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INTRODUÇÃO À TEORIA DAS PROJEÇÕES ORTOGONAIS

(Método Mongeano estudo do Ponto, Reta, Plano e representação em Épuras)

Conteúdo teórico e referência para os exercícios práticos extraídos da publicação: Desenho Técnico Básico - Fundamentos teóricos e exercícios à mão livre, Volumes I e II. José Carlos M. Bornancini, Nelson Ivan Petzold, Henrique Orlandi Junior

resume-se à figura da verdadeira grandeza des. Em Desenho Técnico. 4 que tem a propriedade fundamental por ser cilindríca. ao contorno e detalhes daquela face.do uma direção de observação determinada. entretanto. No entanto. arestas e eixos de simetria paralelos ou perpendiculares entre si e sua representação. segundo uma direção perpendicular ao meio de determinada face do objeto.to sobre um plano de referência . O aspecto simplificado. isto é. Uma vista ortográfica representa. 5. a projeção cilíndrica ortogonal de um objeto. 2. então. pois desaparecem as outras que lhe são perpendiculares. um aspecto particular do objeto. desaparecendo a forma das demais faces que lhe são perpendiculares cujas projeções reduzem-se a linhas. para que desapareçam os efeitos perspectivos. colocado com uma de suas faces paralelelas ao plano de projeção. Fig. denomina-se vista ortográfica a figura resultante da projeção cilíndrica ortogonal do obje.sa face. FAUPUCRS 2 . Assim. baseada na experiência visual. ele se fundamenta nos seguintes fatos de experiência expe. pois. resultante da diminuição no número e nas deformações das linhas observadas. com caráter exclusivamente convencional. somente se torna completo quando a observação centrada é feita desde uma distância suficientemente grande. Geralmente os objetos de engenharia possuem faces. nesse método. FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS O método de representação pelo sistema de vistas ortográficas fundamenta-se no método descritivo idealizado por Gaspar Monge. 1.riência cotidiana: Quando se tenta a representação plana de um objeto. verifica-se que existem posições particulares que acrescentam ao observador um aspecto simplificado. 3.MÉTODO DE REPRESENTAÇÃO PELO SISTEMA DE VISTAS ORTOGÁFICAS FUNDAMENTOS INTUITIVO O método de representação por meio de um sistema de vistas ortográficas é apresentado. Essas posições particulares correspondem à observa-ção centrada. A representação deste objeto reduz-se. Fig. Fig. A operação básica desse método é a projeção cilindríca ortogonal Fig. Fig. segun. habitualmente. corresponde exatamente aos princípios intuitivos anteriormente referidos. sem que se faça qualquer referência à sua base intuitiva. de representar em verdadeira grandeza as figuras do espaço que forem paralelas ao respectivo plano de projeção.

residindo ai a principal vantagem do método em estudo. 1 . para poder representá-lo de maneira inequívoca. Fig. 8a. que geralmente garantem a univocidade da representação do objeto. outro horizontal e o terceiro de perfil. Fig. devido à falta de informações sobre as restantes faces do sólido.Cabe destacar aqui as duas principais distinções entre o método descritivo de Monge e sua aplição no Desenho Técnico.habitualmente obtidas sobre três planos perpendiculares entre si. assim simplificada. 7 Em virtude da já mencionada regularidade geométrica dos objetos de engenharia. em face do emprego de letras na identificação dos vértices e arestas das figuras representadas. vista superior (VS) e vista lateral esquerda (VLE). é ambígua. Planifica-se esta representação rebatendo o plano de perfil e o plano horizontal sobre o vertical. utilizando-se por isso um triedro trirretângulo de referência. Essa identificação sendo impratícável no Desenho Técnico. o método que estamos estudando representa os objetos do espaço por meio de um sistema de vistas ortográficas. onde se resolvem os problemas de representação com objetos colocados em qualquer posição relativamente aos planos de referência. O mesmo não ocorre em Geometria Descritiva. são necessárias duas ou mais vistas ortográficas do objeto. FAUPUCRS 3 . a utilização de apenas dosi planos de referência é possível em Geometria Descritiva. torna. dispostas de modo coerente. 8c. Em Desenho Técnico o objeto é colocado com as suas faces paralelas aos planos do triedro. com a verdadeira grandeza dessas faces¹. de modo a obtê-las em verdadeira grandeza na projeção . o que Determina três vistas ortográficas. A Segunda distinção é encontrada no posicionamento do objeto. Essas três vistas ortográfica habituais. que definem um triedro trirentângulo como sistema de referência. A verdadeira grandeza das vistas permite definir com exatidão a forma e as dimensões do objeto. são denominadas: vista anterior (VA). recorrendo raramente ao plano de perfil. obrigatória uma terceira representação. Fig. normalmente. para definir de modo inequívoco a forma dos objetos. pois a ela poderiam corresponder diversos objetos diferentes. A fim de satisfazer essa condição. A primeira delas consiste em ser o método Mongeano essencialmente diédrico. 6 Por esta razão. 8b. é facil dispô-los de modo a satisfazer a condição de paralelismo das duas faces com os três planos do triêdro. um vertical.É evidente que uma única vista.

13.vista anterior ou de frente VLE . a peça será representada. 11. 9 Quando a vista oposta a uma habitual for idêntica a esta ou totalmente desprovida de detalhes ( lisa ). definidas pela ABNT como vistas principais. apenas. DIEDROS USUAIS Os dois planos de projeções. considerou-se o objeto situado no 1º diedro. 14. são as seguintes: VA . Fica assim formado o paralelepípedo de referência. ainda.vista lateral esquerda: à direita da VA VS . formam diedros que dividem o espaço em outras tantas regiões e cuja aresta comum é a linha de terra. Pode-se . não é necessária a sua representação. é necessário apresentar as vistas opostas às habituais e. perpendiculares entre si e paralelos aos três primeiros. Se isto ocorrer para os três contornos. colocá-lo no 3º diedro pois neste também se evita o inconveniente da superposição das projeções.vista superior: abaixo da VA VP .vista posterior: à direita da VLE e simétrica da VA em relação à VLE VLD . são utilizados mais três planos de projeção. 14 Até agora. 12a e 12b. Fig. Fig. bastando a vista habitual. 10.vista inferior: acima da VA e Simétrica da VS em relação à VA Quando o objeto possui faces inclinadas em relação aos planos do paralelepípedo de referência e se necessita representar a verdadeira grandeza dessas faces. A denominação e a disposição das 6 vistas ortográficas. para isto. Fig. como concebidos por Monge. No caso de sólidos assimétricos. Como cada contorno pode ser observado em dois sentidos opostos. paralelos àquelas faces e rebatidos sobre os planos habituais. FAUPUCRS 4 . Fig.EXTENSÃO DO MÉTODO Até aqui.vista lateral direita: à esquerda da VA e simétrica da VLE em relação à VA VI . O desenvolvimento do paralelepípedo de referência acha-se representado nas Figs. considerou-se apenas a representação de três faces que correspondem aos três contornos de um objeto de forma paralelepipédica ( prisma reto de base retangular ). pelas três vistas habituais. Convencionamente consideram-se opacos os planos de projeção no 1º diedro e transparentes no 3º diedro. são possíveis mais três vistas opostas às habituais. o que aconteceria no emprego do 2º e 4º diedros. Fig. deverão ser utilizados planos de projeção auxiliares. quando o rebatimento dos planos fosse realizado do modo exposto na Fig.

Fig. A composição do paralelepípedo de referência no 3º diedro e o rebatimento de seus planos ( planificação ) são feitos como indicado nas Figs. entretanto. temos a disposição da Fig. no 3º Diedro. como se vê na Fig. 16. está representada na Fig. 20. que se apóiam tanto sobre as arestas do objeto como sobre as superfícies curvas que limitam o seu volume.REPRESENTAÇÃO NO 3º DIEDRO: A disposição de vistas habituais. também. As arestas correspondem às intersecções de faces planas ou curvas do objeto e os contornos aparentes são percebidos quando os raios visuais tangenciam uma superfície curva. Fig. em geral.vista posterior: à esquerda da VLEe VLD . adotam o 1º diedro. A Norma Brasileira recomenda o uso do 1º diedro mas permite. Esses aspectos lineares do objeto que se pretende representar tanto podem ser arestas como contornos aparentes. traçam-se todas as projetantes paralelas à direção P. ELEMENTOS CONVENCIONAIS DO MÉTODO DE REPRESENTAÇÃO Representação linear A representação em Desenho Técnico é Linear Plana. 2ª) A denominação das vistas e sua disposição no desenho correspondem à posição das faces no objeto. FAUPUCRS 5 . o uso do 3º diedro. perpendicular ao plano de projeção.vista lateral esquerda: à direita da VA VS . Para Às três vistas opostas às habituais. 17. A denominação das vistas é a mesma. duas razões tornam mais intuitiva a utilização do 3º diedro: 1ª) O aspecto de uma face é representado num plano colocado à frente do objeto e não atrás como no 1º diedro.vista inferior: abaixo da VA Pelo acima exposto. enquanto o 3º diedro é utilizado nos Estados Unidos e no Canadá. Ao projetar ortogonalmente um objeto sobre um plano. sua disposição. 15. 22. utiliza linhas desenhadas no plano para representar aspectos lineares dos objetos tridimensionais. é diferente da do 1º diedro. isto é. Os países europeus.vista lateral direita: à direta da VA VI . a saber: VA .vista anterior ou de frente VLE . 18 e 19.vista superior: abaixo da VA VP . 19.

24. coincidência de vários desses elementos do espaço. 27 estão representadas as convenções relativas ao início e término das linhas invisíveis. Fig. na superfície do objeto. somente serão representadas aquelas linhas invisíveis cujas projeções não coincidem com a de elementos visíveis. convencionalmente. com essa convenção a necessidade de representação de duas vistas opostas de um mesmo contorno. para uma determinada posição de observação do objeto. quando a peça não for simétrica. a não ser que atinjam a superfície do objeto.As intersecções dessas projetantes com o plano de projeção determinam sua vista ortográfica. As projetantes que se apóiam sobre as linhas que existem. Fig. na superfície do objeto. Se esses detalhes não emergirem na superfície. por meio delinhas interrompidas. No caso de objetos formados por sólidos de revolução. ou um contorno aparente. 23a. Na projeção de uma face. Evita-se. Os pequenos traços de comprimento uniforme que constituem a linha interrompida são mais finos que a linha cheia e o intervalo entre eles é menor que a metade do seu comprimento. Detalhes interiores não serão representados nesta convenção. ou ainda. Portanto. Ao ser desenhada a vista ortográfica correspondente. sua representação somente será possível por meio de um corte. Fig. 23c. 25. 26. determinam a projeção das arestas. uma linha cuja projeção representa o contorno aparente do objeto. na mesma. A representação da vista oposta a uma vista habitual passa a tornar-se necessária quando o número e complexidade dos detalhes invisíveis e sua coincidência parcial com linhas visíveis impedem uma fácil identifição dos mesmos. realmente. trata-se de uma aparência que varia com a direção de observação. Fig. realmente. FAUPUCRS 6 . uma linha de uma vista ortográfica pode representar: uma intersecção. Essa linha não existe. normalmente. Linhas Invisíveis As linhas invisíveis são arestas ou contornos que ficam ocultos. essa linha coincide com uma geratriz dos mesmos que é denominada geratriz -limite. As projetantes tangentes à superfície curva de um objeto definem. Fig. como resultantes das intersecções das suas faces. Na Fig. 23b. representam-se essas linhas Invisíveis. Fig.

Por isso. Vistas adjacentes e linhas de chamada As vistas colocadas com suas dimensões comuns paralelas são denominadas adjacentes. afastamento e abscissa ) referidas aos planos de projeção. Fig. As vistas ortográficas desse objeto seriam então desenhadas obedecendo aquela seqüência de operações de montagem ou corte. suas próprias dimensões. tais como: prismas. Por exemplo: a VA e a VLE são adjacentes. Fig. medida tomada Perpendicularmente a dos planos frontais. 28b ŸPROFUNDIDADE. bem como a VS e VLE. Fig. etc. ponto por ponto. tomadas paralelamente aos planos de projeção e tendo como referência as faces ou eixos de simetria do próprio objeto.Linha de terra e traço do plano de perfil Em desenho Técnico não se representam nem a linha de terra nem o traço do plano de perfil. deve-se analisar quais os sólidos geométrico elementares que adicionados ou subtraidos levam à sua obtenção. medida tomada perpendicularmente a dois planos de perfil. 29 ANÁLISE DA FORMA DOS OBJETOS Todos os objetos podem ser considerados como compostos de sólidos geométricos elementares. ou negativa ( subtriados ). Linhas de chamada são linhas paralelas que ligam as projeções de um mesmo ponto em vistas adjacentes. decorrentes do próprio mecanismo da projeção e do rebatimento dos planos. 28a. utilizam-se. Em Desenho Técnico. as dimensões do mesmo são denominadas convencionalmente de : Ÿ ALTURA. FAUPUCRS 7 . Uma vez escolhida a posição do objeto em relação aos planos de projeção. Pode-se dispor as vistas a distâncias arbitrárias umas das outras. Fig. As vistas que não têm dimensões comuns paralelas são denominadas correlatas. 28c. em função das respectivas coordenadas ( cota. desde que obedecidas as regras de posicionamento relativo das mesmas. Fig. ŸLARGURA. cilindros. 30a. 30b. Construção das Vistas Em Geometria Descritiva constroem-se as figuras. medida tomada perpendicularmente a dois planos horizontais. antes de representar um objeto por meio de suas vistas ortográficas. devido a regularidade dos objetos habitualmente representados. Fig. bem como a VA e VS. correspondendo às projeções das projetantes desse ponto sobre os planos. utilizados em forma positiva ( adicionados ). Por exemplo: a VS e a VLD. para construir as vistas. cones.

32. 31. assim uma representação no sistema de vistas ortográficas somente será compreendido de modo inequívoco se cada vista for interpretada em conjunto e coordenadamente com as outras. isto é. Regra daconfiguração: . FAUPUCRS 8 . Regra das figuras contíguas: . sobre a mesma linha de chamada. Fig.As figuras contíguas de uma mesma vista correspondem a faces do objeto que não podem estar situadas no mesmo plano. Fig. Além dessas três regras básicas. no segundo caso é perpendicular a ele.Uma face plana do objeto projeta-se com a sua configuração ou como uma linha reta. é útil saber que. A leitura das vistas ortográficas é grandemente auxiliada pela aplicação das três regras fundamentais: Regra do alinhamento: . Fig.As projeções de um mesmo elemento do objeto nas vistas adjacentes acham-se sobre o mesmo alinhamento. o mesmo detalhe estará mais próximo. qualquer detalhe voltado para o observador em uma determinada vista aparecerá mais afastado dela em uma vista adjacente.LEITURA DE VISTAS ORTOGRÁFICAS Assim como a compreensão de um texto depende da interpretação de cada palavra em função do seu correlacionamento com as demais. Se as projeções forem executadas no 3º diedro. usando as projeções no 1º diedro. No primeiro caso a face é inclinada ou paralela ao plano de projeção. 33.