LEI Nº 8.429, DE 2 DE JUNHO DE 1992.

Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento
ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta,
indireta ou fundacional e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu
sanciono a seguinte lei:
CAPÍTULO I
Das Disposições Gerais
SUJEITO PASSIVO (vítima da improbidade administrativa)
Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não,
contra a administração direta (União, Estados-Membros, Distrito Federal e Municípios),
indireta ou fundacional (Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedades
de Economia Mista) de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal,
dos Municípios, de Território (Poder Judiciário, Executivo e Legislativo), de empresa
incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário
haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita
anual, serão punidos na forma desta lei.
Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade
praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo,
fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o
erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da
receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito
sobre a contribuição dos cofres públicos (aqui, o Ministério Público só vai cobrar a
porcentagem que for do Poder Público, ficando o restante a cargo da pessoa jurídica
lesada – esta deverá ingressar com a ação para cobrar a diferença) – vimos isso em aula.
SUJEITO ATIVO (AUTOR DA IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA)
Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda
que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego
ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior. Veja: aqui são os agentes
públicos para fins de improbidade administrativa, ou seja, aqueles que estão de qualquer
forma vinculados aos entes do art. 1.º desta lei (sujeitos passivos).

Art. do agente ou de terceiro. no que couber. da lei. para a indisponibilidade dos bens do indiciado. Note: a indisponibilidade dos bens não é sobre todos os bens do sujeito ativo. que pode ser pedida em ação própria (antes do processo principal de improbidade administrativa) ou no curso da ação principal de improbidade. pune-se o dolo (quando o agente ou terceiro tiveram a intenção e vontade de alcançar o resultado almejado. Indisponibilidade dos bens do indiciado (que é o sujeito ativo da improbidade) é medida cautelar.00 e a reparação do dano da improbidade for de R$ 3. ou seja.000. que nada mais é do que o ato de improbidade administrativa que redunda na lesão a patrimônio público) ou culpa (agir com negligência. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo recairá sobre bens que assegurem o integral ressarcimento do dano. quanto ao elemento subjetivo. 11. A lesão a patrimônio público é um dos atos de improbidade administrativa prevista no art. 8° O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da herança. todo valor da . dar-se-á o integral ressarcimento do dano. 6° No caso de enriquecimento ilícito. imprudência ou imperícia). Art. dolosa ou culposa. aquele que não tem qualquer vínculo com as entidades do art. mas que também pode ser responsabilizado juntamente com o agente público para fins de improbidade administrativa. Aqui. Nada mais significa do que o congelamento dos bens do malandro. caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público. Aqui estamos tratando do terceiro. ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito. Art.000. Assim. perderá o agente público ou terceiro beneficiário os bens ou valores acrescidos ao seu patrimônio (é uma das sanções previstas no art. 5° Ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou omissão.º. Art. se a herança deixada é de R$ 1. 12 da lei).Art.00. mas sim sobre os bens que suficientemente possam assegurar a reparação do dano ou devolução do acrescido ilicitamente. mesmo não sendo agente público. Cuidado: o terceiro só responde quando se beneficiar. mas sim nas forças da herança. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade. 1. Parágrafo único. impessoalidade. Os agentes públicos são obrigados a respeitar os princípios da administração pública.000. para fins de reparação do dano ou devolução do acrescido ilicitamente. 7° Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento ilícito. induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. 3° As disposições desta lei são aplicáveis. induzir ou concorrer para o ato de improbidade administrativa (conforme dito em aula. decorem estes três verbos). àquele que. Art. moralidade e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos. Veja: os sucessores daquele que causou lesão ao patrimônio público ou se enriqueceu ilicitamente responderão não pessoalmente.000.

perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba . bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público.aceitar emprego. de usura ou de qualquer outra atividade ilícita. e notadamente: I . 1° desta lei. V . direta ou indireta. para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço. 1º desta lei. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito (primeiro ato que enseja improbidade administrativa) auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo. VIII . percentagem. III . direta ou indireta. máquinas. para si ou para outrem. para facilitar a alienação. VI . emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. medida. em obra ou serviço particular. de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art.adquirir. equipamentos ou material de qualquer natureza. direta ou indireta. uma vez que a lei de improbidade administrativa veda o ingresso no patrimônio pessoal do sucessor. dinheiro. peso. veículos. cargo. IX . empregados ou terceiros contratados por essas entidades.utilizar. ou a contratação de serviços pelas entidades referidas no art.receber vantagem econômica de qualquer natureza. IV . direta ou indireta. permuta ou locação de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado. CAPÍTULO II Dos Atos de Improbidade Administrativa Seção I Dos Atos de Improbidade Administrativa que Importam Enriquecimento Ilícito Art.perceber vantagem econômica. ou aceitar promessa de tal vantagem. mandato. bem móvel ou imóvel. comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público. durante a atividade. emprego ou função pública. direto ou indireto.perceber vantagem econômica. de contrabando. direta ou indireta. de lenocínio. 1° desta lei. 1° por preço superior ao valor de mercado. para si ou para outrem. gratificação ou presente de quem tenha interesse. no exercício de mandato. para facilitar a aquisição. ou qualquer outra vantagem econômica.herança vai ser revertido para reparação do dano e a vítima da improbidade vai ficar “a ver navios” quanto ao restante. bem como o trabalho de servidores públicos. de narcotráfico.receber vantagem econômica de qualquer natureza. função. que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público. VII . permuta ou locação de bem móvel ou imóvel. II . qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no art.receber. a título de comissão. ou sobre quantidade. para tolerar a exploração ou a prática de jogos de azar.

1º desta lei. malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art.frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente.realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea. VII . rendas. 1º desta lei. X .permitir ou facilitar a aquisição. III . 1° desta lei. rendas. providência ou declaração a que esteja obrigado. ou ainda a prestação de serviço por parte delas.usar.conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie. X . permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado.agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda. sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário (segundo ato que enseja improbidade administrativa) qualquer ação ou omissão. rendas. que enseje perda patrimonial.doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. de bens. XI . bens. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei. para omitir ato de ofício. II .facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular. permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta lei.pública de qualquer natureza. apropriação.ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento. e notadamente: I . XI . 10. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. ao seu patrimônio bens. IX . ainda que de fins educativos ou assistências. VIII .Dos Atos de Improbidade Administrativa que Causam Prejuízo ao Erário Art. em proveito próprio. por qualquer forma. rendas. sem observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie. verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. dolosa ou culposa (note que somente quanto à lesão ao erário se permite a punição por CULPA!!!). 1° desta lei. direta ou indiretamente. V . bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público.liberar verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de . Seção II . bens.permitir ou facilitar a alienação. de pessoa física ou jurídica.incorporar. IV . rendas. por preço inferior ao de mercado.permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens. 1º desta lei. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art.receber vantagem econômica de qualquer natureza. desvio. VI . XII .

facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente.revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo. antes da respectiva divulgação oficial. indevidamente.permitir. (Incluído pela Lei nº 11. ato de ofício.107. imparcialidade. e lealdade às instituições. Não caiam na “pegadinha concursal” de dizer que o rol é taxativo ou exaustivo (isso é uma mentira).107. c) ferir princípios da administração pública. 10 e 11. e notadamente: I . III . legalidade. 11. Trata-se de rol meramente exemplificativo quanto aos artigos 9. de 2005) Seção III . máquinas. de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art.retardar ou deixar de praticar. OBSERVAÇÕES: ? Pelo visto são somente três os atos que podem ensejar improbidade administrativa: a) enriquecimento ilícito. 1° desta lei.revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro.qualquer forma para a sua aplicação irregular.Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam Contra os Princípios da Administração Pública Art.permitir que se utilize. XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de serviços públicos por meio da gestão associada sem observar as formalidades previstas na lei. XIII . ? Como se percebe.deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo. na regra de competência. V . IV . II . de 2005) XV – celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia dotação orçamentária.frustrar a licitude de concurso público.º. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública (trata-se do terceiro ato que enseja improbidade administrativa) qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade. bem como o trabalho de servidor público. VI . dano ao erário ou ferir princípios. ou sem observar as formalidades previstas na lei. Isso quer dizer que no caso concreto o agente público pode inventar uma nova modalidade de se enriquecer . teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria. (Incluído pela Lei nº 11.praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto. prevêem várias formas do agente causar enriquecimento ilícito.º. veículos. 10 e 11. os arts. 9. b) lesão ao erário e. em obra ou serviço particular. bem ou serviço. XII .negar publicidade aos atos oficiais. empregados ou terceiros contratados por essas entidades. equipamentos ou material de qualquer natureza. VII .

se concorrer esta circunstância. assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente. no campo cível alguma outra reparação e no campo administrativo alguma infração disciplinar por parte do agente). No campo criminal. o único ato de improbidade que permite a punição por culpa é a lesão ao erário. c) ferir princípios da administração pública) determinam a punição por dolo.ilicitamente. ressarcimento integral do dano.Das Penas Art. Parágrafo único. direta ou indiretamente. ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. Assim. cível ou administrativo. pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. três. direta ou indiretamente. pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. quatro ou todas. Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz levará em conta a extensão do dano causado. perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio.na hipótese do art. pelo prazo de dez anos. ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos. perda da função pública. todos (a) enriquecimento ilícito. aplicar uma. pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. ? Percebam que quanto ao elemento subjetivo (falamos em aula). Independentemente das sanções penais. Pode o juiz. ressarcimento integral do dano. III .na hipótese do art. suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos. direta ou indiretamente. causar lesão ao erário ou ferir princípios da administração pública. b) lesão ao erário e. a depender do caso concreto. se houver. civis e administrativas (veja que a ação de improbidade administrativa.na hipótese do art. CAPÍTULO III . não impede o ajuizamento quanto ao agente ou terceiro de ação no campo criminal. perda da função pública. 9°. ressarcimento integral do dano. Obs: demos em aula a “tabelinha”. será apurada a prática de crime ou contravenção penal. II . As sanções (penalidades) não precisam ser aplicadas conjuntamente (todas). perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio. perda da função pública. duas. pelo prazo de três anos. suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos. 12. mas somente a lesão ao erário permite também a punição quando o agente ou terceiro agiram com culpa. . previstas na legislação específica. que tem natureza de ação coletiva civil. 11. está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações: I . ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. pelo prazo de cinco anos. quando houver. 10.

§ 3º Atendidos os requisitos da representação. se esta não contiver as formalidades estabelecidas no § 1º deste artigo. de acordo com os respectivos regulamentos disciplinares. em se tratando de servidor militar. e qualquer outra espécie de bens e valores patrimoniais. a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente.112. dentro do prazo determinado. as informações sobre o fato e sua autoria e a indicação das provas de que tenha conhecimento. a autoridade determinará a imediata apuração dos fatos que. Art. A rejeição não impede a representação ao Ministério Público. para suprir a exigência contida no caput e no § 2° deste artigo . 13. será processada na forma prevista nos arts. 14. ou que a prestar falsa.CAPÍTULO IV Da Declaração de Bens Art. poderá entregar cópia da declaração anual de bens apresentada à Delegacia da Receita Federal na conformidade da legislação do Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza. quando for o caso. dinheiro. móveis. e. localizado no País ou no exterior. em despacho fundamentado. § 1º A representação. nos termos do art. ações. 15. títulos. Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade. Basta a pessoa oferecer denúncia por escrito ou verbal (que será reduzida a termo). § 2º A autoridade administrativa rejeitará a representação. § 3º Será punido com a pena de demissão. o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens. cargo. com as necessárias atualizações. que será escrita ou reduzida a termo e assinada. excluídos apenas os objetos e utensílios de uso doméstico. a seu critério. emprego ou função. 148 a 182 da Lei nº 8. conterá a qualificação do representante.Do Procedimento Administrativo e do Processo Judicial Art. (Regulamento) § 1° A declaração compreenderá imóveis. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração dos bens e valores que compõem o seu patrimônio privado. de 11 de dezembro de 1990 e. semoventes. abrangerá os bens e valores patrimoniais do cônjuge ou companheiro. dos filhos e de outras pessoas que vivam sob a dependência econômica do declarante. CAPÍTULO V . A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Público e ao Tribunal ou Conselho de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a prática de ato de improbidade. em se tratando de servidores federais. . a bem do serviço público. § 4º O declarante. 22 desta lei. sem prejuízo de outras sanções cabíveis. § 2º A declaração de bens será anualmente atualizada e na data em que o agente público deixar o exercício do mandato.

Parágrafo único. o disposto no § 3o do art. a comissão representará ao Ministério Público ou à procuradoria do órgão (aqui é pelo fato da pessoa jurídica lesada ser uma das legitimadas a ingressar com ação de improbidade administrativa) para que requeira ao juízo competente a decretação do seqüestro dos bens do agente ou terceiro (seqüestro é uma medica cautelar para evitar que bens determinados sejam vendidos ou doados. a requerimento. Neste caso. § 1º É vedada a transação.: você. § 2º A Fazenda Pública. será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada (estes – M. e pessoa jurídica lesada<1> . o legitimado não perde o direito de ingressar com a ação principal.º do art. quando for o caso. promoverá as ações necessárias à complementação do ressarcimento do patrimônio público (aqui. ou seja. a juízo do respectivo representante legal ou dirigente”. 6o da Lei no 4.são os únicos legitimados para ingressar com a ação de improbidade administrativa). ou poderá atuar ao lado do autor. A redação do §3. se o Ministério Público ou a Pessoa Jurídica lesada resolverem ingressar com AÇÃO CAUTELAR antes da AÇÃO PRINCIPAL de improbidade administrativa. Obs. O Ministério Público ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá. designar representante para acompanhar o procedimento administrativo. deve propor a principal (ação de improbidade administrativa) em até 30 (trinta) dias da efetivação (efetiva concretização) da medida cautelar. a Fazenda Pública poderá ingressar com ação própria para reparação do remanescente).P. Havendo fundados indícios de responsabilidade. § 3o No caso de a ação principal ter sido proposta pelo Ministério Público.717. Art. Art. fazer qualquer acordo com a parte). 822 e 825 do Código de Processo Civil. se lembra que disse em aula que são dois os legitimados para . de 1996). 17. dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar. poderá abster-se de contestar o pedido. acordo ou conciliação nas ações de que trata o caput (a Pessoa Jurídica lesada ou o Ministério Público que propuseram a ação não podem. nos termos da lei e dos tratados internacionais. 16. no que couber. os assegurando para eventual reparação do dano ou devolução do acrescido ilicitamente) que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público. desde que isso se se afigure útil ao interesse público. contas bancárias e aplicações financeiras (outra medida cautelar possível) mantidas pelo indiciado no exterior. 12 – não for suficiente para suprir eventuais danos.366. Obs:. § 2° Quando for o caso. se a reparação do dano como sanção – art. O que ocorrerá é que o juiz determinará o levantamento da constrição (medida cautelar). 6. caro aluno. se não propor a ação neste prazo de 30 dias. (Redação dada pela Lei nº 9. § 1º O pedido de seqüestro será processado de acordo com o disposto nos arts. de 29 de junho de 1965. o pedido incluirá a investigação.º da Lei 4717/65 (lei de ação popular) é a seguinte: “a pessoa jurídica de direito público ou de direito privado. o exame e o bloqueio de bens. que terá o rito ordinário. no seu curso. cujo ato seja objeto de impugnação. Caso contrário. A ação principal (aqui é a ação de improbidade administrativa). aplica-se.

o Ministério Público atuará no processo não como parte (porque não foi ele quem entrou com a ação). mas sim. o processo será NULO. ele pode figurar no processo como parte (no caso.ingressar com a ação de improbidade administrativa: a) o Ministério Público. observada a legislação vigente. § 4º O Ministério Público. o juiz não determinará desde logo a citação do requerido (é o réu ou sujeito ativo da improbidade). inclusive as disposições inscritas nos arts. no processo. se o Ministério Público propor uma ação contra a autoridade “X” e ela for distribuída para a 1. b) a Pessoa Jurídica lesada (é o sujeito passivo para fins de improbidade administrativa – art. da Lei). (Incluído pela Medida Provisória nº 2. Isso porque.225-45. autor da ação de improbidade administrativa) ou como custus legis (é termo em latim que significa fiscal da lei). o Ministério Público). Assim. (Incluído pela Medida provisória nº 2. Se não for intimado. mas sim como FISCAL DA LEI (custus legis).ª Vara Cível da Comarca de Marília. da improcedência da ação ou da inadequação da via eleita. para oferecer manifestação por escrito. 1. como fiscal da lei. Ele vai ser intimado para se manifestar quanto aos atos processuais. sob pena de nulidade. de 2001) Aqui é muito importante para a prova de vocês.º da Lei).ª Vara Cível da Comarca de Marília se tornou prevento. 16 a 18 do Código de Processo Civil. atuará obrigatoriamente. o que o parágrafo quer dizer é o seguinte: se foi a pessoa jurídica lesada quem entrou com a ação de improbidade administrativa. pode a vítima (pessoa jurídica lesada) atuar. de 2001) § 7o Estando a inicial em devida forma. o fato do nome da “cartinha” ser . § 6o A ação será instruída com documentos ou justificação que contenham indícios suficientes da existência do ato de improbidade ou com razões fundamentadas da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas. dentro do prazo de quinze dias. que poderá ser instruída com documentos e justificações. Quando a ação for proposta. É nesta defesa que o acusado vai ter que convencer o juiz sobre a inexistência do ato de improbidade. o Juízo da 1. O Ministério Público é órgão independente e. o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do requerido. não pode uma outra ação com a mesma causa de pedir ou pedido ser proposta e distribuída para a 4. se não intervir no processo como parte. 12. a propositura da ação torna o juízo prevento.180-35. em favor do réu (do malandro) ou em favor do autor da ação (no caso. (Incluído pela Medida Provisória nº 2. ele REJEITARÁ A AÇÃO!! Importante atentar para o prazo de 15 dias.º Vara Cível da Comarca de Marília. Convencido o juiz. Se for o Ministério Público quem entrou com a ação de improbidade administrativa. Assim. emitindo parecer sobre o caso. § 5o A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir (fato e fundamento jurídico) ou o mesmo objeto (pedido da ação – art. determinará a notificação do mesmo para apresentar defesa preliminar em 15 dias. de 2001) Obs:. de acordo com a Constituição Federal. antes de receber a ação.225-45.

CAPÍTULO VI . (Incluído pela Medida Provisória nº 2. o processo é extinto (sem resolução de mérito) por falta de interesse de agir. citação) e também que esta se dá antes do recebimento da demanda judicial pelo magistrado (juiz). do Código de Processo Penal. 18.225-45. de 2001) Extinguir o processo sem julgamento (resolução) de mérito é uma decisão favorável ao acusado. (Incluído pela Medida Provisória nº 2. Simplesmente extingue o processo por uma questão processual.NOTIFICAÇÃO (e não. A doutrina.225-45. nem culpado. no prazo de trinta dias. conforme o caso. se convencido da inexistência do ato de improbidade. a reparação do dano e a devolução do acrescido ilicitamente será convertido para a pessoa jurídica lesada (vítima). devendo alegar toda matéria de defesa. caput e § 1o. em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito. caberá agravo de instrumento. aí sim. Uma das condições da ação em Direito Processual Civil se chama interesse de agir. § 12. Se for inadequada. A sentença que julgar procedente ação civil de reparação de dano ou decretar a perda dos bens havidos ilicitamente determinará o pagamento ou a reversão dos bens. (Incluído pela Medida Provisória nº 2. Tal decisão não diz que ele é inocente. Logicamente. ou não. § 10. o acusado vai ser CITADO (não se diz notificado!!!) para apresentação de uma peça processual chamada CONTESTAÇÃO (não é defesa preliminar!!!).225-45.225-45. de 2001) Atentar para o prazo de 30 dias que tem o juiz para apreciar a defesa preliminar e rejeitar. Na prova o examinador vai querer confundi-los chamando de APELAÇÃO. da improcedência da ação ou da inadequação da via eleita. de 2001) Recebida a petição inicial. defende que ter interesse para agir em processo (postular contra alguém em juízo) é também fazer com que a via eleita (ação escolhida que. (Incluído pela Medida Provisória nº 2. e não para um fundo especial. é a ação de improbidade administrativa) seja a mais adequada. no caso. principalmente paulista. Da decisão que receber a petição inicial. o juiz. a ação. reconhecida a inadequação da ação de improbidade. O recurso cabível se chama AGRAVO DE INSTRUMENTO. § 8o Recebida a manifestação. e não de mérito (material). Em qualquer fase do processo. § 11. será o réu citado para apresentar contestação. 221. o juiz extinguirá o processo sem julgamento do mérito.225-45. § 9o Recebida a petição inicial. de 2001) Cuidado com isso. (Incluído pela Medida Provisória nº 2. É na contestação que ele vai comprovar sua inocência. de 2001) Art. em decisão fundamentada.Das Disposições Penais . rejeitará a ação. Aplica-se aos depoimentos ou inquirições realizadas nos processos regidos por esta Lei o disposto no art.

Parágrafo único. o Ministério Público. os sabendo inocente. A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória. A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo (medida cautelar). seja pelo fato do sujeito já ter recorrido para todas as instâncias. antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. Esta é uma denunciação caluniosa contra agente público ou terceiro beneficiário (sujeitos ativos para fins de improbidade administrativa).º. da Constituição Federal e art. 19. recebe remuneração).) podem ser executadas provisoriamente. Além da sanção penal. eis que sempre cai em prova!!!): I . CAPÍTULO VII . o juiz criminal poderá determinar a reparação do dano). morais ou à imagem que houver provocado (na sentença criminal. o que é trânsito em julgado? Bom. sem prejuízo da remuneração (cuidado com isso: ele é afastado. Parágrafo único. é a imodificabilidade da decisão dentro do mesmo processo por não caber mais recurso. ou seja.da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público. Pena: detenção de seis a dez meses e multa. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe (cuidado com este artigo. proibição de contratar etc. da Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8429/92). Expliquei para vocês que a perda da função e a suspensão dos direitos políticos são sanções previstas no art. 37. de ofício (sem provocação). poderá requisitar a instauração de inquérito policial ou procedimento administrativo. Art. 12. quando o autor da denúncia o sabe inocente. o denunciante está sujeito a indenizar o denunciado pelos danos materiais. emprego ou função. No entanto. 14. ou seja. seja pelo fato de ter perdido o prazo de recurso. trânsito em julgado ocorre quando não cabe mais recurso da sentença condenatória.Art. 20. Para apurar qualquer ilícito previsto nesta lei. mas. quando a medida se fizer necessária à instrução processual. As demais sanções (multa civil. diferentemente das outras. só se aplicam quando transitar em julgado a sentença.da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas. Art. 21. a requerimento de autoridade administrativa ou mediante representação formulada de acordo com o disposto no art. §4. Art.Da Prescrição . É a chamada “coisa julgada formal”. Agora. Constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente público ou terceiro beneficiário. II . durante o afastamento. 22.

É vedada a cassação de direitos políticos. dos Estados. cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: V .502. e 3. assessores etc. Também não precisa de concurso público.). Ficam revogadas as Leis n°s 3. 23. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. Rio de Janeiro. Cargo decorrente de mandato eletivo é aquele a pessoa precisa ser eleita para ocupá-lo (prefeito. de 1998) § 4º . 24. presidente da república. por exemplo. Art. FERNANDO COLLOR Célio Borja Este texto não substitui o publicado no D. Cargo em Comissão é aquele de livre nomeação e livre exoneração (ou chamada de exoneração ad nutum). de cargo em comissão ou de função de confiança (aqui é para os cargos decorrentes de mandato eletivo. publicidade e eficiência e. de 3. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas: I . o Oficial de Justiça -.164. 37. vereador etc. nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego. a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. (aqui é quanto aos cargos efetivos e demais cargos. bastando uma simples indicação (secretário de estado.dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. para chefiar uma repartição. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Para o servidor estadual – p.ex.6. secretário municipal. ministro de estado.Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. moralidade. 15. ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19. cargos em comissão e funções de confiança). também. impessoalidade. § 4º.Art. nos termos do art. governador. 37.U. 2 de junho de 1992.1992 Artigos da Constituição Federal IMPORTANTES Art. Função de Confiança é aquela que é atribuída a alguém que já ocupa um cargo público e serve. 25. de 21 de dezembro de 1958 e demais disposições em contrário.improbidade administrativa. de 1° de junho de 1957. a perda da função pública. É aquele famoso “cargo do parente” (mas cuidado que é nepotismo) em que não precisa prestar concurso para ocupá-lo. II . Art.). o prazo é de 05 anos a constar de sua prática) CAPÍTULO VIII . 171° da Independência e 104° da República. na .O.Das Disposições Finais Art.até cinco anos após o término do exercício de mandato.

a probidade na administração. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e. cargo ou emprego na administração direta ou indireta. Art. 85. contra: V . a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato. especialmente. 14. (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 4. sem prejuízo da ação penal cabível. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função. e. Art. nos termos da lei. de 1994) . com valor igual para todos. a fim de proteger a probidade administrativa.forma e gradação previstas em lei. mediante: § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação.

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