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Eficiência Energética nos Edifícios e Sustentabilidade no Ambiente Construído

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Trabalho elaborado no âmbito do PROCEL EDIFICA - Eficiência Energética em Edificações.
F I C H A C ATA LO G R Á F I C A

Eficiência Energética nos Edifícios e Sustentabilidade no Ambiente Construído - Rio de Janeiro, agosto/2011

1. Louize Land B. Lomardo TODOS OS DIREITOS RESERVADOS - é proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou por qualquer meio. A violação dos direitos de autor (Lei no 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal.

Trabalho elaborado no âmbito do convênio ECV033/04 realizado entre ELETROBRAS PROCEL e a UFAL E L E T RO B R A S P RO C E L Presidência

José da Costa Carvalho Neto
Diretor de Transmissão

José Antônio Muniz Lopes
Secretário Executivo do Procel

Ubirajara Rocha Meira
Departamento de Projetos de Eficiência Energética

Fernando Pinto Dias Perrone
Divisão de Eficiência Energética em Edificações

Maria Teresa Marques da Silveira
Eq u i p e Té c n i c a
ELETROBRAS PROCEL UFAL

Divisão de Eficiência Energética em Edificações

Edição

Clovis Jose da Silva Edison Alves Portela Junior Elisete Alvarenga da Cunha Estefania Neiva de Mello Frederico Guilherme Cardoso Souto Maior de Castro Joao Queiroz Krause Lucas de Albuquerque Pessoa Ferreira Lucas Mortimer Macedo Luciana Campos Batista Mariana dos Santos Oliveira Vinicius Ribeiro Cardoso
Colaboradores

Leonardo Bittencourt
Autor

Louize Land B. Lomardo
Colaborador

Estefânia Neiva de Mello

George Alves Soares José Luiz G. Miglievich Leduc Myrthes Marcele dos Santos Patricia Zofoli Dorna Rebeca Obadia Pontes Solange Nogueira Puente Santos Viviane Gomes Almeida
Diagramação / Programação Visual

Anne Kelly Senhor Costa Aline Gouvea Soares Kelli Cristine V. Mondaini

.....................2 Princípios de sustentabilidade .......... Estratégias híbridas ...............................................36 3..............................................................................5 As regulamentações para a eficiência energética nos edifícios brasileiros................ Ganhos solares x sombreamento ......................................................SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...........................25 2........ 9 1..........................................................................5.................................................................31 2....................................3 O consumo de energia no ambiente construído...................................................6 A tarifação da energia elétrica no Brasil ...............................................................................................................................................................................................................................................................................................................1 Impactos da hidroeletricidade .......................3 Massa térmica ...........33 3 ARQUITETURA BIOCLIMÁTICA E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA ................................ 7 1SUSTENTABILIDADE ........................................................................3 Energia e sustentabilidade....................40 3...............................................................29 2............................................32 2...........................................................................................2 Ventilação natural ...........38 3.............................................................................1...............................41 .................................................................................................................................................................................................................................................................2 Os impactos das termoelétricas ................ 35 3..............1 A sustentabilidade como novo paradigma.............................4............................................................................................................................................................................................................................30 2...................................................4 O consumo de eletricidade nos edifícios brasileiros ............................................................................. 25 2...................................................14 1........................ Iluminação natural ..................35 3......17 2 IMPACTOS DA GERAÇÃO E CONSUMO DE ENERGIA NO AMBIENTE CONSTRUÍDO ......................................................................................................... 9 1................................................................................................................................

......................................52 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..43 4........................................................................................................ 55 7 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR .......... 49 5.........3 Arquitetura e dependência cultural ..................................................................................................... 57 ..........50 5...................................................1 Histórico do ensino de conforto ...............................................................................44 5 TENDÊNCIAS ARQUITETÔNICAS E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NOS EDIFÍCIOS .....................................................2 Arquitetura contemporânea .................49 5...4 O clima como condicionante arquitetônico: potencialidade.............................. limitações e repertório arquitetônico ..................................1 Arquitetura vernacular .......................................4 ESTRATÉGIAS BIOCLIMÁTICAS E TIPOLOGIA ARQUITETÔNICA................................................................................................................................... 43 4.....................................................................................................................................................49 5.......................................................................................................2 Arquitetura e tendências arquitetônicas .............

devem se preparar para que. são apresentados vários conceitos associados ao significado de desenvolvimento sustentado. Essa abordagem é importante para os projetistas. devem estar cientes do que um bom ou mal projeto de arquitetura. Assim. Os arquitetos. produzam a arquitetura mais sustentável possível. pode provocar. . contribuindo para a melhoria do ensino superior brasileiro e para uma. bem como uma análise da geração de energia e sua relação com o meio ambiente. do ponto de vista dos recursos ambientais. Antes de passar à apreciação da arquitetura e sua relação com conforto ambiental e conservação de energia.atuação profissional de projetistas mais conscientes em relação à questão energética. pois os mesmos atuam na cadeia de relações que começa com o consumo excessivo e desperdiçador de energia e termina com investimentos desnecessários e impactantes ao meio ambiente. por participarem ativamente desse processo. com conceitos sólidos de conforto ambiental e conservação de energia.INTRODUÇÃO Esta publicação é parte de um conjunto de guias técnicos relacionados à eficiência energética em edificações que tem o objetivo de difundir esses conhecimentos no meio acadêmico e profissional.

Denominamos esse período de paradigma anterior para efeito do que se propõe ao compará-lo ao novo modelo de desenvolvimento sustentado. Os economistas neoclássicos (liberais).org. entendido como um “modelo de desenvolvimento capaz de atender às necessidades da geração atual sem comprometer os recursos necessários para satisfação das necessidades das gerações futuras”.abdl. deve ser estudado como uma evolução dos modelos de desenvolvimento adotados nos países ocidentais.br em 20/6/2005. As elites do 3º Mundo acreditavam num desenvolvimento sem choques ou revoluções. apresentado posteriormente. cabe retornar ao período após a II Guerra Mundial. Fonte: http://www. Figura 1: Mapa-múndi desenvolvidos x em desenvolvimento pós-2ª. Observamos na figura 1 a divisão entre países desenvolvidos e “em desenvolvimento” existente no pós-guerra. afirmavam que o livre-comércio internacional seria capaz de desenvolver as capacidades econômicas entre as nações.guerra mundial. em termos de desenvolvimento econômico. a partir do investimento no produto nacional. reduzindo o subdesenvolvimento através da especialização mundial da produção.1 A sustentabilidade como novo paradigma O paradigma anterior O conceito de sustentabilidade. aproximando-se dos países desenvolvidos. Para tanto. . quando se constatou a grande distância. A partir das vantagens comparativas de cada região. a livre ação das forças do mercado permitiria que os países subdesenvolvidos . existente entre os países do mundo. desde que fosse seguido à risca o princípio de acumulação rápida de capital e de bens.1SUSTENTABILIDADE 1.superassem seu atraso econômico.como os da América Latina .

fomentava uma economia internacional dividida entre centro e periferia e.br/sebastiaosalgado/e1/e_mega_opener. seria mais vantajoso se especializarem na exportação de matérias-primas do que buscarem a industrialização. instaurado no século XIX. Em oposição ao que prometiam os economistas neoclássicos liberais. logomarca apresentada na figura 3). para os países em desenvolvimento. integrantes do CEPAL (Comissão Econômica para América Latina. economistas latino-americanos.com. ao contrário do valor dos produtos industrializados . Foto de Sebastião Salgado. contestaram a proposta dos economistas liberais ortodoxos de que.com.10 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O Figura 2: Trabalhadores. Durante a década de 1950. portanto. já que o preço da matéria prima . baseada na desigualdade entre as nações. com raríssimas exceções. A partir dessa divisão.ar em 30/04/2006.se encontrava.terra. Fonte: database. Fonte: http://www.html em 2/5/2006. A teoria da referida Comissão pregava que o sistema de divisão internacional do trabalho.interlink. essa forma de comércio internacional tenderia a acentuar as desigualdades entre as economias.fornecidos pelos países de centro. a repartição desigual dos frutos do progresso técnico e a deterioração dos termos de troca teriam repercutido no desequilíbrio estrutural observado entre as nações.produto oferecido pelos países periféricos . . Figura 3: Comissão Econômica para América Latina. em constante declínio.

Essa ótica de crescimento ilimitado sugere que o progresso de uma nação pode ser medido pela sua produção material. nível insustentável de desperdício de recursos. Apresentamos na figura 4 uma crítica ao modelo de solução individualizada do transporte. das informações estratégicas e do crescimento econômico ficam nas mãos dos países desenvolvidos.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 11 Apesar do rápido crescimento econômico mantido durante os 25 anos posteriores à II Guerra Mundial. desemprego. pois os prejuízos ambientais como emissões de gases de efeito estufa. existem grandes diferenças entre as nações desenvolvidas e as em desenvolvimento. ignorando os indicadores sociais e de distribuição de renda. Agravando tudo isso. as demais fazem uso de tecnologias ultrapassadas. os impactos ambientais são compartilhados por todos. A inconsequente extração de recursos naturais e a cumulativa eliminação de rejeitos trazem a idéia de que. uma grande crise de desenvolvimento evidenciada por fatores como: persistência de fortes desigualdades sociais e regionais. o desenvolvimento baseado apenas no aumento da produção industrial também é indesejável sob critérios de preservação ambiental. rompimento da camada de ozônio e mudanças climáticas ultrapassam fronteiras e acabam por ser mundialmente socializados. crise dos serviços sociais. do sistema educativo etc. desde então. Enquanto as primeiras produzem novas tecnologias. Os ganhos decorrentes do aumento das relações internacionais. A principal crítica a este paradigma de desenvolvimento é o fato de o crescimento financeiro ser perseguido a todo custo como única forma de melhorar as condições de vida da população. valorizando apenas o crescimento quantitativo. Figura 4: Crescimento ilimitado do número de automóveis particulares. destruição progressiva do meio ambiente. poluidoras e muitas vezes inadequadas às suas realidades. além de insustentável. os países industrializados vêm experimentando. . Enquanto a riqueza é apropriada por poucos.

produção em massa. como pode ser visto na figura 6. acabam por exacerbar a ocorrência de conflitos e o aumento da violência.com em 2/5/2006. à manutenção da pobreza e à exploração do 3º Mundo. Figura 5: O consumismo. Outras características críticas desse modelo de desenvolvimento são: crescimento populacional desequilibrado. alta especialização. que força a constante reposição de produtos. Fonte: http://www. Fonte:http://www. . centralização e gigantismo. diversos artifícios são criados com o propósito de fomentar a dependência do crescimento econômico. como transporte (ver figura 7). gestão autoritária da produção.it em 2/2/2006. A obsolescência programada. que aliadas ao desemprego. apropriação desigual dos recursos naturais do planeta. bem como a socialização dos prejuízos e a privatização dos lucros. consumo elevado de energia e de recursos não renováveis. saúde. divisão e alienação do trabalho. restrição do conhecimento técnico apenas a especialistas. imposição tecnológica pelos setores dominantes. bem como a criação de novas necessidades de consumo são exemplos de mecanismos presentes no paradigma do mercado e do consumismo. uso intensivo de capital. Percebe-se claramente a instituição da contraprodutividade estrutural em diversos serviços. poluição ambiental.libertad-digital. mas não de trabalho. e desvalorização da ética e da moral. Figura 6: Lixão nos subúrbios das cidades latino-americanas.12 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O No referido modelo.illustratori. prioridade ao grande comércio. educação e uso da energia. As consequências do atual modelo são problemáticas.

br/sebastiaosalgado/e1/e_mega_opener. cultural e ecológico. O enfoque do desenvolvimento sustentável afirma-se a partir da conferência Eco 92.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 13 Figura 7: Transporte público em Bombaim. surge o conceito de ecodesenvolvimento. formulado em 1972. Sebastião Salgado. sem submeter-se à lógica da produção como um fim em si mesma. organismos internacionais e organizações não governamentais -ONG’s. O novo paradigma De encontro a essa tendência e em busca da construção de um novo enfoque para o desenvolvimento.terra. propondo a aplicação dos termos do ecodesenvolvimento. Fonte: http://www. ocasião em que este conceito foi difundido por sociedade civil. Essa proposta baseia-se na autonomia da população na busca de modelos apropriados a cada contexto histórico. o problema do aquecimento global ultrapassou as fronteiras e colocou a necessidade de políticas conjuntas. Desde então. em Estocolmo. empresas.html em 2/5/2006. com ênfase no caráter sincrônico (simultâneo) e diacrônico (em tempos diferentes) da solidariedade humana. cria o conceito de desenvolvimento sustentável. estabelecendo harmonia entre o homem e o ambiente. governos. realizada no Rio de Janeiro. Strong. e pretende que o progresso possa ser compartilhado entre todos os países do mundo. O relatório “Nosso Futuro Comum”. sociais e ecológicos. por M. Essa proposta busca orientar os esforços humanos de crescimento para a satisfação das necessidades materiais e imateriais de toda a população.com. . figura 8. Valoriza o planejamento participativo para aplicação de políticas públicas de harmonização de interesses econômicos. elaborado em 1987 pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU.

br/ em 2/5/2006. figura 9. 1. mas por conta de sua essência ecologicamente insustentável e socialmente injusta.com.14 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O Figura 8: Aquecimento global. Indonésia. na qual desenvolveu-se uma corrente e um projeto político de transformação social.2 Princípios de sustentabilidade A sustentabilidade passa a ser definida de uma forma mais abrangente com Sachs (2004).terra. Figura 9: Vítimas de catástrofe climática. mas principalmente com a construção de uma sociedade não-opressiva. Um projeto que supera o conservacionismo ecológico. Relacionado a esse novo paradigma está a evolução do conceito de Ecologia. fraterna e libertária.html em 2/5/2006.br/sebastiaosalgado/e1/e_ mega_opener.fbds. Fonte: http://www. Os ecologistas acreditam que esta crise não ocorre por conta de erros no sistema dominante. reduzindo as desigualdades sociais e proporcionando um trabalho humanizado. pois considera a crise atual como social e também ambiental. . O que a crise ecológica não se resolverá apenas com ações de conservação ambiental. a saber: 1. comunitária. que define cinco dimensões para o desenvolvimento sustentável.Sustentabilidade social: propiciar o crescimento qualitativo. Fonte: http://www.org.

shtml 3. Figura 11: Queimada no Brasil. Fonte: http://www.com. é necessário definir regras claras para uma adequada proteção ambiental.br/imagens/wpapers/ BXK30917_queimada800.bbc.Sustentabilidade ecológica: intensificar o uso dos recursos potenciais dos ecossistemas para garantir que os sistemas de sustentação da vida sejam respeitados (evitar técnicas agrícolas de baixa produtividade como vemos na figura 11). Fonte: http://baixak i.jpg 4. além de reduzir a geração de resíduos e poluição. Um exemplo desse desequilíbrio no Brasil é a seca na caatinga nordestina e a laterização dos solos (figura 12).E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 15 2. evitando a concentração populacional excessiva nas metrópoles e a destruição de ecossistemas frágeis. ecologicamente insustentável. que diminuem a produtividade agrícola e estimulam a migração de populações carentes para outras . Os países ricos e as elites dos países em desenvolvimento devem auto-limitar o consumo de bens materiais e voltar esforços de pesquisa para desenvolver tecnologias limpas.uk/worldservice/ asiapacific/eastasiatoday/indepth/011031_ wto.co. Por fim. figura 10.Sustentabilidade espacial: garantir o equilíbrio entre cidade e campo.Sustentabilidade econômica: alocar e gerir com maior eficiência os recursos disponíveis e garantir um fluxo regular de investimentos públicos e privados. China. Figura 10: Indústria intensiva em mão de obra. Reorientar o consumo de combustíveis fósseis e de recursos naturais facilmente esgotáveis para o consumo de recursos renováveis e ambientalmente inofensivos.ig.

Foto: Sebastião Salgado.com. Figuras 14: Aceitar as especificidades.terra. Cairo ou Bombaim. o que nem sempre acontece. A madeira com replantio programado é um recurso renovável e.br/sebastiaosalgado/e1/e_ mega_opener.com. aclimatada à região amazônica. à procura de uma situação econômica e social melhor.br/ Figura 13: Mendigo com Bombaim ao longe. Fonte: www. saber aproveitar recursos locais .arcoweb. Figura 12: Solo laterizado e ressequido na região Nordestina. como acontece no Rio de Janeiro.com. Apresentamos na figura 14 exemplo de arquitetura que usa os recursos locais de forma adequada.br/ debate/debate76. Fonte: www. de cada cultura e de cada localidade. A figura 13 ilustra a mendicância nas proximidades dos grandes centros.Residência de Severiano Porto. segundo suas particularidades. Fonte: http://www.estiagem.Sustentabilidade cultural: respeitar as especificidades de cada ecossistema.asp .html em 2/5/2006. sustentável.16 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O regiões. 5. portanto.

Seus princípios incluem equidade.adm.3 Energia e sustentabilidade Pratica-se. Todos os agentes da sociedade devem compartilhar a idéia de atingir um interesse comum. justiça. baseados em atividades não-materiais. Erradicação da pobreza. então. preservação ambiental. fundamentado exclusivamente no crescimento econômico. mesmo nos locais de origem.edu 1. baseia-se em um modelo importado dos países desenvolvidos. que já encontra-se em desuso.monash. também podem ser citados como resultados necessários. menor polarização entre ricos e pobres e maior justiça social. fazendo uso de energias renováveis e alternativas. ao mesmo tempo em que sejam adotadas políticas energéticas sustentáveis. O planejamento praticado se limita. a escolher alternativas de oferta disponíveis para satisfazer esta demanda projetada. crescimento populacional moderado e emprego de tecnologias verdes e limpas. Figura 15: Equidade. Propõe-se uma mudança cultural em que o conceito de bem-estar e o consumo estejam relacionados apenas ao suprimento das necessidades de uso e não de distinção social.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 17 Este novo paradigma deve incluir mudanças de valores e novos arranjos sócio-econômicos. nos países em desenvolvimento. Além disso. no qual a demanda de energia é projetada para o futuro através de correlações com agregados econômicos ocorridas no passado e corrigidas de forma imprecisa. o planejamento energético pelo lado da oferta. uma redução no consumo mundial pode reduzir os impactos das atividades industriais no meio ambiente. Fonte: www. redução do consumismo. sem questionar as demandas. bem-estar social. Este planejamento. solidariedade social. .

trabalhando tipicamente o lado da demanda da energia elétrica. que cria mais empregos estáveis e que é mais vantajosa ecologicamente. a linha do crescimento do PIB teve outra angulação. utilidade social e harmonia com o meio ambiente. Na figura 16. 2002 . a energia mais barata disponível para o consumo. por meio do emprego de soluções alternativas e de novas tecnologias. vale lembrar da distribuição assimétrica do consumo. Enquanto a maior parte da população apresenta padrões de consumo energético aquém do necessário para obtenção do conforto mínimo. No Brasil. refletindo a eficiência energética de toda a economia. Nesse sentido. O desafio do desenvolvimento sustentável consiste em reduzir a demanda energética para atender a um mesmo nível de necessidade da população e.Elaboração própria. em 1973. deve-se buscar justamente uma dissociação parcial entre taxa de crescimento econômico e ritmo de aumento de demanda energética. satisfazer aos critérios de viabilidade econômica. porém.18 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O Nesses países em desenvolvimento. Fonte: BEN. observa-se como o PIB americano crescia com taxas semelhantes às do consumo de energia até os choques do petróleo em 1973 e 1977. uma minoria consome em excesso. simultaneamente. Após esse período. programas de governo como o PROCEL vêm justamente atender à necessidade de se aumentar a eficiência nos usos finais da energia elétrica. Figura 16: Correlação linear entre consumo e PIB até choque do petróleo. Quanto à conservação de energia nos países em desenvolvimento. pois permite uma redução da energia primária necessária para propiciar um mesmo nível de consumo de energia útil e possibilita a construção de um estilo de desenvolvimento que implique num perfil mais baixo da demanda de energia. inclusive os do 3o mundo. é aquela que se conserva através da eficiência energética. devido às políticas de conservação de energia implantadas. É claro que a política de . a adoção de uma política de conservação de energia é fundamental. Em todos os países.

com Em uma economia sustentável.geralmente baixa nesses países . denomina-se conteúdo energético. seja este um bem material. calor. A eficiência energética é um número adimensional. luz) e a energia consumida para realizá-lo denomina-se eficiência energética. ou realizar cada atividade.telegraphindia. Figura 17: Crianças e gafanhotos. quando avaliamos a transformação de energia final em energia útil. Assim. A relação entre a energia útil de um trabalho (transporte. todos os recursos devem ser preservados. A avaliação da quantidade de energia usada para produzir cada bem. Dentro da ótica da sustentabilidade. lutas pela sobrevivência no 3o mundo.mas sobre os energeticamente privilegiados: as classes mais altas e os detentores dos meios de produção. . tem-se mesmo a ambição de que os ciclos de reuso possam vir a ser contínuos e com poucas perdas. a matéria prima e a energia) tenham a sua reprodutibilidade assegurada. como um edifício. Dakar. Como lidamos com recursos finitos. pretende-se que os fatores de produção (a mão de obra. quanto maior a eficiência. Tentando-se conservá-los pelo maior tempo possível. menor é o desperdício. seja uma atividade.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 19 conservação de energia não pode ser aplicada sobre a média do consumo . Fonte: http://www. é importante minimizar as suas quantidades embutidas no produto a ser realizado. A otimização da utilização dos recursos é a busca pela máxima eficiência.

Casa em Cabo Frio. o gás natural e a energia hidráulica têm ampliado a sua participação. Fonte: Revista Projeto 83.A evolução da produção de energia primária no Brasil por fonte primária Fonte: BEN 2003 .Elaboração própria. jan. enquanto outras fontes primárias como o petróleo. 1986. O caso brasileiro A evolução da matriz energética brasileira é mostrada na figura 19. onde se observa que o uso da lenha vem diminuindo. . Figura 19 .20 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O Figura 18: Eficiência energética nas residências. Arquiteto Severiano Porto. 47. p.

Desde 1986. 2004 . Fonte: MME. Figura 21: Cartaz do dia mundial da conservação da energia. onde se observa que a energia elétrica é a predominantemente utilizada nos edifícios desse setor. há três aspectos a se considerar: a) A energia consumida quando da construção do prédio. Figura 20 . Fonte:www. bem como na sua manipulação no canteiro de obras. embutida na produção e transporte dos materiais de construção. como pode ser observado na figura 21.cac. abaixo. .Elaboração própria.es/observatorio/efemerides/Efemerides2005/5Marzo. designada por alguns autores “conteúdo energético predial”. diversas políticas de conservação e difusão de conhecimento já vêm sendo discutidas no Brasil e no mundo.A evolução da participação da energia final no setor comercial.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 21 A figura 20 apresenta a evolução da participação do consumo de energia para o setor comercial.jpg Do ponto de vista do consumo de energia em uma edificação.

22 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O b) A energia consumida pelas atividades desenvolvidas no prédio. pronta para o consumo. Os setores comercial. uma pequena parcela do consumo de energia elétrica do setor industrial também serve para conferir habitabilidade a seus edifícios. Toda a energia final. c) A energia consumida. pelo uso dos equipamentos necessários e indispensáveis às atividades exercidas pelos usuários. público e residencial são aqueles que detêm o maior número de edificações e. muitas vezes. por exemplo. Foto: Louise Lomardo. . se apresenta como um bom exemplo. gerando muitas externalidades nesse percurso. reunidos. A noção de conforto ambiental deriva do metabolismo humano e de seus requerimentos. Figura 22: Edifício em construção. passa pelo transporte até chegar ao refino nas indústrias petroquímicas. inesperados de uma atividade. figura 22. chega a esse estágio após etapas complexas de transformação da energia primária. que vai da exploração. são gerados diversos impactos ambientais e externalidades (efeitos e. totalizam cerca de 44% do consumo da energia elétrica do Brasil. A cadeia do petróleo. como. Será dada prioridade ao último aspecto. o aquecimento global). Ao longo dessas etapas. destinada a prover aos usuários as condições de conforto necessárias à habitabilidade. pois a habitabilidade predial é a parcela cuja obtenção de modo eficiente é responsabilidade dos arquitetos. Contudo.

que utilizam esses derivados como fonte de energia. pois existem equipamentos de calefação.br/ . A figura 24 mostra uma central de co-geração acionada à base de derivados do petróleo. Fonte: http://www. Figura 24: Grupo cabinado de co-geração. utilizado na climatização predial para refrigeração. o querosene e o óleo diesel são utilizados dentro dos edifícios. Fonte: http://www.de Alguns dos derivados do petróleo como o GLP. região metropolitana de Curitiba. contribuindo algumas vezes para a habitabilidade predial. Esse equipamento é responsável pela geração de energia elétrica com aproveitamento simultâneo do calor para a produção de frio.efei.dw-world.nest. resfriamento e iluminação.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 23 Figura 23: Emissões de gases do efeito estufa na refinaria em Araucária.

Figura 25: A evolução do consumo de energia no setor público. escapam à sua consciência crítica. 2004 . o recurso energético mais usado no edifício ao longo de toda a sua vida útil. Fonte: www. Figura 26: Represa hidroelétrica. o conhecimento das suas formas de geração assume maior relevância para nós. devido à distância de ocorrência. conforme ilustra a figura 25.Elaboração própria. Fonte: MME. É necessário relacionar e explicitar para o arquiteto toda a cadeia de causas e efeitos que começa com um projeto que não aproveita os recursos naturais disponíveis. É preciso divulgar os impactos ambientais da geração da energia elétrica que é desperdiçada devido a projetos arquitetônicos ineficientes e.br . Portanto. porém.24 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O É a eletricidade.itaipu.gov. inconsequentes. de certa forma. que. e acaba por provocar impactos ambientais relevantes.

pois via de regra minimiza as emissões de gases para a atmosfera. 2.html em 2/5/2006. mesmo nos períodos sem chuva. Mostraremos a seguir. à vazão de água e ao tempo de funcionamento. o uso de energias renováveis e limpas é recomendável do ponto de vista do desenvolvimento sustentável.1 Impactos da hidroeletricidade Cerca de 84% da eletricidade gerada no Brasil é produzida em hidroelétricas. A produção desta energia é proporcional à altura livre de queda. A água represada é liberada segundo as necessidades de produção de energia elétrica. As represas.terra. Fonte: http://www. a poluição ambiental realizada pelas termoelétricas convencionais e nucleares. Os reservatórios armazenam a água para garantir um fluxo constante às turbinas. após serem removidas de áreas inundadas por represas (figura 27). como a da figura 28. Figura 27: Migrações. É muito difícil que um arquiteto que desperdice energia por descuido em seus projetos perceba a relação entre seu trabalho e as populações de sem-terra que vagam pelo país. com mais clareza.br/sebastiaosalgado/e1/e_mega_opener.com.Foto: Sebastião Salgado. . ou. essa cadeia de consequências. Assim. social e econômica. retêm o volume de água do reservatório na altura necessária para movimentar as turbinas.2 IMPACTOS DA GERAÇÃO E CONSUMO DE ENERGIA NO AMBIENTE CONSTRUÍDO A geração de energia elétrica produz inevitavelmente impactos de ordem ecológica. ainda.

Figura 29: Linha de transmissão. figuras 29 e 30. Fonte: http://www. Se todos os equipamentos e máquinas forem ligados ao mesmo instante em uma cidade. Figura 28: Queda d’água em hidrelétrica. Já a máxima potência passível de ser transmitida até as cidades. a necessidade de se evitar os picos de demanda e distribuí-la da forma mais uniforme possível ao longo do dia. a energia é conduzida por linhas de alta tensão suspensos por torres de transmissão.mconline. . a potência demandada poderá ser maior do que a transmissível. causando a queda do sistema. Daí. bem como a sua altura de queda.com. mais uniforme ao longo do dia.tqs-br com em 30/5/2006. do sistema elétrico. A área das bitolas dos cabos é proporcional à potência elétrica transmitida.26 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O O potencial de energia disponível está relacionado com a reserva de água contida nos reservatórios. Fonte: Fonte: http://www.br/tucurui/ Das distantes hidrelétricas até as cidades. está limitada à seção dos cabos das linhas de transmissão. A tarifação horo-sazonal foi uma medida do governo com o objetivo de tornar a curva de carga dos consumidores e. consequentemente. eficiência dos equipamentos etc.

Fonte: http://www.br/energia Os reservatórios são os responsáveis pela perda de uma imensa área cultivável que é alagada. pois seus reservatórios ocupam grandes extensões de áreas férteis. frente à riqueza das imensas áreas inundadas. A biodiversidade eliminada nesses grandes lagos é incalculável. Apesar dos esforços que antecedem o fechamento das barragens. Apesar de ser uma fonte primária que emite pouca quantidade de gases do efeito estufa. Figura 30: Esquema de produção e distribuição de energia hidroelétrica. por alterações do equilíbrio ecológico. microclimático e pela produção de gases tóxicos oriundos das árvores afogadas e em decomposição. expulsando populações ribeirinhas.usp. esses ainda são de pequena monta. mesmo a hidroeletricidade possui aspectos negativos.br/energia Ecologicamente.BA sendo alagada pela barragem do rio São Francisco.cepa.usp.if.cepa. Figura 31: Cidade de Santo Sé . agricultores e até cidades inteiras. é relevante a perda da flora e da fauna nessa área inundada. os efeitos sociais e ambientais não são desprezíveis. figura 31. Fonte: http://www. .E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 27 Mas.if.

. Contudo. Grandes aproveitamentos como Itaipu (figuras 32 e 33) provocaram endividamentos.cepa.if. sociais (expulsar populações de seus locais de origem) e financeiros. passou a incluir aspectos ambientais e sociais recentemente. a seleção de uma usina determinada para construção às vezes também atende a critérios políticos. Fonte: http://www. na atual sistemática de avaliação. escalonados no tempo. antes meramente financeira.usp. que mesmo aproveitamentos hidroelétricos.28 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O Figuras 32 e 33: Parque Nacional das Sete Quedas antes e depois de ser inundado para construção da barragem da usina hidrelétrica de Itaipu. apesar de serem uma fonte renovável e praticamente limpa. A análise. podem produzir impactos ambientais (como afetar a piracema). grandes impactos ecológicos e sociais e seriam. provavelmente preteridos por um maior número de aproveitamentos de menor porte. Mostramos assim.br/energia As avaliações para a seleção dos projetos hidroelétricos consideravam os custos e benefícios financeiros de forma a hierarquizá-los em uma ordem de prioridade. quando mal projetados.

superaquecer rios. gás natural ou urânio) para produzir calor. se localizam em geral nas proximidades dos grandes centros consumidores de energia (cidades e indústrias). por serem de menor porte. lagoas e mesmo o mar onde são lançados. Apesar de não-radioativos. O risco incorrido pelos trabalhadores dessas usinas e pelas populações que podem ser potencialmente atingidas pela radioatividade é um impacto social relevante. Essas usinas. . na forma de água.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 29 Figura 34: UHE Itaipú. óleo combustível. Esse calor pode. Essas populações devem ser treinadas e devem dispor de planos emergenciais para fuga.2 Os impactos das termoelétricas A geração de eletricidade em usinas térmicas usa uma fonte primária de energia (carvão. As fases da mineração de carvão e da prospecção do petróleo também produzem uma série de impactos ambientais não menos importantes. As usinas nucleares também produzem rejeitos radiativos de vida longa que representam riscos elevados de contaminação para as populações adjacentes (vide os acidentes de Chernobyl e Three Mile Island).eletrobras. Quando o calor é lançado ao ar. o fato desses efluentes elevarem as temperaturas acima de certos limites pode causar danos à flora e à fauna dos mananciais.br 2. Fonte: www.gov. transporta consigo gases do efeito estufa e partículas decorrentes da queima dos energéticos (figura 35). O excesso de calor das usinas térmicas é rejeitado para o meio ambiente. O vapor aquecido movimenta então grandes geradores de eletricidade.

Isso significa aumentar a eficiência energética de todos os equipamentos que usam a energia. Mostramos. como a China. enquanto o Brasil engatinha nesse sentido. inclusive do ponto de vista econômico. Desde a década de 1970. a melhor solução. como os E. Podem. ou quente. ainda. como o Kuwait. aumentar a eficiência do edifício. Podem abranger todos os edifícios do país ou apenas setores. . ou liberal.A.br/ 2.ambientebrasil. na figura 36. voluntárias e.U. muitos países do mundo colocaram em prática regulamentações com o objetivo de incentivar o uso eficiente da energia elétrica em edifícios. Essas regulamentações são. como a Polônia e o Canadá. o aumento da eficiência energética dos edifícios americanos obtida a partir da implementação da sua primeira regulação voluntária. sem abdicar do conforto.30 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O Figura 35: UTE Eletrosul.3 O consumo de energia no ambiente construído Frente a todos os impactos e aos custos da geração de energia. São ao todo 52 países que já se utilizam desse método de “convencimento”. é consumir menos.com. em outros. apesar do esforço de alguns segmentos da sociedade. obrigatórias. ter governo centralizador. Os países que as adotam podem ter clima frio.. no caso especial da arquitetura. em alguns casos. Fonte http://www.

abaixo. 2000. Os resultados refletem a intensidade e a forma de consumo (fator de carga) em cerca de 60 prédios administrativos comerciais localizados em seis diferentes cidades do Brasil.4 O consumo de eletricidade nos edifícios brasileiros A figura 37. desenvolvido com o apoio do PROCEL. Fonte: Elaboração Própria.. a eficiência energética dos edifícios norte americanos aumentou em 25% entre 1975 e 1996. devido à obrigatoriedade das normas para esse objetivo. no eixo horizontal pela demanda por unidade de área construída (IPDA) no eixo vertical. obtidos através do Projeto 6 Cidades. Fonte: Lomardo. mostra os dados de consumo por unidade de área construída (IPCA). mesmo considerando as disparidades climáticas existentes. . o que indica uma grande variedade de níveis de eficiência. Figura 37: O consumo por área x demanda por área em edifícios comerciais brasileiros.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 31 Figura 36: O consumo por área e a área construída nos edifícios americanos. L. B. A dispersão entre os consumos dos prédios com mesmo tipo de uso é muito grande. 2. como resultado de projetos que não possuíam a economia de energia como foco. L. Segundo Rosenfeld (1997).

2. O Brasil estava entre estes que não possuíam qualquer regulamentação.5 As regulamentações para a eficiência energética nos edifícios brasileiros Janda e Bush. Esta primeira norma. Abrange um pequeno percentual de tipologias edilícias e é voltada para o aspecto térmico. ABRASCE.Parte 3: Zoneamento Bioclimático Brasileiro e Diretrizes Construtivas para Habitações Unifamiliares de Interesse Social” que define materiais adequados para o correto desempenho térmico em edificações nas 8 regiões climáticas brasileiras. Elaboração própria. aspecto que concede aos técnicos tempo necessário para a sua capacitação. já que. dependendo do bairro onde se localize. existem diferenças de temperatura do ar que podem variar entre 2 oC e 3 oC. é voluntária. Figura 38 . a ABNT aprovou a NBR 15220-3: “Desempenho térmico de edificações . na maior parte das vezes existe um prazo para que as normas. no caso). . levantaram as normas ou regulamentações para conservação de energia em edificações de 57 países. em 1994. dedicada a habitações de interesse social. exclusivamente para as residenciais. Apenas em 2005. Fonte: Light. está representado como os shoppings centers também podem usar a energia por área (bruta locável. Mas. pode-se observar como o Madureira Shopping consome. mais energia por unidade de área do que os shoppings Rio Sul e Fashion Mall. destes apenas 13 não possuíam qualquer definição. por exemplo. No Rio de Janeiro. Essas normas podem ser obrigatórias ou voluntárias. Os 44 países restantes possuíam normas que. inicialmente voluntárias.32 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O Na figura 38. não obstante estarem implantados em uma mesma cidade. pois. se dirigiam ou para a totalidade das edificações. seguidamente. ou ainda exclusivamente para as comerciais. quanto à abrangência. de forma completamente díspar. se tornem obrigatórias.Média mensal do consumo de energia elétrica em por área bruta locável (kWh/m2) em Shoppings Centers do Rio de Janeiro. não abrangendo os sistemas ativos destinados a prover conforto ambiental. é um primeiro passo para a futura implementação de outras normas mais abrangentes e restritivas.

menos água armazenada nos reservatórios. como também a demanda devem ser racionalizados. também visam à programação das atividades com o objetivo de diminuir o consumo e a demanda nos períodos nos quais há menor vazão dos rios e. portanto. Figura 39: Torres de transmissão de energia elétrica. incentivando o uso nos horários fora de ponta. neste período do dia. Fonte: www. A tarifação binômia cobra então. tanto o consumo como a demanda. mas também pela maior demanda integralizada a cada 15 minutos do mês desta. quando os preços são bem menores. as tarifas verde e azul.itaipu. e é este o significado do sinal tarifário à sociedade. que tem limites na transmissão para transportar grandes blocos de energia em curto espaço de tempo. Tarifas diferenciadas para os períodos secos e úmidos do ano. Pois. a ocorrência de uma elevação de demanda da energia ao final da tarde trará problemas ao sistema. de reservas nos reservatórios para até 4 anos de consumo.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 33 2. A conservação de energia tem o objetivo de minimizar os investimentos para fornecer energia elétrica ao consumidor. Ainda neste mesmo sentido.br . O objetivo é estimular o grande consumidor a ter uma curva de carga diária sem grandes picos. não só o consumo. Os pequenos consumidores da energia em baixa tensão usam normalmente a tarifa monômia. usam tarifas maiores no horário de ponta (período de 18h às 21h) para desestimular. Já os grandes consumidores são cobrados tanto pela demanda como pelo consumo. Sendo assim.gov. O objetivo dessa tarifação é repassar aos consumidores os custos próximos à realidade da expansão do sistema elétrico. pagando apenas pelo consumo. se o comportamento da curva de consumo diário for livre. muitas vezes.6 A tarifação da energia elétrica no Brasil A energia elétrica é tarifada no Brasil através de duas modalidades tarifárias. apesar de dispor. não só pelo consumo da energia.

o que tornaria tais medidas contraproducentes. mas. domus ou lanternins. mesmo quando não tiver. Figura 40: Logomarca do site Arquitecturabioclimatica. pode economizar muita energia e evitar situações desconfortáveis. que tem respaldo nos princípios do desenvolvimento sustentável em vários aspectos. sempre tomando o cuidado de não permitir a admissão de calor em excesso. o ideal é que a luz artificial tenha controles automáticos. Iluminação natural A luz natural. podem ser usados solar shelves (prateleiras de luz). Nesse caso. Para melhor conduzir a luz natural ao interior do prédio. a simples possibilidade de desligar as luminárias desnecessárias.3 ARQUITETURA BIOCLIMÁTICA E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA O bom uso dos recursos ambientais. .arquitecturabioclimatica. é o objetivo da arquitetura bioclimática. ainda que manualmente.1. Fonte: http://www.info/ 3. disponível na abóbada celeste. As figuras 41 e 42 ilustram um esquema de aplicação dessas estratégias. pode ser aproveitada minimizando o uso da luz artificial que deve ser usada apenas para complementar a obtenção do nível adequado de iluminação para a atividade realizada no compartimento. adiando ou minimizando o consumo da energia para prover o conforto climático.

Arq. Willbold-Lohr & Lohr.net/ em 2/2/2006. Gewerbebebau -1995. Fonte: http://www. . Arqs. a ventilação cruzada nos ambientes construídos deverá ser incentivada. Berlim.airliners.Projeto premiado com o Europaischer Preis fur Okologisgen. As aberturas em paredes opostas de um ambiente facilitam a circulação dos ventos. sempre que o condicionamento térmico artificial não for usado. Fonte: Folheto distribuído no local Figura 42 . Em climas quentes e úmidos.2 Ventilação natural A ventilação pode contribuir para a perda de calor da pele por convecção e evaporação. 3. Norman Foster.36 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O Figura 41 . figuras 43 e 44.Reichtag. diminuindo a sensação de calor.

em um mesmo prédio. do efeito termo-sifão. ela procura tirar partido dos ventos. vários sistemas passivos de ventilação. baseados nestas propriedades. do resfriamento por evaporação e da inércia térmica dos materiais. Fonte: Folheto distribuído no local. com grandes amplitudes térmicas diárias.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 37 Figura 43: Corte esquemático.com. Alemanha. conjugando ou não. Figura 44: Escola Adolph Bloch.br/ em 2/2/2005 A arquitetura iraniana apresenta um bom exemplo do uso da ventilação natural.arcoweb. .Academie Mont Cenis. Fonte: www. Rio de Janeiro: circulação ventilada e sombreada com cobogós. Produzida para um clima quente e seco.

. Dispositivos de controle podem fechar ou regular os septos. Ao passar pela água. A passagem do ar por repuxos de água ou mesmo por grandes cisternas subterrâneas faz com que. 3. com grandes amplitudes térmicas diárias.38 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O A torre de vento iraniana. O ar penetra na torre e é conduzido aos ambientes internos devido à diferença de pressão causada pelo vento. O invólucro externo. podem ser utilizadas espessas paredes de adobe. possui apenas pequenas aberturas que evitam a penetração direta dos raios solares. se umidifica e chega a ser 20 oC inferior à temperatura externa. Figura 45: Seis torres de ventilação iranianas e um reservatório.destinationiran. simultaneamente. possuindo aberturas em seu topo e septos internos para separar os fluxos de ar ascendente e descendente.htm / em 2/2/2006. se eleva acima do prédio e de um reservatório de água a que está conectada (figura 45). edificada desde o século X. Fonte: http://www. efeitos muito desejáveis em tal clima.com/Vernacular_Structures. ou envelope predial. figura 46.3 Massa térmica Nas construções das regiões desérticas. com grande inércia térmica e com muitas horas de atraso na transmissão do calor externo para o meio interno. direcionando o ar ao ambiente desejado. se diminua a sua temperatura por evaporação e aumente a sua umidade relativa.

Petra. o aproveitamento do sítio natural se impõe e apresenta resultados adequados. Fonte: Fabrício Fontenelle. Figura 47: Casas escavadas na montanha. a utilização de materiais leves e ambientes em contato permanente com o ar exterior. A arquitetura indígena brasileira (figura 48) é um bom exemplo da aplicação dessas estratégias. Jordânia. buscando a melhor ventilação e sombreamento possíveis. de pequena amplitude térmica diária. como mostra a figura 47. .com/articles/ IMG_04.htm em 29/4/2006 Em algumas situações. são estratégias típicas dos padrões arquitetônicos das regiões tropicais.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 39 Figura 46: Yemem do Sul Fonte: http://globalecovillage. do ponto de vista bioclimático. visto utilizar materiais pouco densos (de baixa inércia térmica) e permeáveis ao ar (facilitando a movimentação do ar). Por outro lado.

40 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O Figura 48: Arquitetura indígena brasileira .brasiloeste.de inverno) e. para o Sul (que no hemisfério Norte recebe a insolação. Ganhos solares x sombreamento Os índios Pueblos mexicanos sobreviveram às condições inóspitas do clima semi-árido continental do Colorado. E.br/ xavantes 3. Fonte: www.U. índios Pueblos.4.México. htm em 29/4/2006 .farhorizon. Suas habitações se localizavam em uma encosta bastante íngreme e recortada.A. O agrupamento de habitações está orientado. eles foram se localizando em posição mais ao fundo do vale ou mais elevada na encosta. Figura 49: Foto e esquema da insolação em Mesa Verde .tribo Xavantes. de forma a preservar a visibilidade ao sol do inverno. Fonte: http://www.com/southwest/s-west. figura 49. à medida que novos grupos de edificações foram sendo construídos. de forma inteligente.com.

Le Corbusier. é considerada uma estratégia ativa.5. como pode ser visto na figura 50. ao mesmo tempo. Foto: Schmidt. . projetada com estratégias passivas. entretanto. UFA Fabrik.telegraphindia. Estratégias híbridas Muitas vezes o mesmo projeto aplica técnicas ambivalentes visando ao atendimento de diferentes condições. Índia. como ilustrado na figura 51. gerando um produto denominado híbrido.de/ DialogueNetwork/ DN_A. projetado por Le Corbusier para a Índia.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 41 O Palácio de Chandigarh. Não há qualquer impedimento. Figura 51: Cobertura verde com painéis solares. possui proteções à radiação solar direta. Fonte: http://www. para que esta estratégia seja utilizada de forma integrada a uma edificação bioclimática. A utilização de painéis solares. pois este é um equipamento que gera aproveitamento da energia solar para aquecer água ou gerar energia elétrica.fsp-wib. Berlim.com 3. Figura 50: Palácio de Chandigarh. por exemplo.tu-berlin. Fonte: www.

resfriamento evaporativo. por meios ativos ou passivos. aquecimento solar passivo. o condicionamento ativo do ar e a calefação são recomendados. disponibilidade de luz e calor solar. e as estratégias bioclimáticas citadas não são suficientes para garantir o conforto térmico ambiental.1 Arquitetura vernacular Ao se analisar a evolução dos padrões arquitetônicos ao longo da história. verifica-se que a percepção das condições climáticas locais .4 ESTRATÉGIAS BIOCLIMÁTICAS E TIPOLOGIA ARQUITETÔNICA O estudo do clima e das estratégias bioclimáticas foi implementado por diversos autores. dando origem a padrões arquitetônicos regionais adaptados ao clima e com adequadas condições de conforto. propriedades físicas dos materiais e técnicas construtivas . Figura 52: Carta Bioclimática adotada para o Brasil. 1997. et al. a umidade do ar. que podem ser: ventilação. a colocação dos dados climáticos locais (temperatura e umidade do ar) no diagrama nos permite estudar a estratégia adequada para o projeto de arquitetura (figura 52). sua velocidade ou a radiação térmica emitida por superfícies próximas.. Assim. figuras 53 e 54. Esta área pode ser expandida se aumentarmos. A “área” interna contém os pontos que representam situações de conforto para diversas combinações de temperatura e umidade. umidificação. segundo os parâmetros ambientais de temperatura e umidade relativa do ar. 4.moldou formas e proporções. segundo os dados de umidade e temperatura do ar indicados por Givoni. configurando as 9 diferentes estratégias de projeto. . Quando o clima é extremamente quente ou frio.variação diária de temperatura. Givoni apresentou com êxito um diagrama bioclimático que representa graficamente os limites de uma zona de conforto térmico humano. Fonte: Lamberts. massa térmica.

Fonte: http://www. .mipshaus. 4.de/ em 29/4/2006.Iglu no Alaska/EUA. O uso da luz natural e o aproveitamento da capacidade térmica do piso visam a minimizar a demanda de energia elétrica para climatização. Os discursos bioclimático e de sustentabilidade têm sido usados com frequência para justificar projetos com graus muito diferentes de boa adequação ao clima e real eficiência energética. Várias tecnologias direcionadas para a sustentabilidade foram incorporadas ao projeto de Norman Foster para Commerzbank.Arquitetura vernácula .44 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O Figura 53: Arquitetura vernácula . usando de forma integrada as fontes renováveis de energia.arredores de Maceió Foto: Louise Lomardo Figura 54 . mostrado nas figuras 55 e 56.2 Arquitetura contemporânea A arquitetura contemporânea tem apresentado soluções bioclimáticas interessantes.

Arq. figura 57. possuindo proteções de uso opcional para a captura dessa energia no verão.Foster. Frankfurt.ch/merits/19o_e. O Instituto Americano de Arquitetos concedeu uma citação de excelência ao projeto elaborado por RMC Constructors.ch/merits/19o_e. . Todas as salas possuem luz natural e visão dos jardins. N.szs. Fonte: http://www.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 45 Figura 55: Commerzbank.szs. Figura 56: Commerzbank. Frankfurt.html em 2/12/2006. Fonte: http://www.html em 2/12/2006. Corte esquemático. A cobertura tem aberturas orientadas para captar a energia solar no inverno.

Fonte: www. não mostram uma arquitetura realmente preocupada com a questão climática. é um exemplo da arquitetura pós-moderna. Os largos painéis para direcionar os ventos e os seus balcões são diferentes para cada pavimento com a justificativa de obter a eficiência ambiental máxima. California por RMC Constructors. Fonte: http://www. sem qualquer proteção contra a incidência da radiação solar.thecityreview.arthurdyson. Porém.com/sky3. Ken Yang.html em 29/4/2006. A torre de vinte e um pavimentos. mostrada na figura 58.46 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O Figura 57: Office Building. Malasya. O edifício Rio Branco 1. foi vendido como um prédio inteligente do ponto de vista da automação. Figura 58: Menara UMNO Building. foi desenhada com o objetivo de ser bioclimática.com em 29/4/2006. Fresno. Projetado pelo escritório Musa. localizado no Rio de Janeiro. Arq. os extensos panos de vidro em todas as fachadas. .

Fonte: www. .E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 47 Figura 59: Prédio Rio Branco 1.arcoweb.br em 29/4/2006.com. Escritórios Musa.

5 TENDÊNCIAS ARQUITETÔNICAS E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NOS EDIFÍCIOS 5. Dessa forma. Recentemente. buscaram se adequar às novas exigências e criaram até disciplinas que excedem esse mínimo exigido. As escolas de arquitetura. Por exemplo. em nova versão. ambientais (clima e materiais) e econômicas (capital disponível e tempo de retorno de investimento). mais altos da energia. como “Conforto Ambiental II” e “Conservação de Energia no Ambiente Construído”. e de preços. utilizando novas tecnologias. o que pode ser minorado por meio de trabalhos com desenvolvimento e orientação simultâneos. 5. apenas nela se insere de forma mais eficiente. em duas ou mais disciplinas. consequentemente. Sua importância cresce na medida direta da escassez. em um curto período de tempo. Sistemas Estruturais e Conforto Ambiental.2 Arquitetura e tendências arquitetônicas As necessidades da atual sociedade urbanizada são bastante complexas. Contudo. ainda ocorre com frequência nos cursos de arquitetura uma falta de integração entre as disciplinas. muitos arquitetos têm projetado prédios intencionalmente econômicos do ponto de vista energético. Por esses motivos assistimos. Instalações Prediais. uma vez que está relacionada direta ou indiretamente a todos eles. não questiona a atual organização social. .1 Histórico do ensino de conforto O ensino de Conforto Ambiental nas escolas de arquitetura tornou-se obrigatório em 1995 com o novo currículo de arquitetura então definido. Esta tendência da arquitetura denominada ativa. técnicas (conhecimentos e equipamentos disponíveis). o status da anterior. Os critérios de projeto para atendimento destas necessidades delimitam-se por avaliações interativas das questões sociais (funcionalidade. pode-se integrar os conteúdos das disciplinas Projeto de Arquitetura. a partir daquela época. os projetos serão mais abrangentes e atenderão aos múltiplos requisitos que habitualmente a arquitetura deve atender. a importantes evoluções tecnológicas com aumento da eficiência no campo da refrigeração e iluminação. estética e conforto). A componente energética tem assumido crescente relevância em meio a esses critérios. mas que reeditam.

e só foi possível. pode ser radicalizada a ponto de excluir totalmente o fornecimento de energia comercial ao prédio.50 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O Já a arquitetura denominada bioclimática ou passiva procura reduzir a suscetibilidade dos prédios às perturbações ambientais como meio de conservar energia. a uma “simplificação” estética (todas as fachadas igualmente envidraçadas). contribuir para o desenvolvimento sustentável. A abordagem. por meio da eficiência energética e da consequente rentabilidade econômica. acima apresentada. Há também aqueles não-preocupados. diferentes posturas dos arquitetos atentos ao problema energético. de forma geral. orientação e aberturas são estudados no sentido de otimizar o aproveitamento das energias disponíveis (luz. que relegou a adequação às condições climáticas a um segundo plano. O ideal utópico de completa independência das redes de fornecimento público traz em si um questionamento à centralização política e econômica. passando então a se denominar arquitetura autônoma. que produzirão ainda prédios de baixa eficiência energética. a imensa área já construída em períodos anteriores que permanecem em uso. 5. Acredita-se que uma síntese criativa entre as antigas técnicas de construção e a moderna tecnologia é possível. . buscando alternativas de descentralização similares às das fontes de energia renováveis e não se coadunando com o fenômeno urbano atual. Fonte: Acervo do arquiteto. mesmo que para tanto utilize equipamentos de captação ativos.). devido ao desenvolvimento simultâneo dos sistemas ativos de conforto térmico ambiental. dessas três tendências de arquitetura não pretende de forma alguma ser completa. Esta última tendência. a possibilidade de abrir totalmente os vãos das fachadas surgiu na revolução industrial com o advento da estrutura metálica e do vidro plano. ventos etc. seus materiais. Apenas discrimina. A forma do prédio.3 Arquitetura e dependência cultural Historicamente. Essa possibilidade fascinou alguns arquitetos e os conduziu. e ainda. Arquiteto Severiano Porto. calor. Figura 60: Campus da Universidade do Amazonas. aos poucos. figura 60.

necessitando constantemente de equipamentos mecânicos em funcionamento para amenizar as adversidades climáticas provocadas pelo seu invólucro tão impróprio.edu/class/arch4443/50 em 2/12/2005 . contudo. mostrado na figura 61. infelizmente. Esta linha de arquitetura foi chamada de “Internacional”. Foram construídas em quase todo mundo altas torres de vidro caracterizando uma dependência cultural extrema. referência internacional. Figura 61: Seagram Building. Uma geladeira no inverno e uma estufa no verão. O Seagram Building. é um marco da arquitetura moderna. pois que não se adaptam a clima algum. a sua falta de adequação climática também foi. uma referência muito seguida.ou.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 51 A energia era barata o suficiente para não inviabilizar empreendimentos que fossem vorazes consumidores de energia. de autoria de Mies Van der Rohe. Fonte: http://www. Mies Van der Rohe.

consumidores de energia elétrica. Figura 62: Casa em Cabo Frio. Não se pode imaginar que um mau projeto poderá ser socorrido pela tecnologia e se tornar. p.4 O clima como condicionante arquitetônico: potencialidade. Fonte: Revista Projeto 83. jan. como ilustrado pelo Palácio Capanema (figura 63). Arquiteto Severiano Porto. de autoria de Lúcio Costa e equipe.52 E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 5. como o respeito à cultura local e à ecologia. A existência de climas adversos e de programas arquitetônicos complexos impõe. Os edifícios realmente inteligentes começam com uma arquitetura atenta às especificidades locais. assim. A arquitetura contemporânea pode valorizar essa linguagem e tentar apropriar-se dela fazendo sempre uma releitura crítica e criativa. 47. à qual pode-se somar tecnologias modernas. 1986. muitas vezes. A adequação ao clima específico e o respeito à disponibilidade local de materiais e de mão-de-obra levam à adoção de vocabulário e de tipologias que muitas vezes já são apresentados na forma mais pura da arquitetura vernácula. inteligente. mas a adoção de melhores práticas arquitetônicas e de tecnologias sempre poderá contribuir para que o aporte de energia elétrica seja minimizado. o uso de sistemas artificiais. limitações e repertório arquitetônico O regionalismo das soluções arquitetônicas vem confirmar os aspectos da sustentabilidade citados por Sachs. .

Exemplo de arquitetura inteligente.com. Rio de Janeiro.br em 2/12/2005. .arcoweb. Foto: www.E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A N O S E D I F Í C I O S E S U S T E N TA B I L I D A D E N O A M B I E N T E C O N S T R U Í D O 53 Figura 63: Prédio do MEC.

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