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IV

A G R A D E C JM E N T O S

  • - X FUNDACENTRO por proporcionar a oportunidade para a realização deste trabalho.

  • - Ao Prof 9 Samir Nagi Yousri Gerges pela valiosa orientação e to- tal apoio durante todo o desenvolvimento da pesquisa.

  • - A todos os professores do Laboratório de Vibrações e Acústica pelos ensinamentos e pela colaboração prestada.

  • - Aos Eng 9 s José Manuel Osvaldo Gana Soto e Irene Ferreira de.Souza Duarte Saad, minhas Chefias diretas, pelo fundamental apoio pa ra a concretização deste estudo.

  • - Ao Adilton Agenor Teixeira, pela importante colaboração na mon tagem do sistema de medição e na preparação de amostras.

- Ã Liüan Cavalcanti Taurino pelo esmero e dedicação nos

lhos de datilografia,

traba.

  • - As empresas Eletrônica Selenium Ltda. e Tubos e Conexões Tigre S.A. pelo fornecimento de materiais e amostras que viabilizaram a construção do sistema de medição.

  • - Ao Sr. Schimitt, da empresa Pirâmide, pelo fornecimento dos ti^ jolos e blocos utilizados-na fase experimental.

v

ÍNDIC E

SIMBOLOGIA

 

vii i

RESUMO

EM

PORTUGUÊS

xii i

RESUMO

EM

INGLÊS

(AftSTRACT)

xi v

  • 1. INTRODUÇÃO

1

  • 1.1 Revisão bibliográfica

1

 
  • 1.1.1 Ressonadores acústicos

1

  • 1.1.2 Medição de absorção acústica, usando um ou dois microfones e um analisador digital de dois canais

.....8

  • 1.2 Contribuição e conteúdo deste trabalho

12

  • 2. FUNDAMENTOS MATEMÁTICOS

14

  • 2.1 Técnicas de medição de absorção sonora

14

 
  • 2.1.1 acústica pelo método clássico

Absorção

14

  • 2.1.2 Absorção acústica pela técnica de um

 

microfone

19

 
  • 2.1.3 Função de coerência

- yfp

26

  • 2.1.4 Freqüência de corte do tubo de ondas estacionãrias

27

  • 2.2 Ressonador de Helmholtz

28

 
  • 2.2.1 Freqüência

natural do ressonador de Helmholtz

28

  • 2.2.2 Freqüência natural para fendas cênicas

32

 
  • 2.2.2.1 Calculo da energia cinêtica

35

  • 2.2.2.2 Calculo da rigidez

37

  • 2.2.2.3 Calculo da massa adicional

37

  • 2.2.2.4 Calculo da freqüência natural

39

£

-

f«o V

~

 

max

f

.

-

f

-

G

..

- -

G«p

 

-

s

~

G„p

-

Gqo

-

H.p

-

H. s

-

H~

p

-

h

-

I.

 

-

I

-

 

r

i

-

K

-

k

-

L

-

L

-

M

-

M g

 

-

m-êzima freqüência, em torno da qual ocorre grande variança nos valores do coeficiente de absorção

freqüência máxima

n

*

-

freqüência mínima

freqüência natural

espectro de potência de P.

espectro cruzado de

P_.

e P_ p

espectro

cruzado de P, e S

espectro

cruzado

de

S^ e P_

espectro do sinal S

função

de

transferência

entre

e P_ p

função

de

transferência

entre

P. e S^

função

de transferência

entre

S e P_

comprimento da fenda do ressonador

intensidade acústica incidente

intensidade acústica refletida

unidade imaginaria =

/-l

rigidez do sistema número de onda

espessura da abertura do ressonador

espessura

efetiva da. fenda cônica do ressonador

massa do sistema massa efetiva de ar que atua na, fenda cônica do ressonador

xii

função

de

coerência, entre

P. e P p

função

de

coerência

entre

e S.

função

de

coerência

entre

S^ e P

comprimento de onda

comprimento comprimento de de onda onda relativo a f

r

m

comprimento de onda relativo a f

freqüência

freqüência natural do -sistema

freqüência limite inferior da banda de meia potência

freqüência limite superior da banda de meia potência

densidade do meio (no caso

ar)

Engulo de fase da amplitude complexa 13

resistência específica normalizada de atrito

resistência específica normalizada de.radiação

A B ST% A C T

XIV

The main objective of this study isto transform the

blocks and bricks with cavity, found in the national market, in

Helmholtz resonators for hoise absorption at low frequency and to

evaluate their sound absorption characteristics. A standing wave

apparatus for the determination of the sound absorption . curves

of the resonators was design and built. A single microphone and

dual-channel digital frequency analyzer (FFT) technique was used

to obtain the absorption curves with high resolution and confidence.

Thus it was possible to determine, with precision, the absorption

peak of the resonators. The infiuence of the brick porosity and

the neck cross section of the resonator, on the sound absorption

efficiency was investigated. The internai and externai coupling

phenomenon, between two or more resonators acting simultaneously

was also studied.

1

CAPÍTULO

1

INTRODUÇÃ O

Este capítulo contêm uma revisão da principal bibliogra-

fia consultada durante o desenvolvimento deste trabalho, as prin

cipais contribuições do estudo realizado e uma descrição suscin-

ta do conteúdo dos capítulos subseqüentes.

1.1 Revisão bibliográfica

Este item apresenta um resumo das principais infornm

ções, extraídas das publicações consultadas, relativas a ressona

dores acústicos e a técnicas de medição do coeficiente de absor-

ção sonora de materiais,

1.1.1 Ressonadores acústicos

Bruel [l] estuda a absorção acústica de pai^

nêis de materiais porosos, de membrana e de ressonadores. Dentre

os diversos sistemas ressonadores analisados, estão os ressonad£

res de Helmholtz, constituídos por uma cavidade fechada, com um

certo volume, que se comunica com o meio exterior através de

um

orifrdo-^om comprimento—e seção--transversal, adeqtradaTnentre~-esta_

belecidos.

4

Uma analise das variáveis que participam na definição do

amortecimento do ressonador ê igualmente feita. Através deste

estudo, considerando-se condições específicas, Bruel [1] chega a

valores teóricos para exprimir a máxima absorção_, em Sabines,que

cada ressonador isoladamente poderia alcançar. Essa máxima

absorção seria atingida somente quando a resistência por atrito

fosse igual a resistência de radiação. No entanto, Bruel [1]

não esclarece como determinar a referida resistência por atrito,

afirmando apenas que o amortecimento necessário pode ser alcança

do, na pratica, por ajuste adequado das dimensões do orifício ou

por utilização de material absorvente no interior da cavidade ou

do orifício do

ressonador. Ainda, segundo Bruel [1], a máxima

absorção, encontrada experimentalmente, ficou abaixo do valor te£

rico previsto. Junger [2] afirma que a

resistência por atrito

do ressonador não pode ser predita, sem o auxílio de recursos

experimentais que possibilitem sua determinação. Conclui-se,

portanto, que é muito difícil quantificar este parâmetro.

Junger [2]

descreve três funções que um ressonador de

Helmholtz pode desempenhar quando utilizado em acústica arquite-

tônica. Pode-se aumentar o tempo de reverberação em bandas de

freqüências selecionadas ou, como mais comumente ocorre,pode ser

usado para promover absorção acústica em específicas bandas

de

freqüênc irar Ainda, pode aumentara "perda de transmissão das pa.

redes, quando comparadas com construções similares nas quais não

se aplicou o princípio do ressonador de Helmholtz. Em seu traba_

lho, dedica-se ao estudo de tijolos ocos, que são transformados

6

Fahy

[3]

estuda o caso em que um único resso

nador e acoplado a um enclausuramento e sintonizado para a

fr£

qüência natural de um

de seus primeiros modos acústicos.

Dessa

interação surgem dois novos modos acoplados,cujas freqüências na

turais normalmente sao: uma inferior e outra superior a freqüên-

cia natural original. A diferença entre essas duas freqüências

depende da relação entre o volume do enclausuramento e o volume

do ressonador; da amplitude de pressão, do modo-sintonizado, na

posição do.ressonador e ainda,será maior para modos oblíquos

e

menor para modos axiais.

Segundo Fahy

[3], é difícil medir a razão

de

decaimento desses modos acoplados, por métodos convencionais pois,

devido a proximidade entre as freqüências ê provável que ocorra

o fenônemo de batimento. Em princípio, o tempo de reverberação

de cada modo acoplado pode ser indefinidamente reduzido pela pre_

sença de um ressonador altamente amortecido mas, fracamente aco-

plado. Este efeito ainda necessita ser demonstrado experimenta^

mente. Por outro lado, a presença de um ressonador

bem acoplado

e com um baixo, amortecimento, deverá promover uma elevação do

tempo de reverberação mas, não superior ao dobro do original.

Fahy [3] discute ainda, os parâmetros que

de_

vem ser conhecidos e os critérios a serem considerados para

a

otimização de um ressonador, em função dos resultados que se pre_

tende alcançar.

7

. LíndaJil [4]

faz um estudo da perda de transmissão son£

ra em paredes feitas com blocos ocos de concreto, que são

comu-

mente utilizados em construções, nos Estados Unidos da América.

Sendo constituídos, normalmente, de um agregado poroso,esses bl£

cos naturalmente proporcionam uma certa absorção acústica.

Em

experimentos feitos com um dos modelos desse tipo de bloco,consi^

derando-se medições

na

banda de freqüência entre 125 Hz e 4.000 Hz,

Lindahl [4] verificou que, quando pintados, o isolamento acústi_

GO

médio apresenta um aumento superior a 11 dB.

Contudo, a ca.

mada de pintura reduz o poder de absorção acústica desses elemen

tos.

Apresenta, ainda, um estudo de blocos que são fornecidos

com duas ou três fendas em uma das faces, sendo uma fenda por

cavidade. Esclarece que esse tipo é mais pesado que o tipo c(3

mum,de mesmas dimensões e mesmo agregado, porque a maior espessu

ra das paredes adiciona mais massa do que a retirada pela fenda.

Seus experimentos em dois tipos de bloco com fendas mostraram uma

maior perda de transmissão acústica que a encontrada para o tipo

convencional, sem fendas.

Schuller [5] em seu trabalho, apresenta um estudo

sobre

ruído gerado por transformadores e pelos ventiladores do sistema

de refrigeração. Identifica as principais fontes de ruídodo con-

junto e sugere diversas alternativas para redução do ruído.Entre

as medidas propostas para promover a absorção sonora, inclui

a

utilização, nas faces das barreiras voltadas para a fonte,de bl£

cos com f endas,sintonizadas na freqüência na qual se deseja maior absorção.

10

  • - a extremidade do duto onde encontra-se a fonte

sonora

dever! ser o menos refletiva possível.

  • - o primeiro microfone devera ficar o mais próximo possí^

vel da extremidade do duto onde se encontra a amostra em analise.

  • - o espaçamento entre microfones

define a banda de

fr£

qüência (freqüências limites, inferior e superior) na qual as me

diçoes terão precisão aceitável.

Outro aspecto

a ser considerado ê o erro aleatório

na

função de resposta em freqüência ("random errors"), que segundo

mostra Bodên e Abom

[8], pode tornar-se acentuado quando o

numero de amostras do sinal ê pequeno, ou quando a coerência

en

tre os microfones 1 e 2 ê fraca.

Na pratica, fraca coerência po_

de ser observada nos casos de medições com terminação altamente

refletiva, em freqüências nas quais um nó da onda estacionaria

coincide com a posição de qualquer um dos dois microfones.

Con

clui-se que uma alta coerência entre os dois microfones ê neces-

sária para minimizar o erro aleatório.

Segundo Chu

[9], mostra-se analiticamente que

erros

aleatórios podem ser minimizados quando se mantêm uma alta coerên

cia entre os sinais dos dois microfones, o que implica, no entan

to, em pequena distância entre os dois microfones. Todavia, p£

queno espaçamento entre os dois microfones reduzem a precisão das

medições em baixas freqüências pois, a magnitude da função

de

12

Em baixas freqüSncias Chu [9]

obteve seus melhores re

sultados quando utilizou maiores distâncias entre as posições do

microfone. No entanto, abaixo de 250 Hz ocorreram erros sistemáí

ticos quando comparados com os dados obtidos pelo método clássi-

co para determinação do coeficiente de absorção.

  • 1.2 Contribuição e conteúdo deste trabalho As principais contribuições do presente trabalho

são:

  • - transformar os blocos ou tijolos com cavidade,nor

malmente encontrados no mercado nacional, em ressonadores

de

Helmholtz que atuem como eficientes absorvedores acústicos.

  • - obter curvas do coeficiente de absorção dos tijo_

los ressonadores, com alta resolução e confiança, através da

técnica de medição, recentemente proposta por Chu [9], que util^

za um único microfone e um analisador digital de dois canais.

Junger [2], em seu estudo de blocos ressonadores, apresenta valo_

res de coeficiente de absorção, apenas, em freqüências discretas

do espectro.

  • - caracterizar a importância da porosidade das pare_

des

que constituem os blocos ressonadores, na eficiência de absoj_

ção acústica destes dispositivos.

15

  • P. = A. ei O* + kx ->

— 1

p

= B . eiCwt - kx)

—r

Onde:

(2.1)

(2.2)

P_j - pressão acústica complexa incidente

P r - pressão acústica complexa refletida

A

- amplitude

de P_-

J3

- amplitude

complexa de P_ r

o)

- freqüência da onda

k

- w/c = número de onda

c

- velocidade de propagação do som no ar

A figura 2.1 apresenta um desenho esquemitico

do

tubo de ondas estacionárias e mostra o sentido de propagação das

ondas sonoras no interior do tubo.

TERMINAÇÃO

RÍGIDA

AMOSTRA

ALT.a

FALANTE

Figura 2,31 - Tubo de ondas estacionárias

17

Pode-se escrever:

Portanto, no interior do tubo, a pressão sonora

da on

da estacionaria, para uma determinada freqüência, varia com x na

forma apresentada nas figuras 2.2a, sem material absorvente

no

interior do tubo, e 2.2b, com material absorvente no interior do

tubo.

Onde X

ê

o

comprimento de onda

Figura 2.2 - Variação da pressão sonora

no interior do tubo

de

onda estacionãrias - (a) - sem material absorvente

(b) - com material absorvente

  • 0 coeficiente de reflexão, a , ê dado por:

21

Figura 2.3 - Esquema de montagem do sistema

de medição para a

determinação do coeficiente de absorção, usando a

Q

j

técnica de um microfone

 

- pressão acústica complexa incidente

£ - pressão acústica complexa refletida

P

- posição

do microfone mais próxima da amostra

A

- posição do microfone

mais afastada da amostra

x p - distância entre

microfone

a

amostra e a posição mais próxima do

•x. - distancia entre a amostra e a posição mais afastada do

microfone

s - distância entre as duas posiçoes-xle-microfone

S

- sinal do gerador

23

IB/AI -•

-ff e —

e

" H AP

C2.17)

A partir das equações (2,11) e (2,12) o coeficiente

reflexão pode ser expresso por:

de

Portanto, usando (2.13), (2.17) e (2.18), o coeficiente

de absorção pode ser escrito da seguinte forma:

Observando-se a expressão (2.19) pode-se notar que

uma

vez definida a distancia entre as duas posições de medição,

s,

deve-_se determinar a função de

_resposta

^m„frjeqüencia,_H

A p, para j

que o coeficiente de absorção, como função da freqüência,

seja

obtido.

A função de transferência ê, por definição:

27

As

funções

2

Y

e

2

Y

serão obtidas quando o micro_

fone ocupar respectivamente as posições "A" e "P". A função

coerência

2

"Y

será determinada pela equação (2.23).

de

2.1.4 - Freqüência de corte do tubo de ondas estacioná-

rias

As técnicas de medição do coeficiente de absorção

apr£

sentadas ate agora, são baseadas.na teoria de ondas planas incji

dentes e refletidas normalmente a superficífie da amostra do ma

terial em estudo. Portanto, as medições serão validas somente

para a faixa de freqüência na qual sõ existam ondas planas

interior do tubo.

no

28

Em úm duto uniforme de seção transversal circular,a menor

• freqüência de corte ê dada por

[l3] :

Onde:

f

- ê a freqüência

de corte (Hz)

c

- ê a velocidade

do som (m/s)

d

- ê o diâmetro interno do tubo (m)

Portanto, em um duto uniforme de paredes rígidas, em

fr£

qüênçias abaixo dessa freqüência de corte, somente ondas planas

podem propagar-se.

2.2 Ressonador de Helmholtz

Neste tópico são apresentadas as expressões para cálculo

da freqüência natural dos ressonadoTes de Helmholtz e feitas algu

mas considerações sobre a influência de diversos parâmetros

que

compõem esses ressonadores, embasadas na analise de expressões

matemáticas que correlacionam esses parâmetros.

2.2.1 Freqüência natural do ressonador.de Helmholtz

O ressonador de Helmholtz ;ê um sistema :essencialmen

te constituído por uma cavidade, ocupada por um fluído compressí-

vel (ar, nos casos estudados), totalmente fechada, exceto por uma

ou

mais

aberturas, como por exemplo uma garrafa ou

um

jarro,

31

A equivalência com um.sistema mecânico possibilita defi-

nir a rigidez como a razão entre a força pelo deslocamento,assim,

pode-se escrever:

A massa de ar vibrante, contida na fenda do ressonador,

pode ser facilmente obtida pela expressão:

Onde L é a espessura da fenda e

AL é o acréscimo devido

a massa adicional, presente nas duas faces do elemento de

que vibra no interior da fenda.

massa

Segundo Junger

[2] , para fendas retangulares longas, o

valor recomendado para AL, considerando a massa adicional

duas faces é:

nas

Utilizando-se as expressões (2.27) e (2.28), a freqüência,

natural do sistema pode ser descrita por:

32

Kinsier [14] apresenta a mesma expressão (2,30)

para

cálculo da freqüência natural de ressonadores mas, adota a expres-

são (2.31) para o calculo de

AL em orifícios cilíndricos

flan

geados, considerando a massa adicional nas duas faces do

orifí

cio.

Onde:

a - raio da

seção transversal do orifício

A - área

da seção transversal do orifício

O modelo adotado por Kinsier é baseado na massa adicional

de um pistão circular, em barreira ("baffle") infinita.

2.2.2 - Freqüência Natural para fendas cônicas

Outro estudo

feito por Junger [2] considerou

o

caso de uma fenda retangular cuja área da seção transversal apre-

senta um crescimento exponencial descrito por:

34

cia natural, f , do ressonador com fenda retangular paralela, eu

ja seção transversal tem ãrea igual a ãrea mínima•, Á , da

cônica.

fenda

Neste trabalho, através de desenvolvimento semelhante ao

feito por Junger 12J, foi estudado o caso de uma fenda

retangu-

lar cônica mas,com área da seção transversal variando linearmen^

te com x.

A figura 2.5

ilustra o caso estudado.

Figura 2.5

Fenda retangular

côriica

35

Neste caso, a variação da área da seção transversal

fenda é descrita por:

da

2.2.2.1 - Calculo da energia cinêtica

Considerando a massa de ar contida na fenda,in

compressível, o produto da velocidade da partícula,ú (x), pela

ãrea da seção transversal, A(x), será constante. Assim, tem-se:

Onde;

ú

- velocidade da partícula na face externa da

escrita:

abertura do ressonador

A expressão da energia cinêtica pode então

ser

36

Conforme observado no desenvolvimento apresentado, veri-

fica-se que a parcela entre parênteses, na expressão (2.36).cor-

responde

a energia cinética

da massa de ar contida numa fenda r£

tangular paralela de

área A . A outra parcela corresponde a

um

fator que, como pode

ser constatado, ê menor que a unidade. Poir

tanto, a energia cinética obtida no caso de fenda cônica de área

mínima A Q ,é menor que a energia cinética

determinada para o caso

de uma fenda retangular paralela, de seção transversal com

área A Q .

Este resultado pode ser interpretado como tendo-se

na

fenda cônica, uma massa efetiva, M , menor

que a massa M 0 ,

que

atua na fenda paralela.

Portanto, a massa de ar que efetivamen-

te - atua

no ressonador com fenda retangular cônica pode ser expre£

sa por:

Onde "y" ê o fator de Tedução de massa

37

2.2.2.2 - Cálculo da Rigidez

Considerando-se a massa de ar na fenda cônica,

incompressível, o volume de ar deslocado para o interior da cavji

dade, V, pode ser determinado pelo produto A u , e o aumento de

pressão descrito por:

Onde:

u

= deslocamento normal a superfície A

A expressão para rigidez do sistema pode então

ser escrita:

Deve-se notar que a rigidez obtida para o caso

de fenda

conica de ãrea mínima A , ê a mesma obtida

para a fenda

paralela

de ãirea A . Na verdade, considerando-se a massa

de

ar

da

fenda, imcompressível, a rigidez do sistema sõ depende da área

da face externa da fenda e do volume da cavidade do ressonador.

2.2.2.3 - Calculo da Massa Adicional

Conforme jâ mostrado anteriormente, a massa

adicional para. fenda retangular paralela; no caso dos blocos de

concreto ressonadores, pode ser determinada através da expressão

(2,29), que estabelece

o valor de

AL para as duas faces da fen-

da. A massa adicional pode então ser descrita por:

38

No caso de fendas cônicas este parâmetro fica parcialmen

te indefinido. A massa adicional

na face

externa pode ser facil^

mente determinada, uma vez que sua ãrea é perfeitamente conheci-

da.

Para a face interna torna-se difícil estabelecer qual ê

a

ãrea efetiva pois, jã

vimos que a massa efetiva, M e ,

no caso

de

fenda

cônica, é menor

que M Q , massa relativa

a fenda paralela de

ãrea A Q (Ver 2.37). Considerando-se a massa de ar contida na

fenda, incompressível, pode-se concluir que a Massa, M e ,estã con

tida em um volume menor que aquele

ocupado pela massa M 0 .Embora

a área da superfície externa da fenda seja perfeitamente conheci^

da, um modelo simplificado serã supor que a massa efetiva esteja

contida em um

volume cujas faces têm ãrea

efetiva, A e ,

menor que

A 0 e espessura efetiva, L e , menor que

L.

Nesse modelo é assumi-

do o mesmo fator

de

redução para A Q e L.

Com base no modelo proposto e utilizando-se a expressão

(2.37) pode-se escrever:

40

Pelo critério apresentado por Junger

[2]

,para esta fen

da cônica, de seção transversal retangular, com ãrea variando li^

nearmente com x, a expressão (2.34) fica;

2.2.3 - Fator de

Qualidade - Q

Conforme apresentado por Kinsler [14],

o fator de qualidade, Q, de um sistema, pode ser definido por:

Onde;

( w i- w 2) - ê a largura da banda de meia potên-

oi

cia

- freqüência natural do sistema

0 fator de qualidade também pode

ser expresso

em função das constantes do sistema, ou seja:

41

Onde:

M - massa do sistema

R - resistência do sistema.

K - rigidez do sistema

No caso dos tijolos ressonadores a resistência

pode ser descrita por:

Onde:

0

= resistência específica normalizada de ra-

diação, da abertura do ressonador

0

= resistência específica normalizada de atrl

to, da abertura do ressonador

A

= área da abertura do ressonador

Substituindo (2.48) em (2.47), tem-se a expres^

são (2.49), apresentada por Junger

[2],

Para aberturas pequenas, quando comparadas com

o comprimento de onda do som incidente, a resistência de radiação

assume o valor conhecido para um pequeno pistão contido em uma

barreira ("baffle"). Segundo Beranek [15 ]tem-se:

44

pode ser conciliado com o baixo £ator de. qualidade desejado, ado

tando-se uma fenda com grande área de seção transversal A. Outra

alternativa, conforme evidencia as referidas expressões, é redu

zir o fator de qualidade

através de um pequeno valor de L. Evi^

dentemente, para que a freqüência de ressonância do sistema seja

mantida num determinado valor desejado, o volume*da cavidade, V,

devera variar proporcionalmente a A ou L, mantendo constante a

relação estabelecida pela expressão (2.30).

Na prática, conforme serã discutido no capitulo 4, veri

fica-se que a porosidade das paredes que constituem os blocos de

concreto, utilizados como ressonadores acústicos, também tem uma

importante influencia sobre a largura do pico de absorção destes

dispositivos.

45

CAPÍTULO 3

SISTEMA DE WEDIÇAO

Neste capítulo serão apresentados os principais detalhes

construtivos do sistema de medição utilizado neste trabalho, bem

como, ajustes, verificação e qualificação deste sistema.

3.1 Projeto e montagem do sistema de medição

0 sistema de medição foi projetado visando a determi-

nação do coeficiente de absorção, de materiais acústicos através

da técnica de um microfone e um analisador digital de dois ca-

nais, descrita no capítulo 2. 0 sistema completo é composto de

três partes principais, A primeira consiste na cadeia de instru

mentos para geração e amplificação do sinal, que foi montada ut_i

lizando-se um gerador de seno e sinal

aleatório da Bruel Ç Kjaer

(B Ç K) , tipo 1027 e um amplificador de potência, também

da

Bruel Ç Kjaer, tipo 2706, 0 segundo elo que compõe o sistema de

medição é o

aparelho de ondas estacionãrias, que foi construído

especialmente para o desenvolvimento deste trabalho e mais adian

te sérã descrito detalhadamente. Completa o referido sistema,

uma cadeia de medição, composta por um microfone de meia polega-

da, B § K-tipo 4165, um pré-amplificador, B § K tipo 2619, uma

fonte de alimentação de microfone ("microphone power supply"), B

§ K - tipo 2807 e um analisador de Fourier da Hewlett-Packard

5451C.

A figura 3.1 ilustra o esquema de montagem do sistema de

medição.

50

fixado na borda do tubo de PVC, permite um bom acoplamento entre

o referido tubo e a amostra.

Um segundo anel, com 230 mm

de diâ

metro e seção transversal circular com 9 mm de

diâmetro, fixado

num sulco existente no flange, possibilita uma união mais efetji

va entre o tubo e a base de concreto que contém a amostra.

A freqüência de corte do tubo de ondas estacionáriàs de£

crito, pode ser calculada através da expressão (2.24), conforme

segue:

Para possibilitar

a medição da pressão sonora em

duas

posições distintas do tubo de ondas estacionãrias (Ver xapítulo

2) foram feitos sete orifícios equidistantes entre si, que acom£

dam ^perfeitamente o microfone_de

_.

meia polegada

__e

o pré.-amplifica_

dor, utilizados na medição, A

distância entre as posições de mi

crofone, s, dependera de quais orifícios forem selecionados para

a medição da pressão sonora. Como o sinal proveniente do micro-

fone serã processado por um analisador digital, o valor de

M s"

não poderá ser qualquer pois, será função da discretização adota,

da no referido analisador. Para este estudo de tijolos ressona-

dores optou-se pela determinação de curvas do coeficiente de

absorção que cubram a banda de 0 Hz a 1000 Hz. Os sinais proce£

sados pelo analisador HP 5451C passam por um filtro passa

baixa

(filtro "anti-aliasing") sintonizado na freqüência de corte

de

1.250 Hz. O sistema foi, então, ajustado de forma

que

fossem

51

colhidas 5.000 amostras por segundo (freqüência de amostragem),

garantindo um mínimo de quatro amostras em cada comprimento

de

onda do sinal analisado. Portanto, o intervalo de amostragem,

At, será:

Considerando-se, agora, a expressão (2.19), utilizada

na

determinação do

coeficiente de absorção, observa-se

que a mes_

ma

ê definida pela

funções auxiliares

função resposta

±iks

e

, a partir

em freqüência, H Ap ,

e

pelas

das quais pode-se escrever:

Portanto:

Onde:

c - velocidade do som

T - um certo intervalo de tempo

Considerando-se que no processo discretlzado, o

menor

intervalo

de tempo ê

At, tem-se:

T = mAt

Portanto:

s = mcAt

(3,3)

52

por:

Onde:

m = 1,2,3

Para as condições estabelecidas neste

estudo, s ê

dado

Portanto, s devera ser no mínimo 68,6 mm ou assumir qua]^

quer valor múltiplo deste ^mínimo, Com base no desenvolvimento

apresentado, os sete orifícios foram alinhados na direção de pro^

pagação da onda sonora, com espaçamento de 68,6 mm entre os cen

tros de orifícios consecutivos, Para facilitar a identificação,

ao longo do trabalho, das posições de microfone selecionados pa.

ra medição, os orifícios foram identificados pelos números 1 a 7,

iniciando-se pelo orifício mais próximo a extremidade do tubo on

de posiciona-se a amostra. A distância

entre

o centro do orifí-

cio l—e o extremo^do tubo-também-foi ajustada em 68,ó mm. Para

garantir um melhor ajuste e sustentação do microfone e pré-amplji

ficador, a região do tubo onde estes instrumentos são posiciona-

dos, recebeu um reforço externo, feito em madeira, com 460 mm de

comprimento, 40 mm de largura e 20 mm de espessura, firmemente

colado na parede do tubo. A figura 3.2 apresenta os principais

detalhes construtivos do tubo de ondas estacionârias.

Com a finalidade de alcançar maior precisão na execução

dos referidos orifícios, foi utilizada uma mandriladora, equipa-

da

com um indicador digital de posição, que permite um fino aju£

te operacional.

A furacão foi feita em duas etapas; a

primeira

56

3.2 Ajuste e verificação do sistema

Estando o sistema de medição devidamente montado, o pr<5

ximo passo é proceder a seleção e ajustes dos parâmetros a serem

adotados nas medições e efetuar as verificações preliminares do

funcionamento do referido sistema,

3,2,1 Discretização no domínio da freqüência

Uma vez escolhida a freqüência de amostragem

do

sinal a ser processado (Ver item 3.1.2), o intervalo de freqüên-

cia, Af, entre

dois valores consecutivos que constituem as cur_

vas obtidas no domínio da freqüência, será função do numero total

de pontos que compõem as referidas curvas.

Este parâmetro ê se_

lecionado no analisador digital que processa o sinal. No caso do

HP 5451C, utilizado neste estudo, pode-se trabalhar com 64 pon-

tos, ou um numero múltiplo desse, até um máximo de 4.096 pontos.

0 valor de

Af ê definido por:

A-f

freqüência de amostragem

numero de

pontos

,?

.^

Considerando-se que a freqüência de amostragem a

dotada neste estudo foi 5.000 amostras por segundo, verifica-se

que, utilizando

o HP 5451C, os valores máximo e mínimo de Af são

respectivamente

78,1 Hz e 1,22 Hz,

57

Deve-se ressaltar, no entanto, que a capacidade de arma

zenamento de dados do analisador ê fixa. Portanto, quanto maior

o número de pontos adotados na discretização de uma curva, tanto

maior será a parcela de memória ocupada.

Por esta razão,

nem

sempre ê possível operar com o número máximo de pontos pois, de_

pendendo do número de dados e informações a serem manipuladas, a

capacidade de memória do analisador poderá se tornar insuficien-

te.

3.2,2 Seleção das posições de microfone

Conforme já discutido no

capítulo 2, a obtenção da fun-

ção de resposta em freqüência, H. p , e a conseqüente determinação

da curva do coeficiente de absorção, é feita, medindo-se a pres_

são sonora em duas distintas posições do tubo de ondas estaciona_

rias. 0 sistema de medição, projetado com 7 possíveis posições

de microfone, permite diversos arranjos.

Bodén

[8] , verificou

que o espaçamento entre as p(3

sições de microfone

define a faixa de freqüência na qual as medi^

ções terão precisão aceitável. Considerando ks variando entre 0

a ir, constatou-se que a menor variança da curva ocorrerá quan-

do ks = TT/2 e, baseado

em dados experimentais, recomenda como

faixa de utilização, a definida pela relação que segue:

58

A partir da

expressão (3.5) pode-se determinar as freqüên

cias mínima e máxima

da faixa recomendada para uso, em função da

distância entre as posições de microfone adotadas. Sabendo-se que:

Analogamente, considerando-se ks = ir/2, pode-se deternú

nar a freqüência ideal de trabalho, fi, em torno da qual espera-

se que a curva apresente, a menor variança.

por:

0 valor

de ê dado

A tabela 3.1 mostra

os valores de

f

. .

m m

f mov e f •; , para

iiidA

-•-

as distancias entre posições de microfone, s, que podem ser ado-

tadas no tubo de ondas estacionãrias utilizado neste estudo.

Tabela 3.1 - Valores de f . , f

e f., em função de "s"

s

(mm)

68,6

137,2

205,8

274,4

343,0

411,6

min

(Hz)

251

126

84

63

51

42

m m

max

í

y

 

f

f.

max

(Hz)

(Hz)

2.000

1.250

1.000

625

666

417

500

312

400

250

333

208

60

selecionadas para o microfone, tanto maior será o numero de re_

giões com grande variança na curva de absorção, considerando-se

uma mesma banda de freqüências,

As informações constantes neste item e" os obj etivos

a

serem alcançados, deverão nortear a adequada

ções de microfone.

escolha das

posi^

3.2.3 Espectro de pressão sonora

O campo acústico no interior do tubo de ondas estaciona

rias foi gerado, alimentando-se o alto-falante com um sinal cujo

espectro é mostrado na figura 3.5.Cada espectro obtido nesta fa_

se de verificação do sistema, corresponde a média de 50 amostras

do sinal enviado ao analisador digital. Baseado no critério apr£

sentado por Gerges

[16], para este número de amostras adotado

pode-se afirmar, com confiança de 99%, que os valores verdadeiros

do espectro de potência ou do espectro cruzado estão contidos no

intervalo de -1,3 dB a + 1,5 dB dos valores estimados experimen-

talmente. Para confiança de 90$, o referido intervalo serã de

- 0,8 dB a +0,9 dB.

No final deste capítulo e feita a comparação

entre as curvas de absorção, determinadas a partir de 50 amostras

e 200 amostras do sinal. Para esta série de medições adotou-se

Af = 1,22 Hz, que consiste no menor valor possível, considerando

as condições estabelecidas

para o estudo e as limitações do ana-

61

O espectro de pressão sonora do campo acústico no interior

do tubo de ondas estacionarias foi determinado, colocando-se o

microfone nas posições 3,5 e 7 (Ver figura 3.2). As medições

foram feitas sem material absorvente junto a terminação rígida e

as curvas obtidas são respectivamente mostradas nas figuras 3.6,

3.7 e 3.8. Observa-se

nos três casos, que em freqüências bem d£

finidas, cada espectro apresenta acentuados decréscimos no valor

da amplitude. Considerando a

banda de freqüência entre

0 Hz

a

1000 Hz, as freqüências onde os referidos decréscimos ocorrem,

f^, em função da posição de medição, estão relacionadas na segun

da coluna da tabela 3,2. Calculou-se, também, as freqüências nas

quais os nos das ondas estacionarias coincidem com as posições de

medição. Os valores obtidos estão listados na terceira coluna

da tabela 3.2. Verifica-se que as diferenças porcentuais entre

os valores que compõem os dois conjuntos de dados são bastante

pequenas, conforme pode ser observado na quarta coluna da tabela

  • 3.2. Considerando-se que a resolução das curvas obtidas corres-

ponde a Af=l,22 Hz (Ver item 3.2.1), as pequenas diferenças en

tre os valores de f,, esperados e encontrados, são perfeitamente

aceitáveis. Estes resultados permitem concluir que os decrêsc^

mos observados nos espectros, em determinadas freqüências,devem-

se a ocorrência da referida coincidência dos nos das ondas esta-

cionarias com as posições de medição.

62

Tabela 3.2 - Dados relativos aos decréscimos do espectro

POSIÇÃO DO

POSIÇÃO DO

MICROFONE

MICROFONE

VALORES

DE fví

ENCONTRADOS

• . : = OHZ)

ESPERADOS

0Hz)

DIFERENÇAS

DIFERENÇAS

3

4 23 -

417

1,4

. 253

250

1,2

5

5

 
  • 758 750

1,1

  • 181 179

1,1

7

7 7

  • 544 537

  • 907 895

1,3

1,3

Os espectros de pressão sonora, obtidos com o microfone nas

posições 3 e 5 (figuras 3.6 e 3.7) foram repetidos utilizando-se

o mesmo tubo de ondas estacionãrias mas, substituindo-se a caixa

acústica original por um caixa simples, aqui denominada caixa con

vencional. Estas medições têm a finalidade de avaliar o compor-

tamento da caixa acústica projetada para o sistema de medição. A

caixa convencional foi feita com madeira

compensada de 20 mm

de

espessura e dimensões internas de 330 mm

de comprimento, 330 mm

de largura, e 200 mm de

altura. Esta

caixa foi montada sem reve_s_

timento, exceto na face superior interna, onde foi colocada

uma

camada

de espuma com 60 mm de espessura. O alto-falante utiliza_

do foi o mesmo da caixa original.

As curvas obtidas são apresen

64

que os valores dos múltiplos

de

A/2, apresentados na

tabela

3.3, estão contidos na faixa

de 0,70 mm a 0,92 mm, podendo indi-

car que a caixa acústica convencionai comporta-se como uma termi^

nação refletiva.

Considerando-se que os picos observados sejam modos de res-

sonâncias acústicas do sistema de medição, ê importante justifi-

car porque os picos ocorridos em 240 Hz e 440 Hz não foram obser-

vados nos dois espectros obtidos,

0 pico de 240 Hz não

aparece

no espectro obtido com o -microfone

na posição 5.

Para esta posi^

ção de medição, conforme discutido anteriormente, em 250 Hz deve_

ria ocorrer um decréscimo na amplitude do espectro de pressão s£

nora, devido a presença de um né da onda estacionaria, junto are

ferida posição de medição. Portanto, verifica-se que hã uma com

pensação entre os

dois efeitos e, desta forma, nem o pico

e nem

o decréscimo no espectro são observados. A mesma justificativa

ê

valida para a não ocorrência do pico em 440 Hz, no espectro me_

dido com

o microfone na posição 3.

Conforme pode

ser visto

na

tabela 3.2, o decréscimo na amplitude do espectro ocorre em 417 Hz.

Os resultados derivados desta série de medições comprovam a

eficiência da caixa acústica original, em comportar-se como uma

terminação pouco refletiva, conforme recomenda Bodên

[8]

65

  • 3.2.4 Ruído de fundo

Durante o desenvolvimento deste trabalho, :tomou-se o cui^

dado em verificar-se o nível de ruído

de fundo no interior do tu

bo de ondas estacionârias. Comparou-se o espectro do ruído

de

fundo, com o espectro do campo acústico, nas diversas posições de

medição utilizadas. Constatou-se que o ruído de fundo apresen-

tou níveis de pressão sonora, com diferenças freqüentemente iguais

ou superiores

a 20 dB* em relação aos níveis apresentados

pelos

espectros do campo acústico no interior do tubo, determinados com

a presença de amostra de material absorvente. Em casos isolados

ocorreram diferenças menores mas, nunca inferiores a 10 dB. A tí^

tulo de ilustração, as figuras 3,11 e 3.12 monstram respectivamen

te os espectros de pressão sonora do campo acústico

e do

ruído

de fundo no interior do sistema de medição, determinados durante

a análise de uma amostra de absorvente acústico.

  • 3.2.5 Efeito da rotação e da profundidade do microfone

Outra verificação feita no sistema foi

o efeito que a rota.

ção no microfone, ou seu deslocamento para o interior do tubo,p£

deriam causar sobre as medições efetuadas ..

A norma

E 1050, da ASTM

[17], que padroniza a técnica de

medição do coeficiente de absorção de materiais, usando dois mi^

crofones, recomenda que os microfones sejam alinhados à superfí-

cie interna do tubo. Ressalta, ainda, que quando os microfones

são removidos, deve-se ter o cuidado para que a geometria

da

68

Pelo método utilizado neste estudo, cada curva de coeficien

te de absorção foi determinada através da expressão 2.19 e e ba.

seada na média

de 50 amostras do sinal

enviado ao analisador di-

gital, já comentada anteriormente, Para as curvas de absorção,

obtidas ao longo de todo o estudo, adotou-se

Af = 2,44 Hz

pois,

com Af = 1,22 Hz, a capacidade de memSria do artalisador seria

insuficiente para armazenar todos os dados e proceder os cálculos

necessários em cada medição,

A primeira curva de absorção foi determinada com o microf£

ne ocupando as posições 5 e 7,

Neste caso,a distância entre

as

posições de microfone corresponde a 137,2 mm e, segundo Bodén [8]

a curva obtida deve ser confiável e não possuir grande variança

na banda de freqüência contida entre 126 Hz e 1000 Hz (ver tabe_

Ia 3.1).

Através da expressão (3.9) verifica-se que para

s = 137,2 mm, a primeira grande variança da curva (m = 1 em 3.9)

ocorrera, apenas, na região em torno de 12 50 Hz. A curva obtida

ê apresentada na figura 3.13, na qual também estão plotados

os

valores obtidos pelo método clássico.

Analisando-se a referida curva constata-se uma boa concor-

dância entre os resultados obtidos pelos dois métodos.Observa-se,

também^ uma variança mais acentuada na região de baixa freqüência,

abaixo de 135 Hz.

Segundo Bodén

[8]

(Ver tabela 3.1), esta va_

riança deveria ocorrer somente até 126 Hz.

71

Ainda, verifica-se que a. freqüência de 179 Hz, correspon

de a um comprimento de onda,. A, de aproximadamente 1,92 m e, con

seqüêntemente, (V4) ~ 0,48 nu

Considerando que a posição de m£

dição 7, dista

0,48 m da. terminação rígida, conclui-se que

o

primeiro nô da onda estacionaria relativa à 179 Hz, praticamente -

coincide com a

referida posição de medição.

Portanto, os resul.

tados obtidos são plenamente compatíveis com as considerações

apresentadas por BSden

[8] e Chu [9]

(Ver Capítulo 1).

Deve-se ressaltar que o pico observado na figura

3.20

ê

considerado um erro aleatório, conforme apresentam Bõden e Chu,e

pode mostrar grande variação quando um mesmo experimento e rep£

tido. Determinou-se novamente o coeficiente de absorção da ter_

minação rígida, com microfone nas posições 2 e .7, e a curva obt_i

da ê mostrada na Figura 3.22.

Verifica-se que nesta medição, o

pico em torno de 178 Hz, atingiu o valor de

a = 0,10e portanto,

bem inferior ao valor encontrado em 3.20.

Destaca-se que a

cur

va da função de coerência relativa a esta segunda medição, apre-

sentou o mesmo comportamento.de

  • 2 mostrada na figura 3.21.

Y. p

Na curva da função de coerência, Y. p , apresentada

na fi^

gura 3.21, considerando-se

a banda de 0 Hz

a 1.000 Hz, ainda

observa-se

baixa coerência

em 544 Hz e 903 Hz, devido

a

mais

duas

coincidências de nós da onda estacionaria com a posição 7 de

medição. Também em 625 Hz, ^f.^ possui um valor pequeno,neste

ca.

so, em função de coincidência do nõ com a posição 2 de medição.

Figura 3.5 - Espectro (não calibrado)

do sinal utilizado na alimentação da caixa

acústica, para gerar o campo

acústico no interior do tubo de ondas

estacionãrias.

Figura 3.7 - Espectro de pressão sonora (não calibrado)

no interior do tubo de

ondas estacionarias, com terminação rígida e caixa acústica original.

Microfone na posição 5.

C/1

Figura 3.8 - Espectro de pressão sonora (não calibrado) no interior do tubo de

ondas estacionãrias, com terminação rígida e caixa acústica original.

Microfone na posição 7.

• Figura 3.10 - Espectro de pressão sonora(não calibrado) no interior do tubo de

ondas estacionãrias, com terminação rígida e caixa acústica conven-

cional. Microfone na posição 5.

oo

Figura 3.11 - Espectro de pressão sonora(não calibrado) no

interior do tubo de

ondas estacionãrias, com amostra de espuma e caixa acústica original.

Microfone na posição 7.

Figura 3.12 - Espectro

de pressão

sonora (não calibrado) do ruído de fundo no

interior do tubo.de ondas estacionãrias, com amostra de espuma e

caixa acústica original. Microfone na posição 5.

Figura 3.13 - Coeficiente de absorção da amostra de espuma. Microfone nas posições

5 e 7.

Figura 3.14 - Função auxiliar e

s = 137,2 mm.

, parte real e imaginária, considerando

Figura 3.15 - Função auxiliar e

s = 13 7 , 2 mm

, parte real e imaginária, considerando

Figura 3.16 - Parte real da função de transferência, H Ap , utilizada na determinação

da curva de coeficiente de absorção mostrada na figura 3.13.

Microfone nas posições 5 e 7.

Figura 3.18 - Coeficiente de absorção da amostra de espuma.

Microfone nas posições 2 e 7.

oo

O*

Figura 3.20 - Coeficiente de absorção da terminação rígida (piso do laboratório).

Microfone nas posições 2 e 7.

00

oo

Figura 3.21 - Função de coerência, entre as duas posições de medição, determinada

durante a obtenção da curva de coeficiente de absorção mostrada na

figura 3.20.

Microfone nas posições 2 e 7.

oo

Figura 3.23 - Função de coerência, entre as duas posições de medição, determinada

durante a obtenção da curva de coeficiente de absorção mostrada na

figura 3.18.

Microfone nas posições 2 e 7.

Figura 3.24 - Sobreposição de três curvas do

amostra de espuma.

Microfone

coeficiente de absorção da mesma

nas posições 5 e 7.

IO

Figura 3.25 - Sobreposição de duas curvas do coeficiente de absorção da mesma

amostra de espuma.

Uma decorrente da media de 50 amostras do

sinal e a outro a partir

da média de 200 amostras do sinal.

96

As curvas do coeficiente de absorção, das duas referidas

amostras, foram obtidas, utilizando-se dois distintos valores de

"s" (distância entre as posições do microfone no tubo de

ondas

estacionãrias). As distâncias selecionadas foram 137,2 mm, ado^

tando-se

as posições

5 e 7 do tubo e 343 mm, através das

posi-

ções 2 e

7.

A menor

distância possibilita a visão da curva en-

tre aproximadamente

130 Hz e 1.000 Hz, sem a grande

variança

própria da técnica de medição, que neste caso, ocorre numa faixa

de freqüência em torno de 1.250 Hz (Ver Capítulo 3,equação 3.9).

Com a maior

distância selecionada, a grande variança ocorre

em

freqüências

próximas a 500 Hz mas, em compensação, tem-se uma

cur

va com menor variança que a anterior, na faixa de freqüência con

tida aproximadamente entre 90 Hz e 400 Hz, facilitando a analise

do pico de absorção.

As medições da amostra 2 foram

repetidas, apôs a

mesma

ter sido pintada, através de banhos de imersâo em tinta látex

a

base de P.V.A.

As curvas obtidas são apresentadas nas figuras 4.2 a 4.7

e a tabela 4.1 reúne as principais informações extraídas das me_

dições supracitadas.

99

de ar, cora relativa facilidade, Essa porosidade certamente con-

fere a esse tipo de bloco de concreto, propriedades de um abso:r

vente acústico, independente deste ser ou não transformado

num

ressonador. A pintura da amostra 2, por imersão em

látex,

foi

uma tentativa para verificar esta

hipótese, uma vez que

desta

forma eliminou-se completamente a porosidade do material.

A medição da amostra 2, apôs a referida pintura, mostrou

acentuada variação nos parâmetros estudados. A freqüência de res_

sonância caiu para valores na faixa de 205 a 208 Hz; o valor

de

pico do coeficiente de absorção foi reduzido para 0,80 e

a lar_

gura

do

pico atingiu apenas 95 Hz. Observou-se,ainda, que a cu_r

va de

absorção na região de 600 a 900 Hz sofreu uma sensível que_

da (Ver

figura 4.6).

Fica evidente a relevante influência da porosidade,

ou

seja, da absorção sonora do material, na eficiência do

ressona_

dor. A simples eliminação desse parâmetro foi suficiente

para

promover uma queda de 2 01 no pico de absorção e estreitar a lar_

gura do pico

para um valor inferior a 25% do original.

Igualmente significativo é o efeito dessa porosidade na

freqüência de ressonância do sistema, que após a pintura alcan

çou valores com apreciável diferença em relação aos previstos teo_

ricamente por Junger. Embora Junger não faça referências espec£

ficas sobre a porosidade das amostras estudadas,ê importante res_

saltar, no entanto, qüe na exposição matemática proposta para o

í

cálculo da freqüência de ressonância, o valor de AL= 0,4 A T (equfi

101

Desta forma pode-se anular o efeito do

ressonador e obser_

var, apenas, a absorção sonora devida ao bloco

de concreto

pro_

priamente dito.

As figuras 4.9 e 4.10 mostram respectivamente as

curvas do coeficiente de absorção das amostras

1 e 2.

Embora as amostras sejam do mesmo

tipo e

tenham sido for_

necidas pelo mesmo fabricante, observa-se valores de coeficien-

tes de absorção significativamente diferentes. As duas curvas

mostram valores não desprezíveis em toda região do espectro estu

dado; apresentam um comportamento relativamente estável e leve-

mente decrescente com a freqüência.

Na faixa de 150 Hz a 900 Hz,

o coeficiente de absorção da amostra 1 varia aproximadamente en

tre 0,45 a 0,20 e da amostra 2 apresenta valores entre 0,60 a

0,30. Estas medições confirmam e comprovam o considerável poten

ciai de absorção sonora que esses blocos naturalmente possuem.

A variação dos valores obtidos entre as duas amostras, evi^

dencia a heterogeneidade na composição dos blocos estudados, pro_

vavelmente devido a falta de homogeneidade na granulometria e na

mistura dos materiais que os constituem. Essa variação pode,

ainda, justificar a diferença entre as larguras dos picos.de absor_

ção dos ressonadores construídos com essas amostras. Em relação

a amostra 1, a amostra 2 apresentou, nesse estado, um maior coe-

ficiente de absorção em toda a região do espectro estudado e,

atuando como ressonador, mostrou maior largura de pico. Este re^

sultado é bastante coerente, uma

vez que as medições com a amostra

2, após a pintura, revelaram a grande influencia da absorção das

paredes do ressonador sobre a largura do pico de absorção.

102

4.3 Ressonadores de bloco de concreto paia freqüências muito

baixas

Este estudo teve por objetivo, observar o comportamento

dos blocos de concreto, atuando como ressonadores de Helmholtz,

em freqüências em torno de 60 Hz. Com esta finalidade,utilizou-

se novamente

o tipo de bloco ilustrado

na figura 4.1.

Foram fei^

tas medições

do coeficiente de absorção da amostra sem nenhuma

abertura e também, com 1, 2 e 3 orifícios circulares, todos com

8 mm de diâmetro. As curvas obtidas são respectivamente apresen

tadas nas figuras 4.11 a 4.14. A previsão teórica das freqüên_

cias de ressonância foi feita considerando-se a área total dos

orifícios abertos, através das expressões propostas por Kinsler

e

Junger. Deve ser ressaltado, no entanto, que, segundo Junger,

a expressão proposta em seu trabalho adota AL recomendado

para

grandes fendas retangulares. Adotou-se "s"=411,6 mm (distância

entre microfones),que é o máximo valor disponível no sistema de

medição utilizado, buscando-se maior precisão das curvas de absor

ção, na região de baixa freqüência.

A tabela 4.2 contém os valores previstos teoricamente pa_

ra as freqüências de ressonância e os dados obtidos experimental^

mente.

105

TABELA 4.3 - Dados obtidos com o bloco ressonador pintado

Continuação

...

FIGURA

FIGURA

FENDA

FENDA

RETANGULAR

RETANGULAR

(mm)

(mm)

FREQÜÊNCIA ESPERADA

vKINSLER

(Hz)

JUNGER

(Hz)

  • 4.2 0

1 1

X

4 0

115

136

PICO

FREQÜÊNCIA

(Hz)

120

Dl5

ABSORÇÃO "

COEFICIENTE

"

amax"

0,9 8

LARGURA

LARGURA

DE

DE

PICO

PICO

fifcl

fifcl

62

 

(85

a

147)

  • 4.2 1

1 1

X

50

125

149

132

0^97

72

 

(96

a

168)

  • 4.2 2

1 1

X

6 0

134

161

146

0,9 4

75

 

(107

a

182)

  • 4.2 3

1 1

X

70

142

172

156

0,9 3

79

 

(115

a

194)

  • 4.2 4

1 1

X

80

149

182

171

0,9 0

81

 

(125

a

206)

  • 4.2 5

1 1

X

90

155

191

176

0,8 9

82

 

(134

a

216)

  • 4.2 6

1 1

X

100

161

199

188

0,8 5

84

 

(142

a

226)

  • 4.2 7

1 1

X

110

167

207

195

0,8 5

87

 

(151

a

238)

  • 4.2 8

1 1

X 13Q

177

221

210

0,8 0

92

 

(163

a

255)

5

  • 4.1 Curva de

absorção

com

a

fenda

totalmente

fechada

Esta serie de medições mostra resultados significativamen_

te mais positivos que os alcançados na etapa anterior. Observan

do-se a Tabela 4.3 constata-se que, neste caso, foi efetivamente

conseguido- ressonado^es- que-apresentam-picos--de—absornção—em fre_ —

qüências muito baixas.

O confronto das curvas de absorção obtidas para as dive£

sas fendas analisadas, com a figura 4.15, que mostra a curva

de

107

da nos dados obtidos com a. ya,r?,açIo da fenda da amostra. 2,

com

pintura, relacionados na ta,bçla

4.3 do tópico anterior, e nos r£

sultados observados em estudo semelhante, feito com tijolo do ti^

po cerâmico.

  • 0 tijolo cerâmico selecionado para este estudo pos

sui quatro cavidades cilíndricas, conforme mostrado na figura

4.29 a. Uma das cavidades foi transformada em ressonador acüsti^

co, através de

um único orifício circular, feito em uma das faces

do tijolo.

Na

montagem para a medição tomou-se o cuidado de uti^

lizar dois tijolos do tipo selecionado, de forma a garantir que

toda a superfície da amostra, atingida pelo campo sonoro gerado

no tubo de medição, fosse constituída pelo mesmo material.

0 po^

sicionamento do orifício na amostra e o croqui da montagem -/para

medição estão ilustrados na figura 4.29 b.

Figura 4.29 - Tijolo cerâmico(a). Montagem para mediçio(b)

108

Devido a forma.cilíndrica da cavidade desse tijolo.cerâ-

mico o orifício do ressonador não. mantém uma espessura constante

e sim, variáVel ao longo de sua. circunferência,. Por esta razão,

as previsões teóricas para as freqüências de ressonância são apr£

sentadas por faixas pois, foram considerados os dois valores

extremos da referida espessura.

Ainda, verifica-se que entre uma amostra- e outra a espes_

sura mínima, L, varia entre 5 a 8 mm.

As curvas do coeficiente de absorção foram obtidas, pri^

meiramente. para a amostra sem nenhum orifício e, em seguida,com

orifício cujo diâmetro foi progressivamente aumentado, assumindo

valores entre

5 mm e 13

mm.

Nesta serie

de medições também man

teve-se

"s" = 411,6 mm, com microfone nas posições 1 e 7 do tubo

de medição.

As figuras

4,30 a 4.38 mostram as curvas

obtidas nas

diversas situações analisadas. A tabela 4.4 reúne as previsões

teóricas para as freqüências de ressonância e as informações de

maior interesse para este estudo, que foram extraídas das referi^

das curvas.

TABELA 4.4 - Dados obtidos com os tijolos cerâmicos

FIGURA

FIGURA

DIÂMETRO

DIÂMETRO

DO

DO

ORIFÍCIO

ORIFÍCIO

(mm)

(mm)

FREQÜÊNCIA ESPERADA

KINSLER JUNGER

(Hz)

(Hz)

  • 4.30 162-163 191-194

5,0

  • 4.31 197-200 237-242

6,5

4.32

4.32

7,5

7,5

217-221 265-272

217-221

265-272

  • 4.33 226-231 278-287

8,0

PICO

DE

ABSORÇÃO

LARGURA

LARGURA

FREQÜÊNCIA COEFICIENTE

(Hz)

ti

ti

a max

DE PICO

DE PICO

(Hz)

(Hz)

169

0,78

17

(159 a 176)

203

0,96

21

(193 a 214)

222

0,98

24

(221 a 245)

234

1,00

24

109

TABELA 4.4 - Dados obtidos com os tijolos cerâmicos

Continuação ...

 

DIÂMETRO

DIÂMETRO

FREQUEN3[ A ESPERADA

PICO DE ABSORÇÃO

FIGURA

FIGURA

DO

DO

ORIFÍCIO

ORIFÍCIO

(mm)

(mm)

KINSLER

(Hz)

JUNGER

(Hz)

FREQÜÊNCIA

(Hz)

COEFICIENTE

" a max"

  • 4.34 300-310

8,8

242-247

249

1,00

  • 4.35 306-315

9,0

246-251

252

0,99

9,5

  • 4.36 317-329

255-261

259

0,99

10,0

  • 4.37 329-343

263-270

266

0,98

13,0

  • 4.38 398-419

311-321

320

0,91

LARGURA

LARGURA

DE .PICO

DE .PICO

(Hz)

(Hz)

23

(237

a

260)

23

(240

a

263)

25

(245

a

270)

25

(253

a

278)

30

(305

a

335)

Para o ressonador de tijolo cerâmico estudado,as freqüên

cias de ressonância, obtidas experimentalmente, apresentam

uma

boa concordância com os valores previstos através da . expressão

proposta por Kinsler [14].

Analisando-se os dados constantes nas tabelas 4.3 e 4.4,

verifica-se que nos dois tipos de tijolos ressonadores estudados,

o valor de pico do coeficiente de absorção, a max, cresce com a

freqüência até atingir um máximo e, em seguida, passa a decrescer.

No entanto, a

freqüência de

ressonância, na qual a max atinge

o

valor máximo, não é a mesma

nos dois casos. No bloco de concre-

to pintado, °Snax atingiu 1,0 para freqüências de ressonâncias con

tidas no intervalo entre 85 Hz e 103 Hz, ao passo que no caso do

tijolo cerâmico este máximo ocorreu entre 234 Hz e 250 Hz.

110

Nos dois casos analisados observa-se, também, que

a lar_

gura do pico aumenta com a freqüência.

Deve-se destacar, contu

do, que a largura de pico. conseguida com o tijolo cerâmico, mos_

trou, sempre, valores significativamente inferiores aos obtidos

com o bloco de concreto pintado.

Estes resultados são plenamente coerentes com as conside_

rações feitas

por Junger

[2] -.

Conforme ja

descrito no Capí

tulo 2, quanto

menor for o fator de

qualidade - "Q" do ressona-

dor, maior será a largura

do pico de absorção.

Pela expressão 2.54 verifica-se que

"Q" diminui

com o

aumento da freqüência e da ãrea da fenda ou do orifício, ou, ain

da, com a redução da espessura

da fenda ou do orfício.

Portanto, o aumento da largura do pico de absorção,com a

freqüência, observado nos dois casos analisados, ê plenamentejus_

tificãvel. A considerável diferença entre os valores da largura

de jfico dos dois casos analisados, também pode ser explicada pe_

Io fato da ãrea da fenda do bloco ressonador ser significativamen

te

maior que a ãrea do ofício usado no tijolo cerâmico,quando, uma

mesma freqüência de ressonância ê considerada. Esta diferença

supera, inclusive, a vantagem da menor espessura do orifício em

relação a espessura da fenda.

Através deste estudo conclui-se que cada tipo de

tijolo

ressonador pode apresentar uma faixa ideal de utilização. Portan_

to, em função dos

objetivos específicos a serem alcançados, a e£

colha adequada do tipo de tijolo ressonador a ser usado,

quando

111

possível, certamente significara uma melhor eficiência do siste-

ma adotado.

  • 4.5 - Blocos ressonadores com fenda cônica

A amostra 3 foi construída com o objetivo de obter, expe_

rimentalmente, a freqüência de ressonância de um ressonador com

fenda cônica e comparar com os resultados esperados teoricamente,

determinados pelos critérios discutidos no capítulo 2. Esta amo_s

tra consiste em um ressonador feito a partir de um bloco de con

creto do tipo mostrado na figura 4.1,

com uma fenda com seção trans_

versai retangular, medindo 130 mm de comprimento, 8 mm de largu-

ra na face externa do bloco e 16 mm de largura na face interna.A

área da seção transversal da referida fenda apresenta a mesma va

riação linear

mostrada na

figura 2.5 do capítulo 2. A

figura 4.39

ilustra o ressonador, com fenda conica estudado.

Figura 4.39 - Bloco ressonador com fenda cônica

112

Determinou-se a curva do coeficiente de absorção do re£e_

rido ressonador, selecionando-se, no tubo de medição,as posições

de microfone 5 e 7, para uma analise

geral da curva e as. posições

2 e 7, para melhor observar o pico de absorção. As curvas obti-

das com a amostra 3 são mostradas nas figuras 4.40 e 4.41

e os

dados extraídos destas curvas são apresentados n^ tabela 4,5.

TABELA 4.5 - Dados relativos ao estudo da fenda cônica

FIGURA

FIGURA

NUMERO

NUMERO

DA

DA

AMOSTRA

AMOSTRA

TIPO DE

TIPO DE

FENDA

FENDA

PICO DE ABSORÇÃO

*

FREQÜÊNCIA COEFICIENTE

(Hz)

M "max"

LARGURA DE

LARGURA DE

PICO

PICO

(Hz)

(Hz)

4.40

4.41

3

3

retangu-

lar

cônica

retangu-

lar

cônica

225

227

1,00

1,00

294

(112 a 406)

292

(106 a 398)

POSIÇÕES

POSIÇÕES

DO DO

MICROFONE

MICROFONE

5

e 7

2

e 7

Conforme já apresentado no capítulo 2, considerando

um

mesmo tipo de bloco ressonador, Junger

[2]

demonstra

que

a

freqüência de ressonância esperada para fenda cônica, com seção

transversal de área mínima

Ao, ê maior que a freqüência de resso_

nância prevista para fenda paralela, com seção transversal

de

ãrèa constante, Ao. Considerando o caso estudado experimentalmen

te, a freqüência de ressonância esperada, para uma fenda parale-

la com 8 mm de largura ê 195 Hz, calculada através das expressões

2.29 e 2.30, e para a fenda cônica da amostra 3, corresponde

a

234 Hz, calculada pela expressão 2.46, segundo critério apresen-

tado por Junger [2]. Seguindo-se omodelp proposto neste

113

estudo (Ver capítulo 2) , a freqüência de ressonância da

..

amostra

3 pode ser prevista teoricamente através da expressão 2.45,obten

do-se o valor de 230 Hz.

Analisando-se os dados obtidos verifica-se que osvalores

medidos são plenamente compatíveis com os resultados esperados.

Considerando-se que seja mantida a mesma ãrea da seção transver-

sal na face externa da fenda, o ressonador com fenda cônica efe_

tivamente apresenta uma freqüência de ressonância maior que a

obtida

com a fenda paralela. Verifica-se, ainda, que a freqüên

cia de ressonância para a fenda cônica, calculada pelos dois cr:i

têrios

apresentados, apresentam valores próximos aos obtidos expe_

rimentalmente. Seguindo-se o critério apresentado por Junger, a

variação observada esta em torno de 31. Considerando o modelo

proposto neste estudo, a diferença ê da ordem de 1,5$.

Conforme

jã comentado no tópico 4,1, pequenas distorções entre os valores

obtidos são perfeitamente aceitáveis, considerando-se a resolução

adotada na discretização do sinal (Af = 2,44 Hz) e as naturais

dificuldades em se ter uma definição precisa dos parâmetros que

compõem o ressonador.

O coeficiente e a largura do pico de absorção, obtidos com

a fenda cônica, apresentaram valores altamente positivos,não sen

do notado, portanto, algum efeito negativo sobre estas caracterís^

ticas do ressonador, que pudesse ser atribuído a fenda cônica.

114

4.6 Influência de materiais colocados na fenda ou na cavidade do

ressonador

Utilizando-se as amostras 1,2 e 3, foram feitas medições

com materiais incorporados na fenda ou na cavidade do ressonador,

com a finalidade de verificar a influência destas alterações, S<D

bre o pico de absorção dessas amostras.

Inicialmente, com as amostras 2 e 3, verificou-se o efei_

to de uma tela de nylon colocada sobre a fenda do ressonador.Uti

lizando-se

as amostras

1 e 2, avaliou-se, também, o efeito de um

enchimento

de palha dé

aço, ocupando todo

o volume da fenda. Ain

da, quantificou-se a variação da curva de coeficiente de absorção

das amostras 2 e 3, quando suas respectivas cavidades . estavam

parcialmente ocupadas por uma placa de espuma, homogênea e de su

perfície regular, de densidade igual a

47 Kg/m 3 .

Nesse caso, fo_

ram consideradas duas situações distintas. A primeira, colocan

do-se a placa de

espuma encostada na face oposta a face que

pos

sui a fenda, e a segunda, com a placa de espuma encostada na fa_

ce que

contém a fenda.

A figura 4.42 ilustra as duas situações

Figura 4.42 - Disposição

do enchimento de espuma na cavidade do

ressonador

115

As mediçSes foram feitas com o microfone

nas posições 1

e 7 ou 2 e 7, de forma a permitir uma analise mais adequada

dos

picos

de absorção.

A amostra 2, utilizada neste

trabalho, foi a

mesma

amostra referida no tópico 4.1, jã pintada através

de ba_

nhos de imersao em tinta látex.

As curvas de absorção

obtidas

nesta série experimental

são mostradas nas figuras 4.43

a

4.50.

Para fins comparativos, a tabela 4.6 reúne os principais

dados

obtidos neste estudo e aqueles obtidos para as

sem nenhum material incorporado.

amostras 1,2 e 3,

Tabela 4.6 - Dados sobre blocos ressonadores com materiais incor

porados

FIGURA

FIGURA

NUMERO

NUMERO

DA

DA

AMOSTRA

AMOSTRA

TIPO DE

TIPO DE

FENDA

FENDA

PICO

DE

ABSORÇÃO

FREQÜÊNCIA

Hz

COEFICIENTE

"amax"

LARGURA

LARGURA

DE

DE

PICO

PICO

(Hz)

(Hz)

POSIÇÕES

POSIÇÕES

DO

DO

MICROFONE

MICROFONE

NENHUM

MATERIAL

INCORPORADO

AO

RESSONADOR

4.3

4.7

4.41

1

(sem

pintura )

retangular

paralel a

2

(com

pintura )

retangula r

paralel a

3

(sem

pintura )

retangular

cônica

225

205/208

227

0,98

246

(116 a

362)

2

e

7

0,80

1,00

95

(160

a

255)

2

e

7

292

(106

á

398)

2

e

7

116

Tabela 4.6 - Continuação ...

FIGURA NUMERO

FIGURA

NUMERO

DA

DA

AMOSTRA

AMOSTRA

TIPO DE

TIPO DE

FENDA

FENDA

PICO

DE

ABSORÇKD

FREQÜÊNCIA

(Hz)

COEFICIENTE

" ;a max"

LARGURA

LARGURA

DE

DE

PIGO

PIGO

POSIÇÕES

POSIÇÕES

DO

DO

MICROFONE

MICROFONE

TELA DE NYLON SOBRE A FENDA

4.43

4.44

3

(sem

pintura)

retangular

cônica

2

(com

pintura)

retangular

paralela

227

208

1,00

> 310*

2 e 7

0,80

'107

(154 a 261)

  • 1 e 7

PALHA DE AÇO OCUPANDO TODO 0 VOLUME DA FENDA

4.45

4.46

1

(sem

pintura)

retangular

paralela

2

(com

pintura)

retangular

paralela

225

205/208

1,00

0,89

272**

(115 a 387)

110

(115 a 265)

1

e 7

1

e 7

ESPUMA NO INTERIOR DA CAVIDADE - JUNTO A FACE OPOSTA Ã FENDA

  • 4.47 3

retangular

  • 222 326

1,00

(sèm

cônica

(96 a 422)

pintura)

  • 4.48 2

retangular

  • 203 127

0,93

(com

paralela

(140 a 267)

pintura)

  • 2 e 7

  • 1 e 7

ESPUMA NO INTERIOR DA CAVIDADE - JUNTO Ã FACE COM FENDA

4.49

4.50

3

(sem

pintura)

2

(com

pintura)

retangular

cônica

retangular

paralela

158

122/125

0,73

0,90

258

(92 a 350)

118

(97 a 215)

2

e 7

1

e 7

Não é possível determinar o limite inferior da banda de interesse

Difícil identificar limite superior, mas o valor foi confirmado com

117

 

A

análise da tabela 4,6 permite fazer as seguintes obser^

vações:

 

A

tela de

nylon colocada sobre a fenda do ressonador, não

alterou

a

freqüência

de

ressonância e

nem o valor de pico do coe

ficiente de absorção

das amostras 2 e 3, respectivamente,

com e

sem pintura.

No entanto, em ambos os casos, nota-se

que

a lar-

gura de pico foi levemente aumentada.

A palha de aço ocupando todo o volume da

fenda, também

não alterou a freqüência de ressonância das amostras 1 e 2.

Ja

neste caso, o valor de pico

do coeficiente de absorção das

duas

amostras sofreu uma certa elevação. Este efeito foi mais acentuado

na amostra 2, uma vez que a amostra 1, originalmente jã apresen-

tava um valor de a

max

próximo de 1,0.

.

Com a palha de aço, nova

r

*

mente observa-se um crescimento de largura de pico, nas duas anuDs

trás consideradas.

Com a espuma colocada na cavidade do tijolo ressonador,

junto a face oposta a fenda, a freqüência de pico das amostras 2

e 3 praticamente não se alterou, observando-se, apenas,uma ligeji

ra redução

v

.

Na amostra 3, <*

' max

manteve-se em 1,0 mas,, na

amos

tra

2, sofreu uma elevação de 0,80 para 0,93.

A largura de pico

das duas amostras mais uma vez mostrou um considerável aumento.

Com a espuma colocada junto a face com fenda, os resulta_

dos não foram totalmente positivos. A comparação das figuras

4.49 e 4.50, respectivamente com as figuras 4.41 e 4,7, permite

visualizar as alterações ocorridas. Nota-se, nos dois casos,uma

acentuada redução da freqüência do pico de absorção. Na amostra

118

2 (com pintura) nota-se um aumento no valor de

°4nax

e na

largu

ra

do

pico

de

absorção.

Por outro lado, o valor

de %iax e largu

ra do pico de absorção da amostra 3 sofreram uma relevante redu-

ção .

 

De um modo geral, a utilização de materiais. colocados

na fenda ou na cavidade dos tijolos ressonadores, mostraram bons

resultados no que tange a melhorar a eficiência dos referidos res

sonadores.

Estes resultados, de certa forma, eram esperados

pois, sao previstos por Junger

[2] , quando esclarece que tais

alterações nos ressonadores, interferem na resistência de atrito,

0^, do sistema e, conseqüentemente, em sua eficiência(Ver capítu

Io 2) .

A espuma colocada

junto a fenda deve ser uma medida utji

lizada com cautela. Para a espuma de alta densidade, utilizada

em nosso- estudo ,-os resulíados—não—#©-r-am-p-l-enament-e— satisf atõ-rios.

Deve sempre se lembrado, conforme esclarece Junger [-'2], que ma.

teriais compactos, quando usados desta forma, podem desacoplar o

ressonador da sala.

Outro aspecto a ser

considerado ê que, na pratica,a uti^

lização da tela de nylon ou da palha de aço na fenda do

ressona.

dor, traz uma vantagem adicional, A adoção desta medida dificul

ta a proliferação de insetos no interior das cavidades dos tijo-

los, que pode ocorrer no caso de se ter a fenda totalmente aber-

ta.

119

  • 4.7 Dois ressonadores atuando simultaneamente

Ate agora,tende-se como diretriz o principal objetivo de£

se trabalho, estudou-se, apenas, a influência dos diversos para

metros que compõem um tijolo ressonador, no coeficiente de absoj_

çao sonora, quando o mesmo encontra-se atuando isoladamente. No

entanto, neste tópico são apresentados e discutidos os resultados

obtidos com um bloco de concreto composto de duas cavidades, que

foram transformadas em ressonadores, através de fendas retangula.

res. A figura 4.51 ilustra o dispositivo utilizado neste estudo.

Os ressonadores estão identificados pelas letras A e B,sendo que

o ressonador A possui uma única fenda com 126 mm de comprimento

por 10 mm de largura e o ressonador B apenas uma fenda com 30 mm