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ARTIGO CIENTÍFICO

HABITATS DE INOVAÇÃO SUSTENTÁVEIS (HIS)

LOCUS CIENTÍFICO

ISSN -1981-6790 - versão impressa

ISSN -1981-6804 - versão digital

Um estudo de diferentes modelos de instituições de suporte ao empreendedorismo tecnológico

A study of different models of institutions for technological entrepreneurship support

Márcio Barbosa Guimarães Cota Júnior*, Henrique Mendes Silva e Lin Chih Cheng

Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia Universidade Federal de Minas Gerais Núcleo de Tecnologia da Qualidade e da Inovação- NTQI Avenida Presidente Antônio Carlos, 6627 - Escola de Engenharia – sala 3207 – Pampulha 31270-901 – Belo Horizonte – MG – Brasil – Caixa Postal 209 Fone: [31] 3409-4889 Fax: [31] 3409-4888

E-mails: marciobarbosa@ufmg.br* | henriquems@ufmg.br | lincheng@ufmg.br * autor de contato / corresponding author

Artigo submetido em 16 de abril de 2008, recebido na forma corrigida em 03 de agosto de 2008 e aceito em 21 de setembro de

2008.

RESUMO

ABSTRACT

No processo de transformação de uma tecnologia em um empreendimento de sucesso, instituições de suporte ao desenvolvimento do negócio, geralmente conhecidas como incubadoras, têm um papel importante no desenvolvimen- to da tecnologia e do mercado, auxiliando na consolidação da empresa. Diversos tipos de incubadoras são encontra- dos, diferenciando-se em termos dos seus objetivos, dos serviços oferecidos e da sua organização. Esse trabalho apre- senta um estudo dos diferentes modelos de incubadoras de empresas e analisa quatro instituições brasileiras que atu- am oferecendo suporte ao empreendedorismo tecnológico. Essas instituições são comparadas com os modelos encon- trados na literatura e entre si, ilustrando a diversidade en- contrada no cenário dos programas de incubação no Brasil.

In the process of transformation of a technology into a successful enterprise, business development aid instituti- ons, commonly known as incubators, have an important role in the development of the technology and the market, helping the company in its consolidation. Several types of incubators exist, with the difference in its objectives, servi- ces provided and organization. This work presents a study of the different models of business incubators and analyzes four Brazilian institutions that support technological en- trepreneurship. These institutions are compared with the models found in the literature and with each other, pictu- ring the diversity found in the Brazilian incubation progra- ms scene.

PALAVRAS-CHAVE:

KEYWORDS:

• incubação de empresas

• modelos de incubadoras

• empreendedorismo tecnológico

• business incubation

• models of incubators

• technological entrepreneurship

1. INTRODUÇÃO O tema inovação tem sido cada vez mais discutido como primordial para o desenvolvimento de uma comunidade e para a criação de vantagens competitivas para as empresas. Um dos meios de induzir o processo de inovação é o auxílio à

criação de novas empresas de base tecnológica (EBT). O pro- cesso de transformar uma idéia em uma empresa com pro- dutos que atendam o mercado, por sua vez, é muito comple- xo, e muitos empreendedores não conseguem transformar suas tecnologias em negócios de sucesso. Muitas tecnologi-

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as, mesmo as mais promissoras, não se tornam grandes su- cessos comerciais. Algumas terminam como artigos acadê- micos, outras são esquecidas, umas usadas para fins diferen- tes do planejado, enquanto algumas exceções viram até pe- ças de museus [JOLLY, 1997]. Mesmo depois de ser criada e estabelecida, a EBT ainda precisa de um desenvolvimento adicional de duas dimensões, (i) tecnologia e (ii) mercado [SHANE, 2004]. Isso porque, ge- ralmente, nos estágios iniciais a tecnologia não se encontra em uma forma comercializável e o seu mercado foco ainda está sujeito a muita incerteza. É nesse estágio de desenvolvi- mento adicional que as incubadoras e aceleradoras de negóci-

os estão inseridas. Por definição, as incubadoras e acelerado- ras de negócios se propõem a auxiliar EBT(s) no seu processo de consolidação como empresas estabelecidas no mercado. Este trabalho se propõe a analisar quatro instituições brasileiras que atuam como incubadoras ou aceleradoras de negócios. O objetivo é mostrar o modelo de cada uma e com- pará-los com os modelos estudados na literatura. Além dis- so, o trabalho pode servir de base para apresentar o estágio atual dos programas de incubação do Brasil. As empresas estudadas foram: PADETEC, Fundação BIOMINAS, INOVA- UFMG e Instituto Inovação Ltda.

A escolha das incubadoras se deu a partir do objetivo de

obter uma amostra com diferentes tipos de incubadoras. Pri- meiro, escolhemos uma incubadora que possuísse um centro de pesquisa integrado (PADETEC); segundo, uma incubadora voltada a uma área de negócio específica (Fundação BIOMI- NAS – biotecnologia); terceiro, uma incubadora totalmente ligada a uma universidade (INOVA-UFMG); e, por fim, uma empresa que adotasse o modelo de incubação o qual a em- presa oferece gestão especializada em troca de participação

acionária, que por definição, consiste no modelo de acelera- ção de negócios (Instituto Inovação).

O estudo foi feito através de entrevistas não estrutura-

das com representantes das quatro instituições e de consul- tas a materiais informativos oficiais dessas organizações. O

objetivo era obter informações para analisar a situação das empresas sob uma ótica não aprofundada, para compará-las

com a literatura, entre si, e também apresentar os aspectos gerais dos programas de incubação no Brasil.

O restante do trabalho está apresentado da seguinte for-

ma. A segunda parte é uma revisão da literatura sobre o pa-

pel dos programas de incubação. A terceira consiste em uma breve descrição das quatro empresas analisadas. A quarta parte apresenta a análise dos dados coletados e a quinta a conclusão.

2. O PAPEL DOS PROGRAMAS DE INCUBAÇÃO E SUAS FORMAS 2.1. Histórico e definições

A primeira incubadora de empresas nasceu na década de

70 nos Estados Unidos, com o objetivo de fornecer espaço para empresas se instalarem e se desenvolverem em uma re- gião [SHERMAN, 1999; BARROW, 2001]. Desde então, diver-

sos tipos de incubadoras e outras organizações, como acele- radoras de empresas e parques tecnológicos, surgiram e se diversificaram, com características e objetivos diversos. Esse trabalho procura não fazer distinção entre instituições devi- do ao nome usado, uma vez que o foco é estudar as organi- zações que auxiliam no processo de criação e, principalmen- te, de desenvolvimento de empresas iniciantes de base tec- nológica. Assim, a utilização dos termos incubadora ou ace- leradora, daqui em diante, será feita de forma a representar esse tipo de instituição, independente de como é chamada. Atualmente existem muitas definições para programas

de incubação e empresas incubadoras [RICE, 1992 apud SHER-

MAN, 1999; SMILOR e GILL, 1986 apud MIAN, 1996; GRIMALDI

e GRANDI, 2005; MIAN, 1996; PHAN, SIEGEL e WRIGHT, 2005]

a partir das quais pode-se afirmar que a incubadora é a em-

presa que auxilia empresas iniciantes a se consolidarem no

mercado, oferecendo suporte para transformar uma idéia/ tecnologia em um negócio/produto de sucesso.

2.2. Tipos de incubadoras Muitos pesquisadores dividem as incubadoras em vários tipos distintos, pois existem empresas com objetivos e mis- sões completamente opostos apesar de serem todas elas in- cubadoras. Sherman [1999] divide as incubadoras em três categori-

as gerais: (i) empowerment, (ii) technology e (iii) mixed-use.

A primeira engloba as incubadoras de regiões onde existe

alto índice de desemprego e falta de trabalhadores qualifica- dos. A segunda é composta por incubadoras de empresas criadas a partir do desenvolvimento de uma tecnologia e ge- ralmente ocorre dentro de universidades. A terceira envolve

muitos tipos de empresas, produção leve e pesada, constru- ção, vendas, serviços e outros. Por outro lado, Barrow [2001] divide as incubadoras em cinco tipos:

I. Incubadoras industriais: são patrocinadas por grupos sem fins lucrativos e organizações não governamen- tais, com objetivo de criar empregos em resposta ao fechamento de empregos ou desemprego geral.

II. Incubadoras relacionadas a universidades: têm o ob- jetivo de comercializar a ciência, tecnologia ou pro- priedade intelectual vinda da pesquisa universitária. Oferecem às empresas acesso a laboratórios, compu- tadores, biblioteca e assistência de seus alunos e pro- fessores.

III. Incubadoras de desenvolvimento de propriedade com fins lucrativos: oferecem escritório compartilhado e espaço para produção, além de serviços compartilha- dos, cobrando aluguel das incubadas.

IV. Incubadoras de investimento com fins lucrativos: são categorizadas como venture capitalist ou angels, por terem um portfolio de empresas a fim de lucrar com a venda das mesmas.

V. Incubadoras de empreendimento corporativo: são grandes empresas que oferecem dinheiro, facilidades,

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experiência, competência e força de venda as peque- nas empresas em troca de participação acionária.

Grimaldi e Grandi [2005] já dividem as incubadoras em dois grandes grupos, as públicas e as privadas. Dentro do grupo das incubadoras públicas, existem dois tipos. Primeiro os Centros de Inovação em Negócios (BIC – Business Innova- tion Centres), cuja atividade de incubação consiste em ofere- cer um conjunto de serviços básicos às empresas incubadas, incluindo espaço, infra-estrutura, canais de comunicação, in- formação sobre oportunidades externas de financiamento, etc. Segundo, as Incubadoras de Empresas de Universidades (UBI – University Business Incubators). Essas são similares às BIC(s), mas dão mais ênfase na transferência de conhecimen- to científico e tecnológico das universidades para empresas. Incubadoras privadas podem ser divididas também em dois tipos: incubadoras em empresas corporativas (CPI – Corporate Pri- vate Incubators) e incubadoras de empresas independentes (IPI – Independent Private Incubators). CPI(s) são incubadoras perten- centes a grandes empresas com o objetivo de dar suporte à cria- ção de novas unidades de negócio independentes. IPI(s) são cria- das por indivíduos ou empresas com a intenção de ajudar empre- endedores a criar e desenvolver seus negócios. Elas investem o próprio dinheiro nas novas empresas e adquirem uma participa- ção acionária. Às vezes são chamadas de aceleradores, já que ge- ralmente não intervêm durante a fase de definição do conceito do negócio, mas sim quando o negócio já foi lançado e precisa de capital e competências. A divisão proposta por Grimaldi e Grandi [2005] aponta dois modelos extremos de incubadoras, de um lado as BIC(s) e de outro as IPI(s), como mostra a Figura 1. O modelo 1 caracteriza-se pela capacidade de redução de custos de inici- ação para iniciativas empreendedoras, com alvo em merca- dos locais, procurando visibilidade e contatos regionais, re- querendo pequena quantidade de capital para começar e va- lorizando a provisão de ativos logísticos. Por outro lado, o modelo 2 caracteriza-se pela habilidade de acelerar o proces- so de iniciativas altamente promissoras, atrativas em termos do tamanho de investimento, rápidas e agressivas, procuran- do serviços de alto valor agregado (acesso a tecnologia avan- çada, mercado, gestão de conhecimento e competências e suporte operacional para o dia a dia). Incubadoras desse modelo também oferecem sinergia criada por parcerias tec- nológicas e comerciais estratégicas entre novos empreendi- mentos e as redes de relacionamento das incubadoras.

Figura 1 – Modelos de Incubadoras

das incubadoras. Figura 1 – Modelos de Incubadoras [fonte: GRIMALDI e GRANDI 2005, p. 114] Em
das incubadoras. Figura 1 – Modelos de Incubadoras [fonte: GRIMALDI e GRANDI 2005, p. 114] Em
das incubadoras. Figura 1 – Modelos de Incubadoras [fonte: GRIMALDI e GRANDI 2005, p. 114] Em

[fonte: GRIMALDI e GRANDI 2005, p. 114]

Em uma zona de interseção entre os dois modelos, se encontram as UBI(s). Esse tipo de incubadora tem a capaci- dade de reduzir os custos de iniciação para iniciativas em- preendedoras baseadas no conhecimento, geralmente pe- quenas iniciativas com alvo em nichos de mercado nacio- nais ou locais. Tempo, transferência de tecnologia e recur- sos são importantes para desenvolver o potencial das em- presas incubadas por completo.

2.3. Propósito das incubadoras

Pelo fato de existirem tipos diferentes de incubadoras, essas instituições acabam tendo propósitos e missões dife- rentes uma das outras. Umas querem lucrar com as empre- sas incubadas, outras querem gerar emprego e desenvolvi- mento econômico e social. Muitos autores ligam a diferen- ça de propósitos entre as incubadoras ao tipo das mesmas. Por exemplo, para Barrow [2001] a missão da maioria das incubadoras públicas, incluindo as de universidades, é a cri- ação e a sobrevivência de empresas, e que os negócios fi- quem e cresçam perto de onde foram criados. Assim, mais empregos podem ser gerados a partir da incubação. Para Grimaldi e Grandi [2005], com relação à missão institucional, é possível distinguir entre incubadoras com ou sem fins lucrativos. BIC(s) e UBI(s) não têm fins lucrativos, enquanto IPI(s) e CPI(s) os têm. Allen e Bazan [1990] apud Mian [1996] já têm uma visão mais geral sobre o assunto. Para eles, na indústria de incubação de negócios, a missão e, consequentemente, a contribuição das incubadoras, é a criação e o aumento da taxa de sobrevivência das empresas iniciantes. De forma sucinta, duas idéias estão bem consolidadas na literatura. As incubadoras denominadas públicas, sem fins lucrativos, estão preocupados com a criação e sobrevi- vência de pequenas empresas iniciantes. Enquanto as incu- badoras privadas vêem o lucro como um propósito adicio- nal.

2.4. Serviços Oferecidos pelas incubadoras

Segundo NBIA [1996] apud Sherman [1999] as incuba- doras de negócios proporcionam às empresas iniciantes ser- viços como plano de negócios, plano de marketing, contra- tação de executivos e obtenção de capitais. Além disso, as incubadoras também oferecem espaço, equipamentos e ser- viços administrativos. Mian [1996] já liga os serviços oferecidos pelas incuba- doras ao tipo das mesmas. Para ele, o suporte oferecido tam- bém se dá na forma de serviços administrativos e auxílio gerencial. No entanto, no caso das incubadoras universitá- rias de base tecnológicas (UTBI(s)), alguns serviços específi-

cos das universidades se caracterizam como uma contribui- ção adicional. De forma sucinta, Mian [1996] divide os ser- viços prestados pelas incubadoras em três categorias:

I. Serviços administrativos (e.g. foto copiadora, telefo- ne, fax, internet, sala de conferência, computado- res, recepcionista, sala de lanche ou cafeteira, etc).

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II. Serviços gerenciais e rede de contatos (e.g. financia- mento público, plano de negócio, regulamentação empresarial, obtenção de capital, marketing, conta- bilidade, contratação de pessoal, contato com for- necedores, etc).

III. Serviços universitários (e.g. imagem da universidade, laboratórios, estudantes funcionários, consultoria de professores, biblioteca, contato com programas de P&D, programas de transferência tecnológica).

Barrow [2001] já faz uma descrição mais geral dos ser- viços oferecidos por incubadoras. Segundo ele, as incuba- doras oferecem serviços gerais, por exemplo, equipamento

áudio-visual, recebimento de materiais, serviço de correios, fax e copiadora, serviço de recepção e mensagens, proces- samento de texto, serviços de administração e de escritório,

e acesso a equipamentos de laboratório e computadores.

Além desses serviços gerais, Barrow [2001] cita outros servi-

ços profissionais oferecidos pelas incubadoras: questões le- gais; propriedade intelectual; contabilidade; plano de negó- cio; recrutamento e seleção de pessoal; educação e treina- mento; serviços de TI e internet; acesso a financiamento público e privado. De maneira geral, os autores não têm divergência de opinião com relação aos serviços oferecidos pelas incuba- doras. A exceção são os serviços denominados universitári- os por Mian [1996].

2.5. Contrapartida das empresas incubadas As únicas formas de pagamento que as pequenas em- presas iniciantes têm para oferecer às incubadoras são o alu- guel pago pelo espaço utilizado ou participação acionária. Além disso, o que existe na literatura são alguns casos de doações, depois que as empresas atingem estabilidade [CAS- TELLS e HALL 1994]. De acordo com Barrow [2001], com relação ao retorno obtido pelas incubadoras, existe uma grande divisão entre:

(i) incubadoras que trabalham em uma base de contingên- cia e têm participação acionária para assegurar seu retorno

e (ii) as incubadoras geridas por universidades, agências go- vernamentais e desenvolvedores de propriedade, que ob- têm seus retornos e benefícios de outras formas. Esse últi- mo grupo se preocupa primeiramente que o negócio sobre- viva e possa pagar o aluguel ou dar aos alunos oportunida- des de estudar empreendedorismo em condições próximas do laboratório. Além disso, algumas incubadoras incorporam no alu- guel cobrança por serviços onerosos, como, por exemplo, internet e telefone, enquanto outras incubadoras os ofere-

cem de graça. As taxas cobradas pelo aluguel e pelos servi- ços prestados não conseguem pagar todos os custos das incubadoras públicas sem fins lucrativos. Segundo Grimaldi

e Grandi [2005] essas incubadoras pagam o restante de seus

custos através de financiamento regional/nacional. Por ou- tro lado, as incubadoras privadas, além das eventuais taxas

pelos serviços oferecidos, compram participação nas empre- sas, o que pode gerar um retorno/lucro futuro.

3. DESCRIÇÃO DAS EMPRESAS

3.1. PADETEC

A sigla PADETEC – UFC significa formalmente Parque de

Desenvolvimento Tecnológico da Universidade Federal do Ceará. No entanto, o PADETEC não é um parque tecnológico. Na realidade, é uma incubadora de empresas privada sem fins lucrativos, mesmo estando instalado dentro da Universi- dade Federal do Ceará (UFC). O PADETEC foi criado em 1990 e inaugurado em junho de 1991. As suas instalações foram desenvolvidas a partir de um antigo projeto abandonado, onde seria fundada a Faculdade de Odontologia da UFC. Atualmente o PADETEC auxilia 21 empresas, 15 incuba- das e 6 associadas. A seleção das empresas a serem incuba- das no PADETEC é realizada através de edital, que avalia a viabilidade do negócio, sem se preocupar com o estágio de desenvolvimento da tecnologia. A empresa não precisa ter vínculo com a UFC ou outra universidade.

O PADETEC conta com uma estrutura um pouco dife-

rente das incubadoras tradicionais, pois possui um centro de pesquisa integrado à incubadora, composto por 6 labo- ratórios de P&D, 2 centrais analíticas, 2 Plantas Pilotos, 1

unidade de produção de genéricos e 1 Parque Eólico de 900 kva em instalação.

3.2. Fundação Biominas

A Biominas nasceu em 1990 e desde então já auxiliou

pouco mais de 30 empresas. Apesar de ser uma instituição privada, obteve ajuda pública. Em 1997, a partir de um ter-

reno doado pelo CETEC (empresa do governo estadual), do prédio construído pela prefeitura de Belo Horizonte – MG, e dos móveis doados pela Finep (órgão do governo federal), a Fundação passou a fazer a gestão da incubadora, incorpo- rando incubação de empresas a uma de suas atuações no setor. Desde então, 12 empresas foram graduadas.

A Biominas trabalha atualmente com três frentes de tra-

balho: (i) Incubadora de empresas, (ii) Gestão de novos ne-

gócios (iii) Investimento de capital semente.

A Incubadora de empresas é a frente mais antiga da

fundação. Conta atualmente com cerca de 15 empresas. As empresas são escolhidas mediante negociação entre os ge-

rentes da Biominas e os empreendedores, na maioria das

vezes pesquisadores da UFMG, devido à ligação histórica entre a Biominas e a Universidade. A contrapartida das em- presas é o pagamento do aluguel, além de algumas taxas extras, como, por exemplo, por consultorias.

A frente de Gestão de Novos Negócios da Biominas ofe-

rece todos os serviços oferecidos pela frente de Incubação. No entanto, nesse sistema as empresas, devido à participa- ção acionária da Biominas, não pagam o aluguel pelas ins- talações. O sistema ainda é muito recente. A idéia começou em 2004 e ainda não há casos concretos de empresas gera- das a partir desse trabalho.

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A frente de Investimento em Capital Semente foi criada a

partir de um convênio entre a Fundação Biominas, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Multila- teral de Investimento (FUMIN). Nesse sistema a Biominas rece- beu, em 1999, 3,5 milhões de dólares para investir (participa- ção) ou financiar novas empresas de biotecnologia. Os retor-

nos obtidos são reinvestidos em novas empresas. O programa já apoiou até hoje 12 empresas com aportes entre 100 e 600 mil dólares sob a forma de financiamento ou participação aci- onária. Além disso, a Biominas auxilia as empresas apoiadas a captar recursos em fontes de capital como órgãos públicos de fomento, bancos e investidores de capital de risco.

3.3. INOVA-UFMG

A INOVA-UFMG foi criada em janeiro de 2003 a partir

do Centro de Inovação Multidisciplinar (CIM) e do Centro Inovatec – Centro Empreendedor de Inovação Tecnológica da UFMG. O CIM, originado em 1996, detinha know-how

na promoção de empreendimentos inovadores e foi a pri- meira experiência em incubação de empresas na UFMG. O Centro Inovatec, inaugurado em 2002, era o que detinha a estrutura física mais condizente a uma incubadora de em- presas. A INOVA-UFMG foi formada a partir da união das duas organizações e atualmente auxilia 7 empresas. Atual- mente também está sendo desenvolvido um programa de pré-incubação.

A contrapartida das empresas incubadas para com a

INOVA-UFMG é apenas uma taxa de custo mensal. Essa taxa não consegue pagar todos os custos da incubadora, que, para isso, recebe auxílio de parceiros como CNPq e FAPE- MIG.

3.4. Instituto Inovação

O Instituto Inovação é uma empresa privada que atua

em atividades de gestão da inovação e tecnologia, com o objetivo de promover a aproximação entre o conhecimento

Quadro 1 – Características das Instituições Pesquisadas

científico gerado no Brasil e o mercado consumidor. Foi cri- ado em 2002, a partir de um modelo de gestão de inovação tecnológica inédito no Brasil: a Aceleração de Novos Negó- cios. A empresa foi fundada por 7 sócios, que compõe uma equipe com diferentes experiências: na academia, em ges- tão de projetos de pesquisa, no mercado, na prestação de serviços, em consultoria empresarial, em gestão de empre- sas nascentes e no desenvolvimento de novas tecnologias.

O Instituto Inovação conta hoje com cinco empresas

aceleradas, todas elas de áreas distintas (e.g. Tecnologia da Informação, Biotecnologia, Nanotecnologia, etc). Dessas em-

presas, apenas duas estão instaladas no prédio do Instituto

Inovação. As outras três localizam-se em outros lugares, de acordo com a necessidade de cada uma. Além aceleração de empresas, o Instituto também pres-

ta serviços de consultoria em gestão de desenvolvimento de

tecnologias, avaliação de potencial de tecnologias e outros.

O modelo de aceleração do Instituto Inovação funciona da

seguinte maneira. O Instituo oferece gestão e capital de giro para a empresa a ser acelerada, em troca de participação acionária. Os serviços de gestão são oferecidos pelos pró- prios funcionários do Instituto, aliado a alguns projetos de consultoria, sobretudo de pessoas ligadas a Universidades. Dentre as cinco empresas aceleradas apenas uma empresa recebeu investimento externo. Nesse caso, um executivo foi contratado.

4. ANÁLISE

O estudo realizado buscou ilustrar os diferentes tipos

de instituições de suporte ao empreendedorismo tecnológi- co, enfatizando as características de cada uma. Das quatro

instituições estudadas, apenas uma é pública, mantida por uma universidade federal, duas são privadas, mas sem fins lucrativos, sendo uma delas vinculada a um centro de pes- quisa, e uma é privada e com fins lucrativos. O quadro 1 mostra as características de cada uma.

 

PADETEC

Fundação Biominas

INOVA-UFMG

Instituto Inovação

 

1990

1990 (criação da incubadora em 1997)

2003

2002

FundaçãoLocalização

Fortaleza - CE

Belo Horizonte - MG

Belo Horizonte - MG

Belo Horizonte – MG

Como se

 

Incubadora de empresas de base tecnológica

Instituição privada que visa promover a geração e desenvolvimento de novos bionegócios

Incubadora de empresas de base tecnológica

Empresa aceleradora

classifica

de negócios

Fins

Lucrativos

Sem fins lucrativos

Sem fins lucrativos

Sem fins lucrativos

Com fins lucrativos

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PADETEC

Fundação Biominas

INOVA-UFMG

Instituto Inovação

Vínculo com

Universidade

Ocupa espaço no campus da UFC, mas não é da universidade.

Incubadora foi criada através de parceria da UFMG com governos, mas a Biominas é uma instituição privada independente.

UFMG é mantenedora da incubadora.

Não tem vínculo formal.

Equipe

É administrada por professores aposentados da UFC. Staff é mínimo possível.

Equipe multidisciplinar com profissionais de administração, biologia, farmácia, finanças, além de pesquisador.

Administrada por professores da universidade, apresenta uma equipe composta por profissionais de áreas correlatas à gestão de negócios.

Equipe multidisciplinar com cerca de 30 pessoas (bioquímico, biólogo, químico, administrador, economista, contabilista, etc)

O PADETEC e a INOVA-UFMG funcionam dentro de uni-

versidades federais, mas a primeira não é subordinada à uni-

versidade e, além de incubadora, é também um centro de pes- quisa. A Fundação Biominas é uma instituição privada, que contou com a parceria da universidade federal para a criação de uma incubadora como parte do seu negócio, mas funciona

de forma independente. Já o Instituto Inovação foi criado como empresa privada para explorar um mercado de gestão de ne- gócios tecnológicos emergentes, que os seus fundadores per- cebiam como mal atendido pelas incubadoras em geral.

O PADETEC e a Fundação Biominas são mais antigos,

tendo sido criados em 1990. A atividade de incubação de

empresas da Biominas, entretanto, foi criada apenas em 1997. A INOVA-UFMG e o Instituto Inovação são mais re- centes, com menos de cinco anos de funcionamento. Am-

bos herdaram, entretanto, experiências e empresas de incu- badoras anteriormente existentes na UFMG.

É interessante ressaltar a utilização do nome “incuba-

dora de empresas” por cada instituição. O PADETEC e a INO- VA-UFMG se classificam como incubadoras. A Fundação Bi-

Quadro 2 – Empresas auxiliadas

ominas utiliza o termo “incubadora” para se referir a uma parte de sua atividade, ligada à instalação de empresas em sua infra-estrutura física, que tem um conselho de adminis- tração independente com a participação do governo, mas oferece outros serviços de suporte ao empreendedorismo como parte dissociada do negócio de incubação. Já o Insti- tuto Inovação se classifica como aceleradora de empresas, defendendo esse como um modelo de instituição de supor- te ao empreendedorismo tecnológico mais eficiente que as incubadoras de empresas. Todas as quatro instituições são direcionadas para o su- porte a empreendimentos de base tecnológica. A Fundação Biominas, entretanto, atua apenas na área de biotecnolo- gia, enquanto as outras três instituições são multidiscipli- nares e auxiliam empresas de diferentes setores. O número de empresas graduadas é coerente com o tempo de funcio- namento de cada instituição como incubadora de empresa, sendo maior no PADETEC e menor na INOVA-UFMG. O qua- dro 2 mostra as características das empresas auxiliadas pe- las quatro incubadoras.

 

PADETEC

Fundação Biominas

INOVA-UFMG

Instituto Inovação

Seleção

Quando chegam, propostas são avaliadas por 2 ou 3 consultores externos.

A seleção de empresas ocorre de modo contínuo e é feita a partir da análise do Plano de Negócios do empreendimento.

Sempre que há vagas, seleção é feita pela análise dos projetos e sua exposição a uma banca examinadora.

Para escolher projeto, são avaliados a tecnologia, o mercado e o perfil do pesquisador.

Tempo de

incubação

Máximo 3 anos

São feitos contratos anuais, que podem ser renovados várias vezes

Máximo 30 meses

Não existe restrição de tempo para o auxílio ao empreendimento

Tipos de

empresas

De base tecnológica, multidisciplinar

De biotecnologia

De base tecnológica, multidisciplinar

De base tecnológica, multidisciplinar

Origem

Algumas vêm da universidade, mas, principalmente, da sociedade. Algumas surgem a partir da pesquisa desenvolvida na própria instituição.

Algumas nasceram da UFMG, mas sem participação formal da universidade. A maioria é spin-off corporativo. Algumas surgem de idéias internas da Biominas.

O alvo principal é a comunidade da UFMG, mas isso não é pré-requisito para a seleção.

Todos os empreendimentos até hoje vieram de universidades.

2ULJHP

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PADETEC

Fundação Biominas

INOVA-UFMG

Instituto Inovação

Fases de

desenvolvimento

Quando chegam, algumas estão em estágio de protótipo, outras ainda na idéia.

A geração de novos negócios pode acontecer desde a etapa de idéia do negócio.

Existem projetos em fase de pré-incubação, na qual é desenvolvido o protótipo, além das empresas incubadas, já com produto desenvolvido.

O auxílio pode iniciar desde a análise de viabilidade de um resultado de pesquisa até empresas já com o produto desenvolvido.

 

Existe ociosidade na capacidade de 21 galpões. Hoje são 15 empresas residentes, além de 6 associadas não residentes.

Existem hoje de 15 a 20 empresas no geral, dentre incubadora e projetos de novos negócios.

Atualmente apóia 13 empresas pré-incubadas e 7 incubadas.

Atualmente auxilia 5 empresas, sendo duas delas instaladas na infra- estrutura da instituição.

QuantidadeHistórico

21 empresas já se graduaram. As empresas graduadas, principalmente as primeiras, venderam a tecnologia ou foram incorporadas por outras empresas.

12 empresas já se graduaram. A maioria continua o negócio e algumas se fundiram, mas nenhuma foi vendida para multinacional.

6 empresas já se graduaram, mas todas provenientes da antiga incubadora da UFMG.

Empresas auxiliadas pelo Instituto Inovação encontram-se em expansão no mercado, algumas com vendas a grandes clientes.

A origem das empresas auxiliadas pelas quatro institui-

ções é diversa, variando desde idéias surgidas na comunida-

de até idéias surgidas de pesquisas desenvolvidas dentro da própria instituição, como é o caso do PADETEC. Nenhuma tem restrição quanto à procedência dos projetos de empre- endimentos, apesar da INOVA-UFMG ter a comunidade aca-

dêmica da universidade como alvo. Cada uma das instituições oferece, às empresas auxilia- das, infra-estrutura distinta, como mostra o quadro 3. Todas têm espaço para instalação das empresas, com serviços bási- cos como telefone e internet, mas a diferença é marcante no que se refere ao acesso a laboratórios e plantas industriais.

Quadro 3 – Infra-estrutura oferecida às empresas incubadas

PADETEC

Fundação Biominas

INOVA-UFMG

Instituto Inovação

Oferece galpão na incubadora, com energia, água e telefone interno. Oferece laboratórios e planta piloto para uso compartilhado. São 6 laboratórios de P&D, 2 centrais analíticas, 2 plantas pilotos, uma unidade de produção de genéricos e um parque eólico.

Oferece salas para as empresas, com ponto de água da rede pública, ponto de água desmineralizada, saída para o esgoto, gás, eletricidade, ponto para ramal telefônico, ponto para internet banda larga e acesso ao servidor da rede interna de computadores. Existe também um almoxarifado que é compartilhado para as empresas que precisam, além de auditório e salas de reunião.

Oferece central de lavagem e esterilização e câmaras frias. Existem ainda 4 laboratórios de uso compartilhado com bancadas e equipamentos para utilização pelas empresas.

Fornece módulo para incubação com ramal para ligações internas e pontos de rede para acesso à Internet. Além disso, oferece 2 salas para reuniões com internet, um auditório, copa, 2 salas para administração e 2 salas para serviços de apoio.

Faz parceria com departamentos para uso de laboratórios por parte das empresas, mas existe resistência por parte dos departamentos.

Possui um modelo flexível de infra-estrutura. Fornece salas de seu próprio prédio para as empresas que necessitam de uma estrutura comercial, e providencia laboratórios ou estruturas externas (e.g. planta piloto) para as empresas que demandam estrutura mais especializada.

O PADETEC tem uma infra-estrutura rica nesse sentido,

oferecendo os equipamentos dos laboratórios que compõem o centro de pesquisa da instituição, além de plantas pilotos industriais, centrais analíticas e geração de energia própria. Também tem planos de aumentar seu espaço físico, insta- lando um parque tecnológico para desenvolvimento de mais

empresas.

A Fundação Biominas também conta com laboratórios e equipamentos dedicados para uso das empresas, pelos quais cobra uma taxa de utilização, além de almoxarifado compartilhado para as empresas que necessitam. No entan- to, a especialização e o controle de higiene muitas vezes inviabilizam a utilização geral dos laboratórios. Algumas das empresas presentes na Biominas realizam produção indus-

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trial, mas que não demanda grande infra-estrutura ou espa- ço devido à natureza da referida indústria.

A INOVA-UFMG não conta com laboratórios próprios

da incubadora. Todavia, como é um órgão oficial da univer- sidade, tem a liberdade de negociar com os departamentos o acesso das empresas aos laboratórios de pesquisa acadê- mica. Apesar da diversidade de laboratórios presentes na universidade, nem sempre esse acesso é facilitado pelos de- partamentos, que têm autonomia na gestão desses recur- sos. Um projeto de instalação de um parque tecnológico na UFMG está em andamento e conta com espaço a ser dispo- nibilizado para a instalação de empresas graduadas na in-

Quadro 4 – Serviços oferecidos às empresas incubadas

cubadora da universidade. O Instituto Inovação conta com um modelo mais flexí- vel sob o ponto de vista da infra-estrutura. Das cinco em- presas aceleradas, duas estão instaladas no prédio da em- presa. As outras três estão instaladas em locais diferentes devido à necessidade de planta-piloto e laboratórios especi- alizados. Dentre os serviços profissionais oferecidos às empresas pelas instituições de suporte foram encontrados diferentes formas e graus de oferta de assessoria na gestão, treina- mento e auxílio em questões de propriedade intelectual. O quadro 4 apresenta esse quadro.

 

PADETEC

Fundação Biominas

INOVA-UFMG

Instituto Inovação

Assessoria e

treinamento

Oferecido pelo SEBRAE através de parceria com a incubadora.

Oferece consultoria técnica e acesso a informação (networking).

Oferece apoio no planejamento tecnológico por intermédio de alunos bolsistas. É oferecida também consultoria por parte do SEBRAE.

Oferece serviços como parte das atividades de gestão pelas quais se responsabiliza junto à empresa.

Propriedade

intelectual

O escritório de propriedade intelectual foi instalado com apoio do CNPq e presta serviço a preço mais baixo, inclusive para fora da incubadora.

Havia um Núcleo de Propriedade Intelectual, mas que foi desativado por falta de uma demanda contínua. Optou-se por terceirizar o serviço.

A CT&IT, órgão subordinado à reitoria, oferece auxílio no processo de proteção intelectual para toda a comunidade acadêmica.

Existe uma empresa terceira que dá auxílio em questões de propriedade intelectual.

O PADETEC não tem uma equipe própria responsável

por assessorar as empresas incubadas na gestão dos negó- cios e conta com a participação do SEBRAE como parceiro, oferecendo cursos aos empreendedores. O mesmo aconte- ce com a INOVA-UFMG, que também conta com a participa- ção de alguns alunos do curso de engenharia de produção da UFMG, para o desenvolvimento de atividades de auxílio às empresas na área que estudam. Por outro lado, a Fundação Biominas e o Instituto Inova- ção possuem, dentro da instituição, pessoas capacitadas com dedicação integral para auxiliar as empresas incubadas.

Quadro 5 – Participação na gestão estratégica do negócio

Nas questões sobre patentes e licenciamento de tecno- logia, as três instituições sem fins lucrativos contam com órgãos dedicados para lidar com atividades dessa área. O Instituto Inovação, por sua vez, terceiriza tais atividades para um escritório especializado. Conforme mostra o quadro 5, a Fundação Biominas e o Instituto Inovação, diferentemente das outras duas institui- ções, envolvem-se diretamente na gestão estratégica das empresas auxiliadas. Isso reflete a diferenciação das suas equipes, formadas por profissionais de diversas competên- cias, conforme visto no quadro 1.

PADETEC

Fundação Biominas

INOVA-UFMG

Instituto Inovação

Não participa diretamente da gestão estratégica dos negócios.

Dedica-se à gestão estratégica nos projetos de geração de novos negócios. Em alguns projetos busca trazer um executivo de fora para gerenciar o negócio.

Não participa diretamente da gestão estratégica dos negócios.

Toda a gestão do novo negócio é responsabilidade do Instituto Inovação. Em alguns projetos pode trazer um executivo de fora para gerenciar o negócio.

A Biominas e o Instituto Inovação não vinculam tal ati-

vidade de suporte à chamada incubadora de empresas. O Instituto Inovação, inclusive, apresenta tal característica como um diferencial em relação às incubadoras. A Funda-

ção Biominas tem uma unidade de negócios dedicada à for- mulação e implantação de estratégias para superação das etapas críticas da criação e desenvolvimento de uma nova empresa de biotecnologia, desenvolvendo um trabalho que

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ARTIGO CIENTÍFICO

HABITATS DE INOVAÇÃO SUSTENTÁVEIS (HIS)

vai desde a identificação de oportunidades até a criação e o desenvolvimento de uma nova empresa. Apenas alguns des- ses novos negócios gerados nessa atividade se instalam na incubadora da instituição.

Quadro 6 – Fontes de receita para as instituições pesquisadas

Essa diferença quanto à participação direta na gestão dos novos negócios também se reflete na forma de arreca- dação de receita utilizada pelas instituições. O quadro 6 mostra as fontes de receita de cada uma.

 

PADETEC

Fundação Biominas

INOVA-UFMG

Instituto Inovação

Taxas

Cobradas taxas de aluguel que vão subindo com o tempo e no terceiro ano são pouco acima do valor de mercado.

Cobra aluguel das empresas nas quais não tem participação. Algumas vezes essa taxa inclui serviços de assessoria. Outras vezes são cobradas taxas extras por esses serviços. Também são cobradas taxas para utilização do almoxarifado e de equipamentos dos laboratórios.

Cobra taxa de aluguel das empresas incubadas.

Não cobra taxas das empresas auxiliadas.

Contribuição

de empresas

graduadas

Duas graduadas já contribuíram para a incubadora.

As empresas graduadas pagam uma mensalidade por período equivalente ao que permaneceram incubadas e continuam mantendo algum contato com a Biominas para captação de recursos, networking, consultoria, etc.

   

Participação

acionária nas

 

Não tem participação nas empresas incubadas.

Nos projetos de geração de novos negócios a Biominas e as pessoas dedicadas à administração podem ter participação acionária na empresa. Na incubadora há empresas que apenas pagam pela infra-estrutura física.

Não tem

Tem participação acionária nas empresas que auxilia.

empresas

participação nas

 

empresas

incubadas.

 

As duas incubadoras, que não participam diretamen- te da gestão estratégica das empresas, têm como fonte principal de renda as taxas de aluguel cobradas das em- presas. A Fundação Biominas cobra tais taxas apenas no caso de empresas que recorrem ao auxílio somente do serviço da sua incubadora. Nesses casos a instituição tam- bém reconhece como ganho a vinculação de seu nome a projetos de inovação tecnológica. Outras empresas, que desfrutam do auxílio da equipe da Biominas na gestão e no financiamento do negócio não são cobradas pela uti- lização das instalações físicas quando se estabelecem na incubadora. Em contrapartida, a propriedade do negó-

Quadro 7 – Auxílio no financiamento dos negócios

cio gerado é dividida entre os empreendedores e a insti- tuição. O financiamento dos projetos é um ponto crítico na geração e no desenvolvimento de novos negócios e as ins- tituições estudadas desempenham papéis distintos quan- to ao auxílio à captação de recursos financeiros. Confor- me resume o quadro 7, a Fundação Biominas e o Instituto Inovação têm recursos próprios para investir nos projetos de interesse. No caso das outras duas instituições é ne- cessário buscar recursos em outras fontes, como fundos públicos. No entanto, a Biominas e o Instituto Inovação também buscam recursos públicos (e.g. editais).

PADETEC

Utiliza algumas parcerias com FIEC, CNPq, SEBRAE e UFC para ajudar financeiramente as empresas. Existe resistência dos inventores incubados em receber capital de risco.

Fundação Biominas

Facilita o acesso das empresas incubadas ao capital através de auxílio na preparação de projetos e pelo relacionamento com fundos de investimento. A própria Biominas opera programas de capital semente para financiar projetos de geração de novos negócios, utilizando verba de convênios.

.

INOVA-UFMG

Monitora os organismos de apoio e fomento à inovação, detectando oportunidades para obtenção de recursos via editais e chamadas públicas e auxilia na construção de projetos para busca de financiamento público. SEBRAE destina recursos para projetos de pré-incubação na incubadora.

Instituto Inovação

Instituto Inovação investe capital de giro próprio nos negócios auxiliados.

5. CONCLUSÃO A avaliação das quatro empresas brasileiras de suporte ao empreendedorismo mostrou quatro diferentes tipos de

organizações. A frente de Gestão de Novos Negócios da Fun- dação Biominas e o Instituto Inovação, apesar das diferen- ças quanto aos fins lucrativos, mostraram-se adequadas ao

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modelo emergente de incubadoras privadas proposto por Grimaldi e Grandi [2005]. As duas empresas estão mais pró- ximas do modelo IPI – Independent Private Incubators. Além de deter capital para investimento em novos negócios, elas agregam valor ao serviço oferecido às empresas que apói- am ao disporem de equipes multidisciplinares participando diretamente da gestão do negócio e desfrutando de partici- pação acionária nas empresas. O PADETEC, a INOVA-UFMG e a frente de Incubação da Fundação Biominas se enquadram melhor ao modelo mais tradicional, ou seja, as incubadoras públicas propostas por Grimaldi e Grandi [2005]. Enquanto o PADETEC e a frente de Incubação da Fundação Biominas estão mais próximas das BIC(s) – Business Innovation Centres, a INOVA-UFMG se enquadra no modelo UBI – University Business Incubators. Eles não participam diretamente da gestão estratégica dos negócios, oferecendo, principalmente, facilidades quanto a infra-estrutura de baixo custo e auxílio no acesso a financi- amentos. Alguns serviços universitários são oferecidos como diferencial, principalmente pela INOVA-UFMG, que é um órgão que faz parte de uma universidade. O PADETEC tam- bém tem uma relação com a universidade e funciona den- tro do seu ambiente, mas não é subordinado a ela. Por outro lado, a frente de Investimento em capital se- mente da Fundação Biominas, se enquadra melhor no mo- delo proposto por Barrow [2001], mais especificamente, as Incubadoras de investimento com fins lucrativos. Apesar dos

lucros obtidos pela Biominas nessa frente serem totalmente reinvestidos em outras incubadas, ela funciona mais como um investidor, comprando participação acionária e financi- ando recursos. Sob o ponto de vista da classificação feita por Sher- man [1999], podemos afirmar que as quatro incubadoras se enquadram na segunda categoria (technology), pois to- das têm como foco a inovação tecnológica. Além de analisar os modelos de incubação das quatro empresas com os modelos estudados pela literatura, este trabalho ilustra a evolução e flexibilidade dos modelos de incubação no Brasil. O aparecimento de iniciativas diferen- ciadas, como os novos modelos propostos pelo Instituto Ino- vação e a frente de Gestão de Novos Negócios da Fundação Biominas, e também os serviços diferencias do PADETEC (cen- tro de pesquisas) e da INOVA-UFMG (serviços universitários) comprovam a evolução e flexibilidade das incubadoras. No entanto, apesar da evidente evolução dos progra- mas de incubação das empresas, ainda é necessário questi- onar a real eficiência dos mesmos. Para isso, é preciso defi- nir mais claramente os parâmetros para avaliação do suces- so dessas instituições. Por exemplo, não se sabe ao certo se a eficiência de uma incubadora deve ser avaliada quanto a geração de novos empregos, a taxa de sobrevivência de empresas iniciantes ou quanto ao lucro [ver, por exemplo, SHERMAN, 1999 e MIAN, 1996]. Isso é um campo que pode ser explorado por pesquisas futuras.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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