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FACULDADE DE BELÉM - FABEL CURSO DE TURISMO

RESENHA CRÍTICA AS FUNDAÇÕES HISTORIOGRÁFICAS DA TURISMOLOGIA

Belém 2012

como requisito parcial da primeira avaliação. ministrada pela professora Rosângela Quintela.FABEL CURSO DE TURISMO RESENHA CRÍTICA AS FUNDAÇÕES HISTORIOGRÁFICAS DA TURISMOLOGIA Trabalho apresentado à disciplina metodologia do Trabalho Científico.FACULDADE DE BELÉM . Discente: Ana Gabriela Osório Velloso Turma: 3TUN1 Belém 2012 .

as ciências humanas não poderiam deixar de abraçar esse gosto emotivo pelo futuro e acolher com agrado a ciência nova que habita entre nós. a ciência do turismo. Acesso em 10/03/2012. considerando a gestão patrimonial e a educação dos sentidos. geografia. Disponível em: www. já possuem uma maturidade de. Segundo Flores (2005. 143). Essas informações constam seu currículo Lattes. Com o intuito de contribuir para os estudos turismólogos.Revista de História. IDENTIFICAÇÃO DO TEXTO: FLORES. científicos. A história. 3. João Pessoa. Professor da disciplina História e Turismo na graduação. INFORMAÇÕES SOBRE O AUTOR: Doutor em História Social pela Universidade Federal Fluminense.pdf. jan/jun. As fundações Historiográficas da Turismologia.” o escrito aponta que a ciência nova (ou ciência do turismo) deve ser acolhida fortemente como todos os outros ramos No trecho acima. no âmbito dos estudos turísticos. p. 2. nº12. . Foi coordenador do Programa de Pós-graduação em História. SAECULUM . Seria preciso reconhecer que a cientificidade e a disciplinaridade. duas décadas.ufpb. Elio Chaves.RESENHA CRÍTICA 1. o autor afirma que a Turismologia deve ser acolhida como uma nova ciência. “Por isso. 2005. podendo ainda ser enriquecida por todas as outras ciências já existentes. O autor foca principalmente no Nordeste Oriental. sociologia – são apenas maneiras de expressão que poderiam vir a colaborar ainda mais nesse aspecto.cchla. Professor Adjunto do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba.br/saeculum/saeculum12_art10_flores. RESUMO DAS IDEIAS DO TEXTO: O assunto abordado pelo autor. é a importância dos fatos históricos para a compreensão da prática turística exercida atualmente. pelo menos.

Associado com a história. a Turismologia pode tornar-se ainda mais rica. focando no fato de que não podemos ignorar os aspectos temporais e locais.Assim como outras ciências já trouxeram legados impagáveis para a sociedade atual. Foi diante desse espetáculo privilegiado que teria começado “o discurso constitutivo da ciência econômica”. e a forma que ele influencia a sociedade como um todo. [Flores. erguendo-se através de hierarquias sociais ativas. 2) a vida material ou civilização material. cujo volume na economia parece ser fantástico. fazendo o processo ser “humanismo da natureza levado a sério”. as feiras. 3) o capitalismo de exceção. as lojas. O Turismo não pode existir sem o pensamento e a elaboração do mesmo. financistas. exportadores. com seus mecanismos de produção. devemos associá-lo a outras áreas cientificas. o que aplica-se ao que Karl Marx escreveu sobre ciência. já que para o enriquecimento da prática. Apesar de Karl por si só não ser um turista. ao dizer que o espaço é a sociedade. explorando os aspectos culturais e históricos existentes nos locais onde atua. pág 143] . os bancos. as fábricas. uma enorme quantidade de “fatos miúdos que quase não deixam marca no tempo e no espaço”. Braudel ainda fala sobre o capitalismo. seria o seu entendimento sobre o fenômeno do capitalismo. também podendo contribuir de forma permanente de forma social. à margem das estatísticas e dos censos. Seria preciso creditar à parte informal da economia. um capitalismo sempre multinacional nas suas entranhas. da troca dos produtos e dos serviços. enfim. que pode ser apropriada e confrontada pelas análises turismológicas recentes. a Turismologia possui suas próprias características e contribuições. Braudel. antropológicas e historiográficas serviriam como apoio para a criação e organização da nova ciência. Desse modo. circulação. podem ainda ser vividas e experimentadas em sua prática. rente ao chão. consideradas “realidades nítidas e transparentes” como as bolsas. um estudioso de história Francês. sua obra engloba pontos importantes para o conhecedor dessa área. investidores. O Turismo aponta que as sociedades não morrem. que lida com patrimônio material diretamente. Braudel pretendeu explicar as escalas do capitalismo (os mundos do dinheiro e do trabalho) a partir de três processos: 1) a economia de mercado. acima dos demais. As contribuições sociológicas. como a sociologia. trocas de mercadorias e necessidades inventadas. . Seus escritos são de extrema importância para o turismólogo. afinal. Flores aborda abaixo: Outra importante contribuição do historiador Fernand Braudel. pelo que se sabe até agora. abordou o aspecto historiográfico a partir da vida material que a sociedade possui. sendo pelo o agente de atuação ou pelo pesquisador. cultural e econômica. seria uma zona de opacidade que se estende sob o mercado como uma atividade de base. não há turismo fora do padrão capitalista de acumulação. Braudel se relaciona com isso. como os grandes empresários. seus mitos e costumes fazem parte dela.

onde a população faça uso dessa prática de forma saudável benéfica para a sociedade. Deveria existir uma renovação da mentalidade dos gestores atuais. onde eles presassem inteiramente pela melhora da sociedade. foram feitas no intuito de popularizar o turismo. Propostas como as do Francês Jean Zay.A questão fundamental para o operador e pesquisador do Turismo é compreender o tempo e espaço presentes (aqui e agora) para a história e patrimônio. tornando-se inserida nessa realidade. sabendo que o mesmo não é individual. o turismo possui uma distinção clara de classes sociais. possui um trabalho que tem um grande importância turismológa. Ele também fala sobre os inúmeros problemas que o Brasil enfrenta no aspecto turístico – o descaso dos gestores públicos. tendo em vista que é um produto ligado diretamente ao capitalismo. Eric Hobsbawm. a naturalização da pobreza. incentivando o turismo como uma das formas de lazer e recreação locais e valorização da cultura. Ele propõe um turismo sustentável. prostituição – e como somente um mudança na mentalidade dos gestores municipais (e da sociedade como um todo) poderiam solucionar os problemas hoje enfrentados. O seu acervo é constituído por um conjunto de pesquisas que compreende os diversos fluxos populacionais. o capital gerado com isso. O autor ainda aborda o mal funcionamento e planejamento dos gestores públicos ao tratarem o turismo. porém foram descartadas por serem inviáveis no modelo de organização social atual. e também alteraram permanentemente a maneira que a prática do turismo é exercida. . Para a ciência social das viagens. e como a indústria do turismo surgiu de forma espontânea. da historicidade para a memória. Com as revoluções cultuais. é interdisciplinar e lida diretamente com os aspectos culturais e sociais onde é praticado. Jamais o oposto desse fluxo. novas formas de comunicação surgiram. com o próprio avanço da modernidade.

Uma cultura escolar turismológica seria. o autor cita a importância da associação do turismo com outras ciências já existentes. o Mercado. Pois. aborda assuntos de extrema importância para qualquer indivíduo da prática turística. a interpretação das heranças e tradições culturais e. que vise o estudo minucioso dos vários aspectos do Turismo. tendo em vista que a prática do turismo não é algo isolado. o autor dá vida a uma nova compreensão do turismo que surge diante dos nossos olhos – de que indiscutivelmente. . E que virtudes seriam essas que se inscrevem nos manifestos revolucionários? Todas aquelas proporcionadas pela história que. da sociedade. portanto.O autor salienta a necessidade de um turismo livre. na feliz expressão de Paul Lafargue. A construção de uma nova ciência. mas como do morador local. uma base sólida para continuar sua tese. como a associação do turismo com outras ciências – criando assim uma nova ciência. os poderes públicos deveriam se apropriar deste conhecimento e colocar em prática para o beneficio não só do turista.” [Flores. somente quando o cidadão consegue fazer turismo é que ele começa. a turismologia ganha corpo para tornar-se uma nova ciência. a pedra removida do meio do caminho. pública e patrimonial. só podem trazer resultados positivos para o avanço do turismo social e culturalmente democrático. por último. onde todas as camadas da sociedade possam usufruir deste direito como de todos os outros já previstos em outros aspectos sociais. Explorando esse aspecto. O mesmo ressalta que tanto o indivíduo que pratica o turismo quando o que o estuda. flecham o olhar do ser protagonista para o livre pensamento. sem ser o menos importante. que busque principalmente. defendendo veemente um turismo sustentável. o conhecimento profundo de todos os aspectos da atividade..] e ao turismo está inscrito no constitucionalismo brasileiro e deve ser preocupação dos governos afirmativos como um direito: um direito social básico como a saúde. Com várias citações de historiadores e sociólogos renomados. para o encantamento com o Outro. precisa compreender essencialmente o lugar e o tempo que estão. a capacidade de construir uma educação dos sentidos. para que crianças e jovem não sucumbam no esquecimento de si mesmos. saudade rediviva de uma viagem que jamais se finda. pág 162]. 4. Ele busca na história. nunca ignorando os aspectos historiográficos e sociológicos que possui. o diálogo consigo (de si para si). e a maneira que o turismo é aplicado na sociedade atual e as mudanças necessárias para que haja um melhor aproveitamento do mesmo. Uma utopia propedêutica levanta os nossos olhos do chão amargurado do Agora: não há como negar que no mais árido dos desertos mentais ainda é possível a educação pela pedra. o mais grave sintoma de uma amnésia social cultivada pelos profetas da Mão Invisível. mas depende diretamente do ambiente que o cerca.. Assim. e da história para sobreviver. o autor realça a importância deste movimento para o avanço da atividade. moradia e segurança. Flores finaliza o texto com o seguinte parágrafo: [. REFLEXÃO SOBRE O TEXTO O autor do texto. Enumerando os diversos aspectos que compõe a turismologia. numa ação cupida sem precedentes. “a praticar as virtudes da preguiça”. a espiritualidade. fazendo uma relação com as diversas vantagens que a sociedade gozaria com isto. educação.

O autor também critica o atual modelo de governo – que ignora o potencial turístico que tem. o desprezo das mazelas sociais. são os maiores problemas enfrentados no desenvolvimento do turismo no Brasil.que possa ser aproveitado por todas as classes sociais. Segundo o autor. (re) aprendendendo a fazer turismo. a mentalidade pequena dos gestores públicos. cultural e econômica. a única forma de resolver este problema seria uma renovação da mentalidade dos gestores e da população – resgatando-os e fazendo-os participantes diretos do Turismo – beneficiando a sociedade de maneira social. descartando os moradores locais e os benefícios sociais que esse tipo de turismo traria para estas populações. A má administração. .