O SERVIÇO SOCIAL EA GERONTOLOGIA

Autor: Dr. Jairo da Luz Oliveira1
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Jairo da Luz Oliveira – Bacharel em Serviço Social, Especialista em Gerontologia Social, Mestre e Doutor em Serviço Social

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“ Na velhice ainda darão frutos,serão viçosos e florescentes, para proclamarem que o Senhor É Justo...” SI. 92.14-15. 2

Sumário

APRESENTAÇÃO.......................................................................................................6 1 O ENVELHECIMENTO HUMANO............................................................................8
1.1 O Processo Sócio Histórico do Envelhecimento Humano................................................9 1.2 Viver o Envelhecimento, um Processo Natural................................................................14 Referência Comentada ........................................................................................................ 15 Referências ......................................................................................................................... 16 Autoestudo .......................................................................................................................... 16

2. A GERONTOLOGIA.............................................................................................. 18
2.1 Conceituando a Gerontologia...........................................................................................18 2.2 Há Vida e Movimento na Terceira Idade ........................................................................ 23 Referência Comentada: ....................................................................................................... 25 Referências: ........................................................................................................................ 25 Autoestudo .......................................................................................................................... 26

3. MITOS E VERDADES SOBRE A TERCEIRA IDADE ...........................................27
3.1 Os Mitos e as Verdades................................................................................................. 29 3.2 Revendo Nossos Conceitos........................................................................................... 31 Referência comentada:........................................................................................................ 33 Referências ......................................................................................................................... 34 Autoestudo .......................................................................................................................... 33

4. A FAMÍLIA E O IDOSO..........................................................................................36
4.1 As Configurações Familiares por Parentesco ................................................................ 38 4.2 A Representação do Idoso no Contexto Familiar ........................................................... 40 Referência comentada......................................................................................................... 42 Referências ......................................................................................................................... 42 Autoestudo .......................................................................................................................... 44

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5 ASPECTOS LEGAIS E OS DIREITOS DOS IDOSOS ..........................................45
5.1 O Encaminhamento Juridico no Trato da Questão Social ............................................. 45 5.2 A Garantia do Direito ..................................................................................................... 47 Referência comentada:........................................................................................................ 54 Referências: ........................................................................................................................ 55 Autoestudo .......................................................................................................................... 55

6. REDES DE PROTEÇÃO: SUA IMPORTÂNCIA NA VIDA DO IDOSO..................56
6.1 Motivando a Construção da Rede de Apoio.....................................................................57 6.2 Narrativas Sobre o Trabalho em Rede: Necessidades e Possibilidades de Inclusão Social para Pessoas na Terceira Idade Através das Redes .......................................... 58 Referência Comentada ........................................................................................................ 69 Referências: ........................................................................................................................ 69 Autoestudo: ......................................................................................................................... 69

7. A VIOLENCIA DO PRECONCEITO CONTRA O IDOSO NO CONTEXTO URBANO: O IDOSO MORADOR DE RUA UMA EXPRESSÃO DA QUESTÃO SOCIAL ..................71
7.1 A Vida na Rua e seus Condicionantes.............................................................................72 7.2 Narrativas de Vida dos Idosos Moradores de Rua ........................................................ 74 Referência comentada:........................................................................................................ 81 Referências: ........................................................................................................................ 82 Autoestudo .......................................................................................................................... 83

8 UMA ANALISE SOBRE A REALIDADE SOCIAL DO IDOSO NO BRASIL ............84
8.1 Trabalho: Quando a Idade Chega, o Preconceito Aumenta ........................................... 87 8.2 As Políticas Sociais para o Enfrentamento das Desigualdades ...................................90 Referência comentada:........................................................................................................ 93 Referências: ........................................................................................................................ 93 Autoestudo .......................................................................................................................... 93

9. O TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL COM AS EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL ...............................................................................................................95
9.1 Estratégias Metodológicas no Fazer Profissional ......................................................... 100

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9.2 A Entrevista como Ferramenta e Estratégias de Acolhimento do Usuário.................... 103 Referência Comentada ...................................................................................................... 104 Referências: ...................................................................................................................... 104 Autoestudo ........................................................................................................................ 105

10 AS INSTITUIÇÕES E O TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL COM GRUPOS DE TERCEIRA IDADE ............................................................................................107
10.1 A Análise Institucional: O Reconhecimento das Possibilidades e limites da Interevenção Profissional.................................................................................................................. 109 10.2 O Trabalho Efetivo com Grupos de Terceira Idade .................................................... 113 Referência comentada....................................................................................................... 117 Referências ....................................................................................................................... 117 Autoestudo.............................................................................................................................118

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Apresentação O presente livro representa a vontade de estudar e tentar compreender um pouco mais questões que envolvem o envelhecimento humano, sua relevância para a sociedade brasileira. Através deste estudo, foram desenvolvidas reflexões, questionamentos, e afirmações sobre o universo que envolve a vida do ser humano na velhice. Em muitos momentos, sinalizamos a preocupação em torno da dificuldade de envelhecer em um país onde os problemas sociais trazem, em si, as conseqüências do abandono, da negligência. Pessoas que, no entardecer da vida, estão vivendo condições de vulnerabilidade social até mesmo no seio familiar. Estudar esta temática, através da disciplina Optativa de

Gerontologia Social, é de suma importância para compreendermos como se constitui as relações sociais e seus reflexos na vida dos idosos. Esta realidade social não poderia ficar desapercebida da nossa formação em Serviço Social na modalidade EAD, merecendo ser desvelada e problematizada no seu existir. Acreditamos ser importante esclarecer ao leitor, que esta produção literária está diretamente implicada na prática profissional do Assistente Social. Nesse contexto, o interesse se desdobra em conhecer como são estabelecidas as estratégias de sobrevivência dos idosos que vivem nesta sociedade capitalista que exclui? O presente estudo de forma despretensiosa procurará dar algumas respostas a esta indagação. O estudo está estruturado em autores do Serviço Social que buscam compreender as contradições sociais vividas em nosso cotidiano. Da mesma forma, procurou-se refletir sobre questões relacionadas ao preconceito, crenças e mitos que envolvem a imagem do idoso. Apresentaremos também, nesse estudo, algumas narrativas importantes de profissionais Assistentes Sociais que trabalham diretamente nas instituições que atendem idosos moradores de rua, nas falas dos Assistentes Sociais perceberemos o interesse que o tema requer, bem como, a necessidade de se ampliar um trabalho em rede para o atendimento destas demandas. Na

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7 . zelo. e muita leitura. também apresentaremos narrativas dos idosos moradores de rua que enfrentam um mar de dificuldades para sobrevirem. Por fim. gostaríamos de dizer que estudar a disciplina Gerontologia Social é algo que merece seriedade.seqüência do estudo. irá contribuir decisivamente para subsidiar conhecimentos aos nossos alunos e profissionais para enfrentamento desse processo acelerado de envelhecimento no Brasil. Uma disciplina que sem dúvida.

p. estes apontam que: A grande maioria dos aposentados aposentados pelo Instituto Nacional de Seguridade Social ( INSS) recebem valores baixos. natural. 8 . meio ambiente. Necessitamos estar realmente questionando o papel do Estado. no espaço comunitário.1. com repercussões nos âmbitos da assistência social. são relativamente precários tanto quantitativamente quanto qualitativamente. As questões relacionadas à terceira idade tem crescido em importância nos últimos anos. na previdência nacional. não fazem parte da vida de muitos brasileiros já nesta fase da vida. Recursos financeiros.O Envelhecimento Humano Nesse capítulo. apresentaremos uma reflexão sobre algumas considerações amplas no que diz respeito ao processo do envelhecimento humano. que vão diminuindo a cada ano. que traz relevantes repercussões nos diversos setores da vida em sociedade. necessitando que estudos sejam formulados para a compreensão deste fenômeno biológico. e também no contexto da família entre outros. e da família para uma revisão de suas responsabilidades em relação as condições de vida na terceira idade hoje.161) Os Investimentos do Estado. medicação. da sociedade. BULLA e KAEFER. saúde. laser cuidados especiais nas mais diversas áreas já mencionadas acima. Entretanto. Sabe-se que o Brasil enfrenta presentemente as conseqüências deste processo do envelhecimento populacional no Brasil. (2004. necessários para responder às demandas de uma vida digna. uma vez que o envelhecimento da população é um fenômeno mundial. infra-estrutura. porque a atualização desses valores não corresponde à inflação real. habitação. buscaremos realizar questionamentos e ponderações sobre as condições favoráveis de se ter uma velhice com dignidade. Conforme estudos realizados sobre vencimentos por aposentadoria no Brasil. os recursos necessário para garantirmos uma qualidade de vida na vida cotidiana destas pessoas hoje na terceira idade ficam muito a desejar.

sendo os velhos considerados como sábios. Aqui em particular temos a realidade cronológica do tempo existencial do ser humano. A medida que os processos sócio históricos do desenvolvimento humano vão se desenhando no livro do tempo da humanidade. 9 . torna-se o objetivo primeiro de todos que estão comprometidos com a gerontologia social. cada período histórico uma realidade diferente. com a evolução das sociedades. o envelhecimento humano representa uma realidade inexorável do existir humano. que merece ser considerado. Nas sociedades antigas. a velhice atingia um estado de dignidade. O esforço de se tentar pensar alternativas diferenciadas para se garantir felicidade e bem-estar ao ser humano. cada tempo o seu período de maturação. sendo o mesmo conceituado nas mais diversas formas. Com o passar do tempo. O conceito sobre o envelhecimento humano não poderia deixar de sofrer as mais diversas análises no seu modo de ser percebido e sentido. Ao nascer o ser humano vivencia um processo acelerado de desenvolvimento físico.1 O Processo Sócio Histórico do Envelhecimento Humano. Vejamos como os processos socio históricos foram sendo construídos ao longo dos anos. em especial ao homem e a mulher envelhecidos ou em envelhecimento. e sobretudo com o advento da sociedade industrial. representa mais uma etapa a ser vivida com toda a sua intensidade. mental e social com capacidades múltiplas de criar e se desenvolver de forma criativa e com possibilidades de liberdade no trato de sua vida. sendo importante almejar uma melhor qualidade de vida daqueles que estão neste processo.O envelhecimento da população é um fato social natural. Particularmente. desenvolvimento e declínio conceitual. 1. os conceitos em torno da realidade humana também vão sofrendo alterações. e que também sofre uma interpretação conceitual cultural de valor a partir do seu tempo histórico.

tornando o idoso um sujeito destituído de suas capacidades de produção e reprodução da vida social. mental e social através de seu funcionamento não “adequado” a este fim e seu confinamento foi marcado por uma questão de abandono social. Sociedades antigas – “camponesas” (cultura da oralidade) Sociedades atuais – “Ocidentais” (cultura da produtividade) Processo de herança: transmissão do saber Processo de transmissão do saber através da oralmente de geração em geração (oral). (CORREIA. ode o envelhecimento passou a ser considerado com os aspectos da decadência física. estabeleceuse uma sociedade tecnológica focada junto aos mais jovens. escolarização (escrita). Vejamos o quadro abaixo onde perceberemos as formas conceituais sobre a condição de se viver a velhice nas sociedades antigas e atuais. Com a consolidação desta mesma sociedade industrial. O idoso ficou apartado dos espaços sociais mais amplos que nos vitalizam a vontade de viver de forma ativa. Paralelo ao desenvolvimento da sociedade industrial. Até meados dos século XIX. onde a força e o vigor eram preponderantes para o seu desenvolvimento.Estes conceitos foram se modificando. a memória histórica dos fatos. garantindo a sociedade o arquivo da memória passada. 2007) nos faz refletir a respeito dos conceitos estabelecidos em torno do envelhecimento através dos tempos. dos acontecimentos e do próprio conhecimento do ofício familiar que a vida lhe oportunizou. foi se construindo uma sociedade mesclada por uma cultura. 10 . sendo a ele outorgado o respeito do homem e da mulher que possui sabedoria. o idoso era percebido como um sujeito respeitável pela sua responsabilidade em transmitir oralmente os conhecimentos aos mais jovens. reduzindo os idosos a uma condição absolutamente secundária. Valorização do idoso pelo seu poder de Valorização da juventude pela sua força física.

pela cuidar de seu idoso: função econômica. Assim ocorrendo. menor representação social possuímos. para muitos. por quem o filho varão O patrimônio familiar é divido. quanto mais envelhecemos. educativa e de segurança social. atribuição de reformas. Perda dos laços familiares com a institucionalização. velhice vista como doença social. Poderemos considerar que. É na relação do tempo histórico no sentido que damos a vida do ser humano. Função econômica.sabedoria acumulado ao longo da vida ação e símbolo de produtividade. os séculos XIX e XX oportunizaram mudanças negativas no seu modo de ser mas significativas no que se refere a forma de se perceber. pois a relação que estabelecemos uns com os outros está determinada pelo sistema de produção capitalista e pelo consumo. ou perda de direitos na sociedade contemporânea. responsabilidade. dependência. posição importante Improdutividade. Autoridade dos idosos. que buscaremos constante o direito a uma qualidade de vida. herdava o patrimônio forma de partilhas. institucionalização: educativa de segurança social. Como vemos. sentir e tratar as pessoas nesta fase da vida que merecem nossa atenção e estudos. num sistema de instituições e agentes especializados em tratar do envelhecimento. pelos filhos sob cuidava até a morte. SALVAREZZA (1988) afirma: 11 . Respeito. familiar. Valorização dos laços de parentesco. Responsabilidade individual de cada família em Responsabilidade pública do Estado. entre família e meios locais. Gestão da velhice implica negociações pessoa Gestão a pessoa. da velhice através da mediação anônima que age entre as gerações. influenciando decisivamente na forma como os mais jovens percebem os em idade avançada no trato. também entramos em um envelhecimento funcional ou social. através das gerações.

12 . 24) A idade social. é o percurso do ciclo de vida definido socialmente. O tempo da adolescência. não permitem a eles (jovens) identificar-se O aumento da faixa populacional considerada idosa tem exigido das profissões.(1988. Cada sociedade distingue as etapas sucessivas e fixa as condições de acesso de uma etapa para outra. ajudam a diminuir a influência negativa dos preconceitos sobre a terceira idade. p. O tempo de se ingressar no mundo do trabalho. O tempo do casamento. • • O tempo de se viver a terceira idade. O idoso possui poder de interferência no que está posto em relação aos preconceitos relacionados as modificações decorrentes da idade. o que é pior.O envelhecimento leva as gerações jovens a ver os velhos como diferentes e não considerá-los como seres humanos com iguais direitos e. O tempo da procriação. definindo também qual o espaço que iremos ocupar nesta mesma sociedade. O tempo de se viver a quarta idade. Necessário se faz. Exemplos: • • • • • • O tempo da infância. A compreensão de determinadas mudanças e situações vividas em cada fase da vida e a busca de informações sobre o envelhecimento. O tempo de estar fora do mundo do mundo do trabalho (aposentadoria). da sociedades e do poder público um novo e sensível olhar sob a forma de investimento em políticas sociais que contemplem o idoso em suas necessidades biopsicossociais.

Muitos idosos gostam de falar que se sentem “jovens por dentro2” esta fala reafirma que a melhor fase da vida é ser jovem. 3 Ciência médica que estuda temas relacionados a saúde do corpo físico das pessoas na terceira idade. do que somos e sonhamos. temos observado que na fala destes idosos predomina o conceito de estar bem fisicamente. mesmo velho por fora eu estou jovem por dentro. com vontade de viver a vida na sua plenitude.instrumentalizar o idoso sob seus direitos e deveres. assim como valorizamos a vida adulta nesta fase da vida. 2001. Se cada idoso permanece reafirmando que a condição de se sentir feliz e com forças de viver permanece associado a esta condição de juventude. redefinindo imagens estereotipadas nas quais a velhice aparece associada à solidão. Devemos construir uma nova forma de nos identificarmos com a terceira idade. não teríamos tantos jovens vivendo suas 2 Na grande maioria dos idosos que interagimos nos grupos de convivência para a terceira idade. Se a felicidade fosse apanágio da juventude. viuvez e morte. muito vivo por dentro. Quando assim procedemos. emocionalmente e sexualmente com a condição de se sentirem jovens por dentro (nota do autor).16). condição focada na força e no vigor. Vejamos o que lima (2001) poderá contribuir com suas reflexões: A sociedade e o Estado não podem mais ignorar o idoso. ( nota do autor) 13 . Poderíamos mudar nosso discurso dizendo de uma outra maneira: Estou na terceira idade e me sinto vivo. de que a juventude é a melhor etapa da vida humana. nós nunca conseguiremos mudar o foco. muitas vezes indesejada (Lima. está condicionado a juventude. nesta etapa da vida. nos sentindo vivos para a vida. repetimos. enfatizando essa fase de vida como uma condição desfavorável. deverá ser construída na percepção que temos de nós pelo que apresentamos. e trabalharmos no sentido de mudarmos o eixo da felicidade que está condicionada a uma relação comparativa. estamos reafirmando que a condição de estarmos vivendo bem. que vem se tornando ator na cena política e social. com muita disposição de viver e lutar pelo uso fruto das conquistas médicas e sociais na área da gerontologia e da geriatria3. doença. A forma e o como nos sentimos e nos percebemos subjetivamente. p.

emocionais.2 Viver o Envelhecimento: Um Processo Natural O processo de se viver o envelhecimento humano é vivido de forma natural. 1. dissabores. Quando temos tempo de rever conceitos. para cada indivíduo. é importante oportunizar aos idosos condições de se sentirem interessados pela vida. Esta é uma condição cultural de se perceber e sentir a vida que deveremos mudar. de modo que a vida deste sujeito se torne também interessante para ele. Dessa maneira.. Vale portanto dizer que uma ação educacional estimulante pode qualificar a vida dos mais velhos (1990. O sentido de buscarmos alternativas para enfrentarmos a diminuição das capacidades mentais. culpas inerentes as outras etapas de nossa vida. traumas. Outro elemento importante a ser pensado quando nos referimos a uma boa qualidade de vida na terceira idade. Both (1990) faz alusão às idéias implícitas relacionadas a possível ou não predisposição para a resolução dos problemas relacionados à degradação das faculdades psicológicas. existem uma forma diferenciada de viver esta etapa da vida no processo do envelhecimento. corporais. e no processo do envelhecimento não seria diferente. p. o que equivale dizer que. sociais e das funções orgânicas do idoso afirmando: .. valores. inimizades. com melhores condições de realizarmos os enfrentamentos naturais da velhice é não deixar para trás situações de conflitos.vidas de forma tão imprudente e irresponsável. vai depender da forma que os idosos acessam os recursos disponíveis ou não no contexto comunitário. modos de proceder a vida e resolvermos coisas que ficaram mal resolvidas no passado. Cada um possui uma forma de realizar-se e de enfrentar as dificuldades inerentes e cada fase da vida. 09). é provável que raros serão aqueles que chegarão aos 80 anos com algum comprometimento em virtude da senilidade. se aos mais velhos for permitida uma vida com interesse e disposição para ações estimulantes. 14 . aliviaremos a bagagem de nossa consciência e assim não iremos levar conosco na terceira idade problemas que não fazem parte do deste tempo presente.

MOSQUERA (1987. a pessoa na velhice continuará a ser produtiva nas mais diversas maneiras. socializando os seus conhecimentos. Os pequenos como os grandes acontecimentos humanos representam as tramas das relações que constituem esta história. Acredita-se que o idoso possui uma caminhada diferenciada dos demais. conseqüentemente. acontecimentos vividos no particular para o geral e vice-versa. influenciando o cotidiano das relações humanas. alteram-se os padrões culturais. O homem é um ser histórico e as etapas – infância. É na vida cotidiana que se constrói a história. biológica) terá a sua devida representação para a formação da personalidade humana. Cada situação (geográfica. Referencia comentada: Educação e Envelhecimento Humano • Editora: EDUCS • Autor: MIRIAM BONHO CASARA & IVONNE ASSUNTA CORTELLETTI & AGOSTINHO BOTH • ISBN: 8570613776 • Origem: Nacional • Ano: 2006 • Edição: 1 • Número de páginas: 172 Esta obra pretende provocar uma séria reflexão sobre educação. demarcadas através dos processos sócio históricos da sociedade. e o indivíduo influenciado pelas experiências estabelecidas e armazenadas contribui para a construção desta história. provocando um constante estado de movimento. pelo próprio fato de alguns possuírem mais experiência de vida. vida adulta e velhice – representam as partes de um todo em seqüência. adolescência. denominado pelo autor como “estimulação ambiental” em que o homem está inserido. p. e. 14) esclarece que a vida do homem vai sendo constituída através da estimulação do meio em que vive. as concepções sobre a velhice buscando grandes transformações. em constante transformação. social. Apresenta proposições que levam a avanços 15 . envelhecimento e velhice.Com este posicionamento. Nessa perspectiva. modificamse ideologias.

Mostra também a importância de direcionar o olhar em um perspectiva pedagógica que se estenda ao continuum do ciclo da via e que tenha como objetivo a promoção do ser humano em todo seu tempo vital. ( ) O processo de se viver o envelhecimento humano é vivido de forma igual para todos. Psicogeriatria Teoria y Clínica. Claus. Gerontologia Educação e Longevidade. Passo Fundo: Imperial. Canoas: EDULBRA. Porto Alegre: DCL S. Autoestudos: Coloque verdadeiro ou falso: ( ) Desta maneira. BULLA. Ruthe . Leopoldo. Buenos Aires. 2007. 1988. 1983. . MOSQUERA. Conversas Sobre a Terceira Idade ou Fragmentos para uma Gerontologia. Desafio para Sociedade em Mudança. CORREIA. ações. projetos e programas.qualitativos relacionados ao desenvolvimento de linhas de pesquisas. 1999. Educação para a Saúde. SALVAREZZA. de modo que a vida deste sujeito se torne também interessante para ele. Argentina: Piados. Desafios e Perspectivas da Gerontologia Social. Direitos e Democracia Assistentes sociais Contra a Desigualdade. o que equivale dizer que para cada indivíduo existe uma forma 16 . A Terceira Idade Hoje: sob a ótica do Serviço Social. Passo Fundo: UPF. Face ao Envelhecimento da População Brasileira. Referencias: BOTH. ___________.A.O Trabalho. 1990. é importante oportunizar aos idosos condições de sentirem-se interessados pela vida. Juan & STOBÄUS. Leonia Capaverde. Agostinho.10 Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais outubro de 2001..

f. ( ) A não aceitação de determinadas mudanças e a busca de informações sobre o envelhecimento ajudam a diminuir a influência negativa dos preconceitos sobre a terceira idade. para muitos.v.v. A forma de realizar-se e de enfrentar as dificuldades inerentes e cada fase da vida é igual para todos. ( ) Poderemos considerar que.que se equivale no processo de envelhecer. apartado dos espaços sociais que nos vitalizam a vontade de viver de forma ativa. reduzindo os idosos a uma condição absolutamente secundária. uma vez que o idoso possui poder de interferência no que está posto em relação aos preconceitos relacionados as modificações decorrentes da idade. menor representação socialmente possuímos. quanto mais envelhecemos. ode o envelhecimento passou a ser considerado com os aspectos da decadência física.v 17 . mental e social através de seu funcionamento não “adequado” a este fim e seu confinamento foi uma questão de necessidade. Respostas do capítulo I: v. ( ) Com a consolidação desta mesma sociedade industrial estabeleceuse uma sociedade tecnológica focada junto aos mais jovens.

Em um primeiro plano estes estudos em torno do desenvolvimento do ser humano se deu nas fases da infância e juventude. Segundo (SALGADO.01) este define a gerontologia como sendo: “. posterior o ser humano busca reconhecer os processos inerentes a vida adulta e ao envelhecimento. preocupando-se com a passagem da vida adulta com a terceira idade. A busca do conhecimento sempre foi determinada nas perquirições realizadas pelos seres humanos. Este envelhecimento ramo está ligado às ciências sendo o ramo humano. buscando compreender através de pesquisas como se caracterizam as particularidades da vida social na terceira idade. busca compreender as demandas inerentes a esta área particularizando-a no social. p. p. psicológico-comportamentais e biológicas”. 1979. surgindo no após segunda guerra mundial.. o estudo dos processos de desenvolvimento.2. a gerontologia se divide em três grandes grupos: A Gerontologia Experimental A Gerontologia Médica ou Geriátrica A Gerontologia Social Compreende o estudo das células. 1979. Os estudos específicos da gerontologia são recentes. dos órgãos e de das Representa doenças o estudo Representa o estudo dos psico-sociais e trata do da do processos todo organismo humano. envelhecimento que cooperação entre os demais 18 . A Gerontologia vem ao encontro da necessidade. Segundo (SALGADO. levados a efeito pelas ciências sociais.. Um conjunto de disciplinas que juntas procuram intervir num mesmo campo de realidade. estudos para compreender os processos de se tornar idoso no ciclo da vida humana. A Gerontologia: A Gerontologia como campo do conhecimento específico do envelhecimento humano.01). através dos processos sócio históricos que caracterizam o desenvolvimento das ciências.

mas para isso ocorrer.1 Conceituando o Envelhecimento Humano È de singular importância procurarmos definir o conceito sobre velhice. sendo o último tempo natural de um processo de vida biológica. Assim Bulla (2001) refere-se: A partir de 1970 registrou-se. 2. especificamente a infância e a adolescência. 24) No mundo todo. este tema tem sido alvo de muitas discussões. voltados para a camada da população acima dos 60 anos de idade. esta questão surge mais precisamente na década de setenta. ramos do conhecimento Para a Gerontologia. devido aos desafios impostos pelo crescimento acelerado dessa faixa etária. que quando estão para terminar apresentam transformações tanto no plano físico como no plano mental. p. (1979. Segundo (SALGADO. na sociologia. torna-se importante estudar as questões que envolvem a velhice mais particularmente e seus desafios. na psicologia. não é facilmente caracterizada como as etapas anteriores. primeiramente se desenvolveu. não se torna tarefa fácil. a preocupação com o fenômeno do envelhecimento da população. entre outras. no direito. no Brasil. Para tanto a Gerontologia busca estudos nas áreas do serviço social.naturais. é a partir dessa época que se passa a estudar mais seriamente o problema. No Brasil. 1979) este afirma: Não é fácil uma conceituação tendo em vista que a velhice.( 2001: p 02) 19 . na antropologia. Embora já se contasse com estudos e trabalhos anteriores.

1979. Essa é uma variável importante. p. cuja a faixa varia de 60 a 65 anos. Fustioni (apud GOLDMAN.04) nos oportuniza conceituar a velhice a partir de definições mais próximas a uma e outra ciência e por critérios comparativos com outros grupos etários. de fato. vejamos: Representa a idéia de tempo de vida. está em grande parte influenciada pela ótica biológica que encara o envelhecimento pelo desgaste do físico e da mente. todos aqueles que se aproximam ou Velhice idade cronológica: ultrapassam a idade estabelecida como média de vida estão na terceira idade. por exemplo. Deve-se ter uma visão mais integral da pessoa humana. 2000. pois os sessenta anos. representam um marco de ingresso da pessoa humana na terceira idade. sendo de 65 anos para os países desenvolvidos (ONU. p. p. através da Resolução 39/125. mas. A gerontologia sofrendo maior avanço por impulso Velhice mutações biológicas: da geriatria. da riqueza vivenciada e acumulada ao longo do tempo. Dentro desta conceituação poderíamos 4 A Assembléia Mundial das Nações Unidas. mas não é determinante para se definir a pessoa e suas condições. isto não quer dizer que o ciclo de vida esteja acabado. situa-se a pessoa na terceira idade a partir dos sessenta anos4. 1982). Para podermos definir e conceituar o processo do envelhecimento denominado “velhice” (SALGADO. Assim. mas sim representa o somatório de experiências pessoais e de relacionamentos.13) Faz a seguinte consideração sobre o termo “ Terceira Idade”: Considera-se que a Terceira Idade tenha seu princípio cronológico na época comumente declarada em muitos sistemas legislativos de aposentadoria por emprego lucrativo. 20 . as mudanças características da Terceira Idade já começaram a tornar-se evidentes mais cedo (1982. estabeleceu a idade de 60 anos como início da terceira idade nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. sobre envelhecimento da população.8). O processo do envelhecimento possui uma representação e singularidade de estarmos vivendo mais uma etapa na vida de cada um de nós.Para melhor entendimento. tomando por base a expectativa média de vida de determinados grupos sociais.

As sociedades da antiguidade. e portanto. Na segunda etapa. tomavam o tempo da velhice como um estado altamente dignificante para os indivíduos. no qual tudo aquilo conquistado iniciaria uma caminhada desgastante. Na primeira. É neste momento que se evidencia para todos a relatividade do envelhecimento e o entendimento muito particular para cada individuo. em todas as sociedades. e. o processo não se efetiva em ambos com a mesma cadência. em grande maioria. É no tempo em que o corpo apresenta os maiores sintomas de decadência que a mente está mais apta a incorporações de todas as ordens e contribuições. É aqui o grande Velhice uma conceituação individual: paradoxo do envelhecimento. ganha expressiva ênfase nos dias atuais. com a evolução das sociedades e. considerando-se a existência de um pequeno tempo sem grandes mutações. e a posição dos indivíduos idosos resultou absolutamente secundária. 21 . sobretudo com a cultura tecnológica mais próxima dos jovens.considerar que o desenvolvimento de um indivíduo apresenta duas etapas distintas: a do acréscimo e a do decréscimo. seria iniciado o processo reverso. fortificação e desenvolvimento total de todas as partes do organismo humano. pois os indivíduos se vêem fisicamente envelhecidos e não se sentem velhos. o envelhecimento passou a ser considerado mais pelos aspectos de decadência das forças físicas para o trabalho. Este é um principio que embora nada apresente de científico. sendo considerados como Velhice decorrência cultural: sábios todos aqueles que atingiam essa etapa da vida. Este entendimento nasce do fato de que embora o físico e a mente envelheçam juntos. Com o passar do tempo. subseqüentemente suas capacidades. deve ser considerado pelos trabalhadores sociais. considerada desde a época da vida embrionária. estariam consideradas a formação.

pelas Tensões constantes mudanças de humor e estresses. construídas ao longo de um processo histórico individual. Um conjunto de vivencias surgidas durante os períodos precedentes da existência de cada um. A falta regular de uma atividade física poderá comprometer a sustentação e 22 . as substâncias tóxicas como poluentes do ar. álcool. Outros fatores que também demarcam o processo do envelhecimento de forma saudável: A busca por uma alimentação saudável. A Alimentação alimentação adequada desde o nascimento do ser humano é fator decisivo para um envelhecimento com qualidade de vida. a umidade. poderão influir decisivamente no processo do envelhecimento. e outras drogas. irão definir nutrientes indispensáveis para manter nosso corpo com as disposições necessárias para regular o desgaste físico natural da vida ocorrendo de forma diferenciada. e com elas as disposições favoráveis ou não para termos uma vida longeva com saúde ou para o desenvolvimento de patologias na área da saúde como por exemplo o câncer que representa uma Herança Genética doença proveniente da deformação de nossas células.A partir das definições sobre a velhice expostas acima. disposições do comportamento hormonal do organismo humano que irão afetar decisivamente o nosso comportamento e também nossas disposições para tendências as dependências psicoativas como o álcool por exemplo. ao uso direto e indireto ao fumo. Os fatores relacionados ao ambiente afetam diretamente no que se refere a Meio Ambiente saúde da pessoa humana. Muitas vezes o envelhecimento é decisivamente afetado pelo estado de espírito. pesticidas. Sabemos que as tensões psicológicas ou sociais podem apresentar as deteriorações associadas ao processo do envelhecimento. entendemos que o processo do envelhecimento representa mais uma etapa a vencer no ciclo de vida do indivíduo. As exposições em excesso ao sol. bem como foram construídos os processos de organização da sociedade no sentido de se atender as demandas inerentes a esta realidade. Possui a representação do conjunto de realizações positivas e ou negativas. Estas vivencias se apresentarão de acordo como foi a caminhada individual de cada pessoa. Sabemos que naturalmente carregamos conosco a herança genética de nossos antepassados.

e também cultural. mas percebido com cores escuras. refletindo sobre a importância de pensarmos como nossa sociedade está preparada para atender as demandas naturais desta fase da vida. a felicidade de termos cumprido nossas responsabilidades perante nossos filhos e demais 23 . o ritmo da vida poderá ser estabelecido a partir de nossas escolhas. Neste sentido. exigido por toda e qualquer fase da vida humana. bem como da vitalidade e desenvoltura de nossos movimentos. Na intimidade do relacionamento afetivo. a partir desta realidade. ao laser e a cultura. liberdade nas escolhas em função de não ter que cumprir com compromissos rigorosos em relação a responsabilidades que estabeleceremos. mas com os cuidados em relação as doenças sexualmente transmissíveis. sexo sem os riscos da gravidez. algo natural como a possibilidade de estabelecer mais tempo para si e para a família. Entendemos que o processo do envelhecimento é um desenvolvimento mental. físico.Exercícios físicos vigor do tônus vital de nossos órgãos físicos e a capacidade mental. este capítulo busca apresentarmos uma reflexão que contemple aproximar você leitor da Gerontologia Social um estudo que busca compreender o processo do envelhecimento humano por uma perspectiva biopsicosocial. promovendo a fadiga a lentidão e a perda muscular e óssea de nosso organismo. é que constataremos como foram realizados os preparos para este enfrentar natural.2. Ao envelhecimento estão relacionados somente sentimentos e situações de perdas e não possíveis ganhos que poderão chegar junto com a idade. de forma muito negativa. e o questionamento que deveremos fazer é: Como a sociedade compreende esta etapa da vida? 2. nesta nossa sociedade contemporânea. com o chegar da Terceira Idade. A Vida em Movimento na Terceira Idade O envelhecimento humano. por muitos. não é abordado como uma realidade saudável e natural.

A lógica do entendimento que devemos ter. As modificações orgânicas e estéticas. p. imobilidade corporal. uma lógica de associar a velhice a finitude. diminuição da memória e do desempenho sexual. para que as pessoas se sintam interessadas pela vida de uma forma saudável. o homem (especialmente o de classe média) enfrenta muita turbulência. que as pessoas vivenciam na terceira idade. muitas vezes são sentidas como sendo um prenúncio de sua morte iminente. que se inicia aos oitenta anos. Possibilidades que vamos descobrindo quando temos vontade de viver. longe de passar por um período de estabilidade. 24 . entre outras. perda dos sentidos como visão. FRAIMAN (1991) faz a seguinte referência às questões de instabilidade emocional na vida do indivíduo: Da adolescência à meia idade. diz que os conflitos existenciais são situações vividas em todos os períodos da vida. e que. entre outras situações que poderão proporcionar conflitos. que irão oportunizar novas possibilidades do existir humano. Muitos destes conflitos. estão relacionados a situações de perda dos vínculos familiares pela morte física. audição. os conflitos vão somando-se a uma certa instabilidade emocional pelo fato de não querer enfrentar estes desencontros inerentes a vida. que tem menos a ver com a idade cronológica e mais com uma etapa de sua vida psicológica e social (1991. ou separações judiciais e ou familiares com o afastamento dos conflitos. ele nos oportunizará refazermos a caminhada para realizarmos novas conquistas.familiares. novas possibilidades de nos sentirmos interessados pela vida. especialmente agitada quanto mais próxima à idade madura. Entendemos que quando existe o conflito. Neste sentido. 87). Estas turbulências são decorrências naturais. Cria-se então um quadro onde a velhice está associada por situações vinculadas a dor física. Após a terceira idade em alguns países mais avançados em recursos de saúde e assistência social já se vislumbra a quarta idade. para muitos com o chegar da terceira idade. os profissionais que possuem uma vinculação e estudos sobre gerontologia deverão estar atentos com os mais diversos aspectos que envolvem este processo de se tornar idoso. criando então.

10 Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais outubro de 2001. SALGADO.O Trabalho. São Paulo: Hermes. 2. Face ao Envelhecimento da População Brasileira. São Paulo: Gente. Sara Nigri. não existe um estudo único que possa dar conta de compreendermos este fenômeno natural que é o processo de se tornar idoso.Entendemos que. nos diferentes estudos. 1991. FRAIMAN. In: ___. A Gerontologia representa um conjunto de disciplinas que poderão ir ao encontro desta necessidade. Gerontologia CBCISS – Rio de Janeiro – RJ. 2000. Desafios e Perspectivas da Gerontologia Social. Ana Perwin. Coisas da Idade. Nº 150 ano – XII .1979 25 . a contribuição necessária para que.ed. Velhice e Direitos Sociais. • Editora: Paulinas • Autor: RICARDO MORAGAS MORAGAS • ISBN: 9788535626599 • Origem: Nacional • Ano: 2010 • Edição: 1 • Número de páginas: 344 Referencias: BULLA. . Referencia comentada: GerontologiaSocial Envelhecimento e Qualidade de Vida Envelhecer com qualidade de vida é possível se houver ciência das bases biológicas. Para Ser um Avô. Moragas analisa as tais bases e oferece conclusões práticas e úteis para os envolvidos com o envelhecer alheio ou próprio e que precisam tomar decisões que desenvolvam ao máximo a qualidade de vida. ___________. mas devemos buscar. de certa maneira. vontade e com muita satisfação. possamos pensar soluções e possibilidades de se viver a terceira idade com dignidade. Envelhecer com Cidadania: quem sabe um dia? Rio de Janeiro: ANG-CBCISS. 1996. Direitos e Democracia Assistentes sociais Contra a Desigualdade. psíquicas e sociais que atuam em cada um e fundamentam sua conduta. Leonia Capaverde. de forma eficaz. Marcelo Antônio. GOLDMAN.

( ) O processo do envelhecimento possui a representação do conjunto de realizações positivas e ou negativas.v. a ela vão somando-se uma certa instabilidade emocional pelo fato de não querer enfrentar estes desafios inerentes a vida. ( ) A lógica do entendimento que devemos ter é que os conflitos existenciais são situações vividas em todos os períodos da vida. Leopoldo. Autoestudos: Coloque verdadeiro ou falso: ( ) A Gerontologia como campo do conhecimento específico do envelhecimento humano. Respostas:v. busca compreender as demandas inerentes a esta área particularizando-a no social. torna-se de menor importância estudar as questões que envolvem a velhice e seus desafios. Psicogeriatria Teoria y Clínica. para muitos com o chegar da terceira idade. 1988. construídas ao longo de um processo histórico individual. Argentina: Piados. e que. Buenos Aires.v. ( ) A Gerontologia vem ao encontro da necessidade e do estudo para compreendermos os processos de se tornar idoso no ciclo da vida humana. preocupando-se com a passagem da vida adulta com a terceira idade.v 26 .SALVAREZZA.f. ( ) Para a gerontologia.

ou seja. 1997:19) . conceitos que possam potencializar a vida. novas pesquisas que venham a somar de forma positiva um novo conceito sobre a condição humana na velhice. 27 . Mitos e Verdades Sobre a Terceira Idade Pensar sobre a vida na terceira idade. Segundo Vieira. na forma como ele se reconhece e elege para si disposições para viver o seu cotidiano de vida. Pensar o próprio processo de envelhecimento. idéias verdadeiras ou não que determinam atitudes. O idoso atualmente enfrenta este desafio. refere que: O enfoque da velhice como etapa vital se insere nas modernas teorias e práticas da psicologia do desenvolvimento humano. requer refletir sobre o imaginário e o simbólico das construções que realizamos sobre a velhice. MORNGAS (1997). Os conceitos em relação ao envelhecimento deverão ser trabalhados para que possamos eleger novas capacidades. Estas orientações científicas e profissionais destacam a unicidade da experiência humana positiva vivenciada por cada pessoa. modas da sociedade. relacionando o envelhecimento a algo desprovido de valor. mas inserindo-se numa sociedade de grupos fortalecidos e potencializados pela contribuição de cada indivíduo ( Moragas. do trabalho social integrador. Trabalhar com este tema “envelhecimento” representa o desejo de se criar novas formas de se pensar e agir frente a novos conceitos em relação a terceira idade. novos estudos. da sociologia do possível. A importância de estarmos reconhecendo esta etapa da vida. Criamos estereótipos sobre determinados conceitos em relação ao idoso que inviabiliza viver esta etapa da vida com prazer. respeitando sua individualidade. a partir do próprio idoso. o imaginário coletivo é um conjunto de crenças conceitos. (2001) temos o seguinte pensamento que nos diz que o “imaginário social. um novo conjunto de idéias positivas para que as pessoas se sintam motivadas a viverem a velhice.3. requer dos profissionais da área. fortalecer sua identidade social frente aos mitos que envolvem esta etapa da vida.

amenizando também toda e qualquer forma de violência em relação a pessoa idosa. 1990. Estas iniciativas poderão representar uma nova possibilidade de romper-se definitivamente com determinadas barreiras sociais que segregam e excluem o idoso da sociedade. do vigor e da força física. (Beauvoir. p. Para romper-se com estes padrões estabelecidos. Torna-se muitas vezes difícil modificar e ou realizar um enfrentamento da opinião pública sobre determinados conceitos que se estabelece em relação ao idoso devido ainda termos o foco central da mídia e da sociedade de consumo em torno da juventude. ou simplesmente o ridículo. 28 . A pessoa idosa dobra-se ao ideal convencional que lhe é proposto.Vejamos o pensamento de Beauvoir: "Uma outra barreira é a pressão da opinião". após este período. e ela os nega ". poderão surtir um efeito de ruptura frente a estas barreiras sociais conceituais. este se sinta parte integrante desta sociedade e vice-versa.393)". Torna-se escrava do "o que vão dizer". foram se criando efeitos de opinião pública negativos em relação ao idoso persistindo de forma a excluir os mesmos do centro da sociedade. A modificação desta imagem determinará um novo status sobre a velhice na sociedade. acredita-se que os avanços sociais o progresso intelectual e uma educação voltada para o conhecimento sobre o envelhecimento..Os conceitos contemporâneos em relação ao idoso e sua forma de vida foram sendo definidos com o surgimento da sociedade industrial. favorecendo ao idoso uma maior aceitação de sua condição.. fazendo com que. Interioriza as obrigações de decência e de castidade impostas pela sociedade. Teme o escândalo. Seus próprios desejos a envergonham.

Asilos ou Casas de Repouso. mantas. pois é esta que estabelece os padrões que. ou seja. Com a estimulação tudo revive: o corpo. cadeiras de balaço. a partir deles mesmos.3. entre outros artefatos direcionando a uma única possibilidade de vida. necessitando que profissionais da área do Serviço Social e da Gerontologia estimulem o idoso a buscar cada vez mais novos significados para suas vidas. regem o comportamento 29 . 12) Quando conseguimos desmitificar determinados conceitos em relação ao idoso. descansar. alegria e felicidade. que usem mais a memória e a criatividade para criar situações. atividades. os afetos anestesiados. Essa imagem negativa se revela nas mais ínfimas atitudes nas mais diversas situações em relação a estes sujeitos. Zimerman (2000.1 Mitos e Verdades Sobre a Terceira Idade A velhice hoje ainda possui um enfrentamento a ser realizado frente aos mitos relacionados ao processo do envelhecimento. pantufas. “Portanto é impossível falar na velhice sem falar na sociedade. Albergues. esquentar-se do “frio” que envolve a velhice. e de preferência no espaço comunitário onde os idosos estão inseridos. em cada época. Estes estereótipos muitas vezes oportunizam e reforçam as barreiras que são colocadas aos idosos. Essas atitudes também são percebidas nos Abrigos. a tendência é fazer com que este sujeito se sinta estimulado a buscar sua própria felicidade. Zimerman (2000) refere-se que : A estimulação faz com que as pessoas vivam mais a vida. Quando oportunizamos a eles por exemplo presentes em datas comemorativas. através das relações que o mesmo estabelece. meias e chinelos. os amigos esquecidos. não-usado. a mente parada. como são chamados os lugares onde se colocam os idosos. p. surge automaticamente em nossas mentes objetos como: pijamas. Estabelecemos quase sempre uma visão equivocada ao considerar que os idosos são frágeis e dependentes tendo como resultado a segregação e o afastamento dos mesmos do convívio social. que vivam o hoje. camisolas.

OS MITOS DOS CONCEITOS INFANTILIZAÇÃO/IDIOTIZAÇÃO/BEBEISMO A VELHICE É A MELHOR IDADE OS MITOS DAS TERAPÊUTICAS É POSSÍVEL IMPEDIR OU RETARDAR O ENVELHECIMENTO ? NÃO É POSSÍVEL A ATIVIDADE FÍSICA A DIETA DEVE SER RESTRITA A NECESSIDADE DOS REMÉDIOS. p. 33). [s/d]. A PERDA DA MEMÓRIA. ESTÁ NA HORA DE SE APOSENTAR. TONTURA. AS ALTERAÇÕES DA SEXUALIDADE. AS CRIANÇAS SIM PRECISAM DE DIREITOS. O IDOSO VOLTA A SER CRIANÇA TRATAR VELHO É IGUAL A TRATAR CRIANÇA E FÁCIL CUIDAR DO IDOSO. NÃO VIVE SEM ELES. TRISTEZA E APATIA. ELE(A) É MUITO VELHO PARA SER SUBMETIDO A ISTO: • • PROCEDIMENTOS HOSPITALIZAÇÃO/CIRURGIA UTI É LOCAL DE VELHO ELE NÃO PODE SABER/DECIDIR O IDOSO NÃO SE INTERESSA MAIS PELOS ACONTECIMENTOS • • OS MITOS DA CIDADANIA VOTAR NÃO É IMPORTANTE PARA QUEM ESTÁ “VELHO” OS IDOSOS NÃO POSSUEM DIREITOS..Vejamos alguns mitos que envolvem a imagem da pessoa na terceira idade. 30 .. INCLUSIVE DO SEU PRÓPRIO GERENCIAMENTO O IDOSO NÃO PODE SE AUTO-CUIDAR SÃO PRÓPRIOS DA VELHICE: • • • OS MITOS DAS DOENÇAS • • AS INCONTINÊNCIAS URINÁRIAS... JÁ VIEVERAM MUITO.social” (Heredia.

• • • • • PERDAS SENSORIAIS. 3. A autora diz que “todo preconceito impede a autonomia do homem. Somos todos sujeitos que vivemos processos de envelhecimento. Segundo FORNÓS (2001) a autora define as formas de preconceito como uma atitude negativa. 294-295). diminui sua liberdade relativa diante do ato de escolha. No caso do idoso.350) esta nos faz refletir sobre a forma como os idosos pensam sobre o preconceito a eles colocados: 31 . É o indivíduo. que se dirige geralmente a grupos sem uma fundamentação que os justifique. Deste modo. muitas vezes o mecanismo de defesa em relação ao preconceito é o isolamento. compreende-se que o idoso é um adulto que está envelhecendo e que sofre preconceito. PERDA DE EQUILÍBRIO. PARKINSON. e não a idade avançada sozinha que faz a diferença”. ou seja. p.59). ao deformar e. conseqüentemente estreitar a margem real de alternativa do indivíduo” (1992. O TREMOR D. A HIPERTENSÃO. “as pessoas idosas não podem ser classificadas em grupos.2 Revendo Nossos Conceitos Temos que estar refletindo como estamos revendo nossos conceitos referente a forma como percebemos a velhice. A OSTEOPOROSE. p. Para HELLER(1992) o preconceito se caracteriza por ser uma “ultrageneralização” de pensamentos e ideologias presentes no cotidiano (1992. p. É na vida cotidiana que vamos reforçando desde a infância até a vida adulta os preconceitos que vão sendo incorporamos na vida diária de forma usual. estabelecendo em muitos casos atitudes de revide sejam estes de forma física ou por atos emocionais. 43-44). reduzindo-as a uma perda de identidade social. Segundo Beauvoir (1990. p. De acordo com CHOPRA (1999.

"A atitude dos idosos depende de sua opinião geral com relação à velhice. nos oportunizando pensar disposições para alterarmos os padrões estabelecidos em relação ao processo do envelhecimento. Que o envelhecimento é uma enfermidade.11.com/doc/30723559/Viejismo-Salvareza Viejismo:Conjunto de prejuicios. 14. 4. O "viejismo5" que são atitudes de rejeição. ( Beauvoir. 2. 3.5. permitindo que aqueles que vivem o processo de envelhecimento estejam destituídos de seus papéis sociais sonhos.9. Toda uma tradição carregou essa palavra de um sentido pejorativo ela soa como um insulto.1990. Virginia G.8. 32 .350) Desse modo. muitas destas baseadas em juízos de valores que não correspondem a realidade. reagimos com cólera. estereotipos. que se aplican a los viejos simplesmente en función de su edad Otro termino utilizado con frecuencia. Assim. quando ouvimos nos chamarem de velhas. VIGUERA. desejos de encontrarem formas de viver.13. Que a pessoa que envelhece fica assexuada. 5 http://pt. Eles sabem que os velhos são olhados como uma espécie inferior. p. Segundo VIGUERA (2001) a autora aponta alguns preconceitos relacionados ao idoso.scribd. a imagem do velho na sociedade é o resultado da forma como vamos estabelecendo nossas percepções. Que não é saudável recordar o passado. Que o idoso já não tem capacidade para aprender. propondo uma Educação para o Envelhecimento. de – Aulas do CVEPE1. Alguns preconceitos relacionados ao idoso que a autora aponta: • • • • • • Que a passividade é característica do envelhecimento .

investigativo e não só executor. quer dizer: desistir de olhar os astros. pois segundo LUFT (2003): "a idade madura não precisa ser o começo do fim. curtir melhor o gozo das coisas boas" (2003.Ninguém consegue viver saudavelmente quando carrega sobre seus ombros. Esta ação deverá ser criativa. desejar. de se manter ativo. p. uma condição de vida tão desprovida de possibilidades. 133). de se relacionar. exige do profissional capacidade para decifrar a realidade e construir propostas de trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos a partir de demandas emergentes no cotidiano. segregação. no sentido de podermos modificar determinados conceitos que envolvem o envelhecimento humano. ser um profissional propositivo. capaz de decifrar a realidade e propor mudanças efetivas na garantia e promoção dos direitos sociais. variar de interesses. pois o mesmo nasce nas relações sociais da sociedade industrial de produção. merecendo desse profissional uma atenção especial de intervenção. de amizade. Enfim. O Serviço Social contemporâneo desenvolve-se em um processo de profundas contradições que. 33 . Estabelecemos nossos idosos a uma condição de vida em preto e branco. familiares. este afirma: Desejar é ter a certeza da ausência. Sonhar. é planejarmos nossas atividades para que possamos preencher nosso tempo com coisas que nos tragam satisfação. desistir de especular sobre o futuro. segundo IAMAMOTO (2001). marcada por abandono. idade avançada não precisa ser isolamento e secura. não tenho o que eu quero e por isso eu desejo. Conforme NOVAES. 92). sem o colorido da vida que tornam as pessoas felizes. adquirir são possibilidades criadoras que fazem com que estejamos sempre com muita vontade de viver. da ausência. Pode-se fortalecer laços amorosos. em movimento.O Serviço Social como profissão percebe no preconceito uma expressão da questão social. (1990). p. O ser humano em qualquer fase da vida necessita realizar projeto de vida. então desejar na sua origem. 1990. com grande realismo reconhecer que você não tem o que quer (Novaes. Como vemos desejar está diretamente associado a vida.

Indicação bibliográfica: Desenvolvimento e Envelhecimento
Anita Ligeralesso Neri

Por muito tempo, o envelhecimento foi visto como a antítese do desenvolvimento. Respaldados pela geriatria, muitos praticantes e pesquisadores em gerontologia consideravam a velhice como sinônimo de doença. Contudo, ao longo das últimas décadas, novas formulações começaram a apontar a possibilidade de uma boa e saudável velhice. Sucedeu-se um período em que a visão pessimista tradicional conviveu com um otimismo excessivo, que tomava o desenvolvimento como um processo permanente, e que haveria possibilidades quase ilimitadas de mudanças positivas com o passar da idade. Hoje, a perspectiva predominante dos estudos na área trabalham com três idéias fundamentais: o desenvolvimento é um processo finito, desenvolvimento e envelhecimento são processos concorrentes, e ambos são afetados por uma complexa combinação de fatores que operam ao longo de toda a vida. Mesclando autores de várias áreas, esta coletânea discute os avanços dos conhecimentos sobre o envelhecimento humano, com o objetivo de contribuir para o fazer ciência e para a disseminação da informação.
• Editora: Papirus • Autor: ANITA LIGERALESSO NERI • ISBN: 8530806328 • Origem: Nacional • Ano: 2001 • Edição: 1 • Número de páginas: 200

Referencias: BEAUVOIR, Simone de. A Velhice. Ed. Nova Fronteira, 4a Impressão, Rio de Janeiro.1990. BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Fatos e mitos, 2ª ed. 1961. CHOPRA, Dupak. MD Corpo Sem Idade, mente sem fronteiras: a alternativa quântica para o envelhecimento. Rio de Janeiro: Rocco, 1995. FORNÓS Esteve, M. El Estereotipo Social de la Vejez. I Congresso Virtual de Psiquiatria, 26/12/2001. HELLER, Agnes. O cotidiano e a história. 4ª ed. Traduzido por Carlos Nelson Coutinho e Leandro Konder. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. HERÉDIA, Vânia Beatriz Merlotti. A velhice instituída. (SI): (SD).

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IAMAMOTO, Marilda Vilela. O Serviço Social na contemporaneidade: dimensões históricas, teóricas e ético-políticas. São Paulo: Cortez, 1997 LUFT, Lia. Perdas e Ganhos. 24ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2004. MORAGAS, Ricardo. Geriontologia Social: envelhecimento e qualidade de vida. São Paulo: Paulinas, 1997. NOVAES, Adauto. O desejo. 2.ed. São Paulo: Companhia das letras, 1990. VIGUERA, Virginia G. de – Aulas do CVEPE1. 2. 3, 4,5,8,9,11,13, 14. SLAVSKY, David. Corpo y Envejecimiento. Programa de Seminários por Internet. Temas de Psicogerontologia No 3. ZIMERMANN, Guile I. Velhice. Aspectos Biopsicossociais. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

Autoestudo: Coloque verdadeiro ou falso: Segundo Vieira, (2001) temos o seguinte pensamento que nos diz que o imaginário é: a- O imaginário coletivo é um conjunto de crenças conceitos, idéias verdadeiras ou não que determinam atitudes, modas da sociedade; c- O imaginário coletivo não representa um conjunto de crenças conceitos, idéias verdadeiras ou não que determinam atitudes, modas da sociedade; d- O imaginário coletivo é um conjunto de crenças conceitos, idéias verdadeiras que determinam atitudes, modas da sociedade. e- O imaginário coletivo é um conjunto somente de verdadeiras que determinam atitudes, modas da sociedade. Respostas: A-( B- ( ) somente a questão a é verdadeira; ) somente as questões a e b são verdadeiras; idéias

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C- ( D- (

) somente as questões a, b, c, estão corretas; ) todas estão erradas;

Resposta do estudo letra: a

4. A Família e o Idoso

O tema ora proposto sobre família pode ser abordado sob múltiplos aspectos tais como o social, o histórico, o antropológico, o sociológico, o psiquiátrico, o jurídico, entre outros. Mais particularmente neste estudo, queremos aprofundar o aspecto social. Entendemos que a família representa um complexo sistema de relações e interações entre seus membros no espaço em que se encontra, a forma e a dinâmica de seu funcionamento influencia cada indivíduo em seu próprio desenvolvimento comunitário e social refletindo a situação e o poder que ela possui em cada época histórica. A família poderá representar, o lugar do reconhecimento da diferença, do aprendizado das uniões dos rompimentos, o espaço das trocas afetivo emocionais, da construção da identidade social de cada indivíduo. A família etimologicamente falando é um termo originado do latim famulus, que tem como significado: conjunto de servos, a esposa e os filhos de um senhor. A definição de família passa por uma reflexão ampla. Segundo MINUCHIN (1982), a família é uma unidade social que enfrenta uma série de tarefas, tendo como finalidade ser uma matriz do desenvolvimento psicossocial de seus membros. Os objetivos da família são fatores da maior importância no curso da história do indivíduo (NICHOLS, 1998). A família é um sistema aberto e que está continuamente em um processo de transformação. E. Durkheim afirmava que a família 36

estes pais deverão cumprir com os deveres inerentes a sua responsabilidade parental. Por outro lado. 37 . necessitou organizar a filiação biológica. entendemos também que a organização social do grupo familiar é uma representação psíquica e emocional que estimula a necessidade do casal de ter sua prole seja ela biológica ou por adoção através da direção jurídica para cada caso. §§3° e 4° Trata-se das formas que podem ser assum idas pela “entidade ). tendo-se tornado cada vez mais sensíveis a qualidade das relações (Van Cutsem. pelas definições citadas acima. Para Romanelli (1991) esta define família brasileira como sendo: O modelo predominante na sociedade brasileira é o da família nuclear cujos atributos básicos são a dominância masculina. exercida em uma estrutura hierarquizada de poder e autoridade. apontando a uma infinidade de concepções sobre família. a divisão sexual do trabalho a presença de vinculo afetivo entre marido e esposa e pais e filhos. que inclui a união estável entre o homem e a mulher e pode também representar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes (art. Os pais ao realizarem seus sonhos através de projetos parentais. A relação entre pais e filhos traz como conseqüência direitos e deveres para cada um. depositam naquele ser. A Constituição Federal de 1988 introduziu de forma clara algumas atualizações. Nesse sentido. a possibilidade de materializarem um projeto de família. como o conceito de “entidade familiar”. que acaba de nascer ou através de processo judicial de adoção. 226.contemporânea funcionava como um espaço relacional. Os estudos históricos da evolução da humanidade demonstram que o ser humano para garantir a perpetuação da espécie. anoção de família pode ser apreendida de forma ampla. direcionando ao que entendemos hoje por família. como. A literatura está repleeta de definoções. o controle da sexualidade feminina e a dupla moral sexual. por exemplo a idéia de “parentes que vivem sob o mesmo teto”. progressivamente construída como um espaço privado no interior do qual os membros sentiram uma vontade crescente de estar juntos. tios e primos. de partilhar uma intimidade. (1991. ou de na forma de unidade familiar residencial. p. incluindo os avós. 44) Como vemos. 2001).

para os casos de adoção (cf. sem descenderem uma da outra. Estabelecimento do eu com relação ao trabalho e independência financeira 38 .1 As Configurações Familiares por Parentesco. Aqui nos ateremos somente a configuração por parentesco.jovens Aceitar a responsabilidade relação à família de origem. Estágio do Ciclo de Vida Familiar Processo emocional de transição: princípio . Parentes em linha colateral são os que se configuram de uma mesma linhagem familiar. Vejamos no quadro abaixo quando apresentamos os estágios do ciclo de vida familiar apontados por (Carter & McGoldrick. avós e bisavós. até o quarto grau. 4. para podermos refletir sobre a representação do idoso no sei familiar. e em uniões estáveis homoafetivas (cf. Parentes em linha reta são os pais. Diferenciação do eu em 1. como irmãos. por exemplo. Existem grupos de parentesco caracterizados por serem legítimos pelo casamento e os ilegistimos que não procede do casamento. p.17). Outro aspecto refere-se a “família substituta”. Existe então. solteiros emocional e financeira pelo eu b. temos de forma bem atualizada o avanço hoje no Brasil para reconhecimento no que se refere a união homoafetiva e a possibilidade da adoção entre pessoas do mesmo sexo. Saindo de casa. Quanto a este último caso. tios ou primos. necessárias para prosseguir no desenvolvimento. jurisprudência e doutrina). Entendemos que a configuração por parentesco poderá se configurar entre os indivíduos vinculados pelo mesmo sangue. por vínculo conjugal e por último por vínculo da afinidade. Estatuto da Criança e do Adolescente). a. Desenvolvimento de relacionamentos íntimos com adultos iguais.familiar”.chave Mudanças de Segunda Ordem no status familiar. a possibilidade de se caracterizar uma relação familiar por vínculo do parentesco. c. 1995. não necessitando para muitos da realização da celebração de casamento.

entradas no sistema familiar b. 2. Apoiar um papel mais central da geração do meio. d. Unir-se nas tarefas de educação dos filhos. d. Desenvolvimento de seguindo em frente relacionamentos de adulto para-adulto entre os filhos crescidos e seus pais. irmãos e outros iguais e preparar-se para a 39 . nas tarefas financeiras e domésticas c. Começar a mudança no sentido de cuidar da geração mais velha 3. Ajustar o sistema conjugal filhos Aceitar novos membros no para criar espaço para o(s) sistema filho (s) b. Famílias adolescentes com filhos Aumentar a flexibilidade das fronteiras familiares para incluir a independência dos filhos e a fragilidade dos avós . Renegociar o sistema 5 – Lançando os filhos e Aceitar várias saídas e conjugal como díade. Realinhamento dos relacionamentos para incluir parentes por afinidades e netos. b. A união de famílias no Comprometimento como um b. Famílias pequenos com 4. Famílias no estágio tardio Aceitar a mudança dos papéis da vida geracionais a. c. Novo foco nas questões conjugais e profissionais do meio da vida. c. apoiando a geração mais velha sem super funcionar por ela.. Realinhamento dos relacionamentos com a família ampliada para incluir os papéis de pais e avós a.Formação do sistema marital. b. Lidar com a perda do cônjuge. c. Abrir espaço no sistema para a sabedoria e experiência dos idosos.a . Lidar com incapacidades e morte dos pais (avós) 6. Realinhamento dos casamento – o novo casal novo sistema relacionamentos com as famílias ampliadas e os amigos para incluir o cônjuge a. Manter o funcionamento e os interesses próprios e/ou do casal em fase do declínio fisiológico. Modificar os relacionamentos progenitorfilho para permitir ao adolescente movimentar-se para dentro e para fora do sistema.

lugar da construção da cidadania. diríamos que é na família que se estabelece o aprendizado dos valores através das gerações. possuem a representação familiar e social de transmitirem a história particular de cada geração. Para avançarmos na nossa reflexo em torno do tema família. 4. de proteção do grupo. de organização das estratégias de sobrevivência.2 A Representação do Idoso no contexto Familiar.Os estágios do Ciclo de Vida Familiar (Carter & McGoldrick.. É na família que se estreitam os laços afetivos e os recursos do trabalho para a manutenção do grupo. é o espaço onde estabelecemos vínculos fortes. Os avós na terceira idade. 1995. para ser alguém. Quadro 1 . é na família que herdamos todo um acervo cultural de imagens e representações simbólicas que comporão nossa identidade histórica e social. a família representa o espaço de socialização.17) Pelo exposto acima. de cada família para as gerações mais jovens. muitas vezes na condição de avós.. para o acolhimento da pessoa idosa. É na família que está representado o espaço mais intimo e necessário para o desenvolvimento da personalidade da criança e do adolescente. 40 . Os mais velhos precisam da família porque a amam e querem se assegurar de que seus mais altos valores e ideais sejam transmitidos às gerações futuras ( 1996: p 24). Revisão e integração da vida. p. na vida de uma criança e do adolescente. de divisão de responsabilidades. as crianças precisam da família para sobreviver. espaço onde vamos nos organizando perante a própria divisão e transformação dos papéis que vamos assumindo neste espaço.própria morte. FRAIMAN (1996) refere-se: . O idoso desempenham um papel de extrema importância.

que quando duas pessoas se unem para a constituírem uma família. Para termos claro este direcionamento. e o estado têm o dever de amparar as pessoas idosas. e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice. situando estes filhos maiores na condição de violadores de direitos em relação aos seus pais mais velhos. assegurando sua participação na comunidade. Quando assim ocorre. Para a garantia do idoso neste espaço que é o seio da família está disposto nos artigos 229 e 230 da Constituição Brasileira de 1988 os deveres do Estado e da família em relação aos cuidados a pessoa idosa: Art. Mas quando as condições sociais de pobreza estão presentes no processo de desenvolvimento das famílias existe a possibilidade deste idoso sofrer algum tipo de violência ou abandono social por parte do grupo familiar. Vemos pelo artigo acima. p. 34). criar e educar os filhos menores. na figura do avô e da avó possuírem. garantindo a eles os cuidados necessários para que os idosos tenham uma qualidade de vida na velhice. o Estado possui o dever de prover políticas públicas preventivas. 230: A família. mas o amparo legal constituído. Os filhos maiores possuem o dever de assistirem seus pais idosos. e com o nascimento dos filhos. um carisma muito especial na imagem que estes representam. carência ou enfermidade. pois eles por si sós possuem um caráter objetivo por ser um membro da família e com isto cumprem uma função social determinada e subjetivamente pelo fato da pessoa na velhice. no afeto estabelecido dentro do seio familiar. Esta condição de pobreza poderá favorecer o rompimento freqüente dos vínculos familiares. a sociedade. Também na Constituição Brasileira de 1988 está condicionado: Art. defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida. “a pobreza é um fenômeno multidimensional. segundo YAZBEK (1999. 229: Os pais tem têm o dever de assistir. os vínculos consangüíneos familiares não representam somente o único laço que une os membros as suas responsabilidades.Esta condição de representação de ser avó ou avô no contexto familiar e na sociedade de modo geral independe da classe social. não deixando com que a pobreza material ronde este espaço tão importante de relações humanas. é uma categoria política que 41 .

O sentido em que é usado em qualquer contexto particular é em vasta medida matéria de conveniência ou de convenção (.. pois o tema. no campo dos direitos. principalmente a família proletária sofra com este déficit de condições mínimas e básicas de sobrevivência. etc. afirmamos que existem vários caminhos já percorridos para se definir políticas sociais. O tripé da seguridade social. Será somente com políticas sociais públicas que conseguiremos minimizar tal situação de pobreza. necessitando que o Estado e a sociedade de modo geral cumpram com suas obrigações na materialização das políticas sociais junto a família carenciada. científicos bem como comunitários. explicará de que trata realmente a matéria”.implica carecimentos no plano espiritual. saúde. O autor argumenta que o tema tornou-se lugar comum na definição de qualquer ação governamental. deverá estar expressamente assegurando ao trabalhador garantindo as condições básicas de sobrevivência social do grupo familiar. educação. mas que não se presta a uma definição precisa. trabalho. nem outra. de poder. constituído por saúde. A partir das citações dos autores. conforme Soares (2001) seria um conjunto dos princípios e medidas postos em prática por instituições governamentais e outras.. moradia. Entendemos que a família representa um espaço que deverá estar sempre em pauta em todos os fóruns acadêmicos. que diz respeito à ausência de protagonismo. As Políticas Sociais. Não podemos aceitar que a família de modo geral.) e nem uma. o autor define política social como sendo: “(. Poderemos considerar que elas representam de forma estratégica um conjuntos de ações utilizadas pelo governo para tentar diminuir as demandas da sociedade em condições de vulnerabilidade social. das possibilidades e da esperança” Comporta o não acesso a bens e serviços. previdência e assistência social. Para SANTOS (1989:35). E “a subalternidade. para a solução de certos problemas sociais.. expressando a dominação e a exploração”.) o conjunto de atividades ou programas governamentais destinados a remediar as falhas do laissez-faire”. fazendo com que tanto a criança e o adolescente quanto o idoso sofram as condicionantes de abandono pelo fato do Estado não cumprir com o seu papel.. lazer. “Política social é um termo largamente usado. representa espaço de protagonismo social espaço 42 .

de vida para todas as gerações: crianças, adolescentes, adulto, adulto idoso, espaço de representação de gênero, de classe social. conforme Carter & McGoldrick, 1995, p.17) referem-se, espaço no sistema para a o desempenho da sabedoria e da experiência dos idosos.

Referencias comentadas: Família, Gênero e Gerações - Col. Família na Sociedade Contemporânea
Autor: Borges, Ângela Editora: Paulinas Categoria: Ciências Humanas e Sociais / Política

A obra se insere na coleção Família na sociedade contemporânea nascida em colaboração com o Programa do Mestrado em Família na Sociedade Contemporânea (www.ucsal.br), da Universidade Católica do Salvador a partir do seminário "Família Contemporânea: desafios à intimidade e à inclusão social".

Referencias: CARTER, B. & GOLDRICK, M. M C.As Mudanças no Ciclo de Vida Familiar: uma estrutura para a terapia familiar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, 1988. DURKHEIM, E. Lições em Sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2005 ROMANELLI, G. Família de camadas media: a trajetória da modernidade . Ribeirão Preto, 1986. SANTOS, Wanderley. Razões da Desordem. Rio de Janeiro : Rocco, 1989. YAZBEK, Maria Carmelita. Globalização, precarização das relações de

trabalho. In: Revista TEMPORALIS/ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO E PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL. Ano 2, Nº 3 (Jan/Jul 2001)Brasília: ABESS, Grafline,2001. MINUCHIN, S. Família: Funcionamento e Tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.

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Autoestudo: Coloque Verdadeiro ou Falso: ( ) Os objetivos da família são fatores da maior importância no curso da

história do indivíduo (Nichols, 1998). A família é um sistema fechado e que está continuamente em um processo de transformação. ( ) Entendemos que a configuração por parentesco poderá se configurar

entre os indivíduos vinculados pelo mesmo sangue. Existem grupos de parentesco caracterizados por serem legítimos pelo casamento e os ilegistimos que poderão proceder do casamento; ( ) A família poderá representar, o lugar do reconhecimento da diferença, do

aprendizado das uniões dos rompimentos, o espaço das trocas afetivo emocionais, da construção da identidade social de cada indivíduo. ( uma ) Segundo Minuchin (1982), a família é uma unidade social que enfrenta série de tarefas, tendo como finalidade ser uma matriz do

desenvolvimento psicossocial de seus membros. ( ) É na família que se estabelece o aprendizado dos valores através das

gerações, é o espaço onde estabelecemos vínculos fortes, é na família que herdamos todo um acervo cultural de imagens e representações simbólicas que comporão nossa identidade histórica e social. ( ) É na família que está representado o espaço mais intimo e necessário

para o desenvolvimento da personalidade da criança e do adolescente, para o acolhimento da pessoa idosa, muitas vezes na condição de avós. ( ) O Estado possui o dever de prover políticas públicas preventivas, não

deixando com que a pobreza material ronde este espaço tão importante de relações humanas ( ) Os estudos históricos da evolução da humanidade demonstram que o ser

humano para garantir a perpetuação da espécie, não necessitou organizar a filiação biológica, direcionando ao que entendemos hoje por família.

Respostas: f,f,v,v,v,v,v,f

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5- Aspectos legais aos Direitos dos Idosos

O Serviço Social, como profissão está inscrita na divisão social e técnica do trabalho, situando-se no processo de produção e reprodução das relações sociais. Assim, o Serviço Social contribui na prestação, elaboração e criação de uma prática especializada em serviços que atendam às necessidades sociais básicas da população. As condições de vulnerabilidade material ocorrem na vida das pessoas pobres devido a forma como a sociedade capitalista vai se metamorfoseando para a sua manutenção, criando bolsões de excluídos sociais. Aqui em particular, temos a forma como a população idosa vivencia no cotidiano de suas vidas as mais diversas expressões da questão social, situações marcadas pelo não acesso a recursos básicos para a sobrevivência, tanto na área da saúde, habitação, meio ambiente como naquilo que entendemos ser básico para a sobrevivência como sendo a alimentação, remédios, vestuário e um certo conforto neste período da vida.

5.1 Encaminhamento Jurídico no Trato da Questão Social

Uma realidade social de precarização, vivida por uma grande maioria das pessoas na terceira idade que se evidência em sofrimento e amargura. O Serviço Social neste cenário é considerado, portanto para esta população, como um profissional que possui a capacidade de realizar mediações, auxiliando-o e subsidiando-o através de encaminhamentos necessários para a concretização dos direitos. Estes encaminhamentos requerem um trato jurídico exigindo do profissional conhecimentos constitucionais e estatutários necessários para a organização social na vida do idoso. Segundo Faleiros (1985):
As mediações se implicam mutuamente no contexto de relação histórico-estrutural, constituindo redes de mediações articuladas sob cuja ótica é que vamos elaborar estratégias de ação, o método é o desdobramento do objeto, das mediações, nas suas interconexões ou multilateralidade (1985, p. 53).

As mediações precisam ser compreendidas como uma possibilidade de se estabelecer uma diferente inter-relação entre todos os atores envolvidos.

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juventude. o contexto comunitário e muitas vezes no próprio contexto familiar. vínculos. Dessa maneira. a juventude e força física são os elementos que compõem os prérequisitos para assegurar a sobrevivência. Como entender tal fenômeno biológico e social do envelhecimento. são vivencias marcadas por relações conflituosas e tensas. gestadas na forma e na intenção que damos a determinados significados e valorações que vão definir o comportamento humano e a sua própria sobrevivência. destreza. desejos. em uma sociedade marcada por preconceitos e desigualdades. marcada pela beleza física. aqui em especial a brasileira? Onde o mais forte prepondera de forma desigual sobre o mais fraco? Onde a beleza do corpo e o vigor físico ainda são os elementos que darão sentido de existência ao ser humano para que ele se mantenha produtivo! Muitas vezes.Entendemos que ao profissional cabe a possibilidade de construir uma dinâmica que envolva usuário/sociedade/Estado. fazendo romper com as circunstâncias sociais de abandono e de pré-conceitos. Formas de vida construídas para vencer de forma competitiva a garantia de um espaço na sociedade industrial. o profissional estabelece de forma estratégica suas ações. de modo geral. percebemos que para a sociedade industrial e de consumo. classe social. Nesse processo. temos o assunto envelhecimento humano e as condições de se viver a terceira idade em uma sociedade capitalista. A caminhada humana possui também nuances que se expressam em ações amorosas e cheias de doações. As relações sociais muitas vezes. os mais frágeis 46 . emoções que nos fazem pensar na possibilidade de se poder mudar o rumo da cainhada humana. mostrando o quanto ser idoso na atual sociedade é algo desafiador. O profissional nesta dinâmica compreende melhor o contexto onde está inserido não fragmentando a forma social que organiza a vida das pessoas em sociedade. força. Muitos destes condicionantes são legitimados e reafirmados por esta mesma sociedade industrial. sejam estas no trato com o usuário e este com a instituição bem como com a comunidade mais ampla ou com outros atores pertencentes as diversas redes. poder aquisitivo entre outros elementos. sejam estes espaços o mundo do trabalho. rapidez. Aqui em questão. definindo o perfil do sujeito que deveremos ser e seguir para termos sucesso.

13). A seguir apresentaremos alguns destes critérios. 5. p. cinco dos seus artigos que se referem a 47 . suas vidas eis o desafio. temos o sofrimento. Aqui particularmente. instigando-nos a vivermos criando necessidades materiais e de consumo. dentre outros)” (TURCK. que estabelecem um controle sobre o imaginário social da maioria das pessoas. suas escolhas. e o abandono social que alguns idosos enfrentam no cotidiano da vida em sociedade na garantia de seus direitos. relação de classe. na vida e na forma como os sujeitos hoje na terceira idade a vivenciam. da saúde. 2006.2 A Garantia do Direito Mais particularmente temos em relação a população idosa na Constituição Federal Brasileira de 1988. permitindo que a humanidade de modo geral permaneça direcionada no sentido de amadurecer seus valores e sonhos. força de trabalho. bem como de estatutos e outros mecanismos jurídicos. em que. Desvendar o objeto “questão social”. deveriam possuir a dádiva das sombras dos anos. para estabelecemos nosso processo interventivo nas mais diferentes expressões da questão social na forma como os idosos a vivenciam. entendemos que existem interesses particulares em detrimento da sociedade. da habitação. em fim de tudo que se faz necessário para uma qualidade de vida. seu modo de ser e hábitos. nesse tempo. com o qual poderemos garantir o processo de reconhecimento dos direitos sociais na vida cotidiana dos idosos. O movimento então é desvendar o objeto “questão social”. Entendemos que o Serviço Social trabalha no campo subjetivo (valores) e no campo objetivo (sociedade. que sejam direcionados as necessidades de todos os idosos. viver esta singular e única etapa da vida de todos nós. todos pautados através da Constituição Federal Brasileira de 1988.socialmente e fisicamente vão sofrendo o abandono social na esteira da vida. desnecessários para as nossas vidas elegendo determinados segmentos sociais mais fortes para a manutenção desta relação de fetiche. Nesse quadro. sua base material. No sentido de podermos pensar ações que venham ao encontro das necessidades sociais. o profissional deverá intervir na realidade pautando sua intervenção através de critérios legais.

à infância. carência ou enfermidade. a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária. IIIIIIVo amparo à crianças e adolescentes carentes. 203: A assistência social será prestada a quem dela necessitar. e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice. nos termos da lei. 14: A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. Art. à adolescência e à velhice. e tem por objetivos: Ia proteção à família. à maternidade. priorizando um atendimento particular as demandas desta população cada vez mais crescente quais sejam. Art. Art. mediante: I-Plebiscito. § lº O alistamento eleitoral e o voto são: II – Facultativo para: b) os maiores de setenta anos.Política Nacional do Idoso. 229: Os pais tem têm o dever de assistir. e. II. a promoção da integração ao mercado de trabalho. criar e educar os filhos menores. Va garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à sua própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. independentemente de contribuição à seguridade social.Referendo. com valor igual para todos. 48 . III. conforme dispuser a lei.Iniciativa Popular.

a criação de programas de ensino destinado aos idosos. 49 . oficinas de trabalho. através da Lei Federal Nº 8. atendimento prioritário nos benefícios previdenciários. atendimentos domiciliares. e o estado têm o dever de amparar as pessoas idosas. do Distrito Federal e municipais (art. estimulando-se a criação de centros de convivência. 10. A Política Nacional do Idoso. programas de preparação para a aposentadoria com antecedência mínima de dois anos antes do afastamento. f) na área da justiça: promoção jurídica do idoso. 230: A família. e) habitação e urbanismo: facilitar o acesso à moradia para o idoso e diminuir as barreiras arquitetônicas. defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida. I). a sociedade. há previsão de ações no sentido de atender as necessidades básicas do idoso. a redução de preços dos eventos culturais. o apoio à criação de universidade aberta para a terceira idade. deve ser incluída a geriatria como especialidade clínica. além da capacitação de recursos para atendimento do idoso (art. 10. c) na área da educação prevêm-se: a adequação dos currículos escolares com conteúdos voltados para o processo de envelhecimento. para efeito de concursos públicos federais.Art. de 4 de janeiro de 1994 estabelece as seguintes diretrizes: a) na promoção e na assistência social. esportivos e de lazer. coibindo abusos e lesões a seus direitos. centros de cuidados noturnos. estaduais. no setor público e privado. d) na área do trabalho e da previdência: impedir a discriminação do idoso. b) na área de saúde. casas-lares. esporte e lazer: iniciativas para a integração do idoso e. II). a inserção da Gerontologia e da Geriatria como disciplinas curriculares no cursos superiores. protetiva e de recuperação por meio do Sistema Único de Saúde.842. g) na área da cultura. o idoso deve ter toda assistência preventiva. assegurando sua participação na comunidade. de forma a eliminar preconceitos. com este objetivo.

à maternidade. 5º e 6º). IIo amparo às crianças e adolescentes carentes.garantia de 1 ( um ) salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. ao adolescente e ao idoso. no âmbito da respectiva atuação (arts.a habilitação e a reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária. A Constituição do Estado do Rio Grande do Sul. A assistência social realiza-se de forma integrada às políticas setoriais. 260: O estado desenvolverá política e programas de assistência social e proteção à criança. de 1989 possui 3 artigos referentes a questão do idoso afirmando.742. possui como finalidade reafirmar de forma segura algumas definições e objetivos a garantia dos mínimos básicos de sobrevivência em relação ao idoso pontuando: Das definições e Objetivos Art. supervisionar e avaliar a política nacional do idoso. de sete de dezembro de 1993. Art. A assistência social tem por objetivos: Ià velhice.h) no âmbito na União. que provê os mínimos sociais. Parágrafo único. a proteção à família. visando ao enfrentamento da pobreza. V. A lei Orgânica da Assistência social – LOAS – Lei nº 8. Art. à garantia dos mínimos sociais.2º. A assistência social. ao provimento de condições para atender contingências sociais e à universalização dos direitos sociais.a promoção da integração ao mercado de trabalho. com o objetivo de formular. dos estados. à infância. direito do cidadão e dever do estado. Distrito Federal e municípios: a criação de conselhos do idoso. é Política de Seguridade Social não contributiva.1º. coordenar. para garantir o atendimento às necessidades básicas. à adolescência e III. portadores ou não de 50 . IV. realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade.

Art. prevenção de doenças. Em 7 de dezembro 1993. IIestabelecer programas de assistência aos idosos portadores ou não de deficiência. A Associação Nacional de Gerontologia – ANG criada em 1985.II.V.deficiência. IIImanter casas e albergues para idosos. VII. III. surge através da organização da sociedade civil e governamental para o enfrentamento de 51 . representa uma instância importante para discussão e estudos das questões referentes ao envelhecimento da população brasileira. IVdispor sobre a criação de centros Regionais de Habilitação e Reabilitação Física e Profissional. Art. 262: É assegurada a gratuidade: Iaos maiores de sessenta e cinco anos. com objetivo de proporcionar-lhes segurança econômica. aos quais se darão as condições de bem-estar e dignidade humana. defesa da dignidade e bem-estar. desde que comprovada a insuficiência de meios materiais. portadores ou não de deficiências. a lei nº 8. com a participação de entidades civis. mendigos. integração e participação ativa na comunidade. crianças e adolescentes abandonados. sem lar ou família. 261: Compete ao Estado: Idar prioridade às pessoas com menos de 14 anos e mais de 60 anos em todos os programas de natureza social. Lei Orgânica da Assistência Social LOAS.742. VI.IV. obedecendo aos preceitos I. no transporte coletivo urbano e metropolitano.

que são os conselhos e fundos definindo as competências das esferas Federal. o Brasil apresenta o maior índice de desigualdade social. e na década de noventa essa proporção se eleva para 78 vezes (1995. mais particularmente em relação ao idoso serão menos difíceis. as possibilidades de enfrentar os impactos em termos de aumento da exclusão social de modo geral. fruto do efeito cumulativo “perverso sobre a distribuição de renda” (BRASIL. demonstram que a acumulação e concentração de renda no Brasil é a causa estrutural do aumento da pobreza. para consolidação do direito social da Assistência. Estadual e Municipal tanto na gestão como no financiamento. 6 Entre os 71 países incluídos no último relatório de Desenvolvimento do Banco Mundial (1995). Segundo este documento ele apresenta os seguintes dados: . 1-5). dentro do contexto da Seguridade Social. o Presidente Itamar Franco sanciona uma lei para garantir os direitos do idoso a Lei 8842. apresentados na Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social.. instrumentalizando a população sobre a existência das mesmas. na década de sessenta. Desta maneira cabe a sociedade brasileira e em especial a todos os profissionais que trabalham com a terceira idade apropriarem-se destas garantias estabelecidas em lei. passa a partir de dezembro de 1993. Assim ocorrendo.948 de 3 de julho de 1996.que estabelece a Política Nacional do Idosos de 4 de janeiro de 1994. Um ano após o surgimento da LOAS.demandas sociais emergentes. p.enquanto. a constituir-se no estatuto que rege as relações entre o Estado e a Sociedade. em buscar alternativas para seu enfrentamento. 1-5). promovida em março de 1995 pela ONU6. 1995.. Dados oficiais do governo brasileiro. tem demonstrado preocupação em relação ao idoso. A LOAS estabelece novas estruturas de gestão. através do Decreto 1. sendo regulamentada dois anos depois pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. entre elas a questão do idoso carente e sem renda. Organismos internacionais como a ONU. a renda apropriada pelos 10% mais ricos da população era de 34 vezes superior à renda apropriada pelos 10% mais pobres. A Lei Orgânica da Assistência Social. em 1994. 52 . p. trabalhando com a população idosa de modo geral.

ainda existe um longo caminho a percorrer até que se inaugure o tempo em que o cumprimento dessas leis represente o atendimento às reais necessidades da população idosa. possui os seguintes artigos que irão estabelecer as seguintes diretrizes em relação a garantia dos direitos sociais ao idoso: Art. Perde-se a agricultura de subsistência para as grandes propriedades rurais. Inicia-se a busca para se medir esta força em valor igual aos salários. traz consigo a situação perversa do alargamento das sub-moradias nas periferias das grandes metrópoles. os artesãos se transformaram em operários. estabelecendo prioridades inclusive no que diz respeito ao acesso à justiça. Uma das estratégias para a viabilidade da cidadania ao idoso se refere as efetivas políticas. É a força de trabalho vista como mercadoria. Este tipo de movimento desordenado na sociedade. Embora estas medidas legais representem um ganho para a sociedade.A exclusão social é a resultante da acumulação e concentração de renda no Brasil. estes perdendo a posse de suas ferramentas e oferecendo sua força de trabalho. do crime e o abandono. de 1º de outubro de 2003. ampliando significativamente os seus direitos fundamentais como cidadãos e estabelecendo medidas de proteção efetivas. Ao olhar-se para trás.741. devido à situação de desemprego. No Brasil. impulsionados pelo mercado de trabalho aparentemente promissor. que realmente correspondam às suas necessidades e aos seus anseios. com pessoas que saíram do campo com o “sonho” de encontrarem nas metrópoles qualidade de vida para si e ou também para os seus. O Estatuto do Idoso Lei nº 10. percebe-se que. contamos com o decreto 1948/96.1º É instituído o estatuto do idoso. em poucas décadas. que regulamenta a lei 884/ 94 estabelecendo a Política Nacional do Idoso. de maneira a criar e/ou aprimorar políticas de atendimento efetivas. A determinação do trabalho se dá através da oferta e da demanda. melhorando assim a sua qualidade de vida. surgindo o êxodo rural. destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 ( sessenta) anos. 53 . Uma boa parte da população da zona urbana foi se formando através da migração no sentido rural/urbano.

para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral. ao trabalho.2º O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoas humana. por lei ou por outros meios. Acredita-se também que. a inserção do idoso em grupos de convivência. evidenciamos enquanto alternativa a este. à saúde. à cidadania. resultando em uma nova identidade social. 54 . à cultura. à dignidade.3º. que demandam capacidades criativas para a superação de limitações que porventura aconteçam. a efetivação do direito à vida. ao esporte. a Referencia comentada: O Estatuto do Idoso Lei 10. proporcionando um desafio constante. em cada fase da vida. espiritual e social. em condições de liberdade e dignidade. todas as oportunidades e facilidades. Ao constatarmos no art. sendo seu direito. ao lazer.741 – 2003 Este documento legal. revela o esforça da sociedade e do movimento da terceira idade em dispor de mecanismos legais que venha ao encontro da garantia minimamente das condições sociais e legais para uma vida digna. com absoluta prioridade. Será a partir desta garantia dos direitos dos idosos que iremos estabelecer uma qualidade de vida reafirmando o que está posto na lei. intelectual. Art 3º É obrigação da família. a importância do idoso estar convivendo com a família e a comunidade. à liberdade. assegurando-se-lhe. Acreditamos que é através desta reflexão constante sobre os conceitos estabelecidos sobre a velhice em sociedade é que novos valores serão construídos e atribuídos à condição da velhice.Art. à educação. da sociedade e do Poder Público assegurar ao idosos. surgem conquistas legais que irão estabelecer as condições favoráveis a uma qualidade de vida na terceira idade. à alimentação. ao respeito e convivência familiar e comunitária. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. da comunidade.

1999. 2000. ______. Maria da Graça Maurer Gomes. 55 . existe uma série de mecanismos legais que vão ao encontro de garantirmos na sociedade as condições mínimas de sobrevivência para as pessoas na terceira idade. lei nº 10741 – 2003. Sendo assim. n. Cortez. de 4 de janeiro de 1994. Rede Interna e Rede Social: o desafio permanente na teia das relações sociais. São Paulo. Estatuto do Idoso. São Paulo: Cortez. faça uma pesquisa sobre as diretrizes legais municipais que amparam os idosos de seu município e também procure investigar o que fala a Constituição Estadual do Estado onde você vive. 2. pela comunidade até a reafirmação das obrigações do do Estado no amparo ao idoso via políticas sociais. LEGISLAÇÃO. 6 edição. 27 edição. ed. 2001. você terá um estudo completo sobre o aparato legal.742 . através da Lei Federal Nº 8. Porto Alegre: Tomo. Serviço Social Jurídico: Perícia Social no Contexto da Infância e da Juventude. Saraiva. CONSTITUÍÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. desde os compromissos assumidos pela família. Vicente de Paula. Estratégias em Serviço Social. Porto Alegre/RS. Política Nacional do Idoso. como vemos no Brasil. Revista Serviço Social e Sociedade. promulgada aos 3 de outubro de 1989. TÜRCK. Idosos. São Paulo.Referencias: CONSTITUÍÇÃO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. 2001. Assim.842. FALEIROS. 1985. Serviço Social: Questões para o Futuro. para propor uma ação interventiva pautada na lei. Brasília. Campinas: Livro Pleno. Autoestudo: Caro aluno.1993. LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social – lei nº 8. ______. Livraria do advogado.50. 1997.

podendo provocar o debate para a construção de alternativas e respostas pata o enfrentamento da realidade. A pesquisa é uma ferramenta de grande valor para esta compreensão. Realizar mediações importantes na garantia dos direitos sociais constitucionais. eis o desafio. na comunidade e nas próprias 56 . Redes de Proteção: Sua Importância na Vida do idoso Para avançarmos de forma teórica e prática em nossas reflexões em torno da garantia dos direitos. Este desafio representa. Isto posto. entendemos que estes espaços deveriam ser objeto de estudo e intervenção dos profissionais da área. trabalhar na perspectiva de rede. Demarcada esta situação a ser trabalhada no que se refere as demandas sociais da terceira idade. A rede ainda é um dos suportes mais eficazes no que se refere a forma de acolher as demandas sociais da terceira idade na sociedade contemporânea. Entendemos que o profissional Assistente Social exerce uma íntima relação com a instituição e com os demais atores sociais que compõem o quadro funcional. apontamos como condição especial. um grande esforço para os profissionais que trabalham com este grupo social. ou sejam. que os espaços institucionais que atendem as demandas sociais e de saúde para a terceira idade. os Gerontólogos. ou seja.6. o profissional no espaço de trabalho estimulará ações motivadoras para a construção de uma rede interna forte no espaço institucional. os psicólogos. muitas vezes também dizem respeitos a sociedade de modo geral. exigindo uma rigorosa análise institucional e da realidade aparente buscando na essência a compreensão da forma como as relações vão se constituindo. Temos constatado de modo geral. que emergem da questão social. na sua relação capital e trabalho. direitos para a terceira idade. se constituem de forma fragilizada e ainda de pequeno número no suprimento das demandas. Estes direitos negados. os Assistentes Sociais. ou seja na família. bem como nas relações estabelecidas nos espaços onde o idoso transita. os médicos entre outros.

através de uma rede interna. consigamos deixar no claro quais das são as nossas atribuições É e responsabilidades conjunto forças operantes. 6. Cada um atendendo particularidades no grande conjunto que emergem da questão social.instituições que negam acesso aos direitos sociais nas mais variadas e particulares demandas que os usuários idosos apresentam. o pesquisador buscou compreender o cotidiano de trabalho de Assistentes Sociais que de alguma maneira falam sobre a forma e o modo de como as redes estão ou não construídas no cotidiano da prática profissional para o atendimento das demandas de idosos moradores de rua. percebendo o que os une através de seu próprio conhecimento e procedimentos em conjunto de forma solidária. importante compreendermos os processo sociais na sua relação com a vida dos usuários. com o corpo técnico naquilo que cada um faz no conjunto das forças profissionais.1 Motivando a Construção da Rede de Apoio Para podermos. dentro de uma instituição. (2008) através da sua pesquisa com Assistentes Sociais que trabalham com população de rua na terceira idade. que se dará a visibilidade e perspectiva da constituição desta rede interna dentro da instituição e social com as demais instituições da comunidade. É através desta identificação de atores. para que assim. vamos dando procedimento à construção daquilo que Turck (2001) assinala como sendo a rede interna ou social na construção efetiva de um tecido protetivo para as demandas inerentes do idoso. Demarcada a identidade deste ator social e suas respectivas responsabilidades. Para melhor percebemos o cotidiano de trabalho de profissionais engajados neste processo de construção de rede apresentaremos estudos realizados por OLIVEIRA. bem como. de forma mais precisa acolher tais necessidades da terceira idade. nas instituições de proteção social. reconhecendo responsabilidades e papéis. o papel da instituição no conjunto coletivo para o suprimento das demandas internas dos usuários. 57 . sendo necessário demarcarmos a identidade do profissional que nela atua.

porque eu assumi esta vaga da colega anterior que saiu..) nós construímos uma rede. (2008. e a partir da minha pessoa. Para a construção de uma rede forte. eu (. para se garantir a privacidade dos profissionais envolvidos na pesquisa.No influxo de tais reflexões.. devera estar marcado por compromissos coletivos em relação a realidade social percebida no cotidiano institucional e social. a partir da minha pessoa (.27) Os nomes das Assistentes Sociais apresentados neste estudo são fictícios.). de poder com jeitinho ter afinidade com algumas pessoas. uma rede pessoal. as profissionais através das narrativas permeadas de dificuldades. p. percebemos através do estudo proposto que esta realidade se faz marcada por dificuldades e desafios no trabalho vivido pelas Assistentes Sociais que participaram da referida pesquisa.Assistente Social Maria da Luz OLIVEIRA . a gente sabe que a saúde mental ela é uma parceria muito grande . O dialogo permanente sobre a realidade vivida no cotidiano institucional. algumas portas para ela eram fechadas. devemos estabelecer e garantir o fluxo da comunicação entre os diversos atores que trabalham nas instituições com determinadas demandas comuns entre si..). Quando questionadas sobre o trabalho em rede.2 Narrativas sobre o Trabalho em Rede: Necessidade e Possibilidades de Inclusão Social para Pessoas na Terceira Idade Através da Rede Entendemos que o trabalho para ser efetivo através de uma ação em rede. relatam seus enfrentamentos no atendimento desta população. especializada. eu construí uma rede para o Serviço Social do município. no sentido de poderem atender as demandas que chegam nas instituições para moradores de rua. eu iniciei a rede com uma questão pessoal minha. e talvez por questões de personalidade. deverá ser o passo primeiro para a construção de forma madura e coletiva de decisões pensadas e articuladas em rede. de uma particularidade pessoal minha.. 7 58 ... 6. Vejamos como a profissional7 se expressa: (. para assim poder usar principalmente o serviço da saúde que deveria ser uma parceira e quando eu cheguei no albergue ela não era uma parceria.

através da narrativa acima. 21) busca refletir através das narrativas das profissionais. no sentido de legitimar atribuições e 59 . Sua forma de pensar o trabalho em rede. através do processo de trabalho. O estudo de OLIVEIRA. Esta articulação e construção da identidade profissional no trabalho em rede torna-se importante para esclarecer responsabilidades e atribuições dos profissionais como já referimos anteriormente tanto do Gerontólogo Social do Assistente Social do psicólogo do administrador entre outros. está calcada em uma ação particularizada. Constatamos. podendo gerar uma equivocada ação do Assistente Social e de outros profissionais no contexto da rede através de práticas tarefeiras. “no jeitinho” . as mais variadas produções e pesquisas no que se refere a Gerontologia Social e a geriatria e também aquilo que sua área de conhecimento poderá oferecer. que tenha como intenção. na afinidade no jeitinho. montar parcerias. Este tipo de intervenção fragiliza a identidade profissional na rede. Não podemos compreender a construção de um trabalho em rede feita a partir de uma concepção que esteja implicada no “personalismo”. A construção da identidade profissional em um trabalho em rede só se estabelece na medida em que. na afinidade. baseada no senso comum. Este conjunto teórico representará uma ferramenta necessária para o devido enfrentamento das demandas inerentes ao tema que ora refletimos e que darão sentido ao fazer profissional no mundo do trabalho. o profissional vai materializando os mais diversos conhecimentos que as demandas exigem como o Estatuto do Idoso. a compreensão sobre a forma e o modo de como algumas Assistentes Sociais estão implementando seu processo de trabalho através de uma ação em rede. fundamental para sua prática interventiva. frente às necessidades que os usuários estabelecem. sem articulação teórica. (2008 p. um processo de trabalho desassociado de uma prática que esteja conectada através de uma metodologia que ilumine seu processo de intervenção. mas apresenta uma ação que reflete um personalismo calcado em valores e percepções que não ultrapassam o senso comum.A narrativa da Assistente Social acima que trabalha em uma instituição para população adulta de rua e da terceira idade nos apresenta uma interlocução marcada de dificuldades em relacionar conhecimentos teóricos para a implementação de forma eficaz de um trabalho em rede.

Existe um acanhado reconhecimento sobre o papel que cada um desempenha na rede. não percebemos nas narrativas. p. a gente tem papel de mediador.responsabilidades diante das demandas apresentadas. percebemos um ruído no sentido de não estar definido na rede as responsabilidades e atribuições frente às necessidades dos usuários. chama-se a enfermeira para fazer a avaliação. ah! Mas este paciente esteve no hospital e foi desligado porque terminou o tempo de autorização da IH. a gente contextualiza mais. então chama-se a supervisão dela para dar conta disto. Chama a enfermagem então para avaliar. no município convênios com fazendas de recuperação. Vejamos a narrativa da Assistente Social Maria das Graças. não temos. uma continuidade nos trabalhos desenvolvidos por elas. aí foi a discussão. clareando muito para as pessoas. OLIVEIRA (2008. uma ação solidária na perspectiva de rede. OLIVEIRA (2008. tornam-se responsabilidades compartilhadas por todos os profissionais envolvidos. que caracterize uma ação em rede. vejamos: Agora mesmo teve uma situação de um paciente idoso que precisava internar. daí o CAPS aqui do município também não aceita álcool e drogas. quando tecidas na rede. Como veremos abaixo. 45) que revela o mesmo direcionamento em suas questões em relação ao suporte que a rede deve oportunizar para quem trabalha na área das necessidades sociais e de saúde para a terceira idade: Falta apoio da rede. da mesma forma acontece de nós termos pessoas idosas com problemas mentais e que 60 . por exemplo. mas a auxiliar tem dificuldade. quem tem que estar dando conta disto é a enfermagem. se a auxiliar de enfermagem não tem condições de fazer. através de um trabalho interdisciplinar em favor do usuário. p. simplesmente não tem para onde encaminharmos as pessoas idosas que procuram atendimento a droga e álcool. mas o que a gente faz. Bom isto são questões da área da saúde. então isto tudo é uma coisa de estar colocando em discussão na rede local de saúde. um ir além daquilo que a realidade apresenta. Acho que a gente tem a coisa da nossa visão. ah. mas isto não traz para si a responsabilidade. o parecer técnico é da enfermeira não é do Serviço Social. não tem.23) Ao analisarmos a narrativa acima.. As necessidades do usuário. o que é responsabilidade de cada um e de todos ao mesmo tempo . sim. que encaminha para outro local. mas e daí? Vai morrer por causa disto! Como é que trouxeram este paciente de volta? Temos que nos posicionar.Assistente Social Maria das Dores. visando garantir uma unidade. não se tira a responsabilidade de outros. este médico que escreveu a evolução.

esta ação deverá ser trabalhada no coletivo e em rede para responsabilizar o poder público “forçando” de alguma maneira a criação de ações de trabalho interdisciplinar. segundo Faleiros (1999): O foco de intervenção social se constrói nesse processo de articulação do poder dos usuários e sujeitos da ação profissional no enfrentamento das questões relacionais complexas do dia.. e também não podem ficar aqui. garantindo com intencionalidade de prática o melhor atendimento para o usuário.não acessam o CAPS. PAG. através de sua iniciativa e das possibilidades de decisão que ele está investido.) É ai que se dá o trabalho sobre as mediações complexas na dinâmica das relações particulares e gerais dos processos de fragilização social. é da saúde.Assistente Social Maria do Rosário ( OLIVEIRA 2008.. comunicação. a forma como a comunicação flui. pois envolvem a construção de estratégias para dispor de recursos. para intervir nas relações de força. a gente aceita ele aqui alguns dias e depois tem que ir para a rua . Entendemos que estes elementos de sustentação da rede. agilidade. estão representado na forma como as pessoas dialogam. organização. Entendemos que rede interna (TURCK. Turck (2001) alerta sobre estes imperativos quanto a trabalhar na perspectiva de rede “interna e rede social”. a articulação das políticas de assistência social e de saúde são políticas importantes na construção da cidadania destes sujeitos e na própria organização dos idosos e moradores de rua enquanto movimento social legítimo pois.21) O profissional pode. informação. nos recursos e nos poderes 61 . e aí temos a questão do problema mental. e no poder do coletivo para pressionar o Estado para dar respostas as próprias necessidades de manter a rede viva. outros em estado terminal por causa do HIV. responsável. estabelecendo elementos como sendo diretrizes de sustentação da rede. poder. acesso. Para a população usuária na terceira idade. (. na rede. 2001) é o espaço onde os fatos mais próximos sucedemse. chegam aqui sem nenhum hábito de higiene devido aos problemas mentais. é onde deveriam ser compartilhadas as demandas de forma solidária. Enfim tem uma série de casos e nós não temos estrutura para lidar não é nossa função. articular e incentivar esta reflexão dialogada sobre as demandas e suas responsabilidades e papéis que cada um possui no conjunto das forças mobilizadoras que a dimensão do coletivo possui.

de sua participação (FALEIROS. fazendo com que o acolhimento realizado institucionalmente seja o primeiro processo de inclusão social. 41). levando a uma auto-estima baixa. muitas pessoas vão sofrendo perdas objetivas (materiais) e subjetivas (percepção de si mesmas. Como vemos. ao menos. pois entendemos que cada situação pontual demandada pelo usuário está conectada diretamente com o universo mais amplo da sociedade. OLIVEIRA. “é a capacidade exímia de produzir efeitos ou. (1997. bem como em reuniões técnicas para a compreensão e resolução dos aspectos delimitados a partir de cada realidade vivida por cada usuário. junto a outros profissionais. bem como na vida particular e cotidiana das pessoas. das condições singulares da sobrevivência humana e coletiva. por meio de seu processo de trabalho. O profissional necessita. estando estes mesmos sujeitos vivendo na dualidade dominação/submissão. p. apresenta a fala da Assistente Social Maria do Rosário que nos faz refletir sobre a importância do 62 .institucionais. estas relações sociais vão sendo constituídas diacronicamente ao longo de um processo. em sua concepção primordial. 1999. seja na formulação de uma educação permanente discutida na rede. (2008. Esta relação de poder passa a assumir uma relação dinâmica. 12). explorados. visando fortalecer o poder dos mais frágeis. A vida das pessoas está inserida nas mais diversas esferas da vida social.43). valores). necessitando muitas vezes do empenho de todas as áreas do conhecimento para somarem forças no sentido de o usuário superar suas necessidades. e nesta dinâmica. O poder dá as pessoas um status social e uma segurança no estabelecimento das relações. encontrando a resolução das demandas. que possibilita a ação” FALEIROS. da sua auto-estima. conforme vão se estabelecendo as diversas representações sociais que cada sujeito estabelece. A palavra “poder”. p. p. oprimidos. pelo resgate da sua cidadania. atuando de um modo diverso na condição de dominadores e outros de dominados. As relações de poder permeiam a vida das pessoas em um plano amplo de convívio na sociedade.. formular um conjunto de reflexões e de mediações para intervir nesta realidade.

transpassa uma simples conduta profissional e constitui-se em uma característica do serviço ou uma sempre presente virtualidade de genuína escuta e de espaços de subjetivação. valor: Quando estamos fazendo uma intervenção. p. estar podendo fazer com que o usuário acesse um outro serviço que possibilite o atendimento daquela necessidade. que os mesmos estão destituídos Acolhimento não é.135. destituídos. que ás vezes as pessoas chegam aqui com situações que os usuários acreditam não ter mais o que fazer. saber como ela se estabelece. 2007) 8 63 . é um valor importante a ser garantido no processo de trabalho em rede pelos profissionais implicados neste processo.acolhimento8 que o Assistente Social estabelece quando o usuário chega na instituição. no processo de fragilização em que foram e ou estão envolvidos. representam alternativas viáveis que estão ao nosso alcance Assistente Social Maria do Rosário – OLIVEIRA. então poder estar refletindo os problemas com o usuário. que não tem como sair desta mesmo lugar. então acho que isto é um limite. Esse ponto parece ser fundamental para a possibilidade criativa e de mudança. (2000. estar podendo fazer um encaminhamento. O entendimento do “emporwermente” no trabalho em rede seria o “aumento de poder pessoal e coletivo de indivíduos e grupos sociais submetidos a relações de opressão e de dominação” VASCONCELOS. através da ação de intervenção. pois. Quando trabalhamos com população idosa em condições de abandono social e de saúde. os cuidados com o corpo. a gente procura fazer aquela escuta. ter que trabalhar com o que é possível é ruim. p. temos que conhecê-la. o que a gente pode fazer é acolher bem. Reconhecer com os usuários o seu poder é reconhecer. então isto é um limite bem grande que temos que superar. a rede é muito falha as vezes. pois desta maneira estamos. buscamos dar significados que foram retirados destes sujeitos.23).14). de inversão da lógica vigente de organização dos serviços de saúde. coisas que ela pode fazer para fazer uma mudança. através do processo de trabalho. p. ( 2008.apenas tratar bem o paciente e direcioná-lo dentro do sistema de saúde. temos que ter claro que se existe uma rede constituída. como são estes serviços. consigo mesmo. que está tudo muito difícil. garantindo ao usuário um significado social. sejam estes de grande ou de pequena abrangência.( GASTAL E GUTFREIND. fazendo coisas que lhe dão prazer. porque tu não está podendo às vezes atender a demanda que surge. podendo construir outras coisas até de lazer. perdidos ao longo de uma trajetória histórica de vida.

moradia. as equipes são muito reduzidas. não é muito fácil. exercer a prática do reconhecimento da cidadania através do caráter histórico.43) Na vida das pessoas em sociedade e particular no mundo do trabalho. poderão 64 . apesar de isto ser cansativo e de achar que às vezes a coisa não vai. recursos de saúde.). competitivos. que envolve as entidades governamentais e não governamentais. e que os mesmos são sujeitos políticos a reivindicarem seus direitos. Uma constante correlação de forças que demarcam o sistema capitalista na vida das pessoas e na forma como elas vivenciam as expressões da questão social em suas vidas sejam estas na família. p. que é orgânica. dos Psicólogos. (1999. p. O mundo do trabalho para a grande maioria da população está constituído por baixos salários. Estas situações invariavelmente. estes espaços se configuram tensos. muitas vezes.. e nós temos a rede municipal que se reúne uma vez por mês. este cotidiano é assinalado por uma carência de estrutura e de profissionais que realmente desejam tecer esta rede de apoio. político e social em que estamos implicados. Assistente Social Maria da Luz OLIVEIRA. a gente tem a nível local alguns contatos. garante ao no processo de trabalho do Assistente Social.14). OLIVEIRA (2008. pois possui vida. assistência social etc. O cotidiano de trabalho dos profissionais Gerontólogos. contraditórios. com dificuldade na região. os profissionais que atuam nesta área são do Serviço Social a gente não tem uma amplitude maior de outros técnicos. que passa pelo político. dos Assistentes Sociais.tenho tentado participar. burocráticos.. pelo histórico e pelo social” MARTINELLI. a gente está sempre participando.de bens materiais. é difícil manter. nos fóruns representativos. dos profissionais das práticas esportivas estão marcados por grandes desafios.. quem trabalha com rede sabe disto. é “desvendar essa construção por esse trânsito entre a forma de ser e a forma de aparecer. (2008. 43) nos traz a narrativa da Assistente Social Maria da Luz que expressa este sentimento de desconforto de perseguir este ideal de trabalho em rede afirmando: Enquanto rede. O poder que o estatuto da cidadania confere a todas as pessoas que vivem em uma sociedade democrática. nas instituições e na sociedade de modo geral. Nós temos uma reunião da Rede Ampliada que junta todas entidades que atendem a população carenciada. acho que a permanência de uma rede é sempre difícil. p. a gente sempre participa e tenta ter presença efetiva. dos Fisioterapeutas. que é no (.

Este contexto social se estabelece através da correlação de forças decorrentes da forma como o sistema capitalista vai se incorporando nas particularidades das relações sociais e institucionais. então fica mais ou menos assim dependendo sempre da percepção e da ótica destes profissionais e do ângulo que estes profissionais vêem este conjunto todo que é a questão do idoso abandono. conseguindo traduzir para a instituição. que requer dos profissionais muita criatividade. também é vivida no mundo do trabalho. pelo nosso contato e pelo nosso conhecimento com o usuário Traduzir esta demanda. vontade de construir. os únicos técnicos que estão a frente dessa rede.prejudicar o desempenho profissional e social na vida de cada um e da própria rede de serviços. A Assistente Social Maria da Luz.. fragilizando qualquer ação de solidariedade que venha a ser tematizada na rede. Quando o sentido de solidariedade deixa de estabelecer a conexão entre o todo e as partes dos que integram a rede. mas política. como temos 65 . O trabalho em rede merece ser desenvolvido com perseverança e cuidado. que se legitima como forma de desempenho humano. a rede. que estão trabalhando nesta rede. carece de um processo de maturação. onde o valor está associado ao status e ao poder calcado no personalismo de cada um. é a contribuição maior... acho que nós podemos contribuir muito. acirrando-se uma ação competitiva de ser. esta deixa de existir no formato solidário que uma rede deva se constituir. OLIVEIRA (2008. de abrir-se para o trabalho interdisciplinar. Esta forma de ser “clara ou oculta”. p.). na íntegra: Eu imagino assim que nós Assistentes Sociais somos praticamente. aponta muitos significados sobre o trabalho em rede que merecem nossa reflexão. na (. em sua narrativa. merece ser tecida. não política no sentido de política partidária. fio a fio. 44) . por meio de consecutivas vivências de sucessos e fracassos. A maior parte dos programas e dos projetos sociais são decisões políticas. bem como quando trabalhamos de forma equivocada na concepção de rede. principalmente quando acirram-se a disputa por status social e poder institucional. a rede não nasce pronta.

mas não podemos ficar somente nesta iniciativa quando se trabalha em rede. Por efeito dessa conjuntura estabelecida através da dimensão ética política. Na narrativa abaixo. (1999. da sua auto-estima. Percebemos. dependendo da atitude tomada. todavia precisamos tencionar este tipo de atitude na rede. o Assistente Social poderá somar com seu trabalho. que os Assistentes Sociais são os profissionais que compõem a equipe na rede. discussões. poderá implicar na identidade profissional que esboçamos na rede. como se refere a Assistente Social Maria João de Deus. pelo resgate de sua cidadania. portanto.afirmado. Entendemos que realmente em nosso país muitos dos programas e projetos sociais são decisões políticas. da sua autonomia. das condições singulares da sobrevivência individual e coletiva. estaremos dando visibilidade e valor aos usuários. necessitamos avançar em uma direção que venha: [. neste espaço. sendo um número que se expressa na sua grande maioria. o trabalho a ser feito merece todo um cuidado de posicionamentos. de sua participação e organização FALEIROS. A Assistente Social Maria da Luz afirma: “traduzir esta demanda para a instituição é a nossa contribuição maior”. na fala da Assistente Social Maria da Luz. p. através de diálogos.41). na rede. na sua implicação com a construção da rede. encontros e ou assembléias instrutivas. visando fortalecer o poder dos mais frágeis. os direitos sociais. valorizando e incentivando a representação e o valor que cada membro estabelece neste trabalho conjunto.] intervir nas relações de força. como Turck (2001) enfatiza. pois.. nos recursos e nos poderes institucionais. Assim ocorrendo. Este cuidado e forma de se expressar do Assistente Social está associado a uma leitura que o mesmo faz dos princípios inerentes de seu Código de Ética e do nosso compromisso ético-político com a população usuária. garantindo. Os princípios do Código de Ética profissional do Assistente Social por si já garantem direcionamento à solidariedade que o trabalho em rede requer. às pessoas que estão nesta luta por uma vida social mais igualitária. da Assistente Social Maria das Graças. explorados. a profissional argumenta sobre a importância de 66 . valorizando a pessoa do usuário idoso e atribuindo-lhe a dignidade que merecem.. oprimidos.

destacando: “. Para podermos tencionar o trabalho em rede é importante e necessário apreender como a questão social. Assistentes Sociais. juntos. a realidade vivida pelos idosos moradores de rua. vejamos: Eu acho que nós. Psicólogos entre outros centram-se em reconhecer o próprio objeto de trabalho.trabalharmos. não só como vítimas. dar conta das particularidades das múltiplas expressões da questão social na história da sociedade 67 .. da sua humanidade. tenho um colega que fala muito o significado de estarmos trabalhando “da porta pra fora”. estar discutindo a vida destas pessoas e os processos de exclusão. é experimentada pelos sujeitos em suas vidas. ( 2008. pra gente poder estar construindo esta rede. Essa discussão é parte dos rumos perseguidos pelo trabalho profissional contemporâneo IAMAMOTO. somar esforços para que possamos tencionar estruturas na garantia de direitos. em suas múltiplas expressões. pra estar construindo esta rede de uma maneira mais ampla OLIVEIRA. Entendemos que os idosos moradores de rua particularmente. (2000. temos que estar sempre levando na rede a realidade desta população. para poder estar ampliando estes serviços que são poucos. na rede. estar colocando um pouco desta experiência que a gente possui. Na possibilidade de se trabalhar em rede. na rede. As colocações feitas pela Assistente Social demonstram a preocupação em compartilhar. p.. O desafio posto aos profissionais Gerontólogos. 45) . acabam criando uma representação de isolamento em meio ao contexto social. pag. da negação de atendimento a estas pessoas. traçar horizontes para a formulação de propostas que façam frente à questão social e que sejam solidárias com o modo de vida daqueles que a vivem. buscamos potencializar nela as formas de garantir processos de autonomia e emancipação dos usuários idosos pois. quando vivenciam perdas. sendo o mesmo fundamental para o desempenho do exercício profissional. O desafio é redescobrir alternativas e possibilidades para o trabalho profissional no cenário atual. mas como sujeitos que lutam pela preservação e conquista da sua vida. Assistentes Sociais. reafirmando a necessidade de compartilhar as demandas recebidas na instituição.75).

quando os atores sociais. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. p. 68 . (2001. O Processo de Trabalho do Serviço Social na sua Abordagem com Moradores de Rua. Referencia: FALEIROS. Canoas: EDULBRA. 1999. 1999. 2000. estamos estabelecendo uma relação de trabalho em rede. Referencia comentada: Movimentos Sociais e Redes de Mobilizações Civis no Brasil Contemporâneo Autor: Gohn.).62) Quando conseguimos estabelecer uma relação de diálogo na rede. Maria da Gloria Editora: Vozes Categoria: Ciências Humanas e Sociais / Sociologia Caro leitor esta obra nos oportuniza visualizar a importância da construção de redes de mobilização tanto dos movimentos sociais como da sociedade de modo geral. de compartilhar encaminhamentos. com esta rede fortalecida compreenderemos a força da mudança para um mundo melhor e mais igualitário. Marilda Vilela. Vicente de Paula. IAMAMOTO. profissionais que trabalham na instituição ou na comunidade. Jairo da Luz.brasileira é explicitar os processos sociais que as produzem e reproduzem e como são experimentadas pelos sujeitos sociais que vivenciam em suas relações sociais quotidianas” IAMAMOTO. Maria Lúcia (Org. São Paulo: Cortez. Jairo da Luz. OLVEIRA. 3. Tese de Doutorado – PUC/RS – 2008. Palestra proferida na Faculdade de Serviço Social. A vida cotidiana do idoso morador de rua: as Estratégias de Sobrevivência da Infância à Velhice – um círculo da pobreza a ser rompido. O Serviço Social e as demandas na contemporaneidadePorto Alegre: PUCRS. MARTINELLI. Estratégias em Serviço Social.ed. São Paulo: Cortez. bem como socializar a tomada de decisões sobre questões que envolvem os usuários. conseguem reconhecer no outro a possibilidade de realizar trocas. OLVEIRA. 2003.

(2000. e dos demais profissionais envolvidos a prática do reconhecimento do caráter histórico. 2000.( ) Quando trabalhamos com população idosa em condições de abandono social e de saúde. Eduardo Mourão. “é a capacidade exímia de produzir efeitos ou. é imprimir. ao menos.43). através de sua iniciativa e das possibilidades de decisão que ele está investido. Serviço Social e Interdisciplinaridade: o exemplo da saúde mental. articular e incentivar esta reflexão dialogada sobre responsabilidades e papéis que cada um possui no conjunto das forças mobilizadoras que a dimensão do coletivo possui através do trabalho coletivo e em rede para responsabilizar o poder público “forçando” de alguma maneira a 69 .TÜRCK. A palavra “poder”. em sua concepção primordial. que possibilita a ação” FALEIROS. 3. destituídos. São Paulo: Cortez. In: ______. 2001.. (1997. 5. perdidos ao longo de uma trajetória histórica de vida. estando estes mesmos sujeitos vivendo na dualidade dominação/submissão.( ) O poder que o estatuto da cidadania confere a todas as pessoas que vivem em uma sociedade democrática. na rede. p. este é um valor menos importante a ser garantido no processo de trabalho em rede pelos profissionais implicados neste processo. no processo de fragilização em que foram e ou estão envolvidos. político e social em que estamos implicados. 4. O desafio da subjetividade e a interdisciplinaridade.( ) As relações de poder permeiam a vida das pessoas em um plano menor de convívio na sociedade. p. VASCONCELOS.( ) O profissional pode. Saúde Mental e Serviço Social. Rede Interna e Rede Social: o desafio permanente na teia das relações sociais. bem como na vida particular e cotidiana das pessoas. buscamos dar significados que foram retirados destes sujeitos. Porto Alegre: Tomo. Maria da Graça Maurer Gomes.14). Autoestudo Coloque verdadeiro ou falso: 1.( ) O entendimento do “emporwermente” no trabalho em rede seria o “aumento de poder pessoal e coletivo de indivíduos e grupos sociais submetidos a relações de opressão e de dominação” VASCONCELOS. 2. no processo de trabalho do Assistente Social.

V. Respostas: V. F. V 70 . garantindo com intencionalidade de prática o melhor atendimento para o usuário. F.criação de ações de trabalho interdisciplinar.

77). faz com que muitas delas sejam julgadas com valores de desvalia e sentimentos de desconfiança. os sujeitos de rua carregam consigo o estigma de serem vistos como inferiores. sendo este estigma uma construção da sociedade industrial” GOERCK. etc. GOERCK. Nessa lógica é importante refletirmos sobre a forma de como nos colocamos em cada momento da história da humanidade em relação de aceitarmos ou não os conceitos que construímos em relação a fatos. assim como em outros países. (2007. gestadas ao longo do tempo histórico. condicionando nossas vidas de forma passiva com um “certo imobilismo social”. (2007. prejudicando o existir de determinados grupos sociais e aqui em particular a terceira idade em evidencia. A Violência do Preconceito Contra o Idoso no Contexto Urbano: O Idoso Morador de Rua. a velhice é estigmatizada. p. que ameaçam a sociedade. p. Para entendermos determinadas situações sociais marcadas pelo preconceito e abandono social de termos pessoas na terceira idade vivendo estigmas e abandono.77).7. Vamos também. em alguns momentos. pessoas. sobrevivendo do mercado informal. é importante compreendermos o valor atribuído a condição de ser idoso em nossa sociedade contemporânea através da história. Vamos influenciando de forma decisiva com nossos conceitos estabelecidos a vida do ser humano através da forma que organizamos a vida social. regional ou conforme a classe social que os sujeitos estão inseridos “ e a autora continua: “ No Brasil. perigosas. Temos o dever de 71 . ações preconceituosas como forma de vida. a serem confundidos ou identificados como pessoas marginais. afirma:” A definição ou valor atribuído á velhice varia de acordo com o tempo histórico. grupos. chegando. ou sobrevivendo das ruas. uma Expressão da Questão Social O fato de a pessoa ser pobre ou estar desprovida do trabalho. sem qualificação. cultural. que geram os mais diversos tipos de sofrimento humano e em particular as pessoas que vivem o processo do envelhecimento. Por vezes. o que gera estados de insegurança social. a vida em nossa sociedade. em relação aos estereótipos que vamos criando.

fazem parte de um conjunto de vivências que está marcando o cotidiano das relações do ser humano contemporâneo. precariedades que acabam desgastando a vida orgânica de quem nela vive. Esses sentimentos e vivências estabelecem fraturas nas relações sociais. Alguns outros. solidão. que fogem aos padrões estabelecidos de comportamento. Esse sentimento reflete a alteração nos padrões de comportamento. agressões. nos grandes centros urbanos. mais extremados. Situações como a própria existência de idosos moradores de rua. causando constrangimentos. gerados. Em virtude deste tipo de comportamento social e devido aos sentimentos de insegurança na vida pública. como o individualismo. com aspectos que afetam a imagem destas pessoas. o abandono e o auto-abandono. limpar etc. As mudanças comportamentais que se materializam em estados quase permanentes de desconfiança. pintar. maltrapilhos. gerando um processo de adoecimento que encobre o universo relacional dos sujeitos no meio em que vivem. as de cortar grama. como. Muitos idosos nesta condição vivem doentes.1 A Vida na Rua e Seus Condicionantes A vida na rua é marcada por privações. merecendo o extermínio. São estados que representam sentimentos que amargam dolorosamente o 72 . violência urbana e assédios. o medo em função da violência urbana. principalmente. por exemplo.estarmos revendo estes conceitos. Muitos tipos de sentimentos vão se apropriando e conduzindo a vida das pessoas. ameaças. muitos se sentem inseguros em oferecer uma atenção mais direta aos idosos moradores de rua. incomodam algumas pessoas pelo próprio fato dos mesmos existirem. um sentido de insegurança pública pela existência dos moradores de rua. bem como pensarmos em ações eficazes para a garantia dos direitos dos idosos moradores de rua. Instaura-se a morte devido à intolerância pela diferença. pequenos serviços domésticos aos sujeitos que caminham pelas ruas em busca de uma atividade que lhes garanta uma renda. furtos. 7. pensam que estes sujeitos estão despossuídos de significados sociais. causando certas vezes.

bem como os fatos presentes na vida de cada sujeito. Lefebvre apud Tedesco (1999) afirma: . a alienação caminha passo a passo com o preconceito. Quanto mais alienada for a vida cotidiana. A força hegemônica da classe dominante e seus recursos 73 . sonhos e lembranças não mensuráveis. representam a identidade social do ser humano. A condição de se ter pessoas vivendo nas ruas representa a uma expressão contemporânea de abandono que reflete o não-cumprimento dos direitos humanos. os comportamentos vão intensificando as indiferenças e o descuido em relação ao outro. Não sendo suficiente.. A realidade vai se expressando com contornos de competitividade de uns para com os outros. estes idosos de rua enfrentam também o preconceito da idade a se expressar no cotidiano de luta e resistência para a sobrevivência das pessoas. uma forma de violência que foge aos parâmetros de nossa racionalidade. Viver a terceira idade no Brasil é algo desafiador. A classe dominante estabelece padrões para o desempenho das relações humanas colocando as pessoas em situações desconfortáveis devido ao preconceito . mais o preconceito a domina. pois muitas vezes a violência representa uma das expressões da questão social na forma como os idosos estão enfrentando os desafios de sua sobrevivência na sociedade capitalista. pois esse ser humano ainda possui dentro de si. intensificadas pela indiferença e pela intolerância. uma riqueza de possibilidades.. viver a terceira idade abandonada nas ruas é quase inimaginável. As lembranças que ficaram na memória. na sua essência. Isso é observável quando se oportuniza escutar o idoso morador de rua. Estes idosos também são alvo do preconceito pelo fato de serem moradores de rua.existir humano. as dificuldades impostas pela condição de miséria pelo fato de estarem abandonados nas ruas das grandes metrópoles. por mais que a vida o tenha colocado em uma situação desprovida de recursos materiais. assim. propondo a ele falar de sua história de vida. e. a disputa instaura-se nas relações sociais e reafirmase um afrouxamento nas relações sociais. Não podemos subestimar o homem andarilho. escritas na história individual. Entendemos ser importante buscarmos estudar tal situação por meio da pesquisa.

que prima pela ação competitiva. de realização pessoal. uma forma de violência velada. p. Aos profissionais da área da Gerontologia. 177). centrado na competitividade. econômicos e técnicos buscam sempre mais universalizar seu modo de conceber e de direcionar o mundo (1999. Para as pessoas pobres que são vítimas desta sociedade “burguesa” o preconceito torna-se um dos maiores obstáculos a ser vencido. fundada no mercado. a pesquisa pode ser um instrumento valioso para conseguirmos compreender esta realidade.ideológicos. desqualificados” sem valor. que fere a subjetividade humana. cabe a tarefa de compreenderem a forma como o preconceito vai se instaurando na vida das pessoas. egoísta. Esse individualismo – que estabelece a autonomia do sujeito. enaltece o saber como forma de domínio da natureza e dos outros homens – reduz a liberdade ao livrearbítrio. PAIVA (1998) menciona como o trabalho é visto na sociedade burguesa: Na sociedade burguesa. concebe o trabalho apenas como modo de realização pessoal. Estes sujeitos idosos de rua. na felicidade estritamente pessoal (1998.107). são vistos como transeuntes “vagabundos. a realização mundana do indivíduo passa a ser o valor ético central. pois a sociedade atual tem na categoria trabalho um condicionante de realização individualista. p. na realização privada. O caráter coletivo ou transcendente do mundo ético cede lugar ao predomínio do interesse individual. enaltece a propriedade privada . 74 .

2 Narrativas de Vida dos Idosos Moradores de Rua OLIVEIRA.. ou seja diminui sua liberdade relativa diante do ato de escolha. Heller (1989) afirma: Todo preconceito impede a autonomia do homem. ditos “diferentes do padrão estabelecido” consigam se realizar. conseqüentemente. expressa no comportamento destes sujeitos idosos hoje moradores de rua. de desejos.. amarguras que estes idosos de rua vão enunciando ao entrevistador.. serviço que não precise fazer muita força. qualquer lado eu procuro. A identificação da falta do trabalho surge como necessidade de manutenção de si próprios e da família. ao defrontar e. pessoa de idade. gasto sola de sapato. 14) Por mais que seja grande o esforço destes idosos em buscarem uma atividade que lhes garanta o seu sustento. (2003) em sua pesquisa com idosos moradores de rua na terceira idade nos revela através da fala dos sujeitos entrevistados. devido aos valores a eles atribuídos serem de desqualificação. em toda a cidade. de limpeza. mas não encontro. Eu tenho andado. (2003.. 59) .7.. serviço para velho. Através de seus estudos com população de rua idosa. vou para Viamão. para Camaquã. A sociedade ainda não conseguiu estabelecer o respeito à adversidade. p. um universo rico de potencialidades. estando estas dificuldades relacionadas ao preconceito pela idade já avança e por causa dele ser um morador de rua.OLIVEIRA. em sua fala demonstra ter enfrentado no seu cotidiano o preconceito como barreira para a sua realização no trabalho. sonhos... o pesquisador procura compreender como estes idoso que hoje se encontram nas ruas conseguem desenvolver suas estratégias de sobrevivência neste espaço hostil. Eu procuro serviço de porteiro. acho que é mesmo por causa da idade. Este idoso morador de rua relata ao pesquisador as dificuldades em encontrar trabalho. a maioria das vezes as chances de conseguirem uma atividade é quase nula. p. impedindo que os sujeitos. pois a comunidade em geral não se sentem seguras em contratá-los. 75 . estreitar a margem real de alternativa do indivíduo (1989.

Juncá. em um canto que não tinha ninguém . o respeito à diversidade. 218) Constata-se que tanto a pessoa que vive do lixo. (2003. estes sujeitos que vivem do lixo urbano. p. às vezes eu limpava uma casinha. tomava o meu banho lá no rio. e que podem representar ameaças.. se eu não estava bem limpinha.Todo preconceito reduz as possibilidades criadoras da pessoa. ali no Gasômetro sabe. ficando reduzidas as suas possibilidades.. Gonçalves e Azevedo (1998) referem-se que apesar de os catadores exercerem uma atividade não reconhecida no mundo do trabalho pela sociedade. particularmente. Aí vinha e pegava o meu serviço trabalhava. O mesmo ocorre com as pessoas que trabalham na reciclagem do lixo nos espaços urbanos.ficava escondidinha . Uma vez estava frio. à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças.. Torna-se necessário que os profissionais que trabalham com as demandas sociais estejam atentos a esta questão ética: valorizar o ser humano nos seus mais amplos aspectos e lutar para que sejam afastadas todas as formas de preconceito. Heller assim refere-se: “O preconceito portanto reduz as alternativas do indivíduo” (1989. (1998. Ao Assistente Social. p. como o idoso de rua sofrem esta situação de discriminação por não estarem enquadradas nos valores estipulados pela sociedade. eu levantei às 5 horas da manhã e fui para lá tomar meu banho.. assim se expressão: Já as questões relacionadas ao ambiente de trabalho em que vivem podem ser expressas através da seguinte fala: “as pessoas não gostam de dá serviço. eu tinha que pegar no serviço às 8 horas da manhã. mas eu não dizia nada que eu dormia na rua. Os idosos de rua sofrem duplamente o preconceito social. às vezes ficava até sem roupa. p... sofrem esta situação no cotidiano de suas vidas. Na fala desta idosa percebe-se o esforço realizado para a garantia de seu trabalho: Eu saia. elas escolhem pela cara da pessoa” numa referência à sua aparência física e onde a maioria reside. 24) 76 .. limpava a casa. compete-lhe em seu código de ética: . 60).. Eu ia bem limpinha. o empenho na eliminação de todas as formas de preconceito. oportunistas. OLIVEIRA. eu ia no rio. o fato de serem velhos e a condição de serem moradores de rua. mas sim classificados na maioria das vezes como malfeitores.

A idosa vivenciou esta situação pois encontrando um trabalho teve que dissimular a sua condição de moradora de rua. A necessidade de dissimular a sua condição de moradora de rua é constante. Não só o medo do recolhimento como também a necessidade de se dissimular como morador de rua para escapar da repressão. tirava um dinheirinho. Esta mesma idosa relata de sua vergonha em ter que mendigar nas ruas muitas vezes para poder alimentar-se.. constituem outros fatores impeditivos de que esse trabalhador – não reconhecido. (2003. e ao mendigar sentiase humilhada pois em suas palavras o trabalho sempre fez parte de sua vida. não descobrisse a sua condição. pedia esmola na rua para mim comer. 14) .. sobre ele recaem inúmeras ações da sociedade. E as iniciativas mais comuns são aquelas que pressupõem o recolhimento na rua. eu tenho vergonha.veja-se diante da impossibilidade de acumular pertences e reconstituir o fundo de consumo que lhe permita outras formas de inserção no mercado de trabalho formal e a 77 . eu fui uma mulher muito trabalhadeira sabe... sobreviver. p. comentando do seu sentimento de constrangimento perante a situação vivenciada no espaço urbano da cidade: Eu me levantava pedia esmola para eu comer alguma coisa. parava nas esquinas. O constrangimento para quem se encontra nos espaços urbanos das grandes cidades torna-se realmente uma situação difícil na vida dos moradores de rua idosos. OLIVEIRA. Para a sociedade em geral estes sujeitos vistos como “vagabundos” estão destituídos de valores que os qualifiquem como trabalhadores. submetendo-se as estratégias bastante difíceis para que sua patroa. Neves (1995) refere-se sobre a necessidade dos moradores de rua usarem de dissimulação para escapar de qualquer repressão: Visto como mutilação social porque não são percebidos pelos atributos de trabalhador. na suposição de recuperação de tais qualidades.

conseguir-se-á resgatar a dignidade das pessoas que se encontram nas ruas de nossas cidades. Devemos questionar qual a melhor forma de se pensar em uma intervenção no cotidiano destes sujeitos. dificultando a possibilidade de desenvolverem uma vida que lhes garantisse um futuro promissor. Podemos afirmar que. Neste período. Entendemos que os problemas enfrentados pelos idosos de rua não foram gerados pela sua condição de serem velhos. para poderem sair desta condição de pobreza e abandono social. para que suas possibilidades de sobrevivência se tornem alternativas de existência particular e social. pois além das dificuldades relativas à formação de cada um e o preconceito que os colocam neste círculo excludente que é a rua existe o fato de serem velhos e moradores de rua. 68). Acredita-se que a escola poderia ter contribuído para que o destino destes idosos não fosse a rua. A condição de pobreza a que estes idosos quando crianças foram submetidos. geraram a falta de recursos em todos os sentidos. ou malandros. toda a criança deveria estar sendo conduzida e mantida na escola. um grande esforço neste sentido. através de programas e projetos.apropriação socialmente reconhecida de controle de um espaço para moradia. desenvolvendo este processo de busca da sobrevivência através do trabalho na vida adulta. incapazes. a necessidade de trabalharem em tenra idade para muitos se inicia lá na infância desprovida de cuidados especiais. Percebe-se. dificultando ainda mais as suas existências. Somente com a capacidade de valorizar e resgatar as expressões particulares destes indivíduos com suas capacidades criativas. sete anos de idade. A necessidade do trabalho como fator de sobrevivência impulsionaram estes idosos quando crianças a trabalharem com seis. ( 1995: p. a população idosa de rua possui uma vontade de conseguir um trabalho. e muitas vezes buscando na velhice abandonada repetimos um trabalho para que possam viver ou sobreviver. nas falas dos sujeitos. na sua grande maioria. mas teve a sua gênesis na vida nômade pela busca do trabalho como forma de sobrevivência. 78 .

não conseguiram manter um relacionamento estável com seus pares. filhos. saírem desta condição de pobreza em que se encontravam. tendo como finalidade atingir-se uma necessidade social. como Agnes Heller (1999) descreve. mesmo que para isto tivessem que romper com seus vínculos familiares afetos. podem tornar-se problemas futuros. Percebe-se então o nível de prejuízos que estes sujeitos tiveram ao longo de suas vidas. Estes.Nesta época em que suas vidas tiveram início. Muitos idosos moradores de rua. Muitos destes idosos. muitos deste idosos continuaram de uma forma errante a buscarem no trabalho a sua sobrevivência. Na vida adulta. que permitisse compreender o funcionamento destas famílias e evitar este quadro de abandono e preconceito em que estes idosos enfrentam. ao longo da vida adulta. O fato de buscarem. Outras questões que foram detectadas neste estudo proposto por OLIVEIRA. podem ter sido agentes motivadores desta situação. filhas e outros. são perdas relacionadas durante a história de trabalho. na vida adulta. suas culturas e todo um universo de relações. companheiras. poderiam ter contribuído de alguma maneira para que este idoso não chegasse a esta condição de mendicância. Constatou-se que. Acredita-se que muitos tiveram esta vida nômade pelo fato de quererem realizar sonhos. demonstraram não ter a capacidade de manterem uma vinculação afetiva. (2003) e que provocam inseguranças. repercutindo de uma forma negativa na velhice 79 . demonstrando que os traumas ocasionados na infância. na vida adulta. resultando de objetivações genéricas e que venham a ser universalizadas. o trabalho itinerante não possibilitou que estes idosos pudessem criar raízes e estruturar suas vidas para que o amanhã não fosse tão desprovido de recursos. deixando para trás. Estas lacunas percebidas e que foram deixadas para trás. muitos deste idosos buscaram o trabalho informal. muitos desconheciam a necessidade de registrarem em documento próprio como carteira de trabalho as suas presenças nestes locais de trabalho formal. não existiam estudos mais específicos sobre crianças vulneráveis. mas o trabalho como forma de sobrevivência ou se diria o “puro Labor”. quando não atendidos. Nesta trajetória. o “ Work”. companheiros. não este trabalho de abrangência.

depender do atendimento médico público deficitário. sem as forças físicas. mendigar um alimento. O que surpreende é constatar-se que estes sujeitos idosos perseguem o trabalho não só para a própria sobrevivência. para muitos de constrangimentos. na grande maioria das vezes. ou seja. restando para muitos. um local para banhar-se. soma-se o preconceito da condição de rua com o preconceito de serem idosos. uma porta garantia. a disputa por um local onde repousar. um vestuário. Se existe a face que articula movimentos perversos. ou outros locais que lhes garanta abrigo. são estas ações. também . Inicia-se na infância. humilhações. que tem garantido a sobrevivência a estas pessoas que estão na rua. desenvolve-se na vida adulta e culmina na velhice. estes sujeitos cansados. é um local de contradições. Estes sujeitos acreditam que o trabalho poderá modificar suas vidas miseráveis de pobreza e conseqüentemente encontrarem a saída desta condição de estarem nas ruas As instituições que recebem a população idosa de rua e de modo geral. será o panorama social em que este idoso irá viver. mas também como uma forma de mudança em suas vidas. Não mais possuem recursos para pagarem uma “pecinha”. por outro existem movimentos de distribuição de generosidades e. Constatou-se. Associado a todas estes imperativos relacionados à velhice. a possibilidade de vender sua força de trabalho. Pedir. o jogo de forças destes idosos de tentarem sobreviver na rua. O proposto por OLIVEIRA (2003) demonstra que o circulo da exclusão social fecha-se na velhice vulnerável. no sentido de oportunizar uma convivência social de grupo e outras tantas oportunidades 80 . Ao despontar então a vida na velhice. A vida nos espaços urbanos agora é viver de albergue em albergue.desamparada o fato de não conseguirem comprovar os anos trabalhados. ou irem para pensões. ao longo deste estudo. o medo da violência no espaço urbano. quando doentes. a sociedade. somente o salário de prestação continuada para idosos acima de sessenta anos. representam na vida destas pessoas. não possuem seu bem maior. Desta forma.

Para encerrar nossas reflexões. estão habilitados. pela lei. é reconhecer que estes idosos por mais que a condição de rua os fragilize. não conseguiremos evitar que tenhamos crianças de rua. vejamos: A pesquisa para o Serviço Social. adultos de rua e mais particularmente idosos de rua. intervindo nas suas necessidades imediatas. Acredita-se que. Não quer dizer que o modo de viver seja necessariamente a rua”. a coragem de superar esta realidade. do afeto. do acolhimento. ou seja com esta realidade que está crescendo em nossa sociedade: a velhice abandonada nas ruas. deixaremos alguns questionamentos: As políticas públicas estão realmente atendendo a todo o universo de pessoas que estão vivendo este processo de exclusão social? O que está sendo feito em favor destes idosos é eficaz? Está sendo eficaz para a população de rua de modo geral? Enquanto realmente não houver uma política séria e determinada que pense na família integral que está abandonada. preconceitos. e discriminações e parafraseando Sposati (1995. que a presença dos Assistentes Sociais tem relevante importância. p. proporciona através do estudo uma aproximação com a realidade social concreta. é latente. Posteriormente são os encaminhamentos necessários para avaliações das perdas relacionadas com a rualização e os procedimentos legais para oportunizar uma seguridade social aos que. 81 . O que realmente fica para nosso estudo. em muitos. que a condição de rua não permite mais este tipo de vivência.para a integração social. diante desta realidade. possa-se quebrar mitos. da coragem de enfrentar a vida. Pensar nestas pessoas que enfrentam a fragilidade da vida física na velhice e que tornam-se mais vulneráveis pelo fato de estarem abandonadas nas ruas.127) se diria : “A vida na rua como modo de sobrevivência não deixa de compor uma das estratégias de resistência. Verifica-se através das falas dos sujeitos. e o primeiro movimento neste sentido é o da escuta. o que não é do conhecimento de muitos idosos. O Serviço Social pode contribuir para que o idoso de rua tenha uma oportunidade de reintegração social.

______. Carvalho. Jairo da Luz. São Paulo 1998 SPOSATI. 1995. – Editora. Denise.2003 Categoria: Ciências Humanas e Sociais / Sociologia Esta obra caro leitor. n. Maria do Carmo B. Mínimos Sociais e Seguridade Social: Uma revolução da Consciência da Cidadania. ed. São Paulo. uma realidade marcada pelo abandono e o preconceito. Maria Carmelita. Cortez. todos com mais de sessenta anos é marcada com um vigor quase insuportável de luta para sair desta condição social. PAIVA. Dez idosos participantes de uma pesquisa de mestrado apontam como é viver nesta condição. Beatriz Augusto de. ___________. 2000. BONETTI. Serviço Social e Ética. ___________. JUNCÁ. A fala destes idosos revela uma vontade muito grande de retornar ao trabalho como forma de saírem da condição de rua. ed. 1985. Ética – General – General Ethics. falam de suas vidas desde a tenra infância de privações. Verônica Gonçalves. Niterói: Eduff. A vida cotidiana do idoso morador de rua: as Estratégias de Sobrevivência da Infância à Velhice – um círculo da pobreza a ser rompido. 2004. Algumas Considerações Sobre Ética e Valor in: BONETTI. Marilene Parente. Jairo da Luz Oliveira ULBRA Editora . FALCÃO. 1989. SPOSATI. 2003. Barcelona.55. Madrid. da saudade dos pais que somente a memória e o coração conseguem guardar. A menina Loas: um processo de construção da Assistência Social. Referencias: HELLER. revela a vida cotidiana do idoso morador de rua. AZEVEDO. YASBEK. sacrifícios. 3. São Paulo: Cortez. Espanha: Dim Impresseres. O Cotidiano e a História. Agnes. Aldaísa. Allag und Geschichte (Título original). A fala nobre destes dez idosos entrevistados pelo pesquisador. da alegria do lar. GONÇALVES. Aldaiza de Oliveira. Dilséia Adeodata. Assistência na Trajetória 82 . OLVEIRA. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Revista Serviço Social e Sociedade. 3. 1997. Canoas: EDULBRA.A. Espanha: Fantamara S. Cortez. da Infância a Velhice um Circulo de Pobreza a Ser Vencido Autor: Dr. Teoria dos Sentimentos – A Theory of Feelings (Título original). A Mão que Obra no Lixo.Referencia comentada: A Vida Cotidiana do Idoso Morador de Rua: As Estratégias de Sobrevivência. Dilsea Adeodata.

p.f. Iremos a seguir refletir sobre a forma de se viver a velhice em nosso país. ( ) Viver a terceira idade no Brasil é algo desafiador.das Políticas Sociais Brasileiras: uma Questão de Análise. ( ) As lembranças que ficam na memória. é importante compreendermos o valor atribuído a condição de ser idoso em nossa sociedade contemporânea através da história.v. escritas na história individual. ( ) Temos o dever de estarmos revendo estes conceitos. Os idosos de rua sofrem duplamente o preconceito social.v. ( ) GOERCK.ed. ( ) Para entendermos determinadas situações sociais marcadas pelo preconceito e abandono social de termos pessoas na terceira idade vivendo estigmas e abandono. representam a identidade social do ser humano. 1987. intensificadas pela indiferença e pela intolerância.v. ficando reduzidas as suas possibilidades.v 83 . afirma:” A definição ou valor atribuído á velhice varia de acordo com o tempo histórico. a disputa instaura-se nas relações sociais e reafirma-se um afrouxamento nas relações sociais. bem como pensarmos em ações eficazes para a garantia dos direitos dos idosos. cultural. bem como os fatos presentes na vida de cada sujeito. viver a terceira idade abandonada nas ruas é quase inimaginável. regional ou conforme a classe social que os sujeitos estão inseridos “. 3. Respostas: v.v. ( ) Todo preconceito não reduz as possibilidades criadoras da pessoa. o fato de serem velhos e a condição de serem moradores de rua.f. ( ) A condição de se ter pessoas vivendo nas ruas representa a uma expressão muito pequena na sociedade contemporânea. São Paulo: Cortez.77). Autoestudo: Coloque Verdadeiro ou falso: ( ) A realidade vai se expressando com contornos de competitividade de uns para com os outros. uma forma de violência que foge aos parâmetros de nossa racionalidade. (2007.

questão social é o conjunto de problemas políticos. A percepção da totalidade é fundamental. traduzindo fenômenos sociais e particulares. na intermediação dos direitos sociais. p. em suas múltiplas expressões. nos mais diferentes processos de trabalho.8. Assim. que o possibilitem a reconhecer o seu objeto de trabalho. sociais e econômicos que o surgimento da classe operária impõe no curso da constituição do sistema capitalista. à luta pela terra etc. Segundo IAMAMOTO (2005) a autora através da citação abaixo nos fala sobre o objeto de trabalho do serviço social mencionando: O objeto de trabalho aqui considerado é a questão social. a situação de violência contra a mulher. a “questão social” está fundamentalmente vinculada ao conflito capital/trabalho (1982. É ela. O Serviço Social a partir desta realidade é solicitado a desempenhar seu trabalho. entre outros tantos fatores. A partir desta análise. o Assistente Social poderá planejar e desenvolver o seu processo interventivo naquilo que ele já reconhece como sendo seu objeto de intervenção. ao idoso. Estes problemas se caracterizam por desemprego. trabalho infantil. Nessa lógica. 21). através da análise dos processos estrutural e 84 . que incidem na vida cotidiana dos sujeitos. Entendemos que o profissional Assistente Social necessita ter a clareza de como vão se instaurando as mais diversas manifestações da questão social no cotidiano da vida social. (2005 p. o profissional Assistente Social deve desenvolver em seu processo de trabalho. na vida cotidiana das pessoas. violência marcada pelo desemprego e ou sub-emprego. que provoca a necessidade de ação profissional junto à criança e o adolescente. discriminação. abandono e preconceito contra a pessoa idosa. 62). para propor alternativas e compreender a realidade social na vida cotidiana das pessoas. Uma Análise Sobre a Realidade Social do Idoso no Brasil Entendemos que a questão social representa o resultado estabelecido a partir dos conflitos inerentes da relação capital e trabalho da sociedade capitalista. habilidades metodológicas. Segundo CERQUEIRA (1982).

A nova expectativa de vida do brasileiro é de 73.html 85 . os idosos somavam 12.041 mulheres.9 anos).468 homens e 5. a taxa de fecundidade das mulheres brancas (1. que necessita ser atendido nas suas necessidades básicas biopsicossociais. ou seja. Entre as mulheres são registradas as menores taxas de mortalidade. no final desta década passada. ou seja 7. Ao longo de várias pesquisas em torno do processo do envelhecimento social no país.conjuntural da realidade caracterizados por condicionantes históricos e culturais. Uma pesquisa do (IBGE)9. respectivamente. Com relação a cor ou raça.772.1 anos. sobretudo no Rio de Janeiro e Minas Gerais. com seus devidos rebatimentos de toda a ordem nas relações de trabalho. com 1. cuja soma é de aproximadamente 10. Os níveis mais baixos da taxa de fecundidade se encontram nos estados da Região Sudeste.63 filhos) era menor do que a das negras ou pardas (2. Como os idosos estão garantindo uma vida com qualidade? Qual a real dimensão deste contingente de brasileiros que a cada ano soma-se mais nas estatísticas relacionadas ao índice populacional? Em 1998. Elas representam 55. era de 4. para viverem com qualidade de vida.7 anos. desejamos aprofundar a situação de se viver a terceira idade no Brasil. Para o centro de nossas reflexões. O que nos leva a pensar na real importância deste contingente populacional.20).67 filho por mulher. chegaria a vinte e cinco milhões. a taxa de expectativa de vida no Brasil ainda é menor que a da América Latina e do Caribe (73. Na América do Norte a taxa fica em 79.7 milhões de idosos IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – (1994). só ficando à frente da Ásia (69. indicava que em vinte e um anos. 9 Fonte da pesquisa realizada em 04-04-2011 http://www.6% da população. mostra que a expectativa de vida no País aumentou cerca de três anos entre 1999 e 2009.903.6 anos) e da África (55 anos). a população de idosos no Brasil (com 60 anos ou mais). segundo o IBGE. cerca de 12% da população brasileira.8% das pessoas com mais de 60 anos.ibicidade. Segundo o IBGE.63 e 1. vemos que na década de noventa a população idosa.4 milhões.com/2010/09/censo2010-segundo-dados-do-ibge. O IBGE (1999) já no final da década de noventa. sobre a vida social e suas relações.

. Esta é uma das muitas realidades sociais vividas na contemporaneidade. Em compensação. Saúde Pública vol. estreitando o topo da pirâmide etária brasileira. no Brasil. ainda retratamos a desigualdade social. mesmo o Brasil sendo um país em desenvolvimento.21 no. que atinge significativamente o processo de envelhecimento como um todo.9% para 5.p. 10 Rev.1% para 32. o Brasil ainda terá uma proporção de idosos na população (6%) bastante inferior à média dos países europeus (17%). segundo alguns estudos até o final desta década.3 São Paulo June 1987 doi: 10. (2003. que hoje já vivenciam em larga escala os problemas decorrentes de se ter uma significativa parcela da população com 60 anos ou mais. que passou entre 1999 e 2009 de 6. Muitos filhos casados com suas famílias têm voltado a morar com seus pais.A pesquisa mostra que o aumento da esperança de vida ao nascer e a queda da fecundidade no país têm feito subir o número de idosos. Em termos percentuais..1%. Segundo BERZINS (2003): A crise econômica e de desemprego que o país vem sofrendo nas últimas décadas tem provocado alterações nas condições de vida das famílias brasileiras. no mesmo período. colocando para o Brasil os mesmos problemas que hoje são enfrentados em alguns países europeus. 30). chegaremos a 14%. caiu o número de crianças e adolescentes de 40. a proporção de idosos na população subiu de 3.4 milhões para 9.1 Trabalho: Quando a Idade Chega o Preconceito Aumenta. inferior à média dos países europeus. Teremos no ano 2025 a proporção de pessoas com 60 ou mais anos. Vejamos mais algumas informações sobre o processo 10 de envelhecimento em nosso país informando que. por não terem condições de arcar com as despesas do orçamento. 8.7 milhões.1590/S0034- 89101987000300006 86 .8%. na mesma época (25%).

Estes condicionantes incidem nas transformações que se operam nas relações sociais vigentes. portanto. entre qualificados/desqualificados. incidindo diretamente sobre a subjetividade da população que está ou vai enfrentar o seu processo de envelhecimento. homens. Isso interfere diretamente em sua produtividade e auto-estima. p. estáveis. mas os trabalhadores que vão chegando nesta fase da vida (em torno de 45 anos) como ressalta o autor acima já estão sofrendo o preconceito da idade. a partir de nossos conceitos e pré-conceitos aceitos e legitimados socialmente. como a questão social está afetando o cotidiano da vida das pessoas 87 . jovens/velhos. colocando a pessoa idosa na condição de excluído socialmente. tornando-os frágeis vivendo no cotidiano de suas vidas as dificuldades inerentes desta condição. Segundo ANTUNES (1999) este afirma: O individuo que chega aos quarenta anos começa a sofrer também maiores discriminações no mercado de trabalho. Os trabalhadores vão sendo fragmentados. pois sofrem os abalos dessa mudança brusca de um dia pertencer a todo um contexto e no outro não existir Antunes (1999.Algo a ser estudado diz respeito a relação trabalho versos idade. que as mudanças descritas acima “criaram. formal/informal.191). mulheres. uma classe trabalhadora mercado ainda mais diferenciada. Assim entendemos que na sociedade brasileira quanto mais vamos vivendo o processo do envelhecimento nos seus mais diversos aspectos vamos sendo alijados dos processos produtivos. necessitando mecanismos legais que venham ao encontro da garantia de direitos. precários e imigrantes” (1999.Temos percebido que as pessoas ao chegarem na idade dos seus quarenta anos por exemplo lhe são fechadas às portas do mercado de trabalho. pois quando a idade chega aumenta o preconceito contra o trabalhador. Evidencia-se no pensamento de ANTUNES (1999).191) Percebe-se que a mudança ocorrida no mundo do trabalho afeta a todos os trabalhadores de maneira geral. p. Neste estudo desejamos problematizar de alguma maneira. alterando as estruturas sócioeconômicas.

290.700 1.155.790 13.772.210.600.568 4. TABELA 1 Brasil: População total observada e projetada por idade (1940-2040) Total de idosos 60 a 64 65 a 69 70 a 74 75 a 79 80 + Total da população 687.832.706 1991 2000 10.660 209.895 13.386.369.839.037 1980 7.799.788 562.914.553.475 5. A partir desta realidade marcada pela longevidade.801.700 2.556 4.942 788. Elaboração: Disoc/Ipea.773 419.748 485.540 1.705 14. política.428 93.455 Fonte: i) Para o período 1940 a 2000: Camarano et al.488 9.445 2.929 2.544 2020 29.547.059.370 1970 4.776.00 2030 41.981.645 11.417 203.206 143.105 146.587 1.528. Como vemos. o processo de envelhecimento populacional está em processo de crescimento vertiginoso devendo estabelecer um impacto relevante sobre as diversas esferas da sociedade (trabalho.918 2.060 3.199 170.825.963 11.322 593.483.223.289 51944.998 9.416 361.585.536.302 1.384.065.106 1. Vejamos no quadro abaixo o crescente número de idosos que está sendo projetado para as décadas futuras.na terceira idade.134 119.060.110 1.581.218 1.053 70.218. (2005).475 169.124 3. economia.231 209.335.317.088.779.277 384.069 185.029 3.717 9.636.858 4.045.404.309 7.599.448.188. conforme a tabela acima.769.742.271 288.725 2.722.165.835 2040 55. direito.464.889.794.031.418 7.915 6.555.827 938.504.129.397 1940 1950 1.273 6.002.218 2.456 282.524.446 189.139.918 806.473 516.725. ii) Para o período 2010 a 2040: Camarano et al.646 291. cultura.043 206.673 1.180 41.298.170 2010 19.649 5.191.651 1.997 833.834 3.668.781 2.953.318 1960 3. (2008).057 7. entre outras). questionaremos: Como faremos para o enfrentamento das expressões da questão social que incidirão nas relações 88 .

precisamos compreender. A partir desta leitura. que afetam diretamente no processo e desenvolvimento das condições de vida desta população através dos rebatimentos econômicos. que a vida longeva se torna um fenômeno social. no mundo do trabalho. e que esta realidade não é algo isolado por si sós. sejam estes instituídos pela classe burguesa ou pelos que detêm o capital financeiro dos processos de produção. políticos. e culturais implementados na sociedade capitalista. etc. entre s classes. As expressões da questão social são decorrentes desta relação. sociais.sociais e mais particularmente na vida dos sujeitos na terceira idade?. Nessa lógica de raciocínio. a participação e os condicionantes culturais. realidade que se expressa através da economia. Logo. emocionais. Para melhor compreendermos o objeto de intervenção do profissional Assistente Social na particularidade das condições que incidem na vida da terceira idade. nas manifestações e relações culturais?. Como a sociedade está conseguindo organizar-se para o acolhimento das reais necessidades presentes e futuras deste segmento social? Como estamos construindo os mais diferentes espaços para o acolhimento deste sujeito idoso na família. políticos. o trabalho do Assistente Social exige uma ação dota de estratégias metodológicas marcadas por instrumentais que irão se efetivar na direção de um fim. tornando-se uma eterna correlação de forças existentes entre os vários modelos instituídos para a manutenção do sistema capitalista. Os instrumentais são mecanismos utilizados pelo profissional como sendo recursos indispensáveis para uma efetiva ação de garantia dos direitos sociais dos usuários. as mudanças que ocorreram e ocorrem no cenário histórico. objetivando um resultado. da política do país e da forma como estão sendo construídas e estruturadas as instituições protetoras deste segmento social. o Assistente Social passa a compreender. entendemos que o processo de reconhecimento do objeto de trabalho está diretamente relacionado a forma como estabelecemos a nossa análise sobre a realidade. Sabemos que em cada processo histórico alteram-se as percepções do objeto a ser trabalhado pelo Assistente Social. mas um fenômeno social marcado por condicionantes dos mais diversos fenômenos: econômicos. 89 .

5 15. Vejamos a tabela abaixo fornecida pelo PNAD (2007).4 10.9 Acima de 0 a 1/4 SM 52. precários recursos no sentido de estabelecerem a garantia de uma qualidade de vida.8 21. busca erradicar da sociedade do cotidiano da vida dos sujeitos toda uma vulnerabilidade social de violência. uma realidade que possa se expressar em cidadania.7 21. 90 . por grupos de renda1 de 0 a 1/2 SM.5 24.2 As Políticas Sociais para o Enfrentamento das Desigualdades Sociais Temos visto que as políticas sociais criadas pelo governo nas suas diferentes esferas municipal. TABELA 10 Brasil: População idosa (60 anos ou +).0 Fonte: PNAD (2007).7 13.9 10. e as mais diversas desigualdades sociais marcados na vida do idoso. segundo faixa etária (2007) (Em %) Faixa etária 60 a 64 65 a 69 70 a 74 75 a 79 Mais de 80 Sem renda 42. Muitas vezes.9 6. 8. formatam-se políticas incapazes de modificar a realidade de muitas famílias que dependem da renda financeira de muitos idosos.Esta realidade requer que exista por parte dos profissionais um maior comprometimento com a realidade social. discriminação. não estão conseguindo oferecer condições reais para realmente oportunizaram as mudanças sócio-econômicas na vida da população.0 Elaboração: Disoc/Ipea. estadual e federal no sentido de reduzir as desigualdades sociais.0 100.8 Entre 1/4 e 1/2 SM 37. alijando-os a condições subalternas de vida na própria família.0 100. Estas alterações na forma como enfrentamos esta realidade adversa.7 7.6 9.0 12.6 12. que oportunize meios de transformação da realidade. abandono. Nota: Renda domiciliar per capita Total 100. Outros idosos percebem baixos vencimentos de aposentadoria.

O IBGE aponta ainda que aproximadamente 16. Idosos em situação de abandono pelos familiares que não possuem uma estrutura mínima de sobrevivência para manterem este idoso no seio familiar. estão abaixo da linha da pobreza as famílias com pelo menos um morador maior de 15 anos que ainda não foi alfabetizado. Entendemos que as ações do Estado atende apenas o mínimo das reais necessidades da população e do trabalhador de modo geral. SPOSATI (1997) nos afirma dizendo: 91 . O restante vive com menos de R$ 70 por mês. quase cinco milhões não possuem renda. apesar de 84. A maior parte desse grupo está na região Nordeste. sendo já para muitos. não atingindo suas reais necessidades. É como se um em cada quatro moradores de zonas rurais vivesse na miséria. Muitas das políticas públicas não atingem o âmago da situação das famílias desafortunadas que se encontram no Brasil. Como vemos a partir da tabela acima as condições sociais da terceira idade na sociedade brasileira tem levado muitos idosos a viverem situações de vida marcadas pelo total desvalimento de recursos.1% do contingente. Segundo o Censo 2010. o IBGE apontou que o Brasil possui uma população de mais de 190 milhões de pessoas. questionamos o papel do Estado frente a esta realidade.5% dos brasileiros não possui banheiro nem energia elétrica em casa ou não conta com água e esgoto tratados. Isso significa que pelo menos 8.2 milhões de brasileiros vivem em condições de extrema pobreza. a única condição que lhes resta.. e aqui particularmente da terceira idade. ou irão viver nas ruas. estando estes idosos a buscarem nos abrigos uma alternativa de sobrevivência.4% da população geral estar concentrada nas áreas urbanas. Somado a essas condições. Nessa linha de raciocínio sobre as condições de vida da população brasileira. sejam estas materiais ou de afeto. com políticas sociais mínimas e residuais. que concentra 59. O mapa da pobreza demonstrado pelo IBGE aponta que a metade das pessoas extremamente pobres reside no campo. Desse total. segundo estimativas deste Instituto.

Aqui. Fora esta parcela da população que paga altos custos para a obtenção de serviços privado. estabelecendo a redução salarial e aumento do desemprego. cada vez mais favorece o estabelecimento de bolsões de miséria paralelo a todo um desenvolvimento e um incremento que vem sendo construído através de novas tecnologias que deveriam contribuir para a abertura de postos de trabalho. Neste mesmo viés.ht ml 92 . na vida das pessoas. com exíguos O neoliberalismo é uma reação à expansão da intervenção do Estado no estágio intensivo. Uma brutal concentração da riqueza. e que contraditoriamente. Pela realidade exposta acima percebemos que as medidas adotadas pelo governo são construídas a partir de mínimos sociais com taxas baixas de investimentos e de crescimento social estabelecendo políticas públicas fragmentadas e setorizadas não oportunizando um desenvolvimento integral da condição humana.usp. 11 11 Um sistema estatal de saúde e de assistência social. na vida das pessoas que se encontram na terceira idade juntamente com seus familiares. p. sejam estas da área da saúde. onde o acesso a estes serviços é medido a peso de grandes somas.mercado. em uma tentativa de recompor o âmbito e reassertir a primazia. ou da área social.11). http://www. a destituição dos direitos trabalhistas já conquistados. acentuam-se cada vez mais.do. este país de um “Estado mínimo histórico” é.br/fau/docentes/depprojeto/c_deak/CD/4verb/neolib/index. a sociedade do capital vai estabelecendo uma oferta de serviços privados de alto nível. que incide. material e subjetivamente. a grande maioria da população idosa que não possui renda buscam nas filas do SUS ou do SUAS o atendimento as suas necessidades de sobrevivência. e aqui particularmente.Insistir em direitos sociais no Brasil. vestir a capa de utópico no pior sentido do termo. Estas medidas representam o receituário de uma política de cunho neoliberal . política social e pobreza são tomadas como irmãs siamesas (1997. sem dúvida. financiados por instituições que possuem uma parcela bastante expressiva da riqueza produzida em nosso país como é o exemplo das empresas de saúde privada. o movimento é inverso.

2004. p. 93 . Uma Crônica do Salário. SPOSATI. Revista Serviço Social e Sociedade. Saúde Mental e Serviço Social. 1999. Cortez. Aldaísa. CASTEL. Mínimos Sociais e Seguridade Social: Uma revolução da Consciência da Cidadania. alguns elementos e contornos básicos presentes no debate sobre o significado da classe trabalhadora. Petrópolis: Vozes. Nesse sentido. São Paulo: Cortez. urge tomarmos uma atitude e refletirmos sobre o futuro de nosso país sobre este processo natural que é a longevidade com qualidade de vida. oferecendo alguns serviços básicos à porção expressiva de indigentes da população (DRAIBE e AURELIANO apud CASTEL. São Paulo. 3. 1997. Campinas: Cortez. Ricardo. São Paulo: Cortez. assim. ed. Adeus ao Trabalho? Ensaios sobre as Metamorfoses e a Centralidade do Mundo do Trabalho. para que. 2004.orçamentos. As Metamorfoses da Questão Social. Serviço Social e Interdisciplinaridade: o exemplo da saúde mental. O desafio da subjetividade e a interdisciplinaridade. esta obra é um ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do trabalho procura oferecer. n.123). Eduardo Mourão. futuramente e não muito distante do nosso tempo presente. In: ______. Os profissionais da área da gerontologia e geriatria deverão tomar a frente desta discussão. 2000 IAMAMOTO. O Serviço Social na Contemporaneidade. Referencia Comentada: Adeus ao Trabalho? Ensaios sobre as Metamorfoses do Mundo do Trabalho Autor: Ricardo Antunes Cortez Editora . Referencias: ANTUNES. ed. e envidarem esforços no sentido de promoverem o debate sobre o tema. VASCONCELOS. com o olhar situado num canto particular de um mundo marcado por uma globalidade desigual articulada. 6.55. não venhamos a nos lastimar pela imprecaução de não termos feito o trabalho necessário frente a esta realidade. 2000.1999 Caro leitor. Marilda V. Robert.

sociais e econômicos que o surgimento da classe operária impõe no curso da constituição do sistema capitalista. na vida cotidiana das pessoas. tornando-os frágeis vivendo no cotidiano de suas vidas as dificuldades inerentes desta condição. mas os trabalhadores que vão chegando nesta fase da vida (em torno de 45 anos) como ressalta o autor acima já estão sofrendo o preconceito da idade.v. a partir de nossos conceitos e pré-conceitos aceitos e legitimados socialmente. incidindo diretamente sobre a subjetividade da população que está ou vai enfrentar o seu processo de envelhecimento. Respostas: v. traduzindo fenômenos sociais e particulares. ( ) O Serviço Social a partir desta realidade é solicitado a desempenhar seu trabalho. A menina Loas: um processo de construção da Assistência Social. Maria Carmelita.v 94 . YASBEK. ( ) Segundo CERQUEIRA (1982). Assistência na Trajetória das Políticas Sociais Brasileiras: uma Questão de Análise. Autoestudo ( ) Os trabalhadores vão sendo fragmentados. ( ) A questão social representa o resultado estabelecido a partir dos conflitos inerentes da relação capital e trabalho da sociedade capitalista.f. na intermediação dos direitos sociais. ( ) Percebe-se que a mudança ocorrida no mundo do trabalho afeta a todos os trabalhadores de maneira geral. 3. São Paulo: Cortez.v. FALCÃO.v. ( ) A percepção da totalidade é fundamental. alterando as estruturas sócio-econômicas. Carvalho. 1987. SPOSATI. São Paulo: Cortez. Maria do Carmo B. nos mais diferentes processos de trabalho. questão social não representa somente o conjunto de problemas políticos. para propor alternativas e compreender a realidade social na vida cotidiana das pessoas.______.ed. BONETTI. Dilsea Adeodata. 2004. Aldaiza de Oliveira.

através da discussão em equipe sobre as diferentes demandas dos usuários e da interação com diferentes saberes sobre o tema. O profissional necessita analisar previamente a implementação destas políticas. Através das diferentes leituras da realidade. sejam estas na particularidade dos espaços que as mesmas ocupam ou no contexto coletivo em que a sociedade vai se construindo. os profissionais poderão avaliar o alcance das políticas sociais na vida dos idosos e seus familiares. os profissionais encontraram caminhos a serem percorridos com o usuário na solução dos dilemas. O Trabalho do Serviço Social com as Expressões da Questão Social O Assistente Social é um profissional que busca compreender as condições sociais que se configuram as expressões da questão social na vida das pessoas. para que as mesmas não venham a incidir de forma negativa na vida do usuário. o Assistente Social procura orientar o usuário. mas que muitos os desconhecem. tornando-o dependente e sem autonomia. 95 . buscando alternativas para poder propor condições de acesso às políticas públicas/sociais. como os que se encontram no capítulo cinco deste estudo. O Assistente Social procura reconhecer a forma como as pessoas estão organizadas para o enfrentamento das expressões da questão social. O Assistente Social precisa reconhecer a realidade onde irá atuar.9. Nessa linha de raciocínio poderíamos nos indagar: Como fazer isto a partir das demandas sociais da terceira idade? A partir da compreensão da realidade social. o Assistente Social necessitará estar articulando o seu trabalho no conjunto dos diversos processos de trabalho instaurados na instituição onde o mesmo atua. fazendo-o perceber a si mesmo e a se reconhecer como cidadão a partir destes mecanismos legais que estão disponíveis a todos. e aqui em particular as que se encontram na terceira idade. visa garantir espaços reflexivos sobre os mais diversos aspectos em particular sobre os direitos sociais. Assim. Os efeitos do trabalho profissional do Assistente Social no cotidiano da vida dos sujeitos.

vaidades. que o Assistente Social perderá o verdadeiro foco da intervenção. oportunizará a descoberta de novos caminhos a serem percorridos. os conhecimentos teórico-metodológicos. 96 . Este foco se mantém através da proposta expressa no seu código de ética que se materializa no seu plano de trabalho com vistas a fazer com que o usuário se reconheça como sujeito. que trazem consigo. Muitas vezes. deverá ser elemento teórico-metodológico construído no coletivo institucional. caracterizam-se por uma nova forma. possibilitarão ao Assistente Social um saber/fazer capaz de propor uma construção de alternativas viáveis. entendemos que o trabalho do Assistente Social junto a uma equipe interdisciplinar poderá estabelecer um conjunto de alternativas que incidirão frente a realidade vivida pelos usuários. arcadas repetimos por acirramentos. dentro das instituições. disputas. ter clareza sobre as diferentes dimensões da formação. mas também de solidariedade. que possibilitem trabalhar com a realidade apresentada pelos idosos. através da construção de uma rede interna realmente efetiva.Entendemos que o conhecimento representa uma ferramenta importante nessa articulação realizada pelo Assistente Social utilizando-o no seu processo de trabalho. no entanto. Isso não significa. oportuna para o crescimento e avanço do capital. A interdisciplinaridade é uma maneira criativa de juntar potencialidades. não poderá ser percebida como algo que iniba potencialidades. acirrando ainda mais as relações entre as pessoas na busca da manutenção do emprego. trabalhar em equipe é de suma representação a socialização e a articulação de conhecimentos diferentes e ao mesmo tempo comuns por área de conhecimento. o processo técnicooperativo e ético-político associados. A interdisciplinaridade. ocorrem os reflexos daquilo que está posto nas relações de trabalho. Estas transformações. viabiliza novas estratégias de ação. uma série de transformações. onde cada disciplina do conhecimento. momentos conflituosos. mas pelo contrário. Para o Assistente Social. Assim. pois esta direção. Sendo assim. valorizando-se e assumindo a sua cidadania. enquanto princípio mediador entre diferentes saberes.

estratégias de planejamento e execução. afirma que é possível dizer que o processo de trabalho do Assistente Social inicia no momento em que esse se vincula a uma Instituição. relacionando-se sempre com os obstáculos inerentes desta sociedade capitalista. É aqui que deveremos montar estratégias necessárias de convencimentos e conquistas junto aos que dirigem os espaços que o Assistente Social ocupa. Portanto. Vasconcelos (1997) nos faz pensar a respeito da prática profissional do Assistente Social. politizante e também educativa/propositiva que aponte para a ruptura com o instituído. crítica. enquanto prática de caráter reflexiva . na busca dos direitos do usuário. compartilhar idéias e intenções com os demais profissionais. o Serviço Social não pode agir de uma forma isolada repetimos. pois muitas vezes. neste sentido. o Assistente Social transforma-se em um agente que interfere e age diretamente como mediador. que busca possibilitar à socialização da informação como uma vertente de indagação e ação sobre a realidade social. e observa os limites e possibilidades de seu caráter interventivo. tem contato com a realidade apresentada. Os meios de trabalho definirão a forma concreta onde o Assistente Social se movimentará para alcançar os fins que seu trabalho se propõe. Vasconcelos (1997). estes espaços se 97 . Estado e sociedade. deverá envidar esforços no sentido de estabelecer trocas de pareceres. Uma prática vinculada aos interesses e necessidades da população que demandam os serviços sociais públicos. necessitará de meios de trabalho para a operacionalização do trabalho profissional. processo de conhecimento e intencionalidade de prática interventiva é o que da corpo ao processo de trabalho do Serviço Social. criativa. pelo seu caráter reflexivo/propositivo. Nesse sentido. Na contemporaneidade. profissional. Um profissional atento. Esta ação interventiva. buscando aliar possibilidades e alternativas. Como vemos a articulação entre teoria. implica fatores diversos como intenções. que coloca permanentemente em questão a relação que envolvem vários sujeitos: usuário.O processo de trabalho do Serviço Social. que envolvam as demandas apresentadas. tornar-se essencial o trabalho do Assistente Social. que busca fazer uma prática reflexiva como base em seu código de ética.buscando encontrar alternativas possíveis de trabalho.

As condições políticas. sem as mínimas condições de se garantir a privacidade do trabalho profissional com o usuário. necessitando articular o seu processo de trabalho com os demais processos de trabalho garantidos institucionalmente para a produção de um resultado final. essas dependem dos meios e recursos para se efetivarem. as forças e poderes instituídos.6). técnica e ético-política na condução de suas atividades. os quais não são propriedades do assistente social. Todavia essas dependem dos meios e recursos para serem efetivas. Aos poucos. O Assistente Social dispõe de uma relativa autonomia no seu fazer profissional. de forma “homeopática” vamos mostrando que o trabalho do Assistente Social requer os meios mínimos de condições de trabalho para conseguirmos garantir a sua efetividade. dispõe de uma relativa autonomia teórica. (2000. os recursos humanos são condicionantes diretos que influenciam o desenvolvimento da ação interventiva do Assistente Social. 98 . requer de meios ou instrumentos para viabilizar suas ações e planejamentos. Outro elemento que incide diretamente no trabalho do Assistente Social é a conjuntura social construído historicamente e que permeia a vida da sociedade e das relações. 99) O Assistente Social em seu processo de trabalho como já foi dito anteriormente. em função de sua qualificação profissional. pag. o Assistente Social. A respeito de Instrumentalidade afirmou GUERRA. p. como resultado do confronto entre teleologias e causalidades (2000. Com isso infere-se que falar de instrumentalidade do Serviço Social remete a uma determinada capacidade ou propriedade que a profissão adquire na sua trajetória sócio histórica. visto que se encontra alienado de parte dos meios e condições necessárias à efetivação de seu trabalho. IAMAMOTO (2000) nos faz refletir sobre este ponto afirmando: Como já salientado. concretizando sua atuação.apresentam deficitários.

o profissional poderá analisar os resultados obtidos que se transformam em produtos. 99 . Assim. sabemos que é importante ter claro a forma de como se constitui o seu objeto de trabalho. Ter um olhar crítico sobre a realidade. desenvolveM-se técnicas. saber utilizar e identificar recursos também representa uma estratégia importante na ação interventiva. [. p. infere diretamente nesta construção. ou seja.. No entanto. a dimensão técnico-operativa para se efetivar necessita de meios de trabalho e de instrumentos que irão constituir a prática de trabalho do Assistente Social. Após esta dinâmica de ação. pois nesse processo ele passa a dominar e manipular estratégias que viabilizem suas ações. aqui particularmente lembramos mais uma vez a importante ferramenta que a pesquisa infere na prática do Assistente Social. pois será a partir desta análise que o profissional irá adaptando estes instrumentos dentro das alternativas viáveis de intervenção. atribuídas pelos homens no processo de trabalho ao convertê-las em meios/instrumentos para a satisfação de necessidades e alcance dos seus objetivos/finalidades (2000. É esse conjunto de ferramentas utilizadas pelo Assistente Social caracterizados em torno dos instrumentos da ação profissional que GUERRA (2000) denomina de instrumentalidade. através de técnicas coerentes de acordo com sua formação. O Assistente Social é impulsionado a querer buscar e conhecer melhor a realidade que irá conduzir ao alcance de suas finalidades. A partir desta dinâmica de construção e reconstrução sobre a realidade projetaM-se alternativas. 11)..] propriedades sociais das coisas. Sabemos que as habilidades deverão fazer parte do fazer profissional do Assistente Social no seu processo de produção da vida material. entendemos que todo o profissional possui sua instrumentalidade e que a disponibiliza e desenvolve de maneira muito especializada. na qual as estratégias de ação serão elaboradas e utilizadas.Como vemos a partir da citação acima.

valorizando também aquilo que demanda uma maior atenção. Procurar de forma cautelosa. realizar uma leitura da realidade que oportunize intervir da melhor maneira sobre a realidade. Logo. muito comuns a algumas áreas do conhecimento. para que nada seja tão simples que acabe na banalidade e também não tão complexo que intimide o fazer profissional. para que. O profissional poderá de forma estratégica influenciar os demais técnicos a buscarem também. os resultados esperados por todos. Não podemos incorrer em extremos. não naquilo que sobre sai pela aparência das coisas mesmas.9. mas buscar a essência da realidade. pois este é sustentado e consolidado pelo capitalismo com interesses antagônicos à questão social. Entendemos que a 100 . faz parte do fazer profissional. visando alcançar. Para cada ação atribui-se uma técnica voltada ao seu objetivo. é através do processo de trabalho que o profissional irá no movimento estabelecido no seu trabalho buscar a instrumentalidade que melhor lhe sirva para um fim determinado. através do reconhecimento da realidade e apropriação teórica. apresenta-se de várias formas. sendo uma representação falsa da realidade. observar a realidade a partir das coisas simples. melhores meios de trabalho. eis a meta a ser alcançada.2 Estratégias Metodológicas no Fazer Profissional As estratégias metodológicas deverão ser pensadas para que venhamos de forma mais precisa garantir e alcançar os resultados esperados. O Assistente Social poderá vincular-se a Instituições e construir projetos que busquem refletir sobre a importância da construção de meios de trabalho eficazes dentro da instituição. transformando-os em fetiche. que possuem a capacidade de não aceitarem perceber que todas as áreas do conhecimento são importantes e precisam estar integradas umas as outras. Em face dessas considerações. de maneira mais efetiva. Ter a capacidade de escutar. não devemos atribuir aos instrumentos e técnicas um status sobre-humano. encontrem respaldo institucional para a intervenção dos profissionais com seus instrumentais. acolher as demandas de forma serena. Entendemos que o fetichismo se apresenta como sendo muitas vezes a base por onde caminha o mundo burguês. pois esta.

que se caracterizam por: entrevistas. necessários a efetivação dos programas e projetos de trabalho é a entidade empregadora. humanos. estabelecer vínculos que interliguem usuários. -. profissionais e Instituição. ou seja. encaminhamentos. p. Pois Segundo Iamamoto: Para ser consumida e transformada em atividade. visitas domiciliares. Quem dispõe dos meios de trabalho—materiais.99). para que assim possa montar suas estratégias metodológicas para poder intervir. O Assistente Social procura reconhecer qual é a forma de organização que estes sujeitos idosos se submetem para enfrentamento das adversidades da vida. elaboração de programas. o Assistente Social possui uma relativa autonomia no seu fazer profissional. que por vezes se apresentam na realidade e. entre prática e estratégias 101 . ao ter claro o objeto de trabalho. O que não deve ser um impedimento ao fazer profissional que diante das dificuldades necessita encontrar alternativas criativas para a realização do seu fazer profissional. históricas e políticas. Através dessas articulações. a força de trabalho exige meios ou instrumentos de trabalho e uma matéria prima ou objeto de trabalho que sofrerá alterações mediante a força transformadora do trabalho.questão social se expressa no cotidiano e que sofre influências. seja ela estatal ou privada (2005. Como vemos. A instrumentalidade no Serviço Social necessita ultrapassar os limites. O Assistente Social que trabalha na área da gerontologia social deverá estar atento a tudo que envolva e ou esteja diretamente conectado com o seu fazer profissional. pois. fazer algo com intenção para suprir algo que não chegou a ser vivido ou estabelecido na vida dos idosos que procuram as instituições de proteção social. projetos e outros. manifestando-se de diversas maneiras com já foi mencionado anteriormente. a prática profissional se torna mais consciente. pois ao se referir ao ato profissional temos uma intencionalidade a ser atingida. a partir do pensamento de Iamamoto. Neste propósito. A instituição é detentora do poder institucional que articulará os meios de trabalho para todos os profissionais nela envolvidos. necessita dos meios de trabalho para sua operacionalização. que necessariamente o profissional repetimos. financeiros etc.

pois estes instrumentais formam um conjunto de várias condições e direcionamentos. Considerando que o Serviço Social é uma profissão de mediação e que 102 . na sua forma de ser. p. É por meio dessas estruturas que o Assistente Social constrói e se reconstrói cotidianamente. dando formas ao seu ethos profissional. sua ação se tornará mais qualificada. Portanto ao operacionalizar este conjunto de condições. se torna mais eficiente. garantindo dessa forma ao usuário. sempre o melhor encaminhamento para o usuário dos serviços. entendemos que ao ficar claro para o Assistente Sócial a existência destes instrumentos legais. as leis constituintes. o acesso aos direitos sociais e o exercício da cidadania. as políticas públicas como forma de garantia. construindo e reconstruindo permanentemente a sua prática profissional. Neste sentido. Ao propor alternativas que possam produzir resultados com a demanda existente.de trabalho. exige-se dos profissionais um saber ético-político que permita respeitar os valores alheios sem ferir a liberdade do usuário. estabelecendo um compromisso com a sociedade através do seu processo de trabalho. que irão balizar a ação interventiva do Assistente Social. a análise tanto do objeto de intervenção que se coloca como desafio no processo interventivo do Assistente Social. FERRARINE (2003) conceitua instrumentalidade como: Conjunto de condições que a profissão cria e recria no exercício profissional e que se diversifica em função e um conjunto de variáveis tais como: o espaço sócioocupacional. compõem este cenário de signos. Este irá buscar. mas que viabilize ações humanas em seus resultados. e aqui particularmente o Estatuto do Idoso. a ação interventiva do técnico será sustentada a partir de atos legais. O Serviço Social estrategicamente quando trabalha nas instituições e proteção a terceira idade se instrumentaliza através dos diversos documentos legais que a sociedade constrói para sinalizar e regular os direitos humanos. (2003. o Assistente Social traz no seu cerne os princípios e valores norteadores que orientam a prática profissional estabelecidos em seu Código de Ética. Os estatutos. 7). o nível de qualificação de seus profissionais.

Este profissional irá utilizar uma documentação própria para registrar estas observações percebidas durante a abordagem. suas vivencias. nesta construção histórica que é particular. ou seja.2 A Entrevista como Ferramenta de Trabalho e Estratégia de Acolhimento O Assistente Social quando realiza seu processo de trabalho com a população idosa. O tempo histórico de vida de cada idoso. garantir a qualidade da prestação e dos instrumentos profissionais. Escutar o idoso é algo de grande representação para este segmento social pois. com estes mesmos recursos. Neste mesmo movimento de registro e memorização. 29) nos confere algumas considerações importantes sobre a documentação para o Serviço Social: “os objetivos da documentação são. criando ou recriando com o sujeito a sua própria memória. p. a sua própria história. vividas pelos usuários ao longo de uma linha de tempo histórica. é o cotidiano do vivido. criando pontos de partida para o processo reflexivo que o Assistente Social realiza em sua prática interventiva com os idosos. esta realidade de vida se dá. suas trajetórias. Memorizar as informações possuem o caráter de também identificar pontos nodais na vida dos sujeitos. na maioria das vezes este não é escutado. possibilita reconhecer e elaborar informações importantes através das intervenções. 103 . valorizando suas experiências de vida. a sua identidade social. é a cotidianidade da vida sendo processada. observações. vivendo no seu mundo isolado devido a uma série de preconceitos relacionados a idade. atividades e análises. este procura reconstituir a história de vida dos sujeitos entrevistados. são elementos importantes para o desempenho de compreensão da realidade vivida pelos usuários na terceira idade. muitas vezes ser escutado é o que o idoso mais deseja.estabelece na sua prática a criação de redes sociais como forma de fortalecimento dos sujeitos. memorizando as informações”. a relação entre assistente social/usuário/sociedade. a comunicação é algo fundamental na interação social. GIONGO (2003. O ato de escutar representa darmos vistas a uma valorização do sujeito. Esta habilidade do Assistente Social de reconhecer a realidade a partir da escuta sensível. vamos com o sujeito entrevistado. 9.

ou de sua própria linguagem. reuniões de grupo. atividades de laser. Não podemos somente ficar no passado. esta obra nos possibilita refletir sobre a condição de pobreza em que assola a vida das comunidades refletindo sobre a possibilidade de construirmos políticas emancipatórias para um mundo mais justo e 104 . a representação do tempo presente lhes causa estranhamento pelo fato de não serem ou se sentirem desvalorizados pelos mais jovens que ele. A entrevista particular com o idoso requer do Assistente Social. toda uma habilidade de escuta sensível. Pobreza – Possibilidades de Construção de Políticas Emancipatórias. é a forma como os idosos procuram manter na defensiva a integridade pessoal intacta pois para muitos. entre outras. mas na verdade. As demais abordagens sofrerão o mesmo cuidado. temos que viver o presente. Os idosos possuem um hábito de viverem das lembranças de seu passado. Este irá perceber os pequenos nadas. tem como intencionalidade para o Assistente Social. muitas vezes não ditos através das palavras. Todos estes instrumentais quando utilizados compõem de forma decisiva as estratégias metodológicas do fazer profissional na sua dinâmica interativa com a realidade vivida pelo idoso. a escuta estabelecida com usuários na terceira idade. As estratégias metodológicas são pensadas pelo profissional para o enfrentamento das expressões da questão social. Diríamos que esta atitude poderá representar um ar de nostalgia. da sua cultura. sejam estas visitas domiciliares. representa uma das habilidades mais importantes a serem destacadas no processo de trabalho do Assistente Social com os idosos. do seu meio social. para muitos. Entendemos que. que o remeta muitas vezes a se colocar na condição do seu entrevistado. Autor: Adriane Vieira Ferrarine Oikos Editora – 2003 Caro leitor. Referencia comentada.Este movimento de tempo e espaço. dar visibilidade ao usuário sobre si mesmo e da sua relação com o tempo presente. mas expressos através dos movimentos do corpo e as expressões do rosto.

deverá ser elemento teórico-metodológico construído no coletivo institucional. acolher as demandas de forma serena. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. onde cada disciplina do conhecimento. 2000. In: ______. mas buscar a essência da realidade. São Paulo: Cortez. VASCONCELOS. realizar uma leitura da realidade que oportunize intervir da melhor maneira sobre a realidade. pois esta. São Paulo: Cortez. ( ) A interdisciplinaridade. 105 . FERRANI. oportunizarão a descoberta de novos caminhos a serem percorridos.igualitário Referencias: IAMAMOTO. Serviço Social e Interdisciplinaridade: o exemplo da saúde mental. enquanto princípio mediador entre diferentes saberes. 3. mas pelo contrário.ed. 2000. Oikos Editora – 2003 Autoestudo: ( ) Procurar de forma cautelosa. observar a realidade a partir das coisas simples. apresenta-se de várias formas. faz parte do fazer profissional. ( ) A interdisciplinaridade é uma maneira criativa de juntar potencialidades. Marilda Vilela. ( ) Ter a capacidade de escutar. Eduardo Mourão. Adriane Vieira Pobreza – Possibilidades de Construção de Políticas Emancipatórias. O desafio da subjetividade e a interdisciplinaridade. valorizando também aquilo que demanda uma maior atenção. eis a meta a ser alcançada. não poderá ser percebida como algo que iniba potencialidades. Saúde Mental e Serviço Social. não naquilo que sobre sai pela aparência das coisas mesmas.

intenções. ( ) A partir da compreensão da realidade social. buscando aliar possibilidades e alternativas. implica fatores diversos. como vimos no ponto acima. para que no coletivo profissional. é um profissional que busca compreender as condições sociais que se configuram as expressões da questão social na vida das pessoas. neste sentido. e aqui em particular as que se encontram na terceira idade. através das diferentes leituras da realidade abordada. o Assistente Social necessitará estar articulando o seu trabalho no conjunto dos diversos processos de trabalho instaurados na instituição onde o mesmo atua. estratégias de planejamento e execução. sejam estas na particularidade dos espaços que as mesmas ocupam ou no contexto coletivo em que a sociedade vai se construindo. os profissionais possam encontrar caminhos a serem percorridos com o usuário na solução dos dilemas. que envolvam as demandas apresentadas. ( ) O Assistente Social através da pesquisa. 106 .( ) O processo de trabalho do Serviço Social.

v. As Instituições e o Trabalho do Serviço Social com Grupos de Terceira Idade O Serviço Social é uma profissão que possui uma dimensão política. Entendemos também. das instituições para que os contratem. Compreendemos com PAPALIA e 107 . o Assistente Social. Entendemos que as instituições possuem um papel fundamental enquanto espaço de atuação e de garantia de direitos. é necessário a mobilização de meios de trabalho para que o profissional atinja seu determinismo social. Quando assim ocorre. particularmente o processo de trabalho do Assistente Social. que o Assistente Social quando trabalha na área da Gerontologia.v. de luta e resistência a questão social. Por outra. que é a própria mercadoria que ele vende. Nesse sentido. necessita apropriar-se da dimensão criativa do seu trabalho nos espaços que o mesmo ocupa. através da sua força de trabalho.v 10. e esta dimensão está presente no seu exercício profissional através da garantia de direitos.v.v. as instituições possuem um papel fundamental na garantia dos meios de trabalho para que os diferentes processos de trabalho por ela contratados possam se efetivar. Para que esta mercadoria que é a própria força de trabalho do Assistente Social possa ser utilizada pela instituição. espaço político. sabemos que a grande maioria dos Assistentes Sociais ocupam a condição de trabalhadores assalariados dependendo assim. Sabemos que a ação interventiva do Assistente Social se materializa no cotidiano da vida social através da sua condição de trabalhador livre ou profissional liberal. O Assistente Social vende a sua força de trabalho em troca de salário.Respostas: v.v. necessita de condições sociais e institucionais para que sua força de trabalho se efetive.

26). na valorização da cultura local. habilidades e atitudes que o mobiliza frente as expressões da questão social. dando a ele 108 . o mesmo não somente depende do seu arsenal de conhecimentos. a caminhada a ser percorrida traduzir-se-á em imobilismo social e profissional na vida cotidiana. Esses elementos quando combinados. criativa da matéria-prima colocada para o Serviço Social: Realizar a transformação criativa da matéria-prima do nosso trabalho. as condições sociais em que vive o idoso na sociedade brasileira. Quando assim ocorre. p. aqui particularmente o tema proposto. mas sim que sua prática está diretamente vinculada as condições e os meios de trabalho que as instituições oferecem. na dinâmica do processo de trabalho dos profissionais. do contrário. transformando possibilidades em não-acesso à garantia de direitos.OLDS (2000) que a criatividade é a capacidade que as pessoas têm de ver as coisas de um modo novo. com as quais o Serviço Social se depara cotidianamente no exercício profissional (Iamamoto 2000. no que elas desejam e sonham. auxiliam na criação do novo ou do inédito naquilo que é necessário para suplantar as demandas sociais. Vejamos o pensamento de Iamamoto (2000) quando a autora refere-se a ação transformadora. interferimos na direção social daquilo que está posto enquanto demanda institucional. de produzir algo antes nunca visto. A criatividade somente ocorrerá quando o Assistente Social bem como o Gerontólogo Social conseguirem interferir na realidade a partir da sua abertura para o reconhecimento da necessidade de termos uma formação pautada na pluralidade teórica. por exemplo. de ruptura com as expressões dramáticas da questão social na realidade brasileira. é trabalhar na perspectiva de fortalecer o componente de resistência. ou de distinguir problemas que os outros não conseguem reconhecer e achar soluções novas e incomuns. Trabalhar com mecanismos que mobilizem grupos de terceira idade e comunidades envolvidas com as condições sociais dos idosos deverá ser tarefa concebida pelo Serviço Social. pois. no acolhimento da forma simples que se constitui a vida das pessoas. Sabemos que para o exercício profissional do Assistente Social nas instituições.

é de suma importância para a implementação de ações de inclusão social e ao próprio desempenho do processo de trabalho do Serviço Social. supremacia de uma identidade profissional. obtendo um resultado ou produto final de seu trabalho. lidar com as correlações de forças que. da leitura de realidade social e institucional operada pelo técnico social e bem como do trabalho interdisciplinar também articulado institucionalmente.profissional. reafirmamos sobre o significado profissional da análise institucional. o Assistente Social poderá pensar de forma desafiadora possibilidades de articulação do coletivo social profissional e poderem no conjunto das representações profissionais. Será através das estratégias metodológicas articuladas. e de um trabalho em rede com diferentes setores e segmentos da sociedade que o Assistente Social insurgirá na materialidade de sua ação. Nesse sentido. sobre as outras por uma insegurança de perda de poder e status institucional. se expressam por questões políticas partidárias. 10. os valores. comumente. Estendemos que a análise instituciopnal deverá ser realizada constantemente pelo profissional. as intencionalidades que a movem. consegue estabelecer o reconhecimento dos atores institucionais e suas atuações. pois através destas observações. como por interesses escusos e particulares. o Assistente Social vai reconhecendo o papel político da instituição. definindo os atores que poderão ser reconhecidos como parceiros em um trabalho coletivamente viável. e outras tantas formas de acirramentos que vão criando embates e emperramentos na estrutura institucional 109 . bem como das pessoas que dela muitas vezes fazem uso tanto por interesses legítimos daquilo que a instituição se propõe. Com este reconhecimento. aquilo de que necessita para obter um produto final a partir de seu processo de trabalho.1 A Análise Institucional: O Reconhecimento das Possibilidades e dos Limites da Intervenção Social O reconhecimento das possibilidades e dos limites de sua ação profissional nos espaços operativos. O Assistente Social por meio da análise institucional.

. da educação. O protagonismo em defesa das minorias somente encontra eco junto aos movimentos de resistência. da assistência social.187). É preciso mecanismos que confirmem o protagonismo dessa população. É a possibilidade 110 . e que necessita. compreendendo o movimento que a sociedade está permanentemente estabelecendo. Profissionais que detenham conhecimentos de áreas afins e diferentes a serem colocadas a disposição do trabalho com a terceira idade.. do esporte. Vejamos o pensamento de Couto (2004). é algo de suma importância. muitas vezes. como vemos na fala de Vasconcelos (2000) “A interdisciplinaridade é entendida aqui como estrutura. estabelecer reflexões junto aos movimentos sociais.A dimensão teórico-metodológica da formação profissional sinaliza a importância do Assistente Social trabalhar como protagonista junto aos movimentos sociais de resistência. [. disputando... a ampliação da fatia dos investimentos que devem ser utilizados para os efeitos perversos da exploração capital sobre o trabalho possam ser reduzidos. (. que possui fundamentos teóricos que dão vistas e clareza sobre a possibilidade de mudança.47). assim a assistência será inscrita como direito social (COUTO. a grupos organizados. 2004.] não basta nem a existência e nem o conhecimento da lei para que a vida da população pobre seja alterada. um dos pontos-chave para a real implementação de ações emancipatórias recai na possibilidade das instituições possuírem técnicos capacitados para o atendimento de demandas sociais emergentes. a conselhos de direito entre outros espaços. Só no espaço de disputa de projeto social para o país é possível equalizar a assistência social com o direito social. profissionais da instituição ou da comunidade local. 2000. p. a curto e a longo prazo. com uma tendência à horizontalização das relações de poder entre os campos implicados” (Vasconcelos.) afirmar a assistência social como direito é tarefa de uma sociedade. Esta ação visa implementar a sua dimensão ético-política. e essa tarefa só pode ser realizada com a presença forte de toda essa sociedade. sejam profissionais da área da saúde. Nesta análise. p. havendo reciprocidade mútua. nos marcos do capitalismo. Nesse propósito trabalhar com a possibilidade interdisciplinar como referimos acima.

O profissional do Serviço Social. de amizade. “É na relação de redes que se colocam as questões enfrentadas pelos próprios sujeitos na sua perda de poder para articulá-las em estruturas e movimentos de fortalecimentos da cidadania. Quando buscamos o espaço social que ele reside estamos mantendo os vínculos deste usuário com as pessoas que ele conhece e é reconhecido. Os grupos de terceira idade. do mundo do trabalho. p. da identidade. da autonomia” (Faleiros.de exercitarmos o trabalho interativo entre si e outras pessoas de forma solidária. p. conforme salienta TURCK (2001). ou seja. mesmo quando este idoso não possua familiares. em que o compromisso e a responsabilidade estejam presentes (Turck. É no contexto comunitário que vamos estabelecendo nossas redes sociais. 1997. As instituições exercem especial importância na vida das pessoas que ao chegarem na terceira idade estão desprotegidas socialmente. 111 . Não é também a solidariedade aos pobres que se propaga no discurso da sociedade civil. Atender as demandas da terceira idade através da articulação do “grupo” é uma das ferramentas interessantes para este fim. procura instaurar a construção de um trabalho que se articule em rede para conseguir atender as demandas particulares e coletivas dos idosos a eles colocadas. políticos e econômicos. de socialização. e de recursos que o Estado deveria garantir no sentido destas pessoas poderem usufruir de uma vida mais tranqüila.30). entre e intraclasses. de remédio para resolver os males sociais. articulando intencionalidades de prática e conhecimentos da realidade institucional/social.24). 2001. o contexto comunitário. É solidariedade entre pessoas. é trabalharmos com projetos sociais grupais que visem o atendimento do idoso no espaço que ele ocupa. de entretenimento e principalmente de acolhimento. tanto do âmbito familiar. A busca da solidariedade na proposição da Rede Interna não tem a conotação. em que as barreiras criadas em função das desigualdades sociais possam ser rompidas para a construção de uma nova solidariedade. representam espaços bem interessantes de auto-ajuda. As instituições desempenham um papel de extrema importância na tentativa de realizarem a inclusão social das pessoas que estão vivendo a margem da sociedade. hoje comum no Brasil.

controladas. Este acolhimento quando assim realizado pelo profissional. ter o cuidado de não potencializar demais a figura do próprio técnico social. mas poderá ter interpretações diferenciadas. Trabalhar com grupos requer do Assistente Social. 2003 p. de forma humana a dor ou a dificuldade do usuário em resolver determinado conflito ou problema em sua vida. oferece ao idoso um espaço de pertencimento social. revela também. vejamos: Para SCHMITH e LIMA.a postura do trabalhador de colocar-se no lugar do usuário para sentir quais suas necessidades e. quando o idoso se vincula a um grupo operativo. a forma como estrategicamente o profissional articula a rede de serviços. (2004) estes definem acolhimento como sendo “uma ferramenta que estrutura a relação entre equipe e população e se define pela capacidade de solidariedade de uma equipe com as demandas do usuário”. se efetive em um contexto maior. que possui a habilidade necessária de acolher de forma solidária. (RAMOS e LIMA.Entendemos que o acolhimento não representa uma definição unívoca. Nesse sentido o acolhimento realizado no grupo de terceira idade é estabelecido por uma equipe que trabalha diretamente com os idosos. poderíamos pensar na idéia dele não necessitar mais buscar nos asilos. quando assim pensado. 112 . Segundo RAMOS e LIMA (2003) estes explicitam que: . sendo ele profissional o mediador..24) Esta Capacidade de se colocar no lugar do outro. a única alternativa de vida. uma certa habilidade em saber conduzir os diferentes atores neste processo. O profissional Assistente Social deverá. o acolhimento é realizado por um grupo de profissionais capacitados para compreender as necessidades dos usuários no conjunto das forças que movem o coletivo organizado destes profissionais.. fortalecidas para o bom desempenho deste espaço operativo. fazendo com que. revela um profissional sensível. pois assim ocorrendo. no contexto comunitário que o mesmo está situado. mediadas. repetimos no lugar onde o mesmo reside. o acolhimento da demanda. Sabemos que no grupo se estabelecem correlações de forças que deverão ser avaliadas. na medida do possível atendê-las ou direcioná-las para o ponto do sistema que seja capaz de responder àquelas demandas. O efetivo acolhimento do usuário no grupo de terceira idade.

Muitas vezes. 10. em fim alguém que respalde conosco o convite. verificando qual seria o grau de aderência dos mesmos no trabalho proposto. já representa um primeiro passo do sucesso da idéia. Por exemplo. temos que realmente mostrar que a proposta é relevante no contexto comunitário ou institucional. junto a alguma pessoa que já possua uma referencia com os idosos. sobre a proposta do trabalho com grupo de terceira idade. e esta energia incial partirá do profissional que se propõe colocarse a frente do empreendimento. Este convite compartilhado possui como intencionalidade buscar em alguém um status de confiança. entre outros. o sujeito que convida é alguém sério. abordando os idosos do contexto comunitário e ou do espaço institucional.poderemos incorrer no risco de estabelecermos um vinculo de dependência do usuários em relação ao técnico. procurar um profissional que tenha de certa forma uma intimidade com os idosos. pois do contrário a energia despendida no processo. não será motivadora para o fim desejado. como por exemplo: Quando o grupo for implantado em uma instituição asilar. um enfermeiro que cuida dos idosos e estabeleceu um vinculo forte com os mesmos. falaremos sobre o processo de trabalho do Assistente Social com grupos na terceira idade. È importante fazer uma pesquisa de campo. 2º O segundo passo para a implantação do Grupo de Terceira Idade é saber se a temática proposta é do interesse da comunidade. A temática terceira idade deverá mobilizar o técnico social. um agente comunitário. Esta pessoa irá oferecer mais confiabilidade ao convite proposto pelo técnico social e seu convite formalizado. 113 . Se esta energia positiva despendida do profissional não existir. É diferente alguém aderir a um trabalho quando a pessoa que convida é apresentada por outro alguém de confiança. é algo que lhe mobiliza.2 O Trabalho Efetivo com Grupos de terceira Idade: A seguir acompanharemos alguns passos importantes de como implantarmos um grupo de terceira idade nos espaços comunitário e posterior. 3º É importante que o técnico social procure respaldar sua ação de implantação do grupo de terceira idade. um ajudante. No contexto comunitário poderá ser uma liderança comunitária. no sentido de o técnico social ser apresentado para os idosos. uma auxiliar de cuidados. os idosos e demais membros não assumirão o compromisso com o técnico e com o grupo. Quando alguém que conhecemos nos formula um convite. o fato de eu saber quem é a pessoa.para que as pessoas se sintam mobilizadas. vejamos: O Processo de Trabalho Implantação de Grupo de Terceira Idade: na Observações: 1º O Técnico Social deverá ter claro que a temática escolhida.

e ou gostarem desta temática. assim como os conselhos locais. como iremos desenvolver nosso processo de trabalho já com o grupo de pessoas que aderiram ao nosso convite: O Processo de Trabalho do Serviço Social na Implantação de Grupo de Terceira Idade: 1º O grupo foi formado por pessoas que não se conhecem. mas não desanime. divulgação. que é o componente do grupo e membro da instituição ou do contexto comunitário. 5º O grupo poderá iniciar com um membro.4º Não desista no primeiro momento. Quanto maior a abrangência da comunicação mais fácil a aderência dos interessados. como é o caso do profissional Assistente Social. Vejamos agora no quadro abaixo. A implantação de um grupo de terceira idade não é uma atividade muito fácil. o técnico social deve estar muito implicado com o processo e com a temática para não desanimar e desistir. ou seja: Você técnico e o usuário que aderiu ao chamado. pois a implantação em si depende de muitos fatores como. obstinação. poder se colocar em frente de um grupo. mas possuem algo em comum. Sabemos que um membro não representa número suficiente para a implantação de um grupo. agora formulado por uma segunda pessoa. É importante repetirmos que. A rede de serviços locais representa uma via de comunicação de grande amplitude de comunicação que poderá ser utilizada. seriedade. implantar um grupo requer muita paciência. falado ou até de rádio e televisão. pois nuclear um grupo requer muita paciência e obstinação. pois as semanas transcorridas durante o processo de implantação poderá favorecer melhor o processo de socialização do convite. implicação com a temática “ terceira Idade”. 114 . requer vontade. pois todo o processo coletivo inicia-se com duas pessoas. no segundo encontro somente a mesma pessoa. Ter paciência e força de vontade são habilidades importantes no processo de constituição de um grupo. e querer fazer parte de um um espaço coletivo. Por isso. sejam estas através de documento escrito. Necessitamos investir na divulgação. amadurecimento da idéia. Observações: Esta condição. Sabemos que os processos comunitários dependendo dos espaços que são utilizados são precários e que requer muita obstinação por parte do profissional em prosseguir com o projeto. serem idosos. pois poderemos ter o primeiro encontro com apenas um membro. e muita paciência. mas no quarto encontro poderá surgir o terceiro membro. lidar com as diferenças. nivela os membros em estarem buscando objetivos comuns para o funcionamento do grupo e utilização deste espaço coletivo. e no terceiro a mesma coisa.

. 4º Outro elemento de extrema importância que o Assistente Social deverá ficar atento. por vezes movidos por sentimentos de antipatias. de um mesmo projeto de vida construído coletivamente.. desejos. principalmente as falas onde aparece o “não dito” aquilo que fica nas entrelinhas. de forma positiva como futuros lideres. para isso. intrigas. Estabelecer processos de reconhecimento é muito importante para se estabelecer o inicio da confiança mutua. pois estes sujeitos poderão ocupar o papel que ora o Assistente Social ocupa. O profissional Assistente Social. vão sendo ditos e vividos no e pelo grupo. para o extermínio.. Estes membros que possuem este potencial deverão ser estimulados a desenvolverem um papel importante no grupo. As dificuldades inerentes que vão surgindo no processo de nucleação do grupo deverão ser trabalhadas no coletivo social para que elas sejam diluídas. o técnico social terá que ter a habilidade de perceber qual os interesses do grupo. 3º O processo de construção da identidade do grupo é algo que será construído de forma lenta e gradual. mas na medida que o grupo cresce. que vão aparecendo ao longo dos encontros e das abordagens realizadas pelo técnico. Por exemplo. é a descoberta dos lideres naturais. Durante os encontros. desconfianças. Aqui as dinâmicas são bem importantes como técnicas de mobilização e descontração. oportunizar momentos de as pessoas poderem se conhecer. Valorizar os lideres naturais decorre de uma estratégia significativa para o profissional social. as diferenças promoverão no grupo uma forma possível para agregar novos elementos observados no grupo “A” em 5º É relevante que o profissional Assistente Social promova sempre encontros entre grupos. deverá ter o cuidado de observar os lideres naturais negativos e trabalhar estes sujeitos no sentido de mudarem suas formas de se colocarem no grupo. o grupo da comunidade “A” com o grupo da comunidade “B”. significados. aos sentimentos. eles poderão ser positivos ou lideres negativos. é neste momento. o Assistente Social vai desaparecendo estrategicamente para que alguém do grupo vá assumindo seu papel como líder ou figura representativa. quebrando este sentimento de estranhamento de uns para com os outros. bem como do técnico para com os idosos do grupo. sempre no sentido de trabalhar de forma a somarem no coletivo social.. Com toda a certeza. O grupo deverá ser sempre o espaço de resolução de conflitos. fofocas. sentimentos comuns. sonhos. Estes elementos quando percebidos e pensados poderão unir as pessoas em torno de um mesmo espaço. no sentido de conseguirmos “quebrar o gelo”. estes encontros possuem por finalidade estabelecer comparações de funcionamento e 115 .. o técnico social irá promover atividades específicas que favoreçam os componentes do grupo a irem dando pistas sobre o que mais lhes convém. é necessário primeiro que todos se sintam partes integrantes daquele espaço de convivência. neste encontro de identidades que buscaremos reconhecer o que nos une uns aos outros. Entendemos que as diferenças existem como forma de aproximação ou repulsa daquilo que nos agrada ou não. É importante que o profissional fique atento as falas. entre outros.2º É necessário para o técnico social. Os lideres negativos deverão ser monitorados para que os mesmos não deixem o grupo se arrastar para um caminho que iniba os processos criativos.. Se positivas. este espaço de liderança do Assistente Social no grupo representa um mecanismo de efetiva organização daquilo que o grupo precisa no seu processo de nucleação e desenvolvimento.

Neste momento todos no grupo poderão ficar desestabilizados e dizerem: Que será de nós agora sem você? Não conseguiremos dar um passo sem a tua presença!. para que hajam comparações positivas. e segue adiante enfrentando os desafios naturais de qualquer espaço democrático e legítimo. O que estabelece as amarras nos componentes são os objetivos comuns construídos. Estas comparações poderão prover um novo estímulo para que cada grupo queira organizar seu grupo de diferentes maneiras. com a presença do ou dos lideres naturais constituídos no grupo. È importante pensarmos em criar ações que realmente possam estabelecer uma organização social no atendimento à população idosa. permitindo que o grupo se torne autosuficiente nos encaminhamentos. 6º O grupo está maduro o suficiente para poder caminhar sozinho. distinguimos o quanto o processo de trabalho do Assistente Social ele é importante nesse sentido. O Assistente Social procurará não interferir tanto nas decisões tomadas pelo grupo. entendemos que o 116 . é o momento de observar seu produto final. de constituição participativa. competência éticopolítica deverá passar por este momento. 7º Chegou o momento de dizer a deus aos componentes do grupo. será que eles foram rigorosamente pensados. sem a liderança ostensiva do Assistente Social. o grupo legitimamente constituído. é o momento de deixar o grupo caminhar sozinho. O tempo será o grande remédio para colocar a saudade no seu devido lugar e o grupo retomar sua energia novamente. O melhor parâmetro a ser utilizado nesta análise diz respeito aos princípios estabelecidos no seu código de ética do serviço Social. É o momento do grupo começar a caminhar sozinho. O profissional estrategicamente vai permitindo que os componentes do grupo e os lideres naturais positivos. é o momento de rever todo o processo e avaliar se realmente seus objetivos foram alcançados. Este é o momento de avaliar o trabalho realizado pelo profissional Assistente Social. materializados e garantidos através do processo de trabalho do Assistente Social? Fica aqui a pergunta. Convergindo com tal reflexão. Mas temos a certeza. entre outras falas. principalmente se o grupo foi nucleado por um acadêmico de serviço social.. os vínculos pela afinidade que os movem. Todo o processo de trabalho quando realizado com seriedade. é mais um recurso implantado tanto no âmbito da instituição como no contesto comunitário. é ver a autonomia do grupo funcionando.conquistas. 8ª Após o efeito “bomba” da notícia. É o momento da saudade antecipada. é o processo de tomada de decisão. é a possibilidade de ter a certeza que seu processo de nucleação deu certo. toma fôlego e prossegue sua caminhada. relação ao grupo “B”. é como se um olhasse para o outro no formato de espelho. ou seja. Elabora o “luto” do companheiro que se desvincula.. possam estar traçando novas possibilidades de ação e tomadas de decisões. e principalmente o caráter político que o grupo possui e representa. que este sentimento é natural em todo processo de desvinculação de laços fortes estabelecidos a partir da confiança mutua. é saber que o grupo tornou-se um espaço de democracia. Este é um momento difícil para o profissional Assistente Social. ou de formas iguais a partir do novo. e a procura de respostas. os sentimentos de pertença e amizade.

. este produto definimos como sendo ter acesso a condições sociais que garantam ao idoso espaços reflexivos sobre a garantia de direitos e de cidadania. Serviço Social: Questões para o Futuro. 3. Rio Grande do Sul. D. através da ferramenta grupo para a terceira idade. S. A. visualizando demandas tradicionais e as emergentes de nossa época. 19 (1): pp. 2003. A. este livro revela uma intensa prática dos Assistentes Sociais em diversos espaços coletivos. D. Marilda Vilela. Caderno Saúde Pública. Acolhimento e Vínculo em um Programa de Saúde da Família. através do trabalho executado pelo Assistente Social. Caderno de Saúde Pública. possui uma matéria-prima a ser trabalhada. LIMA. São Paulo: Cortez. M. e que. Porto Alegre: Artmed. Referencia Comentada: Práticas do Serviço Social Espaços Tradicionais e Emergentes Organizador: Jaqueline Oliveira Silva Dacasa Editora – 1988 Caro leitor. Vicente de Paula. Cortez.. 117 . M. E. 2000.trabalho com grupos de terceira idade alcançam objetivos sempre presentes nos programas e projetos sociais direcionados para este segmento social nos espaços que esses idosos ocupam. D. Revista Serviço Social e Sociedade. Rio de Janeiro.50. S. resultará em um produto. que se configura nas expressões da questão social. IAMAMOTO. Rio de Janeiro. Acesso e acolhimento aos usuários em uma unidade de saúde de Porto Alegre. São Paulo. n. 2005. 2004. O processo de trabalho desenvolvido pelo Assistente Social. 20 (6): pp. W. D. FALEIROS. Desenvolvimento Humano. M.27 – 34. Referencias: PAPALIA. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. RAMOS . LIMA. 1487 – 1494. D. & OALDS S.ed. SCHMIDT. 1996. D.

( ) Por outra. Autoestudo: ( ) A criatividade somente ocorrerá quando o Assistente Social bem como o Gerontólogo Social conseguirem interferir na realidade a partir da sua abertura para o reconhecimento da necessidade de termos uma formação pautada na pluralidade teórica. O desafio da subjetividade e a interdisciplinaridade. ( ) Sabemos que a ação interventiva do Assistente Social se materializa no cotidiano da vida social através da sua condição de trabalhador livre ou profissional liberal. Maria da Graça Maurer Gomes. ( ) O Assistente Social por meio da análise institucional. no acolhimento da forma simples de como se constitui a vida das pessoas.TÜRCK. In: ______. dando a ele profissional. 118 . Serviço Social e Interdisciplinaridade: o exemplo da saúde mental. VASCONCELOS. São Paulo: Cortez. aquilo de que necessita para obter um produto final a partir de seu processo de trabalho. sabemos que são poucos os Assistentes Sociais que ocupam a condição de trabalhadores assalariados dependendo assim. Saúde Mental e Serviço Social. 2000. consegue estabelecer o reconhecimento dos atores institucionais e suas atuações. é de suma importância para a implementação de ações de inclusão social e ao próprio desempenho do processo de trabalho do Serviço Social. das instituições para que os contratem. o mesmo não somente depende do seu arsenal de conhecimentos. habilidades e atitudes que o mobiliza frente as expressões da questão social. no que elas desejam e sonham. e esta dimensão está presente no seu exercício profissional através da garantia de direitos. ( ) O reconhecimento por parte do Assistente Social dos limites de sua ação profissional nos espaços operativos. ( ) O exercício profissional do Assistente Social nas instituições. Serviço Social Jurídico: Perícia Social no Contexto da Infância e da Juventude. 2000. na valorização da cultura local. Campinas: Livro Pleno. Eduardo Mourão. mas sim que sua prática está diretamente vinculada as condições e os meios de trabalho que as instituições oferecem. ( ) O Serviço Social é uma profissão que possui uma dimensão política.

f.v. Respostas: v.v.definindo os atores que poderão ser reconhecidos como parceiros em um trabalho coletivamente viável.v 119 .v.v.

120 .

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