LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof.

ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009

II - CLASSIFICAÇÃO A doutrina moderna (CABM, por exemplo) critica, mas a tradicional coloca e ainda cai muito em prova de concurso. Poder VINCULADO e Poder DISCRICIONÁRIO Quanto ao grau de liberdade, o poder pode ser vinculado ou discricionário. O poder, nada mais é do que um instrumento, uma carta que ele tem na manga, mas que quando vai praticar o poder, ele pratica ato administrativo. O ato de demissão, por exemplo, nada mais é do que um ato administrativo. Eu tenho poder de polícia e nesse exercício eu aplico a multa de trânsito que, nada mais é, do que um ato administrativo. Então os doutrinadores mais modernos dizem que na verdade, essa classificação em poder vinculado e poder discricionário não deve ser usada hoje, porque não é o poder que é vinculado ou discricionário. CABM diz que vinculado ou discricionário é o ato no exercício deste poder. Então ele diz que não há poder completamente vinculado ou completamente discricionário. No exercício do mesmo poder vamos encontrar atos vinculados e atos discricionários. Repetindo: Quando o administrador se vale do poder, quando ele usa essa prerrogativa, esse instrumento, ele pratica atos administrativos. Então, se eu tenho poder de polícia e aplico uma multa de trânsito, eu estou exercitando poder de polícia praticando o ato administrativo. Considerando essa informação, os doutrinadores mais modernos dizem que o poder não deve ser classificado em discricionário ou vinculado porque, na verdade, o que é vinculado ou discricionário é o ato administrativo praticado no exercício desse poder. Então no poder de polícia há atos vinculados e discricionários. Não é o poder que é vinculado ou discricionário, mas o ato administrativo no exercício desse poder. E os doutrinadores complementam dizendo que na verdade um poder não é completamente vinculado e também não é completamente discricionário. Ora ele é vinculado, ora é discricionário. Vai depender do caso concreto. Neste momento, a tomada de decisão e vinculada. Em outro ponto, pode ser discricionária. Mas se os autores dizem que essa classificação não procede, por que estudá-la? Por duas razões: Hely usa e em alguns concursos continua caindo e, segundo porque se você aprender o que é vinculado e o que é discricionário é importante. Poder Vinculado O que significa atuação ou decisão do poder público vinculada? é o que não tem liberdade, juízo de valor, conveniência ou oportunidade. Nessa hipótese, preenchidos os requisitos legais, o administrador é obrigado a praticar o ato. Ele é obrigado a conceder o direito. Preenchidos os requisitos, as condições legais, o administrador é obrigado a praticar o ato. Servidor público completou 60 anos e 35 de contribuição. Vai ao Poder Público e pede a sua aposentadoria. O Poder Público tem que deferir porque isso é decisão vinculada. Ele é obrigado a dar! Não tem conveniência e oportunidade. Exemplo: Concessão de aposentadoria. Outro exemplo de ato vinculado (representa o exercício de decisão vinculada): o administrado quer construir e, para tanto, precisa de uma licença do Poder Público. Se ele preenche os requisitos para construir, o poder público concede a licença. O administrador tem liberdade. Não pode valorar se é conveniente ou não. Cumpridos os requisitos de engenharia, o Poder Público vai ter que conceder. De igual forma, licença para dirigir. O Poder Público não pode negar a licença, uma vez preenchidos os requisitos. 84

mas. Você tem liberdade para escolher como praticar. a autorização é discricionária. 62. precisa de uma autorização. de acordo com o seu juízo de valor se é conveniente e oportuno praticar aquele ato. da Lei 8. mas não circule na parte interna da cidade. dentro de um juízo de valor. concede ou não.LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof. Vai autorizar. Como saber se é vinculado ou discricionário? Como saber se aquela providência é vinculada ou discricionária? Normalmente. da forma B ou da forma C. O discricionário também pode aparecer com a competência sem definir como ela deve ser exercida. O discricionário.666 diz que o contrato administrativo é facultativo no caso de convite. sem especificar de que forma ela vai exercer essa competência. então. barraca de praia. poder discricionário. O administrador olha o caso concreto e diz: aqui é conveniente e oportuno. O administrador se depara no caso concreto e avalia. Exemplo: A Lei 8. irá negar. enfim. para decidir se ele vai fazer concessão da barraca na praia. Se a rua é tranquila e movimentar a região pode ser positivo. O Poder Público. o vinculado traz requisitos. a lei diz que tem que ser assim e tais são os requisitos. Então. aqui não. mas não nas cidades. estamos falando de um instituto chamado de permissão de uso de bem público (calçada). autoriza a sua circulação nas rodovias. comprometem a pavimentação das 85 .. etc. dentro da conveniência e oportunidade. Você pode praticar da forma A. O exemplo é o contrato administrativo – art. Nesse caso. Exemplo: caminhões gigantes. segundo a conveniência e a oportunidade. por enquanto é preciso lembrar que permissão de uso de bem público é exemplo decisão discricionária. ao administrador abre para o administrado escolher. Esse tipo de veículo. guardar para sempre.  1º Exemplo – Você decidiu abrir um barzinho. Não só para mesa. O administrador. Ato discricionário. administrar esses bens. Normalmente. por exemplo.. você vai. pode aparecer dessa forma: a lei apenas diz que a competência é dessa autoridade. Vamos falar sobre isso na aula de contratos. exercício discricionário tem que ser praticado nos limites da lei. Enquanto no vinculado. Dois exemplos de discricionário para decorar. Isso é possível? Na verdade. Aqui é só para você entender como a lei coloca isso. condições para que você tenha direito àquele ato. O imóvel que você alugou é pequeno e decide colocar as mesinhas na calçada. no discricionário a lei lhe dá alternativas. o Poder Público autoriza a colocação das mesinhas na calçada. o administrador tem liberdade para decidir se ele vai fazer permissão de uso da calçada. O discricionário aparenta como situação aberta. O administrador faz um juízo de valor. Caso. Ser discricionário significa ter liberdade nos limites da lei.ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009 Poder Discricionário É o poder que tem liberdade de escolha. para circular. decidir como cuidar desses bens. de que maneira vai. além de comprometer o transito. A decisão. significa juízo de valor. olhando para o caso concreto. ele pondera a conveniência e a oportunidade do uso da calçada em cada caso. considerando o grau de movimento e segurança da rua. E vai até a prefeitura. No caso do convite é vinculado ou discricionário? É discricionário.  2º Exemplo – Enquanto a licença é vinculada. Você vai estudar permissão de uso de bem público com mais detalhes no Intensivo II. a rua seja perigosa. Isso porque. Exemplo: A lei diz que compete ao prefeito cuidar dos bens municipais. então. mas para banca de revista. aí.666 que diz que o instrumento é obrigatório nesses casos e diz que é facultativo nesses outros (convite). a circulação de veículos acima do peso e acima da medida. Também pode autorizar que tal veículo circule pela periferia. Eu pergunto: como ele faz isso? A lei não disse. é discricionária. Você usa a calçada com uma permissão de uso de bem público.

constituída essa hierarquia. obedece”. a Administração vai avaliar se é conveniente e oportuno e vai conceder ou não. na sua organização. O chefe pode delegar competência? A delegação e a avocação de competência surgem da hierarquia. hierarquizando meus quadros. É o Presidente que deveria assinar todos os contratos da 86 . dizendo “você. vou organizar. mas a regra geral é: transferir responsabilidade e chamar de volta para a responsabilidade. O chefe pode fiscalizar o que você cumpriu? Ele pode acompanhar se você está fazendo tudo direito? Se há hierarquia. Dando ordem. estruturar. Então. Na relação de hierarquia. Imaginem que o chefe mandou. mas ele pode rever. Para decorar:  Licença – Vinculado  Permissão de uso e Autorização – Discricionárias Poder HIERÁRQUICO O que significa poder hierárquico? A palavra-chave aqui é hierarquia. É nada mais do que dizer você manda e você obedece. exercício de hierarquia. uma decisão discricionária.  Hely: Para ele. A. Eu mando e fiscalizo se está cumprindo de maneira adequada. muitas vezes.LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof. em razão dessa hierarquia? Se eu mando e você obedece.  CABM: Prefere a expressão ‘poder do hierarca’. Então. A idéia é a mesma. A autorização. Hoje há a possibilidade de delegação pela lei. Poder hierárquico é a prerrogativa que tem o Estado para definir a hierarquia na sua organização. o chefe pode rever esse ato? Fazer a revisão dos atos? Com certeza! Se seu posso dar ordens. surge a relação de subordinação. Ele está falando de poder hierárquico.ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009 rodovias. praticou o ato de forma que era ilegal. fiscalizou. eu posso rever o cumprimento dessas ordens. ainda que não exista relação hierárquica. Eu. Estado. Hoje. vem a possibilidade de mandar. mas ainda assim você não obedeceu. delegar e avocar responsabilidade é. dando ordem. seja em recurso administrativo. Se a Administração vai estruturar os quadros. o que como consequência desse exercício de poder hierárquico. manda e você. há poder de fiscalização. de controlar os atos praticados pelo subordinado. não só. B. surge a relação de subordinação. de controle. tem obrigação de obedecer. mas pode rever os atos praticados por seus subordinados. É a prerrogativa que tem o estado para definir a hierarquia nos seus quadros. Se há hierarquia junto com esse poder. Há na hierarquia a possibilidade de revisão dos atos. O Presidente da República delega aos Ministros de Estado delega a chancela dos contratos administrativos dos seus ministérios. basicamente. constituindo assim uma relação hierárquica. o que vem em razão dessa relação? No exercício do poder hierárquico. poder hierárquico significa escalonar. com certeza. hierarquizar os quadros da Administração. seja de ofício. dentro da relação hierárquica. exercitando essa hierarquia na minha organização. vai hierarquizar os seus quadros. subordinado. é pois. Quando falamos de poder hierárquico surge a possibilidade de fiscalização. isso vai decorrer de provocação. É claro que. você. Aí eu lhe pergunto: o chefe mandou.

mas ele estava apenas arrumando o dinheiro. ao final. Se ele não exerce função pública. Para sofrer o poder disciplinar. Se é assim. Antes havia o instituto da “verdade sabida” e acontecia quando o chefe presenciava a prática da infração (via o subordinado embolsando dinheiro). que hoje não é mais possível. Então. sem contraditório e sem ampla defesa. não poderia punir.LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof. Vai instaurar um processo. quando falamos do poder hierárquico. Então. pune o servidor-infrator. da existência da hierarquia. mas ele delega essa competência para viabilizar a execução. O chefe mandou. Se 87 . permanente. Imagine que o chefe fosse inimigo do subordinado ou que não fosse desvio de dinheiro. comprovando a infração funcional? O chefe pode punir o subordinado. Quem pode ser atingido pelo exercício do poder disciplinar? O particular pode? Não. Está desrespeitando ordem superior. Sem hierarquia. ele poderia punir sem processo. Era um processo muito arbitrário. amanhã o Presidente pode retomar. mesmo que não exista hierarquia. por isso. O que o chefe pode fazer. com ou sem remuneração. Antes de 1988. Não vai obedecer a ordem. sempre lembramos de um processo administrativo com contraditório e ampla defesa. Tem que ser agente público (expressão mais abrangente que temos hoje e atinge todos os que exercem função pública). Poder DISCIPLINAR O poder disciplinar decorre do exercício do poder hierárquico. O poder disciplinar tem como condição o exercício de função pública. você tem a possibilidade de aplicar sanção por infração funcional e aplicar sanção por infração funcional também significa exercício do poder hierárquico. Mas. A punição vem do superior. Acontece que exercício de poder disciplinar também é consequencia do exercício do poder hierárquico. O chefe não pode punir sem investigar. hoje esse instituto não é mais possível. quando falamos em punição pela prática de infração funcional. A punição oriunda do exercício do poder hierárquico tem que vir sempre com processo administrativo. A aplicação de punição por infração funcional é poder disciplinar. mas não é uma regra absoluta. Você poderia estar se perguntando: mas parece confuso isso na minha cabeça porque eu sempre aprendi que punição por infração funcional era poder disciplinar e agora estou escrevendo exercício do poder hierárquico. A punição por infração funcional também representa exercício de poder hierárquico. A delegação e a avocação de competência. Poderá haver. Com a nossa CF. não é infração funcional. mas também é exercício do poder disciplinar e o poder disciplinar é consequência do exercício do poder hierárquico. O poder disciplinar está ligado com o exercício de infração funcional. com contraditório e ampla defesa e. O Chefe tinha o convencimento porque já presenciou e não precisa de mais nada. tem que estar no exercício de função pública.ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009 União. acabou praticando infração funcional. Você foi flagrado pelo pardal. não pode praticar infração funcional. O que significa poder disciplinar? Há duas questões perigosas no concurso:  Quem pode ser atingido pelo poder disciplinar?  Poder disciplinar é vinculado ou discricionário? Poder disciplinar significa aplicar sanção por infração funcional. normalmente. de forma temporária. aparecem onde há hierarquia. fiscalizou e o subordinado não cumpriu. Isso é exercício de poder disciplinar? Isso não é infração funcional e.

ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009 exerceu função pública. advertência ou suspensão nas seguintes hipóteses. O tipo homicídio tem definição de conduta. Se fosse salva-vidas. A posição da FCC é mais tradicional do que o Cespe. A conduta está definida. o chamado conceito vago. aplicar a sanção é decisão vinculada. A Administração usa nos seus estatutos conceitos indeterminados. já que ficou provado pelo processo que ele praticou a infração X. fazendo um juízo de valor. é investigar. tem o dever de investigar. pois. Por que há dúvidas sobre a discricionariedade? Instaurar o processo. naquele momento está agente público e pode ser passível de sofrer infração disciplinar. é discricionária. Exemplo: Servidor é lento. 88 . E o chefe. Se trabalha no fórum.112 diz que conduta escandalosa é infração funcional. como regra. Aplicar a sanção diante da constatação de que isso ocorreu é decisão discricionária ou vinculada? Neste momento. o administrador. se está exercitando função pública. Será que ele servidor que só despacha um processo por semana é ineficiente? Tem cara. que foi inassiduidade habitual. A infração funcional aparece nos estatutos com conceitos indeterminados. vinculada. pode ter atingido pelo poder disciplinar. Tem que ser agente público. Definir a conduta depende de juízo de valor. Enquanto os outros despacham 10 processos por dia. mas a partir do momento que a conduta foi abandono de cargo. discricionário. Existe uma infração funcional que é chamada de ineficiência e o servidor pode ser punido. Conduta administrativa: Uma certa servidora decide trabalhar com uma micro-saia. O servidor praticou a infração X. A lei diz: aplica-se a pena de demissão. A Lei 8. Aplicar a sanção não tem liberdade. Só vai ser atingido aquele que está exercitando função pública. por isso é difícil valorar se é ou não infração funcional. O que significa o poder disciplinar quando é. São duas situações. Essa conduta é escandalosa? Sim. que o caso é sempre dos mais complicados. Há um verbo. O art. quando o superior sabe que houve a prática de infração funcional. eu preciso de um juízo de valor para saber se a conduta de ineficiência aconteceu ou não. por um único dia. Em sendo assim. A decisão e.” Isso é certo ou errado? Essa é a posição de Hely e o enunciado foi considerado verdadeiro. Em sendo assim. 121 estabelece o verbo matar e a pena. definir a infração é decisão vinculada ou discricionária? É discricionária. está ok. Para definir se existiu ou não conduta escandalosa.LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof. em regra. ele só consegue fazer 1 por semana. significando que haverá um juízo de valor do administrador. Hely diz isso. Uma vez definida a conduta prevista em lei. uma conduta determinada para o tipo homicídio. será preciso emitir um juízo de valor para saber se a conduta é ou não escandalosa. discricionário? Ele é em regra discricionário. Aqui. sem remuneração. Então. Se o sujeito está na intimidade da Administração. Cuidado porque caiu em prova uma expressão: intimidade da administração. em regra. vamos precisar determinar a situação. Fundação Carlos Chagas: “Poder disciplinar é. Não tem jeito. Preciso investigar. Uma vez instaurado o processo. Mas se a gente parar para imaginar que ele cuida dos processos mais complicados que aparecem por ali e que ele cuida dos processos com mais de 25 volumes. tem o dever de instaurar o processo. O Administrador. Liberdade é definir a infração. por exemplo. o que vai acontecer com a infração funcional? Vou ao CP para explicar melhor isso. não dá. nesse caso. Significa dizer: aquele que está exercendo função pública. Avaliando o caso concreto. Vai ter que avaliar o caso concreto. crime contra a administração. Nesse ponto. vamos precisar juízo de valor porque não há conduta definida no verbo. o administrador não tem liberdade.

até a Lei 8112/90 o que havia era o tipo aberto e. ainda pode cair Hely. em regra. o chamado tipo aberto (dependia de definição). consequentemente. mas a Fundação Carlos Chagas. ou seja. Só vi aparecer a posição de Hely. mas não é a posição que tem prevalecido. A sanção não depende mais de juízo de valor. Se você quer técnico. no ano da Lei 8112. Originariamente. mas essa lei generalizou e estabeleceu o pregão para todos os entes da Federação.LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof. discricionário. É possível ou não é possível no Brasil o decreto regulamentar autônomo hoje? O que significa o poder regulamentar? Primeiro cuidado: Di Pietro não chama assim. aplicar o que quisesse. isso também havia para as infrações (que não eram amarradas por sanções). É a mesma coisa que poder Regulamentar. Ela diz que o nome certo é poder NORMATIVO que é mais abrangente. Exemplo: Hoje há no Brasil uma modalidade de licitação chamada de pregão. Vamos disciplinar complementar a lei e buscar a sua fiel execução. Hoje eu diria que é muito mais vinculado do que discricionário. sem amarrá-las. mesa são bens comuns? A lei diz que 89 . A lei elencava de um lado as infrações e do outro as sanções. neste caso. Hely falava o que falava porque escreveu em um tempo anterior à Lei 8112/90. Em 2000 foi convertido via MP para a União e hoje serve para todos os entes. Antes da CF/88. especialmente nos concursos de menor grau de dificuldade ainda aparece muito a posição de Hely. Se você se deparar com isso. antes da 8112/90. em regra. uma lista de sanções sem que se diga onde será usado. Havia a infração e havia as sanções. normatizar. O que significa bens e serviços comuns? Caneta. Poder regulamentar nada mais é do que o poder de disciplinar. não há como fugir. Alguns estatutos estaduais e municipais têm ainda aquela cara velha. Antigamente. Daí ele dizer que era. antes do Estatuto dos Servidores. Quando surgiu o pregão pela primeira vez no Brasil? Foi instituído em 1997. Eu preciso usar o juízo de valor. Poder REGULAMENTAR ou NORMATIVO A principal discussão aqui é sobre o decreto regulamentar autônomo. regulamentar sendo ele complementar à lei e à sua fiel execução. Então. não se assuste é resquício desse tempo anterior a 1990. sem vinculá-las. Instaurado o processo era vinculado. Relegava ao administrador fazer o que ele quisesse. mas eu ainda não vi isso em concurso. está previsto como regra na lei 10. Você não encontra Hely em Cespe. liberdade de aplicar a sanção. escolher a infração era discricionário e na escolha da sanção era discricionário. a nossa jurisprudência é majoritária no sentido de que escolher a sanção não tem mais liberdade. em que o administrador pode escolher o que ele quiser. para agências reguladoras. apagador. hoje. daí serem desastrosas. Então. Hely faleceu em 1990. O único espaço de discricionariedade que se resta aqui é nas infrações de conceito vago porque. havia a infração funcional em conceito vago. Hoje. TV. A partir da Lei 8112 isso está amarrado. o pregão foi instituído para aquisição de bens e serviços comuns.520/02. Algumas leis novas copiaram as antigas. sanções livres. em Esaf.ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009  Instaurar o processo: Vinculado  Definir a infração (como não temos o verbo): Discricionário  Aplicar a respectiva sanção: Vinculado Mas por que Hely dizia. Mas o resto é hoje muito mais vinculado do que discricionário. discricionário? Vou explicar através de uma história.

no momento de formalizar a sua publicação. instrução normativa. Neste caso. veio um decreto que apresentou uma lista. a forma. Então. não há que se falar em normatizar. Há autores que falam em decreto autônomo outros falam em regulamento autônomo e há os que falam em decreto regulamentar autônomo. É um ato que vai complementar a lei buscando a sua fiel execução. Isso porque o decreto é a moldura. Eu tenho que chamar de decreto ou de regulamento? Decreto autônomo ou regulamento autônomo? É preciso entender o que é decreto e o que é regulamento (sobre o autônomo falaremos mais na frente). é de decreto. o decreto diz respeito à forma do ato. Esse conceito é péssimo. O ato que me nomeia para um cargo determinado é um decreto. mas ao divulgálo. só decreto. Aqui é disciplina. Para aplicar efetivamente a lei 10. Você vai encontrar o decretolei. Então. todo decreto tem no conteúdo um regulamento? Se na forma é decreto e no conteúdo é regulamento. Esse formato é o decreto. portaria.ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009 bem comum é aquele que pode ser conceituado no edital como expressão usual de mercado. Esse decreto é exercício de poder regulamentar. mas posso ter no conteúdo outro assunto. Então. são muitos nomes. Se eu digo decreto regulamentar é porque seu conteúdo está regulamentando uma situação. Listar bens e serviços comuns é ato normativo. trazendo a lista com as substâncias proibidas é que permite saber se haverá incidência ou não em tráfico ilícito de entorpecentes. Eu posso ter esse formato. é um decreto. com significados diferentes. em âmbito federal o decreto 3. definir substâncias proibidas para o tráfico é normatizar. Atos administrativos no exercício poder regulamentar: regulamento. vai ser só decreto. regulamentar. eu preciso colocá-lo numa moldura. Ato que define regras sobre produção de substâncias alcoólicas ou sobre construção de determinada área. O principal exemplo é o regulamento.555 traz uma lista de bens e serviços comuns para a União. São todos exemplos do exercício do poder regulamentar. Esse conteúdo não é de regulamento. 90 . melhor você falar em decreto regulamentar. resolução. Então. não está praticando esse tipo previsto na lei penal. um padrão da administração. mas na forma. ato no exercício do poder regulamentar. mas nem todo decreto vai ser regulamentar. mas sua forma. Para permitir a execução dessa lei. A lista complementa a fiel execução da lei. etc. neste caso. com forças diferentes. Se no conteúdo estou disciplinando uma situação em razão do conteúdo é regulamento. Aí não tem erro. Hoje. decreto regulamentar. A partir do momento que eu tenho pronto esse ato. Eu não estou disciplinando nada. A norma. Se eu digo decreto-lei é porque seu conteúdo tem força de lei. Vamos imaginar que na lei penal existe um tipo penal que diz assim: é crime comercializar substâncias proibidas (tráfico ilícito de entorpecentes).520. seria preciso nomear o que é um bem e serviço comum porque o conceito da lei é muito vago. um conselho: se a questão discursiva usar os dois nomes juntos. Vamos entender que haja um determinado formato que tem que ser obedecido para a publicação. Isso é ato normativo. Regulamento Ato que mais aparece em prova. normatização sobre determinada situação. à moldura do ato.LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof. Essa palavra ‘decreto’ já foi utilizada no nosso ordenamento jurídico de várias formas diferentes. a forma que ele tem que tomar é de decreto. deliberação. ele vai ser um decreto regulamentar. Daí a necessidade de uma complementação. O conteúdo é um regulamento. cuidado porque tem no conteúdo o regulamento. Se o sujeito comercializa chá. com certeza. regimento. significando que ele tem que ter uma cara. o que vem depois é o que vai definir o que aquele ato realmente é. Por isso. mas há diversos outros que não tem no seu conteúdo regulamento e.

Só por isso é melhor do que as nossas regras estejam na lei. é o congresso nacional que é composto pela câmara dos deputados e pelo Senado Federal. tendo seu fundamento de validade diretamente na Constituição. O autônomo pula um dos degraus da escada (pula a lei e vai direto para a CF). normalmente. que é o processo legislativo constitucional. Esse vai ser um regulamento executivo: ele complementa a lei e vai ter o seu fundamento de validade nessa lei. E como se faz um regulamento no Brasil. vem um regulamento. É importante entender a diferença entre as leis e os regulamentos. Para regulamentar o que está na Constituição. Como numa escada). Não tem segurança. mas faz o papel de uma lei. uma lei. neste caso. Ato normativo evoca exercício de poder normativo. Basta lembrar que o Brasil já teve vários problemas: O decreto-lei era basicamente isso. Esse regulamento autônomo não é lei. quem faz é chefe do Executivo. Não vai complementar a lei. com certeza. não tem a mesma segurança que a lei.  Regulamento Autônomo – vai ter o seu fundamento de validade na própria Constituição. O que é mais seguro dentro desse ordenamento? A lei ou o regulamento? Para nossa segurança jurídica é melhor que a matéria esteja numa lei. Para regulamentar essa lei. buscando a sua fiel execução.LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof. Você encontra no direito comparado dois tipos: o regulamento executivo e regulamento autônomo. Para complementar o que está na CF. não precisa de procedimento algum e. Os regulamentos poder ser subdivididos em dois tipos. até porque sabemos que a lei precisa de aprovação diferente. de complementação. encontramos. No âmbito federal. a regra). fechado na sua sala. Leis têm representatividade que vem do Congresso. O que eu tenho é um ato complementando uma lei que vai regulamentar a Constituição. A regra geral é: da CF sai a lei e da lei sai o regulamento (esse é o executivo. Não depende de lei anterior. Regulamento executivo é a regra no Brasil: ele complementa a lei. No Brasil essa é a regra: regulamentos são executivos (regulamento complementa a lei. A lei segue processo legislativo rigoroso. a grande diferença é justamente a representatividade de quem o faz e o procedimento formal a que é submetido. e lei a Constituição. Existe alguma formalidade procedimental a ser respeitada? Não. O regulamento executivo vai seguir essa escala: da CF sai a lei. A representatividade do chefe do executivo é muito menor. Será. Como se faz lei no Brasil? Quem faz lei é a casa legislativa. Suponhamos que a lei precise também de complementação. ele faz de porta fechada do jeito que quiser. vem uma lei. Para que serve um regulamento executivo? Para viabilizar a execução da lei.ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009 (Fim da 1ª parte da aula) Há várias regras que estão na CF e que precisam de regulamentação. Ele ocupa um espaço como se fosse uma lei. É melhor que seja na lei do que no regulamento.  Regulamento Executivo – O nome já ajuda quando falamos em regulamento executivo. Se eu dou ao presidente aquilo que deve ser feito por lei. com vários detalhes. um decreto regulamentar. um ato normativo. da lei sai o ato normativo e é assim que acontece. Ele vai complementar a lei. da lei saiu o regulamento. Regulamento autônomo é possível no Brasil? 91 . Essa é a regra geral. vamos ter uma lei. Regulamento: quem faz é o Presidente de portas fechadas. como o caso da greve dos servidores. Ele disciplina regra constitucional. é perigoso. como se faz um decreto regulamentar no Brasil? Se é decreto regulamentar. Para regulamentar a Constituição. Ele serve para complementar a Constituição. A formalidade é zero. e um procedimento rigoroso. Da CF sai a lei.

se com a MP que é submetida ao Congresso o Presidente fazia o que faz com o decreto autônomo. é possível a extinção por meio de decreto. Por que passou a ser possível essa hipótese? Cargos no Brasil são criados por lei. o seu fundamento de validade na própria Constituição. mas a CF diz que se esse cargo estiver vago. Compete privativamente ao Presidente da República: VI – dispor. Ele diz que dar regulamento autônomo ao Presidente da República é quase suicídio. quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos. O administrador pode tudo. Lembrando que estamos falando de fundamento de validade na Constituição.Hely Aquele que diz que não pode . Art. a posição majoritária dizia que decreto autônomo era impossível. entre outros. Escolha pela jurisprudência. jamais. 84. VI. Esse é o autônomo no Brasil. Ocorre que a CF diz que se isso pode ser feito por decreto. o decreto sai direto da CF e tem seu fundamento de validade no texto constitucional.  Hely – Diz que é possível autônomo em qualquer caso. mediante decreto. Como regra. Essa possibilidade só surgiu a partir da EC 32/01 que alterou. b) extinção de funções ou cargos públicos. Eu digo isso porque há autores que dizem que só é 92 . É a possibilidade de autônomo no Brasil. Com a EC 32/01. arma perigosa demais. significa que esse decreto está ocupando o papel da lei e esse decreto vai ter a sua justificativa. Se esse cargo estiver vago. Ele só pode aparecer. deve ser extinto por lei. deveria ser extinto por lei. Ele diz que é possível decreto autônomo em qualquer circunstância. Por paralelismo de forma. vamos ter três respostas: 1) 2) 3) Aquele que diz que pode sempre .ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009 Quando perguntamos isso. Se eu crio por lei. Então. mas é majoritário o decreto autônomo no caso do art. 84. O STF já bateu o martelo nisso e a doutrina majoritária também.  CABM – Diz que não pode nunca. Ele traz duas alíneas dizendo que o Presidente da República poderá por decreto: α) β) Organizar os quadros da Administração e Extinguir cargo quando estiver vago. Não é pacífico. sobre: a) organização e funcionamento da administração federal. pelo princípio do paralelismo das formas. porque a CF deixou. a nossa doutrina e jurisprudência passaram a permitir o decreto autônomo no Brasil. Doutrina e jurisprudência majoritária dizem: o decreto autônomo é possível. 84. É impossível autônomo no Brasil. o art. da Constituição. Isso é fácil de entender: Se cargo é criado por lei. só pode ser usado quando deveria ser lei. quando vagos. Imagine. VI. ele pode ser extinto por decreto. Esse decreto está exercendo o papel da lei? Está.CABM Aquele que diz que pode de vez em quando – majoritária (na doutrina e STF) Os concursos estão hoje menos preocupados com doutrina e mais preocupados com precedentes. não. Basta relembrar o decreto-lei e as MP’s. E as exceções são expressamente autorizadas pela Constituição. mas cuidado! È possível em caráter excepcional. a sua extinção também deveria acontecer por lei.  Maioria – Até 2001.LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof. só pode ser usado.

sob pena de a cidade não respirar. mas há os que defendam a hipótese de decreto autônomo no art. mas não dá para lembrar de tudo. mas foi além. Para o art. Bastava abrir o CTN e copiar. E era possível consulta em lei seca. sem dúvida. O que é poder de polícia? Se limitar a velocidade e aplicar a multa é isso. O poder de polícia vai ter atuação em diversas áreas. Hoje. E a CF fala em ‘sustar’os atos que extrapolem esse poder regulamenta. 84. 225 não é pacífico ainda. Esse ato pode ser controlado? Seria possível controle pelo Judiciário? O Judiciário poderia controlar esse regulamento que extrapola o limite legal e acaba violando essa estrutura e.LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof. é possível o controle. Hoje se admite nas duas alíneas. mas a CF permite que se faça por decreto. Como você iria se sair? Trinta linhas. da CF. o que se quer com o exercício do poder de polícia? Cuidado com a palavra limitar. Poder de polícia nada mais é do que compatibilização de interesses. Esse artigo fala sobre área de preservação ambiental. Em tese. só na letra b. Se o Presidente dá aquele passo a mais. também é fácil. pode somente suspender. outros. mas não 20 andares a beira-mar. O Congresso não vai revogar. Você pode dirigir. O que acontece na Constituição se o Presidente da República extrapolar o seu poder regulamentar? Ele foi além. limitar. sob pena de ferir a segurança do trânsito. não vai retirar. 49. Para você que não sabia que no CTN tinha isso. É possível autônomo em outro caso? Há hoje uma orientação que não é pacífica ainda. Mas não tem dificuldade. 93 . Hely diz que poder de polícia significa restringir. Essa questão vira um presente. Alguns autores defendem tratar-se de decreto regulamentar autônomo. frenar a atuação do particular em nome do interesse público. quando nosso poder regulamentar é exercido de forma exorbitante. Esta é uma questão dada de presente. Você pode construir. É o que quer o público. Já caiu muito em prova (hoje menos): O art. o que quer o privado e a compatibilização entre esses interesses. mas o objetivo é o bem-estar social. CABM dá até um capítulo próprio para isso. há a possibilidade de ação judicial e as diversas ações judiciais podem ser usadas aqui e há possibilidade de controle pelo Congresso Nacional.ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009 possível na letra a. O que significa poder de polícia? Tem que aprender a fazer conceito! Lembrar na prática o que é poder de polícia (pardal que te flagra furando um sinal. mas já está sendo discutido e pode cair na sua prova. Poder DE POLÍCIA É o que mais cai em prova de concurso. A jurisprudência no STF já admitiu a possibilidade no caso de cargo vago e essa é. 225 da CF. mas ainda assim há briga. A palavra-chave é compatibilização de interesses (público e privado) na busca do bem-estar social. a criação de APAS deveria ser por lei. VI é tranquilo. mas não a 200 por hora. pode. limite de construção à beira-mar é de 8 andares em Maceió). Ele tinha que regulamentar o que estava na lei. V. portanto é inconstitucional? Eu poderia levar ao Judiciário a revisão desse ato? Com certeza! É possível o controle do poder regulamentar quando o administrador extrapola esse poder. a que mais aparece em prova de concurso. “Disserte sobre poder de polícia”. O que se quer é compatibilizar os interesses. fala dos atos que extrapolem o poder regulamentar e se o Congresso pode susta-los. Para o art.

Havendo vínculo. O que o poder público define é a forma de exercer: você pode se divertir. Não se trata de retirada de direito ou impedimento. Há um contrato de concessão. você vai ter direito a indenização. Você tem liberdade. mas só vai poder construir 8 andares. Por não poder construir os 20 andares que você quer. Quando o administrador aplica sanção em razão de infração funcional é poder de polícia? É poder disciplinar. O simples poder de polícia não gera indenização. a consequencia é indenizar. nasce o dever de indenizar. mas a 60 por hora. Se é assim. O fiscal pode fiscalizar. E se existe entre servidor e Estado uma relação. você pode dirigir. O fiscal percebe que essa beneficiadora não coloca 1k de arroz no saco como deveria. e se é assim. isso é poder de polícia? Entre a Administração e esta empresa existe um vínculo jurídico. mas a sua a liberdade tem que ser exercida de forma compatível com o bem-estar social. Aluno escola pública municipal é expulso pela direção porque colocou uma bomba no banheiro. esse poder é chamado de supremacia geral. A Supremacia GERAL e a Supremacia ESPECIAL Quando existe vínculo. estou retirando e se estou retirando o que é seu.LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof. mas em exercício da forma de se exercê-lo. Isso é poder disciplinar. transferindo o transporte coletivo ao particular. mas apenas definindo a forma de exercê-lo. É basicamente isso. isso não é poder de polícia. Pode o fiscal recolher a mercadoria e aplicar uma multa? Sim. Mas o Estado fecha um contrato de concessão de transporte coletivo. mas disciplina a forma de se exercer esses direitos. É claro que se esse poder for praticado com abuso. Então o poder de polícia não retira. Se eu digo que estou restringindo direitos. esse poder que decorre do vínculo é chamado de supremacia especial. essa posição é tranquila porque não há dever de indenizar. Pode a administração aplicar uma sanção a essa concessionária inadimplente? Sim. Isso é exercício do poder de polícia? Sim ou não? A resposta vai depender de saber o seguinte: se não tem vínculo jurídico entre a beneficiadora e o estado. há uma relação jurídica. Entendam o espírito do poder de polícia: não há que se falar em retirada de direitos. mas não pode vasculhar a mala de forma abusiva. Estado e servidor têm vínculo jurídico. há vínculo e essa sanção não é poder de polícia. Beneficiadora de arroz. Mas a empresa não está prestando o serviço. Se a Administração aplica sanção a essa empresa. 94 . basta saber se havia ou não vínculo anterior. Controle alfandegário é exercício do poder de polícia. Poder de polícia é a busca pelo bem-estar social e vai atingir liberdade e propriedade. E se o poder não decorre de vínculo. com excesso. mas a limitação do som é até meia-noite. Hoje. a sanção decorre do vínculo e não do poder de polícia. já que a CF garante o seu direito de propriedade? Quando falamos em poder de polícia.ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009 Poder de Polícia está intimamente ligado a dois direitos: à liberdade e à propriedade. você pode construir. Você tem direito de construir. Eu não posso falar em poder de policia quando há vínculo jurídico. retirando ou limitando. não limita. Servidor público praticou infração funcional. Este raciocínio é para ajudar na prova e cair exemplo prático. Isso é poder de polícia? Havia vínculo. Ela está inadimplente. haverá poder de polícia. não estamos restringindo seu direito de propriedade. A forma de se exercer direitos à liberdade e à propriedade é o que se chama de poder de polícia. Cuidado! Não há dever de indenizar por isso. há dever de indenizar. mas até 8 andares. não restringe. não pode ser poder de polícia. Para saber se é ou não poder de polícia. Entre esse servidor e o Estado. mas quando o administrador abusa desse poder.

LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof. a multa contratual decorre dessa relação jurídica e se é assim. em regra negativo. Negativo porque. Formas de exercício do poder de polícia O poder exercido pode ser exercido de três formas: Poder de polícia preventivo – Quando a Administração disciplina a velocidade para o tráfego em determinada avenida. Mas quando se vai definir as regras do teor alcoólico das bebidas. Não temos relação. não é poder de polícia. controle de pesos e medidas. Está no art. elementos do poder de polícia. do CTN. ou seja. O poder de polícia não acontece quando existir supremacia especial. Se ele vai até lá para conferir. o Estado pode cobrar uma taxa de polícia. 78. Mas você não disse que ato normativo é poder regulamentar? Mas eu digo agora que ato normativo também pode ser poder de policia. Considere essa afirmação: “Poder de polícia é. Por essa despesa. negativo. Isso é diferente de supremacia especial. o teor de álcool nas bebidas. Eu estou praticando ato normativo. O poder de polícia aparece para o estado enquanto exercício de supremacia geral. negativo. Eu posso ter atos normativos no exercício do poder de polícia. o poder de polícia não se caracteriza porque o que existe é consequência do vínculo jurídico anterior. na relação do aluno e a escola pública. Então podemos encontrar no exercício do poder de polícia os atos normativos e os atos punitivos. O poder é a prerrogativa exercida por meio de ato administrativo. o poder de polícia traz em regra uma abstenção. Por isso está lá no CTN todo o conceito. etc.” Por isso. Poder de polícia fiscalizador – controle alfandegário. tem uma despesa. não depende de relação jurídica. não dependemos dela para a atuação do poder de polícia.” Verdadeiro ou falso? Em regra. Vimos que o poder de polícia é instrumento que se materializa pela prática do ato administrativo. é. quer prevenir uma situação mais grave. A supremacia especial é aquela atuação que decorre de um vínculo jurídico anterior. Supremacia geral é a atuação do Estado independentemente de vínculo jurídico. traz uma abstenção. Por isso é. ele é negativo: “você não pode ultrapassar. fechamento de estabelecimento. que tipo de ato se está praticando? Ato normativo. Ato normativo também pode ser poder de polícia. Quando a Administração define as regras sanitárias. Multa de trânsito é ato punitivo. Nessas situações existe vínculo jurídico e se é assim. Não deixa de ser poder regulamentar. em regra.ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009 O poder de polícia tem seu fundamento no exercício de supremacia geral. O Estado busca o interesse público e o bem-estar social e isso não depende de relação jurídica anterior. Eu vou exercer independentemente de vínculo. Mas taxa não é um tributo vinculado a uma contraprestação 95 . isso não é poder de polícia. mas é também poder de polícia. independentemente de relação jurídica anterior. A sanção. você não pode colocar o som alto. Exemplo: Há supremacia especial na relação entre os servidores e o Estado. em regra. O controle de bebida alcoólica é poder de polícia. repressivo. um custo para fazer essa diligência. Nesse caráter preventivo. em razão do seu caráter preventivo. etc. Licença para construir – o fiscal vai ter que ir até o local para conferir. você não pode construir acima de 8 andares. Poder de polícia repressivo – aplicação de multa. que tipo de ato é esse? Ato normativo. um não fazer. nas relações com as concessionárias (relação de concessão). Nas situações de supremacia especial.

eu posso cobrar em taxas de policia o valor da diligência. etc. Houve uma época em que tivemos uma crise seriíssima porque as empresas ganhavam comissão por multa de trânsito aplicada. boletim de ocorrência. de trânsito. o particular não pode. Delegar poder de polícia não pode. São corporações próprias que fazem isso a exemplo da polícia civil. etc.ª Fernanda Marinela – Intensivo I – 06/05/2009 estatal? Aqui. pode ser exercido por vários entes da administração. de divertimento. 96 . Não pode delegar poder de polícia e alguns estados fizeram isso. Também é possível atos materiais posteriores. Mas o Estado não tem tecnologia para usar dinamite. Exemplo: se o poder público determinar uma demolição de obra que não respeitou regras de engenharia. do campo de atuação. o Estado pode demolir. ao controle à punição por crime. Esses atos materiais podem ser divididos em dois tipos: 1. contratam empresas para tal. Isso é ato material posterior. dependendo do objeto. não sabe implodir uma obra. Em nome da segurança jurídica. Mas a questão queria mais. Esses também podem ser delegados. a polícia administrativa representa o exercício do poder de policia. de pesos e medidas. Se o particular não demoliu. 2. Mas eu posso contratar uma empresa privada só para bater a foto. DELEGAÇÃO do poder de polícia Caiu em concurso (magistratura/MG): “É possível a delegação do poder de polícia?” Disserte. sem ganhar comissão? Isso é chamado ato material de polícia. mas vários entes diferentes podem exercer a polícia administrativa. Polícia judiciária é segurança pública. Então.  Judiciária – A polícia judiciária está ligada à contenção. É possível que o particular exerça atos materiais de polícia: simples bater a foto.). pode colocar alguém para fazer no seu lugar. STF já decidiu: não é possível a delegação do poder de polícia. A cobrança é pela diligência. Não é qualquer órgão que exerce polícia judiciária. Anteriores ao próprio exercício do poder de polícia: ato material preparatório. Decidir sobre a multa. o particular pode. o poder de polícia não pode ser transferido ao particular.LFG – ADMINISTRATIVO – Aula 08 – Prof. contenção de crime. a cobrança não foi pelo serviço porque não houve serviço. mas exercer atos materiais de polícia. Nesse caso. E podem ser posteriores ao próprio poder de polícia. no caso. ou seja. Inquérito policial. Cite duas diferenças entre polícia administrativa e polícia judiciária:  Administrativa – Quem pode exercer polícia administrativa? Muitos órgãos diferentes (controle de medicamentos. Vimos que não é possível delegar porque compromete a segurança jurídica. Vimos isso quando vimos que os conselhos de classe exercem poder de polícia.

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