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J.T.Parreira

AQUELE DE CUJA MÃO FUGIU O ANJO

Poemas

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©J.T.Parreira, 2011 Capa: Delacroix, Jacó lutando com o Anjo (detalhe) Edição: Sammis Reachers

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Índice
FORTUNA CRÍTICA
JACOB APENAS LÁZARO A VINDA DO FILHO DO HOMEM A LIÇÃO DE MÚSICA A PARÁBOLA DO AMIGO IMPORTUNO O REGRESSO DE LÁZARO O BOM SAMARITANO UM CÂNTICO DOS CÂNTICOS OUTRO CÂNTICO DOS CÂNTICOS DOIS HOMENS SUBIRAM AO TEMPLO SÁBADO A ÚLTIMA CEIA NOVO SALMO CXXXVII EM MEMÓRIA SALMO CXXXVII PARA CAMILO PESSANHA OS EXPULSOS DO PARAÍSO ENTRADA TRIUNFAL O GALO OLARIA OS HÓSPEDES DE LOT O ÍDOLO MAGNIFICAT OS SALMISTAS DIGAMOS QUE FALO DE OUTRA COISA NAZARETH POEMA NA 1ª PESSOA DO PLURAL SALMO QUE PODERIA SER DE DAVID DISCURSO AOS JOVENS O PROFETA ELIAS ENTRA NO CÉU AS LÁGRIMAS DE JESUS ÚLTIMA REVISÃO DA MATÉRIA DOS POEMAS

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NOTA BIOBIBLIOGRÁFICA OUTROS EBOOKS DO AUTOR

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FORTUNA CRÍTICA
JOANYR DE OLIVEIRA (Grande Poeta de Brasília e da Nova Poesia Evangélica):

João Tomaz Parreira é um nome exponencial da poesia evangélica contemporânea. (escrito em 1983)
RUI MIGUEL DUARTE (Professor universitário e Poeta):

Com Joanyr de Oliveira, do Brasil, e Brissos Lino, de Portugal, J. T.Parreira assina em 1974 o “Manifesto da nova poesia evangélica”, proclamação de poetas cristãos de língua portuguesa cujo alvo era a renovação da dicção poética evangélica. Motivada por espírito de missão em obediência a Jesus Cristo como seu Senhor confessado e em diálogo com a poesia e a criação literária secular, a poesia evangélica pretende honrar o Criador, assumindo o seu papel de cooperadora naquilo que é uma das características da imagem de Deus na criatura humana, a capacidade e vontade de criar. Cristão de confissão evangélica, um grande número dos seus poemas tem inspiração bíblica, tanto do Antigo como do Novo Testamento, e reflecte a relação do autor com o texto sagrado, enquanto leitor atento, exegeta, recriador de ambientes, sentimentos e de diegeses a partir do texto inspirador.
BRISSOS LINO (Pastor, Professor universitário e Poeta):

Os interesses essenciais de J.T.Parreira estão centrados na interacção entre a divindade e a humanidade, mas as suas preocupações são invariavelmente com o ser humano, na sua relação com Deus, mas também em tudo o que tem que ver «com a profundidade, os valores, a beleza e o sofrimento» dos homens, como o próprio bem expressou em entrevista concedida a um programa de televisão em 2002.
GEREMIAS DO COUTO (Pastor, Jornalista e Escritor)

Considero-o (a JTP) um artesão refinado das letras e referência ímpar na literatura da comunidade evangélica lusófona.
ABRÃO DE ALMEIDA (Escritor):

A esplendida poesia de João Tomaz Parreira.
SAMMIS REACHARS (Poeta e Antologista):

Um dos maiores poetas evangélicos em língua portuguesa.
JOÃO PEDRO MARTINS (Economista, Escritor):

João Tomaz Parreira é um autor incontornável no escasso universo da literatura feita por evangélicos. A sua poesia é Poesia Gourmet.
FERNANDO LUIS PÉREZ POZA (Editor e Poeta galego):

João Tomaz Parreira, amigo y autor muy apreciado por mí e mí editorial
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Jacob
Aquele de cuja mão fugiu o Anjo na luta corpo a corpo o único homem que viu entrar no céu uma escada E cento e quarenta e sete anos viveu entre rebanhos e no sangue das uvas lavou os seus vestidos e lavrou no fundo de Raquel e Lia doze filhos Entre os quais o mais parecido consigo foi José o sonhador e expirou e foi somado à morte do seu povo.

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APENAS LÁZARO
Lázaro estende-se na mão pedinte espera pelo anjo que o coloque no céu Por agora estende-se no chão do rico e tem paragens cardíacas no coração das palavras Será que teve alegrias enxugou a chuva empoeirada na face dos seus filhos amaciou o corpo com o linho? Por agora só os anjos baixam para lhe lamberem as mãos que são as suas asas.

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A VINDA DO FILHO DO HOMEM
No país dos judeus as figueiras precedem o verão precede um arco-íris de granizo os ramos e as folhas O fogo abre o caminho às cinzas que ungem os altares do holocausto o sol precederá a escuridão e as estrelas abordarão o mar com violência As pégadas nunca estão longe dos passos do caminho precedem o ladrão ao redor da casa.

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A LIÇÃO DE MÚSICA
Mas quando David enviava os sons da harpa para os céus, a harpa seduzida pelos seus dedos, um sorriso assomava ao espírito de Saul. Baixavam os olhos ao coração sanguíneo via dentro de si o tranquilo consolo que a música fazia, a mão que levava odor a jardim ao mesmo tempo que as pombas se desprendiam das cordas assim velava a harpa de David.

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A PARÁBOLA DO AMIGO IMPORTUNO
Sou o vizinho importuno que todas as manhãs junta as vogais e as consoantes ao de leve por cima das coisas e por não achar o núcleo da palavra adequada assoma olhos discretos por entre as brumas para pedir a Deus o azul escrito no céu pela larga mão um pão sem remorsos, a água limpa em seus olhos quando chora.

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O REGRESSO DE LÁZARO
Tudo o que fez foi preceder a sua sombra aliviar em todos os olhos um espanto e encontrar o calor dos outros corpos tudo o que fez, da morte regressado foi sonhar de novo, procurar o fogo amassado num pão quente Lázaro, saindo do fundo do silêncio como um cântico.

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O BOM SAMARITANO
Tive fome de pão e puseste a minha mesa numa toalha em linho derramada a sede, tive-a como um dia quente a ondular entre os lábios e a água e ungiste meu corpo com um óleo quando a noite oxidou as minhas chagas estive ao frio e teus vestidos coloriram a palidez da minha carne nua e na tua cama inclinei os meus ouvidos os teus móveis abriram gavetas para os meus cristais de chuva.

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UM CÂNTICO DOS CÂNTICOS
Achem o meu amor os meus vestidos já não ouso poluir com as gotas da noite os meus pés já perfumam o leito Achem o meu amor que deixou- dizem- o rosto num lenço que deixou perfume na murcha aldraba da porta quando bateu, exausto no meu silêncio.

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OUTRO CÂNTICO DOS CÂNTICOS
Atravesso todas a s ruas com o outono triste nos meus olhos, com reflexos retardados ao aviso inesperado de uma sombra a noite desfigura as ruas O perfume que deixaste declina à medida que perco em meus sentidos o ruído dos teus passos Piso descalça o efémero das folhas molho os olhos a espreitar por frestas na minha face ferida já não há lugar para a claridade e não posso falar de beleza com os guardas da cidade.

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DOIS HOMENS SUBIRAM AO TEMPLO
O publicano levava o coração à boca um coração escondido que receia a faca de ponta dos olhares a sua voz ressoa aquém e o espírito de Deus volta a comover-se com o homem O fariseu reparte, num céu de sombra sinos angelicais, vai tocando a sua vida como no outono uma árvore pela voz abaixo as folhas caem.

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SÁBADO
Vede que caminho sobre o meu próprio dia como naquele em que pousei a luz sobre todo o jaspe e as pedras o dia sétimo da minha obra em que dei corda inconsumível ao universo Vede como afino nos lábios dos mudos uma canção outrora esquecida como os cegos aprendem a conhecer os meus dedos, vede e podem ter nos olhos o volume dos dias como o fio inconsútil da noite Vede que a minha túnica comprida dobra e desdobra sábados como vosso Senhor ainda trabalha para manter os astros como pássaros no ramo mais alto.

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A ÚLTIMA CEIA
Olho estas mãos suavizadas pelo pão este vinho e a tarde a pendurar-se em vossos olhos e a tristeza morrerei depois de ter bebido convosco o fruto ázimo e do pão ter enchido os vossos corações e deste hino ter dado a volta à mesa.

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NOVO SALMO CXXXVII
Ficam-me muito bem estas lágrimas nas margens assentado choro Sião a contemplar as saudades dois lírios nos meus olhos por Jerusalém sobre as águas do Eufrates ficam-me bem estas lágrimas encostadas à minha mão direita quais pensamentos digo que me ficam bem estas lágrimas sentado à beira da noite e do dia que partilham o rio como quem vê as nuvens passar no cume dos ventos.

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EM MEMÓRIA
para o jovem Ricardo Fui às margens da terra despedir um amigo nunca a morte me parecera tão envelhecida tão gasta pelos olhos que entreolham por detrás de lágrimas escondidos O meu amigo não envelhecerá mais o seu cabelo com a passagem dos dedos não preparará mais o rosto e as roupas para estar perto de nós Já cá não está a sua dúvida que não sabia onde pôr como as mãos ou como a voz E os lugares agora estão desertos em que era costume pôr os olhos. (11/1999)

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SALMO CXXXVII PARA CAMILO PESSANHA
Quem arrancou nossa carne magoada de dentro destas paredes quem nos levou desta casa com mãos enganosas de feltro quem foi que partiu as vidraças com as formas do frio das pedras quem encheu nosso fogo com tão escura cinza como uma água barrenta quem partiu e derramou pelo chão as nossas liras arco e cordas desgrenhando o som como cabelos puxados pelo vento.

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OS EXPULSOS DO PARAÍSO
Levamos connosco os olhos nus sabemos que pisamos a sombra dos nossos novos corpos e já nada é transparente Levamos o peito como uma nascente o nosso coração como a água cobre pedras e respira o seu próprio sangue Levamos nos lábios apertados o silêncio como uma língua morta levamos o sôpro e a argila que nos define a inocência Levamos para nos lançar ao frio esta forma de morte, à nossa alma expulsos do meio do paraíso só Deus lhe abre as portas.

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ENTRADA TRIUNFAL
Nunca o salmo descera às ruas dando alegrias às pernas das crianças e sonhos nos olhos dos velhos nunca o dia pousara tão equilibrado no perfil do horizonte para erguer as portas soalheiras para entrar o Senhor nunca os ramos e suas carícias chegaram tão verdadeiros aos rostos estendidos do novelo das ventanias.

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O GALO
Um galo feriu o ar com suas setas vocais ao cantar despertou uns olhos nas gavetas da noite Eis o que deixou o galo com um gume de faca uma sombra no coração do apóstolo rude assentado à roda do lume.

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OLARIA
Jeremias, 18, 3-4 E desci à casa do oleiro e vi as suas mãos a encantar o barro eis que pedalava o vento sobre as rodas no seu andar levíssimo de nuvem Como o vaso de barro que fazia como um coração, se quebra em suas mãos torna a entrar no grande segredo da argila nua para fazer dele outro vaso da lama ressequida nas mesmas mãos como se não estivessem já em ferida.

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OS HÓSPEDES DE LOT
Numa praça de Sodoma, numa casa cercada visíveis anjos na beleza do corpo traziam ambos nos pés a cósmica poeira a poeira da floresta das estrelas lavaram a noite na casa de Lot a noite dos seus olhos, e das mãos e comeram o pão do amargor Traziam ambos a urgência dos avisos as palavras do Senhor.

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O ÍDOLO
Vuestra arrogancia inmóvil, vuestra fria belleza, acabarán un dia. Angel Gonzalez

Há muito que não dobra os joelhos Nunca lutou para sair inteiro de um bloco de matéria de pedra ou de mármore é a palma rugosa das mãos os seios sem comoção alguma hirtos olhos até à cinza dos dias Só a queda lhe traz a liberdade quando se parte em mil asas.

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MAGNIFICAT
Nada mais quieto que os ouvidos e os lábios de Maria a manhã pairava como calma pluma desprendida de uma ave O anjo em cada palavra decifrava o código de Deus como um profeta antigo A luz atravessava o vento cada vez que o anjo abria com palavras o coração da Serva do Senhor Nada mais quieto que o peito de Maria pairando entre as ondas de sangue e alegria.

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OS SALMISTAS
Nascidos entre liras, cujas cordas resistem às carícias e aos saltos entre os dedos, os salmistas são como as muitas águas que saltam entre pedras nas aldeias A música cresce em saltos como a cerva e o gamo que vão em campo aberto iluminados por relâmpagos Os salmistas levantam-se de manhã por causa da insónia nos seus dedos, levantam-se para plantar as hastes do som entre o silêncio.

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DIGAMOS QUE FALO DE OUTRA COISA
Uma família sem abrigo bate às portas e ninguém parece respirar do outro lado digamos que falo de Belém

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NAZARETH
Jesús mozo hacía casas Miguel de Unamuno Vivia numa pequena cidade onde o limite do mundo parava nas montanhas Sua presença era discreta como leve brisa que se ergue desde a erva e sobe até ao ar limpo das ramagens Foi seu primeiro e não único milagre a sabedoria e erguer casas, como carpinteiro foi o seu primeiro júbilo Os dias passaram deixando pó nas memórias da infância, quem dele recordava o seu olhar, o que dizia sentia-se com um corpo a saltar do chão para um rio em paz.

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POEMA NA 1ª PESSOA DO PLURAL
A tristeza, por vezes, nos resume a um olhar de chuva a melancolia presa nos cabelos, procuramos sacudi-la com os dedos que sobram do tédio das mãos A tristeza por vezes é tão frágil que partimos a tristeza com um suspiro de cristal.

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SALMO QUE PODERIA SER DE DAVID
Mesmo que o vento apague com altas nuvens o perfil dos montes e sozinhos os meus olhos cheguem ao fundo de mim mesmo e não encontrem nada E uma chuva cai das árvores folhas e água oxidem o outono e as palavras que esperava se fechem na corola por faltar o sol alçarei o meu coração à beira dos céus esperarei de lá Quem me socorre

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DISCURSO AOS JOVENS
Não deixeis para amanhã a vossa humilde tarefa de olhar pela honra dos mais velhos de pequeno é que um rio faz o destino das suas águas poderosas nenhum pássaro é novo em demasia para se lançar no alto imóvel céu Escrevo-vos porque cada dia vos trará um surpresa é preciso decantá-la até à gota mais simples do sangue Uma névoa que se levante e se envolva nas coisas como um rio de cinza – Vos escrevo porque sois fortes – dissipai-a todavia que os dias de sol não vos enganem Bem e Mal já não são as fronteiras que jamais deveriam tocar-se por isto vos escrevo para que o vosso coração se mova na verdade.

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O PROFETA ELIAS ENTRA NO CÉU
Num vento que deforma as nuvens Elias ao som de cascos de fogo entra no Céu A poeira cósmica com que os astros se aveludam na via celeste é transparente quase aproxima as estrelas, mesmo aquelas que passaram de moda, enquanto fazem cavalos imprevistos companhia ao profeta que acabou de entrar no Céu.

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AS LÁGRIMAS DE JESUS
Ninguém viu nos olhos de Jesus dois lagos plácidos que iluminavam em volta olhos que foram os primeiros a ver o princípio da mecânica celeste e que agora demoravam cada lágrima nas órbitas antes de a deixarem cair sobre o velho chão como uma dádiva fresca como neve tocada pelo vento, que estremece a atmosfera do verão.

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ÚLTIMA REVISÃO DA MATÉRIA DOS POEMAS
Aqui está a minha poesia Para baixo tenho puxado as estrelas como Abraão, perdendo o dedo entre constelações Tenho desviado do circuito especial poucos verbos sagrados como adorar, pôr terra nos joelhos elevar a voz sobre os telhados certas frases do quotidiano têm sido pedra para os meus salmos onde o mármore brilha O que faz assim a minha poesia o mesmo que o deslizar da música contra Jericó e seus muros fracassados? Perdoem a minha poesia teria quando acordo os sonhos inúteis, pássaros de barro se me não fosse permitido ver mais além do que as costas do meu Deus.

1999

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Nota Biobibliográfica

João Tomaz (do Nascimento) Parreira, Lisboa, 1947. Poeta. 6 livros de poesia (Este Rosto do Exílio,1973; Pedra Debruçada no Céu, 1975; Pássaros Aprendendo para Sempre, 1993; Contagem de Estrelas, 1996; Os Sapatos de Auschwitz, 2008; e Encomenda a Stravinsky, 2011 ) Um ensaio teológico (O Quarto Evangelho-Aproximação ao Prólogo, 1988) e participação em Antologias. Escreve na revista evangélica «Novas de Alegria» desde 1964 e no Portal da Aliança Evangélica Portuguesa. Na juventude escreveu poesia e artigos no suplemento juvenil do "República", entre 1970-1972, sob a direcção de Raul Rego. Tendo começado em 1965 também no Juvenil do "Diário de Lisboa", de Mário Castrim. Está representado no Projecto Vercial, a maior base de dados da literatura portuguesa. Edita os blogs Poeta Salutor e Papéis na Gaveta, e colabora em Confeitaria Cristã e Liricoletivo.

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Outros e-books do autor para download gratuito: edownload

NA ILHA CHAMADA TRISTE (Poemário onde o autor verseja sobre o apóstolo João em seu exílio em Patmos. 20 págs. em pdf – Para descarregar, clique AQUI.

3 IRMÃOS Antologia - Um pouco do melhor da Poesia Evangélica em Língua Portuguesa - Poemas de J.T.Parreira, Gióia Júnior e Joanyr de Oliveira (para descarregar o arquivo, clique AQUI).
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