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CAPÍTULO V

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http://patologiaestrutura.vilabol.uol.com.br/processos.htm 5 – PROCESSOS FÍSICOS DE DETERIORAÇÃO COM ÊNFASE A

5 – PROCESSOS FÍSICOS DE DETERIORAÇÃO COM ÊNFASE A EXECUÇÃO

5.1 – FISSURAÇÃO

Para SOUZA e RIPPER:

"as fissuras podem ser consideradas como a manifestação patológica característica das estruturas de concreto, sendo mesmo o dano de ocorrência mais comum e aquele que, a par das deformações muito acentuadas, mais chama a atenção dos leigos, proprietários e usuários aí incluídos, para o fato de que algo de anormal está a acontecer". (op. cit., p. 57)

Na época do ano em que a temperatura ambiente mantém-se elevada, é freqüente o aparecimento de fissuras ou trincas no concreto.

As práticas modernas de construção, com exigências de altas resistências iniciais, desfôrma em pequenas idades, concretos bombeados e outras, tornaram a trinca ou fissura um assunto mais comum do que era há algum tempo.

Não há duvida de que ocorriam menos trincas na época em que se usavam concretos com menores consumos de cimento, abatimentos menores e empregava-se mais tempo no adensamento e acabamento durante uma concretagem.

É certo que seja quase impossível executar um concreto totalmente livre de algum tipo de fissura, mas existem medidas para reduzir sua ocorrência ao mínimo possível.

É interessante observar que, no entanto, a caracterização da fissuração como deficiência estrutural dependerá sempre da origem, intensidade e magnitude do quadro de fissuração existente, posto que o concreto, por ser material com baixa resistência à tração, fissurará por natureza, sempre que as tensões trativas, que podem ser instaladas pelos mais diversos motivos, superarem a sua resistência última à tração.

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Portanto, ao se analisar uma estrutura de concreto que esteja fissurada, os primeiros passos a serem dados consistem na elaboração do mapeamento das fissuras e em sua classificação, que vem a ser a definição da atividade ou não das mesmas (uma fissura é dita ativa, ou viva, quando a causa responsável por sua geração ainda atua sobre a estrutura, sendo inativa, ou estável, sempre que sua causa se tenha feito sentir durante um certo tempo e, a partir de então, deixado de existir).

Classificadas as fissuras e de posse do mapeamento, pode-se dar início ao processo de determinação de suas causas, de forma a poder-se estabelecer as metodologias e proceder aos trabalhos de recuperação ou de reforço, como a situação o exigir. É necessário sempre muita atenção e competência, pois uma análise malfeita pode levar à aplicação de um método de recuperação ou de reforço inadequado e, caso não sejam eliminadas as causas, de nada vai adiantar tentar sanar o problema, pois, neste caso, ele ressurgirá, e até mesmo poderá vir a agravar-se.

Além do aspecto antiestético e a sensação de pouca estabilidade que apresenta uma peça fissurada, os principais perigos decorrem da corrosão da armadura e da penetração de agentes agressivos externos no concreto.

Devido a isso a NBR - 6118 (NB – 1/78), subitem 4.2.2, considera fissuração como nociva quando a abertura das fissuras na superfície do concreto ultrapassa os seguintes valores:

0,1 mm para peças não protegidas, em meio agressivo;na superfície do concreto ultrapassa os seguintes valores: 0,2 mm para peças não protegidas, em meio

0,2 mm para peças não protegidas, em meio não agressivo; e0,1 mm para peças não protegidas, em meio agressivo; 0,3 mm para peças protegidas. 5.1.1 –

0,3 mm para peças protegidas.mm para peças não protegidas, em meio não agressivo; e 5.1.1 – Fissuras do concreto no

5.1.1 – Fissuras do concreto no estado plástico

A utilização de métodos inadequados ou negligência podem afetar, durante a fase de execução da obra, a qualidade do concreto.

No estado plástico o concreto pode apresentar fissuras devidas à deficiências ou descuido na execução. O deslizamento do concreto em rampas de escadas com grande inclinação, os movimentos de uma forma mal projetada ou mal fixada, os deslocamentos de armaduras durante a compactação do concreto etc., figuram entre os motivos mais freqüentes de fissuração por falhas na execução.

As fissuras que ocorrem antes do endurecimento do concreto podem ser também do resultado de assentamentos diferenciais dentro da massa do concreto (sedimentação) ou retração da superfície causada pela rápida perda de água

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enquanto o concreto ainda está plástico. Elas podem ser devidas a combinação de endurecimento superficial com sedimentação interior. Outra causa de fissura nessa fase pode ser a movimentação das fôrmas ou do leito do concreto numa fundação.

Como exemplo deste tipo de fissuração, abordaremos alguns casos mais típicos deste sintoma.

5.1.1.1 – Retração Plástica

Quando a água se desloca para fora de um corpo poroso não totalmente rígido, verifica-se uma contração. No concreto geralmente ocorre esse tipo de deslocamento de água, desde o estado fresco até idades mais avançadas.

Logo após o adensamento e acabamento da superfície do concreto, pode-se observar o aparecimento de fissuras na sua superfície, facilmente eliminadas pela passagem da colher de pedreiro ou por revibração.

Esta retração plástica, é devida a perda rápida de água de amassamento, seja por absorção das fôrmas, ou dos agregados, seja por evaporação.

A intensidade da retração plástica é influenciada pela temperatura, pela umidade relativa ambiente e pela velocidade do vento. No entanto, a perda de água por si mesma não permite prever a retração plástica; depende muito da rigidez. Pode haver fissuração se a quantidade de água perdida por unidade de área for grande e maior do que a água que sobe à superfície por efeito da exsudação. NEVILLE, afirma que "impedindo-se completamente a evaporação depois do lançamento do concreto, elimina-se a fissuração". (op. cit. p. 424)

Deve ser lembrado que a evaporação aumenta quando a temperatura do concreto for muito mais alta do que a temperatura ambiente: em tais circunstâncias, pode ocorrer retração plástica mesmo que seja alta a umidade relativa do ar. Portanto, é melhor proteger o concreto contra o sol e contra o vento, lançar e iniciar a cura o mais cedo possível. Deve-se evitar lançar o concreto em um subleito seco.

Conforme RIPPER, E.:

"para temperaturas do ar e do concreto a 32º C, umidade relativa de 10% e velocidade do vento de 40 Km/h,

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o grau de evaporação é 50 vezes maior do que quando a temperatura do ar e do concreto for de 21º C, a umidade relativa de 70% e não haja vento. Mesmo quando são usados os mesmos materiais, proporções, métodos de mistura, manuseio, acabamento e cura as trincas podem ocorrer ou não, dependendo apenas das condições do tempo". (op. cit. p. 42)

As medidas para reduzir a evaporação da água na superfície do concreto consistem em:

a. Baixar a temperatura do concreto durante os dias quentes:

resfriando a água de amassamento;a. Baixar a temperatura do concreto durante os dias quentes: estocando os agregados à sombra; protegendo

estocando os agregados à sombra;durante os dias quentes: resfriando a água de amassamento; protegendo as fôrmas e o próprio concreto

protegendo as fôrmas e o próprio concreto do sol; ea água de amassamento; estocando os agregados à sombra; lançando o concreto durante os períodos mais

lançando o concreto durante os períodos mais frios do dia.protegendo as fôrmas e o próprio concreto do sol; e a. Reduzir a velocidade do vento

a. Reduzir a velocidade do vento na superfície do concreto:

construindo barreiras para o vento com madeira, plástico ou vegetação.a. Reduzir a velocidade do vento na superfície do concreto: a. Manter a umidade do concreto:

a. Manter a umidade do concreto:

proteger a superfície do concreto caso haja atraso entre o lançamento e o acabamento; eplástico ou vegetação. a. Manter a umidade do concreto: aspergir água sobre o concreto acabado logo

aspergir água sobre o concreto acabado logo desapareça o brilho, que indica a secagem superficial.caso haja atraso entre o lançamento e o acabamento; e Geralmente as fissuras aparecem com uma

Geralmente as fissuras aparecem com uma distribuição caprichosa e cortando-se entre si. As vezes existem regiões nas quais se apresentam concentrações de fissuras formando "teias" que podem ser oriundas da maior concentração nestas regiões de pasta de cimento, que secará mais rapidamente do que o resto da superfície.

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http://patologiaestrutura.vilabol.uol.com.br/processos.htm Fig.11 – Fissuras de retração plástica do concreto

Fig.11 – Fissuras de retração plástica do concreto (RIPPER, 1996)

As fissuras não seguem linhas determinadas, mas se ramificam ou apresentam sinuosidade, por ocorrerem quando o concreto não apresenta praticamente resistência e, que vão se adaptando ao contorno dos agregados, pois não os podem atravessar.

São fissuras mais freqüente em superfícies de pavimentos, lajes, e em todos os elementos de grande área ou volume.

O fenômeno pode ser também significativo quando a pega é retardada, como em tempo frio ou pelo uso de aditivo

retardador.

5.1.1.2 – Assentamento Plástico do Concreto

Após o lançamento do concreto, os sólidos da mistura começam a sedimentar, deslocando a água e o ar aprisionado. A água aparece na superfície (exsudação) e a sedimentação continua até o endurecimento do concreto.

A fissuração por assentamento do concreto ocorre sempre que as armaduras e os agregados impedem a livre sedimentação

do concreto, obrigando-o a separar-se, surgindo fissuras no concreto plástico.

As fissuras formadas pelo assentamento do concreto acompanham o desenvolvimento das armaduras, e provocam a criação

do chamado efeito de parede, que pode formar um vazio por baixo da barra, reduzindo a aderência desta ao concreto. Se o

agrupamento de barras for muito grande, as fissuras poderão interagir entre si, gerando situações mais graves, como a de perda total de aderência.

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CÁNOVAS, adverte que "a união de pilares a vigas corre riscos se, uma vez concretados os pilares, e não se espera algumas horas antes de concretar as vigas, para permitir que o concreto fresco dos pilares assente". (op. cit., p. 222)

concreto fresco dos pilares assente". (op. cit., p. 222) Fig. 12 – Fissuras de assentamento plástico

Fig. 12 – Fissuras de assentamento plástico (HELENE, 1992)

E importante também considerar que, em termos de durabilidade, fissuras como estas, que acompanham as armaduras, são as mais nocivas, pois facilitam, bem mais que as ortogonais, o acesso direto dos agentes agressores, facilitando a corrosão das armaduras.

As medidas preventivas consistem em:

produzir misturas mais secas, mais densas, com menor abatimento possível;das armaduras. As medidas preventivas consistem em: fazer um bom adensamento; e evitar uma execução muito

fazer um bom adensamento; emais secas, mais densas, com menor abatimento possível; evitar uma execução muito rápida do concreto. 5.1.1.3

evitar uma execução muito rápida do concreto.com menor abatimento possível; fazer um bom adensamento; e 5.1.1.3 – Movimentação de Fôrmas e Escoramentos

5.1.1.3 – Movimentação de Fôrmas e Escoramentos

Os recalques do subleito ou mau escoramento das fôrmas podem causar trincas no concreto enquanto na fase plástica.

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Tais movimentos podem ser causados por:

deformação das fôrmas, por mau posicionamento, por falta de fixação inadequada, pela existência de juntas mal vedadas ou de fendas, etc.;Tais movimentos podem ser causados por: inchamento da madeira devido à umidade ou perda de pregos;

inchamento da madeira devido à umidade ou perda de pregos; epela existência de juntas mal vedadas ou de fendas, etc.; devido ao uso impróprio ou excessivo

devido ao uso impróprio ou excessivo dos vibradores.da madeira devido à umidade ou perda de pregos; e Fig. 13 – Fissura causada por

e devido ao uso impróprio ou excessivo dos vibradores. Fig. 13 – Fissura causada por movimentação

Fig. 13 – Fissura causada por movimentação da fôrma (RIPPER, 1996)

As medidas preventivas consistem em:

compactar suficientemente o subleito; efôrma (RIPPER, 1996) As medidas preventivas consistem em: projeto adequado de fôrmas e escoramentos. 5.1.1.4 –

projeto adequado de fôrmas e escoramentos.consistem em: compactar suficientemente o subleito; e 5.1.1.4 – Retração Hidráulica A retração hidráulica,

5.1.1.4 – Retração Hidráulica

A retração hidráulica, após a pega, é devida à perda por evaporação de parte da água de amassamento para o ambiente, de baixa umidade relativa. A retração após a pega manifesta-se muito mais lentamente do que a retração plástica.

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A retração hidráulica, tanto no concreto quanto em argamassas ou pastas de cimento, manifesta-se imediatamente após o adensamento do concreto, se não forem tomadas providências que assegurem uma perfeita cura, ou seja, se não for impedida a evaporação da água do concreto.

Principais fatores que influem na retração são os seguintes:

a. Finura do cimento (a retração é aproximadamente, proporcional a finura) e dos elementos mais finos do concreto;

b. Tipo do cimento (a retração pode variar de uma até três vezes conforme o tipo de cimento). Existe um teor ótimo de gesso para se obter a retração mínima. Os álcalis, os cloretos e, de um modo geral, os aditivos aceleradores aumentam a retração;

c. Teor de água: a retração é aproximadamente proporcional ao volume absoluto da pasta;

d. Consumo de cimento;

e. Tipo de granulometria dos agregados: as areias finas aumentam a retração. Quanto maior for o módulo de elasticidade dos agregados, tanto maior será a reação por eles oposta a retração; e

f. Umidade relativa e período de conservação.

Em geral, as recomendações para minimizar estas fissuras envolvem o emprego da mínima relação água/cimento (a/c) possível, consumos não elevados de cimento, misturas com teor adequado de argamassa, execução cuidadosa da cura, sem que o concreto fique sujeito a ciclos de secagem e umedecimento.

Concretos dosados com excesso de areia apresentam retração maior do que misturas semelhantes com teores normais.

As medidas preventivas para reduzir a retração hidráulica consistem em:

a. usar o menor teor de água de amassamento possível;

b. maior teor de agregado graúdo possível;

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c. cura adequada do concreto; e

d. armaduras de pele quando as peças forem altas.

Observa-se que quando a cura do concreto é bem feita, a retração só se iniciará quando a cura for interrompida, idade em

que o concreto terá sua resistência à tração aumentada, e assim quando surgirem as tensões de tração devidas à retração,

o concreto já poderá apresentar resistência à tração superior às tensões oriundas da retração, não ocorrendo portanto o fissuramento.

da retração, não ocorrendo portanto o fissuramento. Fig.14 – Fissuras causada por retração hidráulica

Fig.14 – Fissuras causada por retração hidráulica (HELENE, 1992)

5.1.1.5 – Retração Térmica

O cimento ao se hidratar, gera uma quantidade de calor por kg variando conforme a composição do mesmo. Em tempo frio, o

calor liberado na hidratação do cimento atua favoravelmente, não ocorrendo o mesmo em regiões ou épocas quentes pois o seu efeito pode ser negativo, sendo recomendável a utilização de consumos baixos de cimento e o emprego de cimentos de baixo calor de hidratação, ou seja, pobres em silicatos e aluminato tricálcico, ou ainda, o emprego de cimentos pozolânicos

ou de alto forno. Isso, quando se tratar de concretagens de elementos de grande volume e, nos que, predomine a superfície sobre o volume.

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Se o calor produzido durante a hidratação, não poder ser eliminado facilmente, as peças concretadas permanecerão quentes, e portanto, dilatadas durante certo tempo, que poderá ser grande face a baixa condutibilidade do concreto (aproximadamente 0,003 cal / cm . seg. ºC).

Por ocasião do resfriamento do concreto, este irá se contrair dando origem à tensões de tração, aparecendo fissuras nos lugares onde estas tensões ultrapassarem a resistência à tração do concreto.

A influência que o calor gerado na hidratação do cimento pode ter na formação de fissuras, devido principalmente à baixa

condutibilidade do concreto, faz com que exista um gradiente térmico entre o interior da massa e as superfícies, dando lugar

a

um esfriamento das camadas externas e, consequentemente, retração das mesmas, enquanto o núcleo está ainda quente

e

dilatado.

CÁNOVAS, afirma que "em geral, sempre que a diferença entre a temperatura ambiente e a do núcleo seja superior a 20 ºC,

é de se esperar que se produzam fissuras." (ibid. p. 219)

A falta ou construção defeituosa de juntas de dilatação dará lugar a fissuras se o concreto não puder resistir, devido ao seu

módulo de deformação que origina a mudança de temperatura.

Conforme VENUAT (1976), as principais precauções a tomar para limitar este tipo de retração são as seguintes:

a. Escolher um cimento de baixo calor de hidratação (baixo teor do aluminato tricálcico ou cimento com adições, etc.)

b. Consumo moderado de cimento e consequentemente granulometria de concreto bem estudada.

c. Escolha de um agregado com alto módulo de deformação e por conseguinte pouco deformável.

d. Refrigeração do concreto a ser utilizado na obra (e também dos materiais constituintes).

e. Utilização de moldes de pequena condutibilidade térmica (aço por exemplo).

5.1.2 – Fissuras do concreto endurecido

As fissuras no concreto endurecido podem se produzir em decorrência de vários aspectos, entre eles, defeitos na execução.

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Em muitas ocasiões, as fissuras do concreto endurecido aparecem quase simultaneamente à atuação da ação normal a que está submetido, enquanto que, em outras, podem aparecer de maneira muito diferenciada; pode ocorrer que o concreto ou o aço estejam sofrendo durante muito tempo uma ação prejudicial de tipo mecânica ou química, e a enfermidade não apresente sintomas externos durante meses e até anos.

Em consolos e dentes Gerber mal executados, nos quais o apoio não funciona adequadamente, tem-se um engastamento que dá lugar a um momento cujo braço é muito curto e, portanto, produz grandes esforços, que podem fissurar o consolo ou a viga que se apoia sobre ele.

podem fissurar o consolo ou a viga que se apoia sobre ele. Fig. 15 – Fissuras
podem fissurar o consolo ou a viga que se apoia sobre ele. Fig. 15 – Fissuras

Fig. 15 – Fissuras em consolos (HELENE, 1992) Fig. 16 – Fissuras em dentes Gerber (HELENE, 1992)

Nos balanços em que se produziu um deslocamento para baixo das armaduras negativas, durante a concretagem, aparecerão fissuras de flexão na parte superior.

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http://patologiaestrutura.vilabol.uol.com.br/processos.htm Fig. 17 – Fissuras produzidas por deslocamento das

Fig. 17 – Fissuras produzidas por deslocamento das armaduras (CÁNOVAS, 1988)

Nos pilares, aparecem fissuras verticais ou ligeiramente inclinadas, se durante a execução ocorreu má colocação, insuficiência e deslocamento dos estribos. Estas fissuras são, neste caso, um sintoma bastante perigoso.

e deslocamento dos estribos. Estas fissuras são, neste caso, um sintoma bastante perigoso. 12 de 35

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Fig. 18 – Fissuras produzidas por deslocamento dos estribos (HELENE, 1988)

Podem também aparecer fissuras paralelas às armaduras longitudinais das vigas, quando a compactação do concreto não foi boa, ou quando, devido a pequena distância entre barras, o concreto não pôde passar entre elas.

entre barras, o concreto não pôde passar entre elas. Fig. 19 – Fissura na face inferior

Fig. 19 – Fissura na face inferior da viga (LIMA, J. M., 1999)

Nas construções de concreto armado, as armaduras se encontram invariavelmente a alguns centímetros da superfície, normalmente a 1 cm (cobrimento). Se a armadura está em contato com o ar e água, oxida-se. Sendo o volume do óxido

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produzido pela corrosão mais ou menos oito vezes maior do que a do metal do qual procede, serão criadas fortes tensões no concreto, fazendo com que o mesmo se rompa por tração, apresentando fissuras que seguem as linhas das armaduras principais e inclusive a dos estribos se a corrosão for muito intensa.

5.2 – DESAGREGAÇÃO DO CONCRETO

Para SOUZA e RIPPER, desagregação é:

"a própria separação física de placas ou fatias de concreto, com perda de monolitismo e, na maioria das vezes, perda também da capacidade de engrenamento entre os agregados e da função ligante do cimento. Como conseqüência, tem-se que uma peça com seções de concreto desagregado perderá, localizada ou globalmente, a capacidade de resistir aos esforços que a solicitam. (op. cit., p. 71)

A desagregação do material é um fenômeno que freqüentemente pode ser observado nas estruturas de concreto, causado pelos mais diversos fatores, ocorrendo, na maioria dos casos, em conjunto com a fissuração.

5.2.1 – Desagregações devido as reações expansivas no concreto

Na fabricação do cimento, acrescenta-se gesso ao clínquer no moinho. Esse gesso acrescentado reage antes das vinte e quatro horas com parte do aluminato tricálcico formando etringita; a outra parte do aluminato fica livre para reagir caso, posteriormente, encontre sulfatos, seja nos agregados ou nas águas com as quais o concreto vai entrar em contato, produzindo mais etringita que é expansiva, mas numa fase em que o concreto já está endurecido e, portanto, provocará efeitos patológicos que aparecerão na forma de rachaduras, fissuras e, posterior desintegração do concreto.

A RAA (reação álcali-agregado) pode ser resumida como um tipo de degradação que afeta ao concreto através de um

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fenômeno de expansão. A expansão é causada pela reação química que se processa entre certos tipos de agregados e os álcalis de Sódio (Na) e de Potássio (K) existentes no cimento Portland, e cuja intensidade depende dos produtos formados pela reação.

Em escala microscópica, as conseqüências da expansão devido à RAA podem apresentar-se como microfissuras e descolamento do agregado, e sob o ponto de vista volumétrico, o desenvolvimento de esforços e decorrentes fissuras no concreto.

Os sulfatos presentes em soluções aquosas, (Ex. efluentes industriais) ou mesmo em solos, atacam estruturas de concreto promovendo uma destruição progressiva do material. A velocidade com que ocorre este ataque depende de alguns fatores que se dividem em dois tipos principais:

Características do meio agressivo; ede alguns fatores que se dividem em dois tipos principais: Propriedades do meio agredido. Alguns dos

Propriedades do meio agredido.dois tipos principais: Características do meio agressivo; e Alguns dos fatores mais importantes são apresentados em

Alguns dos fatores mais importantes são apresentados em seguinte:

a. Concentração, tipo de sulfato e PH da solução, solo ou água subterrânea;

b. Mobilidade da água subterrânea;

c. Adensamento, tipo e teor de cimento, tipo de agregado, fator água/cimento e regime de cura do concreto;

d. Processo construtivo; e

e. Congelamento; em regiões frias, o efeito conjunto de congelamento e ataque de sulfatos promove uma severa agressividade ao concreto.

A degradação do concreto por ataque de sulfatos envolve basicamente três processos:

a. Difusão dos íons sulfato através da matriz, controlada pela porosidade e permeabilidade do material;

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b. Reações entre íons sulfato e certos constituintes do cimento hidratado (CH, C 3 A.CS.H 18 ) para formar produtos expansivos (etringita e gipsita); e

c. Fissuração da matriz, que conduz à perda de resistência e desintegração.

Para prevenir ou mesmo postergar o problema, geralmente procura-se especificar tipos especiais de cimento (baixo teor de C 3 A ou adição de microssílica, escória de alto-forno e pozolanas em geral) para o caso de ataques por sulfato e reduzir a porosidade do material através de uma redução drástica da relação água/cimento ou adição de microssílica. Este último procedimento vale tanto para ataque por cloretos quanto sulfatos.

Os fatores endógenos (ou de produção) associados com o processo de produção do concreto (seleção dos materiais, dosagem, amassamento e cura) tem influência na expansão do concreto por ataque dos sulfatos são necessariamente:

a. Tipo de cimento:

- composição química

- superfície específica

b. Tipo de agregado:

- forma e granulometria

- composição mineralógica

c. Dosagem:

- relação a/c

- conteúdo de cimento

- teor de argamassa

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d. Cura:

- duração

- temperatura

Da mesma forma, nos casos de corrosão das armaduras, em que o concreto se desagrega quando do aumento de volume das barras de aço, ou ainda quando acontecem as reações álcali-agregado e de sulfatos, que resultam em processo de desagregação bastante acelerado.

resultam em processo de desagregação bastante acelerado. Fig. 20 – Destacamento do concreto devido à corrosão

Fig. 20 – Destacamento do concreto devido à corrosão das armaduras (LIMA, J. M., 1999)

5.2.2 – Desagregações devido à movimentações da fôrma

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Ressaltam-se em particular, neste aspecto, os casos de criação de juntas de concretagem não previstas, por deslocamento lateral das fôrmas (ver Figura 21.a), ou de fuga de nata de cimento pelas juntas ou fendas das fôrmas, como mostrado na Figura 21.b, provocando a segregação do concreto, com sua conseqüente desagregação, na maioria dos casos acompanhada de fissuração. Qualquer um destes casos implicará o surgimento de quadros patológicos, já definidos, com o surgimento de fissuras no elemento estrutural, por enfraquecimento deste elemento em virtude da formação da junta de concretagem forçada e, normalmente com a adesão bastante prejudicada, ou com o enfraquecimento do próprio concreto, em virtude da fuga da nata de cimento.

do próprio concreto, em virtude da fuga da nata de cimento. Fig. 21 – Destacamento do

Fig. 21 – Destacamento do concreto devido à movimentações da fôrma (SOUZA e RIPPER – 1998)

5.2.3 – Desagregações devido à corrosão do concreto

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Em geral para HELENE (1986), "pode-se definir corrosão como a interação destrutiva de um material com o ambiente, seja por reação química ou eletroquímica". Sendo genérica, esta definição será válida para qualquer tipo de material.

Em oposição ao processo de corrosão do aço das armaduras, que é predominantemente eletroquímico, a do concreto é puramente química e ocorre por causa da reação da pasta de cimento com determinados elementos químicos, causando em alguns casos a dissolução do ligante ou a formação de compostos expansivos, que são fatores deteriorantes do concreto.

O processo de corrosão do concreto depende tanto das propriedades do meio onde ele se encontra, incluindo a concentração de ácidos, sais e bases, como das propriedades do próprio concreto.

O concreto, quando de boa qualidade, é um material bastante resistente à corrosão, embora também possa vir a sofrer danos quando em presença de alguns tipos de agentes agressores. Já o concreto de má qualidade, ou seja, o concreto permeável, muito poroso, segregado ou confeccionado com materiais de má qualidade ou impuros, é facilmente atacável por uma série de agentes.

Pode-se classificar a corrosão do concreto segundo três tipos, dependendo das ações químicas que lhe dão origem:

corrosão por lixiviação; corrosão química por reação iônica; e corrosão por expansão.

a. A corrosão por lixiviação consiste na dissolução e arraste do hidróxido de cálcio existente na massa de cimento Portland endurecido (liberado na hidratação) devido ao ataque de águas puras ou com poucas impurezas, e ainda de águas pantanosas, subterrâneas, profundas ou ácidas, que serão responsáveis pela corrosão, sempre que puderem circular e renovar-se, diminuindo o pH do concreto. Quanto mais poroso o concreto, maior a intensidade da corrosão. A dissolução, o transporte e a deposição do hidróxido de cálcio Ca(OH) 2 (com formação de estalactites e de estalagmites) dão lugar à decomposição de outros hidratos, com o conseqüente aumento da porosidade do concreto que, com o tempo, se desintegra. Este fenômeno que ocorre no concreto é similar à osteoporose do esqueleto humano, e pode levar, em um espaço de tempo relativamente curto, o elemento estrutural atacado à ruína. É o processo de corrosão que ocorre com mais freqüência.

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http://patologiaestrutura.vilabol.uol.com.br/processos.htm Fig. 22 – Lixiviação do concreto (LIMA, J, 1999) b. A

Fig. 22 – Lixiviação do concreto (LIMA, J, 1999)

b. A corrosão química por reação iônica ocorre em virtude da reação de substâncias químicas existentes no meio agressivo com componentes do cimento endurecido. Esta reação leva à formação de compostos solúveis, que são carreados pela água em movimento ou que permanecem onde foram formados, mas, nesse último caso, sem poder aglomerante. Os principais íons que reagem com os compostos do cimento são o magnésio, o amônio, o cloro e o nitrato.

c. Na corrosão por expansão ocorrem reações dos sulfatos com componentes do cimento (como foi comentado), resultando em um aumento do volume do concreto que provoca sua expansão e desagregação. Os sulfatos encontram-se presentes em águas que contém resíduos industriais, nas águas subterrâneas em geral e na água do mar, sendo que os sulfatos mais perigosos para o concreto são o amoníaco (NH 4 ) 2 S0 2 , o cálcico, CaSO 4 o de magnésio, MgSO 4 e o de sódio. Na 2 SO4.

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Qualquer processo de corrosão deve ser imediatamente interrompido ainda no seu início, pois sua continuidade, além de enfraquecer a estrutura, dará origem à fissuração, à corrosão das armaduras e a desagregação do concreto e, em estágio mais evoluído, torna economicamente impraticável a recuperação da estrutura.

5.3 – CARBONATAÇÃO DO CONCRETO

5.3.1 – A carbonatação

Nas superfícies expostas das estruturas de concreto, a alta alcalinidade, obtida principalmente à custa da presença do hidróxido de cálcio (Ca(OH) 2 ) liberado das reações de hidratação, pode ser reduzida com o tempo. Essa redução ocorre, essencialmente, pela ação do CO 2 presente na atmosfera e outros gases ácidos, tais como S0 2 e H 2 S. Esse processo, denominado carbonatação do concreto, ocorre lentamente, segundo a reação principal:

Ca(OH) 2 + C0 2 Þ CaCO 3 + H 2 0

O pH de precipitação do CaCO 3 é cerca de 9,4 (à temperatura ambiente), o que altera, substancialmente, as condições de estabilidade química da capa ou película passivadora do aço. Sendo, portanto, um fenômeno ligado à permeabilidade aos gases, deve ser estudado quanto à composição ideal do concreto, de modo a reduzir o risco e a velocidade de carbonatação.

5.3.2 – A influência da relação a/c

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A carbonatação superficial dos concretos é variável de acordo com a natureza de seus componentes, com o meio ambiente (rural, industrial, ou urbano) e com as técnicas construtivas de transporte, lançamento, adensamento, cura etc. Como conseqüência, a profundidade de carbonatação é de difícil previsão e também variável dentro de amplos limites.

As profundidades de carbonatação aumentam, inicialmente, com grande rapidez, prosseguindo mais Ientamente e tendendo assintoticamente a uma profundidade máxima. Essa tendência ao estacionamento do fenômeno pode ser explicada pela hidratação crescente do cimento, que aumenta, gradativamente, desde que haja água suficiente, a compacidade do concreto. Alie-se a isso, a ação dos produtos da transformação que também colmatam os poros superficiais, dificultando o acesso de CO 2 , presente no ar, ao interior do concreto.

Tendo a relação água/cimento um papel preponderante na permeabilidade aos gases, é natural que tenha grande influência na velocidade de carbonatação.

Segundo GREGER (1969), apud HELENE (1986): "a profundidade de carbonatação de concretos com relação água/cimento de 0,80, 0,60 e 0,45, em média, está na relação 4:2:1, independentemente da natureza da atmosfera a que estejam expostos". O mesmo autor ressalta que a carbonatação pode ser cerca de 10 vezes mais intensa em ambientes climatizados

(U.R. £ 65ºC e temperaturas de 23 º C) do que em ambientes úmidos, devido à diminuição da permeabilidade do CO 2 no concreto por efeito da presença de água.

A figura 23 apresenta os resultados da observação de SORETZ, apud HELENE (1986), realizada numa série de concretos de boa qualidade, constituídos de agregados normais.

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http://patologiaestrutura.vilabol.uol.com.br/processos.htm Fig. 23 – Variação da profundidade de carbonatação

Fig. 23 – Variação da profundidade de carbonatação com o tempo e com a relação a/c (SORETZ, apud HELENE,1986)

Num concreto de boa qualidade, bem adensado e curado, a carbonatação se dá superficialmente só tendo importância nos pontos em que a armadura esteja muito próxima à superfície do concreto.

5.3.3 – Espessura de carbonatação

Em relação a determinação da profundidade de carbonatação, um método comum e simples consiste em tratar uma superfície recém rompida de concreto com uma solução de fenolftaleína em álcool diluído. O Ca(OH) 2 adquire uma cor rosa enquanto a parte carbonatada não se altera; com o prosseguimento da carbonatação da superfície recém exposta, a cor rosa desaparece gradativamente. O ensaio é rápido e fácil de ser executado, mas deve ser lembrado que a cor rosa indica a

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presença de Ca(OH) 2 mas não necessariamente a ausência total de carbonatação. Na verdade, o ensaio com fenolftaleína é uma indicação do pH (cor rosa para pH maior do que cerca de 9,5) mas não faz distinção entre um pH baixo causado por carbonatação ou por outros gases ácidos. O ensaio com fenolftaleína não pode ser usado com cimentos aluminosos, pois, esses cimentos não contém cal livre. As técnicas de laboratório, que podem ser usadas para esse tipo de cimento, que determinam a profundidade de carbonatação incluem análise química, difração de raios X, espectroscopia por infravermelho e análise termogravimétrica.

por infravermelho e análise termogravimétrica. Fig. 24 – Variação da profundidade de carbonatação

Fig. 24 – Variação da profundidade de carbonatação – ensaio com fenolftaleína (HELENE, 1986)

5.3.4 - Como melhorar a proteção ?

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Um estudo realizado por pesquisadores da UFRGS lança algumas luzes sobre a influência das adições no processo químico da carbonatação dos concretos. Mesmo sem chegar a conclusões definitivas, o trabalho permite estabelecer comparações entre concretos que recebem pequenas doses de cal, microssílica e cinzas volantes.

Esses pesquisadores perceberam que o grande responsável pelo estabelecimento da velocidade de carbonatação é o fator água/cimento, já que define a porosidade. Em relação as adições estudadas, todas reduziram a velocidade de carbonatação, atenuando diferentemente o fenômeno em cada situação específica. Em particular, a cal, deve ser mais bem avaliada, em função do desempenho apresentado pela argamassa adicionada de cal. É possível pensar que, sendo a cal o objeto da carbonatação, o aumento desse reagente na unidade de volume promove mais intensamente a reação a um nível mais superficial, limitando a profundidade de carbonatação. A cal atua com um densificador, diminuindo naturalmente a porosidade, o que pode explicar o aumento na resistência, apesar de um maior fator a/c.

Já o Método de Fôrmas Drenantes, apresentado por GEYER & GREVEN (op. cit.), consiste no revestimento interno das fôrmas com um material absorvente e drenante, com o intuito de após o lançamento do concreto, drenar parte da água ali existente próxima as superfícies, portanto, promover uma redução da relação água/cimento superficial, com isto, diminuir a porosidade e permeabilidade, aumentar a dureza e resistência e, melhorar a aparência na superfície do concreto, impedindo ao mesmo tempo a saída das partículas finas (cimento, agregados miúdos).

Ensaios de carbonatação foram realizados comparando-se um concreto convencional com fôrmas de madeira com o mesmo concreto executado com Fôrmas Drenantes.

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Gráfico 1 – Profundidade de carbonatação (GEYER & GREVEN, 1999)

O Método de Fôrmas Drenantes e a influência das adições no concreto, visão melhorar as qualidades superficiais do concreto, apontando uma utilização cada vez maior com vistas a concretos mais resistentes e duráveis.

5.4 – CORROSÃO DAS ARMADURAS

Nas obras de concreto armado e especialmente naquelas que se situam nas proximidades do mar, em atmosferas salinas, ou em lugares muito úmidos e com atmosferas contaminadas, é muito freqüente o aparecimento de fissuras devido à corrosão das armaduras.

A corrosão dos aços no concreto armado tem dois inconvenientes importantes: produzir desagregações no concreto e diminuir a seção resistente das barras.

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Por corrosão propriamente dita entende-se o ataque de natureza preponderantemente eletroquímica, que ocorre em meio aquoso. A corrosão acontece quando é formada uma película de eletrólito sobre a superfície dos fios ou barras de aço. Esta película é causada pela presença de umidade no concreto, salvo situações especiais e muito raras, tais como dentro de estufas ou sob ação de elevadas temperaturas (> 80ºC) e em ambientes de baixa umidade relativa (U.R.< 50%). Este tipo de corrosão é também responsável pelo ataque que sofrem as armaduras antes de seu emprego, quando ainda armazenadas no canteiro. É o tipo de corrosão que o engenheiro civil deve conhecer e com a qual deve se preocupar. É melhor e mais simples prevení-la do que tentar saná-la depois de iniciado o processo.

A corrosão pode se apresentar de formas diversas. Em geral são classificadas pela extensão da área atacada. Os tipos de corrosão mais freqüentes são: generalizada, localizada, por pite e fissurante (figura 25).

generalizada, localizada, por pite e fissurante (figura 25). Fig. 25 - Morfologia da corrosão (ANDRADE, 1992)

Fig. 25 - Morfologia da corrosão (ANDRADE, 1992)

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O concreto armado, além de apresentar características mecânicas muito amplas, tem demonstrado possuir uma durabilidade

adequada para a maioria dos usos a que se destina. Esta durabilidade das estruturas de concreto armado é o resultado natural, da dupla natureza, que o concreto exerce sobre o aço: por uma parte, o cobrimento de concreto é uma barreira física, e por outra, a elevada alcalinidade do concreto desenvolve sobre o aço uma camada passiva que o mantém inalterado por um tempo indefinido.

A alcalinidade do concreto é devida principalmente ao hidróxido de cálcio que se forma durante a hidratação dos silicatos do

cimento e aos álcalis que geralmente estão incorporados como sulfatos, no clínquer. Estas substâncias situam o pH da fase aquosa contida nos poros em valores entre 12,6 e 14,0, isto é, no extremo mais alcalino da escala de pH. A estes valores de pH e em presença de uma certa quantidade de oxigênio, o aço das armaduras encontra-se passivado, isto é, recoberto de uma capa de óxidos transparentes, compacta e contínua que o mantém protegido por períodos indefinidos, mesmo em

presença de umidade elevada no concreto.

A função do cobrimento de concreto é, além da proteção ao ataque de agentes agressivos externos (contidos na atmosfera,

em águas residuais, águas do mar, águas industriais, dejetos orgânicos, etc.), a de proteger essa capa ou película protetora

da armadura contra danos mecânicos e, ao mesmo tempo, manter sua estabilidade.

Conforme HELENE (1986):

"o agente agressivo mais comum é o cloreto (íon Cl - ) que pode ser adicionado involuntariamente ao concreto, a partir de aditivos aceleradores de endurecimento, agregados e águas contaminadas ou até a partir de tratamento de limpeza (como, por exemplo, o ácido muriático, que é o HCl impuro)". (op. cit. p. 16)

As normas limitam o conteúdo de cloretos totais no concreto fresco, em relação a massa de cimento (%), conforme Tabela 6. Tal conteúdo depende de parâmetros como:

a. tipo e quantidade de cimento;

b. relação a/c;

c. conteúdo de umidade;

d. agressividade do meio;

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e. adensamento;

f. cura; etc.

Portanto, há dificuldade de ser estabelecido um limite seguro abaixo do qual não haveria possibilidade de despassivação da armadura de aço.

Segundo ANDRADE (1992), um valor médio aceito, geralmente, para o teor de cloreto é de 0,4% em relação a massa de cimento ou 0,05% a 0,1% em relação a massa de concreto.

NORMA

NORMA EH – 88 pr EN – 206 BS – 8110/85 ACI – 318/83 Teor Limite

EH – 88

pr EN – 206

BS – 8110/85

ACI – 318/83

Teor Limite de Cl - para concreto armado

(% em relação a massa de cimento)

0,40

0,40

0,20 – 0,40*

0,15 – 0,30 – 1,00**

* O limite varia em função do tipo de cimento

* O limite varia em função do tipo de cimento

** O limite varia em função da agressividade ambiental

** O limite varia em função da agressividade ambiental

Tabela 6 – Teor limite de cloretos (ANDRADE, 1992)

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Os cloretos se apresentam, no concreto, sob três formas distintas:

a. parte dos cloretos fica ligada ao aluminato tricálcico (C 3 A) e formam principalmente, o cloroaluminato de cálcio, conhecido por sal de Friedel (C 3 A.CaCl 2 .10H 2 0), incorporando-se às fases sólidas do cimento hidratado;

b. outra porção é adsorvida na superfície dos poros; e

c. uma terceira parte é dissolvida na fase aquosa dos poros, formando os cloretos livres que são perigosos ".

Nas regiões em que o concreto não é adequado, ou não recobre, ou recobre deficientemente a armadura, a corrosão torna-se progressiva com a conseqüente formação de óxi-hidróxidos de ferro, que passam a ocupar volumes de 3 a 10 vezes superiores ao volume original do aço da armadura, podendo causar pressões de expansão superiores a 15 MPa (@ 150

kgf/cm 2 )

Essas tensões provocam, inicialmente, a fissuração do concreto na direção paralela à armadura corroída, o que favorece a carbonatação e a penetração de CO 2 e agentes agressivos, podendo causar o lascamento do concreto.

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http://patologiaestrutura.vilabol.uol.com.br/processos.htm Fig. 26 – Lascamento do concreto devido a expansão da

Fig. 26 – Lascamento do concreto devido a expansão da armadura (HELENE, 1986)

Essa fissuração acompanha , em geral, a direção da armadura principal e mais raramente a direção dos estribos, a não ser que estes estejam na superfície. Deve-se considerar que os estribos, geralmente, estão na direção perpendicular ao maior esforço de compressão, o que pode impedir a fissuração profunda do elemento de concreto. Estribos na região central de uma viga podem fissurar o concreto na face inferior, mas dificilmente o farão na região junto aos apoios, normalmente, o que se observa em estribos é o lascamento direto do concreto, sem fissuras iniciais.

Considerando-se a dificuldade natural que impede o cobrimento adequado de armaduras, principalmente de lajes — pois cobrem grandes áreas, são finas e durante a concretagem constituem a "pista" de movimentação do pessoal e dos equipamentos — são nesses componentes estruturais que se nota, em geral, mais rapidamente, o início da corrosão. Em pilares e vigas, o primeiro indício, geralmente, não é dado pela armadura principal, mas sim pelos estribos, que por vezes se apoiam diretamente sobre as fôrmas, sem cobrimento suficiente. No entanto, sob más condições "construtivas", a corrosão iniciar-se-á nos locais mais quentes e mais úmidos e onde o risco de condensação seja maior. O processo é nitidamente visível, pois os produtos de corrosão têm, predominantemente, coloração vermelho-marrom-acastanhada e, sendo relativamente solúveis, "escorrem" pela superfície do concreto, manchando-o.

Para SHAFFER (1971) & CAIRONI (1977) apud HELENE (ibid. p. 6) na maioria das vezes, completando o quadro patológico conforme figura abaixo, aparecem manchas marrom-avermelhadas na superfície do concreto e bordas das fissuras.

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http://patologiaestrutura.vilabol.uol.com.br/processos.htm Fig. 27 – Deterioração progressiva devida à corrosão

Fig. 27 – Deterioração progressiva devida à corrosão das armaduras (HELENE, 1986)

Como se vê, a corrosão das armaduras é um processo que avança de sua periferia para o seu interior, havendo troca de seção de aço resistente por ferrugem. Este é o primeiro aspecto patológico da corrosão, ou seja, a diminuição de capacidade resistente da armadura, por diminuição da área de aço. Associada a esta troca, surgem, no entanto, outros mecanismos de degradação da estrutura.

a. perda de aderência entre o aço e o concreto, com alteração na resposta da peça estrutural às solicitações às quais está submetida;

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b. desagregação da camada de concreto envolvente da armadura. Tal fato acontece porque, ao oxidar-se, o ferro vai criando o óxido de ferro hidratado (Fe 2 0 3 nH 2 O), que, para ocupar o seu espaço, exerce uma pressão sobre o material que o confina da ordem de 15 MPa, suficiente para fraturar o concreto. Para se ter uma idéia do que esta força representa, refira-se que a expansão volumétrica das barras de aço, quando sob corrosão, pode significar aumento correspondente a dez vezes o seu volume original; e

c. fissuração, pela própria continuidade do sistema de desagregação do concreto. Neste caso, como em qualquer caso em que haja fissuração, o processo é agravado, pois o acesso direto dos agentes agressivos existentes na atmosfera multiplicam e aceleram a corrosão, combinando situações de ataque localizado com outras de ataque generalizado. As fissuras formadas acompanham o comprimento das armaduras.

Do que foi exposto, fica a idéia de que, para que não exista corrosão, será necessário e suficiente que:

a. pH do concreto seja claramente indicador de solução básica, ou seja, entre 12,6 e 14 no interior do concreto (carbonatação controlada);

b. Qualidade do cobrimento garantido por um concreto de boa qualidade para que os agentes agressivos (cloretos, em especial) não atinjam a armadura; e

c. Espessura do cobrimento de concreto adequado que possibilite uma proteção adequada as armaduras;

Isto tudo equivale a dizer que um concreto deverá ser compacto, com fissuração controlada, sendo a espessura física e a composição da camada de cobrimento das armaduras dimensionadas em função do estado de tensão da peça e da agressividade do meio ambiente.

Assim, aspectos como o controle da porosidade e da permeabilidade do concreto, a manutenção da peça sob estado de tensões de serviço dentro dos limites estabelecidos, a escolha correta das bitolas das barras da armadura principal, o bom detalhamento, a cuidadosa execução das peças e a proteção adicional das superfícies do concreto por pintura surgem como fatores primordiais e de cuja observância dependerá a redução ou não da possibilidade de ocorrência de corrosão nas barras da armadura.

Da mesma forma, fica entendido que, como conseqüência do próprio processo, a corrosão não acontecerá em concretos secos nem em saturados (no primeiro caso, falta o eletrólito; no segundo, o oxigênio). Por outro lado, as estruturas mais

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sujeitas a corrosão são as expostas à ação alternada de molhagem e secagem, em particular se esta água for dotada de grande concentração de cloretos.

Não é excessivo insistir no fato de que um bom concreto é a melhor proteção contra a corrosão das armaduras, devido à sua alcalinidade e que a proteção será tanto maior quanto mais rico em cal for o cimento, e maior a espessura do cobrimento do concreto sobre as barras da armadura.

5.5 – PERDA DE ADERÊNCIA

A perda de aderência é um efeito que pode ter conseqüências desastrosas para a estrutura, e pode ocorrer entre dois

concretos de idades diferentes, na interface de duas concretagens, ou entre as barras de aço das armaduras e o concreto.

O concreto estrutural é executado com armadura de aço, a ligação entre os dois materiais é de considerável importância

com relação ao comportamento estrutural, incluindo-se fissuração devida à retração e aos efeitos térmicos às primeiras idades. A ligação se origina principalmente do atrito e da aderência entre o aço e o concreto e ao intertravamento mecânico,

no caso de barras deformadas. A ligação pode também ser favorecida pela retração do concreto em relação ao aço.

Em uma estrutura, a resistência da ligação se deve outros fatores além das propriedades do concreto. Entre eles se incluem a geometria da armadura tal como a espessura do cobrimento da armadura. O estado da superfície do aço é outro fator. A presença de ferrugem na superfície do aço, desde que bem aderente ao aço, melhora a ligação de barras lisas e não prejudica a ligação de armaduras dobradas. O revestimento por galvanização ou com resina epóxi prejudica a resistência da aderência.

A perda de aderência entre dois concretos de idades diferentes ocorre quando a superfície entre o concreto antigo e o

concreto novo estiver suja, quando houver um espaço de tempo muito grande entre duas concretagens consecutivas e a superfície de contato (junta de concretagem) não tiver sido convenientemente preparada, ou quando surgirem trincas importantes no elemento estrutural.

A perda de aderência entre o concreto e o aço ocorre por causa de:

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a. corrosão do aço, com sua conseqüente expansão;

b. corrosão do concreto, em função da deterioração por dissolução dos agentes ligantes;

c. assentamento plástico do concreto;

d. dilatação ou retração excessiva das armaduras, cuja principal causa são os incêndios (cargas cíclicas podem dar efeitos semelhantes);

e. aplicação, nas barras de aço, de preparados inibidores da corrosão (perda parcial ou total de aderência, em casos extremos).