Você está na página 1de 154

Estrutura da Matéria-I (Notas de Aula

)
Roberto V. Ribas

18 de dezembro de 2007

Sumário
1 Teoria Cinética dos Gases
1.1 Evidências para uma descrição Atômica da Matéria 1.1.1 1.1.2 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 A descoberta do elétron A Experiência de Millikan . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

5
5 5 8 11 14 15 16 23 27

A Teoria Cinética da Pressão Equipartição da Energia

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Capacidade Caloríca dos Gases . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A Distribuição de Maxwell-Boltzmann Exercícios O Movimento Browniano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

2 As Origens da Mecânica Quântica
2.1 A Radiação do Corpo Negro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.1.1 2.1.2 2.1.3 2.1.4 2.2 2.3 Lei de Stefan-Boltzmann e Deslocamento de Wien . . . . . . . . . . A Lei de Rayleigh-Jeans . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A Teoria de Planck Para a Radiação do Corpo Negro . . . . . . . . O Calor Especíco dos Sólidos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

29
29 30 33 36 39 41 46

O Efeito Fotoelétrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Exercícios

3 Interação de Fótons com a Matéria
3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 3.6 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Raios X . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O Espalhamento Compton de Raios X Produção e Aniquilação de Pares Absorção de Fótons Pela Matéria Exercícios

51
51 51 55 58 62 63

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

4 O Átomo de Bohr
4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6 Espectros Atômicos e Séries Espectrais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O Espalhamento Rutherford . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O Modelo de Bohr para o átomo de Hidrogênio A Experiência de Franck-Hertz Exercícios Regras de Quantização de Wilson-Sommerfeld . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

69
69 71 78 81 85 88

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

3

.1 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . .Sumário 5 Propriedades Ondulatórias da Matéria 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 A Equação de Schroedinger 6. .6 7. . . . . . . . . . . .1 7. . . . . . . . . . . . . .2 7. . . . . . . . . . . . 91 91 95 102 103 106 108 Interferência Em um Sistema de Duas Fendas Aplicações do Princípio de Incerteza Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Operadores Quânticos . . . . . .2 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . .2 6. . . . .5 7. . . . . . . . . . Equação de Schroedinger Independente do Tempo .6 Postulados de de Broglie . . . . . . . . . . . . . Espectro Vibração-Rotação Molecular . . . . . . . . .2 7. . . . . . . . . . .3 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 Caso Caso Caso Caso .2 Partícula Livre 7. . Aspectos Qualitativos das Soluções da Equação de Schroedinger 111 111 113 115 117 7 Aplicações da Equação de Schroedinger 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 5. .2. . . . .5. . . . Propriedades Gerais das Ondas O Princípio de Incerteza .2 7. . . . . . . . . Caixa Cúbica: Equação de Schroedinger em 3 Dimensões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 A Equação de Ondas Quântica .4 7. . . . . . . . . . .4.2 5. . . . . . . . . . . . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Potencial Degrau 119 119 120 120 123 125 125 127 130 130 131 133 139 140 142 144 E < V0 : E > V0 E > Vo E < Vo Barreira de Potencial Partícula em Uma Caixa (Poço Quadrado) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Poço Innito Poço Finito O Oscilador Harmônico . .3 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Exercícios 8 Bibliograa 9 Apêndice 149 151 4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Operadores de Criação e Aniquilação de Fonons . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 5. . . . . . . . . . . .1 5. . . . . . .3 5. . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . .1 7.1 7. . . . . . . . . . . . . . . . .

Volumes iguais de gases em T e V constantes contêm números iguais de moléculas. J. • Em 1811. de 2 ou mais átomos unidos (chamou esses agrupamentos de moléculas). Daí vem a palavra átomo (a-tomo = indivisí- vel). • Bernulli (∼1738) primeira descrição cinética dos gases. Até o século XVII.1 A descoberta do elétron Os raios catódicos foram descobertos no nal do século XIX e sua natureza não estava ainda bem estabelecida quando Thomson iniciou seus experimentos no Laboratório Cavendish. às vezes.1 Teoria Cinética dos Gases 1. que achavam os raios catódicos serem conseqüência de um processo ocorrendo no ether. conseguindo antecipar inclusive propriedades dos gases que só seriam conhecidas cerca de 50 anos depois. Thomson em 1897. • • Teoria cinética dos gases foi formalmente e amplamente desenvolvida a partir de meados do século XIX por Maxwell. tratando gases como partículas rígidas estáticas que se repelem mutuamente com força inversamente proporcional ao quadrado da distância entre as partículas. Clausius.1 Evidências para uma descrição Atômica da Matéria • gregos (Demócrito. Thomson (e outros cientistas ingleses) propunha que os raios eram partículas materiais carregadas negativamente 5 . fogo. que entretanto não foram muito aceitas até meados do século XIX: Partículas de um gás são pequenas. na Inglaterra. Contrariamente à maioria dos cientistas germânicos. ar e terra). Descoberta do elétron por J. o italiano Amedeo Avogrado apresentou hipóteses para a teoria atômica. Epicuro ∼ 450AC). Formulou um modelo similar ao que apareceu mais de um século depois. Partículas dos elementos consistem. Boltzmann e outros. 1. comparadas com a distância média entre elas.1. • Newton (∼1662) tenta explicar a lei de Boyle PV = cte. essa idéia era associada aos quatro elementos dos quais era composto tudo na Terra (água.

1). há ionização do gás residual e uma luz é emitida na região entre o catodo e o ânodo A. Com uma pressão baixa. onde W = N mv . a imagem é desviada para cima ou para baixo. principalmente W. No tubo de raios catódicos (gura 1. exceto uma faixa (imagem do ânodo) no anteparo fosforescente colocado na outra extremidade do tubo. onde N é o número total de partículas dos raios catódicos atingindo uma pequena Medindo-se o aumento de temperatura dessa placa condutora onde a carga é coletada. uma diferença de potencial V na região entre as duas placas. Thomson coletava e media a carga total N q. tudo se torna escuro. os elétrons. placa e sabendo-se que a quantidade de calor gerado corresponde à perda de energia W Q 1 2 das partículas do raio. Substituindo-se N = na expressão para a 2 q 2 perda de energia. Supondo ser o raio devido a um feixe de partículas de carga q 6 . Num segundo método desenvolvido por J. mas ainda com uma quantidade razoável de gás no interior do tubo. Quando a pressão é diminuída abaixo de um certo valor. cujo raio é dado pela segunda lei de Newton. ele aplicava. na região em que existe campo. os dois ânodos A e B são ligados ao potencial positivo e o catodo ao negativo. J. por exemplo na região das placas D e E. temos: v = 2W q/mQ o que resulta na expressão: 2W q = m QR2 B 2 Este procedimento resultava em valores muito incertos para a razão devido as diculdades de se determinar q/m. Figura 1. J.1: Tubo de Raios Catódicos como o usado por J. Thomson. campos elétricos ou magnéticos. igualando-se a força magnética com a centrípeta: Fmag = Fcentrpeta : qvB = mv 2 .1 Teoria Cinética dos Gases e desenvolveu um método para medir a razão entre a carga e a massa dessas partículas. R R= mv qB Q= Para determinar a velocidade v dos raios. Os raios catódicos podem ser desviados por Ao se aplicar uma diferença de potencial V entre as placas D e E. os raios catódicos terão como trajetória um arco de círculo. na direção perpendicular ao plano do papel. além do campo magnético B. Thomson Aplicando-se um campo magnético uniforme B.

E B Mantendo-se agora este valor de E e desligando-se B. Thomson repetiu o experimento trocando o gás residual e o elemento do catodo.1 Evidências para uma descrição Atômica da Matéria e massa m atravessando a região entre as placas com velocidade v perpendicular á direção do campo magnético (e à do elétrico). x1 = vt1 e y1 = 1 qE x2 1 2 2m v qE x1 m v e portanto: Ao deixar a região de aceleração. O tempo x2 e t2 = x2 /v ´ y2 = vy t2 = qE x1 x2 m v2 e a distância total y é dada por: y = y1 + y2 = qE mv 2 1 2 x + x1 x2 2 1 Medindo-se y. Note que com v na direção do eixo do instrumento e B perpendicular ao plano do papel. Valores de q/m para íons eram conhecidos por medidas de eletrólise. R = mv/qB . de onde v = tela. tem-se a igualdade: qvB = qE. obtendo sempre o mesmo resultado. Thomson notou que os valores de q/m para os raios catódicos (que ele chamou de corpúsculos e 7 . a velocidade na direção y é vy = at1 = gasto para percorrer a distância e a partícula continua com essa velocidade até atingir o anteparo fosforescente. na mesma direção da força elétrica. na região em que há campo B. a força magnética terá direção perpendicular ao plano das placas.1. Ajustando-se a intensidade do campo elétrico de modo que a força elétrica cancele a força de direção oposta devido ao campo magnético (fazendo portanto que a faixa luminosa no anteparo que na mesma posição em que cava quando não havia nem B nem E). e e sabendo-se x1 e x2 pode-se então determinar q/m. a força magnética fará com que as partículas descrevam um arco de círculo de raio R dado pela expressão mostrada anteriormente. a força elétrica nas partículas de carga q será qE. mede-se uma deexão vertical y na Esta deexão pode ser calculada pela soma de dois termos: na região entre as placas. Se o campo elétrico entre as placas é E. ou seja. a partícula está sob a ação de uma força constante qE na direção vertical e o deslocamento na posição vertical é dado por: 1 qE 2 1 y1 = at2 = t 1 2 2m 1 Onde t1 é o tempo de transito da partícula no comprimento x1 das placas: portanto.

bem como sua massa. o hidrogênio. com cada gotícula contendo um (ou mais) íon. Figura 1. a carga elétrica de cada íon pode ser −19 determinada.veja experiência de Millikan adiante) e com a suposição de que cada gotícula continha um íon. as estimativas que haviam para o número de Thomson procurou então determinar o valor da carga elementar. variado de cargas elementares. gotículas de óleo são produzidas com um micro 8 . Faraday estimou e = NA e e com 10−20 C. Townsend. produzia uma nuvem de vapor d'agua.2: Aparelho utilizado na medida da carga elementar utilizando a técnica de Millikan-Fletcher. Townsend estimou q = 10 C.2). Fazendo o gás ionizado produzido por eletrólise borbulhar através da água. Neste método são utilizadas gotículas de óleo. Coletando as gotículas da nuvem. Determinando-se número de gotas como a razão entre a massa total e a massa se uma gota (o raio médio das gotas era estimado medindose a velocidade de queda livre das gotas .1. A quantidade de carga correspondente a 1 Faraday (∼96500 C) é usada para decompor 1 mol de íons monovalentes e o dobro dessa quantidade para o caso de íons bi-valentes. a carga de cada gota é determinada. No método de Millikan (gura 1. experiências que foram realizadas por seu aluno J. media sua carga total com um eletrômetro. que ao No método de Millikan e Embora cada gota contenha um número contrário da água. com a medida de um grande número de gotas foi possível −19 determinar com precisão o valor da carga elementar e =1. S. Como F = Avogrado. não perdem muita massa por evaporação.1 Teoria Cinética dos Gases que depois seriam chamados de elétrons) eram cerca de 2000 vezes maiores que o q/m correspondente ao íon mais leve conhecido. Já a partir das medidas realizadas por Faraday. Fletcher.59 · 10 C). haviam evidências para uma quantidade mínima de carga elétrica. 1.2 A Experiência de Millikan Um método muito mais preciso para a medida da carga de uma única gota foi desenvolvido em 1910 por Millikan e Fletcher. as principais incertezas no raio das gotas (as gotículas evaporam muito rapidamente e seu raio varia com o tempo) e no número de íons contidos em cada gota.

a força gravitacional é O raio da gota poderia ser também determinado. ou seja. placas do capacitor: 4 m = 3 πa3 ρ e sendo d a separação entre as q = 3πηa obtém-se: d (vd + vs ) V O raio pode ser obtido das mesmas medidas de vs . deve-se considerar ainda agindo nas gotas. até que esta se iguale à soma das outras fazendo com que a gota atinja uma velocidade constante (velocidade terminal). devido a viscosidade do ar (deve-se considerar ainda uma pequena correção devido ao empuxo). Desprezando-se o empuxo. Como o −6 tempo gasto na parte acelerada do movimento é muito curto (∼ 10 s) a gota é sempre observada em movimento uniforme. Com uma iluminação forte e um microscópio de pequena ampliação (∼3 a 10x) pode-se observar o movimento das gotículas (observa-se a luz difratada pelas gotas) ao se aplicar uma diferença de potencial entre as placas.1. Invertendo-se o campo elétrico (escolhendo-se E de tal forma que qE > mg) a gota passa a fazer um movimento ascendente. de modo a se poder selecionar gotas de tamanhos adequados para as medidas. A força viscosa é proporcional à velocidade da gota e é dada pela lei de Stokes: Fv = −6πηav . uma força resistiva. Além da força elétrica qE e da gravitacional mg. equilibrada pela força viscosa: 4 mg = πa3 ρoleo g = 6πηavq ´ 3 de onde se obtém: a= 9ηvq 2ρo g No experimento realizado no laboratório didático. sem nenhum campo elétrico. Subtraindo-se as duas equações a= 9η (vd − vs ) 4ρg Neste caso. esta expressão é utilizada para se fazer uma primeira estimativa do tamanho das gotas. medindo-se a velocidade terminal na queda livre. 9 . as equações de equilíbrio de forças são: mg + qE = 6πηavd (descida) qE = mg + 6πηavs (subida) Somando as equações e usando E = V/d. faz com que a gotícula seja acelerada para baixo. uma gota com a força elétrica para baixo. Assim. no espaço entre duas placas de um capacitor. a o raio da gota e v sua velocidade. vd . paralela à da gravidade.1 Evidências para uma descrição Atômica da Matéria pulverizador (também chamado de atomizador. semelhante ao aparelho usado até 15-20 anos atrás para vaporização de remédio para asma) e introduzidas através de pequenos orifícios. Onde η é o coeciente de viscosidade do ar. aumentando sua velocidade e com isso também a força resistiva.

A lei de Stokes correta é obtida calculando-se a viscosidade do ar para uma gota pequena com: η = ηo Onde b 1+ pa −1 é a viscosidade do ar para objetos macroscópicos.3: Distribuição de valores de carga de gotas medidas na experiência de Millikan (dados obtidos por alunos do IFUSP). Fletcher sobre seu trabalho com Millikan foi publicado postumamente (H. p a pressão atmosférica. Fletcher . Essas gotas têm tamanho comparável com o livre caminho médio das moléculas de ar e portanto o ar não se comporta como um "uido contínuo". vemos a distribuição de valores para cerca de 300 gotas. acumuladas durante dois anos em meados da década de 90. Na gura 1. permitem a determinação da carga elementar com incerteza menor que ηo ∼ 1%.cm é uma constante.My work with Millikan on the oil-drop experiment. Figura 1. Um interessante relato de H. Os resultados mostram claramente a quantização da carga e a análise de centróide dos três primeiros picos.1 Teoria Cinética dos Gases Millikan e Fletcher estudaram ainda com cuidado a lei de Stokes e vericaram que a viscosidade do ar. medidas pelos alunos da disciplina Física Experimental V do IFUSP. como é o caso para esferas de raios muito maiores.17 · 10 cmHg. a o −4 raio da gota e b =6.3. determinada para o caso de objetos macroscópicos deveria sofrer uma pequena correção devido ao pequeno tamanho das gotas (nas medidas que fazemos no −5 Laboratório Didático. Physics 10 . as gotas têm raio de cerca de 5 · 10 cm).

elas descrevem um movimento retilíneo e uniforme. no gás devem ter as mais diferentes velocidades. perpendicular ao eixo x. R. Uma molécula do gás com velocidade v colidindo com aquela superfície do recipiente terá alterada somente o componente de sua velocidade na direção perpendicular à parede: vxi → −vxi . Mesmo assim. o número total de moléculas com velocidade vxi que colidem da parede. em todas as direções. Embora previstas no modelo padrão das partículas elementares. Num ∆t. Portanto. 1. à partir destas hipóteses. n2 com vx2 e assim por diante. 43). variações da técnica de Millikan-Fletcher têm sido utilizadas na procura de cargas fracionárias. June 1982. Vamos calcular a pressão na superfície à direita. PV=nRT. podemos considerar que não há interação entre as moléculas.2 A Teoria Cinética da Pressão Conforme as idéias originais de Avogrado. Como as moléculas são eletricamente neutras e a força gravitacional entre elas é desprezível. p. Phys. contidas num recipiente na forma de uma caixa cúbica de lado L. por denição. 698 (1997). separadas por distâncias grandes. e com área A. As moléculas que é portanto o impulso aplicado à parede pela colisão com a molécula. que correspondem à fração ni (∆tvxi A)/V . Consideremos as moléculas de um gás. Vamos então tentar obter a lei dos gases ideais. L. conta como foi o desenvolvimento do método e como Millikan lhe comunicou que seu nome não seria incluído no artigo a ser publicado sobre a determinação da carga do elétron (e que daria o prêmio Nobel a Robert Millikan).2 A Teoria Cinética da Pressão Today. de moléculas contidas no volume ∆tvxi A. O Impulso total correspondente a esse grupo de moléculas será portanto: ∆tvxi Ii = ni ∆tvxi A 2mvxi V Portanto a força média agindo na parede no Sabemos que. comparadas com seus diâmetros e que executam colisões elásticas entre si e com as paredes do recipiente. Lee Searching for elementary particles with fractional electric charge and the philosophy of speculative experiments .1. entre duas colisões. a não ser durante as colisões. Fletcher. A variação do momento linear da molécula será portanto ∆pxi = 2mvxi . um gás é constituído de um número grande de partículas (moléculas). Consideremos que as N moléculas contidas no volume V da caixa e vamos agrupá-las conforme os valores dos componentes x de suas velocidades: pequeno intervalo de tempo distância menor que n1 com vx1 . 65. o impulso de uma força é igual ao produto da força media pelo intervalo de tempo em que ela atua. muitos pesquisadores têm efetuado essas experiências na busca de partículas com cargas fracionárias. Perl e E. com a parede à direita será dado pelo número de moléculas que se encontram a uma Este número é dado portanto pela quantidade . 11 . J. Mais recentemente.Am. 1 2 os quarks (com carga ± e ± ) não devem ser observadas separadamente. Neste artigo. mas somente 3 3 combinadas de modo a ter carga total inteira. Um bom artigo descrevendo essa busca é o de M.

temos: ni vxi . pois não há razão para que haja mais ou menos moléculas com componente de velocidade numa direção. Se considerarmos o número de partículas com componente −vxi . dado por: 2 vx = com 1 N 2 ni vxi i N= i Portanto temos a relação: ni 2 P V = N. em relação à outra. por denição. temos que ni = 2ni . não há nenhuma razão para que qualquer um dos valores médios à direita 2 2 2 Portanto vx = vy = vz de 12 .m. vx O módulo quadrático da velocidade de uma molécula no gás é denida por 2 2 vy + vz e portanto a velocidade quadrática média será dada por: 2 v 2 = vx + v2 = 1 N 2 ni vi = i 1 N 2 2 2 2 2 2 ni vxi + vyi + vzi = vx + vy + vz i da equação acima seja menor ou maior que um outro.1 Teoria Cinética dos Gases intervalo de tempo ∆t é: Fi = A 2 ni 2mvxi V A pressão média devido a essa força será portanto: Pi = 2 ni 2mvxi V Para obtermos a pressão total. devemos somar para todos os valores de vxi : P = i 2 ni 2mvxi 2m = V V 2 ni vxi i Note que ni é o número de moléculas com velocidade vxi positiva (atingindo a parede à direita do recipiente). este número deverá ser também ni . Chamando agora de o número de partículas com módulo de velocidade na expressão acima. Substituindo P = m V 2 ni vxi i O valor quadrático médio do componente x das moléculas do gás é. 2 2 onde v = 3 vx e portanto: Novamente.

temos: NA N de onde se obtém. à temperatura ambiente (∼300 K). vrms = condições normais de pressão e temperatura. onde rms corresponde em inglês a raiz da média quadrática (root mean square ): vrms = como v2 = 2 Ec = m 3kT m k= R . 2 P V = N Ec 3 Comparando com a lei dos gases. corresponde à energia cinética média das moléculas do gás.04 eV = 2 Podemos também. 3RT = NA m 3RT M Essa velocidade pode ainda ser calculada em termos de grandezas macroscópicas. com base nestes resultados. temos vrms = 3P V .0 · 105 N/m2 o vrms 460 m/s.1. Para o ar em ρ = 1. que corresponde a ρ ∼ 1. onde n= N . P V = nRT . nM nM V O produto nM corresponde à massa total do gás a densidade do gás e contida no volume V e portanto = ρ.6 · 10−5 A temperatura absoluta de um gás é portanto diretamente relacionada com a energia cinética média das moléculas do gás. Com P V = nRT . 3 3 R T = kT 2 NA 2 = 1. vrms = v 2 .2 A Teoria Cinética da Pressão 1 2 P V = N m v2 = N 3 3 1 m v2 2 temos nalmente: O termo 1 m v2 2 Assim. R 2 T = N Ec NA 3 Ec = onde eV/K). temos: NA vrms = onde M é a massa molar do gás. Por exemplo.6 · 10−5 · 300 ∼ 0. 13 .4 kg/m3 e p = 1 atm 3P . calcular a velocidade média das moléculas. a energia média das moléculas de um gás é: Ec = denida como 3 · 8.38 · 10−23 J/K = k = R/NA é a chamada constante de Boltzmann (k 8.

uma vez que essas colisões são elásticas. que é representada. se considerada idealmente como duas A rotação do esferas (átomos) ligadas por uma haste rígida. Entretanto. Como cada pequeno volume de gás é homogêneo e isotrópico.. que a energia média das moléculas se distribui eqüitativamente nos vários modos possíveis para a molécula adquirir energia. a translação é a única maneira de uma molécula adquirir energia. essa molécula não pode adquirir energia por rotação ao longo do eixo de simetria. a energia média de uma 1 molécula. a dedução. terá. mas como veremos posteriormente. cada termo da energia. em termos microscópicos pelas colisões entre as moléculas. em média essa distribuição. Por outro lado. Como grau de liberdade. 1. no volume do recipiente. Portanto. Assim. . vemos que a velocidade do som é da mesma ordem de grandeza da velocidade Cv média das moléculas do gás.3 Equipartição da Energia Na sessão anterior. n2 . ela não poderia então ser maior que a velocidade com que essas moléculas colidem. Para moléculas monoatômicas. Na molécula monoatômica. corresponde a kT . além dos três graus de liberdade referentes à translação do CM. as três direções espaciais são equivalentes naquele volume.4. Como a onda sonora se propaga. as moléculas do gás têm uma ampla distribuição de valores de velocidade (que veremos posteriormente) e essas colisões não alteram. que passa pelo 14 . halter pode se dar em qualquer dos três eixos. ignoramos as colisões entre as moléculas. é correta. Já uma molécula diatômica. escrita como função dos componentes 2 1 da velocidade.1 Teoria Cinética dos Gases Lembrando ainda que a velocidade do som em um gás é dada por vs = γRT onde M γ= Cp = 1. entende-se cada coordenada (seja de velocidade ou de posição) que aparece elevado ao quadrado na expressão para a energia da molécula. na dedução pelos valores de n1 . tanto a energia cinética quanto o momento linear são conservados.. como vimos. vimos que a energia cinética de translação (v no caso se refere à velocidade do CM das moléculas) é repartida igualmente nas três possibilidades dos componentes de velocidade da molécula: 1 2 1 2 1 2 Ec = mvx + mvy + mvz 2 2 2 O argumento para que isso ocorra é que não deve haver uma coordenada privilegiada. a possibilidade de rotação. Portanto. como nos halteres. embora não tenha considerado explicitamente as colisões entre as moléculas. Na obtenção da equação dos gases. corresponde a 2 kT . Novamente observa-se nesses casos. e daí a eqüipartição da energia cinética. a energia total é igual à energia cinética de translação e igual 3 a Ec = kT . por grau de liberdade. Embora haja normalmente um número muito grande dessas colisões. com o chamado 2 Teorema da Eqüipartição da Energia: Num sistema em equilíbrio termodinâmico à temperatura T. uma molécula monoatômica pode adquirir energia somente na forma de translação nos três eixos independentes. Vamos generalizar esta observação. moléculas formadas por dois ou mais átomos podem também girar e vibrar.

baixando-se a temperatura 2 3 o valor de Cv diminui. que o tamanho do átomo é desprezível em comparação com a distância entre os dois átomos na molécula e que o momento de inércia em relação a este eixo é zero. a quantidade de calor (energia) absorvida só pode ser armazenada na forma de energia interna. podendo atingir R. onde δ é o deslocamento em relação à distância de equilíbrio e vr a 2 2 velocidade dos átomos da molécula em relação ao centro de massa. Aumentando-se a temperatura.4 Capacidade Caloríca dos Gases eixo da haste (podemos imaginar. 2 7 o valor vai aumentando. 2 5 Para moléculas diatômicas. 1. corresponde a outros dois graus de liberdade. são dois os graus de liberdade de rotação da molécula diatômica e a energia da molécula é então escrita como: 1 1 2 2 2 E = m vx + vy + vz + 2 2 e portanto 2 2 ωx + ωy E = 5 kT 2 para moléculas diatômicas. os dois átomos Esta molécula pode então ter energia de vibração. No caso das moléculas diatômicas. Isso pode ser entendido se admitirmos U = 3 NA kT = 3 RT 2 2 15 . mais de dois átomos. Portanto. o cálculo do número de graus de liberdade é muito mais complexo e não será discutido aqui). Se numa faixa de temperatura tem-se Cv = R. Como nos processos a volume constante não há realização de trabalho.1. U = RT e portanto 2 5 Cv = 2 R. usando-se o modelo de halteres rígidos. Chamando a energia por mol de moléculas por U (energia interna molar). que o valor de Cv varia com a 5 temperatura. uma vez que a energia de vibração é dada 1 1 2 2 por E = kδ + mvr . Estes valores estão em bom acordo com os valores de Cv observados para todos os gases monoatômicos e com aqueles para a maioria dos diatômicos (para moléculas com Para um mol de moléculas monoatômicas. a princípio. mas a verdadeira razão para que isso não possa ocorrer só pode ser compreendida com a mecânica quântica). seriam ligados por uma mola. ou seja : translação. observa-se entretanto. pois antes as moléculas se dissociam.4 Capacidade Caloríca dos Gases A capacidade caloríca molar a volume constante Cv de um gás é denida como: Cv = Onde dQ dT v dQ é a quantidade de calor absorvido pelo gás e dT a correspondente variação de sua temperatura. rotação ou vibração das moléculas. a capacidade térmica molar a volume constante é dada por: Cv = dU dT v 3 e portanto Cv = R. Num modelo mais realista. mas em geral este valor não chega a ser 2 atingido. até atingir R e então estabiliza. que As moléculas diatômicas não são rígidas.

Como no caso geral de substituição de uma somatória pela integral.Considerando-se os átomos num cristal como ligados uns aos outros por forças como numa mola. Essas idéias podem também ser aplicadas aos sólidos. como veremos mais tarde. vx2 . com base na mecânica quântica. . Posteriormente iremos estudar um modelo para o calor especíco dos sólidos.. Realmente. 1 1 2 2 2 E = k x2 + y 2 + z 2 + m vx + vy + vz 2 2 correspondendo a seis graus de liberdade. n3 . Na verdade. este é o valor observado para o calor especíco a volume Cv diminui gradativamente. de acordo com essas premissas.} que caracteriza a distribuição de velocidades das moléculas do gás. a razão fi = ni corresponde à fração N de moléculas com velocidade vxi ..}. 1. Portanto. Utilizando-se o conjunto {f} ao invés de {n'}. . n2 . Neste e em muitos outros casos. é apenas uma aproximação. em muitos casos. utilizamos o conjunto número total de moléculas no recipiente é {n1 . onde este comportamento será previsto. de um número discreto de valores função contínua por: vx . Como o N = ni ..5 A Distribuição de Maxwell-Boltzmann No cálculo da velocidade quadrática média. na sessão anterior. a denição da velocidade quadrática média é dada por: 2 vx = e os 1 N 2 vxi ni = 2 vxi fi fi obedecem ao que se chama de condição de normalização da distribuição: fi = i 1 N ni = 1 i O conjunto {f} é chamado função de distribuição. a denição de média de uma grandeza para uma função de distribuição contínua é dada +∞ 2 vx = −∞ com a condição de normalização: 2 vx f (vx )dvx 16 . . á medida que a temperatura diminui. dos componentes de velocidade das moléculas de um gás ideal. podem vibrar além de rodar.1 Teoria Cinética dos Gases que abaixo de uma certa temperatura. no caso. no caso e a atribuição que zemos. as moléculas do gás não podem mais rodar e que somente acima de uma certa temperatura mais elevada. incluindo o das moléculas de um gás. Cada átomo pode então adquirir energia vibrando em quaisquer dos três eixos e portanto. o conjunto {f} deve ser substituído por uma f (vx ). A explicação para esses fatos só pode ser obtida com a mecânica quântica. os valores da grandeza a que a distribuição se refere. mas Cv = 3R. a altas temperaturas. são contínuos {vx1. para sólidos constante para sólidos.

Note que não há sentido em se dizer que f (vx) é a fração de moléculas com velocidade vx . em muitas situações a função de distribuição pode ser 17 . estão os valores medidos do valor σ2 = (x − x )2 f (x)dx = x2 − 2x x + x 2 f (x)dx = x2 f (x)dx − 2 x xf (x)dx + x2 f (x)dx = x2 − 2 x 2 + x 2 = x2 − x 2 Embora a distribuição de incertezas estatísticas e várias outras de interesse físico sejam dada por uma função gaussiana. Quanto maior médio: σ. em média. Uma vez que para qualquer intervalo nito de velocidades existem innitos valores de vx . ou seja. Por exemplo.5 A Distribuição de Maxwell-Boltzmann +∞ f (vx )dvx = 1 −∞ Na verdade. f (vx ). função de de distribuição Seja vx pode ter seu valor médio obtido à partir da função h(vx ) uma função qualquer de vx . Seu valor médio é dado por: +∞ h = −∞ h(vx )f (vx )dvx Funções de distribuição são utilizadas em várias situações em física e análise estatística em geral. temos: df = f (vx )dvx = fração de moléculas com velocidade entre vx e vx + dvx . quanto em média cada medida individual difere do valor médio. quando tratamos dos erros aleatórios em um conjunto de N medidas realizadas de uma dada grandeza. à probabilidade de se encontrar uma molécula com velocidade Qualquer outra grandeza. esses valores se distribuem de acordo com a distribuição −(x− x 2 )/2σ 2 normal ou gaussiana. Deste modo temos as seguintes relações: vxi +∆vx vxi +∆vx fi = vxi fazendo-se f (vx )dvx e ni = N vxi f (vx )dvx ∆vx tendendo a zero. o que sem dúvida é uma boa medida de nossa capacidade (ou do instrumento de medição) de determinar o valor verdadeiro da grandeza. o conjunto {n} ou {f} que utilizamos na sessão anterior poderia ser melhor interpretado como cada ni correspondendo ao número de moléculas com velocidade dentro de um pequeno intervalo entre vxi e vxi + ∆vx (e portanto fi correspondendo à fração de moléculas dentro desse intervalo). em geral nos interessamos pelo valor médio da grandeza x e pelo desvio padrão σ denido como σ 2 = (x − x )2 . medida No caso dos erros estatísticos. mais distantes. f (x) = Ce em torno do valor médio da grandeza (que representa a melhor estimativa para o valor verdadeiro. O valor da função entre f (vx ) corresponde vx e vx + dvx .1. para um número nito de moléculas o número médio com uma dada velocidade é zero. na ausência de erros sistemáticos).

Isso signica que o fato de uma molécula ter vx grande. na situação em que apenas vx é alterado (colisão frontal). Maxwell supôs que os valores de velocidade 2 para uma demonstração alterEm sua demonstração. alguns argumentos que permitem avaliar algumas características desta distribuição. Com isso.1 Teoria Cinética dos Gases bem diferente. λ ∞ 0 xe−λx dx = 1 2λ 18 . f (vx ) deve ser uma função simétrica. Esta foi efetivamente a solução encontrada por Maxwell: f (vx ) = Ce−mvx /2kT onde 2 C= e portanto 1 +∞ −∞ f (vx )dvx = m 2πkT 1 2 m F (vx . basta Do que vimos na sessão anterior.M. O nosso objetivo. vol. Portanto em muitos casos. Em média ele levou um tiro no peito e portanto deve estar morto . F (vx . ∞ −λx2 e dx 0 Abaixo. não implica em nenhuma restrição para os valores de vy ou vz . podemos também dizer que como as colisões entre as moléculas são basicamente ao acaso. vx pode aumentar ou diminuir. Vejamos. o conhecimento somente da média e do desvio padrão podem não dizer muita coisa sobre o problema (como no caso da piada em que o sujeito no meio de um tiroteio leva um tiro de raspão no braço esquerdo e depois um outro semelhante no braço direito. vy e vz são independentes uns dos outros. em relação a vx com direção à esquerda.vz ) pode ser fatorada como: F (vx . vy e v z f (vx ). Não vamos fazer aqui a dedução desenvolvida por Maxwell (ver H.em média!).vy . entretanto. nesta sessão é obter a função de distribuição para os componentes de velocidade das moléculas de um gás. dependendo da colisão. vx . vy e vy + dvy .vy . a função de distribuição procurada. Nussenzveig. vz e vz + dvz . Sem muito rigor. as velocidades devem se distribuir como no caso dos erros estatísticos. calcular várias integrais de produtos de vx por f (vx ) para cálculos de valores médios.vz ) = 2πkT funções de 3 2 e−m(vx +vy +vz )/2kT 2 2 2 Vamos precisar. serem independentes umas das outras. nativa proposta inicialmente por Boltzmann). que fornece a fração de moléculas com componentes de velocidade entre vx e vx + dvx .vz ) = f (vx )f (vy )f (vz ) pelo fato das grandezas encontrar. f (vx ) = f (−vx ) pois não há razão para que as moléculas tenham preferência por vx à direita. por exemplo. pois numa colisão entre duas partículas. Esta função de distribuição foi obtida pela primeira vez por James Clerk Maxwell por volta de 1859. Com isso. Isto é razoável. algumas dessas integrais: 2 = 1 2 π . v x .vy . e os outros componentes não se alteram. nesta e nas próximas sessões.

y. por exem- plo. para as potências pares de x.vy . a densidade diminui com F (x. F (vx .x) = C onde C é tal que: F (x.vy .z) num plano (x. Portanto temos: 2 e o mesmo em relação à integração em 2 vx = m 2πkT 1 2 +∞ −∞ 2 vx e−mvx /2kT dvx = 2 2 m 2πkT 1 2 1√ m π 4 2kT 3 −2 = kT m chamada como havíamos encontrado anteriormente. representando as moléculas do gás com densidade uniforme. poderíamos desenhar um retângulo com as dimensões correspondentes a esse corte no volume da caixa. devido à ação da força gravitacional. Veremos posteriormente como obter essa distribuição.y). pela condição de normalização: m 2πkT 1 2 +∞ −∞ e−mvy /2kT dvy = 1 dvz . No exemplo que tomamos na sessão anterior. por exemplo. Note que nem sempre a distribuição de V posições é uma constante. 4 5 3√ πλ− 2 . Vamos vericar a plausibilidade da função de distribuição encontrada.y. Se fôssemos representar gracamente a função F (x. distribuição de Maxwell.vy . Na atmosfera terrestre. 8 x2 e−λx dx = x4 e−λx dx = 2 2 ∞ 0 x3 e−λx dx = 1 λ−2 2 x5 e−λx dx = λ−3 2 2 ∞ 0 As integrais de ∞ 0 −∞ a + ∞ são = 0 quando x aparece com potência ímpar no integrando 2 vx . vz senão na própria função F e cada uma dessas integrais deve ser igual a 1. com pontos.z) = a altitude. sendo V o volume da caixa.y. Note que agora os eixos seriam v x . Poderíamos também desenhar algo semelhante para a distribuição de velocidades. calculando que já obtivemos na sessão anterior utilizando outro procedimento: 2 vx = as integrais em de 2 vx F (vx . não há nenhuma posição privilegiada para as moléculas (a densidade do gás é uniforme) e portanto: F (x. Assim como encontramos a função de distribuição de velocidades F (vx .z)dxdydz = C ou dxdydz = CV = 1 1 . distribuídos aleatoriamente no plano.vz ).vz ). vz e 19 . vy .5 A Distribuição de Maxwell-Boltzmann ∞ 0 3 1√ πλ− 2 .1.vz )dvx dvy dvz dvy e dvz podem ser facilmente efetuadas pois não há termos dependentes vy.y. e o dobro dos valores acima. poderíamos perguntar qual a função que descreve as posições das partículas na caixa.

4.vy ) é máximo para vx = vy = 0 e gradativamente diminui. No caso real. conforme visto na gura 1. Se nos restringirmos ao plano (x. o espaço (de velocidades) necessário será innito. mas o espaço de velocidades. O número de partículas nessa faixa é dado pelo produto da área da faixa.vz ) para essas mesmas partículas.1 Teoria Cinética dos Gases o espaço não seria o espaço físico usual. uma vez que a distribuição gaussiana. Agora.vy ) N g(v)dv = 4πv dvN F (vx vy vz ) = N 4πv de onde 2 2 m 2πkT 3 2 e−m(vx +vy +vz )/2kT 2 2 2 20 . a representação de limitada no espaço físico. e portanto: Figura 1. tende exponencialmente a zero. tridimensional.vy vz ).c).z) se faz numa região F (vx . vy ou ambos. 2πvdv pela densidade de partículas com velocidade v. vemos que F (vx .y).vy . como sabemos.vy ). Uma faixa 2 2 circular de raio entre v e v + dv onde v = vx + vy nesse espaço. delimita as partículas que têm módulo de velocidade entre v e v + dv . A representação teria portanto uma densidade de pontos maior na origem das coordenadas vx . por questão de simplicidade. à medida que o valor de um componente de velocidade aumenta. F (vx .4: Representação da função de distribuição no plano. esse número será também dado por N g(v)dv . Na representação de F (x.b. Para partículas localizadas numa caixa de dimensões (a. vy e diminuindo radialmente. aumentando-se v x . ou seja: N F (vx . devemos tomar o produto do volume da casca esférica de mesmo raio e multiplicar por N F (vx .y. se representarmos por g(v) a função de distribuição dos módulos v de velocidade.

pz . conhecida como a distribuição de Maxwell-Boltzmann. Consideremos agora o caso geral de um conjunto de partículas (não somente gás). Este m v e vrms . conforme se vê na gura 1.z quanto das velocidades.5 A Distribuição de Maxwell-Boltzmann m 2πkT 3 2 g(v) = 4π Desta função v 2 e−mv 2 /2kT g(v). A vericação experimental da distribuição g(v) foi realizada pela primeira vez em 1926. F e g são casos particulares de uma distribuição mais geral.5. do momento px . uma vez que: e v 2 dv = 1 v dEc = m m 2Ec dEc m a função de distribuição de como no expoente da função temos energias cinéticas é: mv 2 /2kT = Ec /kT . cuja obtenção envolve procedimentos ainda mais complexos. ou melhor. quando a energia total depende de outras quantidades (como da posição) o fator será diferente. podemos também facilmente obter a função de distribuição de energia 1 Ec = mv 2 .7. Da distribuição de velocidades moléculas do gás: 1 g(v) podemos agora obter a velocidade média (em módulo) das v = m v · 4π 2πkT 3 2 v 2 e−mv 2 /2kT dv = 8kT πm v2 que havíamos obtido note que este valor é ligeiramente inferior ao de vrms = anteriormente. obtendo um excelente acordo com a distribuição g(v). Note também que a distribuição de velocidades não é simétrica. O valor mais provável para a velocidade das moléculas é dado por: valor é inferior a vm = 2kT (verique). dEc = mvdv 2 cinética das moléculas. Podemos pensar então 21 . conforme visto na gura 1. As distribuições que obtivemos. Stern. 1 F (E)dE = CE 2 e−E/kT dE O fator (E 2 ) que multiplica a exponencial é válido somente para este caso. por O.6.py . cuja energia total E é uma função tanto das coordenadas x. em 1955 Miller e Kusch repetiram o experimento utilizando o ltro de velocidades mecânico visto na gura 1. Como veremos.1.y. Mais recentemente. onde a energia total corresponde somente ao termo de energia cinética.

z.1 Teoria Cinética dos Gases Figura 1.y. g(v) nessas partículas como pontos de um espaço exa-dimensional volume (x. a energia das moléculas será dada por: E= 1 2 (px + p2 + p2 ) + mgz y z 2m 22 .px .px .py .z. a uma temperatura T.pz ).y. Se considerarmos a atmosfera terrestre como um gás ideal.5: Função de distribuição de v. para as quais a energia total é dado somente pela energia 1 cinética.6: Aparelho usado por Miller e Kusch para medir g(v) A distribuição de velocidades de Maxwell que vimos anteriormente corresponde ao caso de moléculas não interagentes.pz )dτ = Ce−E/kT dτ Figura 1. A probabilidade de se encontrar uma partícula numa célula desse espaço de dτ = dxdydzdpx dpy dpz é dada por: f (x.py . E = (p2 + p2 + p2 ). chamado es- paço de fase. y z 2m x Uma aplicação interessante da função de distribuição de Maxwell-Boltzmann é a que se refere à atmosfera da Terra.

Inicialmente pensou tratar-se de uma manifestação biológica.6 O Movimento Browniano Em 1827. portanto não tendo nenhuma relação com processos vivos. com a função de distribuição teórica g(v) se perguntarmos qual a probabilidade de encontrarmos uma molécula entre (não importando o valor de x. quando Albert Einstein publicou sua teoria para o fenômeno. Este fenômeno. que até então não tinha ampla aceitação. temos (integrando-se em x e y): z e z + dz .6 O Movimento Browniano onde z é a altura em relação ao nível do mar. mas depois de observar uma grande variedade de materiais. segundo a teoria atômica. Tentando fazê-lo.px . de vida dos pólens.py . descobri que. Em sua autobiograa.y. Einstein descreve o desenvolvimento deste trabalho: Meu objetivo principal era encontrar fatos que garantissem. sem saber que observações do movimento browniano já eram familiares há muito tempo. deveria existir um movimento observável de partículas microscópicas em suspensão.1. 23 . bem como da teoria atômica.z. a existência de átomos de tamanho bem denido. o botânico inglês Robert Brown observou que as partículas de pólen em suspensão faziam um movimento irregular.7: Comparação entre os valores medidos por Miller e Kusch. para essas moléculas será portanto: A distribuição de Maxwell-Boltzmann f (x. baseada na teoria cinética da matéria. permaneceu inexplicado por cerca de 3/4 de século até 1905. na medida do possível. f (z) = C e−mgz/kT Essa função é conhecida como lei das atmosferas. 1. A explicação de Einstein para este fenômeno deu um grande impulso para a aceitação da teoria cinética da matéria. concluiu que o fenômeno se manifestava também em amostras inorgânicas.pz ) = Ce− 2m (px +py +pz )/kT e−mgz/kT 1 2 2 2 Figura 1. mostrando que a densidade do ar decresce exponencialmente com a altitude.y). hoje conhecido como movi- mento browniano.

. com massa muito menores.. O movimento da partícula em suspensão pode ser entendida com um exemplo simples. Consideremos a equação de movimento para a coordenada x da partícula browniana.1 Teoria Cinética dos Gases No movimento browniano. grande bastante para poder ser observada num microscópio (i. xn pode ser dado por xn = 2Dt onde D é uma constante. a difusão se dá com velocidades muito maiores. x2 = l2 1 x2 = x1 ± l ⇒ x2 = 0. além da força ocasionada pelas colisões com as moléculas do uido. correspondente ao deslocamento médio medido num intervalo de tempo t. dada pela lei de Stokes. chamada constante de difusão.. Agem sobre a partícula. essa força corresponde à pressão do uido sobre a partícula.. Microscopicamente. o bêbado estará a uma distância xrms = probabilidade de se encontrar à direita ou à esquerda dela. Entretanto. exceto pelo fato que para moléculas. após ter dados passos.. temos xn = 0. Consideremos por simplicidade. o movimento como unidimensional. uma partícula sólida. devido às utuações no número de colisões. Forças desse tipo são chamadas forças estocásticas ou forças de Langevin. Vamos então calcular a distância média a que o bêbado se encontra da posição inicial (porta do bar). possam ser observadas como pequenos deslocamentos da partícula.. mas sucientemente pequena para que as colisões com as moléculas do gás ou líquido onde se encontra suspensa.. contendo um grande número de átomos). Dadas suas condições. após n passos. conhecido como passeio aleatório. Portanto. Este movimento é similar ao processo de difusão de moléculas. andando numa calçada. a probabilidade de o bêbado dar um passo para a direita. o número de passos observado n. x2 = x2 n n−1 ± 2l xn−1 + l = nl √ nl da origem. x2 = x2 ± 2l x1 + l2 = 2l2 2 1 . Claramente.. sabemos que ela é devida às colisões com as moléculas e que não é sempre nula.. com as Portanto. Multiplicando a equação por x e utilizando as relações: 24 . a força viscosa. Seja xi a posição do bêbado após o i-ésimo passo de comprimento l: x1 = ±l ⇒ x1 = 0. Consideremos o caso de um bêbado. é igual à de dar um na direção oposta. é proporcional ao número de colisões que a partícula sofre. onde será possível obter explicitamente o valor de D. 2 2 xn = xn−1 ± l ⇒ xn = 0. Macroscopicamente. A equação de movimento para a coordenada x da partícula é portanto: m onde d2 x dx = −µ + Fe 2 dt dt µ = 6πηa. o número de passos n também será proporcional ao tempo 2 2 de observação. o valor médio de xn não é nulo.é. Vejamos agora uma dedução mais formal do deslocamento quadrático médio. Fv = −6πηav . Essa força é completamente aleatória e tem média zero. moléculas do gás. Para uma partícula browniana. como é igualmente provável um passo 2 para a direita ou esquerda. com igual Portanto.

1.6 O Movimento Browniano
2

d dt
temos:

dx x dt

=

dx dt

+x

d2 x d e 2 dt dt

x2 2

=x

dx dt

d m dt

dx x dt

−m

dx dt

2

d +µ dt

x2 2

= xFe
pois não há

Tomando a média dessa equação e notando que temos:

xFe = x Fe = 0

nenhuma correlação entre o valor da força e a posição em que se encontra a partícula,

m

d dt

d dt

x2 2

2 − m vx + µ

d x2 dt 2

=0
, pois:

Note que a operação de diferenciação em relação a t comuta com

d 2 x dt

= f=

d d 2 x f (x)dx = dt dt
d 2 x dt

x2 f (x)dx =

d 2 x dt

Denindo então a função

=

d dt

x2

, a equação acima ca:

1 df 1 2 m − m vx + µf = 0 2 dt 2
Como, pela teoria cinética,

1 m 2

2 vx = 1 kT , 2

obtemos a seguinte equação:

m
fazendo agora a substituição:

df + µf = 2kT dt
dg 2kT , e como µ dt

g(t) = f (t) −

=

df , dt

dg µ − g=0 dt m
dendo

τ=

m , a solução dessa equação pode ser escrita como: µ

g(t) = go e−t/τ
Para partículas pequenas, como as onde o movimento browniano é perceptível, a razão −6 (τ ) entre a massa da partícula e a constante µ = 6πηa é cerca de 10 s. Portanto, para tempos normalmente usado na observação do movimento das partículas (segundos),

g(t) ∼ 0.

Portanto, da denição de g(t) e de f(t), temos:

d 2 2kT x = dt µ
de onde

25

1 Teoria Cinética dos Gases
RT 2kT t= t µ 3πηaNA

x2 =

Em 1908, Jean-Baptiste Perrin conseguiu confeccionar micro esferas de látex, com raios determinados e estudou o movimento browniano dessas partículas numa série de emulsões, variando a dimensão das partículas, o líquido de suspensão, a temperatura, etc. e sempre 23 23 obtendo o mesmo valor para NA , entre 5,5 × 10 e 7,2 × 10 , conforme suas próprias palavras, no discurso que proferiu na entrega do premio Nobel que recebeu por seus trabalhos com o movimento browniano. A excelente concordância dos resultados fez com que a teoria atômica da matéria passasse a ter a ampla aceitação.

Figura 1.8: Componente x da posição de uma partícula browniana em função do tempo para três gotas de mesmo raio. No laboratório didático, realizamos uma medida do número de Avogrado, com base no estudo do movimento browniano em gotas de óleo, utilizando o mesmo equipamento e técnica da experiência de Millikan. Nessas medidas entretanto, escolhe-se gotas bem menores que as usadas nas medidas da carga do elétron, de modo a aumentar o efeito, tornando a observação mais fácil e precisa. Se zermos um gráco, não dos deslocamentos a cada intervalo de tempo na gura 1.8.

∆t,

mas da

posição relativa a uma origem em relação ao tempo, teremos uma curva como as mostradas A principal característica dessas curvas, é que elas são semelhante em qualquer escala de tempo em que a observamos. Por exemplo, se numa das curvas da 1.8, tomarmos uma faixa de 0 a 50 ao invés de 0 a 500, o aspecto da curva não se altera. Uma

26

1.7 Exercícios
curva com comportamento como as da gura, no qual ele se repete sempre, qualquer que seja a escala do eixo que utilizamos para observá-lo, é chamado fractal (embora no presente caso, haja um limite inferior de escala, dado pela escala atômica).

1.7 Exercícios
1.- No aparelho de Thomson mostrado nas notas de aula, as placas D e Estão separadas por 1.5 cm, têm 5 cm de comprimento e são mantidas a uma diferença de potencial de 50 V. a) Se os elétrons têm energia cinética igual a 2000 eV, encontre a deexão produzida após o percurso de 5 cm entre as placas. b) Qual a deexão total da mancha na tela, considerando que os elétrons percorrem uma distância adicional de 30 cm na região livre de campo, antes de atingir a tela? c) Qual a intensidade de campo magnético que seria necessária entre as placas para que não houvesse deexão? 2.- Para uma gota de óleo de raio a, caindo sob ação somente da força da gravidade e da resistência do ar, determina-se a velocidade de queda pela medida do tempo de queda 3 numa distância de 1 mm. Sabendo-se que a densidade do óleo é igual a 0.8 g/cm , e que −4 o coeciente de viscosidade do ar é ρ = 1,8 · 10 poises (sistema cgs), faça uma tabela de valores do raio em função do tempo de queda, para de 5 s. 3.- Calcule

tq

variando de 5 a 40 s em intervalos

vrms

para o

H2

à temperatura de 300K. Calcule a temperatura T para o qual

vrms

iguale a velocidade de escape do campo gravitacional terrestre, de 11,2 km/s. 3 4.- Calcule o número médio de moléculas/cm e o espaçamento médio entre elas: a) em

água líquida. b) em vapor de água, a 1 atm e 100 C (tratando como um gás ideal). c) no caso b), calcule a velocidade quadrática média das moléculas. d) Qual o tempo médio entre duas colisões? 5.- A função de distribuição de velocidades de um grupo de N partículas é dada por

dNv = avdv

onde

dNv

é o número de partículas que tem velocidades entre v e v + dv, e a é

uma constante. Nenhuma partícula tem velocidade maior que V , sendo que as velocidades podem variar entre 0 e esse valor máximo, V. a) Esboce o gráco da função de distribuição, ou seja

dNv /dv

em função de v. b) Calcule o valor da constante a em termos de N e V. c)

Calcule a velocidade média , a velocidade quadrática média e a velocidade mais provável em termos de V. d) Qual porcentagem das partículas tem velocidades entre a velocidade média e V? E entre a velocidade quadrática média e V? 6.- Assuma que os átomos de hidrogênio na atmosfera do sol obedeçam uma distribuição de velocidades Maxwelliana. a) Dado que a temperatura no sol é de 6000 K calcule a energia cinética de um desses átomos se movendo com a velocidade mais provável encontrada nessa distribuição. b) Calcule a velocidade desse átomo. 7.- Ao nível do mar, a composição volumétrica da atmosfera é 21% de oxigênio e 79% de nitrogênio (desprezando-se cerca de 1% de outros gases, principalmente argônio). Suponha (embora não seja uma boa aproximação) que a temperatura não varie com a altura e que seu valor seja 10C. Neste caso, qual seria a composição volumétrica da atmosfera a 10 km −27 de altitude? (tome 1 unidade de massa atômica = 1,66 · 10 kg ).

27

Desenhe um diagrama mostrando as forças na gota a) quando o campo elétrico é desligado e a carga cai livremente. 28 .Considere as seguintes forças em uma gota de óleo no experimento de Millikan: gravitacional.Encontre com T = 35 C. 11. f (vx ) pode 10.. elétrico aplicado faz com que a gota suba. 9. 12... elétrica. Considere 1 mol de um gás e aproxime 0..a) Mostre que a função de distribuição de componentes de velocidades −1 f (vx ) = (2π)−1/2 vo e−vx /2vo onde 2 2 vo = vrms = (kT /m)1/2 . b) Explique porque o resultado numérico da expressão encontrada em a) é despresível.. b) num dia quente.01vo .1 Teoria Cinética dos Gases 8..Para um gás ideal em equilíbrio térmico. qual a fração das moléculas cujas velocidades diferem em menos de 1% da velocidade mais provável vmp ? Note que podemos aproximar ∆v ≈ dv neste caso. atrito e boiante. 13. b) quando o campo vmp para o gás N2 do ar a) num dia frio com T = -10 C. c) vx = 8vo .Mostre que g(v) tem valor máximo para ser escrita como: v = vm = (2kT /m)1/2 .Usando a distribuição de módulos velocidades de Maxwell a) Escreva a integral com a expressão para o número de moléculas num gas ideal com velocidade v>c a T=293 K. c) dvx por ∆vx = vx = vo . Encontre o número de moléculas em ∆vx para: b) vx = 0.

Se dispersarmos essa radiação por um prisma ou outro tipo de espectrógrafo. por unidade de tempo e de área do emissor é denida como: ∞ RT = 0 RT (ν)dν 29 . RT (ν) é portanto proporcional A à função de distribuição de energia em função das freqüências. mas são sempre acompanhados por outros. Certos sólidos ou líquidos podem ainda emitir uma radiação característica. dentro do sólido onde incidem. o lamento começa car a car avermelhado e continuamente. à medida que aumentamos a tensão. de freqüência ainda maior que os raios X. Este fenômeno é chamado uorescência. para baixas tensões (e temperaturas do lamento). entretanto. quando a emissão de radiação cessa imediatamente após removida a fonte de luz excitadora e de fosforescência. Há vários outros tipos de radiação emitidos pela matéria. da radiação térmica. vai cando mais claro. quando aumentamos lentamente a tensão aplicada no lamento. um outro tipo de radiação eletromagnética. RT (ν) denida de modo que RT (ν)dν corresponda à energia. emitida pela radiação térmica de ν e ν + dν por um corpo à temperatura T.2 As Origens da Mecânica Quântica 2. Estes têm um espectro discreto. nos restringiremos à descrição das propriedades da radiação térmica. até que atinja a tensão nominal de operação quando o lamento emite luz branca. no entanto. emitidos na desaceleração rápida dos elétrons. cujo espectro. Gases e vapores ionizados podem emitir uma radiação característica de cada material. quando bombardeados por elétrons ou outras partículas carregadas em altas energias. mas colocando-se a mão próximo ao bulbo. RT corresponde à energia total. é constituído de freqüências discretas. quando iluminados (excitados). veremos que o espectro de freqüências da radiação emitida é contínuo. por unidade de área e por unidade de tempo. Inicialmente. Os raios gamas. não podemos ver nenhuma modicação aparente no aspecto do lamento. de espectro contínuo. O espectro de freqüências da radiação térmica emitida por um corpo á temperatura T é especicada pela radiança espectral freqüência entre radiança. se a emissão de radiação persiste após retirada a fonte excitadora.1 A Radiação do Corpo Negro Sólidos aquecidos emitem a chamada radiação térmica. Raios X são emitidos por sólidos. Neste capítulo. Depois. teremos uma sensação térmica indicando a maior temperatura do lamento. Isso pode ser facilmente observado numa lâmpada incandescente de bulbo transparente. são emitidos pelos núcleos atômicos em processos de desintegração radioativa (decaimento radioativo).

a radiação incidente nele entra na cavidade e é em parte absorvida pelas paredes da cavidade e parte reetida para outros pontos da cavidade e (especialmente se as paredes da cavidade tiverem um coeciente de absorção grande) apenas uma fração muito pequena escapa pelo orifício. Se compararmos a radiança RT da radiação emitida pelo orifício de um corpo negro a uma temperatura T. Stefan. Corpos como esses podem ainda ser caracterizados pelo coeciente de absorção de energia térmica. é chamado corpo negro. temos portanto: a+r =1 Não consideramos aqui. veremos que a radiança do corpo negro é sempre maior. o coeciente de transmissão é nulo. na mesma temperatura: e= RT cn RT a=1 para Para superfícies em geral. Um corpo. com base em dados experimentais. O orifício se comporta como um absorvedor ideal de radiação térmica. os corpos translúcidos. aplicando as leis da termodinâmica à radiação eletromagnética (como num ciclo de Carnot).1. Sendo r o coeciente de reexão. pela razão da radiança desse corpo em relação à de um corpo negro. na mesma temperatura. temos a=e para qualquer corpo.1 Lei de Stefan-Boltzmann e Deslocamento de Wien Em 1879. observou que a radiança de um corpo negro à temperatura T é proporcional a T elevado à quarta potência: cn RT = σT 4 Posteriormente Boltzmann demonstrou. para os quais teríamos ainda uma parte da radiação térmica transmitida pelo corpo. Desse modo. Como por denição um corpo negro. ele é também um emissor perfeito de radiação térmica (e = 1). corpos muito reexivos ou muito transparentes. Podemos denir o coeciente de emissão de radiação de um corpo. a validade da expressão acima. em equilíbrio térmico. Para os corpos opacos. Como se vê na gura abaixo. é realizada por um orifício pequeno. cuja superfície é pintada com uma tinta preta e fosca (como por exemplo fuligem) são boas aproximações de corpos negros. no qual há uma ampla cavidade interna. que se comunica com o exterior somente pelo orifício. Corpos de quaisquer materiais. O coeciente de absorção a corresponde à fração de energia térmica incidente no corpo que é absorvido. RT (ν) dependem muito pouco RT (ν) é basicamente uma função da tem- peratura do corpo. se comportam quantitativamente muito diferentes dos corpos opacos e pouco reexivos. num corpo sólido qualquer. para o qual r=0 e portanto a=1. a realização mais próxima de um corpo negro.2 As Origens da Mecânica Quântica Observa-se experimentalmente. conhecida 30 . Na verdade. Experimentalmente. com a de qualquer outro corpo. à temperatura T. a taxa de absorção deve ser igual à de emissão. o restante sendo portanto reetido. 2. que as características de da constituição do corpo que emite a radiação. um absorvedor perfeito de radiação.

Esta relação é conhecida como a lei do deslocamento de Wien.2. terá as mesmas Isso quer dizer por exemplo max que se λ1 for o comprimento de onda para qual RT 1 tem o valor igual à metade de RT 1 .90 · 10−3 mK onde λm corresponde ao comprimento de onda onde RT (λ) é máximo. com valores maiores para temperaturas maiores. diminui à medida em que a temperatura em que a curva foi medida aumenta. Os valores dos máximos serão obviamente diferentes. estarão alinhados na mesma posição do eixo das abscissas. então todas as curvas se não o valor de RT (λ). ou seja. conforme visto na gura abaixo.1 A Radiação do Corpo Negro Figura 2. correspondendo ao valor λm T . para o comprimento de onda λ2 . Este resultado mostra que RT (λ) a razão é uma função universal f (λT ). para λ2 T2 . mas em função do produto RT (λ) para temperatura λT . (λT )5 RT (λ) = CT F (λT ) = C 5 = Cλ−5 f (λT ) λ 5 31 . Entretanto. O fato de termos sempre o produto λT T5 na dependência de f . os valores de RT (λ) máximos para todas as curvas. como lei de Stefan-Boltzmann. obtendo-se a relação: λm T = cte. então RT 2 terá valor igual à metade max do novo valor máximo RT 2 .1: Corpo Negro construído como orifício numa cavidade metálica. = 2.67·10−8 W/m2 K 4 . propriedades para mesmos valores de λT . RT (λ) como as mostrada na gura abaixo. podemos vericar que o comprimento de onda para o qual λ é máximo. A constante de Stefan-Boltzmann é Observando as curvas σ = 5. se gracarmos no eixo vertical RT (λ) . λT . mostra que a curva R para qualquer temperatura. não como função de T. em função de λT . mas o da razão T5 superpõem perfeitamente. Esta relação mostra que as curvas RT (λ) têm a seguinte característica: Se gracarmos várias curvas diferentes. dado por λ2 T2 = λ1 T1 . então se elevarmos o corpo negro à temperatura T2 .

3: Vericação experimental da lei de deslocamento generalizada de Wien.2: Distribuição espectral Figura 2.2 As Origens da Mecânica Quântica Figura 2. 32 .

λ3 = 3 n c ν = c/λ. faz sentido. nas posições extremas (isto é nas paredes). Para isso. Como veremos a seguir.. Vamos a seguir obter a função que descreve a densidade de 2 energia eletromagnética no interior de uma cavidade. com a física clássica. 2. devemos considerar uma onda propagando-se numa direção arbitrária. Pode-se mostrar que R(λ) = 4 ρT (λ) . vejamos antes um caso mais simples. Essas ondas são produzidas por osciladores (p. devem corresponder a ondas estacionárias. As ondas na cavidade. essas ondas devem ter amplitude sempre nula. Isso é o que também sabiam os físicos do século XIX. c No caso da radiação do corpo negro. aproximar n por uma variável contínua e perguntarmos pelo número de ondas estacionárias função de dn = N (ν)dν com freqüências entre ν e ν + dν . Portanto as ondas estacionárias poderão ter 2L . para esses valores. λ2 = L. temos: N (ν)dν = 2L dν . Usando a teoria cinética clássica. ex. ρT (λ) = d U/dV dλ. Portanto.. A Quantidade R(λ) corresponde à potência irradiada pela cavidade. tem seu campo elétrico dado pela relação: 33 . mas sabemos que devem ser geradas de alguma forma. elétrons em agitação térmica) nas paredes da cavidade. sendo sempre cancelado pela mobilidade das cargas elétricas nos metais. fazendo um ângulo x. os n correspondentes são 10 ou maiores. podemos calcular a função de distribuição de energia das ondas na cavidade. e portanto gerando essas ondas. Esta relação pode ser obtida a partir dos conceitos da termodinâmica e da mecânica estatística e é o máximo que se pode obter na explicação da radiação do corpo negro. No caso tridimensional da cavidade. estamos interessados principalmente na faixa de freqüências acima do infravermelho. temos uma certa distribuição espectral de radiação eletromagnética em equilíbrio termodinâmico com as paredes da cavidade. a tentativa de se obter f (λT ) com base na física clássica falha completamente.2 A Lei de Rayleigh-Jeans No interior da cavidade de um corpo negro. pois o campo elétrico paralelo à superfície de um metal não pode ser diferente. Para obter esta função. as freqüências possíveis correspondentes são dadas por ν = 2L n ou n = 2L ν . por unidade de área e de comprimento c 3 irr de onda: RT (λ) = d U /dAdλdt. devemos conhecer o número total de graus de liberdade das ondas na cavidade.1. Como as ondas eletromagnéticas correspondem a campos elétricos oscilantes na direção perpendicular à direção de propagação. Como comprimentos de onda λ1 = 2L. Nas paredes de uma cavidade metálica há sempre elétrons e outras cargas elétricas em constante vibração devido a energia térmica.. A condição de ondas estacionárias numa corda de violão de comprimento L implica na amplitude nula das ondas nas extremidades de xação da corda. unidimensional. temos uma densidade uniforme de ondas c α com a direção do eixo por unidade de freqüência. para se manterem em equilíbrio. como o da corda de um violão.2.1 A Radiação do Corpo Negro Onde f (λT ) = (λT )5 F (λT ). ou de um modo geral: λn = 2L . Da expressão acima para n em ν . quando estudavam esse problema. ou seja o número de ondas por intervalo de freqüências entre ν e ν + dν ou comprimentos de onda entre λ e λ + dλ. β com a do eixo y e γ com a do eixo z. Ou seja. com cavidades de dimensões da ordem 4 de alguns cm. Uma onda eletromagnética tri-dimensional como essa. Como os comprimentos de onda da radiação eletro−6 magnética nessa região são menores que 10 m.. Não precisamos saber como essas ondas são geradas.

ny .t) = Ex i + Ey j + Ez k onde Ex = Eox sin(2πx/λx ) sin(2πνt) e expressões semelhantes para dada por: por: Ey e Ez . ny . com o eixo z. cos β = ny . nz números inteiros.ny .2 As Origens da Mecânica Quântica Figura 2. y = ny e z = nz pontos correspondentes a cada valor de nx .6). as relações nx . O volume correspondente aos valores de 34 .nz (ou seja. γ é o ângulo formado com a direção de propagação da onda.nz (ver gura 2. Para encontrar esse número. cos γ = nz λ λ λ elevando ao quadrado essas equações e somando. λy e nz são dadas λ = λx cos α = λy cos β = λz cos γ . o número de ondas de freqüência menores ou iguais a nx . L L L lembrando que somente faz sentido valores positivos de nx . a condição para ondas estacionárias (componente de E paralelo à parede deve ser sempre nulo) é 2L/λx = nx . não mostrado na gura. vamos colocar num gráco 3D.nz tais que o valor do membro direito da equação acima seja menor ou igual a ν . um octante). temos: ν= as combinações de c 2 n2 n2 n2 y x + 2+ z L2 L L2 ν corresponde a todas Portanto. Portanto a densidade de pontos (nú3 mero de pontos por unidade de volume é ρ = L . onde com Conforme visto na gura bidimensional abaixo. notando-se ainda que os ângulos acima 2 2 2 obedecem a relação cos α +cos β +cos γ = 1 (para o caso bi-dimensional vê-se facilmente 2 2 2 pois cos β = cos (π/2 − α) = sin α) temos então: n2 + n2 + n2 = ( x y z Tomando agora 2L 2 ) λ ν = c/λ e substituindo na relação acima. e Para uma cavidade cúbica de lado L. 3 O volume ocupado por cada ponto é igual a 1/L . Portanto temos as equações: 2L 2L 2L cos α = nx .ny . entre λ e λx . 2L/λy = ny 2L/λz = nz . com eixos x = nx .4: Modos de vibração de uma corda de violão → − →→ − − → − → − E ( r .

6: Representação dos diferentes modos de ondas estacionárias na cavidade. l1 L2 = l2 = l3 = L 35 .5: Representação bi-dimensional de uma onda estacionária numa cavidade.2.1 A Radiação do Corpo Negro Figura 2. com valor de ν≤ c 2 n2 x L2 + n2 y L2 + n2 z No presente caso. Figura 2.

Max Planck procurava uma solução para o problema da radiação do corpo negro. que vamos para freqüências maiores do espectro (ultravioleta) enquanto que a curva experimental tende a zero. dν = −(c/λ2 )dλ.1. Portanto a energia média por onda estacionária será kT. (ρ(λ)dλ) devemos lembrar que o número de ondas com freqüência entre com comprimento de onda entre sitivo. ρ(ν) Esta falha na previsão clássica cou 2. No caso de osciladores 2 e de ondas. temos na verdade duas ondas independentes.2 As Origens da Mecânica Quântica nx . Como. Portanto o número total de ondas estacionárias na cavidade é o dobro da quantidade obtida acima: N (ν)dν = 8πL3 2 ν dν c3 O teorema de eqüipartição de energia diz que cada grau de liberdade na expressão para 1 a energia de um sistema. com a direção do campo elétrico em duas direções perpendiculares. Obtemos então o espectro de 3 densidade de energia por unidade de volume (= L ) e por unidade de freqüência das ondas na cavidade: ρT (ν)dν = 1 8πkT 2 ν dν kT N (ν)dν = V c3 ν1 e ν2 = ν1 +dν é o mesmo que o de ondas λ2 = λ1 + dλ.nz que fornecem freqüências menores que ν é V = 14 πr3 com 83 r= c 2 n2 x L2 + n2 y L2 + n2 z . que é a lei de Rayleigh-Jeans para a radiação do corpo negro. concluiu 36 . a cada oscilador ou onda temos dois graus de liberdade (energias cinéticas e potencial elástica. e Para obtermos a expressão em termos do comprimento de onda. corresponde a uma energia média kT . como λ1 = c/ν1 dλ será negativo. o correspondente Ainda.3 A Teoria de Planck Para a Radiação do Corpo Negro No nal do século XIX. ou energia no campo elétrico e no magnético no caso das ondas).ny . Sabendo que o entendimento desse fenômeno era fundamental. conhecida como a catástrofe do ultravioleta. se para um dado dν potemos então a relação dn = ρ(λ)dλ = −ρ(ν)dν . temos nalmente: ρT (λ)dλ = − 8πkT 8πk 8πkT 2 ν dν = dλ = 5 λT dλ 3 4 c λ λ Note que a medida cresce continuamente. L2 Portanto o número total n é dado por: 4 ν n = ρ × V = πL3 3 c A fração (dn) de ondas com freqüência entre a expressão acima: 3 ν e ν +dν pode então ser obtida derivando-se 4πL3 2 ν dν c3 dn = N (ν)dν = Para cada uma dessas freqüência.

) = no (1 + x + x2 + . Na obtenção da energia média das partículas do gás.) N observando que o termo entre parênteses na expressão acima pode ser escrito como 1 2x + 3x2 + .) e que esta soma é igual a (1−x)2 . E2 = 2∆E e assim por diante e supondo ainda que a distribuição de Maxwell-Boltzmann seja válida. mas cujas origens não eram até então conhecidas. utilizamos inicialmente uma distribuição discreta de valores de velocidade (ou de energia) para as moléculas do gás e depois substituímos essa distribuição por outra contínua. mesmo que para tal... Considerando então que temos ni osciladores com energia Ei e tomando as energias discretas os Ei em intervalos regulares.. E0 = 0.) N no ∆Ee−∆E/kT E = (1 + 2e−∆E/kT + 3e−2∆E/kT + .) = N= no . ni seriam dados por: ni = no e−Ei /kT = no e−i∆E/kT Com base nessa hipótese.. Vamos tentar seguir um possível caminho desenvolvido por Planck. temos: (1 + E = A soma 1 no ∆Ee−∆E/kT 2 N (1 − e−∆E/kT ) N= ni pode ser também desenvolvida: N= e portanto ni = (no + no e−∆E/kT + no e−2∆E/kT + . para o caso os osciladores harmônicos correspondentes à radiação em equilíbrio na cavidade do corpo negro.. E1 = ∆E..1 A Radiação do Corpo Negro que deveria haver alguma falha nas teorias. tivesse que fazer hipóteses não muito justicáveis...2. A distribuição de energias de Maxwell1 1 2 2 Boltzmann para osciladores harmônicos unidimensionais (E = mv + kx ) é dada por: 2 2 −E/kT F (E)dE = Ae dE. com base em nossas deduções anteriores para o caso das moléculas de gás.) = ni N 1 (0 + ∆Eno e−∆E/kT + 2∆Eno e−2∆E/kT + . temos: 1−e−∆E/kT no (1 − x) E = ∆Ee−∆E/kT (1 − e−∆E/kT ) (1 − e−∆E/kT ) 2 = ∆Ee−∆E/kT ∆E = ∆E/kT −∆E/kT 1−e e −1 E = kT : Veja que se tomarmos o limite para ∆E → 0 ∆E −1 obtemos o resultado clássico. qualquer solução para o problema. vamos calcular a energia média dos osciladores: E = E = 1 ni Ei = (no Eo + n1 E1 + n2 E2 + ... Substituindo este valor na expressão para . Por isso tentou... exaustivamente. Vamos voltar e reconsiderar esta hipótese. ∆E→0 e∆E/kT lim = ∆E = kT ∆E/kT 37 .

RT (λ) = ρT (λ). mas escolhendo-se a segunda possibilidade. Esta data é considerada como a do nascimento da Mecânica Quântica. escolhendo-se o valor da constante β tal que β = hc onde c é a velocidade −34 da luz e h = 6. em termos de freqüências: hc2 2π λ5 ehc/λkT − 1 RT (ν) = 2π 3 h ν hν/kT 2 c e −1 Max Planck apresentou estes resultados numa reunião da Sociedade Alemã de Física em 14 de dezembro de 1900. De acordo com sua hipótese. hν. 2hν.14 · 10−15 eV s é hoje conhecida como a constante de lim Planck. a exλ∆E pressão ∆E/kT deve ser portanto uma função f (λT ).23 · 10 Js = 4. nhν..2 As Origens da Mecânica Quântica Aplicando agora o valor obtido para E na expressão de Rayleigh-Jeans para a distribuição de energias da radiação do corpo negro. . Para que isso ocorra. . temos nalmente a expressão: 4 RT (λ) = ou. essa divergência λ→0 não ocorre.. Devemos mencionar ainda um importante detalhe da teoria de Planck. o oscilador perde uma quantidade de energia hν que é emitida na forma de um pulso de 38 . ∆E = αT ou ∆E = β/λ. obtemos: ρ(λ)dλ = 8π 8π ∆E 8π λ∆E E dλ = 4 ∆E/kT dλ = 5 ∆E/kT dλ 4 λ λ e −1 λ e −1 Com base no resultado obtido utilizando o deslocamento de Wien generalizado. zinho. pois: C 1 e−γ/λ =0 = lim λ→0 λ5 eγ/λ − 1 λ→0 λ5 Planck vericou ainda que a expressão obtida para ρ(λ) descrevia perfeitamente os dados experimentais. Usando a relação mostrada c anteriormente. considera como uma constante universal da natureza. Com a primeira possibilidade.. hν : E = 0. oscilador ocorre somente quando ele pula de um estado de energia para um outro viPassando do estado de energia (n − 1)hν . temos duas e −1 possibilidades na escolha de ∆E . Por exemplo.. nhν A emissão (e a absorção) de radiação pelo para o imediatamente abaixo. a distribuição para a radiação do corpo negro ca: ρ(λ)dλ = e com a segunda possibilidade: 8π αλT dλ λ5 eα/k − 1 ρ(λ)dλ = 8π β dλ λ5 eβ/λkT − 1 ∆E . um oscilador harmônico pode ter energias que são múltiplas de uma quantidade xa. continuamos a ter a Notemos que com a escolha da primeira possibilidade para para catástrofe do ultra-violeta...

Este valor pode ser denido em termos da chamada temperatura de Einstein TE = hν/k . 39 . substituindo = v 3NA hν hν kT 2 (ehν/kT − ehν/kT 1) 2 = 3NA k NA k = R.6. uma vêz que ele não havia incluido a quantização da energia radiante (o fóton). é o caso do calor especíco de sólidos. Como vimos. − 1 = hν kT 2 1+ 1 hν + . que seria introduzida mais tarde.1.4 O Calor Especíco dos Sólidos Um outro sistema em que a hipótese de Planck foi inicialmente aplicada. 2 kT e portanto. Embora qualitativamente correto. sendo portanto a energia média por mol dada por: U = 3NA E = de onde se obtém: 3NA hν hν/kT − e 1 hν 2 hν/kT e kT 2 (ehν/kT − 1) dU Cv = dT ou.. a capacidade caloríca a dU volume constante será Cv = = 3R. deve ser encontrado o valor da ν dos osciladores (que dependem da força de mola da ligação entre os átomos Na gura 2.1 A Radiação do Corpo Negro radiação. mas como um sistema de osciladores acoplados de diferentes freqüências. Uma quantidade sando de um estado hν de energia pode também ser absorvida pelo oscilador. classicamente. considerando as moléculas vibrando não todas numa mesma freqüência. freqüência Cv = 3R. Cv = 3R hν 2 hν/kT e kT 2 (ehν/kT − 1) e No limite para altas temperaturas. Essas idéias (principalmente a de absorção) não eram ainda muito claras quando Planck postulou sua teoria. como veremos. P. mas Cv tende a zero. Debye. usou o resultado de Planck para a energia média de um conjunto de osciladores. quando a temperatura absoluta tende a zero. comparado com em cada caso. Para cada sólido. vemos o resultado previsto pela equação acima. considerando os átomos de um mol de um sólido como um conjunto de 3NA osciladores harmônicos.2. Experimentalmente este é o valor obtido para dT v altos valores de T. considerando os átomos do sólido como um conjunto de freqüência 3NA osciladores de ν. conforme previsto. Analogamente é fácil vericar que o resultado tende a zero para T tendendo para zero. 2. Einstein. pas- nhν para o de energia (n + 1)hν . dados experimentais. Somente em 1912. em 1908.. ehν/kT → 1 2 e hν/kT −1 2 = hν 1 + 1+ kT 2 hν kT 2 + .. por Albert Einstein.. conseguiu obter o resultado correto para este problema. há ainda pequenas discrepâncias com relação aos resultados experimentais.

7: Teoria de Einstein para o calor especíco de sólidos 40 .2 As Origens da Mecânica Quântica Figura 2.

Todos os eletrodos são mantidos em vácuo e cuidados especiais devem ser tomados com a qualidade da superfície do catodo (chamado de fotocatodo). foi demonstrado serem emitidas partículas do catodo. Este fenômeno é conhecido como efeito fotoelétrico : a luz ultravioleta (ou radiações mais energéticas como raios X e raios gama) incidindo num metal faz com que elétrons sejam ejetados da superfície metálica. vericou que podia obter faiscas com distâncias maiores entre as pontas. observou que o vidro. de luz ultravioleta produzida na descarga do transmissor.7. se deixasse a luz produzida pelas pontas do gerador atingir as do receptor. para uma dada condição do gerador. vidro e quartzo. H. corretamente. Figura 2. Utilizando vários obstáculos colocados entre as pontas dos dois aparelhos.2. a oxidação ou contaminação da superfície deste reduz consideravelmente o efeito. Hertz realizava a série de experimentos com os quais demonstrou a existência das ondas eletromagnéticas. as propriedades gerais deste fenômeno foram estabelecidas. No receptor. até que estas não produzissem mais faiscas.2 O Efeito Fotoelétrico Por volta de 1887. como papelão. por volta de 1900. Induzindo um pulso de tensão no sistema. a energia eletromagnética capturada pelo sistema era utilizada para produzir a faisca nas correspondentes pontas. Analisando cuidadosamente o problema.8: Fotocélula como a usada por Lenard para o estudo do efeito fotoelétrico. Utilizando um instrumento semelhante ao visto na gura 2. um outro sistema análogo. A uma certa distância desse sistema. Para isso utilizou um circuito ressonante tipo bobina-capacitor. pois em geral. afetava a distância máxima e concluiu. com mesma razão e/m dos raios catódicos.2 O Efeito Fotoelétrico 2. que o efeito era causado pela incidência. diferentemente do quartzo. Mais tarde. pois ao mesmo tempo que demonstrava a existência das ondas eletromagnéticas. Hertz media a intensidade do sinal recebido afastando controladamente as pontas do receptor. a observação deste fenômeno secundário levaria. nas pontas do receptor. desenvolvida por Einstein em 1905 exatamente para explicar este fenômeno. muitos anos depois. Iluminando-se o catodo C com 41 . É interessante notar a ironia desta descoberta. ao desenvolvimento da teoria corpuscular da luz. numa série de experimentos realizados independentemente por Lenard e por Merrit e Stewart. ondas eletromagnéticas eram emitidas pelo sistema e uma faisca entre as pontas era produzida. funcionava como receptor das ondas hertzianas. convenientemente acoplado a um par de pontas metálicas colocadas a uma pequena distância uma da outra.

Mesmo com polarização direta dos eletrodos. de mesmo comprimento de onda. a corrente continua a diminuir com o aumento da tensão. Vo para o qual cessa a corrente com a energia máxima dos elétrons Vo é chamado potencial de freamento e a energia máxima dos elétrons emitidos é dada por: m Ec = eVo Classicamente. Diminuindo-se a tensão. Para polarização reversa (catodo + e anodo -). para diferentes intensidades de luz. pode-se então associar o potencial reverso emitidos. a corrente começa a diminuir. Outra característica do fenômeno é que não há nenhum intervalo de tempo entre a incidência da luz e o aparecimento da corrente fotoelétrica. a corrente fotoelétrica permanece nula para luz incidente de freqüência abaixo de um certo valor νo .9: Curvas características de IxV. Observa-se Vo é proporcional à freqüência da luz incidente. Portanto qualquer que seja a freqüência da onda eletromagnética. à partir de um certo valor. permanecendo nula para valores de tensão reversa maiores que um dado valor também que o valor de Vo . Sabendo-se que são emitidos elétrons da superfície metálica. como visto na gura abaixo. Outra observa- ção corresponde à da existência de um limiar de freqüências para a ocorrência do efeito. 42 . onde a é a dimensão do sistema oscilante. Mantendo-se uma diferença de potencial sucientemente grande entre o anodo (+) e o catodo (-). observa-se que a chamada corrente fotoelétrica é proporcional à intensidade de luz incidente no catodo. podemos considerar o elétron atômico recebendo energia através do campo elétrico oscilante da onda eletromagnética. no anodo A. como num oscilador harmonico forçado. independente da intensidade da luz incidente.2 As Origens da Mecânica Quântica luz introduzida pela janela de quartzo Q pode-se então coletar os elétrons emitidos pelo catodo. A lu2 minosidade da onda estando uniformemente distribuída e sendo igual a I (W/m ) e cada 2 elétron recebe uma energia Iπa por segundo. Figura 2. tipicamente o raio atômico.

Einstein. Por outro lado. É interessante notar. Para explicar a difração e a interferência.4 · 10−19 ∼ = 10 s 3. seria necessãrio esperar um intervalo de tempo ∆t = 3. considerou que a própria energia radiante era quantizada. A energia cinética do elétron ejetado do metal será portanto: o Ec = Ec − w = hν − w 43 . sabendo-se que para o potássio (K). e −10 considerando o raio atômico a ∼ 10 m o elétron receberá energia a uma taxa dada por: R = πa2 · 1 = 3. em sua demonstração. fenômeno tipicamente ondulatório). principalmente porque seu modelo não previa a difração da luz. que após a interação terá uma energia cinética: o Ec = hν Após receber esta energia pela interação com o fóton. utilizando. um único fóton interage com um elétron.2. Seguindo as idéias de Planck. Por exemplo. que antes da descoberta da difração da luz. que no efeito fotoelétrico. Einstein supôs que as partículas de luz (fótons) não se movem como partículas usuais. O caráter corpuscular seria manifestado apenas no processo de interação da radiação eletromagnética com a matéria (na emissão e absorção). mesmo para luz de baixa intensidade. Fazendo-se incidir numa placa de K luz de intensidade de 1 W/m2 . Supôs também. conseguiu explicar as propriedades observadas no efeito fotoelétrico. a energia de ligação do elétron ao metal é de cerca de 2. mas que se propagam com intensidades médias dada pela amplitude da onda eletromagnética associada. sendo completamente absorvido por este.14 · 10−19 J/s portanto. Newton desenvolveu um modelo corpuscular para a luz. A intensidade de luz é agora dada pelo número de fótons emitidos por unidade de tempo. desde que elas tivessem a mesma intensidade.1 eV = 3. a energia cedida pela onda poderia ser armazenada pelo elétron oscilante durante um intervalo de tempo ∆t. sendo portanto constituída de corpúsculos cada um portanto uma quantidade xa de energia. Os fenômenos usuais não permitiriam observar essa característica devido ao enorme número de fótons normalmente associado à energia radiante (assim como um líquido aparenta ser um uido contínuo e não formado por elementos discretos). o elétron deve ainda perder alguma energia até escapar da superfície do metal.2 O Efeito Fotoelétrico o elétron deveria receber a mesma energia. se restringiu à quantização da energia para o caso dos osciladores (elétrons) nas paredes da cavidade. Albert Einstein. até que esta fosse maior que a energia de ligação do elétron ao metal. fótons de energia E = hν . dada pelo modelo ondulatório. as idéias de Planck para a energia dos osciladores na cavidade do corpo negro. As ondas no interior da cavidade (produzida pelos elétrons oscilando) eram quantizadas em decorrência disso. Planck. para arrancar o elétron. e então este seria ejetado. associou à radiação de freqüência ν. que no entanto não corresponde às idéias de Einstein. ao invés disso.14 · 10−20 Em 1905.4 · 10−19 J . de uma forma mais geral.

do potencial de freamento Vo em função da freqüência da luz incidente e obteve a conrmação da teoria Em 1921 Einstein recebeu o prêmio As idéias originais de de Einstein. O momento linear de um fóton pode ser obtido com base na equação 2 2 2 2 4 relativística que relaciona energia e momento E = p c + mo c . Millikan realizou uma série de medidas com grande precisão. formando uma espécie de gás no interior do metal (gás de elétrons livres) deveriam ter energia cinética distribuída de acordo com a distribuição 3 de Maxwell. Portanto após a colisão. que são livres dentro do metal. terão energia cinética máxima. logo após a descoberta dos elétrons). se reduz a E = pc. Entretanto. Aqueles que. Esta energia depende das condições em que a interação se deu. como o fóton. Portanto a energia cinética máxima dos elétron emitidos será dada por: m Ec = hν − wo Isso explica perfeitamente a existência de um limiar de freqüências (hν > wo ) para a emissão dos fotoelétrons e também que a energia dos elétrons emitidos não esteja relacionada à intensidade da luz incidente. bastante estudado na época. O efeito pode ser entendido qualitativamente como uma evaporação dos elétrons mais energéticos. R. Planck se mostravam ser de aplicação mais geral e a Mecânica Quântica começava seu A questão a respeito do tipo de elétron que interage com o fóton é outra questão que não tem explicação clássica. Nobel pelo desenvolvimento da teoria para o efeito fotoelétrico. Em 1914. como os raios-X. pode-se vericar facilmente que na colisão de um elétron livre com um fóton. wo . espera-se que sejam esses os envolvidos no efeito fotoelétrico (a teoria clássica da condução elétrica em metais foi desenvolvida por Lorentz e outros. 2 de modo que a energia média dos elétrons emitidos deveria depender da temperatura. Supondo por exemplo que a energia se √ 2 conserva. Outro ponto que diculta a interpretação de que são os elétrons livres (ou metálicos) os responsáveis pela interação. que para partículas sem massa de repouso. após a interação não perdem nenhuma energia extra. E = hν = pe /2me . mas somente a energia necessária para vencer a barreira de potencial existente na superfície dos metais. este último deve estar ligado a um terceiro corpo. mas sim que a corrente elétrica (número de elétrons emitidos) seja proporcional à intensidade de luz (número de fótons absorvidos). Mas pf = E/c = hν/c = pe = 2me hν . não pode haver simultaneamente a conservação de energia e momento. desenvolvimento. conhecida como função de trabalho.2 As Origens da Mecânica Quântica onde w é o trabalho realizado para arrancar o elétron do metal. que têm de vencer 44 . determinando a constante de Planck. Como num condutor tem-se os elétrons ligados aos átomos e os chamados elétrons de condução. Para que a interação entre o fóton e um elétron possa ocorrer. de modo que possa receber a quantidade de movimento necessária para haver a conservação. e energia total do elétron seria em média hν + kT . de modo que com boa aproximação tem-se ainda Ee = hν . Efeitos da temperatura na energia cinética desses elétrons pode ser observados no caso da chamada emissão termoelétrica. sem no entanto carregar muita energia. é que esses elétrons. a não ser com a irradiação por fótons de maiores energias. Sabe-se que os condutores são muito mais ecientes na produção de fotoelétrons que os materiais isolantes. de massa muito maior (como por exemplo um átomo). que praticamente não têm elétrons ejetados.

45 . quando por volta de 1928 Sommerfeld introduziu uma nova teoria para a condução elétrica em metais. A atribuição dos elétrons atômicos como sendo os responsáveis pelos fotoelétrons emitidos traz outras diculdades ainda maiores na interpretação do efeito. a energia térmica média é pequena (∼ 0. Evidências de que os fotoelétrons são de mesma origem são obtidas da constatação que os valores medidos para a função de trabalho de metais pelo efeito termoelétrico e pelo fotoelétrico são iguais (wt = wo ). A solução para o problema só pode ser obtida mais tarde. não observando nenhum efeito.04 eV) e portanto seu efeito na energia dos elétrons ejetados dicilmente seria notado.2 O Efeito Fotoelétrico a barreira de potencial da superfície metálica (função de trabalho) para serem emitidos.2 eV. quando a energia térmica chega a cerca de 0. baseada na distribuição quântica de energia dos elétrons de condução (distribuição de Fermi-Dirac). Figura 2. A corrente termoelétrica como função da temperatura é dada pela equação de Richardson: I = AT 2 e−wt /kT onde wt é o trabalho realizado pelo elétron para sair do metal. mesmo a temperaturas bem mais altas. Millikan e Winchester estudaram cuidadosamente a dependência do potencial de freamento com a temperatura. Embora para temperaturas próximas à ambiente ou menores.2.10: Comparação entre as distribuições de Maxwell-Boltzmann e a de Fermi-Dirac para elétrons de condução em metais.

chamadas férmions. De acordo com a mecânica quântica. chamada energia de Fermi. Assuma que este oscilador é quantizado justamente como os osciladores de radiação. 0 ex −1 de freqüências de 0 a 3.24 46 . Neste caso. 4. 4 obtenha a constante de Planck. Na teoria quântica da condução. partículas como o elétron. estado de energia. não podem compartilhar um mesmo A gura 2.2 As Origens da Mecânica Quântica ao invés da distribuição maxwelliana.3 · 10 J . Entretanto.lei de Stefan-Boltzmann ∞ x3 dx π4 (sugestão: = 15 ). conforme visto interação. necessária para sua conservação. Uma massa de 10g está pendurada em um elástico com uma constante elástica de 25 N/m. para várias temperaturas diferentes. tornando mais difícil a determinação de Vo . Portanto se um fóton interage com um elétron com energia próxima EF ele escapa com energia máxima. Contrário à distribuição clássica. eles fazem com que a corrente de fotoelétrons.93 4920 0.36 5790 0.67 · 10 W/m K . b) A= 2 · 10−17 m. Mostre que a densidade de energia total na radiação de corpo negro sobre toda a faixa ∞ é idêntica na forma à lei de Stefan-Boltzmann para radiação −8 2 4 total. c) ∼ 2. (Sugestão: Expanda o termo exponencial em série de potências para obter a segunda destas leis. Sabendo que a constante de Stefan-Boltzmann é σ = 5.) Dado que: ρ(λ) = 8πhc 1 (Lei de W ien) λ5 ehc/λkT 2. mas ligados ao metal como um todo. Portanto é a massa metálica total que recebe a quantidade faltante de momento. qual a amplitude resultante? c) Quantos quanta de energia precisam ser absorvidos para se obter uma amplitude de −33 10 cm? Resp.5 · 1031 quanta. são muito pequenos para serem medidos com a técnica utilizada por Millikan. Se um elétron mais interno é o que recebeu a Os efeitos da temperatura.: a) E = 5.3 Exercícios 1. a barreira de potencial na superfície do metal tem energia e Eb = EF + w onde w é a função de trabalho denida anteriormente.48 4050 1.15 4360 0. os seguintes potenciais de corte são observados: λ(A) Vc (V ) 3660 1. próton. Quando uma certa superfície fotoelétrica é iluminada com luz de diferentes comprimentos de onda. 2. Dado que : RT = σT . etc.62 5460 0. esses elétrons não são considerados livres. a) Qual a energia mínima que pode ser fornecida a esta massa? b) Se a massa em repouso absorve a energia da parte a). medida como função da tensão de freamento caia assintoticamente a zero. a energia de escape será menor. na gura..9 mostra a diferença entre as distribuições clássicas e as correspondentes quânticas. Mostre que a lei de radiação de Planck se reduz à lei de Wien para pequenos comprimentos de onda e a lei de Rayleigh-Jeans para os grandes. na quântica há apenas uma pequena alteração na distribuição dos elétrons com energia próximas à energia máxima.

com boa aproximação.45 eV b) 2. calcule a temperatura na superfície do Sol. como corpos negros. Resp.45V.3 Exercícios Faça um gráco de freqüência por potencial de corte (νxVc ).2. e d) determinar o valor da constante de Planck h ( o valor de e sendo conhecido). 6. b) =6450 Å. c) 1. d) .: 264 nm.: a) 0. O Sol e as estrelas se comportam.03 eV c) 612 nm 10. qual é o número médio de fótons por unidade de tempo e por unidade de área qua atinge a superfície? 7. encontre: a) a energia cinética máxima dos fotoelétrons e b) o comprimento de onda de corte. Resp.91 eV b) 1.20 V 9. Luz de comprimento de onda 500 nm incide sobre uma superfície metálica.7eV)? Qual será a energia cinética máxima dos fotoelétrons se comprimento de onda é reduzido à metade? Resp. O que vai mudar no potencial de corte de emissão de fotoelétrons em uma superfície se o comprimento de onda da luz incidente é reduzido de 4000Å para 3980Å? (Assuma que o decréscimo no comprimento de onda pode ser considerado um diferencial). Resp.23 eV. λ = 3500 Å. Radiação de comprimento de onda 2000 Å incide sobre uma superfície de alumínio. c) a função trabalho do material. b) Para a estrela polar. Determine a) a freqüência de corte.: a) Hz.: a) 1. os fotoelétrons emitidos têm energia cinética máxima 2. Resp. −5 Assumindo uma eciência de 10 para a produção de fotoelétrons (1 elétron emitido 5 para cada 10 fótons incidentes).2 eV. Qual a temperatura na superfície desta 47 .: a) 1.9 eV). Quando césio metálico é iluminado com luz de comprimento de onda 300 nm.7 eV 12.92 eV. para a) Sabendo-se que o espectro de energia de radiação emitido pelo Sol tem um máximo esse máximo se encontra em estrela? λ = 5100 Å.24 eV. Qual a freqüência de corte para o efeito fotoelétrico em lítio (φ=2. encontre a) a energia cinética máxima dos elétrons emitidos b) a função de trabalho e c) o comprimento de onda de corte. Se o potencial de freamento para o efeito fotoelétrico é 0. 4. Um laser de 2 mW (λ=530 nm) incide sobre um fotocatodo de césio (φ=1. qual a corrente fotoelétrica? 13. Qual o comprimento de onda máximo da luz incidente capaz de produzir efeito fotoelétrico na prata (φ=4. 5. A função de trabalho do potássio é 2. a) Qual a energia cinética máxima do fotoelétron emitido? b) Qual o potencial de corte? c) Qual o comprimento de onda limite para o 2 alumínio? d) Se a intensidade da luz incidente é de 2 W/m . Encontre a) a função de trabalho do césio e b) o potencial de freamento se a luz incidente tem comprimento de onda 400 nm. Se potássio metálico é iluminado com luz de comprimento de onda 350 nm. cuja função de trabalho é 4. b) o comprimento de onda de corte.9 eV)? Qual o potencial de freamento se o comprimento de onda da luz incidente for 400 nm? 11.3 eV b) 554 nm 8.

: a) 0. 22. 1 nm.: 19. Resp. 200 m. A temperatura de um corpo negro é aumentada de 900 K para 1900 K. calcule a fração da energia irradiada pelo lamento que se encontra na faixa visível (entre 4000 e 6000 Å) (sugestão: aproxime a integral da radiança pela área de um trapézio). dρ(λ)/dλ = 0.2 K).0 J. 670 nm. 1m. A mola é esticada 0.40m da posição de equilíbrio e então solta. Obtenha a lei do deslocamento de Wien. Usando 589 nm como o comprimento de onda médio da fonte. Resp. Calcular a temperatura de um corpo negro se a distribuição espectral tem maximo −14 para: a) raios gama λ = 10 m. O lamento de tungstênio de uma lâmpada incandescente típica opera à temperatura de 3000 K. (Sugestão: faça λmax T = 0. a) Supondo que a temperatura da superfície do sol é de 5700K. 19 Resp. c) luz vermelha. ν = 0.: a) E tot = 2. Supondo que uma lâmpada incandescente pode ser aproximada por um corpo negro à temperatura de 3000K. Considere o diâmetro do sol como sendo 1.16 µm 21.4 · 10 m. Uma lâmpada de vapor de sódio tem potência 10W. e−x + x/5 = 1. use a lei de StefanBoltzmann para determinar a massa de repouso perdida por segundo pelo sol sob a 9 forma de radiação. e) ondas de AM. 19. b) Que fração da massa do sol é perdida por ano sob forma de energia eletromagnética? Considere 30 a massa de repouso do sol sendo 2. b) Qual a área supercial do lamento de tungstênio de uma lâmpada incandescente de 75W} (suponha que a perda de calor do lamento se dá somente por radiação).0 · 10 kg .4x1033 18. b) Assumindo a quantização da energia. a) Use a lei de Stefan para calcular a energia total irradiada por unidade de área de um lamento de tungstênio à temperatura de 3000K (suponha que o tungstênio é um radiador ideal). determine o número quântico n para o sistema. d) ondas de TV. a) Encontre a energia total e a freqüência de oscilação de acordo com a física clássica. b) raios-X. resolvendo a equação hc/λkT = x e mostre que a equação citada leva a Mostre então que x=4.201hc/k . 15. 17. Uma massa de 2 kg está ligada a uma mola sem massa de constante de força k=25 N/m. Em que comprimento de onda a intensidade da radiação emitida é máxima? Resp. Calcule b) 9. calcule o número de fótons emitido por segundo. 16.69 nm c)1.2 As Origens da Mecânica Quântica 14.965 é a solução). b) tem- peratura ambiente (300 K) e forno de fundição de aço ( 2500 K).: 3.: 966 nm 48 . Por qual fator aumenta a potência total irradiada por unidade de área? Resp.9 23.0x10 /s 20.56Hz b) 5.89 λmax µm para a radiação de corpo negro para a) hélio líquido (4.

: a) 2.: 9. Use um computador para calcular a lei de radiação de Plank para T=3000 K. 29 18 b) raios-X de 8 nm e c) raios gama de 4 MeV? Resp. a temperatura típica do lamento de tungstênio de uma lâmpada incandescente. a) Qual a fração da potência é irradiada na região visível? b) qual a razão entre a intensidade a 400 e 700 nm e a do máximo de emissão? 25.34x10 49 .06x10 b) 6. Em qual comprimento de onda a radiação emitida pelo corpo humano é máxima? Resp.7 MHz têm potência de 50. Quantos fótons por segundo estão contidos num feixe de radiação eletromagnética de potência total 150W se a fonte é: a) uma estação de rádio AM de 1100 kHz.05x10 c) 14 2.000 W.2. Qual o número de fótons emitidos por segundo? 27.35 µm 26. Graque o intensidade da radiação em função do comprimento de onda. Uma estação de rádio FM de freqüência 107.3 Exercícios 24.

2 As Origens da Mecânica Quântica 50 .

1 Introdução No capítulo 2. o alemão Wilheim K.. Além desse. uma sombra escura dos ossos é visível dentro de uma sombra mais clara da mão. esses já estavam sendo utilizados em um hospital em Viena. Roentgen rapidamente se convenceu que a uorescência se originava no ponto do tubo onde os raios catódicos atingiam o vidro. o efeito fotoelétrico. outros dois processos de interação devem ainda ser descritos: o espalhamento elástico de fótons (espalhamento Compton) e a criação de um par elétron-pósitron pela radiação eletromagnética. etc.2 Raios X Na tarde de 8 de novembro de 1895. A observação do espalhamento Compton só foi possível após a descoberta dos raios X e do enorme interesse em seu estudo que se seguiu após a descoberta. Tendo envolvido o tubo com cartolina preta. apenas três meses após a descoberta dos raios X. as propriedades e características dos raios X. vimos um processo de absorção de fótons pela matéria. • Muitas outras substâncias. denominou-os raios X. Convencido da importância de sua descoberta. compostos de cálcio. que por serem de natureza desconhecida. Ele observou as seguintes propriedades. além do cianeto de bário-platina. A uorescência era observada mesmo com o papel colocado até cerca de 2 metros de distância do tubo. 51 . 3. como o fósforo.3 Interação de Fótons com a Matéria 3. da nova radiação descoberta: • Todas as substâncias são mais ou menos transparentes aos raios X. eram uorescente sob a ação dos raios X. Roentgen fazia experiências com um tubo de raios catódicos. acidentalmente observou que uma folha de papel embebido em cianeto de bário-platina cava uorescente quando colocado próximo ao tubo de raios catódicos. reportou textualmente Roentgen. entre outras. providenciando um método bastante ecaz no estudo dessa radiação. A importância desta descoberta pode ser medida pelo fato de que. Nenhum desses efeitos pode ser previsto pela teoria clássica da radiação eletromagnética. Roentgen procedeu a um estudo detalhado das propriedades desses raios. Chapas e lmes fotográcos também se mostraram sensíveis aos raios X. Se a mão é colocada entre o tubo de descarga e a tela uorescente. no auxílio de tratamento de fraturas. sal de rocha. madeira de 2 a 3 cm ou 15 mm de alumínio era interposto entre o tubo e a tela uorescente. Após alguns experimentos. Vamos então ver inicialmente. Conseguia observar a uorescência mesmo quando um livro de 1000 páginas.

Raios X descarregam corpos eletrizados. Essa constatação. comparado com ∼ 500 nm para a luz visível).3 Interação de Fótons com a Matéria • Raio-X não são nem reetidos nem refratados e portanto raios X não podem ser focalizados por lentes. após os trabalhos de Laue e Bragg entre outros. Essa característica está relacionada com a capacidade dos raios X ionizarem o ar. tanto positiva quanto negativamente. tem sido usada em espectrômetros para essa radiação. A difração de raios X só pode ser observada por volta de 1912. quando W. por efeito termoiônico. Coolidge introduziu os tubos com catodo de tungstênio aquecido. • Um aparelho de descarga com um catodo constituído de uma chapa de alumínio côncava e tendo como anodo uma folha de platina. que produzia uma enorme quantidade de elétrons. tornandoo portanto condutor e agindo assim para descarregar objetos eletrizados.C. uma carga acelerada irradia e ao penetrar na matéria.1: Diagrama esquemático de um tubo de raios X moderno. De acordo com a eletrodinâmica. dado o pequeno comprimento de onda dos raios X (∼ 0. • • Não são deetidos por campos magnéticos ou elétricos e se propagam em linha reta. Nos usados por Roentgen o catodo não era aquecido. ao penetrarem num sólido. Essa é a forma utilizada até hoje na produção de raios X. até cerca de 1913.1 nm. colocada no centro de curvatura o do catodo e inclinada a 45 em relação ao eixo é o mais eciente produtor de raios X. nλ = 2d sin(θ). Figura 3. A lei de Bragg para a refração de raios X por cristais. um elétron acaba perdendo rapidamente sua energia cinética em sucessivas colisões 52 . Essa maneira de produzir raios X. Os raios X são produzidos na desaceleração brusca dos elétrons. embora não seja verdadeira. descrita por Roentgen foi utilizada posteriormente em praticamente todos os tubos de raios X. se mostra uma boa aproximação para a maioria dos casos.

A radiação ele- tromagnética emitida nesse processo tem o nome genérico de radiação de bremsstrahlung. um fóton é emitido após cada colisão. Mais 53 .2. Do ponto de vista quântico.2 Raios X com os núcleos dos átomos. o núcleo recebendo uma pequena parte da energia. O valor do limiar é inversamente proporcional à energia dos elétrons incidentes. 30 e 20 keV são vistos na gura 3. Nesse caso. O limiar corresponde ao caso onde o elétron perde toda sua energia numa única colisão. No efeito fotoelétrico. o fóton emitido tem a máxima energia possível. abaixo do qual não há emissão de radiação.3. 40. correspondente ao comprimento de onde hν = Eo . mas atuando para garantir a conservação do momento linear. Se a energia inicial do elétron é a colisão. λmin = hc Eo Figura 3. no que pode ser interpretado como o inverso do efeito fotoelétrico. Uma característica desses espectros é a existência de um limiar de comprimentos de onda. Esses raios X têm comprimento de onda bem denido e são característicos de cada material. principalmente no caso de elementos com número atômico elevado. emitindo portanto radiação a cada colisão. a energia do fóton emitido será: Eo e E é a energia após hν = Eo − E Os espectros de raios X emitidos por um anodo de tungstênio quando bombardeado por elétrons de energias de 50. um fóton é absorvido e sua energia transferida para um elétron e um átomo.2: Espectro de raios X emitidos por uma ampola com várias tensões catodo-anodo Raios X podem ainda ser emitidos no processo de perda e posterior captura de elétrons por átomos e íons. Aqui um elétron cede parte de sua energia para criar um fóton. termo germânico para radiação (strahlung) de freamento (brems).

tem sido utilizada tanto para a caracterização dos cristais como para e espectroscopia de raios X. sendo d a separação entre dois planos cristalinos e em fase se tivermos a relação: ϕ o ângulo de incidência da radiação X. O processo de difração de Bragg ocorre na reexão das ondas de raios X por planos cristalinos consecutivos e paralelos.3. desde a sua descoberta.3: Ilustração da difração de Bragg: Interferência construtiva da radiação reetida por dois planos consecutivos de átomos num cristal. veremos em mais detalhes esse tipo de raios X. as frentes de onda 1 e 2 mostradas na gura estarão nλ = 2d sin ϕ Figura 3. na discussão dos modelos atômicos.3 Interação de Fótons com a Matéria adiante. 54 . Como visto na gura 3. A difração de raios X por cristais.

Mesmo a teoria eletromagnética clássica prevê uma quantidade de movimento associado à radiação eletromagnética. apenas o componente de mesmo comprimento de onda da radiação incidente. Compton observou que o espectro dos raios X espalhados num dado ângulo apresenta dois componentes: um com comprimento de onda igual ao da radiação incidente. Ao fazer incidir raios X de comprimento de onda bem denido (como os proveniente da emissão de raios X característico por materiais como o molibidênio usado por Compton) sobre um alvo sólido (grate). Figura 3. um importante efeito.3. Em geral. A diferença ∆λ = λ − λ é chamada deslocamento Compton. tratando o problema como sendo o espalhamento elástico do fóton por um elétron atômico. onde p é a o 55 . no uso do processo de difração num espectrômetro para determinação do comprimento de onda da radiação. p = E/c. Esses experimentos o levaram a descobrir. hoje conhecido como efeito Compton. do ponto de vista clássico. que não tem explicação dentro da teoria clássica da radiação eletromagnética. uma onda eletromagnética de freqüência ν ao atingir os elétrons do material do alvo.4: Diagrama do experimento de Compton. 3.4. Portanto. De acordo com o eletromagnetismo clássico. Esta é a chamada relação de Bragg. em 1922. como mostra a gura 3. A explicação para o pico deslocado foi feita posteriormente pelo próprio Compton (e independentemente por Debye). A radiação monocromática primária é produzida pelos raios X característicos do molibidênio. conforme visto na gura 3. Arthur H.3 O Espalhamento Compton de Raios X onde n é um inteiro. Compton iniciou uma série de experimentos visando o estudo do espalhamento de raios X. é esperado.5. irradiando portanto uma nova onda eletromagnética (em todas as direções) de freqüência igual à da radiação incidente. cujo valor depende do ângulo de espalhamento. faz com que estes passem a oscilar na mesma freqüência da radiação. e o outro de comprimento de onda maior. utiliza-se em geral o primeiro máximo de interferência (n =1).3 O Espalhamento Compton de Raios X Em 1918.

a expressão correspondente para um fóton de energia hν será p = E/c ou p = hν/c = h/λ. Figura 3. E= mo c2 1− v2 c2 podemos concluir que para que a energia possa ter um valor nito. para vários ângulos de espalhamento Consideremos agora o espalhamento elástico de um fóton de energia E = hc/λ e momento θ com a p = h/λ por um elétron livre em repouso. Após o E = hc/λ e momento p = h/λ . Portanto.3 Interação de Fótons com a Matéria momento linear da onda por unidade de volume e E a densidade de energia. O elétron. Do ponto de vista quântico. propagando numa numa direção que faz um ângulo espalhamento. ϕ em relação à direção do fóton incidente. o fóton terá energia direção fazendo um ângulo direção de incidência.5: Espectro de raios X observados por Compton. na expressão relativística para a relação entre energia e 2 2 2 2 4 momento. Aplicando as leis de conservação de momento e energia temos as seguintes relações: p = p cos θ + pe cos ϕ 56 . depois da colisão terá energia cinética Ec e momento pe . fótons de energia hν se propagam com a velocidade da luz e portanto. a massa de repouso do fóton deve ser nula. da expressão relativística para a energia. E = p c + mo c .

Usando agora a expressões relativísticas que relacionam a energia com o momento do elétron: E = Ec + mo c2 E 2 = p2 c2 + m2 c4 o temos a seguinte relação: p2 e Substituindo agora mente.3.3 O Espalhamento Compton de Raios X p sin θ = pe sin ϕ E + mo c2 = E + Ec + mo c2 Tomando o quadrado das equações de conservação do momento e somando-as de modo a eliminar ϕ. temos: 2 Ec = 2 + 2Ec mo c pe da expressão acima na relação para os momentos obtida anterior- p2 − 2pp cos θ + p 2 = mentos do fóton. temos: (p − p cos θ)2 + p 2 sin2 θ = p2 e ou p2 − 2pp cos θ + p 2 = p2 e Da expressão de conservação de energia. temos: Ec2 + 2Ec mo c2 Substituindo agora a expressão para e energia cinética do elétron em termos dos mo- p2 − 2pp cos θ + p 2 = (p − p )2 + 2(p − p )mo c simplicando a expressão acima. temos: ∆λ = λ − λ = λc (1 − cos θ) 57 . obtém-se: mo c(p − p ) = pp (1 − cos θ) e portanto: 1 1 1 − = (1 − cos θ) p p mo c multiplicando a expressão acima por h e usando h/p = λ. temos para e energia cinética do elétron após a colisão Ec = E − E = (p − p )c.

sendo mesmo impossível para as energias mais baixas. a equação de onda de Schroedinger é uma equação não relativística. devido à enorme diferença de tamanho entre um átomo e seu núcleo. uma vez que a massa do núcleo é aproximadamente igual à massa do átomo como um todo. Uma outra consideração deve ser feita. A distribuição angular da radiação espalhada no entanto é diferente para cada caso. Corresponde ao caso em que a energia total de uma partícula é dada pela relação: 58 . o elétron espalhador está livre. vemos que o deslocamento Compton gulo de espalhamento incidente. A interpretação correta. podemos considerar que o fóton foi espalhado pelo átomo como um todo. ∆λ depende somente do ân- sendo o mesmo para qualquer comprimento de onda da radiação No espectro da radiação espalhada mostrado na gura 3. é difícil explicar como ele pode mudar de comprimento de onda numa colisão. o elétron continua ligado ao átomo. Como a massa do átomo é milhares de vezes maior que a do elétron. em homenagem ao seu descobridor. temos ainda o pico correspondente ao comprimento de onda igual ao da radiação incidente. Este pico tem as características de dois processos diferentes. Nesses casos. de acordo com a equação de Compton. 3. para o átomo e não mais para o elé- tron. sendo arrancado do átomo no processo de colisão. é chamado comprimento de onda Compton para o elétron. Sendo o fóton uma entidade elementar.3 Interação de Fótons com a Matéria onde λc = h/mo c = 0.5.0243A θ. e por este motivo. A explicação quântica para esses fenômenos é entretanto apenas uma variação do espalhamento Compton. é que houve inicialmente a absorção do fóton pelo elétron na colisão. o deslocamento ∆λ No chamado espalhamento Thomson. Do resultado acima. Do ponto de vista de energia. Thomson com base na eletrodinâmica clássica. de acordo com a teoria quântica atual. o espalhamento Thomson é muito menos provável que o Rayleigh. de modo que na expressão para o deslocamento Compton ∆λ temos que usar agora o parâmetro λc nesses casos é desprezível. No caso do espalhamento Rayleigh a colisão se dá com um elétron das camadas mais internas do átomo. O outro processo é chamado espalhamento Rayleigh. ou fracamente ligado ao átomo (tipicamente a energia de ligação dos elétrons mais externos dos átomos é da ordem de alguns eV. Para fótons de energia mais baixa que os raios X (como ultravioleta e luz visível) o espalhamento Compton vai cando cada vez mais improvável. com respeito à interpretação de Compton para este efeito. este tipo de espalhamento é hoje chamado espalhamento Thomson. pois não há energia suciente para arrancar o elétron do átomo. quando a energia de ligação deste pode ser muito maior. o fóton é espalhado após uma colisão diretamente com o núcleo atômico.4 Produção e Aniquilação de Pares A equação básica da mecânica quântica. e após a colisão com o fóton. de comprimento maior que o absorvido. milhares de vezes menor que a energia de um fóton de raio-X. Também. o resultado é idêntico ao caso do espalhamento Rayleigh. No espalhamento Compton usual. Num deles temos o espalhamento descrito por J. Posteriormente há a emissão de um outro fóton.J.

um buraco. como a mostrada na gura 3. Como a energia relativística de uma partícula.7. Um fóton de alta energia (um raio γ ). Do ponto de vista observacional. com momento nulo. Pode-se mostrar que num mar de elétrons com energia negativa.6. conhecidos como o mar de Dirac. Já no mar de elétrons com energia negativa. o fenômeno é visto como a criação de um par partícula-antipartícula por um fóton de alta energia. a cara da equação de Dirac será algo como: o ± p2 c2 + m2 c4 + V = E o No caso de uma partícula lívre. tendo disponível um estado possível de energia mais baixa (energia negativa). Dirac desenvolveu a equação correspondente relativística. Assim previu a existência de elétrons com energia negativa. Um elétron usual. nos cálculos relativísticos ignoramos a solução com energia negativa. Alguns anos depois de Schroedinger ter apresentado sua equação. mas com carga oposta e é chamado de pósitron ou anti-elétron. para descrever o movimento de um elétron. não podendo portanto ser observado. um buraco se comporta como uma partícula de massa positiva (igual a do elétron). todos os elétrons disponíveis iriam para esses tais estados negativos e o nosso mundo não seria possível. Podese mostrar que esse mar de partículas com energia negativa (isto é.4 Produção e Aniquilação de Pares p2 +V =E 2m onde o primeiro termo corresponde à energia cinética e V à energia potencial da partícula. migraria para aquele estado. Assim. de modo que o pósitron e o elétron. Este buraco é então visto em nosso mundo como uma partícula similar ao elétron. Embora normalmente. com massa negativa) não interage com nosso mundo usual. na ausência de potenciais externos é dada por E 2 = p2 c2 + m2 c4 . e daí o nome criação de pares. Dirac previu ainda a ocorrência de um fenômeno bastante interessante. E = − m2 c4 = −mo c2 o corresponde Se o momento for não nulo. emitindo a diferença de energias na forma de um fóton. Como o menor valor para o momento de uma partícula é zero. Dirac postulou então que a natureza é de tal forma que todos os estados de energia negativa estão ocupados. tendo cargas 59 . como mostra a gura 3. Nessa câmara. Deste modo. quando em 1932 Anderson descobriu o pósitron em traços deixados por essas partículas em fotograas tiradas com câmaras de Wilson (câmara de bolhas). a uma partícula com energia (massa) negativa. a equação acima diz que só pode haver elétrons 2 2 com energia E ≥ mo c ou E ≤ −mo c . A validade dessas suposições de Dirac foi conrmada experimentalmente alguns anos mais tarde. permitidas para os elétrons (∆E tendo energia maior que a abertura entre as duas faixas de energias > 2mo c2 = 1022 keV ) poderia ceder toda sua energia para um elétron de energia negativa (como no efeito fotoelétrico) de modo que agora este elétron teria energia positiva e seria observado como um elétron normal em nosso mundo. não há como os elétrons de nosso mundo passar para os estados de energia negativa. teremos energias ainda mais negativas. com energia positiva. sobraria um lugar vago.3. há um campo magnético aplicado na direção perpendicular ao plano da fotograa. Dirac observou que não havia razão para ignorar essa solução. e com carga oposta à do elétron.

os elétrons normalmente estão ocupando a chamada banda de valência. Chadwich. Deste modo. Deste modo. É interessante notar que no mesmo ano em que Anderson publicou suas observações (1933). para dar início ao Departamento de Física da recém fundada Universidade de São Paulo (ver p. 473 60 . As espirais têm raio de- crescente devido a perda de velocidades das partículas. Entre a faixa de valência e a de condução há uma região de energias em que ex. fazem um movimento espiralado em direções opostas. um buraco no mar de elétrons de energia negativa. todos esses estados estão normalmente ocupados por elétrons e o material se comporta como um isolante. à temperatura zero. a criação de pares só pode ocorrer nas proximidades de uma partícula pesada. Pode-se também facilmente vericar que. como o núcleo atômico. com os quais são produzidos os elementos básicos dos componentes eletrônicos atuais. estes elétrons não têm mobilidade e não podem conduzir eletricidade. correspondendo aos estados eletrônicos ligados aos átomos do cristal (ou ao cristal como um todo). alguns desses elétrons ganham energia térmica suciente para passar a ocupar uma outra faixa de energias maiores. Por exemplo.Nature vol 131. -1933). Uma situação bem conhecida ocorre em materiais semicondutores. À medida que a temperatura aumenta. bolhas de gás no interior de um líquido. a convite de Gleb Wataghin. O pósitron portanto não passa. Nesses elementos. um físico italiano que logo depois viria para São Paulo.6: Diagrama mostrando as faixas de energia permitidas para os elétrons e a criação de um par elétron-pósitron opostas. que então recebe a parte restante do momento inicial do fóton. pg. da ausência. a interação de absorção do fóton por um elétron com energia negativa também não permite a conservação do momento linear.3 Interação de Fótons com a Matéria Figura 3. por colisões com outros elétrons no material. conrmando as observações de Anderson e a origem dessas partículas. dois outros artigos foram também publicados. analogamente ao que ocorre no efeito fotoelétrico. Há muitas outras situações em que um buraco se comporta como uma partícula. chamada banda de condução. segundo Dirac. Blackett and Occhialini . Esses dois outros artigos tinham a participação de Giuseppe Occhialini.

elétron e Se a colisão não é exatamente frontal. Elétron e pósitron fazem portanto trajetórias espiraladas em direções opostas. o pósitron cada vez mais perto do elétron. Esta semelhança faz com que este sistema seja considerado um átomo exótico. cedendo a diferença de energia na forma de fótons. pósitron se atraem. numa situação muito similar à do processo de criação de pares. o positrônio também vai perdendo momento angular. como ocorre na maioria dos casos. há uma quantidade de momento angular relativo às duas partículas. cria portanto um par elétron-pósitron. Após a podemos então descrever o processo como a colisão entre essas duas partículas. desaparecem o elétron e o pósitron de modo que podemos falar num processo Sendo partículas de mesma massa e cargas opostas. conduzindo portanto corrente elétrica. Considerando o buraco como um pósitron. formando um sistema binário. com a absorção de um fóton. Como num átomo comum.3. perde energia passando para órbitas mais baixas. colisão.7: Fotograa estereoscópica de câmara de bolhas.4 Produção e Aniquilação de Pares não há nenhum estado possível. que passam a orbitar uma em relação à outra. mostrando a criação de um par elétron-pósitron. um elétron de energia positiva pode vir a ocupar este estado vazio. No caso da produção de pares. de aniquilação do par. chamado positrônio. há um campo magnético perpendicular ao plano da fotograa. Figura 3. quando um elétron é promovido para a banda de condução. Na câmara. somente que aqui não há um núcleo de massa muito maior. o buraco na banda de valência se comporta como uma partícula positiva. até que se aniquilam mutuamente (o elétron ocupa o buraco!) emitindo 61 . Isto tem semelhança com o átomo. em que um elétron em camadas atômicas de energia (ou momento angular) elevada. a promoção de um elétron de energia negativa para energias positivas. Como vimos. com mobilidade dentro do cristal. Nos semicondutores. emitindo fótons a cada passagem.

após atravessar uma determinada espessura de matéria terá sua intensidade diminuída pela remoção de uma parte desses fótons do feixe. chamando o coeciente de proporcionalidade (coeciente de absorção linear) de µ. do material absorvedor pois a absorção de um fóton numa dada posição depende apenas da probabilidade de interação por um dos três efeitos e não do que aconteceu anteriormente com os outros fótons. No caso de emissão de dois fótons. sendo emitidos em direções opostas. como raios X ou raios γ . Para um feixe de fótons com uma dada energia (monocromáticos). A emissão de um único fóton é possível. ocorrendo portanto a absorção total da radiação. por exemplo. mas o processo é muito raro. em geral bastam espessuras bastante pequenas (fração de mm) para que praticamente todos os fótons tenham interagido. 62 . temos a relação: dI = −Iµdx Figura 3. a energia total dos fótons deve ser de 1022 keV. Para que haja também a conservação do momento. como normalmente se encontra. o −10 positrônio durando em média cerca de 10 s. mas são processos igualmente improváveis). supondo que o positrônio se encontra em repouso.8: Atenuação de um feixe de fótons por um absorvedor. é necessário que os fótons tenham a mesma energia (e portanto mesmo momento).5 Absorção de Fótons Pela Matéria Um feixe de fótons. como luz visível. Para fótons de energias mais altas. uma boa fração dos fótons incidentes pode atravessar espessuras relativamente grandes (vários cm) sem sofrer nenhum tipo de interação. por um dos três tipos de interação anteriormente descritos. Emissão de mais de três fótons também é possível. 3. Portanto. Para fótons de baixas energias. no momento da aniquilação. com intensidade inicial Io . o número de fótons absorvidos dI numa espessura deve ser proporcional ao número de fótons I e à espessura dx dx. tendo portanto cada um 511 keV. Esse processo ocorre muito rapidamente.3 Interação de Fótons com a Matéria em geral dois ou três fótons (dois sendo muito mais provável. no caso em que o pósitron colide com um elétron fortemente ligado a um átomo.

Essas faixas de predominância dependem do material.10−3 eV. Caso semelhante ocorre com a criação de pares. ∆E/E . por exemplo.33. O fóton é espalhado de um ângulo de 90 . diminuindo portanto sua intensidade. Um fóton de energia inicial de 100 keV que se move no sentido positivo do eixo o x. ϕ = 40◦ . a variação relativa da energia do fóton no espalhamento Compton. utiliza-se nos cálculos o chamado coeciente de absorção de massa. o processo de absorção por efeito fotoelétrico é dominante e que a partir de ∼50 keV o espalhamento Compton passa a dominar. Na gura 3. 3.s/m. como a emissão do segundo fóton será em geral em direção diferente da direção do feixe de fótons. 3. Ache os componentes do momento do elétron. Para o chumbo. bem como o momento de um elétron envolvido no processo Compton em termos da energia do foton incidente 2 2 2 2 repouso do elétron mo c ? R: Ee = mo c + hν[1 + mo c /(mo c + 2hν)] 63 . quando logo a seguir.124 nm. Um outro detalhe sobre a absorção é que no espalhamento Compton não temos propriamente a absorção do fóton. com a energia dos fótons incidentes. Qual a energia cinética máxima possível. o coeciente de absorção pode ser decomposto em três termos: µ = µE + µC + µP sendo cada componente proporcional à probabilidade de ocorrência de cada um dos processos. Entretanto. Note que para energias baixas.9 vemos a dependência dos três termos do coeciente de absorção de massa do alumínio.10−3 eV. onde ρ é a densidade do absorvedor (e I(x) = Io exp(−(µ/ρ)ρx)). numa dada energia de fóton aumenta com Z . ele é removido do feixe. a intensidade I de um feixe de fótons de intensidade Io será então dada por: I(x) = Io e−µx Como a absorção é causada por um dos três processos de interação. px = 0.3. hν e da energia de 4. colide com um elétron livre em repouso. com a aniquilação do par outros fótons são também emitidos. por exemplo. o espalhamento Compton só passa a dominar para fótons de energia maior que cerca de 500 keV.6 Exercícios 1.022 MeV é dominante apenas para fótons com energias acima de 20 MeV. Após atravessar uma espessura inicial x de um absorvedor. A probabilidade de ocorrência 5 de efeito fotoelétrico. Mostre que é igual a R: 2. denido como a razão µ/ρ. (hν /mo c2 )(1 − cos θ). pois um outro fóton é emitido após o espalhamento. indo no sentido positivo do eixo y.28. Qual a tensão de aceleração dos elétrons nesse tubo? R: 10 kV.6 Exercícios o sinal negativo indicando que há um decréscimo no número de fótons. que só ocorre para energias acima de 1. onde Z é o número atômico do absorvedor.s/m. py = 0. O comprimento de onda mínimo no espectro contínuo de raios X emitidos por um tubo de TV é de 0. Mais comumente. A criação de pares.

64 .3 Interação de Fótons com a Matéria Figura 3.9: Variação do coeciente de absorção de massa para cada tipo de interação com a energia do fóton.

0. É razoável desprezarmos essa energia.88 · 10 Å..4 eV 14. 8. com λ = 1.06 cm2 /g tanto para o Al quanto para o Pb.Raios X com λ = 0.0403. A que potência isso corresponde? 12. 60 .5 cm 11. 9.Sob condições ideais.Raios-X de comprimento de onda 0.00Å. a) 0. comparada com a energia limite. Se a radiação espalhada é detectada a 90 deslocamento Compton 13.3. b) o trabalho realizado ao remover o elétron da folha de ouro.200 nm são espalhados por um bloco de carbono.0412. a energia e o momento não podem se conservar simultaneamente.. Os elétrons descrevem circulos de raio r em uma região onde há um campo de indução magnética B. 0.88 · 10 tesla·m.71Å ejetam fotoelétrons de uma folha de ouro. sem a presença de um terceiro corpo para absorver uma parte do do momento. com λ = 1. Mostre diretamente que. A −4 experiência mostra que rB ≤ 1.0445. c) Qual dos ângulos de espalhamentos dá ao elétron a maior energia de recuo? a) 0.O coeciente de absorção de massa para fótons de energia 1 MeV é igual a 0. 3330. e também um feixe de raios γ vindo 137 −2 Cs. 90 .Considere um feixe de raios X.. como feito acima? 10. 1760. a) o o o o o o Encontre o comprimento de onda dos fótons espalhados a 30 . 905. encontre a) o ∆λ e b) a energia cinética do elétron em recuo.. (dado: ρ(Al) = 2. 0..Suponha que um par elétron pósitron é criado por um fóton que tem a energia limite (2mo c2 ) para que o processo ocorra. b)Encontre a energia da partícula espalhada correspondente. (Sugestão: suponha que a energia seja conservada e mostre que isto implica em momentos diferentes antes e depois da interação).Obtenha a relação: cot θ hν ) tan ϕ = (1 + 2 mo c2 entre as direções de movimento do fóton espalhado e do elétron envolvidos no efeito Compton.. de uma fonte de 6.7 g/cm .. Ache: a) a energia cinética máxima dos fotoelétrons. 3140.0445 nm b) 231. R: a) 3keV b) 14. 2570. 3140 eV 65 . ρ(Pb)=11 g/cm ).Raios-X com comprimento de onda 0.Um raio γ cria um par elétron pósitron.040 nm sofrem espalhamento Compton. 0. o olho humano registra um estímulo visual a 5500 Å se mais de 100 fótons forem absorvidos por segundo. a) Calcule o momento transferido a um núcleo no processo. 120 .5 keV.0436. o em relação à dos raios incidentes. 0.0448.6 Exercícios 5. 150 e 210 ...Determine a variação máxima do comprimento de onda no espalhamento Compton por prótons. b) suponha que o núcleo é o de um átomo de chumbo e calcule a energia cinética do núcleo atingido. para 5% 3 3 de seu valor inicial.00243 nm b) 74. Calcule a espessura de um absorvedor de Al e a de um de Pb.. capaz de reduzir a intensidade de um feixe de fótons dessa energia. a) 19cm b) 4. Se a radiação espalhada pelos elétrons livres ◦ é observada a 90 do feixe incidente: a) Qaul o deslocamento Compton em cada caso? b) Que energia cinética é cedida ao elétron em cada caso? c) Que percentagem da energia do fóton incidente é perdida na colisão em cada caso? 7.

comprimento das placas 10 cm e distância entre as placas 2 cm.O acelerador linear de Stanford pode acelerar elétrons até 50 GeV.02 MeV são Se o espalhamento é simétrico.. devido a energia de recuo do núcleo? b) Qual o comprimento de onda do fóton emitido? −3 a) 1. a) Quanta energia (eV) é transferida ao elétron nessa colisão? b) Compare o resultado com a energia adquirida pelo elétron ao sofrer efeito fotoelétrico com um fóton de mesmo comprimento de onda.Uma partícula misteriosa entra na região entre as placas de deexão de um aparêlho de Thomson.0861 nm 19.11x10 eV b) 8.3 Interação de Fótons com a Matéria o c) t = 180 15.4 18.. a) Encontre q/m para essa partícula. 20.. 4 o a) 9. b) Identique a partícula.Raios gama (fótons de alta energia de origem nuclear) de energia 1. a) qual a redução da energia do fóton.. um fóton de luz violeta (4000A) é retro o espalhado em ângulo de 180 .10 eV c) Não pois a energia máxima (θ =180) é insuciente. O ângulo de deexão θ é determinado como 0. como mostrado na gura.Qual o comprimento de onda mínimo produzido por um aparêlho de raios-X operando a um potencial de 30 kV? 0.. isto é θ = φ.2 rd (para baixo) para essa partícula quando V=2000 V.57x10−2 T é aplicado simultaneamente com o campo elétrico.0413 nm 22.4 keV. A energia disponível para a transição (diferença de energia entre o estado excitado e o fundamental) é de 14. encontre a) o ângulo o a) θ =41.679 MeV de espalhamento θ e b) a energia dos fótons espalhados.. Qual o menor comprimento de onda que pode ser produzido por bremsstrahlung? São esses fótons ainda chamados raios-X? 66 .Mostre que a razão entre o comprimento de onda Compton λC = h/mc e o compri- mento de onda de de Broglie para um elétron relativístico é dada por: E λC = −1 λ mc2 espalhados por elétrons inicialmente em repouso.Um fóton de energia inicial 0. c) Poderia a luz violeta ejetar elétrons de um metal por espalhamento Compton? −5 a) 3.58x10 C/kg b) prótons 21. Se um campo magnético perpendicular de magnitude 4. 1/2 16. c) Encontre a velocidade horizontal com que a partícula entrou na região entre as placas.90 keV c) 55. o 17. d) Deve-se usar mecânica relativística para este problema? 7 a) 9.77x10 eV b) 3.95x10 eV b) 0.1 MeV sofre espalhamento Compton em ângulo de 60 .Um núcleo excitado de ferro (A=57) decai para o estado fundamental pela emissão de um fóton.4 keV).. a partícula passa entre as placas sem deexão.. Encontre a) a energia do fóton espalhado b) a energia de recuo do elétron e c) o ângulo de recuo do elétron. do valor máximo possível (14.5 b) 0.Numa colisão Compton com um elétron.

.Calcular λmin para os raios-X produzidos na colisão ∆λ/λ do espalhamento Compton para luz verde (λ=530 nm)..0620 nm 24..3.Qual a energia de um fóton necessária para produzi um par próton-antiproton? 28.. a energia do elétron espalhado e o ângulo de recuo do elétron.Um tubo de TV opera a 20 kV.Qual o comprimento de onda mínimo de um foton capaz de produzir elétrons com energia de 30 keV em um espalhamento Compton? 29. Poderia esse efeito ser facilmente observado? 25.Mostre que a energia cinética máxima do elétron em recuo em um espalhamento Compton é dada por: cin Emax = hν 1 2hν mc2 2hν + mc2 67 .Se um fóton de 6 keV é espalhado por um próton em repouso...Um raio gama de 700 keV de energia é espalhado por um elétron. 27. Qual o desses elétrons com o fósforo da tela? 0. Encontre a energia ◦ do fóton espalhado a 110 .6 Exercícios 23. qual a variação no ◦ comprimento de onda do fóton espalhado a 90 ? 26..

3 Interação de Fótons com a Matéria 68 .

Os espectros atômicos. apenas alguns comprimentos de onda estão presente. Em geral é empregado uma rede de difração ao invés do prisma. composição da matéria estelar. o estudo dos espectros da radiação visível emitida por chamas e posteriormente por descargas produzidas em gases ou em vapores metálicos tomou um grande impulso. Contrário à radiação térmica emitida por corpos aquecidos (radiação do corpo negro) que é contínua. o espectro de emissão dos átomos é discreto. têm enorme importância ainda nos dias atuais. como o visto na gura 4. Nos espectrômetros normalmente a luz produzida pela descarga no gás é colimada por uma fenda estreita antes de passar por um prisma ou rede de difração. tanto na região visível. ou seja.. 69 . quanto na do infravermelho e do ultravioleta. Por isso espectro discreto é também chamado espectro de raias ou de linhas Figura 4.1: Diagrama esquemático de um espectrômetro.4 O Átomo de Bohr 4. para então ser registrada num lme fotográco.1 Espectros Atômicos e Séries Espectrais A partir de 1880. principalmente por sua aplicação em processos de análise de composição de materiais.1. etc. dada a enorme precisão com que se pode determinar os comprimentos de onda da radiação emitida pelos átomos.

Uma na faixa do visível e ultravioleta próximo e outra. No espectro do hidrogênio. para o átomo de hidrogênio. Logo que essas regularidades foram identicadas. o mais simples de todos.6Å é uma constante (limite da série). Balmer corretamente previu que a sua série seria um caso particular de uma expressão mais geral. 70 . as outras três na região do infravermelho). em 1890. Nos espectros dos materiais alcalinos. p e d). Balmer descobriu que as raias da série do visível do átomo de hidrogênio podiam ser previstas por uma série numérica simples: λ=B onde n2 n2 − 4 B = 3645. com um número muito grande de raias. Em 1885. como o sódio. por exemplo. elas podem em muitos casos ser classicadas em grupos.2: Espectro na região visível e ultravioleta próximo. na região do ultravioleta (hoje são conhecidas cinco séries distintas no espectro do hidrogênio. observada posteriormente. de acordo com suas características principais. Esta série de raias é conhecida como série de Balmer. as raias mais intensas eram classicadas em três séries: a nítida (sharp). a principal e a difusa (s. Para as quatro primeiras raias a diferença entre o valor previsto e dados experimentais disponíveis na época é de cerca de 1/10000. que pudesse explicar outras séries conhecidas. iniciou-se uma busca para a origem dessa ordem. Alguns anos depois. Figura 4. já no ultravioleta. dado que o hidrogênio é também o átomo mais simples. duas séries eram conhecidas. O acordo dessas previsões com os dados experimentais é impressionante.4 O Átomo de Bohr Embora os espectros observados sejam relativamente complexos. chegando a a cerca de 1/1000 para a 9 raia.

RH e o R para os átomos muitos pesados 0.J.4.05%).. é muito menor que a dos átomos) e por uma massa de carga positiva.. A expressão geral obtida por Rydberg é: k=R 1 1 2 − (m − a) (n − b)2 por exemplo.. s´rie de Lyman (m = 1) e n = 3.3. sabia-se. e cou conhecido como o modelo do pudim de ameixas. quando emitiriam radiação característica dos átomos. temos: k = RH k = RH k = RH 1 1 − 2 2 1 n 1 1 − 2 2 2 n 1 1 − 2 2 3 n n = 2. para as três primeiras séries do hidrogênio. Na. Os elétrons ocupariam posições de equilíbrio nessa massa de carga positiva e poderiam eventualmente ser colocados em vibração. principalmente com base em medidas de espectroscopia e no espalhamento de raios-X.2m−1 . principalmente entre os elementos mais leves. O valor atualmente aceito para RH é 10967757. Thomson. não em termos do comprimento de onda λ.. o número de onda k : k= onde 1 1 n2 − 4 4 = = 2 λ B n B 1 1 − 2 4 n = RH 1 1 − 2 2 2 n RH = 4/B é chamada constante de Rydberg para o hidrogênio..5. os elétrons (ameixas do pudim) se distribuíam no volume atômico (∼ 10 m de raio) constituído por uma distribuição uniforme de carga positiva ocupando todo o volume atômico e contendo praticamente toda a massa do átomo (o pudim). Embora se soubesse que os átomos fossem constituídos de elétrons (cuja massa. s´rie de P aschen (m = 3) e A constante de Rydberg varia ligeiramente de elemento para elemento. s´rie de Balmer (m = 2) e n = 4.2 O Espalhamento Rutherford Rydberg nalmente encontrou a formulação geral. as constantes a e b são não nulas (são conhecidas como defeito quântico ).5. uma quantidade enorme de informações sobre a estrutura da matéria havia sido acumulada.4. No caso 71 .. O primeiro modelo para a estrutura do átomo foi proposta por J.. 4.6. K.4. −10 Neste modelo. se expressarmos esta.6 ± Para os átomos dos elementos alcalinos como Li. até o nal da primeira década do século XX. A expressão encontrada por Rydberg pode ser visualizada da expressão de Balmer... mas em termos de seu inverso. A diferença entre é no entanto muito pequena (∼ 1. a organização desses elementos na estrutura atômica era desconhecida.2 O Espalhamento Rutherford Como vimos na seção anterior.

Tomando a partícula α como uma carga puntiforme.4 O Átomo de Bohr de átomos com um só elétron. a força elétrica devido à carga positiva do átomo de Au é dada por: F (r) = k1 r para r ≤ R F (r) = k2 /r2 para r > R onde R é o raio atômico. Átomos radioativos. A interpretação dada por Rutherford alguns anos depois para esses dados. mas somente uma freqüência é possível. Numa esfera com distribuição uniforme de carga positiva a força resultante num elétron é sempre voltada para o centro. sendo proporcional à distância do elétron ao centro. eles faziam incidir um feixe colimado. amerício. que na época que foram descobertas. Esses resultados eram incompatíveis com as previsões do modelo de Thomson. etc. Esse elétron pode então fazer um movimento harmônico simples. quando Geiger e Marsden. emitem partículas de dois tipos. α em relação à massa dos elétrons. introduziu o chamado átomo nucleado e a base para o desenvolvimento da teoria atômica e nuclear da matéria. α máxima atua sobre a partícula durante um intervalo de tempo da ordem de grandeza do tempo de trânsito da partícula partícula pelo átomo (∆t ∼ 2R/v ). como o tório. com freqüência dada pela relação entre a constante de força e sua massa. de pequeno diâmetro. a colisão dessas partículas com os elétrons não deve causar grandes deexões na direção inicial da α. rádio. a deexão máxima pode ser facilmente estimada. apresentaram os resultados de suas medidas para o espalhamento de partículas α por átomos de ouro. ele ocuparia o centro do átomo na situação de equilíbrio. Já na época em que Geiger e Marsden faziam suas medidas já se sabia que as partículas β α são átomos de hélio duplamente ionizados. podemos estimar o ângulo máximo de espalhamento: 72 . de partículas Tendo em vista a enorme massa das partículas partícula α em uma folha na de ouro (∼ 1 µm de espessura) e observavam as partículas espalhadas em função do ângulo de espalhamento. a variação do momento da α pode ser obtida calculando-se o impulso desta força: ∆p = F . No caso das cargas positivas.∆t = Supondo-se ainda que Qq 2 4π o Rv − → ∆p é perpendicular à direção do momento inicial. como veremos a seguir. Nas experiências realizadas por Geiger e Marsden. foram chamadas de são elétrons de alta energia e que as α e β por Rutherford. na Inglaterra. que trabalhavam com Ernest Rutherford na Universidade de Manchester. como no modelo de Thomson. e o modelo não consegue explicar as inúmeras raias presentes no espectro do átomo de hidrogênio. alunos de Rutherford. para r=R: A força máxima agindo na partícula é portanto o valor de F Fazendo-se a aproximação em que a força Fm = k1 R = k2 /R2 = (Qq/4π o )/R2 . Se zermos os cálculos vamos obter uma freqüência característica para o átomo de um elétron (átomo de hidrogênio) próxima aos valores típicos dos espectros atômicos. Diculdades ainda maiores para o modelo apareceram por volta de 1909.

que lhe deram o prêmio Nóbel de química. por exemplo. cerca de dez mil vezes menor que o átomo. no Laboratório Cavendish. para Θrms = Θ2 ∼ 1o . obtendo-se. mais ou menos como no passeio ao acaso que vimos no estudo do movimento browniano. Para espalhamento com Θ ≥ 90 . que foi plenamente comprovada em experimentos mais detalhados realizados posteriormente por Geiger e Marsden.2 O Espalhamento Rutherford ∆p 2Qq 79 · 2 · e2 = tan θmax ∼ = = p 4π o M v 2 R 4π o Eα R Em unidades convenientes. Só depois é 73 . com base no modelo atômico de Thomson. no caso do espalhamento de partículas α. uma partícula α vai sofrer colisões ora em uma direção ora em outra. enquanto que a fração prevista 2 pelo modelo de Thomson era N/No = exp[−(90/1) ] ∼ 10 = −3500 . no qual a carga positiva −14 estava concentrada num pequeno volume. Ernest Rutherford.025o . Demonstrou também a expressão para a distribuição angular das partículas espalhadas. depois de N colisões cada uma com passo θ o valor quadrático médio do ângulo resultante será: Θ2 = N θ2 Onde θ espessuras de Au típicas usadas por Geiger e Marsden.4. com base nesses resultados. como as emitidas pelos actinídeos. as atividades de pesquisa relacionadas com a radioatividade eram em geral atividades típicas de química. ou seja.10−4 ou Espalhamentos com ângulos muito maiores que este podem ser obtidos por uma sucessão Supondo que os átomos numa folha de Au se distribuam mais ou menos aleatóriamente. temos de modo que para uma partícula tan θmax ≈ 4. Posteriormente obteve uma posição na Universidade McGill em Montreal no Canadá (1898-1907). de diâmetro de cerca de 10 m. Usando os princípios da mecânica estatística. O processo de colisões múltiplas não favorece a ocorrência de eventos com grandes ângulos de espalhamento total. de colisões. eles observavam um número muito grande de partículas espalhadas em ângulos o grandes. onde desenvolveu os trabalhos sobre o decaimento radioativo e a química das substâncias radioativas. Rutherford apresentou um novo modelo para o átomo. Da mesma maneira como obtivemos o resultado de que a distância quadrática média do bêbado 2 em relação à porta do bar é dada por ∆x = N l2 onde l é o tamanho do passo.5. pois embora sendo físico. e2 /4π o = 1. Em 1911. Rutherford pode deduzir que. um neozelandês que quando jovem foi à Inglaterra com uma bolsa para aperfeiçoamento de seus estudos. pode ser aproximado por exemplo pelo valor estimado acima.44 · 10−9 eV m α de cerca de θmax ∼ 0. após atravessar uma folha de matéria é dado por: N (Θ) = No e−Θ 2/ Θ2 Os dados experimentais de Geiger e Marsden mostravam que embora os valores obtidos para o ângulo médio de espalhamento fossem consistentes com os esperados pelo modelo de Thomson. o número de partículas ângulo maior ou igual a α espalhadas em um Θ. 5 MeV. eles mediram cerca de uma partícula espalhada para cada 8000 partículas incidente.

temos: L = M vb = M v b Supondo a colisão elástica e desprezando a energia cinética adquirida pelo núcleo de Au.4 O Átomo de Bohr que retornou à Inglaterra. A trajetória descrita pela partícula é uma hipérbole. onde foi o diretor por muitos anos. o que pode ser deduzido utilizando-se as equações básicas da mecânica clássica (para a dedução completa. espalhada por um núcleo de Au de carga Ze. sendo b e v o parâmetro de impacto e a velocidade antes da colisão e b' e v' os correspondentes após a colisão. 1 1 2 2 temos que M v = M v ou v = v e portanto o parâmetro de impacto também não é 2 2 alterado pela colisão. Uma vez que a força agindo entre as partículas é central. na Universidade de Manchester onde desenvolveu os experimentos que o levaram. α espalhada por um núcleo puntiforme de massa innita A gura 4. A distância b entre os centros das duas partículas é chamada parâmetro de impacto e o ângulo de espalhamento (θ ) pode ser expresso em termos desse parâmetro. Figura 4. de massa M e carga ze. o momento angular do sistema formado pelos dois núcleos se conserva na colisão. Posteriormente retornou a Cambridge e ao Laboratório Cavendish.3: Trajetória da partícula e carga Ze. que tendo massa muito maior que a da partícula α vamos considerar que permaneça em repouso durante o processo de colisão.3 mostra a trajetória de uma partícula α. 74 . Portanto. em 1911 a descobrir a estrutura nuclear para o átomo.

4. ex. Figura 4. Em termos das coordenadas polares da partícula r e ϕ α.4: Representação pictorial de um feixe de partículas incidindo numa folha de Au 2 de 1cm de área. a trajetória é descrita pela equação: 1 1 D = sin ϕ + 2 (cos ϕ − 1) r b 2b onde D é a distância de maior aproximação.2 O Espalhamento Rutherford ver p. estando D= onde ze é a carga da partícula fazendo-se 1 zZe2 4π o M v 2 /2 A relação entre o α e Ze a do núcleo do átomo de Au. mostrando as regiões em que o parâmetro de impacto tem valor entre b e b+db. parâmetro de impacto b e o ângulo de espalhamento r→∞ e usando-se a relação assintótica θ é obtido ϕ = π − θ: da expressão da trajetória b= onde foi usada a relação D 1 − cos ϕ D 1 + cos θ D θ = = cot 2 sin ϕ 2 sin θ 2 2 θ sin θ = tan 2 (1 + cos θ). numa colisão frontal (θ na distância de menor aproximação a partícula portanto com velocidade nula: = 180o ) e pode ser facilmente obtida igualando-se a energia cinética inicial à energia potencial. o apêndice D do Eisberg-Resnick). 75 . uma vez que α inverte a direção do movimento.

da relação (na última passagem foi utilizada a relação entre o parâmetro de impacto e o ângulo de espalhamento. denida pela expressão: dN = dσ IndΩ dΩ 76 . a fração de partículas α com parâmetro de impacto entre b e b+db é basicamente dada pela razão entre a soma das áreas dos anéis mostrados por na gura (N 2πbdb) e a área total da folha. ou área efetiva de colisão.5). esta fração será dada por: f = ρt2πbdb Esta fração corresponde à probabilidade de se ter uma partícula impacto entre b e b+db: α com parâmetro de P (b)db = f = ρt2πbdb Da expressão para b em função do ângulo de espalhamento. onde Substituindo-se o valor de D e fazendo-se total de partículas No é o número α incidindo na folha espalhadora.4 O Átomo de Bohr Para calcularmos o número de partículas entre θ e θ + dθ podemos utilizar a relação acima e calcular o correspondente número entre de partículas com parâmetro de impacto entre b e b+db. obtém-se: db D d θ D 1 = cot = − θ θ 2 d( 2 ) 2 2 sin2 d( 2 ) de onde se obtém: θ 2 bdb = − θ D2 cos 2 D2 sin θ dθ = − dθ θ θ 8 sin3 2 16 sin4 2 θ θ 2 sin 2 cos 2 = sin θ). temos que a relação entre a probabilidade de colisão com parâmetro de θ e θ + dθ é P (θ)dθ = −P (b)db e portanto temos: P (θ)dθ = π sin θ ρtD2 4 θ dθ 8 sin 2 N (θ)dθ = No P (θ)dθ. Sendo ρ a densidade do Au (número de átomos cm3 ) e t a espessura da folha.4 vemos esquematicamente um pedaço de folha de Au. bem como outras semelhantes que ocorrem na física nuclear. de 1 cm2 de área. quando b aumenta impacto b e b+db e o espalhamento entre θ diminui (ver gura 4. bem como as áreas correspondentes ao parâmetro de impacto entre b e b+db. Na gura 4. mostrando os núcleos dos átomos representados por pontos. são geralmente expressas em termos do que se chama seção de choque. Notando-se que. Supondo que o uxo de partículas α é uniforme nessa área. temos nalmente a expressão para a distribuição angular das partículas para o espalhamento Rutherford: N (θ)dθ = 1 4π 2 o zZe2 2M v 2 2 No ρt2π sin θ dθ θ sin4 2 A expressão para o espalhamento Rutherford.

4.2 O Espalhamento Rutherford
dσ dΩ, dΩ a seção de choque diferencial, I = No a intensidade do feixe de partículas e n = ρt o número de 2 centros espalhadores (núcleos) por cm . A denição do ângulo sólido dΩ pode ser visto na
onde

dN = N (θ)dθ

é o número de partículas espalhadas no ângulo sólido 

gura 4.5 .

Figura 4.5: Diagrama mostrando a relação entre o parâmetro de impacto b e o ângulo de espalhamento

θ.

A região sombreada corresponde ao ângulo sólido

dΩ =

2π sin θdθ.
Como

dΩ = 2π sin θdθ

e da expressão para

N (θ), zZe2 2M v 2

temos:

dN =

1 4π

2 o

2

In dΩ θ sin4 2

de onde se obtém a expressão para a seção de choque para o espalhamento Rutherford:

dσ = dΩ

1 4π

2 o

zZe2 2M v 2

2

1 sin4

θ 2

Na gura 4.6 vemos resultados experimentais para o espalhamento de partículas

α

em

Au, publicados em 1913 por Geiger e Marsden, comprovando a descrição de Rutherford para o átomo. O ano de 1911, quando foi publicado o artigo de Rutherford (Phil. Mag. vol. 21, p. 669) é considerado o de nascimento da física nuclear. O modelo de Rutherford, embora resolvesse o problema apresentado pelas medidas de espalhamento de partículas

α,

introduzia um outro. De acordo com a física clássica, não No caso de átomo com um

há como manter a estabilidade do átomo nessas condições.

só elétron, como o de hidrogênio, a condição do elétron orbitando em torno do núcleo,

77

4 O Átomo de Bohr

Figura 4.6: Resultados experimentais obtidos por Geiger e Marsden comparados com a previsão de Rutherford (curva sólida).

embora podendo ser estável do ponto de vista mecânico, tendo o elétron uma aceleração (centrípeta), ele deveria irradiar energia continuamente, de acordo com a teoria clássica do −12 eletromagnetismo, terminando por colapsar no núcleo, após cerca de 10 s.

4.3 O Modelo de Bohr para o átomo de Hidrogênio
No outono de 1911, Niels Bohr foi à Inglaterra para uma visita cientíca, inicialmente ao Laboratório Cavendish (com J.J. Thomson) e posteriormente à Universidade de Manchester onde trabalhou com Rutherford e seu grupo. Embora sendo um teórico, Bohr acompanhou de perto os trabalhos de Geiger e Marsden bem como o desenvolvimento do modelo do átomo nuclear proposto por Rutherford. Cerca de dois anos depois, Bohr apresentou um modelo para o átomo de hidrogênio, que incorporava as idéias de Rutherford, as originadas dos trabalhos de Planck para o corpo negro e as de Einstein para o efeito fotoelétrico: a quantização da energia de sistemas mecânicos (osciladores) e da radiação eletromagnética. Introduzindo idéias revolucionárias em relação à física clássica, Bohr conseguiu desenvolver um modelo simples que garantia as características observadas no modelo de Rutherford, dava estabilidade ao átomo e previa as séries espectrais observadas para o átomo de hidrogênio, determinando portanto a origem das séries empíricas de Balmer e Rydberg. A fundamentação do chamado modelo de Bohr pode ser expressa em termos dos postulados

78

4.3 O Modelo de Bohr para o átomo de Hidrogênio
de Bohr: 1. No átomo, o elétron se move em órbitas circulares, cujo movimento é descrito em

termos das leis gerais da mecânica e da eletrostática, com a limitação de que apenas algumas órbitas são possíveis, sendo essas determinadas pela imposição de que o momento angular do elétron deve ser um múltiplo inteiro de

h/2π .

2. Enquanto descreve o movimento acelerado em sua órbita, o elétron não irradia ener-

gia como prevê a teoria eletromagnética clássica.
3. O elétron pode saltar de uma órbita para outra. Se ele pula espontaneamente de

uma órbita em que sua energia total é

Ei

para uma outra de energia menor

Ef ,

a

energia perdida é emitida na forma de radiação, cuja freqüência é dada pela relação

ν = (Ei − Ef )/h.
O modelo de Bohr tem aplicação somente no caso de átomos com um só elétron, como o átomo de hidrogênio ou átomos ionizados de outros elementos, no qual somente um elétron permanece ligado ao núcleo. Consideremos então um átomo constituído de um núcleo de carga Ze e massa M ao qual permanece ligado um único elétron de carga -e e massa m, girando ao redor do núcleo em uma órbita circular. do elétron por sua aceleração centrípeta: Sendo v sua velocidade orbital, a condição de equilíbrio é obtida igualando-se a força eletrostática com o produto da massa

1 Ze2 v2 =m 4π o r2 r
De acordo com o primeiro postulado de Bohr, temos ainda que os raios possíveis para essas órbitas devem ser determinados impondo-se a condição de quantização do momento angular para o elétron:

mvr = n
onde , a constante de Planck dividida

h =n 2π por 2π é chamado 

h cortado. Substituindo v

obtido da equação acima na equação de equilíbrio de forças, temos:

n2 2 1 Ze2 = 4π o r mr2
de forma que os raios das órbitas são dados por:

r=

4π o n2 mZe2

2

e as velocidades orbitais podem ser então obtidas da expressão:

v=

n Ze2 Ze2 n = = mr 4π o n2 2 4π o n

79

a energia emitida na forma de radiação (fóton) quando o elétron passa de uma órbita de energia mais baixa En para uma outra de energia Em é dada por: hν = En − Em de onde se pode obter a expressão para o número de onda k = ν/c: 80 . temos: 2 2 E = Ec + Ep = − 1 Ze2 2 4π o r substituindo agora a expressão para o raio das órbitas obtida acima. de acordo com o modelo de Bohr. Como Ec = mv = Ze /4π o r e Ep = −Ze /4π o r .4 O Átomo de Bohr A energia total de um elétron numa órbita é dada pela soma da energia cinética e da 1 1 2 2 2 potencial eletrostática. temos nalmente a expressão para a energia dos elétrons em função de n : En = − mZ 2 e4 (4π o )2 2 1 2 n2 Figura 4.7: Diagrama de níveis de energia para o átomo de hidrogênio para diferentes números n. De acordo com o terceiro postulado de Bohr.

como mostrado na fórmula de Rydberg). A razão para isso só pode ser entendida com o desenvolvimento posterior da teoria quântica.53A ao . 4. ou mais precisamente a quantização dos estados de energia do átomo foi comprovada por um processo puramente mecânico . Com os valores atualmente aceitos das constantes fundamentais. não havia outra indicação de que realmente os estados de energia do átomo eram quantizados. está em muito bom acordo com as estimativas para o diâmetro atômico ∼ 1A que haviam na época. podem ter seus primeiros níveis de energia dados pelo modelo de Bohr em forma aproximada (intruduzindo-se os tais defeitos quânticos. Átomos alcalinos como o Li e o Na.o espalhamento inelástico de elétrons por átomos de mercúrio. dado a exatidão de suas previsões para os espectros atômicos. Em uma experiência muito simples. Numa primeira aproximação. Bohr pode vericar que sua previsão estava em bom acordo com o valor experimental da constante de Rydberg. A importância 81 .4. o modelo de Bohr. altera substituindo-se massa nita do átomo pode-se vericar que a expressão para o número de onda acima se R∞ por: R = R∞ M m+M Com os valores das constantes físicas disponíveis na época. Esses átomos têm sua estrutura denida com apenas 1 elétron após camadas atômicas fechadas para os elétrons mais internos. esses elétrons mais internos. podem ser incluídos num núcleo com carga total igual a 1e (Z prótons + Z-1 elétrons) e o último elétron se move em órbitas parecidas com a do elétron do átomo de hidrogênio.4 A Experiência de Franck-Hertz 2 o k= onde 1 4π me4 2 Z 4π 3 c 1 1 − 2 2 n m = R∞ Z 2 1 1 − 2 2 n m R∞ = 1 4π 2 o me4 4π 3 c Levando-se em conta a é a constante de Rydberg para um átomo de massa innita.4 A Experiência de Franck-Hertz Embora o modelo atômico de Bohr tivesse um sucesso muito grande. realizada em 1914 por James Franck e Gustav Hertz. que são rigidamente ligados. a constante R calculada com o modelo de Bohr reproduz o valor atual da constante R dentro de 1 parte em 100000! O raio do átomo de hidrogênio pode ser obtido tomando-se o n para o estado de menor energia: ao = O valor de 4π o 2 me2 0. chamado raio de Bohr.

Ao se aumentar Vo . uma pequena fração do mercúrio ca em forma de vapor.8: Diagrama esquemático do equipamento utilizado na experiência de FranckHertz A realização da experiência se faz com a introdução de uma gota de mercúrio no interior do tubo. No caso de colisões elásticas. a corrente de elétrons que chegam na placa coletora. A motivação do experimento era determinar a energia de ionização do átomo e não vericar a quantização dos níveis de energia. Figura 4. passam a colidir com os átomos de mercúrio ao longo do caminho. entre o catodo e a grade. pelos próprios elétrons emitidos. elétrons da parte externa da nuvem são acelerados em direção à grade. uma energia cinética mínima (= potencial acelerador e∆V ) para poder chegar à placa P. Isso é devido ao fato de que uma nuvem de elétrons lentos se forma nas proximidades do catodo.4 O Átomo de Bohr desta comprovação foi demonstrada com o prêmio Nobel atribuído a Franck e Hertz alguns anos depois (1925). de modo que a corrente medida na placa cresce à medida em que Vo aumenta.8. diminuindo assim o tamanho da nevem e permitindo que mais elétrons sejam emitidos do catodo. de modo que os elétrons devam ter. ele menciona que quando realizavam o experimento não sabiam ainda do modelo proposto por Bohr alguns meses antes. no qual se faz vácuo. Aquecendo-se o tubo a temperaturas de ∼ 150 C. Os elétrons agora. Para pequenos valores do Vo . tendo sua energia cinética aumentada progressivamente até atingir o valor cial retardadora eVo nas proximidades da grade. Franck no início dos anos 60 (na biblioteca do IFUSP há um vídeo com a demonstração do experimento de Franck-Hertz onde há também este depoimento). aplicandose uma diferença de potencial A montagem experimental para o experimento de Franck-Hertz utilizada hoje em dia nos Vo entre o catodo e a grade G. laboratórios didáticos é vista esquematicamente na gura 4. preenchendo todo o volume do tubo. sendo o átomo de mercúrio muito 82 . Num depoimento dado por J. Entre a grade e a placa coletora P aplica-se uma pequena diferença de poten- ∆V . ao ultrapassar a grade G. Essa distribuição de carga negativa gera um potencial elétrico que impede que outros elétrons sejam ejetados do catodo. o elétron é acelerado. medida pelo amperímetro I é pequena. Elétrons são emitidos pelo catodo aquecido C com energia cinética muito baixa.

5 eV.9 eV e colidindo novamente inelasticamente. Nestes. Continuam então sendo acelerados e quanto chegam às proximidades da grade. Franck e Hertz colocaram ainda o tubo com vapor de Hg. há inúmeras raias. A surpresa foi descobrir que essa não era a energia de ionização do mercúrio. A relação entre os estados de energia quantizados e as raias dos espectros atômicos estava denitivamente comprovada.9 eV.9 eV de sua energia para o átomo de Hg. construído por Franck e Hertz. energia maior que 4. conforme visto na gura 5. e a corrente cai novamente. Com isso.9 V num espectrômetro e observaram que o espectro continha somente uma raia. Utilizando-se a relação de Einstein. têm novamente energia cinética ligeiramente superior a 4. tem comprimento de onda de 2530 A. na presença de vapor de mercúrio.9 V. transferindo 4. Isso se repete cada vez que a tensão de aceleração é ligeiramente maior que um múltiplo de 4.9 eV não podem fazer colisões inelásticas pois não há um estado disponível para o átomo absorver essa quantidade de energia. A interpretação para esse fato é que os elétrons. saindo do catodo. mesmo que a diferença de potencial entre G e P seja aceleradora. ao atingirem a energia um pouco acima de 4. suciente para poder fazer uma colisão inelástica. em algum ponto entre o catodo e a grade.9 eV corresponde à entre o estado fundamental (estado de menor energia) e o próximo estado de energia (primeiro estado excitado) do Hg. Na experiência de Franck-Hertz. Entretanto. A conclusão inicial de Franck e Hertz é que o átomo estava sendo ionizado. praticamente não há perda de energia dos elétrons nas colisões.9V ) colidem inelasticamente com os átomos de mercúrio. desconhecido na época. poderiam ter causado muitos problemas para Franck e Hertz comprovarem o 83 . Aumentandose ainda mais o potencial acelerador Vo . os elétrons continuariam a ionizar os átomos Portanto a corrente I de mercúrio. voltaria a aumentar. Há dois fatos curiosos sobre a experiência de Franck-Hertz. observa-se que a corrente cai bruscamente. ao se aumentar o potencial acelerador para um valor ligeiramente maior que 4. fabricados comercialmente para uso em laboratórios didáticos. fonte principal da luz emitida pelas lâmpadas modernas de Hg. com Vo = 4. mas agora sobraria energia cinética suciente para atravessar a região de potencial retardador e conseguiriam portanto chegar ao anodo. cedendo praticamente toda sua energia cinética. ela começa a cair novamente. elétrons com baixa energia próximos à grade. potencial acelerador E = hc/λ = 4. Nessa condição de pressão. a probabilidade de colisão elástica de elétrons lentos com átomos de Hg é enorme e o gás se torna opaco para esses elétrons. mas sim a de excitação do átomo de mercúrio. as dimensões do tubo são bem menores que as do tubo original. ganham. com energia ∼. a energia restante não é suciente para atravessar a barreira de potencial. mas a mais intensa.9 eV para esta raia do Hg. Realmente.9 V. Elétrons com energia menor que 4. bem conhecido na época. Os elétrons. não afetando portanto o número de elétrons que chegam por segundo à placa. se aumentarmos mais a tensão. Portanto não têm energia suciente para atravessar a região de potencial freador e atingir a placa coletora. a pressão de operação do vapor de Hg é bem maior que a do tubo original. como vimos a corrente recomeça a subir. a de 2530 A. No espectro do átomo de mercúrio.4. a diferença de energia de 4. 0. quando Vo ∼ 10V . Esse fato sobre as colisões elásticas. para Vo ∼ 4.9 eV (o que ocorre nas proximidades da grade.9. Entretanto. não conseguem chegar à placa.4 A Experiência de Franck-Hertz mais pesado que o elétron. Nos tubos de Franck-Hertz modernos.

4 O Átomo de Bohr Figura 4.9: Curva experimental de corrente x tensão de aceleração no experimento de Franck-Hertz (dados obtidos no Laboratório de Estrutura da Matéria do IFUSP) 84 .

foi publicado um artigo (G.5 Regras de Quantização de Wilson-Sommerfeld funcionamento do método (ver D. Outra curiosidade se relaciona com observações feitas pelos alunos da disciplina Laboratório de Estrutura da Matéria II do IFUSP em 1988. como os da gura 4. 51. 810 (1988)) onde era previsto teoricamente a ocorrência de um efeito semelhante ao que observávamos.os primeiros a surgir na USP) e o efeito continuou.9 não era constante. p o momento associado à tem-se a relação: pdq = nq h A integral acima já era conhecida da mecânica e é chamada integral de ação ou simplesmente ação. Logo a seguir.4. harmônico ou força As variáveis q e p são por exemplo e x e px . antes feitas manualmente. J. no caso de um oscilador ϕ L. Para satisfação de todos. Ve- jamos por exemplo. mas com uma relação diferente daquela encontrada por Planck. Neste ano. Phys. no mesmo mês quem que observamos este efeito. Hanne . embora não houvesse mais o problema de inércia do sistema mecânico.F. para se obter valores médios com bom signicado estatístico. foram automatizadas.R. McMahon . o caso de um oscilador harmônico de uma massa m sob ação de uma F = −kx. de Estrutura da Matéria.5 Regras de Quantização de Wilson-Sommerfeld O impressionante acordo entre as previsões do modelo de Bohr e os resultados experimentais determinaram o imediato sucesso do mesmo. Isso deu uma signicativa melhoria na qualidade (precisão) dos dados experimentais e pudemos observar que a diferença de tensão entre os picos. no caso de uma partícula descrevendo um movimento circular. a situação da chamada física quântica era bastante caótica. fazendo com que as energias das órbitas atômicas fossem também quantizadas. J. Phys. 4. por Wilson e Sommerfeld. à medida em que a tensão de aceleração aumentava. mas aumentava. introduzindo-se um gracador eletromecânico. Então foi enunciada o postulado que cou conhecido como a regra de quantização de Wilson-Sommerfeld : Para qualquer sistema físico com movimento periódico. as medidas de IxV. do ponto de vista de uma estrutura organizada do conhecimento como se conhecia com a mecânica e o eletromagnetismo. passamos a utilizar uma placa de digitalização acoplada um micro computador (Apple II .Am. 51. Uma explicação mais detalhada para este efeito será dada no Lab. Bohr agora introduzia a L = nh/2π . quando este que escreve era professor da disciplina.Am. Planck havia postulado a quantização da energia de um oscilador (E do momento angular = nhν ).A. Passamos a coletar dados de todas as equipes. 1086 (1983)). Entretanto. sendo coordenada de posição q. Estava convencido que o efeito era devido a erro sistemático introduzido pela inércia mecânica da pena do gracador. Uma ordenação parcial desse conjunto de novas idéias aparentemente desconexas foi introduzida em 1916. A equação do movimento é dada pela aplicação da segunda lei de Newton: d2 x m 2 = −kx dt 85 .

A ação correspondente pode ser então calculada pela px dx = dθ = wdt. atômicos de alta resolução mostravam que algumas linhas eram na verdade duplas ou triplas. uma vez que em órbitas de alta excentricidades os elétrons têm velocidades muito maiores ao passar próximo ao núcleo. mostraram uma constante de estrutura na ligeiramente diferente da 86 . Por simplicidade vamos fazer ϕ=0 no que segue. velocidade da massa m é dada por: w= k/m = 2πν a freqüência angular e ϕ uma fase que depende das condições iniciais. Sommerfeld admitiu a possibilidade de órbitas elípticas de diferentes excentricidades. (mAw cos wt)Aw cos wtdt = mA2 w2 cos2 wtdt e fazendo observando que a energia do oscilador é dada por de onde temos: E = 1 kA2 = 1 mw2 A2 2 2 2E π w θ = wt. A vx = e portanto. Sommerfeld obteve para a chamada constante de estrutura na: α= (Nota: 1 e2 ∼ 1 = 4π o c 137 Recentemente. ϕ: Ldϕ = L dϕ = 2πL = nh ⇒ L = n h =n 2π Espectros Essas regras de quantização propiciaram por exemplo a obtenção. detalhes que são conhecidos como estrutura na dos espectros. Analogamente podemos obter a relação de Bohr. Utilizando expressões relativísticas. da chamada constante de estrutura na para os espectros atômicos. pelo próprio Sommerfeld. mw2 A2 pdx = w 2π cos2 θdθ = 0 utilizando então a regra de Wilson-Sommerfeld. observações de detalhes de espectros atômicos produzidos por galáxias distantes. temos 2πE = nh ⇒ E = nhν. Um elétron descrevendo um movimento circular e uniforme como no modelo de Bohr tem momento angular constante A coordenada associada a esse momento é o ângulo de rotação L = mvr. w que é a relação de Planck.4 O Átomo de Bohr Cuja solução x(t) é dada por: x(t) = Asen(wt + ϕ) onde A é a amplitude do movimento. expressão: dx = Aw cos wt dt px = mvx = mAw cos wt.

h.4. Embora a regra de quantização de Wilson-Sommerfeld fosse ainda muito limitada (só é válida para sistemas com movimento periódico). enquanto que as de radiação não o eram?). Elas também não explicavam a razão da falha de parte da teoria clássica ou o sucesso de outras partes (por que. indicando que as constantes fundamentais. Uma relação entre os resultados clássicos e os da teoria quântica foi ainda introduzida por Bohr. foi um avanço na compreensão dos sistemas físicos de pequenas dimensões. podem variar das teorias clássicas no limite de grandes números quânticos. e r = 4π o 4π o n me2 νo = me4 1 2 (4π o ) 2π 3 n3 A freqüência prevista pela teoria quântica é dada pela diferença de energia entre os estados En e En−1 : ν=− me4 (4π o )2 2 2 h 1 1 − 2 n (n − 1)2 2n − 1 (n − 1)2 = me4 = (4π o )2 4π Para 3 n2 n 1 (lim n → ∞) essa expressão ca: ν= como no caso clássico. me4 (4π o )2 2π 1 3 n3 O conjunto de conhecimentos sobre a teoria quântica desde os postulados de Planck até o princípio de correspondência de Bohr é o que chamamos hoje de a Velha Mecânica Quântica. segundo a qual As previsões da teoria quântica devem corresponder aos resultados o .5 Regras de Quantização de Wilson-Sommerfeld que conhecemos. e. Esses resultados precisam ainda ser conrmados). conhecido como Princípio de Correspondência. a Mecânica Quântica ou Mecânica Ondulatória. 87 . c. Vejamos por exemplo o caso do átomo de hidrogênio. por volta de 1923. Veremos no próximo capítulo como as novas idéias introduzidas por Luis De Broglie desencadearam o desenvolvimento de uma teoria completa. como no tempo. A freqüência de radiação clássica para o elétron em movimento circular é igual à sua freqüência de rotação νo = v/2πr. por exemplo no modelo de Bohr a lei de forças de Coulomb era válida. Das expressões que obtivemos anteriormente para v e r. temos: v= de onde se obtém: 1 e2 n2 2 .

2. c) Qual a seção θ? Θ ou maior no espa- N (Θ) = 1 4πεo 2 πIρt zZe2 M v2 2 cot2 (Θ/2) 4. a expressão 3 varia com 1/n e se reduz à freqüência clássica emitida (sugestão: obtenha classicamente a freqüência de revolução do elétron numa órbita circular).. Entre que limites de comprimento de onda está a série de Balmer? 6.. calcule os três maiores comprimentos de onda da série de Balmer. onde E é a energia total do elétron. a) Mostre que o parâmetro de impacto b e ângulo de espalhamento estão relacionados por b) Qual a seção de choque para espalhamento em ângulos maiores que de choque total? 3.... sofrendo uma deexão de ângulo θ com a direção de incidência.4 O Átomo de Bohr 4. 9. calcule a energia necessária para remover o elétron restante em um átomo de He ionizado.Uma bola de raio desprezível colide elasticamente com uma esfera rígida de raio R. Sabe-se que em relação à normal no ponto de colisão. cuja densidade é 3 o −5 19.3 g/cm .Calcule o menor comprimento de onda da série de Lyman e o da série de Paschen.8 MeV incide normalmente num alvo de −4 6 Cu de 10 cm de espessura..Mostre que no estado fundamental do átomo de hidrogênio. 5. Calcule a espessura da folha de Au. Quantas cintilações por segundo serão produzidas pelas partículas espalhadas numa tela uorescente de 2x2 mm.6 Exercícios 1..Mostre que o número de partículas espalhadas em um ângulo lhamento Rutherford é dado por: b = R cos(θ/2). o ângulo de incidência é igual ao de emergência. 7.Mostre que a freqüência de revolução de um elétron no modelo de Bohr para o átomo de hidrogênio é dada por folhas de cobre não 12. usando os resultados do problema anterior. a freqüência da luz emitida é dada por: ν= 2π 2 mke4 3 2n − 1 n2 (n − 1)2 8.Usando a fórmula de Bohr.A fração de prótons com 6 MeV espalhados por uma folha de Au.9 MeV ou maior.9 g/cm ... a velocidade do elétron 2 pode ser escrita como v = αc onde α = (1/4πεo )e / c 1/137 é a constante de estrutura na.Utilizando o modelo de Bohr para o átomo de hidrogênio.Um feixe no de partículas α de energia 4. mostre que durante a transição do estado n para o estado n-1. α com energia cinética 13. A intensidade do feixe é de 10 partículas por segundo e 3 a densidade do Cu é 8. colocada a 5 cm do centro do o alvo e numa direção fazendo um ângulo de 60 com a do feixe incidente? (Este foi um dos casos estudados por Geiger e Marsden)..Observa-se que partículas ν = 2|E|/hn. em ângulos maiores que 60 é igual a 2 · 10 . incidindo em 4 obdecem a lei de Rutherford (∼ 1/ sin θ/2).. Estime o tamanho do 88 ..À partir do resultado acima. 10. mostre que quando n tende ao innito.Usando o modelo de Bohr. 11.

4.6 Exercícios
núcleo de Cu à partir dessa observação, supondo que o núcleo de Cu permanece xo na −15 colisão com as partículas α. 6x10 m 13.- Calcule os comprimentos de onda das três primeiras raias da série de Lyman do átomo de hidrogênio.

+ 14.- a) Construa o diagrama de níveis de energia para o íon He (Z=2). b) Qual a + energia de ionização para o He ? 2 a) En = −54,4/n eV b) 54,4 eV + 2+ 3+ 15.- Qual o raio da primeira órbita de Bohr para a) He , b) Li e c) Be ?

rHe+ = 0,0265

nm,

rLi2+ = 0,0177

nm,

rBe3+ = 0,0132

nm b)

16.- a) Calcule o maior e menor comprimento de onda para a série de Paschen. Determine as energias dos fótons correspondentes. a)

λmax =

1874 nm

λmin =820

nm b)

Emin =0,663

eV

Emax =

1,52 eV

17.- Um átomo de hidrogênio está em seu estado fundamental (n=1). Usando o modelo de Bohr para o átomo, calcule a) o raio da orbita, b) o momento linear do elétron, c)o momento angular do elétron d) a energia cinética, e) a energia potencial e f ) a energia total. a) 0,0529 eV b)

1,99x10−24

kg.m/s c)

1,05x10−34

kg.m2/s=

d) 13,6 eV e) -27,2 eV f ) -13,6 eV 18.- Um elétron inicialmente no estado n=3 de um átomo de massa M com 1 elétron em repouso, faz transição para o estado fundamental n=1. a) Mostre que a velocidade de recuo do átomo devida à emissão do fóton é dada aproximadamente por v=8hR/9M, onde R é a constante de Rydeberg. b) Calcule a porcentagem da energia de transição 3->1 que é carregada núcleo de deutério em recuo. −8 b) 3,2x10 % 19.- Um elétron com energia menor que 100 eV colide frontalmente (e elasticamente) com um átomo de Hg em repouso. a) Se o elétron inverte sua direção de movimento, mostre que o elétron perde apenas uma pequena fração de sua energia cinética inicial, dada por: ∆Ec /Ec = 4M/[m(1 + M/m)]2 onde m é a massa do elétron, M a do Hg. b) Usando os valores conhecidos de m e M, mostre que

∆Ec /Ec ∼ 4m/M . α
(E=7,7

20.- Calcule o parâmetro de impacto para o espalhamento de uma partícula ◦ ◦ MeV) por ouro em um ãngulo de a) 1 e b) 90 . −12 −14 a) 1,69 · 10 m b) 1,48 · 10 m 21.- Um feixe de partículas

α

razão entre o número de partículas ◦ maior que 2 ?

de 8 MeV é espalhado por uma folha na de ouro. Qual a α espalhadasa 1◦ e o número das espalhadas em ãngulo

22.- Para alvos de alumínio (Z=13) e ouro (Z=79), qual a razão de partículas lhadas em um ângulo qualquer, para um dado número de partículas incidentes? 36,2 23.- Em um experimento feito espalhando-se partículas de ouro, estudantes encontraram que ◦ maior que 50 . a) quantas partículas ◦ ◦ quantas serão espalhadas entre 70 e 80 ?

α

espa-

α de 5,5 MeV em uma folha na 10000 partículas α são espalhadas em um ângulo α serão espalhadas em ângulo maior que 90◦? b)

89

4 O Átomo de Bohr
a) 2170 b) 1347 24.- Estudantes querem fazer um experimento usando uma fonte muito forte de partículas

α

de 5,5 MeV que serão espalhadas por uma folha na de ouro. Eles querem conseguir ◦ uma taxa de de 1 partícula/s a 50 , mas o detector que utilizam é limitado a uma taxa máxima de 2000 partícula/s. O detetor empregado subentende um pequeno ângulo sólido. ◦ O sistema de medidas poderá ser empregado para medir a taxa a 6 sem modicação? 25.- Os raios nucleares do alumínio e ouro são aproximadamente r=3,6 fm e 7,0 fm respectivamente. Os raios do próton e da partícula a) Que energia de partícula ouro) a) Al: 6,04 MeV, Au: 23,7 MeV b) Al: 3,82 MeV, Au: 13,7 MeV 26.- Calcule a velocidade e a aceleração radial para um elétron no átomo de hidrogênio. ++ Faça o mesmo para um átomo de Li . 27.- Calcule o momento angular em kg.m/s para a órbita eletrônica de menor energia no átomo de hidrogênio. 28.- Use os valores conhecidos de o , h, m, e e calcule as seguintes quantidades (com 4 2 2 algarismos signicativos): hc, e /4π o (em eV.nm), mc (keV), ao (em nm) e Eo (em eV). −2 1239,8 eV.nm, 1,4400 eV.nm, 511,00 keV 5,2918x10 nm, 13,606 eV 29.- Um átomo de hidrogênio em um estado excitado absorve um fóton de comprimento de onda 434 nm. Qual o estado inicial e nal do átomo? n=2 e n=5 30.- Qual é a energia de ligação calculada para o elétron no estado fundamental do a) + +++ deutério? b) He ? c) Be ? a) 13,6 eV b)54,4 eV c) 218 eV da ordem de 6 31.- Um átomo de hidrogênio existe em um estado excitado por um intervalo de tempo 10−8 s. Quantas revoluções faz o elétron no estado n=3 antes de decair?

α

são respectivamente 1,3 fm e 2,6 fm.

α

seria necessário para que as superfícies nucleares se toquem

em uma colisão frontal? b) Qual a energia no caso de prótons? ( calcular para alumínio e

2,44x10

32.- Um átomo muônico consiste de um múon (mc

2

= 106

MeV, carga = -e) no lugar do

elétron. Para o múon no átomo de hidrogênio, calcule: a) o menor raio. b) A energia de ligação do estado fundamental. c) O comprimento de onda limite para as três primeiras séries espectrais. −13 a) 2,84x10 m b) 2535 eV c) 0,49 nm, 1,96 nm, 4,40 nm

90

5 Propriedades Ondulatórias da Matéria
5.1 Postulados de de Broglie
Louis-Victor Pierre Raymond de Broglie (1892-1987) foi um príncipe francês com formação básica em história. Por volta de 1911, incentivado principalmente por discussões com seu irmão Maurice - físico - a respeito das novas idéias emergentes na física, como as de Compton e de Einstein para o fóton, Louis de Broglie iniciou seus estudos em física. Logo após teve que interromper, por causa da I Guerra Mundial, quando serviu, de 1914 a 1918 na divisão de telegraa do exército francês. Após a guerra reiniciou seus estudos e em 1924 apresentou sua tese para obtenção do título de Doutor, intitulada Pesquisas sobre a Teoria dos Quanta, onde introduziu idéias ainda mais fantásticas para as propriedades dos sistemas microscópicos. Essas novas idéias foram fundamentais para o desenvolvimento, dois anos depois, de uma teoria mais formal, chamada mecânica ondulatória ou mecânica quântica. A hipótese básica de de Broglie se relaciona com uma simetria que poderia estar implícita nas propriedades de dualidade introduzidas por Planck e principalmente por Einstein para a radiação eletromagnética. Neste caso, a luz, que apresenta propriedades claras de ondas (produzindo fenômenos como difração e interferência) tinha também propriedades que só poderiam ser interpretadas se ela fosse tratada como um conjunto de corpúsculos, os fótons. As relações entre as propriedades ondulatórias da luz (freqüência, comprimento de onda) com as de corpúsculos (energia, momento linear) são dadas pelas relações bem conhecidas, introduzidas por Einstein:

E = hν; p =

h λ

Louis de Broglie postulou que por uma questão de simetria, a matéria, que tem características básicas de corpúsculos, deveria também apresentar, em certas circunstâncias, características ondulatórias. As relações que permitem obter a freqüência e o comprimento de onda associados a uma partícula são dadas pelas chamadas relações de de Broglie:

ν=

E h ; λ= h p

De Broglie utilizou, nas aplicações dessas formulas, expressões relativísticas para a energia e o momento da partícula. Aqui entretanto, utilizaremos expressões clássicas, o que

91

podemos calcular o comprimento de onda associado a um elétron com energia E. temos: λ= Para E=100 eV. temos h h =√ p 2mE Vemos portanto que elétrons de baixa λ = 1. por exemplo. energia têm comprimento de onda parecidos com o de raios-X típicos. as idéias de de Broglie tiveram rápida divulgação pelos novos e inéditos conceitos introduzidos. aplicou os conceitos acima no modelo de Bohr para o átomo de hidrogênio. de Broglie. utilizada agora com as novas idéias. correspondiam à condição de ondas estacionárias para as órbitas eletrônicas: mvr = n = 2πr = usando nh 2π nh nh = mv p p = h/λ e S = 2πr para o perímetro da órbita. de modo que não precisamos utilizar as relações relativísticas.5 Propriedades Ondulatórias da Matéria não altera o espírito das conclusões. Utilizando as relações de de Broglie. até o momento da apresentação dessas idéias. apresentando evidências de suas idéias. Em seu trabalho original.1. Isso sugere que as 92 . Notou que a condição de Bohr para a quantização do momento angular. nenhuma evidência de comportamento ondulatório da matéria. Supondo a energia não muito grande. Embora não existisse. Figura 5. temos a relação: nλ = S que é a condição para uma onda estacioária. no átomo de hidrogênio. como visto na gura 5.2Å.1: Visualização do elétron como uma onda estacionária.

J. com feixes. só pode ser interpretada se pensarmos num processo de difração de Bragg. nêutrons e mesmo átomos. onde um feixe de raios-X incide numa folha na de um material policristalino.2: Diagrama esquemático do equipamento utilizado por Davisson e Germer para estudo da difração de um feixe de elétrons por um cristal. Thomson na Escócia.2.3. conforme se vê na gura 5. caracterizado como uma partícula. por essas descobertas (interessante notar que o pai de G. de prótons. Observa-se então a imagem formada pela difração em um lme fotográco colocado em ângulos dianteiros. Thomson. em 1927. Figura 5. mostrada na gura 5. a chamada difração de Debye-Scherrer.1 Postulados de de Broglie propriedades ondulatórias dos elétrons possam ser observadas em situações semelhantes àquelas em que os efeitos de difração e interferência foram observados com uso de raios-X. J. 93 . essas idéias foram conrmadas em experimentos realizados independentemente por Davisson e Germer nos Estados Unidos e por G. Davisson recebeu o prêmio Nobel de física em 1937. enquanto que o lho o ganhou por mostrar que o elétron é uma onda!). observa-se uma distribuição angular dos elétrons espalhados. Experimento semelhante foi realizado por George P. que juntamente com Clinton J. Thomson. Essa distribuição. Alguns anos depois. Fazendo um feixe de elétrons acelerados incidir num mono cristal como visto na gura 5. conforme visto na gura 5. Posteriormente foram realizados outros experimentos. como a observada para raios-X (ver gura 3.3. havia ganho o prêmio Nobel de 1906 por ter descoberto o elétron. Thomson.2. Outro processo de difração já utilizado na época com raios-X.5. A mesma experiência pode ser repetida utilizando-se um feixe de elétrons ao invés de raios-X. observando-se o mesmo tipo de padrão. mostrando que as relações de de Broglie são universais. todos apresentando o mesmo fenômeno de difração. ou seja em cristais.3).

5 Propriedades Ondulatórias da Matéria Figura 5.3: Difração de um feixe de elétrons por uma folha na de Au (direita) comparado com a difração produzida por raios-X (esquerda). 94 .

Uma característica fundamental das ondas é que elas podem transportar energia de um ponto a outro. onde γ = cp /cv ). acima. por exemplo. ∂f ∂x ∂f ∂t ∂ϕ d2 f = ∂x dϕ2 ∂ϕ d2 f = v2 2 ∂t dϕ 1 ∂2f d2 f ∂2f = = v 2 ∂t2 dϕ2 ∂x2 95 . f (x − vt) = f (ϕ). Analogamente. como as ondas sonoras e as eletromagnéticas. = =v ∂x dϕ ∂x dϕ ∂t dϕ ∂t dϕ e para as derivadas segundas: ∂2f d = 2 ∂x dϕ ∂2f d = 2 ∂t dϕ e portanto. Ondas eletromagnéticas.2 Propriedades Gerais das Ondas 5. Outros tipos de ondas são menos evidentes do ponto de vista sensorial. que é solução da equação de onda : ∂2Ψ 1 ∂2Ψ = 2 2 ∂x2 v ∂t onde v é chamada velocidade de fase da onda. Talvez a imagem mais familiar seja a das ondas produzidas após se lançar uma pedra num lago de águas calmas. Ψ(x. obtém-se equação idêntica para as ondas sonoras (ondas de pressão) em um meio gasoso (com v= γRT /M .t). Uma onda (vamos nos limitar a descrever ondas em uma dimensão) é descrita por uma função chamada função de onda. A equação acima pode ser obtida aplicandose as leis de Newton a um segmento de corda esticado no qual se produziu um pulso (v = T /µ onde T é a tensão na corda e µ a densidade linear). como é o caso dos outros tipos de onda mencionados acima. com À partir das equações de Maxwell também se obtém equação como a mostrada v = c/n onde √ c = 1/ µo o é a velocidade da luz no vácuo e n o índice de refração do meio. Pode-se mostrar que qualquer função que dependa de x e t somente pela combinação x ± vt é sempre uma solução da equação de onda. A propagação de um pulso em uma corda esticada é um outro exemplo onde podemos visualizar algumas características das ondas. sem que haja no entanto transporte de matéria. Temos as seguintes relações: Consideremos para isso uma função ∂f df ∂ϕ df ∂f df ∂ϕ df = = . vamos recordar algumas propriedades gerais das ondas.5.2 Propriedades Gerais das Ondas Antes de prosseguir com as conseqüências dos postulados de de Broglie. utilizando- se as leis dos gases juntamente com a segunda lei de Newton. não necessitam nem de um meio material para sua propagação. Ondas são entidades bastante conhecidas de todos. que serão de grande utilidade no desenvolvimento posterior da teoria quântica.

por facilidade de cálculo. A função de onda descrevendo o pulso e dada por: f (x.4: Pulso de onda em uma corda esticada. Expressões equivalentes são: t x Ψ(x. se descreve uma onda harmônica. t=0s e t=1s. Muitas vezes.t) = A cos k(x − vt) ou A sin k(x − vt) onde k = 2π/λ é o número de onda e kv = ω .4 mostra um pulso em uma corda em dois instantes de tempo consecutivos. em t=0 a curva corresponde a uma gaussiana centrada em x=0 e em t=1 a uma outra de mesmas características.5 Propriedades Ondulatórias da Matéria Figura 5. pela função exponencial complexa: Ψ(x.0e−(x−5t) 2 Portanto.t) = Ae−k 2 (x−vt)2 = 1. Uma solução simples e muito importante para a equação de onda é a chamada onda harmônica: Portanto. vê-se x−vt corresponde a uma onda propagando-se para a direita. que uma função de Analogamente pode-se vericar que uma função com argumento onda se propagando para a esquerda. x + vt corresponde a uma Ψ(x. também chamada onda plana. A gura 5.t) = A cos(kx − ωt) = A cos 2π( − ) λ T onde kv = ω é a freqüência angular e T = 2π/ω = 1/ν é o período da onda. mas com centróide em x=5 m.t) = Ae±i(kx−ωt) 96 . claramente.

utilizando-se as relações: eiθ = cos θ + i sin θ eiθ + e−iθ eiθ − e−iθ . soluções reais podem ser obtidas tomando-se a parte real ou a parte imaginária da função.2 Propriedades Gerais das Ondas Embora esta função não possa ser uma solução física para ondas por ser uma função complexa.t) também é uma solução. em muitos casos podemos descrever uma onda pela função harmônica em um intervalo nito de espaço e tempo e por outras funções fora desse intervalo.t) + BΨ2 (x. Entretanto. As ondas harmônicas têm ainda grande importância na descrição do movimento ondulatório. Lembrando que sin(a ± b) = sin a cos b ± cos a sin b.5: Ondas estacionárias em uma corda de comprimento L. temos: 97 . Uma propriedade muito importante da equação de onda é ser uma equação linear (ou seja todos os termos que contém a função de onda estão elevados à potência 1). amplitude e fase. Esta característica é também chamada princípio de superposição de ondas e é o que garante que a análise de Fourier seja possível. uma vez que qualquer tipo de onda pode ser sempre escrita em termos da soma de diferentes ondas harmônicas (o que é conhecido como análise de Fourier). bem como combinações lineares. isso.5. mas se propagando em direções opostas: Ψ1 = A sin(kx − ωt) Ψ2 = A sin(kx + ωt) Figura 5. pois se estendem por todo o espaço e todo o tempo. Um caso interessante corresponde à superposição de duas ondas harmônicas com mesma freqüência. sin θ = 2 2i cos θ = Ondas harmônicas são coisas um tanto articiais. se Com Ψ1 e Ψ2 são soluções da equação de onda então uma combinação linear Ψ(x.t) = AΨ1 (x.

a amplitude de onda deve ser sempre nula nesses pontos em qualquer instante de tempo. mesma amplitude e fase. e é vista como um envoltório na 2 gura. Na gura 5. função de onda temos: k1 + k2 k2 − k1 ∆k − =k− 2 2 2 para k2 . ω tem amplitude 2A cos ((∆kx − ∆ωt)). Como a corda está xa em ambas as extremidades. Tomando agora o limite de k2 → k1 e w2 → w1 . o produto de uma função somente de x por outra somente de t. a superposição agora corresponde a uma onda harmônica e a velocidade de grupo é vg = dω/dk. ou modulação tem uma velocidade dada por: 1 1 ∆ω 1 (∆kx − ∆ωt) = ∆k(x − t) = ∆k(x − vg t) 2 2 ∆k 2 onde vg = ∆ω/∆k é chamada velocidade de grupo. Pode-se mostrar que em qualquer tipo de onda.t) = Ψ1 + Ψ2 = A(sin(kx − ωt) + sin(kx + ωt)) e portanto temos para a onda resultante: Ψ(x. Portanto. correspondendo a uma amplitude modulada. o meio é chamado dispersivo e a 98 . não é uma onda que se propaga nem para esquerda nem para a direita. e caminhando no mesmo sentido: Ψ1 = A cos(k1 x − ω1 t).t) = Ψ1 + Ψ2 = 2A cos 1 (∆kx − ∆ωt) cos kx − ωt 2 A forma de onda resultante é vista na gura 5.t) = 2A sin kx cos ωt O resultado. Ψ2 = A cos(k2 x − ω2 t) observando-se que temos a seguinte identidade: k1 = e expressões semelhantes. fazendo sin kx = 0 para x= 0 e x=L. dω/dk = ω/k e a velocidade de fase é igual à velocidade de grupo.5 vemos exemplos de ondas estacionárias em uma corda. a velocidade de fase. Em muitos casos. não dependendo do número de onda. Nesses casos.6. vf = ω/k é constante.5 Propriedades Ondulatórias da Matéria Ψ(x. Uma onda de número de onda e 1 freqüência k. a energia é transportada com a velocidade de grupo. temos a condição para ondas estacionárias na corda:∆ kL = nπ ou L = n λ 2 Um outro caso simples de superposição de ondas corresponde à de duas ondas harmônicas de freqüências ligeiramente diferentes. Quando uma onda se propaga em um meio onde a velocidade de fase depende do comprimento de onda da radiação. O envoltório. ω1 e ω2 . correspondendo a uma onda estacionária. Aplicando estas relações na expressão para a Ψ(x.

a distância entre dois 1 1 (∆kx2 − ∆ωt) − (∆kx1 − ∆ωt) = π 2 2 ou ∆k(x2 − x1 ) = ∆k∆x = 2π 99 . No caso das ondas de matéria de de Broglie. Figura 5. A incerteza nulos consecutivos será: ∆x nesta localização corresponde à distância entre dois nulos consecutivos do envoltório. está longe de satisfazer às condições acima.5. com comprimento de onda e freqüências ligeiramente diferentes Para descrever uma partícula localizada no espaço. mas mostra que se obteve alguma localização.2 Propriedades Gerais das Ondas velocidade de grupo é diferente da de fase. Podemos dizer que temos algo localizado a cada meio comprimento de onda da envoltória. cuja amplitude seja não nula apenas numa pequena região do espaço. a Portanto a velocidade de fase não corresponde à velocidade da partícula. por superposição. com a superposição de apenas duas ondas. um pacote de ondas. devemos construir. como no caso de um pulso em uma corda. O exemplo anterior. portanto à velocidade da partícula. Para um dado instante de tempo.6: Superposição de duas ondas harmônicas. temos para a velocidade de fase: vf = velocidade de grupo é dada por: ω k p v = = = k 2m 2m 2 Entretanto. 2 com E = hν = ω e p = h/λ = k e usando a relação E = p /2m. dω d k2 k p = ( )= = =v dk dk 2m m m o que corresponde.

). trapezoidal. Para construir um pacote de ondas realmente localizado. mais ampla será a distribuição de k utilizada (σk será grande). Utilizando ainda a análise de Fourier.7. como o pulso gaussiano da gura 5. O procedimento matemático utilizado para isso é chamado transformada de Fourier. ou análise de Fourier. podemos pensar na localização temporal como o intervalo de tempo entre dois nulos consecutivos do envoltório. a relação entre as freqüências e o tempo. para um dado valor de x. pode-se mostrar que para qualquer outra forma do pacote (triangular. de uma maneira geral: ∆x∆k ≥ e analogamente para ω e t: ∆ω∆t ≥ 1 2 Na óptica. o produto da largura espacial do pacote pela largura da distribuição de números de onda utilizada é sempre maior que aquela obtida para o pacote gaussiano. Por exemplo. obtendo-se: ∆ω∆t = 2π Essas relações mostram que quanto mais conseguirmos localizar a partícula no espaço (menor o ∆x). essas relações são chamadas relações de dispersão. etc. maior será o intervalo de números de onda (ou comprimentos de onda) utilizados para a construção do pacote. devemos somar um número innito de ondas. retangular. com números de onda variando continuamente.3. conforme visto na gura 5. Chamando de ∆x e ∆k 1 2 as larguras do pacote e da distribuição de k utilizada temos então.5 Propriedades Ondulatórias da Matéria De maneira análoga. De maneira análoga. pode-se σx σk = 1 2 ∆x e ∆k para o caso simples que (note que esta relação é análoga à que encontramos entre estudamos). Da análise de Fourier. 100 . se a função que descreve o pulso é (para um dado instante de tempo): 2 /2σ 2 x f (x) = Fo e−(x−xo ) = A(k)e−ikx dk pode-se mostrar que na superposição deve ser usado um conjunto de ondas harmônicas cujos números de onda variam continuamente e cada uma tem amplitude (A(k)) também dada por uma função gaussiana: A(k) = Ao e−(k−ko ) 2 /2σ 2 k Quanto mais localizado for o pacote (menor o valor de obter a seguinte relação entre os sigmas: σx ).

101 .5.7: Relação entre a largura ∆x de um pacote de ondas e a correspondente largura da distribuição de números de onda ∆k utilizado na construção do pacote.2 Propriedades Gerais das Ondas Figura 5.

5 Propriedades Ondulatórias da Matéria 5. o fóton chegará no ponto focal e não saberemos que direção tomou). Multiplicando as relações acima por . Vamos tentar observar (hipoteticamente) um elétron num microscópio. ∆x∆p ≥ ∆E∆t ≥ 2 2 Essas relações são conhecidas na mecânica quântica como o princípio de incerteza e foram enunciados pela primeira vez em 1927 pelo físico alemão Werner Heisenberg. iluminando-o com um único fóton. já tiver alguma incerteza). essas relações estão ligadas ao fato de que não podemos observar uma partícula sem interferir na mesma. dentro do campo de visão θ do microscópio (na ocular. por exemplo. Assim. devemos iluminá-lo. quanto menor o objeto. a menor ∆x = Podemos considerar este elétron. Vista de uma outra maneira. este princípio se origina do comportamento ondulatório das partículas. pode-se mostrar que devido a difração. caso contrário a difração será apreciável e a imagem não terá uma boa denição. Sabemos ainda que se quisermos observar um objeto muito pequeno. Num microscópio em que a abertura angular da objetiva é utilizada tem comprimento de onda distância que pode ser determinada é θ e a luz λ. se o momento do elétron antes de interagir com o fóton. Por exemplo. Portanto: 102 . Quanto mais precisamente determinamos a posição.3 O Princípio de Incerteza Vimos na seção anterior que. iremos observar o fóton se ele for espalhado em qualquer ângulo.8. implica em termos uma distribuição larga em valores de número de onda e de freqüências. Sendo p o momento do fóton espalhado (e aproximadamente igual ao do fóton incidente. Elas representam uma limitação teórica à precisão com que podemos determinar simultaneamente a posição e o momento de uma partícula. Portanto. o componente x do momento transferido ao elétron terá uma incerteza da mesma ordem (a incerteza pode ser maior. λ 2 sin θ ∆x como sendo a incerteza na determinação da posição do Suponha o fóton incidindo na horizontal. 5. Como vimos acima. maior a interferência ao se determinar a posição. e não há como diminuir arbitrariamente essa interferência. se a energia do fóton não for muito grande). quando olhamos um pequeno objeto no microscópio. tentar localizar uma onda no espaço ou no tempo. ou a energia e o tempo. mais incerto será o momento da partícula. temos: Com a teoria de de Broglie vemos uma característica muito interessante do comportamento das partículas. como mostra o diagrama da gura Após o espalhamento Compton. respectivamente (relações de dispersão). A colisão dos fótons com o objeto altera portanto o momento do objeto (espalhamento Compton). das propriedades usuais das ondas. devemos utilizar luz de comprimento de onda muito menor que as dimensões do objeto. o componente horizontal de p poderá ter qualquer valor entre 0 e p sin θ.

A seguir. cuja indicação é proporcional ao quadrado da amplitude das oscilações em uma dada posição. Deslocando-se então o detector. de modo que podemos medir a intensidade das ondas como função da posição x. percebemos que a intensidade varia continuamente com a posição. conforme visto na curva I12 da parte c) da gura 5. com ondas em um tanque de água. produzindo ondas circulares na superfície do tanque.4 Interferência Em um Sistema de Duas Fendas O sistema de duas fendas é muito bem conhecido da física ondulatória tradicional.5. O detector pode ser deslocado ao longo da posição vertical da gura. 5.8: Diagrama esquemático de um microscópico onde tenta-se observar um elétron iluminado por um único fóton. evitando a produção de outras ondas por reexões. Vamos considerar um sistema simples. as ondas que passam pelas duas fendas (produzindo por difração duas novas fontes de ondas circulares) são absorvidas num anteparo.4 Interferência Em um Sistema de Duas Fendas Figura 5. tendo vários pontos de máximo e de mínimo.9. A uma certa distância da fonte. Um pequeno objeto (fonte de ondas) é balançado periodicamente para cima e para baixo. Próximo ao anteparo absorvedor temos um medidor de intensidade de onda. ∆p∆x ≥ λ h h sin θ = λ 2 sin θ 2 Esta análise mostra que o princípio de incerteza é uma imposição intrínseca da natureza e não uma limitação imposta pela nossa incapacidade de medir coisas como a posição do elétron. Essa é a gura típica para a interferência 103 . temos na água uma parede com duas fendas verticais (duas portas).

ouve-se uma sucessão de cliques mais ou menos aleatoreamente distribuidos no tempo. vamos observar um padrão diferente. produzindo um mínimo de intensidade. Entretanto.10. se colocarmos dois detectores em duas posições diferentes. um intervalo de tempo relativamente grande entre um elétron e o consecutivo no feixe (maior que ~ 1 s). podemos perguntar agora . Após as fendas. mas que poderiam ser separados com um sistema eletrônico mais sensível). Suponhamos que a intensidade do feixe de elétrons produzido seja pequena o suciente para que haja.qual a distribuição de intensidade (número/unidade de tempo) de elétrons como função da posição 104 . de mesmo tamanho. em média. um contador Geiger. Figura 5. fendas 2 e 1 respectivamente. cada vez que um elétron é detectado. produzindo um som (um clique). onde elétrons produzidos em um canhão eletrônico são acelerados em direção a uma placa metálica com duas fendas. A primeira coisa que observamos é que numa dada posição do detector. se contarmos o número de cliques num intervalo de tempo relativamente longo (dezenas de minutos). temos aqui um detector de elétrons. como no caso do tanque com água. sendo característico de um fenômeno ondulatório. o número médio de cliques por unidade de tempo será constante. Todos os cliques são exatamente idênticos. representado pelas curvas à soma dos padrões Se obstruirmos uma das fendas e medirmos a nova distribuição de intensidades. por exemplo. correspondentes ao fechamento das I12 claramente não corresponde I1 e I2 . como mostrado na gura 5. podendo ser. Esse detector pode estar conectado a um sistema ligado a um alto-falante.9: Interferêcia: ondas de água em um tanque. Também. nunca se ouvirá dois cliques simultâneos (exceto. cliques que chegam muito próximos em tempo e que nosso sistema auditivo não consegue separar. Agora vamos imaginar um experimento semelhante. Ondas originadas nas fendas 1 e 2 que chegam em fase numa dada posição do medidor se somam (interferência construtiva) produzindo um máximo e nas posições em que chegam com oposição de fase interferem destrutivamente.5 Propriedades Ondulatórias da Matéria das ondas originadas das fendas 1 e 2 da parede no tanque. Vericamos ainda que os sinais nos detectores ocorrem em grãos. O padrão de interferência I1 ou I2 na parte b) da gura. Como no experimento com ondas no tanque d'agua.

De um modo diferente. A observação perturba o movimento dos elétrons.5. os elétrons se propagam como uma onda. Esta característica. Para vericar por qual fenda passou o elétron. ele passa ou pela fenda 1 ou pela 2. mas nesse caso.11. quando vier da fenda 2. Os elétrons são ainda observados no detetor Geiger como partículas. se o elétron é uma partícula. podemos. por exemplo. vista também com os fótons. Os resultados dessas medidas correspondem às curvas P1 e P2 da gura 5. P12 = P1 + P2 corresponde à condição do elétron Concluimos então que quando observamos os elétrons. correpondentes a elétrons que passaram pela fenda 1 e 2 respectivamente. produzindo o padrão típico de interferência. Em sistemas macroscópicos. o resultado (a distribuição de posições ao longo de x) é diferente daquele obtido quando não observamos os elétrons nas proximidades das fendas. sempre chega um elétron inteiro no Geiger. o elétron espalha luz e vericamos então um clarão luminoso próximo à fenda 1 ou à fenda 2. indica uma característica dualistica onda/partícula para os elétrons bem como para todas as partículas e corpos. de modo que ao passar por uma das fendas. A curva passando pela fenda 1 ou pela fenda 2. desde o canhão de elétrons até o detector.10. nunca das duas simultaneamente. Esta experiência permite ainda vericar que o clarão vem sempre apenas de uma das fendas.4 Interferência Em um Sistema de Duas Fendas ao longo do eixo x? O resultado é a curva P12 mostrado na parte c) da gura 5. colocar uma fonte de luz atrás das fendas. Quando observamos. Ora. Poderiamos agora contar os cliques no detector como função de x em duas tabelas: uma quando o clarão indicar que o elétron passou pela fenda 1 e a outra.10: Experimento da gura 5. como vimos. e não uma fração de elétron. vemos um comportamento de partícula. dependendo da fenda por qual passou o elétron. 105 .9 é repedido com feixe de elétrons. Um padrão completamente análogo àquele produzido no experimento com ondas na água! Figura 5. com o elétron passando por uma dada fenda. o fenômeno de interferência não é observado. as propriedades ondulatórias não são observadas pois os comprimentos de onda correspondentes são muito menores que o tamanho de uma partícula como o próton e os fenômenos de difração e interferência não podem ser observados. esses resultados indicam que quando não observamos.

Vejamos entretanto o que diz o E = Ec + Ep = valor médio na expressão acima. ∆p2 = (p − p )2 = p2 − 2p p + p 2 = p2 − p 2 = p2 substituindo esta igualdade na equação para a energia do oscilador. n = 0... ω = k/m.11: Identicação da fenda pela qual passou o elétron. A freqüência de oscilação será Tomemos por exemplo um oscilador harmônico onde uma partícula de massa m se move sob a ação de uma força F = −kx. temos: utilizando agora o princípio de acima temos: ∆p2 1 + k∆x2 2m 2 incerteza.. E= Substituindo na equação 106 . princípio de incerteza.5 Aplicações do Princípio de Incerteza Vejamos alguns casos simples onde podemos utilizar o princípio de incerteza para obter algumas propriedades básicas de sistemas físicos. pois a partícula executa um movimento em que a posição e a velocidade assumem valores simétricos em relação ao ponto central de valor zero. Aplicando o A energia total do oscilador é constante e portanto temos que < E >= < p2 > 1 + k < x2 > 2m 2 Tanto o valor médio da posição quanto o do momento são nulos para o movimento harmônico.. 5. temos ∆p ≥ /2∆x.2. A energia total do oscilador é: hν : E = nhν = n ω .5 Propriedades Ondulatórias da Matéria Figura 5. Portanto. Planck já havia postulado que a energia do oscilador deve ser um múltiplo de uma quantidade xa.1. A energia mínima que o oscilador pode ter é portanto 0. temos: p2 1 + kx2 2m 2 E =< E >.

temos: Emin = ω ω 1 + = w 4 4 2 Portanto a expressão correta para a energia do oscilador deve ser: 1 E = (n + ) ω 2 Esta é a expressão correta para e energia do oscilador harmônico de acordo com a 1 ω é chamada energia de ponto zero do oscilador. temos: 2 dE d = dz dz Portanto: 1 + kz 8mz 2 2 2 =− 8mz 2 1 + k=0 2 2 2 z2 = 4mk = 4m2 ω 2 Substituindo o valor de z na expressão para E. O mecânica quântica. pois se tivesse. Este valor pode ser obtido derivando-se a expressão acima e igualando-a 2 a zero. A energia do elétron a uma distância r do núcleo é dada por: E= onde com p2 e2 −k 2m r de incerteza e novamente como k = 1/4π o . podemos considerar que a incerteza na posição do elétron é da ordem de grandeza do raio atômico (se essa consideração e razoável ou não veremos dos resultados abaixo). e 2 2mr2 −k e2 r A energia mínima pode ser obtida derivando-se a expressão acima com respeito a r e igualando o resultado a zero: 2 dE e2 =− 3 +k 2 =0 dr mr r 107 . p2 ≥ 2 /r2 e portanto: E≥ ∆p2 = p2 .5. a posição e o momento do oscilador seriam conhecidos com precisão simultaneamente. No modelo atômico de Bohr. A quantidade 2 oscilador não pode ter energia mínima zero. Portanto deve haver um valor de ∆x para o qual a E≥ 8m∆x2 energia é mínima.5 Aplicações do Princípio de Incerteza 1 + k∆x2 2 Nota-se que nesta expressão E cresce quando ∆x atinge valores muito pequenos (devido à contribuição do primeiro termo e cresce também quando ∆x atinge valores muito grandes. Fazendo a substituição z = ∆x . contrariando o princípio de incerteza. devido ao segundo termo da expressão. Utilizando o princípio ∆x = r.

6 Exercícios 1.2 · 10−9 m (0. Com isso. Qual a diferença de potencial acelerador que deve ser utilizada para acelerar elétrons. mas sua posição correta não pode ser conhecida. Suponha que no instante t =0 determinamos a posição de uma partícula com uma incerteza ∆xo .Calcule o comprimento de onda de de Broglie para: a) elétron com energia cinética de 50eV.. b) qual a energia mais baixa para um elétron na mesma caixa? c) como você explica a diferença entre os resultados encontrados em a) e b)? 108 . b) elétron relativístico com energia total de 20 MeV. a posição da partícula não poderá ser conhecida com precisão ∆x = ∆xo + ∆vt = ∆xo + m∆xo t portanto. f ) bolinha de 1g com velocidade 1mm/s. a) Encontre a energia mais baixa possível para o próton.2 nm). temos: kme2 = ao = 0.. Para cada uma dessas situações.Um microscópio eletrônico usa ondas de de Broglie para "ver" objetos muito pequenos (dimensões da ordem de ângstrons).Um próton tem seu movimento connado em uma caixa unidimensional de largura 0. de modo a obter um comprimento de onda de 0. menos precisa será o conhecimento da posição em tempos futuros! 5. o conceito de órbita bem denida perde sentido..5A? 3.6eV 2 2 novamente o valor correto da energia total do elétron na primeira órbita de Bohr.5 Propriedades Ondulatórias da Matéria de onde se obtém: 2 r= para a energia. c) nêutron em equilíbrio térmico com o meio a T = 500K (nêutron térmico) d) partícula alfa com energia cinética de 60 −6 MeV e) Grão de poeira de 1 · 10 g em equilíbrio térmico à temperatura ambiente (300K). Note que embora os resultados estejam corretos. quanto mais precisa for a determinação da posição da partícula em t=0. à partir do repouso.52A portanto reproduzindo corretamente o raio de Bohr. 2. O elétron está localizado em qualquer ponto dentro de um volume de raio igual ao raio de Bohr. Um terceiro caso interessante corresponde ao movimento de uma partícula livre. diga com que sistemas as partículas devem interagir para mostrar seu caráter ondulatório. Substituindo este valor na expressão Emin = − k 2 e4 m = −13. a incerteza no momento da partícula após esta medida será ∆p = m∆v ≥ melhor que: ∆xo Num instante posterior t.

39 eV)..O Acelerador Linear de Stanford pode acelerar elétrons até uma energia de 50 GeV.. energia cinética e energia total dos elétrons incidentes? d = 0. 6. a) 10−12 s.A vida média de um estado excitado em um núcleo é normalmente de cerca de Qual a incerteza na energia do fóton emitido na de-excitação desse estado? 9. por esses planos. Faça o calculo para a) uma partícula não relativística e b) para uma partícula relativística..1 A. Qual a razão entre este comprimento de onda e o raio da primeira órbita de Bohr para o átomo de hidrogênio? 5.Um garoto. Para atingi-la ele utiliza um equipamento que tem a maior precisão possível.025 eV) é espalhado por um cristal com espaçamento entre planos atômicos de 0. momentum. Compare o ângulo de reexão de Bragg de primeira ordem. √ h/ 2mEc b) 2 hc/ Ec + 2Ec mc2 11. um máximo de reexão é enφ=32◦ para um cristal com distância interatômica de 0. a) Mostre que todas as bolas de gude vão deixar de atingir a 1/2 fenda por uma distância em média da ordem de ( /m) (H/g)1/4 onde g é a aceleração da gravidade..6 Exercícios 4. λ = 0.5. onde ∆v é a incerteza na velocidade a) de um elétron e b) um próton connado em uma caixa unidimensional de largura 2 nm? 109 . do alto de uma escada de altura H está jogando bolas de gude de massa m em uma fenda existente no solo.23 nm.6 eV.-Mostre que o comprimento de onda de de Broglie de uma partícula de carga e. acelerada a partir do repouso e adquirindo velocidades relativísiticas é dada −1/2 como uma função do potencial acelerador V como: λ= √ h 2mo eV 1+ eV 2mo c2 7...Em um experimento de espalhamento de elétrons. 8. Ec = 102eV 13. Calcule a largura natural do estado n=2 (ou seja a incerteza na energia desse estado). calculada com o modelo de Bohr (-3. calcule esta distância.. p = 10.Um feixe de nêutrons térmicos (EC = 0.45 nm.063 nm. qual o comprimento de onda. b) Usando valores rezoáveis para H e m.Determine o comprimento de onda de de Broglie para uma partícula de massa m e energia cinética T.122 nm.2 keV/c. Qual o espaçamento entre os planos cristalinos responsável pelo espalhamento? Supondo que essa seja a difração em primeira ordem. Qual o ângulo para o pico de Bragg de primeira ordem? 14.Qual a razão ∆v/v .O elétron de um átomo de hidrogênio move-se do estado fundamental (n=1) para o −8 estado n=2 e aí permanece por 10 s antes de decair de volta para o estado fundamental. 10.A distância entre planos no cristal de cloreto de potássio é de 3. Qual o comprimento de onda de de Broglie para esses elétrons? A que fração do diâmetro −15 do próton (d ∼ 2 · 10 m) isso corresponde? contrado para 12... de elétrons com energia cinética de 40 keV com o de fótons com energia 40 keV. Compare seu resultado com o valor da energia desse estado.Calcule o comprimento de onda de um elétron com energia cinética de 13. massa de repouso mo . E = 511 keV..

6 × 10 m)? 110 .Calcule o comprimento de onda de de Broglie de uma partícula α emitida por um 241 núcleo de Am. µm. ou seja.Mostre que o princípio de incerteza pode ser expresso na forma angular a posição da partícula será totalmente indeterminada? ∆L∆θ ≥ /4π 16.Qual a largura de banda de largura 2 µs? 2...Um átomo em um estado excitado de 4.7 eV emite um fóton e termina no estado −13 fundamental.5 Propriedades Ondulatórias da Matéria onde θ 2 é a posição angular e L o momento angular da partícula...3x10 eV b) 0..Encontre a incerteza mínima na velocidade de uma bactéria de massa supondo que conhecemos sua posição com incerteza de 1 ∆ω de um amplicador para radar. A vida média do estado excitado é de 10 s. Poderia essa partícula existir dentro do núcleo de amerício (diâmetro −14 ≈ 1. Para que incerteza no momento 15. que amplica um pulso 3 × 10−15 kg.5x105 rd/s 17.18 nm 19. a) Qual é a largura espectral da linha correspondente (em unidades do comprimento de onda)? −3 a) 3. seu próprio tamanho. 18.

temos: E 2 = p2 c2 ou E = pc que é a relação entre energia e momento para o fóton! No caso do movimento de partículas podemos procurar por exemplo uma equação de ondas que seja equivalente à relação energia . um físico austríaco. conversaram a respeito da teoria de de Broglie. A equação de onda de Schroedinger. Podemos no entanto buscar alguns argumentos de plausibilidade para a equação. assim como não se deduz a segunda lei de Newton. no nal de 1925. temos: k2 = usando agora as relações de Einstein ω2 c2 e ω = E/ k = p/ na expressão acima. no caso de ondas eletromagnéticas.1 A Equação de Ondas Quântica Em 1920. que é a utilizada até hoje. Erwin Schroedinger. Heisenberg havia proposto uma mecânica matricial. o que foi realmente realizado alguns meses depois. transferiu-se de Stuttgart para a Universidade de Zurich. De acordo com um depoimento de um antecessor seu em Zurich. Ambos argumentaram que não a haviam compreendido bem. Um pouco antes. Posteriormente cou provado que a formulação matricial de Heisenberg era totalmente equivalente à mecânica ondulatória de Schroedinger. ocupando a posição que pertencera a Von Laue e onde permaneceu até o nal de 1926. Poucos meses após este seminário Schroedinger publicou os trabalhos com sua formulação da mecânica quântica.6 A Equação de Schroedinger 6. Peter Debye. encontrando-se os dois em um colóquio. Vejamos por exemplo a equação de ondas usual.momento para uma partícula de massa m : No caso não relativístico temos: p2 E= +V 2m 111 . para uma onda se propagando no vácuo é dada por: ∂2ε 1 ∂2ε = 2 2 ∂x2 c ∂t tomando como solução uma onda harmônica ε = εo cos(kx−ωt) e substituindo esta solução na equação de ondas. por ser uma equação básica da mecânica. Debye então convidou Schroedinger para que apresentasse um seminário sobre o assunto. Escrita em termos do campo elétrico. não pode ser deduzida. esta equação. que incluía as conseqüências do princípio de incerteza.

a solução pode ser muito mais complicada. para um estado no espaço. (O curso dos eventos é determinado pelas leis das probabilidades. corresponde uma probabilidade denida. Um processo mecânico é portanto acompanhado por um 112 . Portanto. Bohr. os acontecimentos (eventos) previstos pela mecânica quântica são de natureza probabilística. Facilmente vericamos que funções como A sin(kx − ωt) ou A cos(kx − ωt) não são soluções da equação de Schroedinger. obtém-se: E= ω 2 2 e p= k e substituindo-as na expressão ω= k +V 2m Note-se que nesta equação. como por exemplo o de uma p = k e energia E = ω . um outro termo. A interpretação do signicado físico da função de onda solução da equação de Schroedinger foi enunciada ainda em 1926 por Max Born. Entretanto. correspondente à energia potencial V. a onda sendo dada pela solução da equação de Schroedinger. onde não há nem k nem ω não havendo portanto nenhuma derivada envolvida. Nos casos em que o potencial depende de x. com momento − − e portanto. k aparece ao quadrado. como na equação de ondas tradicional. ∂ 2 Aei(kx−ωt) ∂Aei(kx−ωt) =i 2m ∂x2 ∂t 2 k Aei(kx−ωt) = i (iω)Aei(kx−ωt) 2m 2 2 2 2 k = ω 2m A equação pode também facilmente vericada para o caso de um potencial V constante. Além disso. etc.t) = i 2 2m ∂x ∂t 2 Podemos tentar vericar essa equação num caso simples. Já o termo em ω . Vimos no caso da partícula livre que a função de onda obtida como solução da equação de Schroedinger é complexa. que é dada pela onda de de Broglie associada ao estado. A equação que corresponde à expressão acima e que é consistente com as idéias anteriores de de Broglie.t) + V (x)Ψ(x. acima.6 A Equação de Schroedinger Usando agora as relações de de Broglie. diferentemente do caso das ondas eletromagnética. a função complexa A exp[i(kx − ωt)] é solução. De acordo com Born. o que corresponderia a uma derivada primeira em relação ao tempo. onde V=0. foi obtida por Schroedinger como: − ∂Ψ(x. sugerindo um termo proporcional à derivada segunda da função de onda em relação a x. Um processo mecânico é acompanhado por um processo ondulatório. como a amplitude de oscilação de uma corda ou do campo elétrico. aparece com potência um. não pode ser uma quantidade mensurável. há no caso de partículas.t) ∂ 2 Ψ(x. como nas ondas tradicionais. partícula livre. Einstein. como o do oscilador harmônico.

Se por exemplo a amplitude da onda guia for nula em um certo ponto do espaço. O signicado da função de onda é que o seu módulo quadrado é proporcional à probabilidade de se encontrar a partícula em uma dada posição entre x e x+dx no instante t. ∗ Portanto. Para outras grandezas. pois é o valor que se espera obter (com maior probabilidade) numa medida daquela grandeza.6.t) será: +∞ +∞ +∞ < x >= −∞ xP (x)dx = −∞ xΨ∗ Ψdx = −∞ Ψ∗ xΨdx < x(t) >. descrita pela equação de Schroedinger.t)dx = 1 −∞ 6. note que como em geral o produto Ψ∗ Ψ depende do tempo. operação que corresponde a trocar o para Ψ(x. devido ao princípio de incerteza. temos também: +∞ < f (x) >= −∞ Ψ∗ f (x)Ψdx O valor médio de uma grandeza em mecânica quântica é normalmente chamado valor esperado. a onda guia. se Ψ Ψ corresponde a uma densidade de probabilidade.t)Ψ(x. Para o valor médio do momento. também teremos Para qualquer função de x.2 Operadores Quânticos De modo análogo ao que vimos com as distribuições de probabilidades clássicas no início deste curso. num dado instante de tempo t.t). Por exemplo.t). isso signica que a probabilidade de se encontrar o elétron neste ponto é desprezível). Mais especicamente. o signicado da qual é que a mesma dá a probabilidade de um dado curso do processo mecânico.t) é o complexo conjugado de número imaginário i por -i na expressão Ψ(x. temos por exemplo: +∞ < p >= −∞ Ψ∗ pΨdx 113 .t)Ψ(x. a situação é análoga.t)dx onde Ψ∗ (x. embora apareçam certas diculdades.t)|2 dx = Ψ∗ (x. o valor médio da posição de uma partícula cujo movimento é descrito pela função de onda Ψ(x.2 Operadores Quânticos processo ondulatório. esse produto deve obedecer à condição de normalização: +∞ Ψ∗ (x. podemos utilizar a distribuição de probabilidades dada pela função de onda quântica para obter valores médios de quantidades físicas. O produto de qualquer número complexo por seu conjugado é sempre um número real. a probabilidade de se encontrar a partícula entre x e x+dx é dada por: P (x)dx = |Ψ(x.

ter o mesmo efeito de se multiplicar a mesma função de onda pelo momento linear p. sendo portanto a relação que procurávamos. sabemos não ser possível relacionar diretamente p com x como uma função p(x). pois. Tomando a derivada primeira ∂Ψ p = ikAei(kx−ωt) = ikΨ = i Ψ ∂x ou −i A quantidade ∂Ψ = pΨ ∂x i ∂/dx é chamada um operador diferencial. temos: p >= p = k ). Note que este operador é uma função da variável x. dado o caráter diferencial de grande parte dos operadores quânticos. é no entanto válida em qualquer situação. Com as denições acima. pelo princípio de incerteza. embora tenha sido aqui demonstrada apenas no caso de uma partícula livre. caso da partícula livre: Para vermos como podemos obter o valor médio acima. Embora no caso do operador posição esta ordem não seja relevante. tomemos por exemplo a onda plana que obtivemos no Ψ(x. x. Entretanto. De maneira análoga. devemos obter uma expressão para o momento em termos da variável de integração. podemos ver a razão da ordem de por exemplo utilizamos na graa da expressão para os valores médios. não há como determinar precisamente (e simultaneamente) as duas quantidades. podemos também notar que i ∂/∂t é o operador para a energia total.6 A Equação de Schroedinger Para poder calcular a integral acima. Este operador em particular tem a propriedade de quando aplicado a uma função de onda. tanto do p = −i ∂/∂x E = i ∂/∂t. temos resultados triviais na aplicação. eles correspondem a operações não comutativas e facilmente podemos ver por exemplo que Ψ∗ (−i operador momento linear ∂ ∂ )Ψ = −i (Ψ∗ Ψ) ∂x ∂x quanto do operador de energia total No caso da onda plana que vimos acima.t) = Aei(kx−ωt) onde sabemos que o momento é constante (< em relação a x da função acima. Isso devido ao fato de as ondas planas corresponderem à situação de uma partícula com 114 . O operador acima é o operador momento linear e o valor esperado do momento é então calculado como: +∞ < p >= −∞ Ψ∗ − i ∂ Ψdx ∂x Esta relação. uma vez que i ∂ (Ae−i(kx−ωt) ) = −i2 ωAe−i(kx−ωt) = EAe−i(kx−ωt) ∂t Ψ∗ pΨ que Outros operadores quânticos serão vistos no decorrer do curso.

3 Equação de Schroedinger Independente do Tempo momento e energia bem denidos. nesses casos. de modo que < p >= p e < E >= E. pois classicamente a partícula tem igual probabilidade de estar à esquerda ou à direita da origem das ordenadas: +∞ +a/2 < x >= −∞ Ψ∗ xΨdx = A2 −a/2 x cos2 πx dx = 0 a uma vez que o integrando é uma função ímpar de x. como o de uma partícula livre dentro de uma caixa. devemos esperar um valor nulo. Como veremos mais tarde. São casos como esse o átomo de hidrogênio.3 Equação de Schroedinger Independente do Tempo A maior parte dos casos que estudaremos com a utilização da equação de Schroedinger correspondem à situação de ondas estacionárias. e em todos os casos em que o potencial V não depende explicitamente 115 . A constante de normalização é dada por: +∞ +a/2 Ψ Ψdx = A −∞ ou ∗ 2 −a/2 a πx dx = A2 cos a π 2 cos2 θdθ = A2 −π/2 a 2 A= 2/a. a função de onda para a situação de menor energia desta partícula é dada por: Ψ(x. o oscilador harmônico. partícula em uma caixa. Para o valor médio da posição da partícula. Podemos facilmente obter o operador para o quadrado do momento linear: p2 = pp = − e portanto. Tomemos agora um caso mais interessante e realista. a partícula está connada a se mover entre duas paredes rígidas localizadas em x = −a/2 e x = +a/2. podemos vericar que o módulo do momento linear não é nulo. De um modo geral. 2 ∂2 ∂x2 +a/2 +∞ < p2 >= −∞ Ψ∗ − 2 ∂2 Ψdx = − ∂x2 Ec = 2 π a 2 A2 −a/2 cos2 πx dx = a 2 π a 2 Portanto a energia cinética média é 2 2 π /2ma2 . como visto acima. 6. No caso unidimensional. e a integral é sobre um intervalo simétrico em relação à origem.t) = A cos πx −i E t a a e para − < x < a 2 2 +π/2 e zero fora desse intervalo.6. e etc. Situação análoga ocorre com o momento linear: +a/2 < p >= A 2 −a/2 πx ∂ πx π cos (−i ) cos dx = A2 i a ∂x a a +a/2 cos −a/2 πx πx sin dx = 0 a a Entretanto.

Essas condições estão ligadas à interpretação estatística da função de onda. necessidade do uso de derivadas parciais. espacial da função. deve ser sempre igual ao segundo membro. A única situação em que isso pode ocorrer é se ambos os membros forem iguais a uma constante S. Fatorando-se a solução da equação num produto de dois termos. caso contrário não teríamos como obter a probabilidade de encontrar a partícula nos pontos de descontinuidade ou onde a função tivesse multiplos valores. Outra razão se relaciona ao fato de que se a função for descontínua. que depende somente de t. devemos impor condições de continuidade e unicidade da função de onda.t) = Φ(x)ϕ(t) Substituindo esta expansão na equação de Schroedinger. temos: 2 dividindo a equação pelo produto 2 1 ∂2 1 ∂ϕ(t) Φ(x) + V (x) = i − Φ(x) 2m ∂x2 ϕ(t) ∂t Notamos que o primeiro membro. temos: − d2 Φ + V (x)Φ(x) = EΦ(x) 2m dx2 Note que não há 2 Esta é a chamada equação de Schroedinger independente do tempo. para o outro membro da equação. que depende somente de x. temos: ϕ(t) − ∂2 ∂ϕ(t) Φ(x) + Φ(x)ϕ(t)V (x) = i Φ(x) 2 2m ∂x ∂t Φ(x)ϕ(t). não podemos aceitar uma solução da equação de Schroedinger em que Ψ(x) seja ∞ quando x → ∞ pois sabemos que a partícula tem seu movimento limitado a uma região nita do espaço. sua derivada será 116 . ao resolvermos o problema do oscilador harmônico ou do átomo de hidrogênio. pode-se utilizar a chamada técnica de separação de variáveis na solução da equação de Schroedinger. Para o segundo membro temos portanto: i ∂ϕ(t) = Sϕ(t) ∂t S cuja solução é facilmente encontrada: ϕ(t) = Ae−i Comparando o t ϕ(t) encontrado acima com a parte temporal da função de onda que obti- vemos nos casos anteriores. Assim. em que um contém a dependência em x e o outro a em t. temos: Ψ(x. vemos que a constante S é identicada como a energia total E da partícula. uma vez que a equação só contém a dependência Uma série de condições podem ser imposta às soluções da equação de Schroedinger para que tenham sentido físico. chamada constante de separação. Do mesmo modo.6 A Equação de Schroedinger do tempo. correspondente à parte espacial. Portanto.

como mostrado na gura. se de onda com concavidade para baixo e vice versa. dada pelo sinal de sua derivada segunda. nas regiões V (x) > E . Resumindose. correspondente à situação E>V. para este problema são mostradas na gura 6. Lembrando que a derivada segunda se relaciona com a energia cinética. Temos então o eixo x dividido em três regiões. condições sobre o comportamento da função de onda para Ψ > 0 teremos a função x < x e x > x o oposto. O Estado fundamental (de menor energia) corresponde sempre à função que não muda de sinal. Na região x <x<x . Nas regiões conforme mostrado esquematicamente na gura 6.1b. são: • Φ(x) • Φ(x) • Φ(x) e e e dΦ/dx dΦ/dx dΦ/dx devem ser nitas devem ser unívocas devem ser contínuas pois a probabilidade de se encontrar a partícula no innito Além disso. fazendo com que o momento linear neste ponto seja intito. Condições semelhantes devem ainda ser impostas à derivada da função de onda. sendo portanto a de menor derivada segunda.1. Da gura 6. descontinuidades na derivada primeira corresponderiam a pontos com energia cinética innita. limx→±∞ Φ(x) = 0 deve ser nula. delimitadas por x e x . 117 . o caso de uma partícula sob a ação do potencial visto na gura 6. as condições a serem impostas às funções de onda. Ψ é positiva e voltada para baixo (convexa) Nas regiões em que V (x) < E a situação é a oposta. 6.6.4 Aspectos Qualitativos das Soluções da Equação de Schroedinger innita nos pontos de descontinuidade. possiveis soluções Tendo ainda em consideração as x → ±∞.4 Aspectos Qualitativos das Soluções da Equação de Schroedinger Uma análise qualitativa da equação de Schroedinger permite obter as características gerais das funções de onda que são soluções para um dado problema. maior deve ser sua derivada segunda e portanto maior a energia correspondente.1a. soluções da equação de Schroedinger. Portanto. pode-se notar que quanto maior for o número de oscilações da função de onda.1c. é proporcional ao produto da própria função de onda por em que [V (x) − E]. tomemos por exemplo. a derivada segunda tem o mesmo sinal da função de onda e então a concavidade é voltada para cima (côncava) se se a função de onda é negativa. quando a energia total é E. Escrevendo-se a equação de Schroedinger independente do tempo como: d2 Ψ 2m = 2 [V (x) − E] Ψ dx2 vemos que a concavidade da função de onda.

b) Concavidade da função de onda nas 3 regiões. de Schroedinger: a) Potencial e energia total. c) Possíveis 118 .1: Aspectos qualitativos das soluções da eq. soluções.6 A Equação de Schroedinger Figura 6.

O valor esperado para a medida do momento dessa partícula é dado por: +∞ +∞ < p >= −∞ Ψ∗ pΨdx = −∞ A∗ e−i(kx−ωt) (−i ∂ )Aei(kx−ωt) dx = k ∂x +∞ Ψ∗ Ψdx = k −∞ pois sendo a função de onda normalizada.1 Partícula Livre A equação de Schroedinger para uma partícula livre é obtida fazendo-se todo o espaço: V (x) = 0 para 2mE d2 − 2 d2 Ψ(x) = EΨ(x) ou 2 Ψ(x) = −k 2 Ψ(x). obtém-se 119 . ou e±ikx A solução geral corresponde a uma combinação linear de duas soluções. a última integral acima deve ser igual a 1. sin kx. Ondas desse tipo são chamadas ondas planas. por exemplo: Ψ(x) = Aeikx + Be−ikx A solução da equação de Schroedinger dependente do tempo será portanto: Ψ(x. Portanto: √ < p >= k = 2mE √ = 2mE √ < p >= − 2mE .t) = Aei(kx−ωt) + Be−i(kx+ωt) O termo ei(kx−ωt) descreve uma onda viajando no sentido de x positivo e e−i(kx+ωt) no sentido oposto. Portanto uma partícula livre com momento linear positivo será representada pela função acima fazendo-se B=0. Com relação ao como esperado. Fazendo-se cálculo análogo para a função correspondente à partícula caminhando no sentido de x negativos (A=0).7 Aplicações da Equação de Schroedinger 7. k 2 = 2 2m dx2 dx Soluções para esta equação são bem conhecidas: Ψ(x) = cos kx.

7 Aplicações da Equação de Schroedinger
valor esperado para a posição da partícula, note que

|Ψ|2 = Ψ∗ Ψ = A∗ A = cte..

Por-

tanto a probabilidade de encontrar a partícula em qualquer intervalo x, x+dx é a mesma, conforme previsto pelo princípio de incerteza. A normalização da função de onda de uma +∞ ∗ partícula livre traz alguma diculdade formal, uma vez que Ψ Ψdx = ∞. Do ponto −∞ de vista operacional, isso pode ser contornado, pois todo cálculo pode sempre ser realizado com a normalização explícita, fazendo-se uma razão de integrais, onde a constante de normalização A é cancelada. No caso do momento linear que vimos acima, teríamos, por exemplo:

< p >=

Ψ∗ pΨdx Ψ∗ Ψdx = k = k Ψ∗ Ψdx Ψ∗ Ψdx
Um próton

Partícula livre no espaço todo é uma situação idealizada que nunca ocorre.

acelerado pelo Pelletron, por exemplo, corresponde a uma partícula livre desde a saída do acelerador, até o coletor de feixe (copo de Faraday) na câmara, no nal da canalização em alto vácuo, ou seja, uma distância da ordem de 30 m. Para distâncias dessa ordem, a incerteza no momento do próton devido às limitações do princípio de incerteza é desprezível e a função de onda da partícula pode ser aproximada por uma onda plana. Uma partícula livre para qual a incerteza na posição não é muito grande pode ser descrita por um pacote de ondas (superposição de muitas ondas planas). Entretanto, as diculdades matemáticas para se tratar funções desse tipo são muito grandes e além disso, como já vimos, à medida que o tempo passa, aumenta a incerteza na posição da partícula devido à incerteza em sua velocidade e o pacote continuamente se alarga.

7.2 Potencial Degrau
Vejamos agora outra situação bastante simples, como a de uma bola de bilhar em uma mesa. Em toda a extensão da mesa, a bola está sujeita a um potencial constante (nulo), mas na borda ela encontra repentinamente um potencial maior. Imaginando que a bola consiga subir a barreira (uma rampa, como na gura 7.1b), ela precisa ter uma energia cinética maior que mgh, onde m é a massa da bola e h a altura da rampa, para passar a se mover no nível mais alto. Esquematicamente, isso pode ser representado pelo potencial degrau (imaginando que o nível mais alto continue indenidamente): Vamos chamar de I a região onde o potencial é nulo (x<0 na mesa) e de II a região em que o potencial é maior (x>0 sobre a rampa).

7.2.1 Caso E < V0:
x<0: −
2

d2 Φ d2 Φ 2mE 2 2 = EΦ ou 2 = −k1 Φ; k1 = 2 2 2m dx dx

2

d2 Φ d2 Φ 2m(V0 − E) 2 2 + V0 Φ = EΦ ou 2 = k2 Φ; k2 = x>0: − 2 2 2m dx dx

120

7.2 Potencial Degrau

Figura 7.1: Potencial degrau e o equivalente físico gravitacional (rampa)

solução:

x < 0 : Φ1 (x) = Aeik1 x + Be−ik1 x x > 0 : Φ2 (x) = Ce−k2 x + Dek2 x
Impondo agora as condições para que a solução da equação de Schroedinger tenha signicado físico:

Φ(x), dΦ devem ser f initas dx Φ(x), dΦ devem ser continuas dx Φ(x), dΦ devem ser un´ ivocas dx
com isso devemos impor D=0 para que a função seja bem comportada no innito. Para a continuidade da função devemos impor, em x=0:

Φ1 (0) = Φ2 (0) ⇒ A + B = C
dΦ1 dx dΦ2 dx

|x=0 = Aik1 eik1 x − Bik1 e−ik1 x |x=0 = ik1 (A − B) |x=0 = −Ck2 e−k2 x |x=0 = −Ck2 A+B =C k2 A − B = iC k1 (+) : C(1 + i k2 C k2 ) = 2A ⇒ A = (1 + i ) k1 2 k1

121

7 Aplicações da Equação de Schroedinger
(−) : C(1 − i
C 2

k2 C k2 ) = 2B ⇒ B = (1 − i ) k1 2 k1

Φ(x) =

k2 (1 + i k1 )eik1 x + (1 − i k2 )e−ik1 x x ≤ 0 k1 Ce−k2 x x ≥ 0

Na região x<0, a solução da equação de Schroedinger dependente do tempo pode ser escrita como:

Ψ(x,t) = Φ(x)e−iωt = Aei(k1 x−ωt) + Be−i(k1 x+ωt)
onde o primeiro termo corresponde à onda incidente (caminhando da esquerda para a direita) e o segundo à onda reetida (direita para a esquerda). No caso de partículas livres como este, a interpretação do módulo quadrado da função de onda é mais claramente associado a um feixe paralelo e de densidade uniforme de partículas de mesma energia. Ψ∗ Ψdx corresponde neste caso ao número de partículas (ou à fração das partículas) entre x e x+dx. que atravessa uma certa posição por unidade de tempo é dado pelo produto de velocidade das partículas. O Coeciente de reexão é portanto dado por: O uxo de partículas na direção da onda, ou seja o número de partículas Ψ∗ Ψ pela

R=
uma vez que

B∗B vr Ψ∗ Ψr r = ∗ vi Ψ∗ Ψi AA i C, k1 e k2 , Para x > 0,

vr = vi .

Substituindo-se os valores de A e B em termos de

encontra-se R=1, em pleno acordo com a previsão da mecânica clássica.

Ψ∗ Ψ = D∗ De−2k2 x .

Nesta região, temos

E < V

e portanto a energia cinética seria ne-

gativa. Classicamente esta é uma região proibida para as partículas. Do ponto de vista quântico, pode-se encontrar a partícula nesta região, sendo cada vez menos provável encontrar a partícula quanto maior o valor de x. A penetração da partícula na região proibida (por intervalos de tempo muito pequenos) é possível devido o princípio de incerteza. Durante um pequeno intervalo de tempo, a energia pode não se conservar. A profundidade da penetração também é muito pequena e pode ser caracterizada pela distância em que a probabilidade cai para cerca da metade de seu valor em x=0, correspondendo a uma penetração da ordem de

1/k2 = / 2m(Vo − E).

É fácil vericar que a solução geral (incluindo a parte temporal da função de onda), corresponde a uma onda estacionária. Para isso, vamos escrever a solução para x ≤ 0 em k ik x termos de senos e cossenos, substituindo e 1 = cos k1 x+i sin k1 x e chamando α = (1+i 2 ): k1

Φ(x) =

D [α(cos k1 x + i sin k1 x) + α∗ (cos k1 x − i sin k1 x)] = 2 = D cos k1 x − D k2 sin k1 x k1

A função de onda completa é obtida multiplicando-se a função acima pela parte temporal −iωt e , com ω = E/ :

122

temos: de +∞.2.t)| ) não depende do tempo: k2 |Ψ(x.t) = D cos k1 x − k2 sin k1 x e−iωt k1 Note que temos o produto de uma função que depende somente do tempo por outra que depende somente da posição.2 Potencial Degrau Figura 7. incluindo a região 2 x>0 é visto na gura 7.7.2 Caso E > V0 2 x < 0 : Φ1 (x) = Aeik1 x + Be−ik1 x k1 = 2mE 2 2 x > 0 : Φ2 (x) = Ceik2 x + De−ik2 x k2 = 2m(E − V0 ) 2 Considerando a situação inicial de uma partícula (ou feixe de partículas) vindo da esquerda (−∞) para a direita.2: Ψ(x. A 2 densidade de probabilidade de encontrar a partícula no espaço (|Ψ(x. 7. pois não há partículas vindo de Φ e sua derivada em x =0.t)| = |Φ(x)| = D D cos k1 x − sin k1 x k1 2 2 ∗ O gráco da densidade de probabilidade. correspondendo portanto a uma onda estacionária.2. temos condições de continuidade D = 0. Aplicando as 123 .

v2 = = m m m m k2 (2k1 )2 4k1 k2 = k1 (k1 + k2 )2 (k1 + k2 )2 4k1 k2 (k1 − k2 )2 + =1 (k1 + k2 )2 (k1 + k2 )2 E e T = Note que: T +R= Os coecientes de reexão e transmissão podem ainda ser escritos em termos de Vo :  R=1−T = 1− 1+  para E > 1 Vo 1 − Vo E 1− Vo E 2 124 . O coeciente de transmissão é denido como: T = sendo v2 C ∗ C v2 = v 1 A∗ A v1 v1 a velocidade das partículas incidentes e 2k1 k1 + k2 v2 a das 2 partículas transmitidas: v1 = portanto k1 p2 k2 p1 = . pois não há nada que possa reetir as partículas transmitidas. obviamente a onda transmitida.t) = k1 2 F ei(k1 x−ωt) + F k1 −k2 e−i(k1 x+ωt) para x < 0 +k 2k1 F k1 +k2 ei(k2 x−ωt) para x > 0 O primeiro termo da função para x<0 corresponde portanto à onda (uxo) incidente e o segundo à onda reetida. O coeciente de reexão é dado por: R= vB ∗ B (k1 − k2 )2 = vA∗ A (k1 + k2 )2 Para x>0 só há. temos: Ψ(x. este sem equivalente clássico.7 Aplicações da Equação de Schroedinger Φ1 (0) = Φ2 (0) ⇒ A + B = C dΦ1 k2 | = dΦ2 |x=0 ⇒ (A − B) = C k1 dx x=0 dx (+) : A = As funções de onda são: C k2 C k2 (1 + ) (−) B = (1 − ) 2 k1 2 k1 + C (1 − 2 para x > 0 k2 −ik1 x )e k1 Ψ(x) = Fazendo Ce C (1 + k2 )eik1 x 2 k1 ik2 x para x < 0 2k1 C = F k1 +k2 onde F é uma constante arbitrária e incluindo a parte temporal da função de onda.

perpendicularmente entre dois meios com diferentes índices de refração. II e III as regiões x < 0. entre x=0 e x=a.1 Caso E > Vo Consideremos agora o caso de uma barreira de potencial.3 Barreira de Potencial Este é um dos problemas simples para o qual podemos resolver analiticamente e cuja solução traz em evidência fenomenos muito interessantes. 125 .3: Barreira de potencial de altura Vo 7. exceto numa pequena região. com aplicações em muitos problemas físicos. como o tunelamento quântico. Denindo como I. Este tipo de reexão já era conhecido na óptica.3. também conhecido como penetração de barreira.3 Barreira de Potencial e R = 1 − T = 1 para E ≤1 Vo O Note também que a reexão ocorre da mesma maneira quando a partícula vem de uma região com potencial constante e cai numa região de potencial menor (ou nulo). denida por: x = −∞ em direção à barreira de potencial vista V (x) = Vo para 0 < x < a 0 para x f ora deste intervalo Figura 7. 7. quando a luz passa. 0 ≤ x ≤ a e x > a. onde o potencial é constante e igual a Vo . ou seja a partícula se move sob ação de um potencial nulo.3. fenômeno de reexão descrito acima é devido basicamente à passagem abrupta da partícula de um potencial para outro.7. Consideremos uma partícula. vindo de na gura 7.

7 Aplicações da Equação de Schroedinger respectivamente. as soluções da equação de Schroedinger independente do tempo nessas regiões são:   Φ1 (x) = Aeik1 x + Be−ik1 x (x < 0) Φ3 (x) = Ceik1 x + De−ik1 x (x > a)  Φ2 (x) = F eik2 x + Ge−ik2 x (0 < x < a) Não há ondas vindo de +∞ → 0 e portanto D = 0 A + B = F + G (Φ1 (0) = Φ2 (0)) k1 (A − B) = k2 (F − G) ( dΦ1 |0 = dx dΦ2 dx |o ) (a) F eik2 a + Ge−ik2 a = Ceik1 a (b) k2 (F eik2 a − Ge−ik2 a ) = k1 Ceik1 a de( a): 2A = F (1 + 2B = F (1 − de (b): k2 k2 ) + G(1 − ) k1 k1 k2 k2 ) + G(1 + ) k1 k1 2F eik2 a = Ceik1 a (1 + k1 k1 ) ou 2F = Cei(k1 −k2 )a (1 + ) k2 k2 k1 k1 ) 2G = Cei(k1 +k2 )a (1 − ) k2 k2 2Ge−ik2 a = Ceik1 a (1 − 2A = C i(k1 −k2 )a k1 k2 C k1 k2 e (1 + )(1 + ) + ei(k1 +k2 )a (1 − )(1 − ) 2 k2 k1 2 k2 k1 = C ei(k1 −k2 )a (k1 + k2 )2 − ei(k1 +k2 )a (k1 − k2 )2 = 2k1 k2 = Ceik1 a −ik2 a e (k1 + k2 )2 − eik2 a (k1 − k2 )2 2k1 k2 (k1 + k2 )2 − e2ik2 a (k1 − k2 )2 A eik1 a e−ik2 a = (k1 + k2 )2 − e2ik2 a (k1 − k2 )2 = C 4k1 k2 4k1 k2 e−ik1 a e−ik2 a Coeciente de Transmissão (velocidades são as mesmas antes e depois da barreira): ∗C T = C∗A A A∗ A [(k1 + k2 )2 − (k1 − k2 )2 e2ik2 a ][(k1 + k2 )2 − (k1 − k2 )2 e−2ik2 a ] = = 2 2 C ∗C 16k1 k2 126 .

O coeciente de transmissão será dado por: C ∗ Cv3 (ek2 a − e−k2 a )2 T = ∗ = 1+ E E A Av1 16 Vo (1 − Vo ) se −1 sinh2 k2 a = 1+ E E 4 Vo (1 − Vo ) −1 k2 a> >1. O procedimento Novamente. k2 = 2m(Vo − E)/ +∞.3. Na região I. Na região II temos uma exponencial decrescente 127 . resulta num padrão de onda estacionária. temos: 2 2 2 2 2 4 2 2 A∗ A k 4 − 2ks kd + kd + 4(k1 − k2 )2 sin2 k2 a (k 2 − kd )2 + 4(k1 − k2 )2 sin2 k2 a = s = s = 2 2 2 2 C ∗C 16k1 k2 16k1 k2 2 2 16k1 k2 + 4( 2mE − 2mE + 2 2 2 2 16k1 k2 2mVo 2 2 = ) sin2 k2 a = =1+ Portanto. a expressão acima pode ser aproximada por: T 16 A gura 7. solução da equação de Schroedinger será: As funções de onda para as regiões I e III são idênticas às do caso anterior.2 Caso E < Vo Neste caso. ( 2mVo )2 sin2 k2 a 2 4 2mE 2m(E−Vo ) 2 2 =1+ sin2 k2 a E E 4 Vo ( Vo − 1) −1 sin2 k2 a C ∗C T = ∗ = 1+ E E AA 4 Vo ( Vo − 1) 7.3 Barreira de Potencial (k1 + k2 )4 − (k1 + k2 )2 (k1 − k2 )2 (e2ik2 a + e−2ik2 a ) + (k1 − k2 )4 = 2 2 16k1 k2 2 2 2 2 (k1 + k2 )4 + 4(k1 − k2 )2 sin2 k2 a − 2(k1 − k2 )2 + (k1 − k2 )4 = 2 2 16k1 k2 e = = fazendo ks = k1 + k2 kd = k1 − k2 . classicamente toda partícula será reetida ao bater na barreira.7. a superposição da onda incidente com a reetida. temos D=0.4 mostra a densidade de E E (1 − )e−2k2 a Vo Vo ∗ probabilidade Ψ Ψ para as três regiões. ik2 do primeiro caso por k2 . como não há inicialmente onda vindo de trocando-se algébrico para a obtenção dos coecientes das funções de onda é análogo ao do caso anterior. de mesmo comprimento de onda. sendo que na região II a Ψ2 (x) = F ek2 x + Ge−k2 x .

Dispositivos como esse podem ser V (r = 10−14 ) = 1 Zze2 4π 0 r 30 · 106 eV 128 .5. este processo é chamado de tunelamento. que permite que a conservação de energia seja violada por um intervalo de tempo muito pequeno. corresponderá a uma densidade de probabilidade constante nesta região. Nesse decaimento.0· m). O processo de fusão de dois prótons é dominado pelo tunelamento dessas partículas pela barreira coulombiana. o valor da barreira coulombiana nessa distância será: dV /dI é negativa. a distância de maior aproximação. Com técnicas especiais de construção. como mostrado na gura 7. enquanto a partícula atravessa a barreira. Como essa energia é medida longe do núcleo. seria cerca de 1000 vezes menor que a realizada pelo Sol. as partículas alfa são emitidas com energia cinética de cerca de 5 MeV. onde o potencial é nulo. teremos algo da −14 ordem de 30 Fm (3. há uma reversão da curva e neste trecho. Somente uma pequena fração dos prótons teriam energia acima deste valor e a taxa de fusão e portanto de produção de energia. Se tomarmos uma partícula alfa com essa energia se aproximando de um núcleo.7 Aplicações da Equação de Schroedinger e nalmente a onda transmitida. a derivada utilizado em circuitos osciladores ou de chaveameno de altissimas freqüências. Numa pequena região. correspondendo a uma resistência negativa.4: Densidade de probabilidade . Este resultado mostra que uma pequena parcela das partículas incidentes. pode-se fazer um diodo semicondutor cuja barreira de potencial é extremamente na. por exemplo de Tório (Th). Novamente isso é uma consequência do princípio de incerteza. quando toda a energia está na forma de energia potencial. Figura 7. Um dos mais importantes é o da fusão de dois prótons no interior do Sol. Se considerarmos o raio do núcleo de Th da ordem de 10Fm. O diodo de efeito tunel é um dispositivo eletrônico disponível comercialmente. propiciando que partículas a atravessem por tunelamento. A energia cinética decorrente da temperatura do Sol é insuciente para vencer a barreira de repulsão coulombiana entre dois prótons. sendo uma onda plana. Vários processos que ocorrem na natureza dependem deste fenômeno. que ocorre em vários elementos pesados próximos ao urânio também depende do tunelamento.barreira de potencial. o mecanismo básico de produção de energia nesse tipo de estrêla. As consequências são uma inversão na curva característica corrente x tensão desses dispositivos. baseado neste efeito quântico. podemos supor que este é o valor da energia total da partícula alfa dentro do núcleo. E<Vo Como a partícula não tem energia para ultrapassar a barreira por cima. consegue atravessar a barreira. O decaimento radiativo por emissão de partículas alfa.

Como para distâncias menores que o raio nuclear esta partícula alfa está ligada ao núcleo. Supondo o potencial constante no interior do núcleo (esta aproximação é utilizada em muitos problemas de física nuclear). Tendo uma chance de escapar a cada 10 colisões. ela deve tunelar a barreira de altura máxima de 30 MeV. a energia cinética da partícula alfa no interior do núcleo será constante e dada por MeV. substituindo-se a barreira coulombiana por uma série de barreiras de pequena largura e alturas decrescentes. devemos estimar qual a freqüência com que ela colide com as paredes do núcleo. mas este valor está mais ou menos no centro da faixa de valores. temos partícula alfa dentro do núcleo será: Ec = 5−V MeV.7.3 Barreira de Potencial Figura 7. Um cálculo aproximado pode ser feito trocando-se a barreira original por uma barreira média equivalente. As vidas médias para decaimento alfa de núcleos nessa região varia muito. temos o produto k2 a = 2mc2 Vo a(1 − E/Vo )/ c 20 e podemos usar a expressão aproximada para T: T 10−28 Para encontrarmos o tempo médio para a partícula alfa escapar.1 21 Com o diâmetro nuclear da ordem de 20 Fm. Tomando V=-5 MeV. a partícula alfa colide cerca de 10 vezes −28 por segundo com as paredes. onde V<0 é o potencial nuclear. vamos tomar uma barreira de altura 30 MeV e largura a =10 Fm. Neste caso. para escapar. Por simplicidade. em média 28 21 7 ela levará 10 /10 = 10 s ou um ano para escapar. o problema pode ser resolvido de maneira análoga. e sabendo-se que sua energia total é 5 MeV. sabemos que V corresponde a algumas dezenas de Ec =10 MeV e portanto o módulo da velocidade da v = c 2Ec mc2 0.5: Curva característica de um diodo túnel. Embora não seja uma barreira de altura constante como a que estudamos. 129 .

com Vo → ∞: V (x) = 0 para − a/2 < x < a/2 ∞ para x < −a/2 ou x > a/2 Na região dentro do poço. ou seja. obtemos as relações: 2B cos ka = 0 2 2A sin ka = 0 2 É fácil notar que não há nenhum valor de k que satisfaça simultaneamente as duas condições acima. e impor. No entanto...3.3. Vimos anteriormente esta situação do ponto de vista do princípio de incerteza e determinamos o valor mínimo para a energia da partícula...5. a função de onda deve ser identicamente nula.4. Como para ambos kn = n π ... com Ψn (x) = An sin kn x a √ os casos temos a relação k = 2mE/ . a solução geral da eq.2. Este problema é também freqëntemente denominado poço de potencial quadrado. Aplicando a condição de continuidade da função de onda nos pontos ±a/2.. temos: A sin ka + B cos ka = 0 (em x = a ) 2 2 2 A sin − ka + B cos − ka = 0 (em x = − a ) 2 2 2 Somando e subtraindo as duas equações acima..1 Poço Innito A forma mais simples corresponde a fazer as paredes da caixa muito rígidas.. n = 1.6.5. no termo com a constante não nula..3. 7. podemos escolher uma das constantes A ou B iguais a zero.7 Aplicações da Equação de Schroedinger 7.4. n = 1. 2 = nπ. dentro da caixa o potencial é nulo e nas paredes tem valor Vo .4 Partícula em Uma Caixa (Poço Quadrado) Um outro caso simples e interessante corresponde ao de uma partícula dentro de uma caixa unidimensional. n = 2. ou seja. Vejamos agora a solução completa do problema. com Ψn (x) = Bn cos kn x a kn = n π . temos a seguinte expressão para as energias possíveis da partícula na caixa: 130 . a condição de que o seno ou cosseno se anule: A = 0 e cos ka = 0 ⇒ 2 B = 0 e sin ka = 0 ⇒ 2 Portanto temos: ka 2 ka 2 = n π . de Schroedinger independente do tempo é a mesma que a encontrada anteriormente em situações análogas: √ Ψ(x) = A sin kx + B cos kx onde k = Para as regiões 2mE x > a/2 e x < −a/2 onde o potencial é innito. n = 1.

as soluções são:  a  Ψ1 (x) = Ae−kx + Bekx regi˜o I Ψ2 (x) = C sin k2 x + D cos k2 x regi˜o II a  −kx kx Ψ3 (x) = Ee + F e regi˜o III a Agora. n = 1. A solução da culas num poço de potencial quadrado de altura equação se Schroedinger na região II é a mesma do caso anterior: √ Ψ2 (x) = C sin k2 x + D cos k2 x com k2 = Nas regiões I e III.4 Partícula em Uma Caixa (Poço Quadrado) k2 2 π 2 2 n2 . Vamos também numerar as regiões x ≤ a/2.. II e III.4.3.7.. aplicando as condições sobre o comportamento da função de onda para x → ±∞. devemo então impor as condições de continuidade da função de onda e sua derivada. nos pontos x = ±a/2: Continuidade de Ψ em x = ±a/2: 131 .. Para encontrar os valores das quatro constantes restantes. −a/2 < x < a/2 e x ≥ a/2 como I.2 Poço Finito Uma situação mais realista corresponde ao poço de potencial de altura nita Vo : V (x) = Vo para x ≤ −a/2 ou x ≥ a/2 0 para − a/2 < x < a/2 Elétrons no metal estão em uma condição semelhante a essa. temos para a equação de Schroedinger: 2mE − ou d2 Ψ(x) = −(Vo − E)Ψ(x) 2m dx2 2 d2 Ψ 2m(Vo − E) = Ψ = k2Ψ 2 2 dx onde k1 = k3 = 2m(Vo − E)/ . A solução geral dessa equação corresponde a exponenci- ais reais: Ψ(x) = A ekx + B e−kx de modo que nas três regiões. em primeira aproximação ser descritas por um conjunto de partí- Vo . ou seja para E < Vo (partículas ligadas). As partículas no núcleo atômico também podem. devemos impor A=F=0. = 2m 2ma2 En = 7. Vamos considerar aqui somente o caso de partículas dentro do poço.2.

2. impondo k1 e k2 podem ser obtidas dividindo-se as equações acima (4 ÷ 1 e e 3 ÷ 2). 3 Be−k1 a/2 = −C sin k2 a + D cos k2 a 2 2 (I) Ee−k1 a/2 = C sin k2 a + D cos k2 a 2 2 Continuidade das derivadas em x = ±a/2: Bk1 e−k1 a/2 = k2 C cos k2 a + k2 D sin k2 a 2 2 (II) −k1 Ee−k1 a/2 = k2 C cos k2 a − k2 D sin k2 a 2 2 Somando e subtraindo as relações de (I): (B + E)e−k1 a/2 = 2D cos k2 a (1) 2 (B − E)e−k1 a/2 = −2C sin k2 a (2) 2 Somando e subtraindo as relações de (II): (B − E)k1 e−k1 a/2 = 2k2 C cos k2 a (3) 2 (B + E)k1 e−k1 a/2 = 2k2 D sin k2 a (4) 2 Relações entre caso.7 Aplicações da Equação de Schroedinger Figura 7. temos: k2 tan k2 a = k1 (i) 2 132 . devemos garantir que o denominador não seja nulo.6: Soluções para o poço quadrado nito: n=1. No primeiro B+E =0 D = 0. para fazer isso. Entretanto.

obtemos para as funções de onda:   D cos k2 a ek1 a/2 ek1 x para x < − a 2 2 D cos k2 x para − a < x < a Ψp (x) = 2 2  D cos k2 a ek1 a/2 e−k1 x para x > a 2 2 Substituindo as expressões para k1 e k2 na relação (A). vericar ainda que para estados com E Vo . se B−E =0 e C = 0. o que é impossível. ou impor B+E=D=0 e obter a segunda das relações mostradas acima. k2 cot temos: k2 a = −k1 (ii) 2 As duas condições não podem ser satisfeitas simultaneamente. substituindo as relações entre os coecientes nas expressões (I) e (II). temos: tan = mVo a2 − 2 2 mVo a2 2 2 Na exressão acima. que resulta em: k2 (tan Multiplicando a relação acima por k2 a k2 a + cot )=0 2 2 tan k2 a/2.4. não há como isolar e obter analiticamente o valor de denido as funções . Isso pode ser vericado somando-se as duas expressões acima.7. De maneira análoga procede-se para encontrar as soluções do segundo tipo. os valores de E se aproximam daqueles que encontramos para o poço innito. Entretanto. temos: mEa2 tan 2 2 mEa2 2 2 = m(Vo − E)a2 /2 = 2 2 multiplicando a expressão acima por a e denindo 2 mEa2 /2 2 . conrme visto na gura 7. As soluções para os três valores mais baixos de E são vistas na gura 7.7.5 O Oscilador Harmônico O caso mais realista que podemos resolver analiticamente neste curso corresponde ao do oscilador harmônico. os valores possíveis de podem ser visualizados gracando-se as duas funções e Pode-se determinando-se os pontos de intersecção. No primeiro caso.5 O Oscilador Harmônico no outro caso. p( ) = tan e q( ) = − 2 como o segundo membro da expres- são acima. pois muitos 133 . Portanto devemos impor B-E=C=0 e obter a primeira das relações acima. Neste caso. a equação a ser resolvida será: − cot = mVo a2 /2 2 − 2 7. visto que o argumento da tangente é real. temos a relação tan2 k2 a/2 = −1. O oscilador harmônico tem grande importância na física.

3 é típico da ligação de moléculas di-atômicas. descrito pela equação: m Cuja solução é: K d2 x = −Kx. podem.7 Aplicações da Equação de Schroedinger Figura 7. para pequenos deslocamentos da posição de equilíbrio (pequenas energias de excitação) ser descritos por um potencial do tipo: dV 1 = −Kx V (x) = Kx2 . Classicamente sabemos que uma partícula de massa m sob ação desse potencial. para pequenos deslocamentos em relação á posição de equilíbrio. e mesmo partículas no núcleo atômico. ω 2 = 2 2 2 dx m 134 . como moléculas. No caso quântico. executa movimento harmônico. F = − 2 dx O potencial mostrado na gura 7. átomos ou moléculas em uma rede cristalina. ω 2 = dt2 m x(t) = A cos(ωt + ϕ) 1 1 1 E = Kx2 + mv 2 = KA2 2 2 2 A amplitude da vibração é xo = 2 2E/K onde E é a energia total do sistema e pode ter qualquer valor.7: Solução gráca para a equação p( ) = q( ) problemas de sistemas ligados em equilíbrio. como O2 ou N2 . temos que resolver a equação: − d2 Φ(x) 1 + Kx2 Φ(x) = EΦ(x) 2m dx2 2 d2 Φ 2mE m2 ω 2 2 K + − x Φ = 0.

podemos escrever a equação acima podemos facilmente d2 Φa d2 Φa − u2 Φa = 0 ou = u 2 Φa du2 du2 vericar que a solução assintótica Φa (u) é Φa (u) = Ae−u 2 /2 dada por: + Beu 2 /2 135 . 2 dx du dx du dx du e portanto a equação de Schroedinger ca: α assintótico de como: d2 Φ d2 Φ β + (β − αu2 )Φ = 0 ou 2 + ( − u2 )Φ = 0 2 du du α Para encontrar a solução desta equação.8: Potencial sentido por um átomo. numa molécula di-atômica denindo β = 2mE/ 2 e α = mω/ : mudança de variável: u= √ d2 Φ + (β − α2 x2 )Φ = 0 dx2 αx: dΦ dx du d2 Φ =α 2 dx du dΦ dΦ du √ dΦ d2 Φ d = = = α . antes vamos tentar descobrir o comportamento Φ para grandes valores de u.5 O Oscilador Harmônico Figura 7. Neste caso.7.

H(u) 136 . pode então ser fatorada como: Φ(u) = Ae−u onde 2 /2 H(u) H(u) lentamente que deve ser uma função que varie lentamente para u → ±∞. A solução da equação de Schoedinger para qualquer valor de u.7 Aplicações da Equação de Schroedinger calculando as derivadas: dΦa 2 2 = −Aue−u /2 + Bueu /2 du e d2 Φa 2 2 2 2 2 2 = Au2 e−u /2 − Ae−u /2 + Bu2 eu /2 + Beu /2 = (u2 − 1)Ae−u /2 + (u2 + 1)Beu /2 2 du o que para grandes valores de u se reduz a: d2 Φa 2 2 = u2 (Ae−u /2 + Beu /2 ) = u2 Φa 2 du Para que esta solução seja uma solução sicamente aceitável para a equação de Schroedinger. ou seja: cresça mais 2 eu /2 de modo que no produto acima. Calculemos agora a derivada segunda desta função. ela pode sempre ser escrita na forma de uma série de potências. para obtermos então a equação para H(u): dΦ dH 2 2 = −Aue−u /2 H(u) + Ae−u /2 du du 2 d2 Φ −u2 /2 2 −u2 /2 −u2 /2 dH −u2 /2 dH −u2 /2 d H = −Ae H(u) + Au e H(u) − Aue = − Aue + Ae du2 du du du2 2 /2 = Ae−u −H + u2 H − 2u dH d2 H + du du2 substituindo na equação de Schoedinger. para grandes valores de u prevaleça o comportamento assintótico que foi obtido. temos: Ae−u ou 2 /2 −H + u2 H − 2u dH d2 H + du du2 + β 2 − u2 Ae−u /2 H = 0 α d2 H dH + − 2u 2 du du Como sabemos que a solução como: β −1 H =0 α Denindo a expansão de H(u) deve ser uma função bem comportada. ela não pode divergir para u → ±∞ e portanto devemos escolher B = 0.

5 O Oscilador Harmônico ∞ H(u) = l=0 as derivadas de al ul = a0 + a1 u + a2 u2 + ... l=0 Substituindo na equação para H(u). os dois primeiros termos são nulos. Dado a1 podemos calcular todos os ímpares.. H(u) podem então ser escritas como: dH = du dH = du2 2 ∞ ∞ lal ul−1 = a1 + 2a2 u + 3a3 u2 + ....7... A solução séries distintas: Hp (u) = a0 (1 + e a2 2 a4 4 u + u + .) a0 a0 a3 2 a5 4 u + u + ... temos: l(l − 1)al ul−2 − 2u ou lal ul−1 + ( β − 1) α al ul = 0 ∞ ∞ l(l − 1)al u l=0 l−2 + l=0 β − 2l − 1 al ul = 0 α na primeira somatória. devemos impor que os l coecientes de u sejam nulos e então obtemos a seguinte relação entre os al : al+2 = − com esta expressão.) a1 a1 Hi (u) = a1 u(1 + 137 . dado − (2l + 1) al (l + 1)(l + 2) H(u) pode então ser dividida em duas β α a0 podemos calcular todos os outros coecientes pares. l=0 l(l − 1)al ul−2 = 2 · 1a2 + 3 · 2a3 u + 4 · 3a4 u2 + . Podemos redenir os índices trocando l →l+2 de modo que a equação acima ca: ∞ ∞ (l + 2)(l + 1)al+2 u + l=0 ou l l=0 β − 2l − 1 al ul = 0 α ∞ (l + 2)(l + 1)al+2 + ( l=0 β − 2l − 1)al ul = 0 α para que esta expressão seja nula para qualquer valor de u.

o coeciente par. comportamento das razões al+2 /al lim β − (2l + 1) al+2 2 = lim α = l→∞ al l→∞ (l + 1)(l + 2) l esta razão de coecientes. a razão entre dois coecientes consecutivos. Para que um dado coeciente al+2 se anule para l=n.. por exemplo l=n.. Para isso. e o Φ(u) será obedecido..2. Embora para pequenos valores de l os coecientes sejam diferentes. quando queremos comparar o comportamento dessas funções para grandes valores de u. Resta então vericar se o comportamento da série obtida. se al+2 se anular zermos a0 = 0.7 Aplicações da Equação de Schroedinger Com H(u) = Hp (u) + Hi (u). é idêntica à mesma razão na expansão u2 em série de potências da função e : 2 eu = 1 + u2 + u4 u6 ul+2 ul + + . veriquemos o para grandes valores de l: para grandes valores de u.3. + l + l+2 + .1.. Portanto. A menos que para um dado valor de l. De modo análogo. ondas correspondentes são: As funções de 138 . n = 0. Supondo que esta condição se dê para um l Hp (u) será agora um polinômio e se zermos comportamento assintótico para para um valor ímpar de l e a1 = 0 a outra série Hi (u) será nula. vericamos que para grandes valores de u. al é: ( l )! ( l )! al+2 = l 2 = l 2 l = al ( 2 + 1)! ( 2 + 1)( 2 )! funções 1 +1 que para grandes valores de l é idêntica à razão que obtivemos para os coecientes das Hp e Hi . 2! 3! ( 2 )! ( 2 )! al+2 l 2 e portanto. obtém-se: 2mE 2 = (2n + 1) mω ou 1 En = (n + ) ω. respeita as condições necessárias.. contrário à condição imposta inicialmente para H. u→∞ lim Ae−u 2 /2 H(u) = Ae−u 2 /2 (a0 eu + a1 ueu ) = a0 Aeu 2 2 2 /2 + a1 Aueu 2 /2 e portanto será divergente. al+2 para uma das séries se anule e portanto todos os outros com l maior... os termos com pequenas potências de u (pequenos valores de l ) não são importantes e u2 portanto. 2 que corresponde à quantização da energia para o oscilador harmônico. para grandes valores de l. H(u) ∼ e . devemos impor a condição: substituindo as β − (2n + 1) = 0 ou β = (2n + 1)α α expressões para α e β na exressão acima.

Os polômios de Hermite podem ser otidos da relação: Hn (u) = (−1)n eu 2 Os coecientes de normalização das funções de onda são dados por: An = mω π 1/4 1 2n n! 7. são conhecidas como dn −u2 e dun polinômios de Hermite.9: Funções de Onda do Oscilador Harmônico n=0: n=1: n=2: n=3: n=4: n=5: ímpar. mostradas entre parênteses nas expressões acima. As funções Φn (u) = A0 e−u /2 2 Φ1 (u) = A1 2ue−u /2 2 Φ2 (u) = A2 (4u2 − 2)e−u /2 2 Φ3 (u) = A3 (8u3 − 12u)e−u /2 2 Φ4 (u) = A4 (16u4 − 48u2 + 12)e−u /2 2 Φ5 (u) = A5 (32u5 − 160u3 + 120u)e−u /2 Φ(u) é uma função par e para n ímpar. como a de HBr pode vibrar e também girar em torno de um eixo perpendicular ao denido pelos centros dos átomos da molécula. a função H(u) .5.7. As energias de rotação de uma molécula diatômica são dadas por: 139 . Φ(u) é uma função 2 Note que para n par.1 Espectro Vibração-Rotação Molecular Uma molécula diatômica.5 O Oscilador Harmônico Figura 7.

o quantum de energia eletromagnética. Com isso as possíveis transições. No caso de HBr. emite um fóton com energia hν = Ej − Ej−1 = 2j /2I . envolvendo o estado fundamental (energia de ponto zero) e as rotações à partir desse estado.11. o termo fonon é usado para denominar o quantum de energia vibracional. Assim como hν é a energia do fóton. ao passar de um estado com número quântico j.2 Operadores de Criação e Aniquilação de Fonons Na física de sólidos.7 Aplicações da Equação de Schroedinger Figura 7.5. Note que um rotor.10: O espectro da radiação (infra-vermelho) emitido por uma molécula diatômica é portanto como mostrado na gura 7. As transições de um 2 2 estado a outro são governados por uma regra de seleção (ligada à conservação de momento angular. A diferença de energia de fótons emitidos de estados com j consecutivos é portanto constante. para outro 2 com j-1. mas que não discutiremos aqui). a 140 . dada por j = ±1. 7. o primeiro estado vibracional (n=1) e as rotações desse estados são vistas na gura 7.316 eV. 1 1 as energias de vibração são dadas por (n + ) ω = (n + )0.10: Possíveis transições em moléculas diatômicas Ej = J2 j(j + 1) = 2I 2I 2 Onde j é o número quântico associado ao momento angular de rotação J e I o momento de inércia.

7. envolvendo esses operadores: 141 .11: Espectro vibração-rotação molecular energia do fonon de vibração é ω.5 O Oscilador Harmônico Figura 7. Denimos os operadores a e a+ chamados operadores de destruição (aniquilação) e criação de fonons como: a= a+ = é fácil vericar as relações: mω i p) (x + 2 mω mω i (x − p) 2 mω √ aΦn = onde √ nΦn−1 . Por exemplo: aΦ1 = mω i (x + p)Φ1 = 2 mω α 1 d 2 (x + )A1 2αxe−αx /2 = 2 α dx √ √ 1 2 2 2 = A1 α 2(x2 + − x2 )e−αx /2 = A1 2e−αx /2 = A0 e−αx /2 α a+ Φ0 = mω i p)Φ0 = (x − 2 mω α 1 d 2 (x − )A0 e−αx /2 = 2 α dx = √ α 2 √ 2 2 2 A0 (x + x)e−αx /2 = A0 √ αxe−αx /2 = A1 2 αxe−αx /2 2 2 outra relação importante. a+ Φn = n + 1Φn+1 Φn são as funções de onda do oscilador harmônico.

a energia cinética de uma partícula é dada pela expressão: T = 1 2 (p + p2 + p2 ) y z 2m x 2 e portanto o operador quântico correspondente será: T =− ∂2 ∂2 ∂2 + 2 + 2) 2m ∂x2 ∂y ∂z ( e a equação de Schroedinger em três dimensões será então: − ∂2 ∂2 ∂2 ∂ + 2 + 2 )Ψ(x.y.z. V o operador energia potencial e ˆ E o operador energia total.t) 2 2m ∂x ∂y ∂z ∂t ( 2 Facilmente podemos vericar que também aqui. também chamada de segunda quantização.6 Caixa Cúbica: Equação de Schroedinger em 3 Dimensões Vimos que a Equação de Schroedinger pode ser escrita na forma: onde ˆ T é o operador energia T + V Φ = EΦ ˆ cinética.t) = Φ(x.y.7 Aplicações da Equação de Schroedinger √ a+ aΦn = a+ nΦn−1 = nΦn A equação de Schoedinger para o oscilador harmônico pode ser escrita como: (− d2 1 + Kx2 )Φn = En Φn 2m dx2 2 d H = T + V = (− 2m dx2 + 1 Kx2 ).y.y.z. utilizando-se coordenadas cartesianas.z.y. Em três dimensões.t) = i Ψ(x.z)ϕ(t) 142 . podemos separar a solução na forma: Ψ(x. é muito utilizada na solução de problemas complexos.z.z)Ψ(x. 2 2 2 2 Denindo o operador Hamiltoniano a equação ca: HΦn = En Φ em termos dos operadores a e é escrita como (lembrando que a+ a equação de En = (n + 1 ) ω ): 2 Schoedinger para o oscilador harmônico 1 ω(a+ a + )Φn = En Φn 2 A formulação quântica em termos de operadores de criação e aniquilação.t) + V (x. se V não depende explicitamente de t. 7.y.

3. L2 .y.. ou seja com lados desiguais L1 . 2 3 2mL2 1 A energia da partícula na caixa é quantizada e caracterizada por um conjunto de três números inteiros. o de uma partícula dentro de uma caixa cúbica.y.y.z podemos obter a soluções da equação na forma de um produto de funções..z)Φ(x. dado pela função de onda: Uma solução possível para este problema é Φ(x.z) = A sin k1 x sin k2 x sin k3 x Substituindo-se esta função na equação de Schroedinger encontra-se para a energia da partícula: 2 E= caixa.y. Quando há mais de uma função de onda para descrever um mesmo nível de energia.z) 2m ∂x2 ∂y ∂z ( Consideremos agora um caso simples.1 e Φ1.y. com a energia tomando o valor 3 2π2 2mL2 O primeiro estado excitado será aquele em que 2 dos n têm valor 1 e um deles assume 3π 2 2 /mL2 .z) =  0 para 0 < z < L   ∞ f ora da caixa Aqui também facilmente se verica que como V não depende explicitamente de x. descritos pelas funções de onda Φ2. L3 . O estado fundamental (menor energia) corresponde portanto a n1 = n2 = n3 = 1.z) + V (x. com a energia dada por: E111 = o valor 2.1.y. denida pelo potencial:   0 para 0 < x < L   0 para 0 < y < L V (x.y.7. Φ1. cada uma correspondendo a uma dimensão espacial.2.2. No caso acima temos um estado com degenerescência tripla.y. A degenerescência reete uma simetria do problema. Existem três estados com essa mesma energia. correspondentes à condição de continuidade da função de onda nas três direções espaciais. observa-se que as constantes números inteiros.1 .z) 2 é a solução da equação de Schroedinger independente do tempo: − ∂2 ∂2 ∂2 + 2 + 2 )Φ(x. a solução da equação de Schroedinger com aplicação das condições de continuidade da função de onda será: 143 .z) = EΦ(x.6 Caixa Cúbica: Equação de Schroedinger em 3 Dimensões onde Φ(x.2 . dizemos que esse estado é degenerado. Em termos dos 2m 2 2 2 (k1 + k2 + k3 ) Aplicando-se a condição de continuidade da função de onda nas regiões dentro e fora da ki devem obedecer a relação: ki = ni π/L ni . Considerando por exemplo uma caixa sem simetria cúbica.1. a energia da partícula será então: 2 2 onde ni são En1 n2 n3 = π (n2 + n2 + n2 ) ni = 1..

para a condição E>Vo. determine o valor da energia. 7. a quebra da simetria do problema removeu a degenerescência. determine o valor médio da energia. cuja função de onda é dada por: Ψ(x) = Ae−mωx 2 /2 (a) Seria a quantidade de movimento uma constante neste estado? Se sua resposta for positiva. determine o valor médio da quantidade de movimento.Mostre que o problema de uma partícula passando por um poço de potencial (V para x < 0.Uma partícula está sujeita ao potencial de um oscilador harmônico. Que você obteria numa medida da energia da partícula neste estado? 2 c) Calcule < x > e < x > para essa partícula.Repita o cálculo do potencial degrau realizado em classe. com E>0 é equivalente ao da 144 . altura Vo nas mesmas condições. Se for negativa. 4. denida como o desvio padrão. não havendo portanto estados degenerados.7 Aplicações da Equação de Schroedinger n1 π n2 π n3 π x sin y sin z L1 L2 L3 n2 n2 n2 1 + 2 + 3 L2 L2 L2 1 2 3 Φn1 n2 n3 (x. de movimento da partícula neste estado? (b) É a energia mecânica conservada neste estado? Se sua resposta for positiva. O que seria obtido em medidas da quantidade A sin 2πx e−iEt/ − a/2 < x < a/2 a 0 x < −a/2 ou x > a/2 a) Verique que esta função é uma solução da equação de Schroedinger. d) Calcule a incerteza na medida da posição da partícula... b) Determine o valor da energia total E neste estado.7 Exercícios 1. 3..z) = A sin e a energia da partícula será dada por: En1 n2 n3 = e portanto π 2m 2 2 E112 = E121 = E112 . e) Repita o cálculo de c) e d) para o momento da partícula e verique se o princípio de incerteza é obedecido neste caso. considerando agora a função: V (x) = Vo para x < 0 0 para x ≥ 0 =0 Calcule os coecientes de transmissão e reexão e compare-os com os obtidos em classe. V = −Vo para barreira de potencial de 0 ≤ x ≤ a e V = 0 para x > a). 2) A função de onda para uma partícula connada numa caixa de largura a é dada por: Se for negativa. determine o valor da quantidade de movimento.y. ou seja.

se for negativa. (b) Encontre o valor dessas constantes que normalizam a função de onda (c) Seria a função de onda função das auto-energias Ψ(x. Calcule sua energia total nessas condições e compare com a altura da barreira calculada no ítem anterior. As duas partículas têm energia de 3 MeV. As experiências mostram que um elétron com energia cinética de 0.001*mgH. 6. 145 . Podemos realisticamente supor que sua energia total não 7 seja muito maior que 10kT. determine o valor da energia.t) um auto-estado de energia? e Se sua resposta for positiva. 7.t) Ψ1 e Ψ2 são as auto-funções de energia normalizadas para o estado fundamental (energia E1 ) e para o primeiro estado excitado (energia E2 ) respectivamente e c1 e c2 são onde constantes..7 Exercícios 5. de altura H=10 cm. massa duas vezes maior) tentam −14 penetrar em uma barreira de potencial de altura 10 MeV e largura 10 m.. de massa m=0. ∗ (d) Determine a densidade de probabilidade Ψ Ψ. 8) Um próton e unm dêuteron (mesma carga do próton. de altura V e se estendendo de r a 2r. senta uma oscilação. a) Use argumentos qualitativos para prever qual das partículas tem maior probabilidade de consegui-lo. Devido a isto. a) Faça uma estimativa do potencial coulombiano V que atua sobre o próton se ele estiver na superfície do núcleo.Uma partícula connada numa caixa de paredes impenetráveis e largura L está num estado cuja função de onda O fenomeno é chamado efeito Ramsauer. calcule qual a probabilidade da bola não conseguir subir a rampa. c) Calcule a probabilidade de que o próton possa penetrar em uma barreira retangular equivalente.Uma reação de fusão importante na produção de energia solar envolve a captura de um próton por um núcleo de carbono. 9) Aplique a condição de normalização para mostrar que a constante multiplicativa para a autofunção com n=3 do poço de potencial quadrado innito é B3 = 2/a. que tem carga seis vezes maior que a do próton e −15 um raio r ∼ 2 · 10 m. Obtenha a freqüência dessa oscilação e tente interpretá-la..t).Um átomo do gás nobre kripton exerce um potencial atrativo sobre um elétron não ligado que varia muito bruscamente. b) Calcule quantitativamente a probabilidade de sucesso para cada uma das partículas. determine a energia média deste estado em Em qualquer caso justique sua resposta. b) O próton incide sobre o núcleo devido seu movimento térmico.7 eV nas regiões fora do átomo pode atravessá-lo sem sofrer praticamente reexão nenhuma. o ponto em que a barreira cai para V/2.2 kg e energia E é jogada na direção de uma rampa inclinada.t) + c2 Ψ2 (x. Para E=1. poço quadrado.7. onde T ∼ 10 K é a temperatura no interior do sol. 10) Uma bola de bilhar. O termo dependente do tempo repre- E1 E2 .t) é dada pela combinação linear: Ψ(x. Ψ(x. (a) Mostre que esta função de onda pode representar um estado quântico porque obedece a equação de Schrödinger dependente do tempo.t) = c1 Ψ1 (x. é uma aproximação razoavel descrever −10 o potencial como um poço quadrado atrativo de raio igual a 4 · 10 m. o raio do átomo. Use essa informação para determinar a profundidade (Vo ) do Ψ(x.

19. b) Mostre que nesse caso.7 Aplicações da Equação de Schroedinger 11) Um dos estados excitados do átomo de hidrogênio tem função de onda dada por: Ψ(r.0) = onde 1 Φ0 (x) + 5 1 Φ2 (x) + cΦ3 (x) 2 Φ0 . 20.. Use esse valor para fazer uma estimativa da energia de ponto zero das vibrações moleculares. determine a energia do fóton emitido por vibrações da distribuição de cargas quando o sistema faz uma transição entre o primeiro estado excitado e o estado fundamental. o coeciente de transmissão será igual a 1.ϕ) = Ar2 e−r/3a sin θ cos θe−iϕ onde A é uma constante e o sistema de coordenadas é o esférico. (c) Determine também a freqüência do fóton e compare com a freqüência de oscilação clássica do sistema. n=1. a) Qual a expressão para o componente na direção z do momento angular nesse sistema? b) Utilizando o resultado do ítem a).No instante t=0.Encontre a constante de harmônico. Calcular o valor numérico de c ? Qual o valor esperado da energia se é efetuada a medida dessa no instante t=0? 17. b) Encontre os comprimentos de onda de todos os possíveis fótons que poderiam ser emitidos até que o elétron passe do estado n=4 para o n=1. 15) (a) Faça uma estimativa da diferença em energia entre o estado fundamental e o primeiro estado excitado da molécula vibrando considerada no problema anterior...3. normalização (A0 ) para o estado fundamental do oscilador An = 146 . (d) Em que região do espectro está a radiação emitida? 16..Mostre que um oscilador harmônico com energia amplitude de um oscilador clássico 18. Φ1 e Φ3 são as autofunções normalizadas do oscilador harmônico.. 2 ∗ 13) Encontre |Ψ| = Ψ(x) Ψ(x) para as soluções da barreira de potencial (E<Vo e E>Vo) 14) A constante da força restauradora C para vibrações interatômica em uma molécula 3 2 diatômica típica é de aproximadamente 10 J/m . (b) A partir dessa estimativa.Um elétron está contido numa caixa de paredes rígidas de largura 0.1 nm... qual o componente z do momento angular para o átomo de higrogênio no estado descrito pela função de onda acima? 12) No caso da barreira de potencial com E>Vo.Calcule a probabilidade de um oscilador harmônico no estado fundamental ser encontrado fora da região clássica.θ. como desenvolvido nas notas de aula: a) Mostre que se B=0.. a densidade de probabilidade para se encontrar a partícula na região 0<x<a é dada por: Ψ∗ ΨII = C ∗ C( II k1 2 k2 ) 1 − (1 − ( )2 ) cos2 k2 x k2 k1 c) Verique também que a condição B=0 implica em k2 a = nπ . um sistema é descrito pela seguinte função de onda normalizada: Ψ(x. En = (n + 1/2) ω corresponde à (2n + 1) /mω .2. a) Desenhe os níveis de energia até n=4.

Uma molécula H2 pode ser aproximada por um oscilador harmônico simples com 3 constante de mola k= 1..Mostre que a energia de um oscilador harmônico simples no estado n=1 é 3 ω/2 −αx2 /2 substituindo a função de onda Ψ1 = Axe diretamente na equação de Schroedinger... Encontre a) os níveis de energia e b) os possíveis comprimentos de onda de fótons emitidos quando a molécula H2 decai do terceiro estado excitado.Um elétron está preso em um poço de potencial innito de 0. Quão profundo deve ser esse potencial para conter três níveis de energia? (Exceto pelos valores exatos das energias. 822 nm. 29.20 e 100.3 × 10 m. 27.. 549 nm 28.1 nm do lado esquerdo da parede? Repita os cálculos para um elétron no estado n=99. esta é a situação aproximada de um núcleo de deutério). Compare os três resultados.. em acordo com a previsão clássica) Ψ2 (x) n dentro de um poço de potencial innito para Compare esses resultados com a probabilidade clássica de encontrar a −15 24.Determine o valor médio de n=1. Qual o valor da energia En desse estado? 26.7 Exercícios 21. Calcule essa probabilidade b) dobrando a altura da barreira e c) usando a altura original mas dobrando a largura da barreira. terminando no estado fundamental. que pode ser aproximada por −14 uma barreira quadrada de altura V0 = 15MeV e largura L = 1.Considere um poço de potencial nito de largura 3 × 10 m que contém uma 2 partícula de massa m= 2GeV/c . a) Se o elétron está no estado fundamental. mostre que o valor esperado de x é independente do tempo..7.Se o potencial V é independente do tempo.755eV b) 1640 nm. qual a probabilidade de encontrá-lo a menos de 0.Uma possível solução para o oscilador harmônico simples é: Ψn = A(2αx − 1)e−αx 2 /2 onde A é uma constante. 23. 25.. 1/L (independente de n.. As respostas são consistentes com o princípio de correspondência? 22.Considere uma partícula de energia E aprisionada num poço de potencial como mostrado na gura abaixo. Explique o esquema obtido.3 nm de largura. partícula dentro da caixa. Desenhe esquematicamente as funções de onda para os três estados de mais baixa energia da partícula. a) En = (n + 1/2)0.1 × 10 N/m.. 147 .5.a) Calcule a probabilidade de transmissão de uma partícula α de energia E = 5 MeV através da barreira coulombiana de um núcleo pesado.

Considere um poço semi-innito no qual V=∞ para x < 0.. E= y L L L 2mL2 x 148 . Calcule a energia da partícula.. 31. b) Encontre <x> e <x >. a) Mostre que o nível de energia correspondente é 5 ω/2.Considere uma partícula de massa m dentro de uma caixa quadrada bi-dimensional de lado L.A função de onda para o estado n=2 do oscilador harmônico é 2 /2 . Mostre que as funções de onda e níveis de energia da partícula são dados por: Ψ(x.Quando uma partícula de energia E se aproxima de uma barreira de potencial de altura V0 com E R= por V0 . mostre que o coeciente de reexão pode ser aproximado por [(V0 sin(kL))/2E]2 . Sua função de onda é uma superposição do estado fundamental e primeiro estado excitado. substituindo a função de onda 2 diretamente na equação de Schroedinger.7 Aplicações da Equação de Schroedinger 30.Uma partícula está aprisionada entre x= 0 e L dentro de um poço de potencial innito. 32.. V=0 para 0≤x≤L e V=V0 para x > L. A função de onda é dada por: √ 1 3 Ψ(x) = Ψ1 (x) + Ψ2 (x) 2 2 Mostre que esta função de onda está normalizada. alinhada com os eixos x e y. < x >= 0. a) Mostre que as funções de onda possíveis são A sin kx dentro do poço −k x e Be 2 para x > L.y) = 2 nx πx ny πy π2 (n2 + n2 ) sin sin ..Para uma região onde o potencial é V=0. onde 2mE/ 2 e k2 = 2m(V0 − E)/ 2 . < x2 >= 5/2α 34. 35... b) Mostre que a aplicação das condições de contorno resultam na relação k2 tg(ka) = −k . A(1 − 2αx2 )e−αx 33. a função de onda de uma partícula é dada 2/α sin(3πx/α).

P. McGraw-Hill. 1990) Física Quântica .Eisberg e Resnick . Rex (Ed. Edgard Blücher. Provavelmente estou me esquecendo de algumas.H.A. Campus (1979) Introduction to Modern Physics. Thornton. 1999) 149 . Richmyer (Ed. Tipler (Ed. 3 . podem fácilmente ser encontrados com os motores de busca da rede. F. Moyer (Ed. Saunders College.S. A. M. Tipler Ed.Ed. 1928-1934) Modern Physics . 2000) Modern Physics .A. referências básicas usadas na preparação dessas notas de aula. Alguns desse sítios estão relacionados nas páginas da disciplina. K. Outros.P. LTC. 1997) Física . Nussenzveig (Ed. mais ou menos na ordem que foram utilizadas no texto.Serway. • • • • • • • Física Moderna . Muito também foi obtido na internet. Moses.T.8 Bibliograa A seguir. Guanabara Física Básica II .vol. Saunders College.

8 Bibliograa 150 .

496×1011 m = 1.344×10−27 kg = 1.37×106 m = 1.24×10−6 eV m µ0 = 4π×10−7 N/A2 = 12.14×10−15 eV s hc = 2.67×10−8 W m−2 K−4 Massa do Sol Massa da Terra Raio do Sol Raio da Terra Distância Sol-Terra = 6.60×10−19 C 1 eV = 1.99×109 m/F 4π 0 G = 6.96×108 m = 6.63×10−34 J s = 4.6×10−7 N/A2 1 = 8.00×10−25 J m = 1.9 Apêndice Constantes físicas Velocidade da luz no vácuo Constante de Planck Constante magnética Constante elétrica Constante gravitacional Carga elementar Massa do elétron Comprimento de onda Compton Massa do próton Massa do nêutron Massa do dêuteron Massa da partícula α Constante de Rydberg Raio de Bohr Constante de Avogadro Constante de Boltzmann Constante molar dos gases Constante de Stefan-Boltzmann c = 3.98×1024 kg 151 .645×10−27 kg = 3.6 eV a0 = 5.10×107 m−1 R∞ hc = 13.00×108 m/s h = 6.727 MeV/c2 R∞ = 1.85×10−12 F/m 0 = µ0 c 2 1 = 8.876 MeV/c2 mα = 6.43×10−12 m mp = 1.99×1030 kg = 5.38×10−23 J/K R = 8.673×10−27 kg = 938 MeV/c2 mn = 1.60×10−19 J me = 9.11×10−31 kg = 511 keV/c2 λC = 2.675×10−27 kg = 940 MeV/c2 md = 3.31 J mol−1 K−1 σ = 5.29×10−11 m NA = 6.02×1023 mol−1 kB = 1.67×10−11 N m2 /kg2 e = 1.

142 = e ∼ 2.303 ln 10 = √ cos(30◦ ) = 3/2 ∼ 0.099 = ln 5 ∼ 1.866 = ◦ sen(30 ) = 1/2 Eletromagnetismo Equações de Maxwell E·d + ∂ ∂t B·dS = 0 ×E + ∂B =0 ∂t ·B = 0 ρdV D·dS = I = J·dS ×H − ·D = ρ ∂D =J ∂t B·dS = 0 D·dS = Q = H·d − d dt Outras relações D= 0E +P= E ·P = −ρP E=− V B = µ0 (H + M) = µH M·d = IM Id ׈r e 2 4πr µ0 JdV A= 4π r dH = F = q(E + v×B) ·J + ∂ρ =0 ∂t dF = Id ×B ×M = JM P·dS = −QP V =− B= dE = E·d ×A 1 dQ ˆr e 4π 0 r2 dV = 1 dQ 4π 0 r J = σE 1 1 2 (D·E + B·H) = E 2 + B 2 2 2µ ∂2E (ρ = 0.609 = ∼ 2.368 = ∼ 0.693 = ln 3 ∼ 1.9 Apêndice Constantes numéricas π ∼ 3.718 = 1/e ∼ 0.434 log10 e = ln 2 ∼ 0. J = 0) ⇒ 2 E = µ ∂t2 2 1Q UC = 2C u= S = E×H 1 UL = LI 2 2 152 .

±1 = 3 cos θ Y1.3.±1 = 4π 15 sin θ cos θe±iφ Y2..Relatividade γ= 1 1−V 2 /c2 x = γ (x − V t) y =y z =z E =E B =B t = γ t − V x/c2 vx − V 1 − V vx /c2 vy vy = γ (1 − V vx /c2 ) vz vz = γ (1 − V vx /c2 ) E⊥ = γ (E⊥ + V × B) vx = B⊥ = γ B⊥ − V ×E c2 E = mc2 = γm0 c2 = m0 c2 + K E= (pc)2 + (m0 c2 )2 Resultados matemáticos úteis ∞ −∞ x e 2n −αx2 1.(2n+1) π dx = (2n+1)2n αn α 1 2 ∞ q k = 1/(1 − q).5..0 = Y2. (q < 1) k=0 du = ln(1 − 1/u) u(u − 1) √ dz = ln z + z 2 + a2 (a2 + z 2 )1/2 eiθ = cos θ + i sen θ cos θ = sen θ = eiθ + e−iθ 2 eiθ − e−iθ 2i Harmônicos Esféricos Y0.0 = Y2.±2 = 8π 3 sin θe±iφ 8π 15 sin2 θe±2iφ 32π 153 .0 = 1 4π 5 3 cos2 θ − 1 16π Y1.

9 Apêndice Cálculo Vetorial Coordenadas cartesianas ∂Ax ∂Ay ∂Az + + ∂x ∂y ∂z ∂Ax ∂Az ∂Ay ∂Ax ∂Az ∂Ay − ˆx + e − ˆy + e − ×A = ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y 2 2 2 ∂f ∂f ∂f ∂ f ∂ f ∂ f 2 + 2 + 2 f= ˆx + e ˆy + e ˆz e f= ∂x ∂y ∂z ∂x2 ∂y ∂z ·A = ˆz e Coordenadas cilíndricas 1 ∂(rAr ) 1 ∂Aϕ ∂Az + + r ∂r r ∂ϕ ∂z 1 ∂Az ∂Aϕ ∂Ar ∂Az 1 ∂(rAϕ ) 1 ∂Ar − ˆr + e − ˆϕ + e − ˆz e ×A = r ∂ϕ ∂z ∂z ∂r r ∂r r ∂ϕ 1 ∂f ∂f 1 ∂ ∂2f ∂f 1 ∂2f ∂f 2 f = ˆr + e ˆϕ + e ˆz e f= r + 2 2+ 2 ∂r r ∂ϕ ∂z r ∂r ∂r r ∂ϕ ∂z ·A = Coordenadas esféricas 1 ∂(r2 Ar ) 1 ∂(sen θAθ ) 1 ∂(Aϕ ) + + 2 r ∂r r sen θ ∂θ r sen θ ∂ϕ 1 ∂(sen θAϕ ) 1 ∂Aθ ×A = − ˆr e r sin θ ∂θ r sen θ ∂ϕ 1 ∂(rAθ ) 1 ∂Ar 1 ∂Ar 1 ∂(rAϕ ) − ˆθ + e − ˆϕ e + r sen θ ∂ϕ r ∂r r ∂r r ∂θ 1 ∂f 1 ∂f ∂f e ˆθ + e ˆϕ e f = ˆr + ∂r r ∂θ r sen θ ∂ϕ 1 ∂ ∂f 1 ∂ ∂f 1 ∂2f 2 f= 2 r2 + 2 sen θ + 2 r ∂r ∂r r sen θ ∂θ ∂θ r sen2 θ ∂ϕ2 ·A = Teoremas do Cálculo Vetorial A·dS = ( ·A) dV A·d = ( ×A) ·dS 154 .