1.
Fundamentação teórica
A operação com membranas pode ocorrer de duas formas, seja ela através de
filtração convencional (dead-end filtration) ou tangencial (cross-flow), a filtração
convencional por apresentar mesmo sentido de escoamento entre fluido e partículas
que atravessam a membrana, provocam um entupimento mais acelerado do meio
filtrante, justificando-se o uso de escoamento tangencial em operações industriais.
Figura 1. Ilustrações da filtração convencional e tangencial.
Fonte: (Faria, 2011)
A definição de fluxo volumétrico é dada pela quantidade de volume de fluido (ΔV)
que atravessa uma certa área (A) num determinado tempo (Δt), sendo definido de
acordo com a equação 1.
ΔV (1)
J=
A . Δt
O fluxo de uma membrana é proporcional à força motriz imposta sobre ela, ou
seja, o gradiente de pressão (ΔP), e inversamente proporcional às resistências
impostas ao escoamento através da mesma, sendo estas a viscosidade (μ) e
resistências inerentes ao sistema (Rtotal) como demonstrado pela equação 2.
ΔP (2)
J=
μ . R total
As resistências inerentes ao sistema podem ser divididas em duas principais
parcelas, sendo a resistência oferecida ao escoamento que ocorre pela presença da
membrana (Rmembrana) e das demais resistências externas a mesma (R d), como
demonstrado pela equação 3.
Rtotal=R Membrana + R d (3)
As resistências externas ocorrem por diversos fatores, sendo estes descritos
principalmente pela adsorção que ocorre na superfície da membrana, polarização
da concentração de partículas, formação de torta e entupimento dos poros da
membrana. Pode-se então dividir as resistências externas em parcelas como a
equação 4 demonstra.
Rd =R Adsorção + R Polarização + RTorta + R Entupimento (4)
A eficiência de uma membrana pode ser avaliada através de sua taxa de
permeação e seletividade de partículas. Uma alta permeação da membrana implica
num maior fluxo através desta, oferecendo então menores resistências de
escoamento, enquanto que, a alta seletividade de uma membrana implica numa
pequena variabilidade de particulados que permeiam a membrana, sendo estes
muito similares em peso molecular, tamanho ou natureza química.
Através da seletividade do peso molecular, surge o conceito de cut-off, sendo
definido pelo peso molecular que apresenta 90% de retenção pela membrana em
questão, como demonstrado pela figura abaixo:
Figura 2. Representação gráfica do conceito de cut-off.
Fonte: (Drioli, 2016)
Para a avaliação da eficiência da membrana no tratamento de efluentes,
pode-se avaliar aspectos como turbidez, cor, demanda química de oxigênio e teor de
sólidos. Com relação à cor, utiliza-se do método platina-cobalto através de
espectrofotometria, a qual consiste num disco de cor contendo uma solução sólida
de cloroplatinato de potássio (K 2PtCl6) em cloreto de cobalto (CoCl2) e, através da
comparação da coloração da solução analisada com a solução contida no disco, é
possível obter medidas para a coloração em unidades PtCo (ou uHazen),
significando a quantidade em mg/L da solução contida no disco que corresponde
com a intensidade de coloração da solução analisada.
Para a análise de turbidez, utiliza-se também de um espectrofotômetro,
havendo diversos métodos de determinação, como o NTU (Unidade Nefelométrica
de Turbidez), FTU (Unidade de Turbidez Formazina), FNU (Unidade de Atenuação
de Formazina) e FAU (Unidade Nefelométrica de Formazina). Para o método FAU,
posiciona-se o sensor a 180º da emissão de luz, medindo-se, portanto, a atenuação
da luz que atravessa a amostra. Utiliza-se, para este método, radiação infra-
vermelho (780 – 900 nm) para a medida. A amostra é comparada com uma solução
de Formazina, sendo este um polímero que apresenta uma alta turbidez quando
concentrado.
A demanda química de oxigênio (DQO) mede o consumo de oxigênio utilizado
na oxidação química da matéria orgânica da solução, sendo esta, portanto, uma
medida indireta do teor de matéria orgânica. No entanto, tal medida é sempre
superestimada, uma vez que é capaz de oxidar moléculas que contém nitrogênio,
enxofre, fósforo e dentre outros elementos além de moléculas a base de carbono,
sendo assim, o valor obtido sempre será maior ou igual ao previsto por uma
demanda bioquímica de oxigênio. Para a aplicação da DQO, utiliza-se de uma
solução oxidante contendo dicromato de potássio (K2Cr2O7), nesta reação, o cromo
em sua forma Cr6+ é reduzido a Cr3+, alterando a coloração da solução e tornando-a
passível a leitura em espectrofotômetro em medidas de miligramas de oxigênio por
litro (mgO2/L).
Para a análise do teor de sólidos, utiliza-se de um meio filtrante, como por
exemplo uma membrana. Para tal método, pode-se realizar a quantidade de sólidos
suspensos totais (SST), sólidos suspensos voláteis (SSV) e sólidos suspensos fixos
(SSF). No entanto, tal método necessita de uma retenção total dos sólidos a serem
analisados pela membrana, caso parte do sólido permeie a membrana, obtém-se
uma análise parcial da quantidade total de sólidos presentes.
Para a aplicação do método na determinação de SST, utiliza-se da massa
seca do meio filtrante (P1) e da massa seca do mesmo após a filtração da solução
em questão (P2), obtendo-se então, para um determinado volume filtrado (V) a
quantidade mássica de sólidos por unidade de volume de acordo com a equação 5:
P2−P 1 (5)
SST =
V
A determinação de sólidos voláteis necessita de uma mufla a altas
temperaturas para garantir que estes passem para o estado gasoso e sejam
desprendidos do papel filtro, obtendo-se então, após a mufla, a massa final do meio
filtrante somado aos sólidos totais fixos (P 3). Portanto, pode-se obter a análise de
SSV de acordo com a equação 6.
P3−P2 (6)
SSV =
V
Por fim, para a determinação de sólidos fixos, deve-se descontar somente a
massa do meio filtrante seco da massa final obtida de acordo com a equação 7.
P3 −P 1 (7)
SSF=
V
2. Referências
DRIOLI, E.; QUIST-JENSEN, C. A.; GIORNO, L. Molecular Weight Cutoff. Encyclopedia of Membranes
Springerp. 1326–1327, 2016.
FARIA, P. C. D. OBTENÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE MEMBRANAS
ASSIMÉTRICAS COM PELE DENSA À BASE DE POLIACRILONITRILA.
Dissertação (Mestrado em Engenharia Biomédica) – Instituto de Pesquisa e
Desenvolvimento, Universidade do Vale do Paraíba. São Paulo, 2011.