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LOXOSCELES

SUMÁRIO É uma aranha pequena (2,5 a 4 cm) de cor marrom, com pernas finas e longas, abdomem em forma de azeitona. Quadro clínico caracterizado por início sem dor a aparecimento dos sintomas após 12-36 horas. Forma cutâneo-necrótico: eritema, edema endurado e dor local com ou sem flictenas que evolui para necrose central, febre, exantema. Forma cutânea-visceral: lesão local, anemia aguda, icterícia, hemoglobinúria, oligúria, anúria, IRA. TRATAMENTO: local sintomático. Soroterapia (soro anti-aracnídico) 5 a 10 ampolas EV.

SINÔNIMO "Aranha marrom"

CARACTERÍSTICAS Aracnídeo da família Sicariidae. Corpo com 0,8 a 1,5 cm e 2,5 a 4 cm de envergadura de patas que são finas e longas. Coloração marrom claro e escuro, com mancha clara em estrela no cefalotórax. Abdomen em forma de oliva (azeitona) com coloração mais escura que cefalotórax. Tem 3 pares de olhos dispostos em semicírculo (fórmula ocular 2 : 2 : 2 ). Não são agressivas. HABITAT: em cantos escuros, preferencialmente secos (atrás de cortinas, móveis, frestas de paredes e rodapé). Ao redor de domicílios em pilhas de tijolos, madeiras e entulho. Na natureza nos ocos das árvores, frestas de barrancos, montes de folhas secas (palmeira, eucalipto, bambu). Tecem teia irregular semelhante a algodão desfiado.

MECANISMO DE AÇÃO O Veneno possui duas ações: 1- DERMONECRÓTICA: devida aos componentes proteolíticos de veneno. Estudos experimentais demonstram quadro de vasculite com intenso afluxo de polimorfonucleares, seguido de isquemia e necrose tecidual. 2 - HEMOLÍTICA: ocorre hemólise intravascular por interação do veneno com membrana do eritrócito. A deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G-6-

Raros casos relatados evoluiram para coagulação intravascular disseminada (CIVD) com achados laboratoriais típicos. circundada de halo isquêmico e eritema de extensão variável . No LOXOSCELISMO CUTÂNEO-VISCERAL soma-se ao quadro local. Após 24 a 36 horas evidencia-se ponto ou área necrótica central.12 horas para eritema. vômitos. Segue-se a formação de área escura e seca de tamanho variado que desprende-se deixando ulceração. . Geralmente ocorre quando a aranha é comprimida contra o corpo (ao vestir-se ou ao deitar-se). Hemoglobinúria macroscópica pode ocorrer já nas primeiras 24 h podendo persistir até 7 dias. Ocorre comprometimento RENAL que pode evoluir para oligúria e anúria (Insuficiência renal aguda). 12 a 24 h após a picada febre. EFEITOS CLÍNICOS A picada não costuma produzir dor imediata e muitas vezes não é percebida pelo paciente. O quadro clínico mais comum é a FORMA CUTÂNEA PURA. Nas primeiras 72 horas pode haver mal-estar. urina "cor de lavado de carne" ou mais escura (hemoglobinúria macroscópica) e icterícia. náuseas. EVOLUÇÃO E PROGNÓSTICO Não há correlação entre extensão do quadro cutâneo e comprometimento sistêmico.      Evolui em 6 . Podendo uma pequena lesão local estar associada a hemólise importante e alteração renal.forma característica de "LESÃO EM ALVO". cefaléia. edema endurado e dor local com ou sem flictenas. Processo de cicatrização na lesão ulcerada pode levar 10 a 12 semanas. TOXICOLOGIA Veneno de ações proteolítica (necrose tecidual) e hemolítica (hemólise intravascular). febre e erupção cutânea exantemática.PD) vem sendo relacionada a surtos hemolíticos intravascular e/ou liberação de mediadores do processo inflamatório.

não indicada soroterapia. controlar diurese.  CASO GRAVE Paciente atendido nas primeiras 72 h com lesão característica (bolha. picado por Loxosceles foi tratado com Dapsona durante 14 dias.  CASO TARDIO Pacientes atendidos após 5 a 7 dias com clínica local. monitorar função renal. Uréia. . ocorreu resolução completa do quadro cutâneo (Dapsona age como inibidor de migração de polimorfonucleares). erupção cutânea). via EV. equimose. manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico.5 ampolas de Soro Antiaracnídico (SAA). via EV. hipertermia. SOROTERAPIA (TRATAMENTO ESPECÍFICO) Devido a lenta evolução do quadro a soroterapia pode estar indicada até 72 horas após o acidente. uréia/creatinina elevados. halo eritematoso) e sintomas gerais (mal estar.10 ampolas SAA. sendo mais eficaz nas primeiras 24 horas. reposição de hemácias em hemólise importante com anemia intensa. Instituir tratamento local (curativo). antihistamínicos. sinais clínicos e laboratoriais de hemólise . Obs: quantidades de ampolas baseadas no Soro Antiaracnídico do Instituto Butantan do Estado de São Paulo. RELATO DE CASOS  Paciente com 27 anos. cefaléia. diálise peritoneal ou hemodiálise na insuficiência renal aguda (IRA). EQU. vômitos. curativo local. sem alterações clínicas ou laboratoriais .  CASO MODERADO Adulto hígido atendido nas primeiras 72 h com lesão característica. As alterações locais e sistêmicas poderão evoluir apesar da soroterapia. ANÁLISE LABORATORIAIS Hemograma. náusea. medidas de profilaxia do tétano. corticóides. Ampolas com 5 ml. Creatinina. analgésicos. lesão em escara .TRATAMENTO TRATAMENTO GERAL Assepsia. sintomático (analgésico e/ou anti-histamínico) e acompanhamento por cirurgião plástico.

5. São Paulo. TEMPLE. L. 5. Dapsone Treatment at a Brown Recluse Bite. n.R.C. R. 3.7% dos casos (estes: forma cutâneo-visceral). 1983. 1980. v.6.4. 482. Brasília: Fundação Nacional de Saúde . Med. D.p. 6. n. v.K. Pediatric Therapy. CARDOSO. RESS. Estudos com 216 casos de loxoscelismo manejados com corticóides injetáveis (associado a anti-histamínicos) mostraram cura completa em 75%.5% não foram acompanhados até o final.M.C. Loxoscelismo: estudo de 242 casos (1980-1984). de et al. n.. 250. SEGER. St.648. p. Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos. n. 2.32. . p. BRASIL. Paralisia diafragmática unilateral reversível associada envenenamento loxoscélico sistêmico. 1988. 1994) REZENDE. Os restantes 12. Hemolytic anemia following a presumptive brow recluse spider bite: resumo de artigo. Rev. Clinical Toxicology. 58 p. JAMA.CENEPI. J. Revista da Sociedade Brasileira de Toxicologia. 4.28. A.3% e óbito em 3. BIBLIOGRAFIA 1. 9 ed. p.L.S. cura com sequela cicatricial em 8. MURRAY.1.A. p. 1992. Ministério da Saúde. Arthropod Bites and Stings.58-60.C. 1986. SNYDER. N. v.  Relato de 1 paciente que apresentou paralisia diafragmática unilateral após acidente loxoscélico.. v. Trop. In: GELIS.437-441. et al. Mosby. nov-dez. avg. Louis..1.451-456. KING Jr. Inst.