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SPLINES

Anteriormente foram referidas as dificuldades que po- dem surgir quando se empregam polin´omios interpola- dores de elevado grau e a escolha da localiza¸c˜ao dos n´os foi apresentada como uma poss´ıvel via para minimizar os inconvenientes. Um outro modo de atacar o problema consiste em prescindir de usar fun¸c˜oes com demasiada continuidade,

em C (Ω). De facto, verifica-se que um excesso de regularidade das fun¸c˜oes interpoladoras pode ser pre- judicial `a convergˆencia. Por outro lado, os polin´omios continuam a ser interessantes pela sua simplici- dade. A solu¸c˜ao de compromisso ´e usar polin´omios por tro¸cos

no intervalo Ω. Ao se passar de um tro¸co para outro s´o h´a continuidade at´e uma ordem limitada de deriva¸c˜ao. Estas fun¸c˜oes s˜ao conhecidas por splines.

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Esta designa¸c˜ao teve origem na ind´ustria naval. Os splines s˜ao r´eguas de madeira usadas pelos desenhado- res para desenhar curvas suaves que passem por pontos dados no desenho de cascos de navios. Ao obrigar as r´eguas a passar pelos pontos, o desenhador est´a a cons- truir uma fun¸c˜ao interpoladora por meios mecˆanicos e dotada de uma certa regularidade que depende da maior ou menor flexibilidade das r´eguas.

que depende da maior ou menor flexibilidade das r´eguas. Spline para desenhar A an´alise revelou que

Spline para desenhar

A an´alise revelou que as r´eguas produziam curvas cuja equa¸c˜ao era uma c´ubica cont´ınua por tro¸cos e com derivadas cont´ınuas at´e `a segunda ordem.

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Defini¸c˜ao:

Uma fun¸c˜ao S ´e um spline polinomial de grau m

< x n = b

(m 0) relativo aos n´os, a = x 0 < x 1 <

se verificar as seguintes propriedades:

1. S coincide em cada subintervalo i = [x i1 , x i ],

i = 1,

, n com um polin´omio de grau m.

¯

2. S C m1 ( Ω), quer dizer, ´e cont´ınua at´e `a derivada

¯

de ordem m 1 no intervalo Ω.

O conjunto de subintervalos Ω i ´e designado por ma-

lha.

O conjunto de splines polinomiais de grau m na malha

i = [x i1 , x i ], i = 1,

, n ´e denotado por P m,n .

Designa-se por h o parˆametro da malha que ´e o

maior comprimento de entre os tro¸cos Ω i

h = max

1in h i

com

h i = x i x i1

h d´a uma ideia do n´ıvel de refinamento da malha.

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SPLINE DE GRAU ZERO

O spline mais simples tem grau zero e ´e uma constante

em cada subintervalo Ω i .

Seja S i o polin´omio de grau zero com o qual o spline

S de grau zero coincide em cada subintervalo Ω i =

[x i1 , x i ].

´

E ´obvio que

S i (x) = y i

x i1 x x i ,

i = 1, 2,

,

n

em que y i ´e o valor do spline nos subintervalos Ω i .

Para construir este spline ´e preciso fazer uma op¸c˜ao

em rela¸c˜ao `a posi¸c˜ao dos valores de y i . Estes

podem ser tomados `a esquerda, `a direita, ou ao centro

(ponto m´edio) para interpolar uma fun¸c˜ao f . A op¸c˜ao

feita afecta o erro.

Representa¸c˜ao gr´afica de um spline de grau 0

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SPLINE DE GRAU UM

A fun¸c˜ao S em cada subintervalo Ω i com um po-

lin´omio de grau 1 e S ´e cont´ınua em todo o

intervalo Ω.

Este spline ´e constitu´ıdo por segmentos de recta que

partilham os mesmos valores nodais e como tal s˜ao

cont´ınuos nos n´os.

O polin´omio S i de grau 1 com o qual o spline S

coincide no subintervalo Ω i ´e

x i x

h

i

+ y i x x i1

i

S i (x) = y i1

para

x i1 x x i

h

Os y i s˜ao os valores nodais. O spline assim gerado ´e

¯

uma fun¸c˜ao cont´ınua, S C( Ω).

Representa¸c˜ao gr´afica de um spline de grau 1

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´

SPLINE QUADR ATICO

Coincide com um polin´omio de grau 2 em cada

subintervalo.

¯

S pertence a C 1 ( Ω), ou seja, ´e uma fun¸c˜ao continua-

¯

mente diferenci´avel em Ω. Graficamente, este spline ´e formado por tro¸cos de par´abolas que se ligam de modo cont´ınuo e com tangentes tamb´em cont´ınuas.

Representa¸c˜ao gr´afica de um spline quadr´atico

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Constru¸c˜ao de um spline quadr´atico

Em cada subintervalo Ω i temos um polin´omio de grau 2. Logo, precisamos de determinar 3 coeficientes em cada um deles. Portanto, no total temos de determinar 3n coeficientes, onde n ´e o n´umero total de subin- tervalos. Como em cada tro¸co temos 2 n´os e respectivos valores nodais, em cada subintervalo temos 2 equa¸c˜oes. Ou seja, no total temos 2n equa¸c˜oes. Como existe continuidade da primeira deri- vada nos n 1 n´os interiores, temos mais n 1 equa¸c˜oes. No total, ficamos com 3n 1 equa¸c˜oes lineares. Mas temos 3n inc´ognitas!!!! Precisamos ent˜ao de uma condi¸c˜ao suplementar. Por exemplo, obrigamos a primeira derivada num dos n´os extremos a assumir um determinado valor. Concretizando

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Seja S i o polin´omio de grau 2 que coincide com S

¯

em cada subintervalo Ω = [x i1 , x i ].

A derivada S

i

[x i1 , x i ]:

¯

varia linearmente no subintervalo Ω =

S i = m i1

x i x

i

+ m i x x i1

h

i

h

onde m i designam as primeiras derivadas nos n´os:

m i = S (x i ) = S (x i ),

i

i = 0, 1,

, n

Integrando (1), obtemos

S i (x) = y i1 + m i1 (x x i1 ) 1 x 2h x i i1

+ m i (x x i1 ) 2 2h i onde tivemos em conta a condi¸c˜ao de interpola¸c˜ao:

S i (x i1 ) = S(x i1 ) = y i1

(1)

(2)

(3)

(4)

isto ´e, o spline interpola o valor y i1 em x i1 .

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Determina¸c˜ao de m i1 e m i :

Como ´e ´obvio, o spline tamb´em deve interpolar o valor

y i em x i , isto ´e:

S i (x i ) = S(x i ) = y i

(5)

pelo que, substituindo directamente em (3), vem

S i (x i ) = y i1 + h i (m i1 + m i ) = y i

2

Resulta, ent˜ao,

(6)

m i = 2 y i y i1

h

i

(7)

m i1 ,

Portanto, um spline quadr´atico constr´oi-se `a custa das

i = 1, 2,

, n

express˜oes

S i (x) = y i1 + m i1 (x x i1 ) 1 x 2h x i i1

+ m i (x x i1 ) 2 2h i

m i =

2 y i y i1

h

i

m i1 ,

i = 1, 2,

,

n

onde temos de estipular o valor de m 0 e h i = x i x i1 .

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´

SPLINE C UBICO

Coincide com um polin´omio de grau 3 em cada

subintervalo.

¯

S pertence a C 2 ( Ω), ou seja, possui derivadas cont´ınuas

¯

at´e `a segunda ordem em Ω.

Representa¸c˜ao gr´afica de um spline c´ubico

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Constru¸c˜ao de um spline c´ubico

Seja S i um polin´omio de grau 3, que coincide com

¯

o spline S, no subintervalo Ω i = [x i1 , x i ].

A segunda derivada S

i

¯

1 em Ω i , pelo que

(x) ´e um polin´omio de grau

S i (x) = M i1

x i x

h

i

+ M i x x i1

h

i

com

M i = S

i

(x i ) = S (x i ),

i = 0, 1, 2,

,

n

(8)

A M i chamamos momentos, os quais devemos determi-

nar. Integrando (8) duas vezes, obtemos

S i (x) = M i1 (x i 6h i x) 3

+ M i (x x i1 ) 3 6h i

+ c i

x i x

h

i

+ d i x x i1

h

i

(9)

onde c i e d i s˜ao constantes de integra¸c˜ao.

Determina¸c˜ao de c i e d i :

Impondo as condi¸c˜oes de interpola¸c˜ao, S i (x i1 ) =

y i1 e S i (x i ) = y i , obtemos

c i = y i1 M i1

h

h

2

i

6

6

e d i = y i M i

h

h

2

i

6

6

Substituindo (10) em (9), fica

11

(10)

S i (x) = M i1 (x i 6h i x) 3

+ M i (x x i1 ) 3 6h i

+ y i1 M i1

h

2

i

x i x

h

i

6

+ y i M i

h

h

2

i

6

6

x x i1

h

i

(11)

Determina¸c˜ao de M i1 e M i :

Derivando (11) e agrupando termos, obtemos

S

i

(x) = M i1 (x i 2h i x) 2

+ M i (x x i1 ) 2 2h i

+ y i y i1

h

i

(M i M i1 ) h i

6

(12)

Os splines c´ubicos s˜ao tais que existe continuidade das

primeiras derivadas, pelo que

S (x

i

i

) = S

i+1 (x i

+

),

i = 1, 2,

Portanto, segundo (12)

S i (x

= y i y i1
i

)

h

i

S

i+1 (x i

+

) = y i+1 y i

h

i+1

+ h i M i1

6

h i+1 M i

3

, n 1

+ h i M i

3

h i+1 M i+1

6

(13)

(14)

(15)

Igualando (14) a (15) e agrupando termos

12

h

i

6

M i1 + h i + h i+1 M i + h i+1 M i+1 = y i+1 y i

3

6

h

i+1

i = 1, 2,

, n 1

y i y i+1

h

i

(16)

Ficamos ent˜ao com n 1 equa¸c˜oes a n + 1 inc´ognitas,

que s˜ao M 0 , M 1 , M 2 ,

H´a necessidade de impor 2 condi¸c˜oes suplementares, ou seja, impor as condi¸c˜oes de fecho do spline. Conso- ante estas, teremos:

, M n .

Spline completo:

S 1 (x 0 ) = y 0 ,

S n (x n ) = y n onde y 0 e y n s˜ao dados.

Spline natural:

S

1

(x 0 ) = M 0 = 0,

S n (x n ) = M n = 0

Spline peri´odico:

y 0 = y n ,

S (x 0 ) = S (x n ),

M 0 = M n

Continuidade da 3.ª derivada em x 1 e x n1 :

S

(3)

1

(3)

(3)

n1 ) = S

n

(x ) = S

1

2

(x + ),

1

(3)

S

n1 (x

(x

+

n1 )

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||e|| 8 1 ||f || h 2

||e|| 2 1 ||f || h

Erro

n

e M i = S i (x): 2.ª derivada no n´o i (= constante)

com i = 1,

S i (x) = y i1 + m i1 (x x i1 ) + M 2 i (x x i1 ) 2

onde m i1 = S (x i1 ): 1.ª derivada no n´o i 1

Com m 0 dado (e.g. m 0 = y (x 0 ) = y 0 ), faz-se

h i i1 m i1 e M i = m i mi1

h i

TABELA DE TIPOS DE SPLINES

h i i1

+ y i xx

S i (x) = y i1 x i h x

i

m i = 2 y i y

S i (x) = y i

Express˜ao

Grau

0

2

1

,

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