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FACULDADES INTEGRADAS TORRICELLI – FIT CARLOS HENRIQUE SANCHES MINZON GLAUCO CICONE TONI RAMOS DE LIMA WILLIAMS DE SOUZA

FRANÇA

CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL PELO DESCARTE INADEQUADO DE LÂMPADAS FLUORESCENTES: conseqüências e soluções

Guarulhos 2010

CARLOS HENRIQUE SANCHES MINZON GLAUCO CICONE TONI RAMOS DE LIMA WILLIAMS DE SOUZA FRANÇA

CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL PELO DESCARTE INADEQUADO DE LÂMPADAS FLUORESCENTES: conseqüências e soluções

Trabalho interdisciplinar das Faculdades Integradas Torricelli, orientado pela Profª. MSc.. Soraya Garcia Audi para avaliação do desempenho acadêmicocientífico do 1º bimestre do 1º semestre do curso de Engenharia Elétrica.

Guarulhos 2010

LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1 – Tabela 2.2 – Tabela 2.3 – Tabela 3.1 –

Tipos de lâmpadas contendo mercúrio........................................................... 9 Lâmpadas não potencialmente perigosas para o ambiente............................ 10 Lâmpadas potencialmente perigosas para o ambiente .................................. 11 Relação entre a forma química, propriedades características e aplicações do mercúrio ..................................................................................................... 12

Tabela 3.2 – Tabela 3.4 – Tabela 4.1 – Tabela 8.1a – Tabela 8.2a – Tabela 8.3a – Tabela 8.4a – Tabela 8.5a – Tabela 8.6a – Tabela 8.7a – Tabela 8.8a – Tabela 8.9a –

Principais propriedades do mercúrio ........................................................... 13 Valores máximos permitidos de mercúrio em águas subterrâneas ................ 14 Velhos paradigmas e o ambientalmente correto ........................................... 15 Nível de escolaridade .................................................................................. 45 Faixa etária ................................................................................................. 45 Consciência da reciclagem e do descarte de substâncias tóxicas .................. 45 Grau de conscientização .............................................................................. 45 Utilização de lâmpadas fluorescentes em suas residências ........................... 45 Responsabilidade pela compra das lâmpadas fluorescentes.......................... 45 Consciência do mercúrio como componente das lâmpadas fluorescentes ..... 45 Conhece a periculosidade do mercúrio ........................................................ 46 Grau de importância dado à periculosidade do mercúrio.............................. 46

Tabela 8.10a – Quem sofre com a periculosidade e o descarte incorreto do mercúrio .......... 46 Tabela 8.11a – Grau de importância dado ao correto descarte das lâmpadas fluorescentes .. 46 Tabela 8.12a – Qual o atual destino das lâmpadas fluorescentes descartadas ....................... 46 Tabela 8.13a – Quantidade de lâmpadas fluorescentes descartadas por ano ......................... 46 Tabela 8.14a – Veiculação de propagandas acerca o descarte de lâmpadas fluorescentes .... 47

LISTA DE FIGURAS

Figura 5.1 – Figura 5.2 – Figura 5.3 – Figura 5.4 – Figura 8.1 – Figura 8.2 – Figura 8.3 – Figura 8.4 – Figura 8.5 – Figura 8.6 – Figura 8.7 – Figura 8.8 – Figura 8.9 –

Sistema de moagem simples Bulb Eater ........................................................ 18 Tratamento térmico de lâmpadas ................................................................... 19 Tratamento químico Ecolux 2000 .................................................................. 21 Tratamento por sopro .................................................................................... 22 Gráfico do nível de escolaridade .................................................................... 27 Gráfico da faixa etária ................................................................................... 27 Gráfico da consciência da reciclagem e descarte de substâncias tóxicas ......... 28 Gráfico do grau de conscientização ambiental ............................................... 28 Gráfico do grau de utilização de lâmpadas fluorescentes ............................... 29 Gráfico da responsabilidade pela compra das lâmpadas fluorescentes ............ 29 Gráfico da ciência do mercúrio como composto das lâmpadas fluorescentes.. 30 Gráfico da ciência da periculosidade do composto mercúrio .......................... 30 Gráfico do grau de periculosidade dado ao mercúrio ..................................... 31

Figura 8.10 – Gráfico dos atingidos pela contaminação pelo mercúrio ................................ 31 Figura 8.11 – Gráfico da importância do correto descarte das lâmpadas fluorescentes ......... 32 Figura 8.12 – Gráfico do destino das lâmpadas fluorescentes .............................................. 32 Figura 8.13 – Gráfico da quantidade de lâmpadas fluorescentes descartadas por ano ........... 33 Figura 8.14 – Gráfico da veiculação de propagandas de esclarecimento sobre o descarte de lâmpadas fluorescentes .................................................................................. 34

LISTA DE SIGLAS ABILUX CONAMA EPA FAPESP Associação Brasileira da Indústria de Iluminação Conselho Nacional do Meio Ambiente Environment Protection Agency Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo .

.......................................................................................SUMÁRIO 1.....3 7.. 2............................................... 9................................................. 26 8............................... 24 7............ 25 Procedimento ................... 38 ...................................................................................... 35 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.... 3................................1......................3 Moagem com tratamento químico ................ 24 Objetivos Específicos..........................................................1 Moagem simples.. 10...............................................................2 Objetivo Geral ..................................... 4................................................ 25 Casuística ................... 25 Material .................................................................................................. 17 5.............................................................................................. 17 5....................... 21 5.......................... MATERIAL E MÉTODOS............. 18 5................... 20 5........................................................................................................................................ OBJETIVOS .............1.....................................5 7..............2 Moagem com tratamento térmico.............................................. 9 O MERCÚRIO ....................1 6.............. 27 CONCLUSÃO ..................................1 Principais processos de reciclagem de lâmpadas ......... 17 5......1 7................................... 37 APÊNDICES ................................ DISCUSSÃO E RESULTADOS.......................................... 8 AS LÂMPADAS FLUORESCENTES.............................................................. 12 A PREOCUPAÇÃO AMBIENTAL .................................................................. INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................1.................................... 5.........................4 Tratamento por sopro..............................................2 7..........................................6 Tipo de Estudo ........................................................................... 25 Análise dos Dados ...........4 7.............................................................................................................. 25 7... 22 6.....................2 Tratamento de lâmpadas no Brasil ................................. 25 Local ................1.......................................... 24 6................. 15 A RECICLAGEM DE LÂMPADAS ....

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em 1879. al. As lâmpadas de descarga têm este princípio funcional. Também visa viabilizar a conscientização de um grande número de usuários para os perigos relacionados ao manuseio incorreto do mercúrio. o desenvolvimento tecnológico buscou a criação de lâmpadas nas quais a dissipação de energia sob a forma térmica fosse a menor possível. Sendo assim. a fim de que as lâmpadas fluorescentes não sejam fontes de contaminações ambientais. e todas as lâmpadas caracterizadas por este processo possuem mercúrio em seu interior (ZANICHELI. a tecnologia mais eficiente. 2004). vapor de mercúrio e fluorescentes de todos os tipos (ZANICHELI. geram luz. INTRODUÇÃO Desde que Thomas Alva Edson. os impactos ambientais associados a tal prática. diversas e contínuas pesquisas têm sido empregadas para a criação de fontes de luz artificiais melhores e mais eficientes. et al.. e que acabou por conquistar o mercado.. o qual é um processo de descarga de corrente elétrica através de uma substância volátil (mercúrio líquido ou um gás) (ZANICHELI. por exemplo). Dessa forma. O ar e os gases dificilmente conseguem conduzir correntes elétricas sob pressões elevadas (como a atmosférica. Sendo assim. lâmpadas mais eficientes (relação lumens por Watt) surgiram no mercado e uma das tecnologias aplicadas para tal funcionalidade é justamente o emprego do mercúrio em diversos tipos de lâmpadas: vapor de sódio.8 1. Este trabalho busca encontrar razões para o descarte incorreto de lâmpadas fluorescentes. chamadas de lâmpadas de descarga. neste processo. gases e vapores rarefeitos acabam por permitir a passagem de corrente elétrica com certa facilidade e. ou mesmo inexistente. portanto. é a de gerar luz a partir de uma descarga elétrica. . 2004). Entretanto. Tais lâmpadas são.. et. inventou a primeira fonte de luz elétrica. et. al. 2004).

os filamentos da lâmpada se aquecem e emitem elétrons. inicialmente. ao somarmos toda a quantidade de mercúrio consumida para a produção destas lâmpadas. está sob estado líquido.. O reator.1 – Tipos de lâmpadas contendo mercúrio Quantidade Tipo de Lâmpada Potência (W) Média de Mercúrio (mg) Fluorescentes Tubulares Fluorescentes Compactas Luz Mista Vapor de Mercúrio Vapor de Sódio Vapor Metálico Fonte: ZANICHELI. mas. produz um impulso de alta tensão que inicia a descarga no argônio. 2004).] as lâmpadas fluorescentes compactas vêm sendo bastante utilizadas. 2004. iniciando. Com o passar dos anos e a conscientização energética. Dessa forma. Esta descarga aquece e vaporiza o mercúrio que. o impacto ambiental causado por uma única lâmpada pode ser considerado desprezível.5 milhões de lâmpadas contendo mercúrio (entre elas as lâmpadas fluorescentes) foram descartadas. Segundo Fróes da Silva (2006). as lâmpadas fluorescentes vêm sendo cada vez mais utilizadas. rarefeitos. assim. Variação das médias de Mercúrio por Potência (mg) 8 a 25 3 a 10 11 a 45 13 a 80 15 a 30 10 a 170 15 a 110 5 a 42 160 a 500 80 a 400 70 a 1000 35 a 2000 15 4 17 32 19 45 [Desde o apagão que o Brasil enfrentou no ano 2000. em 1998. et al. Eletrodos revestidos com um óxido e sob forma de filamentos são instalados em cada extremidade deste tubo. que está ligado à lâmpada. Ao ser ligada.9 2. Tabela 2.. al. também chamado de disparador. Um starter. AS LÂMPADAS FLUORESCENTES Dentro do envoltório de uma lâmpada fluorescente existem argônio e vapor de mercúrio. interrompe automaticamente o circuito e desliga o aquecimento dos filamentos. 48. chegamos ao número de 10 toneladas/ano (ZANICHELI. a ionização do gás. Já no . et.

Cloro.9% em apenas dois anos. Neste estudo. Criptônio. Restaurantes. ou seja. Xenônio Vidro de quartzo. Tungstênio. Hotéis. Quadros. Domésticas. Usos Espelhos. Metal (alumínio).10 ano 2000. Bromo. Em Portugal foi realizado um estudo pela Instituição “Net Resíduos” que classificou os riscos inerentes à utilização das lâmpadas de acordo com os compostos potencialmente perigosos existentes em suas composições. As tabelas a seguir apresentam o resultado de tais estudos. esse número saltou para 80 milhões de lâmpadas. exteriores Museus. Campos de Desporto. Metal (alumínio). Criptônio. áreas sociais. Jardins Públicos. Mobiliário de cozinha.2 – Lâmpadas não potencialmente perigosas para o ambiente Tipos Componentes Sem Halógeno Lâmpadas Incandescentes TungstênioHalógeno Vidro. Estacionamentos. Xenônio. as lâmpadas foram separadas em dois grupos: “lâmpadas não potencialmente perigosas para o meio ambiente” e “lâmpadas potencialmente perigosas para o meio ambiente”. um aumento de 64. estudos estes baseados nas legislações vigentes da Comunidade Européia. Tabela 2. Aeroportos Tungstênio. Iodo Fonte: Net Resíduos . Flúor. Sit.

Alumínio. Ítrio. Ruas. Centros Comerciais. Gases em Bário. Metal (alumínio). Chumbo Vapor de Vidro. Gases Inertes Vidro. Mercúrio quantidade. Calçadas. Usos Iluminação Pública Ruas. Inertes. Exposições. . pequena Ítrio. Metal Gases Bário. Alumínio. Ítrio. Gases Inertes Vidro. Teatros Iluminação de entradas. Vanádio Vidro. Iluminação Pública Chumbo. Zonas Abertas. Inertes. Parques. Vias de Trânsito. Césio. Argônio.3 – Lâmpadas potencialmente perigosas para o ambiente Tipos Componentes Lâmpadas de Vapor de Sódio de baixa pressão Sódio-Xenônio Vidro. Vanádio Fonte: Net Resíduos A Environment Protection Agency – EPA. Desportivos. Mercúrio. Túneis. Parques. Áreas Residenciais. Mercúrio. (alumínio). Fábricas Mercúrio de Alta Pressão Lâmpadas de descarga de alta pressão Vapor Metálico Chumbo. Estrôncio. Indústrias Chumbo. entidade ambiental estadunidense. Áreas residenciais. Sódio. Fósforo. Pontes. Tálio. Estrôncio. Decoração de Interiores. Estrôncio. Estradas. Iodetos Metálicos. considera as lâmpadas como a segunda maior fonte de mercúrio na forma de resíduos sólidos urbanos. Sal de Sódio. Estátuas descarga de baixa pressão Mercúrio. Bário.11 Tabela 2. Tungstênio. Gás Vapor de Sódio de Alta Pressão de Sódio. Zonas Recintos Industriais. Gases Estanho. Linhas Férreas. (10mg). atrás apenas das pilhas. Bário. Inertes. Estrôncio. Ítrio. Fluorescentes Antimônio. Mercúrio. Vanádio Vidro. Mercúrio Metal (alumínio). Praças. Zonas Industriais. Hospitais. Metal (alumínio).

fungicidas catálise na indústria de polímeros sintéticos Fonte: MICARONI.baixa resistência elétrica e alta condutividade térmica . odontologia. sendo que o mais comum é o enxofre.materiais elétricos e eletrônicos. agente resfriante . O mercúrio é o composto potencialmente mais perigoso entre os elementos constituintes das lâmpadas. representa altos riscos ambientais. O MERCÚRIO No meio ambiente. 1999). Entre os fabricantes. cujas principais reservas encontram-se na Itália e na Espanha. propriedades características e aplicações do mercúrio Forma Química Propriedades Características Aplicações Metal . processos extrativos (garimpo) inseticidas. BUENO e JARDIM. o mercúrio ocorre associado a outros elementos.1 – Relação entre a forma química. O mercúrio metálico é obtido através do aquecimento do cinabre e posterior condensação. BUENO.aparelhos de medição de pressão e temperatura . JARDIM. erupções vulcânicas e minas de mercúrio que são responsáveis por algo entre 2700-6000 toneladas/ano de emissões deste metal (MICARONI. bactericidas. já que nas condições normais de pressão e temperatura ele se encontra em um estado muito volátil.12 3. Tal conclusão é baseada no fato de que outras substâncias existentes nas .facilidade de formação de amálgamas com outros metais compostos orgânicos poder de assepsia por oxidação de matéria orgânica compostos inorgânicos alta estereoespecificidade - metalurgia. alta tensão superficial. o mercúrio é considerado como o único elemento de relevância ecológica presente nas lâmpadas e.alto potencial de oxidação em relação ao hidrogênio - operações eletroquímicas: indústrias de cloro e soda . que é um composto de cor vermelha ou preta. expansão volumétrica uniforme em ampla faixa de temperatura. Demais fontes naturais de mercúrio são: evaporação natural.líquido à temperatura ambiente. por isso. formando o minério cinabre (HgS). 1999. não aderência à superfícies vítreas . Tabela 3.

4 µohm.. que estão na base da cadeia Fonte: FRÓES DA SILVA. contaminando. assim. al. ele dificilmente será expelido Numa contaminação. Propriedade útil na medicina Usados em alguns tipos de chaves elétricas Comentários Evoca a curiosidade dos humanos Ao final da sua vida útil. 2006 adaptado de SKAVRONECK et.. mais tarde. 2004). Ponto de fusão a – 38°C (235K) Evapora facilmente. Dessa forma. Resistividade elétrica de 98. . tinturas e em pessoas para matar germes O mercúrio pode ser facilmente incorporado em tecidos biológicos Aumento da concentração na cadeia alimentar Uma vez que o mercúrio penetra em determinado ser.cm (como referência a do cobre é de 1. os organismos situados no final da cadeia alimentar apresentam uma concentração elevada de mercúrio. a presença de mercúrio na água representa um sério problema ecológico devido à sua bioconcentração. al. na maioria das vezes. de 13. et.546 gm/cm³ Bom condutor de energia elétrica. tal como humanos. 2010 apud ZANICHELLI.cm) Dilatação e contração uniforme com a variação da temperatura Combina-se facilmente com outros metais Amálgama é uma liga de mercúrio com qualquer outro metal. numa matriz de outros materiais (ZANICHELI. Ponto de ebulição a 357°C (630K) Elevada densidade. o solo e.67 µohm. 1998 Usado em termômetros e termostatos O vapor de mercúrio pode ser extremamente perigoso se inalado Pequenas porções têm elevado peso e movem-se facilmente. o que significa que a concentração de mercúrio nos organismos animais com a passagem através da cadeia alimentar. podem ter milhares de vezes mais mercúrio em seus corpos que insetos e peixes. Não é difícil perceber os sérios problemas de saúde pública que este tipo de contaminação pode acarretar (Autores.2 – Principais propriedades do mercúrio Propriedade Único metal líquido na temperatura ambiente. al. os seres localizados no topo das cadeias alimentares. os cursos d’água. ainda que fluido. Os dentistas usam-no para obturações dentárias Nocivo à bactérias e fungos Já foi utilizado para pesticidas. Isto se deve ao depósito do metal em vários tecidos vivos. Mesmo que em pequenas quantidades. as lâmpadas fluorescentes são destinadas aos aterros sanitários. et.13 lâmpadas encontram-se em composições estáveis ou. 2004). Tabela 3. ainda..

Outro importante meio de contaminação é via sistema respiratório. o Brasil importa certa de 300 ton/ano de mercúrio metálico. basicamente. uma vez que este componente é amplamente utilizado em diversas outras aplicações industriais. vapor de mercúrio. . Contudo. al.04 mg de Hg/m³ de atmosfera em ambiente de trabalho é considerada satisfatória. Uma vez que o indivíduo esteja contaminado. al. vale salientar que as lâmpadas fluorescentes não são os únicos meios de contaminação por mercúrio. atrofia do cérebro e hipoplasia). a ação tóxica do mercúrio se manifesta. vapor de sódio. que é um comportamento anormal e introvertido. mulheres grávidas foram expostas a altos níveis de mercúrio através do consumo de peixes contaminados.. Segundo estudos da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (ABILUX). Os principais sintomas do mercurialismo são: tremores das mãos e eretismo. uma incidência de sinais ou mesmo de sintomas de intoxicação (ZANICHELLI. et. et. 2008. domésticas e até mesmo medicinais. assim. 2004). seus descendentes desenvolveram múltiplos sintomas neurológicos (microcefalia.. vapor metálico). al. Ainda segundo Zanichelli et. Desta quantidade. 1. Um indivíduo adulto pode respirar cerca de 4m³ de ar por dia de trabalho (cerca de 8 horas). Na década de 1950.14 Tabela 3. (ZANICHELLI. A taxa de 0. não produzindo. 2004). Como resultado. (2004). o que pode lhe proporcionar a absorção de uma quantidade relativamente alta de mercúrio. nas células do sistema nervoso.4 – Valores máximos permitidos de mercúrio em águas subterrâneas Finalidade da Água Concentração de Mercúrio (µg/l) µ Consumo humano Dessedentação de animais Irrigação Recreação Limite de quantificação praticável 1 10 2 1 1 Fonte: Resolução nº 396/08 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). um dos maiores exemplos de envenenamento pelo mercúrio aconteceu na Baía de Minamata – Japão.1 ton são utilizadas na fabricação de todos os tipos de lâmpadas de descarga (fluorescentes.

J. [Entretanto. dos. 1997).1 – Velhos paradigmas e o ambientalmente correto Os Velhos Paradigmas X A responsabilidade ambiental corrói a competitividade Gestão ambiental é coisa apenas para grandes empresas O movimento ambientalista age completamente fora da realidade X X X O Ambientalmente Correto A ecoestratégia empresarial gera novas oportunidades de negócios A pequena empresa é até mais flexível para introduzir As ONG´s consolidam-se tecnicamente e participam da maioria das comissões de certificação ambiental A função ambiental na empresa é exclusiva do setor de produção X A função ambiental está em diversos setores do planejamento estratégico da empresa Fonte: WIENS.. A PREOCUPAÇÃO AMBIENTAL A preocupação com a preservação do meio ambiente é assunto recorrente desde os anos 60.] as empresas. MELLO. ROESER. 2000. preocupando-se com a sobrevivência. C. porém. R. . com a melhoria da qualidade de vida das populações e com as mudanças de paradigmas das organizações visando maior responsabilidade na gestão ambiental. 2000 apud AHK. segundo Wiens (2000). A última década do século passado caracterizou-se por uma questão ambiental globalizada. órgãos públicos e a população em geral não conhecem os efeitos adversos causados por este componente químico e também não sabem como manipular os resíduos desse material. Sempre se acreditou que uma melhoria na qualidade de vida seria proporcionada pelo desenvolvimento econômico. 2001). CAVALCANTI. a sociedade passou a ter um envolvimento em relação às causas ambientais.. 2001 apud ANDRADE. Qualquer atividade humana não deverá prescindir três referências básicas. no que diz respeito ao mercúrio das lâmpadas fluorescentes. Tabela 4. Y.15 4. Sendo assim. o meio ambiente e a educação (WIENS. 1999). 2006 apud RAPOSO. a questão energética. (FRÓES DA SILVA. 2000 apud ALMEIDA. esta melhoria ocorreu devido à forte industrialização e ao crescimento populacional e acabou trazendo problemas ambientais de grandes proporções (WIENS.

a reciclagem no Brasil é um processo que ainda está em desenvolvimento. papéis. . pneus e câmaras.16 Segundo Wiens (2000). dentre outros. isopor. metais. novos centros de reciclagem são criados. além do reaproveitamento de diversos produtos descartados. gerando empregos e lucros com a venda do lixo reciclado. chapas de raios-X. graxas e solventes. plásticos. papelões. tais como: galões metálicos e plásticos. lâmpadas. vidros. madeiras. A cada ano que passa. óleos lubrificantes e vegetais.

aplicado a lixo ou a resíduos. sócio da empresa Apliquim. o teor de mercúrio presente no produto da moagem é bem inferior ao existente na lâmpada inteira. são utilizadas como metais recicláveis por empresas especializadas (WIENS. 2000). utilizando-se de um sistema de exaustão para a captação. já existe desde 1984 (WIENS.1 Principais processos de reciclagem de lâmpadas 5. As peças metálicas. O termo “reciclagem”. visando apenas a captação de parte do mercúrio existente em seu interior. este processo não pode ser considerado completo. após a descontaminação. Trata-se de dar aos descartes uma nova vida. 1997). por usa vez. mas o que se faz é a descontaminação (que é uma preparação para a reciclagem) de todas as matérias-primas que compõem a lâmpada fluorescente. O mercúrio extraído das lâmpadas é utilizado por indústrias que empregam esse metal em suas linhas de produção.17 5. Desta forma.1. 2000 apud CALDERONI. designa o reprocessamento de materiais de sorte a permitir novamente sua utilização. fabricantes de lâmpadas e empresas autorizadas a comercializar mercúrio. Nesse sentido é “ressuscitar” materiais. através de filtros.1 Moagem simples Este processo visa realizar a quebra das lâmpadas. 2000 apud BECKEN. passando a serem recicláveis. . 5. como por exemplo. fabricantes de termômetros. permitir que outra vez sejam aproveitados (WIENS. Segundo Cyro Eyer do Valle. 1996). A RECICLAGEM DE LÂMPADAS O processo de reciclagem de lâmpadas fluorescentes. Ainda assim. é utilizado por empresas especializadas na fabricação de fritas para esmaltagem de cerâmicas. não se faz a reciclagem de lâmpadas fluorescentes descartadas. O vidro das lâmpadas. proporcionando ainda a vantagem de inexistirem os riscos de ruptura das lâmpadas e de emissão de vapores quando da disposição em aterros. uma vez que ele não se preocupa em separar os componentes da lâmpada. em que o mercúrio é separado dos outros componentes através de tratamento térmico. do mercúrio existente nas lâmpadas.

et. Além disso. se não for complementado com um tratamento térmico.18 Figura 5. al.1. Sendo assim. Vale lembrar que a literatura mundial indica que o mercúrio nas lâmpadas. depositado sobre as paredes internas do vidro. o mercúrio recuperado nos filtros do equipamento de moagem simples acabará disposto em algum aterro da mesma forma que a lâmpada inicialmente descartada inadequadamente. Ainda assim. encontra-se na sua maioria na forma liquida. quando as mesmas estão apagadas. . até o momento esta é a única tecnologia que permite “reciclar” lâmpadas fluorescentes compactas.2 Moagem com tratamento térmico Este processo é o mais usual em se tratando de reciclagem de lâmpadas fluorescentes. apenas evita que a parte do mercúrio que se encontra na forma gasosa escape para o meio ambiente. a moagem simples não faz a remoção de todo o mercúrio da lâmpada..1 – Sistema de moagem simples Bulb Eater Fonte: ZANICHELLI. 2004. 5. Está em operação em várias partes do mundo e encontra-se apresentado na Figura a seguir.

acima de 357º C. Todos os outros materiais acabam por passar por outros processos de separação e podem ser reutilizados. • isolamento baquelítico. o mercúrio contido na poeira fosforosa passa pela fase de destilação. daí o nome tratamento térmico. Este tratamento consiste basicamente em duas fases: fase de esmagamento e fase de destilação do mercúrio. onde o mercúrio é aquecido até sua vaporização. Após esta separação. Desta separação. • poeira fosforosa rica em mercúrio. al. a qual ocorre em temperaturas superiores ao seu ponto de ebulição. 2004. • vidro. • pinos de latão / componentes ferro-metálicos. A recuperação do mercúrio é realizada através do processo de retortagem.. ou seja.2 – Tratamento térmico de lâmpadas Fonte: ZANICHELLI. o isolamento baquelítico existente nas extremidades das lâmpadas é o único componente que não é reciclado. O material vaporizado é então condensado e . et. Na fase de esmagamento os materiais constituintes das lâmpadas são separados em 5 classes: • terminais de alumínio.19 Figura 5.

ocorrendo a quebra das lâmpadas sob uma cortina d’água a fim de evitar a fuga do vapor de mercúrio para a atmosfera. 5. et. et. o mercúrio é transformado em HgS (precipitado). este composto passa por uma nova filtragem para separar o HgS da água. O custo operacional deste processo é ainda elevado em decorrência da dependência de importação de equipamentos. e caro. especial atenção deve ser dada à este tratamento devido ao uso de água em seu processo.. Na2SO3 ou NaHSO3. As temperaturas de dessorção do mercúrio contido no pó de fósforo e no vidro podem alcançar a ordem de 450º C e 800-850º C. al. respectivamente. Segundo Zanichelli. Tais temperaturas devem ser levadas em consideração por ocasião do tratamento térmico. Devido à este processo. Com tais dificuldades e particularidades. para que possíveis impactos ambientais sejam minimizados. sendo que esta água pode ser reutilizada no processo. 2004). A fase de esmagamento difere do térmico por ser realizada com a lavagem do vidro. o processo térmico é a melhor alternativa existente no momento. pode ser dividido em duas etapas: fase de esmagamento e fase de contenção de mercúrio. al.20 coletado em coletores especiais ou decantadores. Como a água é um bem natural que vem se tornando cada vez mais escasso. já que não gera resíduos perigosos que seriam destinados a aterros (ZANICHELLI. um composto sólido insolúvel em água.3 Moagem com tratamento químico Este processo. o mercúrio por ele obtido pode requerer tratamento adicional para remoção de impurezas. Este líquido passa por um tratamento químico com Na2S. (2004). . O líquido resultante desta lavagem e que contém o mercúrio e o pó de fósforo acaba por passar por um sistema de filtragem ou de precipitação. Após esta transformação. assim como o térmico. após este tratamento. fazendo com que o mercúrio se separe do pó de fósforo. é importante que estes processos promovam a contínua reciclagem interna das águas de lavagem.1.

Da mesma forma que a moagem simples. O principal foco deste tratamento é a integridade do tubo de vidro. utiliza-se um sistema de ciclones fazendo com que esta corrente de ar passe por um sistema de filtros de carvão ativado. al. 5. apenas evita que o mercúrio em forma gasosa escape para o meio ambiente. O processo de tratamento por sopro consiste na quebra das extremidades da lâmpada.21 Figura 5. o tubo de vidro recebe um sopro de ar em seu interior.. de forma a encaminhá-lo ainda na forma tubular para a reciclagem. o mercúrio recuperado através dos filtros acabará descartado em aterros junto com os respectivos filtros. fazendo com que o pó de fósforo contendo mercúrio seja removido de seu interior. Depois. Em seguida. se a empresa/instituição não possuir uma unidade de tratamento térmico. 2004.3 – Tratamento químico Ecolux 2000 Fonte: ZANICHELLI.4 Tratamento por sopro Este processo surgiu como alternativa para a reciclagem do vidro e é utilizado exclusivamente para o tratamento de lâmpadas fluorescentes tubulares. há dois inconvenientes no tratamento por sopro: o processo não remove todo o mercúrio da lâmpada. . et.1.

Segundo Wiens (2001). Wiens (2001) levantou que as empresas recicladoras de lâmpada cobravam. Sílex. portanto. situadas em Minas Gerais. uma empresa recicladora de lâmpadas não consegue viver dos lucros gerados diretamente pelos produtos obtidos a partir desta reciclagem e. et. podem ser citadas as seguintes empresas: Apliquim. 2004). sendo que a totalidade das lâmpadas era descartada juntamente ao lixo comum e depois direcionadas à aterros sanitários inadequados (ZANICHELLI. A partir de 1993. 5. em média R$ 0. e como as empresas de reciclagem estão localizadas nas regiões sul e sudeste do Brasil.22 Figura 5.4 – Tratamento por sopro Fonte: ZANICHELLI. estas empresas coletam as lâmpadas gratuitamente.49 por lâmpada fluorescente comum (1. acaba cobrando pelo serviço. surgiram algumas empresas no mercado para preencher a lacuna da reciclagem de lâmpadas. situadas no Paraná. Em seu trabalho. Outro dado importante a ser considerado é que em alguns casos. desde . situadas no estado de São Paulo. Naturalis e Tramppo. et. Recitec e HG Descontaminação. Brasil Recicle. 2004.. al. situada em Santa Catarina. Este valor não inclui frete. Neste segmento. torna-se inviável buscar lâmpadas nas regiões norte e nordeste. situada no Rio Grande do Sul. al.2 Tratamento de lâmpadas no Brasil Não havia alternativa para o tratamento de lâmpadas no Brasil meados de 1993. Bulbox e Mega Reciclagem.20m).

o consumidor tenha que arcar com cerca de R$ 4.00 no preço final do produto. estima-se que para cada real acrescido ao custo do fabricante. .23 que as mesmas encontrem-se na mesma cidade e que tenham um volume mínimo de 300 unidades (Mega Reciclagem) podendo chegar a 3000 unidades (Apliquim). no Brasil. repassar este custo para o preço final da lâmpada é inviável. uma vez que. Segundo dados da ABILUX (2001). devido às peculiaridades do sistema tributário nacional (impostos em cascata).

2 Objetivos Específicos Baseados no objetivo geral.24 6.1 Objetivo Geral Discutir os problemas ambientais causados pelo descarte e manuseio inadequado de lâmpadas fluorescentes que contêm mercúrio. b) Verificar qual o melhor método de descontaminação do mercúrio contido em lâmpadas fluorescentes disponível atualmente. . 6. chegam-se a dois objetivos específicos: a) Analisar possíveis soluções para o correto destino das lâmpadas fluorescentes. OBJETIVOS 6.

7. 7. Foram entregues os formulários contendo o questionário objetivo. ambas situadas no estado de São Paulo. 7.Questionário baseado na compra. .1 Tipo de Estudo Este presente estudo é de caráter descritivo.3 Casuística Participaram deste estudo 104 pessoas que foram entrevistadas em diversas regiões das cidades de São Paulo e Guarulhos. transversal e quantitativo.2 Local Esta pesquisa foi realizada por meio da internet.25 7. todos listados em nossas referências bibliográficas.Termo de Consentimento (APÊNDICE A). os quais foram utilizados como dados de entrada na composição do estudo. manuseio. em sites científicos e correlatos. utilização e descarte de lâmpadas fluorescentes (APÊNDICE B). MATERIAL E MÉTODOS 7.5 Procedimento Inicialmente foi realizado o levantamento bibliográfico acerca o tema.4 Material Os materiais utilizados para a realização do trabalho foram: . através de pesquisas on-line. . 7.

os mesmos foram unidos através do programa Microsoft Office Excel 2007® e serão apresentados na forma de tabelas e gráficos de coluna expressos em valores percentuais.26 7.6 Análise dos Dados Após a compilação dos dados. .

2 – Gráfico da faixa etária .1 – Gráfico do nível de escolaridade Pelos padrões brasileiros. DISCUSSÃO E RESULTADOS Figura 8. Figura 8. nota-se no gráfico acima que a grande maioria dos entrevistados possui um elevado nível de escolaridade.27 8.

4 – Gráfico do grau de conscientização ambiental . Figura 8. a maior parte dos entrevistados encontra-se na faixa dos jovens (até 40 anos).3 – Gráfico da consciência da reciclagem e descarte de substâncias tóxicas Observando-se o gráfico acima. Figura 8.28 Conforme se observa no gráfico acima. mais de 90% dos entrevistados se preocupam com a reciclagem e o correto descarte de substâncias tóxicas.

pode-se observar que 60% das pessoas responderam ter um grau médio de conscientização ambiental e que um número muito pequeno (inferior à 10%) respondeu ter baixa consciência ambiental.29 Com base no gráfico acima.5 – Gráfico do grau de utilização de lâmpadas fluorescentes Como os trabalhos consultados nos disseram. Figura 8. Figura 8.6 – Gráfico da responsabilidade pela compra das lâmpadas fluorescentes . este gráfico confirma a plena utilização de lâmpadas fluorescentes nos lares brasileiros: mais de 90% dos entrevistados disseram que utilizam este tipo de lâmpada em suas residências.

7 – Gráfico da ciência do mercúrio como composto das lâmpadas fluorescentes Com base no gráfico acima. Figura 8.30 O gráfico acima nos mostra que quase 50% dos entrevistados é o responsável direto pela compra das lâmpadas fluorescentes. Figura 8.8 – Gráfico da ciência da periculosidade do composto mercúrio . observou-se que a maioria das pessoas conhece o fato que as lâmpadas fluorescentes possuem mercúrio em sua composição.

Figura 8. Figura 8.31 Em relação ao gráfico acima e em complementação à Figura 11. como também tem ciência de que se trata de um composto perigoso.9 – Gráfico do grau de periculosidade dado ao mercúrio Em relação ao gráfico acima.10 – Gráfico dos atingidos pela contaminação pelo mercúrio . observa-se que não só a população conhece a utilização do mercúrio nas lâmpadas fluorescentes. como visto nas Figuras 11 e 12. os entrevistados mostraram um bom conhecimento quanto ao grau de periculosidade do mercúrio.

11 – Gráfico da importância do correto descarte das lâmpadas fluorescentes Nota-se pelo gráfico acima que mais de 80% dos entrevistados consideram altíssimo o grau de importância do correto descarte das lâmpadas fluorescentes.12 – Gráfico do destino das lâmpadas fluorescentes . a grande maioria dos entrevistados acertou ao indicar que o mercúrio torna-se perigoso a todos. Figura 8. Figura 8.32 Observa-se no gráfico acima. caso seja descartado no meio ambiente.

13 – Gráfico da quantidade de lâmpadas fluorescentes descartadas por ano Observa-se no gráfico acima que o volume de lâmpadas fluorescentes descartadas por residência por ano é relativamente baixo (inferior à 10 unidades). . contaminando o solo e a água com metais pesados.33 O gráfico acima mostra que mais de 40% dos entrevistados responderam que destinam as lâmpadas fluorescentes para reciclagem. 94% das lâmpadas são descartadas em aterros sanitários. sem nenhum tipo de tratamento. ou seja. apenas 6% das lâmpadas fluorescentes são destinadas para reciclagem. o restante. Figura 8. Apesar disto. segundo dados da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

. Isto nos leva a crer que. a grande maioria dos entrevistados respondeu que jamais viu algum tipo de propaganda de conscientização em relação à periculosidade e ao correto descarte das lâmpadas fluorescentes. como acontece com a Campanha da Dengue ou as Campanhas de Vacinação.34 Figura 8. tornar-se-ia muito importante a veiculação. ainda que esporádica. de um a campanha em nível nacional para o esclarecimento e a conscientização dos perigos relacionados ao mercúrio. apesar dos entrevistados terem demonstrado um alto grau de consciência ambiental e também destinarem as lâmpadas fluorescentes para a reciclagem.14 – Gráfico da veiculação de propagandas de esclarecimento sobre o descarte de lâmpadas fluorescentes Em relação ao gráfico anterior. isto não pode ser assumido como uma verdade absoluta para todo o território nacional. Sendo assim.

segundo Zanichelli. a principal razão para a reciclagem da lâmpada não é a recuperação do mercúrio.35 9. segundo levantamentos. levantou-se que existem apenas três empresas que prestam o serviço de . o que dá a possibilidade de acesso às informações. mas sim a do vidro. Vale salientar que. não se pode acreditar que estas lâmpadas estão realmente indo para centros de reciclagem especializados em descontaminação do mercúrio.. este método é o único que não gera resíduos perigosos ao final do processo de separação dos componentes. et. uma vez que esta discussão. ao somarmos todas as lâmpadas consumidas no Brasil. (2004): o descarte de lâmpadas. Existem outros processos além dos mostrados neste trabalho. no Brasil. chegamos ao número de 10 toneladas/ano de mercúrio descartados incorretamente. A pesquisa confirma o que foi levantado por Zanichelli. em cada residência é relativamente baixo. Outro importante dado levantado é que mesmo com o bom índice de escolaridade dos participantes da pesquisa. De acordo com os processos de reciclagem disponíveis atualmente. Deve ser lembrado que. por ano. como esta pesquisa foi baseada nas cidades de São Paulo e Guarulhos e. uma vez que o mesmo consegue separar todos os componentes das lâmpadas fluorescentes com um bom grau de precisão. a maioria informou que nunca viu nenhum tipo de propaganda acerca da periculosidade do mercúrio e da necessidade de um correto descarte para as lâmpadas fluorescentes. al. Entretanto. numa região extremamente desenvolvida e populosa como o estado de São Paulo. não há um local especializado em receber o descarte de tais produtos e tampouco há um serviço público de coleta seletiva deste material. entretanto. et. o que contribui para um maior esclarecimento das questões ambientais. não foram discutidos por se tratarem de tratamentos considerados inapropriados. entretanto. Através desta pesquisa também se percebe que a maior parte dos entrevistados é formada por jovens. (2004). é relativamente recente. conclui-se que o melhor método é o conhecido como “Moagem com Tratamento Térmico”. a maioria das pessoas respondeu que destina as lâmpadas fluorescentes para reciclagem. al. no sistema chamado “Tratamento por Sopro”. Além disso. CONCLUSÃO Com base nos dados da pesquisa.

Tal fato leva a crer que há uma lacuna a ser preenchida para que a reciclagem de lâmpadas fluorescentes torne-se tão expressiva como a reciclagem de alumínio. os quais. percebe-se que há vontade da população em reciclar não só as lâmpadas. a fim de que a população possa encontrá-los facilmente sem a necessidade de um longo deslocamento até o local de coleta. Naturalis e Tramppo). uma vez que tal prática desestimularia a reciclagem. por exemplo.36 reciclagem de lâmpadas (Apliquim. . Além disso. A reciclagem das lâmpadas fluorescentes envolve alguns custos. o que falta são pontos de coleta melhor localizados e em quantidade. em hipótese alguma devem ser repassados ao consumidor final. mas também diversos outros produtos.

Gestão ambiental – planejamento. U. L. C. da. Diário Oficial Eletrônico. ZANICHELI. 2001. Revista Escola de Minas de Ouro Preto.. F. L.S. 2006. M. v. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2006.mma. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 117 f.. Iluminação pública no Brasil: aspectos energéticos e institucionais. R. 07 de abril de 2008. 6167. de F. C. 4.. implantação. ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY. 53. 487-495. ISSN 0100-4042. C. Iluminação pública no Brasil: aspectos energéticos e institucionais. Rio de Janeiro: Thex Ed. al. 22 f. M. J. W. da C. M. WIENS. M. ano 64. Revisão de Métodos de Determinação. L. Acesso em 10 mai. Mercury emissions from the disposal of fluorescent lamps. Disponível em: <http://www. MICARONI. Dissertação (Mestrado em Administração) – Escola de Administração. JARDIM. ed. 2006. R. 1998. de. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA. Y. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. RAPOSO. MELLO. 161 f. dos S. Resolução nº 396 de 3 de abril de 2008. Monografia – Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Rio de Janeiro. Mar.gov. BRASIL. I. CAVALCANTI. 2004. Contaminação ambiental provocada pelo descarte de lâmpadas de mercúrio. Reciclagem de lâmpadas – Aspectos Ambientais e Tecnológicos. avaliação. p. S. BUENO. Brasil. 161 f. p. H. .. USA. 2000. 2000. Compostos de Mercúrio. n. 2004. SILVA. H. 23. Química Nova. Campinas. Rio de JaneLiro. 2010. L. Ago 2000.br/ port/conama/legiabre. Dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais parao enquadramento das águas subterrâneas e dá outras providências. Porto Alegre. operação e verificação.37 10.cfm?codlegi=562>. p. 66-68.. C. Tratamento e Descarte. ROESER. C. Gestão de residues tóxicos: o caso das lâmpadas fluorescents descartadas em quatro empresas do setor automotive da região metropolitana de Curitiba-PR. 2006. FRÓES DA SILVA. et.

38 APÊNDICES .

39 APÊNDICE A – Termo de Consentimento .

concordo em participar como voluntário do trabalho: “Contaminação Ambiental pelo Descarte Inadequado de Lâmpadas Fluorescentes: conseqüências e soluções”. Este trabalho tem como objetivo levantar dados e discutir o manuseio e descarte de lâmpadas fluorescentes. sem penalidades ou prejuízo ou perda de qualquer benefício que eu possa ter adquirido. as garantias de confidencialidade. minha identidade e privacidade. ________________________. poderão ser utilizados para fins científicos.40 TERMO DE CONSENTIMENTO FIT – Faculdades Integradas Torricelli Departamento de Ciências Exatas Consentimento Formal de Participação no Trabalho Interdisciplinar “Contaminação Ambiental pelo Descarte Inadequado de Lâmpadas Fluorescentes: conseqüências e soluções” Responsáveis: Orientadora: Alunos: Profª Soraya Garcia Audi Antonio Cássio Carvalho de Oliveira Carlos Henrique Sanches Minzon Glauco Cicone Toni Ramos de Lima Williams de Souza França Eu. proposto pela Orientadora: Profª Soraya Garcia Audi. Responsáveis Antonio Cássio Carvalho de Oliveira Carlos Henrique Sanches Minzon Glauco Cicone Toni Ramos de Lima Williams de Souza França ____________________________ Profª Soraya Garcia Audi . resguardando. antes ou durante o mesmo. _____ de ______________________ de 20____. Ficou claro também que minha participação é isenta de despesas. os procedimentos a serem realizados. Os dados obtidos durante este trabalho serão mantidos em sigilo e não poderão ser consultados por outras pessoas sem a minha autorização por escrito. bem como ficaram claros para mim quais são os propósitos do estudo. Eu li e entendi as informações contidas neste documento. ______________________________________________ Assinatura do voluntário Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o consentimento livre e esclarecido deste indíviduo para participar deste estudo. _____________________________________________________________________. Concordo voluntariamente em participar deste estudo e poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento. das Faculdades Integradas Torricelli. no entanto. Por outro lado.

41 APÊNDICE B – Questionário .

Quanto ao mercúrio.: ____/____/________ Telefone: Escolaridade: ( ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) ) Ensino Fundamental Incompleto Ensino Fundamental Completo Ensino Médio Incompleto Ensino Médio Completo Superior Incompleto Superior Completo ( ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) ) Pós-Graduação Incompleta Pós-Graduação Completa Mestrado Incompleto Mestrado Completo Doutorado Incompleto Doutorado Completo (____) ________-________ Celular: (____) ________-________ Profissão: ___________________________________________________________________ Compra/Manuseio/Descarte & Conscientização 1. Você é a pessoa que costuma comprar as lâmpadas fluorescentes utilizadas em sua residência? ( ) Sim ( ) Não ( ) Geralmente Sim ( ) Geralmente Não 5. Qual o grau de importância você dá a esta periculosidade? ( ) Muito Alta ( ) Alta ( ) Média ( ) Baixa ( )Muito Baixa 8. você conhece a periculosidade desta substância? ( ) Sim ( ) Não 7. quais itens abaixo sofrem com o descarte incorreto das lâmpadas fluorescentes? ( ( ( ) Meio Ambiente ) Animais ) Seres Humanos .42 QUESTIONÁRIO Dados pessoais Nome: _______________________________________________________________________ Nasc. Você sabia que as lâmpadas fluorescentes possuem mercúrio em sua composição? ( ) Sim ( ) Não 6. Em geral. Quanto à periculosidade. você é uma pessoa preocupada com a reciclagem e o correto descarte de substâncias tóxicas? ( ) Sim ( ) Não 2. Qual o seu grau de conscientização relacionado às questões ambientais? ( ) Alto ( ) Médio ( ) Baixo ( ) Nenhum ( ) Não sei 3. Você utiliza lâmpadas fluorescentes em sua residência? ( ) Sim ( ) Não 4.

No passado. Numa escala de 1 a 5. Qual é o atual destino dado às lâmpadas fluorescentes descartadas em sua residência? ( ) Lixo comum ( ) Reciclagem ( ) Não sei ( ) Outros 12. Você já viu alguma propaganda dizendo da periculosidade do descarte incorreto das lâmpadas fluorescentes? ( ) TV ( ) Jornal ( ) Revista ( ) Rádio ( ) Outros meios ( ) Nunca vi . como você classificaria a importância do correto descarte das lâmpadas fluorescentes? 1 2 3 4 5 10. era dado algum outro tipo de destino? Em caso afirmativo. sendo 5 o valor de maior importância. Aproximadamente.43 ( ) Todos os anteriores 9. por que aconteceu a mudança? 13. qual o número de lâmpadas fluorescentes descartadas por ano em sua residência? ( ) menos de 10 ( ) entre 11 e 20 ( ) entre 21 e 30 ( ) mais de 30 ( ) não sei 14. Qual a justificativa para esta escolha? 11.

44 APÊNDICE C – Tabelas .

1a – Nível de escolaridade ESCOLARIDADE Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Superior Pós Graduação Mestrado Doutorado TOTAL Tabela 8.54 1.77 28.96 100.00 N° 31 62 9 0 2 104 % 29.45 Tabela 8.42 11.27 27.00 % 72.7a – Consciência do mercúrio como componente das lâmpadas fluorescentes CONSCIENTE N° Sim 75 % 82.92 100.85 55.31 100.6a – Responsabilidade pela compra das lâmpadas fluorescentes RESPONSÁVEL PELA COMPRA N° Sim 42 Não 37 Geralmente sim 17 Geralmente não 8 TOTAL 104 Tabela 8.00 % 40.62 100.69 17.65 0 1.00 Tabela 8.96 14.38 9.62 8.12 .00 N° 19 29 27 15 12 2 104 % 18.2a – Faixa etária FAIXA ETÁRIA Entre 16 e 20 anos Entre 21 e 30 anos Entre 31 e 40 anos Entre 41 e 50 anos Entre 51 e 60 anos Acima de 60 anos TOTAL N° 6 30 58 7 2 1 104 % 5.38 35.5a – Utilização de lâmpadas fluorescentes em suas residências UTILIZA N° Sim 86 Não 18 TOTAL 104 Tabela 8.81 59.35 7.00 Tabela 8.3a – Consciência da reciclagem e do descarte de substâncias tóxicas CONSCIENTE N° Sim 94 Não 10 TOTAL 104 Tabela 8.77 6.89 25.73 1.92 0.4a – Grau de conscientização GRAU DE CONSCIENTIZAÇÃO Alto Médio Baixo Nenhum Não sabe TOTAL % 90.58 16.69 100.92 100.

00 % 72.31 78.65 42.85 100.35 100.92 1.88 100.9a – Grau de importância dado à periculosidade do mercúrio PERICULOSIDADE N° Muito alta 38 Alta 42 Média 18 Baixa 4 Muito Baixa 2 TOTAL 104 Tabela 8.00 Tabela 8.00 % 71.12a – Qual o atual destino das lâmpadas fluorescentes descartadas DESTINO N° Lixo comum 35 Reciclagem 44 Não sabe 14 Outros 11 TOTAL 104 Tabela 8.54 40.92 100.92 20.00 .12 3.00 % 0 0 3.00 % 7.46 10.38 17.31 3.31 13.10a – Quem sofre com a periculosidade e o descarte incorreto do mercúrio AFETADOS N° Meio ambiente 8 Animais 0 Seres humanos 1 Todos os anteriores 95 TOTAL 104 Tabela 8.85 17.13a – Quantidade de lâmpadas fluorescentes descartadas por ano QUANTIDADE N° Menos de 10 75 Entre 11 e 20 4 Entre 21 e 30 2 Mais de 30 2 Não sabe 21 TOTAL 104 % 33.58 100.00 Tabela 8.46 Não TOTAL Tabela 8.85 1.84(1) 100.8a – Conhece a periculosidade do mercúrio CONSCIENTE Sim Não TOTAL 29 104 N° 74 30 104 27.85 1.69 0 0.11a – Grau de importância dado ao correto descarte das lâmpadas fluorescentes GRAU DE IMPORTÂNCIA N° 1 0 2 0 3 4 4 18 5 82 TOTAL 104 (1) Número não arredondado para que o resultado em percentagem seja igual a 100% % 36.15 28.19 100.96 91.

88 Outros meios 11 10.66(1) Jornal 3 2.00 (1) Número propositadamente arredondado para cima a fim de que o resultado em percentagem seja igual a 100% .14a – Veiculação de propagandas acerca o descarte de lâmpadas fluorescentes DESTINO N° % TV 9 8.47 Tabela 8.46 TOTAL 104 100.58 Mais de um meio 7 6.73 Nunca viu 66 63.81 Rádio 3 2.88 Revista 5 4.