (da mesma forma) em Cristo (que se tornou homem) todos serão (aqueles que crerem) vivificados” (receberão vida eterna).” A consoante inicial c em “came” e a final th em “death”. . A afinação deve ser mantida até o final e de forma vocalmente clara. suprimi-lo) nos compassos de abertura (1-6) e nos compassos 17-22. o efeito desse coro é singular quando apresentado com sensibilidade e sinceridade. O l duplo de “All” também deve receber uma ressonância extra como explicado anteriormente. mas também usada em Gênesis para designar o primeiro homem.

216. fac-símile de F. . Chrysander) apud CAMP. É importante a pronúncia da consoante final d de “dead”.A partitura autógrafa dá nítida impressão de que Handel compôs o baixo antes das outras vozes. porque o texto aparece imediata e unicamente escrito embaixo da linha do baixo. os baixos vão crescendo em movimento através dos compassos 28-31. No entanto. Também temos que deixar bem claro o fraseado nos compassos 29 e 32 colocando uma vírgula depois de “all”. O que Handel estava tentando passar sobre a ressurreição na segunda e primeira seção fica claro na análise da partitura autógrafa onde ele repete o texto dos compassos 7-16 em 28-31 (p. A ênfase então. onde anteriormente tínhamos o texto “the resurrection of the dead!”. deve ser dada a essa voz tendo as outras três vozes um papel secundário.

2.1.7. Handel precisou escrever. Mas acima de tudo. Dessa forma. ou até mesmo. 7. Concepção pessoal da peça – Handel tinha sem margem de dúvida. Handel fez algumas concessões a fim de preservar a amizade de Jennens. Isso foi um dos motivos que o levou a fazer algumas alterações. a simples mudança de local de apresentação já era motivo suficiente para promover alterações. sua idéia da peça era mais clara ainda e quando percebia que determinada parte não atendia a sua expectativa ele imediatamente fazia a alteração necessária. devido a isto. Em outros.4. As Versões do Oratório Uma das grandes dificuldades que encontramos com este oratório é a quantidade de versões. Já dissemos aqui que os compositores do período barroco costumavam fazer alterações em suas peças. em alguns casos. Dentro da concepção que ele tinha da peça. podemos concluir que os motivos que levaram Handel a fazer tantas mudanças. o que levou Handel a promover tantas alterações foram: . Pressão sofrida por parte de Charles Jennens – Charles Jennens tinha sua própria concepção do oratório e. Como dissemos anteriormente. partes completamente novas. uma personalidade forte. foram pelo menos. pressionou Handel a fazer várias alterações. quatro: 7. Hoje. No caso do Messias este “problema” é mais sério porque Handel fez várias mudanças. Necessidade prática – Houve a necessidade de contratar novos solistas e com isso. 7. No caso do Messias. Jennens era contra a abertura que Handel compôs para o oratório alegando que a sinfonia de abertura não era digna de Handel e muito menos do Messias. criar partes completamente novas. ele fez apenas pequenas modificações como supressão de partes ou mudança de tonalidade.

Fica claro que este foi o maior motivo para tantas mudanças. Hoje. mencionamos apenas os anos em que ocorreram mudanças na peça. portanto. fizemos uma compilação das versões utilizadas por Handel nas principais apresentações que dirigiu.7. outra versão muito conhecida utilizada após a morte do compositor e que consideramos importante porque traz várias alterações no trabalho de Handel. incluiu as trompas que dobravam os trompetes nos coros 44 e 53. pela primeira vez.4. pois quando determinados cantores não estavam disponíveis. A partir desta data (1754). Com o objetivo de ajudar na escolha da versão mais adequada. Acrescentamos ainda. que entre o período de 1754 a 1759. recursos financeiros faltavam e a liderança eclesiástica se manifestava contra sua obra. Cuidados Estéticos – Handel era um compositor de teatro completamente envolvido com sua época. Assim. . ocorreram as principais mudanças no oratório quanto à contratação de músicos para comporem a orquestra. há uma série de registros que indicam o pagamento de cachê aos músicos (vide anexo 06). sabemos que Handel apresentou o Messias todos os anos entre 1751 a 1754. perceber a preocupação do compositor em manter a idéia central do trabalho quanto ao texto e características estilísticas de sua época. Isso o motivava a rever peças com o objetivo de adequá-las esteticamente à realidade que vivia. Pode-se com isso. Neste trabalho de compilação das versões. sabemos que foi em 1754 que Handel. Sabemos também. Handel não podia permitir que a estética musical de sua peça fosse prejudicada simplesmente alterando o cantor ou fazendo outra mudança. que Handel não tenha feito apresentações do oratório Messias em outros anos. Isso não significa. mas tinha que rever vários aspectos para poder manter a integridade da obra.

que serviu como organista nas apresentações feitas por Handel e que dirigiu as apresentações do Messias em Londres após a morte do compositor. Os outros manuscritos do Messias são identificados abaixo por suas respectivas locações. copiada da partitura autógrafa por seu assistente e copista John Christopher Smith e preservada na livraria do Colégio de St. Tenbury – A partitura que Handel utilizava para reger. por vários copistas. estas cópias foram doadas ao Foundling Hospital (sic) em Londres logo após a sua morte. Coram – A grade e um conjunto de partes para os instrumentos. como segue: 7. . De acordo com o último desejo de Handel. Também. o pai. Eles representam todo o material (partituras) original disponível sobre o Messias e suas principais cópias. Hoje esta instituição recebe o nome de Thomas Coram Foundation e estas partituras fazem parte de seu acervo. o que é uma informação importante quando buscamos reviver as apresentações do oratório tal como foi apresentado por Handel. Michael. se refere apenas ao volume preservado como Original Score (sic) pelo Museu Britânico. enquanto os comentários críticos são identificados pelos nomes de seus autores. a palavra “autógrafa” como usada aqui. com o objetivo de distinguir entre a partitura autógrafa de Handel e as subseqüentes adições ou supressões feitas pelo compositor. John Christopher Smith. Tenbury.Também. 7. sob a direção de J.2. apresentamos abaixo. para a catalogação das versões é necessário tomar como ponto de partida esses manuscritos. Smith.3. 7. copiados do material que Handel utilizava nas apresentações. Hamburg – A partitura de regência escrita por Smith para seu filho. Este manuscrito se encontra agora na Livraria Estadual de Hamburgo. uma relação dos principais manuscritos do Messias. Segundo. pois são eles que nos mostram as alterações que Handel fez. através desses registros temos conhecimento do plano de apresentações deste e de outros oratórios. o jovem. C. Temos dois objetivos: primeiro.1.

Coopersmith – G.. . editado por Friedrich Chrysander. editado por Rudolf Steglich. Steglich – G. Handel. editado de fontes originais por J. 7. 1892. e a edição Fac-símile do autógrafo editado pela Sociedade Handel da Alemanha. em Cambridge. a primeira edição completa do trabalho. Fitzwilliam – Uma coleção dos autógrafos de Handel preservados no Museu Fitzwilliam. Nova Iorque. 7. Händel. Smith Collection – Uma partitura de uma coleção de cópias escrita por J. 7. impresso pela Sociedade Handel da Alemanha. F. Hamburgo. editado por T.8. Händel Weihnachtsarie.7. Schering – G. 7. Nova Iorque. Randall & Abell – Messias. 7.12. Breitkopf & Härtel. Kassel. Handel. C. que foram posteriormente reproduzidos na edição de Fac-símiles de Chrysander e que também fazem parte de um grupo de estudo de contraponto. Londres. Arnold – The Messiah. 7. continha na edição que Samuel Arnold começou em 1786.. um Oratório em Partitura. Leipzig.5.9. 1902.4. “Einne Kompositionslehre von Händel” em Händel-Jahrbuch 1964/65. 1953. an Oratorio. Spicker – The Messiah. Messiah. Der Messias.7. editado do autógrafo e partes do Foundling Hospital por Arnold Schering e Kurt Soldan.10. Parte XLV. 1912. F.. F. An Oratorio… por G. Schirmer.. Smith e vários outros copistas pouco tempo depois das cópias de Coram. Leipzig. Nagels Musik-Archiv nº 104. 7. an Oratorio. o primeiro conjunto de trabalhos de Handel. Inc.11.6. G. Handel. Coopersmith. C. Handel. F. Por G. impresso por Randall e Abell em 1767. Inc. revisado de acordo com a partitura original de Handel por Max Spicker. O Messias.. 7. Tertius Noble. incluindo os rascunhos do Messias. F. 1946. F. 1939. F. Peters. Carl Fischer. M. conforme Alfred Mann. Chrysander – Os Trabalhos de G. agora guardadas no Museu Britânico.

4. São elas: 7.O estudo sobre as versões que fazemos a seguir toma como base apenas os manuscritos do Tenbury. É válido lembrar que Handel mesmo utilizou pelo menos. no meio da linha. Nesta partitura há referências a um pequeno grupo de cordas.13.13. Era exatamente o que ele planejava quando compôs o oratório.13. conforme anotações na parte autógrafa. 7. Hamburg. 7.2. Uma foi escrita para soprano em 12/8 e era imediatamente seguida pela versão Their .3.13. cinco versões do Messias. uma versão maior. Ária Thou art gone up on high – Foi escrita originalmente para baixo. Coram e Fitzwilliam pelo fato que os demais são derivações destes. O Pifa – O autógrafo termina no compasso onze (11). quando Handel se preparava em 1743. Ela contém anotações que antecedem as primeiras apresentações e anotações posteriores. Partitura autógrafa – Era a partitura original de Handel. dois trompetes e um par de tímpanos.5. As principais diferenças entre as demais versões são as seguintes: 7.13. Ária Rejoice greatly – Originalmente. há anotações na partitura que indicam que ela deveria ser repetida ficando assim. Ária How beautiful are the feet – Aqui são apresentadas duas versões. fontes secundárias sugerem que Handel usou a versão mais longa nas primeiras apresentações e que nas apresentações a partir de 1750. 7. para apresentar o oratório em Londres e incluem até os nomes de cantores que Handel pretendia convidar para os solos. De acordo com Burrows. Contudo. ele optou pela versão mais curta. Ária But who may abide – A versão original foi escrita para baixo.1. 7. Na versão original ela era maior do que a segunda versão tendo sido escrita na forma Da Capo e posteriormente reduzida. Handel planejava que esta ária fosse cantada por um tenor.13.

na forma Da Capo. Há ainda. Esta era uma característica de Handel que fez isso não apenas com o Messias. Assim. Hoje o termo “conducting score” (sic) é geralmente aceito por uma cópia fiel da partitura autógrafa.7. Coro Worthy is the Lamb – Também no autógrafo aparecem notações que sugerem que Handel pensava na possibilidade de diminuir o tamanho deste coro. indicando que ele pretendia encurtar em 16 compassos o dueto (do 6 ao 22). Amen. alguns historiadores que acreditam que o corte pode ter sido mais radical do que apenas alguns compassos: uma conclusão do coro 53 sem a fuga Amen. Não se sabe ao certo se ele chegou a usar esta versão mais curta.sound is gone out também para soprano.13. 7.13. Fica claro então. Ele deixava de lado a partitura autógrafa e passava a usar uma cópia do original onde ele fazia anotações após cada ensaio ou apresentação. feita por Handel logo que ele concluiu o oratório. não é de se estranhar que encontremos nesse material mudanças de estrutura e direção para novas transposições que ele pretendia fazer no oratório. where is thy sting? – Este dueto aparece na partitura autógrafa com uma anotação feita à mão por Handel. A outra versão é um dueto para contraltos em ¾ e seguida pelo coro Break forth into joy. 7. que era nesta partitura que Handel comumente fazia as alterações necessárias para cada apresentação.14. mas com todos os seus trabalhos. 7. Dueto O death. As principais diferenças em relação à partitura autógrafa são: . Isto também servia como um guia para os copistas.6. Score de Handel – Representa a partitura de regência que Handel sempre utilizava. Existem duas anotações claras: (1) um corte dos compassos 39 a 53 e (2) outro dos compassos 74 a 77.

2. Ária Why do the nations – Handel cria uma versão mais curta. Ao que tudo indica.14. retirando aproximadamente. 7.5. Ária Thou art gone up on high – Handel escreve uma versão desta ária para contralto. ele nunca chegou a usá-la. As diferenças em relação às demais são: 7.1. Ária He shall feed His flock – Aqui. 30 compassos da versão autógrafa. 7.15. ambas em 3/8.14.14. Pifa – Handel provavelmente usou a versão mais longa. 7. Ária Rejoice greatly – Handel manteve a versão autógrafa (mais curta). Handel substitui a versão autógrafa (dueto de contralto e soprano) por um solo de contralto cantado por Susana Cibber.14.7. Ária How beautiful are the feet .4. Ária Thou art gone up on high – Handel usa a versão para contralto.4. 7.15.Ele cria um solo de contralto sem o coro Break forth into joy.5.14.6.15. . Ária Rejoice greatly – Handel opta por manter a versão mais longa desta ária 7.2. 7. Ária But who may abide – Handel escreve duas novas versões para soprano.7. Recitativo Thus saith the Lord – Handel fez pequenas alterações neste recitativo e na ária seguinte suprimindo a maior parte dela de forma a torná-la um recitativo.15. 7. 7. mantendo a parte para baixo.3. Uma em G menor e outra em A menor. Recitativo Then shall the eyes – Susana Cibber canta este recitativo.15.14.15. 7.14.3.6.15. Ária He was despised – Handel escreveu uma versão dessa ária para soprano. Coro Their sound is gone out – Handel cria um coro no lugar do dueto de contraltos. 7. 7. 7. Dublin – Representa a partitura que Handel utilizou na apresentação em Dublin.1.

maior que os 25 instrumentistas normalmente usados. das indicações de con ripieno e senza ripieno. Estas anotações revelam o emprego de um grupo de cordas relativamente grande. Ária If God be for us – Originalmente. sobretudo para a temporada de 1750. Contudo.11. não há indicações que Handel tenha aumentado o número de outros instrumentistas de sopros.15. Na versão de 1745 aparece pela primeira vez. Na versão de 1749. 7. 7. Para estas apresentações Handel fez as mais significativas alterações.15. nesta primeira apresentação acatando a sugestão da solista Susana Cibber (a contralto para quem Handel escreveu a ária He was despised). 7. ainda. ele baixa a tonalidade de G menor para C menor.15.15. indicações de que outros solistas cantaram-na nesta nova tonalidade o que demonstra que Handel incorporara a sugestão à prática. observamos a adoção efetiva. no entanto. 7. Ária Thou art gone up on high – Handel mantém a versão para contralto.9.8. criando versões completamente novas.16.7. por parte de Handel. 7. a inclusão de oboés e fagotes.7. . seguido pelo coro Break forth into joy e omite o coro Their sound is gone out. Há. tais como.10.15. Covent Garden – Representa a partitura que Handel utilizou nas apresentações naquele teatro entre os anos de 1743 a 1750. esta ária recebeu outras modificações. Mais do que apenas uma mudança de tonalidade. detalhes na cadência nas partes do violino. Ária How beautiful are the feet – Handel opta pela versão com dueto de contraltos em ¾. Ária Why do the nations – Handel usa a versão mais curta desta ária. Handel escreveu esta ária para soprano. Coro Their sound is gone out – Handel omite este coro na apresentação em Dublin.

5. a qual chama de Arioso.16.16. Ária Thou art gone up on high – Handel compõe uma versão em D menor para soprano e a utiliza nas apresentações de 1743.16. Para a de 1749 ele mantém a versão para soprano e para a de 1750 ele usa o solo de contralto sem o coro Break forth into joy.1.16. Handel mantém a versão autógrafa. Ária But who may abide – Na apresentação de 1743 e 1745. Para as temporadas de 1749 e 1750. Ária How beautiful are the feet – Para a temporada de 1743 e 1745. 1745 e 1749.7.3. ele compõe uma versão feita especialmente para o castrato contralto Gaetano Guadagni. Em 1750 ele retoma a versão que utilizou em Dublin (para contralto). 7.16. sendo que o tenor cantou este acompanhado e o arioso Behold. 7. 7. Handel reescreve esta parte. Ária He shall feed His flock – Na apresentação de 1743 e 1750. 7. ele mantém a versão autógrafa. 7.4. 7. Recitativo Acompanhado Thy rebuke hath broken His heart – Handel compôs este recitativo e a seqüência seguinte para tenor. Handel mantém a versão utilizada em Dublin. the Angel of the Lord – Para as temporadas de 1743 e 1745. mas em 1743 Handel divide entre um tenor e uma soprano.6. and see if there be any sorrow e o soprano o acompanhado He was cut off out of the land e a ária But thou didst not leave his soul. Recitativo And lo. Ária Rejoice greatly – Handel mantém nas apresentações de 1743 e 1745 a versão mais curta e em 1749 e 1750 ele opta pela versão maior. Handel mantém a versão para contralto utilizada em Dublin. Já nas de 1745 e 1749 ele mantém a autógrafa. Para a apresentação de 1749 ele retoma a versão de Dublin (1742) e para a de 1750. .16.2.7.16.

7.16.8. Ária Their sound is gone out – Handel cria uma versão para tenor que ele utiliza em 1743, 1745 e 1750. Em 1749 ele utiliza a versão para coro; 7.16.9. Ária Why do the nations – Handel mantém a versão autógrafa para as quatro apresentações (a versão completa); 7.16.10. Recitativo He that dwelleth in heaven – Em 1743, Handel cria uma versão mais curta desse recitativo e a inclui junto a ária Thou shalt break them transformando estas duas partes em uma. Para os outros anos ele mantém a forma original. 7.16.11. Ária If God be for us – Handel mantém a versão para contralto nas primeiras apresentações em Londres. Nas apresentações de 1745, este solo é apresentado na versão original (para soprano) e Handel convida, pela primeira vez, um menino para cantá-lo. 7.17. A Versão de Mozart – Provavelmente, uma das versões mais conhecidas do oratório Messias é a de W. A. Mozart. Já dissemos que o Messias é, sem margem de dúvida, o mais famoso trabalho de Handel e isso contribuiu para o surgimento de novas versões do oratório. Nas apresentações que foram feitas após a morte de Handel, a diferença era o acréscimo de instrumentos e o aumento substancial no tamanho do coro, mas nessa versão de Mozart encontramos outras diferenças. Mozart promoveu uma das maiores revisões do oratório. A pedido de Baron van Swieten, em 1788, Mozart fez arranjos de vários oratórios de Handel, entre eles o próprio Messias. Esses arranjos eram destinados a uma série de concertos fechados, apresentados nas casas de membros da corte Vienense. Há dois motivos principais que levaram Mozart a promover as alterações que fez:

7.17.1. Primeiro, o estilo orquestral incluindo o tamanho das frases, era tido como arcaico para a época de Mozart, ainda que houvesse menos de cinqüenta (50) anos após a composição; 7.17.2. Segundo, Mozart adicionou novas partes de sopros, completando ou mudando completamente o original, para substituir a parte do órgão que funcionava como contínuo e não estava disponível na maioria das casas onde o arranjo seria apresentado. Também, diferentemente de Handel que escreveu o oratório para apresentações públicas, a versão de Mozart era para ser tocada para uma audiência calma e exclusiva. Esses concertos aconteceram na primavera de 1789, em Viena, uma época mais próxima da páscoa do que do natal. O grupo utilizado por Mozart compreendia, aproximadamente, trinta (30) homens e meninos, um número maior do que Handel costumava usar em suas apresentações. Nesta versão, Mozart retirou dois movimentos da segunda parte, Let all the angels of God e Thou art gone up high. Ele fez ainda, alguns ajustes em The trumpet shall sound. De uma maneira geral, a parte coral foi preservada como era originalmente. A diferença maior, o acréscimo dos instrumentos de sopro, permitiu que a ausência do órgão fosse minimizada. Dessa forma, as cadências foram reforçadas para eliminar a linearidade da música, além de proporcionar uma maior combinação das vozes com a harmonia que é uma característica do estilo clássico. Fica claro aqui, que havia um conjunto de objetivos específicos nestas apresentações, mas não podemos deixar de mencionar que mudanças como as que Mozart e outros promoveram na instrumentação, estavam longe dos ideais de Handel, bem como, acabaram por desfigurar a peça. A contemporaneidade é importante, mas os direitos do compositor sobre a peça não podem ser descartados. Mexer na orquestração de uma peça

como o Messias é um erro equivalente ao de se acrescentar piano ou órgão a uma peça coral de Palestrina ou de Hassler. Ela rouba, entre outras coisas, o efeito original que o compositor pretendia e foge à interpretação estilística.

il Penseroso. Este grupo inclui os seguintes trabalhos: O Banquete de Alexandre (1736). ed il Moderato (1740). Seu estilo é comparado aos das óperas da corte Vienense. Alexandre Balus (1748). Susanna (1749) que pertence a um tipo italiano de oratório erótico (sic). Ópera Coral – A proximidade com a ópera é maior neste grupo do que nos outros dois. Oratório Ocasional (1746) e O Triunfo do Tempo e da Verdade (1756) o último oratório de Handel. o maior de todos. pp. Hércules (1745) considerado pelo próprio Handel também como um drama coral.2.1. porque seus assuntos principais e forma podem ser chamados de ópera Inglesa. As Cantatas Corais começam com sujeitos alegóricos sem ação dramática. isto porque os oratórios compartilham com a ópera características externas tais como a divisão em três atos e os convencionais tipos de árias. 335) 8. Cantata Coral – Forma o segundo grupo de oratórios e continua na linha das odes inglesas. Music in Baroque Era from Monteverdi to Bach. (Manfred F. a classificação normalmente aceita para os oratórios de Handel. e Teodora (1750) o oratório favorito de Handel e completo fracasso de bilheteria. A Classificação dos Oratórios de Handel Acreditamos que seja oportuno apresentar aqui. mas com incidência da mitologia antiga. São eles: Sêmele (1743). Eles estão divididos em três grupos.8. vale à pena reforçar que classificar os oratórios. Bukofzer. . 8. pois o assunto está relacionado a uma tragédia pessoal de inveja. José e Seus Irmãos (1744). não é uma tarefa rápida e fácil como pode parecer. contudo. Ode ao Dia de Santa Cecília (1739) – Santa Cecília era a padroeira dos músicos – L’Allegro. e compreende oratórios com temas seculares e não bíblicos.

Belsazar (1745). o perigo de produzir apenas uma série de quadros sem relato e sem continuidade dramática (Manfred F. os atos corais são protagonistas idealizados de ações interiores. do que pela ópera. Music in Baroque Era from Monteverdi to Bach. suprindo a sua necessidade de grandes personagens e cenários fantásticos. A conduta de Handel. o Antigo Testamento foi uma fonte de recursos ideal para Handel.8. O ideal barroco de reviver a tragédia grega tem se aproximado mais através dos dramas corais. Bukofzer. O herói do drama é um indivíduo que é apresentado como narrador de seu povo. Israel no Egito (ambos de 1739). 336). apesar de que esta última deve sua origem a este ideal. Nestes oratórios monumentais. tanto que o assunto material e o estilo musical estão em perfeita harmonia. Handel conseguiu equilibrar mais satisfatoriamente o número de coros evitando assim. tragédia e triunfo estão estrategicamente interligados. seu estilo impulsivo e empreendedor são particularmente adequados para esses dramas corais massivos. Judas Macabeus (1746) o segundo mais festejado oratório de Handel. formando ele uma classificação em si mesmo. Atália (ambos de 1733). Dentre os numerosos dramas corais encontramos os abaixo: Débora. Nestes trabalhos Handel trouxe à tona o que o levou a revisar Ester (1732). Saul. nas quais. Drama Coral – A maioria dos oratórios pertence a este grupo. não se encaixa em nenhuma das classificações acima. pp. Sansão (1743). Josué (1748). O coro em Israel no Egito realmente quase sempre usurpa todas as funções até então reservadas aos solistas: são vinte coros contra apenas sete árias e duetos e quatro recitativos. Nos outros dramas corais. . Neste aspecto. O oratório Messias. a importância musical do coro superou a de Ester em número de solos. É significante observar que em um oratório como em Débora. e Jefté (1751).3.

Inc. Cena 2 – A Celebração pela Vitória sobre a Morte – Recitativo 49 até o Coro 51. Cena 3 – O Julgamento Final pelo Cordeiro – Ária 52 e Coro 53. Esta paráfrase nos coloca em contato com a idéia que fazia parte dos oratórios de Handel: a dramatização. Uma Paráfrase Moderna do Texto do Messias Leonard Van Camp em seu A Pratical Guide for Performing. Cena 5 – As Nações se Rebelam contra o Evangelho de Deus – Ária 40 até o Coro 44. Parte a Primeira: A Profecia e Promessa do Redentor8 Cena 1 – A Confortante Promessa de Deus – Recitativo Acompanhado 2 até o Coro 4. sugere uma paráfrase do texto da qual transcrevemos parte a seguir. Parte a Segunda: O Cordeiro Sofredor que Redime Cena 1 – O Cordeiro Sacrificial Sara seu Rebanho Desobediente – Coro 22 até o Coro 26. 1989.. Cena 1 – A Expectativa da Nossa Própria Redenção – Coro 46 até a Ária 48. o ideal barroco de reviver a tragédia grega se aplica a toda obra do compositor. Cena 3 – A Ressurreição e Ascensão de Cristo – Ária 32 até a Ária 36. 8 A numeração dos coros e recitativos apresentada aqui. Parte a Terceira: Gratidão pela Derrota da Morte Prólogo – O Redentor Vive – Ária 45. Cena 6 – O Ministério Terreno de Cristo. o Rei-Pastor – Ária 18 até o Coro 21. publicada pela Dover Publications. Teaching and Singing Messiah. Alfred Mann. Cena 3 – A Glória de Deus virá através de uma Virgem – Recitativo 8 e Ária 9. . Cena 5 – A História do Nascimento – Pifa até o Coro 17. Cena 4 – Propagando o Evangelho – Coro 37 até o Coro 39.9. Cena 2 – A Purificação pelo Messias é Profetizada – Recitativo Acompanhado 5 até o Coro 7. contudo. Dissemos anteriormente que o Messias não se encaixa em nenhuma das classificações dos oratórios. Cena 2 – O Messias Abandonado sofre Escárnio – Recitativo Acompanhado 27 até o 31. Cena 4 – Das Trevas vem a Luz do Mundo – Recitativo Acompanhado 10 até o Coro 12. está baseada na edição do Messias do Dr.

o Oratório Messias tem por trás de si muito mais que meras notas. Ambos ainda não foram quebrados. Não é por acaso que Handel ao lado de Bach. se confunde com a própria história da música barroca. Mas isso são apenas números quando comparado ao resultado final obtido por esta magnífica obra: a mensagem de um Deus amoroso que se revelou de forma humilde para restabelecer uma nova aliança com o homem. Este mesmo Deus voltará de forma triunfante para reinar com aqueles que O aceitaram. assim como a vida de seu compositor. o outro grande problema da humanidade que era a morte. o maior legado que Handel nos deixou. se constitui numa obra singular dentro do vasto repertório de música coral de todos os tempos. ao contrário. resolvendo desta forma. é um dos principais nomes da música deste período. O Messias detém dois recordes: o de ter sido composto no menor espaço de tempo e o de obra coral mais executada em toda a história da música. Este é. sendo difícil determinar quando uma começa e quando a outra termina. . A história deste oratório e as circunstâncias que envolveram a sua composição nos revelam informações suficientes para que possamos ouvir o que está por trás da partitura e entender o que não é explicado de forma clara na obra. com certeza. Como podemos ver pela dissertação acima.Conclusão A composição do Oratório Messias.

Messiah: The Gospel According to Handel’s Oratorio. North Carolina: Hinshaw Music. Leonard Van. Lisboa: Gradiva. Alfred. Bach’s Magnificat. 1993. MOSES. Bach and Handel: Choral Performance Practice. 3 Vols. The History of Orchestration.BIBLIOGRAFIA ARISTÓTELES. New York: Thames and Hudson. Johann Mattheson’s Der vollkommene Capellmeister. Clifford. Adam. 1996. New York: Dover. HOGWOOD. DEAN. Messiah in Full Score. BASELT. Oxford: Oxford University Press. Donald J. MANN. George Frideric Handel. Music in the Baroque Era. Bernd. 1980. CAMP.. Manfred F. BUKOFZER.. Christopher. 1947. Inc. 1998. pp. Prestige Publications. New York: Dover Publications. 1997. . Retórica das Paixões. 1981. LANG. E. 2000. BARTLETT. Face to Face with an Orchestra. PALISCA. 1987. Norton. Michigan: William B. _____________. New York: Dover Publications.U. 1994. __________________.. Cambridge: Cambridge University Press. Messiah: Vocal Score. New York: Dover. 1991. UMI Research Press. Rio de Janeiro: ZAHAR. Donald. A Handbook for Choral Conductors Performing Handel’s Messiah.83-140. A Revised Translations with Critical Commentary. Wynton. O Discurso dos Sons. Vivaldi’s Gloria and other works. Eerdmans. Handel. 1995. A Practical Guide for Performing. Teaching and Singing Messiah. Inc. Oxford: Oxford University Press. HWV – Verzeichnis der Werke Georg Friedrich Händel. HARRISS. vol. 1991.W. 1989. História da Música Ocidental. 1993.: Roger Dean. The Great Composer as Teacher and Student: Theory and Practice of Composition. GROUT. CARSE. 1996. 1978-86. BURROWS. Livraria Martins Fontes Editora Ltda. Don. Nikolaus. 1998. Paul Henry. Michigan. Handel: Messiah. London: Macmillan Publishers Limited.. HARNONCOURT. Kassel: Bärenreiter Verlag. Claude V. Inc. Ernest C. The New Grove Dictionary of Music and Musicians. New Jersey.A. _____________. BULLARD. 8. Roger A. Messiah: Full Score. New York: W. 1925.

TOBIN. Curtis. Novello Handel Edition. Bärenreiter Kassel. C. 1958. Messiah: Full Score. Novello. E. Texas: Pst. Messiah: Vocal Score... Watkins. Handel’s Messiah: The Story Behind The Greatest Music Ever Sung. WOOD. Claude V. 1958. SHAW.U. 1968. ______________.PALISCA. New Jersey: Prentice-Hall. Novello Handel Edition. International Phonetic Alphabet for Singers – A manual for English and foreign language diction.. Novello. WALL. Der Messias – Oratorium in Drei Teilen.: Panthea Media. 1989. John.A. Baroque Music. Inc. . John. Full Score. 1977. 1998.

Far-se-á bem em animá-la um pouco mediante um movimento um tanto alegre.Parece representar de um modo tênue e moderado uma angústia mortal. Acima de tudo. 4. e tudo isto de um modo tão natural e com tal incomparável facilidade. Sem dúvida. 6. usá-la em casos de ternura. Dó Maior . mas fluente. podendo também. ninguém negará que esta tonalidade dura também pode dar motivo muito gracioso e estranho. ou seja: generosidade. Apesar disto. 2. porém. unida a certa desesperação e é extremadamente comovedora.. muito apropriada para coisas alegres. e ao mesmo tempo algo de grandioso.É capaz de expressar os mais harmoniosos sentimentos do mundo. uma vez que a primeira qualidade prevalece muito. 8. tem haver com assuntos sérios e lamentosos. belicosas e estimulantes. poderá convertê-la em algo encantador.Expressa em forma insuperável uma tristeza desesperada e até mesmo. Tudo isto.Tem muito de patético. profunda e pesada. Pode-se compor algo rápido nela. Mi Menor . porém. mortal. 3. o caráter e a sutileza desta tonalidade não se descreverá melhor do que a comparando com uma pessoa gentil. quando se trata de uma peça destinada a promover o sono. constância. aquele nem assim será alegre. Mi Bemol Maior . Extraídas do livro “A Orquestra Recém Inaugurada” de J. porém. É a mais apropriada para temas de amor sem esperança nem consolo. atribulado e penetrante que só pode ser comparada com uma fatal separação de corpo e alma. Mattheson 1. que não se necessita nenhum esforço para percebê-la.. porém. Dó Menor .Apêndice 1 “Sobre as 17 Tonalidades” e seus significados na música Barroca. Fá Maior . perceberá que esta contém algo de devoto.Tem uma qualidade bastante rude e insolente. Ré Maior . bonne grâce. Através dela é possível promover o reconhecimento em obras religiosas e a tranqüilidade de espírito em peça profana.É uma tonalidade sumamente amável. Ré Menor . e uma pessoa se cansa facilmente do “dolce”. aflita e triste. pode esta ainda oferecer algum consolo. porém ao mesmo tempo triste. sobre tudo quando escolhe bem os instrumentos acompanhantes.Quando uma pessoa examina-a bem. uma pessoa cairá facilmente sonolento pela sua suavidade. podemos omitir esta referência e alcançar este fim de uma maneira mais natural.. Expressa . como dizem os franceses. Mi Maior .Dificilmente pode-se lhe atribuir algo alegre. não impede que não se possa ter êxito ao se compor nesta tonalidade algo prazeroso. Inimigo acirrado de toda sensualidade. agradável e conformado. e em certas circunstâncias. Ainda que muito pensativa. 9. 7. Porém. não será inadequada para regozijos (Rejouissances) e de onde se dê curso livre a alegria. Fá Menor . um compositor hábil. tranqüilo. 5.É por natureza algo incisiva e obstinada. tem algo de tão destruidor. amor e tudo mais que se refira às virtudes. se não. não de modo jocoso.

G. retirando-se à partir de 1728. 15. também iniciando ao sono. sendo inclinada a paixões lamentosas e tristes. uma obra de dois volumes. Sobre a questão do temperamento. 12. o primeiro centro musical da Alemanha. leva consigo uma extraordinária delicadeza e serenidade. algo lamentosa.Si Maior . causando no ouvinte. como também. tanto para assuntos sérios como alegres. dura e até desagradável.Emociona muito.Sol Maior .Fá Sustenido Menor . .Lá Menor . honrosa. com relações diplomáticas. como para uma alegria comedida. assim como também brilha. Ainda mais. presta-se igualmente para queixas moderadas. Ademais. Crítica Musical. Especialmente apropriada para o cravo e instrumentos em geral. professor. Nota: J. concordando particularmente com aquelas de J. Foi cravista. de nenhum modo desagradável. Foi diretor de música da Catedral de Hamburgo (1718-1725). passa a escrever seus tratados teóricos. conservando algo de bom grado e modéstia. Começa a sofrer de surdez progressiva.Ainda que incite a uma grande aflição. teórico e crítico musical. cantor de ópera. Em geral se presta muito bem no violino.Lá Maior . razão pela qual é utilizada poucas vezes. esta é muito mais lânguida e enamorada do que mortal. 13. 10.De caráter raro (esquisito). aposentado e completamente surdo. nasceu e morreu em Hamburgo. é bastante brilhante e apta. 16. Neidhardt (1685-1739). Em suma. tornando-a flexível e apropriada para lamentos ternos e reconfortantes.Parece ter uma qualidade antipática. 14. esta tonalidade tem algo de abandono e particular.Sol Menor . tanto ansiosos como prazerosos.Si Bemol Maior . regente. 11. Mattheson não escreveu nenhuma obra sobre temperamento.Contém muito de insinuante e eloqüente. Em 1735. sendo ao mesmo tempo desesperada.É muito entretida e magnífica. 17.Si Menor . trabalhando inclusive.belamente uma negra e desamparada melancolia. casou-se com a filha de um ministro inglês. do que a divertimentos. desenganado e melancólico. reunia 24 números da revista com o mesmo nome que apareceu entre os anos de 1722 e 1725. contudo. Mattheson (1681-1764).É talvez a mais bonita tonalidade porque não somente combina a seriedade própria da anterior com uma graça jovial. Mattheson parece não ter tido idéias muito pessoais. uma sensação de espanto ou de estremecimento. organista. Em 1709. em alguns momentos. porém. compositor. podendo passar tanto por magnífica como por graciosa.É por natureza.

Apêndice 2 Capítulo 15 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios Versão Autorizada King James .

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Apêndice 3 .

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Watkins Shaw.Edição do Dr. .

Capa de abertura da partitura autógrafa do Oratório Messias.Anexo 01 1. .

sobre a primeira apresentação do Messias naquele país. Na mão de Handel encontra-se a partitura da Ária I know that my Redeemer . B – O monumento de Handel na Abadia de Westminster. erigido em 1761 por Roubiliac.Anexo 02 Fig. Note-se a ausência do nome do oratório que não foi usado Fig. A – Anúncio publicado pelo Daily Advertiser (Londres) em 19 de março de 1743.

Anexo 03 .

D – O início de I know that my Redeemer liveth. do Messias. .Anexo 04 Fig. na partitura autógrafa de Handel.

M. Pintura em água assinada por “L.Anexo 05 Fig. E – A casa de Handel em Londres à rua Brook.” .

F – Nota de despesas da apresentação do oratório no Foundling Hospital em 03 de Maio de 1759. .Anexo 06 Fig.