UNIVERSIDADE PARANAENSE – UNIPAR MESTRADO EM BIOTECNOLOGIA APLICADA À AGRICULTURA DISCIPLINA DE GENÉTICA GERAL E DE POPULAÇÕES MESTRANDOS: DOUGLAS ANTONIO DIAS

E TIAGO VIDIGAL PROFESSORA: CLAUDICÉIA RISSO PASCOTTO

VIAS DE REPARO DO DNA

A integridade do DNA está sob constante ameaça de radiação, mutágenos químicos e mudanças que surgem espontaneamente. A despeito do ataque de agentes danosos, a taxa de mutação permanece baixa, graças à eficiência com a qual o DNA é reparado. Menos de uma em um milhão de seções do DNA é estimada como se tornando uma mutação; todas as outras são corrigidas. Existe um número complexo de vias para o reparo do DNA, mas várias afirmativas gerais podem ser feitas sobre o reparo do DNA. Primeira, a maioria dos mecanismos de reparo do DNA requerem dois filamentos de nucleotídeos do DNA, porque a maioria substitui nucleotídeos inteiros, e um filamento molde é necessário para especificar a sequência de bases. Uma segunda característica geral do reparo do DNA é a redundância: muitos tipos de danos ao DNA podem ser corrigidos por mais de uma via de reparo. A redundância comprova a extrema importância do reparo do DNA para a sobrevida da célula:garante que quase todos os erros sejam corrigidos. Se um erro escapa de um sistema de reparo, ele provavelmente será reparado pelo outro sistema. Consideraremos quatro mecanismos gerais de reparo do DNA: reparo de pareamento errado, reparo direto, reparo por excisão de bases e reparo por excisão de nucleotídeos.

os nucleotídeos adenina na sequência GATC são metilados. As bases de pareamento errado distorcem a estrutura tridimensional do DNA. Repetições de trinucleotídeos podem formar estruturas secundárias no filamento não pareado. O complexo de reparo de pareamento errado coloca uma sequência não metilada GATC em íntima proximidade a bases de pareamento errado. Algumas dessas correções são feitas na revisão pelas DNA polimerases. Entretanto. apenas a parte contendo o erro é removida. assim. Após reconhecer o erro de incorporação. as bases de pareamento errado são incorporadas ao novo DNA com uma frequência de 10-4 a 10-5. Ele corta o filamento não metilado no sítio GATC. no processo de replicação. As proteínas que fazem o reparo de pareamento errado em E. as quais escapam da detecção pelo sistema de reparo de pareamento errado. usando o filamento original de DNA como molde. as enzimas de reparo de pareamento errado eliminam o trecho distorcido do filamento recém-sintetizado e preenchem o espaço com novos nucleotídeos. a maioria dos erros que surgem inicialmente são corrigidos e nunca se tornam mutações permanentes. como as causadas por deslizamento de filamento na replicação. imediatamente após a replicação. O processo de metilação é retardado. O sistema de reparo de pareamento errado também corrige pequenas alças não pareadas no DNA. . logo. e. assim. coli diferenciam entre os filamentos velho e o novo pela presença de grupos metila em sequências especiais do filamento velho. estas modificações são reconhecidas pelas enzima de reparo de pareamento errado. o filamento velho é metilado e o filamento novo não. Muitos nucleotídeos inseridos incorretamente que escapam da detecção pela revisão são corrigidos pelo reparo de pareamento errado.REPARO DE PAREAMENTO ERRADO A replicação é extremamente precisa: cada cópia nova do DNA tem menos de um erro por bilhão de nucleotídeos. O sistema de reparo de pareamento errado distingue os filamento novo e antigo do DNA. Após a replicação.

mas os devolve a suas estruturas corretas. restaurando a base guanina. coli mas não se sabe como os filamentos antigo e novo são reconhecidos nas células eucarióticas. Um dos sistemas de reparo mais bem compreendidos de reparo direto é a fotorreativação de dímeros induzidos por UV. O reparo de pareamento errado nas células eucarióticas é similar ao de E. capaz de utilizar a energia captada da luz para quebrar ligações covalentes que unem as pirimidinas em um dímero.metil.guanina.metil. REPARO DIRETO O reparo direto não substitui os nucleotídeos alterados. A DNA polimerase e a DNA ligase preenchem o espaço no filamento não metilado com nucleotídeos corretamente pareados. um produto alquilante que faz par com adenina. como leveduras e moscasdas-frutas. Em alguns eucariontes. O reparo direto também corrige O6. Uma enzima chamada de O6 – metilguanosina DNA metil transferase remove o grupo metila de O6. . Tanto E. e ainda assim ocorre o reparo de pareamento errado. não há metilação detectável do DNA. produzindo transversões G.e degrada o filamento entre o corte e as bases de pareamento errado.guanina.*C T*A. coli quanto algumas células eucarióticas possuem uma enzima. chamada fotoliase.

3 – metiladenina. A excisão de bases modificadas é catalisada por um conjunto de enzimas chamadas de DNA glicosilases. Estas mutações podem ser corrigidas pela habilidade de revisão das endonucleases AP: quando a DNA polimerase β insere um nucleotídeo com a base errada no DNA. a fidelidade da remoção de bases é mantida. A uracil glicosilase. reconhece e remove uracil produzida pela desaminação de citosina. substituindo um trecho de nucleotídeos do filamento danificado. mas os eucariontes usam a DNA polimerase β. que não tem capacidade de revisão e tende a cometer erros. A DNA polimerase β usa sua atividade de polimerase para introduzir o nucleotídeo ausente.000 modificações de bases por dia são reparadas por excisão de base. cada uma das quais reconhece e remove uma base modificada e específica por clivagem da ligação que une essa base com o carbono 1’ do açúcar desoxirribose. porque os grupos 3’-OH e 5’-P e nucleotídeos adjacentes não estão na orientação correta e a ligase não pode ligá-los. Cerca de 20. a DNA ligase não pode fechar o corte na ligação fosfodiéster. por exemplo. Outra glicosilasse reconhece hipoxantina. uma enzima chamada AP (apurínica ou apirimidínica) corta a ligação fosfodiéster e outras enzimas removem o açúcar desoxirribose. Nesse caso a endonuclease I AP detecta o paremanento errado e usa sua atividade de endonuclease 3’ 5’ para excisar a base incorretamente pareada. uma base modificada é primeiro removida. e assim a DNA polimerase β pode introduzir 10 mutações por dia no genoma humano. e então o nucleotídeo inteiro é substituído. e a sequência original intacta é restaurada. Deste modo.REPARO POR EXCISÃO DE BASES No reparo por excisão de bases. 7 metilguanina e outras bases modificadas.000 a 40. As bactérias usam a DNA polimerase I para substituir nucleotídeos excisados. . A DNA polimerase então adiciona novos nucleotídeos ao núcleo 3” – OH exposto. Em média a DNA polimerase β comete um erro a cada 4000 nucleotídeos inseridos. Após a base ter sido removida. O corte na ligação fosfodiéster é fechado pela DNA ligase.

frequentemente quebra ambas as fitas do DNA. em humanos um grande número de genes toma parte. Outro tipo de dano que afeta ambos os filamentos é uma ligação cruzada interfilamentar. Quando é detectada uma distorção.REPARO POR EXCISÃO DE NUCLEOTÍDEOS No reparo por excisão de nucleotídeos são removidas lesões volumosas de DNA (como dímeros de pirimidina) que distorcem a dupla – hélice. O processo de excisão de nucleotídeos é complexo. Em seguida. que surge quando os dois filamentos de um dúplice são conectados por ligações covalentes. Primeiro. Parte do filamento danificado é removida e o espaço é preenchido pela DNA polimerase e ligado pela DNA ligase. psoralen e nitrogênio . portanto. o a ligação fosfodiéster do filamento danificado é clivado em ambos os lados do dano. As ligações cruzadas interfilamentares são extremamente tóxicas param a replicação. O reparo de quebras bifilamentares é geralmente por recombinação homóloga. procurando distorções de sua configuração tridimensional. Várias drogas comumente usadas em quimioterapia. de bactérias a humanos e está entre os mais importantes de todos os mecanismos de reparo. incluindo a cisplatina. criam um desafio mais grave à maquinaria de reparo de DNA. afetam ambos os filamentos da molécula e. enzimas adicionais separam os dois filamentos de nucleotídeos na região danificada. A radiação ionizante. um complexo de enzimas escaneiam o DNA. O reparo de nucleotídeos é bem versátil e pode reparar muitos tipos diferentes de danos ao DNA. e as proteínas de ligação unifilamentar estabilizam os filamentos separados. mitomicina C. OUTROS TIPOS DE REPARO DE DNA Alguns tipos de danos ao DNA. Ele é encontrado em células de todos os organismos.

reparadas pelas vias que reparam as quebras A VIA BÁSICA DE REPARO DO DNA A maioria dos métodos de reparo do DNA depende da presença de dois filamentos. alguns não danificados. foi o primeiro agente químico a ser usado em quimioterapia. Pouco se sabe sobre como as ligações cruzadas interfilamentares são reparadas. que se relaciona estruturalmente ao gás mostarda usado por Charlotte Auerbach para induzir mutações em Drosophila. 2. Excisão: as endonucleases de reparo do DNA cortam o arcabouço de fosfodiéster em um ou em ambos os lados do DNA danificado. mas não são substituídos por mecanismos de reparo direto. e um ou mais nucleotídeos são removidos. Um modelo propõe que as quebras bifilamentares são feitas em cada lado da ligação cruzada e são subsequentemente bifilamentares. frequentemente. reparo por excisão de bases e reparo por excisão de nucleotídeos. 3. O nitrogênio mostarda. Os mecanismos de reparo que incluem a remoção de nucleotídeos usam uma via comum de quatro etapas: 1. Ligação: a DNA ligase fecha os cortes no arcabouço açúcar-fosfato.mostarda. é feito um único corte a ligação fosfodiéster no lado do dano: no reparo por excisão . causam ligações cruzadas interfilamentares. 4. Na excisão de bases e reparo de pareamento errado. Polimerização: a DNA polimerase adiciona nucleotídeos ao grupo 3’- OH exposto usando o outro filamento como molde e substituindo os nucleotídeos danificados (e. Detecção: o trecho danificado do DNA é reconhecido. porque os nucleotídeos são substituídos no reparo de pareamento errado.

como um aumento variando de 1000 a 2000 vezes o encontrado nas pessoas não afetadas. porque os defeitos no reparo do DNA levam a aumentos de taxas de mutação. no reparo por excisão de nucleotídeos. DOENÇAS GENÉTICAS E REPARO POR DNA DANIFICADO Várias doenças humanas são ligadas a defeitos no reparo do DNA. A luz do sol inclui um forte componente UV. No reparo por excisão de bases. os nucleotídeos são deslocados pelas enzimas helicase. Todos os três mecanismos usam a DNA polimerase e ligase para preencher o espaço produzido pela excisão e remoção dos nucleotídeos danificados.de nucleotídeos. Embora as células humanas não tenham fotoliase (que repara dímeros de pirimidina nas bactérias) a maioria dos dímeros de pirimidina em humanos pode ser corrigida pelo reparo de excisão de nucleotídeos. Essas doenças geralmente estão associadas a altas incidências de cânceres específicos. os nucleotídeos antigos são degradados. a DNA polimerase desloca os nucleotídeos antigos à medida que adiciona novos nucleotídeos à ponta 3’ do corte. são feitos cortes em ambos os lados da lesão do DNA. Entretanto. As pessoas com essa doença também tem uma fonte predisposição ao câncer de pele. logo. e. Entre as doenças mais bem estudadas no reparo do DNA humano está o xeroderma pigmentoso. a exposição à luz do sol produz dímeros de pirimidina no DNA das células da pele. rara condição autossômica recessiva que inclui pigmentação anormal da pele e sensibilidade aguda à luz do sol. e . no reparo de pareamento errado. as células da maioria das pessoas com xeroderma pigmentoso são defectivas no reparo por excisão de nucleotídeos.

Algumas pessoas tem uma forma levemente diferente da doença (variante de xeroderma pigmentoso) devido a mutações no gene codificante da polimerase  a DNA polimerase que ultrapassa os . REFERÊNCIAS . Outra doença genética causada por reparo defeituoso de DNA é uma forma hereditária de câncer de cólon chamada de câncer de cólon não polipose hereditária (HNPCC). Essas outras funções podem levar aos sintomas desenvolvimentais vistos na síndrome de Cockayne e na tricotiodistrofia. As pessoas que têm uma dessas doenças não apresentam aumento do risco de câncer. Ambas as doenças resultam de mutações em alguns dos mesmos genes que causam xeroderma pigmentoso. contribuindo com cerca de 15% dos cânceres de cólon. dímeros de pirimidina inserindo AA. ainda. Os achados de pesquisas indicam que o HNPCC surge de mutações nas proteínas que fazem o reparo de pareamento errado. Esse é um dos cânceres hereditários mais comuns. Algumas pessoas com xeroderma pigmentoso tem mutações em um gene que codifica a proteína que reconhece e se liga ao DNA danificado. Vários genes que tomam parte no reparo por excisão de nucleotídeos produzem proteínas que também tem papel na recombinação e na iniciação da transcrição. O xeroderma pigmentoso pode resultar de defeitos em vários genes diferentes. levando ao câncer.muitos de seus dímeros de pirimidina não são corrigidos. Duas outras doenças genéticas devidas a defeitos no reparo por excisão de nucleotídeos são a síndrome de Cockayne e a tricotiodistrofia (também conhecida como síndrome dos cabeços quebradiços). tem defeitos nos genes que tem um papel em cortar o filamento danificado nos lados 5’ ou 3’ do dímero de pirimidina. Outras. outras têm mutações em um gene que codifica helicase. mas sim múltiplos problemas de desenvolvimento e neurológicos.

. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 774 p. 2011.PIERCE. Benjamin A. Genética: um enfoque conceitual.

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