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Centro de Tecnologia Mineral Ministério da Ciência e Tecnologia Coordenação de Desenvolvimento Sustentável

Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: um Panorama

Francisco R. Chaves Fernandes CETEM/MCT Joaquim Ramos da Silva Carla Guapo Costa

CT 2003-019-00 – Comunicação Técnica à Revista PROSPECTIVA E PLANEAMENTO O INVESTIMENTO PORTUGUÊS NO ESTRANGEIRO - BRASIL VOLUME – 9, pág 97-121, nº especial • 2003

MINISTÉRIO DAS FINANÇAS

VOLUME – 9 • nº especial • 2003

PROSPECTIVA E PLANEAMENTO
O INVESTIMENTO PORTUGUÊS NO ESTRANGEIRO BRASIL

Director Dra. Alda de Caetano Carvalho, Directora-Geral do Departamento de Prospectiva e Planeamento Conselho Técnico-Científico Dra. Alda de Caetano Carvalho - Directora Prof. Doutor Brandão Alves Prof. Doutor João Ferreira do Amaral Dr. Custódio Cónim Prof. Doutor António Covas Dr. Lino Fernandes Dr. João Abel de Freitas Dr. Vitor Martins Prof. Doutor Carlos Noéme Prof. Doutor Valente de Oliveira Prof. Doutor Fernando Pacheco Dra. Manuela Proença Dr. José Manuel Félix Ribeiro

Periodicidade: Anual Tiragem: 500 exemplares ISSN: 0873 - 4410 Depósito Legal: 113609/97 Concepção da capa: PIMC Impressão da capa:.Quinta Dimensão Impressão dos artigos: Departamento de Prospectiva e Planeamento Preço: €17,46 + portes de correio

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Neste artigo procura-se revisitar a trajectória da economia brasileira. com 170 milhões de habitantes. detentor de vastos recursos naturais. 9 (nº especial) 2003 P. Posição em termos de PNB e. centrando a análise no ritmo de crescimento económico e na evolução dos principais equilíbrios macroeconómicos. Por último.PROSPECTIVA E PLANEAMENTO Departamento de Prospectiva e Planeamento SUMÁRIO ARTIGOS Evolução da Situação Macroeconómica do Brasil e os Desafios a Vencer Manuela Proença 9 O Brasil é hoje uma das economias mais importantes do mundo (a maior da América Latina). Prospectiva e Planeamento Lisboa Vol. Durante grande parte do século XX foi uma das economias com mais elevado crescimento. sistematizam-se os principais desafios que. tem um enorme potencial de desenvolvimento. 1-220 . Posição em termos de população. O Brasil encontra-se entre os três principais receptores mundiais de IDE (a par da China e do México) o que constitui um indicador de atractividade em termos económicos. Com um nível de rendimento per capita relativamente baixo. na 5ª. situando-se na 9ª. Estas dificuldades revelam os estreitos limites da margem de manobra das autoridades nacionais confrontadas com objectivos de política incontornáveis – como a redução do peso da dívida pública no PIB e a redução do desequilíbrio externo – mas cuja prossecução é influenciada por factores exógenos que. tendo tido uma rápida industrialização. naturalmente. se colocam ao novo governo. uma população jovem e uma composição social muito diversificada. Todavia. na área macroeconómica. bem como as políticas que lhes têm estado subjacentes. as autoridades não controlam. a evolução da situação macroeconómica nas últimas duas décadas evidencia a vulnerabilidade da economia brasileira a choques exógenos e as dificuldades internas de gestão das políticas económicas em contextos de conjuntura externa adversos.

a dinâmica dos activos internacionais afectos à economia portuguesa. de um lugar destacado nos fluxos mundiais de investimento directo estrangeiro (IDE). no pós-guerra. distinguindo-se as empresas multinacionais das empresas mais directamente controladas pelo capital brasileiro. por cada uma das grandes regiões do Brasil. tendo a última ocorrido na década de 90. Os Novos Fluxos de IDE para o Brasil desde 1995 Joaquim Ramos Silva. em particular quanto aos países de origem e aos sectores de destino. No presente artigo concentramo-nos. propõe-se uma síntese do modelo de crescimento que caracterizou a década de 90. na análise das mudanças que acompanharam o grande aumento recente de IDE para o Brasil. Por último. e extraímos algumas conclusões sobre a sua relação com a economia brasileira.A Especialização Internacional da Economia Brasileira – um Apontamento Maria Manuel Ramos. A Internacionalização da Economia Portuguesa na Década de 90 José Félix Ribeiro 69 Este artigo analisa a internacionalização da economia portuguesa sob três ópticas – a dinâmica das actividades. José Félix Ribeiro 39 Este artigo tem como ponto de partida a descrição do perfil exportador do Brasil. Seguidamente é analisada. quais os principais actores empresariais envolvidos na dinâmica exportadora. o Brasil desfrutou. uma década marcada pelo reforço da globalização. em termos de produtos e actividades ressaltando-se a diferença de perfil entre alguns dos principais mercados de destino da exportação. claramente por vagas. Seguidamente. o processo tem-se desenvolvido de um modo irregular. Francisco Chaves Fernandes 57 Não considerando os séculos anteriores. após a implementação do Plano Real (1994). nomeadamente das actividades produtoras de bens transaccionáveis. nomeadamente o investimento internacional das grandes empresas portuguesas e a matriz geográfica das principais conexões internacionais da economia portuguesa. tendo pelo contrário crescido centrada na transformação das condições . essencialmente. mas que a economia portuguesa não aproveitou para ampliar e diversificar a sua oferta de bens transaccionáveis. apresenta-se uma breve descrição dos principais grupos empresariais não financeiros do Brasil. Porém.

O Investimento de Portugal no Exterior – Fluxos e Destinos Maria Arménia Claro. no contexto do processo crescente de globalização mundial. Contudo. Carla Guapo Costa 97 Desde meados dos anos 90. no total mundial. voltando o investimento directo do exterior em Portugal a superar o de Portugal no exterior. data da sua instalação. Susana Escária O presente artigo pretende analisar. medida pelo produto. Factores de Atracção do Investimento Português no Brasil – uma Análise Exploratória Carla Guapo Costa 123 . como número das empresas-mãe e suas subsidiárias. do que em termos da sua dimensão económica. sob a forma de participação nos capitais próprios das empresas. com destaque para as actividades ligadas ao território – imobiliário residencial e comercial. ao passar de receptor liquido de investimento estrangeiro a investidor liquido no exterior. dimensão e sectores de actividade principal. os investimentos no Brasil destacam-se claramente no contexto da internacionalização das empresas portuguesas. Francisco Chaves Fernandes. a evolução recente do investimento directo de Portugal no exterior. assistiu-se a uma inversão desta tendência. em 2002. traduziu-se. 87 Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: um Panorama Joaquim Ramos Silva. territoralidade das empresas em Portugal através da localização geográfica de origem por distritos e regiões de Portugal e sua implantação regional no Brasil. Neste trabalho apresenta-se uma caracterização das empresas portuguesas que se têm instalado no Brasil. nas suas diversas vertentes. No contexto internacional. A necessidade de internacionalização das empresas portuguesas. O investimento das empresas portuguesas tem privilegiado mercados como o mercado espanhol e brasileiro e sugere uma estratégia de consolidação. na alteração qualitativa do posicionamento de Portugal nos fluxos de Investimento Directo Estrangeiro. a economia portuguesa tem vindo a ganhar mais em termos do peso dos fluxos de investimento directo no exterior. já que este investimento tem vindo a realizar-se predominantemente. em relação a uma série de indicadores. sectores infra-estruturais etc. a partir de 1998.domésticas.

quer aos factores de ordem económica. a partir de 1995. Cimpor. os resultados deste processo e as suas perspectivas futuras. não tenham conjunturalmente propiciado as condições de exploração previstas. o Brasil. em todos os casos considerados. entretanto. A internacionalização é. constata-se que quer os níveis de exposição externa quer os respectivos resultados são algo dispares nos quatro casos analisados. . destacando-se individualmente o Brasil. concedendo um destaque especial. Todos os dados disponíveis sugerem que. com destaque para o IDE. Verifica-se. se instalou e a agudização da situação do principal mercado de acolhimento. Os Sectores Infra-estruturais na Internacionalização da Economia Portuguesa Carlos Nunes 147 Este artigo aborda a internacionalização de quatro grandes empresas portuguesas dos sectores infra-estruturais (Brisa. de longe o mercado mais relevante e o único em que aquelas quatro empresas se encontram presentes em simultâneo. o Brasil. tais como exportações. ainda que o clima económico desfavorável que. o que afectou os negócios eléctrico e das telecomunicações. o nosso objectivo ao longo deste estudo centra-se na identificação dos principais factores de atracção do investimento realizado pelas empresas portuguesas em território brasileiro.A observação atenta da evolução da economia portuguesa na segunda metade da década de 90 permite verificar que a internacionalização de algumas das mais relevantes empresas do tecido empresarial nacional constitui uma das características principais dessa evolução. a sua composição e dimensão actuais. sucessivamente. logo. alianças estratégicas e Investimento Directo Estrangeiro (IDE). embora seja possível identificar uma orientação para o sub-continente sul-americano. os alvos e o papel da internacionalização nas respectivas estratégias. Assim. tendo os anos 90 testemunhado um ressurgimento muito significativo nas relações económicas luso-brasileiras. EDP e PT) considerando-se. quer aos determinantes relacionados com a denominada proximidade cultural existente entre os dois países. uma aposta recente. Mesmo tratando-se de um fenómeno recente e. o processo de internacionalização desenvolvido pelas empresas portuguesas tem vindo a assumir várias formas. que esses fluxos não se dirigem para um único destino. não suficientemente consolidado. pontificando como destino preferencial dos investimentos efectuados. igualmente.

young population and a very diversified social structure.PROSPECTIVA E PLANEAMENTO Departamento de Prospectiva e Planeamento ARTICLES Macroeconomic Evolution in Brazil and its Challenges Manuela Proença 9 Nowadays Brazil is one of the most important world economies (the greatest in Latin America) positioned in 9th place in terms of GDP and in 5th place in terms of population (170 million inhabitants). This paper analyses Brazilian economy mainly the economic growth rhythm and the evolution of the main macroeconomic information as well as respective policies. Brazil is one of the three main world FDI receivers (together with China and Mexico). Nevertheless the macroeconomic evolution in the last decades shows the vulnerability of Brazilian economy to exogenous shocks and internal difficulties of economic policies in adverse external environment. which means an actractivity indicator. large natural resources. These difficulties show the limits of national authorities possibilities whenever facing difficult policy aims. Finally the main macroeconomic challenges of the new Government are analysed. During the 20th century it was one of the economies with highest growth and fast industrialization. Prospectiva e Planeamento Lisboa Vol. 9 (special issue) 2003 P. 1-220 . such as reduction of public debt in GDP and external imbalance. Brazil owns a development potential with a low per capita income.

Then the author presents synthetically the proposal of the growth model of the 90’s. The New FDI Flows to Brazil since 1995 Joaquim Ramos Silva. presenting the difference between the multinationals and the Brazilian firms. This paper presents the changes of the recent strong increase of FDI to Brazil. it was developed as if in waves. José Félix Ribeiro 39 This article begins with the description of the Brazilian export profile. Some conclusions of its relationship with Brazilian economy are drawn. The Internationalization of the Portuguese Economy in the 90's José Félix Ribeiro 69 This paper analyses the internationalisation of the Portuguese economy under three points of view – activities dynamics (namely activities concerning tradeable goods).The International Specialisation of the Brasilian Economy Maria Manuel Ramos. Finally a short description of the main nonfinancial groups in Brazil is presented. namely in what concerns the origin countries and the destination sectors. presenting the differences among some of the main export destinations of Brazil. not seizing the opportunity to enlarge and diversify tradeable goods offer. On the contrary the Portuguese economic growth was centralized in the domestic conditions change. dynamics of international liabilities in the Portuguese economy (namely the international investment of large Portuguese firms) and the geographical input-output table of the main international connections of the Portuguese economy. infrastructure sectors and residential and commercial properties. being the last one in the 90’s after the implementation of “Plano Real” (1994). For each of the large Brazilian regions the author analyses the main exporters. However it was not a regular process. Francisco Chaves Fernandes 57 In post-war times Brazil was placed in an important position in the world flows of foreign direct investment. a decade characterized by the globalization reinforcement. . namely in what concerns territorial activities. in terms of products and activities.

The Portuguese Direct Investment Abroad – Flows and Destinations Maria Arménia Claro. the internationalisation process carried out by those firms has been assuming several forms. In fact. Portuguese Firms and Subsidiaries in Brazil: a Panorama Joaquim Ramos Silva. the importance of Portuguese direct investment in world foreign direct investment flows has grown much larger than its importance in world GDP. from 1995 onwards. Between 1998 and 2001. joint ventures. The main destinations of Portuguese direct investment are Brazil and Spain and are increasingly made through participation in equity capital. specially. although we can identify. size and activity sector. Main Determinants of Portuguese FDI in Brazil – an analisys Carla Guapo Costa 123 If we take a closer look at the evolution of Portuguese economy for the past five years. Susana Escária 87 This paper tries to analyse the evolution of Portuguese direct investment abroad. starting with greater emphasis on the second half of the nineties. In fact. according to Brazilian Central Bank. settlement date. especially Brazil. strategic alliances and. FDI. a strong tendency toward South America. in the recent years. geographic location in Portugal by “distritos” and regions. such as exports. all the available data suggest that. regional location in Brazil. as the number of enterprises and their subsidiaries. This paper presents a characterization of Portuguese firms settled in Brazil with several indicators. Francisco Chaves Fernandes. we won’t be surprised to find out that the internationalisation of its best performing companies is one of the main features. In the context of globalisation. in 1999 and 2000. outflows grew faster than inflows and due to that fact Portugal became a net direct investor in that period. Carla Guapo Costa 97 Since the 90’s in the context of the internationalisation of Portuguese firms the investments in Brazil are outstanding. Portugal was the third . Besides. Those flows have no single destination. it was very important to Portuguese firms to strength the economic relations with other countries.

internationalisation is a recent aim having as preferential destination Brazil. both the ones relying in economically based characteristics and the ones related to cultural issues. the main goal of this study was to identify the main determinants of Portuguese FDI in Brazil. The Infrastructural Sectors in the Internationalization of Portuguese Economy Carlos Nunes 147 This paper presents the internationalisation process of four large Portuguese enterprises operating in infrastructural sectors (the cases of Brisa. For all of them. Cimpor. the most relevant market and the only one where they operate simultaneously. the results and the levels of external exposition are quite different in the four analysed cases. following the United States and Spain. . EDP and PT).largest foreign investor in Brazil. The author analyses its structure and size. the aim and role of internationalisation in their strategies. the results of this process and future perspectives. Being a recent and not consolidated phenomenon. Therefore.

Castro. entre as suas empresas. Terceiro. o processo foi acompanhado por um crescimento geral dos principais fluxos bilaterais. 2002).Prospectiva e Planeamento. assinalar que várias razões contribuíram para o interesse analítico desta experiência. dando neste plano. Primeiro. ao paradigma OLI de John Dunning e ao investment development path (Buckley e Castro. vale a pena referir três. no essencial). os investimentos no Brasil destacam-se claramente no contexto da internacionalização das empresas portuguesas. história partilhada e afinidades culturais na decisão de investir no exterior (Silva. brasileiros e internacionais se tenha. em particular as teses subjacentes à Escola Nórdica. 1999. este maior relacionamento entre as duas economias e. 9 (nº especial) 2003 EMPRESAS E SUBSIDIÁRIAS PORTUGUESAS NO BRASIL: UM PANORAMA Joaquim Ramos Silva ISEG/UTL Francisco Chaves Fernandes CETEM/MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia. 1998. Segundo. novamente e de uma forma cristalina. Brasil Carla Guapo Costa ISCSP/UTL INTRODUÇÃO Desde meados dos anos 90. com escassa experiência neste domínio. a validade das principais teorias explicativas que lhe são aplicáveis. desde já. Para começarmos. uma fisionomia própria à década 1992-2002. era um caso que se oferecia com vista a testar. 2002. em particular. surgia como uma ocasião por excelência a fim de avaliar o peso de factores específicos como língua comum. Este facto é tanto mais de salientar quanto traduz algum rompimento com a lógica de elevada concentração geográfica das relações económicas externas portuguesas que se tinha instalado nas últimas décadas (e que permanece. 2000). 2002). Tendo em conta este conjunto inicial de razões. o que é tanto mais relevante quanto ele convergiu com a crescente globalização e integração regional (Silva. tratando-se da fase inicial da internacionalização das empresas portuguesas. nos . não surpreende que um número significativo de investigadores portugueses. Costa. É importante.

1 analisando-a sob diversas vertentes e melhorando o nosso conhecimento global sobre a questão. os dados do Banco de Portugal incluem apenas os investimentos de empresas com sede no país. Silva. ainda que estes não sejam definitivos (é o caso do ano de 2002). por exemplo.2 2929.4 2. referimos ainda Silva (1998).Joaquim Ramos Silva.3% (ainda que esta taxa tenha sido superior a 50% em 1999. o investimento directo português no Brasil (IDPB). Mesmo excluindo a problemática dos off-shores. 2002). Castro e Buckley (2001). os investimentos no Brasil através de subsidiárias estrangeiras de grupos nacionais (por exemplo. investiramse16068. como se pode observar através do gráfico 1. Carla Guapo Costa últimos anos. ao passo que a situação inversa será menos comum. De uma forma geral. Francisco Chaves Fernandes. Em termos numéricos. como questão mais de 2 1 98 .5 969. segundo as estatísticas do Banco de Portugal divulgadas no início de 2003. milhões de euros correntes) 4082. o que dá uma taxa de desinvestimento global de 34. e sem qualquer preocupação de sermos exaustivos. debruçado sobre a experiência. Em termos brutos. Simões (2001). e que uma literatura relativamente extensa tenha mesmo surgido. Guedes e Olivares (2003) e de um número crescente de teses e dissertações já concluídas ou em curso.9 milhões de euros. De resto. é de admitir que estes valores se encontrem aquém da realidade.6 276.3 200.6 1501. pelo que nos limitaremos a apresentar aqui uma perspectiva de conjunto que incorpore os dados mais recentes.5 IDPB 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Nota: Os dados incluem os lucros reinvestidos a partir de 1996 Fonte: Banco de Portugal. assim. Costa (2001). Assim. Gráfico 1 PORTUGAL: INVESTIMENTO DIRECTO NO BRASIL. Mendonça (2001a e b). foi da ordem de 10557.1 23. CIMPOR ou SONAE) não são considerados. 1993-2001 (saldo.9 milhões de euros no mesmo período. em saldo. o processo está agora razoavelmente documentado em obras que já foram publicadas (por exemplo. e tenha mesmo aumentado nestes dois últimos anos)2 Para além dos trabalhos já citados. 2001 e 2002. no período 1995-2002.4 575 -0.

também estas fontes não cobrem todo o universo (apenas os investimentos acima de 10 milhões de USD). importa salientar que os investigadores que trabalham sobre IDE recomendam que. apenas na primeira metade da década de 903. 1997.pt/~cedin/portugalbrasil. A nível global. mas também pelo recurso a outras fontes) que nos veio permitir uma caracterização mais fundamentada das empresas portuguesas que se têm instalado no Brasil. as fontes estatísticas do país de acolhimento (mais que as do país da empresa-mãe). Ver artigo de Silva e Fernandes no presente volume. para efeitos de determinação da origem do IDE. um dos principais escolhos que. designadamente no que respeita aos seus resultados e à compreensão das estratégias adoptadas. 99 . o seu pico verificou-se mesmo em 1998. se utilize de preferência. fundo.Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: Um Panorama Seja como for. e visando facilitar o exame e o acompanhamento das trajectórias efectivas das empresas portuguesas no Brasil desde a sua instalação. "As Novas Relações Portugal-Brasil num Contexto de Globalização e Integração Regional: Tendências e Estratégias". desde logo.utl. constituiu-se em 2001. o Banco de Dados do Observatório dos Investimentos Portugueses no Brasil integrado no Projecto de Investigação5 que tem sido desenvolvido no CEDIN/ISEG/UTL em cooperação com o CETEM/MCT/Rio de Janeiro. e independentemente da irregularidade que é típica destas séries. se levantava ao avanço da investigação era a inexistência de um banco de dados credível sobre a presença das empresas portuguesas no Brasil. no caso brasileiro. Procurando superar esta limitação. esta dificuldade era acrescida pelas constantes revisões das séries de investimento directo e pelas já referidas insuficiências estatísticas que perturbam a sua cobertura exacta e fiável. mas cremos que ela se justifica a fim de demonstrar as potencialidades desta metodologia e incentivar o seu aprofundamento. impunha-se previamente um levantamento eficaz das empresas portuguesas internacionalizadas no Brasil que possibilitasse uma primeira caracterização com vista ao aprofundamento necessário do estudo científico da experiência. para mais pormenores ver site: http://www. quando alcançou cerca de 4% do PIB português4. até certo ponto natural na medida em que se tratava de um fenómeno ainda recente.iseg. É óbvio que uma das questões prioritárias para a investigação tinha a ver com a tradução destes valores em termos de presença concreta das empresas portuguesas e suas subsidiárias no Brasil. 1994 e Mendonça. 3 4 5 Ver Silva. entre 1996 e 2002. o IDPB atingiu sem dúvida níveis elevados para um país cujas empresas se começaram a internacionalizar de modo significativo através do investimento directo estrangeiro (IDE). O presente trabalho é resultado da investigação realizada neste âmbito (que passa não só pela recolha e interpretação de dados e a realização de inquéritos directos às empresas. uma ferramenta essencial com vista ao acompanhamento e à avaliação sólida e fundamentada da experiência. O processo de privatizações brasileiras ajudando. Todavia. Assim. trata-se de uma apresentação de resultados ainda com muitas imperfeições. Obviamente. todavia.

como ainda das suas actividades económicas principais e da sua localização física. a EDP (22). activo. tanto para o Brasil como para Portugal. VAB. devido à sua importância quantitativa ou exemplar. existindo também joint-ventures entre grupos distintos portugueses. água. uma prática corrente nas actividades económicas das concessões (electricidade. uma malha vertical extensa. tendo em conta os resultados a que foi possível chegar. dimensão e sectores de actividade principal. o caso de algumas empresas. saneamento e auto-estradas). bem como empresas of one purpose6. tendo em conta a informação acumulada. data da sua instalação. principalmente com funções de holding de participações e de consórcio. distritos (ou regiões) e sectores serão referidos com maior detalhe bem como cruzaremos os principais indicadores. No final. só os grandes grupos portugueses que investiram no Brasil constituíram mais de 100 subsidiárias. AVALIAÇÃO GLOBAL DO NÚMERO DE EMPRESAS PORTUGUESAS E SUAS SUBSIDIÁRIAS NO BRASIL – DATA DE INSTALAÇÃO As informações reunidas pelo Banco de Dados permitem-nos fazer uma aproximação ao número total das empresas portuguesas que se têm internacionalizado no Brasil. Francisco Chaves Fernandes. Carla Guapo Costa Assim. terminando esta conclusão. capital próprio e número de empregados). como número das empresas-mãe e subsidiárias. Quando tal se justificar. a AdP/EPAL (3). entre portugueses e brasileiros. a maior parte está acessível em site. em relação a toda uma série de indicadores. É sobre este universo que a nossa análise se vai principalmente centrar. A título de exemplo. com referência a Março de 2002. 240 empresas-mãe estão ainda melhor identificadas em Portugal. podia-se fazer o seguinte diagnóstico: • existiam 304 empresas-mãe portuguesas controlando 370 subsidiárias que constituíram formalmente no Brasil.Joaquim Ramos Silva. importa sublinhar que avançaremos aqui na tipologia geral das empresas portuguesas no Brasil. • As listas destas subsidiárias estão directamente disponíveis nos Relatórios Anuais de Actividades que os principais grupos económicos portugueses disponibilizam. salientamos as principais características do processo e levantamos algumas hipóteses e relações entre elas visando o prosseguimento da investigação sobre a experiência. 6 100 . Destas. a ANA e a SOMAGUE (6 empresas cada) e ainda o grupo SONAE que actua no Brasil em mais quatro áreas de negócios distintas da dos supermercados (19 empresas). localização na origem e no destino. Assim. segundo os principais resultados nos items do último balanço disponível (volume de negócios. dispõe-se de dados precisos sobre a razão social e a natureza jurídica de cada uma delas. necessárias à operacionalidade da sua logística. refiram-se alguns casos de criação de subsidiárias: a PT (12 empresas). Esta é. entre portugueses e outros grupos estrangeiros. aliás.

só na área de negócios do sector de distribuição do comércio retalhista. que controla uma extensa rede brasileira de rent-a-car (Unidas) espalhada pelo território brasileiro. na base da identificação já conseguida e tratada pelo Banco de Dados. durante 2002 houve. o conjunto de empresas obtido é representativo e permitenos não só ter uma visão geral do processo. 7 101 . da dezena de localizações produtivas da CIMPOR.Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: Um Panorama • detém-se ainda uma lista adicional de mais de 300 outras localizações económicas individualizadas do capital português no território brasileiro. por parte de empresas portuguesas. Todavia. é óbvio que este apuramento é susceptível de melhorias futuras. um vultuoso investimento avaliado em 1700 milhões de euros (também com referência a Março de 2002)7. por exemplo nos casos da Jerónimo Martins e da ENSITEL. como ainda colmatar a falta ou as deficiências das estatísticas oficiais. saídas ou anúncio de saídas. sendo de destacar a muito diversa localização dos supermercados dos grupos portugueses. como se sabe. estes processos podem ser longos e mais ou menos parciais. tal como aliás se quantificará mais adiante. Nesta área. quando pretendemos efectivamente estudar a internacionalização das empresas portuguesas no Brasil. ou da SAG/SIVA/Pereira Coutinho. todavia. Tendo em conta que se trata de uma primeira avaliação numérica. com grande preponderância nos Estados situados a Sul e Sudeste. Gráfico 2 EMPRESAS PORTUGUESAS: PERÍODO DE INSTALAÇÃO NO BRASIL 70 60 50 (em %) 40 30 20 10 0 1959-1995 1996-1999 Anos 2000-2001 13 26 61 Fonte: Resultado do inquérito conduzido junto das empresas portuguesas no Brasil.

Carla Guapo Costa Ainda neste ponto. Leiria e Braga. 102 . registam-se valores iguais ou inferiores a cinco empresas e em quatro (Castelo Branco. 1981. Francisco Chaves Fernandes. primeiro por distritos e depois por regiões. Como o Banco de Dados não nos permitiu uma informação abrangente e uniformizada sobre esta questão. consideramos também a distribuição das empresas por regiões e Estados brasileiros. A terminar o ponto. a referência clássica de Hymer. prejudicando a sua representatividade. Apesar do número de respostas não ter sido elevado (73). procurou-se suprir esta lacuna através de inquérito directo.Joaquim Ramos Silva. Verifica-se que há uma concentração nítida das empresas no distrito de Lisboa (43% do total de empresas) e o segundo distrito de origem mais importante é o Porto (com 26% do total). quer na origem quer no destino. Aí se constata que a clara maioria das empresas veio para o Brasil apenas em 1996-99. pois este factor pode ser muito importante na explicação dos motivos que estiveram na base da decisão de investir no exterior8. TERRITORIALIDADE EM PORTUGAL E IMPLANTAÇÃO REGIONAL NO BRASIL Um dos temas que mais interesse suscita quando se estuda o IDE tem a ver com a territorialidade da empresa. Assim. pretende-se começar por fazer uma análise da territorialidade destas empresas. numa perspectiva de conjunto. confirma-se mais uma vez o carácter recente do processo. outro indicador que importa considerar tem a ver com a data de instalação das empresas portuguesas. por distritos e regiões de Portugal. e mesmo o biénio 2000-01 regista uma percentagem mais elevada de instalações do que o longo período 1959-95. em torno dos dois grandes distritos económicos do país. mais uma vez. neste caso com tendência para a internacionalização. apenas com uma ou outra excepção. que passou a desempenhar um papel relevante na sua internacionalização. 1975. os resultados estão patentes no gráfico 2. 8 A este propósito veja-se por exemplo. nos restantes. Assim. Faro. nota-se que apenas 5 distritos dos 18 que constituem a nomenclatura distrital portuguesa (Continente). ou ainda Newfarmer e Muller. alteraram de forma radical a sua postura face a este mercado. através da determinação do local geográfico de origem. o que reproduz. 1960. e que as empresas portuguesas depois de terem vivido décadas de costas voltadas para o Brasil. apresentam uma participação significativa: Lisboa. Aveiro. O quadro 1 e o gráfico 3 mostram os resultados obtidos. Analisando as empresas-mãe na sua localização de origem. Porto. e Dunning e Pearce. e extraímos algumas conclusões sobre a localização. Guarda e Portalegre) não se localiza mesmo nenhuma. a polarização das unidades empresariais mais dinâmicas.

6 2.5 25.4 100. como veremos adiante ao cruzarmos a localização das empresas com a actividade económica.4 5. e. com 5%. verifica-se uma certa concentração nestes distritos das empresas portuguesas que estão internacionalizadas no Brasil.8% do Porto). No entanto.4 0.5% de Lisboa e 25.1 0. 103 . Os valores do distrito de Aveiro e. que no essencial pertence à mesma região.8 0. são sem dúvida muito significativos. designadamente pequenas e médias empresas (PME) que actuam em ramos industriais avançados e/ou competitivos (moldes. o quarto por ordem decrescente.8 0. Assim.0 4.4 0. em menor grau.4 0. uma análise mais detalhada permite-nos chamar a atenção para outra dimensão menos óbvia da territorialidade. com 15% de participação no número total de empresas-mãe (42. surpreendente: o terceiro distrito em termos de proveniência é o de Aveiro.8 15. SEGUNDO O DISTRITO Distritos Lisboa Porto Aveiro Leiria Braga Setúbal Viseu Funchal Coimbra Bragança Vila Real Viana do Castelo Santarém Beja TOTAL Empresas (n ) 102 62 37 12 11 5 2 2 2 1 1 1 1 1 240 o % 42. à primeira vista. importa sublinhar um facto marcante e.Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: Um Panorama Quadro 1 PORTUGAL: A LOCALIZAÇÃO DAS EMPRESAS-MÃE COM IDE NO BRASIL.0 Fonte: Elaboração própria pelos autores (2002). seguido ainda pelo distrito de Leiria. de Leiria.4 0.8 0.

Apenas mais um distrito de Portugal. Em complemento da abordagem anterior. a fraca representatividade das regiões da Madeira e do Alentejo e finalmente a ausência de participação das Regiões do Algarve e dos Açores. máquinas e equipamentos pesados e cerâmica). Saliente-se. igualmente.5%) e da Região Centro (21. por vezes correspondendo a clusters que estão a emergir. com base na classificação do Eurostat (gráfico 3). com apenas 2. interessa agora ver como se localizam regionalmente os investimentos das empresas portuguesas no Brasil. o que suscita alguma perplexidade. salienta claramente o peso da Região de Lisboa e Vale do Tejo (com 45% do total). Tendo em conta que 104 . Relativamente a outros distritos com maior potencial económico (Setúbal.Joaquim Ramos Silva. uma análise mais agregada por grandes regiões portuguesas. por exemplo. com alto poder económico e elevada contribuição para o rendimento nacional. é de ter também em conta a tradição destes dois distritos no domínio da exportação e da abertura ao exterior. Carla Guapo Costa componentes e acessórios de veículos. o que evidencia um posicionamento nos lugares cimeiros da cadeia de valor.1% e cinco empresas). SEGUNDO AS REGIÕES (EUROSTAT) Centro 21% Alentejo 0% Madeira 1% LVT 45% Norte 33% Fonte: Elaboração própria pelos autores (2002). a fraca representatividade do distrito de Coimbra. o de Braga. Registe-se. já que se trata de um distrito. Gráfico 3 PORTUGAL: A LOCALIZAÇÃO DAS EMPRESAS-MÃE COM IDE NO BRASIL. e em actividades de consultoria e serviços prestados a outras empresas.3%). com 4. em termos relativos. a soma das duas últimas ultrapassa claramente a primeira e representa mais de metade do total. Francisco Chaves Fernandes.6%. Ainda. em claro contraste com os vizinhos Aveiro e Leiria. no entanto. seguida da Região Norte (32. igualmente. tem alguma outra participação de relevo.

5 4. mas que também são. POR ESTADO FEDERATIVO (em percentagem) 48 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 22 10. As outras três Regiões (Centro-Oeste.5 5. o investimento espalha-se geograficamente. Deve-se. quando se trata de unidades produtivas9. Gráfico 4 BRASIL: DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DO INVESTIMENTO PORTUGUÊS. Rio de Janeiro e Minas Gerais).1% do total.1 São Paulo Minas Rio de Paraná Santa Rio Janeiro Catarina Grande Gerais do Sul Outros Fonte: Resultado do inquérito conduzido junto das empresas portuguesas no Brasil Como se pode constatar. procurámos analisar esta distribuição através de inquérito directo às empresas.1 4. ficam apenas com pouco mais de 10% do total. Assim. e que através do Banco de Dados se tornava difícil esta caracterização de forma precisa.8 5. em termos gerais. bem como não se levam em conta os estabelecimentos comerciais. em particular. só o grupo CIMPOR dispõe de seis fábricas de cimento e as quatro fábricas de betão em diversos Estados. no entanto. 9 Por exemplo. menos desenvolvidas. como os das redes de supermercados. Nordeste e Norte). que ocupam a grande maioria do território brasileiro. Paraná) surgem com 15. nos três grandes Estados da Região Sudeste (São Paulo. 105 . mas também sem fugir a uma nítida concentração. os três Estados da Região Sul (Rio Grande do Sul. Os resultados são apresentados no gráfico 4. Santa Catarina.Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: Um Panorama os dados apurados pelo ICEP assentam essencialmente na localização das sedes sociais (por vezes meras representações). Em segundo lugar. que inclui ainda Espírito Santo. localizam-se quase 3/4 do total. ter presente que estes números não consideram a localização das subsidiárias.

quer no país de origem quer no de destino. 70% do total e essa participação percentual vai diminuindo progressivamente até atingir cerca de 9%. revelaram-se importantes fontes de informação. Por outro lado. Ainda uma contagem somente nas "1000 Maiores do EXPRESSO" (2001). com efectivos investimentos. na medida em que no Banco de Dados.11. Santa Catarina e Paraná). DIMENSÃO DAS EMPRESAS: ASPECTOS BÁSICOS Neste domínio. distritos de Lisboa e Porto versus Aveiro e Leiria). Carla Guapo Costa Deve-se ainda referir que a situação pode ser diferente de sector para sector10. Comparando-se as empresas nelas citadas. esta é uma área onde se impõe uma investigação mais aprofundada. apenas se dispõe de informações parciais e ainda bastante dispersas. Assim.500 empresas. Claramente. vindas a lume em EXAME (500). a lista da FE–Federação Empresarial e ainda o TOP Business (divulgado em CD pelo Semanário Económico e pela revista Fortunas) contendo 3.Joaquim Ramos Silva. começou-se por investigar quais são as empresas-mãe que estão internacionalizadas no Brasil e que figuram nas mais relevantes publicações anuais da imprensa que compilam os balanços das empresas portuguesas. Diário de Notícias (1000). com o nosso Banco de Dados onde constam os accionistas portugueses das empresas estabelecidas no Brasil. permite concluir que as "Maiores das Maiores" empresas portuguesas estão esmagadoramente internacionalizadas no Brasil conforme se verifica no quadro 2: no extracto das 10 Maiores figuram 7 empresas com internacionalização no Brasil. correspondendo a 41% do nosso universo de 240 empresas. conclui-se que se encontram no Brasil. 106 das 1000 Maiores Empresas/Grupos Portugueses constantes dessas listas. EXPRESSO (1000). a análise da territorialidade. A consulta das publicações anuais sobre as "Maiores Empresas Portuguesas". 11 10 106 . Em conclusão. a fim de ter uma imagem tão exacta e extensa quanto possível dos investimentos portugueses no Brasil. pelo menos no tocante às grandes empresas. os grupos hoteleiros portugueses têm realizado importantes investimentos na Região Nordeste do Brasil. ou seja. as das PME dos mesmos periódicos. mostra que os investimentos empresas portuguesas no Brasil procedem de distritos (e regiões) relativamente mais desenvolvidas e com maior potencial económico mas também de outros com tradição de abertura ao exterior e com alguns segmentos produtivos modernos e competitivos (grosso modo. localizam-se em regiões que no conjunto têm algumas semelhanças à da sua territorialidade de origem (São Paulo e Rio de Janeiro versus Rio Grande do Sul. 88 empresas num total de 1000. Francisco Chaves Fernandes.

dividindo-o em dois grupos. 12 107 .Nas 1000 Maiores Empresas 7 17 24 61 88 % 70. ou mais. ou. conjuntamente. 32% do total do número total de empresas. precisa de satisfazer simultaneamente os três requisitos seguintes: • • • ter menos de 250 trabalhadores. de várias empresas que não se enquadrem na definição de PME ou de pequena empresa. mas também pelas PME.Nas 500 Maiores -.Nas 50 Maiores -. Quadro 2 AS EMPRESAS PORTUGUESAS INTERNACIONALIZADAS NO BRASIL QUE FIGURAM NO EXPRESSO 1000 MAIORES (2001) 1000 Maiores Empresas Portuguesas -. É de relembrar que temos referenciadas mais cerca de 60 empresas das quais não se conseguiu identificar ainda a empresa-mãe portuguesa. do capital ou dos direitos de voto de uma outra empresa.8 Fonte: Elaboração própria pelos autores (2002) Para o conceito de PME. segundo a qual uma empresa para se encontrar nesta categoria. das Grandes Empresas (GE) e das Pequenas e Médias Empresas (PME).Nas 100 Maiores -. cumprir o critério de independência: – não são propriedade. por exclusão.Nas 10 Maiores -. adoptou-se a Recomendação da Comissão 96/280/CE de 1996. a internacionalização para o Brasil foi predominantemente feita pelas GE.Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: Um Panorama No segundo passo. 77 empresas. o que presumivelmente poderia elevar um pouco mais a participação das PME até no máximo de 40% de participação. respectivamente.0 12. conforme seja o caso. Estes foram os três critérios utilizados na nossa metodologia de classificação e quando uma empresa não os preenchia era classificada como GE. em 25%.0 34. que representam 163 empresas num total de 240. procurou-se apurar a dimensão através da participação no universo das empresas internacionalizadas no Brasil.2 8.0 24. Como se pode constatar através do gráfico 5.12. apresentar um volume de negócios anual que não exceda 40 milhões de euros ou um balanço anual total que não exceda 27 milhões de euros. numa proporção de cerca de duas para uma. uma participação de 68%.

Na área de negócios de distribuição. obtendo resultados muito expressivos em poucos anos (início em 1997). Carla Guapo Costa Gráfico 5 PORTUGAL: EMPRESAS NO BRASIL SEGUNDO A SUA DIMENSÃO – GE E PME PME 32% GE 68% Fonte: Elaboração própria pelos autores (2002) Apresentam-se em seguida alguns casos que consideramos significativos. • • • 13 Segundo o Expresso de 11 de Maio de 2002. 3º lugar. a Portugal Telecom. viabilizou-se como um protagonista de peso global na área das telecomunicações. na área de geração de vários grandes projectos de construção de barragens em diversos Estados brasileiros. entre outros possíveis de internacionalização para o Brasil. a EDP que além de deter no Brasil concessões de distribuição de energia de dimensão equivalente à de Portugal.Joaquim Ramos Silva. controla 10% do mercado brasileiro da indústria do cimento e ilustra também um caso de sucesso. o resto da Europa com 30% e o resto do Mundo com 17%. através das suas subsidiárias e participadas brasileiras. 108 . 43% do seu volume de negócios consolidado (Portugal participa com os restantes 57%). um estudo da Roland Berger classificou a PT na décima posição mundial. implanta-se ainda actualmente. cotejados entre as grandes empresas: • a internacionalização crescente e sustentada do grupo SONAE que atingiu no final do ano de 2001. a CIMPOR.13. após o Carrefour e o Pão de Açúcar).2% dos 778 milhões de telemóveis existentes no mundo. a SONAE ocupa já um lugar cimeiro no ranking das empresas brasileiras da distribuição comercial (em 2001. que figura entre os dez maiores grupos cimenteiros do mundo. sendo actualmente a décima maior operadora mundial de telemóveis. Francisco Chaves Fernandes. onde o Brasil detem 53%. com 1.

30% e 133%. enquanto as suas fábricas em Portugal tiveram apenas um crescimento de 5%. a fim de ver o que efectivamente acontece e se. em termos de distribuição distrital as PME se encontrem mais equitativamente repartidas. alguma parceria luso-brasileira significativa se perfila no horizonte. 1999. mas que hoje em dia. também para a própria economia portuguesa no seu conjunto!)14. situam-se quase em pé de igualdade. no Brasil. e atingiram o número de 870 e 800 trabalhadores. 1999). Estas empresas tiveram resultados em exercícios sucessivos com alto crescimento no seu volume de negócios e ainda ampliaram o número de trabalhadores. evoluçao de que são exemplos a Logoplaste e a Novabase. ainda que. quase metade das GE provêm de Lisboa. o que a par de outros exemplos citados por Brás. designadamente de uma maneira cruzada. Porto e Aveiro. 143). os dados indicam uma clara preponderância das GE. os investimentos no Brasil oferecem um grande potencial. em particular sendo uma importante via para o aumento do seu peso internacional e para a adopção de estratégias mais globais (e logicamente. o mercado brasileiro não tenha sido o único responsável por esta evolução (mais no caso da Logoplaste do que da Novabase). ou pelo menos para uma significativa parte deles. pp. 14 Um dos casos de eventual parceria entre grandes grupos económicos dos dois países e que mais interesse tem suscitado nos últimos anos. por exemplo. no âmbito dos maiores grupos económicos. mas em termos de número de PME. Isto é. cresceram respectivamente em volume de negócios. No essencial. tendo até sido objecto de estudos de caso (Brás.13) um grande investimento da ordem de 14 milhões de euros em Itália. 15 109 . a CIMPOR cresceu 46%. há que aguardar pelo desfecho pela privatização da Portucel (tendo em conta que escrevemos em Fevereiro de 2003. veja-se Silva. em 2000. Todavia. Ainda que. não são mais PME. os distritos de Lisboa. trata-se de experiências de internacionalização com grande sucesso. e não levar a um afastamento como alguns temiam (Silva. neste sector. 53-68) e de vários grupos económicos dos dois países se terem manifestado interessados no negócio. diz respeito ao sector da celulose. Conforme se mostra no quadro 3. apenas no ano de 2001.15 para o qual contribuiu. obviamente. Uma aliança SONAE/Suzano chegou a ser anunciada em 2001 e posteriormente desfeita.04. p. 2002. disporem de vantagens comparativas neste sector. tanto Portugal como o Brasil. mostra que a expansão das empresas portuguesas no Brasil pode favorecer a sua penetração na Europa. mas ainda não tem data certa). cruzamos agora a sua dimensão com a localização territorial.Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: Um Panorama Assim. a taxa de crescimento da produção de cimento do grupo foi de 32%. 2002. A Logoplaste anunciou em Abril de 2002 (Expresso de 2002. evidentes à escala mundial (sobre a importância da especialização como força motriz da parceria luso-brasileira. Através destes exemplos. É interessante referir ainda que entre as GE se encontram algumas empresas que no passado eram tradicionalmente apontadas como PME. Com o objectivo de prosseguir a análise territorial das empresas-mãe em Portugal. em particular através da anunciada privatização da Portucel. o primeiro investimento industrial português de raíz neste país europeu. isso deve-se ao facto de. importa referir que a privatização está prevista. porque ultrapassam a fasquia dos dois primeiros critérios.

como os serviços e produção com 30%. em apresentar neste trabalho uma classificação mais agregada. por razões de espaço.1 100. com 59% do total. o comércio com 8% e a distribuição de electricidade.Joaquim Ramos Silva. do Instituto Nacional de EstatísticaINE.9 23.6 25. comércio e serviços apenas a dois dígitos. no Banco de Dados. Optou-se.4 3.2 6. que se baseia nas secções da CAE e ainda na descrição das actividades consideradas por indústria. Carla Guapo Costa Quadro 3 PORTUGAL: AS EMPRESAS PORTUGUESAS INTERNACIONALIZADAS NO BRASIL SEGUNDO A SUA DIMENSÃO GE E PME CLASSIFICADAS POR DISTRITOS Distritos PME n Lisboa Porto Aveiro Braga Leiria Setúbal Outros distritos Total o GE % 28.4 1.7 11.3 2. mostrando que o sector mais importante das empresas-mãe em Portugal é o da indústria. 110 . a 5 dígitos da CAE (Classificação das Actividades Económicas).8 100. Assim. Em seguida vêm outros sectores. outro elemento que é indispensável conhecer diz respeito à caracterização das empresas que investiram no Brasil segundo a actividade económica principal em Portugal. Francisco Chaves Fernandes. classificámos cada empresa.9 5.7 1.7 4.0 Total 102 62 37 11 12 5 11 240 22 20 18 1 8 3 5 77 80 42 19 10 4 2 6 163 Fonte: Elaboração própria pelos autores (2002) DISTRIBUIÇÃO POR SECTORES DE ACTIVIDADE No âmbito deste estudo.7 25. sendo que a indústria transformadora participa com 50% do total.3 10.0 n o % 48. a construção com 8% e finalmente a indústria extractiva com 1%. gás e água com 3%. O quadro 4 apresenta a distribuição do número de empresas por grandes sectores de actividade.

817.9 14. entre outros.Transformadora --.Construção Comércio Produção e distr.Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: Um Panorama Quadro 4 PORTUGAL: AS EMPRESAS INTERNACIONALIZADAS NO BRASIL SEGUNDO OS GRANDES SECTORES DE ACTIVIDADE ECONÓMICA EM QUE ACTUAM.6 37. NÚMERO E VOLUME DE NEGÓCIOS Sectores de Actividades (CAE) Indústria --.237. as alimentares e bebidas.8 100.1 8.251 629 879 411. serviços com 26% e a produção e distribuição de electricidade. Assim.. não deixa de ser interessante assinalar que o confronto dos dois indicadores evidencia um volume de negócios por empresa muito mais baixo na indústria do que nos restantes sectores considerados. embora as actividades ligadas às novas tecnologias de informação e ainda de consultoria a empresas. ao lado de dois ramos "modernos": as máquinas e equipamentos eléctricos e as matérias plásticas.9 29 30. chega-se a resultados muito diferentes. 111 . não incluindo. a madeira e a cortiça.3 7.4 100.966 12. relativamente ainda a este indicador. se destaquem. e os produtos de minerais não-metálicos. os têxteis e calçado. tanto para a indústria como para os serviços. comparando o volume de negócios com o número de empresas do respectivo sector (cf.3 13.790. mostrando uma grande preponderância do comércio com 38% do total.450 4. gás e água com 14% (que em conjunto atingem 78% do total).342 1.0 0.0 VN* 1. o volume de negócios está somente disponível para 181 empresas das 240 empresas constantes do banco de dados. Fonte: Elaboração própria pelos autores (2002) No entanto.808 % 22. Apesar da base estatística precária dos dados sobre o volume de negócios (insuficiente cobertura).8 0.6 8. gás e água Outros Serviços Total Empresas 141 2 119 20 19 7 73 240 % 58. enquanto que a indústria se fica apenas pelos 22% (e a própria indústria transformadora com 13%). bem como o peso dos sectores de transportes e agências de viagem e da hotelaria e turismo. quadro 4).8 49.050 682. as empresas imobiliárias e mobiliárias. os bancos e instituições financeiras. Nos serviços.053.2 25. de electric. na indústria.Extractiva --.0 NOTA: *Dados preliminares. há um grande leque de actividades mas ressaltam: • • quatro ramos "tradicionais". assiste-se ao mesmo fenómeno de larga diversificação. No quadro 5 procede-se a uma maior desagregação das actividades económicas das empresas-mãe.836 1.

6 10. 71. 742 e 743].Fabr.Hotelaria .Fabr.Consultorias a empresas . das quais. Construção [45.7 2.4 4.Telecomunicações .9 30. .Imobiliárias .8 49.9 4.0 Nota: IE (CAE 01 a 14).Inds. 91 e 92].Fabr.4 5. alimentares e das bebidas .Ramos a 2 dígitos (CAE) Indústrias extractivas Indústrias transformadoras.9 7. 65. gás e água [40 e 41]. 85. gás e água Comércio por grosso e retalho. reparação de veículos Serviços .Fabr.7 2.5 8. Carla Guapo Costa Quadro 5 PORTUGAL: EMPRESAS INTERNACIONALIZADAS NO BRASIL SEGUNDO OS GRANDES SECTORES E RAMOS DE ACTIVIDADES ECONÓMICAS EM QUE ACTUAM EM PORTUGAL Grandes Sectores (CAE)/.Edição de informação .0 100. Electricidade.6 2. de componentes p/ veículos automóveis . 64. de têxteis e calçados .1 2.0 6. Fonte: Elaboração própria pelos autores (2002) 112 .Bancos .3 5. Serviços [55. de produtos de minerais não-metálicos .3 1.Fabr.1 2.Actividades informáticas .Joaquim Ramos Silva.Fabr. Francisco Chaves Fernandes.1 8. 61 a 63.0 2. Comércio [50 a 55]. 72.1 2.Fabr. Indústria Transformadora [CAE 15 a 37].1 1. de produtos metálicos . 70.8 5. de mobiliário .Fabr. da madeira e da cortiça . de máquinas e equipamentos .Inds.Saúde e outros serviços colectivos e recreativos TOTAL Empresas 2 119 24 15 14 13 13 11 5 5 5 5 4 5 20 7 19 73 7 10 8 4 6 21 12 5 240 % 0.Transportes e agências de viagem . de matérias plásticas . 74.Outras divisões das indústrias transformadoras Construção civil e consultoria conexa Produção e distribuição de electricidade.3 2.8 5.2 3. de máquinas e equipamentos eléctricos .4 2.

equipamentos eléctricos e electrónicos. arroz. e não obstante a sua fraca expressão em valores monetários (evidente neste caso face aos serviços). farmacêutica e da borracha. electricidade. excepto Lisboa. e é esse o caso do agri-business. madeira. por autores de referência como Piore e Sabel (1984) e Porter (1990). camarões. gado (carne e leite). só na Região de Lisboa e Vale do Tejo e no distrito de Lisboa a maioria das empresas está baseada nos serviços. não deixa de ser interessante assinalar que não há necessariamente correspondência entre as actividades no país de origem e no país de destino. O papel na internacionalização das empresas industriais. Como se pode observar no quadro 6. De um ponto de vista global. soja e vinha. apresentam uma estrutura predominantemente industrial. Indústria transformadora: indústrias alimentares. como os das tecnologias da informação. Extractiva mineral e produtos minerais não metálicos. em particular PME. 16 113 . fruticultura (pera. madeiras e horticultura. mobiliário e painéis p/pavimentos. com destaque para as PME16. metalurgia e metalomecânica. graviola. autopeças. entre muitos outros. em particular transformadora. soldagem e equipamentos de alta precisão e medida. limão. À primeira vista. cajú e acerola). de certa maneira confirma-se mais uma vez o papel relevante que a indústria. ferramentas. Quadro 6 BRASIL: AS PRINCIPAIS ACTIVIDADES ECONÓMICAS DAS SUBSIDIÁRIAS PORTUGUESAS Agricafé. eles estendem-se igualmente por um amplo leque de actividades que permeiam o tecido produtivo brasileiro. tal como aliás aconteceu com tantos casos à escala mundial. produção e distribuição de electricidade. Com efeito. Comércio. pinha. Fonte: Elaboração própria pelos autores (2002) Retomando agora a análise das empresas-mãe portuguesas por sectores de actividade e ainda a sua localização por Regiões e Distritos de Portugal (quadros 7 e 8). verifica-se que todas eles. Construção. laranja. supermercados e cimento). importa agora ver quais são as actividades das empresas portuguesas no Brasil por sector económico. gás e água e outros serviços. indústria química.Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: Um Panorama Tal como fizemos com outros indicadores que precederam. distribuindo-se inclusive por algumas importantes áreas de influência nacional e regional (telecomunicações. teve neste processo de internacionalização de empresas. tem sido fortemente salientado em casos como a Itália e Taiwan.

0 50.0 Lisboa T 102 23 11 8 7 53 % 100 21. 114 .9 0. Carla Guapo Costa Quadro 7 PORTUGAL: AS EMPRESAS INTERNACIONALIZADAS NO BRASIL LOCALIZADAS POR REGIÕES E SEGUNDO OS GRANDES SECTORES DE ACTIVIDADES EM QUE ACTUAM EM PORTUGAL Regiões Eurostat T TOTAL Ind.0 0.9 7.8 12. Construção Comércio Elect.4 Centro T 51 39 0 2 5 5 % 100.0 18.3 Outros T 16 8 3 2 0 3 % 50.. e Transf. Quadro 8 PORTUGAL: AS EMPRESAS INTERNACIONALIZADAS NO BRASIL LOCALIZADAS POR DISTRITOS SELECCIONADOS E SEGUNDO OS GRANDES SECTORES DE ACTIVIDADES ECONÓMICAS EM QUE ACTUAM EM PORTUGAL Aveiro T Total Ind Extr Transf. representa cerca da metade do total do número das empresas.5 10.7 10.0 50.0 0.0 9.4 19. Gás e Água Serviços e 37 28 1 4 0 4 % 100 75.0 67.0 3. Electr.0 0.0 7. Ext.0 78.8 T 108 27 7 11 8 55 LVT % 100.8 0.4 0.0 18.9 Alentejo T 1 1 0 0 0 0 % 100.Joaquim Ramos Silva. Na indústria transformadora que.8 Braga T 11 10 0 1 0 % 100 90. Francisco Chaves Fernandes. Aveiro destaca-se ocupando o lugar de segundo maior distrito.5 Porto T 62 41 5 4 0 12 % 100 66.0 Madeira T 2 1 0 0 0 1 % 100.8 7.2 8.0 Total Nº 240 121 7 20 19 73 Fonte: Elaboração própria pelos autores (2002).0 100.0 10.9 9.0 0.4 50.5 0.0 0.0 0.0 10.1 6. sendo o Porto o primeiro com 41 empresas e Lisboa o terceiro com 23 empresas. com 28.9 52.8 10.0 240 121 20 19 7 73 Fonte: Elaboração própria pelos autores (2002).0 0.2 7.8 10. como vimos.0 25.7 2.Gás e Água Construção Comércio Serviços 78 53 0 7 6 12 Norte % 100.0 6.0 Leiria T 12 11 0 0 0 1 % 100 90.7 15.9 6.

Porto e Aveiro merecem uma atenção mais detalhada. Aveiro. elaborámos uma discriminação mais completa das suas empresas por sector no quadro 9. material de transporte. porcelana e cerâmica.Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: Um Panorama Gráfico 6 PORTUGAL: DISTRIBUIÇÃO POR DISTRITOS DAS EMPRESAS INTERNACIONALIZADAS NO BRASIL – INDÚSTRIA TRANSFORMADORA Outros 7% Porto 34% Aveiro 23% Braga 8% Lisboa 19% Leiria 9% Fonte: Elaboração própria pelos autores (2002) Tendo em conta os dados que temos vindo a apresentar. Atendendo ao interesse da posição deste distrito. Dado o seu óbvio interesse. os distritos de Lisboa. cordoaria e cortiça. São João da Madeira e São Paio de Olivais) e apresentam uma gama rica de diversificação de actividades. Albergaria-a-Velha. neste distrito. cerca de metade das empresas internacionalizadas no Brasil são PMEs (18 das 37). tais como: componentes e acessórios de veículos. Registe-se que. Esgueira. 115 . comecemos por Aveiro. máquinas e equipamentos industriais pesados. localizam-se em áreas de densa actividade industrial (tais como Mozelos.

de produtos metálicos Máquinas e equipamentos Componentes e auto-peças Material de transporte Outras inds. só a capital é sede de 80 GEs. ferramentas e tecnologias da informação. agências de viagem e hotelaria. da cortiça Plásticos Cerâmica Fabr. madeira. máquinas e equipamentos eléctricos e electrónicos. também a indústria não deixa de ser representativa. Lisboa tem uma estrutura de localização correspondente a uma participação preponderante da Grande Empresa. 116 . empresas de gestão mobiliária e de investimento.Joaquim Ramos Silva. O Porto. por sua vez. SEGUNDO OS RAMOS DE INDÚSTRIA DA CAE EM QUE ACTUAM EM PORTUGAL CAE 17 19 20 25 26 28 29 34 35 36 45 51 55 64 74 DESCRIÇÃO Fabricação de têxteis Calçado Ind. transformação Construção Comércio por grosso Hotelaria Telecomunicações Activid. plásticos. bancos. nomeadamente em certos sectores como a edição de livros. Contudo. além do comércio. cimento e as empresas de construção. bebidas. sendo também muito relevantes os serviços. apresenta um perfil onde predominam as actividades industriais e as Grandes Empresas num vasto e variado conjunto de sectores de actividade com destaque para artigos de vestuário e cordoaria. tecnologias da informação. Francisco Chaves Fernandes. imobiliárias Empresas 1 1 6 3 3 4 4 3 1 2 1 4 1 1 2 37 PME ou GE 1 GE 1PME 1 PME 5 GE 1 PME 2 GE 2 PME 1 GE 3 PME 1 GE 4 PME 1 PME 2 GE 1 PME 1 PME 1 GE 1 PME 3 PME 1 GE 1 GE 1 GE 2 GE 18 PME 19 GE TOTAL Fonte: Elaboração própria pelos autores (2002) Em claro contraste com Aveiro. petrolíferos e gás natural. tais como: água e electricidade. equipamentos pesados. telecomunicações. 49% do total destas. Carla Guapo Costa Quadro 9 DISTRITO DE AVEIRO: EMPRESAS INTERNACIONALIZADAS NO BRASIL. bebidas (vinho). no sector de produtos alimentares.

carecendo ainda duma sistematização geral no nosso universo do Banco de Dados. respectivamente.Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: Um Panorama Através dos exemplos anteriores baseados em toda uma série de indicadores. 18 A título de exemplo refira-se: Portugal Telecom 32% do total e CIMPOR 22%. contudo. os distritos de Lisboa e Porto. desde já afirmar que alguns dos mais importantes grupos empresariais portugueses. conforme pode ser constatado pela sua elevada participação nas posições cimeiras das classificações usuais das "maiores"17. Assim. tanto os de origem estatal como os privados. e SONAE 23% em 2001. 117 . Exame e Diário de Notícias. em particular no de Aveiro e ainda. O distrito de Lisboa é predominante nas GE e no comércio e serviços e o Porto nas GE e na indústria. que são publicados. entre outros. tornaram-se bem patentes as potencialidades do Banco de Dados do Observatório dos Investimentos Portugueses no Brasil que se tem vindo a construir. um número significativo das grandes empresas/grupos económicos de Portugal já se encontra implantado no Brasil. em menor escala. estando agora o caminho aberto a investigações mais profundas e sistemáticas sobre esta importante experiência inicial de internacionalização das empresas portuguesas. é possível extrair as seguintes conclusões: • no universo do Banco de Dados constituído por 240 empresas. que na sua maioria se terá instalado no período 1996-99. 163 e 77. sendo esta presença ainda mais destacada no conjunto nacional das PME e na indústria. referimo-nos aos rankings anuais das "Maiores Empresas Portuguesas".verifica-se ainda uma presença significativa destas empresas-mãe em três outros distritos. . CONCLUSÕES Vamos somente nos ater nestas considerações finais. em Leiria e Braga. pelo Expresso. quanto à territorialidade das empresas portuguesas instaladas no Brasil conclui-se que: . ambas em 2000. às referências sobre os indicadores analisados. existe um expressivo número tanto de GE como de PME. obtêm no seu volume de negócios consolidado uma parcela muito significativa oriunda das suas actividades no Brasil18. pode-se. • • • 17 Tal como ficou claro atrás. designadamente tendo em vista o acompanhamento e avaliação do processo e o seu desempenho com relação ao Brasil.a grande maioria das empresas provém dos dois grandes centros de actividade económica. numa primeira abordagem.

agências de turismo e transportes e edição de informação). telecomunicações. e à excepção dum reduzido número de empresas. consultoria. em que nesta última se nota a presença de quase todas as principais empresas portuguesas do sector. fabricação de materiais plásticos). ser competitivo 118 .Joaquim Ramos Silva.aos sectores onde os dois países são mais facilmente comunicantes (hotelaria. verifica-se um predomínio das regiões Sudeste (sobretudo nos Estados de São Paulo. os sectores de comércio e de serviços passam a ter uma participação maioritária em relação à indústria. Rio de Janeiro e Minas Gerais) e Sul (Paraná. a estatística for organizada não pelo número de empresas mas pelo volume de negócios. • É importante ressaltar-se que não existe necessariamente uma correspondência biunívoca entre a actividade económica empresarial exercida em Portugal e a exercida pelas subsidiárias portuguesas no Brasil: . como na metalomêcanica (fabricação de moldes). indústria da madeira e da cortiça. instrumentação e ainda nas componentes para automóveis. existe alguma similitude entre a sua dispersão territorial no país de origem e no destino. actividades informáticas.às actividades económicas produtivas onde Portugal se revela mais competitivo (têxteis e calçado. . . Francisco Chaves Fernandes. o que provavelmente se deve ao facto do Brasil. como a do grupo Quintas & Quintas que transnacionalizaram e até deslocalizaram a sua produção tanto para o Brasil como para Moçambique. . Carla Guapo Costa . . .a sectores industriais e de serviços de ponta. Santa Catarina e Rio Grande do Sul). a grande maioria das empresas deste ramo detém meramente actividades comerciais no Brasil.o número conjunto de empresas localizadas nas regiões Norte e Centro ultrapassa claramente a região de Lisboa e Vale do Tejo e ainda esta supremacia do Norte e Centro é particularmente acentuada para as PME e na indústria.no caso dos textêis. • No que respeita aos sectores de actividade económica verifica-se que as empresas-mãe portuguesas internacionalizadas no Brasil pertencem: .quanto à sua implantação no Brasil. principalmente de engenharia.se entretanto.outro aspecto desta não correspondência tem a ver com a presença clara de subsidiárias no Brasil controladas por capital português na agricultura e no agroalimentar.

pelo que é lógico. que incluirão também séries históricas. e detém como área relevante de negócios um diversificado sector de agro-business. incluindo o teste de hipóteses teóricas relevantes20. embora este grupo tenha alguns interesses nesta área em Portugal. de raíz empírica. água e autoestradas). moldes e máquinas e equipamentos. que estão sendo compilados e construídos pelo Observatório das Empresas Portuguesas no Brasil. electricidade. que tem escasseado. . seriam bem-vindos. por exemplo) aí invistam19. pretendeu-se dar uma contribuição efectiva para o estudo da internacionalização das empresas portuguesas (e por conseguinte. Refira-se ainda que. eles são relativamente marginais. poderiam ser importantes e complementares à rota de investigação deste Projecto. o caso do Grupo Espírito Santo que é hoje um dos cinco maiores grupos de capital português com IDE no Brasil. e mostrando as potencialidades metodológicas contidas pela criação de um Banco de Dados de empresas. 20 A partir de uma série de indicadores. com vista à necessária avaliação mais rigorosa do processo. existem ainda várias presenças expressivas pela via da transnacionalização da produção (tais como cimento. da sua presença no Brasil. Em suma. Os elementos estatísticos fornecidos por entidades públicas ou privadas. A nossa intenção é num futuro próximo aprofundar mais este roteiro de investigação. comparar com outros países e experiências. além das concessões de telecomunicações. com posição de liderança no Brasil como produtor cafeeiro. 19 Lembre-se este respeito. em relação aos restantes grupos. 119 . também da economia portuguesa) através da caracterização geral. fábricas para componentes de automóveis. em particular no que respeita ao Banco de Dados. como também estudar casos de sucesso e insucesso. será possível não só seguir atentamente cada experiência. em meados dos anos 70. a sua internacionalização se deu mais cedo.Empresas e Subsidiárias Portuguesas no Brasil: Um Panorama numa larga gama destes produtos agrícolas. utilizando toda uma série de indicadores. da existência duma correspondência entre a actividade exercida em Portugal e no Brasil.como contra-exemplos. principalmente no Banco de Dados em expansão. que empresas provenientes de outros sectores (financeiro. etc. sendo verdade que.

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