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DIREITO CONSTITUCIONAL

AÇÕES CONSTITUCIONAIS: AÇÃO POPULAR

AÇÃO POPULAR

RICARDO S. TORQUES

Conforme art. 5º, LXXIII, qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.

Está ação constitucional destina-se à concretização do princípio republicano, podendo ser utilizada de modo preventivo ou repressivo.

Somente o detentor de capacidade eleitoral ativa, ou seja, o cidadão poderá ser titular da ação popular. Desta forma, impossível ação popular proposta por pessoa jurídica, Ministério Público, inalistados, inalistáveis e estrangeiros.

Segundo Paulo e Alexandrino, o Ministério Público atuará na ação popular como parte pública autônoma incumbindo-lhe, nesse papel, velar pela regularidade do processo e correta aplicação da lei, podendo opinar pela procedência ou improcedência da ação. Além disso, poderá atuar como substituto processual e sucessor do autor, na hipótese de este se omitir ou abandonar a ação, caso repute de interesse público o seu prosseguimento, até o julgamento. Ainda, caberá ao Ministério Público promover a responsabilização dos réus, se for o caso, na esfera civil ou criminal(p. 228: 2010).

O âmbito de proteção da ação popular, na vigente Constituição, é bastante amplo: abrange tanto o patrimônio material quanto o patrimônio moral, o estético, o histórico, o ambiental(p. 228: 2010). Nesse aspecto, entende o STF não ser necessário a prova do efetivo dano material ou pecuniário, sendo a mera ilegalidade passível de repressão via ação popular.

Além disso, entende a doutrina ser a ação popular meio idôneo para a fiscalização, na via incidental, da constitucionalidade das leis(p. 230: 2010). Entretanto, de acordo com o STF, o mesmo entendimento NÃO prospera em termos de Ação Direta e Inconstitucionalidade.

Além disso, NÃO será possível utilizar de ação popular em substituição ao mandado de segurança.

Conforme entendimento do STF, NÃO é possível a utilização da ação popular para atacar ato de conteúdo jurisdicional, praticado por membro do Poder Judiciário no desempenho de sua função típica (AO nº 672/DF), sendo possível a utilização da ação popular apenas relativamente a atos de natureza administrativa, em qualquer dos Poderes do Estado.

Conforme Paulo e Alexandrino (p. 232: 2010) a competência para processar e julgar a ação popular é definida pela origem do ato a ser impugnado:

se o ato impugnado foi praticado, aprovado ou ratificado por autoridade, funcionário ou administrador de órgão da União e de suas entidades, ou entidades por ela

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AÇÕES CONSTITUCIONAIS: AÇÃO POPULAR

RICARDO S. TORQUES

subvencionadas, a competência será do juiz federal da seção judiciária em que se consumou o ato;

se o ato impugnado foi produzido por órgão, repartição, serviço ou entidades de estado- membro, ou entidade por ele subvencionada, a competência será do juiz estadual que a organização judiciário do estado indicar;

se o ato impugnado foi produzido por órgão, repartição, serviço ou entidades de município, ou entidade por ele subvencionada, a competência será do juiz estadual da comarca a que o município interessado pertencer de acordo com a organização judiciária do respectivo estado e

se a ação interessar simultaneamente à União e qualquer outra pessoa ou entidade, será competente a justiça federal.

Além disso, entende-se que o juízo da ação popular é universal, no sentido de que impõe a reunião de todas as ações conexas, com fundamento jurídico semelhante.

De acordo com jurisprudência do STF, o foro especial por prerrogativa de função NÃO alcança as ações populares ajuizadas contra as autoridades com tal prerrogativa, não havendo que se falar em deslocamento da competência para os tribunais especiais em razão da prerrogativa funcional.

Finalmente, ressalte-se que caso a ação popular, num caso concreto, criar conflito entre estados-membros conflito confederativo a competência será do STF, por força do art. 102, I, f, da CRFB.