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Direito Penal III / Grécio Gregio 1º BIMESTRE Email: gregio@uol.com.br PARTE ESPECIAL – precedentes históricos  A parte geral surge depois da parte especial, com desenvolvimento da técnica legislativa e doutrina O homem começa a pensar: por que vou punir determinada conduta? Por que uma ação é relevante para o direito penal? Qual o limite da pena? Hoje em dia, é algo natural do legislador de cada país estabelecer uma parte geral e outra especial, que prevê os crimes e suas conseqüências (sanção). Heleno Cláudio Fragoso: “A parte especial, de certa forma, destaca e põe em relevo os valores e interesses de maior significação em determinado momento, merecedores da reforçada tutela jurídico-penal, estabelecendo em concreto a conduta delituosa”.  Primeiro Código a ter parte geral – Codex iuris bavarici criminalis, de 1751 (Baviera)  Teoria dos tipos penais O Direito penal é composto pelas normas presentes no Código Penal (tutela os bens mais importantes para a sociedade, os mais estáveis) e também pelas leis especiais. o CPB + Leis penais especiais  Princípio da Legalidade Esse princípio é uma das principais referências para o Direito Penal, inclusive para a parte especial: “Não há crime sem lei anterior que o defina, nem há pena sem a prévia cominação legal”.  Definição de condutas incriminadoras + sanção (= consequência jurídica ao reato) Tipo penal: conduta descrita pelo legislador, acompanhada dos elementos considerados relevantes para o legislador, caracterizando o crime. Os “elementos” são muito importantes justamente para a caracterização e identificação do crime.  Cabimento da analogia tipificando condutas? Não é possível, pois a interpretação do direito penal deve ser sempre restritiva, em benefício do réu.  Limites do ius puniendi (Santiado Mir Puig) o Utilidade da intervenção penal: deve-se atentar para a utilidade da intervenção penal, se a tipificação de determinada conduta será relevante para a sociedade. o Subsidiariedade e caráter fragmentário do Direito Penal: o direito penal deve ser sempre subsidiário – somente quando não for possível tratar por outros meios do direito. o Exclusiva proteção de bens jurídicos (interesses sociais protegidos pelo direito) NORMAS PENAIS Muitas vezes essa expressão é utilizada para a “compreensão”/interpretação que se faz de determinado dispositivo. o Estruturantes: estão presentes predominantemente na parte geral, estruturam/explicam o sistema e não estabelecem sanção. o Incriminadoras: são as regras que tem uma relação de hipótese e conseqüência, conduta e pena (descrevem os tipos penais e suas respectivas sanções). o Penais em branco (droga, armas de calibre restrito, permitido, etc.): são normas penais de natureza incriminadora que são incompletas, logo necessitam de algum meio de complementação por outra norma para que possam ter sua eficácia plena. Ex: Lei 11.342 – art. 28! O que é “droga”?  Rubrica lateral: é o nome correspondente ao delito (ex: homicídio simples – é uma forma que permite identificar qual crime está previsto no dispositivo, bem como diferenciá-lo dos demais).  Tipo penal? o Forma simples: é a forma mais simplificada do crime, e em regra, está previsto no caput, enquanto suas variações nos §§. o Causas de aumento e de diminuição especiais: pode ser um trato mais grave ou mais brando, e vêm expressas em frações estabelecidas pelo legislador. o Qualificadoras: é um trato mais grave. Estabelece sempre um intervalo de pena. ALGUNS CONCEITOS...  Sujeito ativo e passivo: ativo é quem ofende o bem jurídico (quem cometeu o crime) e passivo é aquele sobre quem recai a ofensa ao bem jurídico.  Nos crimes vagos, a ofensa afeta toda a sociedade/coletividade, então o sujeito passivo é indeterminado, embora possa existir uma ofensa a um bem jurídico individual. Ex: Crime de falsificação de dinheiro.  Crime próprio: quando a lei determina que um dos sujeitos tenha uma qualidade específica (é o oposto do crime comum). Ex: art. 213 – a vítima tem que ser mulher.  Crime bipróprio: exige qualidades específicas tanto do sujeito ativo quanto do passivo. Ex: art. 129, §9º.  Crimes de dupla subjetividade passiva: um único crime gera violações diferentes a vítimas diferentes. Há mais de um sujeito passivo sofrendo.  Meio (coisa) e modo (atitudes) de execução: o meio está relacionado com algum objeto/coisa que é utilizada para a prática do crime (ex: arma), enquanto o modo são as atitudes de execução (ex: por motivo fútil)  Em algumas situações, o lugar e o objeto material se caracterizam como elementares do tipo. Ex: “local público ou exposto ao público do art. 233; “pequeno valor” do art. 155, §2º.  Objeto jurídico: bem jurídico que se pretende proteger.  Tipo objetivo: ação ou omissão relevante para o direito penal. Em alguns tipos podem estar diversas condutas e, conseqüentemente, diversos tipos objetivos.  Tipo subjetivo: elemento de vontade: dolo ou culpa (só é punível se prevista no tipo).  Iter criminis: caminho do crime: cogitação, atos preparatórios, execução, consumação. Para haver punição, é necessário que o crime comece a ser cometido (início da execução). Há execução quando a lei estabelecer – ex: art. 288 (formação de quadrilha). Delitos de menor potencial ofensivo: crimes com pena máxima não superior a 02 anos. Ex: art. 129, 130... São crimes de competência do JECrim (Lei 9.099/95).  Fase preliminar (antes da denúncia): composição civil e transação penal  Após a denúncia, há a possibilidade de suspensão do processo (art. 89 da Lei 9.099) para os crimes que não possuem pena máxima superior a um ano. Deve-se atentar para o fato de que a suspensão do processo é possível também para os crimes comuns, na justiça comum (ex: art. 155, caput).  Para o Direito Penal, não basta a mera existência da regra tipificadora! Deve existir uma coordenação entre elas, uma sistemática. As normas penais apresentam uma organização para que as normas não fiquem “soltas” de forma vaga pelo ordenamento jurídico. Para isso, é necessário adotar um critério de organização. A adoção de determinado critério sistemático é também uma garantia do cidadão, que não será processado sem que as regras estejam claramente definidas.  As leis distribuem sistematicamente os tipos, agrupando-os em títulos, eventualmente subdivididos em capítulos (técnica de classificação dos delitos). o Figuras delitivas ofendem determinado bem, sendo possível identificar fragmentos do mesmo que permitem a distinção dos tipos. No Código Penal atual a subdivisão parte do bem que foi lesado. Ex: Os crimes contra a pessoa possuem, dentre outras divisões, crimes contra a vida (aborto, homicídio, infanticídio) e crimes contra a honra (calúnia, difamação...). Magalhães Noronha: “Dos critérios aventados para a classificação dos crimes, é o do bem- interesse tutelado o melhor”. Bem é tudo aquilo que satisfaz uma necessidade (material ou moral) do homem, enquanto interesse é a relação psicológica que se cria em torno do bem, a estimativa, a valoração. Ex: Não ligo de doar minhas roupas, mas não vou permitir que ninguém as furte. Código Penal Brasileiro: 11 Títulos Contra a pessoa, contra o patrimônio, contra a propriedade imaterial, contra a organização do trabalho, contra o sentimento religioso e contra respeito aos mortos, contra os costumes, contra a família, contra a incolumidade pública, contra a paz pública, contra a fé pública, contra a administração pública.  Títulos podem se dividir em capítulos  Capítulos podem se dividir em seções HOMICÍDIO É uma das construções mais simples que integram o CP, sendo também uma das mais importantes.  Conceito: “injusta destruição, com animus necandi, da vida humana extraulterina” o Destruição da vida o Extra-ulterina (em saco de vida intra-uterina, seria aborto) o Por outrem (se fosse a própria vida, seria um suicídio) o Injusta, pois há casos em que o próprio direito permite esse destruição, como na legítima defesa. o Com animus necandi  Bem jurídico tutelado: vida humana  Conceito de vida: para fins do direito penal, não há um conceito positivado. Assim, a definição decorre de critérios físico-biológicos e valorativos. o Inicia-se com o “início do parto” = rompimento do saco amniótico (entendimento mais moderno)  Conceito estritamente natural não é viável: se o conceito fosse estritamente natural, toda vez que houvesse destruição da vida seria homicídio. Assim, como explicar o aborto, a morte eutanásia e a legítima defesa, se nesses casos há supressão da vida? Existem formas de supressão da vida que não constituem homicídio, como a destruição de via ultra-uterina (aborto) e aquela realizada pela mãe em estado puerperal (infanticídio).  Limite mínimo: começo do nascimento o Início das contrações expulsivas (parto normal)          o Realização da incisão abdominal (cesárea) o Rompimento do saco amniótico Limite máximo: morte da pessoa titular do bem jurídico “vida humana” Conceito jurídico de morte: o Art. 3º da Lei 9.434/97 (Lei de doação de órgãos): cessação irreversível das funções cerebrais (é o critério aceito majoritariamente) Sujeito ativo: qualquer pessoa (crime comum) Sujeito passivo: qualquer pessoa “viva” Consentimento da vítima é relevante? Não, pois a vida é um direito indisponível. Erro quanto à pessoa pode tornar a conduta atípica? Não, a conduta continua existindo. Tipo objetivo: consiste em matar alguém (ação ou omissão), por qualquer meio: direto (ex: esganadura) ou indireto (ex: ataque por animal bravo); material (ex: mecânico, químico, patológico) ou moral (ex. susto) Objeto material: ser humano com vida Admite-se o homicídio por omissão quando o agente tinha o dever jurídico de evitar ou resultado. o Art. 13, §2º do CP: A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. Ex: Mãe que tem a obrigação de alimentar seu filho recém nascido.  Tipo subjetivo: é o dolo (direto [intenção clara e deliberada de destruir a vida] ou eventual [o indivíduo assume os riscos]) ou a culpa  Elemento subjetivo: animus necandi (intenção da supressão da vida)  Distinções necessárias: o Tentativa de homicídio: dolo de matar alguém que não se consuma o Lesões corporais: dolo de ofender a integridade da vítima (animus leadendi)  Na prática, pode ser complicado identificar a intenção do autor. Muitas vezes o modus operandi do crime (a parte do corpo atingida, o tipo de amar utilizada, a persistência da ação) podem indicar a vontade do agente. Exercícios: quais crimes ocorreram? 1. João desferiu três tiros em Maria, sabendo que ela estava grávida. Maria e o feto não sobreviveram: em relação à Maria ocorre homicídio doloso, em relação ao feto, aborto sem o consentimento da gestante, em concurso formal. 2. João desferiu três tiros em Maria, sabendo que estava grávida, no momento em que ela estava em trabalho de parto. Constatou a perícia que no momento do tiro já havia rompido o saco amniótico: serão dois homicídios dolosos em concurso formal (conforme entendimento doutrinário mais moderno). Questões de concurso: 1. É possível um homicídio ser cometido quando a criança ainda estava no ventre da mãe? Sim, se já houvesse ocorrido o rompimento do saco amniótico. 2. A inviabilidade de o feto permanecer vivo depois do rompimento do cordão umbilical afasta a ocorrência do delito de homicídio? Analisando puramente pelo critério de morte encefálica, a vida do feto anencefálico nem chega a se iniciar, de modo que não há homicídio. 3. Como a tentativa de homicídio se distingue do crime de lesões corporais? Pelo animus necandi ou leadendi. 4. Quando o homicídio é cometido com dolo de conseqüências necessárias? Dolo de conseqüências necessárias é o mesmo que dolo de segundo grau, ocorrendo quando o agente quer produzir um resultado e sabe que, impreterivelmente, terá que produzir outros. Ex: Tício que matar Mévio usando bomba, mas sabe que outras pessoas estão com ele no carro.  O dolo pode ser direto e indireto. No dolo indireto, também chamado de eventual, assume-se o risco de determinados atos. O dolo direto divide-se entre de 1º grau, quando direciona-se a conduta criminosa diretamente para a pessoa que se quer matar, ou de 2º grau (acima explicado).  Consuma-se o crime com o resultado MORTE da vítima = crime de resultado =instantâneo com efeitos permanentes  Crime material: é necessário o exame de “corpo de delito” (para descobrir a causa mortis). A morte precisa ser comprovada por meio de atestado medito (de óbito).  Excepcionalmente aceita a prova testemunhal quando há desaparecimento do corpo (art. 167, CPP) Classificação  Crime comum (não demanda sujeito ativo qualificado)  Crime material (exige resultado naturalístico: morte)  Crime de ação livre (praticado por qualquer meio)  Crime comissivo (de ação) e, excepcionalmente, omissivo (omissão imprópria)  Crime instantâneo (o resultado morte se prolonga no tempo = efeitos permanentes)  Crime progressivo (antes de se chegar à morte, passa-se pela lesão corporal)  Crime plurisubsistente (em regra, vários atos integram a conduta de matar) Formas variadas  Homicídio doloso simples: art. 121 caput.  Homicídio privilegiado: art. 121 §1º  Homicídio qualificado: art. 121 §2º  Homicídio qualificado-privilegiado  Homicídio culposo: art. 121 §3º  Homicídio culposo no trânsito  Homicídio culposo majorado: art. 121 §4º 1º parte  Homicídio culposo majorado no trânsito  Homicídio doloso majorado: art. 121 §4º 2ª parte  Homicídio hediondo  Homicídio preterdoloso ou preterintencional: 129 §3º. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.  Relevante valor social: matar alguém no interesse da coletividade, e não meramente do agente. Ex: Matar o traidor da pátria, matar um bandido perverso que aterroriza o bairro.  Relevante valor moral: interesse próprio (particular), está ligando a sentimentos de compaixão, misericórdia e piedade, como quando a vítima está em um profundo sofrimento, o interesse particular do agente deve ser nobre! Ex: eutanásia.  Esses dois casos são subjetivos, e cabe a defesa demonstrar essa privilegiadora. o Eutanásia: abreviar, sem dor ou sofrimento, a vida de um doente reconhecidamente incurável que se encontra profundamente angustiado. É um homicídio privilegiado. o Ortotanásia: o médico deixa de ministrar remédios que prolonguem artificialmente a vida da vítima, portadora de enfermidade incurável, em estado terminal e irremediável. Ex: João está muito doente e sem a mínima possibilidade de cura. O médico que mantinha o paciente artificialmente Vico, deixou de ministrar os remédios e o paciente morreu. João de qualquer forma morreria, sendo que o médico encurtou sua vida. Há crime? Aníbal Bruno: não existe delito, pois nenhuma razão obriga o médico a fazer durar um pouco mais uma vida que irremissivelmente se extingue, a não ser por solicitação especial do paciente ou de parentes seus. Nesse sentido, existe uma resolução de 2006 do Conselho de Medicina que autoriza a prática da ortotanásia, ao possibilitar ao médico recusar um transplante ou qualquer outro tratamento que prolongue um pouco mais a vida do paciente em estado terminal. Noronha: repudia a posição acima, pois se reveste de cru materialismo. Não existe o direito de matar alguém. A omissão do médico é relevante, tendo o dever jurídico de impedir o resultado com base no art. 13 §2º, b, CP. A resolução acima citada é inconstitucional, sendo caso de homicídio privilegiado. o Distanásia: morte lenta e sofrida de uma pessoa, prolongada pelos recursos que a medicina oferece. É bastante teórico e difícil de ocorrer da prática, existe o dolo! Ex: Mélvio estava com doença incurável, sendo que muito sofria, morrendo lentamente. O médico prolongou a vida deste propositadamente. Se o motivo foi vingança será homicídio doloso qualificado pelo meio cruel. Se o motivo foi tentar sua cura, não existe crime.  Homicídio emocional: sob o domínio de violenta emoção, seguida de injusta provocação da vítima. Tem como requisitos: Não há uma regra fixada no código que afirma em quanto tempo a conduta tem que ser praticada após a provocação da vítima. Depende de argumentação, mas não tem sido aceito pela doutrina e pela jurisprudência quando o agente se afasta do contexto da provocação. o Domínio de violenta emoção, que é diferente de uma mera influência (art. 65, III, “c”, CP): o agente deve estar sob choque emocional No domínio, o agente está fora de controle; ao contrário da mera influência, prevista no art. 65, III, “c” do CP. Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: III - ter o agente: c) cometido o crime (...) sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima; OBS1: a frieza, raiva espontânea, reações patológicas e a mera perturbação excluem a violenta emoção. o Reação imediata: entendido como logo em seguida, ou seja, sem intervalo. Diz a jurisprudência que é imediata se a reação estiver dentro do domínio da violenta emoção.  É um crime de ímpeto, que ocorre de forma impensada, explosiva, emocionada, sem tempo para refletir a respeito de seu comportamento criminoso (Grecco). OBS: Homicídio cometido horas depois da provocação injusta pode ser considerado privilégio? Não. O CP exige imediatidade na conduta do sujeito.  Injusta provocação (≠ de agressão) da vítima: pode ser qualquer conduta desafiadora direta (contra a pessoa – ex. encontra a mulher com outro na cama – admitido pela jurisprudência) ou indiretamente (contra terceiro ou animal – ex. pai que mata estuprador da filha). O privilégio do “domínio de violenta emoção” não se confunde com a atenuante “sob influência de violenta emoção” (art. 65, III, c, CP). No privilégio exige-se a conduta “logo após”, enquanto que na atenuante não existe a exigência temporal. Homicídio privilegiado – aspectos importantes:  Reconhecido o privilégio, a redução da pena é OBRIGATÓRIA, conforme entendimento do STF e da doutrina majoritária.  O privilégio é compatível com aberratio ictus? Sim, pois o agente, diante da injusta provocação, pode atirar no provocador e atingir um terceiro, subsistindo o homicídio privilegiado.  Homicídio privilegiado não pode ser hediondo! Essa é a posição do STF e do STJ e tem como base o art. 67 do CPB, hipótese em que, no conflito de atenuantes e agravantes, aplica-se primeiro as de natureza subjetiva. Em outras palavras, a referida norma é aplicada por analogia bona partem e prevalecem primeiramente as privilegiadoras para num segundo momento serem perguntadas as qualificadoras, afastando, assim, a “hediondez” do crime. HOMICÍDIO QUALIFICADO § 2° Se o homicídio é cometido: I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; II - por motivo futil; III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossivel a defesa do ofendido; V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime  Classificação das qualificadoras: o Subjetivas: incisos I, II e V o Objetivas: incisos III e IV  É possível a concorrência entre qualificadoras, desde que sejam todas objetivas, ou que seja uma subjetiva e a outra objetiva. É impossível a incidência de mais de uma qualificadora subjetiva.  As privilegiadoras são todas subjetivas!  Crime hediondo: lei 8.072/90 o o Art. 1 São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei n 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados: I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio o qualificado (art. 121, § 2 , I, II, III, IV e V); Crime hediondo é considerado “mais grave” que os demais. Estão previstos no art. 1º da Lei 8.072. A CF trouxe a previsão e a lei regulamentou. Tal classificação só existe do Brasil, que coloca uma punição mais severa para determinados crimes, mas não cria novos tipos.  A privilegiadora deve ser analisada primeiramente – se aceita, afasta a hediondez É importante analisar se cada uma das qualificadoras possui carga objetiva ou subjetiva (ao contrário das privilegiadora, que são sempre subjetivas). Se for reconhecido um privilegio, ficam prejudicadas das qualificadoras subjetivas. Isso nada influencia no reconhecimento das qualificadoras objetivas. Exercício: Tício, não mais agüentando o sofrimento do seu pai, que tinha mais de 100 anos e estava com doença incurável, pratica a eutanásia por meio de injeção de uma dose de veneno à vítima. O homicídio será doloso, privilegiado (eutanásia) e qualificado (veneno). É caso de homicídio híbrido. Questão de concurso: homicídio híbrido é hediondo? Sim, Mirabete defende que decorre da aplicação da lei dos crimes hediondos, em que todo crime qualificado é hediondo. Além disso, as circunstâncias do art. 121 §1º CP só interferem na pena e não na qualidade do delito. Não, conforme entendimento do STF e do STJ: Havendo concorrência entre agravantes e atenuantes, prepondera as atenuantes de natureza subjetiva (privilegiadoras) sobre as agravantes objetivas. O reconhecimento do crime privilegiado descaracteriza a hediondez.  Em caso de homicídio não consumado, é possível qualificar como tentativa com a qualificadora!  Concurso de qualificadora: a existência de mais de uma qualificadora em um único crime. o Só é possível a incidência de uma qualificadora subjetiva. o A qualificadora objetiva pode ser combinada com outra objetiva e/ou subjetiva. A classificação é importante para saber quanto ao concurso de qualificadoras e privilegiadoras. O entendimento majoritário é de que não se consegue cumular subjetivas com subjetivas. Assim, o homicídio privilegiado só pode ser cumulado com qualificadoras objetivas. Desta forma, se o júri reconhecer alguma privilegiadora, as qualificadoras subjetivas ficam prejudicadas, mas as objetivas podem ser reconhecidas. O homicídio pode ser privilegiado-qualificado (com uma qualificadora subjetiva) ou, no máximo, triplamente qualificado (1 subjetiva e 2 objetivas). O STJ ainda está dividido já que a 5ª Turma não admite o homicídio qualificado-privilegiado, enquanto a 6ª Turma adota o entendimento contrário. Processo HC 50743 / AL HABEAS CORPUS 2005/0201365-8 Relator(a): Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA (1128) Órgão Julgador: T5 - QUINTA TURMA Data do Julgamento: 18/12/2007 Data da Publicação/Fonte: DJe 17/03/2008 Ementa: PENAL. HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. PEDIDO DE DESCLASSIFICAÇÃO PARA HOMICÍDIO PRIVILEGIADO, PREVISTO NO ART. 121, § 1º, DO CÓDIGO PENAL. INCOMPATIBILIDADE COM A QUALIFICADORA DE CARÁTER SUBJETIVO (MOTIVO FÚTIL). PRISÃO CAUTELAR. PRONÚNCIA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. DESNECESSIDADE. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. ORDEM DENEGADA. 1. Uma vez reconhecida a qualificadora de caráter subjetivo (motivo fútil), torna-se incompatível a tese de homicídio privilegiado. Precedentes desta Corte e do STF. 2. A manutenção da prisão cautelar constitui efeito natural da sentença de pronúncia, se continuam presentes os motivos ensejadores do decreto preventivo, como se verifica no caso. 3. Ordem denegada. I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; [qualificadora subjetiva] O legislador primeiro exemplifica (paga ou promessa de recompensa) e depois coloca uma forma genérica (motivo torpe).  Motivo torpe: para o homem médio, é o motivo baixo, desprezível, repugnante, ignóbil.  Vingança pode ou não constituir motivo torpe, dependendo dos fatos que a originam.  “O ciúme, por si só, sem outras circunstâncias, não caracteriza o motivo torpe” (STJ)  Paga ou promessa de recompensa: também chamado de homicídio mercenário ou por mandato remunerado. Trata-se de homicídio de concurso necessário (ou bilateral), que é executado pelo matador de aluguel (sicário) mediante a figura do mandante.  Na paga, o recebimento é prévio, o que não ocorre na promessa de recompensa.  A maioria da doutrina limita a “paga” ou a “promessa de recompensa” a natureza econômica. Entretanto, uma recompensa sexual pode ser caracterizada como “promessa de recompensa”, mas a “paga” sempre deve ter natureza econômica. Questão de Concurso: Se o homicídio é cometido mediante paga, esta qualificadora qualifica o homicídio em relação ao que ofereceu a paga ou também em relação àquele que recebeu? Atinge aos dois! HOMICÍDIO QUALIFICADO. PAGA. COMUNICAÇÃO. CO-AUTORES. A Turma entendeu que, no homicídio, o fato de ter sido o delito praticado mediante paga ou promessa de recompensa, por ser elemento do tipo qualificado, é circunstância que não atinge exclusivamente o executor, mas também o mandante ou qualquer outro co-autor. Ademais, com relação ao pedido de exclusão da qualificadora do recurso que impossibilitou a defesa da vítima, torna-se necessário o revolvimento do conteúdo fático-probatório, o que é vedado na via estreita do habeas corpus. Precedentes citados do STF: HC 71.582-MG, DJ 9/6/1995; do STJ: HC 56.825-RJ, DJ 19/3/1997, e REsp 658.512-GO, DJ 7/4/2008. HC 99.144-RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 4/11/2008. II - por motivo fútil; [qualificadora subjetiva]  Consiste no motivo insignificante, pequeno, ínfimo, mínimo, desarrazoado. Ex: Briga de trânsito que leva ao homicídio.  A ausência de motivos é motivo fútil? o Corrente majoritária e jurisprudencial: se matar alguém por motivo pequeno já é uma qualificadora, matar sem motivo também será. o Corrente minoritária (César Roberto Bittencourt): trata-se de interpretação malan parte, o que por si só fere o princípio da reserva legal. III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; [qualificadora objetiva]  São formas mais degradantes de morte, com a intenção de ser cruel e causar mais sofrimento.  Também é permitida a interpretação analógica. Para se aplicar tal inciso, a vítima não pode saber que está ingerindo o veneno.  Neste caso, se a pessoa é obrigada e está ciente de que está tomando veneno, não incide essa qualificadora, segundo entendimento jurisprudencial. Então seria qualificado pelo inciso IV (“torne impossível a defesa do ofendido”)  Na hipótese da vítima ser obrigada a ingerir em razão, por exemplo, de uma arma que lhe apontem, não incide nessa qualificadora, mas incide na qualificadora do inciso IV.  Veneno:  Magalhães Noronha e Nelson Hungria, afirmam que constitui veneno as substâncias inócuas que podem, por circunstâncias especiais, causar a morte da vítima: o açúcar ao diabético (a perícia deve confirmar se tratar de açúcar ou qualquer outro veneno), dentre outros.  Asfixia: consiste na falta de ar e suspensão, parcial ou completa, rápida ou lenta, do oxigênio. Quais os tipos de asfixia?  Mecânica: enforcamento, afogamento, estrangulamento, esganadura, sufocação...  Tóxica: uso de gás como o monóxido de carbono, gás de iluminação... Ex: Prender um sujeito dentro de uma sala e jogar nesta o gás que sai do cano de descarga de um carro é hipótese de homicídio qualificado pela asfixia, pois não terá oxigênio.  Possa resultar perigo comum: o dolo é a morte da vítima, mas para isso foi utilizado um meio que causava perigo a outras pessoas (ex: incêndio, inundação, desabamento... vide arts. 250 e seguintes do CP).  É preciso diferenciar o homicídio cometido por meio de um perigo comum e o crime de perigo comum qualificado pelo evento morte (art. 258 CP). A diferença reside no elemento subjetivo, ou seja, no dolo do agente: o No homicídio o dolo é morte da vítima, sendo que o meio utilizado é algo que gera perigo comum; enquanto nos crimes de perigo comum, o dolo do agente não é a morte, mas causar o perigo e se houver morte decorrente, haverá a qualificação do delito perigoso (pelo resultado morte – preterdolo).  Para se caracterizar esta qualificadora, basta o dano em potencial com o animus necandi, pois se não se consumar o homicídio, o agente responderá por esta qualificadora na modalidade tentada. IV - À traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; [qualificadora   objetiva] Trata-se da qualificadora da surpresa, que consiste no ataque inesperado, em que o ofendido não tinha motivo ou razão para esperá-lo. Também é permitida a interpretação analógica. É preciso que o “outro recurso” seja análogo à traição, emboscada ou dissimulação? Bittencourt defende que sim, como, por exemplo a surpresa! Já Francisco Dirceu Barros entende que a interpretação a ser dada a “outro recurso” é amplo, abrangendo, por exemplo, grande quantidade de tiros, o que dificulta a defesa da vítima. V - para assegurar a execução, a, a impunidade ou vantagem de outro crime [na execução, a conduta   ainda está sendo cometida, quando na ocultação o outro crime já foi cometido] [qualificadora subjetiva] Essa hipótese se trata de crimes conexos, em que existe um vínculo entre o homicídio praticado e outro crime. Crime x Contravenção: não qualifica se for contravenção, pois importaria em analogia in malan partem. Todavia não deixa de ser qualificado com base no inciso II (por motivo fútil) pelo fato da contravenção ser algo pequeno e sem importância. HOMICÍDIO CULPOSO Art. 121, § 3º Se o homicídio é culposo: Pena - detenção, de um a três anos  Suspensão processual? Sendo a pena mínima de 1 ano, em tese caberia a suspensão do processo. Contudo, há divergências, pois algumas doutrinas acreditam que há violência do homicídio, mesmo que culposo, de modo que não seria possível aplicar a suspensão processual. HOMICÍDIO MAJORADO (art. 121, §4º) Art. 121, § 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.   Homicídio culposo: aumento da pena decorre da conduta do próprio agente Homicídio doloso: decorre de circunstâncias fáticas não relacionadas à conduta do agente. HOMICÍDIO SIMPLES: art. 121, caput PERDÃO JUDICIAL § 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.  Direito subjetivo do réu  Ônus da defesa de demonstrar as conseqüências do fato (não se aplica in dubio pro reo)  Ato unilateral do juiz (ao contrário do perdão do ofendido)  Homicídio culposo no trânsito? Atualmente, admite-se também a aplicação do perdão judicial ao homicídio culposo na direção de veículo automotor (ainda há controvérsias).  Súmula 18 do STJ: A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório. OBS: A sentença, inicialmente, deve ser feita no sentido de reconhecer a “condenação”. Haverá a dosimetria normal da pena, e somente ao final, o reconhecimento do perdão judicial. Isso ocorre porque caso haja recurso e o Tribunal entenda que não se aplica o perdão judicial, se não houver a fixação da pena, o processo irá retornar ao juiz de 1º grau para que seja feita nova sentença. Aspectos importantes...  02 ou mais qualificadoras: se isso ocorrer, uma entra como qualificadora e as demais serão enquadradas como circunstâncias agravantes (se cabível)  Genocídio: se a intenção do agente do homicídio era destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, ético ou religioso, ou matar membro do grupo (Lei 2.889/56).  O homicídio pode configurar crime contra a segurança nacional, se a vítima for o Presidente da República, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do STF (Lei 27.170/83).  Agente que intencionalmente transmite o vírus do HIV comete homicídio? Alguns doutrinadores defendem que se consumada a morte, reconhece-se a ocorrência de homicídio consumado e que se a morte não se consumar, ocorre o homicídio tentado. As principais dúvidas surgem quanto ao momento da consumação.  Homicídio culposo praticado na direção de veículo automotor x homicídio doloso (com dolo eventual): é, em regra, culposo (art. 302 da Lei 9.503). A divergência encontra-se no fato de enquadrar um homicídio com dolo eventual na direção de veículo automotor. A jurisprudência tem aceitado tal aplicação, embora repelida pela doutrina.  Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor: Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. Parágrafo único. No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é aumentada de um terço à metade, se o agente: I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação; II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada; III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do acidente; IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros. INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO SUICÍDIO (art. 122) Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. Parágrafo único - A pena é duplicada: Aumento de pena I - se o crime é praticado por motivo egoístico; II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência. Conceitos:  Suicídio: retirada da própria vida! Não é punível, pois é um indiferente penal.  Pessoa determinada: não pode ser, por exemplo, um autor que defende em sua obra o suicídio e centenas de leitores o fazem.  Alguém: outro ser humano determinado. Características do tipo:  Bem jurídico: a vida humana.  Tipo objetivo: induzir, instigar ou prestar auxílio  Auxílio moral: decorre de uma ação o Induzir: criar idéia inexistente, sugerir. o Instigar: dar azo a idéia já existente, motivar.  Auxílio material o Auxiliar: fornecer o meio para a realização do suicídio (ex: corda, arma)  Neste caso, pode ocorrer por comportamento omissivo, se o agente tinha o dever jurídico de evitar o resultado (ex: carcereiro, mãe com uma filha desiludida e apaixonada)  Tipo subjetivo: dolo direto; sendo admitido o dolo eventual quando o agente sabia que sua conduta poderia gerar tal resultado, mas assume o risco (ex: pai que expulsa a filha “desonrada”, marido que sevicia a esposa...)  Competência para julgamento: Tribunal Popular do Júri, pois trata-se de crime doloso contra a vida.  Sujeito ativo: qualquer pessoa, havendo a possibilidade de co-autoria! Se “A” induz “B” a instigar “C” a cometer o suicídio, não é possível caracterizar a açoautoria, mas sim uma participação de “A”.  Sujeito passivo: pessoa induzida, instigada ou auxiliada; sendo indispensável o discernimento, pois se não houver pode caracterizar o homicídio (a pessoa não tem controle nem resistência, então haveria uma autoria mediata).  Tentativa? É inadmissível a possibilidade de crime tentado, pois o crime depende de resultado.  Classificação: crime comum, material, alternativo, doloso, instantâneo e de dano.  Pena: 2 a 6 anos quando o suicídio se consuma e 1 a 3 anos se resultar lesão corporal grave. Se nenhuma dessas hipótese ocorrer, não haverá tipicidade e não haverá punição.  Causas de aumento de pena: duplica-se a pena quando... o Motivo egoístico: em razão de interesse pessoal do agente o Vítima menor ou com capacidade de resistência diminuída (por qualquer causa, como depressão, embriaguez, angústia, enfermidade grave...)  Greco defende que esse menor tem que ter mais de 14 e menos de 18 anos, pois abaixo dos 14 caberia a aplicação de homicídio, porque o menor não teria discernimento (trata-se de interpretação sistemática com o estupro presumido quando a vítima tiver até 14 anos) Pontos importantes...  Greve de fome: figura do garante (pais) que tem o dever de evitar o resultado  Médicos em caso de negativa de transfusão de sangue: o médico deve realizar sempre a transfusão, pois estará aparado pela excludente do art. 146, §3º; e se não agir, poderá concorrer ao crime.  Suicídio a dois: se os dois morreram, não há como incriminar ninguém.  Roleta russa: pode caracterizar o crime, pois há a previsibilidade de que ocorra a morte. Se a vítima for submetida à coação (obrigada), o coator responderá por homicídio.  Pacto de morte: se alguma das pessoas sobreviver, ela responderá por homicídio. Jurisprudência correlata APELAÇÃO CRIME. JÚRI. INSTIGAÇÃO A SUICÍDIO. ART. 122 DO CÓDIGO PENAL. APELAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO CONHECIDA NOS TERMOS DO ART. 593, INC. III, LETRA „D‟ DO CPP. Decisão que não se mostra contrária à prova dos autos. Negaram provimento ao apelo do ministério público. (TJRS; ACr 70024083271; Porto Alegre; Primeira Câmara Criminal; Rel. Des. Marcel Esquivel Hoppe; Julg. 18/06/2008; DOERS 03/07/2008; Pág. 88) Direito comparado  Itália: art. 580 – pena: 05 a 12 anos se consumado! Se não se consumar, concretiza pena de 01 a 05 anos, se tem lesão grave ou gravíssima!  Espanha: art. 143 – aquele que induza ao suicídio de outro será castigado com pena de 04 a 08 anos, e a pena será de 06 a 10 se a cooperação chega ao ponto de executar a morte. INFANTICÍDIO Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: [deve haver vida extra-uterina] Pena - detenção, de dois a seis anos.  Estado puerperal: elemento de ordem físio-psicológica. O estado puerperal é o período pós-parto ocorrido entre a expulsão da placenta e a volta do organismo da mãe para o estado anterior a gravidez. Há quem diga que o estado puerperal dura somente de 03 a 07 dias após o parto, mas também há quem entenda que poderia perdurar por um mês ou por algumas horas (a duração desse estado é bastante relativa e pode variar de pessoa para pessoa). o Sintomas: a mãe em estado puerperal pode apresentar depressão, não aceitando a criança, não desejando ou não aceitando amamentá-la, e ela também fica sem se alimentar. Às vezes a mãe fica em crise psicótica, violenta, e pode até matar a criança! Durante ou logo após o parto? Deve-se analisar em casa caso quanto tempo durou a influência do caso. Dependendo da influência e do grau de afetação biopsicológica, poderá redundar até mesmo em inimputabilidade, pois a mãe não tinha noção do que estava fazendo. Competência para julgamento: Tribunal do Júri Bem jurídico tutelado: vida humana Tipo objetivo: matar + durante ou logo após o parto (elemento temporal) Tipo subjetivo: dolo genérico (direto ou eventual) + influência do estado puerperal Sujeito ativo: somente a mãe! Se houver ajuda, o partícipe poderá incorrer em homicídio. Sujeito passivo: o filho recém nascido ou feto que está nascendo (com vida). Se o feto estiver morto, não há que se falar em infanticídio. Necessidade de perícia? Tentativa? É possível. Classificação: crime próprio, doloso, de dano, material, comissivo ou omissivo.           Jurisprudência correlata Se o crime ocorreu após o estado puerperal, trata-se de homicídio, no caso, na forma tentada (TJSP, RT 757, 530) Direito comparado  Itália: art. 578 - Causar a morte logo depois do parto ou durante o parto, por abandono material ou moral: pena de 04 a 12 anos! ABORTO Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena - detenção, de um a três anos. Aborto provocado por terceiro Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de três a dez anos. Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de um a quatro anos. Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência Forma qualificada Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte. Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: Aborto necessário I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; Aborto no caso de gravidez resultante de estupro II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.  É importante ressaltar que o aborto não é um homicídio, pois naquele inexiste vida extra-uterina, embora seja necessária a existência de vida biológica. Espécies: a) Provocado pela gestante ou consentir que terceiro o provoque (art. 124 – pena: detenção de 01 a 03 anos). Neste caso, o crime é de mão-própria, pois deve ser provocado pela própria gestante. b) Provocar o aborto sem consentimento da gestante (art. 125 – pena: reclusão de 03 a 10 anos). Além da proteção a vida, visa também proteger a integridade física da gestante. c) Provocar o aborto com consentimento da gestante (art. 126 – pena: reclusão de 01 a 04 anos). Vide exceção do §ú. d) Forma qualificada (art. 127) As penas serão aumentadas de 1/3 se a gestante sofrer lesão corporal grave ou duplicada se a gestante falecer. Neste caso, o dolo do agente era praticar somente o aborto . Entretanto, se o agente tinha a intenção de gerar lesão ou morte da mãe, haverá concurso formal impróprio (dois crimes dolosos a partir de uma mesma conduta), na forma do art. 70 do CP, com cúmulo material. e) Aborto legal ou autorizado (art. 128) Aborto autorizado (128): hipóteses em que o aborto é legalmente autorizado, sendo que somente o médico pode praticá-lo  Para salvar a vida da gestante: é o aborto necessário e, neste caso, não é necessário o consentimento da mãe, uma vez que a mesma não pode dispor de sua vida, de modo que o médico deverá agir mesmo que a gestante não queira.  Se a gravidez resulta de estupro: é o chamado aborto humanitário e, neste caso, é necessário o consentimento da gestante.  O Conselho Federal de Medicina recomendou que os médicos não precisam de autorização judicial para praticá-lo, bastando somente uma declaração da gestante de que o estupro ocorreu. Tal recomendação não pode ser aceitada pois violaria preceito legal. Características:  Bem jurídico tutelado: a vida humana.  Competência para julgamento: Tribunal do Júri   Tipo objetivo: realizar o auto-aborto ou praticar aborto na gestante Tipo subjetivo: dolo direto ou eventual o Sujeito ativo: mãe (em caso de auto-aborto) ou terceiro (em caso de aborto provocado) o Sujeito passivo: feto (no caso auto-aborto ou aborto provocado com consentimento) ou feto e gestante (em caso de aborto provocado sem consentimento da mãe) Pontos importantes:  Pílula no dia seguinte: não é considerado aborto, pois ainda não há a formação do feto.  Interrupção da gravidez quando inviável a vida extra-uterina – aborto eugenésico: tecnicamente é considerado aborto, pois se encaixa no tipo penal. Alguns doutrinadores defendem que, considerando a impossibilidade de vida extra-uterina, não há crime, visto que incidiria a exclusão da culpabilidade (inexigibilidade de conduta diversa)  Se dos meios empregados para provocar o aborto não houver a morte do feto e sim lesão grave ou morte da gestante: caracterizará aborto tentado e lesão ou homicídio culposo.  Aborto ético ou sentimental:  Concurso com a morte da mãe:  Concurso formal impróprio:  Aborto culposo?  Exceção da Teoria Monista LESÃO CORPORAL Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. Lesão corporal de natureza grave § 1º Se resulta: I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; II - perigo de vida; III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; IV - aceleração de parto: Pena - reclusão, de um a cinco anos. § 2° Se resulta: I - Incapacidade permanente para o trabalho; II - enfermidade incurável; III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função; IV - deformidade permanente; V - aborto: Pena - reclusão, de dois a oito anos. Lesão corporal seguida de morte § 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o resultado, nem assumiu o risco de produzí-lo: Pena - reclusão, de quatro a doze anos. Diminuição de pena § 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. Substituição da pena § 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis: I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior; II - se as lesões são recíprocas. Lesão corporal culposa § 6° Se a lesão é culposa: Pena - detenção, de dois meses a um ano. Aumento de pena § 7º - Aumenta-se a pena de um terço, se ocorrer qualquer das hipóteses do art. 121, § 4º. § 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121. Violência Doméstica o § 9 Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. o o o § 10. Nos casos previstos nos §§ 1 a 3 deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9 deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). o § 11. Na hipótese do § 9 deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. Conceito: ofensa a integridade física de outra, sem a intenção de causar a morte, que gera “alteração funcional ou anatômica, interna ou externa, do corpo humano” (equimoses, luxações, mutilações, fraturas, etc). Saúde: alteração das funções fisiológicas ou psíquicas do indivíduo. A alteração pode ser até mesmo estética (ex: um arranhão), desde que relevante penalmente. As diferentes lesões terão repercussões diferentes (ex: se uma pessoa for espancada ou se levar um arranhão, as lesões terão graus diferentes).  É importante perceber qual o grau de ofensa ao bem jurídico no caso concreto.  Seria possível aplicar o princípio da insignificância diante de um grau mínimo de ofensa? Sim, quando a lesão não causar dano relevante para o direito, como quando um colega que fura o outro com uma ponta de alfinete ou uma tachinha na cadeira de alguém...  As lesões corporais são casos de ação pública incondicionada. No entanto, o art. 88 da Lei 9.099/95 estabeleceu que as lesões culposas e as leves são de ação penal pública condicionada. Características:  Bem jurídico tutelado: integridade corporal e saúde (visa-se preservar a normalidade anatômica, fisiológica e psíquica).  Sujeito ativo: normalmente, qualquer pessoa (não é um crime próprio)  Deve-se atentar para as figuras qualificadas, que é o caso das lesões praticadas no âmbito doméstico ou familiar (art. 129, §9º), pois embora não seja necessária a prática por uma pessoa específica, é fundamental que exista um vínculo direto (ex: lesão corporal contra ascendente - §9º)  Sujeito passivo: qualquer pessoa (atentar para figuras qualificadas)  Feita a mesma observação em relação ao §9º.  No caso do §1º, IV (lesão corporal de natureza grave: quando resultar na aceleração do parto) ou do §2º, V (lesão corporal seguida de morte: quando resultar aborto), é necessário que o sujeito passivo seja uma gestante.  Tipo objetivo: ofender a integridade corporal ou saúde de outrem. o Pluralidade de lesões? o Simples perturbação no animo é suficiente para caracterizar o crime? Dor física ou dor nervosa?  Tipo subjetivo: dolo (direto ou eventual) + animus laedendi  Existe também a figura do preterdolo, quando chega-se a um resultado mais grave do que o desejado, e neste caso o resultado mais grave será punido a título de culpa (se existir previsão culposa)  Consumação: com a efetivação das lesões (crime material). Admite-se a tentativa, exceto na modalidade culposa e preterdolosa. Observações:  A auto-lesão, por si só, é um indiferente penal e não será punida, pois o legislador não visou proteger a integridade física da própria pessoa que está se mutilando. Quando for uma tentativa de realizar o aborto, em que isso cause qualquer lesão ao feto, a gestante também não será punida.  Quando a lesão for realizada para prejudicar terceiros, sob a ótica do patrimônio, como quando alguém realizar uma auto-lesão para recebimento de premio de seguro, caracteriza estelionato (art. 171, V).  Um terceiro poderia responder por instigar ou induzir a auto-lesão? Se demonstrado o nexo de causalidade, sim. É uma construção um pouco forçada (art. 20, §2º)    Um terceiro que instigar alguém a causar lesão corporal em outrem pode ser coautor? Não, somente por responder como sendo partícipe.  Em caso de auto-lesão praticada acidentalmente em decorrência de ato de outrem (ex: “A” agride “B”, que diante dessa agressão, tenta se defender, tropeça e se auto-lesiona), alguns doutrinadores propõe que se “A” não tivesse dado causa a “B”, “B” não teria se auto-lesionado, então a ação de “B” seria uma ação superveniente relativamente independente, pois decorreu da ação de “A”, de modo que seria possível punir “A” pela lesão sofrida por “B”.  E em caso de lesão praticada por inimputável (menor, ébrio, etc)? Aplica-se o art. 20, §2º do CP. Espécies de lesões:  Leve (simples)  Graves  Gravíssima  Resultado morte  Culposa  Doméstica ou familiar a) Lesão grave Não pode se enquadrar nos outros parágrafos. § 1º Se resulta: I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; Imprescindível que sejam realizadas duas perícias (exame de corpo de delito), uma logo após a lesão e outra após os 30 dias (laudo complementar), pois se trata de crime material (art. 158, CPP). Ocupações habituais não precisa ser necessariamente trabalho, pode ser qualquer atividade habitual, cotidiana, como freqüentar aulas ou correr no calçadão (depende da rotina e independe da idade da vítima). A ocupação tem que ser lícita, mesmo que socialmente reprovável (ex: prostituição). II - perigo de vida; O risco deve ser concreto e não apenas presumido, necessitam de demonstrativo médico, ou seja, de um laudo que afirma a ocorrência do riso de vida (é um pouco subjetivo) III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; Debilidade é a redução da capacidade, podendo ser um mero enfraquecimento. Os membros podem ser superiores (braço, antebraço ou mão) ou inferiores. IV - aceleração de parto: Pena - reclusão, de um a cinco anos. Efetivamente, pretendia o legislador que aplicar aos casos em que gera uma antecipação do parto, sem que resulte em aborto. Crítica: semanticamente, “aceleração” pressupõe que algo já tenha se iniciado, e alguns doutrinadores defendem essa interpretação. Na prática, é muito difícil que ocorra uma lesão que resulte a “aceleração” (entendida pelo sentido literal) do parto.  E se o feto nascer com vida e morrer logo depois? O direito penal só pode ser interpretado de forma restrita: não se pode alegar que houve aborto (pois a morte ocorreu em vida extra-uterina) e nem lesão corporal seguida de morte (pois a lesão não foi direcionada ao feto) – assim, aplica-se somente a aceleração de parto. b) Lesão gravíssima § 2° Se resulta: I - Incapacidade permanente para o trabalho;  Dolosa (direto/eventual)  Culposa (depende de previsibilidade)  Não precisa ter caráter perpétuo, mas duradouro, sem tempo determinando para se restabelecer. Divisão doutrinária: para caracterização de incapacidade permanente, deve ser para exercer qualquer atividade ou a atividade que já era desenvolvida? Qualquer atividade seria muito extremo, somente caso de invalidez total. Deve ser analisada sempre a situação fática. II - enfermidade incurável;  Exemplos: lepra, tuberculose, sífilis, epilepsia!  HIV: TJMG entende que não se enquadra em lesão corporal...  Deve-se considerar o estágio atual da medicina. III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função; [função: digestiva, respiratória, circulatória, secretora, reprodutora, sensitiva e locomotora]  Culposa ou dolosa Em caso de perda de dedo não é possível dizer que há perda do membro, será caso de debilidade permanente do membro mão como um todo (§1º, III). E se perde um olho? E se fica surdo de um ouvido? E se a debilidade ocorre em um órgão duplo, como os rins? IV - deformidade permanente;  Modificação estética à forma anterior  Deformidade aparente?  Idade e sexo da vítima são relevantes?  Retirada do globo ocular: debilidade ou deformidade? V - aborto  Preterdolo: resultado mais grave, punido a título de culpa (desejou lesionar, provocou o aborto)  Necessidade de conhecimento da gravidez pelo agente: isso ocorre porque o fato, para ser punido a título de culpa, tem que ser previsível. A lesão é culposa e desejada, mas o resultado aborto, embora previsível, não era desejado (se o agente desejasse, ele seria punido também pelo aborto).  Se a gravidez for desconhecida = erro de tipo! Assim, o agente que causou o aborto sem saber que a mulher estava grávida incorrerá em erro de tipo. Pontos           Lesão leve e princípio da insignificância? Sim, em face de lesões superficiais, conforme já explicado. Necessidade de representação? Em caso de lesões leves e culposas, o legislador previu expressamente a necessidade de representação (Lei 9.099/95). Consentimento do ofendido? Ruptura do hímen? Cirurgia estética, esterilização e transexual? Lesão esportiva? Capez e Regis Prado. Se lesar mais de uma pessoa, trata-se de concurso formal? Continuidade delitiva – possibilidade? É possível, desde que existam ações autônomas e continuadas. (ex: maluco que sai batendo em todo mundo em uma boate) Lesão grave + gravíssima na mesma vítima? O juiz deve reconhecer os dois resultados (pois o Tribunal pode reformar a sentença), e considerar o mais grave para aplicar a pena. Lesão no âmbito doméstico ou familiar... § 9 Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. [a pena máxima de três anos exclui a possibilidade de julgamento pelo JECrim] o